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Ano II - Edição nº 10 - Mai/Jun

SISTEMAS FOTOVOLTAICOS, conectados a rede ganham espaço no Brasil

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ÍNDICE 04

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Considerações sobre a COP21 "Paris"

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Sistema fotovoltaico conectado a rede elétrica

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Entrevista com Aurélio Souza, novo chefe de edição da RBS Magazine

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Considerações sobre a geração distribuída no Brasil

EDIÇÃO

REDES SOCIAIS

CHEFE DE EDIÇÃO

EDIÇÃO DE ARTE E PRODUÇÃO

FRG Mídia Brasil Ltda. Dr. Aurélio Souza IEE USP

Rua Maurício de Nassau, 1011 Nova Rússia - CEP: 84070-330

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DISTRIBUIÇÃO

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DISTRIBUIÇÃO DIRIGIDA

Empresas do setor de energia solar e energias renováveis, sustentabilidade, câmaras e federações de comércio e indústria, universidades, assinantes, centros de pesquisas, além de ser distribuído em grande quantidade nas principais feiras e eventos do setor de energia solar, energias renováveis, construção sustentável e meio ambiente.

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José Goldemberg, Fabiano Perin Gasparin, Michele Cândida Carvalho de Oliveira, Vanessa de Freitas Cunha Lins, Marcelo Machado Viana, Antônia Sonia Alves Cardoso Diniz, Roberto Silva Simplicio, Rafael Herrero Alonso, Sergio Shimura, Cesar Biasi de Moura, Marcelo Knörich Zuffo, Carlos Evangelista. Os artigos e matérias assinados por colunistas e ou colaboradores, não correspondem a opinião do RBS Magazine - Revista Brasil Solar, sendo de inteira responsabilidade do autor.

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Artigo

ConferÊncia de Paris – uma avaliação José Goldemberg Professor Emérito Universidade de São Paulo e Presidente da FAPESP

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Conferência das Partes (COP) da Convenção do Clima que ocorreu em Paris em dezembro de 2015 se diferencia das anteriores pelo seu realismo. As decisões são tomadas por consenso nestas conferências – o que é raro – mas em Paris este consenso teve um preço elevado. Todos os países tiveram que ceder um pouco; em consequência os resultados foram mais modestos do que desejavam algumas organizações governamentais e mais ambiciosos do que os Estados Unidos, entre outros países, desejavam.

controvérsia científica levantada pelos “céticos” sobre a causa das mudanças climáticas. Além disso, acabou com a divisão do mundo em dois grupos de países (Anexo I que são os desenvolvidos e não-Anexo I, que são os países em desenvolvimento que constavam da Convenção do Clima adotada em 1992).

Todos os países devem contribuir para reduzir suas emissões levando em conta as suas características próprias e esta contribuição se expressa através dos INDC (Pretendida Contribuição Nacionalmente Determinada) O “Acordo de Paris” que resultou a Conferência de Pa- que os países apresentaram ao Secretariado da Convenris reconhece claramente a gravidade dos problemas cau- ção com metas quantitativas e indicações de como se sados para as mudanças do clima pela atividade humana propõem a cumpri-las. e estabelece como meta evitar que a temperatura média da Terra suba 2ºC (dois graus Celsius) – ou menos – até As metas não são determinadas “de cima para baio fim do século. Com isso, a Conferência sepultou a falsa xo”. Tentou-se fazer isso no Protocolo de Kyoto que falhou

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porque os Estados Unidos não ratificaram o Protocolo e a China – que acabou se tornando o maior emissor mundial – foi isento pelo Protocolo de reduzir suas emissões.

Em lugar de decisões multilaterais foram adotadas decisões unilaterais tomadas pelos países (de “baixo para cima”)

Sob este ponto de vista a Conferencia de Paris foi um sucesso. Estados Unidos e China apresentaram INDC’s bastante razoáveis e as reduções das emissões propostas uma vez comunicadas ao Secretariado se tornam compulsórios no sentido que são públicos, transparentes e objeto de fiscalização. Fundos internacionais foram criados para ajudar os países menos desenvolvidos a cumprir seus INDC’s O fato do “Acordo de Paris” não ser um novo Tratado evita que tenha que passar pelo Senado dos Estados Unidos que provavelmente o rejeitaria. Ele é um instrumento usado pela COP da Convenção do Clima para atingir seus objetivos e a Convenção do Clima foi ratificada por todos os países, inclusive os Estados Unidos.

disso – o uso de carvão não aumentará mais e começará a declinar. Outros países, inclusive o Brasil adotaram procedimentos análogos como reduzir o desmatamento da Amazônia que reflete seu próprio interesse nacional. O que houve pois, foi um amadurecimento das políticas internas dos países em relação ao aquecimento global. Os que achavam que o campo de batalha seriam as conferências do clima onde se reúnem os chefes de Estado e decisões são tomadas, perceberam que a verdadeira batalha deveria ocorrer dentro de cada país onde políticas internas foram decididas e adotadas.

O INDC do Brasil no que se refere à redução das emisEm lugar de decisões multilaterais foram adotadas sões diz o seguinte: decisões unilaterais tomadas pelos países (de “baixo para cima”). Por exemplo, o governo da China percebeu que • Compromete-se a reduzir as emissões de gases de o uso ilimitado de carvão, como base de seu desenvol- efeito estufa em 37% abaixo dos níveis de 2005, em 2025. vimento econômico, deteriorou seriamente a qualidade do ar nas grandes cidades da China. Por essas razões o • Reduzir as emissões de gases de efeito estufa em governo chinês decidiu que até 2030 – ou mesmo antes 43% abaixo dos níveis de 2005 em 2030 meta indicativa.

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Para atingir essas metas o Brasil pretende:

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“Aumentar a participação de bioenergia sustentável na matriz energética brasileira para aproximadamente 18% até 2030, expandindo o consumo de biocombustíveis, aumentando a parcela de biodiesel na mistura de diesel;

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No setor florestal e de mudança no uso da terra; - fortalecer políticas e medidas com vistas a alcançar, na Amazônia brasileira, o desmatamento ilegal zero até 2030 e a compensação das emissões de gases de efeito estufa provenientes da supressão legal da vegetação até 2030; - restaurar e florestar 12 milhões de hectares de florestas até 2030, para múltiplos usos;

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No setor de energia, alcançar uma participação estimada de 45% de energias renováveis na composição da matriz energética em 2030, incluindo: - Expandir o uso doméstico de fontes de energia não fóssil, aumentando a parcela de energias renováveis (além da energia hídrica) no fornecimento de energia elétrica para ao menos 23% até 2030, inclusive pelo aumento da participação de eólica, biomassa e solar”. Converter em realidade estas promessas vai exigir muito trabalho, mas o caminho está traçado.

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Artigo

IMPACTO DA ORIENTAÇÃO DO ARRANJO FOTOVOLTAICO NA PRODUÇÃO ANUAL DE ENERGIA ELÉTRICA Fabiano Perin Gasparin – fabiano-gasparin@uergs.edu.br Professor Adjunto da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul, Coordenador do Curso de Eng. em Energia da unidade da UERGS em Novo Hamburgo

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utilização da tecnologia fotovoltaica para a conversão da energia solar em energia elétrica está em crescimento e consolidação no Brasil. Além de ser uma fonte intermitente de energia, o desempenho de um sistema fotovoltaico é dependente de diversas variáveis: radiação solar incidente no plano do arranjo fotovoltaico, temperatura de operação dos módulos fotovoltaicos, desempenho do inversor, perdas do sistema na fiação e conexões, descasamento de parâmetros dos módulos, degradação ao longo do tempo, etc. A análise do real impacto do ângulo de orientação do arranjo fotovoltaico no desempenho esperado do sistema é uma importante ferramenta de análise da viabilidade das instalações em orientações diferentes das consideradas ideais. Sob o ponto de vista puramente geométrico, a melhor orientação do arranjo fotovoltaico para a produção anual de eletricidade seria aquela com inclinação 8

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igual à latitude local e orientada para o norte geográfico, que costuma ser a recomendação geral. É importante destacar que em função das características do clima de um determinado

Neste sentido, o programa SAM (System Advisor Model), ferramenta de simulação desenvolvida pelo NREL (National Renewable Energy Laboratory) dos EUA que possui distribuição gratuita permite realizar análises paramétricas de sistemas fotovoltaicos conectados à rede de maneira confiável e rápida. Existem diversos programas disponíveis comercialmente que também podem ser utilizados, como o PVSyst por exemplo, software bastante difundido no meio fotovoltaico cuja licença possui um custo da ordem de US$ 1400.

Neste trabalho, o soflocal, levando em consideração a par- tware SAM foi utilizado para simular cela da radiação difusa, nebulosidade um sistema fotovoltaico conectado e temperatura ambiente, a análise do à rede de 1500 Wp, típico de instalareal impacto da orientação do painel ções residenciais de pequeno porte. fotovoltaico no desempenho anu- Foi realizada uma análise paramétrial do sistema deve ser realizada por ca da influência da orientação do arprogramas de simulação, que permi- ranjo fotovoltaico na produção anual tem o cálculo da viabilidade da ins- de eletricidade. talação do arranjo em uma água de telhado voltado para o leste, para o Esta análise é importante uma oeste ou mesmo para o sul. vez que os telhados possuem diver-


25 YEARS 85%

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A utilização da tecnologia fotovoltaica para a conversão da energia solar em energia elétrica está em crescimento e consolidação no Brasil sas orientações e assim é possível estimar quantitativamente a variação da produção anual de eletricidade em função do ângulo de inclinação e de azimute do arranjo fotovoltaico. As simulações foram realizadas para algumas das cidades brasileiras que possuem arquivos climáticos do tipo TMY3 (Typical Meteorological Year) no programa SAM. Estes arquivos possuem dados horários da radiação direta normal, radiação difusa horizontal, temperatura de bulbo seco, temperatura de bulbo úmido, A utilização da tecnologia fotovoltaica para a conversão da energia solar em energia elétrica está em crescimento e consolidação no Brasil. Além de ser uma fonte intermitente de energia, o desempenho de um sistema fotovoltaico é dependente de diversas variáveis: radiação solar incidente no plano do arranjo fotovoltaico, temperatura de operação dos módulos fotovoltaicos, desempenho do inversor, perdas do sistema na fiação e conexões, descasamento de parâmetros dos módulos, degradação ao longo do tempo, etc. A análise do real impacto do ângulo de orientação do arranjo fotovoltaico no desempenho esperado do sistema é uma importante ferramenta de análise da viabilidade das instalações em orientações diferentes das consideradas ideais. Sob o ponto de vista puramente geométrico, a melhor orientação do arranjo fotovol10 RBS Magazine

taico para a produção anual de eletricidade seria aquela com inclinação igual à latitude local e orientada para o norte geográfico, que costuma ser a recomendação geral. É importante destacar que em função das características do clima de um determinado local, levando em consideração a parcela da radiação difusa, nebulosidade e temperatura ambiente, a análise do real impacto da orientação do painel fotovoltaico no desempenho anual do sistema deve ser realizada por programas de simulação, que permitem o cálculo da viabilidade da instalação do arranjo em uma água de telhado voltado para o leste, para o oeste ou mesmo para o sul.

o PVSyst por exemplo, software bastante difundido no meio fotovoltaico cuja licença possui um custo da ordem de US$ 1400. Neste trabalho, o software SAM foi utilizado para simular um sistema fotovoltaico conectado à rede de 1500 Wp, típico de instalações residenciais de pequeno porte. Foi realizada uma análise paramétrica da influência da orientação do arranjo fotovoltaico na produção anual de eletricidade.

