suínoBrasil 4º Tri 2022

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PAN-BR AGRO: NOSSA FERRAMENTA DE CONTROLE DA RESISTÊNCIA AOS ANTIMICROBIANOS Jalusa Deon Kich p. 36 4º TRIMESTRE 2022 ESPECIAL GENÉTICA p. 73

SUPERANDO DESAFIOS

Oano de 2022 foi um ano desafiador para a suinocultura brasileira, custos de produção atingindo patamares recordes, redução dos preços pagos ao suinocultor, e mais uma vez o setor mostrou a sua resiliência no agronegócio nacional. Isto porque, mantidas as médias dos 3 trimestres, o ano de 2022 deve fechar com a produção 5,17 milhões de toneladas de carcaças suínas, 274 mil toneladas a mais que 2021 (+5,59%), atingindo assim o recorde de produção em seu terceiro ano consecutivo.

Mesmo diante da inflação dos custos de produção e aumento de preços significativos de outras proteínas, a carne suína ocupou o seu espaço, em uma oportunidade ímpar e atingiu volume recorde em consumo. De acordo com o levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população brasileira consumiu, em média, 18 kg de carne suína por pessoa entre janeiro e junho deste ano. Com esta marca, esse é o maior consumo de carne suína registrado no período em toda a história.

Com o retorno das atividades presenciais, a cadeia suinícola reuniu ao longo do ano para debater os principais desafios da suinocultura nacional. E é nesse cenário que a suínoBrasil encerra o ano de 2022, com temas relevantes para o crescimento da cadeia produtiva de suínos, tais como: Ambiência, Seneca Valley Vírus, Hiperleitagada, Nutrição e Saúde Intestinal e Aditivos alternativos aos antimicrobianos.

E a capa desta edição, aborda um tema clássico de saúde única, o enfrentamento da resistência antimicrobiana que suscitou um esforço tripartite, da OMS, WOAH e a FAO que por meio do Codex Alimentarius instituiu uma força tarefa intergovernamental (TFAMR) que desenvolveu diretrizes, baseadas em ciência, que orientam os países membros a manejar de forma coerente a resistência antimicrobiana ao longo da cadeia de produção de alimentos. Em 2018, o Brasil como membro da OMS elaborou o Plano de Ação Nacional de Prevenção e Controle da Resistência aos Antimicrobianos no mbito da Saúde Única (PAN-BR, 2018), abordado pela Pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves, Jalusa Deon Kich.

E parafraseando o Diretor Técnico da SuínoBrasil, José Antônio Ribas Jr, “O Brasil produz suínos com muita ciência, muita dedicação, muito carinho e, acima de tudo, com muita sustentabilidade!”, encerramos 2022 com o Especial de Genética, que reuniu renomados pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa e empresas de genética do país.

Genética de suínos no Brasil: o presente é genômico e o futuro é digital e verde!

EDITOR

AGRINEWS

Karla Bordin +55 (19) 9 8177-2521 mktbr@grupoagrinews.com

DIREÇÃO TÉCNICA

José Antônio Ribas Jr.

Fernanda Radicchi Campos Lobato de Almeida César Augusto Pospissil Garbossa

COORDENAÇÃO TÉCNICA E REDAÇÃO

Cândida P. F. Azevedo suinobrasil@grupoagrinews.com

ANALISTA TÉCNICO

Henrique Cancian COLABORADORES

Jalusa Deon Kich

Joana Barreto

Gabryele Almeida Pedro Gomes

Thais Oliveira Márvio Lobão Teixeira de Abreu Fernanda Laskoski Ismael França Ana Clara Rodrigues Oliveira Bruno Bracco Donatelli

ADMINISTRAÇÃO

Inés Navarro

Cesar Augusto Pospissil Juliano Rangel

Ygor Henrique de Paula Vinícius de Souza Cantarelli Lucas Avelino Rezende

Profa. Dra. Masaio Mizuno Renata Veroneze Paulo Sávio Lopes

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Tel: +17866697313 suinobrasil@grupoagrinews.com www.porcinews.com

Preço da assinatura anual: Brasil 30 $ Extranjero 90 $ Revista Trimestral

3 SuínoBrasil 4º Trimestre 2022

2022
Boa leitura! LLC
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Letícia Fernanda de Oliveira Daniele Botelho Diniz Marques

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Hiperleitegadas: o que faremos com os leitões excedentes?

Joana Barreto¹ ; Gabryele Almeida¹; Pedro Gomes¹; Thais Oliveira¹ Márvio Lobão Teixeira de Abreu² ¹Discente de pós-graduação em Nutrição e Produção de Animais não Ruminantes – UFLA; Integrante do NUFSUI – Grupo de Pesquisa em Nutrição Funcional de Suínos; Integrante do NESUI – Núcleo de Estudos em Suinocultura; ²Prof. Dr. do Departamento de Zootecnia/UFLA; Coordenador do NUFSUIGrupo de Pesquisa em Nutrição Funcional de Suínos.

20 26

A suplementação de altrenogest durante a gestação de fêmeas suínas pode trazer impactos positivos sobre a produtividade

Ana Clara Rodrigues Oliveira, Bruno Bracco Donatelli Muro e Cesar Augusto Pospissil Garbossa Laboratório de Pesquisa em Suínos da FMVZ/USP

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“Ambiência não é só temperatura ambiente”: uma visão sobre o conceito e importância da ambiência na suinocultura

Fernanda Laskoski¹ & Ismael França²

¹Médica Veterinária pela UDESC e Doutora em Ciências Veterinárias. Especialista Técnica Nacional Suínos na Auster Nutrição Animal. ²Engenheiro Agrônomo pela UFRGS e Doutorando em Ciência Animal / Unesp Jaboticabal.

Juliano Rangel

Com recorde de público, SIAVS promove importantes debates e oportuniza negócios 2 suínoBrasil 4º Trimestre 2022

porcinews.com

BALANGUT™ LS, melhoria em saúde intestinal e performance 30

Rodrigo Knop Guazzi Messias1 & Rosana Cardoso Maia2

1Technical Services Coordinator Animal Nutrition – BASF South America

2 Technical Sales Coordinator Animal Nutrition – BASF South America

PAN-BR Agro: nossa ferramenta de controle da resistência aos antimicrobianos

Aditivos alternativos apoiam a retirada de antimicrobianos promotores de crescimento na suinocultura

Lucas Avelino Rezende Médico Veterinário e MsC em Ciência Animal

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Jalusa Deon Kich Pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves

Qual a interação entre nutrição, manejo e saúde intestinal?

Ygor Henrique de Paula¹ e Vinícius de Souza Cantarelli² ¹Doutorando em Produção e nutrição de não-ruminantes – UFLA. Membro da linha de pesquisa Animal Science and Intestinal Health – ASIH. ²Professor e Pesquisador no Departamento de Zootecnia da UFLA. Coordenador da linha de pesquisa Animal Science and Intestinal Health – ASIH.

Pork 20 ANOS retorna e reúne cinco mil profissionais

A nova cepa probiótica que combina os benefícios das bactérias ácido láticas e o das formadoras de esporos: Bacillus coagulans DSM 32016 44

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Dr. Lydia Zeibich Product Manager at Biochem Zusatzstoffe GmbH

Epidemiologia do Seneca Valley Vírus – Parte II

Profa. Dra. Masaio Mizuno Ishizuka Professora Titular Senior de Epidemiologia de Doenças Infecciosas/FMVZ-USP

3 suínoBrasil 4º Trimestre 2022

HIPERLEITEGADAS: O QUE FAREMOS COM OS LEITÕES EXCEDENTES?

Joana Barreto¹; Gabryele Almeida¹; Pedro Gome¹; Thais Oliveira¹ e Márvio Lobão Teixeira de Abreu2 1Discente de pós-graduação em Nutrição e Produção de Animais não Ruminantes – UFLA; Integrante do NUFSUI – Grupo de Pesquisa em Nutrição Funcional de Suínos; Integrante do NESUI – Núcleo de Estudos em Suinocultura; 2Prof. Dr. do Departamento de Zootecnia/UFLA; Coordenador do NUFSUI - Grupo de Pesquisa em Nutrição Funcional de Suínos.

Oatual cenário da suinocultura em relação às matrizes suínas exibe fêmeas de alta prolificidade, em função do melhoramento genético obtido ao longo dos anos. A seleção das fêmeas capazes de desmamarem um maior número de leitões por ano tem justificado o aumento da produção nacional.

Neste mesmo ano, as dez melhores granjas do país produziram, em média, 15,47 leitões nascidos vivos e 37,16 desmamados/fêmea/ano (AGRINESS, 2021).

Em 2021, o Brasil produziu 4,7 milhões de toneladas de carne suína, gerando um valor bruto de produção de mais de 31 bilhões de reais (ABPA, 2021)

Apesar disso, a hiperprolificidade das matrizes tem trazido grandes desafios para o sistema de produção, tais como:

Maior variabilidade de peso ao nascimento dos leitões e

Aumento no número de leitões com crescimento intrauterino retardado (CIUR) e natimortos.

4 manejo suínoBrasil 4º Trimestre 2022 | Hiperleitegadas: o que faremos com os leitões excedentes?

A maior variabilidade de peso ao nascimento está associada com uma maior presença de leitões de baixo peso ou baixa viabilidade e, consequentemente, diferenças fisiológicas são observadas nesses animais.

Além disso, outro fator importante é o aumento no número de leitões excedentes nas granjas de alta prolificidade.

O sistema de leitões excedentes é caracterizado como o número de leitões nascidos a mais comparado com o número de tetos funcionais das matrizes.

Os leitões excedentes geralmente possuem peso ao nascimento inferior a 1,0 kg e 1,25 kg (BLAVI et al.,2021) e, isso implica na insuficiência da ingestão do colostro e leite, o que está comumente associado ao acesso aos tetos da fêmea, uma vez que, esses leitões possuem maior dificuldade em alcançá-los, pela própria desvantagem na competição com os leitões mais pesados.

Esses mesmos leitões apresentam baixos estoques de glicogênio, o que explica sua baixa vitalidade para garantir a ingestão adequada do colostro (THEIL et al., 2012), ocasionando redução da imunoproteção passiva e ativa, predispondo esses animais a quadros de diarreias, e efeitos consistentes a longo prazo, como maior morbidade-mortalidade e taxas de crescimento prejudicadas pré e pósdesmame (MORAES et al., 2022)

Diante de um cenário de crise, esses leitões podem representar um custo significativo para o sistema de produção, devido ao elevado custo das rações e o aumento na ocupação das instalações da granja.

Entretanto, fora desse cenário, todo leitão a mais, é lucro, uma vez que, a granja teria a oportunidade de aumentar o número de animais abatidos. Vale ressaltar que, é necessário que haja manejos altamente funcionais, já que os eventos iniciais na vida de um leitão podem ter consequências duradouras.

| Hiperleitegadas: o que faremos com os leitões excedentes?

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suínoBrasil 4º Trimestre 2022
manejo
O desafio é:
O que faremos com esses leitões excedentes?

Até o final da lactação, caracterizada como a fase inicial do crescimento dos leitões, são apresentadas mudanças na categoria de peso de uma porcentagem de leitões com baixo peso ao nascimento, o que indica que, o peso ao nascimento tem baixa correlação com a taxa de crescimento até o abate (Montoro et al., 2021), já que as categorias de peso podem ser alteradas durante a lactação.

O conhecimento dessas ferramentas torna-se indispensável para um bom gerenciamento desses leitões.

Diante disso, é importante atingir um peso ideal ao desmame, ou até mesmo até o final da creche, pois a partir desse ponto a eficácia na implementação estratégica para leitões mais leves para alcançar altas taxas de crescimento diminui drasticamente (BLAVI et al., 2021).

Manter a zona de conforto térmico (ZCT) ideal para os animais na maternidade é um grande desafio, pois as fêmeas suínas e os leitões possuem necessidades distintas. A temperatura da ZCT da fêmea lactante corresponde a 16 e 22°C, enquanto a do leitão neonato está entre 32 e 34°C (BORTOLOZZO et al., 2011).

Além disso, o frio e a umidade reduzem a ingestão de colostro.

Existem algumas ferramentas de manejo que podem auxiliar na manutenção e otimização dos leitões excedentes no plantel. Dentre elas:

Otimização do ambiente da maternidade

Assistência ao parto

Colostragem

Uniformização da leitegada e

Utilização de mães de leite.

Leitões que nascem em ambientes com temperatura de 32ºC comparado a 20ºC consomem em média 36% mais colostro (YAGÜE, 2019). Sendo assim, a otimização do ambiente da maternidade se torna uma ferramenta essencial para a intensificação da produção.

6 manejo suínoBrasil 4º Trimestre 2022 | Hiperleitegadas: o que faremos com os leitões excedentes?

A assistência ao parto é um manejo fundamental, tanto para as fêmeas como para os leitões, isto é, que o parto suceda em um período curto, sem intervenções e que seja oferecido aos leitões a oportunidade de ingerir quantidade suficiente de colostro.

Recomenda-se a secagem, corte e cura do umbigo, identificação por ordem de nascimento e assistência aos leitões na primeira mamada do colostro.

Quando o tamanho da leitegada ultrapassa o número de tetos viáveis, pode-se realizar o manejo de mamada segregada. Esse manejo consiste em marcar os primeiros 6-7 leitões nascidos e após o nascimento de todos os leitões deve-se separar os primeiros nascidos e deixar os outros leitões terem acesso ao colostro.

O consumo de colostro está positivamente associado à sobrevivência dos leitões ao desmame, pois tem várias funções essenciais, incluindo a imunidade e a nutrição. Portanto, qualquer circunstância que prejudique a capacidade de consumo de colostro aumentará o risco de mortalidade e diminuirá a taxa de crescimento dos leitões (JUTHAMANEE ET AL., 2021)

A uniformização consiste em transferir leitões entre leitegadas, visando reduzir a variação de tamanho e adequar o número de leitões com a capacidade mamária da fêmea suína, com o objetivo de garantir a ingestão adequada de leite para todos os leitões. Existem pontos indispensáveis desse manejo:

Avaliar as possíveis combinações (leitões grandes e médios; médios e pequenos; pequenos e muito pequenos),

Checar o número de tetos funcionais, Misturar o menor número possível de leitões e deixar a mesma quantidade de leitões e tetos viáveis.

manejo

Hiperleitegadas: o que faremos com os leitões excedentes?

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suínoBrasil 4º Trimestre 2022 |

manejo

Na Tabela 1 é indicado o momento correto para a uniformização considerando o início do parto.

Momento do parto

Início Fim

Noite e início da manhã

Início da tarde

Antes de sair da granja

Antes do meio-dia

Antes de sair da granja

Quando na manhã do dia seguinte já foi finalizado

Momento da uniformização

Final da tarde

Início da manhã seguinte

No início da manhã

Tabela 1: Momento ideal para se realizar a uniformização. Fonte: Abreu, 2021.

As fêmeas suínas que pariram e desmamaram suas leitegadas e servirão para amamentar leitões de outras fêmeas, são chamadas de mães de leite. A utilização do manejo de mãe de leite na suinocultura pode ser uma importante ferramenta melhoradora de produtividade, entretanto, quando não empregada de forma adequada, pode acarretar prejuízos.

Diversos aspectos devem ser considerados antes que este manejo seja estabelecido, como:

Método que será aplicado Categoria das fêmeas Escore corporal Nutrição empregada

Duração do período de lactação e Número de leitões que será distribuído (AGRINESS, 2020)

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suínoBrasil 4º Trimestre 2022 |
o que faremos com os leitões
Hiperleitegadas:
excedentes?

Todas as ferramentas mencionadas anteriormente podem auxiliar na redução dos desafios causados pelas hiperleitegadas.

Além disso, as estratégias nutricionais que podem ser utilizadas para as porcas e seus leitões se tornam indispensáveis. O aumento da produtividade das matrizes resultou em uma maior demanda nutricional. A prioridade da fêmea nessa fase é garantir uma produção de leite capaz de sustentar o desenvolvimento de uma leitegada numerosa.

Além da melhora nos índices reprodutivos das matrizes e do aumento do número de leitões nascidos, é observado também a redução da disponibilidade de colostro para esses leitões (VADMAND et al., 2015). Dessa forma, a nutrição na lactação deve garantir o consumo suficiente da matriz para máxima produção de leite, evitando a mobilização excessiva das suas reservas corporais (TOKACH et al., 2019).

A suplementação de arginina (0,5 – 1,0%) desde o final da gestação contribui para o aumento na proporção de leitões nascidos vivos, saturação de oxigênio desses leitões e maiores concentrações de imunoglobulina G (IgG) no colostro das porcas suplementadas (NUNTAPAITOON et al., 2018).

Além disso, o fornecimento de 1,5% de arginina melhora o crescimento da leitegada, através do aumento no ganho de peso pelos leitões durante o período de lactação e aumento na taxa de sobrevivência de leitões que apresentam baixo peso ao nascimento (HONG et al., 2020)

Outros aminoácidos também contribuem para a obtenção de melhores resultados de desempenho na maternidade. O aumento da relação metionina:lisina (0.37 - 0.57) possibilita maior ganho de peso dos leitões e melhor status redox, com maiores concentrações de enzimas antioxidantes (WEI et al., 2019).

A concentração de aminoácidos, por exemplo, deve ser aumentada nas dietas de lactação para dar suporte à produção de leite (NATIONAL RESEARCH COUNCIL, 2012) A maior parte da porção proteica da ração segue para a lactogênese, onde até 70% dos aminoácidos são utilizados para a síntese das proteínas do leite (PETERSEN et al., 2016).

A taurina apresenta resultados benéficos tanto para a porca, quanto para os leitões, sendo a suplementação com 1% na ração de lactação responsável por aumentar a concentração de enzimas antioxidantes no leite, melhora do status redox intestinal, morfologia intestinal e função de barreira de leitões lactentes (XU et al., 2019).

Hiperleitegadas: o que faremos com os leitões excedentes?

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suínoBrasil 4º Trimestre 2022 |
manejo

O triptofano (1 g/kg) pode ser utilizado para leitões, atenuando os efeitos de infecções entéricas por E. coli, aumentando o consumo e mantendo o desempenho dos animais (TREVISI et al., 2009).

A suplementação orogástrica de leitões com leucina (800 µmol/Kg) é outra ferramenta nutricional que colabora para o crescimento dos leitões, aumentando a síntese de tecido muscular nos animais suplementados (BOUTRY et al., 2016)

De modo semelhante, a administração oral de glutamina (1,52 g/kg peso corporal) em leitões lactentes contribuiu para minimizar a inflamação, o estresse e melhorar a integridade da mucosa da parede intestinal (HE et al., 2019).

Outros nutrientes como vitaminas também apresentam potencial para melhorar o desempenho na maternidade.

A vitamina E (250 UI/kg) suplementada desde a última semana de gestação auxilia no desempenho da porca e, consequentemente, no desempenho da leitegada, aumentando a concentração de imunoglobulinas no colostro, melhorando o ganho de peso dos leitões lactentes, uma melhor resposta imune humoral e maior atividade antioxidante da porca e dos leitões (WANG et al., 2017).

A utilização de plasma spray-dried (0,25 – 0,5%) é uma outra alternativa que contribui para o consumo de ração pelas matrizes, possibilitando melhores resultados de desempenho da leitegada durante a lactação (CRENSHAW et al., 2007).

