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Robert Seetzen/Fliker

Flofélia cereja/Stoxching

JORNAL-LABORATÓRIO DO CURSO DE JORNALISMO DO CENTRO UNIVERSITÁRIO UNINTER - ANO VI- NÚMERO 35 – CURITIBA, ABRIL DE 2014

Aborto

Crime ou direito?

Liberdade de escolha e o dom da vida são os argumentos de grupos que defendem e rechaçam o aborto.

págs.6 e 7

Wilson Soler

Televisão e educação infantil

O sonho da peneira

Ele não gostava de televisão, e trabalha nesse veículo há 15 anos.

Falta iniciativa para a produção de programas mais educativos.

Clubes brasileiros investem cada vez mais em novos talentos. E no Paraná não tem sido diferente.

págs.4 e 5

pág.8

pág.10


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Número 35 – Abril de 2014

OPINIÃO A edição número 35 do jornal Marco Zero traz uma reportagem sobre os “novos moradores” da Praça Eufrásio Correia (página 3). Estranho falar em moradores numa praça, mas isso é o que vem acontecendo em grande parte da cidade: cada vez mais consumidores e vendedores de drogas ocupam ruas e espaços públicos. Na seção Perfil (página 4), o entrevistado é o jornalista Wilson Soler, que fala sobre sua trajetória na carreira na qual está a mais de 15 anos. A matéria de capa (páginas 6 e 7) aborda um tema que divide opiniões. O aborto, apesar de ilegal no Brasil, é uma prática que acontece com uma frequência muito maior do que se imagina. De um lado, religiosos defendem que o direito à vida deve ser preservado, independente de como ela tenha sido concebida (como nos casos de estupro). De outro, feministas tocam na questão de que a legalização do aborto evitaria a morte de milhares de mulheres que buscam clínicas clandestinas. Boa leitura!

Equipe Marco Zero

O Marco Zero

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Expediente

Na Praça Tiradentes, bem em frente à Catedral, está o Marco Zero de Curitiba, que oficialmente é tido como o local onde nasceu a cidade, além de ser o ponto de marcação de medidas de distâncias de Curitiba em relação a outros municípios. Ao jornal Marco Zero foi concedido este nome, por conter notícias e reportagens voltadas para o público da região central da capital paranaense.

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Uma solução necessária e emergencial Fernando Albuquerque

Amanda Ribeiro, estudante da UNB, beneficiada pela política de cotas raciais para ingresso de novos alunos.

Foto: Renato Araújo (ABr)

Ao Leitor

Ana Caroline Cortes

Você considera as ruas do centro de Curitiba bem iluminadas?

C

om quase 200 anos de emancipação política, o Brasil ainda não consegue caminhar com as próprias pernas. Esta é a impressão que se tem ao observar como são tratadas as questões que dizem respeito aos cidadãos deste país. Um assunto em discussão na última década e, um ótimo exemplo, é o sistema de cotas raciais. As cotas raciais são uma reserva de vagas em instituições de ensino, públicas ou privadas. Desde o ano de 2001, quando surgiu, uma corrente contrária alegou inconstitucionalidade no sistema, o segmento defende que o artigo 5º da Constituição Brasileira estaria sendo infringido. No entanto, em abril de 2012, o STF decidiu que o sistema de cotas não fere a nossa Constituição. De fato, a questão é complexa e os dois lados da mesa têm argumentos fortes. É preciso que se pondere, pois é bem possível que na união das idéias esteja a resposta. A professora Maria Rodrigues, no site Brasil Escola, se posiciona contrariamente às cotas. Maria condena que se siga o modelo americano, afirmando que, um país com um histórico de perseguição a outras raças, não deve ser copiado. Ela defende ainda que o pobre branco será injustiçado neste processo. O sociólogo Demétrio Magnoli insiste que a Lei de Cotas, na verdade, só oculta o fracasso do ensino público. Num artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo, em 2012, intitulado “Os amigos do povo contra o mérito”, Magnoli afirma que tal medida não passa de populismo. “Os amigos do povo convertem o ensino público superior em ferramenta de mistificação ideológica e fabricação de clientelas eleitorais.”, protesta ele. Embora se encontrem razões que possibilitam à professora e o sociólogo chegarem a tais conclusões, não é possível creditar ao re-

A região central, como a Rua XV e ruas em volta mais conhecidas são bem ilumiRhana Marina nadas, mas – estudante de quando você Publicidade e sai do miolo ali do centro já Propaganda começa a ser mais precário. No geral é bem iluminado, mas tem exceções.

ferido discurso uma verdade concreta. Elio Gaspari traz dados que mostram o outro lado da moeda, desprezados por aqueles que são contra as cotas raciais. No artigo “As cotas desmentiram as urucubacas”, publicado pela Folha de São Paulo em 2009, Gaspari destaca que os estudantes que entraram na Universidade Estadual do Rio de Janeiro pelo sistema de cotas, em 2003, conseguiram um desempenho superior aos demais. “Entre 2003 e 2007 a evasão entre os cotistas na UERJ foi de 13%. No universo dos não cotistas, esse índice foi de 17%, escreveu ele. Esses dados levam a conclusão que, de certo modo, os beneficiados pelas cotas, não têm rendimento inferior aos demais, pelo contrário. Outro que se posicionou a favor das cotas foi o professor de História do Brasil na Universidade Paris IV, Luis Felipe de Alencastro. No seu parecer sobre a petição do DEM, Alencastro discorre sobre a questão da desigualdade desde a época da escravidão, quando milhões de negros chegaram ao nosso país. Ele alega que, ao longo dos ensinos, fundamental e médio,

O jornal Marco Zero é uma publicação feita pelos alunos do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Uninter Coordenador do Curso de Jornalismo: Nívea Canalli Bona Professor responsável: Roberto Nicolato

Diagramação: Cíntia Silva e Letícia Ferreira

a frequência de alunos negros cai drasticamente. Para o professor, o acesso ao ensino superior constitui um gargalo incontrolável para a ascensão social dos negros brasileiros. Sem as cotas, os alunos negros, que já são negligenciados desde os primeiros anos na escola, nunca chegarão às universidades. Desse modo, o sistema de segregação social, racial e intelectual se perpetuará. Como se pode observar, os argumentos contrários ao sistema de cotas raciais são muito fortes. Entretanto, tais argumentos ferem justamente aquilo a que se propõem preservar, ou seja, a igualdade. É necessário que se encontre um meio eficaz e permanente em favor daqueles que sempre foram desprezados. A longo prazo, com a ajuda de todos, esta e outras questões devem ser sanadas. Mas até lá, as cotas são uma solução necessária e emergencial. Não usar esse processo atrasará ainda mais a ascensão social dos negros – e dos demais marginalizados deste país – e, neste caso, a desigualdade ganhará ainda mais força e se perpetuará. Uninter Rua Saldanha Marinho 131 80410-150 |Centro- Curitiba PR

Projeto Gráfico: Cíntia Silva e Letícia Ferreira

E-mail comunicacaosocial@grupouninter.com.br

Telefones 2102-3377 e 2102-3415.

Acho a iluminação do centro de Curitiba boa, há muitos postes em toda a região, com exceção de alJean Garrett – estudante de gumas praças. Publicidade e Mas ao associarmos essa Propaganda necessidade à segurança, estamos em outro viés de qualidade de vida.

