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JORNAL-LABORATÓRIO DO CURSO DE JORNALISMO DO CENTRO UNIVERSITÁRIO UNINTER – ANO IV – NÚMERO 32 – CURITIBA, OUTUBRO | NOVEMBRO DE 2013

Obras na Arena da Baixada causam preocupações

Foto: Letícia Ferreira

Curitiba na Copa

págs.6 e 7

A cidade cresceu

Nova Rua 24 Horas Agora ela tem outro conceito. Glamour ficou no passado e a preocupação é com segurança. pág.10

Pimp my carroça

Projeto que beneficia catadores chega à capital paranaense

pág.12

Mas o número de táxis é o mesmo há 40 anos.

pág.5


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MARCO

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Número 32 – Outubro | Novembro de 2013

OPINIÃO

Equipe Marco Zero

O Marco Zero

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Expediente

Na Praça Tiradentes, bem em frente à Catedral, está o Marco Zero de Curitiba, que oficialmente é tido como o local onde nasceu a cidade, além de ser o ponto de marcação de medidas de distâncias de Curitiba em relação a outros municípios. Ao jornal Marco Zero foi concedido este nome, por conter notícias e reportagens voltadas para o público da região central da capital paranaense.

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Biografia não autorizada Raíssa

Po�� �� nã� po��?

Domingues

Ops... Dei sim

privacidade porque o povo tem direito de saber tudinho. A posição da Associação Nacional dos Editores, dos biógrafos, de jornalistas e de muitos envolvidos no caso é de que quando houver calúnias ou mentiras no texto, essas sejam retiradas e que o autor seja responsabilizado judicialmente. Podemos lembrar que antes da televisão e a internet serem

O jornal Marco Zero é uma publicação feita pelos alunos do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Uninter Coordenadora do Curso de Jornalismo: Nívea Canalli Bona Professor responsável: Roberto Nicolato

Reprodução

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uita gente não sabe direito o que está acontecendo, mas o que dá para perceber de início é que o clima entre alguns músicos brasileiros e escritores de biografias, não anda muito bom. Nas últimas semanas, o caso das biografias não autorizadas tem ganhado espaço nos jornais e dividido opiniões. A confusão teve início com o Projeto de Lei 393/2011, do deputado federal Newton Lima (PT-SP), que sugere alterações na lei atual em que a pessoa em destaque precisa autorizar publicações a seu respeito e dá direito ao biografado de proibir publicações caso julgue prejudicial a sua honra, ou desrespeitá-lo de alguma forma. Com o novo projeto aprovado, as biografias não precisariam mais da aprovação do artista descrito no texto para serem publicadas. A iniciativa gerou uma polêmica geral. O antigo caso da biografia “Roberto Carlos em detalhes”, do jornalista Paulo César de Araújo, proibida em 2007 pelo próprio cantor, novamente está sendo lembrado e usado como exemplo o tempo todo. De um lado, um coletivo de artistas chamado “Procure Saber”, composto por Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Marisa Monte, Milton Nascimento, Djavan, Erasmo Carlos e Roberto Carlos, se formou para evitar que haja mudanças na lei atual. Para os artistas a luta é para que a privacidade de cada biografado seja preservada. O debate está no Supremo Tribunal Federal e deve ser votado até o final de novembro. Enquanto isso, todo mundo tem tentado ‘dar seu pitaco’ a respeito do assunto e ganhar uns minutinhos no telejornal. Tem gente que acha uma injustiça contra os biógrafos dizendo: “é censura Chico, como você tem coragem de fazer isso?”; outros dizem que os artistas têm direito de ter suas vidas preservadas e há terceiros que andam comentando que artistas e figuras públicas não podem exigir

Douglas Rengel

Eu não dei entrevista

muito usadas, o que nos contava detalhes da vida de pessoas importantes na sociedade eram as biografias em livros. O que sabemos é que, fãs ou não, histórias legais e inéditas sobre personalidades são sempre boas de ouvir. O que vale é o respeito ao biografado, a admiração ao trabalho do biógrafo e a responsabilidade da verdade para com o leitor. Divulgação

A edição número 32 do jornal Marco Zero traz informações sobre as obras na Arena da Baixada. A pouco mais de seis meses do início da Copa do Mundo no Brasil, ainda há muita coisa para fazer. E a cobertura do estádio, que está no projeto inicial, só vai ser finalizada depois que o Mundial acabar. Esta edição traz também a primeira de uma série com três reportagens sobre o ensino e a atividade jornalística. Na página 5, nossos repórteres falam sobre a demora na espera de um táxi em Curitiba e sobre a licitação que prevê mais 750 autorizações para a cidade. A Rua 24 Horas, que já foi símbolo de status em Curitiba, reabriu com muitas mudanças depois de ficar fechada por cinco anos para reformas, e hoje pode ser considerada apenas uma galeria. Confira essas e outras notícias no Marco Zero! Boa leitura!

CENSURADO

Ao Leitor

Diagramação: Cíntia Silva e Letícia Ferreira

Uninter Rua Saldanha Marinho, 131 CEP 80410-150 – Curitiba-PR

Projeto Gráfico: Cíntia Silva e Letícia Ferreira

E-mail comunicacaosocial@grupouninter.com.br

Telefones 2102-3336 e 2102-3377

Qual sua opinião sobre a Corrente Cultural em Curitiba? A iniciativa da Corrente Cultural é super válida, pois traz shows de ótima qualidaVandré Chiarioni, 28 anos, de para todos metalúrgico os gostos e estilos musicais. Fora os shows ainda haverá palestras, rodas de conversas, apresentações de filmes e documentários e tudo isso de graça para o público. Então, acredito ser um evento super bem-vindo. Todos os anos, ouço falar da Virada Cultural. Confesso que nunca fui a nenhum dos loViviane Francais que fazem co, 23 anos, parte do festiestudante val. Este ano não tenho nada programado para o fim de semana e pretendo assistir os shows de alguns artistas. Se não me engano, já é a quinta edição aqui em Curitiba e este ano tem várias noElizangela vidades. Achei Meira, 38 anos, bem ecléticas assistente as atrações da administrativa Virada Cultural, com grandes nomes do rap, samba, pop/rock, além de outros gêneros. Assim como nas edições passadas, vou dar uma passeada por alguns palcos. Na grande maioria, os jovens aproveitam a virada cultural como uma desculpa Peterson para encherem Alcântara, 22 a cara.Afinal, anos, auxiliar tem fácil acesso administrativo à bebida barata e show de graça o dia inteiro. Apesar disso, é um bom programa para o fim de semana, pois são várias atrações legais em vários palcos pelo centro da capital, e eu vou!


