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Vol. 03 - Nº 11 - Jul/Ago 2016

A hora e a vez da

www.revistabrasilsolar.com

Geração de Energia Solar Fotovoltaica no Brasil


Editor/Índice MENSAGEM DO EDITOR:

H

á pouco mais de 2 meses assumi a função de Editor Chefe desta ilustre revista, um desafio grande num segmento que cresce exponencialmente com novidades a cada hora. Geramos conteúdo de qualidade que está ajudando o setor de energia solar a responder demandas de dimensionamento, instalação, capacitação, etc., principalmente para as pequenas e médias empresas que estão entrando em contato pela primeira vez com a tecnologia, são muitos nesta situação. As projeções de crescimento para a geração distribuída entre 2016-2017 é da ordem de 900% ao ano. Já na geração central, a partir de 2017, dezenas de usinas solares aparecerão injetando energia na matriz elétrica Brasileira. Nunca na história do Brasil a energia solar fotovoltaica teve tanto prestígio e tantas pessoas e empresas envolvidas. A RBS Magazine cresce junto com este setor e está de braços abertos para receber seus comentários, criticas e sugestões. Seja bem vindo à era solar brasileira!! Aurelio Souza (Chefe de edição da Revista Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica) Pesquisador LSF/IEE/USP - Diretor Presidente da USINAZUL

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Capacitação profissional em energia solar fotovoltaica

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Entrevista Com o CEO da Intersolar

EDIÇÃO

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Artigo

Ensino profissionalizante se posiciona para atender setor fotovoltaico Cooperação internacional para criar as bases da formação profissional de energia fotovoltaica Edward Madukanya – edward.madukanya@giz.de assessor técnico da GIZ Brasil para Energias Renováveis e Eficiência Energética desde 2013. Este artigo reflete a opinião do autor e fica sob sua plena responsabilidade.

Resumo A participação da energia fotovoltaica na matriz energética brasileira cresce significativamente. Em consequência, aumenta a demanda por mão de obra qualificada para esse mercado. Com apoio da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável (GIZ), instituições de educação profissional brasileiras estão criando ofertas para atender o setor fotovoltaico. O Desafio A energia solar fotovoltaica está ganhando importância no Brasil. No Plano Decenal de Expansão de Energia 2023, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) prevê uma capacidade instalada de 7 GW de energia fotovoltaica até 2023. No que se refere à microgeração distribuída, ou seja, sistemas menor do que 75 kW, estimase que o potencial alcançável será em 4

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torno de 700 mil sistemas instalados até 2024, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

MME, o Banco do Nordeste (BNB) lançou um financiamento para a geração distribuída, chamado FNE Sol, que leva em consideração as partiEm apenas cinco meses (de- cularidades de investimento em siszembro de 2015 a maio de 2016), o temas fotovoltaicos e oferece condinúmero de instalações de sistemas ções diferenciadas. fotovoltaicos dobrou, subindo de 1.675 para 3.494. A maioria desses Sistemas fotovoltaicos são ativos sistemas (79%) foram instalados em de longo prazo projetados para gerar residências. As unidades comerciais energia por mais de 20 anos, por isso são responsáveis por 14% dos siste- a qualidade da instalação é decisiva. mas instalados. No início de julho de Além disso, em muitos casos, os sis2016, a ANEEL registrou 24,1 MW de temas fotovoltaicos estão instalados capacidade instalada em energia fo- próximos aos consumidores, exigindo tovoltaica de microgeração. a aplicação rigorosa das normas de segurança. Para promover ações de estímulo à geração distribuída, o Ministério Hoje, existe uma carência de de Minas e Energia (MME) lançou, profissionais bem qualificados, espeem dezembro de 2015, o Programa cialmente de instaladores de sistede Desenvolvimento da Geração Dis- mas fotovoltaicos, para acompanhar tribuída de Energia Elétrica (ProGD), o crescimento dessa tecnologia no com o intuito de estimular um inves- Brasil. Segundo estimativas da EPE, timento de R$ 100 bilhões até 2030. para cada megawatt solar instalado, Em consonância com a iniciativa do devem ser criados 9,5 postos de tra-


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Foto esquerda: Centro de Treinamento Fotovoltaico, Casa Solar, SENAI-DF. Foto direita: Capacitação de docentes em instalação de sistemas fotovoltaicos conectados à rede elétrica.

balho, resultando num total de 66 mil até 2023. Por outro lado, são ainda escassas as ofertas de qualificação adequadas para formar esses profissionais. A maioria dos cursos fotovoltaicos oferecidos hoje são de curta duração (8 – 40h) e servem para aproximar o profissional da tecnologia, mas são insuficientes para formá-lo como instalador. A cooperação Brasil – Alemanha No âmbito da parceria entre Brasil e Alemanha para o desenvolvimento sustentável, estabeleceu-se uma cooperação técnica na qual a Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH, a serviço do Ministério Alemão de Cooperação Econômica e Desenvolvimento (BMZ), e seus parceiros brasileiros Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e Ministério de Educação (MEC) cooperam para criar as bases para a educação profissional em fontes renováveis e eficiência energética, estabelecidas em conformidade com as demandas do setor. Por meio da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec), o MEC desempenha o papel fundamental de planejar e coordenar a política de Educação Profissional e Tecnológica (EPT) no Brasil. O ministério formou um Comitê Temático de Formação Profissional em Energias Renováveis e Eficiência Energética com o objetivo de ampliar a oferta de cursos nessas áreas na Rede Federal de Educação Profissional e Tecnologia 6

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(RFEPCT), que representa os Institu- A experiência alemã tos Federais (IFs) e Centros Federais de Educação Profissional e TecnológiA adoção da lei de energias reca (CEFETs). nováveis, o chamado EEG (Erneuerbaren-Energien-Gesetz), que permite aos consumidores instalar sistemas geração distribuída, conectá-los A Alemanha também de à rede elétrica e receber uma compensação financeira para cada kWh é conhecida por seu de energia injetada, resultou no forte crescimento do mercado de energias na Alemanha a partir do sistema de educação renováveis fim dos anos 1990. Nesse cenário, a energia fotovoltaica se destaca por sua vasta disseminação no país. Em profissional dual, dias ensolarados, durante certos períodos do ano, a geração fotovoltaica baseado em cursos chega a produzir 35% em dias úteis e 50% em fins de semana do consumo técnicos de três anos nacional de energia elétrica. Um pilar importante para o sucesso das energias renováveis foi a boa qualificação e meio... dos profissionais e, consequentemente, a boa qualidade das instalações. A cooperação se beneficia da grande experiência alemã com enerA Alemanha também é conhegias renováveis, em particular com a cida por seu sistema de educação tecnologia fotovoltaica. Entre 1999 profissional dual, baseado em cure 2015, Alemanha atingiu uma ca- sos técnicos de três anos e meio. O pacidade instalada de 39,7 GW de aluno passa quatro dias por semana energia fotovoltaica e é considerada na empresa, nos processos de trabaum dos maiores mercados fotovoltai- lho, e um dia por semana na escola. cos no mundo. Além disso, o país é Com essa junção do ensino teórico e conhecido por seu alto nível de edu- prático, o sistema dual é fortemente cação profissional. Apesar de Brasil e orientado para as demandas reais Alemanha serem diferentes e de não das empresas. ser possível copiar abordagens de um país para o outro, as experiências e os Embora muito importante para exemplos da Alemanha servem como Alemanha, esse sistema não ganhou base de aprendizagem. Nesse sen- importância nas áreas de energias tido, foram desenvolvidas soluções renováveis e eficiência energética, específicas para o Brasil, de modo a por uma simples razão: as principais atender as necessidades do mercado ocupações que se encontram nessas fotovoltaico brasileiro em formação. novas áreas tecnológicas são ocupa-


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ções tradicionais, como eletricista ou mecânico, que requerem algum conhecimento adicional. Para qualificar a mão de obra procurada pelo mercado, foram desenvolvidos cursos de formação continuada, que preparam o profissional para instalar e operar energias renováveis ou aumentar a eficiência de um parque fabril. Dessa forma, um eletricista pode se tornar um montador e planejador de sistemas fotovoltaicos. Esse caminho permite, ainda, certa flexibilidade e contribui para que os profissionais sejam formados conforme as demandas do setor energético e dos outros setores envolvidos. Tabela 2: Resumo dos cursos fotovoltaicos desenvolvidos pelo MEC. que serve como base para a implementação dos cursos nos seus departamentos regionais. Para a energia fotovoltaica, o itinerário contém currículos em três níveis de qualificação: “Montador de sistemas fotovoltaicos (160h)”, para quem instala e mantém o sistema; “Especialização Técni-ca A elaboração de cursos Foram várias etapas de elabora- em sistemas fotovoltaicos (360h)”, fotovoltaicos ção, desde um estudo de mercado e para quem dimensiona e executa a cursos de nivelamento até uma visi- instalação, realiza a operação e maPara aten- ta técnica na Alemanha. Em seguida, nutenção, lidera equipes e aconselha der as exigências ocorreu a elaboração de currículos e clientes; e “Especialização Tecnológitécnicas e a de- definição da infraestrutura laborato- ca”, para tecnólogos e engenheiros, manda por pro- rial, em comitês técnicos, junto a in- que transmite conhecimentos sobre dimensionamento, planejamento fissionais aptos dústria fotovoltaica brasileira. e gestão de projetos fotovoltaicos a trabalhar com a tecnologia foEm estudo preliminar da primei- (360h). tovoltaica, a GIZ auxiliou seus parcei- ra etapa, foi identificado que a maior Entretanto, o MEC formou, em parte dos empregos diretos se conTabela 1: Resumo dos cursos fotovoltaicos centra na venda e distribuição, pro- março de 2016, dentro das atividadesenvolvidos pelo Senai. jeção e instalação de sistemas foto- des do Comitê Temático de Formação voltaicos. A Solar Foundation, ONG Profissional em Energias Renováveis que realiza estudos sobre o mercado e Eficiência Energética, um grupo de fotovoltaico americano, estimou, em trabalho em energia fotovoltaica. Si2012, um número de 70% – sendo 13% de vendas e distribuição, 7% de projeção e 48% de instalação. Com base nesse conhecimento e nas discussões nos comitês técnicos, os perfis de egressos e, subsequentemente, os níveis de qualificação foram definidos. Esses dados se condensavam em currículos para cursos fotovoltaicos. O mercado fotovoltaico alemão continua se desenvolvendo de uma forma promissora. Hoje cerca de 56.000 pessoas trabalham na fabricação, instalação, operação e manutenção de sistemas fotovoltaicos.

ros brasileiros a identificar os perfis de profissionais e suas competências técnicas e desenvolver novas ofertas de educação profissional na área fotovoltaica, considerando as particularidades do sistema educacional existente no país.

Em agosto de 2014, o Senai lan- Foto: Exercício de instalação de um sistema çou o Itinerário Nacional de Educação fotovoltaico conectado à rede elétrica, Profissional de Energias Renováveis, SENAI-CE. 8

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milarmente ao Senai, o grupo definiu três níveis de qualificação, porém com uma ênfase diferente no conteúdo e na carga horária, atendendo as particularidades das suas instituições e do seu público-alvo: um curso de aperfeiçoamento técnico para instaladores de sistemas fotovoltaicos (198h); uma especialização técnica em energia solar fotovoltaica (288h); e uma especialização, em nível de pós-graduação, em sistemas fotovoltaicos (372h). Formação de docentes e implementação dos cursos fotovoltaicos Uma importante etapa, que ainda está em andamento, é a capacitação de docentes de instituições parceiras, em cursos de 80h, divididas em dois módulos de 40h em tempo integral. Os docentes são treinados na instalação e montagem de sistemas fotovoltaicos, bem como no dimensionamento, na operação e na manutenção desses sistemas. Até o fim de 2016, 80 docentes serão treinados. Na última etapa, iniciada no fim de 2015 e ainda em andamento, a GIZ assessora seus parceiros na implementação dos cursos fotovoltaicos, desde a aquisição de equipamentos até a montagem dos laboratórios e o desenvolvimento de materiais didáticos. Requisitos para a formação de profissionais fotovoltaicos Para a formação de instaladores de sistemas fotovoltaicos bem qualificados, é preciso um ambiente que permita exercer as tarefas em condições reais e uma carga horária suficiente para praticar as técnicas de instalação e montagem e internalizar o aprendizado, sobretudo as boas práticas de medidas de segurança e qualidade. Instaladores de sistemas fotovoltaicos devem possuir conhecimentos sólidos em eletricidade, além de certificações das normas NR 35 (Traba10 RBS Magazine

Requisito para a participação no curso é a formação como eletricista lho em Altura) e NR 10 (Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade). Futuramente, deverão ter conhecimento da ABNT complementar para Arranjos Fotovoltaicos em Instalações Elétricas de Baixa Tensão, que está em fase final de desenvolvimento e se baseia na norma internacional IEC/TS 62548:2013. Oferta de cursos fotovoltaicos Cursos pilotos de qualificação profissional para montadores de sistemas fotovoltaicos foram implementados em unidades do Senai nos estados de São Paulo e Ceará e no Distrito Federal e formam em torno de 20 alunos por turma. Requisito para a participação no curso é a formação como eletricista. Em 2016, esses centros formarão cerca de 500 instaladores de sistemas fotovoltaicos.

logias. As empresas, por sua vez, beneficiam-se da parceria por meio da divulgação dos seus produtos e do contato com potenciais colaboradores, que planejam e instalam sistemas fotovoltaicos. Perspectivas Ao longo do ano, outros departamentos regionais do Senai, como Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Espírito Santo, implementarão o curso. Alguns institutos e centros federais, a exemplo do CEFET-RJ e do IFPE, lançarão o curso de instalação de sistemas fotovoltaicos ainda este ano. Nas unidades do Senai pioneiras, a implementação das especializações técnicas (pós-técnico em sistemas fotovoltaicos) está prevista para até o fim deste ano. A especialização é voltada para eletrotécnicos que aprenderão a dimensionar sistemas fotovoltaicos, executar a instalação ou supervisionar equipes e oferecer consultaria aos clientes.

