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nº 21+22

AV. SANTOS DUMONT GUAICURUS SKINHEADS CINEMA AGRESSÃO GRAMADO KIKITO AV. PARANÁ PROSTITUIÇÃO BRT EXPEDIÇÕES

UNA Ano 5 - Agosto - Novembro 2012 Distribuição Gratuita JORNAL LABORATÓRIO DO CURSO DE JORNALISMO MULTIMÍDIA


2 contramão Foto: Felipe Bueno

EDITORIAL

Reinaldo Maximiano e Jorge Rocha A edição que chega às suas mãos faz um apanhado das pautas previstas para as edições 21 e 22 do jornal-laboratório Contramão reunidas em um único caderno. Esse número inclui a cobertura especial do Festival de Gramado 2012. Uma equipe de repórteres esteve na cidade gaúcha e fez uma imersão não apenas no maior festival de cinema do país, mas também, no cotidiano das ruas de Gramado, sua gente e suas histórias. O trabalho dos repórteres Hemerson de Moraes, Rafaela Acar, Ana Carolina Vitorino e João Vitor Fernandes é outro destaque da edição

com a matéria sobre a onda de violência na região centrosul de Belo Horizonte, cuja autoria é creditada aos grupos designados por skinheads. A cobertura que o site Contramão Online fez dos casos de agressão física, especialmente, na Savassi, está entre as matérias mais acessadas, principalmente, a entrevista com José, um ex-skinhead dos anos 1980/1990 que fez o perfil dos grupos que agem, hoje na capital mineira. Para os especialistas os chamados skinheads contemporâneos se afastam da proposta inicial dos jovens ingleses e revelam tra-

ços de personalidades preconceituosas e com dificuldades de conviver com as diferenças. O ano de 2012 marcou o centenário do dramaturgo Nelson Rodrigues e contaminados pelo universo ousado do autor, Felipe Bueno e Lailiane Freitas fizeram um mergulho na vida da rua Guaicurus, famosa zona de prostituição de Belo Horizonte. Hemerson Morais e João Vitor Fernandes retomam a cobertura sobre os impactos das obras do BRT nas avenidas Santos Dumont (onde muitos comerciantes reclamaram de prejuízos) e Paraná que faz a ligação com um dos princi-

pais corredores de trânsito da cidade, a avenida Amazonas. Para 2013, mudanças à vista da composição, planejamento e projetos gráfico e editorial do contramão e a sua participação é fundamental. De futuro, como pode já ser observado nesta edição, a proposta é ter um jornal com um apelo mais visual, ou seja, investir em infográficos, fotografias, ilustrações, além de textos mais ágeis e curtos. Assim, o objetivo é dialogar com a proposta multimídia do curso. Se você tem algum talento e quer contribuir com o jornal esteja desde já convidado. Boa leitura!

EXPEDIENTE Núcleo de Convergência de Mídias (NuC) do curso de Jornalismo Multimídia do Instituto de Comunicação e Artes (ICA) - Centro Universitário UNA. Vice-reitor: Átila Simões. Diretor do ICA: Lélio Fabiano dos Santos. Coordenadora do curso de Jornalismo Multimídia: Piedra Magnani da Cunha. NuC/Coordenação: Reinaldo Maximiano Pereira (MTb 06489) e Jorge Rocha. Diagramação: Tiago Magno. Supervisão: Reinaldo Maximiano Pereira e Jorge Rocha. Revisor: Roberto Alves Reis. Estagiários: Ana Carolina Vitorino, Diego Gurgel, Hemerson Morais, João Vitor Fernandes, Juliana Costa, Marcelo Fraga, Mariah Soares, Rafaela Acar, Rute de Santa, Tiago Magno e William Gomes. Tiragem: 2.000 exemplares. Impressão: Sempre Editora

Foto da capa nº 21+22

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ULTIMATE FIGHT CHAMPIONS + DIVERSIDADE + APOCALIPZE + MORADORES EM SITUAÇÃO DE RUA + MERCADO LGBT + TV + UFC + PROGRAMAS SOCIAIS + DIREITOS HUMANOS + WANDERLEY SILVA + TUF BRASIL + WEBSÉRIE + HQ + MINEIRINHO UNA Ano 5 - Agosto - Novembro 2013 Distribuição Gratuita JORNAL LABORATÓRIO DO CURSO DE JORNALISMO MULTIMÍDIA

Foto: Hemerson Morais

JORNAL-LABORATÓRIO DO CURSO DE JORNALISMO MULTIMÍDIA - UNA Ano 5 - Abril/Junho 2012 - Distribuição Gratuita

Foto: Heberth Zschaber


Foto: Felipe Bueno

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Prostituição & Anonimato Repórteres fazem uma imersão na mais famosa área de boemia da capital e conhecem o cotidiano que não se vê na grande imprensa

por Felipe Bueno e Lailiane Freitas - ¨6º período - Jornalismo Multimídia A equipe do de reportagem chega à casa de prostituição localizada na rua Guaicurus e o acordo é o de não revelar o nome do lugar. O repórter cinematográfico é recebido de forma hostil pelo gerente da casa. - Não posso deixar você filmar aqui. Tudo aqui é contravenção! – tentando romper o contato prévio para viabilizar a entrevista com uma prostituta que só aceitou conversar com a equipe após muita insistência. - Nosso trabalho não é de denúncia. Vamos apenas fazer uma entrevista sobre a rotina de vida dela. – afirmo tentando driblar a situação. Ele concorda se deixarmos os equipamentos de vídeo desligados, mas podemos fotografar as áreas externas. - Mas atenção, eu não posso deixar vocês filmarem. Eu também não posso acompanhar vocês na entrevista porque estou trabalhando. Não me responsabilizo pelos clientes que vierem pra cima de vocês. - Ok! A gente aceita. Nos corredores da zona, os homens andam de uma extremidade a outra, avaliando o “material” que avistam dentro dos quartos. O ar que se respira nesses corredores é morno, denso, tem cheiro de suor e desinfetante. Em cada porta, uma mulher diferente se exibe e se prontifica para o sexo. Algumas estão nuas, deitadas na cama, em numa posição provocante. Outras deixam escapar um olhar triste. As mulheres que ficam em pé na porta, essas sim, estão mais dispostas a fisgar um cliente. - É 20, gatinho, por 10 minutos, com oral e posições. Um homem de meia idade passa, sem muito interesse, por uma dessas mulheres. Ela estava de calcinha e seios à mostra e não poupou palavras: - Poxa! Hoje, eu não ganhei nada. Me dá um cigarro? – o homem oferece um cigarro do maço - Quero uma pistola também. Eles entram no quarto. A porta se fecha. Pela fresta nota-se que a luz se apaga. No quarto à frente, uma prostituta faz movimentos repetitivos com a língua sobre os lábios inferior ao superior. É Luna, nossa entrevistada. - Quanto é o programa, Luna? - É dez. Vem, vamos fazer. A conversa se inicia com o mínimo de formalidade necessária, já dentro do quarto. Prostituta há 10 anos, Luna, 40, não quer ser identificada pelo nome verdadeiro. Ela, hoje, vive com um

