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18.jan.2013

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O Brasil inteiro mora aqui

9 O advogado do garoto Jackson fala de um dos réus mais resistentes: o poder público

Jornalismo hereditário

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Onde ver os indicados ao Oscar 2013

20 Última morada, um lugar bom para viver

Brasileiros de dieta

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Fotos: 9 e 20: Divulgação/O Caxiense | 6: Acervo Pessoal, Divulgação/O Caxiense | 17: Paulo Pasa/O Caxiense

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Fotos da capa: Acre: Diego Gurgel | Alagoas: Setur-AL | Amapá: Setur-AP | Amazônia: Alex Pazuello | Ceará: Ascom-CE | Espírito Santo: Splinterhead, Creative Commons | Goiás: Wagner Soares | Maranhão: Setur-MA | Mato Grosso: Secom-MT | Mato Grosso do Sul: David Morimoto | Minas Gerais: Valter Campanato, ABr | Pará: Mauricio Mercer | Paraíba: Cacio Murilo | Piauí: Regis Falcão | Rio de Janeiro: Alexandre Macieira, Riotur | Rio Grande do Norte: Fábio Pinheiro | Rondônia: Wilson Dias, ABr, | Roraima: Jorge Macêdo | São Paulo: Eliana Rodrigues | Demais estados: Divulgação/O Caxiense

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Rua Os 18 do Forte, 422\1, bairro Lourdes, Caxias do Sul (RS) | 95020-471 | Fone: (54) 3027-5538

Drama humano | Jornalismo sem senso comum | Opinião do leitor Bom é sentir-se humano. Sensação de empatia, de solidariedade e até compaixão. Satisfação é ter essa sensação ao ler uma reportagem. Esta provocação também é, afinal de contas, uma das funções sociais do jornalismo. Aconteceu comigo nessa semana. Acho que essa conexão entre quem lê e o personagem da história ocorre quando toca (sutilmente ou direto na ferida) um ponto sensível do leitor. Aconteceu comigo porque sou mãe. Aconteceu comigo porque sou jornalista e não tenho “lado”, mas, entre os poderes públicos inoperantes e um oprimido, vou estar sempre do lado do oprimido. Some estas duas situações e o resultado será de comoção com o menino Jackson Bottim, de 8 anos, morador de Caxias do Sul. Ele ficou tetraplégico após ser atropelado e agora respira por aparelhos. Aparelhos que o deixam mais preso que a própria paralisia, pois o impedem de conviver ao ar livre, incomodam e até machucam o corpo frágil do garoto. Poderia ser meu filho. Mas é o filho de Simone Ferreira, que luta para conquistar um marca-passo diafragmático de R$ 388 mil para Jackson. Para o Estado e o Município, o aparelho não é vital. Ambos descartam qualquer envolvimento com o caso. O Tribunal de Justiça concedeu liminar para que se compre o aparelho. Com certeza o governo estadual e a prefeitura irão recorrer, cada um com suas justificativas, muitas até compreensíveis. Mas sou mãe e, nessas horas, é difícil ser racional. O advogado da família de Jackson concedeu entrevista à repórter Gesiele Lordes. Leia na página 6. No nosso site, em www.ocaxiense.com.br, uma matéria mostra o abaixo-assinado para o governador Tarso Genro (PT) para que se cumpra a liminar do TJ. Confesso, assinei. Quem, como eu, não consegue ficar indiferente também pode assinar.

Não é de hoje que me incomodo quando escuto que o caos no trânsito, sobrecarga no atendimento da saúde, falta de vagas em creches e outros problemas são causados porque ‘todos os dias chegam dezenas de pessoas ‘de fora’ para se instalar em Caxias”. Atribuir à migração a causa dos problemas urbanos é senso comum. Hoje, está mais para solução. Basta olhar para a escassez de mão de obra na cidade. Cidade dos sonhos para muitos que buscam oportunidades. Aqui, há gente de todos os cantos do Brasil. O repórter Andrei Andrade encontrou 27 pessoas, cada uma de um estado e Distrito Federal, que vivem em Caxias do Sul. O resultado você lê a partir da página 9. No Facebook, os leitores avaliaram as últimas edições. Sobre a edição 161, Fernanda Possamai comentou: Acabei de ler O Caxiense. Que Emoção! Quanta Emoção! Desde a abertura da edição com o texto do Marcelo Aramis falando do Réveillon até as outras duas matérias que pude ler (Cidade Cheia de Tédio, por Andrei Andrade) e (Otimismo Faz Plantão no Réveillon, por Marcelo Aramis) tudo muito empolgante e fascinante. Fazia tempo que não lia textos tão cheios de vida. Cada vez mais fico empolgada com as matérias. Incrível! Esse jornalismo que nos faz sentir parte da matéria é muito raro. Qualidade de poucos. Obrigada por terem mudado um pouco mais a pessoa que sou. Parabéns!

ocaxiense@ocaxiense.com.br www.ocaxiense.com.br

Diretor Executivo - Publisher

Felipe Boff

Paula Sperb Diretor Administrativo

Luiz Antônio Boff

Editor-chefe | revista

Marcelo Aramis

Editora-chefe | site

Carol De Barba

Andrei Andrade Daniela Bittencourt Gesiele Lordes Leonardo Portella Paulo Pasa Designer

Luciana Lain

COMERCIAL Executiva de contas

Pita Loss

ASSINATURAS Atendimento

Eloisa Hoffmann Assinatura trimestral: R$ 30 Assinatura semestral: R$ 60 Assinatura anual: R$ 120

capa

Ilustração de Luciana Lain. Ver créditos na página 2.

TIRAGEM

5.000 exemplares

Vamos escapar do senso comum? Boa leitura! Paula Sperb, diretora de Redação

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BASTIDORES

Tire as crianças da sala | Um caxiense mirando as Olimpíadas 2016 | O poder público no banco dos réus |

Cases de família Leonardo Portella

Fotos: Divulgação/O Caxiense

Pelo menos uma família inteira entenderá a piada do título. Com 5 jornalistas, os Tonet – Juçara, Basílio, Charles, Aureliano e Ricardo – sabem que o termo case, também usado para definir os personagens de uma matéria, se refere às histórias contadas pelos entrevistados. Só não sabem ao certo como suas histórias no Jornalismo se cruzaram e quem influenciou quem. “Posso não ter interferido totalmente na escolha deles, mas só o fato de ter iniciado na profissão, posso dizer que existe alguma ligação”, conta Juçara, a mais velha do clã, mãe de Ricardo e tia de Basílio, Charles e Aureliano. Vamos aos cases:

Basílio Sartor 35 anos | Formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Para Basílio, o que começou como um estágio na na empresa da tia acabou culminando no comando da filial da empresa em Porto Alegre, em 2002. “Gostava do trabalho na empresa e, por isso, não tive dúvidas, escolhi o jornalismo.” Na Capital, Basílio diz que o trabalho de assessoria é mais fácil. “Por concentrar grandes veículos de comunicação, nós acabamos tendo Juçara Tonet Dini um volume maior de sugestões de pautas 53 anos | Formada pela e auxílio aos jornalistas”, conta ele, que Unisinos/RS agora também encara o desafio de formar O jornalismo estreou novos jornalistas, dando aulas na UFRGS. na família na década de Com tamanha dedicação, Basílio acabou 80, quando Juçara dei- influenciando Charles... xou de lado o trabalho em redações de jornais e TV para fundar a Dinâmica Assessoria de Comunicação. “Era uma época que o trabalho de assessoria era mais restrito. Quem trabalhava como asses- Charles Tonet sor nesse tempo eram 33 anos | Formado pela Universidade de pessoas ligadas à gestão Caxias do Sul (UCS) pública e tinham a ten“Como eu e o Basílio tínhamos idades dência de ser parciais”, parecidas e eu gostava muito de literatura, conta a jornalista, que resolvi fazer Jornalismo também”, conta é também Especialista Charles, filho da historiadora Tânia Toem Psicologia Organi- net. Charles seguiu caminhos diferentes zacional. Atualmente, e preferiu a literatura. “Gosto da História. a única ferramenta do Para fazer ligação com o jornalismo, pude jornalismo que preocu- escrever livros e aliar os dois gostos”, conta pa Juçara é a internet. Charles, que trabalha na empresa da fa“Hoje em dia todo mundo pode promo- mília, a 3 Tempos, especializada em histover conteúdo na internet. O multimídia é riografia empresarial. Charles nunca quis bacana, é maravilhoso, mas deixa de ser trabalhar em redações. “Não funciona cotudo isso quando qualquer um pode fazê- migo ter que começar a fazer uma matéria lo”, explica. Para expandir a assessoria e no começo da tarde e ter que finalizá-la no atender clientes em Porto Alegre, Juçara final do dia”, explica. Isso é especialidade contou com a ajuda do sobrinho Basílio... do primo Aureliano...

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Aureliano Tonet 30 anos | formado na França O único dos 5 jornalistas que trabalha em veículo impresso nasceu, e se formou em Jornalismo, na França. Desde março de 2012, Aureliano é editor de Cultura do jornal Le Monde. “Escolhi o jornalismo por gostar de levar informações aos leitores. Um jornalista contribui para o debate político, econômico e cultural de um país.” Segundo ele, o trabalho de um jornalista é igual no Brasil ou na França. Aureliano não tem filhos, mas não veria problemas se os descendentes seguissem essa “linda, mas difícil profissão”. É a mesma postura da tia, Juçara, que incentivou o filho Ricardo Dini...

Ricardo Dini 25 anos | Formado pela Universidade de Caxias do Sul (UCS) O caçula da família prefere o jornalismo cultural. Leitor de revistas musicais, Ricardo acredita que o Jornalismo é o principal aliado das grandes produtoras de eventos na cidade. “Sem o apoio da mídia, um evento cultural nunca será bem sucedido.” Após um estágio no jornal Correio do Povo, Ricardo trabalhou na UCS FM e na UCS TV. Atualmente faz parte da equipe de marketing da empresa metalúrgica PCP Steel, em Caxias. “Mesmo no marketing, não larguei o jornalismo. Entendo o jornalismo não só como profissão, mas como parte de quem eu sou, de como percebo e traduzo o mundo e a vida. O jornalismo é intrínseco à minha existência.”


TOP5

Diversão para crianças

Acervo Pessoal, Divulgação/O Caxiense

No auge das férias de verão, Artesanato quem tem filhos pequenos em casa O Ponto do Artesanato ofeprecisa lidar com o desafio diário de rece um “faça você mesmo” arrumar entretenimento para a ga~infantil. Pelo valor de R$ rotada. O CAXIENSE quer ajudar. 45, é ministrado a crianças de 6 a 12 Confira como livrar as crianças do anos um curso de 3 horas de duração. tédio. Os alunos aprendem a confeccionar caixas diversas e porta-retratos. Cada Patinação no gelo grupo é fechados com até 5 aprenA partir do dia 20 de dizes. A próxima turma será no dia janeiro retorna à praça de 18 de janeiro. Informações pelo fone eventos do Shopping Igua- 3419-7773. temi a pista de patinação no gelo. Com cerca de 260 metros quadraRecreação dos, a pista tem capacidade para No San Pelegrino, enaté 70 patinadores. A atração vem quanto os pais se divertem acompanhada de equipamentos com as compras – sobretudo especiais para crianças e conta com as mães – as crianças podem brincar profissionais treinados para tornar na Estação Bambolino. Destinado a os inevitáveis tombos mais amenos. crianças de 4 a 12 anos, o espaço é Para patinar, a idade mínima é 5 supervisionado por recreacionistas anos e o ingresso é R$ 25 (30 mie tem brinquedos, jogos, campo de nutos). Os menores podem deslizar futebol, piscina de bolinhas, videona pista a bordo do Big Ice Car, que games e um muro de escalada. A loja custa R$ 10 por 5 minutos. está localizada no segundo piso do shopping.

Cinekids No cinema do Ordovás, as terças e quartas-feiras são destinadas ao público infantil. A programação conta com clássicos da Dreamworks, sucessos como Formiguinhaz, A Fuga das Galinhas, Por Água Abaixo, O Príncipe do Egito, Madagascar, Kung Fu Panda, Megamente, Bee Movie, Shrek, O Espanta Tubarões, Como Treinar Seu Dragão e Wallace e Gromit. Nada que eles não tenham assistido. Mas, você sabe, eles não cansam de rever. Sempre as 14:00, a oportunidade de assistir em tela grande é gratuita. Leitura de Histórias O Berço da Leitura, na bliblioteca da Estação Férrea, atende crianças de até 6 anos. O acervo tem cerca de 200 livros temáticos, com sons, tecidos e cores especiais para estimular crianças pequenas. Mediante a apresentação de identidade e comprovante de residência, é possível pegar livros emprestados por até 15 dias. Grupos podem agendar sessões de contação de histórias. Informações e agendamentos pelo telefone 3901-1388.

Um caxiense nas Olimpíadas Guilherme Maurina, de 25 anos, é uma aposta olímpica para 2016. Com treinos diários e muita disposição, ele pratica o tiro ao prato, esporte pouco difundido no país, que ganhou incentivo do governo gaúcho em 2013. “Meu pai praticava o tiro como hobby e eu me interessei pelo esporte. Tudo começa como brincadeira e acaba que a gente vai gostando e não consegue mais parar”, conta Guilherme, que deu o primeiro tiro aos 10 anos. Aos 18, após vencer uma competição municipal, ganhou patrocínio de um comércio de armas em Caxias e participou de outras competições pelo Estado. “Foi o que realmente me impulsionou para me dedicar ao tiro. O mais difícil é o começo. E aos 18 anos eu já havia superado essa dificuldade”, conta. Dividido em 5 séries, realizadas em 3 dias, o esporte quase rendeu

a Guilherme uma participação nas Olimpíadas de Londres, em 2012. Ele chegou a participar do eventoteste, que garantia as últimas vagas para participar do maior evento esportivo mundial. “No primeiro dia, consegui acertar todos os 25 pratos, no segundo e depois, acertei 23. Depois, não conseguir ir bem. Foi quase”, conta o atleta, que perdeu por pouco a vaga na final da competição. A esperança do caxiense é mirar nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, onde as chances brasileiras são maiores. “Quero treinar, quero chegar ao sonho de todo atleta que é a participação em uma Olimpíada.” Para chegar lá, Guilherme terá outro compromisso: participará da ISSF World Cup Seri, a copa do mundo do Tiro ao Prato, que ocorre em Acapulco, no México, em abril deste ano.

