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Novo

Organização Nelson Souza

Idealização e Apoio MBAF Consultores e Advogados


Apresentação A comunicação, limitada ao código oral, é uma forma de restrição das potencialidades humanas de interação, por isso a utilização da língua escrita, dentro dos padrões cultos: modalidade de maior prestígio social, é cada vez mais exigida pela sociedade. Quem domina corretamente o idioma tem mais chance de crescer profissionalmente, pois o conhecimento da língua dá poder. Para a manutenção desse poder, colocamos à disposição, de forma sintética, as mudanças ocorridas com a entrada em vigor do “ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA”, envolvendo os países da comunidade lusófona (Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor Leste). A reforma ortográfica, discutida desde 1990, foi assinada em 29 de setembro de 2008, para viger a partir de 1º. de janeiro de 2009. Regras do Acordo passam a ser obrigatórias para documentos oficiais e meios de comunicação, com um período de adptação para escolas, editores e concursos públicos até 31 de dezembro de 2012. O Acordo, no seu texto oficial, está norteado por 21 princípios que envolvem principalmente aspectos de prosódia, ortografia, acentuação e tem como objetivos

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básicos: a unificação do sistema ortográfico; a expansão da língua portuguesa no contexto do comércio internacional; a promoção do idioma; a publicação de obras de interesse público; o benefício no intercâmbio entre os países lusófonos assim como o estreitamento das relações diplomáticas entre os integrantes do CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa). Esperamos que o presente trabalho lhe seja útil. Um abraço do organizador NELSON SOUZA

Salvador, 02 de fevereiro de 2009

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3 MUDANÇA NO ALFABETO Com a incorporação do “K”, “W” e “Y”, o alfabeto passa a ter 26 letras. Essas letras são usadas em siglas, símbolos químicos e matemáticos como também em nomes próprios estrangeiros e seus derivados. Exemplos: Km, Walt, K (potássio), Kant (kantiano), Darwin (darwinismo), Byron (byroniano), Kuwait (kuwaitiano). ATENÇÃO: As palavras estrangeiras incorporadas à língua portuguesa conservam as letras “K”, “W” e “Y”. Exemplos: Sexy, download, megabyte.

TREMA Não se usa mais o trema ( ¨ ), sinal colocado sobre a letra U para indicar que ela deve ser pronunciada nos grupos: gue, gui, que, qui. Como era agüentar argüir bilíngüe cinqüenta delinqüente eloqüente

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Como fica aguentar arguir bilíngue cinquenta delinquente eloquente

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ensangüentado Eqüestre freqüente Lingüiça

ensanguentado equestre frequente linguiça

ATENÇÃO: O uso do trema deve ser mantido em palavras estrangeiras e seus derivados. Exemplos: Bündchen, Müller (mülleriano), Hübner (hübneriano).

MUDANÇA NAS REGRAS DE ACENTUAÇÃO 01. Não se usa mais o acento nos ditongos abertos ÉI e 01 ÓI das palavras paroxítonas (palavras que têm acento tônico na penúltima sílaba). Como era alcalóide alcatéia andróide apóia eu apóio asteróide bóia celulóide

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Como fica alcaloide alcateia androide apoia eu apoio asteroide boia celuloide

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ATENÇÃO: As palavras oxítonas e os monossílabos tônicos terminados em ÉI (s), ÓI (s) continuam com o acento agudo. Exemplos: anéis, pastéis, herói, anzóis, troféu, chapéus, dói, céu, réis. 02. Deixam de ser acentuadas as palavras paroxítonas em que as vogais “I” e “U”, tônicas, formam hiatos precedidas de ditongos. Como era

baiúca bocaiúva feiúra Sauípe

Como fica

baiuca bocaiuva feiura sauipe

ATENÇÃO: Mantém-se o acento nas vogais “I” e “U” quando elas formarem hiatos e estiverem em posição final (oxítonas) ou intermediárias seguidas ou não de “S”. Exemplos: Açaí (s), baú (s), egoísta, país, saúva, saúde.

