MagMisericórdia N.º 19

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REVISTA GRATUITA - Nº 19 - JUNHO 2022

ENTREVISTA

CARLA MADEIRA MISERICÓRDIA A MARCHAR MAIS SEGURANÇA EM SANTA CATARINA


ÍNDICE

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EDITORIAL

3 A MISERICÓRDIA É LINDA!

TEMA DE CAPA

4 AS FESTAS DO NOSSO CONTENTAMENTO 5 MISERICÓRDIA A MARCHAR

ESPAÇO PÚBLICO

ENTREVISTA A CARLA MADEIRA

ENTREVISTA

INTERVENÇÃO SOCIAL E CIDADANIA

6 PRAÇA DAS FLORES 7 JARDIM DO PRÍNCIPE REALTEM NOVO MANTO VERDE 7 REQUALIFICAÇÃO DAS ESCADINHAS DA ARROCHELA

8 CARLA MADEIRA

17 ENSAIO GERAL DA ÓPERA “FAUST” COM CONVIDADOS ESPECIAIS 17 LIBERDADE, IGUALDADE E INCLUSÃO

EDUCAÇÃO

12 ASSOCIAÇÃO DE PAIS DA ESCOLA PASSOS MANUEL 14 HÁ ARTISTAS NO PASSOS 14 JI DAS GAIVOTAS APRENDE A ANDAR DE BICICLETA

CULTURA

18 MUITO LIVREMENTE 20 EXPOSIÇÃO “AS PORTAS QUE ABRIL ABRIU” 20 CURSO DE INICIAÇÃO À FOTOGRAFIA

PARTICIPAÇÃO

15 1ª ASSEMBLEIA DAS CRIANÇAS DE LISBOA 16 MISERICÓRDIA FEZ-SE OUVIR NA ASSEMBLEIA MUNICIPAL

DESPORTO

21 ATLETAS DA MISERICÓRDIA REGRESSAM AOS TORNEIOS 21 MISERICÓRDIA NO CAMINHO DA MEIA MARATONA DE LISBOA

SEGURANÇA

FICHA TÉCNICA

22 VIDEOVIGILÂNCIA NO MIRADOURO DE SANTA 22 “COMÉRCIO SEGURO” PSP REFORÇA SENSIBILIZAÇÃO

Propriedade: Junta de Freguesia da Misericórdia Largo Dr. António de Sousa de Macedo, 7 D, 1200-153 LISBOA Direção: Carla Madeira Redação: Gabinete de Comunicação da JFM Fotografia: Junta de Freguesia da Misericórdia Produção: Expocertame - Publicidade e Design Lda. Paginação e Produção Gráfica: Expocertame - Publicidade e Design Lda. Tiragem: 11 000 exs. Depósito Legal: 409793/16

MISERICÓRDIA / JUNHO 2022

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EDITORIAL

A MISERICÓRDIA É LINDA! A alegria de voltar a viver a nossa cidade, todos juntos, neste mês de Lisboa, era tudo o que precisávamos depois dos anos tão difíceis que vivemos. Nos bairros, nas ruas, nos arraiais, o entusiasmo e a energia são contagiantes. Na nossa histórica Freguesia, vivemos com particular intensidade os meses de ensaios e preparativos e, em grande festa, todos os dias de junho. Celebramos o Santo António e unimo-nos em torno desta riquíssima cultura popular que herdámos e jamais deixaremos esmorecer. É também com grande alegria que lhe apresento esta renovada edição da revista da Misericórdia. Neste número 19, inauguramos uma nova etapa desta publicação, assumindo a ambição de a abrir a todos os que vivem e fazem do nosso território a sua “casa”. Não faltarão reportagens sobre os nossos bairros, as nossas escolas, as nossas associações, o nosso comércio, as nossas pessoas. Nem entrevistas aos que pensam, escre-

vem, cantam, trabalham e vivem os nossos bairros. Nem artigos sobre as decisões, projetos, obras e atividades da Junta e dos parceiros que promovem a cultura e o desporto, a economia local e o património, a educação e intervenção social. Neste arranque, eu própria, em entrevista, lembro as grandes linhas de atuação e prioridades para este mandato. A Revista da Misericórdia é uma publicação de informação generalista, que pretende informar e envolver os fregueses na vida da Freguesia, contribuindo para uma cidadania informada e interveniente, contando com o apoio e crítica de todos os que vivem o nosso território. Desejamos que a leitura vos agrade e agradecemos, como sempre, a melhor colaboração.

Carla Madeira, Presidente da Junta de Freguesia 3

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TEMA DE CAPA AS FESTAS DO NOSSO CONTENTAMENTO

Depois de dois anos sem Festas, é com entusiasmo acrescido que as coletividades da nossa Freguesia estão a viver os preparativos para este mês de Santo António, que tanto nos anima. O regresso, tão aguardado pelos lisboetas, mas sobretudo por aqueles que, nos bairros de Lisboa, vivem com intensidade a organização das marchas e dos arraiais populares, foi anunciado em fevereiro e desde então que marchantes, padrinhos e artistas – os grandes protagonistas destas MISERICÓRDIA / JUNHO 2022

tradições – não param. Na nossa Freguesia, até a Marcha Sénior e a Marcha Infantil não têm tido mãos a medir para brilhar nos momentos de apresentação. Comerciantes e populares desfrutam do melhor dos arraiais. A sardinha é rainha na mesa, bebidas frescas não faltam, o caldo-verde e o arroz-doce estão melhores que nunca. A música é uma constante nas ruas do bairro e os bailaricos são do agrado de todos. Viva a Misericórdia! Viva Lisboa!