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Jackson Bottim |

Fotos: Acervo Pessoal, Divulgação/O Caxiense

“O Estado acha que tem que dar apenas o básico”, diz Frederico Damato, advogado no processo pela compra de um marca-passo diafragmático ao garoto Jackson por Gesiele Lordes

o Estado cumpriu. E daí você vai pren- mas são eles que não cumprem a lei. der quem? Tem como algemar o Estado? O advogado mineiro Frederico Ataíde Tudo bem, pode bloquear verbas, mas e Uma das justificativas das autoridaBarbosa Damato, que defende o caso de se a pessoa morre neste período? des é falta de verba. Como é a relação Jackson Bottim, de 8 anos, já é conheentre as secretarias estaduais e municido no meio jurídico por ter vencido Em alguns casos, o senhor chegou a cipais de saúde? Juntas, elas poderiam disputas judiciais em que os reclamantes solicitar a prisão de secretários de Saú- pagar pelas necessidades de pacientes exigiam atenção à saúde de um dos réus de que não cumpriram liminares. Hou- como Jackson? mais resistentes nos tribunais brasileiros: ve alguma prisão? Isso (falta de verba) é a maior falácia o poder público. No dia 9, o Tribunal de Não houve prisões, apenas pedidos. É que existe. O governo do Rio Grande do Justiça do RS concedeu liminar para que que até os juízes ficam um pouco receo- Sul, de janeiro até meados de dezembro o Estado e o Município atendessem o sos, mesmo cabendo prisão: não cumprir de 2012, gastou mais R$ 45 milhões em pedido da família de Jackson. O garoto é decisão judicial é crime de desobediência. publicidade. Com este dinheiro se comtetraplégico e respira com ajuda de um ci- Mas te garanto que se fosse você ou eu, pra 116 marca-passos. O problema não lindro de oxigênio e um ventilador mecâ- seríamos presos. Mas vai prender um se- é falta de dinheiro, é má gestão. Não é nico. Jackson precisa de um marca-passo cretário... Já imaginou o tamanho da en- melhor investir este dinheiro em medidiafragmático para ter melhor qualidade crenca? É mais fácil multar. camentos de alto custo? Se você não tem de vida. O equipamento custa R$ 388 mil. uma perna, há duas opções: pode usar Na entrevista a O CAXIENSE, Damato Não são raros os casos em que a Jus- uma de pau ou uma de fibra de carbono. conta como o governo se comporta no tiça precisa ser acionada para que os Você não merece a de carbono? Mas o Esbanco dos réus. No caso de Jackson, o po- governos cumpram seus papéis. A que tado vai te dar a de pau, porque o Estado der público ainda pode e, provavelmente, fatores o senhor atribui este fenômeno? acha que tem que dar apenas o básico. No irá recorrer. Existe um termo que é “judicialização processo do Jackson, o Estado falou que da saúde”. Quem cria a lei é o Legislati- não tem verba, só que não provou isso. Se Quais são as maiores dificuldades em vo e ela serve para mim, para você e para são gastos R$ 45 milhões em publicidade, advogar em casos que envolvem ques- o poder público. A Constituição Federal eu posso presumir que a saúde está imtões de saúde pública? diz que todo o cidadão tem direito am- pecável. Um das dificuldades é que o poder pú- plo à saúde, principalmente se for criança blico não mede esforços para dificultar a e pessoa com deficiência. O Jackson se Diferenças políticas interferem no situação. Há casos em que eles contam enquadra na lei, já que é cidadão, e nos posicionamento destes órgãos? mentiras, tentam induzir o juiz ao erro. bônus dela, porque também é criança e Política interfere em tudo, para o bem Outra dificuldade é que o poder público tem deficiência. Mas daí vem o Executivo ou para o mal. Porém, eu ainda não pernão costuma cumprir decisão judicial de e não cumpre. E se deixar com o Execu- cebi essa rixa no processo do Jackson. imediato. Em um caso (atendido por Fre- tivo, ele enche de remédio popular. Então Existe divergência processual? Talvez derico, similar ao de Jackson) em Brasília, é preciso procurar o Judiciário. Isso irrita sim. É por causa de política? Não sei te a liminar virou sentença e só depois disso os governantes, eles dizem que abusamos, dizer.

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CAM

PUS

Guia do ProUni

Criado em 2004 pelo governo federal, o Programa Universidade para Todos (ProUni) é a chance de estudantes cursarem o ensino superior com bolsas de estudos parciais (50%) e integrais. Em Caxias do Sul, são oferecidas 433 vagas, para 61 cursos, em 7 instituições de ensino. A coluna ajuda a responder dúvidas sobre como pesquisar os cursos, valores e fazer a inscrição no site do ProUni. Em www.ocaxiense.com.br, veja a relação de cursos e o valor das mensalidades.

Instituições

Universidade de Caxias do Sul, Faculdade da Serra Gaúcha, Faculdade América Latina, FTEC, Faculdade Anhanguera, Unopar, Faculdade La Salle, Unisinos e Faculdade de Tecnologia da Serra Gaúcha.

Benefíciados

A bolsa integral é oferecida para estudantes que possuam renda familiar bruta, por pessoa, de até um salário mínimo e meio (R$ 1.017). A bolsa parcial, de 50%, é destinada a estudantes com renda familiar, por pessoa, de até 3 salários mínimos (R$ 2.034).

Inscrições

Os estudantes devem se inscrever no site siteprouni.mec.gov.br até 21 de janeiro de 2013. O candidato deverá informar seu número de inscrição e senha no Enem 2012 e escolher até duas opções de instituição, curso e turno. Durante o período de inscrição, é possível alterar as opções. Uma vez por dia, o Prouni calcula a nota de corte (menor nota para ficar entre os potencialmente pré-selecionados) para cada curso, com base no número de bolsas disponíveis e no total de inscritos naquele curso, por modalidade de concorrência.

Pré-selecionados

O candidato deve se dirigir à instituição para a qual foi pré-selecionado, no período estabelecido no cronograma, levando os documentos que comprovem as informações prestadas na ficha de inscrição.

Faculdade da Serra Gaúcha

Estratégia de Vendas e Negociação. Inscrições até 25 de janeiro. Início em 28 de janeiro. Calculadora HP com Aplicações em Matemática Financeira. Inscrições até 22 de fevereiro. Início em 23 de fevereiro.

+ VESTIBULAR FTSG

Inscrições até 21 de janeiro, na instituição ou pelo site. Prova 22 de janeiro, às 19:00. R$ 25

Anglo-Americano/IDEAU

Vestibular agendado. Provas em 11, 18 e 25 de janeiro e 1º, 15 e 22 de fevereiro, sempre às 19:00. As matrículas iniciam toda segunda-feira posterior à realização da prova. R$ 30 WWW.UCS.BR 3218-2800 | WWW.FSG.BR 2101-6000 | WWW. FTSG.EDU.BR. 3022-8700 | WWW.PORTALFAI.COM 3028.7007 | WWW.AMERICALATINA.EDU.BR. 3022-8600 | WWW.IDEAU. COM.BR 3536-4404 | WWW.FACULDADEMURIALDO.COM.BR 3039-0245 | WWW.UNILASALLE.EDU.BR/VESTIBULAR/CAXIAS 3220-3535 | WWW.FTEC.COM.BR 0800-6060606 | WWW.UNOPAREAD.COM.BR 3223-6802 | WWW.UNISINOS.BR 3214 2100

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reprodução Correio Braziliense/O Caxiense

Assis Melo e a verba pública O deputado federal comunista Assis Melo realizou pesquisa de opinião com uma verba pública de R$ 12.750. O fato foi apurado e divulgado pelo Correio Braziliense, de Brasília (DF), na edição de 13 de janeiro. O jornal também aponta o teor de pré-camapnha eleitoral da pesquisa (veja a reprodução) que, além da avaliação do mandato, também perguntava: “Quais são os problemas que mais afetam os moradores de Caxias do Sul e que deveriam ser tratados como prioridade pelo futuro prefeito?”. Conforme o jornal, a pesquisa foi realizada em março de 2012, quando Assis já se pronunciava como pré-candidato à prefeitura. Assis fez 11,52% de votos na eleição de outubro. O CAXIENSE conversou com o deputado dois dias depois da publicação da matéria. Ele negou que o levantamento tenha questionado os moradores sobre qual deveria ser a “prioridade do futuro prefeito”. “Não conheço nenhuma pesquisa que foi realizada com essa pergunta”, disse. “Eu me preocupo como o povo de Caxias do Sul avalia o meu mandato como deputado. É por isso que solicitei uma pesquisa na cidade”, justificou o parlamentar.

Falta mão de obra

A situação de proprietários de estabelecimentos comerciais e de serviços está cada vez mais crítica. Não há funcionários à disposição para as vagas abertas. Em alguns casos, a escassez de mão de obra inviabiliza o funcionamento do negócio. Ruim não apenas para o empreendedor, mas também para a economia de Caxias assistir negócios fechando por falta de trabalhadores. Nesta semana, em uma lancheria com filiais na cidade, a proprietária atendia no balcão e queixava-se. Precisou fechar provisoriamente um dos estabelecimentos por falta de empregados. Estava na linha de frente porque outro funcionário havia saído e a “deixado na mão”, outra situação comum na cidade que tem vivenciado alta rotatividade também na indústria.

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Pré-candidato desde 2011 Na quarta-feira (16), Assis Melo enviou nota de esclarecimento sobre o uso da verba para pesquisa. No texto, também contrapõe uma segunda matéria do Correio Braziliense, do dia 14, que afirma que a pesquisa foi “despesa de campanha”. Na nota, diz também que foi realizada uma pesquisa e não 3 como informou o jornal de Brasília. “A pesquisa foi realizada no mês de março de 2012, portanto 07 (sete) meses antes da eleição, ou quase 03 (três) meses antes das convenções eleitorais que homologaram as candidaturas ao pleito de outubro de 2012. Portanto, o trabalho realizado não guarda nenhuma relação com ‘pesquisa eleitoral ou despesa de campanha’ como insinua esse periódico”, diz a nota (leia o texto completo em www. ocaxiense.com.br). Em outubro de 2011, um ano antes das eleições, o nome de Assis Melo foi confirmado como pré-candidato a prefeito durante convenção do PCdoB municipal realizada na Câmara de Vereadores.

Como atrair trabalhadores

Como se vê na reportagem que inicia na página seguinte, há pessoas de todos estados brasileiros vivendo em Caxias do Sul. Boa parte delas chegou aqui procurando por oportunidades – e as encontraram. Está na hora de o Município, como fomentador da economia, agir nesse sentido. A falta de mão de obra não é apenas um problema do setor privado. A prefeitura pode e deve realizar missões em outras cidades para atrair trabalhadores e facilitar a instalação dos que aqui chegam.

Exceção

A Hamburgueria Juventus é uma exceção do quadro de falta de funcionários. Diferente de diminuir a oferta, passou a funcionar também na segundafeira (quando ficava fechada) para atender os clientes que procuram por uma opção gastronômica.


27 SOTAQUES CAXIENSES

Da vizinha Santa Catarina à distante Roraima, do gigante Amazonas ao minúsculo Sergipe, o Brasil todo está representado em Caxias. Confira histórias de quem deixou suas origens para construir a vida por aqui por Andrei Andrade

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Alceu Barbosa Velho Até o prefeito é migrante. Porém, foi curto o caminho percorrido por Alceu Barbosa Velho (PMDB), de 55 anos, para chegar à cidade que governa desde o dia 1° de janeiro: 118 quilômetros que separam Caxias e São José dos Ausentes, onde ele nasceu, quando o município ainda era distrito de Bom Jesus. Alceu chegou em Caxias aos 19 anos, para estudar Direito na Universidade de Caxias do Sul. Morava com um irmão mais velho e, em troca da moradia, ajudava a cuidar da padaria do irmão. “Foi um período de muito sacrifício, mas que deixou boas lembranças, principalmente da acolhida que recebi da cidade”, recorda. De São José dos Ausentes, as lembranças mais fortes que carrega são do trabalho com os irmãos na pequena propriedade rural dos pais, quando acordava de madrugada para ordenhar as vacas, mesmo com neve ou geada. Apesar da agenda cheia com os compromissos políticos desde que foi vereador, passando pelo cargo de deputado estadual e agora prefeito, o filho de Felicíssimo e Eunira Barbosa, já falecidos, visita a terra natal sempre que pode, para rever amigos e familiares, ou participar do rodeio local. Nessas ocasiões, fica acampado com a família e amigos do piquete de laçadores do qual participa. Se pensa em voltar a morar lá um dia, deixa em aberto. “Quem sabe? O futuro a Deus pertence.”

João Rodrigues

Tiago Ramos

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Paulo Pasa/O Caxiense

santa catarina De todos os migrantes ouvidos por essa reportagem, Tiago Ramos é o único que pode ir visitar a família em todos os finais de semana. Sem precisar atravessar o país, o coordenador-geral interno de uma empresa de fixadores com sede em Caxias toma o rumo de Araranguá, onde deixou os pais, a namorada, a praia e os peixes fritos, praticamente toda a sexta-feira. De carro, leva 3 horas. A oportunidade de mudar para Caxias surgiu há 3 anos, com o convite de um amigo com quem havia trabalhado em Joinville. Tiago, que já morou em Passo Fundo e por 9 meses foi entregador de pizzas e funcionário do McDonalds nos Estados Unidos, aceitou na hora o desafio de entrar em uma empresa que poderia acompanhar desde a sua abertura em terras gaúchas (a matriz é paulista). De cara, percebeu que um aspecto do povo caxiense é ser duro na hora de negociar algum desconto. “Aqui você chega no comércio é assim: o preço é esse. Se quiser, compra; se não quiser, não compra. Pedir um desconto parece querer desmerecer o serviço oferecido”, comenta. Tiago não pensa em fixar residência na cidade. Sonha em abrir um negócio próprio na região de onde veio, talvez em Criciúma, maior município nas proximidades de Araranguá. Apesar de não querer ficar, quando é para falar sobre seu sentimento em relação ao Rio Grande do Sul, Tiago não esconde. “Acho que nós, catarinenses, invejamos um pouco os gaúchos. Principalmente pelo bairrismo, pela defesa da própria cultura. Isso dá uma inveja, sim.”

