RBS Magazine ED. 38

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O principal evento do setor GD com Fontes Renováveis na América do sul. ISSN 2526-7167

1° EVENTO PRESENCIAL DO SETOR ELÉTRICO PÓS NOVA FASE

Vol. 04 - Nº 38 - JAN/FEV 2021

REALIZAÇÃO



ÍNDICE

04

Os caminhos da Geração Distribuída no processo de modernização do setor elétrico

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Considerações acerca da atual revisão normativa da Geração Distribuída

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Potencial bioquímico de hidrogênio a partir do bagaço de mandioca

50

O que é mais importante para o inversor fotovoltaico: geração ou eficiência

EDIÇÃO

FRG Mídia Brasil Ltda.

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CAPA

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DISTRIBUIÇÃO DIRIGIDA

Empresas do setor de energia solar fotovoltaica, geração distribuída e energias renováveis, sustentabilidade, câmaras e federações de comércio e indústria, universidades, assinantes, centros de pesquisas, além de ser distribuído em grande quantidade nas principais feiras e eventos do setor de energia solar, energias renováveis, construção sustentável e meio ambiente.

TIRAGEM: 5.000 exemplares VERSÕES: Impressa / eletrônica PUBLICAÇÃO: Bimestral CONTATO: +55 (41) 3225.6693

E-MAIL: contato@grupofrg.com.br COLUNISTAS/COLABORADORES

Luiz A. G. Rolim, Aghatta C. Moreira, Fabio K. Taniguchi, Marcelo Tanos, Marina M. Falcão, Gabriel E. K. Gomes, Tamiris U. Tonello, Simone D. Gomes, Luana Morais, Valério M. Marochi, Weliton da Maia, Aghatta C. Moreira, Raul F. Beck, Maria de F. Rosolem, Philip M. Fearnside

Os artigos e matérias assinados por colunistas e ou colaboradores, não correspondem a opinião da RBS Magazine - Revista Brasil Solar, sendo de inteira responsabilidade do autor.

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Artigo

Os caminhos da Geração Distribuída no processo de modernização do setor elétrico

Luiz A. G. Rolim lrolim@cpqd.com.br

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produção de energia elétrica de forma centralizada requer a utilização de grandes plantas geradoras e longas linhas de transmissão para transporte da energia até as instalações das distribuidoras, possibilitando assim a entrega ao consumidor final. De forma distinta, a Geração Distribuída (GD) contempla a produção a partir de fontes renováveis de menor porte, como a solar ou eólica, conectadas diretamente ao local de consumo final ou em instalações próximas. Desta forma, a GD otimiza a utilização da infraestrutura de transmissão e da geração centralizada, além de contribuir para a descarbonização da matriz elétrica.

Aghatta C. Moreira amoreira@cpqd.com.br

fontes de energia renováveis utilizadas para a GD, destaca-se a energia solar fotovoltaica (FV) que apresenta, atualmente, alta penetração no mercado em especial nas classes residencial e comercial, por conta da sua longa vida útil, modularidade, baixo custo de manutenção, rápido retorno de investimento e disponibilidade de múltiplas linhas de financiamento.

A capacidade instalada da GD FV alcançou no final de 2020 a marca de 4,5 Gigawatts (GW), sendo que somente as instalações realizadas neste ano contribuíram com mais da metade (2,4 GW) deste total, conforme apresentado na Figura 1, elaborada a partir de dados da ANEEL [2]. O gráfico indica um total de 377,2 mil No Brasil, esses benefícios se prosumidores e a concentração da mostram ainda mais acentuados em potência instalada nos segmentos razão da maior incidência solar em comercial e residencial, com cerca de relação à média mundial, o que es- 76,6% do total. timula consumidores a se tornarem prosumidores aptos a suprir seu próConforme a figura 1, a GD tem prio consumo energético e, eventual- atraído a cada ano uma maior quanmente, comercializar os excedentes tidade de consumidores desde a sua produzidos no mercado[1]. Dentre as regulamentação com a publicação da 4

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Fabio K. Taniguchi fabiokt@cpqd.com.br

Resolução Normativa (RN) 482/2012. Esta resolução estabelece o mecanismo net-metering, que permite a compensação da energia exportada para a rede de distribuição nos momentos em que a produção renovável não atende a totalidade da demanda e a contabilização dos excedentes como créditos de energia, a serem utilizadas em futuros períodos de faturamento[3]. Esses créditos podem também ser utilizados para abater parte do consumo de Unidades Consumidoras (UCs) sob a responsabilidade do prosumidor, como é o caso da modalidade de autoconsumo remoto. Como mostrado na figura, a GD tem atraído a cada ano uma maior quantidade de consumidores desde a sua regulamentação com a publicação da Resolução Normativa (RN) 482/2012. Esta resolução estabelece o mecanismo net-metering, que permite a compensação da energia exportada para a rede de distribuição nos momentos em que a produção renovável não atende a totalidade da demanda e a contabilização dos ex-


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Figura 1: Evolução da GD fotovoltaica e distribuição da potência instalada Elaboração própria a partir de dados da ANEEL [2]

cedentes como créditos de energia, a serem utilizadas em futuros períodos de faturamento[3]. Esses créditos podem também ser utilizados para abater parte do consumo de Unidades Consumidoras (UCs) sob a responsabilidade do prosumidor, como é o caso da modalidade de autoconsumo remoto. Desde sua publicação, a RN 482/2012 tem passado por atualizações, como as realizadas na RN 687/2015 que expandiu as modalidades de compensação de energia (net-metering) e introduziu outros aprimoramentos[4]. Esta resolução incorporou novas modalidades, como a geração em condomínios e a geração compartilhada, na qual prosumidores cotistas se tornam sócios de um empreendimento de geração, diversificando assim as formas de participação no mercado. Todavia, a despeito do avanço na penetração, dos aprimoramentos da regulação e dos benefícios ambientais amplamente reconhecidos pela sociedade, a GD continua no foco das discussões do setor elétrico e da agenda regulatória devido aos impactos causados no mercado, tanto por fatores intrínsecos à própria tecnologia quanto por efeitos do modelo de compensação net-metering. Neste sentido, este artigo apresenta um panorama dos debates atuais sobre as adequações e os futuros caminhos da GD, em sintonia com iniciativas de modernização do setor elétrico. Ao final, são analisadas alternativas para diversificação da GD, além de possíveis arranjos comerciais e sinergias com as inovações tecnológicas que começam a se inserir no mercado.

O debate em torno do modelo Sendo essas assimetrias intrínseatual cas ao net-metering, a própria ANEEL já previa uma revisão da base de Atualmente a base de compensa- compensação, o que se iniciou com ção do net-metering é de 1:1, ou seja, a Audiência Pública (AP) 01/2019, cada kWh exportado para a rede cujo objetivo foi obter subsídios pode ser compensado integralmen- para a elaboração da Análise de Imte na contabilização da energia for- pacto Regulatório (AIR) sobre alnecida pelas distribuidoras. Embora ternativas de aprimoramentos ao atraente para os prosumidores, este regulamento vigente [6], a fim de modelo tende a gerar distorções, na equilibrar o mercado e assegurar forma de subsídios cruzados, devido o desenvolvimento sustentável da à base 1:1 embutir todos os compo- GD sob a perspectiva dos diversos nentes tarifários, isentando assim os agentes. Esta AP resultou em notas prosumidores dos custos de uso da técnicas que abordaram os impactos infraestrutura de distribuição, o que regulatórios das alterações proposconfigura uma assimetria no trata- tas e as análises das contribuições mento dado aos consumidores ao recebidas[7]. favorecer aqueles com poder aquisitivo para investir num sistema de A AIR realizada considerou seis geração própria, além de contribuir cenários distintos de bases de compara a elevação das tarifas de ener- pensação, conforme apresentado na gia. Ao longo do tempo, o volume Figura 2, nos quais são simulados os desses subsídios cruzados tem se efeitos da retirada dos componentes tornado significativo devido ao cres- da tarifa de distribuição da base de cimento da GD no mercado brasilei- compensação devida aos prosumidoro, como mostra a Nota Técnica (NT) res. Assim, são obtidos diferentes ní188/2019-SGT/ANEEL que estima um veis de redução dos custos atualmenrepasse de R$ 205 mi para os agentes te incorridos pelos consumidores não do setor e consumidores por conta adotantes. desses efeitos [5].

Figura 2: Componentes tarifárias consideradas em cada alternativa[7]

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ATUALMENTE, OS GASTOS DE ENERGIA DOS CONSUMIDORES EM BT DEPENDEM DE FORMA QUASE EXCLUSIVA DA QUANTIDADE DE ENERGIA CONSUMIDA, UTILIZANDO UM MODELO TARIFÁRIO MONÔMIO QUE OPERA EM BASE VOLUMÉTRICA A Alternativa 0 corresponde à base atual de 1:1 e, caso mantida, faria com que em 15 anos (de 2020 a 2035), os consumidores não adotantes do net-metering arcassem com um custo adicional de aproximadamente R$ 55 bilhões. No outro extremo, na Alternativa 5 apenas a componente referente a Tarifa de Energia (TE) incidiria na compensação pela energia exportada para a rede, sendo os demais componentes inteiramente arcados pelo prosumidor, o que levaria a uma melhor distribuição dos custos de uso da rede. A AIR reconhece certa perda de competitividade econômica da neste cenário, mas estima que ainda seriam alcançados 12 GW instalados em 2035, enquanto os custos a serem redistribuídos aos demais usuários seriam reduzidos de forma expressiva. Em seguida, a ANEEL lançou a Consulta Pública (CP) 25/2019 com notas técnicas adicionais e a proposta de resolução[8] que, de certa forma, surpreendeu o mercado ao propor uma transição mais agressiva em direção à Alternativa 5 [9]. Seguiu-se então um debate acalorado que acabou se expandindo da esfera técnica para a área política, jurídica e legislativa, como indicam as manifestações do Tribunal de Contas da União (TCU) estabelecendo um prazo de 90 dias para que a ANEEL apresente um plano efetivo de revisão da RN 482/2012[10] prevendo a retirada do modelo de diferenciação tarifária entre os consumidores, o Projeto de Lei Suplementar (PLS) 232 em discussão do senado federal e outras ações no âmbito do Ministério das Minas e Energia. Em resumo, observa-se que a discussão sobre os ajustes na base de compensação do net-metering continua em aberto, o que torna propício a discutir este tema à luz das inicia6

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tivas de modernização do mercado, dos custos de manutenção e expanconforme tratado adiante. são da rede elétrica, fazendo com que cada consumidor seja cobrado A modernização setor elétrico e especificamente pelos serviços que demanda da rede, o que auxiliaria na a GD redução dos subsídios cruzados entre Nesta seção, são apresentadas adotantes e não-adotantes causados algumas iniciativas de modernização pela base de compensação atual da do setor elétrico, ligadas direta ou GD uma vez que os custos de distriindiretamente à GD. São abordados buição estariam cobertos pela parcea tarifação binômia, a abertura do la fixa da tarifa. Observa-se, portanto, mercado livre, o PLD horário e as tec- uma relação bastante próxima com a alternativa 5 mostrada anteriormennologias de transformação digital. te na Figura 2. Tarifação Binômia Todavia, são necessárias avaliaAtualmente, os gastos de energia ções para que este modelo não acardos consumidores em BT dependem rete efeitos adversos ao mercado, de forma quase exclusiva da quan- como por exemplo novas distorções tidade de energia consumida, utili- ou a perda de atratividade da GD. Eszando um modelo tarifário monômio pera-se, portanto, que o debate em que opera em base volumétrica. Esse torno da tarifa binômia evolua em mecanismo provê cobertura para as conjunto com o aprimoramento das receitas das distribuidoras por meio regras da RN 482/2012 ora em disda Tarifa de Uso dos Serviços de Dis- cussão. tribuição (TUSD). Ao ser valorada em Abertura do Mercado Livre em R$/kWh, a TUSD tende a introduzir distorções na estrutura tarifária uma Baixa Tensão vez que os custos dos serviços de O mercado de energia visa perfornecimento guardam uma relação estreita com a demanda máxima das mitir que os consumidores possam UCs, e não com o consumo acumula- escolher seus fornecedores diretado de energia. Este aspecto justifica mente com os geradores ou intero debate em torno da Tarifa Binômia mediados por comercializadores auem que a TUSD passaria a ser deter- torizados. Com isso, estimula-se a minada por fatores como o porte da competitividade no mercado ao mesinstalação elétrica, a demanda máxi- mo tempo em que se abrem camima, o número de fases, entre outros, nhos para novos arranjos comerciais. representando assim de forma mais efetiva os custos reais da distribuiNo mercado cativo em BT, o conção. Por outro lado, a energia elé- sumidor ainda não possui esta opção trica, correspondente à parcela (TE) de atuar na contratação da energia a da tarifa aplicada aos consumidores, ser consumida cotidianamente, sencontinuaria a ser cobrada em base do submetido ao preço regulado e volumétrica. Em resumo, a Tarifa Bi- preestabelecido para a concessionánômia consistiria em um componen- ria de distribuição atuante em sua rete fixo, a TUSD atualizada, e um com- gião. Por outro lado, o Ambiente de ponente volumétrico, a TE. Contratação Livre (ACL), atualmente restrito a consumidores que atenEm tese, a aplicação da Tarifa Bi- dem condições específicas, permite nômia implicaria no balanceamento a contratação de energia elétrica di-


Associado: Associação Brasileira de Geração Distribuída

30 ANOS FIXANDO QUALIDADE

FIXADORES PARA P ENERGIA SOLAR

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SEXTAVADO

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retamente dos geradores / comercializadores por meio de contratos bilaterais com condições livremente negociadas, como preço, prazo, volume e modulação horária.

já operava em modo sombra com o PLD semanal, permitindo aos agentes avaliar seus impactos e, ao mesmo tempo, realizar correções e aprimoramentos. Em janeiro de 2021, a CCEE passou a adotar o modelo Ademais, o movimento de aber- DESSEM para fins de cálculo do PLD tura do mercado está alinhado com em base horária. Esse mecanismo de os princípios de sustentabilidade do precificação de energia em intervalo setor de energia e da sensibilização horário requisitará processos mais de consumidores para a escolha de robustos de análise de dados, climátifontes renováveis, aspectos funda- ca e de demanda e novos referenciais mentais para a mitigação das mudan- de preços que certamente aumentaças climáticas. Observa-se, portanto, rão a complexidade do mercado. um paralelo com os objetivos traçados para GD, o que estimula a busca Por outro lado, a precificação por oportunidades num futuro mer- horária poderá incentivar novos arcado aberto em BT. ranjos entre os agentes, abrindo oportunidades, por exemplo, para autoprodutores que desejam comerPLD Horário cializar energia ao se apoiarem em A transição do Preço de Liqui- novas tecnologias, como os sistemas dação das Diferenças (PLD) da base de armazenamento via baterias, que semanal para a base horária certa- permitem que a energia seja comermente representará um marco no cializada com maior flexibilidade. Em processo de transformação do mer- paralelo a isso, o mercado de mocado. Com o aumento da participa- bilidade elétrica também pode ser ção de fontes renováveis intermiten- beneficiado visto que os Veículos tes, como a solar e a eólica, na matriz Elétricos (VEs) podem atuar em aplienergética brasileira, surgiu a inicia- cações no local de consumo (Behind tiva da Câmara de Comercialização the meter), tanto como sistemas de de Energia Elétrica (CCEE) de mudar backup ou injetando energia na rede a forma de cálculo para trazer mais elétrica quando em modo Vehicle-toflexibilidade e competitividade ao -Grid (V2G). Assim, em conjunto com setor. A principal diferença é que a o PLD horário, essas tecnologias poenergia no Mercado de Curto Prazo dem gerar novas oportunidades para (MCP) passa a ser precificada diaria- a comercialização da energia provemente e em base horária, deixando niente da GD. de ser calculada em frequência seDigitalização do Setor Elétrico manal e em patamares (pesada, média e leve). Desta forma, a CCEE irá As transformações no setor enercalcular diariamente o preço do MCP para a operação do dia seguinte, com gético trazem consigo oportunidades a possibilidade de preços diferentes que incentivam o desenvolvimento de soluções para fazer frente às ao longo das horas do dia [11]. questões enfrentadas atualmente. A implantação do PLD Horário Neste sentido, as tecnologias digitais teve seu início em janeiro de 2020 serão peça-chave deste processo, com a adoção pelo ONS do novo como comprovado a partir da immodelo DESSEM na programação da plantação em diversos países de Inoperação. Nesse ano, o PLD horário fraestruturas Avançadas de Medição

(AMI, do inglês, “Advanced Metering Infrastructure”) constituídas de medidores de energia elétrica com inteligência computacional e conectividade, capazes do envio remoto de informações de medição e outras grandezas elétricas [12]. O acesso e processamento dessas informações permitem que análises, processos de planejamento e diagnósticos sejam realizados com dados obtidos em tempo real e/ou armazenados em bases históricas, habilitando a evolução dos modelos de operação e a criação de novos modelos de negócio para o mercado de energia como um todo, inclusive para a GD. Os caminhos da GD no cenário de transformação do setor de energia elétrica Além da relevância adquirida pela GD no mercado de energia, um aspecto a destacar ao longo do texto é a convergência das iniciativas de ajuste do modelo de operação atual com as iniciativas de modernização apresentadas, a qual leva a um conceito de energia como uma commodity, passível de compensação pela exportação à rede elétrica, como ocorre no net-metering, ou de comercializado no mercado a preços definidos pelas partes ou referenciados pelo PLD horário. Neste contexto, a GD se alinha ainda mais com a proposta de valor dos Recursos de Energia Distribuída (REDs), um dos pilares da modernização do setor, o qual se ampara fortemente nas tecnologias digitais e com potencial de viabilizar novos arranjos e modelos de negócio, como apresentado a seguir. Plantas Virtuais de Geração Ao operar de forma agregada e integrada ao sistema de distribui-

AS TRANSFORMAÇÕES NO SETOR ENERGÉTICO TRAZEM CONSIGO OPORTUNIDADES QUE INCENTIVAM O DESENVOLVIMENTO DE SOLUÇÕES PARA FAZER FRENTE ÀS QUESTÕES ENFRENTADAS ATUALMENTE 8

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ção, um conjunto de REDs, como por exemplo unidades de GD acopladas a sistemas de armazenamento de energia, pode atuar como uma única unidade geradora, proporcionando total visibilidade nos mercados de comercialização de energia. Este tipo de arranjo, conhecido como Virtual Power Plants (VPPs), ocasiona mudanças nas práticas operacionais das distribuidoras que passam a lidar com uma rede ativa, flexível e resiliente, apta a atender aos serviços demandados pelos clientes ao mesmo tempo em que reduz os custos de operação ao dispor de uma variedade de recursos para tratar eventos e situações de alta demanda e consumo de energia na rede elétrica[13].

