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Vol. 04 - Nº 29 - JUL/AGO 2019

www.revistabrasilsolar.com

FórumGD

REGIÃO CENTRO OESTE

4°FÓRUM REGIONAL DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA COM FONTES RENOVÁVEIS

REGIÃO CENTRO OESTE

e 15 save 14 the AGOSTO date2019

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ÍNDICE

04 Considerações sobre a

geração distribuidora no Brasil

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Revisão da REN 482

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Entrevista com Gabriel Terçarolli da Sices Solar

28 Projeto Redex Solar

na Amazônia Brasileira

EDIÇÃO

FRG Mídia Brasil Ltda.

CHEFE DE EDIÇÃO

Aurélio Souza IEE USP

JORNALISTA RESPONSÁVEL

Curitiba - PR – Brasil www.revistabrasilsolar.com

Thayssen Ackler Bahls MTB 9276/PR

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DIREÇÃO COMERCIAL Tiago Fraga

COMERCIAL

A Revista RBS é uma publicação da

Eliseu Amorim

COMITÊ EDITORIAL

Colaboradores da edição

SUPERVISÃO

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Maria Cristina Cardoso Para reprodução parcial ou completa das informações da RBS Magazine - Revista Brasil Solar é obrigatório a citação da fonte.

DISTRIBUIÇÃO

Carlos Alberto Castilhos

REDES SOCIAIS Nicole Fraga

EDIÇÃO DE ARTE E PRODUÇÃO Vórus Design e Web www.vorusdesign.com.br

APOIO

ABGD / TECPAR / WBA - Associação Mundial de Bioenergia Solar / Instituto BESC / ABEAMA / CBCN / Portal Brasileiro de Energia Solar / NEEAL- Núcleo de Estudo em Energia Alternativa / ABEAMA

DISTRIBUIÇÃO DIRIGIDA

Empresas do setor de energia solar fotovoltaica, geração distribuída e energias renováveis, sustentabilidade, câmaras e federações de comércio e indústria, universidades, assinantes, centros de pesquisas, além de ser distribuído em grande quantidade nas principais feiras e eventos do setor de energia solar, energias renováveis, construção sustentável e meio ambiente.

TIRAGEM: 5.000 exemplares VERSÕES: Impressa / eletrônica

PUBLICAÇÃO: Bimestral CONTATO: +55 (41) 3225.6693 +55 (41) 3222.6661

E-MAIL: comercial@revistabrasilsolar.com COLUNISTAS/COLABORADORES

Carlos Evangelista, Bárbara Rubim, Marina Meyer Falcão, Bárbara Rubim, Gabriel Terçarolli, Ildo Bet, Janio Taveira, Eduardo Abreu, Alessandra Mathias, Aurélio Souza, Adriana Rosa, Gustavo Abujamra, Desheng Lei, Maria de Fátima N. C. Rosolem, Raul F. Beck

Os artigos e matérias assinados por colunistas e ou colaboradores, não correspondem a opinião do RBS Magazine - Revista Brasil Solar, sendo de inteira responsabilidade do autor.

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Artigo

POR QUE ALGUMAS DISTRIBUIDORAS NÃO QUEREM A GERAÇÃO DISTRIBUÍDA? Carlos Evangelista

Carlos Evangelista

A

lgumas concessionárias e permissionárias de energia elétrica, tem divulgado o conceito que o momento é para a Geração Distribuída 2.0, vendendo a falsa ideia que apoiam GD.

dora de energia que lhe atende.

Tenta-se criar um dilema a respeito do tema, mas a verdade é que Geração Distribuída é algo inexorável no setor, simples, conveniente para os consumidores e extremamente vantajosa para o país. Veio para No entanto, é um apoio condicionado a ficar e evoluirá muito, alinhado com o que que todos os consumidores optantes por GD já acontece no mercado mundial de energia, deixem pelo menos 25% ou mais da energia particularmente o setor elétrico. produzida com as distribuidoras, a título de Dilema significa circunstância árdua remuneração do fio (talvez por isso escolheram o número 2.0). Na verdade, o que existe e de difícil resolução em que é necessário é muita desinformação e distorção dos fa- escolher entre duas opções contraditórias, tos em relação a Geração Distribuída. Claro contrárias ou insatisfatórias. Geração Disque tem que haver equilíbrio e remunerar tribuída e Geração Centralizada podem os ativos da rede, mas dizer remunerar o fio e devem coexistir simultaneamente, não significa “cobrar” até ¼ (um quarto) de toda estamos em nenhuma encruzilhada em que a energia produzida pelos PROSUMIDO- devemos escolher entre uma dessas opções. RES, seria o mesmo que admitir que nes- Elas podem e devem conviver, concomitante país, quem quiser investir, ajudar a rede temente, harmonicamente, como já aconteelétrica, criar empregos e beneficiar todo o ce no mundo inteiro nos países com o semeio ambiente, terá como sócio a distribui- tor elétrico mais maduro (Austrália, EUA, 4

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Artigo

Alemanha, etc), e deverá ser assim também no Brasil. O que há é apenas uma resistência, parcial e seletiva, de alguns setores que perceberam que precisarão se modernizar para acompanhar as novas tecnologias (G5, Blockchain, moeda virtual, bancos digitais, compartilhamento de infraestrutura, smartgrid, carros elétricos, baterias viáveis economicamente, etc). O Brasil tem um sistema elétrico dicotômico, parte dele caminhando para a modernidade e eficiência, e grande parte dele (infelizmente a maior parte), baseado em uma estrutura antiga, ineficiente, obsoleta e monopolista. Esse é o verdadeiro motivo de termos uma das tarifas mais altas do mundo. Não podemos “descarregar” a culpa no segmento de geração, ou distribuição, ou transmissão e nem mesmo nos impostos. Todos têm grande parcela nessa ineficiência e ineficácia. A solução passa por nós, todos os setores da sociedade devem ter coragem e competência para mudar o que está estabelecido, admitir que já deveríamos ter iniciado a transição e modernização há muito anos, encarar os desafios e efetivar as soluções propostas (leia-se: não postergar). Para piorar, de vez em algum burocrata conclui que “na canetada” seria possível resolver os problemas, mudar regras e contratos já estabelecidos, resolvendo do dia para a noite todos os problemas do setor. Fazendo uma metáfora do óbvio, o setor elétrico brasileiro está na UTI, com os médicos e enfermeiros do setor, todos pasmos, sem saber se tratam o coração, o pulmão, o cérebro, estômago ou se chamam um padre para a extrema-unção.... Está na hora de colocar essa discussão no devido patamar, não sob o viés de manter um mercado cativo, cobrando um valor injusto, desproporcional e descabido, a pretexto de remunerar um serviço ruim, atrasado e fadado a obsolescência total. Não compartilho da opinião que não devemos “remunerar o fio” por assim dizer, claro que devemos buscar o equilíbrio e remunerar todos os ativos que são utilizados em GD, mas isso tem que ser feito de maneira

equilibrada, real e que reflita o futuro e não um modelo do século passado, que somente prestigia o “status-quo” das empresas que estão muito aquém do que o Brasil necessita em termos de modernidade do setor elétrico. Por exemplo, a leitura dos medidores de BT ainda é feita por “andarilhos”, como os carteiros, que vão de casa em casa, lendo os relógios (diga-se de passagem, muitas vezes lendo erroneamente), essa ineficiência é paga por todos nós. Perdas na transmissão e distribuição da ordem de 17%, segundo a própria associação das distribuidoras de energia, prejuízo esse também pago por nós; quedas de energia intermitentes em várias regiões do país, com produtores, indústrias e comércio amargando perdas em suas empresas (tudo também pago por nós). Até quando assistiremos passivamente esse atraso todo? Um sub-desenvolvimento mental político, de um grupo pequeno de empresas querendo cobrar mais e mais por um sistema ineficiente, que somente tem projeções de aumento das tarifas e diminuição de eficiência e eficácia. Muito me surpreende quando vejo em alguns foros, opiniões restritivas sobre a Geração Distribuída. Não que eu ache que devemos desconsiderar opiniões opostas, muito pelo contrário, a diversidade e heterogeneidade de opiniões é o que nos permite avançar rumo ao desenvolvimento. O que me assusta são grandes empresas apresentarem modelos destrutivos em relação a Geração Distribuída, mas os mesmos grupos que criticam, investem pesadamente em suas próprias empresas de geração distribuída. Para isso há um nome claro: Hipocrisia de mercado. A ideia central da Geração Distribuída nasceu na busca pela segurança, equilíbrio e da eficiência energética, uma vez que as perdas com transmissão e distribuição serão bastante mitigadas com GD.

para todos os usuários finais, consequentemente, para o país. A sustentabilidade desse processo está totalmente alinhada com seus três famosos pilares: AMBIENTAL, ECONÔMICO E SOCIAL. Referente ao PILAR AMBIENTAL, este primeiro até dispensa comentários, a REN687/2015 da ANEEL já em sua redação deixa claro que as regras são para fontes de energias renováveis, portanto, alinhado perfeitamente com a tendência mundial, inclusive tudo que foi discutido no acordo de Paris, com compromissos assumidos pelo governo brasileiro. O PILAR SOCIAL também está perfeitamente alinhado, as vantagens da Geração Distribuída já citadas neste texto trazem benefícios não apenas aos investidores iniciais de GD, mas a todos os usuários do sistema elétrico. Principalmente com a Geração Compartilhada pelo sistema de cooperativas, permitindo que os menos favorecidos, que não possuem recursos, possam angariar das vantagens da Geração Distribuída, permitindo a todos, inclusive as camadas da população de baixo poder aquisitivo, se beneficiarem da divisão de um empreendimento em várias cotas, levando assim a todas as classes sociais a Geração Distribuída. Por isso gostamos do codinome de “GD para Todos”, não tem cunho político algum, apenas significa que todos podem acessar. Há também o aspecto de todos os empregos gerados. Em um país onde se projeta 13 milhões de desempregados ao final de 2019, estimular um dos setores que mais tem criado empregos no mundo (setor de energias renováveis, ver gráfico), GD vem ao encontro de uma ação social altamente positiva, bastante oportuna em um momento tão crítico que vive a nossa sociedade.

O PILAR ECONÔMICO, apesar de exagerado por algumas empresas prometendo tempo de retorno não factível, também está alinhado com GD. No Brasil, adotamos o “net-metering”, portanto, não há de se falar Ajudarmos com a Geração Distri- nos altos incentivos que foram dados buída a evitar perdas, de modo con- na Europa com outro modelo, o “fetundente e eficaz, é um benefício para ed-in”, em que os consumidores são todos os consumidores, ricos, pobres, remunerados pela energia entregue, indústria, comercio, serviços, enfim, e a distorção que existe no Brasil não RBS Magazine

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Artigo

Fonte: IRENA - 2019

Grid”. Um país que deseja continuar à frente das economias mundiais (atualmente 8ª. na economia mundial), deve se manter na vanguarda tecnológica em todos os setores, inclusive e especialmente no setor elétrico. A Geração Distribuída reforça ainda mais esse quarto pilar, com sua tecnologia de ponta, indústria de semicondutores, softwares de controle, monitoramento remoto, convertendo energia proveniente de diversas fontes renováveis (solar, biomassa, eólica, biogás, etc), com alta eficiência, em energia elétriA ideia de que os consumidores ca disponível, controlada, mais barata remanescentes (porque não quiseram e de altíssima qualidade. ou não puderam aderir a GD) arcaMesmo assim, com todas essas riam com os custos de uso da rede, também não se sustenta. Primeiro, vantagens para a população e o país, porque nenhum dos consumidores ainda há grande resistência por parte que aderem a GD deixam de pagar de algumas distribuidoras. Já vimos pelo uso da rede (pagam ou na forma esse filme antes onde grandes corpode custo de disponibilidade ou na for- rações como a IBM (e seus mainframa de Demanda Contratada), segun- mes) pregando contra a computação do, porque o percentual de usuários distribuída (PC’s – computadores que aderirem a GD (~800.000 usuá- pessoais) até finalmente se renderem rios em 2024 segundo EPE), compa- a realidade e investirem no segmento rado aos 83 milhões de consumidores de “computação distribuída”. Grandes residenciais e comerciais (sem falar companhias telefônicas apostando nas dos consumidores industriais), nem Centrais Telefônicas Centralizadas até de longe arranham a quantidade de aderirem aos telefones celulares (cenenergia entregue pelo sistema aos con- trais distribuídas), novamente as messumidores BT. Os mais otimistas cal- mas companhias de Telecom tentando culam que poderia chegar ao máximo impor restrições e custos nas ligações de voz sobre IP (Skype, WhatsApp, de 1,5 % (hoje estamos em 0,03%). etc), a história é cheia de exemplos Geração Distribuída tem ainda (Uber, OLX, NetFlix, etc). Obviamenuma vantagem a mais nesse conceito te, ninguém quer perder mercado, de sustentabilidade, adicionalmente ainda mais um que seja cativo (sinôtemos um quarto pilar da sustenta- nimo de escravo), mas está na hora de bilidade, este nunca é citado, não está realmente nos inserirmos o século 21, na literatura tradicional, mas é igual- onde o benefício de muitos deve supemente importante. É o PILAR TEC- rar o de poucos, e onde o foco tem que NOLÓGICO. A Geração Distribuída ser o PROSUMIDOR, que é quem no anda de mãos dadas como “Smart- final sempre pagará a conta. é devido a GD, mas sim ao cruel sistema tarifário brasileiro, que trabalha com incentivos cruzados e distorcidos, onde muitos recebem pouco e todos pagam muito. A tão falada modicidade tarifária na verdade se mostrou uma ilusão. Uma boa ideia mal implementada que deveria se chamar perversidade tarifária, onde “paga-se o dobro para se ter a metade”. Não podemos acusar e nem mesmo sugerir que GD tenha contribuído ou contribuirá para isso.

