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E VOCÊ, VAI PERDER ESSA CHANCE? ESCOLHA PELO FUTURO!

Inscrições na secretaria da FDCI ou pelo site www.fdci.br de 29/10 a 29/11 Prova dia 02 de Dezembro na FDCI

Informações: Tel.: 28 2101-0311 | www.fdci.br


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6 Sapucaia em flor por Mônica Perim

7 Memórias por Sandro Mancini

8 Lixo tecnológico terá destinação correta no Espírito Santo

10 Inauguração de moderno equipamento proporciona economia e ganho ambiental

12 Você é jovem? Eu também! por Léo Alves

14 Fórum da OCB-ES superou as expectativas 16 20

Da casa na roça às estradas do Brasil

Evento na São Camilo mostra a importância da conciliação

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Coluna Seu Lugar por Guilherme Gomes

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Siccob Credirochas recebe Ex-Ministro da Fazenda e comemora resultados

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Ciência dos alimentos: orgânicos e transgênicos por Xico Graziano

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Eutanásia ativa: uma brevíssima mirada reflexiva por Ézio Pereira

30 Estudantes capixabas participam da 4ª edição do Festival ECOmúsica

32 De mãos dadas - o futuro do trabalho

Foto: Divulgação Jolivan

por Wéliton Altoé

34 Ainda há salvação para a Zona do Euro por Victor Castro


Aos nossos leitores PUBLICAÇÃO MENSAL GRACAL Gráfica e Editora Ltda. CNPJ: 27.126.101/0001-60 Av. Aristides Campos, 243 Cachoeiro de Itapemirim - ES CEP 29302-600 Diretor Alexandre Tavares 28 3522-2784

GUILHERME GOMES DE SOUZA Diretor de redação

O conteúdo das matérias e artigos assinados, bem como as publicidades e os anúncios, são de inteira responsabilidade de seus autores.

Informação com compromisso ambiental

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ugar de Notícias tem tomado todo cuidado para possibilitar o leitor de alcançar informações com compromisso ambiental. É uma satisfação podermos falar sobre trajetórias de vidas fantásticas como vem ocorrendo em cada edição. Os três irmãos que são donos de uma espécie de império das estradas, cujas empresas são a Jolivan e a Paganini, são exemplos que não se faz necessário atravessar gerações para se comprovar como é possível sair do zero e montar empresas com mais de mil carretas e gerar quase dois mil empregos diretos - tudo isso com grande compromisso ambiental dentro da realidade de transporte terrestre. As certificações e os prêmios que a Jolivam, em especial, alcançou e agora em processo final da ISO 14001 são a maior prova disso. Outras empresas também, sobretudo bem próxima de todos nós, são exemplos, como a Foz de Cachoeiro que vem alcançando destaque nacional e o próprio

Grupo Itapemirim, com vasto investimento na preservação ambiental. Essas empresas mostram que é plenamente possível alcançar os três pilares da sustentabilidade de forma prática e eficiente. Infelizmente nem toda empresa que tem efetivo funcionamento no país, tem essa responsabilidade. Os números nos remetem a uma grande irresponsabilidade, que não podemos omitir. Só para o leitor ter uma pequena ideia, das 52 maiores empresas do país, apenas 27% mantêm projetos com responsabilidade ambiental. Esses dados, dentro de suas proporcionalidades, incluem empresas do Espírito Santo e bem pertinho da gente, como o próprio município de Cachoeiro e a região costeira do Estado. Com relação a isso temos uma boa notícia. Quem não se enquadrar, ficará fora do mercado. Estamos atentos. Agora degustem e desfrutem em nossas páginas de conteúdos exclusivos, inéditos e permeado de credibilidade.

EQUIPE REVISTA LUGAR DE NOTÍCIAS DIRETOR DE REDAÇÃO Guilherme Gomes de Souza

CONTATOS COMERCIAIS Elenir Atalaia (28) 9951-8687 Márcia Leal (28) 9935-6584 comercial.lugardenoticias@gmail.com JORNALISTA Sara Moreira MTb - 2753-ES REVISÃO Sara Moreira

DIAGRAMAÇÃO E ARTE Alessandro Souza

COLUNISTAS E COLABORADORES Ézio Pereira, Felipe Carreiro, Léo Alves, Mônica Perim, Sandro Mancini, Victor Castro, Vinicius Siller, Wéliton Altoé e Xico Graziano.

Escreva para a revista Opiniões, sugestões e comentários: Revista Lugar de Notícias Praça Jerônimo Monteiro, 57 - Ed. San Pablo, 5º andar, sala 507 - Centro CEP: 29300-170 Cachoeiro de Itapemirim - ES. E-mail: revistalugardenoticias@gmail.com Por questão de espaço, as cartas poderão ser publicadas resumidamente e deverão conter o nome completo, endereço e número do telefone do autor. Participe. Aqui é o seu lugar!

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MÔNICA PERIM

Foto: Mônica Perim

Engenheira Química da Foz do Brasil, Presidente da ABES-ES e Conselheira do CRQ-21ª Região

Sapucaia em flor

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o final deste quentíssimo mês de outubro várias árvores floresceram. Sabemos que cada uma tem seu valor e importância, mas a que mais me impressiona pelo porte e beleza é uma espécie nativa brasileira existente na Floresta Amazônica e na Mata Atlântica, chamada "sapucaia", da família das Lecitidáceas. Quem me apresentou as sapucaias foi meu pai, Carlito Perim. Papai cresceu em Burarama e entendia a natureza como poucos. Apareceu um dia em casa com um fruto arredondado muito duro, com a casca espessa de cor castanha, que escondia em seu interior algumas amêndoas muito saborosas. Demorei a aprender o nome, até que gravei: “sapo cai”. Passado alguns anos descobri que uma árvore avermelhada era a tal sapucaia. Achei a princípio que a coloração era das flores, e só algum tempo depois entendi que a flor, na verdade, é pequena e bem clarinha, e que coloridas são as folhas novas. O fruto possui uma espécie de tampa na parte inferior, que se abre quando o fruto amadurece liberando as amêndoas, que são comestíveis e saborosas. Fiquei sabendo que há muita dificuldade para conseguir as amêndoas para a produção de mudas, pois estas semen-

tes são muito apreciadas pelos morcegos e por outros animais. O fruto não é comestível e pode ser usado em artesanato, como vaso para plantas, potes, dentre outras possibilidades. Comecei a achar a árvore tão linda, que tentava sempre plantá-la nos reflorestamentos que coordenava. Mas havia muita dificuldade em conseguir as mudas de sapucaias. Em uma ocasião, meu amigo José Augusto Brunoro me “(...) Sugiro que os proprietários rurais plantem pelo menos uma sapucaia em suas terras. O colorido das folhas e as flores espalhadas pelo chão vão compensar seu esforço, e o sabor das sementes das sapucaias poderá ser experimentado por aqueles que me leem, mas que ainda não tiveram esta oportunidade”. pediu que plantasse pelo menos um pé de sapucaia defronte à APAE no bairro São Geraldo. Consegui uma muda com Dr. Ruy, da Usina Paineiras, e mais uma dezena de ipês amarelo e rosa. A maioria das mudas que plantamos ali tornaram-se árvores, mas não consegui dar reparo se o pé de sapucaia continua lá. Em uma viagem para o Rio de Ja-

neiro peguei um ônibus que passava por Alegre e ia até Petrópolis passando por diversas cidades pequenas, inclusive por uma de nome Sapucaia, no Estado do Rio. Como a viagem ocorreu durante o dia, percebi ao longo dos rios, no estado do Rio de Janeiro, dezenas de sapucaias de um vermelho intenso. Imaginei como seriam cuidadosos os donos daquelas terras. Ainda no Rio de Janeiro há uma fileira destas árvores na entrada da Quinta da Boa Vista. Na nossa região, entretanto, são poucas as sapucaias existentes. Na cidade de Cachoeiro há uma tímida, nos fundos do prédio administrativo da Foz, e duas mais salientes no morro reflorestado nos fundos da Selita. Em Burarama há uma no sítio do Dica, outra ao lado da casa de Plínio e Carmélia e uma linda e enorme, na subida para o Cantagalo. Não recomendo o plantio desta árvore perto de casa ou outras construções, pois sua altura pode chegar a 30 metros, mas sugiro que os proprietários rurais plantem pelo menos uma sapucaia em suas terras. O colorido das folhas e as flores espalhadas pelo chão vão compensar seu esforço, e o sabor das sementes das sapucaias poderá ser experimentado por aqueles que me leem, mas que ainda não tiveram esta oportunidade.


