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INFORME Dezembro, 2013 - Edição 02

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Revista Oficial da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança

Empresa Estratégica de Defesa Governo anuncia as primeiras 26 contempladas

EXCLUSIVO

Ministro Celso Amorim fala sobre os grandes projetos e expectativas para 2014

MARINHA A criação do DGePEM

VANT

Anac promete edital de certificação para início do ano


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SEJA UM ASSOCIADO (11) 3170-1860

Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança

Sindicato Nacional das Indústrias de Materiais de Defesa

Avenida Paulista, nº 460, 17º andar, conjunto B, Bela Vista, CEP 01310-000


ÍNDICE 04 | EDITORIAL Consolidando a legislação 05 | CARTAS

INFORME Ano 01 – Número 02 EXPEDIENTE

07 | NUTRIÇÃO Opções de alimentação balanceada para tropas militares

CONSELHO DIRETOR DA ABIMDE

10 | POR DENTRO DA ABIMDE As conquistas do setor em 2013

Presidente Sami Youssef Hassuani

11 | MOSTRA BID BRASIL Bastidores da segunda edição do evento

1º Vice-Presidente Carlos Frederico Q. de Aguiar

13 | MUNDO S/A Definindo metas para 2014

Vice-Presidente Executivo Carlos Afonso Pierantoni Gambôa

14 | TRAJETÓRIA Fundação Ezute: uma parceira do governo brasileiro no desenvolvimento do país

Vice-Presidentes Antonio Marcos Moraes Barros Celso Eduardo Fernandez Costa Jorge Py Velloso Marcelio Carmo de Castro Pereira Álvaro Henrique Vianna de Moraes

17 | MERCADO IAI do Brasil quer introduzir o VANT Heron em operações marítimas no país

22 | RADARES Iacit anuncia novos investimentos e expansão

Diretores Wilson José Romão Gustavo Ramos José Carlos Cardoso Diretora Administrativa Heloísa Helena dos Santos

25 | INOVAÇÃO ARES investe em estação de armas

Diretor Técnico Armando Lemos

26 | COMITÊ DE CIBERNÉTICA ABIMDE à frente de programa encomendado pelo MD

CONSELHO EDITORIAL

18 | PÁGINAS VERDE AMARELAS Vice-Almirante Antônio Carlos Frade Carneiro fala da criação da Diretoria da Gestão dos Projetos Estratégicos da Marinha

27 | DESTAQUE Estaleiro DGS apoia pesquisas científicas da Marinha

Jornalista Responsável e Diretora de Redação Valéria Rossi MTB: 0280207

28 | ESPECIAL Ministro da Defesa, Celso Amorim, fala sobre as perspectivas do setor para o futuro

Editora Claudia Pereira MTB: 29.849

32 | SEGURANÇA Condor apresenta solução para controle de distúrbios urbanos

Diretora de Arte Luciana Ferraz

33 | OPINIÃO Nacionalização: O que queremos?, por Bia Tarobá

Repórter Especial Karen Gobbatto

34 | VANT Anac e DECEA trazem novidades para o setor

Editora de Fotografia Carla Dias

35 | CAPA Primeiras 26 Empresas Estratégicas de Defesa são apresentadas em Brasília

Revisora Juliana Hampel

37 | ESPAÇO CORPORATIVO Déficit de atenção e como administrar melhor o tempo 38 | PARCERIA Presidente da Apex-Brasil, Mauricio Borges, fala sobre investimentos e da cooperação entre a agência e a ABIMDE 40 | TECNOLOGIA SKM apresenta suas parcerias e seus diferenciais tecnológicos 42 | TÚNEL DO TEMPO Vertical do Ponto: produzindo paraquedas há mais de duas décadas 45 | PONTO DE VISTA Base Industrial de Defesa: Medidas Viabilizadoras, por Almirante Marcílio Boavista da Cunha

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Colaboradores Wladimir Palermo Cynthia Mastropacha INFORME ABIMDE é uma publicação da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE) Avenida Paulista, 460, 17º andar, conjunto B, Bela Vista, CEP 01310-000 Tel./Fax: (11) 3170-1860 Escritório Brasília:(61) 8183-0034 – Lourenço Drummond Lemos Produção Editorial Rossi Comunicação Correspondência Rua Carlos Sampaio, 157, Mezanino, Bela Vista, CEP 01333-021 Tel.: (11) 3262-0884 informeabimde@rossicomunicacao.com.br Foto capa: Jorge Cardoso/Ministério da Defesa Gráfica HR – (11) 3349-6444


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EDITORIAL

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CONSOLIDANDO A LEGISLAÇÃO

ão é recente a luta das empresas que compõem a Base Industrial de Defesa (BID) por um regime tributário que as equiparasse às companhias estrangeiras, participantes do disputadíssimo mercado de defesa e segurança. Legalmente, às Forcas Armadas, é permitida a aquisição de produtos de defesa diretamente do exterior. Com orçamentos bastante limitados, o que restringia as encomendas, as Forças Armadas não podiam proporcionar às empresas nacionais investimentos para o aprimoramento de seus produtos e serviços e, muitas vezes, embora desenvolvidos totalmente com recursos próprios, as aquisições governamentais destes produtos eram insignificantes. Governo e sociedade entenderam que o setor deve crescer harmonicamente e de modo contínuo como os demais segmentos econômicos. Ampliou-se a percepção de que trabalhamos com tecnologia de ponta, inovamos e geramos grandes benefícios para toda a sociedade. Os orçamentos foram, aos poucos, atualizados e a legislação aperfeiçoada. Celebramos a edição da Medida Provisória 544, transformada posteriormente na Lei 12.598 e, atualmente, nos encontramos na fase final da regulamentação da lei com a classificação das empresas elencando-as em

Divulgação

Sami Youssef Hassuani Presidente da ABIMDE

Empresas de Defesa (ED) e Empresas Estratégicas de Defesa (EED). Para estas últimas será aplicável o Regime Especial Tributário para as Indústrias de Defesa (Retid), que corrigirá as distorções de tributação, retirando impostos federais nas vendas efetuadas para o principal e, muitas vezes, único cliente, o governo, representado pelas Forças Armadas e Forças de Segurança. No mês de novembro, foram definidas as primeiras empresas classificadas como Estratégicas de Defesa. A elas esperamos que seja imediatamente aplicado o Retid, bem como esperamos que mensalmente sejam avaliadas e, se pertinente, classificadas como EED outras empresas componentes da BID. Continuamos na luta para a desoneração de impostos estaduais e municipais, pois acreditamos que desonerando a cadeia produtiva nossas Associadas entregarão aos garantidores de nossa segurança interna e da nossa soberania produtos no “estado da arte”, produzidos para o Brasil por empresas brasileiras.

governo e sociedade entenderam que o setor deve crescer harmonicamente e de modo contínuo como os demais segmentos econÔMICOS


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CARTAS

çã Divulga

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Virgínia Silveira Repórter do jornal Valor Econômico “Existem poucos veículos que divulgam as atividades da área de defesa, que é muito fechada, reservada. Ao ler o primeiro número já tirei uma ideia de matéria. As reportagens que vi na primeira edição ajudaram a complementar meu conhecimento. Para mim, que sou jornalista, é sempre útil. Além disso, é mais um canal para a sociedade ter mais conhecimento da função estratégica do setor, saber que envolve tecnologia de ponta, empregos, alto valor agregado e que é uma área de extrema importância para a economia do país.”

“A ABIMDE é a principal interlocutora do Ministério da Defesa junto à BID e esta publicação apresenta ao mercado o que as companhias estão produzindo, fomentando a Base Industrial de Defesa e contribuindo, principalmente, para a divulgação das pequenas e médias empresas. Aproveito para parabenizar a associação pela iniciativa.”

Alexandre Galante Editor-chefe da revista Forças de Defesa

Dinair Alves

“O INFORME ABIMDE veio preencher uma lacuna importante: apresentar as novidades das empresas associadas ao público ligado à indústria de defesa e segurança. Logo no seu primeiro número a publicação já mostra o acerto da iniciativa e traz muitas matérias interessantes e informação de qualidade. Para a imprensa especializada em defesa, o Informe ABIMDE trouxe muitas ideias para pautas futuras.”

Arquivo revista Asas

Carla Dias

General de Divisão Aderico Visconte Pardi Mattioli Diretor do Departamento de Catalogação e Núcleo de Promoção Comercial

Claudio Luchessi Diretor da revista Asas “Gostaria de congratular a ABIMDE no momento de lançamento de sua revista, a qual certamente agrega muito à discussão crucial sobre a defesa de nosso país e a relevância da indústria nacional do setor. Como jornalista atuante neste segmento há mais de 20 anos, e fundador da revista Asas, que tanta ênfase tem dado ao segmento industrial nacional aeroespacial e de defesa, só posso ver bem e aplaudir a chegada desta publicação. O Brasil tem uma tradição de “feudos”, inclusive na comunicação, o que vejo como lamentável, pois novos fóruns de discussão, como esta revista, apenas agregam e inclusive apoiam a mídia especializada do setor.”


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Marcelo Kanitz Damasceno Brigadeiro do Ar, Chefe do CECOMSAER (Centro de Comunicação da Aeronáutica) “As atuais ameaças à segurança, a proliferação não controlada de armas portáteis, o tráfico de drogas, as catástrofes naturais, a garantia de nossas áreas petrolíferas e a defesa de nosso espaço aéreo devem ser enfrentadas com base em uma eficiente cooperação entre as instituições militares e civis e, mais do que isso, com a apropriada parceria entre o setor público e o privado. Este entendimento haverá de tratar, com resultados firmes, questões como a gestão das fronteiras, a salvaguarda da ordem pública, a defesa civil e a preparação para a ajuda em caso de catástrofes. Grande parte deste setor privado se faz representar pela Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE), representação tangível de nossa capacidade de produzir tecnologia com o objetivo final de proteger a nossa sociedade. A ABIMDE, a partir de agora, amplia o eco de sua produção. A revista surge como o ponto de convergência de tudo aquilo que ocorre em nossa base industrial e no esforço de defesa, até então carente de maior divulgação. Parabéns pela importante e necessária iniciativa. Sucesso ao Conselho Editorial!” FAB

“A revista Informe Abimde é uma publicação que chega em boa hora, num momento em que segmentos diversos da sociedade se somam no esforço de fazer da defesa um assunto de todos os brasileiros. Seu conteúdo informativo é diversificado e mostra aos leitores os projetos, os produtos e os serviços que as empresas brasileiras e as companhias de outros países que atuam no Brasil estão desenvolvendo e oferecendo ao mercado da defesa nacional. Pelas páginas da publicação também é possível conhecer o ponto de vista de empresários e de outros importantes atores que se relacionam com a base industrial da área. Não tenho dúvida de que a publicação se tornará, em pouco tempo, leitura indispensável para quem acompanha os assuntos do setor e também para aqueles que querem passar a conhecê-lo com mais profundidade.”

“Ao abordar os principais avanços tecnológicos do setor, ao cobrir palestras, seminários e encontros de empresas e especialistas na área, a revista INFORME ABIMDE contribui para promover o debate sobre a importância do segmento de defesa no Brasil e como ele vem se desenvolvendo e se fortalecendo no âmbito científico e tecnológico.”

CECOMSAER/

Luiz Gustavo Rabelo Assessor Especial de Comunicação Social do Ministério da Defesa

Perpétua Almeida Deputada federal (PCdoB/AC), Presidente da SubComissão de Assuntos Estratégicos das Forças Armadas e Vice-Presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados

Nelson During Portal Defesanet

“O INFORME ABIMDE trará para a comunidade envolvida na área de defesa uma visão do setor pelos seus próprios protagonistas: as empresas associadas. O primeiro número foi uma boa notícia, tanto pela qualidade quanto pela produção de conteúdo. Desejamos que a publicação tenha continuidade.”

Divulgação

Jorge Cardoso/ MD

Nilson Bastian

CARTAS


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NUTRIÇÃO

Por Karen Gobbatto

Alimento seguro é a garantia do emprego operacional da tropa. Essa é a palavra de ordem nas Forças Armadas. Desde 2005, o setor vem trabalhando para oferecer uma alimentação balanceada e com segurança para todos os militares, estando eles em missões externas ou não. A proposta busca cumprir os requisitos higiênico-sanitários de manipulação segura dos alimentos com vistas a oferecer uma alimentação balanceada, saudável e inócua, sem colocar em risco a saúde do combatente e o cumprimento da missão. Em um primeiro momento foi promovida a regulamentação da matéria, com a publicação da Portaria 854/SELOM de 4 Jul 2005 (Regulamento Técnico de Boas Práticas em Segurança Alimentar nas Organizações Militares) que determinou as boas práticas de higiene, manipulação, armazenamento e distribuição dos alimentos. Desde então, as Forças Armadas têm se empenhado em colocar em prática tais preceitos determinados pela portaria. Estão sendo realizados treinamentos e cursos de capacitação para as equipes que lidam direta e indiretamente com a alimentação das tropas, operacionalização logística e dos processos inerentes à cadeia de subsistência (supply chain) e, por fim, a definição de regras para o forneFotos: Carla Dias/ Exército Brasileiro/ Divulgação

cimento dos produtos às três Forças. Somente no ano passado, 800 militares fizeram um curso de capacitação à distância, customizado para as necessidades do Exército e desenvolvido pelo SENAC de Minas Gerais, dentro do Programa de Alimentos Seguros (PAS). Esse ano novas vagas foram abertas, com a inclusão de seis militares da defesa. “Estamos integrando as Forças no que diz respeito às demandas de alimentação das tropas, respeitadas as especificidades de apoio e emprego. A Marinha tem cozinhas embarcadas e na sede. No Exército, são mais de 430 cozinhas distribuídas por todo território nacional, dos grandes centros às regiões de fronteira. A Aeronáutica opera com sistema de catering e o conceito da central de produção de alimentos. Tudo isso faz com que cada Força tenha suas peculiaridades”, comenta Fernanda Peixoto, Major Veterinária do Exército, mestre em Ciências dos Alimentos e auditora em Garantia da Qualidade e Inocuidade dos Alimentos pela Organização Pan Americana de Saúde, além de membro da Defesa. Segundo ela, a portaria vem regulamentando as ações ao definir diretrizes de atuação, e imputa responsabilidades a quem trabalha com a alimentação das tropas. “Alimentamos a coletividade. Em algumas unidades são serOpções de cardápio da Cellier


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vidas mais de cinco mil refeições por dia. O risco é potencializado e precisamos garantir que nosso pessoal militar tenha acesso a uma alimentação adequada e livre de riscos”, destaca a Major. Estrutura A estrutura das Forças Armadas é composta basicamente por duas vertentes: a alimentação convencional e a não convencional, também conhecida como alimentação de campanha. No primeiro caso, é uma instalação fixa (cozinha) comum nas unidades militares das Forças, com toda a estrutura física e funcional para o preparo das refeições para os militares em atividade. No segundo caso, é uma estrutura adaptada para atender às necessidades de deslocamento das tropas em missões, manobras, exercícios e operações militares e até mesmo no caso de atuar em conjunto com a Defesa Civil em situações de calamidade e desastres. “Nas operações militares que envolvem o deslocamento das tropas, os riscos de ocorrer uma contaminação alimentar são potencializados, e os militares precisam ser alimentados com qualidade e segurança. Temos equipamentos modulares, cozinhas reboques, dispositivos montados em contêineres; rações operacionais e alimentos pré-preparados que facilitam o dia a dia, reduzindo o número de operações para o preparo”, explica Fernanda. A ração operacional é composta por um conjunto de itens da alimentação diária das tropas, oferecendo até quatro refeições por dia: café da manhã, almoço, jantar e ceia. Um dos aliados das rações são as refeições termoprocessadas, prontas para o consumo, cozidas e embaladas em embalagens flexíveis laminadas “pouches” fáceis de transportar e armazenar, tendo validade de até dois anos, sem precisar de refrigeração.