Luiz Chaves, Div./O Caxiense

rio grande do sul

PARANÁ Nascido em Nova Fátima, um município de cerca de 8 mil habitantes no norte do Paraná, distante 328 quilômetros de Curitiba, o cantor evangélico João Rodrigues, de 46 anos, deixou a terra natal aos 10. De lá para cá, já rodou por diversos estados brasileiros. Em Rondônia, conheceu a esposa, Auxiliadora, com quem forma a dupla musical que se apresenta quase todas as tardes na praça Dante Alighieri. Antes de desembarcar em Caxias, há 7 meses, passou também por Mato Grosso onde teve suas duas filhas, além de São Paulo e Porto Alegre. Por já ter viajado tanto, João diz que resta pouco do paranaense interiorano que é. Embora a vida bucólica não seja para ele, que sempre preferiu grandes centros, João tem saudade das belas paisagens, do verde a perder de vista da natureza na sua terra. É em Caxias que João e a família pretendem adquirir uma casa e, finalmente, parar com as mudanças de cidade. “Caxias tem esse clima fresquinho. Agora que é janeiro, imagina o calor que não deve estar em todos esses lugares que eu te falei. Até em Porto Alegre. Clima igual ao daqui não tem”, elogia o paranaense. Além disso, as vendas dos CDs e do DVD que gravou com Auxiliadora vão bem. Nos melhores dias, chega a vender 100 unidades a R$ 15 cada. Aguarda convites para se apresentar com a esposa em missas ou restaurantes, já que também se arriscam no repertório sertanejo. Um CD de músicas gaúchas está nos planos do casal.

Divulgação/O Caxiense

“Caxias tem mais gente de fora do gente quem daqui.” Quem apostar vai perder. Por pouco. A população ainda é predominantemente nativa, mas ainda assim, o número de migrantes impressiona. De acordo com o Censo 2010, dos mais de 435 mil moradores de Caxias, 182,5 mil – quase 42% da população – vieram de outras cidades. Destes, 32.955 são de outros estados. Durante a semana, O CAXIENSE conheceu a história de 27 moradores da cidade, vindos dos 26 estados brasileiros e do Distrito Federal. Do prefeito que veio de São José dos Ausentes até o acreano que os amigos dizem ter nascido “em um lugar que não existe”, toda a nação está representada aqui. Em comum, os migrantes parecem ter encontrado em Caxias uma terra de oportunidades profissionais e qualidade de vida acima da média, que compensa até certo ranço contra “forasteiros” que alguns identificam no momento em que desembarcam na terra dos imigrantes italianos. O que varia é a saudade da família, do povo, das festas, da culinária, da praia ou do mato. Nas próximas páginas, confira as histórias de quem escolheu Caxias, não importando a distância.


Corintiano, caxiense e colorado, nessa ordem, o gari Dario de Moraes Junior, de 43 anos, é natural de uma cidade com características bem parecidas com Caxias: Sorocaba, no interior paulista. O município de mais de 500 mil habitantes é o 4ª mais populoso de São Paulo e também se destaca como polo industrial no estado mais rico do país. Dario veio para o Rio Grande do Sul aos 11 anos, com os pais, que migraram em missão evangélica. Antes de Caxias, a família morou em Ipê, Antônio Prado e Flores da Cunha. Funcionário da Codeca desde 2004, o comunista filiado ao PCdoB já integrou a diretoria do Sindicato dos Trabalhadores de Limpeza (Sindilimp). Embora seja de uma região bastante desenvolvida e próspera, sobre a qual não deixa de acompanhar o noticiário na televisão, só pensa mesmo em voltar para visitar os pais, que retornaram após terminar a missão religiosa. Para morar mesmo, só o Sul. “Aqui a competitividade é um pouco menor. Lá, sem diploma de ensino superior, tu não é nada. Aqui, se tem alguém desempregado é de sem-vergonha, porque emprego tem pra todo mundo”, avalia Dario, que também elogia as condições de trabalho que a Codeca oferece. “Aqui o varredor de rua recebe o maior salário do país. Tem muita cidade grande em que o salário é de R$ 500.” Em um futuro próximo, o sorocabano quer retomar a faculdade de Ciências Políticas, que cursou só o primeiro semestre.

Umberto Lourenço Louzer espírito santo Foi a profissão de jogador de futebol que trouxe a Caxias o capixaba Umberto Lourenço Louzer, natural de Vila Velha, a cidade mais populosa – 415 mil habitantes – e também a mais antiga do Espírito Santo, fundada em 1535. Aos 33 anos, o volante e capitão da SER Caxias, que de 2010 até o fim de 2011 atuou no Juventude, construiu a maior parte da careira em times do interior de São Paulo. Na cidade de Jundiaí, onde defendeu o Paulista por 9 anos, conheceu a esposa, que trouxe para Caxias. Feliz com a vida na cidade, onde é reconhecido na rua por torcedores da dupla Ca-Ju, que “são exigentes, mas apaixonados”, como define, acredita que irá manter o vínculo com a cidade mesmo quando parar de jogar. Se não for para morar, quer pelo menos ter uma casa para passar férias. Como pretende ser treinador, não descarta voltar a trabalhar nos clubes da cidade nessa função. A rotina de viagens para jogar em outras cidades e estados não permite a Umberto muito tempo para desfrutar Caxias. Nas raras folgas, gosta de passear pelos Pavilhões da Festa da Uva e na UCS, com a esposa e a filha, de 3 anos, que adora o zoológico. Da terra onde nasceu e viveu até os 15 anos, Umberto sente falta dos pais. A mãe deve vir visitá-lo neste ano, mas o pai, que morre de medo de avião, já visou que não virá. Além disso, Umberto sente saudades das moquecas de camarão e de peixe, a mais famosa especialidade culinária dos capixabas.

Cosme Antônio Pereira rio de janeiro Poucas mudanças parecem mais radicais do que sair de um negócio na beira da praia para o chão de fábrica de uma metalúrgica. Mas foi esse o caminho escolhido há 15 anos por Cosme Antônio Pereira, carioca da baixada fluminense e apaixonado pela Praia da Brisa, onde morava. Tudo começou quando veio com a mulher visitar uma cunhada que morava em Caxias do Sul. A mulher se apaixonou pela cidade, e insistiu para que se mudassem. Depois de alguma resistência, resolveu arriscar. E no início foi difícil. Só lá pelo terceiro ano é que começou a se acostumar com a cidade sem praia e sem o Vasco, seu clube do coração. Depois de trabalhar em uma metalúrgica e como motorista de uma loja de materiais de construção, Cosme começou na profissão que exerce até hoje, de taxista. Pela experiência de 8 anos na área, trabalhando no mesmo ponto no Centro, fala com propriedade que o trânsito aqui é bem pior do que no Rio. “Em Caxias, a pessoa prefere bater do que abrir passagem. No Rio a gente deixa fluir, o motorista abre passagem para que os dois possam chegar mais rápido”, compara. Depois de vender tudo o que tinha no Rio de Janeiro – uma casa, o restaurante e um depósito de gás – Carioca se considera estabelecido em Caxias e não pensa em sair. Para não perder o costume de ir à praia, fez uma casa em Rondinha, próximo a Torres. Nada que se compare à beleza do Litoral Carioca, mas ele não se importa. “Para quem gosta de praia, uma lagoa já é praia.”

Luiz Henrique minas gerais É no intervalo das aulas no curso de Direito da Faculdade Serra Gaúcha que Luiz Henrique Santos Cardoso, de 24 anos, mostra de onde veio. Toda noite come um pão de queijo, certamente não tão bom quanto o de Belo Horizonte, a cidade onde nasceu. Filho de um mineiro e uma caxiense que se conheceram no Mato Grosso, onde trabalhavam, Luiz veio para Caxias há 14 anos. Só no ano passado foi visitar os avós, que não o viam desde a mudança. Em 3 semanas, matou a saudade dos avós e dos belos parques e praças da cidade. Na mala levou pinhão, fruto que eles não conheciam e adoraram. Luiz Henrique pensa em voltar para Minas depois de se formar na faculdade. “Tenho amigos de infância que hoje só falo pela internet e que gostaria de voltar a conviver, também sinto que eu deixei de viver muita coisa lá que, por ser criança, não pude aproveitar.” 18.jan.2013

Fotos: Paulo Pasa/O Caxiense

São paulo

Divulgação/O Caxiense

Dario Ferreira de Moraes Jr

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Mayara Sâmia Machado Aline Rosicleia

Osmiro Pedro dos Santos goiás “Do lugar onde se nasce, sempre fica alguma saudade”, diz Osmiro Pedro dos Santos, despretensiosamente poético. Osmiro, que já viveu 14 dos seus 33 anos em Caxias, nasceu em Anápolis, município localizado a 48 quilômetros de Goiânia e terceiro mais populosodo Estado. Funcionário de uma metalúrgica, veio para Caxias a convite de uma irmã. Como ele tinha recém-saído do quartel e não sabia muito o que fazer da vida, aceitou. E não se arrependeu, apesar da saudade da família, especialmente da mãe, que faleceu em 2006. Desde então, só foi a Goiás uma vez. Outra lembrança saudosa é das modas de viola que ouvia nos bares de lá. O sertanejo universitário, que está na moda, ele até ouve, mas prefere nem comparar. Foi em Caxias que Osmiro conheceu a mulher, em um grupo de capoeira que ele frequentou, onde ela ia assistir uma amiga treinar. Hoje, o casal gosta de passar os finais de semana no sítio que a família dela tem em Lajeado Grande. Quando ficam na cidade, a opção é por levar os filhos, de 6 e 8 anos, para andar de bicicleta no Parque dos Macaquinhos. O goiano pretende voltar um dia para a sua Anápolis. Acha que pode abrir uma área de lazer como a que o pai tinha, em que o sítio da família foi transformado em espaço para pesca e camping.

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Filha do paranaense João Rodrigues e da rondoniense Auxiliadora Rodrigues, que também ilustram essa reportagem, Aline Rosicleia nasceu quando o casal morava em Cuiabá, no Mato Grosso. Ela tem 23 anos e viveu por lá até os 17, quando se mudou para Porto Alegre junto com o casal de cantores. Ao contrário do pai e a mãe, que gostam do clima ameno da cidade, ela diz não ter se acostumado com o frio e sentir muita falta do calor de Cuiabá. Também não compartilha das rodas de chimarrão da família. Se dependesse dela, voltaria para Cuiabá, principalmente para matar a saudade dos tios, primos e amigos com quem só se comunica pela internet. Também quer voltar a comer as comidas típicas as quais se acostumou na infância. “Gosto de quiabo, peixe com maxixe (explica que é uma hortaliça), pequi (explica que é uma fruta nativa) e fruta-do-conde, que lá a gente chama de ata.” Nos próximos meses, uma viagem com a família servirá para amenizar um pouco a falta que sente de Cuiabá. Mas enquanto a mudança não chega, Aline continua passando os dias na praça, ajudando a vender os CDs e DVDs evangélicos dos pais.

Washington Stecanela Cerqueira distrito federal

Fotos: Paulo Pasa/O Caxiense

Em 1998, uma reportagem exibida pelo Jornal Nacional apontava Caxias do Sul como uma cidade de grandes oportunidades de emprego, especialmente na indústria, setor que crescia sem parar. Quase que imediatamente, os tios, que também eram pais de criação de Mayara Sâmia Machado, fizeram as malas e partiram para a terra prometida ao Sul do país. Não que no Mato Grosso do Sul as coisas estivessem horríveis, mas as ofertas eram bem menores. “Lá tem mais comércio e emprego em fazenda, são menos oportunidades”, comenta Mayara. E, de fato, conseguir emprego por aqui não foi problema para a família. O tio logo começou em uma panificadora. A tia, em uma distribuidora de produtos de limpeza. Mayara, que tinha 12 anos na época – hoje tem 28 -, deixou por lá os amigos, com quem chegou a manter contato por cartas. “Lembro que na época a gente tinha que pesar o envelope, acho que cada folha custava um centavo”, recorda. A adaptação a Caxias foi rápida. Problemas, só sofreu um “leve bullying” na escola por causa do “r” puxado na fala. Desde cedo, passou a admirar o empreendedorismo dos caxienses. Diz que isso motiva quem vem de fora a ir atrás do que quer. Também gosta da forma como as tradições são cultuadas. Viu isso de perto quando atuou, por 2 anos, como Relações Públicas da Festa da Uva. Para o Mato Grosso do Sul só voltou uma vez, há 6 anos, para mostrar ao então noivo, hoje marido, a terra onde cresceu. Da terra natal, Mayara tem saudade da culinária típica. Internacional. Sente falta do convívio com outras culturas, como a árabe, a chinesa e a japonesa, que tinha por lá.

Divulgação/O Caxiense

mato grosso

mato grosso do sul

Se um dia Washington Stecanela Cerqueira, secretário municipal de Esportes e Lazer e vereador mais votado nas últimas eleições de Caxias, convidar você para um almoço na casa dele, considere a possibilidade de comer uma coisinha antes de ir. Porque ao meio-dia ele não terá nem pensado em mandar servir o almoço. O costume das refeições sem hora marcada é o traço mais brasiliense que Washington preserva da terra onde nasceu e viveu até os 15 anos. Filho de uma caxiense e de um baiano que se conheceram em Brasília, onde trabalhavam, o Coração Valente sempre teve uma forte ligação com a cidade, onde veio morar após um convite para jogar na SER Caxias. O convite não foi por acaso. Um ano antes, em uma tradicional visita de férias aos avós maternos, ele pediu para treinar no clube e impressionou os dirigentes com a qualidade do futebol que mais tarde o fez duas vezes artilheiro do Campeonato Brasileiro e lhe rendeu convocações para a Seleção Brasileira. Desde então, entre idas e vindas, já são 22 anos em Caxias do Sul. Da cidade projetada por Oscar Niemeyer, onde ainda mantém o apartamento em que nasceu e tem outros investimentos, o ex-jogador tem saudade principalmente dos amigos com quem deu os primeiros chutes. Sempre que vai em visita, organiza uma partida para reunir a turma. Mas voltar mesmo, só se a trabalho. “Posso acabar voltando por causa do meu projeto político. Mas ainda assim, estaria representando Caxias. E nos finais de semana estaria de volta”, conta o possível futuro candidato a deputado federal.


