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Fotografia: José Tourais

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1 Fotografia: Jesús Renedo/Acciona


Vela

Vendeé Globe 2012-2013

Razia na Primeira Semana

A largada Sábado, 10 de Novembro de 2012. Les Sables d’Olonne. 13 horas e 2 minutos (fuso horário francês). Vinte IMOCA60 estão à largada da mais mítica das regatas.

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figuram entre os que mais se adequam a estas duas dezenas de velejadores. Fazer uma volta ao mundo em solitário, sem escalas nem assistência, transforma qualquer outro desporto dito radical numa brin-

cadeira de miúdos. As condições meteorológicas que a frota conhece dobrando os três cabos – Boa Esperança, Leeuwin e Horn – são extremas e apenas os mais fortes conseguem chegar ao fim. A velha máxima “only the strong

Fotografia: Jean-Marie Liot / DPPI

omeçou a Vendée Globe. Os epítetos pelos quais são conhecidos os skippers esclarecem qualquer dúvida. Talvez loucos, não seja o mais adequado mas aventureiros e destemidos,

O líder da regata, Banque Populaire 2

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survive”, adoptada da teoria de Darwin, poderia ser aplicada como lema da prova, mas outras de cariz militar também assentam como uma luva. Aguarda-se sempre abandonos e longe vão os tempos dos acidentes mortais que ensombraram a prova. O que não se esperaria é que com menos de uma semana de Vendée Globe já houvesse quatro retirados. O Safran, de Marc Guillemot, foi o primeiro, seguiram-se o Groupe Bel, de Kito de Pavant, o Bureau Valée, de Louis Burton e o Savéol, de Samantha Davies. O grupo da frente, está a Sul das Canárias, e é liderado pelo Banque Populaire, de Armel Le Cléac’h. O Macif, de François Gabart, é segundo e o Cheminées Poujoulat, de Bernard Stamm, é terceiro. O estranho caso das traineiras Tanto o Groupe Bel, de Kito de Pavant como o Bureau Valée, de Louis Burton, abandonaram pelo mesmo motivo, colidiram com traineiras ao largo da costa portuguesa. Um mistério insondável e digno de um filme de Hitchcock. Sabendose que os dispositivos de segurança dos IMOCA60 estão ligados, por que razão houve duas colisões?


Vela

Fotografia: Vicent Curutchet / DPPI

Ambiente

Samantha Davies Será que os barcos de pesca andavam com os seus dispositivos AIS desligados? Se sim, quem averigua? É que não falamos apenas de barcos de regata. Se os dispositi-

vos automáticos de localização não estão ligados, são um perigo para a navegação e para si próprios. Estas são apenas perguntas legítimas que aguardam resposta das autoridades competentes.

A multidão à largada

Opinião

Vive la France

Jour J” em Sables d’Olonne. A romaria das últimas semanas transformou-se numa multidão. A pequena localidade de 15 mil habitantes, acolheu 600 mil pessoas para a largada da Vendée Globe. Às 09:30 saiu do pontão, o primeiro dos 20 IMOCA60 rumo a uma Volta ao Mundo em solitário sem escalas nem assistências. Dizem que “não há amor como o primeiro” e foi com a Vendée, a mais dura das regatas, que me estreei a escrever sobre vela há distantes e longos 20 anos. É emocionante poder assistir uma vez mais à largada do “comboio dos duros” e ver o entusiasmo popular que, de quatro em quatro anos, me faz acreditar que a Vela é um desporto de massas. Vive la France. Rui Costa

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Vela

Campeonato da Europa de Windsurf

João Rodrigues Campeão Europeu João Rodrigues sagrou-se Campeão Europeu Absoluto e Master de Raceboard, no Campeonato da Europa de Windsurf que terminou no passado dia 28 de Outubro em Múrcia, Espanha.

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oão Rodrigues terminou com um ponto de vantagem sobre o segundo classificado, o espanhol Ivan Pastor, depois de disputadas 13 regatas. O polaco Maksymilian Wojcik, campeão mundial de Raceboard, terminou no terceiro lugar. Pedro Moura foi 5º da geral e Alexandre Rebelo acabou no 18º posto. Nos Sub 15, Artur Marques foi 56º, após nove regatas.

O francês Tom Monnet, o israelita Yoav Cohen e o italiano Antonino Cangemi, ocuparam os lugares de pódio. Em Sub 17, Guilherme Marques foi o melhor português na 40ª posição. 55º Frederico Rodrigues terminou no 55º lugar, enquanto Alexis Santos e Gil Costa foram 84º e 85º, respectivamente. Adam Sosnowski, da Polónia, foi o vencedor, seguido do italiano Michelle Cittadini e do israelita Yael Paz.

Campeonato de Espanha de Classes Olímpicas

António Matos Rosa/Ricardo Schedel Campeões em 470

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dupla António Matos Rosa/Ricardo Schedel, do Clube Naval de Cascais, venceu o Campeonato de Espanha de Classes Olímpicas na classe 470 que termipou no passado dia 14 de outubro em Vilagarcía de Arousa, na Galiza. Foi excelente a prestação de António Matos Rosa/Ricardo Schedel na classe 470 em águas espanholas. A tripulação cascalense venceu três das 10 regatas

disputadas e deixou os segundos classificados Onan Barreiros/Cesar Conde, a 9 pontos de distância. Os catalães Jordi Xammar/Joan Herp foram terceiros. João Villas-Boas/Paulo Manso, também do Clube Naval de Cascais, foram 9º classificados, entre 24 duplas participantes. Em Laser Standard, Rui Silveira, do Clube Naval da Horta, foi 6º da geral que terminou

A dupla de Cascais, António Matos Rosa e Ricardo Schedel venceram em 470

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Vela

Semana del Atlântico

Portugueses em Destaque

Foi numerosa a frota nacional que marcou presença na Semana del Atlantico, organizada pelo Real Club Náutico de Vigo.

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o longo de três finsde-semana, velejadores portugueses competiram em 8 classes, tendo alcançado vários lugares no pódio. As duplas Manuel Cunha/ José Cunha e João Pestana/Tomás Marques foram 1º e 2º em 420. Tiago Talone/Gonçalo Jordão foram segundos em Snipe. Em Laser Standard, Tiago Morais foi segundo e Eduardo Marques terminou em 3º. Miguel Gomes foi 3º em Laser Radial, enquanto Tomás Martins ficou com a prata em Laser 4.7 e Carolina João foi a primeira feminina. Em Optimist A+B, Francisca Pinho e Mafalda Pires de Lima foram 2ª e 3ª nas meninas e em Optimist C, Beatriz Gago foi 2ª da geral e vencedora no sector feminino.

com o triunfo do canarino Joaquín Blanco. Jesús Rogel e Jordi Capella, foram 2º e 3º. Serafim Gonçalves, do Clube Naval Povoense, foi 23º, Tiago Morais, do Clube Naval de Leça, terminou em 25º e Ricardo Marques, do Clube de Vela da Costa Nova, acabou em 31º lugar.

Rui Silveira terminou em 6º

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Vela

Cascais Laser Europa Cup

Velejadores Portugueses Dominaram Todas as Classes No fim de três dias de prova onde houve condições diferentes, um dia sem vento, um dia de pouco vento e um dia de vento forte, terminou em 21 de outubro o Cascais Laser Europa Cup, evento internacional da Classe Laser que reuniu quase cem velejadores em águas Cascalenses.

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Rui Silveira, vencedor em Laser Standard

ouve muita disputa pelos lugares cimeiros das três classes em prova, Standard, Radial e 4.7, com os velejadores Portugueses a assegurarem o pó-

dio em todas elas. Na sexta-feira apesar do bom tempo e das temperaturas agradáveis o vento não colaborou e não foi possível realizar nenhuma regata. A Comissão de Regatas e

Laser em Cascais 6

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todos os participantes bem tentaram, comparecendo em massa no campo de regatas à hora marcada para a primeira largada, mas o vento não parou de oscilar, tanto de direção como de intensidade,

pelo que após horas de espera os velejadores voltaram para terra. No Sábado o dia amanheceu novamente sem vento, mas com a entrada de uma brisa de SW toda a frota foi mandada para o mar sendo possível realizar 2 regatas para Standard e Radial e uma regata para os 4.7. No Domingo, último dia de prova, o mar amanheceu agitado. Vento forte e ondas esperavam todos os concorrentes. Três regatas realizadas nas três classes, fecharam a Europa Cup com saldo positivo, em especial porque os velejadores portugueses conquistaram o 1º lugar em todas classes. Em Laser Radial, Miguel Gomes (CNSesimbra) foi o grande vencedor, seguido de Inês Sobral (ANGuadiana) que também conquistou o 1º lugar feminino. Em 3º lugar ficou o suíço Benoit Lagneux-Emery que também venceu a categoria “Sub 17”. Em Laser Standard, o triunfo foi de Rui Silveira (CNHorta), seguido de Karolis Janulionis da Lituânia e de Tiago Morais (CNLeça). Nos Laser 4.7, Tomás Martins (SAD) foi primeiro classificado conquistando também o prémio em “Sub 16”, seguido de David Biedermann, da Suíça e de João Rodrigues, do Clube de Vela de Lagos, com Carolina João (SAD) a conquistar o 1º lugar feminino.

Miguel Gomes,venceu em Laser Radial


Vela

Eleições na Federação Portuguesa de Vela

José Manuel Leandro Reeleito Presidente José Manuel Leandro foi reeleito como Presidente da Federação Portuguesa de Vela

Tomada de posse dos Corpos Gerentes

José Manuel Leandro, Presidente da FPV

N

as eleições para os Órgãos Federativos e Mesa de Assembleia Geral para o quadriénio 20132016 em sufrágio realizado, no passado dia 18 de outubro, nas cinco regiões do país. José Manuel Leandro concorreu sem adversários a estas eleições: “Lamento que a oposição não tenha querido vir a votos. No entanto, o facto de apenas uma lista ter concorrido demonstra que depois da tempestade porque a Federação passou, a modalidade está pacificada e pronta a encarar com coragem os novos desafios em tempos tão difíceis”, afirmou o dirigente federativo. Depois de uma participação olímpica em Londres 2012 com a maior comitiva de sempre e que teve como saldo dois diplomas, a FPV prepara o caminho para o Rio 2016: “Queremos ter uma equipa renovada no Brasil mas há mais para fazer do que os Jogos Olímpicos. Essencialmente, queremos um mandato tranquilo e em que possamos desenvolver todos os projetos a que nos propusemos desde que fomos eleitos pela primeira vez em 2008”, conclui José Leandro. A tomada de posse teve lugar na sede da Federação Portuguesa de Vela no dia 19 de outubro. 2012 Novembro 311

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Mergulho

Campanha EMEPC-M@rBis 2012 - Berlengas

Texto José Tourais

Conhecer Melhor o Mar Português

Mergulho - foto Athila Bertoncini

Quando o homem sonha, acredita e quando acredita quer e ao querer, transforma o sonho em realidade, sendo desta mística que se fazem os vencedores.

É

neste contexto que nos últimos anos se tem vindo a efetuar algumas campanhas oceanográficas de âmbito científico em prol de um mais amplo e melhor

conhecimento dos fundos e da vida marinha da costa portuguesa. A EMEPC – Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental, pela competência que lhe foi atribuída pelo governo

de Portugal, tem dinamizado estas missões com a participação da comunidade científica nacional e internacional no âmbito do conhecimento do meio marinho com enorme sucesso, desenvolvendo e implemen-

O início de um mergulho - foto Athila Bertoncini 8

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tando o sistema M@rBis. Reúnemse esforços, criam-se consensos e movem-se vontades numa dinâmica empreendedora com resultados muito positivos nas mais diferentes perspetivas. O sucesso nesta matéria tem resultado e continua a avançar com o pressuposto de algumas realidades e circunstâncias fundamentais: - A gestão da EMEPC que internamente e de forma relevante organizou a sua própria estrutura, operacionalizando meios e competências; - A inestimável colaboração e apoio da Marinha Portuguesa e do NTM Creoula, a bordo do qual se tem realizado o “trabalho de campo”; - O apoio profissional da Nautilus Sub na área da gestão e segurança do mergulho e trabalhos no meio marinho; - A interação de diversas universidades e o interesse absolutamente fundamental de cientistas e investigadores portugueses e também de muitos outros dos quatro cantos do mundo. Foi assim que no passado dia 17 de Setembro o Creoula enfunou as velas com destino à Berlenga, levando a bordo uma equipa de cientistas com o objetivo de durante duas semanas procurar, investigar


Mergulho

Autor: Frederico Dias

EMEPC

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Os mergulhos nas Berlegas e Farilhão

Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC) foi criada em 2005 por Resolução do Conselho de Ministros. À EMEPC foi atribuída como missão a preparação de uma proposta de extensão da plataforma continental de Portugal, para além das 200 milhas marítimas, para apresentação à Comissão de Limites da Plataforma Continental da Organização das Nações Unidas, bem como o acompanhamento do processo de avaliação de propostas por esta Comissão. Foi, igualmente, definido um conjunto de objetivos, criados no sentido de otimizar o investimento a efetuar e o conhecimento adquirido. Entre eles, foi atribuido à EMEPC o objetivo de coordenar o Projeto M@rBis e, neste âmbito, cooperar com a comunidade científica, designadamente com o futuro consórcio Oceanos, de forma a garantir a partilha e o acesso à informação e a continuidade das ações para a promoção da gestão integrada do Oceano, no quadro dos requisitos técnicos e científicos recomendados pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e por outras instituições de relevo. No âmbito deste projeto, a EMEPC desenvolveu o sistema M@rBis, o Sistema de Informação para a Biodiversidade Marinha portuguesa, que foi concebido como um sistema de apoio à decisão para o processo nacional de extensão da Rede Natura 2000 ao meio marinho. Assim, o M@rBis compila, guarda, gere e processa os dados e informação georeferenciada relativos aos organismos e habitats marinhos existentes nas águas sob jurisdição Portuguesa. Em complemento ao desenvolvimento do sistema de informação, são também realizadas campanhas oceanográficas para o levantamento e caracterização da biodiversidade marinha nos espaços nacionais para os quais existem lacunas de informação. Estas campanhas, de que é exemplo a Campanha EMEPC/M@ rBis/Berlengas2012, contam com a participação da comunidade científica e académica de universidades e laboratórios nacionais e internacionais. O M@rBis, proporcionando um sistema de base para a inventariação, caracterização e cartografia dos valores naturais marinhos, constituirá uma ferramenta de análise e planeamento para a comunidade científica e um instrumento fundamental na conservação e proteção da biodiversidade marinha nacional. Com efeito, para preservar é necessário conhecer.

Ilha Berlenga - foto Rui Esteves Silva

NTM Creoula - foto José Tourais

Censos Visuais e fotografia em mergulho - foto Athila Bertoncini

Por do sol na Berlenga - foto Carla Barradas 2012 Novembro 311

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Mergulho

Equipa da Nautilus Sub com o Chefe da Expedição Prof. Frederico Dias no meio - foto Cecília Rodrigues

Autor: Nuno Vasco Rodrigues

Peixes

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s estudos acerca das comunidades de peixes (ictiofauna) na costa Portuguesa são relativamente escassos, apesar de cada vez mais recorrentes e significativos. Este tipo de trabalhos é essencial para fornecer a organizações de conservação e gestão, informação de referência que pode (deve) ser usada como ferramenta de apoio à decisão. As áreas marinhas protegidas vêm sendo, cada vez mais, uma das ferramentas populares na conservação dos ecossistemas marinhos e gestão pesqueira, através da preservação da biodiversidade e dos habitats. São usadas para proteger e restaurar populações de espécies de peixes, mas também se prevê que beneficiem zonas de pesca adjacentes, através de dois mecanismos principais: emigração de peixes adultos e juvenis (“efeito spillover ”) e exportação de ovos e larvas pelágicos a partir de stocks desovantes, reprodutores, dentro da área da AMP. O aumento da abundância de peixes, tamanho dos indivíduos e o aumento da produção de biomassa em zonas protegidas, recentemente criadas ou fortalecidas, são uma realidade por esse mundo fora. A Reserva Natural das Berlengas poderá, portanto, funcionar de modo homólogo a estes casos de sucesso. A expedição EMEPC/M@rBis/Berlengas2012 veio, assim, dar um contributo fundamental para aumentar o conhecimento acerca da comunidade ictiofaunística local. Censos visuais subaquáticos foi a metodologia usada para estudar a comunidade de peixes das Berlengas. Este método consiste em mergulhadores percorrendo transectos subaquáticos, de uma determinada distância conhecida, ao longo dos quais anotam as espécies de peixes observadas, o seu número e outras informações consideradas importantes, numa prancheta de escrita subaquática. Este método apresenta várias vantagens quando comparado com outros: é um método não-destrutivo, provocando nenhum ou pouquíssimo impacto prejudicial sobre a comunidade em estudo; permite fornecimento simultâneo de dados sobre composição da população, frequência de ocorrência de indivíduos, abundância e tamanho médio dos peixes; permite recolha de dados simultâneos do substrato envolvente; exigência de pouco tempo de aprendizagem para aplicação do método de maneira satisfatória; exigência mínima de equipamentos e tempo de preparação antes da colheita de dados. Os censos foram executados por 2 mergulhadores, sendo um deles responsável por anotar as observações e o outro por estender o transecto e registar

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em foto ou vídeo os peixes que iam observando. Em termos de “posicionamento”, os peixes podem dividir-se em duas categorias: pelágicos e bentónicos. Os pelágicos passam a maior parte do tempo na coluna de água, enquanto os bentónicos vivem essencialmente associados ao fundo marinho. Os peixes que habitam na coluna de água mas que dependem também do fundo, por qualquer motivo (ex: alimentação, reprodução), denominam-se bentopelágicos. A Reserva Natural das Berlengas provou ser bastante rica em todas estas categorias, mas também em espécies crípticas, ou seja, espécies que habitam em tocas ou fendas nas rochas. Os pelágicos eram normalmente representados por carapaus, cavalas e bogas, que apareciam em grandes cardumes, em quase todos os mergulhos. Com menos regularidade avistaram-se xaréus, peixes-lua e até sarrajões (tipo de atum pequeno). Os bentónicos mais comuns foram os peixes-achatados, como o linguado ou a carta, mas também os cabozes marcavam a sua presença. Os bentopelágicos eram maioritariamente representados por elementos da família dos sparídeos, como os sargos, douradas, choupas, salemas e pargos, mas também pelos elementos da família dos labrídeos (bodiões), como as judias, bodião-vermelho, bodião rupestre, entre outros. As garoupas também apareciam regularmente, com uma confiança sempre admirável, aproximando-se frequentemente dos mergulhadores e “posando” para a foto. Quanto aos peixes crípticos, os blénios eram os mais abundantes e sempre super curiosos. Menos abundantes mas de dimensões consideráveis, observaram-se rascassos, abróteas, fanecas e safios. Ao fim de 15 dias de expedição e cerca de 64 mergulhos, fizeram-se observações extremamente importantes do ponto de vista científico. Confirmou-se, por exemplo, a presença crescente e mais assídua de algumas espécies que ocorrem habitualmente em zonas tropicais e sub-tropicais. Tal poderá, eventualmente, ser o resultado das alterações climáticas que presenciamos actualmente. Este fenómeno causa uma preocupação séria aos investigadores, pois poderá conduzir a desequilíbrios profundos nas comunidades não apenas dos peixes, mas de todo o ecossistema em geral. Uma monitorização rigorosa e efectiva destas alterações a nível da comunidade deverão, por isso, ser asseguradas, de modo a evitar possíveis desastres ambientais, que se reflectirão não apenas a nível ecológico, mas também económico-social.

