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revista

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ESTILO COMPORTAMENTO CASA&DECORAÇÃO PAIS&FILHOS VIAJAR

AGENDA CULTURAL

SETEMBRO

TEATRO . DANÇA LIVROS . WORKSHOPS FILMES . MÚSICA

LUÍS

DE MATOS SEM PAPAS NA LÍNGUA OU CARTAS NA MANGA E SEGREDOS TODOS DESVENDADOS... MENOS UM!

DOAR ÓVULOS

RESOLVER A INFERTILIDADE EM LABORATÓRIO

O FIM DAS SETE SAIAS NA NAZARÉ?

CUCA ROSETA

"NO FADO A VOZ É ESCRAVA DA HISTÓRIA DE VIDA"

CERVEJA

ARTESANAL

SETE MARCAS DA REGIÃO COM CERVEJA FRESCA E MUITO SABOROSA

>GELADARIAS

GRÁTIS

6 CASAS ONDE O GELADO É MESMO BOM

PRAIA DAS ROCAS ESTA REVISTA VALE

UMA ENTRADA PÁG. 73

SETEMBRO 2013 • N.º 90 • 2,50€


ABERTURA

editorial

Chegou setembro!

L

uís de Matos é uma figura incontornável da magia a nível mundial. Nesta edição, para além da habitual crónica, permitiu-nos uma entrevista, aproveitando a ocasião da 17.ª edição dos Encontros Mágicos de Coimbra, o único festival de magia do país e que situa a arte da ilusão em Coimbra. Nas arejadas vistas para o Mondego da suíte 507 do hotel Dom Luís, Luís de Matos olhou para a cidade que escolheu para ser sua, falou sobre si, sobre a importância do trabalho e da sua incrível necessidade de se acreditar mais pequeno do que é. Um gigantesco exemplo de humildade e profissionalismo que convidamos a descobrir nas páginas da C. Chegou setembro e com ele o regresso à vida ativa para uns. Para outros chegam as ansiadas férias grandes. Setembro é, ainda, sinónimo de dias quentes e tardes frescas. Nesta edição tomamos vários exemplos da vida fora do litoral e desafiamos a que parta à descoberta de uma região de paisagens e sabores sem par: neste carrossel que é a vida, fomos a Cantanhede, à feira popular da Expofacic fazer a produção de moda. Momento engraçado, com muitas pessoas a apreciar como se faz uma produção fotográfica. À Nazaré fomos tentar perceber porque estão em desuso as sete saias. Da praia da Costa Nova, trazemos uma canastra cheia de boa comida: a Canastra do Fidalgo, do (agora) amigo “Manel”, é uma referência gastronómica no distrito de Aveiro e recebe clientes de todo o lado, atraídos pela fama dos seus peixes e mariscos tão frescos que ainda sabem a mar. Aproveite um dia de calor e perca-se pelas belezas da Costa Nova e depois diga-nos se a Canastra do Fidalgo correspondeu… o roteiro desta edição contempla ainda a sugestão

PUBLISHER

best dream makers productions

best dream makers productions

De Tábua chega-nos um desfile de moda, iniciativa das forças locais. De Cantanhede e Góis, resumimos os eventos que marcaram as datas mais festivas: a Expofacic, afirma-se cada ano, como o grande evento que marca toda uma região. Meio milhão de pessoas (!), adianta a organização, terá passado por Cantanhede. Em Góis a autarquia inaugurou o Centro de Referência da Memória Goiense, uma nova estrutura que visa perpetuar pessoas e tradições, no dia em que a X XI edição da FACIG abriu as suas portas. Vinte mil motards esgotaram a concentração de motas da vila num sinal de apreço ao trabalho feito ao longo dos últimos anos. Só bons exemplos que chegam do interior. Não perca ainda a reportagem acerca da doação de ovócitos. O tema não é novo, mas mantém-se sensível, o da fertilização in vitro. Na Ferticentro, ciência e técnica encontraram o caminho para gerar a vida em laboratório, mas a pergunta impõe-se a cada um de nós: até que ponto estaríamos disponíveis para doar, a outros, óvulos ou espermatozoides para gerar uma criança? António Abrantes, diretor.

DIRETOR: António Abrantes BDMP, Produções audiovisuais e musicais, Lda. NIPC: 510 272 487. Capital Social 5.000€. SEDE:best Ruadream António Bentes, n.º 44, 4.º O - 3030-487 Coimbra. makers best dream makers Email: geral@bdmp.pt productions productions ESCRITÓRIO: Urbanização Quinta da Portela,

Rua Maria Victória Bourbon Bobone, n.º 16.4 - Loja B 3030-481 Coimbra. Telefone: 239 045 550.

A BDMP não é responsável pelo conteúdo dos anúncios nem pela exatidão das características e propriedades dos produtos e/ou bens anunciados. A respetiva veracidade e conformidade com a realidade são da integral e exclusiva responsabilidade dos anunciantes e agências ou empresas publicitárias. Interdita a reprodução, mesmo parcial, de textos, fotografias ou ilustrações, - sob quaisquer meios e para quaisquer fins, inclusive comerciais.

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de um fim de semana passado na fotogénica região da Pampilhosa da Serra onde a pureza da natureza está a ganhar estatuto de marca. Sabia que além das marcas convencionais há uma série de marcas de cer veja artesanal que estão a ter grande sucesso? Palmeámos a região e damos a conhecer sete (sim, leu bem) produtores de cerveja artesanal no centro de Portugal.

REDAÇÃO: REVISTA C - Urb. Quinta da Portela, Rua Maria Victória Bourbon Bobone, n.º 16.4 - B 3030-481 Coimbra. Telefone: 239 045 550. Email: geral@cnoticias.net COLABORAÇÕES: MODA MACC, Daniel Casteleira (produção), Margarida Camacho (copy); Margarida Cardoso (literatura); Vera Ferraz (à mesa); Ana Oliveira (psicologia); André Navega (infografia e paginação), Vanessa Kuzer (editora beleza), Paula Simões (nutrição) CRONISTA PERMANENTE: Luís de Matos. Colaboram, ainda, nesta edição: FOTOGRAFIA M. Crespo, OPINIÃO Ana Margarida de Carvalho. SPORTS Viva Fit; VIAJAR: Pedro Caldeira. ESTAGIÁRIA Marta Malva (multimédia); PUBLICIDADE, MARKETING E ASSINATURAS Direção de contas: BDMP, LDA email: comercial@cnoticias.net. | Telf.: 239 045 550 Telm.: 914 108 398 IMPRESSÃO Joartes, the printing lab - Artes Gráficas Zona Industrial de Barrô 3750351 Barrô Águeda DISTRIBUIÇÃO VASP-MLP, MediaLogistics Park Quinta do Granjal - Venda Seca. TIRAGEM DESTA EDIÇÃO: 5.000 exemplares. Registo ERC com o n.º 126017, de 12/01/2011 | Depósito legal n.º 322204/2011. PERIODICIDADE: Mensal Publicada por BDMP, Produções Audiovisuais e Musicais, Lda sob licença de Medinforma, Lda - Taveiro - Coimbra. NIPC 509 711 537. Capital Social: 50.000€


90 Paletes

ARTES & CULTURA 8

Cuca Roseta Conversámos com a jovem fadista por ocasião do Festival das Artes.

Agenda cultural Programação dos even12  tos culturais da região durante o mês de agosto e primeira quinzena de setembro.

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ESTILO

Cuca Roseta

22 Streetstyle 24 Tendências Essenciais para o verão. 25 Produção Uma ida à feira popular. 28 Estilo & Beleza As dicas de Vanessa Kuzer para uma pele saudável 31 Eventos

NÓS

38 Luís de Matos Uma entrevista reveladora de Luís de Matos, mágico.

44 Nazarenas onde estão as sete saias? 48 LoveSoap Sabonetes caseiros 50 Top 10 Sítios para escapar a guerras 52 Cerveja Artesanal Pegou bem a moda

de fazer cerveja! Longe de ser um hobby, apresentamos sete marcas de cerveja, na região, que já andam a dar que falar!

COMPORTAMENTO 60 F.O.M.O. medo de não saber o que se

48

LoveSoap

44

Nazarenas

passa chegou às redes sociais.

62 Mini empreendedores Crianças que

ganham milhões. 64 Lojas de segunda mão Exemplos na região do crescente mercado de usados

SAÚDE & BEM ESTAR

66 Workshop Comida Saudável por Vera Ferraz 67 Fitness Pilates por VivaFit

PAIS & FILHOS

68 Doação de Ovócitos Tema sensível para

casais inférteis, a doação de óvulos e esperma para fertilização in vitro é uma realidade. Fomos à Ferticentro saber como se reúnem, em laboratório, as condições ideais para gerar a vida. 74 Birras entre irmãos! Intervenha já!

À MESA 76 Canastra do Fidalgo Virado para a Ria

de Aveiro, na Costa Nova, este restaurante eleva os sabores de peixe e marisco a um patamar muito superior! 78 Receitas do blogue "Hoje para jantar" Vera Ferraz apresenta quatro receitas para uma refeição de excelente apresentação.

VÍCIOS & CULPAS

80 Gelados Seis geladarias artesanais incontornáveis na Região Centro!

82 Vícios e Culpas 10 dramas da vida

moderna e a melhor capa para iPhone de sempre. 84 Snorkeling Se gosta de mergulhar e ver o fundo do mar deve ler esta página.

MOTORES

86 Opel Monza o regresso de um clássico

CASA & DECORAÇÃO 89 | Dicas, por Tralhão Design Center 90 | Paletes Faça você mesmo 91 | B&W Rural: Mais um projeto Catarino

VIAJAR

92 Destino Viena: a visitar... antes e depois do amanhecer

94 Roteiro: Fim de semana pelas belezas

quase selvagens da Pampilhosa da Serra

96 Instantâneo

IDEIAS DOS OUTROS

98 Luís de Matos

52 Cerveja

Capa 84

Snorkeling

MESA DE CENTRO Natural 125

Luís de Matos Fotografia de M.Crespo, Maquilhagem Vanessa Kuzer. Agradecimento Hotel D. Luís


colaboram nesta edição

Tanja Žarkovic

Vera Ferraz A autora do blogue www.hojeparajantar.blogspot.com sugere receitas para uma refeição completa muito saborosa (pág. 78 e 79). A bloguer, em parceria com a C, deu, no final de agosto, um muito concorrido workshop sobre Comida Saudável. Saiba mais na página 66.

CONTINENTE AFRICANO

MAURITÂNIA

Colaboradora da revista de moda eslovena Modna e da estação de Televisão TV3, esta jovem licenciada em jornalismo inicia uma colaboração com a C, editando as tendências de moda para a estação outono / inverno. Pág. 24

João Melo Alvim Crónico apaixonado pela geografia histórico-política, João Melo Alvim recomenda Viena como destino para se apaixonar. Relato de uma viagem à capital austríaca uma década depois de ver "Antes do amanhecer" Pág. 92

Gâmbia

GUINÉ

Pedro Caldeira

Ana Margarida de Carvalho

O fotógrafo Pedro Caldeira partilhou connosco um pouco da sua obra fotográfica. Pedro Caldeira viaja para fotografar. Quase sempre sozinho. Nunca expôs, não tem um blogue ou página pessoal. A primeira vez que torna pública a sua obra apaixonada é nas páginas da Revista C. Na secção Instantâneo, Pedro Caldeira leva-nos à Gâmbia para conhecermos uma peculiar ave que adaptou o seu comportamento para poder sobreviver! Pág. 96 e 97

Ana Margarida de Carvalho nasceu em Lisboa, onde se licenciou em Direito e viria a tornar jornalista, assinando reportagens que lhe valeram sete dos mais prestigiados prémios do jornalismo português. Passou pela redação da SIC e publica, agora, na Visão, onde ocupa o cargo de Grande Repórter. Autora do livro "Que Importa a Fúria do Mar" escreveu para a C um conto exclusivo intitulado " E voltámos para casa, mas por outro caminho". Pág. 58

Margarida Cardoso escolheu a obra "Vidas Secas", do autor brasileiro Graciliano Ramos, como sugestão de leitura para este mês de setembro. Pág. 19

Ana Oliveira apresenta técnicas proativas para intervir em birras entre irmãos, uma realidade presente na vida de muitas famílias. Pág.74

Making of

Produção de moda na Expofacic 2013

Nota Bebé do mês

Veja o vídeo do making of em: www.cnoticias.net 6

Informamos os nossos leitores de que o passatempo "Bebé do Mês" está suspenso.


ARTES & CULTURA

É um dos valores mais seguros da nova geração de vozes para o fado. Convidada pela Cordis para o encerramento do V Festival das Artes, em Coimbra, Cuca Roseta conversou com a C. BRUNO VALE. FOTOS DE M.CRESPO

Iniciou-se a cantar no coro da igreja dos Salesianos, em São João do Estoril. Começou a frequentar Casas de Fado apenas aos 18 anos levada por um grupo de amigos onde também estava Tiago Bettencourt (Toranja). Depois recebeu o convite de Mário Pacheco para cantar no seu Clube do Fado. É no Clube de Fado que é convidada por Ivan Dias para participar no filme Fados, de Carlos Saura. Na mesma semana e no mesmo local conhece o músico e produtor argentino Gustavo Santaolalla, vencedor de dois óscares e vários

Grammy's. A fadista Cuca Roseta atravessa uma fase de grande reconhecimento. O lançamento do segundo trabalho "Raíz", a extensa digressão de apresentação e as colaborações com artistas como Djavan, António Zambujo ou Júlio Iglésias trouxeram a Cuca até bem perto do público. E o Festival das Artes de Coimbra trouxe Cuca Roseta até à Quinta das Lágrimas. Falámos com a fadista horas antes do espetáculo. No final, levámos a cantora até à Fonte dos Amores e falámos longamente de Pedro e Inês.

CUCA

Roseta

P.: Tínhamos jurado não lhe fazer qualquer pergunta sobre o Taekwondo mas depois de ver o seu aquecimento não resisto... a Cuca parecia que ia entrar num combate... R.: (Risos) É um exercício violento, mas não é, até acho que é um exercício de aprendizagem de controlo dos nervos que acaba por nos dar mais tranquilidade... aprendemos a não reagir mal às energias, ao medo, à adrenalina e isso acaba por me dar um equilíbrio físico. O fado é uma música que nos eleva muito ao nível espiritual e o Taekwondo é uma arte que completa o fado. Mantém-me os pés na terra e a sentir o meu corpo.

P.: Mas a Cuca é espiritual? É mística? Sim. Sou espiritual. Sou uma pessoa que dou muito valor ao lado espiritual humano, sem dúvida. E acho que o fado tem muito 8

mais que ver com o espírito e com a alma do que com o lado psicológico ou mental. Acho que vai mais ao lado puro, à essência e à verdade, que tem a ver com sentimentos e com emoções.

R.: O fado é, para si, uma experiência paranormal? Eu acho que os artistas têm dons que usam como um instrumento, no fundo, quando se ligam a esse lado espiritual que está ligado ao nosso coração, à nossa alma e à simplicidade. Essas pessoas acabam, no fundo, por se engrandecer mais e por passar uma mensagem, uma energia mais especial. Quando estamos a cantar temos momentos em que se passa qualquer coisa que nos emociona muito e nos engrandece e quando nos emocionamos é quando acabamos por emocionar as pessoas. O que se

passa é realmente uma ligação a esse lado espiritual, a esse tal algo de especial que se vê, por exemplo, quando estamos com muitos músicos… há dias em que se percebe quando é que estamos todos ligados, quando estamos todos nessa onda conectada. Se alguém não está, é como uma equipa de futebol… falha-se a peça e a emoção não passa. Quando nós conseguimos unir-nos todos e emocionarmo-nos uns com os outros é realmente incrível! Acabamos por ser um todo. E é aí que se dá a magia, quando todos estamos ligados nessa espiritualidade. O fado só resulta quando existe essa simplicidade. Por vezes o fado conta histórias… o meu single fala das várias histórias do fado, do contra ou da ironia e às vezes as pessoas acabam por entrar numa atitude mais rebelde ou mais agressiva que não tem a ver com esse encontro com a alma … SETEMBRO 2013


"O FADO TEM UMA LINGUAGEM UNIVERSAL E ESSA LINGUAGEM É A ALMA"

www.cnoticias.net

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ARTES & CULTURA

"NO FADO A VOZ É COMPLETAMENTE ESCRAVA DA HISTÓRIA DE VIDA… "

P.: ... é mais forçado? R.: É… e mais superficial, mais humano. O fado realmente é uma música que conquista o mundo inteiro. Vai para além da letra. Nós cantamos as letras e se as letras não nos baterem no fundo, não conseguimos emocionar ninguém. Mas o facto é que lá fora ninguém percebe o que nós dizemos. E essa forma de nós interpretarmos as letras, essa intenção de dizermos as palavras é que toca às pessoas. Costumo dizer que o fado tem uma linguagem universal e que essa linguagem é a alma e todos nós, no mundo, temos alma. P.: Como é que chegou aos fados? Quando é que decidiu que era isto que queria cantar? R.: Por acaso houve mesmo um momento para isso. Eu na altura fazia segundas vozes nos Toranja e já tinha ido aos fados. Desde os meus 19 anos que ia aos fados porque eu nessa altura escrevia muito… escrevia sobre a vida… tirei o curso de psicologia e escrevia muito sobre o comportamento humano e ouvia fado para me inspirar. Mas o dia em que eu realmente comecei a cantar, penso que foi com 21 anos. Fui ao Porto… uma amiga alertou-me que havia um concurso de fados no Porto e que eu devia participar. Eu só sabia um fado. Esse momento em que eu aprendi os fados e os cantei, de uma forma séria (porque tinha uma plateia) tocou-me de uma forma muito especial. Eu percebi que o fado me tocava muito mais que o pop, do que o rock, do que todas as músicas de covers que eu tinha feito na minha vida. E a música até então não me tinha emocionado tanto. E com o fado eu senti isso. E quis ir descobrir o fado. P.: Saiu dos Toranja? R.: Sim. Saí dos Toranja e decidi que queria ir cantar fado. E comecei a frequentar todas as casas de fado de Lisboa, a fazer pesquisas, porque eu realmente não sabia nada sobre fado. E quanto mais procurava sobre o fado mais o fado me motivava. E eu hoje posso dizer, depois de sete anos e já com dois dis10

cos... é realmente um género musical em que temos a vida inteira para percorrer e não chega! Fala-se de estado de espírito e sobre experiência de vida. Os fados que eu canto com 31 anos não são os mesmos que cantava com 21 anos quando os descobri. As letras e

"O FADO DÁ-ME MUITO MAIS PICA QUE O ROCK!" aquilo que eu queria dizer… a minha experiência de vida não era, de todo, a mesma e eu se calhar falava de amor de uma forma diferente do que falo hoje em dia e com 40 anos vou falar de outra maneira e com 50 vou cantar de outra maneira e isso é muito bom porque não há pressa de chegar a algum sítio, ninguém o consegue fazer mais depressa porque faz parte da vida, da experiência de vida. E isso motiva-me… incrivelmente! É uma música única… A voz não é usada para se mostrar ou para se exibir. No fado a voz é completamente escrava da história de vida… do poema e dos sentimentos que o poema suscita. Eu costumo dizer que o fado me dá muito mais pica que o rock!

É por isso que partilha tanto a sua voz? Este verão tive convites incríveis. Partilho muito e acho maravilhoso. Adoro. Então com culturas diferentes a única coisa que é realmente igual acaba por ser o sentimento, as emoções e a alma. Porque a cultura é completamente diferente… a forma de vestir, a forma de falar, a forma de se expor… até a divisão das palavras numa música. E é incrível… Já cantei com a Vanessa da Mata, com o Djavan, com o Zambujo, com o Júlio Iglésias, com um rapper holandês, hoje estou aqui com a Cordis e adoro poder partilhar o fado e as emoções do fado com outros géneros. E com a Cordis partilhamos a mesma energia. É um grupo que eu admiro muito… nós potencializamo-nos uns aos outros. Todos comungamos do mesmo sentimento e de intenção. Quando as pessoas encontram essa cumplicidade é muito bonito. Nós que somos artistas existimos para criar emoções e para deixar as pessoas felizes. É isso que a música me faz. Quando ouço música, é um momento em que eu posso parar, em que eu medito e que me deixa feliz. Nós temos essa responsabilidade de ter a certeza que damos o nosso melhor, que nos entregamos o suficiente para tocar as pessoas. Senão não fazia sentido termos os dons que temos e que nos foram dados. SETEMBRO 2013


No encerramento do Festival das Artes, Cuca Roseta interpretou, enre outros temas, "Traz um amigo também", de Zeca Afonso, acompanhada à guitarra de Coimbra por Bruno Costa. Atrás, o Quarteto opus 4, convidados de um espetáculo que traduziu novas estéticas no fado e canção de Coimbra e, também, de Lisboa.

&

Cordis

Cuca

Cordis: Bruno Costa e Paulo Figueiredo cruzam piano com guitarra portuguesa

sob a benção da Natureza Paulo Figueiredo funde o som do seu piano com o trinar da guitarra portuguesa de Bruno Costa. O duo mostra-se em público sob o nome de Cordis, projeto de fusão musical ao qual coube a responsabilidade de programar o encerramento do Festival das Artes, uma iniciativa da Fundação Inês de Castro e que este ano elegeu "A Natureza" como mote para a excelência das artes. Como é que nasceu esta proposta de trabalho com a Cuca Roseta? O ano passado tivemos a honra de ser escolhidos para programar um dos dias do Festival Zeca Afonso. E para esse dia, tentámos engrandecer o mais possível a nossa presença neste festival com muitos convidados… desde as cordas, a bateria, o violoncelo, o contrabaixo, e juntámos quatro grandes vozes e um deles era a Cuca Roseta. Essa experiência correu muito bem e ficámos com vontade de fazer várias coisas com os www.cnoticias.net

vários cantores e entretanto agora surgiu a oportunidade de fazer este espetáculo para o Festival das Artes. Temas de guitarra de Coimbra só acompanhados a piano e músicas de Lisboa, um tema de Coimbra feito pela Cuca. Quando fazem estas fusões, sentem-se a criar algo novo? Nós com o Cordis há muita coisa que estamos a reinventar e abrir caminhos novos. Mas nunca sentimos que estamos a definir um estilo ou a estancar o que está lá para trás. As raízes do fado de Coimbra e as raízes do fado de Lisboa estão ali todas, vão-se misturar, vamos ter uma miscelânea enorme, mas não estamos a anular nem uma, nem outra. Estamos a abrir possibilidades novas. Para lá da fusão, inspira-vos a reinterpretação da canção de Coimbra? Isso sempre. Tudo aquilo que nós fazemos

é pegar em músicas que nos tocam muito, que nos dizem muito, que mexem connosco e vamos interpretá-las e mexê-las à nossa maneira, com alma, com dinâmica espiritual muito forte e sem quaisquer tabus e barreiras relativamente ao que já estava predefinido ou que já estava gravado pelos grandes mestres. Até porque não queremos de maneira nenhuma ir contra os mestres e os grandes nomes como Carlos Paredes, António Portugal, Jorge Gomes e Francisco Martins, etc. Agora, fazemos a nossa reinterpretação à luz dos nossos tempos e à luz da minha tradição mais clássica e mais jazzística e à luz do Bruno que está mais ligado ao fado. Assim nasce esta fusão, esta mistura. O nosso grande objetivo não é fazer educação. É mostrar este trabalho, estas misturas mais vezes e mostrar às pessoas de fora esta fusão de guitarra de Coimbra com o jazz, com o fado de Lisboa e com o violoncelo, o contrabaixo ou a bateria. 11


ARTES & CULTURAagenda TEATRO GUARDA Prometeu, 14/09, 21h30, Pe-

queno Auditório TMG. Performance multimédia, inspirada na tradição do teatro de sombras Indonésio, Wayang Kulit. As personagens são representadas por silhuetas articuladas, manipuladas sobre uma mesa translúcida retroiluminada.O teatro, a música e a expressão audiovisual (cinematográfica, até) fundem-se em cena, criando uma linguagem performativa única. No espetáculo: a trágica história da mitologia Grega “Prometeu” cujo protagonista rouba o fogo aos deuses para o dar aos homens e desencadeia uma série de tragédias.M/4 6€

EXPOSIÇÃO

DO SUL AO SOL

A Universidade de Coimbra e a China A Universidade de Coimbra teve um papel importante no estabelecimento de contactos entre a Europa e a China e centralizou muito do conhecimento sobre o Oriente que se foi agregando a partir do século XVI. "Do Sul ao sol" apresenta alguns dos mais significativos traços materiais que testemunham a história de 500 anos de relações entre Portugal e a China, em três núcleos temáticos: Encontro, Ciência e Cultura.

Até 27 de outubro, no Museu da Ciência

DESTAQUE

COIMBRA 1991, de Constanza Macras.

15/09, 18h, TAGV. Em anos recentes, atravessando a crise económica mundial, a democracia tem sido um tema recorrente. As ondas de choque resultantes da “Primavera Árabe” ecoaram na Europa e, em Espanha, deram origem ao Movimento dos Indignados e ao Movimento Occupy. Um dos slogans principais é “Queremos democracia verdadeira agora!”. Depois da euforia inicial e esperança depositada nos protestos — fortemente reprimidos pelas polícias — os movimentos parecem estar a perder o seu ímpeto; desintegram-se sem qualquer esperança ou glória e sem estabelecer realmente o verdadeiro objetivo desses movimentos. Os novos Media e redes sociais desempenharam um papel essencial nestes movimentos e ainda se pretende que desempenhem esse papel no momento presente. Os protestos são permanentes nas paredes e murais das redes sociais. A quantidade toma o lugar da qualidade e as causas ficam manchadas pela futilidade. Entretanto a Europa sofre uma crise identitária e as questões da “verdadeira democracia” permanecem sem resposta — mais ainda se levanta a questão de existir, ou não, uma alternativa. GRÁTIS

CASTELO BRANCO À Deriva, 20/09,

21h30, Cine-Teatro Avenida. O projeto de teatro “À Deriva” consiste numa adaptação livre do texto teatral “Em Alto Mar” de Slawomir

ÓPERA DE PEQUIM Mitos e Lendas da China OBSERVATÓRIO DA CHINA

Cultura, artes, eventos, espetáculos! Envie info por email para cult@cnoticias.net. Teremos todo o gosto em publicar (enviar até dia 20 a programação do mês seguinte)

Mrozek, a partir do qual se pretende criar uma dramaturgia própria, uma linguagem cómica e visual, capaz de dialogar com a profunda crise de valores (sociais e institucionais) em que o país, e o mundo, estão mergulhados. “À Deriva” conta-nos a história de dois homens e uma mulher perdidos em alto mar, após o que se julga ter sido uma catástrofe natural. O enredo da peça gira em torno da maneira como estes três náufragos, circunscritos ao espaço de uma balsa (jangada) e ao mesmo tempo rodeados pela imensidão do mar, enfrentam o problema da fome. 5€ COIMBRA Auto da Sibila Cassan-

dra, de Gil Vicente. 26/09, 21h30. Pela Companhia Não D’amores, Espanha. O Auto da Sibila Cassandra, peça escrita em castelhano por Gil Vicente, o maior dramaturgo português de todos os tempos, é representada pela primeira vez no Natal de 1513, perante a Corte de D. Manuel, retratando Cassandra, que se apresenta como uma camponesa, profetiza o nascimento de Cristo de uma Virgem e afirmando que é ela própria a Virgem escolhida. A resistência da camponesa às propostas de casamento que lhe são feitas por personagens bíblicas terminam quando os profetas e as outras sibilas anunciam a chegada do Messias. 7€

DANÇA

A célebre Companhia de Ópera de Pequim, da cidade de Nanjing, fundada em 1962, que tem sido galardoada com vários prémios nacionais e internacionais pela sua elevada qualidade e profissionalismo, foi selecionada pelo Ministério da Cultura da República Popular da China para, a convite do Observatório da China, representar a Ópera de Pequim em Portugal. A Companhia, com um elenco de 24 atores, apresenta excertos de quatro peças tradicionais da Ópera de Pequim. O Dragão Voador e a Fénix Dançante; Adeus Meu Amor; As Donzelas Celestiais Espalhando Flores e A Luta de Um Guiying na Cidade de Hong Zhou. TER 17 SETEMBRO, 21H30, TAGV - COIMBRA. 15€ A 18€

CASTELO BRANCO Calle Nueva ( flamenco) 07/09, 21h30, Cine-Teatro Avenida O Flamenco é sem dúvida, a mais expressiva, criativa, original e reconhecida manifestação artística da cultura espanhola. 8€ CASTELO BRANCO Tradballs, Baile Tradicional. 21/09, 21h30, cine-teatro Avenida. Baile Tradicional, é a fusão entre a música e a dança tradicional, com as sonoridades e ritmos da atualidade que ainda dão origem à festa e baile tradicional, cheio de vida e ritmo, energia, convívio e com uma grande animação em redor das Danças Tradicionais. 5€ COIMBRA 3 coreógrafos Lisboa Metropolitan Arts 03/10, 21h30, TAGV. Oito bailarinos dão corpo a

As informações presentes nesta agenda não dispensam a consulta das programações oficiais. Os textos dos colunistas são livres e não refletem, de qualquer modo, as opiniões da REVISTA C.

