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ANO CXX EDIÇÃO 46 DOMINGO, 14.11.2021

R$ 3.20 ISSN 1679-0189 ÓRGÃO OFICIAL DA CONVENÇÃO BATISTA BRASILEIRA

FUNDADO EM 1901

Dia do diácono Batista segundo domingo de novembro

“Deus não é injusto; ele não se esquecerá do trabalho de vocês e do amor que demonstraram por ele, pois ajudaram os santos e continuam a ajudá-los” (Hebreus 6.10).

Reflexão

Missões Nacionais

Notícias do Brasil Batista

Missões Mundiais

ADBB

Vida nova

Notas do Brasil Batista

Amor por Missões

Presidente dos diáconos Batistas do Brasil escreve artigo para OJB

Trabalho da Cristolândia resgata jovem das ruas no ES

Confira algumas notícias das Igrejas Batistas pelo Brasil

Missionária Vera Lúcia é homenageada pelos 27 anos na obra missionária

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REFLEXÃO

O JORNAL BATISTA Domingo, 14/11/21

EDITORIAL

Dia do diácono Batista

“Deus não é injusto; ele não se esquecerá do trabalho de vocês e do amor que demonstraram por ele, pois ajudaram os santos e continuam a ajudá-los” (Hb 6.10). O trabalho de diáconos e diaconisas está muito bem caracterizado no texto acima. Ministério diaconal é trabalho, muito trabalho, amor, ajuda e constância. A missão desses irmãos e irmãs é importante para o desenvolvimento do trabalho de nossas Igrejas. Por mais que muitos de nós esqueçamos ou não valorizemos o diaconato e suas

atribuições, o nosso Deus não esquece de tudo aquilo que foi realizado através dessas vidas. E não é uma responsabilidade para pessoas imaturas. O diaconato requer dignidade, honra, verdade, consciência limpa, como orienta o apóstolo Paulo ao jovem pastor Timóteo, em sua primeira carta. Existe uma responsabilidade espiritual no diaconato. Não é apenas mais um cargo na Igreja. Exige qualidade no ser diácono. “Os que servirem bem alcançarão uma excelente posição e grande determinação na fé em Cristo Jesus” (I Tm 3.13).

Neste dia tão especial agradecemos a Deus pela vida e dedicação de todos os diáconos e diaconisas Batistas que servem as Igrejas Batistas da CBB. Saibam que o trabalho de vocês não é vão no Senhor (I Coríntios 15.58). Continuem firmes e constantes! Louvamos a Deus pelo trabalho da Associação dos Diáconos Batistas do Brasil (ADBB), na sua missão de promover o aprimoramento funcional e estimular a comunhão e a integração dos diáconos Batistas. Conheça mais o trabalho da nossa Organização e estimule

os diáconos da sua Igreja para estarem cada vez mais integrados. Nesta edição trazemos um artigo do diácono Fábio De La Plata, presidente da Organização, falando da importância do ministério e as ações da ADBB. Publicamos também artigos para homenagear e edificar nossos diáconos e diaconisas. Feliz Dia! n Estevão Júlio

jornalista no Departamento de Comunicação da Convenção Batista Brasileira

( ) Impresso - 120,00 ( ) Digital - 50,00

O JORNAL BATISTA Órgão oficial da Convenção Batista Brasileira. Semanário Confessional, doutrinário, inspirativo e noticioso. Fundado em 10.01.1901

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BILHETE DE SOROCABA

A espada do Espírito Santo

Pr. Julio Oliveira Sanches A Palavra de Deus, Espada do Espírito, é fundamental no processo da santificação do salvo. Conhecê-la em profundidade dá aos crentes elementos para o crescimento espiritual, além de capacitá-los para um testemunho eficaz. A Palavra de Deus, a Bíblia, é a Espada que o Espírito Santo usa para capacitar o redimido por Cristo na luta travada contra toda sorte de inimigos no caminhar diário. Paulo sugere aos salvos em Éfeso uma lista de instrumentos (Efésios 6.10-17) que devem ser usados no crescimento espiritual. Saber manejá-los exige conhecimento e treinamento específico. Nenhum espadachim terá sucesso com uma espada não afiada, enferrujada, torta, que não esteja limpa e reluzente. O manejo da espada requer treinamento e dedicação contínuo. Um golpe em falso pode custar a vida do lutador ou a perda da batalha. Muitos salvos desejam e até se esforçam por alcançar uma vida plena.

Desprezando os exageros pelo não conhecimento da Doutrina do Espírito Santo, o salvo sente-se frustrado por não ser o que deveria ser. Vida espiritual frustrada. Sem frutos visíveis. Semblantes tristes, que mais se parecem com os frequentadores de velórios, terminam por encontrar defeito em tudo. Culpam a Igreja por não lhes proporcionar a alegria da salvação. É comum “pular” de Igreja em Igreja em busca de algo que está faltando. Não conseguem encontrá-lo. A tristeza é fruto do não conhecimento da Palavra de Deus. Recusam-se a participar da EBD, com a desculpa que já conhecem o que vai ser estudado. Na verdade nada sabem. Caso soubessem teriam alegria em auxiliar os iniciantes na fé a se aprofundar no conhecimento da Palavra. O cristianismo verdadeiro gera vida alegre, dinâmica e abundante. O salvo é um entusiasta da Palavra de Deus e a deseja sempre. É muito triste sentir sede permanente quando se tem ao dispor rios de águas-vivas que jor-

