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PANORAMA BÍBLICO LIÇÃO 02 – ÊXODO REINO DE SACERDOTES I. RESUMO DO LIVRO O livro do Êxodo, o segundo do catálogo Mosaico, empreende a tarefa de registrar a fenomenal libertação que uma nação de 2,5milhões de pessoas recebeu do Senhor Deus, livrando-os da opressora escravidão, operando sinais impressionantes e começando a levá-los à terra da promessa. Êxodo ocupa-se dos primeiros anos da migração, segundo alguns, não mais que um ou dois anos, e dos marcantes episódios que se deram nesse curto período. Acompanhando o livro do grande comentador Antônio Neves de Mesquita1, podemos resumir o livro em três pontos, com seus subpontos:

1. Opressão e Livramento (a) A imigração dos jacobitas (b) “Um novo rei” (c) É instituída a opressão (d) Genocídio e livramento (e) A História de Moisés (f) A tentativa frustrada e perigosa de Moisés (g) O encontro entre Moisés e Deus (h) Juízo sobre o Egito (i) A Festa da Páscoa

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ESTUDO NO LIVRO DE ÊXODO – Juerp, 1971. 1


2. O Começo do Êxodo (j) Preparativos e partida em marcha (k) Levanta-se a oposição (l) A saída miraculosa (m) Os pecados de Israel: • Primeiro pecado: Mara • Segundo pecado: Maná • Terceiro pecado: Carne • Quarto pecado: Cobiça e Incredulidade • Quinto pecado: Massá e Meribá (n) (o)

Guerra em oração A visita de Jetro: Moisés é gente!

3. A Aliança Instituída, Quebrada e Renovada (p) A Cena impressionante (q) A Lei: Moral, Civil e Cerimonial (r) O Tabernáculo (s) Quebra e Renovação da Aliança (t) A Habitação de Deus: • Ofertas para o Taberáculo • Executores e Execução (u)

Deus vem habitar no meio do povo e guiá-los pelo caminho

II. COMENTÁRIO AO LIVRO DO ÊXODO • Quando essa história aconteceu? Durante os últimos 150 anos a teologia liberal trabalhou arduamente para negar a origem mosaica do livro, inclusive sugerido que Moisés nada mais é que uma espécie de “Hércules” ou “Aquiles”, uma figura mítica. Temos aprendido que há muita arrogância nesta temática. Arrogância tal que sempre faz questão de menosprezar as evidências em contrário. Um documentário recente, disponível, inclusive, na Netflix, chamado “Patterns of Evidence: Exodus” explora uma nova forma de ler a história, e encontra evidências impressionantes da história do Êxodo. • Sifrá e Puá Há algumas correntes para a interpretação dos atos das parteiras: alguns acreditam que realmente as israelitas eram mulheres mais fortes; outros que a mentira, se empregada pela preservação da vida, é o correto a se 2


fazer. Matthew Henry traz luz, ao informar o antigo comentário judaico de que elas se demoravam em oração antes de ir fazer os partos, chegando somente para assistir as mães depois do nascimento natural. Devemos ter clareza que as vidas dos meninos israelitas era preciosa ao Senhor e estava dentro dos planos de Deus para constituir uma nação. Sifrá, cujo nome significa “reluzente” e Puá, “preciosa” puseram-se diante de um faraó movido por Satanás para impedir que consumasse seus planos terríveis. Deus as abençoou (1:20): normalmente eram mulheres estéreis as escolhidas para ser parteiras; Deus lhes deu filhos e um lugar na história bíblica de reconhecimento e registro permanente. • “Um bebê bonito” / A Biografia Oculta de Moisés Diante da falha de seu primeiro plano, Faraó ordena um genocídio de proporções heródicas (1:21) – nesse ínterim, em Avaris2, um casal levita tem um filho. Notavelmente a maioria os casais acham seus filhos bonitos, assim como Joquebede e Anrão (2:2). Hebreus 11:23 nos ensina que não era uma beleza externa, mas uma contemplada pela Fé: “Pela Fé, Moisés, apenas nascido, foi ocultado por seus pais, durante três meses, porque viram que a criança era formosa; também não ficaram amedrontados pelo decreto do rei.” Atos 7:20 nos proporciona maior compreensão: “Por esse tempo, nasceu Moisés, que era formoso aos olhos de Deus (...)” Anrão e Joquebede, na instrução do Espírito Santo, perceberam haver um propósito em particular na vida daquela criança; mais que um sentimento, uma testificação dada pelo próprio Deus. Creram no Senhor e em Seu poder, agiram pela Fé ao preservar a criança, e ainda mais ao colocá-lo num rio povoado por crocodilos e hipopótamos. Era-lhes certo que o propósito do Senhor Deus é infalível. É difícil restaurar uma biografia de Moisés. Parece-nos que ele mesmo a ocultou ao escrever o livro. Devolvido à mãe para amamentação (que durava até os 6 anos, naquele período) com o sustento vindo da casa de Faraó, ele cresceu vinculado ao povo de Deus na formação de sua identidade; somente depois foi morar no palácio (2:10). 2

