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Naiara Magalhães | José Alberto de Camargo

Não é coisa da sua cabeça O que você precisa saber sobre ansiedade, depressão e outros transtornos emocionais que atingem uma em cada três pessoas

2ª edição


Naiara Magalhães José Alberto de Camargo

Não é coisa da sua cabeça O que você precisa saber sobre ansiedade, depressão e outros transtornos emocionais que atingem uma em cada três pessoas 2ª edição 1ª reimpressão

Um guia com explicações dos maiores especialistas da área Histórias de quem já superou ou está superando um transtorno emocional


Copyright © 2012 Os autores Copyright © 2012 Editora Gutenberg Todos os direitos reservados pela Editora Gutenberg. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida, seja por meios mecânicos, eletrônicos, seja via cópia xerográfica, sem a autorização prévia da Editora. capa

revisão

Diogo Droschi diagramação

Lílian de Oliveira Camila Reis

Christiane Morais de Oliveira

editora responsável

apoio de reportagem (glossário)

Rejane Dias

Sílvia Amélia de Araújo Todos os esforços foram feitos na localização dos detentores dos direitos autorais dos testes aqui reproduzidos. Pedimos desculpas por eventuais omissões involuntárias e nos comprometemos a inserir os devidos créditos e corrigir possíveis falhas em edições subsequentes. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Magalhães, Naiara Não é coisa da sua cabeça / Naiara Magalhães; José Alberto de Camargo . – 2. ed.; 1. reimp. – Belo Horizonte : Editora Gutenberg, 2013. Bibliografia ISBN 978-85-65383-77-6 1. Transtornos emocionais 2. Saúde mental 3. Comportamento 4. Depressão 5. Ansiedade 6. Crack e outras drogas 7. Alzheimer 8. Família 9. Cuidados médicos e psicológicos 10. Prevenção 11. Camargo, José Alberto de. I. Título. 12-10722 CDD-362.2 Índices para catálogo sistemático: 1. Cuidados de saúde mental : Bem-estar social 362.2 2. Saúde mental e cuidados : Bem-estar social 362.2

editora Gutenberg Ltda. São Paulo Av. Paulista, 2073, Conjunto Nacional, Horsa I, 23º andar, Conj. 2301 Cerqueira César . São Paulo . SP . 01311-940 Tel.: (55 11) 3034 4468 Televendas: 0800 283 13 22 www.editoragutenberg.com.br

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Agradecimentos

Gostaríamos de dizer muito obrigado àqueles que, generosamente, compartilharam suas histórias neste livro. Os relatos de vocês somaram energia fundamental ao nosso esforço de apresentar, em reais dimensões, o que é sentir a mente adoecer e o que está envolvido em superar um problema desse tipo. Sabemos que muitos se dispuseram a dividir experiências tão íntimas movidos pelo intuito de ajudar outras pessoas que estejam sentindo a vida conturbada ou paralisada pelas mesmas aflições. Confiamos que o empenho de vocês valerá a pena. Agradecemos também a todos os profissionais da área da saúde que disponibilizaram tempo e conhecimento, dando entrevistas, tirando dúvidas, recomendando leituras, revisando trechos do trabalho e até o livro todo.Vocês qualificaram as informações apresentadas aqui e perseguiram conosco o objetivo de desenvolver um livro, de fato, esclarecedor e útil. A toda a equipe da Editora Gutenberg, que nos ajudou a trazer o “filhote” ao mundo, com cuidado e entusiasmo, nossos agradecimentos. E aos nossos familiares e amigos, nossa gratidão pelas trocas de ideias e experiências, pela paciência em ouvir nosso “papo monotemático”, dado o profundo envolvimento com o trabalho em alguns momentos, e, claro, pelo apoio de sempre.


Prefácio Euripedes Constantino Miguel*1

Parece difícil imaginar que pelo menos um em cada três de nós vai, em algum momento de sua vida, apresentar um tipo de transtorno mental. É verdade que fazem parte dessa cifra problemas como as fobias – o medo extremo e irracional de elevadores, multidões, viagens de avião, injeção, certos animais, altura e outras situações cotidianas –, que são bastante prevalentes na população, mas nem sempre causam grandes prejuízos para as pessoas. No entanto, a maior parte daqueles que sofrem de algum transtorno da mente vai ter sua vida profundamente afetada. Isso faz com que as doenças mentais constituam hoje uma das principais causas de incapacitação dos indivíduos, superando outros problemas de saúde comuns, como as doenças cardiovasculares e o câncer. E é provável que esse impacto se intensifique ainda mais, em alguns anos, pois à medida que ganhamos longevidade, os problemas médicos decorrentes das doenças crônicas – que incluem os transtornos mentais – tendem a ganhar proporções maiores. Hoje já sabemos, por meio de pesquisas científicas no campo das neurociências – as diversas áreas de estudo dedicadas a entender o funcionamento do cérebro – e também da prática diária nos consultórios, que as doenças da mente começam a se desenvolver Professor Titular e Chefe do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

