Editorial Sociedade Brasileira de Dermatologia Afiliada à Associação Médica Brasileira
www.sbd.org.br
Diretoria 2009-2010 Presidente - Omar Lupi - RJ Vice-presidente - Bogdana Victória Kadunc - SP Secretária-geral - Maria de Lourdes Viegas - RJ Tesoureira - Maria Fernanda Gavazzoni - RJ 1a secretária - Célia Luiza P. Vitello Kalil - RS 2o secretário - Emerson de Andrade Lima - PE
Jornal da SBD Esta é uma publicação da Sociedade Brasileira de Dermatologia, dirigida a seus associados e órgãos de imprensa. Publicação bimestral - Ano XIV - n. 3 - maio-junho - 2010 Coordenador médico - Paulo R. Cunha Conselho editorial - Omar Lupi, Bogdana Victória Kadunc, Maria Fernanda Gavazzoni, Célia Kalil e Emerson de Andrade Lima Jornalista responsável - Erika Drumond - Reg. MT nº 31.383 Redação - Erika Drumond e Victor Gimenes Editoração eletrônica - Nazareno N. de Souza Estagiário de editoração eletrônica - Maurício Pacheco Versão On-line - Samuel Peixoto Contato publicitário - Priscila Rudge Simões A equipe editorial do Jornal da SBD e a Sociedade Brasileira de Dermatologia não garantem nem endossam os produtos ou serviços anunciados, sendo as propagandas de responsabilidade única e exclusiva dos anunciantes. As matérias e textos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores. Correspondência para a redação do Jornal da SBD Av. Rio Branco, 39/17o andar - Centro - Rio de Janeiro – RJ CEP: 20090-003 E-mail: imprensa@sbd.org.br Assinatura anual: R$ 120,00 Número avulso: R$ 20,00 Tiragem: 7.000 exemplares Impressão: Sol Gráfica
Sumário
02 03 05 06 08 10 12 14 17 18 21 26 28 30 32 34 36 38 41 42 44
Paulo R. Cunha - Coordenador médico do Jornal da SBD
Não bastam grandes ideais, trabalho árduo e o orgulho de ver os planos concretizados. É preciso que estejamos integrados em nossos objetivos e miremos um horizonte comum.A matéria de capa desta edição traz ótima notícia para a dermatologia brasileira: com a ajuda de todos os nossos dermatologistas, engajados a cada ano na Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer da Pele, conseguimos a certificação do Guinness Book como a maior campanha do mundo contra a doença. A conProf. Dr. Paulo R. Cunha quista seguiu difíceis trâmites burocráticos e exigiu empenho extra da atual diretoria, que coordenou com esmero as várias etapas do processo de certificação. O resultado alcançado é mérito da união dos esforços concentrados em 11 anos de trabalho, com mais de 350 mil atendimentos à população. A participação em eventos dermatológicos e a valorização do aprimoramento científico continuado são a base para o desenvolvimento de todo profissional. Sobre o tema, preparamos uma reportagem com os últimos detalhes do Congresso Brasileiro que se aproxima. Você também poderá se informar sobre o Congresso Mundial de Dermatologia, que ocorrerá em maio de 2011, em Seul, capital da Coreia do Sul. Na oportunidade, cerca de 30 dermatologistas brasileiros irão participar como coordenadores ou palestrantes de simpósios, fóruns e cursos. Outro evento para o qual chamo a atenção neste espaço é a segunda edição do Teraderm, que ocorreu em maio em São Paulo. Foi um verdadeiro sucesso. Quase 2.000 inscritos conheceram o que há de mais novo em terapias dermatológicas. Também merece destaque a atuação da SBD na promoção de um simpósio na última Reunião Anual dos Dermatologistas Latino-Americanos (Radla), em Buenos Aires. Mais assuntos importantes são abordados: a relevância do trabalho pioneiro do cientista Carlos Chagas em relação às doenças infecciosas e parasitárias. Em entrevista ao JSBD, o colaborador sênior do Instituto de Química da USP, Walter Colli, fala sobre o trabalho que vem realizando e explica como se dão as formas de transmissão da Doença de Chagas, que ganhou destaque recentemente, após a constatação da transmissão pela ingestão de alimentos contaminados pelo barbeiro. Publicamos ainda as últimas informações sobre o TED Especial, além do Projeto Residentes, que chega em seu segundo ano. Nos preparativos para as comemorações do centenário da SBD, em fevereiro de 2012, prosseguimos com a matéria intitulada “Com a palavra, o Professor Nelson Proença”. Encerrando o editorial, convido a todos, mais uma vez, para o Summer Meeting of Dermatology 2010, em dezembro, na Bahia. Os preparativos já estão bastante adiantados, e o trabalho tem sido intenso para que o evento seja memorável. Boa leitura e até a próxima edição!
Palavra do Presidente Notas Ombudsman Congresso Brasileiro Congresso Mundial SBD e ACT Radla Segundo Teraderm Radla Pele em Sintonia Projeto Residentes Doação de autoclaves Medicina Tropical DermAção Profissões e Dermatoses Ocupacionais TED Especial Grandes Mulheres da Humanidade SBD 100 anos Departamentos Regionais Serviços Credenciados
Matéria de capa SBD garante recorde no Guinness Book
22 Jornal da SBD
Ano XIV n. 3
1
Palavra do Presidente
Caro dermatologista, Dirijo-me a você trazendo ótima notícia: nossa recémobtida certificação pelo Guinness Book de que a Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer da Pele (CNPCP) promovida pela SBD é oficialmente a maior campanha médica mundial realizada em um único dia, além de ser também a maior campanha de diagnóstico e prevenção ao câncer da pele do mundo. Esse recorde pertencia até então à Academia Americana de Dermatologia (AAD) com 10 mil atendimentos; nosso empenho elevou o número de atendimentos reconhecidos pelo Guinness para mais de 34 mil, todos realizados no último dia 5 de dezembro de 2009, isso sem contar os quase quatro mil pacientes avaliados pelo Tour de Prevenção ao Câncer da Pele que circulou por inúmeras cidades brasileiras nas semanas subsequentes. Seria fácil neste momento apenas enaltecer nossa CNPCP de 2009, o comprometimento de todos os associados da SBD e a tenacidade da diretoria em obter essa certificação. Na verdade, isso até merece ser feito; mas este também é o momento de relembrar o trabalho de tantos anos de muitos abnegados dentro de nossa Sociedade, discutir de forma madura a necessidade de estimular muitos colegas a participar da CNPCP, bem como a necessidade de modernizar seu modelo. A matéria central desta edição faz um belo trabalho de recuperação da história de nossa campanha desde seus primórdios, ainda nos anos 80, até a sedimentação desse recorde com o total de 350 mil atendimentos nos 11 últimos anos. O mentor inicial da CNPCP, Prof. Jarbas Porto, estaria hoje muito satisfeito com a plena frutificação de seu projeto maior. Tive a oportunidade de desfrutar de seu convívio profissional, tendo sido seu aluno na época
2 Jornal da SBD Ano XIV n. 3
de graduação em medicina na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), de onde foi professor titular.Vale citar a máxima da vida docente segundo a qual um professor é grande quando é capaz de gerar uma escola; mais do que seus feitos pessoais, valem os alunos que forma e suas contribuições para o futuro. Nesse caso, o legado deixado pelo Prof. Jarbas Porto pode hoje ser chamado de “únicos maiores do mundo” sem nenhum exagero. Outro ponto que merece reflexão é a adesão restrita de muitos associados à CNPCP. A análise dos dados nacionais mostra que em muitos postos de atendimentos prevaleceram os residentes e sócios aspirantes da SBD; para que nossa campanha represente tudo que ela realmente é, a participação de todos os associados é fundamental. Aproveito para pedir seu voluntariado para a CNPCP de 2010, que já se aproxima. Cabe lembrar também aspecto que tem merecido nossa luta incessante: a modernização da campanha para que, com o tempo, ela não perca seu apelo. A introdução do Tour de Prevenção em 2009 ajudou a renovar a proposta da CNPCP; a obtenção desse recorde deve facilitar as parcerias para realizarmos suas futuras edições, mas devemos ter cuidado constante e dinamismo para que ela se mantenha interessante aos parceiros da indústria, à mídia e aos próprios dermatologistas. Dito isso só nos resta comemorar muito a obtenção do recorde. É um presente para todos os dermatologistas do Brasil e nos coloca no lugar que sabíamos ser merecido, mas ainda não era oficialmente reconhecido. Quero agradecer muito a todos vocês, colegas dermatologistas, chefes de serviços credenciados e presidentes de regionais, por terem confiado em nossa proposta de reconhecimento pelo Guinness, que incluía o aumento do tempo de atendimento para oito horas e a certificação meticulosa de cada posto de atendimento e de cada paciente avaliado no Brasil. Trabalho hercúleo que, após realizado, foi organizado por nossos funcionários da SBD, que se atiraram de corpo e alma no projeto. Pedimos a todos vocês mais doação e mais empenho, algo não tão simples em nossas vidas atribuladas, e fomos plenamente atendidos. Fico emocionado com essa manifestação de carinho, de profissionalismo e de confiança. Afinal, como disse Shakespeare em sua última peça teatral, A tempestade, “Nós somos feitos da mesma matéria dos nossos sonhos”. E hoje temos em nós todos os sonhos do mundo.
Omar Lupi Presidente da SBD
Notas Prêmio Fide para participação do Meeting AAD 2011 Estão abertas as vagas para os associados interessados em concorrer à bolsa da Federation for International Dermatological Education (Fide), que inclui curso grátis e uma bolsa de 2.500 dólares no Meeting da Academia Americana de Dermatologia (AAD) de 2011. Um dos requisitos para participar é ter algum trabalho na área de dermatologia tropical publicado ou aceito em revista científica entre 2007 e 2010 como autor ou coautor ou
Reciclar para preservar
ter inscrito algum trabalho na área de dermatologia tropical no Congresso Brasileiro da SBD 2010 como autor principal. Ele deverá ser apresentado no evento oralmente ou como poster. O período de inscrição vai até o dia 31 de julho. Serão disponibilizadas duas vagas. Para outras informações consulte o edital no site da SBD: www.sbd.org.br.
Dar destino adequado ao lixo é um dos grandes desafios da administração pública mundial. Preocupada com a preservação do meio ambiente, a SBD participa desde abril de 2009 do Programa Netuno, desenvolvido pelos servidores da Caixa de Construções de Casas para o Pessoal da Marinha (CCCPM), que tem um braço na coleta seletiva de papéis nos 19 andares do Edifício União Mercantil, em que está situada sua sede.A ação socioambiental inclui rotina de separação, armazenagem e retirada de materiais que podem ser reciclados, como papéis, jornais, revistas e papelão. Metais, plásticos e vidros também estão incluídos. O valor da venda é revertido em ações sociais. Em maio, por exemplo, foram recolhidos 440 quilos de material reciclável, e desse montante obtidos 43 quilos de alimentos destina-
dos à Colônia de Hansenianos em Venda das Pedras, em Itaboraí (RJ). Desde sua criação, em dezembro de 2008, o programa reaproveitou 3.900 quilos de papel, evitando o corte de 65 árvores. “Não é só separar e vender esses objetos. Nosso trabalho vai além do social. Queremos promover a educação ambiental, contribuindo de modo simples, mas significativo, para o fortalecimento da cidadania”, diz a assessora de Governança Corporativa da CCCPM, Marcia Nezzi. A tesoureira da SBD, Maria Fernanda Gavazzoni, sublinha a importância da coleta seletiva solidária para o compromisso da responsabilidade social corporativa:“Espero que nós, da SBD, continuemos contribuindo para fazer a diferença”, completa ao apostar no efeito positivo do exemplo.
Acervo ampliado A biblioteca da SBD acaba de receber importante doação de livros da AC Farmacêutica, agência científica do Grupo Editorial Nacional (GEN), que produz conteúdo e eventos na área da saúde. A entrada de 15 novas obras de grande relevância para a dermatologia vem engrandecer ainda mais o acervo da maior biblioteca da América Latina no segmento. Sílvio Araújo, diretor da agência, destaca que, com o apoio, a empresa cumpre sua função de colaborar para a qualificação do ensino da dermatologia, além de democratizar o conhecimento. "Nossa intenção é colaborar para o conhecimento do especialista. Ao dar essa complementação à biblioteca, contribuímos para que o acervo se torne mais completo e atualizado." A responsável pela Biblioteca da SBD, Rosalynn Leite, comemorou o recebimento das obras: "Passamos a ter um acervo de livros superatualizado que, somado às assinaturas de revistas internacionais, reforça o título de biblioteca mais completa da área de dermatologia do Brasil e da América Latina." Entre os títulos estão edições mais recentes dos livros: Fitzpatrick’s Dermatology in general medicine, Rook’s textbook of dermatology, Dermatology de Bologna J e Braun-falco’s Dermatology. A parceria com a AC Farmacêutica também resultará na edição do livro Rotinas no diagnóstico e tratamentos da SBD, que será lançado durante o 65o Congresso Brasileiro, em setembro, no Rio de Janeiro.
Site para o Sócio Em apenas uma semana de divulgação do projeto Site para o Sócio, cerca de 850 sócios titulares já manifestaram o interesse de ter seu site pessoal. O lançamento oficial do projeto foi adiado para o Congresso Brasileiro de Dermatologia, em setembro, no Rio de Janeiro. A previsão é de que 40% dos associados tenham seus sites desenvolvidos pela SBD.
Jornal da SBD
Ano XIV n. 3
3
0
01
s o t n e Ev
2 D B S da
Gilvan Alves Prezados colegas,
JULHO 20
28
29
30-1/8 30
30-31 31
Reunião mensal – Anatomoclínica (Hospital Universitário) Reunião mensal Reunião mensal Quarta Dermatológica – Biológicos e Dermatologia Radeco – Reunião dos Dermatologistas do Centro-Oeste Reunião mensal – Premiação casos clínicos + palestra Jornada de Cosmiatria – Fecomércio Reunião científica – Cirurgia Micrográfica de Mohs
SBD-MS SBD-MA SBD-RJ SBD-PE SBD-DF SBD-AM SBD-SP SBD-PB
AGOSTO 5-7 7
14
15
19-20
20
20-21 21
25
27
28
Ombudsman
Jornada Paraibana de Dermatologia Curso de micologia Reunião de atualização terapêutica 52a Jornada Paranaense de Dermatologia / Eleição 7a EMC-D/135a Jornada Dermatológica Paulista – Santa Casa + convidado conferência Curso prático de cosmiatria Título de Especialista em Dermatologia Especial – Belo Horizonte (MG) 2a Jornada Dermatológica do Grupo de Melanoma – Curso de dermatoscopia Curso de radioeletrocirurgia Curso do Departamento de Alergia e Dermatoses Ocupacionais da SBD VI Jornada Brasileira do Câncer da Pele Blumenau (SC) Dermassábado – Laser e LIP Jornada de Dermatologia Cosmiátrica da PGRJ Reunião mensal Reunião mensal Reunião mensal – Casos clínicos + Palestra (FMTAM) Reunião clinica mensal – SDHUCAM Curso de toxina botulínica e preenchimento
SBD-PB SBD-MG SBD-MA SBD-PR SBD-SP
SBD-PA SBD SBD-MS SBD-PE SBD-GO
SBD-PE SBD-RJ SBD-RJ SBD-MA SBD-AM SBD-ES SBD-PE
Escrevo esta coluna com especial apreço, pois finalmente vejo este espaço ser procurado, e seu objetivo ser cumprido: um canal de comunicação dos nossos associados com nossa Sociedade. Que essa porta não seja esquecida! Nos últimos dias, tenho recebido inúmeros e-mails de colegas abordando um só assunto: a medicina estética e o posicionamento da SBD. Nestes e-mails, os associados têm cobrado de nossa instituição uma ação que não lhe cabe. De acordo com o estatuto e designação da AMB, nenhuma sociedade médica reconhecida pelo MEC e regida por esse órgão tem o direito ou o dever de fechar consultórios, impedir a organização de congressos ou acabar com sociedades médicas civilmente constituídas, pois, como o próprio nome indica, elas constituem sociedades civis, com seus respectivos registros na junta comercial, portanto agindo dentro da legalidade como qualquer outra empresa ou negócio. A solução para o esvaziamento desse tipo de “negócio” passa por uma reformulação da Constituição brasileira, dependendo de aprovação no Congresso Nacional. Portanto, o que está em nossas mãos e podemos fazer desde agora, mais do que nos preocupar com a concorrência, é focar nossas energias na qualidade da formação profissional do dermatologista, na qualidade científica de nossos eventos, e, aí sim, é papel e dever da SBD ser atuante, ao levar e fomentar o conhecimento, estimular a pesquisa, dar acesso a trabalhos e a periódicos, implementar melhorias nos nossos Anais Brasileiros de Dermatologia e, por fim, promover a integração dos sócios. Nada relacionado a nossa formação e atualização profissional deve ficar aquém de nossas expectativas. Como já propus em reuniões administrativas anteriores, quem sabe poderíamos destinar parte do lucro dos Congressos na formação do jovem cientista dermatológico? Poderíamos, também, reduzir os custos nas festas de nossos congressos e usar esse dinheiro para a construção (que não cessa nunca) de uma Sociedade mais atraente e moderna. Só com o crescimento de nossa produção científica e qualidade de nossos eventos é que venceremos essa guerra contra aqueles que, sem a formação adequada, avançam sobre nossa especialidade em busca do lucro. Esclareço que esse lucro é desejado e bem-vindo, mas deve tão somente ser fruto de anos de dedicação e de estudos na formação dermatológica. Lembro sempre que de nada adianta nos orgulhar por sermos a segunda maior Sociedade dermatológica do mundo; temos que ser a melhor. Esse crescimento passa pela SBD e por nossa participação plena no processo. Até breve. Jornal da SBD
Ano XIV n. 3
5
Comissão Organizadora espera os 4 mil inscritos no 65o Congresso
A
presidente do 65o Congresso Brasileiro de Dermatologia, Luna Azulay, garante o sucesso do principal evento do calendário da SBD, que vai ocorrer entre os dias 4 e 7 de setembro, no RioCentro, Rio de Janeiro. Até agora há quatro mil participantes, e a expectativa é de que esse número aumente. “É importante destacar que as inscrições só foram abertas para médicos; assim, não teremos estudantes de medicina. Isso foi definido em função de decisão da Anvisa que limitou a propaganda de medicamentos em ambientes frequentados por não prescritores, explica. Informa também que esse é o primeiro ano em que a divulgação do Congresso foi realizada durante a Radla, que ocorreu entre maio e junho, na Argentina. “Abrimos um caminho que poderá ser ampliado pelos colegas em nossos próximos congressos, mostrando nossa dermatologia. Para facilitar o entendimento dos colegas de língua espanhola, contratamos tradução simultânea para todo o tempo do Congresso em pelo menos duas grandes salas. Com isso, pretendemos reforçar o sentido de união entre os dermatologistas dessa parte do mundo e lan-
6 Jornal da SBD Ano XIV n. 3
Pedra da Gávea
çar a semente da criação de uma Academia LatinoAmericana de Dermatologia”, prevê. Toda a parte científica está concluída. O evento trará algumas novidades, entre elas, cursos teóricos gratuitos, sessão especial com temas escolhidos pelos congressistas, curso de reciclagem na dermatologia e curso de dermatopatologia (com rico material iconográfico que será entregue posteriormente a cada Serviço Credenciado da SBD). Também farão parte do Congresso, que terá a colaboração e a participação de expressivos nomes da dermatologia brasileira e internacional, 15 cursos teóricos, 63 simpósios, 11 temas em foco, 12 conferências, 21 sessões Tire suas dúvidas, seis sessões especiais, quatro simpósios-satélite e três reuniões com o Cilad e a Radla. Comprometimento com a sustentabilidade e a responsabilidade social também estão na pauta. "Já foram feitos contatos com a Secretaria de Assistência Social da Prefeitura do Rio de Janeiro, e estaremos inseridos em atividades dessa secretaria. Vamos receber grupos para trabalhar como auxiliares, como, por exemplo, promover o treinamento de jovens para o trabalho de secretaria e recepção, dando-lhes a oportunida-
Copacabana
Forte do Leme
Lapa
O carioca da gema David Azulay, membro da Comissão Organizadora do 65o Congresso, dá dicas de turismo Do Leme ao Pontal, como bem cantava Tim Maia, tudo é belo. Se você gosta de esportes ao ar livre, basta ir à orla para fazer caminhadas ou jogging pela manhã ou ao final do dia e não prejudicar a frequência às atividades científicas. Aos domingos e feriados, a pista de carros fica fechada. Com isso, o turista ganha mais espaço para o lazer em bairros como Copacabana, Ipanema e Leblon, onde há gente de todas as tribos. Se estiver próximo à Praia de Copacabana, a dica é conhecer os fortes que ficam nos extremos da praia. No Forte do Leme, há uma subida de 150 metros. No outro, uma agradável confeitaria. Caso prefira, vá até a ponta do Arpoador; isso serve também para quem estiver em Ipanema. Uma volta em torno da Lagoa Rodrigo de Freitas também é uma bela caminhada (sete quilômetros). No domingo, outra opção de passeio é nas Paineiras (sopé do Cristo). Depois da caminhada, dá para esticar em almoço em agradáveis restaurantes de Santa Teresa. (Aprazível, Bar do Mineiro, Espírito Santa são para lá de recomendados). Para os mais ousados, sugiro a subida da Pedra Bonita (são dez minutos de carro a
de do primeiro trabalho profissional.Teremos também a veiculação de vídeos em vários pontos do Rio divulgando nosso Congresso e principais doenças prevalentes (hanseníase, pediculose, escabiose, DSTs), além das estigmatizantes, como psoríase e vitiligo. Esses vídeos serão veiculados nas barcas, no metrô e na Central do Brasil", sublinha Luna. Campanhas de esclarecimento e de triagem em postos específicos, com a participação de dermatologistas voluntários, estão previstas.