homem, estão juntos, há 2 anos. Segundo ela, seu cônjuge não sabe que ainda continua fazendo programa. Sim, eles se conheceram no bordel. “Vim do interior de Minas para Belo Horizonte quando tinha uns 30 anos. Não conseguia achar emprego nenhum. Parecia um cerco. Comecei a ficar angustiada”, explica Luna. “Meus pais sabem, meus irmãos também”, diz. Quanto à família, ela se sente tranquila e amada. “Minha mãe é muito religiosa. Expliquei para ela, disse que ia continuar sendo a filha dela. Hoje, ela se conformou. Mas sei que gostaria de me ver fazendo outra coisa”, relata. Dentro do seu quarto e sob uma luz vermelha, os olhos e seios de Luna saltam para fora. Ela está vestida com uma lingerie preta e calçando uma bota com um salto grande. Enquanto fala, mexe o cabelo o tempo todo e olha fixamente para o zíper da minha calça, às vezes, subindo o olhar. Para ela, existe uma vida dentro e fora dali. “Aqui eu faço programa. Da porta para fora do hotel, ninguém precisa saber o que eu faço para ganhar a vida. Mereço ser respeitada tanto aqui, no meu trabalho, quanto na sociedade”. Ela diz nunca ter sofrido preconceito, mas acha que a prostituta e o gay são os mais explorados. “A gente passa por algumas coisas ruins. Da mesma forma que o homem explora a prostituta, tem homem aí que fica com gay e o explora”. Estudante do curso técnico de enfermagem, ela vê o ofício como uma profissão futura. “Antes tinha uma fila enorme de homens querendo ficar comigo. Hoje, não que eu não consiga mais viver disso, mas a procura diminuiu. Vai chegar um momento que eu não vou mais poder fazer programa”, argumenta. - Você já sonhou algum dia em se casar, em ter filhos? - Sim, claro. Toda pessoa quer casar na vida. Ninguém quer ficar sozinho. O que acontece, hoje, é que as pessoas não estão se amando, casam por outros motivos. Parece que se casam para se separar. – explica Luna que toda mulher tem esse sonho uma hora da sua vida. - E ter filhos? - Ela responde apenas sim e faz um gesto afirmativo com a cabeça.

Saiba como continua a entrevista no blog :

http://ruaguaicurus.wordpress.com/

Esta e outras reportagens intregram o Trabalho Interdisciplinar Dirigido TIDIR6 dos autores. Leia mais em: ruaguaicurus.wordpress.com


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Caso de agressão repercute em redes sociais Grupos de «rapazes brancos, carecas e tatuados» promovem atos de violência na Savassi. Para especialistas a dificuldade de lidar com as diferenças une jovens na designação genérica de skinheads Ana Carolina Vitorino e João Vitor Fernandes

Belo Horizonte, madrugada de sábado, 27 de outubro de 2012. Dois homens saem de uma casa de shows na região da Savassi, onde assistiram a apresentação do grupo Kid Abelha. Eles seguem em direção ao ponto de ônibus da avenida Cristóvão Colombo, altura do número 140, onde são abordados por “rapazes brancos, carecas e tatuados”. Essa descrição foi feita por uma das vítimas, um jornalista que narrou no blog pessoal mais um episódio de agressão física e verbal que tem como cenário esta região da cidade. “Eu estava na Savassi, ponto de encontro de emos, neogóticos, patys, playboys, fashionistas, gays, jovens, velhos, estudantes uniformizados, economistas e skinheads. Dois deles [skinheads] me atacaram. Não me esqueço da careca, das tatuagens, dos olhos endemoninhados, do ódio”, relata o jornalista em seu blog. “O motivo aparente: abracei um amigo dizendo boa noite, após nos divertirmos no show do Kid Abelha. Estávamos felizes, brincando, falando amenidades”, acrescenta. O jornalista foi agredido com pedras e chutes, os agressores repetiam, a todo instante, xingamentos, como “vamos exterminar você”. Ainda de acordo com o relato, a agressão ocorreu próxima a uma patrulha da Guarda Municipal. “Não podemos fazer nada. Ligue para o 190”, disseram os guardas, segundo o jornalista. Em seguida, eles foram instruídos a procurar a Polícia Militar no Pronto Socorro João XXIII, esta por sua vez não registrou a ocorrência. “Também não posso fazer nada. Para fazer ocorrência você deve ir à Seccional da Rua Carangola”, alegou o policial que dormia no momento em que as vítimas adentraram no local. Não fica claro pelo relato que se trata de mais um caso de homofobia, como o que ocorreu um mês antes na Praça Raul Soares. Perto da 1h, o designer de produtos, Manuel Batista, caracterizado com o a drag queen Manuza Leão, após fazer a divulgação para uma festa de uma boate LGBT, segue acompanhado de outros dois amigos pela praça quando são abordados por um grupo de ‘playboyzinhos’, rapazes bem vestidos e “acima de qualquer suspeita”. “Eles estavam com pedaços de pau na mão gritando ‘vamos pegar, vamos pegar’. Eu fui pra cima também, o que nos deu uma válvula de escape”, explica Bandeira. Segundo o designer, a tentativa de agressão não foi cometida por skinheads. “Não tinha ninguém com cabeça raspada, estavam todos com vestimenta normal, de gente ‘riquinha’, que sai para poder fazer bagunça na rua”,