ram da experiência com Cristo. O Espírito Santo só usa o que temos da Bíblia como depósito. Não há milagre. De uma despensa vazia, o despenseiro não tem nada a tirar. Apenas frustração. No dia de Pentecostes (Atos 2), o Espírito Santo usou o que Pedro sabia da Palavra de Deus. Citou o profeta Joel, acrescido do que aprendera com Jesus e sabia de Jesus. Foi suficiente para que pecadores se convencessem da necessidade de aceitar Jesus como único Salvador. Poder da Palavra de Deus. Estevão (Atos 7), não se defendeu dos seus opositores. Citou a Palavra de Deus em seu longo discurso. Conhecia a História do seu povo relatada na Bíblia. O Espírito Santo usou esse conhecimento para mostrar-lhe os céus abertos e Jesus em pé à direita do Pai. Espada do Espírito afiada e reluzente abrindo os pórticos das mansões celestiais. Filipe ao falar de Jesus ao eunuco (Atos 8), usou a Espada do Espírito,

citada por Isaías, para convencê-lo que Jesus é o Cristo. Vida cristã sem a dinâmica do Espírito Santo gera frustração e conduz a péssimo testemunho. Pregamos que Cristo salva, mas não conseguimos mostrar os frutos da salvação. Anunciamos que o Evangelho gera alegria e vivemos “cristianismo” triste. Sem esperança, repleto de desilusões. Dizemos a todos que o salvo é diferente e vive padrões diferentes dos da sociedade, mas praticamos os mesmos atos e nos comportamos como os demais pecadores. Sabemos que o amor é o elo fundamental na vida da pessoa transformada por Jesus, mas não conseguimos amar as pessoas que nos são antipáticas. Tudo isso ocorre por não permitir a ação do Espírito Santo em nossos relacionamentos. O Espírito Santo está sempre ao dispor para nos auxiliar, mas nada pode fazer sem a Espada do Espírito, a Palavra de Deus. Sem Bíblia, não há como Espírito Santo atuar. Não há avivamento. n

Podemos confiar Edson Landi

pastor, colaborador de OJB

A Bíblia mostra dois homens que conseguiram dormir, mesmo em alto-mar, durante uma violenta tempestade: Jonas (Jonas 1.4-5) e Jesus (Mateus 8.24). Um dormia quando tentava fugir da vontade de Deus. O outro, Jesus, é obvio, dormia enquanto obedecia o Pai (João 17.4, Filipenses 2.8). No barco com Jesus estavam os discípulos. Como aprendizes do Senhor, esse seleto grupo já havia presenciado manifestações do poder de Jesus sobre as enfermidades (Mateus

8.3, 13, 15 e 16) e espíritos malignos (Mateus 8.16). No entanto, seus olhos estavam prestes a ver o Filho de Deus controlar as forças da natureza. E para eles, isso foi tão espetacular, que, imediatamente todos ficaram atônitos e maravilhados (Mateus 8.27). Eu fico pensando no seguinte quadro: momentos antes dos apóstolos verem uma das mais admiráveis comprovações da divindade de Jesus, eles puderam testemunhar um comovente retrato de sua humanidade: Jesus dormia! O cansaço sobre a carne do Verbo divino era tão grande, que nem mesmo o descontrolado e impetuoso

vento, que balançava o barco, pode acordá-lo. A única coisa que despertou o Salvador foi o clamor de Seus seguidores. Podemos estender e entender esse fato olhando pelas lentes do plano de redenção, onde vemos que Aquele que tem poder sobre todas as coisas, veio até nós e compreendeu a nossa limitação, o nosso choro e o nosso cansaço. Ele sentiu o que nós sentimos. E na cruz do calvário, Ele sentiu o peso do nosso pecado. E Ele, dentro das limitações impostas por Sua natureza humana, nunca deixou de ouvir um clamor vindo de um coração angustiado e aflito.

Por fim, é interessante notarmos que antes de repreender a tempestade, Ele repreende os discípulos (Mateus 8.26). Ele queria ensinar a Seus seguidores que quando estamos perto dEle, tudo o que devemos fazer é confiar. “Porque esse desespero todo, não estão vendo que eu estou aqui?”, podemos entender assim a bronca de Jesus aos discípulos. Ele prometeu que estaria conosco todos os dias (Mateus 28.20). Sendo assim, por mais difícil que esteja a nossa situação, podemos confiar. Por mais pesado que esteja o nosso fardo, podemos confiar. n


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REFLEXÃO

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Olavo Feijó

pastor & professor de Psicologia

Dia do Diácono Batista A tarefa que recebemos Cleverson Pereira do Valle pastor, colaborador de OJB

A Bíblia menciona dois oficiais, são eles: o pastor e o diácono. O pastor tem a responsabilidade com o rebanho que não é dele e, sim, de Deus. E os diáconos são os que servem às mesas. Quais as mesas os diáconos servem? A mesa da ceia, a mesa do pastor e a mesa da ação social. Em dia de ceia, os diáconos são convidados para ajudar a servir os elementos: pão e vinho (suco de uva). Ficam atentos a vida do pastor e sua família e procuram suprir as suas necessidades. A mesa da ação social é outra área de atuação diaconal, onde as famílias carentes da Igreja são atendidas, familiares dos membros e até mesmo desconhecidos. Os diáconos devem ser homens ou mulheres de caráter, ter vida ilibada

e crentes no Senhor Jesus. Em Atos 6 temos as características para a escolha dos sete homens que serviriam à Igreja, são elas: cheios do Espírito Santo, cheios de sabedoria e de boa reputação. Não podemos escolher para o diaconato pessoas que dão mau testemunho, devem ser pessoas com boa reputação. É necessário ser alguém que tenha sabedoria, capaz de ouvir mais do que falar. Pronto para dar conselhos e ajudar pessoas necessitadas. Uma pessoa cheia do Espírito Santo faz o que Deus deseja, anda em novidade de vida. Quero dar os parabéns aos diáconos Batistas neste dia, que Deus continue dando saúde física, emocional e espiritual a todos vocês. Que possamos valorizar esses homens e mulheres que dedicam-se de corpo e alma a causa de Cristo. n

