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nº 16

contr amão Ano 4 - Julho/ Agosto2011 Distribuição Gratuira

JORNAL LABORATÓRIO DO CURSO DE JORNALISMO MULTIMÍDIA - UNA

- Redes Sociais - Ventos de Esperança - A Arte da Lutheria - Desculpa, foi Engano... - Yes, I did


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Editorial

Foto da capa

Edição Anterior

Redes soci@is “De onde viemos? Para onde vamos? Será que lá tem internet? Ou você é alguem@algum_lugar.com ou você não é nada.” Bob Frankenberg (*)

Cardápio Variado Nesta edição de Contramão há um cardápio variado de reportagens que abrange das artes à política, passando pelos serviços ao cidadão. O resgate do período do regime militar (1964-1985), por meio da criação do Memorial da Anistia, é tema de reportagem. Organizado por ex-combatentes da ditadura, o projeto vai reunir documentos, depoimentos e todo tipo de material que vierem a compor esta cena histórica. Na área de serviços, instituições fundamentais aos cidadãos são vítimas de trotes telefônicos. Este é o tema da reportagem “Trotes Samu, Corpo de Bombeiros e PM”. Lata, cano PVC, madeira, pote plástico? Tudo isto pode se transformar em arte. Conheça os detalhes esta mágica nesta edição. Um nome anda de boca em boca no Brasil e no mundo: rede social. Uma febre. A sociabilidade humana vivenciada nas telas de um computador ganha uma reportagem nesta edição. Por fim, um ex-estagiário de Contramão, que esteve em intercambio nos Estados Unidos, em uma bem-humorado relato, Yes, I did, recorda sua temporada nos States. Tenham todos uma boa leitura!

EXPEDIENTE Jornal laboratório do curso de Jornalismo Multimídia do Instituto de Comunicação e Artes - Centro Universitário UNA Reitor: Prof. Pe. Geraldo Magela Teixeira Vice-reitor: Átila Simões Diretor do ICA: Prof. Silvério Otávio Marinho Bacelar Dias Coordenadora do curso de Jornalismo Multimídia: Profª Piedra Magnani da Cunha Contramão - Tel: (31) 3224-2950 - contramao.una.br Coordenação: Reinaldo Maximiano (MTb 06489), Tatiana Carvalho e Cândida Lemos Diagramação: Débora Gomes Revisor: Roberto Alves Reis Estagiários: Andressa Silva, Anelisa R. Santos, Bárbara de Andrade, Débora Gomes, Felipe Bueno, Marcos Oliveira, Marina Costa, Thaline Araújo e Vanessa C.O.G Tiragem: 2.000 exemplares Impressão: Sempre Editora

Por Marina Costa Arte: Laiza Kertscher OPINIÃO

Vicente e a caixa mágica O fim de tarde amenizava o tom cinza da cidade de concreto. A luz entrava pela janela do apartamento, criando um efeito mágico para aquele lugar, tudo parecia ter vida naquele momento. Resplandecia, naquele ambiente, uma caixa velha, cheia de histórias, que mais tarde seria jogada no lixo. As mãos alvas e ávidas tocaram o material de papelão e frágil como ele é, rasgou. Alice desce o elevador do seu prédio inquieta, algo se somava ao peso da caixa. O porteiro se confunde ao se dirigir a Alice: “Boa tarde... Boa noite!”. Ela, desconfortável e impaciente, o respondeu um quase inaudível “boa noite”. Não tardou para que ela sentisse o alívio ao depositar a caixa na lixeira da calçada. Era o fim daquela velharia. Em casa, Alice já havia esquecido por completo o conteúdo e o peso daquela caixa. No dia seguinte, o primeiro filete de luz do sol dissipara por completo toda a névoa que encobria as almas nas ruas. No entanto, a visibilidade do dia não evidencia os rostos que a escuridão da noite ocultava. De certo, a correria do dia a dia deixa as pessoas menos atentas aos detalhes, aos simples gestos e as ruas e os seus moradores. As mesmas almas que flanavam anônimas pelas ruas que vivem e sofrem as intempéries do tempo, não perderam a vivacidade. Pois para elas o mundo pode se abrir numa caixa abandonada, com histórias que alguém desprezou. No lixo, livros de Clarice Lispector, discos de Noel Rosa e Cartola, revistas dos anos 1930 e películas se deteriorando. Foi Vicente quem achou a caixa mágica e viu o seu conteúdo. Seus olhos brilharam diante do que imaginaria possuir; na verdade, sobre o que poderia dividir com os seus companheiros. Vicente, um morador de rua, não tem sobrenome. Em suas mãos um rolo de filme foi o que mais despertou sua atenção, e de seus amigos também. As peripécias de Carlitos em O Vagabundo, essa era a história da fita laminada. Curiosamente, era uma história bem semelhante àquela dos senhores no que tange a simplicidade, a cordialidade e ingenuidade de ser. De fato, um conteúdo de peso, mas o que levaria alguém a se livrar dele? Por Felipe Bueno

