O ponto central do livro gira em torno do conceito de Erosão Cultural da professora Dulce Whitaker, onde as “transformações econômicas vão desarticulando as comunidades – tanto no nível rural como no nível urbano – o que pode ser considerado como erosão cultural. perde-se as práticas culturais, os dados culturais acumulados histórica e tradicionalmente por certos grupos sociais.” Sendo assim, o livro segue tencionando a linguagem na linha de frente do confronto das tensões entre o rural e o urbano.
Mesmo com esse enfoque político tão grande, Caosnavial não esquece de trabalhar aspectos formais, com forte ênfase à melopeia. É possível perceber que o autor tem se preocupado bastante com a sonoridade dos poemas (talvez ajudado pela experiência colhida em saraus do Silêncio Interrompido, coletivo cultural de que faz parte). Também vale chamar a atenção ao uso quase obsessivo (nisso somos parecidos) de epígrafes. É impossível pensar nos poemas deixando-as de lado, são partes indissociáveis do discurso anunciado