“E, de igual modo, também de Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram companheiros de Simão. E disse Jesus a Simão: Não temas; de agora em diante serás pescador de homens (Lc 5.10). De acordo com as narrativas dos Evangelhos, quando descrevem o modo de Jesus quando desempenhava Seu ministério terreno, aprendemos que Ele valorizava a dedicação com que os discípulos agiam, quando cumpriam seus deveres e atividades profissionais, no lago da Galileia. Neste contexto, Jesus orientou Seus discípulos, que não estavam conseguindo bons resultados: “Jesus disse a Simão: Leve o barco para um lugar onde o lago é bem fundo. E então você e seus companheiros

joguem as redes para pescar... Quando eles jogaram as redes na água, pescaram tanto peixe, que as redes estavam se arrebentando... Então, Jesus disse a Simão: Não tenha medo! De agora em diante você vai pescar gente. Eles arrastaram os barcos para a pria, deixaram tudo e seguiram a Jesus” (Lc 5. 4-11). Jesus não convoca fracassados e desanimados. O Senhor chama as pessoas que cultivam sua sensibilidade espiritual e procuram levar a sério as orientações do Cristo e do Seu Santo Espírito. Como o Senhor revelou a Zorobabel: “Não será por meio de um poderoso exército, nem pela sua própria força que você fará o que tem de fazer, mas pelo poder do Meu Espírito. Sou Eu, o Senhor Todo-Poderoso, Quem está falando” (Zc 4.6).

Deus é a sua bandeira?

Rogério Araújo (Rofa) colaborador de OJB

“Salve lindo pendão da esperança...” – Quem nunca cantou o Hino à Bandeira Nacional ao comemorar, no dia 19 de novembro, o Dia da Bandeira? Ter um ideal, um lema de vida é necessário a todos. A maioria das pessoas tem um

time, partido, religião e faz disso sua “bandeira”. Isso é correto, mas que não se extrapole suas funções e tenha seus excessos. E para com Deus, como fica essa história? Falar “Se Deus quiser...” pura e simplesmente sem deixá-lo agir não adianta, bem como falar “Deus te abençoe!” sem crer em suas bênçãos.

“E Moisés edificou um altar, ao qual chamou: O SENHOR É MINHA BANDEIRA”, diz a Bíblia em Êxodo 17.15, ao sair o povo de Deus do Egito. Será que estamos colocando o Senhor como a “bandeira de nossa vida”? Ou o ignorando a cada dia, sem nos importarmos com Ele e Seu poder de agir em nosso viver?

A melhor solução é ter fé em Quem do céu pode resolver as situações que nos afligem, colocando-O em lugar em destaque em nossa vida, deixando “flamular” e abençor nosso dia a dia! Deixe o Senhor ser a “bandeira de sua vida” e creia nEle sempre! n


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Cumpra a ordem determinada, dispõe-te e vai Ariane Gomes

extraído do site da Associação dos Diáconos Batistas do Estado do Rio de Janeiro - ADIBERJ

Filipe aparece pela primeira vez no livro de Atos, numa situação desafiadora da história da Igreja de Jerusalém. Junto com outros seis irmãos, ele é considerado um homem de boa reputação, cheio do Espírito, sabedoria e é escolhido para servir e ajudar a resolver questões administrativas que começavam a surgir no ambiente eclesiástico e que não podiam ser deixadas de lado. No entanto, a colaboração de Filipe não se restringiu ao serviço como diácono, ele também foi um admirável evangelista. Pouco depois da primeira perseguição e dispersão da Igreja, ele anuncia a Cristo em Samaria e sua pregação surte efeito tão notável, que a cidade fica cheia de alegria pelos sinais e maravilhas que acontecem por meio dele.

Mas, a história mais conhecida de Filipe é a de seu encontro com um oficial etíope, narrada em Atos 8. A passagem é rica em detalhes e prova como um homem cheio do Espírito Santo pode ser usado de maneira singular e poderosa. Uma marca da relação de Filipe com Deus é que ele é capaz de ouvir. A narrativa começa com a palavra de um anjo do Senhor: “Dispõe-te e vai para o lado do Sul, no caminho que desce de Jerusalém a Gaza; este se acha deserto”. A resposta de Filipe é imediata, sem delonga: “Ele se levantou e foi”. Mais adiante, o Espírito fala com ele: “Aproxima-te do carro e acompanha-o” e, para dar conta do recado, Filipe põe-se a correr. Junto com a capacidade de ouvir e discernir a voz do Espírito de Deus, Filipe tem disposição e está pronto para obedecer à instrução divina. Não faria muita diferença se, apático, ele tivesse

ouvido a voz de Deus, mas escolhido deixar a viagem para o dia seguinte. A chamada era para já e ele, imediatamente, entende isso.

Acontece que naquele carro viajava um oficial do governo da Etiópia, superintendente de todo o tesouro da rainha daquele país, possivelmente um pagão que simpatizava com o judaísmo e que tinha ido ao templo de Jerusalém para adorar. O homem voltava para casa e enquanto seu carro sacolejava pelo caminho ele lia, sem entender, uma passagem da Escritura. E, de novo, Filipe ouve. Desta vez, correndo ao lado do carro, ouve o etíope ler a passagem em que o profeta Isaías descreve o sofrimento e a humilhação de Jesus. Então, no meio da correria, Filipe parece entender um pouco mais do que o Espírito estava

