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cinema ago.2019


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7 Bloqueio (76’) Bloqueio (76’) No coração do mundo (120’) No coração do mundo (120’), seguido de debate com os diretores e com a atriz Grace Passô

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Bloqueio (76’) Bloqueio (76’) No coração do mundo (120’) Bloqueio (76’) No coração do mundo (120’)

8 It Must Schwing! (115’) Simon & Theodore (84’) Fênix (99’) Em trânsito (101’), seguido de debate com Sergio Rizzo, Lúcia Monteiro e Fernando Oriente

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Bloqueio (76’) No coração do mundo (120’) Bloqueio (76’) Sessão Cinética: Aopção ou as rosas da estrada (87’), seguido de debate com os críticos da revista

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20:00 A cidade sem judeus (91’), seguido de debate com Rodrigo Mercês, Daniel Douek e Daniela Wasserstein

20:00 Jubiabá (107’) 21:45 Espero tua (re)volta (93’)

20:00 Bloqueio (76’) 21:30 Espero tua (re)volta (93’)

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Divino amor (99’) Espero tua (re)volta (93’) No coração do mundo (120’) Bloqueio (76’) Espero tua (re)volta (93’)

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Divino amor (99’) Espero tua (re)volta (93’) No coração do mundo (120’) A terceira margem do rio (90’) Espero tua (re)volta (93’)

28 Espero tua (re)volta (93’) Espero tua (re)volta (93’) Vermelho sol (109’) No coração do mundo (120’)

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Espero tua (re)volta (93’) Espero tua (re)volta (93’) Vermelho sol (109’) No coração do mundo (120’)

29 Espero tua (re)volta (93’) Espero tua (re)volta (93’) Vermelho sol (109’) No coração do mundo (120’)

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No coração do mundo (120’) Bloqueio (76’) Espero tua (re)volta (93’) Woodstock – 3 dias de paz, amor e música (216’)


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Bloqueio (76’) Bloqueio (76’) No coração do mundo (120’) Bloqueio (76’) No coração do mundo (120’)

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Bloqueio (76’) Bloqueio (76’) No coração do mundo (120’) Bloqueio (76’) No coração do mundo (120’)

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Espero tua (re)volta (93’) Espero tua (re)volta (93’) Vermelho sol (109’) No coração do mundo (120’)

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Bloqueio (76’) Bloqueio (76’) No coração do mundo (120’) Longa jornada noite adentro (140’)

11 Bloqueio (76’) No coração do mundo (120’) Bloqueio (76’) No coração do mundo (120’) Divino amor (99’)

14:00 15:45 18:00 20:00

Inferninho (82’) Jubiabá (107’) A terceira margem do rio (90’) No coração do mundo (120’)

18 Divino amor (99’) Espero tua (re)volta (93’) No coração do mundo (120’) Bloqueio (76’) Espero tua (re)volta (93’)

14:00 Divino amor (99’) 16:00 Woodstock – 3 dias de paz, amor e música (216’) 20:00 Bloqueio (76’)

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17 Divino amor (99’) Espero tua (re)volta (93’) No coração do mundo (120’) Bloqueio (76’) Espero tua (re)volta (93’)

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10 Bloqueio (76’) No coração do mundo (120’) Bloqueio (76’) No coração do mundo (120’) Divino amor (99’)

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Espero tua (re)volta (93’) Espero tua (re)volta (93’) Vermelho sol (109’) No coração do mundo (120’)

14:00 Espero tua (re)volta (93’) 18:00 Inferninho (82’) 19:45 Longa jornada noite adentro (140’)

31 No coração do mundo (120’) Bloqueio (76’) Espero tua (re)volta (93’) Bloqueio (76’) Vermelho sol (109’)

14:00 16:15 18:00 20:00 21:30

No coração do mundo (120’) Aopção ou as rosas da estrada (87’) Espero tua (re)volta (93’) Bloqueio (76’) Vermelho sol (109’)

Programa sujeito a alterações. Eventuais mudanças serão informadas em facebook.com/cinemaims e ims.com.br.


A cidade sem judeus (Die Stadt ohne Juden), de Hans Karl Breslauer (Áustria | 1924, 91’, DCP) [capa] No coração do mundo, de Gabriel Martins e Maurílio Martins (Brasil | 2019, 120’, DCP)


destaques de agosto 2019 “BH é o Texas, Contagem é o motherfuckin’ Texas…”. A letra de MC Papo embala a abertura de No coração do mundo, filme de Gabriel Martins e Maurílio Martins, ambos nascidos e criados em Contagem. No dia 6 de agosto, os diretores e a atriz Grace Passô estarão no cinema do IMS para debater este filme, uma espécie de thriller observacional protagonizado por jovens da região metropolitana de Belo Horizonte. Cinquenta anos depois da realização do lendário festival de Woodstock em

agosto de 1969, marco da contracultura daquela década, será exibido no cinema do IMS o filme homônimo; com a duração de três horas, foi editado por Martin Scorsese e Thelma Schoonmaker e venceu o Oscar de Melhor Documentário em 1971. A partir do dia 15 de agosto estreia Espero tua (re)volta, filme de Eliza Capai realizado em conjunto com três então secundaristas: Lucas “Koka” Penteado, Marcela Jesus e Nayara Souza, que conduzem a narrativa das mobilizações estudantis desde 2013 até a última eleição presidencial.

A longa caminhada (Walkabout), de Nicolas Roeg (Reino Unido, Austrália | 1971, 100’, DCP)

Espero tua (re)volta, de Eliza Capai (Brasil | 2019, 93’, DCP)

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Woodstock – 3 dias de paz, amor e música (Woodstock), de Michael Wadleigh (EUA | 1970, 216’, DCP)

No coração do mundo, de Gabriel Martins e Maurílio Martins (Brasil | 2019, 120’, DCP)


Depoimento de Lucas “Koka” Espero tua (re)volta, de Eliza Capai

Lucas “Koka” Penteado é um dos personagens e narradores do filme Espero tua (re)volta, de Eliza Capai, que aborda as ocupações secundaristas de 2015. Em depoimento à revista de programação do Cinema do IMS, Koka conta sobre sua experiência política e a respeito da realização do filme. Hoje formado no ensino médio, ele comenta também as manifestações pela educação em 2019. Sou residente do bairro da Bela Vista, onde nasci e fui criado. Estudei nas quatro escolas do bairro: Maria José, Marina Cintra, Maria Augusta Saraiva e Caetano de Campos da Consolação, onde a minha militância iniciou realmente. Lá eu fui presidente do Grêmio e lá começaram as minhas experiências diretas no movimento estudantil. A primeira vez em que vi a Eliza Capai, a diretora do filme, foi num ato. Me chamou bastante atenção alguém autônomo, com uma câmera e microfone. Não lembro exatamente como foi nossa primeira conversa, porque foram tantas (risos). Eu sei dizer o que me levou a aceitar. Era necessário utilizarmos o audiovisual 2