O conteúdo deste artigo não expressa a opinião do Contramão

Você sabe como funcionam, realmente, as redes sociais? Não? Nem imagina? O ambiente digital está se tornando um modo de vida e ferramenta de trabalho para muita gente. Não existe nada mais eficiente de que as redes sociais para interação dessas pessoas. Tudo que fazemos online nos remete a uma comunicação com o outro, o envio de um email, fórum, chat, jogo online e, principalmente, as redes sociais. Segundo a jornalista Cínthia Demaria, a rede social é a forma mais usual de relacionamento entre usuários da web. “Há redes para todos os gostos e tipos, e não são exclusivas para relacionamento virtual. Muitos

grupos são formados em meios físicos e são consolidados na web”, explica. Hoje é quase impossível pensar em usuários de internet que não estejam conectados a nenhuma rede de relacionamentos. Além do conceito de diversão, instituições privadas e públicas, utilizam a ferramenta para interagir com seu público. O que antes era apenas para entretenimento tornou-se uma poderosa fonte profissional que pode contribuir positiva como negativamente. Empresas e redes sociais Em atividades como colaboração, troca de informações e fonte de pesquisas, o avanço das redes sociais tem rápida aceitação. No início, eram consideradas fontes de dispersão, principalmente

para funcionários mais jovens. Mas as empresas ganharam características profissionais e impactaram o mundo coorporativo. Algumas companhias ingressaram nesse mundo com ações direcionadas ao atendimento a clientes, via Facebook e Twitter. O consultor da TGT Consult Waldir Arevolo afirma que esse uso convergente da mídia está se mostrando a melhor prática do mercado. Usar as inovações das redes e se aproveitar da coletividade para gerar boas experiências “é uma forma de manter a marca sempre em evidência, aprimorar os serviços e impactar os negócios”, diz. O maior problema das redes sociais é o mau uso. Por serem uma ferramenta de uso pessoal e pro-

fissional, muitas pessoas abusam da ética para usála. Muitas ofensas e trocas de informações desnecessárias, ou que ferem a lei, são habitualmente usadas por usuários. O mesmo acontece com as empresas. “Não saber lidar com críticas ou não usar as redes para interagir com os usuários é uma enorme falha”, exemplifica Damaria. Usando o canal como compartilhamento de notícias O blog midiassociais.net publicou uma pesquisa global realizada pela CNN com 2.300 consumidores de vários países , que revela benefícios gritantes para as notícias que são compartilhadas nas social media. Foi utilizada a semiótica, com técnicas avançadas de neuro-marketing para se chegar aos resultados.

Acompanhe alguns resultados “A notícia agora não é mais só responsabilidade do veículo que a publica, mas de todos os usuários que acessam o seu conteúdo e confiam nas informações”, afirma a analista de redes sociais Érica Navarro. Para ela, o fato de as mídias sociais liderarem a preferência de compartilhamento entre os usuários deve-se principalmente à redução do tempo e à praticidade de divulgação instantânea. “É mais prático do que enviar um email”, exemplifica. Ela diz que esses dados nos levam a crer que os veículos online vivam a incessante corrida pela adaptação de conteúdo nesse novo filtro de informações, que deve liderar a preferência dos leitores por um bom tempo.

(*) Bob Frankenberg é americano engenheiro de computação e executivo de negócios. Foi presidente e CEO da Novell Inc., e trabalhou 21 anos na HP.


