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SUMÁRIO AOS NOSSOS LEITORES ....................................................................................................................................... 05

MEMÓRIAS .......................................................................................................................................................... 06

POLÍTICA & ELEIÇÃO - RESULTADOS SURPREENDERAM PERDEDORES .................................................................... 07

MEMÓRIAS DE UMA CANDIDATA ......................................................................................................................... 08

OCB promove encontro com presidentes de cooperativas .................................................................... 10

PERMACULTURA NO CERRADO ............................................................................................................................ 12

FDCI NA LUTA CONTRA A CORRUPÇÃO ............................................................................................................... 15

Tudo se transforma, mesmo no setor de rochas ..................................................................................... 16

TEATRO DE BOLSO! .............................................................................................................................................. 20

Alarde dos Minerais ........................................................................................................................................ 21

COLUNA SEU LUGAR ........................................................................................................................................... 22

um exemplo a não ser seguido ...................................................................................................................... 24

Oportunidades e Ameaças ............................................................................................................................. 26

Alimento sem ideologia: a polêmica entre a FAO e o MST .......................................................................... 28

É possível unir Direita e Esquerda? ............................................................................................................... 30


AOS NOSSOS LEITORES PUBLICAÇÃO MENSAL

GUILHERME GOMES DE SOUZA Diretor de redação

Avanços e retrocessos

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país e nossa região tiveram o privilégio de passar por muitos avanços na última década, notadamente na área ambiental. Contudo, não nos livramos de retrocessos covardes e dolosos. Primeiramente vamos aos avanços. Trazemos como destaque nesta edição um dos mais importantes avanços do setor de mármore e granito. Por meio de uma Associação, está sendo possível dar destinação correta e adequada à famigerada lama abrasiva, considerada por ambientalistas um dos maiores “bichos-papões” do setor. Nossa jornalista Sara Moreira foi conhecer de perto a Associação Ambiental Monte Líbano – AAMOL. Isso se deve a um dos grandes diferenciais da Lugar de Notícias, que consiste exatamente na informação de qualidade, permeada de credibilidade. Para tanto, é inevitável a presença de nosso pessoal no campo, conhecendo de perto aquilo que só vemos por meio de notícias e informações. Outro fato bastante positivo, sobretudo para as mulheres, foi o processo eleitoral deste ano. Dez municípios do Espírito Santo serão comandados por elas. O maior exemplo vem de Mimoso do Sul. O município, ineditamente, contará com uma Prefeita e uma vice, comprovando que mudou o conceito e até o pré-conceito com relação às mulheres. Os homens, nesses municípios, optaram pelo sexo feminino. Isso parece banal, mas não para quem viveu no país há 60 anos. O cooperativismo também se

consolidou como um setor de avanços comprovados. Num sistema capitalista, o cooperativismo é o melhor caminho para consolidação de diversos segmentos para enfrentar empresas (até estrangeiras) recheadas de recursos e com a “boca bem larga”. Para isso o setor, sobretudo do Espírito Santo, via Organização das Cooperativas Brasileiras – OCB/ES -, que comemora este mês 40 anos, teve e tem papel fundamental. Na verdade, sem o sistema, não se consegue enxergar a sobrevivência de pequenos, sobretudo no setor agropecuário. Mas nem tudo são flores. Retrocedemos em muitos segmentos, como o trânsito e a enganação do lixo seletivo por parte de empresas e, sobretudo de prefeituras. Quem tem o trabalho de separar o resíduo antes de ser entregue ao caminhão de lixo, vê o fruto de sua responsabilidade ser sumariamente misturado por quem deveria dar o exemplo: o poder público. No setor de extração mineral, continuamos com empresas que destroem vorazmente nossos recursos naturais sem critério ambiental. Isso, infelizmente, se avançou para o norte do Estado, de onde surgem as maiores reclamações. Órgãos ambientais estão atentos e certamente espera-se providência, já que isso não só representa concorrência injusta para aqueles que têm suas atividades dentro das regras estabelecidas, como também para o bem comum, que é o meio ambiente. Não se pode admitir agressões dolosas por parte de empresas irresponsáveis.

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EQUIPE REVISTA LUGAR DE NOTÍCIAS DIRETOR DE REDAÇÃO Guilherme Gomes de Souza GERENTE COMERCIAL Elenir Atalaia - (28) 9951-8687 (28) 3031-0123 JORNALISTA Sara Moreira MTb - 2753-ES REVISÃO Sara Moreira DIAGRAMAÇÃO E ARTE Alessandro Souza COLUNISTAS E COLABORADORES Felipe Carreiro, Guanadir Gonçalves, Léo Alves, Mônica Perim, Victor Castro, Wéliton Altoé, William da Rocha Souza e Xico Graziano.

Escreva para a Revista Opiniões, sugestões e comentários: Diretor de Redação Revista Lugar de Notícias, Av. Aristides Campos, 243 - Cachoeiro de Itapemirim-ES - CEP 29302-600 ou pelo e-mail: revistalugardenoticias@gmail.com. Por questão de espaço, as cartas poderão ser publicadas resumidamente e deverão conter o nome completo, endereço e número do telefone do autor. Participe.

AQUI É O SEU LUGAR!

ERRAMOS O Sistema de Gestão Ambiental (SGA) pertence à Viação Águia Branca, que presta serviços de transporte, e não de todo o Grupo Águia Branca ("Empresa de transporte capixaba é reconhecida como sustentável", edição 5, página 12).


Política & Eleição

Resultados surpreenderam perdedores O resultado das eleições municipais 2012 surpreendeu mais os perdedores, que tinham como certa a vitória na maioria dos municípios capixabas, do que os próprios prefeitos eleitos. Pelo menos em seis municípios do sul do Espírito San-

to, perdedores se surpreenderam com a derrota, como Cachoeiro de Itapemirim, Anchieta, Rio Novo do Sul, Itapemirim, Muqui e Mimoso do Sul. No caso específico deste último município, a manifestação da população não deixava dúvida sobre a

vitória da candidata Flávia, que teve 59,83% dos votos; contudo, o candidato Giló, que amargou a derrota com 40,17 dos votos, mesmo investindo pesado na campanha, não contava com uma derrota tão grande nas urnas.

Renda per capita de Anchieta é destaque Em Anchieta, o atual vereador Marquinhos Assad (PTB) derrotou a estrutura da máquina administrativa e ganhou com 8.889 votos, apenas 664 votos de vantagem sobre Renato Lorencini (PSB), que tinha o apoio do atual prefeito Edival Petri, com 8.225 votos. Isso significa que Assad teve 51,94% dos votos e Lorencini 48,06%. O município de Anchieta tem uma das maiores rendas per capita do Brasil, bem acima até de cidades com populações bem maiores, como Cachoeiro de Itapemirim. É notável o investimento do município em

meio ambiente, contudo precisa mais, muito mais. Anchieta tem um passivo ambiental muito grande em função de empresas que atuam na área de mineração e petróleo e receberá, nos próximos anos, um volume de empresas ainda maior. Para tanto, se espera uma administração competente, séria e que valorize o meio ambiente, até porque grande parte do volume de recurso recebido pelo município, que o faz ter uma arrecadação de porte internacional, é em função do meio ambiente, já que a região fica com grande passivo ambiental.

Em novembro de 2011, a Federação da Indústria do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) apontou Anchieta como a 2ª melhor cidade para se viver no Estado e a 49ª em qualidade de vida no Brasil. Recentemente o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgou o Produto Interno Bruto (PIB) dos municípios brasileiros, classificando a cidade com o 10º maior PIB per capita (por pessoa) no país. vale dizer que quanto maior o recurso de um município, maior é a responsabilidade de seu administrador.

Mulherada no comando Superior Eleitoral -, as mulheres são a maior parte do eleitorado, pois correspondem a 52,92%. Mas isso não foi assim no passado. Somente em 1932 foi possível - ainda assim com muitas restrições -, o primeiro voto da mulher na capital do país, Rio de Janeiro. Ele só era permitido a solteiras e viúvas com renda própria ou a mulheres casadas, desde que elas tivessem permissão do marido. Dois anos depois, quando o Código Eleitoral foi consolidado, essas restrições foram removidas, e qualquer mulher, independentemente da origem de sua renda ou estado civil, passou a ter o direito de votar. O comparecimento às urnas, porém, era obrigatório apenas para, além dos homens, mulheres em profissões públicas. Atualmente os homens não só aceitam as mulheres como eleitoras, como votam nelas. E como votam.