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Ministério da Defesa possui a Comissão de Estudos de Alimentação das Forças Armadas (CEAFA), presidida pela Major Fernanda Peixoto. A comissão é composta por representações de cada Força e atua como um fórum de discussão, debate, pesquisa e estudo. Ou seja, é um espaço para serem tratadas as demandas e priorizadas as ações de aperfeiçoamento da legislação e do sistema de alimentação como um todo. Desde 2010, a CEAFA realiza capacitações regulares nas escolas militares (AMAN e AFA) em Segurança Alimentar para os concludentes dos cursos de intendência, futuros gestores da atividade de alimentação de suas respectivas Forças. Para o segundo semestre de 2014, deve ser reativado o Seminário de Alimentação das Forças Armadas, ainda em fase de planejamento, na Escola Superior de Guerra (ESG), Rio de Janeiro.


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Tecnologia

Um alimento estéril, pronto, sem conservantes e com sabor caseiro. Foi pensando em oferecer uma refeição completa e segura para os astronautas que a NASA desenvolveu os alimentos termoprocessados, que contam com a tecnologia de esterilização em embalagens flexíveis, conhecidas como “pouches”. Essa tecnologia é aplicada hoje não somente nas missões espaciais, mas também em situações cotidianas, entre elas, em missões militares, humanitárias, para praticantes de esportes de aventura e até mesmo em hotéis e redes de fast-food. A tecnologia dos alimentos termoprocessados deixou de ser exclusividade dos astronautas e hoje contribui para que as tropas brasileiras e de todo o mundo possam desenvolver suas atividades de maneira segura, saudável e com qualidade. No Brasil, há empresas de ponta que já atuam nesse segmento, entre elas a gigante do fornecimento de carnes – a JBS -, e a Cellier Alimentos. A JBS fornece, por meio de uma empresa terceira, para o Exérci-

desenvolvidos ao longo dos anos, atendendo as especificações e necessidades calóricas das tropas, para garantir alimentos nutritivos, práticos, saborosos e com segurança. “Temos uma responsabilidade social importante. Não estamos apenas fornecendo alimentos, estamos garantindo a realização das missões com segurança e qualidade”, ressalta Favrin. Para manter essa integração, a Cellier promoveu, recentemente, os cursos “Você vai longe”, para as equipes internas da empresa, com o objetivo de conscientizar os profissionais sobre a importância do trabalho desempenhado. “Alguns clientes e militares deram palestras na companhia, falando sobre as missões em que nossos produtos são empregados, para que os nossos profissionais entendam o alcance da Cellier e como eles fazem parte dessa história. Entender a importância de cada um dentro desse projeto maior faz toda a diferença”, conclui Favrin.

dos astronautas to da Grã-Bretanha. A empresa conta hoje com uma área multidisciplinar dedicada ao desenvolvimento de soluções alimentares para instituições em todo o planeta. A maior fornecedora de proteína animal do mundo tem demonstrado seus produtos para as Forças Armadas e já os forneceu para auxiliar no atendimento dos sobreviventes do terremoto seguido de tsunami ocorrido no Chile, em 2010. Para Fábio Lucena Baptista, responsável pelas vendas institucionais da JBS, a alimentação também é uma questão de soberania nacional. Já a Cellier atende as três Forças Armadas brasileiras, com cardápios compostos pelas refeições principais. A empresa iniciou essa parceria por meio da Marinha, em 1996. Hoje são cerca de dez cardápios diferentes somente para o Exército. Segundo o diretor da Cellier, José Luiz Favrin, os produtos vêm sendo


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POR DENTRO DA ABIMDE

Perspectivas para o próximo ano

É tempo de consolidar as atividades realizadas em 2013, aprimorar os procedimentos, corrigir rumos, celebrar realizações e preparar as atividades para o próximo ano. Em nossa avaliação, a presença da ABIMDE se consolida em âmbito nacional e internacional como representante das empresas brasileiras do setor de defesa e segurança. Atualizamos este ano as Medidas Viabilizadoras (MV) para o setor, as quais deverão ser encaminhadas aos diversos segmentos da sociedade, principalmente ao Executivo (Ministério da Defesa e Ministério da Justiça) e Legislativo, os quais, aceitando e implementando as MV, reforçarão a estrutura da Base Industrial de Defesa. Esperamos também que exista uma expansão nos orçamentos de defesa e segurança, possibilitando um implemento nas verbas destinadas aos programas estratégicos das Forças Armadas, bem como aquelas destinadas aos eventos internacionais nos quais as FFAA se unirão aos Órgãos de Segurança, permitindo uma realização tranquila e pacífica das competições (Copa do Mundo e Olimpíadas). Estamos confiantes na atuação de nossos Comitês de Simulação, Veículos não Tripulados e do recém-criado Comitê de Cibernética, os quais alimentam as autoridades com os anseios e sugestões para o crescimento de cada um dos subsetores. Participaremos de várias feiras internacionais, com o imprescindível apoio da ApexBrasil, mostrando ao mundo a tecnologia e a criatividade de nossa indústria. Internamente, estaremos organizando a 3a Mostra BID Brasil, apoiando o WSTM (Workshop de Simulação e Tecnologia Militar) e recebendo as Associadas na “Ilha ABIMDE” da LAAD Security. Aperfeiçoaremos a cada número o nosso INFORME ABIMDE, instrumento de divulgação das boas notícias do setor e distribuindo para aqueles que produzem, cuidam, interferem, incentivam e participam do processo de fortalecimento contínuo da razão de ser de nossa entidade – as associadas. Não importa o tamanho, para todas elas envidaremos o maior de nossos esforços respondendo sempre a palavra “SIM” aos seus anseios.

2014 Divulgação

Feliz 2014.

Carlos Afonso Pierantoni Gambôa Vice-Presidente Executivo


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Indústria de Defesa reunida na Base Aérea de Brasília

Por Claudia Pereira

Evento contou com a presença do Ministro Celso Amorim

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segunda edição da Mostra BID Brasil contou com a participação de cerca de 70 empresas associadas à ABIMDE, além de receber o apoio do Ministério da Defesa. Realizada em parceria com a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), o evento recebeu a visita do Ministro Celso Amorim, que em seu discurso durante a abertura oficial da Mostra reforçou que “para um país do porte do Brasil é muito importante ter uma base industrial de defesa sólida”. A BID é o único evento no país que expõe, exclusivamente, produtos e serviços oferecidos pela Base Industrial de Defesa do Brasil. A mostra é uma grande oportunidade de a indústria brasileira apresentar ao mercado nacional e também ao estrangeiro – por meio dos adidos militares – seu potencial e sua capacitação tecnológica. “Evidentemente que a base para o mer-

cado tem que ser o próprio Brasil. Se nós não compramos os nossos produtos, ninguém irá se interessar. Mas também nenhuma indústria de defesa consegue sobreviver se não estiver inserida no mercado internacional”, comentou Amorim. De acordo com o Vice-Presidente Executivo da ABIMDE, Carlos Afonso Pierantoni Gambôa, “nos últimos anos a sociedade brasileira entendeu que o setor de defesa deveria crescer como os outros, pois representa crescimento econômico, desenvolvimento tecnológico e muitos outros benefícios para o país. Uma mostra como a BID Brasil serve para abrir as portas da indústria nacional ao mercado brasileiro e também ao externo. É preciso que o Brasil exporte mais para, dessa forma, gerar divisas e ampliar os investimentos no setor”. As próximas páginas trazem uma série de imagens que mostram um pouco de como foi o evento, realizado entre 03 e 05 de outubro na Base Aérea de Brasília.

Da esquerda para a direita: General Enzo, Brigadeiro Euclides, Ministro Celso Amorim e General Mattioli.

Fotos: Carla Dias

MOSTRA BID BRASIL


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A definição de metas em um processo de mudança

MUNDO S/A

Para que sonhos se realizem é fundamental ter um bom planejamento com metas claras e objetivas.

4. Temem a rejeição. Se fixarem uma meta e não tiverem êxito serão alvo de críticas e rejeição.

A importância das metas

Considere as seguintes etapas para definição de suas metas:

Para estabelecer suas metas de curto, médio e longo prazo, considere seus valores e crenças pessoais, sem metas você sempre será levado pelos acontecimentos da vida. As pessoas de sucesso são intensamente voltadas para suas metas, definem seus objetivos e concentram-se exclusivamente e diariamente para atingi-los. Segundo Brian Tracy, em seu livro Metas, como conquistar tudo o que você deseja mais rápido do que jamais imaginou, as pessoas não estabelecem metas por que: 1. Acham que não são importantes. 2. Não sabem como fazer, ou acham que já têm, quando o que têm, na realidade, são sonhos ou desejos. A meta é algo completamente diferente, ela é específica, deve ser escrita e com prazo para ser atingida. 3. Têm medo do fracasso e, inconscientemente, se sabotam, pois deixam de estabelecer metas para não fracassarem.

2. Ser positivo Nosso cérebro não conhece a palavra “NÃO”, ele processa informações fundamentalmente através de imagens, quando você pensa o que não quer, o que vem à sua mente? As imagens do que você não deseja, e nesse caso você foca naquilo que você não quer, em vez de focar naquilo que você quer. 3. Deve ser escrita e visível O que não se escreve e vê é esquecido. Escrever e deixar visível desenvolve disciplina e comprometimento com a ação. 4. Simples e específica Para que nosso cérebro

8. Defina quais os recursos que vai precisar Faça um levantamento de tudo o que vai precisar: recursos financeiros, conhecimento, tempo, habilidades e/ou competências técnicas, essa etapa poupará a você bastante tempo, energia e dinheiro, além de permitir chegar ao resultado de uma forma mais rápida e segura. 9. Acompanhe sua meta Defina um período para acompanhamento de resultados, isso facilita a mudança de rumo caso seja necessário. Toda mudança exige a superação dos próprios hábitos e receios. É necessário planejar as metas e assumir os riscos, mudar sua programação mental e adotar novas atitudes para ultrapassar os limites e caminhar rumo a sua realização pessoal e profissional. Pronto para dar o primeiro passo?

Comece devagar... uma jornada de mil léguas começa com um simples passo. (Confúcio)

Divulgação

Cynthia Mastropacha

1. Relevância O resultado é importante para você? Você se sentiria realizado se atingisse esse resultado? A relevância é o combustível para ação, se for realmente importante estará em sua mente e coração, fazendo com que você saia da sua zona de conforto, tenha disciplina e comprometimento para realização das ações.

não fique confuso é necessário que ele saiba todos os detalhes do que precisa ser feito para atingir o resultado. Responda as seguintes perguntas quando for definir sua meta: O que quer? Como quer? Quem estará envolvido? Onde será realizado? Quanto vai precisar avançar para saber se está no rumo certo, qual o indicador de mensuração? Qual o prazo, com início e término?

Psicóloga, com especializações em comportamento humano e organizacional, é Master Coach e Coach Executivo pelo BCI – Behavioral Coaching Institute, membro da Sociedade Brasileira de Coaching e Pós-Graduada em Gestão Estratégica de Recursos Humanos. Sócia-diretora da empresa de Consultoria Congruência Desenvolvimento Humano e coautora do livro Coaching - Grandes Mestres ensinam como estabelecer e alcançar resultados extraordinários na sua vida pessoal e profissional, da Editora Ser.


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TRAJETÓRIA

Fundação Ezute legado e desenvolvimento

Uma história alicerçada no delineamento e implantação de projetos estratégicos para o desenvolvimento e autonomia tecnológica do Brasil Por Karen Gobbatto e Valéria Rossi Fotos: Carla Dias e Divulgação

A denominação Ezute é nova. A marca veio este ano para substituir a Fundação Atech – existente desde 1997. Mas o legado, o conhecimento e a forma de atuar se mantêm desde a década de Tarcísio Takashi Muta 90, especialmente ligados a importantes projetos estratégicos para a autonomia tecnológica e o desenvolvimento do país. Hoje, a Ezute se posiciona como parceira dos clientes no apoio à gestão, no planejamento, na conceituação e definição de soluções tecnológicas e operacionais para que o Estado possa atuar com mais eficiência e produtividade na resposta ou na antecipação das demandas da sociedade. A Fundação desenvolve projetos em três áreas macro: social; PDI e Incubação; e apoio e suporte a programas e projetos da administração pública. Na área social, a instituição já aplicou recursos da ordem de R$ 500 mil em projetos

SIVAM/SIPAM 1997

sintonizados com a Curadoria de Fundações do Ministério Público de São Paulo. Nesse caso, as parcerias são consolidadas por meio de entidades como Fundação Anita Pastore D´Angelo; a Fundação Escola Aberta do Terceiro Setor; a APAE; a ADID – Associação para o Desenvolvimento Integral do Down; além de outras entidades na área cultural. Na área de PDI, a Ezute é reconhecida pelo MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação) como Instituição Científica e Tecnológica, e vem incentivando e desenvolvendo o espírito de empreendedorismo dos seus colaboradores por meio de incubações e inovações de base tecnológica. No apoio e suporte a seus clientes parceiros conta com uma carteira em torno de R$ 190 milhões, atuando em quatro frentes: projetos estratégicos; apoio à gestão; tecnologia operacional; e absorção e reaplicação de novos conhecimentos. ATUAÇÃO ESTRATÉGICA O Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul – SisGAAz é um exemplo de projeto estratégico desenvolvido pela Ezute em parceria com a Marinha do Brasil. Trata-se do delineamento sistêmico de uma rede integrada de meios, contemplando sensores terrestres, ma-

Sistema de Controle e Defesa de Tráfego Aéreo Brasileiro 1995 a 2009

Bilhete Único 2004

Projeto Atende AES Eletropaulo 2004


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rítimos e espaciais, centros de controle, monitoramento aéreo e ambiental, que vão permitir a vigilância e a proteção da riqueza marítima, a segurança das operações navais, incluindo o pré-sal, pela marinha brasileira e pelos órgãos que têm responsabilidades no mar territorial sob jurisdição brasileira. Em outras áreas do estado brasileiro tem desenvolvido atividades similares concebendo soluções tecnológicas para a melhoria da operação e da gestão. No apoio à gestão, a Ezute é parceira da Marinha do Brasil no Gerenciamento Complementar e Engenharia de Sistemas do Projeto do Míssil Antinavio (MANSUP), do qual participam várias empresas brasileiras da Base Industrial de Defesa. Neste caso, também foi desenvolvida uma plataforma de gestão dedicada para o gerenciamento do projeto e das atividades de engenharia de sistemas, dos requisitos técnicos e das interfaces entre os subsistemas e a validação dos componentes do programa. No campo da tecnologia operacional há o Sistema Integrado de Gestão da Assistência à Saúde (SIGA-Saúde), desenvolvido para o município de São Paulo e que já é utilizado no agendamento de consultas e exames de 18 milhões de pacientes do SUS. O sistema contempla os serviços de gestão e regulação dos atendimentos de especialidades, a visualização de vagas nas unidades, o histórico de atendimentos dos pacientes e do acompanhamento de gestantes, sendo o núcleo de um amplo e complexo sistema integrado delineado para os serviços de saúde pública do município. Outros projetos em desenvolvimento nesse sentido são: Concepção da solução de modernização tecnológica do Sistema de Gestão do Patrimônio Imobiliário para a Secretaria

Siga Saúde 2008

Mansup 2010

de Planejamento e Desenvolvimento Regional do Estado de São Paulo; Solução Tecnológica para Gestão de Bacias Hidrográficas e Outorga Eletrônica para uso dos recursos hídricos, para o DAEE – Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo; e Portal de Licenciamento Ambiental (PLA) e Sistema de Gestão Ambiental e Informações Administrativas (GAIA), para a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo – Cetesb. No plano da absorção e aplicação de novos conhecimentos, a Ezute conta com a confiança da Marinha do Brasil na Absorção de Tecnologia do Sistema de Combate de Submarinos. A Fundação deslocou especialistas para a França, os quais atuam no domínio tecnológico do sistema junto a DCNS para posterior aplicação na fase de fabricação dos submarinos no Brasil e, futuramente, no submarino de propulsão nuclear da Marinha. Neste projeto PROSUB a Fundação Ezute busca novamente contribuir para a consolidação da autonomia tecnológica brasileira em campos estratégicos sob a responsabilidade do estado brasileiro. “Nesse ciclo são repetidas as experiências exitosas de absorção de tecnologia que realizamos no Controle do Tráfego Aéreo e Defesa Aérea, no Sivam, e na Aeronave P3-Orion de Patrulha Marítima da FAB”, ressalta o presidente da Fundação Ezute, Tarcísio Takashi Muta. Por fim, a Ezute iniciou recentemente um projeto junto à Secretaria Municipal de Educação da cidade de São Paulo e realiza um levantamento e diagnóstico da malha tecnológica do órgão, tendo como foco um sistema de apoio à gestão estratégica, que visa permitir decisões e ações que aprimorem a eficiência e a performance dos programas de melhoria do ensino no município.