Esta análise é importante uma vez que os telhados possuem diversas orientações e assim é possível estimar quantitativamente a variação Neste sentido, o programa SAM da produção anual de eletricidade (System Advisor Model), ferramenta em função do ângulo de inclinação e de simulação desenvolvida pelo NREL de azimute do arranjo fotovoltaico. (National Renewable Energy LaboraAs simulações foram realizadas tory) dos EUA que possui distribuição gratuita permite realizar análises pa- para algumas das cidades brasileiras ramétricas de sistemas fotovoltaicos que possuem arquivos climáticos do conectados à rede de maneira confiá- tipo TMY3 (Typical Meteorological vel e rápida. Existem diversos progra- Year) no programa SAM. Estes arquimas disponíveis comercialmente que vos possuem dados horários da ratambém podem ser utilizados, como diação direta normal, radiação difu-

Figura 1 – Energia anual normalizada do SFCR para diversos ângulos em Santa Maria, RS. Lat. 29,7° S.

Figura 2 – Energia anual normalizada do SFCR para diversos ângulos em Curitiba, PR. Lat. 25,5° S


sa horizontal, temperatura de bulbo seco, temperatura de bulbo úmido, umidade relativa, velocidade do vento, além dos dados de latitude, longitude e altitude do local. O sistema simulado é composto por 6 módulos de silício multicristalino de 250 Wp conectados em série a um inversor Fronius Galvo 1,5-1. O modelo de radiação difusa utilizado nas simulações é o Modelo de Perez e o albedo utilizado foi 0,2. A determinação da temperatura dos módulos foi realizada pelo mé-

todo NOCT (nominal operating cell temperature). Com os mesmos dados de entrada em todos os casos, a produção do sistema foi calculada com ângulos de inclinação entre 0° e 90° com um maior refinamento da faixa de inclinação correspondente às latitudes brasileiras, ou seja, entre 0 e 35°. A variação do ângulo azimutal compreendeu 360°, com menor refinamento na orientação sul. A definição de azimute da superfície é aquela baseada no norte verdadeiro, onde 0° indica o norte e o deslocamento positivo é em direção leste, compreendendo ângulos entre 0 e 359°.

O valor da energia anual obtida para cada um dos ângulos foi normalizado pela energia obtida por um sistema de referência, isto é, orientado para o norte e com inclinação igual à latitude local. Desta maneira é possível comparar rapidamente o desempenho dos sistemas em relação à referência. Neste trabalho foram selecionadas apenas quatro cidades representativas de algumas regiões do país para ilustrar os resultados, porém a metodologia é facilmente aplicada em qualquer localidade que possua arquivo climático do tipo TMY3 para ser utilizado no SAM. A análise da Fig. 1 com os resultados obtidos para Santa Maria – RS permite depreender que a energia anual produzida difere em menos de 1% para uma faixa relativamente ampla de orientação do arranjo fotovoltaico em torno da orientação de referência.

Figura 3 – Energia anual normalizada do SFCR para diversos ângulos em Belo Horizonte, MG. Lat. 19,8 °S

Figura 4 – Energia anual normalizada do SFCR para diversos ângulos em Bom Jesus da Lapa, BA. Lat. 13,3° S

Figura 5 – Energia anual normalizada do SFCR para diversos ângulos em Fortaleza, CE. Lat. 3,7° S

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Os dados mostram também que mesmo telhados orientados em até 50° para nordeste ou noroeste com inclinações entre 15 e 30° ainda apresentam uma produção anual estimada no máximo 5 % inferior ao sistema fotovoltaico de referência. Outro dado interessante desta análise é a possibilidade de verificar a viabilidade de uma instalação em uma edificação cujas águas dos telhados sejam orientadas nas direções leste/oeste, permitindo decidir qual a orientação preferencial em cada caso. Para Santa Maria, a diferença da energia entre a orientação leste ou oeste não chega a ser relevante, sendo que a simulação resultou em produção anual 1% maior na orientação oeste quando comparada com a orientação leste. Estes dados podem contrariar algumas suposições do senso comum, como por exemplo, a de que na orientação oeste o desempenho é sempre pior do que a leste, devido à maior temperatura no período da tarde. Outra suposição bastante difundida é que o desempenho é fortemente afetado para ângulos de inclinação não ideais, o que pode ser rapidamente verificado pela análise do tamanho


da região verde da Fig. 1, que a influ- de Curitiba permite observar uma ência não é tão significativa para uma pequena vantagem nas orientações faixa ampla de orientações. a oeste em relação às orientações a leste. A orientação que apresentou o melhor desempenho anual para É possível depreender que este Santa Maria foi com ângulo de 25° e resultado é decorrente da caracteazimute 0°, porém apenas 0,15 % su- rística do clima local que apresenta perior ao resultado de referência e, neblinas matutinas em determinados portanto não aparece nos resultados períodos do ano. Dentre os ângulos da Fig. 1 devido à resolução do valor utilizados para a simulação, a maior normalizado. É importante destacar produção anual de eletricidade foi que em instalações de usinas fotovol- encontrada para inclinação de 25° taicas no solo, uma inclinação menor e azimute 350°, embora o resultado dos módulos fotovoltaicos é preferí- seja apenas 0,16 % maior que o valor vel a uma inclinação maior, pois além de referência, pouco relevante enerda produção de eletricidade anual geticamente. não ser substancialmente afetada, a menor inclinação permite o adensaOs resultados para Belo Horizonmento das fileiras de módulos foto- te apresentados na Fig. 3 apresentam voltaicos, e consequentemente uma uma leve preferência para orientamaior ocupação do terreno. ções a leste. Nota-se também que o desempenho é similar em ângulos Os resultados da análise para a ligeiramente superiores à latitude, cidade de Curitiba-PR são apresenta- diferentemente das cidades com lados na Fig. 2, onde também é possí- titudes maiores ao sul do país. Um vel verificar uma faixa relativamente sistema orientado a leste em um teampla de orientações em que a pro- lhado com 15° de inclinação apresendução anual de eletricidade difere ta um desempenho anual apenas 7 em até 1% do sistema de referência. % inferior ao sistema de referência, A simulação com os dados climáticos mostrando de maneira quantitativa a

perda de energia em uma orientação não ideal do painel. A Fig. 4 apresenta os resultados obtidos para Bom Jesus da Lapa – BA. Esta região está entre as que apresentam os maiores índices de irradiação do território brasileiro. A faixa de inclinações em que a diferença de produção anual é até 1 % menor que a produção de referência é bastante ampla. A simulação indicou que a inclinação de 20° e orientação azimutal de 20° apresentam o melhor desempenho anual, aproximadamente 0,5 % superior ao sistema de referência. Neste caso é possível visualizar claramente uma tendência dos sistemas orientados à leste apresentarem desempenho superior aos sistemas orientados à oeste. Poderia se argumentar inclusive, que no caso de grandes sistemas, uma inclinação de 10°, o que permite um grande fator de cobertura do solo, e azimute ligeiramente voltado para o leste, entre 10 e 30 °, teria um desempenho semelhante ao sistema orientado exatamente para o norte com inclinação de 15 a 25°.


A quarta cidade analisada foi Fortaleza – CE, cujos resultados são apresentados na Fig. 5. Nesta latitude, a orientação norte não é tão relevante, uma vez que em praticamente metade do ano, o Sol estará ao sul do zênite local. Interessante notar também que na inclinação de 10°, há várias orientações azimutais a oeste que inclusive apresentam desempenho 1% superior ao sistema de referência. Isto permite a instalação de sistemas fotovoltaicos em qualquer água de um telhado com praticamente a mesma produção anual de eletricidade, salvo obviamente eventuais sombreamentos. Convém destacar que embora o sistema de referência tenha sido calculado com inclinação igual à latitude de 3,7° a fim de manter a consistência das comparações, é aconselhável uma inclinação mínima de 10°, recomendada pelos fabricantes de módulos fotovoltaicos para facilitar a autolimpeza. O resultado da simulação também mostra que orientações a oeste são mais favoráveis, fato que de certa maneira é diferente do senso comum, que em geral atribui orien14 RBS Magazine

tações a oeste um pior desempenho devido às maiores temperaturas do período vespertino.

produção pode ser maior do que o esperado.

É importante destacar que A análise realizada por meio de não há uma regra geral que se apliuma simulação computacional com- ca a todas as cidades. Se as águas pleta de um sistema fotovoltaico e disponíveis forem leste/oeste, a sinão somente da radiação incidente mulação permite decidir o melhor no plano inclinado permite o cálculo caso baseado na energia anual prodo real impacto da orientação do ar- duzida. ranjo no desempenho global do sisteNas baixas latitudes, praticama, incluindo os efeitos da temperatura dos módulos fotovoltaicos e do mente qualquer orientação azimutal ponto de operação do inversor a cada produz resultados semelhantes para ângulos de inclinação de 10°. É imhora da simulação. portante ressaltar que os resultados Em geral há uma faixa relativa- das simulações aqui apresentadas mente ampla de inclinações e orien- necessitam de arquivos climáticos retações azimutais do arranjo fotovol- presentativos dos locais de interesse. taico em que a produção anual de Somente o arquivo climático com daeletricidade não difere em mais do dos horários permite uma simulação que 1% da energia produzida por um fidedigna, pois os cálculos baseados sistema de referência, com inclinação somente em médias de radiação não igual à latitude e orientado para o permitem tal refinamento da simulanorte geográfico. Este fato minimiza ção. a necessidade de realizar modificaPara a obtenção de simulações ções no telhado ou nos suportes dos cada vez mais confiáveis, é necessámódulos. ria a ampliação das medidas de daA escolha de uma inclinação di- dos solarimétricos completos, com ferente da considerada ideal para radiação difusa e radiação direta noraplicações fotovoltaicas pode apre- mal, para a compilação de arquivos sentar o mesmo desempenho anual, climáticos representativos de um núhavendo casos inclusive em que a mero maior de locais do país. ▪


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Artigo

Caracterização da degradação do encapsulante copolímero de Eva de módulos fotovoltaicos instalados em zonas de Minas Gerais por FTIR-TR Michele Cândida Carvalho de Oliveira – michelecandida2004@yahoo.com.br Vanessa de Freitas Cunha Lins – vlins@deq.ufmg.br Universidade Federal de Minas Gerais, Departamento de Engenharia Química Marcelo Machado Viana – marcelopuc.viana@yahoo.com.br Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais/ Departamento de Física e Química do Instituto de Ciências Exatas e Informática – ICEI Antônia Sonia Alves Cardoso Diniz – asacd@pucminas.br Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais/Grupo de Estudos em Energia, Instituto Politécnico da PUC/Minas

CHARACTERIZATION OF ENCAPSULANT EVA COPOLYMER DEGRADATION OF PV MODULES INSTALLED IN CLIMATIC ZONES OF MINAS GERAIS BY FTIR-ATR Abstract. The solar energy conversion systems are subject to a number of weather conditions that may affect its stability, efficiency and service life. One of these storms is the photodegradation of Encapsulants of solar cells by exposure to ultraviolet (UV) radiation and temperature, leading to a reduction in modules in the photovoltaic conversion efficiency. The energy present in this type of radiation promotes the breakdown of polymeric chains by generating free radicals and a later auto-oxidation process, which leads to the degradation of the encapsulant. The delamination, corrosion and discoloration are the predominant modes of degradation of the photovoltaic module. In this work the technique of Infrared Spectroscopy by Attenuated Total Reflectance (ATR-FTIR), proved efficient for the characterization of photodegradation of photovoltaic Encapsulants samples from three different manufacturers. Key words: Photovoltaic Module Degradation, Photodegradation, Encapsulant.

