

Daguerreótipos (Daguerréotypes), de Agnès Varda
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Daguerreótipos (Daguerréotypes), de Agnès Varda
Nos anos 1970, diretamente inspirado pelo impacto do filme de Gordon Parks, Dom Filó criou no subúrbio do Rio de Janeiro as Noites do Shaft, um espaço seguro para corpos pretos e periféricos curtirem ao embalo da soul music. Na primeira semana de dezembro, o IMS Paulista recebe uma reedição do evento, além de uma seleção de filmes que remetem ao período. A programação faz parte do projeto Gordon Parks: a América sou eu, que conta ainda com a cinebiografia dirigida por Parks sobre Leadbelly, o influente cantor e guitarrista de blues norte-americano. Em paralelo à exposição de mesmo nome, a mostra Fotografia AGNÈS VARDA Cinema, apresenta parte da filmografia da artista em que a relação entre essas duas linguagens é especialmente demarcada.
Este mês: Daguerreótipos, A Ópera-Mouffe, Os Panteras Negras e Saudações, cubanos.
Na Sessão Mutual Films, um diálogo entre obras de dois cineastas que acreditavam no poder da imagem de revelar a alma humana. Da cineasta experimental alemã Dore O., cinco filmes em cópias recém-restauradas. Do dinamarquês Carl Theodor Dreyer, serão exibidos Gertrud, seu último longametragem, e o curta meio ficção, meio propaganda A travessia.
Ainda este mês, dois dos principais premiados do Festival de Cannes deste ano: Foi apenas um acidente, em que Jafar Panahí elabora ficcionalmente sua experiência enquanto preso político, e o drama familiar-cinematográfico Valor sentimental, de Joachim Trier. Richard Linklater remonta ao espírito e à estética da Nouvelle Vague numa recriação das filmagens de Acossado. Retorna às telas de cinema em cópia restaurada o clássico O iluminado, de Stanley Kubrick.



[imagem da capa]
E seu corpo é belo, de Yuri Costa
Foi apenas um acidente (Yek tasadef sadeh), de Jafar Panahi
A natureza das coisas invisíveis
Rafaela Camelo | DCP
A queda do céu
Eryk Rocha e Gabriela Carneiro da Cunha | DCP
Nouvelle Vague
Richard Linklater | DCP
O iluminado (The Shining)
Stanley Kubrick | DCP, restauração 4K
O último episódio
Maurilio Martins | DCP
Valor sentimental (Affeksjonsverdi)
Gordon Parks: a América
sou eu no Cinema do IMS
Foi apenas um acidente
(Yek tasadef sadeh)
Jafar Panahi | DCP
Guarde o coração na palma
da mão e caminhe
(Za’a Rouhak Ala Yadak Wa Emshi)
Sepideh Farsi | DCP
Joachim Trier | DCP
É possível assistir a alguns dos filmes em cartaz no Cinema do IMS com recursos de acessibilidade em Libras, legendas descritivas e audiodescrição. Para retirar o equipamento com recursos, consulte a bilheteria do IMS Paulista. Em caso de dúvidas, entrar em contato pelo telefone (11) 2842-9120 ou pelo e-mail imspaulista@ims.com.br.
Canção da liberdade (Leadbelly)
Gordon Parks | DCP
Shaft
Gordon Parks | DCP, restauração 4K
O grande golpe de Shaft
(Shaft's Big Score!)
Gordon Parks | Arquivo digital
E seu corpo é belo
Yuri Costa | DCP
Black Rio
TV Rio | Arquivo digital
Radial Filó (abertura)
Walter Clark | Arquivo digital
Sessão Mutual Films
Programa 1: Gertrud
Programa 2: Filmes de Dore O.
Cinema A Ópera-Mouffe (L'Opéra-Mouffe)
Agnès Varda | DCP, restauração 2K
Stern des Méliès [Estrela de Méliès]
Dore O. | DCP, cópia restaurada
Gertrud
Carl Theodor Dreyer | DCP, cópia restaurada
Blonde Barbarei [Barbarismo loiro]
Dore O. | DCP, restauração 2K
Kaldalon
Dore O. | DCP, restauração 2K
Lawale
Dore O. | DCP, restauração 2K
Alaska [Alasca]
Dore O. | DCP, restauração 2K
A travessia (De nåede færgen)
Carl Theodor Dreyer | DCP, cópia restaurada
Saudações, cubanos!
(Salut les Cubains)
Agnès Varda | DCP, restauração 2K
Os Panteras Negras (Black Panthers)
Agnès Varda | DCP, restauração 2K
Daguerreótipos (Daguerréotypes)
Agnès Varda | DCP, restauração 2K
15:20 Radial Filó + Black Rio + A queda do céu (119')
17:45 E seu corpo é belo + A natureza das coisas
invisíveis (114')
20:00 Radial Filó + Black Rio + Guarde o coração na palma da mão e caminhe (121')
14:00 E seu corpo é belo + A natureza das coisas invisíveis (114')
16:20 Radial Filó + Black Rio + A queda do céu (119')
19:10 sessão mutual films
Programa 1 - Gertrud: Stern des Méliès [Estrela de Méliès] sessão + Gertrud (130'), sessão apresentada por Lorenna Montenegro
14:00 Radial Filó + Black Rio + Guarde o coração na palma da mão e caminhe (121')
16:20 E seu corpo é belo + Foi apenas um acidente (126')
19:10 sessão mutual films
Programa 2 - Filmes de Dore O.: Blonde Barbarei [Barbarismo loiro] + Kaldalon + Lawale + Alaska [Alasca] + A travessia (127'), sessão apresentada por Roberta Pedrosa
16:00 A natureza das coisas invisíveis (90')
17:50 Foi apenas um acidente (102')
20:00 fotografia AGNÈS VARDA cinema
A Ópera-Mouffe + Saudações, cubanos! + Os Panteras Negras (74')
15:00 Foi apenas um acidente (102')
17:10 O iluminado (143')
20:00 gordon parks: a américa sou eu O grande golpe de Shaft (105')
16:00 Guarde o coração na palma da mão e caminhe (110')
18:10 A natureza das coisas invisíveis (90')
20:00 Foi apenas um acidente (102')
15:00 O iluminado (143')
17:45 Foi apenas um acidente (102')
19:50 gordon parks: a américa sou eu Canção da liberdade (Leadbelly) (126')
15:20 Foi apenas um acidente (102')
17:30 Valor sentimental (132')
20:00 O último episódio (112')
15:20 Guarde o coração na palma da mão e caminhe (110')
17:30 Foi apenas um acidente (102')
19:30 O iluminado (143')
18
15:30 O último episódio (112')
18:00 Foi apenas um acidente (102')
20:00 Nouvelle Vague (106')
Neste dia o IMS Paulista estará fechado
5
14:00 E seu corpo é belo + A natureza das coisas invisíveis (114')
16:30 Radial Filó + Black Rio + Guarde o coração na palma da mão e caminhe (121')
19:00 E seu corpo é belo + Foi apenas um acidente (126')
21:30 gordon parks: a américa sou eu E seu corpo é belo + Shaft (124')
6
14:00 Radial Filó + Black Rio + A queda do céu (119')
16:30 E seu corpo é belo + A natureza das coisas invisíveis (114')
19:00 gordon parks: a américa sou eu Radial Filó + Black Rio + O grande golpe de Shaft (116')
21:30 E seu corpo é belo + Foi apenas um acidente (126')
19:30 E seu corpo é belo + Foi apenas um acidente (126')
15:00 Guarde o coração na palma da mão e caminhe (110')
17:15 Foi apenas um acidente (102')
19:20 fotografia AGNÈS VARDA cinema
Daguerreótipos (80')
21:00 O iluminado (143')
19
15:00 Guarde o coração na palma da mão e caminhe (110')
17:30 A natureza das coisas invisíveis (90')
19:30 Nouvelle Vague (106')
21:40 Foi apenas um acidente (102')
15:00 Valor sentimental (132')
17:30 Foi apenas um acidente (102')
19:30 Valor sentimental (132')
22:00 Nouvelle Vague (106')
13
15:00 A natureza das coisas invisíveis (90')
17:00 sessão mutual films
Programa 2: Filmes de Dore O.: Blonde Barbarei [Barbarismo loiro] + Kaldalon + Lawale + Alaska [Alasca] + A travessia (127')
19:30 Foi apenas um acidente (102')
21:30 O iluminado (143')
20
15:00 O último episódio (112')
17:20 sessão mutual films
Programa 1: Gertrud: Stern des Méliès [Estrela de Méliès] + Gertrud (130')
19:50 Nouvelle Vague (105')
22:00 Foi apenas um acidente (102')
27
14:30 Foi apenas um acidente (102')
16:50 Valor sentimental (132')
19:20 Nouvelle Vague (106')
21:30 Valor sentimental (132')
17:30 Foi apenas um acidente (102')
19:30 O iluminado (143')
15:30 Foi apenas um acidente (102')
17:40 Nouvelle Vague (106')
19:50 gordon parks: a américa sou eu Canção da liberdade (Leadbelly) (126')
14:00 Foi apenas um acidente (102')
16:00 fotografia AGNÈS VARDA cinema
Daguerreótipos (80')
17:40 Nouvelle Vague (106')
19:45 Valor sentimental (132')
Heitor Augusto
São muitas as perspectivas que podem guiar as interpretações das obras e dos caminhos da carreira do artista Gordon Parks. Aqui, o desejo é falar de Gordon, o diretor de filmes cujo arco vai do registro das mazelas de uma favela carioca, no início dos anos 1960, ao balé telefilmado em tributo à vida de Martin Luther King Jr., no início da década de 1990. Uma carreira que se relacionou com pelo menos cinco momentos da indústria cinematográfica e audiovisual americana: os “social problem films” – ou filmes de denúncia social –; a rebarba da era do Technicolor em Hollywood; o cinema blaxploitation; a reorganização da indústria, no final da década de 1970; e, por fim, o sistema público de comunicação estadunidense na promoção de debates junto à sociedade através do audiovisual.
É possível mirar Gordon, o diretor de filmes, como parte de uma tradição cinematográfica negra estadunidense de realizadores que navegam entre tecer críticas sociais, atingir um público amplo e habitar o sistema de produção mainstream – uma dança que nomes como Spike Lee, John Singleton e, mais recentemente, Ava DuVernay e Ryan Coogler toparam dançar. Um outro prisma de observação seria mirá-lo, tal como fazemos com William Greaves, como um indivíduo que entra para o mundo das artes por meio de
uma outra linguagem artística, e eventualmente chega à direção de filmes, movido também pelo desejo pedagógico, de investigação histórica e fomento a um debate racial na sociedade na qual estavam inseridos. Ou, por fim, se recortarmos o último trecho de sua carreira como diretor, encontraríamos um inesperado diálogo entre seus gestos de realização e os de Marlon Riggs.
Ou seja, essas tentativas de aproximações, além de buscar oferecer contexto para sua prática cinematográfica, indicam a versatilidade de Gordon Parks, o diretor, bem como apontam para a dificuldade de construir um discurso totalizante acerca de sua obra – ou, até mesmo, de dividi-las em fases, metodologia comumente utilizada por pesquisadores dos estudos de cinema quando investigando realizadores sob o paradigma da autoria. Reconhecer a limitação dos discursos totalizantes acerca de seus filmes não nos impede, contudo, de identificar recorrências temáticas, convenções estéticas e preferências de abordagem. Talvez o traço mais marcante de seu engajamento com a direção de filmes seja o interesse em biografar, mesmo que o gênero documental tenha sido uma presença minoritária em sua carreira. Dentro dessa predileção pelo gesto biográfico, Parks demonstra um interesse inquebrantável em homens