Dessa maneira, o uso de suplementos para leitões neonatos é uma alternativa importante que favorece o desenvolvimento dos leitões excedentes e de baixo peso ao nascimento.

10 manejo suínoBrasil 4º Trimestre 2022 | Hiperleitegadas: o que faremos com os leitões excedentes?

Garantir a ingestão de, no mínimo, 200 g de colostro e a administração de um suplementos comerciais “proteicoenergéticos” nas primeiras 24 h de vida aumenta a taxa de sobrevivência de leitões leves que poderão seguir para a produção (DECLERCK et al., 2016; MOREIRA et al., 2017).

Portanto, o surgimento de populações excedentes exige maiores esforços de manejo no ambiente da granja, considerando as estratégias nutricionais para as porcas e os leitões, cuidados com o ambiente e o uso de novas ferramentas de manejo, oferecendo assim, oportunidades em garantir um maior número de leitões na linha de abate.

Hiperleitegadas: o que faremos com os leitões excedentes?

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Hiperleitegadas: o que faremos com os leitões excedentes?

11 manejo suínoBrasil 4º Trimestre 2022 |

“AMBIÊNCIA NÃO É SÓ TEMPERATURA AMBIENTE”:

UMA VISÃO SOBRE O CONCEITO E IMPORTÂNCIA

DA AMBIÊNCIA NA SUINOCULTURA

Fernanda Laskoski1 & Ismael França2

1Médica Veterinária pela UDESC e Doutora em Ciências Veterinárias com ênfase em produção de suínos pela UFRGS. Especialista Técnica Nacional Suínos na Auster Nutrição Animal.

2Engenheiro Agrônomo pela UFRGS e Doutorando em Ciência Animal com ênfase em nutrição e produção de suínos pela Unesp Jaboticabal.

Não há dúvidas sobre o impacto produtivo que situações estressantes causam ao desempenho de suínos em todas as fases produtivas e dessa forma a promoção do conforto ambiental na suinocultura é um tema cada vez mais discutido por todos.

O conceito de ambiência pode ser entendido como a interação bidirecional entre o ambiente e o animal com ação de múltiplos fatores físicos, químicos e sociais.

12 ambiência suínoBrasil 4º Trimestre 2022 |“Ambiência não é só temperatura ambiente”: uma visão sobre o conceito e importância da ambiência na suinocultura

Os suínos são animais que apresentam boa capacidade de se adaptarem às variações do ambiente de criação. Entretanto, sabemos que o estresse ambiental é um dos fatores que podem reduzir o potencial produtivo dos animais e a garantia de condições que possibilitem:

Manutenção da temperatura corporal, Qualidade do ar e Espaço para movimentação e alimentação é fundamental para a promoção de conforto ambiental e manutenção da saúde e desempenho.

Dessa forma, podemos entender ambiência como a promoção do conforto animal que é baseado no contexto ambiental, e por isso é importante atentar que ambiência não diz respeito a bem-estar animal, mas sim é um dos pilares para a garantia do mesmo.

Ambiente físico (relativo às instalações de criação dos animais, como tipo de piso e limpeza das instalações).

Ambiente térmico (resultado da interação das variações atmosféricas e aspectos construtivos das granjas na formação do microclima interno).

Ambiência não é só temperatura, e por esse motivo a “observação do todo” é necessária para o entendimento e garantia do conceito de ambiência por completo. Segundo diversos autores podemos dividir em cinco pilares interconectados a ambiência na suinocultura:

Ambiente aéreo ou qualidade do ar (englobando diversos indicadores como os níveis de amônia, gás carbônico, gás sulfídrico, poeira respirável e umidade relativa).

ambiência

Ambiente acústico (referente aos níveis de ruídos e vibrações próximos ou dentro das instalações).

Ambiente social (formado pela interação social dos animais e as formas de manejos adotadas com os mesmos) (Lammers, Stender & Honeyman, 2007; Nääs, Tolon & Baracho, 2014).

Quando entramos no conceito de ambiência e no entendimento dos pilares que a compõe, podemos observar que as maiores oportunidades de melhoria a campo ainda estão associadas ao ambiente térmico e aéreo.

2022 |“Ambiência não é só temperatura ambiente”: uma visão sobre o conceito e importância da ambiência na suinocultura

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suínoBrasil 4º Trimestre

Um estudo meta-analítico publicado por Renaudeau et al. (2011) apresenta interessantes dados que demostram os impactos negativos do estresse por calor. Com dados de 71 artigos publicados entre 1960 – 2009, os autores apresentam uma redução média entre 32 g d-1 ºC-1 e 78 g d-1 ºC-1 no consumo diário de suínos de 50 e 100 kg de peso vivo, respectivamente, e ainda um impacto de -11 e -25 g d-1 ºC-1 no consumo diário para animais de 25 e 75 kg, respectivamente, quando a temperatura ambiente aumenta de 20 a 30 ºC. Uma redução média entre 32 g d-1 ºC-1 e 18 g d-1 ºC-1 no ganho de peso diário (GPD) de suínos com peso médio de 50 kg na mesma faixa de temperatura, também foi observada. Em relação a conversão alimentar (CA) foi observado impacto em temperaturas acima de 30 ºC (+0,2 pontos de 30 para 36 ºC).

Em animais jovens, podemos ter o problema contrário: o estresse térmico por frio. Animais mais jovens apresentam taxas metabólicas menores, e têm maior relação área superficial/massa corporal, com isso maior capacidade de perder calor para o ambiente.

Além desses fatores, a menor camada de gordura corporal prejudica a capacidade de isolamento térmico. Dessa maneira, os leitões são uma categoria animal que quando expostos a temperaturas abaixo da temperatura crítica inferior (TCI), apresentam um maior potencial de redução do desempenho.

Para o entendimento dos pontos críticos da ambiência térmica também se faz necessário a compreensão do conceito de zona de termoneutralidade (ZT) ou zona termoneutra.

Gráfico 1 - Zona de termoneutralidade de suinos jovens (35 a 50 dias) com os pontos de temperaturas criticas máximas e minimas. Fonte: Adaptado de Curtis, 1983 e Sousa, 2002.

Podemos definir a ZT como a faixa de temperatura em que o animal é capaz de compensar a perda/ganho de calor para o ambiente sem exigir uma resposta de aumento na taxa de produção de calor metabólico, seja para aquecimento ou para perda de calor. A Tabela 01 apresenta a ZT para

14 ambiência suínoBrasil 4º Trimestre 2022
|“Ambiência não é só temperatura ambiente”: uma visão sobre o conceito e importância da ambiência na suinocultura
Redução do calor Temperatura ambiente agradável Aumento do calor Estresse pelo frio TCI TCS Zona de Conforto Térmico (ZCT) Estresse pelo calor 8ºC 18ºC 21ºC 30ºC HIPORTERMIA ZONA TERMONEUTRA HIPERTERMIA MORTE MORTE OFEGAÇÃO TREMOR AGLOMERAÇÃO

A garantia de uma condição térmica adequada é dependente da garantia de um balanço térmico nulo. Isso acontece quando a equação térmica entre o calor produzido pelo animal é proporcional, ou tem a mesma magnitude, que a dissipação de calor pelo meio onde este é inserida. Todo o processo de controle térmico no animal é regulado pelo hipotálamo.

Este é quem regula a produção ou dissipação de calor pelo animal, regulando as respostas fisiológicas tais como:

Cérebro Hipotálamo

Hipófise Cerebelo

Tronco cerebral

Tabela 1 - Zona de termoneutralidade para suínos nas diferentes categorias animais.

Para o planejamento das estratégias de promoção da ZT é importante reconhecer quais mecanismos de transferência de calor são mais eficientes nos suínos. Temperatura ideal, ºC Temperatura crítica, ºC Categoria

1º semana 27 28 15 35 70 2º semana 25 26 13 35 70 3º semana 22 24 13 35 70 4º semana 21 22 10 31 70 5-8º semana 20 22 8 30 50-70 20-30 kg 18 20 8 27 50-70 30-60 kg 16 18 5 27 50-70 60-100 kg 12 18 5 27 50-70

Frequência respiratória, Aumento ou redução do fluxo sanguíneo nos capilares da pele (mecanismo vasomotor) e Ereção dos pelos. UR: Umidade relativa do ar. Fonte: Adaptado de Gava et al. (2010)

ambiência

2022 |“Ambiência não é só temperatura ambiente”: uma visão sobre o conceito e importância da ambiência na suinocultura

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suínoBrasil 4º Trimestre
Mínima Máxima Inferior (TCI) Superior (TCS) UR, %
Recém-nascido 30 32 15 35 70

Convecção forçada 30%

Evaporação 40%

Quando submetidos a condições ambientais estressantes, os suínos iniciam uma cascata de respostas metabólicas frente a condição imposta. Condições ambientais desfavoráveis, como a permanência em baias sujas e desafio sanitário, podem implicar em uma resposta do sistema imune do animal.

Condução 5-10%

Convecção natural 20%

As principais formas de transferir calor para suínos são a evaporação (40%), principalmente pelo aumento da taxa respiratória, e por convecção forçada (30%), por exemplo através da ventilação. A troca de calor por convecção natural representa cerca de 20%, e por condução entre 5 a 10%, da capacidade dos suínos em trocar calor com ambiente (Jacobson, 2011).

Entre as principais respostas a esse tipo de situação no desempenho produtivo tem-se, por exemplo:

Diminuição do consumo voluntário; Redução do ganho de peso; Catabolismo muscular e Diminuição da digestibilidade da dieta.

As estratégias de climatização das granjas visando a promoção da ambiência devem assim serem elaboradas considerando esses fatores. É importante atentar que a promoção do ambiente térmico é feita com o controle de variáveis ambientais como a temperatura, UR e ventilação (velocidade do vento) que em conjunto formam a temperatura ambiental efetiva (sensação térmica).

Além das condições inerentes a cada instalação, a modernização e a intensificação de meios que proporcionem uma determinada climatização ao ambiente podem tornar as granjas mais susceptíveis ao acúmulo de gases e poeiras, por exemplo. Sendo assim, podese afirmar que a qualidade do ar (ambiente aéreo) é um ponto crítico em grande parte das instalações, sendo dependente de vários fatores onde, o tipo/desenho da instalação, afeta diretamente o controle desses fatores.

16 ambiência suínoBrasil 4º Trimestre 2022 |“Ambiência não é só temperatura ambiente”:
uma visão sobre o conceito e importância da ambiência na suinocultura

Por isso, a manutenção da qualidade do ar deve ser ajustada de acordo com o desenho e a necessidade de cada instalação. É sabido que a exposição constante a altos níveis de poeira e alguns gases tóxicos como dióxido de carbono (CO2), metano (CH4), ácido sulfídrico (H2S) e amônia (NH3) podem ser preocupantes não somente para a saúde animal, mas também para a saúde dos colaboradores envolvidos na atividade. Pensando nisso, um dos primeiros pontos a serem considerados, é o conhecimento dos valores de referência destes gases e poeiras, a fim de agir na manutenção da qualidade do ar dentro de cada sistema (Tabela 2).

Item Humanos Suínos

CO2, ppm 1.500 1.500

NH3, ppm 7 11-25

CO, ppm 25 15 H2S, ppm 5 <5

Poeira total, mg/m³ 2,5 3,5

Poeira respirável, mg/m³ 0,23 0,23

Tabela 2 - Valores de referência de qualidade do ar para suínos e humanos.

Um dos primeiros relatos descrevendo a associação entre poluentes no ar e a saúde dos suínos foi publicado no final da década de 1960. O estudo descobriu que 87% dos suínos afetados por pneumonia grave vieram de instalações com as maiores concentrações de poeira (430 a 460 partículas mL-1 de ar; Kovacs et al., 1967). Desde então, vários outros estudos têm demostrado que não somente a saúde, mas o desempenho de leitões pode ser afetado pela qualidade do ar nas instalações.

Em um estudo, uma redução de 17% na contagem de bactérias viáveis, 42% em partículas inaláveis e 76% na concentração de NH3 foi associada a uma melhora de 8% na taxa de crescimento dos animais (Banhazi et al., 1998).

ambiência

Ainda, Lee et al. (2005) verificou a taxa de crescimento e a resposta imune de leitões desmamados submetidos a ambientes denominados como “sujos” e “limpos”, considerando a qualidade do ar nas instalações.

Animais submetidos a um ambiente considerado “limpo”, onde houve limpeza diária e controle da ventilação do ar, apresentaram uma melhor resposta imune ao longo da fase (mensurado através da redução do cortisol e respostas celulares que refletiram o estado metabólico dos animais).

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Ainda, um maior consumo de ração e quase 11% a mais de ganho de peso diário (592 vs. 535 g) e 3% a menos de conversão alimentar (1,33 vs. 1,37) foram observados em animais do grupo “limpos”, quando comparados a animais do grupo “sujos”, os quais foram submetidos a ambientes onde não houve uma limpeza diária na instalação e a concentração de gases como NH3 e CO2 foram elevados, acompanhado de alta concentração de partículas no ar.

As novas ferramentas tecnológicas disponíveis no mercado possibilitam cada vez mais a construção de granjas mais eficientes na promoção do conforto ambiental. Dessa forma, é preciso estar atento ao fato que novas tecnologias servirão cada vez mais como suporte para auxiliar a produção consciente e sustentável.

Entretanto, novas tecnologias não substituem o conhecimento e entendimento dos princípios básicos da promoção do conforto ambiental, o qual necessitam estar presentes desde o planejamento até a construção das granjas.

As novas exigências para garantia do bemestar animal na produção de carne suína, o desafio das variações climáticas, aliado ao conhecimento do impacto negativo que o estresse ambiental pode causar no desempenho animal, têm sido os principais motivos em se buscar investimentos na melhoria da ambiência. Dessa forma, o conhecimento dos fatores críticos, das consequências do manejo incorreto da ambiência e dos indicadores de qualidade ambiental é um dever dos profissionais atuantes na suinocultura.

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Referências bibliográficas

Sob consulta dos autores.

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suínoBrasil 4º Trimestre 2022
ambiência

LINHA NÚMIA

SUIS AESTAS

OBTENDO O POTENCIAL DE DESEMPENHO DAS FÊMEAS SUÍNAS ATUAIS

A manutenção de uma microbiota saudável e estável nas fases de gestação e lactação é primordial para a obtenção da máxima absorção de nutrientes. Pensando nisso, a Linha Númia Suis Aestas foi desenvolvida especialmente com esse foco: alcançar as necessidades nutricionais das fêmeas suínas modernas, e desta maneira, proporcionar a melhoria do desempenho e, consequentemente, uniformidade de leitões nascidos vivos e desmamados.

austernutri.com.br | 0800 725 1060 /austernutri /austernutri /austernutri /austernutri

A SUPLEMENTAÇÃO DE ALTRENOGEST DURANTE A GESTAÇÃO DE FÊMEAS SUÍNAS PODE TRAZER IMPACTOS POSITIVOS SOBRE A PRODUTIVIDADE

Ahiperprolificidade da fêmea suína é uma característica resultante de anos de intensa seleção genética com o objetivo de incrementar o tamanho da leitegada, a qual impacta diretamente na rentabilidade do sistema produtivo suinícola e aumenta o número de leitões produzidos por porca/ano (Silva et al., 2016).

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suínoBrasil 4º Trimestre 2022 | A suplementação de altrenogest durante a gestação de fêmeas suínas pode trazer impactos positivos sobre a produtividade
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Ana Clara Rodrigues Oliveira, Bruno Bracco Donatelli Muro1 e Cesar Augusto Pospissil Garbossa1 1Laboratório de Pesquisa em Suínos da FMVZ/USP

Porém, a acentuada seleção genética para hiperprolificidade resultou em: Aumento da mortalidade pré-natal (morte embrionária e fetal), Maior heterogeneidade do peso da leitegada ao nascimento e Maior ocorrência de leitões de baixo peso ao nascimento. Os quais são um sério problema econômico e de bem-estar animal para o sistema produtivo, representando cerca de 76% da mortalidade pré-desmame (Kirkden et al., 2013; Muns et al., 2016; Ji et al., 2017).

O período de peri-implantação, que compreende desde o décimo até o trigésimo dia de gestação, é de extrema relevância para indicadores reprodutivos de fêmeas suínas como número de leitões nascidos, homogeneidade da leitegada e peso ao nascimento.

Nota-se, portanto, que variações na taxa de crescimento (alongamento) dos conceptos podem resultar em variações no peso ao nascimento e/ ou levar a uma menor capacidade de sobrevivência dos embriões menos desenvolvidos.

É durante o período de peri-implantação que a maior parte das mortes embrionárias ocorrem devido a deficiências que são atribuídas às funções uterinas ou a falhas no desenvolvimento apropriado do concepto. A estimativa é que a morte embrionária em suínos pode chegar a 40% e cerca de dois-terços dessas perdas ocorrem entre o décimo e trigésimo dia da gestação (Bazer et al., 2012). Há diversas questões que estão relacionadas com a mortalidade embrionária precoce, havendo três principais períodos que ela pode ocorrer: Desenvolvimento do concepto antes da elongação, Elongação do trofoblasto e Placentação.

Entre o 12˚ e 16˚ dia de gestação, o concepto deve se alongar para aumentar a sua área de contato com o endométrio uterino, a qual determinará a quantidade de nutrientes que irá receber ao longo da gestação (Patterson et al., 2008; Wang et al., 2017). Ainda, é durante esse período que ocorre o reconhecimento materno da gestação, a implantação embrionária e a placentação.

2022 | A suplementação de altrenogest durante a gestação de fêmeas suínas pode trazer impactos positivos sobre a produtividade

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suíno
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Brasil
Trimestre

Ela atua no endométrio uterino e afeta a expressão de genes que regulam proteínas e outros nutrientes responsáveis pelo crescimento do concepto antes da implantação (Szymanska et al., 2016).

Uma comunicação mútua entre o concepto e o trato reprodutivo da fêmea durante o período periimplantação leva à manutenção da produção de progesterona (P4) através da manutenção do corpo lúteo funcional e à preparação do útero para a implantação embrionária (Waclawik et al., 2017).

Esse hormônio estimula a função secretora endometrial auxiliando na produção e secreção do histotrofo, que é um complexo de substâncias que são necessárias para o crescimento do concepto no período da pré-implantação. O histotrofo é composto por proteínas, glicose, vitaminas, íons, citocinas, enzimas, hormônios, fatores de crescimento e outras substâncias que criam um ambiente específico para o desenvolvimento embrionário (Bazer et al., 2012, Cooke et al., 2013; Waclawik et al., 2017).

A P4 é um hormônio essencial para o estabelecimento e manutenção da gestação nos mamíferos. Ademais, desempenha um papel fundamental no desenvolvimento embrionário inicial (Carter et al., 2008). Este hormônio é necessário para criar um ambiente intrauterino que favoreça os processos de implantação, placentação e demais funções essenciais para garantir a gestação (Bazer et al., 2012).

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suínoBrasil 4º Trimestre 2022 | A suplementação de altrenogest durante a
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gestação de fêmeas suínas pode trazer impactos positivos sobre a produtividade

A suplementação de P4 realizada em uma gestação muito precoce pode diminuir as taxas de fertilização e altas dosagens do hormônio podem impactar negativamente o desenvolvimento do corpo lúteo (Soede et al., 2012).

