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ANO CXX EDIÇÃO 13 DOMINGO, 28.03.2021

R$ 3.20 ISSN 1679-0189 ÓRGÃO OFICIAL DA CONVENÇÃO BATISTA BRASILEIRA

FUNDADO EM 1901

Às vésperas do aniversário de 113 anos, Seminário do Sul recebe autorização para curso de Teologia EAD Na sexta-feira, 12 de março, foi publicado no Diário Oficial da União a aprovação do curso de Bacharel em Teologia na modalidade de Ensino a Distância (EAD) da Faculdade Batista do Rio de Janeiro | Seminário do Sul. Decisão foi tomada após reunião do representante institucional do Seminário do Sul e coordenador do Núcleo de Ensino a Distância, doutor João Boechat, com o ministro da Educação, Milton Ribeiro.

Coluna Arte e Cultura

Missões Mundiais

Notícias do Brasil Batista

Observatório Batista

Arte no mundo digital

Distantes e unidos ao mesmo tempo

Pioneirismo Batista

Resultados reveladores

Chegada da família Bagby ao Brasil completa 140 anos

Confira a quarta parte do artigo “Como será a volta?”

pág. 13

pág. 15

Artistas reinventam suas atividades durante a pandemia

pág. 10

Missões Mundiais promove Jornada de Oração pág. 11


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REFLEXÃO

O JORNAL BATISTA Domingo, 28/03/21

EDITORIAL

Num tempo de incertezas é necessário unir e não dividir Vivemos um tempo de extrema divisão. Polarização, pra usar a palavra da moda. Pessoas separadas por pensamentos políticos, sociais etc. Isso também tem chegado em nossos arraiais. Mas a história da Igreja mostra que isso não é algo novo. A carta de Paulo aos gálatas foi escrita, aproximadamente, entre 49 e 55 D.C, para as Igrejas daquela região: Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra e Derbe. O cenário era o seguinte: os judaizan-

tes queriam que os novos convertidos aderissem às suas práticas, entre elas a circuncisão. Entretanto Paulo, considerado apóstolo dos gentios, rebateu este ensinamento. De acordo com a revelação que recebeu de Jesus mostrou ao povo que a salvação vem pela fé e não por obras. Era necessário crer e confessar Jesus Cristo como único e suficiente salvador. Paulo põe a evidência a liberdade que Jesus conquistou na cruz do calvário por nós.

Não é à toa que esta carta é chamada de Magna Carta da Liberdade Cristã. Num tempo tão complicado como o nosso, de incertezas, é necessário unir e não dividir. Mesmo que não possamos de maneira presencial, por enquanto. Mas podemos estar juntos em oração, através dos recursos que a tecnologia nos possibilitou utilizar. É tempo de cuidado. Assim, a Igreja se fortalece e passa pelas situações mais forte. Na edição desta semana temos con-

teúdos que confirmam essa atitude. Artigos que falam da importância da graça e misericórdia do Senhor; notícias que falam de irmãos que pensaram nos outros, no Reino, na comunhão. Nada melhor para fechar o primeiro trimestre OJB, do que dizer que estamos juntos, unidos, mesmo longe fisicamente. Mas vai passar, em breve! n Estevão Júlio

secretário de redação de OJB

( ) Impresso - 120,00 ( ) Digital - 50,00

O JORNAL BATISTA Órgão oficial da Convenção Batista Brasileira. Semanário Confessional, doutrinário, inspirativo e noticioso. Fundado em 10.01.1901

SECRETÁRIO DE REDAÇÃO Estevão Júlio Cesario Roza (Reg. Profissional - MTB 0040247/RJ) CONSELHO EDITORIAL Francisco Bonato Pereira; Guilherme Gimenez; Othon Ávila; Sandra Natividade

INPI: 006335527 | ISSN: 1679-0189 PUBLICAÇÃO DO CONSELHO GERAL DA CBB

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FUNDADOR W.E. Entzminger PRESIDENTE Fausto Aguiar de Vasconcelos DIRETOR GERAL Sócrates Oliveira de Souza

REDAÇÃO E CORRESPONDÊNCIA Caixa Postal 13334 CEP 20270-972 Rio de Janeiro - RJ Tel/Fax: (21) 2157-5557

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Moisés Silveira (1940 a 1946); Almir Gonçalves (1946 a 1964); José dos Reis Pereira (1964 a 1988); Nilson Dimarzio (1988 a 1995) e Salovi Bernardo (1995 a 2002) INTERINOS HISTÓRICOS Zacarias Taylor (1904); A.L. Dunstan (1907); Salomão Ginsburg (1913 a 1914); L.T. Hites (1921 a 1922); e A.B. Christie (1923). ARTE: Oliverartelucas IMPRESSÃO: Folha Dirigida


REFLEXÃO

O JORNAL BATISTA Domingo, 28/03/21

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BILHETE DE SOROCABA

Eu Sou o Senhor Pr. Julio Sanches Esta é uma expressão que é repetida diversas vezes no livro de Levítico. Ao ilustrar a Moisés os detalhes do tabernáculo, das cortinas com suas fivelas e laços dobrados, o cerimonial que envolvia cada sacrifício oferecido sobre o altar, o Senhor repete a Moisés: “Eu sou o Senhor.” O que significa que nada do que lhe foi mostrado deveria sofrer qualquer alteração. Descobrimos que Deus ama os detalhes e os exige na prestação do culto que Lhe oferecemos. São minuciosos detalhes que integram uma grande obra. A Bíblia nos revela a capacidade e inteligência dada por Deus a Moisés para lembrá-los e transmiti-los ao povo. São detalhes exigidos pelo Senhor na ce-

lebração do culto. Hoje, não se dá mais atenção aos detalhes que deveriam estar presentes no culto. Levítico nos revela um lado do que Deus espera do Seu povo ao cultuá-lo. Põe às claras que jamais conseguiremos atender o anseio divino e muito menos ter a certeza da salvação. Prevalecia sempre a dúvida se o culto ou o sacrifício apresentado foi ou não aceito pelo Senhor. Em cada sacrifício, sempre ficava a incerteza de que Deus aceitou ou não o culto que lhe foi oferecido. O fogo estranho apresentado por Nadabe e Abiú e suas consequências deveria servir, hoje, de reflexão àqueles que sobem ao altar para cultuar. Esta é a razão pela qual não podemos ler e interpretar Levítico sem cotejá-lo

com a carta aos Hebreus. Em sua preciosa misericórdia, Deus, o Pai, enviou seu Filho Jesus Cristo para cumprir cada detalhe da Lei dada por Deus a Moisés. Não mais precisamos de sacrifícios para cultuar ao Senhor. Jesus é o sacrifício perfeito, oferecido ao Pai, com os mínimos detalhes, para remissão dos pecados. “Cristo é o sumo sacerdote perfeito, que com seu próprio sangue, entrou uma vez no Santo dos Santos, para efetuar uma eterna redenção” (Hb 9.12). E o autor conclui: “Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo” (Hb 9.14). Se em Levítico nos sentimos impotentes, incapazes, de atender as exigên-

cias divinas para o culto e a salvação, em Hebreus transborda gratidão por podermos chegar à presença de Deus, ancorados apenas nos méritos de Cristo junto ao Pai. A maneira como Deus revelou o Seu plano de salvação para sua criatura perdida e separada do Criador, gera no coração do salvo profundo sentimento de gratidão. Somos desafiados a concordar com o autor de Hebreus 2.3: “Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação.” Não há escape. Apenas o desejo que aceita com gratidão o plano elaborado por Deus antes de todas as eras. Deus me concedeu a salvação, mediante a fé em Jesus Cristo, antes da criação do universo (Ef 1.4-6). Ele é o Senhor! n

Encontros notáveis - Série VIII Juvenal Netto

colaborador de OJB

Alguém ousaria mensurar a profundidade do amor de Deus? Na verdade, por mais que nos esforcemos, isso seria praticamente impossível. Imaginem o quanto é difícil apenas descrevê-lo com toda a riqueza dos idiomas e dialetos existentes no mundo inteiro, quanto mais aferimos o Seu grau de intensidade em relação ao Criador de todo o universo? Dentre milhares de testemunhas, queremos destacar aqui a figura de uma samaritana, a qual foi impactada subitamente pelo extraordinário amor de Cristo (Jo 4.1-30). De acordo com informações obtidas no site “aBíblia.org”, havia na Palestina, na época de Cristo, cerca de 25 a 30 mil habitantes. O que o apóstolo João faz questão de registrar é como Jesus demonstrou de maneira muito peculiar a grandeza do Seu amor por uma vida

em meio a uma comunidade com tanta gente. João afirma que eles estavam na região da Judéia e que Jesus decidiu voltar para a Galiléia. O itinerário mais seguro seria prosseguir pelo vale do rio Jordão, inclusive, essa rota era a mais utilizada pelos judeus, mas, o Mestre resolve seguir por outro caminho, o qual implicaria em passar obrigatoriamente pela província de Samaria. Cansado da viagem, decide parar em um poço e lá se encontra com uma mulher e lhe oferece a “água da vida”. Talvez, você se pergunte, mas, o que tem de tão especial nisso? Primeiro, Jesus, sendo Deus, não para na fonte das águas apenas porque estava com sede ou cansado. Ele é onisciente e sabia que uma pessoa infeliz estaria naquele exato momento ali, ou seja, Ele não se importava apenas com as grandes massas, gastou o Seu precioso tempo em evangelizar uma única vida. Segundo, havia uma barreira quase mortífera

entre judeus e samaritanos, pois, esses eram considerados imundos porque não haviam guardado a linhagem de Israel, tendo se relacionado com outros povos no passado. Terceiro, ensinou uma mulher, algo que era considerado abominação para os fariseus, chegando ao ponto de afirmarem que seria melhor queimar a “Torá” do que ensiná-la a alguém do sexo feminino. Quarto, essa cidadã deveria possuir uma péssima reputação na cidade, pois já havia se relacionado com cinco homens e mantinha agora um relacionamento ilícito com mais um. Todo aquele que se atrevesse parar para conversar a sós com ela na rua, como fez o Senhor, certamente, teria muitas dificuldades diante de toda a sociedade judaica. Quinto, em nenhum momento Jesus lhe acusa pelos seus pecados, mas, começa o diálogo lhe oferecendo a oportunidade de obter a resposta para todos os seus dilemas, pois, compreendeu que as suas atitu-

des eram produto de um grande vazio existencial. Por isso, diante da exposição destes cinco fundamentos supramencionados, podemos afirmar, conclusivamente, que o amor de Jesus por cada um de nós é incomensurável. Fazendo um paralelo com a terceira lei de Newton que diz o seguinte: “a toda ação corresponde a uma reação de igual intensidade, mas que atua no sentido oposto”, diante da ação de amor e carinho demonstrados pelo Messias, a reação daquela samaritana foi: “— Senhor, dá-me dessa água, para que não mais tenha sede, e não venha aqui tirá-la.” (Jo 4.15). Essa pobre mulher representa toda a humanidade sedenta, ainda que de forma imperceptível, pela água capaz de saciar a alma, assim como o convite feito por Jesus a ela é ampliado a cada um de nós. Qual será a sua reação diante dele? Lembre-se, a resposta refletirá na sua eternidade. n