SisGAAz 2011

Ministério do Esporte 2013


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HISTÓRIA

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egundo conta o presidente da Fundação Ezute, também presidente da então Fundação Atech e líder na sua instituição em 1997, a entidade estabeleceu como missão atuar pelo desenvolvimento e pela autonomia tecnológica do Brasil, visando à soberania nacional. Esse posicionamento estava sintonizado com a responsabilidade da Fundação Atech como Empresa Integradora Brasileira do Projeto Sivam (Sistema de Vigilância e Proteção da Amazônia), que foi estabelecido pelo Governo Federal por meio do então Ministério da Aeronáutica e da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. “Essa responsabilidade avançava para além das questões técnicas – pressupunha determinação da equipe para construir o domínio e a entrega da solução tecnológica complexa do projeto, e dar respostas no campo internacional às suas críticas e ameaças para a soberania brasileira na Amazônia. Esse posicionamento estava no espírito da equipe da Fundação Atech ao assinarem o Termo de Adesão à criação da fundação, em 1997”, comenta Takashi Muta. A Fundação Ezute assume o legado consolidado de uma cultura organizacional onde termos como “tecnologias críticas”, “sistemas de sistemas”, “sistemas complexos”, “desenvolvimento brasileiro” e “autonomia tecnológica” são a base e os pilares conceituais, de posicionamento e de postura de seus profissionais, e que norteiam as ações da instituição. Segundo Takashi Muta, o desafio permanente é o de atuar em uma área estratégica de intangíveis, composta pelas áreas de ambientes e sistemas tecnológicos complexos, cada vez mais crítica na busca da eficiência e da eficácia das organizações, especialmente do setor público. “No caso do setor público entendemos ter um papel a exercer, que é o de continuar fazendo a nossa parte como parceiro para o desenvolvimento institucional dos seus órgãos: nos contratos os nossos profissionais têm como espírito e postura construir legados que permitam agregar valor na atuação dos órgãos públicos, visando o seu desenvolvimento contínuo, ou seja, vai além do prestar um serviço ou entregar um projeto”, comenta ele.

GRANDES EVENTOS ESPORTIVOS A Fundação Ezute tem desempenhado um destacado papel junto ao Ministério do Esporte na preparação da infraestrutura para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016. A Fundação vem desenvolvendo e implementando a Plataforma de Gestão Integrada, que tem como foco principal cada instalação com todo o seu ciclo de desenvolvimento. Ela possui mecanismos para gestão de pontos críticos, cronogramas, requisitos e também painéis estratégicos objetivando o apoio à tomada de decisão. Também atua como repositório, catalogado e indexado, de toda a documentação sobre cada uma das instalações de responsabilidade do Ministério, inclusive para atendimento às exigências dos órgãos de controle. “Trata-se de uma contribuição para dar eficiência e eficácia às ações do governo para a realização dos Jogos Olímpicos e Jogos Paraolímpicos Rio 2016, e que também será um legado que contribuirá na qualidade da gestão pública do nosso país”, destaca Takashi Muta. Segundo ele, seria insuficiente apenas atender às necessidades dos Jogos Olímpicos Rio 2016 na gestão e na forma para gerar transparência das informações e garantir conformidade com prazos, requisitos de ordem legal e orçamentária. A oportunidade é de desenvolver maturidade em gestão de forma a melhorar a eficiência e eficácia na condução de outros programas e projetos públicos, ou seja, de também construir legados. “A plataforma não possui fim nela mesma, mas apoia os ciclos de gestão das instalações no que se refere ao seu planejamento, execução, controle e monitoramento, e nas ações corretivas e preventivas”, explica o presidente da Fundação. Nesse projeto as responsabilidades da Ezute envolvem: · Gestão das aquisições – apoio técnico à modelagem dos instrumentos; subsídio à análise e comparação com custos de referência; suporte no acompanhamento dos processos de aquisições e prestação de contas; · Gestão de requisitos – apoio à revisão de especificações e requisitos para as intervenções; apoio no acompanhamento e comissionamento dos projetos e obras; · Controle integrado – apoio na elaboração e acompanhamento de plano-mestre com integração das ações e suporte no gerenciamento da comunicação.


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MERCADO

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Heron pode ser opção para vigilância marítima

Divulgação

IAI do Brasil, subsidiária da multinacional israelense IAI (Israel Aerospace Industries), quer expandir o uso do vant Heron no país. Há dois anos, os equipamentos já vêm sendo utilizados pela Polícia Federal brasileira em operações de vigilância de fronteiras terrestres. Segundo o presidente da IAI do Brasil, Henrique Gomes, o objetivo da empresa é introduzir o equipamento para ser uma opção para as operações marítimas em território nacional a partir de 2014. A aeronave, controlada à distância, opera com linha de visão e/ou comunicação por satélite, tem autonomia de até 40 horas de voo e pode fotografar ou filmar com nitidez pessoas ou objetos no solo de uma altura de até 30 mil pés. Utiliza diferentes sensores como câmera eletro-óptica, diurna e noturna para vigilância, sistemas de inteligência (comint e elint) e radares multifuncionais, podendo chegar a até 250 Kg em equipamentos, além de realizar decolagens e aterrissagens automáticas (ATOL) e poder voar em condições climáticas extremas. Na América do Sul, o Heron está em operação em diversos países, incluindo o Equador, onde opera com ótimos resultados em sua configuração marítima há mais de dois anos. O Heron também é utilizado no Himalaia, onde atua rotineiramente, decola e pousa em pistas localizadas a 11 mil pés e atinge alturas de mais de 30 mil pés. De acordo com Gomes, o Heron está em

operação nas Forças de Defesa de Israel (IDF) e é com ele que a marinha de Israel realiza a vigilância marítima daquele país, além de estar em uso em mais de 20 clientes em todo o mundo, com mais de um milhão de horas voadas. “O sistema já provou sua confiabilidade, segurança e disponibilidade operacional única em diversas missões aéreas, marítimas e terrestres”. No Brasil, Gomes acredita que ele possa ser usado em operações de vigilância das Forças Armadas, tanto em terra como no céu e no mar. Ele também afirma que a IAI vai investir no projeto em parceria com uma empresa brasileira, nos mesmos moldes da atuação com a IACIT, para que em breve o Heron seja fabricado no Brasil. ”Nosso objetivo é desenvolver parcerias e focar na troca de experiências e na transferência de tecnologia para nossos parceiros. Acreditamos que desta forma nosso negócio ficará cada vez mais fortalecido e as chances de crescer dentro do mercado nacional, com um parceiro local, serão maiores”. A IAI do Brasil já atua em conjunto com a IACIT, e as duas companhias assinaram um acordo de cooperação para transferência de tecnologia. Além do investimento na formação da IACIT para a fabricação, instalação e manutenção dos produtos da IAI para o mercado regional, as empresas também são parceiras no desenvolvimento de novos produtos e sistemas. Nesta cooperação está previsto o intercâmbio de profissionais, o investimento em laboratórios e fábricas, e acordos de propriedade intelectual.


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PÁGINAS VERDE AMARELAS

Marinha cria núcleo para gerenciar projetos estratégicos do País Por Valéria Rossi

A Marinha/CCSM

Marinha do Brasil passa por um momento de renovação, não apenas de equipamentos, mas também no que se refere à sua participação nos grandes projetos estratégicos que estão em desenvolvimento pelo governo brasileiro, como o Programa de Obtenção de Navios-Aeródro-

mos (Pronae), o Programa de Obtenção de Navios-Anfíbios (Pronanf), o SisGAAz (Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul), entre outros. Em entrevista para a INFORME ABIMDE, o Chefe do NI-DGePEM (Núcleo Implantação da Diretoria da Gestão dos Projetos Estratégicos da Marinha), Vice-Almirante Antônio Carlos Frade Carneiro, falou sobre os planos e as expectativas da organização para os próximos anos. Ele ressaltou que o Brasil, mesmo não sendo um país que vive sob conflitos de guerra, precisa cada vez mais se fortalecer. “Muitas vezes, se pergunta porque se aplicam recursos orçamentários em sistemas de armas, haja vista que há mais de seis décadas o nosso país não participa de conflito armado. A história dos povos demonstra que as nações têm interesses que, ao serem

contrariados e ao falharem todos os mecanismos democráticos existentes, haverá apenas um último recurso: o das Forças Armadas, que precisam ser preparadas por um longo tempo”. Para o Vice-Almirante, o país tem de ser independente e para isso é necessário um “profundo comprometimento com a Base Industrial de Defesa do Brasil, na execução de programas, cada vez com maior conteúdo local e com transferência de tecnologias para empresas nacionais”. INFORME ABIMDE – Como a marinha se reorganizou para criar o Núcleo de Implantação da Diretoria da Gestão dos Projetos Estratégicos da Marinha (NI-DGepem)? Vice-Almirante Antônio Carlos Frade Carneiro – Por meio de um grupo de trabalho de diversos setores da Marinha, que estudou as possíveis soluções para implementação da DGePEM. IA – Como o NI-DGePEM está estruturado? Almte. Frade – O núcleo foi criado apenas para preparação da implantação completa da DGePEM (Diretoria de Gestão de Projetos Estratégicos da Marinha) e será dissolvido em 2014, quando está prevista a ativação efetiva da nova direto-


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ria. A DGePEM será constituída basicamente por uma sede em Brasília, localizada no prédio anexo ao prédio do Comando da Marinha e uma superintendência no Rio de Janeiro. A parcela da OM (Organização Militar) localizada no Rio de Janeiro, na área do arsenal da Marinha, acompanhará a execução física dos projetos.

to, apenas o programa nuclear e o programa de construção de submarinos não serão geridos pela DGePEM, por já estarem em execução e já possuírem uma governança própria de sucesso. IA – Como o Núcleo poderá contribuir para a BID (Base Industrial de Defesa)?

monitorar e aumentar a segurança das nossas fronteiras terrestres. O SISgaaZ gerará muitos empregos em toda a cadeia produtiva durante a sua execução e trará uma enorme capacidade de monitoramento ambiental de defesa ao Brasil. IA – O senhor poderia detalhar um pouco cada um?

A DGePEM terá, como prinAlmte. Frade – De diversas Almte. Frade – Programa de cipais atribuições: executar, maneiras, mas, principalmente, Construção de Navios-Patrulha coordenar e gerir os projetos aplicando os princípios da Lei 500 ton. de obtenção e desenvolvimenn° 12.598, de 2012, privile Este programa prevê a to de meios e sistemas desiggiando as empresas brasileiras construção de mais 20 navios nados como estratégicos pelo de defesa. de 500 ton de deslocamento, almirantado, valendo-se para em estaleiros nacionais e com tal do concurso das diretorias IA – Quais projetos estarão alto índice de nacionalização. especializadas e centros esno DGePEM? Dois já foram construídos em pecializados envolvidos. Isso fortaleza e cinco estão em proporcionará uma visão inteAlmte. Frade – Atualmente, construção no Rio de Janeiro. grada dos projetos estratégios programas estratégicos de Como se percebe, é uma cos, contribuindo ótima oportunidapara a gestão de para a aplicados recursos ção do orçamenDesenvolvimento e defesa disponíveis, para to brasileiro em andam de mãos dadas. a adequação de várias regiões do Um não existe sem o outro custos, prazos e país, contribuindo riscos, bem como para a distribuição para a deterorçamentária do minação dos custos totais de construção de 20 navios-patru- Brasil regionalmente. posse, propriedade e do ciclo lha de 500 toneladas (NPA 500 de vida dos objetos desses pro- ton), por estaleiros nacionais e - Programa de Construção de gramas. com altos índices de nacionaliCorvetas. zação e que serão empregados Este programa ainIA – O que motivou a Maripara patrulhar a nossa “Amada será atribuído à gestão nha a criar o DGePEM? zônia Azul” (território marítimo da DGePEM. Está prevista a brasileiro com cerca de 3,6 construção de quatro corvetas Almte. Frade – Concentrar a milhões de km²) com tarefas modernizadas, a partir do progestão contratual de grandes de salvamento, proteção amjeto de sucesso, genuinamente programas em uma única orbiental, implementação das leis nacional, da corveta Barroso ganização, otimizando a exeno nosso mar, proteção em estaleiros brasileiros. Serão cução, o controle e o conhecido comércio marítimo brasilei- navios de escolta e que reformento. ro e das nossas bacias çarão a esquadra brasileira. petrolíferas. Esta será uma ótima oportuniIA – Qual o orçamento do O outro programa estra- dade para nossa indústria de Núcleo? tégico já sendo conduzido pela defesa participar, ativamente, DGePEM é o SISgaaZ (Sistema do programa de construção. A Almte. Frade – Variará de de Gerenciamento da Amazômarinha espera ter este proacordo com o número de pronia Azul), que será um enorme grama aprovado pelo governo gramas estratégicos que essistema de monitoramento e brasileiro e lançado em 2014, tejam em execução, mas com vigilância das nossas águas quando o projeto de construcerteza será a organização da oceânicas e das nossas hidroção estará pronto. marinha que terá a gestão da vias, semelhante ao Sisfron maior fatia orçamentária na ru- do exército brasileiro, que já - Programa de Obtenção de brica investimento. No momen- está em desenvolvimento para Navios de Superfície (Prosuper)


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É o nosso principal programa estratégico para repor a coluna mestra da esquadra e prevê a construção de cinco navios-patrulha, de 1800 ton, para emprego no limite da área marítima de interesse estratégico da marinha, cinco fragatas de 6000 ton, de alta capacidade de combate, para substituir as nossas fragatas, que já têm mais de 30 anos de ótimos serviços, e um navio de apoio logístico. Este programa já está plenamente definido pela marinha e apenas aguarda a aprovação governamental para seu início. A sua execução será no Brasil e trará um enorme desenvolvimento tecnológico para a construção naval brasileira.

- Programa de Obtenção de Navios-Aeródromos (Pronae) O Brasil é uma das poucas nações do mundo cuja marinha detém o conhecimento e o adestramento para operação de Navios-Aeródromos (NAe). O projeto e a construção de um navio como esse é um grande desafio. A marinha está em negociação com países detentores das tecnologias de projeto e construção de NAe, com o propósito de projetar e construí-lo no Brasil. - Programa de Obtenção de Navios-Anfíbios (Pronanf) Da mesma forma que o Pronae, existe a necessidade de serem projetados e construídos no Brasil dois navios-anfíbios para substituir o NDD (Navio de Desembarque de Doca) Rio de Janeiro, este já descomissionado, e o NDD Ceará – navios recebidos dos Estados Unidos há muito tempo e que se mostram obsoletos e de difícil manutenção. Para sua substituição, a marinha pretende adquirir a capacidade de projetar e construir no Brasil, com auxílio e transferência de

tecnologia de empresas de defesa internacionais. Esses navios são também conhecidos como navios de múltiplos propósitos, pois possuem a capacidade de transporte de tropa, viaturas anfíbias e blindadas, helicópteros, recebimento e tratamento de baixas hospitalares e de comando e controle. Em face de suas capacidades, têm enorme possibilidade de participarem de ações de calamidade pública ou de desastres ambientais; apresentando uma capacidade dual para operações navais e operações de apoio à defesa civil.

Nosso país cresce e, portanto, precisa investir em defesa - SisGAAz (Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul) Como explicado anteriormente, o SisGAAz atende à orientação estratégica prevista na END (Estratégia Nacional de Defesa), que determina a plena capacidade do monitoramento e controle das áreas jurisdicionais brasileiras. Este sistema deverá ser desenvolvido totalmente no Brasil com forte índice de nacionalização, dando ao país uma capacidade de controle das áreas marítimas de interesse tanto nos aspectos de defesa, quanto no aspecto ambiental. Teremos capacidade de impor as leis brasileiras em nossos mares. É importante ressaltar a crescente importância econômica do mar e dos nossos rios para o desenvol-

vimento brasileiro. A cada dia, o comércio internacional pelo mar, o transporte de mercadorias pelas hidrovias, a pesca, a maricultura, a prospecção de petróleo, além de outras atividades, mostram a importância do perfeito conhecimento que a Marinha do Brasil deve ter do ambiente marítimo e fluvial. Os impactos decorrentes de qualquer ameaça nas atividades que são desenvolvidas nesses ambientes afetarão diretamente a população brasileira. - Mansup - Este assunto não está sob gestão da DGePEM, porém posso dizer que está em andamento com o auxílio de empresas brasileiras no desenvolvimento do míssil, tendo até o momento obtido sucesso em todas as etapas.