fazendo e, interagindo com o etíope, sobe no carro e, “começando por esta passagem da Escritura, anunciou-lhe Jesus”. Possivelmente, o etíope ainda estava sob o impacto do que vira e ouvira no templo de Jerusalém. Ele estava curioso a respeito de uma verdade importante que, embora ele não soubesse, transformaria a sua vida. Deus conhecia o etíope e estava conduzindo a sua vida e o seu caminho. Deus conhecia e conduzia Filipe também, e contou com a sua boa disposição para explicar as Escrituras, levando graça e luz para a vida do etíope. O Espírito Santo continua a falar e conduzir o Seu povo para diferentes lugares, circunstâncias e pessoas. Qual será a sua resposta ao ouvir a voz dEle? E o que fará para que, à semelhança do etíope, muitos possam declarar de todo o coração: “Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus”? n

pensando sempre no bem comum. Infelizmente, hoje são muitos os que não dão o valor devido a esta figura. Porém, o fato é que o exercício saudável da diaconia pode ser fonte de grandes benefícios para a igreja atual. Seja no serviço da mesa da Ceia, participando do memorial no qual é evidenciado o privilégio de servir – inclusive com a vida -, ou no serviço ao Corpo de Cristo no dia a dia, o diácono tem o grande privilégio de testemunhar a cristãos e a incrédulos que se dar pelos outros é um grande privilégio. É importante ter em mente que a desvalorização atual da figura do diáco-

no é fruto tanto da falta de valorização dada a esta figura por alguns líderes, como da ação de pessoas que não exercem a diaconia com o compromisso e a responsabilidade necessárias. No entanto, assim como no passado, o ministério da diaconia tem na sua essência um grande potencial de promover pelo exemplo, entre o Corpo de Cristo, a salutar cultura de que o serviço é um grande privilégio. Que neste Dia do Diácono Batista possamos prestar a homenagem merecida a estes homens e mulheres que têm se dedicado ao serviço em prol do bem comum em nossas igrejas! n

Mas por que a urgência e a correria?

O privilégio de servir Extraído do site da Convenção Batista Sul-Mato-Grossense Jesus, ao instruir Seus discípulos sobre os princípios que devem nortear a vida cristã, deixou bem claro que a disposição para o serviço desinteressado é elemento de valor fundamental. O Mestre sempre evidenciou em Seus ensinos que a lógica que norteia o mundo não é a mesma que Ele apresentou para nós, Seus discípulos. Segundo Cristo, o mais valioso no Reino que Ele veio instituir não é ser o primeiro, não é ser admirado pelos outros, não é estar nas posições de destaque, mas é sim ser humilde de

coração, é buscar a simplicidade, é amar sem esperar nada em troca, é estar pronto a servir de forma desinteressada. Em um mundo no qual a disputa constante se desenvolve em várias esferas, inclusive na eclesiástica, a realização plena deste discurso é um grande desafio. No universo Batista, um personagem que tem na execução de sua função eclesiástica a possibilidade de reforçar a lógica de Cristo em contraposição à lógica do mundo é o diácono. Este personagem tem em sua gênese o compromisso de servir à comunidade de Cristo de forma desinteressada,


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Dia do diácono Fabio de La Plata

diácono, presidente da Associação dos Diáconos Batistas do Brasil

O segundo domingo do mês de novembro é separado para lembrar o Dia do Diácono Batista, e quando falamos diácono incluímos também todas as nossas irmãs diaconisas, que servem nas milhares de Igrejas Batistas do Brasil nesse honroso ofício Bíblico. Talvez, um leitor desatento possa perguntar: o “corpo diaconal” ainda existe? É útil? Para que serve? Sim, o ministério diaconal, e não corpo, ainda existe, é bíblico. Sim, é muito útil quando fundamentado na Bíblia e não nos interesses humanos, serve para abençoar a Igreja do Senhor Jesus nas suas mais variadas necessidades. O maior desafio para as pessoas, no caso as Igrejas de um modo geral, é que voltem a reconhecer o ministério diaconal como bíblico e essencial para a Igreja. Hoje encontramos pastores sobrecarregados em solução de problemas para os quais, muitas vezes, não foram preparados, desviando sua atenção da ministração da palavra e oração. “E os doze, convocando a multidão dos discípulos, disseram: Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas”(At 6.2). Quando pensamos em Igrejas grandes e estruturadas, o papel do diácono parece ser mais fácil, ledo engano! Para todas as Igrejas, grandes, médias, pequenas, os diáconos são chamados para atender as diversas necessidades da Igreja do Senhor Jesus, estar atento aos olhos e expressões dos irmãos, ser aquele que vai sentir a falta e ver qual é a necessidade que precisa ser atendida. Em dias tão difíceis, no século 21, os diáconos, como nossos irmãos do primeiro século, são chamados para serem “pacificadores”

dentro de nossas Igrejas e atentos às dar a sua vida em resgate por muitos” mesas dos nossos irmãos em suas (Mt 20.28). mais diversas necessidades. Além Se você ainda não sabe o que o disso, o diácono tem que estar atento diácono e diaconisa pode fazer para ao seu pastor e levar a Igreja a suprir sua “mesa” material, emocional e de capacitação. Chamo atenção nesse caso para os missionários que distantes das sedes podem estar passando por algum tipo de necessidade. Vejam o que diz o saudoso pastor Ebenézer Soares Ferreira. “Tratar do sustento pastoral é um dos deveres mais honrosos do diácono” esclarece o pastor Ebenézer Soares Ferreira: “O pastor, por uma questão de escrúpulo, não se dirige à Igreja para dizer-lhe de que precisa. Mas, aos diáconos, compete fazer um estudo minucioso das condições econômicas da Igreja e das necessidades do ministro para manter-se na função ministerial: com alegria e não gemendo.” Precisamos rever o relacionamento do ministério pastoral e diaconal. Esses dois ministérios instituídos pelo Senhor não podem competir dentro da Igreja, mas devem se completar para o bem da Igreja do Senhor Jesus. Hoje, muitas Igrejas não reconhecem o ministério diaconal, substituindo-o por ações de voluntariado ou mesmo fazendo do diácono um cargo eleito e exercido durante um determinado período. O ato de consagração ao ministério está em extinção, apesar disso, como presidente da Associação dos Diáconos Batistas do Brasil (ADBB), estamos empreendendo esforços para reverter essa situação fazendo com que as Igrejas voltem a reconhecer os vocacionados para o ministério diaconal, homens e mulheres que querem servir de forma especial em suas Igrejas. “como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e

sua Igreja, entre em contato conosco. E você, diácono e diaconisa, juntem-se a nós nesse ministério abençoador. n


