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A NOTÍCIA

Cidade de Deus POR QUEM V IVE | JAN.‐MAR. 2012

Março de 2012 ‐ Ano III ‐ No 3

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Parados na esquina, com poesia... A Cidade de Deus tem sido palco do surgimento e amadurecimento de diversas ações artísticas, nas mais diversas áreas: cinema, teatro, artes plásticas, música e literatura.

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A Economia Solidária na Cidade de Deus: a organização dos artesãos 7

A Economia Solidária se baseia em praticas coletivas, justas, solidárias e sustentáveis de geração de trabalho e renda.

Avaliação do Projeto Bairro Educador Cidade de Deus em 2011 Várias atividades tem sido realizadas pelo projeto nas escolas com o objetivo de contribuir na melhoria do IDEB

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E MAIS... A primeira mulher a puxar samba na avenida..........3

Cutucando o jovem da Cidade de Deus..............10

João Gomes recebe premio Mestre 2011.................4

Projeto Jovens Comunicadores e a Informática...12

Quadrinho também é comunicação.......................5

O jovem e sua atuação na Cidade de Deus...........13

Ponto de Cultura Itinerante Cidade de Deus...........6

Obras na Cidade de Deus ‐ Bairro Maravilha........14

A identidade de um personagem da cultura Negra...8

Maria CDD....................................................14

A história da educação na Cidade de Deus..............9


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A NOTÍCIA POR QUEM V IVE | JAN.‐MAR. 2012

Editorial por Maria do Socorro Melo Brandão, moradora, representante do portal e presidente da ASVI CDD

Para mim é uma honra ter sido convidada para fazer o editorial desta 3ª edição do Jornal A Noti‐ cia por quem Vive. A ASVI CDD (Associação Se‐ mente da Vida da Cidade de Deus) fica particularmente satis‐ feita em estar contribuindo com moradores interessados em mos‐ trar a “cara da comunidade”, não deixando de falar do que é nega‐ tivo, mas exaltando o que temos de melhor. É importante que o morador se sinta realmente um protago‐ nista dentro da Cidade de Deus. Então hoje já podemos contar com o Portal Comunitário (www.cidadededeus.org.br) e, agora, com o jornal. Tudo fruto de pessoas que vieram acreditan‐ do que podíamos produzir e apostaram nestes trabalhos. So‐ mos gratos por essa aposta e hoje nos damos muito mais de nós quando começamos a preparar uma tiragem.

Neste 3° número o leitor irá ver um pouco de cada coisa. Uma Cidade de Deus com artesanato, poesia, jovens realizando proje‐ tos independentes ou não. Vai saber que a Cidade de Deus tem uma cultura premiada. Começamos a nos preocupar em falar em qualidade de vida, começando pela nossa alimenta‐ ção. Atualmente, somos convida‐ dos a refletir sobre a questão do lixo, reciclagem etc., mas não devemos nos esquecer do nosso próprio corpo, pois cuidando de‐ le também estamos cuidando de nossa mente e a expectativa de vida aumenta. E, é claro, analisar como anda a educação de nossas crianças: quais são as expectativas futu‐ ras? Como andam as negociações para uma escola de Ensino Médio na comunidade? Afinal, nossas crianças têm que ir estudar em lugares muito distantes atrapa‐ lhando um pouco a qualidade do

estudo. Para que o jornal ficasse mais dinâmico, pensamos em investir muito no visual, com bastantes fotos relacionadas aos assuntos e veio a proposta das “tirinhas educativas”, com temas do dia a dia, feitas por moradoras e cola‐ boradoras do jornal. Então, você está sendo convi‐ dado a conhecer um pouco mais de Cidade de Deus através dessas páginas, e por que não também não ser um colaborador, patroci‐ nador etc.? Não deixe de ler na última página como pode fazer isso. Encerro agradecendo pelo em‐ penho de todos, em especial à equipe do SOLTEC/UFRJ que, no final de 2011, contribuiu com os colaboradores do Jornal na ela‐ boração do nosso Regimento In‐ terno e agora estão colaborando na correção de nossas matérias e na diagramação desta edição.

Expediente ‐ Março de 2012 Fundadores: Ariana Apolinário, Cilene Vieira, Dara Bandeira, Dayse Vieira, Felipe Brum, Joana da Conceição Campos, João Carlos Souza, José Alberto, Landerson Soares, Leila Martiniano, Marília Gonçalves, Mônica Rocha, Rita de Cássia, Rosalina Brito, Valéria Barbosa da Silva Membros do jornal: Angélica dos Santos, Cilene Vieira, Felipe Brum, Joana da Conceição Campos, José Alberto, Maria do Socorro Brandão, Mônica Rocha, Rosalina Britto Colaboradores: Luiza Nascimento Braga, Míriam Andrade, Viviane de Sales Revisão de Textos: Marília Gonçalves Diagramação: Alan Tygel Agradecimentos: Conexão Cultural Apoio: SOLTEC/UFRJ, SESC


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Anahyde: das “Cantoras da Madrugada da Rádio Mayrink Veiga” a primeira mulher a puxar samba na avenida por Mônica Rocha