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PERFIL

Acima de tudo, uma mulher militante

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ulher, esposa, mãe, dona de casa, historiadora, professora, feminista, aluna. Estes são alguns dos adjetivos que resumem parte da vida de Máira de Souza Nunes, de 39 anos, professora no curso de Comunicação Social da Uninter. Ela já fez de tudo um pouco nesta vida. Já trabalhou em bar, participou do movimento estudantil, atuou com sistema de informação no Instituto de Tecnologia do Paraná, em biblioteconomia e até mesmo já serviu o Exército no Colégio Militar durante cinco anos. Do Exército, ninguém imaginaria que Máira seria umas das organizadoras do movimento feminista “Marcha das Vadias” em Curitiba.

Apesar da correria do dia a dia o importante para o casal é cada um ter o seu espaço e independência Máira Nunes: Historiadora, professora, militante, organizadora da Marcha das Vadias, professora, aluna e mãe. Com bacharelado e licenciatura em História pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), e mestrado em História Política pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Máira, atualmente é professora e coordenadora das disciplinas de TI e TCC do curso de Comunicação Social no Uninter, e neste ano iniciou o doutorado em Comunicação e Linguagens na Universidade Tuiuti do Paraná. Máira tem uma relação de onze anos com o arquiteto e músico Júlio Linhares. Eles se casaram há ano e têm dois filhos: Yan de 12 anos e Tom de 3 anos. Em seu relacionamento Máira se define feliz e realizada. “Apesar da correria do dia a dia, o importante para o casal é cada um ter o seu espaço e in-

paração do parto do pequeno Tom, que foi realizado em casa, e depois para o aleitamento, a professora passou a participar das comunidades virtuais de mães. No mesmo período, duas notícias publicadas na mídia chamaram sua atenção. A primeira foi um caso que ocorreu em São Paulo, no espaço Itaú Cultural, em que, na ocasião, a antropóloga Marina Barão foi proibida de amamentar seu filho Francisco, de três meses no centro de exposições. A segunda aconteceu online, porque o Facebook passou a censurar as fotos publicadas por mães amamentando seus filhos, pois eram consideradas obscenas. Contudo, grupos passaram a se organizar em todo o Brasil e realizaram o “Mamaço Nacional”, defendendo o direito da mãe amamentar seu filho em qualquer lugar, “pois isto é natural, é amor, é puro”. Em Curitiba, Máira foi uma das organizadoras do mamaço virtual que aconteceu por meio do Facebook contra a censura das fotos de amamentação. Entretanto, no mesmo período, surgiram as primeiras discussões sobre a Marcha das Vadias e, para a professora, as duas coisas estão absolutamente relacionadas pela questão da automomia do corpo. Para ela, foi a sensibilidade da ma-

ternidade que a levou ao feminismo, e a internet que lhe permitiu realizar a militância via online. A partir disso, vieram leituras, teorias, estudos e, desta forma, Máira se viu mudando o foco dos estudos históricos do passado para o hoje, pois inclusive o uso da internet pelos movimento sociais se tornou seu objeto de estudo no projeto de pesquisa do doutorado. Professora do Centro Universitário Uninter desde de 2008, Máira explica que a sala de aula foi um caminho natural da própria formação em história. Mas foi como professora militar que ela atribui seu período de “maior crescimento pessoal e profissional”, pois os desafios eram muitos. “Servi o Exército como professora de História, mas fora da sala de aula você é um soldado, presta serviços igual a todos. Eu costumo dizer

Máira durante a Marcha das Vadias

que estava ali para minar o sistema por dentro, pois o sistema de hierarquias é muito forte. Em tudo é “sim senhor! ou não senhor!” e eu cheguei com o “mas”, e não são aceitos questionamentos dentro do sistema. Por vezes, ameaçada de prisão devido às suas críticas, Máira recorda-se que quando saiu do Exército sentiu-se mais segura para agir na sociedade, pois seu período ali lhe trouxe conhecimento do funcionamento estatal e das participações partidárias. Como filosofia de vida, a professora defende que “as pessoas precisam ser honestas com elas mesmas, pararem de se preocupar com as expectativas dos outros e passarem a trabalhar com as próprias metas, pois isto pode te levar a algo mais concreto”.

Máira com o filho Tom Foto: Arquivo pessoal

Pulcinelli

Foto: Jennifer Pulcinelli

Jennifer

dependência”. Filha de pais separados, a professora defende que as pessoas devem realmente se unir quando se gostam e curtem seus momentos juntos, e não apenas pelo comodismo do casamento ou pelos filhos. Participante de movimentos feministas, Máira teve sua primeira experiência com militância ainda na faculdade, com o movimento estudantil, mas por questões políticas e partidárias e até pela demanda de tempo, devido às participações presenciais, acabou se afastando do movimento. Com posição política de esquerda, Máira nunca se filiou a nenhum partido, mas sempre teve um olhar para as igualdades, e foi com a gravidez do segundo filho que a professora se reaproximou dos movimentos sociais, agora fortemente ligada aos direitos das mulheres. Para a pre-

Foto: Eliége Jachini

De militar a organizadora da Marcha das Vadias, a professora do curso de Comunicação Social do Uninter, Máira Nunes, já fez quase tudo nesta vida.


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Problemas jornalísticos

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Foto: Fran Bubniak

Série de reportagens aborda as mudanças na lei do estágio, regularização do diploma e os dilemas da atividade jornalística.

Vinícius Garcia, estagiário de TV, no Uninter.

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curso de jornalismo e a profissão em si estão passando por dias de constante turbulência. Mudanças na lei do estágio, regularização do diploma, falta de respeito para com o profissional da área, entre outros, são os temas que serão tratados na série “Problemas Jornalísticos”, composta de três reportagens a serem publicadas nesta e nas próximas edições do jornal Marco Zero. A primeira da série é o estágio e a preparação do estudante de jornalismo para o mercado de trabalho. Desde o momento que entra na faculdade, alguns acadêmicos já estão se preparando psicologicamente para conseguir um estágio. O objetivo de muitos é utilizar o estágio e seus benefícios como uma forma de garantir o seu sustento durante o curso, aproveitando para melhorar o currículo profissional e obter experiência na área. A Lei Nº 11.788 de 25 de Setembro de 2008, referente ao estágio, difere esse compromisso em duas categorias: o estágio obrigatório e o estágio não-obrigatório. Qual a diferença entre eles? O primeiro se reserva ao compromisso da grade curricular do curso, utilizando o estágio como forma de aprendizado e complemento para o estudo acadêmico. O