Cardume de salemas - foto Athila Bertoncini e estudar a vida marinha naquele arquipélago. Os dados e registos naquela zona eram antigos e a carecer de atualização elevando naturalmente a perspetiva para esta expedição. Atualmente com mais meios e maior capacidade técnica os biólogos têm à sua mercê um conjunto de ferramentas e apoios para poderem fazer um trabalho de grande qualidade e esta equipa não se fez rogada, meteram mãos à obra com determinação para cumprir os objetivos desta missão. As condições meteorológicas não eram muito animadoras, mas em contrapartida a EMEPC tinha no Creoula uma guarnição conhecedora e dedicada à causa, um grupo de investigadores interessados e muito motivados e uma equipa de apoio profissional no mergulho com muita experiência. A viagem até à Berlenga foi excelente com uma aragem muito leve e mar chão deixando ver pelo caminho golfinhos, tubarões e baleias, sem dúvida um bom prenúncio para esta missão. Fundeados no abrigo a Sul da Berlenga, cedo se começou a

José Tourais, chefe das operações de mergulho


Mergulho

Autor: Maria Ana Dionísio

Cracas

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Cardume - foto João Encarnação

Coris julis - foto Nuno Vasco Rodrigues

comunidade bentónica é formada por todos os organismos associados ao fundo oceânico ou costeiro. Dentro da comunidade bentónica de substrato consolidado encontramos os organismos fixos, entre eles os cirrípedes. Os cirrípedes podem ser divididos em pedunculados (e.g. percebes) e sésseis (e.g. cracas). Nas Berlengas podemos encontrar estas duas formas de cracas sendo que as primeiras (Percebes) são um recurso pesqueiro para a região dotadas de um valor económico elevado. Os apreciados percebes (Pollicipes pollicipes) ocupam os primeiros metros do subtidal das Berlengas, situam-se em locais preferencialmente expostos à agitação marítima, sendo por excelência animais que ocupam um espaço entre marés, os percebes são espécies muito resistentes a dissecação e alteração de salinidades. As cracas sésseis (Chthamalus stellatus e C. montagui) fazem parte destes primeiros metros e dominam as zonas entre marés. Um pouco mais abaixo, a partir dos primeiros metros é possível encontrar as cracas Perforatus perforatus e Amphibalanus amphitrite. As cracas têm uma importância fulcral dentro dos ecossistemas marinhos, uma vez que são um elo entre o ambiente pelágico e o bentónico, atuando como recetores de energia do ambiente pelágico e fornecendo energia aos organismos bentónicos que se alimentam junto ao fundo. O papel das cracas sésseis não termina com a sua morte, as conchas vazias funcionam como micro-habitats, servido de refúgio para espécies mais pequenas ou mesmo de maternidade para alguns peixes e nudibrânquios. Nas Berlengas foram amostradas algumas destas conchas vazias, e foram encontrados algumas classes ou filos ainda não registados como por exemplo os sipunculídeos. O mundo dos cirrípedes é grande, nas Berlengas foram ainda encontradas cracas muito especiais pertencentes ao género Acasta. Estas cracas vivem dentro das esponjas, sendo ecologicamente cotadas como espécies simbiontes obrigatórias de esponjas, tendo ambos os organismos mais-valias desta associação.

Serranus cabrilla - foto Nuno Vasco Rodrigues

Parablennius pilicornis - foto Nuno Vasco Rodrigues

Balanophyllia regia - foto Nuno Vasco Rodrigues

Leptosammia pruvoti - foto Nuno Vasco Rodrigues 2012 Novembro 311

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Mergulho

Petrosia ficiformis - foto Nuno Vasco Rodrigues

trabalhar. Era preciso organizar a limpeza do navio, a gestão das refeições e vida a bordo, tratar do equipamento de mergulho e material de recolhas, fazer o briefing e organizar a logística para o mergulho à volta das ilhas e ilhéus da Berlenga, Estelas e Farilhão. A bordo uma equipa da EMEPC constituída pelo Prof Frederico Dias que chefiou esta missão, e pelas biólogas Estibaliz Berecibar, Inês Tojeira e Mónica Albuquerque, tratavam de tudo o que fosse logística e organização, criando grupos de trabalho, para as tarefas de bordo, para o mergulho e também para o apoio na triagem. A equipe da Nautilus Sub, constituída por José Tourais, Miguel Carvalho, Casimiro Sampaio, Nuno Raposo, Ivan Pei-

Autores: Estibaliz Berecibar, Daniela Gabriel e Mónica Albuquerque

A Comunidade Bentónica A

ilha da Berlenga e dos Ilhéus das Estelas e Farilhões tal como a restante costa continental portuguesa tem uma fauna e flora exuberante. A metodologia utilizada para estudar a comunidade bentónica das Berlengas consistiu na análise das espécies presentes utilizando uma metodologia com recurso a um transepto e quadrados de amostragem. Conforme a natureza do fundo, inclinação e rugosidade do fundo, luminosidade, ou exposição às correntes marinhas, as espécies marinhas que compõem os ecossistemas variam. As amostragens foram focadas sobretudo no substrato rochoso, por isso apenas focaremos a biodiversidade referente a este tipo de fundo. As espécies sésseis, ou seja as que vivem fixas ao fundo, como as algas castanhas, verdes e vermelhas e os organismos coloniais (briozoários, esponjas e ascídias) cobrem a maior parte da superfície rochosa dando uma coloração muito variada o fundo do mar das ilhas Berlengas. As espécies mais representativas de algas desta camada de organismos fixa às rochas foram as algas vermelhas calcáreas Mesophyllum lichenoides, Lithophyllum incrustans, L. stictaeforme, as algas vermelhas não calcáreas Haematocelis fissurata, Peyssonelia spp., as algas castanhas Cutleria multífida, Colpomenia peregrina, e as algas verdes Codium ahaerens e Valonia utricularis. Várias espécies de Tunicata como Didemnum spp., Aplidium proliferum e Botryllus schlosseri e grandes agrupamentos de anémonas de pequenas dimensões Corynactis viridis davam às paredes inclinadas, e aos tectos nas fendas e reentrâncias o aspeto de um arco-íris. Foram encontradas também várias espécies de esponjas marinhas cobrindo as rochas, apresentando uma grande variabilidade de cores: Cliona celata, Crambe crambe, Phorbas fictitius, Hemimycale columella, Oscarella sp.. Foram ainda localizadas várias espécies de briozoários. Estes encontram-se frequentemente em conjunto com muitas outras espécies de algas filamentosas e animais de pequeno tamanho, como vários tipos de minhocas (dos filos Annelida, Nematoda, Nemertea, Sipuncula), caracóis (Gastrópoda), crustáceos (Amphipoda, Copepoda, Isopoda, Tanaidacea, Magidae), esponjas (como por exemplo, Sycon sp.), hidrozoários (Aglaophe-

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nia spp.,) compondo um magnífico tapete muito denso que cobre toda a rocha. No grupo das algas de média e grande dimensão, as mais representativas entre as algas vermelhas foram Asparagopsis armata, Corallina elongata, Haliptilon sp., Kallymenia spp., Peyssonnelia spp. Plocamium cartilagineum, Sphaerococcus coronopifolius. As algas castanhas mais abundantes foram Carpomitra costata, Dictyota dichotoma, Halopteris filicina, Spatoglossum solierii; e as algas verdes foram Codium tomentosum, C. vermilara, Pedobesia simplex, Ulva spp. Foram ainda encontrados muitas espécies do grupo das anémonas, gorgónias e corais (Cnidaria). Em quase todos os mergulhos foi identificada em grande número a anémona Aiptasia mutabilis e em menor quantidade, ainda que de forma comum, as anémonas Anemonia viridis, Alicia mirabilis e Urticina felina. Os corais solitários Leptosamnia pruvoti e Balanophyllia regia e os corais alcionários coloniais ou corais moles Alcyonium glomeratum, A. corallioides e Paralcyonum spinulosum também foram encontrados de forma comum nas paredes verticais e inclinadas. Do grupo de espécies de tunicados sésseis conspícuos os mais abundantes foram Phallusia fumigata, Ciona intestinalis e a Clavelina lepadiformis. A escassez de animais bentónicos móveis pode ter sido devida às condições do mar, já que durante estes dias, a cauda do furacão “Nadine” se deixou sentir com alguma força. Embora em quantidades menores, foram ainda registados alguns espécimes do equiuro Bonelia viridis e no grupo dos equinodermes as estrelas Marthasterias glacialis, Coscinasterias tenuispina e Equinaster sepositus, e os ouriços Paracentrotus lividus e Sphaerechinus granularis. A espécie bentónica móvel mais abundante encontrada durante estas duas semanas nas Berlengas foi o pepino-de-mar-preto Holothuria forskali. Embora haja muitos locais de mergulho onde a diversidade de organismos é grande, o mergulho mais espetacular nas águas das ilhas Berlengas, é o mergulho no “Rabo do Asno”, nos Farilhões, onde a gorgónia Paramuricea clavata cobre grande parte da parede vertical do local. Esta gorgónia converte a parede de cor azul em cor rosa, quando iluminada com as lanternas dos mergulhadores.

As anémonas - Corynactis viridis- fixas na xoto e Ana Cristina Castanheira lideravam a gestão de mergulho, para o que contavam com as semirígidas do Creoula e algumas vezes da semi-rígida “Selvagem Grande” da EMEPC tripulada pelo Adolfo Lobo, que servia também para todo o apoio necessário à expedição. Os Mergulhos O objetivo desta missão era cobrir a maior área possível e mergulhar nas áreas adjacentes das ilhas e ilhéus do Arquipélago das Berlengas numa quota de profundidades entre os 0 e os 30 metros numa série de pontos pré-definidos e georreferenciados por coordenadas, para fazer censos e amostragens, identificar e recolher amostras pelos especialistas nas diversas áreas da biologia marinha, que também fotografavam e filmavam. Os resultados trazidos para bordo eram inseridos na base de dados M@rBis e as amostras trazidas para bordo onde a equipa da triagem num trabalho infindável as separava, identificava, preparava e etiquetava para serem conservadas para estudos posteriores no laboratório da EMEPC. Gerir a vida a bordo, com as tarefas essenciais do dia-a-dia, os trabalhos, os mergulhos e a logística necessária nem sempre era tarefa fácil, mas o empenho de todos foi mais forte e prevaleceu sempre o bom senso necessário à concretização dos objetivos. Um motor avariado, organizar os equipamen-


Mergulho

Autor: Javier Souto

Briozoários

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Briozoário, - Crisia sp. - foto Nuno Vasco Rodrigues

esponja Dysidea sp. - foto Nuno Vasco Rodrigues

s briozoários são organismos coloniais que vivem tanto em ecossistemas de água doce como em ecossistemas marinhos. O grupo dos briozoários é um dos grupos de animais com maior diversidade conhecendo-se actualmente mais de 15.000 espécies fósseis e mais de 6000 espécies vivas. Apresentam variações morfológicas muito acentuadas, existindo espécies não calcificadas (Ctenostomos) e espécies com diferentes graus de calcificação (Cheilostomos e Ciclostomos). A morfologia da colónia também é altamente variável com colónias erectas ou incrustantes. Cada colónia é composta por uma infinidade de zoóides, que podem ter diferentes graus de especialização funcional, que se reflecte em diferentes morfologias de zoóides. Estas variações morfológicas são utilizadas para a identificação e diferenciação de espécies. No entanto, actualmente, é necessário em muitos casos, a utilização de análises genéticas em virtude da existência de um grande número de espécies crípticas. Para a recolha de briozoários em mergulho são utilizadas principalmente duas técnicas. Colónias eretas e incrustantes detetadas a olho nu são colectadas de forma directa, mas há que ter cuidado porque muitas colónias de pequenas dimensões passam despercebidas. A fim de localizar estas pequenas colónias invisíveis a olho nu, foram recolhidos, os substratos preferenciais, no qual estão fixas as diferentes espécies, substratos tais como conchas,

rochas ou algas. A presença ou ausência de colónias sobre estes substratos foi verificada a bordo do NTM Creoula com um microscópio binocular. Uma vez separadas as espécies foram preliminarmente identificas ao nível da família, género ou, quando possível, ao nível da espécie. Para mantê-los, algumas das colónias foram armazenadas a seco, enquanto outras foram preservadas em álcool, e ainda alguns fragmentos de colónias numa solução de glutaraldeído e cacodilato, dependendo do tipo de estudo posterior a ser realizado com as amostras. O conhecimento sobre os briozoários do arquipélago das Berlengas até a actualidade era muito limitado, conhecendo-se apenas 16 espécies, principalmente graças ao trabalho feito na primeira metade do século XX, por A. Nobre e S. M. Braga. Devido ao baixo número de espécies conhecidas, as expectativas eram realmente altas. Durante a campanha novas espécies de briozoários foram sendo localizadas dia a dia, perfazendo uma identificação preliminar de cerca de 70 novas espécies para a zona. Muitas destas espécies têm um demarcado carácter mediterrânico, e provavelmente, quatro espécies serão novas para a ciência. Agora há muito trabalho a ser feito, muitas horas no laboratório, muitas fotografias no microscópio electrónico de varrimento, etc. Mas é certo que em breve vamos ampliar ainda mais o conhecimento deste grupo de animais para a zona das Berlengas.

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Mergulho

Autor: Mónica Albuquerque

Moluscos das Berlengas

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filo Mollusca é o segundo filo com a maior diversidade de espécies conhecido. O grupo dos moluscos marinhos foi um dos que maior interesse suscitou nos cientistas participantes envolvidos nas triagens de amostras a bordo do Creoula. Estes animais pertencem ao grupo dos invertebrados marinhos que constantemente povoam os tabuleiros de amostragem, isto porque vivem associados a algas, esponjas, hidrozoários etc. Vulgarmente são conhecidos como lesmas do mar no caso dos nudibrânquios, e búzios no caso dos gastrópodes. Nas Ilhas Berlengas este grupo de animais tinha sido alvo dos primeiros estudos em 1884 onde foram identificadas por Girard 6 espécies. Mais tarde em 1942 Augusto Nobre e José Maria Braga após alguns dias na Ilha aumentaram o número de espécies registadas para 60. E foi já nos anos 80 antes da criação da Reserva Natural das Berlengas que Burnay esteve 30 dias nas ilhas com o objectivo de actualizar o conhecimento da diversidade de moluscos marinhos. Apesar de não terem realizado muitos mergulhos com escafandro autónomo pelas más condições de mar, foram registadas 94 espécies sobretudo na zona intertidal e de baixa profundidade nas zonas abrigadas da ilha. Em 1993 Gonçalo Calado realizou campanhas na ilha aumentando os registos de moluscos para 137 espécies. Para a campanha EMEPC/M@rBis/Berlengas2012 as expectativas eram altas pois era ainda esperado que os registos de novas espécies ocorressem dado que a curva de registo ainda se encontra na fase exponencial de crescimento. Os tamanhos das espécies encontradas são muito variáveis (entre 1 mm e 18 cm) pelo que a triagem foi realizada de forma minuciosa. No caso dos micromoluscos muitos deles só são possíveis de identificar recorrendo ao auxílio de uma lupa binocular. Assim a bordo foram identificadas as espécies que a olho nu era possível localizar nos tabuleiros de amostragem e identificar, existindo num futuro próximo muito trabalho de laboratório para realizar para que seja possível avaliar com precisão quando registos novos existem para as Berlengas. Algumas das espécies mais abundantes encontradas foram Aplysia parvula, Cuthona caerulea, Jujubinus exasperatus, Bittium reticulatum, Tricolia pullus, Tricolia tingitana, Skeneopsis planorbis, Barleeia unifasciata, Setia pulcherrima, Crisilla semistriata, Trivia monacha, Ocinebrina acciculata, Chauvetia sp., Nassarius incrassatus, Nassarius reticulatus, Leptochiton algeriensis e Cardita calyculata. tos ou enchimentos das garrafas, questões com horários ou condicionalismos de vento ou ondulação foram sempre ultrapassados, num

Sepia officinalis - foto Athila Bertoncini

ambiente de grande serenidade e determinação. A rotina era ver equipamentos de mergulho preparados, fitas métricas, quadrados, redes e