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REFLEXÃO

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Corrigindo nossos desvios espirituais Celson Vargas

pastor, colaborador de OJB

“Tudo isto desagradou a Deus, pelo que feriu Israel. Então disse Davi a Deus: Muito pequei em fazer tal coisa; porém agora peço-te que perdoes a iniquidade de teu servo, porque procedi mui loucamente” (I Cr 21.7-8). O desvio espiritual de Davi que desagradou a Deus teve origem em atitudes que não foram evitadas, apesar de alertas emitidos. Quero aplicar essa situação para nosso presente tempo, destacando, em primeiro lugar, as principais causas de cairmos nesses desvios e, depois, as correções. Como principal causa, dar ouvidos a quem age diuturnamente para nos desviar dos mandamentos de Deus, que é Satanás. Davi caiu nisso, quando se deu à vaidade de querer saber qual era o seu poderio, baseado em seus exércitos, apesar de saber que suas grandes vitórias eram pelo poder de Deus. Mesmo assim mandou recensear seus homens de guerra. Quando enchemos nosso coração de vaidade para fazer a obra no Reino de Deus, atribuímos as vitórias às nossas capacitações pessoais e pas-

samos a confiar nos recursos que julgamos tê-los obtidos por nós mesmos. Davi também deixou de considerar os alertas de Deus para dissuadi-lo desta atitude. Seu general foi usado por Deus, mas não prevaleceu. “Então disse Joabe: Multiplique o Senhor teu Deus a este povo cem vezes mais; porventura, ó rei meu senhor, não são todos servos de meu senhor? Por que requer isso o meu senhor? Por que trazer assim culpa sobre Israel?” (I Cr 21.3). Sabia Joabe que esse desvio de Davi traria o peso da mão de Deus não apenas sobre ele, mas também sobre Israel. Quantas vezes também ouvimos os alertas de Deus quanto a nossos desvios e os desconsideramos. Desagradamos a Deus e atraímos o peso de suas correções. Como corrigirmos nossos tropeços? Humildade, acrescida de profundo e sincero arrependimento e confissão nominal de nossa desobediência ao Senhor. “Então disse Davi a Deus: Muito pequei em fazer tal coisa; porém agora peço-te que perdoes a iniquidade de teu servo, porque procedi mui loucamente” (I Cr 21.8). A seguir, submeter-se a Deus para ser por Ele corrigido e não entregue às punições de homens. “En-

Olavo Feijó

pastor & professor de Psicologia

Cristo, a luz do mundo “Eu sou a luz que vim ao mundo, – e é luz que ilumina o meu caminho” para que todo aquele que crê em (Sl 119.105). mim não permaneça nas trevas” (Jo João declarou: “A mensagem em 12.46). que Cristo nos deu e que anunciamos a vocês é esta: Deus é luz e não há Segundo algumas tradições reli- Nele nenhuma escuridão... Se vivergiosas descritas na Bíblia, as trevas mos na luz, como Deus está na luz, representam o poder do mal, enquan- então estamos unidos uns com os to a luz representa o poder do bem. outros e o sangue de Jesus, o Seu Daí a pregação de Jesus: “Eu vim ao Filho, nos limpa de todo o pecado” (I mundo como luz, para que quem crê Jo 1.4-7). em Mim não fique na escuridão” (Jo Nós somos a continuidade do mi12.46). O profeta Isaías revelou: “O nistério de Jesus Cristo. Disse Jesus: povo que andava em trevas viu uma “Vocês são a luz para o mundo... A forte luz: a luz brilhou sobre os que luz de vocês deve brilhar, para que viviam nas trevas” (Is 9.2). O escritor os outros vejam as coisas boas que bíblico nos afirma: “A Tua Palavra é vocês fazem e louvem o Pai de vocês lâmpada para guiar os meus passos que está no céu” (Mt 5.14). tão disse Davi ao profeta Gade: Estou em grande angústia; caia eu, pois, nas mãos do Senhor, porque são muitíssimas as suas misericórdias: mas nas mãos dos homens não caia eu” (I Cr 21.13). Também nós, diante da angústia do pecado, devemos optar e pedir pe-

las correções do misericordioso Deus e não esperarmos pelas correções de homens, que são injustas e desprovidas de misericórdia. Reconheçamos, arrependamo-nos e confessemos a Deus, nossos desvios espirituais. n

Viva o poder de transformar Marinaldo Lima

pastor, colaborador de OJB

Viva o poder de transformar! Inicie de joelhos, no altar. Vendo os campos que estão pra se alcançar! Aja assim na sua Igreja ou no seu lar. O Evangelho ide hoje anunciar! Pandemia: o mundo vive tempo de calamidade. Ore por toda esta grande humanidade. Dê ouvidos aos que veem a mortandade E estão desesperados com a realidade; Reféns do pânico e da incredulidade. Dói muito ver pessoas desesperadas, Enfrentando o caos, sem pão, esfomeadas.

Tráfico de drogas por todos os continentes, Rebeliões e guerras matam insensatamente, Atrocidades são perpetradas impunemente. Nações em trevas do Oriente ao Ocidente; Satanás dominando corpos e mentes. Forças maldosas destroem insanamente Os que padecem tão desgostosamente. Rivalidades entre governos negligentes Massacram vulneráveis impiedosamente. Agem os poderosos atrevidamente, Rasgando os direitos dos inocentes. Viva o poder de transformar! Intensifique a ação de ofertar. Veja, Deus não nos deixa acovardar! A sua ordem é sempre evangelizar. O poder e o amor Ele nos dá.

Poder para alcançar estas nações, O amor para injetar nos corações. Dediquemos nossas vidas às multidões Errantes, vivendo em lamentações, Recorrendo à falaciosas aspirações. Do Norte ao Sul preguemos a Esperança E toda a Terra tenha em Cristo, a confiança. Tenhamos a mais firme convicção, Realizando a nossa nobre missão: Alcançar o mundo com a Grande Comissão. Nas Américas e na África os perdidos estão Sacrificando aos ídolos em total escuridão. Floresce na Europa com grande difusão O secularismo radical e o culto da razão. Recrudesce na Ásia o vício e a corrupção; Morrem na Oceania milhares sem salvação. Abracemos a Campanha da nossa Convenção, Realizando esta obra com ofertas e oração! n


REFLEXÃO

O JORNAL BATISTA Domingo, 28/03/21

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Alimento que sustenta Rubin Slobodticov

pastor, colaborador de OJB

O dia 31 de março é marcado como o Dia da Saúde e Nutrição. O objetivo é fortalecer e conscientizar sobre a importância da nutrição adequada para a saúde. Afinal, uma alimentação sadia, balanceada por trazer uma quantidade ideal de nutrientes, é suficiente para o organismo se manter fortalecido e com imunidade alta contra enfermidades comuns, inclusive. Tudo e todos se alimentam para sobreviver. A criação precisa de alimentos para manter a vida saudável e produtiva. Cada ecossistema interage de maneira estável e equilibrada entre seus habitantes e com o meio ambiente em que vivem, de onde tiram o necessário para viver. Sua constituição foi estabelecida pelo Criador. Com os humanos, Deus proveu os animais para servirem de alimento, e, assim a alimentação equilibrada se constituiu na variedade de produtos vegetais e animais, tal como registram os textos: “E disse Deus: Eis que vos tenho dado

toda a erva que dê semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto que dê semente, ser-vos-á para mantimento” (Gn 1.29); e, o tempo passou e a comunhão com o Criador era fortalecida. Foi assim com a família de Noé, que continuou a receber instruções sobre a alimentação: “E abençoou Deus a Noé e a seus filhos, e disse-lhes: Frutificai e multiplicai-vos e enchei a terra. E o temor de vós e o pavor de vós virão sobre todo o animal da terra, e sobre toda a ave dos céus; tudo o que se move sobre a terra, e todos os peixes do mar, nas vossas mãos são entregues. Tudo quanto se move, que é vivente, será para vosso mantimento; tudo vos tenho dado como a erva verde. A carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis” (Gn 9.1-4). Ao tempo da liderança de Moisés, o povo de Israel continuou a receber informações precisas a respeito da alimentação, inclusive, sobre animais aquáticos, nestes termos: “Isto comereis de tudo o que há nas águas: tudo o que tem barbatanas e escamas comereis. Mas tudo o que não tiver bar-

batanas nem escamas não o comereis; imundo vos será” (Dt 14.9-10). O Rei Davi deu testemunho a respeito da alimentação ao dizer que o “Senhor fartou a alma sedenta e encheu de bens a alma faminta” (Sl 107.9), e mesmo no tempo apostólico o cardápio era bem diversificado, a ponto de trazer desconforto para alguns, e então Paulo sugere eficazmente o seguinte: “O que come não despreze o que não come; e o que não come não julgue o que come; porque Deus o recebeu por seu” (Rm 14.3). E, para o povo de Corinto, ele recomenda, para pôr fim a celeuma a respeito do que comer e não comer: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus” (I Co 10.31). Jesus, o Mestre por excelência, dialoga com Seus discípulos sobre o assunto e orienta a sublimação do assunto ao ensinar: “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará; porque a este o Pai, Deus, o selou. Disseram-lhe, pois: Que faremos para executarmos as obras de

Deus? Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou. Disseram-lhe, pois: Que sinal, pois, fazes tu, para que o vejamos, e creiamos em ti? Que operas tu? Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Deu-lhes a comer o pão do céu. Disse-lhes, pois, Jesus: Na verdade, na verdade vos digo: Moisés não vos deu o pão do céu; mas meu Pai vos dá o verdadeiro pão do céu. Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo. Disseram-lhe, pois: Senhor, dá-nos sempre desse pão. E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede” (Jo 6.27-35). É preciso, pois, buscar o alimento que sustenta, com discernimento. Afinal, quem sabe cuidar bem do corpo físico, sabe que a alma precisa também de alimento para caminhar sempre para uma vida melhor, onde Jesus é o que a sustenta. Essa é a melhor decisão a tomar para se ter uma vida digna mediante a ingestão de alimento que sustenta tanto o corpo quanto a alma. n

viajava para visitar sua família no Rio de Janeiro e eu ocupava o púlpito. Meu tenente, do terceiro pelotão, insistiu que iniciasse o curso de cabo, e depois sargento, e continuasse a carreira militar. Ao nos despedirmos, pediu-me que não olhasse para trás, pois seria desonroso o superior chorar na frente de um subordinado. Nunca me esquecerei de meu tenente, tão novo quanto eu, Alberto Blanco de Oliveira, fossemos como irmãos. Uma noite guardei posto, no Rio Paraíba, e um sargento, esposo de uma senhora da Igreja, perguntou-me: “Você é o soldado batista?” Fui com tudo para cima. E o senhor que está esperando? Sabe, religião para mim é para os fracos. Perguntei: o senhor acha que alguém sozinho destoa de 600 jovens é um fraco? Ouvi dizer que três meses depois aceitou a Cristo.