Entende-se que o estágio não é um emprego e que não deveria ser uma forma de sustentação financeira do aluno Guilherme Carvalho, presidente do Sindijor/PR segundo é aquele que os estudantes buscam fora da grade curricular, com a aprovação da faculdade, para obter experiência e tornar este o sustento no decorrer do curso. O presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná (Sindijor/PR), Guilherme Carvalho, diz que a realidade de muitos é essa: usar o estágio como forma de sustento. Para tanto, o sindicato pede para que as empresas que contratem o serviço de estagiário não-obrigatório, pelo menos, paguem a quantia de uma bolsa-auxílio de R$ 600,00. Contudo, o estágio obrigatório, por decreto da lei, pode ser não-remunerado, por fazer parte do currículo do cur-

so. “Pois entende-se que o estágio não é um emprego e que não deveria ser uma forma de sustentação financeira do aluno”, explica. Carvalho diz que alguns alunos têm dificuldades em concluir o curso por não conseguirem entrar num programa de estágio. A principal causa é o fato de que esses estudantes já estão trabalhando em outra empresa e dependem dela para pagar mensalidades e até mesmo viver. Uma solução para isso é o estágio dentro da própria universidade, ingressando nos jornais laboratoriais (impresso, on-line, TV e Rádio). É uma forma de concluir o curso, ganhar experiência e não perder alguns benefícios que o trabalho CLT proporciona. Outro ponto a ser discutido nessa reportagem é a sindicalização do estudante. O acadêmico de jornalismo pode se filiar ao sindicato durante o curso, recebendo informativos, o jornal bimestral “Extra Pauta”, e podendo participar de reuniões e eventos do sindicato. Para isso, é necessário que o aluno acesse o site www.sindijorpr. org.br. Se há taxa? Sim, há uma taxa anual no valor de 1% do piso

salarial para jornalista, que consiste no valor de R$ 2.464, 95, ou seja, seria um preço simbólico de R$ 24,64. Uma curiosidade após o estudante se formar é a carteira profissional de jornalismo, uma nova identidade para o profissão formado. Carvalho explica que essa carteirinha de jornalista é feita pela Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) e serve como uma nova fonte de identificação da pessoa, podendo substituir a sua identidade normal. Para sindicalizados, o valor é mais barato, custando em média R$ 70,00. Para aqueles que não têm vinculo sindical, o preço aumenta, vai para uma média de R$ 300,00.

Na tagem,

próxima será

repor-

discutido

um tabu no curso do Jornalismo: a derrubada, pelo STF, da obrigatoriedade

do

diploma

para exercer a profissão e a luta dos jornalistas para o seu retorno. Não perca, na próxima edição do Marco Zero.


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TRANSPORTE

Mais trânsito e menos táxis Camila Borges

Fran Bubkniak

William Bittar

É

cada vez mais visível a insatisfação das pessoas que dependem de táxis em Curitiba. Os mais de 2.250 veículos cadastrados que realizam o serviço na cidade não são suficientes para atender toda a demanda de chamadas que ocorrem todos os dias, principalmente aos finais de semana, quando muitas pessoas saem para bares e restaurantes. Mesmo com a chegada de grandes eventos, como a Copa em 2014, a cidade ainda engatinha no que se refere à mobilidade. Para se ter uma ideia, Curitiba conta com apenas um táxi para cada 778 habitantes, número seis vezes maior quando comparado com o Rio de Janeiro que têm um veículo para cada 197 pessoas.

Desde 1972 o número de táxis é o mesmo na cidade, ou seja, não acompanhou o crescimento da população.Roberto Gregório, presidente da Urbs Para o taxista João Carlos de Lima (45), muitas coisas deveriam ser mudadas, a começar pela segurança, que deveria ser maior, pois, atualmente, ser taxista é uma profissão que pode trazer riscos à própria vida. “Nunca fui roubado, mas admito que tenho medo”. Ele também comenta que o número de táxis existentes em Curitiba é pequeno para o tamanho da população. “Se nada for mudado, com a chegada da

As pessoas vêm para o bar ou para o restaurante de táxi para poder beber o quanto quiser, mas na hora de sair solicitam o serviço e ele demora horas

Foto: Fran Bubniak

Com a grande demora, os táxis já não são tão viáveis; alguns usuários chegam a esperar mais de uma hora pelo serviço.

Fabio Aguayo, presidente da Abrasel Copa, e Olimpíadas, a situação vai piorar”, comenta o taxista. O presidente da Urbs (Urbanização de Curitiba), Roberto Gregório da Silva, confirma que o número é muito pequeno em relação à população de Curitiba. “E indiscutível que precisamos rever o número de carros na cidade e já estamos fazendo isso. Até o final do ano pretendemos autorizar mais 748 placas para diminuir a espera dos cidadãos”, declarou. Segundo Gregório, a quantidade de táxis em Curitiba é a mesma de 30 anos atrás. “Desde 1972 o número de táxis é o mesmo na cidade, ou seja, não acompanhou o crescimento da população e é por isso que hoje estamos nessa situação”, afirmou o presidente da Urbs. Para o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurante (Abrasel), Fábio Aguayo, a demora acaba prejudicando o comércio da cidade, principalmente o noturno. “As pessoas vêm para o bar ou para o restaurante de táxi para poder beber o quanto quiser, mas na hora de sair, solicitam o serviço e ele demora horas. Isso prejudica, porque as pessoas podem deixar de frequentar os lugares mais afastados”, relata. Aguayo ainda fala que muitas pessoas acabam ignorando até a Lei Seca, que multa e até apreende os condutores que forem pegos dirigindo sob o efeito do álcool. “Alguns ignoram a lei e o que nós podemos fazer? O ideal é que venham de táxi, mas ignoram isso justamente por demorarem duas ou até três horas aguardando um veículo estar disponível para os levarem para casa”, finaliza.

Licitação prevê mais 750 táxis para Curitiba No início de outubro deste ano, a Urbs republicou o edital de licitação que prevê 750 autorizações para prestação de serviços de táxi em Curitiba no prazo de 35 anos, prorrogáveis por mais 15. A primeira publicação do edital foi feita em agosto de 2013, 38 anos depois da implantação da frota de táxi na capital paranaense. Com a licitação, o número de táxis na cidade passa de 2.252 para 3.002 veículos. Na republicação, foram alteradas as datas e algumas exigências. Agora, a licitação, na modalidade concorrência, permite a participação de estrangeiros, cria uma nova faixa na tabela de pontuação de veículos, passa a aceitar a consulta de histórico de pontuação emitido pelo site do Detran e exclui a necessidade de apresentar comprovante de quitação eleitoral e certificado de reservista. A entrega dos envelopes será realizada entre 25 de novembro e 13 de dezembro, na Central de Protocolo e Recadastramento de Táxi da Urbs, na Rodoferroviária. A abertura dos envelopes será no dia 16 de dezembro, às 9 horas, no auditório da Urbs.