1. INTRODUÇÃO As necessidades energéticas globais têm aumentado, significativamente, nas últimas décadas e este aumento pode chegar a mais de 50% até o ano de 2030. Isto se deve principalmente à rápida industrialização e à ascensão dos países em desenvolvimento (Sharma e Chandel, 2013). Atualmente, as necessidades energéticas são supridas em sua maior parte por fontes de energia convencionais, como carvão, gás e petróleo, que são explorados de forma insustentável, o que pode levar a um esgotamento das reservas mundiais de combustíveis fósseis num futuro próximo. O consumo em larga escala de combustíveis fósseis 16 RBS Magazine

também é prejudicial ao meio ambiente. Assim, há uma necessidade de mudança das fontes de energia convencionais para as renováveis que são, ao mesmo tempo, sustentáveis e favoráveis ao meio ambiente. No entanto, atualmente as fontes de energia renováveis correspondem a uma parcela muito pequena do mercado de energia em todo o mundo (Sharma e Chandel, 2013).

O módulo é o mais importante e caro componente de qualquer sistema fotovoltaico. A confiabilidade e a vida útil do módulo dependem dos diferentes tipos de degradação que o afetam, e que vão reduzindo sua potência de saída ao longo do tempo (Assunção, 2014).

A eletricidade gerada usando a tecnologia fotovoltaica só pode ser viável economicamente se os móduDentre as fontes de energias re- los fotovoltaicos operarem de forma nováveis, se destaca a energia solar. confiável por 25 a 30 anos, sob conA conversão da luz solar em eletrici- dições ambientais (Sharma e Chandade, por meio dos módulos fotovol- del, 2013). Há um grande número de taicos é uma alternativa promissora módulos fotovoltaicos instalados ao de energia renovável, uma vez que redor do mundo. Apesar disto, não a energia solar é abundante e dispo- se sabe o suficiente sobre a confiabinível gratuitamente em todo o globo lidade desses módulos (Charki et al., terrestre. 2013).


Na literatura, diversos autores e seus colaboradores como: Assunção et al. (2014), Charki et al. (2013), Makrides et al. (2010), Ndiaye et al. (2013), e Sharma e Chandel (2013), dentre outros, mencionam a grande dificuldade de estudar as formas de degradação dos módulos fotovoltaicos em condições ambientes, ou seja, em condições reais. Isto porque o desempenho de um sistema fotovoltaico está diretamente ligado às condições ambientais e climáticas, como: irradiação solar, temperatura, umidade, penetração da água e intensidade da radiação ultravioleta (UV), enquanto fatores como falhas progressivas no mecanismo e degradação afetam o desempenho em longo prazo. Portanto, fazem-se necessários estudos sobre o tempo de vida e a confiabilidade de um sitema fotovoltaico. Sendo assim, a investigaçãodeve ser mais focada na degradação dos módulos fotovoltaicos (Ndiaye et al., 2013). Dentre estas degradações destacase a fotodegradação dos filmes poliméricos encapsulantes por exposição à radiação (UV), causando nos módulos uma redução da eficiência de conversão fotovoltaica (Carvalho, 2011). O encapsulante é um material polimérico no qual será envolvida a célula fotovoltaica. É utilizado para proporcionar a adesão entre as células solares, proporcionando acoplamento óptico, proteção à célula fotovoltaica da ação de agentes externos causadores de degradação. De todos os polímeros, o mais utilizado para uso fotovoltaico é o copolímero de etileno acetato de vinila (EVA). Ele tem demonstrado ser o que mais atende às propriedades necessárias de encapsulantes de módulos fotovoltaicos, dentre elas: baixo custo, boa adesão com diferentes materiais, baixo coeficiente de absorção de água e vapores úmidos, resistividade elétrica alta, baixa temperatura de reticulação e elevada transmissão óptica. Os atuais encapsulantes do copolímero de EVA das células fotovoltaicas têm apresentado um ama-

relamento (yellowing) em função da fotodegradação sofrida, que é um processo que pode se iniciar poucos anos após a instalação do módulo fotovoltaico em campo. O fenômeno observado é a mudança da cor original do material (incolor), ocorrendo variação de cores do amarelo (yellowing) até o marrom (browning), passando na cor castanho-escuro (Ndiaye et al., 2013). Os principais fatores relacionados à degradação do EVA são: a luz solar, em particular, a radiação UV, ciclos térmicos, presença de oxigênio, umidade e poluentes. Dos fatores citados, a radiação UV é a principal responsável pela degradação, que é capaz de quebrar as ligações poliméricas, reduzindo a incidência de luz nas células solares.

outros módulos aparentemente não estavam degradados. Os espectros de infravermelho com transformada de Fourier por Reflectância Total Atenuada (FTIR-ATR) foram obtidos no equipamento da marca: Bruker, modelo: Alpha e método Diamond com uma faixa de varredura de 400 a 4000 cm-1.

Através dessa técnica, a fotodegradação do EVA pode ser estudada pela obtenção do índice carbonílico (IC)através da comparação entre as razões das intensidades das bandas de absorção associadas a modos vibracionais de grupos funcionais, com a banda de referência em 2850 cm-1 (Jin et al, 2010). Essa banda de referência é característica da deformação Com o objetivo de caracterizar e do modo vibracional do tipo rocking identificar os produtos das reações em plano do metileno (–CH2–) que de fotodegradação que ocorrem no é tida como um padrão interno em encapsulante o copolímero de (EVA) relação às outras bandas para comfoi utilizada, neste trabalho, uma das pensar as diferenças de sinais. Essa principais técnicas de análise dessa banda é utilizada para normalizar fotodegradação a Espectroscopia na as diferenças de sinais que ocorrem Região do Infravermelho por Reflec- devido a fatores de superfície, como o ângulo de contato com o feixe de tância Total Atenuada (FTIR- ATR). luz incidente no FTIR e as variações na espessura das amostras (Jin et al, 2. METODOLOGIA 2010; CARVALHO, 2011). Para o desenvolvimento deste O índice dado pelas Eq. (1) e Eq. trabalho foram coletadas amostras de encapsulantes do copolímero de (2), foi determinado a partir das raetileno de acetato de vinila (EVA), de zões entre o valor de absorbância (A) três módulos fotovoltaicos de silício do modo vibracional de estiramento policristalino que estavam em campo do grupo carbonil cetona em 1715 por cerca de 20 anos. O ensaio é des- cm-1 e da lactona em 1735 cm-1 (Jones trutivo, ou seja, os módulos tiveram et al., 1959) e o modo vibracional sique ser quebrados para retirada do métrico de estiramento do metileno EVA para análise. Para preservar os (–CH2–) em 2850 cm-1. fabricantes dos encapsulantes envolvidos neste trabalho, estas serão denominadas: Fabricante A, B e C. Uma amostra comercial do copolímero de etileno de acetato de vinila (EVA), usada em módulos fotovoltaicos, foi fornecida pelo PRL (Photovoltaic Reliability Laboratory), da Arizona State University. Tal amostra foi usada para efeito de comparação, sendo nomea- 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO da de EVA puro. O copolímero de EVA, represenO módulo fotovoltaico do Fabri- tado na Fig. 1, pode apresentar em cante C apresentava escurecimento sua estrutura blocos de vinte ou mais (amarelamento) do encapsulante. Os etilenos e diversas unidades do aceRBS Magazine

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tato de vinila (VA) podem ser formadas. Sendo assim, conforme Carvalho (2011), osmecanismos da degradação podem envolver as mesmas sequências para o polietileno e o poliacetato de vinila.

Figura 2 – Reação de Hidroperóxido. Fonte: Jin et al (2010).

Figura 1 – Unidade estrutural de repetição do copolímero EVA.

A radiação (UV) provoca reações de quebra de cadeia polimérica do encapsulante copolímero de EVA conduzindo à formação dos cromóforos, que podem aumentar drasticamente a absorção na escala espectral na faixa do ultravioleta ou visível ou em ambos, proporcionado ainda mais o aumento da fotodegradação. O início de reações de degradação pode ocorrer por diferentes maneiras. Uma dessas maneiras é através da quebra aleatória da extremidade da cadeia, dando forma a radicais livres. Uma série de reações de propagação então acontece, onde ligações olefínicas são geradas.Em presença de oxigênio a degradação foto-oxidativa é o processo de degradação mais presente, no qual o mecanismo envolve ciclos de auto-oxidação. A etapa da iniciação ocorre a partir da reação com O2 na presença de H2O para formar radicais e hidroperóxidos, ou formar RO2• (onde R é a cadeia carbônica) em etapas da propagação por reações com os radicais. Uma reação de adição do RO2• com uma ligação olefínica pode produzir um radical que conduza a reações de quebra de cadeia e formação de ligações cruzadas. As etapas de terminação da cadeia envolvem a eliminação de radicais livres para formar produtos. À exceção das reações de ligações cruzadas, os pro18 RBS Magazine

dutos apresentam massa molecular menor do que o da cadeia original, com ou sem o O2 em sua composição (Cristofoli, 2012; Carvalho, 2011; Jin et al.,2010; Santos, 2008; Dalmolin, 2007; Fechine et al, 2004).

acordo com o fabricante de cada um dos módulos fotovoltaicos.

O mecanismo de degradação do EVA foi analisado atráves das bandas correspondentes aos grupos químicos presentes e também atráves do índice de grupos carbonílicos (IC). O IC foi determinado para se obter uma comparação quantitativa dos grupos funcionais do copolímero EVA: puro e aqueles presentes nas amostras nos módulos fotovoltaicos dos Fabricantes: A, B e C.

O encapsulante presente no módulo do Fabricante A apresentou um valor para IC menor que o EVA puro, o que pode ser atribuído à presença dos absorvedores de luz (Carvalho, 2007).