Adriana Macedo Divulgação/O Caxiense

De construção em construção, o baiano Edelson de Oliveira Santos, de 28 anos, vai ficando em Caxias enquanto houver serviço. O primeiro prédio que ajudou a erguer em Caxias, há pouco mais de um ano, teve 16 andares, muito mais do que os edifícios de 3 ou 4 pisos que ele construía em Poço Verde, no Sergipe, para onde se mudou com os pais, agricultores, aos 10 anos. Edelson é natural de Heliópolis, na Bahia, cidadde a 300 quilômetros de Salvador e a 168 quilômetros de Aracaju. Há pouco mais de um ano, representantes de uma construtora caxiense o trouxeram para o trabalho nas obras. Terminado o primeiro prédio, partiu para um de 12 andares, que está sendo concluído. Espera que em breve surja mais uma oportunidade, já que está em Caxias com a esposa e o enteado de 7 anos em uma casa alugada, e gostaria de ficar mais tempo, pelo menos 2 ou 3 anos. Se tudo der certo, vai voltar para o Nordeste – Bahia ou Sergipe – e montar uma banca de camelô. “Dessas que vendem Havaianas, tênis, sapato...”, complementa. Da terra onde nasceu, trouxe a saudade da Festa de Nossa Senhora Aparecida e das festas juninas. “É um Estado mais festeiro, né? Aqui tem bastante também, mas mais em clube. Lá é no calçadão mesmo, para todo mundo”, comenta. O principal problema de lá, segundo ele, está na política. “Em lugar pequeno tudo é mais difícil. Falta saúde, falta trabalho...e na Bahia, todo mundo sabe, não tem nenhum prefeito que preste.”

sergipe Mais ou menos a cada 3 meses, a sergipana Adriana Macedo, de 30 anos, é tomada por um aperto no coração e uma vontade de chorar. É quando a saudade da mãe, dos irmãos, sobrinhos e primos que deixou em Aracaju dá o sinal de ter chegado no limite. Nessas situações, mesmo que não tenha se programado ou conseguido comprar passagem com antecedência, ela pega o próximo voo e encara 12 horas entre escalas e conexões para chegar na terra onde nasceu e viveu até abril de 2010. Uma vez lá, se passar o dia todo dormindo, se recuperando da viagem, só de saber que suas pessoas mais queridas estão por perto já a deixa realizada. Adriana veio para Caxias após ser nomeada em um concurso da Justiça do Trabalho. Hoje busca se adaptar a um jeito “totalmente diferente de levar a vida”, à formalidade e o individualismo do povo caxiense. “Aqui, se você quer ver um amigo, tem que ligar antes, combinar a visita. Lá, o amigo fica sabendo pelo interfone do prédio que você já chegou e não tem problema nenhum. Na praça de alimentação do shopping, se não há uma mesa vaga, ninguém te convida a compartilhar a mesma mesa. E se você pede, é falta de educação...”, comenta. Apesar dessas diferenças, Adriana está feliz em Caxias. “É uma cidade boa, que oferece muitas possibilidades, nem parece Interior. Essas diferenças dá para superar”, comenta. Pelo projeto de vida que traçou, que incluiu comprar apartamento na cidade, espera viver aqui pelo menos por mais 5 anos. Depois, só um novo projeto pode dizer.

Maria Nair Cruz pernambuco

O alagoano José Silva Santos, de 37 anos, chegou a Caxias após uma passagem frustrada por Minas Gerais. Deixou a pequena Junqueiro, município de 24 mil habitantes a 86 quilômetros de Maceió, atraído pela oferta de operar o trator de um fazendeiro mineiro. Mas apenas um mês após a chegada de José, o proprietário vendeu o trator, deixando-o a ver navios. Como já tinha feito o mais difícil, que era sair de casa, acionou seus contatos alagoanos espalhados pelo país. Ouviu de um amigo que em Caxias havia muita oferta de trabalho. Há 6 anos e 6 meses, desembarcou aqui. “Cheguei num domingo de manhã, na quinta-feira já estava trabalhando”, conta. O primeiro emprego foi em uma cervejaria. Dois anos depois, ingressou em uma metalúrgica, onde trabalha até hoje. Para matar a saudade da terra natal, pede sempre que possível para que a mulher, alagoana também, prepare alguns pratos típicos de lá. “Muita coisa ela faz aqui, como cuzcuz, feijão campeiro e arroz acebolado. Mas a buchada de bode, que a gente adora, só tem lá mesmo.” Para o futuro, José alimenta o sonho de voltar para Alagoas e trilhar outros caminhos. “A gente nunca se acostuma com a distância. Um dia quero voltar, ter meu caminhão e trabalhar fazendo transportes, igual a meu pai e meu irmão. Porque trabalhar para a gente é bem melhor do que para os outros, né?”

Em 1987, Maria Nair Cruz, de 58 anos, estava em um congresso de Biblioteconomia em Porto Alegre quando soube que a Universidade de Caxias do Sul estava selecionando bibliotecários. Encantada com o Rio Grande do Sul, a pernambucana de Recife enviou o seu currículo e foi chamada. E já são 25 anos de uma vida construída a quase 4 mil quilômetros de casa. No ano seguinte à vinda para o Sul, vieram os pais e a filha, que tentou por 20 anos se adaptar ao frio. Em 2010, fez as malas e voltou para o Nordeste. É a saudade da filha que faz Maria Nair embarcar para Recife sempre que pode. Antes disso, Maria Nair visitou a cidade natal apenas duas vezes. Uma para assinar o divórcio, a outra para visitar uma prima e seu irresistível pudim de ameixa e camarão ao leite de coco. Após 4 anos na UCS, em 1992, a pernambucana foi nomeada em um concurso para bibliotecária na Biblioteca Pública Municipal. Ela conta que os primeiros anos foram difíceis. “Algumas coisas eu estranhei, como ir a uma padaria de manhã cedo e encontrar ela fechada ou chegar em uma loja de moda feminina vestindo jeans e camiseta e a atendente não querer me atender. Mas algumas coisas mudaram e hoje gosto bastante daqui”, conta. Segundo ela, a qualidade de vida que tem em Caxias não se encontra em qualquer lugar. Nem do trânsito ela reclama. “Aqui posso ir a pé para o trabalho, se vou de ônibus dá 10 minutos. Lá tudo é mais desgastante, qualquer saída é mais demorada”, argumenta. Dos hábitos que tinha no Recife, apenas de um não abriu mão. Todos os dias, vai até o apartamento da mãe comer sopa. Mas sem qualquer segredo pernambucano: a sopa é convencional, só vai caldo de feijão ou de carne. “Nada de caldo de peixe, nem nada a ver com água de coco”, ironiza.

Fotos: Paulo Pasa/O Caxiense

José Silva Santos alagoas

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Edelson de Oliveira Santos bahia


Felipe Pedro da Silva Soares

Raimundo Bertuleza

Fotos: Paulo Pasa/O Caxiense

A história da sua vida, o paraibano Felipe Pedro da Silva Soares, de 20 anos, conta bem rápido, sem olhar muito nos olhos do interlocutor. Isso porque precisa estar sempre atento às investidas da Guarda Municipal de Caxias contra os vendedores ambulantes da praça. Natural de São Bento, município de 31 mil habitantes a 375 km de João Pessoa, de onde saem boa parte das redes e mantas dessas que muitos ambulantes carregam por aqui, Felipe trabalha em outro ramo: vende DVDs piratas. Os mais procurados atualmente são Amanhecer – Parte 2 e o infantil Carrossel. Antes de morar em Caxias, por indicação de um sobrinho também ambulante, o paraibano viveu por 7 anos no Recife, também no comércio ilegal. Ha cerca de um mês, quando recém havia voltado de uma rara visita à família, a Guarda Municipal de Caxias apreendeu sua mochila, confiscando todos os DVDs que ele tinha. Felipe calcula um prejuízo de R$ 800. Apesar de gostar da cidade, pretende voltar para a Paraíba. “É onde deixei a minha família, onde eu me criei. Agora estou bem aqui, mas daqui uns 2 ou 3 anos volto pra lá.”

Mirna Gomes Schenkel ceará

Divulgação/O Caxiense

paraíba

rio grande do norte Qualquer um que conviva com Raimundo Bertuleza, de 50 anos, logo é capaz de ficar conhecendo a capital do Rio Grande do Norte melhor do que Caxias, mesmo sem nunca ter pisado em Natal. “Natal tem mais de 400 anos de história. Foi fundada por holandeses que depois saíram para fundar Nova York. O primeiro nome foi Nova Amsterdam. E muita gente não sabe”, orgulha-se Raimundo, que há 13 anos vivem em Caxias. Por aqui, já trabalhou na indústria metalúrgica e na bancada do PT da Câmara de Vereadores. Como poeta, integrou a equipe que em 2007 lançou o projeto Poesia de Banheiro, da prefeitura. Atualmente, está sem trabalhar e recebendo auxílio-doença, por conta de uma lesão no joelho. Apesar da forte ligação com a capital potiguar, onde foi criado, Raimundo é natural de Pendências, na região Oeste do mesmo estado. A mudança para o Sul ocorreu principalmente por já estar marcado em Natal como um líder de greves, em uma fase pós-ditadura em que esquerdistas não eram nada bem vistos no meio empresarial. “Sempre senti uma fascinação pelo Rio Grande do Sul. Na pindaíba que tava, logo pensei: é pro Sul que eu vou”. A mulher, Janilza, que é professora, veio 10 meses depois. No primeiro inverno em Caxias, Raimundo chegou a pedir as contas, mas foi convencido a ficar. Já adaptado ao frio, não se arrepende de ter escolhido Caxias. “Até aqui, foram 20 anos de muito conhecimento, acompanhando o crescimento da cidade que ainda era uma província quando eu cheguei. Se for para sair daqui, só depois de aposentado. Aí posso ir pra Natal e estender uma redezinha por lá”, imagina.

“Esse último é o motivo de eu estar aqui”, diz a cearense Mirna Gomes Schenkel ao falar o nome inteiro. Desde 2010 ela vive em Caxias, a cidade que parece outro país se comparada às paisagens e aos costumes da sua terra. “Aqui tem cerração, dá pra tomar chá... No inverno a gente usa tanta roupa que para quem não está acostumado é difícil saber como vestir tudo ao mesmo tempo”, comenta. Mirna viveu em Fortaleza, onde nasceu, até os 25 anos, quando passou em um concurso do Superior Tribunal de Justiça e foi morar em Brasília. Foi no Distrito Federal que conheceu o marido, caxiense que estava lá a trabalho, na área da segurança pública. Depois de um ano namorando a distância, decidiu que, se ele quisesse casar, ela viria para a cidade onde o custo de vida é bem mais barato e onde o marido tem toda a família. “Em Brasília, ficaríamos os dois solitários”, argumenta. Em pouco tempo, conseguiu a transferência que precisava para trabalhar no cartório e em junho de 2010 se tornou mais uma caxiense adotiva. À terra natal, onde, segundo ela e tantos outros nordestinos, se come a tapioca de verdade, diferente dessa do Sul, Mirna vai com frequência visitar a família. Chega a ir 3 vezes no mesmo ano, preferencialmente no aniversário dela ou da mãe. Mas voltar definitivamente, só em um caso. “Talvez volte quando tiver filhos, daqui 2 ou 3 anos, porque vejo como é difícil para as minhas amigas que vivem longe da família criar seus filhos sozinhas”.

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Lodonha Portela Coimbra Soares piauí Quando visita os shoppings de Teresina, no Piauí, vem à mente da professora Lodonha Portela Coimbra Soares, que por ela passa uma geração que ela não conhece, de filhos de amigos, de vizinhos, de familiares que nasceram e cresceram enquanto ela construía sua vida profissional na Serra Gaúcha. “É estranho saber que há uma geração que nasceu e cresceu sem eu ver”, comenta. Lodonha tem 50 anos e passou metade da vida em Caxias. Mas a mudança para o Sul teve como primeiro destino Pelotas, em 1982, onde o pai militar trabalhava. Naquela cidade conheceu e começou a namorar o atual marido, que anos depois se mudou para Caxias, a trabalho. Em 1988, Lodonha, já graduada em Economia pela Universidade Federal do Piauí, deixou a família no Nordeste e começou sua carreira na UCS. Em 1990, teve o primeiro filho e em 1999 o segundo, ambos caxienses. “Foi uma cidade que se tornou mais cosmopolita e efervescente nos últimos anos, e que eu aprendi a gostar. Caxias me proporcionou um crescimento pessoal e profissional muito grande”. Da vida no Nordeste, Lodonha lamenta ter perdido o que chama de “cultura do lazer compartilhado”. “O nordestino tem uma forma de compartilhar seus momentos de lazer. A família não é só o núcleo menor, pai, mãe e irmãos, é mais amplo. Também por ser mais quente, todo mundo sai de casa e se visita com mais frequência. É uma pena que eu não possa proporcionar aos meus filhos essa experiência de viver ‘a grande família’”, ressalta.