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6 03. Não se acentua a penúltima vogal dos hiatos “OO” e “EE” (verbos CRER, DAR, LER, VER e derivados). Como fica

Como era vôo perdôo abotôo crêem dêem prevêem relêem vêem Lêem

voo perdoo abotoo creem deem preveem releem veem leem

04. Não se usa o acento diferencial em palavras que estejam em homografia (paroxítonas) Como fica

Como era Plataforma pára de afundar Estamos em pólos opostos O pêlo do gato foi cortado Sempre gostei de pêra Ela côa o café A modelo péla os pêlos

Plataforma para de afundar Estamos em polos opostos O pelo do gato foi cortado Sempre gostei de pera Ela coa o café A modelo pela os pelos

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7 ATENÇÃO: O acento diferencial circunflexo permanece nas palavras homógrafas “PÔDE” (pretérito perfeito) para distinguir de “PODE” (presente do indicativo) e “PÔR” (verbo) para não confundir com “POR” (preposição). Já no vocábulo “FÔRMA / FORMA” o acento é facultativo. Exemplo: Ontem, ele não pôde pôr o carro na garagem Hoje, você pode passar por aqui Qual é a forma da fôrma do bolo? ou Qual a forma da forma do bolo? ATENÇÃO: Permanecem os acentos que diferenciam o singular ou plural dos verbos TER e VIR, assim como de seus derivados (manter, deter, reter, conter, convir, intervir, advir, etc.) Exemplos: Ele tem dois carros. / Eles têm dois carros. Ele vem de Itabuna. / Eles vêm de Itabuna. Ele mantém a palavra. / Eles mantêm a palavra. Ele convém aos estudantes. / Eles convêm aos estudantes. Ele detém o poder. / Eles detêm o poder. Ele intervém em todas as aulas. / Eles intervêm em todas as aulas.

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8 05. Não se usa mais o acento agudo no “U” tônico das formas (TU) arguis, (ELE) argui, (ELES) arguem do presente do indicativo dos verbos arguir e redarguir. 06. Há uma variação na pronúncia dos verbos terminados em “GUAR”, “QUAR” e “QUIR”, como AGUAR, AVERIGUAR, DESAGUAR, ENXAGUAR, OBLIQUAR, DELINQUIR, etc. Esses verbos admitem duas pronúncias em algumas formas do presente do indicativo, do presente do subjuntivo e também no imperativo. ATENÇÃO: Se forem pronunciadas com A ou I tônicos, essas formas devem ser acentuadas. Exemplo: VERBO ENXAGUAR: enxáguo, enxáguas, enxágua, enxáguam, enxágue, enxágues, enxáguem. VERBO DELINQUIR: delinquo, delinques, delinque, Delinquem, delinqua, delinquas, delinquam. ATENÇÃO: Se forem pronunciadas com U tônico, essas formas deixam de ser acentuadas. Exemplos: (A vogal sublinhada é tônica, isto é, deve ser pronunciada Mais fortemente que as outras):

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9 VERBO ENXAGUAR: enxagUo, enxagUuas, enxagUa, enxagUam, enxagUe, enxagUes, enxagUem. VERBO DELINQUIR: delinqUo, delinqUes, delinqUe, delinqUem, delinqUa, delinqUas, delinqUam. ATENÇÃO: No Brasil a pronúncia mais corrente é a Primeira, aquela com A e I tônicos. 07. O Acordo fixa que podem ser grafadas, com acento agudo ou com acento circunflexo, as vogais tônicas “E” e “O”, quando seguidas das consoantes nasais “M” e “N”, nas palavras paroxítonas ou proparoxítonas. Exemplos:

Antônio / António Acadêmico / Académico Gênio / Génio

fônico / fónico Vênus / Vénus Fenômeno / fenómeno

USO DO HÍFEN Algumas regras do uso do hífen foram alteradas pelo novo Acordo. Mas, como se trata ainda de matéria controvertida em muitos aspectos, para facilitar a compreensão dos leitores, apresentamos um resumo das regras que orientam o uso do hífen com os prefixos mais comuns, assim como as novas orientações estabelecidas pelo Acordo Ortográfico.

