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RESENDE E ITATIAIA - SETEMBRO DE 2013 Nº 209 . ANO 18 - JORNAL MENSAL DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

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“O homem feliz é que faz coisas inúteis; o homem doente não dispõe de força suficiente para ficar sem fazer nada.” Chesterton

Meninos, eu vi! Houve um tempo em que os paralelepípedos eram os pedestais da inteligência e da honradez. Eram mediadores entre o céu e a terra, entre as chuvas e seus úmidos lençóis. Resevas de sabedoria. Meninas, eu vi! Famílias inteiras peregrinando para escutar um sino, para matar a sede de nada fazer.

Membros da Colônia italiana de Porto Real em peregrinação ao Santuário de Aparecida do Norte c. 1950. Foto do Acervo de Gecilda Gioia

Nesta edição: Italianos para tudo quanto é lado...! Até em Porto Real. A saga de 50 famílias corajosas Politicálya : Paleontólogos encontram passarela do gênero celacanto que provocou maremoto no século XX Um caso bem “concreto” de gestão pública: a falta d’água em Penedo. Itatiaia no ranking da qualidade de vida? A arte de tornar-se invisível - Fantasmas brincam de transparência e esconde-esconde por trás dos panos e danos Médicos cubanos podem ser a salvação da lavoura em 2014. A gente da roça pode dar uma mãozinha Rebanho bovino agradece penhorado a Sir Paul McCartney. Feira de orgânicos na Arcanjo Gabryel é opção! Nossa alma medieval invade o imaginário, do Pará aos Pagos gaúchos, passando pela Mantiqueira Saudades de Dona Walda Bruno e do filósofo Jorge Jaime. Somavilla canta as Figueiras e Virgínia, a Mantiqueira Vícios do Estado onipresente estão destruindo Mauá. As chances da sociedade ante a violência são mínimas Viva 29 de setembro de 1801! A redescoberta de Rezende e sua gêmea portuguesa... Haja tradição!


2 - O Ponte Velha - Setembro de 2013

1) ACONTECIMENTOS POLÍTICOS IMPORTANTES EM RESENDE 1.1) SUBTENENTE WILTON NA GUARDA MUNICIPAL - o novo comandante da Guarda Municipal é policial militar, portanto, experiente na área de segurança. Possui, também, experiência política, já tendo sido candidato a Vereador, bem votado, em três oportunidades: em 2004, obteve 325 votos, pelo PL; em 2008, alcançou 642 votos pelo PT do B; em 2012, teve 529 votos, pelo PPS. Wilton tem tudo para dar certo à frente da conceituada corporação. Queremos contribuir com três sugestões que têm sido nossa bandeira, há muito tempo: a) conscientizar o pessoal da Guarda que o telefone 181 é da Ouvidoria da Guarda Municipal. O próprio Prefeito Rechuan declarou isto em entrevista ao Jornal Beira Rio, diante do que não é possível que certos integrantes da Guarda Municipal se comportem em dissonância com o próprio Prefeito; b) dar uma dura nos maus motoristas que estacionam, indevidamente, nas vagas destinadas aos carros dos deficientes físicos. É preciso uma fiscalização sistemática, inclusive rebocando carros dos infratores, para servir de lição; c) acabar com a bagunça no Parque das Águas, especialmente nos finais de semana. O Parque vem sendo invadido por cães e ciclistas, colocando em risco a segurança dos frequentadores. O Comandante Wilton certamente saberá implantar nossas sugestões, caso as entenda corretas. Desejamos sucesso ao Wilton, em sua nova e nobre missão. 1.2) PROVÁVEIS CANDIDATURAS A DEPUTADO ESTADUAL EM RESENDE: pela multiplicidade de candidatos que está despontando, Resende corre o risco de não eleger ninguém. O Prefeito Rechuan, se conseguir manter unida a base que o sustenta, lançando

POLITICÁLYA

um só candidato, pode mudar essa escrita. Ao que tudo indica, os fortes candidatos a Governador, com exceção do Dr. Miro Teixeira (PDT), já têm seus prováveis candidatos a Deputado Estadual por Resende, como segue:

1.2.1) NOEL DE CARVALHO - Conforme havíamos previsto, o Deputado Antony Garotinho aproximou-se de Noel de Carvalho, tendo este comparecido à reunião do Partido da República, em 1º/09/13. Para a cidade de Resende é bom que os fortes candidatos a governador vinculem-se a políticos daqui. 1.2.2) ROGÉRIO COUTINHO - O simpático petista deverá fazer uma dobradinha com o Bittar e o Luís Sérgio, prováveis candidatos a Deputado Federal do PT, que dividirão a atenção do Rogério, aqui em Resende. Assim, o candidato a Governador Lindberg deverá ter um bom palanque aqui na cidade. 1.2.3) VEREADOR DAVID É 10 - Sempre se ouve que o carismático Vereador David, muito bem votado na última eleição, será candidato a Deputado Estadual, pelo seu partido, o PRB. Assim, o candidato a Governador Bispo Marcelo Crivela (um dos melhores oradores que conhecemos) terá um forte vínculo com nossa cidade. 1.2.4) DRA. ANA PAULA RECHUAN - Tudo indica que será a candidata do PMDB, com apoio da base eleitoral de seu marido, o atual prefeito José Rechuan Jr. Desse modo, Resende estará bem na fita com o candidato a Governador Pezão. 1.2.5) DR. GLAUCIO JULIANELLI - Provável candidato a Deputado Estadual, por um partido que ainda não sabemos qual. Procurado por muitos partidos, a exemplo do PT, do

JK - Foto de Jean Manzon

PPS e do PSOL. Caso se filie ao PSOL, estará ao lado do também provável candidato a Governador, Marcelo Freixo, que ficará muito bem representado aqui em Resende. 2. E AGORA, JOSÉ? - Este mês é dedicado à Passarela do Tom, o fato mais comentado nas rodas políticas da cidade. Tem gente que já marcou as fotos do futuro casamento ali na Passarela. Tem gente que disse que não passará ali, em sinal de protesto. O competente Wagner Camilo certamente programará ali um belíssimo evento de Natal. O Professor Silva ouviu tantos comentários sobre a Passarela, que pede desculpas se os relatos seguintes não retratarem o que realmente aconteceu: 2.1 - A PASSARELA - I temos ouvido severas críticas, como também positivas manifestações, a respeito da Passarela do Tom. Os mais entusiasmados falam que será o novo cartão postal de Resende. Fato é que a Passarela desperta paixões. Dizem que o argumento decisivo para a aprovação do projeto, foi o de que as torres gêmeas simbolizariam os dois mandatos do Rechuan. Porém, na Rádio Corredor, diz-se que não é nada disto. As torres simbolizariam as mãos do Secretário Miguel Dias, postas em oração, rogando para que o Camerlengo se lembre de sua Secretaria, na hora de dividir os recursos orçamentários.

Cabo Euclides e Professor Silva

2.3 - A PASSARELA - II - Na última reunião de secretários, mais conhecida como segundaferina, Rechuan abriu a reunião falando sobre a Passarela do Tom e dos comentários por ela suscitados. Falou que a oposição está acusando a obra de perfunctória, pelo que gostaria de ouvir a sincera opinião de seus Secretários. Nisto, a Magali trouxe o celular para o Rechuan atender ligação do Governador Sérgio Cabral. A interrupação foi um alívio para aqueles Secretários que não sabiam o significado da palavra perfunctória. O Urubú ligou para o seu compadre; o ZeroTrês ligou para o sogro; o Marechal ligou para o General; o ZR ligou para o Éle; o Camerlengo teve mais sorte: estava sentado ao lado do Alfredinho, que logo lhe explicou. O fato é que houve uma corrida aos computadores e celulares. Um dos secretários, que parece se inspirar em um personagem de programa de TV, todavia, nem se abalou. Se o Prefeito começasse a pergunta por ele, a resposta estava na ponta da língua: “Amado Burgomestre, primeiramente, desejo reiterar minha alegria de participar deste prazer que se renova todas as segundas feiras, ao lado de Vossa Excelência. Segundamente, sobre a caluniosa afirmação da oposição, dizendo que nossa passarela é perfunctória, minha opinião é a mesma de Vossa Excelência, o que evidencia a irmandade de nossas almas”. 2.3 - A PASSARELA - III - o folclórico Luvino Pédecana, que costuma fazer da cabeceira da Ponte Velha sua suíte presidencial, acordou, no início de uma noite dessas, com o movimento do teste da iluminação do interior das torres gêmeas. Ainda sob o efeito do álcool, viu, no meio de tantas luzes, um barbudo e cabeludo, com cara de criança desembrulhando bala, com as mãos apontadas para as gigantescas torres. Luvino

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atirou-se aos pés da criatura, declarando: --Perdão, Senhor, agora eu acredito. Vou até parar de beber ... Duro foi convencer o Luvino de que era apenas o Tom Kneip admirando sua criação e testando o sistema de iluminação. 2.4 - A PASSARELA IV Depois de tanta badalação em torno da Passarela do Tom, pessoas do núcleo duro do Governo já o colocam como potencial candidato à sucessão do Rechuan. Nossos espiões já viram no computador pessoal de um grande publicitário (esquecido na mesa do Bar do Cérgio. O computador, não o publicitário), um esboço para propaganda com a seguinte mensagem: “ Para Resende não sair do tom: Tom Kneip para Prefeito”! 2.5 - A PASSARELA V Nossa reportagem, em busca de argumentos para formar sua opinião sobre a Passarela do Tom, visitou Vovô Noelius, um sábio que mora na Rua São Sebastião, costumeiro informante desta coluna. Vovô Noelius já foi tudo na política de sua terra (Vereador, Deputado Estadual, Deputado Federal, Prefeito, Vice-Prefeito). Perguntado sobre a Passarela do Tom, disparou: “Meu fio, depois que inventaram o “anexo separado”, nada mais me surpreende em Resende”! Apenas para lembrar, o anexo da nossa Câmara Municipal fica em Campos Elíseos, e a Câmara, na Praça Oliveira Botelho.