partir de São Conrado) e um salto duplo de asa-delta ou de parapente. Outra opção é ir de carro para as praias que ficam mais ao sul, como a Prainha (onde há muito surfistas) e Grumari, encerrando o passeio com um almoço em um dos bons e caros restaurantes de Guaratiba (indico o Bira, o Cândido e a Tia Palmira). Dependendo de onde estiver hospedado na Avenida das Américas, pode-se pegar um barquinho da Lagoa de Marapendi até a praia e curtir uma bela paisagem do percurso. Ótima indicação também é passar na Marina da Glória com um grupo de amigos, e ir de barco até as ilhas Cagarras (aquelas em frente a Ipanema) para um mergulho. Na noite de sexta ou sábado, a dica é conhecer a Lapa. O restaurante mais tradicional é o Rio Cenário, mas há opções variadas. Museus não faltam, assim como boates e shopping centers. No mais, é aproveitar a noite de sábado que, além da cerimônia de abertura do Congresso, no RioCentro, reserva algumas surpresas interessantes... Na segunda-feira terá show com Lulu Santos no Armazém do Cais. Não dá para perder! Sejam todos muito bem-vindos e divirtam-se!
Palestrantes internacionais Dos Estados Unidos, Alan Menter, Bruce Thiers, Jean Bolognia, Lawrence E. Gibson, Luis A. Diaz, Mark Denis Peter Davis, Mark Lebwohl, Richard Rox Anderson, Rokea A. el-Azhary e Zoe Diana Draelos; da França, Robert Baran; da Itália, Marco Ardigò; da Alemanha, Thomas Ruzicka; da Argentina, Ana Kaminsky, Carlos Fernando Gatti, Edgardo Chouela, Fernando Stengel, Horacio Cabo e Ricardo Galimberti.
Programação social Os inscritos no Congresso da Sociedade Brasileira de Dermatologia terão uma agenda repleta de atividades. O primeiro dia, 4 de setembro, será marcado pela cerimônia de abertura, às 19h, no próprio RioCentro. Na ocasião, serão feitas justas homenagens aos professores Rubem David Azulay, Renê Garrido Neves, Neide Kalil e Gabriela Lowy. Discursos curtos deixarão o encontro mais leve, alegre e informal. A noite de domingo será livre para que cada um possa fazer seu programa. Para os acompanhantes também haverá intensa programação, que acontecerá no horário do Congresso, como, por exemplo, passeio de barco
pela Baía de Guanabara, no domingo, às 9h. Na segundafeira, dia 6, às 21h, o Armazém do Cais vai ser palco de inesquecível festa de confraternização, embalada pelo show do cantor Lulu Santos, seguido do Bloco de Carnaval Suvaco do Cristo. Um ambiente mais calmo está reservado para os que preferirem ouvir músicas mais tranquilas. Tudo isso com boa comida, boa bebida e transporte para todos.“Fiquem certos de que estamos preparando o nosso 65o Congresso da SBD como se fosse um lindo presente para vocês. Não percam o maior evento de nossa Sociedade!”, convida Luna Azulay. Jornal da SBD
Ano XIV n. 3
7
Seul
vai sediar o 22 o Congresso Mundial de Dermatologia em 2011
SBD será representada por extensa de
A
cidade de Seul, na Coreia do Sul, é a anfitriã do 22o Congresso Mundial de Dermatologia (WCD) a ser realizado nos dias 24 a 29 de maio de 2011. Será a segunda vez que o evento ocorre na Ásia, após o encontro em Tóquio, há 29 anos. A SBD será representada por 30 dermatologistas que vão ministrar simpósios e workshops. "Esperamos contribuir ao levar nossas novidades na área, trocar experiências e assimilar as últimas descobertas em dermatologia", afirma o coordenador médico do JSBD, Paulo Cunha. Ele complementa, informando que o Congresso Mundial de Dermatologia garante aos dermatologistas, profissionais de saúde, acadêmicos, representantes governamentais e da indústria chance única de ver a especialidade como um todo, em toda a sua variedade, que é vasta. "Além disso, é um encontro inesquecível, que traz oportunidades de crescimento num sentido amplo e humanista." Segundo o presidente do 22o Congresso, Eun Hee Chul, o comitê organizador tem seguido o exemplo de sucesso dos eventos anteriores, com organização científica de alta qualidade. Na programação do WCD 2011 serão exploradas diversas áreas da dermatologia – clínica, pediátrica, cirúrgica, cosmética – em 79 simpósios e workshops. Estão programados também seis cursos com duração de um dia (cerca de oito horas de estudo) e 15 cursos de meio dia, com quatro horas cada, entre outras atividades. Será empregado ainda um novo sistema eletrônico na apresentação de posters. A organização ficará a cargo da Liga Internacional de Sociedades Dermatológicas (Ilds), entidade fundada em 1935, que reúne atualmente 127 sociedades filiadas de todos os cantos do globo, incluindo a EADV, AAD e a sociedade brasileira. O último congresso ocorreu em Buenos Aires, Argentina, em 2007, e teve a participação de mais de 12 mil dermatologistas de todo o mundo. Para o evento do próximo ano espera-se que esse número cresça em cerca de 60%. Canadá, Itália e Áustria são alguns países candidatos para abrigar o Congresso, em 2015. Para outras informações, consulte o site: www.wcd2011.org.
8 Jornal da SBD Ano XIV n. 3
Comissão SBD SIMPÓSIOS Alice Alchorne, Beatriz Moritz Trope, Jesus Santamaria, José Antônio Sanches, Flavio Queiroz Telles, Luna Azulay, Omar Lupi, Paulo Cunha, Ricardo Romiti e Sinésio Talhari. CURSOS Doris Maria Hexsel, Flavio Barbosa Luz, Gabriella Campos-do-Carmo, Gerson Penna e Mirian Sotto. WORKSHOPS Ada Trindade de Almeida, Alena Margareth Darwich, Bernardo Gontijo, Bogdana Victória Kadunc, Cristiane Benvenuto-Andrade, Emerson de Andrade Lima, Haddad Junior Vidal, Ida Duarte, Jackson Machado-Pinto, Karime Hassun, Luis Fernando Tovo, Luiz Guilherme Castro, Marcio Serra, Omar Lupi, Silvio Alencar Marques e Vinicius Souza.
elegação de brasileiros
Centro de convenções e exibição
países africanos têm assistido a cursos sobre como diagnosticar e tratar doenças de pele e venéreas mais comuns. Esse conhecimento retorna com eles a seus países de origem. O centro mantém ainda um programa de treinamento de residentes para dermatologistas africanos. Foram realizados também projetos epidemiológicos de saúde da pele no Mali, México e Índia.
Seul, capital da Coreia do Sul, quer conectar o mundo através da dermatologia inovadora
Uma missão Melhorar a saúde da pele para todos os cidadãos do mundo é a função primordial da Ilds, organizadora do evento, que ocorre a cada quatro anos. Seus objetivos incluem a melhoria da cooperação entre as sociedades dermatológicas, incentivo à educação, cuidados e ciência em dermatologia, a promoção das relações pessoais e profissionais entre os dermatologistas e representação em organizações internacionais de saúde. Na primeira edição de 2009 do Jornal da SBD, entrevistamos o secretário-geral da Ilds, David McLean. Na ocasião, ele mencionou o belo trabalho desenvolvido pela Liga ao instituir a Fundação Internacional de Dermatologia (IFD), que visa à realização de trabalhos em países menos desenvolvidos. No Centro de Treinamento em Moshi, na Tanzânia, criado em 1987, mais de 150 estagiários de 15
A frase acima foi criada para ser o slogan do WCD 2011.A escolha faz sentido. Líder global em tecnologia e inovação, a Coreia se tem aos poucos destacado no campo da dermatologia. Um exemplo é a Associação Coreana de Dermatologia (KDA). Fundada na década de 1940, a entidade tem crescido anualmente e hoje é composta por dez sociedades regionais dermatológicas e 14 subcomissões de investigação. Com mais de 1.700 membros regulares, é uma das mais importantes organizações de subespecialidades, sob a égide da Associação Médica Coreana. Sua irmã da sociedade, a Sociedade Coreana para Dermatologia Investigativa, foi fundada em 1991 e conta com cerca de 300 membros. Seul quer aproveitar o evento para difundir sua rica e tradicional cultura combinada aos muitos recursos modernos decorrentes de suas inovações.Assim sendo, a cidade se torna um local atraente para os que apreciam história – a Coreia é o único país dividido no mundo – e procuram estar atentos às novidades da tecnologia da informação. "Esperamos receber cerca de 20 mil participantes e mais da metade deve vir de países asiáticos. Atualmente somos testemunhas da onda colossal da globalização em várias áreas, e a dermatologia não é exceção. Sem dúvida, o 22o WCD em Seul será um campo dinâmico e intenso para intercâmbios", ressaltou o secretário-geral da Comissão Organizadora, Soo-Chan Kim, em entrevista na edição de maio/junho de 2008 do JSBD. Jornal da SBD
Ano XIV n. 3
9
A diretora da ACT, Paula Johns, e o presidente da SBD, Omar Lupi sacramentando a parceria
SBD se junta à luta contra o tabagismo “Qualquer ambiente fechado é pequeno demais para o cigarro.” Certamente você já ouviu essa frase em algum lugar.Trata-se do slogan de uma das campanhas muito bem formuladas pela Aliança de Controle do Tabagismo (ACT), associação que luta desde 2003 contra uma das maiores causas de morte no mundo, o cigarro. No dia 7 de junho a SBD tornou-se membro da instituição e passará a colaborar de diferentes formas com a causa. A parceria, segundo o presidente da SBD, Omar Lupi, manifesta a preocupação com a saúde pública. “A ACT é entidade séria que desenvolve trabalho muito eficiente na luta contra o tabagismo. Com a parceria, a SBD reforça seu compromisso com a população”, afirmou. A ACT é uma das maiores entidades do gênero no mundo. Segundo Daniella Guedes, coordenadora de Relações Internacionais, a estratégia é convencer os formadores de opinião a aderir à causa e agir diretamente na aprovação das políticas públicas. Na atual campanha da instituição,“Diga não à propaganda de cigarros”, a briga é com as estratégias da indústria do tabaco para continuar divulgando seus produtos. Uma das peças da campanha é um documentário muito esclarecedor, com narração do jornalista Pedro Bial, no qual são apresentadas diversas entrevistas, principalmente com adolescentes que relatam de modo informal – e perceptivelmente sincero – sua visão sobre o assunto. Acredite, os jovens conhecem muito bem as marcas, sabem onde comprar, estão a par dos valores e até dos sabores dos cigarros, sinal de que a propaganda continua eficaz.
10 Jornal da SBD Ano XIV n. 3
Paula Johns, diretora da ACT, explica que um dos pontos fortes da organização é conseguir reunir parceiros das mais diversas áreas do saber. “A SBD certamente tem muito a contribuir na disseminação de informações sobre tabagismo e dermatologia para a sociedade”, destaca. Paula, no entanto, reconhece que a luta não é das mais fáceis. “Apesar de sabermos o que deve ser feito, não é fácil avançar, já que nos deparamos com interesses comerciais poderosos dos fabricantes de cigarro e de seus aliados na hora de implementar uma regulamentação eficaz. É uma disputa entre o poder econômico e o interesse público”, complementa. Juntas, a SBD e a ACT têm o caminho livre para a organização de campanhas, divulgação de material informativo, apoio por meio da utilização de suas marcas, enfim, tudo que venha a somar-se ao trabalho de ambas as instituições e beneficiá-lo. Não há nenhuma obrigatoriedade, e tudo é resolvido com muito diálogo. O presidente Omar Lupi espera muitos frutos e encara com otimismo a parceria. “Apoiar uma causa nobre como essa só pode nos trazer benefícios. A epidemia do fumo é um problema que exige a mobilização social. A SBD não se poderia ausentar”, acredita. A ACT também tem parceria com a Associação Médica Brasileira (AMB), a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), prefeituras e governos estaduais e outras organizações não-governamentais.