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Carlos Evangelista, formado em Engenharia Elétrica e Direito, tem MBA em Marketing pela USP e especialização em Política e Estratégia pela ADESG. Premiado pela FIESP em 2016 e 2 vezes pela Full Energy (2016 e 2018 - 100 mais influentes do setor elétrico), oficial de Engenharia do Exército brasileiro (2º. colocado da turma); atualmente é presidente da ABGD – Associação Brasileira de Geração Distribuída.


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ENERGIA INTELIGENTE, MEIO AMBIENTE E INDÚSTRIA Marina Meyer Falcão

H

á exatos quatro anos, publiquei um Artigo com o mesmo título: Energia, Meio Ambiente e Indústria – que narrava a reestruturação e a modernização do setor elétrico brasileiro com a introdução da nova era da energia renovável no Brasil em total interação com o meio ambiente e a indústria. Hoje, mais forte do que antes, o tema está ainda mais evidente com a inserção da era da Geração Distribuída aliada à energia inteligente (smart energy e smart Grid) que está revolucionando a matriz energética brasileira.

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Com a criação do conceito da geração distribuída de energia, inserido pela Resolução Normativa nº 482/2012 (revisada pela REN 687/2015 e pela REN 786/2017) da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), a “geração própria” da energia, que pode ser feita pela energia solar fotovoltaica, pela energia eólica, pela cogeração qualificada ou pela energia das usinas hidrelétricas, foi a grande força da indústria nos últimos anos, e colocou a energia solar como uma fonte extremamente competitiva e geradora de emprego e renda em todo país. A crise energética que assolou o país no ano de 2012

reavivou as discussões políticas acerca de mudanças necessárias no setor elétrico brasileiro, sobretudo considerando os altos preços da energia elétrica no Brasil naquele período desastroso da era da Medida Provisória 572 – que culminou na publicação da Lei de Renovação das Concessões – Lei nº 12.783/2013. Nesse modelo (geração distribuída) a energia excedente gerada pela unidade consumidora com micro ou minigeração, é injetada na rede da distribuidora, a qual funcionará como uma bateria, e há uma “troca” da energia gerada e da energia consumida, via o Sistema de Com-


Seguramente a era da geração distribuída é uma tendência que veio para ficar, junto com o sistema das redes inteligentes (smart grid) pensação de Energia. Quando a energia injetada na rede for maior que a consumida, o consumidor receberá um crédito em energia (kWh) a ser utilizado para abater o consumo em outro posto tarifário ou na fatura dos meses subsequentes. Para quem está interessado em reduzir sua conta de energia através de geração própria, pouco importa se a geração vem do sol, do vento, da água ou da biomassa. Se for formatado um produto similar com qualquer uma dessas fontes, a decisão do consumidor se dará, ultimamente, pela opção mais barata. A forma como a energia será medida e gerida pelas empresas (daqui em diante) é a grande inovação ora debatida pelo setor elétrico. Seguramente a era da geração distribuída é uma tendência que veio para ficar, junto com o sistema das redes inteligentes (smart grid) – que é o futuro da geração de energia no Brasil, uma vez que ela reúne os avanços tecnológicos do setor, aliada as melhores práticas em termos econômicos e ambientais. Isso principalmente porque possibilita um aproveitamento mais adequado da infraestrutura existente e estimula o aumento da

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eficiência energética no consumo. Paralelamente, os sistemas eletrônicos de gerenciamento do consumo (as redes inteligentes) possibilitarão o uso mais eficiente possível da energia, atendendo a prioridades definidas pelos seus usuários. Além disso, a energia excedente produzida poderá ser fornecida ao restante da rede, a preços de mercado. A ABGD (Associação Brasileira de Geração Distribuída) tem trabalhado ativamente na promoção de empresas de Energia Renovável (em destaque para a energia solar) em todo Brasil, promovendo a inserção do tema da geração distribuída de energia, trazendo ferramentas importantes para atender as empresas, o comércio e a indústria e atuando frente aos principais órgãos reguladores como ANEEL. Enfim, é tempo de aprendermos a lidar com a nova era da energia renovável e a enorme gama de oportunidades que ela proporciona para fins de geração de emprego, renda e benefícios econômicos para todos os consumidores de energia, em prol do meio ambiente mais limpo e sustentável e da indústria mais forte e competitiva.

Marina Meyer Falcão é Diretora Jurídica da ABGD (Associação Brasileira de Geração Distribuída) e Diretora da Marina Meyer Advocacia Empresarial, advogada especialista em Direito de Energia. Membro representante do Estado de Minas Gerais na missão Energias Renováveis na Alemanha (Baviera) em junho de 2018 e representante de Minas Gerais nos Estados Unidos em 2016, Co- Autora de 3 Livros em Direito de Energia, com MBA em Direito Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas. Pós-graduada em Gestão Ambiental pelo Instituto de Educação Tecnológica - IETEC. Graduada pela Universidade FUMEC. Membro da Comissão de Energia da OAB-MG; Membro da Câmara de Energia da FIEMG; Ex-Superintendente de Política Energética do Estado de Minas Gerais (2009 a 2014); Ex-Conselheira do Conselho de Política Ambiental – COPAM do Estado de Minas Gerais (2009 a 2014); Ex-Secretária Executiva do Comitê Mineiro de Petróleo e Gás.


Por que as análises feitas pela ANEEL no processo de revisão da REN 482 precisam ser revistas? Bárbara Rubim

SABE-SE QUE O

SETOR DE GERAÇÃO

SOLAR DISTRIBUÍDA É UMA GRANDE

LOCOMOTIVA DE

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO

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A

s propostas apresentadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para a atualização da Resolução Normativa 482, que permite aos consumidores gerar e consumir a sua própria eletricidade a partir de fontes renováveis, possuem lacunas importantes sobre os benefícios da geração distribuída no Brasil, em especial da microgeração e minigeração solar fotovoltaica. Já é consenso entre os atores do setor solar brasileiro e também entre os próprios consumidores que há uma série de questões desconsideradas pelos agentes regulatórios no debate sobre a atualização da

norma. Para facilitar a discussão, listamos cinco grandes motivos – mas há muitos outros! 1) A proposta não considera o potencial transformador da geração distribuída enquanto fonte de empregos. Sabe-se que o setor de geração solar distribuída é uma grande locomotiva de desenvolvimento econômico, sobretudo na geração de emprego e renda. Estudos internacionais mostram que para cada megawatt solar instalado são gerados cerca de 30 postos de trabalho. Segundo análise da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR),


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caso as regras sejam mantidas, o País poderá angariar cerca de R$ 25 bilhões em arrecadação de tributos federais, estaduais e municipais até 2027 e gerar mais de 672 mil empregos até 2035, somente com a GD solar. 2) A diversificação da matriz elétrica traz benefícios elétricos e econômicos que precisam ser melhor valorados. Diversificar a matriz elétrica no Brasil é não só um movimento estratégico, como também uma necessidade para garantir a continuidade do crescimento econômico. Historicamente, o País sempre dependeu da geração hidrelétrica para abastecer o setor produtivo e fornecer eletricidade ao cidadão comum. Com a escassez cada vez maior dos recursos hídricos para esta finalidade, além do maior rigor para licenciamento ambiental de novos empreendimentos nesta área, o País é obrigado a acionar as usinas termelétricas, que, além de serem muito poluentes, levam ao acionamento das bandeiras vermelha (patamar I e II) e, direta ou indiretamente, ao au14

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mento da tarifa de energia em todo o território nacional. Investir em uma matriz mais limpa e renovável garante segurança energética ao Brasil, reduzindo nosso risco país e nos ajudando a ter maior protagonismo no esforço mundial de reduzir as emissões de gases poluentes, além de contemplar as metas estabelecidas pelo Acordo de Paris (COP 21). 3) A GD ajuda na postergação de investimentos em transmissão e distribuição. Outro ponto importante que ficou de fora da análise dos agentes reguladores é que a energia gerada no ponto de carga, ou seja, junto ao ponto de consumo ou próximo dele, não precisa ser transportada pelos linhões de transmissão e, posteriormente, pelas vias de distribuição. Na prática, para um país com extensões continentais como o nosso, tal transporte demanda altos investimentos e eleva as perdas de eletricidade ao longo do caminho. Nesse sentido, é importante destacar que, de acordo com o último Balança Energético Nacional, as perdas (técnicas

e não técnicas) constituem o terceiro consumidor de eletricidade do Brasil. Além de eliminar a necessidade de investimentos em transmissão, gerar e consumir energia de forma distribuída também alivia a pressão na rede de distribuição brasileira, hoje com um parque obsoleto e com uma grande demanda por modernização e digitalização. 4) A geração distribuída ainda está em franco crescimento e corresponde a uma parcela insignificante do número de consumidores cativos no país. Como o Brasil possui hoje mais de 84 milhões de clientes cativos ligados às distribuidoras e a geração distribuída com energia solar atende apenas 80 mil consumidores, o risco de uma mudança de regras pode impactar diretamente um mercado que acaba de nascer no País, porém com alto potencial de desenvolvimento social e econômico. Pelo cronograma da Aneel, a atualização da Resolução Nor-


mativa 482 deve ser publicada até o final do segundo semestre deste ano. Na avaliação do setor, o debate por uma eventual mudança de regras começou muito antes do tempo adequado no Brasil e tem sido provocado pelo forte lobby das distribuidoras de energia, que veem seu modelo de negócio em risco pelo avanço da energia solar. 5) Nove em cada dez brasileiros quer gerar a própria energia. Pesquisa recente do Ibope Inteligência mostrou que nove em cada dez brasileiros têm o desejo de gerar a sua própria energia em casa. O anseio desses cidadãos de ser independentes e poder gerar a própria energia tem sido pouco – ou nada – considerado pela ANEEL no debate da revisão da Resolução Normativa 482. Como uma eventual alteração nas regras pode dificultar o avanço da

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sentido de garantir mais liberdade e escolha ao seu consumidor de eletricidade. Qualquer alteração que mude essa direção deveria ocorrer em um contexto maior de discussão sobre o futuro do setor elétrico no país. Uma Mais do que uma normativa, a discussão capaz de dar a todos voz e REN 482 representa um passo signi- vez junto aos reguladores. ficativa dado pelo país em 2012 no energia solar na geração distribuída, haverá, sem dúvida alguma, prejuízo para o cidadão brasileiro, que continuará arcando com as altas tarifas de energia praticadas no País.

Bárbara Rubim é advogada e CEO da Bright Strategies, uma consultoria dedicada a auxiliar empresas e investidores no desenvolvimento de modelos de negócio e projetos em geração distribuída, sob a perspectiva jurídica e regulatória. Bárbara possui um MBA em Finanças e Estratégias Empresarias pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e trabalha no setor de energia há mais de sete anos, já tendo coordenado a área de estratégia e inovação da Alsol Energias Renováveis e estado à frente da campanha de energia do Greenpeace Brasil. Além disso, também atuou como Assessora Parlamentar na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, e desenvolveu projetos para a ONU-Habitat. Atualmente, ocupa também as posições de Vice-Presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) e é membro da Comissão de Infraestrutura da OAB Nacional.


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Entrevista

Entrevista exclusiva com Gabriel Terçarolli, Marketing LATAM da SICES Solar

SICES Solar é a Principal provedora de soluções do setor de Energia Solar Fotovoltaica na América do Sul!! RBS Magazine: Qual o segredo da SICES Solar para se manter como principal empresa provedora de soluções do setor Solar Fotovoltaico e Geração Distribuída desde 2012? Gabriel Terçarolli - Acredito que nosso maior segredo é o compromisso que temos em desenvolver tanto o mercado de Energia Solar, como a nossos clientes, além do pioneirismo e visão que tivemos quando no começo do movimento do setor GD no Brasil, apostamos todas as fichas com foco e dedicação total, crendo em um crescimento forte e sustentável deste setor. O compromisso em buscar o que há de melhor no mercado de energia e oferecer a nossos clientes, também são características que estão no “DNA” de todo o “Time da SICES Solar”. Pensando sempre não apenas em produtos, mas em soluções completas que agreguem valor

ao nosso processo empresarial, como por exemplo; criação de seguro, assessoria financeira, etc., tendo assim uma visão macro de tudo que nossos parceiros precisam para acompanhar o crescimento do setor no Brasil, e juntos oferecer as melhores soluções! Outro grande diferencial é nossa Plataforma SICES Solar. Hoje uma das ferramentas mais importantes da SICES, sendo um grande valor agregado do nosso por�ólio. Muito mais que uma ferramenta de vendas, uma plataforma de CRM que ajuda nossos clientes a se desenvolverem e crescerem seus negócios. Trabalhar com transparência, e responsabilidade, nos ajuda a entender as necessidades do mercado, e os principais gargalos que nossos parceiros enfrentam no dia a dia. A SICES Solar trabalha sabendo seu no papel mercado, agindo sempre com muita responsabilida-

TRABALHAR COM TRANSPARÊNCIA, E RESPONSABILIDADE, NOS AJUDA A ENTENDER AS NECESSIDADES DO MERCADO 18

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de, focando nos resultados em toda a cadeia produtiva GD/FV. Investir e ajudar a desenvolver o uso da Energia Solar Fotovoltaica, no Brasil e no mundo são os principais desafios e objetivos hoje da SICES Solar! RBS Magazine: Na sua opinião quais os principais diferenciais que levaram a SICES a crescer tanto nos últimos anos se consolidando como a maior empresa do setor em toda América do Sul? Comprovadamente a Plataforma SICES Solar! No ano que lançamos esta ferramenta na Intersolar em 2018, foi um grande divisor de águas para nossa empresa! Podemos descrever o crescimento antes e depois da plataforma estar no ar, e após nossos clientes aprenderem a tirar todo o proveito que a ferramenta pode aportar a suas empresas. Coincidentemente após um ano de lançamento da Plataforma, o crescimento da SICES Solar atingiu 300% em um ano! Conseguimos separar o joio do trigo, hoje nesta ferramenta temos mais de 10mil