Coral Alcionário - Paralcyonium spinulosum - foto Nuno Vasco Rodrigues 14

Felimare cantabrica - foto Nuno Vasco Rodrigues

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Esponja azul - Oscarella sp. foto Athila Bertoncini


Mergulho

Anémona - Anemonia viridis - foto Athila Bertoncini Leptochiton algesirensis - foto Nuno Vasco Rodrigues frasquinhos, bolsas plásticas e máquinas fotográficas e o filme diário era descerem para as semi-rígidas, preparar os equipamentos, encontrar o local de mergulho e por as equipes constituídas por diferentes especialistas na água. No regresso subir o material para bordo, encher garrafas e tratar das amostras e por a funcionar mais duas equipas para onde o mar deixava. Pelo meio, meia-hora para comer qualquer coi-

sa ou tomar um café e nova rodada sem hesitações ou questões. O mar cresceu tendo a ondulação chegado aos 3-4 metros e o vento aos vinte e poucos nós com rajadas um pouco mais intensas, mas a motivação do grupo foi sempre mais firme e com mais ou menos dificuldade foram vencendo etapas atrás de etapas e durante 15 dias com algumas trocas de cientistas pelo meio, foram cobertas a maior

Equipa de Vencedores Kit do Mar 2012 no dia da despedida - foto Mónica Albuquerque

Autores: Mónica Albuquerque e Raquel Costa

Kit do Mar

C

A parede do Rabo do asno com a gorgónia - Paramuricea clavata - foto Athila Bertoncini

om a equipa de cientistas da campanha embarcou também uma equipa especial: uma equipa de 12 alunos e 1 professora da Escola Secundária da Baixa da Banheira, vencedores do Concurso nacional Kit do Mar 2012. O Kit do Mar é um projeto coordenado pela EMEPC, que tem como principais objetivos a sensibilização de jovens para a importância estratégica do mar, a promoção de um melhor conhecimento das ciências do mar e consequentemente um maior grau de literacia dos oceanos nas camadas mais jovens da sociedade portuguesa. No nosso site estão disponíveis um conjunto de fichas para os diferentes ciclos de ensino com propostas de atividades que permitem aos professores explorarem diferentes temas relacionados com o mar. Estas sugestões podem ser desenvolvidas ao longo do ano ou em atividades pontuais, consoante o grau de profundidade que se quiser dar ao tema, quer em contexto escolar, quer em contextos não formais. A EMEPC promove anualmente um concurso, com prémios aliciantes, ao qual os alunos podem concorrer com trabalhos escolares relacionados com o tema Mar. O Clube de Ciência da Escola Secundária da Baixa da Banheira concorreu e ganhou o primeiro prémio que consiste na integração durante uma semana na campanha do M@rBis. Os alunos puderam durante uma semana contactar com os cientistas, ajudar nos trabalhos de triagens e sobretudo adquirir conhecimentos na área da biologia marinha mas também de navegação. A professora Dina Dias responsável pelo grupo de jovens vencedores terminou a expedição com a intenção de continuar a participar em atividades semelhantes a esta iniciativa. Citando-a “é minha convicção que o contacto com o trabalho de investigação é um meio privilegiado para uma efetiva mudança de atitude dos cidadãos, neste caso em relação ao mar, bem como porque este tipo de participação desperta paixões, que espero que venham a determinar decisões na vida profissional (e pessoal) dos meus alunos!”. Saiba mais sobre o kit do mar na página oficial do Facebook: www.facebook.com/kitdomar

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Mergulho

Ciona intestinalis - foto Nuno Vasco Rodrigues O peixe - Parablenius pilicornis - foto Filipe Henriques

Espoja vermelha - Crambe crambe - foto Nuno Vasco Rodrigues

Rocha coberta pela alga calcárea - esponja - briozoário - e vários tipos de algas - foto Athila Bertoncini

Ascídia, Didemnum sp. foto Filipe Henriques

O tunicado vermelho - Aplidium proliferum - a cobrir o substrato rochoso - foto Cáudio Brandão

Autores: Estibaliz Berecibar, Daniela Gabriel e Mónica Albuquerque

Trabalhos Pós-Campanha

D

urante a “Campanha EMEPC/M@rBis/Berlengas2012” foram realizados 64 mergulhos em grupos de 4/5 pessoas. Nesses mergulhos foram efetuadas recolhas de organismos bentónicos, registadas 12.000 fotografias e gravados mais de 1000 vídeos subaquáticos. Nos próximos meses, a equipa do M@rBis, ajudada por vários investigadores (participantes na campanha e não só) têm agora de triar e rever à lupa todas as amostras, processar toda a informação de fotografias e vídeos de forma a integrá-la no Sistema M@rBis. Uma vez que todo o material recolhido nas amostragens, foi conservado em álcool ou kew, (uma mistura que permite conservar a estrutura dos tecidos e as cores) é possível aos investigadores confirmar as identificações

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realizadas a bordo, e identificar os novos organismos de menores dimensões com o auxílio de lupas binoculares. Esta análise e revisão com auxílio de lupas binoculares permitirá ampliar o número de espécies registadas para as águas das ilhas Berlengas, especialmente aumentar o número de espécies de menores dimensões conhecidas para o local e que até hoje eram desconhecidas. Permitirá ainda aumentar o conhecimento da distribuição das mesmas nas águas ao redor das ilhas Berlengas. Por último as amostras recolhidas são também disponibilizadas à comunidade científica para que sejam utilizadas em estudos relacionados com as suas áreas de investigação, e desta forma promover o conhecimento, o intercâmbio e a rentabilidade das amostras. Acompanhe os próximos passos desta missão na página EMEPC do Facebook

parte das áreas pretendidas com exceção da parte norte do Farilhão por inviabilidade do mar, suplantando-se dessa maneira e com as condições existentes os objetivos a que todos se tínham proposto. Ao longo destas duas árduas semanas ainda houve tempo para uns mergulhos de lazer por parte de alguns investigadores menos rodados e até para uns batismos de elementos da guarnição do Creoula, que também foram espetaculares no apoio que nos deram como é seu apanágio. À noite havia sempre uma palestra, ou evento temático antes do famoso pão com chouriço, antes de se recolherem para o descanso antes de um novo dia de trabalho intenso. Inverstir nos nossos jovens com


Mergulho

Triagem - foto Rui Esteves Silva

Equipa da 2ª parte da Campanha e Guarnição do NTM Creoula à chegada à Base Naval do Alfeite - foto Cecília Rodrigues

o Kit do Mar Investir no futuro e na educação dos nossos jovens é certamente uma política acertada e numa iniciativa do Kit do Mar premiou-se e reconheceu-se o valor que um grupo de alunos teve ao realizar um trabalho relacionado com o mar, e assim estiveram a bordo uma semana acompanhando os investigadores nas suas tarefas criando um modelo que certamente lhes trará vantagens num futuro próximo. No final ainda fomos recompensados com a visita do Sr. Secretário de Estado do Mar, Manuel Pinto de Abreu, que pessoalmente veio felicitar todos os intervenientes pelo seu desempenho e reconhecer o excelente trabalho feito nesta missão. No que respeita ao trabalho científico em si e conclusões, deixaremos ao longo deste texto a palavra dos principais intervenientes que na realidade foram todos os investigadores e equipe da EMEPC. Assim se valoriza o mar português, seguramente uma das maiores riquezas do nosso país particularmente neste momento de crise. Bons Mergulhos José Tourais: www.nautilus-sub.com

Triagem - Foto José Tourais 2012 Novembro 311

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Náutica

Teste Jeanneau Cap Camarat 7.5 DC com Motor Yamaha F250

Cada Vez Mais Conforto e Polivalência

Texto e Fotografia Antero dos Santos/ Notícias do Mar/Jeanneau

Quando os projetistas da Jeanneau desenvolvem um novo modelo, mostram sempre um especial cuidado que barco criado corresponda perfeitamente ao programa pré-estabelecido para essa embarcação e que ela depois de entregue ao cliente o satisfaça no máximo. Por isso as embarcações são cada vez mais polivalentes e com um desempenho performante e confortável.

A

Nautiser/Centro Náutico, importador para Portugal das embarcações a motor do estaleiro francês

Jeanneau, proporcionou-nos um teste ao Cap Camarat 7.5 DC equipado com um motor Yamaha F250, que serviu bem para confirmar o que pensáva-

mos deste modelo. A Gama Cap Camarat Day Cruiser A gama Day Cruiser que a Je-

A curvar, o Cap Camarat 7.5 DC mostrou muita segurança 18

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anneau desenvolveu vai ainda mais ao encontro duma faixa do mercado que pretende que uma embarcação desportiva ofereça também a possibilidade de pernoitar, passar um fim-desemana a bordo e fazer um pequeno cruzeiro costeiro, com a maior comodidade. A linha DC apresenta duas embarcações cabinadas, os modelos 7.5 DC e 6.5 DC, barcos com o mesmo design, estilo e características. As cabinas dispõem de camas para dormir e são muito luminosas, com janelas laterais e no teto. Têm também iluminação no interior. Estas embarcações foram concebidas para atracar de proa nos pontões, por isso têm um degrau à proa no varandim, uma passadeira em madeira sobre o convés à frente, passagem pelo pára-brisas que se abre ao meio e escada para entrar para o poço. Para oferecer mais segurança, estes barcos incorporam


Náutica

Na cabina podem dormir três pessoas e tem um wc com porta Jeanneau Cap Canmarat 7.5 DC

um longo varandim em aço inox desde a proa até ao párabrisas. Uma das inovações deste barco é precisamente esta escada que se encontra na parte de fora da porta da cabina a qual incorpora os degraus com piso em madeira e que deslisa para o posto de pilotagem, para abrir. São barcos ainda com mais inovações, uma delas é o bimini que fica guardado, depois de recolher, à popa num compartimento com dobradiças e tampa. Todos os modelos têm o piso em madeira, para oferecerem maior conforto. Existe uma tampa para permitir a passagem entre as duas plataformas de popa que vai guardada num encaixe atrás. Ambos podem montar um solário no poço. Cap Camarat 7.5 DC No Cap Camarat 7.5 DC estão bem definidas as duas áreas do

poço, com a zona de convívio e repouso atrás e o posto de comando, onde o piloto dispõe de um confortável banco duplo estofado. Neste modelo, o pára-brisas é larguíssimo e prolonga-se até atrás ao banco da popa, protegendo bem todo o interior do barco. O piloto pode conduzir de pé ou ir sentado em duas posições, uma mais elevada e outra em baixo. Tem à sua disposição um painel de instrumentos com fácil leitura e a caixa de comando e o volante permitem uma boa posição de condução, podendo usar como apoio para os pés o degrau de baixo que está na porta da cabina. O poço foi concebido para oferecer o maior conforto, dispondo de um banco em U e encostos estofados todo à volta, e permitir uma utilização diversificada, tanto nos passeios familiares como para actividades desportivas, como a pesca, o mergulho e o ski. Em virtude disso, para facilitar uma melhor utilização, o banco do poço tem os estofos amovíveis. O banco em U pode-se converter igualmente num solário e tem ainda um encosto para relax a bombordo. Para oferecer ainda mais comodidade, o barco tem também

O Cap Camarat 7.5 DC é um barco amplo e muito polivalente 2012 Novembro 311

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Náutica

ainda locas laterais. Dentro da cabina, existem também compartimentos sob a cama. Para se entrar pela popa para o barco existem dois degraus e duas plataformas de cada lado do motor. As plataformas têm o piso em madeira e comportam locas para arrumação de cabos e defensas. A escada de banhos está fixada à popa no degrau de estibordo.

O Cap Camarat 7.5 DC tem o casco com um V profundo um lavatório com tampa que se encontra a bombordo, junto à entrada para a cabina. Para os piqueniques, podese montar ao meio do poço uma mesa. De realçar que no interior do poço o barco é bastante alto até ao pára-brisas, oferecendo mui-

ta segurança em andamento. Também se deve salientar os corrimãos em aço inox que dão apoio para as passagens seguras para a proa e para entrar na cabina. A cabina é desafogada, tem uma entrada larga e oferece um bom pé direito. Para dor-

mir, existe uma cama de casal e uma terceira cama simples. Para maior comodidade, a cabina dispõe ainda de um wc, fechado e com porta. Para arrumações, o Cap Camarat 7.5 mostra grande capacidade, pois o banco no poço à popa tem um enorme porão e

Com o motor Yamaha F250, o barco teve um desempenho muito performante 20

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Motor Yamaha F250 É o novo Yamaha de 250 HP que, dispondo de 4.169 cm3 de cilindrada, 6 cilindros em V, apresenta grande redução de peso e entrega de potência. Isto deve-se aos novos materiais e tecnologias que são aplicados na construção dos novos blocos motores V6. Neste bloco de motor de 4,2 litros, os engenheiros da Yamaha ganharam a máxima cilindrada com uma menor quantidade de massa, reduzindo o peso total do motor, em especial porque as camisas são fundidas em plasma. Como não têm camisas de aço, as paredes do cilindro podem agora ser micro-texturizadas para criar menos fricção, os pistons movem-se mais livremente e as perdas por atrito também são reduzidas. Com esta tecnologia de ponta, a Yamaha conseguiu um fenomenal rácio peso/potência, que resultou, em primeiro lugar, numa aceleração com a planagem muito rápida, velocidades máximas elevadas e grande economia de combustível. Este motor comporta igualmente uma série de sistemas e todas as tecnologias de ponta da Yamaha, como a grande válvula de admissão, a árvore de cames variável, a injecção multiponto e ainda outras, que resultam em elevadas performances, economia, conforto e oferecem a mais silenciosa operação e isenção de vibrações. Entre outras tecnologias de ponta da Yamaha, o F250 incorpora o sistema VTC, afinação de árvore de cames variável que aumenta o binário a baixa e média rotação, sistema com duas câmaras de escape e sistema de injecção EFI. O F250 tem o novo sistema


Náutica

O Cap Camarat 7.5 desenvolveu facilmente velocidades elevadas digital de manómetros em rede Yamaha, com o sistema de controlo drive-by-wire. O motor dispõe da maior bobine de iluminação/alternador, de 12V - 70A, para servir convenientemente todos os equipamentos de iluminação e acessórios montados na embarcação.

No Teste, Destaque Para o Arranque e Aceleração O Cap Camarat 7.5 DC é um barco possante, que pesa 1.350 Kg. Em virtude disso, começamos por salientar no arranque, a elevada aceleração que o F250 impôs, pois o barco em 1,76 segundos já estava a

Posto de comando planar. Em seguida, confirmámos a capacidade explosiva do F250 no teste de aceleração até às 5.000 rpm, graças à qual, em apenas 6,73 segundos atingimos os 33 nós. Estas performances são ainda mais de realçar, devido ao tipo de casco marinheiro da

linha Cap Camarat com um V profundo, que agarra mais os barcos à água. Também por isso no mínimo de velocidade a planar, o barco não baixou dos 12 nós às 2.500 rpm. Quando acelerámos ao máximo, atingimos os 39,8 nós, às 5.800 rpm, uma performance muito boa com este conjunto.

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Náutica

Bancos em U no poço Quanto à velocidade de cruzeiro, às 4.500 rpm, foi de 26,6 nós. Sem dúvida que este modelo Cap Camarat 7.5 DC preenche completamente o interesse daqueles que pretendem um barco com boa acomodação no poço e ofereçam bastante espaço para os passeios familiares, com facilidade em mon-

tar um solário para os banhos de sol ou uma mesa para os piqueniques. E quando está demasiado sol, é simples também a montagem do bimini, guardado à popa. A cabina possibilita também com todo o conforto o pequeno cruzeiro costeiro, permitindo três pessoas dormirem e disporem também de um wc fechado.

Lavatório com tampa O desempenho do barco a curvar e a cortar a ondulação, em certas zonas com a água um pouco agitada, mostrou a características dos cascos Cap Camarat, muito seguro nas cur-

vas e proporcionando sempre bastante conforto. Também a deflectir a água para fora e bem atrás, mesmo nas curvas, nunca salpicou para dentro e no fim o barco estava seco no interior.

Características Técnicas Comprimento

7,35 m

Comprimento do casco

6,95 m

Boca

2,54 m

Calado

0,50 m

Peso

1.500 kg

Depósito combustível

200 L

Depósito água doce

50 L

Potência máxima

300 HP

Motor

Yamaha F250

Preço barco/motor (versão base) c/ IVA

69.750,00 e

Performances Passagem para a proa ao meio do pára-brisas

Passagem para a proa e entradas de luz para a cabina 22

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Tempo de planar

1,76 seg.

Aceleração

33 nós 6,73 seg às 5.000 rpm

Velocidade máxima

39,8 nós às 5.800 rpm

Mínimo a planar

12 nós às 2.500 rpm

3.000 rpm

15,5 nós

3.500 rpm

19,5 nós

4.000 rpm

23,9 nós

4.500 rpm

26,6 nós

5.000 rpm

33 nós

5.500 rpm

37 nós

Importador/Distribuidor Nautiser – Centro Náutico, S.A. Estrada Nacional 252 – 2950-402 Palmela Tel.: 21 23 36 820 Fax: 21 23 33 031 Email: geral@nautiser.com www.nautisercentronautico.pt Yamaha Motor Portugal Rua Alfredo da Silva, nº 10 – 2610-016 Alfragide Tel.: 21 47 22 100 Fax: 21 47 22 199 www.yamaha-motor.pt


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Notícias do Mar

Ciências do Mar

Descoberto no Algarve Campo de Crinóides A suspeita da existência de um campo de crinóides ao largo do Algarve foi confirmada por investigadores, no passado dia 29 de setembro, através da filmagem com um ROV a mais de 500 metros de profundidade.

