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Práticas em oncologia: uma abordagem para enfermeiros e profissionais de saúde

Beatriz Fátima Pereira Guaragna Aline Tigre Iêda Maria Nascimento Organizadoras

1a edição – 2020 Porto Alegre – RS


Os autores e a editora se empenharam para dar aos devidos créditos e citar adequadamente a todos os detentores de direitos autorais de qualquer material utilizado nesta obra, dispondo-se a possíveis acertos posteriores, caso, involuntária e inadvertidamente, a identificação de algum deles tenha sido omitida. Todas as fotos que ilustram o livro foram autorizadas para publicação e uso científico pelos pacientes e/ou familiares na forma de consentimento livre e informado, seguindo as normas preconizadas pela resolução 466/2012, do Conselho Nacional de Saúde. Diagramação e capa: Formato Artes Gráficas Imagem da Capa: Gustavo Bouyrie – bouyrie.com Revisão de Português: Annelise Silva da Rocha - annelisesr@gmail.com 1ª Edição – 2020 Todos os direitos reservados para

É proibida a duplicação deste volume, no todo ou em parte, em quaisquer formas ou por quaisquer meios (mecânico, eletrônico, fotocópia, gravação, distribuição pela internet e outros), sem permissão, por escrito da Moriá Editora Ltda. Endereço para correspondências: AV do Forte, 1573 Caixa Postal 21.603 – Vila Ipiranga Porto Alegre/RS – CEP:91.360-970 moriaeditora@gmail.com www.moriaeditora.com.br Dados Internacionais para Catalogação na Publicação (CIP) P912

Práticas em oncologia: uma abordagem para enfermeiros e profissionais de saúde / organizadoras: Beatriz Fátima Pereira Guaragna, Aline Tigre, Iêda Maria Nascimento. - Porto Alegre: Moriá, 2020. xiv, 454 p. : il. Inclui bibliografia ISBN: 978-85-99238-58-5 1. Enfermagem oncológica. 2. Processo de enfermagem. 3. Cuidados de enfermagem. I. Guaragna, Beatriz Fátima Pereira. II. Tigre, Aline. III. Nascimento, Iêda Maria. NLM WY156 Catalogação na fonte: Rubens da Costa Silva Filho – CRB10/1761


Em as mãos que servem Com a palma do coração Nessas eu confio. Cássia Ascoli Bagaƫni


Organizadoras

Beatriz FáƟma Pereira Guaragna Enfermeira. Especialista em Enfermagem Oncológica. Especialista em Acupuntura. Chefe das unidades de Quimioterapia e Radioterapia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Membro da Comissão de Qualidade e Segurança da Oncologia do HCPA. Aline Tigre Enfermeira. Mestre em Ensino na Saúde pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Especialista em Enfermagem Oncológica. Especialista em Gestão de Serviços de Saúde. Especialista em Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde. Enfermeira do Ambulatório de Quimioterapia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Iêda Maria Nascimento Odontóloga e Assistente Social. Especialista em Gestão em Saúde pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Residência Integrada em Saúde - Aperfeiçoamento Especializado em Saúde ColeƟva: Atenção Básica pela Escola de Saúde Pública do Rio Grande do Sul (ESP-RS). Especialista em Intervenção em Situações de Luto pelo Centro de Estudos da Família e do Indivíduo (CEFI).


Sumário

Prefácio ................................................................................... Maria de Lourdes Custódio Duarte e Elizeth Paz da Silva Heldt

23

Apresentação ...........................................................................

27

1

Processo de enfermagem aplicado a pacientes oncológicos subme dos à quimioterapia e radioterapia ambularial .................................................... Anali Martegani Ferreira, Yasmin dos Santos, Camila Blanco Chagas e Elizeth Paz da Silva Heldt

29

2

Farmacologia para enfermeiros na oncologia .................. Ana Maria Vieira Lorenzzoni e Susane de Araújo Kishi

51

3

Enfermagem em radioterapia ........................................... Marta Helena Miron Cauduro, Milena Klippel Bessa e Paula de Cezaro

