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Sumário

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EDITORIAL FESPA BRASIL UMA HISTÓRIA DA INDÚSTRIA TÊXTIL ABIT - SINDITEXTIL ABTT AGRESTE TEX 2016 ARMAZÉM DA CRIATIVIDADE

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Sumário Fotos: Arquivo RT

ANUNCIANTES SPG WEKO RIETER ITM DENIM MEETING

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AVANÇO TOYOTA CACR SILMAQ CEMS

19 27 29 41 43

ABIT FEBRATEX LUMOBRAS SALÃO MODA BRASIL FESPA

45 47 2ª CAPA 3ª CAPA 4ª CAPA

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Editorial A Revista Têxtil, desde sua criação, acompanhou diversas intempéries, atravessando momentos políticos e econômicos, tão ou mais difíceis do que o que estamos vivenciando agora no País e, que têm reflexos nefastos para o nosso setor. Já se passaram oito décadas e cinco anos e nós continuamos a doce e árdua missão de noticiar e levar as informações mais relevantes do setor têxtil. A missão iniciada por meu pai, Professor Haydu, em 1931 e repassada a mim em 1975, nunca foi um fardo e sim um presente. Ricardo Haydu Comemorar nossas Bodas de GiDiretor-Presidente rassol em meio a esta crise político-eda Revista Têxtil conômica nos deixa um tanto quando apreensivos. No entanto, temos que seguir em frente e batalhar para que o Brasil saia deste momento tão complicado da nossa história. Esperamos que nós brasileiros (empresários, trabalhadores, entidades e governantes) aprendamos mais uma lição com este momento. Sabemos que as cicatrizes que este período deixará na história e na economia do País, das empresas e dos trabalhadores serão profundas. Os brasileiros estão dando novos direcionamentos para os governantes que passaram a se intimidar com a força desta nação que nos últimos meses foi para rua exigir, muito mais que a saída de um partido do governo, que os políticos tenham cuidado com o dinheiro público que não pertence, nem a este, nem aquele partido e a nenhum governante, e sim ao povo, a quem todos os ocupantes de cargos públicos devem obrigação e satisfação sim. Esperamos que no ano que vem quando completarmos 86 anos já tenhamos conseguido sair, pelo menos em parte, desta crise que assola o País. Que 2017 seja o marco de um novo tempo para esta nação que tem todas os requisitos para ser grande, não apenas em dimensão territorial, mas também economicamente falando para que seus filhos tenham uma vida mais digna e próspera. Que os anos vindouros sejam alvissareiros e que nós possamos estar aqui fazendo da Revista Têxtil um canal de informação para o setor têxtil. Nosso agradecimento aos anunciantes, entrevistados, fontes, associações, parceiros, funcionários, colaboradores, prestadores de serviço e a todos que nos ajudaram a construir esta história de 85 anos.

A REVISTA TÊXTIL é uma publicação da

R. DA SILVA HAYDU & CIA. LTDA. Inscr. Est.: 104.888.210.114 CNPJ/MF: 60.941.143/0001-20 MTB: 0065072/SP

Diretor-Presidente: Ricardo Haydu Diretora de Redação: Clementina Haydu Editor: Ricardo Gomes Designer: Carlos C. Tartaglioni Capa: Arquivo RT

Representantes Comerciais Europa – International Communications Inc. Andre Jamar 21 rue Renkin – 4800 – Verviers – Belgium Tel/Phone: + 32 87 22 53 85 / Fax: + 32 87 23 03 29 e-mail: andrejamar@aol.com Ásia (Asian) – Buildwell Int. Co., Ltd. Nº 120, Huludun, 2nd St., Fongyuan, Taichung Hsien - Taiwan 42086 - R.O.C. Tel/Phone: + 886 4 2512 3015 / Fax: + 886 4 2512 2372 Coréia (Korea) – Jes Media International 6th Fl., Donghye-Bldg. – 47-16, Myungil-Dong Kandong - Gu – Seoul 134-070 Tel./Phone: + (822) 481-3411/3 / Fax: + (822) 481-3414 Correspondente na Argentina – Ecodesul Av. Corrientes, 3849 – Piso 14° OF. A. Buenos Aires - Argentina Tel/Phone: (541) 49-2154 / Fax: (541) 866-1742

Órgão Oficial das entidades

Órgão de divulgação das entidades Abint – Associação Brasileira das Ind. de NãoTecidos e Tecidos Técnicos; Núcleo Setorial de Informação do SENAI/CETIQT;

Redação/Administração Rua Albuquerque Lins, 1151 2º andar – Santa Cecília Cep 01230-001 – São Paulo/SP – Brasil Tel/Phone: +55-11-3661-5500 Fax: +55-11-3661-5500 - Ramal 220 E-mail: revistatextil@revistatextil.com.br Site: www.revistatextil.com.br Publicação bimestral com circulação dirigida às fiações, tecelagens, malharias, beneficiadoras, confecções nacionais e internacionais, universidades e escolas técnicas. Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem, necessariamente, a filosofia da revista. A reprodução total ou parcial dos artigos desta revista depende de prévia autorização da Editora.

Redação Releases, comentários sobre o conteúdo editorial, sugestões e críticas a matérias. Pedidos de informação relacionados às matérias e à localização de reportagens: e-mail: redacao@revistatextil.com.br

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Assinaturas Para renovação e outros serviços, escreva para o e-mail: revistatextil@ revistatextil.com.br

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Impressão Digital

FESPA Brasil

São Paulo recebe a feira que vai apresentar as novidades do setor de impressão digital

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ntre os dia 6 e 9 de abril acontece, no Pavilhão Branco do Expo Center Norte, na Capital Paulista a FESPA Brasil 2016. A mostra carrega a chancela da renomada feira mundial e vai reunir os principais nomes da indústria de impressão digital para decoração de interiores, moda, estamparia digital, grandes formatos, sinalização e serigrafia entre outros. Os grandes players do setor estarão na FESPA Brasil apresentando a mais alta tecnologia ao vivo. O visitante poderá conferir os equipamentos em funcionamento, tirar dúvidas com os especialistas, fazer comparações e assim adquirir um panorama completo do que existe e acontece no mercado de comunicação visual e impressão digital. A FESPA Brasil acontece juntamente com a Feira ExpoPrint Digital, a versão digital da maior Feira da Indústria Gráfica das Américas, ExpoPrint Latin America. O evento reúne os fornecedores do segmento de baixas tiragens, personalização de impressos, transpromo, entre outros.

Ricardo Gomes

Fotos: Divulgação

A Brasil Label também acontece em paralelo às feiras e destaca os avanços da impressão de rótulos e etiquetas, setor em constante crescimento e que possui enormes possibilidades tanto a quem já está no mercado como para quem procura investir em novos nichos.

Programação Paralela

A feira vai abrigar importantes iniciativas que fazem parte do "Profit for Purpose", programa de reinvestimento de lucros da FESPA Brasil no mercado, como o Congresso de Comunicação Visual e Impressão Digital, o Digital Textile Conference e o Sublimation Day, visando levar a melhor informação para todos. Os visitantes da FESPA Brasil 2016 poderão participar de um intenso programa educacional e conferir outras atrações que vão auxiliar no desenvolvimento de novas ideias, de produtos e de serviços, bem como aprimorar a administração e rentabilidade dos negócios do setor. O Espaço do Empreendedor será comandado pelo consultor Wilson Giglio que estará atendendo

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Impressão Digital os visitantes que precisarem de orientações em relação ao rumo de seu negócio e como desenhar planos eficientes. A proposta do espaço é apresentar soluções técnicas e administrativas para desenhar uma estratégia adequada à realidade dos negócios. Para conversar com Wilson Giglio basta visitar a FESPA Brasil e agendar atendimento com o consultor que vai auxiliar, tanto quem planeja ingressar no mercado gráfico como os atuais empresários que buscam por novas ideias e conceitos que possam ampliar e potencializar sua participação no mercado. Nos dois primeiros dias de feira acontece o Congresso de Comunicação Visual e Impressão Digital que vai contar com apresentações com os mais renomados profissionais de impressão digital e comunicação visual que abordarão assuntos altamente relevantes para o sucesso de seus negócios, além de informação técnica de alta qualidade para aprimorar os seus serviços e impressos. A participação no Congresso é gratuita: basta fazer seu credenciamento online e comparecer no local e hora de sua escolha de acordo com a programação que pode ser acessada pela endereço www.fespabrasil.com.br No dia 8 de abril, sexta-feira, acontece o Digital Textile Conference, congresso 100% focado em impressão têxtil e estamparia digital. Os profissionais apresentarão conteúdo exclusivo ao segmento e irão esclarecer as dúvidas sobre a impressão em tecidos e as tecnologias disponíveis. Além disso, serão abordados temas relacionados à decoração de ambientes com utilização da impressão digital de grandes formatos, uma opção atraente para aqueles empresários que buscam diversificar seus serviços. No sábado, 9 de abril, acontece o Sublimation Day, com temas voltados à tecnologia de impressão por sublimação que abordarão as técnicas para um serviço com alta qualidade. Otimização de processos para diminuir o custo da impressão sublimática, cálculo de custo por metro quadrado e os desafios do mercado de sublimação serão alguns dos temas abordados. Entre os espaços montados na feira destaca-se o FESPA Decor - um espaço único, com ideias de materiais e exemplos de aplicações onde a tecnologia de impressão digital pode fazer uma enorme diferença. O FESPA Connect é um espaço especial para os empresários estrangeiros que estejam procurando por

parceiros e representantes no Brasil oportunizando o aprimoramento do network e dos negócios. O Sublimation Day vai contar com diversas palestras sobre sublimação onde especialistas vão transmitir informações sobre processos, novidades tecnológicas e como lucrar com este segmento. O CAMBEA - principal e maior campeonato de envelopamento automotivo do mundo vai garantir ao vencedor uma vaga na final mundial de envelopamento durante a FESPA 2017, que acontece na Europa. Já o Prêmio GF Bureau Criativo - tradicional premiação do mercado de comunicação visual, vai premiar a criatividade e a inovação dentro do segmento.

Novidades

A alta tecnologia em tintas para impressão será demonstrada pela J-TECK em cores fortes e vibrantes. Destaque para J-Cube Extra, nova série para cabeças Ricoh e Kyocera, elaborada para trazer aos equipamentos de alta produção com a nova geração de cabeças de impressão uma intensidade de cor. Entre os equipamentos de impressão a empresa vai apresentar impressoras de 1,60m de largura e impressoras de até 8 cores para sublimação. Já a Ricoh terá como destaque a linha Pro C9100 / Pro C9110, família que representa a nova geração de equipamentos de impressão digital. A SPGPrints vai apresentar uma gama completa de tintas para impressoras digitais, que se adequam em todas as cabeças de impressão existentes no mercado (Epson, Ricoh, Kyocera, etc.). Além de todas as impressoras têxteis digitais da SPGPrints, com destaque para as recém-lançadas PIKE (single pass) e Javelin (scanning), que possuem um novo sistema de impressão para elevados volumes de produção, capazes de imprimir 13 milhões de metros lineares por ano. A Gomaq vai apresentar os duplicadores digitais da marca RISO com velocidade de até 180 páginas por minuto e as impressoras jato de tinta digital ComColor como foco em impressões de dados variáveis com um custo/página baixíssimo e uma velocidade de 150 PPM. Os equipamentos RISO têm um apelo sustentável, com baixo consumo de energia, trabalham a frio, sem fusão e sem emissão de CO2 e com tintas à base de óleo. RT

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85 Anos

85 anos de história Os 85 anos da Revista Têxtil também podem ser entendidos e comemorados com um casamento duradouro com o setor têxtil

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especial de aniversário de 85 anos da Revista Têxtil vai trazer um pouco da sua história permeada pelos acontecimentos do cenário econômico, político, cultural e de mercado que juntos retratam a trajetória desta “senhora” que há décadas informa o setor têxtil, recolhendo informações pelo Brasil e pelo mundo.