negros heterossexuais e suas histórias de protagonismo1 – outro traço que aproxima sobremaneira seus filmes dos de Ryan Coogler, ainda que tal conexão pouco tenha sido feita aqui no Brasil, mesmo com as inequívocas intersecções entre Pecadores (Sinners, 2025) e Leadbelly (1976). A obra cinematográfica de Parks é preenchida por biografias de heróis ficcionais – Shaft (1971) e O grande golpe de Shaft (1972) –, reais – Martin (1990) – e também romances de formação biográfico – Com o terror na alma (The Learning Tree, 1969). Há os gestos documentais biográficos2 – Flavio (1964) e The World of Piri Thomas (1968) –, o autorretrato sob o prisma de uma vida de feitos – Momentos sem nome próprio (Moments without Proper Names, 1987) – e, por fim, as cinebiografias de fato – Leadbelly (1976) e Solomon Northup’s Odyssey (1984).
1. The Super Cops (1974) é uma evidente exceção, pois protagonizada por dois atores brancos.
2. Em Diary of a Harlem Family (1968), Parks assina a fotografia e a narração, além do ensaio fotográfico a partir do qual o projeto do filme surgiu. Uma visão mais expansiva de autoria poderia incluir o curta-metragem nesse gesto documental biográfico.

Cineasta das esquinas urbanas ou da vastidão interiorana?
O sucesso comercial de Shaft não apenas catapultou o então modelo Richard Roundtree para o sucesso como também dominou o imaginário ao redor da obra cinematográfica de Gordon Parks. Quem se debruça sobre a totalidade de seus filmes descobre, contudo, que, a despeito de Shaft ser um filme tão preto quanto nova-iorquino, Parks é um cineasta tanto das esquinas de Manhattan quanto das paisagens agrícolas e interioranas.
Talvez seja justamente ao filmar espaços rurais dos interiores estadunidenses que Parks demonstre ao máximo seu senso de decupagem, movimento e cores. Não é exagero, então, olhar para filmes como Leadbelly e Com o terror na alma e especular que se trata de um cineasta cuja mise en scène estabelece um franco diálogo com mestres do artesanato fílmico, como John Ford e Howard Hawks. A cultura caipira do Meio-Oeste de Com o terror na alma e a profusão do Technicolor trazem também traços que nos remetem fortemente a Tudo que o céu permite (All that Heaven Allows, 1955), de Douglas Sirk. É como se, ao olhar para o Sul e para o Meio-Oeste na década de 1970, Parks espelhasse a mirada de Ford e

Hawks para o Oeste e de Sirk para o Meio-Oeste entre as décadas de 1940 e 1950.
Gordon Parks é, então, não apenas um patrimônio afro-americano do cinema, mas também um cineasta da América, tal como James Baldwin é um escritor que entoa, com criticidade e lucidez, a América.3
Nesse sentido, é extremamente simbólico que os filmes de Parks feitos para a televisão
3. Se fôssemos seguir com os paralelos entre cinema e literatura, seria possível especular que Marcus, o personagem-problema de Com o terror na alma, trava uma conversa direta com Bigger Thomas, protagonista de Filho nativo (1940), obra-prima de Richard Wright.
na década de 1980 tenham se debruçado sobre personagens cujas biografias representam a luta pela liberdade das populações negras ao redor do mundo, bem como a busca de afro-americanos pela promessa de acesso às benesses da América. Solomon Northrup’s Odissey biografa um homem livre que foi ilegalmente capturado, escravizado e, após 12 anos, tornou-se livre novamente e escreveu sua própria história.4 Em muitos sentidos, um filme menor de 4. O mesmo personagem seria objeto do filme 12 anos de escravidão (12 Years a Slave, 2013), de Steve McQueen.