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SETEMBRO 2013


DESTAQUE

TEDxCOIMBRA

oradores

PELO SONHO É QUE VAMOS…ONDE QUISERMOS!

Ruy de Carvalho: “O grande senhor do teatro e da televisão”. É um dos melhores atores portugueses e já deu provas disso. Na sua longa carreira recebeu diversos prémios e distinções.

É já no próximo dia 19 de outubro que se realiza mais um TEDx Coimbra, desta vez com o Teatro Gil Vicente como palco. O evento deste ano surge sob a temática “Pelo sonho é que vamos”. Até porque são eles, os sonhos, que comandam a vida. Objetivo: Acrescentar pensamento através da partilha de experiências. Esse é o mote do TEDxCoimbra, um espaço aberto de partilha que procura melhorar o mundo e a vida das pessoas. Quinze oradores convidados enriquecem a discussão e o debate sobre o futuro da nossa sociedade, partindo das suas experiências profissionais. E o evento não se esgota apenas nas intervenções: há ainda espaço para sessões de networking e um conjunto de atividades com vista a tornar este dia verdadeiramente inspirador.

Joana Branco e André Faustino: Fundadores da Gene Predit. Licenciados em Bioquímica e Biologia.

Teresa Lamas Serra: Apaixonada pelo ensino, arte, desporto e viagens.

Adoa Coelho: mulher multifacetada nas mais diversas formas artísticas.

Henrique Madeira: Vice-Reitor da Universidade de Coimbra com responsabilidade nas áreas de Inovação, Recursos Humanos e Novos Públicos. A sua atividade científica centra-se nas áreas de computadores tolerantes a falhas, segurança em sistemas informáticos e bases de dados. Foi sócio fundador da Critical Software.

Simone Fragoso: É Atleta paralímpica de Natação, sendo recordista nacional. Já recebeu muitas medalhas em mundiais, europeus e nos Jogos Olímpicos. Define-se como sendo “uma pessoa transparente como a água». 

Elsa Lechner: Doutorada em Antropologia Social pela École des Hautes Études en Sciences Sociales (2003) é atualmente co-coordenadora do Núcleo das Humanidades, Migrações, e Estudos para a Paz do CES.

João Moreira: Um dos criadores da personagem Bruno Aleixo. É ainda sócio da GANA – Guionistas e Argumentistas Não-Alinhados.

Shahd Wadi: Palestiniana, está a desenvolver um projeto de doutoramento em Estudos Feministas na Universidade de Coimbra sobre as narrativas artísticas dos corpos das mulheres palestinianas e em que considera as artes um testemunho de vidas. E também da sua.

Rui Bebiano: Professor e investigador em Coimbra.

Mário Montenegro: É encenador, ator, dramaturgo e investigador. É fundador e diretor artístico da marionet desde 2000, uma companhia de teatro que aborda temas científicos em palco.

Ruy de Carvalho

Aida Moreira da Silva: É representante da Sociedade Portuguesa de Química (SPQ) na Divisão de Química Alimentar da Associação Europeia de Química e Ciências Moleculares (EuCHEMS). Integra ainda uma equipa que desenvolve projetos de base tecnológica, vencedora de vários prémios de empreendedorismo.

Luís Pedro Nunes: É comentador do programa Eixo do Mal na SIC Notícias e tem uma crónica semanal no Expresso. Em 2012 foi considerado pelo Diário Económico um dos oito cronistas mais influentes de Portugal. É associado das Produções Fictícias e desdobra-se em múltiplas atividades ligadas a diversos aspetos da comunicação contemporânea.

Jose Luis Pio Abreu: Médico psiquiatra nos CHUC e professor. José Valente: Compositor e violetista. Estudou viola d’arco no Kaertner Landes Konservatorium na Áustria e jazz na New School for Jazz and Contemporary Music em Nova Iorque. Está neste momento a fazer um Doutoramento em Arte Contemporânea. Trabalhou com Paquito d’Rivera, Dave Douglas, Don Byron, entre outros. 13


ARTES & CULTURAagenda apontamentos diversos de dança contemporânea que resultam da combinação da obra de três coreógrafos: Barbara Griggi, Benvindo Fonseca e Gagik Ismailian. Ao elenco junta-se a cantora Adriana Queiroz, o saxofonista Eddy Jam e Nuno Feist ao piano. Numa multiplicidade de registos coreográficos, os quatro bailados proporcionam variações de intensidade, plasticidade e tom emocional, constituindo um verdadeiro desafio para os sentidos do espetador.

COIMBRA The Underdogs 08/09,

Romeu e Julieta

COMÉDIA / STAND UP

COIMBRA Guru. 01/10, 21h30, TAGV. A

três dias de apresentar o Orçamento do Estado, na Assembleia da República, a Ministra das Finanças, Helena Pinto Macedo, não sabe o que fazer. Cheia de dúvidas, pensa pedir ajuda ao seu marido Luís, deputado da oposição, mas o casamento está por um fio, e desiste. Com Rui Unas, Custódia Gallego, Heitor Lourenço e Susana Mendes. 12€

MÚSICA COIMBRA TAPE JUNk, 06/09, 22h30,

Salão Brazil. TAPEJUNk é o mais recente projeto de originais do músico João Correia, mais conhecido por ser o vocalista dos Julie and The CarJackers e por tocar em diversos projectos como baterista (Frankie Chavez, Márcia, Groove Quartet. 5€

AVEIRO Jáfumega – 30 anos depois

ao vivo, 07/09, 22h, Teatro Aveirense. Depois do êxito dos Coliseus, os Jafumega atuam no Teatro Aveirense numa noite para recordar músicas como Latin’américa, Nó Cego, Kasbah, Ribeira, entre outras, que os inscreveram na história da música popular portuguesa.  12€ A 16€ COIMBRA d3o, 07/09, 22h30, Salão

Brazil. Os d3o nasceram em 2002, em Coimbra, das cinzas dos Tédio Boys. No início de 2012 concluíram as gravações do novo álbum de originais, “Love Binder”, ainda

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com Miguel Benedito na bateria, entretanto emigrado para o Canadá. Nito, ex-companheiro de Tony Fortuna nos míticos M’as Foice, foi o escolhido para substituir Miguel Benedito na bateria.  “Love Binder” é editado dia 3 de setembro e os d3o regressam ao seu habitat natural, o palco. 10€ (BILHETE + DISCO)

A Vida é um cabaret

Fernando Tordo

Casino Figueira Setembro em cheio

17h, Roque no Rio, Praia fluvial de Torres do Mondego. The Underdogs é um trio de Aveiro que rebenta as costuras do rock mais bluesy, ali algures entre o início dos Stones e o Dylan da fase elétrica, os 60’s e todas as décadas seguintes, The Gun Club e BRMC

CASTELO BRANCO Carminho 13/09,

Às quartas e domingos

O Casino Figueira, na Figueira da Foz preparou um cartaz diversificado para as noites quentes de setembro que se prevêem bastante participadas. Os espetáculos decorrem no Salão Caffé e, nalguns casos, pode usar os pontos do seu cartão CFC para adquirir bilhetes. SETEMBRO De 1 a 29 - Torneio Poker Shoutout (todas as quartas e domingos de setembro) Dia 6 - A Vida é Um Cabaret | Espetáculo Comemorativo dos 30 anos de carreira de Maria João Abreu Dia 7 - TEDxCoimbra : a partilhar ideias desde 2010 | Tertúlia Dia 9 - Serões do Mondego | Dança e música popular Dia 13 - 55 POEMAS DE IDADE | Antologia Breve | Apresentação do livro de Carlos Carranca Dia 14 - Vamos Dançar! | Genérikos Dia 20 - Romeu e Julieta | Bailado Dia 21 - MOOD Dia 22 - Em jogo com... Élcio Chiquinato | Espetáculo de magia Dia 23 - Teatro ao Luar | Inês do Castro e Ressonar sem Dormir pelo Grupo Musical Carritense Dia 28 - Fernando Tordo & Rogério Charraz

21h30, Cine-Teatro Avenida “Não sei talvez quem és, mas sei quem sou.” Nem podia ser de outro modo, quando quem canta estas palavras de Vasco Graça Moura é alguém que sempre soube que o fado era o seu destino, mas que só o quis assumir depois de ter compreendido quem era realmente. E é nessa dosagem de passado e presente que se descobre o futuro do fado, na voz incomparável de Carminho. Uma voz que, ao segundo álbum, confirma tudo aquilo que Carminho canta em “Talvez”: “não sei talvez quem és, mas sei quem sou”. 15€ COIMBRA Red Boat Party 5, 14/09, RED BOAT PARTY 5 é uma festa realizada no Barco Basófias que integra o espetáculo da Banda RED com um Live Set do DJ PSI e DJ Mister S, enquanto se aproveita uma bela viagem pelo rio Mondego, apreciando as belas paisagens das margens.

AVEIRO Carlos Guilherme 15/09,

16h, Teatro Aveirense. O tenor Carlos Guilherme apresenta-se na comemoração do 32.º aniversário do Grupo Etnográfico e Cénico das Barrocas que atua na mesma ocasião com a Orquestra Ligeira da Banda Velha União Sanjoanense. 5€

CASTELO BRANCO Luís Barrigas Trio

+ Desidério Lázaro, 19/09, 21h30, Cine Teatro Avenida. Neste concerto SETEMBRO 2013


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ARTES & CULTURAagenda RAFAEL BORDALO PINHEIRO, Vida e Obra. Até 15/09 - Centro Cultural de Alcains - Museu do Canteiro. Exposição itinerante cedida pelo Museu Bordalo Pinheiro (Lisboa)

poderão escutar o disco “2:30” lançado recentemente pela editora sintoma records. A música, segundo o pianista e compositor Luís Barrigas, representa uma viagem por várias histórias contadas através de si e dos músicos que o acompanham. Este trabalho onde o pianista se estreia tem recebido várias críticas positivas da parte de alguns críticos e músicos conceituados dentro da área do jazz. 8€ GUARDA Deolinda, 20/09, 21h30,

Grande Auditório TMG. Depois dos discos “Canção ao Lado” e “Dois Selos e um Carimbo”,das distinções com dois Globos de Ouro, um prémio Amália Rodrigues e um Songlines Music Award, os Deolinda regressam ao TMG para apresentar “Mundo Pequenino”, o seu terceiro trabalho de originais, um disco gravado no Boomstudios e produzido pelo britânico Jerry Boys e pela própria banda. Mais um concerto a não perder de uma banda que nos últimos anos conquistou o afeto de uma vasta audiência e que se tornou ela própria um ícone da música cantada em português.18€ COIMBRA Songs Of The Soul Do Maestro Sri Chinmoy. 25/09, 21h30. TAGV. Músicos internacionais de jazz, música clássica e música do mundo, interpretam a música do Maestro Sri Chinmoy, um dos mais criativos músicos e compositores dos tempos modernos. Pela primeira vez nos palcos portugueses, é possível reunir um grupo de músicos desta qualidade e excelência. Sete atos musicais intercalados com projeção e poesia. Trinta músicos, vinte instrumentos diferentes. GRÁTIS GUARDA Kimi Djabaté, 26/09, 22h,

Café concerto TMG. Radicado em Portugal desde 1995, Kimi Djabaté é um excecional músico guineense, compositor e intérprete que nos traz a herança da música tradicional griot, que emergiu com seus ancestrais na região Ocidental de África.GRÁTIS

GUARDA Ensemble Vortex, 27/09, 21h30, Pequeno Auditório TMG. Integrado no Síntese – Ciclo De Música Contemporânea Da Guarda. O Ensemble Vortex é um coletivo de compositores e instrumentistas

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Encontros Mágicos invadem Coimbra MAGIA SEX 20 E SÁB 21 SETEMBRO, 21H30 GALA INTERNACIONAL DE MAGIA ENCONTROS MÁGICOS FESTIVAL INTERNACIONAL DE MAGIA DE COIMBRA

Durante duas décadas, ano após ano, Coimbra converte-se, por uma semana, numa cidade ainda mais mágica. O Festival Internacional de Magia de Coimbra é a mais antiga iniciativa realizada em Portugal no âmbito da Arte Mágica e exclusivamente dirigida ao público em geral. Os Encontros Mágicos são, uma organização da Câmara Municipal de Coimbra, com o apoio do Teatro Académico de Gil Vicente e a chancela de “superior interesse cultural” do Ministério da Cultura, a única alguma vez atribuída a um festival de magia. A produção e direção artística são assinadas por Luís de Matos. A Gala Internacional de Magia acontece nos dias 20 e 21 de setembro, no TAGV. A grande gala internacional de magia, para além da extraordinária qualidade que é habitual, contará com três dos recentemente premiados no Campeonato Mundial de Magia. Será, uma vez mais, uma oportunidade única de assistir a trabalhos extraordinários que nos chegam dos quatro cantos do mundo. No TAGV e pelas ruas da cidade de Coimbra. Produção Luís de Matos Produções Apoio TAGV Duração aprox. 2h00 [com intervalo] M/ 4 €15

Øyvind Morken Sabre; Luís Luzio Lã: afternoon disco Para receber os últimos raios de sol de verão, a OpenShirt e a Revista C organizam, no próximo dia 28 de setembro, uma festa com o pretexto de tricotar novas consciências sonoras. Um fim de tarde, já a pensar no conforto de peças mais quentes, ao som dos inteligentes set's do Dj norueguês Øyvind Morken, em estreia absoluta em Portugal. Na cabine estará também a dupla de Dj's Sabre e Luís Luzio. SABRE Acabados de lançar os dois EPs de estreia pela editora de Chicago Tasteful Nudes e pela nova-iorquina WT records, ambos aclamados internacionalmente pela imprensa especializada, fazem a viagem até Coimbra para nos mostrar as suas influências musicais e ajudar a aproveitar os finais deste verão: Chicago, Detroit, climas tropicais e impossibilidade de não dançar.

Øyvind Morken Prestes a lançar o Ep de estreia na Full Pupp de Lindstrom, Øyvind Morken representa a nova geração de música electrónica norueguesa juntando-se a gigantes do disco como Prins Thomas e Todd Terje. Na lista de preferências de nomes como Dj Harvey e Ivan Smagghe é um dos mais aclamados Djs de house de Oslo, traz-nos Detroit House, balearic boogie e uma seleção dos seus próprios edits.

ENTRADA LIVRE. Jardim da Cerca de São Bernardo. 28/09 - 18h - 22h Organiza: OpenShirt + Revista C. Apoio CMC.

sedeado em Genève. A partir da necessidade de produzir e dar a conhecer a criação contemporânea, este coletivo aborda todas as formas de criação musical e, como tal, cada um dos seus concertos integra obras electroacústicas, acústicas e mistas. O grupo interpretará obras de F.Huguet, F. Garnero, A. Corrales, J. Menoud e Daniel Zea.6€ GUARDA Peixe Lua, 28/09, 11h e 16h, Caixa de palco do Grande Auditório, TMG. “Peixe Lua” explora música vocal de diversas épocas e geografias, desde um fragmento de um coro grego da Oresteia de Eurípides a peças de música contemporânea, passando por temas tradicionais ou por uma polifonia francesa do séc. XVIII. 5€ LOUSÃ Luís Represas, 04/10, 21h30,

Cinetatro. Integrado nas Comemorações do Aniversário do Cineteatro e do 05 de outubro (Implantação da República) GUARDA Vitorino, 5/10, 21h30, Grande

auditório do TMG. Falar de Vitorino é falar de um dos mais importantes cantautores do nosso país. Vitorino tem uma carreira impar, já com mais de 30 obras discográficas editadas. Foi companheiro de canções de Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Sérgio Godinho, fez parte de projetos como Rio Grande e Lua Extravagante juntamente com Rui Veloso, Tim, Jorge Palma, Janita Salomé e João Gil. Vitorino tem cantado pelo Mundo com vários projetos a nível internacional em países como Cuba, Argentina, sendo considerado um dos cantores portugueses com mais prestígio. 5€

WORKSHOPS OFICINAS CURSOS LEIRIA Workshop Linkedin 12/9,

19h, FNAC. A FLAG e a FNAC explicam-lhe como criar e dinamizar uma presença profissional no LinkedIn. Ter um perfil otimizado é determinante para tirar o máximo proveito desta rede social, seja na angariação de novas oportunidades profissionais, seja através de uma rede de contactos qualificados.

COIMBRA . Workshop de Figurinos/Costura por Filipa Alves 13 a 15/09, Casa da Esquina. Para quem tem demasiada imaginação e não sabe o que fazer com ela, este é um ponto de partida para a divertida arte da costura e da construção de figurinos para espetáculos teatrais. Vamos desenhar e elaborar alguns do figurinos para o espetáculo “OCCUPY”. Carga horária: 14 horas. 50€/ PESSOA.

SETEMBRO 2013


ARTES & CULTURAagenda DESTAQUE ATÉ 29/09

100 anos de arte nos 100 anos do Machado de Castro O Museu Nacional de Machado de Castro, em Coimbra, traz a público até 29 de setembro a exposição de “Arte Partilhada Millennium bcp – 100 Anos de Arte Portuguesa nos 100 Anos do Museu Nacional de Machado de Castro”, uma mostra de pintura itinerante com trabalhos de conceituados artistas portugueses, que o Millennium bcp partilha, agora, de forma gratuita, com todos os residentes e visitantes da cidade. A exposição reúne uma seleção de autores portugueses cuja produção artística se situa entre os anos de 1884 e 1992, abarcando os movimentos naturalista, modernista, surrealista e de arte contemporânea. Almada Negreiros, Álvaro Lapa, Amadeo de Souza-Cardoso, Ângelo de Sousa, António Dacosta, António Palolo, António Silva Porto, Armanda Passos, Carlos Botelho, Columbano Bordalo

COIMBRA Clube de Crochet e Tricot + Guerrilha da Agulha Casa da Esquina. Todos os terceiros sábados de cada mês. A essência deste movimento é pegar numa forma tradicional de expressão artística e levá-la para o espaço público, conferindo-lhe dinâmica e modernidade, não só para promover esta técnica como também para desmistificar a ideia de que o crochet e tricot estão cristalizados no tempo. Desta forma promove-se a importância do saber-fazer no quadro social atual da globalização e da dependência do consumo.

zeres. Discos, livros, filmes, viagens ou um vinho especial são coisas que fazem parte do património cultural de todos. São objetos e experiências que nos ajudam a compreender melhor o mundo e a relacionarmo-nos com ele. “Café a Meias” é uma sessão em que dois convidados ilustres revelam e partilham as suas preferências com o público, ao som de uma música, de um poema ou de uma sequência de um filme. ENTRADA LIVRE

EXPOSIÇÕES

CASTELO BRANCO LUPA PinHole I e II

A construção da “máquina” de 07/09 a 28/09 no IPJ. O LUPA PinHole pretende dar a conhecer um processo de fotografia que permite a autonomia em relação aos meios digitais e tecnológicos, desde o momento da construção de “máquinas fotográficas” até ao momento da revelação manual das fotografias obtidas. Deste modo, esta atividade divide-se em dois laboratórios distintos mas articulados entre si, nomeadamente, o laboratório da construção da “máquina”- LUPA PinHole I e o laboratório de fotografia e revelação - LUPA PinHole II.

LIVROS GUARDA Café a Meias, 13/09, 22h,

Café Concerto, TMG. Partilha de livros, discos, filmes e outros pra-

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Pinheiro, Costa Pinheiro, Dordio Gomes, Eduardo Batarda, Eduardo Luiz, Eduardo Nery, Eduardo Viana, Graça Morais, João Hogan, João Vieira, Joaquim Rodrigo, Jorge Pinheiro, José Escada, José Júlio de Sousa Pinto, José Malhoa, Júlio Pomar, Júlio Resende, Mário Cesariny, Menez, Nadir Afonso, Nikias Skapinakis, Noronha da Costa, Paula Rego, René Bertholo e Vieira da Silva são os pintores que terão na exposição as suas obras representadas.

que não se deixa subjugar por escolas e modismos. Casas de Brasileiro é um seu trabalho de 2008 que já foi apresentado e notado internacionalmente. Para lá da sua importância de investigação documental, este conjunto de notáveis moradias, chalés ou “manuelzinhos” de emigrantes e torna-viagem portugueses do século XIX e inícios de XX é uma série notável de abordagem estética, muito contemporânea, (planos horizontais, distâncias, ângulos) das mais sugestivas moradias que a elite endinheirada dos brasileiros foi edificando por todo o país. A exposição Casas de Brasileiro vai estar presente na rede de Museus no Centro da Direção Regional de Cultura da Zona Centro, percorrendo os vários serviços dependentes que a constituem.

luvas de guarda-redes nacionais/internacionais de futebol. A exposição é da autoria de Carlos Carvalho, guarda-redes do Grupo Desportivo Pampilhosense, que desde há alguns anos tem vindo a colecionar as luvas de guarda-redes que lhe têm sido oferecidas. Esta exposição consiste na exibição de luvas de guarda-redes de diversas equipas do campeonato nacional e estrangeiro.

COIMBRA Color Blocks, de 3 a 24/09,

Casas de Brasileiro, fotografias de Júlio de Matos. Criador do primeiro Curso Superior de Fotografia no Porto e no Norte, introdutor de processos e correntes que atravessavam o mundo fotográfico nos anos oitenta do século XX, Júlio de Matos é acima de tudo um experimentalista

Mercearia de Arte Alves & Silvestre. “Color Blocks”, por Eduardo Bragança, artista plástico do Porto, que nos últimos dois anos nos tem presenteado não só com a habitual qualidade do seu trabalho mas também com uma diversidade e intensidade ímpar, com diversos projetos multidisciplinares, quer no nosso país como fora dele, Brasil, Inglaterra ou EUA.

PAMPILHOSA DA SERRA 1ª Exposição De Luvas De Guarda-Redes Nacionais/ Internacionais. Até 30/09, Galeria 1, Edifício Monsenhor Nunes Pereira. Pela primeira vez em Portugal, decorre uma exposição de

ANADIA Nadir Afonso - A Arte É Como O Vinho de 14/09 até 14/02/2014. Museu do Vinho Bairrada. Conjunto vastíssimo de obras de arte originais, sendo algumas delas verdadeiramente inéditas e nunca antes expostas. Arquiteto formado no Porto, que tinha a melhor Escola de Portugal, Nadir Afonso foi trabalhar no ateliê de Le Corbusier em Paris e, depois, com Niemeyer no Rio de Janeiro. Uma oportunidade única para contemplar a obra de tão prestigiado artista na Região Centro.

SETEMBRO 2013


LOUSÃ Pintura de Leila Huguenin, 2/09 a 30/09. Sala de Exposições Temporárias do Museu Etnográfico Dr. Louzã Henriques

José Ceia – Fotografia. 07/09 a 29/09. Sala da Nora - Cine-Teatro Avenida. Para Zé Ceia fotografar é (quase) como respirar. É como se entre ele e o mundo existisse uma objetiva invisível, mas permanente, que lhe conduz o olhar numa perspetiva foto cinematográfica.

CASTELO BRANCO

GUARDA Meu Corpo Vegetal Alberto Carneiro, 07/09 a 27/10, TMG A natureza recriada à nossa imagem e semelhan��a: nós dentro dela e ela polarizadora dos nossos sentimentos estéticos. Uma nuvem, uma árvore, uma flor, um punhado de terra situam-se no mesmo plano estético em que nos movemos, são parte integrante do nosso mundo, são um manancial de sensações vindas de todos os tempos, através duma memória que tem a idade do homem.   GUARDA HUY – “Habitar uma

Paisagem”, 10 a 29, Café Concerto do TMG. Paisagem Imensidão Floresta Árvore Tronco Casca Pele Homem Cimento Tijolo Objeto Terra Pigmento Carvão Traço Marca Neve Pedra Verde Amarelo Melodia Pássaro Transformação Despertar Movimento. ENTRADA LIVRE.

COIMBRA Pathé Frères 1908-1911 Fotografias da Coleção da Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema até 25/09 FNAC. A FNAC, em parceria com a Cinemateca, expõe 19 fotografias de filmes produzidos ou comercializados pela empresa Pathé

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Cinemalogia

III

O "curso intensivo de cinema" que o festival Caminhos de Cinema tem proporcionado nos últimos anos está de volta. O curso Cinemalogia pretende ser um curso de iniciação à realização cinematográfica, transmitindo os principais conhecimentos e desenvolver as principais competências, quer do ponto de vista técnico, quer artístico, necessários à realização de um projeto cinematográfico. Na sua terceira edição este curso modular conta com várias reestruturações no plano modular como a introdução do módulo de Crítica de Cinema e o aumento do numero total de horas de formação para 304. O curso inicia a 30 de novembro e estende-se até dia 8 de junho de 2014, sempre aos fins de semana. PLANO DO CURSO

• História do Cinema • Introdução à linguagem cinematográfica • Argumento I - Enquadramento Teórico • Equipas, Cargos Técnicos e Artísticos • Financiamento & Aspetos Legais • Argumento II - Escrita • Cinema Documental — Abordagens • Introdução à crítica de cinema • Pré-Produção • Direção de Arte • Direção de Som 1 - Teoria • Direção de Fotografia • Direção de Actores • Planeamento e Meios de Produção • Realização • Montagem - Teoria • Edição de Som & Imagem • Direção de Fotografia 2 - Pós-Produção • Design de Títulos • Direção de Som 2 - Composição Musical • Direção de Som 3 - Misturas Finais • Promoção e Comercialização • Projecção Cinematográfica

Até 31 de outubro está aberto um período de inscrições com desconto de 50% no preço total das inscrições em todos os módulos.

UM LIVRO... UM AUTOR

Vidas Secas,

de Graciliano Ramos

F

oi há precisamente setenta e cinco anos que o escritor brasileiro Graciliano Ramos (1892-1953) publicou Vidas Secas, romance que retrata a amarga experiência de vida de uma família sertaneja que um clima hostil e o frequente confronto com quem detém alguma forma de poder obrigam a deslocar-se, permanentemente, numa paisagem natural agreste, sem nunca conseguir vencer a miséria. Constituída por treze quadros, a obra inicia-se por um capítulo intitulado “Mudança” e termina com “Fuga”, como que a acentuar a circularidade do romance que confina os protagonistas à angústia e ao desespero da sua sorte. Se, no primeiro, o autor dá a conhecer a errância de “seis viventes” famintos (o vaqueiro Fabiano, sinhá Vitória, os dois filhos, a cadela Baleia e um papagaio) através de uma natureza nada acolhedora, no último, assiste-se à necessidade de as personagens, despojadas de tudo e dominadas pelo cansaço, fugirem de novo, não só à seca que desidrata os corpos e calcina as almas, mas também ao patrão, seu credor. A secura destas vidas traduz-se na linguagem rudimentar utilizada por seres humanos votados à marginalização que, todavia, esperam poder superar: Fabiano sonha com um trabalho estável na cidade; sinhá Vitória gostaria de dormir numa “cama de lastro de couro, como outras pessoas”, isto é, aspira a um certo conforto material; o menino mais velho quer alargar o seu reduzido léxico, dominar o significado de mais palavras, o que lhe permitiria aceder a algum re-

Vidas Secas Autor: Graciliano Ramos Editora: Europa América ISBN: 601072408319 Wook: 6,55 €

FOTO DR: KURT KLAGSBRUNN

FIGUEIRA DA FOZ “Mar de Atlas", de Joel Santos até 29/09 O Núcleo Museológico do Mar recebe a mostra fotográfica “Mar de Atlas”, do prestigiado fotógrafo Joel Santos. Autor de inúmeros best-sellers na área da fotografia, Joel Santos selecionou um conjunto de 16 fotografias, representativas do seu trabalho na área de “Oceans and Rivers”.

Graciliano Ramos de Oliveira 1892 - 1953

conhecimento social, embora não tenha plena consciência de tal facto; o menino mais novo almeja ser vaqueiro, como o pai. Também Baleia, a comovente cachorra humanizada que as crianças tratam quase como irmã, acalenta um sonho: escanzelada, no último estertor, deseja despertar num “mundo cheio de preás, gordos, enormes”. Membro do Partido Comunista Brasileiro a que adere oficialmente em 1945, Graciliano Ramos, que faleceu há sessenta anos e cujas convicções lhe valeram a experiência da prisão narrada em Memórias do Cárcere, revela o seu empenhamento político-social num romance que inspirou inúmeros artistas: sob a influência da leitura de Vidas Secas, Portinari pintou a série de telas “Retirantes”, Nelson Pereira dos Santos adaptou o romance ao cinema, Egberto Gismonti criou uma composição musical... Margarida Cardoso 19


ARTES & CULTURAagenda Frères entre 1908 - 1911, em novas impressões a partir dos negativos de época. Um tesouro para cinéfilos e entusiastas da arte de fotografar. FIGUEIRA DA FOZ Júlio Resende - As

cores mandam em mim até 28/09 CAE. Em 2009, a Baganha Galeria, do Porto, tem o privilégio da exclusividade de Júlio Resende. A história deste espaço de arte e cultura está, por isso, intimamente ligada a este nome maior da arte contemporânea portuguesa. “As cores mandam em mim”, numa coprodução com o CAE da Figueira da Foz, é assim uma exposição que pretende homenagear o Mestre, divulgando o seu trabalho e perpetuando a memória do artista. LOUSÃ Instrumentos do Mundo.