Os maiores índices carbonílicos (IC) estão presentes nos encapsulantes presentes nos módulos dos Fabricantes B e C, e o resultado está • Os radicais peróxidos (ROO ) rea- de acordo com o aspecto degradado gem novamente com o polímero ge- apresentado por este módulo fotorando hidroperóxidos (ROOH) e outro voltaico. O amarelamento do copolíradical alquil (R•). Os hidroperóxidos mero de EVA ocorre devido à sua desão compostos instáveis e se decom- gradação (Ndiaye et al., 2013). põe facilmente, dando sequência às O encapsulante presente no móreações de oxidação. Na Fig. 2 tem-se uma reação de hidroperóxido para o dulo do Fabricante B e C apresentou EVA em uma baixa concentração de um valor maior do índice de carbonila água, levando à formação de cetona que o EVA puro, indicando que houve uma maior degradação. (Jin et al., 2010).

Nos espectros de Infravermelho por FTIR-ATRS, Fig. 3, as bandas de absorção características dos grupos de EVA foram as mesmas percebidas por Carvalho (2011), Liu e colaboraA Tab. 1 apresenta os valores dores (2011) e também Jin e seus coobtidos do índice de grupos carboní- laboradores (2010). A banda em 1737 licos: carbonil cetona e lactona, de cm-1 é atribuída à vibração de estira-


mento do grupo carbonila éster, as bandas em 1242 cm-1 e em 1021 cm-1 são devidas à vibração de estiramento assimétrico de C–O–C (Carvalho, 2011). Outras bandas de absorção, tal como 1465 cm-1 (quebra da vibração de –CH2–), 1371 cm-1 (C–H dobra simétrica da vibração de –CH3), e 722 cm-1 característico do modo rocking interno da vibração de –CH2– (Shi et al, 2009) também apareceram demonstrando a quebra de segmentos da cadeia de poliacetato de vinila. A Fig. 3 apresenta os espectros de infravermelho FTIR ATR obtidos para as amostras de EVA.

Figura 3 – Espectros FTIR ATR do encapsulante Copolímero de EVA:(a) PURO; (b) Fabricante A;(c) Fabricante B e (d) Fabricante C.

Figura 4 – Reação Norrish I do EVA.Fonte: Adaptado-Carvalho (2011).

É importante destacar que parte das diferenças observadas nos espectros FTIR pode estar associada também, ao fato de o EVA dos módulos dos diferentes fabricantes já ter originalmente diferenças em sua composição, de forma que, mesmo que os módulos fossem novos (sem degradação), uma diferença já apareceria. Tal diferença pode estar relacionada aos absorvedores de luz (Carvalho, 2007). A reação de degradação do copolímero EVA do tipo Norrish I produz o acetaldeído e outros gases como, por exemplo, CO (monóxido de carbono), CO2 (dióxido de carbono) e CH4 (Metano), Fig. 4 e Fig. 5.

Figura 5 – Reação de Degradação do EVA com a formação da Lactona e Metano. Fonte: JIN et al (2010).

Figura 6 – Reação Norrish II do EVA – desacetilação. Fonte: Jin et al (2010).

Figura 7 – Reação Norrish III do EVA – Formação de Cetona e Aldeído. Fonte: Jin et al (2010).

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A fotodegradação do EVA inicia-se a partir da formação de ácido acético e ligações duplas na cadeia principal. Dentre os principais produtos de reações de degradação encontram-se as lactonas, formadas por back-biting intramolecular pelo grupo de etanoato além de metano, cetonas e acetaldeído (Jin et al, 2010; Kempe et al, 2007; Carvalho, 2011). Além disso, grupos de carbonila α, β-insaturados, hidroperóxidos e anidridos são formados durante o processo de oxidação (Carvalho, 2011). Nas Fig. 6 e Fig. 7 estão representadas as equações das reações de Norrish II e Norrish III. A reação do tipoNorrish II para produz o ácido acético e polienos, Fig. 6.


Segundo Kempe e seus colaboradores (2007), sob exposição à água e/ ou radiação UV, o EVA decompõe produzindo polienos e ácido acético, na reação de Norrish II, que irá diminuir o pH e, geralmente, aumenta as taxas de degradação da superfície. O ácido acético pode conduzir à corrosão partes metálicas (contatos metálicos frontal e traseiro das células e barras de conexão entre as células) no interior do módulo fotovoltaico e perder a adesão com subsequente delaminação da multicamada de encapsulamento. A delaminação consiste na perda de aderência ou separação entre as diferentes camadas do módulo fotovoltaico e, neste caso, sugere que ocorra entre o EVA e a célula. Isto pode causar problemas como aumento da reflexão, maior penetração de água, perda da potência de saída e riscos elétricos nos módulos e na instalação como um todo (Assunção, 2014). Entre as bandas 3300 a 2500 cm1 , região de estiramento axial, bandas fortes nesta região é característica de hidroxila presente em ácidos carboxílicos. Já as bandas fracas na região de 3300 a 2500 cm-1 podem indicar o estiramento axial da ligação –CH do grupo formila de aldeídos. As bandas fortes em torno de 2900 cm-1, presente em todos os espectros, são decorrentes da presença do estiramento C–H. O ácido acético e aldeído são os dois produtos principais que podem provocar o amarelamento do encapsulante, tendendo a tons amarelo-escuros e amarronzados (Carvalho, 2011). O módulo fotovoltaico do Fabricante C apresentou banda carasterística de hidroxila do grupo carboxílico, evidenciando a presença do ácido acético, o que justifica a ocorrência do amarelamento. A reação de Norrish III leva a formação de Cetona e Aldeído Fig. 7. A banda em 1715 cm-1 é característica do modo vibracional de estiramento do C=O, derivada da rápida reação de criação de estruturas cetônicas através de reações de fotólise do tipo Norrish III.

Os produtos gerados na degradação térmica e radiação UV são semelhantes, no entanto, há diferença na quantidade de ácidos gerados, que é maior no processo de foto-oxidação.

para o EVA são considerados segredo industrial pelos fabricantes e não são publicados.

Segundo Carvalho (2011), a maior preocupação que se deve ter ao utilizar o copolímero EVA como encapsulante é a formação de ácido acético, lactonas e cetonas durante a foto-oxidação. Sendo assim, é de fundamental importância promover mecanismos de estabilização do EVA, enquanto encapsulante de módulos fotovoltaicos.

Os autores agradecem ao CNPq e à CAPES pelo apoio financeiro. ▪

4. CONCLUSÕES A técnica de FTIR-ATR demonstrou ser um instrumento eficaz na determinação do grau de fotodegradação do encapsulante copolímero de EVA e sua relação com o amarelamento dos filmes expostos à radiação ultravioleta e ao intemperismo. Esta técnica permitiu caracterizar a degradação através da identificação dos grupos funcionais, tais como, carbonilas, carboxilas e dentre outros, que são produtos de reações características do processo de degradação por radiação (UV). Os valores encontrados pelo IC confirmaram a degradação sofrida pelo EVA. É interessante observar que produtos da fotodegradação do EVA, causados pela radiação (UV) como por exemplo, o ácido ácetico, além de contribuir para sua descoloração, pode contribuir para a corrosão dos módulos fotovoltaicos, devido a uma diminuição de pH. Isto conduz a corrosão das partes metálicas das conexões elétricas internas do módulo fotovoltaico, podendo provocar uma outra forma de degradação que é a delaminação. Logo, é fundamental o desenvolvimento de novos encapsulantes e/ou estabilizantes para atuarem de maneira eficiente contra a degradação causada pela radiação UV, objetivando o aumento da durabilidade dos módulos fotovoltaicos. É importante destacar que os estabilizantes

Agradecimentos

REFERÊNCIAS

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IMPACTO DO SOMBREAMENTO EM UM SISTEMA FOTOVOLTAICO CONECTADOÀ REDE ELÉTRICA Roberto Silva Simplicio – roberto.simplicio@lsitec.org.br, Rafael Herrero Alonso – rherrero@lsi.usp.br, Sergio Shimura – sshimura@lsi.usp.br, Cesar Biasi de Moura – cbmoura@lsi.usp.br, Marcelo Knörich Zuffo – mkzuffo@lsi.usp.br Universidade de São Paulo, Laboratório de Sistemas Integráveis do Departamento de Sistemas Eletrônicos da Escola Politécnica

Abstract. This paper describes the methodology for choosing the best configuration of photovoltaic modules in an urban environment. This choice was made taking into account the shading caused by obstacles in the proximity of the plant, a common scenario in distributed generation. Will be installed nearly 10 kWp on a flat roof of the snack bar in Villa Lobos Park in Sao Paulo. To quantify the losses of the system due to shading effect it was used PVSyst V6.38 software, which made possible to verify that the modules layout choice in the plant impacts on the array yield. Several proposals for module layouts were analyzed and the top three configurations were chosen to make further study. Subsequently the calculation of the return on investment for these layouts showed a 10 years payback time, even surrounded by obstacles such as neighboring buildings, trees and chimneys. Key words: Photovoltaic Energy, Shading, Distributed Generation. Introdução Atualmente, o Brasil possui grande dependência de geração de energia elétrica a partir da fonte hidráulica, acima de 65%, como indicado na Figura 1 (EPE, 2015). Apesar de ser considerada uma energia renovável, a área do reservatório das usinas hidrelétricas causa grande impacto ambiental no ecossistema local, como a mudança do clima, morte de peixes, fugas de animais para áreas secas, devastação da vegetação que foi

Figura 1 - Composição da matriz energética brasileira em 2014 (EPE, 2015)

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inundada, dentre outros (PAQUETE, (ANEEL, 2012). Até o início de 2016, 2004). quase 2000 conexões já haviam sido registradas na ANEEL, sendo quase Dessa forma, a política energéti- 20% registradas em Minas Gerais, ca vem incentivando a utilização de conforme Figura 2. outras fontes de energia para compor a matriz energética nacional. Além da Resolução Normativa Neste contexto foi criada a Resolução Nº482, a ANEEL divulgou a ChamaNormativa Nº482/2012 da Agência da Pública Nº13/2011, cuja proposta Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), foi definir os arranjos técnicos e coque estabeleceu as condições gerais merciais para a inserção de projetos para o acesso ao sistema de distri- de geração solar fotovoltaica na mabuição de energia elétrica, definindo triz energética brasileira, instalando as regras para o sistema de compen- 24,5 MWp de potência em todo tersação e geração de créditos junto à ritório do Brasil (ANEEL, 2011). Um concessionária de energia elétrica desses projetos, ainda em andamen-


to, irá instalar 547 kWp de potência em um parque público, na cidade de São Paulo. A instalação será dividida em um estacionamento solar de 446 kWp, 53 kWp em seguidores solares de dois eixos, 48 kWp em microgerações distribuídas e uma estação solarimétrica. O modelo conceitual da instalação é ilustrado na Figura 3. Análise do impacto do sombreamento O presente artigo visa quantificar o impacto que o sombreamento pode causar em uma das microgerações que será instalada no parque. O estudo do sombreamento é interessante para que seja possível estimar o potencial real de uma instalação em ambiente urbano, onde o sistema estará frequentemente sujeito ao sombreamento de edificações vizinhas, da vegetação, de chaminés, de claraboias, dentre outros. Para quantificar o impacto da sombra causada pelos obstáculos adjacentes à edificação, tanto o prédio como os obstáculos que possam impedir a passagem da luz solar foram medidos. Com a utilização do software PVSyst V6.38, o modelo 3D para a microgeração do prédio da lanchonete foi construído, conforme Figura 4. Com o modelo carregado no software, simulações para o período de um ano foram realizadas. Nessas simulações diversas configurações de módulos fotovoltaicos foram analisadas. Em cada configuração, o posicionamento, a quantidade, o ângulo de elevação e a distância entre fileiras foram variadas com o objetivo de identificar qual combinação apresenta melhor aproveitamento da irradiação solar. Para maior entendimento, a Figura 5 ilustra doze diferentes configurações testadas de um universo de mais de mil e duzentas. As características de cada uma das doze configurações testadas são apresentadas na Tabela 1. Para efeito comparativo do desempenho de cada configuração, nas últimas 2 colunas da tabela, foi indicado o valor do índi