declara Batista. “Mas já vi carecas aprontando com gays punks e emos, na Savassi”, acrescenta. De acordo com o sociólogo Carlos Magalhães, os  skinheads são grupos, historicamente, marcados pela prática de atos violentos, principalmente contra negros e homossexuais. “Estes grupos criam uma identidade muito forte em cima de alguns valores. E a violência pode ser uma maneira de expressar a adesão dessas pessoas a estes valores”, explica. Ainda segundo Magalhães, esses grupos estabelecem uma relação com a sociedade de forma sectária. “É possível identificar que estes grupos tem certa homogeneidade. São pessoas que tem dificuldade de lidar com a diferença”, esclarece. “Eles usam sinais para definir o pertencimento. Esses sinais envolvem o próprio corpo, como a raspagem dos cabelos e o uso de tatuagens. Eles querem deixar explícito características que todos podem ver”. Para filósofo Leônidas Dias de Faria, o que muitas vezes se observa é uma adesão por parte dos integrantes desses grupos a um ideal de sociedade que dita padrões que não podem ser transgredidos. “Trata-se de alguém que se deixa aprisionar numa pegajosa trama de relações desumanizantes. Esses agressores podem se inspirar em delírios religiosos de toda a sorte, de modo que empreendam seus ataques convictos de promover uma ação divinamente inspirada. Agredir violentamente pessoas cuja orientação sexual não se conforma aos padrões oficialmente aceitos e impostos como exclusivamente legítimos por esses grupos, trata-se de uma disposição muito mais disseminada do que se quer acreditar”, explica. Outro aspecto destacado por Faria é que esses agressores geralmente denigrem a honra da vítima para justificar a uma violência movida por um “juízo condenatório” a um suposto “desajuste”. “Eu ouvi alguém minimizar a culpabilidade de um homicida pelo fato de sua vítima ter sido uma prostituta. Há uma espécie de aval implícito a tais práticas”, afirma. “Então, se um sujeito se convencer que ficaria mais confortável se enchesse de porrada e mesmo matasse alguém, contando com a circunstância de provavelmente não ser punido por isso, devido a um acobertamento tácito para algumas modalidades desse crime, o que irá impedi-lo de assim agir?”, questiona. “E esse parece ser o lado mais perverso do preconceito”.


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Os vários tipos de

Skinheads

Os grupos denominados como skinheads são muito Skinheads contra o diversificados. Não se trata preconceito racial apenas de um único segmento ou de uma única ideologia. Existem grupos que lutam contra o preconceito e outros que tentam propagar uma suposta supremacia racial e de valores. Conheça alguns grupos skinheads. existentes no Brasil: Com o intuito de fugir dos rótulos pejorativos com que os skinheads tradicionais passaram a ser definidos, no final dos anos 1980, foi criada uma vertente inglesa denominada SHARP (Skinheads Against Racial Prejudice ou Skinheads Contra o Preconceito Racial, em tradução livre). O grupo SHARP tenta fortalecer o caráter de integração, pautando-se por fazer frente ao fascismo e ao racismo de alguns grupos de skinheads, além de adotar a postura de não ter ligação com partidos ou outras organizações políticas.

Skinhead Tradicional

Nazi-skin

Conhecidos, também como White Powers, este grupo prega a supremacia branca e o antissemitismo. Os nazi-skins ficaram conhecidos por promoverem atentados violentos contra homossexuais, negros, miscigenados e pregam ao extremo o nacionalismo. É comum o enaltecimento da figura de Adolf Hitler e do símbolo nazista da suástica.“É difícil definir o porquê deste tipo de ação, levamos consideração os valores morais impostos pala sociedade e o próprio sujeito, autor deste tipo de violência, muitas vezes, é um sujeito discriminado”, explica a psicóloga Michelle de Almeida.

Os Carecas do Brasil Também conhecido como trad skin, é um grupo cuja influência remete aos primeiros grupos skinheads britânicos dos anos 1960. Nesta época, o reggae jamaicano e o soul eram muito populares entre os jovens operários ingleses. Este grupo é antirracista, até mesmo devido a sua influência e apreciação pela música dos negros vindos da Jamaica.

No Brasil, existe uma vertente denominada “Os Carecas”, sendo que o grupo é nacionalista e integralista.São declaradamente contra movimentos de esquerda, principalmente, o comunismo. Adotam uma moral conservadora relacionada com o combate às drogas e o lema é “Deus, Pátria e Família”.

Ilustrações: Diego Gurgel


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Entrevista com um Skinhead Com a garantia de manter-se no anonimato, um ex-integrante do movimento garantiu que ‘nem todo skinhead é racista e homofóbico’. Para ele, o risco de generalização é muito grande e somente faz com que a variedade de pensamento seja deixada para trás. Ele avalia que ‘as pessoas não conhecem de verdade o movimento’.

“Fui skinhead nos anos 80, mas hoje, não faço mais parte do grupo”. É assim que José (nome fictício) se apresentou à reportagem do CONTRAMÃO, durante o contato telefônico. “Não adianta você insistir que eu não vou passar dados precisos sobre a minha idade e identificação. Eu quero ajudar a esclarecer essa confusão de que todo skinhead é racista e homofóbico. Mas quero permanecer no anonimato”. Essa foi a condição para que a entrevista fosse feita por telefone. “Sinto tristeza quando leio os jornais noticiando todas as agressões aos homossexuais e aos negros como atitude de skinhead. Muitos skinheads não são homofóbicos ou racistas. Em BH, há uma galera que só está interessada em camaradagem, tomar cerveja e ouvir uma boa música”, explicou o ex-skinhead. “É preciso tomar cuidado com essas coisas, pois a falta de conhecimento da população sobre os skinheads pode gerar revolta e preconceito contra o grupo”, disse. A conversa com José durou 20min. Nesse tempo, ele garantiu que há a presença, em BH, dos “Carecas do Brasil”, um grupo nacionalista e integralista que tem como valores “Deus, Pátria e Família”. “Eles não são racistas, isso iria contra a ideologia da facção. Contudo, não gostam homossexuais e tem resistência aos punks”, explicou. Outra facção existente na capital mineira é a dos nazi [ou White Power] que, segundo José, configuram-se como os mais radicais. “Existe esse grupo em Belo Horizonte e é uma minoria, mas é preciso que as autoridades façam alguma coisa. Meu medo é que as agressões em BH fiquem tão frequentes como em São Paulo”, declarou.