ção de novos modelos de negócio e buscar a autossuficiência energética aperfeiçoamento dos processos atu- da comunidade, tem o potencial de ais. fornecer excedentes para a rede de distribuição e prestar serviços anciDiversos pilotos como o Lyon lares. Desta forma, as comunidades Smart Community (França)1, The podem contribuir para a otimização Brooklyn Microgrid (EUA)2, Grid+ da infraestrutura das redes elétrica (EUA)[]3 e a Kyocera Project (Japão)[]4 e para a melhoria dos indicadores de têm sido desenvolvidos para avaliar qualidade de energia. a viabilidade técnica do modelo de Nesse contexto, destacam-se comercialização P2P em redes convencionais, microrredes e VPPs. No projetos nos Estados Unidos e Auscenário nacional, a COPEL e a Funda- trália em que prosumidores comerção CPQD têm sido pioneiros na ex- cializam energia, a preços que variam ploração de tecnologia nos mercados conforme a localização e horário, a de energia por meio de um projeto fim de otimizar o fluxo de energia na de P&D ANEEL voltado à concepção rede de distribuição [12]. Baseados de um Marketplace de energia para em Blockchain, iniciativas deste tipo a GD, o qual irá fornecer subsídios podem se firmar como boas oportupara os aprimoramentos regulatórios nidades para manter a competitividaAssim, as VPPs fornecem uma necessários e para a organização do de da GD e assegurar a sua contínua nova perspectiva para a evolução das novo mercado[14]. expansão. redes inteligentes, englobando novas tecnologias, serviços, modelos de Considerações Finais Comunidades Energéticas negócio e formas de relacionamento dos consumidores com o mercado. Ao longo do artigo foram apreA massificação da GD e outras Como REDs, unidades individuais de tecnologias, como o armazenamen- sentados os principais pontos relaGD podem se juntar a esses agrupa- to, têm favorecido a formação de co- cionados ao debate atual sobre o mentos e serem remuneradas com munidades energéticas, constituindo aprimoramento das regras da GD, base na energia fornecida ou por ou- arranjos em que pessoas físicas ou suas motivações e possíveis camitros serviços prestados aos sistemas jurídicas participam diretamente da nhos para diversificar suas aplicações elétricos. organização e uso dos recursos dos no setor elétrico, com vistas a assesistemas energéticos[15]. Embora a gurar a contínua expansão dessa moComercialização de Energia autonomia de suprimento venha a dalidade de geração. ser uma meta desses arranjos, estes Sendo tratado como uma com- não se encontram necessariamente São ressaltados a importância modity, os excedentes da GD passam isolados, estando em geral conec- dos aprimoramentos regulatórios a ser um objeto de comercialização, tados à rede elétrica, o que propor- para viabilizar futuros arranjos coquebrando assim o paradigma atual ciona segurança no fornecimento de merciais e o alinhamento com as inide transações apenas entre as UCs energia e novas oportunidades de ciativas de modernização ora em disprosumidoras e as distribuidoras. participação no mercado. cussão, as quais têm o potencial de Desta forma, tais excedentes poconstituir soluções para resolver as dem ser transacionados por meio Nestas comunidades, as tran- assimetrias atuais e construir um mode comercializadores – de forma si- sações de energia entre os partici- delo sustentável para a GD, alinhado milar à operação no mercado livre, pantes são facilitadas por conta do com a estrutura do mercado de enerou diretamente entre prosumidores arranjo em si, formando um merca- gia e com as inovações tecnológicas. e consumidores, constituindo uma do de energia próprio que além de comercialização Peer-to-Peer (P2P) Referências que tem tido bastante atenção no 1 Lyon Smart Community, “Un Partenariat Intermercado devido ao advento da tec- national Pour Développer”, 2017. Disponível em: [1] PIERRO, B. Revista Pesquisa nologia Blockchain, base para a for- <http://www.economie.grandlyon.com/fileadmin/ FAPESP. Para aproveitar o Sol. Dischiers/site_eco/20171010_gl_lyon_ mação de ambientes transacionais user_upload/fi ponível em: https://revistapesquisa. smart_community_bilan_perspectives_plaquetdescentralizados e que tem desperta- te_fr.pdf>. Acesso em jan. de 2021. fapesp.br/para-aproveitar-o-sol/. 2 do um crescente interesse nos vários Brooklyn Energy, “The Brooklyn Microgrid”, Acesso em jan. 2021. segmentos do setor de energia elétri- 2019. Disponível em: <https://www.brooklyn. energy/>. Acesso em jan. de 2021. ca. [2] ANEEL. Unidades Consumidoras 3 GridPlus, “Grid+ IO”. Disponível em:<https:// com Geração Distribuída. Disponível 2021. Acesso em jan. de 2021 Por implementar um mecanis- gridplus.io/>, em aneel.gov.br. Acesso em janei4 mo eficaz, seguro e confiável para Ledger Insights, “Japanese Ministry, Kyocera ro/2021. in blockchain renewable energy solution”, 2020. ambientes descentralizados, o Blo- Disponível em:<https://www.ledgerinsights.com/ ckchain tem se posicionado como japanese-ministry-kyocera-in-blockchain-renewa- [3] ANEEL. Acesso da micro e mini geum mecanismo eficaz para a cria- ble-energy-solution/>. Acesso em jan. de 2021 ração distribuída aos sistemas de dis10

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Artigo

tribuição. Resolução 482/2012. Disponível em http://www2.aneel.gov. br/cedoc/ren2012482.pdf/. Acesso em jan. 2021. [4] ANEEL. Aprimoramentos da Resolução 482/2012 – Geração Distribuída. Resolução 687/2015. Disponível em http://www2.aneel.gov.br/ cedoc/ren2015687.pdf/. Acesso em jan. 2021. [5] Nota técnica NT 188/2019 - inserir link e completar referência. ANEEL, “Revisão das regras aplicáveis à micro e minigeração distribuída Resolução Normativa nº 482/2012”, outubro de 2019. [6] ANEEL. Audiência Pública para revisão das regras de Geração Distribuída – AP 01/2019. Disponível em: https://www.aneel.gov.br/audiencias-publicas. Acesso em jan. 2021. [7] ANEEL, “Relatório de Impacto Regulatório nº 003/2018 – Revisão das Regras da Geração Distribuída”, outubro de 2019. Disponível em: https://www.aneel.gov.br/consultas-publicas. Acesso em jan. 2021. [8] ANEEL. Audiência Pública para obter subsidiar a elaboração da minuta de texto à Resolução Normativa 12

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D., McCallum, P. and Peacock, A., “Blockchain technology in the energy sector: A systematic review of challenges and opportunities”. Renewable and Sustainable Ener[9] Canal Energia. Aneel recebe mais gy Reviews, Volume 100, 2019, de 160 contribuições para revisão Pages 143-174. da REN 482. Disponível em https:// www.canalenergia.com.br/noti- [13] Madureira, T. S., “Gerenciacias/53123332/aneel-recebe-mais- mento Ótimo de Energia em Plan-de-160-contribuicoes-para-revisao- tas Virtuais de Geração Através de -da-ren-482. Acesso em jan/2021. Programação Linear Inteira Mista”, 2017. Dissertação de Mestra[10] Canal Energia. Aneel terá que do em Engenharia Elétrica na Uniapresentar plano de retirada de in- versidade Estadual de Campinas centivos à GD. Disponível em: ht- – UNICAMP. tps://www.canalenergia.com.br/ noticias/53155077/aneel-tera-que[14] Rolim, L. A., G., Toshioka, F., Kus-apresentar-plano-de-retirada-de-insler, P. C., Pupo, M. V. S., “Marketplacentivos-a-gd. Acesso em jan. 2021. ce Descentralizado para a Geração [11] MME. Preço Horário: im- Distribuída – Estrutura, Governança plementação é aprovada. Dis- e Contribuições para o Debate Reponível em: http://www.mme. gulatório”, XII Congresso Brasileiro gov.br/web/guest/todas-as-no- de Planejamento Energético – CBPE, ticias/-/asset_publisher/pdAS9I- 2020. cdBICN/content/preco-horario- i m p l e m e n t a c a o - e - a p r o v a d a / [15] Caramizaru, E. and Uihlein, A., pop_up?_101_INSTANCE_pdAS9Ic- Energy communities: an overview dBICN_viewMode=print&_101_INS- of energy and social innovation, TANCE_pdAS9IcdBICN_languageI- EUR 30083 EN, Publications Office of the European Union, Luxembourg, d=pt_BR. Acesso em jan. 2021. 2020, ISBN 978-92-76-10713-2 (on[12] Andoni, M., Robu, V., Flynn, line), doi:10.2760/180576 (online), D., Abram, S., Geach, D., Jenkins, JRC119433. nº 482/2012 – AP 25/2019. Disponível em: https://www.aneel.gov.br/ audiencias-publicas. Acesso em jan. 2021.



CONSIDERAÇÕES ACERCA DA ATUAL REVISÃO NORMATIVA DA GERAÇÃO DISTRIBUÍDA Por Marcelo Tanos e Marina Meyer Falcão

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or intermédio da Resolução Normativa ANEEL nº 482/2012 restaram estabelecidas as condições gerais para o acesso de unidades micro e minigeradoras distribuídas ao sistema de distribuição de energia elétrica, bem como instituído o sistema de compensação de energia elétrica. Desta feita, foi facultada ao consumidor brasileiro a possibilidade de geração da sua própria energia elétrica a partir de fontes renováveis – solar, eólica, hidráulica e cogeração qualificada –, bem como de fornecer o excedente de energia para a rede de distribuição de sua localidade – a título de empréstimo gratuito – para posterior consumo mediante sistema de compensação de energia elétrica instituído pela ReN ANEEL nº 482/2012. Há que se registrar que, desde a implementação desta nova e relevante modalidade de geração, muito tem se falado acerca da necessidade de “reequilibrar” a regulamentação de modo que os demais consumidores não sejam onerados em decorrência de subsídios conferidos aos consumidores que geram a sua própria energia – como no caso das unidades micro e minigeradoras distribuídas. 14

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Isso porque tais unidades, também chamadas “prossumidoras”, não suportam determinadas cobranças relativas ao uso do sistema de distribuição afetas a componentes tarifárias, encargos e perdas técnicas, as quais são devidas pelos demais usuários do sistema de distribuição – resultando no estabelecimento, portanto, de subsídio cruzado entre consumidores, o que deve ser objeto de lei e não de resolução setorial. Nesse contexto, insta esclarecer que foram promovidas a Consulta Pública ANEEL nº 25/2019 e a Audiência Pública ANEEL nº 40/2019, que têm por objetivo a obtenção de subsídios e informações adicionais para a minuta provisória de texto que alterará a ReN ANEEL nº 482/2012, a qual é resultado da Audiência Pública nº 001/2019 e fora objeto de severas críticas por parte da sociedade e do Congresso Nacional. Como a minuta provisória de texto impõe às micro e minigeradoras distribuídas demasiado aumento de custos para utilização do sistema de distribuição, o regulamento em elaboração se revela contrário aos estímulos à geração distribuída e à autoprodução da energia, bem como desconsidera os principais benefícios decorrentes de tal modalidade de geração, como a postergação de

investimentos nos sistemas de distribuição / transmissão e o alívio nas redes, o que contribui para o aumento da vida útil de condutores e de outros equipamentos existentes ao longo de uma linha de distribuição/ transmissão. É importante mencionar que o Congresso Nacional está intimamente envolvido com o tema e bastante comprometido com a difusão da tecnologia de geração de energia elétrica por meio da modalidade de geração distribuída, havendo, inclusive, uma predisposição para que o assunto seja tratado via lei e não por meio de resolução da Agência Reguladora, o que sanaria, concomitantemente, quaisquer questionamentos relativos à existência de subsídio cruzado consubstanciado em incentivos direcionados aos micro e minigeradores distribuídos, relativos aos custos de utilização do sistema de distribuição local. Apesar da previsão inicial para implementação da nova regra em 2020, tem-se que até a presente data a Agência Reguladora não publicou o novo regulamento, o que está – atualmente – previsto para o primeiro trimestre de 2021. Fato é que a pandemia ocasionada pela Covid-19 impactou a agenda da Agência Reguladora, assim como a de qualquer


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outro órgão da administração pública, que voltaram seus esforços para a aprovação de medidas urgentes e extraordinárias para contenção da crise recentemente vivenciada e ainda percebida a nível mundial.

propostas de revisão da ReN ANEEL nº 482/2012 por meio de projetos de lei, como por exemplo (i) o PL 2215/2020, que visa alterar a Lei nº 9.074/1995 para estabelecer o Sistema de Compensação de Energia Elétrica – SCEE, (ii) o PL nº 5829/2019, que tem por objeto alterar a Lei nº 9.427/1996 para reduzir as tarifas de uso dos sistemas de distribuição / transmissão e os encargos incidentes nas unidades consumidoras nas quais a energia proveniente de geração distribuída será compensada, bem como (iii) o próprio PL do Código Brasileiro de Energia Elétrica – CBEE, que tem por objetivo unificar todo o vasto regulamento existente em um único código, conferindo maior segurança jurídica e solidez para o setor elétrico.

Ademais, diante do evidente interesse manifestado pelo Congresso Nacional, pode-se concluir que a ANEEL – provavelmente – aguardará que o Poder Legislativo aprove Projeto de Lei sobre o tema em referência até o encerramento do primeiro trimestre de 2021, caso contrário, a Agência Reguladora poderá publicar a minuta provisória de texto resultado da Audiência Pública nº 001/2019, a qual se mostra desfavorável ao desenvolvimento da geração distribuída no país e comprometerá inúmeros empreendimentos de geração em operação e em implantaÉ notório que a edição de regução. lamentos afetos ao setor elétrico deve ser necessariamente pautaSob esse aspecto, ressalta-se que da em políticas e diretrizes previase encontram em trâmite avançadas mente estabelecidas pelo Governo

Federal, o que se justifica diante da necessidade de se manter os objetivos a serem alcançados pelos regulamentos, evitando-se, dessa maneira, comandos desproporcionais ou desarrazoados, que fogem das finalidades originariamente previstas pela norma, bem como assegurando pleno acesso aos serviços de energia elétrica. Desta feita, espera-se que a nova norma que disciplinará a modalidade de geração distribuída consista em comandos legais exequíveis, de fácil entendimento e aplicação, proporcionando relação pacífica e equilibrada entre os agentes setoriais, o que se dará por meio da edição de dispositivos regulatórios estáveis e que resultem em segurança jurídica para os envolvidos, de forma a evitar tratamentos injustos, que, a seu turno, desencadeiam recursos administrativos e judiciais, degradando, em consequência, as relações que deveria, na verdade, harmonizar.