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Flávia Cysne e Dona Leone Paiva: Dupla comemoração em Mimoso

Este ano, as mulheres comemoram 80 anos de voto feminino com muitas vitórias, vitórias nas urnas. Para se ter uma ideia, o país tem hoje uma mulher como Presidente da República; além do mais, as mulheres ganharam espaço nas eleições municipais deste ano. Foram eleitas centenas de novas prefeitas pelo Brasil. houve um aumento de 31% em relação ao primeiro turno de 2008. E as eleições tiveram algumas curiosidades. No Espírito Santo foram eleitas prefeitas para governar dez municípios: Mimoso do Sul, Nova venécia, São José do Calçado, Fundão, Águia Branca, Rio Novo do Sul, Alto Rio Novo, Guaçuí, Dores do Rio Preto e Presidente Kennedy. Com absoluto destaque para Mimoso do Sul, onde foram eleitas duas mulheres, Flávia Cysne e a professora Leone Paiva. De acordo com o TSE – Tribunal

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MÔNICA PERIM

Engenheira Química da Foz do Brasil, Presidente da ABES-ES e Conselheira do CRQ-21ª Região

Memórias de uma candidata

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lho para a calçada defronte minha casa e me espanto com a quantidade de santinhos. Resolveram desovar tudo que sobrara da campanha na véspera da eleição. Vi algumas pessoas atirando centenas de papéis pelas janelas dos carros, como se essa atitude fosse capaz de convencer mais alguns eleitores indecisos. Lembrei-me do ano em que também me lancei na vereança. Em plena virada de século e de milênio, no início do ano 2000, um amigo me convidou para ser candidata a vereadora pelo PPS, pois faltavam mulheres para atender às exigências em termos de gênero. Quando cheguei em casa com a novidade, quase apanhei do marido e das filhas. Expliquei que a causa era nobre e que eu não tinha nada a perder, o objetivo era só ajudar meu amigo, então candidato a prefeito. Passados alguns meses, toda a família tornou-se cabo eleitoral divulgando e apoiando minha candidatura. Só havia um probleminha: eu era uma candidata literalmente “dura”; trabalhava o dia inteiro em uma empresa privada, como fazer campanha? Nessa época eu morava em Burarama e vinha diariamente de carro próprio trabalhar em Cachoeiro. Muitos me pediam carona e eu nunca negava. Meu marido di-

zia que meus caroneiros não iam votar em mim, mas eu retrucava que nunca fiz o bem esperando recompensa. Resolvi então fazer um santinho diferente, aproveitando uma foto da família toda, tirada no casamento do meu primo Bruno com a Mírian, em Jaciguá. Na ocasião eu, Manoel e as “Quando cheguei em casa com a novidade, quase apanhei do marido e das filhas. Expliquei que a causa era nobre e que eu não tinha nada a perder, o objetivo era só ajudar meu amigo, então candidato a prefeito. Passados alguns meses, toda a família tornou-se cabo eleitoral divulgando e apoiando minha candidatura”. cinco filhas estávamos muito bem arrumados e isso, é claro, impressiona bem a todos, e também iria agradar aos meus eleitores. No verso do santinho escrevi parte de minha história e do meu projeto de trabalho. Muitos anos após a eleição ainda encontro pessoas que guardaram meu santinho com muito orgulho, por terem achado a família linda, e isso muito me alegra. Decidi aproveitar meu mês de férias e fazer campanha de porta em porta. Mas para marcar a presença, passei na loja de 1,99 e comprei uma centena

de ímãs de geladeira, bem coloridos, e amarrei um pequeno papel em cada um deles, com meu nome e número, que entregava em cada casa visitada. Visitei casas em Burarama, Petrópolis, Cantagalo, Furquilha, São Brás, Jacu, Campos Elíseos, Gilson Carone, IBC, Vila Rica, sempre contando com amigos que me apoiaram por simplesmente acreditar em minha capacidade, como PC, Kiko, Valino. Meu primo Manoel de Vitória mandou fazer umas camisetas de malha branca com meu nome e número, e existe uma que, até hoje, vejo noturnamente no corpo do marido. Apareceram lá em casa algumas pessoas que me pediram óculos e botijão de gás, mas expliquei que essa não era minha maneira de fazer política. Elas me avisaram que não votariam em mim. Mas confesso que, à medida que a campanha avançava, eu comecei a ter esperanças de chegar a ser vereadora. Acredito que esse seja um sentimento comum a todos os que se lançam nesta empreitada. No dia da eleição fui votar em Cachoeiro, mas as filhas ficaram em Burarama. No final do dia a surpresa: tive 149 votos. Infelizmente alguns moradores, contrários à minha candidatura, foram pra frente de minha casa aos gritos, debochando de minha derrota, com vassouras e dando altas gargalhadas. Percebi como as pessoas conseguem ser cruéis, mesmo com quem nada lhes faz. Minhas filhas ficaram arrasadas com aquela manifestação antidemocrática e desumana. Eu apenas lhes disse que não ligassem, que tudo passaria dali a uns dias. Passou para mim, que decidi nunca mais me candidatar, mas soube que esse procedimento odioso continua ocorrendo ainda hoje. Se quisermos um país não corrupto, com cidadãos honestos e trabalhadores, devemos avaliar nossas atitudes e realizar somente manifestações positivas e sensatas, que façam sentido, e enriqueçam a alma e o coração do povo brasileiro.


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OCB promove encontro com presidentes de cooperativas O evento será realizado no fim do mês em Vitória e reunirá presidentes e executivos de todas as cooperativas do Espírito Santo

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os dias 26 e 27 de outubro, Vitória será sede de um grande evento que reunirá lideranças de todas as cooperativas do Espírito Santo: o 7º Fórum de Presidentes e Executivos das Cooperativas Capixabas. O evento é coordenado pela Gerência de Desenvolvimento Humano (GEDH) do Sistema de Organização das Cooperativas do Brasil (OCB) com o Serviço Nacional de Aprendi-

zagem do Cooperativismo (SESCOOP/ES). O fórum será realizado no Centro de Convenções. Tendo como público-alvo Presidentes, Conselheiros, Diretores Executivos e Colaboradores que exerçam funções de Superintendência, Gerência, Supervisão ou Coordenadorias das Cooperativas registradas no Sistema OCB – SESCOOP/ES, o objetivo é a discussão de assuntos referentes à gestão das cooperativas, proporcionando uma

melhor análise do contexto econômico e social atual, e promover ações estratégicas para fortalecer o grupo. Uma cerimônia solene está marcada para a abertura do fórum, em comemoração aos 40 anos da OCB/ ES. Além disso, duas palestras serão ministradas: “Carreira e Desenvolvimento Profissional”, do jornalista Chico Pinheiro, e “Responsabilidade Social é coisa séria”, do filósofo e escritor Mário Sérgio Cortella.

Ano Internacional das Cooperativas

Em Cachoeiro de Itapemirim, a Cooperativa de Laticínios Selita é um grande exemplo da força do Cooperativismo

No ano em que a OCB/ES comemora 40 anos de existência, o mundo inteiro comemora o chamado “Ano

Internacional das Cooperativas”. O cooperativismo contribui diretamente para o desenvolvimento sustentável

do país, têm participação expressiva na economia brasileira, e ainda atua em outros mercados, levando seus produtos a outros países. De acordo com dados divulgados pela OCB/ES, em todo o mundo, as cooperativas reúnem 1 bilhão de pessoas em mais de 100 países dos cinco continentes, aliando duas situações fundamentais para que o ser humano e a família sobreviva: o desenvolvimento econômico e o bem-estar social. O cooperativismo pode ser entendido como um modelo socioeconômico que tem como base a participação democrática, a solidariedade, a independência e a autonomia. No Brasil, estão registradas no sistema OCB mais de 6,5 mil cooperativas distribuídas em nove ramos: agropecuário, crédito, consumo, educacional, habitacional, produção, saúde, trabalho e transporte. Reúne mais de 9 milhões de associados e gera 300 mil empregos diretos. No Espírito Santo, existem atualmente 146 cooperativas registradas, com cerca de 200 mil cooperados que geram mais de 20 mil empregos diretos e indiretos, envolvendo aproximadamente meio milhão de pessoas.


GRACAL

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Foto: Divulgação/Centro de Permacultura Asa Branca

Permacultura no cerrado Grupo desenvolve e ensina projetos e práticas sustentáveis em Brasília, demonstrando que é possível levar uma vida comum, mas ecologicamente correta

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por Sara Moreira

casa é de barro. A água é da chuva. O alimento vem da terra e a energia lá do céu do cerrado. Esse lugar existe e fica a meia hora do centro de Brasília, capital do Distrito Federal: a Chácara Asa Branca, um terreno de quatro hectares, onde um grupo de pessoas desenvolve uma série de ações sustentáveis, surgindo, assim, o Ipoema - Instituto de Permacultura: Organização, Ecovilas e Meio Ambiente. Considerada o berço do Ipoema, a Chácara Asa Branca – também chamada de Centro de Permacultura Asa Branca – é um espaço desenvolvido para o tratamento das águas, a produção de alimentos e outras atividades e processos para a geração de sustentabilidade. Tudo começou através de um projeto pessoal de Cláudio Jacintho. Aos 34 anos, ele é Engenheiro Florestal,

Mestre em Desenvolvimento Sustentável e professor de Permacultura da Universidade de Brasília (Unb). “A chácara Asa Branca é minha casa, é o meu projeto de aplicação concreta da permacultura em minha vida. Lá está construída a minha casa e a de um irmão. O Instituto é uma associação de pessoas, ele não é um local, nem proprietário de chácaras. Todo o trabalho do Ipoema começou a partir do Trabalho do Centro de Permacultura Asa Branca”, explicou Jacintho. Além da Chácara Asa Branca, há outros dois locais para as práticas do Ipoema: a Chácara Santa Rita, na região do Paranoá, considerada o Centro de Convivência, onde são realizadas atividades de educação ambiental, organização social, vivências de integração comunitária e gestão participativa; e o Sítio Semente, a 40 km do centro de Brasíllia, é uma das

estações permaculturais do Ipoema e produz alimentos de forma ecológica e recupera áreas degradadas. O excedente de produção é levado para uma feira de pequenos produtores agroflorestais na capital. Atualmente, o Instituto é constituído por seis sócios atuantes, que desenvolvem os projetos e recebem visitantes de várias partes do país e do mundo, entre estudantes, pesquisadores e pessoas que desejam aprender técnicas para uma vida mais sustentável. O Ipoema nasceu oficialmente em março de 2005, entretanto, sua ideia surgiu ainda em 2001. “Já tinha dois anos de trabalho na Chácara Asa Branca e tudo surgiu quando eu percebi que poderíamos levar para o mundo tudo aquilo que estávamos desenvolvendo para nós mesmos na Asa Branca. E que isso seria a nossa mais promissora forma de atuação social”, explicou Jacintho.