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TEMA DE CAPA MISERICÓRDIA A MARCHAR Assim que a Câmara de Lisboa anunciou a intenção de retomar o desfile na Avenida, Bairro Alto e Bica acorreram a recuperar os figurinos pensados para as Marchas de 2020, a redecorar os arcos, a ensaiar as coreografias, retomando os temas nos quais já tinham investido quando tudo foi suspenso pela pandemia. A EGEAC manteve o tema das Festas – os 100 anos do nascimento de Amália Rodrigues – e as despesas já feitas, em materiais e músicas, são agora rentabilizados pelas coletividades. No Lisboa Clube Rio de Janeiro, a coletividade organizadora da Marcha do Bairro Alto, há mais de 100 pessoas envolvidas, incluindo marchantes novos. Além dos 50 habituais (24 pares previstos no regulamento mais um par suplente), das duas mascotes e do padrinho e madrinha, salvaguardou-se a substituição de potenciais pares infetados por Covid-19 com mais suplentes. Vítor Silva, à frente da coletividade há mais de 30 anos, está confiante de que tudo vai correr bem e “que o Bairro Alto

ganhe o primeiro lugar”. Boa sorte, Bairro Alto! A Marcha da Bica, em ensaios desde abril no Liceu Passos Manuel, lá foi juntando os marchantes necessários, mesmo que alguns não sejam residentes no bairro, todos têm vivências no território. O coordenador da Marcha, Pedro Duarte, diz que “o mais importante é amar as marchas e garantir que os jovens continuam ligados a esta tradição”. A média de idades está acima dos 25 anos, mas há gente mais nova e os mais velhos têm pouco mais de 40 anos. A organização é do Marítimo Lisboa Clube, que fomenta de todas as formas o convívio entre os marchantes. O ensaiador é Américo Silva, a madrinha é a fadista Joana Amendoeira e o padrinho o escritor Tiago Torres da Silva. As músicas são da autoria de Renato Júnior e Miguel Ramos e os figurinos foram desenhados pelo estilista Dino Alves. Vencer as Marchas, o que já aconteceu por sete vezes mas não se verifica desde 2003, é o sonho de todos. Força, Bica!

OS NOSSOS ARRAIAIS Corpo Nacional de Escutas, Agrupamento 48 Santa Catarina

Cardinal Boémio, Associação Cultural Recreativa

Marítimo Lisboa Clube

Arraial da Misericórdia Junta de Freguesia da Misericórdia

Espaço do Olival, Calçada do Combro junto Igreja de Stª Catarina

Largo de Santo Antoninho, Rua dos Cordoeiros

Calçada da Bica Grande, Beco dos Arciprestes, Travessa do Cabral

Jardim S. Pedro de Alcântara.

Dias: 2, 3, 4, 5, 9,10, 11,12, 13, 15, 16, 17, 18, 19, 23, 24, 25, 26, 30

Dias: 2, 3, 4, 5, 9,10, 11,12, 13, 15, 16, 17, 18, 19, 23, 24, 25, 26, 30

Dias: 2, 3, 4, 5, 9,10, 11,12, 13, 15, 16, 17, 18, 19, 23, 24, 25, 26, 30

Dias: 1 a 30 de junho. (ver programa contracapa)

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ESPAÇO PÚBLICO PRAÇA DAS FLORES REQUALIFICAÇÃO NOMEADA PARA PRÉMIO EUROPEU

A obra de requalificação da Praça das Flores e envolvente foi nomeada para a edição de 2022 do ‘European Prize for Urban Public Space’, um importante evento bianual que distingue as melhores intervenções de criação e transformação nos espaços públicos das cidades europeias. O projeto, desenvolvido em 2020 pelo Ateliermob para a Junta de Freguesia da Misericórdia, visava sobretudo melhorar as acessibilidades, alargando as zonas de passeio e passagens de peões, sem alterar o desenho original do Jardim Fialho de Almeida e a imagem consolidada da Praça das Flores. A obra melhorou as condições de mobilidade circundante à praça central e o atravessamento nas passadeiras de peões adaptadas entre a Praça das F l o re s , a R u a d a Pa l m e i r a e a R u a d e S . M a rç a l , e compreendeu uma pequena intervenção na Rua Marcos Portugal, junto ao Largo Agostinho da Silva, criando novos e mais seguros espaços pedonais. Recorde-se que a Junta de Freguesia também executou obras de reabilitação do lago central da Praça, datado de 1859, no âmbito de um outro projeto de recuperação do património ligado à água, que inclui todas as bicas, lagos e chafarizes da freguesia. O bonito e charmoso Jardim Fialho de Almeida continua assim a ser um dos melhores locais da freguesia para relaxar, viver o ambiente de bairro no centro da grande cidade e desfrutar do quiosque, esplanadas e restante comércio, que se tem renovado para oferecer boas experiências gastronómicas, culturais e locais de convívio.

O PRÉMIO EUROPEU PARA O ESPAÇO PÚBLICO URBANO Promovido pelo Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona (CCCB), o ‘European Prize for Urban Public Space’ funciona como um espaço de discussão sobre os desafios do espaço público urbano, em colaboração com instituições europeias de grande notoriedade no domínio da arquitetura e da cultura urbana. Ao longo de dez edições e 22 anos de história, avaliou 2.206 intervenções e atribuiu 19 Prémios Europeus para o Espaço Público Urbano e 35 menções honrosas. MISERICÓRDIA / JUNHO 2022

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ESPAÇO PÚBLICO JARDIM DO PRÍNCIPE REAL TEM NOVO MANTO VERDE Depois das obras de requalificação integral da rede de rega dos espaços ajardinados, concluída em março, a Junta de Freguesia da Misericórdia procedeu à colocação de novo relvado nos talhões do Jardim França Borges, mais conhecido por Jardim do Príncipe Real. Após a consolidação do tapete natural, e para que seja mantida a sua beleza, a Junta de Freguesia apela aos visitantes e utilizadores que façam bom uso do jardim. Não deixando de desfrutar do renovado espaço, pede-se que não o sujeitem ao contacto com dejetos e urina, pois só assim será segura a sua utilização por parte de todos e estará assegurada a saúde e durabilidade das plantações.