MISSÕES NACIONAIS

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Cristolândia: vida nova para jovem que vivia nas ruas

Jennifer Soares

missionária no Espírito Santo Adaptação: Redação Missões Nacionais

Jonatha da Cruz Conceição, hoje com 27 anos, tem uma nova realidade, novos companheiros de caminhada e novos sonhos. Aos 10 anos de idade, durante um ano, a rua foi o seu lar, junto com suas duas irmãs: Indiana (9) e Michele (8). Seus pais eram usuários de drogas e os abandonaram em Jardim Camburi, bairro da Grande Vitória. Neste período, por ser o irmão mais velho, Jonatha se viu na obrigação de ser responsável por elas. “Passei a entrar em ônibus para pedir dinheiro, passava em frente aos restaurantes para pedir comida. Em outros dias, procurávamos o alimento direto no lixo ou, do contrário, não haveria do que pudéssemos nos alimentar”, conta. Passado um ano, o conselho tutelar se deparou com a realidade dos três: crianças dormindo no chão, tendo papelões como colchão e abrigo, e, então, foram levados para um orfanato.

Ao chegar lá descobriram que o pai havia sido assassinado na cadeia. Foi quando eles entenderam que estavam órfãos, já que a mãe já havia falecido de HIV. Aos 18 anos, eles tiveram que deixar o orfanato. As duas irmãs seguiram suas vidas, mas Jonatha escolheu o caminho errado: seguiu o exemplo de seu pai e se envolveu com as drogas. Quando chegou ao fundo do poço, ele pediu ajuda para se tratar. Suas irmãs, então, o apresentaram a Cristolândia. Hoje, a Cristolândia é o novo lar de Jonatha, que está aprendendo sobre Deus e Sua Palavra. “Desde o momento em que me entreguei a esse Deus, percebi quão grande é Sua misericórdia em minha vida e quão perfeito Ele é. Sou um novo homem, com o caráter sendo reconstruído, que tem Jesus Cristo como a única esperança”, comenta. Louvado seja Deus pela vida de Jonatha, que foi resgatado das trevas para a maravilhosa luz! n

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NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA


NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA

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NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA

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Câmara Municipal de Mogi das Cruzes - SP faz homenagem aos Batistas pelos 150 anos

Igreja realiza culto em homenagem ao Dia do Idoso Batista

Associação local recebeu Moção de Aplausos e Congratulações. Cleverson Pereira do Valle pastor, colaborador de OJB

No dia 14 de setembro, na sessão da Câmara Municipal de Mogi das Cruzes-SP, compareceram os pastores Cleverson Valle, Humberto Silva e Joel de Lima, presidente, 1º e 2º vice-presidente da Associação das Igrejas Batistas em Mogi das Cruzes e Adjacências AIBAMCA - respectivamente). O vereador Maurino José da Silva, membro da Igreja Batista Brás Cubas, em Mogi das Cruzes-SP propôs Moção de Aplausos e Congratulações pelos 150 anos de trabalho Batista no Brasil. O pastor Cleverson Valle, presidente da AIBAMCA recebeu do vereador Maurino a Moção de Aplausos e Congratulações, que foi estendida a todos os Batistas. Os pastores líderes da AIBAMCA visitaram a vereadora Malu Fernandes, membro da Primeira Igreja Batista em

Carlos Cesar Soares

pastor, ministro da Terceira Idade da Igreja Batista Água Branca, em Bangu-RJ

Pr. Humberto, Pr.Cleverson, vereador Maurino e Pr.Joel Mogi das Cruzes-SP, que também fez destaque aos Batistas no plenário da Câmara. Louvamos a Deus pela iniciativa do nobre vereador Maurino e o apoio dos demais pares; os Batistas agradecem pelo reconhecimento do trabalho realizado há 150 anos no país. A Deus toda a honra e toda a glória. n

PIB em Barra do Itabapoana celebra 105 anos de organização Nilton Belas Cunha

pastor presidente da Primeira Igreja Batista em Barra do Itabapoana - RJ

No dia 15 de setembro, a Primeira Igreja Batista em Barra do Itabapoana, município de São Francisco do Itabapoana, Norte do Estado do Rio de Janeiro-RJ, completou 105 anos de organização. Filha da PIB em Rio Novo do Sul-ES, a PIB em Barra do Itabapoana-RJ é a pioneira na região de São Francisco de Itabapoana-RJ. No domingo, 19 de setembro, houve um culto de Celebração ao Senhor com a participação musical de Renata Henriques e a palavra foi ministrada através do pastor Isaías Rodrigues, da IB em Praia de Santa Clara, São Francisco de Itabapoana-RJ. n

Foi realizado na Igreja Batista Água Branca, em Bangu-RJ, no último dia 03 de outubro, o culto alusivo ao Dia do Idoso. A programação teve as participações de Jair Alves, com uma poesia; Coro Hosana, da

Terceira Idade; e a mensagem pelo pastor Carlos Cesar Soares e direção de culto da diaconisa Fátima Correa; ao final foram distribuídas lembranças para os idosos. No culto vespertino, a direção foi com a irmã Sandra Fernandes, que apresentou um histórico do inicio do trabalho pelo Grupo Esperança. Ao Senhor toda honra e glória. n