Adrielly Silva – estudante de Publicidade e Propaganda

A iluminação pode até ser boa, porém, determinadas praças do centro de Curitiba, como no Centro Cívico, são muito escuras, o que dá receio de

passar por lá. Mas é necessário, pois faz parte da rotina de muitos trabalhadores. Acho que deveriam rever essas iluminações em praças. Eu acho o centro de Curitiba bem iluminado, principalmente a XV. Mas tem Felipe Milck – algumas ruas Fotógrafo que deixam a desejar na iluminação, principalmente em outras praças, colocando em risco a segurança das pessoas. A iluminação no Centro de Curitiba está um caos: lâmpadas fracas e postes arrebentados. Luciana do Rocio Mallon- Isto aumenta os assaltos durante Escritora a noite.


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CIDADANIA

A Praça Eufrásio Correia tem novos donos Michel Fogaça

Fotos: Michel Fogaça

O local foi tomado por usuários e traficantes de drogas. Muitas pessoas evitam passar pelo centro da praça devido à falta de segurança.

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pesar de ser bem arborizada, com diversos bancos, chafariz e uma bela estátua de “O Semeador”, que foi presente da colônia polonesa à cidade, a Praça Eufrásio Correia não é vista com bons olhos pelos moradores e comerciantes. Segundo Nelson Xavier da Cruz, que é proprietário de uma banca de revista há 22 anos, o local está abandonado, cheio de pessoas que não querem trabalhar e utilizam o lugar só para consumir drogas. “Também a infraestrutura é ruim e a prefeitura precisa cuidar melhor do local”, lamenta. No entorno da Praça Eufrásio Correia, ficam a Câmara Municipal de Curitiba, o Shopping Estação, a Universidade Tecnológica do Paraná (UTFPR), hotéis e uma estação de ônibus com grade fluxo de passageiros. Há também vendedores ambulantes, de caldo de cana, artesanato e uma banca de revistas. Mas, nos dias de hoje, poucas pessoas utilizam o espaço como forma de lazer, pois o cenário não é convidativo.

Eles não incomodam as pessoas que estacionam aqui, nem mexem nos carros, mas quando eles notam alguém diferente, a gente vê que às vezes até rola agressões físicas César Gouveia, porteiro A banca de Nélson Xavier da Cruz está há 22 anos no local.

A céu aberto

Quem dá nome à praça A Praça Eufrásio Correia é também conhecida como Praça da Estação Ferroviária. O nome é uma homenagem ao parnanguara Manoel Eufrásio Correia, que além de presidente da assembleia do estado, foi bacharel em direito e promotor público, deputado provincial, chefe de polícia de Santa Catarina e presidente da província de Pernambuco. Ela é um bem da cidade e foi tombada pela Coordenação do Patrimônio Cultural do Paraná, em 1986.

Fotos: Divulgação

Praça Eufrásio Correia em 1915

Atualmente, quem desce do ônibus na estação que fica em frente à praça passa rápido pelo local e de preferência pela lateral, já que “cortá-la” está sujeito às ações dos que consomem drogas e que estão sempre atentos à movimentação no local. A venda é algo corriqueiro e, com isso, nota-se que os compradores já sabem que ali tem o “produto” à pronta entrega. Para despistar a polícia, a “erva” geralmente fica escondida em lugares estratégicos, como no meio da grama perto das árvores ou em pequenos buracos no chão. Isto ocorre porque a polícia e principalmente a guarda municipal costuma realizar operações de repressão ao consumo e ao tráfego de entorpecentes. As abordagens também ocor-

rem quando a população faz alguma denúncia pela central telefônica (153). Há casos de pessoas que ficam o dia inteiro perambulando pelo espaço e, inclusive, costumam dormir pelos bancos e passam tanto o dia, como a noite por lá. Além de tudo isso, é comum encontrar jovens utilizando o cenário para consumir bebidas alcoólicas, tocar violão e “jogar conversa fora” por várias horas. Mesmo com os problemas, a praça ainda recebe trabalhadores que, principalmente, no horário do almoço aproveitam o local para descansar e também há moradores que levam seus cães para passear. Estas pessoas relatam que costumam ver o pessoal consumindo drogas, mas já se acostumaram, como diz a aposentada Marina Dias. “Costumo ver muita gente consumindo entorpecentes, mas já

acostumei com o cenário. Passeio todos os dias com meu cão, mas eles nunca me abordaram”. Também é possível constatar que quem fica pelo local todos os dias são geralmente as mesmas pessoas e, quando elas avistam alguém diferente, estes são convidados a se retirarem, caso contrário ocorre disputa de território. “Eles não incomodam as pessoas que estacionam aqui, nem mexem nos carros, mas quando eles notam alguém diferente, a gente vê que tocam os mesmos e às vezes até rola agressões físicas”, comentou César Gouveia, que é porteiro do estacionamento da Câmara Municipal. *A nossa equipe tentou contato com a assessoria da prefeitura, mas até o fechamento dessa matéria não obteve retorno.


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PERFIL

O bom dia mais ouvido pelos paranaenses Raquel Pavanne

Fotos: Divulgação

Wilson Soler, o jornalista presente nas manhãs de mais de 1,5 milhão de pessoas

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le não gostava de TV. E achava que quem trabalhava na televisão era menos informado do que aqueles que estavam no meio impresso. E, por ironia do destino, há 15 anos atua na afiliada da Rede Globo RPCTV. Estamos falando do jornalista Wilson Soler, um dos diretores do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Paraná e editor-executivo no telejornal Bom Dia Paraná. Soler é casado com a jornalista Liliana Sobieray e tem quatro filhos. Há três anos apresenta o jornal Bom Dia Paraná no horário das 6h30 às 7h30, de segunda a sexta-feira. Na entrevista a seguir, ele fala um pouco sobre sua carreira, as dificuldades que enfrentou no começo, as gafes, e ainda aconselha os futuros jornalistas. Acompanhe. Marco Zero: Quando você resolveu estudar Jornalismo? Wilson Soler: Eu sempre gostei de comunicação e não tinha muito a ideia do que significava o jornalismo no contexto social. Sabia que trabalhava com comunicação e na cidade onde eu morava, a faculdade era recém criada, a Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), e foi aí que resolvi fazer jornalismo. E a partir do momento que entrei, já na primeira aula onde a gente já começa a estudar sociologia, e matérias dessa linha, eu sempre soube que queria comunicação, e acabei fazendo Direito conjuntamente. Então você também é formado em Direito? Sou. Fiz as duas faculdades juntas durante um período. Depois tranquei o Jornalismo, pois era puxado e voltei. Tinha dois empregos, e trabalhava já na área, porque lá em Campo Grande tínhamos a figura do provisionado. A minha turma foi a terceira da Federal e eu já conseguia trabalhar com provisionamento, que é um instrumento legal para se ter o registro onde não há faculdade de Jornalismo. Terminei o Curso de Jornalismo em 1995 e o de Direito em 1998. Logo na sequência fui convidado para trabalhar aqui em Curitiba. Desde quando você começou

Bancada do Bom Dia Paraná com Wilson Soler e Giselle Camargo.