Segmentos De acordo com o ex-skinhead, as diversas segmentações do movimento confundem a população e a mídia. “As pessoas não conhecem de verdade do movimento e, logo, ligam os crimes por racismo ou homofobia a todos os skinheads. Na verdade, essas coisas são feitas por uma minoria, como os nazis”, explica. Segundo José, os skinheads não possuem uma raiz preconceituosa. “O movimento surgiu no final da década de 60 a partir dos imigrantes jamaicanos, os rude boys, e jovens operários ingleses, que se reuniam para ouvir música negra norte-americana, o rocksteady (ritmo inglês) e ska (ritmo jamaicano). Esses são os indícios de que é um movimento de origem cultural operária sem discriminação a quem quer que seja”, esclareceu. A primeira dissidência aconteceu no início dos anos 1970, quando partidos de direita viram nos jovens skinheads uma força de liderança. “Inicia-se a fase em que algumas pessoas se tornaram nacionalistas e começaram a repelir com violência os jamaicanos e aqueles que os apoiavam. Essa foi a primeira imagem que circulou pelo mundo em relação aos skinheads”, esclareceu. “Os hooligans surgiram no mesmo período e era uma galera que curtia futebol e cerveja e, às vezes, entrava em confusão com as torcidas adversárias”, explicou. “Eu lamento que a população veja todos os skinheads da mesma forma. Espero ter ajudado. Boa sorte”, ele disse finalizando a ligação. Por Hemerson Morais

Ilustração: Diego Gurgel


Foto: Hemerson Morais

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Comerciantes da Avenida Santos Dumont reclamam de prejuízos Após oito meses de obras a avenida é liberada para trânsito, mas BRT ainda não é uma realidade Hemerson Morais, João Vitor Fernandes e Kênia Tinôco

A obra que manteve fechada a avenida Santos Dumont, durante oito meses para as obras do Bus Rapid Transit (BRT), casou vários transtornos para os comerciantes da região. “O lucro é quase zero, estamos mantendo a loja aberta só para não perder o ponto. Estamos, praticamente, pagando para trabalhar”, relata o comerciante Leandro Rodrigues, que tem uma loja de artigos para celular na avenida. A situação de outra comerciante, Cristina Novaes, proprietária de uma lanchonete no quarteirão entre as ruas Rio de Janeiro e São Paulo, é ainda mais complicada. “Em maio eu tinha uma dívida de R$ 2.000,00, hoje, a minha dívida é maior que R$100.000,00. Estou com ação de despejo aqui na lanchonete e na minha casa”, revela a comerciante.

Indenização

Segundo a prefeitura, existe o decreto municipal nº 14971/12 que prevê a formação de uma junta administrativa de indenização. O valor indenizatório tem teto máximo de 15 mil reais que podem ser solicitado por qualquer proprietário de empreendimento comercial daquela região. No entanto, a vice-presidente da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), Cláudia Volpini, explica que os documentos dos lojistas não são mais recebidos nos órgãos pertinentes com o argumento de que o

decreto foi suspenso. “Os comerciantes entraram com a documentação, mas, até hoje, ninguém recebeu um centavo”, garante Cláudia Volpini.

não apresentam esta evolução que eles alegam: houve, inclusive, certa tranquilidade, com declínio em certas modalidades de crime”, informa.

Segurança Outro problema enfrentado pelos comerciantes é a falta de segurança constante. Os assaltantes têm encontrado facilidades com a diminuição do policiamento e a retirada das câmeras de segurança. “Você pode perguntar, aqui na rua todos estão sendo assaltados. A banca aqui ao lado foi assaltada três vezes em uma semana, denuncia a comerciante. Segundo o Major Wellerson, chefe do batalhão que é responsável pela região, não houve ronda em viaturas porque o trânsito estava impedido, mas informou que as rondas por terra aconteceram durante todo o período das obras. A este respeito, a representante da ACMinas diz que se o policial é obrigado a fazer todo o percurso a pé,  enquanto ele está numa esquina não consegue enxergar três quarteirões à frente porque não tem luz. “Nós já tínhamos alertado a prefeitura e solicitado o apoio da Guarda Municipal, sem êxito”, ressalta. Já para o Major Wellerson, “a sensação de insegurança dos comerciantes subjetiva. Estas pessoas tiveram um prejuízo financeiro muito grande. Os números estatísticos

Mobilidade O trafego de veículos foi liberado na Avenida Santos Dumont no sábado, 01 de dezembro de 2012. A medida visou favorecer os comerciantes durante o período natalino. Nestes últimos meses de obras, foram grandes as mudanças na circulação de veículos e pedestres no local. O despachante Benjamin Silva avalia a obra de forma negativa. “A obra atrapalhou o trânsito, causou transtornos, e não tenho certeza se vai melhorar de verdade, tenho que ver para crer”, opina. Por outro lado o Policial Militar Valdeci Braz entende que os transtornos são necessários. “Para toda modificação tem que ter um transtorno, mas tudo leva a crer que vai melhorar muito, principalmente nos corredores da Cristiano Machado e Antônio Carlos”, analisa. Retomada das Obras As obras para implantação do BRT foram retomadas na Avenida Santos Dumont no dia 2 de janeiro, e uma semana depois, no dia 8, iniciou-se a implantação do BRT na Avenida Paraná.