No interior do Piauí, Igreja Batista celebra 113 anos Franciel Moura

líder da União Missionária de Homens Batista de Jerumenha; membro Igreja Batista em Jerumenha - PI

No dia 24 de outubro, a Igreja Batista em Jerumenha-PI celebrou o aniversário de 113 anos. Dois cultos especiais foram realizados na data, um pela manhã, com programação específica e voltada mais para a Igreja, onde as mulheres realizara, um lindo coral de apresentação. À noite, o culto foi voltado para toda a cidade e recebeu muitos visitantes. No interior do Piauí, a cidade com quase cinco mil habitantes e cerca de 10% da sua população sendo evangélica, tem visto o Reino de Deus crescer no município. É a segunda Igreja Batista mais antiga do estado, fundada pelo então missionário Eurico Nelson, o apóstolo da Amazônia. n


MISSÕES MUNDIAIS

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Missionária Veralúcia recebe homenagem em culto por seus 27 anos de ministério

A Primeira Igreja Batista do Lins de Vasconcellos, no Rio de Janeiro, abriu suas portas na noite de 31 de outubro para um culto de gratidão a Deus pelos 27 anos de ministério da missionária Veralúcia Ferreira da Rocha. Foi esta mesma Igreja que, na década de 1990, decidiu sustentar integralmente Verinha, que integrou a primeira equipe de obreiros de Missões Mundiais enviada a um país africano de maioria muçulmana. O pastor Ailton Desidério recebeu com carinho representantes da agência missionária da Convenção Batista Brasileira (CBB) para os povos estrangeiros, além da homenageada da noite. A palavra ficou por conta do diretor executivo de Missões Mundiais, pastor João Marcos Barreto Soares, que também apresentou um vídeo sobre a trajetória de Verinha e com depoimentos de missionários que marcaram a sua caminhada no Senegal e no Mali. Ve-

rinha ainda recebeu a oração da Igreja uma caminhada de 27 anos de minise uma linda placa e um presente das tério. Com a força do Senhor e apoio mãos do pastor João Marcos. incondicional de Missões Mundiais, a missionária fixou seus olhos nas proTrajetória messas de Deus e seguiu firme. “…Esquecendo-me das coisas que Deus colocou pessoas certas no ficaram para trás e avançando para as caminho de Verinha. Com o apoio de que estão adiante, prossigo para o alvo, Igrejas brasileiras, ela fez seminário a fim de ganhar o prêmio do chamado e chegou até Missões Mundiais após celestial de Deus em Cristo Jesus” (Fp abrir mão de um cargo importante em 3.13-14). uma grande empresa onde atuou duCom sua formação também em Enrante 10 anos. fermagem, Veralúcia iniciou no Senegal O envio para o Senegal aconteceu o projeto Fábrica de Esperança, com em 1994, depois que a PIB do Lins de- foco em saúde, que hoje é coordenado cidiu sustentá-la integralmente. Foram pelo missionário e ortopedista Hum12 anos dedicados à salvação de sene- berto Chagas. galeses para Cristo. Mas nem sempre a E após 12 anos no Senegal, Verinha caminhada foi fácil. Em um acidente de entendeu que a vontade de Deus era carro, Verinha perdeu duas companhei- para que ela passasse para o Mali. E ras de ministério e ficou gravemente assim foi, diante de uma oportunidade ferida. de treinamento de turmas de jovens No entanto, o que parecia ser o fim, missionários do projeto Radical África. na verdade era apenas um obstáculo de Verinha dedicou 15 anos de sua vida

ao Mali, apoiando turmas do Radical, servindo no PEPE (programa socioeducativo) e levando muitas vidas ao trono da graça de Deus. Ao todo, foram 27 anos de ministério. Grandes alegrias, perdas dolorosas, mas de muitas conquistas, não só de vidas salvas para o Reino, mas de amigos mais chegados que irmãos. São milhares de amigos que Verinha fez por onde passou, nos campos, na sede de Missões Mundiais e em cada Igreja Batista do Brasil. Irmãos e irmãs em Cristo que oraram e sustentaram as cordas para que Verinha completasse a missão. “Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé. Agora me está reservada a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amam a sua vinda” (II Tm 4.7 e 8). n

Enriquecidos pela Palavra de Deus Gabriela Mendes

missionária de Missões Mundiais

Pela graça do Pai e por sua colaboração fiel, 806 crianças estão recebendo mensalmente a Farinha Enriquecida (FE) nos PEPE´s (Programa de Educação Pré-Escolar), na Venezuela. Nosso coração se alegra pelos testemunhos de melhora da situação nutricional e emocional das crianças. Os missionários educadores relatam que crianças e adolescentes estão com mais apetite, força, disposição, com cabelos e olhos mais brilhantes, mais alegres e com melhor rendimento escolar. Além do cuidado nutricional, as crianças do PEPE recebem diariamente a palavra de Deus. Aprendem que podem ter um relacionamento com Ele e muitas delas têm entregado seus co-

rações a Jesus. Louvamos ao Pai pelos milagres que Ele tem feito! Nossos irmãos venezuelanos estão trabalhando no cultivo de hortas que fornecerão, em princípio, uma parte dos produtos que são base para a Farinha Enriquecida. Mas já ganharam um grande terreno e o objetivo é ampliar cada vez mais a produção, tanto para suprir as necessidades totais de fabricação da FE, como também para fornecer alimentos para complementar as merendas escolares. Que o Senhor guie cada etapa deste processo e abra as portas necessárias. Muito obrigada por sua generosidade e disponibilidade de continuar segurando as cordas. É uma alegria e motivo de gratidão participarmos juntos do que o Senhor tem realizado no mundo. E seguimos juntos, fazendo a obra Daquele que nos enviou! n