Nome então contemporâneo da cidade depois nomeada Ramessés. 3


(2:11) ele tenta agir pelas próprias mãos tanto no livramento do povo quanto no ocultamento do seu pecado. Atos 7 nos ajuda na cronologia da vida de Moisés, nos informando no v. 23 que ele viveu 40 anos sob cuidado de Faraó, outros 40 em Midiã (v. 29, 30) e começou a dirigir o povo aos 80 anos, tendo vivido até aos 120. Há muitas tradições antigas que nos informam sobre o indivíduo Moisés, mas percebemos que não é o objetivo do texto ser uma biografia dele, ou centrar-se nele. Tempos depois é que, já casado, ele se encontra com o Senhor e recebe a missão de liderar a libertação dos filhos de Jacó, ao mesmo tempo em que Deus começa a agir com o próprio Moisés, pois ele era um eleito da graça de Deus e escolhido para ser um grande profeta (Deuteronômio 34:10) “Nunca mais se levantou em Israel profeta algum como Moisés” • Comentário sobre as Dez Pragas e seu significado O número 10 na linguagem bíblica significa “completude”, “limite”; 10 pragas sobre o Egito significam um juízo que chega sobre aquela terra no momento que Deus tinha para isso designado. Os pecados do povo egípcio exigiam retribuição divina – assim como, veremos adiante, com os canaanitas. É notável, ainda mais, que cada praga dirija-se a uma das faldas deidades que se adorava naquela terra, notemos: (a)

Primeira praga: As águas tornam-se em sangue – 7:14-25 O rio era considerado um deus vivo, cujo nome era HAPI. Nesta imagem pode-se ver que ele é coroado de juncos e lótus (que cresciam às margens do rio) e traz, em suas mãos estendidas, riquezas e alimentos. Era azul, representando a cor das águas. Quando Arão coloca seu cajado no rio, e dali sai sangue por sete dias, Hapi foi ferido, ferido mortalmente, e consequentemente tudo o que ele traz consigo de fartura que era, de modo tão idólatra atribuído a um ser inexistente em vez do Senhor.

(b) Segunda praga: Rãs – 8:1-15 A deusa que os gregos chamavam de Hécate ou Hécuba, do contato com os mortos e com os próprios deuses, no Egito era chamada Hecket e tinha cabeça de sapo. As rãs que sobem do rio em sangue e que se multiplicam de forma terrível eram uma evidência de que o “contato” com os deuses era falso. Janes e Jambres produziram mais rãs, mas só Moisés as recolheu.

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(c)

Terceira praga: Piolhos – 8:16-19

Geb era o deus do pó da terra, do qual vieram piolhos a atacar o povo egípcio com todo o tormento e doença que trazem consigo. Até mesmo os astutos magos se humilharam neste momento – Êxodo 8:18,19: “E fizeram os magos o mesmo com suas ciências ocultas para produzirem piolhos, porém não o puderam; e havia piolhos nos homens e no gado. Então disseram os magos a Faraó: Isto é o dedo de Deus.”