Com a elaboração de currículos para os cursos fotovoltaicos, foram lançadas as bases para a disseminação de ofertas para a formação de profissionais no setor fotovoltaico, sobretudo para instaladores. Os cursos foram elaborados em consonânOs cursos contam com uma in- cia com a demanda do mercado e a fraestrutura laboratorial abrangente, pontual participação de representancomposta por telhados de treina- tes do setor. Além disso, baseiam-se mento com sistemas fotovoltaicos nas experiências internacionais, mas conectados à rede e bancadas didá- levam em consideração as particulaticas, que permitem a demonstração ridades do sistema de educação prode princípios e a (des)montagem dos fissional brasileiro. componentes do sistema fotovoltaico, tanto para sistemas conectados à Senai, IFs e CEFETs são as prinrede como para sistemas isolados. cipais entidades de educação profissional no país e estão presentes As unidades receberam contri- em todos os estados da Federação. buições de empresas fotovoltaicas, A perspectiva é que, com o crescique disponibilizaram materiais e -mento do mercado fotovoltaico, as equipamentos e repassaram experi- escolas técnicas nas regiões com uma ências para os instrutores. A coope- demanda significativa por profissioração com o setor produtivo se esta- nais fotovoltaicos serão capazes de beleceu como peça importante para implementar os cursos fotovoltaicos que as escolas técnicas criassem um em curto prazo. Dessa forma, estavínculo com o setor e se atualizassem belece-se um padrão de qualidade a respeito da demanda, das compe- no ensino profissionalizante na área tências técnicas e das novas tecno- fotovoltaica no Brasil. ▪


Artigo

PROJETO GERAÇÃO RENDA E ENERGIA

Ana Eliza Santos Correia, Mara Luisa Alvim Motta, Sandra Cristina Bertoni Serna Quinta

O sol do sertão

O Brasil é um pais com elevada incidência solar e dispõe de regiões com ventos fortes, criando um ambiente O Projeto Geração de Renda e Energia é parte do favorável à disseminação do uso de energias renováveis. Acordo de Cooperação Financeira entre o Fundo Socio- Com o desenvolvimento das energias renováveis, notaambiental – FSA CAIXA e a empresa Brasil Solair. Consis- damente a solar e a eólica tornaram-se significantes atitiu na instalação de com um sistema de microgeração de vos energéticos, abundantes, gratuitos, renováveis e não energia renovável - 9144 placas fotovoltaicas e 6 gerado- poluentes, sendo que, seu uso para a geração de enerres eólicos - nos telhados e áreas comuns dos condomí- gia elétrica contribui para a redução dos Gases de Efeito nios residenciais Moradas do Salitre e Praia do Rodeadou- Estufa – GEE. No entanto, o uso de sistemas de micro e ro, empreendimentos do Programa Minha Casa Minha mini geração ainda não estão amplamente difundidos no Vida/MCMV, com 500 unidades cada um, localizados no país, mesmo após a Resolução Normativa nº 482 da ANEmunicípio de Juazeiro, no sertão baiano. EL, de 17/ABR/2012 alterada pela Resolução nº 687, de 24/NOV/2015 (documento que regulamenta as condições Mais que energia, renda e desenvolvimento para o acesso de microgeração e minigeração distribuídas aos sistemas de distribuição de energia elétrica e o sisO projeto buscou desenvolver um modelo de gera- tema de compensação de energia elétrica, tornando-se ção de renda para beneficiários do Programa Minha Casa, um instrumento de incentivo ao uso da energia renovável com renda familiar mensal de até R$1600,00, agrupados para a geração de energia). em condomínios, por meio da venda de energia elétrica gerada pela Central Fotovoltaica instalada nos telhados A energia solar ainda é pouco utilizada no Brasil para e pelo uso da energia eólica para abastecer as áreas co- a geração de energia elétrica. Se for utilizada em sistemuns dos condomínios de acordo com a Resolução nº mas de microgeração, reduzirá a necessidade de novos 482 da ANEEL. investimentos no setor energético e gerará menor impacto ambiental se comparada as atuais formas de produção O projeto teve como objetivo promover a organiza- de energia: usinas hidroelétricas e termoelétricas. Além ção social das famílias beneficiadas, incentivando o coo- disso, a microgeração proporciona a redução da conta de perativismo e a troca de experiências, buscando soluções energia, demanda um investimento para instalação cada para maximizar a renda auferida pela geração de energia vez mais baixo e com retorno mais rápido, gera empregos e alavancar outros projetos e ações em benefício da co- no setor de produção dos componentes dos sistemas e munidade. instalação (a cada MW instalado, até 30 empregos diretos), reduz perdas de energia com a distribuição e dispenO sol no Brasil e no sertão sa investimentos em transmissão, dispensa licenciamen-

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tos que podem atrasar entrega da energia, aproveita do potencial solar do Brasil, possui projetos de baixo impacto ambiental, contribui para metas de energia renovável assumidas pelo Brasil e para a redução de emissões de GEE. É nesse contexto que o Projeto Geração Renda e Energia foi proposto, como forma de incentivar e disseminar o uso de energias renováveis na microgeração, aliado à geração de renda para famílias de baixa renda beneficiadas com moradias do programa Minha Casa Minha Vida. O projeto vem inovando como modelo de geração de energia e organização social das comunidades envolvidas. A escolha do local de implantação, dentro do bolsão de maior incidência solar e de ventos sendo, coincidentemente, a região que apresenta os maiores índices de desigualdades sociais e de pobreza do país, é um destaque do projeto. Nesse contexto, o modelo pretende prover energia suficiente para gerar um aumento na renda mensal das famílias de baixa renda moradoras da região e a organização social das mesmas para promover melhorias de uso coletivo dos condomínios. Os empreendimentos escolhidos - Moradas do Salitre e Praia do Rodeadouro – são contíguos e compostos por mil unidades familiares no total, localizados em Juazeiro, Bahia. Já estavam habitados, os condomínios já haviam sido constituídos e habitados as sindicas estavam eleitas, possuindo um mínimo de organização comunitária, porém, antes do projeto, a comunidade ainda estava carente de recursos para realizar obras de manutenção e melhorias necessárias no local.

e ganhos. Ambas comunidades já possuíam um nível de organização razoável, sendo que foram constituídos dois grupos gestores com síndicos, subsíndicos e conselho, um para cada condomínio. As políticas públicas como saúde, educação, segurança, transporte atendiam aos moradores, porém com algumas fragilidades, tais como a falta de creche, de escola e baixa expectativa de renda. Basicamente, as famílias sobreviviam com os incentivos das políticas públicas de distribuição de renda (Bolsa Família) e trabalho na agricultura. Em meio a esse estado financeiro precário, as famílias não tinham uma perspectiva de melhoria das duas comunidades, ou até para ter segurança alimentar. Com o desafio de superar o desemprego, melhorar a qualificação profissional e realizar um trabalho com crianças e jovens, as equipes da CAIXA e da Brasil Solair encontraram um ambiente favorável para a instalação de um projeto capaz de melhorar a qualidade de vida das comunidades por meio do aumento da renda mensal das famílias, engajando-as num processo de capacitação e qualificação para trabalhar na montagem da usina fotovoltaica.

Mais que um banco Como principal agente de fomento do Governo Federal ao desenvolvimento urbano e principal agente financeiro e de repasse dos recursos federais para os programas habitacionais, a CAIXA tem papel importante: desenvolver ações alinhadas com as estratégias de governo para incorporar as três dimensões da sustentabilidade em seus programas de habitação: ambiental, econômica e social Cabe ainda à CAIXA estimular e induzir seus parSob o sol do sertão um projeto inspirador ceiros, clientes e fornecedores, dos setores privado, público e da sociedade civil organizada, a práticas que conO projeto foi iniciado em 2012 com a aprovação a protribuam para o incremento das energias renováveis. posta e a liberação de recursos do Fundo Socioambiental FSA CAXA e início dos trabalhos CAIXA/desenvolvidos Por meio do Fundo Socioambiental - FSA, a CAIXA pela Brasil Solair e, em fevereiro de 2014, os sistemas de apoia projetos e investimentos de caráter social e ambien- geração de energia entraram em operação e teve início a tal que se enquadrem nos programas e ações da CAIXA, venda da energia e geração de renda para as comunidaprincipalmente nas áreas temáticas definidas para apoio. des. O que mudou depois do projeto?

O projeto foi desenvolvido para ser um modelo, sendo que a escolha do local, em Juazeiro/ Bahia, deu-se Antes da implantação do projeto Geração de Ren- devido principalmente aos fatores climáticos e socioecoda e Energia no local, as 1.000 famílias moradoras dos nômicos favoráveis da região. A cidade está localizada na condomínios Morada do Salitre e Praia do Rodeadouro divisa dos estados da Bahia e Pernambuco, região do Vale não encontravam perspectivas de desenvolvimento ape- do São Francisco, a 502 km da capital Salvador e apresensar da recente aquisição da casa própria. As famílias de ta grande potencial de desenvolvimento econômico por baixa renda, vindas de outros locais da cidade, passaram meio, principalmente, dos investimentos em projetos de por um processo de realocação que sempre traz perdas agricultura irrigada, bem como potencial de geração de 14 RBS Magazine


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energia renovável devido aos altos índices de insolação. O projeto consiste na geração de energia elétrica por meio de painéis fotovoltaicos instalados nos telhados das unidades habitacionais dos condomínios Morada do Salitre e Praia do Rodeadouro, ambos do Programa Minha Casa Minha Vida, com 1.000 unidades familiares, sendo 500 moradias em cada condomínio. O sistema compreende 9.154 painéis solares, agrupados em inversores de 4 kW cada, associados a medidores monofásicos. Por comunicação remota, a energia gerada é totalizada, sendo tratada como medição única. Para conexão à rede da COELBA (concessionária local), as redes dos condomínios precisaram ser repotencializadas dos atuais 435kVA para mais de 2.300kVA, o suficiente para escoar toda produção de energia dos residenciais para consumo nas regiões vizinhas. Além disso, a repontencialização da rede elétrica proporcionou melhorias para os moradores tornando possível a utilização de equipamentos como ar condicionado, máquina de lavar, ferro de passar, microondas, freezer e secador de cabelo. Para o aproveitamento de energia eólica, foram instalados 6 aerogeradores, com potência total de 24 kW. A energia gerada por esses equipamentos é utilizada nos centros comunitários, espaços de uso comum nos condomínios.

energia vendida, R$60,00 são destinados aos moradores em situação regular no MCMV; R$30 para fundo destinado a investimentos de melhorias das áreas de uso comum dos condomínios e R$10 custeiam as despesas de manutenção destes. É importante ressaltar que a implantação dos sistemas de geração de energia solar foi realizada por pessoas qualificadas dentro da própria comunidade. Algumas pessoas continuam trabalhando no projeto após a implantação, recebendo pagamento como micro empreendedores individuais, responsáveis pelas atividades de manutenção do sistema. Principais ações realizadas: 1. Diagnóstico socioeconômico das famílias moradoras dos condomínios: as informações levantadas serviram para balizar a metodologia aplicada nas etapas subsequentes e para a avaliação dos resultados do projeto. O diagnóstico teve as etapas de pesquisa e sistematização.

A opção pela venda da energia gerada em alternativa à sua utilização pelos moradores está relacionada ao preço da energia consumida pelas residências, que pagam tarifa social, e ao preço de venda no mercado da energia gerada, superior àquela tarifa social quando o projeto foi concebido e implantado.

2. Imersão: nesta etapa, as famílias e entidades envolvidas foram convidadas a participar da apresentação e discussão coletiva do projeto, em que foram discutidos e definidos os papéis, as normas, os direitos e deveres dos atores envolvidos. A imersão foi desenvolvida com ações de sensibilização, mobilização e apresentação do projeto.

O projeto foi implantado com recursos do Fundo Socioambiental Caixa (FSA) no valor de R$ 7.057.361,33. Os recursos do FSA viabilizaram a aquisição dos equipamentos para a realização da iniciativa. A contrapartida da empresa Brasil Solair (trabalho social, elaboração de projetos técnicos de engenharia e aprovação, acompanhamento e execução técnica) foi de R$ 801.867,42.

3. Pactuação: nesta etapa ocorreu a participação de todos os atores para definição dos instrumentos jurídicos, a fim de respaldar e firmar os acordos pré-estabelecidos durante as reuniões, previstas na ação anterior. A pactuação foi construída com das ações de construção e assinatura dos acordos.

A propriedade coletiva de ativos de geração de energia, preconizada no projeto é base do arranjo produtivo que envolve ainda uma empresa integradora (Brasil Solair), responsável por todos os aspectos logísticos e técnicos da implantação. A medição da energia gerada é realizada com sistema de medição próprio, desvinculado da medição de consumo da concessionária. A energia gerada em cada micro sistema e registrada por seu medidor inteligente associado é virtualmente totalizada.

4. Implantação e Manutenção: nesta etapa, foram realizados os treinamentos e as capacitações dos empreendedores e a montagem dos equipamentos e manutenção, que se deu após assinatura dos instrumentos jurídicos. A etapa foi constituída de itens como cronograma, capacitação, montagem de equipamentos e manutenção.