REFERÊNCIAS AUTORAIS MARCELO TANOS NAVES Advogado e Sócio-Fundador da LTSC Sociedade de Advogados, com especialização em Direito Regulatório e Direito da Energia pelo Centro de Direito Internacional – CEDIN e pelo Instituto de Altos Estudos em Direito – IAED. Pós-graduado em Direito Tributário pelo Centro de Estudos na Área Jurídica Federal – CEAJUF. Graduado em direito pelo Centro Universitário de Belo Horizonte. Membro fundador da Associação Brasileira de Direito da Energia e do Meio Ambiente – ABDEM e integrante do Comitê de Gás Natural. Membro da Câmara de Energia da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais – FIEMG. Membro da Comissão de Direito da Energia da OAB/MG. Vice-Presidente da Comissão de Direito da Geração Distribuída da OAB/MG. Atuou como advogado na Gerência de Direito Regulatório, Tributário e Comercial da Companhia Energética de Minas Gerais – CEMIG no período de 2008 a 2015, com expertise nos segmentos de geração, distribuição, transmissão e comercialização de energia elétrica. Contatos: (31) 2515-2001 / (31) 99645 9061 / marcelotanos@ltscadvogados.com.br

MARINA MEYER FALCÃO Advogada e Sócio-Fundadora da Marina Meyer Sociedade Individual de Advocacia - em Parceira com a LTSC Sociedade de Advogados, Diretora Jurídica da ABGD; Advogada especialista em Direito de Energia. Membro representante do Estado de Minas Gerais na missão Energias Renováveis na Alemanha em 2018 e nos Estados Unidos em 2016 (The U.S. Department of State's sponsoring an International Visitor Leadership Program project entitled “Modernizing the Energy Matrix to Combat Climate Change,” for Brazil in (2016), Autora de 3 Livros em Direito de Energia, MBA em Direito Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas. Pós-graduada em Gestão Ambiental pelo Instituto de Educação Tecnológica – IETEC. Graduada pela Universidade FUMEC. Membro da Comissão de Energia da OAB – MG, Presidente da Comissão de Direito da Geração Distribuída da OAB – MG; Membro da Câmara de Energia, Petróleo e Gás da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais - FIEMG; Ex-Superintendente de Política Energética do Estado de Minas Gerais (2009 a 2014); Ex-Conselheira do Conselho de Política Ambiental – COPAM do Estado de Minas Gerais (2009 a 2014); Ex-Secretária Executiva do Comitê Mineiro de Petróleo e Gás. Contatos: (31) 2515-2001 / (31) 98788-4115 / marinameyerfalcao@gmail.com e marina@ltscadvogados.com.br

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Artigo

POTENCIAL BIOQUÍMICO DE HIDROGÊNIO A PARTIR DO BAGAÇO DE MANDIOCA Gabriel Eduardo Kupeniski Gomes1; Tamiris Uana Tonello1; Simone Damasceno Gomes1

RESUMO A utilização de resíduos orgânicos para a produção biológica de hidrogênio é uma abordagem bastante promissora, podendo haver o tratamento das águas residuárias de forma simultânea à geração de energia limpa. Diante disso, o objetivo desse trabalho foi produzir hidrogênio a partir do bagaço de mandioca (BM), avaliando a granulometria e um pré-tratamento parcial do mesmo, a fim de completar o processo no potencial bioquímico de hidrogênio (BHP). O experimento utilizou o bagaço de mandioca in natura e submetido a um pré-tratamento térmico, no qual foi seco a 60ºC por 72 horas e posteriormente obteve-se duas granulometrias. Foram realizados três ensaios de BHP com água residuária sintética, inoculo e o bagaço quebrado, triturado e peneirado. Os ensaios foram incubados em estufa a 32°C por um período de 7 dias, nesses quais também foram realizadas medidas para quantificar o volume de biogás produzido. A produção volumétrica acumulada foi de 79 ml; 329,5 ml e 451ml para os BHP1, BHP2 e BHP3, respectivamente. Os resultados do BHP2 e BHP3, foram influenciados pela quebra do material lignocelulósico, o que facilitou o término do processo de hidrolise gerada pelos microrganismos para posteriormente seguir com a digestão anaeróbia. PALAVRAS-CHAVE: pré-tratamento; água residuária sintética; amido.

Introdução O hidrogênio é leve, simples e o mais abundante de todos os elementos químicos do universo. O hidrogênio tem como vantagem o excepcional potencial energético por conteúdo de massa de 143 MJKg-1; possibilidades de transporte e armazenagem; segurança e emissão de poluentes reduzida [1], uma vez que, a combustão gera água como único subproduto [2].

A possibilidade de utilizar resíduos orgânicos como substratos para produção de hidrogênio, torna o processo biológico bastante atrativo. Como os amidos são a principal fonte de carbono dos micro-organismos produtores de hidrogênio, o bagaço de mandioca é um substrato promissor para sua produção devido ao elevado teor de amido (84,85 g 100g-1) [3].

gradação, necessitando de um prétratamento para despolimerização de moléculas complexas (lignina e celulose, que compõem o bagaço de mandioca)[4].

Diante disso o objetivo desse trabalho foi produzir hidrogênio a partir do bagaço de mandioca, avaliando a granulometria e um pré- tratamento parcial do mesmo a fim de que complete o processo no potencial bioquíA geração de amido por meio do mico de hidrogênio (BHP). processamento de mandioca, vem Metodologia Diante disso, estudos buscam cada vez mais crescendo economipor fontes energéticas eficientes, camente em países tropicais, como O experimento foi conduzido no disponíveis e renováveis como al- o Brasil. No processo de industrialiternativa aos combustíveis fósseis. A zação da mandioca são gerados resí- Laboratório de Reatores Biológicos, utilização de resíduos orgânicos para duos que podem causar impacto am- Saneamento Ambiental e Análises a produção biológica de hidrogênio biental. Devido a isso, as indústrias Agroambientais da Universidade Esé uma abordagem bastante promis- procuram alternativas para transfor- tadual do Oeste do Paraná, campus sora, uma vez que o tratamento das mar seus resíduos em produtos de de Cascavel. águas residuárias e geração de ener- interesse. O bagaço de mandioca foi coletagia limpa podem ocorrer simultaneamente e com baixo requerimento No processamento de mandio- do em indústria de fécula de mandioenergético. ca são gerados muitos resíduos, mas ca da região Oeste do Paraná e caraco tratamento desses resíduos ain- terizado quanto aos parâmetros: da precisa de melhorias. O elevado a) teor de umidade e cinzas, utiteor de fibras, torna da industria de Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Cascavel, mandioca um produto de lenta de- lizando-se a metodologia do Instituto 1

Paraná, gabrieleduardokgomes@gmail.com.

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FERRAGEM DE FIXAÇÃO PARA MÓDULOS FOTOVOLTAICOS

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Artigo

Adolfo Lutz (IAL, 1985) [5]; b) amido foi determinado por titulação utilizando o método de Lane-Eynon [6]; c) açúcares totais pela metodologia de Dubois et al. (1956) [7]. O bagaço de mandioca in natura foi submetido a um pré-tratamento térmico, no qual foi seco a 60ºC por 72 horas e posteriormente obteve duas granulometrias: 1) triturado em moinho e peneirado (60 Mesh); e 2) quebrado. O ensaios de BHP foram inoculados com inóculo proveniente do reator da estação de tratamento de esgoto da cidade de Cascavel. Oinóculo foi submetido a um pré-tratamento térmico para eliminação dosmicro-organismos consumidores de hidrogênio. No tratamento térmico o inóculo foi aquecido por 15 minutos à temperatura de 95°C, conforme recomendações de Sreethawong et al. (2010) [8]. Alimentação dos ensaios foi seguida de água residuária sintética com base de sacarose como carga orgânica, conforme a metodologia Penteado (2012) [9].

frascos foram purgados com nitrogênio gasoso (N2) durante 5 minutos para manter as condições de anaerobiose e em seguida incubados em estufa a 32°C.

ção volumétrica acumulada (PVBA) e composição do biogás foram coletados diariamente durante 7 dias de coleta.

O volume do biogás foi quantificado todos os dias e a coleta para análise qualitativa do biogás foi realizada diretamente nos frascos. O tempo de condução dos ensaios fora dependente da produção de gás. Os constituintes do biogás (hidrogênio, dióxido de carbono e metano) foram determinados por cromatografia gasosa em cromatógrafo Shimadzu® 2010 equipado com coluna capilar Carboxen® 1010 plot (30 m x 0,53 mm x 0,30 µm). A metodologia de determinação foi descrita por Peixoto et al. (2011) [10].

Resultados e Discussões O bagaço de mandioca foi caracterizado para realizar o calculo de concentração de sólidos voláteis adicionado em cada BHP e com isso analisada a concentração de umidade nele. O BM continha 7,5% de umidade mesmo seco em estufa, valor próximo aos relatados por Jasko, et al. (2011) [11], (11,5 %). Dos sólidos presentes no BM, 98 % é volátil, tanto para o BM in natura e seco. O teor de amido presente no BM seco resultou em 75%.

A produção volumétrica e a proA presença de hidrogênio no biogás foi verificada em todos os en- dução volumétrica acumulada de saios. Os indicadores de produção biogás é apresentada nas Figuras 1 e volumétrica de biogás (PVB), produ- 2.

As condições experimentais dos ensaios de Potencial Bioquímico de Hidrogênio (BHP) foram realizadas em frascos de Duran 500 mL, sendo 200 mL de volume útil e 300 mL de headspace. Na avaliação do potencial bioquímico do bagaço de mandioca foram realizados três ensaios, que foram assim definidos: BHP1: definido como ensaio controle para a verificação da capacidade do inóculo na geração de hidrogênio água residuária sintética (180 mL), inóculo (20 mL) e sacarose (2 g.L-1);

Figura 1. Produção volumétrica de biogás nos ensaios de BHP

BHP2: água residuária sintética (180 mL), inóculo (20 mL) e bagaço de mandioca seco e triturado (1,805 g, equivalente a 1,63g de sólidos voláteis); BHP3: água residuária sintética (180 mL), inóculo (20 mL) e bagaço de mandioca seco e quebrado (1,805 g, equivalente a 1,63 g de sólidos voláteis). O pH inicial do substrato foi ajustado para 6,5± 0,1 com HCl 37% e NaHCO3. Posteriormente todos os 22

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Figura 2. Produção volumétrica acumulada de biogás nos ensaios de BHP.


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Artigo

O BHP1 (ensaio controle) apresentou uma PVB de aproximadamente 3 ml d-1 de biogás, porém nos primeiros dias de ensaios chegou a produzir 74 ml de biogás. Fato que pode estar relacionado a concentração de matéria orgânica no meio, onde foi adicionado apenas sacarose como matéria orgânica. Em comparação com os BHP 2 e 3 manteve-se um PVB de aproximadamente 51 ml d-1 e 71 ml d-1 de biogás, respectivamente. Esses resultados foram obtidos devido a concentração da matéria orgânica, sacarose mais o BM, que é rico em amido(sacarose) em sua composição, favorecendo a produção de hidrogênio.

Conclusão

Nesse trabalho foi avaliada a produção de hidrogênio em ensaios de batelada a partir do potencial bioquímico de hidrogênio utilizando bagaço de mandioca juntamento com água residuária sintética. As maiores concentraçoes de hidrogênio foram de 29,46%, 32,06% e 31,12%, referentes ao BHP1, BHP2 e BHP3 respectivamente. Como pode-se observar o BHP2 (água residuária sintética, inóculo, e bagaço de mandioca seco e triturado) foi o que apresentou maior produção de biogás quanto a porcentagem de hidrogênio, considerando a secagem e trituração do bagaço como pré-tratamento eficaz para a A produção volumétrica de bio- produção de hidrogênio. gás acumulada (PVBA) nos ensaios foi de 79 ml, 329,5 ml e 329,5 ml para os BHP1, BHP2 e BHP3, respectivamen- Referências te. A Figura 3 apresenta o percentual de hidrogênio no biogás que foi quantificado durante o tempo de incubação dos ensaios.

A composição de hidrogênio para o BHP1 atingindo 29,46 % H2 nos primeiros dias de coleta; para o BHP2 que apresentou maior composição obteve média de 32,06% H2 e seguido do BHP3 que atingiu média de composição de hidrogênio de 30,12% H2. Os resultados do BHP2 e BHP3, foram influenciados pela quebra do material lignocelulósico, o que facilitou o término do processo de hidrolise gerada pelos microrganismos para posteriormente seguir com a digestão anaeróbia.

[1] MAZLOOMI, K.; GOMES, C. Hydrogen as an energy carrier: Prospects and Challenges. Renewable and Sustainable Energy Reviews, v.16, p.3024-3033, 2012. [2] ACAR, C.; DINCER, I. Comparative assessment of hydrogen production methods from renewable and non-renewable sources. International Journal of Hydrogen Energy, v. 39, p.1–12, 2014. [3] FIORDA, F.A.; JUNIOR SOARES S.M.; SILVA F.A; SOUTO L.R.F.; GROSSMAM M.V.E. Farinha de bagaço de mandioca: aproveitamento de subproduto e comparação com fécula de mandioca. Pesquisa Agropecuária Tropical, v. 43, 408416, 2013.

Figura 3. Percentual de hidrogênio no biogás.

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[4] ROSSI, E. Pré-tratamentos físico-químicos e digestão anaeróbia da palha de sorgo sacarino (Sorghum bicolor L. Moench). 2019. Tese de Doutorado (Programa de Pós-Graduação em Engenharia Agrícola). Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Cascavel – PR. [5] IAL. Normas analíticas Instituto Adolfo Lutz. São Paulo: Instituto Adolfo Lutz, 1985. [6] CARVALHO, H.H.; JONG, E.V.; BELLÓ, R.M.; SOUZA, R.B.; TERRA, MF. Alimentos: método físico e químicos. Porto Alegre: Ed. Universidade /UFRGS, 2002. [7] DUBOIS, M.; GILLES, K.A.; HAMILTON, J.K.; REBERS, P. A.; SMITH, F. Colorimetric method for determination sugars and related substance. Analytical Chemistry, v. 28, 350-356, 1956. [8] SREETHAWONG, T.; CHATSIRIWATANA, S.; RANGSUNVIGIT, P.; CHAVADY, S. Hydrogen production from cassava wastewater using a anaerobic sequencing batch reator: Effects of operational parameters, COD: N ratio, and organic acid composition. International Journal of Hydrogen Energy, v. 35, 4092-4102, 2010. [9] PENTEADO, E. Influência da origem e do pré- tratamento do inóculo na produção de hidrogênio a partir de águas residuárias em biorreaotores anaeróbios. 2012. Dissertação de mestrado (Programa de Pós-Graduação em Engenharia Hiráulica e Saneamento). Escola de Engenharia de São Carlos - Universidade de São Paulo, São Carlos. [10] PEIXOTO, G.; SAAVEDRA, N. K.; VARESCHE, M. B. A.; ZAIAT, M. Hydrogen production from soft-drink wastewater in an upflow anaerobic packed-bed reactor. International Journalof Hydrogen Energy, v. 36, 8953-8966, 2011. [11] JASKO, A.C.; ANDRADE J.; CAMPOS P.F.; PADILHA L.; PAULI R.B.; QUAST L. B.; SCHNITZLER E.; DEMIATE I.M. Caracterização físico-química de bagaço de mandioca in natura e após tratamento hidrolítico. Revista Brasileira de Tecnologia Agroindustria, v. l05, 427-441, 2011.