Radla
Integração bem próxima A força da SBD, acoplada ao papel que a dermatologia brasileira vem desempenhando na América Latina, é impulso para estreitar a união com a Radla e com o Cilad
O
Brasil registrou o maior público da história da Reunião Anual dos Dermatologistas Latino-Americanos (Radla) no último encontro, ocorrido entre 29 de maio e 1o de junho, em Buenos Aires, Argentina. Dos 3.800 inscritos, 920 eram brasileiros, fato que consolida o papel de vanguarda do país na dermatologia latino-americana. A presença significativa da SBD também demonstra futuro promissor para a possível criação – ao lado da Radla e do Colégio Ibero-Latino-Americano de Dermatologia (Cilad) – da Academia Latino-Americana de Dermatologia, da qual cada dermatologista individualmente seria sócio, assim como acontece na Academia Americana e Europeia de Dermatologia (AAD). “A integração da SBD com o Cilad e com a Radla é, sim, um caminho para a criação da Academia Latino-Americana de Dermatologia. E o Brasil será forte liderança nessa nova entidade”, ressalta um dos delegados da Radla, Jesus Santa Maria, em cuja opinião, o Brasil e a dermatologia brasileira exercem papel de grande importância tanto na participação como nos destinos da Radla.“Através das reuniões e congressos temos divulgado a dermatologia brasileira e trocado conhecimento com todos os países da América Latina”, diz ele, que foi o presidente da 26a reunião, em 2008, na cidade de Curitiba. Para o delegado permanente do Comitê Radla Brasil Júlio César Empinotti, a união também é possível, desde que haja boa vontade e entendimento de todas as partes. “Temos que pensar grande, como os nossos fundadores, logicamente após um período de transição. Está na hora de unirmos as forças porque a América Latina representa um grande grupo da dermatologia mundial, e já merecemos ter essa representatividade no mundo científico. A aproximação com a Radla deve ser equivalente, porque também representa toda a dermatologia da América Latina. A SBD deve integrar-se às duas, conjugando os esforços para criar-se a Academia Latino-Americana de Dermatologia, instituição final que represente todos nós”, salienta. Com seis mil associados, a SBD volta seus olhos cada vez mais para a busca de soluções conjuntas com seus vizinhos. A intenção é que juntos possam fortalecer sua importância no contexto mundial.“Conversando com colegas de outros países,
12 Jornal da SBD Ano XIV n. 3
Sebastião de Almeida Prado Sampaio, um dos fundadores da Radla em 1972 e também presidente do Cilad, foi homenageado com uma Sessão Especial durante o encontro. Participaram como palestrantes Evandro Rivitti e Júlio Empinotti (Brasil), Albert Woscoff e Carlos Gatti (Argentina) Juan Carlos de Medina (Bolívia), Juan Honeyman (Chile), José Maria Torres (Equador), Arnaldo Aldama (Paraguai), Fernando Magali (Peru) e Nestor Macedo (Uruguai). Os dez dermatologistas lembraram fatos marcantes da vida do Prof. Sampaio e também apresentaram casos dermatológicos vivenciados durante as carreiras universitárias em seus respectivos países. Na véspera, a SBD realizou um simpósio oficial (Ancillaring Meeting) com a participação de 22 especialistas. parece que existe um terreno fértil para unir o Cilad e a Radla, no sentido da criação de um evento único, forte, de todos os dermatologistas da América Latina”, observa a presidente do 65o Congresso da SBD, Luna Azulay. Ela afirmou ainda que tanto o Cilad como a Radla são presenças oficiais no evento. A aliança significa amadurecimento na relação entre SBD e Cilad.“Como foi mencionado em outro momento, estamos traçando de forma aguda ações conjuntas com o presidente do Cilad, Carlos Gatti, para tornar a relação entre as duas entidades mais coesa e madura. Esperamos colher bons resultados em breve”, reforça o presidente da SBD, Omar Lupi.
Dermatologia na web, potencial ainda a ser explorado no Brasil
S
aúde dos lábios, cigarro e calvície, cicatrizes de acne, manchas, micose, botox, transplante de cabelos... Esses e outros assuntos relacionados à pele estão disponíveis no blog sobre saúde e estética Espelho Meu (www.veja.com.br/espelhomeu), da dermatologista Lucia Mandel, no site da revista Veja. Além de escrever semanalmente no espaço virtual, Lucia, que é associada da SBD, também arruma tempo para se dedicar às atividades em seu consultório particular e à família. Formada pela Universidade de São Paulo (USP), em 1997, fez residência no Hospital das Clínicas, tem título de especialização em dermatologia pela SBD e é membro da Academia Americana de Dermatologia (AAD). No ar desde abril de 2008, o Espelho Meu conta com mais de 160 posts, todos disponíveis para leitura e comentários. Dois anos se passaram e até hoje o sucesso perante o público leigo tem sido enorme. “No começo fiquei surpresa com o alcance desse meio de comunicação. Posso dizer que o número de comentários deixados nos posts sobre melasma (mais de 300) me surpreendeu. É interessante ver que o espaço destinado aos comentários também virou fórum de discussão, ainda que sem moderador. Os leitores trocam e-mails, dão dicas uns aos outros, discutem quais tratamentos deram certo ou errado”, revela a dermatologista. “Infelizmente, não consigo moderar essas discussões, por vários motivos. Um é a falta de tempo, e outro, é que o foco do meu trabalho não é esse, e sim, escrever novos posts”, complementa. Lucia considera a internet peça fundamental em seu trabalho e faz uso regular da web para pesquisas e atualização. “Ao longo desse tempo fui descobrindo sites e blogs muito bons. Frequentemente, faço consultas na seção ‘Periódicos Online’ do site da SBD, que na minha opinião é excelente. Com poucos cliques, o associado tem acesso na íntegra a mais de 20 publicações de interesse dermatológico, como o Dermatologic Surgery ou o Archives of Dermatology”, sugere Lucia, que também cita o Dermatology Daily, espaço restrito aos membros da AAD. Para os médicos não associados ela recomenda os informativos do Fact Sheets.“Também é possível comprar artigos pela internet por meio de cartão de crédito. O processo é rápido e muito diferente da época em que eu era estudante e tinha obrigatoriamente que consultar bibliotecas para procurar o que me interessava”, afirma.
Fóruns de discussão, um nicho ainda a ser explorado no Brasil? Na opinião da dermatologista, o país ainda carece de bons fóruns de discussão sobre doenças de pele. Ela ressalta que nos Estados Unidos esse tipo de espaço está bem estabelecido. “Em sites como Alopecia Areata Foundation (www.naaf.org) e Alopecia World (www.alopeciaworld.com), os pacientes relatam suas experiências e se ajudam, mesmo morando a milhares de quilômetros uns dos outros. Eles podem nunca se encontrar, mas trocam informações, postam fotos e filmes. Num fórum sobre alopecia areata, li depoimentos de paciente dando dicas sobre onde comprar perucas. Vi também propaganda de bonequinhas de pano com miniperucas e minichapéus, além de depoimentos de mães dizendo como venceram o preconceito de coleguinhas e professoras na escola. Então eu percebo que esse tipo de fórum de discussão ainda pode se desenvolver mais no Brasil. Espero que com o tempo, os fóruns existentes (e outros que venham a surgir) se solidifiquem em nosso país”, opina. O site da SBD está entre os links recomendados em seu blog. Em breve, um dos posts vai mostrar ao público leigo a importância da atuação da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Jornal da SBD
Ano XIV n. 3
13
“Tivemos aqui um grande estímulo para que os médicos procurem técnicas cirúrgicas mais simples e que possam ser úteis para o tratamento de seus pacientes. Os dermatologistas mais novos foram os que mais ganharam, pois ouviram aulas de um mesmo tema em níveis de complexidade distintos”, ressalta o responsável pela coordenação, Iphis Campbell. Como destaque do primeiro dia, citou o bloco de fotoproteção e antivirais. A dermatologista norte-americana Sharon Keene, especialista em cuidados com os cabelos, foi a convidada especial dessa edição, participando do bloco rejuvenescimento global da face. “O resultado do evento foi acima do esperado, com maciça presença de público, que pôde trocar experiências e solidificar seu conhecimento nas mais diversas áreas”, ressalta o presidente da SBD, Omar Lupi, complementando que pela logística, a cidade de São Paulo foi mais uma vez a escolhida para sediar o evento.“O acesso é muito facilitado.A prova é que essa edição recebeu 600 dermatologistas a mais em comparação à de 2009”, pontua.
Transferência de conhecimento
Além das expectativas Segundo Teraderm bate recorde de público e supera patamar de 1.200 participantes alcançado em sua primeira edição
M
ais de 80 renomados palestrantes, nove estados brasileiros, 27 temas e seis meses de trabalho integrado. O resultado dessa mistura foi o Segundo Teraderm, que reuniu 1.800 dermatologistas de todo o país em grande encontro realizado em São Paulo nos dias 21 e 22 de maio, na Fecomércio. Com proposta de educação médica continuada e a exemplo do que aconteceu no ano passado, o evento teve os valores de inscrição mantidos. O modelo ágil, com palestras de cinco minutos de duração sobre inúmeros assuntos da dermatologia, não se fixou apenas na estética. Os participantes acompanharam as novidades no campo terapêutico da dermatologia, bem como receberam atualizações condensadas nas principais áreas da especialidade. Ao final de cada bloco, os dez minutos de discussão sobre os temas apresentados configuraram boa oportunidade para o esclarecimento de dúvidas.
14 Jornal da SBD Ano XIV n. 3
Iara Silveira é uma das muitas dermatologistas que compareceram pela primeira vez ao evento. Há mais de 18 anos Iara atende em sua clínica particular situada em Belo Horizonte. Ela gostou muito do bloco novas drogas, novas indicações de drogas antigas e terapias emergentes, em especial da aula microagulhas no tratamento das cicatrizes de acne, apresentado por Izelda Costa. “Estou tendo uma revisão geral de tudo o que já aprendi. Além de ficar a par da opinião de outros especialistas, o que é fundamental para o bom exercício da nossa profissão”, explica. O dermatologista Álvaro Machado, formado na Faculdade Souza Marques, no Rio de Janeiro, é outro que cultiva o hábito de participar de eventos de atualização. Morador de Resende, ele também destacou a aula de Izelda como uma das mais interessantes. “Além dessa aula, outras ficarão como referência para estudo”, revela ele, que trabalha há mais de 30 anos na rede pública de saúde. Já as jovens Camilla de Barros Borges e Vanessa Gomes Maciel, ambas formadas pela Universidade Federal de Goiás (UFGO) há seis anos, disseram que a aula de dermatologia geriátrica “foi uma das melhores do segundo dia”. A presença em peso da indústria farmacêutica marcou relação institucional saudável e ética com a SBD. “O formato em que o evento é concebido é muito interessante porque trouxe quase 2.000 inscritos que compartilharam conhecimentos e assistiram a aulas curtas e com conteúdo consistente. O nível de interesse do público por esse tipo de evento é enorme. Parabéns para a SBD”, elogia o gerente de eventos da Galderma, Nelson Baptista Junior. “A expectativa de crescimento já mostrou que é bem forte, e esperamos que no ano que vem o evento possa se repetir, pois tem tudo para crescer ainda mais”, reforça a gerente de relações médicas e eventos da Theraskin, Adriana Galindo.
Carboxiterapia
Os associados que não compareceram ao Segundo Teraderm terão a oportunidade de rever pela web todo o conteúdo abordado. A programação estará disponível mediante o pagamento de taxa a ser definida pela diretoria. Em breve, o site da SBD divulgará informações sobre como proceder. Não perca!
Reunião administrativa Durante o Segundo Teraderm, a atual diretoria e a presidente eleita para o biênio 20112012, Bogdana Victória Kadunc, reuniu-se com ex-presidentes da SBD para traçar diretrizes visando à comemoração dos 100 anos da entidade, em fevereiro de 2012. Estiveram presentes os dermatologistas Alberto Cox Cardoso, Fernando Augusto de Almeida, Sarita Martins, Iphis Campbell, Maurício Alchorne, Nelson Proença, Marcio Rutowitsch, Arival Cardoso de Brito, Alice Alchorne, Omar Lupi, entre outros. Foto: Rita Barreto
Uma das dúvidas recorrentes levantadas pela plateia no bloco cosmiatria corporal foi a posição da Anvisa com relação ao tratamento da carboxiterapia. A primeira secretária da SBD, Celia Kalil, mediava a aula e esclareceu: “O que a Anvisa aprova são aparelhos e medicamentos, ela não é responsável por aprovar métodos, ou seja, ela pode aprovar aparelhos que façam laser, LIP, carboxiterapia, e também medicamentos injetáveis ou não (como a isotretinoína sistêmica e o ácido hialurônico injetável), mas não fornece o aval direto sobre método de tratamento e suas complicações”.
Reunião discute detalhes da realização do 1st Summer Meeting of Dermatology Brazil 2010
O
presidente do 1st Summer Meeting of Dermatology da SBD, Paulo Cunha, e a comissão organizadora local reuniram-se no dia 30 de abril, no gabinete do secretário estadual de Turismo da Bahia, Carlos Tramm, para apresentar um resumo do evento e os benefícios diretos e indiretos que ele trará ao Estado da Bahia. Durante o encontro, foram discutidas estratégias de promoção da cultura local por meio da apresentação de grupos artísticos locais nos dias de evento e condições de infraestrutura e apoio em pontos estratégicos aos participantes nacionais e estrangeiros em relação à receptividade, informações sobre turismo em português e em inglês, segurança e saúde. “Estamos cuidando dos mínimos detalhes para que todos aproveitem ao máximo o evento, tanto na parte científica quanto como oportunidade de turismo”, destaca Paulo Cunha, que também parabenizou o estado por receber o evento de braços abertos. Os participantes terão a oportunidade de conhecer uma das mais lindas capitais brasileiras, que une a beleza natural com rica diversidade cultural e artística, e cujo povo é sempre muito alegre e hospitaleiro. "O povo é mais forte que a pobreza. Mesmo que o sobreviver pareça quase
A Secretaria de Turismo da Bahia tem total interesse em contribuir para o sucesso do evento
impossível, vive, luta e ri sem desistir. Os baianos celebram suas festas, cantam suas músicas, e em tudo isso reina seu sorriso livre e fácil.”, ratificou em sua obra o escritor baiano Jorge Amado, mostrando para o mundo o retrato de uma terra inspiradora e vigorosa. Já são 14 palestrantes estrangeiros confirmados. Da Alemanha, Thomas Luger; da Áustria, Klaus Wolff; da Bielorrússia, Uladzimir P. Adaskevich; do Canadá, Richard Langley; da Inglaterra, Roderick J. Hay; da Itália, Alberto Giannetti e Aldo Morrone; da Jordânia, Medhat A. Malek; de Portugal, António Picoto; da Eslováquia, Hana Zelenková; e dos Estados Unidos, Omar Sangueza, Robert A. Schwartz, Stephen P. Stone e Stephen Tyring. Otimista com a presença maciça dos dermatologistas brasileiros, Paulo Cunha reforça o convite: “Esse é um grande momento para você se atualizar de forma consistente por meio de aulas ministradas por notáveis professores nacionais e estrangeiros de diferentes partes do globo. Eles mostrarão o que há de mais recente nos avanços da dermatologia mundial. Agende a data e compareça!" Jornal da SBD
Ano XIV n. 3
15
Viagem
Cilad no México: como tirar o visto para entrar no país
A
XVIII edição do Congresso Ibero-LatinoAmericano (Cilad) se aproxima. Marcado para ocorrer entre os dias 10 e 14 de novembro, em Cancun, México, esse consagrado evento na área da dermatologia vai contar com número expressivo de brasileiros, que precisarão estar com seus vistos em dia para entrar no país. Uma boa notícia para aqueles que ainda não têm a autorização é que o processo de obtenção ficou um pouco mais fácil. Em maio, a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado aprovou acordo entre Brasil e México desobrigando da necessidade de emissão de vistos em passaportes comuns, ou seja, não será preciso tirar visto para o México o viajante que já possuir visto para os Estados Unidos, desde que esteja válido e vigente. Ainda assim, você ainda precisa tê-lo? Saiba como proceder :
Onde solicitar? A solicitação de entrevista para o visto depende do estado em que você mora. Quem é do Acre, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina e São Paulo deve agendar o pedido pelo site do Consulado do México em São Paulo (www.sre. gob.mx/ saopaulo). Quem vive no Amapá, Amazonas, Brasília, Distrito Federal, Goiás, Pará, Roraima e Tocantins precisa consultar a Embaixada do México em Brasília (http://por tal.sre. gob.mx/brasil). Lá, não é necessário realizar o agendamento; basta comparecer com os documentos e formulário preenchido (disponível no site da embaixada). O mesmo ocorre para quem é de Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Sergipe.Todos devem ir ao Consulado do México no Rio de Janeiro (http://www.consuladodomexicorj.com) com os documentos e formulário preenchido. Lá também não há agendamento.
Valor da taxa O visto de turista custa R$ 69.
Prazo de entrega São entregues no prazo de 48 horas, a partir da data de entrada da documentação e retirados de segunda a sextafeira, por qualquer pessoa, desde que de posse do protocolo original. Para os que residem fora do Rio de Janeiro, a entrega está prevista para o mesmo dia em que foi solicitado.
Documentos necessários 1. Formulário de solicitação de visto disponível nos itens, preenchido e assinado, com uma fotografia atual 3x4; 2. Passaporte original com validade mínima de seis meses e xerox das páginas em que constam a firma e os dados pessoais, e original e cópia dos vistos válidos para outros países, além de original e cópia dos vistos mexicanos prévios; 3. Comprovante de renda dos três últimos meses (original e cópia); 4. Comprovante de movimentação de cartão de crédito (opcional) e/ou conta bancária dos últimos três meses (original e cópia); 5. Comprovante de residência (original e cópia). OBS: O certificado de vacina contra febre amarela foi abolido pelas autoridades mexicanas Jornal da SBD
Ano XIV n. 3
17
Campanha de valorização do dermatologista mostra força de atuação Projeto da SBD leva informações essenciais sobre cuidados com a pele para a população brasileira e reforça a importância de consultar um médico dermatologista
N
o ar desde o dia 10 de maio, no Grupo Bandeirantes de Rádio, o “Pele em Sintonia”, primeiro projeto da SBD realizado nesse tipo de mídia, tem feito sucesso entre os ouvintes e os dermatologistas. Com apoio da Neutrogena, a série de programas foi realizada até início de julho e destacou temas como hidratantes faciais e corporais, envelhecimento da pele, fotoproteção diária e recreacional, manchas, limpeza facial. Com formato dinâmico, contendo boletins e entrevistas semanais, o quadro traduziu para a linguagem coloquial as dúvidas mais comuns dos ouvintes em relação a tratamentos e problemas de pele. Na primeira entrevista, o presidente da SBD, Omar Lupi, revelou que a dermatologia é a terceira especialidade mais procurada na rede pública de saúde: “Os problemas de pele são extremamente comuns; tanto, que em todos os hospitais públicos o dermatologista é sempre o terceiro com maior procura, só perdendo para o clínico geral e o oftalmologista. Houve uma mudança de comportamento nos últimos anos. Há tempos as pessoas iam ao dermatologista quando tinham doenças de pele. Hoje, elas se adiantam aos fatos e procuram o dermatologista para que envelheçam com mais qualidade”, salienta. “Saúde não é só ausência de doença, é o bem-estar completo,
18 Jornal da SBD Ano XIV n. 3
que inclui pele saudável. Esperamos que esse projeto possa trazer muitos benefícios para nossa população e divulgar a dermatologia de maneira ética”, complementa Lupi.