(d) Quarta praga: Moscas – 8:20-32 Dentre as muitas falsas divindades ridículas a que os egípcios adoravam e serviam, estava Khepri, o deus com cabeça de mosca. Era o deus de quem esperam “Mudança de Coisas”, “Renovação”. Certamente fizeram a ele sacrifícios e orações (fazendo-o, na verdade, aos demônios) mas não obtiveram nada de suas mãos. Seu ídolo carregava o símbolo da vida na mão, mas nada pôde fazer para socorrer os egípcios. Pelo contrário, as próprias moscas, que o simbolizavam, eram nova origem de tormento. 8:23: os israelitas foram poupados.

(e)

Quinta praga: Peste nos animais – 9:1-7 Hathor era uma falsa deusa com cabeça de vaca. Muitas imagens dela, em todo o Egito, mostravam crianças mamando em seus úberes, a significar que ela era a protetora dos animais e de todo o subproduto da criação de gado no Egito. Não somente bovinos, mas todo gado era associado aos poderes de Hathor, a quem se prestava culto com o derramamento de leite, sangue e vidas animais e humanas. O Deus de Israel era mais poderoso que ela!

(f)

Sexta praga: Úlceras – 9:8-12 A limpeza e a saúde eram algumas das coisas mais valorizadas no Egito. Ísis tornou-se um ídolo popular não por acaso. Era a patronesse da medicina (a qual era bem avançada no Egito) e associada à limpeza externa. Faraós, nobres, magos e sacerdotes eram sempre limpíssimos, e confiavam a Ísis sua saúde e pureza. As úlceras, tumores e bolhas eram sinal de doença e impureza, mas, ainda mais, falavam a eles que JEOVÁ era soberano inclusive sobre todos os deuses do Egito. Ainda assim, Faraó resistiu.

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(g) Sétima praga: Saraiva – 9:13-35 NUT, a deusa do firmamento (atmosfera) e que era vista como protetora do Egito, fazendo sobre ele uma redoma de cuidados estava sendo “atravessada” pela fúria do Deus dos escravos. 9:27: Faraó faz uma “humilde” confissão: “desta vez pequei...” Moisés respondeu: “Eu sei que ainda não temeis o Senhor.”

(h) Oitava praga: Gafanhotos – 10:1-20 SETH, supostamente, era o administrador dos ciclos naturais. As razões da “confissão” de Faraó estão expostas em 9:31-32: ele tinha perdido o linho e a cevada, mas queria preservar o trigo e o centeio que ainda não tinham florescido. Quando vêm os temíveis gafanhotos, em nuvens impressionantes, eles devoram aquilo que seria alimento do Egito no próximo ano. Em 10:7 os nobres dizem: “Não sabes que o Egito está arruinado?” – ele propõe que só os homens fossem, mas Moisés agiu para nos ensinar que todos devem servir o Senhor. Em vs. 16, 17 Faraó “confessa”, mas logo em seguida resiste novamente.

(i)

Nona praga: Trevas – 9:21-29 9:23: “os filhos de Israel tinham luz nas suas habitações.” – que texto belíssimo! A Igreja de Deus tem luz em tudo o que vive e os crentes têm luz em suas moradas! – os Egípcios adoravam a luz e o Sol e idolatravam a mentira chamada RÁ, sobre quem o Senhor Deus proclama a Sua vitória.– 9:24: Faraó oferece que o povo vá mas deixe seu gado; a negociação de Satanás com o crente é: “vá, então, sirva o Senhor, mas seus interesses estejam em minhas mãos e você volte aqui de vez em quando” – como Moisés responderemos: 9:26: “NEM UMA UNHA FICARÁ!”

(j) Décima praga: A Morte de Todos os Primogênitos – 12:29-36 O lance final foi o mais terrível. Deus havia trazido sobre o Egito juízo tanto para justiça como para arrependimento, mas havia coração duro e resistente cada vez mais ao Senhor. A morte dos primogênitos golpeou duas divindades, “Anúbis”, que era o deus da hora da morte, e o próprio Faraó, que se apresentava como deus. Nem um nem o outro puderam prevalecer sobre o juízo do Senhor. Ainda que Deus tivesse apontado a páscoa e seu simbolismo para livramento, não o quiseram. O Egito inteiro pagou o preço daquela dureza de coração. 6


