Page 1

Fredrika Bergman traz personagens palpáveis, cujos dramas se entrelaçam de um modo totalmente inquietante.” – Publishers Weekly (EUA)

“Ohlsson sem dúvida vai se juntar a Jo Nesbø na maioria das listas de leitura obrigatória de literatura policial escandinava.” —Booklist (EUA)

“Uma das

melhores jovens escritoras suecas.” Booklist

ISBN 978-85-8286-366-4

9 788582 863664

Foto: Anna-Lena Ahlstrom

O inspetor Alex Recht se lembra bem do caso de Rebecca Trolle, uma garota que desapareceu há dois anos sem deixar vestígios. Quando o corpo de uma jovem é encontrado em um bosque, ele não tem dúvidas quanto à identidade da vítima, muito embora partes do corpo essenciais para o reconhecimento não estivessem na cova. À medida que a área é escavada, outro corpo é encontrado; desta vez, um homem, enterrado ali há muito mais tempo. Um terceiro corpo ainda é descoberto. A analista criminal Fredrika Bergman recebe a missão de investigar a vida de Rebecca e descobre que a jovem estava escrevendo uma monografia sobre a escritora de livros infantis Thea Aldrin, condenada décadas atrás por assassinar o marido e suspeita de envolvimento no desaparecimento do filho adolescente. Aldrin parece estar conectada a todas as vítimas, mas quando interrogada, no asilo em que vive seus últimos dias, não consegue esclarecer muita coisa. Para piorar, Bergman encontra o nome de seu parceiro, Spencer, entre os pertences da estudante morta.

DESAPARECIDAS

Leia também da autora:

• Indesejadas • Silenciadas

Ohlsson Kristina

Da autora do best-seller internacional Silenciadas

DESAPARECIDAS

“O excelente terceiro volume da série da analista criminal

Kristina Ohlsson

KRISTINA OHLSSON nasceu em Kristianstad, no sul da Suécia, e hoje vive em Estocolmo. É cientista política, ex-analista estratégica de segurança da Polícia Nacional da Suécia e trabalha como agente contra o terrorismo na Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE). Desaparecidas é o terceiro livro da série que tem como protagonista a investigadora Fredrika Bergman.

A analista criminal Fredrika Bergman e a equipe do inspetor Alex Recht são designadas para investigar o brutal homicídio de Rebecca Trolle, uma jovem desaparecida dois anos antes, vista pela última vez a caminho de uma festa. Seu corpo é localizado numa cova rasa em uma remota área florestal, e pouco tempo depois outras vítimas são encontradas no mesmo local. Fredrika descobre que, à época de sua morte, Rebecca estava fazendo uma pesquisa para sua monografia sobre uma figura pública – alguém com um passado obscuro. Fredrika está profundamente envolvida com o caso, que a essa altura já não é para estômagos fracos, mas quando o nome de seu companheiro entra para a lista de suspeitos, a provação poderá ser grande demais para ela suportar...

SILENCIADAS

Alex, agora viúvo, encontra refúgio no trabalho e se vê obcecado pelo caso. O terceiro membro da equipe, o detetive Peder Rydh, se reconciliou com a esposa e conta com seu apoio enquanto investiga os assassinatos que ameaçam consumir a todos, já que os três detetives encontram conexões pessoais com o caso.


Kristina Ohlsson DESAPARECIDAS tradução de rogério bettoni

3


Copyright © 2011 Kristina Ohlsson. Publicado mediante acordo com a Salomonsson Agency. Copyright da tradução © 2017 Editora Nemo/Vestígio

Título original: Änglavakter Todos os direitos reservados pela Editora Nemo. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida, seja por meios mecânicos, eletrônicos, seja via cópia xerográfica, sem a autorização prévia da Editora.

GERENTE EDITORIAL Arnaud Vin

REVISÃO Renata Silveira

EDITOR ASSISTENTE Eduardo Soares

CAPA Carol Oliveira

PREPARAÇÃO Eduardo Soares

DIAGRAMAÇÃO Larissa Carvalho Mazzoni

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil

Ohlsson, Kristina Desaparecidas / Kristina Ohlsson ; tradução Rogério Bettoni. -- 1. ed. -- São Paulo : Vestígio, 2017. Título original: Änglavakter. ISBN 978-85-8286-366-4 1. Ficção policial e de mistério 2. Ficção sueca I. Título. 16-08560 CDD-839.73 Índices para catálogo sistemático: 1. Ficção : Literatura sueca 839.73

A VESTÍGIO É UMA EDITORA DO GRUPO AUTÊNTICA São Paulo Av. Paulista, 2.073, Conjunto Nacional, Horsa I 23º andar . Conj. 2301 . Cerqueira César . 01311-940 São Paulo . SP Tel.: (55 11) 3034 4468 www.editoravestigio.com.br

Belo Horizonte Rua Carlos Turner, 420 Silveira . 31140-520 Belo Horizonte . MG Tel.: (55 31) 3465 4500