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Curitiba no p

O atraso nas obras da Arena da Baixada preocup foram orientados sobre muitos aspectos em

Cíntia

Letícia Ferreira

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epois de ser escolhida como sede para quatro jogos da Copa do Mundo, Curitiba entrou em um grande emaranhado de obras para atender aos padrões da Fifa. A estratégia de organização para receber o evento foi planejada entre Prefeitura Municipal e o Governo Federal e teve seu início em julho de 2011. A maioria das obras estão com seus prazos prorrogados para véspera do evento. A obra que mais vem causando preocupação nos curitibanos é a da Arena da Baixada. O projeto do arquiteto Carlos Arcos conduzido pela construtora Dória

Construções Civis LTDA enfrenta altos e baixos. A nova Arena é feita para o clima curitibano, com um inovador teto retrátil, com capacidade para 43.981 torcedores e um telão gigante na sua fachada. Essa reforma de R$184,6 milhões completou já dois anos, e o prazo da Fifa é dia 31 de dezembro de 2013. No mês de outubro, a obra foi paralisada durante uma semana por questões de regulamentação na segurança dos trabalhadores. O teto retrátil que era o grande diferencial da obra só será concluído após os jogos. Ou seja, as seleções que vierem para a capital enfrentarão o frio e a chuva do mês de julho. Segundo o último boletim de evolução da obra da Arena, falta apenas 20% da construção para ser concluída. Em comparação com os outros estádios que sediam os jogos e foram construídos do zero, a Arena é a mais atrasada. Apesar do atraso, o interior e

a fachada da Arena já estão planejados, mas o espaço em torno dela está se adaptando ainda com a movimentação da obra. Moradores e comerciantes não receberam nenhuma orientação sobre o evento de proporção mundial que irão também sediar. Essa falta de preparo na região que terá um grande fluxo de circulação de turistas preocupa pois, segundo relatório de cadastros de ingressos da Fifa, Curitiba está entre as três cidades com o ingresso mais disputado.

E quem “vive” a obra? Antônio Perez, de 76 anos, vem acompanhando de perto a rotina de quem vive e trabalha aos arredores da Arena. Afinal de contas, já são 17 anos vendendo caldo de cana em frente ao estádio. Ele acredita que a obra estará pronta em tempo, enquanto olha a movimentação dos operários saindo da obra. “Se estivesse tão atrasado assim esse pessoal estaria trabalhando até tarde, mas a maioria já foi embora”, afirma. Segundo ele, agora a região está calma e as obras não atrapalham

mais a rotina. “No começo era muito barulho, muito pó, agora está bem mais calmo.” Perez ainda não sabe como será sua rotina durante a Copa. “Até agora ninguém veio falar comigo sobre o que vai acontecer aqui. Minha licença é renovada anualmente e não preciso pagar impostos, então não tenho muito o que reclamar. Se alguém me disser que eu tenho que sair, vou sair”. Antônio é mais um dos comerciantes que desejam aproveitar o movimento para lucrar, mas não sabe se poderá aproveitar a clientela que circulará pela região durante os jogos. “Eu ficaria feliz em vender mais, mas se eles me tirarem daqui, tiro uns 20 dias de férias... só quero ter a certeza que depois que tudo voltar ao normal, vou poder continuar aqui”. Segundo Cristiane Clemer, que reside em um prédio da região, os moradores já estão acostumados com a movimentação. “Quando a presidente passa por aqui as ruas são fechadas, é um transtorno para quem quer chegar em casa, mas o pessoal já está

Foto: Letícia Ferreira

Silva

Antônio Perez: trabalha há 17 anos em frente à Arena da Baixada

acostumado. Acredito que durante a Copa não vai ser tão diferente”. As ruas também foram fechadas durante a visita da equipe da Fifa. O que mais incomoda Cristiane é a poeira que sai da obra, mas ela acredita que em breve esse transtorno vai acabar. “Eu acho que logo a obra termina. O prazo final deles está chegando e no último momento vai aparecer um dinheiro, vão contratar mais gente e vão dar um jeito de terminar”.

Projeto da Arena da Baixada para a Copa 2014


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padrão Fifa

pa; moradores e comerciantes da região não m relação aos jogos da Copa em Curitiba.

Mobilidade Em relação à mobilidade urbana, Curitiba se propôs a fazer oito grandes obras até a Copa do Mundo. Até o momento o investimento nessas obras foi de R$ 457 milhões e todas devem estar finalizadas até abril de 2014.

A maior e mais caras das obras é a que fará a ligação da rodoferroviária com o aeroporto. Foram investidos nessa obra 130 milhões. O restante do dinheiro está sendo investido em: Sistema integrado de monitoramento que ajudará a controlar o trânsito na região; Revitalização da rodoferroviária; Revitalização de 1,8 km entre o Terminal do Carmo e o Terminal do Boqueirão com novo asfalto, calçadas, iluminação e ciclofaixa; Reforma, ampliação, requalificação e melhoria do acesso ao terminal Santa Cândida, fazendo a integração do transporte com municípios vizinhos e a implantação do Ligeirão Norte; Integração dos municípios da região metropolitana e as vias radiais (Avenida Salgado Filho, Avenida da Integração e Rua da Pedreira) em um escopo de 10,9 km; Duas obras estão com problemas: a Linha Verde Sul que está paralisada desde 2012 e a Foto: Letícia Ferreira

Wilson Ketow, proprietário do “Bar do Alemão” ao lado da Arena, se mostra animado com os preparativos da Copa e espera conseguir muitos clientes, mas ainda não sabe como ficará a situação de seu bar. “Por enquanto ninguém veio falar comigo e não sei se vou poder ficar com o bar aberto”. Na última Copa do Mundo a venda de cervejas deveria ser controlada, apenas a cerveja patrocinadora do evento poderia ser vendida aos arredores do estádio. Um dos clientes de Ketow, ao ouvir falar em Copa, logo deu sua opinião. “Isso é jogar dinheiro fora, precisamos de saúde e educação, não de Copa”, afirmou, colocando seu copo de lado.

reforma da Avenida Cândido de Abreu foi paralisada pela prefeitura devido ao aumento de custos e alteração no projeto que o deixaram cinco vezes mais caro. A questão da mobilidade urbana é um problema sério para a cidade que é considerada mundialmente modelo de sustentabilidade. Curitiba já apresenta uma frota de 1,3 milhão de veículos e enfrenta severos problemas de trânsito, principalmente no centro, em horários de pico. Medidas precisam ser implantadas antes que Curitiba vire uma mini-São Paulo, com rodízio de carros nas ruas. Como já diria o Plah, menos carros e mais bicicletas seria uma ótima solução para que o trânsito voltasse a fluir bem em um período quando a população da cidade irá aumentar. O investimento em transporte público de qualidade também seria uma ótima opção para que as pessoas começassem a pensar no ônibus como uma boa forma de se locomover em dias de jogos.