Parks, no qual o diretor não logrou exercer seu domínio da encenação e do espaço. Ainda assim, um filme que merece apreciação por suas qualidades pedagógicas. No arrebol de sua atuação como diretor de filmes, Parks realiza Martin , o mais difícil de classificar dentro de sua carreira cinematográfica. Trazendo à luz um real herói americano – Martin Luther King Jr. –, Parks reuniu numa única obra suas diferentes motivações artísticas: interesse pela história afro-americana, biografar heróis e sua dimensão não apenas de músico, mas
também de compositor de peças musicais clássicas.5 Híbrido entre balé filmado, programa jornalístico com altos valores de produção e documentário que visita a trajetória fotográfica de Parks, Martin é tão estranho quanto bonito, tão cafona quanto corajoso, além de repleto de comentários visuais acerca da promessa estadunidense de direitos amplos. Em Martin, é justamente no momento em que se apresenta a suposta
5. Parks, que começou sua vida artística como pianista, faz parte de um seleto grupo de realizadores que compuseram trilhas para seus próprios filmes, como fizeram Dario Argento, John Carpenter, Satyajit Ray, entre outros.
grandeza da América – a chegada à lua – que acontece o assassinato de Martin Luther King Jr., num paralelismo temporal criado por Parks para comentar a dualidade da América: um lugar tanto de grandes quanto de horrendos feitos.
A América tem de agradecer por artistas como Gordon Parks não terem desistido dela e de suas promessas.

Aaron Cutler e Mariana Shellard
A Sessão Mutual Films de dezembro de 2025 propõe um diálogo entre filmes restaurados do grande cineasta dinamarquês Carl Theodor Dreyer (1889-1968) e da pioneira do cinema experimental alemão Dore O. (1946-2022).
De Dreyer, passarão o curta-metragem
A travessia (De nåede færgen, 1948) e seu último longa-metragem, Gertrud (1964). De Dore O., serão exibidos seus quatro primeiros filmes solo – Alaska (1968), Lawale (1969), Kaldalon (1971) e Blonde Barbarei (1972) – e Stern des Méliès (1982). Os direitos das imagens que seguem de Gertrud pertencem à Palladium e ao Danske Filminstitut [Instituto Dinamarquês de Cinema], enquanto as imagens dos filmes de Dore O. foram cedidas por Jonathan Nekes (filho da cineasta) e pela Deutsche Kinemathek [Cinemateca Alemã]. Dore O.


Olhe para mim.
Sou bela?
Não, mas já amei.
Olhe para mim.
Sou jovem?
Não, mas já amei.
Olhe para mim.
Eu vivo?
Não, mas já amei.
[Poema lido pela protagonista de Gertrud]
Eu venho da pintura, era muito mais fácil de realizar, eu não precisava de muito. Para fazer um filme, era necessário ao menos uma câmera, mas também era basicamente isso se você tivesse inovação. Então, com uma câmera emprestada, eu podia expressar coisas que eram definitivamente projetáveis e que também eram cinema, talvez o único tipo de cinema para mim.
[Dore O., em uma entrevista com Cristian Bau, realizada em 1998]

Quando um pintor que não é naturalista pinta uma cena, ele não o faz como a vê com os olhos, mas como a vê com os olhos da mente. A cena, como ele a sente e a vê. Na minha opinião, fiz a mesma coisa.
[Dreyer, em uma entrevista de 1965 sobre Gertrud]
Verdade que se cria filmes como uma imagem. Algo lhe atinge. Uma ideia de espaço, um certo movimento da câmera, a pessoa, a luz – algo se desenvolve em torno disso. Uma fragrância pode colocar um filme em movimento. Meu próprio envolvimento imediato leva ao filme, ou seja, uma ideia, uma emoção – sem história, sem roteiro... Um cinema sensual e associativo é meu foco. Conquistar o espaço de dentro + por de
trás da tela e nos próprios espectadores. Criar... uma forma de expressão que enfatize tema, ideia + emoção; apenas conquistável através do filme + da projeção + do espectador. Mediação através de imagens – movimento – música – espaço –tempo – o som parece ser a área mais bonita + inexplorada. O olho é o órgão mais importante do ser humano.
[Dore O., fragmentos escritos à mão, sem data, que aparecem no livro de 2023 editado pela preservacionista de cinema Masha Matzke Figures of Absence: The Films of Dore O.]

O primeiro impulso criativo para um filme vem do roteirista, cujo trabalho é dar a ele uma base. Mas, a partir do momento em que se estabelece a fundação poética, é trabalho do diretor dar ao filme um estilo. Os sentimentos e temperamentos que colorem o filme e que despertam sentimentos correspondentes na mente do espectador. Por meio do estilo, ele imprime uma alma à obra – isso é o que faz dela uma arte. Cabe a ele dar ao filme uma face – nomeadamente a sua própria.
[Dreyer, no ensaio “Reflexões sobre meu ofício” (“Thoughts on My Métier”), de 1943]
Se o cinema não for para a tradução de sonhos ou qualquer coisa que se mostre aliada ao universo dos sonhos, então não existe tal coisa como cinema.
[Dore O., citado no folheto do lançamento em DVD dos filmes dela pelo selo Re:Voir, em 2021]
A travessia, de Carl Theodor Dreyer
A Sessão Mutual Films de dezembro de 2025 é dedicada às memórias dos cineastas Corinne Cantrill (1928-2025), Gunvor Nelson (1931-2025), Hartmut Bitomsky (1942-2025), Jørgen Leth (1937-2025), Ken Jacobs (1933-2025) e Michael Roemer (1928-2025); das atrizes Claudia Cardinale (1938-2025), Diane Keaton (1946-2025) e Samantha Eggar (1939-2025); da atriz e montadora de cinema Patrícia Saramago (1975-2025); e do cantor e pianista Andy Bey (1939-2025).