A Indústria

Comparada à dos países mais desenvolvidos, a história da industrialização brasileira é muito nova, no entanto seus primeiros passos vêm de longe, marcando uma trajetória de crescimento e modernização desde meados do século XIX. O considerável retardamento do processo industrial brasileiro é parte do fardo pesado da herança colonial, em que os interesses da metrópole estavam sempre à frente dos interesses da colônia. Depois de um longo período em que fora proibido produzir, o País parecia despertar para produzir e prosperar. Na segunda metade do século XIX, o capitalismo brasileiro começou a ganhar contornos modernos, combinando a tradição das monoculturas exportadoras com as atividades industriais e com a produção têxtil. O café tomou a dianteira graças ao interesse dos produtores em aproveitar sua terra e mão-de-obra, investindo na estrutura para produzir. Outras culturas foram ganhando dinâmica própria, dentre elas certamente uma das mais importantes foi a do algodão. Seu cultivo era tradicional em São Paulo – como em outras regiões do País, sobretudo Norte e Nordeste – mas quase sempre em pequena escala e destinada

Da Redação

Edição: Ricardo Gomes Fotos: Arquivo RT

à confecção de tecidos simples para roupas rústicas, redes, mosquiteiros, cordas, cordões e etc. O incremento da cafeicultura fez com que o algodão e a produção têxtil ganhassem novo ânimo e uma nova oportunidade. Em 1882 São Paulo dispunha de nove fábricas em operação, já representando 20% do incipiente parque têxtil do País, que tinha à frente a Bahia, o Rio de Janeiro e Minas Gerais. Em 1886, já eram 12 indústrias paulistas, empregando 1600 operários, funcionando com 1200 teares e produzindo cerca de 12 milhões de metros de tecidos por ano. A partir de 1900 ocorre então a primeira grande arrancada do setor têxtil paulista e em duas décadas assume a liderança nacional. Foi neste período de crescimento da indústria, que o Professor José Haydu, formado em engenharia têxtil na cidade de Bergamo, na Itália, que há algum tempo trabalhava nas Indústrias Têxteis Votorantin, no Brasil, sentiu a carência de técnicos têxteis e engenheiros têxteis em nosso país. José Haydu, de origem Húngara, observou que as empresas brasileiras eram obrigadas a importar profissionais, equipamentos e aparelhos. Um dos poucos tipos de profissionais qualificados no setor têxtil brasileiro eram os contramestres, antigos tecelões promovidos. Assim, o professor José Haydu da Silva Aranha, fundou a Primeira Escola de Tecelagem do país, em 1928, onde eram ministrados cursos de fiação, tecelagem, tinturaria e classificação de algodão. A escola funcionava na rua Piratininga, no bairro do Brás em São Paulo.

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85 Anos

Professor José Haydu com professores e alunos da 1ª Turma da Escola de Tecnologia Têxtil

Década de 30

Foi uma das épocas mais sangrentas de toda a história mundial. Neste período, Hitler ascende ao cargo de chanceler na Alemanha e tem início o genocídio do que ele chamava de "raças inferiores", em especial os judeus. Tem início em 1939 a Segunda Guerra Mundial, que sucedeu à Guerra civil de Espanha (1936-1939). Nos Estados Unidos, Franklin Roosevelt dá início ao New Deal, o plano de recuperação econômica após a quebra da bolsa de Nova York, em 1929. Muitos contemporâneos a esse período, a denominaram como a pior década do século XX, começando com a Grande Depressão e terminando com a guerra. Dois milhões de desempregados no Brasil foi o saldo deixado em 29 pela depressão que teve como símbolo o craque da Bolsa de Nova Iorque e, no Brasil, a supersafra do café. Em São Paulo e Rio de Janeiro, 579 fábricas fecharam suas portas, por falta de compradores para seus produtos. Em março de 1930 são promovidas eleições presidenciais. Ganha o paulista Júlio Prestes, apoiado pelo Governo Federal contra Getúlio Vargas, apoiado pela Aliança Liberal – ganha, mas não leva – e a partir desta premissa fica claro que aos aliancistas só resta o caminho da revolução liderados por Getúlio. O assassinato de João Pessoa, presidente da Paraíba e candidato derrotado à vice-presidência pela Aliança Liberal, é o estopim. A crise econômica e política estendeu-se pelos anos trinta, aumentando o desemprego e reduzindo os salários. Nas cidades, trabalhadores realizavam greves e manifestações de protesto. As lutas políticas no exterior, também influíam nas disputas inter-

nas. As ações fascistas se propagavam, sobretudo no sul do país. A Ação Integralista Brasileira, de Plínio Salgado, defendia o “Estado Integral”, autoritário, nacionalista e anticomunista. Seu lema “Deus, Pátria e Família” sintetizava seus princípios, atraindo parcelas da população insatisfeitas e temerosas da expansão do movimento comunista. Em contrapartida, a essas ideias e às tendências do governo, outros setores se unem e formam a Aliança Nacional Libertadora, liderada por Prestes, que rompe o esquema dos partidos estaduais. É o bastante para que o governo reaja energicamente e imediatamente, com o apoio quase total do parlamento e, naturalmente, dos integralistas. O Presidente Getúlio Vargas reprime um golpe articulado pela ANL e desencadeia um intenso combate à oposição. Era o tempo da censura, do DIP, da Polícia Especial, de Filinto Müller e de muita insegurança. O Estado regia tudo: a economia, a política, a cultura, a moral... Sendo o grande produtor e exportador nacional de café, o Estado de São Paulo foi o mais agudamente atingido pela depressão da década de 30. A indústria paulista era a prova que havia vida econômica sustentável fora do café. Apesar das incertezas do tempo e das dúvidas e perdas que afetaram o empresariado, com a dimensão e a maturidade alcançadas ela haveria de sobreviver à crise. Foi o que aconteceu com o setor têxtil. Líder da indústria no Estado, tinha recursos, organização e experiência para manter a chama acesa, as máquinas funcionando e a produção em nível aceitável. Revista Têxtil #742 I 11

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85 Anos

Capa RT da década de 30

Nasce a Revista Têxtil

Em 1930 o professor Haydu percebeu que faltava no Brasil uma revista específica para o setor, que informasse as tecnologias em maquinários, aparelhos, tecidos e, desta maneira, nasceu a Revista Têxtil, em fevereiro de 1931, a primeira publicação técnica do país. A primeira tiragem foi de 200 exemplares, com periodicidade mensal sobrevivendo exclusivamente de anúncios, distribuída gratuitamente aos interessados, feita em tipografia e impressa em linotipos - máquina inventada por Ottmar Mergenthaler em 1890, na Alemanha, que funde em bloco cada linha de caracteres tipográficos, composta de um teclado, como o da máquina de escrever. A organização do setor também avançou. Em 19 de março de 1931, era criado o Sindicato Patronal da Indústria Têxtil do Estado de São Paulo. Como dizia o decreto oficial, ele sucedia o antigo

Centro das indústrias de Fiação e Tecelagem e a ele passavam a ligar-se todas as empresas têxteis existentes no Estado. No ano seguinte sua denominação foi mudada para Sindicato da Indústria de Fiação e Tecelagem em Geral do Estado de São Paulo – atual Sinditêxtil – mas não suas atribuições: representar e promover os interesses do setor junto aos poderes públicos e às demais associações envolvidas com suas atividades. Até 1932, a programação das rádios resumia-se ás músicas clássicas, óperas e aos textos instrutivos; a partir do Decreto 21.111, o governo autoriza a veiculação de propaganda, transformando-a significativamente. O rádio começou a influenciar as pessoas e ditar moda. O cinema também exerceu papel fundamental no processo de liberação da mulher. Encantada com os hábitos de vida americana e europeia que lhe chegavam via Hollywood. Os maiôs mais ousados deixavam à mostra os ombros e uma parte maior da coxa e eram confeccionados em jersey de lã, látex e algodão. Na imprensa surgem seções femininas como “Consultório Mulher” e “Páginas de Eva”, da Revista Semana. A moda também trilhou novos caminhos na década de 30. Mais comportada, mais sisuda e menos irreverente, como se temesse, com seus arroubos, tumultuar ainda mais uma sociedade em crise. Seguindo as exigências das atividades esportivas, os saiotes de praia diminuíram, as cavas aumentaram e os decotes chegaram até a cintura, assim como alguns modelos de vestidos de noite. A mulher dessa época devia ser magra, bronzeada - o modelo de beleza da atriz Greta Garbo. Seu visual sofisticado, com sobrancelhas e pálpebras marcadas com lápis e pó de arroz bem claro, foi também muito imitado pelas mulheres. A preocupação fundamental era com o corte, para não “enlarguecer” a figura. As grandes tendências de moda continuavam sendo ditadas por Paris e Londres, mas já se notava uma certa preocupação em adaptá-las ao nosso clima. Os cabelos lisos dos anos 20 agora eram frisados, mas permanecem curtos. Em 39, Hitler invade a Polônia e tem início a II Guerra Mundial.

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85 Anos Década de 1940

Nesta época, os conflitos armados que assolaram a década anterior chegam ao apogeu, com o holocausto e declínio. Um ataque realizado pelo Japão em Pearl Harbor marca a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial. Os estadunidenses explodem bombas atômicas nas cidades de Hiroshima e Nagasaki, matando milhares de civis no Japão, e supostamente precipitando o fim da guerra. Hitler comete suicídio e Mussolini é fuzilado. Nesta década, foi criado o primeiro computador, o ENIAC, assim como também o primeiro helicóptero de carga e o primeiro transístor. Foram também estabelecidos a ONU, a OTAN, o FMI e o Banco Mundial. Tem início o Plano Marshall, de recuperação econômica da Europa pós-guerra, tendo como um dos principais objetivos, deter o avanço do comunismo pela Europa. Os primeiros problemas para a revista surgiram no início da 2ª Guerra Mundial, quando o governo brasileiro proibiu que um estrangeiro fosse editor sem formação. O incansável professor Haydu fez um curso extensivo de jornalismo, determinado a conseguir o diploma e manter a Revista Têxtil circulando. Mesmo conseguindo concluir o curso e se tornado jornalista formado, ainda enfrentou problemas, já que o governo havia expedido uma nova ordem que agora não permitia um jornalista estrangeiro como editor. Desta maneira, durante um período, o editor da revista foi o também professor Carlos Escobar, grande amigo de José Haydu. Um fato inusitado com a guerra foi que durante esse período o professor Haydu teve de demitir uma funcionária por ser alemã. O salário mínimo é instituído em 1940, e em 45 toda a legislação social e trabalhista é reunida na Consolidação das Leis de Trabalho, que até hoje regulamenta as relações entre patrões e empregados no país. A cultura brasileira no período getulista está intimamente ligada à ascensão dos meios de comunicação de massa, sob controle do governo. Em 29 de outubro de 1945, Getúlio renúncia. A liberalização vinha marcada pela conciliação entre as classes dirigentes e, também pela continuidade de certos políticos, o que teria grande influência na nova etapa da história do Brasil Republicano. As Forças Armadas brasileiras aparecem como fiadoras da democracia: haviam ganho a guerra; junto

Capa RT da década de 40

com os aliados, depuseram o ditador e apresentavam dois candidatos à presidência – o General Dutra e o Brigadeiro Eduardo Gomes. Quatro partidos conseguem arregimentar grande massa eleitoral: PSD, UDN, PTB e PCB. Dutra é eleito. No pós-guerra a efervescência da produção intelectual dos países europeus desagua no Brasil uma série de conceitos, como neorrealismo, abstracionismo e existencialismo. Em São Paulo são fundados o Museu de Arte Moderna, o Museu de Arte de São Paulo e a Companhia Cinematográfica Vera Cruz. Além dos programas musicais e de auditórios, as rádios transmitiam cada vez mais novelas. O Repórter Esso, da Rádio Nacional, era o grande programa noticioso. E foi através dele, pela voz de Heron Domingues, que o Brasil tomou conhecimento do fim da II Guerra Mundial em 1945. Se durante a guerra, a moda se submeteu aos rigores do período, logo que terminaram os conflitos comeRevista Têxtil #742 I 13

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85 Anos DOS FIOS NATURAIS AOS FIOS SINTÉTICOS As mudanças vieram já a partir da Segunda Guerra. O conflito mundial, com as dificuldades de importação, haviam estimulado a produção brasileira até o limite extremo da capacidade das indústrias e havia até incentivado exportações para a Europa. Na América do Norte as fábricas ou tinham sidos destruídas ou estavam voltando seus esforços para a guerra. O Brasil, no período, tornou-se o segundo produtor mundial de fios e tecidos. Mas, cessados os combates, acabou a euforia econômica. Chegara a hora de realizar o que vinha sendo postergado há um bom tempo: renovar equipamentos obsoletos, melhorar as técnicas de produção e ampliar as linhas de produtos, tudo para acompanhar mais de perto o que se fazia no mundo. A mudança mais decisiva, na indústria paulista, foi a introdução progressiva nas fábricas, ao lado das fibras e dos fios naturais de algodão, linho, lã e sedã – até então correspondendo a 80% da matéria-prima utilizada em São Paulo e no País – dos fios artificiais e das fibras sintéticas, conhecidos e usados nos EUA e na Europa desde o início da década de 30. O impacto na cadeia têxtil foi enorme. Os novos fios e fibras iriam melhorar muito a oferta de matéria-prima – suprindo as carências de algodão nacional, em quantidade e qualidade – e aumentar substancialmente a diversidade de tipos de tecidos planos e malhas para a confecção. Os fios artificiais representam o primeiro estágio dessa mudança. Eram obtidos a partir do tratamento químico de fibras vegetais tradicionais como a viscose e o acetato, fibras celulósicas e também vegetais. O segundo estágio, o mais determinante, foi o uso crescente das fibras sintéticas, como o nylon e o poliéster, desde o final da década de 40. Produzidas pela indústria química e petroquímica a partir de derivados do petróleo, essas fibras não só ocuparam amplo espaço no mercado de matérias-primas têxteis – em torno de 40% já nas duas décadas seguintes – como permitiram ampliar ainda mais a diversidade tanto na fiação e tecelagem como na confecção e, por consequência, estimularam a especialização das próprias empresas do setor.

