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nº15

contramão Ano 4-2011 Distribuição Gratuita

JORNAL LABORÁTORIO DO CURSO DE JORNALISMO MULTIMÍDIA - UNA

- era uma casa que não tinha nada - Tá caindo fulô -cultura em evidência - uma pirueta... duas piruetas...


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Foto da capa

Edição Anterior

OPINIÃO

A tal da paciência Vizinho gritando, bebê chorando, chefe reclamando, professor cobrando, fila no banco, fila na padaria... fila no restaurante, na farmácia, no supermercado. Haja paciência! Quem consegue ter paciência nos dias de hoje? Tem faltado paciência para nossa sociedade, mas onde e como encontrar? Se alguém souber onde achar, por favor, me conte, tenho procurado a minha há algum tempo.

Foto: Etiene Martins Meninas de Sinhá Belo Horizonte - MG

Editorial Esta edição de o Contramão está bem focada nas artes e nas manifestações culturais. O malabirista urbano é o tema da reportagem do aluno Vitor Hugo. O grupo Meninas de Sinhá, do Alto Vera Cruz, ganha nossas páginas pela redação de Etiene Martins. Já a aluna Izabela Pacheco faz uma crônica sobre a falta de tempo e paciência das pessoas. Marcos Oliveira, por sua vez, assina a reportagem sobre o coletivo de artistas contemporâneos, Kaza Vazia, uma iniciativa cuja proposta é ousada e surpreendente. Reportamos, ainda, a inauguração da Casa UNA de Cultura, espaço privado para uso da população de Belo Horizonte, abrigado no emblemático casarão do início do século XX, então, pertencente à família de Afonso Penna, na rua dos Aymorés. A Casa UNA de Cultura é uma das realizações do Centro Universitário UNA alusivas ao seu aniversário de 50 anos. A edição destaca a presença do Sr. Wildes que visitou a redação de o Contramão. Quando da cobertura do velório do exvice-presidente, José Alencar, no Palácio da Liberdade, em 31 de março, entre as entrevistados pela nossa equipe, estava o Sr. Wildes, que cantou uma música composta por ele em homenagem a Alencar. O vídeo, postado no Contramão on line, foi visto pelo nosso personagem que gostou e veio, pessoalmente, agradecer. Esta ‘estória’ é importante, no mínimo, sob dois aspectos quando se busca ensinar e aprender jornalismo. O sr. Wildes viu que aqueles “meninos” da reportagem eram sérios. Durante a reportagem, na Praça da Liberdade, disseram que o vídeo sairia e saiu, na data e no espaço combinados. Assim, nasceu um compromisso cidadão que deve orientar o jornalismo, a fidelidade e honestidade com as suas fontes. Outro aspecto importante, evidenciado neste episódio, foi a prática da reportagem. Em tempos de banda larga e de buscas automáticas na internet, o ser humano, razão da atividade jornalística, tem ficado em segundo plano. As belas “estórias” humanas, os personagens que inspiram e acrescentam, muitas vezes, têm ficado em último plano. Os números, entretanto, ganham realce. O que são números e dados estatísticos se não tiverem por trás personagens que têm vidas pulsantes? Enfim, ao encontrar o sr. Wildes e tantos outros personagens/cidadãos no velório, os aprendizes de jornalismo perceberam a importância do corpo a corpo na construção da notícia. Um bom aprendizado.