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Setembro de 2013 - O Ponte Velha - 3

Aqualoucos 1- Enquanto se briga na justiça pelo poder, falta água na parte baixa de Penedo, como vem acontecendo há anos na seca. Recorre-se a caminhões-pipa ou a poços artesianos cada vez mais ameaçados de contaminação pelos despejos de esgoto, que não têm recolhimento e nem tratamento. Se eu fosse o juiz a decidir a última da série de liminares da briga pela prefeitura, esqueceria a questão de quem pagou mais caro pelos votos, chamaria os dois candidatos e perguntaria quem tem um plano de abastecimento de água e de tratamento de esgoto, sem sangrar anda mais os rios que descem da serra, talvez buscando e tratando a água do Paraíba. E com cronograma de implantação e pena de prisão com banho frio no caso do não cumprimento. Seria uma forma de o judiciário aperfeiçoar essa democracia que nos é vendida como algo que nos representa. Acho que os políticos ficariam atrapalhados com tal matéria colocada em questão. Pensariam: ora, a gente aqui envolvido numa coisa tão importante como a lei e esse sujeito vem com questões de água...; se é para falar de outra matéria, por que ele não nos questiona no tema “planos de cooptação de vereadores e nomeação de cargos comissionados para manutenção do poder?” Eu lhes diria que me baseio no preceito bíblico que diz que a água precede as filigranas jurídicas; além do quê, há muito preceito constitucional para sustentar a exigência imediata da água. Em tempo: Rui Saldanha, um dos mais influentes secretários de Ypê, me afirmou que foi liberada uma verba federal – 15 milhões, se não me engano - para saneamento, que vai começar pela parte alta de penedo. A gente já ouviu essa promessa muitas vezes, mas vinda do Rui, que é um cara sério, vamos aguardar com esperança.

2- Em Resende, onde também se ameaça cassar o prefeito, a justiça poderia exigir de quem quiser ficar com o cargo uma obra de saneamento para Campos Elíseos e o Centro antigo, o que, entre outros benefícios, tiraria o mau cheiro daquele imenso despejo de esgoto no meio do parque Zumbi, onde o Paraíba faz uma curva graciosa, onde as garças voam em bando à tarde em busca da ilha onde pernoitam, onde a garotada bate sua bola. Ali deveria ser o mais belo parque da cidade, com bancos na beira do rio. E desconfio que nada se faz porque o mau cheiro e a língua negra que desce pelo Lavapés desencorajam a “autoridade”. Que coisa triste é ver o lindíssimo Paraíba apenas como um objeto de utilitarismo, para se tirar água e jogar esgoto. A cidade deveria se voltar para ele como sua grande joia, com esportes aquáticos, como prega o Zé Roberto Paiva, e banhos de sol às suas margens, como o Zé

Gustavo Praça

Roberto tomava em Viena. Aí haveria preservação, e a “utilidade” do rio seria maior. Quando amadas, as coisas rendem mais frutos, embora não rendam dinheiro de forma tão imediata. Aliás, sobra dinheiro nos cofres do CEIVAP a espera de projetos de saneamento. Eles aplicam no banco. É assim a lógica utilitária. 3- Há muitos anos o meu amigo Paulinho, filho do seu Romeu, colocou o sítio que herdara do pai à venda. O sítio fica às margens do rio Palmital, afluente do rio das Pedras, e um pouco acima da casa, andando-se uns quinhentos metros pela mata, há a mais linda cachoeira de Penedo: várias quedas de água, poços intermediários e uma grande piscina natural na parte baixa, com uma única grande laje rajada em amarelo como piso. Hoje, com a área do sítio toda fechada, ela é inacessível ao público. Pois bem: na ocasião da venda, um dos

pretensos compradores a quem o Paulinho mostrava a propriedade depreciou a casa dizendo que era já velha, depreciou o terreno que seria muito irregular e, quando o Paulinho o conduziu à cachoeira, olhou-a por um instante e decretou: “isso aqui para mim não tem função”. Deveria ter sido afogado naquelas águas para encontrar ali alguma função. 4- Quem não dá importância – e portanto não ama - a gratuidade da vida padece da loucura que só entende o utilitarismo crasso, o encadeamento de causa e efeito óbvio. Há pouco tempo eu estava numa pousada na cidade de Lençois, na Chapada Diamantina – cuja beleza do rio é um capítulo a parte -, e a neta da proprietária assistia à novela infantil “Carrosel”. Minha filha gostava e minha neta Maria também gosta de Carrosel. Eu estava sozinho, tive saudades da Maria e mandei-lhe a seguinte mensagem pelo celular: “Oi, Maricó, a diretora Olívia está querendo demitir a servente Laura, mas as crianças não vão deixar”. Dali a pouco meu celular dá sinal de mensagem. Abro e está escrito lá: “Quem é você? Quem é diretora Olívia?” Verifico então que eu errara o número. Mando nova mensagem: “desculpe, errei o número”. Não adianta. A pessoa me escreve de novo: “O que você quer dizer com ‘as crianças não vão deixar’?” Tento uma última vez continuar o diálogo para acabar com aquilo: “Me esquece, era mensagem pra minha neta”. Dali a pouco meu interlocutor manda sua última mensagem: “Então tá bem, Maricó” – revelando ser homem e machista, pois devolveu o “Maricó” com que eu o abordara, e demonstrando bom humor, o que o salva da loucura de achar que tudo tem uma lógica reta.

Bom, e daí? O município de Itatiaia está fazendo parte de um ranking das cidades do continente americano, classificadas como “cidades do futuro”. O ranking foi publicado pela revista “fDi Magazine”, ligada ao jornal britânico “Financial Times” e leva em conta a infra-estrutura, incentivos e capacidades de cidades e regiões para atrair futuros investimentos estrangeiros. Os dados foram coletados em 422 cidades, sendo avaliadas em seis tópicos: potencial econômico, recursos humanos, custo-benefício, infraestrutura, capacidade de atrair investimentos e qualidade de vida. Itatiaia entrou na categoria Micro (população de menos de 100.000 pessoas), competindo com 43 cidades. O município destacou-se em 7º lugar em relação a potencial econômico de atrair investimentos estrangeiros. No ranking da relação custo/benefício, Itatiaia aparece novamente, em 6º. O prefeito Luis Carlos Ypê disse: “Estamos muito orgulhosos de fazer parte desta lista, que nos mostra o quanto estamos seguindo no caminho certo e que possamos melhorar a qualidade de vida dos moradores”. O secretário de Desenvolvimento Econômico, Denilson Sampaio, opinou que essa conquista “é fruto de muito trabalho e dedicação de todos de sua equipe. Esse é apenas o começo do desenvolvimento do nosso município”. Denilson acrescentou que um representante da Prefeitura irá receber o certificado de participação no ranking, na Filadélfia. (PMI)

Alô, Domingos! Moradores da Fazenda da Serra reclamam que a concreteira Rocha Mix tem sangrado a adutora de água do Rio Bonito, que abastece Penedo. No local vê-se uma amostra da qualidade da paisagem em que se vai transformar a pitoresca e antiga estrada. Uma placa com licença do INEA avaliza. Será possível?! O loteamento Nova Penedo teve que perfurar poço artesiano para garantir água potável aos futuros moradores, e a água cristalina do Rio Bonito vai virar concreto para o “desenvolvimento” de quem? Em que lugar estamos em qualidade de vida e infraestrutura?