Anahyde é Carioca de apelido Tuca. Com 78 anos dedicados à música e ao teatro, ela reivindica o título de primeira mulher a pu‐ xar o samba enredo do Bloco In‐ dependentes da Barão do Rio Comprido na praça 11. Quando o marido Valter Praça 11 era vivo, Anahyde era compo‐ sitora da escola de samba na Ci‐ dade de Deus. “Época em que as mulheres não ganhavam samba enredo”, lembra a sambista, po‐ rém com o tema “Paraíso Negro Zumbi do Palmares”, composição feita com sua parceira Obassy, ganharam em 5° lugar algo iné‐ dito para uma mulher e levaram o troféu. Cantora da madrugada, na rá‐ dio Mayrink Veiga, Anahyde ga‐ nhou o troféu de melhor intérprete e melhor música, no programa de Aldeson Alves. Até hoje Anahyde guarda o troféu. Quando chegou na Cidade de Deus, depois da premiação, foi recebida com surpresa, e por on‐ de passava as pessoas chamavam pelo seu nome e davam para‐ béns. Anahyde teve suas músicas transformadas em peça de teatro

no projeto Marta Maia, no SESC de Engenho de Dentro. Ela fez es‐ petáculo com a atriz Marisa Orth, e participa do Grupo de Teatro do Retiro dos Artistas, onde colabo‐ ra com a dramaturgia. Na CDD, colabora com o Grupo de Senho‐ ras no SESI. Interpretando Clara

Nunes em “Tem Zum, Zum, Zum”, no Auditório, a interpretação de Tuca foi destacada. Uma satisfação foi ganhar o troféu homenagem a Cartola. Compositora, atriz, roteirista, ar‐ tista plástica, premiada pelo ma‐ estro Paulo da Hora Alcântra pela sua marchinha da terceira idade. Anahyde é a compositora do Hi‐ no da Terceira Idade, oficializado pela Câmara dos Vereadores com menção honrosa que lhe rendeu várias reportagens. O hino do Retiro dos Artistas é da autoria de Tuca, e esse ano vem com a gravação do Cachorro Bilau em uma mídia. Tuca contribui de forma decisiva no sucesso das peças teatrais com seu grande ta‐ lento de atriz e contribui com quadros inteiros com a dramatur‐ gia valorizando com textos iné‐ ditos as peças que participa. Vou parar um pouco da histó‐ ria de Anahyde com uma parte da letra do samba de “Tuca e Obas‐ sy”, em homenagem a Zumbi: Em cada negro que nasce ele sobre‐ viveu traído ele foi executado em cada canto um Zumbi Iluminado. Por isso Quando chega o carnaval negros e brancos enriquecem o visual.


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Cidade de Deus através do João Gomes recebe premio Mestre 2011 pela SEC por Mõnica Rocha

João Gomes, o nosso Mestre Miúdo da Folia de Reis, completa 66 anos dedicados à Bandeira do Divino. Mineiro de Itapiruna, aos 10 anos de idade é iniciado como palhaço no reisado. Quando che‐ ga à Cidade de Deus, em 1979, se torna o mestre da folia “Os Três Reis do Oriente”, saída no ciclo natalino a Bandeira de Reis mui‐ tos acreditam no poder de cura. Faz parte da do Estado e cultura brasileira e já é considerada pon‐ to de cultura. A SEC (Secretaria de Estado e Cultura) reconheceu a contribui‐ ção dos mestres populares e ma‐ nutenção do que hoje é patrimônio imaterial “Folia de Reis”, conforme o texto abaixo, retirado do prêmio de concessão: “Apoio a concessão de premia‐ ção aos mestres de cultura popu‐ lar, e premiação a João Gomes pelo desenvolvimento da área de

cultura popular e seus segmen‐ tos.” Parabéns, Miúdo, a história de vida que é de implementação aos saberes populares e salve Os Três Reis do Oriente.


Tirinha Educativas Rosalina por Alan Tygel


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O 1°Festival Ponto de Cultura Itinerante Cidade de Deus por Cilene Vieira

O Ponto de Cultura Itinerante da Cidade de Deus é um Coletivo de artistas formado na comuni‐ dade, no ano de 2010. Apoiado pela Secretaria Estadual de Cul‐ tura do RJ, dentro do Projeto Mais Cultura (MinC), e tendo co‐ mo proponente a Casa de Santa Ana, presidida por Maria de Lour‐ des Braz, o Coletivo reúne canto, artes cênicas, artes plásticas, au‐ diovisual, música, dança e litera‐ tura. No ano de 2010, o grupo se capacitou em elaboração e for‐ matação de projetos culturais, através de seminários promovi‐ dos pelo próprio Ponto, e pelo Curso Cultura Portátil, realizado pela Farmanguinhos/FIOCRUZ. Nesta segunda etapa, o grupo tem por objetivo difundir arte e cultura e compartilhar seus pro‐ cessos criativos com a comunida‐ de. Ampliar propostas e reflexões relativas ao ambiente e à história da Cidade de Deus, promovendo assim a recuperação, caracteriza‐ ção e manutenção da cultura lo‐ cal. Será realizado um circuito de eventos com apresentação coleti‐ va, que, ao longo do ano, se es‐ tenderá a todas as áreas da Cidade de Deus. O primeiro Festival Ponto de Cultura Itinerante Cidade de Deus foi realizado no dia 19 de novembro de 2011, sábado, na quadra da Mocidade Unida de Ja‐ carepaguá (Edgar Werneck, 1607 – Cidade de Deus). Esse primeiro Circuito Itine‐ rante de Cultura foi um marco na Cidade de Deus, devido aos inte‐ grantes das instituições terem se envolvido por inteiro para que este evento acontecesse aten‐ dendo as perspectivas da comu‐

nidade. O público foi chegando, observando o espaço da quadra de samba e daqui a pouco já es‐ tavam participando da oficina de Artes Plásticas, coordenada pelo Gilmar Ferreira. Naquele momen‐ to, todas as gerações se integra‐ vam para produzir alguma coisa e mostrar para o público. Muitos estavam tão concentrados no contato do pincel com a tinta e o papel, que ficavam alguns minu‐ tos mergulhados na sua criativi‐ dade, alguns até desconheciam tal dom artístico.