Aos 33 anos fui consagrado pela Igreja Ebenezer, batizado pelo pastor Szymon Horbaczyk; em 1951 formei-me em Teologia e Filosofia. Deus deu-me uma esposa, que com 20 anos obteve o primeiro lugar no concurso da prefeitura, participante de um quinteto de câmera como pianista, e com elogios de um músico da Sinfônica de São Paulo, opinando: “Se me nasce na Itália, seria uma das melhores do mundo!” Minha irmã Tereza começou seus estudos aos 26 anos, casada e com dois filhos, tornou-se tão prestigiada, como diretora, que há uma Escola Municipal de Ensino Infantil (EMEI) com seu nome e uma rua em São Paulo, chamada Thereza Thé de Carvalho. Tudo isso que contei foi o que o Evangelho fez em nossa família. Ah! Se o Brasil soubesse a bênção que é crer em Cristo, o Brasil seria outro. n

O verdadeiro Evangelho Manoel de Jesus Thé (in memoriam)

O nome do artigo não é uma condenação as outras formas de encarar o Evangelho fora das posições Batistas. Só para esclarecer, foi o testemunho de dois professores presbiterianos que me fortaleceram a fé em Cristo. O primeiro foi o testemunho de uma professora primária, e outro foi um professor da Universidade de São Paulo (USP), de quem fui aluno um semestre, o insigne doutor Flaminio Favero. Que sabedoria e testemunho nos deu. Dona Maita, minha professora, do primeiro ao terceiro ano primário, chegando as férias de julho, não voltou para a casa, mas pediu permissão ao meu pai para vir desfrutar da nossa convivência no sítio onde morávamos. Não falaram de Cristo, mas testemunharam Cristo.

Em 1943 mudamos para Martinópolis-SP, onde recebi o diploma primário. Lá foi o “coleguinha” Jairo Tchernev, que levou-me à pequenina Igreja Batista. Um pequeno salão, com uma mesinha como púlpito; o pastor Haroldo Hipólito Beltrand, que depois foi pastor, em Tupã-SP, pregou. Não me lembro do sermão, mas o amoroso ambiente deixou-me marcas. Meus tios eram da Igreja Batista do Bairro do Belém-SP. Logo minhas duas irmãs maiores converteram-se a Cristo, mas, com 15 anos, já participava dos “bailinhos” e consumia bebidas. No dia 02 de março, de 1951, décimo aniversário da Igreja Batista Ebenézer, ouvi um sermão intitulado: “O Pecado e a Lepra”, do pastor Rafael Gióia Martins, que antes fora padre. Começaram as bênçãos. Em 1956 servi ao exército em Pindamonhangaba-SP. Pastor Gladstone Paixão da Silva


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REFLEXÃO

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Cristão operário Jeferson Cristianini

pastor, colaborador de OJB

A Bíblia mostra, desde o primeiro versículo, Deus trabalhando. O Antigo Testamento apresenta diversas vezes o Senhor Deus trabalhando em prol do Seu povo e cuidando do universo. O profeta Isaías, ao utilizar uma pergunta retórica, fala do trabalho de Deus: “Não sabes, não ouvistes que o eterno Deus, o Senhor, o Criador dos fins da terra, não se cansa, nem se fatiga?” (Is 40.28). O salmista diz que “não dormitará aquele que te guarda, o guarda de Israel” (Sl 121.3-4). Isaías diz assim: “Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com os ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu Deus além de ti, que trabalha para aquele que nele espera” (Is 64.4).

Que benção saber que Deus não cochila e nem dorme, que o Senhor trabalha para nos abençoar, nos prover e nos livrar de todo mal. Dia desses meditei nesses versos e busquei aprender algo. Tenho aproveitado todos os momentos para refletir em verdades da Palavra de Deus. Enquanto meu filho brincava, olhei ao redor, vi algumas pequenas flores e logo vi uma abelha, que pousava nas flores e ali realizava o seu trabalho. Há algumas divisões nas abelhas, e certamente essa era uma abelha operária, que faz de tudo para o bom funcionamento da colmeia e para a boa produção de mel. As abelhas operárias ou obreiras são responsáveis por produzir o mel, construção dos favos, coleta e transporte do néctar e pólen e produzem

a cera. As operárias atuam dentro e fora das colônias (como são chamadas as colmeias) e desde jovem, elas atuam na limpeza e organização da colônia. Vivem para trabalhar em prol da produção da colmeia e são submissas à abelha rainha. Fazendo uma analogia com a vida cristã, precisamos também trabalhar desde sempre até morrermos, trabalhar para nosso Deus. trabalhar e defender nossa “colmeia” que é a Igreja, viver em submissão ao nosso Rei Jesus e atuar dentro e fora da “colônia” que nessa analogia é a Igreja. É evidente que cada um de nós tem uma preferência para algum tipo de trabalho, e isso é maravilhoso; por isso, precisamos fazer o nosso melhor em nosso trabalho e atuar em prol da ex-

pansão do Reino de Deus para o louvor do nosso Rei Jesus. Há muito trabalho a ser feito e que nossas ações refletam a glória de Deus. A orientação do Cristianismo é que “tudo o que fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens, cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da herança. A Cristo, o Senhor é que estais servindo” [...] (Cl 3.23-24). Vamos trabalhar em tudo com excelência, para revelarmos ao mundo a glória de Deus por meio de Jesus Cristo, o Senhor e Salvador. Há muito a ser feito. Que sejamos operários de Jesus e trabalhemos na obra de Deus expandindo Seu Reino. Deus trabalha em nosso favor e nós precisamos trabalhar em prol do Reino dEle. Mãos ao trabalho, crentes. n

A mensagem pregada por Paulo em Corinto José Manuel Monteiro Jr. pastor, colaborador de OJB

Ao receber a notícia da família de Cloe acerca dos problemas existentes dentro do contexto da Igreja em Corinto, Paulo percebe algo muito perigoso existente no seio da Igreja. A mistura do Evangelho com a filosofia. Os crentes de Corinto já não se contentavam com o Evangelho puro e simples, queriam algo mais. No século XIX, a mistura do Evangelho com a filosofia desembocou naquilo que conhecemos como liberalismo teológico. O liberalismo teológico é fruto do iluminismo, movimento surgido no início do século XVIII – e que tinha como bandeira ser um contraponto a religião institucionalizada. Os teólogos liberais defendem que o sobrenatural não invade a história, e cheios de empáfia postulam que só podem aceitar como verdade aquilo que passa pelo viés da razão. Como resultado deste pensamento,

vê-se a negação das grandes doutrinas do Cristianismo. O apóstolo Paulo, ao perceber que Corinto estava se descaracterizando, por assimilar conceitos dos mestres da filosofia, passou a expor os fundamentos básicos da mensagem do Evangelho de Jesus Cristo. Vamos rapidamente elencar alguns pontos para a nossa reflexão. Em primeiro lugar, o Evangelho de Cristo deve ser proclamado com simplicidade (I Co 2.1). O tempo que esteve em Corinto anunciando o evangelho, Paulo não se portou à maneira de um orador nem de um filósofo. Pelo contrário, Paulo havia trazido a mensagem da salvação em linguagem simples e, por isso, qualquer um de seus ouvintes a podia entender. Seria uma contradição Paulo anunciar o testemunho de Deus, que é o do Cristo crucificado, em palavras pomposas e ostensivas, ao estilo dos mestres e filósofos existentes em Corinto. William Barclay diz: “Sempre é certo que a simplicidade tem um poder

único. Quando tratamos com gente comum, sem grandes conhecimentos, é sempre certo que uma figura vívida e concreta tem um poder que não existe em um argumento bem elaborado”. Em segundo lugar, Paulo anuncia a morte de Cristo (I Co 2.2). A morte de Cristo não é uma doutrina periférica no Cristianismo, mas sua própria essência. Na visão de Paulo – não há outro evangelho a ser anunciado, a não ser o de Jesus crucificado. Não podemos perder de vista esta realidade - necessitamos ter como prioridade em nossos púlpitos a proclamação da mensagem da cruz. Na teologia paulina, não só encontramos o motivo da morte de Cristo na cruz, mas também os benefícios para aquele que crê em Jesus: o perdão dos pecados e a vida eterna. Hernandes Dias Lopes afirma: “Nenhuma mensagem pode ocupar o lugar da mensagem da cruz”. Em terceiro lugar, Paulo expressa temor e tremor diante da exposição do evangelho (I Co 2.3). Os grandes orado-

res, mestres em Corinto em suas prédicas, disputavam entre si para saber quem melhor se expressava. Diferentemente destes oradores, Paulo ressalta seu temor e tremor diante da nobre tarefa de pregar a Palavra. Que este temor esteja sempre presente em nossos corações no exercício de nosso ministério. Que sejamos dependentes mais e mais de Deus. Em último lugar, Paulo entende que sem o poder do Espírito, não há pregação (I Co 2.4-5). O apóstolo dependia do poder do Espírito Santo. Não era sua experiência nem habilidade que dava poder a seu ministério; era a obra do Espírito de Deus. A proclamação da Palavra de Deus nunca deve ser separada do Espírito. O apóstolo Paulo entendia que uma vida ungida é o fundamento tanto para a preparação da mensagem como para a sua proclamação. Warren Wiersbie faz a seguinte observação: “Os que ministram a Palavra devem se preparar e usar todos os dons que Deus lhes deu - mas não devem se fiar em si mesmos”. n


MISSÕES NACIONAIS

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Das drogas para o curso técnico de enfermagem