Dermatologia no ar As entrevistas semanais discutiram apenas um assunto da área. O coordenador do Depar tamento de Laser da SBD, Alexandre Filippo, foi um dos nove dermatologistas da SBD que par ticiparam do “Pele em Sintonia”. Seu tema abordou o tratamento de manchas com o uso do laser. Para ele, é necessária avaliação dermatológica prévia, a par tir da qual o tratamento é direcionado. “Sendo manchas tipo melasma, o tratamento com despigmentantes e pellings combinados é a melhor escolha. Se as manchas são lentigos solares, o laser e a luz pulsada tratam com bastante sucesso, mas não devemos esquecer que tratamentos menos onerosos, como a crioterapia, também apresentam bons resultados”, destaca, lembrando a impor tância de orientar de maneira simples a população brasileira sobre os cuidados no dia a dia para manter a pele sempre saudável sem nenhum tipo de doença. Flacidez foi o tema abordado pela editora científica dos Anais Brasileiros de Dermatologia, Izelda Costa. Na ocasião, ela ressaltou que a flacidez em graus leve ou moderados pode ser resolvida por meio de tratamentos como radiofrequência, infravermelho e lasers fracionados não ablativos.“Mas é necessária a manutenção, já que o processo de envelhecimento é contínuo. O paciente precisa estar ciente das limitações e expectativas. Em casos de tratamento corporal, o exercício físico deve estar sempre associado, assim como alimentação saudável. Quando existe flacidez das pálpebras, recursos como a blefaroplastia cirúrgica ou química com peeling profundo como o fenol na fórmula
de Baker-Gordon podem se utilizadas com bons resultados”, assinala.
SBD no rádio: estratégias de educação e saúde Filippo gostaria que as ações de valorização da especialidade elaboradas pela atual diretoria estendidas às próximas, a fim de conter o avanço de especialidades não reconhecidas. “Toda campanha de orientação ao público leigo vinda da SBD dá credibilidade à campanha e valoriza nossa especialidade. O que mais temos visto são médicos de outras especialidades muitas vezes não reconhecidas pela AMB, falando barbaridades para o público leigo como se tivessem pleno domínio dos problemas da pele. É válida a continuidade das campanhas de valorização para diminuir cada
Painel do leitor Sobre a reportagem "Título de Especialista 2010", de fato as provas estão bem mais elaboradas do que as antigas, que visavam à memorização. Porém, aprovado no último exame, percebi um excesso de patologias raras ou pouco prevalentes, identificação de patologias com duplo nome por apenas um deles, o que pode prejudicar o candidato, além de perceber pouco enfoque em dermatoses de extrema frequência na prática, das quais devemos ter conhecimento amplo, detalhado e necessariamente avaliado – isso me parece fundamental para certificar um dermatologista, não importando se a prova é "fácil" ou "difícil". Gleison Duarte CRM-BA 18.130 Acredito que podemos dizer que o especialista tem que estar capacitado a conduzir todo e qualquer caso de sua especialidade, independente de ser mais prevalente ou não. Na verdade, dermatoses muito comuns, como, por exemplo, pitiríase versicolor, são muitas vezes bem abordadas por médicos não especialistas em dermatologia. No entanto, o verdadeiro especialista tem que estar apto a responder a qualquer questionamento de seu paciente sobre as doenças da especialidade. É nesse contexto que a Comissão do TED julga importante o conhecimento de dermatoses pouco frequentes, mas de grande impacto na vida de pacientes que as apresentam. Jackson Machado Presidente da Comissão responsável pelo TED Em primeiro lugar, gostaria de parabenizar a SBD pelas ações junto ao MEC no que se refere a esses cursos de finais de semana (lato sensu). Gostaria de que a SBD se posicionasse junto ao CRM para que essa instituição fizesse
vez mais o espaço das especialidades não reconhecidas, que querem tirar nosso público”, ressalta Filippo. A gravação radiofônica tem linguagem mais coloquial, menos tecnocrática. Presente em 87% dos lares brasileiros, o rádio cobre mais de 90% do território nacional e constitui instrumento eficaz em termos educativos: “O rádio ainda é meio de comunicação massivo. Com o “Pele em Sintonia”, a população se sentiu mais per to do profissional que tão bem conhece essa especialidade que tanto amamos: a dermatologia”, frisa Izelda Costa.
a sua parte e fiscalizasse os médicos que divulgam ser especialistas embora não sendo. No ano passado (14 de abril), fiz uma denúncia de colega que se diz dermatologista, mas não está inscrita nem no CRM, nem na SBD como especialista. Procurei resposta junto ao CRM no dia 23 de junho. Até hoje, quase 12 meses depois, nada foi feito. A colega continua atendendo e divulgando ser dermatologista até na lista telefônica, mas consegui, sim, que ela fosse descredenciada de um convênio da Polícia Militar, pois não tinha documentos para comprovar sua especialidade. Portanto, o convênio fez a sua parte, mas o CRM nada fez. O novo Código de Ética já está em vigor e continua sendo desrespeitado com a omissão do CRM art. 115. A SBD pode fazer algo? Fábio Rodrigues Batista CRM-MG 30.168
Nota de falecimento Faleceu em 27 de maio, em Curitiba, aos 95 anos, Ruy Noronha Miranda, o primeiro presidente da SBD-PR, e presidente da SBD Nacional em 1968. Fundador do Serviço de Dermatologia do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR) nos anos 60, o médico, professor, escritor e filósofo tinha como área de interesse o estudo da hanseníase, produzindo grande número de trabalhos sobre o tema. Ruy Miranda formou-se em 1938 na UFPR, sendo professor emérito da instituição, além de presidente da Academia Paranaense de Letras (1954-1956), vice-presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), chefe do Centro de Estudos Leprológicos Souza Araújo da UFPR (1960-1983) e presidente de honra da Fundação Pró-Hansen.Também participou da primeira banca examinadora do primeiro exame do TED, realizado a 28 de outubro de 1967, em Juiz de Fora, MG. Ele deixa a filha, Zea Gradoswski Miranda Ratton, cinco netos e bisnetos.
Jornal da SBD
Ano XIV n. 3
19
Projeto Residentes, credibilidade na formação de dermatologistas O Concurso "Trabalho de Investigação", uma das principais atividades do Projeto Residentes, repete o sucesso do ano passado e leva quatro residentes do terceiro ano dos Serviços Credenciados da SBD para uma temporada no exterior de setembro a novembro de 2010. No início de julho, a SBD divulgou os nomes dos autores dos dois melhores trabalhos de investigação na área de dermatologia tropical e dos dois que obtiveram maior destaque nas áreas de cosmiatria e fotoproteção. Os jovens vão ter direito a bolsas de estudos para três universidades nos Estados Unidos e uma na Europa. Além disso, o prêmio consiste na publicação dos artigos premiados nos Anais Brasileiros de Dermatologia (dermatologia tropical) e na Surgical & Cosmetic Dermatology (fotoproteção ou cosmiatria). Segundo o ex-presidente da SBD gestão 20012002, Fernando Augusto de Almeida, que fez parte da banca, não há fronteiras na medicina, e a iniciati-
va de promover intercâmbios no exterior é uma maneira de formar novos líderes no futuro. "O ‘Trabalho de Investigação’ tem ambições tão extensas quanto seu nome: fomentar ideias e promover o diálogo entre os países na área de dermatologia. Nossa especialidade está mudando muito; é dinâmica em todos os aspectos, seja na clínica ou na cirurgia estética. Além de ressaltar essa ótima oportunidade concedida pela SBD, acredito também que é fundamental que a universidade e os serviços credenciados estimulem esses jovens a fazer trabalhos nessas linhas”, destaca. Os trabalhos foram avaliados pelos seis membros da Comissão Julgadora, que os pontuou segundo os critérios de clareza, objetivo e relevância. "Analisamos desde o título e o conteúdo do trabalho, até a maneira de expor o tema e a consistência metodológica. Os artigos originais saíram na frente”, afirma Fernando de Almeida.
Capa
Um novo fôlego para a CNPCP Criada há 11 anos, a Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer da Pele entra para o livro dos recordes, o Guinness, como a maior ação médica do mundo realizada em um único dia
Sol na medida. Saúde na certa.
22 Jornal da SBD Ano XIV n. 3
C
om a marca de 357 mil atendimentos ao longo de 11 anos de existência, a Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer da Pele (CNPCP) da SBD, realizada anualmente em todo o país, colocou à prova a capacidade da dermatologia brasileira. O feito lhe deu a entrada no livro dos recordes, o Guinness Book, pela realização da maior campanha médica e de prevenção ao câncer da pele do mundo cumprida em apenas um dia. Até então, o recorde pertencia à Academia Americana Dermatologia (AAD). Para alcançar a certificação, anunciada oficialmente no dia 17 de junho, a última campanha teve de ser planejada e organizada para se enquadrar às exigências do líder global de setor de recordes mundiais. Uma das principais mudanças foi o aumento em duas horas no tempo de atendimento da campanha e a certificação minuciosa de cada ponto de atendimento e de cada paciente avaliado em todo o Brasil. A mobilização deu certo e coroou o esforço de um trabalho essencialmente coletivo em benefício da população. “Esse momento é um marco na rica e vitoriosa história da nossa instituição. Mais do que a certificação, recebemos reconhecimento digno da grandeza de nossa maior campanha. Para que isso se tornasse possível, fizemos grande esforço logístico para atender às várias exigências e para organizar a campanha de modo a mantêla grande e sincronizada em todo o país. Por isso, por exemplo, aumentamos o tempo de atendimento para oito horas de duração”, explica o presidente da SBD, Omar Lupi. Com campanhas irretocáveis desde 1999, quando foi criado o Programa Nacional de Prevenção ao Câncer da Pele (PNPCP), cuja principal ação é a CNPCP, a união de regionais, serviços credenciados e voluntários para a propagação e o desenvolvimento de cultura de prevenção tem tido papel fundamental. “Cada diretoria deu sua contribuição, e também os sócios da SBD, pois sem eles nunca chegaríamos onde chegamos. Mesmo com o recorde, temos que destacar o grande benefício que o programa, por meio das inúmeras campanhas educativas, prestou a nossa população", afirma o ex-presidente da SBD, Alberto Cox Cardoso. A mesma opinião tem Lupi. Em newsletter enviada aos associados, ele agradeceu a cada dermatologista que participou, atendeu, divulgou e torceu pelo resultado. Ressaltou também a participação das diretorias anteriores, funcionários e voluntariados que, em sua opinião, foram a chave para
o sucesso da empreitada: “A campanha contra o câncer da pele existe há 11 anos, e ao longo de suas edições, tornouse cada vez mais organizada, respeitada e reconhecida pela sociedade. Em 2009, realizamos um trabalho árduo que só foi possível graças a sua doação incondicional, amigo associado, que despendeu seu tempo e sua sabedoria de forma gratuita em prol dessa causa, hoje coroada com a certificação internacional de ‘maior do mundo’. Nosso agradecimento é completo quando oferecemos esse título a cada um de nossos membros: associados, diretorias, serviços credenciados e funcionários. A SBD nada mais é do que nós, unidos em nossas diferenças, sotaques, anseios e motivações. Somente dessa forma alcançamos nossas maiores vitórias e, é claro, superamos nossos percalços.” A fim de que todas as etapas fossem cumpridas à risca, uma equipe formada por funcionários da SBD trabalhou intensamente para transformar o desafio em realidade. O primeiro passo foi o preenchimento do formulário online. Após reunir toda a documentação exigida pela organização do Guinness World Records, a SBD encaminhou por e-mail e pelo correio, entre outros documentos, declarações que comprovavam a legitimidade da campanha, três delas de representantes de órgãos governamentais, como o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, o secretário de Vigilância em Saúde, Gerson de Oliveira Penna, e o secretário de Saúde de Niterói, Alkamir Issa.Após sete semanas, a equipe de administração de recordes deu resposta positiva à certificação. Em 2009, mais de 34 mil pessoas foram assistidas durante a campanha, realizada no dia 5 de dezembro. Coordenadora da CNPCP em 2009 e da Regional de São Paulo em três anos anteriores, Selma Cernea colaborou para a implantação do caminhão do Tour da Prevenção e para modificações necessárias à aplicação do Guinness. Este ano a campanha terá início no dia 27 de novembro, com o Tour da Prevenção. "Para a campanha de 2010, vamos estender o trajeto percorrido pelo caminhão, que deverá incluir cidades do interior do país. Espero que com isso, possamos chegar aos 45 mil atendimentos", prevê.
Um recorte da história Os pesquisadores que se debruçarem sobre a história da dermatologia brasileira vão encontrar trajetórias de profissionais engajados, desprendidos e compromissados com ações preventivas.A Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer da Pele é uma das Jornal da SBD
Ano XIV n. 3
23
1991
2005 mais importantes.Sua história começa na cidade do Rio de Janeiro, no final dos anos 80, quando foi criada por Jarbas Porto, à época presidente da SBD-RJ. Partiu dele a iniciativa pioneira da realização da primeira campanha isolada no Brasil, em dezembro de 1987, processo que foi acompanhado de perto por alguns de seus discípulos. A dermatologista Leninha Valéria do Nascimento é uma delas. No mesmo ano em que a dermatologia comunitária ganhava força no estado, a docente e “filha dermatológica” estava em terras estrangeiras fazendo seu pós-doutorado. Mas a distância não os separou. Apesar de estar estudando na França (Hospital Saint-Louis), mantinha contato com seu mestre por meio de cartas. Em uma delas, chegou a pedir que Leninha o ajudasse nas ações educativas. “Ele mandava cartas falando da organização da campanha do câncer da pele e queria que eu participasse. Fiquei muito lisonjeada e assim que retornei ao Brasil, em 1988, uni-me a ele e aos chefes de serviço do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe), para colaborar com o trabalho de conscientização.Divulgávamos em supermercados,favelas,clubes,rádios e programas de televisão...”, relembra ela que, em maio de 1995, viria a substituí-lo como professora titular de dermatologia na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). No número 9 (novembro de 1988) do Jornal Rio Dermatológico, foi publicado o artigo A campanha é perene, em que Jarbas Porto, também idealizador da publicação, enfatizou: “(...) Certamente, sentimos que o movimento seria continuado com a adesão cada vez maior dos nossos colegas, com a difusão sempre mais ampla dos conhecimentos capazes de proporcionar a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de pele e do melanoma.Tudo isso porque temos a certeza da sua validade e da sua absoluta necessidade e inadiabilidade. Poderemos suprimir métodos, modificá-los, aperfeiçoando-os como certamente será feito, mas a Campanha de Prevenção ao Câncer da Pele tem valor perene e crescerá de importância a cada ano...” Dito e feito. No ano seguinte, o Paraná desenvolveu campanha de detecção e prevenção da doença. “Realizamos nossa primeira campanha em setembro de 1988, organizada pelo Programa de Dermatologia Sanitária da Secretaria de Estado de Saúde do Paraná, órgão no qual exercia a função de diretor, com a colaboração da SBD-PR, da Divisão Nacional de Dermatologia Sanitária, da Sociedade Paranaense de Cancerologia, da Liga Paranaense de Combate ao Câncer, da PUC-PR, da UFPR, da Faculdade de
24 Jornal da SBD Ano XIV n. 3
Medicina Evangélica, além de todos os dermatologistas de nosso estado”, assinala Sérgio Fonseca Tarlé, dermatologista do Corpo Clínico da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba. Meses antes, a Associação Médica do Paraná com o apoio da SBD-PR promoveu curso de extensão sobre câncer da pele, com a participação de professores das três faculdades de Medicina de Curitiba, além de Jarbas Porto e Antônio Carlos Pereira. “A finalidade era preparar a equipe médica para o cumprimento da campanha com a presença de colegas dermatologistas de Curitiba e de cidades do interior do estado”, complementa. Outro exemplo que confirma a participação crescente das regionais vem de Goiás. Lia Cândida Miranda de Castro, presidente da SBD-GO em 1991-1992, seguiu o modelo de Jarbas Porto e iniciou as campanhas em seu estado. A partir daí foi feito um esforço de massa com a adesão de todos da Regional. "O Prof. Jarbas Porto esteve em Goiânia para uma jornada conjunta com a Sociedade de Cancerologia em abril de 1992, nos relatou seu empenho e compartilhou ideias de sua campanha. Logo após, ele mesmo me enviou, a pedido, e até autografados, todos os seus artigos sobre o tema. Naquele mesmo ano, desenvolvemos a ideia e iniciamos a campanha. Nos cinco primeiros anos, havia a distribuição de folders em clubes, em pontos de ônibus, em consultórios e a realização de aulas de esclarecimento em escolas públicas. Outdoors preenchiam a cidade nos meses de junho e julho, pois aqui temos uma cultura de pesca forte nessa época. Com o tempo, as ideias foram evoluindo, e a campanha melhorando", relata a dermatologista, que participou de todas as edições da CNPCP.