A renda líquida do projeto é variável, de acordo com o valor da energia comercializada no mercado livre. A distribuição dessa renda é constituída de 30% para fundo de investimentos nos condomínios; 10 % para despesas de manutenção nos condomínios; e 60% para distribuição aos beneficiários em situação regular nos financiamentos habitacionais. Ou seja, de cada R$100 de receita com a 16 RBS Magazine

5. Monitoramento e Avaliação: foram criados instrumentais de avaliação das metas estabelecidas após o diagnóstico e das atividades sociais. Os instrumentais foram aplicados nos encontros mensais e trimestrais de avaliação. Um medidor virtual de energia foi instalado no local, totalizando em tempo real os valores de energia diários, semanais, mensais e


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acumulados. Esse medidor pode ser acessado pela internet (http://www.medidorvirtual.com.br/ ) e traz em tempo real os índices de geração de energia da usina.

11. Em 27 de fevereiro de 2014, a CCEE registrou a Brasil Solair como agente de geração, com a central fotovoltaica de 2.103 kW, representando 0,0017% da capacidade do país.

6. Além das etapas descritas acima, as tratativas com a comunidade e instituições locais foram essenciais ao sucesso do projeto. Foram realizadas reuniões com Poder Público local para apresentação e diálogo com a administração municipal sobre o desenvolvimento do projeto e formas de apoio pelos representantes da gestão pública. Foram também realizadas reuniões com lideranças dos Residenciais Praia do Rodeadouro e Morada do Salitre para apresentação do projeto e envolvimento das lideranças locais para mobilização da comunidade de moradores. Para prestar esclarecimentos sobre o projeto e sensibilização para adesão dos moradores, foram realizadas reuniões com as comunidade e plantões de dúvidas, espaço que também serviu para iniciar a seleção de moradores interessados em trabalhar como montadores e instaladores na instalação da usina. A consolidação da aceitação do projeto pelos moradores foi por meio de assembleias condominiais de aprovação de acordo de termo de cessão.

12. Em abril e maio de 2014, a Brasil Solair informou a geração total de 210,4 MWh referente mês de março e de 190,3 MWh referente ao mês de abril. Esses valores corresponderam à média de 70% das unidades de geração operacionais. A empresa previu a geração total de aproximadamente 300 MWh para um mês completo, após o termino da fase inicial de operação.

Marcos Legais 7. Para a implantação do projeto modelo foram necessárias diversas tratativas, iniciadas em 2012, entre a CAIXA e os órgãos reguladores e de comercialização de energia, ANEEL, CCEE e MME1. Ao longo de seu desenvolvimento, destacamos os seguintes marcos:

Mais que renda e energia Desde fevereiro de 2014, o sistema está em franca operação com potência de 2,1 megawatts-hora (MWh), o suficiente para abastecer 3,6 mil domicílios em um ano. A energia gerada pelos aerogeradores abastece os centros comunitários. A Central Fotovoltaica Sol Morada do Salitre e Praia do Rodeadouro é a maior do Brasil instalada em telhados de condomínios residenciais, registrada pela ANEEL em novembro de 2013, possui 9.144 módulos fotovoltaicos e 6 aerogeradores com Potência Total de 24 kW (funcionando pelo sistema de compensação enquadrado na Res. 482/12 ANEEL para abastecimento dos centros comunitários).

A implantação dos sistemas de geração de energia solar contou com a participação de 37 pessoas da comunidade, a maior parte mulheres, que foram qualificadas pela empresa Brasil Solair para trabalhar na instalação da usina. A manutenção é realizada por 2 moradoras que se constituíram microempreendedores individuais e que 8. Em 23 de outubro de 2013, a ANEEL emitiu a prestam serviços para a empresa. Nos depoimentos abaiResolução Autorizativa 4385 para a implan- xo, das moradoras que participaram da instalação dos sistemas, é possível perceber os resultados das ações detação do projeto. senvolvidas no local e a satisfação e realização pela parti9. Em 29 de novembro de 2013 a ANEEL, por cipação no projeto, pela oportunidade de emprego e de meio do despacho 2062, emitiu o registro da ampliar os conhecimentos (Fonte: Relatório Brasil Solair): Central Fotovoltaica Sol Morada do Salitre e 1. “Foi uma maravilha ter outro trabalho, muPraia do Rodeadouro, com 2.103 kW.Em 04 dar de rotina, ter outra oportunidade de code fevereiro de 2014, a ANEEL, por meio do nhecimento. Gosto de trabalhar em coisas despacho 261, liberou os 2.103 kW da Cenque aprendo coisas novas, ter nova profistral Fotovoltaica para testes. são.” – Janaina 10. Em 11 de fevereiro de 2014, a ANEEL, por Em relação à geração e venda de energia, desde o inímeio do despacho 299, libera os 2.103 kW da Central Fotovoltaica para operação comer- cio da operação, em fevereiro/2014 e até junho de 2016, o projeto gerou 6,781 GWh de energia que foi vendida ao cial. consumidor livre. A receita líquida gerada com a venda da energia no mesmo período foi de R$ 2,551 milhão. Os 1 ANEEL – Agencia Nacional de Energia Elétrica moradores das comunidades receberam R$1.530,00 cada CCEE – Câmara de Comercialização de Energia um, acumulado referente ao período, e os recursos do MME – Ministério das Minas e Energia 18 RBS Magazine


fundo condominial, R$ 765 mil, estão sendo aplicados em melhorias dos próprios condomínios, tais como a construção de redutores de velocidade, paradas de ônibus cobertas, plantio de árvores e outros. Com esse recurso foi feita a reforma e ampliação dos centros comunitários (antigos quiosques abertos) local onde foram implantadas diversas ações educacionais para a comunidade: aulas de corte e costura, curso de informática, reforço escolar para as crianças e aulas de zumba. Para as crianças, foi implantada também uma escolinha de futebol na quadra do local. Para atender a comunidade, o condomínio contratou serviços de atendimento médico, odontológico e psicológico para os moradores. O condomínio dispõe também de serviços de vigilância, agentes de limpeza e entregadores de correspondência, todos moradores do local que puderam, a parir do projeto, ter uma oportunidade de trabalho e renda, além daquela gerada com a venda da energia. De agosto/2015 a maio/2016 os aerogeradores totalizaram 16,985 MWh de energia elétrica, que abasteceram os centros comunitários.

ticas desenvolvidas nas comunidades e a inclusão social dos moradores por meio de oportunidades de emprego, aumento de renda e acesso à educação e saúde. As mulheres foram as mais fortalecidas neste processo, vez que o programa de habitação de interesse social prioriza mulheres, sendo elas maioria nos condomínios.

A partir do projeto modelo alguns interessados, inclusive prefeitos, buscaram saber mais e há possibilidade  Em junho/2016, foi realizada pesquisa de satis- de replicação em empreendimentos do MCMV, levando fação com os moradores do local no intuito de avaliar a oportunidades de aumento de renda e melhorias na quaaplicação dos recursos destinados às melhorias condomi- lidade de vida para outras comunidades de baixa renda niais. Os resultados demonstram que grande parte dos beneficiadas com moradias do programa. moradores que utilizam os serviços oferecidos pelo condomínio avaliam como excelente, bom ou razoável. A CAIXA está realizando estudos e buscando desenvolver um o modelo de negócio viável sob os aspectos Além dos ganhos financeiros para os moradores, o técnicos, econômicos, financeiros e legais de geração de projeto viabilizou o sentimento de “pertencimento” e ci- renda em condomínios de habitação popular, baseado na dadania que podem ser percebidos pelos relatos e prá- propriedade coletiva de ativos de geração de energia. ▪


É HORA DE EMPREENDER NO SETOR DE ENERGIA SOLAR FOTOVOLTAICA? Ronaldo Koloszuk – Diretor comercial da Solar Group do Brasil. Diretor da Divisão de Energia do Departamento de Infraestrutura da FIESP. Foi diretor titular do CJE (Comitê de Jovens Empreendedores) da FIESP. www.solargroup.com.br Paulo Bacil – Sócio do escritório Alencar Advogados Associados. Foi analista político e econômico da Embaixada do Brasil na Ucrânia. Especialista em Direito Empresarial e Relações Internacionais. www.advalencar.com.br

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decisão de empreender nunca é fácil de ser tomada, devido ao grande número de fatores que devem ser observados, destacando-se o risco do capital investido. Nestes turbulentos momentos por que passamos com a retração do PIB na casa de 4%, moeda desvalorizada, inflação fora da meta e mudança de governo, contrapõem-se a um formidável crescimento de 313% no mercado de micro e minigeração em 2015, o que torna esta decisão ainda mais complexa.

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Este artigo tem o objetivo de jogar um pouco de luz à questão, apresentando cenários mundiais e locais, e auxiliar aqueles que estão prestes a tomar a decisão de empreender. É importante destacar que há dois tipos de empreendedores: aquele que o faz por oportunidade e aquele que toma esta decisão por necessidade, para complementar a renda familiar. Para ambos, é fundaIMAGEM 2 mental fazer um aprofundado plano de negócios, com o objetivo de tentar te. Em apenas 8 anos, de 1999 a máticas, independência energética, enxergar todos os riscos e oportuni- 2007, ela cresceu 10 vezes, passan- políticas públicas (dentre elas destadades que o mercado pode oferecer. do de 1 GW para 10 GW. Esse feito camos o Feed-in tariff), queda no prese repetiu de forma mais célere ain- ço do Wp etc. (Imagem 2) Cenário mundial da nos anos seguintes, crescendo 10 vezes em apenas 5 anos, entre Um breve histórico – o caso aleO segmento de energia que mais 2008 e 2012, ao passar de 10 GW mão cresce no mundo é o da solar fotovol- para 100 GW. Desde então ela contaica. Em 2014, representou metade tinua crescendo de forma acelerada. A geração de energia solar fotodos investimentos globais em energia (Imagem 1) voltaica teve a Alemanha como um limpa. de seus grandes precursores. A tecForam muitos os fatores que de- nologia de energia solar em si é anÉ admirável a evolução global ram ensejo ao incremento do merca- tiga, tendo sido concebida algumas da capacidade instalada desta fon- do global, tais como: mudanças cli- décadas atrás. Porém, seu uso co20 RBS Magazine


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mercial em escala é relativamente recente. Na Alemanha, o uso desse tipo de energia era insignificante ainda em 2005, representando praticamente 0% do consumo de energia elétrica do país. Em poucos anos esse quadro sofreu uma drástica mudança, sendo incentivado por políticas públicas comprometidas e a consequente entrada de indústrias no desenvolvimento tecnológico e na produção dos diferentes elementos do sistema. Como resultado, já no ano de 2010 a energia solar colaborava com cerca de 2% do consumo de energia elétrica naquele país, saltando para quase 4% em 2011, e 7,5% em 2015. É importante salientar que a energia solar na Alemanha está inserida num planejamento amplo e complexo de longo prazo, do qual o setor desempenha um papel fundamental para o alcance da segurança e da independência energética do país, do fomento da indústria de alta tecnologia, da geração de mão de obra qualificada, da redução da emissão de gases causadores do efeito estufa e de seu posicionamento internacional como país modelo na nova era já iniciada das energias renováveis. O ano de 2011 foi um marco para uma transformação mais firme no setor energético alemão, e o grande catalisador dessa abrupta mudança política que fez a Alemanha anunciar seus planos de renunciar à energia atômica foi o desastre nuclear japonês ocorrido em Fukushima, em março daquele ano. Até então, ainda no outono boreal de 2010, o governo alemão havia prorrogado o prazo de funcionamento de suas 17 usinas atômicas por doze anos, informando que as usinas nucleares serviriam como ponte para a era das energias renováveis. Após o desastre de Fukushima, essa decisão foi subitamente reformada: o Parlamento aprovou, em apenas quatro meses, e com enorme maioria de votos, o desligamento imediato dos oito reatores mais antigos do país, e a subsequente desativação gradual dos nove reatores restantes até 2022. Para que seja alcançado o objetivo, a eficiência energética e a diversifica22 RBS Magazine

ção das fontes de energia passaram a ser elementos-chave. Isso significa não apenas diminuir o consumo de energia por euro do PIB, com relação à matriz, como também desenvolver novas tecnologias e instalar a infraestrutura necessária. Nesse sentido, espera-se que a “virada energética alemã” funcione como um grande projeto de modernização da economia alemã, fomentando inovações e reforçando sua posição como líder de mercado no crescente setor das tecnologias sustentáveis.

um caminho próprio, mas saindo na frente num desenvolvimento que marcará o século XXI. (Imagem 3) Seguindo passos semelhantes, mas restrita a condições políticas e econômicas em muito diversas, a China entrou pesadamente no setor de energia solar, que ganhou no país forte impulso também a partir do ano de 2011, quando quebrou a barreira de 1 GW instalado. Seja por necessidade de diminuir sua pesada pegada ambiental, seja por visões de desenvolvimento tecnológico e de inserção internacional, o país igualmente passou, a seu modo, a investir maciçamente na energia solar fotovoltaica, o que ajudou a derrubar o preço por watt dos paineis solares e de outros insumos no mercado mundial. De acordo com o Departamento de Energia dos EUA, os preços dos módulos fotovoltaicos diminuíram 59% entre 2010 e 2014. A China é a maior fabricante de paineis solares do mundo desde 2008 e atualmente as seis maiores fabricantes mundiais de módulos fotovoltaicos são chinesas.