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Ventos de esperança Por Felipe Bueno

que era contra o regime militar e ficou reprimida durante 21 anos, no intervalo de 1964 a 1985. O material para a composição do memorial constituído por documentos, depoimentos e fotos virá do Arquivo Nacional e de doações de familiares de presos políticos e dos próprios envolvidos. Para o Brasil, falar desse momento ainda é um desafio. Entidades no mundo que trabalham na defesa aos Direitos Humanos, como a ONU, cobram transparência e investigações de abusos praticados durante a Ditadura Militar. Inserido num contexto de bipolarização política no

mundo, outros países da América Latina também sofreram com golpes de governo e a imposição dos governos anti-democráticos. Na Argentina e no Chile, um dos países em que a ditadura foi mais intensa, a luta contra o autoritarismo e abusos cometidos pelos ditadores é algo existente até os dias de hoje. Por meio de investigações e julgamentos muitos militares estão sendo condenados à prisão, mesmo depois de se ter passado muito tempo. Além de terem memoriais dedicados à preservação da história do período ditatorial.

Foto: Divulgação

Ideologicamente trabalhado no mesmo conceito do lema da bandeira do estado de Minas Gerais, “Libertas quae sera tamem”, o movimento pela anistia terá um memorial sediado em Belo Horizonte. O Memorial da Anistia será um espaço interativo que contará um período obscuro da história do Brasil. O memorial está sendo construído com verbas do Ministério da Justiça e vai funcionar na antiga sede do curso de Psicologia, que funcionava na Faculdade de Ciências Humanas da

UFMG (Fafich), na rua Carangola, 288. O prédio era chamado de “coleginho”. A proposta é de que seja um ambiente onde explore a percepção e os sentidos das pessoas, de modo que haja vídeos, fotos, áudios e documentos. Essa é uma tendência de inovação de lugares que guardam a informação de um determinado assunto, algo parecido com o Museu da Língua Portuguesa na Estação da Luz em São Paulo. Previsto para ser inaugurado em 2012, o memorial tem por objetivo preencher lacunas e resgatar o discurso de parcela da população brasileira,

Entrevista

história oficial, a história do poderoso, a do vencedor. Então é necessário que pós-ditadura, depois no processo de redemocratização o outro lado também relate sua versão e os fatos que aconteceram. A Anistia é um recorte do período da ditadura, que por sua vez foi um tempo crítico da história do Brasil. O tema do memorial está ligado à contestação das idéias de um governo ditatorial. Naquela época poucos ousavam discutir sobre a situação, um temor ainda presente na atualidade. Qual foi o respaldo para se reconstituir a memória desse momento que ainda não está livre da censura? Maria Christina: Há hoje um fortalecimento da democratização no mundo, que está experimentando uma onda de luta contra qualquer tipo de regime intransigente. Na América Latina, nós temos visto há alguns anos que os governos ditatoriais a cada dia estão caindo como caem cartas de

A idéia inicial foi a de selecionar, guardar e reservar em um só local todos os processos brasileiros que passaram pelo Ministério da Justiça via comissão de anistia. Todo arquivo da luta pela redemocratização no Brasil vai estar aqui. Assim todas as informações contidas nos processos da anistia que eram pessoais e foram tornados públicos farão parte desse memorial. Os uruguaios também perseguidos A uruguaia Carmen Aroztegui mudou-se para Porto Alegre em função da perseguição política sofrida por sua família em plena Ditadura Militar no Uruguai, em 1973. Hoje é professora na Escola de Arquitetura na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ela recorda que “no Uruguai sempre houve uma intenção que a ditadura tivesse uma legitimação. A ditadura começa assim, você reprime você expulsa pessoas de esquerda do trabalho e não os permitem sobreviverem”. Para Aroztegui, “a palavra anistia está recoberta de uma idéia de que existiram dois bandos. O que aconteceu é que existia uma política de estado de repressão, não era uma guerra, onde existiam os nazis e os aliados. Existia um exército e uma política de estado que detinha mecanismos institucionais de repressão e de abusos aos Direitos Humanos de forma sistemática. Isso na verdade é que foi anistiado”. A censura draconiana Alberto Carlos Dias Duarte, membro da Associação dos Amigos do Memorial da Anistia, foi um militante nas diversas lutas pelos Direitos Humanos durante a Ditadura Militar brasileira. Para ele, “pobre é um país sem história. Nós temos que resgatá-la, mesmo porque o golpe da ditadura foi em 1964, já se passaram muitos anos. Nós estamos hoje batalhando pelo aperfeiçoamento da democracia”. Duarte lembra que durante a ditadura militar havia censura: “Eu mesmo fui diretor de dois jornais alternativos, o Jornal Movimento e o Jornal Em Tempo. A censura era drástica, draconiana nesse país. Então com esse memorial, nossa pretensão é divulgar o máximo, permitindo o acesso de todos aos documentos”.