para nos comunicar, mas não sabia como e onde fazer, já que não somos formados. Até que caiu um anjo do céu (risos), com a ideia genial de contar essa história. Foi isso que me levou a participar do filme, porque eu acredito que a comunicação é como um rio, e esse rio vai levando conhecimento a todas as pessoas que forem à sala de cinema ou derem o play no filme. Não posso dizer que seja isento, mas este é um filme que pode educar sobre os seus direitos principais: um é o de contestar algo que não te supre, e o outro é o direito de se manifestar sobre algo que não te representa, principalmente quando se trata de política e educação. Nós conversamos várias vezes sobre o processo de montagem e narração do filme. Eu tive vários depoimentos recolhidos pela Eliza. Contei a minha história e o que eu sabia sobre movimento estudantil. Contei a minha trajetória e o que me levou a escolher ou não escolher tal entidade e, a partir daí, a Eliza escolheu os recortes. Nós assistimos e também fizemos a narração, mas a maior parte saiu dos depoimentos e ela canalizou

esse roteiro de uma forma que ficasse mais limpo e produtivo, digamos assim. Essa mulher tem um tato... é uma rainha. A Eliza sempre foi bastante horizontal, falou pra gente indicar se não gostássemos de alguma imagem ou se tivéssemos alguma fala ou referência que gostaríamos de colocar, além dos depoimentos. Ela teve uma compreensão e um tato para transformar esse material maleável em algo doce de se assistir e ao mesmo tempo de luta, o que é difícil. Ela sempre foi bem solidária para nos perguntar o que a gente achava, e juntos a gente pensou o que seria, mas o corte final foi dela. Nas manifestações de 2019 pela educação, a palavra “balbúrdia” foi associada às lutas estudantis... É claro que foi, pensa comigo: nós nascemos à margem da sociedade, certo? A educação que nos é fornecida é de baixo escalão, é chula. A segurança que nos é fornecida é de baixo escalão, é chula. A comunicação, as informações que nos são passadas são de baixo escalão, chulas. Agora pensa que essa pessoa, esse jovem, esse estudante que nasceu à


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margem da sociedade, decide lutar pelos seus direitos. Decide pisar no mesmo lugar que o filho do playboy pisa. É bagunça, é zona. Mesmo que estejamos todos organizados, porque nós estávamos organizados na época das manifestações de 2013 a 2016. E muito bem organizados, diga-se de passagem: tínhamos comissões de cozinha, de segurança de comunicação e principalmente de limpeza. As escolas nunca estiveram tão limpas, belas e conservadas. Sem contar que a grade normal do governo de aula ficou para trás. Nas escolas, nós tínhamos aulas que nunca passaram pela cabeça do secretário de educação. Nós tínhamos oficinas e aulas que só pensávamos que iríamos ter na faculdade, e se conseguíssemos chegar lá. Então, se esse estudante que é visto pela sociedade como marginal, quando entra no shopping e no mercado, começa a lutar pelos seus direitos na educação, é bagunça. É uma desculpa pra não estudar, é vagabundagem, com o perdão da palavra, é balbúrdia mesmo. As informações que estão sendo passadas pelos 4

jornais na televisão falam cada hora de uma coisa, dependendo do horário, então, a alienação pela mídia é muito grande. Mas sempre vai ser, porque se vende o que se compra. Se o povo quiser ouvir que fulano é culpado, vai passar na televisão que fulano é culpado. Se o povo quiser ouvir que fulano é inocente, vai passar na televisão que fulano é inocente. Então, não me impressiona ser chamada de balbúrdia a luta pela educação, até porque eu vi gente batendo palma pra ser preso um ex-presidente que não tem culpa e bater palma pra eleger um presidente que fala de violência, que é favor da arma, a favor da morte. A minha percepção é que o povo não tem noção do que está acontecendo, e não é por burrice ou por ignorância. É por falta de informação, que não está nos sendo passada, e quando é passada, não sabemos se podemos crer ou não. É engraçado a gente ter essa leitura da conjuntura política da atualidade, que parece que ou você tem um lado ou você tem outro. Ir contra Bolsonaro não é ser a favor de Lula. Tem que ter essa percepção.

Ir contra Bolsonaro é ir a favor dos seus direitos, a favor de se aposentar com a idade até a qual lhe cabe trabalhar, é saber que você precisa dos investimentos na educação. Lutar contra Bolsonaro é saber que você precisa do seu direito de entrar na faculdade, pelo Sisu, pelo Fies ou pelo Enem. Lutar contra Bolsonaro é saber que você pode se casar com quem você quiser, que você tem orgulho de ser negro e de saber das suas origens quilombolas. Lutar contra Bolsonaro é lutar pela vida. Agora vamos falar de Lula: saber que Lula é inocente é lutar pela sua própria segurança. Se caminharmos da forma como estamos caminhando, chegaremos à barbárie. Uma pessoa que é presa sem motivos não é a primeira. Lula foi notícia na televisão, mas Rafael Braga, não. Então, é a passos largos que estamos caminhando, e olha que eu nem citei Tropa de Elite (risos). Eu acredito que seja isso, acho que nós precisamos nos unir, nos comunicar entre nós, ou seja, utilizar ainda mais as mídias externas e assistir a esse filme para termos a percepção de que poder não é força, é união.


Romantizar o amor: cinema, passado e inter-racialidade em Jubiabá Por Heitor Augusto*

Jubiabá é um filme embebido das romantizações de quem olha para um passado através de um filtro que assegura o conforto quentinho das memórias. “Romantizar”, aqui, é sinônimo de atenuar e primo de idealizar, e tal gesto se esparrama por todo o filme. O circo, por exemplo, é visto pelas lentes de quem sente saudades de um mundo que permitia ilusões inocentes; o cinema – seja o filme, seja a aventura de ir ao cinema – é um signo do que não volta; o bar configura-se no espaço de sociabilidade etílica-musical. A mais importante das romantizações está, contudo, nas relações políticas, econômicas e, especialmente, afetivo-sexuais entre um homem negro – Baldo, representante de uma coletividade de ex-escravizados da Bahia dos anos 1930 – e uma mulher branca – Lindinalva, decadente herdeira do senhorio. Como é deveras comum nas artes brasileiras, o conflito racial e de classe é transposto para a privacidade da cama. É esse o cerne de Jubiabá: o romance dos racialmente contrastantes, 5


as fantasias e fantasmagorias de relações afetivo-sexuais entre homens negros e mulheres brancas. À luz das discussões da contemporaneidade, ao revisitar um filme feito há três décadas o espectador do IMS irá descobrir o quão enraizada está em Jubiabá uma postura interpretativa do Brasil facilmente localizável no tempo: NPS jamais deixou de pertencer à geração que passou a construir imagens e um imaginário do Brasil entre os anos 1950 e 60. Algumas manifestações desse paradigma interpretativo abundam em Jubiabá: o prisma pelo qual se retratam as formas de permanência da sociedade escravocrata por meio das relações pessoais; falar do negro, não com o negro, sob o pretexto de atingir o centro dos problemas brasileiros; equivalência entre os signos “negro”, “popular” e “cultura”; manifestação do racismo atrelada ao desejo sexual inter-racial; reconhecimento da importância das religiões de matriz africana, mas muitas vezes trabalhando na chave marxista que faz uma equivalência de religião como ópio do povo. 6