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Comerciantes da Paraná temem de queda nas vendas Hemerson Morais e João Vitor Fernandes As obras para implantação do Bus Rapid Transit (BRT), na avenida Paraná começaram no dia 08 de janeiro e durante o meses de fevereiro e março, o temor dos comerciantes da região é queda nas vendas, como ocorreu com os lojistas da Santos Dumont, no ano passado. “É provável a diminuição em 60% as vendas do comércio na avenida. Posso dizer que este mês (fevereiro)só vai da para pagar o aluguel e, ainda, tem a folha de pagamento dos funcionários”, declara Ailton Alves proprietário de uma loja de roupas para bebês. Outra preocupação dos comerciantes é com a segurança e a iluminação da avenida. De acordo com a Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), ainda não é possível estimar se já houve queda nas vendas. “Foi feita uma pesquisa ampla com os comerciantes da região, mas ainda não chegamos a um número concreto”, declara a assessora de imprensa da CDLBH, Debora de Oliveira. Esses dados não foram tabulados até o fechamento desta edição. Segundo a CDL, foi encaminhado à PBH um pedido de melhoria da infraestrutura da avenida durante as obras. “Pedimos a Polícia Militar [de Minas gerais], aumento na segurança, e também a Cemig que melhorasse a iluminação da avenida”, informa em nota.

Mudança nos locais dos pontos de ônibus, fechamento das pistas centrais paras as obras do BRT e as faixas laterais liberadas para trânsito.

Fotos: Hemerson Morais e João Vitor Fernandes


JORNAL LABORATÓRIO DO CURSO DE JORNALISMO MULTIMÍDIA - UNA Ano 6 - Edição Especial - Distribuição Gratuita

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festival de cinema de Gramado 40 anos

EDIÇÃO ESPECIAL


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EDITORIAL Foto: Felipe Bueno

Edição Especial Festival de Cinema de Gramado Felipe Bueno As ruas de Gramado (RS) possuem um magia expressa em suas casas, em seus jardins e em sua gente, e, é por isso que, só ela poderia abrigar o maior festival de cinema da América Latina. A arquitetura alemã e o clima da cidade de Gramado são tão aconchegantes que mais se assemelha a um filme, a uma novela do que propriamente a vida real. Soma-se a isso o glamour do evento, as pequenas-grandes produções do cinema brasileiro e, claro, famosos e o tapete vermelho. Algumas pessoas me alertaram de que a cidade só permanece assim durante os festivais, que ajudam a promover

a fama do lugar, como sendo um recanto de cultura e beleza. Isso remete aos espetáculos circenses. Eles chegam e trazem vida a um local. Porém, o tempo de permanência é breve. A lona que hoje é hasteada, trazendo alegria; amanhã, ao ser baixada, trará a despedida. No caso de Gramado, sabemos que o ano todo, festivais como o de Cinema e o de Publicidade, além de épocas festivas como Páscoa e Natal, fazem do lugar uma vila de encanto. O melhor disso tudo é ver que a cidade se reinventa. As emoções do 40º Festival de Cinema de Gramado serão transformadas, pois novos filmes

EXPEDIENTE

virão, no ano seguinte, novas instigações irão despertar e novos holofotes irão compor um novo espetáculo. A cidade é o cenário. Ela que eleva a sétima arte à fantasia da realidade. E é bem assim mesmo que as pessoas sentem, moradores e turistas, que ocupam os bancos das praças em conversas entre amigos, que aproveitam a tarde para ver o sol tingir o céu de várias tons de azul, vermelho, amarelo, que passeiam pelas ruas e frequentam os charmosos bares e restaurantes de Gramado. Com seu ar bucólico e construções magnificas, a cidade revela histórias simples e ao mesmo tempo fantásticas. Foto da capa

Jornal-laboratório do curso de Jornalismo Multimídia do Instituto de Comunicação e Artes - Centro Universitário UNA. Vice-reitor: Átila Simões. Diretor do ICA: Lélio Fabiano dos Santos. Coordenadora do curso de Jornalismo Multimídia: Piedra Magnani da Cunha. NuC/Coordenação: Reinaldo Maximiano (MTb 06489) e Jorge Rocha. Diagramação: Anderson Cleber e Tiago Magno Revisor: Roberto Alves Reis. Equipe: Anderson Cleber, Bárbara de Andrade, Duda Gonzalez, Felipe Bueno e Natália Alvarenga Tiragem: 2.000 exemplares. Impressão: Sempre Editora. Foto: Felipe Bueno


Imagem: Diego Gurgel

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expedições ICA em Gramado

Imagem: Anderson Cleber

Para dar continuidade ao projeto Expedições ICA, alunos que fizeram parte do Núcleo de Convergência de Mídias (NuC), Agência integrada Luna e Produtora Dígito Zero, foram à cidade de Gramado com o intuito de mostrar os bastidores do Festival de Cinema. O festival é um dos mais antigos e importantes eventos que contempla a sétima arte no Brasil, e, em 2012, chega a sua 40ª edição. O projeto do Instituto de Comunicação e Artes (ICA), do Centro Universitário Una, promove o contato de seus alunos com grandes eventos que abrange a área da comunicação, com o objetivo de realizar experimentação de cobertura jornalística e de estreitar o conhecimento sobre a organização de festivais e congressos através da vivência e do trabalho de campo. Também vista como uma forma de suscitar o aprendizado e conhecimento de novas culturas, o Expedições ICA, a cada ano, proporciona uma experiência diferente aos seus alunos. Os alunos da Una são capacitados em sala de aula e dentro dos laboratórios a tra-

Alunos do ICA fazem cobertura jornalística do Festival de Cinema de Gramado Por Felipe Bueno

balharem em coberturas de eventos. No ano passado, na estreia do projeto, os alunos do Instituto de Comunicação e Artes foram para a cidade de Gramado para participarem do Festival de Publicidade. Com uma fórmula que tem dado certo, o Festival de Cinema é realizado sempre na 1ª quinzena de agosto, período de maior fluxo turístico no Rio Grande do Sul por conta do inverno. Outro fator que trouxe bons resultados ao festival foram as grandes estreias de filmes nacionais e estrangeiros. A 40ª edição do Festival de Gramado pedia algo especial, por isso os organizadores valorizaram a produção cinematográfica nacional e o intercâmbio do cinema brasileiro com a cine matografia de outros países latinos, além de ter diminuído o preço dos ingressos para a exibição dos longas-metragens da mostra competitiva, aproximando mais o público, ter aprovado projeto que concede premiação em dinheiro para as diferentes categorias e espaço para exibição de curtas gaúchos.