Ao iniciar o Sarau de Poesias, a Rosalina (uma das fundadoras deste jornal), sempre despacha‐ da, começou a recitar suas obras, mas de olho para que alguém le‐ vantasse para prosseguir o sarau. Para nossa surpresa, algumas cri‐ anças do Coral Intergeracional Vozes da Cidade de Deus ficaram de pé e pediram para recitar um versinho. Foi muito lindo a cora‐ gem daquelas meninas e a pureza do que elas falavam. Uma grande atriz, compositora e poetisa, Srª Nahylde, mais conhecida como Tuca, recitou uma de suas belís‐ simas obras. Naquele momento era só chegar ali a falar o que quisesse. Eu também me empol‐ guei e recitei um poema da mi‐ nha inesquecível mãe, Srª Obassy (A Paz é Possível). Ao recitá‐la senti a presença dela ali conosco, foi muita emoção. O Coral da Casa de Santa Ana

deu um show de interpretação, cantando várias músicas de dife‐ rentes estilos que mexeram mui‐ to com o público, que cantava baixinho para não atrapalhar o grupo na apresentação. Todos fi‐ caram maravilhados com o coral fazendo coreografias. Foi muito lindo e não posso esquecer de fa‐ lar que a professora de música Neuma Morais, mesmo com pro‐ blemas de saúde, não deixou de orientar o Coral. Ainda teve a apresentação do balé com as cri‐ anças, que foi hilária. E a Maria de Lourdes, com sua equipe de trabalho, era só alegria vendo o Coral e o balé se apresentar. O Grupo Teatral Raiz da Liber‐ dade apresentou o espetáculo “As Largadas”, que mostra a rea‐ lidade do que é viver só, quando a idade vai avançando e os fami‐ liares não se preocupam e ainda há a solidariedade de alguns amigos. Tiveram algumas cenas com muito bate boca e outras muito engraçadas. A interação com a plateia foi ótima. A Companhia de Dança Trevo fez um maravilhoso espetáculo dançando vários ritmos com co‐ reografias ótimas. E o público não conseguia ficar parado só as‐ sistindo: todos se mexiam com cabeça, ombros, pés, pernas e braços. O grupo de rapazes e mo‐ ças mostrou a integração e a res‐ ponsabilidade para apresentar um ótimo trabalho. Para fechar com chave de ou‐ ro, nossos amigos cineastas Pau‐ lo Silva e Julio Pecly apresentaram curtas metragens (pequenos filmes) importantíssi‐ mos para a reflexão do público sobre determinadas situações que acontecem em nosso cotidia‐ no.


A NOTÍCIA POR QUEM V IVE | JAN.‐MAR. 2012 Veja como foi a programa‐ ção do evento: 13:00 ‐ Abertura: Atelier e Oficina de Artes Plásticas Com: Gilmar Ferreira Curadoria: Roberto Cabral 14:00 ‐ Sarau de Poesias Favela tem Voz Com Rosalina Britto 15:00 ‐ Grupo Vozes da Ci‐ dade de Deus – Coral Inter‐ geracional Direção Musical: Neuma Morais Coordenação: Maria de Lourdes Braz 16:00 ‐ Grupo Teatral Raiz da Liberdade Espetáculo: As Largadas Direção e Texto: Victor Cos‐ ta Com Cilene Vieira e Daisy Vieira 17:00 ‐ Cineclube Itineran‐ te Exibição de Curtas reali‐ zados na Cidade de Deus Com Paulo Silva e Julio Pe‐ cly 18:00 ‐ Encerramento: Cia. de Dança Trevo Coreografia: Lucio Santos Ficha Técnica do Evento: Produção de Base: Wilson Carlos de Freitas Produção executiva: Paulo Silva e Lucio Santos Administração: Luciano Bouças Coordenação Administrati‐ va: Maria de Lourdes Braz Consultoria Técnica: Julia‐ na Mattar

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A Economia Solidária na Cidade de Deus: a organização dos artesãos por Angélica dos Santos