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10 As observações a seguir referem-se ao uso do hífen em palavras formadas por prefixos ou por falsos prefixos como: aero, agro,além, anti, aquém, arqui, auto, circum, co, contra, eletro, entre, ex, extra, geo, hidro, hiper, infra, inter, intra, macro, micro, mini, multi, neo, pan, puli, proto, pós, pré, pró, pseudo, retro, semi, sobre, sub, super, supra, tele, ultra, etc. 01. Usa-se o hífen nos compostos em que o prefixo ou o falso prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com vogal idêntica. Exemplos:

Anti-imperialismo Anti-inflacionário anti-inflamatório Auto-observação Auto-ônibus auto-oscilação Contra-ataque Contra-aviso

contra-argumento Micro-ondas Micro-ônibus micro-orgânico Arqui-inimigo Arqui-irmandade mini-igreja Extra-abdominal

ATENÇÃO: Deve-se, também, conservar o uso do hífen quando o segundo elemento do composto começar com a letra “H” (muda ). Elementos: anti-herói, anti-higiênico, mini-hotel, semi-hospital, sobre-humano, neo-helênico, suprahepático, macro-homenagem, sub-humano.

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02. Não se usa o hífen nos compostos em que o prefixo ou falso prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com vogal diferente. Exemplos:

autoajuda contraindicação contraordem autoanálise extraoficial Intraocular

autoescola Infraestrutura semiárido neoimperialista ultraelevado plurianual

03. Não se usa o hífen nos compostos em que o prefixo ou falso prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por “R” ou “S”. Nesse caso, a consoante deve ser duplicada (RR SS) Exemplos: antessala contrarregra infrassom minissérie antessacristia contrassenso ultrarromântico antirroubo

antirrugas extrassístole semirreta microssistema autorretrato extrasseco suprarrenal macrorregião

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ATENÇÃO: Permanece o uso do hífen nos compostos em que os prefixos SUPER, HIPER, INTER, terminados em “R”, aparecem combinados com elementos também iniciados por “R”. Exemplos: Super-racional, super-realista, super-resistente, hiperromântico, hiper-rancoroso, hiper-requintado, interracial, inter-regional, inter-relação. 04. Não se usa o hífen nos compostos em que o prefixo ou falso prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por consoante diferente de “R” ou “S”.

anteprojeto infraconstitucional semicírculo antipedagógico microcomputador semideus

autopeça pseudoprofessor miniloja autocontrole seminovos microcélula

05. Usa-se o hífen nos compostos em que aparecem os prefixos tônicos acentuados PRÉ, PRÓ e PÓS e o segundo elemento tem vida à parte na língua.

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13 Exemplos:

pré-natal pró-desarmamento pós-graduação Pré-vestibular pró-candidatura

pós-moderno pré-modernismo pró-paz pós-parto pré-datado

ATENÇÃO: Os prefixos CO, PRE, PRO e RE devem ser aglutinados ao segundo elemento, (não se usa hífen) mesmo quando este começar por “O” ou “E”.

Exemplos: preencher progenitor reabrir coabitar preeminente proeminente reafirmar coautoria

preestabelecer proeminência reeleger coerdeiro preexistente promover reeducar coordenar

06. AINDA SOBRE O HÍFEN. A) Usa-se o hífen nos compostos em que o prefixo SUB é seguido por uma palavra que se inicia por “H”.

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14 Exemplos: sub-humano, sub-humanidade ATENÇÃO: Quando o prefixo termina por “B” (ab, ob, sob, sub) ou “D” (ad) e o segundo elemento começa por “B” ou “R”, usa-se o hífen. ad-renal, sub-reitor, Exemplos: sub-bar, sub-rogar, sub-raça, subregião. B) Usa-se o hífen nos compostos em que aparecem os prefixos EX, VICE, SOTO. Exemplos: ex-deputado, ex-marido, vicediretor, vice-presidente, soto-mestre. C) Usa-se o hífen nos compostos formados pelos prefixos “CIRCUM” e “PAN” quando o segundo elemento começa por vogal “M”, “N” e “H”. Exemplos: circum-escolar, circumnavegação, circum-murado, circumhospitalar, pan-americano, pan-negritude, pan=helênico. D) Usa-se o hífen nos compostos fornecidos pelos advérbios “MAL” e “BEM” quando estes integram uma unidade sintagmática com significado e o segundo elemento começa por “VOGAL” ou “H”