A

descoberta foi realizada no âmbito do projeto IMPACT, destinado a estudar o impacto do arrasto em mar profundo. Este ecossistema é raro a esta profundidade e encontra-se numa zona que até agora ainda não foi afetada pelos arrastões. As primeiras colheitas de sedimentos foram feitas a bordo do navio de investigação Garcia del Cid, através de um projeto europeu financiado pelo programa Eurofleets. Para confirmar a existência deste tipo de habitat foi posteriormente efectuada, com a colaboração da OCEANA, uma filmagem com um ROV. A OCEANA é uma ONG que é a maior

organização internacional focada exclusivamente na conservação dos oceanos, proteger os ecossistemas marinhos e as espécies ameaçadas de extinção. Os campos de crinóides estão classificados como habitats sensíveis pela União Europeia, já que podem ser utilizados como zonas de reprodução por distintas espécies de peixes, como por exemplo o salmonete e a pescada. A presença de crinóides, em altas densidades, é um indicador do bom estado dos fundos e de um baixo ou inexistente impacto humano. A pesca de arrasto pode danificar este tipo de campos e afetar o fundo marinho, o que

Fotografia: OCEANA

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em consequência tem também impacto no ecossistema do leito marinho. Porém, neste caso concreto, a existência de um campo tão denso de crinóides indica que a zona não tem sido afetada por esta arte de pesca. Os próximos passos na investigação incluem análise de imagens e amostras recolhidas, para caracterizar este ecossistema quanto à biodiversidade através das amostras de macrofauna, meiofauna e microfauna, de sedimentos marinhos, propriedades das massas de água e batimetria detalhada da zona. Foram também recolhidas amostras em zonas adjacentes em que o arrasto opera. A com-

paração entre zonas arrastadas e não arrastadas deverá indicar que impacto tem, a longo prazo, a pesca de arrasto neste tipo de ecossistema. A equipa de investigação, foi coordenada pelo Centro de Ciências do Mar (CCMAR) da Universidade do Algarve e integra diversas instituições nacionais e internacionais, IPMA (Instituto Português do Mar e da Atmosfera), CESAM (Centro de Estudos do Ambiente e do Mar, da Universidade de Aveiro), Instituto de Ciências do Mar (Barcelona), Marine Scotland e Universidade Politécnica de Marche (Itália).


Notícias do Mar

Crinóides O

s crinóides são considerados os equinodermes mais primitivos. Durante a Era Paleozóica, as espécies de crinóides viviam fixas ao fundo por um pedúnculo e eram extremamente abundantes. Deste grupo, os denominados lírios-do-mar, ainda existem actualmente cerca de 100 espécies, mas estas vivem a cerca de 100 m ou mais de profundidade, pelo que não são facilmente visíveis. O registo fóssil mostra que os crinoides já foram muito mais abundantes do que são hoje. A maioria das espécies de crinóides actuais pertence a um outro grupo mais recente, a Ordem Comatulida - comátulas, e tem vida livre. Conhecem-se cerca de 600 espécies, podendo ser encontradas desde a zona intertidal até grandes profundidades. Estes equinodermes, com aspeto de flor, vivem abaixo das linhas de maré até profundidades abissais. O corpo forma um cálice pequeno em forma de taça, formado por lâminas calcárias, ao qual se ligam cinco braços flexíveis que se bifurcam para formar dez ou mais apêndices finos providos de pínulas laterais e alargadas dispostas como as barbas de uma pena. Os lírios-do-mar possuem um pedúnculo que liga por um lado o cálice e por outro fixa-se ao fundo do mar por meio de prolongamentos em forma de raízes. As estrelas plumosas (Antedon) não possuem pedúnculo mas possuem cirros flexíveis que lhes permite captar pequenas partículas na água. O alimento consiste em plâncton microscópico e detritos. Nestes animais o celoma é pequeno, e as gónadas podem não estar diferenciadas. Os gâmetas formam-se a partir do tecido epitelial das pínulas. Alguns Crinoides põem os seus ovos diretamente na água, mas outras espécies mantêm-se aderentes às pínulas até ocorrer a eclosão. Os Crinoides possuem grande capacidade de regeneração, pois são capazes de desprender os seus braços ou grande parte do cálice e de imediato renovar estas partes. Muitos Crinoides atuais têm cor viva - amarelo, vermelho, branco, verde ou castanho. Actualmente, o conjunto mais diversificado de crinóides encontra-se na Grande Barreira de recifes que envolve a Austrália, onde mais de 50 espécies diferentes podem ocorrer numa mesma área.

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Mergulho

Texto José Tourais Fotografia Fátima Martins

Parque Ocean Revival

Um Projeto Ambicioso e Muito à Frente

O dia 30 de Outubro de 2012 amanheceu cinzento e nostálgico como anunciando o fim de uma vida para dois dos navios que briosamente cumpriram o seu dever na Armada Portuguesa ao serviço da Pátria, a Corveta F489 Oliveira e Carmo e o Patrulha oceânico P1147 Zambeze.

À

s 11:39 após a detonação dos explosivos, a Oliveira e Carmo despediuse e afundou imponente em pouco mais de 2 minutos, para a sua nova viagem. Repousa agora

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num local perto de Portimão, a duas milhas náuticas de terra e a cerca de 30 metros de profundidade. Pouco mais tarde, por volta das 16:07, ouviram-se e viramse mais explosões e foi a vez do

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patrulha Zambeze que afundou em menos de 3 minutos um pouco para norte da Oliveira e Carmo sua companheira de destino. Na verdade estamos perante um ciclo em que se acabam duas vidas e se começam outras

duas, pois acabaram de nascer dois recifes artificiais no mar português com um enorme potencial de benefícios para a biodiversidade marinha e para a economia da região, São estes momentos, que nem sempre bem compre-


Mergulho

A corveta Oliveira e Carmo momentos antes da explosão

A corveta Oliveira e Carmo no momento da explosão para o afundamento endidos, nos orgulham e nos alimentam o ego português. Estes dois navios, conjuntamente com o navio oceanográfico A527 Almeida Carvalho e a Fragata F481 Hermenegildo Capelo que serão afundados em

2013, foram cedidos pela Marinha de Guerra Portuguesa para constituírem a base dos recifes artificiais no Algarve, potenciando o desenvolvimento da região e elevando o nome de Portugal no mundo.

O Patrulha Zambeze antes de ser afundado Esta ideia que agora se começou a concretizar foi ideia de um homem, Luís Sá Couto de seu nome, que desenvolveu este conceito através do projeto – Ocean Revival, que se poderá conhecer melhor no site www.

oceanrevival.org. A ideia foi e continua a ser a criação de um recife artificial de eleição que possa implementar o mergulho de qualidade enquanto atividade económica na região e que em consonância com o

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Mergulho

O Patrulha Zambeze no momento da explosão ambiente, potenciasse a biodiversidade, valorizando também o património histórico destes vasos de guerra cujo destino seria certamente a sucata. Para o efeito, foram efetuados vários estudos nomeadamente eco-turismo subaquático e análise de incidências ambientais, tendo os navios sido limpos e preparados por uma companhia canadiana com lar-

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ga experiência neste tipo de trabalhos, nos termos da rigorosa convenção internacional OSPAR. A Ospar é a instituição pelo qual 15 governos das costas ocidentais Europa, juntamente com a Comunidade Europeia, cooperaram para proteger o ambiente marinho do Atlântico Nordeste. Tudo começou em 1972 com a Convenção de Oslo mais tarde actualizada e am-

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pliada pela Convenção OSPAR 1992. O novo anexo sobre a biodiversidade e os ecossistemas foi adoptado em 1998 para cobrir atividades humanas não poluentes que podem afetar o mar de forma adversa. O Parque Ocean Revival que tem vindo a ser desenvolvido e implementado ao longo dos últimos anos, não tem sido nada fácil pelas constantes dificul-

dades que se depararam, frequentemente com alguma falta de sentido, justificação ou lógica. No entanto, muito graças à determinação e empenhamento mostrados, foram e continuam a ser muitos os apoios e solidariedade a este enorme empreendimento, como se pode destacar o caso da PADI e de muitas instituições e pessoas a nível nacional.


Mergulho

Os Navios A Corveta Ex-NRP Oliveira e Carmo F489 pertencente à classe Batista de Andrade, com cerca de 1400 toneladas, 86 metros de comprimento e uma guarnição de 107 homens, foi construída em Cartagena e lançada á água em 5 de Fevereiro de 1975, tendo sido abatida a 1 de Novembro de 2007. Foi projetada tendo em mente o reforço da presença naval nos mares das ex-colónias portuguesas, é a última das dez corvetas adquiridas na década de 70. Com o fim da guerra colonial, o objetivo original tornou-se numa missão sem sentido e, desde então, a corveta passou a estar ao serviço como escoltador oceânico no âmbito da NATO e mais tarde como navio-patrulha na zona económica exclusiva portuguesa. O Patrulha Oceânico EX-NRP Zambeze P1147, da classe Cacine, com 220 toneladas e 44 metros e uma guarnição de 33 homens, foi construído nos estaleiros navais do Mondego e lançado à água em 31 de Outubro de 1971 e realizou várias missões nas Zonas Marítimas do Continente e Madeira, com passagens esporádicas pelo arquipélago das Canárias. Passou por diversos portos, onde manteve sempre uma presença digna, prestigiando a Marinha de Guerra Portuguesa. Após 31 anos de serviço, foi abatido a 15 de Novembro de 2006.

Esperemos que num futuro próximo o tempo venha dar razão e colocar os promotores desta louvável iniciativa no seu merecido lugar, reconhecendolhe com gratidão o esforço de tão árdua e altruísta tarefa em prol de uma região e de um país. Bons Mergulhos José Tourais www.nautilus-sub.com

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Notícias do Mar

Texto e Fotografia de arquivo Carlos Salgado

Conhecer e Viajar pelo tejo

TEJO, Maior que o Pensamento Pelo interesse demonstrado pelos leitores pela candidatura Tagus Universalis, na sequência da entrevista do número anterior do Notícias do Mar, aproveito para dar mais uma achega.

O Tejo ancestral

C

om efeito o Tejo é desconhecido por muitos portugueses e mesmo aqueles que pensam que o conhecem não estão a par de todas as suas valências e potencialidades como grande recurso natural, nacional e ibérico. De notar que o Tejo como eixo identitário das duas nações ibéricas tem história, valências e patrimónios

culturais e naturais que o distinguem dos outros rios e nele está reflectida a interacção da natureza com o homem que o foi ocupando e utilizando, o que fez dele um bem universal e por isso tem os requisitos necessários para ser considerado e declarado pela Unesco como Património Mundial. O rio Tejo, que há milhões de anos nasceu e partiu da serra de

O Tejo internacional 30

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Albarracín nos montes Universales situados na região de Aragão em Espanha, estando a sua nascente apenas a uns 200 km do Mar Mediterrâneo, curiosamente fez rumo ao Atlântico em Portugal. Durante milénios não conheceu fronteiras e escavou o seu leito lavrando profundas gargantas, perfurando ásperas serras, abrindo amplos vales e modelando campinas até chegar ao mar. Nos seus 1000 km de extensão sofreu influências tanto geológicas como climáticas que contribuíram para desenhar o seu curso ao longo dos tempos e ao atravessar diversas regiões tais como as de Aragão, Madrid, Castilla.la.Mancha e Extremadura em Espanha e em Portugal as da Beira Baixa, Alentejo, Ribatejo e a de Lisboa e Vale do Tejo, foi influenciado por climas diferenciados desde o continental da Meseta Ibérica, passando a ter a influência do clima mediterrânico quando entra em Portugal e prosseguindo, ao aproximar-se da costa atlântica acabou por ser influenciado pelo clima marítimo. Com as diversas características dos solos que atravessou deu origem a uma pluralidade de paisagem natural, tendo hoje lanços de natureza pró-

xima da intacta, que gerou uma biodiversidade extraordinária e também permitiu o aproveitamento da terra para multiculturas nos seus montes, terraços e lezírias desde há séculos. Por isso ele foi desde a Pré-História uma força atractiva de povos que vieram instalar-se na proximidade das suas margens por ele atravessar um território situado no estremo sul mais a ocidente do continente europeu, onde a terra acaba e o mar começa e sobretudo por ele possuir os recursos vitais: a água, a fauna, os solos férteis e a estrada líquida, constituindo um poderoso factor aglutinador das diferentes estratégias de movimentação e fixação territorial humana e por esse facto, desde tempos remotos que povos das mais diversas origens, uns vindos do norte e do interior continental por terra e outros vindos por mar, foram progressivamente ocupando as suas margens e trouxeram consigo credos, culturas e tradições distintas que se foram sobrepondo e entrelaçando, o que deu origem a um património cultural, material e imaterial riquíssimo. Esses povos deixaram vestígios e testemunhos desde há um milhão de anos antes de Cristo, que se encontram devidamente identificados e datados. A “ alis ubbo ”, a Lisboa dos fenícios, que significa enseada amena, foi sendo sucessivamente demandada, para além daquele povo, pelos gregos, galo-celtas, cartagineses, romanos e bárbaros do norte e mais tarde chegaram ao Tejo os vândalos, os suevos, os alanos, os visigodos, os hunos, os godos, os muçulmanos e por fim os cristãos. Todos esses povos contribuíram para construir a universalidade do Tejo que está recheada de patrimónios, feitos históricos, tradições e memórias. Até meados do século passado navegaram nele centenas de barcos, principalmente no espaço português por ser navegável desde o mar até Alcântara em Espanha, ao que a mão do homem não foi alheia, que viajavam de jusante para montante e vice-versa e entre margens, no transporte das mais variadas cargas como: mercadorias, pessoas, animais e bens. Esses barcos envergavam velas que enfunadas pelo vento, enchiam o Tejo quase tapando a água. O Tejo e Lisboa com o seu porto atlântico que, assim como foi uma


Notícias do Mar

porta de entrada do mundo para o interior da Península Ibérica também foi a porta aberta para o mundo que permitiu a nossa expansão marítima do século XV, a partir da qual foram encontradas novas terras e outras gentes, e levou a cristandade à África, à América, à Índia, à Oceânia, à China e ao Japão. O Tejo desempenhou nesta epopeia um papel historicamente relevante que mais nenhum outro rio igualou, porque foram dele que partiram as principais armadas, que foram construídas e abastecidas com os materiais e produtos do vale do Tejo e treinadas no seu estuário. Por isso Lisboa passou a ser um grande empório comercial dos produtos do Oriente no século XVI e esta capital das Conquistas e das Descobertas, devido à localização geográfica e à nova situação criada pela expansão marítima, suplantou à época Alexandria, Génova e Veneza. É evidente que o homem do Tejo foi naturalmente influenciado pelas características das diferentes regiões que este maior rio ibérico atravessa e por isso foi obrigado a adaptar-se às condições em que teve que viver e adoptou comportamentos também diferentes no seu

O Tejo em Toledo modo de vida, usos e costumes, actividades laborais, tanto nos ofícios como nas artes, na etnografia, nos saberes e nos sabores e nas formas de exteriorizar os seus sen-

timentos. Posso garantir-vos que em Portugal o Tejo é um rio Bem Amado porque faz parte da vida quotidiana das populações ribeirinhas que

se revêem nele e o desfrutam com prazer, porque ele é um rio de TRADIÇÕES, EMOÇÕES E MEMÓRIAS que ainda tem muito para dar, assim o deixem.

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Notícias do Mar

Texto e Fotografia de arquivo Carlos Salgado

Conhecer e Viajar pelo Tejo

A Vela tem o Pano a Bater!... Durante séculos a navegação à Vela não foi mais do que um meio de deslocação dos povos e de embarcações de guerra e de comércio. Portugal, não obstante ser um país eminentemente de tradição marítima só em 1836 é que importou a prática dos desportos náuticos, amadores.

Os primórdios da vela desportiva em portugal

P

or isso em 1855 foi fundado em Lisboa o Real Yachting Club, o mais antigo clube náutico da Península Ibérica que em 1856 mudou o nome para Real Associação Naval de Lisboa e que após a implantação da República passou a chamar-se Associação Naval de Lisboa, que se mantém em actividade ainda hoje. A partir daí deu-se a expansão do desporto da Vela em

Portugal, sendo o estuário do Tejo a pista de regatas mais importante e movimentada, ao tempo. Hoje, ainda é no Tejo que está concentrado o maior número de Clubes Náuticos que se dedicam à Vela e também a outras modalidades náuticas. Mas é notório que a Vela, sobretudo a chamada ligeira, está em franca decadência no nosso país, quando ela tanto honrou as cores nacionais internacionalmente, no

A vela ligeira, uma modalidade a incrementar 32

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passado. Mas foi do meritório trabalho das Escolas de Vela da MP e dos Clubes que nasceram os nossos campeões. Essas escolas formaram, desde miúdos, exímios velejadores durante décadas, que honraram o nosso país, nomeadamente aqueles que se destacaram nas Olimpíadas como Duarte Bello e Fernando Bello que conquistaram uma medalha de Prata em 1948 em Londres; Joaquim Fiúza e Francisco Rebello de Andrade que conquistaram medalha de bronze em 1952 em Helsínquia e Mário Gentil Quina e José Manuel Gentil Quina uma medalha de Prata em 1960 em Roma, para além de outros que foram campeões da Europa mais do que uma vez. Mas hoje, o desempenho dos nossos velejadores nas Olimpíadas é o que se vê, ou por outra não se vê. Então, como é que se justifica que a Vela se encontre em decadência? Será porque cá, deixou de haver uma política para o seu desenvolvimento, competente e/ ou eficaz? Mas a realidade actual é que os barcos permanecem parados nos clubes, as escolas de vela têm menor frequência e a juventude está, cada vez mais, a encaminhar-se para outros desportos aquáticos. E não me venham com a desculpa que isso tem que ver com a famigerada crise instalada. Pergunto: e os Clubes e sobretudo a Federação Portuguesa de Vela ainda não se aperceberam disso e caso se tenham apercebido o que é que fizeram para inverter tal situação? O que se ouve é que a FPV, tem estado mais interessada nas classes de Cruzeiro do que nas da Vela ligeira, incluindo obviamente as Escolas dos clubes, mas se estas estão a ter cada vez menor frequência de jovens para formar desde a infância, como é que pode haver atletas experientes

para serem campeões para o futuro. Que condições têm eles para progredirem de forma a ficarem aptos para as classes Olímpicas? Entretanto chegou-me às mãos o programa da Lista A, a única candidata aos órgãos sociais da FPV e que, por conseguinte, foi eleita para o próximo mandato e assim o presidente da direcção anterior, José Leandro, foi reconduzido no cargo. O programa desta direcção está bem elaborado e é bastante ambicioso para além do que é costume. Faço votos para que a acção programada resista aos compadrios e amiguismos que têm inquinado a acção da FPV, num passado recente. Se conseguirem que ele seja cumprido, a Vela nacional pode ter “amanhãs que cantam”. Recordo-me de quando fiz parte dos Órgãos Sociais da FPV, nos fins dos anos sessenta e princípio dos anos setenta, em que estive dois anos na Direcção e um ano no Conselho Técnico, tivemos conhecimento do Plano de Fomento do Desporto da Vela em Espanha que estava no início da sua implementação. Esse documento muito bem estruturado, que foi posto em prática com pragmatismo e competência, conseguiu que a Vela em Espanha progredisse extraordinariamente, elevando-a ao nível mundial, e alcançar resultados muito positivos, que ainda hoje se fazem sentir. Deixo aqui uma viva recomendação ao presidente José Leandro: Tenha sempre bem presente que o principal alicerce da Vela em Portugal, e no mundo, são os Clubes e as suas Escolas de Vela que desde há muito, são o verdadeiro alfobre dos velejadores que chegam a campeões. Mas é preciso que haja uma política eficaz, não só de manutenção mas sobretudo de incrementação.