Se existisse uma fábrica de paciência, seria tão mais fácil enfrentar um trânsito parado, com carros buzinando (e você lá com aquela tranquilidade, paciência e serenidade, sem envelhecer, porque falta de paciência envelhece!). Mas quem disse que o que é fácil a gente dá valor? Isso é só porque nós, seres humanos, somos um pouco complicados. Ouvi dizer por aí que, para conseguir a grande virtude de se ter paciência, precisamos exercitar a mente e trabalharmos o espírito com energias positivas, talvez até plantar uma horta, criar um cachorro ou até mesmo escrever uma crônica! “Ihh”... Será que vou ter paciência para isso? A verdade é que o problema de não se ter paciência é que você pode fazer com que as outras pessoas te tenham como arrogante, mal educado e ninguém quer que as pessoas pensem isso! Mas essas pessoas que podem o ver assim podem também estar sem paciência para aguentá-lo. Então, pronto! Está todo mundo sem paciência! A falta da paciência pode te fazer muito mal. Ela normalmente não aparece sozinha e vem sempre acompanhada de um amigo, o estresse. Esse, em conjunto com a falta de paciência, pode te fazer um mal danado. É comprovado por médicos que eles podem causar doenças, e eu não quero ficar doente, então é melhor eu ir procurando minha paciência ou um médico. Vou tentar trabalhar meu espírito e minha mente, e sugiro a você fazer o mesmo. A vida é curta demais para ficarmos perdendo paciência com o que quer que seja. Respire fundo, conte até dez, pense em coisas boas, o mundo não vai parar por conta da sua falta de paciência. Vou terminando por aqui, porque minha paciência já acabou! Espero que você ache a sua, porque eu já vou indo procurar a minha! Por Izabela Pacheco O conteúdo deste artigo não expressa a opinião do Contramão

EXPEDIENTE Jornal laboratório do curso de Jornalismo Multimídia do Instituto de Comunicação e Artes - Centro Universitário UNA Reitor: Prof. Pe. Geraldo Magela Teixeira Vice-reitor: Átila Simões Diretor do ICA: Prof. Silvério Otávio Marinho Bacelar Dias Coordenadora do curso de Jornalismo Multimídia: Profª Piedra Magnani da Cunha Contramão - Tel: (31) 3224-2950 - contramao.una.br Coordenação: Reinaldo Maximiano (MTb 06489), Tatiana Carvalho e Cândida Lemos Diagramação: Débora Gomes Revisor: Roberto Alves Reis Estagiários: Andressa Silva, Anelisa R. Santos, Bárbara de Andrade, Daniel Lemos, Débora Gomes, Felipe Bueno, Marcos Oliveira, Maria Amélia, Marina Costa e Thaline Araújo Tiragem: 2.000 exemplares Impressão: Sempre Editora

“Era uma casa que não tinha nada...” Coletivo de artistas contemporâneos discute a divisão dos espaços da arte e a urbanização das cidades Por Marcos Oliveira e Matheus Azevedo

Uma casa sem moradores, abandonada, jogada às traças, cupins, ratos e invasões tempestivas é o lugar ideal para uma galeria de arte. Pelo menos é assim que acontece com o Kaza Vazia, um coletivo de artistas independentes que, há cinco anos, ocupam os lugares mais insólitos e incomuns para promover e discutir os caminhos da arte. “Estamos na busca de um espaço expositivo não tão restrito como nas galerias, os museus e as bienais, e que fosse gerido pelos próprios artistas”, explica o artista plástico Hernani Fernandes. O Kaza Vazia começou como uma iniciativa dos alunos recém formados da Escola de Belas Artes da UFMG, que não encontravam espaço no seleto mercado artístico mineiro. “Procuramos fazer arte em cima desse lugar que a gente ocupa, como se fosse um suporte”, esclarece Fernandes. Hernani Fernandes, 24, é artista e estudante da escola de Belas Artes, e encontrou no Kaza Vazia a identificação estética e conceitual para desenvolver a sua perspectiva de criação: “A Kaza dialogava muito com o que eu acreditava como arte”. O artista se juntou ao grupo em 2008 e já participou de duas edições do projeto. O projeto já teve 10 edições e, em cada uma delas, o grupo ocupou um lugar diferente. Além das casas abandonadas, os “kazeiros” já ocuparam o Parque Municipal e o edifício Maletta, no centro de Belo Horizonte, além dos convites aceitos para se instalar em um antigo casarão em Ouro Preto (MG) e em um apartamento no emblemático Edifício Pedregulho, no Rio de Janeiro (RJ). Esse “coletivo de arte contemporânea”, conta atualmente com a participação