Rodrigo Tadeu Tiburcio é prova viva do cuidado e do amor de Deus. Ele era dependente químico e viveu nas ruas durante seis anos. O jovem chegou ao extremo de pedir a Deus para que retirasse a sua vida, após terem tentado pôr fogo nele. Mas, pela graça de Deus, quando ele já estava cansado dessa situação, ele foi resgatado por duas irmãs, membros de uma Igreja Batista. Rodrigo passou, então, a frequentar a Igreja para se alimentar, ganhou uma Bíblia, que chegou a vender para comprar drogas. Nesse momento, ele

percebeu que realmente precisava de ajuda. A Igreja ofereceu apoio, ele aceitou e ingressou na Cristolândia de Belo Horizonte-MG. Ele ficou na unidade durante um ano e dez meses, mas, ao visitar o seu filho, teve uma recaída, já no fim do tratamento. Rodrigo pediu ajuda novamente e a condição era que ele fosse para a unidade da Cristolândia de Muriaé-MG, onde atuam os missionários e gestores da unidade, Érica Dayane Dantas e Felipe Santiago Dantas. Com a ajuda de professoras, Rodrigo

começou a estudar e concluiu o Ensino Médio. Depois, recebeu o desafio de um missionário, que perguntou se ele queria estudar mais. Rodrigo tinha uma semana para pensar. “Meu maior sonho é trabalhar em uma profissão que use branco e que possa ajudar outras pessoas”, foi sua resposta. Sabendo desse sonho, os missionários da unidade de Muriaé fizeram contato com alguns parceiros, quando apareceu um casal apaixonado por missões, que adotou Rodrigo e se dispôs a pagar todo o seu curso de Técnico

em Enfermagem e Instrumentação Cirúrgica. Hoje, Rodrigo veste branco e já iniciou o estágio no Centro Cirúrgico em Muriaé. O que era um sonho apenas dele, tornou-se também um sonho dos missionários da Cristolândia e um sonho do casal que investe na vida dele. Em breve, Rodrigo estará formado, trabalhando e organizando a sua casa. Ele já sonha com a graduação em Enfermagem. Louvado seja Deus pela vida de Rodrigo e de tantas pessoas apaixonadas pela obra missionária! n


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JBB

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Compartilhar graça e misericórdia: desafio de todos nós! Alexsandro Oliveira

membro da Coordenadoria de Missão da Juventude Batista Brasileira

“A graça, a misericórdia e a paz da parte de Deus Pai e de Jesus Cristo, seu Filho, estarão conosco em verdade e em amor” (II Jo 1.3). Para começo de conversa, vamos lembrar o conceito de graça e misericórdia? Resumidamente, misericórdia é quando deixamos de receber um castigo merecido, e graça é quando além de não sermos castigados, ainda somos abençoados, mesmo que totalmente indignos. Porque a graça e a misericórdia são tão importantes? A misericórdia nos lembra quem somos pecadores (Rm 3.23; Eclesiastes 7.20; Romanos 6.23). A graça nos aponta a possibilidade de um futuro novo, a partir do sacrifício de Cristo (Jo 3.16). A misericórdia nos apresenta que não somos melhores, pois todos merecíamos o mesmo fim, a condenação eterna. A graça mostra que há possibilidade de redenção para todos (Tt 2.11; Efésios 2.8,9). Graça e misericórdia são ações de Deus em favor do homem, expressões do seu amor salvador. A graça se viabiliza pela misericórdia. Podemos dizer que a anulação da sentença de condenação eterna (misericórdia) abriu caminho para que o plano de redenção, a vinda de Cristo como meio de extensão da Sua graça sobre toda a humanidade, se tornasse possível. Porque compartilhar graça e misericórdia é necessário? Porque foi o que o próprio Deus fez quando enviou Jesus. Porque Deus amou o mundo de tal maneira que anulou nossa sentença, e nos ofereceu a chance de ter um futuro novo, através de Jesus. Porque é esse partilhar que dá sentido ao nosso discurso, que valida nossa experiência de fé e arrependimento

como sendo algo pertinente a toda a humanidade. Fomos alcançados pela graça. Ponto. A partir disso precisa existir a consciência de que essa experiência não pode ficar restrita ao nosso grupo, mas precisa ser dividida, ampliada e amplificada. Sabe qual o nosso problema? Estamos, hoje, muito mais preocupados em “semear”, ou impor, um código moral à sociedade do que em mostrar para essa mesma gente o Cristo capaz de transformar por meio da graça e da misericórdia. Agora, você já se perguntou com o que Jesus se preocupa? Em João 4.1-30, Cristo nos dá uma aula do que significa compartilhar graça e misericórdia. Ele simplesmente resolve conversar com uma mulher samaritana. Se existia um público mais marginalizado que esse naquela época, fica difícil saber. Vamos aos ingredientes dessa receita. Ela era mulher (v. 27). Ela era de um povo rival dos judeus (v. 7). Ela teve cinco maridos e vivia em um relacionamento inadequado (v. 16, 17, 18). Jesus olhou para todos esses paradigmas e simplesmente resolveu ignorá-los. Ele poderia ter pensado: o que vão achar disso? Poderia, é legítimo. Ele poderia ter escolhido um caminho diferente para chegar à Galileia? Poderia, era legítimo também, aliás era o que os judeus costumavam fazer. Mas ele precisava passar por Samaria (v. 4). A verdade é que compartilhar graça e misericórdia por vezes requer visitar lugares incômodos, para ter conversas difíceis com pessoas hostis. Hoje, pense onde estão as “mulheres samaritanas”. Qual a nossa postura diante delas? O distanciamento pelas diferenças, ou um olhar de compaixão a quem necessita conhecer o amor de Deus? Outras histórias trazem elementos importantes sobre o ato de compartilhar graça e misericórdia. Vou citar mais duas:

- A parábola do bom samaritano Lucas 10.25-37. Compartilhar graça e misericórdia é notar o homem caído no chão e, novamente, deixar de lado a sua origem (um samaritano), e tudo aquilo que naturalmente funcionaria como barreira a uma aproximação. Ele está caído, precisa de ajuda, precisa ter as suas feridas tratadas! Mas o que fazemos com muitas destas pessoas é, ao contrário de mostrar o remédio para sua dor, abrir novas feridas, a partir de uma fala arrogante e incompatível com o Evangelho. A outra passagem é o encontro de Jesus com a mulher adúltera, que estava a ponto de ser apedrejada por uma multidão enfurecida - João 8.1-11. Do que dependesse dos doutores da lei presentes àquela situação, a mulher seria rigorosamente punida, como manda o figurino. Jesus enxergava algo além das evidências do crime cometido por aquela mulher. Ele sabia que tanto ela quanto seus acusadores estavam em pé de igualdade. Eram todos pecadores, mas estavam tratando a condenação daquela mulher como a solução dos problemas da humanidade, como se o castigo da moça tornasse mais leve o fardo deles próprios enquanto igualmente falhos. Um dia, todos fomos a mulher samaritana, o homem caído no chão, a mulher adúltera. Nosso erro é esquecer essa origem decadente, e agir como se não tivéssemos um passado, uma história. Nós podemos decidir quem queremos ser nessas histórias. Talvez, como os discípulos, que condenaram a atitude de Jesus lá no íntimo e só observaram ele fazer a diferença na vida de alguém. Ou como os levitas e sacerdotes que nada fizeram pelo homem caído. Ou ainda como aqueles acusadores, prontos a apedrejar aqueles que tem seus erros denunciados em praça pública. Mas também podemos escolher ser como Jesus. Preciso dizer algo mais? A atitude dele é que deve inspirar nossa conduta. O semeador sai a semear, mas não escolhe a terra. Todas precisam da se-

mente, tanto as que tem espinhos, os pedregulhos, e até a terra boa. Porque compartilhar graça e misericórdia do jeito certo é fundamental? Entre outras coisas, porque surgiu uma geração altamente hostil à Igreja neste século. Gente que buscou encontrar em nós esse amor que tanto professamos, mas que se torna confuso à medida que nossas práticas não se alinham com ele. Gente que buscou compreensão, mas achou apenas as regras e sistemas estabelecidos. Gente que pensou que encontraria menos dogmas que engessam em favor de um agir mais potente do Espírito, mas encontrou uma Igreja oprimida pelas suas próprias estruturas, e que deixou de ser instrumento para compartilhar essa graça e misericórdia para ser causadora de cisões em um mundo que já está partido pelo pecado. Meu apelo é simples: Vamos deixar de lado os paradigmas, os preconceitos e clamar ao Senhor sobre como podemos ser úteis, de verdade, nesse lugar em que ele nos plantou. Isso só é possível a partir do amor (I Jo 4.11-19). Se cremos que somos instrumento de transformação, precisamos abrir nosso coração a um agir genuíno de Deus neste tempo. Isso vai além de coisas como escolhas políticas e ideológicas, por exemplo. Acreditem: muitas vezes estas discussões servem apenas como distrações que nos impedem de ver que estamos neste mundo com um propósito muito mais nobre e digno, um propósito eterno. Nós temos em nossas mãos a chance preciosa de sermos canais dessa graça e misericórdia a uma humanidade sedenta de Deus. É quando compartilhamos com as pessoas aquilo que temos recebido que o nosso amor toma uma dimensão prática, deixa de ser um simples discurso abstrato que não muda a vida de ninguém. Mas quero que você reflita comigo: que paradigmas você precisa romper para que isso se concretize? Que Deus nos abençoe e nos esclareça a cada dia. n


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Seminário do Sul recebe aprovação para implantar curso de Bacharel em Teologia EAD Notícia foi divulgada às vésperas do aniversário de 113 anos da instituição. Um dia para celebrar às vésperas de completar 113 anos de portas abertas. Na sexta-feira, 12 de março, foi publicado no Diário Oficial da União a aprovação do curso de Bacharel em Teologia na modalidade de Ensino a Distância (EAD) da Faculdade Batista do Rio de Janeiro | Seminário do Sul. Sem dúvidas, é uma virada de chave histórica para esta instituição pioneira no ensino para o ministério cristão. A decisão foi tomada, ainda na parte da manhã, após reunião do representante institucional do Seminário do Sul e coordenador do Núcleo de Ensino a Distância, doutor João Boechat, com o Ministro da Educação, Milton Ribeiro. João agradeceu a aprovação da novidade, apresentou as demais atividades da instituição e ainda conversou sobre o Curso de Mestrado que, em breve,