Programa Nacional de Prevenção ao Câncer da Pele (PNPCP) Preocupada com os números alarmantes da doença, a SBD criou, em 1999, o PNPCP ampliando a abrangência das
2006
2007 campanhas feitas em caráter local e disseminando-as por todo o território nacional. A iniciativa de elaboração do programa partiu de Marcus Maia (SBD-RESP), que propôs a Alberto Cardoso Cox, na ocasião presidente da SBD Nacional, que as ações fossem contínuas, em todo o Brasil, e de forma simultânea. Dessa maneira, formou-se um grupo, sob a coordenação do dermatologista de São Paulo. "A proposta foi apresentada e aprovada no Conselho Deliberativo da SBD como atividade permanente e hoje faz parte da regulamentação do exercício médico. O objetivo do programa é a realização de campanhas informativas de prevenção primária (medidas educativas), secundária (exame clinicolaboratorial para diagnóstico) e terciária (tratamento dos casos diagnosticados). A implementação permitiu que houvesse uma ação social coletiva brasileira com o envolvimento de todos os dermatologistas na tentativa de interferir na evolução da doença”, relembra Maia. “Nunca recebemos nenhuma colaboração governamental. Nosso trabalho é espontâneo, educacional e motivo de orgulho”, complementa
Destaque em atendimentos O Serviço de Dermatologia do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio) foi um dos postos que tiveram maior número de assistidos na campanha de 2009 entre os 170 locais de atendimento das 23 cidades brasileiras. Moradores da região de Tijuca, Praça da Bandeira e Rio Comprido tiveram assistência gratuita e de forma coordenada, das 8h às 16h.“A divulgação foi feita basicamente por meio de panfletagem e convite boca a boca para o comparecimento ao hospital para exame dermatológico gratuito. Tivemos êxito nessa empreitada, o que nos deixa muito satisfeitos, pois o esforço foi intenso.Vejo a educação como principal eixo na divulgação e orientação à população no que se refere à saúde da pele e qualidade de vida”, ana-
2009 lisa Paulo Roberto Issa, coordenador local da campanha. Ao todo 18 pessoas estiveram envolvidas na operação, entre voluntários, pessoal de apoio do hospital, médicos residentes, pós-graduandos e internos. “A integração de todos os participantes foi imprescindível para o sucesso da operação”, finaliza.
Guinness Book A maior doação de sangue do mundo, o maior público de cinema, o time de futebol com mais títulos na Liga dos Campeões da União das Associações Europeias de Futebol (Uefa), o primeiro presidente americano a usar o e-mail em seu mandato, entre muitos outros são exemplos de assuntos que estão nas 287 páginas do Guinness World Records 2010 – o livro da década. Desde sua criação, em 1955, o livro dos recordes virou sensação internacional sendo publicado em mais de 100 países e em 37 idiomas. Até hoje, mais de 100 milhões de exemplares foram vendidos.
Associados vibram com a conquista Parabéns por mais uma conquista! De nossa Paraíba, tenha a certeza de que permaneceremos engajados e estimulando cada vez mais o voluntariado! Carla Gayoso, presidente Regional PB Excelente notícia. Parabéns a todos e a todas. A propósito, haverá uma placa ou algo que possamos imprimir para colocar nos Serviços Credenciados? De alguma forma, o mérito de ser chancelado pelo Guinness Book e pela SBD Nacional e Regionais servirá até para que possamos conseguir mais fácil alguns parceiros e doações. Pensem nisso! Sidney Augusto, presidente Regional RN Caro presidente da SBD e demais membros da diretoria, Parabéns! Certamente todos vocês se empenharam muito na elaboração da Campanha de Câncer da Pele. Esse resultado final é bastante significativo. Não foi só o título conseguido no Guinness Book, mas a capacidade de agregar que Omar vem conseguindo com suas grandes ideias! Sinto-me orgulhosa em fazer parte do time! Maria Helena Sandoval, ex-presidente Regional ES
Carta CFM Senhor Presidente, Acusamos o recebimento de sua correspondência, informando que a SBD recebeu no dia 17 de junho, do Guinness World Records, a certificação por ter organizado a maior campanha médica do mundo realizada em um único dia e a maior campanha de prevenção ao câncer da pele mundial. Parabenizamos a SBD pela conquista, certos de que tais esforços enaltecem a medicina brasileira e o próprio país.
2008
Roberto Luiz D'Avila, presidente do CFM Jornal da SBD
Ano XIV n. 3
25
Presente para o futuro Serviços credenciados da SBD recebem autoclaves e seladoras
F
ortalecer e desenvolver a especialidade médica. É com esse propósito que a SBD acaba de doar 62 autoclaves de 21 litros e seladoras a seus Serviços Credenciados, valiosas unidades que contribuem na prática para o engrandecimento da história da dermatologia brasileira. A SBD investiu cerca de R$ 200 mil na obtenção dos equipamentos, responsáveis pela esterilização de diversos materiais hospitalares por meio do calor úmido sob pressão. Sete serviços que já possuem o aparelho receberão vales para serem utilizados na compra de material cirúrgico ou insumos. "A aquisição e o repasse desses equipamentos representa mais uma preocupação de nossa diretoria em colaborar de forma ativa e pragmática, dentro das possibilidades de nossa Sociedade, com nossos associados e Serviços Credenciados", sublinha o presidente da instituição, Omar Lupi, cuja opinião é reforçada pela do segundo secretário da SBD, Emerson de Andrade Lima: “O apoio dado para cada Serviço Credenciado, unidades de formação dos nossos dermatologistas e futuros membros da nossa associação, traduz o objetivo da SBD de fortalecer as bases através do aprimoramento científico.” O chefe do Serviço de Dermatologia do Instituto de Assistência dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro (Iaserj), Sérgio Quinete, está animado com a chegada do novo aparelho e aponta que a doação da autoclave vai de encontro a uma necessidade específica do serviço de dermatologia. "Há mais de 20 anos, possuíamos uma estufa que foi desativada pela Vigilância Sanitária. Atualmente, a desinfecção de todo o material do hospital está sendo feita em unidades referenciadas de saúde do estado fora do Iaserj, por razões adversas. Como se sabe, o material cirúrgico da dermatologia possui peças pequenas e por vezes acontece a perda ou o extravio, sem explicações plausíveis e, consequentemente, sem a devida reposição. Dispondo de esterilização própria, sem dependência externa, não correremos esse risco nem ficaremos submetidos à demora de dois a
26 Jornal da SBD Ano XIV n. 3
três dias para o retorno do material", ressalta, complementando que a chegada do novo aparelho permitirá ainda redução de custos no hospital. O Serviço de Dermatologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, comandado por Renan Bonamigo, já contava com uma autoclave. No entanto, com a vinda de outro aparelho, os materiais devem ser esterilizados de forma muito mais rápida. "Nosso Serviço possui uma autoclave que funciona no limite de sua capacidade e, por vezes, necessita de reparos, os quais ocasionam transtornos ao fluxo de procedimentos. Portanto, a possibilidade de contar com uma autoclave adicional poderá trazer mais tranquilidade ao serviço quanto a esses problemas", relata. Mato Grosso do Sul também vai experimentar a mudança. O Serviço de Dermatologia da Faculdade de Medicina Dr. Hélio Mandetta, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), em Campo Grande, terá sua primeira autoclave. "Nunca tivemos esse equipamento. Até a presente data, temos esterilizado todo o material no centro de esterilização do Hospital Universitário. A presença da autoclave irá dinamizar e agilizar as atividades cirúrgicas e, principalmente, eliminará o transtorno de troca de materiais, que comumente ocorre quando é executado numa unidade de esterilização que administra todo o material dos diversos ambulatórios e do centro cirúrgico. E, por fim, ficará mais fácil controlar nosso material permanente. Será muito bemvindo", salienta Gunter Hans Filho, chefe do Serviço. Para Carlos D'Apparecida Santos Machado Filho, do Departamento de Dermatologia da Faculdade de Medicina do ABC, o reforço possibilitará mais dinamização dos procedimentos cirúrgicos, uma vez que, com o aparelho novo, os materiais serão esterilizados bem mais rapidamente e com uma qualidade melhor. "No ABC realizamos cerca de cinco mil cirurgias ao ano; não podemos, portanto, ficar sem autoclave. Por coincidência já estava na hora de adquirir outra; nesse sentido, a doação vem em boa hora".
A SBD recebeu por e-mail a manifestação de diversos chefes de Serviço de todo o país:
Ética em Pauta
"Agradeço à diretoria da SBD por mais essa atenção aos Serviços Credenciados, característica e empenho da atual gestão", Cecília Cassal, Ambulatório de Dermatologia Sanitária, Porto Alegre "É bastante louvável a iniciativa da SBD. Parabéns", Emmanuel França, Hospital Oswaldo Cruz, Pernambuco "É com grande satisfação que manifesto minha gratidão pelo apoio dado por essa diretoria, a começar pelo esforço dedicado a nós no início do nosso Serviço no Hospital Militar de Belo Horizonte. Deixo meu agradecimento e comprometimento para com o futuro da nossa especialidade", André Piancastelli, Hospital Militar de Belo Horizonte "À diretoria 2009-2010 da SBD, nossos agradecimentos e cumprimentos por mais essa valiosa iniciativa", João Roberto Antônio, Hospital da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, São Paulo "Aos membros da diretoria, nosso agradecimento e parabéns pela feliz iniciativa que será muito útil aos Serviços Credenciados", Alberto Cox Cardoso, Universidade Federal de Alagoas “Agradecemos a preocupação dessa diretoria na doação do aparelho ao nosso Serviço. Com certeza os senhores estão cumprindo importante papel no desempenho dos trabalhos realizados no dia a dia de nossos residentes e médicos dermatologistas do ambulatório de dermatologia do Complexo Hospitalar Padre Bento de Guarulhos”, Maria do Rosário Vidigal, São Paulo “Agradecemos a excelente iniciativa!”, Sandra Durães, Hospital Universitário Antônio Pedro – UFF, Niterói “Que maravilha! Um superobrigado a todos vocês em nome do Serviço de Dermatologia do Huec”, Lincoln Helder, Hospital Universitário Evangélico de Curitiba “Prezado Omar Lupi e diretoria, agradeço em nome de todos do nosso Serviço o empenho na busca de melhorias da nossa SBD. Esperamos que esse trabalho sirva de exemplo para a nova gestão. Obrigada pela doação da autoclave, que agilizará nossa prática diária. Vamos continuar nos esforçando para formar aqui profissionais compromissados e tecnicamente preparados”, Mecciene Mendes Rodrigues, Valter Kozmhisky, Matilde Carrera e Lígia Helena, Instituto Integral Professor Figueira (Imip), Pernambuco
José Roberto Pegas *
A
Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), em convênio com a Associação Médica Brasileira (AMB), realizará no dia 15 de agosto de 2010 a segunda edição do “Exame de Suficiência Categoria Especial para obtenção do Título de Especialista em Dermatologia” (TED). Os candidatos aptos ao exame são todos os médicos, sócios contribuintes ou não da SBD, com inscrição definitiva no CRM, formados há mais de 15 anos até a data do exame e que comprovem o exercício profissional na dermatologia há pelo menos seis anos (duas vezes o tempo para a formação na especialidade). Além disso, é necessário que o candidato seja apresentado, formalmente, por dois sócios titulares do mesmo estado em que reside, sendo exigidas as descrições das atividades. No último levantamento, havia cerca de 1.222 sócios contribuintes candidatos ao concurso; porém, no Brasil, esse número é bem maior, se levarmos em consideração o número total dos médicos que atuam na especialidade, sem ser especialistas. A Comissão de Ética e Defesa Profissional (CEDP) da SBD entende que esse processo seletivo veio para “fortalecer o reconhecimento à especialidade e ao especialista” uma vez que vê a possibilidade de aumento progressivo do número de sócios titulares. Com essa luta não só a dermatologia, mas também as outras especialidades médicas, se vem defrontando ao longo dos últimos anos. Além disso, é, sem dúvida, uma excelente oportunidade de os colegas pertencentes à categoria de sócios contribuintes passarem a divulgar a especialidade, já que o novo Código de Ética Médica em seu Capítulo XIII, artigo 115, refere que “é vedado ao médico anunciar títulos científicos que não possa comprovar a especialidade ou área de atuação para a qual não esteja qualificado e registrado no CRM”. Sendo assim, desejamos a você, colega, um excelente exame e boa sorte! *
Coordenador da Comissão de Ética e Defesa Profissional (CEDP) Jornal da SBD
Ano XIV n. 3
27
Medicina Tropical
Carlos Chagas mostrou como o fazer científico pode aproximar-se da sociedade “Não vai demorar que passemos adiante uma grande e bela ciência, que faz arte em defesa da vida”
O
valor do médico e pesquisador mineiro Carlos Justiniano Ribeiro das Chagas (1878-1934) para a saúde pública brasileira é incomensurável. O cientista descobriu, em 1909, doença tropical que levou seu nome, além do vetor (que a transmite) e o parasita (que causa a enfermidade), ou seja, o ciclo completo de uma afecção, acontecimento raro na medicina. Os estudos da doença de Chagas contribuíram para o conhecimento e o debate científico internacional sobre as doenças tropicais. No Brasil, esse mal ainda constitui problema a ser enfrentado devido à pobreza e às precárias condições sanitárias de grande parte da população do interior do país. Dados do Ministério da Saúde apontam três milhões de brasileiros infectados. No entanto, a transmissão tradicional da doença pela picada do barbeiro está em fase de eliminação. O Jornal da SBD conversou com o químico Walter Colli, colaborador sênior do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), professor titular da instituição de 1980 a 2009, ex-diretor do Instituto Butantan (1999), e atual diretor do Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais (CNPEM). Suas pesquisas se baseiam na revelação dos mecanismos moleculares da relação hospedeiro/parasita, em que utilizou como modelo o Trypanosoma cruzi, protozoário transmissor da doença de Chagas.
Inexiste ainda hoje procedimento terapêutico capaz de eliminar a doença de Chagas. Em que estádio andam as pesquisas para a decifração total da estrutura química e do funcionamento da membrana plasmática do Trypanosoma cruzi? Há um medicamento denominado Benznidazol, com nome de fantasia Rochagan, que era produzido pela Roche. Esse laboratório doou a tecnologia para o governo brasileiro, que passou a fabricá-lo no Laboratório Farmacêutico do Estado de Pernambuco (Lafepe). No entanto, esse medicamento é razoavelmente eficiente na fase aguda da doença, isto é, nas primeiras semanas em que o indivíduo é infectado. Ora, essa circunstância é de baixa detecção porque a fase aguda não apresenta sintomas, exceto febre, confundida com indício de muitas outras afecções. O
28 Jornal da SBD Ano XIV n. 3
uso do Benznidazol ficou adstrito praticamente aos laboratórios de pesquisa, que o empregam todas as vezes em que há suspeita de infecção de um pesquisador. Ainda assim, o medicamento é relativamente tóxico, e decorrido o prazo de dez dias de uso costumam surgir reações cutâneas com o aparecimento de eritemas. O uso prolongado do medicamento pode provocar depressão da medula óssea, que produz as células de defesa imunológica e polineurites. Na fase crônica da doença a eficiência do medicamento é baixa. Após 40 anos de estudo a composição química do Trypanosoma cruzi é muito conhecida, sobretudo a de sua membrana plasmática, mas ainda não foi possível estabelecer correlação entre os componentes químicos e a capacidade invasiva do parasita. É evidente que a melhor abordagem seria a busca de medicamentos mais eficientes que matassem o parasita sem matar a célula hospedeira, mas a probabilidade de os encontrar é muito baixa, mormente levando-se em consideração que as grandes empresas farmacêuticas não têm interesse no assunto, já que a doença pode ser extinta de outras formas mais baratas, e o tratamento não daria retorno aos laboratórios devido à baixa renda da população afetada.
Como um paciente se torna chagásico? Há um inseto triatomíneo, conhecido como barbeiro, que urina e defeca sobre a pele quando se alimenta do sangue da vítima. O barbeiro é o vetor natural do parasita, que se reproduz muito bem no intestino do inseto. Normalmente, vive em rachaduras da parede em casas feitas de barro e pau a pique, e gosta de escuridão e umidade. Uma forma de o extinguir no domicílio seria melhorar a renda das famílias que vivem em regiões endêmicas para que pudessem ter casas com reboco e janelas mais amplas que permitissem a entrada de luz e calor. Na década de 1990, por iniciativa dos países do cone sul, coordenados pela Organização Mundial da Saúde, as casas e o peridomicílio foram fumigados com inseticida ou as paredes das casas pintadas com tinta contendo inseticida. A transmissão caiu vertiginosamente no Brasil, na Argentina, no Chile e no Uruguai. No entanto, não se pode abandonar a vigilância porque, se o programa não
for continuado, o inseto retorna, principalmente aqueles que vivem na floresta e que se adaptam ao domicílio. Há outras formas de transmissão: (1) por transfusão de sangue contaminado; essa via perdeu sua importância tendo em vista que os bancos que fazem transfusão examinam as bolsas de sangue antes de aplicá-lo, providência que se tornou obrigatória após o aparecimento da Aids; (2) da mãe para o feto através da placenta; (3) oral, por ingestão de alimentos contaminados com barbeiros infectados (caldo de cana moído em engenhos abandonados; consumir açaí colhido sem atentar para a eventual presença de barbeiros contaminados nos pés).
Qual é sua opinião sobre a integração entre universidades e o setor privado para o desenvolvimento de novas pesquisas? A Fapesp tem sido referência no apoio financeiro à ciência paulista... A integração se dá, mas muito penosamente. Comparado a outros países, principalmente os Estados
Unidos, o Brasil tem poucos empreendedores. A migração da universidade para a empresa e o movimento contrário não são facilitados. Em muitos setores da universidade o lucro ainda é percebido como pecado. No entanto, entre empresários e cientistas existem aqueles que querem melhorar a interação e uma das formas de alcançá-la é através de institutos de pesquisa tecnológica que falam com os dois lados. A Fapesp, além de apoiar a pesquisa básica nas universidades, faz grande esforço para financiar pequenas empresas, além de aproximar grandes empresas e cientistas da universidade. Sobre o assunto, o coordenador médico do JSBD, Paulo Cunha, acrescenta ser imprescindível que a SBD além de todas as funções que desempenha, se direcione mais no incentivo às pesquisas. "Esse esforço é crucial para que no futuro possamos ganhar mais espaço dentro da dermatologia mundial".
