A Criança e o Adolescente:O que ,como e por que cuidar ?

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Fátima Rejane Ayres Florentino | Simone Travi Canabarro

A criança e o adolescente: O que, como e por que cuidar? Organizadoras: Fátima Rejane Ayres Florentino Simone Travi Canabarro

1ª edição 2014

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A criança e o adolescente: O que, como e por que cuidar? Os autores e a editora se empenharam para dar os devidos créditos e citar adequadamente a todos os detentores de direitos autorais de qualquer material utilizado neste livro, dispondo-se a possíveis acertos posteriores caso, involuntaria e inadvertidamente, a identiicação de algum deles, tenha sido omitida. Todas as fotos que ilustram o livro foram autorizadas para publicação e uso cientíico pelos pacientes e/ou familiares na forma de consentimento livre e informado, seguindo as normas preconizadas pela resolução 196 / 96, do Conselho Nacional de Saúde. Diagramação/Capa: Alvaro Lopes - Publikmais Revisão de Português: Suliani Editograia 1ª Edição / 2014

Todos os direitos de reprodução reservados para MORIÁ EDITORA LTDA. É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, no todo ou em parte, em quaisquer formas ou por quaisquer meios (mecânico, eletrônico, fotocópia, gravação, distribuição pela internet ou outros), sem permissão, por escrito, da MORIÁ EDITORA LTDA. Rua: Aracy Fróes, 258 / 902 Bloco XI - Jardim Itu Sabará Porto Alegre /RS - CEP: 91.210-230 Tel./Fax 51.3351.2361 moriaeditora@gmail.com www.moriaeditora.com.br C928 A criança e o adolescente: o que, como e por que cuidar? / organizadoras: Fátima Rejane Ayres Florentino, Simone Travi Canabarro. - Porto Alegre: Moriá, 2014. 632p. : il. Bibliograia ISBN 978-85-99238-12-7 1. Saúde da criança 2. Saúde do adolescente 3. Cuidados de enfermagem 4. Atenção à saúde I. Florentino, Fátima Rejane Ayres II. Canabarro, Simone Travi III. Título NLM WY159 Catalogação na fonte: Rubens da Costa Silva Filho CRB10/1761

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SUMÁRIO Organizadoras ......................................................................... 09 Colaboradores ........................................................................ 10 Prefácio ................................................................................... 19 Capítulo 1 Continuidades e permanências: o cuidado das crianças em um passeio pela história .......................................................... 23 Ubiratã Ferreira Freitas Capítulo 2 A criança e o adolescente: reflexões para o cuidado ........... 45 Heloísa Reckziegel Bello Luciana B. Redivo Drehmer Capítulo 3 Crescimento e desenvolvimento ............................................ 57 Ricardo Sukiennik Bárbara Hartung Lovato Camila Vieira Bellettini Hugo Octaviano Duarte Santos Raíssa Queiroz Rezende Capítulo 4 A família como geradora de cuidado à criança e ao adolescente: o que é família, como e por que cuidar? ......... 77 Gicelle Galvan Machineski Cíntia Nasi Marcio Wagner Camatta Capítulo 5 O processo de saúde a adoecimento na infância e na adolescência ...................................................................... 95 João Carlos Batista Santana Natália Corrêa de Corrêa Letícia de Salles Valiati

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Capítulo 6 A importância do ato de ler desde a tenra idade: o cuidado com o bem-estar social e intelectual da criança ................. 107 Luciana Aparecida Monteiro Florentino José Augusto Ayres Florentino Capítulo 7 Exame clínico: investigação e exame físico ......................... 121 Simone Travi Canabarro Fátima Rejane Ayres Florentino Kamyla Lameira Vieira Débora Hilário Ferreira Capítulo 8 Consulta de enfermagem à criança e ao adolescente ....... 141 Simone Travi Canabarro Amanda dos Santos Fragoso Débora Hilário Ferreira Fátima Rejane Ayres Florentino Solanger Graciana Paulão Perrone Capítulo 9 Cuidados com a criança e adolescente na atenção básica . 153 Fátima Rejane Ayres Florentino Simone Travi Canabarro Kamyla Lameira Vieira Giovana De Carli Lopes Capítulo 10 Políticas públicas de saúde voltadas para crianças e adolescentes e a problemática dos adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa ............................ 177 Cíntia Nasi Gicelle Galvan Machineski Ricardo Freitas Piovesan Marcio Wagner Camatta

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Capítulo 11 Saúde mental: das teorias aos problemas contemporâneos ... 195 Alice Hirdes Helena Beatriz Kochenborger Scarparo Capítulo 12 A criança e o adolescente em situação de violência .......... 219 Simone Algeri Capítulo 13 Saúde sexual na infância e na adolescência ....................... 231 Carolina Travi Canabarro Liliane Diefenthaeler Herter Capítulo 14 Saúde bucal em crianças e adolescentes ............................ 253 Cauana Oliva Tavares Gregório Oliva Tavares Caroline Mezzomo Sztiler Natalia Silva Rodrigues Roberta Kochemborger Scarparo Capítulo 15 Saúde ambiental na infância e adolescência ..................... 269 Ricardo Sukiennik Capítulo 16 Cultura da paz ....................................................................... 279 Luiza Maria Gerhardt Olga Rosaria Eidt Capítulo 17 A criança e o adolescente com distúrbios infecto-contagiosos . 293 Carolina Travi Canabarro Gregory Saraiva Medeiros Lessandra Michelim

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Capítulo 18 A criança e o adolescente com distúrbios oftalmológicos ... 325 Giovanni Marcos Travi Gregory Saraiva Medeiros Nathalia Travi Canabarro Capítulo 19 A criança e o adolescente com distúrbios cardiológicos ..... 347 Marcia Koja Bregeiron Maria Carolina Witkowski Capítulo 20 A criança e o adolescente com paralisia cerebral: aspectos nutricionais ............................................................. 373 Sônia Alscher Capítulo 21 O cuidado à criança e adolescente hospitalizados: pressupostos da segurança do paciente .............................. 397 Wiliam Wegner Juliane Cabral Eva Jaqueline Cardoso Maria Buratto Souto Capítulo 22 A criança e o adolescente com distúrbios respiratórios ........ 427 Ana Paula Vaz de Souza Carolina Weiss Barbisan João Carlos Batista Santana Capítulo 23 A criança e o adolescente com distúrbios uro nefrológicos . 447 Ana Elizabeth Prado Lima Figueiredo Débora Hilário Ferreira Kamyla Lameira Vieira