Permacultura

Cláudio Jacintho - idealizador e gestor do projeto

Foto: Divulgação/Centro de Permacultura Asa Branca

A permacultura surgiu no final da década de 1970, e consiste, basicamente, na utilização de práticas sustentáveis aliada aos modernos co-

nhecimentos de áreas, como ciências agrárias, engenharias, arquitetura e ciências sociais. De um modo prático, a permacultura utiliza técnicas simples para atender às necessidades básicas das pessoas preservando a natureza e evitando o desperdício. “Comecei minha busca pela vida sustentável aos 20 anos, quando percebi que, além de muita injustiça social, havia também uma grande injustiça com a vida no planeta e compreendi que no fundo é uma só questão: a social e a ambiental”, contou Cláudio Jacintho. A própria Chácara Asa Branca é um completo exemplo dessa vivência, utilizando-se técnicas de Bioconstrução: é feita de barro, toda a água vem

Crianças também visitam o chácara e aprendem a lidar com a natureza

da captação da chuva, o lixo orgânico é transformado em adubo e o vaso sanitário é seco (utiliza-se a técnica da “compostagem” feita com serragem). Além disso, os vidros das janelas ajudam na iluminação e no consumo de energia, as garrafas pet ajudam na identificação das espécies de plantas e o telhado é verde, mantendo, assim, a temperatura e a umidade do ar. O Ipoema oferece aos visitantes mais de 15 tipos de cursos, além de oficinas, palestras, vivências e consultoria em projetos ambientais. “No momento, estamos atuando em um projeto de revitalização da Bacia do São Bartolomeu, aqui no DF, que é uma das principais bacias hidrográficas da região”, disse Jacintho.

Maturidade para simplificar o mundo O conceito de que pessoas que se preocupam com sustentabilidade são consideradas “bicho grilo” está aos poucos tomando um novo sentido ante aos atuais problemas enfrentados pelo consumo desenfreado e a escassez de itens básicos de sobrevivência. Mas ainda é necessário muita mudança e conscientização do papel de cada indivíduo na sociedade. Casado e pai de dois filhos, Cláudio Jacintho se preocupa com o meio em que vive e com a necessidade de mudança na mentalidade das pessoas em relação à natureza. “Ainda existem algumas preconcei-

tos com relação à permacultura, nada específico conosco. No meio ambientalista somos extremamente bem vistos e referenciados. Falta absolutamente tudo, uma mudança total e irrestrita da mentalidade de todos os nichos da sociedade. Do ponto de vista da educação de meus filhos, eles são super receptivos ao meu trabalho e à minha conduta pessoal. Entretanto, o máximo que podemos fazer por hora é escolher a melhor escola à nossa volta, que tenha valores e propostas próximo do que acreditamos. No dia a dia, a melhor forma de educação familiar é ser exemplo ”, afirma.

A Chácara Asa Branca está aberta a visitação. Para saber as datas dos cursos oferecidos, basta entrar em contato através do telefone (61) 9977-7906 (de segunda a sexta, das 9h às 19h) ou através do site: www.ipoema.org.br.


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FDCI na luta contra a corrupção

O diretor da FDCI, Humberto Viana, assinou o termo de parceria entre a Instituição e o Ministério Público

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ma importante parceria foi firmada no último dia 16 de outubro entre a Faculdade de Direito de Cachoeiro de Itapemirim (FDCI) e o Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES). Nela, os estudantes de Direito realizarão ações de conscientização através da campanha nacional “O que você tem a ver com a corrupção?”. O Termo de Cooperação e Ade-

são à campanha foi assinado pelo Diretor da FDCI, Humberto Viana, na Procuradoria-Geral de Justiça. A campanha visa à prevenção de atos de corrupção através da educação e estímulo às denúncias populares. Na prática e por meio de material gráfico custeado por empresas apoiadoras, os estudantes realizarão várias ações em escolas do Ensino Fundamental e Médio de Cachoeiro de Itapemi-

rim, além de clubes de serviço e Maçonaria. Serão discutidos assuntos, como noções de cidadania, a importância do voto e o combate à corrupção. “O que você tem a ver com a corrupção?” é uma campanha nacional em vigor desde 2008 e coordenada pelo Ministério Público. O Espírito Santo aderiu ao projeto em 2009, tendo como coordenador o Procurador de Justiça Sérgio Dario Machado.


Tudo se transforma, mesmo no setor de rochas Associação Ambiental Monte Líbano reaproveita resíduos de mármore e granito para a fabricação de blocos, e ainda prepara pesquisa que promete revolucionar o setor

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por Sara Moreira constante preocupação dos setores ambientais em relação a empresas que utilizam matérias-primas da natureza

em larga escala também é sentida em um importante segmento empresarial: o de Rochas Ornamentais. Segundo dados do Centro Brasileiro de Exportadores de Rochas Ornamentais (Centro Rochas), no ano pas-

sado, o Brasil exportou o equivalente a US$ 999,6 milhões em rochas – um crescimento de 4,22% em relação a 2010. Somente o Espírito Santo foi responsável pela exportação de US$ 708,5 milhões, crescimento de 3,71%.


Foto: Felipe Carreiro

Dentro da realidade capixaba, Cachoeiro de Itapemirim destaca-se como o maior polo de beneficiamento de rochas das Américas, e o segundo maior no mundo. Números importantes e grandiosos, assim como a quantidade de resíduos que sobram todos os dias da lapidação dessas preciosas pedras. A preocupação ambiental que gira em torno dessa realidade fez com que uma associação em Cachoeiro de Itapemirim arregaçasse as mangas e começasse a agir. Hoje, a Associação Ambiental Monte Líbano (AAMOL) é uma referência no Estado nesse aspecto: a partir da chamada lama abrasiva – feita com resíduos de rochas ornamentais provenientes das empresas – blocos de concreto são produzidos e vendidos ao setor da construção civil. Fundada em 2006 e localizada na Rodovia do Contorno, a AAMOL é um local destinado ao tratamento, depósito e a reutilização proveniente do beneficiamento primário e secundário das rochas ornamentais. Foi criada em razão de um protocolo de intenções firmado entre o Governo do Estado, o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema),

a Prefeitura Municipal de Cachoeiro de Itapemirim, o Sindicato da Indústria de Extração de Beneficiamento de Mármores, Granitos Ornamentais, Cal e Calcário do Espírito Santo (Sindirochas) e o Centro Tecnológico do Mármore e Granito (Cetemag). O protocolo teve como meta solucionar a destinação dos resíduos industriais. Atualmente, 75 empresas do setor estão associadas e levam os rejeitos até a sede da associação para o processo. A AAMOL também defende os interesses e promove a integração dos associados com os órgãos governamentais, além de implantar ações para que essas empresas estejam dentro das normais sustentáveis. E não para por aí: além da área da sede da AAMOL servir como aterro para os resíduos ainda não reaproveitáveis, o entorno do local está sendo preparado para um grande reflorestamento. Mas a grande novidade também está a caminho: em parceria com Universidades e pesquisadores, a Associação está prestes a colocar em prática uma fábrica de argamassa produzida com os mesmos resíduos de rochas – algo inédito no país.

Foto: Felipe Carreiro

Lama abrasiva

Leonel Gonçalves é Sócio-Administrador da fábrica terceirizada de blocos. Já ganhou prêmio por contribuir na ressocialização de detentos

“Sou apaixonado pelo que faço. Larguei um emprego que tinha para me dedicar à associação”, afirmou Fabrício Rocha, Diretor Executivo da AAMOL. Ele mostra com orgulho as instalações da área, que fica às margens da Rodovia do Contorno, na localidade de Monte Líbano, em Cachoeiro de Itapemirim. A rotina é a seguinte: caminhões das empresas associadas chegam todos os dias à sede da AAMOL levando os resíduos que sobram da produção das rochas. Eles passam por uma série de vistorias de peso e documentação do veículo, recebem um ticket de identificação e assinam um livro que registra a entrada. Segundo dados da associação, as empresas entregam cerca de 15 mil toneladas de resíduos por mês. Parte desse material ainda não aproveitável é compactada e aterrada conforme as normas ambientais e a outra parte é destinada à produção da lama abrasiva, matéria-prima para a fabricação dos blocos de concreto. “Tivemos essa iniciativa porque queremos mostrar que têm como esses resíduos serem reutilizados. Que-

remos encontrar soluções para o setor. A diferença da lama produzida aqui é a qualidade. Foi desenvolvida em parceria com a Ufes e atende todas às normas técnicas. A lama proporciona o mesmo acabamento e a mesma resistência”, afirmou Fabrício Rocha. Uma fábrica foi montada na sede da AAMOL para a produção em larga escala. Cerca de 60 mil blocos de concreto são produzidos por mês e comercializados para construtoras do Espírito Santo e Rio de Janeiro. “É um trabalho que tem um mercado cada vez mais crescente e, além do mais, contribui para o meio ambiente e para a área social”, explicou Leonel Gonçalves, Sócio-Administrador da Estrutural Sul Capixaba de Engenharia, empresa contratada para a fabricação dos blocos. A mão de obra utilizada na fábrica é a prisional: vários detentos já passaram pela fábrica, o que já rendeu a Leonel o prêmio “Ressocialização pelo Trabalho” do Governo do Estado. Além dos blocos, a empresa adquiriu recentemente um novo equipamento para a produção de meio fio e pavimentos intertravados.