A natureza das coisas invisíveis
Rafaela Camelo | Brasil | 2025, 90’, DCP (Vitrine Filmes)

Eryk Rocha e Gabriela Carneiro da Cunha | Brasil | 2024, 108’, DCP (Gullane+)
A queda do céu estreou na Quinzaine de Cinéastes, mostra paralela do Festival de Cannes 2024. Desde então, circulou por uma série de festivais e reuniu prêmios, como os de Melhor Longa-Metragem Documentário Internacional no 27º Festival Internacional de Cinema de Guanajuato, no México, Prêmio Especial do Júri no DMZ Docs, na Coreia do Sul, e Prêmio de Melhor Som e Melhor Direção de Documentário no Festival do Rio, todos em 2024.
Ingressos: terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).
Glória tem 10 anos e passa as férias no hospital onde sua mãe trabalha como enfermeira. Lá ela conhece Sofia, uma menina que está convencida de que a piora na saúde da bisavó é causada pela internação no hospital. Unidas pelo desejo de sair dali, as crianças encontram conforto na companhia uma da outra. Quando a partida se torna inevitável, as meninas e suas mães seguem para um refúgio no interior de Goiás para passar os últimos dias de um verão inesquecível.
O filme de Rafaela Camelo foi escolhido como Melhor Longa-Metragem Brasileiro na edição deste ano do Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade, e as atrizes Laura Brandão e Serena receberam o prêmio de Melhor Interpretação.
Ingressos: R$ 15 (inteira) e R$ 7,50 (meia).
Baseado nas palavras poderosas do xamã e líder Yanomami Davi Kopenawa, o documentário retrata a comunidade Watoriki durante o importante ritual funerário Reahu, um esforço coletivo para segurar o céu. O filme atua como uma contundente crítica xamânica àqueles que Davi Kopenawa chama de “o povo da mercadoria”, ao garimpo ilegal e à mistura mortal de epidemias trazidas pelos forasteiros, chamadas de xawara. Em primeiro plano, a beleza e a força geopolítica da cosmologia Yanomami e dos espíritos xapiri.

Foi apenas um acidente
Yek tasadef sadeh
Jafar Panahi | Irã, França, Luxemburgo | 2025, 102’, DCP (Imovision)
Quando o mecânico Vahid encontra por acaso o homem que acredita ter sido seu torturador na prisão, ele o sequestra decidido a se vingar. Mas a única pista sobre a identidade de Eghbal é o som peculiar de sua perna com prótese. Vahid, então, recorre a um grupo de outras vítimas libertas em busca de confirmação. E o perigo só aumenta. Enquanto enfrentam o passado e suas visões de mundo divergentes, o grupo precisa decidir: será realmente ele, sem dúvida alguma? E o que significaria, na prática, a retribuição?
Em entrevista a Jean-Michel Frodon disponível no material de imprensa do filme, o diretor conta: “Entrei em uma nova fase como cineasta. Do meu primeiro filme, O balão branco (Badkonade sefid), em 1995, até Fora do jogo (Afsaid, 2006), eu me concentrava nas minhas questões como diretor. Havia pressões, claro, mas eu podia me dedicar a encontrar soluções para problemas cinematográficos. Depois da minha primeira prisão, em 2010, quando fui proibido de viajar ou fazer filmes, meu foco mudou para minhas próprias circunstâncias. Antes, minha câmera estava voltada para fora, mas, desde então, voltou-se para dentro, para o que eu estava vivendo – como pode ser visto nos filmes que fiz, de Isto não é um filme (In film nist) até Sem ursos (Khers nist). Mas, agora que essas restrições foram suspensas, senti a necessidade de olhar para fora novamente – só que de forma diferente desta vez, moldada por tudo pelo que passei, incluindo uma segunda pena de prisão, entre julho de 2022 e fevereiro de 2023. Então, sim, a câmera volta para fora, mas com um ponto de vista diferente do de antes.” [...]
“A segunda experiência na prisão deixou uma marca ainda mais profunda. Quando saí, senti que precisava fazer um filme pelas pessoas que conheci atrás das grades. Eu lhes devia esse filme. Mesmo falando a partir da minha experiência pessoal, ela se alinha ao que estava acontecendo na sociedade iraniana de forma mais ampla – especialmente com a revolução Mulher, Vida, Liberdade, que começou no outono de 2022. Muita coisa mudou naquele período.”
O mais novo filme de Jafar Panahi estreou mundialmente na edição deste ano do Festival de Cannes, onde conquistou a Palma de Ouro, principal prêmio do festival.
Ingressos: terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

Za’a Rouhak Ala Yadak Wa Emshi Sepideh Farsi | França, Irã, Palestina | 2025, 110’, DCP (Filmes do Estação)
A partir de uma série de videochamadas distribuídas em mais de 200 dias, a cineasta iraniana Sepideh Farsi burla a impossibilidade de acessar Gaza e filma a fotojornalista palestina Fatma Hassona, que documentou a vida cotidiana e a resistência em uma cidade insistentemente bombardeada por Israel. O documentário oferece um relato íntimo e em primeira mão da vida sob um ciclo constante de massacre.
Hassona é vista pela última vez na conversa em que a diretora conta que o filme foi selecionado para a mostra ACID, do Festival de Cannes deste ano. Um mês antes da estreia do filme, no dia 16 de abril, Fatma e vários membros de sua família foram mortos em um ataque aéreo israelense.
Ingressos: terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

Richard Linklater | França | 2025, 105’, DCP (Mares Filmes)
Esta é a história de Godard filmando Acossado (À bout de souffle, 1960), contada no estilo e no espírito com que Godard fez Acossado. Em depoimento disponível no material de imprensa do filme o cineasta declara: “Isso não é sobre refazer Acossado, mas olhar para ele a partir de outro ângulo. Quero mergulhar em 1959 com minha câmera e recriar a época, as pessoas, a atmosfera. Quero andar com a turma da Nouvelle Vague. Eu disse a todos os atores: ’Vocês NÃO estão fazendo um filme de época.
Vocês estão vivendo o momento. Godard é um crítico conhecido, mas está dirigindo seu primeiro filme. Vocês estão se divertindo filmando com ele, mas ao mesmo tempo se perguntam se esse filme algum dia será lançado...’” Nouvelle Vague estreou na edição deste ano do Festival de Cannes.
Ingressos: terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 30 (inteira)e R$ 15 (meia).

The Shining Stanley Kubrick | EUA | 1980, 143’, DCP (Warner Bros.), restauração 4K
Uma oportunidade para assistir nos cinemas, em nova restauração 4K, o clássico e aterrorizante filme de Stanley Kubrick.
Durante o inverno, um homem é contratado para ficar como vigia em um hotel no Colorado, e vai para lá com a mulher e seu filho. Porém, o contínuo isolamento começa a lhe causar problemas mentais sérios, e ele vai se tornado cada vez mais agressivo e perigoso, ao mesmo tempo que seu filho passa a ter visões de acontecimentos ocorridos no passado, que também foram causados pelo isolamento excessivo.
Ingressos: terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