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Capítulo 24 A criança e o adolescente com distúrbios endocrinológicos ... 469 Marilisa Pickler Thaís Sena Mombach Barreto Nathalia Travi Canabarro César Geremia Capítulo 25 A criança e o adolescente com diabetes mellitus ................ 489 Marilisa Pickler Thaís Sena Mombach Barreto Nathalia Travi Canabarro César Geremia Capítulo 26 A criança e o adolescente: aspectos dermatológicos ......... 511 Letícia Maria Eidt Olga Rosaria Eidt Capítulo 27 Cuidado de enfermagem em ambiente cirúrgico ............... 537 Rita Catalina Aquino Caregnato Emiliane Nogueira de Souza Capítulo 28 Cuidados de enfermagem à criança e ao adolescente em estado crítico .................................................................. 563 Andriza Oliveira Moschetta Campagner Evelize Maciel de Moraes Giovanna De Carli Lopes Capítulo 29 Escores de intervenção terapêutica em unidade de terapia intensiva pediátrica ............................................................... 595 Simone Travi Canabarro Kelly Dayane Stochero Velozo Giovanna De Carli Lopes Pedro Celiny Ramos Garcia

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Posfácio Olhando para o futuro .......................................................... 613 Denise Ganzo Aerts Christiane Ganzo

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ORGANIZADORAS Fátima Rejane Ayres Florentino Enfermeira, graduada pela Universidade do Vale do rio dos Sinos – UNISINOS; Mestre em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS); Licenciada em Saúde Pública pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Especialista em Cuidados de Enfermagem ao Paciente Crítico pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Professora Assistente da Faculdade de Enfermagem, Nutrição e Fisioterapia (FAENFI) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul; Professora do Curso de Pós-Graduação da FAENFI; Professora convidada do Curso de Pós-Graduação do Instituto de Ensino e Pesquisa (IEP) do Hospital Moinhos de Vento (HMV).

Simone Travi Canabarro Enfermeira, graduada pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS; Doutora em Pediatria/Saúde da Criança pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS); Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) – Escola de Enfermagem (EE); Especialista de Saúde Pública (UFRGS-EE); Especialista em Administração Hospitalar (PUCRS); Professora Adjunta do Curso de Enfermagem da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA); Professora convidada do Curso de Pós-Graduação do Instituto de Ensino e Pesquisa (IEP) do Hospital Moinhos de Vento (HMV).

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COLABORADORES Alice Hirdes – Enfermeira; Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal de Santa Catarina; Doutoranda do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Psicologia Social da Pontificia Universdade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS); Docente da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA). Amanda dos Santos Fragoso – Enfermeira, graduada pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Ana Elizabeth Prado Lima Figueiredo – Enfermeira; Especialista em Enfermagem em Nefrologia pelo Guy’s Hospital de Londres; Mestre em Microbiologia Clínica pela FFFCMPA; Doutora em Ciências da Saúde pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS); Pós-Doutora em Imperial College Healthcare Londres; Professora Adjunta da Faculdade de Enfermagem, Nutrição e Fisioterapia da PUCRS. Ana Paula Vaz de Souza – Médica; Residente em Pediatria do Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (HSL-PUCRS). Andriza Oliveira Moschetta Campagner – Enfermeira; Mestre em Saúde da Criança/Pediatria pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS); Especialista em Enfermagem Pediátrica; Enfermeira de Treinamento da Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica do Hospital da Criança Santo Antônio (HCSA) da Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre (ISCMPA). Bárbara Hartung Lovato – Acadêmica de Medicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Camila Vieira Bellettini – Acadêmica de Medicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

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Carolina Travi Canabarro – Acadêmica de Medicina da Universidade de Caxias do Sul (UCS); Bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul (FAPERGS). Carolina Weiss Barbisan – Acadêmica de Medicina da Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Caroline Mezzomo Szitiler – Cirurgiã-Dentista, Especialista em Odontopediatria pela ULBRA; Acadêmica de Enfermagem da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Cauana Oliva Tavares – Cirurgiã-Dentista graduada pela PUCRS; Especialista (UFRGS) e Mestranda em Endodontia (PUCRS). Christiane Ganzo – Psicóloga; Formação em Psicoterapia Psicanalítica no Centro de Estudos Psicanalíticos de Porto Alegre (CEPdePA). Cíntia Nasi – Enfermeira; Doutora em Enfermagem pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Docente do Curso de Bacharelado em Enfermagem da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). César Geremia – Médico; Mestre em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Endocrinologista Pediátrico do Instituto da Criança com Diabetes, Grupo Hospitalar Conceição (GHC). Débora Hilário Ferreira – Enfermeira, graduada pela Faculdade de Enfermagem Nutrição e Fisioterapia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS); Residente em Urgência e Emergência do Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (HSL-PUCRS). Denise Ganzo Aerts – Médica; Mestre e Doutora em Medicina: Ciências Médicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Professora Adjunta na Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), no Curso de Medicina e no Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva. 1a Edição

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Emiliane Nogueira de Souza – Enfermeira; Doutora em Ciências da Saúde: Cardiologia e Ciências Cardiovasculares (UFRGS); Mestre em Ciências da Saúde: Cardiologia (ICFUC); Professora Adjunta do Curso de Enfermagem da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Eva Jaqueline Cardoso – Enfermeira; Programa de Melhoria da Qualidade e Segurança do Hospital da Criança Santo Antônio. Membro da REBRAENSP. E-mail: jaquecardoso@santacasa.tche.br. Evelize Maciel de Moraes – Enfermeira; Especialista em Terapia Intensiva pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS); Enfermeira da Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica do Hospital da Criança Santo Antônio de Porto Alegre (HCSA-ISCMPA). Gicelle Galvan Machineski – Enfermeira; Doutora em Enfermagem pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Professora do Curso de Graduação em Enfermagem da Faculdade Assis Gurgacz, do Paraná. Giovanna De Carli Lopes – Enfermeira, graduada pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Giovanni Marcos Travi – Médico pela Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre (FFFCMPA); Especialista em Oftalmologia Pediátrica e Estrabismo no Wills Eye Hospital, Phildadelphia, USA. Gregório Oliva Tavares – Acadêmico de Odontologia (UFRGS). Gregory Saraiva Medeiros – Acadêmico de Medicina da Universidade de Caxias do Sul (UCS); Bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul (FAPERGS). Helena Beatriz Kochenborger Scarparo – Psicóloga; Doutora em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS); Professora do Programa de Pós-Graduação da PUCRS.