71

4

Transplante de células-tronco hematopoié cas .............. Adriana Ferreira da Silva, Gabrielli Mo es Orlandini, Priscila de Oliveira da Silva e Rita Maria Soares

99


xx

Sumário

5

Dor oncológica .................................................................. Fabrine Drescher Machado, Fernanda Niemeyer, Marina Junges e Simone Pasin

6

Manipulação de an neoplásicos: requisitos e controles para garan r medicamentos com qualidade e segurança ...................................................... Daniel Fasolo

131

165

7

Adesão ao tratamento quimioterápico oral ..................... Mayde Seadi Torriani

189

8

Cuidados de enfermagem em oncologia pediátrica ........ Leơcia Silva Ribeiro e Vanessa Belo Reyes

199

9

Consultoria em enfermagem oncológica ......................... Daniela CrisƟna Ceraƫ Filippon

217

10 11 12 13 14 15

Grupo de orientações: espaço educa vo para pacientes oncológicos e seus cuidadores familiares ........ Aline Tigre e Ana Paula Wunder Fernandes

225

Aspectos nutricionais do paciente oncológico ................. Taiane Dias Barreiro

241

Assistência psicológica ao paciente oncológico ............... Mônica Echeverria de Oliveira

281

O trabalho do assistente social com pacientes oncológicos na atenção hospitalar ................................... Iêda Maria Nascimento e Renata Dutra Ferrugem

301

Espiritualidade na abordagem hospitalar do paciente oncológico .......................................................... Iêda Maria Nascimento e Vanessa Belo Reyes

325

Cuidados palia vos em oncologia .................................... Beatriz Fá ma Pereira Guaragna, Rita Zambonato, Gislene Pontal e Tamara Noronha Baumar

339


Sumário

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17 18

Pesquisa clínica em oncologia: atuação do enfermeiro ..................................................... Adriana SerdoƩe Freitas Cardoso, Carmen Maria Dornelles Prolla, Carmen Silvia Cunha Birriel e Suzana Müller Gestão de risco, segurança e qualidade em oncologia ... Valéria de Sá SoƩomaior, Deise Vacario de Quadros, Eloni Terezinha RoƩa e Lisiane Dalle Mulle

xxi

371

387

Gestão administra va da assistência em oncologia: a experiência de um hospital público geral e universitário .... 433 Fabiana Souza Olaves e Vanise Teresinha Amaral da Rocha


Prefácio

De acordo com o Ins tuto Nacional do Câncer (INCA), o câncer no Brasil é crescente e a es ma va era de 600 mil casos novos para o ano de 2019. Diante deste cenário, fica evidente a necessidade de ações abrangentes para o controle do câncer, desde a detecção precoce à assistência aos pacientes; do ensino para formação de recursos humanos e do desenvolvimento de pesquisas. Neste sen do, é com grande sa sfação que apresentamos este livro, fruto da cooperação entre profissionais de saúde de diversas áreas envolvidos na linha de cuidado do paciente oncológico. Trata-se de uma obra voltada a estudantes e profissionais da área da saúde que vincula embasamento cien fico e a prá ca clínica, buscando responder às demandas crescentes em oncologia. Desta forma, o conteúdo prioriza a abordagem mul profissional e conta com a colaboração de autores enfermeiros, assistente social, farmacêu cos, psicólogos, administradores e pesquisadores com expe-riência na assistência, ensino e pesquisa com foco no paciente oncológico, nas diferentes etapas do tratamento. O livro está organizado em 18 capítulos, sendo que o primeiro capítulo aborda as etapas do Processo de Enfermagem (PE) no cuidado ao paciente oncológico durante o tratamento quimioterápico e de radioterapia ambulatorial. No capítulo 2 e 3, os autores tratam a