Entrevista

Galpão novo

AJUDAR A DESENVOLVER E PROFISSIONALIZAR O NOSSO MERCADO TAMBÉM SÃO DIFERENCIAIS IMPORTANTES DA EMPRESA empresas cadastradas. Já emitimos mais de 750mil propostas através da Plataforma SICES Solar. Ajudar a desenvolver e profissionalizar o nosso mercado também são diferenciais importantes da empresa. Consequentemente aos nossos clientes, que entenderam como a plataforma poderia ajudar e dar ganho de produção, agilidade e ainda mais comodidade ao dia a dia dos clientes. Mas mesmo com todas esta inovações e pioneirismo Sices SOLAR está sempre a frente buscando melhorar seu processo de provedor de soluções! Oferecer ao mercado diferenciais são sempre um desafio constante e diário. Os seguros são outro diferencial importante ofertado pela empresa aos seus parceiros, que além de exclusivos, trazem tranquilidade

as operações, tanto na logística, como na planta instalada e funcionando. O departamento de financiamento que encontra a melhor saída financeira para viabilização dos projetos de nossos clientes, ajudam a viabilizar os negócios, sendo este um dos pontos mais importantes para concretizar os projetos. As novas estruturas Sices 2.0 de fixação, os fretes especializados, tudo isso levou a SICES Solar a uma liderança alcançada em 2014 e ampliada até os dias de hoje! Todos os diferenciais que a Sices busca para agregar valor aos produtos comercializados, sempre visam a melhora no atendimento dos parceiros. Entrega e satisfação de nossos clientes, são prioridades sempre. Hoje não somos somente a maior e principal empresa de Energia Solar Fotovoltaica do Brasil e da América do Sul. Mas sim já alcançamos o reconhe-

cimento de principal empresa provedora de soluções para o mercado de Energia Solar Fotovoltaica na América latina. Mas ainda temos muito que buscar, o nosso principal objetivo é nos posicionar nos próximos anos como uma das maiores do mundo, afirma Gabriel Terçarolli, Marketing LATAM da SICES Solar!! RBS Magazine: A SICES Solar tem um plano muito audacioso de expansão. Nos fale um pouco sobre os detalhes deste plano e regiões para onde a SICES vai levar esta extensão de atuação? A Sices Solar está em plena expansão! Recentemente nos mudamos para um novo centro distribuição, com mais de 35.000 metros quadrados e ampliamos nossa capacidade de atendimento de 40MW mês para até 120MW ao mês, um muito RBS Magazine

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Entrevista

crescimento acentuado. Dobramos o número de funcionários e colaboradores, além de estarmos investindo forte em treinamento e capacitação, bem como profissionalizando ainda mais toda nossa equipe, tanto na venda como na pós venda. Nosso laboratório está ainda mais completo e apto para atender demandas de assistência técnica e de StartUps, outro ponto forte desta expansão que não para de ser ampliada. Abrimos novos escritórios regionais; como em Porto Alegre, Recife e Navegantes, tudo para trazer mais agilidade ao nosso processo empresarial. Além disso, a pouco mais de um mês iniciamos nossa operação no México, um grande salto, que nos colocou de vez no mercado Global de Energia. Esta ação focada no plano de expansão internacional da Sices. Esta operação no México já se iniciou grande e volumosa. Com um CD de 15 mil metros quadrados e escritório locali-

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zado no coração da Cidade do México, boa parte da nossa Mão de obra formada por executivos locais, conseguimos resultados expressivos em curto espaço de tempo. Nossa ideia é tropicalizar o modelo de sucesso que iniciamos no Brasil e leva-lo ao mercado Mexicano. Mercado este que entendemos de grande capacidade e de alto consumo. Mas os planos expansão da Sices não param por ai. Posso garantir que dentro de muito pouco, anunciaremos os próximos passos de nossa companhia, com outros destinos que estão na rota do nosso plano de expansão. Posso adiantar que estão entre eles, Ásia, Europa e África, afirma Terçarolli. RBS Magazine: A SICES Solar já está se consolidando também no México como uma das principais empresas de energia solar fotovoltaica. Fale um pouco sobre o mercado mexicano, suas peculiaridades como também suas semelhanças com o mercado brasileiro?

Nossa chegada ao México foi realmente muito melhor do que esperávamos. Encontramos um mercado bastante aquecido, bem similar ao mercado Brasileiro, em números e perspectivas um desafio ainda maior, e ao mesmo tempo carente de empresas sérias, comprometidas e com experiência, capazes de entregar soluções completas. Nosso plano é tropicalizar no México o mesmo trabalho que desenvolvemos no Brasil, sermos a mais completa distribuidora e provedora de soluções ao mercado e nos consagrarmos desta forma, em no máximo dois anos, ou seja em 2020/2021. Sabemos dos desafios que teremos pela frente, mas uma coisa que joga muito a nosso favor no México, é que nenhuma empresa que opera neste país, traz soluções completas e dinâmicas como as que a Sices Solar oferece aos parceiros e clientes. Esta possibilidade de com-


Entrevista

prar tudo em um único lugar, através de nossa plataforma, acompanhar o processo desde a seleção do elenco, ao manuseio em linha de logística, pagamentos e entregas em tempo real, é algo inovador e que trará o diferencial que o mercado Mexicano precisa para crescer e se desenvolver nos próximos anos.

Fazendo das palavras de nosso Presidente “Leonardo Curioni” as minhas palavras: A Sices será a maior distribuidora e provedora de soluções para o mercado de energia do Mundo!

Até então, os componentes tinham que ser comprados separadamente, bem como toda a logística. Nossa solução no México resolve este problema, desde a compra até a entrega. Nossa parceira logística aqui no Brasil, agora também opera no México junto com a Sices, e isso é um grande diferencial, pois trouxe profissionalismo e rapidez a todo processo de vendas!

Temos planos audaciosos para a companhia, expansão mundial, lançamento de produtos próprios, escritórios de representações, etc. Estamos negociando algumas fabricas e trilhando um caminho de largo e grande crescimento para a Sices nos próximos anos.

Toda a segurança do processo empresarial da SICES Solar, garantia através dos seguros exclusivos, ferramentas de otimização de resultados, além de expertise de quem faz bem feito, foram grandes diferenciais, que fizeram com que o México literalmente recebesse a SICES Solar de braços abertos. RBS Magazine: Como você imagina a SICES Solar para os próximos cinco anos e também na sua opinião como será o crescimento deste setor neste mesmo período de tempo?

Este é o nosso plano, estamos trabalhando duro e com muita seriedade para alcançarmos este objetivo!

RBS Magazine: A SICES é uma empresa que aposta alto no fortalecimento da cadeia produtiva do setor Solar Fotovoltaico e Geração Distribuída do Brasil patrocinando alguns principais eventos e também mídias. Qual a importância que a empresa vê em eventos segmentados como o Fórum GD e também o CBGD para que o setor continue crescendo a passos largos? Somos o patrocinador Diamante dos principais eventos de energia solar no Brasil. E hoje com nossa expansão internacional, estamos investindo também em patrocínios dos eventos internacionais.

Temos a obrigação de ajudar a fomentar o mercado e o compromisso com as próximas gerações. Patrocinar estes eventos está no DNA da Sices. Não há eventos segmentados e de importância nacional que não tenha nossa marca em evidência. Apostar e investir eventos como Fóruns GD e CBGD, EXPOGD, fazem parte da nossa política de fortalecimento e manutenção da Marca da SICES Solar sempre como a mais lembrada e respeitada do setor. Além desses eventos a Sices faz anualmente seu tradicional road show pelos principais estados brasileiros, levando informação, treinamento, lançamentos e experiências a nossos clientes. Acreditamos e investimos no Brasil. Geramos empregos, desenvolvemos o mercado e sobretudo ajudamos com tudo isso a mudar a mentalidade das pessoas e a percepção de como o uso das energias renováveis é importante para o planeta. E por isso somos noticia por onde passamos e nossa marca se faz conhecida e símbolo de confiabilidade e segurança na comercialização de equipamentos solares, finaliza Gabriel Terçarolli!!

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Por que investir numa estrutura PREMIUM da PHB SOLAR? Ildo Bet

Janio Taveira

Diretor técnico da PHB

Projetista mecânico

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PHB Solar é uma empresa 100% nacional, com pioneirismo e competência tecnológica para desenvolvimento de soluções completas para a Geração Distribuída. Nossa estrutura de fixação PREMIUM é parte desta solução, mantendo o alto padrão de qualidade de todos os componentes de nossos kits com um preço competitivo. A PHB Solar oferece soluções de estruturas de fixação para telhado, laje, solo e cobertura para estacionamento (carport). Nossas peças são desenvolvidas e fabricadas no Brasil. Junto com estas soluções, a PHB Solar possui uma equipe de engenharia dedicada ao desenvolvimento e melhoria de novos produtos e suporte aos nossos parceiros integradores.

manuseio, instalação e transporte. Isso representa uma economia importante a ser levada em conta. Características principais do hook PHB Solar para telhado metálico

A segunda característica de destaque é o design inteligente para facilitar a instalação e melhor performance do sistema. O design das peças permite uma instalação intuitiva das mesmas com a ajuda de ferramentas simples. Vale salientar que a complexidade de instalação da grande maioria das estruturas comercializadas atualmente foi a principal reclamação dos integradores segundo o último estudo estratégico do mercado fotovoltaico da GD da GREENER. Já a melhor performance das nossas peças é fruto do trabalho da nossa equipe de engenharia. Por citar um exemplo, podemos analisar nosso hook para telhado metálico. Primeiro, ele se ancora com quatro parafusos autobrocantes na região com maior resistência mecânica da telha (em outros casos, é comum o apoio sobre a parte superior da telha o que provoca deformações da mesma). Além disso, o fato da nossa estrutura oferecer uma ventilação maior ao módulo em relação as peças similares oferecidas no mercado, já representa um ganho importante na geração de energia. Lembre-se que quanto mais quente operar o módulo, menos energia este irá produzir.

A primeira característica de destaque das estruturas de fixação PREMIUM PHB Solar é qualidade dos materiais utilizados na sua fabricação. Os perfis e suportes são feitos em alumínio anodizado 6063-T5 e os periféricos em aço inox 304 para garantir maior resistência à corrosão. Para projetos próximos ao mar, a PHB Solar ainda oferece sob encomenda peças especiais com tratamento contra corrosão salina. O intuito de trabalhar com este tipo de materiais é evitar a degradação da estrutura seja porque esta não é adequada para uso em áreas externas (oxidação) ou porque é incompatível com o material da moldura dos módulos (corrosão Outra característica é o sistema galvânica). Além disso, o alumínio de aterramento completo dos móduutilizado é de liga leve para facilitar o los e estruturas de fixação que dis22

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pensa a fiação módulo a módulo, reduz o tempo de instalação e aumenta a segurança do sistema. A utilização deste sistema reduz o risco de choques elétricos devido ao contato em partes metálicas quando ocorre falha de isolação na instalação.

Sistema de aterramento PHB Solar

Ademais, a PHB Solar tem uma grande variedade de opções de ganchos e parafusos de instalação para se adequar aos telhados brasileiros e suporte técnico especializado para auxiliar seus parceiros.

Exemplos de hooks para telhados da PHB Solar


a escolha de Hooks em telhados, uso de bases de concreto, montagem das estruturas, simulações de sombreamento em projetos especiais e customização das estruturas de solo e laje.

Estruturas de laje e solo PHB Solar

Estrutura carport A estrutura carport da PHB Solar destaca-se entre as opções existentes do mercado por causa da qualidade dos seus componentes com perfis leves para facilitar o manuseio e insSistema de estanqueidade da estrutura talação e que oferecem maior segucarport PHB Solar rança e confiabilidade: vida útil acima de 25 anos e baixo custo de manu- com calhas de captação e escoamentenção. Além disso, ela já possui um to lateral e frontal. sistema próprio de aterramento da Engenharia PHB SOLAR e suporestrutura e dos módulos fotovoltaite técnico cos.

Conclusões

Com o crescimento do mercado de geração distribuída, muitas opções de estruturas de fixação para telhado, solo, laje e cobertura de estacionamento começaram a ser comercializadas no país. Mesmo com esse grande número de opções, as estruturas PREMIUM da PHB Solar se destacam por causa da sua durabilidade, facilidade de monA equipe de engenharia da PHB tagem, performance, praticidade do Mas o grande destaque da nossa estrutura carport é seu sistema to- Solar na área de estruturas é dedi- sistema de aterramento e o suporte tal de estanqueidade. Este sistema é cada ao desenvolvimento de novos técnico. Quando estes fatores são composto por uma borracha especial produtos e a melhoria dos já existen- somados ao ótimo preço a resposta de vedação com proteção UV utiliza- tes. Já a área de suporte técnico dedi- de nossos integradores é única: Vale da entre os módulos para evitar in- cada às estruturas de fixação brinda a pena, sim, investir numa estrutura filtração e próprio design dos perfis assessoria aos nossos parceiros para PREMIUM da PHB Solar!.

Conte com a gente para proteger os seus negócios em energia solar A ALFA REAL Corretora é especializada em seguros customizados para a cadeia de geração distribuída, com ênfase na instalação e operação de sistemas fotovoltaicos de todos os portes.

Etapa de instalação O Seguro de Riscos de Engenharia cobre acidentes na obra decorrentes dos seguintes eventos, ou que impliquem prejuízos com: danos a obras e bens já existentes; eventos naturais como vendaval, defeitos de materiais e equipamentos; furacão, ciclone, tornado e granizo; despesas com desentulho; ferramentas de pequeno porte; despesas com salvamento e manutenção, após a entrega da contenção de sinistros; instalação; despesas extraordinárias; roubo ou furto qualificado; equipamentos móveis e estacionários; tumultos. erros de projeto ou de execução;

Seguro Paramétrico As grandes usinas podem contar também com o Seguro Paramétrico, que cobre o déficit de produção de energia caso a insolação fique abaixo da média histórica contratada com a seguradora. É um seguro para o fluxo de caixa do empreendedor.