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Heloísa Reckziegel Bello – Enfermeira; Mestre em Enfermagem; Doutoranda em Ciências Sociais (PUCRS); Professora da Faculdade de Enfermagem, Nutrição e Fisioterapia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Hugo Octaviano Duarte Santos – Acadêmico de Medicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). João Carlos Batista Santana – Médico Pediatra do Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS); Doutor em Ciências Médicas/Pediatria pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Mestre em Ciências Médicas/Pediatria pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul; Professor Adjunto da Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. José Augusto Ayres Florentino – Educador Físico, graduado pelo Instituto Porto Alegre (IPA); Especialista em Musculação e Treinamento de Força pela Universidade Gama Filho (UGF/RJ); Mestre em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS); Doutorando em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS); Professor Assistente do Curso de Educação Física da Faculdade Cenecista de Osório (FACOS); Professor do Centro Municipal de Educação Básica Dulce Moraes, de Esteio/RS; Professor do Ensino Técnico da Escola Factum de Porto Alegre. Juliane Cabral – Enfermeira. Mestranda em Administração dos Serviços de Saúde (UCES – Buenos Aires/AR). Enfermeira de Educação Continuada do Hospital da Criança Santo Antônio. Membro da REBRAENSP e SOBEP. E-mail: juliane.cabral@santacasa.tche.br. Kamyla Lameira Vieira – Enfermeira, graduada pela Faculdade de Enfermagem, Nutrição e Fisioterapia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Kelly Dayane Stochero Velozo – Enfermeira da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal do Hospital Moinhos de Vento (HMV); Mestranda em Pediatria/Saúde da Criança da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). 1a Edição

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Lessandra Michelim – Médica Infectologista; Mestre e Doutora em Biotecnologia (Microbiologia-Biologia Molecular); Professora Adjunta da disciplina de Infectologia na Universidade de Caxias do Sul (UCS); Coordenadora do Programa de Residência Médica em Infectologia; Coordenadora do CCIH do Hospital Geral e do Hospital da Unimed de Caxias do Sul. Letícia Maria Eidt – Doutora em Gerontologia Biomédica; Especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia; Coordenadora do Programa de Residência Médica de Dermatologia do Ambulatório de Dermatologia Sanitária da Secretaria de Estado da Saúde do Rio Grande do Sul. Letícia de Salles Valiati – Acadêmica da Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Liliane Diefenthaeler Herter – Médica; Doutora em Medicina: Ciências Médicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Professora Adjunta II da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA); Mestre em Medicina: Clínica Médica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul; Vice-Presidente da Comissão Nacional de Ginecologia Infanto-Juvenil da Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO); Delegada da Sociedade Brasileira de Obstetrícia e Ginecologia da Infância e Adolescência (SOGIA-Br); Assessora da Associação Latino-Americana de Obstetrícia e Ginecologia da Infância e Adolescência (ALOGIA); Membro Honorário Estrangeiro da Sociedade Argentina de Ginecologia Infanto-Juvenil. Luciana Aparecida Monteiro Florentino – Pedagoga, graduada em pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS); Professora do Colégio Santa Teresa de Jesus. Luciana B. Redivo Drehmer – Psicóloga, Mestre em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS); Psicanalista pelo Centro de Estudos Psicanalíticos de Porto Alegre (CEPdePA); Docente da Faculdade de Psicologia da PUCRS.

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Luiza Maria Gerhardt – Enfermeira; Mestre em Enfermagem Pediátrica pela Indiana University Indianapolis; Doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS); Professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Márcia Koja Breigeiron – Enfermeira; Professora da Escola de Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Mestre e Doutora em Ciências Biológicas – Fisiologia (UFGRS). Marcio Wagner Camatta – Enfermeiro; Doutor em Enfermagem pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Professor Adjunto do Curso de Enfermagem da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Maria Buratto Souto – Enfermeira; Mestre em Enfermagem (UFRGS); Enfermeira do Serviço de Enfermagem Pediátrica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA); Membro da SOBEP. Maria Carolina Witkowski – Enfermeira Assistencial do Hospital de Clínicas de Porto Alegre; Mestre em Ciências da Saúde – Cardiologia, pela Fundação Universitária de Cardiologia/Instituto de Cardiologia do RS. Marilisa Pickler – Enfermeira do Instituto da Criança com Diabetes, Grupo Hospitalar Conceição, de Porto Alegre (GHC). Natália Corrêa de Corrêa – Acadêmica da Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Natalia Silva Rodrigues – Enfermeira, graduada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Nathalia Travi Canabarro – Acadêmica de Medicina da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA).

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Olga Rosária Eidt – Livre-Docente em Enfermagem Pediátrica; Doutora em Ciências da Saúde; Professora Titular da Faculdade de Enfermagem, Fisioterapia e Nutrição da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Pedro Celiny Ramos Garcia – Médico; Doutor em Medicina/ Pediatria; Professor Adjunto do Departamento de Pediatria e do Programa de Pós-Graduação em Pediatria e Saúde da Criança (Mestrado/Doutorado) da Faculdade de Medicina da PUCRS; Médico Chefe do Serviço de Terapia Intensiva Pediátrica do Hospital São Lucas da PUCRS. Raíssa Queiroz Rezende – Acadêmica de Medicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Ricardo Freitas Piovesan – Enfermeiro da Fundação de Atendimento Socioeducativo do Rio Grande do Sul. Ricardo Sukiennik – Doutor em Pneumologia pela UFRGS; Mestre em Pediatria pela EPM/UNIFESP; Especialista em Ensino Médico pelo Instituto FAIMER/UFCE; Professor Adjunto do Departamento de Pediatria da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Rita Catalina Aquino Caregnato – Enfermeira; Doutora em Educação (UFRGS); Mestre em Enfermagem (UFRGS); Professora Adjunta do Curso de Enfermagem da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA); Professora da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA). Roberta Kochenborger Scarparo – Doutora em Odontologia – Endodontia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS); Mestre em Clínica Odontológica – Endodontia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Especialista (Associação Brasileira de Odontologia – ABO-RS); Professora Adjunta da Faculdade de Odontologia da PUCRS. Simone Algeri – Enfermeira; Professora Adjunta do Departamento Materno-Infantil da Universidade Federal do Rio Grande do Sul 16

