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Quanto vale um político? UNA - Ano 7 - BELO HORIZONTE - Setembro - Outubro 2014 Distribuição Gratuita JORNAL LABORATÓRIO DO CURSO DE JORNALISMO MULTIMÍDIA


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B CONTRAMÃO ON-LINE Acompanhe também o conteúdo no site contramao.una.br

EXPEDIENTE Núcleo de Convergência de Mídias (NuC) do curso de Jornalismo Multimídia do Instituto de Comunicação e Artes (ICA) – Centro Universitário UNA Reitor: Átila Simões. Diretor do ICA: Lélio Fabiano dos Santos. Coordenadora do curso de Jornalismo Multimídia: Piedra Magnani da Cunha. NuC/Coordenação: Jorge Rocha, Luiz Lana e Tatiana Carvalho. Diagramação: Jorge Rocha, Luiz Lana e Ana Sandim. Supervisão: Jorge Rocha. Revisores: Jorge Rocha, Tatiana Carvalho e Ana Sandim. Estagiários: Bárbara Carvalhaes, Italo Lopes, João Alves,Yuran Khan, Lívia Tostes, Luna Pontone e Umberto Nunes. Foto da capa: João Alves. Tiragem: 2.000 exemplares. Impressão: Sempre Editora

D Depois da Copa do Mundo realizada no Brasil, o tema que domina lares, mesas de bares e debates é a corrida eleitoral. Impossível encontrar um lugar ou momento em que não haja menção à sucessão presidencial – com ânimos mais acirrados no segundo turno – ou a composição dos cargos de senador e deputados federal e estadual. Mas será que o brasileiro tem a real ideia de quanto custa um político? Para responder essa pergunta, a repórter Luna Pontone (A) embrenhou-se em uma selva de tabelas, planilhas e prestações de contas, para verificar o valor financeiro dos cargos políticos que determinam o futuro do país. Ela ainda encontrou fôlego para entrevistar o lavador de carros Reginaldo Souza Reis, mais conhecido como “Tarzan de Belo Horizonte”, por morar em uma árvore na região central da cidade. Moradia também é o tema de Bárbara Carvalhaes (B), que escreve sobre as ocupações urbanas de Belo Horizonte, a partir do caso que ficou conhecido nas redes sociais como #resisteisidoro. Já Lívia Tostes (C) foi conhecer as cores e sabores do Mercado Central, revelando uma experiência própria, narrada em primeira pessoa e olhar jornalístico meticuloso com os detalhes. E é esse mesmo olhar que os novos contramanos Ítalo Lopes (D) e Umberto Nunes (E) (ambos de Jornalismo) e Yuran Khan (F) (de Cinema) esperam desenvolver. Os três juntam-se ainda a João Alves (G) (Publicidade) e aos demais na produção jornalística desta publicação e do site. Boa leitura!


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Há 10 anos, o Instituto de Comunicação e Artes do Centro Universitário UNA foi inaugurado. E para comemorar essa primeira década do instituto, o campus Liberdade esteve repleto de atrações especiais durante três dias no final do mês de agosto. Para iniciar, na quarta-feira, 27, o diretor Lélio Fabiano dos Santos abriu as comemorações com auditório lotado no teatro do ICBEU. Na mesma noite, alguns exalunos foram premiados como melhor TIDIR e melhor TCC dos cursos de Cinema, Jornalismo, Moda, Publicidade e Propaganda e Relações Públicas. No dia seguinte, 28, ocorreram mesas com debates sobre assuntos relacionados à cada curso. Na mesa de Jornalismo, o tema foi “Jornalismo, convergência e novos mercados”. Com a mediação do professor Evaldo Magalhães, os convidados para o debate foram Benny Cohen (editor de Mídias Convergentes da TV Alterosa e do Portal UAI), Alexandre Campello (repórter da TV Assembléia e professor universitário) e Tatiana Alves Carvalho Costa (coordenadora do Núcleo de Convergência de Mídias/NuC e professora do curso).