Escolas de Vela


Notícias do Mar

Notícias Honda

Honda Apoia Investigação Arqueológica em Sagres Tem vindo a decorrer, na Baía do Martinhal, em Sagres, um projecto único de investigação em arqueologia náutica, destinado a localizar um tipo de embarcação ibérica proveniente do século XVII e inédita no mundo.

E

ste projecto internacional, co-organizado pelo Institute of Nautical Archaeology (Texas A&M University) e Centro de História Além-Mar (FCSH - Universidade Nova de Lisboa e Universidade dos Açores) é liderado pelo Professor-Dr. George Schwarz. Entre os dias 1 e 10 de novembro o projeto passou à fase de localização específica, tendo como base as informações recolhidas em missões anteriores. A Honda Portugal, através da sua Divisão de Produtos de Força, resolveu associar-se a esta iniciativa tendo disponibilizando uma motobomba WB30XT para esta fase. Para Rui Aranha, Director Geral da Divisão de Produtos de Força: “é com toda a satisfação que a Honda Portugal se associa a este projec-

O porto de Sagres com as ilhas do Martinhal ao fundo

e rápido servia como transporte e também de reconhecimento. Dadas as suas características, foi igualmente muito usado pelos piratas. Os mergulhos de prospecção realizados em 2007 permitiram encontrar indícios de um naufrágio do século XVII junto à praia do Martinhal, incluindo pilhas  de lastro  e peças de artilharia que podem significar ser o local provável de afundamento daquele patacho.

to. A gama dos nossos produtos é muito versátil e destinada às mais variadas utilizações. Saber que os nossos produtos poderão ajudar a enriquecer a história náutica do nosso país é sem dúvida um motivo de orgulho”. Esta e outras notícias disponíveis em www.hondanews.eu Patacho espanhol Pedro Diaz Documentos do Arquivo Nacional da Torre do Tombo e do Arquivo General de Índias revelam que o patacho espanhol Pedro Diaz perdeu-se numa tempestade em 1608 no concelho de Vila do Bispo, quando regressava à Europa. O patacho é um baro de dois mastros com a vela de proa redonda e a de ré do tipo latina. Começou a ser utilizado no final do século XVI, principalmente pela Armada Espanhola. Como era um barco leve

Praia do Martinhal e as ilhas 2012 Novembro 311

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Pesca Desportiva

Pesca Embarcada

Um Dia de Pesca com... Paulo Patacão Contra os Inimigos de Verão

O verão de 2012 tem sido, de uma maneira geral, fraco para a pesca desportiva feita a partir de embarcação. Concentrações anormais de caranguejo-pilado parecem estar a enfartar o pouco peixe de qualidade que é procurado pela maior parte dos pescadores, além de uma nortada que teimosamente teima em agastar o litoral. Foi contra estas (e outras) dificuldades que fomos com o atleta de topo, Paulo Patacão, para tentar arranjar algumas soluções para estes problemas.

F

oi no final de julho que rumámos a Setúbal para uma saída de pesca embarcada com Paulo Patacão, atleta de topo que se disponibilizou para nos explicar algumas formas de contornar as dificuldades naturais da pesca no verão. A nossa embarcação foi o “Moreira”, embarcação recentemente remodelada, que nos ofereceu todas as comodidades para enfrentar um dia de pesca, diga-se de passagem com condições excelentes, contando também com a preciosa ajuda dos experientes mestres Zé Lhé e João Capinha. O plano era começar a pescar ao romper do dia num pesqueiro na casa dos 30 metros de profundidade e depois rumar a um outro, mais por fora, na casa dos 80 metros.

Os iscos... Logo que embarcámos, Paulo Patacão começou pela tarefa mais laboriosa de preparar os iscos. “Este é um processo importante de maneira a tirarmos o melhor rendimento na pesca que se adivinha mais complicada; tem havido pouco peixe e é necessário acautelar algumas iscadas mais elaboradas, digamos assim.”. Os iscos em questão foram a amêijoa e o camarão, que foram preparados por Paulo de várias formas, como nos explicou. “A minha aposta vai ser sobretudo nestes dois iscos; o camarão vou cortar alguns longitudinalmente e será uma opção caso de necessitar de iscadas mais pequenas se o peixe estiver complicado, deixando alguns inteiros para o caso da necessidade de uma

Paulo Patacão, um atleta de topo com soluções para os problemas

O miolo da ameijoa deve ser ligeriramente salgado

Logo que embarcámos começámos a preparar os iscos 34

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Os Parasitas Um facto interessante que reparei foi o facto de se terem capturado algumas choupas com parasitas. Isto é sinal de se tratar de peixe de entrada e como pudemos confirmar com o mestre do “Moreira”, Zé Lhé, efectivamente as choupas tinham andado ausente daquele pesqueiro nos últimos tempos e até ele próprio ficou surpreendido com o facto. Por isso já sabe: regra geral, peixe com parasitas é sinal de uma entrada recente de peixe na zona, fruto de uma migração total ou parcial.


Pesca Desportiva

Texto e Fotografia: Carlos Abreu - Colabora: Paulo Patacão/Mundo da Pesca

iscada de maiores dimensões com o objectivo de procurar um melhor exemplar, já a amêijoa vou prepará-la de duas formas, uma para pesca mais complicada e outra para pesca mais rápida, fácil ou em que precise de a ter num estado mais bruto. Para pesca mais complicada recorro ao uso de uma agulha dupla ou tubo de maneira a coser o miolo da amêijoa, mas apenas a parte da tripa, deixando a parte da unha de fora, ficando a mesma pendurada no anzol. Os italianos usam esta iscada com muito sucesso e há quem também opte por iscar ao contrário, isto é, com a unha para o lado da linha e a tripa na ponta do anzol; pessoalmente opto mais pela primeira opção. Preparo um número de iscadas de acordo com aquilo que vejo que vou precisar e tenho o cuidado de as deixar num recipiente com um pano que absorva algum do líquido que possam libertar.”. Isca salgada No que diz respeito à outra forma de preparação do miolo da

A chumbada escolhida foi de cor preta em forma de gota com 180 gramas amêijoa, Paulo salga-os ligeiramente, salvaguardando duas

opções: na primeira tira um punhado de miolos que espalha

numa fina camada de sal de maneira a desidratá-las (secá-

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Pesca Desportiva

Os anzóis foram os nº 4

Um estralho com 3 anzóis las), para que aguentem mais no anzol; os restantes miolos ficam num recipiente onde adiciona muito pouco sal, ficando os mesmos apenas mergulhados na sua própria calda. “Pessoalmente não sou adepto de salgar muito as iscas. Há muitos atletas, de diversas zonas do País, que não usam iscos sem serem salgados; são opções e cada um pesca com aquilo que acredita, e para isso previno-me para as duas situações, guardando sempre amêijoa não salgada, menos rija portanto, para que o isco tenha um comportamento mais natural e solto quando dentro de água.”. Ferro à água! Chegados ao pesqueiro “baixinho”, Paulo preparou a sua montagem que recaiu numa mon-

Com estiradas laterais e a arrastar as safias atacaram 36

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tagem com três anzóis nº4, em estralhos de 40cm empatados com fluorocarbono da espessura de 0,25mm. A chumbada recaiu num modelo em forma de gota com 180 gramas de peso e de cor preta, e perguntamos porque recaiu a sua escolha nesta cor. “Simplesmente porque temos de combater os maiores inimigos da pesca nesta altura, inimigos que se chamam cavalas e bogas! O objetivo é fazer com que a pesca desça o mais rapidamente possível pelos densos cardumes destes peixes e, sobretudo, numa cor que não desperte a sua atenção. Pesca para a água com amêijoa e eis que a ponteira da cana de Paulo acusa uns toques bem francos; uma bandeira com duas choupas nos anzóis de

À Italiana Paulo Patacão não nega que tem na escola italiana uma referência. Uma das coisas que achou interessante foi o recurso dos italianos às iscadas atadas e foi uma das coisas que começou a recorrer quando a pesca se complica. Para isso recorre a uma iscada feita com agulha dupla ou tubo, atando apenas a tripa e deixando a unha solta, reforçando que é possível atar precisamente de forma inversa e iscando com a tripa para a ponta do anzol.


Pesca Desportiva

Primeira solução foi pescar fora da sombra do barco

Os peixes vermelhos estavam mais fundo

baixo e uma cavala no anzol de cima. Segundo lançamento por baixo do barco e desta feita apenas uma choupa no anzol do meio, uma boga no anzol rente à chumbada e uma cavala em cima. “As minhas previsões estavam certas e temos mesmo de fugir às cavalas e bogas”, disse Patacão. As previsões pioraram ainda mais porque os toques começaram a falhar, saindo apenas bogas e cavalas quando se mexia um pouco a pesca. Patacão ainda baixou para o 0,23mm mas o resultado não se alterou em nada e só ocasionalmente saía um peixe de melhor qualidade, invariavelmente choupas. A (primeira) solução Mas o resultado ia mudar e o nosso pescador começou a fazer uma série de choupas seguidas; tudo isto porque começou a lançar mais fora, a pescar “fora do barco”. “Era uma opção que eu não queria ter de recorrer pois o fundo é de ramagem e a pescar desta forma arrisco-me a prender mais a pesca; mas é um risco que tenho de correr pois está a compensar, o peixe é quase todo bom, e isso deve-se a estar fora da sombra que o barco faz na água. Hoje temos água muito clara, o peixe desconfia logo da sombra do barco e ainda para mais está farto, atendendo à concentração de pilado que há. Pescar fora do barco, sem fazer negaças e com iscadas mais pequenas parece estar a resultar, sobretudo se não 2012 Novembro 311

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Pesca Desportiva

O “Moreira” Alvo de uma “lavagem” de cara completa, o “Moreira” está agora mais cómodo que nunca. Desde o motor até à eletrónica, passando pelo quarto e casa de banho, pode encontrar-se nesta embarcação maritimo-turística todas as comodidades para se passar um agradável dia de pesca, mesmo com grupos grandes de 10 pescadores! O detalhe é que podemos desfrutar de música ambiente, um toldo sempre útil em dias de sol ou chuva e o mestre Zé Lhé sempre pronto a ajudar.

Pescar mais fundo a 60 metroos foi a solução

A parte mais atrativa do isco é a tripa da ameijoa

fizeram sentir. Perguntámos o que se passava e Paulo disse que ainda tinha de tentar perceber, “não quero fazer negaças com a pesca pois receio que o inimigo comece a atacar, mas estou a ver que tenho de tentar provocar toques pois nem estes peixes parecem estar aí.” O que começou a fazer foram umas pequenas estiradas laterais com a cana de modo a arrastar a pesca mas sem a levantar e pareceu surtir efeito pois as safias começaram a acusar-se, mas com toques muito, muito discretos. Com alguma dificuldade lá foram saindo alguns exemplares, regra geral, mais agarrados ao fundo, e sempre que se puxavam para cima lá se agarravam as cavalas por mais depressa que recuperássemos. Imaginem o “vulcão” que ali estava daqueles peixes! A receita que parece ter

sido encontrada foi a de ter de procurarem os toques, com negaças laterais, a arrastar pelo fundo, mas sem levantar a pesca; as iscadas não deveriam ter também a unha da amêijoa, resumindo-se à parte mais atrativa, a tripa. “Não convém apresentar uma iscada demasiado grande pois o peixe está farto e isso nota-se porque está gordo e manhoso a comer; além disso, a unha é clara e convém não chamar muito a atenção de cavalas e bogas, estas últimas também agarradas ao fundo. Para terminar, a previsão dos mestres Zé Lhé e João Capinha a bater certo, com um parguete a atacar prontamente a isca de Paulo e a bater mais vigorosamente para o fundo. O detalhe: é que atacou de rajada os dois anzóis iscados, embuchando-os completamente! Predador é assim... às vezes!

tivermos a pesca muito esticada.”. Paulo ainda fez mais: deixou de iscar o anzol de cima, mas mesmo assim as cavalas “agarravam-se! Segunda parte! O desafio dos mestres Zé Lhé e João Capinha tinha ficado lançado ao princípio e queriam que fizéssemos este ensaio numa zona mais funda, com a possibilidade de se capturarem alguns peixes vermelhos (pargos e bicas), desta feita num pesqueiro na casa dos setenta e muitos metros. Paulo optou apenas por colocar uma chumbada ainda mais pesada de modo a “furar as barreiras do inimigo” e assim fugir às cavalas e bogas que temia que nos apoquentassem novamente. Surpresa das surpresas, assim que a pesca chegou ao fundo, e ao contrário do que tinha acontecido no primeiro pesqueiro, os toques não se 38

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Um final com uma boa pescaria


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Electrónica

Apresentação Garmin em Portugal

O Crescimento a Nível Global

A Garmin Ibérica enviou três dos seus responsáveis máximos pra uma reunião com a comunicação social, que decorreu no passado dia 24 de outubro no Hotel Quinta da Marinha Resort, em Cascais, para falar dos lançamentos mais importantes da marca e do crescimento da Garmin a nível global, bem como da solidificação do mercado europeu. Os Mercados da Garmin São cinco os mercados onde a Garmin atua. Automóvel/Mobile - PND: Equipamentos pessoais de navegação; Aplicações para telemóveis; Soluções OEM: integração automóvel. Outdoor - Localização wireless; Geocaching; Equipamentos para golfe; Equipamentos portáteis para caça, escalada e BTT; Equipamentos para 4x4. Fitness - Equipamentos GPS para fitness; Relógios com indicações de velocidade e distância; Sensores de ritmo cardíaco; GPS para ciclismo. Náutica - Vasta gama de produtos desde portáteis a plotters cartográficos; Tecnologia de ponta: radares, sondas, pilotos automáticos, rede marítima Garmin; Soluções OEM. Aviação - Produtos de aviação para todos os tipos de aviões; Tecnologia de ponta inclui: comunicação, radar, controlo de voo, mapas e navegação.

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Reunião da Garmin com jornalistas

stiveram a receber os jornalistas e a coordenar a sessão, Salvador Alcover, director comercial para Portugal e Espanha, Susana Manzano, directora da área de Outdor e Fitness da Garmin Ibérica e Mariana Dias, responsável de marketing e comunicação da Gar-

min Portugal. A Garmin, líder mundial em equipamentos de comunicação por satélite, é um fornecedor global de equipamentos de navegação, comunicação e informação. A sua história é de sucesso e crescimento, com lucros anuais desde o início, o qual foi em 1989,

Para camião o Dezl 760 LMT 40

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conseguindo rapidamente uma presença e distribuição dos seus produtos a nível mundial. A Garmin que já vendeu, desde o início, 100 milhões de GPS em todo o Mundo, tem mais de 9.300 funcionários e vendeu em 2011 16 milhões de unidades que lhe valeu uma faturação no valor de 2.760 milhões de dólares, praticamente o mesmo que tem faturado nos últimos quatro anos.

Integração Vertical Para melhor e rapidamente atingir os seus objectivos, a Garmin aplica uma integração vertical. Estratégia Garmin Fazer internamente o design e fabricação, distribuição, marketing, vendas e apoio ao cliente. Controlar todo o processo. Utilizar o inventário como uma ferramenta de negócio. Resultados Grande nível de inovação, qualidade, flexibilidade e responsabilidade.

Para moto Zumo 350 LM III


Electrónica

do agente da marca Santos Silva .