REQUALIFICAÇÃO DAS ESCADINHAS DA ARROCHELA Situadas na Travessa da Arrochela, uma das mais visitadas da cidade que nos leva até à Assembleia da República, as escadinhas da Arrochela são utilizadas por muitos moradores e visitantes da freguesia da Misericórdia, o que contribui para o desgaste dos degraus e lancis, comprometendo a mobilidade pedonal. Por essa razão, a Junta de Freguesia da Misericórdia procedeu à sua requalificação colocando piso antiderrapante e substituindo os lancis de calcário por lancis de granito, mais aderentes e resistentes. A intervenção, que englobou também a reparação dos bancos existentes no local e a melhoria dos corrimãos, foi realizada pela brigada de obras da Junta, com recurso a fundos próprios. 7

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CARLA MADEIRA

PRESIDENTE JUNTA DE FREGUESIA DA MISERICÓRDIA MISERICÓRDIA / JUNHO 2022

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ENTREVISTA AS RESTRIÇÕES AO ALOJAMENTO LOCAL EQUILIBRAM A LISBOA TURÍSTICA E A CIDADE DOS LISBOETAS

e comerciantes. Houve silêncio, não havia atividade noturna, não havia lixo, … Agora, estamos a voltar ao passado com problemas novos. Já não há limitações, os negócios estão todos a retomar e a cidade está cheia de visitantes. Os moradores sabem que morar no Bairro Alto ou no Cais do Sodré não é igual a morar no campo, mas não significa que os moradores não tenham direito ao descanso. Por isso, começámos outra vez a lembrar a importância de cumprir os regulamentos. As esplanadas que foram autorizadas e outras mudanças no espaço público mantém-se? Nas fases dos desconfinamentos, foi muito importante tomar medidas para apoiar os comerciantes, como autorizar esplanadas que compensavam as limitações na lotação das salas de refeições. Criou-se a ideia de que isto seria para sempre e alguns dos comerciantes e visitantes acham que ainda podem estar na rua, como antes. Nesse aspeto, podemos dizer que estamos piores do que antes porque os níveis de ruído agravaram-se. Houve situações de abuso e total desrespeito pelos moradores, que foram várias vezes notícia nos meios de comunicação social. Portanto, agora que os estabelecimentos já não têm limitações, algumas esplanadas estão a ser retiradas. É preciso relembrar que foi uma medida provisória e fazer cumprir o regulamento municipal para disciplinar o uso do espaço público. Temos apelado à Câmara e à Polícia Municipal que façam cumprir o regulamento, sobretudo nos estabelecimentos com música, que têm que voltar a estar de porta fechada a partir das 23h.

A cidade parece estar a voltar ao registo anterior à pandemia. O turismo regressou, o dinamismo económico também, bem como os constrangimentos no trânsito, os problemas com a recolha do lixo, etc. Como está a Junta de Freguesia a gerir este regresso ao “normal”? O período da pandemia foi, de facto, extremamente difícil e desgastante para a cidade e para as autarquias. Aqui, as atividades económicas, muito dependentes do turismo, pararam, a restauração fechou, os empresários tiveram dificuldades em sobreviver, fomos todos mandados para casa, mas na Junta de Freguesia houve pessoas que trabalharam muito, ainda mais do que antes. Foi preciso acorrer às pessoas idosas, ajudar a combater a solidão, cuidar, levar comida e medicamentos a casa de muitas pessoas que não tinham outra forma de os obter. Fomos uma família para os nossos fregueses e eu gostava muito que a cidade nunca esquecesse. Eu já agradeci muito aos trabalhadores e não vou esquecer o trabalho que todos, também os eleitos, aqui fizemos. Na Misericórdia e em todas as freguesias da cidade e na Câmara Municipal. A Câmara e as Juntas uniram-se para proteger a cidade e as pessoas com uma determinação singular. “Lisboa Protege” era o mote e foi mesmo isso que fizemos. Agora, nesta fase, já estamos vacinados e muito mais protegidos do vírus, mas no início não era assim e nós não deixámos de fazer nada que fosse preciso.

O aumento dos resíduos produzidos também já se verifica. Sim, já há acumulação de lixo em alguns locais, falham muitos circuitos de recolha, o que aumenta o trabalho das Juntas e os nossos recursos financeiros são limitados. Mas as Juntas de Freguesia recebem uma parte da taxa turística para compensar os efeitos da pressão adicional dos turistas nos serviços e infraestruturas, uma receita importante para garantir a limpeza do centro histórico Sim, mas desde o início do mandato, em outubro, que ainda não foram transferidas essas verbas da taxa turística para as Juntas melhorarem a higiene urbana. No caso da Misericórdia, são 477 mil euros que estão em dívida. Temos usado orçamento próprio, a nossa almofada financeira conseguida com a boa gestão dos ultimos anos.

Que lições podemos tirar da pandemia para melhorar o funcionamento da cidade? Houve consequências boas da pandemia, que já estão esquecidas, como a acalmia do ruído. Os moradores não querem um silêncio sepulcral e nunca foram contra o comércio, mas é precisa uma coexistência pacífica entre moradores 9

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ENTREVISTA Neste momento, quero acreditar que esse problema se resolva ainda este mês porque vamos ter as Festas e é preciso manter a cidade limpa. Depois de longos meses à espera de autorização legal, o sistema de videovigilância no Miradouro de Santa Catarina começou a funcionar em fevereiro. Foi o primeiro de uma longa lista a implementar na cidade. Como está a correr? Melhorou a segurança? Ainda as camaras não estavam em funcionamento e já havia aumentado o sentimento de segurança porque a sua instalação bastou para afastar dali alguns comportamentos desviantes e diminuir a concentração de pessoas naquele espaço. Agora, é preciso que se faça o mesmo na Bica e no Cais do Sodré. Todos os passos que demos naquela intervenção foram significativos para melhorar a qualidade de vida e o sentimento de segurança de quem lá trabalha, mora ou apenas visita. A decisão difícil de fechar o miradouro no período da noite mudou logo radicalmente a utilização do espaço público. De tal forma que nunca mais tivemos queixas. Era a zona da freguesia de onde provinha a maioria das queixas, onde havia mais moradores desesperados com o ruído, com a insalubridade e a falta de segurança e, neste momento, não há qualquer registo. Foi uma intervenção muito bem-sucedida.