CONTRATO: INSTRUMENTO JURÍDICO INDISPENSÁVEL NO SUCESSO DA GERAÇÃO DISTRIBUÍDA

O

alicerce do investimento bem sucedido dentro da geração distribuída denomina-se contrato. O contrato bem elaborado resulta em uma negociação próspera e segurança para o empreendimento. Esse instrumento jurídico é o “manual” responsável por reger as relações entre as partes, constituindo direitos e obrigações, antevendo riscos e resguardando de possíveis controvérsias. No cenário atual, o principal desafio dos operadores do direito atuante no mercado de energia é a ideia concebida de agentes quanto as relações contratuais, de forma que consideram contrato como instrumento particular estagnado e imutável, quando em verdade as cláusulas devem acompanhar o dinamismo do setor, e suas especificidades.

tributário, demandando análise minuciosa e a partir de então desenvolvimento de mecanismos contratuais mitigadores. Nesse sentido, independentemente da modelagem de negócio eleita, havendo compartilhamento de ativos de energia por meio da geração distribuída, e toda cadeia de negócio jurídico que envolve direitos e obrigações é imprescindível rigidez quanto ao arcabouço jurídico que circunda as relações interpartes através de instrumentos contratuais precisos e eficazes.

Logo, o papel dos instrumentos contratuais, além de oferecer segurança jurídica é mitigar risco e gerar efeitos imediatos para a viabilização da atividade econômica, em específico para a geração distribuída, primando pela manutenção das características e normas básicas do Ambiente de Contratação Regulada. Deste modo, priorizem a elaboração do seu “manual”, para constituição de empreendimentos, é ele que dita as regras do seu investimento.

Assim, não há de se falar em modelo de contrato no âmbito privado que ofereça segurança jurídica em sua aplicabilidade. Isso porque, cada empreendimento apresenta suas peculiaridades tais como, valoração econômica, isenção fiscal, encargos setoriais, localização, partes transigentes, arcabouço regulatório, societário e

Luana Morais - Trainee Jurídica em Direito de Energia

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Entrevista

A RBS MAGAZINE traz uma entrevista exclusiva com ÍTALO DE PRA NETO, da NEXEN

A nexen tem como propósito levar energia limpa para todos. Para isso, trabalha com soluções em energia fotovoltaica para residências, estabelecimentos comerciais e indústrias. Possui produtos exclusivos e parceria com as melhores marcas do mercado

RBS Magazine - Fale sobre a histó- para todo o Brasil. ria, estrutura e equipe da empresa? RBS Magazine - Qual a importânÍTALO - Fundada em 2018, a cia do retorno de eventos presenNexen faz parte do Grupo Schu- ciais como o 8° Fórum GD Sul para mann (que atua no Sul do Brasil o setor de GD? E que expectativa a desde 1997) e existe com o propó- NEXEN tem em sua participação sito de levar energia limpa para to- como patrocinadora? dos. O retorno de eventos presenciais é Trabalhamos com soluções em muito importante, pois possibilienergia fotovoltaica para residên- tam a proximidade entre integracias, estabelecimentos comerciais dores, indústria e fomentadores do e indústrias. Queremos um mundo setor. Essa troca de informações no qual a produção de eletricidade e aprendizados é essencial para o seja prática, acessível e sustentável. crescimento do setor e sua regulamentação. Atuamos com uma estrutura preparada para atender todo o Brasil, Como patrocinadora, a nexen tem com logística especializada e su- como objetivo contribuir com o porte técnico capacitado. crescimento do setor, trazendo informações e soluções, como a caRBS Magazine - Quais os diferen- pacidade de atender todo o sul do ciais da NEXEN na distribuição de brasil com logística em 48 horas produtos para o mercado de energia após a compra, com produtos de fotovoltaica? qualidade e engenharia e suporte diferenciados. A nexen conta com suporte especializado em todos os canais, dis- RBS Magazine - Segundo relatório ponibiliza treinamento gratuito divulgado pela Greener, a Nexen para integradores, possui canal de está na 16ª posição entre as emprevendas exclusivo, suporte técnico sas de energia solar mais lembradas para o integrador em todo o Brasil pelo integrador. Como é estar entre e também entrega com frete grátis os top 20? 26

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MOBILIDADE SUSTENTÁVEL:

O QUE É?

Valério M. Marochi

“First things first”. Falemos de problemas. Sim, o ponto de partida para compreender o conceito de Mobilidade Sustentável é o mesmo de quase todos os paradigmas do presente: problemas! Você deve estar se perguntando: “Dentre tantos, de quais problemas estamos tratando?” Ora. Dos mesmos que viraram moda a partir da década de 1970 de tanto serem abordados e não resolvidos: ambientais, energéticos e patológicos. E não, não é repetitivo falar sobre isso. Aliás, é necessário (ao menos até que ocorra uma urgente e profunda transformação tecnológica e cultural que dê cabo às mazelas do nosso tempo). A raiz do problema

as cidades não cresceram de forma saudável e sustentável, mas incharam para comportar minimamente a população crescente. Resultado: mais indústrias, mais pessoas, mais serviços, mais demanda, menos tempo! Assim surge o paradigma do automóvel. A fim de otimizar o tempo e aumentar a produtividade, a partir de 1950 as cidades passaram a ser planejadas em função dos veículos, que se apresentavam como a solução para o transporte urbano à época, encurtando distâncias e acelerando o ritmo urbano. Observe que não estamos criticando de forma simplista os modos de transporte que foram e ainda são fundamentais para o desenvolvimento de qualquer cidade ou país, mas construindo o contexto que dá forma ao problema da ‘imobilidade urbana’ dos dias atuais, resultante do baixo índice de inovação nas soluções para o transporte e da adoção em larga escala de veículos motorizados individuais.

Mais de 85% dos brasileiros vivem atualmente em cidades, e o deslocamento populacional, ou êxodo rural, não aconteceu de forma gradativa ao longo dos séculos, mas de forma súbita e desordenada a partir de 1930, impulsionado, dentre diversos fatores, pela industrialização do país e mecanização do campo. Decorrente deste movimento e da A fim de demonstrar a magnituausência de planejamento urbano e políticas públicas sólidas e coerentes, de dos problemas a que me refiro, 28

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Foto: Valério Marochi (2019).


É possível desenvolver soluções que satisfaçam todos estes requisitos?

conceitua mobilidade como sendo a forma e os meios utilizados no espaço urbano para transportar pessoas e mercadorias, levando em consideração três aspectos: a organização do território, o fluxo de transportes e os meios de transporte.

vamos abordar a questão de forma simples e prática. Responda às perguntas abaixo com SIM ou NÃO: • No seu bairro as calçadas são melhores que as ruas? • Há calçadas e ciclovias/ciclofaixas de qualidade interligando a sua casa e o seu trabalho? • O transporte coletivo da sua cidade é confiável, eficiente e seguro a ponto de fazê-lo abandonar o seu carro? • É possível percorrer um mesmo trajeto da sua cidade com mais de um tipo de veículo com a mesma qualidade (e. g. de carro, de ônibus e de patinete)? • A qualidade do ar da sua cidade é boa?

carros, e que não evoluiu conforme a demanda no que diz respeito a mobilidade. Pior. Ao longo do tempo, o que era solução passou a gerar problemas como: poluição sonora, visual e atmosférica, desperdício energéti• Você percebe a adoção co, limitação de fluxo nas vias (engarde tecnologia de pon- rafamentos), problemas respiratóta na melhoria dos servi- rios e até psicológicos na população. ços de transporte da sua Mobilidade Sustentável cidade? • Você consegue se deslocar diariamente pela sua cidade sem ficar retido em lentidões e engarrafamentos?

Muito provavelmente quase todas – senão todas - as suas respostas foram “não!”. Pois é... Mas fique tranquilo! Não se sinta desfavorecido no mundo. Isso só confirma que a sua cidade, assim como a maioria, não foi planejada para pessoas, mas para

O termo mobilidade se tornou usual na última década, sendo empregado como sinônimo ou substituto para tudo que se refere a transportes. No Brasil, a Lei Federal 12.587/2012 define a Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU) e

Evoluindo o conceito, a Mobilidade Sustentável engloba, para além das formas e os meios de locomoção no espaço urbano, questões de infraestrutura e energias, meio ambiente, inovação tecnológica, saúde e segurança da população. O foco aqui não é apenas a adoção de novas tecnologias, mas sim proporcionar soluções sob medida que integrem as demandas dos espaços, que vão além das cidades podendo integrar rodovias e meio rural, às necessidades dos seus habitantes. Não se trata apenas de aumentar e melhorar as ruas, mas sim de diversificar os padrões e oportunidades de locomoção no meio urbano. Isto tem a ver com políticas públicas e planejamento, somados à busca por compreender a realidade das cidades de forma honesta e intencional, ouvindo a indústria, o setor de serviços e, principalmente, quem faz tudo acontecer: as pessoas. “É possível desenvolver soluções que satisfaçam todos estes requisitos?” A resposta é: sim! Nos últimos anos muitos modelos e abordagens foram desenvolvidos com o intuito de guiar gestores públicos, empresas e sociedade no caminho da Mobilidade Sustentável, pavimentando um futuro mais seguro, acessível, responsável e sustentável. Mas este é assunto para um próximo artigo. Até lá!

O AUTOR: Valério Marochi é Especialista em Engenharia de Veículos Híbridos e Elétricos pelas Falculdades da Indústria, Tecnólogo em Mecatrônica Industrial pela UTFPR e Técnico em Automobilística pelo Senai. Atua como Coordenador Técnico do Centro de Mobilidade Sustentável e Inteligente, no Senai em Curitiba, sendo responsável pelas ações educacionais e também desenvolvimento de projetos junto à indústria. Protagonizou o desenvolvimento dos cursos de Engenharia Automotiva e Pós-graduação em Engenharia de Veículos Híbridos e Elétricos e MBI em Mobilidade Sustentável ofertados pela Fiep. É colunista da revista Car Stereo Tech na temática da mobilidade sustentável.

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Geração distribuída de energia elétrica chega a 400 mil conexões no país

R SOLAR O Brasil acaba de atingir a marca de 400 mil conexões de sistemas de geração distribuída e quase 5,0 GW de potência instalada? O que significa mais energia renovável sendo E produzida pelos próprios consumidores (prosumidores) MUNDO

O

Brasil acaba de atingir a marca de 400 mil conexões de sistemas de geração distribuída e quase 5,0 GW de potência instalada o que significa mais energia renovável sendo produzida pelos próprios consumidores (prosumidores). Para o presidente da ABGD, Carlos Evangelista, essa marca deixa claro que os consumidores estão cada vez conscientes, em busca de novas alternativas para a redução de custos e atentos aos princípios ESTEJA da sustentabilidade: PRONTO "o perfil dos consumidores PARA IMPULSIONAR no Brasil tem mudado, isso querSEU dizer MUNDO que a procuraCOM por alternati vas energéti cas temEsido A SOL AREDGE A geração distribuída é considediscutida por muitos e colocada em AcaRIBEIRO SOL AR. rada um caminho para a recuperação práti com consciência", explica. econômica do País após os impactos A geração distribuída de ener- da pandemia da covid-19. Além de gia elétrica pode ser realizada com gerar economia aos consumidores, diferentes fontes. A mais popular é ela também potencializa o aproveia energia solar fotovoltaica, mas há tamento dos recursos locais e estialternativas como o biogás, os siste- mula a economia, gera empregos mas eólicos, Pequenas Centrais Hi- qualificados e contribui para o detalar o inversor comascarregador dráulicas (PCHs), biomassa, Resíduos senvolvimento sustentável do País. A ro elétrico, você terá o benefício Sólidos Urbanos, Hidrogênio Verde, projeção de crescimento da modalio precisar instalar o carregador dentre outras renováveis.VE"Embora dade para este ano é superior a 50%, ersor FVtenha separadamente, inúmeros benefícios, ainda há segundo a ABGD: o segmento de GD da integração com a plataforma alguns mitos sobre a GD que sem- deve encerrar 2021 com potência nitoramento SolarEdge. pre buscamos esclarecer", comenta instalada superior a 7GW.. Evangelista; "um deles é de que ela Atualmente, contamos com mais só pode ser feita por grandes empresários ou consumidores com maior de 510.000 "prosumidores", pessoas poder aquisitivo, mas há projetos de e empresas de todas as classes sociais todos os tamanhos, com custos me- e perfis de consumo, que contribuem nores ou maiores, e com fontes di- para o desenvolvimento do mercado e para a diversificação da matriz eléversificadas", conclui o executivo. 32

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trica brasileira e, consequentemente, colaboram para a redução de incidência das bandeiras tarifárias. Quanto mais energia proveniente de GD é injetada na rede, em tese, menos água dos reservatórios precisa ser utilizada para abastecer o sistema elétrico. Sobre a ABGD: A Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD), maior associação brasileira do setor de energias renováveis, conta com mais de 800 empresas associadas, entre eles provedores de soluções, EPC´s, integradores, distribuidores, fabricantes, investidores, empresas de diferentes tamanhos e segmentos, além de profissionais e acadêmicos, que têm em comum a atuação direta ou indireta na geração distribuída. Foi fundada em 2015 para dar legitimidade às demandas de empresas dedicadas à microgeração e minigeração de energia elétrica a partir de fontes limpas e renováveis. A ABGD representa e defende os interesses de seus associados junto aos órgãos governamentais, entidades de classe, órgãos reguladores, agentes do setor, e mais do que isso, trabalha na difusão da GD para os diferentes setores da sociedade, incorporando os conceitos de sustentabilidade, retorno financeiro, segurança jurídica, eficiência energética e previsibilidade de gastos no que tange à geração e consumo de energia no local de consumo ou próximo à carga.


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USINAS HÍBRIDAS: um novo caminho para energia solar fotovoltaica e a eficientização do sistema elétrico

WELITON DA MAIA Energy Engineer | External Assistance Technician at L8 Energy

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egundo o Balanço Energético Nacional (BEN) de 2019 as usinas hidrelétricas correspondem a 64% da capacidade instalada para geração de energia elétrica. Esse montante demonstra o grande peso que essa fonte possui dentro da matriz elétrica nacional. A política de preços, regulação e gerenciamento de nossa matriz tem como base a gestão do recurso hidrelétrico. Mesmo bem dimensionadas, usinas hidrelétricas nem sempre operam em sua capacidade máxima deixando de aproveitar parcial ou completamente a estrutura disponível. Isso pode ocorrer devido ao sobredimen-

sionamento para futuras ampliações, operação com maior margem de segurança, ou ainda devido a sazonalidade no comportamento dos rios. A Agência Nacional de Águas (ANA) prevê maior imprevisibilidade dos rios visto os impactos das mudanças climáticas recentes, o que torna a operação das usinas ainda mais instáveis visto a necessidade de revisão de outorgas do uso da água. Essa imprevisibilidade pode afetar a garantia física das usinas, sendo essa garantia a quantidade de energia que uma usina consegue suprir dado um critério pré-definido. A garantia física serve de base para o cálculo e gerenciamento da oferta de

energia interna do país, o que pode acarretar uma instabilidade e ociosidade do sistema. Uma maneira de medir a ociosidade de um sistema (seja de geração, distribuição ou transmissão) é pelo seu Fator de Capacidade (FC). Esse índice é calculado como a razão entre a energia gerada efetivamente pelo potencial de geração dado pela potência instalada de uma usina (ou no caso de uma linha de transmissão ou distribuição, a razão é dada como a energia transportada da linha pela energia possível de ser transportado referente a capacidade da mesma). Na figura ao lado é possível verificar a evolução do FC do parque hidrelétrico nacional, retirada do livro Energia Renovável de Tolmasquim. Onde a faixa de FC opera entre 50 e 60%, com uma queda para baixo de 50% entre os anos 2010 e 2014. Uma solução para esse problema é dado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) na nota técnica: “Usinas Híbridas: uma análise qualitativa de temas regulatórios e comerciais relevantes ao planejamento”. Nessa nota é descrito que as usinas híbridas e de geração associada aumentam o uso da capacidade dos sistemas de distribuição e transmissão, otimizam o uso da área da usina e se

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aproveitam da complementaridade entre fontes energéticas, trazendo benefícios à rede. A adição de outras fontes de geração de energia em usinas hidrelétricas auxilia a geração hidráulica em períodos de menor fluxo de água e permite a manutenção do reservatório para melhor atendimento do pico de demanda. Além disso é importante destacar que a adoção do hibridismo, ou a hibridização das fontes, levará a um “aumento no fator de capacidade” no ponto de conexão, o que será traduzido em um aumento no percentual de geração das usinas e também um aproveitamento maior das infraestruturas elétricas disponíveis como subestações e linhas de transmissão e distribuição. Mas o que são usinas híbridas? Como sua topologia se caracteriza? Barbosa (2006) define usinas híbridas como sendo: usina que utiliza mais de uma fonte primária de geração de energia elétrica, se caracterizando pela capacidade de uma fonte suprir a falta temporária de outra, diminuindo interrupções e tendo sua otimização de recursos energéticos e financeiros como objetivos principais. A EPE em sua nota técnica traz 4 modelos modelos possíveis de usinas híbridas, como apresentado a seguir. Usinas Adjacentes: são basicamente aquelas construídas em localidades próximas entre si, podendo utilizar o mesmo terreno e compartilhar instalações de interesse restrito, sendo essas subestações ou linhas de transmissão. Mesmo com esse compartilhamento, na visão do SIN, por requisitarem potência instalada nominal compatível com sua respectiva instalação e por não compartilharem os equipamentos de geração, não são consideradas propriamente usinas híbridas. Usinas Associadas: duas ou mais usinas de fontes energéticas distintas (hidrelétrica e solar, por exemplo), com características de produção complementar e que, além de sua proximidade, compartilham fisicamente e contratualmente a infraestrutura de conexão de acesso à rede básica ou rede de distribuição.

