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Gustavo Macaco desponta para o anonimato Página 4

Cura que vem da natureza Página 9

revista

laboratório de jornalismo

Comunicação-UFES maio 2012

Vai um gole aí ?

A produção artesanal de cerveja se abre para novos paladares e mercados

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Yuri Barichivich

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Clubes servem para debater assuntos, trocar experiências, organizar atividades, promover intercâmbios de ideias e, dessa forma, buscam reunir interesses e opiniões acerca de um tema que conecte todos os seus membros. Podem ser literários, artísticos, políticos, culturais, esportivos ou, até mesmo, destinados a passatempo e lazer. Mesmo apresentando inúmeras opções e formatos, os clubes são meios ainda atuais para estreitar laços entre as pessoas e fortalecer afinidades De olho nisso, a revista Primeira Mão que você recebe agora buscou entender como esses grupos se comportam e se articulam. Por trás da parceira e da diversão, há histórias de vida que se completam graças a um bem compartilhado. Colecionadores de fuscas, especialistas em cervejas, amantes de esmaltes, fãs de jogos e de moda-zumbi, freqüentadores de festas particulares, seja qual for a opção, saiba que sempre existirá uma turma que se encaixa no seu perfil. Basta procurar. Para aqueles que não acharam ainda a sua galera, vai a dica da equipe da Primeira Mão: as redes sociais estão aí para facilitar a procura e o acesso por quem deseja ingressar num clube. Rafael Venuto

Sumario

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Cada um no seu quadrado...

Gustavo Macaco desponta para o anonimato 4 Se meu fusca falasse

6

Um treino para a vida

8

Cura que vem da natureza

9

Além dos laços sanguíneos

10

ES vai ganhar o primeiro zoo

12

Para sempre mãe

14

Produção artesanal de cerveja

16

De Muqui para o mundo

20

Diversão econômica

21

A invasão dos mortos-vivos

22

Conto de fadas, atitude de fato

24

Vício colorido

25

Coisa de velho? que nada!

26

Ginástica cerebral

27

Jovens apostam na lusofonia

28

Tecnologia 29 Disco, Livro, Filme

30

Ensaio fotográfico - Instagrids

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Expediente

Primeira Mão é uma revista laboratório, produzida pelos alunos do 6º período do curso de Comunicação Social /Jornalismo, da Universidade Federal do Espírito Santo. Av. Fernando Ferrari, 514, Goiabeiras | Vitória - ES CEP 29075-910 jornal1mao@gmail.com Ano XXII, número 127 . Semestre 2012/1 Profa. Orientadora: Ruth Reis - Reportagem e Edição: Ayanne Karoline de Araújo, Carina Couto, Daniely Borges, Flávio Soeiro de Castro, Juliana Borges, Juliana Mota, Karla Danielle Secatto, Lary Gouveia, Leandro Reis, Lila Nascimento, Marcelo Lobato, Maria Aidê Malanquini, Mateus Cordeiro, Polânia Sôares, Poliana Pauli, Rafael Venuto, Raquel Malheiros, Raquel Santos Henrique, Raysa Calegari, Rayssa Santos, Rebeca Santos, Reuber Diirr Côgo, Sabrina dos Santos, Savya Alana, Thaynara Lebarchi, Victoria Varejão, Vinícius Eulálio, Will Morais - Editor de Fotografia: Yuri Barichivich - Diagramação: Ayanne Karoline Araújo, Lary Gouveia, Raquel Santos Henrique, Raysa Calegari, Reuber Dirr, Savya Alana, Will Morais Ruth Reis - Capa: Reuber Diirr Côgo - Revisão: Irislane Figueiredo - Impressão: Gráfica da Ufes

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Gustavo Macaco desponta para o anonimato

Radicado na Ufes, o músico segue a introspecção para balizar sua vivência errante e construir parcerias no cenário musical brasileiro Leandro Reis Era tarde de feriado quando Gustavo Macaco saiu do carro e pisou no chão vazio da Ufes. Olhos atrás do Ray-Ban preto, esboçou um sorriso e apertou minha mão desconhecida com a firmeza de quem já passou por várias entrevistas - Macaco afeito à floresta. Enquanto caminhávamos em direção às cadeiras da cantina do Cine Metrópolis, alguns fios brancos subiam da barba ao seu cabelo, que não tentava resistir à foice da idade - Gustavo afeito ao tempo. Ali, sentados, prestes a começar a conversa, o músico cedia o olhar cansado, fruto dos shows recentes em homenagem a Sérgio Sampaio, artista tão importante para sua formação e totem da música produzida no Espírito Santo. O cansaço dos olhos, porém, também revelava o amadurecimento de um Gustavo Macaco que entrou na floresta sem a ânsia de caçar o tempo, mas que aprendeu a usar a foice para se proteger dele. Sem raízes – ou com as mais longas e flexíveis que se possa imaginar -, Macaco flutuou entre o punk do Ramones, o rock’n’roll tiozão de Erasmo Carlos, a psicodelia de Jimi Hendrix e a sociedade alternativa de Raul Seixas. Com família radicada no nordeste, Macaco entendeu que o rock não se faz só de guitarras barulhentas e de virtuoses, mas também de baião e de berimbau. Quando se ouve suas músicas nos fones de ouvido, o amplo leque de influências grita aos olhos, seja num dedilhado folk, seja numa batida hard.

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A formação musical híbrida não fica em segundo plano quando se dá a prática, mas o que pulsa em Gustavo Macaco é a vivência errante. Ele nasceu em São Simão, Goiás, mas foi registrado às pressas em Uberaba (MG) depois que sua cidade natal foi inundada. Com três anos de idade, veio para o Espírito Santo. Nômade musical, e também andarilho de experiências, entendeu a viagem de Raul:


rock não é só música. “Como é que se estuda rock? Tocando, vivendo, viajando, se metendo em situação maluca. Se experimentando. O rock te coloca em lugares que você jamais estaria”, comentou. A Ufes, onde pisavam os pés experimentados de Macaco naquela tarde, foi parte importante desse processo de autoconhecimento. Como escola de contatos, serviu também para estudar Publicidade e Propaganda, profissão que logo foi empurrada para baixo do tapete. Já no cenário musical do Espírito Santo, Macaco fundou a banda de rock Símios, com quem lançou três discos autorais e ajudou a desenhar seu espaço frente ao público. O trabalho solo e os outros projetos, como Xamã do Raul, Banda Superfantástica, Amigos do Rei, Bloco Bleque e BG Sessions foram os suprimentos que Macaco encontrou na floresta para continuar a jornada. Este último, plantado no Baixo Gávea, no Rio de Janeiro, foi colhido no início de 2012. Exatamente às 11:11 do dia 15 de março, a música “Cada Fernando Uma Pessoa”, em parceria com Otto, músico que conheceu durante o BG, foi liberada no Facebook. O enorme número de compartilhamentos na rede social, para Macaco, tem a ver com o horário peculiar do lançamento. Segundo ele – e algumas versões ocultistas -, às 11:11, um portal se abre e várias coisas passam por lá. Quem crava é a Ordem da Introspecção Mística, uma espécie de sociedade secreta que o músico participa. Ocultismo A Ordem da Introspecção Mística é assunto complexo. A relutância de Macaco em falar sobre o tema é justificável pelo próprio nome: introspecção. Em poucas palavras, é uma filosofia de vida, uma maneira de lidar com o não-material. O curioso – ou o “místico”, para ele – é que “Cada Fernando Uma Pessoa” foi lançada um mês após o aniversário de 15 anos de morte de Chico Science, líder do movimento manguebeat. E a música de Otto e Gustavo Macaco tem alta dose do ritmo carregado por Chico. Até ali, na entrevista, o músico não tinha feito a comparação. “Místico... (risos). Mexer numa entidade como o Fernando Pessoa dá nisso... Ele também era muito ligado ao ocultismo, ao Aleister Crowley [famoso ocultista britânico]. E quando você trabalha com este tipo de coisa, você traz para a sua obra uma história que não é só sua”,

Show no Cemuni V, Universidade Federal do Espírito Santo

comenta Macaco, que integrará a música ao novo disco, “Despontando Para o Anonimato”, com lançamento previsto para este ano. A cidade das ilusões Guardadas as devidas proporções, Gustavo Macaco seguiu um caminho semelhante ao de Rodrigo Amarante. Depois de um hiato do Los Hermanos – que só foi interrompido para algumas reuniões, uma delas rendendo uma série de shows neste ano -, Amarante foi recomeçar no underground norte-americano com a fértil Little Joy. Antes, hordas gritavam seu nome; na então nova empreitada – a banda foi formada em 2007 e segue em recesso -, ele próprio era músico, roadie e vendedor de camisetas. Macaco, já conhecido no cenário musical capixaba e com um disco solo na mochila – “Macaco, Chiquinho e Cavalo” -, adentrou a mata fechada rumo ao Rio de Janeiro, a “cidade das ilusões”, como ele mesmo define, pelo excesso de glamour e possibilidades. Lá, encontrou abrigo com o amigo Maurício Baia, com quem divide um apartamento e projetos musicais em todos os cantos do mundo. O Bloco Bleque, que Baia e Macaco integram, já excursionou pelos maiores festivais de música da Europa, incluindo o Montreux Jazz Festival, na Suíça. Apesar da segurança em solo capixaba, o músico seguiu a corrente. De acordo com ele, o que motivou sua saída do Espírito Santo, além de sua natural vivência errante, foi a vontade de estar onde as coisas aconteciam.

“Foi uma evolução natural dos acontecimentos. Eu queria trabalhar um conceito de artes integradas. Não queria fazer só som, mas vídeo, poesia. Também há a questão mercadológica. Não existe só músico de estúdio ou de show. Existe o mercado das composições. E lá eu dei a sorte de ser abraçado pelo movimento musical”, disse o músico, que aproveitou para tecer uma crítica à administração capixaba: “No Rio não tem dinheiro, como também não tem aqui. Mas onde a coisa é culturalmente levada a sério, existem mecanismos que fazem a roda girar. E aí você participa desta engrenagem”, completou. Em solo capixaba, carioca, europeu ou introspectivo, Gustavo Macaco carrega muito mais experiência que seus 36 anos teriam memória para contar. Talvez por estar conectado com outras histórias – a Introspecção Mística explica - e versar sob vários heterônimos – Símios, Xamã do Raul, Bloco Bleque -, os cabelos brancos tenham subido da barba à cabeça antes da hora. Pois é na mente que se faz o Gustavo. O Macaco, que já estava de pé e apertava minha mão com a mesma firmeza da primeira vez, seguiu pela floresta, já trilhada e um pouco menos selvagem. De foice na mão, foi despontar para o anonimato.