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Foto: Divulgação O projeto foi criado pelo Deputado Estadual Glauber Coelho

Lixo tecnológico terá destinação correta no Espírito Santo Se o projeto for sancionado, os fabricantes, importadores e comerciantes de produtos tecnológicos serão responsáveis pela destinação correta do lixo

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m dos maiores problemas ambientais que afetam em cheio a população mundial é o destino final do lixo tecnológico. Nos Estados Unidos, cada Estado tem sua própria legislação, que, por sinal, é rigorosíssima. Com a Lei complementar 140/2011, que finalmente regulamentou o artigo da Constituição Brasileira sobre responsabilidade ambiental da União, Estados e Municípios, o Espírito Santo, junto com São Paulo, começa a preparar suas leis. O maior exemplo disso vem do Deputado Estadual Glauber Coelho (PR), que aprovou com o apoio do Plenário da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) o Projeto de Lei 145/2012, que versa sobre a destinação final de lixo tecnológico, um sério problema que, caso não seja resolvido, pode afetar a natureza e também

a saúde das pessoas. O Deputado falou com exclusividade para Lugar de Notícias, e ratificou que o problema ambiental precisa estar presente na vida de cada parlamentar. “A questão ambiental tem que estar incluída em tudo”, afirmou, e ainda acrescenta: “Temos que cuidar de nossas futuras gerações”. Se o projeto for sancionado, os fabricantes, importadores e comerciantes de produtos tecnológicos serão responsáveis pela destinação correta do lixo. Aqueles que não cumprirem as normas pagarão multa que pode variar de dez a mil salários mínimos, podendo perder o alvará de funcionamento e ficarem impedidos de participar de licitações públicas. É considerado lixo tecnológico os resíduos provenientes de eletrodomésticos, sistemas de rede, par-

ques de telefonia, equipamentos e componentes eletrônicos de uso doméstico, industrial, comercial e utilizados no setor de serviços, como periféricos de computadores, monitores, televisores, baterias, pilhas e produtos magnetizados. Para o Deputado Glauber Coelho, na condição de parlamentar, a responsabilidade sobre o meio ambiente é ainda maior. “Temos que aumentar a nossa atuação quando se trata desse tema”, salienta. Com a sanção da lei por parte do Governador, todos terão, de fato, local para jogar seu lixo tecnológico, que começa desde uma simples pilha - que para o meio ambiente não é simples, pois provoca até câncer -, até aparelhos mais sofisticados de informática. “O político pensa sempre em eleição, o estadista pensa nas futuras gerações”, finalizou.


Inauguração de moderno equipamento proporciona economia e ganho ambiental Na maior jazida de granito do país, situada em Colatina, norte do ES, a empresa com sede em Cachoeiro de Itapemirim – Marbrasa –, inaugurou moderna serraria com fio diamantado. O novo sistema é inédito e proporciona economia e ganho ambiental.

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evento, que aconteceu no fim de outubro e contou com a presença do fundador do grupo Itapemirim e proprietário da Marbrasa, Deputado Camilo Cola, que inaugurou não só mais uma serraria, porém uma mudança de paradigma, “um divisor de águas”, como afirmou no discurso o diretor da Marbrasa Elvis Gomes. O sistema de serraria, com utilização de fio diamantado dentro da própria área de extração, traz ganhos ambientais extraordinários, além de proporcionar uma

economia enorme. A empresa investiu R$ 5,5 milhões somente na serraria com tear multifio e bi-fios. Para os técnicos da empresa, o investimento compensa porque representa ganho de velocidade no setor produtivo. Contudo para o setor ambiental, o ganho é ainda maior, porque o sistema evita um enorme passivo. Mais uma vez a Marbrasa inova na qualidade, eficiência e, sobretudo, no compromisso sócio-ambiental. Estavam presentes no evento de inauguração do equipamento o Presidente do Gru-

po Itapemirim, Camilo Cola Filho; Andrea Cola; Celmo Freitas e demais diretores do grupo, além do Prefeito de Colatina, Leonardo Deptulski; do Deputado Federal, Paulo Foletto; do Deputado Estadual, Genivaldo Lievore; do Juiz de Direito e Presidente do Fórum de Colatina, Fernando Lira Rangel; do Bispo Dom Décio Sossai; do ex- Deputado Constituinte, Lézio Sathler e muitas outras autoridades e representantes de diversos segmentos empresariais e ambientais.


LÉO ALVES

Graduando em Jornalismo, diretor, escritor e representante do Grupo Cultural ETC

Você é jovem? Eu também! A importância do contato e das ações intergeracionais no interior do Espírito Santo

Amanda Falcão e Maria Antônia Vilela: diferentes gerações e um único aprendizado

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filme Harold & Maude (Ensina-me a viver), do diretor Hal Ashby é um clássico da década de 1970 que conta a estória de Harold (Bud Cort), um rapaz muito reprimido, com fixação por morte, funerais e suicídios. Tudo muda, portanto, quando ele se apaixona por uma mulher de 79 anos, Maude (Ruth Gordon) que tem o que ele não possui: humor e alegria de viver. Além do filme, a história foi adaptada também para o teatro brasileiro. A peça “Ensina-me a Viver”, reforça a história de Harold, um “senhor” de quase vinte anos obcecado pela morte e Maude, uma “jovem” de quase oitenta anos, apaixonada pela vida. “Ensina-me a Viver” é uma história tocante, que faz pensar no sentido da vida e na importância de nosso papel no mundo. Mas o que “Ensina-me a viver” tem a ver com os contatos intergeracionais, principalmente com as relações estabelecidas no interior do Espírito Santo? Quase tudo! Tirando a paixão entre os personagens, toda a relação que se

estabelece durante o filme e a peça gira em torno da necessidade e da importância do contato entre jovens e adultos idosos: o aprendizado. Parte desta rica história que evidencia o contraste, resume uma abordagem da vida e da morte apresentando comicamente o drama psicológico através do relacionamento entre gerações normalmente conflitantes. Muqui é uma cidade católica e interiorana, altamente tradicional, que concentra um grande número de adultos idosos. Os jovens, é claro, também existem. Parte da geração que compreende as faixas etárias de 18 e 30 anos, praticamente desapareceram com a busca de oportunidades fora da cidade. Há algum tempo, não se via nenhuma ação onde os jovens restantes na cidade dialogassem com os adultos “Mas o que “Ensina-me a viver” tem a ver com os contatos intergeracionais, principalmente com as relações estabelecidas no interior do Espírito Santo? Quase tudo! (...) Toda a relação que se estabelece durante o filme e a peça gira em torno da necessidade e da importância do contato entre jovens e adultos idosos: o aprendizado. Parte desta rica história que evidencia o contraste (...) resume o relacionamento entre gerações normalmente conflitantes”. idosos, promovendo trocas de experiências e possibilidades de narrativas sobre a história da cidade. Os grupos juvenis que surgiram em Muqui, já em 2005, procuraram, de forma efervescente, valorizar os personagens significativos do município, o que inclui os escritores, artesãos e historiadores de nossa terra, que

muito têm a contribuir para a construção de projetos cada vez mais completos, significativos e abrangentes. Segundo as autoras Lenisa Brandão, Vivian Smith, Tania Sperb e Maria Alice de Matos, em seu estudo sobre as Relações Intergeracionais entre crianças e adultos idosos, a imagem de um velho contando histórias de outros tempos aos mais jovens, à beira do fogo ou ao sabor do ritmo de uma cadeira de balanço, contrasta fortemente com o andamento e as exigências de velocidade, eficiência, racionalidade e produtividade de uma sociedade urbanizada, soando como algo romântico e saudosista. Neste contexto, tanto crianças como pessoas idosas tendem a ficar à margem de onde a "vida acontece", e o espaço para contar e ouvir histórias vai se restringindo à disponibilidade circunstancial de um interlocutor ou a instituições que atendem separadamente cada faixa etária. As crianças, escutando histórias escolhidas e lidas por seus professores, e os idosos, tentando contar suas histórias de vida a quem tenha paciência para ouvi-las, são imagens mais realísticas no panorama do mundo contemporâneo. A interação entre crianças e idosos é muitas vezes extremamente prazerosa e enriquecedora para ambos, e a compreensão do que está envolvido nesse processo é ainda pouco explorada na Psicologia. Em algumas sociedades tradicionais, os idosos têm um papel fundamental em contar a história da comunidade, da família, servindo de referência às novas gerações. Nossa sociedade, fortemente individualista e voltada para o novo, tem desprezado o passado e a "voz da experiência" dos idosos (Beauvoir, 1976/1990). Para vencer este paradoxo, onde a realidade de uma sociedade urbanizada quase que extingue o tempo necessário ao contato intergeracional, os grupos culturais jovens de Muqui realizam, desde o ano de 2008, ações paralelas de desenvolvimento, utilizando as crianças, os jovens os adultos e os idosos no processo de criação.