O grand finale das comemorações ficou para o último dia, 29, onde ex-alunos, alunos, professores, ex-professores, colaboradores e ex-colaboradores confraternizaram na “laje” do ICA, onde barraquinhas vendiam diversos tipos de alimentos, como feijão tropeiro, caldos, churrasquinhos e refrigerante, isso tudo regado a boa música. Para o coordenador dos cursos de Publicidade e Propaganda e Relações Públicas, Pedro Coutinho, a palavra reconhecimento resume os 10 anos do ICA. “Quando iniciamos, 10 anos atrás, em uma instituição reconhecida quase que somente pelos cursos de gestão, tínhamos praticamente visibilidade zero na área de comunicação. Hoje não só somos uma das maiores escolas de comunicação de Minas Gerais, como somos também considerados referência, ditando tendências que tendem a ser incorporadas pelas outras escolas”, explica.

Texto: Luna Pontone/Foto: Jéssica Natália (4º Período de Jornalismo)


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Cerca de 76% dos policiais militares desejam a desmilitarização, segundo levantamento realizado pelo Centro de Pesquisas Jurídicas Aplicadas (CPJA), da Escola de Direito da FGV em São Paulo e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em parceria com a SENASP. No Senado Nacional, tramitam diversos projetos de lei com objetivo de modificar a divisão das forças policiais no país, que é definida pela Constituição. Dentre estes projetos, o de maior destaque chama-se PEC 51, elaborado pelo então senador petista e candidato ao Governo do Rio de janeiro, Lindenberg Farias. Após as jornadas de junho de 2013, essa discussão ganhou ainda mais destaque na pauta dos movimentos sociais que defendem a desmilitarização da PM. Para compreender como o Comando da PMMG se posiciona quanto à proposta em pauta e entender como o novo regimento afetaria na formação e bases da polícia, o CONTRAMÃO conversou com o porta-voz da PM mineira, major Gilmar Luciano, e com ex-secretário Adjunto de Segurança Pública do Estado, Flávio Sapori. Os dois apresentaram pontos de vista diferenciados, mas bastante elucidativos. Durante os protestos, conforme mostrou o Jornal Contramão na sua edição 26, várias denuncias foram feitas pelos manifestantes a respeito de abuso de autoridade, espancamento e prisões irregulares. Sobre estes casos Gilmar Luciano é enfático. “Eu quero que me mostre os dados. Me tragam as denuncias e vamos analisar caso por caso”, declarou. Flávio Sapori aponta que os movimentos sociais no Brasil levantam a bandeira da desmilitarização, partindo da premissa de que o regime militar da polícia seria incompatível com a

democracia e os direitos humanos. “Se a estrutura policial forma profissionais com esta lógica, ele já vai trabalhar imbuído de uma agressividade que é incompatível com a democracia”, explica. Para o major Gilmar Luciano, o projeto que prevê a desmilitarização e unificação das polícias é completamente inviável. Segundo ele, se aprovada, a PEC geraria ônus ao erário público, pois toda estrutura de quartéis, batalhões, bem como o armamento, são de uso exclusivo das forças armadas e teriam que ser repassadas ao Exército Brasileiro. “A Polícia Militar funciona como uma reserva do Exército. Se tivermos que repassar toda a estrutura para o Exército, o Estado teria que arcar com a despesa de comprar novos aparelhagem”, pontua. Sapori refuta a argumentação do policial e afirma que o projeto não acarretaria em ônus para o estado. “Desmilitarizar seria na prática, realmente tirar todas as polícias do Estado brasileiro, do regime militar, o que implicaria, por exemplo na mudança de punição dentro da PM”, explica. Questionado sobre o apoio da própria Polícia Militar quanto ao projeto que prevê a desmilitarização, major Gilmar foi categórico ao afirmar que “150%” da polícia mineira não deseja a mudança, contrariando os dados da pesquisa. Para ampliar essa discussão, o Jornal CONTRAMÃO tentou aplicar um formulário simples para saber a opinião de um contingente expressivo da corporação, mas até o fechamento desta edição não havia recebido autorização para a realização da pesquisa.