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A h, se meu fusca Lançado oficialmente na década de 1930, na Alemanha, o fusca conquistou muitos corações e garantiu seu tráfego firme pela história. Essa paixão fez com que chegasse até os nossos dias apesar da fabricação ter sido interrompida no ano de 2003. O nome de batismo, Volkswagen (“carro popular”, em alemão) foi substituído carinhosamente por fusquinha pelos brasileiros que se desdobram em cuidados para que o carro, usado para fins militares durante a Segunda Guerra Mundial, ainda possa ser visto pelas ruas de muitas cidades. Para compartilhar essa paixão, um grupo de amigos capixabas criou, em 2004, o Clube Sede do Fusca, em Cariacica. O contador Luiz Henrique de Amorim Lopes, um dos diretores do grupo, descobriu o interesse pelo fusca ainda na infância, por influência familiar. Seu carro não é nada do que se espera de

um veículo fabricado em 1976, a começar pelo nome: Barata Amarela. Com teto solar, aparelho de DVD nas portas, buzina com som diferente e luzes de ambulância, o automóvel chama à atenção por onde quer que passe. “Quando eu era criança, meu pai tinha dois fuscas, e meu avô tinha o amarelo, que, hoje, fica comigo. Porém, ele acabou tendo catarata e não podia mais dirigir. O carro ficou parado; só a minha avó gostava de entrar nele todas as manhãs para ouvir a Ave-Maria no rádio”, lembrou. Após o falecimento da avó, a família de Luiz Henrique começou a fazer a manutenção do carro até que o irmão resolveu incrementar a máquina. “Acabei montando minha empresa de contabilidade e passei a investir nele também. Juntava dinheiro o ano inteiro só para

colocar coisas legais no automóvel. No nosso Clube do Fusca, ninguém encontra veículo simples; todos têm alguma coisa para se destacar e priorizar o conforto”, disse o contador. Além da ‘Barata Amarela’, o diretor do clube ainda tem outro carro do mesmo tipo, apelidado de ‘Trovão Azul’. Segundo ele, o veículo não está muito incrementado e é usado para ir ao trabalho. “Pretendo torná-lo um conversível e deixar de herança para minha filha”, explicou. Para quem é simpático à ideia de ter um fusquinha, algumas vantagens atraem. É preciso apenas pagar pelo licenciamento, já que o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) não é cobrado, porque o carro não é mais fabricado. Além disso, os donos dos veículos destacam o baixo preço da manutenção.

Amigos do Volks Desde os seis anos de idade, o empresário Marcus Vinícius Rocha, o Charuto, nutre grande admiração por fuscas. Adquirido por sua família na década de 1980, o automóvel azul metálico, apelidado de ‘Fofinho’, levou Charuto a criar um grupo com mais quatro amigos para discutir sobre o carro. Atualmente com 30 participantes, os ‘Amigos do Volks’ passaram a fazer reuniões semanais em Vitória. “Quando surgiu a ideia de montar o grupo, já existia outro do mesmo gênero em Cariacica. Então, decidimos nos reunir em Vitória para facilitar os encontros”, afirmou. Segundo o empresário, a paixão pelo veículo era compartilhada por toda a família. Apesar de também possuírem um Corcel II, carro bem avalia-

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do na época, a preferência era sempre do ‘Fofinho’. “Eu era criança quando decidimos viajar para Salvador durante as férias. Por exigência de todos, fizemos o trajeto completo de fusca. Foi uma experiência única”, relatou. Os encontros dos ‘Amigos do Volks’ acontecem todas as quintas-feiras, no Posto Brasil, na Reta da Penha, no bairro Santa Lúcia. ‘Trauma’ de infância Dizem que o amor e o ódio são sentimentos próximos. Nesse caso, não é diferente. Paixão de muitos, o fusca também desperta sentimentos negativos em outros. A universitária Larissa Leite é uma das que associa o carro a problemas na

infância. “Quando eu era criança, meu pai me levava de fusca para a escola. Eu tinha medo de que algum colega me visse saindo dele, porque podiam pensar que minha família passava por dificuldades”, contou. Mesmo após mais de 15 anos, Larissa brinca com a situação, mas confessa que o ‘trauma’ não foi superado. “Agora não preciso mais me esconder, já que meu pai trocou de carro. Mas ainda não consigo me sentir à vontade dentro de um fusca. Por isso, não ando mesmo!”, disse a universitária.


falasse... lançado pela Volkswagen Há mais de 80 anos, o FUSCA continua sendo objeto de admiração de várias gerações

Juliana Borges Victoria Varejão

Fusca nas telonas e na música Sucesso em 1978, o longa-metragem “Se meu fusca falasse” conta a história de Herbie, um fusquinha com personalidade própria que é descartado por seu primeiro dono, um famoso piloto de corrida. É, então, encontrado por um piloto azarado, que o trata muito bem. Como forma de gratidão, o pequeno carro lhe proporciona muitas vitórias. A fim de atualizar a saga do famoso automóvel, Hollywood lançou, em 2004, o filme “Herbie, meu fusca turbinado”, mas n ã o

apresentou grande sucesso como o primeiro. Já no ramo musical, quem nunca ouviu o brega de 1980 “Fuscão Preto”, composição de Atílio Versuti e Jeca Mineiro? A música se tornou até tema para outro longa com o mesmo título. “Fuscão preto, com o seu ronco maldito, meu castelo tão bonito você fez desmoronar...”.

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Um treino para a vida Ayanne Karoline e Rayssa Santos

A condição física e anatômica adversa da pessoa não a impede de se tornar um atleta, desde que sua mente seja mais forte do que seu corpo

Às 6h30, enquanto muitos jovens chegam em casa após curtirem uma noitada na balada que rende horas a menos do dia, Marcos Aurélio, na vitalidade de seus 38 anos, prepara-se para mais um dia de treino. Quem o vê disposto e determinado, logo a essa hora da manhã, não sabe que um dia esteve entre a vida e a morte e que, hoje, após ter se recuperado de um acidente e encontrado no esporte uma nova chance para driblar os obstáculos, vive em uma das melhores fases da sua vida. Aos 23 anos, Marcos Aurélio sofreu um acidente de moto, fraturou a coluna e ficou dependente de uma cadeira de rodas. Após a notícia de que perderia os movimentos das pernas, ele viu seus planos e sonhos se desmancharem. Sua história teria tudo para ter um final triste. Entretanto, após folhear as páginas de um jornal, deparou-se com uma matéria sobre a equipe de natação paraolímpica capixaba. Foi a partir desse contato que ele teve a ideia de participar e, desde então, busca, nas fortes braçadas na piscina, a fonte para sua superação e seu reencontro com a felicidade. “No início foi uma mudança radical, eu não queria ficar assim. Mas, precisei manter os pés no chão e seguir em frente”, revela. Quinze anos após o acidente, Marcos Aurélio deu a volta por cima e, atualmente, é membro da equipe capixaba de natação. Treina de segunda a sábado, cerca de uma hora e meia por dia. “Nado, aproximadamente, 3000 metros por dia e 8 km por semana”, contou com entusiasmo.

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Os momentos difíceis serviram para que o atleta desse

mais valor à vida e aos desafios por ela proporcionados. Em 2007, quando se encontrava desanimado com o esporte e sem determinação para continuar, veio sua convocação para a Seleção Brasileira. Seu desempnho já lhe rendeu duas convocações e, hoje, Marco treina forte para conseguir vaga nas Paraolimpíadas de Londres. Histórias como a dele estampam diariamente capas de jornais. Só no ano passado, mais de 730 mil pessoas se envolveram em acidentes automobilísticos no país. No Espírito Santo, foram registrados mais de 36 mil, em que 1300 pessoas sofreram lesões graves. Os dados, disponibilizados pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), mostram que muitos dos acidentados deixam marcas para toda a vida. Muitos até chegam a desistir, pensando que a vida não terá mais sentido como antes. Preparação e dedicação O ritmo de treinamento dos atletas e a preparação para as competições seguem padrões de intensidade verificados para adequação de cada para-atleta e seus limites físicos. “O treinamento é monitorado, dependendo do grau da deficiência. Marco Aurélio, assim como outros atletas da natação, pertence à classe S6 - paraplégicos, deficientes visuais, entre outros-, que exigem esforços diferentes das outras classes”, informou o técnico da Seleção Capixaba de Natação Paraolímpica, Leonardo Niglinas. O ortopedista e especialista em Medicina Esportiva, José Fernando Duarte explica que a preparação de um para-atleta exige cuidados adequadaos à condição de cada um para que a reabilitação

seja efetiva e resultados à prática esportiva. “O atleta deve levar em consideração as condições de sua deficiência, além do terreno ou quadra de treino, da modalidade esportiva e da intensidade do treinamento exigido a ele”, destaca. O médico também lembra que o maior problema enfrentado por esses atletas são as condições de treinamento oferecidas que, muitas vezes, não são totalmente adaptadas a cada tipo de deficiência. Assaltantes de sonhos Para-atleta da Seleção Capixaba Feminina de Basquete, Patrícia Pereira dos Santos, 34 anos, teve parte de seus sonhos interrompidos no ano de 2002, após um assalto. Na época, ela era proprietária de una loja, no Centro de Vitória, e acabou sendo atingida por tiros que a deixaram tetraplégica. Antes da tragédia, a comerciante jogava futebol feminino e adorava praticar esportes. Depois do acidente, levou dois anos para conseguir falar e, aos poucos, recuperou alguns movimentos. “Eu me vi diante da necessidade de praticar esportes, pois meu corpo necessitava”, diz Patrícia. A atleta venceu a depressão e se adequou ao novo estilo de vida, depois de muita terapia e determinação. Vencendo preconceitos, dia após dia, Patrícia se declara vitoriosa. “A comissão técnica duvidava da minha capacidade; dizia ser impossível conseguir, pois minha deficiência era muito avançada. Minha garra e determinação proporcionaram minha recuperação física e condição para disputar competições”, ressalta a atleta. Hoje, ela movimenta os braços, o pescoço e faz fisioterapia e ginástica para alcançar melhor condicionamento físico.


Cura que vem da natureza O Orcante, tratamento orgânico do câncer, apresenta alto índice de sucesso no combate à enfermidade em animais e pode começar a ser testado em humanos Karla Danielle Secatto Marcelo Vivacqua, 46 anos, professor na Faculdade de Castelo, no sul do Estado. É natural do Rio de Janeiro, graduado em Medicina Veterinária, mestre em Biotecnologia da Reprodução, o doutorando em Ciência Animal e coordenador do projeto Orcante conseguiu, após muitas análises e pesquisas, promover a cura de mais de 90% dos animais submetidos à terapia contra o câncer. Dados do Sistema de Informações de Mortalidade do Espírito Santo mostram que, só no ano passado, 3.624 pessoas morreram por causa do câncer. Os tratamentos convencionais, como a quimio e a radioterapia, apresentam efeitos secundários perigosos, com frequente formação de um novo câncer. Uma outra frente de ação, a cirurgia, provoca, em diversos casos, metástase. O principal objetivo do projeto Orcante é ser uma nova alternativa aos tratamentos para a cura da doença. Esse produto difere em inúmeros aspectos dos tratamentos disponíveis, e um dos principais pontos se refere à segurança e ao bem-estar do paciente. Vivacqua explica que a solução desenvolvida por sua equipe é isenta de efeitos colaterais, como os causados pelos tratamentos à base de quimioterapia e radioterapia. “O produto foi testado em diversos bovinos, equinos e cães e a grande maioria dos animais tratados apresentou cura completa. Combatemos o câncer de mama, o de melanoma e o genital. Notamos que os animais que não responderam ao tratamento foram aqueles cujo processo já estava em estágio adiantado ou que já se encontravam muito debilitados", explicou. Composta por ácido lático, papaína e bromelina, a fórmula usada é apresentada pelo pesquisador como eficaz e atóxica.