do que acontecia quando não havia restrições ao Alojamento Local. A pressão dos senhorios para despejar os inquilinos diminuiu bastante e as casas já não se vendem de um dia para outro. O que está a acontecer é um crescimento do AL nas zonas à volta das áreas condicionadas, o que prova que, se não houver limitações, a cidade será cada vez mais só para turistas. Está mais do que testado em Lisboa que tem que haver imposição legal para se verificar um equilíbrio entre a cidade turística e a cidade que consegue manter os seus habitantes. Quando a regulação do mercado não se faz por ela, é necessária a regulamentação municipal para fixar limites. Ainda na área da habitação, no mandato passado, foi apresentado um projeto para reabilitar alguns edifícios no Bairro Alto, a antiga sede da Capital e do Diário de Notícias, para fazer habitação acessível para jovens. Que importância tem esse projeto para a freguesia e em que fase se encontra? Não tenho informação sobre os edifícios do Bairro Alto que foram reservados ao Programa Renda Acessível, mas espero que tenha continuidade. Era um bom projeto, foi aprovado em reunião de Câmara e espero que avance rapidamente. Trata-se de um grande quarteirão situado numa boa zona do Bairro e para onde estavam previstas cerca de 48 habitações de renda acessível. Portanto, são quase 50 novas famílias que poderão vir viver para o Bairro Alto.

“É URGENTE TER MAIS VERBAS PARA A LIMPEZA URBANA”

E como está a evoluir o Alojamento Local (AL)? A Assembleia Municipal aprovou recentemente a suspensão de novas licenças em mais dez freguesias de Lisboa, alargando uma medida que já estava em vigor há 4 anos no centro histórico da cidade, como é o caso da Misericórdia. A medida, de iniciativa do PS e aprovada por toda a oposição, mereceu fortes críticas do presidente da Câmara, que votou contra e a considerou um ataque ao “empreendedorismo” na cidade. Qual é a posição da Junta? Concorda que é preciso regular o Alojamento Local para proteger o direito à habitação? Sem dúvida. A nossa freguesia foi incluída logo nas primeiras restrições e notou-se de imediato uma travagem na dinâmica de saída de moradores. Notou-se logo nos cadernos eleitorais. Continuamos a perder população porque a habitação não deixa de ser cara e porque há processos de arrendamento inacessíveis, mas nada ao ritmo vertiginoso MISERICÓRDIA / JUNHO 2022

Iniciou há oito meses o seu terceiro, e último, mandato como presidente da Junta de Freguesia. Que prioridades definiu e que “sonho” gostaria mesmo de concretizar até 2025? Há algo imaterial para o qual trabalho desde que fui eleita pela primeira vez, que é a melhoria da qualidade de vida dos meus fregueses. Ao dia de hoje, não duvido que vou deixar uma freguesia melhor do que a recebi. Sempre desejei que, além de ser um território visto por muitos como uma boa zona para se divertir, a Misericórdia fosse também reconhecida como uma freguesia onde é muito bom viver, com muita qualidade de vida. Ficou provado, no Miradouro de Santa Catarina, que é possível encontrar o equilíbrio entre visitantes e moradores e é isso que queremos em todo o território. Basta cumprir os regulamentos, nomeadamente o do ruído. 10


ENTREVISTA O segundo sonho é reverter o ciclo demográfico, a saída de população, e para isso é muito importante o Programa Renda Acessível. Gostava também de ver iniciada a obra da nova escola, aqui no Passos Manuel. Temos as crianças em duas escolas básicas com recreios muito pequenos e, depois, temos uma secundária com um recreio enorme. Gostaria de ter ali um polo educacional que sirva todos, as crianças e os jovens. Também é prioritário continuar a requalificar o espaço público. A reabilitação feita na Bica tem que ser considerada também para o Bairro Alto. Há um projeto já apreciado em reunião de Câmara, que espero seja executado. Ainda não entrou em discussão pública, mas espero que não demore, porque o Bairro Alto merece ser requalificado, como foi a Bica.

Depois, nesta zona, é imprescindível cuidar do rico património histórico que aqui temos. Há obras que nunca estarão ao alcance da Junta de Freguesia, mas o que está tem sido feito, como é o caso da reabilitação das bicas e chafarizes. Estão quase todos reabilitados e não duvido que vou conseguir até ao final do mandato. Neste momento, a maior obra de reabilitação que temos em curso é a do Conservatório. É muito importante manter este equipamento na freguesia, dá muita vida ao Bairro durante o dia. Em suma, a qualidade de vida dos moradores e a preservação do património sempre foram os meus principais objetivos, salvaguardando tudo o que é de mais genuíno e identitário na freguesia, até a vida noturna.

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EDUCAÇÃO ASSOCIAÇÃO DE PAIS DA ESCOLA PASSOS MANUEL SOMOS UM ELO AGREGADOR NA COMUNIDADE ESCOLAR José Augusto Ravasco Pato tem 51 anos, é arquiteto e, desde 2019, presidente da Associação de Pais da Escola Passos Manuel. Antes, havia feito parte da equipa que fundou a Associação de Pais da Escola das Gaivotas, onde também desempenhou as funções de presidente. Que importância tem a Associação de Pais, no seio da comunidade escolar? Sendo a Associação de Pais a estrutura dentro da comunidade escolar que pode ouvir e perceber os problemas, não necessariamente só dos alunos e dos pais, mas também de quem está mais tempo com os alunos, como os professores e restantes técnicos, acredito que podemos ser um elo agregador e construtivo. É nas associações de pais que os encarregados de educação podem trocar experiências, relatar dúvidas e sucessos e acertar formas de atuação que lhes permitam apresentar os problemas às entidades em causa, de uma forma concertada, unida, coerente e adequada, demonstrando que as questões que expõem, são comuns a muitos e não só a alguns. Todos os que dedicam o seu tempo às atividades escolares e á vivência no interior da Escola são peças importantes no funcionamento desta grande comunidade. Que maiores dificuldades sentem no decorrer da atividade? Há ainda alguma ausência e relativa preocupação na forma como os pais devem participar na educação dos seus filhos. Ainda existe a mentalidade de que é a escola que deve dar educação, embora, a meu ver, a escola deve assumir a função de formadora e pedagoga. A educação deve ser dada em casa de cada aluno e filho. MISERICÓRDIA / JUNHO 2022