Durante um ano a Secretaria de Desenvolvimento Econômico Solidá‐ rio da cidade do Rio de Janeiro (SE‐ DES) fez capacitações em vários seguimentos do empreendedorismo na Cidade de Deus. Um desses seg‐ mentos é o de artesãos. Com criati‐ vidade e vontade de aprender, eles têm por finalidade aumentar a renda familiar e uma imaginação  a perder de vista! Com as capacitações, cursos, se‐ minário de formação e festivais, cri‐ aram comissões para entender e participar das atividades. Participa‐ ram de festivais e seminários de for‐ mação com a  SEDES fora da Cidade do Rio de Janeiro, em Angra do Reis, Paraty, Mendes e Santa Maria (Rio Grande do Sul). A  Economia Solidária se baseia em praticas coletivas, justas, solidá‐ rias e sustentáveis de geração de trabalho e renda. É um desenvolvi‐ mento que permite ações coletivas do trabalho, distribui riqueza e gera transformação social. Um novo mo‐ do de produzir, vender, comprar e trocar. Segundo João e Daya, artesãos, nos seminários de formação que ti‐ veram aprenderam a organizar, pla‐ nejar, montar e desmontar as barracas, divulgar, finanças e docu‐ mentações necessárias  para realiza‐ ções de um festival, que ainda trabalha integrado com outros gru‐ pos culturais, por  exemplo: dança, ginástica olímpica, capoeira etc.. O

objetivo dessa prática é o trabalho com materiais reciclados, descartá‐ veis, mostrando uma feira limpa, onde não há venda de garrafas de água e se evita fumar no espaço. Is‐ to serve para ajudar na preservação do meio ambiente. A Cidade de Deus teve seu 1º Se‐ minário de Economia Solidária e Po‐ líticas Públicas, nos dias 10 e 11 de dezembro de 2011, no Ciep João Ba‐ tista, e Festival no dia 15 de dezem‐ bro do mesmo ano, na Paróquia Pai Eterno e São José. Os artesãos, nes‐ se evento, estavam já sozinhos, co‐ locando em prática aquilo que aprenderam. Uma das conquistas desses arte‐ sãos foi a escolha de dez pessoas pa‐ ra exporem com outras comunidades do Rio de Janeiro (com qualidade do REUNIÃO: todas as terças feiras, às 18hs.           Local: Agência Cidade de Deus de Desenvolvimento Local produto), no Quiosque 17, da Av. Atlântica. A Srª Laudelina é diretora do quiosque e com a Srª Sueli são re‐ presentantes da Cidade de Deus. Eles também têm agora um box no mercadinho popular, na Cidade de Deus, em que pretendem realizar um projeto de reestruturação dos arte‐ sãos da Cidade de Deus, grupo que atualmente  conta com  100 associa‐ dos.


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Mestre Derli: A identidade de um personagem da cultura Negra por Mônica Rocha

Derli da Silva Costa é o conhe‐ cido Mestre Derli da Aliança Ariri de Capoeira, morador da Cidade de Deus. Nasceu no dia dois de abril de 1956 em São Carlos, no Estácio, Rio de Janeiro. Casado com Cristina tem duas filhas, Darla e Darlene, e netos. Este ho‐ mem de méritos compartilhou com o jornal um pouco da sua história de coragem e resistên‐ cia. Quando pequeno Derli era deixado com uma parenta pela sua mãe que saía para trabalhar, e apanhava muito. Por isso, aca‐ bou fugindo para a rua, levando seu cachorro Rex e a viola de brinquedo. Com oito anos de ida‐ de, dormindo dentro de um carro abandonado, jogaram álcool nele e tacaram fogo. Três pessoas acu‐ diram o menino levando para o hospital da Lagoa. Eram seus no‐ vos amigos que, querendo cuidar dele recuperado, ensinaram os primeiros passos de capoeira. Tempos depois, sua mãe o en‐ contra e promete nunca mais se separar. Assim aconteceu, e vie‐ ram morar na Cidade de Deus quando Derli tinha cerca de dez anos de idade. Aqui conheceu mestre Noé e Mestre Rock e pas‐ sou a frequentar rodas de capoei‐ ra. A capoeira falou mais forte que a dor: quando Derli chegava à roda, tudo melhorava. “Tive

amigos que foram para o lado er‐ rado da vida. Mas a capoeira era mais forte que tudo”. Não tinha bola nem pipa que me tirasse de uma roda de capoeira”, conta. É através da capoeira que hoje Der‐ li ensina e fortalece a cidadania dos jovens da Cidade de Deus. Sua filha Darlene é capoeirista e seus netos, Mateus, Derli, Deise‐ ostom, são herdeiros da espécie. Comenta M. Derli que viaja todo o Brasil com a sua roda e batiza‐ dos de capoeira. Homenageado nos fóruns co‐ mo mestre de Jacarepaguá, Derli recebeu “Medalha Tiradentes”, duas “medalhas do consulado de Canadá pela contribuição do mo‐ vimento negro”, além da “meda‐ lha 10 melhores da América em prol da capoeira”. Ele é conse‐ lheiro da confederação internaci‐ onal em prol da capoeira. Alunos criaram, no Canadá, dois grupos de capoeira com o nome Aliança Ariri, em homenagem ao mestre. Em 2011, Derli foi escolhido pelo cônsul Americano para fazer de‐

monstração com seu grupo na vinda de Barack Obama na Cida‐ de de Deus. Hoje ele tem em sua filha, netos e alunos “a marca da personalidade de uma identidade da cultura negra” e “os seguido‐ res da dinastia”, comenta Derli. Em 2011, o mestre recebeu o prêmio Mama África, foi homena‐ geado pela Equador, Colômbia, Chile, Venezuela, teve apoio do SESC e Federação Fluminense de Capoeira. Em 2012, todos os re‐ presentantes do prêmio Mama África voltam ao Brasil, agora na Cidade de Deus, pois o Troféu Mama África 2012 vem com o no‐ me de Mestre Derli impresso na base. A CDD está junta no even‐ to. Derli é um homem de muitos feitos, em outro momento conta‐ remos mais. Sinônimo de resis‐ tência cultural de capoeira, detentor da arte capoerista Derli.