Bom Dia Paraná é um telejornal transmitido pela RPC TV e começa às 6h30 para todo o estado

a atuar na área ? Eu entrei em 1991 na faculdade e em meados 1992 já comecei a fazer estágio informalmente. Tinha uma escola que eu conhecia alguns professores e ajudava o assessor de impressa. Depois também com uma outra assessora de imprensa na Associação dos Docentes, da Universidade Federal. Foi então que comecei a ter contato com a prática da profissão. E na televisão, começou quando? É até um pouco engraçado, porque quando comecei de fato a entender o papel do jornalismo, ver que você precisa ter conteúdo,

Na televisão você precisa muito de equipamento. Já vivi situações de ter boas imagens, boas entrevistas, onde perdi tudo, por causa de problemas no equipamento gostar de ler, eu tinha um pouco de preconceito com televisão. Achava que o pessoal de TV não gostava de ler e era menos informado. Eu comecei trabalhando no impresso (o primeiro foi o Correio do Estado, que era o principal jornal em Mato Grosso do Sul , um jornal de circulação estadual). Pensava: a gente está fazendo coletiva e esse pessoal da TV chega porque tem pressa, querem fechar logo e a gente está ali querendo esmiuçar mais o assunto. O problema é que eu já estava há três anos no jornal, e não tinha aumento de salário, não tinha possibilidade de crescimento nenhum e começava a me incomodar com isso. Surgiu então uma vaga, uma seleção na afilia-

da da TV Bandeirantes, em Campo Grande, a TV Guanandim. Fui fazer o teste. Eu tinha cabelo no ombro e não cortei, ou seja, fiz do jeito que eu era mesmo. Saí com uma equipe à noite, e para gravar um contraplano... O que é um contraplano? Naquela época se fazia bastante contraplanos. Hoje está um pouco em desuso, mas ainda assim às vezes a gente vê. Um contraplano é quando o cinegrafista volta a câmera pra gente fazer a pergunta e fazer o corte. Acho que gravei umas 16 vezes, de tão nervoso que estava, gaguejava na hora de repetir a pergunta, que eu já tinha feito pra uma família. Acabei passando, fui chamado e comecei a trabalhar

no jornal impresso de manhã, na TV à tarde, e fazia a faculdade à noite. E aí aquilo começou a ficar pesado, puxado demais. Decidi sair do jornal impresso, pois na TV ganhava o dobro. Depois de um período, fui até trabalhar na CBN lá em MS, mas foi por um curto período de tempo. Percebi então que não se deve haver preconceito, porque você tem pessoas que trabalham bem no impresso e na TV, e que podem trabalhar mal nos dois veículos, e é assim em qualquer lugar. Qual foi a reportagem que mais marcou na sua profissão? Puxa vida, foram várias. Eu estou há 20 anos na profissão, é uma pergunta bem difícil de responder. Mas posso dizer que uma vez aqui em Curitiba fiz uma matéria na Vila das Torres, mostrando a situação das famílias. Me lembro claramente da situação que a gente mostrou. Era uma casebre, casa de madeira, uns 12 metros quadrados, onde seis filhos, mais o casal viviam e o frio era muito intenso naquele dia. Então eles mostraram pra gente como que dormiam, pois a casa tinha um cômodo só, com um fogão, uma cama e um colchãozinho se eu não me engano. O pai dormia no chão com um


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Foto: Portal Uninter Notícias

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Fotos: Divulgação

Wilson Soler discute no Centro Universitário Uninter Os Caminhos do Jornalismo no Paraná . Ao lado, Nívea Bona, coordenadora do curso de jornalismo.

Acho que não existe imparcialidade na vida. Temos nossos valores, a maneira que fomos criados, como vemos o mundo...

Wilson Soler, jornalista que há três anos apresenta o jornal Bom Dia Paraná. Soler também comanda o Conversa S.A., da OTV

dos filhos e a mãe na cama com as outras crianças pra que pudessem se aquecer à noite, porque os dedos passavam tranquilamente entre as frestas da madeira. E isso me tocou bastante. E no impresso eu cobri uma vez um acidente de ônibus, muito grave, em Campo Grande, em que havia muitas pessoas espalhadas pelo asfalto. Como você vê o telejornalismo no Brasil ? Eu acho que é difícil se rotular quando você tem uma série de fatores envolvidos. Então você tem uma situação de jornalistas capacitados para usar o veículo, porque exige capacidade de concisão, de objetividade, de rapidez, que nem sempre é aproveitada. A gente percebe também em alguns

profissionais a linha editorial, a maneira que se faz para privilegiar um certo emocionalismo nas coisas, e isso em detrimento da objetividade, de uma informação mais apurada. Em alguns momentos a opinião do profissional prevalece de uma maneira desproporcional, quando se está reportando. O assunto tem que mostrar o fato, apurar o que aconteceu, e você pode, de alguma maneira, emitir ali a sua visão do fato, mas isso é secundário. E outra coisa que percebo também é que às vezes há uma certa valorização do jornalismo de entretenimento, há muita matéria de comportamento, que não leva a lugar nenhum. Acho que quem assiste a um telejornal não pensa em entretenimento, pensa em notícia,

em se informar. Entretenimento você tem em outros momentos. Aliás, hoje em dia é o que mais tem, uma infinidade de sites e canais, revistas, que buscam isso. Então, na sua opinião, precisa melhorar ? Eu não tenho dúvidas. Acho que temos um caminho longo ainda, pois de alguma maneira a gente regrediu em alguns pontos. Acho que tínhamos uma linha um pouco mais factual, mais de notícia. Na minha opinião, há uma certa confusão por parte de algumas empresas por misturar demais o que é notícia do que é pra entreter. O que você tem a dizer para os futuros jornalistas ? A humildade é o único caminho para você ser um bom jor-

nalista. Eu cruzei com alguns colegas, em entrevistas coletivas e redações, onde fica evidente a dificuldade em lidar com a vaidade, e o dia a dia acaba trazendo uma ideia falsa de que a gente sabe tudo e, especialmente em televisão, você sabe tudo, mas tudo um pouquinho. Essa superficialidade é o maior risco, pois o compromisso que tenho com o público é levar a informação a mais correta possível. Então, se eu não tenho humildade de falar para o meu entrevistado que não entendi, se ele pode explicar de novo, eu não estou tendo compromisso para com o meu público e o que eu prometi quando me formei. Você já encontrou alguma dificuldade na profissão ? Ah, sempre tem, né! Uma dificuldade às vezes técnica, pois na televisão você precisa muito de equipamento. Já vivi situações de ter boas imagens, boas entrevistas, onde perdi tudo, por causa de problema no equipamento. Também a questão de ponderar opiniões com a chefia, ter uma visão um pouco mais crítica, e colocar argumen-

tos. Isso também já me trouxe, no passado, situações de um certo conflito mais exacerbado. Pois não concordava com a maneira que o chefe estava querendo que eu fizesse aquilo e eu dizia que não vou fazer assim, assado. E também com a empresa mesmo, com alguns patrões uma vez que eu faço parte do Sindicato dos Jornalistas no Paraná, agora. Também tive problemas de relacionamento com a empresa por ser sindicalista, e havia uma certa confusão na hora de discutir uma pauta. Por dizerem que eu estava discutindo aquilo porque fazia parte do Sindicato, e não poderiam me mandar embora. Não. Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Mas dizia: estou discutindo o nosso trabalho, e não a situação trabalhista envolvida. Na sua opinião, há imparcialidade nos veículos de comunicação ? Acho que não existe imparcialidade na vida. Temos nossos valores, a maneira que fomos criados, como vemos o mundo, então para você tentar chegar o mais próximo possível da imparcialidade precisamos apurar e perguntar, várias vezes se for necessário. Você precisa entender do que se está falando, o que você está querendo transmitir, porque as pessoas imaginam assim. Você tem que ser imparcial, claro, a gente busca a imparcialidade o tempo todo. Vamos em busca da apuração, investigação, enfim, atrás de documentos, entrevistas, provas se for o caso de uma matéria investigativa (que é o que eu sempre gostei de fazer), mas ser totalmente imparcial não existe, é impossível.