4/10 a 27/10. Sala de Exposições Temporárias do Museu Etnográfico Dr. Louzã Henriques

FOTOGRAFIA LOUSÃ Safari Fotográfico no Mer-

cado da Lousã (teatro). De 07 a 14/09. Organização: Associação Cultural Efeitardósia | CML

FILMES

África. É ali que vive o djidiu Mutar Djebate, chefe dos 300 melhores balafonistas (Balafon é um xilofone de madeira com cabaças por baixo) do mundo. O filme é uma metáfora da situação presente na Guiné Bissau e localiza-se algures entre o abismo da guerra e a existência desta aldeia musical chamado Tabatô. Conta a história pessoal e dramática de BAIO (Djidiu e ex-soldado mandinga ao serviço dos Portugueses) que regressa à Guiné Bissau, à sua aldeia natal de Tabatô, trinta e sete anos após o fim da guerra colonial, para assistir ao casamento da sua filha Fatu com o filho do chefe da aldeia, Idrissa Djabaté, um músico emergente na Guiné-Bissau. 4€ GUARDA

Ciclo de Cinema –TMG Kim Longinotto – Histórias no Feminino – Uma das mais proeminentes documentaristas em atividade, Kim Longinotto, é reconhecida internacionalmente pelos seus pungentes retratos e pelo seu sensível e apaixonante tratamento de tópicos difíceis. Este ciclo é dedicado à realizadora.17/09 Dream Girls 21h30; Divorce Iranian Style, 18/09, 21h30; Nó Cego, 19/09 22h00; Sisters in La, 24/09, 21h30; Rough Aunties, 25/09, 21h30

OUTROS MIRANDA DO CORVO 3ª Noite de Verão no Parque Biológico da Serra da Lousã. 6/09 Venha conhecer o parque à noite. Inscrições e informações através do email parquebiologicoserradalousa@adfp.pt

COIMBRA A Batalha de Tabatô, de

João Viana 16/09, 21h30 TAGV Para a maior parte das pessoas a Guiné é apenas o terceiro país mais pobre do mundo. E, no entanto, passa-se algo de extraordinário em Tabatô, uma aldeia situada no interior da Guiné: lá, todos os seus habitantes são, desde há 500 anos, músicos Djidius. Eles são cantores-poetas hereditários cujas canções de louvor e contos e lendas representam um papel fundamental na vida musical de STARTUP PIRATES Coimbra 5/10 a 12/10 programa de aceleração de empreendedores em potência com a duração de uma semana http://coimbra.startuppirates.org/

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LOUSÃ Jornadas Europeias do Património, 26 a 28/09. Museu Etnográfico Dr. Louzã Henriques

PARA CRIANÇAS Cinema em Família 05/10, 11h, TAGV 4€ Filminhos Infantis – Cinema De Animação: Nicolas E Guillemette De Virginie Taravel; O Rapaz Na Bolha De Kealan O’rourke; Miriam Joga Às Escondidas De Priit Tender; Aleksander De Rémy Dereux, Maxime Hibon, Juliette Klauser, Raphaëlle Ranson, Louise Seynhaeve; A Transformação De Martin Vermelen, Matthieu Hassan, Eslabréhin; Corrida De Janis Cimermanis; Os Porcos-Espinhos E A Cidade De Evalds Lacis; Um Polvo Em Apuros De Priit Tender

Boneca Fado de Coimbra, by Gaiata

Bussaco com Arte 2013 A Mata Nacional do Bussaco recebe pela terceira vez a iniciativa “Bussaco com Arte”, nos dias 13, 14 e 15 de setembro. Esta é uma mostra artística, em pleno Jardim do Palace Hotel do Bussaco, que se caracteriza por uma forte originalidade, coerência e rigor técnico. Os visitantes são convidados a observar e a participar no processo criativo das peças expostas e ainda em vários workshops desenvolvidos pelos artistas presentes. A arte vai acontecer pelos Jardins do Palace Hotel do Bussaco, transformando-os num espaço artístico e cultural a céu aberto.

Visitas à galeria de zoologia do Museu da Ciência Descubra ou revisite um espaço sensacional: a Galeria de Zoologia do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra vai estar de portas abertas para receber todos os que queiram visitá-la. A visita está limitada à participação de 30 pessoas por visita. VISITAS: 7, 14, 21 e 28 de setembro. Horário: 16H00. (aceitam-se reservas) Preçário: 2 euros

Coleção de milhares de espécies animais é a mais rica em Portugal e uma das melhores no mundo!

Photo Museu do Vinho Bairrada Organizado pela Câmara Municipal de Anadia, o concurso fotográfico, versa o tema “Espumante Bairrada e premeia com 1500 euros um Grande Vencedor entre as candidaturas que serão submetidas ao exame do júri e que selecionará nove vencedoras que irão estar em exposição no Museu do Vinho Bairrada a partir de 14 de setembro. O júri conta, entre outros, Eduardo Gageiro, Anibal Lemos e João Carlos.

Eduardo Gageiro


ESTILOstreetstyle por MACC

PAULA FRANCO

37 ANOS, AVEIRO, BLOGGER theworldshape.blogspot.com TÚNICA: LANIDOR PULSEIRAS: LANIDOR, PARFOIS, NOMAD CULTURE COLARES: NOMAD CULTURE SANDÁLIAS: SEASIDE JEANS: PULL AND BEAR CLUTCH:H&M

LUIS REIS

21 ANOS, DESIGNER, COIMBRA CASACO DE PELE: FEITO PELO PRÓPRIO CALÇÕES: VALENTINO T-SHIRT: ZARA SAPATOS: FEIRA SEM REGRAS

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RUI BRAGA

19 ANOS, ESTUDANTE DE ARTES PLÁSTICAS, PORTO CAMISOLA, ÓCULOS E PLATAFORMAS: H&M CASACO: AMERICAN APPAREL CALÇÕES: FEITOS PELO PRÓPRIO

BRUNA CORBY

18 ANOS. ESTUDANTE AVEIRO

BLAZER E T-SHIRT: ZARA CALÇÃO: TOPSHOP SANDÁLIA E CARTEIRA: PRIMARK AGOSTO 2013


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ESTILOtendências por Tanja Žarkovic´ BLUSA H&M 24,95€

TOP MANGO 29,99€

outono inverno '13

MACACÃO MANGO 59,99€

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GRANDES TENDÊNCIAS WOMAN ALLURE

Uma brisa poética flutua através das coleções de outono/inverno 2013-2014! Os designers de Céline, Miu Miu, Mulberry, Saint Laurent e Missoni usam o rosa pálido em casacos de lã, enquanto Emporio Armani, Nina Ricci, Sonia Rykiel, Lanvin e Blumarine optam por uma paleta agradável de tons rosa da cabeça aos pés para iluminar os dias sombrios de inverno.

CASACO ZARA 69,95€

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Aposte num casaco rosa! Garante uma explosão de feminidade e transporta-a para um mundo de romance.

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As roupas femininas adotam o vestuário dos homens: a aparência é estruturada, com cortes bem definidos e muito justos, à medida. Na Balmain, Paul Smith, Victoria Beckham, Jil Sander, Costume National, Sacai e Paul & Joe o desenho incidiu na forma e nas dimensões, com um toque esquematizado e muito engenhoso. Mas tenha cuidado a combinar peças com este imaginário masculino: não é assim tão simples usá-lo sem parecer um saco de batatas! Procure linhas limpas e nítidas para dar definição e forma ao vestuário. As calças “desleixadas” são fundamentais, enquanto outros elementos podem incluir casacos de homem, blazers e sobretudos "boyfriend".

MIDNIGHT GARDEN

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Os padrões florais vão surgindo para onde quer que olhemos, mas não são os padrões suaves e macios de primavera. São estampas poderosas, com um toque ousado, misterioso que adiciona uma profundidade nova ao inverno. Misture-os com rendas delicadas, veludos extravagantes, silhuetas femininas ou chiffon fluído para criar uma aparência encantadoramente soturna. Meadham Kirchhoff, Michael Van Der Ham, Erdem e Preen lideram estas tendências em detalhes como rendas, camadas de texturas misturadas e decotes altos, para estabelecer um clima sombrio, mas romântico.

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BACK TO THE 90's

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A década de 90 está de regresso! Tecidos vibrantes, reflexos metálicos, brilho, couro e decorações luxuosas em combinação com padrões tartan e botas robustas. Um pedaço de punk, um pouco de rock à mistura, e ainda um toque de heavy metal. Aqui está o apelo deliberadamente grunge dos looks que tomam de assalto as passarelas de Balmain, BCBGMAXAZRIA, Saint Laurent, Valentino, Versace, Isabel Marant, Rodarte , Givenchy e Fendi. No MET (Nova Iorque) a exposição “Punk: Chaos to Couture” celebrou uma atitude que virou influência até aos nossos dias. As tendências desta estação provam isso mesmo!

BOTAS TOP SHOP 58€

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ELA Calção Amarelo, 155€, Diesel Na ADN SPACE Óculos Jeremy Tarian limited eye-edition, 290€, no Cruz Oculista

uma ida à

Feira Popular! na Expofacic

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ESTILOprodução

Margarida

MACHADO A jovem estilista esteve em destaque e foi a grande vencedora do Fashion Madness 2013. Uma ida à feira popular, durante a Expofacic, foi o mote para uma produção diferente entre carrósseis e carrinhos de choque!

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Capa com gola, 66€; Vestido em seda selvagem sem mangas, 70€ Atelier Margarida Machado Óculos Gucci S/S2013 runway edition, 350€, na Cruz Oculista

Produção e Styling de Black at White Fotografia: M.Crespo Cabelos: Carlos Gago - Ilídio Design Cabeleireiros Maquilhagem: Vanessa Kuzer Modelos: João Nuno Silva e Vanessa Cardoso Artigos: Cruz Oculista, Adn Space e N'Dress Atelier Margarida Machado Agradecimentos: Expofacic - INOVA, EM


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Por Vanessa Kuzer, maquilhadora profissional vanessa.kuzer@cnoticias.net

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Manter a pele do rosto saudável depois de tanto calor!

O

verão é a estação mais quente do ano, por isso a pele do rosto é uma das que mais sofre com a exposição ao sol por estar mais sujeita à radiação. Apresentamos quatro tratamentos para o rosto que deve cumprir para escapar com a pele ilesa das agressões de sol e sal!

Por Vanessa Kuzer, maquilhadora profissional vanessa.kuzer@cnoticias.net

Escolha o produto de acordo com seu tipo de pele, isso faz com que o resulta do seja sentido mai s rapidamente

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EVENTOS

GÓIS capital motard Mais de 20 mil pessoas fizeram de Góis paragem obrigatória durante a 20.ª edição da Concentração Mototurística da vila. Resultado: o melhor show motard de sempre!

FOTO DE GONÇALO MANUEL MARTINS

Faça chuva ou faça sol, motard que se preze faz-se à estrada para dias intensos com música, atividades culturais, desporto, comes e bebes e muita diversão à mistura. Góis é todos os anos palco do segundo maior espetáculo de motas do país e o ambiente fora de série, assim como a excelência do recinto, ajudaram à festa. Muita música, boa gastronomia, atividades desportivas, culturais e muita cerveja (Sagres zero, claro) foram coisas que não faltaram no Parque do Cerejal e do Baião. O Palco Sagres ofereceu uma programação eclética: Moonspell, UHF e a banda espanhola Los Inhumanos, Os Azeitonas e os Deolinda. Quem quis animação e a adrenalina até de madrugada, fez da Tenda Eletrónica a sua segunda casa. Por se tratar de um evento sustentável, os 20 mil visitantes usufruíram ainda da oferta turística do município, como as aldeias de xisto e, sobretudo, as praias fluviais. As expectativas estão em alta e a organização já só pensa na próxima Para já, e segundo os que por lá passaram, esta concentração já garantiu lugar cativo na pole position no que respeita a segurança, diversão e, sobretudo, organização.

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EVENTOS

Tony Carreira

Poiares Maduro, João Moura e Nuno Encarnação

Poaires Maduro, Jorge Catarino, Pedro Saraiva, Pedro Machado e Pedro Cardoso 32

O Ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional, Poiares Maduro, juntou-se a João Moura e comitiva para inaugurar a 23.ª edição da Expofacic. Durante a inauguração, o ministro considerou a Expofacic como “uma feira exemplar, um exemplo do combate à crise” que importa enaltecer".

FOTOS DE M.CRESPO

Inauguração da Expofacic

SETEMBRO 2013


Mastiksoul

Melhor Expofacic de sempre Foram 11 dias e 11 noites sem parar em Cantanhede! A Expofacic renovou o título de melhor certame da Região Centro. Cerca de meio milhão de pessoas. Este é o número record da 23.ª edição da Expofacic. O certame teve um dos melhores anos de sempre, para o qual contribuiu o cartaz recheado de estrelas. O aumento de espaços verdes, a pista de karting, a exposição de aves exóticas e o reforço da área agrícola e picadeiro foram, igualmente, importantes para o contínuo sucesso da feira.

Steve Aoki levou os fãs ao rubro

O desejo da organização foi concedido: os Keane deram um espetáculo brihante

Rui Veloso fechou o certame em grande

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Liquideep

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Tábua Fashion A Associação Juvenil Tábua XXI realizou o Tábua Fashion, pelo quarto ano consecutivo. Uma oportunidade para os jovens tabuenses conviverem e para dinamizar o comércio local.

Encontro de bombas italianas (e não só) Fritz Dorey, ex-piloto de Fórmula 1 foi o convidado especial do 3.º encontro de entusiastas de viaturas italianas, que decorreu em Coimbra e ao qual se juntaram vários amigos e fãs destas autênticas bombas de velocidade!

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SETEMBRO 2013


O Casino Figueira voltou a ser um palco muito animado durante o mĂŞs de agosto. As festas temĂĄticas "White Party" e "Pink Party" foram muito concorridas.

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FOTOS DE BRUNO ALVES

Festas White e Pink no Casino

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EVENTOS

Luís Lima Santos

José Dias Pereira

Victor Magalhães e Rui Mendes

M. CRSPO

Rui Antunes foi eleito para o segundo mandato como presidente do Instituto Politécnico de Coimbra (IPC). na cerimónia estiveram presentes diversas personalidades ligadas ao ensino.

Fernando Páscoa e Rui Antunes

Tomada de posse do IPC

O restaurante "O Cabritino" deu início às comemorações dos seus 12 anos com uma sardinhada, onde juntou amigos e clientes da casa. Mas não fica por aqui: até ao fim de outubro, o restaurante vai ter ainda mais três a quatro eventos para dar continuidade aos festejos.

M. CRSPO

O Casino Figueira encheu para a apresentação do primeiro trabalho da jovem fadista da Praia de Mira. A noite, cheia de emoções, contou com a presença do seu padrinho de fado, o guitarrista António Chainho.

Cabritino comemora 12 anos M. CRSPO

Mariana apresentou "A voz do mar"

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António Chainho

SETEMBRO 2013


Ana Luísa Duarte, Miguel Ventura, Gabriela Ventura, Lurdes Castanheira, José Carvalho e Lurdes Barata

Lurdes Castanheira e Gabriela Ventura

Góis reconhece os seus melhores Centro de Referência à Memória Goiense foi inaugurado.

O livro "Histórias de nós, memórias de Sempre" com trabalho fotográfico de Gonçalo Manuel Martins foi, também, apresentado.

FOTOS DE M. CRSPO

José Rodrigues e Fernanda Dias

Inaguração da FACIG O Parque de Lazer do Baião recebeu a XXI FACIG. Mónica Ferraz e Lena de Água foram algumas das atrações de um programa que atraiu diversas pessoas até à feira de Góis.

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Lurdes Castanheira e José Alexandrino

Miguel Ventura, Fernanda Dias e Lurdes Castanheira

M.CRESPO

Helena Moniz, Mário Garcia, Lurdes Castanheira e Jaime Garcia

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NÓS

LUÍS

DE MATOS A magia, a máfia dos astrólogos e um segredo. Luís de Matos é dos rostos mais familiares aos portugueses, resultado de uma vida intensa dedicada a elevar a arte da magia. Reconhecido entre pares como "O grande revolucionário da Magia" - prémio Magic Golden Grolla (Itália, 2013) - não abdica de, continuadamente, se lembrar que o seu cantinho é aqui em Portugal: escolheu Coimbra para ser a sua cidade mas é em Ansião que fez sedear o seu ninho criativo. Coincidiu marcar-se esta entrevista com o seu dia de aniversário. O encontro ficou marcado para a suíte 507 do hotel Dom Luís com o pretexto de se falar sobre os seus 25 anos de carreira e os próximos "Encontros Mágicos - Festival Inter-

Gosta de fazer anos? Não ligo muito… é-me indiferente. Não tenho qualquer relação com celebrações. Para mim todos os dias comemoram alguma coisa. Nunca tive preocupação com a idade. Mas orgulha-se de comemorar 25 anos de carreira… Isso sim! Orgulho-me, acima de tudo, da contabilização. Há muita gente que aos 30 anos celebra 23 de carreira porque já cantavam no duche quando tinham sete anos. Eu não. Eu fiz questão que fosse uma coisa contabilística e com sentido e só posso começar a contar a partir dos 18 anos (já fazia espetáculos com 11 anos), porque aí, sim, é uma carreira profissional. Só aos 18 anos é que se considerou profissional? Hoje, quando olho para trás, sim! Para mim, não faz sentido dizer que tenho 43 anos de idade e 32 de carreira. Não faz muito sentido. Para mim, 25 anos, o significado que tem, é eu reiterar a mim próprio, caso tivesse alguma dúvida de que esta era uma escolha 38

nacional de Magia de Coimbra", a sua obra mais abnegada em prol da arte de fazer sonhar! Era Esse o pretexto! Luís de Matos respondeu-nos a todas as perguntas sem impaciência, numa viagem quase invasiva à sua pessoa. Dedicou tempo (que preza) e mediu cada palavra que devolveu cheia de uma autoridade possível apenas a quem fez do aprender um modo de viver. A entrevista que publicamos nestas páginas é uma síntese dessas quatro horas de conversa prazeirenta, não nos sendo possível, por questões de espaço, publicar a sua totalidade. Em www.cnoticias.net apresentamos a sua versão integral, sem cortes. POR BRUNO VALE | FOTOS M.CRESPO

séria que queria fazer para mim… ok.. Sim, 25 anos já demonstram que era isto que eu queria fazer.

de, descobrir as coisas que não entendemos ou que não sabemos… e também vem de série a capacidade de sonhar.

O Luís de Matos é um mágico ou um ilusionista? Eu gosto mais da palavra magia pela maneira como interpreto o processo de relacionamento com o espetador, que interpreto em três estádios diferentes: um primeiro estádio em que é normal, tal como um músico toca nas cordas para produzir sons eu utilizo truques! Espelhos, fios, ímanes, alçapões e comandos à distância. Uso esses truques para criar aquilo que é uma ilusão. Esse é o segundo estádio. A criação só atinge verdadeiramente a sua plenitude quando comunica a alguém. Eu parto do truque, da ilusão. É até onde posso ir - eu só posso chegar à ilusão – e a partir daí é cada espetador que decide, ou não, converter aquilo num momento verdadeiramente mágico. E isso acontece se o espetador, por vontade própria, tiver decidido usufruir daquela ilusão que lhe é proporcionada. O ser humano vem de série com duas coisas: uma é a curiosida-

Quem vai a um espetáculo de magia entra lúcido. Sabe que vai ver truques. O que é que acontece? Desliga-se o consciente? Sim. Essa é a forma mais inteligente de interagir com qualquer manifestação artística seja ela de que natureza for. Quando lemos um livro nós imaginamos a três dimensões as personagens desse livro e aquilo não existe. São letras, umas atrás das outras, escolhidas e ordenadas pelo autor do livro no sentido de nos proporcionar esse outro imaginário. E é aquilo que eu faço nos meus espetáculos. Há pessoas que têm mais prazer no lado do descortinar, e para essas um espetáculo de magia ou desvendar um puzzle ou um SudoKu está mais ou menos ao mesmo nível ou, pelo contrário, as pessoas podem optar por decidir que nas próximas duas horas vão testemunhar que o impossível é verdade e que de facto o carro desaparece, ou que eu sei o que eles estão a pensar. SETEMBRO 2013


"A MINHA MAIS FEROZ CONCORRÊNCIA SOU EU PRÓPRIO"

Quanto é que já estudou do comportamento humano para chegar ao nível de ilusões que consegue provocar? Para mim, o comportamento humano é algo que sempre me fascinou. O estudo do comportamento humano é fascinante porque nós estamos constantemente a emitir sinais que permitem ao observador mais atento ou experimentado perceber mais sobre determinada situação. E isso para mim é fascinante. Na minha área em concreto isso é vital, porque converte-se em mais informação do que aquela que posso processar em direto, no momento. Os meus espetáculos têm uma enorme interatividade e são altamente imprevisíveis porque cada espetáculo é completamente diferente. Nós estamos, de momento, com o espetáculo “Chaos” em digressão e eu já tive famílias que vieram ter comigo no final e que me disseram que já viram o espetáculo cinco vezes e é sempre diferente! Mas o espetáculo é o mesmo, os truques são os mesmos. Tem de fazer uma aliança nova com cada público… Sempre!

Mas não a pode dar como garantida… Não! Eu parto sempre do princípio que aquele coletivo desconhecido, novo e irrepetível que tenho diante de mim em cada representação tem algo comum: é que neste formato, em que as pessoas compram um bilhete e se apresentam a determinada hora no local estão lá de livre vontade, mas de forma deliberada. É diferente do que se estiver a fazer um espetáculo de rua ou se estiver na televisão, onde não sei quantas pessoas estão a ver ou sequer se alguém está a ver, e essa aliança é mais difícil de conseguir. Em espetáculos ao vivo isso é muito mais único e intenso na medida em que acho, de forma experimentada, que a pessoa que está sentada na última fila sente que eu estou a falar para ela. E eu faço-a parte integrante do espetáculo. E acho que é isso que acontece com as pessoas que já foram ver os meus espetáculos duas, três e cinco vezes: é porque realmente aquele encontro é o encontro irrepetível onde as coisas que acontecem, como acontecem, são fruto daquele coletivo e não de outro. O Luís de Matos é membro respeitado da comunidade internacional de magia, mas

por alguma razão a distinção da Câmara Municipal de Coimbra tocou-o mais que outras homenagens… Para mim as distinções são muito importantes, porque eu não trabalho para elas. Cada vez que surge alguma coisa é uma surpresa. Não participo em concursos nem em campeonatos e quando faço as coisas não as faço com essa motivação. Sejam os Encontros Mágicos ou a Essential Magic Conference que fizemos em Ansião no Estúdio 33, três anos seguidos, em direto para 74 países, durante três dias, com os melhores mágicos do mundo… Paul Daniels, o Copperfield, o David Blaine, toda a gente - e foi por isso que a Academia de Artes Mágicas de Hollywood me distinguiu este ano – não fiz para ser distinguido a seguir. Fiz porque foi, uma vez mais, uma coisa que nunca tinha sido feita no mundo e podia realmente unir à escala global os verdadeiros apaixonados da magia com os indivíduos que fizeram a história contemporânea da magia. Eu sou de Coimbra porque escolhi. Nasci em Moçambique, os meus pais vivem em Chão de Couce, em Ansião, e eu vim para Coimbra estudar no 10.º ano. E a minha atividade, tendencialmente, me faria


NÓS sair de Coimbra… Mas, ainda assim, por paixão, fui ficando em Coimbra. É evidente que fico muito satisfeito quando sou surpreendido com a notícia que o pelouro da cultura propôs o meu nome para receber a medalha de ouro da cidade. Porque é que chamou ao Festival Internacional de Magia de Coimbra, Encontros Mágicos? Chama-se Encontros Mágicos por causa dos Encontros de Fotografia. Quando vim para Coimbra, com 15 anos, existiam os Encontros de Fotografia que eram uma marca da cidade e que eu gostava imenso. Naquela altura andava muito influenciado pela cidade e pelos acontecimentos da cidade. E quando pensei em fazer uma coisa na minha área, pensei duas coisas. Primeiro recuperar o 1.º Festival Internacional de Magia de Coimbra, que se realizou em Coimbra em 1992, organizado pelo José Carlos Gomes - que já faleceu - mágico de nome Ortini, dono dos móveis Zimbo. Eu fui um dos convidados desse festival. Entretanto ele faleceu e passados uns anos achei que já tinha capacidade para organizar um evento desses e chamei-lhe Encontros Mágicos, que é o grande título e depois, em baixo, desde essa altura, Festival Internacional de Magia de Coimbra. Portanto, o Encontros Mágicos é o mais antigo festival de magia de Portugal e a única edição que eu não organizei foi a primeira! O panorama da magia nacional não tem muitos players… tem de ser assim? Um nome forte que aparece de vez em quando? Não. Não. Na verdade, há mais mágicos do que aquilo que possa parecer. Quando me apresentei pela primeira vez no Festival Internacional de Magia da Figueira da Foz, em 1986, participavam nesse festival mais de trezentos mágicos portugueses. Obviamente que estamos a falar de amadores ou aficionados. Acontece que, quando, há 25 anos, eu decidi tentar abrir uma porta, estava a abrir uma porta onde existia uma parede! Não se tinha feito, nunca, um programa de magia em televisão com a dimensão com que estávamos a fazer nessa altura. E isso foi bastante inovador! Porque nunca ninguém se tinha predisposto a ter todo o trabalho, nem a aventurar-se no desconhecido que isso era. E eu, por sorte ou por inconsciência, ou simplesmente por paixão, foi isso que fiz. E, curiosamente, ao longo destes 25 anos, trouxe a Portugal centenas de mágicos. Os melhores do mundo. Nos meus programas de televisão, nos Encontros Mágicos de Coimbra… e isso suscitou que aparecessem dezenas e dezenas de mágicos em Portugal, muito jovens. Coisa que não existia quan40

do eu comecei, com 16 anos, num universo onde a idade média era de 50. E isso é aquele alinhamento das estrelas… Acredita nisso? Não! As oportunidades somos nós que as fazemos. Eu acho que há três segredos absolutos para o êxito em qualquer atividade: um é a paixão! Temos, de facto, de gostar daquilo que se faz. Isso é que faz com que não se contabilizem os sacrifícios, as horas, as esperas, os insucessos. Depois, a preparação é fundamental! E a preparação faz-se a toda a hora… é um bocadinho alimentada pela paixão. E há um que é vital, que é a persistência! E com paixão, preparação e persistência qualquer pessoa pode ser aquilo que quiser. E a persistência não se quantifica, a persistência é um estado de espírito. Durante muito tempo, e ainda hoje, as pessoas diziam que para mim era relativamente fácil, porque eu não tinha concorrência, esquecendo que tenho a mais feroz concorrência que alguém pode ter, que sou eu próprio. Porque me interpreto como