Texto: Alex Bessas e João Victor Fernandes (4º e 6º períodos Jornalismo Multimídia) Foto: João Alves (6º período de Publicidade e Propaganda)

Polícias Militares apoiam a desmilitarização FBSP entrevistou polícias militares dos 27 estados brasileiros


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Guru do marketing

O simples de um jeito diferente No dia 02 de Setembro, a capital mineira recebeu o guru do Marketingno Palácio das Artes para o Seminário HSM The Best Of Philip Kotler. Entre os presentes, a maioria relatava que era uma oportunidade única, pois Kotler é uma pessoa que consegue agregar valor em coisas simples e faz isso de um jeito diferente. Desde o século passado, Philip Kotler vem sendo conhecido como o “Pai do Marketing Moderno” por suas pesquisas, conceitos e definições na área da administração. Com mais de 51 livros publicados ao longo de sua carreira, como Marketing 3.0 e Marketing de Crescimento: 8 estratégias para conquistar mercados, Kotler se transformou em um ídolo para grande parte dos estudantes e profissionais das áreas de Publicidade e Marketing Karen Dornas, professora de Marketing no Centro Universitário UNA, destaca que Philip Kotler coloca o profissional de marketing como aquele que transita em vários departamentos dentro da empresa, sendo aquele que dá apoio para as vendas. Para Juliana Lopes, profissional da área de Publicidade, o motivo pela qual Kotler consegue inspirar as pessoas está relacionado ao branding, ou seja, ao posicionamento e imagem da marca. “Ele enfatiza em seus livros que o marketing é essencial para qualquer negócio ou para qualquer investimento e ideia.”, ressalta Lopes. Kotler destaca que o surgimento das novas ferramentas tecnológicas despertou uma grande alteração no modo de fazer o Marketing.

Texto Bárbara Carvalhaes (4º período Publicidade e Propaganda) Foto: Internet

A carreira bem sucedida de Philip Kotler já gerou diversos prêmios por sua contribuição ao Marketing e ao Management. Atualmente ele é professor na Kellogg School of Management, da Northwestern University e presta consultoria para diversas empresas.


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Texto Luna Pontone 4º período (Jornalismo Multimídia). Foto: João Alves 6º período (Publicidade e Propaganda)


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Um Tarzan

na cidade grande Recebo uma mensagem da minha editora: “surgiu uma pauta sobre um cara que mora em uma árvore e é sua, se vira”. Reclamei, reclamei, reclamei. “O que de interessante há em uma pessoa que mora em uma árvore?”, pensei. Esse era meu pensamento, até que conheci Reginaldo Souza Reis. Também conhecido como Tarzan, ele cuida e lava os carros que estacionam na rua Bernardo Guimarães durante todo o dia. À noite, após seu expediente, ele sobe em uma árvore de aproximadamente três metros - em cinco segundos -, da forma mais natural possível, como se tivesse subindo as escadas de um prédio depois de um longo dia de trabalho.

Há mais de cinco anos, ele veio de Coronel Fabriciano para Belo Horizonte trabalhar com o tio em uma empresa. Segundo ele, o trabalho era chato e não rendia tanto dinheiro para ele se prender aquilo. Começou a cuidar de carros na rua e morar em hotéis. Com o tempo, foi ficando cansado de morar em um lugar que não era seu e também não era tão barato assim.

Comecei a caminhar em direção a árvore em que Reginaldo mora e pensei: como vou acha-lo? E se ele permanecer somente a noite? Meus editores vão me matar se eu não achar esse homem. “Ei moço, você conhece a pessoa que mora aqui?” e apontei. O rapaz de cabelos pretos e barba por fazer deu uma risada simpática e falou: “sou eu moça, o que você quer?”

Ele ficou lavando um carro durante todo o nosso bate papo. Estava tão solto e tão a vontade me contando sobre sua vida, que parecia que eu estava conversando com um amigo e não entrevistando uma pessoa. Ao conversar com o Tarzan, comecei a me questionar. Onde ele come? Onde toma banho? Por que ele mora aqui? O que as pessoas acham disso?

De início, Reginaldo ficou um pouco retraído para me contar sua história, mas com o passar dos minutos, o diálogo foi se tornando uma conversa e não uma simples entrevista pingue-pongue. “Ô menina, deixa eu te contar um negócio, eu me separei, mataram meu irmão e logo depois perdi minha mãe. Acho que fiquei com trauma de casa e por isso,gosto de morar na árvore”, explica o Tarzan belohorizontino.