4 - O Ponte Velha - Setembro de 2013 Eliel de Assis Queiroz

POR TRÁS DOS PANOS

Atores gostam de atuar na frente dos panos (cortinas), de cara para o público. Políticos, com raras exceções, preferem o contrário, gostam de atuar por trás dos panos, de costas para o público. Deve ser por isso que o prefeito de Resende se nega a prestar as informações que o Comitê Pela Transparência e Controle Social de Resende (COMSOCIAL) lhe tem solicitado. São várias solicitações não atendidas. Todas formuladas com base na Lei de Acesso a Informação. Veja, caro leitor, se o que solicitamos não são informações de interesse público. Solicitamos, por exemplo, que a prefeitura mantenha em transparência ativa, isto é, no seu portal da internet, a situação de todos os seus servidores: quem são eles, onde estão lotados, o que fazem, onde trabalham, como são avaliados, entre outras informações. Estamos solicitando algum absurdo? São servidores públicos, pagos com o nosso dinheiro, temos direitos constitucionais que nos garantem o acesso a essas informações. Nomeações de cargo de confiança como moeda de troca política, principalmente para a compra de vereadores, são atos corriqueiros e condenáveis praticados pelos agentes públicos da nossa podre política. Na prefeitura de Resende é diferente? Solicitamos também informações sobre como é calculado o preço das passagens de ônibus de Resende, quantos passageiros são transportados, quais os investimentos feitos pelas empresas concessionárias, como é feita a fiscalização dos serviços, se os contratos estão sendo cumpridos. Tudo informação de interesse público. Nenhuma resposta. Queremos saber também como funciona o serviço de concessão de água e esgoto de Resende: onde está localizada a rede coletora de esgoto, quais os imóveis beneficiados pela coleta, quais e onde foram realizados os investimentos pela concessionária, como é calculada a tarifa, entre outras solicitações de interesse público. Você tem o direito de saber e a prefeitura tem o dever de informar. Também não temos respostas. Outro assunto guardado a sete chaves diz respeito à organização da EXAPICOR. Frequentemente a imprensa noticia a discrepância nos preços cobrados por artistas e bandas que se apresentam nessas festas. Em uma cidade é cobrado um preço, em outra um preço muito maior. Quanto custa esta festa, quanto é faturado em locação de espaços, quais os preços cobrados por essas locações, quais são os custos detalhados de cada item da sua produção? Queremos ver esta caixa-preta aberta, mas o prefeito prefere mantê-la fechada. Sabe qual foi a resposta do prefeito para não atender a nossa solicitação sobre a EXAPICOR?: “a prefeitura não tem recursos para manter esses dados no portal da transparência”. O portal de transparência da prefeitura só divulga o que interessa ao prefeito. Como são usados os veículos da prefeitura, para onde eles vão, fazer o que, dirigidos por quem, transportando quem, quantos kms foram rodados, quantos litros de combustível foram consumidos? Em qualquer empresa privada esses dados são todos contabilizados. Por que na prefeitura de Resende tem que ser diferente? Por que esconder esses dados do cidadão, que é quem paga a conta? Não estamos solicitando nada que não possa e não deva ser mostrado. Muito pelo contrário. Chega de continuarmos pagando as contas que não sabemos quais são e nem quem as fez e por que. A Lei de Acesso a Informação obriga o prefeito a dar essa satisfação ao cidadão. E esta lei também é muito clara quanto às penalidades pelo seu desacato. Não cumpri-la pode ser considerado improbidade administrativa. E isso dá perda de mandato. Se isso acontecer, não será por falta de aviso. (Eliel de Assis Queiroz é presidente do Comitê Pela Transparência e Controle Social)

Pé ante pé - Fotografia de Alberto Ferreira

Rodrigo, o solidário - Ótimo, será muito bom para Penedo ter uma biblioteca comunitária. Essa foi a resposta de Rodrigo ao lhe ser apresentada a ideia de instalação de nossa biblioteca na Agropecuária Penedo.Não iria pensar, examinar. Respondeu na hora, com entusiasmo. Tem imenso valor o espaço físico em uma loja. Conceder espaço, gratuitamente, é perder, mas, para Rodrigo, oferecer benefício para a comunidade era um ganho que não há dinheiro que pague. Nossa biblioteca começou com apenas uma estante e 160 livros. Cresceu. Hoje são 1300 livros. A cada solicitação por mais espaço, Rodrigo concedia com generosidade e alegria. E comemorava o crescimento. Assim era Rodrigo, o solidário. Afirma-se que a grande fé é a crença no ser humano. Rodrigo praticava essa virtude com naturalidade, espontaneidade. Era o seu jeito de ser. Para abrir crédito em sua loja não solicitava documento de identidade nem comprovação de residência. O pretendente apenas informava. Pronto, estava concedido o crédito. Assim era Rodrigo, o crédulo. Há pessoas especiais que, por sua maneira de ser e agir contribuem para o bem estar de sua comunidade. A cada encontro semeiam alegria e oferecem especial atenção. Alegram o viver.Quando ausentes geram saudades. E deixam uma dolorosa lacuna quando são levadas de nós. Adeus é o tipo de tchau mais triste que existe, afirmou uma criança. Adeus Rodrigo, saudades. Lydio


Setembro de 2013 - O Ponte Velha - 5

Os médicos cubanos Desde que eu encerrei minha saga dos 30 anos resendenses que fiquei pensando num tema, numa ideia para minha coluna de setembro. Não é fácil ter ideias. Eu sei de uma história sobre o Albert Einstein quando visitou o Brasil. Ele foi acompanhado o tempo todo por um cientista que tinha um pequeno caderno de notas que a cada instante escrevia algo nele. Curioso, o grande cientista perguntou: “Mas o que você tanto escreve nesse caderno?” “É que sou uma pessoa de muitas ideias, e se não anotar, esqueço depois”. Einstein: “Engraçado, eu, na vida toda, só tive uma ideia”. Ideias não são fáceis. Tudo bem que a púnica ideia que o Einstein teve foi da Teoria da Relatividade. Eu pensei em muitos temas, como por exemplo: Casa mal assombrada. Pô se a casa é mal assombrada é porque o fantasma é uma merda. Se ele fosse um ótimo fantasma, a casa seria Bem assombrada. Outra coisa que me tira o sono. Esses trios elétricos da Bahia. Todos eles em suas músicas, invariavelmente, sobem a ladeira do Pelô. Vem cá, ninguém desce a ladeira do Pelô?! Eu não conheço Salvador, mas o que deve de ter trio elétrico engarrafado na ladeira do Pelô até hoje... Podia falar sobre os sabores da minha infância, a carrocinha da Kibon em cada esquina, do Sustincal que tomava no lanche do recreio, mas minhas memórias são cariocas, não iam agradar tanto. Tem uma frase que me incomoda: Deus é Fiel. Parece

Divagando sobre as manifestações populares

Zé Leon

que Deus torce pelo Corintians, que não gosta dos outros clubes, mas religião é um terreno perigoso. Então eu vou falar dos médicos cubanos, ou portugueses, ou argentinos, ou espanhóis. As primeiras reações me lembraram 1994, quando o Betinho começou com esse negócio de campanha contra a fome. A elite reagiu de cara, dizendo que era paternalismo, que não adiantava dar o peixe, tinha que ensinar a pescar, etc... E o Betinho respondeu com uma frase: Quem tem fome, tem pressa. Pego para mim essa frase para adaptá-la: Quem está doente tem pressa. Não adianta dizer aqui que os postos de saúde sõ precários, que faltam até aspirina, mas não ter médico é muito pior. Um médico faz uma traqueostomia com caneta bic, salva a vida. Acho que o problema aí não são os médicos, mas a forma que eles são contratados. Importar trabalhadores é comum. Olhem os franceses, os alemães, os japoneses e os coreanos que frequentam nossas ruas, nossos restaurantes, nossas escolas. Devem ser qualificados, se não a Peugeot, a Nissan ou a Hyunday não os teria trazido. E quem qualificou esses médicos que estão chegando? Outra coisa que não entendo: os médicos que chegarem, se não se adaptarem, pedem demissão, pegam suas famílias e voltam para seus países. Os cubanos não, vieram sem as famílias, e são refém do governo brasileiro. Se algum deles pedir asilo diplomático imediatamente é deportado, negando todas as leis internacionais.

José Roberto de Paiva

O bom marketing do governo foi plantado de um jeito que ninguém tem coragem de se posicionar contra a colocação de médicos em lugares carentes. É melhor um médico, mesmo sem posto de saúde do que nenhum médico. E agora, para complicar a guerra, as prefeituras de pouco orçamento estão demitindo os médicos brasileiros que lá trabalham para economizar no salário. É a tal história do cobertor curto, cobre o pescoço mas deixa o pé de fora. *** Cantinho alvinegro. Na última rodada do primeiro turno do brasileirão, o Cruzeiro jogava contra o Flamengo e estava 4 pontos na frente do Botafogo, que pegava o Criciúma. E tinha torcedor querendo a derrota do time mineiro para se o Botafogo, ganhando do Criciúma – e ganhou por 2x1 – ficaria só a um ponto de diferença do líder. É ruim eu quero que o Botafogo fique dez pontos atrás do Cruzeiro, e que o Flamengo perca no Mineirão. Resultado Cruzeiro 1x0. Fogooo. (Escrevi essa coluna no dia 9 de setembro, não sei em que situação está o meu time hoje, mas Fooogoooo.)