IA – O que as empresas do setor de defesa podem esperar para os próximos anos?


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Almte. Frade – O profundo comprometimento com a BID (Base Industrial de Defesa) na execução dos programas, cada vez com maior conteúdo local e com transferência de tecnologias para empresas brasileiras. O Brasil precisa ser independente e soberano e só conseguirá isso se tiver uma indústria de defesa forte, tecnologicamente desenvolvida e capaz de atender às necessidades de reaparelhamento das forças armadas. IA – Quais as expectativas do senhor para o setor em 2014? Almte. Frade – As melhores possíveis. Nosso país cresce e, portanto, precisa investir em defesa. Não há nenhum país no mundo que se desenvolva e deixe de investir em defesa. Desenvolvimento e defesa andam de mãos dadas. Um não existe sem o outro. IA – Como o senhor avalia a indústria nacional (em termos tecnológicos) para atuar com os projetos estratégicos do governo brasileiro? Almte. Frade – Aí se encontra um dos gargalos para a indústria de defesa, haja vista que durante muito tempo não se realizaram encomendas a essas empresas. Mas existem ilhas de competência expressivas no Brasil, que mostram que quando há recursos para se contratar produtos e serviços elas demonstram toda capacidade no seu atendimento. Porém, em razão dessa indústria apresentar uma característica singular em relação a todas as demais componentes do parque industrial brasileiro, ou seja, ter apenas um cliente que é o governo, há necessidade de que existam orçamentos públicos firmes que possibilitem que este setor da indústria tenha um planejamento de longo prazo, se capacite e mantenha condições para atender à demanda do setor. Neste momento, é importante ressaltar que a nova Lei nº 12.598/2012 traz condições mais favoráveis de competição à indústria brasileira em comparação com os grandes conglomerados de defesa internacionais. Mas não basta apenas isso, é preciso que o país decida realmente manter um aporte de recursos orçamentários com regularidade para que haja a segurança natural ao desenvolvimento da BID. IA – Algumas empresas brasileiras estão investindo pesado no desenvolvimento, no aprimoramento de tecnologias de radares, em VANT (Veículo Aéreo Não Tripulado), em telecomunicações, em cyber defesa,

entre outras atividades. Como o senhor avalia esse investimento? Almte. Frade – Para as Forças Armadas essa é uma notícia muito importante, pois trará a natural independência e soberania tão almejadas para a obtenção de sistemas e equipamentos na linha da fronteira do conhecimento. Além disso, é importante destacar que esse desenvolvimento tecnológico é importantíssimo para absorção de toda a capacidade intelectual acadêmica das nossas universidades e centros de pesquisas. Novos grupos empresariais, que no passado recente não participavam da área de defesa, hoje trazem a sua capacidade de gerência financeira para a área, associando-se a conglomerados brasileiro de menor porte – mas que detinham a tecnologia e o conhecimento do setor. Para termos uma indústria capaz de concorrer no mercado internacional é importante, neste momento, destacar novamente que esse segmento trabalha na fronteira de tecnologia e possui, como já dito anteriormente, apenas um cliente, o governo. Com isso suas atividades envolvem um risco empresarial que pode ser minimizado utilizando-se os mecanismos previstos na lei supracitada, que ao ser transformada em uma EED (Empresa Estratégica de Defesa) passa a gozar de um regime tributário diferenciado por meio do Retid (Regime Especial Tributário para a Indústria de Defesa). Além disso, a nova lei permite que esses grupos nacionais participem com vantagens nos processos licitatórios de reaparelhamento das Forças Armadas. Observa-se que este é um fenômeno interessante decorrente dessa nova moldura legal que é a vontade mostrada pelos grupos estrangeiros de virem para o Brasil, associarem-se com grupos nacionais, transferindo tecnologia de ponta e, assim, poderem participar da BID.

é preciso que o país decida realmente manter um aporte de recursos orçamentários com regularidade para que haja a segurança natural ao desenvolvimento da BID


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Fotos: Divulgação

RADARES

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á quase três décadas no mercado de Defesa, Segurança e Tecnologias Complexas, a IACIT não para de inovar e anuncia seus investimentos e expansão para as próximas décadas. A empresa, que há cada ano fortalece sua presença dentro das Forças Armadas, colocará o Brasil entre os poucos países com tecnologias para olhar “além do horizonte”, enxergar as riquezas de nossos mares e vigiar nossas fronteiras. Em 2014, a IACIT começará a produzir, em São José dos Campos, radares voltados para vigilância terrestre e dará início aos testes dos radares “Oceânico” e o “Além do Horizonte” no sul. Isso significa um grande passo rumo ao futuro das tecnologias necessárias para autonomia do país. Com esse objetivo, a companhia brasileira sempre atuou na vanguarda. Foi a IACIT que desenvolveu o primeiro Radar Oceânico totalmente nacional, que atua na obtenção das medidas de Correntes Superficiais Oceânicas por meio de uma plataforma Radar em HF (High Frequency), contemplando a mais alta tecnologia para processamento de sinais. A Plataforma Radar utiliza conceitos de modularidade, permitindo a adequação de suas capacidades funcionais e operacionais, tendo sido idealizada para atender as diversas demandas, por exemplo, sensoriamento marítimo (meteorologia radar), vigilância marítima, monitoramento do tráfego como futuros produtos, derivados da evolução da atual plataforma. O projeto é composto por subsistemas responsáveis pela Transmissão e Recepção em HF, processamento de sinais e armazenamento de dados. Devido à alta tecnologia empregada, o Radar Oceânico IACIT necessita de pequenas áreas para a instalação do sistema. Este projeto amplia a atuação da IACIT, que teve na Defesa Nacional o seu foco principal desde a inauguração. A tecnologia permitiu a evolução da plataforma para outras soluções, como para rádio de comunicação em HF, Radar Além-do-Horizonte e Radar de Vigilância voltado para o segmento. “O Radar atende à demanda militar e civil presente e futura do Brasil, tendo também potencial para exportação. Com isso, tal projeto passa a representar uma das estratégias de desenvolvimento da empresa e permitirá o desenvolvimento de novas linhas de radares a partir dessa base tecnológica”, ressalta o presidente da IACIT, Luiz Teixeira.

TECNOLOGIA EM FAVOR DA AUTONOMIA DO PAÍS Por Karen Gobbatto


FÁBRICA DE RADARES

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crescente participação da empresa no setor de alta tecnologia fez com que ela firmasse importantes parcerias ao longo dos anos. Uma delas, fechada recentemente com a ELTA Systems, subsidiária da Israel Aerospace Industries (IAI), contemplará a fabricação dos radares da Família RAV-2105 na unidade de São José dos Campos, além da transferência tecnológica entre as duas empresas, como resultado do acordo de cooperação técnica para o fortalecimento da indústria brasileira de defesa e segurança. O Radar RAV-2105 integra uma família de radares táticos de vigilância terrestre, projetados para fornecer cobertura de 360 graus com um radar rotativo. Este equipamento proporciona alta probabilidade de interceptação de alvo e suporta as missões das forças militares e unidades de aplicação paramilitares. Também pode ser usado na área civil na proteção de lugares tais como: usinas hidrelétricas, centros de comunicação, aeroportos, usinas, reservatórios etc. Segundo Teixeira, o RAV2105 é um dos sensores que integra o Sistema de Vigilância e Inteligência da IACIT, o MSISS 0100. O MSISS é um avançado sistema que integra dados de diferentes sensores e fornece um quadro em tempo real do cenário monitorado e disponibiliza as recomendações táticas aos centros de comando e controle, possibilitando as tomadas de decisões.

Modernizando a Meteorologia do Sivam

Dentre os projetos na área de defesa e segurança que a IACIT participa, o Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia) é um dos mais significativos para a companhia. Até o final deste ano, a empresa vai modernizar todos os seus radares meteorológicos. “Vencer essa concorrência e realizar esse contrato é mais um passo da indústria brasileira na busca de sua autonomia e representa o forte investimento que a IACIT vem realizando nos últimos anos em pesquisa e desenvolvimento”, comemora o presidente da companhia, Luiz Teixeira. O contrato contempla a atualização tecnológica dos Radares Meteorológicos DWSR 8500S, empregados pelo Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB) e no Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), para que operem de acordo com a tecnologia já adotada pelos radares do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA). Com isso, os equipamentos passarão a ter maior capacidade de processamento de dados e maior resolução de amostragem dos sinais, aumentando a vida útil em mais dez anos. Haverá a substituição de módulos em tecnologia analógica ou discreta pela digital de alta confiabilidade, além de prover facilidades nas ferramentas de diagnósticos e de operação de sistema. Com esse projeto de modernização, também será possível realizar o controle e a disponibilização das informações de todos os radares meteorológicos do Comando da Aeronáutica, instalados no Brasil, em um único centro de visualização, e aprimorar os processos técnicos e logísticos envolvidos.


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AMIGO DA MARINHA A importância estratégica da IACIT para a autonomia nacional na área de segurança e defesa ganhou maior evidência no último mês de novembro, quando o presidente da empresa, Luiz Teixeira, recebeu o título “Amigo da Marinha”, oferecido em reconhecimento à colaboração e aos serviços prestados em prol do atendimento de ideais e objetivos da Marinha do Brasil. A cerimônia de entrega ocorreu na sede do 1º Distrito Naval, com honras feitas pelo comandante do local, Vice-Almirante Ilques Barbosa Junior. “Receber este título é uma honra pessoal e também como empresário. É a confirmação de que a IACIT vem se destacando no quesito inovação e também no trabalho oferecido aos seus clientes. A parceria com a Marinha do Brasil reforça nossa capacidade de suprir o setor de defesa com produtos e serviços de ponta”, comenta Teixeira. A empresa firmou um acordo para modernizar um conjunto de rádios transmissores HF (alta frequência), sendo um modelo de uso terrestre e outro de uso naval. Os rádios – modelos SSB/CW de 1KW – TRM1000 modelo ET/SRT-6 (uso terrestre) e ET/SRT-6 AV (uso naval), desenvolvidos pela extinta Tecnasa Eletrônica Profissional S.A., devem ganhar uma sobrevida de mais dez anos com esse o trabalho de modernização.

Divulgação

Este é o segundo contrato de parceria entre a IACIT e a marinha brasileira. A empresa já atuou no projeto do DME (Distance Measurig Equipment), instalado em um navio da Força Naval. “A IACIT alinhou sua estratégia de desenvolvimento atrelada à política nacional da indústria de defesa. Essa nova parceria reforça nossa capacidade de suprir o setor com produtos e serviços de ponta”, conclui o executivo. Luiz Teixeira, presidente da Iacit, e o Vice-Almirante Celso Barbosa Montenegro, diretor de saúde da Marinha do Brasil


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INOVAÇÃO

ARES constrói centro para produção de Estações de Armas

Sistema irá equipar novos blindados do Programa GUARANI, do Exército Brasileiro

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Divulgação/CTEx

uque de Caxias, na Grande Rio, está prestes a ganhar um centro de excelência em desenvolvimento e produção de Estações de Armas Remotamente Controladas (EARC). Com um investimento de mais de US$ 2 milhões, a unidade, construída pela Ares, ficará pronta no primeiro trimestre do ano que vem e ocupará uma área de 800 metros quadrados, ao lado do atual prédio onde já funciona a empresa. Futuramente, a ideia é que o local sirva também para a produção de outros sistemas de armas da companhia. “As atividades nessa unidade terão início com a produção do REMAX, uma EARC para metralhadoras 12,7/7,62 mm. Nosso objetivo é construir um centro com os mais modernos equipamentos disponíveis no mercado. Queremos ser referência na produção de Estações de Armas e de outros sistemas para o exército brasileiro”, afirma o gerente do projeto REMAX, Frederico Medella. O REMAX é uma solução criada pela ARES para prover capacidade de autodefesa para as novas viaturas blindadas do Programa GUARANI, do exército brasileiro. Trata-se de um sistema de armas 100% nacional, com

posto de um reparo de metralhadora com acionamento elétrico e controlado remotamente por um operador posicionado no interior da viatura. O REMAX foi desenvolvido em parceria com o Centro Tecnológico do Exército (CTEx) e pode ser configurado para usar a metralhadora Browning calibre 12,7 mm M2 HB ou a metralhadora MAG calibre de 7,62 mm. Além de permitir a substituição do armamento em campo, o sistema é giro-estabilizado, possui telêmetro laser e câmeras para visão diurna (CCD) e noturna (termal). Histórico Em 2006, a ARES foi contratada pelo exército brasileiro para pesquisa e desenvolvimento de uma EARC para uso nos veículos do Projeto GUARANI. Em 2009, foram apresentados dois protótipos que foram aprovados em 2012 nas avaliações de tiro (parado e em movimento) e de resistência. Nesse mesmo ano, foi assinado o contrato para produção do primeiro lote de 76 unidades, no valor de US$ 25 milhões, com previsão de entrega até 2015.

Prioridade Este é hoje o principal projeto em curso na ARES. Uma equipe de 10 engenheiros está diretamente envolvida no projeto, garantindo que o REMAX seja uma realidade para o exército brasileiro. A expectativa é de que mais 500 unidades do REMAX sejam vendidas para o exército brasileiro até 2029. Segundo o CTEx, o REMAX irá possibilitar uma nova dimensão à Força Terrestre Brasileira e à defesa nacional, principalmente nas novas missões de GLO (Garantia da Lei e da Ordem) e em combates urbanos de baixa intensidade.

Protótipo 2 do REMAX


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CIBERNÉTICA

DESTAQUE

Estratégica para o setor de Defesa e Segurança

Divulgação

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Por Karen Gobbatto

mundo está cada vez mais conectado e os sistemas de informação estão no centro das discussões, sendo peça fundamental para o avanço de empresas e estados, além de estratégico para a soberania nacional. Para dominar essa nova interface tecnológica, a Estratégia Nacional de Defesa criou o Comitê de Cibernética e as empresas começam a ser convidadas, por meio da ABIMDE, a participar desse projeto. A importância desse comitê e como as empresas brasileiras do setor de defesa e segurança poderão participar são o tema da entrevista a seguir, concedida por Roberto Gallo, coordenador do Comitê de Cibernética. Informe ABIMDE – O que é o Comitê de Cibernética e qual seu propósito? Roberto Gallo – O comitê foi criado a pedido do Ministério da Defesa, sendo que a END (Estratégia

Nacional de Defesa) estabelece o setor cibernético como essencial para as Forças Armadas (FFAA) do futuro. Esta importância é derivada do fato de que os sistemas de informação são e serão cada vez mais ubíquos. Em especial, a END foca na operação das FFAA na forma de rede, seguindo a moderna doutrina “Netcentric Warfare”. Este segmento demanda sistemas de informação seguros e resilientes e que deem total suporte aos ciclos de comando e controle, como o OODA (modelo de processo para tomada de decisão). Além dos objetivos “defensivos” (ou de proteção), não se pode ignorar as finalidades exploratórias e ofensivas. Artefatos cibernéticos (armamentos) vêm sendo desenvolvidos pelas principais nações com objetivos diversos, como militares, de inteligência e econômicos. Nesse contexto, a mobilização da indústria é fundamental tanto no sentido de prover solução de Defesa e Segurança Pública “seguras” do ponto de vista cibernético, como prover, se necessário, opções ofensivas para as FFAA. IA – Como vai funcionar? Gallo – A forma de funcionamento do Comitê ainda está sendo definida. De qualquer forma, deverá se apoiar nos sucessos dos comitês de simulação e de VANTs, respeitando a horizontalidade particular do tema cibernético. Alguns objetivos mais imediatos do comitê incluem o estabelecimento de um “road-map” para o setor, o aumento da conscientização sobre a transversalidade do tema e os impactos na competitividade das ofertas da indústria nacional.