Anúncio na RT da década de 40

çou a haver uma reação à militarização e à masculinização das formas femininas, que eclodiu no New Look de Dior, propondo a volta à feminilidade a ao luxo. É nesse período que começa realmente a existir moda no Brasil. Ou, pelo menos, uma adaptação mais conscienciosa do que era ditado em Paris. Os grandes costureiros eram Balenciaga, Balmain, Dior, Givenchy, e Jaques Fath. As primeiras confecções aparecem na década de 40. Elas riscavam seus modelos no pano ainda nas fábricas de tecidos e depois cortavam. Em seguida, as peças eram mandadas para costureiras fora, que montavam e costuravam as roupas que mais tarde estariam nas lojas. Os tecidos lançados na Europa eram copiados fielmente no Brasil, a ponto de não se perceber a diferença entre outros. Após a guerra, as mulheres entram com força total no mercado de trabalho, e a indústria americana lança os tecidos que dispensam o uso do ferro de passar. De 40 a 45 as indústrias de sedas e outras fibras naturais ficam paralisadas.

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85 Anos FORMAÇÃO PROFISSIONAL A criação do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, o Senai, em 1942, pelo governo federal em conjunto com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), foi a primeira medida tomada para garantir a formação da mão-de-obra de nível médio necessária à indústria de base que se anunciava e aos demais setores industriais que cresciam com ela. A experiência teve sucesso, o modelo foi replicado pelo país afora, tornando-se referência para iniciativas semelhantes em outros setores industriais e em nível superior e formação técnica e acadêmica. Em 1949, no Rio de Janeiro nasce o Senai CETIQT.

Capa RT da década de 50

Década de 1950

O período compreendido pelos anos 50 recebeu o apelido de Anos Dourados. É considerada uma época de transição entre o período de guerras da primeira metade do século XX e o período das revoluções comportamentais e tecnológicas da segunda metade. Nesta época tem início a chegada da televisão em Portugal e no Brasil. Também foi considerada a “idade de ouro” do cinema e foi a época de importantes descobertas científicas como o ADN (Ácido Desoxirribonucleico ou DNA). Nesta época a Revista Têxtil era impressa em fotolito. No início dos anos 50 nasce também na Europa a ITMA, a feira que viria revolucionar o mercado têxtil mundial.

O Brasil vivia um clima de democracia e desenvolvimento industrial. Getúlio volta ao poder, nos braços do povo e implanta uma política industrializante sob a bandeira do desenvolvimento nacionalista. No entanto, o custo de vida se elevava a mais de 40% em 52, e a inflação, a 20%, quase o dobro dos índices dos anos interiores. Em são Paulo 300 mil operários entram em greve em março de 53, durante 29 dias, exigindo aumento salarial e contenção do custo de vida. No dia 1º de maio, Getúlio concede finalmente o aumento de 100% no salário e conclama os trabalhadores à participação. É o começo do fim do governo, que perde aos poucos o apoio da classe conservadora. Em 24 de agosto de 1954 Getúlio Revista Têxtil #742 I 15

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85 Anos responde às pressões para sua renúncia com um tiro no coração. O PSD e PTB estabelecem uma aliança e em novembro de 54 indicam à presidência um candidato considerado popular: Juscelino Kubitschek de Oliveira. “50 anos em 5” é o resumo da proposta de um governo que fez do otimismo sua principal característica. O Brasil dos anos 50 tinha os olhos voltados para o Rio de Janeiro e acompanhava com particular interesse o que acontecia nas areias que vão

Anúncio na RT da década de 50

A FENIT Em 1958, o visionário, Caio de Alcântara Machado implementou seu talento e capacidade de organização ao abrir as portas da sua primeira feira de negócios, a Fenit. Não foi uma simples exposição de tecidos, roupas e máquinas. O setor fora escolhido por seu óbvio enraizamento econômico e sua forte visibilidade social, e por isso mesmo por seu poder de atração de público, com grande atrativo sendo é, claro, a moda. A receita foi um sucesso e do Ibirapuera, a Fenit, pouco depois, foi levada para um novo espaço, e muito maior, o Pavilhão de Exposições do Anhembi. Sempre mantendo o mesmo espírito de ser um encontro de industriais com seus clientes – lojistas e visitantes, do País e do exterior -, compartilhado por estilistas, modelos, editores de revista e publicitários, todos envolvidos pelo ambiente fervilhante dos lançamentos, das criações e dos shows musicais, alguns dos quais tão sofisticados que fizeram história, como os dos tropicalistas. Mais que uma vitrine de produtos e um balcão de negócios, a Fenit nasceu como uma grande festa da indústria têxtil paulista. O feliz encontro da indústria têxtil com a indústria da moda na primeira Fenit – logo tornado rotineiro, pela frequência normal dos empresários em outras feiras dentro e fora do Brasil – abriu um leque amplo em possibilidades e de implicações. Possibilidades de incremento da produção pelo aumento das vendas com um maior conhecimento do mercado, melhor definição, divulgação e promoção comercial desses produtos. A presença da moda como grande referencial de mercado mudou a perspectiva da indústria na condução de suas atividades produtivas e, principalmente, na promoção de seus produtos. Os fios, tecidos e roupas passaram a ser, definitivamente, produzidos e vendidos não só como bens de primeira necessidade, mas igualmente como bens de consumo humano. Claro que, para isso, a indústria teve que se valer, cada vez mais, de recursos da publicidade e do marketing, combinados.

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85 Anos do Leme ao Posto Seis. Os limites impostos pela moral nos anos 40 já haviam sido ultrapassados. Hollywood exportava uma nova mulher, que fazia uso de erotismo como arma de conquista. Em 53 surgia em Hollywood a Revista Playboy, mesmo ano que Marylin Monroe tornava-se símbolo sexual dos anos 50. A televisão começa no Brasil em 18 de setembro de 1950, em São Paulo, por iniciativa de Assis Chateaubriand, com a TV Tupi, empresa do grupo Associados. Até o final da década surgem emissoras nas principais cidades do país. A TV já não é um brinquedo das elites, mas sim um dos ramos da indústria que mais se desenvolverá nos anos futuros. O cinema nacional se dividia entre Atlântida, com produções populares, e a Cia. Cinematográfica Vera Cruz, que queria fazer filmes de classe. Até 1955, a música romântica animava os bailinhos de sábado à noite. Até que Bill Haley e seus Cometas começaram com one, two, three o’clock...

Mais de que um gênero musical, nascia um novo padrão de comportamento para a juventude, com blusões de couro, motos, topetes, camisas coloridas e calças rancheiras. A música de Elvis, suas roupas coloridas, sua dança energética e sensual se transformaram na linguagem de todos os jovens rebeldes dos anos 50. Pela primeira vez um gênero musical consegue se transformar em veículo de uma violenta transformação no modo de vestir e agir de milhares de jovens. Este período foi influenciado também pelo cinema com os atores James Dean e Marlon Brando e seus personagens inesquecíveis. Em 58 surge a Bossa Nova, fenômeno tipicamente brasileiro, mas que aconteceu mesmo nos anos 60. Segundo a cronista de moda Ilka Laberthe, os dois modelos de roupa femininas mais importantes dos anos 50 foram o redingote e o tailleur. Os fios sintéticos permitem uma imensa variedade de textura e cores.

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85 Anos

Capa RT da década de 60

Década de 1960

A década de 60 representou, no início, a realização de projetos culturais e ideológicos alternativos lançados na década de 50. A década de 60 foi dividida em duas partes: A primeira, de 1960 a 1965, marcada por um sabor de inocência e até de lirismo nas manifestações socioculturais e no âmbito da política é evidente o idealismo e o entusiasmo no espírito de luta do povo. A segunda, de 1966 a 1968 (porque 1969 já apresenta o estado de espírito que definiria os anos 70). Nos anos 60 tem início uma grande revolução comportamental como o surgimento do feminismo e os movimentos civis em favor dos negros e homossexuais. O Papa João XXIII abre o Concílio Vaticano II e revoluciona a Igreja Católica. Surgem movimentos de comportamento como os hippies, com seus protestos contrários à Guerra Fria, a Guerra do Vietnã e o racionalismo. Esse movimento foi chamado de contracultura. Ocorre também a Revolu-

Ricardo Haydu na sua formatura no final de 1960

ção Cubana na América Latina, levando Fidel Castro ao poder. Tem início a descolonização da África e do Caribe, com a gradual independência das antigas colônias. A década é marcada também por assassinatos, como em 1963 o presidente John Kennedy; em 68, durante a campanha presidencial, Bob Kennedy; e o líder do movimento dos direitos civis do negro americano Martin Luther King. Os Beatles comandam a Invasão Britânica, ou British Invasion, no rock, seguidos por The Rolling Stones e vários outros. Surge a música de protesto, com Bob Dylan, Joan Baez, Peter Paul and Mary, entre outros, já nos primeiros anos da década. O Rock and Roll ganha crescente popularidade no mundo, associando-se ao final da década à rebeldia política. No início da década o rock recebeu no Brasil o nome de iê-iê-iê, uma livre tradução do refrão da música She Loves You, dos Beatles: "She Loves You, Yeah, Yeah, Yeah!".

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85 Anos Em 1962 surge o melhor filme da década "What Ever Hapenned to Baby Jane?" com Bette Davis e Joan Crowford. No mesmo ano morre Marilyn Monroe, que foi um símbolo de sensualidade. O diretor Stanley Kubrick lança Dr. Strangelove (Doutor Fantástico), uma das maiores e mais duras críticas satíricas à Guerra Fria. O filme brasileiro O Pagador de Promessas, adaptação do produtor, diretor e ator brasileiro Anselmo Duarte da peça homônima de Dias Gomes, recebe a Palma de Ouro do Festival Internacional do Filme de Cannes, na França. Com um figurino criado por Givenchy, a atriz Audrey Hepburn estrela o filme Breakfast at Tiffany's (no Brasil, Bonequinha de Luxo).