Reginaldo sempre gostou de mato. “Se eu pudesse, faria uma casa na árvore para ninguém ficar me observando demais. Ou até mesmo moraria no meio do mato, onde não tem poluição. Quando eu viajo para o interior, se passo um dia fora, já me sinto melhor. Um dia no mato é como um ano na cidade”, esclarece.

“Comida nunca foi problema, o que eu mais faço aqui é comer. Almoço ali no restaurante todo dia e à noite, sempre cozinho.Tenho umas panelas aqui e acendo o fogo”, explica Reginaldo. Fico sabendo ainda que tomar banho também não é empecilho, uma vez que todos os dias ele vai no posto da esquina de sua “casa” e se higieniza por lá. Ele ainda me confessou que já tinha levado duas moças para “dormir” com ele em sua rede e elas adoraram o ambiente. “As

mulheres se sentem em casa e até querem morar aqui comigo, acredita menina? Elas acham isso meio perigoso, sabe? Acho que gostam disso”, gaba-se Reginaldo. Perguntei a sua amiga e colega de trabalho, Leninha, sobre o que ela acha do modo de vida que ele leva. “Acho um absurdo, sabe, moça? Porque ele ganha dinheiro e continua aqui. Pra que ficar na rua?”, desabafa. A dúvida de Leninha tem um certo sentido: como lavador de carros, Reginaldo fatura de R$ 2.500,00 a R$ 3.000,00 por mês. Ele na mesma hora ri e, balançando a cabeça negativamente,afirma que moraria lá por muito tempo, mas agora seu filho, está vindo morar em Belo Horizonte e será preciso alugar uma casa. Observo muito bem a rede em que ele dorme, o plástico que utiliza para cobrir a chuva, a caixa de isopor para as roupas limpas e a caixa de plástico lotada de roupas sujas. Penso também em todos os insetos e aracnídeos que pode ter naquele local, mas que Reginaldo jura que nunca foi incomodado por nenhum deles. Em pleno 2014, quem se dispõe a morar em uma árvore, ainda mais durante cinco anos? Por mais que essa loucura seja algo inimaginável, isso torna a história de Reginaldo tão fantástica. Me pego pensando no quanto eu bati o pé sobre essa matéria, por achar tudo muito louco e sem sentido. Para mim, continua louco, mas agora, penso: qual a graça do mundo se não tivermos pessoas assim?


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PARA QUE SERVE UM POLÍTICO? No dia 5 de outubro , os brasileiros foram às urnas para eleger presidente da república, deputados estaduais e federais, senadores e governadores. Mas você sabe o que eles fazem ? Quanto eles ganham? Qual a importância deles na hora de administrar o país em que vivemos? Quais são as cotas que eles têm além do salário? Temos acesso a esses valores? Desde o ano de 2004, foi criado o Portal da Transparência que, embora confuso, esclarece para o leitor as cotas e despesas que o governo federal tem no decorrer do ano - no caso, o que você escolheu pesquisar.Além disso, cada estado também têm o seu próprio portal da transparência, onde os gastos do governo ão colocados. Porém, somente em 2012 a Lei de Acesso à Informação entrou em vigor. Esta lei regulamenta o direito constitucional de acesso dos cidadãos às informações públicas, sendo aplicável aos três Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

telefonia, manutenção de escritórios de apoio à atividade parlamentar, fornecimento de alimentação para o parlamentar, hospedagem do parlamentar fora do Distrito Federal, entre outros. De acordo com o site da Câmara dos Deputados, o total de gastos das cotas parlamentares de 2013 chegaram a R$ 158.935.409,83. Os deputados estaduais são eleitos de acordo com o número de habitantes do estado. Ao todo, são 77 deputados estaduais de Minas Gerais que nos representam na Assembleia Legislativa.

Segundo o site da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, o salário bruto de um deputado estadual do nosso estado é de R$ 20.042,35 e com todos os descontos, cai para R$ 13.758,48. Assim como os deputados estaduais, eles também têm direitos a auxílio moradia mensal de R$ 2.850,00 e as despesas que se referem ao trabalho podem chegar ao limite mensal de R$ 20 mil.