A papaína, enzima oriunda do mamão, provoca a digestão da membrana que protege o tumor cancerígeno, deixando-o exposto à ação do ácido lático. O ácido inicia um processo de necrose e morte das células malignas enquanto a bromelina inibe a formação de novos vasos sanguíneos ligados ao tumor.  Essa terapia já é reconhecida internacionalmente, e, devido a ela, o pesquisador conquistou, em 2011, a medalha de ouro na categoria Medicina no Salão do Inventor de Genebra, na Suíça, atraindo o interesse de empresas norte-americanas.

novidades para o Espírito Santo que, certamente, servirá como referência para outros estados do país". A expectativa é de que testes em humanos sejam realizados em até cinco anos. Diversas empresas farmacêuticas já sondaram a equipe em busca de negociação. Porém, por não concordarem com algumas solicitações do grupo, como prazos para lançamento do produt

Teste em humanos O Instituto Nacional do Câncer, do Ministério da Saúde, divulgou dados que apontam que, no Brasil, o câncer de mama é o segundo tipo mais frequente da doença, sendo o mais comum entre os que afetam as mulheres. A intenção é que, a partir desse produto, o índice de manifestação e mortes decorrentes dessa doença tenha um drástico recuo.  Devido ao protocolo de ética que determina as fases de desenvolvimento e testes de produtos, ainda não houve experiência em humanos. Vivacqua informa que esse processo é dividido em quatro fases, que consistem em realizar primeiramente testes em animais, em células humanas, medição de atoxicidade e, depois disso, testes em humanos. Atualmente, Marcelo desenvolve negociações entre Instituições de Ensino e Pesquisa ligadas à área de Medicina e Medicina Veterinária para avançar com os estudos. “Queremos criar um centro de estudos na área de câncer, abrangendo animais, para transpor os resultados para os seres humanos. Em breve, teremos

O médico veterinário, Marcelo Vivacqua, encontrou nos alimentos a chance de cura do câncer

o no mercado e autorização para continuação da pesquisa, não foi fechado acordo. “Temos o receio de que, após a compra dos direitos de fabricação do Orcante, a empresa venha a “engavetar” o projeto, eliminando, desse modo, um eventual concorrente às terapias de alto custo que são empregadas. Nós, como pesquisadores, queremos contribuir com a ciência e decidimos que mais importante do que o dinheiro é ver a felicidade dos proprietários dos animais curados e, num futuro não distante, seres humanos sendo beneficiados. Não se trata de utopia: os tumores de mama e melanomas dos animais que temos conseguido curar são similares aos dos humanos, isso nos leva a crer no sucesso do tratamento do câncer nos homens”, defendeu o pesquisador.

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Além dos laços sanguíneos Daniely Borges e Juliana Mota Crescer com o acompanhamento dos pais e da família é importante para a formação do caráter e da personalidade de uma pessoa. Mas, o que acontece quando essa realidade não se concretiza e a criança ou adolescente fica sob tutela do Estado? Para trazer afeto e atenção a essas crianças, a Prefeitura de Vitória criou o Programa de Apadrinhamento Afetivo. Os candidatos a padrinhos ou madrinhas comprometem-se a estar presente para dar suporte emocional, afetivo, educacional e físico às crianças que estão em abrigos. Normalmente, o perfil mais procurado pelas famílias que querem adotar é de crianças brancas, com até três anos de idade, sem deficiências ou vírus HIV. Mas e as crianças que não atendem a esses atributos? Segundo dados levantados pelo Cadastro Nacional de Adoção, em Vitória existem 19 crianças e adolescentes à espera de adoção, entre os quais 11 são meninos e 13 têm idade entre 11 e 15 anos, ou seja, não atendem ao perfil preferencial. Diante dessa realidade, o apadrinhamento afetivo revela-se uma excelente alternativa de cuidado. Na Grande Vitória, o município de Cariacica tomou a frente do projeto e, hoje, conta com dez crianças e dois adolescentes que estão na Casa de Acolhida e possuem padrinhos. Momento de luz “Um momento cheio de luz”, é assim que a Professora Giselle Dutra descreve a emoção que sentiu ao conhecer sua afilhada Elaine. “Nunca esqueceremos o primeiro dia em que a vimos. Uma linda menina de 10 anos, toda descabelada. Ela não falou nada em nosso primeiro contato. Muito séria e tímida. A única vez que sorriu foi o suficiente para percebermos um rostinho transformado, uma outra menina escondida ali. Eu sempre digo que o sorriso dela iluminou a sala onde estávamos. Ela adora ouvir essa história”, contou emocionada.

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Giselle e o marido, João Fernando, tinham planos de ter filhos, mas com o trabalho, acabaram adiando o sonho de

Uma nova chance para aqueles que já perderam quase tudo se tornarem pais. Um certo dia, vendo uma reportagem na televisão, conheceram o programa de apadrinhamento e se interessaram. No início, Giselle explica que via o projeto como uma chance de se aproximar de crianças e “treinar” os cuidados que elas precisam. As crianças e os adolescentes apadrinhados reagem de maneiras diversas ao primeiro contato com os padrinhos. Alguns, devido ao histórico de vida, tendem a ter dificuldades em aceitar um novo amigo. Nesses casos, o papel dos padrinhos será ajudá-los a resgatar a confiança e, com muita dedicação, interesse e paciência, ganhar o carinho dos seus afilhados. A assistente social Elisangela Rocon disse que os padrinhos se tornam uma referência afetiva na vida da criança ou adolescente, nos momentos em que estão juntos, nos finais de semana e nas férias escolares. Ocasiões como almoços de domingo em família, ver filme no sofá comendo pipoca, passeios e viagens são algumas atividades que as crianças muitas vezes desconhecem. Giselle comenta que no caso dela, “fazer compras no supermercado era algo muito interessante. As crianças ficavam admiradas com a quantidade de coisas no carrinho e iam descobrindo produtos e sabores que eles não conheciam, como frutas, por exemplo.” Apadrinhamento não é adoção Uma simples consulta ao dicionário é suficiente para constatar que apadrinhar não é adotar. A primeira ação, segundo o dicionário, é a de proteger; já segunda significa aceitar, acolher. Mesmo com essas distinções claras, há confusão entre os dois atos. Quando o padrinho se propõe a acompanhar uma criança, ele disponibiliza tempo para dar atenção e suporte ao seu afilhado, geralmente nos finais de semana, nas férias escolares e nos passeios autorizados pela Vara de Infância e Juventude. Entretanto, essa proximidade pode evoluir e os padrinhos podem entrar com o pedido de adoção da criança ou do adolescente. Essa é a história

de Giselle e seu marido, que apadrinhavam Elaine e, logo depois, conheceram Kauã, irmão dela, que também morava na Casa Lar. Hoje, com 6 anos, ele foi também apadrinhado pelo casal. Os laços de carinho de Giselle e João com as crianças tornaram-se tão fortes que eles decidiram adotar. Elaine e Kauã agora são filhos do casal. Quer participar? A assistente social Elisangela explica que um dos critérios para o apadrinhamento é não estar cadastrado para adoção. Pode acontecer adoção da criança pelo padrinho, caso não tenha outra família com perfil cadastrado daquela criança. A família que está cadastrada tem prioridade. O primeiro passo é inscrever-se na Vara da Infância e da Juventude. A idade mínima para participar do programa é 21 anos. Após a inscrição, o candidato passa por uma entrevista e, também, por uma visita domiciliar. Caso o juiz responsável autorize a participação do candidato no programa, ele passa por uma oficina de sensibilização e manutenção para padrinho. Os apadrinhados também participam de oficinas de preparação realizadas por assistentes sociais e psicólogos das Casas de Acolhida e da Vara da Infância e da Juventude de Cariacica. Outras ações Além do apadrinhamento afetivo, há outro programa que tem o objetivo de assegurar às crianças e aos adolescentes, vítimas de abandono, negligência e formas múltiplas de violência, o direito à convivência familiar e comunitária: o Família Acolhedora, em Vitória, gerido pela Secretaria de Assistência Social da Prefeitura. Nesse projeto, crianças ou adolescentes ficam sob a tutela da família acolhedora, e esta recebe uma bolsa da Prefeitura de Vitória. O auxilio é de 60% do salário mínimo para cada criança acolhida. Para se inscrever é necessário ser maior de 25 anos, residente em Vitória e não ter pendências judiciais. Mais informações nos telefones: 3382-6160 ou 3382-6163.


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udo começou em 1979, quando Romeu Nunes Vieira comprou uma propriedade em Rio Fundo, Marechal Floriano, e o nomeou de Sítio da Vovó. “No começo, a ideia do meu avô era apenas proporcionar um lugar agradável para a família e criar alguns animais, o que sempre foi sua paixão. Com o passar do tempo, a quantidade de animais foi aumentando e surgiu a proposta de transformar o local em Zoo Park da Montanha”, contou o neto do Seu Romeu, Willyam Vieira Millard. Hoje, além de espécies de animais genuinamente brasileiras, como o lobo-guará, há inúmeras outras provenientes de vários países, como Nova Zelândia, Canadá, Austrália, Egito, Chile, Bolívia, Peru e Índia. São casuares, gansos do nilo, tadornas australianas, flamingos, antílope cobo-de-meia-lua, elandes, emus, avestruzes, antas, antílopes, lhamas, irerês, putriões, macacos, araras, entre outros bichos que chamam a atenção por serem bastante exóticos. A estrutura do Zoo Park da Montanha foi planejada para que o visitante tenha um contato bem próximo do habitat natural dos animais. O local conta com instalações mais modernas do segmento. No viveiro gigante, no qual já se encontram tucanos, faisões, jacupembas e outras aves, os curiosos poderão chegar a poucos centímetros dos bichos. Segundo Eric Nunes Vieira, filho do proprietário, há mais de 500 animais divididos em, aproximadamente, 150 espécies. “Após a inauguração, o zoológico vai gerar 30 empregos diretos”, revelou. Para obter melhores instalações, o zoológico trouxe do Rio Grande do Sul o biólogo e gestor ambiental Marco Majollo, que trabalha com a elaboração de projetos que visam à preservação do meio ambiente. No caso do Zoo Park da Montanha, a ideia foi reproduzir um ambiente de semi-liberdade. Ele ainda explica que as mudanças foram neces˜ sárias para melhor atender a população e para o próoA prio bem-estar dos animais. “Além do conforto dos visitantes, nosso objetivo é que os animais tenham

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qualidade de vida. Estamos construindo acomodações maiores para todos eles”, esclareceu. Em dezembro de 2011, vinda de Goiás, chegou ao zoológico a onça Zagaia. “Ela viveu até um ano de idade com índios, no Amazonas, e, depois, foi recolhida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama)”, ressaltou Willyam. Em fevereiro, chegou Café, o namorado baiano de Zagaia que, apesar de ter o pelo preto, diferente do de Zagaia, é da mesma espécie, Panthera onça. Os dois podem cruzar e reproduzir normalmente. “Mesmo com o cruzamento de duas onças pintadas, pode nascer filhote preto, como também filhotes pintados com o cruzamento de duas onças pretas”, explicou Majollo.


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primeiro zoologico O Zoo Park da Montanha terá os padrões mais modernos do segmento Fotos: Eric Romeu Vieira.

Novos bichos são esperados Recentemente, chegou ao Zoo a lobo-guará Ana Hickmann. O nome da loba é em homenagem à modelo e apresentadora, famosa pelas longas pernas. Ana, que foi capturada quando era filhote, perdeu seus instintos selvagens, e vivia no Centro de Reintrodução de Animais Selvagens (Cereias), em Aracruz. O animal é bastante dócil e está se adaptando facilmente à sua nova casa. Outros bichos também chegaram ao local, como o papagaio moleiro, o maior do Brasil; o macaco zog zog, que é ameaçado de extinção; macaco da noite; e mico de cheiro.