GRACAL


Fórum da OCB-ES superou as expectativas Evento em Vitória reuniu Presidentes e Executivos das Cooperativas e contribuiu para o fortalecimento do setor

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os dias 26 e 27 de outubro, o Sistema OCB-SESCOOP/ES realizou o 7º Fórum de Presidentes e Executivos das Cooperativas Capixabas. Juntamente com o evento foram comemorados os 40 anos das OCB/ES, órgão de representação que tem como objetivo realizar estudos, promover a divulgação do sistema cooperativista, criar novas cooperativas, dar assessoria técnica, manter a integração com outros órgãos do cooperativismo e representar o Sistema perante as autoridades de uma forma especial. A primeira noite do evento foi exclusiva para homenagens e surpresas àqueles que fizeram e ainda fazem parte dessa história. Além dos ex-presidentes da instituição, foram homenageadas as cooperativas que constituíram a OCB/ES e alguns parceiros que foram fundamentais nesse crescimento

e desenvolvimento do Cooperativismo Capixaba, entre outros. Também estiveram presentes autoridades políticas, como o Governador do Espírito Santo, Renato Casagrande. Após uma noite festiva, a manhã seguinte foi marcada por duas palestras com grandes nomes de destaque nacional: o jornalista Chico Pinheiro, que falou sobre “Carreira e Desenvolvimento Profissional”, e, em seguida, Mário Sérgio Cortella, filósofo e escritor que falou sobre o tema “Responsabilidade é Coisa Séria”. As palestras foram construtivas e reuniram centenas de pessoas ligadas ao cooperativismo capixaba no salão principal do Centro de Convenções de Vitória. “O evento foi mais uma prova de que o cooperativismo está fortalecido no Estado. Primeiramente pelo fato de estarmos fazendo 40 anos,

depois pelo número de pessoas e autoridades que compareceram em nossa comemoração, entre elas ex-presidentes da OCB/ES, presidentes de cooperativas capixabas, vereadores, prefeitos, deputados, senadores, secretários de Estado, desembargadores e, até mesmo, o Governador do Estado. Para nós foi uma alegria imensa poder recebê-los aqui, pois sabemos que a presença de cada um faz parte de uma parceria sem vaidades, como diz nosso amigo Ênio Bergoli, secretário de Agricultura do ES. O balanço desse Fórum, que aconteceu durante a comemoração dos 40 anos da OCB/ES e principalmente no Ano Internacional das Cooperativas é positivo e só nos faz pensar que estamos no caminho certo”, afirmou Esthério Sebastião Colnago, presidente do Sistema OCB-SESCOOP/ES.


Motivos para comemorar Os 40 anos da OCB/ES fortalecem ainda mais a ideia de que o trabalho da instituição é essencial para as cooperativas e o cooperativismo do Estado. Afinal, são poucas as entidades que sobrevivem por tanto tempo sendo reconhecidas pelo trabalho sério, honesto e pelo bom relacionamento com seus associados. Hoje, a OCB/ES constrói e pensa no trabalho que deverá ser feito nos próximos 40 e tantos outros anos que virão. O trabalho do órgão é fundamental, pois ele representa, defende e capacita cada uma das cooperativas no Estado, preparando-as para atuar no Espírito Santo, no país e no mundo de forma competitiva. Hoje no Espírito Santo existem 147 cooperativas registradas, com cerca de 200 mil cooperados que geram mais de 20 mil empregos diretos e indiretos, envolvendo aproximadamente meio milhão de pessoas em nove ramos de atuação. No Brasil, registradas no Sistema

OCB, existem mais de 6,5 mil cooperativas distribuídas em 13 ramos: agropecuário, crédito, consumo, educacional, especial, habitacional, infraestrutura, mineral, produção, saúde, trabalho, transporte e turismo e lazer. Ao todo, reúnem mais de 10 milhões de associados e geram 300 mil empregos diretos. Em todo o país, cerca de 30 milhões de pessoas estão ligadas

ao movimento cooperativista. O cooperativismo contribui diretamente para o desenvolvimento sustentável do país, têm participação expressiva na economia brasileira, e ainda atua em outros mercados, levando seus produtos a outros países. E isso reflete não apenas o espírito cooperativista, mas também o compromisso do segmento com o desenvolvimento global.


Da casa na roça às Conheça a história de três irmãos que venceram todos os desafios de uma infância pobre e tornaram-se um dos maiores representantes do setor de transportes do Brasil, conquistando clientes de peso

Foto: Divulgação Jolivan


estradas do Brasil

por Sara Moreira

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ma mula disputada em uma época em que meio de transporte era artigo de luxo, ainda mais no interior. E se um dos irmãos tivesse que emprestar a mula para o outro, a namorada ficava no prejuízo. “Dividíamos uma mula para visitar as namoradas. Às vezes, ficávamos um mês sem vê-las, era tudo muito longe”, contou Vansionir. Hoje, aos 55 anos, ele relembra as histórias da infância e juventude simples em uma confortável sala de uma das maiores empresas de transporte de cargas do Espírito Santo e do Brasil: a Transportadora Jolivan. Fundada em 1989, Jolivan é a junção dos nomes dos três irmãos Paganini: João, Lindor e Vansionir. A empresa

nasceu da vontade de crescer na vida, e cresceu tanto, que a transportadora tem filiais espalhadas por todos os cantos do país e transporta cargas até em Oiapoque – literalmente. Com sede em Iconha, considerada a cidade com o maior número de caminhões e carretas por habitante do Brasil, atualmente a empresa tem 30 filiais pelo país, entre garagens, centros de distribuição e escritórios. Juntamente com a Transportadora Paganini, também pertencente à família, a empresa tem uma frota de 1,2 mil veículos e emprega diretamente o equivalente a 1,64 mil funcionários. E tudo isso começou apenas com um único caminhão.


Foto: Guilherme Gomes de Souza

O início difícil “Começamos a trabalhar muito cedo. Em casa, éramos 12 irmãos e dividíamos o pouco de arroz, feijão, farinha e carne seca que tinha na mesa”, contou Vansionir Paganini, hoje Diretor Administrativo da transportadora. O primeiro meio de comunicação da casa – um rádio – veio quando ele já tinha 12 anos, e o primeiro “kichute” (quem nasceu de 1990 em diante, pode pesquisar no Google) ele ganhou aos 15. Antes, a missa era frequentada praticamente descalço. Trabalhando na roça, o jovem João Paganini começou a ter uma ideia: trocar o lote de burros que tinha para comprar em troca de café por um pequeno caminhão. Era o ano de 1967, quando João tomou a decisão: sair de Nova Estrela, pequeno distrito de Alfredo Chaves, para o transporte de bois e, mais tarde, o transporte de cana-de-açúcar. “Trabalhei muito na roça até comprar um caminhãozinho velho. Aí comecei a puxar boi de Minas Gerais para o Rio de Janeiro”, contou João, hoje aos 73 anos, ao lado do velho companheiro de guerra, um caminhão hoje reformado, mas que ele faz questão de mostrar

João Paganini mostra orgulhoso o primeiro caminhão comprado com muito esforço e trabalho

como o pioneiro de tudo. Logo que o serviço começou a aumentar, os outros irmãos – Lindor e Vansionir - foram ao encontro de João para também se aventurarem nas estradas brasileiras. “Compramos outro caminhão e, em 1977, puxávamos cimento da Bahia e trazíamos madeira para revender a outras cidades”, contou Vansionir. Em menos de 10 anos, os irmãos já tinham uma frota de 14 caminhões

e um pequeno grupo de funcionários, formando a Transportadora Paganini, que atualmente transporta minério e é administrada por João e Lindor. E foi em 1989 que nasceu a Transportadora Jolivan. “Na época, estava trabalhando com madeira no Pará e voltei a Iconha em 1991 para ajudar na empresa, que já estava crescida”, relembra Vansionir. E Lindor tornou-se o Diretor Comercial, hoje, aos 61 anos de idade.

O meio ambiente também é preocupação constante dos irmãos Paganini. “Queremos estar corretos. Se não nos organizarmos, a natureza fica muito prejudicada. Por isso, não adianta empresas mentirem, dizendo que têm ações ambientais se não têm. Aqui nós temos e provamos que estamos no caminho certo”, afirmou Vansionir Paganini. A empresa coleciona certificados: o SA 800 (reconhecimento internacional de uma empresa com responsabilidade social); o SASSMAQ (Sistema de Avaliação de Segurança, Saúde, Meio Ambiente e Qualidade, que visa reduzir os riscos de acidentes) e o ISO 9001, que comprova a qualidade dos serviços e Vansionir Paganini, hoje Diretor Administrativo da transportadora a satisfação dos clientes.

Agora, a transportadora Jolivan está em busca do certificado ISO 14001, que atesta que a empresa apresenta ações sustentáveis através de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA), reduzindo os impactos na natureza. Na prática, são muitos exemplos: as lâmpadas inutilizadas são incineradas, assim como luvas, óculos e demais objetos sem serventia; os pneus velhos ficam armazenados em um baú e são entregues à reciclagem; e de seis em seis meses a fumaça preta emitida pelos caminhões são monitoradas, para que os índices não ultrapassem os permitidos. A transportadora Paganini também faz a sua parte. Todo o entorno foi reflorestado e preservado, o que fez brotar água novamente. Hoje, o local é privilegiado pela presença de um grande lago com abundância de peixes.