Presidente

Senadores e Governadores

No Brasil, o cargo chefe do poder é do(a) presidente(a) da república. Ele(a) é responsável por exercer as funções de Chefe de Estado e Chefe de Governo, ou seja, ele(a) é encarregado(a) de administrar o país, aplicando as leis aprovadas, conduzindo a política econômica, entre outras diversas funções que trabalha junto aos Ministros do Estado.

Junto a Câmara dos Deputados, o Senado Federal forma o Congresso Nacional. Estes senadores são responsáveis por elaborar as regras de seu regime interno, processar e julgar os membros que têm grande poder sobre o Brasil, como Presidente e o Vice-Presidente da República, os Ministros do Supremo Tribunal Federal, Membros do Conselho de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, entre outros.

O(a) presidente(a) tem sua residência oficial situada em Brasília, no Distrito Federal. Seu salário bruto é praticamente o mesmo de um deputado, chegando a R$ 26.723,00 sem os devidos descontos de imposto de renda e previdência social. Deputados Os deputados estaduais e federais desenvolvem as leis que o poder executivo colocará em prática. E para criar uma lei, há todo um processo de elaboração e votação, para enfim, se for aprovada, ser colocada em vigor. Quanto um deputado federal ganha vai muito além do seu “simples” salário. De acordo com o site da Câmara dos Deputados, além dos R$ 26.723,13 mensais, eles ainda têm as cotas parlamentares e auxílio moradia. Por exemplo, a Câmara dispõe de 432 apartamentos, mas se o deputado preferir morar em outro local, ele recebe a “bolsa” moradia de até R$ 3,8 mil. E os benefícios não param por aí. Ainda têm as cotas parlamentares, que são as verbas que eles têm para passagens,

Além disso, os senadores também têm em sua responsabilidade o poder de aprovar, por maioria absoluta e por voto secreto, a exoneração, de ofício, do Procurador-Geral da República antes do término de seu mandato. O salário de cada senador é o mesmo de cada deputado e ambos têm os mesmos benefícios. Assim como o país tem seu representante máximo no poder com o(a) presidente(a) da república, os governadores têm a mesma função em cada estado, ou seja, de exercer a função superior da administração. O salário bruto de cada governador pode variar de estado para estado. O Portal da Transparência de Minas Gerais esclarece ainda que o governador ganha o valor de R$ 10.500,00 e diante dos outros estados, é um dos salários mais baixos.


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Texto: Luna Pontone (4º período Jornalismo Multimídia) Arte: Luiz Lana


10 contramao.una.br Texto e foto: Joao Alves (6º período Publicidade e Propaganda)

Congestionamentos, ônibus lotados, motoristas e passageiros insatisfeitos, esses são alguns dos problemas que ocorrem nas grandes metrópoles. Após três anos de estudos, uma pesquisa conclui que Belo Horizonte é a terceira pior cidade em mobilidade urbana do país. A pesquisa foi divulgada em agosto pelo Observatório Urbano das Metrópoles, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INTC) e ainda é pauta na Semana Nacional do Trânsito, que foi comemorada durante os dias 18 e 25 de Setembro. Os dados foram analisados a partir do Censo de 2010 e concluíram que 33% levam entre meia hora e uma hora e 21% gastam mais de uma hora entre a sua casa e o seu local de trabalho. As últimas pesquisas realizadas entre 1992 mostram que houve um aumento no tempo médio no deslocamento entre casa e o trabalho. Com a Copa do Mundo, em muitas capitais, inclusive em Belo Horizonte, foi implantado o Sistema de Transporte Rápido, o MOVE. Logo em sua implantação muitas queixas foram feitas pelo os seus usuários e a BHTrans admitiu que o sistema ainda não estava pronto e que a sua frota ainda estava em testes. Passados mais de quatro meses, ainda é possível ver um cenário caótico para o transporte publico de BH. De acordo com o estudante Maxi Emiliano Silva, “A viagem para Santa Luzia que levava uma hora ate o bairro Nossa Senhora de Fatima, agora leva uma hora e meia, é como se todos os dias o trânsito estive engarrafado”.