João Boechat, coordenador do Núcleo de Ensino a Distância do STBSB, em conversa com Milton Ribeiro, ministro da Educação também fará parte da grade de cursos oferecidos. “É um momento de grande alegria pela autorização do EAD e também de expectativa para o lançamento do Mestrado. Ambos possibilitarão melhor capacitação dos vocacionados e mais

atenção às necessidades dos que buscam trabalhar para o cumprimento do chamado divino”, afirma, com alegria, doutor João Boechat. Para mais informações, entre em contato conosco através do WhatsApp: (21) 98720-5716

Ou acesse: www.seminariodosul. com.br Seminário do Sul - Há 113 anos liderando o futuro e sendo relevante na história de vocacionados no Brasil e, agora, em qualquer lugar no mundo. Louvado seja Deus, o nosso Senhor! n

Juventude Batista do Estado do Rio de Janeiro completa 46 anos de história Celebração aconteceu de maneira presencial e online. Diana Sampaio Rodrigues

membro da Primeira Igreja Batista em Araruama - RJ; Departamento de Comunicação da Convenção Batista Fluminense

A Juventude Batista do Estado do Rio de Janeiro (JUBERJ) comemorou, no dia 06 de março, o seu 46º aniversário de serviço ao Senhor. Para celebrar, foi realizado um culto jovem na Igreja Batista Central em Resende, liderada pelo pastor Carlos Henrique. A programação também foi transmitida online, através da página do Facebook da JUBERJ e pelo canal de Youtube IBC Resende. Além de comemorar, o intuito dessa celebração foi de, junto a Igreja, desenvolver e reiniciar o trabalho presencial e online com a juventude local e integrar Igrejas locais a participarem e viverem em unidade. O culto teve início com a participação do grupo de louvor da IBC em Resende e Igreja Memorial em Resende, seguindo com as palavras iniciais do diretor executivo da JUBERJ, pastor Diego Antunes, que falou um pouco sobre tudo o que aconteceu no último ano

JUBERJ escolheu a região do Sul Fluminense para comemorar aniversário de 46 anos e sobre o tema do culto: “É Tempo de Recomeçar”. O diretor executivo também deu uma palavra sobre os planos da JUBERJ para os próximos meses. Em parceria com Missões Estaduais, conduzida pelo pastor Daniel Cunta, o projeto “Jovens em Missão” tem como objetivo convocar jovens que possuem um chamado missionário para auxiliar Igrejas que precisam de ajuda em diversas áreas. Outro projeto é o INTERJUBAS, o encontro das juventudes através de cultos em cada região do estado do Rio de Janeiro (Sul, Centro, Baixada, Norte e Região

Serrana). Já em abril será realizado o congresso Juventude Ativa totalmente online, onde os jovens farão apenas um cadastro para participar das programações. O vice-presidente da JUBERJ, Temóteo Santos, da Primeira Igreja Batista em Maricá, levou palavras abençoadoras no momento da reflexão, falando sobre o recomeço e o que ele pode produzir. O culto foi encerrado com orações, a participação musical do grupo de louvor e a apresentação das Igrejas presentes. A JUBERJ é um grupo auxiliar da Convenção Batista Fluminense, criado

em 1975, a fim de orientar e coordenar o trabalho com os jovens e adolescentes do estado. Ela compreende hoje 39 Jubas (Juventudes Regionais) em sua totalidade, sendo a maior Juventude Batista do país. Isso tudo por meio de diversos eventos e envolvimentos, como, por exemplo, a Festa da Primavera, congressos como o Juventude Ativa e o CONABERJ, Projetos Missionários, Formação de Líderes e incentivos a atividades artísticas e esportivas. Para saber mais informações, acompanhe em: Instagram: @juberj | Facebook: JUBERJ n


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O JORNAL BATISTA Domingo, 28/03/21 ARTE & CULTURA

Mineiros usam o mundo virtual com criatividade Já falamos em outras ocasiões sobre usar janelas abertas em tempos de portas fechadas. É isso que tem acontecido na vida de dois jovens talentosos. A artista circense Andrizia e o ator Breno Martins, de Minas Gerais, são parceiros da nossa gerência de Arte e Cultura. Já fizemos matérias sobre os seus trabalhos no passado, mas, agora, eles compartilharão como estão trabalhando na pandemia e promovendo o Reino de Deus através do compartilhar dos seus talentos com um público virtual. Começo a conversa com Breno Martins. Formado na Escola de Teatro da PUC-MG em 2011, tem mais de 15 anos de atuação em teatro cristão. Além disso, ele já escreveu 12 peças, visitou mais de 150 Igrejas através do seu trabalho e formou oito turmas como professor. Atualmente, Breno ministra as aulas de teatro virtualmente. Isso mesmo! RM - Amigo Breno, parabéns pela iniciativa! Como nasceu a ideia das aulas virtuais? BM - A ideia de aulas online partiu da diretoria da Juventude Batista Mineira (Jubam). Não só pela dificuldade de se manter aulas presenciais, por conta da pandemia, mas principalmente para fazer uma adesão de pessoas que estão distantes da nossa capital e que têm um amor pela arte do teatro. Daí surgiu a ideia de levar as aulas até a sala de suas casas. RM - Maravilha! Para você, acostumado com alunos presenciais, como se sentiu com o desafio? Como vai o projeto? BM - Confesso que torci um pouco o nariz quando me apresentaram o projeto, pois, trata-se de algo realmente novo, não apenas em nosso meio cristão, mas em todas as esferas. Mesmo relutante, aceitei o desafio. E o resultado foi muito acima de qualquer expectativa, a palavra certa seria: extraordinário, ver como conseguiram abrir mentes e corações para o mundo mágico do teatro. Formamos a primeira turma em janeiro deste ano e, agora, em março, iniciamos a segunda, com pessoas de várias regiões das Minas Gerais. Agora, com uma certa experiência da primeira turma, a expectativa é ainda maior para a segunda. RM - Legal! Como a experiência virtual tem te ajudado a promover a arte teatral? BM - A internet nunca teve tanta relevância como nos dias de hoje. Cabe

a nós usarmos nossa capacidade de adaptação para fazer um bom uso dessa ferramenta. Adaptação é uma palavra obrigatória em nosso meio artístico/criativo. Veio pra ficar! E que bom saber que posso atravessar fronteiras longínquas levando a arte do teatro através da tecnologia, se antes eu torci o nariz, hoje abro meus braços para a tecnologia dentro de minha tão amada arte do Teatro. RM - O que tens ensinado aos seus alunos? BM - História de teatro; exercícios cênicos; teatro na Igreja; formação de grupos; criação de peças e uso criativo de adereços cênicos. RM - Queridos leitores, sejam oportunistas e de mente aberta para novos desafios em tempos de crise. Faça como nosso amigo Breno, entre em cena virtual e faça a diferença. Entre em contato com o Breno, através dos seguintes contatos: Instagram: @atorbrenomartins WhatsApp: (31) 98689-1725 A arte circense também entrou no picadeiro virtual através das aulas da nossa querida Andrizia. Ela tem 24 anos, é nascida em Governador Valadares-MG, e é membro da Primeira Igreja Batista da mesma cidade. Artista de nascença e professora de circo há quatro anos, é também uma Radical Latino-Americano (em espera (risos) ou ex) e voluntária da Outreach Academy Internacional. Tive a

alegria de ter a Andrizia como voluntária RM - Andrizia, em suas aulas virna nossa missão com Refugiados na tuais, o que ensinas? Alemanha. AP - Trabalhamos com três modalidades: RM - Andrizia, como nasceu esse - Circo (tecido acrobático, lira acrobáprojeto? tica, malabares, equilibrismo, acrobacia AP - Surgiu de um antigo sonho, meu iniciante); e do Anthony, de poder ensinar e com- Acrobacia de solo (estrelinha, parapartilhar com as pessoas um pouco da de mão, flick, mortal etc); dessa arte maravilhosa à qual nós nos - Flexibilidade (alongamentos) dedicamos. RM - Maravilha! RM - Bacana! Qual o objetivo do seu Andrizia tem sido benção também! projeto? E você? Não esconda seus dons e taAP - Proporcionar às pessoas e aos lentos, seja criativo e aproveite as oporalunos o contato com a arte e a vivência tunidades. do circo, uma experiência lindíssima pra todo mundo que pratica. Também, criar Contatos da Andrizia: laços e acolher pessoas que normalmenInstagram: @andrisiapandini/ @clute buscam o circo como “refúgio” para be_circo alguma coisa. WhatsApp: (33) 9 9144 5982 Agradeço novamente ao Breno e RM - Como as ferramentas virtuais Andrizia, por compartilharem dos seus estão te ajudando promover sua arte e novos desafios. ministério? Querido leitor, aproveite essa oporAP - Nesse momento de distancia- tunidade para multiplicar seus talentos, mento, tivemos que nos readaptar e vol- eduque-se na arte do seu coração, seja tar nossos relacionamentos ao virtual. qual for sua paixão, seja oportunista. Acompanhamos muitas pessoas através Que Deus os abençoe. n das plataformas digitais e conhecemos tantas outras que nos encontram através Escreva para Arte e Cultura: do circo. Temos usado as redes para moArte e Cultura da CBB tivarmos as pessoas e levar um pouco Roberto Maranhão de ânimo e esperança através da arte. Gerência de Arte, Cultura, Esporte e Recreação da CBB. RM - Show! Parabéns! Você já nasmarapuppet@hotmail.com ceu Radical (risos). Você é uma verdaWhatsApp: +55 (31) 99530-5870 deira mensageira do Rei.