Rio de Janeiro Rua Debret, 23, sala 401 Centro . 20030-080 Rio de Janeiro . RJ Tel.: (55 21) 3179 1975


Quando o filme começou, ela não tinha a menor ideia de o que veria. Também não tinha se dado conta das consequências devastadoras que aquelas imagens e as decisões que então tomaria trariam para o resto de sua vida. Tinha colocado o projetor sobre a mesa do café, e o filme estava projetado numa tela que ela desenterrara do depósito e esticara no meio do chão. Para conseguir o ângulo certo, apoiara o projetor em cima de um livro: Um beijo antes de morrer, de Ira Levin. Uma amiga havia lhe dado de Natal e ela ainda não tinha tido coragem de ler. O som do projetor rodando o filme era como o de gotas de chuva batendo na janela. A sala está toda escura, e ela, sozinha em casa. Não saberia explicar por que teve curiosidade em relação a esse filme. Talvez por não se lembrar de tê-lo visto antes. Ou por sentir que ele tinha sido escondido dela por alguma razão. A primeira cena mostra uma sala. Ela tem certeza de que parece familiar. A imagem é sombria, levemente sem foco. Alguém cobriu todas as janelas com lençóis, mas mesmo assim a luz do dia entra um pouco. Há muitas janelas, que parecem cobrir toda a parede até o teto. O filme continua, a imagem fica mais nítida. Uma porta se abre e aparece uma moça. Ela hesita na entrada; parece estar dizendo alguma coisa. Olha para a câmera com um sorriso tímido. A imagem oscila para cima e para baixo, deixando claro que a câmera não está fixada num tripé; alguém a segura. A mulher então entra na sala e fecha a porta. Quando vê a porta se fechando, percebe onde o filme foi gravado: no gazebo do jardim, na casa dos seus pais. Sem saber por quê, sente um medo repentino. Quer desligar o projetor, mas não consegue tomar a iniciativa. A porta do gazebo é aberta de novo e entra um homem mascarado, com um machado na mão. Quando a jovem o vê, começa a gritar e a empurrálo para trás. Ela bate em um dos lençóis e o homem a segura, evitando que caia pela janela no jardim. Ele então a empurra para o meio da sala; a câmera treme um pouco. As cenas seguintes são difíceis de entender. O homem golpeia o peito da mulher com o machado. Uma, duas vezes. Depois a cabeça. Pega uma 11


faca e – meu Deus – logo ela está morta, no chão. Passam-se um, dois, três segundos e o filme acaba. O projetor continua girando impaciente, esperando que ela o desligue e rebobine o filme. Ela é incapaz de fazer qualquer coisa. Olha inexpressiva para a tela. O que tinha acabado de ver? Por fim, acaba desligando o projetor com os dedos tensos. Rebobina o filme. Roda-o de novo. Depois de novo. Não tem certeza se é real, mas isso não importa. O conteúdo é repugnante, e quando vê as imagens pela segunda vez, reconhece o homem mascarado. Quando tinha sido gravado? Quem é a moça? E onde estavam seus pais quando ocuparam o gazebo, cobriram todas as janelas e fizeram um filme violento lá dentro? Já é noite quando decide o que fazer. Ainda há mais perguntas do que respostas, mas isso não afeta sua capacidade de agir. No momento em que ele coloca a chave na porta e diz “Oi, querida!”, ela já tinha tomado uma decisão. Ela nunca mais ia ser a querida de ninguém. E seu filho nunca teria um pai.

12


PRESENTE 2009


TRECHO DO INTERROGATÓRIO DE ALEX RECHT 01/05/2009

“Trabalho como policial há muito tempo, mais da metade da minha vida. Esse é sem dúvida o caso mais revoltante que já vi. É um pesadelo, um inferno maligno. Uma história sem a menor chance de um final feliz.”

15


TERÇA-FEIRA


1

O sol tinha nascido havia menos de uma hora quando Jörgen viu uma pessoa morta pela primeira vez. As nevadas tão comuns no inverno, seguidas pela chuva da primavera, haviam amolecido o solo e aumentado os níveis da água. As forças dos ventos e do tempo tinham agido de forma conjunta e coberto o corpo camada por camada, e por fim uma cratera imensa se abriu no chão entre as pedras e as árvores. No entanto, a mulher morta ainda não estava totalmente visível. Foi o cachorro que a desenterrou. Jörgen estava de pé entre as árvores, um pouco confuso. – Vem pra cá, Svante. Ele sempre achou difícil se posicionar no mundo, ganhar o respeito dos outros. Seu chefe havia dito isso em inúmeras avaliações de desempenho, e sua esposa o havia deixado pela mesma razão. – Você ocupa tão pouco espaço que é praticamente invisível –, dissera ela na noite em que fora embora. E agora ali estava ele, no meio de uma floresta desconhecida, com um cachorro que nem era seu. Sua irmã tinha insistido para que ele se mudasse para a casa dela enquanto cuidava de Svante. Afinal de contas, seria apenas por uma semana, e com certeza não ia fazer muita diferença para Jörgen o lugar em que moraria por tão pouco tempo – argumentara a irmã. Ela estava errada; Jörgen conseguia sentir em cada célula de seu corpo a diferença que fazia o lugar onde morava. Nem ele nem Svante estavam particularmente felizes com a nova situação. As árvores filtravam alguns raios de sol fraquinhos, fazendo a clareira arder levemente com uma luz dourada. Silêncio e tranquilidade. O único elemento perturbador era Svante, que não parava de revirar o monte de terra, cavando com as patas da frente como se batesse num tambor. A terra voava em todas as direções. 19