A iniciativa do governo alemão é desafiadora e ousada do ponto de vista técnico e recebe grande apoio da população em geral. Encontra, por outro lado, obstáculos junto a alguns representativos setores empresariais do país, especialmente no que concerne empresas de energia intensiva, como siderúrgicas, cimento e papel. No total estão previstos cerca de € 13 bilhões ao ano em subsídios para todas as áreas afetadas. De modo a não perder as oportunidades em curso e as futuras que continuarão a surgir, muitas empresas da indústria tradicional já começaram a investir em Nesse contexto, a China se torenergia alternativa. nou nos últimos anos a maior instaladora anual de energia solar do globo, Embora a iniciativa alemã seja tendo finalizado 2015 com uma cavista com ressalvas por alguns expo- pacidade instalada total de 43,5 GW, entes do setor energético sobre sua seguida pela Alemanha com 39,7 GW, capacidade de empreender os esfor- pelo Japão com 33,3 GW, e pelos EUA ços necessários para o sucesso do com 27,3 GW. programa, o ex-ministro alemão do Meio Ambiente, Norbert Roettgen, Cenário brasileiro afirma, por sua vez, que o país tem capacidade tecnológica para realizar O Brasil passa atualmente por com êxito a virada energética. Para uma grave recessão econômica e por ele, a Alemanha não está trilhando uma marcante crise política. O setor

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de energia solar fotovoltaica, entretanto, foi na contramão da tendência geral e tem logrado êxito em crescer fortemente nos últimos anos. O crescimento da energia solar na geração distribuída acelerou no corrente ano e, segundo a ANEEL, o número de instalações cresceu mais de 100% nos cinco primeiros meses, passando de 1.675 sistemas (final de 2015) para 3.494, em maio último. Os números, apesar de promissores, apenas demonstram o estágio incipiente em que se encontra o Brasil no presente momento. A título de comparação, em 2015, cerca de 480 sistemas de energia solar fotovoltaica eram vendidos por dia nos EUA, um mercado bem mais maduro e desenvolvido do que o nosso. Deste modo, é de se esperar um forte crescimento sustentado pelos próximos anos no setor. A ANEEL prevê que em 2024 o Brasil terá cerca de 1,2 milhão de sistemas instalados, o que corresponde a 1% das unidades consumidoras possíveis. (Imagem 4) No contexto brasileiro, o marco do setor foi a edição da resolução normativa 482/12 da ANEEL, que regulamentou a micro e a minigeração distribuída ao criar um sistema de compensação de energia elétrica. Em 2015, houve um outro importante avanço com a resolução normativa 687/15, que aperfeiçoou a anterior. Dentre as alterações aprovadas, destacam-se: a possibilidade de vários consumidores se juntarem para implementar uma geração compartilhada (consórcios e cooperativas), o aumento do limite de potência de 1 MW para 5 MW, a dilatação do prazo de validade dos créditos de 3 para 5 anos, entre outros. Além de ser uma importante fonte complementar, assim como a eólica, a energia solar fotovoltaica apresenta vantagens ao ser instalada no Brasil, pois temos uma alta incidência de radiação solar no país. Costuma-se dizer, em nosso setor, que o pior sol no Brasil é melhor que o melhor sol 24 RBS Magazine

na Alemanha. Além disso, o pico de consumo no Brasil ocorre entre 12h e 17h, o que coincide com o pico de geração de energia dos sistemas fotovoltaicos. (Imagem 5) Embora o Brasil tenha uma matriz elétrica extremamente limpa, cerca de 15% dessa energia se perde na transmissão e na distribuição. Esse volume é significativo e equivale a toda energia consumida pelo comércio no país. Aqui destaca-se uma outra relevante IMAGEM 4 vantagem da energia solar – na geração distribuída, esse percentual se reduz a quase zero, pois a energia excedente gerada em uma residência é injetada novamente na rede e é consumida quase que imediatamente por outra. O Ministério de Minas e Energia (MME) está atento às vantagens apontadas e vem sinalizando que a energia solar fotovoltaica será uma das prioridades do governo, particularmente porque o país possui a meta de alcançar uma participação estimada de 45% de energias renováveis na composição da matriz energética até 2030.

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Esta conjuntura tem atraído investimentos para o nascente setor e recentemente grandes fabricantes chineses anunciaram o início de operação de suas fábricas no Brasil. Segundo o Energy Outlook/Bloomberg New Energy Finance, o Brasil deverá receber investimentos de US$ 120 bilhões em projetos de energia solar até 2040. Para que o setor cresça de forma ainda mais acelerada, alguns gargalos precisam ser solucionados, dos quais citamos: desconhecimento da tecnologia pela maior parte da população, carência de financiamento de médio


e longo prazo, tributação excessiva, segurança jurídica que garanta o cumprimento dos contratos, falta de políticas públicas para incentivo do setor, a formação de mão de obra qualificada, dentre outros.

futuras de suprir suas necessidades”. A despeito do conceito vago, ele foi considerado um avanço por reconhecer 3 aspectos importantes: a) o compromisso com as gerações futuras; b) a universalidade da questão ambiental (responsabilidade de todos); e c) Brasil – uma liderança sustentá- os três pilares – ambiental, social e vel? econômico. A energia solar fotovoltaica está inserida num conceito mais amplo e que atualmente tem sido muito difundido nas mídias que é o do desenvolvimento sustentável. Esse assunto, no entanto, não é bem entendido pela população em geral e muita confusão é feita quando falamos sobre ele. Assim, é relevante tecermos alguns comentários sobre o tema e o posicionamento do Brasil nesta questão. Meio ambiente e desenvolvimento sustentável são tópicos que estão intrinsecamente interligados. Até a década de 1960, o termo “desenvolvimento” era sinônimo de crescimento econômico; porém, o processo de descolonização e de industrialização do então chamado terceiro mundo não resultou necessariamente em melhorias sociais. Tornou-se assim inadequada a conotação tradicional do termo, já que o desenvolvimento abarcava outras variáveis que não apenas a econômica. A “sustentabilidade”, por seu turno, pode ser avaliada por meio de duas abordagens, sendo uma econômica (produção e consumo) e a outra ecológica (impactos no meio ambiente e capacidade de suporte). A Conferência de Estocolmo de 1972 tornou-se uma referência por ser a primeira vez que representantes dos países se reuniram para avaliar os impactos do crescimento econômico no meio ambiente. Posteriormente, em 1980 o termo “desenvolvimento sustentável” foi utilizado no estudo World Conservation Strategy e, em 1987, o relatório Brundtland definiu o desenvolvimento sustentável como “o desenvolvimento que atende às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações

assumiu uma posição de liderança no cenário internacional com relação às questões relativas ao meio ambiente e sustentabilidade. Isso invariavelmente afeta positivamente todos os setores ligados a essas questões. Embora seja ainda um dos maiores emissores de gases de efeito estufa do mundo, o Brasil se gaba, por outro lado, de possuir uma das matrizes Em 1992, realizou-se no Rio de elétricas mais limpas do mundo (basiJaneiro a Conferência das Nações camente formada por hidrelétricas). Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio 92). Esse evento O setor de energia solar no Brarepresentou novo patamar no enga- sil, assim como outras fontes limpas, jamento internacional sobre a temá- a exemplo da eólica, se beneficia clatica ambiental e de desenvolvimento ramente da conjuntura internacional sustentável, contando com a presen- que se move rapidamente no sentiça de mais de cem chefes de estado do de desenvolver novas tecnologias e de governo, além de milhares de limpas, bem como do mencionado ONGs e especialistas. Dos cinco do- posicionamento protagonista do Bracumentos assinados, destacou-se a sil no que concerne à sustentabilidaConvenção-Quadro para Mudanças de e energias limpas. Climáticas, que resultou nas Conferências Anuais das Partes dos países Falta, entretanto, uma maior signatários (COP). convergência entre o discurso brasileiro de assumir posição de ator gloPor ocasião da COP-3, em 1997, bal de peso nas questões climáticas/ aprovou-se o Protocolo de Quioto, ambientais e ações públicas concreque estabeleceu metas para a redu- tas para que sejam desenvolvidas em ção das emissões dos gases de efei- sua plenitude o enorme potencial to estufa para os Estados do Anexo 1 não apenas hídrico e eólico como, em (5,2% com base nos dados de 1990), especial, o solar, com todas as vantado qual o Brasil não fazia parte. Nesse gens que este oferece. contexto, o Brasil não aceitava metas no âmbito do Protocolo, justificando Ações públicas efetivas e objetisua posição com o argumento da con- vas que visam ao desenvolvimento ta histórica ambiental, e adotando, da tecnologia solar no país, a exemao mesmo tempo, postura proativa, plo do que vêm fazendo a Alemanha propositiva e participativa nas nego- e a China, serão também ferramentas ciações ambientais e climáticas. Em poderosas de fomento à economia 2008, na COP-14, o Brasil apresentou doméstica, com o incremento do parseu Plano Nacional de Mudanças Cli- que tecnológico e da geração de emmáticas e, no ano seguinte, na COP- pregos, e de política externa, com o 15, uma meta voluntária de redução aumento da segurança e da independo crescimento das emissões de ga- dência energética. ses geradores de efeito estufa. Neste mesmo evento, o Brasil participou da De qualquer maneira, indepencriação do grupo BASIC (Brasil, África dentemente da atuação do governo, do Sul, Índia e China), defendendo a parte significativa deste vasto promanutenção da estrutura negocia- cesso passa pela visão esclarecida de dora do Protocolo de Quioto. Entre- empreendedores que enxergam mais tanto, na COP-17, o Brasil assinou a à frente e desbravam caminhos noPlataforma de Durban, aceitando as- vos por meio de iniciativas privadas sumir metas diferenciadas, com força progressistas que buscam não apede lei, até 2015. nas o lucro, mas o bem estar que seus produtos e serviços proporcionam à O Brasil, desde há muito tempo, sociedade e ao meio ambiente. ▪ RBS Magazine

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Carlos Evangelista, Presidente da ABGD, fala sobre o crescimento e consolidação da Associação como representante da Geração Distribuída no Brasil

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ma reunião com 20 empresários representando 14 empresas do setor de Geração Distribuída durante um Congresso de Energias Renováveis em 2015 resultou em uma das Associações de maior sucesso e representatividade no segmento de Energias Renováveis do Brasil. O que chamou a atenção não foi tanto o crescimento exponencial, uma vez que energias renováveis são um dos assuntos mais comentados no mundo, principalmente depois da COP21 na França, mas o que realmente salta aos olhos é como em tão pouco tempo uma associação sem fins lucrativos, conseguiu mobilizar mais de 180 empresas associadas, de todos os tamanhos (algumas com capital aberto na Bolsa), em torno de um tema de interesse nacional: Geração Distribuída. RBS Magazine - Qual o motivo do sucesso da ABGD ?

super importante interagir com os poderes constituídos, ministérios e órgão reguladores, temos excelente relacionamento nesse nível, mas nunca trabalhamos com “pauta de reclamações e pedidos”, muito pelo contrario, estamos sempre propondo soluções onde a livre iniciativa, o conhecimento técnico e a concorrência equilibrada devem pautar o crescimento do mercado. Referente a nossa diretoria e conselho deliberativo, ambos são constituídos por profissionais experientes, capacitados e oriundos desse mercado. Alguns já na casa dos MWp instalados, com mestrado, doutorado, PMI, pós-doutorado. Todos já sentiram “na pele” o que é fazer uma venda complexa, uma tomada de preços de equipamentos, participar de uma licitação ou conduzir uma importação, recolher tributos nos três níveis do governo, selecionar profissionais do setor, instalar em locais de difícil acesso, solicitar uma conexão na distribuidora com o cliente reclamando do prazo, receber uma fatura de energia incorreta, etc; enfim, todos conhecem profundamente, por experiência própria e não de terceiros, os trâmites que envolvem o mercado de GD, desde a parte da venda, planejamento e projeto, até a instalação, conexão e acompanhamento pós-venda.

Primeiramente, gostaria de dizer que reconheço que tivemos um crescimento forte e consistente, no entanto, ainda estamos muito longe de atingir todos os objetivos propostos no início. Temos que tomar cuidado com essa sensação prematura de missão cumprida, há bastante trabalho para ser feito no setor de Geração Distribuída, ainda incipiente no Brasil, mal decolamos e os 4.500 sistemas instalados, apesar de ser um número animador é incrivelmente baixo comparado aonde queremos e pode- RBS Magazine - Existem várias associações no mercado, mos chegar. de diferentes segmentos, pelo menos 19 no setor elétrico ou energias renováveis, como vocês enxergam as RBS Magazine - Como em tão pouco tempo vocês já con- outras associações e como se posicionam em relação a seguiram já atingir alguns objetivos e mobilizar tantas elas ? empresas em torno de um tema comum. Procuramos nos aproximar de todas as associações que Talvez eu não tenha a resposta correta, mas acredito que tenham alguma pauta em comum com a nossa; na maioseja devido a três fatores: primeiro: foco no mercado e ria absoluta essa postura resultou em ações positivas e nas empresas associadas; segundo, nossa diretoria e con- troca de informações bastante frutíferas. Claro que semselho são altamente especializados no tema; e terceiro, pre há quem feche a porta na sua cara (risadas), mas isso determinação em trabalhar pelo crescimento do merca- é muito mais uma postura pontual do profissional A ou B do. Se o mercado cresce, todos ganham. do que da Associação em si. RBS Magazine - Poderia explicar melhor?

RBS Magazine - Poderia dar um exemplo?

Vou tentar (risadas). Somos uma associação voltada ao Claro! Logo no início da fundação da ABGD, procuramos mercado e focada em seus associados, não buscamos no a ABINEE, uma associação grande, madura e com alguGoverno as soluções de nossos problemas. Claro que é mas pautas similares as da ABGD. A capacitação de pro26 RBS Magazine


fissionais, por exemplo, interessa a ambas, interessa ao mercado e sem dúvida ao país. Estamos trabalhando conjuntamente nesse aspecto, a ABINEE através do Grupo Setorial Fotovoltaico tem excelentes ideias nesse setor e profissionais de altíssimo gabarito envolvidos nesse tema (já tratam desse tema desde 2009). Muito podemos fazer em conjunto. Isso não significa que todas as pautas da ABINEE e ABGD sejam comuns, podem ser diferente e em alguns casos até distintas. Outro exemplo, a ABRADEE é uma associação que representa as distribuidoras de energia elétrica, super forte e com grande influência no setor. Engana-se quem acha que são associações que competem e não se falam, claro que em alguns assuntos nossas posições são completamente distintas, mas em outros, estão perfeitamente alinhadas pois buscam o crescimento do mercado de GD, como o famoso projeto “Orfãos do A4” onde nos interessa uma melhor distribuição dos incentivos sobre a TUSD (não o aumento, mas a melhor distribuição), visando deixar competitiva a implantação de GD com fontes renováveis em todos os clientes A4. Sabemos trabalhar muito bem isso e respeitamos profundamente todas as associações, grandes ou pequenas (nos consideramos uma associação “pequena”, mas com ideias grandes – risadas), seria um absurdo uma associação se considerar a única protagonista de um mercado de mais de 100 milhões de potenciais consumidores. RBS Magazine - Poderia dar uma explicação sucinta da missão da ABGD?