Figura 2 - Evolução do número de conexões (a); Número de conexões por unidades federativas (b) (ANEEL, 2016)

Figura 3 - Modelo conceitual do projeto

Figura 4 - Fotografia do local da instalação e modelo utilizado para o estudo

Figura 5 - Propostas de configurações de módulos para o prédio


ce de desempenho (PR) de cada configuração (quanto maior, melhor)e a perda na coleta da irradiação solar (LC) de cada configuração (quanto menor, melhor). As configurações 8, 10 e 11 foram as que apresentaram os melhores resultados. Curiosamente, nessas configurações os módulos não estão orientados para o Norte (ângulo azimutal de -81° indica orientação para o Leste). No entanto, no hemisfério Sul, orientam-se os módulos para o Norte, aproveitando melhor a irradiação solar. Um estudo mais detalhado foi realizado para entender o real motivo do melhor desempenho dos sistemas orientados para o Leste.

“Nem sempre orientar os módulos para o Norte, resultará em maior produtividade do sistema fotovoltaico!” Sombreamento em sistemas fotovoltaicos Conforme mencionado anteriormente, quando um sistema fotovoltaico é instalado, este poderá estar sujeito ao sombreamento causado pelos obstáculos no entorno da instalação. Em sistemas instalados em telhados, é mais comum que os obstáculos sejam os telhados vizinhos, chaminés e árvores, conforme Figura 6. Figura 6 - Sombreamento em instalações em telhados

dice de desempenho (PR) de cada

configuração (quanto maior, melhor)

Figura 7 - Sombreamento em instalações planas

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Já quando a instalação do sistema ocorre em lajes ou no solo, o próprio sistema fotovoltaico causa sombra nele mesmo, esse fenômeno é conhecido como sombreamento mútuo e pode ser observado na Figura 7. Neste tipo de configuração, a primeira fileira de módulos causa sombra na segunda fileira, que causa sombra na terceira fileira, e assim por diante. Portanto, quanto maior o número de fileiras e a inclinação de cada fileira de módulos, o sombreamento mútuo poderá ser maior. Por esta razão, no caso avaliado neste artigo, orientar os módulos para o Leste resultou em maior pro-


Tabela 2 - Tempo de retorno do investimento

dutividade do sistema. Comparando as configurações 04 (orientação Norte) e a 08 (orientação Leste), nota-se que a principal diferença entre essas configurações é o número de fileiras de módulos. São 12 fileiras na configuração 04, contra 5 fileiras na configuração 08. É importante ressaltar que isso ocorreu devido ao formato do prédio, retangular com dimensões bem distintas entre a largura e o comprimento do prédio, fazendo com que em uma configuração pudesse ser instalado apenas 5 fileiras, enquanto dos 25 anos, ou seja, uma abordagem que na outra configuração fosse ins- bastante conservadora. talado muitas fileiras, 12 no caso. Conclusão Retorno do investimento O estudo de sombreamento para No Brasil, apesar de elevado microgerações, principalmente em quando comparado com outros pa- ambiente urbano, é bastante atrativo íses, o preço do kWp instalado vem devido à sua importância no contexto diminuindo nos últimos anos. Para atual da matriz energética nacional. sistemas fotovoltaicos de pequeno Os resultados obtidos mostram que porte, a Empresa de Pesquisa Ener- a análise do sombreamento pode ingética (EPE), estimou um custo de fluenciar no posicionamento do móR$ 6.300,00 o kWp instalado (EPE, dulo durante a etapa de projeto do 2014). Considerando o valor de R$ sistema fotovoltaico. 0,64 o kWh para a AES Eletropaulo Apesar de simplificada, a análise para maio de 2016 considerando impostos e tributos (AES ELETROPAULO, econômica apresentou uma maneira 2016). Com o custo do kWh cobrado rápida de verificar a viabilidade de pela concessionária de energia elétri- sistemas fotovoltaicos, mostrando ca e o valor do kWp instalado, é pos- que neste caso, o investidor teria seu sível estimar o custo da instalação do retorno financeiro em aproximadasistema analisado. Por questões de mente 10 anos. Vale ressaltar que a simplificação, a Tabela 2 apresenta o análise em questão foi feita para a ciretorno do investimento apenas para dade de São Paulo, onde o índice de as três melhores configurações, 08, irradiação solar é baixo quando com10 e 11, sendo que cada uma delas parado com o resto do Brasil. Sendo poderá produzir, respectivamente, assim, se a instalação fosse localizada 9.360 kWh, 9.829 kWh e 8.024 kWh em outras regiões, o tempo de retorde energia por ano, de acordo com as no seria inferior. ▪ simulações realizadas. AES ELETROPAULO. Calcule sua conta. A Tabela 2 mostra que um siste- AES Eletropaulo, 2016. Disponivel em: ma deste porte terá retorno em apro- <https://www.aeseletropaulo.com. ximadamente 10 anos. Considerando que sistemas fotovoltaicos são pro- br/educacao-legislacao-seguranca/ jetados para uma vida útil de aproxi- simuladores/conteudo/calcule-suamadamente 25 anos, ainda sobraria -conta>. Acesso em: 30 maio 2016. 15 anos de utilização do sistema com redução na conta de luz. Os cálculos ANEEL. CHAMADA N°13/2011 Proforam realizados considerando que a jeto Estratégico: Arranjos Técnicos e tarifa de luz fosse constante ao longo 26 RBS Magazine

Comerciais para Inserção da Geração Solar Fotovoltaica na Matriz Energética Brasileira. Brasília: ANEEL - Agência Nacional de Energia Elétrica, 2011. ANEEL. Resolução Normativa Nº 482, de 17 de Abril de 2012. Agência Nacional de Energia Elétrica. [S.l.], p. 9. 2012. ANEEL. Registro de central geradora. ANEEL - Agência Nacional de Energia Elétrica, 2016. Disponivel em: <http://www2.aneel.gov.br/scg/rcgMicro.asp>. Acesso em: 25 março 2016. EPE. NOTA TÉCNICA DEA 19/14 - Inserção da Geração Fotovoltaica Distribuída no Brasil - Condicionantes e Impactos. Rio de Janeiro: EPE - Empresa de Pesquisa Energética, 2014. EPE. Balança Energético Nacional 2015 - Ano Base 2014. Brasília: EPE - Empresa de Pesquisa Energética MME - Ministério de Minas e Energia, 2015. 155 p. PAQUETE, S. Ambiente. Mundo Estranho, 2004. Disponivel em: <http://mundoestranho.abril.com. br/materia/qual-o-impacto-ambiental-da-instalacao-de-uma-hidreletrica>. Acesso em: 30 maio 2016.


Entrevista

A RBS Magazine, entrevista:

AURELIO DE ANDRADE SOUZA Sócio-fundador da USINAZUL

RBS Magazine: A quanto tempo você esta atuando no setor de Energia Solar? RESPOSTA: Há 22 anos trabalho com energia solar. Comecei em 1994 ainda com estudante de engenharia, mas já fazia instalações em residências na cidade e zona rural. Atuando tanto com solar térmica quanto fotovoltaica. RBS Magazine: Temos visto um movimento favorável a geração de energia com fontes renováveis, como biomassa, solar, mas principalmente a energia solar tem tido um crescimento acentuado nos últimos anos. Como você vê este cenário? Vejo muito positivamente. Há anos esperamos este mercado decolar, mas somente após a Resolução 482 que o cenário começou a mudar. O Brasil já possui tradição de geração com fontes renováveis centralizadas, como a hidreletricidade, biomassa e eólica, mas a introdução da geração distribuída da forma que está regulamentada é um marco no setor elétrico. A geração com fontes renováveis decresceu nos últimos anos no Brasil, por conta da entrada de termoelétricas que queimam combustíveis fósseis, mas a energia solar e eólica cresceram também e hoje são competitivas. De modo que o cenário é positivo e só tende a aumentar o volume de energia limpa e renovável na nossa matriz. Assim esperamos que as políticas públicas possam criar as condições para o cenário futuro ser ainda mais promissor. RBS Magazine: Hoje temos uma situação não muito confortável no 28 RBS Magazine

Não acredito em racionamento, acredito em eficiência energética, planejamento e maior utilização de fontes renováveis de energia suprimento da demanda de energia, principalmente quando temos períodos sem chuva. Tudo indica que em breve o país deve acelerar novamente o crescimento, sendo assim, você acredita em racionamento? E qual o diferencial que a energia solar poderia contribuir para atender esta futura demanda?

meses, diferente de uma hidroelétrica ou termoelétrica que demandam anos para construção. O gargalo, porém, são as linhas de transmissão conectando os locais de maior potencial eólico e solar com o centro consumidor, que é no Sul e Sudeste. Por fim, não podemos deixar de mencionar o papel importantíssimo da geração distribuída na postergação de investimentos em geração centralizada. O Brasil precisar abraçar esta ideia definitivamente. A energia solar veio para ficar. RBS Magazine: Qual sua expectativa para o começo como Chefe de edição da principal publicação no Brasil, RBS Magazine – Revista Brasileira de Energia Solar fotovoltaica.