Foto: Felipe Bueno

O Jornal Contramão entrevistou seis pessoas que pertencem à Associação dos Amigos do Memorial da Anistia, entidade que organiza o projeto que pretende resgatar as lutas políticas e sociais do período do regime militar no Brasil (1964-1985), bem como reunir depoimentos, documentos e outros materiais de pessoas que foram presas, torturadas, perseguidas e assassinadas no período. Os entrevistados são Maria Christina Rodrigues, Valéria Ciríaco Carvalho, Carlos Alberto de Freitas, Maria Clara Abrantes Pêgo, Jorge Antônio Pimenta Filho e Alberto Carlos Dias Duarte. Como nasceu a idéia de um memorial dedicado a anistia? Maria Christina: O memorial vem de uma proposta não só brasileira, mas também mundial no sentido de estar resguardando, guardando e procurando transmitir para as gerações futuras a história. Porque normalmente num período de ditadura você tem a visão da

baralho. Então essa sustentação, essa veia democrática e dinâmica é a vontade da busca do aprofundamento de ideários políticos justos e livres da intolerância. Belo Horizonte e o conjunto do estado de Minas Gerais tiveram uma participação importante na luta contra a repressão política. Como o senhor vê a importância de grupos de oposição na cidade e a sua atuação? Como o memorial vai abordar Belo Horizonte na história da anistia? Jorge: A história da luta democrática no Brasil e da esquerda não deixa de passar primeiro por Belo Horizonte. Muitos partidos e organizações políticas começaram aqui na cidade, como por exemplo, alguns grupos ligados a seguimentos que se deslocaram do antigo Partido Comunista Brasileiro (PCB), ou mesmo setores sociais que se deslocaram da igreja e construíram a ação popular. Maria Christina: Quando se fala muito na formação de um partido operário como o PT, nós não podemos achar que a história começou no ABC, a história das organizações sindicais e das sublevações antecede a isso. Na década de 60 nós tivemos os movimentos na Cidade Industrial e o massacre de Ipatinga. Então Minas Gerais tem uma história que precede a década de 70 dentro dos movimentos sindicais, operários e sociais. Como o memorial vai trabalhar? Como foi feito o recolhimento de documentos? Carlos Alberto: O recolhimento está sendo e será feito através do arquivo público nacional, através de todos os documentos daquelas pessoas que foram anistiadas e também de documentos públicos que estão no arquivo de Belo Horizonte, além de doações de anistiados e familiares de pessoas implicadas. São 70 mil documentos oriundos da comissão nacional da anistia. A Ditadura Militar está permeada por lacunas, uma vez que a censura e a propaganda do governo propiciaram a alienação da população. Uma parcela do povo não sabia o que estava acontecendo no país, a outra tinha medo de falar, criando assim um quadro de esquecimento e falta de reflexão. Visto isso quais foram as dificuldades enfrentadas na criação do memorial? Como foi montar esse quebra-cabeça? Maria Christina: Todo memorial é dinâmico. Então o recolhimento do material é constante e contínuo.

Reunião dos membros da Associação dos Amigos do Memorial da Anistia


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A arte da lutheria “Toda alma, é uma música que se toca.” Rubem Alves Por Débora Gomes e Marcos Oliveira “Eu não sou luthier. Me considero um construtor de instrumentos alternativos, pois para ser um luthier, tem que se especializar estudar muito. Quando eu tiver uns 60, 70 anos, consigo, quem sabe, ser um”, conta Salin de Sá. Salin, 40 anos, constrói instrumentos a partir de latas, cano PVC, madeira reaproveitada, potes plásticos e outros materiais que provavelmente iriam para o lixão. Luthier ou não, Salin também é poeta, arte-educador, músico, desenhista e futuro design. Quando era adolescente, Salin ganhou de alguns amigos uma bateria feita de latas de alumínio. Intrigado com o presente e sem fazer nenhum curso, alguns anos depois costruiu seu primeiro tambor e se especializou na pratica com instrumentos de percussão. Oriundo de família pobre, Salin não teve oportunidade de estudar em cursos voltados para a arte. “Mas nada te impede de se tornar um grande luthier sem estudar em lugar algum. Seu eu fosse esperar estudar para começar a trabalhar, estava ferrado”, conta. O artista cria instrumentos de percussão, sopro e corda, com base em estudos que ele mesmo faz com a ajuda de livros e da internet “Meus instrumentos são criados, mas ao