Foto: Divulgção

Pesquisa inédita Dentro de cinco meses, o resultado de uma pesquisa promete revolucionar o setor: a produção de uma argamassa feita com a lama abrasiva dos resíduos das rochas ornamentais. Em parceria com o Instituto Capixaba de Gestão (IGC) e a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), além de uma equipe formada por técnicos e pesquisadores e a colaboração da Universidade Estadual Norte Fluminense (Uenf), uma pesquisa está sendo desenvolvida para tornar o projeto realidade. “Dentro de cinco meses, a equipe nos dará o resultado da viabilidade técnica, comercial e econômica para a produção da argamassa.

O risco é totalmente calculado, pois garantimos em torno de 90% de acerto”, explicou Rocha. Existem experiências semelhantes no país, mas o diferencial é que tornará a argamassa inédita, até mesmo no mundo. “A diferença da nossa argamassa é que ela é composta por todo tipo de resíduo, até mesmo de polimento, que é complicado por conter partículas de ferro e cal. Além disso, utilizaremos ainda mais resíduos, em torno de 50%, diminuindo a quantidade aterrada”, disse o Diretor Executivo. Os investimentos giram em torno de R$ 4 milhões, sendo que o projeto completo deve durar cerca de 21 meses.

Da floresta à sala de aula

AAMOL na sala de aula

Além da produção dos blocos e dos estudos para a fabricação da argamassa, a AAMOL também realiza outros três projetos: de educação ambiental, de reflorestamento e de reaproveitamento de água. O chamado “AAMOL na sala de aula” tem parceria com nove escolas municipais de Cachoeiro de Itapemi-

rim, incluindo a Escola Família Agrícola do distrito de Pacotuba. O projeto também é uma parceria entre o Governo do Estado por meio do Iema, da Secretaria Municipal de Educação de Cachoeiro e do Centro Universitário São Camilo. “É um projeto de sensibilização dos estudantes para eles conhecerem

a realidade dos impactos causados ao meio ambiente pela extração de rochas e as soluções encontradas para diminuir essa realidade. Os alunos também visitam a Floresta Nacional de Pacotuba para poderem comparar de perto esses impactos”, afirmou Fabrício Rocha. Em parceria entre o Iema e a Ufes, a associação também está colocando em prática o projeto de reflorestamento do entorno, uma área de 7,5 hectares. Serão plantadas 200 mil mudas de cerca de 60 espécies nativas, para, em consequência, estruturar um viveiro. Uma parte será nucleada e servirá para o pouso de animais; desse modo, a área será ainda mais reflorestada, mas de forma natural. A área está sendo demarcada e o reflorestamento será totalmente concluído até o fim de 2014. O Centro de Tratatamento de Resíduos da AAMOL também faz o reaproveitamento da água que sai do beneficiamento das rochas ornamentais. A água renovada é aproveitada na produção, gerando economia para as empresas associadas.


LéO ALVES

Graduando em Jornalismo, diretor, escritor e representante do Grupo Cultural ETC

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Teatro de bolso!

om apenas 120 lugares, o Teatro Neném Paiva, em Muqui, já se tornou o coração de mãe da cidade menina e será um dos palcos principais para o 1º Festival de Tv e Cinema Independente de Muqui (FECIM). Para alguns ele é uma grande conquista para a cultura de Muqui, mas para outros ele ainda nem existe. A existência do Teatro Neném Paiva, que foi construído no Prédio da Escola de Música Manoel vicente de Castro em Muqui, tem suscitado reflexões importantes quanto à sua utilização. O panorama atual é desolador. Não se trata de uma má gestão. Trata-se de uma gestão que nem sequer existe. A Escola de Música Manoel vicente de Castro, representada por Osvaldo de Oliveira tem mantido esforços magníficos no intuito de não deixar o prédio parado, mas questões ainda mais complexas fazem com que o Teatro ainda não tenha uma vida cultural 100% ativa. A começar pela falta de manutenção do prédio, que, a princípio, deveria ser feito pela Prefeitura Municipal de Muqui. No ano de 2011 o Grupo Cultural ETC, coletivo de jovens realizadores de Muqui, conquistou uma sala no prédio, no intuito de realizar reuniões e oficinas audiovisuais, mas a história de conquistas não é recente. A Escola de Música, através de seus representantes, foi uma das instituições que mais batalharam pelo espaço. Contudo, a ausência de políticas sistemáticas de apoio e manutenção entristecem a comunidade, principalmente àqueles que, de uma forma ou de outra, utilizam o espaço para suas atividades. Outras pessoas e entidades também se destacam na luta pelo Teatro, como é o caso de Cláudia Puget, que nos primeiros anos da construção chegou a realizar sarais culturais no intuito de movimentar o local. No período, o Teatro ainda não possuía os assentos e Puget desenvolveu uma estratégia de que cada pessoa levasse uma cadeira plástica para assistir às

apresentações. O Teatro Neném Paiva localiza-se no térreo do prédio da Escola de Música e foi construído com recursos da Secretaria de Cultura Estadual. A estrutura tem ótimas condições e grande parte ainda consegue ser mantida graças ao esforço dos representantes da Escola. No andar superior, localizam-se algumas salas para uso do teatro e da Escola de Música. No entanto, elas estão inutilizáveis, dada a dificuldade de contratação de professores para ministrar as aulas. vale ressaltar aqui que a Escola de Música é uma instituição que necessita de apoios para se sustentar. Considerado ainda recente no cenário muquiense, o Teatro Neném Paiva vem ganhando destaque e conhecimento do público. Antes mesmo

de 2011, poucos habitantes conheciam o local ou acompanharam espetáculos e apresentações musicais. Pequeno e apelidado de “Teatro de Bolso”, o Neném Paiva vem ganhando o gás que merece através de práticas dos jovens da cidade, que, sob dificuldades e sem esperar grandioso apoio, vêm ocupando o espaço com atividades culturais de teatro e cinema. Além disso, o projeto de Circulação Cultural da Secretaria de Cultura do ES tem cumprido um papel importante ao trazer e incluir a cidade na rota de apresentações musicais e teatrais. A estrada de conquistas ainda é longa, mas a Escola de Música, juntamente com os jovens da cidade, podem e devem continuar batalhando pela valorização, manutenção e uso do espaço.

“Pequeno e apelidado de “Teatro de Bolso”, o Neném Paiva vem ganhando o gás que merece através de práticas dos jovens da cidade, que, sob dificuldades e sem esperar grandioso apoio, vêm ocupando o espaço com atividades culturais de teatro e cinema”


WILLIAN DA ROCHA SOUZA

Aluno do sexto período do Curso de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da Universidade Vila Velha, onde também é estagiário do laboratório

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Alarde dos Minerais cada pela revista New Scientist, mostrou que a principal causa do alarde foi à popularização dos eletrônicos, uma vez que uma grande parte dos minerais em risco é utilizada na indústria dos eletrônicos. Outros elementos

estão sendo estudados para substituir os que irão exaurir. Boas alternativas provavelmente aparecerão, mas vale à pena pensar na reciclagem de componentes eletrônicos e no consumo sem necessidade.