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Exemplos: bem-aventurado, bemeducado, bem-estar, Mal-estar, malhumorado, mal-amado ATENÇÃO: Nem sempre os compostos com o advérbio “BEM” escrevem-se sem hífen quando este prefixo é seguido por um elemento iniciado por consoante. Exemplos: bem-nascido, bem-criado, bemvisto, bem-vindo Observação: Permanecem juntas, palavras que a tradição histórica aglutinou como: benfazejo, benfeito, bendito, benquisto, maldito, malfeito, maldicente, malvisto. E) Usa-se o hífen nos compostos formados pelos elementos “ALÈM”, “AQUÈM”, “RECÉM” e “SEM”. Exemplos: além-mar, aquém-oceano, recém-nascido, sem-teto. F) Usa-se o hífen nas palavras compostas que não contém um elemento de ligação e constituem uma unidade sintagmática e semântica, mantendo acento próprio. Exemplos: ano-luz, médico-cirurgião, Conta-gotas, decreto-lei, guarda-chuva, quarta- feira.

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ATENÇÃO: O hífen permanece nos compostos que indicam espécies botânicas e zoológicas como couveflor, erva-doce, beija-flor, bem-te-vi, mal-me-quer. G) Usa-se o hífen em palavras compostas formadas com elementos repetidos com ou sem alternativas vocálica ou consonântica. Exemplos: blá-blá-blá, zum-zum-zum, recoreco, pingue-pongue, lenga-lenga, ziguezague. H) Deve-se usar o hífen com os sufixos de origem Tupi-guarani, AÇU, GUAÇU e MIRIM. Exemplos: amaré-guaçu, anajá-mirim, capim-açu. I)

Deve-se usar o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam, formando não propriamente vocábulos, mas encadeamentos vocabulares. Exemplos: Ponte Rio-Niteroi, eixo Rio-São Paulo.

J) Não se usa o hífen em certos compostos e que se perdeu, em certa medida, a noção de composição.

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Exemplos: mandachuva, paraquedas, paraquedista, paralama, parabrisa, parachoque, paravento. (EXCEÇÃO: PARA-RAIOS)

ORTOGRAFIA: LETRA MUDA Como regra, o Acordo determina o desaparecimento das letras “C” e “P” nas palavras em que elas não são pronunciadas.

Exemplos: Como fica

Como era acção aflicto director adopção óptimo baptizar

ação aflito diretor adoção ótimo batizar

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NELSON SOUZA

É professor de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira pela Universidade Federal da Bahia UFBa., pedagogo, com habilitação em administração escolar pela Faculdade de Educação da Bahia FEBa. bacharelando em Direito pela Faculdade Social da Bahia FSBa., foi membro titular do Conselho Estadual de Educação da Bahia e do Conselho Municipal de Educação da Cidade Do Salvador. Atualmente é o 1º. Secretário do Sindicato das Escolas Particulares da Bahia SINEPE, foi professor de Língua Portuguesa do Curso e Colégio Módulo e do Modus Faciendi. Atualmente, é professor de Literatura Brasileira do Colégio Instituto Social da Bahia 3ª. série EM (ISBA) e do Curso e Colégio UCBA, professor de Língua Portuguesa da 3ª. série EM do Colégio Helyos (Feira de Santana-Ba.) e do Colégio Apoio, Consultor, tem colaborado com artigos em jornais, revistas, rádio e televisão.Palestrante, ministra cursos de preparação para concursos públicos, atuou em curso de atualização em Língua Portuguesa na Coelba, Assembléia Legislativa do Estado da Bahia e Fundação Nacional de Saúde. É autor de vários livros na área educacional.

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Profº: Nelson Souza


APRESENTAÇÃO MUDANÇA NO ALFABETO TREMA MUDANÇA NAS REGRAS DE ACENTUAÇÃO USO DO HÍFEN

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