Arthur Dallegrave, Div./O Caxiense

maranhão A humildade é o valor maior que o maranhense Wanderson Mourão Costa, o Dedê, diz levar consigo desde a terra natal, Açailândia, de onde saiu aos 10 anos para jogar futebol profissionalmente. Quando chegou para morar no alojamento do Juventude, em 2010, já havia passado por Goiás, Rio de Janeiro e Porto Alegre, além de duas temporadas na Europa. Aos 19 anos, ainda busca justificar que o moicano a la Neymar que ostenta não é só estilo, mas também sinal de que é craque. A saudade da família é anterior até a sua saída de casa. Quando ainda morava no Maranhão, a mãe partiu para a França, para trabalhar em hotéis. O pai, que ficou em Açailândia, ainda não veio visitá-lo no Sul. Até agora, sempre foi ele que foi, também para matar a saudade dos amigos de infância. Já bem adaptado à vida em Caxias, depois de ter alugado casa e conseguido passar alguns dias no Litoral Gaúcho, na casa do seu empresário, Dedê diz que gostaria de morar aqui por vários anos. O frio, nem foi nem será problema. “Já morei na Itália e na Romênia, onde só tinha neve e mais neve. Me adaptar aqui foi tranquilo. É uma cidade muito gostosa de morar.”

Glenda Priscila de Souza pará

tocantins Jessyca Rodrigues de Souza, de 21 anos, é natural de Miracema do Tocantins, no Tocantins, mas sempre morou em Divinópolis, no mesmo estado. Na cidade de 6 mil habitantes ainda vivem seus avós, primos e muitos amigos que a atual moradora de Caxias vai visitar a cada 2 ou 3 anos. Jessyca veio para o Rio Grande do Sul aos 10 anos, junto com a mãe, que casou com um gaúcho de Nova Bréscia. A família morou por 6 anos em Canoas, onde administrou uma churrascaria. Há 5 anos, venderam tudo e vieram aproveitar as boas oportunidades financeiras da Serra, abrindo uma galeteria no bairro Lourdes. Da terra natal, Jessyca, que estuda Administração de Empresas, sente falta principalmente das frutas típicas, como o buriti, a macaúba e o caju, além da farinha de puba, um tipo de farinha mais grossa do que a do Rio Grande do Sul, segundo a tocantinense. As diferenças na forma de se relacionar com os desconhecidos é uma desvantagem que Jessyca identifica entre caxienses e divinopolitanos. “O povo de lá é bem diferente, mal conhece alguém e já convida pra aparecer para tomar café. Aqui o povo é meio metidinho”, avalia.

Evelyn Soares amapá

Paulo Pasa/O Caxiense

Aquela que talvez seja a principal reclamação dos caxienses é justamente o motivo que a paraense Glenda Priscila de Souza, de 23 anos, aponta para não trocar a vida na Serra, para onde veio a pedido do noivo, pela de Belém do Pará, onde nasceu: a segurança. Segundo ela, lá é muito pior. “Aqui as pessoas reclamam, mas eu acho uma cidade muito segura. Posso ir para o trabalho carregando a bolsa, por exemplo, bem tranquila”, defende. Além disso, as oportunidades profissionais – quase um mantra de quem vem para Caxias – também conspiram a favor. “Lá só arruma emprego se tiver quem indique. Aqui é diferente. Logo que cheguei, deixei o currículo em algumas agências e em uma semana todas me ligaram com ofertas.” Glenda, que mora em Caxias há 2 anos, trabalha em uma construtora. Começou como recepcionista, depois passou para o setor de marketing e hoje é assistente comercial. “No início, trabalhava de domingo a domingo. Hoje, só de segunda a sexta”, comemora. Uma crítica a Caxias, ou ao Sul em geral, é o preço da educação. “Fazer faculdade aqui é muito mais caro que lá.” Outro defeito que vê na cidade do trabalho é a falta de opções de lazer. “Sinto falta dos shows que tinha lá, de poder ir para a praia ou para a beira de algum rio. Aqui só tem praças e a UCS para passear”, critica.

Jessyca Rodrigues

Fotos: Divulgação/O Caxiense

Wanderson Mourão Costa

Todos os dias Evelyn Soares, de 17 anos, chora de saudade da família que ficou na capital do Amapá, terra onde morou até 7 meses atrás. “Sinto falta principalmente da mãe e dos meus padrinhos”, comenta. Evelyn conheceu o marido, caxiense, em uma empresa que prestava serviços a uma mineradora de Macapá. Quando o trabalho terminou, ele voltou e convidou ela para vir. ”Eu pensava em ir estudar em Blumenau, em Santa Catarina, onde tinha uma amiga morando e ela elogiava muito. Mas quando conheci ele, mudou tudo”, conta. Hoje, ambos administram uma cantina e uma loja de fotocópias em uma escola profissionalizante de Caxias. Na mesma escola, ela estuda em um curso técnico em Meio Ambiente. No ano que vem, pretende visitar os familiares no Amapá. Ela diz que ainda não se acostumou com a vida em Caxias e não tem certeza se irá continuar aqui. Além da saudade, o clima é um dos fatores que dificultam a adaptação. “O nosso frio lá é de 28ºC, que aqui é considerado calor”, compara. A farta culinária caxiense deixa a jovem com fome. Evelyn sente falta dos peixes frescos que “são bem melhores e mais baratos que os que se come aqui, velhos”. Mas onde será o futuro, é claro que a opinião do marido vai pesar na hora de decidir. “Tem que ver se ele vai querer ir também.” 18.jan.2013

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Rosana Cavalcanti Macêdo roraima “As pessoas riam do meu sotaque e também achavam que eu era louca”, conta Rosana Cavalcanti Macêdo, de 22 anos, sobre a recepção que teve em Caxias, em 2010. Rosana deixou a família na cidade natal, Boa Vista, a mais de 5 mil quilômetros daqui. Depois de concluir o Ensino Médio, prejudicado por causa de greves, deixou a casa da avó para buscar no Sul, que diziam ter uma educação melhor e muitos empregos. Não sabia em que cidade viveria o sonho de morar no outro extremo do país. Tentou algumas antes de se estabelecer em Caxias: Curitiba, Porto Alegre e Santa Maria. Foram pequenas estadias que ela nem chama de morar, mas nas 3 conseguiu emprego. Em Santa Maria, ouviu falar de Caxias, uma cidade que recebia gente de todo o canto para trabalhar. A reserva de R$ 7 mil que Rosana trouxe precisou ser reforçada pela ajuda da avó, mas não demorou muito se sustentar sozinha. Em Caxias, trabalhou em uma rede de lojas de roupas e está há 2 anos em uma perfumaria, emprego que garante estabilidade para um novo projeto: em março, inicia um curso para comissários de voo. “Quando tem um sonho, a gente tem que correr atrás.” No futuro emprego, quer morar mais perto do lugar onde nasceu, comer galinha caipira – embora as massas e o churrasco não deixem a desejar – tomar banho de cachoeira, ir a festas juninas. Quando o próximo sonho se confirmar, Rosana vai embora. De Caxias, levará o “daí” e o “bah” que acrescentou ao vocabulário e a saudade de amigos difíceis de conquistar.

Auxiliadora Rodrigues rondônia

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Delze Tavares Scur se orgulha de ser da terra da longevidade. Mas não, ela não é de Veranópolis, aqui na Serra. Delze de Maués, um município em que o percentual de habitantes com mais de 80 anos é o dobro da média nacional. Se o motivo seria o guaraná, farto por aquelas terras, ela não sabe. Mas já ouviu falar muito que uma tia sua viveu até os 106 ou 108 anos, não se sabe ao certo. Se o destino de Delze [e o mesmo, ela ainda nem chegou na metade da vida: tem apenas 52 anos. Saiu aos 4 de Maués rumo a Manaus, onde viveu até os 23 . Depois de morar em Salvador, Natal e Porto Alegre, estabeleceu-se em Caxias, onde nasceu o marido. Eles se conheceram em Manaus, num período em que ele foi vender enxovais por lá, há 18 anos. Logo que chegou aqui, percebeu que as pessoas olhavam para ela com curiosidade, mas não com preconceito. “Meu marido é loiro. É bem gringo, minha filha também. Aí quando me viam, achavam que eu era a babá”, conta. Embora tenha demorado para se adaptar à cidade, onde as pessoas são “menos dadas”, se diz apaixonada por Caxias. “Nem tenho mais saudade de lá, a não ser da família. Para voltar, só se recebesse uma proposta irrecusável”, avalia Delze, que trabalha com decorações. Questionada se já se considera mais gaúcha do que amazonense, ela derruba bairrismos. “Acho que não tem que ser uma coisa nem outra. Muita gente gosta de impor isso, mas só dificulta a adaptação em qualquer lugar.”

Luciano Moreira acre Fotos: Divulgação/O Caxiense

Nascida e criada na roça, parida nas mãos do próprio pai, a rondoniense Auxiliadora Rodrigues, de 44 anos, é esposa e parceira musical do parananse João Rodrigues, que também pode ser visto nestas páginas, assim como a filha do casal, a mato-grossense Aline Rosicleia. Auxiliadora nasceu em Pimenta Bueno, um município de 33 mil habitantes, distante mais de 500 quilômetros da capital, Porto Velho. Segundo ela, fica em uma região onde há muitos gaúchos se dando bem com plantações de café e cacau. Fazendo o caminho inverso, ela ainda procura o melhor lugar para se estabelecer com a família e tocar a carreira de cantora evangélica. Mas que a qualidade de vida melhorou com a mudança para o Sul, isso ela tem certeza. “Na minha terra faz muito calor e chove muito. O clima aqui é ótimo, foi o melhor que eu já encontrei”, afirma a rondoniense, que não gostou de morar em São Paulo por gostar de lugar em que as pessoas se olhem e digam pelo menos um “oi”. Dos 24 anos que viveu em Rondônia, o estilo de vida interiorano e algumas comidas típicas são o que ela mais sente falta. “É um lugar bom para descansar. Em março a gente vai visitar meu pai, quero aproveitar para comer a banana-da-terra frita, que não tem igual, e uns peixes de água doce que não tem aqui.”

Delze Tavares Scur amazonas

Os colegas de trabalho dizem que Luciano Moreira, de 34 anos, é uma joia rara. “Tu conseguiu nascer em um lugar que não existe”, falam para o acreano natural de Cruzeiro do Sul, município a 672 quilômetros da capital, Rio Branco. Luciano é testemunha de que o Acre não só existe, como é terra boa e bonita. Tanto que já está com as passagens compradas para ele a esposa e 3 filhas, todas gaúchas, visitarem o estado no fim do ano. Afirma que a cidade natal tem crescido muito e ficado maravilhosa, pelas fotos que pode ver na internet. Luciano mora em Caxias há 5 anos. A migração para o Sul teve como primeiro destino São Gabriel, onde o pai, que é militar, foi trabalhar. Ao se aposentar, seu pai abriu uma produtora de vídeos e cobertura de eventos, que foi a porta de entrada de Luciano nessa área. Após alguns anos, Luciano aceitou o convite para trabalhar em uma produtora de Caxias. “A região da fronteira é muito pobre, por isso ficava difícil o trabalho na minha área. Sabia que aqui seria mais fácil, e de fato foi.” Hoje ele concilia o trabalho em uma produtora própria com a função de editor de vídeo na TV Caxias. Dos tempos que viveu no Norte, lembra com saudade até da culinária esquisita. “Lá no Acre a gente come até carne de cobra e de jabuti”, exemplifica. Talvez volte para viver lá um dia, se cumprir todas as metas de vida que estabeleceu nessa cidade onde conheceu apenas um conterrâneo, que era militar e já foi embora. Se tiver que ficar pra sempre, não haverá problema. “Hou já sou um acreúcho”, define.


Marcelina e José Cadini, zeladores do Cemitério Santos Anjos | Paulo Pasa/O Caxiense

Mortos são bons vizinhos

No lugar onde se aprende a conviver com a dor, a rotina é de plena tranquililidade. Quem mora no cemitério só tem medo de quem está vivo por Daniela Bittencourt Já fazem quase 10 anos, mas Valmor não esquece da cena. Fazia o sepultamento de um adolescente de 16 anos, morto a facadas devido a uma briga entre dois grupos de jovens, quando foi surpreendido por uma pergunta. “Mas tu vais guardar meu filho aí dentro?”, questionou a mãe do garoto. Diante da fala inesperada, Valmor ignorou a mulher e continuou trabalhando. A mãe insistiu: “Tu vais guardar meu filho aí?”. A pergunta ainda foi repetida 3 vezes, até Valmor encontrar uma resposta que

acalmaria a mulher. “Eu não vou guardar, ele vai estar aqui no lugarzinho. Quando a senhora quiser vir visitar, ele vai estar aqui.” Lidar diariamente com a morte é um dos aprendizados adquiridos pela família Cadini. Valmor Cadini, de 42 anos, trabalha há quase duas décadas no cemitério Santos Anjos, no bairro São Victor, em Caxias. Pedreiro, constrói as capelas onde os mortos são sepultados, ofício que herdou do pai, José Cadini, de 81 anos, e da mãe, Marcelina Cadi-

ni, de 76. Há quase 30 anos, José e Marcelina são zeladores do local. Fazem de tudo. “A gente abre e fecha os portões, faz atendimento às pessoas, faz o sepultamento”, conta dona Marcelina, lembrando que o casal só deixou de virar cimento e empilhar tijolos depois que a idade pesou. Agora, Valmor leva adiante a história da família entre os corredores de capelinhas de tijolo ou mármore. “É o lugar da gente”, descreve Marcelina, com carinho, o espaço que viu crescer e aprendeu a respeitar. A vizinhança do 18.jan.2013