Ainda, o aumento precoce da concentração de progesterona (antes do 6˚ dia de gestação) pode antecipar um mecanismo de feedback negativo em seus próprios receptores no epitélio uterino, diminuindo assim a sobrevivência embrionária e a taxa de prenhez (Mathew et al., 2011; Soede et al., 2013).

Diversos estudos avaliaram os benefícios que a suplementação de progesterona promove sobre o desenvolvimento embrionário em ruminantes (bovinos e ovinos). Já na espécie suína, os resultados encontrados são conflitantes.

reprodução

Dada a importância da P4 na promoção do desenvolvimento adequado do concepto na fase de pré-implantação embrionária, trabalhos recentes demonstraram impactos positivos da suplementação de P4 ou análogos (progestágenos) sobre características e desempenho reprodutivo de fêmeas suínas.

A suplementação desse hormônio na fase inicial da gestação em fêmeas suínas pode melhorar a taxa de sobrevivência embrionária (Jindal et al., 1997) assim como pode ser ineficaz e impactar negativamente a sobrevivência embrionária (Mao et al., 1998) Alguns aspectos, como a duração e dosagem da suplementação bem como o status nutricional das porcas, parecem exercer um papel importante na resposta dos tratamentos.

Porcas que receberam 20 mg de altrenogest (análogo de progesterona), via oral, durante os dias 6 e 12 de gestação, apresentaram embriões mais compridos e mais pesados aos 28 dias de gestação, não havendo prejuízos sobre a sobrevivência embrionária das fêmeas estudadas (Muro et al., 2020).

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Ainda, porcas suplementadas oralmente com 20 mg de altrenogest durante o início da gestação (entre o 6º e 12º dia) obtiveram um aumento na expressão de IGF-1 no endométrio uterino e não apresentaram efeitos deletérios em relação à morfologia do corpo lúteo, o que demonstra que a suplementação deste progestágeno (altrenogest) pode melhorar o ambiente uterino durante o período de peri-implantação em fêmeas suínas sem comprometer o desenvolvimento do corpo lúteo (Muro et al., 2021).

Ainda, a suplementação do progestágeno (altrenogest – 20 mg/via oral/dia) em matrizes suínas durante o período inicial da gestação –entre o 6º e o 12º dia de gestação –aumentou e reduziu:

o número de leitões nascidos totais em 4,2%, o número de leitões nascidos vivos em 0,8 leitões e peso da placenta

O número de leitões natimortos em 22,4% e

O número de leitões com menos de 800g ao nascimento em 17,5% (Muro et al., 2022).

As pesquisas recentes demonstram que a utilização de análogos de progesterona (como altrenogest) durante o período inicial da gestação (entre os dias 6 e 12 de gestação), que compreende o período de peri-implantação embrionária, pode contribuir para melhorar a rentabilidade do sistema suinícola e o bem-estar animal na produção de suínos, uma vez que a suplementação com o progestágeno melhorou o ambiente uterino no início da gestação, o que resulta na melhora do desenvolvimento embrionário inicial, levando ao aumento do número de leitões nascidos totais e nascidos vivos e queda da taxa de natimortalidade e do número de leitões com baixo peso ao nascimento (< 800g).

A suplementação de altrenogest durante a gestação de fêmeas suínas pode trazer impactos positivos sobre a produtividade BAIXAR EM PDF

suplementação

altrenogest durante a gestação de fêmeas suínas pode trazer impactos positivos sobre a produtividade

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suínoBrasil 4º Trimestre 2022 |
reprodução
A
de

COM RECORDE DE PÚBLICO, SIAVS PROMOVE IMPORTANTES DEBATES E OPORTUNIZA NEGÓCIOS

Um espaço para a retomada dos contatos e para a realização de negócios, esse foi o saldo apontado pela organização do Salão Internacional de Avicultura e Suinocultura (SIAVS), que foi realizado entre os dias 09 e 11 de agosto, em São Paulo. Promovido pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o evento bateu recorde com: Mais de 21 mil visitantes, reuniu 2.300 congressistas e 80 palestrantes que abordaram temários técnicos e conjunturais.

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suínoBrasil 4º Trimestre 2022 | Com recorde de público, SIAVS promove importantes debates e oportuniza negócios
SIAVS
Juliano Rangel

Contando com cerca de 200 expositores de equipamentos, insumos biológicos e farmacêuticos, rações e outros fornecedores de diversas áreas da cadeia produtiva, o SIAVS 2022 apresentou uma área 30% maior na comparação com a feira de 2019, e destacou tecnologias e produtos voltados para a produção de proteína animal.

A SIAVS é uma feira muito especial, e o que a torna especial é a união de estudantes, professores, palestrantes, técnicos, elos da cadeia produtiva nacional. A realização da SIAVS é uma oportunidade de mostrar ao Brasil e ao mundo a importância dos setores que aqui estão representados. Ao longo desses três dias de evento mostramos que produção sustentável é o caminho para a segurança alimentar global”, enfatizou Santin.

Na abertura do evento, estiveram presentes lideranças do agronegócio brasileiro e autoridades do país, como o presidente da República, Jair Bolsonaro, o vice-presidente Hamilton Mourão, e sete ministros. Em sua fala, o presidente da ABPA, Ricardo Santin, destacou a importância da retomada dos contatos.

27 SIAVS suínoBrasil 4º Trimestre 2022 | Com
recorde de público, SIAVS promove importantes debates e oportuniza negócios

DIVERSIDADE DE CONTEÚDOS

Composta por palestras e debates, a programação técnica do SIAVS destacou temáticas voltadas para as projeções de futuro para a proteína animal, a competitividade, a gestão de crise, logística, as questões técnicas sobre antimicrobianos, salmonelose e outros assuntos.

O evento também recebeu grandes empresas de equipamentos para o setor, casas genéticas, laboratórios, rações e prestadoras de serviços, que atuaram juntamente com produtores integrados e independentes das agroindústrias, importadores de mercados alvo para as proteínas do Brasil, supermercadistas de atacado e varejo, entre outros.

Durante os três dias de feira, instituições financeiras também estiveram presentes apresentando linhas de crédito especiais para o público do agro. Confira um resumo das atrações e projetos apresentados ao público presente: SIAVS Multiproteínas

GERAÇÃO DE NEGÓCIOS

Segundo o levantamento realizado pela organização do SIAVS junto à algumas empresas participantes, os negócios realizados e os contatos estabelecidos durante o evento deverão resultar em US$ 880,3 milhões nos próximos 12 meses em exportações. De acordo com as empresas associadas, os negócios estabelecidos alcançaram US$ 544,3 milhões.

recorde de público, SIAVS promove importantes debates e oportuniza negócios

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SIAVS
Siavs Talks Siavs Experience Projeto Produtor Projeto Imagem Projeto Formadores de Opinião

RECORDE DE PÚBLICO

(SP).

29 SIAVS
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suínoBrasil
recorde de público, SIAVS promove importantes debates e oportuniza negócios
Com recorde de público, SIAVS promove importantes debates e oportuniza negócios BAIXAR EM PDF
dos mais de 21 mil visitantes em seus
realização,
2022
bem expressivos de participações em outros
Presença de importadores de países da América do Sul, América do Norte, América Central, África, Ásia e Europa Presença de 48 agroindústrias produtoras e exportadoras de proteínas animais e materiais genético Participação de 1,9 mil avicultores e suinocultores integrados Presença de 28 jornalistas estrangeiros Participação de 15 formadores de opinião de mercados estratégicos 2024 TEM MAIS!
Além
três dias de
o SIAVS
também conquistou números
cenários. Confira abaixo alguns destes dados:
A próxima edição do SIAVS já tem data marcada: ocorrerá entre os dias 06 e 08 de agosto de 2024, no Distrito Anhembi, em São Paulo
Mais informações sobre o evento podem ser acessadas em www.siavs.com.br.

BALANGUT™ LS, MELHORIA

EM SAÚDE INTESTINAL E PERFORMANCE

Ouso de antibióticos na nutrição animal é uma prática que tem ocorrido desde 1950, mas o uso excessivo desses produtos tem gerado uma série de questionamento a respeito ao desenvolvimento de bactérias resistentes e como isso reflete na população.

Nesse sentido, nos últimos anos uma série de produtos foram desenvolvidos como alternativas à redução de uso de antibióticos e auxiliadores de integridade intestinal, probióticos, prebióticos, óleos essenciais e ácidos orgânicos são alguns deles.

Rodrigo Knop Guazzi Messias - Technical Services Coordinator Animal Nutrition – BASF South America Rosana Cardoso Maia - Technical Sales Coordinator Animal Nutrition – BASF South America
SuínoBrasil 4º Trimestre 2022 | BALANGUT™ LS,
em saúde intestinal e performance 30 saúde intestinal
melhoria

Os ácidos orgânicos atuam de maneira bactericida através de permeabilidade na membrana de bactérias gram negativas e desprotonação no compartimento intracelular. Além disso, alguns ácidos orgânicos, como é o caso do butirato, são utilizados por células intestinais como fonte de energia.

A partir daí iniciaram o desenvolvimento de sais de butírico e sais de butírico protegidos (2a e 3a gerações), a grande vantagem foi a redução do mal odor (característico do ácido) e a proteção para sua liberação lenta ao longo do trato digestório.

O ácido butírico tem atravessado diferentes gerações com objetivo de promover sua efetividade e melhor manipulação na produção animal. A primeira geração é o próprio ácido butírico, que naquele momento apresentava algumas desvantagens como:

Apresentação física muito higroscópica;

Alta reação com ácidos livres; Irritante às mãos e olhos e

Possuíam absorção elevada ainda na porção anterior do trato digestório.

A 4a e 5a geração do butírico consistiram dos ácidos butíricos esterificado e monobutirinas. Hoje alcançamos então a 6a geração constituída por monoglicerídeos de butirato (Figura 1)

A mistura otimizada de ácidos butírico, cáprico e caprílico esterificados ao glicerol (BalanGut™ LS), pode ser considerada a evolução do uso do butirato na produção animal, buscando não somente os ganhos com o benefício do C4 mas também o maior controle de gram negativas atribuída ao C8 e C10.

Figura 1. Desenvolvimento do ácido butírico ao longo de gerações.

1ª Geração 2ª Geração 3ª Geração 5ª Geração 6ª Geração 4ª Geração Ácido Butírico Sais de Butírico Muito irritante, odor nos pés Muito higroscópico Reação com ácidos livres Facilmente absorvidos antes de chegar ao intestino Redução do mal odor A proteção evita a digestão no estômago
mal odor By-pass gástrico Termo resistente
odor
Saia Protegidos de Butírico Ácido Butírico Esterificado Monobutirina Blends de Monoglicerídeos C4, C8 & C10) Proteção e resultados otimizados SuínoBrasil 4º Trimestre 2022 | BALANGUT™ LS, melhoria em saúde intestinal e performance 31
Sem
Sem mal
By-pass gástrico Pode alcançar seções distais Efeitos antibacterianos
saúde intestinal

A experiência da indústria com a utilização de ácido butírico (C4) e ácidos graxos de cadeia média (C8 e C10) em leitões, e o enorme problema do odor destes produtos, levou à procura de soluções, para finalmente chegar a um produto como BalanGut™ LS que:

Termicamente estável

Mais eficaz que os ácidos orgânicos de origem

Evita odores

Se, pelo contrário, passar para as secções posteriores sem se degradar, o BalanGut™ LS exerce uma função antibacteriana por contacto.

Por que Monoglicerídeos?

Para eliminar esses inconvenientes do ácido butírico, BalanGut™ apresenta os ácidos graxos C4, C8 e C10 na forma de glicerídeos. Este produto inodoro permite uma ação prolongada ao longo do intestino.

Não corrosivo/ Não volátil

Apresenta uma proporção ótima entre seus componentes

Uma vez ingerido BalanGut™ LS, possui duas vias de ação:

Seus ésteres podem ser digeridos e absorvidos no intestino delgado ou

Podem passar para seções posteriores do sistema digestivo sem serem degradados, agindo diretamente na microbiota.

No primeiro caso, e especificamente no caso do ácido butírico (C4), os enterócitos são capazes de responder a níveis elevados de ácido butírico no plasma, resultando numa melhoria da integridade e da resposta imunológica a nível intestinal.

Além disso, os monoglicerídeos têm seu próprio modo de ação: a monobutirina ativa a angiogênese (formação de novos vasos sanguíneos), contribui para a integridade da barreira epitelial e tem efeitos antimicrobianos mais fortes que os do ácido butírico. Os monoglicerídeos caprílico (C8) e cáprico (C10) também atuam diretamente contra patógenos.

Benefícios e limitações do butirato e ácidos graxos de cadeia média

O ácido butírico ajuda a manter a integridade do epitélio e a regular o sistema imunológico e possui propriedades antimicrobianas. Os ácidos graxos de cadeia média (C6-C12) também são fortes antimicrobianos.

Sua absorção é rápida no trato digestivo, o que pode limitar seu efeito positivo na saúde intestinal. Além disso, o ácido butírico tem um odor muito desagradável, é corrosivo e volátil.

SuínoBrasil 4º Trimestre 2022 | BALANGUT™ LS, melhoria em saúde intestinal e performance 32 saúde intestinal

Na prática, BalanGut™ LS proporciona ao leitão um ambiente intestinal favorável, o que afeta diretamente os resultados produtivos.

Apresentação e recomendações de inclusão

Disponível na forma líquida ou em pó, o BalanGut™ tem ação preventiva em aves na dose de 0,3 kg/t de ração. Em condições desafiadoras para fase de creche de leitões, é eficaz entre 1,5 e 3,0 kg/t. Uma versão também é proposta para a aquicultura.

Demonstração de efetividade

Em suma, e tendo em conta que temos cada vez mais informação sobre a microbiota, não se deve esquecer o efeito que estes aditivos têm na sua composição e função no leitão: seja porque atingem estas secções distais do trato digestivo, ou porque níveis elevados no plasma são suficientes para que os microrganismos respondam.

Foi realizado um experimento com leitões tanto no aleitamento (820 animais), quanto desmamados (630 animais), comparando o efeito de BalanGut™ LS com um controle negativo sem BalanGut™ LS.

Na figura 2, podemos ver que o BalanGut™ LS apresenta efeitos positivos em leitões lactentes e/ou desmamados.

Quilogramas

CA
Desmame 80 70 60 50 40 30 20 10 0 + 9 % 14 12 10 8 6 4 2 0 -54
Gramas 160 140 120 100 80 60 40 20 0 +
6 13 153 146 73 67 300 250 200 150 100 50 0 +11 % 1,80 1,60 1,40 1,20 1,00 0,80 0,60 0,40 0,20 0,00 -7 % Gramas/dia Gramas/dia Conversão Alimentar 450 400 350 300 250 200 150 100 50 0 Controle BalanGut LS™ Controle BalanGut LS™ Controle BalanGut LS™ Controle BalanGut LS™ Controle BalanGut LS™ Controle BalanGut LS™ +3 % Lactação 266 1,64 1,53 392 404 240 Figura 2. Resultados de desempenho de leitões lactentes e desmamados em dietas com ou sem adição de BalanGut™ LS. Interação com as
Interação com enterócitos Penetração nas células Fortalecimento de proteínas de união estreita Transferir para veia porta BalanGut™ LS SuínoBrasil 4º Trimestre 2022 | BALANGUT™ LS, melhoria em saúde intestinal e performance 33 saúde intestinal
Ganho Peso (Parto-Desmame) Consumo Diário (dia 8-Desmame) Mortalidade (Parto-Desmame) Ganho Peso (D25-D60)
(D25-D60) Consumo (D25-D60)
%
5 %
bactérias

Quando o BalanGut™ LS foi adicionado às dietas de Creep-feeding houve aumento no número de leitões desmamados. Uma vez desmamados, a resposta produtiva também foi positiva, com a melhoria de 11% de ganho de peso em relação aos leitões do controle negativo sem adição do BalanGut™.

Controle AB ZnO BalanGut™ LS saúde intestinal

Vários ensaios diferentes realizados por centros experimentais independentes demonstraram sua eficácia contra patógenos como E. coli, Salmonella e Clostridium. Sob situações de desafios patogênicos ou condições ideais, o BalanGut™LS melhorou o desempenho de leitões, reduziu o risco de diarreia (Figura 3) quando comparados a leitões que foram alimentados com dietas sem antibióticos.

80 60 40 20 0 Controle 300 g/t 500 g/t

Figura 4. Porcentagem de incidência de pododermatite aos 42 dias de idade de frangos criados em cama recebendo ração controle sem BalanGut™ LS e dietas suplementada com BalanGut™ LS a 300g ou 500g /t).

Considerações Finais

Figura 3. Escore fecal médio no dia 21 de leitões desmamados recebendo ração suplementada ou não com Colistin (AB, 80g/t), óxido de zinco (ZnO; 2,5kg/t) ou BalanGut™ LS (3kg/t).

A BASF tem trabalhado insistentemente em elaboração de produtos que atendam os novos desafios de mercado frente à redução do uso de antibióticos e que garantam uma adequada saúde intestinal e manutenção de performance. A aplicação do BalanGut™ LS na nutrição animal tanto para aves quanto suínos, tem sido uma alternativa para auxiliar a produção animal nesse novo cenário.

BALANGUT™ LS, melhoria em saúde intestinal e performance DESCÁRGALO EN PDF

BALANGUT™ LS,

1,0 0,8 0,6 0,4 0,3 0,0
0,55 0,25 0,45 0,85
SuínoBrasil 4º Trimestre 2022 |
Em uma avaliação em frangos de corte, o uso do BalanGut™ LS em diferentes doses reduziu a pododermatite em aves de 42 dias (Figura 4), parte desse efeito atribuímos à melhoria de integridade intestinal e qualidade das excretas. melhoria em saúde intestinal e performance 34
34,00 41,00 68,00

BalanGut® LS

O equilíbrio ideal para uma microbiota intestinal saudável e bem-estar sustentável

O Blend único de monoglicerídeos de ácido graxo de cadeia curta e média de origem natural.

Mantém a microbiota intestinal em equilíbrio Melhora a integridade intestinal Promove a saúde e a vitalidade animalnutrition-south-america@basf.com animal-nutrition.basf.com

The science of sustainable feed that succeeds

PAN-BR AGRO:

NOSSA FERRAMENTA DE CONTROLE DA RESISTÊNCIA AOS ANTIMICROBIANOS

Acadeia produtiva da carne suína brasileira pela posição global que ocupa tanto em volume produzido quanto a extensão de mercados e consumidores que alcança, é constantemente desafiada a sofisticar seus programas de autocontrole e garantia da qualidade.

36 antimicrobianos suínoBrasil 4º Trimestre 2022
| PAN-BR Agro: nossa ferramenta de controle da resistência aos antimicrobianos

O espectro de responsabilidade se amplia além da mitigação dos riscos diretos ao consumidor, pelas doenças transmitidas por alimentos, para a dimensão ambiental e comunitária. É neste cenário que está posta a discussão do papel da agropecuária na seleção e disseminação de bactérias resistentes aos antimicrobianos (ATM), que podem atingir o homem pela via alimentar e também pela exposição ao ambiente.

A preocupação se fundamenta no alarmante prognóstico de óbitos relacionados à falta de eficiência dos ATM para as próximas décadas (O’NEILL, 2016).