No Brasil

Em 1960 é inaugurada a cidade de Brasília, nova capital do país, pelo presidente Juscelino Kubitschek. Jânio Quadros sucede Juscelino e renuncia cerca de sete meses depois, sendo substituído pelo então vice-presidente João Goulart. Ricardo Haydu começa sua carreira no setor têxtil se formando em técnico têxtil pela Escola Senai Francisco Matarazzo no final de 1.960. O Brasil torna-se bicampeão mundial de futebol, durante a Copa do Mundo FIFA de 1962, no Chile. No dia 02 de novembro do mesmo ano, foi realizada uma assembléia na Escola Técnica da Indústria Química e Têxtil, hoje conhecida como SENAICETIQT, na presença de 73 técnicos têxteis onde foi fundada a Associação Brasileira de Técnicos Têxteis, a ABTT. O estatuto foi aprovado e na ocasião foi nomeado como presidente Geraldo Xavier de Andrade. A Associação é o órgão máximo de decisão e criaram-se núcleos regionais nos seguintes estados: Rio de Janeiro, Santa Catarina, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e São Paulo. Em 1964 a ABTT promove o seu primeiro congresso em Belo Horizonte, que acontece até os dias de hoje. A economia em 63 sofria com uma inflação que alcançava um índice de 81%, atingindo todas as classes sociais, fazendo com o que país passasse por um processo de radicalização. Sob o pretexto das supostas tendências comunistas de Jango, ocorre o golpe militar de 1964, que depõe Goulart e é nomeado como presidente

Professor Haydu e Ricardo Haydu no 1º. CNTT em 1964

o General Castelo Branco, o mesmo que edita o Ato Institucional nº 1, que suspende as garantias constitucionais e estabelece um prazo de 60 dias para cassar mandatos e direitos políticos. As eleições de 65 são canceladas, e o mandato do General é prorrogado, com isso seguem os Atos Institucionais, as cassações e intervenções no Congresso. O governo tomou medidas de contenção econômica, adotando uma política antiinflacionária, o que dificultou o acesso ao crédito. O setor têxtil que desde 1963, sofria os efeitos da retração do mercado, entrou em crise, pois acostumada a conviver com a inflação, não estava preparado para a nova política econômica. Ela é caracterizada como uma indústria integrada verticalmente, onde a empresa executa sucessivas etapas do processo de fabricação, e seu ciclo de produção é prolongado, exigindo capital de giro de prazo mais longo, ao qual não teve acesso. Em 1964 um grupo de empresários e a direção do Sinditêxtil resolveram se unir para criar um curso de Engenharia Têxtil na Faculdade de Engenharia Industrial – FEI, com o objetivo de formar profissionais de nível superior para trabalhar em uma indústria, que mesmo sendo considerada “tradicional”, estava crescendo e se modernizando. Como a indústria deixou de investir, a maioria dos seus equipamentos se tornaram obsoletos, forçando a usar mão-de-obra cara para enfrentar o desafio da moderna tecnologia que renovaria o setor e as novas exigências com os tecidos sintéticos. Os militares se revezam no poder. O sucessor do General é Costa e Silva, que por motivo de doen-

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85 Anos ça não pode continuar no cargo, sendo assim, a Junta Militar assume o poder e, em 1969 eles decidem que o novo presidente é o General Emílio Garrastazu Médici. As forças de esquerda se reúnem na clandestinidade e com a criação do Ato Institucional n° 5, eles resolvem partir para um confronto armado. O governo em resposta começa um processo violento e, é instituido uma ditadura militar no país que duraria 21 anos. No final da década, tem início o período conhecido como "Milagre Brasileiro".

A Moda

Foi também a época da ascenção das fibras sintéticas no mercado consumidor. Mesmo em um país tropical, os tecidos de poliéster, como o pioneiro Nycron e depois o Tergal, lançado pela Rhodia, foram consagrados com slogans como “Senta, levanta, não amassa e não perde o vinco”. A aceitação dos tecidos sintéticos causou um barateamento da indústria do vestuário e o aumento do prêt-a-porter, termo originado na França em 1949. No Brasil ficou conhecido como “moda pronta para vestir”. Os anos 60 compuseram uma década de extremos, pois a moda foi dívida em prêt-à-porter e alta costura; entre a mini e a maxissaia. A alta costura estava em declínio, porque os estilistas demoraram para perceber que as mulheres não queriam ser mais cabides, e que o dinheiro estava na mão dessa juventude que tem ideias precisas do que quer e do que não usar. O estilista italiano Pierre Cardin, que se cansou de atender a alta-costura, foi o primeiro a criar moda para prêt-a-porter. Em 1965 André Courrèges criou uma coleção de linhas retas, minissaias, botas brancas e sua visão de futuro, as chamadas “Moon Girls”, com roupas metalicas, espaciais e fluorescentes. Paco Rabanne, em meio às suas experimentações, usou alumínio como matéria-prima. Já Saint Laurent desenvolveu vestido tubinho, inspirados nos quadros neoplasticistas de Mondrian, já o italiano Pucci virou mania com suas estampas psicodélicas. Alguns desses estilistas se inspiraram em discos voadores e filmes futuristas.

Os tecidos apresentavam uma variedade tanto nas estampas quanto nas fibras, com a popularização das sintéticas no mercado, além de todas as naturais já usadas. As mudanças no vestuário também alcançaram a lingerie, com a generalização do uso da calcinha e da meia-calça, que dava conforto e segurança, tanto para usar a minissaia, quanto para dançar o twist e o rock. Surge então a moda unissex, mas era destinada somente para mulheres magras: camisa e calça jeans mais leves que as da calça Lee, famosa na época. No Brasil é lançado as griffes Ternurinha, Tremendão e Calhambeques, inspiradas na Jovem Guarda. A alta costura brasileira revela novos talentos, como Guilherme Guimarães, Clodovil, Gérson e Denner. As roupas usadas na época eram: para a noite os chamados palazzo-pijamas e os smokings rebordados, e para o dia vestido tubinho, as minis, os vestidos chemisiers e as calças. O tecido mais usado era o índigo blue. A moda praia apresentava o maiô engana mamãe e o monoquíni. Os materiais usados são a helanca, a malha de algodão misturado com fio sintético e o jersey sintético. A moda não dependia mais da inspiração momentânea do estilista e passa a ser planejada em todos os aspectos. Foram desenvolvidas pesquisas e estudos de novos materiais e suas aplicações. O astronauta Neil Alden Armstrong é o primeiro homem a caminhar na Lua no dia 20 de julho de 1969, na missão Apollo 11, junto com o astronauta Buzz Aldrin. A indústria têxtil ingressou em pesquisa espacial logo no início das tentativas do homem para a conquista sideral. Desenvolveu fios altamente resistentes ao impacto para uso nos paraquedas das cápsulas espaciais em seu regresso a terra. Os paraquedas da Apollo 11 eram fabricados com Nylon da Du Pont. As roupas dos tripulantes eram constituídas por um tecido composto de 21 camadas, que incluía tecido de teflon e de fibra de vidro beta, formando a camada exterior. Outros materiais usados na missão foram: filmes de poliamida, e poliéster aluminizados, tecidos e nãotecidos de dacron, fios poliamídicos resistentes a alta temperatura, lycra, nylon, recoberto com neoprene e tubos vinílicos. Revista Têxtil #742 I 21

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85 Anos

Capa RT da década de 70

Década de 70

Época marcada pela crise do petróleo, o que levou os Estados Unidos à recessão, e ao mesmo tempo em que economias de países como o Japão começavam a crescer. Nesta década surgia o movimento em defesa do meio ambiente e houve também um crescimento das revoluções comportamentais da década anterior. Muitos a consideraram a “era do individualismo”. Eclodiram nesta época os movimentos musicais do Rock and Roll, das discotecas, e também do experimentalismo na música erudita. A TV em cores chegou ao Brasil, tornando-se o principal meio de comunicação a ditar moda, novidades, e padrão de comportamento. As exportações iniciaram em 1970, e empolgaram os empresários e técnicos, aumentando a produção em especial nas confecções, valorizando o trabalho feminino. Em Blumenau (SC), as primeiras empresas a exportarem foram a Garcia, Teka, Hering e Artex. Os produtos eram destinados à Alemanha e aos Estados Unidos.

“Brasil ame-o, ou deixe-o”, slogan da campanha publicitária do governo de Emílio Garrastazu Médici, que com o chamado Milagre Econômico conseguiu com que o país alcançasse um crescimento econômico recorde, inflação baixa e projetos desenvolvimentistas, como o Plano de Integração Nacional (PIN), permitindo a construção das rodovias, e grandes incentivos fiscais à indústria e à agricultura. Esse crescimento exerceu força na cadeia têxtil, mas com menos intensidade e menor duração que em outras áreas da atividade industrial. Em 1972, 20 empresas criaram o Consórcio Brasileiro da Moda, cujo objetivo era impulsionar a indústria têxtil nacional, coordenar e organizar os lançamentos e orientar todo o processo têxtil de confecção e os tecidos que deveriam comprar. Faria todo o processo de divulgação e pesquisa de mercado. A iniciativa teve grande projeção, mas não durou muito. A Alpargatas, que já havia lançado as suas primeiras calças rancheiras, começou a se preparar para produzir o legítimo Denim índigo blue no país, em um processo de tingimento que foi mantido em segredo na época. O Milagre Econômico começou a entrar em crise em 1973. Neste ano a Alcântara Machado cria a Fenatec - Feira Nacional da Tecelagem. Um ano depois o General Geisel assumiu a presidência do Brasil. Ao mesmo tempo em que fala em abertura política, ele cassava mandatos e fechava o Congresso Nacional. A XVI FENIT apresentou uma hegemonia da confecção masculina, assim como a tendência de que as confecções de roupas jovens deveriam evoluir naturalmente, empenhando-se em oferecer cada vez mais opções aos consumidores. Com essa tendência foi lançado em 1974 a tanga, que tornou o biquíni obsoleto. A tanga fez e faz sucesso no mundo inteiro e o Brasil passou a exportá-la. Na indústria têxtil os investidores estrangeiros priorizavam os setores considerados mais “modernos”, com a produção de fibras e filamentos artificiais e sintéticos e, a produção dos novos tecidos com o uso dessas fibras e filamentos. Capital e tecnologia estrangeiros, tornou um ambiente de maior concorrência entre os fabricantes das fibras sintéticas. Com isso foi lançado um “brim bom e barato”, que fez da calça jeans “azul e desbotada”, ternos de tergal e uma

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Ricardo Haydu, Professor Haydu e André Jamar (representando da RT na Europa)

variedade de roupas de Lycra®. A economia mundial, e particularmente a dos Estados Unidos, entrou em recessão após a crise do petróleo de 1973, quando a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) triplica o preço do barril. Tal fato ocorreu como retaliação dos países árabes, maioria dos membros da OPEP, aos Estados Unidos, por estes, terem apoiado Israel na Guerra do Yom Kippur, neste mesmo ano. As exigências da clientela estrangeira eram extremas, e desde os primeiros pedidos, as empresas foram avisadas de que o padrão dos produtos não poderia sofrer alteração nas próximas entregas. Assim perceberam que não somente tinham que controlar a confecção e o acabamento, mas que era de suma importância aferir a matéria prima antes de processá-la. Surgiram os laboratórios de testes. Em 1977 a Alcântara Machado lança a Bitimex, em São Paulo, maior feira de máquinas têxteis do Brasil, até então. No País muitas indústrias migraram para o nordeste, que passava por um processo de industrialização, incentivado pelo Governo Federal por intermédio da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste, a Sudene. A Santista Têxtil foi uma das primeiras a aderir esse processo. Em 1979 uma nova

crise do petróleo preocupou o Ocidente, desta vez motivada pela queda do Xá do Irã, Mohammad Reza Pahlavi, então aliado dos Estados Unidos. A crise e os problemas refletiram na indústria têxtil e o milagre econômico chegou ao seu fim. Nesta década as novas fibras de elastano passaram a ser importadas e misturadas ao nylon, algodão, poliéster e usadas nas confecções de lingerie, meias, cuecas, collants e jeans. Os grandes estilistas internacionais começaram a colocar suas etiquetas no prêt-à-porter. O Brasil entrou nesse segmento. O sucesso das vendas brasileiras de roupas prontas de Pierre Cardin, levou a confecção Camelo a trazer para o país, em 1970, o terno Dior e a Chester, o Lanvin. A inovação proporcionou ao Brasil o acesso as novas tecnologias, tendências internacionais e, sobretudo, maior exigência com relação a cuidados e técnicas com a elaboração dos produtos. Surgiram as primeiras indústrias dedicadas à moda jovem, com o lançamento de coleções jeanswear. Com tanto ecletismo cada um se vestia à sua maneira: da super colorida moda psicodélica, com calças largas boca de sino, batas – aos collants de lycra, lurex, tecidos com brilho e látex. Revista Têxtil #742 I 23

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Da esquerda para direita: Luis Américo Medeiros (Sinditêxtil), Professor Alexandre Rodrigues (Senai CETIQT), Ricardo Haydu ,João Luis Pereira (Stork)), João Abujanra (Sindtêxtil) e Jessé Antonio e Silva (ABTT)