"COMO NÃO SOMOS CAPAZES DE VIVER COM A CONSEQUÊNCIA DAS NOSSAS ESCOLHAS, ARRANJAMOS SEMPRE ALGUÉM QUE, DÁ IMENSO JEITO -A SORTE, O DEUS, A VACA, A CIÊNCIA"

tal. Eu só procuro ser melhor do que eu próprio. E portanto é contra este acomodar que eu luto. O que no meu caso é um bocadinho contranatura, porque sou filho único, e no caso dos filhos únicos, não é preciso muito para ser o mais giro e o mais inteligente lá de casa. E sempre recusei isso. Sempre recusei essa assunção de que como mais ninguém está a fazer isto, então eu já sou bom. Por isso, desde sempre, no meu local de trabalho, na minha sala, uma das minhas paredes é integralmente forrada pelo mapa do mundo inteiro. E é uma ferramenta de trabalho, psicológica. Uso para duas situações. Uma é para me manter os pés assentes na terra. Quando este artigo sair eu vou dizer: “Uau, sou muito famoso, estou na capa.” E depois

olho para o meu mapa e vejo que sou famoso aqui neste pontinho. E depois é uma ferramenta para manter um grau de exigência. Quando penso em fazer alguma coisa, ou em criar uma ilusão nova, ou desenhar um espetáculo novo, ou um novo formato de televisão, o que seja, olho para aquele mapa e digo. "Ok! Eu tenho que fazer alguma coisa que seja pelo menos boa em qualquer parte do mundo". É absolutamente cético com questões sobrenaturais? Não. Há coisas diferentes. Eu acredito perfeitamente que nós não conhecemos tudo. Portanto existem fenómenos por revelar que são de total desconhecimento e que certamente nos podem surpreender amanhã. Não sou cientificamente ateu. Sou cientificamente agnóstico na medida em que acho que todos os dias se fazem descobertas e invenções que nos permitem ter melhor controlo sobre nós próprios. A única coisa que eu digo é: de tudo aquilo que me foi demonstrado até hoje eu consegui desmontar! Resolvi ir estudar e perceber como é que aquilo [o sobrenatural] nasce! E aquilo é uma invenção! Eu não acredito no tipo de práticas fanatizas que na sua essência apenas alimentam a nossa maior fraqueza: como não somos capazes de viver com a consequência das nossas escolhas, arranjamos sempre alguém que dá imenso jeito -a sorte, o deus, a vaca, a ciência –, terceiros a quem atribuímos o que nos aconteceu. Os magos, os mestres e os videntes não precisam de mostrar, de comprovar que têm capacidade para fazer aquilo que estão a fazer ou que são os representantes legais na terra dessa entidade divina. Não precisam porque nós acreditamos que é assim. E como somos muito curiosos e como gostamos de viver, queremos muito, sempre, acreditar que podemos comprar a eternidade. Portanto nós fomos criando sistemas nos quais a nossa perenidade é comprável. Por isso é que há astrologia nos jornais e nas revistas, e há astrólogos e videntes e médiuns, que nos dizem sempre coisas bonitas, coisas que a gente gosta de ouvir. Em psicologia é o chamado "efeito Barnum", que são as generalidades que nos dizem, que nos são agradáveis ao ouvido e que saímos de lá mais contentes. Isso é tudo o que dizem os videntes, astrólogos, cartomantes e psíquicos em geral. Dizem sempre coisas que a gente gosta de ouvir, que nos deixam a pulga atrás da orelha e que as vamos procurar. Até hoje tudo o que eu vi é fraude. É tudo baseado nesta necessidade de querermos que alguém nos diga o resultado do jogo antes de ele acontecer. Nós damos tudo por saber se amanhã é um dia de sorte ou um dia de azar. Quando nos dão estas SETEMBRO 2013


"O MAIS NÃO RENOVÁVEL DOS NOSSOS RECURSOS É O TEMPO DA NOSSA VIDA." generalidades, nós encarregamo-nos de as colocarmos na realidade, de as fazermos coincidir. Quanto aos psíquicos… alguns deles são muito honestos e acreditam mesmo que têm poderes. Genuinamente. A isto chama-se “Shut eye”, olhos fechados. Há um livro fantástico chamado “The Psychic Mafia” [A Máfia Psíquica] em que um indivíduo, Dr. Lamar, que fez toda uma carreira, que impulsionou muita gente, fez barbaridades e nesse livro ele explica como montou todo um negócio em torno daquilo. E um dia cansou-se e decidiu explicar como se faz. Está em parte incerta e tem a cabeça a prémio. Quem é que o incomoda mais? Os que praticam ou os que consultam? Não me incomodam nada! Que sejam todos muito felizes. Incomoda-me quando fazem de mim parvo. Eu acho que nós temos de acreditar em coisas… Então não é absolutamente cético… Sou cético na medida em que não acredito na base daquela relação! O adivinho nunca vai dizer nada ao cliente que ele não saiba já! O cliente pode nunca ter reparado. Pode nunca ter refletido. O ser humano é muito de motivações. Porque é que a fé é tão extraordinária e porque é que há tantas igrejas? Especialmente porque astrólogos, videntes e companhia limitada, bem como novas religiões, têm um advento inacreditável em alturas de crise. Porque o ser humano precisa sempre de esperança. Mas em alturas de crise, muito mais! Então vai! E quase sempre vai pensando “que não acredita em bruxas mas que se calhar há!” É disciplinado? Sou muito, muito, muito disciplinado. Com o meu trabalho, com as minhas horas, com a minha organização interna... Mas existem alturas em que dou espaço à desarrumação, ou seja, se calhar há períodos em que a minha secretária é “infrequentável” ou o desktop do meu computador, mas isso é uma consequência da disciplina também: tenho de arrumar com tempo - "isto eu preciso de algum tempo para arrumar como deve ser portanto, para já, fica aqui". Mas de resto sim, sou altamente disciplinado. Deduzo que use sempre o mesmo perfume, utilize sempre as mesmas marcas nos www.cnoticias.net

seus espetáculos... Sim e não, por exemplo, 99% das minhas calças são Levi´s 501, preto, preto, 31/34. Eu quando vou comprar calças (o que é muito raro) vou a uma qualquer loja Levi´s, em qualquer parte do mundo, e compro três ou quatro pares. Mas não as experimento, o que é sempre uma coisa... é uma cara muito estranha na pessoa. Eu chego e digo: “olhe eu queria quatro Levi´s 501, preto, preto 31/34. - Desculpe, não quer experimentar? - Não, não, quero quatro.”

Mas isso é disciplina? Não, isto é para poupar tempo. Eu acho que nós, hoje em dia, falamos muito de recursos não renováveis e estamos muito preocupados com os recursos não renováveis, mas não nos preocupamos com o mais não renovável dos nossos recursos que é o tempo da nossa vida. Ainda mais, contrariamente aos pacotes de iogurtes, nós não temos o prazo de validade escrito por baixo. Há quem acredite que temos, ou que temos mas não o conseguimos ver, o que quer dizer que eu acredito 41


NÓS que se as pessoas valorizassem mais o seu tempo e tivessem em linha de conta que, quando estão com alguém, era bom, por vezes, pensarem que pode ser a última vez na vida que veem essa pessoa. Obviamente, isto não pode converter-se numa coisa psicótica: “olha, se nunca mais nos virmos, se um de nos morrer, então olha...”. Mas, se calhar, toda a gente se respeitava mais. Quem é que lhe ensinou isso tudo? Pais, avós… uma tia? Não. Acho que devo isso, a gestão de tempo, a Coimbra. Por uma razão muito simples. Eu vim para Coimbra para estudar. Filho único, os meus pais eram professores do ensino básico, foram muito claros no apresentar de contas! Tinha de estudar e tirar um curso. Como era apaixonado pela arte da magia, tive de arranjar uma mecânica para mantê-los sempre sossegados… ter bons resultados! Tinha de trabalhar! Se daqui conseguisse retirar algum tempo livre, era o meu lucro. Era tempo em que fazia com ele aquilo que quisesse, até podia encaixar a magia. Fruto dessas circunstâncias, o apresentar contas, o estudar, criei as minhas próprias auto exigências...

Qual é a missão da mata que está a plantar no Estúdio 33, em Ansião? Dou imenso valor às simbologias. Acho que os símbolos e as ações que fazemos sobre as outras pessoas é aquilo que nos pode conferir a eternidade! Todas as cenografias dos meus espetáculos foram desenhadas por mim e há elementos que vou deixando. Um dia as pessoas vão olhar para as fotografias e se calhar vão perceber coisas que não eram evidentes nesta altura. E vão perceber os elementos recorrentes. Estes simbolismos, estas camadas, tudo isto se cruza, também, com a questão da Escola Agrária. Não conceberia que, no dia de hoje, olhasse para trás e considerasse o tempo que eu passei na Escola Agrária como tempo perdido. Aprendi, cresci, tirei um curso, fiz uma tese. E por isso mesmo, na lógica de que somos hoje tudo aquilo que vivemos, experimentamos e aprendemos, quando as pessoas entram no Estúdio 33 têm esse simbolismo, também. O meu estudo foi feito em “Micro propagação in vitro de strelitzia reginae" - a estrelícia . O canteiro principal, no Estúdio 33, é composto de 33 pés de strelitzia reginae. Quem lá vai acha aquilo muito bonito. Mas quando lá vou sei que aquilo representa uma parte da

minha vida. Dentro desse simbolismo, e porque o estúdio está numa enorme área verde, resolvi fazer uma coisa chamada Facegarden porque é exatamente como o Facebook, só que é eterno, contrariamente ao Facebook. Portanto as árvores que lá estão têm cada uma delas uma placa com três nomes: o nome científico, o nome vulgar e o nome da pessoa que a ofereceu. Isto significa que daqui a 20 anos, ou daqui a 200 anos (eu não sei o que lá acontecerá), se não destruírem aquilo, quem quer que vá aquele minibotânico vai perceber toda a história. Porque tudo o que podemos deixar são histórias! O que se vende nas lojas de antiguidades vale zero! Praticamente é lixo! Só não é pela história que tem associada! Isto não salva o mundo, nem nos tira a fome de casa. Dá o mesmo trabalho fazer as coisas sem intenção ou dar-lhes um significado. É por isso que existe o Facegarden no Estúdio 33. E neste momento tu já me deves uma árvore! Que crachá é esse que traz ao peito? Essa é uma pergunta muito rápida de responder porque a minha vida não tem segredos. Aliás, tem um único segredo. E assim vai continuar.

Ainda a capital nacional da cultura, os políticos e o exemplo dos "Encontros" "Defendo os Encontros Mágicos porque não é uma criação minha. Acho que é uma coisa fantástica, tão fantástica que lhe dedico imenso tempo, esforço, máquina e trabalho. Não deixou de ser surpreendente que os Encontros Mágicos tivessem sido a melhor coisa que aconteceu em Coimbra Capital Nacional da Cultura (2003). A pior foi, obviamente, o seu diretor, o professor Abílio Hernandez… o maior desastre que podia ter acontecido a Coimbra, nesse contexto. Um desastre que deixou marcas irreversíveis. Há muitos culpados, não foi só ele. Ele foi só incompetente… Lamento que esteja envolvido numa candidatura política à Câmara de Coimbra. Lamento como é que alguém, depois de fazer o que ele fez, não tem vergonha de aparecer em público. Alguém que fez o que o professor Abílio Hernandez fez nesta cidade deveria deixar a cidade. Porque o mal que ele fez a 42

esta cidade foi absolutamente irreversível. Foi uma oportunidade perdida, foi uma usurpação de um cargo para o qual não tinha competência. Eu achava que ele teria. Admirei o dr. Abílio Hernandez quando ele era diretor do Teatro Gil Vicente. Aí fez um excelente trabalho. E gosto de separar as coisas. Ele embriagou-se com o cargo de diretor geral / presidente de Coimbra Capital Nacional da Cultura (CCNC), e fez asneira atrás de asneira, dentro do seu vaidosismo que lhe é conhecido e usou-nos a todos nós para a sua vaidade. Aconteceu uma coisa extraordinária durante a CCNC. O Jornal de Notícias fez um inquérito, uma sondagem séria, que visava aferir o impacto que Coimbra Capital da Cultura tinha tido na sociedade, nos conimbricenses, no país. Uma das perguntas era “Qual o evento que tinha tido mais impacto na CCNC”. E o que é curioso é que os Encontros Mágicos SETEMBRO 2013


apareciam em terceiro lugar. E os Encontros Mágicos não fizeram parte de Coimbra Capital Nacional da Cultura. E não fizeram porquê? Porque deliberadamente o professor Abílio Hernandez sempre se recusou a reunir comigo e resolveu tentar alienar os Encontros Mágicos. Mas aquele terceiro lugar não é um terceiro lugar simples. O povo respondeu que a coisa mais importante da CCNC foi o espetáculo dos Rolling Stones em Coimbra! Foi o que ficou em primeiro lugar. Não fazia parte de Coimbra Capital da Cultura. Fez parte, à pressão, porque o então presidente Dr. Carlos Encarnação, para dar a mão ao amigo, resolveu fazer incluir o espetáculo na CCNC, que nada tinha a ver com a capital da cultura. Era uma iniciativa privada da Ritmos & Blues. Em segundo lugar ficou "espetáculos de teatro", em geral, o que denota que as pessoas ou não se recordavam do que tinha visto ou que foram tantos que não dava para especificar, o que é uma concorrência muito forte para um certame que acontece numa semana. Em terceiro lugar, apareciam os Encontros Mágicos. O que significa que os Encontros, de facto, têm uma ligação muito forte com a cidade, com a população de Coimbra . Eficaz, direta e recíproca. Porque as pessoas vão aos espetáculos, que foi uma coisa que não foram a Coimbra Capital da Cultura. Eu sei que a média de espetadores por espetáculo da CCNC no TAGV foi de 17 pessoas. 17! Mas estes números nunca foram tornados públicos. E passados estes anos acha que o panorama cultural da cidade é o que merece? Não, de maneira nenhuma. As pessoas desta cidade merecem cada vez mais e melhor. O nosso principal problema é acharmos que somos mais do que aquilo que somos. E portanto, toda a gente, basta viver em Coimbra para se achar incrivelmente culta, incrivelmente intelectual e extraordinariamente inteligente. Pensando que qualquer uma destas qualidades entra em nós por osmose. O que não acontece. Mas as pessoas alimentam-se umas às outras numa real ilusão porque há um provincianismo na cultura em Coimbra que é gritante e já não se vê em lado nenhum! Nos últimos anos tem-se tentado provar que o setor cultural é viável economicamente… O facto de dar dinheiro não quer dizer que o Estado se possa alhear. Há muitos anos que se reclama um por cento do Orçamento Geral do Estado para a Cultura. Hoje em dia, até já se acabou com o ministério. O caminho era o de ambicionar com um por cento para www.cnoticias.net

"HÁ UM PROVINCIANISMO NA CULTURA EM COIMBRA QUE É GRITANTE E JÁ NÃO SE VÊ EM LADO NENHUM! " a cultura como os países civilizados, mas no dia seguinte “Ai não, esse ministério corta-se! Next!”. Portanto se calhar não é assim tão importante. E porque é que isto acontece? Porque desde que se mantenham algumas bocas caladas ninguém faz barulho. Estou à vontade para dizer isto, porque eu nunca recebi um subsídio. Nós não temos sabido fazer o baby sitting que era absolutamente necessário à própria sociedade. Estamos todos cheios de esquemas, a começar pelo próprio poder central. A classe política é o exemplo mais nefasto que se pode dar aos cidadãos: exemplo de falta de seriedade, corrupção, interesseirismo, privilégio. E as gerações crescem a olhar para quem manda e a achar que é assim que funciona! A questão da cultura está altamente subvertida: a cultura não é só apoiar os criadores. É levar o que eles criam ao público final. Como era a biblioteca itinerante da Fundação Calouste Gulbenkian. Não lhes bastou ter milhões de livros em Lisboa. Foi preciso pô-los em carrinhas e ir pelas aldeias. E isso era estimular a leitura! E é isso que se faz nos encontros Mágicos? É isso que fazemos nos Encontros. A preço de saldo! Porque nós temos uma enorme paixão pelo festival e fazemos com um enorme prazer. Porque é que as contas dos Encontros são sempre abertas e qualquer pessoa pode saber onde é que o dinheiro foi gasto? Porque a subsistência da minha empresa não depende de fazer os Encontros Mágicos. Pelo contrário. Aquilo que nós investimos nos Encontros Mágicos nunca pode ser compensado pela dotação que a câmara dá aos Encontros Mágicos. Mas o meu compromisso com os três presidentes que já passaram pela câmara foi sempre “digam-nos por favor quanto têm disponível e nós faremos a melhor proposta para bem utilizar esse dinheiro.” Pegamos naquilo, trituramos aquilo ao máximo com um só objetivo: ninguém no nosso lugar faria melhor! Todos os anos vou colar cartazes pela cidade. E todos os anos tiro fotografias disso. Eu, na rua, a colar cartazes. Nunca as mostrei a ninguém. São para mim. É para eu recordar a mim próprio que estou implicado. Eu acompanho, sei exatamente se vamos fazer 50

cartazes ou se vamos fazer 47 para bem gerir este orçamento. O Luís de Matos sente-se um exemplo? Não. Eu não me sinto exemplo. Eu procuro ser honesto comigo e com os outros. Até aos meus 25 anos tinha a preocupação de conter as minhas opiniões e de ser politicamente correto. Depois percebi que para meu próprio bem não devia fazê-lo. Porque me sentia mal com isso. E depois porque achava que era uma desonestidade. Acho que é serviço público. Dizer bem quando está bem e mal quando está mal. Acho que o professor Abílio Hernandez foi um excelente diretor do TAGV, um dos melhores períodos do TAGV. Acho que foi uma nódoa como diretor da Capital da Cultura. Para uma Câmara Municipal é fundamental fazer ações diferenciadas, que cheguem às pessoas. Não é fazer festivais de verão como fizeram este ano. Aquele festival fazia-se com menos de metade do dinheiro que se gastou. Aquilo é uma maneira de se fazer dinheiro que depois se traduz em cartazes e outdoors quando chegar o momento da campanha. Qual é o elemento diferenciador? É um palco tapado com um plástico transparente que dá para ver a torre da universidade lá ao fundo? Feito numa altura em que a cidade está vazia e numa altura em que há festivais iguais por todo o lado? Eu não posso aceitar que um certame como os Encontros Mágicos seja sempre tão difícil de fazer crescer - e justiça seja feita ao presidente da câmara e à vereadora da cultura que se implicaram, porque aquilo é uma organização da câmara - e se gaste dinheiro num festival de verão que custa seis vezes mais que os Encontros Mágicos, que chega a 20 vezes menos o número de pessoas e que não tem qualquer fator diferenciador. 43


NÓS Percorremos a praia e o Sítio da Nazaré à procura de uma mulher com sete saias e só encontrámos uma!

Onde param as sete saias das nazarenas? Chegou-nos aos ouvidos que as nazarenas haviam sido proibidas de usar sete saias. Fomos investigar: a verdade é que passámos um dia à procura da afamada indumentária e só encontrámos uma (!) nazarena com a típica saia de roda.

P

or ocasião de uma outra reportagem, parámos na praia da Nazaré, estância balnear pitoresca onde, por entre veraneantes e turistas, era costume apreciar-se as gentes da Nazaré trajadas com as roupas associadas à vida do mar, em especial, a nazarena e as suas sete saias. Como não vislumbrámos nenhuma nazarena tipicamente vestida fomos perguntando aqui e ali até que alguém insinuou que as nazarenas estavam proibidas de usar as setes saias. Estranhámos e decidimos regressar mais tarde para averiguar a veracidade desta história.

A Praia da Nazaré Regressámos numa segunda-feira, mudança de quinzena de férias. Fora do reboliço habitual de um verão que nunca mais chegava, muitas nazarenas ocupavam os seus lugares na rua, publicitando quartos ou barraquinhas e toldos no areal. "Queres um quartinho?" lança da sua cadeira uma senhora com uma idade que não conseguimos definir (o mar e o sol lançam um tempo diferente sobre estas pessoas). "Não. Andamos à procura de uma nazarena com sete saias", respondemos. "Já não há", responde a senhora. "Já não se usa. Com o calor estorva muito. Em dias de festa, nas procissões ou no rancho usa-se muito. Mas no dia-a-dia já não." "Mas não 44

"Sete saias trazes Ao cair da anca E a blusa branca Que te está mesmo a matar Agora os rapazes Só pedem que caias Para contarem as saias Quando tu estás a bailar" Canto tradicional

usa porque não quer ou porque não pode?" perguntamos meio em desafio. Sem resposta, insistimos: "Disseram-nos que as nazarenas tinham sido proibidas de usar as sete saias". "Não, não. Agora só em dias santos ou nos ranchos. Podem procurar e perguntar a quem quiserem, que já não se usa", respondeu a nazarena. A conversa não continuou e retomamos o caminho pela longa calçada junto ao areal. As redes de peixe ao sol desapareceram e agora há insufláveis para as crianças e barraquinhas de artesanato. Um pouco mais à frente estão três nazarenas sentadas. À vista da câmara fotográfica não queriam dizer nada. "Está desligada", assegurámos. "Quantas saias têm vestidas?” Enquanto uma se mantinha em severo silêncio, as outras duas iam gracejando connosco e repetindo que com o calor as saias se tornaram muito pesadas e que, agora, só as vestiam em ocasiões especiais. "Mas as senhoras foram proibidas de usar as saias?" indagamos. "Não. Ninguém manda no que a gente veste. Só que deixou de se usar." responde uma delas. "Disseram-nos que a confraria não vos deixa usar as saias". "Isso é lá em cima!", responde uma, referindo-se

ao Sítio da Nazaré. "Então já não há nazarenas com sete saias?" desafiamos nós. "Ainda se usa, mas é só em dias especiais". Meio baralhados com os argumentos repetidos e com o pouco à vontade em falar sobre o assunto, andámos mais um pouco até encontrar novo grupo de nazarenas, já no areal. "Os senhores andam a fazer uma reportagem?", pergunta uma delas. "Sim", respondemos. "Sobre o Mcnamara?" graceja outra. "Não! [risos] andamos à procura de nazarenas com sete saias.” À conversa junta-se uma quarta nazarena: “Isso agora já não se usa! Com o calor ficam muito pesadas. As mais novas já não as querem usar, só no Carnaval. Usa-se muito é na procissão do Senhor dos Passos (em Maio)”. Tentamos uma abordagem diferente: “Mas era habitual usar-se até há pouco tempo, não era?”. Uma das nazarenas, com um riso bonito, diz: “Olhe! Eu usava cinco e sete saias. Houve uma altura que até usava catorze. Mas agora já não se usa. Lá em cima, no Sítio, ainda há quem use mas cá em baixo já não se usa muito. Vão lá acima que há lá uma nazarena que as tem”. Continuámos mais um pouco a conversa com estas senhoras, até porque SETEMBRO 2013


Mcnamara parece ser melhor assunto para se falar do que propriamente as saias, e decidimos subir até ao Sítio da Nazaré.

O Sítio da Nazaré No topo do promontório da Nazaré, onde D. Fuas Roupinho, um homem bom, terá sido salvo de cair do penhasco pela aparição de Nossa Senhora da Nazaré, há um enorme santuário religioso, preservado pela obra da Confraria em honra da santa. É ponto de paragem obrigatório de religiosos e visitantes, muito pelas desimpedidas vistas que se tem do litoral. Turistas vindos de autocarro e viaturas ligeiras vão povoando o espaço do santuário onde, naturalmente, há ainda lugar para bancas de artesanato, lojas de recordações e as tradicionais nazarenas com os seus castiços carros de amendoins, tremoços, amêndoas, pinhoadas, pistácios e cajus! Também por aqui não se via nenhuma mulher com sete saias. Estranhámos ainda mais, até porque estaríamos no local onde, por norma, havia maior concentração de sete saias. Embrenhámos pelas ruas estreitas junto ao casario, passámos a saída do elevador que liga o Sítio à Praia e, mais à frente, ali mesmo no miradouro da pérgula, finalmente vimos aquela forma

Isabel Matias Pode encontrar esta alegre nazarena no Sítio, por trás da saída do elevador. Vende frutos secos e mostra as sete saias: " Eu fui para a escola com sete anos de idade com saia de roda [sete saias]. Mas não tínhamos sapatos, ia descalça, porque não havia dinheiro para sapatos. Só que isto agora vai morrendo e as pessoas vão deixando as tradições. As minha saias são feitas por uma costureira, mas o caseado [debruado no remate das saias] fui eu que o fiz todo a lã, que era o que se usava antigamente que não havia dinheiro para linha. Não havia dinheiro para comer quanto mais para casear as saias... A vida antigamente era muito diferente do que é agora. Agora é que é tudo rico!"

"Se pode tirar uma fotografia?! Então não pode! Não pode porquê? Isto é o prato do dia, de manhã à noite!" PUB


NÓS arredondada nas ancas, o volume que só sete saias postas umas por cima das outras podem causar.

Pode-se usar sete saias mas não se pode mostrar. E como não se pode mostrar, deixa-se de usar!

Isabel Matias Nem falámos: à vista da máquina fotográfica a alegre nazarena exclamou: “Queres ver sete saias, não queres?” E vai nisto, levanta o avental, arrepanha as saias e num movimento mostra os coloridos folhos sobrepostos tão característicos deste trajar, enquanto trauteia uma cantiga meio indefinida, mas que serviu bem para começar uma dança ali mesmo à nossa frente. Anunciámos que estávamos a fazer uma reportagem, que não íamos comprar frutos secos e perguntámos porque é que ela usava sete saias e mais nenhuma tinha. Isabel Matias responde: “Elas ali [no santuário] não podem usar. Eu posso usar aqui, porque este espaço é da câmara. Os turistas que lá iam andavam muito tempo de roda delas e as lojas não vendiam. E eles proibiram elas (sic) de mostrar sete saias. Agora, não é proibido vestir sete saias. Então, tinham alguma coisa de me proibir de vestir sete saias? O corpo é meu, eu visto aquilo que eu quiser e me apetecer. Elas é que não podem mostrar. E como não podem mostrar dizerem (sic) que é proibido, que ninguém tem”. "Todas nos dizem que já só se vestem em dias especiais", dizemos. "Não senhor, isso é mentira! Cada uma veste aquilo que quer. Mas como elas não as podem mostrar lá em baixo, dizerem (sic) que não se vestem sete saias, mas vestem sete saias". A senhora "topou" uns turistas a tirar-lhe fotografias e "zarpou" na direção deles, a cantarolar, saia já levantada numa mão e, na outra, um punhado de pistácios que quase enfiou na cara da estrangeira. Uma outra senhora, vestida de preto dos pés à cabeça, que estava por ali, ajudou a decifrar um bocadinho todo este mistério: “elas [as nazarenas] pegam-se muito umas com as outras, havia muita confusão com os turistas, mostravam as pernas todas e a confraria passou a não deixar que mostrassem as saias. Eu já não uso (por causa de ter enviuvado) mas tenho lá em casa baús cheios de saias, das boas em linho e algodão. Quando era mais nova, cheguei a andar quatro dias com catorze saias por altura do Carnaval, que até o meu pai me ralhou”.

A Confraria da Nossa Senhora da Nazaré Deixámos para trás a nazarena das sete saias e decidimos voltar ao santuário para 46

Sentadas em cadeiras e abrigadas do sol, as nazarenas mantêm a tradição de arrendar quartos e toldos pelas ruas ou no areal.

falar com as vendedoras de frutos secos. Um pormenor: tínhamos de memória anterior que estas mulheres eram bem mais insistentes e até um pouco invasivas na abordagem: corriam atrás das pessoas quase obrigando à compra. Agora deixam-se estar sentadas nas suas cadeiras, pacientes, à espera do negócio. Quando nos abeirámos de uma, perguntámos “porque é que não usa sete saias?". A resposta foi imediata: “Olhe, vá perguntar ao presidente da confraria porque foi ele que proibiu.” Com esta frontalidade toda, foi isso que fizemos. Subimos ao espaço da confraria, responsável pela gestão do espaço religioso, mas também, obreira de uma intensa atividade de apoio social e cultural. O seu presidente, Nuno Batalha, não se encontrava, mas prestou esclarecimentos por telefone: “cada um utiliza o que quiser. O problema tem a ver com a forma abusiva

A tradição das sete saias As sete saias fazem parte da tradição, do mito e das lendas da Nazaré, terra tão intimamente ligada ao mar. Diz o povo que representam as sete virtudes; os sete dias da semana; sete cores do arco - íris; as sete ondas do mar, entre outras atribuições bíblicas, míticas e mágicas que envolvem o número sete. A sua origem não é de simples explicação e a opinião dos estudiosos e conhecedores da matéria sobre o uso das sete saias não é coincidente nem conclusiva. No entanto, num ponto todos parecem estar de acordo: as várias saias da mulher da

como as sete saias eram mostradas. Este espaço é religioso, e há alguns anos que isto se vinha transformando num problema. Uma coisa é mostrar as saias, outra coisa é levantar de tal forma as saias que se mostram as pernas. Este espaço tem dignidade, é um santuário. Mostrar as saias tem de ser feito com discrição, com respeito… eram os próprios turistas e moradores que se queixavam. E as saias estão a ficar mais curtas. As sete saias tradicionais eram bem mais longas e eram mostradas com mais dignidade. A confraria não proíbe ostensivamente a exibição das sete saias. Mas sendo as sete saias um testemunho etnográfico temos de fazer a defesa e um bom trabalho na divulgação. E assim não estamos a fazer.” Conclusão: na Nazaré pode-se usar sete saias, mas não se pode mostrar. E como não se pode mostrar, deixa-se de usar!

Nazaré estão sempre relacionadas com a vida do mar. As nazarenas tinham o hábito de esperar os maridos e filhos, da volta da pesca, na praia, sentadas no areal, passando aí muitas horas de vigília. Usavam as várias saias para se cobrirem, as de cima para protegerem a cabeça e ombros do frio e da maresia e as restantes a taparem as pernas, estando desse modo sempre "compostas". De acordo com outras opiniões, as mulheres usariam sete saias para as ajudar a contar as ondas do mar (isto porque "o barco só encalhava quando viesse raso, ora as mulheres sabiam que de sete em sete ondas alterosas o mar acalmava; para não se enganarem nas contas elas desfiavam as saias e quando chegavam à última, vinha o raso e o barco encalhava ").

SETEMBRO 2013


NÓS

Olha a bolacha Maria que cheira a sabonete! É no “ateliê caseiro” que Marta e Inês preparam as suas criações. Legos, puzzles, bolachas Maria, ferramentas e até lollipops reinventam-se e têm agora um novo sentido: alia o prazer de olhar ao prazer de sentir (e de cheirar).