Conheça alguns dos animais do zoo Onça-pintada: é o terceiro maior felino do mundo depois do tigre e do leão, e o maior do continente americano. A onça pintada está fortemente associada à presença de água e é conhecida, juntamente com o tigre, como um felino que gosta de nadar. Está ameaçada de extinção. Avestruz: é uma ave não-voadora, originária da África. As penas são macias, bastante diferentes das penas rígidas de pássaros voadores e servem como isolante térmico. Possui duas garras em dois dos dedos das asas, sendo a única ave que tem apenas dois dedos em cada pata. Arara vermelha: sua alimentação é baseada em sementes, frutas e coquinhos. Quem cuida de garantir a alimentação tanto da fêmea como dos filhotes é o macho, que, nessa espécie, é fiel, mantendo a mesma companheira durante a vida inteira. Lobo-guará: é o maior canídeo nativo da América do Sul. O lobo-guará caça preferencialmente de noite e ataca pequenos mamíferos roedores e aves, mas a sua dieta tem uma forte componente onívora.

Chegarão ainda, jacarés, cutias, pacas, corujas, gaviões e emas. “Estamos em constante contato com o Cetas (Centros de Triagem de Animais Silvestres) que têm a finalidade de recepcionar, triar e tratar os animais silvestres resgatados ou apreendidos pelos órgãos fiscalizadores”, enfatizou Eric. O Zoo Park da Montanha será inaugurado no mês de maio e o valor da entrada ainda não foi definido. Contudo, o local já está recebendo reservas de escolas que queiram levar seus estudantes para visitar o espaço. Os interessados devem enviar e-mail para: zooparkdamontanha@zoologicosdobrasil.com.br

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Para sem pre mãe Aidê Malanquini e Rafael Venuto

“Ela sempre foi uma menina vaidosa: inventava penteados, maquiava-se como se fosse gente grande e adorava usar vestidos, nem que fosse para ir ao mercadinho aqui perto de casa. Não entendo porque Deus a levou tão cedo. Ela era uma princesa. Tinha uma vontade imensa de viver e, mesmo aos oito anos de idade, já tinha planos de vida: sonhava em ser professora.” Em tom de desabafo, Marlene Aparecida Rocha compartilha inconformada a dor pela perda da filha caçula, vítima de câncer nos rins. Marlene, 47 anos, que há quase três convive com a ausência da filha Isabel, conta a história com muita emoção. Ao falar sobre a descoberta da doença da filha, Marlene até faz crer que se trata de algum roteiro cinematográfico, e não realidade. “Antes de descobrirmos a doença, Bebel reclamava de algumas dores na barriga, o que, na época, não nos preocupava muito. Achávamos que era uma simples virose que passaria depois de alguns medicamentos. Entretanto, após um ciclo desgastante de exames, os diagnósticos comprovaram: estágio quatro de câncer, fase considerada de difícil tratamento pela maioria dos médicos”. Depois do resultado, as rotinas de mãe e filha mudaram. “Começamos a frequentar duas vezes por semana as sessões de quimioterapia, que nos preocupavam por não estarem

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surtindo o efeito esperado. Foi, então, que os doutores a encaminharam para a radioterapia, onde as reações foram percebidas rapidamente: vômitos, dor de cabeça, fraqueza e falta de apetite”, relembra. Vizinhos, amigos e até mesmo desconhecidos sentiam-se comovidos com a persistência da garota. Porém, o que parecia uma forte história de superação era, para outros, um obstáculo no caminho. “Em um momento delicado como esse, o mínimo que precisava era da compreensão e apoio da família. Só que frente às dificuldades financeiras com os custos dos remédios e deslocamentos para o hospital, parentes próximos se afastaram, o que refletiu no quadro de Isabel”, contou indignada. Após 10 meses de luta pela sobrevivência da filha, veio a notícia do seu falecimento. A noite do dia 28 de setembro de 2009 se tornou inesquecível. “Ela me preparou para a morte dela. Recordo que naquela tarde Isabel pediu para que eu cantasse uma música que sempre ouvíamos na igreja. E, deitada em seu colo, eu recitava a letra daquela linda canção, que era mais ou menos assim: ‘Hoje, o meu milagre vai chegar, e eu vou crer não vou duvidar [...]’. Lembro que, em seguida, ela perguntou: ‘Mãe, será que no céu tem jardim?’. E respondi com lágrimas nos olhos: ‘Claro que sim, minha filha’.” Mesmo que o tempo passe, as últimas imagens da filha no hospital permanecerão na memória de Marlene. Isabel sofreu alergia dos antibióticos após ser medicada naquela tarde. “Na hora, não consegui entrar para vê-la. Estava em choque, não acreditava no que estava acontecendo. A única coisa que eu conseguia observar eram os enfermeiros entrando desesperadamente com vários aparelhos no quarto”. Hoje, Marlene preenche o vazio deixado pela filha sendo “mãe” de tantas outras mulheres e crianças que enfrentam a mesma doença que matou sua filha. “Prometi a mim mesma que ajudaria mães e acompanhantes de crianças doentes. Todos os sábados vou ao hospital. Sempre que posso levo produtos de limpeza e alguns lanchinhos, converso com as mães e me ofereço para ajudá-las. Só


Deus sabe o que passei. Tenho certeza que se eu tivesse pessoas de fé me auxiliando a história seria outra”. Às 2 horas e 37 minutos, enquanto muitas mulheres descansavam com marido e filhos, Zilda Moraes de Melo, 54 anos, procurava, pelas madrugadas, seu filho mais velho Luciano Moraes, que apresentava comportamento familiar problemático desde os 14 anos. Luciano foi preso aos 18 anos, quando sua mãe descobriu que ele era usuário de drogas. “Parei de frequentar a missa, e o vigiava vinte e quatro horas por dia. Só conseguia fechar os olhos quando ele chegava em casa, o que na maioria das vezes não acontecia. Sendo assim, era hora de vestir meu roupão e ir à procura dele na casa dos amigos e nos bares do bairro”, lembrou. No dia 15 de novembro de 2006, a caça ao filho noite adentro foi interrompida. Às 3 horas da manhã, o interfone tocou e Zilda recebeu a notícia que mãe nenhuma gostaria de receber: “Luciano acaba de morrer com oito tiros na cabeça”. “Em um primeiro instante, mãe sempre sente quando algo de ruim acontece com seu filho. Naquela ocasião não deu outra: corri para dentro de casa, me troquei e, em seguida, fui ver o corpo, que estava todo ensanguentado, na calçada de uma lanchonete, próxima à nossa casa. Ele estava cercado de uma multidão de curiosos que, em sua grande maioria, não eram seus amigos de verdade”. As lágrimas de dona Zilda secaram durante o velório e o sepultamento. Ela explica que não queria passar uma imagem de vulnerabilidade para as duas filhas mais novas e para o marido. Além disso, quatro meses antes da tragédia, ela recebeu a notícia de que estava com câncer de mama. “Confesso que eu queria chorar. Mas se as minhas filhas chegassem a ver meu estado de fraqueza, elas poderiam pensar que eu poderia ter uma recaída ou, até mesmo, morrer” destacou. A partir daquele momento, fiquei um mês sem sentir o chão. Quando a saudade apertava, eu chorava dentro do banheiro, escondida de todos. Questionada se sentia incomôdo em reviver

a história, ela disse que não. “Gosto muito de falar sobre Luciano. O que guardo dele são coisas bonitas, e sempre que posso relembro para as pessoas. Sinceramente, todos gostavam do seu jeito brincalhão e carinhoso, independente das atitudes ruins que o levaram a partir mais cedo. Ele sempre falava que o mundo das drogas é um caminho sem volta. Se ele continuasse morreria, mas se ele saísse, morreria de qualquer jeito”, pontuou. A foto do filho, acomodada na sala, revela a saudade que persiste até hoje. Entretanto, o espaço dessa solidão vem sendo preenchido pela sua neta de seis anos, que na época do assassinato tinha apenas seis meses. “Ela é a alma viva do Luciano”, orgulha-se com um sorriso nos lábios. Diante de todo esse sofrimento, Zilda tenta encontrar nas pessoas algo que se assemelhe com o comportamento de Luciano. “Tem um rapaz que frequenta o restaurante aqui perto de casa que se parece muito com ele, do jeito de andar até mesmo quando ele colocava a camisa nos ombros” recordou. Ela ainda completou dizendo que, mesmo com a presença de duas filhas, será difícil alguém ocupar esse lugar no coração dessa mãe que só Luciano um dia conseguiu preencher. “ Ele sempre foi o filho mais próximo que a ironia do destino fez com que partisse tão cedo”.

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Água + (malte x lúpulo)² + café x frutas = O mercado de cervejas especiais cresce cerca de 20% ao ano no Brasil. Os ingredientes que compõem essas bebidas são os mais variados possíveis: desde café até rapadura raspada! Vinícius Eulálio Chegar a um bar, sentar com os amigos, conversar sobre a vida, dar boas gargalhadas e tomar uma cerveja com sabor de...mandioca! Você já pensou nisso? Pois é, as cervejas “com gosto”, importadas dos tradicionais goles belgas e alemães, vêm ganhando espaço no consumo brasileiro e com sabores, digamos, bem peculiares. Mas vamos com calma. Quando tomamos uma cerveja com gostinho de café, por exemplo, logo nos referimos a ela como uma “cerveja com sabor” - ou artesanal -, não é mesmo? Flávio Roberto Barone, engenheiro de cerveja, formado na cidade alemã de Munique, contraria pontualmente essa ideia. Barone, que trabalha na Casa do Cervejeiro, diz que toda cerveja tem sabor e que a definição de “artesanal” é uma apropriação do marketing. “Só existem duas famílias da bebida: a Large e a Ale. Não existem as artesanais nessa classificação, e, sim, os tipos de cervejas. Não há uma definição técnica em relação a como e onde ela é produzida”, ressalta. A definição “especial”, portanto, é a mais técnica para caracterizá-las e é ela que vamos utilizar aqui.

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Goles de tradição O pioneirismo e a influência na produção das cervejas diferentes vem da Europa, mais especificamente da Bélgica. Os belgas têm na história motivos para sempre estarem com os copos na mão. A Alemanha, claro, não fica de fora. Os alemães criaram a chamada “Lei d a pureza”, em 1516 (entenda um pouco mais no quadro na página seguinte). O governante da época, Guilherme VIII, instaurou a regra afirmando que a bebida só podia ser feita de água, malte e lúpulo. Como a Alemanha tinha grande disponibilidade desse material no seu território, os belgas ficaram de fora da produção por não disporem dos mesmos privilégios. Isso não se tornou um problema para eles. Já que não tinham contato com a matéria-prima exigida, começaram a construir , eles mesmos, sua tradição: deram início aos testes com ingredientes diferentes e inventaram, assim, as cervejas especiais. Simples, não? A ideia se alastrou por todo o continente europeu e fez com que a Bélgica se tornasse uma grande hegemonia no ramo cervejeiro. De lá, para países como República Tcheca, Brasil, Irlanda e Estados Unidos. Até mesmo a Casa Branca, símbolo de poder dos norte-americanos, está se servindo de microcervejarias. Segundo a rede de TV CBS, o presidente Barack Obama é um grande apreciador de uns bons goles e é ele mesmo quem produz o que bebe. Sua última invenção foi a “White House Honey Ale”, cuja produção

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Cervejas “Colorado”, feitas com ingredientes exóticos: mandioca, rapadura e mel de laranja


preferência nacional

Cerveja de café conilon, produzida pelo engenheiro Cervejeiro Flávio Barone

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Fotos:Yuri Barichivich

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se faz com o mel das abelhas da própria Casa Branca. A produção das cervejas especiais nos Estados Unidos tem crescido e hoje, domina cerca de 25% do mercado, segundo a Associação de Cervejarias do país. A venda desse tipo de bebida cresceu 14% no primeiro semestre de 2011. No Brasil, o mercado ainda se mantém tímido: cerca de 7%. “Eu acredito que o mercado brasileiro vai seguir o mesmo caminho que o americano”, assegura o cervejeiro Barone.Se depender de Poliana Birencourtt, 22 anos, o ramo tende, sim, a crescer. Ela se tornou adepta depois de experimentar sem compromisso uma cerveja especial. “Tomo agora, pelo menos, uma vez por semana. O sabor delas é mais evidente, devido à matéria-prima utilizada”, celebra. Assim como o presidente norte-americano, qualquer um pode fabricar as cervejas especiais, já que a produção é caseira. Existem cursos em Vitória, um deles é ministrado pelo engenheiro cervejeiro Flavio Barone, por meio da Casa do Cervejeiro, localizada no Hortomercado.