• A Páscoa: SÍMBOLO DO EVANGELHO No capítulo 12, Deus estabeleceu um ritual festivo que tinha um cunho simbólico do evangelho com clareza e profundidade: a ira de Deus iria abater-se sobre toda a terra, mas aqueles que tivessem submetido ao requerimento de Deus e confiado em Sua promessa, que se tivessem colocado sob o sangue expiatório, esses alcançariam vida e misericórdia. Cristo é a nossa Páscoa – 1 Coríntios 5:7 – aquilo que Israel recebeu como emblema, nós temos como realidade; o que para eles foi dado como tipo, para nós é dado como dádiva da salvação. Deus instituiu a Páscoa como lembrete da grande libertação no Egito bem como figura da salvação que ainda viria. • Os pecados de Israel Quando lemos as coisas que aconteceram durante a peregrinação de Israel pelo deserto, encontramos o povo sempre a murmurar e a levantar sedições, questionamentos injustos e pressões cruéis sobre sua liderança. Moisés, em particular, era o alvo de todas as questões fossem particulares, fossem coletivas. Logo na saída do Egito, imediatamente após serem libertos com a grande abertura do mar, o povo reclamou das águas amargas – estavam a poucos quilômetros de Elim! – em seguida do Maná, depois as codornizes, alguns surrupiaram maná, a grande contenda em Massá e Meribá (“tentação” e “contenda”) – que retrato! Em 1 Coríntios 10:1-13 o apóstolo Paulo os propõe como advertência a nós mesmos! Seja, irmãs e irmãos, nossa resolução de vida não murmurar, nem cobiçar, fugir da imoralidade e da idolatria, nem, tampouco, provoquemos a ira do Senhor Deus; antes, se agirmos como convém a crentes, provaremos aquilo que eles não puderam provar: as delícias da fidelidade e da misericórdia do Senhor. • O papel de Moisés Moisés, por sua vez, merece consideração. “Formoso aos olhos do Senhor” (Atos 7), escolhido para ser o principal Profeta do Antigo Testamento, ele é justificado inúmeras vezes por Deus diante das situações difíceis que se apresentam. Deus sempre Se põe ao lado de Moisés diante dos questionamentos do povo. O maior exemplo disso está na batalha contra os Amalequitas 17:8-16, em que Deus, agindo de forma nunca mais repetida, só dava vitória mediante a intercessão de Moisés. Isso foi, certamente, para o povo, um grande sinal de que Deus havia ungido Moisés para que fosse o Comandante de Israel. 7


Por outro lado, logo em seguida, capítulo 18, Moisés está extenuado, e a visita de seu sogro, Jetro, faz com que o próprio percebesse isso. Mesmo um grande homem de Deus como Moisés precisava de estar com sua família – 18:5: “veio Jetro, sogro de Moisés, com os filhos e a mulher deste, a Moisés no deserto onde se achava acampado” – o apoio familiar em Zípora, Gérson e Eliézer seria um renovo para aquele grande líder. Igualmente, o sogro, com uma voz da verdade, mostra para Moisés que ele precisava de auxílio, e isso levou a uma formação de líderes em Israel, corresponsáveis pelo pastoreio do povo. Na era da igreja, em que estamos, todos tempos o Espírito Santo, não somente um, como com Moisés – porém aprendemos que estamos ainda mais postos sob o dever do serviço ao povo de Deus, dever esse para o qual o mesmo Espírito nos capacita. Aprendemos, também, que ninguém é tão sábio que não precise de conselhos e auxílio. E, principalmente, de família. • Distinção sobre a Lei No grande trecho que vai do capítulo 19 até ao de número 31 é fixada a Aliança do Sinai. Por meio dessa aliança Deus quer cumprir nos descendentes de Jacó as promessas feitas a seus Ancestrais: a de que deles viria o Salvador; a de que eles seriam um povo de propriedade exclusiva de Deus para manifestar às nações o poder do Senhor; a de lhes dar vitória sobre os povos canaanitas (sobre os quais trazia também juízo) concedendo-lhes, assim, a terra em que Abraão, Isaque e Jacó peregrinaram. A Lei foi dada numa cena tremenda, porque a terra gemia, tremia e fumegava. Um sinal da santidade do Senhor Deus e de que ali aconteceria o contato de todo o Único e Triúno Deus com a humanidade. Deus engravou em tábuas de pedra Sua Lei, como sinal de que era algo fixo, imutável, perpétuo. Seguem nos capítulos 20-24 vários trechos de Lei sobre a construção de Altares e questões entre as pessoas. Convém-nos relembrar os três vieses da Lei de Moisés, quais são e a que se destinam: ➔ A LEI MORAL é o princípio por trás dos mandamentos e de muitos dos estatutos que reflete o caráter santo do Senhor Deus. Sendo Deus 8