O

que é que duas amigas de longa data, uma engenheira e outra bióloga, podem ter em comum? Várias coisas. Mas foi o amor pela arte de reinventar os objetos que ficam para sempre na nossa memória, que levou Marta e Inês ao mundo dos sabonetes. Sim, leu bem. A Lovesoap.coraçãodesabão surgiu no ano passado, pelas mãos destas duas amigas, e cresce a cada minuto que passa. “Tínhamos, como ideia inicial, a criação de um produto que fosse diferente e quisemos, numa de brincadeira, dissociar esta função da forma. Portanto, no fundo, através destes sabonetes mostramos que os objetos podem ser aquilo que queremos”, explica Marta. As criações são feitas a partir de um ateliê, montado em casa para o efeito. É lá que acontece a magia toda. As empresárias em part-time (ambas têm outros empregos) fazem tudo manualmente, em pequenas quantidades, o que torna cada exemplar único: compram a glicerina, derretem-na e juntam as fragâncias e os corantes/ pigmentos à base de água. Para produzir os sabonetes utilizam uma base glicerina de origem vegetal sem SLS ou glicerina de leite de cabra,

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um poderoso hidratante para a pele ressequida, óleo de jojoba com grande poder dermoprotetor, manteiga de shea que ajuda na manutenção da elasticidade da pele e álcool cetílico, excelente emoliente e estabilizante. Depois dão-lhe as formas que querem, através de moldes feitos por elas. O resultado final são verdadeiras peças de arte que agradam a todos os clientes. “A parte de criar e imaginar sempre nos agradou. Ver o produto final, então, é fantástico”, realça Inês. Sem o mínimo de experiência na área dos sabonetes, Marta e Inês foram autodidatas e fizeram muitas pesquisas para criar este novo produto, diferenciador e criativo, para todos aqueles que apreciam design exclusivo e prendas surpreendentes. Talvez por isso a marca tenha sido selecionada para a mostra POPs 2013 e, neste momento, tem as suas peças à venda na Loja de Serralves, na categoria de “Objetos de Decoração”, com o Galo Tenório. “O facto de Serralves ter acreditado, para nós, já foi um incentivo muito grande. É o reconhecimento de que o produto é engraçado e que pode ter viabilidade no mercado e, também por isso, sentimos que vale a pena continuar e investir um bocadinho mais”.

Fun, Design e Alma lusitana As criações estão divididas em três coleções: Fun, Design e Alma lusitana. A Fun tem todas as características de uma coleção colorida e divertida. Nunca pensou que conseguissem fazer ferramentas ou lollipops com sabonete, pois não? Por sua vez, a coleção Design mostra que os objetos são aquilo que nós quisermos e a Alma lusitana é uma homenagem à nossa história enquanto portugueses e à nossa cultura. Exemplo disso é o Galo Tenório, uma homenagem aos “Bichos” de Miguel Torga, ou as bolachas Maria, réplicas exatas do doce que nos remete para o melhor da nossa infância. Aqui tudo é pensado ao pormenor: desde o packaging, que tem lugar de destaque pelo cuidado colocado na apreSETEMBRO 2013


sentação, à história que se cria à volta da peça em questão. Tudo para que o cliente possa desfrutar, aliando o prazer de olhar ao prazer de sentir. Para breve está a apresentação de duas novas nova peças: uma delas foi criada pelo artista plástico de Coimbra, Fernando Martins (escultor e pintor) especialmente para estas duas amigas. Trata-se de uma peça exclusiva e original, que querem recriar nos sabonetes que produzem. “É uma peça alusiva às nossas memórias (para a coleção Alma lusitana): é o Santo António, mas completamente estilizado”. A outra peça insere-se na coleção Design e é uma reprodução fiel dos patinhos de borracha. Um mimo para miúdos e graúdos. Tentado a experimentar? Pode fazer a encomenda através da página do Facebook ou pode comprar diretamente num dos pontos de venda selecionados: Mercearia de Artes (Coimbra), Figueira da Foz ou Serralves (Porto). Brevemente as peças da Lovesoap vão estar também à venda no Temporary brand, no Príncipe Real (Lisboa).

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Quem não se lembra do Pacman, o famoso jogo eletrónico? E dos legos? Agora esses objetos, tal como a deliciosa bolacha Maria, estão reproduzidos em sabonetes.


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Reino do Butão

NÓS

melhores sítios para escapar a um conflito mundial

Se a III Guerra Mundial rebentasse amanhã onde é que se podia considerar em segurança? Se a sua escolha, perante um conflito mundial, é fugir para longe da insegurança e dos horrores que um confronto armado pode trazer fique descansado. Há muitos sítios no mundo onde pode procurar a paz. Apresentamos os dez melhores sítios para se viver durante um conflito mundial.

Islândia

Tuvalu

Nova Zelândia

3. Islândia A Islândia, claro: não tem fronteiras, possuiu territórios remotos, é um país estável e não tem inimigos. O povo é feliz e a nação, este ano, ficou em primeiro lugar no “Índice Global da Paz”. Se houver um conflito mundial, a Islândia é uma das poucas nações do mundo cuja probabilidade de se envolver é ZERO!

4. Tuvalu

1. Nova Zelândia É a nação desenvolvida mais isolada do mundo. Não tem fronteiras (é uma ilha), está bastante distante de qualquer outra nação, não tem inimigos, possui uma democracia segura e uma paisagem diversificada com muitos locais remotos para se perder (e esconder). Para além disso está sempre no Top 5 do “Índice Global da Paz”. 50

2. Reino do Butão

Este pequeno e fechado reino, encravado nos Himalaias, é uma das nações mais isoladas do mundo. É também um país onde a modernidade e o respeito pela sua cultura ancestral se mantém em equilíbrio positivo. Esta nação espiritual acredita que a resolução dos problemas se faz de forma pacífica. Apesar de estar situado numa zona problemática (entre a China e a Índia) este país permanece protegido pela sua intricada geografia.

Isolado e bem no meio da Micronésia. Quão distante é este território, um país arquipélago que está entre os locais mais seguros e remotos do planeta... É o terceiro país menos habitado e o quarto mais pequeno do mundo. Há poucos lugares tão distantes da civilização como Tuvalu.

5. Finlândia A Finlândia tem um longo histórico de se manter afastada de conflitos internacionais, é-lhe reconhecida neutralidade e quase sempre figura no Top 10 do “Índice Global da Paz”. A sua localização a norte do hemisfério também significa que as áreas mais remotas deste território são perfeitas para… desaparecer! SETEMBRO 2013


O Índice Global da Paz A prestigiada revista The Economist, em parceria com a Universidade de Sidney (Austrália), Universidade de Londres (Reino Unido) e com a Universidade de Uppsala e o Instituto Internacional de Pesquisas pela Paz de Estocolmo (ambos na Suécia) criou o Índice Global da Paz para analisar a nível global os esforços pela paz, tanto de caráter interno como externo.

Papua Nova Guiné

Finlândia

Top 10 Ranking 2013

Costa Rica

Seicheles

1 Islândia 2 Dinamarca 3 Nova Zelândia 4 Áustria Canadá

Suíça

6 Japão

6. Seicheles

9. Costa Rica

Para além de estar isolada do resto do mundo, em pleno Oceano Índico, esta magnífica nação arquipélago, com as suas muitas ilhas paradisíacas, é o local perfeito para esquecer as preocupações. Isolamento é a palavra-chave aqui. E os conflitos são tão límpidos quanto a água!

Este pequeno e exótico país da América Central possui uma democracia estável, não tem exército e mantém uma política de neutralidade. Costuma ficar nos lugares cimeiros de rankings como “Índice Global da Paz”; “Índice de Felicidade Planetária” e “Satisfação com a Vida”. Embora esteja "entalado" numa zona um pouco tumultuosa é uma escolha segura para se viver enquanto o mundo se incendeia, não fosse o lema desta nação “Pura Vida!”

7. Canadá É o segundo maior país do mundo, no entanto só tem uma fronteira terrestre com outro país – os Estados Unidos da América – e é uma relação muito amigável. Isto quer dizer que há uma enorme extensão de território por onde fugir caso seja necessário. O Canadá tem poucos inimigos, costuma figurar no topo do “Índice Global da Paz” e é um país muito homogéneo.

8. Papua Nova Guiné Há zonas da Papua Nova Guiné que ainda estão por explorar. Esta nação vulcânica, montanhosa e densamente florestada, contém alguns dos sítios mais isolados do mundo. Encontre um sítio para fazer o seu “ninho” e deixe-se estar relaxado, completamente isolado do mundo exterior. www.cnoticias.net

5 Suíça 7 Finlândia 8 Canadá 9 Suécia 10 Bélgica

Portugal ocupa o 18.º lugar do ranking, tendo caído dois lugares relativamente a 2012, muito por causa do stress económico.

10. Suíça A Suíça mantém um longo historial de neutralidade. Num cenário de conflito mundial, em que a mobilidade é drasticamente reduzida, a sua localização remota nos Alpes, por entre vales e montanhas, ajuda a manter longe bombas e ataques, mesmo apesar de este pequeno país fazer fronteira com uma série de países.

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1 FONTES: http://www.expatify.com/advice/10-best-places-to-live-for-escaping-world-conflict.html http://www.visionofhumanity.org/pdf/gpi/2013_Global_Peace_Index_Report.pdf Wikipedia . Google

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NÓS

Longe das tradições cervejeiras de países como Bélgica, Holanda ou Alemanha, este país de plantadores de vinha parece estar a render-se à produção de cerveja. A C partiu à descoberta de marcas e produtores de cerveja artesanal por toda a Região Centro e dá a conhecer sete marcas feitas à escala tradicional, com muito sabor e qualidade. Nota: estas cervejas são muito boas, portanto não se entusiasme. Beba com moderação.

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AGOSTO 2013


Praxis A Praxis está disponível na cervejaria, a copo ou em garrafa para levar para casa. Para breve está estudado o lançamento de produto em pontos de venda.

Variedades: Pilsner: uma cerveja mais leve, à base de cevada maltada, que acompanha bem qualquer prato (ou nenhum) Ambar: cerveja de cevada, mais frutada, a apelar ao paladar feminino. Encorpada, é boa para acompanhar um bife. Dunkel: cerveja de homenagem à Onix. De cor mais escura (quase café) devido à torrefação mais intensa do cereal maltado. Notas de café ou caramelo e excelente para acompanhar marisco ou peixe. Boa espuma. Weiss: cerveja de trigo maltado, turva, boa para acompanhar um joelho de porco, uma salsicha ou uma mousse de chocolate. Cervejaria Praxis Urbanização Quinta da Várzea Santa Clara Coimbra Telefone 239 440 207 Email : cervejaria@praxis.pt Site: www.praxis.pt/

Márcio Ferreira, Pedro Baptista e Arnaldo Baptista são os responsáveis pelo regresso de uma marca de cerveja forte à cidade de Coimbra.

A saber Como servir a cerveja?

Tal como existem milhares de marcas e centenas de estilos de cerveja, também existem várias dezenas, senão mesmo centenas, de copos. De facto, consoante o tipo de cerveja que estamos a beber, devemos escolher um copo adequado já que o mesmo

influencia a capacidade de degustar a cerveja: uma das principais características da cerveja, o aroma, é levado em consideração na concepção do copo. O objetivo é deixar os copos mais adequados para desprender o bouquet e aroma daquele estilo de cerveja em específico, permitindo que possa apreciar o que cada uma tem de melhor. A capacidade de reter ou libertar gás é muito importante no desenvolvimento dos sabores da cerveja.

A visão da família Baptista em relançar a tradição cervejeira na cidade de Coimbra ganhou corpo com o lançamento da Praxis, uma marca de cerveja cujas características e sabor só são possíveis graças à qualidade da água do Mondego. Pedro Batista explica: “a indústria cervejeira localiza, sempre, as suas fábricas em locais onde a água ofereça condições favoráveis à produção de cerveja, que é o caso de Coimbra. Coimbra tinha excelentes cervejas, a Topázio e a Onix, cerveja preta, que ainda hoje são lembradas com algum saudosismo. E essas marcas eram boas cervejas por causa das propriedades ímpares da água de Coimbra: os baixos níveis de oxigénio e as excelentes concentrações de magnésio e cálcio, ideais para o desenvolvimento das leveduras e para o processamento dos açúcares.” A Praxis só agora começou a engarrafar para venda, pelo que a melhor maneira de degustar as quatro variedades disponí-

veis é à mesa, na cervejaria em Coimbra, e em copos servidos diretamente dos tanques de repouso. “As receitas nunca estão fechadas, mas a receita é esta”, diz Pedro Batista. “Estamos é limitados à nossa capacidade de produção e aos nossos instrumentos. Ao longo destes quatro anos a receita tem evoluído, sem fugir muito do desenho inicial, mas no sentido de se oferecer um produto de melhor qualidade e sabor.” Sazonalmente lançam outras variedades para estimular os apreciadores de cerveja: “começámos a fazer uma Strong, que normalmente só aparece de fevereiro a abril. Tem tido algum sucesso. É uma cerveja mais encorpada, bastante frutada, da qual só fizemos cerca de 2000 litros”. A cerveja da Praxis não é pasteurizada, é feita 100% artesanalmente, pelo que, por rigor com o cliente e com a qualidade do produto final, nem sempre podem estar disponíveis as quatro variedades: “quando estamos em fase de produção da cerveja e a passar de uns tanques para os outros, temos de respeitar um período de pousio das partículas em suspensão, pelo que se não houver determinada cerveja não é por falha do fornecedor (risos)”. Sobre a cerveja, percebemos que estamos a falar com entendidos: “todas as nossas cervejas são feitas com cereal maltado: o centeio, a cevada ou o trigo. Respeitamos a lei da pureza da cerveja da Bavária, a “Reinheitsgebot”, uma lei das mais antigas do setor da cerveja que define que cerveja só com água, cereal maltado e leveduras. Não vale meter beterrabas, nem açúcares, nem caramelos, nem milhos.”

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NÓS

Vadia É em Ossela, Vale de Cambra que vamos encontrar a Vadia, uma da mais jovens marcas de cerveja artesanal do país. A história é engraçada. Três amigos - Nuno Marques, Nicolas Baillard e Vítor Silva - que se entretinham a fabricar cerveja em casa; o facto de nunca chegarem a horas aos encontros com o grupo de amigos apelidou-os de andarem na vadiagem; um momento definitivo em que perceberam ter em mãos um negócio: 80 litros de Vadia vendidos em poucas horas nas festas de Vale de Cambra. São estes os ingredientes da Vadia, cerveja artesanal feita na tranquilidade da terra natal de Ferreira de Castro. Chegámos a Ossela e fomos recebidos por Nuno e Nicolas, entretidos nas tarefas de higienização de um antigo aviário, agora convertido em unidade de produção da Vadia. Muito cúmplices, falam à vez e de forma apaixonada sobre a sua cerveja: “O Nicolas é que começou a fazer cerveja. Tem o curso de engenheiro alimentar, especialidade cervejeiro. Veio para Portugal fazer cooperação [alternativa, em França, ao serviço militar, colocando os jovens em cooperação numa empresa], enamorou-se de uma amiga minha, disse-me que sabia fazer cerveja e começámos, em 2006, a fazer cerveja. Ora 20 litros para três pessoas não dá para nada (risos) e aumentámos para uma panela ligeiramente maior, de 50 litros. Também não era suficiente! Passámos para 100 litros, o que implicava uma estrutura maior e descobrimos este local, um aviário, que tinha uma água de mina muito boa, e viemos para cá. Em 2008 decidimos ir para as festas de Santo António, em Vale de Cambra, vender a nossa cerveja numa barraca. O 54

Variedades: Trigo (fresca) – cerveja de fermentação alta, com base de trigo e cevada maltada. Muito frutada, com notas de banana e cravo. Pilsner (leve) - cerveja de fermentação baixa, com base de malte de cevada e lúpulo checo. Cor clara e dourada, ligeiramente doce e muito encorpada. Ruiva (perfumada) – cerveja de fermentação alta, com base de trigo e cevada maltada, de cor ruiva e sabor intenso, com muito carbono e espuma densa e cremosa. Não consumir gelada. Preta (intensa) – cerveja de fermentação baixa, tipo Lager, com base de malte de cevada claro e torrado. Muito encorpada, com notas de café e avelã. Colarinho (espuma) persistente e cremoso que protege a cerveja do ar, libertando aromas.

sucesso foi tal que decidimos começar a produzir mais.” Investiram em conhecimento na área e com a ajuda da forte indústria metalomecânica local começaram a transformar inox em cubas e panelas à medida para a sua unidade de produção de cervejeiro. Diz Nicolas “foi um processo de parceria. Nós fornecíamos o design do que queríamos e eles aplicavam”. E quando se transformou num negócio? “Quando vimos o investimento que era necessário para

Nicolas Baillard e Nuno Marques encaram o processo de produção da Vadia de forma muito séria.

avançar para quantidades maiores decidimos que ou legalizávamos tudo ou não valia a pena avançar”, explica Nuno Marques. A Vadia é produzida 100% artesanalmente, com água pura de nascente, sem filtragens ou pasteurização. O método empregue respeita a tradição alemã (água, malte, lúpulo e leveduras) e foi atingido mediante tentativa/ erro: partindo das receitas da literatura especializada foram sendo selecionadas e adaptadas as cervejas que mais agradaram: uma cerveja fresca, com garantia de sabor, encorpada e muito

Cerveja Vadia Ossela – Vale de Cambra Email: geral@cervejavadia.pt Site: http://www.cervejavadia.pt

rica em aromas. O trabalho destes jovens produtores de cerveja artesanal já pode ser provado em quase todo o país, está disponível em packs de garrafas de 75cl e aproxima-se a versão de “Vadia à pressão”, em barril, para o canal Horeca. SETEMBRO 2013


Rolls Beer Rolls Beer Pombal Site: www.rollsbeer.com

Entre Pombal e as Meirinhas, já no distrito de Leiria, produz-se a cerveja das cervejas, ou pelo menos é essa a pretensão dos produtores da Rolls Beer. Rui Abreu, Paulo Silva e Manuel António são os três gestores de uma marca de cerveja artesanal que nasceu “para ser a melhor das cervejas artesanais”. Inicialmente foi desenvolvida para o mercado africano, como explica Rui Abreu: “queríamos um produto premium para vender em Angola, mas a verdade é que começámos a vender bem em Portugal, depois fomos para o Reino Unido – onde dá nome a um festival – e só agora estamos em Angola”. O nome desta cerveja feita com selecionados cereais, maltes e leveduras, surgiu de uma associação entre o termo cerveja e a marca ícone do luxo automóvel, a Rolls Royce, fruto de brainstorms com amigos e apreciadores das primeiras litradas. Reservados quanto às receitas e às técnicas de fabrico, os gestores falam com mais orgulho do caminho já trilhado com esta marca de cerveja: “quando definimos os termos de distribuição com o nosso agente apontámos para um preço um pouco mais alto do que ele pretendia. Uns dias mais tarde ligou-nos a dizer para continuarmos a fazer cerveja assim e para esquecermos o preço”. A cerveja estava a sair muito bem em Lisboa e tinha entrado para um segmento gourmet premium.

Rolls Beer Nectar: é uma pilsner loura feita à maneira escandinava. 5.5 graus de teor alcoólico Rolls Beer Premium: um pouco mais amarga, de cor mercúrio, leva lúpulos frutados e especiarias. 6,5 graus de teor alcoólico Rolls Beer Special: cerveja tipo belga, dourada e de espuma bem formada. Aroma doce e suave. 8 graus de teor alcoólico.

A Rolls Beer é uma cerveja 100% artesanal, sem gás adicionado, corantes ou conservantes: “é tudo natural e procuramos os melhores ingredientes para fazer a melhor cerveja.” Disponíveis em garrafas de 75 cl, os produtores recomendam que se beba fresca , mas não excessivamente. “A garrafa aguenta bem um ano no frigorífico, eu tenho cerveja em casa com quatro anos e ainda está boa” afiança Paulo Silva.

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Rui Abreu e Paulo Silva são os visionários da Rolls Beer

Variedades:

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NÓS

A chegar ao mercado São quatro as novas marcas que se preparam para chegar ao mercado.Em fase de prova ou à procura de distribuição, estas cervejas artesanais estão a chegar para aumentar a família dos cervejeiros portugueses!

A saber

Categorias mais comuns de cerveja Ale é um tipo de cerveja produzida a partir de cevada maltada usando uma levedura que trabalha melhor em temperaturas mais elevadas, produzindo cerveja com maior nível de éster, que muitos consideram uma característica única de cervejas ale. Barley wine (literalmente vinho de cevada) ou Barleywine é um estilo de cerveja da ale forte originado na Inglaterra. Pilsner fabricada inicialmente em 1842, é o estilo original que definiu as cervejas límpidas e de cor clara. Dunkel é um estilo clássico de Lager, de cor escura (dunkel em alemão) cobre profundo a castanho, frequentemente com um tom vermelho ou romã, com mais ênfase no malte. Lager é um tipo de cerveja fermentada com uma levedura que trabalha melhor em temperaturas mais baixas. A  Lager padrão é uma cerveja de coloração clara, de sabor neutro e levemente amargo, sendo recomendado que sejam servidas geladas. Porter é uma cerveja escura, fabricada no Reino Unido que tem um agradável sabor amargo e um elevado teor de ácido carbónico.

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Guinata A Cerveja artesanal da Bairrada Projeto de produção artesanal de iniciativa de Igor Pinto e Pedro Figueiredo, filhos de produtores de vinho da Bairrada. E é precisamente na adega dos pais que se está a apurar a receita da Guinata que, para já, apenas tem presença no Facebook em www.facebook.com/CervejaGuinata. A proposta é produzir “cerveja 100% artesanal diretamente a partir de malte em grão, lúpulo, levedura e cereais não maltados”. A fase de provas e testes está reservada a todos os que queiram dar a sua sugestão, por isso, se quer participar na construção desta cerveja é só entrar em contacto com os produtores.

Dux Beer A cerveja artesanal de Coimbra Para quem se propõe a ser o líder das cervejas artesanais, a DUX BEER pediu emprestado o nome à figura líder dos estudantes de Coimbra, o DUX VETERANORUM. A 1 de outubro deste ano as três variedades em produção entram no mercado: Pilsner, Weiss e Stout são o produto final de receitas apuradas ao longo dos últimos 15 anos, tantos quantos os que José Miguel Faria dedica à produção de cerveja. Para transformar um hobby num negócio, entrou na DUX BEER Pedro Domingos. Juntos prometem uma “cerveja artesanal, feita a partir de produtos 100% naturais: cereais maltados, água, lúpulos e leveduras. A seguir em www. facebook.com/DuxBeer/.

A Cabra A cerveja feita por estudantes São quatro amigos e pretendem lançar uma cerveja “de Coimbra para Coimbra”. Lê-se na sua página no tumblr: "A Cabra" é uma marca de cerveja artesanal criada por quatro estudantes da mais emblemática e importante universidade portuguesa. (…) O nome da nossa marca presta homenagem à mítica Torre da Universidade (...) que viria a ser carinhosamente apelidada de cabra pelos estudantes.” O projeto encontra-se em fase de crowdfunding: os estudantes procuram financiadores para trazer à luz do dia as suas quatro variedades de Cabra: Diablo (Golden Belgian Ale); Ambar (Ambar Belgian Ale); Trigo e Pilsner. Pode ajudar em http://br.ulule. com/a-cabra-craftbeer/.

Maldita

Toda uma pedagogia à volta da cerveja De Cacia, Aveiro, chega mais uma marca de cerveja artesanal. A Maldita de Artur e Gonçalo Faustino, pai e filho, os mentores da Faustino Microcervejeira, que acaba de chegar ao mercado com três variedades: Robust Porter, English BarleyWine e Bohemian Pilsener. A aposta é num segmento mais sofisticado e fazer nascer toda uma pedagogia na degustação de cerveja artesanal: ensinar a cerveja que melhor acompanha determinado prato é, também, uma das missões da Faustino Microcervejaria que introduz o conceito do Beer Pairing: a conjugação de cerveja com comida. Os produtores apostam, ainda, na customização de cerveja para apreciadores requintados ou marketteers que pretendam instrumentos diferenciadores: o cliente pode ter uma cerveja a pedido, ou seja, paga pela cerveja que pede (Pay Per Brew) sendo que o desenvolvimento é acompanhado em conjunto com um mestre cervejeiro. A seguir em www. maldita.pt.


CONTO

E VOLTÁMOS PARA CASA MAS POR OUTRO CAMINHO ANA MARGARIDA DE CARVALHO JORNALISTA E ESCRITORA AUTORA DE "QUE IMPORTA A FÚRIA DO MAR"

A

primeira vez que a conheci, não foi a primeira vez que a conheci. Já tínhamos uma boa meia centena de quilómetros trilhados em conjunto, não trocáramos mais do que as palavras essenciais para estabelecer o destino e dar início à bandeirada. E sim, uma cordialidade comedida. Para a Baixa, se faz favor. Quanto é? Pode ficar com o troco… Até ao dia em que tudo se processou com aquele automatismo de filme, que não têm tempo nem fotogramas a perder com redundâncias ou com os contratempos triviais do quotidiano. E então o táxi parou junto a mim, mal saí do edifício e seguiu pelo caminho do costume, e só no final da viagem, quando fechei a porta, reparei naquela nuca que ia ao volante. É estranho conhecer alguém pela nuca. Geralmente as pessoas reconhecem-se pela parte da frente. Mas aquela nuca de mulher, com caracóis indecisos, a menear delicadamente enquanto seguia por uma artéria empedrada, dessas à antiga, ainda não alcatroadas, que fazem resvalar o freio de direção… aquela nuca era-me tão familiar como as palmas da minha mão. Como se costuma dizer… porque não há ninguém no mundo que se ponha a olhar para as próprias mãos ao ponto de lhes conhecer os traços e os labirintos das linhas, os sulcos, os dermatóglifos, nem as convergências, os desvios, depressões, cristas, planuras, interrupções, fragmentos papilares- isso é com os técnicos forenses e mesmo assim só sabem as dos mortos e as dos criminosos. Mais fácil conhecer os próprios pés, o próprio umbigo (que é uma metáfora) ou a ponta do nariz (o que também pode ser uma metáfora). Bom, o certo é que aquela nuca era minha conhecida, nunca tinha sentido tanta afinidade por uma nuca, e quando ela me apare-

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ceu de novo na semana seguinte, sentei-me no banco de trás com o bem-estar de quem chega a casa e encontra a velha poltrona deformada e cumpre o ritual de afastar o gato, ao de leve com as costas da mão. Suspendeu o contador. Perguntou-me se tinha pressa. Disse-lhe que não. Na verdade era agosto, a cidade estava deserta, não tanto pelas transumâncias dos veraneantes, que o desemprego deixara muitos apeados, mas porque o calor entopeirava as pessoas, à sombra, nas casas, nos cafés, sobretudo no ar condicionado de centros comerciais decrépitos. E então a nuca contou, E na voz entrecortada pelos sobressaltos do trânsito, ralo mas sempre constrangido, notei-lhe um sotaque do norte, aquela maneira tão especial de dizer as sílabas todas, e de dar um tom cantado ao final das frases. Contou que tinha andado muitos anos na estrada. Tantos, que aprendera todos os truques das mudanças, dos pontos de embraiagem, de travar com o motor antes de uma curva apertada. Vinha de uma aldeia de casas eriçadas pelo xisto, de velhos de um só dente, onde os cogumelos tinham a grandura de um chapéu mexicano. Um dia, um incêndio, fogo posto talvez. Só se salvaram as casas, as pessoas e os currais, tudo à volta uma paisagem lunar, que largava baforadas de poeira cinza a cada passada. Pequenos passos para a humanidade. Então pegou nas economias, embalou um vaso com uma buganvília raquítica, atrelou o velho cão já cego. Andou à boleia, sem lhe interessar o destino, sobretudo camionistas, foi conduzida às voltas pelo país, sem nexo. O cão perdeu-o, numa estação de serviço - não sabe se estará num canil ou a fazer de adubo numa berma de estrada. A buganvília, privada de fotossíntese, mirrou até crepitar de sequeira. O vaso escaqueirou-se. Mas conservou a terra. Era o que lhe interessava. A nuca falava, e eu via-lhe um pedaço de rosto oblíquo e metade do óculo espelhado, enquanto me espreitava discretamente pelo espelho retrovisor. E andávamos às voltas pela cidade, sem critério nem direção, escolhíamos os percursos de forma aleatória, às vezes reencontrávamo-nos no ponto de onde partíramos e ríamo-nos. A vida é um carrossel, disse eu. Nada disso. Ela vinha lá da terra, a sua,

conhecia-lhe os segredos e os dos que as pisavam. Contou que à noite era embalada pelos uivos dos lobos. Que não tinha medo nenhum. Eles sim, milhares de séculos de perseguição e 225 milhões de células olfativas mantinham-nos à distância. Aliás, o último ataque de um lobo a um humano tinha ocorrido nos anos 50. Mas o animal tinha raiva. E com raiva até o mais pacífico dos cervídeos pode atacar, numa ferocidade insana. Ela sabia distinguir as pegadas de um cão e de um lobo. O lobo seguia a direito, como uma flecha, sem desperdiçar energias, na senda de uma presa, em fuga de um caçador. O cão derivava, distraía-se, as pegadas eram errantes, parava para cheirar qualquer coisa, dava voltas sobre si próprio, invertia a marcha… Os cães são imaturos, lobos que nunca cresceram. Os cães são lobos Peter Pan. Preferem não levar a vida muito a sério. Como nós, agora. Ao fim de tantas andanças, como um cão imaturo, parou aqui nesta cidade porque tinha mar. Alugou um quarto na casa de um velho taxista, já reformado, e repartia com ele os proveitos das tarifas e das gorjetas. Ainda não tinha chegado ao seu destino, achava ela, mas estava mais perto. Todos os meses, lançava ao mar uma garrafa com um pedacinho de terra da aldeia, e uma mensagem com o seu contacto. Acreditava que quando essa garrafa chegasse às mãos certas de alguém no alto mar, numa praia distante, ela então sim, seguiria até lá, ao seu destino, estilo seta, na diagonal que é como se calculam os percursos geométricos. Como os lobos. E fizemos mais voltas, e circunavegámos a cidade por dentro e por fora, boiámos nela, ao sabor da vaga, uma garrafa-táxi com uma mensagem e um bocadinho de terra dentro. Depois fez-se tarde, e voltámos para casa. Mas por outro caminho.