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Beatriz Fá ma Pereira Guaragna,Aline Tigre e Iêda Maria Nascimento (Orgs)

temá ca da farmacologia, trazendo conceitos e definições sobre os agentes an neoplásicos e aspectos relevantes do tratamento radioterápico, respec vamente. O transplante de células-tronco hematopoié cas (TCTH) é abordado no capítulo 4 fazendo com que o leitor reflita sobre as indicações, principais complicações e os cuidados em cada etapa desse procedimento complexo. O capítulo 5 aborda a dor oncológica e sua avaliação em paciente oncológico. Os capítulos 6 e 7 enfocam a qualidade, segurança na manipulação e adesão ao tratamento dos an neoplásicos. Na sequência, o capítulo 8 é dedicado a oncologia pediátrica, tema que requer su leza na proposição de um cuidado humanizado e que contemple o conforto da criança e de sua família. A partir do capítulo 9, os autores tratam de outros tipos de abordagem ao paciente oncológico que inclui a consultoria em enfermagem para orientar profissionais em relação aos protocolos e, no capítulo 10, é apresentado o grupo educativo para orientações aos pacientes e familiares sobre o tratamento quimioterápico. Nos capítulos 11, 12 e 13 o foco é relacionado a integralidade, com conteúdos que abordam aspectos nutricionais, psicológicos e as demandas sociais do paciente oncológico. Na sequência, os capítulos 14 e 15 versam sobre a espiritualidade e cuidados paliativos, respectivamente, com a rigor científico e a delicadeza que o tema exige. Buscando abranger questões que impactam o cuidado ao paciente oncológico, os autores dos capítulos 16 ao 18 finalizam o livro tratando do desenvolvimento da pesquisa clínica, de aspectos relacionado a gestão de risco e da assistência, que envolve o gerenciamento do atendimento em nível de internação e ambulatorial com qualidade e segurança. Enfim, constata-se que a inserção de autores de diferentes áreas da saúde no presente livro “Prá cas em oncologia: uma abordagem para enfermeiros e profissionais de saúde” qualifica a obra, sugerindo-se a leitura por todos profissionais que atendem pacientes oncológicos. De fato, os autores abordam as principais questões


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relacionadas aos eixos de conhecimentos específicos na área de oncologia. Com isso, sua leitura contribuirá para a construção e o fortalecimento de uma prá ca mul profissional humanizada, integral e inserida nos atuais pressupostos do Sistema único de Saúde. Profa Dra Maria de Lourdes Custódio Duarte Profa Dra Elizeth Heldt Serviço de Enfermagem Onco-Hematológica (SEOH) Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA)


1 Processo de enfermagem aplicado a pacientes oncológicos submetidos à quimioterapia e radioterapia ambulatorial Anali Martegani Ferreira, Yasmin dos Santos, Camila Blanco Chagas e Elizeth Paz da Silva Heldt

INTRODUÇÃO De acordo com a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer, os serviços de saúde devem garantir a integralidade da assistência à pessoa com câncer, assegurando a oferta e a qualidade de cuidados especializados1. Considerando que o sucesso do tratamento está relacionado ao diagnóstico e acesso precoce aos recursos terapêuticos, os serviços de saúde que prestam cuidado em nível ambulatorial se organizam a fim de agilizar o início do tratamento. Neste sentido, os pacientes vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS) seguem um fluxo organizado que inclui a rede de atenção básica à saúde que encaminha os pacientes para os serviços especializados para iniciar com brevidade o tratamento oncológico2. O câncer está entre as principais causas de óbitos em países desenvolvidos, sendo considerado um problema de saúde pública, podendo futuramente caracterizar a principal causa de morbimortalidade em países subdesenvolvidos devido ao aumento do envelhecimento populacional3. Entre as modalidades evidenciadas para o tratamento de diferentes pos de câncer consta a quimioterapia,


3 Enfermagem em radioterapia Marta Helena Miron Cauduro, Milena Klippel Bessa e Paula de Cezaro

INTRODUÇÃO Ao receber o diagnós co de câncer, a maioria da população julga-se des nada ao sofrimento e sentenciada à morte. Dessa maneira, ao recebermos as pessoas para tratar dessa doença, devemos desmis ficar essa ideia, acolher suas aflições e receios e orientar a respeito do que esperar da nova ro na e dos possíveis efeitos do tratamento a que serão subme das. O enfermeiro agrega qualidade assistencial e conforta o paciente. Para tanto, é imprescindível que possua conhecimento técnico a respeito da doença, das tecnologias empregadas e das caracterís cas dos pacientes com os quais estará lidando. A radioterapia é um tratamento oncológico importante, rela vamente novo e de rápida evolução, exigindo dos profissionais envolvidos aperfeiçoamento constante. O câncer representa cerca de 21% das Doenças e Agravos Não-transmissíveis (DANT), que já são a principal causa de morte e adoecimento no mundo.1 As maiores taxas de incidência podem ser observadas em países desenvolvidos, onde predominam os pos associados à urbanização e ao desenvolvimento (pulmão, próstata, mama feminina, cólon e reto), no entanto, a mortalidade em países