Busca pelo ISO 14001


Os três irmãos Paganini comandam atualmente um verdadeiro império. Com 30 pontos de apoio espalhados em cidades como Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Vitória, Salvador e Pernambuco, a Transportadora Jolivan é responsável pelo transporte de variadas cargas, como bobinas de papel e de ferro, celulose, gêneros alimentícios, leite, produtos de higiene e limpeza, produtos importados, remédios, sucata de ferro, dentre outros. A carteira de clientes é variada e repleta de grandes empresas: Gerdau, Suzano, Alcoa, Nestlé e Procter & Gamble (P&G). Esta última empresa rendeu diversos prêmios internacionais à Transportadora, como o de excelência como fornecedor corporativo de serviços – “Business Partner Award” – por três vezes consecutivas. Aliás, prêmios tornaram-se rotina na empresa, que também conquistou o primeiro lugar na categoria “Transporte e Logística da Região Sul do Espírito Santo”, do prêmio

Foto: Divulgação Jolivan

Empresa premiada

Da esquerda para a direita: João, Lindor e Vansionir

Destaque 2011 da Federação das Empresas de Transporte e Logística do Espírito Santo (FETRANSPORTES). E novos investimentos estão por vir. Foram comprados terrenos para a construção de centros de distribuição em Recife (PE) e em Feira de Santana (BA). “Estamos muito felizes com essas conquistas. Começamos do nada, não tínhamos nada e aprendemos a

dar valor à vida, às coisas que tínhamos e que temos hoje”, afirmou Vansionir, que dos três irmãos, foi o que mais conseguiu estudar, chegando à 8ª série. Mesmo com tanto talento e trabalho para os negócios, João conseguiu se alfabetizar há pouco tempo e atualmente é vice-prefeito em Iconha e se prepara para um novo desafio: no próximo ano, ele assumirá o cargo de prefeito da cidade.

Área de preservação

Foto: Divulgação Jolivan

Com aproximadamente 200 mil metros quadrados, a Jolivan também mantém uma área de preservação de mata nativa chamada “Deolindo Paganini”, uma homenagem ao pai dos irmãos Paganini. Localizada em Nova Estrela, distrito de Alfredo Chaves, onde a família foi criada, a mata preserva uma rica variedade de espécies de árvores e animais silvestres. “Temos essa preocupação com a preservação da natureza. Fazendo ações como essas, as crianças e os adolescentes vão aprendendo a importância de se preservar o que temos de graça”, explicou Vansionir. Propriedade de Mata Nativa Deolindo Paganini


Evento na São Camilo mostra a importância da conciliação Estudantes de Direito e profissionais da área discutiram a necessidade da resolução de questões consideradas conflituosas pela Justiça

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ncerramento com fecho de ouro para a VISemana Jurídica do Curso de Direito do Centro Universitário São Camilo-ES, com a realização do 2º Fórum CBMAE Sul Capixaba, apoiado peloSebrae e Acisci. Estudantes, professores e profissionais da área debateram as chamadas “questões conflituosas”, que geram demandas longas e enormes na justiça e, em muitos casos, não chegamà solução. Com o tema “O acesso à Justiça em debate”, o fórum contou com a presença da presidente daCâmara Brasileira de Mediação e Arbitragem Empresarial(CBMAE) de Cachoeiro, Simone Cunha Fontes, e com a apresentação do caso de sucesso do empresário Wanderson Vieira Feliciano, da Divan Móveis. Os advogados André Moreira e Dr. Luiz Carlos Ridolphi também participaram com as palestras “O papel do advogado na arbitragem” e “A arbitragem na gestão empresarial moderna”, respectivamente. Os conflitos sem solução ou com solução longa fizeram surgir no país oCBMAE, que no Sul do Espírito Santo funciona juntoà Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Cachoeiro de Itapemirim (ACISCI), onde conta com o apoio do Sebrae. A participação do Sebraeno projeto ocorre em razão do capítulo de Acesso à Justiça que estimula a utilização dos chamados“Métodos Extraprocessuais de Solução de Conflito” (MESCs) para as micro e pequenas empresas. Nesse sentido, é

O evento contou com a palestra do Advogado e representante do SEPPIR, André Luiz Moreira: "Advogados só têm a ganhar com a conciliação"

necessário o estímulo à cultura dos MESCs, ou seja, à prática da conciliação, mediação e arbitragem, em substituição à litigância no judiciário para a resolução de problemas, demonstrando que tais métodos representam recurso mais ágil e menos oneroso, e que de modo geral, as partes envolvidas preservam suas relações. A iniciativa do referido evento tem por objetivo disseminar a cultura dos métodos extraprocessuais de resolução de conflito para empresários, advogados, estudantes, dentre outros. A CBMAE conta com uma rede de mais de 100 unidades no Brasil, sendo que três delas funcionam no Espírito Santo: a CBMAE Sul Capixaba (Cachoeiro de Itapemirim), CBMAE – ES (Vitória) e CBMAE Alegre (Alegre). Entre os dias 26 de novembro e 01 de dezembro a rede realiza o 3º Mutirão Nacional de Conciliação Empresarial, com o objetivo de oferecer gratuitamente solução de conflitos para os micro e pequenos empresários.Para se inscrever, o empresário deve procurar uma das câmaras da rede.

Simone Fontes, Gestora da CEBMAE

O empresário Vanderson Vieira (Vandinho), destaca a celeridade da Câmara


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CACAU PRODUZIDO NO SUL DO ES PRESENTE NA FEIRA DE PARIS

Nos últimos dias, Paris foi o centro de um mundo que há muito tempo deixou de se concentrar na Páscoa. Bombons, barras, tabletes, trufas, refinados, perfumados, lambuzados. São criações culinárias para se degustar. A gula é o pecado primordial. O mais interessante disso tudo é participação do chocolate produzido com cacau plantado no sul do Espírito Santo, sobretudo na região de Iconha. “O cacau produzido aqui no sul do Estado é especial e conta com a admiração de vários países”, comemora o representante do setor, que foi a Paris, José Manoel Monteiro de Castro. Consumir chocolate tem outro grande atrativo: ajuda a preservar as florestas do planeta. O cacaueiro precisa da sombra de árvores maiores para sobreviver. Ele acaba sendo um freio contra o desmatamento, porque transforma a mata em uma fonte de dinheiro eterna. Ainda que nessa loteria da natureza, o grande prêmio esteja um pouquinho mais adiante.

FOZ É DESTAQUE NACIONAL É inegável o esforço da Foz do Brasil em investimentos no meio ambiente e em tecnologia. Uma de suas maiores conquistas ocorreu recentemente, ao conquistar o Prêmio Nacional da Qualidade em Saneamento, da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES), o mais importante reconhecimento do setor de saneamento básico em toda América Latina. Desde que concedeu os serviços para a iniciativa privada, em 1998, o município que atualmente é operado pela Foz do Brasil, empresa da Organização Odebrecht, investiu R$ 53 milhões para saltar de 5% para 92,5% os índices de coleta e tratamento de esgoto em Cachoeiro de Itapemirim. Mais R$ 65 milhões serão aplicados até 2016 para que a cidade de 200 mil habitantes atinja a universalização dos serviços. Numa comparação irrefutável, basta olhar um pouquinho o passado e ver a grande diferença do rio Itapemirim atualmente. Parabéns à Foz.

COPA DO MUNDO: ERRO DE PLANEJAMENTO FAZ AUMENTAR GASTOS EM 253%

IRRESPONSABILIDADE AMBIENTAL Enquanto existem empresas investindo em meio ambiente e mostrando resultados, como a Foz de Cachoeiro, temos um cenário triste em nível nacional. Para se ter uma ideia, das 52 maiores empresas do país, apenas 27% mantêm projetos de compensação de emissão de gases de efeito estufa. Há quatro anos, o índice era de 45%. A Rio+20 não sensibilizou empresários irresponsáveis, que na ânsia de ganhar dinheiro pensam que são donos da atmosfera, do ar que todos necessitam para respirar, inclusive eles e seus entes “queridos”.

“Errar é humano”. Uma frase conhecidíssima para justificar erros banais. Mas quando se trata de obra com envolvimento de dinheiro público só ocorre erro para aumentar os custos. Para se ter uma pequena noção, os gastos previstos com reformas e construções de estádios para a Copa do Mundo passou de R$ 1,9 bilhão para R$ 6,7 bilhões, um aumento de 253% em relação ao orçamento original. E 91% das verbas vêm de dinheiro público. É o Brasil.


IEMA REÚNE 70 MUNICÍPIOS EM SEMINÁRIO SOBRE EDUCAÇÃO AMBIENTAL O Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) realizou, no dia 13 de novembro, o III Seminário Estadual de Educação Ambiental do Projeto Escola, Comunidade, Ambiente e Responsabilidade (Ecoar). O evento, que aconteceu no Centro de Convenções de Vitória, reuniu aproximadamente 70 municípios do Espírito Santo e teve palestra com representante do Ministério do Meio Ambiente, show com a contadora de histórias, cantora e compositora Bia Bedran, e apresentação de resultados do Projeto Ecoar. A educação ambiental, quando conhecedora da realidade de cada região, é disparada como o melhor caminho para a educação de forma generalizada. No entanto, enquanto tivermos crianças vivenciando o dia-a-dia com drogas, violência e sexo, a Lei Federal sobre Educação Ambiental, criada por FHC, que diz respeito à assistência psicológica.