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cemitério nem sempre foi tão tranquila. “Quando a gente chegou, era tudo mato aqui”, aponta para as capelas. “Não tinha água, não tinha luz, não era cercado. Muita gente entrava aqui, muita gurizada. Passavam a noite aqui dentro. E a gente não conhecia ninguém. Era muito medo. Medo de morto, medo dos vivos”, lembra. Com o tempo, o medo foi passando e o cemitério passou a ser uma segunda casa. Mais ainda há cerca de 15 anos, quando a administração do lugar ergueu uma construção de concreto para os zeladores, dentro do pátio do cemitério – lá fica a cozinha onde a família almoça e onde se guarda os materiais de construção. Bem melhor do que fazer as refeições ou se abrigar da chuva dentro das capelas, como o casal fazia no início. Hoje, dá até para fazer uma sesta depois do almoço, brinca Valmor. Eles garantem que trabalhar tão próximo aos mortos é uma tranquilidade só. “A gente acostuma, né? Mas tem situações que a gente sente: enterrar uma criança, um adolescente, ver a família chorando. É triste. A gente não é de ferro”, explica Valmor, que sepultou o próprio cunhado há um ano. “Ele estreou a capela da família”, diz dona Marcelina. Para quem divide espaço com os mortos, a maior dificuldade não é medo de que eles continuem vagando. como almas penadas É o fator humano, a des-

pedida e a dor da perda para os que ficam, que tornam o ofício desafiador. “Esses dias foi sepultada aqui uma família: pai, mãe e dois filhos. Já pensou? Aquele, sim, cortou o coração da gente”, conta a zeladora. Nestes quase 30 anos de trabalho no cemitério, ela presenciou somente um situação que atribui ao sobrenatural. Ela estava trabalhando em uma capela quando uma mulher, que diariamente visitava o túmulo do pai, para quem pedia perdão, foi chamá-la. “Tem uma luz ali dentro da capela”, disse a mulher. Marcelina olhou dentro da casinha de tijolos e viu uma chama. A mulher garantiu que não tinha acendido vela nenhuma, nem tinha a chave da capela. Enquanto tentavam desvendar o mistério, as duas viram a vela subir até acima do altar e desaparecer. A zeladora atribuiu a manifestação ao perdão que a filha tanto buscava. “Não chama mais pelo teu pai, isso é um sinal de que ele te perdoou”, aconselhou a zeladora à mulher, que continuou visitando o túmulo, mas parou com os pedidos de perdão. A dona de casa Pamela Rodrigues de Carvalho, de 20 anos, vive a rotina do cemitério bem perto dos túmulos. O cemitério de Santos Anjos é praticamente o quintal da casa onde ela mora com o marido, Volnei, e os filhos Giovana, de 3 anos e Guilherme, de 6. A casa foi cons-

Pamela, Ghilherme e Giovana |

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“Era muito medo. Medo de morto, medo dos vivos”, conta Marcelina, sobre o início do trabalho no Cemitério Santos Anjos, há quase 30 anos

Valmor Cadini |

Fotos: Paulo Pasa/O Caxiense


Vilmar Zorzi |

Paulo Pasa/O Caxiense

truída em cima do depósito onde Marcelina cozinha e guarda os materiais. Pamela garante que se sente protegida. O estranhamento do início foi vencido pela rotina. Antes de se mudar para a casa, há dois anos, ela já frequentava a residência, que era alugada pelo sogro. “No início, fiquei meio preocupada. Morar em um cemitério? Mas depois vi como é tranquilo”, conta a jovem, que optou por morar ali por causa do pátio grande, onde o marido pode deixar o caminhão com o qual trabalha, e por já conhecer o bairro. Nos fins de tarde, ela e os filhos passeiam pelos corredores do cemitério com os cachorros. “As crianças brincam de esconder por ali. Só não deixo eles mexerem em nada”, afirma. Os amigos estranham. A avó das crianças não dorme na casa da filha de jeito nenhum. “Ela vem visitar a gente, mas tem medo de pousar aqui. Eu acho muito tranquilo, nunca vi nada fora do comum”, reforça Pamela. O último aniversário da filha, por exemplo, foi comemorado na casa de Pamela. Ela garante que os convidados não estranharam a festa. A celebração foi na garagem da casa, a cerca de 50 metros do conjunto de capelas. Até um churrasco acontece de vez em quando, diz ela, mas sempre durante o dia. Isso porque o casal não

é muito “festeiro”, como define a dona de casa, não por qualquer superstição. Pamela só toma cuidado para que a família se mantenha afastada em dias de sepultamento. “Eu sou muito emotiva, não posso ficar perto, senão choro junto”, diz. “Esses dias esteve aqui um rapaz que sempre vem visitar o túmulo da mãe. A dona Marcelina havia ido embora e pediu que eu fechasse o portão. Vi a moto dele estacionada e fui procurá-lo pelo cemitério. Estava chorando. Tive que pedir que ele fosse embora, era hora de fechar. Essas situações são mais complicadas”, afirma. Fora isso, a rotina é pacata, exceto em Dia de Finados. “Daí é uma loucura, muita gente. A gente acaba ficando na varanda, ajudando a orientar o pessoal. Sempre tem alguém que vem pedir uma água”, diz. O dia mais intenso para os trabalhadores e moradores do cemitério é também o mais rentável para o pedreiro Vilmar Zorzi, de 56 anos. Há cerca de dois anos, ele mora no coração do Cemitério Sociedade Cruzeiro, em São Luiz da 6 ª Légua. A casa de dois andares tem espaço suficiente para ele e a mulher, sem custo de aluguel. Em troca, Vilmar garante a segurança do lugar, que precisa ser protegido dos vivos, não dos mor-

tos. “Depois que vim morar aqui, acho que diminuiu o vandalismo”, defende. Responsável por construir as capelas, ele diz que vê só benefícios no espaço onde mora. “É mais tranquilo do que qualquer outro lugar.” O casal, que não costuma receber visitas, leva um vida sossegada. Com os filhos criados, eles não precisam de espaço para crianças. E nunca são incomodados por barulho. O trabalho é flexível: Vilmar constrói as capelas conforme a demanda, administra seus horários e ainda consegue fazer um bico como atendente em um buffet de sorvetes no Centro, onde a mulher trabalha. No Dia de Finados, aumenta a renda em até R$ 2 mil, resultado da venda de velas e flores. Católico, ainda tem na religião a segurança de que espírito nenhum vai incomodar sua paz. “Cada um tem a sua religião, mas a minha acredita que quando a gente morre, acabou”, explica. Dona Marcelina tem uma crença diferente. “O espírito da gente vaga até encontrar seu lugar”, acredita ela. Mas não se assusta. Há tantos anos dedicando sua vida ao cemitério, ela aprendeu a conviver e a respeitar a morte sem temer. “Hoje, aqui dentro é mais seguro do que lá fora. Para mim não é cemitério, é cidade. Cidade da paz”, ensina. 18.jan.2013

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PLATEIA

George Harrison ou Guns n' Roses | Comédia pastelão no teatro | Tradicionalismo na praia

Um guia para assistir aos mais indicados ao Oscar Daniela Bittencourt A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood elege, no dia 24 de fevereiro, os filmes premiados com a cobiçada estatueta dourada do Oscar 2013. Dos 18 filmes selecionados por O CAXIENSE, 6 passaram pelos cinemas de Caxias, 6 estão em cartaz e 6 ainda devem estrear, até o final de fevereiro. Somente 3 já estão disponíveis em DVD. Saiba onde assistir os longas que conquistaram o maior número de indicações e os indicados a melhor animação. LINCOLN O favorito ao Oscar conta a história de Abraham Lincoln, concentrando-se no período de 1861 a 1865, quando, em meio à Guerra Civil, o presidente busca apoio para abolir a escravidão no país. Baseado na biografia vencedora do Pulitzer, Team of Rivals, de Doris Kearns Goodwin.

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JAN

Filme; Ator (Daniel Day-Lewis); Ator coadjuvante (Tommy Lee Jones); Atriz coadjuvante (Sally Field); Diretor (Steven Spielberg); Roteiro adaptado (Tony Kushner); Trilha sonora original (John Williams); Fotografia; Figurino, Direção de arte; Montagem e Mixagem de Som.

AS AVENTURAS DE PI Piscine Patel, um menino indiano, sobrevive ao naufrágio do navio onde viajava com a família. Além dele, também se salvam um tigre de bengala, uma hiena, uma zebra e um orangotango, animais do zoológico de sua família, com quem ele precisa dividir um bote salva-vidas.

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SEM.

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Filme; Diretor (Ang Lee); Roteiro Adaptado (David Magee); Trilha Sonora Original (Mychael Danna); Canção Original (Pi's Lullaby); Efeitos Visuais; Fotografia; Direção de Arte; Montagem; Edição de Som e Mixagem de Som.

OS MISERÁVEIS O musical é adaptado do romance do escritor francês Victor Hugo. Na França do século XIX, Jean Valjean é preso por roubar um pão. Em liberdade condicional, ele terá sua história cruzada com a da prostituta Fantine e sua filha, Cosette.

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1

FEV

Filme; Ator (Hugh Jackman); Atriz coadjuvante (Anne Hathaway); Canção Original (Suddenly); Maquiagem; Figurino; Direção de Arte e Mixagem de Som.

O LADO BOM DA VIDA Tudo dá errado na vida de Pat Solitano: ele é deixado pela esposa, perde o emprego é internado em uma clínica psiquiátrica. Ao sair da clínica, 8 meses depois, está decidido a reconstruir sua vida. É quando conhece Tiffany, uma mulher que também tem alguns probleminhas de humor.

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1

FEV

Filme; Diretor (David O. Russell); Ator (Bradley Cooper); Atriz (Jennifer Lawrence); Ator Coadjuvante (Robert De Niro); Atriz Coadjuvante (Jacki Weaver); Roteiro Adaptado (David O. Russell) e Melhor Montagem.


ARGO Fugindo de terroristas iranianos, 6 diplomatas americanos se refugiam na casa de um embaixador canadense no Irã. Para resgatá-los, um agente da CIA inventa que o grupo faz parte da filmagem de um longa de ficção científica, na tentativa de que a fuga passe despercebida. Filme; Ator Coadjuvante (Alan

7 Arkin); Roteiro Adaptado (Chris

Terrio); Trilha Sonora Original (Alexandre Desplat); Montagem; Edição de Som e Mixagem de Som.

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Filme; Ator Coadjuvante

Original (Quentin Tarantino); Fotografia e Edição de Som.

Filme; Atriz (Jessica Chastain); Montagem e Edição de Som.

Diretor (Michael Haneke);

Roteiro Original (Michael Haneke) e Filme Estrangeiro

5

Figurino e Direção de Arte.

Filme; Ator Coadjuvante

5 (Christoph Waltz); Roteiro

?

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SEM.

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FEV

Original (Quentin Tarantino); SEM. Fotografia e Edição de Som.

O MESTRE Nos anos 50, Lancaster Dodd, o criador da Cientologia, decide fundar uma organização religiosa, denominada A Causa. Com a popularização da seita, Freddie Sutton, braço direito de Dodd, passa a questionar a iniciativa de seu fundador. Ator (Joaquin Phoenix);

12 Ator Coadjuvante (Philip

Seymour Hoffman) e Atriz Coadjuvante (Amy Adams).

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JAN

Legendas Fora de cartaz | Tempo que permaneceram Em breve | Previsão de estreia Em cartaz | Há quanto tempo ?

Sem previsão de estreia Disponível em DVD

O

FEV

O HOBBIT A jornada épica de Bilbo Bolseiro e 13 anões se passa 60 anos antes de O Senhor dos Anéis. Durante a trajetória para recuperar a Montanha Solitária, Bilbo se depara pela primeira vez com o Um Anel.

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007 – OPERAÇÃO SKYFALL Na volta de James Bond aos cinemas, o agente secreto precisa encontrar e destruir quem está ameaçando a segurança de M e de todo o MI-6. É a 23ª e a melhor aventura de Bond. Trilha Sonora Original (Thomas Newman); Canção Original (Skyfall); Fotografia; Edição de Som e Mixagem de Som.

Trilha Sonora Original (Da-

5 rio Marianelli); Fotografia;

ANIMA

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ANNA KARENINA No século XIX, Anna Karenina mantém um casamento sem amor com um funcionário do governo russo. O que passa a ser um problema quando, em uma viagem, ela se apaixona pelo conde Vronksy. Baseado no romance do escritor russo Liev Tolstói.

FEV

AMOR Próximo dos 80 anos de idade, o casal Georges e Anne aproveita a liberdade conquistada ao longo da vida. Mas quando Anne tem um derrame, Georges vê seu amor ser colocado à prova.

5 Atriz (Emmanuellle Riva);

Zeitlin) e Roteiro Adaptado (Lucy Alibar e Benh Zeitlin).

?

A HORA MAIS ESCURA O homem mais procurado do mundo foi encontrado em 2011 pelas forças militares americanas. O longa detalha a operação que levou à prisão de Osama Bin Laden.

5 Roteiro Original (Mark Boal);

Filme; Atriz (Quvenzha-

4 né Wallis); Diretor (Benh

SEM.

DJANGO LIVRE King Shultz é um mercenário: mata por dinheiro. Quando recebe a tarefa de matar os irmãos Brittle, vai atrás de Django, um escravo liberto com histórico brutal. Em troca da ajuda na caçada, Shultz promete levar Django até sua esposa, a escrava Broomhilda.

5 (Christoph Waltz); Roteiro

INDOMÁVEL SONHADORA O longa pode garantir o Oscar à mais jovem atriz já indicada ao prêmio: Quvenzhané Wallis. Ela interpreta uma menina de 6 anos que vive em um delta com o pai. Após uma tempestade, o lugar é inundado e eles procuram uma forma de continuar morando na comunidade.

VALENTE A russa Merida é uma princesa fora do padrão. SEM. Em vez de esperar pelo príncipe encantado, ela prefere praticar arco e flecha. Impetuosa, acaba colocando o reino em perigo quando pede para uma bruxa intervir contra um possível casamento.

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FRANKENWEENIE Depois de ser atropelaSEM. do, o cachorrinho Sparky é ressuscitado pelo seu dono, um menino que o coloca em uma máquina para revivê-lo no estilo Frankestein.

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DETONA RALPH O vilão de videogame SEM. está cansado de ser mau. Por isso, ele foge do jogo onde vive para tentar ser mocinho em um game de guerra.

PARANORMAN Norman tem uma peSEM. quena diferença em relação aos garotos da sua idade: a habilidade de falar com os mortos. É com este dom que ele vai contar para salvar a cidade de uma invasão zumbi.

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PIRATAS PIRADOS Cobiçando o título de SEM. Pirata do Ano, o Capitão Pirata precisa furar os bloqueios da Rainha Vitória. Entre a tripulação que o ajuda, está o estudioso Charles Darwin.

