JornalCana 284 (Setembro/2017)

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MERCADO

Setembro 2017

DIVULGAÇÃO

EDUARDO VASCONCELLOS ROMÃO, PRESIDENTE DA ORPLANA

“Estamos atentos” Presidente da principal entidade de associações de fornecedores explica porque o produtor de cana foca cada vez mais suas atenções no mercado sucroenergético

elaborou 19 projetos estratégicos para os próximos dez anos, como fortalecer a comunicação interna e externa, levar o conhecimento gerado no setor ao produtor para torná-lo mais eficiente na produção e ter um negócio rentável e sustentável, além de ampliar a atuação da entidade em Minas e no Centro-Oeste. Mais da metade desses projetos está em curso.

BRÁS HENRIQUE, DE RIBEIRÃO PRETO (SP)

Eventos como a Fenasucro são uma oportunidade também para o produtor/fornecedor investir em tecnologia para o seu negócio nas próximas safras? Sim, a feira é importante no cenário do agronegócio e o produtor participa do evento, como é tradição, para fazer negócios e conhecer as novidades. A busca por ganhos tecnológicos para baixar os custos é incessante para permanecer no negócio. E também teremos o Encontro Internacional de Produtores, um evento dentro da feira marcante para fortalecer a comunicação. É uma oportunidade de vitrine e divulgação da nossa imagem, além do contato internacional com os demais produtores.

‘O produtor de cana-de-açúcar está atento ao mercado e na busca por eficiência e no aumento da produtividade. Por isso marca presença em eventos a Feira Internacional de Tecnologia Sucroenergética (Fenasucro), realizada em agosto, em Sertãozinho (SP). Mas não é só isso. Além de frequentar eventos, o fornecedor de cana participa de mobilização da categoria. Eduardo Vasconcellos Romão, presidente da Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (Orplana), explica, na entrevista a seguir, sobre tendências do setor e de sua entidade, que contempla 24 associações de fornecedores de São Paulo, 4 de Goiás, 4 de Minas Gerais e 1 do Mato Grosso/Mato Grosso do Sul). Juntas, as associações da Orplan integram 17 mil produtores que fornecem cerca de 70 milhões t cana/ano. Tamanho volume equivale a 12,5% de toda a cana-de-açúcar processada pelas unidades da região Centro-Sul do país. JornalCana - O sr. preside a Orplana desde 2016. Qual a tendência do papel do fornecedor de cana? Eduardo Vasconcellos Romão Nesse período, minha administração

O produtor de cana está satisfeito? Não podemos ser ingênuos e desconsiderar os oito anos de política pública equivocada, que a renovação do canavial não foi a contento, a fertiliza-

ção, o controle de pragas e doenças. O ano de 2016 foi o primeiro dentro de um cenário mais adequado, a falta de açúcar no mercado internacional puxou o preço e tivemos essa oportunidade. Teve um certo alívio. E neste 2017? Neste ano os preços já regrediram um tanto além do que imaginávamos e temos que nos reposicionar para ver como atravessar esse momento. É preciso ter como política pública o RenovaBio, iniciativa do governo federal e do setor como um todo para colocar o etanol na matriz energética e tirá-lo do mercado à vista. O produtor de cana está se movimentando para ampliar a produtividade e, consequentemente, o lucro? Tudo é causa e consequência. 2016 já foi um alento, mas não o suficiente. A busca por eficiência é constante, assim como a sustentabilidade. Cerca de 100 técnicos extensionistas das 33 associações da Orplana estão levando resultados de pesquisas ao nosso produtor, do Centro-Sul, para mudar o seu patamar de produção, tornando-o mais eficiente no processo para aumentar a produtividade. A pesquisa é fundamental para isso. Como o produtor reage à futura cobrança pelo uso da água captada

“100 TÉCNICOS EXTENSIONISTAS DAS 33 ASSOCIAÇÕES DA ORPLANA ESTÃO LEVANDO RESULTADOS DE PESQUISAS AO NOSSO PRODUTOR PARA MUDAR SEU PATAMAR DE PRODUÇÃO, TORNANDO-O MAIS EFICIENTE"

de rios e lençóis freáticos? Alguns Comitês de Bacias já têm o processo de cobrança, outros não. O benefício sempre virá. Não somos irrigantes recorrentes, o maior consumo é das agroindústrias, todas com processo mais eficazes no uso da água. Ao longo do tempo isso vem sendo acolhido e vem em benefício de toda a sociedade. Não vai onerar num primeiro momento, mas estamos atentos. É um caminho sem volta. Qual a expectativa do produtor diante da revisão do Consecana? Consecana é um instrumento de precificação, com parte de produtores e industriais pela Unica e a Orplana pelos produtores. Estamos no período de renovação, o pleito é constante, sempre estamos nos alinhando e nos preparando para que isso avance. A dificuldade está instalada, com anos de represamento em investimentos. As tratativas seguem nos fóruns adequados para avançar, para que o produtor continue na produção. E qual é o futuro do fornecedor de cana particular? Existe espaço para crescimento num setor cada vez mais integrado por grandes corporações? É preciso descruzar os braços e estarmos cientes desse cenário, de profissionalização. A Orplana caminha há vários anos com sensibilidade e atenta a esse momento econômico, que passa não só Brasil, mas os outros países: profissionalização e eficiência de processos. Produzimos uma matéria-prima sustentável, de qualidade. É interessante ocupar esse espaço, nos posicionar. Estamos no caminho certo.

ENGENHEIRO E FILHO DE PRODUTORES DE CANA Eduardo Vasconcellos Romão, 57 anos, nasceu em Jaú (SP) e é engenheiro agrônomo, formado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), de Piracicaba, e de uma família de produtores de cana do município. Desde 2011 é presidente da Associação de Produtores de Cana da Região de Jaú (Associcana) e, desde 2016, preside a Orplana. Sempre esteve ligado e foi participante ativo das reuniões da Orplana, até ser eleito. “Tudo o que faço está incorporado na entidade, me considero um produtor dela”, afirma Romão. “Acredito na nossa organização e sou um incentivador que convida outros produtores para que venham ajudar a nos fortalecer”, emenda ele.