eternamente santo, a Lei Moral é imutável no que nos revela sobre nosso Deus, sobre Sua vontade para conosco e sobre o caminho a seguir. Em particular, esta Lei nunca foi dada para a salvação, mas sempre para revelar nosso estado moral de queda e nossa necessidade de salvação. Assim entendemos o que o Apóstolo ensina quando afirma que “a Lei serve de aio a Cristo” (na carta aos Gálatas). ➔ A LEI CIVIL eram os códigos de conduta que encontramos nos ESTATUTOS, os quais visavam reger a vida do povo a quem se tinha dado a posição privilegiada de povo do Senhor. Havia ali regras de vestimenta, alimentação, questões sanitárias3, orientações para a resolução de conflitos, construção civil, plantio, etc. Tudo isso, é evidente, condiz com a posição que Israel deveria ocupar em meio às nações. ➔ A LEI CERIMONIAL que diz respeito aos ítens e rituais do Tabernáculo – os quais foram depois trazidos ao Templo na era de Davi e Salomão – tem muito a ver com o Evangelho e com as bênçãos da Salvação. A ideia principal do sacrifício apontava para o Senhor Jesus e Sua morte substitutiva por nós na cruz; os elementos do sacerdócio falam dele também. Esta distinção esclarece muitas das confusões que algumas denominações evangélicas criam com suas reconstruções do antigo testamento, e, igualmente, servem como apologética aos argumentos cínicos que procuram causar somente confusão e abandono dos caminhos do Senhor. • O simbolismo do Tabernáculo Do capítulo 25:1 até o fim do livro (capítulo 40:32), Êxodo vai nos contar sobre a construção do Tabernáculo. Deus havia decidido caminhar e acampar no meio do povo de Israel. Há uma interrupção nessa narrativa que nos permitirá tirar duas conclusões logo em seguida, mas primeiro devemos considerar o Tabernáculo em si. 3

O estabelecimento desta distinção também nos será de grande ajuda no estudo panorâmico de Levítico, onde os pormenores da Lei Civil e Cerimonial são estabelecidos. Lembremo-nos sempre que mesmo esses vieses da Lei estão cheios de Lei Moral nos princípios que os dirigem, e, embora, como crentes na Era da Igreja, não estejamos sujeitos ao aspecto externo desses vieses, certamente estamos ligados aos princípios morais que os regem. 9


Jamais Deus deu a entender que Se confinaria àquela tenda; mas, antes, instituiu um símbolo de Sua presença no meio do povo e que dali haveria de criar um Reino de Sacerdotes para se dedicar a Seu culto, adoração e serviço. O centro do arraial era o Tabernáculo, e, embora Moisés tivesse a “Tenda da Congregação” onde atendia o povo, ele mesmo tinha de ir ao Tabernáculo todas as vezes que quisesse consultar o Senhor. Ali se davam as confissões de pecados e demais ofertas específicas, bem como o sacrifício diário e as purificações. Os sacerdotes tinham de observar regras estritas tanto em seu viver diário como na execução de suas obrigações sacerdotais.