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Anos atrás, Paul McCartney iniciou uma campanha para que as pessoas evitassem comer carne na segunda-feira. Vegetariano, o ex-Beatles não pretende convencer ninguém a se tornar vegetariano, mas alertar as pessoas sobre a necessidade planetária de diminuir o consumo da carne. Os jovens tomaram as ruas a partir de junho, despertados por dar um basta nas negociações nebulosas entre políticos e alguns empresários. Como ressaltou Luis F. Veríssimo a falta de objetividade e de entendimento dos cenários sociais, econômicos e políticos foram a marca negativa dos movimentos. Por exemplo a pessoa querer uma redução na tarifa de transporte ou mesmo a tarifa zero, mas reclamar também do preço da gasolina. Ora, o Movimento Passe Livre defende a tarifa zero, com transporte subsidiado exatamente por um imposto sobre a gasolina. Ou seja, quem andar de carro subsidia o transporte público, o que representa um marco em busca real de uma cultura sustentável. Voltemos ao Paul; a energia que move a Vida no nosso Planeta Terra é a energia solar. Mas somente os vegetais têm como aprisionar essa energia, através da fotossíntese, formando os açucares e produtos orgânicos que interpenetram a cadeia dos seres vivos. Um animal se alimenta de vegetal para incorporar a energia que precisa pra viver; energia de origem solar. Um predador que consome outro animal estará, em última instancia, buscando a energia necessária. Entre os vários níveis tróficos, níveis da cadeia alimentar, sempre há perda de energia. Alguns estudos falam de 13 a 17 vezes; isso significa que a terra que recebe gado para alimentar um milhão de pessoas, alimentará uns 15 milhões, se o vegetal produzido para alimentar o gado for para o Homem. Quem quiser defender as florestas, ser contra o avanço do agronegócio sobre as terras virgens, tem de se conscientizar de que é o mercado, ávido por carne, quem estimula o desmatamento. Mais da metade do milho e da soja produzidos são para alimentar o gado. A população de animais explorados, como uma indústria, já chega a ser maior do que a população humana no nosso País. Essa percepção em breve atingirá as redes sociais. O agronegócio avança sobre as florestas e sobre terras indígenas. Faço minhas as palavras da ex- senadora Marina Silva: “A abertura da terra indígena à exploração mineral, cuja promoção prática se tenta legitimar mudando a lei, é típica da sangria de um continente definido por Galeano com as “veias abertas”. A PEC 215 e o projeto de lei nº 227 agridem a Constituição. Extinguir os direitos indígenas, substituindo-os pela negociação política economicamente monitorada, é crime de lesa-humanidade. De todos os retrocessos socioambientais, o caso indígena é mais trágico, pois resulta em fatal ameaça à sua existência física e simbólica”. E mais; “Suponha que um dia, por negociação dos líderes partidários, fosse aprovada uma lei determinando que todos os títulos de propriedade de terras, das menores fazendas às grandes “plantations” do agronegócio, só seriam válidos depois de analisados, um a um, pelo Congresso Nacional. Veríamos os donos de terra brasileira invocando o direito humano e divino de que seriam beneficiários desde os primórdios da civilização”. Mas é exatamente isso que os setores mais atrasados do agronegócio querem para os índios.

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6 - O Ponte Velha - Setembro de 2013

A Saga dos imigrantes italianos em Porto Real

Eram todos analfabetos - Muitos morreram no porão do navio cargueiro – Com 10 anos de idade um menino já trabalhava na usina de açúcar Gustavo Praça e Joel Pereira vão a Porto Real encontrar o rastro de italianos que ajudaram a tornar próspera a Região das Agulhas Negras. O local era chamado de Porto do Simão no início do século XIX, tempos heróicos de navegação no Paraíba, devido ao nome de seu primeiro proprietário, Simão da Rocha Corrêa. Nos anos 1870, chegaram os italianos, e a história muda. Vejamos o que dizem Gecilda Gioia e Cassiano Grazianni. Porto Real é hoje um dos municípios de maior arrecadação do estado, tem até ônibus com tarifa zero - embora ainda haja tanta moradia precária na periferia. De qualquer forma, a vida ali é bem mais fácil agora do que foi na origem da cidade, no final do século XIX, quando um grupo de 50 famílias de imigrantes italianos trabalhava duro na lavoura de subsistência e no plantio de cana. Um pouco dessa história foi relembrada ao Ponte Velha por dois descendentes daquelas famílias – Gecilda Gioia e Cassiano Grazianni, cujos bisavós foram pioneiros – durante uma agradável entrevista no horto municipal, em que ofereceram à nossa equipe vinho tinto e bissulam (pão doce típico italiano), e contaram fatos pouco divulgados, como, por exemplo, a morte de muitos imigrantes cujos corpos eram jogados ao mar na dura e longa viagem no porão de um navio cargueiro, e o fato de que, à exceção da família do professor Erico Secchi, que liderou a viagem, eram todos analfabetos, tendo seus filhos estudado em Porto Real na escolinha criada pelo próprio Secchi. Gecilda possui o diário de Secchi, em italiano e português, livro que consultava de vez em quando durante nossa conversa. Os italianos venceram todas as dificuldades e ocuparam posições importantes na sociedade e na política da região. A gravação que fizemos, e mais consultas a publicações da Academia Resendense de História, resultaram no texto abaixo. Uma Viagem Dramática Era o ano de 1874. A abolição da escravatura já se anunciava, por algumas leis e pela vigilância da Inglaterra contra o tráfico negreiro. O Brasil precisava de gente que substituísse a mão de obra escrava e, por seu lado, os europeus enfrentavam um momento de crise econômica. Neste contexto, a italiana Clementina Malavazi, em viagem ao Brasil acompanhando seu marido, Afonso Malavazi, que era músico e se apresentava na corte do Império, ficou amiga da Imperatriz Tereza Cristina, mulher de D. Pedro II, e conseguiu que o Imperador autorizasse e apoiasse financeiramen-

famílias que seguiram para Paranaguá, no Paraná. Já os que iam para Santa Catarina não o fizeram porque lá a epidemia de febre amarela estava muito forte. A Imperatriz Tereza Cristina, então, resolveu colocá-los, provisoriamente, nas terras de Porto Real, que na ocasião pertenciam ao Conde Wilson, muito amigo da família real, e onde já havia algumas poucas famílias estrangeiras avulsas – franceses, suíços, alemães, espanhóis. - Meu avô contava que quando os colonos chegaram havia aqui também alguns caboclos e até alguns índios, que foram importantes para ensinar a agricultura de subsistência – diz Gecilda Gioia. O Açúcar dá as Cartas Gecilda Gioia e Cassiano Grazianni

te a vinda de 50 famílias italianas católicas para fundar um núcleo colonial em Santa Catarina, que se chamaria Tereza Cristina. E Clementina, cujo nome de solteiro era Tavernari, buscou tais famílias em sua terra natal, Concórdia de Módena. Lá, requisitou para secretariá-la no projeto o professor Erico Secchi, que acabou capitaneando a viagem e o estabelecimento da colônia. Havia da parte do governo italiano o compromisso de que os que não quisessem permanecer aqui poderiam retornar. O navio em que vieram era um cargueiro, o Ana Pizorno, adaptado, com duas grandes salas no porão, uma para os homens e outra para as mulheres. Foram colocadas também velas para se viajar aproveitando os ventos, o que tornou a viagem muito demorada. “Eles vieram amontoados como bichos nos dois compartimentos do porão, muitos morreram de doenças e foram jogados ao mar; em Cabo Frio, onde o navio ficou por dois dias, uma criança morreu e foi também jogada ao mar, pois havia a suspeita de febre amarela”, conta Gecilda, valendo-se do diário de Secchi, que viajou na parte de cima do cargueiro, junto com o comandante. No mesmo navio vieram outras 50

Rei das Trutas (Direção Irineu N. Coelho)

Desde 1985

O casarão colonial, casa de campo do Conde Wilson - do qual há uma foto na Casa do Imigrante, no Horto de Porto Real – era muito parecido com o sobrado da fazenda de café de Penedo, e tinha uma escadaria que ia direto para um remanso do rio Paraíba, onde havia um pequeno porto para atracação dos barcos a vapor que, antes da extensão da estrada de ferro D. Pedro II até São Paulo, levavam o açúcar - e o café - a Barra do Piraí, ponto final da chegada do trem que vinha do Rio. Nesse pequeno porto da fazenda do Conde chegava a família imperial, em seus passeios. Esta é a hipótese mais forte do nome “Porto Real”. Os colonos então se estabeleceram no local onde é hoje a fábrica da Peugeot, próximo ao sobrado do Conde, recebendo cada família 500 réis e comida. Foi construído um correr de quartos em torno de uma espécie de praça, e cada família ficava num cômodo. O banheiro era fora. Mais tarde a colônia mudou-se para as terras onde hoje é o centro, mas o cemitério, construído nos primeiros tempos, continua até hoje no lugar de origem, isolado. Ali está enterrada, entre outros pioneiros, Clementina Tavernari, ou Malavazi. Quando Clementina morreu, D. Pedro e Tereza Cristina passaram a se entender diretamente com Erico Secchi nos assuntos relativos à colônia. Secchi, por sinal, havia se casado, em Barra Mansa, com Cleonice Tavernari, sobrinha de Clementina, o que estreitou mais seus laços com a família real. Ele também ganhou uma terra e fundou uma escola com sua esposa, que era professora de português.