de 10 artistas. “O legal do coletivo é que ele é aberto. Qualquer um pode vir e se juntar ao grupo, como também qualquer um pode ir embora.”, explica Hernani Fernandes. A artista plástica e poeta, Raissa Machado, 22 é “kazeira” desde a 4° edição do projeto. Na ocasião, em 2007, o grupo, ao lado de artistas convidados, fez uma intervenção em um apartamento em reforma no Conjunto Habitacional IAPI, no bairro São Cristóvão. “Lidar com o vazio em um espaço e na escrita é muito custoso. São muitas as sensações que aparecem daí trabalhamos em cima disso”, explica Raissa. “O Kaza me leva pra uma experiência única, sempre. Toda casa fala, revela, pede alguma coisa, tem seu próprio cheiro, sua marca, seu tempo”, analisa. Marconi Marques é integrante da Kaza Vazia desde o início do projeto. “Eu trabalho desde a 5ª edição com a criação de blogs, desenvolvo peças gráficas, produzo textos com pretensões descritivas e/ou poéticas. Na última edição documentei em vídeo vários momentos do grupo”, conta Marques. Na época em que conheceu o grupo, se identificou com a proposta que foi emendando cinco ocupações consecutivas. “Destaco a ocupação do Edifício Pedregulho, como a mais importante, pelo conceito ampliado de casa e vazio, em que o embate com a vida real foi intenso, numa aproximação com a comunidade diante de uma arquitetura imponente”, explica. Todos os conceitos e projetos do Kaza acabam por esbarrar em questões urbanas que extrapolam os parâmetros da arte. A Kaza Vazia é mais do que um simples aglomerado de artistas. “A Kaza foi evoluindo

com o passar do tempo e ficamos mais próximos da intervenção urbana”, confirma Hernani Fernandes. Entre as influências do coletivo Kaza Vazia estão as vanguardas brasileiras inauguradas na década de 1960, em especial o trabalho de Hélio Oiticica. O grupo, também, propõe intervenções em suas obras e instalações contando com a participação do público no “modus operandi artístico”, como definem. Para que o Kaza construa uma ocupação, é feito um estudo com os artistas/membros e agregados, levantados em mesas de debates chamados de “mezas vazias”. Em uma dessas mezas, o grupo conheceu Joviano Mayer, membro da ONG Brigadas Populares que propôs uma ação na Comunidade Dandara (uma ocupação de sem-teto na região metropolitana de BH), com a criação de uma galeria de arte. Aceitado o desafio, em abril do ano passado, a Kaza

Vazia passou a produzir, com moradores do assentamento, ensaios fotográficos, piqueniques, oficinas para artistas e moradores. Os kazeiros também ajudaram na construção de diversas casas no terreno do Dandara. Além das oficinas de pedreiro oferecidas pelos moradores para artistas, os kazeiros realizaram oficinas de pipa, teatro, arte em argila e dança. “Nossa relação com o Dandara foi sempre pautada na base da troca, aprendemos juntos com a comunidade. Hoje, nos falamos da forma mais informal possível”, explica Hernani Fernandes. Onde mais o Kaza pode ocupar? Essa pergunta fica pairando no ar, entre as frestas das ocupações, nas janelas desprotegidas. O kaza ocupa também os condomínios virtuais que podem ser acessados por meio do portal do projeto: http://kazavazia.blogspot.com

Foto: Acervo KV

Ernani Fernandes na comunidade Dandara


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Fotos: Etiene Martins

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grupos de capoeira, dança afro hip hop, essas coisas de jovens. Na hora que vimos aqueles jovens, aquelas meninas lindas no palco dançando, algumas das mulheres do grupo falaram: Nós não vamos subir lá de jeito nenhum!”, lembra Dona Isabel. “Eu morria de medo de rirem de mim. Cheguei a falar com as meninas para irmos embora sem apresentar”, admite. Mas Dona Valdete se manteve firme: “Vamos, gente, vai ser bonito, todo mundo vai gostar”. Mas ninguém queria subir ao palco. Até Valdete, que estava incentivando às amigas, confessou mais tarde estar com receio de ser vaiada. Cheguei a pensar: “Meu Deus, essas pessoas não estão acostumadas com velhos lá em cima”. Mesmo assim, elas decidiram apresentar. “Quando nós subimos, houve aquele silêncio, a gente Lar Feliz escutava até o barulho dos carros Inicialmente, o grupo se passando. Eu pensei: Meu Deus, chamava Lar Feliz. Com esse depois desse silêncio, o que nome foi feita a primeira virá?”, recorda Dona Valdete. apresentação para um público “Durante a apresentação, eu de duas mil pessoas em uma observava a platéia só para ver festa de rua no Alto Vera Cruz. se tinha alguém com cara de “Nesse evento se apresentaram quem ia vaiar”, revela. Então, várias atividades, entre elas, expressão corporal para idosos. Fiz e me senti muito bem. Foi aí que pensei: é isso que meu grupo precisa”, revela. Após uma conversa com o Diretor de Cultura da Prefeitura, Dona Valdete conseguiu a liberação de uma professora para trabalhar com o grupo, por três meses apenas. A semente estava plantada. Os encontros ocorriam três vezes por semana: segunda, quarta e sexta. Nas segundas e quartas, elas faziam expressão corporal e, nas sextas, relembravam das brincadeiras de infância como chicotinho queimado, passa anel, barra anel e dança de roda. “Muitas delas não tiveram a oportunidade de brincar na infância por ter que trabalhar precocemente”, revela Dona Valdete.