Ele foi construído com ofertas trazidas voluntariamente pelo povo, e executado por homens comandantes de uma equipe que eram cheios do Espírito Santo. Ao final da obra, Moisés inspeciona cada detalhe para verificar se era exatamente “segundo o modelo” que Deus lhe mostrou no monte Sinai. Vê-se, naturalmente, que era algo que estava na própria mente de Deus e que se construiu na terra segundo o desígnio do Senhor. Hebreus nos faz enxergar ainda mais da riqueza simbológica instituída pelo próprio Deus nesta edificação. 10


• O Culto do Bezerro de Ouro Enquanto Moisés estava no alto do monte, porém, o povo de Israel cometeu o maior e mais grave pecado de toda a peregrinação no deserto quando profanou o nome e o culto de Deus, igualando-O a uma imagem.

Bezerros eram adorados no Egito. Ali aconteceu uma importação da idólatra cultura que tinham visto Deus com tanta firmeza julgar. Fizeram para si ídolos porque queriam uma solução incrédula a algo que somente pela Fé poderiam fazer: ir adiante (32:1). Surpreende-nos que Arão tenha se submetido a fazer a estátua, e, ainda muito pior, afirmou que aquele ídolo representava o verdadeiro Deus – 32:5: “Amanhã será festa ao Senhor”. Matthew Henry, o brilhante comentador considera a possibilidade de o sacrifício das vaidades ter sido um desencorajamento da parte de Arão; se assim, deveria ter sido mais incisivo. Fato é que o ídolo surgiu, a festa aconteceu e aqui vemos o retrato do culto carnal: é místico, supersticioso, idólatra e sensual. A única liturgia da Bíblia que envolveu danças foi o culto do bezerro de ouro (32:6). A idolatria sempre leva à maldade, ao pecado e à decadência. O juízo de Deus veio sobre o povo na pessoa de seu Profeta Moisés. Ezequiel 20:8: “Mas rebelaram-se contra Mim e não Me quiseram ouvir; ninguém (...) abandonava os ídolos do Egito.”

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Salmo 106:19,20: “Em Horebe fizeram um bezerro e adoraram o ídolo fundido. E, assim, trocaram a glória de Deus pelo simulacro de um novilho que come erva.” Deus propôs a Moisés destruir o povo e fazer uma nação prometida a partir de Moisés (32:10) mas ele pediu misericórdia, o povo se arrependeu e Deus restaurou a aliança, mandando Seu Anjo para andar no meio do povo – Capítulo 33. • O Propósito Original que o povo rejeitou Duas vezes nessa narrativa Deus afirmou que iria falar, Ele mesmo, ao próprio povo como um todo, sem intermediadores. Era para o povo ter andado perante a face do Senhor, como um Reino de Sacerdotes (19:5,6) para demonstrar perante as nações sua comunhão com o Deus vivo, porém, em ambas as ocasiões, Israel abriu mão desse privilégio e preferiu que Moisés falasse com Deus e transmitisse a eles a mensagem divina: ➔ 20:18-21 ➔ 24:12-18 Devemos enxergar que o povo da Antiga Aliança foi inúmeras vezes rechaçado por Deus porque abandonava o Senhor pelos ídolos e se esquecia da bondade e da misericórdia de Deus. De fato, houve grandes despertamentos nos tempos dos juízes, de Davi, no começo do reinado de Salomão e nos reinados de Ezequias, Josias e alguns outros. Porém num geral o povo sempre rejeitou os profetas, abandonou os caminhos santos e tudo isso culminou na rejeição do próprio Deus quando com crueldade desprezaram Nosso Senhor. • Deus habita no meio do Povo Termina o livro do Êxodo, porém, de forma singular: a conclusão da obra do Tabernáculo com todos os seus complexíssimos petrechos, verificada por Moisés, é aceita por Deus. A nuvem enche a tenda e o Senhor passa a habitar no meio do povo e a guiá-los no caminho de sua peregrinação. Isto definiu Israel como nação liberta por Deus e que estava a caminho de alcançar as promessas do Senhor; por meio desse povo Deus enviaria Seu Filho ao mundo para realizar a grande obra da salvação. 12

ESTUDO PANORAMA BÍBLICO - 02 - ÊXODO PARTE I  

Estudo trazido no dia 11 de julho de 2018 na Igreja Batista Bela Vista / BH. Acesse www.belavista.org.br para obter maiores informações sobr...

ESTUDO PANORAMA BÍBLICO - 02 - ÊXODO PARTE I  

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