Década de 1980

Guerras, conflitos e golpes militares continuaram a acontecer na década de 80, considerada como o fim da idade industrial e início da idade da informação. Época que surgiu o interesse da humanidade em preservar o meio ambiente. Nos Estados Unidos o presidente Ronald Reagan teve papel essencial no fim da Guerra Fria e ganhou muita popularidade por adotar políticas econômicas neoliberais. Começou a Guerra das Malvinas e a longa guerra civil na África. Em Cuba, dez mil cubanos procuraram asilo político na embaixada peruana em Havana em 1980. O longo período de repressão despertou um movimento em favor da democracia, e em 1983, milhares de pessoas reuniram-se em São Paulo, numa manifestação pedindo o direito do voto para presidência da república, esse movimento conhecido como Diretas Já. No Congresso Nacional em 1984 a proposta para o voto direto foi derrotada. Mas a pressão popular repercutiu de certa forma e, em 1985, Tancredo Neves foi eleito presidente pelo Congresso Nacional. O setor têxtil brasileiro contava com 4.900 empresas na época, e estavam definidamente inseridas no

comércio mundial. Em 1981, as linhas de produção de cama, banho e malharia das fábricas em Blumenau, representavam 75% das exportações brasileiras. Mas ainda pesava sobre o país o custo da dívida externa. O desequilíbrio do sistema monetário só aumentava, enquanto atentados terroristas aterrorizavam a população pela violência, como por exemplo, a explosão no Centro de Convenções Riocentro, no Rio de Janeiro. O Governo Federal, mesmo com a implantação de planos de estabilização, não conseguiu evitar a hiperinflação, o desemprego e a paralisia dos projetos de iniciativa privada, fazendo com que a década de 80 fosse chamada de “a década perdida”. Os anos 80 são lembrados também pela consolidação de parques industriais. Apesar da indústria paulista ser duramente afetada pela retração econômica do país, começa a formar-se em Americana, Santa Bárbara, Nova Odessa, Sumaré e Hortolândia o novo e maior polo têxtil do Estado, com empresas de tecnologia avançada na produção de tecidos planos de fibras e fios artificiais e sintéticos. No estado do Ceará existiu uma tentativa de consolidação do parque industrial. Nas décadas de 60 e 70 houve grande avanço tecno-

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85 Anos CINQUENTENÁRIO

lógico no setor têxtil e um consequente aumento na produtividade, entretanto em 1980 essa evolução foi interrompida, passando o setor de um modo geral, a usufruir das conquistas anteriores. Já a indústria cearense, conseguiu estabelecer e obter um crescimento no seu parque industrial. Existia a crise econômica, mas as empresas cearenses conseguiram superá-la e crescer durante a década. O setor têxtil de modo geral diminuiu a sua competividade no mercado internacional e a perspectiva de escassez da principal matéria-prima têxtil, o algodão, que com preços nas alturas, teve que ser importado. Em 1983 analistas apontavam a urgente necessidade de modernização do parque de máquinas da indústria têxtil, em que conviviam segmentos modernos operando em linha com outros quase ou totalmente obsoletos. Com os entraves de falta de recursos, e condições de defasagem tecnoló-

Para a Revista Têxtil a década de 80 é especial. Em 1981 foi realizada uma noite de gala em comemoração aos 50 anos da publicação, com muitos convidados e amigos. Uma festa com discursos e homenagens de João Abujamra, Luiz Américo Medeiros – então Presidente do Conselho Nacional da Indústria Têxtil. No início dos anos 80 o setor têxtil brasileiro contava com 4900 empresas. “A visão de futuro de meu pai, o Professor José Haydu se fez sentir em sua plenitude com o crescimento do número de indústrias” disse Ricardo Haydu em seu discurso, que comovido agradeceu as homenagens e prometeu continuar e merecer o respeito e o apoio do setor têxtil. Um dos discursos mais aguardados e finalmente muito emocionante foi o do próprio professor José Haydu, contando a trajetória de meio século da RT. Incentivado pelo Sr. Jesse José Antonio e Silva (presidente da ABTT e grande parceiro da RT), Ricardo Haydu se tornou presidente da ABTT de 1982 a 1984. Com o objetivo de expandir o setor têxtil, Ricardo encontrou muitos obstáculos e resistência em sua campanha eleitoral, mas foi vitorioso. Para Ricardo esse cargo é de grande importância e o considerou como um desafio. Em 1984, decidiu realizar o XI Congresso Nacional de Técnicos Têxteis em São Paulo (foto abaixo) com a ajuda de Jesse, Armando Viviane (Santista) e Carlos Pinheiro (Unitêxtil). Com seminários, e a presença de técnicos e políticos, o Congresso buscou informar sobre as novas tecnologias da época. Em 1983 a Revista Têxtil foi obrigada a noticiar a informação mais triste de toda a sua história, a morte do Professor Haydu, seu fundador aos 77 anos (foto ao lado). Como Ricardo Haydu começou a trabalhar junto com o seu pai na década de 70, cumpriu a promessa e assumiu a presidência da RT, dando continuidade até os dias de hoje.

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Entrevista de Ricardo Haydu (Presidente da ABTT)

gica de boa parte das máquinas de fabricação nacional, mais as restrições à importação e ao risco cambial, a soma de tudo, fez com que o parque fabril do setor chegasse em 1984 com cinco anos praticamente sem renovação. A morte do presidente eleito Tancredo Neves, em 1985, antes de tomar posse, alçou o vice, José Sarney, à presidência da República. A nova gestão recebeu o título de Nova República, por marcar o fim do regime militar e pela promulgação da nova Constituição, em 1988. O país se livrara da legislação autoritária, extinguindo a censura prévia e as intervenções nos sindicatos. O gigantesco desafio, porém, era estabilizar a economia. Em 1986 anunciou-se o Plano Cruzado. O país perdeu a credibilidade diante do mundo, ao decretar moratória e suspender o pagamento da dívida externa. Para controlar a inflação e criar meios para desenvolvimento auto sustentado, o governo mudou a moeda, congelou preços e salários, para repor automaticamente as perdas e assegurar a elevação da renda dos trabalhadores. Tudo em vão. Passado um ano, a inflação retornou à casa dos 20% ao mês. Na década foi desenvolvido o IBM PC e o Apple Macintosh e as primeiras interfaces gráficas: o XFree86, Windows e o MacS. Início da

fabricação dos computadores pessoais, ou PCs (estes ainda muito primitivos), videocassetes e walkmans. A moda sofreu mudanças nesse período, com as lojas sendo tomadas por calças confeccionadas com tecidos semelhantes aos do jeans, mas muito mais leves. As vendas de jeans caíram nos Estados Unidos e na Europa, os anúncios desapareceram e tudo indicava que a velha calça desbotada entrara em decadência, o que realmente não aconteceu. O blue-jeans voltou e ainda mais forte, passando a constar nas coleções das grifes, de Calvin Klein, Ralph Laurent, Fiorucci, Versace, Giorgio Armani, com variedade de modelo e padrões capazes de agradar o bolso e o gosto de todo o tipo de consumidor. A Lycra ® modela o corpo da mulher e entraram e saíram de cena os bustiês, tops e collants. Tudo que o Brasil conseguiu na década anterior se perdeu nos anos 80. Em 1989 os brasileiros se preparam, após 29 anos de jejum para uma eleição presidencial. Houve greve geral neste mesmo ano, por culpa do desastre do Plano Verão. Fernando Collor de Mello surgiu como salvador da pátria ao eleger-se presidente, a expectativa não cumprida, como se viu nos anos 90.

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85 Anos

Capa RT da década de 90

Década de 90

Colocar o Brasil das desigualdades sociais e econômicas no caminho do desenvolvimento, arrancar a indústria brasileira da estagnação e garantir os direitos constitucionais básicos aos cidadãos, foram considerados os desafios do início dos anos 90. O período foi marcado também pela queda de tarifas alfandegárias nas áreas de importação de insumos industriais e bens de capital. Extinguiram-se velhos monopólios estatais com as privatizações, eliminaram quase todas as restrições à entrada e à participação de capitais estrangeiros. Com isso, pretendia-se reduzir o estatismo, estimular os investimentos, aumentar a concorrência, trazer a tecnologia e aumentar a eficiência e a produtividade. As grandes transformações iniciaram no governo de Fernando Collor de Mello, que no teor do discurso moralizador e neoliberal sacudiu o Brasil quando entrou em prática. Dias após sua posse (15 de março de

1990), a população ficou chocada quando conheceu as medidas saneadoras do plano Collor: depósitos bancários e aplicações financeiras confiscados temporariamente, mercado aberto às importações, órgãos públicos fechados, funcionários demitidos e estatais postas à venda. A iniciativa privada nacional foi forçada a se adaptar à voracidade da concorrência externa. O Brasil iniciava mais um combate contra a inflação, que somente se amenizou na segunda metade da década, mas ainda existiam muitos problemas a serem resolvidos. As tarifas aduaneiras do setor têxtil para a importação de certos tipos de produtos, entre eles os tecidos planos de fibras sintéticas, já vinham sendo revistas desde meados da década de 80. Em 1990 quando se permitiu a abertura geral da economia, essas tarifas caíram de 70% para 40% inicialmente e, uns poucos anos depois, caíram para 18%. Ao mesmo tempo os direitos de importação de máquinas e de alguns insumos eram reduzidos a zero. Se o incentivo à importação de máquinas e insumos, naquelas circunstâncias, era visto como condição essencial para renovar e dar à indústria têxtil a competividade desejada, a derrubada dos direitos de importação de tecidos acabados e de roupas feitas revelou-se devastadoras para fiações, tecelagens, estamparias, tinturarias, malharias e confecções, isso causou o fechamento de muitas empresas têxteis. Recessão e inflação minavam, em contrapartida, o governo Collor que em 1991 já era alvo de denúncias de corrupção, com isso muitos jovens criaram o movimento “Caras Pintadas”, que foi uma mobilização com uma forte campanha de mídia exigindo o impeachment do presidente. No fim de 1992, Collor renunciou, minutos antes da votação no Congresso Nacional. Assumiu o vice, Itamar Franco. As importações assustaram as indústrias brasileiras. Um dos exemplos que mais se destacam sobre os danos causados na abertura comercial sem controle quantitativo e qualitativo deu-se no ramo têxtil. Em 1990, entraram no país US$ 463 milhões em manufaturados, com saldo positivo de US$ 785 milhões na balança setorial. Já em 1994 no final do governo de Itamar, as importações têxteis totalizaram US$ 1.323 bilhão. Muitas empresas brasileiras não aguentaram.

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85 Anos Um grupo de economistas apresentou para o então Ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, o Plano Real que, segundo eles, poderia eliminar de vez a inflação. Itamar Franco concordou e o cruzeiro passou a coexistir com a URV - Unidade Real de Valor. O Plano Real cumpriu a sua missão e derrubou a inflação. O resultado foi uma forte expansão do consumo, com a indústria em geral batendo recordes de vendas. Nesta mesma década existiu a fusão e criação de jointventures no setor têxtil em todo o Brasil. Em 1995 Fernando Henrique Cardoso (FHC) assumiu a presidência da república, dando continuidade ao plano de estabilização implantado no governo de Itamar Franco. O Plano Real empolgou pelo controle da inflação e aqueceu as transações comerciais, mas houve um descontrole em relação ao crédito, e a inadimplência acabou derrubando as vendas. Ao mesmo tempo a abertura do mercado pegou as empresas despreparadas o que deixou a indústria têxtil em uma situação muito difícil. Blumenau entrou em uma grave crise. Mesmo com a inflação controlada, o índice de concordatas e falências acelerou e os balanços de grandes companhias entraram no vermelho. E o que aconteceu no estado foi um drama nacional. Foi realizada uma marcha com empresários de todo o país até Brasília, pedindo um maior controle sobre as importações. FHC decidiu estabelecer cotas para a importação de produtos dos países sul-asiáticos, os quais praticavam concorrência desleal, infringindo regras do comércio mundial prejudicando o Brasil. A integração ao bloco do Mercosul contribuiu para o bom desempenho das exportações no setor têxtil. Buscaram novos mercados e criaram novos canais de distribuição, e encontrou grande receptividade. Em 1994 foram US$ 126 milhões e em 1998 US$ 602 milhões. Neste período a Argentina firmou-se como o segundo maior parceiro comercial, atrás dos Estados Unidos e à frente da Alemanha. A desvalorização do real em 1999 (no segundo mandato de FHC), levou o Brasil a eliminar o programa de bandas cambiais e duplicou a relação dólar/real. A indústria têxtil brasileira tinha mais de 20 mil empresas empregando 1,4 milhões de pessoas e movimentando cerca de US$ 20 bilhões de negócios em exportação. O setor como um todo foi beneficiado

pela desvalorização da moeda brasileira, que tornou mais caros os produtos importados e mais competitivos os tecidos e as confecções nacionais. Em 1992 a Rodhia lançou no Brasil a microfibra (hoje chamamos fio inteligente), impulsionando novamente o mercado. Amplamente pesquisada, a microfibra chegou na indústria com a função de proporcionar maiores desenvolvimentos às tecelagens e malharias. Em 1994 com a estabilização da economia, o país voltou a crescer, o que imediatamente se refletiu na moda através das apresentações grandiosas das semanas de moda. Nesta mesma década surgiram as primeiras gerações de estilistas e profissionais de moda graduados nas escolas do país. Voltados inteiramente para o prêt-à-porter estavam em busca das próprias referências. Cristiana Arcangeli sempre patrocinou desfiles de moda como estratégia de marketing para a sua em-