Vidal Haddad
À frente das doenças infecciosas e parasitárias O estudo das doenças tropicais se confunde com a história da medicina brasileira. Os grandes pesquisadores brasileiros, de real destaque no mundo todo, trabalharam com doenças estudadas pela medicina tropical. Para orgulho de nossa dermatologia, vários tinham como especialidade ou como interface desses estudos as doenças cutâneas, especialmente a hanseníase. O estudo de doenças infecciosas e parasitárias por nós, antes de qualquer coisa, é um legado de gerações mais antigas que devemos preservar. Um artigo recente publicado na Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (“Ocorrência e positividade para Trypanosoma cruzi em triatomíneos de municípios da Região Sudeste do Brasil, de 2002 a 2004”) foi comentado na revista da Fapesp com o título “Caça aos barbeiros” e descreve uma série de estudos de campo em áreas de Minas Gerais, promovida por colegas da Universidade Federal de
Uberlândia com o intuito de coletar espécimes de triatomídeos e classificá-los. O artigo chama a atenção pela busca ativa dos agentes, relembrando tempos românticos de nossa profissão e da pesquisa no Brasil e da própria genial pesquisa de Carlos Chagas, descrevendo tudo sobre a doença que receberia seu nome, tempos nos quais os recursos laboratoriais e de infraestrutura praticamente não existiam. A dermatologia não tem como objeto de estudos a doença de Chagas, que apresenta poucos sinais cutaneomucosos.A exceção é o sinal de Romaña, que ocorre na mucosa ocular quando da infecção inicial. Entretanto, essa atenção para com os pesquisadores e com o trabalho deve ser vista com bons olhos, pois temos muitos colegas que se dedicam da mesma forma e sob as mesmas dificuldades e motivações ao estudo de várias doenças infecciosas e parasitárias, como a leishmaniose mucocutânea, a hanseníase, as micoses profundas e outras. A doença de Chagas, no entanto, é um belo exemplo do que podemos fazer (mesmo sem as condições ideais). Carlos Chagas desvendou os mistérios sobre a enfermidade (assim como Gaspar Vianna fez com a leishmaniose cutaneomucosa, ambos no início do século passado). A lembrança do que esses grandes brasileiros fizeram deve manter a vocação de nossa especialidade. Embora uma minoria de nós faça isso hoje, temos pesquisadores de alto nível e respeitados no mundo todo, mas jovens dermatologistas devem ser motivados para a continuidade dessa tarefa. Os congressos oferecem espaço para a dermatologia infecciosa e parasitária; mais participação durante a formação discente e na residência médica, porém, seria fundamental para esse objetivo. Jornal da SBD
Ano XIV n. 3
29
Novas realidades Ceads ajuda a recriar vidas de portadores de doenças de pele. SBD Nacional passa a ser parceira da entidade
1
2
DERMAÇÃO
U
ma entidade sem fins lucrativos voltada para a pesquisa, o ensino e a assistência a portadores de hanseníase e doenças sexualmente transmissíveis – moléstias marcadas socialmente por medo, culpa e, especialmente, preconceito. Criado em maio de 2007, o Centro de Estudos e de Apoio à Dermatologia Sanitária (Ceads), desenvolve essas atividades com o objetivo de contribuir e colaborar nos processos de conscientização, prevenção, diagnóstico, tratamento e acompanhamento de doenças dermatológicas. Estão incluídos nesse rol o câncer da pele e as dermatoses ocupacionais. "Apoiamos projetos de pesquisas acadêmicas de enfoque biomédico, epidemiológico, social e operacional, e realizamos também programas de capacitação, treinamento em serviço e de educação continuada, presencial ou a distância", explica o colaborador voluntário do Ceads Luiz Jorge Fagundes. Atualmente o Centro de Estudos dá suporte a três bolsistas que moram em áreas de dermatologia sanitária: a biomédica Fátima Regina Borges de Morais, responsável pelo Laboratório de DST e de Hanseníase do Centro de Saúde Escola Geraldo Horácio de Paula Souza, da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo CSEGPS/FSP/USP, a enfermeira Natalina Vizinho Marta, responsável pela pré e
30 Jornal da SBD Ano XIV n. 3
3 1. O tesoureiro do Ceads, Milton Moraes, o coordenador de projetos do Ceads, Fábio Hanamura, e o coordenador científico do Ceads, Luiz Jorge Fagundes 2. Luiz Jorge Fagundes, o primeiro presidente do Ceads Prof. Sebastião Sampaio, e o cineasta Ugo Giorgetti, na ocasião da gravação do DVD sobre o Prof. Sampaio 3. O presidente do Ceads, Ricardo Romiti, no estande do Ceads na Radesp 2008
pós-consulta de hanseníase e DST do CSEGPS/FSP/USP, e o dermatologista Elso Vieira, integrante da disciplina de Telemedicina da Faculdade de Medicina da USP, que participa do levantamento sobre os últimos 15 anos de assistência prestada no Ambulatório de DST do CSEGPS/FSP/USP, a ser em breve enviado para publicação nos Anais Brasileiros de Dermatologia.
Movimento conjunto A atual gestão da SBD, sensibilizada com a bela trajetória e os esforços empregados pelo Centro, aparece este ano como colaborador de peso da entidade. "A Sociedade Brasileira de Dermatologia, na pessoa de seu Presidente Prof. Dr. Omar Lupi, ciente e conhecedor do trabalho do Ceads, ofereceu-nos apoio financeiro substancial que nos auxiliou na conclusão de diversos trabalhos em andamento, além de prover recursos aos bolsistas envolvidos nesses trabalhos. Por outro lado, a presença da SBD, com seu logotipo indicativo de seu apoio inserido em nosso site, faz com que desfrutemos da credibilidade não só dos associados da SBD como de seus futuros parceiros", salienta. O recurso será investido na produção de cartilhas, posters, DVDs e
CDs com gravações de orientações sobre essas doenças, e destinado ao apoio àqueles bolsistas que auxiliam na assistência, no ensino e na pesquisa.
História O primeiro projeto do Centro foi desenvolvido, implementado e concluído na Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), na época presidida pelo empresário Antonio Ermírio de Moraes. "Ele nos permitiu realizar em sua fábrica, no município paulista de Alumínio, um trabalho envolvendo a busca ativa de hanseníase por ocasião dos exames admissionais, periódicos e demissionais de seus funcionários", ressalta Fagundes. O resultado do projeto, que envolveu o exame médico dermatológico de mais de 4.000 funcionários, está sendo enviado como trabalho científico para os Anais Brasileiros de Dermatologia. Como material de apoio, foram distribuídos na ocasião cartilhas e posters abordando
o tema. Houve ainda a reprodução de um DVD com aula sobre hanseníase, documentário sobre os leprosários de São Paulo com depoimentos de profissionais, doentes e exdoentes. “Queremos expandir esse trabalho de busca ativa da hanseníase ao examinar os 70 mil funcionários do Grupo Votorantim”, disse Fagundes. Outros projetos foram desenvolvidos, como um guia de orientação em DST, distribuído gratuitamente a todos os pacientes do Ambulatório de DST do CSEGPS/FSP/USP, e um documentário em DVD sobre a trajetória científica do primeiro presidente do Ceads, o Prof. Sebastião de Almeida Prado Sampaio, profundo conhecedor da hanseníase, do câncer da pele e das DSTs. "Fazem parte de nossos planos futuros, a elaboração de outros documentários com a participação dos mestres da dermatologia brasileira, constituindo acervo cultural de grande valia e interesse científico", afirma. O instituto, sem fins lucrativos, tem seus recursos captados por voluntários em empresas. Para participar acesse o site: www.ceads.org.br.
Alguns colaboradores Sensibilizados com nossos projetos, tivemos a adesão de profissionais médicos como o atual presidente Ricardo Romiti, o ex-presidente Mario Cezar Pires, além de Salim Amed Ali, Clovis Lombardi e Theo Lerner, representante do Centro junto ao Conselho Regional de Medicina (CRM).
Reflexão sobre a cultura do Brasil
C
riar um instrumento de pesquisa, de estudo e de formação da população brasileira com base em soluções tecnológicas. Inspirada nesse pensamento, a Universidade de São Paulo (USP) lançou em junho de 2008, o projeto Brasiliana Digital, que pretende disponibilizar pela internet a coleção de 40 mil obras reunidas durante mais de 80 anos por José Mindlin e doados à universidade em 2006 por ele e sua mulher, Guita. A versão inicial do site (http://www.brasiliana.usp.br) oferece ao internauta o acesso a três mil documentos sobre a cultura e a história do Brasil desde o século 16. Coordenado pelo professor do Departamento de História da USP Pedro Puntoni, o trabalho está sendo feito por uma equipe de colaboradores, na maior parte bolsistas, com auxílio de tecnologia de digitalização avançada. Para isso, foi adquirido com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) um robô que reconhece 120 línguas – equipamento pioneiro no Brasil – e é capaz de processar por hora 2.500 páginas (ou 40 livros por dia) de material raro e delicado. Ainda não há previsão do tempo necessário para a digitalização integral do acervo doado por Mindlin. Vem da Brasiliana Digital a inspiração para que a longo prazo seja realizada a digitalização de todo o acervo das mais de duas mil obras raras da Biblioteca
Professor Francisco Eduardo Rabello da SBD. Atualmente, mais de 1.500 livros foram catalogados com a digitalização de seus principais dados, como título da obra e ano de publicação. A próxima etapa poderia ser a digitalização completa de todo o conteúdo das obras. "As bibliotecas digitais são a cada dia mais fundamentais para uma política de pesquisa, de formação e de difusão cultural. Ao realizar um trabalho similar na biblioteca da SBD, facilitamos as possibilidades de acesso de todos e contribuímos para gerar mais conhecimento sobre nossa área, que é a dermatologia", declara o coordenador da biblioteca, Ricardo Romiti. "Espero que nossa biblioteca se inspire nesse belo exemplo da Brasiliana Digital, pois o serviço à coletividade é uma das condições primordiais para uma formulação mais sólida da memória do nosso país e para uma reflexão ampliada sobre a cultura brasileira. Desejamos o mesmo para a dermatologia", completa o presidente da SBD, Omar Lupi. Jornal da SBD
Ano XIV n. 3
31
Profissões e Dermatoses Ocupacionais
Alice O. A. Alchorne
racha são as fontes mais importantes de alérgenos, cujo mais comum é o tiuram. Na indústria de fabricação de borracha, as DO não são tão comuns devido à automação dos processos e às medidas preventivas, sendo mais frequente a DCI por álcalis, solventes, sabões, etc. A dermatite de contato alérgica (DCA) é geralmente pelos antioxidantes da vulcanização, como derivados da parafenilenodiamina (PPD), e aceleradores de vulcanização, como mercaptos e tiurans.
Dermatoses ocupacionais causadas pela
borracha N
a coluna desta edição, vamos abordar as dermatoses ocupacionais causadas pela borracha. Devido ao uso crescente de produtos dela derivados, verificamos relevante aumento na sensibilização alérgica a seus componentes. Muitas vezes, são os próprios equipamentos de proteção individual (EPI), principalmente as luvas, os causadores de dermatoses. Quadros superpostos por EPI de borracha podem passar despercebidos. Os usuários representam 80% das vítimas dos produtos de borracha, seja por dermatose ocupacional (DO) ou em seu dia a dia, pois são inúmeros os produtos de uso pessoal ou doméstico (roupas) em que entram componentes químicos desse material, além de outros, de usos diversos (pesticidas, alimentos e medicamentos). Aproximadamente 14% da população tem pelo menos um alérgeno positivo da bateria-padrão de testes de contato (TC). As luvas de bor-
32 Jornal da SBD Ano XIV n. 3
Borracha: substância orgânica obtida de fontes naturais ou sintéticas cujas propriedades são a elasticidade e a resistência. Borracha natural: obtida principalmente da Hevea brasiliensis, planta produtora do látex, substância viscosa que contém 30% de borracha, polímero de metilbutadieno ou isopreno (C5 H8), com duas formas: “cis”, que é a borracha normal e “trans”, que é a gutapercha e a balata, com outras propriedades.A natural só é elástica entre 15 e 30ºC.Abaixo de 15ºC, é dura. Acima de 30ºC, é mole, plástica, moldável e se deforma. Cerca de 75% da produção de borracha é consumida pela indústria de pneus, 8% pela de calçados, e 17% por outras indústrias. O látex é concentrado a 68% de borracha e depois coagulado com ácidos fórmico e acético, lavado, e os coágulos, prensados, formarão pranchas. Borracha sintética: a mais utilizada devido tanto à grande demanda quanto à dificuldade de alguns países em adquirir a borracha natural. Some-se a isso, sua grande variedade para os mais diferentes usos. São diversos os tipos de monômeros sintéticos, como dimetilbutadieno, butadieno estireno (BunaS), butadieno nitrilo (Buna-N), cloropreno (neopreno), cloreto de vinila e, finalmente, o próprio isopreno. A fim de aumentar a velocidade na polimerização dos monômeros para formação da borracha artificial, utilizam-se a pressão, o calor e os catalisadores (sódio, bório, alumínio, titânio, persulfato alcalino e de amônia, peróxido de benzoíla e mercaptos). Freadores de polimerização (fenil-naftilamina, hidroquinona e butilcatecol terciário) também são utilizados. Moldagem: os polímeros da borracha natural ou sintética são triturados para aumentar a plasticidade e em seguida sofrem a moldagem conforme o produto desejado. Vulcanização: forma de polimerização que dá à borracha características úteis, como força, elasticidade e resistência à tração. O principal vulcanizador é o enxofre, mas, como o
Acromia por hidroquinona da borracha em trabalhador de fábrica de pneus
Dermatite de contato alérgica à luva de borracha por acelerador de vulcanização mercaptobenzotiazol
Dermatite de contato alérgica por borracha do elástico em bancária
processo é lento e demanda altas temperaturas, são empregados aceleradores da vulcanização e outros aditivos. Aceleradores: produtos de reação aldeidoaminas; arilguanidinas; ditiocarbamatos (luvas, elásticos e pesticidas); sulfetos de tiuram (utilizados na borracha, por exemplo: luvas, elásticos, e em pesticidas, cosméticos e antiabuse); tiazóis – mercaptobenzotiazol (EPI, elásticos e pneus); sulfonamidas; tioureias (recentes) também são antioxidantes e anticorrosivos (objetos de esporte e de pesca submarina - são impermeáveis). Antioxidantes e antioxonizantes: estabilizam o polímero e reduzem a ação do oxigênio e do ozônio, aumentando sua vida útil (diminui as fissuras). Pertencem principalmente ao tipo aminas, como os derivados da PPD (borrachas negras), muito sensibilizantes (pneus, mangueiras, aparelhos domésticos, botas e elásticos), mas também às hidroquinolinas, às tioureias e aos sais metálicos do ácido ditiocarbâmico. Freadores: evitam a vulcanização prematura na moldagem (cicloexiltioftalimida). Reforçadores e preenchedores: reforçadores são partículas pequenas que evitam a abrasão (argila, óxido de zinco, carbonato de magnésio e negro fumo). Preenchedores aumentam a massa do produto (talcos, carbonatos e argila). Pigmentos: dióxido de titânio, óxido de zinco, pigmentos orgânicos ou inorgânicos. Plastificantes: dibutil e dioctilftalato, mercaptobenzotiazol e tiuram. Outros: emulsificantes, suavizantes, cromo (corante e/ou contaminante).
CLÍNICA - Dermatite de contato: é a dermatose mais comum, sendo a forma irritativa (DCI) mais frequente do que a alérgica (DCA). Geralmente eczematosas, adquirem aspectos diversos conforme o alérgeno e a localização da lesão. Na pele fina pode ser bolhosa, e na pele grossa, eritematosa e ligeiramente vesiculosa. As formas muito agudas são causadas por antioxidantes. Quando o produto é sólido, as lesões são causadas por sua fricção. São bem delimitadas
e respeitam áreas cobertas. Pode haver lesões a distância causadas pelo contato do objeto na face, nos genitais e nas flexuras lembrando a dermatite atópica. Em trabalhadores de bancos e dos correios, a DO se manifesta também como disidrose, nas regiões laterais do segundo e terceiro dedos da mão direita, causada por aros elásticos de amarrar pacotes de dinheiro ou documentos. Outros tipos de DCA não eczematosas: liquenoides por N-isopropil-p-fenilenodiamina (IPPD) e pustulose palmoplantar por mercaptos. Urticária de contato: hipersensibilidade imediata mediada por IgE, tem apresentado maior incidência devido ao uso cada vez mais frequente de luvas de látex por profissionais da saúde (5 a 10% dos médicos e enfermeiros são afetados). O talco das luvas retém o látex, podendo desencadear quadros de urticária, respiratórios e anafilaxia. Queratose palmoplantar: são causadas pelas aminas antioxidantes (“mãos e pés de borrachas negras”). A retirada do alérgeno melhora rapidamente. Faz diagnóstico diferencial com psoríase palmoplantar e dermatofitose. Acromia: atualmente é muito rara, pois a hidroquinona, que é o agente responsável, não está sendo quase utilizada. Ocorre após DCA pela hidroquinona após DCA ou independente de sensibilização. A localização mais frequente é o dorso das mãos pelo uso de luvas. Pode ser difusa ou em confete. O diagnóstico diferencial se faz com o vitiligo. Síndrome PPP: dermatite alérgica pela amina antioxidante IPPD, com púrpura, petéquias e prurido. Localizam-se nas regiões de contato com a borracha, geralmente elásticos. Câncer: podem ser causados por princípios ativos ou contaminantes, ou por reações incontroladas na produção da borracha. Agentes cancerígenos da borracha são as β-naftilaminas e N-nitrosaminas.