Produção nacional Com um consumo aproximado de 47 litros por pessoa/ano, os brasileiros estão em nono lugar no ranking mundial de consumo de cerveja (confira o quadro nas páginas anteriores). A liderança não é da Bélgica nem da Alemanha, e sim da República Tcheca. Cada tcheco consome, em média, impressionantes 158 litros de cerveja por pessoa/ano. Apesar dos número ainda baixos as microcervejarias que produzem tipos especiais da iguaria encontraram um grande mercado no consumo brasileiro. De acordo com Barone, as vendas no Brasil crescem cerca de 20% ao ano. A cervejaria Colorado é um exemplo. Com sede na cidade paulista de Ribeirão Preto, produz cervejas especiais desde 1995. A variedade é grande: mandioca, mel de laranja, lúpulo inglês (o que dá um sabor mais amargo), café e, até mesmo, rapadura queimada. Todos os tipos podem ser encomendados pelo site da cervejaria: http://www.cervejariacolorado.com.br. A gaúcha Dado Bier não fica para trás e é considerada a pioneira do lançamento desse produto em território nacional, a partir de 2006. Hoje, se tornou uma gigante na área: há produtos feitos com erva mate e com variadas matérias-primas importadas da Europa. Mas não vá achando que esse tipo de cerveja deixa as pessoas mais bêbadas ou alteradas mais rápido que as comerciais! O teor alcoólico não é escolhido por quem a produz, mas definido por regras. A quantidade em cada produto é estabelecida de acordo com sua família. Barone exemplifica: “se uma grande cerveja ria for fazer uma Strog Large, ela tem que ter, pelo menos, 7% de álcool. Depende de qual família ela se enquadra”. O engenheiro cervejeiro Flávio Barone ministra cursos para quem quer aprender a fazer sua própria cerveja.

Tradição alemã e pioneirismo belga Da internet para a geladeira É possível encontrar cervejas diferenciadas na internet. Uma alternativa é o Clube do Malte, do Paraná. A marca começou como uma loja conceito (restaurante/bar/empório de cervejas). Logo alcançou a rede, onde oferece mais de 150 tipos de cervejas artesanais, com especificações como a origem, teor alcoólico, sabor, etc. É um ótimo site para você, cervejeiro: www.clubedomalte.com.br

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Numa manhã do ano de 1516, Guilherme IV começou o dia com uma ressaca daquelas! O duque da atual região de Munique sabia que tinha tomado uma cerveja e que ela não lhe tinha feito bem. Pensando em solucionar o problema, o alemão tomou uma drástica decisão: as bebidas da região alemã só seriam produzidas com água pura, malte e lúpulo (lei conhecida como Reinheitsgebot) A Bélgica importava esses produtos da Alemanha. Já que os alemães estavam torrrando os materiais para produzirem suas próprias bebidas, os belgas, mais do que depressa, começaram a inovar: misturar ingredientes diferentes à cerveja. Dá-lhe Bélgica!


No Espírito Santo “Tive um cliente aqui, na Casa do Cervejeiro, há dois meses, que veio de São Gabriel da Palha e me trouxe o café 100% conilon puro para eu experimentar”, comenta Barone. O engenheiro cervejeiro produziu, a partir desses cinco quilos que lhe foi presenteado, 20 garrafas de uma cerveja especial, e presenteou seu cliente. Foi um sucesso: o cliente gostou bastante e começou a divulgar. “Hoje, seu quiser vender 20 mil dessas garrafas, eu vendo”, brinca Barone, orgulhoso de suas cervejas especiais. No ES, um dos únicos lugares em que se produzem tais cervejas é na Casa do Cervejeiro, no Hortomercado. Há opções variadas do produto (como a marca Colorado) para curtir com os amigos. Para encomendar, basta ligar, mandar e-maill ou ir de corpo e alma e levar uma graviola, quem sabe, para os especialistas em cerveja produzirem uma bem diferente para você! Assim como o café, os “sabores” variam de acordo com os ingredientes característicos de cada região – não é à toa que temos as bebidas de rapadura no Brasil. Das especiais que tomou até hoje, Thiago dos Santos Alves, 25, considera a cerveja Suá - do Alambique Santa Terezinha - a que apresenta um gosto mais agradável. “Além de amarga, ela tem o que se chama notas de café. As notas são uma mistura de um ingrediente externo à cerveja que é introduzida na receita.”, ensina. Thiago faz jus ao título de apreciador de cerveja. A partir de 2010, começou a colecionar vários tipos da bebida (importadas ou nacionais). “A minha coleção está em cerca de 270 rótulos diferentes, bastante tímido para o universo de opções, mas relativamente grande comparado ao número de ofertas de marcas aqui no estado”, completa.

Serviço: Casa do Cervejeiro Rua Licínio dos Santos Conte, 51 – HortomercadoTelefone: 3315-5891E-mail para contato ou encomenda: Barone@casadocervejeiro.com.br

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De

para o

Muqui

mundo

Leonardo Alves já acumula, aos 20 anos, dois filmes e livros, com direito a passagem pela Europa para produzir um documentário Rebeca Santos Não fossem as origens diferentes, ele até poderia ser comparado ao jovem estilista Pedro Lourenço, filho de Reinaldo Lourenço e Glória Coelho, que, aos 20 anos, alcançou as passarelas internacionais da moda. Leonardo Alves nasceu numa família de classe média que não pode suprir todas as condições para publicar seus trabalhos e financiar suas pesquisas. Natural de Muqui, sul do ES, ele já lançou seu segundo livro no mês de abril, homônimo ao documentário “O palhaço menino - histórias de quem, desde pequeno, sonha e vive as Folias de Reis”. A primeira obra, “A Herança”, foi lançada ano passado, e rendeu o filme com o mesmo nome, também estreado em 2011. Ainda com pouquíssimos recursos, contava com os amigos da terra natal: “Lembro que, quando iniciamos a gravação de “A Herança”, as pessoas estranhavam: a gente fazia uma mega produção. Figurinos com o rigor da época, locações... E quando a gente ia gravar, surpresa! Uma câmera quase que do tamanho de um celular…”,lembra. Tão novo, ele pode ser considerado um exemplo da nova geração de jovens, a chamada geração Y, que faz de tudo e produz muita coisa. Ele mesmo descreve: “Não conseguiria ficar parado, fazendo apenas uma faculdade e vivendo a vida normalmente. Há algo muito maior dentro de mim que pede para eu fazer as coisas. É uma necessidade, como a fome e a sede”, comenta. Leonardo Alves acumula entre as funções principais um curso de Jornalismo, a carreira de escritor, iniciada aos 14 anos, além de ser diretor e roteirista de seus próprios filmes. Como se não bastasse, já tem um tema de TCC prontinho na cabeça, mesmo estando no 5º período, e ainda se di-

vide entre as cidades de Mariana, onde estuda, e Muqui, local onde a família e a namorada o esperam para descansar. De onde vem a inspiração Muqui guarda uma grande riqueza histórica do Espírito Santo, e também é a fonte de inspiração de Léo - como é chamado pelos amigos. É também a cidade cenográfica, palco da vida real de pessoas que são, na verdade, personagens. É tanto amor por sua terra que ele conseguiu, em conversas com Aguinaldo Silva, que Muqui tivesse visibilidade nacional por meio da novela “Fina Estampa”. “Falo tanto do meu município para as pessoas que, em encontros com o Aguinaldo Silva, falei das histórias. O autor, interessado, acabou citando Muqui em duas cenas da novela Fina Estampa. Foi um frisson em na cidade. E é mágico quando você percebe o poder que um roteirista tem nas mãos. Sou fascinado por isso”, explica o estudante. Das dificuldades que enfrentou até conseguir produzir e lançar suas obras, o trajeto não foi simples e fácil. O primeiro obstáculo foi residir no interior. “As cidades do interior ainda têm um “quê” de ruralismo e, em certos momentos da vida, pensei estar vivendo no período feudal. Existe claramente uma elite, que tenta se manter acima dos outros e ignora o seu talento. (…) Posso afirmar, seguramente, que a cultura capixaba não

Festival

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A pequena cidade capixaba deve ser mesmo um berço de jovens artistas. No segundo semestre de 2012, o grupo ETC, ao qual Leonardo Alves pertence, promove o primeiro Festival de Cinema Independente de Muqui. A data não poderia ser mais bem escolhida: Muqui festeja seus cem anos de emancipação política. A iniciativa ainda está em processo de busca por parcerias e apoios. Quem desejar adquirir os livros de Leo Alves ou firmar parceria para o festival, deve procurá-lo pelos emails: leoalvesmuqui@ gmail.com ou grupoculturaletc@gmail.com.

tem o tratamento adequado.”, frisa o roteirista. Ele ainda arrisca: “O interior do ES tem uma defasagem muito grande quanto ao acesso a Vitória e à cultura dita como do Estado. Li artigos sobre o assunto e, hoje, posso assumir que sou muquiense, mas capixaba ou espírito-santense... já não sei!”. O palhaço menino Para produzir seu último projeto, sobre folias de reis, Leonardo conseguiu uma viagem para Portugal. Lá, passou por mais dificuldades. “Enfrentamos muitos problemas na pré-produção. Nós mesmos é que procuramos pessoas por lá, entrevistas, contatos, grupos. Foi uma pesquisa e tanto. Confesso que, às vezes, dava vontade de desistir. Foi uma luta, que rendeu muitos frutos”, conta o escritor, que descreve melhor suas aventuras no livro de mesmo nome.

O ROCK AGORA É EM CASA!

Para quem acredita que tem tanto potencial e pode ser diferente, Leonardo dá a dica: “Vejo uma infinidade de adolescentes de 13 e 14 anos que vêm mostrar seus livros, seus feitos... é um orgulho pra mim. Eu tento mostrar que tudo é possível e digo: não desistam! Os sonhos requerem disciplina.”, ensina.


DIVERSÃO ECONÔMICA O rock agora é em casa! Polânia Sôares e Thaynara Lebarchi Final de semana se aproxima e, com ele, cresce a expectativa para uma programação especial, a fim de sair da velha rotina, encontrar a galera e, até mesmo, planejar um bom encontro com os amigos. Você, com dúvidas do que fazer durante esse período, pesquisa em sites de baladas, folheia jornais e revistas em busca de um lazer agradável, e, acima de tudo, acessível e sem muitos gastos. O leque de opções é variado: bares, boates, shows, teatros e orquestras. Em seguida, você abre

costumam virar a noite”, brincou. Entretanto, ciente de suas atitudes, ele lembra: “Nesses casos, o bom senso deve prevalecer. O volume do som e das vozes devem ser diminuídos depois de certo horário. Manter o bom relacionamento com a vizinhança é sempre bom”. Quem também aposta em reuniões particulares é o estudante Caio Pimentel, 17 anos, que acredita ter pouca variedade de lazer na capital. “Não saio muito pela noite, uma vez que Vitória não têm muitas opções de lugares para reunir os amigos.

tira-gostos e organizar uma festinha caseira. Além disso, esperar por uma mesa e demorar para ser atendida é muito chato”, destaca Suzane. Diferente dos casos anteriores, a estudante de Farmácia, Letícia Marim, 19 anos, diz não gastar muito em suas saídas. “Saio bastante, e, para economizar, costumo fazer, com minhas amigas, os famosos “esquentas”. Outra forma de reduzir os custos utilizada pela estudante é dar preferência a estabelecimentos que oferecem cortesias ou descontos.