Distribuição (TUSD) e Tarifa de Uso do Sistema de Transmissão (TUST). Energia solar como opção para hibridização A utilização da hibridização utilizando energia solar + hidrelétrica vem sendo estudada e testada há algum tempo. Seus resultados, principalmente os direcionados ao impacto econômico e ambiental, vem se mostrando promissores.

A utilização da energia solar fotovoltaica em hidrelétricas pode ser feita em espaços terrestres próximos a usina, porém seu uso mais emblemático é sobre o lago do reservatório das usinas. As estruturas utilizadas neste tipo de aplicação são flutuadores de polietileno de alta densidade, sendo em algumas aplicações brasileiUsinas Híbridas (strictu sensu): definidas como ras fabricadas a partir de uma resina produzida pela aquelas que combinam seus recursos energéticos distin- Braskem. tos ainda no meio de produção de energia elétrica. Um exemplo dessa modalidade são as usinas heliotérmicas Um estudo de caso de grande sucesso no Brasil foi (e com queima de biomassa, de forma que o vapor produzi- está sendo) a usina solar flutuante de Sobradinho, que do pela queima de ambas as fontes (solar + biomassa) é está sendo construída sobre o lago da UHE Sobradinho aproveitada na mesma turbina. administrado pela Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf). A usina hidrelétrica em questão já possui Portfólios Comerciais: Diferente dos outros arranjos 1.050 MW de potência instalada provindo de suas 6 unianteriores, as usinas de portfólios não necessariamen- dades geradoras de 175 MW cada. A usina solar construte possuem proximidade física ou compartilhamento ída sobre seu lago atualmente possui 1 MWp com uma de equipamentos, porém se mantém a necessidade de ampliação prevista de mais 1,5 MWp, totalizando uma adotar diferentes tipos de geração. O arranjo se carac- obra de 2,5 MWp e um investimento total da ordem de teriza por possuir contratos comerciais partilhados com R$ 55 milhões. o objetivo de reduzir exposições de compra de energia a preço de curto prazo, sobretudo em contratos de compra Em primeiro momento o valor de R$ 55 milhões aspor quantidade. Cabe ressaltar que esse tipo de categoria susta um possível investidor (algo em torno de 22 R$/ não impacta a contratação do sistema de distribuição ou Wp), o que traz insegurança no quesito viabilidade. Ende transmissão, referentes às Tarifa de Uso do Sistema de tretanto, vale ressaltar que o valor do investimento con36

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A seguir uma foto da usina solar flutuante sobre o templa uma série de outras iniciativas de P&D, como estudos de fatores como a radiação solar incidente no local; reservatório da UHE Sobradinho. Fonte: Sunlution. produção e transporte de energia; instalação e fixação no A hibridização de usinas hidrelétricas em conjunto fundo dos reservatórios; a complementaridade (leia-se hibridização) da energia gerada; e o escoamento da ener- com usinas solares fotovoltaicas é um assunto em desenvolvimento tanto no Brasil como no mundo, há dezenas gia. de iniciativas nesse sentido e a grande maioria parece Em complemento, a utilização de energia solar flu- vislumbrar um futuro próspero para o setor fotovoltaico. tuante traz outros benefícios muito importantes, como: Nas imagens a seguir é possível ver algumas iniciati1. Utilização de um espaço ocioso, evitando a desa- vas ao redor do mundo. Essas imagens foram reproduzidas da dissertação de mestrado de Sofia Gouveia (2007) propriação de terrenos já utilizados; e demonstram uma série de estudos e projetos desenvol2. Aumento na eficiência dos módulos, dado que os vidos ou em desenvolvimento. mesmos operam em uma temperatura mais baixa e acumulam menor quantidade de poeira devido a proximidade com a água (Esse aumento é estimado em 10% comparada às instalações sobre o solo); 3. Não há problemas com sombreamento, falta de espaço (limitado somente a área do reservatório) ou inclinação de terreno como no caso de usinas sobre o solo; 4. Diminui a evaporação da água o que contribui para a manutenção do recurso hídrico durante estiagens (Estima-se uma redução de 85% da evaporação). Além dos benefícios técnicos das usinas flutuantes, os benefícios de hibridização também devem ser levados em conta. Como já comentado anteriormente, a hibridização traz um alívio sistêmico interessante, contribui para o aumento do FC (o que por sua vez traz eficientização para todo o sistema), além do aproveitamento maior das estruturas elétricas já existentes. Em caso de usinas hidrelétricas de grande porte, como Sobradinho por exemplo, há um sistema elétrico de transmissão complexo e robusto para sua interligação com o SIN. A complementaridade de mais fontes, dentro do contexto de hibridização que utilize essa infraestrutura já construída, faz com que se haja uma diminuição no capital necessário para a construção de novas infraestruturas, contribuindo para um investimento global do sistema mais sustentável. A utilização das mesmas estruturas de transmissão e distribuição também podem contribuir para a redução de custos com TUSD e TUST dos sistemas, principalmente nas topologias Stricto Sensu e Associadas. Todos esses benefícios também se aplicam a pequenas Referências: geradoras como CGHs e PCHs.

ANA. Mudanças climáticas e recursos hídricos: avaliações e diretrizes para adaptação. Brasília, DF: ANA, GGES, 2016. BARBOSA, Claudomiro. F. DE O. Avaliação tecnológica, operacional e de gestão de sistemas híbridos para geração de eletricidade na região amazônica. Dissertação (mestrado). Belém, PA: Universidade Federal do Pará, 2006. COSTA, Sofia. G. Impactes ambientais de sistemas fotovoltaicos flutuantes. Dissertação (mestrado). Lisboa, Portugal: Universidade de Lisboa, 2017. EPE. Usinas híbridas: uma análise qualitativa de temas regulatórios e comerciais relevantes ao planejamento. Brasília, DF: 2018. TOLMASQUIM, Mauricio T. Energia Renovável: Hidráulica, Biomassa, Eólica, Solar, Oceânica. Rio de Janeiro, RJ: EPE, 2016. RBS Magazine

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ANÁLISE SINTETIZADA DO CICLO DE VIDA DE BATERIAS DE LÍTIO-ÍON Aghatta Cioquetta Moreira amoreira@cpqd.com.br

Raul F. Beck raul@cpqd.com.br

Maria de Fátima Rosolem mfatima@cpqd.com.br

RESUMO Nesta publicação será apresentada uma análise qualitativa do ciclo de vida de células (baterias) de lítio-íon. O ciclo de vida dessas baterias pode ser segmentado nos seguintes processos principais: extração e purificação do lítio, fabricação, primeiro e segundo uso, reciclagem e descarte.

complicada. Devido à reatividade do lítio, na composição da célula são utiO lítio é um metal alcalino, de co- lizados compostos de sais e óxidos de loração esbranquiçada, que apresenta lítio (íons de lítio), em substituição ao relevância em uma grande área de lítio metálico. aplicações. Sua utilização já é muito 2 PROCESSO DE EXTRAbem estabelecida na medicina, sendo aplicado em tratamentos de depressão ÇÃO DO LÍTIO e transtornos bipolares, e também é A extração do lítio é realizada bautilizado na área nuclear, na fabricação de vidros e cerâmicas, entre ou- sicamente de duas formas distintas: a partir da evaporação de salmouras em tros. desertos salinos (salares) e a partir de Por ser um elemento altamente procedimentos de mineração (esporeativo na presença de água ou oxi- dumênio e ambligonita). A Figura 1 gênio, pode parecer contraditória sua ampla utilização nas novas baterias, porém, o lítio é o metal mais leve encontrado na natureza. Dessa forma, o conceito por trás da introdução desse elemento químico na fabricação de baterias resulta da necessidade de baterias mais leves e com alta densidade de energia devido a expansão das aplicações, tanto em dispositivos compactos como na mobilidade elétrica. 1 INTRODUÇÃO

O lítio é relativamente abundante na natureza, porém é extremamente difuso, dessa forma, coletá-lo de forma a concentrá-lo em uma matéria-prima comercialmente viável pode ser uma tarefa bastante 38

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Figura 1. Principais reservas de lítio globais e métodos de extração [1]

apresenta as seis principais reservas de lítio globais. Destas, a principal parcela (Chile, Bolívia, Argentina e China) se localiza em desertos salinos e uma minoria (Austrália e EUA) está localizada em formações rochosas. Conforme dados obtidos em [1], o Brasil contém cerca de 0,5% das reservas de lítio globais, porém, recentes estudos geológicos indicam que esse percentual pode ser até 10 vezes maior. A maior jazida do mineral no país se encontra no Vale do Jequitinhonha, uma região no norte do Estado de Minas Gerais. 2.1 Extração de lítio a partir de salmoura Nos desertos salinos (salares), a salmoura que contém o lítio é encontrada abaixo da superfície. Dessa forma, é necessário bombeá-la para grandes tanques rasos, nos quais o lítio será concentrado por evaporação solar, como nas salinas de extração do sal marinho, porém, nesse processo é utilizada grande quantidade de água e até 95% dela é perdida e não recuperada. O processo de extração de lítio a partir de salmouras é mais simples e


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menos dispendioso do que a mineração, pois o movimento natural da água e o calor da Terra já liberaram lítio de rochas e sedimentos, promovendo sua separação de outros minerais e aproximação da superfície. Após o processo de concentração, o lítio deve ser filtrado e processado. O processo de concentração tem duração variada, decorrente das condições climáticas locais e, consequentemente, pode ser necessário aguardar entre 18 e 24 meses até que o lítio esteja na concentração adequada para a etapa de processamento. Para acelerar esse processo há outros métodos pelos quais o lítio pode ser seco por meios mecânicos ou químicos [2]. Após ter passado pelo processo de concentração, o lítio ainda está impuro devido às concentrações de outros materiais, como ferro e magnésio, associados a ele. O conteúdo real de lítio varia de 0,01 a 0,2 % [3]. Nessa etapa o lítio normalmente está na forma de cloreto de lítio e é levado às estações de tratamento para processamento adicional, a partir do qual os compostos químicos indesejáveis são removidos. No geral é necessário considerar um período de um a dois anos para a conclusão dos processos de extração e purificação do lítio, indispensáveis para sua comercialização [3]. 2.2 Extração de lítio a partir de processos de mineração A extração de lítio a partir de rochas se baseia em métodos tradicionais de perfuração e processamento, sendo necessário equipamentos pesados para extrair mecanicamente a rocha do solo. Em seguida o mineral é enviado, por meio de esteiras rolantes, para várias fases de trituração. O material resultante é então peneirado e submetido à adição de agentes químicos, para que possa ser seco e filtrado, para posterior conversão em carbonato de lítio ou hidróxido de lítio [4]. O lítio no seu estado bruto, como é obtido a partir de técnicas comuns de mineração, não é contaminante. No entanto, a sua exploração tem impactos ambientais associados, de maneira 40

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semelhante ao observado em minas de a espessura uniforme e correta. A seguir são superpostas com um material outros materiais não metálicos. isolante (separador) entre elas para Em estudo publicado pela Envi- garantir que não haja curto-circuito, ronmental Earth Sciences [5] ficou porém o separador deve ter porosidaconstatado que não há evidência da de para a circulação dos íon de lítio. influência das atividades de mineração Esse sanduiche de eletrodos e na qualidade da água e do solo, porém é preciso ficar atento à qualidade separador é novamente prensado e do ar, especialmente ao considerar as cortado no tamanho desejado, sendo concentrações de dióxido de nitrogê- empilhados ou enrolados como um rocambole, com abas metálicas (uma nio passíveis de serem encontradas. em cada polo da bateria) conectadas 3 FABRICAÇÃO DAS BA- eletricamente aos eletrodos, e o conjunto é inserido no invólucro final da TERIAS célula [6]. A primeira etapa do processo de A última etapa de fabricação da fabricação das células de lítio consiste na produção dos seus eletrodos, estru- célula consiste na injeção do eletrólito, turados a partir de substâncias pasto- constituído de sais de lítio dissolvidos sas, sendo utilizado grafite para o âno- em solventes orgânicos. Esse processo do e compostos de lítio (sais e óxidos) é executado em ambiente extremamente limpo e seco. Após a injeção para o cátodo. do eletrólito, a célula é imediatamente Para a composição do ânodo, a lacrada [6]. pasta composta de grafite é aplicada As células finalizadas são armazeem folhas de cobre, e para o cátodo a pasta composta de óxidos e sais de nadas por 24 horas em uma sala com lítio é aplicada em folhas de alumínio temperatura controlada e recebem [6]. Diferentes químicas podem ser uma carga de 50% de sua capacidade aplicadas na composição do cátodo ao longo de 2 horas para possibilitar a de baterias de lítio de forma a garan- ativação dos processos químicos restir diferentes critérios de segurança, ponsáveis pela formação da célula. custo, vida útil e desempenho (Figura Além de recarregar, o equipamen2). A melhor escolha entre cada uma delas dependerá da aplicação na qual a to também mantém uma compressão adequada nas células, para evitar que bateria será utilizada. elas se deformem durante a carga iniAs folhas de cobre e de alumínio cial [6]. Após esse processo, as bacobertas pelas pastas constituintes dos terias são armazenadas por 72 horas eletrodos passam por um forno indus- e testadas antes de serem enviadas à trial para secagem e a seguir são pren- última etapa da linha de fabricação: a sadas em rolos rotativos para garantir embalagem.