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EDUCAÇÃO Num horizonte próximo, que iniciativas se propõem desenvolver? Depois do êxito que foi a edição do concurso de desenho e as iniciativas comemorativas do 25 de Abril, que foram inseridas no Programa da Junta de Freguesia, realizámos com a Associação 25 de Abril um participado debate com os alunos, em que contámos com a presença do General Garcia dos Santos e do Coronel Vasco Lourenço. Ainda no âmbito das comemorações do 25 de Abril, organizámos apresentações de livros a cargo de Guadalupe Portelinha e de Helena Pato. Dos eventos que nos propomos desenvolver, destaco uma iniciativa que pretende abordar o preocupante mau uso, ou

uso indevido, da informática por parte dos utilizadores, através dos telemóveis ou outros equipamentos com acesso ao online. Ainda estão por definir os pormenores de um evento sobre cidadania, mas o certo é que estaremos presentes e empenhados nas comemorações do aniversário do Liceu Passos Manuel, no final deste ano letivo. Como classifica a relação que mantêm com a Junta de Freguesia? A relação que a Associação de Pais mantém com a Junta de Freguesia da Misericórdia é excelente. É uma Junta muito atenta às escolas da freguesia, aos seus alunos e famílias, o que nos agrada bastante.

48 ANOS DO 25 DE ABRIL O auditório da Escola Passos Manuel foi pequeno para ouvir os testemunhos dos militares de Abril, General Garcia dos Santos e Coronel Vasco Lourenço. Neste evento, promovido pela Associação de Pais da Escola Básica e Secundária Passos Manuel e inserido no programa da Junta de Freguesia da Misericórdia para

comemorar os 48 anos do 25 de Abril, foram satisfeitas as curiosidades dos jovens. Trocaram-se impressões sobre a revolução, as suas motivações, como foi a sua preparação, o dia da revolução e o futuro, que está nas mãos dos que encheram a plateia.

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EDUCAÇÃO HÁ ARTISTAS NO PASSOS! Mais de meia centena de alunos do 5.º ao 9.º ano responderam ao desafio da Associação de Pais e participaram no ‘Artistas no Passos’, um concurso de desenho inserido nas comemorações dos 111 anos da Escola Secundária Passos Manuel. Foram apresentados ao concurso 65 trabalhos. O júri, composto por José Ravasco Pato e Rita Pacheco, presidente e vice-presidente da Associação de Pais, respetivamente, Carla

Madeira, presidente da Junta de Freguesia da Misericórdia, Nuno Saraiva, ilustrador, e Cláudio Senna, artista plástico, decidiu destacar 15 trabalhos, atribuindo 15 prémios, três por cada ano de ensino. Os Prémios foram entregues no simbólico Dia Europeu da Criatividade Artística, 21 de março, no Auditório do Liceu Passos Manuel, e, em abril, foi inaugurada a exposição dos desenhos que concorreram ao concurso.

JI DAS GAIVOTAS APRENDE A ANDAR DE BICICLETA No Natal passado, as crianças do Jardim de Infância das Gaivotas escreveram uma carta à Junta de Freguesia da Misericórdia com um pedido especial: “queremos aprender a andar de bicicleta, mas a escola não tem meios”.

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Sonho concretizado. A Junta ofereceu cinco bicicletas para que as crianças possam iniciar o processo de aprendizagem ganhando equilíbrio e confiança, as duas competências necessárias para andar de bicicleta.

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PARTICIPAÇÃO 1ª ASSEMBLEIA DAS CRIANÇAS DE LISBOA

MATILDE MAGRINHO E RODRIGO GONÇALVES REPRESENTAM A MISERICÓRDIA.

Na véspera do Dia da Criança, a Assembleia Municipal de Lisboa recebeu a primeira Assembleia das Crianças de Lisboa, criada por iniciativa da sua Presidente, Rosário Farmhouse. A representar a Freguesia da Misericórdia, estiveram a Matilde Magrinho e Rodrigo Gonçalves e estiveram muito bem. Na preparação desta Assembleia, a Junta de Freguesia promoveu o primeiro encontro com os jovens para a eleger os representantes da Misericórdia. Carla Madeira, presidente da Junta de Freguesia, depois de dar as boas-vindas aos 14 delegados das escolas da freguesia, referiu a importância da conquista do direito à participação cívica, valor que importa preservar com esta e outras iniciativas que envolvem a comunidade. Depois de um debate animado, os delegados escolheram os temas para levar à Assembleia de Crianças de Lisboa e, através de votação secreta, elegeram como representantes a Matilde e o Rodrigo.

No dia da Assembleia das Crianças de Lisboa, que teve lugar no Fórum Lisboa, a Casa da Cidadania, Matilde e Rodrigo tomaram posse como representantes da Misericórdia e apresentaram como maiores preocupações das crianças da freguesia a limpeza urbana, nomeadamente a deficiente recolha do lixo dos contentores, e a necessidade de construção de novos espaços desportivos, locais onde as crianças possam desenvolver atividades desportivas, recreativas e de lazer, necessidades também identificadas pela restante população e pela própria Junta de Freguesia. Durante três horas, os 48 representantes das 24 freguesias da cidade, um rapaz e uma rapariga com idades entre os 8 e os 12 anos, abordaram políticas públicas que envolvem, particularmente, os mais novos, numa Assembleia das Crianças que pretende assumir o papel de órgão “consultivo e informal”. A próxima reunião deste órgão está agendada para o mês de novembro.