A crescente precarização e lotação dos meios de deslocamentos têm feito que o tema mobilidade urbana esteja mais presente em debates públicos, noticiários e na internet. É o caso do site Não Move, que conta com um espaço para os internautas soltarem o verbo e fazerem reclamações sobre o transporte público. De acordo com o site, as reclamações sobre desrespeito com o usuário e superlotação lideram o numero de reclamações. A usuária Claudete desabafa “esses ônibus (MOVE 50, 51, 5250) são superlotados, qualquer hora do dia ou da noite. Como se não bastasse, possuem poucos lugares para viajarmos sentados e os números de carros na linha são insuficientes para atendimento à população que reside no vetor norte”. De acordo com o Plano de Mobilidade Urbana de Belo Horizonte, disponibilizado pela Prefeitura, a implantação e o termino das obras deverão ocorrer até 2016. Além disso, é esperada uma melhoria na circulação do tráfego na área central em função do aumento de atratividade do MOVE, a redução de números de automóveis na capital e a implantação da rede cicloviária e de caminhamento à pé. Outro cronograma mostra que de 2017 á 2020, é esperada a eliminação de gargalos na cidade através da melhoria na circulação viária e que os usuários possam usufruir a totalidade dos benefícios disponibilizados, como por exemplo, a tarifa e as estações integradas.

MOBILIDADE URBANA


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EM PASSOS

DE TARTARUGA


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TALVEZ SEJA SÓ O COMEÇO Transtornos causados pela queda do viaduto

Era época de Copa do Mundo e em plena correria para entregar as obras de mobilidade urbana dentro do prazo, um viaduto caiu em Belo Horizonte. O dia 3 de Julho ficou marcado pela tragédia que ganhou destaque internacional: a alça sul do viaduto Batalha dos Guararapes, situado na Avenida Dom Pedro I, desabou sobre quatro veículos deixando vinte e três feridos e dois mortos.

alternativa - demolir ou recuperar a alça", destaca Salgado.

A construtora Cowan, empresa responsável pelas obras, divulgou em nota que a causa do acidente foi um erro de planejamento. O projeto apontou falha na estrutura de aço construída para sustentar o pilar - o informe apresentado pela empresa mostra que apenas um décimo da quantidade de aço necessária para sustentação foi utilizada.

CONTRAMÃO foi em busca de algumas respostas por parte da Defesa Civil e da construtora Cowan. Os questionamentos foram a respeito das vistorias nas casas da região e sobre quem está arcando com os custos das hospedagens dos moradores dos edifícios Savana e Antares, localizados ao lado do viaduto. Até o fechamento desta edição nenhuma resposta foi obtida.

De acordo com o professor e doutor em Engenharia, Sebastião Salvador, o acidente no viaduto não teria ocorrido por dez décimos a menos de aço, e sim por noventa porcento a menos. “A armadura existente no bloco é da ordem de 1/6 a 1/10 do necessário, então tem muito menos ferro que deveria”, ressalta Salvador.

Moradores da região

No dia 26 de agosto, o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, anunciou que a implosão do viaduto iria ocorrer dia 14 de Setembro, mas a ação foi embargada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, sob alegação de risco iminente de acidente de trabalho. A construtora Cowan aceitou as adequações feitas pelo MTE em seu projeto de demolição e teve o embargo da implosão do viaduto suspenso no último dia 9 de setembro. Sebastião Salvador, em entrevista para o CONTRAMÃO, declarou que a alça norte contém o mesmo erro de projeto da alça sul e alerta o risco de uma segunda queda. Para o engenheiro, "só um estudo bem minucioso que vai dizer qual é a melhor

Texto: Bárbara Carvalhares. Foto: Joao Alves (4º e 6º períodos Publicidade e Propaganda)

A questão mais problemática a respeito do viaduto é o risco que existe em ambas situações, tanto ao recuperar quanto ao demolir. Segundo Sebastião, um projeto viável deve ser feito por várias alternativas, levantando o custo de cada, mais os gastos sociais. Se a opção for demolir, o custo da reconstrução deve ser levado em conta.