Minerais que correm risco de exaurir e com isso mudará substancialmente sua rotina: Platina

Extinção em 2049 Consumo 0,02 g Por não reagir diante de outros elementos, é empregada em materiais cirúrgicos. Está presente na liga metálica usada nos piercings

Prata

Extinção em 2016 Consumo 3 g Foi usada na fabricação de espelhos e talheres, mas sua boa condutibilidade elétrica tornou seu uso comum em placas eletrônicas, como as que fazem a televisão funcionar

Cobre

Extinção em 2027 Consumo 2,3 kg Maleável e resistente, pode ser moldado de diversas formas e é usado em fios e cabos assim como em dutos de ar-condicionado

Antimônio

Extinção em 2020 Consumo 19 g Misturado a outros materiais, como o plástico, os torna mais duros e resistentes, impedindo que seu controle remoto, por exemplo, quebre quando cai no chão

Lítio

Extinção em 2053 Consumo 3,5 g Um dos metais mais leves da natureza, tem grande capacidade de estocar energia em pouco espaço. É bastante usado em baterias de celulares, laptops e videogames

Chumbo

Extinção em 2015 Consumo 585 g É usado em baterias de carros e caminhões, mas também está presente em soldas e rolamentos, como o do seu skate

Fósforo

Extinção em 2149 Consumo 25 kg Formado do depósito de sedimentos de plantas e animais mortos ao longo do tempo, é um mineral rico em nutrientes, usado em fertilizantes agrícolas

Urânio

Extinção em 2026 Consumo sem dados A fissão de seu núcleo alimenta usinas capazes de gerar muita energia. Também é o principal componente de bombas nucleares

Índio

Extinção em 2020 Consumo 0,08 g Excelente condutor de eletricidade e, ao mesmo tempo, transparente, é usado em telas de touchscreen de smartphones e tablets Um possível substituto ao índio já está em estudo: uma folha de grafite de espessura extremamente fina, chamada grafeno

Tantalo

Extinção em 2027 Consumo 0,09 g Por sua capacidade de elevar o índice de refração da luz no vidro, é bastante utilizado nas lentes de câmeras fotográficas

Zinco

Extinção em 2041 Consumo 1,7 kg Como não reage em contato com ar e água, é usado para cobrir ligas metálicas, impedindo que a ferrugem destrua objetos como as moedas

Ouro

Extinção em 2043 Consumo 0,35 g Além de ser um metal precioso e dar vida a joias lindas, é um excelente condutor de eletricidade e por isso está presente em microships de computadores

Níquel

Extinção em 2064 Consumo 221 g Bom condutor de eletricidade e resistente ao calor, também retarda a corrosão. É usado em ligas metálicas de revestimento, de eletrônicos, como os celulares

Estanho

Extinção em 2024 Consumo 37 g Evita reações químicas de corrosão e por isso é empregado no revestimento de ligas metálicas, como as usadas nas latinhas de refrigerante

Fontes Critical Metals for Future Sustainable Technologies and Their Recycling Potential, estudo do Öko-Institut para Unep - Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (2009); Mineral Resource Program: Mineral Commodity Summary 2011, da US Geological Survey; Mineral Information Institute, Population Reference Bureau; revista New Scientist.

OUTUBRO/2012

crescimento insano e desordenado tem por muitos anos alarmando pessoas, sobretudo engenheiros. A cada ano o consumo aumenta e com isso os recursos minerais, os quais sustentam a população, um dia acabará, e você leitor estará em apuros. Mineral se trata de um corpo natural sólido e cristalino de origem orgânicas ou inorgânicas, que depois de “trabalhados” se tornam fundamentais para a humanidade. Todos necessitam desses recursos. Os minerais estão presentes desde o nosso alimento, nos carros, nas aeronaves, nos navios, etc. Nos alimentos temos presença de ferro, zinco os quais são essenciais para a vida. No carro em que andamos também temos o ferro. As demandas sociais, industriais, tecnológicas e em tudo que se pode imaginar ou enxergar depende diretamente de minerais. Se você usa óculos, aí está um mineral; se utiliza computador, aí está um mineral. Sua presença é tão elementar que comparações e exemplos seriam infinitos. Os recursos minerais não são renováveis, se trata de recursos que um dia irão se exaurir. Preocupadas com isso, muitas empresas têm feito gestão ambiental aplicada e responsável. O uso dos minerais é cada vez mais crescente. É difícil definir o exato momento que estes recursos vão deixar de existir, uma vez que nem todas as reservas ainda foram descobertas, porem as previsões são alarmantes. De acordo com os cientistas Armin Keller e Tom Graedel alguns minerais existentes no dia a dia podem deixar de existir em alguns anos. Armin e Tom realizaram uma pesquisa em 2007, eles examinaram os documentos da United States Geological Survey (USGS) (em português, "Pesquisa Geológica dos Estados Unidos da América") é uma instituição científica do governo americano responsável por pesquisas geológicas, o consumo anual e os recursos ainda disponíveis. A pesquisa, publi-

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MORTALIDADE POR AVC CAI 32% EM DEZ ANOS

CONCURSO PARA O IBAMA

Redução foi verificada na faixa etária até 70 anos Os brasileiros de até 70 anos apresentam uma taxa de mortalidade por Acidente vascular Cerebral (AvC) 32% menor nos últimos dez anos: de 27,3 para 18,4 mortes para cada 100 mil habitantes, segundo o Ministério da Saúde. No Brasil, a doença está entre as principais causas de morte. “A incorporação de novo medicamento e estruturação dos serviços são medidas que buscam reduzir a mortalidade e as sequelas”, afirma o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que apresentou esses números durante o vIII Congresso Mundial de AvC, na quarta-feira (10).

74 ANOS DA SELITA

Agentes do Ibama em atividade na Amazônia

O Ibama assinou contrato com o Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (Cespe/UnB) para que esta seja a instituição realizadora do Concurso Público para preenchimento de 108 cargos de Analista Ambiental, de nível superior, da carreira de Especialista em Meio Ambiente, estatutário, subordinada ao Regime Jurídico Único da Lei nº 8.112/90. Trata-se do quarto Concurso Público do Ibama para este cargo, sendo que os anteriores ocorreram nos anos de 2002, 2005 e 2008. Para participar da seleção, os candidatos devem ter diploma de conclusão de graduação de ensino superior, em qualquer área, obviamente reconhecido pelo Ministério da Educação. O prazo para publicação do edital de abertura deste concurso é até 29 de outubro. quaisquer dúvidas ou esclarecimentos adicionais exclusivamente pelo e-mail: concurso@ibama.gov.br.

Em 1938 reunia-se pela primeira vez um grupo de 25 produtores de leite do sul do ES com a finalidade de se unir e fundar a primeira cooperativa da região. Precisamente no dia 22 de outubro do mesmo ano oficializou-se a criação da Selita, que hoje é a maior cooperativa de laticínios do Estado. Ao completar 74 anos de existência, a Selita tem quase 2 mil cooperados e cerca de 450 funcionários, beneficiando uma média de 300 mil litros de leite por dia, vindos de municípios que compõem a bacia leiteira do Sul do Espírito Santo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, por meio de uma comprovação irrefutável que o cooperativismo é o melhor caminho. Só para se ter uma pequena ideia da importância da Selita, se ela não existisse, centenas de pequenos produtores não teriam para onde enviar suas produções, principalmente na atual conjuntura em que se valoriza somente os grandes.

DIA DA ELEIÇÃO EM MIMOSO DO SUL, EXEMPLO DE ORGANIZAÇÃO E LIMPEZA Exatamente no dia das eleições municipais, nossa equipe esteve em diversos municípios do sul do ES. Infelizmente em quase todas as cidades, as ruas estavam mergulhadas em sujeiras por causa dos chamados “santinhos”. Muitos candidatos acharam e acham que podem conseguir votos cometendo crime ambiental, ao lançar uma enorme papelada sem sentido pelas ruas. A exceção foi em Mimoso do Sul. De acordo com os moradores, nunca ocorreu no município uma eleição tão tranquila e com ruas tão limpas. Nossa equipe parabeniza o Juiz da 5ª Zona Eleitoral, Dr José Alvanir Rezende e o trabalho do dinâmico Promotor de Justiça, Dr. José Rodrigo da Silva, pela excepcional eleição de Mimoso do Sul.


TRANSPORTADORAS JOLIVAN E PAGANINI INVESTEM EM PREVENÇÃO DE ACIDENTES

As Transportadoras Jolivan e a Paganini lançaram, no último dia 19 de outubro, a campanha de incentivo à prevenção de acidentes para seus motoristas, chamada de “Motorista Prudente, Carro de Presente”. O motorista que não teve registro de sinistros durante um período estipulado concorreu a um carro popular. Esta é uma maneira de reconhecer seus motoristas que mesmo convivendo com tantos riscos em suas viagens pelas estradas de nosso país, agem de forma prudente, conduzindo seu veículo de modo seguro para si e para todos. As empresas também vêm dando bons exemplos de investimento em meio ambiente, buscando sempre a sustentabilidade dentro de suas áreas de atuações. A Jolivan mantém, em Iconha, uma belíssima área de preservação da Mata Atlântica, cujo nome é orgulhosamente batizada de Deolindo Papagini.

CONVÊNIOS, PARCERIAS E REPASSES DO GOVERNO FEDERAL SOMAM R$ 7,2 BILHÕES ENTRE JANEIRO E SETEMBRO DE 2012 Municípios recebem 76% das transferências O governo federal investiu R$ 7,2 bilhões, entre janeiro e setembro de 2012, na execução de programas e projetos feitos em parceria com entes da federação e entidades públicas ou privadas sem fins lucrativos. A maior parte (76%) das transferências voluntárias da União foi realizada para órgãos da administração pública municipal e 13% para entidades privadas sem fins lucrativos.

Nordeste tem maior valor de repasse A região Nordeste apresentou o maior valor de repasse, com cerca de R$ 3 bilhões, e também o maior montante empenhado (R$ 2,1 bilhões – 38%) e valor executado (R$ 649 milhões – 43%). De janeiro a setembro de 2012, as regiões Nordeste, Sudeste e Sul concentraram 84% das transferências voluntárias.