Maurilio Martins | Brasil | 2025, 112’, DCP (Malute e Embaúba Filmes)
Erik, um garoto de 13 anos, alimenta uma paixão platônica por Sheilla e, para se aproximar dela, diz ter em casa uma fita com o lendário último episódio do desenho Caverna do dragão. Com a ajuda de seus melhores amigos, ele precisa criar uma solução para a enrascada em que se meteu. O último episódio é o mais novo lançamento da produtora mineira Filmes de Plástico. Em depoimento disponível no material de imprensa do filme, o diretor Maurílio Martins (No coração do mundo) conta: “Há muitos traços biográficos, ainda que não seja a minha história, ainda que aquilo nunca tenha acontecido comigo. O filme se passa em 1991, e eu tinha 13 anos em 1991. Eu não necessariamente morei na casa onde o personagem mora, mas ela fica em frente à minha casa. Por coincidência, é uma casa que, desde a primeira versão do roteiro, eu sempre quis que fosse ali onde o filme fosse filmado.”
“Eu acho que, mais do que a cidade de Contagem, eu tenho me aprofundado ainda mais no lugar onde eu nasci, cresci e vivi minha vida inteira, que é o Laguna. Quase como se fosse uma cidade dentro da cidade. Em parte, porque a gente sempre viveu um pouco isolado, tanto da região mais central de Contagem quanto da região central de Belo Horizonte.”
“E tem uma coisa que é muito importante de se dizer. Eu acho que esse filme cumpre um papel que, de certo modo, os nossos filmes vêm cumprindo, mas é a primeira vez que a gente faz um filme de época, a primeira vez que a gente precisa recriar um espaço. E aí entra um traço que é muito triste, no sentido da preservação. Na periferia, existe algo que funciona como um sinal de obtenção de uma vida melhor. Um indicativo muito forte de que sua vida está melhorando é quando você consegue reformar a sua casa, derrubar e construir outra, trocar o muro, trocar o passeio. Essa reforma, essa mudança, é muito constante na periferia. Por isso, você não tem quase nada preservado. A ideia de preservação caminha para outros lados.”
“Então, no filme, a gente tenta, inclusive se valendo de efeitos especiais, reconstrução em 3D, apagamento de algumas coisas, reconstruir ao máximo, dentro do que é possível, essa Contagem dos anos 1980. Esse bairro Laguna dos anos 1980, início dos 1990 – mais especificamente os anos 1990, porque o filme se passa em 1991. Acho que as fotos utilizadas ali e aquele vídeo conectam ainda mais a gente com esse espaço. E, claro, também nos valemos das poucas construções que ainda foram preservadas, que ainda
se mantiveram. Tivemos um trabalho de arte belíssimo, magnífico, especialmente na reconstrução da mercearia, dos ambientes internos. Isso provoca algo muito forte e te coloca muito próximo do que era, mesmo depois de tudo o que já passou.”
“Dentro do que a gente podia, cinematograficamente falando, acho que fomos muito fiéis a esse espaço. E isso me dá um orgulho muito grande.”
Ingressos: terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

Valor sentimental Affeksjonsverdi
Joachim Trier | Noruega, Alemanha, Dinamarca, França, Suécia, Reino Unido, Turquia | 2025, 132’, DCP (Retrato Filmes)
As irmãs Nora e Agnes reencontram seu pai distante, o carismático Gustav, diretor outrora renomado que oferece a Nora um papel naquele que espera ser seu filme de retorno. Quando Nora recusa a proposta, descobre que ele deu o papel a uma jovem estrela de Hollywood, ambiciosa e entusiasmada. De repente, as duas irmãs precisam lidar com a complicada relação com o pai e com a presença inesperada de uma atriz americana inserida bem no meio das complexas dinâmicas familiares.
Em sua estreia no Festival de Cannes deste ano, Valor sentimental recebeu o Grand Prix, segunda principal premiação do Festival.
Ingressos: terça, quarta e quinta: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia); sexta, sábado, domingo e feriados: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

Amor omnia: Dreyer e Dore O.
A última edição da Sessão Mutual Films de 2025 apresenta um diálogo entre obras de dois cineastas que acreditavam no poder da imagem de revelar a alma humana. O dinamarquês Carl Theodor Dreyer (1889-1968) foi reverenciado e odiado por gerações de cinéfilos por seu compromisso rigoroso com seus princípios e sua crença no cinema como uma arte absoluta. A protagonista do seu último longa-metragem, Gertrud (1964) (interpretada por Nina Pens Rode), espelha o cineasta ao procurar a mais perfeita realização do amor ao longo de diversos relacionamentos. Já a cineasta e artista visual alemã Dore O. (1946-2022) construiu uma imagem potente de si mesma através de seus curtas-metragens experimentais feitos entre os anos 1960 e 1970, que funcionam tanto como autorretratos enigmáticos quanto como representações da busca pela compreensão do lugar do ser humano no mundo. Vão ser exibidos cinco filmes de Dore O., entre eles obras celebradas, como Alaska (1968), Lawale (1969) e Kaldalon (1971), todos em cópias recém-restauradas. E, além de Gertrud, a mostra conta com um dos curtas mais icônicos de Dreyer, uma mistura de propaganda e ficção chamada A travessia (1948). Os filmes de Dore O. são apresentados no IMS Paulista com o apoio do Goethe-Institut São Paulo. A exibição do dia 3 contará com uma introdução presencial da crítica e professora Lorenna Montenegro, e a exibição do dia 4, com uma introdução presencial da curadora e pesquisadora de cinema experimental Roberta Pedrosa.
O último dos 14 longas-metragens dirigidos pelo cineasta dinamarquês Carl Theodor Dreyer se dedica à personagem Gertrud (interpretada por Nina Pens Rode), uma ex-cantora de ópera que largou a sua profissão para se casar com o frio servidor público Gustav Kanning (Bendt Rothe). Com o desgaste de seu casamento, ela pede o divórcio e se entrega ao amor por Erland Jansson (Baard Owe), um jovem compositor e pianista com um futuro promissor. Acompanhamos os diferentes encontros de Gertrud com os dois e com outras figuras de seu presente e passado, entre elas o grande poeta romântico Gabriel Lidman (Ebbe Rode) e o psicanalista Axel Nygren (Axel Strøbye). Diferentemente dos homens obcecados por suas profissões, a vocação principal de Gertrud é amar. Ela procura em seu par a mesma dedicação ao amor integral (“amor omnia”) que carrega consigo e está disposta a oferecer.
O filme Gertrud baseia-se em uma peça de mesmo nome de 1906 do dramaturgo sueco Hjalmar Söderberg e reflete o sentimento de Dreyer em relação a sua própria obra cinematográfica, que contou com exigentes obras-primas realizadas ao longo de mais de 40 anos, como A queda do tirano (Du skal ære din hustru, 1925), A paixão de Joana d’Arc (La Passion de Jeanne d’Arc, 1928), O vampiro (Vampyr, 1932) e Dias de ira (Vredens dag, 1943). Por anos, Dreyer buscou, sem sucesso, adaptar a peça para o cinema. Quando finalmente conseguiu, levou ao extremo um estilo teatral já desenvolvido em seus filmes
anteriores, com longos planos, elegantes movimentos de câmera e um foco intenso na dicção dos atores. Acrescentou elementos à peça, como um novo epílogo e cartelas com versos (escritos pela poetisa dinamarquesa Grethe Risbjerg Thomsen), que aparecem de forma periódica para refletir o estado interior de Gertrud, e simplificou elementos cinematográficos, como cenografia e diálogos, em busca de uma forma mais concisa. E, para atribuir à história um caráter de tragédia clássica – em contraste com o naturalismo da peça –, concentrou-se nas figuras dos personagens, dando-lhes o que chamou de um aspecto escultural.
Gertrud teve uma recepção inicial insípida, porém logo foi abraçado por gerações jovens e cinéfilas de artistas, como a dos cineastas da Nouvelle Vague, na França, e a dos cineastas experimentais nos Estados Unidos. O cineasta e jornalista lituano-norte-americano Jonas Mekas escreveu, em outubro de 1965 para a Village Voice, logo após as exibições de Gertrud no Festival de Cinema de Nova York: “Embora mantenha uma atitude objetiva em relação aos seus personagens, como um autor deve fazer, Dreyer se identifica com Gertrud. Ele disse que usou o mesmo diretor de fotografia (Henning Bendtsen) para Gertrud e [seu filme anterior] A palavra (Ordet, 1955) – é por isso que ambos os filmes são iluminados com a mesma luz espiritual.”
A exibição no IMS Paulista da cópia restaurada de Gertrud no dia 3 de dezembro vai contar com uma introdução presencial da crítica, professora e roteirista Lorenna Montenegro. Ambas as exibições de Gertrud também contarão com um curta-metragem restaurado da cineasta alemã experimental Dore O. (uma admiradora de Dreyer). O filme Stern des Méliès homenageia o nascimento do cinema, com truques e trejeitos que mimetizam os filmes fantásticos do pioneiro francês George Méliès (1861-1938), especialmente A conquista do polo (À la conquête du pôle, 1912), uma adaptação de Jules Verne que é frequentemente visto como o último grande filme do cineasta. Em sua homenagem, Dore O. cria uma fantasia cubista, com sobreposições e jogos de luz e sombra, que também são característicos de seus próprios filmes. Dore O. disse: “A realidade do filme é a imaginação do espectador. O meu Polo Norte fica na região de Ruhr.”