Figura 2. Diferentes possibilidades de química para formação do cátodo de baterias de lítio


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4 UTILIZAÇÃO: PRIMEI- de sua vida útil para esta aplicação, ou seja, quando atingem cerca de 80% a RA VIDA 70% de sua capacidade nominal, o que A Figura 3 mostra as demandas ocorre aproximadamente após uma atuais e as projeções até 2030 das fa- década de operação [8]. tias de mercado das baterias de lítio Porém a bateria pode ser utilizada em diferentes setores. É possível identificar uma predominância de baterias para outras aplicações até que sua caaplicadas no setor de transportes, de- pacidade atinja cerca de 60% a 50% do vido ao crescimento no número de ve- seu valor nominal. Ao serem reutilizaículos híbridos e elétricos em todo o das nestas novas aplicações, é estimado que elas ainda possam operar por mundo [7]. um tempo de vida útil remanescente O aumento na demanda por bate- entre 6 a 30 anos [9]. O período é surias de lítio de grande capacidade em jeito a mudanças devido às condições veículos elétricos leves e pesados traz de ciclagem e características de operaconsigo uma grande oportunidade: a ção da primeira e segunda vida. possibilidade de sua reutilização. Para que as baterias ou células re5 UTILIZAÇÃO: SEGUN- tiradas de veículos possam ser reutilizadas de forma segura, elas devem ser DA VIDA submetidas a procedimentos de ensaio A possibilidade de reutilização de que determinarão a viabilidade de sua baterias retiradas de veículos elétri- reutilização ao determinarem sua cacos, após não serem mais capazes de pacidade, ou vida útil, remanescente. atender aos critérios de aceleração e A norma UL 1974 traz algumas autonomia desejados pelos usuários, recebe a denominação de second-life. diretrizes para reutilização de baterias Essa é uma oportunidade de utilizar, de lítio retiradas de veículos elétricos de forma mais acessível, baterias mais em uma nova aplicação. É essencial duráveis, leves e com maior densidade que a determinação da vida útil rede energia, em aplicações estacioná- manescente da bateria seja feita de maneira rápida e efetiva, pois o volurias. me de baterias que serão introduzidas O conceito de second-life consiste nesse mercado é muito significativo. no fato de que as baterias são retiradas Dessa forma, pode haver necessidade dos veículos elétricos ao alcançar o fim de aplicação de procedimentos alter-

Figura 3. Demanda anual de baterias de lítio por setor [7]

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nativos de determinação da capacidade ou vida útil remanescente, como medições de impedância ou resistência interna, ou outros métodos mais sofisticados. A maior dificuldade encontrada em projetos que utilizam baterias de second life em seus sistemas é a falta de padronização entre baterias de diferentes fabricantes, pois ao considerar a quantidade de baterias a serem retiradas de veículos elétricos nos próximos anos, é necessário considerar a necessidade de processos automatizados, inclusive por razões ligadas à segurança dos trabalhadores do setor. A falta de padronização entre baterias de certa forma impede, ou dificulta, essa automatização. 6 RECICLAGEM Ao atingir cerca de 60% a 50% de sua capacidade nominal, as baterias devem ser retiradas da aplicação em que se encontram, pois atingiram o final de sua vida útil. Nesse estágio é desejado haver a possibilidade de recicla-las para obtenção de componentes que possam ser reutilizados na fabricação de novas baterias ou outros produtos. Porém o processo de reciclagem também enfrenta uma série de desafios. O consumo de energia dos pro-


A RESOLUÇÃO NÚMERO 257/99 DO CONAMA ESTABELECE QUE OS FABRICANTES/IMPORTADORES SÃO OS RESPONSÁVEIS POR ADOTAR, DIRETAMENTE OU POR MEIO DE TERCEIROS... cessos de reciclagem é extremamente alto, o que torna o processo por vezes mais dispendioso do que a extração de novas matérias-primas.

sendo necessária sua revisão imediata, pois o número de baterias de lítio-íon presentes no cotidiano da população já é muito elevado. É indispensável que essas baterias recebam o trataO gerenciamento é outro proble- mento adequado e necessário ao sema a ser considerado, pois é necessário rem descartadas. haver uma definição dos responsáveis pelas baterias em fim de vida, de forma Quando há a impossibilidade de a possibilitar sua destinação a outras reutilização ou reciclagem, as baterias aplicações ou à reciclagem, quando devem ser destruídas termicamente, necessário [10]. de acordo com procedimentos determinados na NBR 11175, que trata de Devido a variação dos graus de incineração de resíduos sólidos pericomplexidade inerentes à obtenção gosos. de cada matéria-prima da bateria, há necessidade de estabelecer metas de 8 REFERÊNCIAS reciclagem separadas para cada uma delas, especialmente lítio e cobalto. [1] U.S. Geological Survey. Esse procedimento tem como objeti- Mineral Commodity Summaries vo impedir que apenas componentes (Jan 2020). Disponível em: https:// mais simples de serem recuperados pubs.usgs.gov/periodicals/mcs2020/ sejam extraídos, havendo descarte do mcs2020-lithium.pdf. Acesso em restante [10]. 04/08/20. Assim como apontado nos processos de second life, a falta de padronização entre baterias de diferentes fabricantes torna os processos de automação muito mais difíceis, resultando numa barreira para procedimentos mais efetivos também na fase de reciclagem.

[2] Ângulo, P. Extração de lítio ameaça flamingos nos Andes. Outubro de 2018. Disponível em: https://www.dw.com/pt-br/extracao-de-litio-ameaca-flamingos-nos-andes/a-45681016. Acesso em 03/08/20.

[3] Rennie B Kaunda (2020): 7 DESCARTE Potential environmental impacts of lithium mining, Journal of EnerA resolução número 257/99 do gy & Natural Resources Law, DOI: CONAMA estabelece que os fabri- 10.1080/02646811.2020.1754596. cantes/importadores são os responsáveis por adotar, diretamente ou por [4] NEW AGE METALS INC. meio de terceiros, procedimentos de Lithium Supply – Hard Rock vs. Brireutilização, reciclagem, tratamento ne. Outubro de 2019. Disponível em: ou disposição final ambientalmente www.newagemetals.com/lithium-suadequada da bateria. pply-hard-rock-vs-brine/. Acesso em 07/08/20. Porém, até o momento, a resolução é aplicada somente para baterias [5] Rodrigues, P. & Antão, A.M. chumbo-ácidas e de níquel-cádmio, & Rodrigues, R. (2019). Evalua-

tion of the impact of lithium exploitation at the C57 mine (Gonçalo, Portugal) on water, soil and air quality. Environmental Earth Sciences. 78. 10.1007/s12665-0198541-4. [6] Rigues, R. Vídeo mostra como são feitas as baterias dos smartphones. Janeiro 2020. Disponível em: https:// olhardigital.com.br/noticia/video-mostra-como-sao-feitas-as-baterias-dos-smartphones/95295. Acesso em 10/08/20. [7] Energy Central. World Battery Production. Disponível em: https://energycentral.com/c/ec/world-battery-production. Acesso em 02/09/20. [8] Engel, H. Hertzke, P. e Siccardo, G., Second-life EV batteries: The newest value pool in energy storage. Mckinsey and Company Homepage. Disponível em: https://www. mckinsey.com/industries/automotive-andassembly/our-insights/second-life-ev-batteries-the-newest-valuepool-in-energy-storage. Acesso em 02/09/20. [9] SmartGridInfo.es, El proyecto Sunbatt apuesta por ofrecer una segunda vida a las baterías de los vehículos eléctricos. Public Report. Disponível em: https://www. smartgridsinfo.es/2018/05/17/ proyecto-sunbattapuesta-segunda-vida-baterias-vehiculos-electricos. Acesso em 02/09/20. [10] Swain, B. 2017. Recovery and recycling of lithium: A review. Separation and Purification Technology 172:388-403. doi:10.1016/j. seppur.2016.08.031.

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REVISÃO da REN482 AS PRINCIPAIS PROPOSTAS EM PAUTA

A

Por Bárbara Rubim

pós 3 anos de intensos e acalorados debates, 2021 parece finalmente ser o ano em que a revisão da Resolução Normativa 482, que permite a todo consumidor gerar a sua própria energia e receber créditos em sua conta de luz, será concluída.

A revisão atual da REN 482, iniciada em maio de 2018, tem como pauta principal a mudança na forma como são valorados os créditos de energia oriundos dos sistemas de micro e minigeração distribuída participantes do Sistema de Compensação de Energia Elétrica (SCEE).

pontos de partida diferentes a depender de a geração ser junto à carga ou remota, mas pontos de chegada iguais – o da alternativa 05, a mais severa dentre as apresentadas pela Agência. As imagens abaixo trazem a representação gráfica dessas alternativas:

Em resumo, hoje os créditos de energia possuem paridade de valor com a energia consumida da rede de distribuição (e, importante ressaltar, quando falamos em paridade estamos excluindo a questão tributária da análise). Num futuro que não parece estar mais tão distante, estes mesmos créditos podem passar a ser valorados de forma diferente, reduzindo-se um pouco a vantagem de se produzir a própria energia. Agora, fica a cargo da ANEEL, ou do Congresso Nacional, definir como esta nova valoração será feita. Se você, assim como muitos, também está um pouco perdido sobre as propostas que estão na mesa – preparamos aqui um sumário para você das duas principais propostas ora em discussão 1) A proposta da ANEEL, apresentada em outubro de 2019: Durante a penúltima etapa do processo administrativo da revisão da REN 482, a ANEEL apresentou à sociedade sua proposta para valoração de créditos, que possui 44

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Como se percebe, o apresentado então pela Agência compreende a manutenção das regras de compensação atuais pela ANEEL somente até 2030. Em que pese apresentarmos esta proposta, necessário se faz ter em mente que ela é fruto de um processo de


revisão originado e conduzido por Diretor Relator (Rodrigo Limp) diferente do atual (Efrain Cruz), de tal forma que se espera a apresentação de proposta nova pelo Diretor Efrain, completamente diferente da colocada acima. Contudo, ainda não há indícios de o que seria o mérito desta nova proposta.

No tocante ao direito adquirido – outro ponto extremamente relevante para os empreendedores – a proposta do Deputado Lafayette prevê a manutenção das regras de compensação atuais aos empreendimentos que já tenham protocolado solicitação de acesso antes da alteração até 31 de dezembro de 2045.

3) Outras propostas: O que se sabe é que a própria ANEEL parece ter se arrependido de sua proposta referente ao popularmente Atualmente, os caminhos apresentados acima se trachamado “direito adquirido”, tendo se manifestado, posteriormente a outubro de 2019, no sentido de que se faz duzem nos principais em discussão e nos que, pelo menecessário, sim, respeitar a segurança jurídica e a estabi- nos até o momento, apresentam mais chances de evoluir e trazer a conclusão da discussão sobre a revisão da REN lidade regulatória dos já participantes do SCEE. 482. 2) A (possível) proposta do PL 5829/2019: Em que pese o setor haver se manifestado de forApresentado em novembro de 2019 pelo Deputado ma positiva em relação a outros projetos, tais como o PL Silas Câmara, o PL 5829/2019 recebeu urgência em sua 2215/2020, de autoria do Deputado Beto Pereira, muitramitação ao final de 2020 e, com isso, foi designado o tos desses outros projetos – incluindo o agora citado PL Deputado Lafayette de Andrada para a sua relatoria. Em – foram apensados a outros mais antigos em tramitação termos bastante simplificados, isso significa que cabe ao na Câmara. Isso significa, em síntese, que eles não mais Deputado Lafayette a apresentação de um relatório so- tramitarão sozinhos, por conta própria, mas que foram bre o PL, com a possível alteração do texto atualmente incorporados a outros e seu texto só será analisado se, em alguma Comissão, for vontade do relator resgatar alpresente por um novo. guns de seus trechos. Tendo em vista as manifestações dele ao longo de Por este motivo, não faremos a análise de tais pro2020 sobre o Código Brasileiro de Energia Elétrica (CBEE) e a presença, em tal Código, de um capítulo dedicado à jetos neste artigo. Caso, contudo, seja interesse do setor geração distribuída, o expectativa do setor é de que a ver a sua proposta refletida em outros projetos, necessámesma proposta lá contida será replicada no projeto. rio se faz mobilização para tanto, com análise estratégica De acordo com ela, a alteração da valoração dos crédi- sobre possíveis caminhos que poderiam ser utilizados. tos ocorreria seguindo-se um cronograma gradativo para A resolução do tema pela via legislativa é capaz de que os projetos do SCEE façam o pagamento integral da parcela referente ao fio B (cerca de 28% do valor total da trazer mais alívio ao setor por assegurar, também, maior tarifa líquida de energia), em cerca de 10 anos. Para fins estabilidade ao próprio SCEE. Contudo, as vias legislativas de melhor entendimento, vale lembrar que o pagamento são muitas vezes tortuosas e demoradas. Ou seja, o enintegral do fio B seria equivalente à Alternativa 01 pro- gajamento e a informação de todos se tornam ainda mais essenciais. posta pela ANEEL. A imagem abaixo sumariza esse escalonamento – considerando o cronograma apresentado em meados de 2020 pelo Deputado. Espera-se que, quando da vinda do relatório, haverá atualização dos anos indicados, com o ano de início da transição sendo o seguinte ao da aprovação do projeto (portanto, e por exemplo, se o projeto for aprovado em 2021, o primeiro ano da transição seria 2022).

MINI-CURRÍCULO: Bárbara Rubim é advogada, especialista em finanças pela Universidade Federal de Uberlândia, e sócia-fundadora da Bright Strategies, uma consultoria dedicada à análise do setor de elétrico, ao auxílio a empresas, governos e investidores em questões regulatórias e na estruturação de modelos de negócio para a geração distribuída. Atuando no setor de energia há mais de oito anos, Bárbara ocupa também as posições de Vice-Presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), membro da Comissão de Infraestrutura da OAB Nacional e Diretora do Departamento de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP).

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ENGENHARIA DA PHB SOLAR: DNA em inovação e desenvolvimento tecnológico

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PHB é uma empresa com 36 de anos de ope- container, a primeira bateria de Lítio-Íon do Brasil e um ração, cujo DNA é a constante inovação e de- sistema de carregamento veicular. senvolvimento tecnológico de produtos com a Destaques da Engenharia PHB SOLAR mais alta qualidade para os setores de eletrônica, telecomunicações e energia solar. Com 1. Equipe técnica qualificada esse intuito, a engenharia da PHB SOLAR tem um dos corpos técnicos mais fortes do mercado contando na sua A equipe técnica da PHB Solar é uma das mais equipe com doutores, mestres, engenheiros e técnicos. qualificadas do setor fotovoltaico. A engenharia traA PHB nasceu com a fabricação da primeira fonte balha ativamente com os fornecedores para imchaveada do Brasil, desenvolvida pelo diretor, Ildo Bet. plementar melhoras dos produtos, analisa as tenDepois foram projetados outros equipamentos eletrôni- dências do mercado, participa do processo de elaboração das normas fotovoltaicas e de projetos de cos como inversores, retificadores, conversores, etc. pesquisa. Com o crescimento da tecnologia solar no mundo, a Como exemplos do trabalho que a engenharia faz, PHB entrou no mercado como umas das empresas pioneiras do setor. A engenharia da PHB Solar ajudou a podemos destacar: consolidar as bases do setor participando na elaboração • O primeiro inversor certificado pelo INMETRO; de normas e apoiando a implementação de laboratórios para testes de inversores. Vale a pena destacar, que o • Desenvolveu o próprio software de ajuste da tendiretor, o Sr. Ildo BET foi coordenador da Comissão de são de saída do inversor; estudos da ABNT 003.082.001 que trabalha nas normas técnicas para o setor fotovoltaico. • Lançou o primeiro inversor monofásico string 127 do mercado; Hoje, a engenharia da PHB participa de vários projetos de pesquisa com instituições renomadas como a USP • Tem uma das maiores linhas de inversores trifásie o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecocos 220 V do Brasil; municações (CPQD). Como frutos destas pesquisas, a PHB SOLAR desenvolveu um sistema de armazenamento em • Possui uma equipe para desenvolvimento de estruturas metálicas; • Desenvolveu o kit mais completo do mercado. 2. Laboratório próprio. A engenharia da PHB SOLAR conta com um laboratório próprio equipado com todos os instrumentos para desenvolvimento e testes de inversores. Desta maneira é possível testar melhoras de firmware e hardware dos equipamentos. Todos os inversores antes de serem lançados passam por uma série de ensaios para simular di46

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ferentes condições de operação. Isso garante uma maior adaptação às condições reais da rede elétrica brasileira.

5. Centro de capacitação e treinamento A PHB Solar se preocupa com a qualidade das instalações fotovoltaicas e a necessidade de ter um mercado altamente qualificado. Por isso, conta com infraestrutura adequada para oferecer treinamentos gratuitos para todos os parceiros. Oferece treinamentos presenciais no CT (suspensos devido à crise do COVID-19), dá webinares com temas relevantes, leva conhecimento a todas as regiões do Brasil com a ACADEMIA PHB SOLAR e apoia os Centros de treinamentos implementados por instituições de ensino como SENAIs, IFs e Universidades.

3. Assistência técnica Atendimento técnico localizado no Brasil, oferece respostas rápidas aos integradores. O suporte contempla a correta instalação dos equipamentos, ajuda a diagnosticar problemas em campo, fornece documentos, manuais e certificados, analisa o acionamento da garantia e faz ajustes nos inversores.

4. Departamento de manutenção Quando o problema não pode ser resolvido em campo ou o equipamento precisa de uma manutenção corretiva, contamos com um departamento técnico para conserto dos equipamentos. Este departamento analisa se a falha é coberta pela garantia e faz, se necessário, o conserto do produto.

A PHB SOLAR É MAIS QUE UMA EMPRESA DISTRIBUIDORA! Como pode ser observado, a PHB SOLAR se diferencia de muitas empresas que atuam no mercado que se focam somente na parte comercial. A PHB SOLAR é uma empresa que investe no desenvolvimento tecnológico, oferece soluções aos parceiros que não dependem de terceiros.