INSTITUIÇÕES FILANTRÓPICAS COMEMORAM CONTINUIDADE DE CAMILO COLA

Primeiro suplente na coligação PMDB/PT/PSB, o deputado federal Camilo Cola (PMDB), de Cachoeiro de Itapemirim, foi beneficiado pela vitória do candidato a prefeito da Serra Audifax Barcelos (PSB) e vai ganhar mais dois anos de mandato na Câmara Federal. quem mais comemorou a continuidade do Deputado foi as instituições filantrópicas da região sul do ES, já que Camilo Cola vem beneficiando com recursos, por meio de suas emendas do governo federal, toda nossa região sul. Aos 89 anos o Deputado comemora duplamente sua permanência em Brasília e a vitória de Carlos Casteglione à prefeitura de Cachoeiro, o qual deu amplo apoio. O deputado e empresário, por sua extraordinária história de vida, é um ícone nacional.

Somente pelo bem do município Em Cachoeiro de Itapemirim, que tem o maior volume de eleitores, sendo também o maior pólo comercial e industrial da região, venceu o candidato do PT, Carlos Casteglione (51,79% dos votos) que contou com o empenho pessoal do Deputado Federal e empresário Camilo Cola (PMDB), que aos 89 anos caminhou a pé pela cidade num corpo a corpo surpreendente. Ao contrário do grupo de Glauber Coelho (PR - 48,21% dos votos), Camilo Cola não tem rejeição e é admirado principalmente por jovens. “Não quero secretarias, torço para que melhore a renda per capita de Cachoeiro por meio de uma administração séria, competente e que tenha assessores técnicos", salienta o Deputado Camilo Cola, que recentemente fez um dos discursos mais contundes de sua vida do plenário da Câmara em Brasília.


GUANADIR GONÇALVES

Engenheiro Florestal, Analista Ambiental e Superintendente do Ibama-ES

Um exemplo a não ser seguido

Ruas sujas de santinhos com fotos e nomes de candidatos - um fato vergonhoso

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este mês os eleitores brasileiros cumpriram novamente seu dever cívico e manifestaram seu desejo a partir de um ato simples e de importância ímpar: o voto. Foram muitos os dias para análise dos candidatos, propostas, partidos, coligações, enfim, qual seria a pessoa indicada por cada um dos eleitores para fazer valer os seus direitos nos poderes Executivo e Legislativo municipal. É sabido que muitos

brasileiros ainda não se aprofundaram nas reais atribuições dos cargos para os quais estão escolhendo um concorrente. Contudo, estamos em processo de evolutivo de mudanças de paradigmas. Imagine bem se o eleitor, que é aquele que escolhe quem vai o representar, soubesse quais são as responsabilidades dos vereadores e prefeitos. Certamente o número de candidatos reduziria, já que muitos não teriam coragem para ingressar

com a candidatura. Por outro lado, o acompanhamento efetivo das atribuições no cumprimento do mandato separaria aqueles que, efetivamente, têm qualidades para uma nova oportunidade. Os eleitores seriam, com uma analogia singela e purista, os representantes dos Ministros do Supremo Tribunal Federal e de outros tribunais espalhados por este Brasil. Práticas das mais bizarras para a conquista do cobiçado voto seriam abolidas definitivamente já que ain-


da correm boatos de que existem ações como doação de dentaduras (só a parte de baixo), de um pé de sapato, uma parte de determinada nota – os complementos só após a confirmação do candidato no pleito - estejam em desuso neste país. Por outro lado, as ofensas (físicas ou não) já não têm tanta importância na contabilidade dos votos. Ser agressivo e “brabo” não combinam com atuais estratégias de marketing. O eleitor, com mais meios para pesquisa e acesso à informação, está buscando candidatos mais qualificados. Isto, aliado a muitos outros fatores, com destaque para o uso do voto eletrônico, tornam a eleição do Brasil um exemplo a ser seguido no mundo todo. Há quantos não sabemos de uma reclamação minimamente consubstanciada de que um determinado candidato foi lesado, de que houve um erro grave em determinada seção, enfim, algo que tenha bases para macular o processo eleitoral. O Brasil está de parabéns. Mas, há hábitos que merecem atenção dos candidatos. Cada vez que a justiça tenta impedir que eles despejem lixo (antes era nos postes, muros, enfim, colocados em todo lugar) há algum criativo que inventa como burlar. Nesta eleição foram os cavaletes com fotos dos candidatos dos dois lados. Além disto, tivemos também os banners, letreiros eletrônicos, enfim, uma inominada onda de criatividade para que o eleitor visse o número de determinado candidato. A continuar com a estratégia, em poucas eleições não teremos mais o rosto dos candidatos. Serão apenas os números com aquela velha frase: vote neste número. Relembrando isto, alguém já viu um grande outdoor com as propostas de determinado candidato? Bom, depois de passado todo período de propaganda, os eleitores vão às urnas. Aí é que encontramos contradição em parte do que foi falado, já que em todas as propostas,

de governo ou legislativa, o candidato apresenta ações para um tema de suma importância: O MEIO AMBIENTE. Não há qualquer candidato que pense em fazer propostas sem que insira uma parte significativa da área ambiental em seu programa. Mas, ao caminhar pelas ruas e che“(...) Em todas as propostas, de governo ou legislativa, o candidato apresenta ações para um tema de suma importância: O MEIO AMBIENTE. Não há qualquer candidato que pense em fazer propostas sem que insira uma parte significativa da área ambiental em seu programa. Mas, ao caminhar pelas ruas e chegar ao local de votação passamos por um “mar” de papeis com as propagandas jogadas ao chão”. gar ao local de votação passamos por um “mar” de papeis com as propagandas jogadas ao chão. Aí nos perguntamos: será que estes candi-

datos têm realmente alguma preocupação alicerçada com a questão ambiental? Será que eles vão , efetivamente, fazer suas gestões pensando no equilíbrio entre os aspectos econômico, social e ambiental? Será que o recurso financeiro utilizado para aquela gastança (os papeis jogados ao chão são uma pequena amostra) foram de fonte lícita? Será que ele – o candidato – pensa que para limpar toda aquela sujeira será gasto recurso público? Enfim, há algum ganho efetivo para aquela agressão ao meio ambiente: os eleitores quando estiverem na reta final já estão com suas convicções formadas e todo aquele desperdício de recurso poderia ser evitado. Penso que um dia os candidatos conseguirão medir as consequências dos seus atos e os eleitores se fundamentarão na hora de avalizar a contratação de um servidor público – o político - , antes de apertar CONFIRMA.


Wéliton Róger Altoé

Advogado e Sócio Proprietário na Empresa Altoé Advocare Advogados Associados

Oportunidades e Ameaças

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euni minha equipe, Matriz e Filial, para discutirmos o planejamento estratégico da nossa empresa (Altoé Advocare). O bom advogado é necessariamente bom em estratégia. É necessário, entretanto, que use a estratégia no seu negócio e no negócio do seu cliente. Eis o motivo central da nossa reunião: convergir as estratégias dos inúmeros Advogados presentes em uma só direção. O tema escolhido foi o nosso "Crescimento". Poderíamos crescer de diversas maneiras, mas o objetivo principal era evitar o "crescer por crescer". Cresceremos sempre, mas com cuidado, como parte de uma boa estratégia, e acompanhados do propósito, missão, visão e valores da nossa empresa. Ou seja, acompanhados pela ética, honestidade, e melhor qualidade de vida dos colaboradores. Nos reunimos em um maravilhoso espaço cedido por um de nossos clientes, para analisar nossas forças, fraquezas, oportunidades e ameaças. Para os planejadores e estrategistas que nos leem, passamos o dia montando, avaliando e estudando nossa matriz FOFA, com a finalidade de elaborarmos o plano de ação para o crescimento. E nesse planejamento detectamos uma "oportunidade" fantástica: o empresário desconhece a importância da assessoria jurídica para o crescimento da sua empresa. Detectamos que não temos mais clientes pessoas jurídicas, ou não somos mais valorizados pelos clientes empresariais, porque os empresários, em sua maioria, não conhecem a importância da assessoria jurídica para o desenvolvimento empresarial. Surgiu, então, a necessidade de transformar essa realidade, "fazer do limão uma li-

monada", transformar uma ameaça em oportunidade. E esse assunto veio a calhar. Assumi um compromisso pessoal de "dar um tempo" nos textos contestadores, provocantes e apimentados, com abordagem legal e política. O tema do planejamento caiu como uma luva. Uma pesquisa da OAB/GO, para a cidade de Goiânia, nos auxiliou. Segundo ela, entre as Empresas de Pequeno Porte o índice das que possuem assessoria jurídica é de 73%; nas Empresas de Médio Porte esse percentual sobe para 96%; e alcança 100% nas Empresas de Grande Porte. No nosso Estado, o percentual é muito menor, para não dizer infinitamente menor. Isso é ruim? Não. Pelo menos na visão dos membros da minha empresa. Para nós, isso significa uma oportunidade, “A contratação de uma assessoria jurídica, além de ser mais eficaz, é menos onerosa do que a contratação de Advogados avulsos e “departamentos jurídicos internos”, confere maior segurança aos negócios, e gera melhores resultados, auxiliando no planejamento estratégico”. ou seja, há um grande mercado a ser cultivado, pois será obrigatório para as empresas que desejam crescer, contratar uma assessoria jurídica como parte do seu planejamento. Contudo, é necessário que mudemos esse cenário. Temos que mostrar para o empresário que a contratação de uma assessoria jurídica não é um custo, mas sim um investimento. Não existem dúvidas que, nos tempos atuais, uma empresa só sobreviverá e crescerá se sua administração for pautada pelo PLANEJAMENTO. Planejar é antecipar decisões, riscos. O mercado atual não perdoa em-