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na infância, manifestam-se com mais clareza na juventude e, depois que surgem, tendem a se cronificar. Algumas melhoram com a idade, outras vivem altos e baixos, e há aquelas que evoluem progressivamente, limitando, pouco a pouco, a vida do indivíduo. Mas, apesar de todo o conhecimento que temos acumulado nas últimas décadas, ainda não conseguimos descobrir precisamente as causas de cada transtorno mental nem, consequentemente, como curá-los. Nossos tratamentos, embora sejam efetivos, na maior parte das vezes, para aliviar sofrimentos e permitir que as pessoas levem suas vidas com maior equilíbrio e fluidez, nem sempre são capazes de reverter a doença mental ou estancar seu desenvolvimento. E o que é ainda mais preocupante: esses tratamentos não são acessíveis à parcela mais pobre da população, particularmente em países desiguais como o nosso. Como mudar esse panorama? De várias formas. Como veremos neste livro (especialmente nos capítulos 1, 2 e 11), precisamos continuar nossas pesquisas para entender mais profundamente os mecanismos biológicos subjacentes aos transtornos mentais e, a partir daí, desenvolver tratamentos mais eficazes. Seguindo o exemplo do que ocorre em outras áreas da medicina, é necessário também avançarmos no campo da prevenção. Ou seja, criar metodologias que permitam identificar indivíduos em risco para o desenvolvimento de transtornos mentais e investir neles com intervenções eficazes, antes de a doença começar.Assim, teremos chances de impedir o surgimento desses problemas ou atenuar sua manifestação de forma significativa. Além disso, podemos fazer muito mais com o conhecimento que já temos. Por exemplo, aumentando o acesso a tratamentos e iniciando-os de forma mais precoce entre aqueles que já sofrem de transtornos mentais. Para isso, precisamos de transformações substanciais na nossa rede de atendimento à saúde, bem como de estratégias bem testadas de intervenção em larga escala. É necessário treinar e ampliar os nossos recursos humanos nessa área, 10


capacitando profissionais de programas amplos, como o Saúde da Família, para diagnosticarem e tratarem adequadamente os problemas mentais mais comuns, como se faz com outras especialidades médicas. Para pôr em prática qualquer uma dessas ações, vamos ter de investir em eliminar o estigma, a descriminação e a exclusão social e familiar que envolvem aqueles que sofrem de alguma doença mental. Acredito que esse processo comece com informação. E é disso que este livro trata. Há aqui informações para o público leigo de conhecimentos avançados sobre a origem, os principais sintomas e o tratamento dos transtornos mentais, como a depressão, as diversas formas de ansiedade patológica, aqueles transtornos envolvendo o uso de álcool e drogas, o transtorno bipolar, a esquizofrenia e as demências como a de Alzheimer (como se pode ver do capítulo 3 ao 8). Um capítulo inteiro é dedicado a um tema fundamental: as diversas maneiras como as famílias podem ajudar seus entes queridos a recuperar sua saúde mental e emocional, a voltar a pôr em prática seus planos e desejos e a estabelecer relações mais pacíficas e prazerosas (capítulo 9). Além disso, o livro traz dados sobre os meandros do nosso sistema público de saúde e ideias muito atuais de como podemos transformá-lo (capítulos 10 e 11). Já existem outros livros semelhantes a este no mercado. Eu mesmo já participei da organização de dois. Alguns são escritos por profissionais e outros por leigos. Mas o que há de inédito aqui? Pela primeira vez, tenho notícia de um livro sobre saúde mental acessível a todos os interessados no assunto, escrito por um profissional da informação, com o apoio de um time encorpado de especialistas que estão entre os mais renomados do cenário científico nacional. Há pouco mais de um ano, a jornalista Naiara Magalhães e o empresário José Alberto de Camargo convidaram o Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São 11


Paulo (USP) para, em conjunto, produzir algo novo, diferente e mais informativo sobre os transtornos mentais para a população brasileira. Nós não poderíamos ver essa iniciativa como mais promissora. De um lado, tínhamos uma jornalista com experiência na cobertura dos assuntos da área da saúde e com uma história de grandes realizações, ao lado de veículos prestigiados de informação, como a revista Veja. De outro, a visão de um homem que ocupou inúmeras posições de liderança, como a Direção Geral da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, de onde pôde capitanear várias iniciativas filantrópicas na área de Saúde Mental, como aquelas que levaram às novas instalações do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. O papel de nosso departamento foi sugerir nomes de professores com experiência e credibilidade da academia nacional, de dentro e de fora de nossa instituição, para serem entrevistados. O resultado final não poderia ser melhor: um livro com as perguntas que toda pessoa interessada no assunto gostaria de ver respondidas, com profundidade e embasamento científico, numa linguagem acessível. Tenho certeza de que os leitores deste livro irão se sentir enriquecidos em informação e com melhores condições de reconhecer e aceitar aqueles que apresentam transtornos mentais, facilitando a busca por ajuda e inclusão na sociedade. São Paulo, setembro de 2012.

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Não é coisa da sua cabeça  

Doenças como depressão, ansiedade generalizada, síndrome do pânico, TOC, abuso de álcool e drogas ilícitas, bipolaridade, esquizofrenia e ma...