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Copyright © 2014 Autêntica Editora Copyright © 2014 Lycia Barros, Janaina Vieira e Laura Conrado Todos os direitos reservados pela Autêntica Editora. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida, seja por meios mecânicos, eletrônicos, seja via cópia xerográfica, sem a autorização prévia da Editora. edição geral

Sonia Junqueira (T&S – Texto e Sistema Ltda.) revisão

Aline Sobreira Lúcia Assumpção projeto gráfico e diagramação

Diogo Droschi

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Barros, Lycia Shakespeare e elas : Clássicos do grande bardo reescritos por elas / Lycia Barros, Janaina Vieira, Laura Conrado. -- Belo Horizonte : Autêntica Editora, 2014.

ISBN 978-85-8217-331-2

1. Literatura juvenil I. Vieira, Janaina. II. Conrado, Laura. III. Título. 14-01010

CDD-028.5 Índices para catálogo sistemático: 1. Literatura juvenil 028.5

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7. Sobre este livro

9. Otelo, o mouro de Veneza 107. Sonho de uma noite de ver達o 179. Romeu e Julieta 251. O autor... 253. ...e elas


Sobre este livro “Será que podemos fazer isso?” Esta foi a primeira pergunta que fizemos a nós mesmas quando tomamos a corajosa (e assustadora) decisão de escrever este livro. Em seguida, depois de interessantes e criativos debates a respeito do assunto e do pavor inicial com relação à imensa responsabilidade que tínhamos em mãos, pensamos: “Por que não?”. E aqui está, para você, caro leitor, o resultado do nosso trabalho. Shakespeare é Shakespeare, e sempre será. Sua obra é eterna, há praticamente 400 anos vem atravessando o tempo, encantando, alegrando e emocionando plateias e leitores ao redor de todo o mundo. Contudo, apesar de todo esse brilho e fama, suas obras foram escritas em outra época, quando os valores, a vida cotidiana, as relações e a linguagem eram completamente diferentes da realidade do nosso mundo moderno. Por causa disso, fora dos círculos acadêmicos, dificilmente seus textos originais são efetivamente lidos pelo público em geral. No entanto, a carga emocional que cada história traz em si mesma é tão forte e tão atual que pode ser encontrada e reconhecida em praticamente qualquer lugar. Pode acontecer a qualquer momento, na vida real, com outros nomes e em outros cenários, pois a natureza humana ainda é a mesma, tão repleta de ambiguidades, grandezas, alegrias, tristezas, heroísmo e perdição. Então, com o objetivo de aproximar o grande bardo do leitor comum e do público jovem, apresentamos aqui as nossas versões de algumas de suas peças, uma comédia e duas tragédias. Não temos, porém, qualquer intenção de teorizar, explicar, desdobrar ou destrinchar questões acadêmicas a respeito de sua obra. Bem diferente disso, queremos apenas trazer para a modernidade e para o tempo atual algumas das tramas que, graças a sua genialidade, foram tão maravilhosamente escritas. Desse modo, o leitor de hoje poderá mergulhar na leitura e compreender, em detalhes, o que efetivamente aconteceu com esses personagens inesquecíveis em cada uma dessas histórias. Boa leitura! As autoras 7


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Otelo, o mouro de Veneza

William Shakespeare * Adaptação de Janaina Vieira

A história original... Em Otelo, o mouro de Veneza, Shakespeare conta a trágica história de Otelo, general mouro que, por seu valor e bravura, conquista a confiança do Doge, o dirigente máximo e primeiro magistrado da república de Veneza. Quando Otelo promove Cássio — jovem soldado florentino — ao posto de tenente, tal decisão provoca a fúria de seu alferes, Iago, que sempre acreditou que as promoções jamais deveriam ser obtidas por conta das amizades e sim pelos meios tradicionais, respeitando-se a hierarquia. Por causa disso, e também devido à imensa inveja que sente de Otelo, Iago começa a tramar com o objetivo de destruir a vida dele. Unindo-se a Rodrigo, Iago logo encontra um modo de contar a Brabâncio, rico senador de Veneza, que sua filha, a bela e gentil Desdêmona, tem relações amorosas com Otelo e com ele fugiu da casa paterna, despertando assim a ira do senador. Porém, contrariando os objetivos maldosos de Iago, Brabâncio se convence da sinceridade do amor entre Otelo e sua filha e aceita o casamento. Ao perceber que seu plano falhou, Iago decide lançar mão de artifícios bem mais perigosos. Mais do que nunca fingindo grande fidelidade a Otelo, começa a insuflar-lhe ciúme, levando-o a acreditar que Desdêmona o trai com Cássio. Hábil, dissimulado e intuitivamente conhecedor das emoções humanas, Iago sabe que, de todos os tormentos que afligem a alma, o ciúme é o mais intolerável, incontrolável e perigoso, conduzindo Otelo, passo a passo, rumo à própria destruição. 9


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A história nos dias de hoje... Personagens ORIGINAL