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(UFRGS); Coordenadora do Projeto de Extensão Atendimento e Prevenção à Crianças Vítimas de Violência da Universidade Federal do Rio Grande do Sul; Especialista em Saúde Mental e Psiquiatria pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul; Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Grande do Sul; Integrante do Programa de Proteção à Criança do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Sônia Alscher – Nutricionista; Especialista em Nutrição Clínica pela Associação Brasileira de Nutrição; Especialista em Saúde Coletiva pela Escola de Saúde Pública/RS; Mestre em Bioquímica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul; Professora Adjunta da Faculdade de Enfermagem, Nutrição e Fisioterapia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS); Professora do Curso de Especialização em Terapia Intensiva e Terapia Nutricional da Pontifícia Católica do Rio Grande do Sul. Solanger Graciana Paulão Perrone – Enfermeira do Serviço em Saúde Pública do Hospital de Clínicas de Porto Alegre – Consulta de Enfermagem a Saúde da Criança e do Adolescente; Especialista em Transtornos do Vínculo e Clínica da Perinatalidade pela Université de Provence Aix Marseille I, França. Thais Sena Mombach Barreto – Acadêmica de Medicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). Ubiratã Ferreira de Freitas – Mestre em História Regional pela Universidade Passo Fundo (UPF); Especialista em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS); Professor da rede pública do Estado do Rio Grande do Sul; Licenciatura em História. Wiliam Wegner – Enfermeiro; Doutor em Enfermagem (UFRGS). Professor Adjunto do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e Professor Titular do Centro Universitário Metodista IPA. Membro da Rede Brasileira de Enfermagem e Segurança do Paciente (REBRAENSP) e Sociedade Brasileira de Enfermeiros Pediatras (SOBEP). 1a Edição

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Prefácio Esta obra, em sua totalidade, almeja apresentar ao leitor uma visão ampliada e integral da atenção à saúde da criança e do adolescente, trazendo ao longo dos seus capítulos uma diversidade de questões relevantes e atuais que percorrem o cotidiano da prática da equipe multiprofissional de saúde aliado ao conhecimento científico, o qual embasa as melhores práticas no cuidado em saúde dessa parcela. Apesar da diminuição da população infanto-juvenil no contexto brasileiro, este público ainda representa aproximadamente um terço da nossa população, correspondendo a mais de 63 milhões de pessoas (em torno de 33% da população brasileira), os quais apresentam uma diversidade de questões a serem acompanhadas e monitoradas pela área da saúde e educação, entre outras que estudam a criança e o adolescente. Com base nessa justificativa, a obra intitulada “A criança e o adolescente: o que, como e por que cuidar?” é fruto de um esforço coletivo produzido por docentes, pesquisadores e profissionais da saúde e áreas afins que resolveram brindar os leitores com suas experiências com este público, além de proporcionar uma atualização científica sobre os principais temas que singularizam o cuidado na saúde da criança e do adolescente na atualidade. Uma característica a ser enfatizada se traduz no esforço das organizadoras em idealizar uma concepção interdisciplinar na construção da obra, incluindo uma equipe multiprofissional com historiador, pedagoga, nutricionista, enfermeiros, médicos, psicólogos e cirurgiões-dentistas, realçando que o cuidado à criança, adolescente e família deve ser pautado nessa proposta. Os primeiros capítulos abordam os pressupostos básicos para a compreensão da criança e do adolescente enquanto ser-pessoa que tem peculiaridades ao longo da vida e o papel da família diante deste contexto. Estes capítulos introduzirão ao leitor uma noção da história da infância e do cuidado no início da vida, apresentarão características do crescimento e desenvolvimento enquanto processo permanente e contínuo do ser hu-

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mano, destacando o papel da família como unidade cuidadora e sua importância no cuidado à criança e ao adolescente e a importância do desenvolvimento social e intelectual da criança mediado pela leitura na construção do seu conhecimento e das suas experiências. A partir desta contextualização inicial, o livro direciona as temáticas para particularidades da saúde, iniciando pelo entendimento do processo de saúde e adoecimento na infância e adolescência, introduzindo o exame clínico como ferramenta para o raciocínio clínico e pensamento crítico a partir das informações obtidas na anamnese e no exame físico. Nesta continuidade, a obra contempla tópicos mais próximos da atenção primária em saúde, abordando a consulta de enfermagem e os principais cuidados de enfermagem neste contexto. As Políticas Públicas de Saúde voltadas à criança e ao adolescente e as medidas socioeducativas para adolescentes são discutidas, apresentando as diretrizes propostas pelo governo e suas instâncias para atenção à saúde e os programas que estão voltados para essa população. Nos capítulos seguintes são estudados aspectos comportamentais e vulnerabilidades próprias da criança e do adolescente, problematizando a saúde mental, as violências, a saúde sexual e a promoção da cultura da paz. Ainda é importante destacar que a obra apresenta assuntos inovadores na atenção à saúde da criança e do adolescente quando dialogam sobre a saúde bucal e a saúde ambiental, respectivamente, por se tratar de tópicos nem sempre inclusos em livros sobre o cuidado à criança e ao adolescente. Também frisam a segurança do paciente e os principais eventos adversos da assistência à criança-adolescente hospitalizados e as estratégias para o desenvolvimento de uma cultura de segurança entre os implicados. A partir da metade do livro, apresenta-se uma série de assuntos referentes à atenção à saúde da criança e do adolescente relacionados aos distúrbios e complicações mais frequentes conforme os sistemas anatomofisiológicos e/ou especialidades (infectocontagiosos, respiratórios, oftalmológicos, dermatológicos, cardiológicos, uronefrológicos, endócrinos, diabetes mellitus, em estado crítico, em ambiente cirúrgico e com paralisia cerebral