Tá caindo Fulô! Por Etiene Martins

O nome do grupo já virou verbete no dicionário mineiro: Meninas de Sinhá, que tem feito mais de 30 senhoras, com idades que variam dos 50 aos 93 anos, circularem pelos palcos nacionais com instrumentos em mãos. São mães, avós e, até, bisavós responsáveis por sustentar financeiramente e moralmente seus lares. Os cabelos já estão parcial ou totalmente esbranquiçados como que endossando o que disse o poeta: “a poeira da idade não tem como apagar”. Mais do que cantar e tocar cantigas de roda, o grupo prima pelo desenvolvimento da auto-estima, sempre em busca da excelência e com o objetivo de tornar a vida das mulheres mais alegres e distantes da depressão que advém com o avanço da idade, contribuindo, assim, na formação emocional e cultural dessas senhoras. O projeto foi fundado há 15 anos por Valdete Silva Cordeiro, uma militante pelos direitos civis. Na época, Valdete morava em frente ao posto de saúde do bairro Alto

Vera Cruz e via as mulheres saindo com sacolas cheias de antidepressivos. “Elas tomavam remédio para comer,

para dormir, para preocupação, para viver, enfim. E isso me entristecia”, relata Dona Valdete. “Então, comecei a

Meninas: cantigas de roda melhoram a auto-estima

conversar com essas mulheres que me diziam que tomavam o remédio porque sentiam uma angústia e uma tristeza. Comecei a notar que elas precisavam melhorar a autoestima e cuidar mais de si”, explica. Preocupada em ajudar, Dona Valdete resolveu convidar essas mulheres para um batepapo semanal. No início, eram somente três. “Elas me respondiam que tinham mais o que fazer. Uma até me disse que o tanque dela estava cheio de roupa para lavar”, lembra. Aos poucos, esse número foi aumentando e mais mulheres começaram a participar da reunião. Além das conversas, uma ensinava para a outra o que sabia fazer, e a confecção de fuxicos, tapetes, bichinhos e bonecas tornou-se, aos poucos, uma terapia. “Assim, elas ganhavam um dinheirinho extra”, completa Dona Valdete. No entanto, algumas mulheres continuavam fazendo uso de antidepressivos. “Eu fiquei novamente sem saber o que fazer. Então, teve um projeto na escola do bairro com

as senhoras de lenço na cabeça e vestido rodado vermelho disseram a que vieram: “Tá caindo fulô, ohoh... tá caindo fulô, oh oh... lá do céu, cai na terra, oh... ta caindo fulo”. “A gente só escutava coisas do tipo: eu não consigo fazer aquilo que elas fazem!”, recorda Dona Valdete. Quando a apresentação de “dança de roda” terminou, o grupo Lar Feliz foi aplaudido. “Muita gente chorou”. Esse foi o empurrãozinho moral que o grupo necessitava para continuar firme e forte com seus encontros de cantoria e dança. Em 8 de dezembro de 1996, o grupo se apresentou, oficialmente, com um novo nome: Meninas de Sinhá. De lá para cá, já dividiram o palco com artistas como Jair Rodrigues, Daniela Mercury e Gilberto Gil; conquistaram diversos prêmios culturais; participaram de um filme; e já preparam o segundo CD para 2011. Além das apresentações, as Meninas também realizam oficinas lúdicas em instituições sociais e trabalhos filantrópicos em asilos, creches, penitenciárias, escolas e hospitais.