– Vem pra cá, Svante – tentou Jörgen, dessa vez com um pouco mais de autoridade. Mas o cão não escutou seu apelo e começou a choramingar, agitado e frustrado. Jörgen suspirou e foi andando preguiçosamente até o cão e, desajeitado, passou-lhe a mão nas costas. – Escuta, a gente precisa ir pra casa. Quer dizer, nós estivemos aqui ontem também. Amanhã a gente volta. Prestou atenção em como estava soando: como se estivesse falando com uma criança pequena. Mas Svante não era uma criança. Era um pastoralemão que devia pesar uns trinta quilos e que tinha farejado alguma coisa muito mais interessante do que o irmão enfadonho de sua dona, ali parado num montinho de musgos, batendo os pés sem parar. – Você precisa mostrar para ele quem é que manda – dissera a irmã de Jörgen. – Dê comandos claros. A rajada do canto de um pássaro fez Jörgen olhar em volta, ansioso. Foi tomado pelo medo repentino de haver alguém por perto. Com um clique, prendeu a guia na coleira de Svante e estava prestes a travar a batalha final para levá-lo embora quando viu o saco plástico exposto pelos esforços do pastor-alemão. O cachorro tinha travado as mandíbulas e agora puxava o plástico; acabou rasgando um pedaço grande. Um corpo? Uma pessoa morta, enterrada no chão? – Svante, sai daí! – gritou Jörgen. O cachorro congelou o movimento e se afastou. Pela primeira e única vez, obedeceu seu dono temporário.

20


INTERROGATÓRIO DE FREDRIKA BERGMAN 02/05/2009, 13h15 (gravação em fita)

Presentes: Urban S., Roger M. (interrogadores um e dois), Fredrika Bergman (testemunha). Urban: Poderia nos contar sobre os eventos que aconteceram na ilha de Storholmen no dia 30 de abril, no final da tarde? Fredrika: Não. (A testemunha parece incomodada.) Urban: Não? Ok, por que não? Fredrika: Eu não estava lá. Roger: Mas você pode nos falar sobre as circunstâncias do caso. (Silêncio.) Urban: Constitui delito você não colaborar com a gente nessa situação, Fredrika. (Silêncio.) Roger: Afinal de contas, a gente já sabe de tudo. Ou achamos que sabemos. Fredrika: Então por que precisam de mim? Urban: Bom, achar que a gente sabe de alguma coisa não configura muito bem o trabalho da polícia. E Peder Rydh é colega de nós três. Por isso a gente quer saber se existe algum atenuante. Agora. (A testemunha parece cansada.) Roger: Você passou por momentos difíceis nas últimas semanas, a gente sabe disso. Seu marido está sob custódia, e sua filha... Fredrika: Nós não somos casados. Roger: Como? Fredrika: Eu e Spencer não somos casados. Urban: Isso é irrelevante; esse caso tem sido extremamente difícil e... Fredrika: Vocês estão completamente fora de si. Estão falando em atenuantes... De quantos atenuantes vocês precisam? Jimmy, o irmão dele, está morto. Morto. Entenderam isso? (Pausa.) Roger: A gente sabe que o irmão de Peder está morto. A gente sabe que Peder estava numa situação perigosa. Mas o reforço já estava a caminho, e 21


não há nada que indique que ele não tivesse a situação sob controle. Então por que atirou? (A testemunha está chorando.) Roger: Você poderia simplesmente contar a história inteira, do início até o fim? Fredrika: Mas vocês já sabem de tudo. Urban: Não de tudo, Fredrika. Do contrário, a gente não estaria aqui. Fredrika: Vocês querem que eu comece de onde? Urban: Do início. Fredrika: Da descoberta do corpo de Rebecca Trolle? Urban: Sim, acho que esse é um bom começo. (Silêncio.) Fredrika: Ok. Vou começar por aí.

22


www.vestigioeditora.com.br www.twitter.com/vestigio_editora www.facebook.com/vestigioeditora

Desaparecidas  

A analista criminal Fredrika Bergman e a equipe do inspetor Alex Recht são designados para investigar o brutal homicídio de Rebecca Trolle,...

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you