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Quase meio século e apenas uma escola do ensino médio A história da educação na Cidade de Deus por Cilene Vieira

A Cidade de Deus foi construí‐ da pelo governador Carlos Lacer‐ da, para ser o conjunto residencial dos funcionários pú‐ blicos do antigo Estado da Gua‐ nabara. A obra estava praticamente pronta, quando ele deixou o governo. Seu sucessor, Francisco Negrão de Lima, logo após a posse, em janeiro de 1966, enfrentou um dos maiores tem‐ porais da história da cidade, oca‐ sionando enchentes, tragédias e milhares de desabrigados, obri‐ gando‐o a abrir a Cidade de Deus para receber parte da população atingida. A medida era provisó‐ ria, mas acabou sendo definitiva. Os desabrigados que ganha‐ ram suas moradias na época eram oriundos de várias comuni‐ dades como: Morro da Providên‐ cia, Praia do Pinto, Favela do Esqueleto, Rocinha, Cruzada de São Sebastião, Vidigal, entre ou‐ tras. Devido ao fato, a Cidade de Deus cresceu rápida e desordena‐ damente. Primeiro vinham as mães com os filhos e maridos (quando tinham). Depois, vi‐ nham os demais familiares. Segundo o Instituto Brasileiro

de Geografia e Estatística (IB‐ GE), com o últi‐ mo CENSO de 2010, a Cidade de Deus tem aproximada‐ mente 38 mil habitantes, mas os mora‐ dores discor‐ dam dessa pesquisa, afir‐ mando que a população lo‐ cal chega a 50 mil habitantes. Para atender esta demanda, a Cidade de Deus tem doze Escolas Municipais, como: Alberto Ran‐ gel, Alphonsus de Guimaraens, Avertano Rocha, Augusto Mag‐ ne, Frederico Eyer, CIEP João Ba‐ tista dos Santos, Monsenhor Cordioli, Jo‐ sé Clemen‐ te, Juliano Moreira, CI‐ EP Luis Car‐ los Prestes, Pedro Alei‐ xo e Profes‐ soranda Leila Barce‐ los de Car‐ valho. Podem acre‐ ditar, todas essas Unida‐ des Escola‐ res não atendem as necessidades dos moradores. Logo, os respon‐ sáveis têm de procurar outras es‐ colas no entorno (Freguesia, Taquara, Barra da Tijuca, Tan‐ que, Praça Seca, Pechincha, en‐ tre outros). Em 1977, foi inaugurado na

Praça da Bíblia, nos apartamen‐ tos, o Centro Interescolar Muni‐ cipal Pedro Aleixo, que foi uma das maravilhas da época, com as disciplinas de Técnicas Industri‐ ais, Educação para o Lar, Cine Clube, Técnicas Agrícolas. Nesta escola existia um amplo auditó‐ rio, quadra de esportes e seu prédio com quatro andares. No primeiro momento, a escola atendia apenas os alunos de 6ª e 7ª séries. Com o decorrer dos anos, a unidade escolar passou a atender da Educação Infantil ao 2º segmento do Ensino Funda‐ mental (antigo Ginásio). Como já foi mostrado anteri‐ ormente, a Cidade de Deus tem doze Escolas Municipais do Ensi‐ no Fundamental. Porém, os colé‐ gios do Ensino Médio que tínhamos na época eram dois

particulares, para atender toda a comunidade. Em meados da dé‐ cada de 70 o Colégio José de Alencar, que era situado na Praça Principal da Cidade de Deus, na Rua Edgard Werneck, atendia aos que podiam pagar para estudar. E na década de 80 o Colégio BAIK,


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situado no Bairro Araújo, também na Rua Edgard Werneck, cobrava um valor menor e dava bolsas de estudo. Em 1983, no governo Leonel Brizola, surgiu a primeira escola do ensino mé‐ dio na CDD: Colégio Estadual Pedro Alei‐ xo, que funcionava somente no horário noturno no prédio cedido pelo municí‐ pio, do CIMPA (Centro Interescolar Mu‐ nicipal Pedro Aleixo), e oferecia apenas o curso de Contabilidade. Pelo quantita‐ tivo de moradores que a Cidade de Deus tinha essa única escola não atendia a demanda. Logo os alunos continuavam obrigados a procurar escolas em outros bairros. Mas, devido a conflitos com o poder paralelo e a polícia, pondo em ris‐ co a vida de todos que estudavam e tra‐ balhavam lá, o colégio foi transferido em 1996 para o prédio do CIEP João Ba‐ tista dos Santos, que está localizado na Rua Edgard Werneck próximo da praça principal da Cidade de Deus. Em 2003, com a fundação do Comitê da Cidade de Deus, as instituições parti‐ cipantes eram divididas em grupos para o debate sobre Políticas Públicas e a Educação sempre foi um dos maiores problemas. O Comitê convidou o Secre‐ tário de Educação, Vereadores, repre‐ sentantes da Educação do Estado, Município e Federação. Tudo isso para darmos uma solução na educação do Ensino Médio na Cidade de Deus. Então, em 2009 foi apresentado um projeto às lideranças da comunidade para que fos‐ se implantada uma unidade do Colégio Pedro II, que funcionaria nos três tur‐ nos. A população ficou eufórica, mas nada disso saiu do papel e até hoje esta‐ mos convivendo com a precariedade da escola do Ensino Médio. A Cidade de Deus recebeu um presen‐ te: a parceria do SESI (Serviço Social da Indústria) com a Prefeitura, que em 2011 iniciou o Ensino Médio na Escola Municipal Alphonsus de Guimaraens, iniciando com os alunos do supletivo que, com muito esforço, conseguiram concluir o Ensino Fundamental e cami‐ nham para a obtenção de novos conhe‐ cimentos do Ensino Médio e o que mais vier.