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desse trem quando havia necessidade. Mais tarde esse trem atravessava uma ponte sobre o Paraíba, que meu avô ajudou a construir. Como nesse tempo já quase não havia mais lenha nas terras de Porto Real, usava-se muito bagaço de cana e turfa – quando se descobriu que havia turfa naquele solo encharcado - para alimentar a caldeira do trenzinho – completa. Vida de Roça

A piazza de Concórdia de Módena no século XIX

Quando Secchi casou-se não havia ainda igreja em porto Real. Ela foi construída mais tarde [1910], em estilo gótico bizantino, quando foi trazida da Itália a imagem da “Madonna Adolarata” [Nossa Senhora das Dores], que se tornou padroeira do município. Na pracinha da igreja foi colocado um busto do imperador Vittório Emanuele II, o último rei da Itália. Durante a segunda guerra mundial, o busto foi derrubado pela revolta do povo contra o fato da Itália se integrar ao “eixo”. Havia ali também o busto do professor Secchi, que Gecilda e Cassiano não sabem onde anda atualmente. Os italianos começaram vivendo com 300 réis mensais que lhes dava a Coroa e plantando cana de açúcar para o engenho em que o Conde Wilson fabricava aguardente. Mas o engenho passou a não dar conta da produção de cana, e o Império tentou agenciar a instalação de uma fábrica de conhaque, da Cia. Paille Finnie, que não vingou porque dependia das culturas de mandioca e batata doce, impróprias para terras alagadiças. Essas terras alagaram até a construção da represa do Funil, nos anos 1960. Gecilda era pequena e se lembra das famílias tendo de abandonar suas casas, que eram inundadas pelas águas do Paraíba, e Cassiano diz que a usina açucareira tinha um imenso trator alemão, para puxar vagão de trem, que por ocasião das enchentes rebocava balsas com as pessoas que moravam ribeirinhas para a parte mais alta da cidade, perto da igreja. “Nesses dias a ponte que vai para Quatis ficava totalmente submersa”. Ele ressalta ainda que seu avô lhe contava que muitos dos que voltaram para a Itália, ou foram

se estabelecer em São Paulo ou Valença, o fizeram por conta da planície ficar alagada no tempo das águas, e imprópria para a cultura da uva. - O vinho era fundamental na vida deles – diz Cassiano. O jeito foi substituí-lo por uma bebida de garapa azeda que eles chamavam de “picadinha”, que era meio vinagre, meio vinho, quase uma pinga. Um Trem Particular A solução para manter a colônia em Porto Real, absorvendo toda a produção de cana, foi o governo conceder a exploração de uma usina de açúcar para a Cia União Agrícola, de propriedade do Sr. Ângelo Eloy da Câmara, declarando então a emancipação da colônia e eximindo-se de qualquer compromisso com os italianos. Mas durante algum tempo a Coroa ainda deu uma ajuda de custo de 300 réis a cada família, e de 1.500 réis àquelas cujo homem ajudasse na construção de uma pequena estrada de ferro que passou a levar a cana da região de onde é hoje a Peugeot até à usina. Em 1895, o Conde Wilson compra a açucareira. - Em 1907, aos 10 anos, meu avô já trabalhava na açucareira – conta Cassiano. Havia cana por toda parte, desde onde é hoje a UERJ e a Nissan. Até os fazendeiros de Quatis, do outro lado do rio, passaram a plantar e fornecer cana para a usina. A cana atravessava numa balsa que corria em cabos de aço, e os feixes eram colocados em carros de boi até a linha férrea para embarcar nesse trem particular da usina, que era uma locomotiva puxando vagões de pranchão. O imenso trator alemão a que me referi antes trabalhava puxando os vagões

Nessa ocasião, os que haviam optado por permanecer no Brasil não queriam mais ir para Santa Catarina, e então a Coroa lhes deu a terra prometida aqui mesmo. Estes escreviam para parentes e amigos e assim foram chegando novas famílias. As famílias que tinham mais filhos homens ganharam mais terra. Foi então, já próximo à virada para o século XX, que a colônia se transferiu para onde é hoje o centro de Porto Real, que era o local de suas terras definitivas. Aí intensificaram a agricultura familiar, plantando muito arroz, milho, feijão, entre outras coisas, costume que se estendeu até o tempo em que Gecilda era menina. E no começo dos anos 70 do século passado, com a construção da cerâmica em Porto Real, muitas famílias de mineiros migraram para lá, reforçando a cultura de roça, com seus fornos de barro do lado de fora das casas. - Plantava-se beterraba, e aí em casa a gente só comia beterraba; plantava-se abóbora, a gente só comia abóbora; o tomate, a gente abria um buraquinho nele e colocava vinagre, ficava uma delícia – conta Gecilda. Era uma vida de roça: tinha o milho, fazia o fubá, aliementava os animais; criava-se galinha, e com as penas fazia-se os travesseiros e os colchões. Eu tenho até hoje um travesseiro de pena de galinha. Fazia-se pão para a semana toda – shopa, brevidade, bissulam – e deixava-se um pouco do pão endurecer para ter o fermento para fazer o próximo. A matança de porco era uma festa, porque se aproveitava tudo: fazia chouriço, codeguim, lingüiça, torresmo; punha a carne do porco na própria banha dele e tinha aquilo para comer por quase um ano. Codeguim? É o couro do porco moído, cozido e temperado. - Põe no feijão, é uma coisa de louco – atesta Cassiano, que ressalta ainda a importância do

feijão: - A cultura do feijão aqui é tão tradicional que há alguns anos a EMATER desenvolveu uma semente do “carioquinha Porto Real”. Comércio na Estação Nos primeiros tempos, de seus bisavós e avós, para ir-se a Resende pegava-se o trem na estação de Floriano (a estrada de Ferro D. Pedro II, Rio-São Paulo, data da década de 1870, década da chegada dos italianos), mas Gecilda e Cassiano dizem que seus antepassados iam pouco à sede da província, depois município, resolvendo a vida quase toda em Porto Real, com o que produziam, e comprando o que lhes faltava, em geral, de caixeiros viajantes. - Meus avós contavam que o burburinho era nos fins de semana na estação de Floriano. Porque chegavam caixeiros viajantes no trem, abriam as malas e ali se estabelecia uma espécie de rua de comércio. Ia-se lá para comprar e também para vender alguma coisa aos passageiros. As estações de trem eram os centros nervosos das pequenas localidades – diz Cassiano.

Mãe do prefeito Jorge Serfiottis

A usina açucareira foi mudando de proprietários. Esteve com a família Morganti, de industriais paulistas, e depois passou para França Filho, empresário dono da Confeitaria Colombo, no Rio, que montou a fábrica de refrigerantes, fabricante de Coca-Cola. Esta passou então às mãos de Renato Monteiro de Barros e, na sequência, a seu filho Luis Eduardo Monteiro, o Lula. O que ficou de mais forte da cultura italiana até hoje foi a culinária, o jogo de bocha e um grupo de danças típicas

“Le picole Ballerini”, que se apresenta em geral na festa italiana, na primeira semana de junho, comemorando a chegada do primeiro grupo de imigrantes. Atualmente há a “Semana da Cultura Italiana”, que ocorre na semana antes de festa: se conta a história nas escolas, há apresentações de teatro, aulas de culinária para as crianças, visitas ao museu, desfile de famílias. - Nisso, a gente tem que dar valor à Fundação Vitório Emanuelle, criada no início dos anos 90. Um grupo de pessoas que trabalhou para a preservação da história. Este livro bilíngue do diário do Secchi foi editado por um esforço da Fundação, junto ao governo do Bernardelli e do governo de Concórdia, na Itália – diz Gecilda. Existe também a Casa do Imigrante, pequeno museu criado pelo governo municipal, que funciona dentro do Horto, com muitas fotos, alguns objetos do começo da vida na colônia, e um italiano chegado há pouco ao Brasil, Ronaldo, que recebe as pessoas com simpatia e competência. Vale a pena a visita. EM RESUMO Em 1874 se criou o Engenho Central de Porto Real, para receber os colonos italianos, que ali decidiram permanecer e trabalhar. O então senhor do Engenho Central de Porto Real era o comendador Elói da Câmara, que, no ano de 1895, o alienou a Edward Pellew Wilson Junior, 1ºConde de Wilson, que revolucionou o Engenho Central, mandando vir da Inglaterra máquinas de tecnologia avançada, para beneficiar a cana-de-açúcar da região. Em 1899, sucedeu-o o comendador Eduardo Pellew Wilson (1858-1924), que, logo mandou construir uma estrada de ferro em suas terras.Em 1916, o Engenho Central de Porto Real foi tornado uma sociedade de ações, controlada pelo comendador Wilson e sua esposa, D. Georgeana de Sá Wilson. Nesta data, passou a denominar-se o dito Engenho Central Conde de Wilson, que foi alienado em 1927 ao comendador Morganti Cordella, e posteriormente a França Junior. De 1944 é a Açucareira Porto Real, e de 1946, a Companhia Fluninense de Refrigerantes. A capela do Engenho era aberta à comunidade de colonos, num convívio de paz e de amizade mútuas, que D. Georgeanna bem soube construir. Os Wilson reuniam em Porto Real a elite do Rio de Janeiro, aparentados que eram com muitos. Porto Real, por ser próxima da capital era visitada por ministros e por embaixadores estrangeiros. Dom Pedro II foi recebido com grande festa pelos colonos. O contato entre os colonos e o Imperador foi bem próximo, a ponto deste questioná-los se estavam satisfeitos e sendo bem tratados. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Porto_Real)