CRISE NA PETROBRÁS

CONSTRUÇÃO DENTRO DO RIO ITAPEMIRIM À VENDA

Edificação literalmente dentro do rio

O prédio do antigo Cine Plaza, famoso por passar filmes de pornografias, construído literalmente dentro do rio Itapemirim está à venda. Pelo antigo Código Florestal, pelo novo e pelo PDM ele está absolutamente inflingindo uma norma ambiental. O comprador estará adquirindo, caso compre, uma parte do Rio. Isso pode?

DANÇA DAS CADEIRAS EM CACHOEIRO: CASTEGLIONE QUER SECRETARIADO MAIS TÉCNICO

Nos últimos anos a Petrobrás só vem aumentando os gastos, ao passo que a produção sofre substancial queda. De acordo com informações da própr, a eficiência operacional da empresa caiu. Um dos motivos seria as exigências sindicais em que não se valoriza a meritocracia. A produção também não consegue acompanhar o consumo, o que pode acarretar novamente a faltar gasolina nos postos, como ocorreu no passado. Na verdade, o que vem segurando a empresa foi o processo imprescindível de terceirização do governo FHC, ao contrário a coisa seria pior. A Presidente Dilma tem feito “das tripas coração” para segurar o preço dos combustíveis, para evitar a inflação. Mas pelo visto é bem provável que já em 2014 falte gasolina, caso os preços não subam imediatamente. Depois do péssimo planejamento com gastos com a Copa do Mundo, tudo é possível.

O prefeito eleito para o segundo mandato de Cachoeiro, Carlos Casteglione, irá permanecer com alguns secretários, mas em secretarias diferentes. Casteglione pretender ter um grupo de secretários mais técnicos, em que traga resposta mais rápida para a população. Para isso o secretário terá que ter conhecimento sobre cada pasta, de modo que não se enrole com burocracias desnecessárias. A meritocracia será valorizada no próximo pleito, quem não se enquadrar não terá cadeira para sentar.


Foto: Marron

Siccob Credirochas recebe Ex-Ministro da Fazenda e comemora resultados Mailson da Nóbrega fez uma análise sobre a economia brasileira e mundial para o próximo ano em palestra que reuniu associados e empresários

o início do mês de novembro, mais de 800 pessoas se reuniram no Unimed Hall, em Cachoeiro de Itapemirim para o evento “Tendências 2013”. Realizado pelo Sicoob Credirochas, associados, empresários e diversas autoridades comemoraram os balanços positivos da cooperativa e discutiram as tendências na economia brasileira e mundial para 2013. “Estamos caminhando muito bem, pois viemos acumulando bons números ao longo dos anos. Para 2013, teremos um desafio muito grande: expandir ainda mais a Cooperativa para o Rio de Janeiro”, afirmou Tales Pena Machado, Diretor-Presidente do Sicoob Credirochas. Com 4 mil associados, o patrimônio líquido do Sicoob Credirochas está estimado em R$ 30 milhões – um crescimento de 25% em relação a 2011. A

cooperativa comemora a abertura de agências em Atílio Vivacqua, no Sul do Espírito Santo, e em Volta Redonda, no estado do Rio de Janeiro. Apresentado pelo jornalista Mário Bonella, o evento “Tendências 2013” contou com a presença de diversas autoridades, tais como o Vice-Presidente do Sicoob Credi-

rochas, Valdecyr Roberte Viguini; do Presidente da Organização das Cooperativas do Brasil no Espírito Santo (OCB-ES), Esthério Sebastião Colnago; do Presidente do Sindicato das Indústrias de Rochas Ornamentais, Cal e Calcário do Espírito Santo (Sindirochas), Samuel Mendonça; e do Deputado Federal Camilo Cola.

Foto: Marron

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por Sara Moreira


Palestrante do evento, o Ex-Ministro da Fazenda Mailson da Nóbrega fez uma análise da economia nacional e internacional e afirmou que o país vive um momento de resistência e solidez em meio à crise financeira na Europa e nos Estados Unidos. “O nosso sistema financeiro está sólido e bem regulado, com estabilidade macroeconômica e situação externa confortável, com reservas internacionais superiores à dívida externa”, afirmou Nóbrega, que foi Ministro entre janeiro de 1988 e março de 1990, durante o Governo Sarney, considerado um dos mais conturbados economicamente. Segundo ele, a atual crise, que existe há cerca de cinco anos, é considerada a mais longa e séria desde a Grande Depressão de 1930 e a recuperação será gradativa. “O risco de colapso financeiro passou. O desafio agora é crescer e analisar os EUA pós-eleição, que acredito

que terá uma recuperação mais clara a partir de 2013. Já a Europa, que enfrenta um longo ciclo de baixo crescimento, com algumas exceções, a recuperação tende a ser mais lenta, e em países como a Grécia, pode levar até mais de uma década”, analisou Nóbrega. De acordo com a análise do Ex-Ministro, em 2013 o Brasil tende a crescer e a inflação permanecer nos atuais índices de 5,4%. Segundo estimativas de sua empresa de consultoria, o PIB – que este ano está na marca de 1,6% - deve atingir os 3,6% no próximo ano. Já a taxa de desemprego deve diminuir de 5,6% para 5,4%. “Para o Brasil decolar, depende da capacidade dos líderes, de se criar oportunidades de negócios e investimentos. Temos muitos desafios e os nossos principais riscos são perder as oportunidades e crescermos pouco. E um dos fatores que contribuem para isso é a corrupção e a falta de reforma tributária”, explicou o Ex-Ministro.

Foto: Marron

Brasil resistente em meio à crise

“O melhor caminho para o empresário é poupar durante esta crise, a não ser que ele tenha um mercado extremamente seguro. É preciso, sim, investir em pessoas e novas tecnologias, mas é preciso assegurar o capital e não correr riscos” – Mailson da Nóbrega


XICO GRAZIANO

Engenheiro Agrônomo, Mestre em Economia Agrária e Doutor em Administração

Ciência dos alimentos: orgânicos e transgênicos

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orte polêmica esquentou o mundo da biotecnologia. Pesquisadores de várias partes do mundo contestaram experimento, realizado na França, relacionando os alimentos transgênicos com câncer. Foram além. Denunciaram logro no trabalho. A pesquisa testou o efeito em ratos de laboratório de ração contendo milho geneticamente modificado, tolerante ao herbicida Roundup (milho RR). No experimento, porém, descobriram-se grosseiros erros metodológicos. Cientistas brasileiros da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), norte-americanos das Universidades da Califórnia e da Flórida, ingleses do King’s College, de Londres, combateram os resultados, apontando falhas inaceitáveis. Com os mesmos dados poderia ter sido provado o contrário, ou seja, que o milho transgênico reduziu, e não aumentou, o risco de câncer nos bichinhos.

A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EF-SA) publicou análise desqualificando a pesquisa conduzida por Giles-Eric Séralini, conhecido ativista contrário ao uso da engenharia genética na agricultura. Aposição apriorística dele construiu uma conclusão equivocada. Picaretagem científica. Vem de longe a discussão sobre a cor ideológica da ciência. Nas ciências sociais, sabidamente, existe enorme dificuldade de os cientistas se isentarem de suas posições políticas nos estudos que realizam. A visão de mundo afeta, inevitavelmente, suas formulações teóricas, induzindo ao viés. Por essa razão existem tantas polêmicas na sociologia e na economia. Nas ciências exatas, por outro lado, praticamente inexiste relação entre conhecimento e ideologia. Na física ou na química, os fenômenos analisados são quantificáveis na exatidão. Mede-se a velocidade da luz, detalham-se

as estruturas moleculares. Na matemática, dois mais dois são quatro, e acabou. Já nas ciências naturais, como a biologia e a agronomia, que estudam os seres vivos e seu ambiente, os fenômenos, além de complexos, variam em sua manifestação. Sua mensuração é difícil, estimada, nunca precisa. Podem-se observar tendências, leis gerais a guiar os processos vitais, mas cada um deles pode reagir distintamente aos estímulos do meio onde vivem. Existem incertezas, imprecisões. Como diz o caboclo, aqui é que o bicho pega. Mesmo quando não são politicamente engajados, os pesquisadores raciocinam segundo seus princípios culturais e éticos. Isso, obviamente, cria distinções dentro dos laboratórios. Sabendo ser impossível a isenção ideológica, as normas científicas exigem que sejam conhecidos, e divulgados com clareza, os pressupostos básicos e a metodologia dos estudos, estabelecendo uma espécie de lealdade na busca da verdade. O rigor do método científico separa o bom conhecimento do fajuto. Este surge da empulhação, da fabricação de resultados segundo objetivos não confessáveis. Aqui parece enquadrar-se essa pesquisa sobre o milho transgênico RR e o câncer. Nem a estirpe nem a idade dos ratinhos alimentados em laboratório se conheciam, e sabe-se que, naturalmente, ratos mais idosos tendem a contrair mais câncer do que os jovens. No dia 16 de outubro se passou o Dia Mundial da Alimentação. Estudiosos da questão da fome concordam que o desafio da segurança alimentar não se vencerá facilmente até 2050, quando se estima que a população