Na Balada

Conhecer gente nova Sair um pouco de casa Divertir-se em ambientes diferentes

Yuri Barichivich

Enfrentar fila Procurar vaga pra estacionar Pagar taxa de entrada e bebidas caras

No barzinho

Sempre tem um pertinho Já está tudo pronto Variedade de cardápio a bolsa e percebe que a grana está curta. O que fazer nessa hora? Para o ator e estudante, Thiago Lourenço, 24 anos, a resposta está na ponta da língua: sim. “Sempre que possível, reuno meus amigos para uma festinha na minha casa. Além de ser muito divertido, por estarmos só entre conhecidos, me sinto mais à vontade e economizo um bom dinheiro”, afirma. Thiago consegue, assim, guardar uma graninha extra no final do mês, e outra vantagem que só as reuniões caseiras oferecem: “As músicas, bebidas e comidas, são escolhidas de acordo com a preferência da turma”. Bom para uns, ruim para outros. Ele conta que os vizinhos não gostam muito do barulho. “Nossos Karaokês

Por isso, costumo fazer ‘rocks’ no meu apartamento pelo menos duas ou três vezes por mês, o que custa, muitas vezes, o valor de uma saída” ressaltou. A auxiliar administrativa, Suzane Caldeira, 31 anos, cita vários benefícios das festas em casa, como a segurança, custo-benefício, praticidade e conforto. “Sempre tem aqueles amigos que exageram na bebida, e estar em casa evita certos transtornos em lugares públicos”. Ela critica , ainda, as taxas impostas no atendimento de alguns bares. “Hoje pagamos muito caro para simplesmente sentar em determinados estabelecimentos. Sendo assim, fica mais viável ir a um supermercado, comprar bebidas e

Produtos mais caros Pagar 10% e couvert Esperar por mesa e atendimento

Rock em casa Escolher detalhes que agradem a maioria Estar entre amigos e maior segurança Bebeu demais? Já está em casa!

Bagunça para arrumar Não fazer novas amizades ˜ Reclamações de vizinhos oA

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~ A invasao dos mortos-vivos Você sobreviveria a um apocalipse zumbi? Por Marcelo Lobato e Raysa Calegari

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s zumbis estão por toda parte: televisão, cinema, livros e na decoração da casa. Essa epidemia teve sua origem na tranformação de um personagem grotesco em um ícone popular. O cineasta e professor do Departamento de Comunicação Social da Ufes, Erly Vieira Junior, explica que o clipe Thriller, do cantor americano Michael Jackson, contribuiu para transformar a imagem do zumbi em um personagem carismático, que desperta nas pessoas o desejo de fazer suas coreografias.

“Hoje, eles habitam o imaginário pop. Por exemplo, a Zombie Walk é um evento em que as pessoas se fantasiam de mortos-vivos e tomam as ruas, como uma celebração. Isso é um reflexo da influência de 30 anos atrás com o videoclipe de uma música do disco mais vendido da história. Com isso, entendemos a amplitude do lugar que os zumbis têm na cultura pop. Temos desde comédia até filme pornô com zumbis e daqui a pouco eles estarão em todos os lugares, menos nos filmes de terror”

Zombie Walk A Zombie Walk é um flash mob em que as pessoas se vestem de zumbis e se encontram em pontos de grandes cidades. O passeio é feito por vias públicas e shoppings e é uma sátira às grandes datas comerciais comemorativas. A organização desse desfile é descentralizada, feita principalmente pela internet e acontece em centros de todo o mundo.

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A internet é um dos meios que esse vírus se espalha. A característica de compartilhamento e o ambiente propício a debates acaba gerando grupos de discussões sobre vários assuntos; no caso dos zumbis não foi diferente. O estudante e membro do fórum Comunidade Brasileira de Zumbis (www.zumbis. lifetime.net), Willian Souza, explica o foco desses grupos. “Discutimos sobre filmes, games e séries relacionados a zumbis. Também elaboramos táticas de sobrevivência, postamos dicas de primeiros socorros, dados sobre a constituição física dos zumbis e debatemos a probabilidade de realmente aparecerem. O legal mesmo é criar cenários completamente inimagináveis, que ajudam a relaxar no dia-a-dia”. Quanto a acreditar numa possível “contaminação”, Willian se mostra tranquilo. “Para ser sincero, não acredito que seja possível a aparição dos mortos-vivos, mas nunca é demais se prevenir.” Com a popularização, as produções de conteúdo zumbi estão cada vez mais inovadoras. Em 2010, o escritor Seth Grahame-Smith adaptou uma importante peça da literatura de língua inglesa, o romance Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, e criou uma releitura: Orgulho, Preconceito e Zumbis. A obra, de caráter humorístico, foi bem recebida pela crítica e figurou entre os Best-Sellers do New York Times. Muito além do aspecto comercial, as teorias zumbis refletem os medos e anseios das pessoas. “Essas releituras do zumbi podem ser vistas como uma ironia. Subverter o significado de aterrorizante e transformá-lo para o ambiente familiar. Essa ameaça do caos absoluto causado por uma possível epidemia tem popularidade porque desfaz toda a estrutura regrada de nossa sociedade e isso vem em forma até de desejo, ainda que seja uma apropriação da indústria.” destaca Erly, que ainda completa dizendo que “o zumbi é um ser totalmente ambíguo porque ele transita em dois planos. Ele está morto, mas ele ainda existe em sua corporeidade. Além de agir totalmente por instinto, ele não pensa, apenas executa.”


Kit zumbi Para você virar um mestre no assunto recomendamos:

Filme

A Noite dos Mortos Vivos Um clássico do cinema Cult. O diretor George Romero, em sua polêmica produção indepenente de 1968, trouxe em sua obra uma crítica à sociedade norte-americana da década de 60 e é considerado um dos filmes mais influentes da história americana. A repercussão em torno do filme foi tamanha, que Romero foi tachado de subversivo e até de satanista.

LIVRO

Guia de Sobrevivência a Zumbis De Max Brooks, o livro é repleto de humor e de dicas para sobrevivência. O Guia é leitura indispensável para quem espera o apocalipse zumbi.

Game ilustração

Resident Evil 6

:Shinkiro

O novo jogo da aclamada série traz de volta o mocinho Leon para o papel de protagonista em um mundo infestado de zumbis e oferece ao jogador mais uma peça do quebra-cabeça para entender o misterioso e assustador enredo de toda a saga.

Dicas de Sobrevivência para um apocalipse Zumbi: 1- Organize-se antes que eles apareçam! 2- Eles não sentem medo, por que você sentiria? 3- Use sua cabeça; corte as deles. 4- Lâminas não precisam de munição. 5- Proteção ideal: Roupas justas e cabelo curto. 6- Suba a escada e a destrua. 7- Saia do carro. Use moto. 8- Continue em movimento, discreto, quieto. mantenha-se alerta. 9- Nenhum lugar é seguro; é apenas mais seguro. 10- Os zumbis podem ter ido embora, mas a ameaça continua. (Fonte: Livro Guia de Sobrevivência aos Zumbis de Max Brooks)

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de fato atitude fadas, Conto de Uma mulher, centenas de crianças: histórias que são reescritas na Creche da Tia Loura

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ra uma vez um reino de poucos recursos, de uma terra vermelha, e muita limitação. Bem em meio a esse reino, estava um lixão. E como todos os lixões, lá havia restos de alimentos, dejetos, ratos, insetos. Um dia, uma mulher visitou a terra daquele lixão, e viu tudo o que lá havia. No meio dos restos do que ninguém mais queria, muitas crianças brincavam; e junto com suas mães, dali se alimentavam. quela mulher viera de uma terra tão distante, das bandas do Sul, e morava num reino bem mais rico, com uma praia na costa, e pessoas que ignoravam a situação naquela terra próxima. Triste e abatida com aquela situação, a mulher tomou uma dramática decisão. Mudou-se do reino nobre e foi morar junto das crianças, no lixão. Ali, catando e comendo lixo como elas, aos poucos conquistava a confiança delas. ois meses depois, a mulher alugou uma casa naquele reino, que como as demais, não estava em boa condição. Com sala, quarto, cozinha e banheiro, o lugar humilde abrigaria as crianças para tirá-las do lixão. Quando se deu por conta, trinta crianças já passavam o dia na casinha. Um ano mais tarde, já havia duzentos e setenta criancinhas! agora? Sem casas boas naquele reino, não havia onde abrigar tantos pequenos. Naquela vila velha, não havia creches. As crianças daquele reino não recebiam o mesmo tratamento das que habitavam a nobre região. As mães, aos poucos aprendiam uma profissão, e

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Vida real

Maria Aparecida Lopes, a “Tia Loura”, conheceu a situação das crianças da Terra Vermelha em 1996, quando mudou-se do Paraná para um bairro nobre de Vila Velha, no ES. A região da Grande Terra Vermelha começou a ser habitada nos fins da década de 80, e, hoje, engloba 16 bairros, com cerca de 60 mil habitantes. Como em 1996 e ainda hoje, não há creche pública no bairro onde Maria Aparecida iniciou seu projeto. A creche da Tia Loura atende a aproximadamente 90 crianças, de 1 a 6 anos, que passam o dia no local, mas esse número ultrapassa 100 crianças, se contadas as que participam apenas das refeições. Todo o trabalho é realizado sem qualquer ajuda governamental. A creche sobrevive de doações diversas, e há aproximadamente sete anos vem se beneficiando com a parceria de uma Igreja de Vila Velha. A Missão Praia da Costa montou um salão-escola no local, e ofere-

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iam deixando o lixão. Mas para sair de lá, elas precisavam trabalhar e as crianças não tinham com quem ficar. or providência Divina, pessoas começaram a saber da situação das crianças do antigo lixão e agir com compaixão. A todo tempo, chegavam doações, especialmente de alimentação. Aquela mulher, dos cabelos de cor tão diferente das crianças da região, passou a ser chamada pela cor de seus fios dourados. E era admirada por todos que a viam realizar tamanha mobilização. Com tão poucos recursos e tão grande dedicação, conseguia amenizar aquela precária situação. mais urgente mudança foi conquistada. Uma casa maior logo foi abrigada. Ainda assim, era menos do que a criançada precisava. Uma igreja do reino decidiu-se por ajudar a transformar aquela situação, tornando-se parceira fiel na contribuição. Enviava recursos e oferecia cursos, para as mães mudarem de situação. Elas já não precisavam só de pão. Era necessário aprender a ganhálo, para não terem de voltar para o lixão. á fazem dezesseis anos que a mulher chegou àquela região. A terra continua vermelha, e o reino continua pobre; mas lá já não há mais o lixão. As crianças encontraram amor, carinho e refeição. E graças a nobreza do coração daquela mulher, e sua imensa dedicação, elas agora podem sonhar. Nos olhinhos miúdos, ofuscados pela dor e privação, já vê-se um pequeno brilho, um lampejar de emoção. Bons sonhos, crianças. Sonhem que podem ser vencedores, pois vocês já o são.