Forerunner Special edition 210 Controlo dos riscos. Custos reduzidos. Grande crescimento e estabilidade. A Garmin no Mundo A Garmin tem uma presença com departamentos de venda e distribuição em todos os continentes, com maior número nos USA e na Europa. A sede é nos USA onde funciona também um centro de pesquisa e desenvolvimento de produtos e a fabricação dos produtos para a aviação. Na Europa tem o centro de operações em Inglaterra e centros de pesquisa e desenvolvimento na Alemanha e Roménia. A direção de marketing e comunicação fica na Suíça. No que respeita a fábricas, a Garmin dispõe de três em Taiwan, com 48 linhas de montagem e mais de 4.300 trabalhadores. A Posição nos Mercados Todos os produtos são fabricados pela Garmin, que se apresenta

Forerunner Special Edition 610 agora como líder nos segmentos de Outdoor, Fitness e Automóvel, com alguns mercados a atingir os 80% da quota. Em virtude dos tipos de produtos, a penetrarem em novos mercados, em todos os segmentos a Garmin teve aumentos de vendas, excepto no segmento da náutica, onde a nível mundial a queda foi de cerca de 40% e a Garmin caiu 14%. Patrocínios e Parcerias A Garmin é um orgulhoso patrocinador de diversas provas, entre as quais em Portugal se destacam a S. Silvestre de Lisboa, prova de corrida, a Garmin Olímpico de Oeiras, prova de triatlo, e TransPortugal Garmin, prova de ciclismo BTT. No que respeita a patrocínios individuais, a Garmin patrocina Dulce Félix em atletismo, Bruno Pais no triatlo, Vitor Gamito em BTT e Sónia Lopes em BTT. Igualmente Importante tem sido a parceria que a Garmin desenvolveu com a Associação Portuguesa de Doentes de Alzheimer, através

Novidades 2012 Dos produtos que este ano foram novidades nos diversos mercados, destacamos os seguintes: Novidades Automóvel: Para camião: Dezl 760 LMT Grande ecrã tátil de 7’’; Mapas de toda a Europa; Restrições de camiões; POIs para camionistas; Bluetooth; Informações de tráfego vitalícias; Atualização de mapas vitalícia; Entrada de vídeo; Compatível com FMI. Para motos: Zumo 340 e 350 Ecrã tátil, sensível ao toque com luvas; À prova de água IPX7; Ranhura para cartões microSD; Indicação da faixa de rodagem; GPS de alta sensibilidade com HotFix; Text-to-speech; Bluetooth para ouvir as indicações no capacete. Novidades Fitness: Para principiantes: Forerunner 10 Para os que começam a correr ou procuram melhorar; GPS de alta sensibilidade com HotFix; Fácil de utilizar; Informação personalizável; Distância, velocidade; Calorias queimadas; Virtual Pacer; Ligação ao Garmin Connect; Disponível em 3 cores: rosa, verde e preto/vermelho. Séries Multicolor: Branco, Verde e Azul Forerunner 210 Treinos intervalados; GPS de alta sensibilidade com HotFix; Auto Lap; Cálculo de calorias; Ligação Garmin Connect. Forerunner 610 Ecrã tátil; GPS de alta sensibilidade com HotFix; Alertas; Cálculo de calorias; Auto Lap; Training Effect; Virtual Racer. Para triatlo: Forerunner 910XT GPS Multidesporto; Avançados dados métricos de natação; Altímetro barométrico integrado; Tempos de treino, altura desnível acumulado, distância, velocidade, ritmo ou ritmo médio, calorias e ritmo cardíaco; Tecnologia sem fios ANT+Sport; Bateria até 20h; Ligação ao Garmin Connect. Para natação: Swim

Approach S1 Para os nadadores mais exigentes; Acelerómetro; Informações das braçadas: número frequência, tipo e eficiência; Fácil de utilizar; Função de relógio; Ligação ao Garmin Connect. Novidades Outdoor: Para montanhistas: série Fénix Primeiro relógio para outdoor que integra GPS, bússola eletrónica, altímetro barométrico e temperatura; Wireless; Bluetooth® 4.0; Comunicação Ant +; Sensor externo de temperatura; Navegação: até 1000 waypoints e 10.000 pontos de registo de trajeto; Com um sensor de temperatura (tempe), pode obter informações das tendências de temperatura; Vida da bateria prolongada; Design atrativo; Relógio para o dia-a-dia; Pulseira preta ou laranja; Modelo bundle com sensor de ritmo cardíaco. Approach S1: Edição Especial (branco e laranja) Guarda o registo das pontuações; Programado com os campos de golfe europeus, sem a necessidade de subscrição; Atualizações regulares e gratuitas; Vista ao inicio, centro e fim do green; Números de grande dimensão para rápida visualização; Relógio elegante para o dia-a-dia; Modelos disponíveis: preto, branco/verde, branco/laranja.

Novo Edge Mount 2012 Novembro 311

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Surf

Rip Curl Pro Surf Portugal 2012 - Peniche

Fotografia ASP

Vence o Surf Espetacular de Julian Wilson

Julian Wilson, vencedor do Rip Curl Pro Surf 2012 Peniche recebeu mais uma vez o Rip Curl Pro Surf que decorreu entre os dias 10 e 21 de outubro e levou à praia de Super Tubos largas dezenas de milhar de pessoas, que exultaram com as manobras e tubos impressionantes dos 36 surfistas ao longo da prova e da grande final do australiano Julian Wilson ao vencer o jovem brasileiro Gabriel Medina de 19 anos.

A

pesar da prova ter estado parada durante vários dias por causa da falta de ondas e do temporal que se abateu por toda a costa portuguesa, conseguiu-se mais uma

vez mostrar a todo o Mundo que seguiu a prova pela internet, as extraordinárias condições que Peniche oferece não apenas no âmbito desportivo, mas também no aspeto social com o afeto e camaradagem que os estran-

geiros receberam durante toda a prova. Desta vez o campeoníssimo Kelly Slater já com 40 anos de idade, mas que diz que sabe agora ainda mais de surf, ficouse pela terceira ronda, afastado

O australiano Julian Wilson celebra a vitória 42

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pelo brasileiro Raoni Monteiro num heat com ondas pequenas e sem consistência, onde ambos somaram poucos pontos, e o americano acabou por ser vencido com apenas 5,27 pontos para os 9,20 do adversário. Tiago Pires também se pode queixar da falta de sorte e foi por muito pouco que não chegou à terceira ronda, pois ficou em 2º lugar no heat que disputou com Julian Wilson, o vencedor do Rip Curl deste ano, e à frente do australiano Adrian Buchan. Julian somou 15,53 pontos e Tiago 13,27 que incluiu uma onda que foi pontuada com 9,77 pontos e que no final foi considerada a sétima melhor de toda a prova. O segundo lugar de Tiago nesta ronda levou-o à repescagem, que disputou com o americano Kolohe Andino e com o qual perdeu por escassas décimas, pois fez 11,50 pontos contra os 11,70 de Andino. Desta feita a maldição da prova portuguesa para Tiago Pires voltou a surgir nesta edição de 2012. Desde 2009, ano em que a etapa do circuito


Surf

mundial chegou a Peniche, que “Saca” não consegue alcançar a terceira ronda. Frente ao norte-americano Kolohe Andino, que conseguiu uma excelente onda nos últimos 20 segundos, Tiago Pires não conseguiu uma pontuação que o levasse à terceira ronda da oitava etapa do circuito mundial de surf. A grande maioria dos trinta e seis surfistas em prova, fizeram excelentes manobras e tubos que entusiasmaram toda a assistência que seguia em terra o decorrer da prova, às vezes mesmo a chover. De salientar as ondas pontuadas com o máximo de 10 de pontuação, que foram efetuadas por cinco surfistas, Julian Wilson, Gabriel Medina, Owen Wright, Michel Bourez e CJ Hobgood. Nas semifinais Julian Wilson venceu o brasileiro Adriano Sousa com um impressionante desempenho com manobras e tubos que lhe renderam um

Kelli Slater, desta vez não passou da terceira ronda total de 19,27 pontos, e a percentagem de 96,35 %, contra apenas 5,90 pontos de Adriano Gabriel Medina, na sua semifinal em que eliminou o

Tiago Pires fez a sétima melhor onda da prova

O brasileiro Gabriel Medina, numa espetacular manobra na final Hawaiano John Florence, 4º no Ranking, em mais um tubo

Kelly Slater a preparar-se para mais um heat

Uma das jornadas com condições magnificacas 2012 Novembro 311

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Surf

O brasileiro Alejo Muniz num aerial com o público em cima

Americano Kolohe Andino a dar autografos

O brasileiro Adriano de Sousa, 5º do Ranking, nos quartos de final

Uma fá a pedir uma prancha

australiano Joel Parkison, fez também um extraordinário desempenho, com espetaculares manobras, vencendo com grande diferença o adversário, pois fez 13,80 pontos contra os 5,27 de Parkison. Assim, a grande final colocou frente a frente os dois surfistas que mais entusiasmaram o público, arrancando gritos e palmas de admiração com as suas radicais manobras e tubos dos quais se pensava que não saiam. E a final foi igualmente disputada taco a taco, sempre na

dúvida qual seria o vencedor. A pontuação final atribuiu 16,26 pontos a Julian Wilson, dandolhe a vitória e as lágrimas ao jovem Gabriel Medina que somou 15, 37 pontos e perdeu por poucas décimas Medina, que teve uma performance devastadora durante todo o evento, manteve a liderança por grande parte da bateria, mas foi barrado por Wilson no final da dura disputa. A última onda do australiano por pouco impediu Medina de conquistar sua terceira vitória no World Tour.

Resultado Final 1 – Gabriel Medina (BRA) 16.26 2 – Julian Wilson (AUS) 15.37 Resultados das Semifinais SF 1: Gabriel Medina (BRA) 13.80 def. Joel Parkinson (AUS) 5.27 SF 2: Julian Wilson (AUS) 19.27 vs. Jeremy Flores (FRA) 5.90 Resultados dos Quartos de Final QF 1: Gabriel Medina (BRA) 15.60 def. Josh Kerr (AUS) 10.67 QF 2: Joel Parkinson (AUS) 15.07 def. John John Florence (HAW) 11.23 QF 3: Julian Wilson (AUS) 15.13 def. Owen Wright (AUS) 14.34 QF 4: Adriano de Souza (BRA) 15.57 def. Jeremy Flores (FRA) 9.80

Este ano foi uma das maiores enchentes 44

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Resultado da Última Bateria do Round 5 Heat 4: Jeremy Flores (FRA) 7.34 def. Raoni Monteiro (BRA) 3.34 TOP 5 do Ranking ASP WCT (Após o Rip Curl Pro Portugal) 1. Joel Parkinson (AUS) 52,700 pts 2. Kelly Slater (USA) 47,200 pts 3. Mick Fanning (AUS) 47,000 pts 4. John John Florence (HAW) 44,350 pts 5. Adriano de Souza (BRA) 37,650 pts


Surf

Notícias da Associação Nacional de Surfistas

João Vidal Vence Prémio “MOCHE Surfista do Mês” de Setembro Associação Nacional de Surfistas e a MOCHE decidiram atribuir o prémio “MOCHE Surfista do Mês” de Setembro a João Vidal, campeão nacional mais novo de sempre que, com 9 anos, se sagrou Campeão Nacional por antecipação.

F

oi na penúltima etapa do Campeonato Nacional de Surf Esperanças, que João Vidal ouviu o seu nome a ser declarado Campeão Nacional de Sub-12, fazendo assim história no surf nacional ao ser o surfista mais novo de sempre a ter um título nacional, o que se junta ao vasto leque que faz parte do património da praia da poça em São João do Estoril. Sobre a sua distinção do prémio “MOCHE Surfista do Mês”, João referiu que “estou muito feliz por ter recebido este prémio da ANS. Não estava nada à espera e por isso ainda foi melhor recebê-lo.” Quanto aos seus objectivos para este ano, João acrescenta que “só queria surfar e aproveitar todos os bons momentos dos campeonatos para treinar ainda mais, mas fico muito contente por ter obtido o meu primeiro título nacional.” João Vidal, que iniciou a competição este ano, demonstrou já

bastante técnica no seu surf e certamente dará cartas no futuro. A ANS deixa votos de grande progressão desportiva para o João Vidal e que esta distinção o possa motivar a treinar ainda mais, enviando também os parabéns ao grupo Surftechnique pelo trabalho de desenvolvimento de mais um grande talento do surf nacional. Força João! O prémio “MOCHE Surfista do Mês” visa distinguir o(a) surfista Português(a) e/ou personalidades que trabalham em prol do Surf com influência e contribuição positiva no desenvolvimento da modalidade a nível nacional e internacional, incluindo os domínios desportivos, ambientais ou sociais, e projectos industriais ou associativos directa e exclusivamente ligados ao Surf. Em 2012, é uma distinção que acontece mensalmente entre os meses de Junho a Novembro, atribuindo um Blackberry Curve 8520 ao premiado.

Notícias da Federação Portuguesa de Surf

Seleção do Eurojunior Nomeada para Gala do Desporto

A

Gala do Desporto, organizada pela Confederação do Desporto de Portugal, e que terá lugar dia 15 de Novembro, no Casino do Estoril, terá o foco, pela Federação Portuguesa de Surf, na Selecção Nacional que alcançou o terceiro lugar no Eurojunior de França, em Setembro. É nessa perspectiva que Vasco Ribeiro e Miguel Adão, respectivamente medalhas de bronze e prata nesta competição, são referenciados, assim como Carina Duarte, a melhor surfista portuguesa na competição com um 6º lugar, e o seleccionador adjunto Pedro Barbudo como treinador do ano.

votação online no site da CDP (www.cdp.pt) e pelos participantes da Gala, já no Casino do Estoril.

Assim, os nomeados da FPS são: Atleta Masculino do ano - Vasco Ribeiro Atleta Feminino do ano - Carina Duarte Jovem Promessa - Miguel Adão Treinador do Ano - Pedro Barbudo Equipa do Ano - Selecção Nacional Júnior A decisão dos escolhidos para cada categoria será determinada por uma

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Notícias do Mar

Notícias da Federação Portuguesa de Pesca Desportiva do Alto Mar

Eleições para Novos Orgãos Sociais A FPPDAM realizou no passado dia 27 de Outubro a eleição dos órgãos sociais – Presidente, Direcção, Conselho de Arbitragem, Conselho de Justiça e Conselho Disciplina – na sequência do pedido de renúncia apresentado pelo anterior Presidente, evocando para o efeito motivos de saúde.

E

leito o novo elenco directivo liderado pelo senhor Carlos Vinagre, foi reiterado pelo mesmo perante a Assembleia Geral a intenção de dar seguimento ao programa de desenvolvimento para a Pesca Embarcada, num breve discurso de mobilização e direccionado a todos os Clubes, no sentido de se manter a união e empenhos, factos de extrema importância para o cumprimento deste mandato. Afigura-se por isso um desafio importante para as capacidades desta liderança cujo os objectivos principais são a dinamização dos vários campeonatos, tornando-os mais competitivos face ás dificuldades económicas que vivemos, a

captação de novos Clubes e seus atletas, a aposta firme na formação dando particular destaque aos jovens masculinos, femininos e de ensino especial, comissários, bem como novas parcerias de várias origem que possibilitem um maior envolvimento, compromise novas apostas para o desenvolvimento deste desporto. Esta é também uma equipa empenhada numa gestão moderna, virada para as novas tecnologias de informação que possam beneficiar e aproximar os Clubes envolvendo-os no normal desempenho da instituição, bem como, em novos conceitos de negociação e novos horizontes que fortaleceram e darão garantias de continuidade para

o futuro. O futuro da FPPDAM começa agora com o vislumbre de que é possível acrescentar mais e melhor á obra já iniciada com grandes tradições cuja história engrandece esta instituição.

A mensagem deixada pelo Presidente Carlos Vinagre, vai no sentido de em torno do mesmo ideal existir a necessidade de trabalharmos todos mais e melhor no grande objecto que é o desenvolvimento da Pesca Desportiva do Alto Mar.

Orgãos Sociais 2012-2016 Assembleia Geral Presidente - António Manuel Pereira de Moura Vice-Presidente - António Manuel Barbosa Lourenço Presidente Carlos Manuel Galambas Vinagre Direcção Vice Presidente- Rui Alberto Pereira do Espírito Santo Tesoureiro - Carlos Alberto Marques Barrento Director - Renato Manuel Pereira de Pinho Director - Alexandre José Batista Dionísio Director - Eng.º Albino José Casimiro Salgueiro Director - João Manuel Castelo dos Santos Conselho Fiscal Presidente - Dr. Daniel Soares Cabeleira Vogal - Dr.ª Maria Manuela Lopes Soares Cabeleira Vogal - Dr. Rogério Carlos Guedes Coelho – ROC Nº 787 Conselho de Disciplina Presidente - Dr. José Luis Marques Alpendre Vogal - Dr. João Miguel Padinha Rodrigues Vogal - Dr. David Batista de Campos Jorge Conselho de Justiça Presidente - Dr. Fernando José Carapinha Vogal - Dr.ª Elsa Maria Ferreira Vogal - Dr.ª Carla Susana Marques Custódio Conselho de Arbitragem Presidente – João Carlos Ramos Silva Vogal – José Joaquim da Silva Abade Vogal – José Luís Vitorino Costa Conselho Técnico Presidente - Humberto Manuel Emídio Lopes Anselmo Vogal - Sílvio José da Silva Santos Vogal - Ivo Alexandre Vasquez Machado

Partida para uma prova de Big Game

Pesca Embarcada para Atletas com Deficiência Ligeira

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FPPDAM em parceria com a LIONS CLUBE SETUBAL, vai realizar nos próximos dias 17 e 18 de novembro uma acção de iniciação à pesca embarcada com seis potenciais atletas portadores de deficiência ligeira ( ensino especial ). Neste sentido envio em anexo o programa para estes dois dias onde se inclui uma saída para o mar simulando uma prova desportiva. Este evento encere-se numa parceria estabelecida entre as duas instituições e visa a participação destes jovens nos campeonatos a realizar na próxima época e vai no sentido de atingir um dos objectivos propostos por esta Direcção, a Formação. Caso assim o entenda, gostaríamos de ver publicado este evento, sendo que posteriormente enviaremos os detalhes e fotos desta acção. Programa Dia 17 de Novembro de 2012 Concentração na sede da FPPDAM – Av. D. Pedro V, 7 às 14h30

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Inicio da secção de formação às 15h00m. Secção de formação à Iniciação da Pesca Desportiva do Alto Mar abordando aos seguintes temas: Conhecimentos gerais sobre a Fauna Marinha e sua preservação. Identificação das normas de segurança a serem acauteladas para a prática desta modalidade. Identificação e manuseamento dos acessórios necessários para a prática desta modalidade. Dia 18 de Novembro de 2012 Saída para o mar, para uma secção prática sobre a Pesca Desportiva do Alto Mar com simulação de uma prova desportiva. Concentração 8h30m, na doca pesca em frente aos Bombeiros Voluntários de Setúbal Inicio de prova 10h00m Fim de prova 13h00m


Notícias do Mar

À Conversa com Carlos Vinagre, Novo Presidente Carlos Manuel Galambas Vinagre, nascido a 23 de Dezembro de 1960 é natural de Setúbal residindo actualmente no Pinhal Novo. Militar de carreira, Tenente Coronel na Força Aérea, cedo se destacou na liderança de grupos de trabalho que contribuíram para excelentes e reconhecidos desempenhos profissionais.