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e seus aspectos nutricionais) envolvidas na assistência à saúde oferecida pela equipe multiprofissional. Ao final, enfatizam-se os escores de intervenção terapêutica em Unidade de Terapia Intensiva como componentes balizadores no cuidado ao público infanto-juvenil e na instrumentalização para os profissionais da saúde que atuam no contexto do paciente gravemente enfermo. A obra foi produzida e organizada para atender a todos aqueles que se interessam pelo cuidado à criança e ao adolescente e almejam uma assistência de qualidade e excelência, pautada nos princípios do Sistema Único de Saúde, no seguimento e implementação das políticas públicas de saúde direcionadas a esse público, nos pressupostos do cuidado centrado na criança-adolescente e sua família e na garantia dos direitos fundamentais que enfatizam a prioridade de atenção e cuidado ao público infanto-juvenil. Espera-se que o conteúdo da obra promova a reflexão, o debate, a crítica e a problematização dos principais assuntos que permeiam o cuidado à criança e ao adolescente no cenário nacional e internacional. O questionamento inicial da obra “o que, como e por que cuidar?” será respondido ao final da leitura a partir do momento em que o leitor realizar suas reflexões baseadas em evidências científicas contidas ao longo dos textos que projetam um olhar ampliado e integral sobre a criança e o adolescente. Com isso, é oportuno considerar que se espera dos leitores dessa obra a aquisição de competências, habilidades e atitudes que os instrumentalize ao cuidado integral, afetivo, criativo, interdisciplinar e multiprofissional na atenção à saúde da criança, do adolescente e da família. Esta obra poderá orientar e capacitar estudantes, pesquisadores, docentes, profissionais da saúde e as próprias famílias na adesão e compreensão das melhores práticas na assistência à saúde da criança e do adolescente em seus múltiplos contextos, seja na atenção primária, secundária ou terciária ou no próprio ambiente escolar, além de poder motivar futuras pessoas para a militância do estudo da criança e do adolescente enquanto parcela especial da nossa população. Por conseguinte, é feito o convite para que estudantes, profissionais da saúde e áreas afins,

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docentes e pesquisadores efetuem a leitura e consulta a obra recomendada. A todos os colaboradores e parceiros desta grande causa, o meu muito obrigado, pela oportunidade de compartilhar reflexões e conhecimentos sobre a criança e o adolescente! Desejo a todos uma proveitosa e profícua leitura! Prof. Dr. Wiliam Wegner Professor Adjunto I – Departamento de Enfermagem Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) Professor Titular do Centro Universitário Metodista IPA Membro da Rede Brasileira de Enfermagem e Segurança do Paciente (REBRAENSP) Membro da Sociedade Brasileira de Enfermeiros Pediatras (SOBEP)

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Exame clínico: investigação e exame físico Simone Travi Canabarro Fátima Rejane Ayres Florentino Kamyla Lameira Vieira Débora Hilário Ferreira

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Introdução O cuidado da criança nos primeiros anos de vida é determinante para um crescimento e desenvolvimento pleno e harmonioso dentro das possibilidades de cada indivíduo. Avaliar o paciente pediátrico é um método empregado na assistência, o qual se inicia pelas etapas de anamnese e exame físico. Esses passos permitem que se estabeleçam prioridades através da elaboração dos diagnósticos de enfermagem e prescrição de cuidados voltados para as necessidades individuais de cada criança ou adolescente. A anamnese é definida por um termo grego, que significa lembrança. Refere-se à informação acerca do principio e da evolução de uma doença até a primeira observação do profissional de saúde1. É nesta esta etapa que o enfermeiro tem a oportunidade de aproximar-se do paciente para estabelecer um vínculo positivo e prosseguir com sucesso nas próximas etapas do exame clínico. Como se trata de um paciente pediátrico, pode-se afirmar que possui um diferencial quando comparado com a investigação de um paciente adulto, pois a criança e o adolescente estão acompanhados dos pais ou responsáveis, que são seus maiores observadores. Por essa razão, absolutamente nada do que eles disserem deve ser menosprezado, já que estes podem revelar elementos essenciais para uma abordagem integral da criança ou adolescente na sua saúde. Assim, valorizar a anamnese é primordial para obter dados fidedignos que só são captados pela escuta e observação atenta com base em uma entrevista bem conduzida. Conhecer o nome da criança e data de nascimento são premissas básicas que devem ser buscadas antes de receber a criança e seus pais no consultório.

Investigação no paciente pediátrico A investigação do paciente pode ser iniciada pela anamnese, que é composta por etapas que devem ser seguidas com atenção, contemplando respostas completas, para que se obtenha uma visão integral do paciente. É necessário considerar a 122

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possibilidade de dificuldade/barreira de comunicação dos pais e cuidadores por uso de língua estrangeira ou ainda por linguagem específica como, por exemplo, o Braile; nesses casos, os profissionais não instrumentalizados buscam a parceria de membros da equipe de saúde que dominem a linguagem específica. A barreira de comunicação pode ser visual (diminuição da acuidade ou cegueira), auditiva, de fala ou outras como cultural, psicomotora, emocional ou religiosa. Identificação A identificação da criança e do adolescente é a etapa inicial e inclui variáveis como: nome, cor, sexo, idade, data de nascimento, procedência, data de internação ou consulta e número de prontuário. No caso da criança ou adolescente estarem hospitalizados, deve ser identificada a unidade de internação e leito. É importante que os dados sejam coletados e verificados cotidianamente de maneira fidedigna; isso contribui para uma prática de segurança dos pacientes na busca de que não ocorram equívocos na identificação. Queixa principal (QP) No primeiro momento deve-se procurar saber o motivo da procura do serviço de saúde e questionar sobre tempo e duração dos sinais e sintomas da criança e/ou adolescente. Esses dados devem ser coletados junto ao paciente com auxílio dos responsáveis, que, por sua vez, trazem preocupações que motivaram a busca do serviço de saúde. História de doença atual (HDA) Nesta etapa pode-se fazer uma clara e cronológica narrativa dos problemas relacionados na queixa principal. Pode-se questionar se a criança estava bem antes do início dos sintomas e se apresenta alguma doença prévia ou crônica. É importante também descrever os sintomas quanto à localização, intensidade, frequência, periodicidade, fatores de agravo, alívio e duração. É fundamental questionar sobre manifestações associadas à queixa principal e que providências foram tomadas, como, por exemplo, se foi utilizado algum medicamento ou feita consulta em outro local, se é a primeira vez que ocorre ou se o problema 1a Edição

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Capítulo 11

Saúde mental: das teorias aos problemas contemporâneos Alice Hirdes Helena B. K. Scarparo

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A criança e o adolescente: O que, como e por que cuidar?