RBS Magazine - Qual o perfil dos associados da ABGD? São empresas que tem na Geração Distribuída com fontes renováveis sua atividade principal ou sua atividade estratégica. São empresas dos mais diversos tamanhos, algumas estabelecidas há anos, com um portfólio grande no mercado e outras recém-formadas por empreendedores ou empresários que perceberam as vantagens e possibilidades que o mercado de Geração Distribuída abrirá para o Brasil nos próximos anos. RBS Magazine - Para finalizar, quais os principais objetivos da ABGD atualmente. Isso é decidido em conjunto com a diretoria e conselho deliberativo. Alguns objetivos se mantêm desde a fundação, outros aparecem conforme o mercado se desenvolve, pois este é extremamente dinâmico. Podemos citar alguns que tem consumido bastante nossa atenção com o objetivo de levar GD a todos os consumidores/usuários do país (“GD para Todos”). • Desenvolver ações que fomentem o crescimento do mercado de Geração Distribuída; • Padronizar as regras e procedimentos de conexão em todas as distribuidoras do Brasil; • Regulamentar, seguir e divulgar normas de instalação para a Geração Distribuída; • Criar uma certificação para Instaladores de Sistemas Fotovoltaicos;

Levar a todos os brasileiros (residencial, comercial, indus• Trabalhar nos agentes financeiros para um efetivo trial) a possibilidade destes efetivamente diminuírem seus financiamento do setor; custos com energia elétrica (que está entre os mais altos do mundo) por intermédio de GD com fontes de energia • Desenvolver mecanismos de apoio e proteção às renováveis. Para tal, a ABGD se predispõe a representar e empresas associadas; defender os interesses de seus associados junto aos diferentes canais do governo (federal, estadual e municipal), • Unir as Associações e empresas com afinidade a entidades de classe, órgãos reguladores, "players" do seesses objetivos, buscando o crescimento do setor. tor; trabalhando pela inclusão de diferentes setores da sociedade para que se beneficiem da Geração Distribuí- Atualmente a ABGD conta com 180 empresas associada, incorporando os conceitos de sustentabilidade, com das entre EPC’s, Integradores, Fabricantes, Consultores, retorno financeiro e segurança jurídica. Agentes Financeiros, Consultorias, Distribuidores e agências especiais. É constituída por uma diretoria executiva, RBS Magazine - Qual a importância do segmento de ge- conselho deliberativo e conselho fiscal. Seu presidente, ração distribuída para o Brasil? Carlos Evangelista, atua no setor há mais de 15 anos; formado em Engenharia, Direito e MBA em Marketing com Fomentar a eficiência energética (mitiga-se as perdas da especialização em Política & Estratégia. Atualmente detransmissão e distribuição em torno de 20%), colaborar dica-se à Associação. para a robustez da matriz elétrica brasileira (visando segurança energética) e ainda contribuir com energia limpa e renovável (alinhando o Brasil com os compromissos assumidos na COP21 em Paris), essas são algumas das consequências de fomentarmos a Geração Distribuída com fontes renováveis de energia. RBS Magazine

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Nesta edição a RBS Magazine, traz uma entrevista exclusive com o CEO da Intersolar, Markus Elsaesser.

RBS Magazine - For how many years has the Intersolar fair been operating in the solar power market? Markus Elsaesser: This year marks our 25th anniversary! Always guided by a vision of a solar future, the show has involved close cooperation with key solar energy groups and associations. This type of collaboration helped lay the groundwork for Intersolar’s success story – it is far more than just an exhibition. No other trade show supports the solar industry the way we do and we invest so much time and energy because we’re convinced that the global transition to renewable energy will be a success. The benefits abound. With photovoltaics and wind energy as central pillars for a future-ready energy grid and effective climate protection, Intersolar hopes to help safeguard solar energy supplies on a global scale. Since the challenges involved will differ depending on where you are in the world, we hold Intersolar events across the globe, keeping our finger on the pulse of the industry. We bring together people, markets, and technologies on four continents in a truly unique way – effectively, comprehensively, sustainably.

More than 44,000 visitors from 160 countries came to Munich to immerse themselves in this vibrant world of solar power and storage. It was an increase in visitor numbers of around 18% compared to the previous year, and we couldn’t be happier about it energies – particularly solar energy – and the themes covered by the exhibitions and conferences always address the main things to consider in the regional markets. We are “connecting solar business” for a brighter future.

how many people attend it? Intersolar Europe is without a doubt the world’s leading exhibition for the solar industry. In 2016 1,077 exhibitors showcased their contributions to furthering the global energy transition. The exhibition was held together with ees Europe, the continent's largest exhibition for batteries and energy storage systems. Both exhibitions enjoyed considerable success, even in the run-up to the events. Exhibition space was completely booked out two months in advance. More than 44,000 visitors from 160 countries came to Munich to immerse themselves in this vibrant world of solar power and storage. It was an increase in visitor numbers of around 18% compared to the previous year, and we couldn’t be happier about it. RBS Magazine - In how many countries, outside of Germany, is the event held? Intersolar also takes place in San Francisco, USA; Mumbai, India; Dubai, UAE; and here in Brazil, in Sao Paulo. We also host one-day conferences called Intersolar Summits all over the world. We’ve been in Istanbul, Riyadh, New York, New Jersey, Delhi, Mexico City, and Santiago de Chile.

RBS Magazine - Roughly how At the forefront of our activities is many companies exhibit at the When we started Intersolar South the aim of developing renewable event in Munich, Germany? And America in 2012, we actually ki30 RBS Magazine


are also rising to match. We also expect more attendees from abroad this year, especially from other LATAM countries.

cked off the first event by holding a summit that ran in parallel with the ENIE exhibition. RBS Magazine - How do you see the solar power sector in the world, and, particularly, in Brazil? It’s an industry sector that’s experiencing constant growth. We’re seeing numbers of approximately 230 GW of installed capacity – and that’s globally, with Germany and China boasting more than 40 GW. Brazil holds massive potential, especially in terms of policy support and manufacturing. In fact, manufacturing might be one of the biggest areas where the country could expect to see a boost. RBS Magazine - What’s the importance of Intersolar South America for the development of the sector in South American countries? Intersolar is a key platform for the market. It showcases technology, financing options, and policy developments. In Latin America, Intersolar is the biggest event on the continent and it’s very international. We are also pleased with the numbers. We expect more than 150 exhibitors and more than 10,000 visitors to walk through our doors this year; the accompanying con-

There’s no doubt these positive developments will be felt on the show floor and at the conference. When a market is still quite small, the atmosphere at these types of events tends to be quite exciting and it’s noticeable when they grow from one year to the next. Over the next five years I’d say how things develop for us will depend on policies. Back in 2011, when we experienced the solar boom in Germany, we had more than 2,200 exhibitors in Munich. Brazil has huge potenference is set to welcome 800 at- tial – so the sky’s the limit. ▪ tendees. Markus Elsässer And with good reason – with a wide variety of workshops and Is the founder and CEO of Solar training sessions, and a jobs and Promotion, an internationally careers forum for young engineers operating, private trade fair comand installers, there will be plenty pany with a focus on renewable of chances for the next generation energy and energy efficiency. of market players to brush up on Under Markus’s leadership Solar key skills and catch up on oppor- Promotion International’s flagship tunities. We’re particularly proud event series, Intersolar, has grown to present the Intersolar Study to become the world´s largest traProgram, which was developed de fair for solar technologies with for master students. It was esta- over 3,500 exhibitors and 120,000 blished to introduce the renewab- visitors. Building on Intersolar's le energy and solar market to up success in the European market, and coming talents. But make no Intersolar North America opened mistake, the industry’s old hands in 2008 in San Francisco and became the second exhibition location won’t be left behind. in the series, followed by Intersolar Intersolar South America is all India and Intersolar China. This about developing the market by year marks the debut of Intersokeeping solar professionals up to lar's newest conference, Intersolar speed with the latest policies and South America in Sao Paulo. Prior trends, presenting the latest te- to founding Solar Promotion Interchnology advancements, and pro- national, Markus Elsässer worked viding the ultimate platform for for a German manufacturer of solar thermal systems. Markus stakeholders to network. holds a degree in mechanical RBS Magazine - What are the ex- engineering from the University of pectations for this year’s event in Stuttgart in Germany. Brazil, and what’s the outlook for the next 5 years? We expect great things this year. Not only have we seen another 50% increase in exhibition space, but obviously exhibitor numbers

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23–25 de agosto de 2016 9h00–20h00 Expo Center Norte Rua José Bernardo Pinto, 333 Vila Guilherme, 02055-000, SP www.intersolar.net.br Programa

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Shanghai SunBy Solar Technology Co., Ltd. D30 SHENZHEN CENTER POWER TECH.CO.,LTD. A32 Shenzhen Clou Electronics Co., Ltd. A16 SHENZHEN GOLDSTONE TECHNOLOGY CO.,LTD. D32 SHENZHEN GROWATT NEW ENERGY TECHNOLOGY CO.,LTD. D28 Shenzhen Hoyol Opto Electric. Co. Ltd. A20 Shenzhen Kstar Science & Technology Co., Ltd D11 Shenzhen Power Kingdom Co., Ltd D32 Shenzhen Promotion Association for Small and medium Enterprises A20 Shenzhen Semlight Semiconductor Lighting Co., Limited D32 Shenzhen Solartech Renewable Energy Co., Ltd A20 Shenzhen Xinhonghua Solar-Energy Co., Ltd. A28 SHENZHEN ZHENGTONG JIAMING OPTOELECTRONICS CO.,LTD. A28 SICES Brasil LTDA D08 Simoes e Freire Servicos Administrativos Ltda. F42 SINGULUS TECHNOLOGIES AG F31 SMA Brasil Tecnologia Ferroviária e Solar Ltda. A10 Solar Group do Brasil Eireli D47 Solar Pile Driver Eireli - ME B54 solarnova Deutschland GmbH B61 SOLETROL AQUECEDORES SOLARES DE ÁGUA F51 Soltec Brasil Industria, Comércio e Servicos de Energias Renováveis ltda. D06 Stäubli Comércio, Importação, Exportação e Representações Ltda. E34 Stinorland Brasil Ltda. E52 Strong Developer Trading Co., Ltd. D40 TECHEN TECHNOLOGIES (BRASIL) COMÉRCIO DE EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS LTDA. D20 Thesan SPA C02 Ti-Lane Precision Electronic Co., Ltd. A28 Toshiba Mitsubishi-Electric Industrial Systems Corporation (TMEIC) A00 Tuma Industrial Ltda. E48 TÜV Rheinland Ltda. F20 Unitron Engenharia, Industria e Comercio Ltda. D14 Valentin Software GmbH B20 Viasol Industria E Comercio De Aquecedores Solar Ltda - Epp F54 viasys Intelligent Video GmbH B12 Victron Energy A06 voestalpine Meincol S.A. E50 VON ARDENNE GmbH B12 Vortex F26 We Brazil Energy D10 WEG Equipamentos Elétricos S.A. F11 Weidmüller Conexel do Brasil Conexoes Eletricas Ltda. E44 Xiamen Mibet New Energy Co., Ltd. D40 Yaskawa Elétrico do Brasil Ltda. C31 Yingtan Surplus Photoelectricity Technology Co.Ltd A32 Zhejiang Envertech Corporation Ltd. D40 ZIMMERMANN PV Stahlbau GmbH & Co. KG E60 Zinkpower Sao Paulo Ltda. D60

Estado: 26 de Julho de 2016

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INTEGRAÇÃO FOTOVOLTAICA À ARQUITETURA E SIMULAÇÕES DE DESEMPENHO ENERGÉTICO NO CENTRO DE PESQUISA E CAPACITAÇÃO EM ENERGIA SOLAR DA UFSC Clarissa Debiazi Zomer1 – clazomer@gmail.com Andrigo Filippo Antoniolli1 – andrigofilippo@gmail.com Isadora Pauli Custódio1 – isadorapcustodio@gmail.com Júlio Boing Neto2 - julioboingneto@gmail.com Ricardo Rüther1 – ricardo.ruther@ufsc.br 1 Universidade Federal de Santa Catarina, Departamento de Engenharia Civil 2 Universidade Federal de Santa Catarina, Departamento de Engenharia Elétrica

Resumo. O objetivo deste artigo consiste em apresentar soluções arquitetônicas dos três sistemas fotovoltaicos (FV) integrados ao Centro de Pesquisa e Capacitação em Energia Solar da UFSC (Florianópolis – SC), bem como estimar a geração FV e seus desempenhos energéticos com base em simulações computacionais utilizando dois métodos distintos. Os resultados mostraram que, em geral, o Método 1 apresentou valores de yield superiores ao Método 2 e que o banco de dados Meteonorm foi o que apresentou valores de irradiação mais próximos aos medidos em Florianópolis no período analisado. Palavras-chave: Energia solar fotovoltaica, Integração fotovoltaica à arquitetura, Simulação computacional para geração de energia fotovoltaica.