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CINE

Arnold Schwarzenegger. Rodrigo Santoro. Zach Gilford. De Kim Jee-Woon.

O ÚLTIMO DESAFIO Arnold Schwarzenegger incorpora um xerife de fronteira dos Estados Unidos que tenta impedir a fuga de um chefe do narcotráfico. Explosões, palavrões e poeira... Destaque para a cena em que, em meio a uma explosão, o xerife é jogado contra uma porta de vidro. Alguém pergunta: “Como está, xerife?”. Irônico, ele responde: “Velho”. É bem o teu papel, Schwarzenegger. Estreia. CINÉPOLIS 14:10-17:00-19:30-22:00 GNC 14:15-16:30-19:00-21:10

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1:47

* Qualquer alteração nos horários e filmes em cartaz é de responsabilidade dos cinemas.

Jeremy Renner. Gemma Arterton. De Tommy Wircola De Ben Stassen

JOÃO E MARIA – CAÇADORES DE BRUXAS A clássica fábula infantil sobre os irmãos que vivem prisioneiros de uma bruxa em uma casa de doces ganha nova roupagem. Quinze anos depois de escapar da tal feiticeira, Hansel e Gretel (nomes originais da fábula dos irmãos Grimm), já adultos, se tornam caçadores de bruxas e saem por aí provocando e matando as malditas. Belo passatempo. Pré-estreia. CINÉPOLIS 3D 20:50 (somente SÁB. (19)) GNC 22:10 (somente SÁB. (19))

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1:23

SAMMY: A GRANDE FUGA As pequenas tartarugas marinhas Ricky e Ella estão aproveitando a tranquilidade do coral, quando seus avós, Sammy e Ray, são capturados e levados para um aquário em Dubai. Os filhotes partem em uma viagem para resgatá-los, enquanto eles bolam um plano para fugir do lugar. Estreia. CINÉPOLIS 3D 14:00-16:20-18:30 GNC 3D 13:50-16:10

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1:33


A VIAGEM Tudo está conectado: passado, presente, futuro; nascimento, morte, renascimento. Pelo menos é o que sugere a parceria entre os irmãos Wachowski e Tom Tykwer. De uma viagem pelo Oceano Pacífico em 1850 a um futuro tomado de clones e máquinas em 2144, os personagens têm suas histórias interligadas. Curiosidade: a filmagem foi dividida em duas equipes. Tyker dirigiu as cenas de época e os Wachowski foram responsáveis pelas tomadas no futuro. Com Tom Hanks e Susan Sarandon. 2ª semana. CINÉPOLIS 13:50-17:30-21:00 GNC 18:10 | 21:30

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2:52

DETONA RALPH Veja sinopse na página 21. CINÉPOLIS 3D 13:30-15:30-19:00-20:30 GNC 3D 13:00-15:10-17:20 | 13:40-15:50

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E SE VIVÊSSEMOS TODOS JUNTOS? UMA FAMÍLIA EM APUROS A antiga máxima de que os pais educam e os avós deseducam é o pilar da comédia. Quando a mãe precisa viajar com o marido, Artie e Diane são escolhidos para tomar conta dos 3 netos. As recomendações incluem: nada de açúcar, nada de filmes de terror e trocar o imperativo “não” por um complacente “tente isso” na hora de impor limites. Regras que os avós sempre prometem seguir, com a certeza de quebrar a promessa. Com Billy Crystal. Bette Midler. De Andy Fickman. 2ª semana. CINÉPOLIS 13:00-18:00 GNC 13:30-18:50

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O HOBBIT: UMA JORNADA INESPERADA Veja sinopse na página 21. GNC 21:00

★★★★★ 12

2:49

DE PERNAS PRO AR 2 A dupla Ingrid Guimarães e Maria Paula, que levou mais de 3 milhões de espectadores aos cinemas em 2010, volta às telas como as sócias Alice e Marcela, administradoras de uma rede de sex shop. Com o crescente sucesso do empreendimento, Alice vê, novamente, o trabalho interferir na sua vida pessoal. A trama repetida pode bater o próprio recorde: em 3 semanas, o filme já foi visto por 2,3 milhões de pessoas. De Roberto Santucci. 4ª semana CINÉPOLIS 14:30-17:10-19:40-22:10 GNC 14:00-16:00-18:00-20:00-22:00

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Cinco amigos vivendo juntos na mesma casa. Dois casais e um solteirão. Falando besteira, dando risada, dividindo tarefas e compartilhando momentos. Com a particularidade de que eles não são mais jovenzinhos: Annie, Jean, Albert, Jeanne e Claude já têm cerca de 80 anos e decidem montar uma espécie de república em vez de ir para um asilo. Juntos, eles descobrem que novas experiências continuam sendo possíveis. Com Jane Fonda. Pierre Richard. De Stéphane Robelin. 2ª semana. ORDOVÁS SEX. (18) 19:30. SÁB. (19) e DOM. (20) 20:00

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JACK REACHER – O ÚLTIMO TIRO Jack Reacher (Tom Cruise) é o cara: ex-policial militar, investigador brilhante, encrenqueiro, estrategista, impiedoso, arrogante. Não parece alguém que um criminoso queira por perto. Mesmo assim, quando o atirador James Barr é preso por executar 5 pessoas, é Reacher quem ele chama, sem que ninguém entenda o motivo. O que faz com que Jack largue suas férias em Miami para investigar o caso. Com Rosamund Pike e Joseph Sikora. De Christopher McQuarrie. 2ª semana. CINÉPOLIS 16:00-21:30 GNC 16:20-21:20

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AS AVENTURAS DE PI Veja sinopse na página 20.

★★★★★

CINÉPOLIS 3D 20:50 (exceto SÁB. (19)) GNC 18:30 | 3D 19:30 | 3D 22:10

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Leo Wiebusch, Divulgação/O Caxiense

litoral + eventos Banda Chalana

SEX. (18). 21:00. Gratuito. Praça da Emancipação. Arroio do Sal

Samba do Irajá - Roda de Samba SÁB. (19). 16:00. Gratuito. Praça da Emancipação. Arroio do Sal

Escolha da Rainha do Carnaval + Pagode Mania de Você SÁB. (19). 22:00. Gratuito. Praça da Emancipação. Arroio do Sal

Ginástica na Praia

SEG., QUA. E SEX. 9:00. Arroio do Sal TER. e QUI. 9:00. Areias Brancas

Ginástica da 3ª Idade

QUA. 15:00. Arroio Seco

A voz do Sul

As canções de Luiz Marenco traduzem o sentimento e os traços do tradicionalismo. Nas letras compostas por ele, o homem, os costumes, os hábitos e o trabalho do gaúcho são destacados. Uma de suas canções de maior sucesso é Pra o Meu Consumo, que fala da saudade e de marcas do tempo. SEX. (18). 22:00. Gratuito. Praça da Emancipação. Arroio do Sal tradicionalista

Raffting no Mar

Divulgação/O Caxiense

SÁB. 10:00. SESC. Areias Brancas DOM. 10:00. SESC. Areias Brancas

Os Três Patetas (filme)

QUI. (24). 20:00. Associação Comunitária da praia da Figueirinha e Salão Paroquial da Igreja do Balneário Atlântico.

Barro na praia

Deixe de lado a areia e vá ver homens e mulheres sobre duas rodas disputando uma competição no barro. É a abertura da Copa Verão Sobre Rodas de Motocross. A programação se estende durante o final de semana, com treinos livres. Nos próximos finais de semana, o evento chega a outras cidades gaúchas, como Imbé, Osório e Arroio do Sal. Em Torres, o campeão brasileiro de motocross, Duda Parise, é presença confirmada. SÁB. (19) e DOM. (20). 11:30. Parque do Balonismo. R$ 10. Torres

Baladinha eletrônica

O projeto Sunset of Summer transforma o largo do antigo Baronda em ponto da música eletrônica no Litoral Norte. Neste final de semana, o DJ porto-alegrense Rodrigo Ayala vai comandar as pick-ups. No repertório, muito Avicii (I Could Be The One é uma das preferidas dos praieiros), David Guetta e Calvin Harris. SÁB. (19). 18:00. Gratuito. Capão da Canoa Eletrônica

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Fotos: Divulgação/O Caxiense

MUSICA + SHOWS SEXTA-FEIRA (18) Jaimar e Alexandre

22:00. R$ 8 e R$ 6. Paiol

Ale Ravanello Blues Combo

22:30. R$ 18 e R$ 12. Mississippi

Festa Bionika

23:00. R$ 12 e R$ 15. Level

ToolBox

22:00. R$ 10. Bier Haus

Grupo Vem Ki Tem + DJ Gilson 22:30. R$ 20. Portal Bowling

Grupo Sambeabá + DJ Marcelo Heck

23:30. R$ 10 e R$ 20. Boteco 13

Rhay e Haras

22:30. R$ 5. Cachaçaria Sarau

Edu e Rapha +DJs

23:30. R$ 25 a R$ 45. Bulls

SÁBADO (19) Grupo Paiol

21:00. R$ 8 e R$ 6. Paiol

Here Comes George

É verdade que ele não é o beatle mais popular, mas George Harrison também merece um tributo. O guitarrista – eleito o 11° mais talentoso na lista dos 100 Maiores Guitarristas de Todos os Tempos da Rolling Stone (o primeiro é Jimmy Hendrix) – é autor de uma das mais belas músicas dos Beatles, Here Comes the Sun, além de canções como Something e While My Guitar Gently Weeps. A homenagem vai ser conduzida pela banda portoalegrense Hare Georgesons, composta por Bruno Peron (guitarra e vocal); Eddy Silveira (baixo e vocal); Jazzner Messa (bateria); Patrick Bernardi (voz, violão, guitarra e ukulele) e Tiago Soares (teclado, violão e vocal). SEX. (18). 00:30. R$ 12 e R$ 15. Vagão

Festa LevelHard

23:00. R$ 15 a R$ 20. Level

Banda Melody + DJ Eddy

23:00. R$ 20. Portal Bowling

Grupo Regra Três + DJ Marcelo Heck

23:30. R$ 10 e R$ 20. Boteco 13

Natália Gauer

22:00. R$ 5. Cachaçaria Sarau

Festa Nox Die – vários DJs

23:30. R$ 13 a R$ 25. Nox Versus

Banda Ultrasonic + DJ Alemão

23:00. R$ 15 a R$ 20. Buku’s Anexo

Festa Ballad of Summer – Jonas e Lucas + DJ Cristiano Lemes 23:30. R$ 20 e R$ 40. Olimpo

Noite do Acontece – Som automotivo + DJs

22:00. R$ 10 a R$ 15. CondBar

11 DJs + 4

A festa Todos Somos Onze tem como inspiração e principal atração o projeto musical Eleven All, composto pelos músicos Guz Zanotto, Alexandre Tonin e Chris Citton Ravanello. A ideia é mesclar a vibração das pickups com voz e timbres de guitarra. Guz, Alexandre e Chris dividem o comando da pista principal com 11 convidados: Alex Iuri Rech, Bruna Perusato, Caroline Veadrigo Piccoli, Giovana Zanette, Josué Romero, Laura Rossi, Maurício Giubel, Rodrigo Zanotto, Sânla C. Almeida, Teilor Valduga e Vinicius Tonet. Também fazem parte da festa os DJs Leo Z e Elias Cappellaro, na pista principal. Além desse time, o público pode conferir, no Lounge, os DJs Kahball e Alibu. Haja fôlego! SÁB. (19). 22:45. R$ 50 e R$ 25. Pepsi

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+ SHOWS DOMINGO (20) Marcus e Fabiano + Pagode Júnior

23:00. R$ 20. Portal Bowling

SEGUNDA-FEIRA (21)

Loucos por Guns

Pode tirar do armário o kit bandana + calça de couro (vai dizer que não?), que é noite de homenagem a Guns n’ Roses. A Crazy Guns, banda portoalegrense formada em 2001, promete levar aos fãs a sensação de estar em um autêntico show do Guns. Certamente devem rolar clássicos como Welcome to the Jungle, Sweet Child O’ Mine, You Could be Mine e Paradise City. Sobre o kit, era brincadeira a sugestão da calça de couro, ok? SÁB. (19). 00:30. R$ 12 e R$ 15. Vagão

Ladies & Tramps

Divulgação/O Caxiense

21:30. R$ 12 e R$ 8. Mississippi

TERÇA-FEIRA (22) The Cotton Pickers

22:00. 15 e 10 Mississippi

Léo e Tiago

21:30. Gratuito. Boteco 13

QUARTA-FEIRA (23) Jhonatan e Carlos

21:00. Gratuito. Paiol

The Juke Joint Band

22:00. R$ 15 e R$ 10. Mississippi

Mateus e Fabiano + DJ Marcelo Heck

23:00. R$ 5 e R$ 10. Boteco 13

QUINTA-FEIRA (24) Grupo Macuco

23:00. R$ 15 e R$ 5. Paiol

Hardrockers

22:00. R$ 18 e R$ 12. Mississippi

Victor Hugo e Samuel + DJ Gilson

23:00. R$ 20. Portal Bowling

Banda Kook’s + DJ Marcelo Heck 23:30. R$ 5 e R$ 10. Boteco 13

Marcelo Nuñez + Caio Busetti 19:00. R$ 15 e R$ 20. Havana

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Coca-Cola com Heineken

O Havana apostou na mistura inusitada para renovar o conceito do club. Na estrutura física, o espaço ganhou camarotes e cabines de DJs ampliadas. A pista foi repaginada com a aplicação de papel de parede em versão grafitada. O novo layout arquitetônico tem cara mais cosmopolita até nos detalhes, como as almofadas verdes da Heineken personalizadas com imagens de pontos turísticos, desde a Torre Eiffel até a Estátua da Liberdade, no deck. Os dias de funcionamento também mudaram: o espaço passa a abrir de quinta a domingo. Quem não recebeu convite especial para a restrita reestreia, na última quinta (17), pode conferir todas estas novidades na reabertura oficial para o público, com o DJ Diogo Accioly. SÁB (19). 23:00. R$ 20 a R$ 40. Havana


Fotos: Divulgação/O Caxiense

PALCO

A imortal mulher contemporânea

Patsy Cecato, que na semana passada, no Teatro Municipal, mostrou as 4 etapas na vida da mulher contemporânea na peça Se meu ponto G falasse, ainda acha o que falar sobre o tema. Em Manual Prático da Mulher Moderna, 3 doutoras desenvolvem a tese O Comportamento Feminino Moderno Diante da Crise. O espetáculo tem atuação de Luciana Domiciano, Mariana Del Pino, Nina Eick e Rafael Albuquerque. A conferência de humor para homens e mulheres – sempre, porque lotar o teatro é preciso – mostra a mulher atual e dá dicas de comportamento diante de uma penca de dilemas: pais, casamento, maternidade, espiritualidade, trabalho, busca do homem ideal... ZzZzzz. Me acordem quando acabar. SEX. (18). 21:00. R$ 40, R$ 30 (antecipados) e R$ 20 (meia-entrada).