IA – Que tipo de empresa poderá participar? Gallo – Ao observarmos as maiores empresas de defesa no mundo, constatamos que a mobilização da indústria no cibernético é estratégica: Boeing, EADS, Lockheed Martin, L3, Thales são apenas alguns exemplos de líderes globais que possuem unidades para a área cibernética. O comitê tem interesse não só nas associadas que possuem ofertas diretas na área cibernética, mas também naquelas que possuem sistemas de informação. Empresas que não contemplarem a área cibernética sofrerão diminuição de sua competitividade de curto a médio prazo. Para entender um pouco melhor como a segurança cibernética tem papel fundamental nas ofertas que possuem sistemas de informação, basta pensarmos no conceito de qualidade. Apesar de tratarem de objetivos diferentes, essas transversais dividem diversas características: dificilmente é possível imprimir qualidade em um produto depois de pronto, é necessário que processos, pessoas e técnica sejam empregados de forma coordenada desde a concepção das soluções até o seu comissionamento junto ao cliente. Segurança cibernética demanda o mesmo tipo de tratamento. IA – Como participar? Gallo – É muito simples, neste primeiro momento basta a associada enviar e-mail respondendo à convocação realizada pela ABIMDE para abimde@ abimde.org.br, contendo como título “Comitê de Cibernética” e o nome da empresa.


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DESTAQUE

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Barcos da DGS operam na Ilha de Trindade e Antártida em apoio à Marinha potência de 90HP, podendo chegar a 150HP. A embarcação tem capacidade para transportar tripulação de até oito pessoas e suporta até 2.000 kg de carga. DGS Defence A DGS Defence é um estaleiro carioca dedicado à construção de embarcações militares com o uso de alta tecnologia em engenharia naval. Cada modelo DGS é um projeto exclusivo, desenvolvido a partir das necessidades e características especiais das missões de seus clientes. Fundada em 2007, a DGS Defence desenvolveu e detém a patente das embarcações tubulares rígidas híbridas (Extreme Hull - XH®). Todas as embarcações DGS têm alta resistência operacional – são insubmergíveis e não pegam fogo –, longo ciclo de vida e custo de manutenção extremamente baixo. Também é o único estaleiro do país que produz um modelo de lancha de interceptação e patrulha blindada e com sistema antirradar, a DGS 888 (INTERCEPTOR E PATROL). Com foco em sustentabilidade, a DGS Defence desenvolve projetos considerando processos de fabricação com o mínimo impacto ambiental. O corpo das embarcações, em copolímero de etileno de alta densidade (plástico de engenharia), e a cabine de alumínio podem ser totalmente recicláveis. Além disso, farelos de corte são recolhidos e triturados e há filtros nas cabines de pintura. A linha de produtos da DGS já obteve inúmeros atestados de capacidade técnica de seus clientes, entre os quais a Marinha do Brasil, o Exército Brasileiro, o Departamento de Polícia Federal, Grupo Especial de Fronteiras (GEFROM), Odebrecht, entre outros.

Divulgação

rês embarcações modelo DGS XH 600 FH, produzidas pelo estaleiro carioca DGS Defence e fornecidas este ano à marinha, já estão em operação na fronteira leste do país, em apoio a importantes pesquisas científicas, e no Polo Sul, em serviços de logística para a base brasileira de Comandante Ferraz, na Antártida. Esses barcos seguem o conceito inovador das ETRHs (Embarcação Tubular Rígida Híbrida), criado e patenteado pela DGS Defence. Fabricadas em copolímero de engenharia de ultra-alto peso molecular, para resistir a situações adversas como troncos e pedras, as ETRHs não afundam, não pegam fogo, têm longa vida útil e baixo custo de manutenção. Duas DGS XH 600 FH foram utilizadas pela tripulação do navio hidroceanográfico Cruzeiro do Sul em sua 26ª viagem ao Arquipélago Trindade e Martin Vaz, no período de 17 de julho a 1º de agosto. Situada a 1.025 km da costa do Estado do Espírito Santo, Trindade é considerado o local habitado mais remoto do país. Durante a Expedição Científica Protrindade V foram realizados 10 projetos científicos, que envolveram 25 pesquisadores de várias universidades. A viagem é parte do projeto Laboratório Nacional Embarcado, cooperação entre o Ministério de Ciência e Tecnologia e Inovação e a Marinha do Brasil para ampliar o conhecimento da Amazônia Azul. A marinha, agora, utiliza as embarcações da DGS para envio de materiais e passageiros à região. Essas operações otimizaram e reduziram os custos de logística na Ilha de Trindade, antes abastecida por helicópteros. “Os barcos da DGS que estamos usando na região atendem perfeitamente as nossas expectativas”, afirma o Capitão-de-Fragata Rodrigo Otoch Chaves, gerente do Programa de Pesquisas Científicas na Ilha de Trindade, da Secretaria da Comissão Interministerial para Recursos do Mar. Outra embarcação do mesmo modelo está na Antártida, dando apoio logístico à reconstrução do Comandante Ferraz. A base de pesquisa científica brasileira no continente gelado foi destruída num incêndio em 2012. As DGS XH 600 FH entregues à Marinha medem 6 metros de comprimento por 2,4 metros de largura. Sua propulsão é feita por motor de popa, com


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ESPECIAL

DE OLHO NO FUTURO

Ministro Celso Amorim fala de crescimento e da continuidade dos grandes projetos estratégicos para o país

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Por Valéria Rossi e Claudia Pereira

setor de defesa vem retomando seu espaço nos últimos anos dentro das discussões de projetos e prioridades do governo brasileiro. Desde a criação da Estratégia Nacional de Defesa (END), em 2008, vários projetos foram anunciados, o que fomentou o crescimento da indústria brasileira. De acordo com a ABIMDE, que hoje agrega 208 empresas, as companhias geram juntas cerca de 30 mil empregos diretos e 120 mil indiretos, movimentando mais de US$ 4 bilhões por ano em exportação e importação. Conforme estudo realizado recentemente pela entidade, esse número de empregos pode mais que dobrar nas próximas duas décadas, devido aos anúncios dos projetos pretendidos para o país. A expectativa é de que os investimentos girem em torno de US$ 180 bilhões a longo prazo, sendo US$ 100 bilhões já anunciados para programas voltados para vigilância das fronteiras marítimas, aéreas e terrestres. Até 2020, o setor de defesa deverá criar cerca de 48 mil novos empregos diretos e 190 mil indiretos. A revista Informe ABIMDE conversou com o Ministro da Defesa, Celso Amorim, para saber um pouco mais sobre os planos e expectativas do governo para o setor. Segundo ele, o governo está comprometido com essa necessidade de continuidade dos projetos da defesa, e tem buscado recuperar a capacidade de investimento do país no setor. “Os projetos estratégicos foram definidos a partir das diretrizes estabelecidas na Estratégia Nacional de Defesa (END). Eles são prioritários porque, dentre outros aspectos, nos permitirão desenvolver capacidade para defender, com eficiência, nossa soberania e nossos interesses no futuro”, ressaltou o Ministro. Ele também fala sobre os cortes nos orçamentos, da expectativa para 2014 e da importância em ter uma entidade como a ABIMDE apoiando e trabalhando pelos interesses da Base Industrial de Defesa brasileira.

Fotos: Felipe Barra/ MD e Carla Dias


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Informe ABIMDE – Como o senhor avalia o atual cenário de defesa no Brasil?

inclusive com os dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) esse orçamento ainda é baixo. A média dos Brics é da ordem de 2,5%. Tenho defendido ser razoável o Brasil atingir 2% do PIB. Isso naturalmente não ocorre de um ano para o outro. Talvez possamos chegar a esse patamar num período de 10 anos.

Ministro da Defesa Celso Amorim – O Brasil obteve, nos últimos anos, avanços significativos nos campos econômico e social. Estamos crescendo, somos a 7ª economia do mundo, mas não esquecemos de incluir socialmente uma camada expressiva da população. Esses avanços elevaIA – Quais as expectativas para 2014? O ram o país a uma nova estatura internacional. que a indústria nacional pode esperar para O atual momento histórico nos impõe um futuro próximo? responsabilidades de grande magnitude, sendo uma das principais delas a da defesa nacional. De Ministro – O governo está comprometido com maneira sintética, afirmo que a defesa tem caessa necessidade de continuidade dos projetos minhado bem. Isso não significa, naturalmente, da defesa, e tem buscado recuperar a capacidade que a situação é a ideal. Temos muitos desafios de investimento do país no setor. Temos consepela frente e estamos trabalhando muito para guido, em diversos casos, manter o nível contisuperá-los. Neste governo, temos a compreensão nuado de investimentos em projetos da área. É o de que defesa e desenvolvimento são objetivos caso, por exemplo, do KC-390 (avião cargueiro e complementares. Não se trata de uma falsa dide reabastecimento militar) e do ProSub (desencotomia entre investimentos na área social, cuja volvimento e construção de submarinos convenprioridade é indiscutível, e investimentos na área cionais e a propulsão nuclear). A propósito, por da defesa. O reforço de nossa indústria de defesua importância estratégica, esses dois projetos sa contribui para a foram incluídos proteção de nosso no Programa modelo de desende Aceleração O governo está comprometido com volvimento. Como do Crescimento essa necessidade de continuidade dos já afirmou a presi(PAC), o que projetos da defesa, e tem buscado denta Dilma Rouslhes confere seff, a indústria de recuperar a capacidade de investimento prioridade orçadefesa é acima de mentária. Para do país no setor tudo uma indústria não me ater do conhecimento. E apenas à quesno conhecimento repousa o futuro do país. tão dos desembolsos, eu mencionaria aqui outras duas iniciativas relevantes para o futuro da nosIA – Na opinião do senhor, os cortes no orsa indústria. A primeira é a lei sobre a empresa çamento do setor refletiram muito na indús- estratégica de defesa (Lei nº 12.598/12), que tria de defesa ou ainda é cedo para avaliar? marca uma inflexão na política nacional. Além de instituir um marco regulatório para o setor, Ministro – De alguma maneira, contingenciaela cria condições objetivas para a diminuição do mentos orçamentários impactam a atividade custo de produção de companhias classificadas industrial. No entanto, é preciso esclarecer como estratégicas. Sem contar o fato de que ela que, nos últimos anos, temos conseguido estabelece incentivos ao desenvolvimento da tecdescontingenciar, ao longo dos exercícios nologia indispensável ao setor. financeiros, boa parte dos recursos destina- Outro aspecto interessante dessa norma é dos à defesa. Nosso orçamento tem corresa criação de um termo de licitação especial, com pondido, na última década, a cerca de 1,5% o objetivo de favorecer as empresas nacionais do Produto Interno Bruto (PIB). Em termos que tenham realmente investido nesse setor, e absolutos, o orçamento da defesa, com pecujas cadeias produtivas estejam efetivamente quenas oscilações de um ano para outro, alocadas no Brasil. A segunda é o Plano de Artitambém teve um crescimento imporculação e Equipamento da Defesa (PAED). Estatante na última década, inclusive no mos na reta final de elaboração desse importante que diz respeito a custeio e invesinstrumento voltado ao reforço da capacidade timento (saltou de R$ 4,6 bilhões operacional das Forças Armadas brasileiras. Emem 2003 para R$ 18,6 bilhões bora seja um plano indicativo, sem a força dos em 2013). Embora tenha havido planos plurianuais, o PAED será referência imporesse aumento, se fizermos, por tante para ações de longo prazo empreendidas exemplo, uma comparapara a defesa. Ele reunirá todos os principais ção com outros países, projetos constantes nos planos de equipamento


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Ministro – A preocupação do Brasil com defesa cibernética antecede as denúncias recentes de espionagem eletrônica. Na verdade, a Estratégia Nacional de Defesa (END), de 2008, já elencava como prioritário o setor cibernético ao lado do IA – Como o senhor viu a regulamentação nuclear e do espacial. Não há como negar que do Retid? Podemos ver nisso uma esperança os ataques cibernéticos são hoje uma realidade para o crescimento no setor? O que de fato a ser enfrentada por países de todas as regiões deve mudar com essa regulamentação? do mundo. A partir da necessidade apontada pela END, o Ministério da Defesa criou, no ano pasMinistro – A regulamentação do Retid veio em sado, o Centro de Defesa Cibernética, que está muito boa hora. Não tenho dúvida de que, assob a responsabilidade do Exército. O Centro já sociada ao conjunto do marco normativo relatiesteve ativo em grandes eventos como a Rio+20, vo à empresa estratégica, ela dará um impulso e estará funcionando na Copa 2014 e nas Olimpíimportante ao crescimento industrial do setor. adas de 2016. Estamos agora tratando de reforEspecificamente em relação ao Retid, há benefíçar o CDCiber e de garantir sua coordenação com cios como a suspensão do PIS/Pasep (Programa os núcleos existentes na Marinha e FAB. Isso, de Integração Social e de Formação do Patrimôobviamente, exigirá recursos consideravelmente nio do Servidor Público) e da Cofins (Contribuisuperiores aos existentes no momento. ção para o Financiamento da Seguridade Social) As denúncias de espionagem, é claro, eleem casos de venda para o mercado interno e de varam nossa preocupação com o setor cibernéimportação. Empresas do setor de defesa que se tico. Determinei, em setembro último, a criação enquadrarem no regime ainda ficarão isentas do de um grupo de trabalho para estudar medidas IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). com o objetivo de fortalecer a proteção das redes São incentivos redas instituições levantes para quem Além de instituir um marco regulatório que compõem produz. a defesa napara o setor, ela (a Lei 12.598/12) cria cional, tais condições objetivas para a diminuição IA – O governo como os três anunciou grandes Comandos e a do custo de produção de companhias projetos estratégiAdministração classificadas como estratégicas cos de defesa nos Central do Miúltimos tempos, nistério. Agora, como ficam eles para os próximos anos? é preciso dizer que o Brasil não é a única nação a estar sujeita a ataques cibernéticos. Todos os Ministro – Os projetos estratégicos foram depaíses do mundo são vulneráveis a esses ataques finidos a partir das diretrizes estabelecidas na em grau menor ou maior. A questão não é saber Estratégia Nacional de Defesa (END). Eles são se estamos preparados. E, sim, se estamos nos prioritários porque, dentre outros aspectos, nos preparando. E a esse respeito posso dizer que, permitirão desenvolver capacidade para defender, sim, nós estamos. Afirmo, porém, que só terecom eficiência, nossa soberania e nossos interes- mos segurança nesse campo se desenvolvermos ses no futuro. Além de atenção especial, como já tecnologias nacionais, tanto em hardware quanto observei, essas iniciativas contam com aportes em software, suscetíveis de evitar a existência financeiros que garantem sua execução continudos chamados backdoors. Para essa tarefa, conada. Muitos desses projetos, como é caso do Pro- sidero ser fundamental a participação da indúsSub, do KC-390 e do Sisfron (Sistema Integrado tria nacional e da universidade. de Monitoramento de Fronteiras), estão se desenvolvendo de maneira satisfatória. É claro que, IA - Outro segmento que vem ganhando em alguns casos, por restrições orçamentárias espaço na mídia nos últimos tempos é o de pontuais, alguns dos projetos podem receber me- VANT (Veículo Aéreo Não Tripulado). Qual a nos recursos num ou noutro ano. Mas temos feito expectativa do governo para utilização desum grande esforço para garantir a continuidade ses equipamentos no Brasil? de recursos para essas iniciativas, fundamentais para a construção de Forças Armadas modernas Ministro – O Brasil já utiliza esses equipamene equipadas. tos. A Força Aérea Brasileira possui VANTs que são utilizados em missões de vigilância. Eu mesIA – No setor de Cyber Defesa, como o mimo já pude observar, pessoalmente, o emprego nistério pretende atuar nos próximos anos? desse tipo de aeronave este ano durante a opeO que vem sendo feito nesse segmento? ração Ágata, que cobre toda a extensão da fronespecíficos de cada Força, dando transparência e mais previsibilidade nos desembolsos que faremos no setor. Temos dados que mostram que o PAED elevaria a razão entre o gasto de defesa e PIB.