1. INTRODUÇÃO O cenário de energia solar no Brasil, assim como em outros países de baixas latitudes, indica um futuro promissor para os sistemas fotovoltaicos (FV) conectados à rede e integrados às edificações (Martins et al., 2008; Rüther and Zilles, 2011) e um importante passo nesta direção, a regulamentação 482 da ANEEL (ANEEL, 2012), já foi dado. Integrados a edificações, os geradores FV geram energia junto ao ponto de consumo, de forma distribuída e sem ocupar área extra, pois ficam sobrepostos ou desempenham papel de vedações na arquitetura. Quando integrados de forma harmônica e com bons resultados de desempenho energético, contribuem 36 RBS Magazine

Figura 1- Centro de Pesquisa e Capacitação em Energia Solar da UFSC.

para que haja maior aceitação e difusão de utilização desta tecnologia.

localizado no parque tecnológico Sapiens Parque, em Florianópolis (27.59° S, 48.54° O), tem por objetivo O Centro de Pesquisa e disseminar conhecimentos Capacitação em Energia So- sobre a aplicação desta teclar da Universidade Federal nologia no meio urbano. de Santa Catarina (Fig.1), O objetivo deste estudo

foi apresentar as soluções arquitetônicas dos três sistemas FV integrados às suas edificações, e estimar a geração FV e os seus desempenhos energéticos baseado em simulações computacionais.


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2. MÉTODO A primeira etapa trata da descrição das tomadas de decisão que foram necessárias para a elaboração do projeto arquitetônico, do projeto elétrico, bem como da forma de fixação aos telhados dos sistemas FV do centro de pesquisa. Na segunda etapa, foram realizadas simulações para se estimar a geração energética dos sistemas FV propostos, utilizando dois métodos diferentes. O Método 1 baseou-se na Eq. (1): (1) Onde: E = Geração solar FV diária(kWh). HINC = Irradiação diária recebida no plano dos módulos FV (kWh/m²), dividida pela irradiância de referência de 1 kW/m², expressa em números de horas (h) por dia. Pcc = Potência do sistema em corrente contínua (kW) PR = Rendimento do sistema (inversor e conexões). O valor de irradiação inclinada (HINC) foi obtido através do software Radiasol (UFRGS, 2001), utilizando o modelo de Perez e valores obtidos em quatro bancos de dados de irradia-

ção global horizontal: INPE, IS = Índice de SombreamenNASA, NREL e Meteonorm. to anual (%), que é o percentual de sombreamento Tipicamente, conside- anual de uma superfície ram-se valores de PR entre obtido através de simula70 e 80% para sistemas FV ções no software Ecotect. instalados em regiões tropicais e subtropicais. De Pcc = Potência do sistema acordo com a literatura, va- em corrente contínua (kW). lores de PR tem se aproxiO Método 2 foi baseado mado de 90% nos sistemas mais recentes. Portanto, em simulações utilizando para se manter uma mar- o software PVsyst (PVsyst, gem de segurança, na si- 2013), levando-se em conmulação pelo Método 1, sideração a configuração o valor de PR utilizado foi elétrica proposta com a inde 80% (Decker and Jahn, serção das características 1997; Marion et al., 2005; inerentes a cada sistema. Mondol et al., 2006; Reich Os três sistemas foram moet al., 2010; Rüther et al., delados no software para se estimar também as per2010; Reich et al., 2012). das por sombreamento. A Como o Método 1 não fim de comparação, foram leva em consideração a in- utilizados os mesmos banfluência do sombreamento cos de dados do Método 1. na estimativa de geração Em seguida, os valores de energética, aplicou-se o yield obtidos pelo PVsyst método descrito em Zomer foram comparados com os (2014) para estimar o índi- valores de yield obtidos no ce de sombreamento anu- Método 1. al, que é, então, aplicado à A fim de validar as siEq. (1) para correção da geração energética prevista, mulações, a irradiação hobem como para a estimati- rizontal mensal de quatro va do yield (produtividade bancos de dados foi comdo sistema FV), conforme parada com a irradiação medida em Florianópolis, Eq. (2). para cinco anos (2009 a 2013), a fim de propor um (2) fator de correção em relação aos dados obtidos nas simulações computacionais. Foram obtidos valores Onde: de irradiância com resoY = Yield anual (kWh/kW = h). lução temporal de quatro E = Geração solar FV diária minutos, através de um piranômetro instalado na (kWh).

estação solarimétrica do Grupo Fotovoltaica UFSC. Os valores foram convertidos em irradiação mensal (kWh/m²). 3. CENTRO DE PESQUISA E CAPACITAÇÃO EM ENERGIA SOLAR DA UFSC O centro de pesquisa é constituído por dois blocos: A e B. O Bloco A foi planejado para abrigar cursos de capacitação e treinamento de profissionais que irão trabalhar ou desenvolver pesquisa na área de energia solar FV, e salas exclusivas para professores e alunos da UFSC desenvolverem seus projetos de pesquisa. O Bloco B é destinado à realização de atividades práticas relacionadas com os projetos desenvolvidos no Bloco A, além da capacitação prática de pessoas. Ambas as coberturas possuem integração de módulos FV, instalados de modo a possibilitar a sua visualização pelos visitantes, divulgando a tecnologia. Há também um estacionamento coberto por módulos FV. Os geradores solares foram projetados para suprir a necessidade energética das edificações, alimentar veículos elétricos e injetar a energia excedente na rede elétrica em horários específicos. O gerador FV do centro

Figura 2 - Localização e forma dos sistemas FV instalados no Centro de Pesquisa e Capacitação em Energia Solar.

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é composto por 3 sistemas: Sistema A, B e C, conforme Fig.2. 4. RESULTADOS 4.1. Descrição dos Sistemas FV O Sistema A é composto por 270 módulos de silício policristalino (p-Si), com 245 Wp de potência nominal, instalados de forma a seguir a curvatura da cobertura existente, com inclinação dos módulos variando de fileira a fileira e potência total instalada de 66,15 kWp. Dois terços do sistema é orientado ao norte e um terço, está na horizontal ou levemente inclinado ao sul. A fim de valorizar a curvatura original do projeto e demonstrar a aplicabilidade de módulos FV rígidos nesta situação, a integração arquitetônica do Sistema A deu-se através da fixação dos módulos em posição paisagem, de modo que a menor dimensão fizesse a composição da curva. Os módulos foram fixados em perfis metálicos, com 10 cm de espaçamento até a cobertura existente, favorecendo a ventilação sob os mesmos, sob uma telha sanduíche metálica com núcleo de lá de rocha. O Sistema B é composto por 95 módulos de silício microamorfo (µSi), de 142 Wp de potência nominal, orientados ao norte, com inclinação de 6° (cobertura inclinada) e 13,5 kWp de potência instalada. Parte deste sistema (8 módulos FV) foi destinado à alimentação de bombas que movimentam a água dos espelhos d’água, sendo conectados diretamen-

Figura 3 - Detalhes construtivos dos Sistemas A, B e C.

te a elas. Sendo assim, 87 módulos desta cobertura fazem parte do Sistema B conectado à rede, ou seja, 12,35 kWp. O Sistema B também foi instalado sobre o mesmo tipo de cobertura que o Bloco A. O Sistema C é composto por 112 módulos de disseleneto de cobre, índio e gálio (CIGS), com inclinação de 5°, orientados a oeste e potência nominal de 13,44 kWp. O Sistema C cobre 8 vagas de estacionamento e um bicicletário para 6 bicicletas, sendo que os módulos FV fazem a vedação da cobertura. A instalação dos mesmos foi feita sobre uma estrutura metálica com calhas para direcionar a água da chuva e, ao mesmo tempo, garantir a estanqueidade da cobertura.

Tabela 1 - Características dos sistemas FV instalados no Centro de Pesquisa e Capacitação em Energia Solar da UFSC.

Sistema A foram consideradas na obtenção da irradiação inclinada. No Método 2, a curva foi dividida em três planos, um para cada subsistema (inversor), e a inclinação média de cada um foi inserida no software PVsyst. Em ambos os casos, a estimativa de geA Fig. 3 apresenta al- ração do sistema completo guns dos detalhes constru- foi a soma dos três subsistivos supracitados e a Tab. temas. Pode-se observar 1 apresenta um resumo que, enquanto o percentudas características de cada al de sombreamento anual sistema. permanece estável para os quatro bancos de dados no 4.2. Simulações: Estimati- Método 1, ele varia quanva de geração FV do se utiliza o Método 2. Ao contrário do que ocorre As estimativas de gera- no Método 2, a estimativa ção FV realizadas a partir do de sombreamento anual Método 1 e do Método 2, do Método 1 não leva em já considerando as perdas consideração os dados de por sombreamento e utili- irradiação do banco de dazando como dado de entra- dos, pois baseia-se apenas da quatro bancos de dados, na geometria da superfície podem ser visualizadas na analisada e sua posição Tab.2. No Método 1, todas cartográfica (latitude e lonas inclinações presentes no gitude). Apesar da diferen-

ça de metodologias na obtenção dos percentuais de sombreamento, ambos os métodos apresentaram valores bem próximos na estimativa de sombreamento anual. A Tab. 2 também demonstra que o PR calculado pelo software PVsyst é de aproximadamente 80%, tal qual o PR padrão adotado no Método 1. A partir da geração energética calculada com base nos dois métodos apresentados, pode-se estimar o yield para os três sistemas e comparar a influência da escolha do banco de dados nesta estimativa. Os yields referentes a cada simulação estão apresentados na Fig. 4. Os resultados das simulações mostraram que a tendência é o Método 1 estimar valores de yield superiores ao Método 2, mesmo


Tabela 2 - Estimativa de geração energética pelos Métodos 1 e 2.

Figura 4 – Simulação do yield anual com base em quatro bancos de dados, comparando os Métodos 1 e 2 para cada sistema FV.

utilizando o mesmo banco de dados. Na média, no Sistema A e no Sistema B, as estimativas utilizando o Método 1 superaram em 4 e 5% as estimativas obtidas pelo Método 2, respectivamente. Já o Sistema C, teve, na média, a mesma estimativa de produtividade. Este resultado mais próximo pode ser observado em detalhe na Tab. 2 e está diretamente relacionado ao PR. Nos Sistemas A e B, o software PVsyst, que considera todo o arranjo elétrico para sua estimativa, apresentou valores de entre 75% e 76% para ambos os sistemas. Já para o Sistema C, o PVsyst apresentou um valor de 77% a 78%, portanto, mais próximos ao va40 RBS Magazine

lor adotado como padrão na estimativa pelo Método 1. Um dos fatores que mais pesou na estimativa de PR do PVsyst foi o comportamento de cada tecnologia quando elevada a temperaturas superiores a 25ºC, sendo que os módulos utilizados no Sistema C são os que sofrem menores perdas (tecnologia CIGS). Em relação aos bancos de dados, pode-se perceber que nos três sistemas, A, B e C, a escolha pelo banco de dados Meteonorm resulta em menores valores de yield do que pelos três outros bancos de dados, os quais apresentaram valores bem semelhantes entre eles, cerca de 5% acima dos valores obtidos pelo Mete-

onorm. 4.3. Validação das simulações: Bancos de dados X dados medidos A fim de selecionar o banco de dados mais adequado para a estimativa de geração energética e yield, os valores de irradiação horizontal dos quatro bancos de dados foram comparados com valores mensais de irradiação medidos na cidade de Florianópolis em um período de cinco anos (2009 a 2013), como demonstra a Fig. 5.

te à média dos quatro anos anteriores (1.432 kWh/m²/ ano) e, dentro do período medido, os dados de irradiação revelam que 2012 foi o ano mais ensolarado. Os bancos de dados apresentaram valores superestimados em relação aos valores medidos anuais para o período avaliado, sendo que o banco de dados que mais se aproximou da média dos valores medidos foi o Meteonorm, embora superestimado em 10%. Considerando-se um panorama de 15 anos (1999 a 2013), a média anual de irradiação global horizontal em Florianópolis é de 1.430 kWh/m² (Zomer, 2014), portanto, a média dos últimos cinco anos é representativa. No período analisado, indica-se adotar os dados do Meteonorm para as simulações de geração energética, sabendo que a irradiação anual medida em Florianópolis tende a ser, aproximadamente, 10% inferior. Pelo estudo apresentado, pode-se afirmar que se a estimativa for realizada através do Método 1, tenderá a estar até 5% acima do que se realizada através do Método 2. A fim de se determinar qual dos dois métodos apresenta melhor correspondência com a realidade, será necessário comparar os valores estimados com valores de pelo menos um ano de medição dos três sistemas analisados. Com a previsão de início de coleta de dados a partir de 2016, ao final de um ano, este resultado poderá ser obtido.

A irradiação global ho- 5. CONCLUSÕES rizontal medida em Florianópolis em 2013 (1.434 No presente artigo, kWh/m²/ano) foi equivalen- três sistemas FV integrados


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Figura 5 – Disponibilidade de irradiação solar global horizontal (kWh/m²/mês) para cinco anos de medições (2009 a 2013) e diferentes bancos de dados em Florianópolis.

ao Centro de Pesquisa e Capacitação em Energia Solar da UFSC, localizado em Florianópolis – SC, foram apresentados em detalhe, demonstrando sua forma de integração à arquitetura de modo a dialogar com a estética das edificações, as decisões tomadas em relação ao projeto elétrico a fim de otimizar o desempenho energético dos geradores, bem como apresentar as soluções de fixação dos módulos FV aos telhados.

res estimados serão então comparados com valores reais, adquiridos ao longo dos próximos anos. ▪ Agradecimentos Os autores agradecem o apoio financeiro recebido do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Projeto P&D firmado entre a UFSC e a Tractebel Energia no contexto do programa de P&D ANEEL (chamada 013/2011).