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85 Anos presa, a Phytoervas. Em 1993 em São Paulo, Cristiana em parceria com o produtor Paulo Borges criaram um evento cujo objetivo era de lançar e desenvolver a carreira de novos talentos da moda, surge então o Phytoervas Fashion. Na primeira edição teve a participação de três estilistas, já na segunda o número de profissionais triplicou, momento em que surgiu o novo Espaço Phabrica, galpão com conceito internacional, onde as marcas o utilizavam como showroom, espaço beleza e restaurante. Após um desentendimento Paulo Borges resolve deixar a parceria. Na 6ª edição, o Phytoervas se encontrava desgastado e além disso começou a enfrentar um concorrente chamado Morumbi Fashion, criado por Paulo Borges. O Morumbi Fashion continuou com as grandes apresentações dos desfiles dos estilistas profissionais. Em 2000 o Shopping Morumbi retirou o patrocínio e o evento começou a atender pelo nome de São Paulo Fashion Week (SPFW). A Semana de Estilo Leslie surgiu em 1992, organizada pela Dupla Assessoria, empresa criada pela Eloísa Simão em sociedade com o italiano naturalizado brasileiro Giorgio Knapp. Por problemas financeiros o evento teve apenas três edições. Com um novo patrocinador, em abril de 1996 estreia a primeira edição da Semana de Estilo Barra Shopping. Acontecia duas vezes ao ano, de 1998 a 2001 as edições tornaram-se anuais. Posteriormente o evento passou a se chamar Fashion Rio. Em 2009 a coordenação do Fashion Rio passou para Paulo Borges. Em 1997 foi criada a Semana de Moda pelo jornalista André Hidalgo (hoje Casa de Criadores), quase sem patrocínio em um clima de cooperativismo, com o objetivo de oferecer um espaço para os novos estilistas. Na 8ª edição Hidalgo amadureceu e encontrou um formato definitivo para o evento, pois com o passar das edições a Semana de Moda estava apresentando um LAB (de laboratório), focado nos jovens talentos, e o evento também era aberto a estilistas profissionais. Nesta década a FCEM criou a Febratex – Feira Brasileira para a Indústria Têxtil, hoje maior feira para a indústria têxtil da América Latina. Hoje a FCEM assinada como Feberatex Group e congrega a Febratex, Tecnotêxtil Brasil, Maquintex, Femicc, Signs nordeste

Da esquerda para direita: Maria Augusta “Guta” Medeiros, Ricardo Haydu, Caio de Alcantara Machado e Luis Américo Medeiros

e Agreste Tex. Com expositores brasileiros e estrangeiros, a proposta foi de promover uma atualização tecnológica dos profissionais e empresários do setor, através da exposição dos mais recentes lançamentos da cadeia têxtil.

NA SERRA GAÚCHA Em meados dos anos 90, mais precisamente em 1997, o empresário Julio Viana, resolve fazer uma feira voltada a comercialização das coleções de inverno no sul do Brasil. A feira nasceu na cidade de Canela na Serra Gaúcha, mas a partir de 2000 muda-se para Gramado, cidade com mais condições de acomodar o evento que havia crescido e tomado corpo demandando mais infraestrutura da Serra Gaúcha. Com a ida para Gramado a Fenim começou chamar a atenção das marcas para que, através da bolsa de negócios, disponibilizassem suas coleções de outono/inverno para as lojas de todo o Brasil e pouco tempo depois até do exterior. Por um tempo uma dobradinha Fenit e Fenin ditaram os rumos das feiras de moda no Brasil. A Fenit lançava as coleções de verão em São Paulo e a Fenin lançava as coleções de inverno em Gramado. Os lojistas abasteciam suas lojas nas duas mostras e cada uma delas estava focada em uma estação. Na década de 2010 a Fenin passou a ser realizada em Bento Gonçalves, mas após duas edições voltou, em 2016, a Gramado. Atualmente a Fenin conta com edições em Gramado, São Paulo e Rio de Janeiro. Hoje a Fenin é um dos mais importantes eventos no seu segmento.

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85 Anos Década de 2000

A economia mundial passou por um dos maiores períodos de prosperidade e estabilidade da história, até o final do ano de 2007, quando foi desencadeada a grave crise do crédito hipotecário nos Estados Unidos, que colocou em risco a economia de vários países. No Brasil a década de 2000 ficou marcada como a década em que a esquerda da política brasileira teve um representante eleito presidente. Luiz Inácio Lula da Silva elegeu-se nas eleições de 2002, após quatro tentativas anteriores, e foi reeleito em 2006. Causou muito receio no mercado financeiro nacional e internacional, o que foi se desfazendo no decorrer do governo. Também foi época de casos de corrupção. A década foi marcada pela descoberta do Pré-Sal, da produção de biocombustíveis e da autossuficiência em petróleo. O Brasil ganhou destaque internacional com polêmicas envolvendo o golpe militar em Honduras em 2009 e a recepção de Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã. Após os anos difíceis de aprendizado e adaptação a indústria têxtil virou o jogo. A balança comercial do complexo têxtil nacional, incluída a da confecção, depois de dez anos seguidos de déficits, (acima de um bilhão de dólares em 1996 e em 1997), a partir de 2001 o saldo positivo tornou-se constante e crescente em volume e valor. Em 2005 o país vendeu para o exterior 270 mil toneladas de produtos a mais do que recebeu, gerando um saldo de 680 milhões de dólares. As empresas começaram a pensar no bem-estar dos funcionários e aumentar a preocupação com o meio ambiente. Por culpa da seca, em 2001 o Brasil racionalizou a energia elétrica, e isso se refletiu na produção industrial do país. O setor têxtil reduziu cerca de 5,7%, apesar da produção do algodão ter crescido muito a ponto de tornar o Brasil autossuficiente na época. Mas o principal efeito negativo veio da forte crise que a Argentina estava passando, com a desvalorização da moeda. O Brasil consegue acumular mais reservas do que a dívida externa, recebendo status de credor. Apresentou um crescimento econômico médio-baixo em comparação com a média dos países

Capa RT da década de 2000

emergentes, mas o país conseguiu manter sua economia estável. Um estudo apresentado pelo Instituto de Estudos e Marketing Industrial (IEMI) fez uma comparação de 1990 a 2003 sobre o desempenho da indústria têxtil e foi constatado que a produção aumentou e as unidades fabris diminuíram. O setor de fiação produziu + 4,8%; tecelagens + 46,6%; as malharias tiveram um acréscimo de 38,8%; e a produção de vestuário em 2003 estava 105,3% acima do registrado em 90. E ainda de acordo com o IEMI, neste período aconteceu uma queda importante no emprego, muitos foram terceirizados e houve uma restruturação das operações. A produção da cadeia têxtil somou US$ 20,1 bilhões em 2003, valor equivalente a 4% do PIB total e 17% do PIB da indústria de transformação. Muitas empresas buscaram centros de pesquisas para o desenvolvimento de tecidos tecnológicos ou inteligentes. A Santista, em 2003 lançou o Moist Care, um tecido com microcápsulas hidratantes, que mantém a umidade da pele durante o Revista Têxtil #742 I 31

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85 Anos uso, sendo uma exclusividade mundial em tecidos planos. Outra inovação foi um tecido produzido com fibra de milho Ingeo, lançado simultaneamente no Brasil e nos Estados Unidos. Essa fibra surgiu para buscar uma nova composição, produzida a partir de fibras naturais e sendo agradável ao toque e com as características dos tecidos sintéticos, como resistência, menos amarrotamento e secagem rápida mais logo saiu de mercado pelo seu alto custo. O setor têxtil e de confecção contava com mais de 30 mil empresas no país, com uma arrecadação acima de 47 bilhões anuais. A região mais expressiva era a sudeste com 46,1% da produção nacional, em seguida a região sul com 29,5%, nordeste logo depois com 20,5%, centro – oeste 2,1% e Norte 1,8%. Neste periodo nasce a FEIMACO - Feira Internacional de Máquinas e Componentes para a Indústria de Confecções e a NT&TT Show - Feira Internacional de Nãotecidos e Tecidos Técnicos.

NA MODA A moda dos anos 2000 é uma inspiração dos anos 50. O resgate da Ladylike, buscando o feminismo, com cintura marcada, saias e calças. Foi adicionado com cuidado o colorido dos anos 60, e como o mundo estava mais propício a preservação da natureza, a tendência fashion era reciclar, com o tema sustentabilidade em alta. Um exemplo, foi a comercialização de camisetas produzida com PET. Em 2001 formou-se a primeira turma do curso de Design Têxtil no SENAI-CETIQT, era o único que existia no Brasil, especializado na capacitação de profissionais para o desenvolvimento de projetos nas áreas de estamparia, tecelagem e malharia, para os mercados de vestuário e decoração. Diversos desfiles importantes aconteciam pelo país como o Minas Trend Preview, o Top Fashion Bazar, Barra Shopping Bahia, Dragão Fashion Brasil, Sul Fashion Week, Paraná Fashion, entre outros. A moda brasileira ocupou um lugar considerável do mercado interno, e em 2005 representou 92% (US$ 23,8 bilhões) do faturamento do setor têxtil/ confecção, mas ela ainda era pouco conhecida no mercado exterior. Em 2005 a Revista Têxtil recebe um reforço especial: Vivi Haydu assume a diretoria de redação do veículo injetando um novo olhar sobre a forma de “contar” as novidades da cadeia produtiva têxtil. Como parte desta nova visão, a Diretora lança em 2007 o Caderno Moda & Tecnologia por entender que a moda tem início nos equipamentos, matérias-primas e nos insumos usados para a produção chegando às passarelas e depois na lojas. Neste período a Revista Têxtil passe ter a capa principal com os assuntos pertinentes às questões mais técnicas e a quarta capa trazia informações de moda permeadas com informações sobre as matérias-primas e equipamentos utilizados para a construção do cenário fashion.