Etapa de operação O Seguro de Riscos Diversos para Equipamentos cobre acidentes de causas externas, como: incêndio, raio, explosão; danos elétricos; perda de aluguel (para usinas que eventos naturais como vendaval, alugam seus equipamentos); furacão, ciclone, tornado e granizo; roubo ou furto qualificado. impacto de veículos;

Todas as etapas O Seguro de Responsabilidade Civil cobre acidentes ocorridos durante a instalação e a operação do sistema e que atinjam terceiros – pessoas e bens, incluindo o cliente final.

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Entrevista

A Revista RBS Magazine traz uma entrevista exclusiva com Gustavo Abujamra, diretor comercial da Dapco Fixadores Inoxidáveis

Abujamra destaca as novidades da empresa em 2019 e a linha especial desenvolvida pela empresa para o setor solar fotovoltaico

RBS Magazine: Nos conte um pouco RBS Magazine: Quais novidades a emsobre a história da Dapco e como ela presa está trazendo em 2019? vem atuando no mercado brasileiro. Estamos sempre desenvolvendo proGustavo Abujamra - Fundada em dutos inovadores nos diversos seg1993 estamos há 26 anos no merca- mentos. Nossa novidade para 2019 é do trabalhando exclusivamente com o lançamento da mais completa linha fixadores em aço inoxidável. Somos de fixadores para estruturas fotovolespecialistas e nos tornamos ao lon- taicas (hastes, porcas e parafusos) go dos anos uma referência no seg- em aço inox 316, uma liga que garanmento para o fornecimento e desen- te uma resistência à corrosão ainda volvimento de fixadores em aço inox maior, para ser aplicada em regiões litorâneas e ambientes agressivos. 304, 316 e 410. RBS Magazine: Qual o diferencial da RBS Magazine: Como você enxerga empresa no que se refere ao mercado o setor de energia solar no Brasil e como os produtos da DAPCO estão de fixadores inoxidáveis no país? contribuindo para o desenvolvimento Os diferenciais da Dapco são: pronto do mesmo? atendimento, estoque amplo e consistente, além de um rigoroso siste- É um mercado que cresce a cada ano ma de qualidade. Sempre atentos às e com grande potencial para amplianecessidades do mercado, nosso de- ção, principalmente quando compapartamento de engenharia está em ramos os números do Brasil com os constante desenvolvimento de no- de outros países. Devido ao longo vos produtos e soluções para os mais prazo de garantia do sistema, a utilização de fixadores de qualidade que variados tipos de aplicação.

É um mercado que cresce a cada ano e com grande potencial para ampliação, principalmente quando comparamos os números do Brasil com os de outros países 26

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possam resistir às condições mais adversas, tornou-se um fator fundamental. A Dapco contribui muito com este mercado oferecendo produtos que oferecem durabilidade, resistência, facilidade e redução no tempo de aplicação. RBS Magazine: Nos fale um pouco mais sobre a linha solar desenvolvida pela empresa. Na linha da energia solar destacamos as hastes para fixação de painéis em telhados com estrutura de madeira ou metálica, produtos inovadores e de altíssima qualidade. Temos ainda com exclusividade uma Haste Solar Autobrocante para madeira que não necessita de pré-furo, o que resulta numa sensível economia de tempo. Além disso para fixação nos trilhos oferecemos a linha completa do parafuso martelo nas bitolas M8 e M10 com comprimentos variando entre 25 e 60 mm.


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Projeto RESEX SOLAR na Amazônia Brasileira Alessandra Mathias (alessandramathyas@wwf.org.br) Coordenadora do projeto RESEX SOLAR Analista de Conservação (WWF)

1. Introdução Este artigo relata um pouco do projeto RESEX SOLAR desenvolvido pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF-Brasil) e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) na região de Lábrea / AM, nas Reservas Extrativistas de Ituxi e Médio Purus. Lá vivem cerca de 1.000 famílias sem acesso à energia limpa e moderna, que dependendo de grupos geradores a diesel de baixa eficiência e bastante poluentes. O uso da energia solar chega para mu-

Aurélio Souza (aurelio@usinazul.com.br) Consultor técnico / USINAZUL Pesquisador LSF/IEE/USP Conselheiro - Fundo Clima para o Verde (GCF/ONU)

dar este paradigma e apoiar comunidades no seu processo de desenvolvimento sustentável gerando energia limpa e renovável. As famílias beneficiadas pelo projeto RESEX SOLAR foram ICMBi, que é um órgão ambiental do governo brasileiro, criado pela lei 11.516, de 28 de agosto de 2007, responsável pela gestão das unidades de conservação federais. Na maioria dessas unidades não existe energia elétrica moderna para atender populações tradicionais que vivem distribuídas e dispersas ao longo dos rios, como é o caso dos rios do município de Lábrea, e muitos outros. O apoio técnico deste projeto foi realizado pela USINAZUL, empresa de engenharia e consultoria em energia limpa e renovável que possui 21 anos de experiência acumulada com sistemas off grid na Amazônia, de um total de 25 anos de atuação no Brasil, América Latina e África.

Figura 1 - Localização do município de Lábrea (AM), RESEX Ituxi e RESEX Purús.

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Figura 2 - Vista aérea do Rio Purus e floresta Amazônica. Foto: USINAZUL, 2018.

Com apoio de doadores internacionais, recursos próprios e parcerias institucionais, o WWF-Brasil conseguiu reunir parceiros institucionais e pessoas comprometidas com o projeto, lançando uma iniciativa ousada com objetivos de fortalecer políticas públicas que possibilitem o acesso à energia limpa em todas as RESEX da Amazônia. Assim, este breve relato demonstra os projetos piloto dessa iniciativa, ao passo que aponta para o futuro que se deseja alcançar. 2. Contexto Em locais remotos e isolados as pessoas sobrevivem da agricultura familiar sendo bem incomum conseguirem comercializar os produtos da agricultura ou do extrativismo em função das dificuldades de infraestrutura. O usual é a troca de produtos por itens de necessidade ou outras mercadorias entre moradores locais e viajantes que passam pelo rio. Em alguns momentos essas populações tradicionais ou indígenas conseguem se organizar para comercializar sua produção através de associação de moradores, mas ainda assim são organizações sociais bastante frágeis. Na maioria dos casos as economias locais são precárias e isoladas do mercado consumidor, fazendo com que a falta de liquidez e recursos financeiros impeçam a geração de eletricidade no dia-a-dia. Quando há o recurso, o comum é usar geradores a diesel (ou gasolina) que operam em cada uma destas comunidades. Segundo ICMBio, das 57 mil famílias cadastradas nas RESEX do Brasil, cerca


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de 25 mil (45%) delas não tem acesso à energia elétrica, e quando possuem energia, o fazem com geradores a combustível Em geral os geradores operam entre 18 e 21 horas, variando de acordo com a disponibilidade de combustível ou demandas energéticas prioritárias (eventos culturais, necessidades extremas, etc.). Geralmente ocorre a falta combustível, deixando as famílias sem acesso à energia elétrica por semanas. Neste contexto, a implantação da energia solar gera melhoria na qualidade de vida sob muitos aspectos. Na educação, com luz e acesso à comunicação por satélite, na diversificação da produção local pelo uso produtivo com energia limpa, pois facilita beneficiar a um custo muito mais baixo os produtos que as comunidades processam localmente, permitindo gerar renda e uma melhor perspectiva futura para as comunidades da região. Nas comunidades que foram monitoradas após a implantação dos 20 pequenos sistemas solares nas RESEX Ituxi e Médio Purus, cada hora de gerador consome cerca de 1 litro de gasolina (geradores menores são a gasolina e os maiores a diesel). Considerando os custos locais, são mais de R$25,00 por dia para cada 4 horas de uso. Quatro horas é o tempo necessário para um dia letivo nas escolas locais. Cada escola funciona com seu próprio gerador, mas no dia que não tem combustível, ou “inflamável”, os alunos ficam sem aula. Nas palavras do morador da RESEX Ituxi, Irismar Duarte “A energia solar é muito econômica, já que não vamos gastar em inflamável, ela traz o silêncio, porque tudo isso está acontecendo, tá funcionando, a energia não tem barulho, a gente pode conversar, e ela traz uma inovação, é uma coisa muito inovadora, isso não existia, a gente só ouvia falar...” Num outro contexto, é possível relacionar acesso à energia e diminuição do desmatamento? A resposta direta é sim. O pano de fundo do projeto RESEX SOLAR, situado na maior floresta tropical do mundo, não é somente o acesso à energia, mas um olhar sistêmico e integrado de como a energia limpa e renovável (solar) pode ser também um fator favorável para a conservação florestal.

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Quando se pensou nesse projeto, a energia limpa fazia parte de um “pacote” de apoio às cadeias produtivas agroextrativistas visando reduzir o desmatamento no sul do Amazonas, região limítrofe do arco do fogo e expansão agrícola. Esta é uma região histórica marcada por conflitos da terra e fortalecer as populações tradicionais com ferramentas de geração de renda e melhoria de qualidade de vida, faz dos moradores os grandes defensores do bioma. A energia solar permite a intensificação de atividades produtivas como a produção e comercialização de poupa de açaí e outros frutos, pelo acesso à refrigeração (freezer solar operando em corrente-contínua e consumindo meros 500 Wh/dia). Com energia também se se pode desenvolver um manejo madeireiro florestal comunitário e sustentável, pois desta forma é possível gerar renda com a floresta em pé. Em algumas comunidades o desmatamento ilegal acaba sendo a única fonte de renda de comunidades totalmente isoladas e distantes dos serviços públicos. Contudo, no longo prazo, o desmatamento só intensifica a pobreza. Diversificando as fontes de renda com o beneficiamento de outros produtos florestais, a floresta é preservada. 3. Implantação do projeto De 2016 a 2018, o projeto RESEX SOLAR instalou 20 sistemas solares fotovoltaicos em escolas, associações comunitárias e comunidades da região. O projeto foi inspirado em exemplos já conceituados de energia limpa em outras regiões da Amazônia, como: (i) os projetos na RESEX Tapajós-Arapiuns, com bombeamento solar de água, ou (ii) produção de gelo com energia solar (Projeto Gelo Solar financiado pela Google), na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS)

Mamirauá, (iii) Energia para antenas de satélite e sistemas de ensino à distância do Ministério de Educação, dentre muitas outras iniciativas organizadas e implementadas com apoio de organizações não-governamentais (ONGs) e universidades (IEE/USP, GEDAE/UFPA), dentre outras iniciativas que a USINAZUL fez parte nos últimos 25 anos. Uma característica inovadora deste projeto, que vale ressaltar e traz contribuição para o setor de energia solar, é a reciclagem inédita de módulos fotovoltaicos que foram utilizados no final da década de 90 e início dos anos 2000, e que foram reinstalados na Amazônia cerca de 20 anos depois. Esse fato talvez seja único no Brasil, pois estes módulos reciclados foram alguns dos primeiros equipamentos implantados no país de forma estruturada e parte de um programa público de acesso à energia, permitindo saber local e data de instalação original. A maioria dos módulos fotovoltaicos utilizados foram assegurados via Ministério de Minas e Energia (MME), que doou equipamentos solares para sistemas off grid (controladores, inversores, módulos fotovoltaicos), alguns ainda em caixas fechadas desde 1998, outros já utilizados anteriormente pelo extinto Programa de Desenvolvimento Energético de Estados e Municípios (PRODEEM) entre 1998 e 2003. Outros módulos utilizados foram doados pela empresa JA SOLAR, fabricante de módulos fotovoltaicos chinesa. Baterias estacionárias chumbo-ácido novas foram adquiridas para compor o sistema. Dentre os modelos de módulos fotovoltaicos utilizados pelo PRODEEM, um deles era o MSX120, policristalino, 120 Wp (watt-pico) do fabricante SOLA-

Figura 3 - Diagrama elétrico de sistema solar utilizando equipamentos do final da década de 90. Fonte: USINAZUL, 2018.


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REX (que não existe mais). Este modelo de módulo permitia a ligação de arranjos (strings) em 12 Vcc e 24 Vcc, dependendo da ligação elétrica na sua caixa de junção, conforme visto nas Figuras 3 e 4. Os desafios de utilizar equipamentos de 20 anos são diversos, em particular no que tange a arquitetura elétrica do sistema, que requer um entendimento do funcionamento destes equipamentos e ajustes em campo. A característica (caixa de junção aberta com terminais para conexão de cabos e diodos) não é comum nos módulos atuais, que já são fornecidos com cabos, conectores MC4 e diodos instalados como padrão de fábrica. Ao todo, o projeto recebeu 300 módulos fotovoltaicos (120 Wp) da doação do MME, totalizando 36 kWp, mais cerca de 4 kWp doados pela JA Solar. A partir dos anos 2003, à medida que a rede de energia foi chegando em comunidades atendidas pelo PRODEEM, os módulos de energia solar foram sendo desinstalados e armazenados, dando vez à rede de energia convencional. No caso específico dos módulos doados, estes exibem adesivo patrimonial de FURNAS Centrais Elétricas e foram instalados pela CEMIG nas áreas rurais de Minas Gerais.

Figura 4 - Equipe local trabalhando com módulos MSX120. Foto: USINAZUL, 2018.

Em meados dos anos 90, a CEMIG utilizava a energia solar como forma de pré-eletrificação rural, e possuía um dos maiores “parques” solares off grid (rural) do Brasil. Com a estruturação do Programa Luz para Todos (LpT) em 2003, a extensão de rede de energia passou a ser o foco das concessionárias e muitos sistemas solares foram desinstalados. Fez parte do projeto RESEX SOLAR a capacitação e treinamento de agentes locais. Moradores das RESEX foram treinados em instalação e manutenção de sistemas fotovoltaicos, como parte da estratégia de capacitação local para gerar competência nas comunidades e re-

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giões vizinhas, gerando a condição para sustentabilidade técnica e operacional do projeto. A parceira no processo de capacitação foi com o Instituto Mamirauá e a Universidade Estadual do Amazonas (UEA), com apoio técnico da empresa USINAZUL e coordenação geral do WWF-Brasil. Os resultados de capacitação foram bem interessantes, como visto pelo depoimento de uma jovem que participou em todas as etapas do projeto, Antônia Lopes, moradora da RESEX Médio Purus: “A prática é bem mais legal, você ganha o conhecimento”, e uma outra jovem complementou, “agora eu não vou mais pagar eletricista para ajeitar minha fia-

um passo, nós vamos conseguir”. A figura 5 apresenta os que fizeram estes comentários acima.