Introdução Vários autores estudaram o desenvolvimento humano sob diferentes linhas de abordagem: Freud, Sullivan, Erikson, Piaget. Especialistas no desenvolvimento infantil situam o período neonatal e início da infância como os principais períodos da vida para a ocorrência das mudanças do desenvolvimento. Entretanto, especialistas no desenvolvimento do ciclo vital defendem que as pessoas se desenvolvem e se modificam por toda a vida1,2. Diferentes teorias descrevem as tarefas evolutivas da adolescência: a teoria biológica, a psicanalítica, a psicossocial, a do apego, a cognitiva, a cultural e a multidimensional. A teoria biológica coloca a ênfase no crescimento físico, enquadrando as mudanças em duas categorias – hormonais e somáticas – que influenciariam os sentimentos, os pensamentos e as ações. De acordo com a teoria psicanalítica de Freud, os cinco primeiros anos de vida são importantes para o estabelecimento de traços que se tornam permanentes na idade adulta. Freud foi o primeiro a identificar o desenvolvimento por estágios. A teoria considera a estrutura e a dinâmica da personalidade, a estrutura da mente e os estágios de desenvolvimento da personalidade. A fixação num estágio do desenvolvimento poderia ocasionar uma psicopatologia. A descrição psicanalítica clássica da adolescência foi modificada por Erikson, Sullivan e outros que defendem o efeito dos fatores sociais sobre o desenvolvimento. Para os defensores da teoria social, os adolescentes tentam estabelecer uma identidade dentro do ambiente social. Tentam coordenar segurança, intimidade e satisfação sexual em seus relacionamentos. Veem os problemas emocionais como decorrentes dos conflitos entre as necessidades de segurança, autoestima, proximidade e intimidade3. O representante da teoria do apego, John Bowlby, defende que crianças e adolescentes que tenham vivenciado situações traumáticas ou de apego inseguro, resistente ou desorganizado, poderão desenvolver respostas desadaptadas em etapas futuras do desenvolvimento. O apego pode ser conceituado como o laço de amor entre uma criança e o seu cuidador. O apego seguro: diante de estranhos e do afastamento e do retorno da mãe, a criança procura e é facilmente confortada pela mãe no retorno, mesmo tendo protestado à sua saída. Esse tipo de apego favorece a 196

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adequação de relacionamentos na infância e na vida adulta. O apego inseguro caracteriza-se por crianças que não reclamam à saída da mãe, evitando-a no seu retorno ou agindo como se nada tivesse acontecido; o apego resistente: bebês que ficam muito aflitos na saída da mãe e, quando ela volta, aproximamse e afastam-se dela alternadamente. Tanto o apego evitativo como o resistente consolidam relacionamentos inseguros e instáveis, nos quais o indivíduo dificilmente alcança padrão de trocas afetivas baseadas em confiança mútua. O apego desorganizado caracteriza-se por crianças que parecem confusas e com medo diante do afastamento e da aproximação da mãe. É comum em crianças maltratadas, filhos de mães deprimidas e crianças cujas mães sofreram perdas precoces de suas próprias figuras de apego. Neste último há um prejuízo emocional evidente4. Estudos demonstram que um vínculo de apego seguro é importante para o desenvolvimento e serve como uma matriz interna que determina como nos relacionaremos com o mundo. Entretanto, uma infância feliz não pode impedir experiências infelizes posteriores. Pesquisas mostram que, mesmo crianças que vivenciaram traumas durante os seus primeiros anos de vida, podem tornar-se seguras e ser adultos bem-sucedidos. Ou seja, o apego na infância não prediz totalmente as relações adultas; outras variáveis estão em jogo, como estressores familiares, divórcios, nascimento de um irmão ou irmã, pobreza. A depressão, sobretudo materna, é particularmente perigosa para o desenvolvimento emocional. Da mesma forma, pais submetidos à violência crônica, à pobreza e à falta de emprego, frustrados e desesperançados, podem tornar-se incapazes de cuidar bem de seus filhos4. Na perspectiva da teoria do desenvolvimento cognitivo (Piaget), a adolescência é um estágio avançado do funcionamento cognitivo, no qual a capacidade de raciocínio vai além de objetos concretos, do pensamento concreto para o pensamento abstrato, denominado por Piaget como pensamento formal. Essa capacidade, denominada de lógica operatória, permite que conclusões sejam formadas e que a reflexão ocorra sem que a realidade ou o objeto estejam presentes. Os defensores da teoria cultural veem a adolescência como um período em que o indivíduo acredita que merece privilégios adultos, que lhe são negados. Este estágio termina quando a sociedade confere ao adolescente a condição de adulto3. 1a Edição

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Capítulo 12

A criança e o adolescente em situação de violência Simone Algeri

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A criança e o adolescente: O que, como e por que cuidar?

“A melhor maneira de tornar as crianças boas é torná-las felizes.” (Autor desconhecido)

Refletir sobre o fenômeno da criança e do adolescente em situação de violência requer, antes de tudo, conhecer a problemática e, ao reconhecê-la, exige-se, além de nosso posicionamento enquanto pesquisadoras, uma opção de vida em assumir a causa e combatê-la, acreditando no trabalho conjunto pela construção de infâncias mais felizes. Para a violência que acomete crianças e adolescentes, o Ministério da Saúde define: “Quaisquer atos ou omissões dos pais, parentes, responsáveis, instituições e, em última instância, da sociedade em geral, que redundam em dano físico, emocional, sexual, e moral às vítimas”1. Segundo Quaglia, Marques e Pedebos2, o trabalho com essa realidade exige a compreensão acerca da complexidade e da diversidade que envolvem as situações de violência em suas modalidades contra crianças e adolescentes e, assim, a busca por caminhos para o enfrentamento dessa realidade no cotidiano profissional. Ao longo de minha trajetória como enfermeira e docente, considero que a criança e o adolescente em situação de violência estão muito longe das estatísticas reais fornecidas pela mídia ou órgãos oficiais, e cada vez mais necessitam de intervenção apropriada. Estudos com amostras populacionais sobre violência contra crianças e adolescentes variam muito ao redor do mundo3. No campo da saúde, somente a partir dos anos 60 é que houve um real interesse com a questão da violência contra a criança, principalmente pela pediatria norte-americana, influenciada pelo movimento feminista, o qual denunciou as agressões ocorridas dentro dos lares4. Canha5 relata, como exemplo, que o estado de New York, nos Estados Unidos da América, e o Reino Unido gastam, respectivamente, 44 milhões de dólares e 1 bilhão de libras por ano com as crianças vítimas de violência familiar, em internações hospitalares, no atendimento nos serviços de urgência e em consultas. Nos Estados Unidos, estima-se que, por ano, a violência familiar afete 10 milhões de lares americanos6. 220