Dore O. | Alemanha Ocidental | 1982, 12’, DCP (Deutsche Kinemathek), cópia restaurada

Gertrud
Carl Theodor Dreyer | Dinamarca | 1964, 118’, DCP (Danske Filminstitut/Palladium), cópia restaurada
Dore Oberloskamp nasceu em 1946, um ano após o término da Segunda Guerra Mundial, no vale do Ruhr, uma região industrial da Alemanha. Sob o nome artístico de Dore O., ela fez parte de uma geração de artistas que nasceu em uma Alemanha destruída pela guerra, e que presenciou uma rápida reconstrução nacional e muitas mudanças políticas. Apesar de boa parte de seus colegas do cinema experimental alemão (cujos diretores mais importantes incluíram seu marido e colaborador frequente Werner Nekes) dedicarem-se ao cinema político e marginal das guerrilhas, Dore O. voltou seu olhar para si mesma. A partir de 1968, com seu primeiro filme solo, Alaska, ela criou um cinema subjetivo em suas explorações de questões da psique humana, com críticas sociais sutis e muito pessoais, de um lado, e, de outro, materialmente experimental, com uso de sobreposições, edição na câmera, reciclagem de suas próprias imagens e de found footage, incluindo até o uso de fotoquímicos utilizados na indústria hospitalar. Ao longo dos seus mais de 30 anos de produção cinematográfica, que resultou na realização de 17 curtas e médias-metragens, Dore O. tomou como forte referência o protocinema, e inclusive desenvolveu obras de cinema expandido com esculturas e aparatos que apresentou isoladamente ou junto a seus filmes.
O programa dedicado a Dore O. que passará no IMS Paulista conta com os primeiros quatro filmes dirigidos exclusivamente pela cineasta. Os filmes foram restaurados entre 2018 e 2021 em 2K pela Deutsche Kinemathek, em Berlim, a partir dos seus melhores materiais existentes em 16 mm e sob a supervisão da diretora, que faleceu logo em seguida, em 2022. Segundo Dore O.: “Meus filmes sempre têm uma história. Não é necessário que outras pessoas reconheçam a história – é apenas para mim.” Ela também comentou sobre os filmes da sessão:
Blonde Barbarei, um passeio pela memória recente da Alemanha: “Um filme para a libertação da sensualidade. Um filme contra o hospitalismo da sociedade. O olhar se cansou tanto de passar, de deslizar por barras, que nada mais consegue segurá-lo”.
Kaldalon, uma invocação fantasmagórica de uma viagem recente à Islândia inspirada no romance O monte Análogo (Le Mont Analogue, 1952), do francês René Daumal: “Um filme de aventura não euclidiano, ambiguamente mutilado e transfigurado”.
Lawale, um vislumbre teatralizado de uma família enclausurada cujo nome funde as palavras em alemão para “lava” e “baleia”: “Imagens de sonhos e pesadelos da burguesia. A memória é uma esperança cruel sem despertar.”
Alaska, no qual uma jovem corre sem destino em uma praia deserta: “Um filme sobre emigração: um sonho sobre eu mesma, a consequência do ato com a sociedade”.
Os filmes de Dore O. são exibidos no IMS Paulista com o apoio do Goethe-Institut São Paulo. A exibição no dia 4 vai contar com uma introdução presencial da curadora e pesquisadora de cinema experimental Roberta Pedrosa. E ambas as exibições contarão com um curta-metragem dirigido pelo dinamarquês Carl Theodor Dreyer, um cineasta admirado por Dore O. A travessia (cujo nome original se traduz como “Eles pegaram a balsa”) foi um dos filmes didáticos que Dreyer fez sob comissão nos anos entre as realizações dos seus longas de ficção Dias de ira e A palavra Ele se inspirou no conto mítico de mesmo nome, escrito pelo então recém-vencedor do prêmio Nobel de Literatura Johannes V. Jensen, e foi realizado para o Conselho Dinamarquês para a Segurança Rodoviária, para alertar motoristas sobre o perigo de dirigir em alta velocidade. O filme acompanha um casal em uma moto (cujos membros são interpretados pelo casal Joseph e Kamma Koch) que atravessa uma região rural para pegar a balsa para a cidade de Nyborg. Conforme dirigem rapidamente, eles percebem ao seu lado um misterioso carro preto, cujo motorista deu-lhes um outro destino.

Blonde Barbarei [Barbarismo loiro]
Dore O. | Alemanha Ocidental | 1972, 24’, DCP (Deutsche Kinemathek), restauração 2K

Dore O. | Alemanha Ocidental | 1971, 45’, DCP (Deutsche Kinemathek), restauração 2K

Dore O. | Alemanha Ocidental | 1969, 29’, DCP (Deutsche Kinemathek), restauração 2K

[Alasca]
Dore O. | Alemanha Ocidental | 1968, 18’, DCP (Deutsche Kinemathek), restauração 2K

travessia
De nåede færgen
Carl Theodor Dreyer | Dinamarca | 1948, 11’, DCP (Danske Filminstitut), cópia restaurada
Gordon Parks foi um artista multifacetado, fotógrafo, escritor, músico e cineasta, cuja obra abordou as desigualdades raciais e sociais nos Estados Unidos. Nascido em meio à segregação racial norte-americana, iniciou sua carreira na revista Life, onde se destacou pelo olhar sensível às vivências cotidianas das comunidades afro-americanas. Primeiro fotógrafo negro contratado pela revista, uma plataforma de grande circulação e prestígio à época, Parks fez de sua câmera um instrumento de humanização das populações negras do país.
O romance semiautobiográfico The Learning Tree e sua adaptação para o cinema o consagraram como o primeiro diretor negro em um grande estúdio de Hollywood. Com direção, roteiro e trilha sonora de Parks, o filme acompanha um ano na vida de um adolescente negro no Kansas da década de 1920, narrando os acontecimentos que o levam abruptamente à vida adulta. Mais tarde, com o suspense policial Shaft, Parks foi um dos responsáveis por abrir as portas para o conjunto de filmes então chamado blaxploitation. Sucesso de bilheteria, Shaft recebeu o Oscar de Melhor Canção Original, em 1972, para a música-tema de Isaac Hayes.
A retrospectiva de filmes Gordon Parks: a América sou eu no Cinema do IMS, em diálogo com a exposição de mesmo título em cartaz no IMS Paulista, apresenta-se como uma extensão de seu olhar fotográfico, forjado nas ruas, nas comunidades e nas tensões raciais. Além de Com o terror na alma (The Learning Tree) e Shaft, a mostra reúne títulos como Flavio (1964), rodado no Rio de Janeiro e inspirado em sua reportagem para a Life; Solomon Northup’s Odyssey (1984), adaptação das memórias do escritor afro-americano que também inspiraram o vencedor do Oscar 12 anos de escravidão, de Steve McQueen; e filmes que dialogam com o legado de Parks.
A programação inclui o Baile do Shaft, reedição do tradicional evento de música black criado pelo produtor cultural Dom Filó no Renascença Clube, no Rio de Janeiro, diretamente inspirado pela obra de Parks.
Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).