Figura 6 – Jovens moradores nas comunidades fizeram parte da equipe local de instalação de sistemas de bombeamento solar. Foto: USINAZUL, 2018.

O projeto RESEX SOLAR teve seu ápice num evento conhecido como “Expedição Solar”, onde mais de 40 pessoas percorreram durante 10 dias o Rio Purus, parando nas comunidades ribeirinhas e instalando os sistemas que foram definidos para cada uma delas. A foto a seguir ilustra o Barco que foi utilizado nesta viagem.

Figura 5 - Equipe local capacitada para instalação, operação e manutenção de energia solar. Foto: USINAZUL, 2018.

ção, agora eu mesma faço”. Esses depoimentos têm uma importância adicional, pois além do conhecimento adquirido demonstra também o cuidado com as questões de gênero que o projeto teve desde o inicio, ao envolver mulheres em todas as etapas, inclusive na execução e instalação dos sistemas solares. “A parte que eu mais gosto é a parte que a gente termina de fazer a instalação e ver que deu tudo certo, que está jogando água para o pessoal”, diz Damião Pereira, também morador da RESEX Médio Purus, um dos jovens capacitados para instalação de sistemas de bombeamento solar. Dois tipos de sistemas solares foram instalados, sistemas com bombas em corrente-contínua e bombas em corrente alternada com inversor de frequência. Outro jovem treinado, Jelsenir de Souza, complementa, “o próximo passo que eu acho a para a comunidade é a energia solar em cada casa. Isso é o meu pensamento, já tenho até conversado na comunidade sobre isso e a gente está pensando, a gente está se ajeitando ainda para ver se a gente consegue, né? E eu creio que a gente vai conseguir. Mais

Figura 7 - Barco utilizado na Expedição Solar no Rio Purus. Foto: USINAZUL, 2018.

Ressalte-se que todas as decisões das localidades e de quais sistemas seriam instalados foi parte de um processo de diálogo comunitário entre todos os agentes envolvidos (WWF Brasil, ICMBio, USINAZUL, UEA, lideranças e associações comunitárias, Prefeitura, etc.). Esse processo se iniciou em 2016, culminando com a instalação dos sistemas em meados de 2018.


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4. Próximos passos O relatório contento os resultados quantitativos e qualitativos do projeto será objeto de maior detalhe em outro artigo, quando forem recebidas e compiladas as informações de campo. De qualquer sorte, o modelo de atendimento de comunidades isoladas com energia solar se provou, mais uma vez, viável, confiável e replicável, com grandes benefícios para populações isoladas. Tais projetos são uma realidade desde a década de 90. Diversos projetos demonstrativos foram realizados em varias regiões da Amazônia, contando fortemente com participação de ONGs e populações tradicionais. O que falta agora é aumentar a escala destas soluções no âmbito dos programas governamentais de universalização ao acesso a energia elétrica, fazendo se cumprir as leis que garante o direito dos cidadãos ao acesso à energia elétrica como um serviço público. Importante notar que na região Norte, quase a totalidade das concessionárias não cumpriram integralmente as regras sobre a universalização de energia. Enquanto em todo o Brasil isso avançou,

principalmente pela expansão da rede, no Norte a única forma de cumprir a meta com que o Brasil se comprometeu internacionalmente será usando energia renovável descentralizada. Nem mesmo estando sujeitas às multas da Agencia Nacional de Energia Elétrica as empresas do Norte avançaram nessa agenda. O WWF e USINAZUL seguirão com a agenda de projetos demonstrativos com objetivo de fortalecer as políticas públicas, sempre que possível, e sempre

apoiado o desenvolvimento do marco regulatório e adoção de soluções com fontes renováveis nas RESEX do Brasil. É possível sim conservar a biodiversidade, preservar as florestas em pé, manter os rios livres e levar energia limpa e de qualidade para o bem estar de todos. Há tecnologia, há demanda e os preços já são acessíveis. Mais informações disponíveis no link www.wwf.org.br/resexsolar

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Entrevista

A RBS Magazine traz uma entrevista exclusiva com Adriana Rosa, CEO da empresa Sky Sollaris A empresa é especialista em sistemas de geração de energia e atua no mercado fotovoltaico desde 2016 RBS Magazine: Nos conte um pouco sobre a história da Sky Sollaris e como ela vem atuando no mercado brasileiro. Adriana Rosa - Há mais de 20 anos atuamos no mercado nacional com distribuição e importação de produtos de linha agrícola leve, com nossa marca própria VANT, entretanto sempre buscávamos um novo por�ólio que atendesse aos nossos anseios: trabalhar com um produto sustentável e que pudesse refletir positivamente para o futuro do planeta. Em visitas a China no ano de 2014 vislumbramos o mercado fotovoltaico pois estava iniciando no Brasil e pelo fato de já atuarmos com geração de energia – linha de geradores a combustão. Assim, em 2015 iniciamos uma pesquisa no mercado brasileiro, também junto aos mercados na China e na Alemanha e implementamos a empresa no início de 2016. Com uma empresa nova no mercado e sem fornecedores, buscamos parceiros na China que pudessem suprir a demanda inicial - que como era baixa, tivemos que desenvolver nosso próprio Inmetro e adequações. Passamos por inúmeras dificuldades e etapas que toda a empresa que adentra em um novo segmento e também tivemos que nos adequar a um mercado totalmente novo e sem muitas fontes para informações. Atualmente a Sky Sollaris conta com equipe própria, engenheiros e profissionais capacitados para suprir a demanda de nossos parceiros, com sede em Concórdia- SC e filial em Curitiba – PR. Atuamos na linha onGrid e atendemos integradores de diversos estados do Brasil. Nossos produtos são focados para o consumidor final sendo que sempre priorizamos a qualidade e as garantias, para que nosso integrador possa confiar em estar adquirindo o melhor e o mais adequado sistema de geração de energia para seu cliente. RBS Magazine: Como você enxerga o mercado de energia solar no Brasil hoje e quais suas

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expectativas para os próximos anos? O mercado fotovoltaico está em plena expansão e podemos observar através das associações e entidades esse fato traduzido em números. De acordo com a ABSOLAR, o país deverá crescer em 2019 44% na capacidade instalada, certamente é um número extremamente atrativo para um país que está passando por uma crise – seja ela econômica ou de confiabilidade. No que se refere a empregabilidade, atualmente é o setor que mais está empregando no país, com uma geração de 30 empregos a cada MW instalado (ABSOLAR). Além de todo esse cenário positivo de crescimento, ano após ano desde 2012 pode-se dizer que estamos apenas começando um longo caminho de crescimento, tanto em tecnologias, quanto em capacidade instalada, sendo que teremos avanços significativos nos próximos anos. Também acredito que sistemas de geração de energia irão passar por um segundo momento, que é a implementação de sistemas offGrid em cidades que atualmente são atendidas por concessionarias, onde o consumidor será responsável por sua geração, armazenamento e consumo. RBS Magazine: O crescimento do setor vem se mostrando bastante significativo. Quais gargalos o setor ainda enfrenta na sua opinião? Atualmente observamos irregularidades, sejam elas de quaisquer âmbitos (Produto/ Projeto/ Instalação/Dimensionamento), entretanto com um mercado amadurecido e a participação ativa das Associações, teremos mais normas regulamentadoras focadas no segmento fotovoltaico que trarão benefícios ao cliente final no quesito confiabilidade e garantias e aos integradores que buscam pela excelência e profissionalismo. Existem muitas universidades brasileiras buscando atender a demanda do setor, entretanto estamos muito aquém da demanda,

assim, a formação de um maior número de engenheiros elétricos com capacitação técnica para o fotovoltaico seria de grande valia. RBS Magazine: Cite um dos diferenciais da Sky Sollaris no mercado de energia solar. Sempre primamos em trabalhar com produtos de qualidade e com excelência. Na fabricação buscamos trazer para o mercado nacional itens inovadores que reflitam credibilidade e confiabilidade e que são os principais fatores que exerçam influência sobre a opção do cliente final entre a empresa A e a empresa B. Atualmente trabalhamos com parcerias como BYD, Yingli, Solis inverters, Fronius, APSystem microinverters e outros parceiros que balizam um sistema de energia de 1. Linha. Nossa logística é bem distribuída em 2 (duas) unidades, as quais podem atender a uma maior demanda sem custas aos nossos integradores e dessa forma fazer com que estejamos em pontos estratégicos e mais próximos dos nossos clientes. Além disso, a Sky Sollaris oferece cursos em todo o Brasil para capacitação em sistemas de energia fotovoltaica, sendo que formamos em média 30 novos integradores por semana (cursos de início de aprendizagem) dispersos em 2 turmas e em diferentes estados. Todos os cursos são ministrados por engenheiros capacitados e visam a formação profissional aos novos entrantes no segmento. RBS Magazine:A empresa já pensa em novidades para trazer ao setor em 2020? Se sim, nos conte um pouco sobre elas. #osolnascepratodos esse é nosso conceito e buscamos alinhar isso buscando a formação de nosso por�ólio de produtos. No próximo ano iremos ampliar nossa linha para offGrid, para sistemas de bombeamento de água e reinvestimentos na atual linha que está com novidades em eficiência de performance e retornos mais atrativos.


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Entrevista

A RBS MAGAZINE traz nesta edição uma entrevista com Eduardo Abreu, diretor da Ludufix pois o comprava na fábrica para entregar. Eu mesmo vendia, embalava e entregava todos os pedidos. Isso durou seis meses, até que eu contratar solidificação em um mercado de niuma pessoa para me auxiliar, e assim chos e exigências técnicas. Danilo Abreu - Há mais de 27 anos, a fui ganhando clientes”, relembra. RBS Magazine: Qual o diferencial da Ludufix Importa e distribui parafusos empresa em relação a importação e e fixadores Industriais com excelên- Estoque para atender prontamente distribuição de fixadores industriais? cia, sendo sua escolha certa na hora “Nosso investimento é sempre em da compra. estoque de material, em especial os Sempre presamos pela qualidade Pró-atividade é o lema da Ludufix. parafusos de aço inox. Hoje trabalha- e excelência nos atendimentos aos Eduardo Abreu, incansável e seden- mos com nossos clientes para aten- clientes, antes de lançarmos qualto por novos horizontes, transfor- dê-los dentro de sua demanda média quer produto em nossa linha, busmou uma empresa de representa- mensal para assim não haver falta de camos o melhor que há no mercado, ção comercial em uma importadora material”, sublinha Abreu. Sua divul- para que possamos manter a qualidae distribuidora de alcance nacional gação não se limita apenas ao boca a de de toda a nossa linha. de parafusos e fixadores Industriais. boca. A empresa investe também em Especializada em fixadores em Inox , mídia impressa e mala direta, patro- RBS Magazine: Como você vê o merhoje a empresa conta com uma linha cina cursos de capacitação de vidra- cado de energia solar hoje e como a de 15.000 itens de fixadores. “Sempre ceiros e não ignora possíveis talen- empresa está atendendo este mercabuscamos alguma inovação em ques- tos que possam surgir salas de aula. do? tão de fixadores, trabalhamos muito “Estamos em um momento delicado, na qualidade de aço inox – nosso car- mas é um setor que tem muito a cres- O mercado de energia Solar vem em ro chefe – pois é um diferencial que cer nos próximos anos e é necessário um crescente muito forte, e a Ludufix agrega qualidade nos produtos finais estar sempre de olho”, aponta o em- está empenhada para atender esse dos nossos clientes”, conta Abreu. presário, que acredita que a falta de mercado com qualidade, instruindo Além dessa matéria-prima, a empre- credibilidade é ainda mais grave que e disponibilizando produtos de qualidade, para que todo o projeto possa sa utiliza alumínio liga para trazer ain- a própria crise econômica. ser entregue com qualidade. da mais legitimidade e qualidade aos Com os novos negócios gerados a seus fixadores. cada dia, o volume de vendas au- RBS Magazine: Nos fale um pouco soMas o sucesso não surgiu de um dia mentou e a Ludufix foi adequando bre a qualidade do aço inox e como para o outro. O sócio-diretor da em- sua estrutura. Hoje instalada em uma ele pode fazer a diferença no mercado presa conta que começou no mer- área de 1000m², a empresa conse- industrial. cado de fixadores como vendedor gue atender todo o território naciotécnico, 31 anos atrás. Antes dis- nal. Depois de muito suar a camisa, Hoje os fixadores em Aço Inoxidável so, atuava em um ramo totalmente Eduardo Abreu está à frente de uma são essenciais em qualquer aplicação alheio ao atual: o de laticínios. Após empresa que, mesmo com a crise no que fique exposta ao tempo. O Aço alguns anos representando a GESIPA país, se mantém estável sem grandes Inox tem além de uma excelente es– multinacional alemã – o então jo- dificuldades. Além de estar sempre tética, traz qualidade para o projeto, vem empreendedor farejou uma ca- buscando uma participação ativa no pois sua resistência mecânica é muirência no mercado de distribuição a mercado, a Ludufix tem fidelizado to próxima a outros materiais e ainda pequenos consumidores. “No início, as parcerias antigas e o controle de traz, a resistência a corrosão, sendo como o capital era curto, comecei qualidade interno em seus materiais. assim não enferruja e mantem suas com a técnica de venda casada. Ou Entregas no prazo e novas pesquisas características e função para fixar as seja, primeiro vendia o produto e de- também fazem como um exemplo de estruturas com qualidade. RBS Magazine: A Ludufix está há mais de 27 anos no mercado. Nos conte um pouco sobre com o que a empresa trabalha.