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Miranda

Heloísa

O psicólogo Renato Macarinni, 62, explica que a questão do aborto é muito mais profunda, e que o sentimento mais comum para quem o faz é de culpa. “Por ter assassinado um ser, que não conhece, e que seria o seu filho”. Isso, além do medo de futuramente não engravidar, se tornar frígida; ou ainda temer relações sexuais com medo de engravidar e se submeter ao aborto novamente. E a eterna dúvida: será que devia ter tido? Como seria minha vida se tivesse. Ele conta que em alguns casos, conviver com a ideia de ter interrompido a gravidez leva as mulheres à depressão. No caso de não realizar o procedimento, a mulher que gera um filho que não foi planejado, as consequência do stress durante a gestação, podem levar a criança a desenvolver autismo, esquizoide, ou esquizofrenia, já que todas essas psicopatologias são desenvolvidas durante a gestação. Mas defende que há casos em que a mulher desenvolve amor pela criança, defende e cuida. Mas, se ela não inter-

Sentimento de culpa

para confirmar a gravidez, o próprio médico sugeriu um clínica onde realizar o procedimento, caso ela não quisesse levar a gestação adiante. Mas a decisão de interromper uma gravidez indesejada pode trazer consequências irreversíveis. É o caso de Carla que procurou uma clínica clandestina quando descobriu que estava grávida aos 16 anos. Fez o procedimento, que não apresentou complicações no momento, mas que a impossibilitou de ter filhos ao longo de sua vida. Hoje, com 34 anos ela gostaria de ter e não pode. rompe, por motivos religiosos, de criação, ou medo, ela leva a gestação adiante, mas tende a abandonar o recém-nascido. A obstetra Claudia Sanches* trabalha em uma maternidade pública, onde são realizados os abortos garantidos pela lei. Ela conta que, mesmo sendo um direito assegurado pela Constituição, há colegas na própria maternidade que se negam a realizar o procedimento, por motivos religiosos. E que não são poucos os casos de atendimento a mulheres com complicações pós-aborto. Ela relata a história de uma paciente de 14 anos, que deu entrada na maternidade com hemorragia. A adolescente havia usado uma agulha de crochê para provocar a expulsão do feto e acabou perfurando o próprio útero. Em outros casos, as mulheres chegam ao hospital para fazer a curetagem (uma espécie de raspagem no útero para retirar o feto já sem vida, ou o que ficou após o aborto. Claudia Sanches alerta que uma das consequências mais graves, além do risco de morte ao qual a mulher se expõe, um aborto realizado em uma clínica clandestina pode gerar complicações e levar à cirurgia de retirada do útero. “Imagine como é definir o futuro de uma menina de 16 anos, a vida dela está em risco, e é a única forma de salvá-la. Só que ela nunca poderá, ao longo de toda vida que ainda tem pela frente, engravidar novamente”,explica. Ela se abstém do julgamento, e finaliza alegando que o assunto é muito delicado, e exige todo cuidado. Das vi-

“Não se pode ignorar nem martirizar o ato. Estamos falando de vidas, tanto da mãe quanto do feto.”- Claudia Sanches*

vências na maternidade, Claudia conclui: “ não se pode ignorar nem martirizar o ato. Estamos falando de vidas, tanto da mãe quanto do feto.“ *(Para preservar a identidade dos entrevistados, os nomes usados na reportagem são fictícios.)

Apesar de ilegal, a prática no Brasil é muito mais recorrente do que se imagina.

Abortar é um direito da mulher ou não?

ESPECIAL

O momento mais marcante foi quando a enfermeira trouxe ele pra mim dizendo: parabéns mãezinha teu menino é perfeito e saudável”, conta a mulher que prefere não se identificar, sobre o nascimento do seu único filho. A satisfação e alívio da jovem se deram com essas palavras, pelo medo que tinha de ter comprometido o desenvolvimento do seu feto, com uma tentativa de aborto no início da gestação. A idade, o medo da reação da família, e o incentivo por parte do pai do bebê a levaram a tentar interromper a gravidez. O método utilizado foi a ingestão de um chá com diversas substâncias que podem causar a morte e expulsão do feto de dentro do útero. No caso dela, não surtiu resultado esperado e não apresentou efeito colateral. O aborto é ilegal, porém, assegurado por lei em três situações: em caso de risco de morte para a mãe ou para o bebê; se a gestação é fruto de estupro e, se o bebê for anencéfalo (feto sem cérebro). No entanto, é bem mais recorrente do que se imagina. A jovem relata que enquanto pensava sobre interromper a gravidez, ouviu de várias pessoas os possíveis métodos para interrupção gestacional, e histórias sobre casos de aborto. E isso se comprova na internet, pois há vários depoimentos de mulheres contando sobre abortos que se submeteram, e outras procurando clínicas para realizar o procedimento. Carla Medeiros* relata que logo após fazer a ecografia intravaginal

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Divulgação


do outro os dogmas religiosos

liberdade de escolha,

Sem dúvida, a educação sexual e os métodos contraceptivos são o ponto mais importante de todo o processo de materninade consciente. Entretanto, temos entraves religiosos e sociais quanto ao uso deles, haja vista a quantidade de mulheres que ficam grávidas sem desejar ainda hoje. O Brasil é um país de realidade cultural mista e, infelizmente, há locais onde as mulheres simplesmente não pegam preservativo nos postos de saúde por vergonha, há mulheres que por inúmeros motivos tomam a pílula (que seria um procedimento simples) de forma errada e engravidam. E há a maior questão de todas: a sociedade é machista, portanto ainda pega mal pra mulher andar com preservativo na bolsa e, em muitos casos, elas se sentem mal em exigir

O uso da camisinha e dos métodos contraceptivos não são já, o exercício desse direito?

Entendemos que quando uma mulher se encontra grávida e não quer passar por uma gravidez e um parto, a Igreja ou o Estado nao podem obrigá-la. Na verdade, a proibição é ilusória, os índices de abortos clandestinos no Brasil são altíssimos e as mortes decorrentes deles também, por isso estamos convencidos da importância da legalização“

Marco Zero: Qual o posicionamento de vocês que administram a página “Moça você é machista” quanto ao aborto?

A maior parte da sociedade é favorá-

No momento brasileiro não. É preciso uma conscientização maior, sobretudo da mulher, de que o aborto legal é seu direito e que ninguém pode ser obrigada a parir. Muitas pessoas são contra o aborto por pensar que é o mesmo que assassinar um bebê, ou pensam que legalizando os números aumentariam, o que não reflete a realidade dos países que o fizeram.

Acredita nessa mudanças na Constituição? Que torne o aborto uma opção para todas as mulheres, e não apenas nos casos de violência, risco de morte, ou anencefalia?

Do ponto de vista de saúde pública, o aborto legalizado evitaria milhares de mortes de mulheres que o fazem de forma clandestina todos os anos, sem contar nos casos de complicações. Em relatórios atuais, sabemos que mais de metade das mulheres que se submetem clandestinamente ao aborto, precisam de internação posterior na rede pública em geral. Podemos citar também, questões ligadas à infância abandonada no Brasil, que é gritante. Em geral, os órgãos ligados ao anti-aborto, não se preocupam com a maternidade ou a infância da criança que querem obrigar a nascer.

Quais os benefícios que a legalização do aborto pode trazer para a sociedade num contexto geral?

que o homem use. Nossa sociedade ainda impele a mulher a agradar ao homem sexualmente e isso implica em não o contrariar, com relação ao preservativo. Ninguém quer abortos, ninguém acha abortos adequados, todos nós somos educadores e temos convicção que o ponto a ser trabalhado é educação, entretanto, no Brasil atual, a realidade não é esta. As meninas e mulheres se encontram grávidas sem querer estar e isto tem gerado mortes e mais mortes.