(...) Os cães são imaturos, lobos que nunca cresceram. Os cães são lobos Peter Pan. Preferem não levar a vida muito a sério. Como nós, agora. (...) SETEMBRO 2013


Tรกbua

Concelho ! a d i v ) n ( Co


COMPORTAMENTO

Se é uma daquelas pessoas que ao deitar - e já com a luz apagada - volta a consultar o seu Facebook, provavelmente sofre de

F.O.M.O Fear Of Missing Out

T

ransversal a todas as idades, o “medo de perder alguma coisa” (Fear of Missing Out – F.O.M.O) não é uma situação nova e prende-se muito diretamente com o receio íntimo de não ser aceite: ficar acordado até tarde, ser dos últimos a sair de uma festa, ser obsessivo ou controlador com o que outras pessoas estão a fazer são recursos para que não se perca pitada do que se passa. O impacto da mobilidade tecnológica e a transferência das relações sociais para o online está a enraizar este comportamento defensivo: pessoas que vão pela rua a consultar o facebook, mesas de café em que os indivíduos estão a conversar enquanto distribuem likes ou comentários em redes sociais ou o estranho hábito de verificar uma rede social continuadamente, sendo a primeira e a última coisa que alguns indivíduos fazem no dia-a-dia. Com a tecnologia a permitir que estejamos cada vez mais conectados, o vício continua a crescer. Uma pesquisa levada a cabo nos Estados Unidos da América pelo site MyLife.com demonstrou que 56% dos inquiridos tem medo de perder convites, notícias ou atualizações pelo simples facto de estarem desligados das suas redes sociais. Nalguns casos (26%) os indivíduos aceitam trocar outros vícios, como fumar, por acesso permanente às suas redes sociais. Na mesma lógica, 51% dos entrevistados conectam-se mais frequentemente hoje do que há dois anos. E fazem-no mal acordam: 27% dos participantes reconhece que se liga às redes logo ao acordar. O estudo revelou, ainda, que 42% dos inquiridos adere cada vez mais a múltiplas

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FONTES: www.ratemyfomo.com/ www.refinery29.com/fomo#slide-1 www.mashable.com www.mylife.com

redes sociais – a percentagem salta para 61% nos indivíduos com idades entre os 18 e os 34 anos. E que, em média, cada inquirido geria cerca de 3.1 endereços de email. Apesar de 52% dos inquiridos ter respondido que já havia ponderado fazer umas férias de pelo menos uma rede social, apenas 24% se comprometeu seriamente

com esse objetivo. Porquê? O medo de perder alguma coisa é mais forte: pode causar ansiedade, stress e, em casos extremos, depressão. Como em tudo, há que fazer opções. Se se sentir compatível com os cenários aqui descritos talvez esteja na altura de desligar o wifi e experimentar uma desintoxicação social.

Estamos a ficar sobrecarregados com redes sociais e emails

31+

MINUTOS

51% visita/ conecta-se mais frequentemente do que há dois anos

Cada pessoa gere cerca de 3.1 contas de email

27% verifica as suas redes sociais mal acorda - é a primeira coisa que faz.

35% gasta mais de 31 minutos por dia em redes sociais ou a ler e responder a emails

27%

42% tem múltiplas contas em redes sociais - 61% com idades entre os 18 e o 34

liga-se à rede mal acorda

Mais de metade dos que estão online sentem F.O.M.O. e estão a considerar fazer umas férias

56% tem receio de perder algo importante se não estiver permanentemente ligado.

3%

trocava sexo por estar permanentemente ligado a redes sociais

querem fazer uma pausa porque A maior parte das actualizações nas redes são desinteressantes ou pouco relevantes

pessoas que querem desligar a ficha

52% consideram tirar umas férias de uma ou mais redes sociais

24% admite realmente parar de usar as redes sociais durante um período. (31% para os de 18-34)

Gastam muito tempo em redes sociais

SETEMBRO 2013


COMPORTAMENTO ILUSTRAÇÕES DE START IUPI

O futuro dos negócios está nas mãos deles Acontece cada vez mais cedo: jovens empreendedores que, aproveitando as potencialidades da Internet, colocam os seus negócios num patamar inimaginável. A C dá-lhe alguns exemplos de mini empreendedores que começaram a faturar com invenções próprias antes dos 20 anos.

H

arli Jordean

tem 10 anos, vive em Londres e com apenas oito anos criou um site de vendas de berlindes. Sim, leu bem, berlindes, aquelas bolinhas coloridas com as quais brincava quando era criança. Resultado? Milhares de libras ao ano. Este londrino, em vez de estar a brincar com os berlindes, vende-os a um ritmo alucinante. A história é simples: tudo começou quando um grupo de colegas mais velhos roubou a coleção de Harli. Ele tentou reconstruir a coleção através da compra via Internet e percebeu que a oferta era quase nula. Desde essa altura, o jovem aprendeu a lidar com fornecedores, entregas e pedidos vindos de todo o mundo.

Thomas Suarez (12 anos) Aos 12 anos, Thomas Suarez tem um currículo que mete inveja a qualquer empreendedor experiente, tendo já participado numa palestra do TEDxManhattanBeach. A criança ainda mal chegou ao 2.º ciclo e já lhe chamam “o novo Steve Jobs”. Motivo? Criou duas aplicações para os 62

Harli Jordean, oito anos.Ganha a vida a vender berlindes

Leanna Archer começou a trabalhar com nove anos. Agora, aos 15, fatura 100 mil dólares por ano.

Javier Agüerra, 19 anos. Considerado um talento que pode mudar o mundo.

produtos da Apple: o Earth Fortune, que troca a cor da terra conforme a fortuna da pessoa em causa, e o Bustin Jieber, app que deixa os usuários baterem no cantor Justin Bieber. Hoje, Suarez trabalha a “meio gás” na sua empresa, ensina programação a outros estudantes e pretende criar outros jogos para o IOS e android.

Leanna Archer (15 anos) A Leanna's Inc. faz produtos naturais para cabelo. A mini empreendedora Leanna Archer começou este negócio aos nove anos, com recurso ao uso de uma receita da família para deixar o cabelo mais bonito. Hoje, aos 15 anos, ela comercializa oito tipos de produtos orgânicos, que vão desde champôs a cremes, todos com fórmulas supersecretas, que rendem uma faturação de mais de 100 mil dólares…

Robert Nay (14 anos) Com apenas 14 anos, Robert Nay já foi chamado de “o novo Mark Zuckerberg”. No ano passado, o jovem conseguiu destronar o jogo Angry Birds do topo da lista dos mais solicitados da App Store da Apple, com um jogo chamado Bubble Ball. Tudo isto sem sair de casa. A Nay Games, empresa que criou, teve como

único investimento um computador, comprado pelos pais de Robert.

Martim Neves (16 anos) O jovem Martim Neves, com apenas 16 anos, já protagonizou um dos episódios mais controversos do programa “Prós e Contras”. Mas isso ainda veio dar mais visibilidade à marca que criou: a Over It. Ele vende sweats com e sem capuz assim como t-shirts, polos e casacos através da Internet. A ideia começou inicialmente por se desenvolver apenas em Cascais, mas neste momento já é possível encontrar os produtos da Over It por todo o país, assim como em Inglaterra e na Suíça.

Javier Agüera (19 anos) O espanhol Javier Agüera, de 19 anos, ainda estava no colégio quando começou a desenvolver o seu primeiro telemóvel. No início de 2012, o jovem apresentou a sua empresa, a GeeksPhone, durante o Mobile World Congress, em Barcelona. A startup tem como objetivo fazer aparelhos desbloqueados que não fiquem presos a nenhuma operadora. A fama do empreendedor cruzou o oceano e foi considerado pelo MIT um dos talentos com menos de 35 anos que podem mudar o mundo. SETEMBRO 2013


Thomas Suarez. 12 anos e já desenvolveu duas aplicações para a Apple. Robert Nay, 14 anos. Destronou o jogo Angry Brids.

Martim Neves, 16 anos. Criou a marca de roupa "OverIt", foi mencionado no programa "Prós e Contras" e já exporta para a Suíça e Inglaterra.

Start Iupi Já diz o ditado: “É de pequenino que se torce o pepino”. Por isso foi criado o projeto “StartIUPI Empreendedorismo para Crianças”, um projeto sem fins lucrativos que pretende desenvolver competências e atitudes empreendedoras em crianças e adolescentes dos seis aos 18 anos. Dos vários programas que o projeto tem, destaca-se o IUPI Biz dirigido a crianças dos seis aos 12 anos, onde elas vivem os quatro p's do marketing e se relacionam, talvez pela primeira vez, com o conceito de criação de valor: pensam num produto, estruturam o preço e a comunicação e, no final, vendem os seus produtos por euros reais numa feira criada por eles, a que chamam "Praça". Para saber mais vá ao site (http://startiupi.com/) ou à página da empresa no Facebook.

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www.cnoticias.net

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COMPORTAMENTO

Paradoxo, em Leiria 4R's, em Viseu

aa oup De r omésti m d u o r t m ele do te ior u a t cos, o. E a m zes e preç das v ão e t part eças es s! as p o nova com

Todo um mundo novo de oportunidades em segunda mão

E

stá à procura de artigos em segunda mão? Já não usa aqueles sapatos que tanto gosta? Então, por que não vender? Há cada vez mais portugueses a utilizarem as lojas e os "sites" de classificados em segunda mão onde há de tudo um pouco: roupas, automóveis, móveis, eletrodomésticos, computadores ou telemóveis. Seja para comprar ou para vender, esta é uma solução que permite encaixar algum dinheiro, mas também possibilita a quem compra ter algo que sempre quis ter sem pagar tanto quanto pedem na loja de marca. Conheça algumas lojas na Região Centro que podem permitir-lhe fazer um bom negócio.

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Mimos Green Store, em Águeda Kid to Kid, em Coimbra


se brat Lem a t-shir on el c u q o da vou a ais le am que e nunc fazer e o cert u? Pod com i s vest ns euro u . . g . l a a el

Pombal

Coisas do Vizinho Veste e Usa, em Leiria

Águeda

Mimos Green Store Na Mimos Green Store poderá encontrar diversos artigos novos e usados para pré-mamã, bebé e criança, relacionados com vestuário, acessórios, lar, higiene e bem-estar. Rua Armando Castela - Águeda Tlf: 234698556 . Tlm: 916 473 367 http://mimosgreenstore.com

Coimbra

Kid to Kid A Kid to Kid compra e vende os melhores artigos para crianças. As lojas, espalhadas por todo o país, estão cheias de roupa para criança, calçado, brinquedos, equipamento de bebé e pré-mamã, das melhores marcas e a preços que vão até 70% de desconto.  Este conceito de compra e venda, permite-lhe vestir e equipar os seus filhos em grande estilo. Coimbra Rua dos Combatentes, 6 R/C - T: 239 722 555; Viseu Rua Serpa Pinto, 30 Tlm: 232 428 603; Aveiro; Av. Sta Joana nº13 r/c Esq - T: 234 109 009; Leiria Av. Marquês de Pombal, nº 6 - T: 244 854 430 www.kidtokid.pt

Leiria

Paradoxo Nesta loja com um conceito vintage pode comprar e vender roupas, calçado e acessórios de moda, tudo em segunda mão. Vai encontrar artigos de qualidade a preços reduzidos. Centro Comercial D. Dinis Tlm: 915516105 http://paradoxoleiria.blogspot.pt www.cnoticias.net

Aqui facilita-se a troca de bens em segunda mão. Assim adquirem um novo brilho, mantêm a sua utilidade e prolongam o seu valor, ao mesmo tempo que juntam quem os forneceu, quem os apresentou, quem os escolheu e comprou. É também um espaço onde promovem tudo o que é criado, reciclado e produzido localmente. Pombal Shopping, Loja 2.26 Tlm: 913806919/968063345 http://coisasdovizinho.ning.com

Veste e Usa Loja de vestuário de marca e acessórios usados para criança, homem e senhora. Aceita artigos usados, em bom estado e atuais, à consignação, mediante marcação prévia. Edifício Arunca, Lote 8 - Pombal, Leiria Tlm: 915837283 vesteeusa.mr@gmail.com

Viseu

4 R's Em tempo de crise não se olha a meios. Esta loja tem produtos em segunda mão, é certo, mas são produtos que a primeira mão soube estimar. Ou seja, na maior parte dos casos nem vai notar que já alguém usou o produto que está a comprar e é natural que fique surpreendido com a qualidade. Rua do Arrabalde, nº57 - Viseu Tlm: 93418722 www.loja-4rs.pt.am

Lojas online Negócio na Hora - Coimbra Este grupo, que também existe em Aveiro, foi criado para compra e venda de artigos usados. É uma forma rápida e simples de vender. www.facebook.com/groups/negociosnahoracoimbra Brand New Old Store Roupa, sapatos, malas, acessórios e outros artigos em 2ª mão, mas também por estrear. www.brandnewoldstore.blogspot.pt Coisas da Mi Esta jornalista de Oliveira do Hospital criou uma página no Facebook para vender roupa, calçado e outros artigos usados, com qualidade e a preços convidativos. www.facebook.com/pages/Coisas-da-Mi/488955201142734

Left.Hand Já lhe aconteceu ter coisas que não usa no armário e só quando as dá é que percebe que ficam bem na outra pessoa? Foi por isso que nasceu a Left.Hand, uma loja online de venda de roupa, sapatos e acessórios em segunda mão. www.facebook.com/pages/ LeftHand/428396423911794 Mapomme É a primeira comunidade de compra e venda online de acessórios de luxo em segunda mão. Très Chic! www.mapomme-shop.net/pt Segunda mão.net Aqui encontra de tudo um pouco, por todo o país: roupa, calçado, informática, artigos de desporto, acessórios para animais… É só escolher! www.segunda-mao.net

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SAÚDE & BEM ESTAR

Workshop

Alimentação Saudável

Depois do sucesso do workshop de Fingerfood (em junho), a Revista C e Vera Ferraz, autora do blogue “Hoje para jantar” (e nossa colaboradora) levaram a cabo o workshop de Comida saudável. Como nas férias nos "desgraçamos" a comer tudo o que devemos e o que não devemos, o Hotel D. Luís recebeu as participantes que aprenderam os melhores truques para preparar refeições nutricionalmente equilibradas, saborosas e fáceis de preparar: hambúrgueres de bacalhau e espinafres, paté de requeijão com nozes, scones de ervas aromáticas, tarteletes de fiambre e legumes sem base, rolinhos de courgette, salada de búzios integrais com salmão, brownie de chocolate e beterraba, cheesecake de maracujá…e muito mais. Foram quatro horas a cozinhar para depois finalizar com a degustação dos mais apetitosos menus saudáveis que, segundo as aprendizes, estavam de comer e chorar por mais. Orientados pela “chef” Vera Ferraz, este workshop permitiu ainda que as participantes percebessem a importância da utilização de alimentos saudáveis no seu dia-a-dia.

Rolinhos de courgette

Hambúrguer de bacalhau e espinafres

Tarteletes de fiambre e legumes sem base

Rolo enformado com arroz integral

Brownie de chocolate e beterraba

Vera Ferraz foi exemplificando todo os passos Chef João Alexandre Santos e Vera Ferraz

As participantes aprenderam a fazer receitas saudáveis, de baixo índice calórico. O ambiente foi muito produtivo e querem mais!

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1. "The Hundret"

Joelhos dobrados a 90º graus, pés totalmente assentes no chão. Braços ao longo do corpo, mantenha a posição neutra, 25% de transverso do abdominavel e aplique a respiração torácica lateral.

2. "Side reaches" com mini bola 1. Colocar a mini bola entre os tornozelos, posição lateral, pernas direitas e uma mão à frente para servir de apoio

2. Manter a posição neutra, cintura e costelas levantadas. Flutuar as 2 pernas apertando a bola e expirando e inspirando. Voltar à posição inicial. Manter o corpo sempre longo.

3. "Spine twist" com banda 1. Colocar a banda debaixo dos braços e esticar as pontas em frente.

Posição neutra da coluna, sentada direita. Joelhos dobrados, pernas afastadas, solas dos pés juntas voltadas uma para a outra.

2. Posição neutra da coluna, sentada direita, movimento apenas para zona superior e do meio das costas. Mantendo esta posição puxar as pontas da banda para longe.

FITNESS

4. "Double leg strecht" com bola

5. "Swimming"

1. Coloque-se na posição de caixa: mãos debaixo dos ombros, joelhos debaixo do quadril. Não curvar os ombros nem encolher o peito. Manter a coluna esticada.

Joelhos a 90 graus em cima da bola, mantendo os ombros para baixo. Levantar os braços para o teto, ligeiramente inclinados em frente a 45 graus. Alongar simultaneamente braços e pernas em oposição, expirando e voltando à posição inicial, inspirando. Fazer 10 repetições

6 exercícios para se iniciar em Pilates Barriga mais lisa, costas mais firmes e bem estar generalizado. Por Mónica Melo e Vilma Rama, instrutoras no Vivafit de Coimbra. Fotos MCrespo

2. Preparar a posição neutra. Desafiar esta posição, deslizando uma perna no chão, voltando e trocando de perna, expirando quando vai para longe, inspirando quando volta à posição inicial. Evite qualquer movimento do tronco. Fazer 10 repetições

6. "Shoulder bridge" 1. Joelhos dobrados, pés assentes com os calcanhares o mais possível junto da dobra dos joelhos. Com um inclinar da pélvis encostar a coluna lombar ao colchão, inspirando.

2. Expirando e descolando as nádegas do colchão, subir à posição neutra mais alta ("rampa de esquis"). Inspirar mantendo esta posição, expirando na descida ao colchão. Regresse à posição inicial, evitando estender a coluna lombar. Os joelhos permanecem alinhados. Fazer 10 repetições

Considerações especiais NEUTRO - Colocação da coluna num eixo médio: ponto médio entre a sua extensão máxima à frente e a sua extensão máxima atrás. FORÇA CENTRO - Ativação do grande e profundo músculo do abdómen: manter a pressão a 25% da sua força, "encostando" o umbigo para dentro e para cima na direção das costelas, na pressão referida.

3. Expirar ao rodar da linha medial para fora, inspirar ao regressar. Repetir do outro lado mantendo a fluidez do movimento. Fazer 10 repetições

RESPIRAÇÃO LATERAL TORÁCICA: a respiração deve ser direcionada às costelas (expiração) e aos laterais (inspiração). ATENÇÃO: devido à complexidade de todo os métodos, o Pilates deve ser iniciado com um instrutor, de modo a que se consiga realizar na sua plenitude e usufruir de todos os benefícios.

coimbra Oferta válida na apresentação da edição de setembro da Revista C (até 30/09)

Oferta de uma semana www.vivafit.pt


PAIS & FILHOS Na Ferticentro, a ciência e a tecnologia trabalham para assegurar as condições ideais para conseguir gerar a vida humana.

Doação de ovócitos: Sem ��vulos não se fazem filhos Falar de doação de óvulos ainda é estranho para muitas pessoas. Mas hoje, a sociedade está mais aberta a este recurso.

S

POR: M.O.

ão poucas as clínicas que aceitam a doação de ovócitos, devido à complexidade do processo. A Ferticentro, clínica privada de fertilidade situada em Coimbra (nas instalações da Idealmed), é um dos poucos espaços onde é possível doar e receber óvulos. “No princípio não foi fácil encontrar dadoras, mas agora já temos uma base de dados relativamente sólida” começa por explicar Vladimiro Silva, diretor do laboratório de Procriação Medicamente Assistida (PMA) da Ferticentro. É lá, no laboratório, que se faz toda “a magia” para gerar vidas humanas. “Aqui em Coimbra temos uma vantagem sobre o resto do país: julgo que somos o único sítio onde não há listas de espera para doação de óvulos e, portanto, temos mais dadoras do que recetoras” afirma. Neste momento, a clínica tem disponíveis cerca de 30 dadoras, um número que se destaca de outras clínicas, privadas ou públicas, do país. “Depois há todas as outras que estão em espera, ou porque estamos a aguardar o resultado das análises, ou porque ainda não passaram os seis meses desde a última doação.

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25

%

HIPÓTESES Na totalidade temos mais de uma centena de dadoras, portanto se hoje chegasse aqui um casal recetor teríamos 30 dadoras para escolher uma”. As dadoras têm entre os 18 e os 35 anos. Na Ferticentro, a média anda nos 25/26 anos e, a maioria, são estudantes. Uma dadora de óvulos só pode fazer três doações ao longo da vida separadas, no mínimo, por seis meses. As doadoras com quem falámos sabem que a doação de óvulos é a única solução para muitas mulheres...

Doar para ajudar a gerar vida A doação de óvulos é um processo que do ponto de vista logístico é extremamente complicado: “A partir do momento em que aparecem candidatas, temos uma conversa com elas para perceberem todo o processo. Depois têm de fazer análises genéticas, clínicas e hormonais para ver se está tudo bem. Fazem uma consulta de ginecologia, respondem a um inquérito bastante completo sobre a história familiar de doenças, são avaliadas por nós do ponto de vista do cumprimento no processo, fazem ecografias… Há aqui um

Ser humano é pouco fértil Sabia que um homem e uma mulher na casa dos 25 anos, que façam sexo regularmente, têm uma taxa de sucesso de gravidez de apenas 25%? Isto acontece porque a espécie humana é pouco fértil, uma grande parte dos óvulos que as mulheres produzem não são viáveis e o mesmo acontece com os homens. "Segundo a Organização Mundial de Saúde, o limite para considerarmos um homem fértil, é ter mais de 4% de espermatozoides, ou seja, um homem pode ter 95% dos espermatozoides anormais e nós já dizemos que está tudo bem, que é fértil. Neste caso, como na doação de óvulos tipicamente transferem dois embriões para o útero (o que explica que 25% destas grávidas tenham gémeos), existe uma taxa de sucesso que andará muito perto dos 60%".

SETEMBRO 2013


Compensação monetária

41,92€ 628,83€ 5950€ ELES

ELAS O despacho do Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida diz que as dadoras de óvulos recebem CUSTO TRATAMENTO uma vez e meia o indexante de apoios sociais (628,83 euros) e os dadores de esperma recebem 0,1 vezes o indexante de apoios sociais. Por outro lado, os casais recetores, pagam o valor de 5950 euros, no qual está incluída: medicação, tratamento e análises feitas à dadora e todos os procedimentos médicos feitos à dadora e à recetora.

processo rigoroso de triagem prévio, que é relativamente exigente e que faz com que muitas candidatas a dadoras sejam recusadas logo à partida”, explica Vanessa Oliveira, enfermeira coordenadora da clínica. Depois há a motivação: “Já tivemos dois casos de dadoras que a meio do processo de doação desistiram, provavelmente porque não estavam a conseguir lidar emocionalmente com o facto de irem doar óvulos. Aqui a motivação para doar é importantíssima e se a dadora desiste, se não está de corpo e alma com isto, não fazemos nenhuma tentativa para mudar de ideias. Por outro lado, a taxa de retorno das dadoras que já fizeram isto pelo menos uma vez, é quase de 100 por cento. Um bom indicador da segurança do processo” sublinha o diretor. Nesta intervenção só são aceites mulheres férteis, que não tenham doenças, que tenham tempo para fazer a doação e que tenham disponibilidade mental. Depois desta fase, passam a pertencer a uma base de dados de potenciais dadoras e são chamadas em função das características físicas do casal recetor (altura, peso, cor dos olhos, cor do cabelo). Além das características físicas, também o grupo sanguíneo é importante, especialmente naquelas situações em que pode haver incompatibilidade do grupo RH. Uma recetora tipicamente demora cerca de 50 dias até estar preparada para receber os óvulos. Já uma dadora demora quinze dias até poder doar. “Temos de conseguir sincronizar a disponibilidade da dadora (porque muitas das nossas dadoras são estudantes universitárias, não podem doar porque não estão cá no verão ou têm a queima…) com o momento em que as recetoras estão preparadas” realça o especialista. “Se a mim não me faz diferença e se estou a ajudar algumas mulheres, porque não?” www.cnoticias.net

A equipa da Ferticentro (da esq. para a dir.: Vladimiro Silva, Isabel Torgal, Vanessa Oliveira, Inês Cerdeira e Luís Almeida e Sousa) orgulha-se de ter as paredes decoradas com fotografias dos bebés que ajudaram a nascer ao longo destes 11 anos.

pergunta Maria (nome fictício), uma mulher que doou óvulos este ano pela terceira (e última) vez. Tem apenas 22 anos, mas não hesitou quando percebeu que a sua doação podia ajudar outras mulheres a serem mães. “Se fazer isto não tivesse como objetivo tornar alguém mais feliz, se fosse só mesmo em troca da compensação monetária, não seria tão fácil fazê-lo. E depois também penso que poderei ser eu a precisar de uma dadora mais tarde na minha vida e, nessa altura, vou ficar contente que alguém decida fazê-lo para me ajudar” esclarece. Foi essa vontade de ajudar que também levou Carolina Paixão à doação de ovócitos. “Queria ser dadora de sangue e medula óssea, mas o peso abaixo do limite não o permitiu. Assim, quando vi uma oportunidade, não hesitei em inscrever-me na Ferticentro para ser dadora de óvulos” afirma com convicção. Os familiares e amigos apoiam e louvam a iniciativa da jovem arquiteta, de 28 anos, que não se arrependeu de ter doado óvulos: “Nunca pensei que não o deveria ter feito. Pudéssemos todos ter oportunidade de sermos ajudados quando precisamos, e viveríamos num mundo menos egoísta e melhor”. Margarete Silva não tem filhos e também não pretende ser mãe. Com 26 anos, esta empregada de café soube que podia doar óvulos através da internet. Só o fez uma vez e foi para ajudar um casal amigo que não conseguia ter filhos. “Eles pensaram recorrer a este tipo de inseminação e como não pretendo ter filhos e posso ajudar quem quer, decidi doar”. Só mais tarde, soube que tinha direito a uma compensação monetária: “Só depois de ter falado

Ferticentro: Centro de estudos de fertilidade A Ferticentro já existe desde 2002. Foi fundada por um grupo de médicos que trabalhava na área da medicina de reprodução há alguns anos na função pública. Na altura não havia uma solução privada, era tudo público, com listas de espera enormes. "Em Portugal existem 28 clínicas de medicina da reprodução e isso é muito para um país do nosso tamanho. A questão é que nem todas fazem todos os serviços. Nós fazemos tudo o que é habitual na prática clínica e, nesse aspeto, não há nenhuma que faça mais do que a nossa".Até hoje, a equipa da Ferticentro já ajudou a nascer mais de meia centena de bebés através da doação de ovócitos.

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PAIS & FILHOS com a enfermeira pela primeira vez é que soube disso, não imaginava que nos pagassem para ajudarmos os outros” afirma. A recompensa monetária é, muitas vezes, o fator que mais pode aliciar as dadoras. No entanto, a maioria vê o ato de doar como a maior compensação. “A compensação monetária é importante, mas não tomaria uma decisão desta dimensão se não fosse por um motivo que considero nobre, ou seja, proporcionar a outras mulheres a possibilidade de viver o grande sonho de ser mãe, assim como o maravilhoso mistério da gravidez”, diz Mariana (nome fictício), de 31 anos, que já é mãe. Petra Souto partilha a opinião de Mariana: “A minha maior motivação foi possibilitar que alguém pudesse conceber. Apenas soube que existia compensação aquando da primeira consulta”. Esta assistente de relacionamento de clientes, de 31 anos, já fez três doações, duas delas com sucesso. Recorreu à doação de óvulos por indicação médica, porque sabia que seria muito difícil poder engravidar no futuro. “Assim, e como percebia na primeira pessoa o "desgosto" da possibilidade de não poder ter filhos, decidi ajudar quem estaria nessa condição” explica. Após a segunda doação conseguiu, também ela, ser mãe. “Muito provavelmente devido ao tratamento a que me submeti” realça, acreditando que esta foi a sua "recompensa" por ter ajudado alguém a ser pai/mãe.