DIAGNÓSTICO -
É feito com testes de contato,
realizados com: - bateria-padrão, que contém os principais alérgenos da borracha (hidroquinona, mix de tiurans, mix de mercaptos, PPD, mix de PPD e mix de carbamatos). São comuns testes positivos a mais de um alérgeno; - produtos próprios sólidos dos pacientes (testar como tal).
PROFILAXIA - É difícil, em função de serem inúmeras as substâncias envolvidas, e ignorada pelo usuário a composição do produto, já que seus rótulos não especificam os componentes nem sua concentração – além do fato de os produtos mudarem eventualmente sua composição. Outro problema é que os alérgenos da borracha são encontrados em muitos outros produtos, como pesticidas, medicamentos, alimentos, etc. O que se tem feito é substituir ou diminuir as concentrações de alguns componentes sensibilizantes. Para os alérgicos à borracha, o uso de EPI de borrachas isentas de látex ou de vinil, ou de nitrila, é aconselhável. Os alérgicos a EPI de borracha deverão prevenir-se em relação a outros objetos de borracha em seu dia a dia. Jornal da SBD
Ano XIV n. 3
33
TED Especial
Um retrato da mudança: com o TED Especial, sócio contribuinte pode tornar-se titular
N
em sempre é simples enfrentar as mudanças. No entanto, não se pode ignorar que elas são imprescindíveis para nos manter em sintonia com o ritmo do mundo. Buscar o refinamento intelectual para ser mais assertivo nas funções desempenhadas no dia a dia é mudar de postura. Isso requer coragem, disciplina e comprometimento. O Exame para o Título de Especialista Categoria Especial é um bom desafio. Ao serem aprovados, sócios contribuintes com mais de 15 anos de formação em medicina passam a ser efetivos. A prova, administrada pela Fundep, está marcada para o dia 15 de agosto, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Garantia inquestionável da atuação do dermatologista especialista nos diversos serviços de saúde pública do país e recebimento de descontos em congressos científicos são alguns dos benefícios dados aos que passarem no Exame.“Disso tudo, o mais importante é que na condição de associado titular, o dermatologista será reconhecido como especialista. O benefício maior é o orgulho de pertencer à classe dermatológica”, reforça o presidente da Comissão de Título de Especialista da SBD, Jackson Machado-Pinto. O TED Especial terá duas etapas, a teórica, das 9h às 12h, e a teórico-prática, das 14h às 16h30. O conteúdo das provas será similar ao do TED atual. A escrita, de caráter eliminatório, trará 50 questões sobre dermatologia clínica, laboratorial, cirúrgica e cosmiátrica. A prática, realizada por meio de computador, vai apresentar 20 questões sobre dermatologia clínica, cirúrgica, cosmiátrica e propedêuticos. A nota da prova oral será acrescida da avaliação curricular, e os candidatos que somarem 60% de acertos nos exames serão aprovados. “O exame foca as dermatoses de maior ocorrência no Brasil e também nos atendimentos em consultórios, pois o candidato encontra-se mais afastado de hospitais terciários do SUS, comparado ao recém-saído da residência em dermatologia”, exemplifica Ana Maria
34 Jornal da SBD Ano XIV n. 3
Roselino, da Comissão de Título de Especialista. Os certificados da categoria Títulos Especiais terão validade de cinco anos, sendo renováveis de acordo com normas da Comissão Nacional de Acreditação. “Há várias formas para se renovar um título, com a participação em educação médica continuada, em eventos científicos e outros”, salienta Ana M. Roselino. “Prezado colega que ainda não obteve o TED: lute contra essa resistência, faça o seu “sacrifício científico” (se assim o podemos chamar), aceite essa oportunidade que a SBD lhe está proporcionando e seja um dermatologista que valoriza mais nossa especialidade. A consequência disso será sua satisfação pessoal e outros benefícios que virão naturalmente. Assim procedendo, você poderá colher ainda mais glórias que pode nos conferir a condição de ser sócio titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia”, aconselha João Roberto Antônio, um dos nove dermatologistas aprovados no primeiro exame para o TED, em outubro de 1967. O gabarito oficial e a relação dos aprovados serão divulgados a partir do dia 31 de agosto, nos endereços eletrônicos http://www.gestaodeconcursos.com.br e www.sbd.org.br. O prazo para a entrega do título varia entre três e quatro meses.
Requisitos exigidos para as inscrições O candidato deverá: ter inscrição definitiva no Conselho Regional de Medicina (CRM); estar exercendo atividades na especialidade dermatologia por período de tempo não inferior a seis anos contados da data da abertura da inscrição do Exame; ser apresentado por dois associados titulares da SBD de sua região de trabalho (cidade ou estado) que devem descrever as atividades profissionais do postulante.
Grandes Mulheres da Humanidade
Martha Argerich mãos esguias que produzem sons sublimes
C
om apenas três anos de idade, a argentina Martha Argerich, nascida em Buenos Aires, em 5 de junho de 1941, tocou piano pela primeira vez. Dois anos depois, iniciou aulas com o lendário Vincenzo Scaramuzza, estreando aos oito anos em um show em sua cidade natal. Em 1955 o todo-poderoso presidente Perón a enviou à Europa para aperfeiçoamento; estudou na Suíça, em Londres e Viena com os professores Bruno Seidlhofer, Nikita Magaloff, Mme. Lipatti, Stefan Askenase, Arturo Benedetti Michelangeli e Friedrich Gulda, pianista e compositor austríaco, um dos maiores do século 20, e também seu principal mentor. Vitórias nos concursos internacionais de Bolzano e Varsóvia, aos 16 anos de idade, impulsionaram uma brilhante carreira internacional. Quem ouviu Martha ao menos uma vez na vida, sabe que sua música emociona. Valorizadíssima por suas apresentações, ela inclui em seu vasto repertório Bach, Bartók, Beethoven e Messiaen, além de Chopin, Schumann, Liszt, Debussy, Ravel, Franck, Prokofiev, Stravinsky, Shostakovich e Tchaikovsky. Embora grande parte dos convites que recebe hoje seja para se apresentar junto a orquestras, maestros e festivais, é a música de câmara (a que é executada por um número pequeno de músicos, geralmente em salas pequenas, em atmosfera mais íntima) que ocupa parte significativa de sua trajetória musical. Há 11 anos dá preferência a essa forma de fazer música, renunciando às performances de piano solo. Suas gravações e concertos são realizados quase sempre com parceiros, seja em música de câmara ou com orquestra. Suas atuações, quase sempre avassaladoras, estimulam seus parceiros musicais a também fazer interpretações fortes, polêmicas e marcantes...
36 Jornal da SBD Ano XIV n. 3
Uma das casas de ópera mais famosas do mundo, o Teatro Colón, reabriu em maio, em Buenos Aires, no ano do bicentenário da Argentina. Uma montagem do balé Lago dos Cisnes, composição de Tchaikovsky, marcou sua reinauguração. Construído em 1908 e com lugar para 2.700 pessoas, o Colón é conhecido mundialmente por sua acústica natural. Lá, renomados solistas instrumentais, como Paco De Lucia, Nelson Freire, Friedrich Gulda, Gidon Kremer, Misha Maisky e, claro, Martha Argerich se exibiram. O teatro ficou fechado por três anos e hoje volta em grande estilo.
Atualmente costuma tocar e gravar com pianistas como Nelson Freire (um de seus grandes amigos e com quem fez duo em vários recitais) e Alexandre Rabinovitch, a violoncelista Mischa Maisky e o violonista Gidon Kremer. No documentário Nelson Freire (2003), de João Moreira Salles, o público se depara com uma Martha diferente, falante, dona de prosa simples e cativante. Já em Martha Argerich, conversas noturnas (2002), documentário de Georges Gachot, ela fala especificamente sobre sua relação com a música, compartilha memórias e se refere a compositores com quem trabalhou. Desde 2002, a pianista portenha comanda o Festival de Lugano, na Suíça, que reúne músicos experientes e novos talentos. Os dias de junho, quando ocorrem os concertos, viram verdadeiras jam sessions eruditas.Todos são gravados ao vivo e disponibilizados no site do festival (http://rtsi.ch/trasm/argerich/welcome.cfm). Casada apenas uma vez, com o maestro Charles Dutoit, com quem viveu de 1969 a 1973, Martha tem três filhas, Lida, Annie e Stéphanie, de três homens diferentes. É uma mulher que aposta no exercício da liberdade pessoal e artística. Seus cabelos desalinhados, longuíssimos e repleto de fios brancos lhe conferem aparência original, única, inatingível.
Com a palavra, Nelson Guimarães Proença mestre da dermatologia, professor de vida
E “Este espaço foi criado para que todos possam compartilhar informações históricas de momentos especiais vivenciados na Sociedade. Notícias e fotografias são bem-vindas. Contamos com a participação de nossos associados para que, ao longo deste ano, possamos reavivar e conser var a memória de uma das mais antigas sociedades médicas do Brasil.”
Paulo Cunha Coordenador médico do JSBD
38 Jornal da SBD Ano XIV n. 3
laborar respostas para as perguntas que a vida nos apresenta não é tarefa simples. Na dermatologia, o desafio é ainda maior, por se tratar de especialidade médica com vasta diversidade de aspectos patológicos e que oferece vários campos de pesquisa. Para nos ajudar a esclarecer tantas dúvidas, recorremos aos ensinamentos dos grandes mestres. Nesta edição da coluna SBD 100 anos, resgatamos um pouco da história de uma das testemunhas da dermatologia brasileira, Nelson Guimarães Proença. Uma das perguntas que fizemos, sobre os rumos da especialidade, foi respondida de forma enfática: “Não se pode abandonar a verdadeira dermatologia!” Para que melhor entendêssemos sua concepção do assunto, o Prof. Proença nos enviou extenso artigo escrito em parceria com Evandro Rivitti, em que estabelece conexão entre a dermatologia e a cosmiatria. Infelizmente, por razões editoriais, deixaremos o texto para publicação futura. Aqui, porém, destacamos uma parte: “Há vários anos, quando apenas se iniciava a corrida dos dermatologistas para a medicina estética, ouvia-se uma frase absolutamente imprópria (e estúpida): ‘O futuro da dermatologia está na cosmiatria’. Depois, com mais modéstia e
Da esq. para dir.: Nelson Proença, Marcus Maia e Helena Müller
propriedade, houve uma mudança: ‘O futuro econômico dos dermatologistas está na prática da dermatologia estética’. Acreditamos que nenhuma dessas abordagens é correta. Dentro de poucos anos, acreditamos que a área de cosmiatria estará saturada. Ela só será viável para quem tenha potencial econômico para disputar através do amplo uso da mídia, a clientela existente. Por todas essas razões, o que é imperativo recomendar aos dermatologistas mais jovens? Não apostem todas as suas fichas em aplicações de toxina botulínica ou em manejo do laser. Continuem praticando a boa dermatologia voltada para os processos patológicos, desde os mais simples até os mais graves. Do equilíbrio com que souberem praticar sua especialidade, irá resultar seu sucesso e sua satisfação profissional”. A entrevista na íntegra você lê abaixo:
Interesse pela dermatologia Em primeiro lugar, vamos relembrar qual era o cenário da dermatologia, em São Paulo, nos anos 50. Nessa época, os médicos recém-formados raramente se interessavam pela especialidade. Vejamos: em 1946, Estevam de Almeida Neto (formado pela USP); em 1949, Norberto Belliboni (também pela USP); em 1951, Cyro Aranha Pereira (pela Escola Paulista de Medicina). Até 1956, ano em que me formei, ninguém mais! Ou seja, em um período de dez anos, surgiram apenas três novos dermatologistas em São Paulo. Residência em dermatologia ainda não existia. Meu interesse pela dermatologia ocorreu em circunstância pouco ortodoxa. Ao me formar (1956), já casado e com três filhos, precisei ir à luta. Antes, durante o curso de medicina, eu era professor do cursinho para os vestibulares do Centro Acadêmico Oswaldo Cruz (do qual também fui diretor). Mas, ao me formar, decidi ser apenas médico, não mais professor de cursinho. Foi então que, ao final de 1957, mudei minha residência para a periferia da capital de São Paulo, na zona norte, no bairro da Água Fria. Junto com minha esposa, Yvonne (ginecologista e obstetra), montei uma clínica médico-cirúrgica, que era verdadeiro serviço de
Da esq. para dir.: Nelson Proença, Eduardo Rabelo, Raimundo Martins Castro, Humberto Cerrutti, Sebastião Sampaio e José Eduardo Martins
emergências. Nessa época, o bairro todo era servido por um único telefone e este era público. Carro, ninguém tinha. Ônibus, somente entre cinco da manhã e 11 da noite. Não havia nenhum serviço de saúde, apenas outro consultório médico, de um bom colega. Ao praticar a clínica médico-cirúrgica geral, logo percebi a frequência das queixas relacionadas à pele que afetava um de cada quatro clientes! E eu não sabia nada de dermatologia. Procurei o Prof. João de Aguiar Pupo, catedrático em dermatologia no Hospital das Clínicas, da USP (ele era também o diretor da Faculdade de Medicina). A ele solicitei autorização para fazer um estágio em sua clínica, o que me foi concedido. Lá permaneci de 1o. de setembro a 31 de dezembro de 1958. Para aproveitar a oportunidade, estudei todas as noites e todos os finais de semana. Peguei a edição francesa do livro de texto mais usado na época, o Darier, e fichei suas 800 páginas durante esse período. Ao completar meu estágio fui surpreendido com inesperado convite do Prof. Pupo para assumir como assistente extranumerário da clínica, na vaga deixada pelo Dr. Luiz Baptista. “Você leva jeito para a especialidade”, disse-me o Prof. Pupo. Foi assim que, em 2 de janeiro de 1959, iniciei minha trajetória em nossa especialidade.
Atividades como professor Cumpri meu contrato com o Hospital das Clínicas nos dois anos seguintes. O Prof. Sebastião Sampaio assumiu a cátedra, no final de 1960, e manifestou a intenção de trazer da Santa Casa para a faculdade um colega de grande expressão, o Dr. Vinício Arruda Zamith. Prontamente acedi a seu pedido, e entreguei a ele meu cargo para que a substituição se efetivasse. Nos anos seguintes até 1966, fui colaborador voluntário da disciplina de dermatologia da Escola Paulista de Medicina, chefiada pelo Prof. Abrahão Rotberg. Em 1966, o Prof. Raymundo Martins Castro assumiu a chefia da disciplina de dermatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Campinas, que há pouco havia sido criada. Formou sua equipe com dois voluntários: o Dr. Jornal da SBD
Ano XIV n. 3
39
Da esq. para dir.: Marcus Maia, Ida Duarte, Humberto Frucchi, Clarisse Zaitz, Thaís Proença, Fausto Alonso e Silvia Sotto Maior
Flamínio Maciel, dermatologista em Campinas, e eu. Foi em Campinas que dei o primeiro passo na carreira universitária, na área de dermatologia, defendendo minha tese de doutorado, em abril de 1971. Para me preparar para o passo seguinte, a livre-docência, solicitei ao Prof. Sebastião Sampaio que me autorizasse fazer um estágio de dermatopatologia no Hospital das Clínicas. Foi-me concedido, e ali estive de outubro de 1971 a setembro de 1972. Nesse estágio, convivi muito de perto com maravilhosos colegas que se tornaram grandes amigos: Evandro Rivitti, Elemir Macedo de Souza, Simão Cohen. Passávamos manhãs inteiras debruçados sobre os microscópios, revendo todos os casos atendidos no Serviço. Éramos assessorados pelo professor de anatomia patológica, Thales de Brito, e diretamente pelo próprio Prof. Sampaio. Ao terminar esse inesquecível período de estágio em dermatopatologia, fui aconselhado pelo Prof. Sampaio a colaborar com o Prof. Humberto Cerruti, que estava absolutamente sozinho na Santa Casa de São Paulo. Por sua recomendação, fui ali aceito no corpo clínico, em novembro de 1972.
O passo seguinte da carreira universitária foi dado em 1974, quando prestei concurso para obter o título de livredocente na Escola Paulista de Medicina (hoje Universidade Federal de São Paulo, Unifesp). Tinha aí assumido a chefia, como titular, o Prof. Raymundo Martins Castro. Obtive o título desejado, viabilizando o prosseguimento da carreira universitária. Isso ocorreu em 1975, com a aposentadoria do Prof. Humberto Cerruti, chefe da dermatologia na Santa Casa. Aberta a vaga para essa chefia, apresentei meu currículo à comissão julgadora e, entre outros candidatos ao lugar, fui o aprovado. Em 6 de fevereiro de 1975, assumi o cargo de chefe da clínica de dermatologia da Santa Casa de São Paulo e a direção da disciplina de dermatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.
Atividades associativas de classe Em 1979, colegas que militavam na vida associativa vieram a minha procura, trazendo um convite para que eu participasse de uma chapa que iria concorrer à Associação Paulista de Medicina (APM) no cargo de diretor de Defesa
Trajetória na Santa Casa de São Paulo Constituí minha primeira equipe convidando três médicos formados pela Santa Casa: Fausto Alonso, Marcus Maia e Salim Ahmed Ali. A eles veio juntar-se uma preciosa colaboradora, Helena Muller, patologista designada pelo Departamento de Patologia para nos dar assistência. Com essa equipe montamos um Serviço modelar, que cresceu continuamente e que continua a crescer ainda nos dias de hoje. Criamos a residência em dermatologia, que já formou em torno de 200 especialistas. Organizamos setores específicos que são referência nacional e até mesmo internacional: Alergia Dermatológica, Cirurgia Dermatológica, Dermatopatologia, Dermatologia Infecciosa e Tropical, Dermatologia na Infância, Fototerapia, Medicina Cutânea e Medicina Interna, Oncologia em Dermatologia. A equipe original foi sucedida por uma plêiade de nomes que já estão consagrados na especialidade. São tantos, que não posso citar todos. Mas gostaria de destacar os que me sucederam na chefia, em rodízio que ocorre a cada
40 Jornal da SBD Ano XIV n. 3
três anos: primeiro Fausto Alonso e depois, sucessivamente, Marcus Maia, Clarisse Zaitz, Ida Duarte,Thaís Proença e Rosana Lazzarini. E temos ainda outros nomes, verdadeiras preciosidades, que irão garantir o elevado padrão da Clínica de Dermatologia da Santa Casa de São Paulo.