8 - O Ponte Velha - Setembro de 2013

Canto da Saudade A cidade de Resende perdeu uma de suas mais queridas filhas, Dona Walda Bruno, no dia 19 de agosto último. Nascida em 1921, Walda era filha de Felippe Bruno - italiano naturalizado - e de Dona Gumercinda de Almeida Bruno (“Dona Bola”), e irmã de Jefferson Geraldo Bruno, ex-secretário da Fazenda de Resende, bem como de Raphaela, Solange, Sebastião e Sérgio. Era sobrinha de Sabino, da também professora Carmela Bruno, de Elvira, Leonor e Miguel. A família de muitos e ilustres membros entrelaçou-se aos Taranto, Braile, Almeida, Moysés, Pinho, Guimarães, Fontanezzi, Oliveira e Caldeira. Faleceu solteira, tendo sido exemplo de dedicação às melhores causas sociais da região. Professora formada pelo Colégio Santa Ângela, e diplomada em Educação Física na Escola Nacional do Rio de Janeiro, Walda Valquíria Bruno foi diretora de ensino e secretária de Educação da Prefeitura de Resende nas décadas de 1960 e 1970 governos Aarão Soares da Rocha e José Marco Pineschi. Professora de Educação Física, lecionou em várias escolas, entre elas o mesmo Santa Ângela, o Olavo Bilac, e mais recentemente no Noel de Carvalho.

Morreu Jorge Jaime, filósofo e escritor

As figueiras perdidas de Resende

Somavilla

Feira da Roça

A Natureza é minha igreja. Meu deus é o Sol. É a Serra da Mantiqueira onde nascem as águas. É o rio Paraíba do Sul para onde correm as águas que descem da Mantiqueira...

Foi sepultado no cemitério São João Batista, em Botafogo, o corpo do fundador e primeiro presidente da Academia Brasileira de Filosofia, Jorge Jaime de Souza Mendes. Jorge, que tinha 88 anos, faleceu na manhã de 17/8, de falência de múltiplos órgãos, em Resende. Além de fundador da Academia de Filosofia, Jorge Jaime também era professor de teatro e filosofia, artista plástico, bailarino e escritor - romancista, contista, dramaturgo, poeta, ensaísta. Escreveu uma História da Filosofia no Brasil. O filósofo morava no Jardim Itatiaia, em Itatiaia há pelo menos 15 anos. Um mural d’A Santa Ceia tendo a Mantiqueira ao fundo, que se pode ver na Capela do Senhor Bom Jesus no bairro é obra interessante que testemunha seu amor à região.

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Não se sabe bem o que aconteceu com a figueira Porca miséria!! Lá na roça Do Alto dos Passos. Sucumbiu, a gente usa mesm’ é carqueja, trançagem, boltacaram fogo, do, sete sangrias, cerca cobreiro e benze ventre Os vagabundos, em suas nodosas virado... Maiada, que que entranhas. ‘cê acha dos médicos cubanos, E ainda me vem com estas histórias de hem? comunidades... Os escravos e os pobres dormitaram em seu regaço Por mais de um século. Era ao menos um sono livre No tempo de ferozes patrões e próceres republicanos Como esses que saltitam por aí na propaganda política. A outra, a lá de baixo, mais antiga, teve fim igual, Só que o crime foi maior... por incômodos, neuroses, Parapente na Capelinha. Mandaram queimá-la sem culpa e sem perdão No sábado cinco de outubro vai ser realizada a IV copa ZOAR de Parapente, com Os figurões que mais dia, menos dia, pouso no Recanto do Tambaqui, na Capelinha. Pela manhã haverá pouso de paraquedisAinda vão ganhar estátua na pracinha tas e paramotores e à tarde, de parapentes. Haverá também shows de roque e brinqueperplexa. dos para as crianças. Já são mais de 80 os inscritos. A pontuação se dá pelo melhor cumprimento do tempo de pouso e pela precisão do pouso. É um bom programa.

Hoje estou em estado de graça e de plenitude, porque me foi dado subir ao templo da Pedra Selada, onde, a 1750 metros de altitude, pude contemplar e reverenciar a deusa Mantiqueira em toda sua magnitude.

Virginia Calaes

A Associação Beneficente Arcanjo Gabryel realizou a primeira Feira da Roça no último sábado de agosto. Foi um dia animado, em que Norma Bühler fez palestra sobre aproveitamento do lixo, e o artista Jorge Brito mostrou sua arte da escultura e cantou modas da roça. Foi exibido ainda um documentário sobre o trabalho de Brito. No mais, comidas típicas da roça, como canjiquinha, produtos artesanais e legumes e verduras orgânicos nas barraquinhas. A Arcanjo vai realizar a feira da roça todos os últimos sábados do mês, menos em dezembro, quando a escola vai estar de férias. Fica em Penedo, na rua Nina Martinelli, Jardim Martinelli.

Curso de História do Centro Universitário Geraldo De Biasi inicia trabalhos do Núcleo Fluminense do Instituto de Estudos Valeparaibanos As atividades do Núcleo, formado por docentes e discentes do curso, iniciaram-se dia 28 de agosto em Volta Redonda. Faz parte da diretoria do recém fundado Núcleo Fluminense IEV-UGB, o professor Júlio Fidelis, da Academia Resendense de História. Na ocasião o vice-presidente do IEV repassou ao Núcleo uma doação do Historiador Militar Cláudio Moreira Bento, presidente da Federação das Academias de História Militar do Brasil, de exemplares do livro de sua autoria ‘Caminhos Históricos e Estratégicos de Penetração e Devassamento do Vale do Paraíba’, especialmente dedicados ao Núcleo. (Assessoria de Imprensa)


Setembro de 2013 - O Ponte Velha - 9

Eu já estava tomando mate quando a Pátria amanheceu

Um índio munduruku, chamado Daniel, neto do sábio Apolinário, é escritor premiado e na última Bienal do Livro no Rio disse: “As narrativas tradicionais estão vivas, não são coisas do passado”. Criticava a “folclorização das tradições” e a criação de estereótipos pela educação formal. Observa, desde esse ponto de vista: “o índio é um contemporâneo”. Não li “Meu avô Apolinário: um mergulho no rio da (minha) memória” (prêmio UNESCO /2002), uma das 40 obras que escreveu este Daniel que ao que parece transita bem no limbo temporal que demarca a distância (e a proximidade) entre vivos e mortos. Mas diz o mesmo que Chesterton: “Tradição significa conceder votos à mais obscura de todas as classes: nossos ancestrais. É a democracia dos mortos. A tradição recusa submeter-se a essa arrogante oligarquia que meramente ocorre estar andando por aí.” De fato, não só a sociedade é anterior moralmente ao Estado, mas a própria ideia – tão próxima ao mito – de Pátria, parece ser ontologicamente mais originária do que as atuais abstrações sobre política. Ao menos permite questionar o conceito imperante de “representação” política, introduzindo a ideia de uma participação mais completa, tanto nas decisões importantes que constroem o quotidiano quanto no universo simbólico das palavras, ritos e coisas de mostrar. Os partidos desconhecem o tempo da participação. Interpõem entre as pessoas e seus bens tantos ritos – como o le-

EL PAYADOR Raízes, tronco, ramagem... Ramagem, tronco, raiz... Abriu-se uma cicatriz de onde brotei na paisagem... O tempo me fez mensagem que os ventos pampas dirigem, Dos anseios que me afligem de transplantar horizontes, Buscando o rumor das fontes pra beber água na origem. Sobre o lombo da distância, de paragem em paragem, Fui repontando a mensagem de bárbara ressonância, Fazendo pátria na infância porque precisei fazê-la, E a Liberdade, sinuela, sempre foi a estrela guia Que o meu olhar perseguia como quem busca uma estrela.

tramento e o pensamento científico –, que a vida em sociedade vai-se finando. As mediações abstratas são tão elitistas que consagram seu avesso: o “popular”. É a bijuteria democrática que tornou impossível reunir na mesma pessoa o governante e o representante. As representações políticas são, no fundo, reflexo das representações poéticas. Sem estas, perde-se a autenticidade daquelas. Por isso os poetas ainda são os demiurgos da Cidade, apesar de Platão ter desejado expulsá-los em nome da ciência das ideias. É o que nos revela um poeta gaúcho desconhecido para muitos, Jayme Caetano Braun (1924-1999). Tipo de gringo aquerenciado nos pagos, fez do gênero payada (um desafio/improviso filosofante, adaptação do romance e trova medievais) sua marca registrada. O payador gaúcho corresponderia ao cantador nordestino, espécie de aedo dos tempos modernos. Como se vê nos trechos do poema “El Payador” a seguir.