MISSÕES MUNDIAIS

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Gratidão pela Jornada de Oração por Missões Mundiais vés do Seu povo, através do povo Batista, através dos missionários que lá estão. Na verdade, todos nós sabemos que somos chamados, somos comissionados por Jesus, independentemente de estarmos lá ou aqui”, declarou Elzi. A Jornada de Oração foi dividida em três vídeos que estão disponíveis no www.youtube.com/canaljmm e você pode assistir a qualquer momento. Os vídeos já têm mais de 15 mil visualizações e mais de 10 mil comentários até o fechamento desta matéria (16 de março). Os participantes estavam empolgados e lisonjeados por viverem algo tão grandioso:

Ana Jhuly Stellet

Redação de Missões Mundiais

Nos dias 12 e 13 de março, o mundo inteiro se uniu em uma jornada de 24 horas de oração por Missões. Cada um na sua casa, no seu país e no seu fuso horário teve a oportunidade de participar de uma grande união de intercessão pela obra missionária mundial. Às 20:00h do dia 12 de março (sexta-feira) o diretor executivo de Missões Mundiais, pastor João Marcos B. Soares, deu início à Jornada de Oração por Missões Mundiais.“Eu convido você a orar, a lembrar do que Deus tem feito e a clamar a Deus por aquilo que ainda precisa ser feito”, iniciou o pastor. A primeira oração foi feita pelo presidente da Convenção Batista Brasileira (CBB), pastor Fausto Aguiar de Vasconcelos, pedindo ao Senhor que cada coração presente ali fosse tocado e motivado a fazer mais por missões. Ele citou o tema da campanha 2021 convidando todos a Viver o Poder de Transformar. No decorrer da programação participaram mobilizadores de todas as regiões do Brasil, coordenadores e missionários da América, África, Ásia e Europa apresentando os desafios e ações missionárias das regiões. Coordenadoras do PEPE, do projeto Voluntários Sem Fronteiras, do programa Radical,

falando dos novos projetos, números e resultados do trabalho missionário no campo. O gerente administrativo da sede de Missões Mundiais, Maurício Bastos, foi um dos que falaram sobre a importância da oração. “A oração é a nossa maior arma. Precisamos, cada vez mais, tornar a oração como o ponto de partida para todas as nossas atitudes”, disse Maurício. No dia 13 de março (sábado), ao final da programação, a esposa do pastor João Marcos, a psicóloga Elzi Soares, participou falando sobre a responsabilidade de cumprir o chamado missionário. “É uma bênção saber o quanto Deus tem feito no mundo atra-

Louvamos ao Senhor por essas milhares de vidas que fazem a obra missionária acontecer. A sua oração é muito importante para missões. O seu

compromisso, o seu propósito e a sua dedicação em fazer mais e melhor por Missões Mundiais é o que TRANSFORMA! n

grande, e ganhei o maior presente da minha vida: Jesus Cristo. Todas as minhas necessidades são atendidas pelo Pai Celestial. Deus está fazendo maravilhas em minha vida! E se penso em desistir de tudo, Deus me incentiva dizendo que sou especial em Sua pa-

lavra. Também estou ansiosa para ser batizada e estar totalmente conectada com Deus. Quando vim para o Lar da Paz, eu não sabia escrever. Mas aqui aprendi muitas coisas. Passei no vestibular e, aos 19 anos, estou cursando o 2º ano de Bacharelado em Jornalismo e Comunicação de Massa. Se eu continuasse naquela comunidade seria impossível conseguir um ensino superior”. Logo nos primeiros dias aqui, Liana foi internada com pneumonia e desnutrição severa. Os médicos disseram que ela nunca poderia ter um desenvolvimento normal. Hoje, glorificamos o nome de Jesus por esse milagre! Por favor, continue orando pela família Lar de Paz. Ore pelos irmãos da Igreja, pois retomamos os cultos presenciais. Como bebemos da Água da Vida, que é Jesus, nossa oração é que essa água flua mais e mais em nossas vidas e traga transformação aos nossos relacionamentos. n

Transformado vidas no Sul da Ásia Camila Marques

missionária de Missões Mundiais no Sul da Ásia

Louvamos a Deus por mais uma campanha missionária de Missões Mundiais, “Viva o Poder de Transformar”. Este tema é uma realidade vivida aqui no projeto Lar da Paz, no Sul da Ásia, onde presenciamos o quanto Deus transforma crianças antes machucadas por tragédias e situações de abuso. E hoje, olhando para algumas delas que já estabeleceram famílias e concluíram os estudos superiores, louvamos a Deus por esse milagre da vida. Este tema é, também, uma realidade na vida de muitos irmãos da Igreja aqui plantada. Pessoas que estavam na escuridão da idolatria, atualmente adoram a Jesus conosco. Leia a seguir o testemunho de uma das pessoas que foram tocadas e transformadas por Jesus aqui no Lar da Paz: “Oi! Meu nome é Liana (nome fictício). Quando eu era muito pequena

perdi meu pai. Minha mãe perdeu a moradia e sofremos muito, porque além disso não tínhamos o que comer. Foi quando uma ‘tia’ trouxe eu e minha irmã para o Lar de Paz - eu tinha cerca de dois anos. Hoje, eu tenho uma família muito


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NOTÍCIAS DO BRASIL BATISTA

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CB Parananense promove movimento de oração “É Tempo de Clamar!” Batistas paranaenses participaram de 10 horas de oração online. Rodrigues Lopes da Silva

pastor, coordenador de Desenvolvimento de Igrejas da Convenção Batista Paranaense

Vivemos tempos desafiadores na Igreja Batista brasileira. Segundo informação da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) - “pela primeira vez desde o início da pandemia, verifica-se em todo o país o agravamento simultâneo de diversos indicadores, como o crescimento do número de casos e de óbitos, a manutenção de níveis altos de incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), a alta positividade de testes e a sobrecarga dos hospitais” (https:// portal.fiocruz.br/noticia/covid-19-nota-tecnica-aponta-agravamento-da-pandemia - 03/03/2021 - Por: Regina Castro (CCS/Fiocruz). Igrejas, pastores e suas famílias têm

sido afetados diretamente por esta situação. Diante disso, resolvemos aqui no Paraná criar um movimento de oração chamado Tempo de Clamar. Este projeto é coordenado pela Convenção Batista Paranaense e pelo Programa de Apoio Pastoral (PAP), da Ordem dos Pastores

Batistas do Brasil - Seção Paraná. No dia 05 de março realizamos um movimento de 10 horas de oração, na plataforma Zoom, onde os participantes acessavam e faziam seus pedidos de oração, que eram distribuídos por um facilitador, que coordenava um período de 30 minutos de clamor, realizando o período total das 10 horas, ou seja, tivemos 20 facilitadores diferentes neste movimento abençoador e unificador das Igrejas Batistas do nosso estado. Contamos com a participação de aproximadamente 400 pessoas, que acessaram e ficavam conectadas o tempo que desejavam. A cada 30 minutos havia uma renovação de pessoas que conectavam e outras que desconectavam por compromissos pessoais. No próximo dia 09 de abril acontecerá o segundo movimento, desta vez exclusivo para esposas de pastores, que

terão a oportunidade de compartilhar seus pedidos de oração, suas lutas e também as vitórias alcançadas neste tempo tão desafiador. Temos, ainda, o desejo de realizar um movimento com o objetivo específico de alcançar os filhos de pastores. Movimentos semelhantes a estes estão acontecendo nas associações regionais do estado. Continuaremos a clamar e aguardar as respostas do Senhor, como nos afirma o texto bíblico de Jeremias 33.3: “Clama a mim, e responder-te-ei...” É tempo de clamar pela vida dos pastores, por suas famílias, por seus ministérios, pelos membros das Igrejas e suas respectivas famílias que sofrem com a perda de entes queridos, com a perda de seus empregos, redução da renda familiar e, também, com as incertezas impostas pela crise sanitária que assola o planeta. n

Lar da Criança Henrique Liebich, instituição da CB Pioneira, completa 60 anos Trabalho começou através de um casal de agricultores na década de 50.

Equipe do Lar Henrique Liebich O início A história do Lar, iniciada na década de 50, é permeada de dedicação, fé e muito amor. O casal de agricultores, Henrique e Frieda Liebich, residia na localidade de Monte Alvão-RS, com seus nove filhos. Em maio de 1954, Frieda, que era a parteira do local, foi chamada para fazer o parto de uma moça solteira, que foi acolhida por um casal de idosos, agregados na fazenda Liebich. Quando o menino tinha oito dias de vida, a mãe o abandonou e Frieda, então, levou o menino com ela. Em maio de 1960, acolheram mais seis crianças. Assim, no dia 11 de fevereiro de 1961 ocorreu a organização oficial do Orfanato Batista Henrique Liebich. Em 1973, a Convenção Batista Pioneira do Sul do Brasil assumiu a responsabilidade integral do trabalho e a Sociedade Batista de Beneficência Tabea assumiu a administração. O pastor Horts Borkowski intermediou o estabelecimento de uma parceria com a Convenção Batista da Alemanha, através da criação

Casa dos Liebich foi transformada em orfanato em Monte Alvão - RS

Família Liebich

da “Ação Missionária para a América do Sul” (MASA), em 1974, cuja primeira campanha foi pró-construção da sede própria do Lar, que passou a ser chamado Lar Da Criança Henrique Liebich. O terreno para a construção, em Ijuí-RS, foi adquirido com recursos doados por Henrique e Frieda Liebich. A inauguração aconteceu em 19 de novembro de 1978, com capacidade para receber 100 crianças.

também precisava promover mudanças, contribuindo com a promoção da dignidade humana na comunidade local. Assim, em assembleia extraordinária no dia 18 de agosto de 2017, a Associação Batista de Beneficência Tabea, mantenedora do Lar, decidiu pelo encerramento do programa Casa Lar, que ocorreu em fevereiro e março de 2018, com a transferência de oito acolhidos, uma adoção e três desligamentos por maioridade civil.

Encerramento do programa Casa Lar O Lar hoje Frente aos novos desafios e deCasa Ágape/ Residência Inclusiva mandas sociais, entendeu-se que o Lar - São atendidos, atualmente, quatro jo-

vens, adultos, com deficiência intelectual leve, oferecendo proteção integral e incentivando-os quanto à autonomia e protagonismo. Todos frequentam a Apae - Escola de Educação Especial e três deles estão inseridos no mercado de trabalho. Serviço de convivência e fortalecimento de vínculos para idosos - Serviço em fase de adaptação da estrutura física e regularização da documentação. Pretende-se atender, inicialmente, até 15 idosos em um turno por semana, proporcionando atividades de lazer, cultura, socialização e informação. Núcleo Social de Ijuí - Serviço de proteção social básica, de cunho preventivo, com capacidade de atendimento para 100 crianças e adolescentes, de 06 a 17 anos, em situação de vulnerabilidade pessoal e social. Através da realização de oficinas educativas, culturais e recreativas, promove a inclusão social e o exercício pleno da cidadania, oferecendo café da manhã, almoço e lanches. Também desenvolve projeto para atendimento às 82 famílias dos participantes, com objetivo de fortalecer os vínculos familiares e auxílio na busca de emprego e capacitação profissional. n


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140 anos da chegada da família Bagby no Brasil Texto extraído do trabalho de Othon Ávila Amaral, publicado em O Jornal Batista - Ano CXII - Edição 44 Domingo, 28.10.2012

povo brasileiro e todos os seus cultos eram realizados no vernáculo”. Colégios fundados pelos Bagbys Duas notáveis instituições fundadas por D. Ana Bagby e Harley Smith e sua esposa, Alice Bagby Smith, respectivamente em São Paulo e Porto Alegre, foram os colégios Batistas. O primeiro, em janeiro de 1902, e o segundo, em fevereiro de 1926. As duas instituições funcionam até os nossos dias. Observem que estamos apenas registrando instituições que foram idealizadas e concretizadas pela família Bagby. É bom mencionar que o Colégio de Porto Alegre, fundado por Harley e Alice, teve quase que em seguida a excelente cooperação de W. C. Harrison e Helen Bagby Harrison que, de 1928 a 1939, dedicaram suas vidas ao colégio. O sonho tríplice de Harrison era Hospital, Colégio e Convenção.