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teira terrestre do país. A Polícia Federal também possui VANTs. Esses equipamentos, contudo, tem como base tecnologia estrangeira. Nosso desafio agora é desenvolver veículos aéreos não tripulados com tecnologia nacional. Há projetos sendo desenvolvidos por empresas brasileiras e isso é muito positivo. Sobre esse assunto também é importante lembrar que estamos participando, junto com os demais países da Unasul, do projeto de desenvolvimento de um VANT regional. Até onde sei, a aeronave poderá ser usada em missões de reconhecimento e cartografia, podendo atuar tanto em missões militares como em apoio a atividades de defesa civil, na ocorrência de acidentes naturais, por exemplo. O projeto do VANT da Unasul é um marco da cooperação e integração regional e fortalecimento da base industrial de defesa sul-americana. IA – Como o senhor avalia a indústria nacional em termos de tecnologia para atender as necessidades do país? Ministro – A indústria nacional de defesa se assemelha, em muitos aspectos, a outros setores industriais. Em alguns segmentos, como o aeronáutico, estamos bastante desenvolvidos; em outros, precisamos avançar bastante. Como disse, estamos trabalhando fortemente no sentido de ampliar e melhorar as capacidades tecnológicas das empresas que fazem parte da cadeia produtiva da defesa nacional. Além das iniciativas no campo normativo, a que fiz menção anteriormente, cito aqui o programa Inova Aerodefesa, lançado este ano pelo governo, que destina R$ 2,9 bilhões para financiar iniciativas ligadas à inovação nos setores aeroespacial, de defesa e segurança. Esse é o tipo de iniciativa concreta que auxilia, e muito, o desenvolvimento tecnológico voltado para as necessidades do país. IA – O Ministério da Defesa firmou parcerias de cooperação bilateral com alguns países este ano. O que, na prática, isso representa para a indústria nacional e para o governo? Em 2014 já existe alguma relação em andamento? Ministro – De fato, temos firmado acordos de cooperação com diversos países em diferentes regiões do mundo. Nosso foco é o fortalecimento das parcerias com nossos vizinhos sul-americanos e com as nações da costa ocidental da África. Na América do Sul, a cooperação é a melhor dissuasão. Temos fortalecido tanto a cooperação direta bilateral quanto a cooperação multilateral no âmbito do Conselho de Defesa Sul-Americano da Unasul. Não estabelecemos cooperação com fins exclusivamente comerciais. Mas é evidente

que o desenvolvimento de projetos comuns com um ou mais países gera importantes oportunidades de negócios para as empresas brasileiras. Isso já tem ocorrido na prática. Além disso, seguimos cooperando com nossos parceiros tradicionais do mundo desenvolvido. É um tipo de cooperação que pode ser muito benéfica ao Brasil, desde que fundada em uma relação de respeito e mutualidade de ganhos. Temos também explorado parcerias na área de defesa com sócios do mundo em desenvolvimento. É um campo com grande potencial. IA – Como o senhor avalia a importância e a participação da ABIMDE no setor de defesa? Ministro – A ABIMDE tem se fortalecido nos últimos anos. Ganhou a adesão de mais associados, e tem cumprido um importante papel na coordenação e defesa dos interesses e pleitos do setor junto ao ministério e a outros órgãos de governo. Tenho percebido também os esforços realizados pela associação para aumentar a comercialização e o padrão de qualidade dos produtos das empresas a ela associadas. Esse esforço traz ganhos para todos. É impossível conceber o fortalecimento da base industrial de defesa brasileira sem a participação decisiva do setor produtivo. A ABIMDE tem feito um trabalho relevante no sentido de promover esse envolvimento.


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SEGURANÇA

CONDOR

oferece soluções para o controle de distúrbios urbanos

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Foto: Divulgação

m tempos de manifestações no Brasil, os agentes da lei vêm se deparando com situações de distúrbios urbanos violentos, em decorrência da ação dos chamados black blocs, nos quais ao mesmo tempo em que têm de conter a baderna e o quebra-quebra, precisam proteger a vida e a integridade física daqueles que protestam de forma ordeira, o patrimônio público e privado, e os próprios policiais. Diante desse cenário, como as forças de segurança podem atuar de modo a conter os infratores da lei, sem que inocentes sejam atingidos? A resposta está no uso das tecnologias não letais seletivas. Esses equipamentos, fabricados pela Condor Tecnologias Não Letais, permitem que o policial cumpra seu papel constitucional, isolando os grupos violentos dos inocentes e garantindo a ordem pública com segurança e respeito aos direitos humanos. Apesar do grande número de conflitos registrados nas manifestações populares que ocorrem no país, não houve até o momento um único caso registrado de vítima fatal provocado pela utilização excessiva da força. E isso se deve, em grande parte, ao emprego das armas não letais pelas forças de segurança. O uso mais disseminado desse tipo de tecnologia pelas polícias de todo Brasil se deu a partir da constatação de que, entre não fazer nada e disparar armas de fogo, tinha de existir um meio termo. Em 2008, depois de o Governo Federal lançar o Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania), que disponibilizou recursos para estados e municípios adquirirem equipamento não letal e capacitarem as forças de segurança para o seu uso adequado, a utilização deste tipo de dispositivo ganhou notoriedade. O objetivo do Pronasci era, sobretudo, reduzir a letalidade das polícias no país, e mudar o paradigma de atuação dos agentes da lei, muitos dos quais acostumados à “cultura do fuzil”. ONU recomenda A utilização das tecnologias não letais é recomendada pela Organização das Nações Unidas há mais de 20 anos. Em seu 8º Congresso sobre a Prevenção do Crime e o Tratamento dos Delinquentes, em 1990, na cidade de Havana, a ONU estabeleceu que os governos deveriam adotar o uso progressivo da força por meio das armas não letais.

Tecnologias não letais seletivas Raio x das tecnologias não letais seletivas usadas pelas polícias em manifestações, que permitem incapacitar temporariamente vândalos e pessoas agressivas com um mínimo de inconvenientes para os inocentes presentes no cenário operacional: Granada aerosol pimenta ou lacrimogênea Satura o ar em sua volta com conteúdo de spray em apenas dois segundos. Pode ser usada em ambientes fechados e abertos. Granada de emissão instantânea lacrimogênea ou pimenta – Ao ser lançada, provoca pequena explosão e lança uma nuvem de pó contendo o gás lacrimogêneo ou agente pimenta, que se espalha no ambiente. Possui, ainda, poder residual; o excesso de pó fica no local e, com o novo tráfego de pessoas, volta a ficar suspenso no ar, incapacitando as pessoas que insistem em permanecer ali. Munição de borracha de precisão para curto alcance – Tem a mesma eficiência da tradicional Precision (Condor), considerada a bala de borracha mais precisa do mundo, mas com a segurança necessária para ser disparada a curta distância (de 5 m a 25 m). Último degrau da não letalidade, é ideal para situações graves como infratores da lei portando coquetéis molotov, por exemplo, nas quais a distância deles em relação aos policiais não permite o uso das tradicionais munições de borracha com segurança. Dispositivo elétrico incapacitante (arma de choque) – A Spark incapacita temporariamente pela aplicação da corrente elétrica no corpo do infrator. Também no último degrau da não letalidade, seu uso é indicado para situações graves como, por exemplo, um ataque com faca a menos de 8 metros, em que a vida de terceiros ou do próprio agente da lei pode estar em risco. Sprays de pimenta – nas versões espuma e gel, permitem atingir alvos isolados, mesmo em ambientes fechados, sem contaminar as pessoas em volta, já que a pimenta fica enclausurada na espuma ou no gel, não se espalhando pelo ambiente.


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OPINIÃO

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NACIONALIZAÇÃO: O que queremos?

comum ouvirmos o termo “nacionalização”, especialmente nos países em desenvolvimento ou nos mercados em formação, sendo que seu entendimento pode ser bastante diverso. Dicionários como Houaiss e Aulete apresentam o termo “nacionalização” como sinônimo de “estatização”, não sendo esta, em absoluto, a interpretação que nos interessa. Para alguns, nacionalização pode ser o resultado do que se convencionou chamar de engenharia reversa, um nome bonito para pirataria ou cópia de algo existente. Também não se trata disto, tampouco “off-set”. E nem apenas compras é nacionalização. Considero que nacionalização é o conjunto de ações planejadas e coordenadas no sentido de desenvolver capacitação e conhecimento para a fabricação ou construção de um determinado produto, equipamento, sistema ou processo. Muitas vezes, empresas brasileiras estão capacitadas e preparadas para desenvolver um equipamento novo, necessitando de ajustes de processo ou ferramental. Outras vezes é possível o desenvolvimento de projetos específicos no sentido de se capacitar para a produção de algo novo, com avanço tecnológico. Nos dois casos, bem como em muitos outros, quando se procura atingir um conhecimento avançado ou inovador, é possível conquistar novas tecnologias por meio de parcerias estratégicas, comerciais e muitas vezes até geopolíticas. O sucesso da estruturação desse tipo de parceria é a determinação desde o início do objetivo a ser atingido. Qual o produto ou o processo produtivo que queremos? Exatamente qual

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Beatriz V. X. da S. Rosa Vice-Presidente do SIMDE Sindicato Nacional das Indústrias de Materiais de Defesa

a tecnologia que devemos conquistar/dominar? Quem são os possíveis parceiros? De quais países? Entre os parceiros possíveis, quais são exatamente aqueles que são estratégicos, adequados ou convenientes? O que é mais importante, atingir o objetivo rapidamente e talvez com abrangência menor, ou estruturar o projeto com etapas bem planejadas e consolidadas, em prazo maior? Quais os riscos de uma determinada parceria ser interrompida antes do término previsto? Quais as consequências e qual o plano alternativo em caso de término antecipado, sem que o objetivo tenha sido atingido? Perguntas como estas devem ser respondidas previamente, pois somente desta forma teremos condições de construir parcerias de sucesso e duradouras. Quando abordamos nacionalização para o setor de Defesa, as ações para o sucesso são extremamente complexas, pois além dos interesses empresariais dos parceiros industriais, há que se considerar também os dos países envolvidos. Entre essas nações podem estar outras que já atuam com a nova parceira, que devido às particularidades de sua cadeia produtiva ultrapassa suas fronteiras. Nacionalização também significa compromissos de todas as partes, em que os parceiros têm interesses individuais distintos e conjuntos, em que obrigatoriamente deve haver respeito e preocupação um com o outro. Só será possível chegar onde se quer, quando forem considerados todos os interesses envolvidos e se buscarem o melhor caminho para todos.

Considero que nacionalização é o conjunto de ações planejadas e coordenadas no sentido de desenvolver capacitação e conhecimento

Engenheira de Produção Mecânica com especialização em Energia e Defesa. Experiência na indústria em projetos de infraestrutura, bens de capital e Conteúdo Local. Atuação em entidades como SIMDE, ABIMDE, ABDIB, PROMINP, Instituto de Engenharia, CBAr, IBDiC e IBDE. Árbitro e Mediadora, membro das câmaras: CMA-IE, CIESP/FIESP, IBDE, CAM-CCBC e IMAB.


VANT

ANAC

prevê certificação para 2014

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Por Claudia Pereira

ano de 2013 para o mercado de VANTs fechou com duas grandes notícias: a certificação para voo comercial, prevista para 2014, segundo a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil); e o pedido do DECEA (Departamento de Controle do Espaço Aéreo) ao Comitê de VNT da ABIMDE para que sugira pistas de voos para esse segmento. O anúncio da ANAC sobre a certificação foi feito em outubro, dentro do Seminário Internacional de Veículos Aéreos Não Tripulados, realizado em São José dos Campos (SP) e, de acordo com a Gerência Técnica de Processo Normativo da ANAC, a agência se propôs a desenvolver, até dezembro deste ano, uma proposta de ato normativo para regular a operação não experimental de Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas (RPAS) em espaço aéreo segregado. Durante o Seminário, foi enfatizado que a publicação deste ato normativo seguirá todos os trâmites de regulamentação da ANAC, incluindo um período de audiência pública para recebimento de contribuições da sociedade, e a estimativa é de que seja efetivamente publicado em 2014. A ANAC aponta que para obter a certificação serão verificados, dentre outros, aspectos relativos à aeronave (RPA) e à estação de pilotagem, às operações e à licença do piloto remoto. O tempo para obtenção da autorização dependerá do prazo que o requerente levará para providenciar as informações solicitadas pela ANAC. De acordo com a entidade, serão definidos pela regulamentação a ser publicada os detalhes do que precisará ser enviado para que uma empresa obtenha autorização e possa operar um determinado RPAS com finalidade não experimental. Para Antonio Castro, coordenador do Comitê de VNT (Veículo Não Tripulado) da ABIMDE, das dez empresas atuantes neste setor no Brasil, nove possuem VANTs prontos para voar. “Essa tecnologia é revolucionária e irreversível. Você não consegue segurar, pois tem uma aplicação muito difusa. Ninguém consegue mais segurar isso. Essa é mais uma razão para que seja urgente essa regulamentação de voos comerciais. Isso será ótimo para a indústria e colocará um freio naqueles que se encontram na ilegalidade”, diz o coordenador. De acordo com Castro, o fato de as aeronaves não poderem voar comercialmente hoje em dia compromete o faturamento das indústrias que atuam nesse segmento. “Se não pode voar comercialmente, não dá para faturar. Estamos há dois anos neste comitê da ABIMDE, junto à Anac, para trabalhar nessa causa”.

Em outubro de 2012, a ANAC editou o CAVE (Certificado de Autorização de Voo Experimental), com isso as empresas de VANT podem realizar voos para a área de P&D, pesquisa de mercado, treinamento de piloto, mas não podem operar voos comerciais. “Voar comercialmente é um fator vital para as empresas poderem vender e reinvestir”, explica Castro. Segundo a ANAC, mesmo após a publicação do ato normativo que viabilizará a emissão de autorização para operações não experimentais de RPAS no Brasil, o CAVE continuará existindo e sendo necessário para operações experimentais. Em termos de mercado, o comitê da ABIMDE acredita que a operação com VANTs irá crescer em áreas como: mapeamento, infraestrutura, agricultura de precisão, geologia, monitoramento ambiental, monitoramento de catástrofes, monitoramento de obras, segurança pública, entre outros. “Podemos ter uma indústria muito avançada no setor de segurança pública, afinal, este problema no Brasil está cada vez maior. Podemos chegar a exportar, principalmente para países da África e da América Latina. A indústria de VANT não pode viver apenas do mercado brasileiro, por isso temos de ser competitivos”. PISTAS DE VOO Recentemente, o DECEA pediu ao Comitê de VNT da ABIMDE que sugerisse pistas para que o voo de VANT seja pré-autorizado. Com essa medida, as empresas estarão livres para colocar no ar suas aeronaves nesses locais, sem a necessidade de pedido de autorização prévia ao DECEA, processo que hoje pode demorar até 30 dias. No total, serão cinco pistas indicadas pelo comitê: duas em São Paulo, uma no Rio de Janeiro, uma no Rio Grande do Sul e uma em Minas Gerais. A comissão do comitê está analisando as possibilidades e espera enviar as indicações para o DECEA até o final do ano. “Nessas pistas não vai precisar de NOTAM (documento que tem por finalidade divulgar, antecipadamente, toda informação aeronáutica que seja de interesse direto e imediato à segurança, regularidade e eficiência da navegação aérea), apenas avisar o DECEA quando, onde e horário que vai voar. Não precisa esperar resposta. Será preciso também avisar a ANAC, por isso será necessário que a aeronave esteja matriculada junto à agência”, explica Antonio Castro. A previsão do comitê da ABIMDE é de que no início de 2014 essas pistas já estejam em vistoria pelo DECEA.