mesmo tempo já existem, seja na Europa, Mesopotâmia ou na África”. Salin também apresenta forte influência oriental nas suas construções e na filosofia “Não acredito em dom, Deus não seria injusto de dar um ‘dom’ a um e não aos outros”, relata. A realidade de Salin é bem diferente do luthier Marcelo Vianna. Marcelo estudou por cinco anos na Civica Scuola di Liuteria de Milão, referência mundial na lutheria. Em 1998 Vianna formou-se e hoje é um dos poucos especialistas em viola e violino barroco renascentista no mundo. “Geralmente quem procura meus instrumentos são músicos profissionais, que já trabalham com música barroca, com instrumentos com padrões da época”. Marcelo Vianna trabalha com violinos, violoncelos e violas de época e também modernos, em um atelier no seu apartamento. Sozinho, o luthier constrói na madeira parte da historia da musica clássica. “A luteria é uma arte, mas uma arte que tem ciência, tudo começa antes no papel, como uma casa”. Mesmo tendo se capacitado tanto, o luthier mineiro, se sente predestinado a praticar seu oficio. “Claro que o estudo é importante, mas o que vai te diferenciar de outros profissionais é o dom, a técnica com o tempo de trabalho vem, mas o dom ou você tem ou não tem”, afirma.

Foto: Felipe Bueno

Fotos: Débora Gomes e Marcos Oliveira

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Desculpa, foi engano... Trotes recebidos pela policia, bombeiros e Samu prejudicam o atendimento Por Anelisa Ribeiro, Bárbara de Andrade e “Essa redução parece das escolas são os mais Marina Costa pouco, mas no volume de usados por eles. “Nos meatendimento, estimado em ses de julho, dezembro e O Serviço de Atendi- dois mil atendimentos por janeiro, época das férias mento Móvel de Urgência dia, ainda é muito grande”, escolares, esse aumen(Samu), a Polícia Militar de esclarece a gerente do to chega a 20%”, revela. O CBMMG e a PMMG Minas Gerais (PMMG) e o Samu, Maria Silvia Lucena. desenvolvem projetos de Corpo de Bombeiro Militar conscientização dos pais. de Minas Gerais (CBMMG) Conscientização “É importante os pais ensão os alvos preferenci- Segundo o Corpo de sinarem aos filhos a só utiais dessa brincadeira que, na verdade, é um crime. Bombeiros, crianças e ado- lizar este serviço de urgên O assessor de im- lescentes são os principais cia quando realmente prensa da PMMG, Ge- responsáveis pelos trotes necessário, de forma cordir Rocha, revela uma e os horários que antece- reta e com responsabilimodesta diminuição nos dem a saída e a entrada dade”, destaca o Capitão números. “Já teve época que a cada 10 ligações, 4 eram trotes, cerca de 40%. Hoje, a média é de 25% a 30%, a cada 10 ligações recebidas 2,5 a 3 ligações são trotes”, compara. O Corpo de Bombeiros informa que no mês de abril, das 7,8 mil ligações recebidas, em Belo Horizonte e Região Metropolitana, cerca de 40% não era ocorrência real, uma queda de 5% em relação ao mesmo período de 2010. O Samu já chegou a receber 20% de trotes, em 2010, hoje, recebe uma Maria do Amparo Ribeiro, advogada média de 18% de trotes.