4 Transplante de células-tronco hematopoiéticas Adriana Ferreira da Silva, Gabrielli MoƩes Orlandini, Priscila de Oliveira da Silva e Rita Maria Soares

INTRODUÇÃO A medula óssea é o tecido localizado no interior dos ossos que tem como função a hematopoese, ou seja, ela forma novas células sanguíneas a par r de uma célula progenitora em comum, a célula-mãe, também conhecida como célula-tronco ou stem cell.1 Esta célula tem capacidade de se proliferar e se diferenciar em eritrócitos, leucócitos e plaquetas.1 O funcionamento adequado da medula óssea pode ficar comprome do por doenças hematológicas, oncológicas, hereditárias e imunológicas, afetando assim a produção das células sanguíneas.2 Uma opção terapêu ca para essas doenças é o Transplante de Células-Tronco Hematopoé cas (TCTH), que visa subs tuir a medula doente ou deficiente por uma sadia, restabelecendo a função medular e imune dos pacientes.1,2 Em alguns casos, o TCTH é a única forma de cura para pacientes onco-hematológicos, tendo resultados bastante sa sfatórios.3 O primeiro relato de uma tenta va de tratamento para aplasia de medula óssea foi em 1939, onde um paciente recebeu 18 ml de medula de seu irmão.4 Embora, não ter sido considerado um transplante,4 essa foi a primeira descrição de infusão intravenosa de medula óssea. Já em 1968 foi relatado o primeiro transplante


5 Dor oncológica Fabrine Drescher Machado, Fernanda Niemeyer, Marina Junges e Simone Pasin

INTRODUÇÃO Do la m dolore, a palavra dor significa sofrimento sico ou moral, pena, desgostos, tormento aflição e tristeza. Os relatos de dor pelos pacientes estão presentes no co diano dos profissionais da saúde, exigindo atenção e qualificação para promover um cuidado resolu vo e humanizado. A dor é uma experiência subje va e mul fatorial que acomete o ser humano desde a concepção até a finitude. Muitos fatores exercem ação sobre a sensação, a expressão e o significado da experiência dolorosa como os aspectos sicos, culturais e emocionais que denotam a integralidade humana diante da dor. A InternaƟonal AssociaƟon for the Study of Pain (IASP), órgão colaborador da Organização Mundial de Saúde (OMS), conceitua a dor como uma experiência sensorial e emocional desagradável, associada a um dano tecidual, real ou potencial, ou descrita em termos de tais danos. A incapacidade de se comunicar verbalmente não nega a possibilidade de que um indivíduo esteja sen ndo dor e precise de tratamento adequado para aliviá-la. A dor é sempre subje va. Cada indivíduo aprende a aplicação da palavra pelas experiências.1


6 Manipulação de antineoplásicos: requisitos e controles para garantir medicamentos com qualidade e segurança Daniel Fasolo

INTRODUÇÃO Quando se aborda a manipulação de anƟneoplásicos, primordialmente devemos considerar a segurança em todas as etapas deste processo. Esta será plenamente atendida se conseguirmos garanƟr as condições preconizadas no âmbito da legislação vigente aos profissionais envolvidos na cadeia do medicamento. Neste contexto, a estrutura da área İsica, a higienização/desinfecção de superİcies e materiais, os equipamentos de proteção Individual (EPI) e de proteção coleƟva (EPC), a validação da prescrição/protocolo por profissional farmacêuƟco, os controles de processo e seus registros, dentre outros, consƟtuem fatores indispensáveis a serem concebidos e conƟnuamente reavaliados para um serviço de manipulação de excelência. Entretanto, atender todas as condições de segurança não possui nenhum senƟdo se não houverem profissionais devidamente habilitados e capacitados para executar as aƟvidades inerentes a este processo. Neste capítulo, pretendemos abordar os requisitos e controles fundamentais para garanƟr que os medicamentos anƟneoplásicos manipulados cheguem com qualidade e segurança àqueles que são o centro de toda esta discussão: os pacientes.