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PARTICIPAÇÃO MISERICÓRDIA FEZ-SE OUVIR NA ASSEMBLEIA MUNICIPAL O auditório do Museu da Farmácia, na freguesia da Misericórdia, lotou a sua capacidade para a reunião da Sessão Extraordinária da Assembleia Municipal de Lisboa. Dirigida por Manuel Lage, a Assembleia escutou mais de trinta intervenções por parte do público, em que os temas predominantes foram as preocupações diárias, sentidas por cada um dos que vivem e partilham o território da Misericórdia. A crescente insegurança, o ruído, a mobilidade, a deficiente recolha de lixo, a degradação de pisos rodoviários, a iluminação pública, a ausência de estacionamento para residentes, problemas nas zonas de acesso condicionado e a parca fiscalização ou policiamento de proximidade, foram algumas das questões muitas vezes expostas com suficiente pormenor, para não poderem passar despercebidas ao executivo camarário, apesar da ausência do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, que se fez representar pela vereadora Filipa Roseta. Das intervenções efetuadas por parte dos representantes

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das forças políticas, regista-se a unanimidade no reconhecimento da importância e sucesso deste modelo de auscultação da população, exercício democrático e participação ativa do cidadão. Na sua intervenção, Carla Madeira, presidente da Junta de Freguesia, saudou “os fregueses da Misericórdia, que mostraram ter voz junto dos autarcas da cidade”, e apelou “aos membros do executivo municipal, que mobilizem os respetivos gabinetes e serviços para a resolução das questões aqui identificadas”, provando que “o já gasto ‘ouvir as pessoas’ tem verdadeiro significado nas políticas que tardam em implementar na cidade de Lisboa e nas suas freguesias. Fazendo-o, honram o mandato que lhes foi conferido. Não resolvendo os seus problemas, demonstram que a frase “ouvir as pessoas” não é mais do que uma afirmação assustadoramente populista e para fingir fazer diferente, quando no final do dia tudo fica na mesma.”

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INTERVENÇÃO SOCIAL E CIDADANIA ENSAIO GERAL DA ÓPERA “FAUST” COM CONVIDADOS ESPECIAIS A convite do Teatro São Carlos, a Junta de Freguesia da Misericórdia levou alguns séniores do Projeto de Envelhecimento Ativo e Saudável assistiram ao ensaio geral de ‘Faust’, a mais famosa ópera baseada na obra de Goethe, e que relata a história de um idoso sábio, que vende a alma ao diabo em troco da juventude. Desde a sua estreia, no ‘Théâtre Lyrique’ em Paris a 19 de março de 1859, a ópera ‘Faust’, de Charles Gounod, percorreu o mundo, enchendo as mais prestigiadas salas de espetáculos. Subiu agora ao palco do Teatro Nacional de São Carlos com a direção musical de Antonio Pirolli e encenação de Alfonso Romero Mora. Do elenco, fizeram parte, Mario Bahg, Irina Lungu, Rubén Amoretti, André Baleiro, Cátia Moreso, Quinta e Luís Rodrigues, com o Coro do Teatro Nacional de São Carlos e a Orquestra Sinfónica Portuguesa.

LIBERDADE, IGUALDADE E INCLUSÃO No Dia Internacional contra a Homofobia, a Transfobia e a Bifobia, a Junta de Freguesia da Misericórdia voltou a hastear a bandeira LGBTI+ na sua sede, lembrando que há 40 anos que a homossexualidade deixou de ser crime em Portugal e é fundamental combater a discriminação em razão da orientação sexual e identidade e expressão de género. Este ato simbólico contou com a presença da ILGA Portugal e da Rede ex aequo.Estiveram também presentes, para além do executivo da Junta, os membros das bancadas do PS, CDS e BE da Assembleia de Freguesia. 17

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CULTURA MUITO LIVREMENTE O ‘Livremente’, encontro literário da Misericórdia, voltou ao convívio dos amantes da literatura, dos livros e de todas as histórias contadas. Foram quatro semanas preenchidas por eventos literários, onde se destacam feiras itinerantes, apresentação de obras, leituras encenadas, excertos de prosas, tertúlias e sessões de autógrafos. O festival literário organizado pela Junta de Freguesia da Misericórdia arrancou no dia 30 de abril, na Livraria Palavra do Viajante, com “A Escrita de Viagens”, uma conversa intimista marcada pelas experiências vividas e os desejos de Ana Rita Tereso e Maria Roque Martins. Nesta edição de ‘Livremente’, procurou-se descomplicar estilos e, no Restaurante Pão de Canela no dia 30 de abril, “Descomplicámos o YA”, esse recente género que se tem espalhado por entre a literatura e o cinema, com Leonor Ferrão, autora de “Amor à Primeira Assinatura”, um sucesso de vendas de YA (Yung Adult) em Portugal, tal como descomplicámos o Terror, com Mulheres no Terror português, com Sandra Henriques e as autoras Liliana Duarte Pereira, Maria Varanda e Patrícia Sá, que abordaram este género literário geralmente dominado pelo sexo masculino. Na recém-recuperada Biblioteca do Palácio Cabral, voltou-se a descomplicar, desta vez o terror infantojuvenil, onde Sandra

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Henriques, fundadora d’A Fábrica do Terror, mostrou quão rico é este género literário que afinal serve para todas as idades. No espaço Santa Catarina, foi abordado o ‘Manga’, o estilo que rompeu fronteiras e levou os quadrinhos japoneses pelo mundo, tomando de assalto a cultura ocidental, ganhando cada vez maior espaço por entre o interesse dos mais novos. A 13 de maio na Brotéria, Lauren Moya Ford e Luísa Jacinto, com textos de Luísa Especial, Marta Mestre e João Pinharanda, dissertaram sobre “No One Knows”, trabalho da artista plástica Luísa Jacinto, para, no dia seguinte e na Canelinha, conhecermos a história de um menino que não queria ser grande, que pretendia perpetuar o hábito e o gosto em saltar as poças, esfolar os joelhos em brincadeiras com os outros, relatada na obra “Quando for grande quero ser Criança”, da autoria de Adélia Carvalho, com ilustração de Sérgio Condeço. O colonialismo representou um relevante marco na história de Portugal e é frequentemente retratado na literatura, em filmes ou em séries televisivas. No Espaço Santa Catarina, Miguel Santos e Filipe Abranches falaram das expressões que o colonialismo tem na banda desenhada que produzimos e da experiência na abordagem deste tema em edições impressas.