E

ntre outras paixões a Pesca teve sempre um lugar de destaque nomeadamente pela componente do Mar, facto que elege como de suma importância em sua vida. Motivado pela vontade de querer fazer sempre mais em prol da comunidade, dedicou-se durante cerca de seis anos á presidência do clube Associação Académica Pinhalnovense, onde granjeou grandes amizades e deixando o clube em bom destaque desportivo. Reconhecido por todos como sendo uma personalidade catalisadora de empatias e sentido pragmático, obteve o consenso generalizado para liderar um projecto mais ambicioso e de grande responsabilidade como é a Federação Portuguesa de Pesca Desportiva do Alto Mar, facto que de imediato colheu a sua concordância e o estímulo necessário para este grande desígnio. Quais os motivos que o moveram para aceitar este novo desafio? Os motivos que me levaram a aceitar este desafio foram propiciar a continuidade de um projeto que conhecia e no qual me revia, tentando dar um novo caminho à FPPDAM com uma gestão mais moderna, virada para os seus associados e que vise uma maior proximidade entre estes e a sua Federação. Também concorreu para a minha aceitação o facto de ir liderar uma equipa forte, coesa, com vontade de trabalhar em prol da Pesca Desportiva do Alto Mar e com provas dadas no curto espaço de tempo em que desempenharam funções. Quais os objectivos principais do mandato que agora começa? Neste mandato, de pouco mais de três anos, pretendemos dar á FPPDAM uma dinâmica de crescimento, virada para o futuro, assente nos pilares da transparência, competência e sustentabilidade financeira, proporcionando aos seus associados um conjunto de ferramentas que visem o seu desenvolvimento e a progressão desportiva. A dinamização das modalidades que integram a FPPDAM junto de escalões etários mais jovens, porque desta forma conseguimos garantir uma continuidade temporal é um objetivo que iremos ter sempre

presente na nossa gestão. Pretendemos também dar uma maior visibilidade às nossas modalidades, divulgando através dos meios de comunicação disponíveis todas as atividades que tenham intervenção quer da FPPDAM quer dos seus associados dando a conhecer os fortes laços de companheirismo e desportivismo existentes. No contexto actual económico, afigura-se um futuro com grandes restrições financeiras para o desenvolvimento em concreto da Pesca Embarcada. Que medidas crê que possam ser implementadas no sentido de contrariar esta realidade? Por se tratar de um desporto caro, porque implica o aluguer de embarcações, aquisição de iscos e aquisição de equipamentos, é previsível um decréscimo do nº de participantes nas competições nacionais desta modalidade, motivada pela atual conjuntura económica do país. Assim esta nova direção terá que incessantemente buscar novas ideias que tornem a participação dos atletas menos dispendiosa. Existem ideias que iremos tentar pôr em prática a muito breve prazo mas não me parece que seja a altura ideal para as divulgar. Deixem-nos “apalpar o terreno”, temos apenas uma semana de mandato, dentro de muito pouco tempo prometemos divulgar algumas medidas. A competitividade dos vários Campeonatos é um tema actual que preocupa Clubes

e Atletas. Que pensa fazer para tornar estes eventos mais competitivos tendo em conta a rentabilidade económica dos mesmos? Estamos sensíveis a este assunto. Iremos estudar, com os nossos associados, novas fórmulas de competição que visem essa mesma competitividade. Talvez a solução passe por uma reestruturação das divisões existentes quer na quantidade quer no número de zonas existentes, mas como disse anteriormente esta é uma matéria sensível e entendo que a direção não pode tomar uma decisão por si só, têm que ser ouvidos os nossos associados e em conjunto chegar à melhor solução, se bem que, este é um assunto que está já a ser estudado pelo Conselho Técnico. A organização do Campeonato do Mundo para seniores e juniores em 2013 é para a sua liderança um desafio de extrema importância. Que pensa sobre a importância da realização deste evento em Portugal? São esperadas na zona de Setúbal cerca de 300 pessoas integradas nas comitivas representativas dos diversos países participantes neste evento o que certamente irá proporcionar um “balão de oxigénio” na actividade comercial desta zona. Também servirá para divulgar a modalidade, trazendo novos atletas para a competição e dar a conhecer um pouco mais a Pesca do Alto Mar no nosso país com um evento de dimensão mundial.

Pretende-se também demonstrar, mais uma vez, a nossa capacidade organizativa em eventos com esta grandeza trazendo, desta forma, a realização de mais campeonatos mundiais para o nosso país. Transformar Portugal num destino turístico para a prática desta actividade, dando a conhecer as condições excepcionais existentes no nosso país Para o desempenho do cargo para que foi agora eleito, conta com a colaboração de vários grupos de trabalho em várias áreas de relevante importância. Como pretende coordenar as várias colaborações e o que prevê possam contribuir para o desenvolvimento da modalidade? O objectivo deste grupo de trabalho é acima de tudo unir e não desunir. Não nos candidatamos para alimentar sequelas do passado, mas sim para honrar e dignificar o que foi feito e através de ideias novas, metodologias diferentes com outro modelo de gestão, podermos fazer algo de diferente, melhorar condições e desempenhos visando sempre a modalidade e obviamente dignificando os clubes. Este sem dúvida o modelo que seguirei juntamente com os grupos de trabalho no sentido de obtermos os objectivos a que nos propusemos no programa que apresentámos. No momento que inicia este mandato, que mensagem deixa a todos os Clubes e seus Atletas? A razão do nosso trabalho e empenho vai sempre de encontro ás necessidades dos Clubes e dos seus Atletas, mas para isso é necessário, confiança nesta equipa, aliás demonstrada na participação no acto eleitoral, tranquilidade e paciência para que possamos por em prática o nosso projecto, seriedade nas opiniões e nas críticas que devem ser sempre construtivas, humildade em reconhecer o erro e sabedoria em encontrar soluções, mas acima de tudo união entre todos os intervenientes, sejam eles Clubes, Atletas, Dirigentes, Parceiros Desportivos ou outros. Sabemos ser um grande desafio cujo grau de dificuldade é elevado, mas se lutarmos todos pelo mesmo ideal de forma coesa e séria, concerteza que iremos sustentabilizar e engrandecer a Pesca Embarcada em Portugal.

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Notícias do Mar

Campeonato do Mundo de Hóquei Subaquático

Seleção Nacional inícia Estágio A Federação Portuguesa de Actividades Subaquáticas deu início, no Complexo Olímpico de Piscinas Municipais de Coruche, ao Plano de Preparação da Seleção Nacional de Hóquei Subaquático - Elite Masculina, para o Campeonato do Mundo de 2013 que se realizará em Agosto do próximo ano na Hungria.

Estágio da Selecão Nacional Hoquei Subaquático

Disputa no fundo da piscina 48 48

2012 2012 Novembro Novembro 311 311


Notícias do Mar

A

FPAS e a Câmara Municipal de Coruche estabeleceram um protocolo, no início do mês de Outubro de 2012, com vista à criação do mais recente Núcleo de Estágios de Actividades Subaquáticas. Com capacidade para albergar duas equipas e respetivas comitivas, o Complexo Olímpico de Piscinas Municipais oferece as condições necessárias e adequadas para a prática do Hóquei Subaquático. Em paralelo, a FPAS estabeleceu um convite aberto a todas as nações praticantes de Hóquei Subaquático de forma a integrarem os períodos de Estágio das nossas Seleções Nacionais, constituindo o denominado “UWH Training Center – Portugal”. O primeiro estágio decorreu no fim-de-semana de 13 e 14 de Outubro, onde estiveram presentes 18 jogadores orientados pela equipa técnica nacional. Definido por todos como o “Estágio de ruptura total”, veio demonstrar que a atitude, a tradição, o sentimento e orgulho de fazer parte da Seleção Nacional – Elite Masculina está bem presente no grupo de jogadores que farão parte do Plano de Preparação para o Mundial 2013. O segundo estágio já está agendado para 8 e 9 Dezembro 2012.

Depois do disco recuperado o destino é a baliza do adversário

Sobre a modalidade O Hóquei Subaquático jogase numa piscina que tenha as dimensões entre os 20 e 25 metros de comprimento, 12 e 15 metros de largura, deve ter uma profundidade mínima de 1,80 metros (mínimo para competições oficiais, para treinos qualquer piscina pode ser utilizada) e máxima de 3,65 metros, desde que a inclinação máxima não exceda os 10%, o ideal será 2,20 metros de profundidade constante. As equipas são constituídas por 6 atletas e mais 4 suplentes sendo as substituições ilimitadas. Nas extremidades da piscina estão colocadas no fundo uma baliza com 3 metros de comprimento e 18 centímetros de largura onde deve ser introduzido o disco (1,3 kg de chumbo revestido de borracha) na calha da baliza. 2012 Novembro 311

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Motonáutica

Texto Gustavo Bahia Fotografia IOC

ISiklar UIM World Offshore 225 Championship

Besiktas Garante 2º Lugar no Campeonato em Istambul O Besiktas garantiu o segundo lugar na última prova

As etapas finais do Isiklar UIM World Offshore 225 Championship foram realizadas no lado asiático de Istambul conhecido como Caddebostan nos dias 20 e 21 de Outubro e o barco 3 – Besiktas garantiu o segundo lugar na classificação geral.

A

s provas nesse final de semana contaram com patrocínio do Palladium Shopping Center, além dos vários outros patrocinadores do campeonato. Como havíamos relatado na última edição o Campeonato vencido

por antecipação pelo Barco 88 – Equipa ECI Men Cosmetics da dupla Kerem Tuncer/Alpay Akdilek teve suas atenções voltadas em Istambul para a luta pelo segundo lugar entre os barcos 3 – Besiktas e 2 – YKM Sports. Com mais uma vitória dos Campeões na prova de

Murat Leki levou o barco a bom porto com o segundo lugar no campeonato sábado, o Besiktas garantiu a segunda colocação após uma excelente disputa com o YKM Sports que terminou em terceiro lugar. Para a corrida de domingo, última prova de 2012, o Besiktas precisava terminar a prova em uma posição que pudesse garantir a vantagem. O terceiro lugar foi mais do que suficiente para manter uma vantagem de 30 pontos sobre o YKM Sports.

Uma boa surpresa a vitória do barco 66 na última etapa 50

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Angel Yachts vencem a última prova O barco 66 – Angel Yachts da dupla Cengiz Siklaroglu/Ugur Yelken foram os destaques do fim-de-semana em Istambul. Desde o início do campeonato


Motonáutica

a dupla não conseguia apresentar um conjunto competitivo e ocupava o último lugar no campeonato. Em Caddebostan o Angel Yachts teve uma performance fantástica, conseguindo a vitória na prova de domingo de ponta a ponta e, com isso, ultrapassar os barcos WD-40 e GHB Offshore Racing na classificação final. Acidente mostra barcos seguros Durante o decorrer da última prova, ocorreu um acidente envolvendo os barcos 88 dos Campeões 2012 e barco 7 da dupla Hakan Vanli/Tarik Okten. Os dois barcos vinham buscando aproximação ao líder da prova Angel Yachts quando ao tentarem rondar uma das bóias do circuito acabaram por fazer contacto. A velocidade da batida foi bastante alta tendo o barco 88 furado o barco 7, com as pontas do catamaran. Apesar da força do acidente, e os danos causados no barco 7, apenas Hakan Vanli saiu com 3 costelas quebradas e foi removido imediatamente para o Hospital de referência da prova para atendimento, estando já de volta a casa. Mais um acidente que demonstra a grande segurança dos barcos da Classe 225. Terminou a 10ª edição do maior campeonato da UIM O mundo da Motonáutica Internacional ainda entende muito pouco como o maior campeonato do mundo de uma classe de barcos, pode ser todo realizado até hoje apenas na Turquia.

O barco 88 dos campeões 2012 partindo na frente da largada Na sua 10ª edição em 2012, o Isiklar UIM World Offshore 225 Championship teve 14 provas realizadas em sete finais de semana em cidades turcas de ponta a ponta desse maravilhoso e acolhedor país. A recessão mundial bem parece não ter atingido a Turquia, que com mais de 70 milhões de habitantes e um Governo forte e estável, faz desse país o mais preferido destino turístico em 2012. Isso é inquestionável, um país onde o trabalho é uma prioridade e o desenvolvimento uma constante, não conseguimos imaginar a mais valia de fazerem parte de uma Comunidade Europeia à beira da bancarrota. Mas nosso assunto não é política, muito menos se a Turquia vai ou não ser mais um membro da Comunidade Europeia. Estamos apenas ten-

tando abrir o tema sobre esse campeonato que já chegou a ter 20 provas em 2010. Óbvio que a crise mundial reflectiu de alguma forma na redução desse número recorde para 14 provas, mas nem assim perdeu para nenhum outro campeonato mundial de outra classe de

barcos em todo mundo. Organização Competente e Visionária Podemos dizer que tudo isso é obra de um homem – Ugur Isik (o que é verdade), mas estaríamos sendo injustos com todo o

O sinal positivo de Kerem Tuncer demonstra a alegria pela vitória do campeonato

O Lenore sempre foi competitivo mas deixou o campeonato antes do final

O barco YKM Sports manteve a luta pelo 2º lugar até a última prova, mas perdeu para o Besiktas 2012 Novembro 311

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Motonáutica

O barco 27 apesar de todos contratempos conseguiu correr em todas as provas do campeonato grupo de trabalho que ele reuniu no Istanbul Offshore Club, do qual é o Presidente. Uma paixão pela Motonáutica e um controle bem sucedido de toda operação, são apenas dois tópicos desse sucesso sem precedentes. Nenhuma outra categoria da UIM chega perto desse número de provas. No passado não muito longínquo, a F1H2O chegou a ter 13 etapas no ano 2000 e 16 provas (duas por fim de semana) em 8 cidades em 2009, mas nunca conseguiu se manter com um número efectivamente significativo como esses, estando hoje com 6 provas. A Class One Offshore é uma piada, são 10 provas em

5 fins-de-semana em 4 países. A H1 Unlimited só saiu dos Estados Unidos graças ao patrocínio do Qatar, mesmo assim é uma categoria praticamente 100% americana, a P1 é uma vergonha, pois além de poucas etapas espalhadas em alguns países, não é uma verdadeira classe de competição, ou a UIM até hoje não sabe bem o que é circuit racing ou offshore racing ou pleasure navigation. Isso é assunto para escrever uma bíblia, ou mais correctamente uma história de contos mórbidos. Nesse mar de total insegurança está a Motonáutica Mundial, exactamente à deriva do que se faz com sucesso na

Turquia. Turquia Internacional A Turquia tem o maior campeonato internacional do mundo e nunca saiu do seu território, a internacionalização é fruto da participação de pilotos e profissionais dos mais variados países do mundo, como: Itália, Estados Unidos, França, Espanha, Portugal, Alemanha, Porto Rico, Brasil, dentre outros. Em 2013 já se esperam participantes dos países do Golfo Pérsico e o incremento do número de participantes de Porto Rico e Portugal. Enquanto o campeonato não parte para etapas em outros países, cada vez fica mais forte em sua base natal. GHB Offshore

A dupla do barco 27, Juan Carrasquillo e João Filipe 52

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Racing uma equipa internacional Em 2012 o Isiklar UIM World Offshore 225 Championship recebeu a primeira equipa 100% internacional, a GHB Offshore Racing do empresário brasileiro Gustavo Bahia de Almeida, que trouxe no seu escopo 3 nações: Brasil, Portugal e Porto Rico. Operando de uma base em Tuzla, a 40Km de Istambul, a GHB conseguiu concluir o seu primeiro ano participando em todas as etapas. Foi um ano muito difícil para a equipa que tinha um planeamento bem mais agressivo no início da temporada, mas a falta de patrocinadores foi um factor determinante para o resultado final. “Várias mudanças foram necessárias para que a equipa pudesse sobreviver as dificuldades que se apresentaram, mas com o suporte de pessoas que acreditam no nosso projecto, conseguimos”: afirma João Filipe Carvalho, que também é o Chefe da Equipa. Portugal e Porto Rico no barco 27 Trazer tripulações internacio-

Em todas as provas o publico esteve sempre presente


Motonáutica

Um acidente fora do comum mas com bastante gravidade mostrou que os barcos oferecem grande segurança a sua tripulação nais sempre foi um objectivo bem definido pela direcção da equipa. Nesse particular foi obtido um grande passo para o campeonato e para equipa, pois com a participação do piloto João Filipe Carvalho de Portugal e do throttleman Juan Carlos Carrasquillo de Porto Rico, a dupla do barco nº27 esteve sempre em destaque. “Foi um ano de aprendizado e adaptação, nosso conhecimento da motonáutica de competição é bem alargado e agrega um grande número de categorias, nossos pilotos tem também um grande conhecimento técnico e do grande cenário do desporto

em todo mundo”: afirma Gustavo Bahia. Com a participação do João Filipe, Portugal obteve um lugar de destaque nesse cenário mundial, tendo sido ele o único piloto português na história da Motonáutica a participar de 13 provas em um Campeonato Mundial Offshore. Dessa forma, criamos uma janela aberta para pilotos de outros países poderem participar desse campeonato através da nossa equipa. Caso semelhante aconteceu com Porto Rico, que mesmo tendo o Bicampeão Mundial de Class One Feliz Serralez, há mais de 10 anos não tinha um participante da ilha do Ca-

O injector número 2 teve que ser substítuido para a largada na última etapa

ribe em campeonatos mundiais da UIM, outra feito conseguido pela GHB com o throttleman Juan Carlos Carrasquillo. Futuro aberto para GHB Offshore Racing Em 2013 a equipa pretende continuar com seus dois barcos completos com tripulações de Portugal e Porto Rico em todas as etapas, tendo como base a dupla de 2012. João Filipe receberia um throttleman de nacionalidade portuguesa e Juan Carlos Carrasquillo um piloto de nacionalidade porto-riquenha. Com o objectivo de crescer com

a crise, mostrando que o desporto é uma forma positiva de trabalho e uma das melhores ferramentas de marketing para empresas nacionais e multinacionais, a equipa GHB Offshore Racing quer obter sua primeira vitória em 2013. A Turquia é um país em desenvolvimento e com grandes perspectivas de negócio para empresas que pretendam colocar seus produtos nesse mercado. Portugal é um destino turístico de excelência, que pode atrair turistas em grande número da Turquia. Após um ano de grandes dificuldades e obstáculos ultrapassados, Bahia vê o futuro com optimismo.