mundial venha, com 9 bilhões de pessoas, a se estabilizar. Três processos básicos determinarão o sucesso nessa difícil empreitada contra as restrições alimentares dos povos: expansão das áreas de produção; desenvolvimento tecnológico, elevando a produtividade na agropecuária; e surgimento de novas alternativas de comida. A engenharia genética cumprirá papel imprescindível rumo à segurança alimentar. Após 15 anos, desde que deixaram os laboratórios e seguiram para o campo, as variedades transgênicas, manifestadas em dezenas de espécies Vegetais, já ocupam 160 milhões de hectares, plantadas por 16,7 milhões de agricultores, em 29 países. Recebidas inicialmente com temor, nunca se avaliou tanto uma tecnologia. Mesmo procurando chifre em cabeça de cavalo, jamais se provou qualquer dano à saúde humana em decorrência de alimento geneticamente modificado. Nenhum caso. Novas gerações de organismos geneticamente modificados surgem dos

laboratórios mundiais. As primeiras transgenias forneceram resistência das plantas a herbicida, depois às lagartas, daí não pararam mais de evoluir. A engenharia genética está inventando plantas resistentes à seca, tolerantes : “Novas gerações de organismos geneticamente modificados surgem dos laboratórios mundiais. As primeiras transgenias forneceram resistência das plantas a herbicida, depois às lagartas, daí não pararam mais de evoluir. A engenharia genética está inventando plantas resistentes à seca, tolerantes à salinização dos solos, suportáveis a solos mais pobres. Surgem grãos mais ricos em proteínas e vitaminas, frutas mais duráveis ao armazenamento” à salinização dos solos, suportáveis a solos mais pobres. Surgem grãos mais ricos em proteínas e vitaminas, frutas mais duráveis ao armazenamento. Nos animais, acaba de ser anunciada, na Nova Zelândia, uma vaca transgênica

capaz de produzir leite sem a proteína beta-lacto-globulina responsável por causar alergia em até 3% das crianças no primeiro ano de vida. Incríveis fronteiras da ciência dos alimentos. Normas internacionais proíbem produtores orgânicos de cultivar plantas transgênicas. Cada vez mais se comprova, porém, com biossegurança, o seu benefício na sustentabilidade dos sistemas produtivos. Superplantas transgênicas, resistentes às pragas e doenças, eliminarão o uso dos agrotóxicos na lavoura. Afora o preconceito ecológico, nenhuma razão agronômica opõe o orgânico ao transgênico. Inimigos hoje poderão andar de mãos dadas amanhã. Conhecimento científico não rima com ideologia nem com intolerância. Ele se move, estimulado pelo dinamismo civilizatório, pelo desafio do desconhecido. Transilvânia, em latim, significa “além da floresta”. Na Romênia, acredita-se que lá viveu o assustador Conde Drácula, o mais famoso dos vampiros. Mera crença. Nada que ver com transgênico. Pura ciência.


ÉZIO LUIZ PEREIRA

Juiz de Direito, Mestre em Direito, Doutor e Mestre em Teologia, Practitioner em Programação Neurolinguística pelo INDESP, autor de quatorze obras literárias

Eutanásia ativa: uma brevíssima mirada reflexiva

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ão trago respostas; trago um breve repensamento, uma singela contribuição. De pronto, uma reflexão se me afigura necessária: a angústia do ser com a eminência do não ser, o medo do desconhecido, denunciando a efemeridade e a fragilidade da vida humana diante de um porvir incognoscível e a certeza inevitável: a morte, fim de quem vive. Assim é que, Moisés, em seu único Salmo veterotestamentário escrito há quase três mil anos (é possível que ele tenha escrito também o Salmo 91), tal o Salmo 90, em seus versículos: 5, 6, 9 e 12, assevera: “Tu os arrasta na torrente, são como um sono, como a relva que floresce de madrugada; de madrugada viceja e floresce; à tarde, murcha e seca (…). Pois todos os nossos dias se passam na tua ira; acabam-se os nossos anos como um breve pensamento (…). Ensina-nos a contar os nossos

dias, para que alcancemos coração sábio…” (Sl. 90: 5, 6,9 e 12). Decerto, a morte é um fato inevitável – o único absolutamente inevitável – e o Direito não cria fatos; ele os normatiza. E como normatizar o fim da existência humana? Como regulamentar o entardecer da existência? Como jurisdicizar a desmaterialização ou o “nunca mais”? Como delimitar o fim, se órgãos, sistemas, tecidos etc. não morrem, a rigor, ao mesmo tempo: há graus de vida e de morte. Então, a morte não é, em tese, um fato instantâneo; ela é gradativa, composta de estágios intermediários, concorrentes e/ou sucessivos. No Direito brasileiro adotou-se a morte encefálica como critério estabelecido da morte. Contudo, poder-se-ia pensar em outros critérios. Qual seria o correto? Saberíamos? Em seu étimo, o vocábulo “eutanásia” (do grego: “boa morte” – termo proposto por

Francis Bacon em 1623) significa morte sem sofrimento, notadamente para os casos de doentes terminais. De seu lado, “distanásia”, ao contrário, é agonia lenta, morte dolorosa, prolongamento artificial, forçado da vida ou do processo de morte. Já a “ortotanásia” implica “morte correta”, do ponto de vista etimológico, de maneira que significa o não prolongamento artificial do processo de morte além do que seria o processo natural, uma vez que, neste caso, o processo de morte já está instalado, daí a atitude médica de não permitir o prolongamento artificial da agonia do doente. De igual sorte, “mistanásia” pode significar a morte miserável, fora e antes da hora, como, por exemplo, os “beneficiários” do SUS nos corredores dos hospitais públicos. Em retorno ao tema ora proposto, insta ressaltar que, não raro entregar-se-á a decisão nas mãos dos familiares e esse é o ponto nodal da questão. Decerto, o tema reclama investigação multi, inter e transdisciplinar, porquanto envolve, dentre outros, os seguintes aspectos: jurídico, teológico, filosófico, moral, ético, antropocêntrico, cultural, histórico, biológico, sociológico, pedagógico etc. Sob o ponto de vista jurídico, a par de uma resolução do Conselho Federal de Medicina, ainda não há uma definição legislativa escorreita (está tramitando no Congresso um projeto de lei para regulamentar a eutanásia) e isso faz a polêmica se acentuar. No passado, Tomás de Aquino, com sustentáculo em Aristóteles, já pregava, em sua “Suma Teológica”, a chamada “vida digna”, doutrina abraçada


por Kant, com base na qual se constitucionalizou o “princípio da dignidade da pessoa humana”. Então, pensar-se-á em "morte digna", mas outros vão afirmar que não haveria morte digna, porque morte é morte e não se poderia adjetivá-la. Não se pode olvidar de que o Direito é termo indissociável à dignidade; ou há dignidade ou não há Direito. Portanto, é forçoso concluir que o Direito deve preservar a vida a todo custo. Entanto, se há uma pregação acerca da vida digna, deve haver penso eu - a da “morte digna”, mas o que é a morte digna? Sob o ponto de vista de quem? Poder-se-ia transferir para um terceiro a “escolha” sobre a vida e a morte de outrem? Presumir-se-ia que a escolha do “legitimado” seria a mesma do moribundo? “Possivelmente” (!?). Eis a questão! Indagação salutar: quem estaria legitimado a decidir quem, quando, onde e como deve morrer o parente ou o amigo? Obviamente a resposta não está na lei; nem poderia! Quantos casos de pacientes terminais, em estado de coma profundo, “condenado” pela medicina, sem explicação

médica, retornam depois de anos; e o que dizer das novas técnicas e novas descobertas no campo das terapias? Não se pode enfrentar o tema sem a ênfase nos estudos dos direitos fundamentais sob a perspectiva constitucional, com um sustentáculo na Teologia. “Indagação salutar: quem estaria legitimado a decidir quem, quando, onde e como deve morrer o parente ou o amigo? Obviamente a resposta não está na lei; nem poderia! Quantos casos de pacientes terminais, em estado de coma profundo, “condenado” pela medicina, sem explicação médica, retornam depois de anos; e o que dizer das novas técnicas e novas descobertas no campo das terapias?” Não é tão simples! Quais os limites do poder humano sobre o próprio processo de morte? A vida/ morte é disponível? O corpo é disponível? Quando a própria pessoa, vítima da enfermidade, faz a sua escolha (autodeterminação) e quando terceiro “invade” e a faz