Thiago Miranda. “É importante o acompanhamento dos pais, orientando em relação ao prejuízo que isso pode causar”, endossa o Capitão Gedir Rocha. O Samu desenvolve nas escolas o “Samuzinho”. “Existe um projeto vindo do Ministério da Saúde, de conscientização nas escolas, para mostrar para as crianças o que é o Samu e qual a importância dele”, explica. Crime A advogada Maria do Amparo Ribeiro de Oliveira, explica que o trote é contravenção penal. O Código Penal Brasileiro, em seu artigo 340, diz sobre a Comunicação falsa de crime ou de contravenção. A advogada destaca que “a pena é de detenção, de um a seis meses, ou multa”. “As penas para quem comete esse tipo de infração, que usa autoridade para dispersar um trabalho eminente de perigo, colocado à disposição da população brasileira”, explica Maria do Amparo.


Fotos: Henrique Muzzi

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Yes, I did! Por Henrique Muzzi 1º de março de 2010. Interessado em conhecer os EUA, comecei a avaliar propostas de intercambio work and travel (viagem e trabalho) e fechei contrato com a Ober Gatlinburg Ski Station. No Consulado Norte-Americano, em São Paulo, consegui o visto de trabalho, o famoso J1 que concede ao estudante universitário a condição de ficar nos Estados Unidos durante cinco meses trabalhando e um a passeio. No Consulado, depois de uma breve entrevista em inglês, passei no teste. Podia comemorar minha ida. 6 de dezembro de 2010. Embarquei no voo Belo Horizonte-Miami. O destino final era Knoxville, Tennessee, onde trabalharia em uma estação de esqui em Gatlinburg. As expectativas eram grandes, conhecer um país diferente, pessoas novas e, enfim, saciar a minha curiosidade de entender, um pouco, a cultura norteamericana. Já nos aeroportos fiquei deslumbrado com a estrutura interna, os guichês de informação as atendentes poliglotas, as esteiras amplas. Muito diferentes dos aeroportos brasileiros. Do aeroporto de

Knoxiville, fui para uma grande casa onde compartilharia vários momentos, ao lado de 80 estudantes de todo o mundo, com idade entre 18 e 28 anos. A maior parte deles, era do Brasil e da Argentina, porém havia peruanos, chilenos, russos e tailandeses. Vivíamos em quartos com três ou quatro estudantes em cada um. A cozinha e a lavanderia eram de uso coletivo. Comecei a trabalhar na estação. A grande quantidade de gírias me chamou a atenção. O operador de caixa, Michael Joergersson, 27, disse que elas variam de estado para estado. “Nós, do estado do Tennessee, utilizamos o inglês rápido, e com muitas gírias. Muitas pessoas que vêm de Nova Iorque ou de outros estados do norte às vezes não entendem o que dizemos. Chega a ser engraçado”, comenta Cada dia trabalhado era uma nova aventura, pois não tinha uma posição fixa. Fui vendedor, carregava boias de um lado para outro, desligava máquinas, fazia patrulha de cabos de esqui, andava na neve em busca de aparelhos eletrônicos perdidos por clientes, fazia limpeza dos lixos, entre outros. No primeiro mês sen-

ti a diferença climática, a dificuldade de entender o inglês e a pesada carga horária de trabalho: cerca de 10 horas diárias. Pensei em voltar. Porém, sabia que tudo aquilo tinha um sentido e poderia ser uma grande experiência de vida. Depois de seis semanas já me acostumava com o trabalho. O inglês melhorou. Comecei a “engolir” a comida local. McDonalds, Pizza Hut, Friday’s faziam parte do meu dia a dia. Grande parte da população acima dos 40 anos tem obesidade mórbida nos EUA. A estudante norte-americana Callie Tavucku, 20, acredita que a população, em geral, não se preocupa com isso. “Muitos preferem a facilidade de comer em um fast food, pois a comida é barata e viciante, dan-

do menos importância para a saúde”, acredita. A volta Já no Brasil, descobri que muito falta ao nosso país para se tornar uma potência. Segurança pública, melhorias nas estradas, aeroportos de qualidade, transporte publico de alto padrão, entre outros fatores, estão bem abaixo se comparados aos dos países desenvolvidos. O Brasil tem tudo para ser uma grande potência: terra boa para plantação, clima tropical além das belezas naturais fantásticas não encontradas em nenhuma parte do mundo. Temos que querer transformar. Precisamos de uma reforma na política e no social, o Brasil tem tudo para ser, mas devemos confiar no que temos em nossas mãos.

Henrique Muzzi, 3º período jornalismo.

Contramão no.16  

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