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Pensei chegar alcançá-la, no estágio de índio rude, Mas nunca na plenitude, porque essa deusa baguala Que aos andejos embuçala, nunca ninguém alcançou, Bisneto nem bisavô, nos entreveros mais brutos, Labareda de minutos que o vento sempre apagou. Primeiro era o campo aberto, descampado, sem divisas... Com fronteiras imprecisas, mundo sem longe nem perto.. Eu era o índio liberto, barbaresco e peleador Rei de mim mesmo, senhor da natureza selvagem, A religião da coragem e o sol de bronze na cor.

Dia 20 de setembro

Comemoração da Revolução Farroupilha

Resende sedia 2 dos 8 CTGs (Centros de Tradição Gaúcha) no Estado do Rio: CTG Galpão da Saudade CTG Porteira das Agulhas Negras Há 170 anos do Combate de Ponche Verde

Mas o eterno não morre, porque permaneço vivo... No lampejo primitivo de cada fato que ocorre O meu sangue rubro corre na velha raça gaudéria, Corcoveando em cada artéria pela miscigenação Na bárbara transfusão com os andarengos da Ibéria... Fui sempre aquilo que sou, sou sempre aquilo que fui, Porque a vida não dilui o que a mãe terra gerou... Sou o brasedo que ficou e aceso permaneceu, Sou o gaúcho que cresceu junto aos fortins de combate E já estava tomando mate quando a pátria amanheceu!!!

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10 - O Ponte Velha - Setembro de 2013

O Desafio da Sociedade Civil no Processo de Governança

A relação entre a sociedade civil e o Estado em Visconde de Mauá encontra-se atualmente sob pressão, fundamentalmente em virtude da existência de dois fatores: pela presença estatal com múltiplas manifestações (três municípios, dois estados, a União e diversas unidades de conservação), em grande parte desacompanhadas de arranjos institucionais que permitam a cooperação entre estes; e pela inexistência de um acordo ou entendimento sólido entre os atores da sociedade civil em torno de projetos e temas de relevante interesse local.

A região em foco tem seu território delimitado pela bacia hidrográfica do alto Rio Preto e parte da bacia do Rio Pirapitinga, na subida da serra, com trechos em Bocaina de Minas (MG), em Itatiaia (RJ) e em Resende (RJ). Além disso, encontra-se integralmente na APA Federal da Serra da Mantiqueira e ainda possui áreas expressivas geridas pelo Parque Nacional do Itatiaia, pelo Parque Estadual da Pedra Selada e pela APA Municipal da Serrinha do Alambari (Resende). Para exemplificar o imbróglio que mencionamos acima temos as diversas e sucessivas tentativas de planejamento regional integrado realizadas na região nos últimos 15 anos, listadas a seguir: (1) Plano Diretor do Ecodesenvolvimento da APA da Mantiqueira – Perímetro de Resende e respectivo Decreto Municipal 236, de 9 de dezembro de 1998, que criou o Conselho do Plano; (2) Projeto Mauá Sustentável, desenvolvido pela Escola Técnica Rural Mantiqueira, com apoio do FNMA, em 2002; (3) Conselho de Desenvolvimento Estratégico, criado em 2003 por iniciativa da Associação Comercial de Visconde de Mauá – ACVM; (4) Programa de Gestão Socioambiental na APA da Mantiqueira - Microbacia Hidro-

Araucária e gado nas cercanias de Mauá - Foto Virginia Calaes

gráfica do Alto Rio Preto, realizado pela Crescente Fértil e parceiros, motivando o Decreto nº 2.707, de 23 de setembro de 2008, que “reestrutura o Conselho Especial do Plano Diretor do Ecodesenvolvimento da APA da Mantiqueira – Perímetro de Resende, criado pelo Decreto 236, de 9 de dezembro de 1998, que passa a se denominar Conselho Gestor da Microbacia Hidrográfica do Alto Rio Preto”. Além dessas iniciativas, a partir

da construção da estrada-parque nas RJ-163 e 151, outros colegiados foram previstos para a região, a saber: (1) Conselho Gestor da Estrada-parque, criado pelo Decreto nº 40.979, de 15 de outubro de 2007, que normatiza as estradas– parque e; (2) Conselho Consultivo do Parque Estadual da Pedra Selada, unidade criada em 2012. Embora com atribuição mais ampla, também existem os conselhos do Parque Nacional do Itatiaia e da

APA da Mantiqueira que possuem representações locais e ingerência na região. No primeiro semestre de 2013, o Sebrae, contratado pelo Governo Estadual, promove a elaboração de um Plano Estratégico de Desenvolvimento Sustentável que prevê a criação de mais um conselho, o que somará quatro colegiados para a mesma região, todos nascidos sob o pressuposto da participação e do controle social como garantia da sustentabilidade regional. A efetividade de tantos processos participativos vem sendo fragilizada pela falta de continuidade e pela ausência de uma agenda mínima comum capaz de unir os atores da sociedade civil local. Uma prova da capacidade de reação e articulação da sociedade poderá estar vinculada à regulamentação da Lei nº 6.371, de 27 de dezembro de 2012, aprovada pela ALERJ em 13 de dezembro de 2012, que trata das regras de restrição de acesso a unidades de conservação estaduais e de trânsito em estradas-parque como medida de prevenção de impactos ambientais negativos decorrentes de afluxo populacional não planejado (nos termos dispostos no artigo 1o da referida lei). Conforme debateremos abaixo, esta lei dependerá da participação da sociedade civil para que efetivamente produza o efeito pretendido. A partir do recente asfaltamento da estrada de acesso e enquanto esta lei não for adequadamente regulamentada, a região de Visconde de Mauá deverá receber um grande afluxo de turistas, com potencial para comprometer a sustentabilidade e gerar degradação ambiental, com graves consequências para a economia local, a qualidade de vida dos moradores e o ecossistema.

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Em caráter preventivo a lei estabelece os instrumentos para o controle de acesso através da cobrança de tarifa de acesso rodoviário, no caso de estradas-parque, e da limitação do quantitativo total de visitantes, a ser estabelecido por meio de resolução do Conselho Estadual do Meio Ambiente. No caso de cobrança de tarifa para o acesso através da estrada-parque (RJ 163) a lei define as faixas para o calculo desta tarifa, mas não define os critérios que norteariam a determinação dos valores a serem efetivamente cobrados (dentro da faixa definida). Conforme já observamos, quando analisamos as alternativas adotadas por Bonito e Ilhabela (vide artigo “controle de acesso e circulação interna em Visconde de Mauá” de 2010), no caso em que esta tarifa seja muito baixa, conforme exemplo de Ilhabela, este controle seria ineficaz e incapaz de gerar recursos para permitir a adequada gestão ambiental da região. Por isso será fundamental a participação da sociedade civil (no Conselho Gestor da Estrada Parque) na definição dos valores a serem cobrados, a fim de que evitemos a armadilha do turismo de massa em que se encontra Ilhabela (conforme relato durante seminário promovido em 2010). Em relação à limitação do quantitativo de visitantes, item fundamental em todo o processo de controle de acesso, a lei delega ao estudo de capacidade de carga a determinação do quantitativo final, o que torna tal estudo determinante na definição das políticas públicas para a região. Conforme a lei aprovada o conteúdo mínimo deste estudo será fixado pelo Conselho Estadual de Meio Ambiente. Portanto, cabe, novamente, à sociedade civil de Visconde de Mauá exercer a vigilância em torno do tema devido à sua relevância e crucial importância na sustentabilidade ambiental do turismo. Este