Se no livro é maior a ênfase no arco de Baldo rumo à liderança dos estivadores, no filme o foco está num “amor puro” que surge na infância e que só mingua quando Lindinalva, então uma prostituta adoentada, deixa de ser vista por Baldo como a materialização do Belo. Assim, o filme de NPS não deixa de ser um documento sobre o Brasil. Não pelo que mostra, mas sim como as escolhas estéticas e discursivas do diretor, inicialmente amparadas sobre a obra de Jorge Amado, nos permitem entender como os lugares raciais brasileiros têm sido elaborados no cinema e como a romantização é moeda corrente desses retratos – do amaciamento da posse sobre o outro num Debret como o de Um jantar brasileiro, de 1827, ao “amor inocente” em Vazante, de Daniela Thomas, em 2017. Quem olha × quem é olhado Foi por meio do Cinema Novo que o negro – em especial, o homem negro – passou a ser visto com alguma subjetividade – Moleque Tião (1943) e Também somos irmãos (1949) são exceções, não a regra,

nas primeiras quatro décadas de cinema no Brasil. Rio 40 graus (1955) e Rio Zona Norte (1957), do próprio Nelson Pereira dos Santos, são obras pioneiras do que passaríamos a ver pelo cinema brasileiro independente dos anos 1960: um primeiro gesto de positivação do legado negro na formação do Brasil (contrariando o discurso genocida e higienista de João Batista Lacerda e Nina Rodrigues), uma ida ao Brasil real, o povo enquanto coletividade formada por uma maioria negra, uma revisão dos episódios históricos do país, em especial aqueles relacionados à escravidão. Na década seguinte, quando se ras­ cunha um sujeito negro individualizado, outra questão vem à tona: quem está no contraplano desse homem negro no cinema? A mulher branca. Na década de 1970, tanto nas obras de negros quanto de brancos, a mulher branca é o único contraplano possível para Criolo (Um é pouco, dois é bom, 1970), Jorge (Compasso de espera, 1969/73), Saul (As aventuras amorosas de um padeiro, 1975, que NPS ajudou a trazer à vida na


condição de produtor1) e Antonio (Na boca do mundo, 1979) – fenômeno já antecipado pelo cinema americano com Adivinhe quem vem para jantar? (1967). Mesmo sendo realizado na segunda metade dos anos 1980, quando já existiam no panorama intelectual brasileiro as obras de pensadoras como Beatriz Nascimento, Thereza Santos e Lélia Gonzales, Jubiabá subscreve um olhar de adoçamento da mestiçagem e um discurso de absoluta invisibilidade da mulher negra no campo do afeto. Sim, a obra de Jorge Amado, da qual o filme é adaptado, incontornavelmente colocou as bases de roteiro. 1 Para mais detalhes sobre o papel de Nelson Pereira dos Santos como produtor do primeiro longa-metragem de Waldir Onofre na direção, que até então tinha atuado como ator coadjuvante de diversos filmes da geração do Cinema Novo, consultar LAPERA, P. V. A. Etnicidade e campo cinematográfico. Waldir Onofre no cinema brasileiro dos anos 1970. In: PAIVA, S.; CÁNEPA, L.; SOUZA, G. Estudos de cinema e audiovisual Socine, São Paulo, Socine, 2010.

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Aqui, contudo, não falo de enredo, mas sim de olhar, aspecto que salta ainda mais aos olhos quando refletimos que cinco décadas separam a escrita do livro (1934) e a realização do filme (1985/86). Com perniciosa maestria de câmera e um uso consciente dos temas musicais idílicos na trilha feita por Gilberto Gil, Jubiabá constrói seu discurso de romantização. Plano e contraplano, matéria e sonho, Baldo e Lindinalva. O preto como aquele que deseja, a branca como a desejada. A fotografia de José Medeiros enquadra Lindinalva como uma santa-musa-deusa-ninfa, e Baldo, por sua vez, jamais é filmado como contraplano do olhar dela. Como contradição é matéria rica e jamais escasseia na história do nosso país, Jubiabá, por outro lado, faz um rico tributo a dois atores negros. A primeira é Ruth de Souza, a atriz mais subaproveitada da história do cinema brasileiro ao lado de Zezé Motta e que em Jubiabá faz uma emocionante participação especial. O segundo é Grande Otelo: ator que representa o elo entre cinco décadas

de cinema, ele é o Pai Jubiabá, pai de santo retratado pelo filme como a personificação de sabedoria, conhecimento e justiça. São belos os enquadramentos em que vemos Grande Otelo sentado, lendo, tendo atrás de si sempre uma estante com livros. Da sequência de abertura das crianças descendo pelo morro – imagens que remetem diretamente a Rio 40 graus – à ida ao samba como espaço mítico – aspecto que atravessa da geração de NPS ao olhar francês sobre o Brasil –, Jubiabá é incongruência, contradição e romantização. Não opera na frequência do olhar maneirista do discípulo Cacá Diegues em Quilombo (1984), mas não menos afetado pelo olhar idealizado de um passado distante. *Heitor Augusto é crítico de cinema, curador, professor e tradutor. Mantém o Urso de Lata (www.ursodelata.com), onde exercita uma escrita que habita as intersecções entre estética, raça e política.


Contingência petrificada em fatalidade Aopção ou as rosas da estrada (1981), Ozualdo Candeias por Rodrigo de Abreu Pinto

Sempre que falamos em Ozualdo Candeias, é difícil não lamentar pelo lugar encoberto que o realizador ocupa na história do cinema brasileiro ou mesmo pela dificuldade em encontrar cópias dos seus filmes. O que urge, por outro lado, é que lamúrias e queixas parecem impróprias ao falar do cinema de alguém que enxerga seus personagens sem qualquer paternalismo ou transigência, e justamente desse gesto extrai força e sentido inesperados. Assistindo aos filmes de Candeias, fica a impressão de que ninguém melhor que ele soube incorporar formalmente a dinâmica social de um país em decomposição. Por meio da absorção desculpabilizada de elementos, que vão do cinema underground norte-americano até o Cinema Novo, unido ao impulso de representar as figuras humanas que redundam da putrefação do espaço social brasileiro, Ozualdo Candeias produziu um discurso que exprimiu a realidade do país na medida da sua incoerência. Em Aopção ou as rosas da estrada (1981), Candeias retrata a migração de mulheres da zona rural para a cidade 8