E o comércio? Será que a cidade está se preparando para receber um fluxo tão grande de pessoas vindas de várias partes do mundo? Conversamos com a equipe do Sindihotéis, responsável por hotéis, bares e restaurantes, para saber como está sendo feita a preparação para o evento. Marco Zero: O sindicato já foi contactado por algum órgão da prefeitura referente ao plano de organização para a Copa no ano que vem? Sindihotéis: Sim, o Presidente do Sindehotéis foi convidado pelo Secretário para Assuntos da Copa, Mario Celso Cunha, para fazer parte da Câmara Temática do Turismo. Marco Zero: Quais foram as principais instruções passadas? Sindehotéis: Mobilizar e informar os diferentes públicos envolvidos nas fases pré, durante e pós evento, primando pela otimização de recursos e alcance de resultados que fortaleçam a marca Paraná no cenário turístico estadual, nacional e internacional, beneficiando a comunidade paranaense e atendendo com qualidade o visitante. Marco Zero: Está havendo uma preocupação com a capacitação dos funcionários dos estabelecimentos? (ex: curso de inglês, de profissionalização). Quem arca

Situação atual da Arena da Baixada

com os custos neste caso? Sindehotéis: O Sindihotéis inaugurou em 2011 o Instituto Profissionalizante Paraná Aliança-IPPA, onde temos variedades de cursos, com valores diferenciados entre associados e não associados que estejam na categoria e pessoas que não estejam na categoria, cursos (Inglês, voltado para hospedagem e gastronomia, Espanhol voltado para hospedagem e gastronomia, Informática, Excel, Garçom, Barman, Maître, Gestão de pessoas em Hospedagem e Gastronomia, Saladeira, Assistente de Cozinha, Higiene e manipulação de Alimentos, Vinhos, Camareira, Governanta e Recepcionista para Meios de Hospedagem). Porém por parte dos trabalhadores a procura é pouca. Sentimos que não há muito interesse nem pelos trabalhadores e nem patrões. Marco Zero: Como está o clima de preparação para o evento? Há alguma margem já calculada de aumento no movimento? Sindihotéis: Referente à preparação, é o que todos nós já sabemos, pela quantidade de obras que está havendo na cidade e notícias pelos jornais, apesar de alguns patrões falarem que terão prejuízo com a Copa.


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COMPORTAMENTO

Qual é o seu carma?  O astrólogo Jaime Lauda explica o que é astrologia, que carma nem sempre é ruim e ainda fala da origem do fanatismo religioso. Flyssak

O

Foto: Divulgação

escritório é claro, com música ambiente e com um incenso queimando. Qualquer nervosismo desaparece naquela atmosfera astrológica. Na recepção há vários quadros, inclusive um com a Santa Ceia, que o astrólogo afirma que “cada um dos apóstolos é de um signo diferente”. Como se precisasse mais, a conversa sobre astrologia foi no décimo oitavo andar, um pouco mais próximo às estrelas. Jaime Lauda diz que é para esperar uns instantes ali, então fico admirando as obras. De repente o astrólogo aparece e convida para entrar na sala de consulta, onde surge um outro curioso quadro, agora, dos Beatles, banda que Jaime tem um grande apreço, além de vasos de flores, um Buda, e uma estante de livros. Jaime Lauda é astrólogo há quase 40 anos. Lida com vários tipos de problema. Há pessoas que vão no seu escritório para ter orientação empresarial, uns para saber da vida amorosa, outros sobre saúde e tem aqueles que vão para tentar desvendar tudo, inclusive para avaliar se estão ou não na profissão certa. Por não ter faculdades no Brasil que ensinam a ler os astros, Jaime aprendeu praticamente sozinho, como ele mesmo diz. Por isso, não é qualquer um que pode ter essa profissão. É preciso querer (e muito). Calmo, ele caminha até sua cadeira, atrás de uma mesa que tem um computador com um desenho em cír-

Carma Ao contrário do que a maioria pensa, carma nem sempre é algo ruim. O astrólogo explica de uma maneira fácil de entender: “Se a pessoa planta o mal, colherá o mal. Se planta o bem, colherá o bem”. Isso quer dizer que cada ser humano tem uma energia. Se ela for boa, coisas boas acontecerão e vice-versa. O carma também ensina muito. Às vezes, somos obrigados a viver uma situação complicada para cumprir uma missão que nos é imposta. O astrólogo diz que “somos alunos da escola da vida”, e que cada signo apresenta uma sala de aula. Caso reprovarmos em alguma dessas aulas, a alma voltará para o plano terrestre. Isso também é possível ver pelo mapa astral. No canto direito do computador, haviam várias letras e números, o que para mim parecia grego. O astrólogo então contou sobre os planetas retrógrados, que são as matérias que não fomos bem em outra encarnação, algo muito pessoal. Ao ver esses planetas, o astrólogo consegue saber se a alma é antiga ou nova. Lauda ainda cita uma experiência de um casal que foi cliente dele. A filha deles faleceu de modo brutal. Analisando o mapa astral dos três, foi constatado que ela já estava em um estágio

de retornar para ajudar as outras a encontrar a paz e harmonia, como é o caso do monge budista. Na astrologia, tanto quanto no budismo, acredita-se na perfeição do ser.

Foto: Divulgação

Juliani

culo com todos os símbolos dos signos do zodíaco. No meio, há linhas vermelhas e azuis. Logo percebe-se que é um mapa astral. Antes de tudo, Lauda deixa claro que astrologia não é adivinhação. O chamado “mapa astral é um roteiro que se desenvolve. Astrólogo não adivinha nada. Não é questão de adivinhação. Astrólogo tem a compreensão de como vai ser esse roteiro”. Cada pessoa tem um mapa. Depende da hora, do dia e da localização do nascimento. Lauda apresenta um mapa. As linhas vermelhas mostram os carmas, as azuis a capacidade que a pessoa tem de conseguir superá-los.