Sem dúvida. Mas me parece que legalizar o aborto não libera a mulher da culpa nem da carga machista que pesa sobre a sexualidade feminina ainda hoje. Nenhuma legislação muda sozinha, ela é acompanhada por mudanças sócioculturais que a justifiquem. É preciso uma educação sexual de qualidade, sem tabus, que exponha todos os pontos abertamente. Precisamos trabalhar isso com as crianças, falar sobre sexo, prazer, sobre preservativo e sua importância. Precisamos

Quanto aos problemas psicológicos aos quais uma mulher fica exposta ao se submeter ao procedimento, o processo de aceitação do ato leva a toda uma reestruturação política, religiosa e educacional. Como abordar esse tema?

Quando percebemos as mortes das mulheres. Percebemos que a sociedade, na verdade, não está impedindo ninguém de abortar, mas está fazendo com que essas mulheres morram em abortos com agulhas de tricô, em garrafadas de curandeiros, com remédios clandestinos, etc. Teria mais direito um feto, uma vida presumida, não concreta, do que essas mulheres e meninas que optaram por não ter filhos? Seríamos nós humanos dizendo que elas mereceram morrer por terem feito sexo sem proteção? Porque é isso que temos feito: temos condenado à morte, milhares de mulheres em abortos clandestinos, por considerar que gravidez e parto são castigos para a mulher que fez sexo sem proteção, e muitas pessoas ainda nos dizem que elas mereceram morrer. Seria realmente justo isso com elas? E quanto aos pais biológicos das crianças, há alguma punição?

vel à proibição. Por motivos religiosos, por motivos de civilidade, pelo aborto ser um ‘assassinato’. Porque é ilegal perante a lei. Como e por que passou a ver a proibição do aborto como um ato falho da Constituição?

MZ: Qual a visão da Igreja Católica sobre o aborto? Padre Roberto: Entende a Igreja que Deus é o Criador, sendo a vida um dom divino e, portanto, a mesma deve ser preservada. O ser humano deve ser respeitado como pessoa, desde o primeiro instante da sua existência. A partir do momento em que o óvulo é fecundado, inaugura-se uma nova vida que não é

Padre Roberto: “A Igreja continua firme em sua posição contrária ao aborto”.

ser abertos, não censurar os adolescentes quanto a seus desejos, não imaginar que pregando a abstinência cristã (ilusória) os deixaremos livres de doenças, gravidez e abortos clandestinos. Precisamos entender que ainda que eu nunca tenha feito um aborto não posso julgar quem decidiu assim. E entender que nada pode obrigar essas mulheres a passarem pelo que não desejam. Não é simples aparecer grávida para família e depois entregar o bebê para adoção. Não é simples aparecer grávida para si mesma, e depois entregar o bebê. Aborto é direito da mulher, e educação sexual precisa ser o ápice das políticas sócioeducativas brasileiras. Ninguém quer abortos, ninguém gosta de abortar, mas não podemos deixar essas moças morrendo com métodos duvidosos. Até quando?

A Igreja pode admitir que certas respostas não estão de acordo com o tempo, porém jamais irá negar valores absolutos, como a vida. Ela não muda o seu discurso “ao gosto do freguês”. O critério de sua mensagem é Jesus Cristo e não as opiniões humanas. Portanto, a Igreja continua firme em sua posição contrária ao aborto. Antes de tudo, sua mensagem não é uma negação, mas o anúncio positivo da defesa da vida, dom de Deus: “Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância” (J0 10,10).

Vivemos em um momento que as religiões vêm sofrendo diversas modificações e inovações para conquistar mais fieis. Até mesmo a Igreja Católica, que tem por característica o conservadorismo, está trazendo a palavra de uma forma mais atual. Por isso gostaria de saber qual seu ponto de vista sobre a legalização do aborto?

A Igreja vê o direto à vida como um valor inalienável. Nenhuma circunstância, anomalia, raça ou qualquer outro fator pode justificar a morte de um embrião, que na concepção da Igreja é um ser humano desde o momento da concepção. Certamente, trata-se de uma questão delicada, necessitando-se de uma acolhida e acompanhamento à mãe. Mas não se pode, a partir de um erro, cometer-se um novo erro. O primeiro não justifica o segundo. O novo ser no ventre da vítima não tem culpa da situação em que ele foi gerado.

Em casos excepcionais, como os de violência sexual, ou que colocam em risco a vida da mãe, a Igreja mantém sua posição?

aquela do pai ou da mãe e sim de um novo ser humano que se desenvolve por conta própria. Nunca tornar-se-á humano se já não o é desde então.

A questão do aborto remete a concepções muito enraizadas na sociedade. Hoje, há uma luta do movimento feminista para a legalização do procedimento para qualquer mulher que não deseja gestar. Nas entrevistas a seguir, as posições de um líder religioso que é contra, e de um grupo de educadores que administram a página “Moça você é machista” na rede social Facebook.

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COMPORTAMENTO

Mídia, tecnologia e o impacto na O papel da televisão e o que se pode confiar em mostrar para as crianças na programação da tevê aberta. Segundo ela, é imporMatos

A

tualmente as novas tecnologias envolvem o mundo das crianças, seja o computador, vídeo game e outros jogos online. E, por causa disso, cada vez mais as crianças parecem perder contato com as velhas e boas brincadeiras, como brincar com bola, peão, soltar pipa, pular corda e até outros jogos mais interativos que exercem o treinamento do raciocínio. Nota-se também que a programação voltada para as crianças parece desaparecer gradualmente da tevê aberta, com algumas exceções.

Falando na tecnologia... Geralmente os e-mail que recebemos hoje em datas comemorativas vêm com cópias para muitas pessoas. Nos dias atuais, perdemos o valor de ser você como pessoa única, pois hoje passa a ser tudo muito público e no coletivo. A aluna Valeni Fontelli Falvo, do curso de Pedagogia do Uninter, trouxe algumas cartas que ela recebia nos anos de 80 para a sala de aula. A professora Mônica Caetano Vieira da Silva explica o tema da matéria, falando sobre o distanciamento em que muitas vezes preocupamos demais em estar conectados com

o mundo e esquecemos de focar naquele momento que estamos vivenciando com as pessoas mais presentes em nossa vida. Estas cartas que a aluna recebia são cartas pessoais. São bem elaboradas, com desenhos que retratam o que acontecia naquele momento. Cada detalhe, cada linha percebe-se o cuidado e o respeito que a pessoa tem por ela ao escrever a carta. “A atenção com o outro de ir até o correio e ficar pensando, esperando a carta chegar, parece estar se perdendo,” comenta a professora.