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CULTURA

RELEMBRAR JOSÉ SARAMAGO

das obras “Ler Doce Ler”, de José Letria, “Chapeuzinho Amarelo”, de Chico Buarque, “O Livro sem Bonecos”, de BJ Novak, “Os Lusíadas” de Luís Vaz de Camões, entre outras obras. Nos Claustros da Academia de Ciências, a peça de teatro “Maria e Sofia”, com encenação de Cristina Cavalinhos e levada ao palco pelos alunos de teatro da Escola Profissional de Imagem, trouxe-nos à memória os tempos dolorosos do fascismo, que uns não conhecem e outros sofreram na pele e de forma intensa.

Numa viagem à vida e obra do nobel da literatura, no dia 24 de maio, no Palácio Cabral, Sérgio Machado Letria, presidente da Fundação José Saramago, percorreu o espírito e construção literária do escritor, responsável pelo efetivo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa.

TEMPO PARA A LEITURA ENCENADA Neste festival, o espaço para a leitura encenada foi preenchido em três momentos. O primeiro, dedicado aos alunos com mais de 14 anos no Liceu Passos Manuel, com a obra “Mensagem” e outros textos de Fernando Pessoa, onde se procurou construir, através da poesia, uma ponte entre os tempos decadentes de Pessoa e os nossos dias. Esta iniciativa foi dirigida aos alunos a partir dos 14 anos. Para os mais novos, na Escola das Gaivotas, assistimos ao espetáculo “Plasticena – Ler e Ler Ólariolela”, criado a partir

LIVREMENTE FORA DE PORTAS Nesta edição de “Livremente”, o festival literário voltou aos jardins e praças da Misericórdia, com a Feira dos Editores, que decorreu entre 30 de abril e 15 de maio, no jardim Roque Gameiro, o Mercado do Livro Usado, no Príncipe Real, e a instalação da livraria Mbooks, na Praça D. Luís I, entre os dias 3 e 31 de maio. 19

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CULTURA EXPOSIÇÃO “AS PORTAS QUE ABRIL ABRIU” Uma exposição evocativa do poema “As Portas que Abril abriu”, de José Carlos Ary dos Santos, patente no Espaço de Santa Catarina, marcou as comemorações do 48.º aniversário do 25 de Abril na Freguesia da Misericórdia. São cerca de 50 aguarelas da artista Filipa Malva, que ilustram a nova edição do poema pela Edições Avante e nos transportam numa viagem por “entre vinhas, sobredos, vales, socalcos, searas, serras, atalhos, veredas, lezírias e praias claras” até às “portas da claridade” que Abril abriu, como descreve o poeta ao longo do poema. Esta exposição abriu as comemorações do 48.º Aniversário do 25 de Abril, que contou com várias entidades parceiras com sede na freguesia, como a Associação José Afonso, Associação 25 de Abril, Associação Musical Guilherme Cossoul, Associação InterculturaCidade, Associação de Pais Passos Manuel, Grupo Desportivo Zip Zip, Maritimo Lisboa Club, Vai Tu e Lisboa Clube Rio de Janeiro. O programa destas comemorações foi bastante diversificado, na medida em que nele constaram várias tertúlias sobre o 25 de Abril e eventos musicais e desportivos.

CURSO DE INICIAÇÃO À FOTOGRAFIA O pelouro da Cultura da Junta de Freguesia da Misericórdia promoveu, em março, o primeiro Curso de Iniciação à Fotografia pelo fotógrafo e formador Carlos Loff. A turma ficou rapidamente completa com formandos com muito gosto pela fotografia e grande vontade de aprender. O primeiro encontro foi marcado no Jardim de S. Pedro de Alcântara, um local emblemático da freguesia que agrada muito a fotógrafos profissionais, quer pela beleza do miradouro quer pela vista sobre a Baixa da cidade e sobre a colina do Castelo. Nas sessões seguintes, percorreram outros lugares de Lisboa e de Almada, aprendendo várias técnicas fotográficas adequadas a diferentes situações e ambientes, como fotografia noturna, paisagem e retrato. O curso foi criado para promover a arte da fotografia e terá, em breve, novas edições. Se não conseguiu inscrever-se neste curso, fique atento à abertura de uma nova turma. Os formandos recebem certificado de participação. MISERICÓRDIA / JUNHO 2022

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DESPORTO ATLETAS DA MISERICÓRDIA REGRESSAM AOS TORNEIOS Depois de dois anos condicionados pela pandemia, os nossos atletas regressaram aos grandes torneios desportivos. As três equipas femininas (sub-14, Sub-16 e Sub-19) do Núcleo de Andebol do ALPA participaram no Torneio AndebolMania 2022, uma importante experiência desportiva e social para as jovens atletas, que contou com o apoio da Junta de Freguesia. Trata-se de um evento internacional de Andebol que se realiza anualmente em S. João da Madeira e, este ano, contou com a participação de 1400 atletas de Portugal e Espanha. Também as equipas de veteranos de três coletividades da Misericórdia, GD Zip Zip, Marítimo Lisboa Clube e Lisboa Clube Rio de Janeiro, voltam a participar no Torneio Futsal da Cidade de Lisboa 2022, organizado pela Associação de Coletividades do Concelho de Lisboa em parceria com a Câmara Municipal. Um torneio que tem como finalidades a promoção da atividade física e do desporto e a criação de hábitos de vida saudáveis e assume uma importante relevância na promoção do movimento associativo.