Sala de aula errada

Se a pessoa planta o mal, colherá o mal. Se planta o bem, colherá o bem Jaime Lauda, astrólogo de consciência muito avançado, e precisava de um arremate cármico para resolver a situação. “A pendência cármica era dos pais, chamamos isso de carma retroativo, acumulado. Porque os carmas que ficam por resolver em uma vida, são acumulados e devem ser solucionados quando a alma volta para o estado físico”, explica.

Astrologia e o budismo Lauda explica que a astrologia e o budismo andam lado a lado em alguns aspectos. Dalai Lama é um monge que, se usarmos a mesma analogia do horóscopo, onde cada signo é uma sala de aula, seria uma alma graduada. Isso significa que não precisa voltar ao plano físico. A partir do momento em que todas as missões são cumpridas, a alma pode escolher se quer voltar ou prosseguir. Quando a alma está evoluída, ela tem a possibilidade

As religiões, segundo ele, são como salas de aula e, assim, acreditamos naquela que seja coerente com o nosso estágio espiritual. O astrólogo explica que vivemos em uma escola, que seria a escola da vida. Cada um está numa sala de aula diferente, mas tem um problema. Existem pessoas que acham que o outro está na sala de aula diferente e Lauda diz que é nesse ponto que começa o fanatismo religioso. Ele ainda afirma que só mudamos de religião quando não estamos mais confortáveis com o que temos.

Astrologia profana O astrólogo afirma que, na grande maioria das vezes, o horóscopo de jornal não está certo. Explica que o que está ali é baseado somente na posição solar, o que torna o trabalho muito generalizado, e que muito do que foi escrito não condiz com o horário e a data em que a pessoa nasceu. Tanto que o astrólogo não aconselha a leitura deles. Daniella Gonçalves não acredita na leitura das estrelas. “Acho que não passa de mera concidência baseada em padrões de comportamento”. Já Nicole Petri, 22, diz que não crê no horóscopo de jornal, porém confia em astrologia. “Em mapa astral e características gerais do signo, coisas assim, acredito sim”.

Ciência?

A leitura das estrelas ainda não é reconhecida como ciência. Muitos cientistas acham incoerente que tantas pessoas acreditem e que muitas outras reivindiquem que a astrologia seja reconhecida como ciência. Stephen Arroyo, astrólogo e professor de astrologia, diz no seu livro “Normas Práticas para Interpretação do Mapa Astral”, que “o simples fato de alguma coisa não ser prontamente mensurável não significa que ela não exista e que não seja importante”. Ele ainda explica que a astrologia não é reconhecida como ciência porque vivemos em um mundo movido pelo método científico, aquele em que tudo deve ser comprovado através de uma técnica, que, na sua maioria das vezes, prescinde de um laboratório. No entanto, nenhum astrólogo conseguiu colocar a leitura das estrelas dentro desse método, por isso a previsão através dos astros ainda é considerada uma pseudociência.

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Sua colheita será feliz? Os cosmos estão todos interligados, o micro e o macro. O micro é o pequeno mundo, a sua vida. O macro é todo o universo. Isso significa que se plantamos o bem vamos colher o bem. Nisso, o astrólogo explica que “não são os planetas que nos enviam raios (que podem interferir na nossa vida), mas são os processos vibratórios que estão em nós, e são demostrados no movimento planetário”. Ou seja, os planetas não dizem o que devemos fazer ou o que vamos deixar de fazer, pois eles funcionam como um ponto referencial que mostra o que está acontecendo dentro de nós. Ele ainda afirma que “não existe uma influência planetária em nós. Nós é que nascemos em sintonia com aquele planeta”, que é a conexão entre os cosmos. Observando a posição planetária em que nascemos, Jaime Lauda consegue ver o quanto a nossa alma já esteve no estado físico. Já os planetas retrógrados informam quantas lições estão pendentes. Depois de todas as missões cumpridas, evoluímos para um outro estágio, e um exemplo é o Dalai Lama.


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CULTURA

Sucesso pela internet Felipe Ponce

Foto: Ana L. Cordeiro

Como a internet pode ajudar a revelar os novos talentos da literatura.

Curitiba no mapa mundi virtual

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ublicar a própria obra não é uma tarefa simples para o autor iniciante. Correr atrás de uma editora que tenha o interesse em publicar seu material não é tão fácil quanto pareça. Uma resposta pode demorar cerca de um ano, e a maioria não recebe qualquer retorno. A internet tem sido a maior aliada para escritores desconhecidos, por causa da facilidade em divulgar e receber mais rápido o retorno do leitor. Há exemplos de autores que conseguiram lançar suas obras graças à web. Um exemplo é o do jornalista e escritor carioca Eduardo Spohr, que vendeu mais de quatro mil exemplares de seu romance “A Batalha do Apocalipse,” de forma independente, apenas divulgando e vendendo seu livro por meio do site Jovem nerd. Spohr venceu um concurso de literatura realizado por uma pequena gráfica e, como prêmio, ganhou uma tiragem de cem exemplares de seu livro. Com isso, ele decidiu vender sua obra juntamente com Alexandre Ottoni Deive Pazos (donos do site “Jovem Nerd”) através da loja virtual do site no ano de 2007. Cinco horas depois de colocar os exemplares à venda, todos o material foi comercializado. Com isso, ele, Alexandre e Deive decidiram fazer mais quatrocentos exemplares do livro, que se esgotou rapidamente. A obra só teve divulgação no blog através do podcast “Nerdcast”, onde Eduardo era um dos participantes. Em 2009, ele decidiu por conta própria gastar do próprio bolso para imprimir mais quatro mil exemplares, que se esgotaram em menos de cinco meses. Todo esse sucesso na internet acabou chamando a atenção da editora “Record” que, no ano de 2010, decidiu publicar o romance de Eduardo Spohr com dez mil exemplares, que logo se esgotaram. Atualmente o livro ultrapassa a marca de 360 mil exemplares

Com o Youtube, curitibanos conquistam espaço na mídia. Ser escritor não significa ter um livro publicado

comercializados. Em 2011, o autor lançou o seu segundo livro pela editora, “Filhos do Éden: Herdeiros de Atlântida” e no mesmo ano, seu primeiro livro foi lançado na Holanda, sob o nome “Engelen van de Apocalyps”. Em junho deste ano, o autor lança seu terceiro livro pela editora Record, “Filhos do Éden: Anjos da morte”. Exemplos como o de Eduardo Spohr mostram como a internet pode ser uma grande aliada para aqueles que sonham em divulgar seu primeiro livro.