Gordon Parks | EUA | 1976, 126’, DCP (Park Circus)
Esta cinebiografia conta a vida do influente cantor e guitarrista de blues norte-americano Huddie William Ledbetter, conhecido pelo nome artístico Leadbelly. Ledbetter passou anos em correntes de trabalhos forçados no Texas após cometer múltiplos crimes, mas acabou se apresentando no Carnegie Hall e influenciando uma geração de músicos de folk e blues. O filme acompanha seu protagonista enquanto ele toca em bares e nas ruas para sobreviver, e viaja com o também renomado músico Blind Lemon Jefferson. Assim como em Com o terror na alma (The Learning Tree), Parks cria um retrato sensível e igualmente real das lutas cotidianas e dos encontros com o racismo que Leadbelly enfrentou ao longo da vida. Em última instância, o filme demonstra de forma elegante como a música de Leadbelly surgiu diretamente de suas experiências.

Gordon Parks | EUA | 1971, 100’, DCP (Park Circus), restauração 4K
Na trama, o detetive John Shaft é contratado por um chefe do crime de Nova York para encontrar sua filha sequestrada. O roteiro, baseado em romance de Ernest Tidyman, foi transformado por Parks em um símbolo cultural que subverteu o papel historicamente submisso de personagens negros em Hollywood. Além disso, influenciou gerações com a trilha sonora composta por Isaac Hayes, cuja música-tema recebeu o Oscar de Melhor Canção Original em 1972.
Marco da cultura negra nos EUA e do conjunto de filmes então chamado blaxploitation, Shaft foi um grande sucesso e rendeu ainda diversas sequências. Em todas elas, Richard Roundtree interpreta John Shaft: O grande golpe de Shaft (1972), também dirigido por Parks e em exibição nesta mostra, Shaft na África (1973), de John Guillermin, a série de TV Shaft (1973-1974), da CBS, além de Shaft (2000), de John Singleton, e Shaft (2019), dirigido por Tim Story, protagonizados por Samuel L. Jackson, no papel de familiar do Shaft original.

O grande golpe de Shaft
Shaft’s Big Score!
Gordon Parks | EUA | 1972, 105’, Arquivo digital (Park Circus)
No segundo filme da série Shaft, o detetive John Shaft sai em busca dos assassinos de um velho amigo, mas acaba no meio de uma guerra entre gangues. O filme teve um orçamento significativamente maior do que o primeiro, o que possibilitou cenas de ação mais impressionantes. A trilha foi composta pelo próprio Parks, que na época já era um compositor reconhecido, e várias das canções originais foram escritas por ele também (incluindo a música tema, “Blowin’ Your Mind”). Embora não tenha voltado a trabalhar na sequência, o compositor da trilha do filme original, Isaac Hayes, contribuiu com a música “Type Thang”.
Em paralelo à exposição e mostra de filmes Gordon Parks: a América sou eu, o IMS Paulista recebe o Baile do Shaft, no dia 7 de dezembro. Reedição das Noites do Shaft no IMS Paulista, trazendo o clima dos bailes de soul nos anos 1970 que Dom Filó conduzia no Renascença Clube, no Rio de Janeiro, inspirados na estética e sonoridade do filme de Gordon Parks. São essas festas que deram origem ao Movimento Black Rio ao som de James Brown, Isaac Hayes, Aretha Franklin e Barry White, entre outros.
O Cinema do IMS apresenta um esquenta para o baile, com a exibição de curtas-metragens relacionados ao contexto do Movimento Black Soul durante as sessões de 2 a 7 de dezembro.

Black Rio
TV Rio | Brasil | 2023, 10’, Arquivo digital (Acervo Digital da Cultura Negra/Coleção Cultne)
Em 1972, Dom Filó criou a Noite do Shaft, evento cultural dedicado à soul music e fortemente inspirado pelo filme de Gordon Parks. Em um contexto político antidemocrático, a chegada e expansão do estilo musical no Brasil foi uma fonte de autoestima, identidade racial e mudança comportamental.
Um dos grandes nomes da cultura negra na América Latina, Dom Filó narra neste curta-metragem sua trajetória no Movimento Black Soul, dos primeiros contatos musicais até o surgimento da Soul Grand Prix e da Banda Black Rio, passando pela repressão ditatorial.
Este filme foi originalmente exibido na exposição FUNK: Um grito de ousadia e liberdade, que ficou em cartaz no Museu de Arte do Rio de setembro de 2023 a março de 2025.

Yuri Costa | Brasil | 2024, 24’, DCP (Acervo do diretor)
Do romance à blaxploitation, E seu corpo é belo é um filme de terror queer, que nasce de uma mistura de gêneros para narrar uma história de amor sobrenatural. Na trama, é década de 1970, em meio às festas black no subúrbio carioca, quando Carlos reencontra seu ex-namorado Tony, acompanhado de outra pessoa, reacendendo mágoas embaladas pelo soul.
O filme amplia habilmente o repertório visual em torno da cena Black Soul carioca a partir do viés do cinema de gênero e da intersecção entre debates de racialidade e sexualidade.

Walter Clark | Brasil | 1988, 1’, Arquivo digital (Acervo Cultne)
Abertura do programa Radial Filó, de Dom Filó, na extinta TV Rio. Programa diário ao vivo em 1988 com duração de 2 horas. A estética e performance de Dom Filó na vinheta de abertura são diretamente inspiradas em Shaft, de Gordon Parks.
Uma Varda viajante é quem nos conduz pelo percurso que une a exposição Fotografia AGNÈS VARDA Cinema, em cartaz a partir de 29 de novembro no IMS Paulista, à mostra de filmes no Cinema do IMS. Fotógrafa e cineasta, Agnès Varda atravessou fronteiras geográficas, formais e afetivas com o mesmo olhar curioso e libertário, transformando o cotidiano em imagens e narrativas.
Antes de se tornar uma das grandes vozes do cinema, Varda formou-se como fotógrafa. Seu modo de ver o mundo nasce da atenção ao corpo e à paisagem. Em suas imagens, fixas ou em movimento, há sempre a escuta do outro, uma delicadeza que se funde com engajamento. O que ela fotografa e filma são gestos, rostos, ruelas, fragmentos de uma vida comum que, sob seu olhar, ganham uma dimensão universal.
Os filmes que abrem a mostra, Os Panteras Negras (1968), Saudações, cubanos! (1963) e A Ópera-Mouffe (1958), condensam o espírito de uma artista que viaja com as ideias, os corpos e os desejos de seu tempo. Em Os Panteras Negras, Varda filma com urgência e empatia o movimento negro em Oakland, captando a força dos discursos e a beleza dos gestos de resistência. Em Saudações, cubanos!, transforma as fotografias tiradas em Cuba em um filme vibrante, feito de colagens, danças e vozes que celebram a revolução e sua energia coletiva. Já A Ópera-Mouffe é uma viagem dentro da própria Paris, um diário entre o sonho e o real, filmado nas ruas do bairro onde vivia. Ali, Varda combina ternura e inquietação para compor um retrato poético das pessoas comuns, das pequenas existências que insistem em viver. O endereço da própria morada é tam-
bém tema de Daguerreótipos, retrato íntimo das pequenas lojas e lojistas da rua Daguerre, onde Varda viveu. Uma rua que carrega o nome de um dos principais inventores da fotografia.
Essas imagens, feitas de curiosidade, solidariedade e invenção, revelam o compromisso de Agnès Varda com as lutas pela dignidade humana e com a liberdade de olhar. Sua obra, feita de encontros e deslocamentos, pensa o cinema a partir da fotografia e a fotografia a partir da vida.
Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).