MISERICÓRDIA NO CAMINHO DA MEIA MARATONA DE LISBOA A frente ribeirinha da freguesia da Misericórdia esteve, mais uma vez, inserida no percurso do maior evento de atletismo que se realiza em Portugal e considerada uma das mais atrativas corridas do mundo. Na edição de 2022, a Meia Maratona de Lisboa contou com cerca de 28 mil participantes, alinhados em cinco provas, onde se destacaram alguns dos melhores atletas do mundo. A etíope Tsehay Gemechu Beyan foi a vencedora da prova feminina e a prova masculina foi ganha pelo queniano Kenneth Kiprop Renju. Rui Pinto foi o melhor português, classificando-se em oitavo, e Solange Jesus, no 14.º lugar da classificação geral, foi a melhor atleta portuguesa. A Meia Maratona de Lisboa 2022 é uma das cinco meias-maratonas que integra o circuito internacional “Super Halfs”, que reúne cinco das melhores provas do mundo: Cardiff, Copenhaga, Lisboa, Praga e Valência. Oferecem a melhor experiência aos participantes, concertando cinco provas de excelência, percursos únicos em cidades históricas e, ao mesmo tempo, promovem a consciencialização ambiental entre todos os participantes e acompanhantes. 21

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SEGURANÇA VIDEOVIGILÂNCIA AUMENTA SEGURANÇA NO MIRADOURO DE SANTA CATARINA Após vários anos de reivindicações por parte da Junta de Freguesia, foram finalmente instaladas câmaras de videovigilância na zona do Miradouro de Santa Catarina. À semelhança do que já acontecia no Bairro Alto, o sentimento de segurança de moradores, comerciantes e visitantes aumentou. Frequentada por milhares de turistas, a zona registava nos últimos anos muitas queixas de falta de segurança. Moradores e comerciantes sinalizavam com frequência situações de tráfico e consumo de droga, assaltos, atos de vandalismo, ruído noturno e violência. Em 2019, a Câmara de Lisboa procedeu à reabilitação do miradouro, criando um gradeamento que permitiu fixar horário de abertura e fecho, e, depois do Ministério da Administração Interna ter aprovado a instalação de 216 câmaras de videovigilância em toda a cidade para aumentar a segurança de pessoas e bens e prevenir a criminalidade em determinadas zonas, em março de 2021, iniciou o processo de aquisição das câmaras. A instalação das sete câmaras foi concluída em fevereiro deste ano. A zona do Cais do Sodré será a próxima e a Junta

de Freguesia defende que o sistema seja estendido também à zona do Bairro da Bica, de forma a dissuadir comportamentos indesejáveis, aumentar os instrumentos ao dispor das forças policiais e reforçar a segurança na freguesia. Este sistema é operado e monitorizado no Comando Metropolitano de Lisboa da Polícia de Segurança Pública e funciona ininterruptamente 24 horas por dia, todos os dias da semana. Seguindo as recomendações da Comissão Nacional de Proteção de Dados, o chefe da área operacional do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP é o responsável pela conservação e tratamento dos dados.

“COMÉRCIO SEGURO” PSP REFORÇA SENSIBILIZAÇÃO A Polícia de Segurança Pública, através da Esquadra do Bairro Alto, tem vindo a intensificar as ações de sensibilização junto dos comerciantes da Freguesia da Misericórdia, no âmbito da iniciativa “Comércio Seguro”. A presença regular das Equipas de Policiamento de Proximidade da PSP, em estreita colaboração com Junta de Freguesia, tem contribuído para identificar focos de incivilidades e locais propícios à ocorrência de ilícitos criminais, contribuindo para o seu desmantelamento e, assim, aumentar o sentimento de segurança da comunidade. Nesse contexto, foram também oferecidos ímanes com os contactos da Esquadra para que todos tenham acesso rápido ao número para pedir ajuda. Em breve, serão também iniciadas ações de promoção da segurança da população sénior da freguesia. A PSP cada vez mais humana e próxima dos cidadãos. MISERICÓRDIA / JUNHO 2022

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JUNTA DE FREGUESIA ASSEMBLEIA DE FREGUESIA

EXECUTIVO Carla Madeira (PS) PRESIDENTE PELOUROS: Coordenação Geral; Intervenção Social e Saúde, Participação e Cidadania; Educação; Obras, Espaço Público, Licenciamento e Fiscalização; Economia Local e Empreendedorismo; Espaços Verdes; Habitação; Imagem, Comunicação e Informação; Recursos Humanos e Serviços Jurídicos ATENDIMENTO: mediante marcação prévia E-MAIL: carla.madeira@jf-misericordia.pt

PRESIDENTE Maria Irene dos Santos Lopes (PS) PRIMEIRO-SECRETÁRIO Ricardo Filipe de Araújo Jorge Rodrigues (PS)

Carla Almeida (PS) VOGAL/SUBSTITUTA LEGAL PELOUROS: Atendimento; Serviços Administrativos; Recenseamento Eleitoral; Educação; Higiene Urbana; Segurança; ATENDIMENTO: mediante marcação prévia E-MAIL: carla.almeida@jf-misericordia.pt

SEGUNDA-SECRETÁRIA Águeda Maria Gonçalves Polónio (PS/Independente) VOGAIS Partido Socialista (PS) Simão Medeiros Mendes Godinho Eunice Amélia Teixeira da Costa Gonçalves Carlos Medrano Victor CDS - Partido Popular (CDS-PP) Duarte Nuno de Canha Noronha da Câmara de Vasconcellos Ana Isabel Cotrim de Figueiredo da Rocha Ferreira Luís Filipe Gonçalves Marques Partido Comunista Português (PCP) José Alberto Valério Dinis Ana Sara Camarinha da Cunha e Souza Pinto Partido Social Democrata (PPD-PSD) Nuno Henrique Faria Coelho Bloco de Esquerda (BE) André Castro Soares

Pedro Duarte (PS) SECRETÁRIO PELOUROS: Mobilidade, Estacionamento e Transportes; Proteção Civil ATENDIMENTO: mediante marcação prévia E-MAIL: pedro.duarte@jf-misericordia.pt Domingos Alvarez (PS) TESOUREIRO PELOUROS: Finanças e Património; Juventude e Desporto ATENDIMENTO: mediante marcação prévia E-MAIL: domingos.alvarez@jf-misericordia.pt Luísa Rodrigues (PCP) VOGAL PELOUROS: Cultura ATENDIMENTO: mediante marcação prévia E-MAIL: luisa.rodrigues@jf-misericordia.pt

HORÁRIOS DELEGAÇÕES SEDE: 10:00 - 13:00 e 14.00 - 17:00 (Dada a situação da COVID - 19 as delegações da Atalaia, Cordoeiros e São Marçal encontam-se encerradas)

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