O jovem ... por Maria do Socoro

Através da Agência de Redes para Juventude, projeto realizado pela Petrobrás em seis comunidades do Rio de Janeiro com UPP (Unidades de Polícia Pacificadora), jo‐ vens entre 15 e 29 anos foram estimulados a agir em seus próprios territórios. As comunidades alcançadas pelo projeto foram: Batan, Borel, Cantagalo, Chapéu Mangueira/Babilônia, Cidade de Deus e Providência. Muitos projetos foram pensados pelos jovens mora‐ dores da Cidade de Deus que participaram e alguns re‐ ceberam uma premiação para que pudessem ser desenvolvidos na comunidade. Na Cidade de Deus po‐ demos citar os que ganharam na primeira banca: o Co‐ nexão Cultural e CDD na Tela. E, após passarem por uma desencubadora, foi a vez do Estilo Favella e CDD Para o Mundo. Na edição desse mês trazemos para aqueles que não souberam ou pouco souberam sobre o processo o que andam fazendo esses jovens e seus projetos. Confira na página ao lado!

Fotografia: Renan Otto

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... e sua atuação na Cidade de Deus CONEXÃO CULTURAL por Luiza Nascimento Braga

CUTUCANDO O JOVEM

O que algumas crianças de escolas públicas da Cidade de Deus estão pensando sobre vários O Conexão Cultural é mais que um projeto, é a marca temas do protagonismo juvenil lutando a favor da democrati‐ zação cultural. Como assim? É o que você pode estar se perguntando agora. Vimos que, na Cidade de Deus, falta espaço para a manifestação da diversidade cultural e nossa proposta é justamente essa. Estamos trabalhando como Produtores Culturais na comunidade, fazendo com que a faceta multicultural daqui venha à tona. "Tem gale‐ ra do samba, chorinho, pa‐ gode, poesia, teatro, hip‐ hop... Opções não faltam. Só que o que acaba aconte‐ cendo é que, Fotografia: Deco se o morador da CDD quer curtir uma música diferente atualmente, por exemplo, ele precisa se deslocar até outra região, por não haver um 'teto' para os artistas se divulgarem. Agora me diz que sentido faz os moradores irem tão longe quando na sua própria comunidade existe uma diversidade tão grande de artistas de qualidade?” Foi através desse diagnóstico que Carolina Meire‐ les, Guilherme Gonzalez, Luiza Braga e Ricardo Fernandes re‐ solveram criar o Conexão Cultu‐ Fotografia: Deco ral CDD. Estamos circulando na internet uma campanha para quem quiser doar livros, DVDs, revistas e CDs, desde que estejam em bom estado. Nossa intenção é fazer com que a cultura chegue a lugares onde o seu acesso é escasso ou pouco usual. Para mais informações, fiquem ligados em nossas redes sociais.


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Projeto Jovens Comunicadores e a Informática por Miriam Andrade, educadora de informática da ASVI

"Um país sem memória não é apenas um país sem passado, é um país sem futuro". É citando Rui Barbosa que anuncio aqui boas novas sobre o que acontece no nosso bairro. Sob a direção de Maria do So‐ corro Melo Brandão, presidente da ASVI (Associação Semente da Vida da Cidade de Deus), inicia‐ se o Projeto Jovens Comunicado‐ res da Semente da Vida na Cidade de Deus, com patrocínio do Insti‐ tuto Rio. Com a missão de resga‐ tar a memória da comunidade e, principalmente, incentivar o jo‐ vem a ser protagonista na histó‐ ria da comunidade e na instituição, esse trabalho está ampliando os conhecimentos dos participantes, através de cursos e oficinas, nas áreas de informáti‐ ca, fotografia, vídeo, comunica‐ ção, escrita etc.. Como responsável pela área de informática, vejo a potencialida‐ de dessa ferramenta nas mãos desses jovens, que lidam com tanta desenvoltura e naturalida‐

de nesse mundo de bits e bytes. Mundo esse que às vezes assusta quem já estava aqui na última vi‐ sita do cometa Halley, mas que para eles é impensável sem a pre‐ sença dessas fantásticas máqui‐ nas. Não é estranho ouvirmos dos jovens a seguinte pergunta: “Co‐ mo vocês viviam sem internet”? Como costumo dizer: eles nasce‐ ram com as mãos no mouse. En‐ tão há de se tirar o maior proveito possível disso aliando memória, informática e MUITO trabalho. Com a ajuda do projeto, eles estão extraindo do computador muito mais do que “Orkuts”, “Fa‐ cebooks” e “MSNs”. Aprendem que Linux não é “coisa de Nerd”, que o Office não é só um ícone perdido na sua área de trabalho, que um blog não é só para fofo‐ cas de artistas de televisão... Nossos meninos e meninas precisam estar no mesmo pata‐ mar de qualificação dos seus

concorrentes no mercado de tra‐ balho, e a informática é peça chave para o crescimento profis‐ sional de qualquer indivíduo. To‐ mar posse desse recurso, que até bem pouco tempo era privilégio de um grupo seleto da nossa so‐ ciedade, é de uma gratificação incomensurável, e é disto que também estamos tratando aqui: oportunidades, crescimento, co‐ nhecimento e cultura, ou seja, cidadania. O material mais importante de todo e qualquer processo está entre a cadeira e o teclado. É de conhecimento e exercício deste fato que eles conquistarão seu quinhão na sociedade, seu lugar no mundo, não como um passivo espectador, e sim como protago‐ nistas. Como uma vez disse Pitágo‐ ras: “Eduque as crianças e não será necessário castigar aos ho‐ mens”.