Maria Cecília mora em uma rua adjacente á Avenida Olympio Mourão Filho e relatou que sua casa não passou por nenhuma vistoria após a queda da alça sul do viaduto. Segundo ela, no último dia 30 de agosto, uma representante da Defesa Civil compareceu em sua casa. “Eles estavam fazendo a vistoria caso aconteça algo com a casa, pelo fato de estar próxima do viaduto porque no dia 14 eles vão fazer a demolição”, declara Cecília. Guilherme Senra vive na avenida em que situava o viaduto e relatou que sua casa não passou por nenhum processo de vistoria. “Eles deveriam ter realizado uma vistoria na minha residência porque quando o viaduto caiu, a casa tremeu. Não estou sabendo de nada a respeito deste assunto. Tudo que eu sei é o que acompanho pelos jornais”, relata Senra.


OCUPA BELO HORIZONTE Desde o dia 6 de agosto, oito mil famílias que habitam as ocupações Rosa Leão, Esperança e Vitória, mais conhecidas como “Ocupações do Isidoro”, instaladas no terreno da Granja Werneck na região Norte, enfrentam o drama de serem despejadas. A situação social tensa comprova: no Brasil, a falta de moradia é um dos assuntos mais temidos pelos cidadãos de baixa renda. As famílias reivindicam a regularização fundiária das ocupações com a instalação de redes de energia, água e esgoto. O advogado Joviano Mayer, que responde pelo Coletivo Margarida Alves, declarou em entrevista ao programa Extra-Classe exibido pelo Sinpro Minas, na TV Bandeirantes, que havia feito uma denúncia para a relatoria especial da Organização das Nações Unidas (ONU) e uma medida cautelar para a Organização dos Estados Americanos (OEA). Estas denúncias abordavam o descumprimento de preceitos e diretrizes que devem ser observadas no cumprimento de ações de reintegração de posse dessa natureza e o terrorismo psicológico feito por parte da Policia Militar de Minas Gerais com relação a essas famílias. No último dia 8 de agosto, foi organizada uma reunião na Faculdade de Direito da UFMG para articular campanhas nas redes sociais em solidariedade e contribuir com a resistência das ocupações da região do Isidoro. Vários internautas a favor da causa postaram fotos com uma placa contendo a hastag “#resisteisidoro”. Até mesmo o cantor e compositor Tom Zé se juntou a causa e apareceu com o cartaz, quando esteve se apresentando em Belo Horizonte, na Virada Cultural. De acordo com Joviano, após a denúncia, a Corte

setembro/outubro de 2014 13 Texto: Bárbara Carvalhares (4º período Publicidade e Propaganda) Foto: Lívia Tostes (3º período Jornalismo Multimídia)

Interamericana recebeu a cautelar e requereu a juntada dos dados - todos os dados e provas relacionadas ao processo - para as famílias para poder analisar o pedido. “Quanto à Relatoria, como não se trata de órgão de execução, o que pode ser feito é a inclusão deste conflito nos relatórios seguintes sobre o direito à moradia no mundo. Não sei se poderiam fazer algo além disso. Talvez enviar uma recomendação ao Estado Brasileiro, mas acho pouco provável”, relata Mayer. Em entrevista durante o lançamento da 21ª edição do Orçamento Participativo da Capital para os anos de 2015 e 2016 (para o Jornal da Alterosa), o prefeito Marcio Lacerda declarou que entre os moradores das ocupações há criminosos e alguns deles ainda portam armas de fogo. Lucas Nasser, pesquisador das Ocupações Urbanas pelo Programa de Pesquisa/Extensão da UFMG Cidade e Alteridade, relata que durante todo tempo de experiência na área nunca viu nenhum incidente desse tipo. “Sugiro ao prefeito visitar as ocupações urbanas e conversar com as pessoas. Grande parte das pessoas são mulheres e crianças que por não ter onde morar, ou morar de favor, optaram por morar nas ocupações”, conta Nasser. A Polícia Militar confirmou no dia 9 de setembro que a operação de despejo dos moradores das ocupações iria ocorrer a partir do dia 15 deste mês.Até o fechamento desta matéria, o CONTRAMÃO não obteve informações se o despejo se iniciou.