Fotos: Adriele Martos

Adriele

A educadora Mônica Caetano Vieira da Silva, especialista em psicopedagogia e professora do curso de Pedagogia do Uninter, comenta que não está se perdendo o público no horário da programação infantil, pois há ainda crianças que ficam à frente da televisão. Mas falta, sim, uma iniciativa para produzir programas mais educativos e um olhar mais cuidadoso. As novas tecnologias que envolvem as crianças como o computador, a internet e os próprios jogos de celular, são o que acabam disputando esta criança e o tempo que ela dispõe para atividades. “Percebe-se então que hoje temos outras formas de entretenimento a partir de outras tecnologias, mas a televisão ainda continua ocupando espaço”, destaca.

a criança vai fazer e como esta tante que os pais e educacriança traz isso pra vida dela é o dores se preocupem em que os pais precisam observar. E conhecer a programação se a família desempenhar bem a televisiva do canal aberto parte de educar, consegue-se disou fechado. Uma progracutir a história e a moral que aquemação mais adequada à le desenho representa para a vida idade e educativa exisda criança. tem, só que muitas vezes A costureira Joana do Amaral, a criança não assiste por 38 anos é mãe da Mariana de 10 falta da família não ter anos. Segundo Joana sua filha asconhecimento e, assim, siste bem pouco á programação permanece na mesma programação e no mesinfantil. A menina estuda à tarde e mo canal. O importante durante a parte da manhã não passão os pais assistirem à sa muitos desenhos. “Como não TV, junto com a criança, tenho canais de tevê fechado, mipromovendo um pequenha filha se distraí com filmes de no debate e fazendo se desenhos quando passam nos fiposicionar criticamente nais de semana.” A mãe diz nunca Desenhos da década de 90 já diante do que ela vê. notar que a programação voltada eram considerados agressivos, “Os meios de comucomo o personagem Pica Pau para o público infantil possa estar nicação podem ser conreduzida no horário da manhã, a siderados uma segunda escola,” afirma Mônica, citando não deixar que isso aconteça e ele menina geralmente assiste sozinha José Manuel Moran. A educadora tenha mau rendimento na escola.” as outras programações. Segundo a psicopedagoga, isso diz que os meios de comunicação Segundo Maria Lúcia, a prograé agravante, pois cada vez mais as educam de uma maneira informal mação infantil educativa ajuda a porque ensinam de uma forma formar um bom cidadão, porque crianças estão sozinhas, sem ter atraente. “As pessoas, no geral, mostram as coisas boas para as o pai a mãe ou alguém da família se colocam de uma forma muito crianças, mas isso não é o sufi- acompanhando essa programaagradável em frente da televisão ciente. “A tevê só reforça o ção, assistindo junto, refletindo, e não são obrigadas a assistirem, que eu já passei pra ele promovendo uns debateprincipalmente as crianças que, se em casa,” ressalta. zinhos a partir do que deixarem, ficam horas em frente O comercianela está assistindo. A ao aparelho. Ela dita normas, mo- te Carlos da internet precisa ser das e, então, a televisão tem esse Silva Martins, muito bem cuidapoder sim, de educar e entreter ao 42 anos é pai da nesse sentido, mesmo tempo.” do Henrique de pois tudo o que 11 anos, e seveem na televisão, Bom cidadão gundo ele, já se na internet ou o que A dona de casa Maria Lúcia teve uma prograescutam no rádio não Mônica Caetano, Alves, 36 anos, mãe de Gustavo de mação melhor de educadora é 100% verdadeiro. 7 anos, afirma que seu filho sem- desenhos. “Os atuais “Então quem sabe nós pre gostou de assistir aos desenhos são muito violentos, mas animados. “Se deixar esquece as mesmo assim meu filho assiste. possamos fazer com que algo que tarefas para ficar vendo desenhos, Ele gosta e eu e minha esposa não venha a acontecer com mais rimas eu sempre estou de olho para o proibimos de assistir.” gor, as famílias se posicionarem, Segundo a psicopedagoga discutir esta programação que Mônica alguns desenhos trans- não é só desligar a televisão, mas mitidos da década de 90, já eram estar com ela ligada conversando considerados agressivos como o sobre ela. Podemos ter uma crianpersonagem do Pica pau. Atual- ça que se posicione melhor diante mente se mantém mesmo padrão de do que ela vê,” ressalta a educapensar essas animações. Com toda a dora Mônica. tecnologia disponível, isso facilitou A psicopedagoga afirma que muito para que essas produções seas crianças estão sempre ligadas jam mais envolventes. As crianças podem assistir qualquer desenho in- em tudo. E a mídia consegue ditar fantil de uma forma que elas sejam comportamentos e valores, mas a tecnologia não veio substituir o bem orientadas. Ainda conforme a educadora, papel dos pais na educação dos em determinadas fases da vida, filhos. “Com tanto avanço da cia criança imita o que ela assiste, ência, as tecnologias vieram para o que ela ouve ou presencia. Ela melhorar nossa qualidade de vida, pode imitar a mãe fazendo coisas porém não veio substituir o papel boas ou ela pode imitar o persona- de pai e mãe em relação a limites. Cartas que Valdeni Falvo recebia gem da televisão. Mas isso é uma E a família precisa ter consciência na sala de aula nos anos 80 fase natural de imitação. O que disto,” completa.


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ESPECIAL No aniversário de 50 anos do golpe militar, o Marco Zero separou dois artigos que mostram um pouco da realidade daquelas que tiveram sua liberdade arrancada pelos militares. Aquelas que se tornaram uma eterna espera de alguém.

No aniversário do golpe militar, reflexões que revelam como esse período mudou a vida de muitas mulheres A história da eterna espera

A mulher brasileira está afirmando seus direitos e sua igualdade na sociedade moderna. Prova disso são as manifestações feministas e, claro, a eleição de uma presidente mulher. Além de ser um marco de conquista para as mulheres, a eleição de uma mulher na presidência trouxe a possiblidade de esclarecimentos nos crimes cometidos por militares na ditadura. Este ano, a presidenta Dilma Rouseff, que também foi presa no regime, instalou a Comissão Nacional da Verdade, com a missão de recuperar fatos (crimes) que ocorreram durante a Ditadura Militar. A ação da Comissão irá durar até o final de 2014 e, a cada avanço nas investigações, o que chama mais atenção são as formas de torturas aplicadas em mulheres militantes da época. Além do fato de serem presas por simplesmente exporem sua opinião, ou em muitas vezes simplesmente terem ligações com pessoas que defendiam o comunismo, e em função disso eram torturadas e estupradas. Muitas famílias de vítimas pedem indenizações ao governo, porém há casos em que a indenização jamais apagará os sentimentos de revolta e repúdio das vítimas. Uma das coordenadoras da Comissão da Verdade, Glenda Mazaroba, acredita que “as mulheres sofreram violências específicas, sexuais, motivadas pelo machismo, que buscavam destruir a familiaridade e maternidade delas”. Ou seja, as mulheres eram tratadas de maneira diferente dos homens, pois eles eram torturados, porém não sofriam violência sexual. Os casos que mais revoltam são de mulheres que foram presas grávidas. Mesmo com sinais evidentes de gravidez, os militares as torturavam de forma cruel e desumana. Em uma reportagem especial publicada pela revista Marie Claire, é descrito em detalhes como funcionavam as torturas nos cativeiros. São vários depoimentos de mulheres que foram presas grávidas e que perderam os seus filhos durante o processo de tortura. O que mais impressiona é o depoimento de Nádia Nascimento do grupo revolucionário MR-8. Ela foi presa junto com seu marido e estava grávida de seis meses. Os militares retiraram a roupa de Nádia e ameaçaram estuprá-la na frente de seu parceiro, mas por fim a colocaram na cadeira do dragão (uma cadeira de choque elétrico), e ela perdeu o bebê momentos depois da seção de choque. A cada avanço da investigação da Comissão Nacional da Verdade a revolta cresce, a cada crime, ou barbárie desvendada. E infelizmente os militares não são responsabilizados, ou presos, ou minimamente punidos, pois estão protegidos pela Lei da Anistia. Em 50 anos, é a primeira vez que um(a) presidente lança uma ação contra os crimes cometidos no Golpe Militar. Essa atitude não apagará da memória de Nádia as torturas que sofreu, porém o Brasil agora sabe o que ela passou e quem são os militares que coLetícia meteram os abusos contra ela e Ferreira ao marido.