Soma-se aos óbitos a dificuldade de controle das doenças, o que impacta sobremaneira no custo dos tratamentos, tempo de hospitalização e recrudescimento das infecções (Tanwar et al., 2014).

No aspecto econômico, estimativas do Banco Mundial, considerando o impacto da resistência antimicrobiana na oferta de emprego e na diminuição de produtividade, indicam perdas de 1,1% a 3,8% no PIB anual global até 2050 (World Bank, 2018). As estimativas também preveem que a perda de eficácia dos ATM aumente os gastos com saúde pública e privada em 6% nos países desenvolvidos, 15% nos países em desenvolvimento, e 25% nos países subdesenvolvidos (World Bank, 2018)

Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) (2022) os problemas relacionados com a resistência antimicrobiana são inerentemente relacionados ao uso de ATM em qualquer ambiente, humano e não humano.

O uso de ATM na produção animal e vegetal é um fator de risco potencialmente importante para seleção de microrganismos resistentes, disseminação de determinantes de resistência e transmissão para humanos via consumo de alimentos. Assim se cristaliza o conceito da resistência antimicrobiana transmitida por alimentos (Fooborne AMR).

nossa ferramenta de controle da resistência aos antimicrobianos

37
suínoBrasil 4º Trimestre 2022 |
antimicrobianos
PAN-BR Agro:

Da perspectiva da saúde animal, já em 2009, a Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH antiga OIE) introduziu recomendações para o controle da resistência antimicrobiana no Código Sanitário para Animais Terrestres, que na sua versão atual possui cinco subcapítulos abordando o tema.

Além de um capítulo sobre uso prudente de ATM na medicina veterinária, os demais propõem: Critérios para desenvolvimento de programas nacionais de vigilância e monitoramento da resistência antimicrobiana, Monitoramento do padrão e quantidade de uso em animais de produção e finaliza com Análise de risco para o aumento da resistência antimicrobiana a partir do uso de ATM em animais (WOAH, 2022)

Se tratando de um tema clássico de saúde única, o enfrentamento da resistência antimicrobiana suscitou um esforço tripartite, da OMS, WOAH e a FAO que por meio do Codex Alimentarius instituiu uma força tarefa intergovernamental (TFAMR) que desenvolveu diretrizes, baseadas em ciência, que orientam os países membros a manejar de forma coerente a resistência antimicrobiana ao longo da cadeia de produção de alimentos.

A força tarefa elaborou dois guias, um que estabelece práticas para redução da necessidade do uso de ATM e o outro que propõe uma estratégia de vigilância tanto do uso de ATM quanto da resistência aos antimicrobianos. Estes novos guias junto ao de análise de risco da resistência antimicrobiana transmitida por alimentos, previamente adotado em 2011, compõe o documento publicado em 2022 “Foodborne Antimicrobial Resistance Compendium of Codex Standards”.

“Foodborne Antimicrobial Resistance Compendium of Codex Standards”

O Brasil participou ativamente de todas as fases da TFAMR por meio de um grupo de trabalho liderado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e composto por membros dos setores regulatório e regulado, além de pesquisadores.

38 antimicrobianos suínoBrasil 4º Trimestre
2022 | PAN-BR Agro: nossa ferramenta de controle da resistência aos antimicrobianos

Em 2018, o Brasil como membro da OMS elaborou o Plano de Ação Nacional de Prevenção e Controle da Resistência aos Antimicrobianos no âmbito da Saúde Única (PAN-BR, 2018). Este plano consiste em uma ação interministerial, com participação do Ministério da Saúde, ANVISA, MAPA, Ministério das Cidades, Ministério da Educação e Cultura, Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Ministério do Meio Ambiente, Fundação Nacional de Saúde, além do apoio do Conselho Nacional de Saúde e da Agência Nacional de Águas.

Plano de Ação Nacional de Prevenção e Controle da Resistência aos Antimicrobianos no Âmbito da Saúde Única

O PAN-BR possui cinco objetivos estratégicos que contemplam ações de:

Ciência Educação Comunicação

Redução da incidência de infecções

Otimização do uso de ATM

Vigilância

Os objetivos estratégicos estão estratificados em objetivos principais onde estão incorporados aqueles referentes ao setor agropecuário com suas intervenções estratégicas e atividades.

Já em 2017, por meio da Instrução Normativa (IN) nº 41, a Secretaria de Defesa Agropecuária (DAS/MAPA) instituiu o Programa Nacional de Prevenção e Controle da Resistência aos Antimicrobianos na Agropecuária, o Agroprevine.

antimicrobianos

Aumento de investimentos estratégicos para enfrentamento do problema

Segundo a referida IN, o AgroPrevine visa o fortalecimento das ações para prevenção e controle da resistência aos antimicrobianos na agropecuária, considerando o conceito de Saúde Única, que estabelece a interdependência entre a saúde humana, animal e ambiental, por meio de atividades de educação, vigilância e defesa agropecuária.

PAN-BR Agro: nossa ferramenta de controle da resistência aos antimicrobianos

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4º Trimestre 2022
suínoBrasil
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No Art. 3º a IN 41/ 2017 estabelece que para prevenir, diagnosticar e controlar a resistência aos antimicrobianos na agropecuária, o AgroPrevine promoverá as seguintes atividades relacionadas aos objetivos e intervenções estratégicas estabelecidos no Plano de Ação Nacional para Prevenção e Controle da Resistência aos Antimicrobianos:

Educação sanitária

Estudos epidemiológicos

Vigilância e monitoramento da resistência aos antimicrobianos

Vigilância e monitoramento do uso de ATM

Fortalecimento da implementação de medidas de prevenção e controle de infecções

Promoção do uso racional de ATM.

O PAN-BR AGRO lançado em 2018 é o desdobramento do AgroPrevine (2017) que foi incorporado ao PANBR interministerial supracitado e está disponível em:

Como ação regulatória direta, foi publicada a IN 1/2020 que proibiu o uso de tilosina, lincomicina e tiamulina como aditivos melhoradores de desempenho.

Também relacionada ao tema, em 2020 foi publicada a IN 113 que estabelece boas práticas de manejo e bem-estar animal nas granjas de suínos as quais são indispensáveis para a promoção da saúde e redução da necessidade do uso de ATM.

O Programa de Vigilância e Monitoramento da Resistência aos Antimicrobianos no âmbito da Agropecuária foi elaborado e implementado em 2021 como uma importante atividade do PAN-BR Agro.

No mesmo sitio eletrônico é possível acessar as ações executadas desde o início do plano até o momento. Entre estas ações, destacam-se oficinas com diferentes focos desde a identificação de prioridades de pesquisa, elaboração de protocolos de uso racional de ATM e as diretrizes para o aumento da supervisão veterinária, publicidade e uso extra-bula de ATM em animais.

Este programa foi dividido em duas fases, a primeira (2019-2020) iniciou com avicultura de corte e suinocultura e na segunda foi acrescentada a bovinocultura de corte (2021-2022), para as quais foram definidos pontos de monitoramento e selecionados os microrganismos a serem pesquisados. O monitoramento em suínos iniciou com Salmonella sp. em superfície de carcaça e na segunda fase foi incluída Escherichia coli em superfície de carcaça e conteúdo cecal.

2022 | PAN-BR Agro: nossa ferramenta de controle da resistência aos antimicrobianos

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antimicrobianos
Trimestre
Plano de Ação Nacional de Prevenção e Controle da Resistência aos Antimicrobianos no Âmbito da Saúde Única

Neste ano, em 2022 foi publicado o projeto “Trabalhando Juntos para Combater a Resistência aos Antimicrobianos”, uma ação da Organização Pan-Americana da saúde financiado pela união Européia que tem como objetivo ajudar sete países latino americanos a executar os Planos de Ação Nacionais, são eles: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Paraguai, Peru e Uruguai. A primeira ação na esfera deste projeto foi a publicação do livro “Guia de Uso Racional de Antimicrobianos para Cães e Gatos”.

A última referência para 2022 é justamente o livro “O Uso Prudente e Eficaz de Antibióticos na Suinocultura: Uma Abordagem Integrada”, produzido pela Associação Brasileira de Criadores de Suínos lançado no último Congresso da Sociedade Internacional de Veterinária Suína (IPVS) no Rio de Janeiro e disponível no QRCode abaixo. Essa obra reúne 10 capítulos que abordam temas inter-relacionados necessários para enfrentamento de toda complexidade que o controle da resistência antimicrobiana impõe.

Voltando para as orientações dos organismos internacionais (OMS, WOAH e FAO) e reconhecendo que o uso de ATM é o fator mais importante de seleção de populações bacterianas resistentes e consequente disseminação de determinantes genéticos de resistência no ambiente de produção animal, o monitoramento do uso se torna peça chave de um programa de controle da resistência.

Avançando neste sentido é que foi criado em 2021 o AgroMonitora como componente do AgroPrevine, um serviço de coleta de informações de venda de ATM de uso veterinário das empresas detentoras dos registros. Para tanto existe um formulário digital disponibilizado pelo MAPA disponível em:

Informar dados de venda para monitoramento de antimicrobianos de uso veterinário

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antimicrobianos suínoBrasil
PAN-BR Agro: nossa ferramenta de controle da resistência aos antimicrobianos O uso prudente e eficaz de antibióticos na suinocultura

Nestes anos de PAN-BR Agro foram muitas campanhas, tradução de materiais de referência e organização de eventos que trouxeram a luz sobre este tema.

Especial mobilização tem ocorrido na Semana Mundial de Uso Consciente de Antimicrobianos e dia da Saúde Única (One Health Day) com uma série de eventos discutindo o tema em vários locais do país. Para acompanhar as campanhas, visite o sitio eletrônico. Durante este ano a primeira etapa do PAN-BR Agro será avaliada e uma nova etapa, de 2023-2027, será proposta para o país continue avançando no tema (Brito et al. 2021)

Os dados serão utilizados para compor o monitoramento do uso de ATM em animais, conforme previsto no PAN-BR-AGRO. Resistência aos antimicrobianos

A pujança da produção de carne no Brasil, especialmente em sistemas intensivos, que tradicionalmente utilizam ATM na rotina de produção, exige um movimento coordenado por um Plano Nacional para que consigamos ter êxito nesta missão. Muitas ações precisam ser realizadas, passando pela educação continuada, tanto para os profissionais diretamente envolvidos quanto para a comunidade que também tem suas responsabilidades na sua saúde pública.

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Trimestre 2022
| PAN-BR Agro: nossa ferramenta de controle da resistência aos antimicrobianos

É sempre importante lembrar que os ATM mudaram a história da humanidade e de alguma forma precisamos ajudar a conserva-los, uma vez que são um bem comum, de fonte pouco renovável e indispensáveis para o tratamento de infecções bacterianas. Os mecanismos de resistência se desenvolvem naturalmente, mas a forma de utilização e a quantidade impactam na seleção das populações resistentes que circulam entre animais, ambiente e humanos.

Por isso, o PAN-BR chega às universidades e aos conselhos que agregam os profissionais como uma bandeira de avanço coletivo. É necessário cada vez mais unir setores e disciplinas, captar recursos e montar infraestrutura e efetivar uma política de estado, regulamentada e financiada, de forma a sensibilizar e garantir esforços da suinocultura intensiva para impactar na redução do uso e da resistência aos antimicrobianos.

Referências bibliográficas

Sob consulta do autor.

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QUAL A INTERAÇÃO ENTRE NUTRIÇÃO, MANEJO E SAÚDE INTESTINAL?

Ygor Henrique de Paula1 e Vinícius de Souza Cantarelli2

1Doutorando em Produção e nutrição de não-ruminantes – UFLA. Membro da linha de pesquisa Animal Science and Intestinal Health – ASIH. 2Professor e Pesquisador no Departamento de Zootecnia da UFLA. Coordenador da linha de pesquisa Animal Science and Intestinal Health – ASIH.

Com base nas crescentes demandas mundiais de produção animal, atreladas as atuais exigências de mercado, é nítido a necessidade de que os profissionais da área revisem constantemente a literatura para a reciclagem de conceitos básicos, a fim de reajustar a rota quanto ao que tem sido feito em: programas de sanidade, formulação de dietas, implementação de práticas de manejo e objetivos do melhoramento genético.

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suínoBrasil 4º Trimestre 2022 | Qual a
e saúde intestinal?
saúde intestinal
interação entre nutrição, manejo

Tendo em vista estas tendências, a manutenção da homeostase e eficiência dos processos fisiológicos do trato gastrointestinal se tornam uma peça chave para alcançar as metas almejadas, sendo fundamental a aplicabilidade de conceitos relacionados a saúde intestinal.

Estes empecilhos podem estar inseridos em uma rede de ações durante todo o processo produtivo, iniciando-se desde Cálculos no momento de formulação da dieta, Escolha de ingredientes para o atendimento das reais exigências do animal, Controle microbiológico e da composição nutricional do referido ingrediente utilizado,

Armazenamento e transporte da ração após o processamento, assim como na oferta do alimento no comedouro.

Na suinocultura industrial este propósito não é diferente, visto que o intuito principal é a transformação efetiva de vegetais em um produto de alto valor biológico, porém o sucesso deste processo depende de uma “máquina” em máxima performance, a qual é o suíno.

Entretanto, infortunadamente os sistemas de produção estão rotineiramente susceptíveis a ocorrência de alguns problemas que limitam a completa eficiência produtiva dos animais, cabendo aos profissionais tomadores de decisão criar planos de prevenção, compreendendo quais fatores que promovem a ocorrência do mesmo, e planos de contingência, quando o problema já se encontra instalado.

Cuidados que podem parecer simples, mas em somatório, quando passam despercebidos, tem o potencial de comprometer a saudabilidade intestinal, e de tal modo, os parâmetros de desempenho, proporcionando queda na produtividade e menor retorno sobre o investimento.

Os dizeres supracitados fomentam a necessidade da aplicação prática do conceito expresso pela tríade: animal, ambiente e patógeno.

patógeno

suínoBrasil 4º Trimestre 2022 | Qual

ambiente animal 45
intestinal?
saúde intestinal
a interação entre nutrição, manejo e saúde

Quando esta inter-relação está desbalanceada seja por falhas no manejo, sanidade ou nutrição, haverá o surgimento de um processo estressor com provável impacto no desempenho do indivíduo como resultado a instalação de um quadro patológico local ou sistêmico. De tal modo, estes pontos são importantes para obter a saúde integral do indivíduo, sendo a saúde intestinal uma grande colaboradora desta.

O desempenho dos suínos é intimamente dependente a um bom cumprimento dos mecanismos relacionados aos processos básicos de digestão e absorção dos alimentos.

Entretanto, esses referidos processos são impactados de forma direta pelo microbioma, sistema imune e função de barreira intestinal, aos quais ditam a capacidade de aproveitamento do alimento ingerido.

Deste modo, o ato de alimentação passa a ser bem mais que o fornecimento de nutrientes, mas o meio de se manter a eubiose intestinal, de se reduzir a ativação do sistema imune desnecessariamente (processo ao qual demanda alto gasto energético) e a garantia da integridade da barreira intestinal. Fatores estes que por mais que sejam avaliados isoladamente, apresentam respostas em complementaridade.

Um trato gastrointestinal saudável é sinônimo de um processo digestivo adequado, que será responsável pela promoção de uma alta digestibilidade e disponibilidade de nutrientes para os tecidos alvos.

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saúde intestinal
Qual a interação entre nutrição, manejo e saúde intestinal?

Para garantir este contexto, o ideal é que a proporção de suínos com susceptibilidade ao acometimento por patógenos seja baixa, evitandose a ocorrência da cascata de reações pró-inflamatórias que geram danos à mucosa intestinal.

O intestino possui comprovadamente uma comunicação direta com o sistema nervoso central, por meio do sistema nervoso entérico. Esta conexão tem a capacidade de impactar simultaneamente ambos os sistemas. Assim, quando ocorre alterações na funcionalidade padrão de um destes órgãos, terá efeito direto sobre os mecanismos desempenhados pelo outro.

O detrimento do epitélio intestinal corrobora para a redução da expressão das proteínas de adesão (tight junctions), que são responsáveis por manter a união entre os enterócitos e impedem que partículas e patógenos presentes no lúmen intestinal adentrem o organismo.

Bactérias comensais

Partículas de alimento Muco Glúten Vírus

A nutrição é um dos meios de se promover saúde. Por isso a disponibilidade e qualidade da ração e água ofertadas são pontos críticos que devem sempre ser tratados com profunda atenção.

Bactéria patogênica

Toxina

Tight junctions saudáveis

Tight junction normal Lesão e inflamação

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Lesão das Tight junctions 47
saúde intestinal
a interação entre nutrição, manejo e saúde intestinal?

Estes fatores tem a capacidade de impactar a permeabilidade intestinal, processos de proliferação celular e produção de muco, podendo comprometer o epitélio e sendo desta forma um fator predisponente a infecções.

É importante que esta tecnologia a ser implementada tenha resultados positivos sobre os indicadores de desempenho (ganho de peso, consumo e conversão alimentar) e na redução da resposta inflamatória exacerbada, a qual é maléfica ao organismo pelo quadro de constante ativação das células do sistema imune.

Assim, a capacidade de compreensão das interações presentes entre as práticas de manejo e nutrição com os possíveis impactos na saúde intestinal, se configura como uma grande oportunidade para estudo e foco de pesquisa, visto a veracidade destes efeitos e a demanda de tecnologias que amenizem ou reduzam os mesmos.

Frente a isto, surge a necessidade de utilização de soluções nutricionais a fim de mitigar estas implicações, mas aparece em contrapartida, o questionamento sobre o que deve ser levado em consideração durante a escolha desta alternativa.

Para esta finalidade, deve-se usar os conhecimentos referentes ao desenvolvimento e aplicação de uma tecnologia no momento de tomada de decisão, os quais são baseados pelo conceito, tecnologia e resultado da determinada técnica.

Além disso, é interessante que sejam capazes de modular positivamente a microbiota intestinal, deixando-o com maior diversidade e reduzindo a proliferação desenfreada de gêneros bacterianos patogênicos que levam a quadros de disbiose.

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suínoBrasil 4º Trimestre 2022 | Qual
intestinal
a interação entre nutrição, manejo e saúde intestinal?

Apoiado nos conhecimentos explanados, deparamos com os desafios a serem enfrentados na produção animal, onde é necessária uma alta produtividade com concomitante respeito à sustentabilidade.

Nesta constante busca pelo aprimoramento das práticas de produção alguns pontos têm se destacado, como:

A redução da capacidade de infecção dos patógenos,

A promoção de sistemas com adequados manejos e ambiência com subsequente atendimento as demandas de bem-estar animal,

O alcance a uma colonização ideal do trato gastrointestinal promovendo uma boa integridade intestinal, bem como um equilíbrio na relação nutrição, microbiota e saúde integral.

Fatores estes que serão atingidos a partir do investimento em novas tecnologias, promovendo melhores resultados e alcançando a produção de alimentos seguros e de qualidade.

Qual a interação entre nutrição, manejo e saúde intestinal?

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Qual a interação entre nutrição, manejo e saúde intestinal?

saúde intestinal

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ADITIVOS ALTERNATIVOS APOIAM A RETIRADA DE ANTIMICROBIANOS MELHORADORES DE DESEMPENHO NA SUINOCULTURA

Ouso de antimicrobianos como melhoradores de desempenho tem como base a inibição de infecções subclínicas, redução de metabólitos microbianos tóxicos (amônia, fenóis, produtos da degradação de bile), redução do uso de nutrientes por parte dos microrganismos, principalmente os residentes do intestino delgado, reduzindo o ciclo celular e inflamação e, consequentemente, melhorando o aproveitamento de nutrientes pelo animal.