O desafio é grande, pois estamos atuando num mercado em pleno desenvolvimento que precisa de referências técnicas para ir se moldando da melhor forma possível. Poder contribuir com mais esta frente de trabalho, e de suma importância, é motivador. Minha expectativa é de possamos gerarmos conteúdo, inforNão acredito em racionamento, acre- mação e material de qualidade para dito em eficiência energética, plane- que o Brasil cresça e seja um líder no jamento e maior utilização de fontes setor de energia solar no mundo. renováveis de energia. Acho que o Brasil passa por um momento muito RBS Magazine: Sua experiência prindelicado, com um nível de desacele- cipalmente no setor acadêmico pode ração da economia acentuado. A re- levar conhecimento de pesquisas e tomada desejada poderá levar mais novas tecnologias para os leitores tempo que se imagina, neste meio da RBS Magazine, dos últimos protempo novas usinas solares e eólicas jetos que acompanhou, quais você entrarão em operação. Uma das ca- destacaria? racterísticas da energia solar e eólica é a modularidade e velocidade da Há cerca de três anos estou como implantação. Usinas solares de gran- pesquisador-colaborador no Laborade porte podem ser implantadas em tório de Sistemas Fotovoltaico (LSF)


do Instituto de Energia (IEE) da USP. Faço parte de uma equipe dedicada e comprometida com as boas práticas, com as normas técnicas e com o continuo aperfeiçoamento da tecnologia e do marco regulatório no setor de energia solar. Existem trabalhos em cursos para desenvolvimento de células solares orgânicas, aumento de eficiência nos módulos fotovoltaicos, utilização de novos materiais em baterias para acumulação de energia, tudo isso e muito mais acompanhado da redução de custos. No lado de sistemas energéticos, percebe-se o crescimento de sistemas inteligentes, integrados e geridos em tempo real, cada vez mais se fala na acumulação de energia renovável para uso posterior, no horário da ponta por exemplo. No segmento de geração distribuída surgiram os sistemas com acumulação individual, não somente para sistemas isolados, mas também em sistemas conectados à rede. Muita novidade pela frente que iremos divulgar por aqui.

O pior cenário para um mercado é ele não se sustentar no longo prazo, sendo necessário intervenções governamentais e

consultor internacional na área de energia sustentável e meio ambiente. Desde 2013 o Sr. Souza é membro-pesquisador no Laboratório de Sistemas Fotovoltaicos (LSF) do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEE) da Universidade de São Paulo (USP), onde atua na coordenação de projetos de extensão e pesquisa na setor de energia solar. Em 2014 o Sr. Souza foi selecionado para compor o Grupo Consultivo para o Setor Privado (PSAG) do Fundo Climático Global (GCF) da Nações Unidas (UNFCCC).

O Sr. Souza é sócio-fundador de empresa de engenharia e consultoria, assistencialistas USINAZUL, tendo trabalhado desde 1999 com organismos multilaterais haver “necessidade de entender de e instituições internacionais no setor eletricidade”. De modo que ainda há de energia e meio ambiente, tal qual muito a ser feito. Mesmo com todos a American Carbono Registry, BID, estes “gargalos”, vejo boas perspec- USAID Brasil, PNUD, SANDIA / USDOE, tivas para o mercado até 2020. Em USAID / MLO, GIZ, Banco Mundial, pouco menos de 4 anos, muito vai Fundação Chile, WWF, dentre outros, acontecer, as tarifas de energia elé- bem como para ONGs internaciotricas continuarão a crescer, e o solar nais e agências governamentais, tais como os Ministérios de Minas e EnerRBS Magazine: Muitos planejamen- será cada vez mais competitiva. gia (MME) e Meio Ambiente, CAIXA, tos foram feitos para a inserção das O pior cenário para um mercado é Eletrobrás, dentre outras. fontes renováveis na matriz energética global, inclusive final do ano ele não se sustentar no longo prazo, passado na COP21 o Brasil e vários sendo necessário intervenções go- Em 2010 o Sr. Souza foi nomeado países do mundo firmaram acordos vernamentais e assistencialistas. O representante para América Latina e compromissos quanto a diminui- mercado que desejamos para a ener- e Caribe da organizações não-goverção das emissões de gases do efeito gia solar é um mercado competitivo e namental REEEP (Renewable Energy estufa. Na sua opinião, como será o profissional. Quem ganha é o usuário and Energy Efficiency Partnership), crescimento do setor de Energia So- final, o consumidor da energia. A in- permanecendo na função até 2014. dústria ganha porque vende mais. O lar no Brasil até 2020? governo ganha, porque há geração Por mais de 10 anos, Sr. Souza traJá respondi em parte acima, mas vou de emprego, riquezas e desenvolvi- balhando na organizações não-goadicionar outros elementos aqui. Um mento socioeconômico e ambiental. vernamental Winrock Internacional, setor em desenvolvimento requer Todos ganham, porque gerar de for- inicialmente como engenheiro, deuma conjuntura favorável para cres- ma limpa e com fontes renováveis é pois gerente de projetos e finalmente cer de forma saudável e sustentável. melhor para meio ambiente, do qual como Diretor e representante legal da entidade no Brasil entre 2007 e No Brasil ainda faltam alguns elemen- todos fazemos parte. 2008. Neste período desenvolvendo tos importantes para crescimento projetos de energia sustentável no mais acelerado e ordenado, tal qual Aurelio de Andrade Souza Brasil e na África (Moçambique e Anum financiamento adequado, regras para o setor mais claras e processo de Sr. Aurélio Souza é engenheiro me- gola). registro mais simples, e, não menos cânico e pós-graduado pelo mestraimportante, a falta de recursos hu- do em política e regulamentação da manos e a necessidade de formação indústria de energia. Por quase duas de mão de obra especializada. Esta- décadas, o Sr. Souza desenvolveu mos vendo proliferação de cursos de ampla experiência com atividades instaladores, projetistas, etc, sem o técnicas, de pesquisa, operacionais e www.usinazul.com.br mínimo cuidado técnico. Cursos ofe- administrativas como empreendedor, recidos oferecidos afirmando não gerente de projetos, pesquisador, e RBS Magazine

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GD PARA TODOS

O falso dilema da Geração Distribuída no Brasil Fonte: Revistas RBES e UNARO (CREA), versão texto, por Carlos A. F. Evangelista Carlos Evangelista, formado em Engenharia elétrica e Direito, MBA em Marketing e especialização em Política e Estratégia; atual presidente da ABGD – Associação Brasileira de Geração Distribuída. There is not dilemma in relation to distributed generation, which there is misinformation and distortion of facts. Dilemma means difficult circumstances and difficult to solve it is necessary to choose between two options conflicting, contrary or unsatisfactory. We can consider that the opposite of GD - Distributed Generation (when the "generation" electric is held together or close to the consumer, regardless of power or source), would Centralized Generation. There is no doubt that, from the operational point of view, are opposing models (Generation Centralized and Distributed Generation), however, both must coexist. The electrical sector don’t want and was never contemplated that we must choose between one of these options. They can and should live together, concomitantly, harmonically, as is in the most countries and should be so in Brazil. There is no dilemma at all, only a resistance, partial and selective, regarding one of the greatest advances in the electricity sector since Nikola Tesla and Thomas Edison. Brazil has an electrical system quite complex, with Laws, Regulations, Resolutions and Decrees, all regulating a model complex, worthy of the attention of masters programs, doctoral, PhD and study "case" of International Institutes. Not because the best reasons: reason efficiency and effectiveness, but because their criticality, complexity, unpredictability and lack of security.

N

ão acredito que haja dilema em relação à Geração Distribuída, o que existe é desinformação e distorção de fatos. Dilema significa circunstância árdua e de difícil resolução em que é necessário escolher entre duas opções contraditórias, contrárias ou insatisfatórias.

que devemos escolher entre uma dessas opções. Elas podem e devem conviver juntas, concomitantemente, harmonicamente, como já acontece no mundo inteiro nos países mais desenvolvidos e deve ser assim também no Brasil. Não há dilema algum, apenas uma resistência, parcial e seletiva, a um dos Podemos considerar maiores avanços do setor que o oposto da GD - Ge- elétrico desde Nikola Tesla ração Distribuída (quando e Thomas Edson. a “geração” elétrica é realizada junta ou próxima ao O Brasil tem um sisteconsumidor/carga, inde- ma elétrico bastante compendentemente da potên- plexo, com Leis, Normaticia ou da fonte), seria Ge- vas, Resoluções e Decretos, ração Centralizada. Não há todos regulamentando um duvidas de que, sob o pon- modelo complexo, digno to de vista operacional, são da atenção de programas modelos opostos (Geração de mestrado, doutorado, Centralizada e Geração Dis- PhD e estudo de “case” de tribuída), no entanto, am- Institutos Internacionais. bos devem coexistir. Não se Não por sua eficiência e deseja e nunca foi cogitado eficácia, mas por sua criti30 RBS Magazine

cidade, complexidade, im- da pela REN 482/2012 da previsibilidade e falta de ANEEL e revisada pela REN segurança. 687/2015 da ANEEL). Para piorar, de vez em quando algum governante resolve, “na canetada”, mudar as regras já estabelecidas, e contrariando a Lei da Oferta e Demanda, reduz as tarifas da noite para o dia como se fosse possível revogarmos a Lei da gravidade por meio de decreto.

Muito me surpreende quando vejo em alguns foros opiniões restritivas sobre a Geração Distribuída. Não que eu seja contra opiniões opostas, muito pelo contrário, a diversidade e heterogeneidade de opiniões é o que nos permite avançar rumo ao desenvolvimento maximizaPois bem, não desejo do. A tendência é sempre aqui esmiuçar os entraves convergir para as melhores do setor elétrico brasileiro ideias. que tem inúmeros problemas na área de Geração, A ideia central da GeTransmissão e Distribuição, ração Distribuída nasceu mas sim, colocar no de- na busca pela segurança, vido patamar a discussão equilíbrio e eficiência enerque por vezes se levanta gética, nem será necessáreferente a Geração Dis- rio gastar preciosas linhas tribuída (me refiro aqui deste reduzido espaço, especialmente a mini e mi- explicando quantas vantacro-geração, regulamenta- gens se tem em produzir


energia elétrica junto ao consumo (carga), evitando as tão conhecidas perdas na Transmissão e Distribuição (fala-se de 17% a 20%, dados da própria ABRADEE e EPE). Então, podemos concluir que se ajudarmos a evitar perdas, de modo contundente e incontestável, a Geração Distribuída é um benefício para todos os consumidores, ricos, pobres, indústria, comercio, serviços, enfim, para todos os usuários finais, consequentemente, para o país. A ANEEL aprovou alterações na REN nº 482/12, com a REN 687/15 que regulamenta o processo de compensação de energia, para os mini e micro geradores distribuídos. Dentre as alterações aprovadas, está a ampliação das fontes que podem ser utilizadas; a ampliação do limite de potência de 1 MW para 5 MW; o aumento do prazo de validade dos créditos de 3 para 5 anos; a possibilidade de instalação de geração em condomínios; a possibilidade de diversos consumidores se unirem para implantar uma geração compartilhada (consórcios e cooperativas); a instituição de formulários padrão para a solicitação de acesso e a redução dos prazos envolvidos o processo. Com isso a ANEEL não buscava beneficiar fonte A ou B, e muito menos estabelecer algum tipo de proteção aos Geradores, Distribuidoras e/ou Consumidores. Buscava apenas colocar o Brasil no mesmo patamar que países do primeiro mundo, beneficiando mais de 75 milhões de consumidores, de todas as classes, em todas as categorias, de todos 32 RBS Magazine