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Entrevista

A RBS MAGAZINE traz uma entrevista exclusiva com ROGER ALVES da SOLFÁCIL A Solfácil é a primeira plataforma tecnológica para financiamento de energia solar do Brasil RBS Magazine - Fale sobre a estru- sinaliza que estamos cada vez mais tura da empresa, sua fundação e próximos de voltarmos a normaequipe? lidade, como comercial que sou acredito que nada substitua a preROGER ALVES - A Solfácil foi sença física e o contato direto, acrefundada em 2018 e hoje conta com dito que respeitando as normas de o presidente Fabio Carrara e mais saúde consigamos fazer do fórum 6 diretores, além de uma grande um grande evento para debater, estrutura de colaboradores, sendo nos atualizarmos e evoluirmos divididos em alguns pilares como, juntos com o mercado. O grande equipe comercial, analise de risco, objetivo da Solfácil é ter a possibitecnologia, engenharia e uma área lidade de se aproximar cada exclusiva para apoio ao parceiro. vez mais dos integradores e A Solfácil busca sempre atender as assim trazer soluções que renecessidades do mercado fotovol- almente impactam no dia a taico e de seus parceiros integrado- dia de nossos parceiros. res RBS Magazine - Como a emRBS Magazine - Quais os diferen- presa avalia o atual cenário ciais da empresa em financiamentos do mercado de FV? para energia solar? Sabemos que o mercado de A Solfácil é a única financeira onde FV brasileiro está em franco o integrador tem a possibilidade crescimento e com isso tode financiar o sistema fotovoltaico dos os dias aparecem novas para seu cliente em até 120 meses necessidades que precisam (10 anos), com análises automati- ser sanadas, e a solfácil está zadas as respostas saem quase sem- sempre atenta ouvindo seus pre de imediato, dando agilidade parceiros para que possaao processo comercial do parceiro. mos ajudar da forma que pudermos assim como fazeRBS Magazine - Qual a importân- mos desde 2018. cia do retorno de eventos presenciais como o 8o Forum GD Sul para o se- RBS Magazine - Nos fale sobre os tor de GD? E que expectativa a SOL- principais lançamentos e projetos da FACIL tem em sua participação? SOLFÁCIL para 2021? O retorno dos eventos presenciais Lançamos recentemente a linha PJ tem grande representatividade e da Solfácil também com a possibi48

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lidade de nossos parceiros oferecerem o prazo de ate 120 meses (10 anos) para seus clientes. O objetivo para esse primeiro trimestre é consolidar ainda mais o financiamento PJ, além de avançarmos com mais dois ou três produtos que queremos lançar ainda em 2021.


Nota

SSM Solar do Brasil É brasileira com muito orgulho! Fundamos a SSM Solar do Brasil em 2011, seguimos atuando no Mercosul e ao longo da nossa história sempre buscamos inovação e analisamos as principais necessidades dos nossos integradores, distribuidores e parceiros projetamos uma linha de produtos focada em agilidade e segurança. O grande diferencial da SSM Solar do Brasil é atender a todas as necessidades do mercado com estruturas inteligentes para Telhados e Solo. A linha mais completa que você encontra hoje no mercado atendendo aos projetos para Telhados e usinas de Solo com precisão e o melhor custo benefício. Estamos presentes nos 26 estados mais no Distrito Federal, e nos países Uruguai, Argentina, Chile, Colômbia, Bolívia, Paraguai e recentemente Peru que fazem parte do Mercosul. Outro dado importante ressaltar que no Mercosul nossas estruturas fizeram parte de usinas que ao todo geraram 1.9 GWp até o início de 2021. Em 2020 nossa matriz foi instalada em uma unidade com mais de 8.000 metros quadrados localizada em Curitiba, iniciamos as operações no Centro de Distribuição em Pernambuco e em 2021 teremos o início das operações na unidade SSM Indústria concentrada em uma planta com mais de 14.000 metros quadrados a qual beneficiará mais de 1.200 toneladas entre aço e alumínio por mês.

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A SSM Solar do Brasil é a única empresa fabricante de estruturas que proporciona aos seus clientes 30 anos de garantia, o que nos leva a pensar que além da venda da estrutura, a SSM acompanha os projetos, participa e desenvolve o que for necessário para adaptação das suas estruturas a cada realidade que cada aplicação possui.

Lançamento: TC003 é o único suporte que permite instalação com o uso apenas de uma ferramenta.

O conceito de Estruturas Inteligentes será utilizado em nossas campanhas de 2021 pois representa com precisão cada detalhe envolvido na concepção dos nossos produtos, toda nossa linha tem um processo de desenvolvimento único, o início da fabricação é personalizado pois utilizamos uma liga exclusiva, a mistura de metais mais pura proporciona uma qualidade inigualável a todos os itens e o processo continua no corte e preparação de todo o desenho, suas junções e fixações são rigorosamente analisadas para suportar as intempéries do tempo das localizações que serão instaladas. Nossos engenheiros acompanham este processo e ainda durante a negociação desenvolvem as análises de cada projeto prestando o suporte necessário para cada diferencial que deve ser aplicado. Este nível de segurança para execução de pequenas, médias e grandes obras é imprescindível para nossa garantia de 30 anos se torne o grande diferencial das estruturas SSM Solar do Brasil. São 10 anos de história que levam a SSM do Brasil ao rumo de ser uma das maiores fabricantes de estruturas metálicas para painéis fotovoltaicos, em 2021 os projetos não param e além de novos e grandes clientes que iniciaram parcerias conosco temos o lançamento de uma nova linha de produtos que acontecerá até novembro. Não perca nossas novidades, acesse o QRCODE ao lado e confira tudo que preparamos para você parceiro e distribuidor SSM Solar do Brasil. Consulte nossos especialistas pelo email: vendas@ssmmetalicas.com.br ou pelo telefone:

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O que é mais importante para o inversor fotovoltaico: GERAÇÃO ou EFICIÊNCIA

Por: João Paulo de Souza

ção de projetos de sistemas fotovol- a potência de entrada (disponibilizataicos, que é definir a eficiência do da pelo arranjo fotovoltaico) multipliUm sistema fotovoltaico é for- sistema baseando-se somente na efi- cada pela eficiência do inversor [1]: mado por alguns subsistemas e com- ciência dos módulos ou dos inversoponentes, os quais individualmente res fotovoltaicos. possuem determinadas funções. Por A eficiência de um sistema fotoexemplo, os módulos fotovoltaicos Colocando a eficiência em evipodem ser vistos como um subsiste- voltaico depende da arquitetura do ma do sistema FV, cuja função é con- sistema, das perdas características dência, temos, em termos percentuverter a luz em eletricidade, especi- desse sistema (térmicas, ôhmicas, ais: ficamente em corrente contínua. Por mismatch, etc.), da eficiência dos sua vez, existem os elementos que módulos, dos inversores e dos transcompõem os módulos, por exemplo: formadores que eventualmente poscélulas FV, diodos de by-pass, vidro, sam compor esse sistema FV. Na prática, estamos calculando dentre outros. Este subsistema (móNeste artigo veremos qual a in- qual a porcentagem da potência disdulos), possuem sua própria eficiência de conversão. Também existe terpretação física da eficiência de um ponível na entrada que foi disponium outro subsistema que compõe o inversor fotovoltaico, o que significa, bilizada na saída do inversor FV. Nesistema fotovoltaico, também com- como são medidas e para que servem nhum conversor de energia é 100% posto por alguns elementos e que as eficiências de pico, ponderada CEC eficiente, pois sempre haverá perdas, também possui a sua própria efici- e ponderada EU. Responderemos se como perdas por chaveamento, perência de conversão: o inversor. Até vale a pena investir em inversores das térmicas, dentre outras. mesmo os componentes (elementos) que, na folha de dados técnicos, suque fazem parte dos subsistemas, postamente são mais eficientes e, Eficiência de pico possuem a sua própria eficiência. É o por fim, se a eficiência é realmente A eficiência de um inversor FV caso dos relés de estado sólido para uma característica técnica importanaplicações em eletrônica de potên- te na hora de elaborar um projeto e/ não é constante, ela varia de acordo cia, presentes dentro dos inversores, ou escolher um inversor fotovoltaico. com a quantidade de energia que está sendo convertida no momento, de que continuam avançando tanto em acordo com a tensão CC e, eventualaplicações de alta eficiência quanto Eficiência do inversor fotovoltaico mente, de acordo com a temperatura de altas temperaturas. No caso de um inversor fotovol- do inversor. Cada inversor possuirá a Nesse contexto, temos visto uma taico conectado à rede, a potência de sua própria curva de eficiência. A Fisituação muito comum na elabora- saída (disponível para a rede) é igual gura 1 apresenta alguns exemplos de Eficiência de Inversores

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Eficiência Californiana (CEC) O Sandia National Laboratories, Endecon Engineering, BEW Engineering e o Institute for Sustainable Technology desenvolveram um protocolo de teste para avaliar o desempenho de inversores usados em sistemas fotovoltaicos conectados à rede [3]. Este protocolo foi adotado pela California Energy Commission (CEC). A eficiência CEC é calculada como uma média ponderada das eficiências de conversão CC-CA em seis medidas de carregamento (10%, 20%, 30%, 50%, 75% e 100%) e em três níveis de tensão CC (Vmin, Vnom, and Vmax), totalizando 18 medições. Ela é determinada por:

Figura 1 – Curvas de eficiência de conversão CC-CA como função da potência de saída de um inversor FV para diferentes tensões CC de entrada.

curvas de eficiência de um inversor fotovoltaico em função da potência de saída e tensão CC. Como pode ser observado, existe uma eficiência de pico que pode ser encontrada no gráfico. No entanto, a eficiência de pico nas folhas de dados técnicos não é um valor útil, pois na maioria das vezes os inversores operam fora de sua potência nominal. Por exemplo, mesmo que um inversor apresente uma eficiência de pico de 99% em sua folha de dados técnicos, ele poderá operar com essa eficiência durante um instante do dia ou nunca operar com essa eficiência. Em virtude dos inversores nem sempre operarem em condições ideais, a eficiência ponderada se mostra como uma medida mais adequada.

Para a Eficiência CEC é dado um peso maior para o carregamento de 75% pois nesta região os níveis de irradiância são mais elevados em comparação com a Eficiência Europeia que veremos a seguir. Eficiência Europeia (EU) Um outro tipo de eficiência ponderada é a chamada Eficiência Europeia (EU). Ela é determinada por: Para a Eficiência EU, o fator de ponderação que possui um maior peso é no carregamento de 50%, pois é o mais comum da Europa em função de sua menor irradiância em comparação com a Califórnia. Outras Eficiências Ponderadas Em 2010 o Laboratório Photon propôs duas eficiências ponderadas, sendo uma para perfis de média irradiância e outra para perfis de alta irradiância. Na verdade, ela utilizou os mesmos fatores de ponderação das eficiências européia (média irradiância) e californiana (alta irradiância). Em contrapartida, existem várias proposições para a criação de uma eficiência brasileira [4-5], visto que tanto a eficiência ponderada californiana quanto a européia não refletem o nosso perfil de irradiância. Portanto, até aqui constatamos o fato de que a eficiência de pico não é adequada para avaliar a eficiência de um inversor fotovoltaico e que as eficiências ponderadas CEC e EU não caracterizam bem a eficiência dos inversores no Brasil. Resultados em Laboratório vs. Resultados em Campo Determinar a eficiência do inversor não é tão simples quanto a relação entre a potência de entrada e a de saída, ela envolve outros fatores como a tensão de entrada e o seguidor do ponto de máxima potência [5]. Para obter resultados corretos é fundamental considerar o fato de que o seguidor do ponto de máxima potência do inversor também determina a sua tensão de entrada, consequentemente, influencia a eficiência de conversão [67]. A eficiência do seguidor do ponto de máxima potência pode ser dividida em eficiência estática e dinâmica [5]. Não é complicado obter a eficiência estática do MPPT, pois em laboratório, com RBS Magazine

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o uso de um simulador de arranjo fotovoltaico, com potência de entrada e temperatura controladas, o ponto de máxima potência do inversor permanece fixo durante as medições. No entanto, o próprio conceito de eficiência dinâmica do MPPT não é muito claro devido à dificuldade em se definir uma variação padrão da irradiância [5]. Isso faz com que, em campo, os resultados dos cálculos de eficiência dos inversores possam divergir completamente do esperado. Por exemplo, um algoritmo de MPPT preciso, porém lento, que tenha dificuldades para encontrar rapidamente o ponto de máxima potência durante uma mudança nas condições de irradiância pode provocar esse resultado. Esta situação é relatada em [2]. Portanto, mesmo adotando-se uma eficiência ponderada, ainda que seja uma eficiência brasileira, existirá a possibilidade de serem constatadas eficiências em campo divergentes das informadas nas folhas de dados dos inversores fotovoltaicos. Um teste em laboratório que não considera a dinâmica do sistema, por conseguinte, não trará resultados realistas o suficiente para caracterizar a eficiência do inversor. Eficiências de Conversão e Produção de Energia de Microinversores Um trabalho bastante interessante testou vários modelos de microinversores de fabricantes diferentes disponíveis no mercado mundial entre 2014 e 2017 [2]. Dentre as marcas de microinversor testadas, a APsystems estava presente, com o modelo YC500.

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Tanto na avaliação de desempenho de eficiência CEC quanto eficiência EU, o YC500 se apresentou na sexta posição do ranking. Entretanto, nos testes de avaliação de produção de energia em campo o YC500 subiu no ranking. Durante a avaliação em campo foi constatado que alguns microinversores não foram capazes de acompanhar a rápida variação dos níveis de irradiância. Inclusive, foi relatado que um dos microinversores testados mostrou um desvio extremo de sua classificação de eficiência em relação aos resultados de produção de dicionais de string, afinal, os microinenergia. versores são inversores fotovoltaiIsso mostra que, se um cliente cos também. Um trabalho bastante desejar comprar um inversor eficien- abrangente [8] apresentou os critéte e se basear somente nos valores rios mais relevantes para a seleção informados na folha de dados ou de um inversor fotovoltaico conectamesmo nas medições das eficiências do à rede, mostrando que a eficiência ponderadas (CEC ou EU), ele pode de conversão CC-CA e a eficiência do ser induzido a escolher um inversor seguidor do ponto de máxima potênde pior desempenho, em termos de cia estão entre os parâmetros essenprodução de energia. Foi mostrado ciais. exatamente este exemplo em [2], No que diz respeito à eficiência onde um inversor com Eficiência EU de 95% apresentou uma produção de de conversão CC-CA, este estudo afirenergia 22,1% menor que um inver- ma que, de todas as características de sor com 94,1% de Eficiência EU. Con- projeto e construção dos inversores, vém lembrar que atualmente as efi- é o uso ou não de um transformaciências dos inversores apresentam dor de isolação galvânica que mais influencia a eficiência de conversão valores maiores que estes. DC-AC [8]. Mesmo que o próprio inNão estamos recomendando versor não possua um transformador comprar um inversor com menor efi- de isolação galvânica, eventualmenciência, mas fica evidente que a efi- te um transformador de acoplamenciência dada em folhas de dados não to pode ser necessário. Neste ponto é mais importante do que o resulta- a APsystems se apresenta como um do de produção de energia obtido grande diferencial, visto que é possíem campo. Em outras palavras, um vel encontrar em seu portfólio proproprietário de sistema fotovoltaico dutos que são compatíveis com os que comprou um inversor com uma diversos níveis tensões de rede de eficiência ponderada maior, pode ter distribuição secundária, ou seja, não um adquirido um inversor que apre- é necessário o uso de um transformasentará uma produção de energia dor. significativamente menor. Aliás, uma Embora não haja uma grande diafirmação bastante importante que foi dada no resumo do artigo é que ferença entre produtos de diferentes “aparentemente, alguns inversores fabricantes no que diz respeito à efiforam otimizados para mostrar exce- ciência de conversão CC-CA, este não lentes classificações de eficiência UE é o caso da eficiência do seguidor do ponto de máxima potência (MPPT) e CEC” [2]. [8]. Mesmo que uma parte do funcioEficiências de Conversão de Inverso- namento do MPPT seja mencionado em [8], não vamos entrar nesse méres de String rito (funcionamento do MPPT), pois Tudo o que foi informado até como prometido em artigos anterioaqui é válido para os inversores tra- res, abordaremos o tema MPPT com


detalhes em um outro artigo. Ainda assim recomendamos sua leitura completa.

• As eficiências ponderadas CEC e EU não caracterizam bem a eficiência dos inversores no Brasil;

Em suma, foi apresentado que a eficiência diária do MPPT também depende dos perfis de irradiância. Além disso, a eficiência também diminui em dias nublados e é melhor em dias de sol. Por fim, da mesma forma como relatado em [2], em [8] também foram observados inversores com comportamento "anômalo" no que diz respeito.