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Nossa missão é cuidar da vida

pelo doente? Quando é suicídio assistido e quando é homicídio? E o caso da eutanásia eugênica (utilizada pelo nazismo alemão contra judeus e doentes)? Não se pode dizer, entrementes, que a morte faz parte da vida porque são opostos entre si. Vida é vida; morte é morte. Não posso afirmar que a morte faz parte da vida ou, do ponto de vista da lógica aristotélica, que o “A” faz parte do “não-A”. Um não faz parte do outro. Decerto, a morte é extrínseca à vida. Não são círculos concêntricos, razão pela qual não há relação de continência e conteúdo entre ambos. Isso traz consequências do ângulo jurídico, pois quando não há vida, o quadro se altera e alterando o antecedente, alterar-se-á o consequente. No entanto – e aqui “concluo” (“concluo”?) a minha brevíssima reflexão – o sono sombrio da morte está ali, adiante, à espreita de quem vive, num conceito negativo de vida. E a dor: o que é a dor? O que é suportável para um, pode não ser para outro. Não existe uma resposta pronta e acabada. O tempo dirá… talvez… não sei… não sei se saberei…

Penélope Pozzi 4º período de Farmácia


Foto: Divulgaação Samarco

Mais de 300 alunos e professores participaram do evento no Siribeira Clube, em Guarapari

Estudantes capixabas participam da 4ª edição do Festival ECOmúsica Evento do Programa de Educação Ambiental da Samarco reuniu mais de 300 alunos e professores de escolas públicas de Guarapari, Anchieta e Muniz Freire vel - fibras de garrafas PET - e foram aproveitados objetos reutilizáveis para a decoração do local. O Festival ECOmúsica é uma das iniciativas do Programa de Educação Ambiental da Samarco, que contribui para o desenvolvimento socioambiental das áreas vizinhas à empresa. A Samarco vai compensar todo o carbono

emitido para a realização do evento.“É a culminância do programa. Os alunos chegam sensibilizados e despertados para a preservação ambiental. É uma forma de envolver os jovens, porque a música agrega e desperta neles o desejo de participar”, explica a coordenadora de Desenvolvimento Socioinstitucional da Samarco, Sandra Martins.

Foto: Divulgaação Samarco

A quarta edição do Festival ECOmúsica da Samarco foi realizada no fim do mês de outubro, no Siribeira Clube, em Guarapari. O festival reuniu mais de 300 estudantes e professores de escolas públicas de Anchieta, Guarapari e Muniz Freire. O objetivo da iniciativa foi mobilizar alunos e conscientizá-los sobre a importância da preservação do meio ambiente. Os jovens apresentaram composições musicais e paródias sobre reciclagem de lixo, reflorestamento, desperdício de água, plantio de árvores, uso de sacolinhas de plástico, entre outros temas. Voltado aos alunos do oitavo e nono ano do ensino fundamental das redes municipal e estadual, o festival teve a participação de duas escolas de Anchieta, duas de Guarapari e duas de Muniz Freire. Para esta edição, foram adotadas inovações que contribuem para a preservação do meio ambiente. As camisetas utilizadas pelos participantes foram feitas de material reciclá-


Sensibilidade populares e conhecidas do público, mas com letras adaptadas ao tema do meio ambiente. As fotos expostas

durante o evento também mostraramo “antes e depois” das atividades do Programa de Educação Ambiental.

Sobre a Samarco Comemorando, em 2012, 35 anos de atuação, a Samarco é hoje uma das principais empresas brasileiras de mineração, a quarta maior exportadora do País, e a segunda maior empresa no mercado transoceânico de pelotas de minério de ferro. Com clientes em mais de 15 países de quatro continentes, a empresa tem atualmente uma capacidade de produção de 22 milhões de toneladas anuais de pelotas, gerando cerca de três mil empregos diretos e aproximadamente o mesmo número de

empregos indiretos. De capital fechado, a Samarco tem duas acionistas – Vale S/A e BHP Billiton Brasil Ltda. –, que dividem o controle acionário, com 50% de participação cada uma, e possui duas unidades industriais localizadas em Minas Gerais e no Espírito Santo, que são interligadas por dois minerodutos com 400 quilômetros de extensão, além de um terminal marítimo próprio em Ubu (ES) e dois escritórios internacionais, em Amsterdã (Holanda) e Hong Kong (China).

Foto: Guilherme Gomes de Souza

Desenvolvido desde o início do ano em escolas públicas da região, o Programa de Educação Ambiental inclui visitas dos alunos a espaços ambientais. A intenção é sensibilizar os jovens sobre a responsabilidade de preservar e valorizar o meio ambiente em suas comunidades. Após esse trabalho, os alunos são convidados a realizar pesquisas em novos locais, escolhidos por eles, onde já há boas práticas de preservação, ou em regiões que ainda precisam de cuidados. Os resultados desses estudos são apresentados pelos estudantes em um seminário com a participação do poder público, envolvendo Secretarias Municipais de Meio Ambiente e Educação, além da própria Samarco. As experiências vividas e o aprendizado adquirido são a base do trabalho musical apresentado no Festival ECOmúsica. Em forma de paródia, os alunos tocam e cantam músicas


WÉLITON ROGER ALTOÉ

Advogado e Sócio Proprietário na Empresa Altóe Advocare Advogados Associados

De mãos dadas - o futuro do trabalho

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m 04 e 05/10/2011 estive presente na 1ª Audiência Pública realizada pelo Tribunal Superior do Trabalho, para discutir ilicitude das terceirizações. O evento foi um exemplo de organização e envolvimento da sociedade na discussão de um tema fundamental. A principal mensagem deixada pelo evento foi que o Brasil não podia abrir mão da terceirização lícita, a fim de aumentar a sua competitividade no mercado internacional e, consequentemente, gerar novos empregos no mercado interno. Portanto, precisamos e devemos combater a precarização da mão-de-obra, inclusive aquela advinda da terceirização, e não a terceirização. A terceirização, em si, é fundamental para empregados e empregadores. Vivemos em um mercado globalizado. O que acontece no mundo impacta tão diretamente o nosso ambiente de trabalho quanto o que é sumulado (decidido) por nossos tribunais e o que é legislado (formulado) pelos nossos políticos, ou o que é negociado entre os nossos sindicatos. Pouco mais de um ano se passou desde a Audiência, e a redução da nossa produção industrial, aliada à crise europeia e à insegurança dos investidores, traz a tona o mesmo assunto, ou seja, o mercado de trabalho. Como está a relação entre empregados e empregadores? A nossa legislação propicia um ambiente de trabalho adequado para o novo cenário mundial? Segundo dados do Ministério do Trabalho, o emprego com carteira assinada saltou, nos últimos 10 anos, de 22 milhões de trabalhadores formalizados para 37,6 milhões, além de sete milhões de trabalhadores estatutários (setor público). Mas esse avanço foi estagnado em 2012. A crise americana e europeia trouxe à tona a fragilidade da nossa legisla-

ção trabalhista. O conjunto de leis trabalhistas brasileiras, especialmente a CLT, que completa 73 anos em 2013, passou a ser um impedimento para que as empresas deem um salto em eficiência e produtividade e, com isso, consigam assegurar mais e melhores empregos. Além das Leis, existem as súmulas, que não são leis, pois não foram discutidas e aprovadas pelo Poder Legislativo, que impedem a flexibilização necessária. Súmula é uma deliberação dos ministros dos órgãos superiores de Justiça (TST, STF, etc). E se de direito não são, de fato, os magistrados fazem delas um instituto mais forte do que a lei. Toda lei pode ser questionada no Poder Judiciário quanto à sua legalidade ou constitu-

“Precisamos de uma legislação nova, simples e atual, que estimule a geração de empregos e não que jogue contra. O debate para essa nova legislação deve ser mais amplo. Devemos ter o objetivo de proteger o emprego, pois assim estaremos protegendo, ao mesmo tempo, empregados e empregadores”.

cionalidade. No caso das súmulas, o STF não as examina por entender não se tratar de ato normativo e por inexistir questão constitucional. Com isso, elas ganham vida própria, presidem decisões importantes, geram custos elevados, e ficam imunes a questionamentos. Segundo o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Simão, o país padece de textos legais em excesso, tem 2,5 mil normas em vigência, que geram um quadro de grave insegurança jurídica para as empresas, dada a interpretação diversa dos tribunais.