grande, percurso no qual se aventuram e se prostituem. Embora tomadas inicialmente como objetos sexuais em troca de dinheiro e carona, muitas vezes são elas que fogem e deixam os homens desamparados; outras vezes, pregam peças; ou mesmo recusam a relação sexual enquanto os homens jazem bestializados, reféns do próprio desejo, terminando numa deprimente masturbação solitária. Para além dessa força que sobressai da fragilidade oposta dos homens, as mulheres são bem caracterizadas em outras duas situações. Na primeira, ao filmá-las recebendo o salário injusto do proprietário, a montagem das suas expressões, olhares e posturas mostra que tomam consciência da exploração, e assim pegam a estrada para longe dali. Em seguida, a condição social enseja a criação de uma comunidade feminina ao longo das estradas, o que fica patente na maneira como se olham e se reconhecem, juntando-se na beira do rio para lavar roupa ou na beira da estrada para pegar carona. À medida que o filme avança estrada afora, acompanhamos não apenas o

acúmulo dramatúrgico de espaços, mas toda sorte de vivências populares que montam uma espécie de etnografia do Brasil profundo. Em meio aos postos de gasolina, borracharias, bordéis, churrascarias e igrejas na borda das pistas, as populações protagonizam desde casamentos até espetáculos circenses, deixando mensagens nas portas dos banheiros, que são as pegadas de quem trocou os pés pelos pneus. Em Aopção, a despeito da sujeira e da degradação, a fuga não é apenas um deixar as coisas para trás, pois também significa construí-las pelo caminho; o descaminho social é também um caminho, a questão é saber se ele leva a algum lugar ou permanece às voltas num circuito cerrado. Filmado entre 1979 e 1981, o êxodo de Aopção está diretamente associado à industrialização ufanista do governo Geisel (1974-1979), sem esquecer da política de desapropriação de terras e das medidas de combate à inflação (arrocho salarial) inseridas no mesmo processo. Enquanto as estradas e o transporte de cargas seriam indícios do progresso esperado,


a dureza material das personagens seria a contraparte necessária e aopcional do desenvolvimento capitalista predatório. Aquelas mulheres, portanto, são a matéria viva que rompem a representação 9

grandiloquente que vincula governos militares e milagre econômico. Para representar o espaço das estradas para onde transbordam, Ozualdo Candeias desenvolve um ambiente caótico em

que os seres se cruzam, desaparecem e reaparecem em seguida noutros pontos. O filme está mergulhado na turbulência dessa matéria em permanente circulação, no encalço dos personagens em


entradas e saídas de campo, raccords fulminantes e violentos movimentos de câmera que dão a impressão de que o filme foi rodado num só fôlego. Há habilidade e desprendimento em fragmentar a narrativa e às vezes se demorar mais em um lugar ou personagem do que noutros, sem que seja possível elencar uma ordem de importância entre as partes, todas elas munidas de uma força de atração e repulsa que faz o filme ir e vir sem via de regras (mas nem por isso sem método). Nos momentos em que filme salta de um ponto da estrada para outro, não somos levados a perguntar pela ligação funcional entre os momentos, pois antes somos tragados e desnorteados pela sensação descontínua que provavelmente os personagens também sentem. Mais do que produzir uma unidade orgânica entre as partes, Candeias está interessado em extrair a tortuosidade subjetiva das personagens, ao mesmo passo que perscrutar as relações de choque entre os planos. Assim como a literatura do êxodo (Graciliano Ramos e José Lins do Rego) representou a subjetividade quase física 10

dos retirantes em frases curtas e secas, as imagens em preto e branco de Aopção, com negativos vencidos e levados ao limite, fazem o mesmo ao fornecer uma aridez às imagens. A eficácia da fotografia está justamente em assentar o mundo em sua fisionomia bruta, assim como Candeias faz com a subjetividade das personagens fustigadas pela pobreza, o analfabetismo e a fadiga dos trabalhos manuais, apresentando-as pela incomum combinação entre atuações pouco dramatizadas e diálogos rarefeitos – sem contar nem mesmo com acompanhamento musical (como aconteceu em seu famoso A margem) –, que reforça como a profundidade das personagens lhes foi corroída. Uma vez que não há virtudes heroicas anteriores que a estrada cumpriu depravar (segundo o arco dramático típico de outros road movies), os personagens estão em um circuito fechado, onde qualquer contingência rapidamente se converte em fatalidade. Mesmo quando chegam à cidade, as mulheres estão, ainda assim, situadas numa outra margem, constituída por

exploração e jornais sedentos por episódios violentos, e lá elas pulam de um emprego para outro, retornam para as estradas ou sucumbem à violência que acreditávamos superada, já que “venceram” o longo percurso das estradas. Na verdade, a realidade social brasileira exige que a identificação da cidade com o sonho de cidadania, do fim do trajeto com a expectativa de repouso ou da estrada com a liberdade individual seja escamoteada pela dessemelhança com o universo retratado. Em meio à decomposição acelerada do social, não há nada que relativize a lei do movimento. Para além da acusação de niilismo da parte de quem teme enxergar o fundo do poço, a força do cinema de Candeias está em fornecer filmes à altura desse movimento em perpétua imobilidade.


Em cartaz história. E, ao mesmo tempo, era tudo muito confuso, nós não entendíamos bem o emaranhado de narrativas que coexistiam ali: o que estava acontecendo, o que os caminhoneiros reivindicavam, como a população em geral reagia àquele movimento, o que a mídia tradicional e as redes sociais retratavam… Não tínhamos ideia do que poderia acontecer. E foi assim, guiados por uma intuição, muitas perguntas, sentimentos confusos e um grande desejo em ouvir o outro, que decidimos ir até um ponto de bloqueio.”

Bloqueio

Victória Álvares e Quentin Delaroche | Brasil | 2018, 76’, DCP Maio de 2018. A cinco meses da eleição presidencial brasileira, o país vive uma crise política e econômica. Nessa atmosfera, caminhoneiros decidem fazer uma paralisação em busca de melhores condições de trabalho. Em meio às reivindicações da classe de trabalhadores, surgem cada vez mais vozes pedindo uma intervenção militar. Em setembro do mesmo ano, Bloqueio teve sua estreia no Festival de Brasília, apenas quatro meses após a manifestação. “O processo de produção foi extremamente rápido, e pulamos a etapa de colocar no papel. Na verdade, filmamos em três dias e montamos em uma semana o primeiro corte do filme (bem próximo do corte definitivo). Foi um processo bem atípico”, conta Quentin Delaroche, que dirigiu o documentário com Victória Álvares. Ela complementa que, “quando se iniciou a paralisação dos caminhoneiros, sentimos que aquele momento poderia entrar para a 11

[Entrevista completa disponível no site do Jornal de Brasília: bit.ly/BloqueioBSB] Ingressos: terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 26 (inteira) e R$ 13 (meia).