presários que não anteveem os riscos de sua atividade econômica para tomarem as decisões mais adequadas. E aí está a importância da Assessoria Jurídica: auxiliar na antecipação dos riscos e, por via de consequência, no planejamento empresarial. É necessário que o empresário conheça o real papel de uma assessoria jurídica no planejamento empresarial. Atualmente, só se procuram advogados após ter uma demanda em tramitação no Poder Judiciário, o que impossibilita a antecipação dos riscos. Após instaurada uma ação judicial, um advogado tributarista cobra, em média, 20% do valor do auto de infração para fazer uma defesa tributária. O trabalhista, por sua vez, cobra 30% das verbas pleiteadas. Como poderá o empresário antever quando será demandado na Justiça? Aliás, quando o for, certamente, não conseguirá se planejar para tanto. Se já tem uma assessoria jurídica saberá, de antemão, que pagará somente o valor mensal pactuado. O contrato de assessoria teria funcionado, assim, como uma espécie de contrato de seguro. Essa repetida ideia de PLANEJAMENTO está relacionada a outra, muito importante: a de SEGURANÇA. A assessoria jurídica aufere, indiscutivelmente, maior segurança aos negócios praticados pelas empresas. Segurança de que sejam praticados de modo a não acarretar penalidades e prejuízos frente a terceiros. Inúmeros serviços podem ser contratados. Desde uma auditoria na sede da empresa, até verificação e a condução de procedimentos legais, analisando suas adequações à lei e fazendo as modificações tendentes a gerar maior lucratividade. Além disso, incluem-se nos serviços de assessoria jurídica a ativi-


dade preventiva (com emissões de pareceres, consultas e auditorias), e a atuação nas seguintes áreas (de acordo com cada contrato): societário; contencioso; fusões e aquisições; recuperação de empresas e falências; constitucional e relações governamentais; financiamentos e direito bancário; regulatório e administrativo; tributário e planejamento fiscal; relações de consumo; direito econômico e da concorrência; direito do trabalho; penal empresarial; propriedade industrial e intelectual; imobiliário; defesa comercial; seguros e resseguros; direito civil e contratos; recuperação de créditos; direitos autorais; família e sucessões; advocacia de escala; no primeiro grau de jurisdição e nos Tribunais, entre outros. Nada, entretanto, chama mais a atenção do empresário do que a segurança conferida aos negócios a serem celebrados, seja na análise e elaboração de contratos ou pela presença físi-

ca do advogado na negociação, para auxiliar o empresário e outorgar maior respeitabilidade na avença. Na mesma toada, sempre que o empresário tiver dúvidas sobre como proceder determinado ato, como, por exemplo, a demissão de um funcionário, poderá consultar a assessoria que irá lhe emi“Planejar é antecipar decisões, riscos. O mercado atual não perdoa empresários que não anteveem os riscos de sua atividade econômica para tomarem as decisões mais adequadas. E aí está a importância da Assessoria Jurídica: auxiliar na antecipação dos riscos e, por via de consequência, no planejamento empresarial”. tir um parecer com as ações corretas a serem tomadas. Tudo a garantir que o empresário evite eventuais multas e demandas judiciais indesejáveis. Por fim, no que tange às empresas de maior porte, há de ser ressaltada a grande vantagem da assesso-

ria externa sobre os “departamentos jurídicos internos”, tanto no aspecto financeiro (custo) quanto nos resultados obtidos. Enfim, planejar-se é imprescindível para o desenvolvimento. Qualquer empresa que não cuidar do seu planejamento está fadada ao fracasso. A contratação de uma assessoria jurídica, além de ser mais eficaz, é menos onerosa do que a contratação de Advogados avulsos e “departamentos jurídicos internos”, confere maior segurança aos negócios, e gera melhores resultados, auxiliando no planejamento estratégico. Por consequência deixar de contratá-la é deixar de planejar-se, deixar de evitar ações judiciais, deixar de economizar tempo e dinheiro, e de antever valores oriundos de obrigações jurídicas. É deixar de celebrar negócios seguros, céleres e lucrativos. Enfim, é deixar de crescer. Atitudes como estas separam os verdadeiros empresários dos impetuosos e aventureiros.


XICO GRAZIANO

Engenheiro Agrônomo, Mestre em Economia Agrária e Doutor em Administração

Alimento sem ideologia: a polêmica entre a FAO e o MST

Área de plantio de feijão, alimento tradicional do povo brasileiro

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colapso do comunismo arrasou a produção agrícola da antiga União Soviética. O campo empobreceu-se e a região passou a importar comida. Passadas duas décadas, ocorreu uma reviravolta. Agora, daquelas terras advêm 15% das exportações globais de grãos alimentícios. E vai melhorar. Sem mágica. O fenômeno econômico contou com o apoio do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (Berd). Países como a Rússia, a Ucrânia e o Casaquistão passaram a receber investimentos de grandes empresas europeias que, prejudicadas com a crise em sua origem, se tornaram ávidas por novos negócios. Acabaram encontrando, não muito distantes, fartas terras de excelente qualidade, ociosas e baratas, com mão de

obra disponível ao lado. Aquecida pela Ásia, a demanda mundial de produtos agrícolas abriu a janela de oportunidade para soerguer o combalido Leste Europeu. Essa revolução produtiva nos territórios desorganizados pelo fracasso comunista mereceu um encontro de negócios, realizado na Turquia, no início de setembro. Dele participaram executivos de empresas particulares e de instituições públicas interessados na dinamização da Europa, como o Berd e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Seus dirigentes, entusiasmados com os resultados verificados na reunião, redigiram um artigo, de enorme repercussão, publicado na edição europeia do Wall Street Journal. No texto, José Graziano da Silva, diretor-geral da FAO, e Suma Chakrabarti, presidente do Berd, destacaram

a importância das “dinâmicas e eficientes empresas privadas que transformaram aqueles países, após o fracasso de suas fazendas coletivas, em gigantescos exportadores de grãos”. Reconheceram a realidade. Disseram mais. Afirmaram os dois altos dirigentes internacionais que “a verdade, simples, é que o mundo precisa de mais comida, e isso significa mais produção”. Tomando como base os resultados positivos verificados no Leste Europeu, a FAO e o Berd recomendaram que os países emergentes da Europa, da Ásia e do Norte da África, como também os do Ocidente, fortaleçam o papel do setor empresarial na segurança alimentar global. Adotando políticas econômicas corretas, os investimentos privados conseguirão, nas palavras deles, “fecundar a terra”, tornando mais fácil a vida para os famintos do mundo. Tudo tão óbvio. Mas a mensagem desagradou profundamente à Via Campesina, organização articulada pelo MST e seus assemelhados mundo afora. Autoproclamados defensores dos camponeses, escreveram uma nota dizendo ter recebido “com indignação e medo” o artigo conjunto do diretor-geral da FAO e do presidente do Berd. E arremataram: “O que a agricultura e o planeta necessitam atualmente é justamente o contrário do que foi proposto pelos senhores Graziano da Silva e Chakrabarti”. Caramba. Qual o motivo da polêmica? A preservação do modo de vida camponês. Acredita a Via Campesina que somente os pequenos produtores rurais – apelidados no Brasil de “agricultores familiares” – sejam capazes de alimentar a humanidade. Argumenta ainda que o avanço da produção capitalista no campo – o chamado “agronegócio” – tem au-


mentado a pobreza no mundo, destruindo a capacidade de emprego, e provocado a crise alimentar das últimas décadas. Só tragédia. Conclusão: apoiar as empresas europeias, em sua expansão para o leste, significa exterminar a agricultura camponesa, promovendo o pior. O assunto ganhou destaque na imprensa nacional pelo fato de o diretor-geral da FAO, o agrônomo brasileiro José Graziano, ser um conhecido petista, dileto amigo, e ex-ministro do Programa Fome Zero, do Lula. Para o MST, ele cometeu uma heresia ideológica, algo como uma capitulação ao grande capital. Em outras palavras, se você é, ou se julga, da “esquerda”, está impedido de reconhecer a vantagem da produção empresarial, integrada e tecnológica, no campo. Precisa continuar amarrado ao passado, louvando os pobres camponeses, mesmo que isso signifique baixa produtividade e vida miserável. Coisa medieval. Age corretamente quem se preocupa com os agricultores familiares. Despreparados, fracos financeiramente, nem sempre eles acompanham o rit-

mo empreendedor das novas tecnologias agrícolas. Acabam ficando para trás no processo de desenvolvimento. Por isso cabe aos governos propiciar condições adequadas de competitividade aos pequenos do campo. No Brasil, graças ao Programa Nacional “Age corretamente quem se preocupa com os agricultores familiares. Despreparados, fracos financeiramente, nem sempre eles acompanham o ritmo empreendedor das novas tecnologias agrícolas. Acabam ficando para trás no processo de desenvolvimento. Por isso cabe aos governos propiciar condições adequadas de competitividade aos pequenos do campo”. de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), lançado no governo de Fernando Henrique Cardoso, grupos importantes de produtores obtiveram, com o tempo, ganhos tecnológicos significativos. Conquistaram, geralmente integrados às grandes cooperativas, vantagens econômicas. Subiram na vida. Comida não tem ideologia. Os es-

tudos da FAO estimam que até 2050 a demanda mundial por alimentos aumentará, no mínimo, 60%, bem acima do crescimento populacional. Será puxado o consumo popular pelo processo de urbanização e pelo ganho de renda das famílias pobres. Sem forte aumento na oferta de alimentos, destacando-se as proteicas carnes, haverá elevação dos preços internacionais da comida. Ocorrerá, por consequência, piora nas restrições alimentares no mundo, que hoje atingem 1 bilhão de pessoas. Cantava Cazuza: “A tua piscina está cheia de ratos/ tuas ideias não correspondem aos fatos”. A contemporaneidade observada nos territórios agrícolas da ex-União Soviética assemelha-se à transformação cultural e produtiva da China. Cuba também não escapa do desiderato. Com sua atrasada ideologia, a Via Campesina/MST condena os agricultores à pobreza. Para destrinchar de vez a polêmica talvez fosse o caso de perguntar aos próprios camponeses russos qual caminho preferem. Alguém duvida da resposta?