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85 Anos Década de 2010

No Brasil foi realizado o primeiro censo demográfico e econômico da história, sendo mais tecnológico e informatizado, supervisionado pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estratégia. Após dois mandatos Luiz Inácio Lula da Silva deixa a presidência sendo substituído pela primeira mulher eleita presidente no país, Dilma Roussef. Década marcada por registros de terremotos violentos, como o que atingiu o Haiti, Chile, a Nova Zelândia e o Japão onde foi provocado um vazamento radioativo. Alguns estados brasileiros sofreram com fortes tempestades e consequentemente inundação e deslizamentos. Documentos secretos sobre os Estados Unidos referente à guerra do Iraque e outros assuntos com forte repercussão mundial, foram divulgados pelo site denominado Wikileaks. Em 2 de maio de 2011 a morte de Osama Bin Laden em um esconderijo no Paquistão é divulgada pelo governo americano, mas não apresentaram o corpo. A recuperação da forte crise mundial de 2007 para a maioria dos países foi demorada. Na economia as nações consideradas emergentes se sobressaíram e ganharam uma atenção mundial, como a Índia, Rússia, China e o Brasil. A China se torna a segunda maior economia. A Europa continua passando por uma crise. Por culpa de problemas fiscais, gastaram mais dinheiro do que puderam arrecadar por meio de impostos nos últimos anos. A economia grega é o exemplo mais grave de descontrole das dívidas públicas. E a situação ficou mais tensa com o rebaixamento por parte das agências de classificação de risco em relação à Grécia, Espanha e Portugal. A indústria têxtil teve um 2009 bem difícil para o setor de máquinas e equipamentos, mas conseguiu reagir na metade do ano, em destaque o setor de máquinas circulares. O Custo Brasil é um dos entraves para o crescimento do setor de máquinas. O país possui a tecnologia, é considerado competitivo, mas as indústrias são obrigadas a pagar muitos impostos. Após a grave crise mundial o governo brasileiro, para não derrubar a economia, reduziu por um período o IPI – Imposto de Produtos Industrializados,

Capa RT da década de 2010

para a linha branca e automotiva. Em relação às máquinas têxteis, foram auxiliadas pelo FINAME – linha de crédito destinada a empresas de micro e pequeno porte instaladas no Brasil. Ofereceu juros reduzidos e o pagamento estendido em até 10 anos, isso foi importante para a economia e a produção de bens de capital. Em outubro de 2010 o maior evento da indústria têxtil mundial aconteceu em São Paulo, a Conferência Anual 2010 do ITMF – International Textile Manufactures Federation, uma das mais antigas organizações não-governamentais do planeta. Os temas abordados foram: Conformidade, Sustentabilidade e Rentabilidade. Reuniu cerca de 350 pessoas entre elas líderes, empresários têxteis nacionais e internacionais, que discutiram estratégias para o setor têxtil e de confecção a curto, médio e longo prazo. A Conferência foi realizada pela ITMF, ABIT (Ass. Brasileira das Indústrias Têxteis e de Confecção) e Apex Brasil/ TexBrasil. Revista Têxtil #742 I 33

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85 Anos

Entrada da ITMA Milão 2015

A ideia de preservação do meio ambiente ficou mais madura em 2010. Muitas empresas do setor têxtil se adequaram em processos menos agressivos a natureza e desenvolveu uma categoria na qual se destacam as lãs e os algodões orgânicos. Neste mesmo ano apareceram na moda muitas misturas entre fibras naturais e sintéticas com acabamentos de alta tecnologia, oferecendo inúmeras possibilidades para criação. O que se destacou foram os tecidos com nanotecnologia e os tecidos high-tech. Podemos citar o tecido com memória, que retorna à forma original quando amassa, os tecidos com controle de temperatura, os antipoluição e antirradiação, o antibactericida, os com funções de transpiração e o neoprene. Este último é um material com bastante flexibilidade, elasticidade, resistência e alto desempenho. Consiste em uma folha de borracha expandida sob alta pressão que, depois de vulcanizada é revestida, principalmente com poliéster. O neoprene é dividido em diversas linhas, entre as quais temos tecidos à prova d’água, com proteção térmica e acústica, proteção contra o fogo, entre outros. Em 2010 a Febratex comemorou o seu 20º aniversário. Essa edição conseguiu ser a maior em nú-

mero de expositores, área e negócios. Foram apresentados os lançamentos, o Seminário Tecnológico e o concurso cultural para jovens estilistas, o Brasil Fashion Designers. Em 2010 as leggings saem das academias e vão para as ruas. Foi possível perceber o contraste de texturas, desde algodão, tricoline, denim, brim e sarja, até lã, seda, chiffon, organza e outros. Em fevereiro de 2011 a Revista Têxtil comemorou os seus 80 anos na Tecnotextil Brasil em SP, sempre em busca de inovações, informações, novidades e reflexão em relação à indústria têxtil. Nos últimos 5 anos o setor produtivo têxtil passou por várias intempéries e a produção nacional caiu, várias empresas foram fechadas e milhares de postos de trabalhos foram desativados. Como se não bastasse todos os problemas que o setor vinha enfrentando, a Presidente da República resolve, para piorar ainda mais a situação, exclui o setor da desoneração da folha de pagamento. Mesmo com todos os avisos, e articulações de parlamentares, entidades têxteis, empresários e trabalhadores, o governo federal insistiu na lambança do veto 38 que excluiu o setor têxtil da desoneração

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85 Anos da folha de pagamento, mesmo sabendo que a medida iria custar milhares de postos de trabalho. A alíquota diferenciada de 1,5% para o recolhimento de impostos sobre a folha de pagamento do setor passa a ser de 2,5%. As empresas podem ter um aumento de 100% na contribuição previdenciária e como se não bastasse ainda terão que lidar com os juros altos, com os altos preços do gás, combustível, água e energia elétrica. O governo brasileiro deveria priorizar os acordos internacionais entre União Europeia e o Mercosul. Com o Acordo do Pacífico o Brasil ficou mais isolado. Para compensar os prejuízos com este acordo o governo deveria investir na finalização do acordo da União Europeia. Precisamos também voltar nossa atenção à área trabalhista. O Brasil tem as leis trabalhistas mais engessadas do mundo, somos uma fábrica de ações trabalhistas, o que tem criado um ambiente hostil para o emprego. O País precisa de um projeto de flexibilização das leis trabalhistas e terceirização da mão de obra. Temos 2% da população mundial e somos detentores de 90% das ações trabalhistas do mundo. As leis são injustas e atrapalham a geração de emprego e de crescimento. Os administradores públicos corruptos têm feito o dinheiro dos impostos escorrer pelo ralo, ou para suas contas pessoais, inviabilizando os investimentos necessários para alavancar o crescimento de um povo heroico que precisa, dia após dia, conquistar tudo com braço forte. Pelo lado bom da coisa a desvalorização cambial melhora os preços dos produtos brasileiros no mundo e abre um caminho para exportação. As empresas podem e devem trabalhar a exportação que é uma possibilidade viável para recuperarem a margem e lucro. A tecnologia utilizada pela indústria têxtil é um fator primordial e decisivo para o desenvolvimento de coleções que visam o atendimento das necessidades e desejos do consumidor final, que busca peças criativas, confortáveis, que atendam às necessidades com qualidade e de fácil manipulação e com um preço justo. Para a integração entre moda e têxtil é necessário que toda a cadeia esteja em sintonia e trabalhando juntas e em constante evolução e para isso os maquinários têxteis precisam estar atualizados.

A crise econômica realmente abriu os olhos de muitos empresários em relação ao seu negócio e levou muita gente a mudar e buscar o crescimento com produtos com preços justos e valor agregado ao produto final, dentro de um conceito de inovação, sustentabilidade e eficiência, conceito chave para a competitividade. Em 2015 a Europa e os Estados Unidos vivenciam a mudança no calendário de moda entendendo que o que sai das passarelas precisam ir diretamente para as lojas, o que vai mudar toda a engrenagem da moda, do seu calendário e da logística que começa com a disponibilização de matérias-primas em novos datas. Mesmo com o ápice da crise política que se instalou no Brasil no mês de março de 2016, a indústria têxtil vai seguir firme, tentando buscar o caminho do crescimento, da geração de empregos e divisas, assim como a Revista Têxtil que tem cumprido seu papel: temos o orgulho de estar a mais de oito décadas lutando junto com este setor, que é um dos maiores empregadores deste País. Em 2017 esperamos, segundo previsões de autoridades do setor, retomar o crescimento e não podemos deixar de considerar que temos o quinto maior parque têxtil do mundo e somos o nono mercado consumidor.

Sem medo de ousar

Enquanto o mercado editorial brasileiro passava em 2013 por uma de suas reformulações mais drásticas para se adequar ao novo modelo de consumidor, que busca informação rápida e não quer ter o trabalho de pensar, a Revista Têxtil ousou e colocou na rua seu projeto mais ambicioso – a TEXTIL MODA, uma revista mais conceitual, que tem como objetivo discutir o fashion business de uma forma ampla e profunda em todos os níveis da cadeia – da indústria têxtil ao consumidor final. Continuação do caderno Moda e Tecnologia, que foi parte importante da Revista Têxtil por muitos anos, a TEXTIL MODA surgiu do feliz encontro da editora chefe da RT Vivi Haydu, com o jornalista Mário Araujo, na Colombiamoda, em Medellín, em 2012. Do encontro um convite para colaborar com a RT e, na sequência, o projeto de uma nova puRevista Têxtil #742 I 35

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85 Anos

Capa da Textil Moda

blicação, inspirada pelo importante papel de revistas internacionais semelhantes como a LOVE, POP, i-D e, mais recentemente, CR Fashion Book, entre outras. Como além de conteúdo de peso, um design moderno e inteligente seria muito importante, foi convocado dois profissionais com repertório vasto e multidisciplinar para pensar a publicação – Mariana Eller, que criou o projeto editorial, e Fernando Tucunduva, que desde o primeiro número traz frescor com suas ideias arrojadas. Time completo, hora de colocar o primeiro número na rua. Missão nada fácil, já que o mercado não estava muito preparado para entender uma publicação nova e ousada e, já naquela época, se encontrava em crise. Ainda mais que ela seria trimestral, temática e, a princípio, não iria para as bancas, apenas estaria disponível na Livraria Cultura. Com o apoio de anunciantes fieis, que entenderam a que a TEXTIL MODA se propunha desde o início e acreditaram em seu potencial transforma-

dor, em fevereiro de 2013 foi publicada a primeira edição da revista. Trazendo a moda casual ao debate. A nova ferramenta de comunicação causou furor no mercado, com seus editoriais de capa originais assinados pelo talentoso fotógrafo Tavinho Costa, editorial de moda de rua mostrando o processo inverso da moda (quando a “rua” pauta quem dita tendência – vale ler a matéria com perfil do consumidor atual, que sai na próxima edição da TM) feitos nas capitais mundiais que geram as trends, cartela de cor, matérias da pauta etc. Uma revista sem amarras e disposta a discutir questões importantes do fashion business brasileiro e mundial com um simples objetivo: PENSAR MODA. O Brasil tem hoje mais de 200 milhões de habitantes, com cerca de 80% desse montante concentrados nas classes C e D. Tem processos totalmente equivocados que precisam ser fixados. A indústria precisa se modernizar, porque mercado consumidor existe. Para isso precisa ousar e experimentar, assim como o mundo está fazendo com os processos de moda, que podem dar certo ou não, mas estão tentando uma solução. Quem ousa cresce. Pode até errar, ter que voltar, se readequar, mas as chances de êxito são muito maiores do que aqueles que repetem um mesmo discurso por mais de 20 anos e veem parados uma indústria que já foi sólida e prospera se roer... Para crescer é preciso acreditar em seu potencial transformador e lutar por ele. É isso que a TEXTIL MODA se propõe e faz todo dia como ferramenta importante da indústria para ecoar novas ideias e traRT zer discussões à tona.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Arquivos Revista Têxtil; A História da Indústria Têxtil Paulista; 80 anos de moda no Brasil - Silvana Gontijo - Editora Nova Fronteira; Santista Têxtil - Uma história de inovações; A fibra tece a história - A contribuição da indústria têxtil nos 150 anos de Blumenau; O Fiar e o Tecer - 120 Anos da Indústria Têxtil no Ceará; 80 anos de moda no Brasil

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Abit Sinditêxtil

Uma questão de fibra

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m ano após a Revolução de 1930, quando Getúlio Vargas assumiu a Presidência da República, nascia em São Paulo a Revista Têxtil, um exemplo relevante, desde sua primeira edição, de mídia especializada que agrega valor às atividades produtivas, à medida que provê conteúdo técnico e jornalístico e une os mercados por meio da informação. Como em tantos momentos da história, nosso país buscava novos caminhos para solucionar suas intermitentes crises político-econômicas. Em 1957, um ano após a posse do presidente Juscelino Kubitschek, era fundada a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), uma das mais combativas e importantes entidades de classe dentre os setores de atividade do País. Hoje,  representa a força produtiva de 33 mil empresas de todos os portes, instaladas em todo o território nacional, que empregam mais de 1,5 milhão de colaboradores  e geram faturamento anual de US$ 53,6  bilhões. À época de seu nascimento, o Brasil vivenciava dias de esperança, inspirado no discurso progressista do governo. A Revista Têxtil, que comemora em 2016 seu 85º aniversário, e a Abit, em sua trajetória de 59 anos, assistiram e enfrentaram numerosas crises e momentos de prosperi-