Quadrinhos por Rosalina Britto

Considerando que as imagens dos livros são elementos importantes na criação da memória, principalmente na infância e na adolescência, ...

… a educação está também naquele que não só aprende a ler, mas também a ver.


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Parados na esquina, com poesia por Viviane de Sales

A Cidade de Deus tem sido palco do surgimento e amadure‐ cimento de diversas ações artís‐ ticas, nas mais diversas áreas: cinema, teatro, artes plásticas, música e literatura. Entre os anos 70 e 80, a produção teatral e lite‐ rária era agitada por artistas que protagonizavam o movimento comunitário e realizavam ativi‐ dades culturais e políticas de re‐ sistência à ditadura militar. No final dos anos 70, jovens mora‐ dores lançaram a revista “Nós”, que divulgava poetas locais,

eventos culturais e ajudava na captação de recursos para a pro‐ dução de uma peça teatral. Ape‐ sar da pequena tiragem mensal, tornou‐se uma das iniciativas mais marcantes no movimento li‐ terário local: era a criatividade e o trabalho coletivo do que mais tarde veio a se tornar o Grupo Cultural Projeto. A cena literária contemporâ‐ nea respira da história e da atua‐ lidade de seus movimentos artísticos. Nos últimos tempos, a novidade tem sido a realização do Sarau Poesia D’ Esquina, que acontece mensalmente num bar

na região da Treze. “O movimen‐ to literário contemporâneo conta com maior velocidade de comu‐ nicação e com o acesso mais de‐ mocrático à informação e ao conhecimento. Com isso, produz maior capilaridade no interior da Cidade de Deus e facilita cone‐ xões a movimentos semelhantes em outras áreas da cidade”, aponta o escritor Wellington França, que participava do Grupo Cultural Projeto, do conselho editorial da Revista “Nós” e que é, hoje, um dos poetas organiza‐ dores do Sarau Poesia D’ Esqui‐ na. O Sarau, que foi idealizado para tornar‐se espaço de encon‐ tro entre poetas da Cidade de Deus, já tem sido visitado por ar‐ tistas das redondezas e de outras favelas, como o Vidigal e a Roci‐ nha. Além da poesia, que natu‐ ralmente é o prato principal, o encontro dialoga com o audiovi‐ sual através da exibição de cur‐ tas e com a música a partir de apresentações que vão do rap ao samba. A sambista Anahyde Mu‐ niz, uma das principais estrelas da vida cultural da Cidade de Deus, apresentou‐se na primeira edição do Sarau e arrancou aplausos entusiasmados da pla‐ teia que, ainda tímida, experi‐ mentava estacionar num dia de semana num bar de esquina – daí o nome Poesia D’ Esquina – para ouvir, falar, multiplicar e diluir poesia. Para os poetas que partici‐ pam, a melhor forma de divulgar poesia é necessariamente com poesia. Uma nova publicação in‐ dependente e num formato alter‐ nativo foi criada para reunir textos de moradores e dos fre‐

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Quer participar do próximo Sarau Poesia D’ Esquina? Quinta, 16/02 a partir de 19h30 no Tico’s Bar na Rua Carmelo, n°1 (em frente a E.M. Alphonsus de Guima‐ raens) Quer mandar textos para o fanzine? poesiadesquina@gmail.com quentadores do Sarau: é o fanzi‐ ne “Pensamento Livre!”, que é distribuído em espaços públicos como, por exemplo, a feira livre e os pontos de ônibus. A Poesia D’ Esquina tem sido espaço de reunir gerações: os Pe‐ res da Silva da área do Karatê prometem marcar presença nos próximos Saraus reunidos em fa‐ mília. “Primeiro, fui convidada através da distribuição dos fanzi‐ nes de poesia e mostrei a publi‐ cação a minha neta Ana Beatriz, de 8 anos, que insistiu em me acompanhar e de quieta passou a ser quem mais fala textos duran‐ te o Sarau”, conta a educadora Clezenilda. Na última edição, mais membros da família estive‐ ram presentes: o adolescente Marcos e o patriarca Brasil, de 72 anos, que interpretou o poetinha Vinícius de Moraes. Outro poeta e agitador cultu‐ ral da Poesia D’ Esquina, DJ Fula‐ no, revela planos para o futuro: “A gente espera que o Sarau con‐ tinue com um público diversifi‐ cado e ao mesmo tempo unido pela poesia. Mais moradores da Cidade de Deus publicando li‐ vros, mais intercâmbio com o que rola em outros lugares”.