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textos e foto: Raquel Henrique ce cursos de informática e inglês, além de aulas de judô e música. Hoje também envia médicos, quizenalmente, e dentista, mensalmente, para acompanhar as crianças. “Nosso trabalho é de muita carência, e toda ajuda é bem-vinda”, diz Tia Lora, ao informar que a maior necessidade do projeto é de voluntários, já que a equipe fixa é composta de apenas cinco pessoas. O sonho de Maria Aparecida, que, em 2012, completa 6o anos, é conseguir educadores que atuem no local para que as crianças tenham também educação de qualidade, além da alimentação e lazer que já recebem.


Vício colorido Eles não vieram apenas para pintar unhas, mas também para movimentar a economia por meio de coleções Raquel Malheiros

Eles são charmosos, versáteis, estão disponíveis numa grande variedade de cores, são práticos e fáceis de ser usados, fazem a cabeça da mulherada e, até mesmo, de alguns homens. Já sabem de que estamos falando? Não? Vamos a mais uma dica: o que lhe vem à cabeça ao ler os nomes dos seguintes famosos: Reinaldo Lourenço, Isabeli Fontana, Tom Ford e Dior? Você que já adivinhou, parabéns, mas para as pessoas que ainda estão em dúvida, vai aí a resposta: os queridinhos do momento são os esmaltes. Esses vidrinhos estão invadindo cada vez mais o mundo fashion tendo suas coleções assinadas por grandes estilistas, modelos e atrizes nacionais e internacionais. Novidades Mas não são só os nomes famosos nos vidrinhos que fizeram com que a venda de esmaltes tenha aumentado nos últimos anos. A tecnologia que permite cores diferentes, efeitos 3D, flocados, craquelados, holográficos e foscos também estão ajudando a reposicionar o cosmético no mercado brasileiro. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Higiene, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), nos últimos três anos, o faturamento no Brasil foi de R$ 300 milhões. Um dos motivos dessa receita foi o aumento do número de coleções lançadas ao longo de cada ano. Os fabricantes do produto já não se contentam apenas com as coleções de primavera/verão e outono/inverno, que podem ter de 4 a 12 esmaltes; agora lançam coleções que homenageiam as pedras preciosas brasileiras, raças de cães ou desenhos animados. No Espírito Santo, o consumo desse novo “hit fashion” também movimenta as lojas especializadas. As mulheres, ávidas por novidades, estão atentas a

todos os lançamentos nacionais ou internacionais. Em algumas lojas, como na ‘MaisBella Cosméticos’ e na ‘Esmalteria’, é possível encontrar várias novidades. A quantidade de vidrinhos de esmalte de cores, tamanhos e efeitos diferentes é imensa. A proprietária da loja MaisBella, Brunella Ribeiro, fala que agora precisa “ficar antenada nos lançamentos, pois, nos dias de hoje, o esmalte vem ganhando espaço no mercado e nos gostos de suas consumidoras”. O número de sites e blogs que tratam do assunto é enorme, as atualizações são feitas quase que diariamente. Rhelva Regina, dona da Esmalteria, também considera o esmalte um acessório: “Grande parte das minhas clientes escolhem a cor do esmalte para combinar com a roupa que vão usar ou com a maquiagem que irão fazer”, informa. As novidades do mundo dos esmaltes são tantas e tão rápidas que, segundo Brunella, é necessário repor a mercadoria na prateleira toda semana. Ela também diz que, por mês, a média de vidros vendidos é de 5 mil. E para manter um público fiel e assíduo, a loja mantém uma página no facebook, sempre atualizada e com informes para as amantes desses vidrinhos. Na ‘Esmalteria’ também há reposição diária da mercadoria para manter as consumidoras sempre próximas.

Clube do esmalte O esmalte já virou mania e até ganhou um clube, composto de mulheres com idades entre 16 e 25 anos, que se reúnem desde o carnaval deste ano para trocar ideias e até mesmo esmaltes. Cristiane da Vitória, organizadora da turma, disse que os encontros foram planejados quando percebeu que todas as mulheres estavam fazendo as unhas em vez de aproveitar o feriado de carnaval. Atualmente, as reuniões viraram uma espécie de ritual sagrado, em que todas podem pintar ou decorar suas unhas à vontade. Algumas até chegam a trocar a cor mais de uma vez no mesmo dia, como é o caso de Adriana Carvalho. Ela confessou que, faltando alguns meses para o seu casamento, já busca entre uma e outra tonalidade a ideal para o grande dia. Você pode até pensar que essa mulherada toda busca economizar, mas, a verdade é outra. Nada de poupar quando o assunto é ficar bonita. A coleção, composta por mais de 500 frascos, apresenta esmaltes que variam de R$ 2,50 a R$ 32 reais. Isso quando o esmalte não é importado. Neste caso, o valor pode chegar até 30 dólares.

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Rafael Venuto e Carina Couto Imagine a seguinte situação: você, com apenas 12 anos de idade – o auge da sua adolescência, quando as paixões joviais e a vontade de ser popular falam mais alto -, acorda atrasado para ir à escola e, como de costume, decide tomar um banho para mandar embora todo o sono. De repente, ao se olhar no espelho, você se depara com centenas de fios de cabelos brancos. Instintivamente, você puxa alguns com a pinça ou, até mesmo, dá uma disfarçada com um boné. Mas, na verdade, mesmo tentando esconder, a partir desse momento você deve se conformar com o novo visual que, para alguns, pode ser tranquilo, mas para outros, pode trazer um sentimento difícil: a perda da autoestima. Essa situação pode parecer distante para alguns, mas, há oito anos, foi vivida pelo estudante Rouston Araújo. Hoje, com apenas 20 anos, 90% do seu cabelo é branco. “Quem iria querer ter cabelos brancos na pré-adolescência? Provavelmente, ninguém, não é mesmo? Já tentei pintar, mas, hoje, aceito com total naturalidade”, explicou. As pessoas que o ouvem, hoje, falando com essa tranquilidade, não sabem os momentos de tristeza que já passou por causa dos seus colegas de turma. “Na escola, eu era alvo de piadinhas, mas, com o tempo, passei a ignorá-las”, respondeu. Ainda que alguns comentários o deixem desapontado, grande parte das pessoas da rua onde mora pedem que Rouston continue grisalho. A cor do cabelo de Rouston não o deixa constrangido para com as meninas namorar ou o privam de boas noitadas. oA˜ “Sinceramente, os flertes até gostam e pedem para continuar com o look”, conta com certo maio 2012

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Ser careca ou ter cabelos brancos não são mais características dos idosos Carina Couto e Rafael Venuto entusiasmo, lembrando que, “cabelos brancos em garotos da sua idade, de certa forma, chamam muita atenção. O jeito, então, é usar roupas com cores claras e estampas básicas”. Nem branco, nem loiro, nem ruivo... Os cabelos brancos não são o único problema que afeta alguns jovens. A calvície também traz preocupação para muitos deles. Algumas pessoas podem achar um charme, outras, por influência de seus ídolos, - como Ronaldinho Fenômeno ou Thiaguinho, ex- Exaltassamba -, podem aderir ao estilo careca, mas, para um determinado grupo, a falta de cabelos é fonte de muito nervosismo. Quem sabe muito bem o que é viver esse problema é o publicitário Thiago Sotero, 26 anos. Parte do seu cabelo começou a cair quando ele estava com 20 anos. “A princípio, minha autoestima estava em baixa, mas, a partir do momento em que parei de me martirizar, percebi que o problema não era tão grande assim e, consequentemente, parei de pensar no assunto” revelou. Ele destacou que já tomou remédio contra queda de cabelo, todavia, com resultados pouco satisfatórios, decidiu assumir de vez a falta de cabelos. “Hoje, levo a alteração numa boa. Meu irmão, ao contrário de mim, é muito vaidoso e passa vários produtos no cabelo a fim de evitar a calvície”, revelou Thiago que logo brincou com a situação: “Se nada der certo eu raspo a minha cabeça igual ao Kelly Slater e pronto”. A presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia do Espírito Santo, Telma Lúcia Serra Guimarães Macedo, esclarece que o aparecimento dos fios claros está ligado à genética familiar. “Se, ainda novo,

seu pai ou sua mãe tiveram cabelos brancos, pode ter certeza que você também herdará essa característica física, uma vez que está ligada aos hormônios sexuais, que estimulam ou controlam o desenvolvimento e a manutenção das características peculiares de homens e mulheres”. Telma afirma ainda que não há resolução para o problema dos cabelos brancos. “A opção para quem não quer que os cabelos grisalhos apareçam tão cedo é utilizar a tintura para cabelos, mesmo”, recomenda. A calvície também é causada pela hereditariedade. “Além disso, gravidez, estresse físico e psíquico, regimes alimentares rigorosos, tratamento de anemias ou de dengue e o uso de anabolizantes, cigarro e álcool podem agravar o problema”, informou a médica. A perda de cabelo não é exclusividade de homens. Mulheres também estão sujeitas a esse tipo de problema. “Cabelos fracos e linhas divisórias muito evidentes são indícios que elas terão perda de cabelo”, pontuou Telma. A dermatologista faz, ainda, um alerta sobre chapéus: “Tomem muito cuidado com esse tipo de acessório, principalmente quem tem o cabelo oleoso. O uso pode diminuir a circulação de ar na área e abafar o couro cabeludo, enfraquecendo, assim, a raiz do cabelo”, alertou a dermatologista. Mas nem tudo está perdido. Medicamentos como Finasteride e Dutasterida podem ajudar a retardar a queda de cabelos. “A automedicação não é uma boa saída, porque cada paciente tem um caso diferente. Por isso, é importante que ele vá ao médico e siga as orientações passadas por ele”, finalizou.

Yuri Barichivich

Coisa de velho? que nada!


Exercícios simples podem nos deixar mais calmos, espertos e inteligentes Rebeca Santos

Yuri Barichivich

Ginástica cerebral

A bióloga e estudante de fonoaudiologia Lara Mello, de 20 anos, é taxativa. “A única ginástica cerebral que eu conheço é o estudo. Basta estudar todo dia por pelo menos uma hora por dia que a pessoa exercita o cérebro.” Lara não está errada, mas existe uma teoria que pode propiciar aos simples mortais a possibilidade de serem tão inteligentes como Albert Einstein. Carlos Maurício Prado, engenheiro civil e especialista em Ginástica Cerebral, é quem faz tal afirmação. De acordo com o estudioso, podemos expandir a capacidade de utilização do nosso cérebro com 32 exercícios diferentes, cada um com uma finalidade. Há exercícios para melhorar a habilidade em matemática, diminuir o estresse, aumentar a concentração, facilitar o aprendizado de línguas e até mesmo dirigir melhor. Diz a lenda que o mais memorável físico da história e responsável pela teoria da relatividade, Albert Einstein, utilizava cerca de 10% da capacidade do seu cérebro. Pessoas normais, com QI mediano, chegam a disfrutar de apenas 3% ou 4% de suas massas cerebrais. Um dos objetivos da ginástica é aumentar essa proporção. Outro objetivo da série de exercícios é fazer com que os dois hemisférios do cérebro - em que o direito é responsável pelo lado criativo e emocional, enquanto o esquerdo concentra a parte lógica e racional - funcionem em harmonia e estimulem a intuição. A principal dica de Carlos Maurício para melhorar nossa capacidade de concentração é simples. “Beba água, principalmente ao levantar pela manhã”, garante. A hidratação do cérebro é muito importante para que tudo funcione bem no corpo, como afirma o especialista. Depois, parte-se para o principal exercício: a massagem no lobo temporal. Cada um deles demora apenas um minuto para ser realizado, sempre com as duas mãos. A massagem funciona da seguinte forma, como explica Carlos Maurício Prado: “Usando os dedos indicador e o médio, massageie o centro da testa, acima dos olhos, a meio caminho entre a sobrancelha e a raiz do cabelo. Faça uma massagem suave, de olho aberto ou fechado, não importa. O sentido da massagem pode ser horário ou anti-horário. Durante um minuto você estará ativando pontos da acupuntura que são neurovasculares.” O especialista afirma que esse exercício desenvolve a inteligência, concentração, memória, criatividade, planejamento e bom humor, além de eliminar a sensação de que temos uma informação na ponta da língua e não conseguimos proferi-la. Os exercícios que Carlos Maurício propõe são voltados para vários tipos de profissionais, como professores, músicos, empresários e também para crianças e adolescentes. Todos eles estão disponíveis em livros que ele disponibiliza em seu site, por valores que variam entre R$ 10 e R$ 40. Liberta dos preconceitos, Lara Mello quer experimentar os exercícios. “Não custa nada, é simples e tudo que vem pra ajudar, eu aceito.”, afirma a estudante.