Divino amor

Gabriel Mascaro | Brasil, Uruguai, Dinamarca | 2019, 99’, DCP No Brasil de 2027, Joana é uma devota religiosa que usa seu ofício num cartório para tentar dificultar os divórcios. Enquanto espera por um sinal divino em reconhecimento aos seus esforços, é confrontada com uma crise no próprio casamento, que a aproxima ainda mais de Deus. Em entrevista concedida ao portal UOL em fevereiro, o diretor conta que o projeto começou há três anos e partiu “de um desconforto meu em perceber cada vez mais a presença da religião no Estado”. Nas palavras do diretor, “o evangelismo deve ser pensado com a devida complexidade, com a sofisticação que o assunto merece. Eu tento olhar com sinceridade e proponho de maneira muito honesta um olhar para essa discussão. Não tem condenação a priori sobre esse projeto religioso.” Segundo a atriz Dira Paes, que interpreta Joana, sua personagem soar caricata “era um risco que eu corria e que eu tentava o tempo todo evitar.


Sempre fui muito apaixonada pelas histórias dos santos. Sempre me fascinou que tivessem provações muito grandes. Então fui muito nesse nicho da provação, aquela que você tem que passar para provar a sua fé para os outros.” “A ideia”, relata Mascaro, “foi trabalhar com um futuro em que não houvesse muita tecnologia de fato nova. O que há é uma mudança paradigmática e ideológica na sociedade, que permite que o estado civil das pessoas seja manifestado publicamente, uma mudança de perspectiva da privacidade e da concepção de projeto de família. Muita coisa do filme já existe. Fui para raves na periferia do Recife em que o pastor toca Guitar Hero. O que é curioso é que já está aí – e de forma potente.” Em 2019, Divino amor teve sua primeira exibição no Festival de Sundance e foi exibido na Mostra Panorama, do Festival de Berlim. [Íntegra da reportagem do UOL em: bit.ly/gmdivino] Ingressos: terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 26 (inteira) e R$ 13 (meia).

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Espero tua (re)volta

Eliza Capai | Brasil | 2019, 93’, DCP A narrativa é dividida entre três jovens, eles decidem quanto tempo cada um deve falar e escolhem as imagens correspondentes ao que contam. Lucas “Koka” Penteado, Marcela Jesus e Nayara Souza são ex-secundaristas e trazem em seus corpos e vivências importantes perspectivas de sua geração. Eles olham para as marchas de 2013, aderem às manifestações e ocupações das escolas de São Paulo em 2015, narram o processo de impeach­ment de Dilma Rousseff em 2016 e a vitória de Jair Bolsonaro em 2018. Dois meses após a posse do novo presidente brasileiro, Espero tua (re)volta teve sua estreia no Festival de Berlim, na mostra Generation, onde recebeu o prêmio concedido pela Anistia Internacional e o Prêmio da Paz, pela Fundação Heinrich Böll. Sobre a decisão de tornar os personagens narradores do filme, Eliza Capai comenta: “Uma das coisas que entendi, bem no início, é como as lutas secundaristas arrefecem com o tempo,

assim voltando ao zero. A inspiração da galera de São Paulo foi um documentário sobre ocupações estudantis no Chile (A rebelião dos pinguins, de Carlos Pronzato). Entendi como o audiovisual era protagonista nessa história, uma vez que o filme chileno serviu de combustível vital. Tive o desejo de me comunicar com eles, de fazer um filme que interagisse com a geração registrada e os próprios secundaristas e/ou universitários de hoje. Atualmente, é muito difícil manter a atenção dos jovens por uma hora e meia, então havia um desafio: como conseguir isso? Foi realmente um mergulho de linguagem. Os próprios protagonistas mostraram essa agilidade. Tínhamos um grupo de estudo formado por ex-secundaristas que participaram das ocupações. Fui entendendo que o mundo deles era bem ligado a séries, Netflix e YouTube. Meu filme é absurdamente acelerado, traz muita informação. Nunca foi o objetivo fazer o público entender tudo. Quero que os espectadores sejam bombardeados pelo dinamismo, que saiam com isso na cabeça e no corpo, tendo a possibilidade de refletir.” [Leia a entrevista completa no site Papo de Cinema: bit.ly/EpertoTuaRevolta] Ingressos: terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 26 (inteira) e R$ 13 (meia). Ingresso gratuito para alunos de colégios públicos (não é válido para ensino superior). A cortesia pode ser retirada apenas na bilheteria do IMS, mediante a apresentação do comprovante escolar, no dia da exibição. Uma entrada por pessoa. Sujeito a lotação.


Inferninho

Guto Parente e Pedro Diógenes | Brasil | 2018, 82’, DCP Deusimar é a dona do Inferninho, o bar que é um refúgio para seus frequentadores e funcionários. Ela quer deixar tudo para trás e ir embora para um lugar distante. Jarbas, o marinheiro que acaba de chegar, sonha em ancorar e fincar raízes. O amor que nasce entre os dois vai transformar o cotidiano do bar. Inferninho surgiu de uma parceria: o Grupo Bagaceira de Teatro procurou os diretores Guto Parente e Pedro Diógenes para filmar uma série de TV, que se transformou em longa-metragem. “Esse encontro entre cinema e teatro é a base que constitui todo o projeto. É algo determinante em todos os passos, desde o desenho de produção, concepção visual, trabalho com os atores e estilo de decupagem. Como a peça nunca chegou a existir de fato, existiu só como uma ideia, como o embrião do projeto, nunca tivemos esse parâmetro de comparação entre uma coisa e outra. O que existe de teatral no filme é algo construído den13

tro do filme e para o filme, a partir de uma vontade nossa de colocar essas duas linguagens para dançar. Nada de novo na história do cinema, mas algo cada vez mais raro hoje em dia, principalmente no cinema brasileiro, em que existe uma tradição muito forte de um realismo transparente que esconde seus artifícios. Nossa aposta foi em evidenciar o artifício.” – conta o diretor Guto Parente à revista Take. O filme teve sua estreia no Festival de Roterdã em 2018; já no Festival do Rio, do mesmo ano, recebeu o Prêmio Especial da Crítica e, no XI Janela Internacional de Cinema do Recife, foi premiado nas categorias de Melhor Filme Longa-Metragem, Melhor Imagem e Melhor Filme Janela Crítica. [Entrevista completa: bit.ly/InferninhoTake] Ingressos: terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 26 (inteira) e R$ 13 (meia).