a expectativa pelo

DEUS

do bom humor Por Bárbara de Andrade

A expectativa tomou conta dos concorrentes e do público durante todo o evento. Desde o primeiro dia, quando o filme de Fernando Meireles, 360, abriu o festival, que comentários e especulações surgiram por todos os lados, cada pessoa dava seu palpite e apostava

no seu preferido. Quem seria o grande ganhador do prêmio de “melhor filme” do festival? Pergunta esta, que só foi respondida oito dias depois no encerramento do evento, com o filme “Colegas” de Marcelo Galvão, consagrado o ganhador da categoria considerada mais importante do festival. Os ganhadores no Festival de Gramado recebem o prêmio Kikito. Mas o que é o Kikito? O “Kikito” surgiu pela ideia

da artista Elisabeth Rosen feld, que criou a estatueta,em 1967, uma representação do Deus do Bom Humor. O Kikito foi escolhido para ser o símbolo do festival desde a primeira edição. O Deus do Bom Humor ganhou no ano de 1995, uma estátua de pedra. A estátua do Kikito foi doada a Gramado pelo casal Kurt e Elisabeth Berz, em agosto de 1995. Hoje, o monumento fica na entrada do Palácio dos Festivais.


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a alma encantadora

das ruas de Gramado Não é exaltação barata ou puro exagero. Em Gramado, em cada canto se transpira arte. Num bar da rua Madre Verônica, ouve-se Tom Jobim, em outro, na mesma rua, toca clássicos do Jazz. Na Praça Major Nicoletti, ao som da cantora Madeleine Peyroux, um artista plástico faz a sua obra, uma paisagem à sua frente, a Igreja São Pedro e seu enorme adro, a qual se pode ver os 12 apóstolos sobre uma fonte de água. Ao seu lado é possível ver telas escoradas umas nas outras, são retratos, paisagens da cidade e caricaturas. Nessa mesma praça, um cartunista faz a caricatura de uma família de turistas. Enquanto isso, muitas pessoas passeiam por esse cenário fotografando. Câmeras em mãos e olhares de todos os tipos. Ninguém parece ser anônimo nessa cidade, nem mesmo os turistas. Deve ser do clima. Com quem conversar? Dá vontade de puxar um dedo de prosa com todos, de conhecer a história de cada um. Mas sei que aleatoriamente, cada um, nesta cidade, tem boas histórias para contar. Em um quarteirão fechado da rua Madre Verônica, cores vivas são selecionadas para compor as imagens de grandes cenas. Tons são meticulosamente escolhidos para com-

Fotos: Felipe Bueno

A cidade de Gramado está repleta de pessoas, sob um céu de azul puro, sem nuvens, rodeada de jardins e canteiros de flores nas ruas. São 16 horas e o sol intenso ameniza o frio que chega a 8ºC. Ao mesmo tempo é possível ver uma correria que destoa desse cenário calmo. É a produção dos 40 anos do Festival de Cinema de Gramado. Tudo tem de estar impecável. Mesmo assim, ainda sobra tempo para cordialidade. Um dos seguranças do festival, que estava manejando a entrada no Palácio dos Festivais, é abordado por um turista: - Você poderia tirar uma foto com a minha namorada? O segurança dá um clique para o casal guardar de lembrança uma imagem congelada daquele momento. A tarde na charmosa cidade torna o domingo mais leve. É dia dos pais. As pessoas perambulam pelas ruas sem compromisso algum com a pressa. Há sempre um gesto delicado, um sorriso gentil, um olhar receptivo. Ramos verdes derramam pelas sacadas das casas, assim como a vivacidade de seus moradores, que observam das varandas todo movimento das ruas. O dia já aproxima-se da noite e faz o sol tingir o céu de tons de vermelho e amarelo.

Por Felipe Bueno

posição da tela, as pinceladas deslizam delicadamente no fundo branco e, assim, nasce uma pintura com grande valor afetivo. Emoções experimentadas apenas em Gramado. Experiências encontradas apenas em um dos maiores festivais de cinema da América Latina. No tapete vermelho, Clari Accorsi Sartori e as amigas Flora Cardoso e Aris Azevedo pintam telas em homenagem a 40ª Edição do Festival de Cinema de Gramado. - Comecei a desenhar ainda menina. Meu pai tinha uma fábrica de móveis em vime e eu acompanhava o trabalho dele. Com o tempo, fui desenvolvendo as técnicas. Morei em Novo Hamburgo e fiz curso de pintura europeia na França. - Explica a artista plástica entre um pincelada e outra, sempre atenta ao

desenho em tela, a imagem do Palácio dos Festivais com um oponente Kikito ao lado, local onde mais cedo um casal de turistas foi fotografado. - Clari, como é viver em Gramado? Achei cidade belíssima. - Há muito tempo vivo aqui. Já morei fora, mas sempre acabo retornando. Gosto muito daqui e estou feliz com meu trabalho. Tenho o meu ateliê. Meu pai foi quem introduziu o artesanato na cidade. Tento manter esse legado. - conta entre misturas. - Estou impressionado com a organização do festival e a educação das pessoas. A cidade é sempre assim? - Pergunto. - Gramado tem essa vocação para organizar festas. Durante o ano, temos vários festivais e datas festivas como a Páscoa e o Natal, que sempre reúne muito gente e essa passa a ser rotina da cidade. Relata Clari, que pelo seu bom humor demonstra a paixão pelo que faz e onde vive. De onde você é? - pergunta Clari. - Tenho clientes em Minas Gerais. - rebate ela a minha resposta sobre a sua própria indagação. O registro fotográfico do processo de construção da tela encerra o diálogo entre mim e Clari. Ela finaliza com um singelo “Tchau!”