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Apesar das diferentes formas de violência praticadas contra a criança, tais como: violência sexual, psicológica, negligência, síndrome de Münchausen por procuração, síndrome do bebê sacudido, entre outras, o presente capítulo, aborda especificamente a situação da violência intrafamiliar e focaliza especialmente a violência física. Cada tipo de violência pode ocorrer isoladamente; no entanto, é muito frequente a associação de dois ou mais tipos na mesma criança ou adolescente, o que agrava significativamente o quadro de sequelas. No Brasil, é expressiva a violência que afeta a vida de crianças e adolescentes, não sendo possível estimar com segurança a magnitude dessa situação em função de diferenciados instrumentos de aferição e variedade de grupos etários, dentre outras questões metodológicas7. A violência intrafamiliar ocorre nas relações hierárquicas e intergeracionais. Atinge mais as crianças do que os adolescentes, em função de sua maior fragilidade física e emocional. Consiste em formas agressivas da família se relacionar, pelo uso da violência como solução de conflito e estratégia de educação. Inclui, ainda, a falta de cuidados básicos com seus filhos1. A violência intrafamiliar é uma causa importante de lesões em crianças e adolescentes, de possíveis posteriores estados de deficiência física e/ou mental e até de morte. Esse fenômeno, como problemática ampla de saúde coletiva, emerge da dinâmica interna de cada família, agregada a fatores externos, tais como o contexto socioeconômico, político e cultural em que a família se insere. Há que se considerar, quando se trata de violência física, o tipo de instrumento utilizado, a intensidade, o local do trauma e a distribuição da lesão. Ocorre atraso na procura de atendimento e surgem histórias contraditórias e inconsistentes contadas entre os pais, ou entre os pais e a criança1. O Ministério da Saúde, em seu Caderno de Atenção Básica nº 8 – Violência Intrafamiliar –, apresenta a lista de manifestações clínicas que podem estar presentes na criança agredida e para as quais os profissionais de enfermagem, e os de saúde em geral, devem ficar atentos. Entre os físicos estão: abrasões no rosto, nádegas e membros; equimoses e hematomas no tronco e nádegas; 1a Edição

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Capítulo 25

A criança e o adolescente com diabetes mellitus

Marilisa Pickler Thaís Sena Mombach Barreto Nathalia Travi Canabarro César Geremia

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A criança e o adolescente: O que, como e por que cuidar?

Introdução O diabetes mellitus é uma síndrome de etiologia múltipla, caracterizada por hiperglicemia crônica e desequilíbrio no metabolismo de carboidratos, proteínas e gorduras. Ocorre em decorrência de produção deficiente de insulina ou dificuldade desta em exercer adequadamente os seus efeitos biológicos (resistência insulínica), ou por uma combinação de ambos os fatores²-³. A falta relativa ou absoluta de insulina associada a graus variáveis de resistência à sua ação reduz a captação celular de glicose, principalmente no fígado, músculo e tecido adiposo, ocasionando a elevação dos níveis sanguíneos de glicose. Há, no entanto, diferenças substanciais na fisiopatologia das diferentes formas de diabetes, como será discutido sucintamente nesse capítulo. A hipergligemia crônica e outras anormalidades bioquímicas, hormonais e moleculares, juntamente com fatores genéticos, são responsáveis pelo surgimento de complicações crônicas da doença, caracterizadas por disfunção e falência de diferentes órgãos, especialmente os olhos, rins, nervos, coração e vasos sanguíneos³. O diabetes é classificado atualmente de acordo com sua etiologia e o seu correspondente mecanismo de desenvolvimento. A classificação baseada no uso ou não de insulina não é mais adequada, visto que pacientes com diabetes tipo 2 (DM2), anteriormente designado não-insulino dependente ou diabetes do adulto, podem vir a necessitar de tratamento com insulina. Além disso, o DM2 tem sido diagnosticado com frequência crescente na faixa etária pediátrica; o diabetes tipo 1(DM1), anteriormente designado diabetes dependente de insulina ou diabetes juvenil, pode ocorrer em qualquer idade. Tabela 1 – Classificação etiológica do diabetes mellitus I. Tipo 1 (destruição das células beta, geralmente deficiência absoluta de insulina) 1. Autoimune (90-95%) 2. Idiopático II. Tipo 2 (graus variáveis de deficiente secreção e de resistência insulínica) 490

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III. Outros tipos específicos 1) Defeito genético da célula beta. 2) Defeito genético na ação da insulina. 3) Doenças do pâncreas exócrino: pancreatite, trauma, fibrose cística, pancreatectomia. 4) Endocrinopatias: gigantismo/acromegalia, s. de Cushing, feocromocitoma, hipertireoidismo. 5) Drogas: asparaginase, pentamidina, vacor, ácido nicotínico, glicocorticoides, diaxóxido, interferon, etc. 6) Infecções: rubéola e citomegalovirose congênitas. 7) Associado a síndromes genéticas: s. de Down, Klinefelter, Turner, Wolfram, etc. IV. Diabetes gestacional Adaptado de American Diabetes Association, 20114

O diabetes é uma epidemia global que avança de forma preocupante em todos os continentes. A Federação Internacional de Diabetes4 estima que existam atualmente 340 milhões de pessoas com diabetes no mundo, e prevê que em 2030 serão mais de meio bilhão de pessoas acometidas. Este aumento na frequência do diabetes é mais significativo em países emergentes, especialmente na África, no Oriente Médio, na América Latina e no Pacífico Sul. No Brasil, existem atualmente 10,4 milhões de pessoas com diabetes (9,7% da população) e estima-se que serão quase 20 milhões em 2030, 63% do sexo feminino5. O DM1 corresponde a 5 a 10% dos casos de diabetes, sem preferência de sexo ou nível socioeconômico, sendo diagnosticado principalmente em crianças e adolescentes e, portanto, será o foco principal do nosso estudo. A incidência do DM1 vem crescendo mundialmente e apresenta acentuada variação geográfica, variando de 0,5 novos casos/100.000 indivíduos/ano na Coreia a 57,6/100.000/ano na Finlândia. Nesse último país, a incidência aumentou de 18/100.00/ ano em 1965 para 45/100.00/ano em 1996. No Brasil, a IDF estima uma incidência de 7,7 novos casos/100.000 crianças/ano na faixa etária de zero a 14 anos. A incidência de DM1 tem aumentado principalmente na população infantil com menos de 5 anos de idade5-6. 1a Edição

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Capítulo 28

Cuidados de enfermagem à criança e ao adolescente em estado crítico Andriza Oliveira Moschetta Campagner Evelize Maciel de Moraes Giovanna De Carli Lopes

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A criança e o adolescente: O que, como e por que cuidar?