Os melhoradores de desempenho têm sido utilizados na suinocultura desde 1950, atuando na eliminação, ou redução de bactérias patogênicas, bem como promoção do crescimento via modulação de bactérias comensais. Em geral, os melhoradores de desempenho modificam a composição e a atividade da microbiota intestinal, que compete por nutrientes com o hospedeiro.

Lucas Avelino Rezende -Médico Veterinário e Mestre em Ciência Animal
nutrição 50 SuínoBrasil
4º Trimestre 2022 | Aditivos alternativos apoiam a retirada de antimicrobianos melhoradores de desempenho na suinocultura

A microbiota do trato gastrointestinal dos suínos é composta por mais de 60 gêneros bacterianos que estão em equilíbrio entre si e com o hospedeiro.

A presença de uma microbiota diversa e coesa é de extrema importância para o bem-estar animal e possibilita a expressão da máxima eficiência produtiva

Além disso, envolve processos complexos de sucessão microbiana, bem como as interações da microbiota com o hospedeiro, gerando, assim, populações densas e estáveis que habitam regiões específicas do intestino

O processo inicial de colonização se dá já no momento do nascimento, quando o leitão entra em contato com os microrganismos presentes no canal de parto. Após isso, a amamentação e o contato direto com o ambiente são as fontes principais de colonização do trato gastrointestinal.

O estabelecimento da microbiota intestinal é influenciado por inúmeros fatores, como: pH intestinal, disponibilidade de substratos, secreção de muco, peristaltismo, adesão bacteriana, dieta e tempo de trânsito ao longo do trato gastrointestinal.

A microbiota intestinal desempenha um papel importante na função intestinal normal e na manutenção da saúde do hospedeiro. Animais gnotobióticos, recém-nascidos e desmamados, têm maior predisposição a doenças entéricas.

Particularmente animais gnotobióticos têm epitélios intestinais hipoplásicos e peristaltismo diminuído, além da função imunológica diminuída e redução da massa de tecido linfoide. Já foi demonstrado que a reintrodução da microbiota nesses animais restaurou a função intestinal, a proliferação da mucosa, o desenvolvimento imunológico e o crescimento dos animais.

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nutrição
SuínoBrasil 4º Trimestre 2022 | Aditivos alternativos apoiam a retirada de antimicrobianos melhoradores de desempenho na suinocultura

ativação de linfócitos T e B principalmente, da apresentação de antígenos pelas células imunes inatas adaptativas, que incluem células dendríticas, macrófagos e neutrófilos, sendo que esses antígenos vêm da microbiota, nutrientes, metabólitos e patógenos nocivos

Além disso, bactérias comensais são fundamentais para a saúde do hospedeiro:

Desempenhando um papel de barreira física, bloqueando o acesso de possíveis patógenos à camada epitelial;

Competindo por nutrientes, ou gerando produtos de metabolismo que inibem o crescimento e a sobrevivência dos patógenos entéricos.

A colonização bacteriana pode influenciar a morfologia e a função intestinal. Alguns estudos demonstram que há alterações nos parâmetros histomorfológicos do intestino delgado, proliferação de células epiteliais e apoptose, atividade de enzimas de borda em escova, bem como amplos efeitos nos perfis transcriptômicos epiteliais e proteômicos entre animais gnotobióticos e animais inoculados com bactérias.

As bactérias intestinais afetam o ciclo dos enterócitos, aumentando a apoptose e a proliferação celular, por indução de uma resposta inflamatória e aumento da expressão de sinalizadores de apoptose.

A manipulação da microbiota pode melhorar a eficiência do crescimento, melhorando a função digestiva e reduzindo o custo metabólico de substituir o epitélio intestinal.

A ativação exacerbada desses fatores de apoptose faz com que a energia de mantença aumente, uma vez que aumenta o ciclo celular. Por sua vez, a ativação adequada do epitélio intestinal é importante na formação de tight junctions.

A principal fonte de energia que a microbiota intestinal utiliza são os carboidratos fermentáveis, como oligossacarídeos não digeríveis, polissacáridos não amiláceos e diferentes tipos de amido resistente. Essas fontes energéticas são aproveitadas por meio de fermentação, que é muito importante para os suínos, uma vez que influencia a motilidade intestinal, melhora a eficiência alimentar e contribui para produção de vitaminas.

SuínoBrasil 4º Trimestre 2022 | Aditivos alternativos apoiam a retirada de antimicrobianos melhoradores de desempenho na suinocultura nutrição 52 4º Trimestre | Aditivos alternativos apoiam a retirada de antimicrobianos melhoradores de desempenho na suinocultura

A energia gerada pela fermentação microbiana pode suprir até 30% das necessidades energéticas para mantença em um suíno em crescimento. O principal produto da fermentação são os ácidos graxos de cadeia curta, incluindo butirato, acetato e propionato, sendo o butirato uma das principais fontes de energia para os enterócitos, especialmente os que compõe o intestino grosso.

A fermentação de proteínas, por sua vez, gera metabólitos que são prejudiciais como aminas, fenóis e amônia, que podem otimizar o crescimento de microrganismos potencialmente patogênicos, como algumas espécies de Clostridium e Bacteroides.

Para evitar perdas maiores no pós-desmame, uma das estratégias é a modulação da microbiota residente. Para a modulação da microbiota, a forma mais comum e efetiva é a utilização de antimicrobianos em doses abaixo da dose terapêutica, sendo considerados como melhoradores de desempenho.

No entanto, apesar da capacidade inequívoca de melhorar o crescimento e o desempenho, há evidências da seleção de cepas bacterianas resistentes. Com isso, em diversos países já existe proibição do uso desses produtos como promotores na nutrição animal.

Sabe-se que uma microbiota mais estável é benéfica para o hospedeiro, participando de processos metabólicos e protegendo contra potenciais patógenos.

Um dos momentos em que ocorre a perda deste equilíbrio é o período pós desmame, quando os animais passam de uma dieta essencialmente líquida, com fontes proteicas e energéticas de origem animal, para uma dieta sólida, com nutrientes basicamente oriundos de fontes vegetais.

Atualmente, a legislação brasileira proíbe o uso de: Avoparcina (Of. Circ. DFPA nº 047/1998), Olaquindox (IN nº 11, 24/11/2004), Carbadox (IN nº 35, 14/11/2005), Anfenicois, tetraciclinas, B-Lactâmicos (penicilinas e cefalosporinas), quinolonas e sulfonamidas sistêmicas (IN nº 26, 9/07/2009 e Portaria nº 193/1998), Eritromicina e espiramicina (IN nº 14, 17/05/2012) e Colistina (IN nº 45, 22/11/2016).

Além dessas, recentemente, em 2018, tilosina, lincomicina e tiamulina também passaram a ser proibidas como melhoradores de desempenho (Portaria nº 171/2018).

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SuínoBrasil 4º Trimestre 2022 | Aditivos alternativos apoiam a retirada de antimicrobianos melhoradores de desempenho na suinocultura

antimicrobianos, estão os ácidos orgânicos, probióticos, prebióticos e extratos vegetais. Apesar de resultados controversos, o uso destes produtos se mostra com potencial para a abolição dos antimicrobianos como melhoradores de desempenho.

Sabe- se que leitões recém-desmamados têm o pH estomacal elevado durante essa fase. Manter o pH gástrico baixo é importante para otimizar a digestão de nutrientes e prevenir o crescimento de patógenos.

A adição de ácidos orgânicos às dietas para leitões recém-desmamados, tais como fumárico, cítrico, lático, fórmico e benzoico, promove uma melhora na performance e na saúde desses animais.

Além disso, a combinação com o uso de prebióticos pode aumentar a atividade de bactérias benéficas ao hospedeiro.

Existe também a possibilidade de se utilizar os metabólitos produzidos pelas bactérias, a exemplo de enzimas, peptídeos, ácidos graxos de cadeia curta e polissacarídeos, entre outras. Essas possuem atividades anti-inflamatórias, imunomoduladoras, antiproliferativas e antioxidantes.

Essas substâncias que podem ser benéficas para o hospedeiro de maneira direta, ou indireta, são chamadas de pós-bióticos e têm um futuro promissor na utilização para a alimentação animal por apresentarem superioridade em termos de segurança comparados às células vivas dos probióticos.

O uso de probióticos na fase de desmame tem boa resposta, uma vez que esses produtos competem com bactérias patogênicas e, com isso, promovem um equilíbrio microbiano no intestino. Isso se dá através de:

competição física por sítio de ligações no epitélio intestinal, competição por nutrientes, produção de metabólitos antibacterianos, produção de nutrientes importantes para o hospedeiro e estimulação da imunidade intestinal.

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SuínoBrasil 4º Trimestre 2022 | Aditivos alternativos apoiam a retirada de antimicrobianos melhoradores de desempenho na suinocultura

Extratos naturais de ervas são ainda compostos com potencial para ser uma alternativa viável aos antimicrobianos tradicionais. Entre os produtos já testados estão:

carvacrol, cinamaldeído, timol, oleorresina de capsicum, extrato hidroalcóolico de aroeira.

Esses estudos demonstraram a capacidade dos extratos vegetais em promover o crescimento dos animais por meio da modulação da microbiota. Além disso, esses compostos estão relacionados ao aumento da digestibilidade, absorção de nutrientes e efeitos imunomoduladores.

Conclusão

Fica claro que a utilização de antimicrobianos como melhoradores de desempenho traz benefícios para a manutenção da saúde intestinal dos suínos. Contudo, a microbiota pode sofrer alterações significativas com o uso de antimicrobianos, gerando um desequilíbrio ruim para os animais. Além disso, a utilização de antimicrobianos como melhoradores de desempenho está cada vez mais restrita ante recentes legislações. Com isso, alternativas devem ser estudadas e aplicadas o quanto antes.

Aditivos alternativos apoiam a retirada de antimicrobianos melhoradores de desempenho na suinocultura BAIXAR EM PDF

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nutrição SuínoBrasil 4º Trimestre 2022 | Aditivos alternativos apoiam a retirada de antimicrobianos melhoradores de desempenho na suinocultura

PORK 20 ANOS RETORNA E REÚNE CINCO MIL PROFISSIONAIS

Foi

uma volta marcada pelas cenas tradicionais das nove edições da PorkExpo e Congresso Internacional de Suinocultura, encontro mais representativo do segmento no mundo nas últimas duas décadas.

Um mergulho em Ciência e Pesquisa, negociações intensas na Feira de Negócios, vários lançamentos, premiações e o sorriso no rosto de todos os congressistas e visitantes, em meio a uma série sem fim de delícias preparadas com a carne suína, a mais consumida no planeta.

O Recanto Cataratas Thermas Resort & Convention sediou a ‘Pork 20 Anos & 10º Congresso Latino Americano de Suinocultura’, a Pork 20 Anos, nos dias 26 e 27 de outubro em Foz do Iguaçu (PR).

Foram 2.637 inscritos e público total de cinco mil pessoas em dois dias de evento. O evento reuniu congressistas de mais de vinte países, 150 corporações industriais representadas e 70 empresas com estandes na Feira de Negócios.

56 PorkExpo 2022 suínoBrasil 4º Trimestre 2022 | Pork 20 ANOS retorna e reúne cinco mil profissionais

Espaço de negócios, confraternização e celebração da proteína mais saborosa. Uma autêntica ‘PorkExperience’, momento de reunião dos profissionais, executivos e palestrantes mais qualificados internacionalmente. Todos debatendo como vencer os desafios da produção sustentável.

Uma programação composta por 40 palestras que abordaram temas relevantes para a suinocultura como: Biossegurança

Nutrição de precisão Produção sustentável Dietas da matriz ao suíno terminado Granja do futuro 5.0 Mercado global de carnes e grãos Desafios da zootecnia

Digitalização dos processos Panorama do alimento do futuro Novas gerações de consumidores

Explosão populacional da África e da Ásia ESG

Alimento premium e o que a sociedade quer de uma proteína saudável e de qualidade.

Tudo conduzido por expert´s do gabarito de Sérgio De Zen, Glauber Machado, Osler Desouzart, Leandro Hackenhaar, Luan Souza dos Santos, Antonio Correia, Cleandro Pazinato Dias, Bruno Silva, Guilherme Brandt, Lia Hoving, José Antonio Ribas Junior, Wagner Yanaguizawa, Sung W. Kim, Djane Dallanora, Luis Rangel, Marcelo Miele, Paulo Verdi, César Augusto Garbossa, Rafael Nunes, Luis Rasquilha, Jussimar Bassani e Janice Zanella,Jackson Zenati, Ines Andretta e Horário Rostagno.

Grandes momentos marcaram a Pork 20 Anos. O ‘Painel Especial ABCS’, realizado na manhã do segundo dia de evento, promovido pela Associação Brasileira dos Criadores de Suínos, discutiu temas como produção, preços, exportação, consumo e a melhoria da relação com o mercado.

Na sequência, foi lançada a cartilha de receitas ‘Carne Suína na Air Fryer - Descubra o chef em você by Jimmy Ogro’, produzida pela entidade para promover o consumo da proteína.

20 ANOS retorna e reúne cinco

57 PorkExpo 2022 suínoBrasil 4º Trimestre 2022 | Pork
mil profissionais
01 02 06 10 03 07 12 11 04 08 13 05 09

Com pratos idealizados pelo Chefe de Cozinha Jimmy Ogro, um dos mais conhecidos e carismáticos do Brasil.

Eu estou cada vez mais envolvido e dedicado à carne de porco. É a proteína mais presente no meu restaurante. Para mim, é a mais gostosa de preparar e comer. E também desejo ajudar as pessoas a fazer pratos saborosos e rápidos dentro de casa. Vou criar ainda mais receitas para essa panela tão interessante que é a Air Fryer”, ressaltou Jimmy.

É uma honra homenagear esses profissionais, que trabalham em seus postos e ainda encontram tempo para investigar, pesquisar novos caminhos para a cadeia ter ainda mais sucesso nos negócios. Mirar o futuro e descobrir soluções e alternativas é fundamental”, destacou Janice Zanella.

Outro momento histórico da Pork foi a premiação dos Trabalhos Científicos. Disputa que sempre tem a avaliação dos pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Suínos e Aves. Ao todo, foram distribuídos R$ 6 mil em prêmios, sendo R$ 2 mil para cada ganhador, nas categorias Tecnologia, Reprodução e Nutrição. A entrega dos cheques foi realizada no espaço da Feira de Negócios da Pork, no estande da EMBRAPA, sob a condução da médica veterinária, pesquisadora e ex-diretora da Embrapa Suínos e Aves, Janice Zanella.

E a vedete maior da Pork. A Carne suína. Em cada canto. Suíno defumado, desfiado, assado, em salame, na linguiça, em conserva, gelado no vinagrete, no presunto ibérico, no sanduba, no espeto, picadinho, na grelha, no lombo. Nesta décima edição, comemoramos vinte anos ao lado dos amigos da cadeia produtiva. Pensando juntos, discutindo, trocando informações e casos de sucesso, comendo carne gostosa e comemorando a vida e o prazer em trabalhar para alimentar o mundo com alimento saudável e seguro”, comentou feliz da vida Flavia Roppa.

Um verdadeiro convite para muitas novidades que serão anunciadas em breve. E que será o novo marco da Suinocultura Latino-Americana. A PorkExpo LATAM 2023, encontro anual, também em Foz do Iguaçu, que debuta de 7 a 9 de novembro do próximo ano.

Pork 20 ANOS retorna e reúne cinco mil profissionais BAIXAR EM PDF

58 PorkExpo 2022 suínoBrasil 4º Trimestre 2022 | Pork 20 ANOS retorna e reúne cinco mil profissionais

A NOVA CEPA PROBIÓTICA

QUE COMBINA OS BENEFÍCIOS DAS BACTÉRIAS ÁCIDO LÁTICAS

E O DAS FORMADORAS DE ESPOROS: BACILLUS COAGULANS DSM 32016

Um sistema intestinal saudável é vital para uma digestão adequada da ração, bom desempenho e prevenção de distúrbios digestivos. Assim, para manter leitões saudáveis é importante o cuidado a saúde associada ao trato gastrintestinal.

O intestino é um ecossistema muito dinâmico e inteligente por si só, colonizado por uma comunidade complexa de microrganismos com alta diversidade.

O equilíbrio entre bactérias patogênicas e benéficas é crucial. Uma disbiose com bactérias patogênicas se sobressaindo sobre as benéficas pode levar a impactos negativos sobre a saúde e o crescimento dos leitões.

60 saúde Intestinal suínoBrasil 4º trimestre 2022 | A nova cepa
que combina os
DSM 32016
probiótica
benefícios das bactérias ácido láticas e o das formadoras de esporos: Bacillus coagulans

A fase de desmame é um desafio para os leitões, pois eles são frequentemente transportados, misturados com outros leitões, e começam a comer dietas sólidas com alta concentração de ingredientes de origem vegetal.

Nesse sentido, os leitões podem apresentar uma queda na ingestão de ração e ganho de peso diário após os primeiros dias de desmame. Consequentemente, uma mudança descontrolada na composição da microbiota (disbiose) representa um risco significativo para o desenvolvimento de diarreia pósdesmame nestes animais jovens, e uma queda no desempenho geral.

Papel de Apoio dos Probióticos

Hoje em dia, as estratégias de alimentação com base em probióticos visam inteiramente reduzir a colonização ou diminuir as populações de bactérias patogênicas no intestino e, concomitantemente, promover o crescimento de bactérias benéficas.

Promover o crescimento de bactérias bené cas

Reduzir a colonização ou diminuir as populações de bactérias patogênicas no intestino

O conceito de uso de probiótico como substituto aos antimicrobianos já é bem difundido, especialmente frente a proibição de ATMs pela União Europeia e tendências como proibição do uso farmacológico de óxido de zinco em leitões desmamados.

O portfólio de probióticos disponíveis hoje no mercado está crescendo notavelmente há anos. As categorias de probióticos disponíveis diferem umas das outras em termos de propriedades e modo de ação.

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suínoBrasil 4º trimestre 2022 | A
DSM 32016
saúde Intestinal
nova
cepa probiótica que combina os benefícios das bactérias ácido láticas e o das formadoras de esporos: Bacillus coagulans

As bactérias ácido láticas (LAB) têm uma longa história de utilização bem-sucedida como probióticos na nutrição animal e são uma ferramenta eficaz para a exclusão competitiva. A produção eficiente de ácido lático no intestino reduz o pH no lúmen e torna o meio para bactérias patogênicas como E. coli e Salmonella não propício para sua proliferação.

As cepas formadoras de esporos também são conhecidas por terem um efeito benéfico à saúde intestinal, principalmente com base na produção de enzimas, inibição direta de certos patógenos por meio de compostos antimicrobianos e obtenção de um ambiente favorável para outras bactérias benéficas para o hospedeiro.

Ao contrário das LAB, somente os probióticos Bacillus que formam esporos são naturalmente resistentes ao calor, o que é uma característica técnica essencial para garantir o uso em rações submetidas a determinados tratamentos térmicos.