A dádiva de ter um filho

Sandra (nome fictício), 32 anos, está no lado oposto das dadoras de ovócitos. Durante anos fez parte das estatísticas de infertilidade mas, ao contrário do que acontece a algumas mulheres, a sua história teve um final feliz. Na infância teve uma doença e foi submetida várias vezes a radiações, o que afetou a qualidade dos ovócitos. Esteve mais de quatro anos a tentar engravidar, mas depois de recorrer ao tratamento com doação de ovócitos (fez dois tratamentos com os seus próprios óvulos e um com óvulos doados) conseguiu engravidar apenas num mês e, assim, concretizar o sonho de ser mãe. “Por momentos passa pela cabeça desistir, mas a vontade de ser mãe vem falar mais alto” salienta. O apoio do marido foi fundamental, já que a restante família não tem conhecimento da situação, porque quando o casal decidiu abordar este tema, todos foram contra. Hoje já conseguiu realizar o seu sonho e é mãe de uma menina. Uma história feliz entre tantas outras. 70

Como é feita a fertilização in vitro?

1 Através da estimulação ovárica é produzida uma grande quantidade de óvulos

folículo maduro

OVÁRIO

óvulo

ÚTERO 2 Os folículos são puncionados e recolhidos os óvulos

agulha folículo

trompa uterina

óvulo

espermatozoides

óvulos

3 Os óvulos e os espermatozoides são colocados num meio de cultura especial para a fecundação

Exemplo de um embrião de quatro células

Embrião em desenvolvimento

4 O óvulo é fecundado e o embrião começa a desenvolver-se

5 O embrião é transferido para o útero

Vitrificação de óvulos

A clínica privada de Coimbra está agora a utilizar uma nova técnica para congelar óvulos e os resultados demonstram uma taxa de sobrevivência na casa dos 100%. “A congelação de esperma já se faz há mais de 20 anos, porque os espermatozoides são células extremamente resistentes ao processo de congelação e descongelação. Já os óvulos são células muito mais fracas. Enquanto o espermatozoide é a menor das células humanas, o óvulo é a maior das células humanas e, só por isso, já é complicado. Quando os congelamos em azoto líquido, a 196 graus negativos, temos de retirar toda a água que existe dentro do óvulo, substitui-la por um agente crio protetor para que não se formem cristais de gelo quando congelamos e, assim, permitir que o óvulo sobreviva ao processo de descongelação”, esclarece o diretor do laboratório da Ferticentro. O problema é que os crio protetores são tóxicos e como se trata de técnicas difíceis, é preciso ter mãos, é preciso ser rápido e ter bastante experiência para fazer este processo com êxito. “A partir de hoje já é possível a uma mulher de 30 anos, que ainda não encontrou o amor da sua vida, fazer a chamada criopreservação de óvulos, ou seja, nós podemos recolher os óvulos, congelá-los e daqui a 10 ou 15 anos pode utilizar os óvulos que congelou aos 30 e terá, certamente, uma maior probabilidade de engravidar, porque o que importa é a idade dos óvulos e não a idade do útero”.

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1. Introdução de embriões na cavidade uterina 2. Cateter de transferência 3. Seringa com embriões no líquido de transferência 4. Ovários depois da punção dos folículos

Portugal é destino do turismo reprodutivo

Vários casais saem do seu país para procurar tratamentos para a infertilidade. Portugal apresenta-se como um destino para alguns desses casais, vindos principalmente do centro da Europa e dos PALOP. Na Ferticentro, 40 a 50 por cento de casais recetores vêm do estrangeiro. A razão principal prende-se com o facto de muitos países não aceitarem a doação de ovócitos. Na lista dos mais restritivos estão a Alemanha, a Itália, a Suíça e a Áustria. “Julgo que tem a ver com uma razão histórica, para evitar a seleção de características humanas. Há uma série de constrangimentos legais no centro da Europa, que fazem com que Portugal, Espanha e a Grécia sejam destinos do chamado turismo reprodutivo”. SETEMBRO 2013


INICIATIVAS Workshop

A Revista C, em parceria com o Hotel D. Luís, em Coimbra, tem a decorrer um ciclo de workshops multidisciplinares. Temas interessantes em sistema de formação complementar e destinados a universo alargado de interessados.

Revista C e Hotel D. Luís em ciclo de workshops Workshop: Aula ou curso prático sobre uma atividade ou um assunto específico

3.ª edição

Tratamento fotográfico em Photoshop Data: 28 de setembro. Hora: 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 19h00 Preço: 35€ por pessoa (30€ assinantes Revista C) Inscrições para o email: workshops@cnoticias.net.

Venha aprender o básico do Photoshop

O Photoshop é hoje o herdeiro dos processos laboratoriais que sempre fizeram parte essencial do trabalho, do encanto e do mistério da fotografia. Permite o tratamento das imagens digitais, levando os seus utilizadores a patamares criativos quase sem limites ou fronteiras. Neste workshop vão ser lecionados os conceitos base para o tratamento de fotografias: apresentação do programa, principais métodos de alteração de cor, seleções, filtros, modos de mistura e opções de camadas, diferenças entre formatos e espaços de cor e preparacão para impressão/web. Por André Navega, designer. PUB

Parceria FEB / C

Sorteio de Máquina de Café No âmbito da parceria com os Cafés FEB foi sorteada uma máquina de café FEBICA entre todos os visitantes do stand da Revista C na Expofacic. O feliz contemplado foi João Carvalho, do Porto!

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Solidariedade

Quem puder contribuir vai poder dar uma volta neste carro!

Vamos ajudar a Maria Leonor a sorrir! A C associa-se a centenas de pessoas em torno de uma causa humanitária que criou uma onda de solidariedade que já ultrapassa o concelho de Coimbra. Ajudar a Maria Leonor, uma menina com apenas dois anos com paralisia cerebral, é a força que move estes voluntários. Esta menina é uma lutadora e a sua (ainda) pequena vida teve que ser adaptada a uma realidade difícil. A Maria tem gran-

des dificuldades motoras, que obrigam a que seja submetida a fisioterapia com frequência, que tenha necessidade de utilizar aparelhos adaptados e outros tratamentos. Com o objetivo de angariar fundos para a “Missão Maria Leonor”, a empresa Miguel João Automóveis está a organizar um evento que se vai realizar no próximo dia 22 de setembro, na Praça da Canção, das 14 às 19 horas, com música ao vivo da

banda Deep Blue Band, diversas tendas, insufláveis e a presença da Team Coimbra (aproveite para experimentar a adrenalina de andar a bordo de um carro de competição com o piloto principal da equipa ao lado). E claro, para mais tarde recordar esta iniciativa solidária, os momentos vão ser captados pela câmara do fotógrafo Ricardo Cruz. A organização pede a todos que colaborem e aparecem na iniciativa para tornar a tarde ainda mais agradável, com muitas alegrias, nomeadamente através do sorriso cativante da Maria Leonor. Este evento conta com o apoio da Câmara Municipal de Coimbra, da Junta de Freguesia de São Paulo de Frades e da Junta de Freguesia das Torres do Mondego.

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Vale uma entrada na Praia d as Rocas A Praia Fluvial das Rocas é um complexo de lazer, animação e divertimento situado num lago com quase 1 km de extensão, bem no coração de Castanheira de Pera. Uma ilha no centro da Praia, uma piscina de ondas com 2100 m2 (a maior do paí­s), uma albufeira e uma ponte secular constituem um ambiente onde o sonho e a realidade se confundem. As águas lí­mpidas da Ribeira de Pera espraiam-se, formando um local de

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Ondas a 80km do Mar ... TODOS OS DIAS!

encanto onde palmeiras tropicais convivem harmoniosamente com a Serra da Lousã que espreita lá do alto. Pode, ainda, desfrutar de um passeio em barco a remos ou em gaivota e pernoitar num dos veleiros atracados na marina, deixando-se embalar pelo suave baloiçar da corrente fluvial, ou num dos 6 bungalows perfilados na margem da albufeira, com vista privilegiada sobre o enorme espelho de água.

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UMA OFERTA NO VALOR DE 5,50€ Este espaço destina-se a validação por parte da Prazilândia, EM. Uma vez carimbado e assinado não será mais válido.

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PAIS E FILHOS Dica para Pais: As compa rações entre irmã os são de todo proib idas seja qual for o formato que possa m tomar.

A relação entre irmãos é muito influenciada pelas expectativas que a família tem acerca das características, competências e personalidade de cada uma das crianças. Por Ana Oliveira, Mestre em Psicoterapia e Psicologia Clínica

Rivalidade e ciúme entre irmãos A rivalidade e o ciúme parecem ser quase uma constante que marca a relação entre irmãos e não há grande margem para dúvidas que este tipo de relação é uma importante fonte de aprendizagem e de treino social. É no contexto destas relações que se desenvolvem não apenas sentimentos de competição mas também de solidariedade, não esquecendo o papel primário que assumem, pois o relacionamento entre irmãos surge muitas vezes antes do aparecimento de relacionamentos de amizade e de relacionamentos amorosos.

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Como se manifesta a rivalidade e o ciúme?

Qual o papel dos pais?

• Poderá surgir na forma de choros e birras. Os pais notarão a criança mais nervosa do que o habitual e aparecerão alguns focos de desobediência. Este procedimento funciona como forma de obtenção de atenção através de reações negativas. • Por vezes observam-se regressões no comportamento, ou seja, a criança poderá comportar-se de modo mais infantil, como por exemplo, chuchar no dedo ou utilizar “linguagem de bebé”. • Poderá surgir recusa à realização de comportamento de autonomia já adquiridos, como por exemplo, deixar de querer comer sozinho ou a apresentação de alterações no controlo dos esfíncteres. • Por vezes as crianças poderão apresentar alguma agressividade encoberta, como seja, ignorar o negar a presença do irmão. Ou agressividade explícita, como sejam, condutas hostis ou situações de carinho exacerbado como um abraço tão forte que pode magoar o irmão. • Importa ainda estar atento a situações de desvalorização do eu, nomeadamente no que respeita à autoestima e ao autoconceito, nos vários contextos em que a criança se move.

!

Os pais poderão ter uma intervenção mais ativa na resolução de conflitos, ajudando-os a experienciar sentimentos de solidariedade, cedência, comunicação funcional e gestão de frustrações.

• Auxiliar na compreensão e implementação da gestão de conflitos pode ser uma boa estratégia. Assim, e de uma forma generalista, é importante que os filhos compreendam a existência de quatro etapas fundamentais: (1) Clarificação do problema, (2) A escuta ativa do outro, (3) A procura de diferentes soluções e por fim (4) A tomada de decisão consciente. Importa que os pais deixem os irmãos descobrir as suas próprias respostas, aqui requer-se apenas alguma orientação e auxílio emocional quanto à tomada de decisão. • Todo o tipo de intervenção parental em situações de rivalidade e conflito deverá revestir-se de uma atitude neutra, tanto quanto possível. Não deverá assumir o papel de detetive na descoberta do verdadeiro culpado, os seus filhos necessitam de adquiri estratégias emocionais e apenas o conseguirão experienciando por si próprios. • Uma recomendação muito comum, mas que nunca é demais repetir, será um aspeto que intensifica as rivalidades e o ciúme e se constitui como gerador de futuras batalhas internas: As comparações entre irmãos. Elas são de todo proibidas seja qual for o formato que possam tomar. Ao invés deverá realçar as características de cada um em formato individualizado. • No que se refere à partilha de bens

(por exemplo, emprestar brinquedos), a melhor forma de evitar conflitos será assumir o direito à propriedade, ou seja, admitir que ninguém deve ser obrigado a partilhar tudo o que tem. Cada um pode ser proprietário de algo que mais ninguém pode usar sem a sua autorização. De qualquer forma, este comportamento levado ao extremo poderá ter consequências adversas e elas deverão ser explicadas à criança, assim estará a proporcionar uma tomada de decisão consciente e a prevenir problemas futuros.

Apesar do sofrimento e das dificuldades que as rivalidades e os ciúmes mais tempestuosos possam trazer à família em geral, não devemos descuidar que estas situações são de todo bem-vindas (dentro de padrões normativos do desenvolvimento), pois o relacionamento entre irmãos pode ser uma fonte de ajuda preciosa no desenvolvimento de competências de negociação e cooperação essenciais para o desenvolvimento futuro das crianças e jovens. As situações de insegurança e descoberta do papel emocional e familiar constituem-se como verdadeiros testes à aquisição de competências de resiliência e resistência à frustração que não podem ser vividos noutro contexto tão seguro como o familiar. Estes conhecimentos são posteriormente transpostos para a vivência das crianças e jovens na sociedade. Tem sugestões?

Gostaria de ver algum tema em particular abordado nesta secção? Tem dúvidas acerca de algo relacionado com o desenvolvimento do seu filho? Precisa de estratégias para combater alguma problemática do relacionamento pais-filhos? Ou tem curiosidade em obter mais informação acerca de um tópico em particular?

O relacion amento entr e irmãos po de ser um a fonte de aj uda no desenvolv imento de competên cias de negociação . www.cnoticias.net

Contacte a Revista C através do endereço de email paisefilhos@cnoticias.net. Aguardamos as suas dúvidas e sugestões! (o anonimato é garantido)

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À MESA sugestão dos nossos leitores

Ensopado de enguias: uma coleção de sabores e aromas de tal forma comoventes que até nos fazem corar! Batatas geradas nas dunas de areia!

CANASTRA DO FIDALGO Avenida José Estêvão, 240 3830-453 Gafanha da Nazaré, Ílhavo Almoço: a partir das 12h Jantar: a partir das 19h Aberto todos os dias CONTACTOS: T. 234 394859 canastrafidalgo@hotmail.com

Canastra do Fidalgo: puro sabor a mar Mesmo de frente para a maravilhosa paisagem da Ria de Aveiro, encontra o "Canastra do Fidalgo", um ponto de referência para quem deseja degustar um bom peixe capturado no mar ou na ria.

S

ó o facto de estar entre a praia e a ria já podia ser motivo suficiente para nos convencer a ir lá em pleno verão. Mas não foi o caso. Quando os nossos leitores recomendaram este restaurante, estávamos longe de imaginar que, muito mais do que um restaurante de "beira de praia", o Canastra do Fidalgo é um local onde pode desfrutar de tudo o que é bom na Costa de Prata: peixe e marisco do mar, produtos regionais, um ambiente acolhedor, empregados simpáticos e profissionais e um proprietário que, entre pratos, não se coíbe de dar uma palavra aos seus clientes. Este restaurante de peixe típico da região é a menina dos olhos de Manuel Almeida, o seu “filho mais recente” como o apelida. A sala interior está decorada em tons de azul e os utensílios e imagens expostas nas paredes refor-

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çam a forte ligação ao mar. Na esplanada consegue sentir a brisa da ria (e do mar a poucos metros), ao mesmo tempo que se delícia com o melhor que o mar dá: nas entradas o destaque vai para as enguias finas fritas, as gambas ao alho e as amêijoas (capturadas na ria de Aveiro) à bulhão pato ou à canastra. Acredite, não vai resistir a molhar o pão no molho maravilhoso que acompanha estas entradas... Segue-se a sopa: pode escolher entre a do mar ou a de legumes. Mas se quer mesmo saborear o melhor, prove a sopa do mar feita com peixe fresco do mar, miolo de camarão e de berbigão. A base desta sopa demora cinco horas a confecionar, mas o resultado final é sublime. Nos peixes, a escolha é ampla: tem todo o tipo de peixe fresco do mar grelhado, a caldeirada de enguias, o bacalhau suado, chocos fritos, polvo à lagareiro, arroz de polvo, catapla-

na de polvo, massada de polvo, arroz de tamboril... Tudo com os melhores acompanhamentos regionais: batatas a murro (cultivadas nas dunas de areia), legumes salteados, migas feitas com espinafres e broa e o famoso e saboroso arroz de tomate, o acompanhamento ex-líbris da casa, ao qual ninguém resiste. Nos mariscos, e como não podia deixar de ser, a bela canastra do fidalgo. Trata-se de uma travessa imperial de peixe e marisco, na maioria grelhados: lagosta, camarão tigre, gamba média, gamba pequena, amêijoas à bulhão pato, chocos grelhados e peixe grelhado. O preço é 75 euros, mas a travessa dá para três pessoas e tem uma apresentação que deixa qualquer um com água na boca… É um género de rodízio de marisco, que puxa à cavaqueira na mesa, ao diálogo, à diversão. Para os que não apreciam peixe e dão preferência à carne, têm ainda disponíveis os bifes da vazia: grelhado, de mostarda, à café, de pimentas, à casa. Nos lombinhos de vitela tem o turnedó à mirandesa (grelhado) e o turnedó à portuguesa (frito em azeite e alho). Esqueça as dietas e finalize com uma das sobremesas caseiras feitas por Lisete Almeida: mousse de chocolate feita com chocolate Caffarel, bolo de bolacha feito à base de natas e enriquecido com ovos por cima, as conhecidas natas do céu (doce tradicional de Aveiro), ou ainda o abacaxi grelhado com canela, regado com um bocadinho de vinho do Porto. Verdadeiras delícias… SETEMBRO 2013


Peixe e marisco fresco todos os dias

Manuel Almeida está à frente do Canastra do Fidalgo há sete anos e está ligado à restauração há 19. Desde então procura defender os produtos da região e mantê-los bem vivos na ementa. "É uma aposta que tem sido ganha ano após ano", refere. Hoje está nos melhores guias e, inclusivamente, foi o primeiro restaurante da Costa Nova a constar no Guia Expresso. Nesta casa, ligada à Bairrada e às gentes do mar, só entram produtos frescos e dá-se preferência ao máximo de produtos da região, desde o peixe e acompanhamentos, até à própria louça, que é Vista Alegre (Ílhavo). Resultado: clientes satisfeitos e fidelizados.

Manuel Almeida (à direita), o proprietário do restaurante Canastra do Fidalgo, com parte da sua equipa de profissionais. PUB


À MESA http://hojeparajantar.blogspot.pt/ Vera Ferraz (texto, fotos e produção)

INGREDIENTES: • 2 pernas de frango (separadas pela coxa) • 1 colher de sopa de azeite • 1 laranja com casca cortada aos gomos • 3 colher de sopa de vinagre balsâmico • sal e pimenta moída na hora • 1 colher de chá de folhas de tomilho PREPARAÇÃO:

Carne

Perninhas de frango com laranja e vinagre balsâmico

É necessário uma frigideira  que possa ir ao forno

• •

Pré-aqueça o forno a 230ºC. Coloque o azeite na frigideira e junte as pernas de frango, tempere com sal e pimenta e deixe alourar durante mais ou menos 7 minutos. Para evitar salpicos, tape a frigideira. Coloque a frigideira no forno, sem a tampa, e deixe assar durante 15 minutos. Vire as pernas de frango a meio deste tempo para que a pele fique estaladiça de ambos os lados.

• •

Peixe

Esparguete com cubinhos de atum fresco INGREDIENTES: • 1 bife de atum fresco • 1 tomate maduro • 1 cebola pequena • 1 fio de azeite • 1 dente de alho • 1 pitada de sal • 50 ml de vinho branco • 1 raminho de endro fresco • 1 raminho de manjericão • 1 colher de sopa de sementes de sésamo PREPARAÇÃO: • Pique a cebola e o alho e refogue num pouco de azeite. Junte o tomate sem sementes e cortado aos cubos. Deixe refogar até o tomate estar macio e refresque com o vinho. Tempere com uma pitada de sal e deixe apurar. • Junte o atum cortado aos cubos, deixe cozinhar por 4 minutos e deite por cima de esparguete cozido. • Enfeite com sementes de sésamo, endro e manjericão fresco.

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ABRIL 2013


PREPARAÇÃO • • •

Bola de Carnes

• • •

INGREDIENTES: • • • • • • • •

• • • •

MASSA: 500g de farinha 1/2 pacote de fermento de padeiro granulado 70g de manteiga 1 ovo 70g de açúcar 160ml de leite 1 gema + açúcar amarelo para pincelar (só depois de cozida!)  RECHEIO: 300g de fiambre 300g de bacon 300 g de chourição

• • • • • •

Preparação da massa: Misture todos os ingredientes da massa. Na MFP: coloque todos os ingredientes na cuba da máquina e escolha o programa de massas; Na Bimby/ Thermomix: programe 15 seg/ vel.4 e depois 3 min/ vel. espiga. Deixe levedar até dobrar de tamanho. Ligue o forno a 180ºC. Estenda a massa, em forma de retângulo, com a ajuda do rolo de pastelaria.  Divida mentalmente a massa em três e coloque os enchidos na parte do meio. Pegue num dos lados e dobre para cima dos enchidos. Recheie novamente com  enchidos e dobre o outro lado para cima desta nova camada.  Transfira cuidadosamente a bola para um tabuleiro forrado com papel vegetal. Leve ao forno durante 30 minutos e retire. Pincele a superfície, ainda quente, com a gema batida com o açúcar amarelo e leve ao forno mais 3-4 minutos.

Sobremesa

Cheesecake de morango enformado PREPARAÇÃO: • Triture a bolacha e misture com a manteiga derretida. Forre uma tarteira ou um prato fundo. Leve ao frigorífico enquanto prepara o creme. • Coloque as folhas de gelatina a demolhar. • Bata o queijo creme com o açúcar até obter um creme fofo. • Bata as natas e junte cuidadosamente ao creme anterior. • Escorra as folhas de gelatina e derreta-as no micro-ondas durante 10 segundos. • Deite em fio por cima das natas, batendo sempre. • Espalhe este creme por cima da base da bolacha. • Lave e corte os morangos. Coloque-os num tachinho e junte o açúcar e o vinagre balsâmico. Deixe reduzir, em lume brando, mexendo de vez em quando para não agarrar ao fundo. • Deixe arrefecer e no momento de servir, deite por cima do cheesecake. www.cnoticias.net

INGREDIENTES: BASE: • 1 pacote de bolachas de manteiga • 3 colheres de sopa de manteiga sem sal CHEESECAKE: • 2 pacotes de natas • 1 pacote de queijo creme • 8 colheres de sopa de açúcar em pó • 3 folhas de gelatina COBERTURA: • 16 morangos grandes • 4 colheres de sopa de açúcar amarelo • 1 colher de sopa de vinagre balsâmico

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VÍCIOS E CULPAS

Tre Santi Emanha

Viseu Abriu o ano passado na cidade de Viriato e trouxe um pouco do sabor de Itália. Os gelados são confecionados de forma artesanal a partir da sabedoria transmitida por italianos. Produtos sempre frescos e gelados deliciosos.

Figueira da Foz Emanha é uma localidade situada no grande planalto do Huambo, no coração de Angola, país natal da maioria dos seus sócios que, ao longo das últimas três décadas, tem apresentado os melhores sabores em gelados artesanais. A não perder o sabor com o nome da casa: "duas bolas de Emanha, por favor!!"

Martucci's Gelato

Iceberg

Guarda Há mais um "efe" na "cidade dos cinco efes". "F" de fabulosos! Em cone ou em copo, de leite ou de natas, com ou sem frutos. Aqui o gelado é muito mais que uma guloseima e resulta do interesse da família Martucci, que aperfeiçoou a sua técnica na arte do gelado durante mais de 20 anos!

S. Pedro de Moel (Leiria) Na pequena vila de S. Pedro de Moel, ali junto à praia, há uma casa que celebra a confeção de gelados, artesanalmente.

Fior di Latte

Veneto

Leiria É como comer gelados em Itália. São saborosas combinações saídas das mãos do dono da geladaria - que é italiano - e que tem colocado Leiria na rota da "geladomania" nacional.

Para viciados em

Praia da Barra (Aveiro) "Gelado de chocolate em forma de esparguete". É com esta originalidade de formas e sabores que a geladaria Veneto tem conquistado uma fama invejável. Os gelados são feitos com receitas artesanais e podem ser levados para casa ao litro.

gelados Embora se possam comer o ano todo, é no verão que o gelado se transforma num saboroso e fresco pecado. Esta invenção de origem controversa (chineses, árabes e italianos disputam a sua autoria), quando bem feita pode ser, até, bem saudável. A C mostra seis geladarias incontornáveis na Região Centro. 80

SETEMBRO 2013


Intervindo só numa dessas áreas ou aliando as duas competências, queremos ser, cada vez mais, uma referência europeia na prestação de serviços ao Setor Hoteleiro.

CONSTRUÇÃO

O Grupo Catarino é hoje o maior grupo ibérico quando se conjugam as atividades de construção e de FF&E*.

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* Mobiliário, equipamento e decoração em hotelaria

LADOALADO COM A HOTELARIA

SEDE: Rua Prof. Fernando Serra de Oliveira, 90 | 3060-318 Febres (Coimbra) Tel.: +351 231 467 100 | Fax: +351 231 461 822 | info@grupo-catarino.pt | www.grupo-catarino.pt

COIMBRA | LISBOA | FARO | FUNCHAL | PONTA DELGADA | MADRID | PALMA DE MAIORCA | PARIS | LONDRES


VÍCIOS E CULPAS

:(

1O

Recue até ao dossier cerveja (pág. 52 a 56) para maximizar esta descoberta

dramas da vida civilizada

Secadores de mãos

Por mais que se dê à mão a água ou não liga, ou desliga, ou não pára de correr...

O mesmo que com a água mas com ar, que é suposto ser quente.

Embalagens de abertura fácil

Chama-se Opena e é basicamente uma capa de iPhone com um "tira caricas". A ideia tem tanto de genial como de banal, mas resolve um enorme problema da irmandade masculina. Quando chega a hora de abrir uma fresquinha usa-se de tudo: nós dos dedos, dentes ou isqueiros. Mas graças a esta magnífica capa de iPhone qualquer um pode ser o herói da festa...

ALTO DRAMA

Torneiras de água automáticas

Melhor capa de iPhone de sempre

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Puxa-se, torce-se, rasga-se com os dentes, ou com uma faca...

Fichas USB Nunca se acerta à primeira... ... nem à segunda...

"Após o sinal marque 3. Se deseja falar com um operador marque 9"... Seja o papel higiénico, a carta das finanças ou o selo do carro... fica sempre um pedaço a mais... ou a menos!

Pessoas que passam à frente na fila Telefonemas de números privados

"Ah, não reparei!" É a chamada "lata" portuguesa!

Ou é para vender, ou é para vender, ou é para vender.

Bombas em pré pagamento Canetas e isqueiros É um dos maiores mistérios da humanidade: há um buraco negro que atrai misteriosamente os isqueiros e as canetas para todo o sempre!

Só vemos o raio do papel depois de abrir o tampão e de tentar abastecer...

STRESS

Picotados de papel

ESTOU-ME A PASSAR

Atendedores automáticos

Para 4e h iP on e 5 e n o h iP

Super carregador para o automóvel! Verão também significa longas viagens de carro e quando se trata de manter os gadgets carregados, os ânimos podem aquecer. Para solucionar este problema nasceu o ReVive PowerUp. Este dispositivo liga-se ao isqueiro do carro e duplica a capacidade de carga: é como se tivesse duas tomadas DC!. Mais: disponibiliza, ainda, duas tomadas USB o que significa o quádruplo da energia disponível do que num carro convencional. Faça-se à estrada, e se for o passageiro, recoste o banco, estique as pernas... e cuidado com os fios!

ível Disp on gal u t r o em P a zo n via Am


Verão colorido com toalhas Vertty A marca portuguesa Vertty apresentou um novo conceito de toalha de praia que promete um verão com letra maiúscula. As toalhas Vertty são uma lufada de ar fresco nas praias com as suas coloridas formas triangulares. Somado ao design original, as toalhas são maiores que as convencionais (185 cm x 110 cm) e com menos 30% do peso normal. Possui um inovador bolso impermeável num dos triângulos, onde pode guardar os seus gadgets favoritos de acidentes infelizes... A Vertty é feita com materiais amigos do

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Telemóvel seco e sem areia É uma chatice... ir para a República Dominicana, querer tirar umas fotografias, ouvir música ou enviar uns sms's e estamos sempre molhados ou com areia. Esta solução simples e muito eficaz promete deixar os telemóveis intactos e secos: é uma bolsa estanque, de plástico resistente e com um fecho clic-clac que mantém o telemóvel longe de possíveis estragos.

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ambiente e que permitem que seque muito mais rápido do que outras toalhas. Foi sonhada na Austrália e inteiramente produzida em Portugal, em fábricas nacionais e que respeitam o Oeko-Tex®. As toalhas Vertty estão à venda em www. tryvertty.com por 69,90€ e estão disponíveis em oito cores: clássico azul, clássico verde, clássico amarelo, clássico laranja, beringela, menta, azul-escuro, cinzento e coral. Estilo é muito mais que dinheiro: é uma questão de atitude! Escolha a sua... sem remorsos!