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Road Movie ganha grande prêmio do

festival de cinema de Gramado

Por Felipe Bueno

Colegas, filme que trata de sonhos e da amizade de três jovens Downs, arrancou aplausos e risos durante exibição do longa no palácio do festivais em Gramado. A estreia do filme Colegas, uma produção que ganhou vários prêmios e teve grande repercussão na mídia, tinha data prevista para o dia 9 de novembro, porém, foi adiada para 1° de março de 2013. Segundo a distribuidora Europa Filmes e a produtora Gatacine, o atraso no lançamento será importante para divulgação, uma vez que as pessoas poderão ter mais contato com o novo trailer, além da possibilidade de participar de outros festivais e tempo para incrementar a exibição com recursos que contemplem a acessibilidade. Os produtores pretendem levar às salas de cinema mais acessibilidade aos portadores de necessidades especiais. Para o DVD está previsto recursos como linguagem de libra e legendas em português para os deficientes auditivos e a áudio descrição para os deficientes

visuais. “Queremos propor ações que levem acessibilidade a várias salas, para fazer com que a experiência de se ver, seja lá como for, um filme em tela grande, atinja a todos”, explica Galvão.

“Quis fazer um filme sem preconceitos, leve e pra todo mundo.” Fruto do trabalho de 7 anos do diretor Marcelo Galvão e sua equipe, Colegas foi ovacionado no 40° Festival de Cinema de Gramado. Desde o princípio, o projeto teve o intuito de tratar a síndrome de Down mostrando um astral para cima, feliz. “Passei as férias da minha infância convivendo com um tio que tinha síndrome de Down. Para mim, os momentos que passei

com ele foram inesquecíveis. As atitudes engraçadas que ele tinha sempre me cativaram, por isso resolvi escrever algo que passasse essa sensação boa para todos que assistissem”, . A produção que teve participação do ator Lima Duarte e da atriz Juliana Didone, é um road movie que tem como protagonistas três jovens Down. A bordo de um conversível velho, inspirados pelo filme Thelma & Louise e ao som de Raul Seixas; Stalone, Aninha e Márcio fogem do instituto onde moram em busca de realizarem os seus sonhos: ver o mar, se casar e voar. Selecionado para a mostra competitiva do 40° Festival de Cinema de Gramado, Colegas levou o Kikito de melhor longa, além de prêmios especiais para os atores Ariel, Rita e Breno. O filme arrancou risos e aplausos do público na sala de cinema, durante exibição no

festival. “Quis fazer um filme sem preconceitos, leve e pra todo mundo. Acho que para haver inclusão, não pode haver dois pesos e duas medidas”, diz Marcelo Galvão, que se mostra confiante em relação à aceitação do público. “Muitas pessoas, após assistirem ao filme, vieram emocionadas me parabenizaram por ter feito conhecerem um lado do Down que eles não conheciam”, conta.

O cineasta Marcelo Galvão


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homenagens de Gramado

“O diretor é o maestro, o autor a partitura e o ator todos os instrumentos”. (Eva Wilma) Por Bárbara de Andrade

Olhares atentos ao telão, uma homenagem à dama da televisão brasileira era exibida. A noite de abertura do festival foi marcada pela presença da atriz Eva Wilma, 79, que recebeu pelas mãos da secretária de turismo da cidade, Rosa Helena Volki, o prêmio Cidade de Gramado.

Emocionada, Eva Wilma subiu ao palco: “É difícil, é muita emoção”, disse a atriz, que definiu Gramado como “Montanha mágica gaúcha” e “Pedacinho do paraíso”. O troféu Cidade de Gramado é oferecido a pessoas que sempre tiveram ligação com a história da cidade e que contribuíram

para o crescimento e divulgação de Gramado. Eva Wilma participou da primeira edição do festival, no ano de 1972 e na comemoração de 40 anos foi homenageada. Com uma frase de Leonel Brizola, Eva Wilma encerrou seu discurso. “A indústria nacional do cinema será o elo que

unirá todos os brasileiros”, concluiu. Além de Eva Wilma, Betty Faria, Juan Jose Campanella e Arnaldo Jabor também foram homenageados e receberam os prêmios: troféu Oscarito, Kikito de Cristal e troféu Eduardo Abelin, respectivamente.

os jovens no festival Durante a 40ª edição do Festival de Cinema de Gramado, nos deparamos com projetos que chamaram nossa atenção, por casarem com a proposta do “Expedições ICA” e mostrarem que a faculdade é o momento de apresentar projetos que futuramente possam vir a dar frutos. Encontramos jovens que não tem medo de arriscar e que foram à Gramado acreditando em seus projetos cinematográficos. “Acho que o caminho é esse, é meter a cara e filmar”, foi o que disse o jovem cineasta e diretor do curta “A triste história de Kid Punhetinha”, Andradina Azevedo. O diretor Matheus Souza, que na ocasião participava do festival com o longa “Eu não faço a menor ideia do que eu tô fazendo com a minha vida”, provou que não precisa sair da faculdade para se produzir um filme premiado. Aos 19 anos, ainda estudante do 3° período do curso de

Cinema, Matheus filmou o longa “Apenas o fim”. E hoje, aos 24, lança seu segundo filme. “Escrevi em um momento de que crise que olhei para o espelho e falei ‘eu não faço a menor ideia do que eu tô fazendo com a minha vida’”, contou Souza sobre o roteiro do segundo filme, que retrata a dificuldade de uma jovem ao decidir o que cursar na faculdade. A dupla de diretores do curta “A triste história de Kid Punhetinha”, Andradina Azevedo e Dida Andrade, basearam o filme na história de um amigo, que por pressão dos amigos engravidou uma garota. “A gente sempre teve a vontade de trabalhar com o universo adolescente”, contou Dida Andrade. Para ele o período mais duro na vida é a adolescência. “As pessoas são muito sem noção”, destacou. Já Andradina Azevedo acredita que a participação no Festival de Gramado pode dar

uma boa visibilidade para a carreira deles, e também, para a carreira do filme. “Estamos tentando nos inserir no mercado, tomamos umas portadas às vezes, mas a gente não desiste”, declarou. O diretor, ainda, deu dicas para os jovens que querem se inserir no mercado cinematográfico. “Jovens filmem, filmem bastante. Acredito que, hoje em dia, a gente está realmente vivendo a democracia do cinema através do digital”, conta. “Acho que se você tem alguma coisa a dizer dentro de você, você tem dizer antes que ela morra e só se aprende filmando e filmando”, concluiu.