Está enganado quem acredita que o grupo pretende encerrar sua caminhada. As meninas estão cheias de planos para o futuro como realizar mais ações para valorizar o idoso, publicar material didático cultural e social para crianças e um livro de poesias e brincadeiras. Vida longa às Meninas de Sinhá.

Centro Cultural Alto Vera Cruz

O Centro Cultural do bairro Alto Vera Cruz oferece várias oficinas e atividades culturais gratuitas. Mais informações, pelo telefone (31) 3277 5612

Da esquerda para a direita: Neide Auxiliadora, Maria Geralda, Maria Mercês, Doralina e Ephigênia Romualda


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Fotos: Débora Gomes

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Personagem: Wyanes Barbosa – o malabarista da Rua da Bahia

Uma pirueta... duas piruetas... Foto: Vitor Hugo Rocha

Cultura em evidência

Por Vitor Hugo Rocha

No cruzamento das ruas da Bahia e Gonçalves Dias, entre carros e flanelinhas, o toque lúdico do malabarista urbano Wyanes Barbosa, 27, destoa diante dos movimentos mecanizados de pedestres e aos olhos dos motoristas que esperam pela luz verde para engatar a primeira marcha. Quando o sinal abre, tem-se o intervalo do espetáculo, o trânsito retoma a sua rotina até que a luz vermelha entre em cena novamente. A manipulação de objetos circenses conquistou espaço nas ruas de Belo Horizonte e se tornou uma das atividades preferidas de quem quer unir lazer, concentração e, em muitos casos, ganhar uns trocados, como é o caso de Barbosa. “Acredito no que faço, busco novas formas de chamar a atenção do meu público para conquistar o meu espaço e garantir os meus trocados”, afirma. Na rua da Bahia, o sinal fecha e o malabarista faz das

Novo espaço, intimista e aconchegante, promete aproximar cultura da população Por Débora Gomes

A população de Belo Horizonte ganhou mais um espaço cultural. Antiga residência do filho do expresidente da República, Afonso Pena, a construção do início do século XX é palco agora para a Casa UNA de Cultura. Localizado na Rua Aimorés, 1.451, no bairro de Lourdes, o espaço, aberto ao público e sem fins lucrativos, foi criado com o objetivo de promover um encontro entre a arte, a cultura, o conhecimento e a população, oferecendo cursos, palestras, oficinas, exposições e outras manifestações artísticas. O ambiente aconchegante busca remeter ao visitante a sensação de estar em sua própria casa. “A gente trabalha muito com o conceito ‘entre, a casa é sua’”, relata a coordenadora da Casa UNA de Cultura, Janaína Vaz. O espaço conta com três salas menores planejadas inicialmente para exposições e oficinas, uma maior com capacidade para receber até 50 pessoas, uma recepção e uma sala de estar. De acordo com o gestor cultural da Casa, Guaracy Araújo, a intenção é adaptar o espaço aos poucos, a partir da demanda e à medida que surgirem novos acontecimentos que exijam mudanças. “Propomos uma gestão mais colaborativa, mais dialogada”, explica. O edifício, tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha), tem capacidade para receber até 80 pessoas.

“É uma determinação do Iepha, pois os prédios antigos não possuem sustentação suficiente para suportar muito peso”, justifica Janaína Vaz. Para a coordenadora, é importante ainda trabalhar o diálogo e a conversação para que se estabeleça uma troca de saberes, já que a Casa está preparada para receber um público diversificado. Para comportar os ambientes, o Casarão passou por uma revitalização, reparando pequenos danos como desgastes no chão e o envelhecimento na tintura e madeiras das paredes. “Por ser um prédio tombado pelo Iepha, não podemos mexer em algumas partes, como a da frente”, explica Guaracy Araújo.

“A sala maior, planejada para receber palestras e exibir filmes, por exemplo, foi dividida. Pedimos autorização para o Iepha e só então retiramos a parede que dividia a sala em duas”, informa o gestor cultural da Casa.

atuar na área cultural. “Esse projeto é um interesse antigo da UNA e a sociedade também participa das ações”, destaca. “A Casa é um presente do Centro Universitário para a cidade”, diz.