L’Opéra-Mouffe
Agnès Varda | França | 1958, 17’, DCP (Filmes do Estação), restauração 2K
Neste documentário em forma de diário, Varda toma como ponto de partida uma jovem grávida para lançar luz sobre a parisiense rue Mouffetard. Quando realizou A Ópera-Mouffe, Varda também estava grávida. Durante dois meses, ela percorreu o bairro do mercado com sua câmera e o vivenciou de uma maneira muito diferente de antes. Registrou sua sensibilidade diante da miséria em um estilo impressionista. Sem som sincronizado e incorporando diversas técnicas pouco convencionais, este curta-metragem revela o estilo livre de Varda tanto na forma de filmar quanto na escolha de seu tema.

Daguerréotypes
Agnès Varda | França | 1975, 79’, DCP (Filmes do Estação), restauração 2K “Daguerreótipos não é um filme sobre a rua Daguerre (uma rua pitoresca no décimo quarto arrondissement de Paris, onde moro), é um filme sobre um quarteirão dessa rua (entre os números 70 e 90). Não se trata de uma investigação nem de um estudo sociológico dos habitantes.”

Black Panthers
Agnès Varda | França, EUA | 1968, 28’, DCP (Filmes do Estação), restauração 2K
Em 1967, Agnès Varda vivia na Califórnia quando um dos fundadores dos Panteras Negras, Huey P. Newton, foi preso. No verão de 1968, Varda levou sua câmera de 16 mm a uma manifestação Free Huey em Oakland. Ela filmou o concerto organizado em apoio à liderança encarcerada, intercalado com discursos de Bobby Seale, H. Rap Brown e Stokely Carmichael.
A atmosfera é festiva, com crianças dançando e pessoas deitadas na grama, muitas vezes segurando exemplares do Livro vermelho marxista-leninista. Mas aquilo não é um piquenique nem uma festa, observa Varda em sua narração. Um membro dos Panteras faz um apelo apaixonado por emprego, moradia e educação dignos, pelo fim da brutalidade policial e pela libertação dos prisioneiros negros.
Os Panteras Negras estava programado para ser exibido na televisão francesa no fim de 1968, mas foi cancelado de última hora – segundo Varda, porque os censores temiam que o filme “reavivasse a ira dos estudantes”.

Salut les Cubains
Agnès Varda | França | 1963, 29’, DCP (Filmes do Estação), restauração 2K
Quatro anos após a chegada ao poder de Fidel Castro com a Revolução de 1959, Agnès Varda trouxe de Cuba 1.800 fotos e as utilizou para criar este diário de viagem. Esta ode fotográfica e musical presta homenagem ao cubano “comum”, mas também ao “rei do mambo”, aos revolucionários e às mulheres dançantes.
Na narração, Varda fala sobre suas experiências na ilha, às vezes em forma de diálogo com o ator Michel Piccoli. Acompanhadas por uma trilha sonora vibrante, as fotos são editadas de modo que parecem ganhar movimento.
Cinema
Coordenador | Curador
Kleber Mendonça Filho
Supervisora de curadoria e programação
Marcia Vaz
Programador adjunto
Thiago Gallego
Produtora de programação
Renata Alberton
Assistente de programação
Lucas Gonçalves de Souza
Projeção
Ana Clara da Costa, Adriano Brito e Carmen Genaro
Serviço de legendagem eletrônica
Pilha Tradução
Revista do Cinema do IMS
Produção de textos e edição
Thiago Gallego e Marcia Vaz
Diagramação
Marcela Souza e Taiane Brito
Os filmes de dezembro
A programação do mês tem apoio da Fundação Gordon Parks, das distribuidoras Embaúba Filmes, Filmes do Estação, Gullane+, Imovision, Malute, Mares Filmes, Park Circus, Retrato Filmes, Vitrine Filmes, Warner Bros. e do projeto Sessão Vitrine Petrobras.
Agradecemos a Aaron Cutler, Adriana Rattes, Christoph Hochhäusler, Cultne, Diana Kluge + Masha Matzke/Deutsche Kinemathek (Cinemateca Alemã), Dom Filó, Erich Brinkmann/Brinkmann & Bose, Friederike Horstmann, Heitor Augusto, Horrana de Kássia Santoz, Jacques Jagou, James Jordan, João Santana, Léa Tordjman, Lorenna Montenegro, Mariana Shellard, Marianne Jerris/Danske Filminstitut (Instituto Dinamarquês de Cinema), Matt Smith, Michal Raz-Russo, Nathan Machado, Roberta Pedrosa, Rosalie Varda, Safia Hamid, Sandra Escribano Orpez, Steve Macfarlane e Yuri Costa.
Parceria

Sessão Mutual Films
Realização: Cinema do IMS
Curadoria e produção: Aaron Cutler e Mariana Shellard

apoio





Venda de ingressos
Ingressos à venda pelo site ingresso.com e na bilheteria do centro cultural, a partir das 12h, para sessões do mesmo dia. No ingresso.com, a venda é mensal, e os ingressos são liberados no primeiro dia do mês. Ingressos e senhas sujeitos à lotação da sala.
Capacidade da sala: 145 lugares.
Meia-entrada
Com apresentação de documentos comprobatórios para professores da rede pública, estudantes, crianças de 3 a 12 anos, pessoas com deficiência, portadores de Identidade Jovem, maiores de 60 anos e titulares do cartão Itaú (crédito ou débito).
Em casos de cancelamento de sessões por problemas técnicos e por falta de energia elétrica, os ingressos serão devolvidos. A devolução de entradas adquiridas pelo ingresso.com será feita pelo site. Programa sujeito a alterações. Eventuais mudanças serão informadas no site ims.com.br e no Instagram @imoreirasalles. Não é permitido o acesso com mochilas ou bolsas grandes, guarda-chuvas, bebidas ou alimentos. Use nosso guarda-volumes gratuito. Confira as classificações indicativas no site do IMS.

Stern des Méliès [Estrela de Méliès], de Dore O.

Terça a quinta, domingos e feriados sessões de cinema até as 20h; sextas e sábados, até as 22h.
Visitação, Biblioteca, Balaio IMS Café e Livraria da Travessa
Terça a domingo, inclusive feriados das 10h às 20h. Fechado às segundas.
Última admissão: 30 minutos antes do encerramento.
A entrada no IMS Paulista é gratuita.
Avenida Paulista 2424
CEP 01310-300
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