O cineasta Matheus Souza

O cineasta Andradina Azevedo


Imagem: Anderson Cleber

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eles levaram

O KIKITO

pra casa

Por Bárbara de Andrade

Entre os dias 10 e 18 de agosto, a cidade de Gramado ganhava um brilho especial. Um tapete vermelho que se estendia pela rua coberta até o Palácio dos Festivais mostrava para moradores e turistas que algo diferente ocorria na cidade. No meio do tapete, próximo à entrada do Palácio, uma grande estátua que se assemelha a um sol podia ser vista, a estátua do Kikito, que apresentava ao público a tão aguardada estatueta do 40º Festival de Cinema de Gramado.

Durante todo o festival, homenagens, exibições de longas e curtas e premiações ganharam espaço. Os filmes concorrentes foram divididos nas categorias Mostra Competitiva de Longas Estrangeiros, Mostra Competitiva de Curtas Nacionais, Mostra Competitiva de longas Nacionais. Além do Prêmio Assembleia Legislativa de Cinema - Mostra Gaúcha de Cinema. Os ganhadores dos Kikitos da 40ª edição do Festival de Cinema de Gramado foram:

LONGAS NACIONAIS:

CURTAS NACIONAIS:

- Melhor filme: “Colegas” (2012), de Marcelo Galvão

- Melhor filme: “Menino do Cinco” (2012), de Marcelo Matos de Oliveira e Wallace Nogueira

- Melhor diretor: Kleber Mendonça Filho, por “O Som ao Redor” (2012) - Melhor ator: Marat Descartes, por “Super Nada” (2012) - Melhor atriz: Fernanda Vianna, por “O Que se Move” (2012) - Melhor roteiro: Pedro Bial, por “Jorge Mautner O Filho do Holocausto” (2012) - Melhor fotografia: Gustavo Hadba, por “Jorge Mautner O Filho do Holocausto” (2012) - Melhor montagem: Leyda Napoles, por “Jorge Mautner O Filho do Holocausto” (2012) - Melhor direção de arte: Zenor Ribas, por “Colegas” (2012) - Melhor trilha musical: André Abujamra, por “Futuro do Pretérito: Tropicalismo Now!” (2011) - Melhor desenho de som: Pablo Lamar e Kleber Mendonça Filho, por “O Som ao Redor” (2012) - Prêmio do júri popular: “O Som ao Redor” (2012), de Kleber Mendonça Filho

- Melhor diretor: Gilson Vargas, por “Casa Afogada” (2011) - Melhor ator: Thomas Vinícius de Oliveira e Emanuel de Sena, por “Menino do Cinco” (2012) - Melhor atriz: Sabrina Greve, por “O Duplo” (2012) - Melhor roteiro: Marcelo Matos de Oliveira, por “Menino do Cinco” (2012) - Melhor fotografia: Bruno Polidoro, por “Casa Afogada” (2011) - Melhor montagem: Gustavo Forte Leitão, por “Di Melo - O Imorrível” (2011) - Melhor direção de arte: Iara Noemi e Gilka Vargas, por “Casa Afogada” (2011) - Melhor trilha musical: Marcos Azambuja, por “Funeral à Cigana” (2012) - Melhor desenho de som: Gabriela Bervian, por “Casa Afogada” (2011) - Prêmio do júri popular: “Menino do Cinco” (2012), de Marcelo Matos de Oliveira e Wallace Nogueira - Prêmio especial do júri: “A Mão que Afaga” (2011), de Gabriela Amaral Almeida

- Prêmio da crítica: “O Som ao Redor” (2012), de Kleber Mendonça Filho

- Prêmio da crítica: “Menino do Cinco” (2012), de Marcelo Matos de Oliveira e Wallace Nogueira

- Prêmio especial do júri: Ariel Goldenberg, Breno Viola e Rita Pokk, por “Colegas” (2012)

Prêmio Canal Brasil: - Melhor filme: “Menino do Cinco” (2012), de Marcelo Matos de Oliveira e Wallace Nogueira


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expedições ICA

depoimentos ANDERSON CLEBER: O Expedições me abriu os olhos pra vários eventos de cinema mais próximos, que eu poderia acompanhar aqui mesmo, em BH e nas cidades próximas. Ter conversado com diretores experientes, e outros iniciantes, agora ganhando projeção, me fez gostar do Cinema de um jeito especial, vestir a camisa de cada projeto que, embora eu não soubesse, leva tempo, dinheiro e muito cuidado pra ser feito. Isso precisa ser apreciado.

BÁRBARA DE ANDRADE: Expectativa! Esta é a palavra que define toda e qualquer nova experiência da vida. A ida à Gramado para cobrir um evento de tão grande proporção como o 40° festival de cinema de Gramado, não era apenas uma experiência fantástica, mas também, a oportunidade de nos inserirmos no mundo do “Jornalismo adulto”, conhecer pessoas novas e principalmente aprender.

DUDA GONZALEZ: Quando recebi o convite para participar da equipe do Expedições ICA sabia que se tratava de um novo desafio e muita responsabilidade, mas jamais pensei sair com tanta bagagem e certeza do mercado profissional de Cinema. Esse projeto me proporcionou mais do que o contato com uma cidade particularmente maravilhosa, nestes cinco inesquecíveis dias estive em contato com o mercado cinematográfico brasileiro e internacional. NATÁLIA ALVARENGA: Participar desse projeto foi um divisor de águas em minha vida. Gramado nos deu a responsabilidade como equipe, de planejar uma cobertura. Mas não uma cobertura crítica, ou técnica, como toda imprensa realizava. Nossa cobertura tinha o caráter experimental baseado no trabalho de campo em contato com esse evento grandioso. Somos jovens universitários, inexperientes e um pouco inseguros, mas tínhamos em nosso coração uma vontade enorme de consumir cada minuto daquela oportunidade.

FELIPE BUENO: Um misto de expectativa, emoção e responsabilidade. A participação no Festival de Cinema de Gramado foi uma experiência muito rica, uma vez que estávamos credenciados e tivemos a chance de participar das coletivas, assistir aos filmes e pelo fato de termos tido contato com diversos diretores e produtores de cinema, além dos profissionais da imprensa de todo o Brasil, que hoje fazem parte da nossa agenda de contatos.

Jornal-laboratório Contramão  

Edição 21+22 do Jornal-laboratório Contramão, do curso de Jornalismo Multimídia, do Centro Universitário UNA.

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