As barreiras Assim como Eduardo, a estudante de jornalismo do Centro Universitário Uninter, Ana Luiza Cordeiro, de 20 anos, também divulga sua escrita graças à web. Ela começou a escrever por necessidade própria, pois seus textos sempre foram muito pessoais. “A princípio, não tinha pretensão de publicá-los. Com o tempo surgiu o blog e, logo, escrever virou terapia.” Não deixar todos os textos repetitivos e saber usar bem as palavras é uma das maiores dificuldades que ela enfrenta para escrever. Ana Luiza tem vontade de publicar sua obra algum dia, mas deseja lançá-la quando julgar que tem material razoável para ser aceito. “Acho que ser escritor não significa ter um livro publicado. Significa só você escrever, gostar e querer escrever. Até porque ninguém vive de ser escritor no Brasil”. As principais inspirações da

Acho que ser escritor não significa ter um livro publicado. Significa só você escrever, gostar e querer escrever. Até porque quase ninguém vive de ser escritor no Brasil Ana Luiza Cordeiro, estudante estudante para a sua escrita são os desabafos e necessidade de expressão. Segundo ela, seu registro é sempre muito pessoal. “Acho que para todos os escritores, mesmo de ficção, escrever é se expor”. Os sentimentos pessoais como alegrias, dores, sofrimentos, banalidades da vida acabaram servindo de inspiração para ela. “Escrever, pra mim, é um paradoxo, se não escrevo é um sufoco. Me dá agonia, vontade de expor, me sobram sentimentos”. Ana conta que mesmo que ela vá formulando vários textos, eles acabam de fato deixando-a angustiada pelo motivo de despertarem sentimentos diversos. A estudante escreve na internet através de seu tumblr (http://www. nosso-statusquo.tumblr.com/ ). Ela não vê diferenças entre o que escreve na internet para o que pretende publicar um dia. “Claro que a diversidade ou o foco seria outro. Mas o estilo dificilmente mudaria.”

Giba Ribeiro

Vinícius Duarte

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ma câmera, uma conexão rápida de internet, criatividade e “cara de pau” são alguns ingredientes necessários para quem quer ingressar na “carreira” de vlogueiro. O termo foi adaptado a partir do inglês ‘vlogger’, nome que se dá às pessoas que utilizam mídias sociais para divulgar por meio de um vídeo, com média de 5 ou 6 minutos, o que estão pensando. Muitos estudantes, humoristas e comediantes estão aproveitando a oportunidade de ir em busca do sucesso através da facilidade que essa nova tendência apresenta. Seguindo “a crista da onda”, muitos talentos foram aparecendo e, na capital paranaense, alguns destaques ganharam força nacional por meio de seus vídeos na internet. Um exemplo é a curitibana Kéfera Buchman, que começou no Youtube e foi parar na equipe da Mix TV, em São Paulo. Outro caso de sucesso, que já ultrapassou a marca dos 2 milhões

de acessos em seu canal virtual, é da equipe do “Tesão Piá”, que passou a comercializar como produto a gíria curitibana. Mas, como conta o ator Cadu Scheffer, que produz vídeos para internet desde 2005 e faz parte do elenco do canal, nem todo material alcança o sucesso desejado. “Produzir é fácil, mas por outro lado, qualquer um pode fazer um vídeo ou criar um blog, ou um vlog. Venho brincando com diversos formatos desde 2005. Muitas vezes a gente erra a ideia, mas quando acerta vem aquele efeito rápido e ‘viraliza’. É tudo tão rápido que chega a impressionar. A internet facilita e ajuda a divulgar o meu trabalho como ator.” Ele continua contando como surgiram as ideias até a criação do canal. “Elas surgiram vendo outros vídeos disponíveis no Youtube. Sempre adaptando ao nosso ponto de vista cada piada. Tem que ficar ligado aos novos modismos e a tudo que acontece na mídia”, diz o ator, que também faz shows de stand-up na capital paranaense. Quanto ao futuro, junto à sua equipe, ele almeja voos mais altos: “Quero manter o meu trabalho nos palcos, que é a minha paixão, e é claro continuar a fazer material pra internet. Meu próximo desafio é fazer vídeos mais abrangentes que atinjam o maior número de pessoas no Brasil”.

Ser um vlogger A prática começou nos Estados Unidos, nos anos 2000, com o americano Adam Kontras, o primeiro vlogger de que se tem registro. No Brasil, ser vloggeiro já era possível a partir de 2004. Mas foi só dois anos depois quando o canal virtual, Youtube, adaptou sua rede para receber vídeos de maneira mais fácil e rápida. E que uma verdadeira “enxurrada” de pessoas começou a postar vídeos pessoais.


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CIDADANIA

Mais preocupação com a segurança

Bubniak

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naugurada em 12 de setembro de 1991 - numa época em que Curitiba tinha como opção de centro comercial apenas o Shopping Mueller -, a Rua 24 Horas já foi um lugar muito mais agitado. Ícone do turismo nacional, o local que seria a primeira rua deste estilo no Brasil (coberta e com 24 horas de funcionamento), reunia intelectuais e boêmios e era a opção de lazer no horário em que nada mais funcionava na cidade. O projeto, dos arquitetos Abrão Assad, Célia Bim e Simone Soares, tem 32 arcos brancos revestidos em vidro transparente, e abriga, em cada fachada, relógios que marcam as horas em 24 intervalos. Quando a inaugurou, Jaime Lerner realizava no local as suas reuniões de secretariado. O então prefeito da cidade foi o grande responsável por toda a divulgação da Rua, que atraía visitantes de várias parte do Brasil e de outros países. Segundo Romeu Friedlaender, proprietário de uma loja de artigos para presentes no local, a partir de 2003, o custo para manter um funcionário trabalhando após as 22 horas ficou muito alto. Por causa disso, em 2007, a rua “quebrou”. Muitos dos estabelecimentos comerciais já não funcionavam 24 horas por dia, e a Rua passou a abrigar travestis e prostitutas que aproveitavam a falta de segurança para fazer ponto no local, dividindo o espaço com vendedores de drogas. Além disso, nessa época,

Idealizada pelo arquiteto e urbanista, Jaime Lerner, então prefeito da cidade, a Rua no centro de Curitiba, e que virou um ícone do turismo nacional, agora só funciona até as 23 horas.