Mesmo assim, a legislação não consegue cobrir as novas relações de trabalho. O próprio presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), João Oreste Dalazen, já classificou a CLT de "exageradamente minuciosa e confusa", informando que ela dá margem a uma média de dois milhões de processos trabalhistas a cada ano. Precisamos de uma legislação nova, simples e atual, que estimule a geração de empregos e não que jogue contra. O debate para essa nova legislação deve ser mais amplo. Devemos ter o objetivo de proteger o emprego, pois assim estaremos protegendo, ao mesmo tempo, empregados e empregadores. Não está em jogo somente o corte de benefícios obtidos ao longo do tempo por trabalhadores, mas também o risco e o custo dos empregadores. A realidade mercadológica é simples: se temos o menor preço, temos maior competitividade e vendemos mais. Se vendemos mais, produzimos mais, e se produzimos mais, geramos mais empregos. Portanto, a geração de emprego está diretamente ligado ao preço final do nosso produto, não é simples ? É ...., e não é. Se fosse tão simples, não haveria Sindicatos, Federações, e, especialmente, o Poder Judiciário colaborando para o aumento do custo dos nossos produtos. Quanto mais estudo, quanto mais me aprofundo, quanto mais obtenho conhecimento, me solidarizo mais e mais com os trabalhadores e empresários deste país, que literalmente carregam todos os demais nas costas. Vivem uma insegurança absurda, desnecessária e desumana em função de Leis, súmulas e regras que mudam todos os dias. O incomparável Professor José Pastore informou que o Tribunal Superior do Trabalho (TST) tornou-se "usina de súmulas". O Legislativo (e o Executivo através de Medidas Provisórias)


não param de alterar as regras do jogo. O empresário que não estiver muito bem assessorado, não consegue acompanhar as mudanças. E mesmo os bem assessorados correm o risco de não conseguirem se adaptar às referidas mudanças. Ouso discordar parcialmente do Ilustre Professor José Pastore, pois a "usina" está em funcionamento apenas para preencher uma lacuna deixada pelo Legislativo. O Judiciário, com certeza, preferiria que houvesse uma ampla reforma trabalhista no país. Contudo, o nosso legislativo é completamente inoperante. Para não dizer que ele é completamente improdutivo, digamos que "produz": escândalos, "mensalões", entre outras mazelas. Por outro lado, não justifica que o TST edite sumulas que "engessem" cada vez mais as relações de trabalho, e contribuam para o aumento do custo por empregado, sem que este valor seja revertido em favor do próprio empregado. Existem caminhos para que empregados e empregadores construam relações de trabalho mais benéficas

para ambos, ou seja, que permitam melhores condições de trabalho, e até mesmo maior remuneração para o trabalhador (como é o caso da participação nos resultados), e menor custo e maior segurança para o empregador. A lei prevê a negociação coletiva de trabalho. Portanto, a

“Existem caminhos para que empregados e empregadores construam relações de trabalho mais benéficas para ambos, ou seja, que permitam melhores condições de trabalho, e até mesmo maior remuneração para o trabalhador (como é o caso da participação nos resultados), e menor custo e maior segurança para o empregador”.

fim de nos preparar para o futuro, temos que privilegiar negociações coletivas que criem segurança jurídica, econômica, emocional e social para trabalhadores e empregado-

res. Fomentar medidas que proporcionem bem-estar aos empregados, sem que signifique um custo excessivo para o empregador. Enfim, medidas que façam prevalecer um clima de entendimento entre empregados e empregadores. No campo nacional, é preciso compilar a legislação trabalhista e flexibilizar as regras, sem permitir a violação de direitos dos empregados. Precisamos ter uma legislação mais adequada ao nosso momento histórico, que represente a nossa importância no cenário globalizado mundial, e que não se preocupe em valorizar o empregado ou empregador, mas que, acima de tudo, valorize o emprego. Por fim, precisamos partir de uma premissa maior, muito maior, empregado e empregador estão no mesmo barco, o sucesso de um representa o benefício do outro. Quem efetivamente determina a sobrevivência e o lucro das empresas, assim como o salário e os benefícios dos empregos é o mercado. Se quisermos trilhar pelo melhor caminho, temos que andar de mãos dadas: empregado e empregador.


Victor Castro

Advogado e servidor público federal

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Ainda há salvação para a Zona do Euro

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A Europa tem certos problemas de liquidez que podem ser corrigidos sem que precisemos “mudar tudo isso que está aí”. O motivo fundamental dessa crise é que o Euro aumentou a capacidade de endividamento dos países membros da União Europeia, e eles forçaram esse endividamento até o limite, para manter certos benefícios sociais que não encontravam respaldo na riqueza que essas mesmas economias produziam. O questionamento de França, Alemanha, Holanda e Finlândia de “Por que temos que pagar a conta da farra de Grécia, Portugal e Espanha?” é real. No Brasil, FHC unificou as dívidas públicas em uma só, fazendo a rolagem via Banco Central, o que deu lastro à nossa moeda, apesar de nossas parcas reservas financeiras e do nosso déficit orçamentário anualmente reiterado. Na Europa, além do déficit orçamentário que foi se acumulando nos últimos 15 anos (se balanceada toda a Zona do Euro), esse endividamento era difuso, sem um controle central. Em um cenário de crise como o iniciado em 2008, se criou uma enorme desconfiança sobre a capacidade dos europeus de manterem o nível de riqueza que construíram nas últimas décadas, bem como seu estilo de vida recheado de benefícios sociais pagos pelo Estado. A verdade é que a Europa está passando hoje por um processo pelo qual passaram o Uruguai, ainda nos anos 70, e a Argentina, nos anos 90: um empobrecimento generalizado, por não ter como pagar a conta de um Estado (ou de “estados”, no plural) que gastava mais do que arrecadava, por anos a fio – com consequências políticas e sociais na forma como suas populações dialogavam com esse mesmo Estado. A Europa pode se reerguer, mas há alguns passos fundamentais que precisam ser dados, e cujo custo político é alto: 1) Manter o Euro valorizado, para

manter o poder de compra dos trabalhadores e evitar a inflação (o imposto inflacionário é um dos mais covardes que o Estado pode impor aos seus cidadãos, pois se assemelha ao confisco e só beneficia detentores de meios de produção com agregação de valor – por isso gera pobreza no campo, por exemplo); 2) Reduzir os gastos públicos para adequar a capacidade de endividamento de cada país membro ao que este produz anualmente (formando assim um sistema de liquidez para a Zona do Euro, que unifique a gestão macroeconômica de seus membros, para proteção da moeda – ainda : “A verdade é que a Europa está passando hoje por um processo pelo qual passaram o Uruguai, ainda nos anos 70, e a Argentina, nos anos 90: um empobrecimento generalizado, por não ter como pagar a conta de um Estado (ou de “estados”, no plural) que gastava mais do que arrecadava, por anos a fio – com consequências políticas e sociais na forma como suas populações dialogavam com esse mesmo Estado”. que se busque formas de redistribuir regionalmente essa riqueza, como fizeram com Portugal e Espanha antes da criação da ZE); 3) Reduzir drasticamente a burocracia trabalhista, para trazer mais trabalhadores informais e desempregados para um sistema de proteção estatal para esses trabalhadores (com enfoque na Previdência e na Segurança do Trabalho), ainda que com um número menor de benefícios – justamente para poder competir minimamente com países que fazem “dumping social”, como a China comunista; 4) No médio prazo, estabilizada a questão do endividamento de seus países membros, reduzir a carga tributária para aumentar a poupança privada e quebrar o monopólio de investimento produtivo, que hoje perten-

ce ao Estado, difundindo-o para toda a sociedade (inclusive para pequenos e médios empresários); 5) Paralelamente a essas medidas, enfocar em políticas de fomento à habitação (por exemplo, refinanciando as dívidas das famílias que estão sendo diariamente despejadas na Espanha e em Portugal), à educação (substituindo as bolsas pagas a jovens desempregados, muitos filhos de imigrantes, pelo investimento em cursos de capacitação técnica), e ao cooperativismo produtivo (financiando pequenas cooperativas de bairro, mesmo que não-autossustentáveis, para manterem as pessoas trabalhando, e evitar uma necessidade de aumento dos gastos estatais com segurança pública). A receita é atacar na macroeconomia (mais enfaticamente, com os pontos 1, 2 e 4) e na microeconomia (pontos 3 e 5). Mas tudo isso é um processo, um novo “pacto” que precisa ser feito, como o que reergueu a Europa no pós-Guerra – com a diferença que, desta vez, ao invés dos dólares norte-americanos, terão que usar o próprio Euro valorizado, que lhes dá mais poder de compra relativo para financiar esses investimentos (adquirindo insumos mais baratos de países com moedas menos valorizadas). O problema é que toda a gordura de ineficiência estatal terá que ser queimada para financiar esse processo de refundação da Europa, e o custo político é alto, porque se enxerga no longo prazo – ainda que se adote medidas de amenização desse “custo” imediatamente (como o refinanciamento das dívidas habitacionais para evitar o despejo de famílias inteiras na Península Ibérica). O que a Europa precisa agora é de humildade para poder adotar as medidas necessárias para manter a sua causa fundamental de altivez: sua cultura milenar, sua qualidade de vida acima da média mundial e seu acesso universal à cidadania para todos.


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NOVEMBRO/2012

Edição 007 – Novembro 2012  

Revista Lugar de Notícias

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