Juan Carrasquillo contríbuiu ainda mais para a maior internacionalização do campeonato 2012 Novembro 311

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Bodyboard

Zumaia Bodydoard Pro 2012 - 2ª Etapa

Pierre Louis Costes foi o vencedor da 2ª Etapa

Pierre Louis Costes Venceu com Hugo Pinheiro na Final Hugo Pinheiro foi o melhor dos oito portugueses que participaram no Zumaia Bodyboard Pro 2012, a segunda etapa que terminou no dia 28 de outubro do Circuito Europeu de Bodyboard (ETB), ao classificar-se na quarta posição, numa prova ganha pelo francês Pierre Louis Costes.

O

s bascos Alex Uranga e Alex Ordiozola foram os segundo e terceiro classifi-

cados. Numa final dominada por Pierre Louis Costes, o francês que reside em Portugal mostrou porque é campeão mundial da IBA e da ISA, somando 15,25 pontos, fazendo o melhor das condições difíceis do mar, muito tempestuoso. Os restantes três atletas tiveram resultados muito renhidos, com Uranga a somar 11,95, Odriozola a totalizar 10,45, pouco melhor que Pinheiro, que com 10,25, não conseguiu explanar o seu surf. O actual líder do circuito nacional, faz o balanço de uma classificação, ainda assim, bastante posi-

tiva: “Fiquei satisfeito por chegar à final, mas gostava que me tivesse corrido melhor. Nos últimos três minutos, passei de 2º para 4º o que acabou pr ser um pouco frustrante.” Relativamente à sua campanha neste ETB, Hugo, que já foi campeão do circuito em 2009, não esconde a ambição: “Reconquistar o título seria óptimo, mas sei que é uma missão complicada e que depende da última etapa, em Marrocos. Mas estou com muita ‘pica’ para este Europeu. Vamos ver...” A terceira e decisiva etapa do ETB será em Marrocos de 23 a 25 de Novembro, no Morocco Bodyboard Pro, na praia de Mohammedia.

Hugo Pinheiro foi finalista

Director: Antero dos Santos – mar.antero@gmail.com Director Comercial: João Carlos Reis - noticiasdomar@media4u.pt Colaboração: Carlos Salgado, Gustavo Bahia, Hugo Silva, José Tourais, José de Sousa, João Zamith, Mundo da Pesca, Federação Portuguesa de Actividades Subaquáticas, Federação Portuguesa de Jet Ski, Federação Portuguesa de Pesca Desportiva do Alto Mar, Federação Portuguesa Surf, Federação Portuguesa de Vela, Associação Nacional de Surfistas, Big Game Club de Portugal, Club Naval da Horta, Jet Ski Clube de Portugal, Surf Clube de Viana. Administração, Redação: Tel: 21 446 28 99 Tlm: 91 964 28 00 - noticias.mar@gmail.com

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Bodyboard

2ª Etapa Bodyboard Protour 2012

Daniel Fonseca e Catarina Sousa Hérois em S. Pedro de Moel Daniel Fonseca e Catarina Sousa foram os que melhor lidaram com as ondas grandes que marcaram a segunda etapa do Bodyboard Protour 2012, que terminou no dia 14 de outubro, com o bodyboarder de Peniche e a rainha de Carcavelos a vencerem em São Pedro de Moel.

D

Catarina Sousa

aniel Fonseca venceu Rui Pereita na meia-final e Hugo Pinheiro na final, assinando um percurso exemplar numa prova extremamente difícil pelas condições do mar. “foi muito complicado”, confessou Daniel Fonseca, que começou a sua participação de forma muito atribulada: “Perdi a prancha, mas consegui passar em terceiro apesar de ter feito ape-

nas uma onda. O mar estava muito difícil e um dos meus adversários não conseguiu fazer nada, pelo que consegui ir às repescagens. Depois, fui passando até chegar à final com o Hugo Pinheiro” Uma final face a um atleta que já somou vários títulos nacionais e europeus, mas que Daniel passou com categoria: “O Hugo é um competidor excelente, muito experiente, mas que perde um pouco essa van-

Daniel Fonseca 56

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tagem quando estamos num sistema de prioridades, como é o caso. Tive a sorte de fazer uma primeira onda forte e depois geri a bateria. Depois fiz uma segunda boa onda e assegurei a vitória.” Um triunfo que baralha um pouco as contas do circuito, com Hugo Pinheiro a assumir a liderança, com dois segundos lugares, após a eliminação do até agora líder António Cardoso, nas meias-finais.

Entretanto, na competição feminina, a experiente Catarina Sousa (32 anos) bateu na final a jovem Mariana Machado, de 19 anos, mas, mais importante, entrou na corrida do título, que até agora era liderada pela 13 vezes campeã nacional, Rita Pires. Catarina venceu Madalena Pereira na meia-final, enquanto Mariana Machado venceu Teresa Duarte numa meia-final muito disputada (12,5 contra 11,1). Depois, na final, a experiência da ex-campeã nacional veio ao de cima para assegurar um triunfo muito saboroso. “Foi uma vitória extremamente difícil e inesperada, mas muito gratificante, até porque adorei S. Pedro de Moel”, confessou Catarina Sousa, revelando que quase não participou na etapa de S.Pedro de Moel por motivos de saúde: “Estive doente durante duas semanas com uma infecção sanguínea que contraí na perna sul-americana do Circuito Mundial e só, praticamente, na véspera do campeonato me senti em condições. Quanto à possibilidade de voltar a conquistar um título nacional, Catarina não esconde o jogo: “É sempre um objectivo que tenho em mente, e este ano ainda mais, já que não consegui chegar ao título mundial, que já está nas mãos da Isabela Sousa, e não temos circuito europeu, por isso, o Nacional é o prémio maior n meu horizonte...”

Os Campeões, Catarina Sousa e daniel Fonseca


Bodyboard

5ª etapa do Circuito Nacional de Bodyboard Esperanças 2012

Nazaré Sagra Bernardo Machado e Madalena Pereira Algumas surpresas na classificação final da quinta e derradeira etapa do Circuito Nacional de Bodyboard Esperanças, na Nazaré. Mas, contas feitas, acabaram por se confirmar os líderes das principais categorias como os novos campeões nacionais.

Bernardo Machado, campeão nacional sub 18

A

ssim, Bernardo Machado, da Associação Onda do Norte conquistou o título nacional de sub-18 e Madalena Pereira (Aquacarca) sagrou-se campeã do escalão sub-18 feminino. Para Madalena foi a quarta vitória em 5 etapas, a primeira de sempre na

Nazaré para a atleta de Carcavelos mas, curiosamente, para Bernardo, esta foi a primeira vez que não conseguiu marcar um lugar na final, terminando em 5º. Felizmente para o bodyboarder do Porto, o principal rival na corrida pelo ceptro nacional, Simão Monteiro, também ficou pelas meias-fi-

Madalena Pereira campeã sub 18

nais, em 7º, e os outros candidatos, Bernardo Esparteiro (3º) e Stephanos Kokorelis (4º) não conseguiram vencer a etapa, ultrapassados pelo figueirense Miguel Adão e pelo algarvio Gonçalo Pinheiro, o vencedor na Nazaré. Para Bernardo Machado, de 18 anos, este título foi a recompen-

sa do trabalhobe da consistência: “Nunca tinha ganho um título nacional. Mas o ano passado apostei forte e comecei a treinar mais intensamente a parte física e a procurar boas ondas com o meu treinador, Manuel Centeno, e isso foi determinante para dar um salto grande e conseguir vencer este Nacional. Fui o atleta mais consistente ao longo do ano, com quatro finais e penso que este título é merecido.” Entretanto, para Madalena Pereira, também com 18 anos e igualmente a fazer a despedida do Circuito Nacional de Esperanças, a despedida na Nazaré foi mais doce: “Nunca tinha ganho na Nazaré e sabe muito bem vencer este título aqui. É uma boa forma de terminar o meu percurso no Esperanças. Foi uma boa época, em que, ao contrário de outros anos, não me preocupei em ter bons resultados e eles acabaram por surgir talvez por isso mesmo. Estou muito satisfeita. Entretanto, os outros campeões consagrados na Nazaré foram Miguel Graça, que confirmou uma boa época nos sub-16 com uma vitória nesta etapa e, consequentemente, o título. Mais Guilherme Guerra, que arrecadou o título de sub-14 e Tomás Rosado que garantiu o título em sub-12.

Miguel Graça, campeão sub 16 2012 Novembro 311

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Surf

5ª Etapa do Circuito Nacional Deeply Surf Esperanças

Fotografia Miguel Cachapa

Guilherme Fonseca Faz o Pleno em São Pedro do Estoril Guilherme Fonseca não fraquejou na recta final e no dia 4 de novembro em S. Pedro do Estoril, na quinta e decisiva etapa do Circuito Nacional Deeply Surf Esperanças, arrecadou os títulos de sub-16 e sub-18 ao conseguir o segundo lugar nas duas finais. Curiosamente, ambas ganhas por Tomás Fernandes, que termina a época em excelente forma.

D

epois, em sub18 feminino, Keshia Eyre, de 16 anos, selou

Guilherme Fonseca, venceu em sub 16 e Sub 18 um título que já se adivinhava, apesar de ter perdido a final para Camila Kemp e, assim, não ter cumprido o desafio de

Constanca Coutinho 3ª classificada 58

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vencer todas as etapas do Deeply Surf Esperanças. “Tenho pena de não ter vencido mais esta etapa, mas não

entraram ondas para mim nesta final. Enfim, a Camila mereceu e tem os meus parabéns. Este foi um ano muito positivo para mim, com bons resultados em provas internacionais e um segundo lugar no Nacional Open”, sintetizou Keshia, outro valor seguro do surf nacional. Entretanto, em sub-14, o açoriano Jacome Correia conquistou a vitória na etapa e, consequentemente, o título do escalão, e em sub-12, João Vidal veio apenas para a consagração, já que o seu título já estava matematicamente garantido. O herói do dia, Guilherme Fonseca, confessou-se surpreendido pelo sucesso no circuito, relativizando-o: “Não estava à espera de conquistar o título de sub-18, já que desde o início coloquei como objectivo a vitória em sub-16. Aliás, entrei para a final de sub-16 muito mais nervoso e consegui assegurar o segundo lugar e o título praticamente no fim da bateria. Depois, nos sub18, fui surfar...” O sucesso deste surfista de Peniche com apenas 15 anos está intimamente ligado à hu-

Camila Kemp 2ª classificada


Surf

mildade com que aborda a sua carreira, pelo que aponta bem mais longe que as fronteiras nacionais: “Fico muito contente em vencer o Deeply Surf Esperanças, mas não fico iludido com isto. Este ano correu-me muito bem mas para o próximo pode correr mal. Quero, sobretudo, evoluir o meu surf para poder competir ao mais alto nível lá fora e poder aspirar a uma carreira internacional” Perspectiva partilhada por Tomás Fernandes, o atleta que hoje mais problemas colocou a Guilherme, vencendo a etapa de S. Pedro em sub-16 e sub18: “Infelizmente, não pude estar em todas as etapas do Nacional, porque estive envolvido em campeonatos internacionais, e outras não me correram bem, mas fico satisfeito por terminar a ganhar.” O melhor circuito de formação do Mundo Disputada em boas ondas de metro off shore, com bom surf e excelente ambiente, esta quinta e decisiva etapa do Circuito Nacional Deeply Surf Esperanças foi a conclusão ideal para um circuito único no mundo, conforme explica o Director Técnico Nacional e mentor do circuito, Rui Félix: “Este é um modelo único no surf mundial. Não tem paralelo nem nos países com maior cultura de surf como os EUA ou a Austrália e está mesmo a começar a ser copiado, como aqui ao lado em Espanha. E isto acontece porque está a de-

Keshia Eyre, venceu em sub 18 feminin monstrar resultados. Já o fez com a geração de Vasco Ribeiro e Frederico Morais e continua com alguns dos jovens valores

como o Guilherme Fonseca, o Tomás Fernandes, o Tomás Ferreira, a Keshia Eyre, Constança Coutinho, Camila Kemp,

entre outros. Não tenho dúvidas em afirmar que Portugal tem o melhor circuito de formação do Mundo.”

Tomás Fernandes, venceu a 5ª etapa

Jacome Correia, vencedor em sub 14

João Vidal com 9 anos, o mais jovem campeão, venceu em sub 12 2012 Novembro 311

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Notícias do Mar

Últimas Fotografia: Ricardo Pinto

Cascais Dragon Winter Series

Vitória Portuguesa A tripulação formada por José Matoso/Gustavo Lima/ Frederico Melo foi a vencedora da 1st Dragon Winter Series, disputada entre 26 e 28 de Outubro, em Cascais. Os portugueses superaram, por apenas um ponto, os alemães Michael Zankel/Phill Blinn/Michi Lipp depois de disputadas 7 regatas. Os russos Igor Goihberg/Andrey Kirilyuk/Aleksey Bushuev

José Matoso, Gustavo Lima e Frederico Melo

terminaram na terceira posição da geral. Marcaram presença vinte e duas tripulações de sete países (Portugal, Alemanha, Rússia, Mónaco, GrãBretanha, Hungria e Suécia). A 2nd Cascais Dragon Winter Series realiza-se de 16 a 18 de Novembro. As Winter Series da classe Dragão são uma aposta ganha do Clube Naval de Cascais com um cada vez maior número de participantes. No próximo ano, o Campeonato da Europa será realizado, de 6 a 13 de Abril, em águas cascalenses.

AER Lingus Kitesurf Pro

Inês Correia Vence na Irlanda

Circuito Nacional de Skimboard

Hugo Santos

Campeão Nacional .Pedro do Estoril foi o S cenário escolhido para a quinta e última etapa do Circuito

Nacional de Skimboard 2012 a qual terminou no dia 11 de novembro, com a conquista do segundo título consecutivo de Hugo Santos e a sua despedida da competição.

Hugo Santos

Inês Correia

I

nês Correia, do Clube de Vela do Barreiro, venceu o Aer Lingus Kitesurf Pro, que decorreu na República da Irlanda e ocupa a 2ª posição no Ranking Mundial KSP. Após mais de uma semana de espera pelas condições ideais, o último dia trouxe vento com mais de 30 nós e ondas de 1 metro para a realização da prova. Inês mostrou-se bastante forte desde o início, vencendo todos os seus heats e garantindo a presença directa na final, onde ia encontrar a holandesa Jalou Langeree. No entanto, as condições meteorológicas pioraram o que impediu a final de ser completada sendo ambas consideradas vencedoras: “O dia de ontem foi muito longo. Meeting às 6h da manhã, uma hora e meia de carro até ao local da competição, todas as rondas num só dia. Cheguei à final e o vento acabou. Foi uma viagem difícil, com frio e muitos dias de espera. Agora é hora de regressar a casa durante 10 dias e depois viajar até ao Havai” Com este resultado Inês subiu à segunda posição no circuito mundial, a 175 pontos da actual

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líder, Jalou Langeree (Holanda). Nas contas finais do campeonato, a falta de vento nas etapas de Portugal e Irlanda complicam a situação e a competitividade do circuito. A rider nacional necessita agora de vencer em águas havaianas e não deixar Jalou chegar à final. A última etapa decorre, entre os dias 29 de Novembro e 8 de Dezembro, na praia de Ho’okipa em Maui.

A vencedora Inês Correia no pódio

Curiosamente, o tão aguardado duelo com Eduardo Joaquim acabou por não se verificar, já que o atleta da ACRV não passou os quartos-de-final, eliminado por Afonso Ruiz, que haveria, de resto, de chegar à final com Hugo Santos. Na categoria feminina, também Sofia Lopes defendeu com sucesso o título do ano passado, sagrandose pentacampeã nacional feminina ao vencer esta etapa em S.Pedro, vencendo na final a agora vicecampeã Maria Inês Fontain. Entretanto, em sub-18, o vencedor desta quinta e derradeira etapa foi Diogo Abrantes, o que também lhe valeu o título Nacional. Em sub-16, o talentoso Afonso Ruiz levou o título, apesar de a vitória na etapa ter pertencido a Bernardo Lopes, o segundo classificado nas contas do título. Em sub-14, Diogo Couceiro venceu a etapa, mas não conseguiu melhor que o título de vice-campeão, ficando os louros deste escalão para João Luz, do Surf Clube de Sesimbra.

Sofia Lopes

Notícias do Mar n.º 311  

Jornal Notícias do Mar Online, n.º 311, Novembro de 2012.