Ginástica cerebral pelo Brasil

Sites:

www.ginasticacerebral.com www.metodosupera.com.br

Por meio de oficinas, muitas vezes gratuitas, ministradas em várias cidades, Carlos Maurício Prado ensina as técnicas de aprimoramento cerebral. Ele esteve em Vitória nos dias 12 e 14 de abril, e lotou o auditório de um hotel no Bairro República de interessados em ampliar a capcidade cerebral. No ES, existe ainda o Método Supera, serviço localizado no Bairro Mata da Praia. A franquia paulista também está oA˜ sendo implantada em Linhares e e já conta com 78 unidades em vários estados brasileiros.

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Jovens apostam na Lusofonia Larissa Gouveia e Savya Alana

Mais do que partilhar um passado de favores e deveres, Portugal e suas antigas Colônias compartilham o idioma e várias heranças culturais. É solo fértil para o despontar de jovens empreendedores ávidos por fazer acontecer, mas parece que esta oportunidade está passando despercebida pelo capixabas. Com a Lusofonia - conjunto político-cultural dos falantes de língua portuguesa – os horizontes que distanciam essas nações ficam mais próximos possibilitando aos jovens de Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, Moçambique, Timor Leste, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe, realizarem empreendimentos econômicos e sociais, trocando experiências e expandindo seus negócios.

Iniciativas capixabas No Espírito Santo, as sementes do empreendeddorismo andam um tanto adormecidas. “O Espírito Santo é um estado com um enorme potencial a ser explorado, porém, para isso, é preciso de que nós, capixabas, tomemos a iniciativa de empreender, seja na esfera política, social ou empresarial.” afirma Thiago Lacourt, presidente da Cindes Jovem, Centro da Indústria Jovem do Espírito Santo, e criador da Sambaclub, empresa que

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Empreender requer muita criatividade e pesquisa, tomar conhecimentos das diversidade econômica e de como os colegas lusófonos superam crises e limitações; é um ótimo caminho para expandir horizontes e se inspirar. O estudante de Jornalismo, Rafael de Freitas, 20 anos, já esteve em Portugal e constatou que a crise tem exigido dos portugueses muito jogo de cintura para sobreviver à escassez de empregos. Rafael, que está na graduação, ainda não é empreendedor, acredita que os jovens daqui têm ótimas idéias, mas não sabem como concretizá-las. “Muitos desistem no meio do caminho ou nem tentam se inserir no mercado, porque falta alguém para ensinar como começar algo mais independente”, explica. Para auxiliar nesse upgrade que falta ao estado, a Confederação Nacional dos Jovens Empresários (Conaje), o Cindes Jovem e a Federação Capixaba dos Jovens Empreendedores (Fecaje) trazem ao Espírito Santo de 30 de Maio a 1° de Junho o 2º Congresso do Empreendedor Lusófono, após o sucesso da primeira edição realizada em Portugal, em 2011.

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reúne designers cujas obras são estampadas em camisetas.

Encontro Lusófono O Congresso tem como objetivo aproximar empreendedores e proporcionar novas trocas comerciais que impulsionem a diversidade econômica das oito nações reunidas “Para acadêmicos, é uma oportunidade de trocar ideias com pessoas de outros países e visualizar oportunidades em empresas nacionais e internacionais. Para quem já está no mercado, é o momento de negociar e firmar parcerias” avalia Júlio César Vasconcelos, coordenador geral do Congresso. Os interessados em empreender no estado contam com o apoio de instituições como a Fecaje e o Cindes Jovem, entidades sem fins lucrativos e com adesão livre.Outro evento para colocar na agenda é a Semana Global do Empreendedorismo, realizada anualmente no mês de novembro. Este ano, acontecerá entre os dias 12 a 18, com a participação de 120 países em parceria com organizações que promovem atividades em várias cidades. Outro evento para colocar na agenda, é a Semana Global do Empreendedorismo que é realizada anualmente no mês de novembro. Este ano, entre os dias 12 a 18, onde serão realizadas diversas atividades a fim de inspirar, capacitar e conectar empreendedores. Os interessados em empreender aqui no Estado contam com o apoio de instituições como a Federação Capixaba de Jovens Empreendedores (Fecaje) e o Cindes Jovem.

Eventos 2º Congresso Internacional do Empreendedor Lusófono 30 de maio a 1º de junho de 2012, Centro de Convenções de Vitória, www.congressolusofono.com Semana Global do Empreendedorismo 12 a 18 de novembro, www.semanaglobal.org.b


Conferindo palavras

tecnologia

Estar conectado o tempo todo, fazendo trabalhos e interagindo com pessoas traz dúvidas de como escrever certos termos. Quem preza pelo bom português sempre confere grafias e utiliza a internet como meio de encontrar respostas para as dúvidas da língua. Um bom dicionário é insubstituível. Outra alternativa é jogar palavras no Google e conferir os resultados em busca do termo correto. Há inúmeros sites que oferecem informações sobre aspectos da nossa língua.

Will Morais

Alguns dicionários contam com sites para que sejam realizadas consultadas online, como o Michaelis (www.michaelis. uol.com.br). Há também os colaborativos, como o Dicionário Informal (www.dicionarioinformal.com.br), em que os próprios usuários contribuem com um banco de dados da língua. Há também o Ortografa (www.ortografa.com.br), um site interessante para conferir se você está realmente escrevendo tudo de acordo com a última reforma ortográfica.

Traçando rumos

Quem não gosta de se perder, adora conhecer novos lugares e ficar por dentro das melhores rotas da cidade, pode utilizar a internet como aliada. O Google Maps (www.maps.google. com.br) é uma ferramenta poderosa para você se localizar não só no seu bairro, mas no mundo inteiro. Experimente buscar por um lugar conhecido ou uma avenida, e, até mesmo, visualizar onde você mora. É possível até traçar rotas de como chegar em destinos pouco ou nada conhecidos. Para os usuários de smartphones, o Google Maps pode ser uma boa alternativa para localização em tempo real. Também há o Google Latitude (www.google.com/latitude), uma opção bem interessante para visualizar no mapa a localidade atual em que seus amigos se encontram.

Álbuns online

Atualmente, quem revela e guarda suas fotos prediletas? Com todos os recursos digitais, a baixa oferta de materiais de fotografia analógica e a falta de tempo, essa prática foi abandonada pela maioria das pessoas. Então, onde armazenar todos esses arquivos de maneira segura e organizada? A solução está na rede. Sites na internet oferecem serviços gratuitos para que você reúna todo o seu acervo fotográfico. Uma alternativa é criar álbuns privados nas redes sociais, como Facebook e Google+, mas também existem sites mais específicos para se realizar essa tarefa. Um dos priemiros criados foi o Flickr (www.flickr.com), do Yahoo, que oferece um bom serviço de armazenamento e compartilhamento de imagens. Mais recentemente surgiu o Pinterest (www.pinterest.com), uma nova rede social que trabalha com a criação de murais virtuais. Como é uma novidade, para acessá-la é necessário solicitar um convite ou pedir que algum usuário lhe envie um.

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Disco

O Mundo Encantado do Ultraje a Rigor, 1992

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Humor inteligente e música com conteúdo é o que as canções do Ultraje a Rigor oferecem. Quem já curtiu o som da banda sabe bem que “Os Mamonas” tiveram em quem se inspirar. Se você está a fim de sair rindo sozinho com o fone de ouvido por ai, te aconselho a ouvir “O Mundo Encantado do Ultraje a Rigor”. A coletânea reúne vinte das melhores músicas desde 1983, ano do primeiro LP da Banda, e algumas delas com uns porquês bem interessantes. É o caso de, Vamos Virar Japonês, que foi censurada na época por ser uma crítica a influência americana no mundo, com a participação dos cantores de música sertaneja de raiz Tonico e Tinoco. “Nós Vamos Invadir Sua Praia” contou com a participação do sambista Neguinho da Beija-Flor e da bateria da mesma escola. Outra canção que também foi incrementa a “La carnaval foi Marylou”, que foi incluída em sua versão marchinha. A discografia da banda está disponibilizada online em www.ultraje.com.

Persepolis, 2007 Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud

Vermelho, 2012 Aline Dias

Vermelho é uma boa pedida para esquentar dias ou ânimos frios. A obra é uma novela erótica dividida em 31 capítulos, reunidos em 82 páginas, publicadas pela Editora Cousa. A narrativa conta a vida de Giordano, um tradutor-fantasma de 36 anos, homem de projetos inacabados e paixões mal resolvidas, atormentado por sonhos com a Esfinge de Tebas e apaixonado por sua editora. No entanto, acaba por se envolver com a filha dela. Em paralelo aos romances da vida, ele tenta escrever outra ficção, seu primeiro livro assinado. A autora desses momentos de prazer é Aline Dias, jornalista e escritora, adivinha de onde? Cachoeiro de Itapemirim, cidade de ninguém menos que Rubem Braga. Quem gosta de leitura online, pode conferir a publicação através do endereço www.portalyah.com/vermelho, pois o livro foi publicado primeiro como um folhetim online. Já quem prefere apalpar - o livro e não o Giordano - pode adquirir a obra no site da editora ou nas principais livrarias da ilha.

››› Savya Alana

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Livro

››› Savya Alana

Persepolis é uma animação francesa de 2007, baseada no romance gráfico autobiográfico homônimo de Marjane Satrapi, dirigida também por Vincent Paronnaud, que resgata as memórias de juventude de Satrapi no Irã pré e pós-revolucionário. O filme conta a história da jovem Marjane, de uma família de intelectuais de esquerda que sofreram a ditadura e a vitória dos revolucionários islâmicos. A narrativa dos quadrinhos foi mantida no filme e conferiu às problemáticas uma delicadeza admirável. A avó de Marjane é uma personagem encantadora, fonte de humor e orientação moral. É um alívio para os momentos de tensão e pelo retrato do período intolerante e supersticioso, intensificado por imagens em preto e branco com escalas de cinza. Persepolis foi escolhido pelo governo francês para representar o país na disputa ao Oscar de melhor filme estrangeiro, e escolhido na categoria de Melhor Filme pela organização da 31° Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.


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Revista Laboratório Primeira Mão, Maio/2012 - Curso de Comunicação/Jornalismo - UFES

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