Willian Buck e Ana Luther Bagby, respectivamente com 26 e 22 anos, chegaram à cidade do Rio de Janeiro no dia 02 de março de 1881, como missionários, para iniciar um trabalho movido pelo amor. Foi o amor de um pelo outro, o amor deles para com Deus e de Deus por eles que alimentou os sonhos e as realizações de cada um neste tempo de pioneirismo Batista no Brasil. A decisão de W. B. Bagby “A sorte está lançada, a decisão feita. Tanto quanto está em mim para fazê-lo, estou pronto a seguir para o Brasil, logo que a Junta nos queira enviar. Não é um mero impulso, tampouco um capricho que me levou a decidir, porém sincera e cuidadosa consideração, de joelhos. Confio que o nosso Pai me esteja guiando. O Dr. Carrol visitará as igrejas batistas das diversas associações do Texas a fim de apresentar o nosso caso, e o General Hawthorne fará o mesmo no Leste do Estado. Se alcançarem o ideal que alimentam, isto é, se conseguirem os meios para o nosso sustento por alguns meses, e promessas para o futuro, escreverão ao Dr. Tupper, Secretário da Junta de Richmond, solicitando que seja designada uma Comissão de irmãos daqui para nos examinar, o que será econômico, evitando despesas de viagem à Richmond, e para fazer sem demora, nossa nomeação para o Brasil”.

Quase cinquenta anos depois “América Latina, eu te amo! Aqui já gastei dois terços de minha vida; aqui nasceram os meus filhos e neto; e os meus filhos espirituais. Aqui espero morrer e ir para o céu, e certo estou que lá encontrarei uma multidão inumerável de toda a parte destas terras do Centro e Sul das Américas, naquele dia! Sim, nesta hora solene e histórica do quinquagésimo ano do trabalho batista entre os povos da América Latina, emoções inefáveis fazem transbordar o meu coração quando olho em retrospecto para os longos anos desde aquele dia quando nós dois, eu e a minha esposa, sozinhos embarcamos num pequeno navio de vela lá em nossa terra natal, para empreendermos uma viagem para um novo mundo debaixo do Cruzeiro do Sul. Nunca tínhamos visto um brasileiro, nem um argentino, nem um chileno. Não conhecíamos nenhuma alma em toda a América do Sul. Ninguém havia de dizermos bem-vindos ao chegarmos a longínqua baia do Rio de Janeiro. Nada sabíamos das línguas latinas. Era esta uma terra desconhecida para nós. Não sabíamos o que nos esperava. Só sabíamos que o nosso Deus havia de dirigir os nossos pés, e escolher a nossa sorte. E que maravilhas temos visto e estamos de dia em dia e de hora em hora. Graças a Deus pelo passado, pelo presente e pelo futuro”!

48 dias de viagem 12/01/1881 a 02/03/1881 “Após viagem de 48 dias de Baltimore, estamos ancorados esta noite nas águas quietas do Rio. É o mais lindo panorama que os meus olhos já contemplaram. Não posso descrever a beleza desta aureola de montanhas, enroupadas de verde e entremeadas de vilas e capelas. Nunca vi a baia de Nápoles nem a (Golden Horn) de Constantinopla, mas esta certamente deve ser rival das paisagens encantadas do mundo. Olhando, porém, esta noite para o lindo panorama de luzes cintilantes à beira do mar, ao lado das montanhas confundindo-se com as estrelas, entristece-se o meu coração por haver aqui milhares de almas sem Deus e sem esperança, sob a sombra triste de um eclipse! Ó Deus, concede As duas primeiras Igrejas que a tua verdade, como está em Cristo Batistas da América do Sul Jesus, encha esta terra, de Norte a Sul, “Havia duas igrejas batistas quando Atlântico aos Andes”. do os Bagbys chegaram - igrejas estas

compostas de estrangeiros e para os estrangeiros. A primeira destas, a da Guiana Britânica, (igreja de chineses), foi organizada por um dos maiores heróis de nossa fé, Lough Fook, que veio de Cantão, China, em 1864, e voluntariamente se tornou escravo para ensinar o Evangelho, aos pobres “coolies” chineses de lá. Deus abençoou os esforços e sacrifícios deste nobre batista chinês e em poucos anos aquela pequena igreja de escravos cresceu e se tornou uma organização forte, com duzentos membros. Edificou três capelas e enviou um de seus membros, Tso Sune, como missionário à China. A segunda foi a de Santa Bárbara, na Província de São Paulo, organizada pelos norte-americanos, em 1871”.

Quase cinco séculos dedicados ao Brasil William Buck Bagby (58 anos e sete meses); Ana Luther Bagby (62 anos); Tecê Bagby (45 anos); Alice Bagby Smith (48 anos e sete meses); Helena Bagby Harrison (35 anos e 6 meses); Alberto Bagby (35 anos e 4 meses) e Sm Bagby (4 anos). Cônjuges: Frances Bagby (45 anos); Harley Smith (46 anos); W. C. Harrison (34 anos); Thelma Bagby (35 anos) e Sara Bagby (4 anos). Total geral: 448 anos! Acrescentando ainda a presença da família Bagby na Argentina temos: Ermine Bagby Sowell (36 anos); Sidney Sowell (50 anos) e Ane Sowell Margrett (27 anos), totalizando 113 anos que, juntando o Brasil com a Argentina, são 581 anos dos Bagby na América do Sul! É possível que depois da data das informações acima outros descendentes tenham vindo para a América Latina.

A Igreja Batista Vernacular “Para organizar a Primeira Igreja Batista da Bahia, em Salvador, os dois casais americanos pediram suas cartas de transferência à PIB de Santa Bárbara e o ex-padre Antonio Teixeira de Albuquerque saiu com carta de transferência da Igreja Batista da Estação. Assim nasceu a Primeira Igreja Batista da Bahia. Bagby foi escolhido como moderador e Albuquerque como secretário. A Igreja adotou a Confissão de Fé de New Hamsphire, posteriormente adotada pela Convenção Batista Brasileira, com o nome de Declaração de Fé das Igrejas Batistas do Brasil”. “A Primeira Igreja Batista da Bahia, é propriamente reconhecida como a primeira Igreja batista nacional do Brasil, porque foi organizada com o fim definitivo de pregar o Evangelho ao

Sepultados no Brasil É notável saber que tanto William Buck Bagby quanto Ana Luther Bagby morreram e foram sepultados entre nós. Ele em Porto Alegre e ela em Recife. O Dr. Bagby, como era chamado, descansou no Senhor no dia 05 de agosto de 1939. D. Ana Bagby descansou no Senhor no dia 23 de dezembro de 1942. Na Igreja da Capunga, foi realizado o culto in memoriam, presidido pelo pastor José Munguba Sobrinho. Pregou o pastor John Mein. De sua mensagem confortadora destacamos: “O homem propõe, mas Deus dispõe. No Norte começou o casal Bagby o seu trabalho, no Sul o concluiu, permanecendo ele ali para aguardar a ressurreição. D. Ana ficará entre nós. Norte e Sul ligam assim as mãos na morte de seus pioneiros”. n


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PONTO DE VISTA

O JORNAL BATISTA Domingo, 28/03/21 FÉ PARA HOJE

Da autonomia para a teonomia Pr. Oswaldo Luiz Gomes Jacob O homem sem Cristo é um autônomo, que se autogoverna; ele é a sua própria lei. Este foi o projeto satânico ao promover a rebelião no Éden (Gn 3.1-7). A característica da sociedade pós-moderna é ser independente de Deus. A natureza de Adão tem prazer em viver de forma autônoma. A filosofia de que cada um é a sua própria lei moral, cada um é a sua verdade, tem como princípio subjacente a autonomia do coração. Poder definir a escolha, exercer o livre-arbítrio em função de si mesmo e dos seus prazeres é a busca ofegante do homem sem Deus, contrário ao evangelho de Cristo. A sociedade egoísta, narcisista, hedonista, estética e consumista tem como base ou fundamento a autonomia da natureza humana. O homem autônomo conscientemente quer viver afastado de Deus, nosso Criador e Redentor em Cristo Jesus. A Bíblia diz que “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23). O homem se tornou autônomo a partir da sua desobediência, rebelião. O fato de o homem desejar se justificar está relacionado com o viver para

si mesmo. O ser humano quer defender a sua pele. Tenta de todas as formas justificar os seus atos. A única maneira de salvar o homem da autonomia é pela obra de Cristo na cruz. Ao crer na suficiência desta obra, ele é transportado da autonomia para a teonomia. Ele é retirado da sua própria lei para a Lei de Deus, para o Evangelho. Não mais governa-se a si mesmo, mas é governado pelo Senhor. Não mais se justifica, mas é justificado pela fé em Cristo Jesus (Rm 5.1,2). Não confia mais em si mesmo, mas no Senhor. A sua vida, agora, é orientada pela Lei do Evangelho, pela Palavra de Deus. A condição essencial para se viver a teonomia é pelo novo nascimento, pela regeneração (I Pe 1.2225). O homem nascido de novo, transformado pela graça plena, tem prazer na Lei de Deus. Na sua condição de justo por causa de Cristo, ele tem prazer nos preceitos do Senhor e neles medita de dia e de noite (Sl 1.1-3). Ele é espiritual. Busca a plenitude do Espírito Santo (Ef 5.18). Para ele, o viver é Cristo (Fp 1.21). Os seus valores são os valores do Reino de Deus. Os seus relacionamentos são marcados pelo amor fraterno. A sua vida