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Horus FT100 - Flight Technologies


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CAPA INDÚSTRIA NACIONAL

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Governo certifica Empresas Estratégicas de Defesa

ministro da Defesa, Celso Amorim, entregou no dia 28 de novembro o certificado de Empresa Estratégica de Defesa (EED) a 26 companhias que fazem parte da BID (Base Industrial de Defesa): AEQ; Akaer; Armtec; Atech; Avibras; Axur; Bradar; Condor; Digitro; Embraer; Fligh Technologies; Emgepron; Grupo Inbra; Iacit; IAS; Imbel; Mectron; Nuclep; Opto Eletrônica; Orbital; Rustcon; Spectra; Taurus; Vertical do Ponto; BCA; e Nitroquímica. O anúncio é um marco para o segmento e permite, de imediato, que o setor inicie, por exemplo, a venda de aviões de combate, artefatos bélicos, munições, equipamento cibernético, produtos químicos, robótica, entre outros, para as Forças Armadas, destinando parte da produção para a exportação. Cada empresa certificada terá benefícios fiscais e tributários que permitirão desonerar a cadeia produtiva entre 13% e 18%, tornando-as mais competitivas nos mercados interno e externo. Das 26 contempladas neste primeiro momento, 24 são associadas da ABIMDE, que teve importante participação no desenvolvimento da medida, que beneficia as empresas no que se refere ao Regime Especial Tributário para a Indústria de Defesa (Retid), regulamentado em outubro e que isenta de tributos as EED. O Retid é um desdobramento da Lei 12.598/2012, que estabelece mecanismos de fomento à Base Industrial de Defesa (BID).

Para o Ministro da Defesa, Celso Amorim, a certificação das primeiras 26 empresas e dos 26 produtos será fundamental para assegurar ao setor autonomia para que enfrente os desafios do mundo atual. Segundo ele, a iniciativa beneficia segmentos que vão da “produção de pólvora à balística, passando pela área digital”. Amorim alertou, no entanto, para o cuidado de que as empresas, sobretudo as que recebem financiamento ou outro incentivo do Estado, não sejam no futuro absorvidas por grupos estrangeiros que, na maioria dos casos, as adquirem com o objetivo de fechá-las e, deste modo, tirar do mercado uma concorrente. “Essas empresas não vão crescer e se desenvolver se não olharmos para duas frentes: a demanda do Estado e o financiamento”, completou. O Presidente da ABIMDE, Sami Youssef Hassuani, ressaltou a importância dessa decisão do governo. Ele também disse que para a retomada total do setor é preciso outros pleitos serem atendidos, como a desoneração da folha de pagamento e a contratação apenas das EED para os programas nacionais de defesa. A ABIMDE é a principal interlocutora da indústria frente ao ministério e, atualmente, conta com 208 empresas associadas.

Fotos: Jorge Cardoso/MD

Solenidade de entrega dos certificados das EED reuniu autoridades e empresários

Por Claudia Pereira


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EED

Para receber o certificado, a companhia precisa passar por avaliação do Ministério da Defesa. As contempladas devem preencher os seguintes requisitos: ter sede ou unidade industrial no Brasil; ter conhecimento tecnológico próprio; e/ou parceria com instituição do setor. As licitações deverão prever transferência de direito de propriedade intelectual e industrial, continuidade da produção e capacitação tecnológica de terceiros. Também poderão ser restritas à compra de material fabricado no Brasil ou de produtos que utilizem insumos nacionais ou tenham inovação desenvolvida no país. As EEDs estão confiantes com a medida. “É mais um movimento no caminho da equiparação entre os produtos de defesa importados, que entram no país com alíquota zero, e os fabricados no Brasil”, disse Luiz Carlos Aguiar, presidente da Embraer Defesa & Segurança. Para o presidente da IACIT, Luiz Teixeira, esse credenciamento é um importante passo para a indústria nacional de defesa se consolidar no mercado nacional e internacional. “Isso vai tornar o país mais competitivo e as empresas mais confiantes e fortalecidas”. A opinião é compartilhada pelo presidente da BRADAR, Maurício Aveiro. Ele também ressalta que receber o certificado de EED representa colocar a companhia em uma condição de reconhecimento, de relevância e de futuro para as tecnologias e produtos desenvolvidos por nossos profissionais. “Isso nos torna um participante efetivo e diferenciado no processo de desenvolvimento, crescimento e construção do nosso país”. A Flight Technologies, que atua, dentre outros, no setor de VANTs, também recebeu o

certificado e para seu presidente, Nei Brasil, “é muito importante estarmos neste seleto grupo de empresas, pois consolida e reforça nossa parceria com as Forças Armadas na busca incessante de soluções tecnológicas que venham ao encontro das demandas do Brasil, garantindo a soberania nacional em se tratando de defesa”. A Atech também recebeu a certificação. Para o presidente da empresa, Jorge Ramos, ser uma EED significa “a consagração de nosso propósito e da essência de nossos valores para atuarmos junto às Forças Armadas brasileiras: ser um parceiro estratégico na construção de soluções na vanguarda tecnológica que apoiem a soberania nacional”. A Atech e a Bradar integram o grupo Embraer Defesa & Segurança. O presidente da Akaer, Cesar da Silva, também falou sobre a conquista. “Ao tornar-se uma EED, a Akaer abre novas oportunidades de atuação junto às Forças Armadas e entidades governamentais, ao mesmo tempo em que consolida sua presença no mercado aeroespacial e de defesa”. O diretor administrativo da IMBEL, Antonio Carlos Lonthfranc, relembrou o pioneirismo da companhia no setor de defesa e comemorou o certificado. “A IMBEL é uma empresa estratégica de defesa desde seu nascimento, em 1808. Estamos muito gratos e satisfeitos em receber oficialmente o título de EED do governo, pois esse pioneirismo muito nos orgulha”. Memorando de Entendimento No mesmo dia em que foram anunciadas as EEDs, o Exército Brasileiro assinou um Memorando de Entendimento com a ABIMDE com o objetivo de facilitar o intercâmbio de recursos técnicos e de informações com a BID. O documento, além de buscar instrumentos de parceria de mútua cooperação nas áreas de interesse de projetos estratégicos, deverá atender às seguintes atividades: - promover os Projetos Estratégicos do Exército e as empresas de defesa nacionais; - compartilhar informações sobre produtos, sistemas e serviços existentes no mercado nacional e internacional; - promover e difundir valores, boas práticas e comportamentos éticos entre seus membros; - fomentar o intercâmbio de informação e cooperação entre ambas as entidades; - coordenar estudos e pesquisas sobre as capacidades do parque industrial brasileiro; promover outras medidas consideradas de interesse mútuo.


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PENSAR FORA DA CAIXA?

ESPAÇO CORPORATIVO

N

osso tempo é marcado pelo “déficit Meu bom amigo, Daniel Burd, renomado de atenção”. consultor, comentou recentemente que os pro As pessoas relatam que estão sem cessos de Change Management são profundatempo. O trânsito está cada vez mente prejudicados quando não se resolve primais infernal, obrigando-as a saírem meiro esta questão da gestão do tempo, porque muito mais cedo e a chegarem muito estes processos dependem da adoção de novas mais tarde. Os e-mails brotam como práticas, novos comportamentos, e as pessoas ervas daninhas em um imenso jardim: mal você não conseguem se desprender da avalanche as retira de um lado e elas já brotaram do oude compromissos para ter tempo para pensar tro. As reuniões são numerosas. Relatórios para no novo. escrever e para ler. Uma enxurrada de ativida Estamos diante de um quadro que já des que nunca cessa. vinha se mostrando complexo há pelo menos A forma como administrávamos o tempo uma década, mas que agora toma a sua forma até ontem já não funciona mais! mais terrível. E isso será ainda mais complexo a cada As pessoas estão sempre correndo atrás novo dia. As pessoas do que já está ficansaem de uma palestra, do atrasado. Apagando As pessoas estão sempre de uma reunião de plaparte do incêndio que já correndo atrás do que já nejamento estratégico, começou, sabendo que o de um workshop com incêndio continuará. Não está ficando atrasado uma nova e fantástica estão prevenindo o inmetodologia e, inevicêndio. Estão modificantavelmente, retornam para o meio do incêndio. do o foco e levando-o progressivamente para o Isso quando não ficam com um olho no evenpassado. to e outro no celular ou no notebook, o que é Sabemos que focar no passado costuma ainda pior. O que é “o novo” acaba não sendo levar ao sentimento de culpa, que muitos já esinstalado. tão revelando. Culpa por não conseguir entregar Com tantas coisas ao mesmo tempo o que havia sido combinado. Culpa por demorar pedindo pela atenção das pessoas é inevitável para responder um e-mail. Culpa por não ter que elas respondam ao que parece prioritário, tempo para a família. Culpa por não conseguir urgente. Ou seja, apagar os focos mais fortes cuidar da própria saúde. E mais e mais culpas. de incêndio e deixar que o incêndio não se apa “Pensar fora da caixa” é a nossa gue jamais. E, “quando der tempo”, pensar “no única saída! novo”. Pensemos todos nisso, de preferência de Assim, as novas metodologias, o “pensar modo não convencional, “fora da caixa”. Suas fora da caixa”, a criatividade, a inovação ficam sugestões serão muito bem-vindas. em segundo plano, e o que se consolida é somente a “correria”. Um forte abraço.

Divulgação

Wladimir Palermo

É Administrador de Empresas com diversas especializações na área do Comportamento Humano. No final de 1997, foi convidado para atuar como Licenciado da Persona Global para o Brasil. Em maio de 2007, constituiu a Persona Global Brasil, em sociedade com a Persona Global Inc, onde atua como CEO, além de Master Certificador para diversos programas. Em 2011, criou o programa Best In Class® Executive Counseling, que tem conduzido junto a diversos Presidentes, CEOs, Diretores e Gestores de alto nível em importantes organizações dos mais variados segmentos. Foi reconhecido como “One of the top 5% most viewed LinkedIn profiles for 2012”. Escreve, periodicamente, artigos relacionados ao Comportamento Humano e Liderança, que estão disponíveis em www.thebestinclass.com.br, na aba Artigos.


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PARCERIA

APEX-BRASIL

Apoio às exportações do setor de defesa Por Karen Gobbatto

O

apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) ao setor de defesa começou em 2006, em parceria com a ABIMDE, quando dez empresas brasileiras participaram da Eurosatory, realizada na capital francesa. De lá pra cá, a Apex-Brasil já aportou R$ 13,8 milhões para apoiar a participação de 63 empresas nacionais em 33 eventos internacionais. Hoje a Apex-Brasil apoia cerca de 12.400 empresas de 83 setores produtivos da economia brasileira, que exporta para mais de 200 mercados. Entre as atribuições da agência estão a organização de ações de promoção comercial, como missões prospectivas e comerciais, rodadas de negócios e apoio à participação de empresas brasileiras em grandes feiras internacionais e visitas de compradores estrangeiros e de formadores de opinião para conhecer a estrutura produtiva do Brasil. Segundo o presidente da Agência, Mauricio Borges, a Apex-Brasil atua nos esforços de atração de investimentos estrangeiros diretos (IED) para o país, trabalhando na identificação de oportunidades de negócios e na promoção de eventos estratégicos e garantindo apoio ao investidor estrangeiro durante todo o processo no Brasil. “O objetivo é atrair capitais produtivos de empresas estrangeiras que possam

incorporar inovações tecnológicas e novos modelos de gestão de negócios e adensar cadeias produtivas”, explica ele. Para falar sobre a missão da Apex-Brasil, os projetos futuros e a parceria com o setor de defesa, Mauricio Borges concedeu entrevista ao Informe ABIMDE. Informe ABIMDE – Como é a parceria entre a Apex-Brasil e a ABIMDE para o desenvolvimento do setor de defesa? Mauricio Borges – A Apex-Brasil, em parceria com a ABIMDE, apoia as empresas nacionais exportadoras do setor de defesa e segurança desde 2006. A primeira ação ocorreu na mais importante exposição de materiais de defesa e segurança, a Eurosatory, em Paris, França, que resultou em mais de 800 contatos e em perspectiva de negócios no valor de US$ 120 milhões nos doze meses seguintes para as dez empresas brasileiras participantes. No período de 2007 a 2013 a Apex-Brasil aportou R$ 13,8 milhões para apoiar a participação de 63 empresas em 33 eventos internacionais. Assim, consideramos a parceria exitosa e acreditamos que, por meio dela, as empresas apoiadas obtiveram acesso a boas oportunidades de negócios. IA – Qual avaliação você faz do setor de defesa brasileiro?

Borges – Este é um setor estratégico em todos os países desenvolvidos, pois trata-se de uma indústria inovadora e geradora de empregos de elevada qualificação técnica, com ocupação de grande número de mestres e doutores. As tecnologias criadas ou desenvolvidas na fabricação dos produtos de defesa são de natureza dual, ou seja, a aplicação delas vai além do uso militar, sendo de muita utilidade para a sociedade civil. Radares terrestres, usados para controle das fronteiras brasileiras, foram empregados para auxiliar o controle de segurança durante a visita do Papa Francisco ao Brasil, em julho. Também podemos citar alimentos preparados para as necessidades militares, que podem ser solução para atendimento da sociedade em casos de catástrofes, como enchentes, terremotos e outros. Nesse sentido, o setor possui potencial exportador que não se limita às compras das Forças Armadas dos países-alvo, mas também a outras compras governamentais relativas à defesa civil, corpo de bombeiros, polícias e à proteção de reservas ambientais, entre outros. IA - Como a Apex-Brasil pode ajudar as empresas brasileiras a potencializar a exportação? Borges – A Apex-Brasil oferece às empresas exportadoras e entidades parceiras uma diver-


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sificada relação de ações e serviços voltados para a promoção de negócios e de imagem dos produtos e serviços brasileiros no exterior. A Agência entende que as ações de relacionamento são cada vez mais relevantes na promoção de negócios, e desenvolve ações neste sentido em grandes eventos esportivos e culturais, como a Copa do Mundo da FIFA, o Carnaval brasileiro, e em provas das Fórmula Indy e Fórmula 1, entre outras. Essas ações proporcionam o aprofundamento das relações entre empresários brasileiros e compradores estrangeiros, contribuindo para a expansão e consolidação dos negócios entre eles. Destaca-se, ainda, as ações de apoio à internacionalização das empresas, de inteligência comercial, que identifica oportunidades de mercados para os produtos brasileiros e o apoio oferecido pelos nove centros de negócios que a Agência mantém nos principais mercados globais. IA – Quais as expectativas para os próximos anos? Borges – A Apex-Brasil está sempre buscando formas inovadoras de promoção comercial que são desenvolvidas em conjunto com as entidades parceiras, com o objetivo de contribuir para aumentar as exportações, especialmente de produtos de maior valor agregado e também o número de empresas que exportam. A Agência estimula as empresas a serem cada vez mais inovadoras e sustentáveis porque estes são atributos indispensáveis para a competitividade dos produtos e serviços brasileiros. Ajudando as empresas a serem mais competitivas, a Apex-Brasil contribui para a geração de empregos e renda e para o crescimento do Brasil.

APEX Brasil

IA – Qual a sua opinião sobre a BID Brasil? Borges – A BID-Brasil é uma ação promocional inovadora, pois permite às empresas brasileiras do setor apresentarem seus produtos e serviços para os adidos militares e representantes de governos estrangeiros, principalmente. Este público tem grande influência na aquisição dos produtos de defesa e segurança de seus países. Certamente, a BID Brasil deve evoluir para um ambiente estratégico de realização de negócios para as empresas do setor e de consolidação da imagem dos produtos e serviços brasileiros.


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TECNOLOGIA

Parcerias e diferenciais tecnológicos Por Karen Gobbatto

N

a área de Defesa e Segurança, as empresas brasileiras detêm o nível técnico e a qualidade de projetos comparável às melhores experiências mundiais. Um desses exemplos é o da SKM, empresa 100% brasileira, que atua no desenvolvimento e fornecimento de soluções tecnológicas para Sistemas de Controle e Supervisão de Máquinas e Sistema de Gerenciamento de Energia de Navios Militares. Além de ser a única empresa brasileira que desenvolve, em conjunto com o AMRJ (Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro), o PMG (Período de Manutenção Geral) do Sistema de Controle e Monitoração da Propulsão, Provas de Cais e Provas de Mar (Comissionamento da Propulsão) dos Submarinos Classe Tupi e do Submarino Tikuna, a SKM tem firmado parcerias com instituições de ciência e tecnologia para ingressar em novos projetos. Um deles é o Navipeças: Integrated Plataform Management System – Navio Nash Soares de Meirelles, conhecido com Navio Hospitalar. O projeto é desenvolvido em parceria com o IPqM (Instituto de Pesquisas da Marinha) e visa comandar eletronicamente os motores do navio, que hoje operam mecanicamente. O projeto também busca automatizar a reversora.