Departamentos Profissional. Relutei muito, mas acabei por aceitar. Minha relutância tinha razão de ser, pois em ambas as chapas concorriam colegas que eram grandes amigos. Fiquei constrangido e não fiz campanha. Acontece que ganhamos a eleição, pela mínima diferença de votos: 5497 a 5493! Os dois votos, meu e de minha esposa, Yvonne, decidiram a eleição a nosso favor. Caso estivesse na outra chapa, a eleição terminaria empatada. Coisas do insondável destino. Foi um período de grandes transformações na medicina, que deu grande destaque ao setor de Defesa Profissional. Certamente, foi por essa razão que fui indicado e eleito para a presidência da APM (1981-1983). Depois, presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), para dois mandatos (1983-1987); finalmente, de novo, para a APM (1987-1989).
Vida em família Eu e Yvonne criamos ambiente familiar saudável, em que todos souberam crescer e conviver em harmonia, com amor e solidariedade. São cinco os filhos, três mulheres e dois homens. Por sua vez, já casados, constituíram suas próprias famílias e aumentaram a descendência. São oito os netos, já formados em nível universitário ou prestes a se formar. Mas, no momento em que estiver circulando esse número de nosso Jornal, terá nascido um nono neto, temporão. Agradeço a Deus por ter sido contemplado com um grupo familiar saudável, com boa formação moral, atuação profissional de destaque, voltado não só para si mesmo, mas sobretudo, para a sociedade a que pertencemos. Filha médica, tive uma: Thais Proença, tão bem conhecida (e respeitada) por todos os colegas. Mas quero anunciar que vem aí uma neta, Cecília, já no quinto ano de Medicina.
Aposentadoria Não pretendo me aposentar. Continuo trabalhando oito horas por dia, mas dividi minha atividades entre São Paulo e Campos do Jordão. Atendo em clínica privada, em SP, de segunda a quarta-feira, sempre no período da manhã. Na segunda-feira, à tarde, fico com os residentes de dermatologia dando seminários, aulas magistrais, discussão de casos para diagnóstico. Nessas tardes tomo um banho de juventude e de rejuvenescimento. Penso ocupar assim minhas segundas-feiras, à tarde, pelos próximos 20 anos (se me deixarem). Para Campos do Jordão, onde hoje resido, vou toda quarta-feira, à tarde. Dou consultas às quintas e sextas (dia inteiro), também aos sábados (pela manhã). Em meu consultório atendo e acompanho pacientes com toda a patologia dermatológica, aquele tipo de patologia que mais me agrada. Dermatologia pura! Patologia! Medicina voltada para o social! Continuo fazendo aquilo de que mais gosto. E agora, um convite: desde já abro as portas de minha residência, em Campos do Jordão, para receber todos os colegas que por lá passarem e se lembrarem de me telefonar.
Oncologia cutânea A cidade de Blumenau, em Santa Catarina, vai sediar a VI Jornada Brasileira do Câncer da Pele da SBDSC nos dias 20 e 21 de agosto. Palestrantes experientes que atuam na área de oncologia cutânea vão debater a prevenção, o tratamento precoce e o tratamento clínico dos diferentes tipos de câncer cutâneo. Estão previstos simpósios de dermatoses pré-cancerosas, carcinomas não melanoma, epidemiologia dos cânceres da pele, novas orientações sobre o melanoma, entre outros assuntos. "O evento, tradicional na Região Sul do país, foi interrompido por alguns anos e agora reaparece para marcar a relação entre dermatologistas e câncer da pele. Faço um pedido especial para que todos compareçam a fim de ajudar a identificar e a fortalecer o dermatologista como principal especialista capaz de diagnosticar, tratar e prevenir o câncer da pele", convida Nilton Nasser, chefe do Departamento de Oncologia Cutânea, complementando que, nas atividades sociais, está sendo programado um miniOktoberfest.
Psicodermatologia A sessão “Tire suas dúvidas com o Departamento de Psicodermatologia”, a ser realizada no dia 7 de setembro, durante o Congresso Brasileiro de Dermatologia, terá a participação de dois ilustres convidados: o diretor do Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, Abram Eksterman, e a chefe clínica do serviço, Rosina Verta Bretas.“Nosso objetivo é que os participantes do Congresso tenham contato com especialistas de renome no assunto. Por isso, estimulamos o comparecimento de todos a essa sessão, pois o tema é de extrema importância no tratamento dos pacientes dermatológicos, uma vez que a pele tem participação intensa na expressão dos conflitos emocionais, encobertos pela doença cutânea”, alerta Marcius Peryassú, coordenador do Departamento de Psicodermatologia da SBD.
Alergia e Dermatoses Ocupacionais O Departamento de Alergia e Dermatoses Ocupacionais da SBD informa que será realizado a 10ª edição do Congresso da Sociedade Europeia de Dermatite de Contato (ESDC), de 15 a 18 de setembro, em Strasbourg, França. No primeiro dia de evento, haverá uma sessão com participantes da língua espanhola e portuguesa, a "Ibero Latin American Contact Dermatitis Meeting". O coordenador do simpósio Luis-Conde Salazar, da Espanha, convida os dermatologistas brasileiros interessados no tema. Informações adicionais podem ser obtidas em escd-gerda2010.com. Jornal da SBD
Ano XIV n. 3
41
Regionais Amazonas
Distrito Federal
Pernambuco
Pará
Amazonas
Médicos residentes do Amazonas participam de curso ministrado por Mario Miranda (centro) no Alfredo da Matta
Goiás
Rica em discussões e com a presença de grande público. Foi assim a primeira edição da Reuma-Derma de Goiás, promovida no dia 15 de maio pela SBD-GO e pela Sociedade Goiana de Reumatologia (SBR-GO). Com o tema “Atualização terapêutica”, o evento contou com um palestrante de cada especialidade. De acordo com a presidente da SBD-GO, Marilene Silvestre, a iniciativa das duas sociedades mostrou que a união traz conhecimento.“Foi muito interessante, pois cada uma deu sua visão sobre as mesmas doenças, possibilitando a integração das duas especialidades”, afirmou. O evento teve dois módulos. O primeiro abordou lúpus eritematoso em palestras da dermatologista Thaís Helena
Piauí
Rio Grande do Norte
Fluminense
A Regional Amazonas, com o apoio da Fundação Alfredo da Matta, promoveu no final de março o curso Dermatopatologia Básica e Avançada para médicos dermatologistas e residentes dos serviços credenciados do Amazonas. O evento, com duração de dois dias, foi ministrado por Mario Miranda, professor adjunto da Universidade Federal do Pará (UFPA) e contou com a participação de cerca de 20 médicos que atuam em diversas instituições. Seu objetivo foi proporcionar o aperfeiçoamento dos profissionais médicos, com enfoque nas condições patológicas de maior importância para a prática diária.
Goiás
Piauí
A SBD-PI promoveu em Teresina, nos dias 14 e 15 de maio, a I Jornada de Oncologia Dermatológica. Participaram da jornada multidisciplinar vários palestrantes dermatologistas locais, além de oncologistas e cirurgiões oncológicos do Piauí. Como convidados, estiveram presentes os professores Evandro Rivitti (SP), Eugênio Pimentel (SP), Nilceo Michalany (SP) e Carlos Barcaui (RJ).
Lauro Lourival Lopes Filho (quinto da esq. para a dir.) com os participantes da jornada
42 Jornal da SBD Ano XIV n. 3
Reuma-Derma reuniu médicos de todo o Brasil para aulas de atualização terapêtica
Proença de Freitas (SP) e da reumatologista Emília Sato (SP); no segundo módulo a dermatologista Gladys Martins Aires (DF) e a reumatologista Hellen Mary da Silveira de Carvalho (DF) discutiram psoríase.
Pará
Deborah Unger (secretária geral SBD-PA), Elizabeth Constante (presidente SBD-PA), Fátima Rabay (SP), Magda Weber (RS), Rosemary Góes (vice-presidente SBD-PA) e Arival de Brito (PA)
Nos dias 18 e 19 de junho a SBD-PA realizou o curso itinerante de Alergia e Dermatoses Ocupacionais. Participaram como palestrantes Fátima Rabay (SP), Magda Weber (RS) e Arival de Brito (PA). A Regional Pará foi a terceira contemplada com o curso que ainda vai percorrer as regionais Sergipe, Goiás, Paraná, Piauí, Bahia e Espírito Santo.
Regionais
Pernambuco
São muitos os dermatologistas que já estão aproveitando para se inscrever na XIX Jornada Pernambucana pelo site da SBD-PE. O evento será realizado entre os dias 9 e 12 de outubro, no Hotel Vila Galé Eco Resort, no Cabo de Santo Agostinho, próximo a Porto de Galinhas. Vários temas vão ser discutidos durante o encontro, entre eles, dermatologia clínica, cosmiátrica e cirúrgica, dermatoses infectoparasitárias, dermatologia geriátrica, oncológica, fotoproteção e outros, com as aulas realizadas sempre no período da tarde.
"Estamos preparando também grande programação social, com shows de artistas consagrados em nossa região, como o cantor Geraldinho Lins e a banda Santa Clara, em três festas que prometem animar todos! Aguardamos você para esse grande encontro da dermatologia!", convida o presidente da SBD-PE, Sérgio Palma. A taxa de inscrição e o pacote de hospedagem podem ser consultados no site www.sbdpe.org.br/pernambucana2010/inscricoes.html.
Distrito Federal
Adilson Costa, Gilvan Alves, Úrsula Metelmann e Joaquim Mesquita
Temas atuais e relevantes do dia a dia dos dermatologistas, casos clínicos com pacientes ao vivo e cursos práticos com palestrantes consagrados fizeram par te da pauta da Reunião Científica da SBD-DF ocorrida no dia 4 de abril. Adilson Costa, Rubens Marcelo, Úrsula Metelmann Neri, Joaquim Mesquita e Ana Maria Pinheiro foram alguns dos convidados.
Fluminense
No dia 15 de maio, a SBD Fluminense realizou a VI Jornada de Cosmiatria, no Hotel Pérola, em Búzios (RJ). O evento, que contou com a participação de renomados palestrantes membros da SBD e de colegas de diversas regiões do Brasil, aliou o ótimo conteúdo científico da programação à descontração e à beleza do espaço, situado em um dos mais belos balneários do país. Na véspera da jornada, foi promovida ação social educativa organizada pelos dermatologistas Leonardo Cerqueira e Anderson Abreu. Alunos da rede pública, membros da guarda municipal e salva-vidas que atuam nas praias da região assistiram a palestras ministradas por membros da SBD Fluminense sobre prevenção do câncer da pele. As aulas, realizadas em vários pontos da cidade, levaram informação e esclarecimento a todo o público, que demonstrou grande interesse pelo assunto. "Essa foi mais uma iniciativa da regional no sentido de levar informação científica de qualidade aos dermatologistas fluminenses e a educação em saúde preventiva à população", afirma o presidente da Regional Fluminense, Leonardo Cerqueira.
Rio Grande do Norte
Ética, ciência, descontração...Sucesso! Para o presidente da Regional RN, Sidney Augusto, essas são as palavras que melhor definiram o DermaNatal, evento realizado em conjunto com Em pé da esq. para dir.: Joaquim Mesquita, Maria o curso de dermatologia ger- Fernanda Gavazzoni, Alexandre Filippo, Andreia iátrica, entre os dias 3 e 5 de Mateus, Silvia Marcondes e Larissa Morais. Sentados: junho, no Hotel Pestana Alice Alchorne, Mauricio Alchorne, Omar Lupi, Patricia Freire, Sidney Augusto. Beach Resort, em Natal, Rio Grande do Norte.Ao todo,191 dermatologistas assistiram a palestras de expoentes da dermatologia brasileira e participaram de dois eventos sociais, ambos marcados pelo humor e pela leveza. "Natal é isso: cidade que encanta e se destaca no cenário nacional pela responsabilidade que tem com seus associados e pela formação dermatológica sem igual. Para isso, basta verificar o índice de aprovação nos últimos dez anos do TED, que está em 95% e que obteve 100% nas últimas nove edições", ressalta Sidney Augusto, também presidente do evento. Em sua opinião, o ponto alto do DermaNatal foi a obtenção dos 20 pontos para a EMC-D. "Essa é uma pontuação singular e que deu muito trabalho de conseguir junto ao CNA-CAP. Isso faz parte da nossa meta, que é tratar o associado da SBD com dignidade e respeito", enfatiza, acrescentando que apenas médicos associados e estudantes de medicina estiveram presentes. Além de profícuas discussões entre os palestrantes e a plateia, um fórum sobre rejuvenescimento facial encerrou o evento. Na oportunidade, foram sorteadas inscrições para o III Simpósio de Cosmiatria e Laser, a ser realizado em Curitiba, e para a Jornada Pernambucana, em Porto de Galinhas. Jornal da SBD
Ano XIV n. 3
43
Serviços Credenciados Hospital Naval Marcílio Dias
Santa Casa de Misericórdia do Rio de
Janeiro
A 12a edição da Jornada de Dermatologia do Hospital Naval Marcílio Dias, ocorrida no dia 8 de maio, foi, como sempre, evento de grande aprendizado com troca de informações, experiências e condutas. Com auditório lotado e excelentes palestrantes, o evento se encerrou com agradável almoço de confraternização. "Não é fácil manter uma jornada por tantos anos, principalmente com vários outros eventos acontecendo ao mesmo tempo. Isso só nos desafia a tentar sempre nos superar e, ao final de cada ano, planejar uma jornada cada vez melhor", ressaltam os coordenadores do evento, Claudio Lerer e Murilo Drummond.
Universidade de Taubaté (Unitau) Da esq. para dir:. professoresassistentes da Unitau, Samuel Mandelbaum, Evandro Rivitti e os residentes da Unitau
No dia 22 de maio o Serviço de Dermatologia da Universidade de Taubaté (Unitau) realizou em Campos do Jordão (SP), sua 63a reunião científica, denominada “Dermatologia nas Alturas II”, cujo tema em evidência era “Vasculites com repercussão sistêmica”. Esse foi o segundo ano em que o evento teve parceria com o Projeto Atualize, coordenado pelo Prof. Nelson Proença e que leva mensalmente Educação Médica Continuada aos médicos de Campos do Jordão e regiões adjacentes. Como convidado ilustre esteve presente o chefe do Serviço de Dermatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP) e professor titular de dermatologia da Faculdade de Medicina da USP, Evandro Rivitti. Ele discutiu cinco casos clínicos, juntamente com os professores Proença, Samuel Mandelbaum (Unitau),Thaís Proença (Santa Casa de São Paulo), médicos residentes da Santa Casa de São Paulo e da Universidade de Taubaté, e com toda a plateia, composta de 60 colegas. Em seguida, Rivitti ministrou palestra abordando o tema "Vasculites". Após a manhã científica, palestrante e membros dos serviços de dermatologia confraternizaram em agradável feijoada, aproveitando a baixa temperatura de Campos do Jordão.
44 Jornal da SBD Ano XIV n. 3
Duzentos e oitenta e três inscritos participaram do 24o Congresso da Associação dos Ex-Alunos e Alunos do Prof. Azulay (Aeapa), ocorrido em 28 e 29 de maio. No primeiro dia do evento, coordenado por Marcos Miranda e Maria Fernanda Gavazzoni, foram realizados oito cursos práticos no Instituto de Dermatologia Prof. Azulay da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro; a parte teórica, ministrada no dia seguinte, debateu 20 temas que ficaram ainda mais valorizados pela discussão subsequente. Na ocasião, foram feitas justas e emocionantes homenagens ao Prof. Azulay, sócio mais antigo e idoso da SBD, que no dia 9 de junho completou 93 anos de vida, muitos deles dedicados à dermatologia e a seu ensino – donde ter feito centenas de profissionais no Brasil e no exterior. Em 2011, a Aeapa promete fazer um megaevento para comemorar seu jubileu de prata.
Hospital Padre Bento O Hospital Padre Bento e a Associação Paulista de Medicina (APM) de Guarulhos realizarão o Simpósio de Dermatologia em Alergia no dia 14 de agosto. O evento terá aulas teóricas e práticas e será ministrado na sede da APM Guarulhos, localizada na rua Darcy Vargas, n. 64. Informações adicionais podem ser obtidas pelos telefones: (11) 2409-6855 e 2409-8209.
Hospital Universitário da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMS) No início deste ano, com o apoio da atual diretoria do Hospital Universitário da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMS), foi ampliada a área física do Serviço de Dermatologia do Dr. Günter Hans, que agora passa a contar com seis salas ambulatoriais, todas com ar-condicionado e boa iluminação, além de bancada com lavatório. Também foi criado espaço para a copa. A sala de procedimentos cirúrgicos recebeu caixas com novos materiais, e a sala de reuniões é informatizada. Segundo Hans, a partir deste ano o Serviço terá duas vagas de residência médica.“Acrescento ainda que o Serviço organizou a programação de dermatologia no Congresso Médico-Científico Internacional BrasilItália (Omnia), realizado no Centro de Convenções do Hospital São Julião, de 23 a 27 de abril. Como convidado especial, estiveram presentes Vidal Haddad Jr. e os estrangeiros Elia Ricci e Paula Savoia, ambos professores da Universidade de Turim, na Itália”. Nos dias 26 e 27 de agosto acontecerá mais uma edição da Jornada de Dermatologia do Serviço.