Infelizmente ela descambou Romeu Friedlaender, lojista faltava limpeza e a estrutura apresentava muitos problemas de manutenção. Devido à insegurança que representava na época, a Rua 24 Horas foi fechada. Passou por reformas estruturais e reabriu cinco anos depois, em novembro de 2011, mas com mudanças significativas. Uma delas é o horário de funcionamento, que passou de 24 para 14 horas por dia. Além disso, funcionam na praça de alimentação, atualmente, empresas que trabalham com comida do tipo fast-food. Nenhum dos antigos donos de estabelecimentos da Rua 24 Horas continuou no local depois da reforma. Uma das preocupações dos lojistas é que a Rua receba muitos visitantes com a Copa que vem por aí, e o espaço não seja suficiente

para atender a todos eles. Segundo Friedlaender, a estrutura que Curitiba oferece para os turistas ainda é muito precária. “O ponto inicial da linha turismo é a Praça Tiradentes. Lá, se os turistas sentirem frio ou se estiver chovendo, eles têm que rezar. Se eles quiserem ir ao banheiro, têm que ir atrás da igreja”, completa o lojista. Depois da reforma, a Rua ganhou monitores, funcionários que são responsáveis por manter a segurança e limpeza do local. De acordo com Friedlaender, o Batalhão de Polícia que funciona na rua Ângelo Sampaio, próximo ao Shopping Crystal, é responsável também pela segurança na região da Rua 24 Horas. Por mais que a Rua já não seja mais 24 horas, ainda é um ícone para os curitibanos. As lojas ficam abertas até as 21 horas. A praça de alimentação recebe os clientes até as 23h. Friedlaender conta que os comerciantes querem mais patrulhamento para o local, o que esperam conseguir com a chegada da Copa do Mundo. De acordo com o comerciante, quem visita a Rua 24 Horas hoje em dia se decepciona, porque chega ao local pensando que vai encontrá-la como antes, cheia de gente e de lojas, mas a capacidade física do espaço já não permite mais isso. Segundo ele, o conceito da rua também mudou: hoje, ela é apenas uma galeria.

Fotos: Fran Bubiniak

Fran


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CRÔNICA

Foto: Cláudia Bilobran

Aula de flâneur e voyeur

@TÁ NA WEB Fran Bubniak

Escrevendo como se fala

Bilobran

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anhã ensolarada, coisa difícil na capital do Paraná. A turma já está em sala, preparada para aula prática de observação. Serão vouyers na Boca Maldita. O mestre e seus alunos descem a rua movimentada, em frente à Loja Túnel do Rock. Vendedores meio punks, meio metaleiros, com suas calças grudadas no corpo, os coturnos pretos com rebites, cabelos coloridos e no estilo moicano, com seus lábios metálicos de pircieng, estão sentados no único degrau da loja à espera de mais um dia de trabalho e rock’n roll. Um dos estudantes caminha vagarosamente com seu copo de café com leite matinal diário, e seu pacotinho de “cuecas viradas” gordurentas e sem a melhor parte, que é o açúcar com canela, ao lado de sua musa inspiradora, a meiga Juju, com sua blusinha de bigodinhos e seu olhar tímido, porém rápido e capcioso, que não deixa passar nada desapercebido. Quando os olhares do casal se cruzam os olhinhos se transformam em coraçõezinhos. Só faltam se chamar por aqueles apelidos terminados em “inho e inha”, e é tanto mel entre eles que correm o risco de ficarem diabéticos. Brincadeiras à parte... Que sentimento gostoso este que eles dividem: a paixão, o amor da juventude que faz com que o sangue corra quente e grosso em nossas veias.

A turma segue pela Rua XV trocando ideias, prestando atenção em tudo ao seu redor. Curitiba acordando para mais um dia de trabalho e calor (cá entre nós calor que não combina com a cidade). Boca Maldita, em frente ao Café Avenida, que está ali já há 66 anos, e por onde passaram e passam alguns dos nomes mais falados e polêmicos de Curitiba, como Roberto Requião, (ele me lembra o personagem “Louco” das historinhas do Mauricio de Souza, hahaha). O grupo posa para foto ao lado do monumento que foi construído para homenagear a Boca Maldita, uma “pseudo boca” que quando “jovem” e recém-plantada na rua XV tinha dentes perigosos, mas que com o passar do tempo foram arrancados para prevenir acidentes que poderiam ser causados por algum espirito de porco. Ela ficou banguela. Entre esculturas de figuras públicas, pombos e moradores de rua a turma termina sua turnê entre os velhinhos da Boca Maldita. Mas não os “Cavaleiros da Boca Maldita de Curitiba”, pois estes fazem parte do clube do Bolinha, onde mulheres não são bem vindas. Os alunos juntam-se aos velhinhos comuns... Era o que tinha para o momento, aqueles senhores aposentados que saem de casa para darem folga às esposas e falarem de outras mulheres além, claro, de política e futebol. A aula termina com um cafezinho expresso e um chocolate com menta para dar um toque especial de quero mais naquela inesperada manhã ensolarada de Curitiba.

Para ver o conteúdo da página acesse: @: facebook.com/comofalaoficial.

Filmes famosos em reproduções caseiras Outra fan page da rede social que aposta nas recriações é a “Face for a Day”. Apesar do nome em inglês, a página foi criada por um brasileiro, Tom Moschen, e reproduz imagens marcantes ou cenas de filmes famosos com fotos caseiras. A página, que já está chegando aos 45 mil curtidores, pode ser acessada pelo endereço @: facebook.com/faceforaday. Reprodução/Facebook.

Cláudia

Reprodução/Facebook.

Que existem inúmeras marcas estrangeiras recheando as prateleiras do comércio no Brasil, todo mundo sabe. O que algumas pessoas não sabem é pronunciar corretamente o nome de algumas delas. Quem nunca ficou com o pé atrás na hora de pedir uma Schweppes ou uma Pizza Hut? Pensando nisso, a página do Facebook “Como Fala” reescreve algumas logomarcas com a pronúncia original, mas escritas na Língua Portuguesa.

CHARGE Esse é o Passeio Público, primeiro parque de Curitiba

O Passeio Público

Sabe o que falta para ele voltar a ser aquele passeio?

Público.


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ENSAIO FOTOGRÁFICO

Por trás de cada rosto uma história Cláudia Bilobran

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projeto Pimp my carroça teve início em 2012 e, por meio do financiamento colaborativo, já beneficiou diversos catadores nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. E chegou a Curitiba para reconhecer e valorizar o trabalho desses profissionais, que só na capital paranaense coletam diariamente de 445 a 550 toneladas de resíduos – quatro vezes mais do que o montante recolhido pelos caminhões do programa Lixo que não é Lixo, da prefeitura da cidade. As pessoas que realizam este trabalho, na maioria das vezes, não são valorizadas e são muito estigmatizadas. Apesar disso, elas acreditam que com este trabalho podem contribuir para um futuro melhor do nosso planeta, além de garantir o pão e o aluguel.

E uma lição de vida

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