  Rafael Cervone

Presidente da Abit

A Revista Têxtil, que comemora seu 85º aniversário, e a Abit, em sua trajetória de 59 anos, assistiram e enfrentaram numerosas crises e momentos de prosperidade dade. Viram Jânio Quadros vencer as eleições presidenciais, tomar posse e renunciar; decepcionaram-se, como todos os brasileiros, com o insucesso da tentativa de parlamentarismo sob a gestão de João Goulart. Sofreram com o advento do regime de exceção em 1964; celebraram a reconquista da democracia, com a instalação de um governo civil em 1985 e a Constituição de 1988. Em todo esse tempo, a Revista Têxtil e a Abit, muitas vezes em contextos e cenários muito adversos, jamais deixaram de cumprir suas missões. A publicação, praticando um jornalismo de qualidade, importante para o setor; a entidade, prestando serviços expressivos: suporte e orientação aos associados, apoio ao desenvolvimento sustentável das fábricas, defesa de seus interesses  perante os órgãos governamentais e organizações nacionais e internacionais. A indústria têxtil e de confecção, razão de ser e foco da Revista Têxtil e da Abit, enfrentou e venceu as oscilações cíclicas da história brasileira. Revista, entidade e empresas demonstraram, porém, que fibra não é apenas um componente dos tecidos, mas também uma virtude atávica desse setor de atividade e de todos os que dele participam. Jamais faltou coragem, raça, determinação e criatividade!    Mais uma vez, em meio a uma das mais graves conjunturas político-econômicas de toda a nossa história, o setor, sua entidade de classe e a revista estão demonstrando sua resiliência e imensa capacidade de superação. São como o bambu, que verga, mas não quebra. Não há como emergir ileso de uma crise de proporções tão agudas quanto a atual. Contudo, tenham certeza: em meio às inevitáveis perdas, a indústria têxtil e de confecção sobreviverá e irá fortalecer-se após a tempestade, assim como a entidade que a representa e defende e a revista que lhe provê jornalismo de qualidade! RT

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ABTT

A Industria Têxtil panorama geral

A

indústria têxtil Brasileira, desde o início da colonização já mostrava sua pujança, com a fundação do Sinditêxtil em 1932, uma das entidades têxteis mais antigas e importantes do país. Em 1950 as fábricas têxteis já representavam 20% do parque industrial no Brasil, justificando o surgimento da primeira escola de tecelagem frundada pelo Professor José Haydu. Seu pioneirismo também tem raízes na criação da Revista Têxtil, veículo de informação da área têxtil, com 86 anos de atividades ininterruptas, produzindo conteúdos e cobrindo os eventos do setor, norteando o caminho e delineando diretrizes para muitos industriais e profissionais da área. Este ideal foi continuado por Ricardo e Vivi Haydu, grandes empreendedores do meio de comunicação do setor têxtil e de Moda e que em 2013 doaram o seu acervo completo para a ABTT, que tem um projeto em parceria com entidades e empresas do setor para recuperar e digitalizar todo o acervo e disponibilizar para consulta e pesquisa, dando continuidade a esta memória atualizando todas as edições e os constantes avanços, prova do grande sucesso e aceitação que a Revista tem hoje. Outros momentos importantes que demonstraram as dimensões sociais, culturais, econômicas e políticas em um setor chave do cenário nacional foram: a criação das escolas SENAI CETIQT em 1949, no Rio de Janeiro e SENAI Francisco Matarazzo em São Paulo em 1958. Dando continuidade ao sonho de produzir conhecimento do Professor Haydy, estas duas escolas são protagonistas do crescimento tecnológico e detentoras de “Know How”. A tecnologia é um fator diferencial no desenvolvimento e que demanda investimentos em inovação tecnológica e na geração de conhecimento, assim como desenvolvi-

Antônio César Corradi

mento científico, formação de pesquisadores e no incentivo à pesquisas compartilhadas com a indústria têxtil. Idealizado por Caio de Alcantara Machado e patrocinado pela Rhodia, a FENIT, em sua primeira versão tinha como objetivo divulgar estilistas nacionais e internacionais, impulsionando a indústria têxtil. Em 1962 surge a ABTT, uma associação de classe, que tinha como objetivos divulgar tecnologias entre os profissionais da cadeia produtiva e organizou o seu CNTT - Congresso Nacional de Técnicos Têxteis. Em 2013, acompanhando o desenvolvimento da cadeia a associação alterou o nome da ABTT para Associação Brasileira de Tecnologia Têxtil Confecção e Moda, preservando a sigla, maneira de colocar no nome setores que já estavam incorporados e disseminados na cadeia Têxtil e vestuário. Agora em sua XXVII edição ininterrupta que acontecerá em Agosto no Anhembi – São Paulo, juntamente com a Tecnotêxtil 2017, promete trazer inovações com palestrantes nacionais e internacionais. Hoje temos mais de 200 estabelecimentos de ensino no Brasil dedicados a Indústria Têxtil e de moda, vários veículos de informação e milhares de empresas, é hora de mostrar nosso valor e nossas expectativas. A globalização dos anos 90 foi um grande desafio para o Brasil, trouxe grandes benefícios e revelou grandes fragilidades. É necessário fortalecer a indústria frente a competitividade externa, trabalho este que envolve Industriais, profissionais do setor, entidades de ensino, políticas econômicas e sociais de Estado e associações patronais e de classe, para o crescimento gerando empregos, RT renda e divisas.

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Foto: Breno Augusto

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Agreste Tex 2016 Apesar do cenário político/econômico desfavorável, feira pernambucana supera expectativas.

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cidade de Caruaru, no Agreste Pernambucano, recebeu entre os dias 8 e 11 de março, a terceira edição da Agreste Tex - Feira de Máquinas, Serviços e Tecnologia para a Indústria Têxtil. Promovida pela FCEM|Febratex Group em parceria com a ACIC – Associação Comercial e Empresarial de Caruaru, a feira contou com patrocínio do Banco do Nordeste e apoio da ABIMAQ – Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos;  ABRAMACO – Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos para Confecção; ABTT - Associação Brasileira de Técnicos Têxteis; ACIT – Associação Comercial e Industrial de Toritama; ASCAP  – Associação Empresarial de Santa Cruz do Capibaribe; NTCPE - Núcleo Gestor da Cadeia Têxtil e de Confecções de Pernambuco; Sinditêxtil PE  – Sindicato da Indústria Têxtil do Estado de Pernambuco; e ABIT - Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção. Segundo os organizadores, a mostra recebeu 13.803 profissionais da indústria têxtil que visitaram o evento no Polo Caruaru para ver os principais lan-

Ricardo Gomes

Fotos: Divulgação

çamentos de 280 marcas expositoras, nacionais e internacionais. “Estamos muito satisfeitos com os resultados obtidos pela Agreste Tex 2016, feira bienal de extrema importância para o Polo do Agreste Pernambucano. Os expositores fecharam negócios, mesmo neste momento de turbulência no cenário macroeconômico”, declarou Hélvio Roberto Pompeo Madeira, diretor-presidente do FCEM|Febratex Group ao final do evento. Ainda segundo os organizadores, foram gerados negócios na ordem de R$ 218 milhões. Segundo o SINDVEST-PE - Sindicato das Indústrias do Vestuário do Estado do Pernambuco, o Polo de Confecções do Agreste  é o segundo maior do país, representa 9% da produção nacional de confecção, fabrica 480 milhões de peças/ano, conta com 12 mil empresas e gera 120 mil empregos diretos e 80 mil indiretos. Dados do SINDVEST-PE apontam que o desempenho de vendas do Polo será 6% maior que o índice nacional do neste ano. O Polo é formado pelas cidades de Agrestina, Belo Jardim, Bom Jardim, Brejo da Madre de Deus, Caruaru, Cupira, Riacho das

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À esquerda - Mural “Ciclo PE Moda, Arte e Sustentabilidade” À direita - Duo Core Canatiba

Almas, Santa Cruz do Capibaribe, Santa Maria do Cambucá, Surubim, Taquaritinga do Norte, Toritama e Vertentes. A próxima edição da Agreste Tex será realizada entre os dias 13 e 16 de março de 2018 e já conta com diversos expositores confirmados. A feira apresentou as principais novidades em tecnologia, serviços e produtos para a indústria têxtil e de confecção, incluindo máquinas de corte a laser, denim, acessórios, softwares, enfestadeiras, máquinas de costura, equipamentos para lavanderias e tintas, entre outros. Como o polo é um importante fabricante de jeans, já desde a edição passada da feira, fabricantes de denim começaram a aderir a mostra para atender o segmento de confecções de jeanswear. Neste ano estiveram presente a Canatiba que apresentou a coleção Verão 2017 com destaque para as tecnologias “Duo Core” e “Sexyfit” em composições 98% algodão e 2% elastano, tecidos de gramatura leve valorizados pela mistura com as fibras ecológicas Liocel e Modal. Outra empresa de denim que esteve no evento foi a Paraguaçu Têxtil apresentando sua Linha Prime Denim composta por artigos com pesos que variam de 5,5oz até 13oz em composições 100% algodão e peças com 3% de elastano com tingimentos intensos que possibilitam diversos trabalhos de lavanderia. A Hi-Tech apresentou as máquinas de marcação à laser Quad e Quad Flex, que possuem a maior área de impressão do mercado – acelerando a produção e gerando economia –, e o conjunto Triade - com o

fornoVulcan que produz bigodes 3D mais naturais do mercado, com brilho e toque diferenciado. A Socio Tec  lançou a máquina de costura com sistema duas cores além de ter apresentado máquina de costurar passante, máquina de costurar bolsos duas cores e máquina de dobrar bolsos e lapelas.

Em paralelo

A programação paralela da feira contou com o III Ciclo PE Moda, Arte & Sustentabilidade, coordenado pelo artista plástico, cenógrafo e consultor de moda e mercado, Leopoldo Nóbrega. O Ciclo PE contou com a participação do Coletivo Ativistas da Moda que contribuiu para o debate do tema central: “Moda Mundo Muda Modos” que colocou em pauta os desafios dos novos tempos, as mudanças estratégicas para o setor e o desenvolvimento sustentável, tópicos fundamentais para o desenvolvimento e crescimento estratégico do setor. As discussões foram encaminhadas através de palestras, exposições, videoinstalações, fashion tabloide e mesa-redonda. Durante a Agreste TEX 2016 também foi captado conteúdo para o documentário  #Pernambuco Sustentável, dirigido por Leopoldo Nóbrega, com roteiro assinado pelo Coletivo “Ativistas da Moda” e realização do Espaço Multicultural Arte Plenna. Completando a programação paralela aconteceu ainda o III Fórum Digital by Usefashion que tem como objetivo apresentar os diversos cenários de cenários de comportamento de consumo e um seleto preview de matérias-primas. RT

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Armazém da Criatividade

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Agreste Pernambucano se destaca como um dos principais polos de produção têxtil do país e em função disso o Armazém da Criatividade de Caruaru, localizado no polo Comercial de Caruaru, mesmo local onde acontece a AGRESTETEX, com 188 m² de área e contando com: Laboratórios, salas de treinamentos, incubadoras, estúdios de fotografia, showroom e coworking, salas comerciais para instalação de novos empreendimentos, tem o único propósito de potencializar, ainda mais, as produções de têxtil e moda, com uma base tecnológica avançada e com equipamentos de alta performance. Divididos em três núcleos: Criação, rototipagem e Editorial de moda, podem viabilizar em seus laboratórios de: criação, design gráfico, design de produto e design de moda, modelagens em 3 D, digitalização e impressão em 3 D, produção de vestuários e editoriais de moda com estúdios fotográficos e de vídeo, além de mixagem e pós-produção. O projeto conta com uma incubadora, com turmas já iniciadas com o propósito de localizar empreende-

Antônio César Corradi

Foto divulgação

dores que tenham a preocupação de entregar soluções inovadoras para as demandas locais. Financiado pelo Governo de Pernambuco, o complexo tecnológico terá a função de dar suporte à inovação e ao empreendedorismo, atuando de forma integrada com os setores produtivos e de ensino de Ciências e Tecnologia. A concepção, administração e operação do armazém esta a cargo do Porto Digital, parque tecnológico sediado no Recife e já entre os principais parques de inovação do país, focando desenvolvimento de software e economia criativa, integrando, num único espaço, Empreendedorismo, Experimentação, Exibição, Educação, Coworking e Crédito, através da AGEFEPE, agência de fomento do Estado de Pernambuco, otimiza os investimentos de forma objetiva. O resultado esperado é incentivar o surgimento de novos empreendedores, com produtos inovadores para diversificação e fortalecimento da competitividade da economia local, uma ótima iniciativa que deverá incrementar o desenvolvimento da região em tempos difíceis, pelo qual estamos passando. RT

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