Não dava pra saber se era dia ou noite, não dava pra saber se era pesadelo ou realidade, não dava para acreditar que aquilo fosse verdade. Nuas de salto alto, enfileiradas em uma parede, sobre os olhares atentos de vários homens, com vários semblantes. Um deles parecia ser um avô, o outro parecia um pai compreensivo, o outro poderia ser algum colega, alguém com quem tenha cruzado na rua. Mutiladas, estupradas, humilhadas, humilhadas e humilhadas. Após sessões de tortura que pareciam durar uma vida, eram colocadas diante de seus filhos, seus pais, seus irmãos, que mesmo em liberdade, eram torturados pela visão de suas mães, filhas, esposas, MULHERES, que apesar de tudo, sobreviviam por mais um dia, sem saber do amanhã. Este artigo é baseado na visão de centenas de mulheres que por algum tempo se viram presas em um universo paralelo, mulheres que tiveram a sua realidade, a sua vida roubada, pelo simples fato de não concordarem, de não baixarem a cabeça, de lutarem. Em 2014, um senhor asqueroso e prepotente que anda de uniforme militar para cima e para baixo faz 50 anos. O golpe militar de 1964 faz aniversário, e o período mais sombrio da história brasileira volta aos lábios da sociedade, volta às rodas de discussão. Para resumir, essa história trata de um suposto presidente comunista que queria um suposto Brasil comunista, mas supostos militares gente boa não queriam que essa desgraça de comunismo estragasse com o belo país, então tomaram o poder para já já (supostamente) devolverem a democracia a sua pátria amada. Todos sabemos o resultado desta operação, ela consiste em 21 anos de ditadura militar. Período no qual pessoas foram assassinadas, torturadas e até suicidadas. É difícil encontrar os números exatos da ditadura. Há quem diga que é uma “ditabranda” com apenas centenas de mortos, outros afirmam que são milhares. Centenas ou milhares, talvez os militares que queimaram vários registros desse período saibam, mas não vão contar. A certeza é que muitos sofreram, muitos viram aos que amavam saindo de casa para não voltar, e esperaram, esperaram com as roupas no armário, com o quarto arrumado, com o prato na mesa. Mães, filhas, amigas, esposas, saíram de casa para mais uma vez lutar contra uma realidade que não aceitavam e um futuro que não queriam. Enquanto o país vivia o “milagre econômico”, uma delas era levada para um porão sujo

Fotos: Little Zock|Creat ive

Commons

Ser mulher na ditadura militar

para ser interrogada, para se sentar na “cadeira do dragão”, uma cadeira revestida de zinco e ligada a terminais elétricos onde as torturadas eram sentadas nuas. Quando o aparelho era ligado, o zinco transmitia o choque a todo corpo. Segundo a psicóloga Maria Auxiliadora Arantes, especialista no assunto, havia uma voracidade dos torturadores sobre o corpo da torturada. “O corpo nu da mulher desencadeia reações no torturador, que quer fazer deste corpo um objeto de prazer. Enquanto o país gritava GOOOOOOOL!, o grito de uma mulher que era estuprada ficava abafado. Muitas das vítimas do regime afirmam que se pudessem haveriam cometido suicídio, era melhor do que ter que responder ao filho o motivo de estar machucada, era mais fácil do que expor essa realidade à criança. As presas tinham direito a receber visita duas vezes por semana. Geralmente aqueles que iam aos aposentos da ditadura ver suas queridas acabavam sendo seguidos, motivo pelo qual muitas acabavam dispensando a oportunidade de ver a família, os amigos, pelo medo de ver aos que amavam sofrendo o mesmo que elas sofriam todos os dias. Agressores não escolhiam raça, credo, ou classe. De acordo com dados da comissão da verdade até mesmo freiras haviam sofrido violência sexual durante o período em que ficaram confinadas. Mulheres grávidas também não eram poupadas, e algumas saíram do cativeiro sem sua criança nos braços. Dias, meses, anos se passavam dentro das celas escuras, o tempo se arrastava. Algumas mulheres puderam sentir o sol na pele novamente, puderam contar as histórias, tiveram a oportunidade de conscientizar a sociedade sobre o que realmente aconteceu dentro das casas em bairros tranquilos, que aparentemente só eram mais uma casa de família, mas que abrigavam as presas e seus torturadores. Algumas acabaram sendo vencidas pelas péssimas condições, pela alimentação precária, pelos ferimentos mal cicatrizados e pela tristeza. Acabaram enterradas como indigentes, acabaram no fundo dos rios com seus dedos, dentes e entranhas retiradas para que não boiassem nas águas, para caso fossem encontradas, não serem reconhecidas. O que ficou, foi uma sociedade órfã da coragem, órfã das mulheres, das mães e das amigas. Uma sociedade que elegeu uma mulher que viveu a realidade da tortura militar, uma sociedade que aos poucos tenta relembrar as memórias das tantas amadas mulheres que um dia foram retiradas de suas casas para se tornarem a eterna espera de alCíntia guém que as quis Silva de volta.


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ESPORTE

Viver de futebol, o sonho de todo garoto Miriã Calistro

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s clubes brasileiros vêm investindo cada vez mais em jovens talentos. A grande maioria começa cedo em escolinhas de futebol e logo são descobertos por olheiros de todo o país. Todo o investimento que a categoria de base recebe tem como objetivo direcionar esses atletas muito mais preparados à equipe

principal. Assim surgiram grandes jogadores, como Neymar, do Barcelona, que cresceu na base do Santos, e o meia Lucas Moura, do PSG, que foi revelado pelo São Paulo. Hoje são grandes estrelas que atuam na Europa e na seleção brasileira. Em entrevista ao Marco Zero, Rodrigo Josviaki e Luccas Barreto, que atuam na equipe sub18 e sub 20 do Coritiba, falam sobre o início da carreira na categoria de base sobre seus sonhos e projetos para o futuro.

Fotos: Arquivo Pessoal

As categorias de base são grandes investimentos para meninos que sonham em ser jogador de futebol. Para isso, é necessária rotina de um atleta profissional.

Rodrigo Josviaki nasceu em Ji-paraná, tem 19 anos e é goleiro do Coritiba.

Personalidade acima de tudo

Luccas Barreto nasceu em Curitiba. Com 18 anos joga como meia atacante pelo Coritiba.

Conte um pouco da sua história, como iniciou sua carreira no futebol? Luccas: Minha mãe queria que eu fosse um médico ou advogado, mas ser jogador é o que eu sempre sonhei. Tinha uma escolinha perto da minha casa e de tanto eu pedir ela me levou até lá. O treinador gostou de mim, então comecei a jogar no time. Com 8 anos joguei pelo Paraná Clube e quando saí fui para outra escolinha. Um dia estava treinando e havia a seleção de talentos. Era a primeira seleção que iria viajar para a França, fui escolhido e fiquei treinando durante um ano e depois viajei para a França. Lá fui vice-artilheiro e melhor jogador e voltei direto para o Atlético Paranaense. Fiz uma temporada excelente e de-

Ser jogador é o que sempre sonhei pois de um ano saí do clube. Em dezembro de 2008, fui para o Coritiba. Lá fomos para Votorantim, depois recebi o patrocínio da Adidas. Ano passado participamos do Dallas Cup, nos Estados Unidos, e tornamos campeões do Campeonato Paranaense sub18, onde tive a honra de ser capitão de um time vitorioso. Qual o momento mais difícil que você enfrentou desde que iniciou sua carreira? O mais difícil foi quando descobri que tinha uma bactéria no meu pé. O médico falou para mim que eu teria que pendurar as chuteiras e que não poderia mais jogar futebol. Tive muita fé em Deus e acredito que ele me curou, porque para o médico não tinha mais jeito. Esse foi o momento mais difícil da minha carreira, mas é o que me dá mais força até hoje para continuar.