Nova cepa registrada na União Europeia

O desenvolvimento de probióticos eficazes e o desdobramento de seu modo de ação é um tópico contínuo de pesquisa. Estudos recentes mostraram que a modulação da microbiota é benéfica e o desempenho é melhorado quando os animais são alimentados com uma combinação de bactérias produtoras de ácido lático e bactérias formadoras de esporos.

Tais observações levaram à ideia para o desenvolvimento de um novo probiótico. Baseado em Bacillus coagulans DSM 32016, o novo aditivo alimentar “TechnoSpore®” foi aprovado pela União Europeia sob o Regulamento de Aditivos Alimentares (Regulamento (EC) Nº 1831/2003).

benefícios das bactérias ácido láticas e o das formadoras de

saúde aproveitam o ácido lático, pois podem
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suínoBrasil 4º trimestre 2022 | A nova cepa
que combina os
DSM 32016
saúde Intestinal
probiótica
esporos: Bacillus coagulans

De acordo com a equipe de desenvolvimento do produto da Biochem Zusatzstoffe (Lohne, Alemanha):

Este novo probiótico é uma solução única 2 em 1 que combina as vantagens das bactérias formadoras de esporos e bactérias produtoras de ácido lático, para modular beneficamente a microbiota intestinal.

Alta Estabilidade à Peletização

Para a aplicação em rações, outro aspecto importante deve ser considerado: a estabilidade térmica.

É bem conhecido que as bactérias ácido láticas não tratadas não são estáveis ao calor e, portanto, não são adequadas para tratamentos térmicos de ração.

Um estudo in vitro demonstrou que as espécies bacterianas diferem fortemente em sua eficiência para produzir ácido lático (Figura 1). A capacidade confiável de produção de ácido lático de B. coagulans DSM 32016 pode ser vista como um dos vários modos de ação para modificar o ambiente intestinal de forma benéfica.

Em um teste de peletização, incluindo temperaturas entre 80°C e 100°C, foi avaliada a taxa de recuperação de B. coagulans DSM 32016.

Como resultado, foi observado uma resistência térmica confiável de B. coagulans DSM 32016 durante condições comuns de peletização (Figura 2), o que torna esta cepa probiótica uma candidata apropriada para uma ampla gama de aplicações.

Figura 1. Eficiência da produção de ácido láctico de diferentes probióticos in vitro.

Figura 2. Efeito da peletização na taxa de recuperação de B. coagulans DSM 32016 (*Valor do comportamento dos testes de peletização entre 80°C e 100°C, barra 2,25 e 8 segundos)

0 1
EFICI Ê NCIA [ γ mol/célula/h]
2 3 4 5 6 LAB nativa Probiótico Bacillus comercial LAB Bacillus comercial Bacillus coagulans DSM 32016
0 20 40 60 80 100 120
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Ração farelada Ração peletizada Taxa de recuperação [%]
saúde Intestinal
formadoras de esporos: Bacillus coagulans DSM 32016

saúde Intestinal

Inibição Efetiva de E. coli Patogênica

Em um estudo realizado em uma universidade alemã foi investigada a taxa de crescimento específica de duas cepas diferentes de E. coli potencialmente nocivas, coincubadas com o sobrenadante das culturas B. coagulans DSM 32016 em meios tamponados.

Os resultados deste estudo in vitro mostraram que a taxa de crescimento específico de ambas as cepas de E. coli foi reduzida quando foi adicionado o sobrenadante de Bacillus coagulans (Figura 3), provando o efeito inibidor do B. coagulans DSM 32016 sobre certos patógenos.

Efeitos Positivos Sobre o Desempenho Zootécnico

Vários estudos indicaram que a administração de B. coagulans DSM 32016 (dosagem registrada na UE de 1,0 × 10⁹ CFU/kg de ração) resulta em melhor desempenho e saúde. Seu efeito positivo no desempenho de leitões desmamados foi testado no Instituto de Nutrição Animal da Freie Universität Berlin (Alemanha).

Taxa de crescimiento especí ca

Controle

Figura 3. Efeito do B. coagulans DSM 32016 sobre o crescimento de duas cepas patogênicas de E. coli

Conclusão

Em um período experimental de 42 dias, foram observadas melhorias significativas no ganho de peso e conversão alimentar (Figura 4). Além disso, uma melhor consistência fecal nas duas primeiras semanas após o desmame foi constatada.

Os desequilíbrios da microbiota intestinal podem causar uma série de problemas, especialmente em leitões desmamados. Uma importante estratégia de combate é a supressão de bactérias patogênicas e, ao mesmo tempo, a promoção de bactérias benéficas.

*

* suínoBrasil 4º trimestre 2022

Bacillus coagulans DSM 32016 presente no TechnoSpore® é um poderoso probiótico que pode fazer isso de forma eficaz, usando diferentes modos de ação que têm um efeito positivo sobre o ambiente intestinal dos leitões, auxiliando a administrar e prevenir distúrbios associados ao intestino e depressão de desempenho em suínos.

Nota: Mais informações disponíveis mediante solicitação dos autores (sac@biochem.net)

Figura 4. Efeito do B. coagulans DSM 32016 no desempenho de leitões desmamados (dia 25 a 66; Valores médios; n=14) * diferença significativa P ≤ 0,05.

A nova cepa probiótica que combina os benefícios das bactérias ácido láticas e o das formadoras de esporos: Bacillus coagulans DSM 32016 BAIXAR EM PDF

| A nova cepa probiótica que combina os benefícios das bactérias ácido láticas e o das formadoras de esporos: Bacillus coagulans DSM 32016

Bacillus coagulans DSM 32016 0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 E. coli PS79 E. coli EcA
Controle Bacillus coagulans DSM 32016
0.0 0.2 0.4 0.6 0.8 1.0 1.2 1.4 1.6 Ganho de peso diário (kg/dia) Taxa de conversão alimentar (kg/kg) 64
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EPIDEMIOLOGIA DO SENECA VALLEY VÍRUS - PARTE II

Professora Titular Senior de Epidemiologia de Doenças Infecciosas/FMVZ-USP

Doença causada pelo Seneca vírus é caracterizada pela formação de úlceras, erosões e vesículas na pele, coroa dos cascos, focinho, lábios e na cavidade oral de suínos de natureza aguda acompanhado de letargia, claudicação e anorexia e, à medida que a doença evolui, surgem profundas úlceras multifocais e erosão/ abrasão cutânea que evoluem com formação de crostas e é auto-limitante.

Na parte I do artigo foi abordado todo o histórico do Seneca Valley Vírus, bem como a morbidade e mortalidade da doença, etiologia e sensibilidade aos desinfetantes.

Nesta segunda parte será abordado a patogenia, diagnósticos, epidemiologia e profilaxia.

PATOGENIA

O vírus penetra no organismo de um animal suscetível pela mucosa oral, sendo as tonsilas o sítio de replicação primária que ocorre na fase aguda e se distribui pelo organismo com demonstração da presença de RNA viral e de partículas virais nos pulmões, nos linfonodos do mediastino e do mesentério, fígado, baço e intestinos delgado e grosso.

66 patologia suínoBrasil 4º Trimestre 2022 | Epidemiologia do Seneca Valley Vírus – Parte II
Profª. Drª. Masaio Mizuno Ishizuka

A viremia é de curta duração, estendendose por até aproximadamente 7 dias; título máximo de partículas virais detectado, no soro sanguíneo, por volta do 3º dia com progressiva redução até o 10º dia, quando desaparece da circulação (JOSHI et al, 2016c)

Em suínos convalescentes o Seneca vírus foi detectado em diferentes órgãos exceto nos pulmões, coração e fígado, mas as partículas virais não eram viáveis (JOSHI et al, 2016c).

DIAGNÓSTICO

CLÍNICO

Fatores predisponentes

Há indícios de que infecções virais intercorrentes sejam necessárias para o aparecimento de sinais clínicos vesiculares e este fato decorre das dificuldades de se reproduzir experimentalmente a doença (YANG et al. 2012)

Em surtos ocorridos no Brasil (2014) e nos USA (2015), há evidências da manifestação da patogenicidade na ausência de outras doenças virais (LEME et al, 2016).

Manifestação clínica

Segundo JOSHI et al (2016c) e MONTIEL et al (2016) tem-se, Período de incubação de 4-5 dias

Em leitões

Os sinais clínicos são mais frequentemente observados na fase de maternidade e caracterizados por diarreia e morte de leitões na primeira semana de vida.

Os leitões afetados manifestam febre discreta, anorexia, letargia e perda de equilíbrios (tonteira).

Em reprodutoras e leitões na terminação

A doença apresenta baixa prevalência e inicia com anorexia, letargia e febre discreta e de curso rápido.

A maioria dos casos é acompanhada de vesículas no focinho observadas intactas ou rompidas (nariz) ou na mucosa oral (junções muco-cutâneas) e ao redor das bandas coronárias.

Lesões ulcerativas no sulco coronário, parede do casco e no coxim plantar podem ser observadas, especialmente em reprodutores e em animais na idade de abate.

Muita cautela em decorrência da semelhança dessas lesões ulcerativas com lesões físicas ocasionadas por atrito do casco ou focinho com piso, equipamentos ou outras estruturas das instalações, em especial nos animais de abate (ZANELLA & MORÉS, 2015).

67 patologia suínoBrasil 4º Trimestre 2022 | Epidemiologia do Seneca Valley Vírus – Parte II

patologia

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

Segundo ZANELLA & MORÉS (2015) tem-se:

Com os agentes de diarreia inclui rotavírus tipos B e C e Clostridium perfringens A.

Com as doenças vesiculares mencionese doença vesicular que são a febre aftosa, estomatite vesicular, doença vesicular dos suínos e exantema vesicular dos suínos.

DIAGNÓSTICO ANATOMOPATOLÓGICO

Segundo JOSHI et al (2016b) tem-se: Lesões macroscópicas

Na cavidade oral são observadas presença de vesículas intactas e rompidas; erosão e úlceras ao redor das narinas; e nos quatro membros

Figura 1 - Vesículas no focinho integra, rompida e com crostas. Fonte: Nietfeld, J.C.; Singh et al, 2012.

2 3

Figura 2 - Colheita de linfa de vesícula. Fonte: Mark FitzSimmons.

Figura 3 - Ulceras fibrosadas e com crostas na coroa do casco e espaço interdigital.

Fonte: Singh et al, 2012; Nietfeld, J.C.

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3
1 1 1

Figura 4 - Úlceras rompidas na coroa do casco e espaço interdigital. Fonte: Nietfeld et al, 2012;

Lesões histopatológicas

Alterações microscópicas descritas em suínos experimentalmente infectados estão restritas às tonsilas, baço e linfonodos que consistem desde leve a moderada hiperplasia de tecido linfoide, atelectasia multifocal moderada e ocasional congestão difusa com acúmulo perivascular multifocal leve de linfócitos, células plasmáticas e macrófagos nos pulmões.

DIAGNÓSTICO LABORATORIAL

Isolamento viral

SVV pode ser isolado da secreção oral (saliva) até 21 dias, das fezes até 10 dias e secreção nasal até 7dias (JOSHI et al, 2016b) bem como a partir de urina (LEME et al, 2016b, LEME et al, 2016a) em cultivo celular.

Provas laboratoriais

Pode-se utilizar os testes: ELISA por competição RT-PCR convencional e

TaqmanR RT-PCR (rRTPCT).

Os materiais a serem enviados para diagnóstico virológico são principalmente:

5 6

Figura 5 - Úlceras na epiderme e recobertas por fina crosta serocelular e acantose de tecido adjacente. Coloração pela HE. Fonte: SINGH et al, 2012. Figura 6 - Úlceras na epiderme recobertas por numerosos neutrófilos viáveis e degenerados misturado com macófagos e neutrófilos. Coloração pela HE. Fonte: SINGH et al, 2012

Fragmentos de lesões vesiculares e/ou seu conteúdo (línfa vesicular)

Fragmentos de órgãos como baço, rins, cérebro, pulmão, intestino, linfonodos e amígdalas

Conservação: enviar em formol 10% e resfriados para realização de diagnósticos diferenciais

69 patologia suínoBrasil 4º Trimestre 2022 | Epidemiologia do Seneca Valley Vírus – Parte II
4

Laboratório de Referência do MAPA

LANAGRO de Pedro Leopoldo (MG) que dispõe de testes virológicos (RT-PCR e isolamento viral) e histopatológico para diagnóstico do SVV.

ORIENTAÇÕES DO SERVIÇO VETERINÁRIO OFICIAL (SVO) E CONSIDERAÇÕES (BRASIL, 2015)

Os veterinários de campo devem atentar para a Circular nº 018/2015/CGI/DIPOA/DSA de 7 de julho de 2015, que orienta os veterinários do DIF como proceder nos casos de abate de lote de suínos que apresentam animais com lesões suspeitas.

EPIDEMIOLOGIA E PROFILAXIA

Nos EUA, além desses testes, pode-se realizar RT-PCR em fluido oral ou mesmo sorologia (soroneutralização, imunofluorescência e ELISA). Fontes de infecção (são os animais infectados que albergam o vírus em seu organismo e eliminam para o meio exterior)

Animais doentes são os mais importantes, e portadores sadios tem importância secundária (HAUSE et al, 2016; GUO et al, 2016) por eliminarem o vírus por um curto período de tempo não superior a 2-3 semanas.

Profilaxia: não movimentar animais doentes entre granjas e para abatedouros. Comunicar ao Escritório Regional do SVO do respectivo estado.

Caso o lote de suínos em questão esteja acompanhado de documentação emitida por Médico Veterinário considerado competente pelo Serviço Oficial (MVCSO) de atenção à saúde animal, tem-se um procedimento. Todavia, se o lote abatido apresenta animais com lesões e não vem acompanhado dessa documentação o procedimento é diferente e mais rigoroso.

Observa-se que há dificuldades de interpretação e, às vezes, entendimentos diferentes do que está escrito em alguns itens da circular acima citada, portanto é preciso padronizar os procedimentos.

Como o vírus provoca o aparecimento de vesículas, pode gerar uma suspeita fundamentada e a consequente necessidade de atendimento pelo SVO, conforme procedimentos legais vigentes.

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suínoBrasil 4º Trimestre 2022 | Epidemiologia do Seneca Valley Vírus – Parte II
patologia
Elos da cadeia epidemiológica e respectivas medidas de profilaxia

Considerando que se trata de uma nova situação sanitária, existe a necessidade de discutir e padronizar os procedimentos que embasam as ações que estão sendo atualmente realizadas, levando-se em consideração as implicações que este evento vem produzindo.

É preciso esclarecer melhor os elos da cadeia produtiva a respeito da ocorrência da doença no Brasil (investir mais em educação sanitária).

Vias de transmissão (meio ou veículo de que se vale o vírus para chegar no novo hospedeiro/suscetível)

A transmissão é oro-fecal (ZANELLA & MORES, 2015).

Contato próximo: entre animais infectados (fontes de infecção) e suscetíveis;

Vias de eliminação (meio ou veículo de que se vale o vírus para chegar ao meio ambiente):

Eliminado pelas secreções (saliva), excreções (fezes) e linfa das vesículas rompidas.

Por contagio indireto: homem carreando vírus em suas mãos, roupas, calçados, instrumentos; objetos, equipamentos, veículos; roedores, cães, gatos e moscas contaminados com linfa de vesículas rompidas e possivelmente ração (BAKER et al, 2017; JOSHI et al, 2016b).

Doentes com sinais multissistêmicos e incluindo diarreia eliminam vírus pelas fezes. Por provas de PCR foram detectadas partículas virais e é levantada hipótese de eliminação pela urina (LEME et al, 2016a, LEME et al, 2016b; SINGH et al, 2012; GUO et al, 2016).

O período de tempo de eliminação do vírus foi estimado experimentalmente em 28 dias quando eliminado pela saliva, secreção nasal e fezes e pico de eliminação entre 1-5 dpi (JOSHI et al, 2016b).

Moscas adultas – Musca domestica - pode viver até quatro semanas e percorrer 2,4 km pousando em esterqueiras, canaletas de dejetos, água de bebida e rações. Em dias de ventos mais fortes as moscas podem voar até 10 km (BARCELLOS et al, 2008; OTAKE et al, 2002; OTAKE et al, 2003).

Aves silvestres incluindo aves necrófagas (urubus) movimenta-se entre estabelecimentos (incluindo abatedouros) em busca de água, alimento e abrigo e podem carrear nas patas e penas agentes de doenças (BARCELLOS et al, 2008; ANDRÉSBARRANCO et al, 2014).

71 patologia suínoBrasil 4º Trimestre 2022 | Epidemiologia do Seneca Valley Vírus – Parte II

Gatos, cães e roedores principalmente o rato de telhado – Ratttus rattus – que podem percorrer distâncias de 1-2 km durante a noite. São escavadores, tal como Rattus norvegicus, e atravessam cercas cavando túneis (BARCELLOS et al, 2008; ANDRÉS-BARRANCO et al, 2014).

Não se pode desprezar o Rattus norvegicus que, pela inerente agressividade é capaz de romper barreiras físicas. Gatos podem carrear em seus órgãos muito agentes de doenças virais e bacteriana de suínos de transmissão oro-fecal (TRUONG et al, 2013)

Animais estranhos silvestres também podem entrar nas granjas em busca de alimentos como cão e gato do mato e javalis principalmente que tem livre mobilidade e podem “visitar” abatedouros e granjas carreando agentes de doença na superfície do corpo ou internamente (BARCELLOS et al, 2008).

Ração: SVV foi isolado de ingrediente de ração (farinha de soja) e da ração (LEME et al, 2019)

Profilaxia: controle de entrada de pessoas na granja (banho, troca de roupa e calçados e demais medidas de higiene pessoal); sanitização (limpeza e/ou lavagem e/ou desinfecção) de equipamentos, veículos (destaque aos veículos de transporte de animais vivos e mortos), instalações, comedouros, bebedouros; cuidado especial com composteiras (BAKER et al, 2017; JOSHI et al, 2016A).

Porta de entrada (acesso do vírus ao organismo do suscetível): mucosa oronasal

Suscetível (novo hospedeiro passível de ser infectado): somente suídeos domésticos e selvagens. Animais jovens são mais suscetíveis que adultos.

Profilaxia:

Reposição do plantel deve ser realizado com animais de origem conhecida como livre de SVV;

Monitoramento de circulação viral em amostras de animais com e sem sinais clínicos de diferentes unidades de produção utilizando provas tais como sorológico, molecular, imunohistoquímica e/ou hibridização in situ (LEME et al, 2015A; LEME et al, 2016A; JOSHI et al, 2016).

Comunicantes (são animais adquiridos de regiões endêmicas para SVV e que não pertencem à cadeia epidemiológica, mas apenas se sabe que foram expostos): quarentena por um período de tempo equivalente ao período máximo de incubação conhecido ou por um período de tempo necessário para a realização de 2 provas laboratoriais a intervalo equivalente ao período máximo de incubação conhecido).