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PONTO DE VISTA

O JORNAL BATISTA Domingo, 14/11/21 FÉ PARA HOJE

Diácono: ser ou estar? Pr. Oswaldo Luiz Gomes Jacob Tem havido confusão na compreensão bíblica sobre o diaconato (Atos 6.17). As Igrejas Batistas do Brasil se dividem em eleger diáconos e diaconisas por um tempo, e consagrar os diáconos e diaconisas como vitalícios, numa compreensão de que é uma vocação. Paulo ensina que os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis (Romanos 11.29). Pastores e diáconos são os oficiais da Igreja, reconhecidos por ela, na percepção e ensino bíblicos, revelados por Deus. Paulo, no texto a seguir, dá orientações quanto ao caráter e exercício desses ministérios (I Timóteo 3.1-16). No caso do diácono, a questão mais importante é o ser oficial da Igreja, segundo a vontade de Deus, o seu chamado e reconhecimento da comunidade por suas qualificações éticas e seu serviço amoroso e abnegado. A lista proposta pelo apóstolo Paulo quanto às qualidades espirituais e morais do

diácono já mencionadas acima revela a seriedade dessa função tão significativa na comunidade eclesiástica. Quando se refere ao diácono, a questão do ser significa a vocação, o chamado específico de Deus no contexto da comunidade da fé. O ser diácono aponta para uma convocação do Senhor pessoal e intransferível. Há uma consciência amadurecida da missão de servir em nome do Senhor aos que sofrem, aos órfãos e as viúvas. Há uma extrema relevância em cuidar deles e participar ativamente de suas vidas. Por outro lado, estar diácono é uma questão passageira, emocional e revestida de vaidade e projeção do cargo no contexto da Igreja local. O fato de estar diácono configura então cargo e não carga. Pódio e não chão, terra, humildade. Significa autopromoção em detrimento da promoção de Cristo Jesus, da Sua glória e Seu modelo de diaconia. Aqueles que estão diáconos não têm convicção de sua chamada ou

vocação. Por qualquer motivo deixam o cargo, especialmente quando brigam com o pastor ou não são reconhecidos por algum serviço à Igreja. Geralmente estar diácono, sem convicções profundas, traz uma série de situações constrangedoras dentro da Igreja do Senhor, comprometendo o seu crescimento. O que se deseja enfatizar aqui é a grande relevância do ser diácono, servidor, escravo do Senhor Jesus para abençoar a Sua Igreja e agir no mundo. O chamado ao diaconato autêntico, ao ser servo na Igreja, significa consciência de sua missão, o despir-se de si mesmo, revestir-se de Cristo Jesus, o viver amorosa e moderadamente, procurando sempre trabalhar para a unidade da comunidade da fé. O ser diácono não tem nada a ver com discórdia, desobediência, meninice ou imaturidade, grande dificuldade de relacionamento, confusão e orgulho. Não centra em cargo, mas em carga. O ser diácono significa ter o mesmo sentimento ou

pensamento de humildade que houve em Cristo Jesus, no magnífico texto paulino (Filipenses 2.5-11). O diácono autêntico, consciente do seu chamado para servir em amor, está identificado com Cristo em gênero, número e grau. O Senhor Jesus é o seu modelo de vida autêntica. Por esta razão, ele O segue e O serve às raias da morte. O diácono Estevão amava a Cristo mais do que a si mesmo e foi morto por testemunhar a sua fé (Atos 7.1-60). A Igreja, especialmente em nossos dias, carece de mais diáconos comprometidos com a sua missão de servir à semelhança de Jesus de Nazaré. Diáconos de boa reputação, compassivos, serviçais, íntegros, sinceros, amigos, solidários, ternos, moderadores, mansos, mentores, entusiásticos, amorosos, cheios do Espírito Santo e de sabedoria. Neste tempo tão difícil, cinzento e conturbado, ser diácono se reveste de significado, pois a sua aspiração mais sublime é viver para a glória de Deus (I Coríntios 10.31). n


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OBSERVATÓRIO BATISTA

Projeto de poder ou projeto de servir? Lourenço Stelio Rega Lembro que escrevi um artigo aqui nesta coluna descrevendo que o poder necessariamente não corrompe, mas revela (OJB 20/08/2011). Creio que vale relembrar algumas referências sobre este tema novamente. O poder, na realidade, revela quem é, de fato, a pessoa que o assume; revela seu caráter, se íntegro ou não. O poder dá espaço para que as intenções e interesses venham eflorescer, revelando o que estava latente no estado de ego da pessoa como um gatilho que dispara até mesmo os mais egoístas instintos de uma pessoa. O projeto de servir aponta para aqueles que, ao assumirem um cargo na Igreja ou denominação - fazem com elevada responsabilidade e como um privilégio em servir, em indicar novos rumos para a organização ou área que vão liderar visando alcançar com criatividade, eficiência, eficácia e efetividade a missão a ser cumprida. O projeto de servir é pautado pelos ideais bíblicos de moralidade e ética, as pessoas são tratadas com dignidade, sua história tem significado e não pode ser objeto de descarte. Quem nutre projeto de servir vê o potencial dos liderados e nutre expectativa de melhorias nas condições de trabalho. Quem nutre um projeto de servir, nutre também um processo avaliativo funcional mediante critérios claros e conhecidos. Já escrevi aqui sobre processos avaliativos organizacionais (Como avaliar a equipe? OJB 11/09/2019) e como líderes e liderados podem ser ajudados para o sucesso da instituição em vez de tratá-los como sujeitos políticos ou como alguém que tem de agradar seus anseios pessoais. Aliás, seus anseios pessoais estão voltados a servir não apenas a obra de Deus, mas, primeiramente, ao Deus da obra. Quem tem o projeto de servir, não “zera o velocímetro” da história da instituição - denominação ou Igreja - que vai liderar, como se a história antes de