os setores, tudo dentro do os consumidores do Gruconceito de sustentabilida- po B ), apenas citei a Lei de. 62.724 que impede a tarifa binômia para consumidoNo dia da reunião pú- res classe B. Não pedimos blica da diretoria da ANEEL nada de especial, apenas sobre esse tema, para con- que se cumprisse a Lei. E firmar ou vetar as altera- Lei, não importa o ano, ções propostas, a ABDG fez deve ser cumprida a risca, uma defesa oral sobre as não tem prazo de validade incoerências jurídicas de se conforme o tempo, exceto remunerar as Distribuido- se previsto na mesma ou se ras nos casos de geração re- for revogada. mota (somente com a alteração da redação do art. 13 Na verdade, faria mais do Decreto nº 62.724/1968 sentido o oposto, as disa Agência poderia elabo- tribuidoras deveriam rerar uma proposta de tarifa munerar os consumidores binômia aplicável a todos (investidores) por estes

aportarem valores consideráveis em prol da rede elétrica, correrem riscos pela inovação, cederem parte de sua propriedade (telhados, terrenos, coberturas, etc), ou seja, ações que beneficiarão todas as distribuidoras, sendo que estas colherão benefícios das iniciativas de seus clientes, podendo, por exemplo, postergar ou até evitar alguns investimentos em sua rede. A sustentabilidade desse processo está totalmente alinhada com seus três


conhecidos pilares: AMBIENTAL, ECONÔMICO E SOCIAL. Referente ao PILAR AMBIENTAL, este primeiro até dispensa comentários, a REN687/2015 da ANEEL já em sua redação deixa claro que as regras são para fontes de energias renováveis, portanto, alinhado perfeitamente com a tendência mundial, inclusive tudo que foi discutido no COB21 em Paris, com compromissos assumidos pelo governo brasileiro. O PILAR SOCIAL também está perfeitamente alinhado, as vantagens da Geração Distribuída já citadas neste texto trazem benefícios não apenas aos investidores iniciais de GD, mas a todos os usuários do sistema elétrico. Principalmente com a Geração Remota, que permite que os menos favorecidos, que não possuem área disponível em sua residência ou empresa, possam utilizar área relativamente distante e se beneficiar das vantagens da Geração Distribuída. Isso na forma das Cooperativas que permitem a todos, inclusive as camadas da população de baixo poder aquisitivo, se beneficiarem da divisão de um empreendimento em várias cotas, levando assim a todas as classes sociais a Geração Distribuída. Como se fosse um programa “Luz para Todos”, mas sob o codinome de “GD para Todos”. Há também os empregos gerados, em um país onde se projeta 15 milhões de desempregados no final de 2016, estimular um dos setores que mais tem criado empregos no mundo, setor de energias renová34 RBS Magazine

veis (ver gráfico IRENA), GD vem ao encontro de uma ação social altamente positiva, bastante oportuna em um momento tão crítico que vive a nossa sociedade.

comparado aos 75 milhões de consumidores residenciais e comerciais (sem falar dos consumidores industriais), nem de longe arranha a quantidade de energia entregue pelo sisO PILAR ECONÔMICO, tema aos consumidores fiapesar de distorcido por nais. Os mais otimistas calanos, também está alinha- culam que poderia chegar do. No Brasil adotamos o a no máximo a 1,5 % (hoje “net-metering”, portanto, estamos em 0,01%). não há de se falar dos altos incentivos que foram daGeração Distribuída dos na Europa com outro tem ainda uma vantagem modelo, o “feed-in”, em a mais nesse conceito de que os consumidores são sustentabilidade, adicioremunerados pela energia nalmente temos um quarentregue, e a distorção que to pilar da sustentabilidaexiste no Brasil não é devi- de, este nunca é citado, do a GD, mas sim ao cruel não está na literatura trasistema tarifário brasileiro, dicional, mas é igualmenque trabalha com incenti- te importante. É o PILAR vos cruzados e distorcidos, TECNOLÓGICO. A Geração onde muitos recebem pou- Distribuída anda de mãos co e todos pagam muito. A dadas como “SmartGrid”, tão falada modicidade ta- e um país que deseja conrifária na verdade se mos- tinuar à frente das econotrou uma ilusão, uma boa mias mundiais (costumava ideia mal implementada, ser 7ª. na economia mundeveria se chamar perver- dial), deve se manter na sidade tarifária, onde “pa- vanguarda tecnológica em ga-se o dobro para se ter todos os setores, inclusive a metade”. Não podemos e especialmente no setor acusar e nem mesmo suge- elétrico. A Geração Distririr que GD tenha contribuí- buída reforça ainda mais do ou contribuirá para isso. esse quarto pilar, com sua tecnologia de ponta, inA ideia de que os con- dústria de semicondutosumidores remanescentes res, softwares de controle, (porque não quiseram ou monitoramento remoto, não puderam aderir a GD) convertendo energia proarcariam com os custos de veniente de diversas fontes uso da rede, também não renováveis (solar, biomasse sustenta. Esse custo sa, eólica, biogás, etc), com adicional, mesmo que pu- alta eficiência, em energia desse ser calculado, seria elétrica disponível, contromarginal. Primeiro, porque lada, medida e de altíssima nenhum dos consumidores qualidade. que aderem a GD deixa de pagar pelo uso da rede (paÉ descabida e desgam ou na forma de custo provida de fundamento a de Disponibilidade ou na resistência que por vezes forma de Demanda Míni- colocam sobre GD, princima), segundo, porque o palmente sobre a excelenpercentual de usuários que te iniciativa da ANEEL, que aderirem a GD (1.200.000 começou com a REN482 em 2024 segundo EPE), e foi aperfeiçoada com a

REN687. A Resolução normativa não saiu do nada, não foi um projeto unilateral do órgão regulador; foi resultado de inúmeros estudos e sugestões oriundas de consultas públicas onde opinaram todos os agentes do mercado, além da participação do meio acadêmico. Também está juridicamente bem fundamentada, segue a Lei, segue as resoluções e regulamentações do setor, está alinhada com a tendência mundial e principalmente, traz benefícios para toda a população. Mesmo assim, com todas essas vantagens para a população e o país, ainda há grande resistência por parte de algumas empresas. Já vimos esse filme, grandes corporações como a IBM (com seus mainframes) pregando contra a computação distribuída (PC’s – computadores pessoais) até finalmente se renderem a realidade e investirem no segmento. Grandes companhias telefônicas apostando nas Centrais Telefônicas Centralizadas até aderirem aos telefones celulares (centrais distribuídas), novamente as mesmas companhias de Telecom tentando impor restrições e custos nas ligações de voz sobre IP (Skype, WhatsApp, etc), a história é cheia de exemplos. Obviamente, ninguém quer perder mercado, ainda mais um que seja cativo, mas está na hora de realmente nos inserirmos o século 21, onde o benefício de muitos deve superar de longe o de poucos e onde o foco tem que ser o consumidor, que é quem no final sempre pagará a conta (leia-se “fatura de energia”).


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EnerSolar + Brasil e Ecoenergy se destacam no mercado de energia renovável

Até 2040, o Brasil deverá atrair cerca de US$ 300 bilhões em investimentos para a geração de energia, segundo dados Bloomberg New Energy Finance (BNEF). Estima-se que 70% serão destinados a projetos solares e eólicos. Com este mercado promissor aconteceu, de 10 a 12 de maio de 2016, no São Paulo Expo, em São Paulo, a 5ª edição da EnerSolar + Brasil | Feira Internacional de Tecnologias para Energia Solar, principal feira de energias renováveis do setor.

sores, máquinas para transporte e manuseio de biomassa, caldeiras e queimadores.

Como destaque a feira trouxe soluções “chaves na mão” de sistemas fotovoltaicos, ou seja, prontas para serem utilizadas, incluindo todos os equipamentos, mão-de-obra, documentação e o que mais for necessário para o sistema funcionar; os módulos poli-cristalinos, que apresentam maior eficiência na captação da luz solar; inversores inteligentes; Reunindo toda a cadeia produ- e sistemas para atender o comércio e tiva dos segmentos de energia solar, indústria de pequeno porte e de auto eólica e de biomassa, com soluções consumo. voltadas para indústria dos setores de GTDC (Geração, Transmissão, Segundo Thomas Steward, gerenDistribuição e Comercialização), 80 te da EnerSolar + Brasil, a feira mosexpositores apresentaram as mais trou ao mercado o que há de mais recentes tecnologias, produtos e ser- recente em soluções tecnológicas. “O viços como: micro inversores de fre- Brasil possui grande potencial no sequência, painéis solares, estruturas tor de energias renováveis. Além da de fixação, conexões, aquecedores excelente incidência solar, temos vensolares, placas termo solares, painéis tos contínuos para a geração de enerfotovoltaicos, aerogeradores, inver- gia eólica em diversos Estados como 36 RBS Magazine

no Rio Grande do Norte, Ceará, Bahia e Rio Grande do Sul e estas oportunidades devem ser aproveitadas. Neste sentido que atua a feira, trazendo Thomas Steward inovação, conhecimento e o mais importante de tudo, soluções para que estas oportunidades possam se concretizar”, destacando ainda que o sucesso da EnerSolar + Brasil foi conquistado através de diversos fatores como qualificação do público presente, a realização simultânea do Ecoenergy | Congresso de Tecnologias Limpas e Renováveis para a Geração de Energia e a presença das principais empresas e associações do setor. Realizados pela Cipa Fiera Milano, os eventos conjuntos receberam 12 mil profissionais do setor.


6º Ecoenergy | Congresso de Tecnologias Limpas e Renováveis para a Geração de Energia

No momento em que o Brasil vive uma forte desaceleração econômica, a busca pela redução de custos através da geração de energia própria tem sido uma das alternativas das empresas, e até de consumidores, para enfrentar a crise. Talvez esse seja um dos motivos pelo qual o setor de energia solar fotovoltaica tenha apresentado crescimento de mais de 300% nos últimos dois anos, contrastando com o panorama atual do mercado brasileiro. Outro fator importante é que para cada megawatt instalado, gera-se entre 25 a 30 empregos diretos, seja de instaladores de painéis, projetistas, fabricantes e montadores de sistemas fotovoltaicos. Mas para que o setor de energia solar se consolide no Brasil é preciso maior acesso das empresas a financiamentos, por meio de bancos federais ou regionais, que concedam prazo elástico de amortização e taxas de juros mais baixas; que se reduza a tributação proporcionalmente aos investimentos no setor e que se invista também na educação para formação de profissionais técnicos qualificados no País. Estas, entre outras, foram as sugestões debatidas e apresentadas

durante a realização do 6º Ecoenergy | Congresso de Tecnologias Limpas e Renováveis para a Geração de Energia, em São Paulo, entre os dias 10 e 12 de maio, em paralelo à EnerSolar + Brasil. O tema central foi “Ações e políticas públicas, soluções para o financiamento, inovação tecnológica, venda de excedentes e novos negócios em energia solar”. “A 6ª edição do Ecoenergy propôs a discussão dos temas mais atuais e relevantes para quem atua na área ou avalia a viabilidade de investir em energia solar. Foram abordadas e debatidas propostas, soluções e desafios nas áreas de políticas públicas de incentivo à geração solar fotovoltaica e fontes complementares, geração distribuída e financiamento de projetos e a capacitação profissional, regulamentação e gestão da comercialização de energia”, destacou a coordenadora do congresso, Tatiana Dalben. “A realização simultânea da feira também criou um ambiente de sinergia onde os profissionais puderam trocar experiências e ter acesso a informação, através do congresso, e conhecer as últimas tecnologias do setor, na EnerSolar + Brasil”.