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patologia
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Genética de suínos no Brasil: o presente é genômico e o futuro é digital e verde

Renata Veroneze¹, Paulo Sávio Lopes¹, Simone Eliza Facioni Guimarães¹, Delvan Alves da Silva¹, Letícia Fernanda de Oliveira² e Daniele Botelho Diniz Marques¹

1Professor Universidade Federal de Viçosa

ESPECIAL

GENÉTICA

A genética do Futuro: eficiência com eficácia em um mundo sustentável 90

Luciana Salles de Freitas, Flaviana Miranda & Cristian Martinez Equipe Melhoramento Genético DanBred Brasil

2 Estudante de doutorado Universidade Federal de Viçosa

96 84

Definindo padrões para uma suinocultura sustentável

Rodolfo Oppitz Ferreira1 & Carlos Martins2

1Gerente de Vendas Brasil Hypor

2 Gerente Global de Serviços Técnicos Hypor

O papel da genética em cenários desafiadores

Natalia Irano Serviços Genéticos Agroceres PIC

CONTEÚDO 75 suínoBrasil 4º Trimestre 2022

GENÉTICA DE SUÍNOS NO BRASIL:

O PRESENTE É GENÔMICO E O FUTURO É DIGITAL E VERDE

INTRODUÇÃO

Com um crescimento médio de 7% ao ano entre 2017 e 2021, a produção brasileira de carne suína atinge novos recordes a cada ano, e ocupa a quarta posição no ranking mundial de produção e exportação de carne suína (Associação Brasileira de Criadores de Suínos - ABCS, 2021).

76 genética suíno Brasil 4º Trimestre 2022 | Genética de suínos no Brasil: o presente é genômico e o futuro é digital e verde
Renata Veroneze¹, Paulo Sávio Lopes¹, Simone Eliza Facioni Guimarães¹, Delvan Alves da Silva¹, Letícia Fernanda de Oliveira² e Daniele Botelho Diniz Marques¹ ¹Professor Universidade Federal de Viçosa ²Estudante de doutorado Universidade Federal de Viçosa

PRODUÇÃO

Total 2020 - 95.755 2021 - 108.949

EUA

2020 - 12.845 2021 - 12.568

MERCADO MUNDIAL DE CARNE SUÍNA (Mil

ton)

UNIÃO EUROPEIA

2020 - 23.219 2021 - 23.680

RÚSSIA

2020 - 3.611 2021 - 3.700

OUTROS

2020 - 15.304 2021 - 15.450

BRASIL

2020 - 4.436 2021 - 4.701 2020 - 36.340 2021 - 48.850 CHINA

De acordo com o relatório anual da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA, 2021), houve uma redução de aproximadamente 400 mil unidades no número de matrizes alojadas no Brasil entre 2010 e 2021, enquanto a produção de carne suína aumentou de 3,237 para 4,701 milhões de toneladas no mesmo período.

Os avanços em nutrição, ambiência, manejo, sanidade e melhoramento genético tornaram a suinocultura uma atividade de alta produtividade e cada vez mais eficiente.

De acordo com Lopes (2005), o melhoramento genético de suínos no Brasil teve início na década de 1970, com a importação de animais da Europa e da América do Norte. A ABCS construiu, naquela época, as Estações de Testes de Reprodutores Suínos (ETRS), as quais realizavam o teste de desempenho de machos provenientes das granjas de criadores de raça pura.

As ETRS possuíam pequena capacidade de teste, o que resultava em pequena intensidade de seleção e, consequentemente, em baixo ganho genético. Além disso, havia uma preocupação sanitária, visto que as ETRS recebiam animais provenientes de diversas granjas, com diferentes status sanitário (Lopes, 2005).

genética suíno Brasil 4º Trimestre 2022 | Genética de suínos no Brasil: o presente é genômico e o futuro é digital e verde

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1980 1990

A partir da década de 1980, passou-se a dar mais ênfase ao Teste de Granja (TG), que consistia na avaliação de machos e fêmeas, no próprio rebanho em que nasciam, o que fez com que as ETRS se tornassem obsoletas.

Nessa mesma época, grandes empresas, como Sadia (atual BRF) e Seara (atual Grupo JBS), Cooperativas (Coopercentral) e Companhias de Melhoramento passaram a dominar o mercado de comercialização de reprodutores suínos.

Com essa mudança, os programas de melhoramento passaram a adotar diferentes estratégias para coleta de dados e melhoramento do rebanho de suínos e a ampliar o número de características avaliadas.

A PIRÂMIDE DO SUCESSO

A partir da década de 1990, ocorreu a entrada de novas empresas de melhoramento genético no país. A expansão do número de características avaliadas continuou, com destaque para a seleção de características reprodutivas, como o tamanho de leitegada.

As empresas instaladas no Brasil nas décadas de 1980 e 1990 tornaram-se os principais competidores do mercado de genética atual.

Os programas de melhoramento de suínos são baseados em uma estrutura piramidal, que possui 3 estratos: núcleo, multiplicadores e produtores comerciais.

No rebanho núcleo, várias populações de raças puras ou de linhas sintéticas são mantidas em um ambiente com alto status sanitário e sob intensa seleção com o intuito de maximizar o progresso genético.

O rebanho multiplicador recebe animais do rebanho núcleo e produz animais cruzados (F1) para o rebanho comercial.

O rebanho comercial utiliza varrões e matrizes provenientes do rebanho multiplicador e/ou do rebanho núcleo para dar origem aos suínos comerciais.

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suíno Brasil 4º Trimestre 2022
genética
| Genética de suínos no Brasil: o presente é genômico e o futuro é digital e verde

Recentemente, com o avanço do conceito de genética líquida e ampliação do número de centrais de coleta, envase e comercialização de doses inseminantes pelas empresas de melhoramento, o suinocultor pode optar pela aquisição de doses de sêmen diretamente das empresas, tendo acesso a varrões de alto potencial genético, vindo diretamente dos núcleos.

Todos os programas de melhoramento possuem populações de linha macho, que darão origem aos machos que serão utilizados no rebanho comercial, e de linha fêmea, que darão origem às fêmeas do rebanho comercial.

Outro ponto importante é que a separação em linhas permite valer-se da heterose (superioridade dos animais cruzados em relação à média dos pais puros) nos rebanhos comerciais. A maioria das fêmeas utilizadas como matrizes em rebanhos comerciais são F1 (cruzamento entre duas linhas puras) e, de modo geral, elas são acasaladas com machos de linha pura, produzindo terminados tricross. Assim, os benefícios da heterose são aproveitados tanto nas fêmeas quanto nos terminados, gerando maior produtividade e lucratividade ao suinocultor.

Essa separação de linhas juntamente com a especialização dos rebanhos de acordo com a estrutura da pirâmide foram fundamentais para o rápido progresso genético na suinocultura, uma vez que permitiu maior eficiência na geração de produtos (matrizes, varrões e genética líquida) para os rebanhos comerciais.

A utilização de índices de seleção distintos para as linhas macho e fêmea permitiu que os programas colocassem maior ênfase em características importantes para cada um dos grupos, ou seja, no caso das linhas fêmeas, são atribuídos maiores pesos para características reprodutivas, enquanto nas linhas machos maiores pesos são atribuídos a características relacionadas à eficiência de crescimento e carcaça.

A estrutura dos programas de melhoramento, somada aos avanços na coleta de dados, na avaliação genética e a adoção da seleção genômica resultaram em ganhos genéticos expressivos para diversas características de importância econômica na suinocultura. Os relatórios das empresas de melhoramento de suínos mostram ganhos genéticos constantes para seus índices de seleção, deixando evidente a grande contribuição do melhoramento genético para a maior produtividade e eficiência na suinocultura.

Genética de suínos no Brasil: o presente é genômico e o futuro é digital e verde

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suíno Brasil 4º Trimestre 2022 |
genética

O PRESENTE É GENÔMICO E O FUTURO É DIGITAL E VERDE

O primeiro painel de marcadores do tipo polimorfismos de base única (SNPs) com alta densidade para suínos foi disponibilizado em 2009 (Ramos et al., 2009) e continha aproximadamente 60 mil marcadores.

Com a consolidação da genômica, a fenotipagem passou a ser o principal gargalo dos programas de melhoramento, uma vez que para explorar todo o potencial da seleção genômica e incluir novas características como critérios de seleção é preciso obter fenótipos precisos, acurados e em larga escala.

A partir de então, muitos estudos visando a implementação da seleção genômica nos programas de melhoramento genético de suínos foram realizados.

Atualmente podemos afirmar que a seleção genômica já é uma técnica madura, consolidada e plenamente implementada em todos os programas de melhoramento de suínos, ou seja, já faz parte da rotina de avaliação genética, como também já mostra seu impacto.

Tal fato, associado aos avanços em tecnologia, como a chegada da internet 5G, aumento da capacidade computacional e crescimento do uso da inteligência artificial, tem estimulado os programas e centros de pesquisa a realizarem investimentos massivos para a implementação da coleta de dados de forma automatizada e/ou digital.

Segundo Lopes (2019), a seleção genômica permitiu aumentar em média 31% a acurácia de predição de características produtivas, 44% nas características reprodutivas e em 37% a acurácia do índice de seleção, sendo que o aumento da acurácia resulta em maior ganho genético.

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genética
Genética de suínos
Brasil:
presente
genômico
futuro
verde

Dados provenientes de tomografia computadorizada (TC) de suínos têm sido utilizados para seleção de características de carcaça, uma vez que o equipamento permite obter de modo acurado a quantidade de carne, gordura e ossos em todo o corpo do candidato à seleção e possibilita a coleta de repetidas mensurações ao longo da vida do animal.

Além disso, já foi reportado o potencial uso de imagens de TC para a predição de cortes de carne no animal vivo (Konsgro et al., 2019) e para a seleção visando a redução da ocorrência de osteocondrose em porcas (Vangen et al., 2014).

O uso de imagens 2D e 3D tem ganhado destaque para a predição de características de crescimento e composição corporal.

al. (2020) mostraram que

Além disso, também é possível o uso de fenotipagem digital para mensurar características ligadas ao bem-estar animal, como o uso de termografia infravermelha para monitorar a temperatura da superfície corporal e a utilização de câmeras e sensores para medir características comportamentais e sociais dos suínos. Essas novas ferramentas podem, por exemplo, facilitar a seleção de animais mais resilientes ao estresse térmico e menos susceptíveis a doenças.

de suínos no Brasil: o presente é genômico e o futuro é digital e verde

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suíno
2022 |
genética
Brasil
Trimestre
Genética
Fernandes et é possível predizer com sucesso o peso corporal, a profundidade de músculo e a espessura de toucinho utilizando imagens 3D de suínos vivos, ampliando a possibilidade do uso de câmeras para a fenotipagem visando o melhoramento genético dos suínos.

O monitoramento automatizado do consumo de suínos já é realizado há bastante tempo pelos programas de melhoramento de suínos devido à importância da seleção para a eficiência alimentar.

Contudo, com a adoção de novas tecnologias nos comedouros, ampliação da velocidade e capacidade de compartilhamento, processamento e análise dos dados, é possível aperfeiçoar a utilização da informação coletada pelos comedouros e aumentar os ganhos genéticos para eficiência.

Nesse cenário, a seleção para maior eficiência alimentar passou a ter uma importância extra nos programas, visto que além de impactar diretamente os custos de produção, ela está intimamente ligada à redução dos impactos ambientais da suinocultura, uma vez que ela reduz a pegada ambiental associada à produção dos ingredientes da ração e a quantidade de efluente produzida por suíno (Nguyen et al., 2011).

Soleimani e Gilbert (2020) mostraram que uma linha de suínos selecionada para maior eficiência alimentar reduziu em 7% o impacto ambiental por quilograma de suíno vivo na granja quando comparada a uma linha de suínos selecionada para menor eficiência alimentar.

Ainda em 2010, Merks et al. chamaram a atenção para mudanças no mercado, que passou a demandar a inclusão da redução da pegada de carbono como um objetivo de seleção dos programas de melhoramento. Desde então, há uma crescente preocupação mundial com o aquecimento global e várias empresas passaram a adotar metas de redução da emissão de gases de efeito estufa.

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suíno Brasil 4º Trimestre 2022 |
é
e
genética
Genética de suínos no Brasil: o presente
genômico
o futuro é digital e verde

O impacto ambiental causado pela excreção de nitrogênio e fósforo é outra preocupação na suinocultura, que pode ser contornada com o auxílio do melhoramento genético. Kasper et al. (2019) indicaram que a seleção para maior eficiência no uso de nitrogênio poderia ser utilizada pelos programas de melhoramento, contudo ainda seria preciso desenvolver métodos para a coleta de forma eficiente e em larga escala deste fenótipo.

A utilização de sistemas de monitoramento digital para a ampliação e melhoria da coleta de fenótipos, incluindo dados de animais cruzados em ambiente comercial, associada à genômica permitirá selecionar animais cada vez mais eficientes e contribuirá para que a cadeia produtiva de suínos tenha mais sustentabilidade econômica e ambiental.

| Genética de suínos no Brasil: o presente é genômico e o futuro é digital e verde

83
genética

DEFININDO PADRÕES

PARA UMA SUINOCULTURA SUSTENTÁVEL

Oque significa “definir o padrão”? Padrões pessoais, padrões do negócio, padrões de produto? Por exemplo, quando você vai a um restaurante e pede a sua carne preferida, você sempre vai se lembrar do restaurante que serviu a melhor carne que você já comeu. Nesse momento, aquele restaurante definiu o padrão. Todas as outras carnes que você vai comer serão comparadas com a que foi definida como padrão.

Em um novo mundo de transparência, movido por uma conectividade cada vez maior, temos a oportunidade de construir a nossa marca, criar e construir a nossa reputação e definir padrões. Atualmente, não existem padrões para a produção animal sustentável, mas acreditamos que temos a oportunidade de liderar esse movimento e definir esse padrão

84 SuínoBrasil 4º Trimestre 2022 | Definindo padrões para uma suinocultura sustentável
especial genética
Carlos Martins – Gerente Global de Serviços Técnicos Hypor Rodolfo Oppitz Ferreira – Gerente de Vendas Brasil Hypor

POR QUE PRODUÇÃO ANIMAL SUSTENTÁVEL?

A produção animal sustentável é necessária para alimentar a população global em crescimento. A melhor abordagem é encará-la como um desafio, cuja decisão tem múltiplos critérios, otimizando uma combinação equilibrada de indicadores referentes a todos os tópicos da sustentabilidade.

A segurança alimentar, o bem-estar animal, o impacto ambiental, o consumo responsável e o bem-estar da sociedade são dispostos em contextos diferentes dependendo da região e do país. Isso torna o nosso trabalho como empresa de melhoramento genético mais desafiador, mas também mais recompensador

Ao selecionarmos animais que se adaptam a todas as realidades ou para o grupo certo de consumidores, criaremos a combinação certa de tópicos de sustentabilidade e manteremos a nossa missão de apoiar o desafio alimentar global.

SUSTENTABILIDADE

A sustentabilidade, em todas as suas dimensões, será crucial para o futuro da produção de proteína animal Nosso foco é garantir que os nossos animais prosperem em sistemas que favoreçam o bem-estar e que sejam mais resistentes e resilientes.

Além disso, com a necessidade de reduzir a pegada de carbono do nosso planeta, é importante continuar a selecionar animais eficientes que contribuam com emissões de carbono ainda menores. Tudo isso deve ser equilibrado com a necessidade de oferecer proteína acessível para muitas áreas em desenvolvimento no mundo.

Não só isso, mas os consumidores esperam ter acesso a uma carne suína mais saborosa, com comprovação de alta qualidade na produção e transparência de que os animais tenham sido criados levando em conta altos padrões de saúde e bem-estar.

especial genética

padrões para uma suinocultura sustentável

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SuínoBrasil 4º Trimestre 2022
| Definindo

COMO SERÁ A PRODUÇÃO DE SUÍNOS DE AMANHÃ?

Como o nosso setor pode ser transformado para buscar uma maior sustentabilidade econômica, social e ambiental?

Talvez essas sejam as perguntas que muitos de nós nos fazemos, e nós da Hypor, repensamos a forma de selecionar nossos animais e estamos estabelecendo os padrões de uma indústria suinícola sustentável.

A suinocultura terá que se transformar em uma atividade economicamente viável em toda a sua cadeia de valor, aceita pela sociedade e sustentável do ponto de vista ambiental.

A economia é realmente importante, tanto para garantir a força do setor suinícola, quanto para estimular o desenvolvimento em cada uma das fases de produção.

Assim, o comportamento das matrizes, sua adaptabilidade, longevidade, autonomia no momento do parto, sua capacidade de desmame, além da sua eficiência reprodutiva, são aspectos fundamentais se quisermos uma suinocultura com um futuro brilhante.

A qualidade e uniformidade dos leitões ao nascimento resultará em animais mais uniformes ao longo da sua vida, com um crescimento mais sólido e uma taxa de conversão alimentar mais sustentável, resultando em menores perdas para o suinocultor. Tudo isso aliado a:

Altos rendimentos de carcaça; Baixas perdas por gotejamento; Níveis adequados de músculo e gordura; Boa porcentagem de carne magra; Cor e marmoreio desejáveis e Adaptados a qualquer mercado.

86
SuínoBrasil 4º Trimestre 2022 | Definindo padrões para uma suinocultura sustentável
especial genética

Que os animais consigam “fazer o trabalho” por si mesmos, com menor necessidade de intervenção, é um elemento fundamental para a sustentabilidade na suinocultura, até porque encontrar mão de obra é um desafio cada vez maior nas granjas ao redor do mundo. Isso também inclui poder contar com fêmeas que se adaptem a qualquer sistema de alojamento e a todas as exigências atuais e futuras que a sociedade exigirá do ponto de vista do bem-estar animal.

A eficiência reprodutiva é um fator decisivo em todas as granjas, e dentre os principais aspectos que podemos elencar estão:

A facilidade na manifestação do cio (tanto em marrãs, como em fêmeas desmamadas);

A elevada fertilidade e mínimas perdas durante a gestação, independentemente do sistema de alojamento utilizado, resultando em mais ciclos por fêmea/ano, numa maior taxa de retenção ao terceiro desmame e em mais leitões produzidos pela matriz ao longo da sua vida produtiva. Que no final das contas não obrigarão as granjas a realizar taxas de reposição que podem desestabilizar o sistema de produção.

Para se obter sucesso nestes pontos, a rusticidade e a adaptabilidade dos animais têm grande relevância. E para a Hypor, a seleção para estas características resulta em taxas de mortalidade muito baixas (matrizes e cevados), que fazem toda a diferença ao nível de sustentabilidade econômica, social e, também, ambiental.

Se quisermos analisar a sustentabilidade do ponto de vista dos leitões, o equilíbrio será o caminho a seguir.

É claro que a produtividade numérica é fundamental, mas há muitos outros fatores que teremos de considerar para que a atividade seja sustentável. Por isso, ao longo de anos de seleção, preocupamo-nos que as leitegadas sejam realmente uniformes e que os nossos leitões tenham um peso que garanta a sua sobrevivência e a excelência no seu desempenho futuro.

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SuínoBrasil 4º Trimestre 2022 |
especial genética
Definindo
padrões para uma suinocultura sustentável

O peso médio ao nascimento que temos como padrão de sustentabilidade é de 1,5kg, isso em leitegadas uniformes. Então, essas duas características “inconfundíveis” das leitegadas Hypor resultam em: Menor mortalidade, Manejo mais simplificado, com movimentos mínimos de leitões, e Sem necessidade de recorrer a substitutos lácteos ou mães de leite.

O resultado é um menor investimento em mão de obra e recursos financeiros para desmamar os leitões, permitindo a utilização plena dos espaços de maternidade, os mais “caros” de toda a granja.