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SANTA CRUZ É DESTAQUE nacional em energia solar

O

investimento em geração distribuída cresce a cada dia no Brasil. As pessoas estão em busca de alternativas que gerem economia e impactem em uma melhor qualidade de vida. Com grande potencial econômico, Santa Cruz do Sul é referência em energia solar no Brasil. Conforme ranking nacional divulgado pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) e Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o município gaúcho está em quinto lugar, com 9,7 MW de potência instalada, o que representa no total 1,2%. Como responsável por um montante desses números, a santa-cruzense Solled Energia é considerada a maior empresa gaúcha desse segmento, com 19% do mercado.

município sede, a empresa tem como principias locais de instalação no Estado as cidades de Venâncio Aires, Vera Cruz, Rio Pardo, Candelária, Sinimbu, Santa Maria, Caçapava do Sul e Barros Cassal.

Neste mês de julho, de forma inédita, a Solled colocou em funcionamento o primeiro eletroposto do interior do Rio Grande do Sul, que está localizado junto à sua unidade, na RSC 287, e disponível para abastecimentos de carros elétricos que circulam pela rodovia. O uso do equipamento será gratuito até o fim de 2019, de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 12h e das 13h30 às 18h. A energia elétrica do eletroposto é gerada por 15 placas fotovoltaicas, que produzem 4,8 kWp, na garagem solar que abriga o primeiro carro elétrico do municíHá oito anos no mercado, a Sol- pio, adquirido pela empresa em março led Energia contabiliza mais de 870 deste ano. microusinas interligadas à rede, com A Solled Energia também se desgeração de 19 MW de energia elétrica por ano, o representa mais de 3% da taca com projetos de cunho social, instalação brasileira. Com uma proje- com a instalação de placas solares no ção de crescimento da ordem de 70% Hospital Ana Nery e na Associação para 2019, a empresa proporciona a Comunitária Pró-Amparo do Meseus clientes uma economia de mais nor (Copame). A usina do hospital, de R$ 16 milhões por ano. Além do que está em fase de ampliação, já era 42

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considerada a maior de geração de energia solar em estrutura hospitalar do Brasil e uma das maiores microusinas fotovoltaicas do Rio Grande do Sul. A primeira parte do projeto da Solled contou com 1.149 módulos de 330 Wp, com potência de 379,17 kWp, em uma estrutura de 2,3 mil metros quadrados de telhado. Até o fim de 2019, a estrutura passará a ter mais 1.620 módulos, com potência de 550 kWp, totalizando 2.769 módulos e uma potência instalada de 929,17 kWp. O investimento tem projeção de uma redução de 50% na conta de energia elétrica da instituição, que girava em torno de R$ 100 mil mensais. A usina fotovoltaica da Copame, que atende, desde 1984, crianças de até 12 anos em situação de vulnerabilidade social, com o fornecimento de atendimento médico, psiquiátrico, psicológico, nutricional, odontológico e pedagógico, leva a marca da Solled Energia em parceria com o Lions Clube e Rotary Santa Cruz Oeste. O local tem a instalação de 236 placas, que possuem potência de 77,38kWp e produção estimada de 109.000 kw/ ano, gerando uma economia de R$ 90 mil por ano.


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Entrevista

Entrevista exclusiva com DESHENG LEI, diretor de vendas na América do Sul, da Solis Inverters

O especialista fala sobre as expectativas da empresa para o setor de Geração Distribuída no Brasil RBS Magazine: Conte-nos um pouco sobre a história da Solis Inverts e como ela opera no mercado brasileiro. Desheng Lei: Fundada em 2005, a Ginlong Solis é uma das maiores e mais antigas empresas globais de inversores de linha especialistas que fabricam inversores string para converter DC para AC. Os sistemas interagem com a rede elétrica e ajudam a reduzir a pegada de carbono da sociedade humana. Os desenvolvedores e investidores de energia solar se beneficiam de uma linha completa de produtos ultra confiáveis como residencial, mercado solar comercial e de escala de utilidade, os quais incluem proprietários de casas, donos de empresas, utilitários, tecnologias rentáveis, inovadoras e rentáveis para inversores de fios, vendidas sob a marca Ginlong Solis. Esses produtos são instalados glo-

balmente, otimizados para mercados locais e atendidos por equipes experientes locais, para proporcionar um retorno significativo de longo prazo para interessados em acelerar a transição para um futuro mais sustentável. A Ginlong ganhou o prestigiado prêmio Brand Inverter Brand Award da marca EUPD em 2016, 2017 e 2018. A empresa também ganhou o Rank 5 no mercado global de inversores monofásicos de string (MWac) em 2016 e 2017, o GTM Research e Rank 4 no mercado global de inversores trifásicos de string (MWac) em 2017 e os Inversores da Ginlong Solis também estão instalados na Torre Eiffel, em Paris. O inversor de Ginlong Solis está listado nas listas de fornecedores aprovados dos principais bancos e institutos financiadores. O teste de qualificação de inversor de terceiros foi concluído pelo INMETRO. O Brasil tem uma

boa condição de sol e o preço da eletricidade no país é cara, por isso acreditamos que há muito potencial no mercado brasileiro de energia solar. A Ginlong tem muitos anos de experiências nos mercados da China, EUA, Europa e Índia e nós acreditamos que nossas experiências e produtos competitivos podem ajudar mais clientes brasileiros. Atualmente nós já temos alguns grandes clientes no Brasil, também construímos nossa equipe técnica local em Campinas. No futuro também gostaríamos de estabelecer nosso sistema de armazenamento no país e fornecer serviços abrangentes aos nossos clientes. Para fortalecer o marketing da empresa nós decidimos nos juntar a mais eventos no Brasil para expandir nossa marca, como o Fórum GD. Nós também gostaríamos de mostrar nossa marca em canais de mídia mais profissionais no Brasil.

O Brasil tem uma boa condição de sol e o preço da eletricidade no país é cara, por isso acreditamos que há muito potencial no mercado brasileiro de energia solar 44

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Entrevista

Para mais informações, visite-nos em www.ginlong.com. RBS Magazine: Quais projetos a empresa está desenvolvendo para o setor solar fotovoltaico em 2019? Como um fabricante de inversores nós fornecemos inversores para projetos ao invés de desenvolver projetos diretamente. Você pode ver muitos dos nossos inversores em alguns projetos famosos do mundo como, por exemplo, o projeto da Torre Eiffel na França e o Pavilhão de Madrid no World Affair em 2010. Até o momento nossa nova linha de produção pode produzir mais de 3,5 GW de inversores em um ano. Nós acreditamos que nossas experiências globais de sucesso podem ajudar muito nossos clientes no Brasil. Nós também gostaríamos de abrir mais linhas de produção em 2019. Este ano projetamos alguns novos produtos para o mercado brasileiro, pois achamos que esses produtos sejam muito populares. Para os produtos monofásicos temos produtos de 7kW a 10kW com 3 MPPT, estes produtos podem ser mais flexíveis e compiláveis

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com diferentes formas de instalação de painéis solares, o que significa que pode gerar mais energia dentro da mesma área do telhado. Para os inversores trifásicos, além do sistema de saída de 380V, também desenvolvemos produtos de baixa tensão (com saída 220V) para o mercado brasileiro. Enquanto isso, nosso sistema híbrido pode ajudar mais famílias que não podem se conectar à rede elétrica no Brasil, este sistema pode funcionar bem tanto no sistema de rede como fora da rede. RBS Magazine: Como você avalia a indústria de geração distribuída no Brasil? O mercado brasileiro de distribuição fotovoltaica é incrível e está crescendo muito rápido. Em 2018, a energia solar distribuída chegou a 600MW. Achamos que ainda há um enorme potencial para o desenvolvimento de energia fotovoltaica no Brasil. O governo está pagando mais e dando mais atenção para o desenvolvimento do mercado solar. Mais políticas de incentivo foram publicados e acreditamos que, sob os esforços

de todas as partes relevantes, de acordo com o “Plano Decenal de Expansão de Energia 2026” pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética), a energia total de distribuição PV pode exceder 3,5 GW. Estamos muito confiantes no PV brasileiro mercado. RBS Magazine: Quais projetos a empresa está desenvolvendo para o setor solar fotovoltaico em 2019? A região Sudeste é um dos mercados solares mais importantes do Brasil. O sol brilha no Sudeste e é impressionante. São Paulo e Rio de Janeiro estão localizados nessa área. A economia e a logística aqui são as melhores do Brasil e nós vemos muitos projetos leiloados nesta região do governo e mais pessoas querem usar a energia solar nesta área. Nós, da Ginlong, acreditamos que podemos apoiar os clientes nesta área e no resto do Brasil. Nossa equipe local é baseada em Campinas, São Paulo. Nós podemos fornecer local após serviços de venda e programa de treinamento para nossos clientes na região Sudeste e em todo o Brasil.


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Artigo - parte 3

BATERIAS DE LÍTIO

para Veículos Elétricos e Híbridos PARTE 03

Maria de Fátima N. C. Rosolem, Raul F. Beck Fundação CPqD

RESUMO

Desde a década de noventa a sociedade moderna está passando por grande revolução tecnológica iniciada com a introdução dos equipamentos eletrônicos portáteis, tais como telefones celulares, laptops, etc. O sucesso destes equipamentos foi possível devido à introdução comercial da célula de bateria de lítio-íon em 1991 pela Sony. A viabilização técnico-comercial das células de lítio-íon não foi alcançada do dia para a noite, é o resultado de décadas de pesquisa e contribuições de muitos cientistas, engenheiros e pesquisadores. Nos dias atuais, para atender a crescente demanda por armazenamento de energia, principalmente pela popularização dos veículos elétricos em países como China, Japão, Coréia, Estados Unidos, Alemanha, França, Holanda, Noruega, etc., muitos esforços vêm sendo realizados para melhorar o desempenho das baterias de lítio-íon, sendo necessário intensificar as pesquisas para desenvolver as novas gerações das células de lítio buscando aumentar significativamente sua densidade de energia, ciclabilidade, corrente de recarga, estabilidade e segurança. O aumento da densidade de energia das baterias pode ser alcançado através dos materiais do ânodo e cátodo, já a questão de segurança pode ser aumentada utilizando eletrólitos sólidos. Novos conceitos de células de bateria têm que ser desenvolvidos para que nos próximos anos seja possível viabilizar outras tecnologias, além da bateria de lítio-íon. Dentro desta estratégia a pesquisa tem se intensificado para viabilizar as baterias a base de lítio metálico, tais como lítio-enxofre, lítio-ar, e outras tecnologias como sódio-íon, manganês-íon, etc.

HÁ CERCA DE 15 ANOS CONCLUIU-SE QUE LÍTIO METÁLICO NÃO ERA VIÁVEL COMO MATERIAL DE ÂNODO PARA BATERIAS RECARREGÁVEIS

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Em continuação às Partes 1 e 2 deste artigo, publicadas na Revista RBS Ed. 27 e 28 apresentando os conceitos básicos de operação da bateria e os principais progressos, estudos e desenvolvimentos dos materiais constituintes das placas positivas (cátodos), negativas (ânodos), eletrólito e separadores, esta Parte 3, última desta série, mostrará as principais pesquisas e desenvolvimentos de outros tipos de baterias, denominadas na literatura internacional como "pós lítio-íon".

tio-íon, apresentam potencial para aumentar significantemente a densidade de energia. Contudo, sua operação reversível, que é essencial para uma longa vida cíclica, não está totalmente garantida e requer mais pesquisas para entender as propriedades e comportamento dos eletrodos e da interface eletrodo/eletrólito. Lítio-metal

Desde que Whitttingham demonstrou o sistema (tiossulfeto de lítio) Li-TiS2, o lítio metálico tem sido Além das baterias de lítio-íon considerado um ânodo ideal para as (pós-lítio-íon) baterias de lítio, devido à sua elevada capacidade teórica (3860 mAhg-1) e Conforme mencionado anterior- seu baixo potencial redox. Contudo, mente há várias alternativas de ma- a formação de dendritos na sua suteriais, além da bateria de lítio-íon, perfície provoca baixa estabilidade que estão sendo pesquisados, tais interfacial e problemas de segurança. como Sódio-íon (Na-íon), Manganês-íon (Mg-íon), Cálcio-íon (Ca-íon), Há cerca de 15 anos concluiuAlumínio-íon (Al-íon) e Flúor-íon (F-í- -se que lítio metálico não era viável on), além das tecnologias lítio-metal como material de ânodo para bate(lítio-ar, lítio-enxofre). Os materiais rias recarregáveis. No entanto, reativos para estas tecnologias que não centemente, a comunidade científisão de lítio-íon, denominada pós-lí- ca retornou os esforços na pesquisa


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Artigo - parte 3

e desenvolvimento para usar o lítio metálico em baterias com elevada densidade de energia. O crescimento de dendritos é uma grande dificuldade a se prevenir, sendo a introdução de nanoescala e rugosidade na sua superfície uma das alternativas para buscar solucionar esta questão. Várias coberturas de materiais, incluindo vidros e compósitos, tem sido reportadas como alternativas para suprimir o crescimento de dendritos. Além disso vêm sendo estudada uma cobertura distinta de um filme fino de carbono e camadas de grafeno para separar a SEI da formação dos dendritos, bem como para aumentar a eficiência dos ciclos de recarga e descarga, pois esta solução restringe a decomposição do eletrólito na superfície do ânodo. Outras soluções que promovem um fluxo do íon de lítio mais uniforme sobre a superfície do lítio metálico também vêm sendo estudadas, pois o fluxo uniforme previne o aumento da concentração dos íons de lítio, que é essencial para o crescimento dos dendritos. Coberturas de separadores com materiais com boa capacibilidade de molhabilidade também são outra estratégia nesta direção. Soluções de eletrólitos contendo aditivos funcionais também vêm sendo testados. A adição de pequenas moléculas de aditivos, que funcionam como interações eletrostáticas com os íons de lítio, como por exemplo (césio) Cs+, foi recentemente descoberto - estes aditivos permanecem positivamente carregados e repelem a formação de partículas finas e afiadas de lítio (dendritos), formando uma superfície morfológica mais arredondada. Finalmente, também estão sendo avaliadas estratégias para incorporar padrão 3D, pois aumentam a área efetiva da superfície pela morfologia 3D, que dissipa a densidade eletrônica proporcionando maior área para densidade de energia. O sucesso das baterias comerciais de lítio-metálico não é garantido, pois não existem soluções comerciais padrões em termos de desempenho eletroquímico e processamento em larga escala. 50

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Figura 6: Representação esquemática de vários cátodos de enxofre da bateria de Li-S - Estrutura 1: enxofre encapsulados por material poroso condutivo em nanoescala, Estrutura 2: enxofre encapsulado em fibras ativas de carbono; Estrutura 3: enxofre confinado em pequenos poros; Estrutura 4: enxofre conjugado com estruturas de polímeros; Estrutura 5: eletrólitos sólidos ou quase sólidos; Estrutura 6: desenvolvimento de uma interface eletrólito sólida (SEI) protegida por um filme

Baterias de lítio-enxofre (Li-S) Enxofre é um dos mais promissores materiais ativos, devido sua elevada capacidade teórica (1675 mAhg−1), baixo custo e abundância natural. As baterias de Li-S foram conceitualizadas em 1960 e sua demonstração eletroquímica ocorreu em 1970, mas logo depois as pesquisas foram descontinuadas. Recentemente a pesquisa e desenvolvimento desta tecnologia foi retomada, principalmente devido ao aumento da demanda de baterias com elevada densidade de energia.

fre. Este compósito é constituído por material poroso condutivo em nanoescala (Figura 6 - Estrutura 1).