Presente para a capital O projeto de implantação da casa cultural se desenvolve há alguns anos e tomou forma definitiva em meados de 2010. A ação é parte das comemorações do cinquentenário do Centro Universitário UNA. Para a coordenadora da Casa, o centro cultural é resultado de vários estudos realizados pela instituição com a finalidade de

Links: Confira a agenda com a programação da Casa Una no site http://www. casauna.com.br Veja vídeo sobre a inauguração no nosso site: http://contramao.una.br

avenidas o palco, munido do Fire Flowersticks (flor de fogo). Por instantes, Barbosa domina as faixas de pedestres, embora, para alguns, Wyanes Barbosa se torne, não um malabarista, mas o “homem invisível”. “É uma pena que o nosso país não valorize a arte circense. Quando faço minha exibição, algumas pessoas fecham os vidros dos carros, me enxergam como um assaltante de sinal”, explica. Wyanes Barbosa nasceu em Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba, em São Paulo. Aos 25 anos, começou a treinar malabares e abandonou sua família para dar sequência a essa profissão. Hoje, o malabarista sonha em trabalhar em um grande circo e se profissionalizar. “Com esse trabalho, tenho o privilégio de visitar vários estados. Essa é a melhor forma de sobreviver”, garante. “Gosto muito de me apresentar em sinais de trânsito, pois conquisto o carinho das pessoas”, completa.

Bravo! Segundo a lenda, o malabarismo surgiu numa ilha chamada Malabar. Lá, os jovens deviam exibir suas habilidades com os malabares num ritual que celebrava a entrada na maioridade. A História diz que o malabarismo tem raízes mais antigas do que muitos esportes populares. Registros indicam que a arte é praticada há milhares de anos. A partir do século XIX, os malabaristas passaram a combinar a técnica com acrobacias, equilíbrio e manipulação de objetos. O malabarismo consiste em manter objetos no ar, lançando e executando manobras e truques. Também existem malabarismos nos quais se manipulam objetos em contato com o corpo. Mas indiferente de qual seja exige disciplina e treino constantes. Muitos malabaristas deixaram o seu lugar marcado na história. Anthony Gatto é um recordista no malabarismo e é considerado como um dos melhores no ramo. Hoje, ele faz parte do Cirque du Soleil, sonho de muitos artistas circenses. O circo, que nos primórdios, apresentava números com cavalos e outros animais, diversificou o espetáculo com apresentações de saltimbancos munidos de malabares. Muitos palhaços incorporaram o malabarismo em suas apresentações e as duas formas de entretenimento povoam o imaginário do público. Mas muitos malabaristas contemporâneos criticam a concepção que vê o malabarismo como uma forma de entretenimento de circo.

O gestor cultural da Casa, Guaracy Araújo, e a coordenadora Janaína Vaz.


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HIPERLOCAL Uma visita inesperada Fotos: Felipe Bueno e Marcos Oliveira

A redação do Jornal esteve no velório de José Alencar no Palácio da Liberdade no dia 31 de março de 2011. Na ocasião, os estagiários realizaram várias entrevistas e entre tanto tumulto, encontraram Sr. Wildes de Souza, um aposentado que compôs uma canção de despedida para o ex-vice-presidente. O vídeo teve quase 100 acessos desde a postagem e no mês de maio, o compositor prestigiou a redação com uma visita agradável e surpreendente. Como não podia deixar de ser, entre horas de conversa, Sr. Wildes apresentou novas canções, algumas guardadas na cabeça, outras que surgiram aos poucos, com temas que mandava a ocasião. A matéria sobre a visita do Sr. Wildes e também a cobertura completa realizada no velório do ex-vicepresidente José Alencar, você pode conferir no nosso site: http://contramao.una.br.

Sr. Wildes

Os estagiários Bárbara, Marcos, Thaline, Débora, Andressa e Anelisa

Jornal Contramão 15ª edição  

Jornal laboratorio , desenvolvido pelos alunos do curso de Jornalismo Multimidia do Centro Universitário Una em Belo Horizonte

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