Recordar Dino Meira Aproveite setembro para uma ida à praia ao final da tarde e uma boa guitarrada com amigos, sinónimo de memórias para sempre. O "Meu querido mês de Agosto", de Dino Meira é um clássico de verão que não pode faltar à volta da fogueira.

Ré#

Lá#

Ré#

Meu querido mês de Agosto Fám

Por ti levo o ano inteiro a sonhar Sol#

Lá#

Ré#

Trago sorrisos no rosto Fám

Meu querido mês de Agosto Lá#

Ré#

Porque sei que vou voltar Guitarra acústica IBANEZ G100-NT com cordas de nylon. €170 na musica.com de Aveiro e Coimbra


VÍCIOS E CULPAS

Viciados em snorkeling Se vai de férias para as Caraíbas e gosta de apreciar o fundo do mar sem o auxílio de respiração artificial, então gosta de fazer snorkeling. Deixamos aqui sugestões de equipamento básico para que se sinta como peixe dentro de água.

Atenção: o mergulho é uma atividade perigosa. Procure estar sempre acompanhado.

Máscara É a peça mais importante do mergulho: uma boa máscara permite desfrutar da atividade com segurança, conforto e muita limpidez. Opte por máscaras de material hipoalergénico e vidro que não embacie. Atenção: não mergulhe para a água com a máscara já colocada.

Snorkel O tubo que permite respirar mesmo quando tem a cabeça abaixo da superfície da água. Não prescinda de comprar um snorkel que tenha defletores para limitar a entrada de água no tubo, pois esta pode lançar o pânico a quem não está habituado.

Protetor solar Durante o mergulho passa bastante tempo exposto à luz solar e pode nem dar conta. Invista num produto com FPS a partir de 15 (quanto mais melhor) e que seja resistente à água. Vista, ainda, uma t-shirt para melhor proteger as costas.

Touca Para além de evitar que os cabelos incomodem a visibilidade, uma touca protege as orelhas da pressão das alças da máscara e ajuda a regular a sua temperatura dentro de água.

Chinelos Para deslocações na praia ou pelos rochedos.

Barbatanas Destinadas a aumentar a propulsão, são peças essenciais no mergulho. Se está no modo "iniciado" invista numas "barbatanas" de tamanho médio pois quanto maiores, mais esforço e probabilidade de lesão nos tornozelos.

Caixas estanques Para que possa recordar mais tarde os bonitos cenários que viu no fundo do mar, invista num dispositivo de caixa estanque. O mercado já tem boas soluções como a GoPro! AGOSTO 2013


5 destinos para viciados em férias Setembro é tempo de férias a preços em conta. Se é daqueles que está até por menos à última hora à espera do de 300€ melhor preço, deixamos aqui cinco sugestões para umas férias de sonho muito baratas!

Albufeira DESDE

29€/dia

Mais de 300 dias de sol, 30 Km de costa com praias de águas quentes e límpidas e muita animação à noite, estes são os principais ingredientes para desfrutar de umas férias de sonho em Albufeira. A variedade de atrações turísticas de que dispõe torna-a numa das localidades mais concorridas do Algarve, com conforto e tranquilidade.

Matalascañas A praia de Matalascañas, portadora de Bandeira Azul que certifica a sua qualidade e serviços é, com os seus mais de quatro quilómetros, à medida que o seu areal entra no Parque Natural Doñana, um paraíso natural, virgem e tranquilo. Para além dos atrativos naturais e culturais, em Matalascañas é possível desDESDE frutar da delicio20€/dia sa gastronomia de Huelva.

Tenerife

DESDE

280€ 7 dias

O relevo de Tenerife e a sua variedade de climas fazem deste um território de múltiplas paisagens e formas, desde o Parque Nacional del Teide até aos Acantilados de los Gigantes, passando por zonas semidesérticas e ambientes puramente vulcânicos. Poderá combinar o turismo de natureza, visitar museus, o lazer e a gastronomia. Partidas diárias com escala em Madrid.

Maiorca DESDE

222€ 7 dias

Madeira Também conhecida como a ilha das flores. Está repleta de precipícios rochosos, abruptas montanhas e bosques declarados como Património da Humanidade pela UNESCO. Visite os seus pitorescos locais de passeio pelos extensos parques e jardins com abundantes flores. Deleite-se com a excelente gastronomia baseada no peixe fresco, frutas tropicais e vinho. Partidas DESDE diárias com 192€ voos diretos. 7 dias

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Bela ilha no Mediterrâneo com praias de águas cristalinas e baías perdidas para além de montanhas com imponentes vistas. O cruzamento de culturas, o seu grande legado histórico e cultural, as suas gentes, as suas tradições e o seu agradável clima suave, proporcionam a Maiorca um grande atrativo turístico a nível mundial, para além da indiscutível gastronomia com a sua deliciosa comida tradicional.


MOTORES

Fiel na tradição de inovar Entre as marcas europeias a Opel é a que mais protótipos tem apresentado no salão de Frankfurt. O primeiro concept da História do Automóvel pertenceu à General Motors (detentora da Opel). Foi o Buick Y-Job de 1938, que não entrou em produção. Em 1965 coube ao Opel Experimental GT o mérito de ser o primeiro concept de um construtor europeu totalmente concebido nas suas próprias instalações de design. Era uma antevisão de um “dream car” acessível que, três anos depois deu origem ao famoso e desportivo Opel GT. 1969, Opel CD

1975, Opel GT2

1981, Opel Tech 1

Opel Monza Concept NOVA FILOSOFIA DE DESIGN

A

Opel prepara-se para apresentar no dia 10 de setembro, em estreia mundial no Salão de Frankfurt, um protótipo que revela as principais linhas orientadoras da estratégia que a o fabricante traçou para a sua próxima geração de modelos de automóveis. O protótipo chama-se Opel Monza Concept e foi o próprio CEO da Opel, Karl-Thomas Neumann, a fazer o anúncio, levantando simultaneamente um pouco do véu sobre este estudo relevante para a marca. «O nosso plano DRIVE!2022 traça uma estratégia clara no que se refere ao futuro da Opel como empresa e como marca», explica Karl-Thomas Neumann. «Essa estratégia assenta em variados elementos e cobre múltiplas áreas. No que diz respeito ao futuro dos nossos produtos, agregámos todos os nossos objetivos e espelhámo-los no Opel Monza Concept. Este protótipo é a nossa visão sobre o futuro da Opel e integra os nossos valores fundamentais: engenharia e precisão, design cativante e inovações úteis para o dia-a-dia. O Monza Concept projeta estes elementos de forma visionária, traduzindo-os com inspiração e clareza. Este automóvel é um estudo que terá impacto por longo período na próxima geração de modelos Opel.»

O início da próxima geração de mobilidade Opel O Insignia Concept foi a estrela do salão de Frankfurt de 2003, dando origem ao atual topo de gama da marca, lançado em 2008.

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O Monza Concept revela o que vai ser possível ver em futuros produtos da Opel. O estudo está centrado em dois temas principais que constituirão prioridades absolutas para mais de seis mil engenheiros,

O MONZA CONCEPT PRESTA HOMENAGEM AO ORIGINAL OPEL MONZA, PRODUZIDO ENTRE OS ANOS DE 1978 E 1986 técnicos e desenhadores que trabalham em Rüsselsheim no desenvolvimento da próxima geração de modelos Opel: eficiência e conectividade. O Monza Concept demonstra elevada eficiência através da conceção da arquitetura e da utilização de materiais, bem como da aerodinâmica e da configuração inovadora da motorização. O estilo deste Monza Concept pode ser reconhecido como uma evolução. Esta nova premissa de design revela-se de imediato nos traços da secção dianteira. O plano mais baixo, com linhas que fluem, o capô bem definido e grupos óticos que se destacam, são elementos que se combinam para criar uma aparência indubitavelmente atraente e moderna. Outros elementos vão inspirar-se em assinaturas reconhecíveis da herança mais recente do design da Opel, como o vinco central do capô – que surge em plano mais tridimensional e, logo, mais proeminente – e a barra cromada da grelha agora com extremidades viradas para cima. As ‘lâminas’ traçadas sob os grupos óticos são uma inegável assinatura de originalidade. No geral, o Monza Concept possui uma aparência que transmite agilidade, eficiência, emoção e dinamismo. O apelo do dinamismo dos modelos Opel esteve sempre associado a funcionalidade. SETEMBRO 2013


A Opel inspirou-se no Monza original: foi um dos primeiros carros no mercado a oferecer instrumentos digitais opcionais.

Monza é um protótipo que aponta o futuro do design da Opel.

Neste aspeto, o Monza Concept presta homenagem ao original Opel Monza, produzido entre os anos de 1978 e 1986. À época, este coupé associava da melhor forma o estilo elegante a soluções funcionais para condutor e passageiros. Há semelhanças entre os dois automóveis, visíveis em elementos de design como as grandes superfícies vidradas e a linha de cintura baixa. O Opel Monza original foi o primeiro automóvel no mercado a possuir um painel de instrumentos digital. O Monza Concept dá continuidade a este tema inovador ao apresentar tecnologias que representam um ponto de viragem para futuros sistemas de informação e entretenimento, alcançando novos patamares de conectividade. O protótipo da Opel revela a forma como a próxima geração de modelos do fabricante vai dar resposta às necessidades de uma sociedade cada vez mais interligada e orientada para a partilha de informação. Estes www.cnoticias.net

automóveis assegurarão a mobilidade do futuro, que assentará em bastante mais do que uma boa experiência de condução.

Opel Experimental GT: o primeiro dos protótipos O Monza Concept é o estudo mais recente de uma longa série de protótipos visionários apresentados pela Opel, inaugurada em 1965 com o Opel Experimental GT. A Opel foi o primeiro fabricante a criar um concept car na Europa e a revelá-lo num Salão – com enorme sucesso, refira-se. Como montra de ideias inovadoras e de novos desenvolvimentos a aplicar em produtos futuros, o Experimental GT gerou grande entusiasmo na comunicação social e no público, tornando-se no precursor de uma tendência que perdura até aos nossos dias. Os estudos da Opel nos anos 1960 atraíram tantas atenções que, desde então, todos os

A OPEL FOI O PRIMEIRO FABRICANTE A CRIAR UM CONCEPT CAR construtores automóveis europeus começaram também a desenvolver e apresentar os seus próprios protótipos. «O Opel Monza é o nosso futuro revelado de forma tangível», afirma o CEO da Opel. Estimulando ainda mais a curiosidade antes da apresentação mundial acrescenta: «Não vou por enquanto dizer como é que o design do interior do Monza Concept, e as tecnologias que integra, mudam a experiência de condução. No entanto, posso garantir que, visto de qualquer ângulo, o Monza Concept é extremamente cativante, pelo design inovador da carroçaria e pelas proporções perfeitas. Mas isso é apenas a expressão visível da grande substância que está sob a carroçaria». 87


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Tralhão Design Center e a sua equipa de designers de interiores vão ajudar a inspirar-se para a mudança que necessita em sua casa, e que há tanto tempo anda a adiar. Siga esta coluna, vamos-lhe dando dicas, pois o lema da Tralhão Design Center é “tornar fácil o seu projeto de interiores”. We just love design www.tralhaodesigncenter.com

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SETEMBRO 2013


B&W HOTEL RURAL

ESCAPADA DE LUXO EM AMBIENTE CHARMOSO E DE REFÚGIO O novo hotel de Arganil combina cuidado nos pormenores com perfeita imersão na natureza. Mais uma unidade hoteleira com a assinatura do grupo Catarino.

Inaugurado em janeiro deste ano, o novo B&W Hotel Rural, localizado em Pombeiro da Beira, Arganil, é um empreendimento da ENIOL - Empreendimentos Turísticos, com projetos da autoria do conceituado gabinete Plarq – Estudos de Arquitectura e Urbanismo. Trata-se de um hotel de charme de 4 estrelas, com um ambiente ímpar, vocacionado para o turismo de lazer e de negócios, revelando-se um lugar ideal para a realização de eventos empresariais ou particulares. Com construção da Ramos Catarino, esta nova unidade hoteleira de 4 estrelas contou ainda com a intervenção de outras duas empresas do Grupo Catarino em mais um projeto integrado: Santos & Santos – Carpintaria e Espaços Verdes, e a D&ID, no fornecimento de todo o mobiliário, equipamento e decoração hoteleira, onde utilizou, para além de mobiliário feito à medida, também peças de prestigiadas marcas internacionais – como a Artemide, Santa&Cole, Vitra, Flos e Kartell.


VIAJARdestino por João Melo Alvim

É uma das capitais que fez (e desfez) a Europa. A cidade de Freud, Mozart e Beethoven é para se percorrer com roteiros que o cinema nos deixou ou, pura e simplesmente, perder-se!

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iena até se podia prestar a vários clichés. Cidade da música -obrigado Mozart - da cultura, por exemplo Klimt, ou ainda da ciência, Freud, porque não. Mas também ainda é uma cidade com passado imponente, capital de um dos mais míticos e variados impérios do mundo, verdadeiro repositório do que foi muito da Europa ao longo de séculos. Mas o que verdadeiramente a torna excecional é uma mística muito própria que mistura tudo isso e ainda oferece mais alguma coisa. Não tendo, pelo menos à primeira vista, o glamour de Paris, o espírito de Londres ou o peso da história de Berlim ou ainda a magia de Roma, Viena consegue conquistar até o viajante mais exigente. É certo que em qualquer outra das grandes capitais europeias sobram e chegam atrações turísticas, mas Viena vale sobretudo pela cidade que é, porque assenta ainda muito naquilo que foi.

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Mas eu cheguei a Viena por outro caminho. Foi em 1998, ao ver o filme “Antes do Amanhecer", de Richard Linklater. Sim, para cinéfilos há sempre o incontornável “O Terceiro Homem”, baseado no romance homónimo, mas para a minha geração, há Jesse e Celine a deambular por Viena, sem se deterem nas grandes atrações e tirando instantâneos românticos. E foi assim que desejei, o mais rapidamente possível, visitar Viena. Mas só 10 anos depois foi possível. E tal como os protagonistas do filme, cheguei de comboio (voar para Viena é caro, pelo que Bratislava, a uma hora de comboio, é uma alternativa razoável). A partir daí, foi fazer um caminho que permitiu rever alguns sítios do filme, como o Kleines Café, roda gigante no Prater ou andar de elétrico pelo Ring (avenida que circunda o Centro, onde ficavam as antigas muralhas). Mas depois foi mais: o Palácio de Belvedere e a sua coleção de Klimt, o Palácio de Schonbrunn (o Versalhes dos Habsburgo, mais despoja-

do, mas não menos imponente), o cemitério onde Mozart estará enterrado, os parques, onde pelo menos num ainda se pode encontrar uma bateria antiárea da Segunda Guerra Mundial absolutamente gigantesca, a Catedral de São Estevão, a casa-museu de Mozart, a Hundertwasserhaus (maravilha arquitetónica), o Museu de História de Arte e um dos melhores museus sobre a história de uma cidade que visitei, uma Opera por 2 euros (em pé, mas paciência) tudo debaixo de um “caloroso” frio de inverno. Andar, deixar-nos ir, ter a noção do que queremos ver num mapa, mas desfrutar do caminho enquanto vamos riscando a lista. Viena é uma das capitais que fez (e desfez) a Europa. Baluarte contra os Otomanos na Idade Moderna, mas também o sítio onde Freud marcou o mundo e Hitler se fez um monstro, foi a cidade que acolheu de coração aberto o Anschluss (união à Alemanha), mas que uma década mais tarde passou a ser considerada a primeira vítima da agressão SETEMBRO 2013


CERVEJA E WIENER SCHNITZEL. Obrigatório!

PALÁCIO DE SCHÖNBRUNN, conhecido também como o Palácio de Versalhes de Viena, com os seus mais de 160 hectares

RODA GIGANTE NO PRATER, um enorme parque vienense

KLEINES CAFÉ, onde uma cigana lê a mão de Céline em "Antes do Amanhecer"

MOZART e Viena são indissociáveis.

Dicas nazi. Beneficiou com a Guerra Fria e o seu estatuto neutral, mas foi a segunda capital, para além de Berlim, dividida em quatro setores de ocupação, sendo certo que desse capítulo não sobra nada, exceto as memórias de “O Terceiro Homem”. Viena tem história e vale a pena conhecê-la porque ajuda a enquadrar. E tem boa cerveja. Muito boa cerveja nas inúmeras cervejarias que se encontram pela cidade. E cafés fabulosos, a lembrar velhos tempos. E a Sachertorte, uma bomba calórica. Mas gastronomicamente, o Wiener Schnitzel é incontornável. Por cá, chamamos-lhe panado. Mas lá tem honras de especialidade. Eles lá sabem. Mas claro que não se foge e aproveita-se para comer com uma das várias cervejas. Para depois entrar num elétrico e dar mais uma volta pelo Ring a ver uma cidade a desfilar história. Pode não ser a cidade mais inesquecível do mundo, mas é uma bela cidade. Antes e depois do amanhecer. www.cnoticias.net

• A língua oficial é o alemão. A moeda, o euro • A fila para visitar o Palácio de Schönbrunn pode desmotivar mas a eficiência austríaca é superior! • Não perca os concertos de música clássica! Os vendedores estão por toda parte vestidos com trajes típicos. • Visite o edifício da ONU em Viena. A entrada é grátis e a visita guiada aborda a história recente. • Viena está repleta de jardins magnificamente cuidados, extensas áreas verdes e zonas de desporto. As ruas são limpas e seguras, o transporte público é eficiente e pode-se passear tranquilamente por toda a cidade a pé ou de bicicleta.

ELÉTRICO Uma excelente maneira de visitar o centro histórico da cidade

PALÁCIO DE BELVEDERE acolhe uma importante coleção do pintor Gustav Klimt 93


VIAJARroteiro

Pela serra até à Pampilhosa Aproveite os raios de sol de setembro e rume ao interior: a Pampilhosa da Serra oferece bons ingredientes para dias bem passados! Fotos de M.Crespo

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A menos de uma hora de viagem de Coimbra, o município da Pampilhosa da Serra tem todos os argumentos para uma visita demorada, relaxada e com aquele toque de contacto com a genuinidade. Em plena Serra do Açor, o manto da terra parece ter sido arrepanhado, criando um franzido de montanhas cobertas de vegetação onde, salpicado aqui e a ali, a presença humana vem fazendo nascer vilas e aldeias que, lentamente, vão-se espraiando pelos tempos, arredadas do contacto com o urbanismo desenfreado e preservando as práticas e os costumes do Portugal rural. Tome-se o caminho que se tomar, é incontornável chegar à Pampilhosa da Serra sem se maravilhar com o mar de montanhas que se estende até onde o olhar puder alcançar. A dimensão destas paisagens é arrebatadora pelo que o melhor conselho é mesmo obrigar-se a parar num dos muitos miradouros preparados para o efeito, des-

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ligar o carro e sair para fotografar: encha os pulmões de ar puro, aprecie o silêncio envolvente e desafie as crianças a identificar animais, plantas ou aves! Uma visita às torres eólicas é recomendada. São acessíveis por carro e pode fazer pedagogia com as suas crianças. Siga para a vila da Pampilhosa da Serra e programe um dia cheio de brincadeiras nas piscinas naturais.

como é uma mercearia à antiga. Peça um Ripopixo... uma bebida "cai bem" à base de ginja e Seven Up que se bebe fresca e ajuda à digestão. Pernoite no novo hotel Villa Pampilhosa, uma moderna unidade hoteleira de quatro estrelas com cozinha a cargo do jovem chef Flávio Silva.

A vila da Pampilhosa da Serra

No segundo dia visite o Fajão: esta típica aldeia de xisto é ainda habitada, tem uma piscina comunitária e oferece percursos pedestres, paisagens ou locais para piquenique. Almoce no restaurante Juíz Fajão. A fama desta casa está num glorioso bacalhau frito servido com batatas saborosas, cebola e pimentos! À tarde siga até à barragem de Santa Luzia, local ideal para levar os mais pequenos a um banho de água doce. Tem uma piscina flutuante e muito espaço para brincadeiras na natureza. Suba à Ermida de Santa Luzia e tire fantásticas fotografias panorâmicas. Regresse a casa e planeie voltar!

O município mostrou grande criatividade ao aproveitar o leito de rio que passa pela localidade, recentrando toda a vila num polo de turismo e diversão que atrai milhares de pessoas à Pampilhosa da Serra. O espaço está dotado de relvados, piscinas, fontes, espreguiçadeiras e balneários que convidam a aproveitar os dias bem quentes que setembro ainda proporciona. Se tiver oportunidade, perca-se pela vila e visite o museu etnográfico. Procure a taberna da simpática Maria de Lurdes Barata e veja

Arredores

SETEMBRO 2013


A vila oferece condições balneares únicas, com equipamentos modernos e muito seguros!

Fauna e flora muito rica. É habitual encontrar animais de rebanho ou selvagens. A urze cobre os montes. É do pólen desta planta que vem o saboroso mel, tão típico desta região!

Onde ficar

Trabalhos em xisto

Villa Pampilhosa Hotel Casa de Hóspedes "A Cadeia" Bungalows de Pessegueiro

Barragem de Santa Luzia. Local ideal para fazer praia, desportos náuticos, pesca ou observar aves.

O que comer Não deixe de experimentar os pratos típicos desta zona serrana: a sopa de botelha, a tiborna, o bucho recheado, o cabrito assado e a truta de escabeche. Nos doces destacam-se o bolo de mel, a tigelada, as castanhas com leite e as filhós. Bon appétit!

A aldeia do Fajão, em pedra xisto, oferece todas as comodidades.

Onde Comer Casa Velha Juíz Fajão (antigo Pascoal) Restaurante As Piscinas

www.cnoticias.net

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ROTEIRO É PATROCINADO POR Na taberna de Maria de Lurdes Barata prove um aconchegante "Ripopixo"


VIAJARinstantâneo

AS SOMBRAS DO PREDADOR NEGRO PEDRO CALDEIRA FOTÓGRAFO SOLITÁRIO Não podia deixar de fazer referência a um país de amáveis pessoas e algo especial que é a Gâmbia. Na bagagem trouxe muito que poderia mostar deste sedutor recanto, mas resolvi apresentar uma faceta que destaca largamente a Gâmbia de outros países, africanos ou não, que é a imensa variedade de espécies de aves que possui, algumas bem interessantes como esta, e que atraem inúmeros visitantes ano após ano, estação após estação. O seu nome é dado pelo rio que o atravessa, o rio Gâmbia. O país pouco mais é do que as suas margens, formando um pequeno enclave anglófono num território enorme de língua oficial francesa, o Senegal. Foi disputado por ingleses e franceses tendo 96

os primeiros conseguido manter a sua jurisdição com o objetivo de que esta fosse uma plataforma de recolha e envio de escravos para uma terrível viagem de três meses em navios negreiros para a América. As instalações onde tudo isto se passava ainda existem numa ilha do estuário do rio, contudo foi Portugal o precursor desta terrível saga, pois foi a primeira potência ocupante e que estabeleceu aqui as fundações para o que a seguir se passou. Não podemos deixar de sentir ainda o peso das histórias que por aqui ocorreram. Uma delas, para quem se recorda das séries que no fim da década de oitenta do século passado eram apresentadas na nossa televisão, foi a de Kunta Kinte, um príncipe Mandinga, que aqui foi capturado em 1750 e depois enviado para uma plantação de algodão na América e cuja odisseia inspirou a saga "Raízes". Ainda hoje na aldeia de Jufureh se encontram alguns dos seus familiares. São muitos os pensamentos que por aqui temos e não posso deixar de refletir em quão errados estão os que acham que a natureza intocada é um paraíso bucólico e pacífico, onde tudo é belo e todos vivem como que numa felicidade idílica. Esta ave,

a Garça Negra, é um dos muitos exemplos da luta de vida e de morte que decorre dia após dia em todos os recantos do planeta e que por vezes assume estratégias de caça requintadas e até alguma perversidade. Não posso deixar de ficar impressionado pelo processo evolutivo que fez uma espécie que normalmente tem cores claras ter desenvolvido uma cor escura, alterar a estrutura das suas asas de modo a conseguir formar uma cúpula com o próprio corpo e aperceber-se de que se conseguisse projetar uma sombra no prolongamento dos abrigos utilizados pelos peixes, os conseguiria ludibriar e transformá-los em presas fáceis. Não constitui isto a utilização de uma ferramenta e uma prova de inteligência, características que nós, humanos, tão orgulhosamente consideramos ser exclusividade nossa? Não posso também deixar de encontrar semelhanças com o dia-a-dia das nossas selvas urbanas, em que alguns predadores negros, com estratégias baixas e ambições desmesuradas, tentam projetar sombras para fazer baixar a guarda aos mais desprevenidos e assim, de uma maneira ou de outra, os transformarem nas suas vítimas. SETEMBRO 2013


Garça Negra (Egretta ardesiaca) Preparando-se para formar o seu famoso leque Lagoa de Kotu - Gâmbia

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IDEIAS DOS OUTROS#090

OBRIGADO!

LUÍS DE MATOS

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sta é a 90.ª vez que procuro bem utilizar este espaço que me foi confiado. Aqui venho partilhando ideias e opiniões, nem sempre unânimes, por vezes com palavras que simplesmente deixam transparecer as minhas paixões, dúvidas e inquietudes. Hoje, peço desculpa, vou usar esta página para publicamente agradecer a honrosa distinção que me foi atribuída na cidade de que, há muito, livre e voluntariamente, me sinto parte. Foi para mim uma enorme surpresa, e uma imensa honra, receber a notícia de que me iria ser atribuída a Medalha da Cidade de Coimbra, no seu mais distinto grau ouro. A cerimónia foi presidida pelo Exmo. Senhor Presidente da Câmara de Coimbra, Dr. João Paulo Barbosa de Melo, e decorreu no dia 4 de julho, Dia da Cidade, no Claustro do Colégio do Carmo. Para alguém que, como eu, desde os 15 anos, escolheu Coimbra, e diariamente reitera essa decisão fazendo conscientemente depender o rumo da vida em função do desejo de não sair da cidade, este foi um dia inesquecível. Obrigado Coimbra por fazeres parte da minha felicidade. Esta é a cidade me viu crescer, pela qual me apaixonei, aquela que mais me ensinou e com a qual todos os dias aprendo. Nela encontro o meu metro quadrado de paz... por ela, me alegro e sofro. Homem livre, comprometido com quem e com o que amo, declaro solenemente que continuarei a tentar ser tudo aquilo com que sonho, quanto esperam de mim, tudo fazendo para jamais desmerecer a honra que me reservaram naquele dia 4 de julho de 2013. A votação maioritária na atribuição daquela honrosa distinção resultou, para mim, muito mais genuína e gratificante do que uma eventual unanimidade diplomática. Um par de abstenções reforça a noção de liberdade de expressão, que, por sua vez,

sublinha enormemente o valor e significado de tão elevada honra. A este propósito também algo de especial aconteceu naquele dia. Curiosamente, um dos partidos que em Sessão de Câmara, pela manhã, contribuiu para a unanimidade da atribuição, à tarde, passadas uma horas, decidiu abster-se em Assembleia Municipal. Nessa mesma Assembleia Municipal, um outro partido, que habitualmente faz campanha pela cidade pintando o seu logótipo em modo “grafiteiro” em fachadas de casas e prédios, também se absteve. Até aqui nada de muito extraordinário ou preocupante. Mas foi graças a esta tomada de posição que, na mesma tarde do dia 4, finda a cerimónia, alguém muito bem colocado na hierarquia do referido partido, me acabaria por proporcionar um momento de extraordinário significado. A pessoa a que me refiro, e cujo nome não revelo por respeito, fez questão em vir ao meu encontro para dizer que a dita abstenção não havia sido internamente unânime e que viria a ser motivo de discussão. Foi bonito e aumentou a minha alegria. Por fim, uma palavra especial para a Dra. Maria José Azevedo Santos. Há muito que luto por uma visão plural de cultura.

LUÍS DE MATOS, MÁGICO, ASSINA MENSALMENTE ESTE ESPAÇO DE PARTILHA E OPINIÃO

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“O meu compromisso é o de continuar a amar Coimbra…” Um pelouro tão importante para a nossa identidade e tão cada vez mais esquecido ao ponto do seu Ministério ter sido extinto. Muito obrigado Senhora Vereadora por me ter achado digno de tamanha distinção. Foi a forma mais bonita e simbólica de me proporcionar uma inesperada celebração dos meus primeiros 25 anos de carreira. Praticante da arte que nos faz acreditar no impossível, peço a todos que continuemos a acreditar que esta cidade pode sempre fazer a diferença!

Com a ajuda de um leitor de QR Code (a imagem pontilhada impressa nesta página) utilize o seu telemóvel ou webcam para descobrir o caminho apontado por Luís de Matos

SETEMBRO 2013


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