Introdução Crianças e adolescentes em estado crítico, com ou sem instabilidade hemodinâmica, necessitam de recursos materiais especializados e de cuidados ininterruptos prestados por uma equipe interdisciplinar e capacitada1. Por isso, eles permanecem internados em uma unidade que oferece todo esse suporte complexo do qual necessitam: a unidade de terapia intensiva pediátrica (UTIP). Para que se ofereça uma assistência de qualidade, uma UTIP depende de vários fatores, tais como espaço físico, recursos materiais em abundância, tecnologia e um quantitativo de profissionais adequado às demandas da unidade pediátrica a ser trabalhada2. Além disso, o cuidado adequado à criança e ao adolescente gravemente enfermos pressupõe sensibilidade por parte dos profissionais diante do reconhecimento de suas necessidades, visto que estamos falando de um organismo que está em desenvolvimento, tanto no aspecto fisiológico e anatômico quanto no psicológico. Sendo assim, a equipe de enfermagem constitui peça fundamental no cuidado a esses pacientes, visto que, por passar mais tempo na assistência direta ao paciente, desenvolve a sensibilidade e a habilidade do cuidado integral e humanizado.

Critérios de admissão e alta do paciente crítico A unidade de terapia intensiva pediátrica oferece cuidados a pacientes em condições graves, potencialmente recuperáveis, que necessitam de observação detalhada e cuidados intensivos. Como cada unidade apresenta uma população de pacientes, torna-se necessário desenvolver um plano individual, especializado e adequado de acordo com o seu meio, visando a modelos compatíveis. Faz-se necessário estabelecer prioridades, tais como a triagem para a admissão dos pacientes em UTIP, com a finalidade de referência aos profissionais2-3. Prioridade 1: pacientes graves, instáveis, que necessitam de tratamento intensivo e de monitorização em UTI com suporte de 564

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órgãos ou sistemas, como ventilação mecânica, drogas vasoativas, métodos dialíticos2-3. Prioridade 2: pacientes com monitorização intensiva e potencial intervenção imediata, sem limites terapêuticos. Incluem-se pacientes de base que desenvolveram doença ou que apresentam intercorrência aguda clínica ou cirúrgica2-3. Prioridade 3: pacientes cujas condições prévias reduzem a possibilidade de recuperação e não se beneficiam com o tratamento da unidade de terapia intensiva. Esses pacientes têm limites terapêuticos2-3. Prioridade 4: pacientes fora de possibilidade terapêutica que geralmente não têm indicação em UTI2-3. Os critérios para alta do paciente em UTIP devem ser manejados de forma adequada, quando não necessitarem mais de cuidados intensivos ou quando não se beneficiarem mais dos cuidados oferecidos3.

Monitorizações no paciente crítico O funcionamento dos sistemas orgânicos mais importantes para a manutenção da vida é expresso por determinados sinais vitais. A observação e o controle destes sinais demonstram as condições gerais do paciente. A equipe assistencial deve ser capaz de reconhecer e diferenciar as manifestações de alteração hemodinâmica da criança e do adolescente. Diferenças e desvios revelam ao observador as alterações físicas e funcionais que estão repercutindo naqueles sistemas1,4-5. O paciente crítico necessita de constante e rigorosa atenção de enfermagem, portanto, o enfermeiro deve analisar dados que compreendam a história do paciente, a avaliação dos sistemas, o exame físico, além de resultados laboratoriais e de imagem. Assim, desenvolve-se um plano de cuidados baseado em evidências, aplicado, principalmente, à sua prescrição de enfermagem norteada pelos diagnósticos de enfermagem. É fundamental considerar a faixa etária da criança quando se verificam os sinais vitais, visto que as crianças são propensas a maior instabilidade repentina a partir do momento em que apresentam alguma disfunção5-6. 1a Edição

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Posfácio

Olhando para o futuro

Denise Ganzo Aerts Christiane Ganzo

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A criança e o adolescente: O que, como e por que cuidar?

Depois de vinte e nove capítulos abordando os cuidados necessários para a promoção, proteção e recuperação da saúde de crianças e adolescentes, este se dedica aos cuidados que preparam os jovens para viverem suas vidas com saúde emocional, habilitando-os para a construção de sua própria felicidade. Para nós, felicidade é sinônimo de saúde emocional. É por isso que afirmamos que não existe saúde emocional sem felicidade e não existe felicidade sem saúde emocional1. Quando dizemos felicidade, não estamos nos referindo ao conceito do senso comum, que a trata como sinônimo de alegria. Quem assim pensa, quando não se sente alegre, percebe-se infeliz. A alegria é uma emoção intensa, aguda, de pequena duração2. Perdura enquanto estamos encharcados, bioquimicamente, com os hormônios do prazer, quando ainda não nos acostumamos com o contentamento relacionado ao fato ocorrido. Nessas ocasiões, independente de sua natureza, esse fato corresponderá, inequivocamente, à realização de um desejo. Em nossa cultura, na imensa maioria das vezes, habituamo-nos com a ideia de que, quando realizamos um desejo, deixamos de desejar o obtido. Ora, se assim procedermos, não há como manter nosso estado de contentamento. Por outro lado, se aprendermos a produzir nossa própria felicidade, ela não será uma emoção fugaz; será um sentimento. Aqui, definimos sentimento como o produto do significado que cada um de nós atribui às emoções experienciadas. Assim, para nós, felicidade é um sentimento produzido por um sujeito que dedicou sua melhor atenção para cuidar bem de si e realizar escolhas saudáveis. O resultado? Tristemente, os resultados não dependem exclusivamente de nós. Mesmo quando nos empenhamos na direção do nosso próprio cuidado e realizamos as ações escolhidas, é possível que não colhamos os resultados desejados e que fiquemos tristes. Felizes e tristes. Felizes pela certeza de termos feito tudo o que nos cabia para cuidar bem de nós e tristes por não termos obtido os resultados desejados. Assim, este capítulo se dedica a oferecer aos leitores uma tecnologia de gestão emocional que, se aprendida e utilizada, proporcionará um viver saudável e, portanto, feliz. Referimo-nos a um tipo específico felicidade – a felicidade possível – e nos afastamos, definitivamente, da felicidade idealizada e, por isso, nunca alcançada. 614

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