O que a categoria de base proporcionou na sua vida? A importância que ela teve na minha vida foi o meu crescimento e amadurecimento. É muito importante para desenvolver o jogador. Acho que no Brasil deveria ser até mais valorizado, pois daí sai jogadores como o Neymar. Acho que é muito importante na formação não só como atleta, mas como pessoa, como cidadão. Sonhos? Meu sonho desde pequeno é de ajudar minha mãe, pois tudo o que hoje sou devo a ela. Nos momentos difíceis e felizes da minha vida ela esteve presente me dando forças. E ajudar minha família inteira. E como jogador meu sonho é seleção brasileira e jogar no Real Madrid. Acho que quando eu chegar à Seleção e no Real eu vou estar realizado.

Marco Zero: Como você começou a jogar futebol? Rodrigo: No início era só um sonho de todo moleque. Com 14 anos fui jogar pelo time da minha escola. Lá tinha um treinador de Matinhos, ele me viu jogando e me convidou para fazer escolinha com ele. Eu aceitei, mas não tinha dinheiro para pagar a mensalidade. Então eles me aceitaram lá e eu não precisei pagar. Fiquei dois meses treinando e em 2009 e fiz um amistoso contra a base do Paraná Clube. O treinador me chamou para fazer um teste na base do clube. Lá entrei em 2010 e fomos para um campeonato em São Paulo. Logo fui para o Bahia e fomos vice-campeões Baianos, depois voltei embora para casa e decidi que não queria ser mais jogador. No início de 2011, o Paraná entrou em contato comigo. Voltei para o Paraná Clube e fiquei três anos até chegar ao Coritiba. Para você, qual a importância da categoria de base e o que ela proporciona a um jogador? É muito importante na vida

E como jogador meu sonho é seleção brasileira e jogar no Real Madrid -Luccas Barretos

de um jogador, porque quando ele vira um atleta profissional, ele se torna mais maduro e mais completo. Na base existem regras e disciplina que você deve cumprir, isso ajuda muito o atleta para ele não crescer desvirtuado. Em sua opinião, qual o seu diferencial dentro de campo? Meu diferencial dentro de campo acredito que é minha personalidade. Meu treinador sempre fala da personalidade acima de tudo’. Faço o que tenho vontade e o que acredito que é melhor para minha equipe. Sonhos? O que você almeja para sua carreira e para sua vida? Sou novo ainda e tenho muitos sonhos. Tenho o sonho de jogar fora do país e pela Seleção Brasileira, ter uma vida financeiramente melhor. Ajudar meus pais que me deram forças quando pensei em desistir. Tenho um filho e uma namorada que quero levar para o resto da vida junto comigo.

Tenho o sonho de jogar fora do país e pela Seleção Brasileira, ter uma vida financeiramente melhor -Rodrigo Josviaki


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RESENHA

Qual o tamanho do seu ?

infinito

@TÁ NA WEB Luana Almeida

Ana Cristhina

Fotos: Reproduç ão

tus, apelidado carinhosamente de Gus, aos poucos vai conquistando a menina que se entrega a essa paixão e resolve curtir o momento da viagem. Antes da volta, porém, Gus descobre que o seu câncer, sem dar “sinal de vida” há um ano e meio, havia voltado. No decorrer do livro, fica perceptível a vontade de viver e de ter mais tempo do que o normal, dentro de possíveis dias contados de vida, pela parte de Hazel, e o medo de ser esquecido apenas passando por essa vida e morrendo sem ser lembrado por algo, pela parte de Augustus. Juntos, eles conseguem transformar poucos dias em dias infinitos, mostrar que o amor vale a pena, superar seus medos, aprender a lutar não importando suas condições e viver intensamente suas escolhas sem nem sequer se preocupar com o amanhã. A história criada por John Green não só nos aproxima dessa doença, mas também de assuntos envolvidos e inseridos no dia-a-dia de pessoas com câncer. Sendo assim é, com certeza, um belo romance com elementos muito bem estudados e encaixados para levar o leitor a mais próxima relação com os personagens e com a realidade, que se possa ter.

Na última terça-feira (15), em São Paulo, na Avenida Paulista o quinto ato contra a Copa do Mundo. O protesto que começou com caminha pacífica, contou com a presença de 600 pessoas que pediam por melhorias na educação. O evento foi organizado na internet por uma rede social com mais de 5 mil pessoas confirmadas, porém a chuva parece ter inibido os manifestantes.

Fotos: Divulgação

Não vai ter Copa!

J

ohn Green, autor do livro A Culpa é das Estrelas (The Fault In Our Stars), teve como inspiração a história real de Esther Earl, uma menina vítima de câncer, o que faz a história criada por Green parecer mais real do que o normal. Além disso, ele dedica o livro para Esther. O livro traz a história de Hazel Grace Lancaster e Augustus Waters. Hazel tem 16 anos e há três descobriu um tipo agressivo de câncer. Desde então, ela tenta não se aproximar das pessoas, pensando apenas em “tentar não machucar mais gente”, mas apesar disso, Hazel passa a ir a um grupo de apoio a pessoas vitimas de câncer. Um dia, no grupo, ela conhece Augustus Waters, (17), também vítima de câncer, que acaba se apaixonando por ela. A garota reluta em se deixar levar pelo amor que, no fundo, sente pelo rapaz, dizendo a famosa frase metafórica “eu sou uma granada, um dia vou explodir e não quero machucar você”. Com o passar do tempo, eles se aproximam e acabam, juntos, viajando para Amsterdã em busca de uma resposta para o final do livro Uma Aflição Imperial, livro preferido de Hazel. Augus-

Chuva de flores Em uma campanha para mostrar a qualidade da imagem de uma TV, a agência de publicidade McCann preparou um vídeo incrível para a Sony. Oito milhões de pétalas de flores foram expelidas por um vulcão e, despejadas em uma vila na Costa Rica. Porque oito milhões de pétalas? É a quantidade de pixels que formam a imagem do modelo que é quatro vezes a resolução full HD.

Machismo? Aqui não, Homem Aranha! Emma Stone e Andrew Garfield são um dos casais mais adorados e famosos de Hollywood. E essa semana, um dos mais comentados da internet. O motivo seria uma declaração que o ator deu em uma reunião para a divulgação do novo longa da franquia Homem Aranha, em uma escola norte-americana. Quando indagado por uma criança sobre como fez a roupa de super herói, Andrew respondeu: “com minhas próprias mãos, costurando” e afirmou ser um trabalho bem feminino. Antes de acabar, foi repudiado por Emma: “feminino como?” Sem machismo, não é, Homem Aranha?


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ENSAIO FOTOGRÁFICO

A urbana Curitiba Q

uantas vezes passamos correndo pelo centro de Curitiba sem olhar para os lados? Sem parar para admirar os detalhes da cidade que estão ali todos os dias mas nunca vemos? A cinzenta Curitiba tem muito mais a oferecer do que seu céu entre nuvens e seu frio congelante. Tem cores e vidas escondidas em cada fresta. Esse ensaio é dedicado a você que olhou mas nunca viu.

Raíssa Domingues

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