Desafios e oportunidades Nelson Colaferro Jr., presidente da ABSOLAR - Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica destacou que “o setor de energia solar pode dar ao consumidor a independência de escolher sua própria fonte de fornecimento”, bastando a instalação de um painel com células fotovoltaicas, que converte a luz do sol em energia elétrica, sobre seu telhado. “Hoje temos mais de 2.500 sistemas de energia fotovoltaica conectados à rede elétrica. Há centenas de investidores dispostos a atuar no Brasil, mas para isso é necessário segurança jurídica que garanta o cumprimento dos contratos”. Colaferro argumenta que planejamento, financiamentos de médio e longo prazo, redução tributária e maior incentivo à formação de mão de obra qualificada são gargalos que precisam ser superados para o crescimento. “A energia solar é uma ótima alternativa à matriz energética brasileira. Temos um sol fantástico que brilha, em todo o território nacional, na maior parte do ano e que pode gerar eletricidade, independente se o tempo está nublado ou não. Mas para isto, precisamos de um setor forte e unido”. RBS Magazine

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Aconteceu nos dias 03 a 05 de maio a 1ª edição da A Exposolar Brasil Feira Internacional de Tecnologia Solar

Uma plataforma de negócios e networking para milhares de profissionais, que tiveram a oportunidade de atualizar seus conhecimentos, encontrar soluções e novas tecnologias para o seu negócio. O evento reuniu alguns dos principais players do mercado solar no Brasil. As empresas participantes era de vários segmentos, como solução para geração de energia e de aquecimento, e entre outras ligadas a exploração de fontes de energia limpa. A Feira foi realizada na cidade de São Paulo, PRO MAGNO Centro de Eventos. Simultaneamente foi realizado o COBES - Congresso Brasileiro de Energia Solar.

O evento reuniu profissionais e especialistas de todo o país. Tendo como grande parceiro a Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD). Foram apresentados importantes temas referentes às energias solar fotovoltaica e termosolar, tendo como tema central “Energia Solar - Despontando como o Investimento da Década”

A PRÓXIMA EDIÇÃO DO EVENTO JÁ ESTA MARCADA PARA OS DIAS

09 A 11 DE MAIO DE 2017 Maiores informações: +55 11 2730-0522 - contato@rofereventos.com.br 40 RBS Magazine


CIBIO 2016 e Feira EXPOBIOMASSA superam todas as expectativas

Cerca de duas mil pessoas estiveram visitando os eventos nos dois dias Aproximadamente dois mil profissionais do setor da Biomassa e Energia participaram nos dias 15 e 16 de junho dos principais eventos do setor no Brasil. Recebemos visitantes e congressistas de 20 estados Brasileiros, e 6 países, Colômbia, Uruguai, Chile, África, Portugal e Argentina. O setor da Biomassa e Energia viveu um momento histórico nestes dois dias. Segundo Tiago Fraga, Coordenador do evento, reunir um número tão expressivo de participantes, já na primeira edição do evento, mostra a força do setor no Brasil. Produtores de pellets, briquetes, cavacos de madeira, estiveram presentes nos dois dias de evento, aproveitando a vitrine oferecida pelo evento, par a buscar novas parcerias, além de ver de perto as últimas tendências do mercado. Markus Lehmann, palestrante com experiência e conhecimento do mercado global de pellets, apresentou números e estatísticas sobre o mercado na América do Norte e Europa. Segundo Lehmann, o Brasil tem total condições de entrar neste mercado global, que gera milhares de empresas e movimenta r a economia do país.

foi o evento. Ter um retorno positivo de todos os 38 expositores, foi algo fantástico comemorou Douglas Garcia (Grupo FRG Mídias & Eventos). Todos os expositores do evento confirmaram interesse em participar da 2ª edição do evento que acontecerá nos dias 27,28 e 29 de junho de 2017. Segundo a coordenação do evento, para 2017 a Feira contará com em média entre 70 e 90 empresas. O evento também teve um foco específico para a parte “Acadêmica”. Foram premiados os 10 primeiros colocados nas apresentações orais, posters. 20 trabalhos foram selecionados para publicação na Revista Brasileira de Biomassa e Energia. O evento teve apoio e patrocínio do Sistema SENAI, TECPAR, ITAIPU, ANDRITZ e BRDE. O CIBIO 2016 e FEIRA EXPOBIOMASSA são eventos realizados pelo Grupo FRG Mídias & Eventos, organizado em parceria com o PARANA METROLOGIA. No final de julho será lançado de forma oficial o CIBIO 2017 e 2a Feira EXPOBIOMASSA.

Zilmar Souza, (ÚNICA), apresentou uma palestra sobre bioeletricidade, e sua importância para o Brasil alcançar as metas assumidas na COP21 em Paris, final do ano passado. Outro destaque do evento foi a presença de 38 expositores, de 4 países, EUA, Alemanha, Chile e China. No dia 15 a tarde a organização consultou todos os expositores sobre como 42 RBS Magazine

O SETOR DA BIOMASSA E ENERGIA TEM ENCONTRO MARCADO NO CIBIO 2017 e 2a EXPOBIOMASSA


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Notas

Brasil se destaca na produção de aquecedores solares A produção de energia solar vem se tornando cada vez mais potente no Brasil. Uma pesquisa realizada pelo Departamento Nacional de Energia Térmica da ABRAVA (DASOL) mostra que o setor de energia solar térmica cresceu 8% nos últimos anos, o que fez com que o país entrasse no ranking mundial, ocupando a 3ª posição. Em 2015 o país produziu cerca de 7.968 GWh de energia, com 12,4 milhões de metros quadrados acumulados de área instalada, o que corresponde a 6 milhões de residências que possuem o sistema de energia solar. De acordo com o DASOL essa quantidade produzida seria capaz de abastecer toda a área comercial do pais durante um mês. O presidente do DASOL Amaurício Gomes Lúcio destacou que mesmo com a crise, o setor vem obtendo grandes oportunidades. “Mesmo com a descontinuidade do programa Minha Casa Minha Vida e a crise que ocasionaram um decréscimo de 2,7% na produção em 2015, nosso setor ainda se mantém como destaque internacional” ressaltou ele. Gomes Lúcio ainda acrescentou. “O país está passando por uma fase difícil, mas nosso papel como entidade é elaborar estratégias para fortalecer o setor e ajudá-lo a crescer. O desfecho de uma solução política para o País, seja ela qual for, permitirá uma melhor noção da economia e uma consequente retomada nas obras, tanto para manutenção quanto daquelas que ficaram paradas. Estamos otimistas.” Um estudo desenvolvido pela agência Solrico, mostrou que o país vem se destacando também na produção de aquecedores solares, onde vários fabricantes estão localizados no estado do Paraná e também contribuem com o resultado positivo. Segundo Ronaldo da Silva, diretor da Hidroconfort Aquecedores, a empresa paranaense encerrou 2015 com um crescimento de 1,1% em relação ao ano anterior. Para este ano, a projeção é de 1,5% de crescimento no volume de vendas. “Para um momento adverso da economia, com tantas incertezas, nosso setor segue otimista. Temos como meta continuar nosso trabalho pelo desenvolvimento sustentável, preservando a natureza com o uso de energias alternativas e renováveis, como é o caso do aquecimento solar e contribuindo para redução do efeito estufa, ao diminuir o uso de termoelétrica”, diz Silva.

Chile está construindo os dois maiores projetos de energia solar do mundo Há sete anos o Chile vem investindo na produção de energias renováveis no país, mais precisamente na produção de energia solar. A intenção é chegar no final de 2016 com dois mil megawatts de potência. Apostando nos seus recursos naturais e no potencial do seu desenvolvimento, o país está construindo as duas maiores plantas de energia solar do mundo. O primeiro projeto trata-se de uma usina de energia solar fotovoltaica que produzirá cerca de 600 megawatts e que terá uma tecnologia de rastreamento que seguirá o caminho do sol durante todo o dia. Chamada de Céu de Taparaca, o projeto está sendo construído na cidade de Pintados, região da Taparaca e tem previsão para entrar em operação em 2019. O segundo projeto está sendo construído pela empresa SolarReserve, a qual é uma empresa líder em usinas de energia solar e possui uma base avançada na tecnologia solar térmica. Também prevista para entrar em operação em 2019, o projeto teve um investimento de 2 bilhões de dólares. O objetivo é produzir 260 megawatts. A tecnologia do projeto baseia-se no projeto de sucesso Dunes SolarReserve Crescente nos EUA, cuja construção está concluída e atualmente em fase de implementação.

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Produção de energias renováveis vem crescendo no mundo

A energia produzida a partir dos meios renováveis vem ganhando mercado pelo mundo. A energia vinda dos ventos, a chamada energia eólica, vem se destacando. Um relatório da Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA) mostra que a produção eólica como a solar obteve um crescimento de 8% na capacidade instalada. O site XXI Energia Limpa, da Nicaragua, destaca que o desenvolvimento do país começou a reforçar as suas apostas pelo vento renovável, energia eólica, solar e biomassa. A matéria do endereço eletrônico também ressalta que todas as fontes renováveis atingiram um crescimento de 8,3%, o que equivale a produção de 152GW. O relatório da IRENA também vem mostrando que muitos países vem aumentando suas fontes de energias renováveis, porém que a Espanha ainda permanece estagnada no campo de energia eólica e solar. O continente que mais tem se destacado nesse tipo de produção é a Asia, onde o crescimento chegou a 12,4%. Na Europa o crescimento foi de 5,2% e 6,3% na América do Norte. Na América Latina, especialmente Brasil, México, Chile e Uruguai, o desenvolvimento vem sendo significativo também.

Nova Jersey incentiva população a produzir energia limpa O setor de energias renováveis vem alavancando a economia de alguns países. Além de crescer e se desenvolver, os países vem criando muitos empregos através da produção de energia limpa. A produção de energia limpa é um dos destaques do estado americano de Nova Jersey, por exemplo. A captação de energia no estado é realizada através de painéis solares, os quais foram instalados nas pontas do postes de iluminação pública das cidades. O investimento de quase nove bilhões de reais vem sendo realizado há 15 anos. Através dos painéis solares a produção de energia limpa no estado vem mostrando potencial para crescimento e expansão. O estado busca contribuir cada vez mais com as ações sustentáveis para frear o aquecimento global. Segundo Richard Moroz, diretor do departamento estadual de energia de Nova Jersey, a colaboração ocorreu principalmente de empresas privadas. “Tivemos a colaboração de empresas privadas. Elas investiram sem cobrar nada. O único ganho era poder negociar o excedente de energia que conseguissem produzir. Assim criamos um mercado lucrativo de energia limpa” ressaltou Moroz ao Portal de Noticias G1. De acordo com o governo do estado a meta agora é incentivar a população a produzir energia limpa cada vez mais. A meta é chegar em 2020 com a maioria da população investindo em energias renováveis.


ORGANIZAÇÃO / REALIZAÇÃO

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