ADAPTAÇÃO

O doge de Veneza

Túlio, o CEO da GB Engenharia

Brabâncio, o senador

Bernardo, o senador, amigo de Túlio

Graciano, irmão de Brabâncio

Guilherme, irmão de Bernardo

Ludovico, parente de Brabâncio

Luís Eduardo, sobrinho de Bernardo

Otelo, mouro nobre a serviço da República de Veneza

Otelo, diretor de Marketing Internacional a serviço da empresa, gestor

Cássio, seu tenente

Carlos, seu assistente

Iago, seu alferes

Tiago, executivo

Rodrigo, fidalgo veneziano

Ronaldo, executivo

Montano, governador de Chipre antes de Otelo

Maurício, ocupava antes o cargo de Otelo

Bobo, criado de Otelo

Bobó, faxineiro da empresa

Desdêmona, filha de Brabâncio e esposa de Otelo

Diana, filha de Bernardo, estagiária na empresa e namorada de Otelo

Emília, esposa de Iago

Eliane, amante de Tiago

Bianca, amante de Cássio

Betânia, amante de Carlos

Marinheiros, oficiais, gentishomens, mensageiros, músicos, arautos, criados

Executivos, garçons, estagiários, policiais

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AT O I

Permita o céu que nosso amor e nossa felicidade cresçam como os dias que ainda temos de vida. Diante da imensa janela, Otelo contemplava o mar azul, que se estendia a perder de vista, unindo-se ao céu claro e limpo daquele fim de tarde na cidade do Rio de Janeiro. Cidade verdadeiramente maravilhosa, aquela! Uma das mais belas, sem dúvida, e ele se sentia grato por estar ali, livre e feliz, deleitando-se com a visão das águas salgadas que se alastravam languidamente diante dos prédios e de todos que passavam nas ruas. As mais belas águas do mundo. Nunca antes observara de modo tão completo a beleza do Rio, a cidade mágica, misteriosa e apaixonante, que encantava a todos, fossem nativos ou turistas de passagem. A visão daquele paraíso, que curiosamente se formara em meio ao mar e às montanhas, era realmente de tirar o fôlego, mas somente agora ele conseguia perceber sua magia por inteiro. E se entregava a esse sentimento com alegria, pois aquela era também a cidade do amor. Que predispunha ao amor. Que embalava o amor. Que dava vida aos amantes e os acalentava. Sim, ele era um homem feliz! E tal felicidade tinha somente um nome: Diana. Ao pensar nela, sorriu. Ele jamais poderia ter imaginado que alguém como Diana pudesse realmente existir, e muito menos que pudesse tê-lo notado. E menos ainda que pudesse tê-lo amado desde o primeiro momento. Desde que a vira – lembrava-se ainda da emoção 13


desconhecida e avassaladora que sentira naquele instante –, soubera que sua vida não seria mais a mesma. Haveria sempre o antes e o depois. Antes, sua vida era boa, sim, mas era incompleta. Ao vê-la, ele rapidamente descobriu que nada mais faria sentido se ela não estivesse ao seu lado. Porém, esses sentimentos eram muito conflitantes, e ele se lembrava de ter perdido o fôlego várias vezes em questão de poucos minutos. A emoção lhe dizia: “Esta é a mulher da sua vida, para sempre”, enquanto a razão gritava em seus ouvidos: “Está louco? Ela jamais olhará para você! Ela é jovem demais, é linda demais para estar ao seu lado. Pardo!”. Haviam se encontrado em um dos longos corredores da empresa. Passava um pouco de 6 horas da tarde, ela carregava uma pilha de papéis e caminhava depressa, com uma expressão séria no rosto, demonstrando preocupação. Ele tinha acabado de sair de sua sala e, ao vê-la, ainda de longe, caminhando rapidamente e olhando para os lados, imediatamente sentiu seu coração bater descompassadamente e se assustou. Ora... certamente era apenas mais uma estagiária, uma entre as dezenas que caminhavam pela GB Engenharia o tempo todo. Mas, ao mesmo tempo, ele não conseguia controlar as batidas do próprio coração e parou onde estava. Esperando-a. Sim, esperando-a, tinha de confessar, embora ao mesmo tempo lhe parecesse uma atitude completamente absurda. Diana diminuiu o passo à medida que se aproximava do final do corredor, sempre olhando os números das salas e as placas em cada uma das portas. Por fim, parou diante da porta da sala dele, “meu Deus...” E o olhou, corando de imediato quando seus olhos se encontraram pela primeira vez. – Er... é aqui a sala... do senhor Otelo? – ela balbuciou, confusa. Ele respirou fundo, controlando ao máximo o surpreendente e inesperado nervosismo que o tomou. Sabia que, sendo alto como era, estava ocultando a placa com seu nome, colada à porta. – Sim, é aqui mesmo. Você... quer falar com ele? Ela olhou para os lados, parecia desconfortável. – É, eu preciso entregar esses relatórios e... – Quem enviou... por favor? – Ele sentia uma necessidade premente de esticar o assunto. Na verdade, pouco lhe importava quem havia mandado aquele monte de papéis! – Ah... foi a... Elizabeth... Elizabeth... – Diana subitamente esqueceu o sobrenome da pessoa, tão nervosa estava. Tanto quanto ele, sentira a mais estranha das emoções ao vê-lo pela primeira vez enquanto caminhava pelo longo corredor. 14


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Shakespeare e elas