Cátodos de enxofre-carbono vêm sendo utilizados com certa efetividade, neste caso o enxofre é encapsulado em fibras ativas de carbono (Figura 6 - Estrutura 2). Estas duas abordagens também resolvem o problema da baixa condutividade eletrônica do enxofre (~10-30Scm−1). A incorporação e dopagem dos óxidos metálicos e nitrogênio na estrutura carbono provê ajuda adicional para suprimir a dissolução do polissulfeto, pois eles possuem configuração atôBaterias de Li-S tem sido comer- mica que habilitam uma forte afinicializadas como protótipos por em- dade de ligação dos polissulfetos de presas como PolyPlus e Sion Power lítio. Corporation, para uso em veículos elétricos e aplicações militares. NoAdicionalmente para simples tavelmente, o maior problema é a encapsulamento das estruturas, a dissolução do polissulfeto dentro do dissolução do polissulfeto pode ser eletrólito que leva a um processo de contornada usando soluções químitransporte envolvendo o ânodo me- cas, o enxofre pode permanecer apritálico de lítio. Este problema tem sido sionado na forma de cadeias lineares largamente estudado e contornado curtas quando confinado em pequeatravés de algumas abordagens. nos poros (Figura 6 - Estrutura 3), ou conjugado com estruturas de polímeA primeira abordagem é passi- ros ou compostos orgânicos (Figura var o ânodo de lítio metálico usan- 6 - Estrutura 4). Polissulfetos solúveis do soluções de eletrólito contendo de cadeia longa também podem ser agentes ativos, tais como nitrato de adotados usando um eletrólito sólido lítio (LiNO3), que reage com o ânodo (Figura 6 - Estrutura 5), pois a formaformando um filme na sua superfície ção de polissulfetos de cadeia longa é que bloqueia a facilidade de transfe- acompanhada pela dissolução do S8 rência de elétron. A segunda aborda- na interface bifásica sólida /liquida, a gem é usar na estrutura do eletrodo qual está ausente nos eletrólitos sóum compósito que encapsule o enxo- lidos.


Artigo - parte 3

Adicionalmente às proposições PODERÃO SER descritas anteriormente, uma linha EMPREGADAS de muito interesse é o encapsulamento do enxofre em quantidade ESTRATÉGICAS elevada (>60 p/p%) no carbono ativado com poros largos, este processo ALTERNATIVAS PARA tem como objetivo formar um tipo SUBSTITUIR O LÍTIO de filme protetor sofre a superfície do compósito do cátodo enxofre-carMETÁLICO COM ÂNODOS bono (Figura 6 - Estrutura 6). Usando esta abordagem, todas as reações reMAIS REVERSÍVEIS, TAIS dox para o cátodo de enxofre aconteCOMO HARD CARBONO cem no estado quase sólido confinado numa estrutura de compósito. O OU SILÍCIO mecanismo prejudicial de transporte é evitado, se possível, pelo uso de so- de Li, ainda é provável que se obteluções de carbonato eletrolítico. nha uma vida cíclica limitada. A densidade de energia do Li-S deve ser avaliada, pois muitas vezes a densidade de energia volumétrica é desprezada para enfatizar superior capacidade gravimétrica do enxofre. Quando eletrodos de nanotubos de enxofre (com 54% em peso de enxofre) são utilizados em protótipos e o ânodo contém excesso de Li, a faixa de densidade de energia obtida é 283 a 314 Whl−1, que é inferior as baterias de lítio-íon de grafite e cobaltato de lítio. Estes valores inferiores ao esperado são atribuídos a baixa densidade do eletrodo de enxofre, que leva um pequeno número de packs para um dado volume. Se considerar o caso no qual o enxofre ocupa 80% em peso do eletrodo, sem os selantes e espaço vazios, a densidade de energia teórica da célula completa pode alcançar 867 Whl−1 sem excesso de Li, isto reconfirma a importância da composição dos eletrodos de enxofre no uso prático. Esta avaliação demonstra que as células de Li-S, para serem competitivas, devem ter implementadas estratégias para aumentar a densidade de energia do cátodo de enxofre, tais como sua confecção utilizando pressão em rolo e design com alto conteúdo de enxofre. Pesquisas futuras deverão ser destinadas para desenvolver designs de eletrodos de elevada densidade que também aliviem a dissolução do polissulfeto. A reversibilidade do anodo de lítio metálico também tem um papel importante, pois é desejável minimizar o excesso de lítio. Mesmo com as abordagens acima mencionadas usando ânodos 52

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Poderão ser empregadas estratégicas alternativas para substituir o lítio metálico com ânodos mais reversíveis, tais como HARD carbono ou silício, considerando o sacrifício de diminuir a densidade de energia. Consequentemente, baterias de Li-S podem ser utilizadas em aplicações específicas onde a densidade gravimétrica específica é crítica e é tolerada uma limitada ciclabilidade. Adicionalmente para aumentar a densidade de energia e o desempenho cíclico, alguns problemas para a manufatura em larga escala necessitam ser cuidadosamente equacionados. Em particular, solventes a base de éter, que são altamente voláteis, poderão apresentar dificuldade para manter a viscosidade constante durante o processo de fabricação. Uma boa direção para pesquisas futuras é o emprego de solventes menos voláteis. Baterias de metal-oxigênio

ga é bastante inferior à das baterias de lítio-íon. Ambos sistemas Li–O2 e Zn–O2 apresentam as mesmas desvantagens: formação de produtos irreversíveis na descarga, evaporação do eletrólito e degradação da superfície do metal pela água e o oxigênio. Células de Li–O2 operam tanto em sistemas de eletrólitos aquosos e não aquosos, tendo como base duas reações: 2Li+ + 2e− + 1/2O2 + H2O → 2LiOH, 3,45 V (aquoso) 2Li+ + 2e− + O2 → Li2O2, 2,96 V (não aquoso) No sistema aquoso, na descarga é formado o produto solúvel LiOH, que previne o entupimento do cátodo de ar e reações em sobrepotencial elevado. No entanto, LiOH não se decompõe facilmente durante a recarga e também pode se precipitar, o que prejudica a densidade de energia e ciclabilidade. Um item mais importante deste sistema é a incompatibilidade do meio aquoso com Li metálico, requerendo que sua superfície seja protegida com cobertura de algum material como, por exemplo, LISICON (LiM2(PO4)3, Li1+x + yAlxTi2 − xSiyP 3− yO12). Além disso, as camadas de cobertura da superfície usualmente não provêm longa proteção para a formação de dendritos decorrente a variação do pH, com perda de desempenho da cobertura. Devido a estas razões, nos últimos anos mais atenção vem sendo direcionado para as células de Li–O2 em meio não aquoso.

O maior desafio das células de Li– O2 em meio não aquoso é aumentar a reversibilidade em cada ciclo. Para vencer este desafio duas principais abordagens estão sendo aplicadas: primeiro, o aumento da eficiência da decomposição do produto principal da descarga, Li2O2, e em segundo evitar as reações secundárias indesejáveis. No primeiro desafio, nos estágios iniciais das pesquisas, a comunidade científica concentrou-se Contudo a pobre reversibilidade no desenvolvimento de catalisadores é um dos problemas na maioria das para o cátodo de diversas nanoestrucélulas de metal-oxigênio - a eficiên- turas de metais e óxidos metálicos. cia de cada ciclo de recarga e descar- Contudo, a identificação funcional Baterias secundárias de lítio-ar (Li-O2) foi primeiramente demonstrado em 1990, sendo que o sistema zinco-ar (Zn-O2) foi desenvolvido anteriormente, em 1970. O uso de moléculas de oxigênio gasoso (O2) do ar como material ativo, no lugar de materiais sólidos, promete um drástico aumento da densidade de energia, e tem renovado o interesse nesta direção.


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Zn-O2 podem oferecer promissoras densidades volumétricas de energia. A reação da descarga no ânodo envolve o íon OH- formando ânions zincatos solúveis (Zn(OH)4-2) e a redução do O2 em OH- solúveis no cátodo.

do catalisador permanece como um desafio, e seus efeitos são facilmente escondidos, pois a eficiência da recarga é amplamente afetada pelos produtos precedentes da descarga e de outras condições, tais como a quantidade dos produtos das reações secundárias, cristalinidade e morfologia do Li2O2, o grau de descarga e densidade de corrente. Adicionalmente, catalisadores do cátodo posicionados dentro dos eletrodos, um conceito novo de um mediador redox, denominado de catalisador solúvel, dissolvidos no eletrólito, foram introduzidos para aumentar a eficiência de decomposição do Li2O2. Pela sua natureza solúvel, o mediador redox sofre de eficiência de transferência de carga com a superfície condutiva dos eletrodos e retransfere a carga do Li2O2, aumentando o transporte dos elétrons do Li2O2 e diminuindo a condutividade eletrônica do Li2O2. Enquanto isso, investigações recentes têm revelado que, independente do solvente utilizado no eletrólito, muitas células não aquosas de Li2O2 sofrem de decomposição do eletrólito, gerando reações paralelas e produtos secundários (por exemplo Li2CO3, HCO2Li e CH3CO2Li) com baixa reversibilidade. Embora a formação de produtos secundários ocorra em todos os solventes, este processo ocorre com menor intensidade nos eletrólitos a base de éter do que nos eletrólitos a base de carbonatos. Numa recente série de publicações, foi demonstrado que todos os solventes relevantes não aquosos 54

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são reativos básicos e produtos reduzidos nucleofílicos do O2 (isto é, superóxidos e peróxidos) na fase de solução contendo elevada quantidade de íons de lítio eletrolíticos. Foram observados que todos os materiais eletrodos a base de carbonáceos podem degradar pelas reações com os superóxidos e peróxidos. Como resultado, o foco das pesquisas tem se direcionado para minimizar as reações paralelas, orientando a comunidade para o uso de materiais para eletrodos não baseados em carbono, tais como Au, TiC, Ti4O7, Co3O4, Mo2C e RuO2, bem como buscando selecionar cuidadosamente soluções de eletrólitos. Apesar da longa histórica da bateria primária de Zn-O2 para equipamentos auditivos, luzes de navegação, comunicação remota e sinais de tráfego ferroviários, baterias secundárias de Zn-O2 estão no estágio de pesquisas. Comparando com as células de Li-O2, as células de Zn-O2 apresentam menor densidade gravimétrica, embora recentemente um trabalho reportou uma ciclabilidade razoável. Além da baixa densidade de energia gravimétrica originada da pequena capacidade gravimétrica do zinco em relação ao lítio, a bateria de zinco-ar apresenta também menor tensão operacional (1,65 V), devido à limitada faixa de potencial dos eletrólitos aquosos. Não obstante, o uso de Zn e eletrólito aquoso traz vantagens de baixo custo, é ambientalmente amigável e apresenta elevada taxa de capacibilidade. Mais importante, as baterias

Desta forma, em contraste as células de Li-O2, os produtos da descarga no cátodo das células de Zn-O2 são mais solúveis, o que torna os cátodos mais reversíveis na carga. Os principais desafios para tornar a bateria de Zn-O2 um produto comercial, em termos de ciclabilidade e taxa de capacibilidade, são minimizar a passivação do ZnO sobre a superfície do ânodo de Zn e a corrosão do Zn metálico, desenvolvendo também uma reação efetiva de evolução do oxigênio (OER) e reação catalítica de redução do oxigênio (ORR) para prevenir a formação do carbonato da reação entre CO2 do ar e KOH do eletrólito. A avaliação da densidade de energia das baterias de metal-oxigênio não é trivial, já no nível de célula, pois as dimensões do gás O2 e a camada do catalisador não são comercialmente padronizadas, conduzindo a consideráveis variações no volume total da célula. Por exemplo, assumindo que o oxigênio gasoso flui através de um canal de coletor de corrente com espessura de 50 μm, considerando células de Li-O2 com cátodos condutivos com compostos de Super O, com capacidade reversível de 100 a 2000 mAhg−1, a porosidade do cátodo é 78%, a densidade de energia é 440 e 581Whl−1, respectivamente. Estes valores são menores do que as estimativas iniciais e são atribuídos a ocupação do volume dos canais de gás e a porosidade do cátodo de ar. Apesar da baixa tensão operacional das baterias de Zn-O2 estas poderão oferecer densidade de energia promissora devido a reação básica reduzir o volume do cátodo. Assumindo uma camada catalítica de espessura entre 1 a 10 μm, com uma densidade de energia variando entre 487 a 502 Whl−1, a reversibilidade da capacidade do Zn é limitada em 100 mAhg−1. A densidade de energia aumenta acentuadamente para 1468 a 1582 Whl−1, uma vez que a reversibilidade da capacidade de zinco é 600