é sincera. O seu coração se estriba na fidelidade de Deus. Ele busca o Reino de Deus em primeiro lugar (Mt 6.33). Não existe relação entre autonomia e teonomia. O nosso Deus não admite dividir o Seu governo, pois Ele é Soberano. Ou o homem é governado pelo Senhor ou ele se autogoverna. As duas realidades são excludentes. Nabucodonozor, rei da Babilônia, se autogovernava. Daniel e seus compatriotas judeus eram governados pelo Senhor. Posteriormente, o Senhor tratou o governante babilônico e ele passou a reconhecer o governo de Deus que é Soberano. O diagnóstico que Paulo fez da sociedade romana autônoma (Rm 1.18-32) contrasta em muito com a sua realidade como apóstolo e a Igreja de Jesus que eram “teonomos”, isto é, estavam debaixo do governo de Deus. O segredo da felicidade do homem está em ser governado pelo Senhor na mediação de Jesus Cristo. As relações conflituosas, a violência, a corrupção e demais anomalias da sociedade pós-moderna, sem Deus, estão ligadas a autonomia do homem, quando ele se estriba em si mesmo, fundamentado na sua natureza perversa e voltado para os

seus interesses mais escusos e tenebrosos. O homem autônomo é cego porque a sua vida está fundamentada na incredulidade, que é o pecado dos pecados. A solução é Jesus Cristo, único Salvador e Senhor. Aquele que a Si mesmo se rendeu por nós sendo ainda pecadores (Rm 5.8). Para Jesus de Nazaré, a vontade do Pai era o centro de toda a Sua vida e ministério. O nosso prazer deve estar na teonomia, no governo soberano do nosso Pai tão amoroso. Quando confiamos no Seu governo, na Sua liderança a nossa vida está absolutamente segura (Rm 8.38,39). Sair da influência nociva do primeiro Adão para a influência abençoadora do segundo Adão – Cristo Jesus – é obra da graça de Deus. Sejamos instrumentos nas mãos do Senhor para resgatarmos os que estão na autonomia para viverem na teonomia, debaixo da autoridade do Senhor. Podemos dar graças a Deus por estarmos em Cristo Jesus, nosso Senhor! Dizer como aquele cego de nascença: Eu era cego, mas agora vejo (Jo 9.25). O segredo é Cristo em nós, a esperança da glória (Cl 1.27). A questão fundamental é: governados pelo Senhor e não por nós mesmos. n


PONTO DE VISTA

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OBSERVATÓRIO BATISTA

Igrejas e crentes pós pandemia - Como será a volta? (parte 4) Lourenço Stelio Rega

natural desejo de quem esteve por muito tempo isolado. Que tal estiCom este artigo pretendemos finalimular o fortalecimento de pequenos zar esta fase da publicação dos resultagrupos, atividades comunitárias, pasdos de pesquisa que realizamos ao final seios e recreações coletivas. Em gedo ano passado, diante da possibilidade ral pensamos em desenvolver atividado retorno da longa quarentena e que des a partir da estrutura eclesiástica, ainda não aconteceu. O objetivo princimas por que não estimular atividades pal da pesquisa foi fornecer a pastores, comunitárias naturais e voluntárias líderes e Igrejas indicadores sobre como mobilizadas pelos próprios membros os crentes estariam considerando o reda Igreja? Mesmo porque, o formato torno ao convívio presencial às atividafuncional das Igrejas poderá ser mesdes eclesiásticas. mo na modalidade híbrida - virtual e À pergunta “qual sua expectativa de presencial. vida após o isolamento? (assinale mais • “Iniciar ou incentivar mais o culto dode uma alternativa)” obtivemos os seméstico” tem a ver, especialmente, guintes resultados: com o empoderamento do crente, • 4,6% - não tenho nada a mudar; longe do templo, do púlpito, da sa• 15,5% - buscar atendimento para mipiência clerical e da própria estrutura nha vida emocional; eclesiástica (escrevi um capítulo so• 26,1% - iniciar um novo curso (formal mente sobre isso publicado no livro ou pela internet); “Cristianismo pós-pandemia”, com • 29,3% - poupar mais dinheiro; o título “Novos desafios com a vir• 29,9% - repensar ou replanejar minha tualização do sagrado - rupturas e carreira profissional; descobertas no tempo da quarentena • 30,1% - redefinir meu projeto de vida; do Coronavírus”). Sozinho, isolado • 34,4% - ampliar meu círculo de amiem seu ambiente de convívio, sem zade; o apoio direto de seu pastor e até • 36,9% - iniciar ou incentivar mais o mesmo tendo alternativas de acesso culto doméstico; a outros expositores da Bíblia, teve • 55,9% - cuidar mais de minha saúde; de descobrir por conta própria como • 61,1% - visitar e/ou procurar mais as estudar a Bíblia e teve de pastorear pessoas. a sua própria família. Neste cenário, Resultados reveladores que apontam o culto doméstico passa a ser fundiversos indicadores, entre os quais podamental. Pastores, líderes e Igrejas deremos destacar, que a experiência do poderão ajudar seus membros estiisolamento social foi significativa, pois mulando esta importante atividade apenas 4,6% não teria nada a mudar. de enriquecimento espiritual. AtualIsso nos mostra, ainda, que devemos mente existem no mercado editorial dedicar mais atenção ao atendimento evangélico, inúmeras alternativas de das novas demandas que surgirão. E livretos de meditações diárias. como atendê-las? Redefinindo o temário • “Cuidar mais de minha saúde” aponta de palestras, sermões, matrizes curripara o fato de que o “teologismo esculares da oferta educacional da Igreja, piritualizante,” normalmente presente temas para serem discutidos em pequenos currículos dos seminários, que nos grupos etc. Como exemplo, vamos busca interpretar toda a vida e a vida considerar as apurações acima de 29%: toda pela lente da espiritualização, • “Poupar mais dinheiro” aponta para precisa abrir as janelas para incluir ajudarmos as pessoas em processos aspectos físicos, emocionais e mende gestão financeira inteligente; tais. A vida necessita ser considerada • “Repensar ou replanejar a carreira em toda sua dimensão e “Lausane I” profissional e o projeto de vida”, nos (1974) nos ensinou muito sobre isso dá a oportunidade para ajudar pes- o Evangelho todo para toda pessoa soas a redescobrirem novas alternae a pessoa toda. Em alguns grupos, tivas para seu projeto de vida profisa rejeição pelo aspecto psicológico sional e pessoal, ressignificação de e psiquiátrico, mobilizado em tratar vida e seus objetivos etc; a etiologia de tudo apenas pela lente • “Ampliar o círculo de amizade, visitar espiritual já não se sustenta mais. e/ou procurar mais as pessoas”, um Aconselhamento bíblico é o que é - é

bíblico -, portanto necessita considerar que a própria Bíblia considera importante o cuidado pelo ser humano em toda sua inteireza. Há duas importantes perguntas que têm sido objetos de apuração e consolidação para publicação posterior: • Quais temas você gostará de ouvir em sua Igreja após o retorno do isolamento? • Quais temas você pensa que serão importantes serem tratados para sua Igreja por meio de seus sermões, mensagens etc? Após uma primeira avaliação já tem sido possível perceber traços de que nem sempre o que pastores desejam oferecer é o que membros das Igrejas apontam como suas necessidades. Aqui entra um fator seletivo importante, em que será necessário escolher o temário por oferta ou por demanda ou, ainda, pela terceira via, por oferta e demanda. Prefiro esta última alternativa. As três últimas perguntas dirigidas apenas aos crentes são fundamentais: • Após a quarentena, qual o tempo mais adequado para os sermões ou mensagens em sua igreja? 9 2,3% - cerca de 15 minutos; 9 22,3% - entre 46 minutos a 1 hora; 9 32% - entre 25 a 30 minutos; 9 36,8% - entre 31 a 45 minutos; 9 6,5% - mais do que 1 hora. Em geral a cultura de pregadores aponta para a duração de um sermão entre 30 a 60 minutos. Se considerarmos os dois maiores índices poderíamos pensar em algo entre 25 a 45 minutos. Tenho incentivado minha equipe ministerial a ficarmos entre 15 a 20 minutos, em que o objetivo essencial da mensagem necessita ficar bem definido e deve-se evitar a divagação em subtemas variantes ou detalhamento exegético de textos bíblicos, mais apropriado para uma aula. Com a digitalização da vida, o nível e duração da atenção das pessoas tem reduzido e, confessemos que não há alguma base bíblica para estabelecermos de forma absoluta o tempo de duração de um sermão. Mas há quem pense que um sermão deveria ser classificado como um “meio de graça” ou de “natureza sacramental”, como ocorria nas missas católicas no passado ao serem ministradas em latim. Não havia necessidade de se compreender o que o sacerdote dizia, bastava estar presente

para ser agraciado com alguma benesse celestial. Haveria base bíblica para isso? Tenho minhas dúvidas. Em linguagem espirituosa, o Êutico de hoje provavelmente cairia da janela em cerca de 10 minutos de sermão (At 20.9). • Qual forma/ênfase de sermões ou mensagens são mais atrativas? 9 60% - sermões que sejam mais práticos para a vida; 9 14,1% - sermões lógicos, conceituais e que usam mais o raciocínio; 9 19,1% - sermões mais doutrinários; 9 6,7% - sermões que enfatizam mais histórias ou ilustrações. Aqui também entra o que falamos sobre oferta e demanda; e temos aqui um indicador fundamental para que pastores e ministros replanejem suas expectativas. A formação teológica, em geral, também precisará se reinventar, pois os cursos de Homilética em geral conduzem o formato de um sermão nas linhas da lógica e da conceituação, seguindo modelos herdeiros da visão racionalista. No meio Batista busco mencionar que precisamos trocar o modelo “Broadus” por estratégias de comunicação mais próximas de como as pessoas ouvem, avaliam e apreendem. De longe, os temas mais práticos e aplicáveis à vida são os que encantam as pessoas que buscam respostas do Evangelho para a vida. Hoje temos inúmeras estratégias de comunicação que podem ajudar, como “storytelling”, “cases”, sermão dialogal e há uma experiência que desejo desenvolver em minha Igreja quando voltarmos da quarentena, que é o “sermão invertido”, como herança da “aula invertida” na área de ensino. • Qual tipo de sermões ou mensagens? 9 49,3% - sermões que tratam de um tema específico à luz da Bíblia (sermões temáticos); 9 50,7% - sermões que enfatizam especialmente a exposição de textos bíblicos (sermões expositivos). Vejam que o tipo do sermão (temático ou expositivo) não é importante, mas o mais importante é que tenham como ponto de partida ou fundamentação a Bíblia. Estou para avançar na consolidação das repostas abertas de outras perguntas, para que seja possível publicar, em breve futuro, a parte final dos resultados desta pesquisa. Espero ter ajudado. Contatos: rega@batistas.org. n


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OJB EDIÇÃO 13 - ANO 2021  

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