Victor Castro

Advogado e servidor público federal

É possível unir Direita e Esquerda?

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esde que as ideologias políticas passaram a ganhar um contorno de tecnologias de gestão, opondo direita e esquerda em projetos distintos de engenharia social, passaram a distinguir-se entre si também os alvos de cada um dos lados. A direita se pretendia defensora das liberdades individuais que considerava, em cada época, prioritárias – primeiro, a propriedade privada, a intimidade e a família, depois também as liberdades civis e políticas -, tendo como seu alvo principal as autoridades estatais que ameaçam/ameaçavam esses direitos; a esquerda, por sua vez, opunha-se/opõe-se à opressão causada pela desigualdade econômica, tendo como alvo de seus levantes a burguesia e o mercado. O diabo em toda essa história (ou História) é que os líderes políticos e governantes que se alternaram nos últimos 200 anos, sempre opuseram essas agendas como se excludentes e incompatíveis fossem, não havendo possibilidade de complementaridade. Líderes de esquerda buscavam combater a desigualdade econômica com medidas de restrição ao direito de propriedade e com a perda do livre arbítrio e das noções de intimidade/ privacidade no âmbito privado do indivíduo. Líderes de direita buscavam defender esses direitos ignorando os fatores de desigualdade que alçavam ao poder os líderes de esquerda, muitas vezes fundados em uma demanda legítima do povo por mais igualdade material – de renda e de direitos. O curioso é que, em quase todas essas experiências, o efeito obtido foi o contrário: quando a esquerda governa, as medidas de restrição ao uso da propriedade desestimulam os investimentos econômicos e as inovações tecnológicas, uma vez que a economia planificada que defendem esbarra quase sempre na falta de pluralidade dos fóruns governamen-

tais. Por outro lado, quando a direita governa, a ignorância voluntária das situações fáticas de desigualdade acaba produzindo arremedos de despotismos privados, seja pelo uso do poder econômico (com exploração de mão de obra e ações abusivas e excludentes de desenvolvimento), seja pelo mau uso do poder político (geralmente corrompido pela “força da grana que ergue e destrói coisas belas”). Dessa forma, a agenda correta de uma ideologia política seria aquela que unisse o combate aos abusos existentes em nossa sociedade nos campos do poder econômico e do po“No campo dos costumes, a direita deve abrir mão da agenda moralista de restrição ao livre arbítrio, na mesma medida como deve a esquerda abrir mão da pretensão de controlar a liberdade de expressão (de forma direta) e de conduzir o debate político rumo ao “Partido Príncipe” de Gramsci (eliminando a oposição de forma indireta, pelo aparelhamento progressivo das instituições públicas)”. der político, com a defesa irrestrita das liberdades individuais. Uma agenda que contemplasse apenas liberdades positivas. Que utilizasse o Imperativo Categórico de Immanuel Kant para delimitar as únicas hipóteses em que uma conduta seria proibida (extirpada, vedada, marginalizada) de uma sociedade: quando envolvesse risco de implosão da própria sociedade, se da sua adoção irrestrita. Em todos os demais casos, o Estado agiria como um indutor de condutas positivas, ou seja, compensado os benfeitores, ao invés de produzir de forma inócua centenas de proibições a condutas, proibições que só servem para reforçar a ineficiência de uma máquina cara e alheia à realidade/demanda social de seus cidadãos. É preciso redefinir o Estado-Nação resgatando o ideal salomônico

de “tribunal de demandas”, de mediação pacífica, pelo uso do monopólio da força estatal, dos conflitos intersubjetivos da nossa sociedade. É preciso enxergar o Estado como uma ferramenta de conciliação de energias sociais, que define primeiramente metas e objetivos, e depois provê aos seus cidadãos a oportunidade de se inserirem nesse contexto de mobilização social em torno de um bem comum, ou o direito de permanecerem alheios a esse processo. A democracia pressupõe a garantia de todo indivíduo de “ser deixado em paz”, desde que não interfira indevidamente na esfera de direitos de um terceiro. O problema começa justamente na definição de onde se inicia e onde termina esse rol de liberdades. Quais seriam os limites ao uso da propriedade privada? Quais seriam os limites da intimidade e da privacidade, inclusive no âmbito familiar? Quais seriam os limites do ir e vir, considerando as potencialidades de danos a terceiros que as nossas condutas, mesmo as mais levianas, podem causar? Robert Alexy, jusfilósofo alemão, construiu ao longo de seus estudos definições e metodologias muito próprias para a identificação e aplicação dos critérios de Razoabilidade e Proporcionalidade nos atos de autoridades estatais (executivas, legislativas e jurisdicionais). Seu pensamento, que não é pós-kantiano, mas poderia muito bem dialogar com o Imperativo Categórico acima citado, afasta a tal legitimidade irrestrita dos entes estatais, quando fundada apenas no processo administrativo/legislativo/ judicial formal, para emitir decisões que adentrem de forma desproporcional ou desarrazoada (leia-se: desnecessária, evitável), esferas individuais de liberdades. Cass Sunstein, professor de Direito da Universidade de Chicago e ex-assessor do presidente norte-americano Barack Obama, apontou em


seu livro “Nudge” as dificuldades e a ineficiência de se cumprir uma agenda estatal essencialmente negativa, restrita a proibições e vedações de condutas sociais. Segundo Sunstein, é mais eficiente, tanto do ponto de vista de financiamento de políticas públicas, quanto do ponto de vista de mediação de conflitos intersubjetivos (função primordial e preliminar de qualquer Estado de Direito), beneficiar os benfeitores, ao invés de focar a atuação estatal na punição aos malfeitores (o que só estimula a marginalidade e a informalidade). Outros pensadores tão diversos como Milton Friedman, Douglass North e Steven Levitt, já haviam desenvolvido pensamentos parecidos. É possível, sim, unir as agendas da direita e da esquerda, se a primeira concordar em enxergar o Estado como uma ferramenta de inclusão social, e passar a entender como legítimo o fomento à economia solidária e ao cooperativismo na produção de riquezas em comunidades menos abastadas – inclusive visando ao desemprego zero; e se a segunda abdicar das pretensões de centralis-

mo e economia planificada, e compreender que o fomento à produção econômica em bolsões de pobreza deve se dar sempre em paralelo ao mercado, e não como um opositor a ele, nem resultante de proibições e restrições ao uso da propriedade. No campo dos costumes, a direita deve abrir mão da agenda moralista de restrição ao livre arbítrio, na mesma medida como deve a esquerda abrir mão da pretensão de controlar a liberdade de expressão (de forma direta) e de conduzir o debate político rumo ao “Partido Príncipe” de Gramsci (eliminando a oposição de forma indireta, pelo aparelhamento progressivo das instituições públicas). Hoje o debate não gira mais em torno da mais-valia, da luta de classes, da divisão internacional do trabalho. Hoje o debate circunda a utopia do acesso irrestrito a informação, bens e serviços, pelos mais de sete bilhões de habitantes da Terra, aplicando nesse processo de abertura econômica e política a premissa de compensação ambiental e sustentabilidade de recursos naturais no longo prazo – mais uma vez, sem

apelar para as restrições e proibições verticalizantes e excludentes, e sim, buscando a neutralização, em tempo real, da perda desses recursos (via um conjunto de medidas de readaptação do meio ao homem, sem perda de potencialidades futuras do primeiro). Há coisas mais importantes a serem buscadas, de forma conjunta, pelas forças éticas da política. A tara pelo poder e pela imposição ao outro das nossas agendas morais e privadas é uma chaga que afasta da política os bons sujeitos, ou que os segrega entre si, obrigando-os a se aliarem aos corruptos e fisiológicos que hoje, tanto no Brasil quanto na maior parte do mundo, protagonizam a política e a afastam de uma agenda de promoção efetiva da cidadania. É possível unir direita e esquerda em torno da utopia da universalização de direitos e tecnologias. Mas para isso direita e esquerda devem abdicar de seus dogmas e ideologias excludentes, e entender de uma vez por todas que só há uma máxima possível para a tolerância mútua: a liberdade individual, sempre, em primeiro lugar.


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OUTUBRO/2012

Edição 006 – Outubro 2012  

Revista Lugar de Notícias: Edição 005 – Setembro 2012

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