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A NOTÍCIA POR QUEM V IVE | JAN.‐MAR. 2012

Obras na Cidade de Deus ‐ Bairro Maravilha por Felipe Zohler

As obras de saneamento bási‐ co e pavimentação de ruas e tra‐ vessas na Cidade de Deus estão aceleradas, principalmente as partes de escavação, abertura das valas e colocação de tubula‐ ção do esgoto sanitário. Já o fe‐ chamento das valas e calçadas é mais lento, e isso tem gerado descontentamento na popula‐ ção. As pessoas falam que é mui‐ to tempo de lama e areia nas ruas. Vale lembrar a população do Projeto Bairro Maravilha, para que possamos ficar atentos às obras e promessas feitas. Veja no folder qual é a propos‐ ta do projeto:

Maria CDD A travessia

por Monica Rocha


A NOTÍCIA POR QUEM V IVE | JAN.‐MAR. 2012

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Avaliação do Projeto Bairro Educador Cidade de Deus em 2011 por Maria do Socoro

O Projeto Bairro no CIEP Luiz Educador faz parte Carlos Pres‐ do programa Esco‐ tes, sendo las do Amanhã e é apresentado à realizado pelo CI‐ comunidade EDS (Centro Inte‐ no final de grado de Estudos e 2011 e o PPP Programas de De‐ (Projeto Polí‐ senvolvimento tico Pedagó‐ Sustentável). Vári‐ gico) da as atividades tem escola foi re‐ sido realizadas pe‐ lacionado à lo projeto nas esco‐ Comunicação. las com o objetivo ‐ O Bairro de contribuir na Educador e melhoria do IDEB algumas es‐ (Índice de Desen‐ colas contri‐ volvimento da Edu‐ buíram em cação Básica) e Ida dos alunos do CIEP a Horta Jardim do Anil ações que a diminuir a evasão critos, culminâncias, etc.. Foi o Natura desenvolveu na comuni‐ escolar. Essas atividades são caso da Escola Municipal Alberto dade. Em particular citamos o CI‐ sempre realizadas por parceiros Rangel que, no final do ano, fez EP Luiz Carlos Prestes, que cedeu que podem ou não ser da comu‐ uma belíssima culminância com o espaço para a realização de nidade, conforme o Projeto Polí‐ diversos trabalhos: teatro, pes‐ uma ação, e a Escola Municipal tico Pedagógico da escola. quisas, música, grafite com rela‐ Pedro Aleixo, que levou a sua No ano de 2011 as gestoras do ção ao João Cândido e sua luta banda de percussão num segun‐ projeto em Cidade de Deus, Maria na revolta da Chibata. do momento. do Socorro e Francisca Assis, ‐ Jornal “O Prestinho”: foi in‐ ‐ Foi desenvolvida na Escola contribuíram com as seguintes centivado pelo Bairro Educador e Municipal José Clemente Pereira ações nas escolas: desenvolvido em parceria com uma gincana envolvendo toda a uma turma da professora Ângela, ‐ Exposição escola e os proje‐ João Cândido do tos que atuam na Projeto Memória: mesma, como: em parceria com a Bairro Educador, Agência Banco do SANGARI (Cientis‐ Brasil Cidade de tas do Amanhã), Deus, que foi rea‐ IABAS (Programa lizada nas esco‐ Saúde nas Escolas) las: Pedro Aleixo, e CECIP, incentiva‐ Alberto Rangel, dos pelo Programa José Clemente e Escolas do Amanhã CIEP Luiz Carlos e UNESCO. Prestes. Cada uma ‐ Como o proje‐ das escolas apro‐ to se estende à Es‐ veitou a exposi‐ cola Municipal ção como pôde Helena Lopes nas suas aulas Abranches, no com trabalhos es‐ Gardênia Azul, Aula do Curso Daniel Azulay na E.M.Pedro Aleixo


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A NOTÍCIA POR QUEM V IVE | JAN.‐MAR. 2012

também contri‐ buímos com o PPP (Pro‐ jeto Polí‐ tico Pedagó‐ gico) desta es‐ cola, que era sobre o Ano In‐ ternacio‐ nal das Professor do PEJA explicando sobre a   exposição Flores‐ tas, e le‐ Joâo Cândido na E.M.Alberto Rangel vamos nari oferecido pela Casa de Cul‐ duas turmas para visitar a Horta tura em frente à escola, foi reali‐ Jardim do Anil. zada a Trilha Meu Amigo ‐ Na Escola Municipal Profes‐ Portinari com os alunos da Pro‐ soranda Leila Barcellos de Carva‐ fessora Viviane Cunha. Esta ativi‐ lho, a partir de um curso e dade foi uma continuação do exposição sobre Cândido Porti‐

Lançamento da segunda edição do Jornal "A notícia por quem vive"

trabalho que foi iniciado com os alunos do ACELERA II, da profes‐ sora Sílvia, sobre sexualidade. Esses são só alguns exemplos de atividades, ações, parcerias que o Bairro Educador teve em 2011. Em 2012 outras metas, par‐ cerias, ações serão desenvolvidas e esperamos contar com a comu‐ nidade para que possamos tornar a Cidade de Deus um verdadeiro Bairro Educador, e para que nos‐ sas crianças se sintam felizes na escola e possam se desenvolver com mais qualidade. Nós, como moradores, pode‐ mos contribuir com a direção e com os professores, buscando na escola como podemos fazer isso, pois, acreditem: muitas coisas podem ser feitas para contribuir‐ mos na Educação de nossas cri‐ anças.


A Notícia por Quem Vive 3ª edição  

Jornal Comunitário da Cidade de Deus

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