Longa jornada noite adentro

Di qiu zui hou de ye wan Bi Gan | China, França | 2018, 140’, DCP (3D) Luo Hongwu retorna a Kaili, cidade natal de onde havia fugido há vários anos. Começa, então, a procurar por uma mulher de que nunca esqueceu. Ela havia dito que se chamava Wan Quiwen. Em entrevista ao crítico Wang Muyan, o diretor comenta seu processo criativo e sua relação com o cinema de gênero: “Nunca fiz cursos de roteiro, então desenvolvi meus próprios hábitos de escrita. Para começar, no que diz respeito ao roteiro, Kaili Blues (2015) é um road movie. Após escrever o primeiro rascunho, comecei a destruí-lo por dentro, pouco a pouco. Isso criou uma forma que me agradou. Originalmente, Longa jornada noite adentro era um filme noir, próximo de Pacto de sangue, de Billy Wilder. A partir desse meu processo de ‘destruição’ de cena após cena, o filme finalmente assumiu o estilo que tem hoje.” “É um filme sobre memória. Depois da primeira parte (em 2D), queria que o filme assumisse uma textura diferente. Na verdade, para mim, o 3D é apenas uma textura, tal qual um espelho que transforma nossas memórias em sensações táteis. É somente uma representação tridimensional do espaço; mas acredito que essa sensação tridimensional remete às nossas lembranças do passado. De qualquer maneira, as imagens em 3D são bem mais falsas do que as imagens em 2D, mas se assemelham bem mais às nossas memórias.” [Íntegra da entrevista em: bit.ly/longaj] Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)


a dinheiro. Fala de subjetividades e de relações humanas em um espaço periférico de uma grande cidade. Marcos, Ana, Selma, Miro, Beto, Rose, dona Sônia e todos os outros personagens são pedaços nossos que se converteram em filme. São aquilo que éramos, somos, queremos ser e poderíamos ter sido. Uma carta de amor ao nosso lugar.” [Citação extraída do material de divulgação do filme]

No coração do mundo

Gabriel Martins e Maurílio Martins | Brasil | 2019, 120’, DCP Marcos busca uma saída para sua rotina de bicos e pequenos delitos. Surge uma oportunidade arriscada, mas que pode solucionar todos os seus problemas. Para isso, ele precisa convencer sua namorada, Ana, a se juntar a Selma e executar o plano que pode mudar suas vidas para sempre. O município de Contagem, em Minas Gerais, é cenário frequente na obra dos diretores e da produtora Filmes de Plástico. Sobre esse aspecto, Gabriel Martins e Maurílio Martins declaram: “No coração do mundo parece destinado a acontecer há muito tempo. Ambos crescemos em Contagem, nos mesmos bairros onde filmamos o longa-metragem. Nós nos conhecemos na faculdade e nos aproximamos por essa característica em comum. Isso nos juntou e nos motivou a fazer vários filmes em torno da nossa história de vida e do lugar de onde viemos. No coração do mundo é um filme sobre a possibilidade de sonhar, em um mundo movido 14

Ingressos: terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 26 (inteira) e R$ 13 (meia).

Vermelho sol

Rojo Benjamín Naishtat | Argentina, Brasil, França, Holanda, Alemanha | 2018, 109’, DCP Em meados dos anos 1970, um homem estranho chega a uma pacata cidade provinciana e, sem nenhum motivo aparente, passa a insultar Claudio, um conhecido advogado. “A história é dinâmica e ressoa no presente. O filme fala sobre a apatia das pessoas quando coisas sérias acontecem ao seu redor. Isso é explorado por meio de um crime comum, que acontece num momento muito específico pré-ditadura argentina dos anos 1970. Queria fazer não somente um filme sobre os anos 70, mas também que refletisse o estilo cinematográfico da época”, comenta o diretor Benjamín Naishtat em texto de divulgação do filme. Ingressos: R$ 15 (inteira) e R$ 7,50 (meia)


23º Festival de Cinema Judaico

A cidade sem judeus

Die Stadt ohne Juden Hans Karl Breslauer | Áustria | 1924, 91’, DCP Recentemente restaurado, A cidade sem judeus é um dos poucos filmes expressionistas austríacos sobreviventes. Filmado em 1924, pode ser visto como uma assustadora premonição do Holocausto – a premissa é a ascensão política do Partido Social Cristão, que ordena que todos os judeus evacuem a Áustria. Nos meses seguintes, a sóbria realidade de uma sociedade sem judeus se instala, à medida que instituições culturais fecham e cafés são substituídos por cervejarias. Eventualmente, a economia declina e o desemprego aumenta. Baseado no livro distópico de Hugo Bettauer e originalmente concebido como sátira política, tornou-se objeto de controvérsia e censura, especialmente em conjunto com a ascensão do nazismo. Ingressos: R$ 8 (inteira) e R$ 4 (meia)

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Em trânsito

Transit Christian Petzold | Alemanha, França | 2018, 101’, DCP Quando Georg tenta fugir da França após a invasão nazista, ele assume a identidade de um autor falecido cujos documentos ele detinha. Preso em Marselha, Georg conhece Marie, uma jovem que está desesperada para encontrar seu marido desaparecido: o autor cuja identidade Georg assumira. O filme de Petzold é inspirado no romance homônimo de Anna Seghers, publicado em 1944. Comenta o diretor no material de imprensa do filme: “A autobiografia de Georg K. Glaser contém uma frase maravilhosa: ‘De repente, quando meu voo chegou ao fim, eu me vi cercado por algo que chamei de silêncio histórico’. Georg K. Glaser era um comunista alemão durante o tempo em que o romance Em trânsito, de Anna Seghers, foi ambientado. Ele fugiu para a França e depois para a sua desocupada ‘zona livre’, ou ‘zone libre’, à qual pertencia Marselha.

As pessoas de Em trânsito foram encurraladas em Marselha, à espera de navios, vistos e outras passagens. Elas estão em fuga – não há caminho de volta para elas e não há como avançar. Ninguém vai levá-las ou cuidar delas. Elas passam despercebidas – exceto pela polícia, os colaboradores e as câmeras de segurança. Elas são fantasmas da fronteira, entre a vida e a morte, ontem e amanhã. O presente passa sem reconhecê-las. Cinema adora fantasmas. Talvez porque também seja um espaço de trânsito, um reino interino no qual nós, os espectadores, estamos simultaneamente ausentes e presentes.” Ingressos: R$ 8 (inteira) e R$ 4 (meia)


Fênix

It Must Schwing!

Simon & Theodore

Sobrevivente de um campo de concentração nazista, Nelly Lenz ficou desfigurada enquanto esteve presa. Irreconhecível após uma cirurgia de reconstrução, ela vaga pela destruída Berlim à procura de Johnny, seu marido. Ela o encontra trabalhando na boate Phoenix, que permanece em atividade após o término da Segunda Guerra Mundial, mas ele não a reconhece. De olho na herança da esposa, Johnny a chama para participar de um golpe e passa a “transformá-la” em Nelly. Só que, aos poucos, ela descobre que o marido teve uma importante participação em sua prisão.

Em 1939, Alfred Lion e Francis Wolff, dois jovens emigrados de Berlim, fundaram a lendária gravadora de jazz Blue Note Records em Nova York. A gravadora se dedicava exclusivamente à gravação da música jazz americana e desenvolveu seu próprio estilo e som de gravação inconfundíveis. A Blue Note Records descobriu e produziu uma impressionante lista de estrelas internacionais do jazz. Isso incluía Miles Davis, Herbie Hancock, John Coltrane, Sonny Rollins, Wayne Shorter, Thelonious Monk e Quincy Jones. Numa época em que os músicos afro-americanos nos EUA eram discriminados e ostracizados, os registros da Blue Note os respeitavam como artistas e iguais.