12 Assistência psicológica ao paciente oncológico Mônica Echeverria de Oliveira

INTRODUÇÃO O diagnós co de câncer representa um evento súbito e inesperado, no qual a pessoa se sente com um pequeno ou inexistente controle de si mesma, sen mento presente em todas as fases do adoecimento. Constantemente, o paciente tentará se adaptar às novas informações e mudanças de vida, procurando absorver e compreender essa nova realidade.1 A psico-oncologia surge com o obje vo maior de oferecer ao doente, à família e à equipe de saúde, apoio emocional que lhes permita enfrentar a doença, melhorando a qualidade de vida em todos os estágios, desde a prevenção, o diagnós co, o tratamento até a cura e/ou cuidados palia vos.2,3 O es gma do câncer desperta ansiedades no doente que estão relacionadas diretamente à morte e ao sofrimento, tanto sico quanto emocional, sendo desafiador trabalhar a busca de sen do para a vida. Doente e enfermidade se confundem, pois o câncer afeta a psique do paciente, alterando a visão da sua imagem interior.2 A doença fragiliza os mecanismos mentais que comandam o comportamento.4 Sendo assim, o diagnós co oncológico afeta a vida


15 Cuidados paliativos em oncologia Beatriz Fátima Pereira Guaragna, Rita Zambonato, Gislene Pontalti e Tamara Noronha Baumartt

INTRODUÇÃO É surpreendente que sendo a morte um acontecimento que afeta todas as pessoas, ainda seja um assunto pouco discuƟdo, mesmo entre os profissionais de saúde que supostamente convivem cronicamente com o processo de finitude. Os avanços tecnológicos e farmacológicos na oncologia, embora incontestáveis nem sempre têm sucesso no controle e remissão da doença, deixando assim a equipe mulƟprofissional diante da realidade dos pacientes em processo de morte e morrer. Os cuidados paliaƟvos oferecem, não apenas a possibilidade de suspender tratamentos considerados ineficazes ou inúteis, mas também a ampliação de assistência oferecida por uma equipe que pode cuidar dos sintomas responsáveis pelo sofrimento İsico, psíquico, social e espiritual, decorrente da progressão da doença e das sequelas de tratamentos agressivos usados no tratamento ou no controle da mesma. O impacto da ordem emocional é muito intenso, pois ainda existe uma crença de que a doença está relacionada à dor, aos tratamentos invasivos e à morte. No que concerne à dimensão social ocorre a redução da renda, dificuldades econômicas geradas pelos


18 Gestão administrativa da assistência em oncologia: a experiência de um hospital público geral e universitário Fabiana Souza Olaves e Vanise e Teresinha Amaral da Rocha

INTRODUÇÃO O gerenciamento das instituições hospitalares no Brasil e no mundo é desafiador para os seus gestores. Na iniciativa privada, o objetivo é oferecer assistência de qualidade que gere resultados financeiros positivos. Já na área pública, o foco é oferecer assistência humanizada de qualidade, atendendo às principais demandas da sociedade, gerando resultados sustentáveis, bem como os melhores desfechos epidemiológicos. A concepção de novas tecnologias, historicamente, tem direcionado a oferta dos serviços de saúde e o atual cenário de dificuldades financeiras e econômicas requer novas alternativas de gestão dos processos produtivos, que possibilitem a sua otimização. Para isso é necessário empregar sistemas de gestão que contribuam para redução das incertezas e auxiliem na tomada de decisão. Um dos pontos de maior dificuldade encontrado na gestão das insƟtuições públicas hospitalares é o fato de essas não conhecerem com profundidade seus processos e, por sua vez, não compreenderem as aƟvidades relacionadas. Tal cenário inviabiliza a existência

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