Tudo isso não seria possível, se não contássemos com uma matriz com uma incrível capacidade de desmame. Nossa matriz Libra, produz uma quantidade superior de colostro com significativamente mais gordura (fonte de energia para os leitões) e possui 16 tetas funcionais, devidamente distribuídas, esse é o nosso padrão. Características que fazem com que consiga desmamar os seus próprios leitões com facilidade.

Assim, temos um padrão de sustentabilidade de 16 leitões nascidos totais – 15 leitões nascidos vivos – 14 leitões desmamados.

Como parte da cadeia, compartilhamos o desafio de reduzir o impacto ambiental da suinocultura, e quando se trata de medir a taxa de conversão alimentar, é mais sustentável adicionar o impacto ambiental à equação e passar a falar em taxa de conversão alimentar sustentável.

Tendo em conta que nos últimos anos os custos das matérias primas estão a bater todos os recordes históricos. Sem falar da competição que existe entre o consumo destes insumos para a alimentação humana, animal e para a produção de energia.

Assim, é necessário continuar a investigar e aprimorar o uso mais eficiente dos recursos, os efeitos de ingredientes alternativos e programas de alimentação que gerem menos emissões e também melhorar a eficiência na gestão da água, nosso bem mais precioso e escasso.

Na Hypor estamos estabelecendo o padrão de uma suinocultura sustentável. Quer ser parte do futuro conosco?

Definindo padrões para uma suinocultura sustentável BAIXAR EM PDF

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SuínoBrasil 4º Trimestre 2022 | Definindo padrões para uma suinocultura sustentável
especial genética

A GENÉTICA DO FUTURO: EFICIÊNCIA COM EFICÁCIA EM

UM MUNDO SUSTENTÁVEL

Todos os programas de melhoramento genético estão sempre pensando no futuro. O que se produz hoje nas granjas comerciais foi idealizado, desenvolvido e trabalhado de três a cinco anos antes.

Essa é a função do melhoramento genético, prever mercados, adequar sistemas de produção e sempre buscar a melhor estratégia para atender às demandas futuras. A busca de um animal cada vez mais eficiente permitirá que produtores de determinadas genéticas consigam superar momentos de crises como os atuais, por exemplo.

A DanBred, uma empresa europeia com reconhecida eficiência global no melhoramento genético suíno, que tem se destacado como referência em processos de seleção, está sempre na vanguarda das demandas entre os mais importantes mercados de suíno do mundo, como o europeu e o brasileiro; como exemplo, citamos o desenvolvimento de matrizes de alta prolificidade e reprodutores que combinam a eficiência produtiva com ótima qualidade de carne.

90 especial
aviNews Brasil 4º Trimestre 2022 | Uso de antimicrobianos em avicultura: tendências e desafios
genética
Luciana Salles de Freitas¹, Flaviana Miranda¹ e Cristian Martinez¹ ¹ Equipe Melhoramento Genético DanBred Brasil

Menor produção de CO2

LAICOS

Maior produtividade com menos matrizes

OCIMÔNOCE

Sustentabilidade

E ciência alimentar

Figura 01 – Sustentabilidade na produção de suinos.

Atualmente, a DanBred se dedica ao desenvolvimento sustentável, ou seja, o equilíbrio entre a produção animal eficiente e um melhor aproveitamento dos recursos naturais disponíveis, garantindo longevidade do setor suinícola com máximo retorno econômico.

Diante das mudanças no mercado mundial, o conceito de sustentabilidade vem ganhando grande destaque e quebrando paradigmas na suinocultura. Dessa forma, o foco em sistemas de produção com alto retorno ligados ao desenvolvimento sustentável se tornou a meta da DanBred. Por isto, traremos aqui pontos chaves que estão sendo trabalhados para que a genética contribua de forma relevante com a suinocultura do futuro.

No sistema de produção eficiente o animal que mais produz e que menos consome se torna mais competitivo. Sempre há um dilema quanto a eficiência × eficácia, pois nem sempre o mais eficaz entregará o melhor resultado em custo-benefício

Para atender o mercado brasileiro com o que há de mais atual, importações de matrizes para o Brasil se tornaram mais frequentes, possibilitando acelerar a chegada dessas inovações no campo.

Isso quer dizer que todos os animais produzirão quilos de carne ao final do processo de criação, mas nem todos agregarão ganhos que tornem o sistema e o produtor sustentável. Sendo essa a preocupação recorrente da genética DanBred

Sobrevivência Menor intervenção humana Bem-estar animal
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aviNews Brasil 4º Trimestre 2022 | Uso de
AMB I ENTE especial genética antimicrobianos em avicultura: tendências e desafios

Maior produtividade com menos matrizes

Durante muitos anos a característica associada a hiperprolificidade esteve entre os principais objetivos de seleção de nossas matrizes suínas, o que fez da DanBred a genética que mais produzia leitões, sendo, portanto, eficiente em ocupar menores espaços de UPL e com capacidade de entregar maior número de animais.

Mas com o tempo outros direcionamentos foram tomados:

A fêmea mais produtiva precisava parir e também cuidar do maior número de leitões, garantindo sua sobrevivência saudável.

E assim, novos objetivos foram incluídos no processo de seleção genética das linhagens DanBred, visando garantir que a fêmea tenha maior habilidade materna, incluindo a docilidade da matriz e produção de leite suficiente para, inclusive, alimentar mais leitões que o número de tetos disponíveis (Moustsen & Nielsen, 2020).

Foi incorporado também a característica sobrevivência do leitão, que está associado à mãe e ao próprio indivíduo. Todas essas características são coletadas e avaliadas com menor intervenção humana possível, ou seja, nas granjas núcleo DanBred as fêmeas são desafiadas a parirem sem auxílio e amamentarem o maior número de leitões.

Maior sobrevivência com menor intervenção humana

Ao considerarmos eficiência do sistema produtivo, há que se pensar no impacto da cadeia suinícola como um todo. Por isso é importante ponderar a seleção baseada em sobrevivência do animal com menor intervenção humana, considerando neste tópico, assistências diferenciadas e medicações em excesso, ações muitas vezes desnecessárias para que se aumente a produtividade dos animais.

Individualmente, o processo de seleção dos leitões DanBred inicia-se na maternidade. Ao nascer os animais se mantém desafiados e com pouca assistência, há apenas a garantia que os animais poderão ingerir o colostro e leite de acordo com suas necessidades.

A redução do uso de antimicrobianos já é uma realidade na Dinamarca e, portanto, a seleção se baseia em animais robustos e com maior vitalidade (Lynegaard et al. 2021). O objetivo de tratamentos com antibióticos é apenas para salvaguardar a saúde e o bemestar dos suínos.

Com o progresso genético das linhagens DanBred para sobrevivência, esperase que isto aumente o bem-estar dos animais, já que as causas de mortalidade se reduzam já nas primeiras horas após o nascimento, uma vez que os leitões buscam pelo colostro com menor intervenção humana possível. Isto garante menor estresse, tanto para o leitão quanto para a matriz.

desafios

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aviNews Brasil 4º Trimestre 2022 | Uso de antimicrobianos
especial genética
em avicultura: tendências e

Bem-estar animal: animais mais adaptados, menos estressados e mais saudáveis

O bem-estar animal é um assunto relevante na cadeia produtiva e em uma visão objetiva, tem sido demonstrado que a adoção de práticas associadas ao bem-estar animal tem estreita relação com uma maior produtividade e saúde.

Neste contexto, a Europa tem se destacado como promotora de debates e legislação onde se aplica os conceitos de bem-estar animal. A DanBred, na busca por um animal mais adaptado as adversidades do sistema de produção, já adota há anos os requisitos de bemestar animal do modelo europeu, tendo a produção no seu plantel principal da Europa, totalmente adaptada à essas condições nas unidades de gestação e parto.

No Brasil, destaca-se pelos avanços na adoção do bem-estar animal, com a maioria das granjas núcleos DanBred Brasil possuindo instalações de gestação coletiva, além do processo de seleção de reprodutores direcionado à animais com adaptabilidade social, minimizando brigas nas baias de terminação.

Novos estudos vêm sendo desenvolvidos na busca por maior longevidade das matrizes, e, como consequência, espera-se que isso tenha um efeito positivo tanto no bem-estar animal quanto na lucratividade.

alimentar:

menor

consumo para maior produção de carne

O mercado mundial de produção de proteína animal é mutável, há uma demanda cada vez maior de produtividade, com menos espaços disponíveis para produção. O Brasil ainda se mantem em uma posição confortável nesta disparidade, contudo, a eficiência alimentar sempre será uma demanda constante em qualquer sistema de produção.

Os novos objetivos do melhoramento DanBred se basearão em superar resultados médios mundiais para características de terminação já superados por nossa genética, e isso significa maior eficiência alimentar e ganho de peso diário ainda mais superior.

No Brasil, mantemos evolução genética constante para conversão alimentar e ganho de peso diário. Nos gráficos 01 e 02 vê-se o progresso genético e fenotípico médio de toda a população núcleo nos últimos cinco anos para conversão alimentar.

Houve redução de 0,175 gramas no consumo de ração para entregar os mesmos 100kg de peso vivo. Para a idade aos 100kg, característica associada ao ganho de peso diário, redução de 6,6 dias de alojamento para entregar os mesmos 100kg de peso vivo. Todo esse ganho ainda será intensificado pela constante chegada de animais importados, objetivando-se acelerar os ganhos e a chegada de novas tecnologias no mercado nacional.

antimicrobianos em avicultura: tendências e desafios

especial genética

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aviNews Brasil 4º Trimestre 2022 | Uso
de
Eficiência

Resultado fenotípico (kg/kg)

Dias para atingir 100kg

-0.050 2.200

2.150

2.100 2.000 2.050

1.900 1.950

2017 2018 2019 2020 2021

-0.100

-0.150

2.250 -0.000 -0.250

Potencial genético (kg) -0,175 g

-0.200

Menor produção de gases do efeito estufa

Gráfico 01 – Evolução genética e fenotípica média dos leitões nascidos no Brasil para conversão alimentar.

152

150 146

148

144

154 0 -10 -8 -6 -18 -16 -14 -12

Potencial genético (dias) -6,6 d

142

-4 -2 2017 2018 2019 2020 2021

Toda a eficiência produtiva no setor suinícola levará à, também considerada foco de um programa genético sustentável, redução de gases do efeito estufa (GEE). Menor ocupação de áreas construídas para produção da mesma ou maior quantidade de quilos de carne, menor consumo de ração para maior produtividade e conversão mais eficiente de uma ração menos proteica.

Dado fenotípico Potencial Genético

Gráfico 02 – Evolução genética e fenotípica média dos leitões nascidos no Brasil para característica dias para atingir 100kg.

Pesquisas em diversas linhas têm sido realizadas pela DanBred e uma das maiores apostas nos atuais trabalhos em desenvolvimento é a utilização de dados metabolômicos, por informar com mais precisão como o material genético é expresso.

O objetivo é prever com base no conjunto de metabólitos sanguíneos a capacidade de desempenho do animal, sendo, portanto, um dos elos da cadeia entre o DNA e a eficiência alimentar, o rendimento e a qualidade da carne.

especial genética aviNews Brasil 4º Trimestre 2022 | Uso de antimicrobianos em avicultura: tendências e desafios

A seleção genética para conversão alimentar, crescimento e sobrevivência resultam na redução do consumo e/ou menor demanda por produção de ração o que, consequentemente, resulta em reduções na emissão de nutrientes como nitrogênio e fósforo, bem como na emissão de gases de efeito estufa, como metano e CO2

A preocupação da genética DanBred é entregar animais que tenham esse potencial eficiente e sustentável. O produtor ao adquirir esses animais, poderá se adequar de forma mais precisa para usufruir de todo potencial produtivo.

A genética do Futuro: eficiência com eficácia em um mundo sustentável

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Referências sob consulta dos autores

Dado fenotípico Potencial Genético 94

O PAPEL DA GENÉTICA EM CENÁRIOS DESAFIADORES

Agenética é e sempre foi um investimento estratégico. É ela a responsável por comandar os avanços de produtividade nos sistemas de produção de suínos, estabelecendo novos padrões de eficiência e rentabilidade.

96 especial genética suínoBrasil 4º Trimestre 2022 | O papel da genética em cenários desafiadores
Natalia Irano Serviços Genéticos Agroceres PIC

Em cenários adversos como o atual, de forte pressão sobre os custos e achatamento das margens de lucro, a genética assume uma importância ainda maior. Não apenas por influenciar, diretamente, o potencial produtivo e reprodutivo do plantel ou ajudar a reduzir custos, mas por agregar vantagens e diferenciais de competitividade de forma contínua. A genética está em constante evolução, nunca para de melhorar.

UM NOVO LIMIAR TECNOLÓGICO

O expressivo avanço tecnológico registrado nos últimos anos e a decorrente incorporação de novas ferramentas genéticas, no entanto, têm permitido à Agroceres PIC acelerar os ganhos de seu programa de melhoramento numa velocidade única.

O programa de melhoramento genético da PIC, ao qual a Agroceres PIC está integrada, mantem-se em permanente desenvolvimento há 60 anos, período em que se expandiu para mais de 40 países. Desde o início, seu objetivo-central foi desenvolver suínos para reprodução com o mais elevado desempenho para características que dão retorno econômico à toda cadeia produtiva da carne suína.

O programa de melhoramento da Agroceres PIC é, por essência e excelência, voltado ao benefício econômico.

A adoção de novas tecnologias nas áreas de genética quantitativa e molecular, a intensificação do uso da genômica, o avanço em softwares com alta capacidade para processamento de dados e a sofisticação dos sistemas de avaliação, viabilizaram a inclusão de novas características no processo de seleção genética que, embora já fossem reconhecidas como economicamente importantes, não eram utilizadas devido às limitações de recursos computacionais e de análise.

Os impactos dessa evolução tecnológica são excepcionais e têm permitido acentuar o melhoramento genético dos suínos para características relevantes, como velocidade de crescimento, conversão alimentar, robustez, qualidade de carcaça e produção de carne magra, dando origem a animais de maior potencial genético e de desempenho superior.

O papel da genética em cenários desafiadores

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suínoBrasil 4º Trimestre 2022
especial genética
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especial genética

PROGRAMA GENÉTICO VOLTADO AO BENEFÍCIO ECONÔMICO

Nas linhas maternas, por exemplo, além das características reprodutivas, atributos como habilidade materna, eficiência de crescimento, robustez e qualidade de carcaça e de carne, passaram a ter maior foco na seleção genética, aumentando a contribuição da fêmea para um melhor desempenho do cevado, desde o nascimento até o abate.

Os resultados dessa nova realidade tecnológica já estão fazendo toda diferença nas unidades de produção. Já há clientes obtendo 37 leitões desmamados por fêmea ao ano, mais de 235 kg de desmamados e mais de 3.600 kg vendidos por fêmea/ano.

No lado paterno, três agrupamentos de características têm recebido atenção especial: a eficiência alimentar (ganho de peso e consumo de ração), a robustez (sobrevivência do desmame ao abate e menor refugagem) e a qualidade de carcaça e de carne (maior valor de processamento e de cortes nobres).

O foco da seleção genética tem sido voltado a otimizar a produção de suínos que aliam excelente eficiência alimentar e velocidade de crescimento e que chegam ao momento do abate com menores índices de mortalidade e morbidade, com alta qualidade.

Características de Carcaça Produtividade Robustez E ciência de Crescimento
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em
Linhas Maternas Linhas Paternas
papel
genética
cenários desafiadores
Figura – Seleção para lucratividade

Aqui, os impactos no campo têm sido igualmente incríveis. Nas granjas núcleo já é possível ver suínos com conversão alimentar de 1,63 e GPD fase de 1,339 kg/ dia*, sinalizando uma escalada expressiva dos índices zootécnicos hoje e ainda maior nos próximos anos. Afinal, os resultados superiores de hoje são o desempenho potencial do amanhã.

Ao mesmo tempo, os investimentos que a PIC e a Agroceres PIC vêm realizando nos últimos anos - seja na expansão de sua infraestrutura global, em Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) ou incorporação de novos bancos de germoplasma e ampliação da base de seleção - permitem incrementar ainda mais o progresso genético anual dos reprodutores e entregar ao mercado os melhores animais.

GENÉTICA: SUPORTE PARA O PRESENTE, PASSAPORTE PARA O FUTURO

Historicamente, a genética tem se mostrado a ferramenta tecnológica de maior peso sobre os resultados do produtor. Ela representa apenas 2% dos custos de produção, mas tem influência sobre todos os indicadores que determinam a produtividade e definem o lucro.

O desenvolvimento de novas tecnologias tem permitido apurar o melhoramento genético, gerando suínos cada vez mais eficientes e de maior retorno econômico. Na prática, esse aporte significa um benefício econômico de nada menos que R$22,18 por animal abatido por ano (Tabela 1).

O grande desafio da suinocultura atual, de alta competitividade, é sustentar a máxima produtividade e o máximo potencial de resultado o tempo todo. A genética tem dado respostas e soluções decisivas nessa direção. Em um mercado dinâmico, que exige evolução contínua, a genética tem se mostrado um recurso valioso para eficiência e sobrevivência nos negócios e a Agroceres PIC está ao seu lado nessa tarefa.

TABELA 1 - PROGRESSO GENÉTICO ANUAL ESTIMADO (R$)

CARACTERÍSTICAS

LINHA MATERNA

REPRODUÇÃO 4,47 - 4,47

EFICIÊNCIA DE CRESCIMENTO 2,92 4,38 7,30

VALOR DA CARCAÇA 4,18 4,20 8,37

SOBREVIVÊNCIA - 2,04 2,04

GANHO ANUAL TOTAL POR CEVADO ABATIDO 11,57 10,61 22,18

*Desempenho médio de machos 337, entre 23 e 125 Kg de peso vivo, em granjas núcleo da PIC.

Trimestre 2022 | O papel da genética em cenários desafiadores

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suíno
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Brasil 4º

especial genética

TECNOLOGIAS QUE FAZEM A DIFERENÇA

PICTRAQ

Exclusivo sistema global de gestão genética, com dados de desempenho e pedigree de mais de 35 milhões de suínos

GNXBRED

Software que incorpora ao programa genético da PIC, conduzido nas Granjas Elite, dados de desempenho de animais dos sistemas de produção comercial

GENÔMICA

Mais de 160 mil animais genotipados por ano, permitindo identificar os melhores suínos com alta precisão

AUTOFOM

Sistema de análise de imagem ultrassônica que quantifica o valor comercial de carcaça

MÉTODO WARNERBRATZER

Técnica de avaliação para medir a maciez da carne

O papel da genética em cenários desafiadores BAIXAR EM PDF

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suíno
2022
Brasil
Trimestre
| O papel da genética em cenários desafiadores
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(opcional).

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• Cartucho amicrobiano.

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O RTC é um conjunto de ferramentas de controlo de qualidade que a Magapor realiza a nível químico e biológico, em parceria com a Universidade de Saragoça, na sua embalagem para oferecer um produto “seguro para reprodução”.

Esse rígido processo garante um produto controlado quanto à presença de ftalatos, bisfenol A, distintivo, lactona cíclica e PVC que podem desenvolver efeitos reprotóxicos através da migração para as doses de sémen.

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PRODUÇÃO

Processo de manufatura

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– Teste de funcionalidade do esperma. – Teste de fertilização in vitro.

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