Simon acaba de sair de uma internação psiquiátrica e está ansioso para rever a esposa, Rivka, que é rabina e está grávida. Theodore, aluno de Rivka, está próximo da sua cerimônia de Bar Mitzvá e enfrenta uma série de questões familiares. Num momento difícil, Theodore foge da sinagoga e Simon tenta encontrá-lo para ajudar a esposa. Os dois passam um dia nas ruas de Paris enfrentando seus demônios pessoais, dando início a uma inesperada e bonita amizade.

Phoenix Christian Petzold | Alemanha | 2015, 99’, DCP

Ingressos: R$ 8 (inteira) e R$ 4 (meia)

It Must Schwing! Eric Friedler | Alemanha | 2018, 115’, DCP

Ingressos: R$ 8 (inteira) e R$ 4 (meia)

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Simon & Theodore Mikael Buch | França | 2017, 84’, DCP

Ingressos: R$ 8 (inteira) e R$ 4 (meia)


Nelson Pereira em cartaz Jubiabá

Nelson Pereira dos Santos | Brasil, França | 1987, 107’, 35 mm Antônio Balduíno era apenas uma criança quando deixou a casa de sua mãe para ajudar nas tarefas domésticas da mansão do Comendador Ferreira. Amélia, a empregada portuguesa, não tolera o menino negro e cisma com o convívio entre ele e a filha branca do patrão. Baldo, como ele passa a ser chamado pelo Comendador, recorre em momentos de percalços a seu padrinho e pai de santo, Jubiabá, interpretado por Grande Otelo. O livro Jubiabá, de Jorge Amado, foi publicado em 1935 e é a segunda obra do escritor baiano adaptada por Nelson Pereira dos Santos para o cinema. A primeira foi Tenda dos Milagres, filme de 1977, inspirado no romance de 1968. Em entrevista à Revista Cult, NPS relata a influência do escritor em sua carreira: “Jorge Amado sempre esteve em minha cabeça. Meu primeiro filme, Rio 40 graus, tem o roteiro assinado por mim, mas, ao ver o filme, sente-se a presença e a influência fortíssima de Capitães da Areia, principalmente, ou até mesmo do próprio Jubiabá. A única coisa é que os heróis do Jorge, naquele tempo, tinham o happy end quando entravam no Partido Comunista e, no meu caso, continuam sendo cidadãos da favela, sem essa determinação política que fazia o fecho do personagem, que nos anos 1930 era uma coisa audaciosa, bonita e promissora.” [Leia a entrevista completa: bit.ly/RevistaCultNPS] Ingressos: R$ 8 (inteira) e R$ 4 (meia) 17

A terceira margem do rio

Nelson Pereira dos Santos | Brasil, França | 1994, 90’, 35 mm Um homem abandona a casa, a mulher, os filhos, os amigos, tudo, para viver isolado numa canoa, no meio de um rio na região central do Brasil. Sem explicar seu gesto, rema sem destino. Jamais volta a pisar em terra firme, nunca mais aparece para ninguém. Seu único contato com as pessoas se faz de modo indireto, por meio do filho que lhe deixa comida debaixo de uma pedra na beira do rio. Adaptação do conto homônimo de Guimarães Rosa, o filme A terceira margem do rio é inspirado em mais quatro narrativas do livro Primeiras Estórias: A menina de lá, Os irmãos Dagobé, Fatalidade e Sequência. Em uma entrevista publicada em 2007, pela revista Estudos Avançados, Nelson conta sobre a reunião dessas histórias em um único roteiro: “A primeira ideia era fazer a adaptação de um conto, A menina de lá. Vale a pena contar uma história: quando o livro foi lançado em 1962, muitos cineastas queriam um conto para adaptar. Aconteceu no famoso bar da Líder um

banquete imaginário, a distribuição dos contos, com alguma disputa. Glauber, em seu romance Riverão Sussuarana, se imagina, num trecho, caminhando com o Rosa em Copacabana. Pede ao escritor: ‘Ô Rosa, diz lá pra sua filha Vilma dar logo os direitos pro Nelson fazer o filme A menina de lá’. Quando reuni as condições de produção para realizar o filme (foi um longo caminho, coprodução com a França, ajuda do Ministro da Cultura da França, ajuda do Ministério do Exterior da França), já havia decidido juntar ao conto escolhido mais quatro, mas procurando estruturar todos como se fosse uma única história. Para chegar a isso, encontrei um veio, a questão da loucura, segundo a análise de Paulo Rónai. Ele afirma que todos aqueles contos eram da mesma família, e os personagens dos contos se assemelham por serem loucos ou quase e estarem numa espiral alucinatória. Outra semelhança é que todas as narrativas se passam num espaço social onde não há lei escrita, uma grande verdade do Brasil profundo.” O longa teve sua estreia internacional na competição do Festival de Berlim de 1994 e, no Brasil, recebeu o prêmio Margarida de Prata da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). [Leia a entrevista completa: bit.ly/EstudosAvançadosNPS] Ingressos: R$ 8 (inteira) e R$ 4 (meia)


Sessão Cinética

Sessão especial

Aopção ou as rosas da estrada Ozualdo Candeias | Brasil | 1981, 87’, Arquivo digital

Na combinação entre registros documentais e ficcionais emerge o cotidiano de mulheres que trabalham em campos de cana de açúcar. Sob a exploração do serviço rural, elas sonham com os grandes centros urbanos e, à beira da estrada, submetem-se a todo tipo de sorte para chegar a um novo destino. Antes de se tornar cineasta, Ozualdo Candeias era motorista de caminhão. Em Aopção ou as rosas da estrada ele assina a direção, o roteiro, a fotografia, parte da montagem e faz uma participação no elenco. “Eu faço um personagem no Aopção... porque não tinha jeito de trazer um ator, e o papel era de um chofer de caminhão, por isso eu fiz. A atitude do caminhoneiro de dar comida para a prostituta era uma coisa que eu via nas estradas, então achei que isso seria bom. Agora tem aquele outro personagem caminhoneiro que trepa, aí eu deixei outro trepar, se não iam me esculhambar: ‘Você só trepa porque é diretor’. No filme coloco coisas da própria profissão de caminhoneiro nas cenas de sexo”, conta o diretor em artigo publicado pelo site Portal Brasileiro de Cinema. O longa recebeu o Leopardo de Bronze no Festival de Locarno de 1981. [Artigo completo: bit.ly/AopcaoCandeias] Ingressos: R$ 8 (inteira) e R$ 4 (meia)

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Woodstock – 3 dias de paz, amor e música