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1:20

Uma dama entre as damas

Uma palestrante que pratica retroajuda, uma comissária de bordo, um turista argentino, um craque do futebol, um primo distante de Eike Batista, um taxista, Andrea Bocelli, Julio Inglesias. Estes são alguns dos personagens que aparecerão no palco de Primeiro as Damas 2, que não tem no elenco Cris Pereira, o astro Jorge da Borracharia. O espetáculo “totalmente novo, impactante e hilário” tem atuação de Mariana Del Pino, Rafael Albuquerque, Émerson Magro e participação especial de Fabrício Apratto. O texto é de Renato Pereira. A sinopse original diz que a peça, “ao contrário do stand up comedy, revoluciona o humor”. Tá. SÁB. (19) e DOM. (20). 21:00. R$ 40, R$ 30 (antecipados) e R$ 20 (meia-entrada).

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Fotos: Cleber Rezzadori, Divulgação/O Caxiense

Elaine Kist Rezzadori, Div./O Caxiense

ARTE

Leve o cachorro passear no shopping Cleber Rezzadori, Daiane Sonaglio, Edson Smiderle, Elaine Kist Rezzadori, Flavia Salvagni, Gabriel Feltes, Gii Teles, Jake Martini, João Rafael Bortolussi, Mary Winter e Mauro José Bettiol, do Visão Photo & Cine Clube, clicaram o cotidiano dos animais da Sociedade Amigos dos Animais (Soama). No dia 27, o shopping San Pelegrino realiza uma campanha de arrecadação de ração. Quem visitar a exposição, das 14:00 às 18:00, acompanhado do seu animal de estimação (de pequeno porte, tenhamos bom senso) e doar 1 kg de ração ganha uma fotografia com o seu mascote. Turminha da Soama

Coletiva. SEG.-DOM. 13:00-22:30. Estação San Pelegrino.

Atelier Revisitado

Márcia Casal. SEG.-SEX. 8:30-18:00. SÁB. 10:00-16:00. Galeria Municipal

Capelinhas: Memória e Fé

Coletiva. TER.-SÁB. 9:00-17:00. Museu Municipal

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Para dislexia digito 34753942

Coletiva. SEG.-SEX. 9:00-19-00. Ordovás


os

cinemas: CINÉPOLIS. AV. RIO BRANCO,425, SÃO PELEGRINO. 3022-6700. SEG.QUA.QUI. R$ 12 (MATINE), R$ 14 (NOITE), R$ 22 (3D). TER. R$ 7, R$ 11 (3D). SEX.SÁB.DOM. R$ 16 (MATINE E NOITE), R$ 22 (3D). MEIA-ENTRADA: CRIANÇAS ATÉ 12 ANOS, IDOSOS (ACIMA DE 60) E ESTUDANTES, MEDIANTE APRESENTAÇÃO DE CARTEIRINHA. | GNC. rsc 453 - km 3,5 - Shopping Iguatemi. 3289-9292. Seg. qua. qui.: R$ 14 (inteira), R$ 11 (Movie Club) R$ 7 (meia). Ter: R$ 6,50. Sex. Sab. Dom. Fer. R$ 16 (inteira). R$ 13 (Movie Club) R$ 8 (meia). Sala 3D: R$ 22 (inteira). R$ 11 (meia) R$ 19 (Movie Club) | ORDOVÁS. Luiz Antunes, 312. Panazzolo. 3901-1316. R$ 5 (inteira). R$ 2 (meia) |

MÚSICA: Bier HauS. Tronca, 3.068. Rio Branco. 3221-6769 | cond. Angelo Muratore, 54. Dellazzer. 3229-5377 | Mississippi. Coronel Flores, 810, São Pelegrino. Moinho da Estação. 3028-6149 | NOX VERSUS. Darcy Zaparoli, 111. vilaggio Iguatemi. 8401-5673 | PAIOL. FLORA MAGNABOSCO, 306. 3213-1774 | PORTAL BOWLING. RS 453, KM 2, 4140. SHOPPING MARTCENTER. 3220-5758 | VAGÃO CLASSIC. JÚLIO DE CASTILHOS, 1343. CENTRO. 3223-0616

CA

Divulgação/O Caxiense

Endere

MA RIM

Marcelo Venga! A escola de flamenco La CueAramis va terá duas turmas de aulas

intensivas neste verão. O público-alvo são aqueles que nunca pisaram no tablado. Em 6 aulas, com investimento de R$ 60, Elisabete da Cunha apresenta os passos básicos e compactos dos gêneros de flamenco. As aulas ocorrem de terça à quinta – 22, 23 e 24; 29, 30 e 31 – com duas opções de horário: das 18:30 às 19:30 e das 19:30 às 21:30. Inscrições pelo fone 9975-3393 ou 3217-4169.

TEATROS: teatro municipal. Doutor Montaury, 1333. Centro. 3221-3697 | CASA DE TEATRO: Rua Olavo Bilac, 300. São Pelegrino. 3221-3130 galerias: campus 8. Rod. RS 122, Km 69 s/nº. 3289-9000 | FARMÁCIA DO IPAM. DOM JOSÉ BAREA, 2202, EXPOSIÇÃO. 4009.3150 | GALERIA MUNICIPAL. DR. MONTAURY, 1333, CENTRO, 3215-4301 | instituto bruno segalla. r. andrade neves, 603. centro. 3027-6243 | museu municipal. VISCONDE DE PELOTAS, 586. CENTRO. 3221-2423 | ORDOVÁS. Luiz Antunes, 312. Panaz­zolo. 3901-1316 | SESC. MOREIRA CÉSAR, 2462. pio x. 3221-5233 |

Cítrico de teatro

Legenda Duração

Classificação

Avaliação ★ 5★

Cinema e Teatro Dublado/Original em português Legendado Ação. Animação. Artes.Circenses. Aventura. Bonecos. Comédia. Documentário. Drama. Fantasia. Ficção.Científica. Infantil. Musical. Policial. Romance. Suspense. Terror.

Música Blues. Coral. Eletrônica. Erudita. Folclórica. Funk. Hip.hop Indie. Jazz. Metal. MPB. Pagode. Pop. Reggae. Rock. Samba. Sertanejo. Tango. Tradicionalista

Dança Clássico. Contemporânea. Flamenco. Folclore. Forró. Jazz. Dança.do.Ventre. Hip.hop Salão.

Artes Acervo. Fotografia.

Desenho. Diversas Grafite. Gravura. Instalação

Escultura. Pintura.

* A colunista Carol De Barba (1ª Fila) está em férias.

Cláudio Benevenga, diretor de teatro, comentou minha crítica do seu espetáculo Como agarrar um marido antes dos 40, apresentado em novembro de 2011 em Caxias. Achou levianas e desrespeitosas as minhas palavras, que definiam como ordinário o humor da peça. Disse que eu ofendi essa gigantesca plateia, que muitas vezes aplaudiu de pé – um mau hábito sobre o qual já falei aqui, de levantar-se porque todos levantam (quando assistirem Fernanda Montenegro farão o quê?). Benevenga tem argumento: um espetáculo visto por mais de 80 mil pessoas não poderia ser tão ruim assim. Mas pode. Lotar o teatro e divulgar uma peça pelos números de bilheteria não são sinônimos de qualidade. Está mais para o oposto... Finalizou dizendo assim: “Toda a manifestação artística, independente do gênero, se feita com qualidade e profissionalismo, merece respeito”. Aí eu concordo. Tanto eu respeito, que assisto e escrevo sobre. Com todo respeito, assistirei Primeiro as Damas 2 (Veja programação na página 27), só não garanto que aplaudirei de pé. 18.jan.2013

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Divulgação/O Caxiense

SA DE Alerta no Litoral Na praia, a diversão pode ser interrompida por pequenos descuidos. Seja em crianças ou em adultos, o litoral pode reservar indesejáveis surpresas, como insolação, picadas de insetos e se passar da conta na bebida, em coma alcoólico. Veja o que fazer em cada uma das situações.

Insolação

Brasileiros emagrecem 331 toneladas em 2012 Cerca de 90 mil pessoas, em 10 estados brasileiros, conseguiram emagrecer, juntas, 331 toneladas durante 2012 com a dieta dos pontos. Esse é o saldo positivo do projeto Vigilantes do Peso, um dos programas de emagrecimento mais antigos e populares do Brasil. Nesta dieta, os alimentos são divididos em categorias e recebem uma pontuação de acordo com a quantidade de calorias. Dependendo dos objetivos de cada pessoa, são estipulados quantos pontos podem ser consumidos por dia. Os campeões na perda de peso foram os paulistas, que conseguiram eliminar 118 toneladas. Os mineiros aparecem em segundo lugar no ranking de emagrecimento, com 68 mil quilos perdidos. Cariocas ficaram em terceiro, com 64,3 mil quilos e os baianos em quarto, com 15,5 mil quilos. Além da boa notícia da perda de peso, os Vigilantes fizeram outra descoberta: alguns alimentos não podem ser avaliados só pelo perfil calórico. Eles até têm calorias, mas a quantidade de energia que o corpo gasta para digeri-los é maior. Nasceram assim, as comidas “calorias zero”, que estão liberadas na dieta e podem ser consumidas sem restrição. Aqui em Caxias do Sul, quem quiser participar dos Vigilantes do Peso precisa ir pessoalmente ao Hotel Bandeira (Sinimbu, 2435, próximo ao camelódromo) nas quintas-feiras, a partir das 16:30.

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Causada pela permanência em longos períodos de tempo sob sol forte, a insolação pode ocasionar perda da consciência, lesões generalizadas e até a morte. Os sintomas são dores de cabeça, tontura e náusea, seguido da aceleração da pulsação e a visão embaralhada. Depois, a respiração acaba ficando mais difícil e a pessoa desmaia. Se isso acontecer, leve a vítima para um local fresco, na sombra e borrife água fria pelo corpo e aplique na testa, no pescoço, nas axilas e nas virilhas. Após, remova o máximo de peças de roupa dela, mantenha a cabeça elevada e ofereça água fria ou qualquer bebida não alcoólica. Se houver parada respiratória, faça respiração boca a boca e massagem cardíaca, se necessário. Chame socorro imediatamente.

Desidratação A desidratação é um alerta que o seu corpo não está recebendo a quantidade de água que deveria. As crianças são mais suscetíveis à desidratação do que os adultos, devido ao peso inferior do corpo e a maior circulação de água. Os idosos e os que se encontram doentes também têm maior propensão ao problema. Seus principais sintomas são vômito ou diarreia, excreção excessiva de urina, suor excessivo e febre. Beba água!

Picada de inseto Dependendo do inseto, a mordida ou a picada não é grave e produz apenas dor, coceira, e inchaço. Isso é bastante comum de acontecer após picadas de abelhas, vespas, aranhas e mosquitos. O cuidado passa a ser maior se a pessoa é alérgica ao veneno de algum destes insetos. Se possível, retire o ferrão e lave a área com água e sabão, aplique gelo no local para diminuir o inchaço. Se a vítima for alérgica ou receber múltiplas picadas, conduza-a imediatamente a um hospital e leve junto uma amostra do inseto (vivo ou morto).


Para arrasar no bronzeado, a dica é começar pela alimentação. Legumes, frutas e verduras de cor alaranjada ou verde-escuro são ricos em betacaroteno, que ajuda na formação de melanina, o pigmento presente na pele para proteção e promoção de um bronzeado saudável. O betacaroteno ainda é um antioxidante que é transformado em vitamina A no organismo e promove a recuperação da pele.

Manga

A mais tradicional das frutas cítricas contém vitamina C, um importante aliado na produção de colágeno, responsável por deixar a pele mais firme.

Na hora do jantar, cenoura ralada. A forte cor laranja que predomina na verdura contém betacaroteno, precursor da vitamina A que estimula a produção de melanina, responsável pelo bronze ado tão almejado. Fotos: Divulgação/O Caxiense

Laranja

Cenoura

Apesar de causar manchas em roupas e tecidos, a fruta tradicional do verão também estimula a produção de colágeno e auxilia na renovação das características da pele.

Uva

Abacate

Além de ajudar no bronzeado, o abacate é rico em zinco, e melhora o sistema imunológico e a cicatrização de cortes, feridas e irritações cutâneas.

Gustavo Rech, Hemocs, Divulgação/O Caxiense

Nada de abandonar a fruta símbolo da cidade. Um bom cacho de uva é repleto de antioxidantes, que combatem o envelhecimento precoce da pele.

Estímulo para crianças hemofílicas

O menino Kauan Souza, de 7 anos, e outras crianças hemofílicas ganharam um estímulo a mais para continuar o tratamento no Hemocentro Regional de Caxias do Sul. Doados pela Receita Federal e pela Associação dos Hemofílicos da Região Nordeste do RS, uma televisão de 40 polegadas e um console Nintendo Wii serão utilizados pelas crianças hemofílicas quando estiverem recebendo os fatores de coagulação, permitindo a elas, recreação e distração durante o tratamento. De acordo com Cristina Lisot, diretora-geral do Hemocentro, existem estudos na área de fisioterapia que integram atividades com estes tipos de videogames para a assistência motora dos portadores de distúrbios de coagulação.

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Edição 163