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AS CORES E AROMAS Como é possível andar em um labirinto sem se perder? Esse labirinto que estou me referindo fica localizado entre as ruas Santa Catarina, Goitacazes, Curitiba e Augusto de Lima, em pleno centro de Belo Horizonte. Sabe de onde estou falando? Esse mesmo, o Mercado Central. Moro na cidade há pouco tempo, mas desde criança frequento os corredores do Mercado Central com minha mãe, que anda por ali como se estivesse em casa. Depois de velha, mudei para a capital e como uma boa belo-horizontina que venho me tornando, não pude deixar de andar pelos corredores do famoso mercado e desfrutar de tudo que posso encontrar ali dentro. Sou uma pessoa bem curiosa e não me dei por contente em apenas passear por seus corredores. Tratei logo de conversar com a administração para saber um pouco da história daquele lugar incrível e, aproveitando o aniversário de 85 anos, fiz um tour pela exposição que apresenta toda a história com uma moça muito simpática, a Silvia Drumond,

Texto: Lívia Tostes (3º período Jornalismo Multimídia)

que cuida da área de eventos. Entre uma conversa e outra, ela me contou a história de Natanael Israelita Silva, que toda semana passa para ver a exposição e da última vez levou uma fotografia de 60 anos atrás, na qual ele - ainda moleque estava ao lado do pai, que era um frequentador assíduo do Mercado Central. Depois de conversar com Silvia, que voltou para seu trabalho, continuei meu caminho pelo labirinto, conversando com figuras que estão por ali quase uma vida. Conheci o seu Percy, o rei do alho, o seu Jacir, o rei do fubá e o seu João, o rei da feijoada. O Mercado Central é praticamente um palácio, mas cada rei no seu quadrado, ou melhor, na sua barraca. Todos esses reis têm cerca de 50 anos que estão por ali, criaram seus filhos com o dinheiro suado do trabalho diário, sem folgas no final de semana. Alguns cresceram e viraram doutores, mestres e professores, outros seguiram a profissão de comerciante do pai, onde trabalham lado a lado. A gente pensa que a rotina deles é a mesma: todos os


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DO MERCADO CENTRAL dias às 7 horas da manhã estão lá, abrindo as portas com um sorriso na cara e permanecem por lá até às 18 horas. Errado! Para quem trabalha com o público, cada dia é diferente: uma história nova, um sorriso novo, um freguês novo e todos contam isso com muita alegria e ressaltam, que hoje não precisam trabalhar tanto, pois tem os filhos seguindo seus caminhos. São várias barracas, o cheiro de erva, de frutas desidratadas e frescas (o abacaxi ... como cheira aquela praça), o cheiro do fumo, o cheiro (ruim) dos animais, o cheiro da carne, o cheiro da fritura e da cerveja. E que loucura são os bares! Fiz questão de me sentar, pedir uma porção de fígado acebolado (olha que nem gosto, mas a moça toda carismática me convenceu a experimentar) e uma cerveja bem gelada. Ali fiquei, observando o público que frequentava aquele local na manhã de sábado. Algumas pessoas pareciam que nem tinham dormido, saíram da balada e continuaram bebendo

manhã adentro. Grupos de amigos de todas as idades comemoravam a chegada do final de semana e o merecido descanso no Mercado Central, naquele corredor que é pura fumaça da chapa de fritura. . Para finalizar meu tour pelo labirinto, dou de cara com uma noiva fazendo um ensaio fotográfico. Diferente de todas aquelas fotos chatas e tradicionais em um jardim ou numa rua bonita. Uma pena que ela estava muito ocupada com todo o ensaio e não tive a oportunidade de conversar com a moça. Apenas desejei um belo casamento e que tinha certeza que seria inusitado, como o local onde escolheu para fazer as fotos do book. Depois dessa vivência no Mercado Central, batendo papo com pessoas incríveis, comerciantes criativos e muitas histórias engraçadas, posso falar que ele se tornou minha paixão em Belo Horizonte.

Foto: Ana Sandim


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ESPECIAL

Você já conhece a Rua da Bahia? Acesse o site contramao.una.br um especial que o Contramão e as alunas do 5º período do curso de Jornalismo Multimídia preparou para você.

Jornal Contramão Edição 29  

Jornal Laboratório do Centro Universitário UNA

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