Woodstock Michael Wadleigh | EUA | 1970, 216’, DCP Em 1969, por volta de quatrocentas mil pessoas se reuniram em uma fazenda em Bethel, no estado de Nova York, para três dias de música e festa. O documentário de Michael Wadleigh registra o festival de Woodstock da montagem dos palcos à limpeza final e apresenta imagens icônicas de Jimi Hendrix, Janis Joplin, Joan Baez, The Who e muitos outros. O filme recebeu o Oscar de Melhor Documentário e foi indicado para Melhor Montagem, categoria na qual raramente filmes de não ficção são indicados. Cinco profissionais estão listados como editores nos créditos do filme, entre eles, Michael Wadleigh, Thelma Schoonmaker e Martin Scorsese, que também foi assistente de direção durante as filmagens. No prefácio do livro Woodstock: Three Days That Rocked the World (2009), Scorsese relembra as

intempéries da produção: “Minha perspectiva sobre Woodstock é... limitada. Limitada como? Bem, durante a maior parte daquele fim de semana em agosto de 1969, eu fiquei confinado em uma plataforma de cerca de três metros de largura, à direita do palco, logo abaixo dos amplificadores, absolutamente concentrado nos músicos e em suas performances. Eu seria um dos editores do filme, e meu trabalho era ficar de olho nas imagens de que precisaríamos quando começássemos a montagem. Tínhamos sete cinegrafistas trabalhando em todas as apresentações e, na medida em que eu conseguia me comunicar com eles (surpreendentemente bem, considerando todas as dificuldades), eu tentava direcionar a atenção deles para atividades que eles não conseguiriam perceber, pois seus olhos estavam colados aos visores das câmeras.” Sobre o legado do filme, relata: “Havia material utilizável suficiente para um filme de sete horas, e é por isso que, em suas várias encarnações em DVD e VHS, Woodstock mudou bastante de forma ao longo dos anos, sem jamais trair sua essência. Mas algo mais curioso aconteceu nesses 40 anos. Acho que, sem o filme, o festival não seria mais do que uma nota de rodapé da história social e cultural dos anos 1960 – representada por uma foto em um livro ilustrado, uma ou duas linhas nos livros de história. O que o filme fez e continua a fazer é destilar a experiência de Woodstock e, mais importante, mantê-la viva e vibrante.” Ingressos: R$ 8 (inteira) e R$ 4 (meia)


coleção DVD | IMS

Criada em 2012 pelo então coordenador de cinema José Carlos Avellar (1936-2016), a coleção DVD | IMS já lançou diversos filmes, entre produções brasileiras e estrangeiras.

Box Graciliano Ramos

Este box reúne os três títulos da coleção de DVDs do Instituto Moreira Salles baseados em obras literárias do escritor Graciliano Ramos: Vidas secas Nelson Pereira dos Santos | Brasil | 1963, 103’ São Bernardo Leon Hirszman | Brasil | 1972, 111’ Memórias do cárcere Nelson Pereira dos Santos | Brasil | 1984, 189’ Os DVDs incluem livretos com textos de Nelson Pereira dos Santos, José Carlos Avellar, Júlio Bressane e Jean-Claude Bernadet.

O futebol, de Sergio Oksman O botão de pérola e Nostalgia da luz, de Patricio Guzmán Photo: Os grandes movimentos fotográficos Homem comum, de Carlos Nader Vinicius de Moraes, um rapaz de família, de Susana Moraes Últimas conversas e Cabra marcado para morrer, de Eduardo Coutinho A viagem dos comediantes, de Theo Angelopoulos Imagens do inconsciente e São Bernardo, de Leon Hirszman Os dias com ele, de Maria Clara Escobar A tristeza e a piedade, de Marcel Ophüls Os três volumes da série Contatos: A grande tradição do fotojornalismo; A renovação da fotografia contemporânea; A fotografia conceitual La Luna, de Bernardo Bertolucci Cerimônia de casamento, de Robert Altman Conterrâneos velhos de guerra, de Vladimir Carvalho

Vidas secas e Memórias do cárcere, de Nelson Pereira dos Santos O emprego, de Ermanno Olmi Iracema, de Jorge Bodanzky e Orlando Senna Cerimônia secreta, de Joseph Losey As praias de Agnès, de Agnès Varda A pirâmide humana e Cocorico! Mr. Poulet, de Jean Rouch Diário 1973-1983 e Diário revisitado 1990-1999, de David Perlov Elena, de Petra Costa A batalha de Argel, de Gillo Pontecorvo Libertários, de Lauro Escorel, e Chapeleiros, de Adrian Cooper Seis lições de desenho com William Kentridge Sudoeste, de Eduardo Nunes Shoah, de Claude Lanzmann Memórias do subdesenvolvimento, de Tomás Gutiérrez Alea E três edições voltadas à poesia: Poema sujo, dedicado a Ferreira Gullar; Vida e verso e Consideração do poema, dedicados a Carlos Drummond de Andrade

Os DVDs podem ser adquiridos nas livrarias especializadas, nas lojas dos nossos centros culturais e na loja on-line do IMS: bit.ly/imsdvd. 19


Curadoria de cinema Kleber Mendonça Filho Programação de cinema e DVD Barbara Alves Rangel Programadores assistentes Ligia Gabarra e Thiago Gallego Projeção Ana Clara Costa e Lucas Gonçalves de Souza

Os filmes de agosto

Meia-entrada

O programa de agosto tem o apoio da Regina Filmes, da Ponte Produções, da Heco Produções e das distribuidoras Embaúba Filmes, Taturana Mobilização Social, Vitrine Filmes, Zeta Filmes, Park Circus e do Espaço Itaú de Cinema. E dedica agradecimentos a Marcia Pereira dos Santos, Diogo Dahl e Letícia Monte.

Com apresentação de documentos comprobatórios para professores da rede pública, estudantes, crianças de 3 a 12 anos, pessoas com deficiência, portadores de Identidade Jovem e maiores de 60 anos.

apoios 23º Festival de Cinema Judaico

Nelson Pereira em cartaz

Venda de ingressos Ingressos à venda pelo site ingresso. com ou na bilheteria, para sessões do mesmo dia. Desconto para o titular ao comprar o ingresso com o cartão Itaú (crédito ou débito). Ingressos e senhas sujeitos à lotação da sala. Capacidade da sala: 145 lugares. Devolução de ingressos Em casos de cancelamento de sessões por problemas técnicos e por falta de energia elétrica, os ingressos serão devolvidos. A devolução de entradas adquiridas pelo ingresso.com será feita pelo site. Programa sujeito a alterações. Eventuais mudanças serão informadas em facebook.com/ cinemaims e ims.com.br. Não é permitido o acesso com mochilas ou bolsas grandes, guarda-chuva, bebidas ou alimentos. Use nosso guarda-volumes gratuito. Confira a classificação indicativa no site do IMS.

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A terceira margem do rio, de Nelson Pereira dos Santos (Brasil, França | 1994, 90’, 35 mm)


Espero tua (re)volta, de Eliza Capai (Brasil | 2019, 93’, DCP)

Terça a sábado, sessões de cinema até as 22h; domingos e feriados, até as 20h. Visitação, Biblioteca, Balaio IMS Café e Livraria da Travessa Terça a domingo, inclusive feriados (exceto segundas), das 10h às 20h; quintas, até as 22h. Última admissão: 30 minutos antes do encerramento. Entrada gratuita.

Avenida Paulista 2424 CEP 01310-300 Bela Vista – São Paulo tel: (11) 2842-9120 imspaulista@ims.com.br

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IMS Paulista: os filmes de agosto/2019  

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