sua posse não exista mais. Respeita a história de servir de quem está passando ou já passou pela instituição. No projeto de servir, o foco está exatamente nisso - Deus como a fonte do poder - e em buscar realizar a missão organizacional, em vez de concretizar algum projeto do seu ego. Contrariamente a tudo isso, quem desenvolve um projeto de poder, esse mesmo poder poderá revelar o ego inflado de uma personalidade perturbada e desajustada. Já convivi com líderes que possuíam fortes traços de esquizofrenia, de paranoia e outras psicopatologias. Se o líder (pastor ou não), por exemplo, sofre de paranoia geralmente se imagina como o porta-voz de Deus e tudo o que fala passa a ser como que a pura e incontaminada verdade de Deus. Ele poderá se imaginar como um enviado de Deus para “pôr em ordem” a denominação, uma organização ou mesmo a Igreja. Tudo o que fizer ou levar o povo a fazer será como se fosse Deus fazendo. É possível ainda que a pessoa tenha outros distúrbios em seu estado do ego, tais como a kratomania (mania de poder) ou megalomania (mania de grandeza), a ponto de ser dominada por esses instintos. Já me cansei de ver líderes (e muitos pastores) que ao assumir a presidência de alguma coisa na denominação ou Igreja, mudam da “água para o óleo”, pois do dia para a noite, se desfiguram, se transfiguram, como se o cargo que está assumindo fosse como que uma elevada força que os sobreleva como o mais importante dos seres. Soube uma vez de um caso em que um jovem pastor foi consultado se desejaria pertencer a uma área denominacional. A resposta “bate e pronto” foi “sim, pois desejo ser um dia o presidente desta convenção”. Soube que este jovem pastor acabou assumindo a presidência de uma área convencional e se transfigurou após a oração de posse, agindo de forma totalmente autoritária

em todo o período de seu mandato. Assim, o poder não corrompe, mas pode revelar o desejo que a pessoa pode ter de se valer da “máquina denominacional” ou da Igreja para dar vazão ao seu ego inflado, ao seu desejo de levar vantagem ou transformar a denominação ou Igreja em “ação entre amigos” abrindo-lhes espaço político ou não para o que der e vier. Por outro lado, já vi também muito líder de Igreja e na denominação que, ao assumir o poder, logo rompe com todos os relacionamentos antigos, como se todos agora passassem a ser delinquentes ou algo semelhante. É claro que há pessoas que se aproveitam da amizade para tentar tirar vantagem de um líder, mas não é sobre isso que estou falando. No projeto de poder, aquele que aspira ser líder, de uma convenção ou de um cargo na Igreja, o desejo se expressa em extirpar sem dó pessoas das quais não lhe agradam, buscando apoio antes da eleição envolvendo possíveis candidatos a subirem no tabuleiro das pessoas que estão no planejamento de serem “eliminadas”. Não há desejo de atuar segundo os valores e respeito cristão, como existe no projeto de servir, pois o argumento é que a obra de Deus precisa ser depurada e aquele que tem o projeto de poder se sente como um “xerife de Deus” esquecendo de princípios éticos bíblicos como o que Tiago nos ensinou de que a “ira dos homens não produz a justiça de Deus” (Tg 1.19ss). Quem nutre um projeto de poder deixa de lado que antes de pensar na obra de Deus é necessário considerar o Deus da obra, Seus ideais, valores e princípios éticos. Trata o Reino de Deus - seja denominação ou Igreja como seu reinado ou como um clube, um empreendimento qualquer em que a lei do “negócios são negócios” é que vale, ou que a instituição e seus interesses pessoais como líder valem mais do que as pessoas e os valores morais (sobre isso escrevi outro artigo intitula-

do “Instituições versus pessoas - qual é a prioridade?” OJB 22/01/2017). No projeto de poder, a equação é que se algum coordenador ou líder de área não esteja atendendo as expectativas que esse líder nutre, ou até mesmo alguns outros do seu grupo, o jeito então é eliminar o “meliante” e colocar no lugar algum amigo. Com um projeto assim luta-se para conquistar a liderança para que se promova a “limpeza” política e organizacional. A substituição de pessoal é até normal em uma organização, mas se não há critérios objetivos de avaliação ou até mesmo clareza no mapa de competências, há uma falha grave institucional, não necessariamente funcional. E, neste sentido, me parece que somos mesmo amadores, em termos de recursos humanos. E quem se associa ao dono do projeto de poder, tendo o mesmo impulso, logo se anima com sua futura eleição e acesso ao poder. Mas, quem tem projeto de poder não está interessado na própria instituição, mas usar seu cargo em elevar “amigos” a funções e posições que reforçarão ainda mais seu “ego” doentio e disfuncional. Muitas vezes pode até ser que nem haja ineficiência de quem vai ser eliminado, mas é alguém que politicamente não interessa ou que se deseja mesmo eliminar. Quem tem projeto de poder certamente não está aliado aos ideais da Palavra de Deus, pois demonstra possuir um estado esfarrapado de vida espiritual. Por outro lado, quem tem um projeto de servir, nutre a humildade como a mais elevada virtude em liderar. Jesus nos deixou o exemplo para que sigamos Suas pisadas. Ele, mesmo sendo Deus, Se humilhou a Si mesmo e não se valeu de Seu poder, mas foi um líder-servo que nos indica o caminho equilibrado da liderança. E, então, que tipo de líder esperamos ter nesse novo momento de nossa vida institucional e eclesiástica? Vale o poder ou a humildade em exercer o poder como servo? n



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