Além disso, estimativas de geração FV foram simu- REFERÊNCIAS ladas utilizando ferramen- ANEEL, 2012. Resolução Normativa tas computacionais basea- nº 482, de 17 de abril de 2012. A. N. E. Elétrica482. das em diferentes bancos d. Decker, B. and U. Jahn, 1997. Perde dados e dois métodos formance of 170 grid connected PV de estimativa: 1 e 2. O Mé- plants in Northern Germany—Aof s and optimization potentodo 1, em geral, apresen- nalysis tials, Solar Energy, vol. 59, n. 4–6, tou valores superiores de pp. 127-133. geração energética e yield Marion, B., J. Adelstein, K. Boyle, H. B. Hammond, T. Fletcher, anual. O banco de dados Hayden, B. Canada, D. Narang, D. shugar, H. Meteonorm foi o que apre- Wenger, A. Kimber, L. Mitchell, G. sentou valores mais próxi- Rich and T. Townsend, 2005. Performance Parameters for Grid-Conmos aos valores reais para nected PV Systems, 31st IEEE Photoo período avaliado, mas voltaics Specialists Conference and ainda assim, 10% superior Exhibition, Lake Buena Vista, Florida. Martins, F. R., R. Rüther, E. B. Pereira à média dos anos anali- and S. L. Abreu, 2008. Solar energy sados. Com a previsão de scenarios in Brazil. Part two: Photointerligação à rede dos sis- voltaics applications, Energy Policy, vol. 36, n. 8, pp. 2865-2877. temas FV para os próximos Mondol, Jayanta Deb, Yigzaw Yohameses, bem como o início nis, Mervyn Smyth and Brian Norton, da coleta de dados, os valo- 2006. Long term performance analy42 RBS Magazine

sis of a grid connected photovoltaic system in Northern Ireland, Energy Conversion and Management, vol. 47, n. 18–19, pp. 2925-2947. PVsyst, 2013. Near Shadings: tutorial. Switzerland, PVsyst Photovoltaic Software. Reich, N. H., W. G. J. H. M. van Sark, W. C. Turkenburg and W. C. Sinke, 2010. Using CAD software to simulate PV energy yield – The case of

product integrated photovoltaic operated under indoor solar irradiation, Solar Energy, vol. 84, n. 8, pp. 1526-1537. Reich, Nils H., Bjoern Mueller, Alfons Armbruster, Wilfried G. J. H. M. van Sark, Klaus Kiefer and Christian Reise, 2012. Performance ratio revisited: is PR > 90% realistic?, Progress in Photovoltaics: Research and Applications, vol. 20, n. 6, pp. 717726. Rüther, Ricardo, Lucas Nascimento, Jair Urbanetz, Paulo Pfitscher and Trajano Viana, 2010. Long-term performance of the first grid-connected, building-integrated, thin-film amorphous silicon PV installation in Brazil, 35th IEEE Photovoltaic Specialists Conference, Honolulu - HI, EUA. Rüther, Ricardo and Roberto Zilles, 2011. Making the case for grid-connected photovoltaics in Brazil, Energy Policy, vol. 39, n. 3, pp. 10271030. UFRGS, 2001. Radiasol Porto Alegre, Laboratório de Energia Solar do GESTE. Zomer, Clarissa Debiazi, 2014. Método de estimativa da influência do sombreamento parcial na geração energética de sistemas solares fotovoltaicos integrados em edificações, Tese, Departamento de Engenharia Civil, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis.


Entrevista

A RBS Magazine, entrevista:

DR. RODRIGO LOPES SAUAIA

Presidente Executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) RBS Magazine: Quais os principais gargalos para um crescimento mais acelerado do setor solar FV no Brasil? DR. Rodrigo Sauaia: Um dos principais desafios enfrentados pelo setor é a necessidade de novas linhas de financiamento para pessoas físicas e pessoas jurídicas, com condições adequadas às características da energia solar fotovoltaica. Um positivo avanço nesta área foi o recente estabelecimento, pelo Banco do Nordeste (BNB), da linha de crédito FNE SOL, que contou com participação ativa da ABSOLAR em sua formulação. A linha de financiamento, voltada para pessoas jurídicas e para agricultores, possibilita prazos de amortização de até 12 anos, com carências de até 1 ano, taxas de financiamento entre 6,5% e 11% ao ano e a possibilidade de uso do sistema solar fotovoltaico como garantia financeira para obtenção do empréstimo junto ao banco. Infelizmente, o BNB realiza operações apenas na região nordeste e no norte dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, o que impede operações com esta linha de crédito nas demais regiões do país. Por isso, a ABSOLAR trabalha junto aos bancos públicos e ao governo federal para o desenvolvimento de novas opções de financiamento através da Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e outros bancos públicos capazes de abranger as demais regiões do país e atender também as pessoas físicas. 44 RBS Magazine

Outra área estratégica para o avanço da fonte solar fotovoltaica está na adesão dos estados brasileiros ao Convênio ICMS 16/2015, que permite a isenção do ICMS sobre a energia da micro e minigeração. Nesta área, a ABSOLAR tem atuado em todo o país, estado a estado, para garantir ampla

A participação da delegação brasileira na 21ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP21), realizada no final de 2015, em Paris, França, foi um marco para o setor solar fotovoltaico brasileiro... adesão ao Convênio. No total, 16 estados brasileiros já adotaram esta medida, representando mais de 155 milhões de brasileiros beneficiados, ou seja, 76% de nossa população. A ABSOLAR continuará trabalhando para motivar os 11 estados restantes a seguirem este mesmo caminho em prol do desenvolvimento da micro e minigeração distribuída no país.

Como o setor solar FV pode contribuir para que o Brasil alcance suas metas e compromissos assumidos na COP21, em Paris, no final de 2015? A participação da delegação brasileira na 21ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP21), realizada no final de 2015, em Paris, França, foi um marco para o setor solar fotovoltaico brasileiro. Na ocasião, foi apresentado o compromisso nacional de reduzir em 43% as emissões de gases do efeito estufa até 2030, em comparação com o ano de 2005, e ampliar o uso de energia proveniente de fontes renováveis na matriz elétrica nacional. Em especial, o governo brasileiro anunciou planos de diversificar a matriz elétrica brasileira, ampliando para pelo menos 23% a geração de energia elétrica a partir de fontes renováveis não-hídricas até 2030, com destaque para as fontes solar fotovoltaica, eólica e biomassa. A energia solar fotovoltaica traz ao país uma combinação de benefícios. No âmbito estratégico ajuda a diversificar a matriz elétrica nacional com uma nova fonte de geração, aumenta a segurança de suprimento do país, complementa a geração hidrelétrica, eólica e a biomassa, alivia os picos de demanda diária em seu horário mais crítico e reduz os gastos com o despacho de termelétricas onerosas. No âmbito socioeconômico, a fonte é tida como uma grande geradora de empregos, com aproximadamente 30 postos de trabalho ao longo da cadeia


"Para os próximos anos, a expectativa é de que o crescimento do setor de energia solar fotovoltaica continue forte e que a fonte ganhe cada vez mais competitividade no cenário global...."

produtiva por MW instalado por ano. Essa é uma das taxas mais elevadas do setor elétrico. Adicionalmente, uma parcela significativa do potencial solar brasileiro está localizada em regiões com baixos índices de desenvolvimento humano e social, como em grande parte do interior dos estados do Nordeste. Desse modo, o desenvolvimento de projetos de geração de energia solar fotovoltaica em diferentes regiões do país contribui para trazer novas oportunidades de formação e capacitação profissional, novos empregos locais de qualidade e novas fontes de arrecadação para estados e municípios, bem como para o governo federal.

buindo com a diversificação da matriz elétrica nacional e com a redução das emissões de gases de efeito estufa no país. Como a ABSOLAR tem contribuído para que o setor solar FV continue avançando?

informes e relatórios sobre a capacidade instalada e suas taxas de crescimento; divulgando aos membros da ABSOLAR as atuais oportunidades de negócio no setor (ex.: editais, projetos, leilões, entre outros) e divulgando para a sociedade brasileira projetos fotovoltaicos emblemáticos realizados no País.

Desde 2013, a ABSOLAR tem trabalhado ativamente junto aos principais tomadores de decisão do país, cons- • Servir de ponto de encontro e detruindo propostas e recomendações bate para as empresas do setor, para aprimorar o desenvolvimento por meio de reuniões estratégicas da energia solar fotovoltaica no Bracom autoridades e especialistas sil, tanto para a geração centralizada, do setor, atividades desenvolviquanto para a geração distribuída, das em nossos grupos de trabaambos segmentos de mercado crulho e assembleias periódicas para ciais para o setor e nos quais a ABSOos associados. Já em termos ambientais, a energia LAR está integralmente dedicada. solar fotovoltaica é reconhecida inUma das iniciativas estratégicas da ternacionalmente como uma fonte Entre as principais atribuições da AB- ABSOLAR está voltada a articular com renovável, limpa e sustentável, com SOLAR neste campo, destaco: os estados a adesão ao Convênio baixos impactos ambientais, baixas ICMS 16/2015, que autoriza os goemissões de gases de efeito estufa • Representar e promover o setor vernos estaduais a isentarem o ICMS e que não produz resíduos durante solar fotovoltaico brasileiro no sobre a energia da REN 482/2012. a sua operação. Adicionalmente, esPaís e no exterior, perante o go- Adicionalmente, a ABSOLAR trabalha ses projetos podem ser construídos e verno brasileiro, as demais enti- para atualizar as faixas de potência e entregues com relativa rapidez. São dades do setor elétrico brasilei- para ajustar a redação do Convênio necessários menos de dois anos (em ro, a imprensa, ONGs, empresas ICMS 16/2015, a fim de esclarecer alguns casos internacionais, menos e a sociedade civil. Além de sua que a tributação no Sistema de Comde um ano) para que uma usina foatuação no âmbito nacional, jun- pensação de Energia deverá incidir tovoltaica seja projetada, construída to aos agentes do setor elétrico apenas sobre o consumo líquido da e entre em operação. Consequentebrasileiro, ministérios do gover- energia elétrica, sem incidência do mente, a fonte pode ajudar na amno federal, governos estaduais, imposto sobre a TUSD, inclusive no pliação da capacidade de geração do governos municipais e entidades caso de geração condominial, autopaís em um curto período de tempo. regulatórias do setor, a ABSOLAR consumo remoto e geração comparrepresenta o setor fotovoltaico tilhada, conforme estabelecido pela Por conta destas inúmeras caractebrasileiro no cenário internacio- REN 687/2015. rísticas positivas, a energia solar fonal desde a sua fundação. tovoltaica será um pilar estratégico Outra ação em andamento diz respara o atendimento das metas brasi- • Acompanhar o avanço do setor peito à Lei 13.169/2015, que isenleiras estabelecidas na COP21, contrifotovoltaico no País, produzindo ta de PIS/COFINS a energia da REN


bal. Segundo as projeções da Bloomberg New Energy Finance (BNEF), os custos da energia solar fotovoltaica poderão cair 60% até 2040, sendo a fonte com a trajetória mais acentuada de redução de custos no período. Como você avalia o cenário do mer- Com isso, a fonte passará a ser uma cado solar FV nos últimos 12 meses? das formas mais baratas de se gerar energia elétrica no mundo e atrairá o Apesar de o País contar atualmente maior volume de novos investimencom poucas usinas solares de gran- tos em renováveis no período, mais de porte, menos de 30 MW ao todo, de US$ 3,4 trilhões. o segmento da geração centralizada solar fotovoltaica começa a dar sinais O Brasil é o maior mercado de enerde fortes mudanças. Até 2018, entra- gia elétrica da América Latina com rão em operação 99 novos empre- uma capacidade instalada acumulada endimentos de grande porte já con- de aproximadamente 146 GW, contratados em leilão, elevando assim siderando-se todas as fontes que faa presença da fonte para 3.300 MW, zem parte da nossa matriz. Apesar de um crescimento de mais de 110 ve- atualmente pouco aproveitado, nosso país possui um recurso solar privizes. legiado, em média duas vezes maior Qual é o prognóstico de crescimento do que o de países europeus de clima da fonte solar FV nos próximos anos? temperado, como Alemanha e Reino Unido. Para os próximos anos, a expectativa é de que o crescimento do setor de Por isso, o Brasil não ficará de fora energia solar fotovoltaica continue deste processo e parte destes recurforte e que a fonte ganhe cada vez sos serão canalizados ao nosso país. mais competitividade no cenário glo- Muito embora o Brasil tenha vivido 482/2012. Também é necessário atualizar esta lei para incorporar na sua redação os novos mecanismos da micro e minigeração distribuída provenientes da REN 687/2015.

um cenário de queda da atividade econômica, os próximos anos serão de crescimento acelerado para a fonte solar fotovoltaica no País. Segundo estudo recente elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a participação da fonte solar fotovoltaica na matriz elétrica deverá atingir 4% em 2024, ante os atuais 0,02%, um crescimento de 200 vezes em menos de 10 anos. Segundo projeções da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), a fonte poderá chegar a um percentual de mais de 8% em 2030. Num horizonte de mais longo prazo, a BNEF projeta que a energia solar fotovoltaica terá crescimento expressivo nos segmentos de geração centralizada e geração distribuída no período, passando dos atuais 0,02% de participação na matriz elétrica brasileira para mais de 30% em 2040. Neste horizonte, a fonte solar deixara o seu papel de coadjuvante para assumir um papel de protagonista na matriz elétrica nacional, tornando-se uma das principais fontes de geração de energia renovável da nação.