Além disso, a aplicabilidade do sistema poderá ser utilizada na atualização de outras embarcações, inclusive civis. O projeto Inova Aerodefesa: Plataforma Integrada de Gerenciamento dos Sistemas de Supervisão e Controle para Navios Militares também vem sendo realizado pela SKM em parceria com o IPqM. Nesse projeto estão sendo desenvolvidas a Plataforma de Supervisão e Controle para Navios da Marinha de Guerra e a bancada de teste de motores do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro. Com esse projeto, será possível integrar os diversos sistemas de controle e supervisão de um navio militar em uma única plataforma de gerenciamento. “Nessa parceria, alia-se a expertise de desenvolvimento do IPqM ao know-how da SKM na área de engenharia de aplicação, projetos, fabricação, comissionamento e assistência técnica do pós-venda”, comenta o diretor da SKM, Nicolau Alves Sebastião. Esse sistema também pode ter aplicação dual, ou seja, além da militar, ele pode ser oferecido ao seguimento de navegação comercial, como embarcações de Cabotagem, Navios-Tanque, Navios de Produtos, Navios de Suporte a Plataformas (PSVs). “Apesar disso, a prioridade é atender a demanda da Marinha do Brasil, em face à Estratégia Nacional de Defesa (END), ao Plano de Articulação e Equipamentos da MB (PAEMB) e ao seu Programa de Reaparelhamento da Marinha (PRM)”, destaca Nicolau. EXCLUSIVIDADE Com mais de 20 anos de experiência na prestação de serviços para a marinha brasileira, a SKM atua na fabricação de quadros de elétricos principais, auxiliares e de emergência, e painéis elétricos em geral, serviços de instalação elétrica e assistência técnica da indústria naval e offshore. A SKM é detentora, desde 1994, através de contrato de sessão de direitos firmado com a Villares, da tecnologia dos Sistemas de Controle e Monitoração da Propulsão, Sistema de Monitoração de Máquinas Auxiliares e Sistema de Controle de Avarias, desenvolvidos para as Corvetas Classe Inhaúma e Navio-Tanque Almirante Gastão Motta. A empresa, associada à ABIMDE (Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança), conta com certificação ISO 9001:2008 pela DNV; CRCC Petrobras para


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fornecimento de Painéis Elétricos e Serviço para a área de Óleo e Gás; cadastro na ONIP como fornecedora para a área de Óleo e Gás; e em processo de cadastramento como Empresa Estratégica de Defesa, além disso, busca a constante atualização tecnológica. Entre os diversos projetos desenvolvidos, alguns são de exclusividade da SKM, entre eles: a) Fornecimento e comissionamento de Sistema de Supervisão e Controle de Máquinas e Avarias para Corvetas e Navios-Tanques. Nesta área, além da SKM, fazem fornecimentos destes Sistemas o IPqM (Instituto de Pesquisa da Marinha) e o CTMSP (Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo). b) Fornecimento e comissionamento de Quadros Elétricos Principais para Navios-Patrulha. c) Comissionamento de Sistemas de Supervisão e Controle da Propulsão de Submarinos da Classe Tupi e Tikuna, que compreendem as Provas de Cais e Provas de Mar. d) Modernização do Sistema HPC dos Navios Classe River. e) Fornecimento do Sistema de controle da Propulsão com substituição dos PLCS da propulsão e computador do sistema de controle de carga do passo do Navio Polar Almirante Maximiano. f) Fornecimento do Sistema de Controle de Propulsão do Navio-Escola NE Brasil.

renciamento de energia, controle de posicionamento dinâmico de navios de transporte de óleo e minério e PSVs da área de Offshore (Transpetro, Subsea7, UP Offshore, Deep Sea e CBO). História A SKM iniciou suas atividades em 1992, com um grupo formado por cinco profissionais, participando do fornecimento dos Sistemas de Controle e Monitoração da Propulsão, Máquinas Auxiliares e Avarias (Projeto, Fabricação, Instalação, Comissionamento e Assistência Técnica) para as Corvetas Classe Inhaúma e Navio-Tanque Almirante Gastão Motta. Hoje são 160 colaboradores que prestam suporte técnico a praticamente todos os navios de superfície e aos submarinos Classe Tupi e Tikuna, incluindo ainda Bases e Estações Navais. “A SKM valoriza a capacitação do seu Quadro Técnico, a melhoria contínua dos seus processos, infraestrutura, sistema de gestão e certificações. Desse modo, garante a continuidade do conhecimento científico e tecnológico no Brasil e atende a expectativa de crescimento e desenvolvimento da Indústria Nacional de Defesa”, conclui Nicolau.

g) Fornecimento do Sistema de Controle do Dique Almirante Sheick. h) Modernização, Manutenção de sistemas e ge-

Carla Dias


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TÚNEL DO TEMPO

SALTO VISIONÁRIO

Com 23 anos de existência, Vertical do Ponto atende mercado interno e externo no fornecimento de paraquedas Por Karen Gobbatto


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U

PROJETOS DESENVOLVIDOS NA VERTICAL A empresa fornece uma linha completa de produtos para as Forças Armadas, entre eles: o Fardo A-LOG, usado na Brigada de Infantaria Paraquedista para lançamento de alimentos e congêneres; Colete Restritor com punho de soltura rápida usada na Força Aérea Brasileira para segurança em voo do tripulante; Pacote P2-RM usado na Brigada de Infantaria Paraquedista, permitindo o uso de metralhadora MAG pelos seus combatentes paraquedistas; e o Pacote P-Biguá, desenvolvido para lançamento de paraquedista em lâmina d’água (protege o armamento e auxilia a flutuação do paraquedista). Entre os momentos que marcaram a história da empresa estão o reconhecimento do mercado quanto a qualidade dos paraquedas e demais produtos, o reconhecimento das Forças Armadas como empresa capaz de atender as necessidades do setor e a inserção da empresa nos quadros da Abimde. “O setor de defesa do país tornou-se mais importante após a criação da ABIMDE, que organizou as empresas interessadas na melhoria e visibilidade de seus produtos, criando sistematicamente contato com os órgãos governamentais e estreitando relacionamentos com nossas autoridades. Isso permitiu a visão estratégica de defesa, ampliando, aos olhos de todos os envolvidos nas perspectivas do Brasil, a autossuficiência do setor”, resume Tonassi.

Fotos: Arquivo Vertical do Ponto

m dos equipamentos estrategicamente utilizados pelas Forças Armadas e pelas forças auxiliares em missões é o paraquedas e o Brasil é o único país na América do Sul a contar com uma empresa capaz de produzir tais produtos com qualidade tanto para o mercado interno quanto externo. Esta empresa é a Vertical do Ponto. Sediada no Rio de Janeiro e com 23 anos de fundação, a Vertical do Ponto é responsável por prover as Forças Armadas com paraquedas militares e de carga, pacotes e outros equipamentos de defesa e segurança, usados em operações aeroterrestres, pela Brigada de Infantaria Paraquedista, Força Aérea e Marinha. Países como Venezuela, Paraguai, Chile, Argentina, Estados Unidos, Coreia do Sul, Alemanha, Bolívia e Guiana Inglesa também confiam na qualidade e expertise da Vertical do Ponto. Segundo o sócio-diretor da empresa, Ieldo Tonassi, desde a fundação da Vertical do Ponto, seu objetivo central sempre foi o de atender o mercado militar, “visto que não existia nenhuma empresa semelhante em nosso território ou mesmo na América do Sul, sendo de extrema dificuldade comprar no mercado externo, pela especificidade desses materiais e sua manutenção”. Os primeiros produtos fabricados pela empresa carioca foram paraquedas de tropa e entregues à Brigada de Infantaria Paraquedista. Os equipamentos foram testados pelos especialistas do Batalhão DOMPSA (Batalhão de Dobragem, Manutenção de Paraquedas e Suprimentos pelo Ar) e homologados pelo CAEx(Centro de Avaliações do Exército). Para se adequar à demanda, a empresa importou novos maquinários e treinou o quadro de 80 funcionários. Os materiais são projetados e construídos no Brasil com certificado de exclusividade emitidos pela ABIMDE (Associação Brasileira de Indústria de Materiais de Defesa), além da homologação fornecida pelo CAEx, ligado à Secretaria de Ciência e Tecnologia do Exército, que confere a conformidade e a qualidade dos produtos. “O referencial e a qualidade do produto da Vertical são devidos ao fato de que os responsáveis por sua produção foram treinados pela Brigada Paraquedista, sendo estes ex-militares do Batalhão DOMPSA. Portanto, conhecedores íntimos deste ofício”, ressalta Tonassi.


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Nossos agradecimentos a todas as autoridades das Forças Armadas, que, de alguma forma, participaram dos nossos projetos, entendendo nossos objetivos e nos dando suporte para continuarmos a desenvolver, acreditando na importância de nossa empresa que se uniu a tantas outras para fortalecer a nossa base de defesa, tornando-nos autossuficientes em paraquedas, além de contribuirmos como exportador IeldoTonassi, presidente da Vertical do Ponto

t

RAIO X Nome: Vertical do Ponto Indústria e Comércio de Paraquedas Ltda Fundação: 1990 Sede: Avenida Duque de Caxias, 600 Vila Militar, Deodoro Rio de Janeiro/RJ Diferenciais: única empresa da América do Sul no setor Produtos: - Paraquedas de tropa - Paraquedas de emergência - Paraquedas de carga - Paraquedas de ejeção de piloto - Paraquedas de extração de carga - Paraquedas especiais para cão - Pacotes e Fardos aeroterrestres - Produtos aeronáuticos (rede de carga, sling, colete restritor) - Equipamentos de uso individual do combatente


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PONTO DE VISTA

BASE INDUSTRIAL DE DEFESA:

Medidas Viabilizadoras

As associadas da ABIMDE e seus colaboradores entendem perfeitamente que a Base Industrial de Defesa (BID) precisa crescer e assumir seu papel fundamental no desenvolvimento e na defesa do país. Esse também é o entendimento do governo e do congresso. O fortalecimento da (BID) é um dos objetivos comuns de documentos importantes do país, como a Política Nacional de Defesa (PND), a Estratégia Nacional de Defesa (END), o Livro Branco da Defesa Nacional (LBDN), o Plano Brasil Maior (PBM) e a Política Nacional da Indústria de Defesa (PNID). Para que esse objetivo seja atingido, entretanto, uma série de medidas viabilizadoras precisa ser tomada pelo governo e pela sociedade em geral. Ouvindo a opinião das associadas, conselheiros e colaboradores, e coletando suas contribuições, a ABIMDE editou, em outubro de 2011, um livreto que apresenta 44 medidas viabilizadoras, organizadas em nove temas distintos. Apesar de conter um número elevado de medidas viabilizadoras, esse documento mostra, de forma simples e organizada, os rumos e passos que precisam ser dados para alcançar o almejado fortalecimento da BID. O livreto foi encaminhado aos associados da ABIMDE, a órgãos do governo, a universidades e a centros de estudos. Foi analisado e discutido nesses ambientes, especialmente nos Ministérios da Defesa (MD), do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), e da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), e contribuiu positivamente para a formulação de normas e políticas públicas adequadas para o setor. Uma importante medida viabilizadora foi tomada em 2012, com a promulgação da Lei n° 12.598, que estabelece normas especiais para compras, contratações e desenvolvimentos e dispõe sobre incentivos à área estratégica de defesa (regulamentada pelos Decretos n° 7.970, de março, e 1.822, de outubro de 2013). Recentemente, outra importante medida ocorreu com a formalização da Comissão Mista da Indústria de Defesa (CMID), que tem por finalidade assessorar o ministro em processos e proposições relacionados à indústria nacional de defesa, e novas medidas foram propostas pelos associados, conselheiros e colaboradores da associação. Com essa evolução, as medidas apontadas em 2011 precisaram ser revistas e atualizadas, além de priorizadas. Isso foi feito e a ABIMDE está editando dois novos livretos, um com todas as novas medidas viabilizadoras, agora cerca de 60, organizadas em dez temas, e outro menor e mais objetivo reunindo apenas as 20 medidas consideradas prioritárias. Um dos temas mais importantes, com o título de Gestão Governamental, reúne as medidas que apoiam o governo em seu atual esforço de reestruturação na área da defesa, atendendo às determinações da Constituição e Leis Complementares e às orientações da Estratégia Nacional de Defesa. Não é difícil entender que o segmento requer capacidade operacional equilibrada com capacidade


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logística. O próprio Ministério da Defesa está prazo, que leve em consideração não só as nesendo preparado para gerenciar essas duas árecessidades em meios, sistemas e produtos (como as, como preconizado na Lei Complementar n° o atual Plano de Articulação e Equipamentos de 97/2009, alterada pela de n° 136/2010, Artigos Defesa – PAED), mas também o orçamento dis11 e 11-A. ponível, a capacidade (industrial, científica, tec Esse entendimento é comum nos países nológica, de infraestrutura e de apoio logístico) desenvolvidos e em desenvolvimento. A logístidesejada para a BID e o plano de carga estimado ca de defesa na França, por exemplo, é de respara a indústria nacional. ponsabilidade de uma organização subordinada Algumas medidas apontam para a necesdiretamente ao Ministro da Defesa, a DGA, fora sidade de criação de instrumentos e mecanismos do controle das Forças Armadas. Na Itália, Alepara o acompanhamento da BID, sua avaliação e manha e Inglaterra a logística recebe atenção identificação de dificuldades, distorções e problesemelhante. Índia e África do Sul, países que mas. Outras tratam de legislação para correção formam conosco o IBAS, dão tratamento similar dos problemas identificados. ao assunto. Finalmente, as últimas medidas reunidas A logística neste tema abordam de defesa no Brasil o apoio aos centros ainda não é tratade estudo de defesa Não é difícil entender que da no mesmo nível. e inteligência estraa defesa requer capacidade É comum ficarmos tégica, e a criação limitados ao “apoio da carreira profisoperacional equilibrada logístico”. Em geral, sional de gestão de com capacidade logística despendemos tempo defesa. Tais profise recursos em busca sionais, funcionários de sobressalentes de alta qualificação descontinuados para os equipamentos recebidos e dedicação exclusiva, atuarão junto aos procom os meios de combate obtidos em compras fissionais da carreira militar nos processos de por oportunidade. desenvolvimento e obtenção de meios, sistemas Considerando esse quadro, a ABIMDE pro- e produtos de alta complexidade ou valor. põe, como medida prioritária, a criação de es Os livretos em edição pela ABIMDE apretrutura capaz de coordenar a logística de defesa sentam outras medidas viabilizadoras, organiem nível mais elevado. Tal estrutura centralizará zadas nos temas intitulados: Mercado Interno, a gestão dos programas estratégicos, integranMercado Externo, Área Tributária, Área Financeido as capacidades hoje distribuídas entre o MD, ra, Recursos Humanos, Ciência, Tecnologia e Inoo MDIC, o MCTI e os Comandos da Marinha, do vação, Cadeia Produtiva, Logística e Mobilização Exército e da Aeronáutica. e Salvaguardas e Cerceamento Tecnológico. Em seguida, recomenda a elaboração de O Informe ABIMDE pretende abordar esum plano integrado de investimentos, a longo ses temas em seus próximos números.

Divulgação

Almirante Marcílio Boavista da Cunha Membro do Conselho Consultivo da ABIMDE

Documentos aprovados pelo Decreto n° 5.484, de 30 de junho de 2005, pela Portaria Normativa n° 899/MD, de 19 de julho de 2005, pelo Decreto n° 6.703, de 18 de dezembro de 2008, pelo Decreto Legislativo n° 576, de 20 de março de 2013, do Senado Federal, e pelo Decreto Legislativo n° 373, de 25 de setembro de 2013, do Congresso Nacional. Disponível em: http://www.abimde.org.br/medidas_viabilizadoras.pdf


INFORME

Revista Oficial da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança

PRÓXIMA EDIÇÃO Tecnologia Dual Mulheres na Defesa Inteligência & Segurança O Brasil na FIDAE 2014


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SEJA UM ASSOCIADO (11) 3170-1860

Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança

Sindicato Nacional das Indústrias de Materiais de Defesa

Avenida Paulista, nº 460, 17º andar, conjunto B, Bela Vista, CEP 01310-000

INFORME ABIMDE, DEZEMBRO 2013  
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