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mAhg−1, indicando que a reversibilidade da capacidade do ânodo de Zn é muito crítica. Independentemente das reações principais, o volume requerido para o fluxo do gás e para a acomodação dos produtos de reações no cátodo tem um papel decisivo, demonstrando a importância de ter um designer do cátodo de ar para cobrir ambos a camada do eletrodo e o canal do gás. Devido aos insolúveis problemas tanto a nível da célula como dos materiais, é pouco provável que as baterias de metal-oxigênio estarão disponíveis comercialmente num futuro próximo. Baterias de sódio-íon (Na-íon) As baterias de Na-íon apresentam a vantagem de baixo custo e abundância natural do sódio, desta forma vêm sendo investigadas como alternativa para uso em sistemas de armazenamento de energia para a rede elétrica e também para o mercado de veículos elétricos. Com o aumento da demanda, o custo efetivo das novas gerações de baterias, tais como baterias de sódio-íon e manganês-íon devem no futuro ser menor do que o preço praticado atualmente. A monovalência do íon de sódio é outra vantagem, assim como o conhecimento adquirido no desenvolvimento das baterias de lítio-íon que poderão ser transferidos para ajudar a viabilizar esta nova tecnologia. No entanto o grande tamanho dos íons de sódio favorece a ocorrência de diferenças na estrutura cristalina e no comportamento de intercalação. Para a mesma estrutura cristalina, o desempenho eletroquímico da bateria de sódio-íon é usualmente inferior às de lítio-íon, tornando-se um obstáculo para sua competitividade. Uma análise recente destacou que o baixo custo dos materiais de sódio não é suficiente para compensar a reduzida densidade de energia das baterias de sódio-íon. Embora as matérias-primas da bateria de sódio-íon são de 25 a 30 vezes mais baratos que as matérias-primas das baterias de lítio-íon, o custo para transportar 56

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Figura 7: Tensão em função da capacidade específica de materiais para cátodo da bateria de sódio-íon

Figura 8: Tensão em função da capacidade específica de materiais para ânodo da bateria de sódio-íon

no estágio de identificar os materiais mais viáveis. Durante a última década estão sendo estudadas as estruturas em camadas e os poliânions (olivina). O primeiro estudo de bateria de sódio-íon com materiais de intercalação em estrutura em camadas foi reportado em 1980. Em geral o material em camada exibe elevada capacidade específica, mas são menos estáveis ao longo dos ciclos, pois ocorre instabilidade na extração dos íons de Para o cátodo, em contraste das sódio. Nas estruturas em camada, em baterias de lítio-íon, as pesquisas contraste com as baterias de lítio-íon, para as baterias de sódio-íon estão onde os íons de Li são estocados nos uma quantidade de íon é uma pequena fração do custo total do material, e a redução maior do custo poderá ser provido pelo uso de Al como coletor de corrente do ânodo. Assim, tanto a densidade de energia como o custo por Watt-hora das baterias de sódio-íon necessitam ser melhorados, em paralelo ao seu desenvolvimento, para se tornar mais competitiva no mercado global de bateria.


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lados octaedros da estrutura cristalina, a difusão dos íons de Na é mais estável quando estocados nos lados prismáticos da estrutura. Os cátodos em camadas das baterias de sódio-íon apresentam tensão operacional de 1,5 V, menor do que as baterias de lítio-íon, fator este responsável pela baixa densidade de energia das baterias de sódio-íon. Recentemente foi relatado um excelente resultado para células do tipo NaCrO2 que apresentou bom desempenho de ciclagem comparada com baterias de lítio-íon com mesma estrutura cristalina. Adicionalmente foi demonstrado que a cinética de cátodos NaNi0.5Mn0.5O2 é superior a esta mesma estrutura usando lítio, embora a estabilidade do composto com sódio durante a ciclagem prolongada ainda está incerta. Em contraste, várias estruturas poliânions apresentam desempenho cíclico estável, isto é ga e descarga. Embora os ânions pesados dos compostos poliânions sejam compensados pelos múltiplos íons de sódio, as capacidades específicas são menores do que os compostos em camada. Atualmente, ambas as categorias de materiais estão em competição e representam a troca entre capacidade e ciclabilidade. A tensão e capacidade de vários cátodos de baterias de sódio íon são apresentadas na Figura 7. Progressos no ânodo também estão em andamento, como pode ser observado na Figura 8. Grafite, que é mais utilizado nas baterias de lítio-íon, é inativo para os íons de sódio. Atualmente carbono HARD~300 mAhg−1 na faixa de 1,2 a 0,1 V versus Na/Na+ é o material comumente utilizado como ânodo e serve como referência para estudos com outros materiais. A difusão dos íons de sódio no carbono HARD ocorre nos canais mais longos e nas cavidades com geometria irregular, causando pobre desempenho em corrente elevada. Vários anodos de conversão também estão sendo estudados, como o Sn, P, Sb, Ge, In e suas ligas, juntos com os óxidos, sulfetos e fosfetos. De modo similar às baterias de lítio-íon que utilizam estes materiais como ânodo, o maior desafio é a limitação da vida cíclica devido a expansão do 58

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AS BATERIAS DE SÓDIO-ÍON PODEM SER COMPLETIVAS COM AS BATERIAS DE LÍTIO-ÍON EM CERTAS APLICAÇÕES ONDE O CUSTO É UM FATOR IMPORTANTE volume na fase ativa, resultando in- desenvolvimento dos materiais para terfaces instáveis. Alguns materiais os eletrodos. orgânicos com baixa tensão operaConclusões cional têm sido introduzidos como ânodos para baterias de sódio-íon, Nos tempos atuais os dispositimas ainda não se conseguiu provar sua capacidade de ser utilizado em vos portáteis de comunicação e as condições práticas. Um dos proble- tecnologias de transportes são muito mas deste material são a sua solubi- mais dependentes de baterias recarlidade no eletrólito em vários poten- regáveis do que qualquer período anciais e sua baixa adesão no coletor de terior, com forte demanda em densicorrente. Nanofios de carbono tam- dade de energia. bém demonstraram bom desempeFoi apresentada a tendência de nho nas baterias de sódio-íon. evolução de materiais para a bateria As baterias de sódio-íon podem de lítio-íon, bem como as outras tecser completivas com as baterias de nologias em desenvolvimento além lítio-íon em certas aplicações onde o da bateria de lítio-íon, tais como lítiocusto é um fator importante, pois um -metal, lítio-enxofre e sódio-íon. custo menor por unidade de densiO grande desafio para as novas dade de energia pode ser alcançado com as baterias de sódio-íon. As bate- tecnologias de baterias “além do lírias de sódio-íon apresentam menor tio-íon” é sua estabilidade e vida densidade de energia que a bateria útil. Ironicamente, os problemas que lítio-íon - um dos principais fatores estão sendo diagnosticados nas tecpara esta ocorrência é que seus ele- nologias emergentes são de origens trodos apresentam menor densidade parecidas com aquelas identificadas energética quando comparada com no início do desenvolvimento das a bateria de lítio-íon. Considerando baterias de lítio-íon, a saber, irreverum ânodo com mesmas proprieda- sibilidade da fase de transição dos des do grafite na bateria de lítio-íon, materiais ativos, instabilidade dos a bateria de sódio necessita de um eletrodos e instabilidade da solução aumento aproximadamente de 45% de interface. Estes fatores comuns de densidade de energia, refletindo reconfirmam que, para o sucesso e a importância de encontrar ânodos desenvolvimento destas novas tecnologias e possível comercialização, com elevada densidade. a estabilidade dos eletrodos e suas A bateria de sódio-íon, devido a interfaces sobre repetidos ciclos de sua baixa tensão na reação parcial carga e descarga devem ser o foco (2,714 V para Na/Na+) quando com- das pesquisas futuras. Considerando parada com a do lítio (3,045 V para Li/ o nível de dificuldade e experiência, Li+) a degradação do eletrólito deve- deve ser aproveitada toda experiênrá ser reduzida, e eletrólitos mais se- cia no desenvolvimento da bateria de guros com baixo potencial de decom- lítio-íon, adicionando-se novas e criaposição poderão ser utilizados para tivas ideias. aumentar a segurança. Em outras Ressalta-se que o sucesso comerpalavras, as baterias de sódio além de terem menor custo, poderão ser cial da bateria de lítio-íon foi o resulum candidato mais seguro também. tado de intensa pesquisa e contribuiConforme apresentado anteriormen- ção de muitos cientistas por algumas te o desempenho das baterias de décadas. Recentemente muitos essódio-íon dependem fortemente do forços estão sendo direcionados para


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aumentar o desempenho das baterias de lítio-íon, atingindo certo nível de sucesso. Ainda há vários desafios a serem vencidos, sendo necessário intensificar as pesquisas para se desenvolver as novas gerações de baterias. Companhias privadas estão investindo de modo significativo na pesquisa e desenvolvimento das novas gerações de baterias de lítio-íon, bem como em outras tecnologias aqui reportadas. O desafio é desenvolver baterias com maior densidade de energia, maior vida útil, mais segura e com menor custo. O desenvolvimento de baterias com maior densidade de energia, é diretamente relacionado com novos materiais para os eletrodos negativos e cátodos. A vida útil está relacionada com a reversibilidade das reações e as reações de interfaces entre eletrólitos e eletrodos. A ciência dos nanomateriais tem sido fundamental para ajudar a vencer estes desafios. Em questão de segurança, o desenvolvimento de eletrólito sólido (polímero, gel e ce râmico) é um ponto chave. Em relação ao custo, pesquisas estão sendo focadas para diminuir a quantidade de cobalto nas baterias de lítio-íon, bem como o uso de outros materiais mais abundantes, tais como níquel, manganês, enxofre, sódio, etc. Na questão ambiental busca-se também utilizar materiais dos ânodos, cátodos e eletrólitos com menor impacto ambiental. As questões de segurança e sustentabilidade ambiental deverão receber ênfase e atenção no futuro. Novos conceitos de baterias além da bateria de lítio-íon devem ser desenvolvidos no futuro [7]. Referências

3. Bruce Dunn, Haresh Kamath, Jean-Marie Tarascon, “Electrical Energy Storage for the Grid: A Battery of Choices”, Science, Volume 334, 2011 4.https://www.researchgate.net/ post/what_is_alloying_conversion_ and_displacement_mechanisms_in_ lithium_battery_anodes 5. Naoki Nitta, Feixiang Wu, Jung Ta e LeeandGlebYushin, “Li-ion battery materials: present and future”, Materials Today, Volume 18, Number 5, Junho 2015 6. Subrahmanyam Goriparti, Ermanno Miele, Francesco De Angelis, Enzo Di Fabrizio, Remo ProiettiZaccaria, Claudio Capiglia, “Review on recent progress of nanostructured anode materials for Li-ion batteries”, Journal of Power Sources 257 (2014) 421e443 7. Jang Wook Choie Doron Aurbach, “Promise and reality of post-lithium-ion batteries with high energy densities REVIEW”, Nature Materials, volume 1, Abril 2016 8. ArumugamManthiram, Xingwen Yu and ShaofeiWang, ”Lithium battery chemistries enabled by solid-state electrolytes”, Nature Materials, volume 2, 2017

Contatos Maria de Fátima N. C. Rosolem mfatima@cpqd.com.br Raul F. Beck raul@cpqd.com.br

Agradecimentos 1. Da Deng, ”Li-ion batteries: basics, progress, and challenges- REVIEW”, O CPqD agradece ao BNDES e Energy Science & Engineering, 2015 a seus parceiros PHB Eletrônica e Magneti Marelli pelo apoio e finan2. S. Abada, G. Marlair, A. Lecocq, M. ciamento de projetos de desenvolviPetit, V. Sauvant-Moynot, F. Huet, mento de baterias de lítio-íon, que ”Safety focused modeling of lithium- vem possibilitando estudos e apro-ion batteries: A review”, Journal of fundamento nestas tecnologias. Power Sources 306 (2016) 178 e 192

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Definições/Abreviaturas Bateria de lítio-íon

Li-B

Bateria de zinco-ar

Zn-O2

Bateria de lítio-ar

Li-O2

Bateria de lítio-enxofre

Li-S

BMS

Sistema de gestão da bateria

C

Capacidade (Ah) ou corrente (A)

Ce

Césio

C-rate

Taxa de descarga

Cobalto

Co

DoD

Profundidade de descarga

Gás oxigênio

O2

HF

Ácido fluorídrico

Li+

Íon de lítio

LCO

Cobaltato de lítio

LMO

Óxido de manganês

LCP

Cobalto fosfato de lítio

LFP

Ferro fosfato de lítio

LFSF

Ferro flúor sulfato de lítio

LTS

Sulfeto de titânio e lítio

Mg

Manganês

Na

Sódio

Ni

Níquel

NMC

Óxido de níquel-cobalto-manganês

NCA

Óxido de níquel-cobalto-alumínio

PE

Polietileno

PP

Polipropileno

Si

Silício

SiOx

Óxido de silício

Sn

Estanho

SoC

Estado de carga

SEI

Camada sólida do eletrólito

S

Enxofre


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RBS Magazine ED. 29  

• Considerações sobre a geração distribuidora no Brasil • Revisão da REN 482 • Entrevista com Gabriel Terçarolli da Sices Solar • Projeto Re...

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