Biografia resumida: Dr. Rodrigo Lopes Sauaia é co-fundador e presidente executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), entidade que representa empresas e profissionais do setor solar fotovoltaico no Brasil. É co-fundador e membro do conselho diretivo do Global Solar Council (GSC), entidade formada pelas principais associações regionais e nacionais do setor solar fotovoltaico e que representa o setor em âmbito internacional. É consultor estratégico para a área de energia solar fotovoltaica junto ao Greenpeace Brasil. Sua formação acadêmica inclui doutorado em Engenharia e Tecnologia de Materiais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, com colaboração internacional na área de energia solar fotovoltaica realizada no Fraunhofer Institut für Solare Energiesysteme (Fraunhofer ISE, Alemanha), 46 RBS Magazine

mestrado em Energias Renováveis com especialização em Energia Solar Fotovoltaica realizado na Loughborough University e na Northumbria University, no Reino Unido, com colaboração internacional realizada no ETH Zürich, na Suíça, além de bacharelado e licenciatura em Química pela Universidade de São Paulo. Em 2015, foi eleito pela Recharge News Thought Leaders Club um dos formadores de opinião mais influentes em energias renováveis no cenário global e referência na promoção da energia solar fotovoltaica no Brasil. Também em 2015, foi condecorado com a Ordem do Mérito Legislativo da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), por suas contribuições em prol do desenvolvimento da energia solar fotovoltaica no Estado de Minas Gerais e no Brasil.


Implantação da máquina de gelo solar em comunidade tradicional da Amazônia Aurélio Souza, aurelio@iee.usp.br Roberto Zilles, zilles@iee.usp.br Dávila Corrêa, davila@mamiraua.org.br Ana Claudeise Nascimento, claudeise@mamiraua.org.br

Introdução Descreve-se a seguir as atividades desenvolvidas no Laboratório de Sistemas Fotovoltaico (LSF) do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da Universidade de São Paulo (USP) e atividades em campo desenvolvidas pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM), estado do Amazonas, visando a implantação de máquinas produtoras de gelo acionadas com energia solar fotovoltaicas, denominadas de "Máquinas de Gelo Solar" (MGS).

O desenvolvimento da MGS foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (FAPESP) durante tese de Pós-Doc. do pesquisador Dr. Carlos Driemeier, orientado pelo Prof. Dr. Roberto Zilles, realizada entre 2007 e 2009. Informação mais detalhadas sobre a MGS foi publicada no III Congresso Brasileiro de Energia Solar (CBENS) em 2010, com título: “Sistema Fotovoltaico para Produção de Gelo para Pequenas Comunidades Isoladas sem Utilização de Acumulação Eletroquímica”.

Atualmente 10 (dez) MGS estão em operação no Brasil, sendo que 6 (seis) delas estão em centros acadêmicos e universidades, 3 (três) delas foram implantadas em comunidade tradicional na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã (RDSA), Vila Nova e 1 (uma) na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (RDSM), na Pousada Uacari, ambas na região do Médio Solimões, Estado do Amazonas. O projeto que ficou conhecido por "Gelo Solar", aplica tecnologia desenvolvida no LSF para produção de gelo com energia solar fotovoltaica sem utilização de baterias eletroquímicas.

O IDS Mamirauá desenvolve ações de pesquisa e desenvolvimento social em comunidades das unidades de conservação RDS’s Mamirauá e Amanã, desde a década de 90. Considerando esse tempo de atuação, foi possível realizar a implantação do projeto demonstrativo em campo,, que contou com apoio financeiro do GOOGLE, que premiou a ideia inovadora na sua chamada para o prêmio de Desafio de Impacto Social, realizado em 2014, além de recursos IDS Mamirauá com apoio do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação (MCTIC). Recentemente o projeto da

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MGS ganhou outro prêmio, o de Inovação Tecnológica de 2016 conferido pela empresa ENGIE, que é a controladora de uma das maiores geradoras de energia no Brasil.

custo de operação e manutenção e dificuldade logística. Ademais, o funcionamento intermitente dos grupos geradores a diesel, normalmente das 18 as 22 horas, impede a operação de equipamentos para conA empresa de enge- servação de alimentos, tal nharia e consultoria USI- qual geladeiras e congelaNAZUL apoiou o LSF e IDS dores elétricos. Mamirauá com a elaboração da proposta para o ediNeste sentido, a enertal do GOOGLE e da ENGIE gia solar fotovoltaica ene presta apoio técnico ao contra um nicho de atuação projeto desde a concepção muito importante, considee origem até a fase de im- rando que existem cerca de plantação em campo e mo- 2 milhões de brasileiros na nitoramento em curso. Amazônia Legal que ainda utilizam fontes de energia Contexto da aplicação da suja e não renovável para tecnologia atender suas necessidades básicas. Globalmente, Quem trabalha com dados das Nações Unidas desenvolvimento de comu- apontam para cerca de 2 nidades tradicionais sabe bilhões de seres humanos que sobreviver em locais que não possuem acesso a sem energia elétrica e iso- energia limpa e moderna. ladas dos centros urbanos, ou com energia elétrica Do ponto de vista sointermitente e provenien- cioeconômico, a incapate de grupos geradores a cidade de conservar alicombustível fóssil, reco- mentos in natura, pela nhece as grandes dificulda- falta de energia, aliado a des e desafios para popu- ausência de um mercado lações. A matriz energética consumidor próximo, para destes locais normalmente venda e troca de produtos é dependente de combustí- provenientes de atividaveis fósseis, onerando a ge- des tradicionais, deixa as ração de energia por conta comunidades sem oportudos altos custos envolvidos nidade de acesso ao merem transportar diesel ou cado para venda direta de gasolina por grandes dis- sua produção. Geralmente, tâncias, além do elevado as comunidades vendem


sua produção para um intermediário, este compra o produto fresco do pescador tradicional, pois possui os meios de conservação e os meios de transporte. Assim, a falta de conservação de pescados frescos da pesca tradicional é um dos problemas equacionados neste projeto, pois introduz na comunidade um sistema gerador de energia limpa com fonte renovável, a energia soFoto 1 - Protótipo da máquina de gelo solar. lar fotovoltaica, criando as Foto: LSF/USP,2010 condições para que o sistema energético opere com ambientais, com a diminui- binete branco da foto), (B) baixo custo e de forma sus- ção da emissão de carbono unidade de controle (quatentável. na atmosfera com a queima dro elétrico à direta na foto de combustíveis fósseis. 1) e (C) gerador fotovoltaiDesta forma, a tecnoco (visto na foto 2 a seguir). logia solar fotovoltaica e a A tecnologia da máquina A unidade de refrigeração aplicação da MGS desen- de gelo solar (A) é composta por: (i) gabivolvida em laboratório, asnete térmico, que é isolado sociada a tecnologia social A seguir detalha-se os termicamente e possui cade organização e participa- principais componentes, pacidade nominal para geção comunitária, realizado sua função no conjunto rar até 100 kg de gelo por por organismos-não-gover- e forma de operação da dia, (ii) um motor de indunamentais (ONGs) locais, MGS. Em resumo, um ge- ção trifásico, que permite permitiu o desenvolvimen- rador fotovoltaico (GFV) é que o conversor de frequto de um projeto que é um fonte de energia que acio- ência altere sua velocidade divisor de águas para popu- na o motor e compressor de acordo com a potência lações que vivem em regi- que irá produzir o gelo disponível no gerador solar, ões isoladas. Durante o pro- diariamente. Isso ocorre (iii) uma unidade condensacesso de implantação das sempre que houver ra- dora e (iv) um compressor MGS, um modelo de gestão diação solar mínima para de deslocamento positivo, comunitária da tecnologia acionamento do conjunto. que funciona separado do é discutido, e futuramente A MGS foi concebida consi- motor e permite uma boa poderá ser reaplicado em derando uma irradiação de adaptação ao sistema solar diversas comunidades em 5,5 kWh/m² e nestas condi- fotovoltaico, (v) válvula sooutros países em desenvol- ções pode produzir de 27 a lenoide, que atua impedinvimento, considerando as 30 kg de gelo por dia. Ape- do o fluxo do refrigerante especificidades culturais e sar de possuir capacidade quando a rotação do motor socioeconômicas. para até 100 kg de gelo, a é inferior à recomendada máquina é abastecida com para o compressor, além de Os objetivos esperados uma quantidade de água outros componentes auxicom este projeto vão desde que possa ser congelada liares como (vi) termostato, a aplicação da energia so- durante o ciclo diurno, ou pressostato, outros. lar para geração de renda, seja, a quantidade real de subsidiando a conservação gelo produzido depende da A unidade de controle da produção familiar de irradiação do local. (B) é composta por uma sécomunidades rurais; ao aurie de componentes eletrômento do bem-estar e quaOs componentes da nicos tal qual (i) conversor lidade de vida, associado à MGS são divididos em três de frequência, que regula possibilidade de se beber unidades distintas: (A) uni- a velocidade do motor a água gelada e os benefícios dade de refrigeração (ga- fim de manter a tensão do

gerador GFV constante em um valor próximo ao de máxima potência, (ii) circuito de acionamento, que controla o acionamento do motor em função da disponibilidade de recurso solar, desligando-a caso a potência disponível seja inferior ao mínimo necessário para acionar compressor, (iii) fonte de alimentação da solenoide, (iv) dissipador de calor, que visa dissipa a energia do GFV enquanto a máquina está desligada, mas ainda há radiação solar disponível, e demais componentes acessórios. O gerador fotovoltaico (C) é constituído por 20 módulos poli-cristalinos de 55 Wp cada, totalizando 1.100 Wp por MGS, conectados em série para se obter uma tensão compatível com a entrada do conversor de frequência, entre 300 e 400 volts corrente-contínua (Vcc). Outros arranjos são possíveis, mas será necessário parametrizar o conversor de frequência para uma nova configuração de tensão e corrente. O funcionamento da MGS é automático e observa as tensões no circuito elétrico-eletrônico, pressão do gás refrigerante no compressor-evaporador e disponibilidade de energia solar no GFV. A MGS liga sempre que a irradiância atingir o valor mínimo de 390 W/m² (o que representa cerca de 308 Vcc no gerador FV). Ao atingir a tensão mínima necessária, o motor é acionado e a tensão permanece em torno de 312 Vcc com a velocidade de rotação do motor em 1.260 rpm. O motor aumenta seu giro, acompanhando a disponibilidaRBS Magazine

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sucesso na implantação da máquina de produção de gelo com energia solar fotovoltaica desenvolvido no LSF/USP pode ser reaplicado em diversos contextos e biomas.

Foto 2 - Painel solar 3,3 kWp. Foto: Aurélio Souza, 2015.

de de potência do GFV, e que a limite e a máquina se a pressão de evaporação é desligue. controlada pela válvula de expansão, modulado pela A MGS segue em aperválvula solenoide. feiçoamento, busca-se melhorias de eficiência Quando o motor atin- energética e ganhos de ge a velocidade máxima do produtividade. A meta é compressor, cerca de 2.310 desenvolver uma máquina rpm, a tensão cresce com que produza até uma toneo aumento da potência lada de gelo por dia, o que disponível, mantendo essa poderá viabilizar atividade velocidade constante e de agregação de valor e permitindo que o conjunto renda com maior escala comotor-compressor funcio- mercial. ne nos limites de operação. Ao final do dia a disponibi- Conclusão lidade de potência decresce, a tensão retorna a cerca A tecnologia solar fode 312 Vcc e a velocidade tovoltaica está madura e diminui até atingir o valor apresenta um grande pode 1.260 rpm. A válvula so- tencial no desenvolvimento lenoide estará sempre mo- de comunidades isoladas dulando a pressão de eva- na Amazônia e em outras poração até que a potência comunidades tradicionais disponível se torne menor no Brasil e no mundo. O

Foto 3 - Máquinas de gelo solar instaladas na Amazônia. Foto: Aurélio Souza, 2015.

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O saldo do projeto “Gelo Solar”, ainda em fase monitoramento é a implantação de três (3) máquinas de gelo na comunidade Vila Nova do Amanã, RDS Amanã e uma (1) máquina de gelo na pousada Uacari na RDS Mamirauá, ambos locais no estado do Amazonas. Outras seis (6) máquinas seguem em teste em centros universitários e instituições de pesquisa no Norte e Sul do país. Algumas delas a caminho de outras comunidades no Pará. A energia solar possui um grande potencial para desenvolvimento social, gerando renda, conservando alimentos, melhorando a qualidade de vida de populações tradicionais, além de contribuir para diminuição da emissão de carbono na atmosfera, conforme comprovado pelo projeto “Gelo Solar”. A comercialização do gelo e produtos cultivados localmente, além de produtos resultantes da atividade extrativista sustentável, se apresenta como uma possibilidade de oportunidade de ganhos econômicos e sociais para a comunidade. O acompanhamento do projeto por agentes locais é vital para garantir resultados de longo prazo, assim como a participação comunitária é fundamental para sustentabilidade do projeto. Neste sentido, a expertise do IDSM no trabalho local esta sendo

importante para o desenvolvimento e continuidade do projeto com utilização da tecnologia solar fotovoltaica. A máquina de gelo solar não é produzida em escala comercial e requer uma integração de seus componentes e equipamentos para sua “construção”. Essa função foi desempenhada pela empresa de consultoria e engenharia USINAZUL, que atuou como parceiro técnico, servido de elo entre a academia, fabricante de componentes e equipamentos, organizações locais e comunidades. O trabalho está longe de ser concluído, mas já podemos sinalizar que a energia solar tem um papel importantíssimo no desenvolvimento social e econômico e no apoio à conservação da Amazônia. ▪

Referências Souza, A., Zilles, R., Correa, D., Nascimento, A. C. Implementação do Projeto “Gelo Solar” em Comunidade Isolada na Amazônia. VI CBENS - VI Congresso Brasileiro de Energia Solar, Belo Horizonte, 2016. Almeida, M., Pinto, A., Driemeier, C., Zilles, R. Sistema Fotovoltaico para Produção de Gelo para Pequenas Comunidades Isoladas sem Utilização de Acumulação Eletroquímica, III CBENS - III Congresso Brasileiro de Energia Solar, Belém, 2010. Driemeier, C., Zilles, R. An ice machine adapted into an autonomous photovoltaic system without batteries using a variable-speed drive. Progress in Photovoltaics. 2010.


RBS Magazine ED. 11  

- Capacitação profissional em energia solar fotovoltaica. - Entrevista Com o CEO da Intersolar.

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