Setembro de 2013 - O Ponte Velha - 11

Duas Mauás

O Desafio da Sociedade Civil - continuação conteúdo mínimo, a parte seus componentes técnicos e científicos, devem ser debatidos com a sociedade local. Outrossim, a sociedade civil de Visconde de Mauá deverá cobrar do Estado a execução deste estudo de capacidade de carga da região pois este é uma pré-condição, conforme a lei, para a decretação das tarifas de acesso através da estrada-parque. Ou seja, esta lei somente começa a efetivamente ter função de proteger a região após incorporar as recomendações do estudo de capacidade de carga. Outro ponto que chama atenção na lei refere-se às isenções estabelecidas, que isentam os moradores dos municípios cortados pela estrada-parque, assim como dos veículos com placas destes municípios. Aqui reside uma das grandes disparidades da lei, pois é consenso local que o perfil do turista que vem passar o dia e não se hospeda em hotéis e, muitas vezes, nem frequenta restaurantes, não trazendo renda para a economia local. A maior parte destes turistas (daytourist) são residentes no entorno de Visconde de Mauá. A partir deste entendimento esta isenção seria contraproducente e, portanto, não seria bem vinda. Ao definir a aplicação dos recursos a lei prevê que 20% destes seriam aplicados em ações de saneamento na região afetada. Tendo em vista que a região afetada abrange o território de outro estado da federação (MG), seria necessária a constituição de

um arranjo institucional, provavelmente na forma de consórcio, que abranja os três municípios e os dois estados, para fazer a gestão ambiental integrada da microbacia e de modo a permitir que os recursos oriundos da cobrança desta tarifa beneficiem de forma equânime os moradores de toda a microbacia (incluindo Bocaina de Minas). Este é um ponto relevante diante da histórica solidariedade existente entre os moradores nativos de ambos os lados do Rio Preto (RJ/MG). Como vemos, a lei traz novidades interessantes ao se preocupar com a capacidade de suporte ou carga da região, contudo define de forma vaga como controlar o fluxo turístico. Mas para fazer o que a lei determina ser operado de forma eficiente e garantir a sustentabilidade ambiental da microbacia é necessária a participação da sociedade civil na definição dos detalhes mais objetivos deste controle e limitação de acesso à região. A sociedade civil somente será capaz de participar destas definições se for capaz de se entender internamente, assumindo suas diversidades e organizando sua participação na governança, de modo que possa indicar ao Estado como ela deseja que este controle seja feito e quais os seus limites. Conforme determina a nossa constituição: “todo poder emana do povo que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente”.

Paulo Mauá

Mauá é um grande e bom lugar que dispensa comentários em termos de meio ambiente e coisas que tais. Mas a esse santo recanto cabe críticas ferrenhas no que toca à administração pública. Vejam bem, a parada aqui é barra, são nada menos que três prefeituras em dois estados, numa área que abriga a Meca hippiana dos anos 70 e 80. Essa energia é que vem levando a conhecimento público um verdadeiro conflito, uma desorganização, já que hoje os aventureiros e paraquedistas nadam de braçada, piruleta e borboleta. O que estou a dizer, senhores ilustres visitantes e moradores: olhem a vila de Mauá. Nossa primeira impressão é um caos, feio e sem identidade. Maringá, o chique do pedaço, horrível à beça, buracos, crateras, valetas, etc. As poucas calçadas existentes são tomadas pela fome insaciável dos comerciantes, com um monte de bugigangas que não têm nada a ver com a cultura local. E Maromba acabou. O que será que aconteceu a ela? Mas isso tudo pode também não ser visto por essa ótica do cliente, pois existe a Mauá sem a cabeça do homem adâmico, a Mauá vista com o coração: que grandeza exuberante, o quadro de contornos, movimento dos vales, dança da amplitude, reservatório de purezas energéticas vitais para dar e levar. E mais: todos os grãos de sonhos lançados nessa terra dão frutos. Então, vale a pena perdoar a insensatez dos homens e mulheres públicos desse lugar, pois todos sabemos que no fim o bem vence. Fé e força. Aproveitemos bem enquanto está aí.

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12 - O Ponte Velha - Setembro de 2013 Ercílio Galhardo Neto

A “REDESCOBERTA” DE RESENDE

A autonomia municipal é uma conquista diária. Os atos de emancipação marcam uma condição jurídica e guardam uma promessa política... que pode não se cumprir. Nosso historiador maior, João Maia, bem advertiu que no Brasil os modelos de representação baseados na Revolução francesa precisavam ser vivificados pelo “direito comum” da tradição ibérica, mais descentralizada. Resume em O Município: “Enquanto os habitantes do município tiverem que implorar migalhas do orçamento, o voto será sempre um jogo de permutas indecentes”. MC

História quase novelística esta de Resende! Prestes a completar no próximo dia 29 de Setembro, 212 anos de instalação da vila de Resende pelo ato do 13° Vice- Rei do Brasil, D. José Luiz de Castro, Resende celebra neste ano, também, a “descoberta” de um município irmão do outro lado do Atlântico, chamado... Resende! Incrível não é? Parecendo mera coincidência a existência de dois municípios com o mesmo nome, e serem tão distantes a ponto de um oceano separar ambos os “irmãos”, não é apenas o nome que liga ambos os municípios. Mas para explicar melhor, temos que fazer uma grande viagem no tempo! Remetermo-nos à época medieval, por volta de 1030, época em que o bisneto do rei de Leão, Ramiro II, chamado de Raseundo Hermiges conquistou aquelas terras situadas na encosta da serra do Montemuro, que se estendia até ao imenso rio Douro, aos guerreiros mouros, e assim terá originado o nome de “Raseundo” aquelas terras, e que o

Brasão do Concelho de Resende

tempo e a lingüística foram alterando até chegar à terminologia atual: Resende, segundo defendem alguns historiadores europeus. Depois há outros dados históricos interessantes, como o fato do Almirante de Portugal, António José de Castro, da tradicional família Castro, da pequena vila de Resende, ser dono de uma das capitanias hereditárias brasileiras, Ilhéus, e aceitou doá-la ao reino português, tendo o Rei D. José I, concedido ao Almirante, o título de Conde de Resende, como sinal de gratidão pela oferta, nascendo assim o condado de Resende. Seu filho, D. José Luiz de Castro, varão e herdeiro do titulo de 2° Conde de Resende, foi o 13° Vice- Rei do Brasil, e apesar de se manter no poder durante onze anos, este Vice- Rei teve um grande destaque na História do Brasil, por ter julgado e condenado os inconfidentes mineiros, também por ter organizado os Correios no Brasil e ter rebatido a Conjuração Baiana.

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D. José Luiz de Castro, em menos de um mês antes de terminar o seu governo, a 14 de Outubro de 1801, recebeu a homenagem à sua pessoa, tendo rebatizado a antiga freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Campo Alegre da Paraíba Nova para vila de Resende, a terra representativa do seu titulo de conde, coincidindo até a data do feriado municipal, nos dois municípios: 29 de Setembro! E depois disso...o Conde de Resende tomou o seu rumo para Portugal, para gerir o seu condado, e assim deixou a recém- nascida vila de Resende entregue à sua sorte num país quase que continental! Os tempos passaram e, apesar de pouca ou nenhuma ligação concreta entre os dois municípios resendenses, tanto tupiniquim como lusitano, como dois irmãos que se desencontraram à nascença, ambas as Resendes sobreviveram e até hoje mostram as suas semelhanças e imponência. Ambas se encontram nas encostas de serras ( aqui, Serra da Mantiqueira, lá, Serra do Montemuro) atravessadas por rios bem simbólicos (Rio Paraíba do Sul e Rio Douro). Este ano, a Prefeitura Municipal de Resende partiu na redescoberta do seu município irmão, em Portugal, na região de Viseu, e encontrou um município pequenino, mas bastante acolhedor e bastante organizado. Resende é muito conhecido pela sua gastronomia, princi-

O novo brasão de Resende

palmente pelo cultivo de cereja, onde se realiza anualmente um Festival, e onde se pode encontrar também um monumento homenageando a cereja, assim como também é conhecida pelos seus doces tradicionais chamadas de cavacas, uma espécie de pão-de-ló coberto por açúcar. Entre as áridas paisagens da serra, vão-se notando alguns resquícios de monumentos megalíticos ainda sobreviventes aos pastores e caçadores que visitam aquelas encostas, também se pode notar a beleza de um Rio Douro imponente, e uma pequena vila bem tradicional, mas muito bem organizada urbanisticamente, sem ferir a História do município, mantendo os edifícios históricos bem mantidos, casos do próprio Paço do Concelho (prefeitura), Casa da Torre da Lagariça, entre outros, mas também sabendo progredir, como se pode constatar, construindo um Centro Cultural, umas Piscinas e um Parque Urbano bem modernos, sem destruir o patrimônio histórico resendense. À sua volta, Resende é cercado de tradicionais “quintas” e enormes mansões, todas elas históricas, e maioria delas, ocupando um lugar preponderante no turismo da região, chamado de turismo rural. Culturalmente Resende também demonstra bastante orgulho na sua História, tendo bastantes grupos folclóricos na região, um museu etnográfico moderno, além de manter bem viva a presença do escritor Eça de Queirós, que se casou com uma descendente do Conde de Resende, além de utilizar a casa de veraneio que tinha lá, para escrever romances como “A Ilustra Casa de Ramires”, “Os Maias”, “As Cidades e as Serras” e o “Crime do Padre Amaro”. Assim sendo, após um período de conversações, a Prefeitura Municipal de Resende e a Câmara Municipal de Resende (Portugal) chegaram a um acordo e assim fecharam um protocolo de geminação com o intuito de estreitar laços de amizade entre as duas autarquias e promover projetos de cooperação nas áreas de Administração Municipal, Formação Profissional, Promoção Social, Turismo e Cultura. Desta vez, com muita alegria, Resende “redescobriu” Resende!

Ponte Velha - Setembro de 2013  

Jornal Ponte Velha, Arte e Cultura

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