• Mesmo adotando-se uma eficiência brasileira, ainda existirá a possibilidade de serem constatadas, em campo, eficiências completamente divergentes;

Eficiência vs. Produção de Energia Já falamos anteriormente que a eficiência de um sistema fotovoltaico não é determinada somente pela eficiência dos módulos ou somente pela eficiência dos inversores. Ainda mais agora que vimos que a eficiência dos inversores pode não representar adequadamente o que ela se propõe a representar. Então vamos falar de produção de energia. Inversores centrais ou de string podem parecer mais eficientes, visto que normalmente os valores de suas eficiências de pico apresentadas em folhas de dados são ligeiramente maiores. Por outro lado, é bem sabido que a arquitetura de sistemas fotovoltaicos com microinversores geram mais energia, principalmente por reduzir ou eliminar as perdas por mismatch [9-13]. Conclusão Fabricantes de inversores podem não apresentar informações sobre a variação da eficiência do inversor em relação à sua tensão de entrada. Também não é comum encontrar informações sobre a eficiência do inversor em diferentes tensões de máxima potência. Além disso, mesmo que o fabricante de inversor fotovoltaico apresente em sua folha de dados técnicos a eficiência de pico, européia (EU) ou californiana (CEC), vimos que: • A eficiência de pico do inversor não é adequada para avaliar a eficiência de qualquer inversor fotovoltaico;

• A produção de energia elétrica será um parâmetro mais objetivo e eficaz de avaliar o desempenho de inversores fotovoltaicos. Estas divergências em campo se devem principalmente à eficiência dinâmica do MPPT, que não é muito previsível, pois não existe uma definição de variação padrão de irradiância. É por este motivo que é possível encontrar no mercado inversores fotovoltaicos que, mesmo apresentando um valor de eficiência em folhas de dados relativamente maior, podem apresentar produções de energia menores. Isso também mostra que uma caracterização de eficiência em laboratório não pode ser tomada como parâmetro na hora de escolher o inversor que apresentará a maior geração. Isto eleva ainda mais o nível de responsabilidade do projetista, visto que não é possível avaliar a real eficiência dos inversores fotovoltaicos com base apenas na folha de dados técnicos. Neste ponto, a experiência do projetista com os resultados de geração obtidos em campo é muito mais importante. A notícia boa é que, por tudo isso, a única maneira de garantir o máximo aproveitamento de energia é usando sistemas fotovoltaicos com eletrônica de potência à nível de módulo (MLPE) de qualidade comprovada no mercado. Referências [1] Soteris A. Kalogirou, “Solar Energy Engineering: Processes and Systems”, 2nd Edition, Academic Press, 2014. ISBN–13: 978-0-12-397270-5. [2] Stefan Krauter and Jörg Bendfeld, “Update on Rankings of Conversion Efficiencies and Energy Yield of Micro-Inverters, including Inverters for Two PV Modules”, Proceedings of 33rd European Photovoltaic Solar Energy Conference (EU-PVSEC 2017), Amsterdam, Sep. 2017, p. 1477-1481. [3] W. Bower, C. M. Whitaker, W. Erdman, M. B. Behnke, and M. Fitzgerald, “Performance Test Protocol for Evaluating Inverters Used in Grid-Connected Photovoltaic Systems”, Sandia National Laboratories, 22-Nov-2004.

[4] Telma A. M. S. Bassan, Jair U. Junior, “Análises de Equações de Eficiências de Inversores através de um Comparativo Prático”, VII CBENS, 2018. [5] A. Pinto, R. Zilles, M. Almeida, “Eficiência Brasileira de Inversores para Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede”, Avances en Energías Renovables y Medio Ambiente, Vol. 15, 2011. [6] Henze N., Bründlinger R., Härberlin H., Burguer B., Bergmann A. e Baumgartner F. (2009). “prEN 50530 - The New European Standard for Performance Characterisation of PV Inverters”, 24th European Photovoltaic Solar Energy Conference, 3105-3109. [7] F. Baumgartner et al., “Status and Relevance of the DC Voltage Dependency of the Inverter Efficiency”, 22nd EUPVSEC, Milano, 2007. [8] Alonso Abella M., Chenlo F., “Choosing the Right Inverter for Grid-Connected PV Systems”. Renewable Energy World, 2004; 7(2):132-147. [9] Frontin, Sergio de Oliveira et al. “Usina Fotovoltaica Jaíba Solar: Planejamento e Engenharia”. Teixeira Gráfica e Editora Ltda., 2017. 528 p. ISBN: 978-85-88041-12-7. [10] Araujo, F. O., Leme, S. P. L., Araujo, L. O., Santos, B. L. S. E., Higuti, L. A. H. “Proposta de Adaptação da Norma Brasileira ABNT NBR 16274 e de alguns Pontos em Normas Técnicas em Determinadas Concessionárias para Correta Avaliação da Metodologia de Projeto de Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede com Inversor Orientado ao Módulo”. VI CBENS, 2016. [11] National Renewable Energy Laboratory – NREL, “Modeling Microinverters and DC Power Optimizers in PVWatts”, Technical Report NREL/ TP-5J00-63463, Feb. 2015. [12] National Renewable Energy Laboratory – NREL, “A Performance and Economic Analysis of Distributed Power Electronics in Photovoltaic Systems”, Technical Report NREL/TP-5200-50003, Jan. 2011. [13] National Renewable Energy Laboratory – NREL, “Photovoltaic Shading Testbed for Module-Level Power Electronics: 2016 Performance Data Update”, Technical Report NREL/TP- 5J00-62471, Sep. 2016.

JOÃO PAULO DE SOUZA Responsável técnico da Ecori Energia Solar, especialista em sistemas fotovoltaicos com tecnologia MLPE. Possui certificação para responsável de empresa de projeto e instalação de módulos fotovoltaicos pelo Instituto Totum. Mestre em Engenharia Eletrônica e Computação pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica ITA, graduação em Engenharia Elétrica Industrial e curso técnico-profissionalizante em Eletrotécnica Industrial pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão - IFMA. Membro do Comitê Técnico Brasileiro de Sistemas de Conversão Fotovoltaicas de Energia Solar ABNT/CB-003. Foi engenheiro de sistemas aeroespaciais na Binacional Alcântara Cyclone Space (ACS). Foi pesquisador colaborador no Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). Trabalhou na montagem do Laboratório de Identificação, Navegação, Controle e Simulação (LINCS) no IAE.

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TRITEC Energy do Brasil Rua Lucaia 316 - CEP: 41.940-660 Rio Vermelho - Salvador - Bahia - Whatsapp: +55 71 98803 5444 vendas@tritec-energy.com Solar TRITEC Rua Emilio Mallet 317 Sala 609 - CEP: 03320-000 Tatuapé - São Paulo - SP Whatsapp +55 71 97221 8401 vendas.sp@tritec-energy.com TRITEC International Switzerland Harrenweg, CH-4123 Allschwill - Suíça info@tritec-energy.com www.tritec-energy.com

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ENERGIA SOLAR QUALIDADE SUÍÇA NO BRASIL

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Reflexões sobre o mercado fotovoltaico no Brasil hoje Por Ruberval Baldini* e Hamilton Moss** *Presidente da ABEAMA (Associação Brasileira de Energias Alternativas e Meio Ambiente) **Pró-reitor da Universidade de Vassouras.

A

energia solar é considerada uma solução com imenso potencial para a geração de energia em todo o território brasileiro, principalmente por estarmos em um país de muita incidência solar, mas apesar do crescimento vertiginoso do setor, nos últimos 8 anos, ainda há muito para ser explorado. Desde a década de 80 o Brasil teve seus primeiros passos no mercado de energia solar fotovoltaica com empresas brasileiras e estrangeiras oferecendo sistemas para geração de energia a partir de módulos fotovoltaicos, em locais remotos voltadas ao setor de telecomunicações. Eram sistemas (off-grid) ou “remotos”, como chamávamos no mercado, e que traziam inovação e segurança para a geração de energia em sistemas isolados em especial para as estações repetidoras de telecomunicações em franca expansão no Brasil na década de 80/90. Naquela época, apresentar uma solução com módulos solares fotovoltaicos era tarefa difícil para as empresas que ofereciam essa solução ao setor de telecomunicações onde a geração a diesel era a praxe para energizar estações em áreas isoladas, fora da rede elétrica existente. 56

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Entre as empresas que hoje atuam no mercado de energia solar, muitas vieram de diferentes segmentos atraídas pela crescente expansão da energia solar no Brasil desde 2012 após a Resolução 482 da ANEEL, que permitiu a Geração Distribuída para o usuário de energia elétrica com compensação dos créditos gerados pelas concessionárias locais em todos os municípios do país.

O crescimento acelerado, mesmo em tempos de crise, não afasta, entretanto, dificuldades que devem ser enfrentadas para o efetivo aproveitamento de nosso potencial, a saber:

- Esse crescimento, atraiu para o mercado “aventureiros” sem o devido preparo técnico adequado; o risco de termos instalações que não funcionam ou não atendem o que foi Enquanto a maioria dos setores prometido é grande. O pior que pode econômicos encontram dificuldades acontecer na introdução de uma nesses tempos de pandemia, o setor não parou de crescer desde de 2012, com números que entusiasmam os empreendedores e favorecem o usuário de geração fotovoltaica. Nesses 8 anos de crescimento, os investimentos atingiram mais de R$39,9 bilhões, implantando 7,7 GW de geração em operação, criando mais de 233 mil empregos e R$11,6 bilhões em arrecadação de tributos, segundo dados da ANEEL/ ABSOLAR (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica). O gráfico demonstra o estado atual desse crescimento.


mercado de possibilidades em nichos de aplicação específica, aproveitando suas características estéticas, baixo custo e avanços em aplicações de novos materiais. Novos materiais prometem, para um futuro não muito distante grandes novidades tanto em painéis quanto num aspecto muito importante da tecnologia solar: o armazenamento. É preciso estar atento a estas tendências inovadoras, pois no horizonte de nos próximos 5 anos podem surgir e se consolidar equipamentos e negócios promissores.

Instalação inversor string 14,2 Kwp auto consumo compartilhado no Rio de Janeiro

nova tecnologia para o grande público é o “Boca a boca” de clientes insatisfeitos que se julgam enganados; - a constante ameaça de mudança regulatória abrupta, criando novas taxas ou retirando incentivos, que, de tempos em tempos se anuncia; por hora parece afastada esta ameaça, com a promessa da ANEEL de que, havendo ajustes regulatórios, as mudanças ocorrerão de forma gradual e com um horizonte de tempo conhecido de forma que o mercado possa adaptar-se sem solavanco;

com a redução, os juros ainda são altos.

A interiorização da aplicação da tecnologia merece especial atenção como uma fronteira de crescimento de mercado ainda não suficientemente explorado.

Feitas estas considerações, poEm síntese: precisamos de um demos afirmar que, com ou sem panesforço coordenado de empresas, demia, o mercado de energia solar profissionais, associações, universi- fotovoltaica encontra-se num modades, escolas técnicas, instituições mento promissor e todos os indicade crédito, ONGs e governos (fede- tivos apontam para um crescimento ral, estadual e municipal) de forma a ainda melhor nos próximos anos. A atacar adequadamente os problemas energia solar, finalmente, veio não de informação, formação, regulação, só para ficar, mas para expandir-se e controle de qualidade de instalações ocupar. e financiamento. O esforço de vários destes setores citados tem sido muito bem feito, mas ainda - apesar da massiva divulgação precisa ser intensificado. dos últimos tempos o grande público Deixamos por últiainda desconhece a tecnologia solar fotovoltaica, os seus benéficos, entre mo, e destacamos de eles a significativa redução da conta forma separada aqui, a de luz e pensa que é algo distante de questão das inovações. seu universo, caro e de difícil instala- Embora a tecnologia do ção. Felizmente, as várias instalações painel de silício monode sucesso, como os exemplos das cristalino e a eletrônica fotos, que seguem padrões de qua- associada pareçam já ter lidade para as diversas modalidades atingido um ponto de esque as regras da Geração Distribuída tabilidade tecnológica, permitem tem mudado paulatina- tecnologias como o painel com micro inversor, mente esse cenário; estruturas inovadoras - as escolas de engenharia e ar- de montagem, aplicatiquitetura ainda não incorporaram a vos de controle e moninova realidade da energia fotovol- toramento tem trazido taica e engenheiros e arquitetos não vantagens significativas fazem novas instalações já prepara- e precisam ser levadas das para aproveitar todo o potencial em conta nos projetos, desta tecnologia ou facilitar sua ins- trazendo mais necessidade de boa formação talação dos profissionais. Painéis - apesar dos juros terem caído fotovoltaicos orgânicos, e de bancos terem aberto linhas de mesmo com seu baixo crédito para PV estas linhas de crédi- rendimento com relação Instalação auto-consumo com micro inversor em Vassouras na resito não são tão divulgadas e, mesmo ao silício, tem um amplo dência de Hamilton Moss realizada em janeiro 2021 pela BR Solar. RBS Magazine

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Entrevista

A RBS MAGAZINE traz uma entrevista exclusiva com João Vítor Barão Ribeiro da OPUS SOLAR

RBS Magazine - Como surgiu Opus amadurecer e se consolidar, sendo Solar? assim vemos que o investimento voltado a energia fotovoltaica vai JOÃO VÍTOR - A Opus Solar foi se tornando cada vez mais presente criada em 2018 e começou de um e incentivado em nosso país. Sabeestudo voltado ao mercado de mos que o “agora” para o brasileiro energia renováveis e viu a possibi- é o que mais importa, a cultura do lidade de ingressar, investir e aten- “guardar para ter para o amanhã” der um mercado não atingido até o não é muito presente na vida de momento. Após essa analise come- nosso povo. Acreditamos que com çou atuar no mercado de importa- a velocidade da informação a nosção e venda de produtos somente sa sociedade estará cada vez mais em 2019. A empresa vem com um capacitada e apta para receber tecmindset inovador e está crescendo nologia como um sistema foto volexponencialmente com a perspec- taico entre outras, uma vez que o tiva de conquistar seu espaço no poupar dinheiro e ajudar o meio mercado e elevar os padrões de ambiente se torna visível, palpável atendimento ao cliente. e imprescindível aos olhos dos consumidores. A nossa empresa tem o RBS Magazine - A Opus Solar atua direcionamento de atender todo o de que forma no mercado de energia tipo de cliente de forma exemplar e solar ? adotar todo tipo de mercado, como já foi dito acima, consolidando o A Opus Solar atua na venda de pro- mercado de energia fotovoltaica e a dutos tanto na venda B to B quanto longo prazo nos tornando referênB to C sempre buscando o melhor cia na resolução de problemas de atendimento e preço para nossos nossos clientes. clientes. RBS Magazine - Atualmente se fala RBS Magazine - O Brasil acompa- sobre “A inovação é para os clientes", nha a tendência do mundo no avan- qual a visão como empresa tem nesço da GD. Quais as perspectivas de te setor fotovoltaico? mercado que a OPUS SOLAR terá para curto, médio e longo prazo? Acreditamos muito em inovar e trazer novos produtos para os nosA Opus Solar reconhece que o sos clientes. Os clientes que estão lá mercado está melhorando confor- na ponta necessitam cada vez mais me o tempo e ainda tem muito a de uma solução com muitas alter58

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nativas, sendo um inversor com maior potência ou até módulos de formatos diferentes. O “inovar” na maioria das vezes não é o mesmo que criar e sim aprimorar um produto ou algum processo. Dentro da Opus pensamos em aprimorar nosso conhecimento técnico, aprimorar nossa estratégia de vendas e aprimorar o atendimento ao cliente. Todo nosso processo de aprimoração vem com a ideia de se concretizar mais no mercado e se aprofundar melhor em nossos relacionamentos com nossos clientes. Podemos trazer produtos/soluções inovadoras ou até mesmo aprimorar, mas que dita isso não somos nós e sim o mercado. RBS Magazine - A OPUS SOLAR é a melhor empresa de vendas de materiais de energia fotovoltaica? Somos mais que uma empresa que preza somente por números e vendas, estamos atendendo todos do mercado (do maior ao menor). Não só comercializamos equipamentos dentro de nossa empresa, formamos laços de solução de problemas e cultivamos o relacionamento interpessoal com nossos clientes querendo sempre o melhor para todos.


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