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MICOTOXINAS

NO TRIGO E SEUS DERIVADOS p. 6 Embrapa Trigo

p. 58

TABELA Anti-Micotoxinas Edição exclusiva Brasil


CONTEÚDOS 6

Pesquisa e setor produtivo buscam conter micotoxinas no trigo e seus derivados Embrapa Trigo

25

Feed Fraud e Feed Defense – além do conceito de Food Safety Dione Carina Francisco Med. Vet., Mestre em Agronegócios, Especialista em Controle de Qualidade, Auditora Líder HACCP

15

Variação na estimativa energética da farinha de sojaParte III

Lewis Aguirre1 Lourdes Cámara1, J.L.Barragán2 e G.G.Mateos1

A casca do ovo – estrutura,

30 formação & quais fatores afetam sua qualidade

Alejandro Rodriguez Navarro Departamento de Mineralogia e Petrologia, Universidade de Granada, Espanha

1 Departamento de Produção Agrária, Universidade Politécnica de Madrid (UPM) 2 Consultor Avícola

1 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020


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36

Alimentação de precisão no contexto da suinocultura atual

Dra. Ines Andretta Professora e pesquisadora, Faculdade de Agronomia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Dr. Marcos Kipper Médico Veterinário, Consultor Técnico em Nutrição

42

Suplementação como ferramenta estratégica para atendimento de metas de ganho de peso de bovinos em pastejo

Emerson Alexandrino Professor Associado IV Universidade Federal do Tocantins

2 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020

50

Como aumentar a eficiência dos animais por meio do seu microbioma ruminal? Novas Perspectivas – Parte II Luciano Cabral1, Thiago S. Andrade1, Laura B. Carvalho1, Thainá P. S. Cabral2, Bárbara S. M. Neta1 1 Faculdade de Agronomia e Zootecnia, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Cuiabá, MT. 2 Instituto de Biociências, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Cuiabá, MT

58 Tabela de Aditivos

Anti-Micotoxinas 2020 Edição Brasil


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62

Conhecendo as micotoxinas

M.V. Esp. Bruno Vecchi Galenda Coordenador Técnico/ Científico – Aves Departamento Técnico Corporativo da Vetanco

DVM. MSc. Fábio L. Gazoni Serviços Técnicos Avícolas Internacionais Departamento Técnico Corporativo da Vetanco

70

Lançamento da Linha BIOSOLUTIONS amplia o portfólio de leveduras e derivados da YESSINERGY Yessinergy


NUCLEOTÍDEOS LIVRES VERDADEIRA FONTE PARA A

NUTRIÇÃO CELULAR

F O NT E D E NU TRIE N TE S DE RIVADOS DA L E VE D U R A COM ALTAS CON CE N TR AÇÕE S D E NU C L E OT Í DE OS ALTERNATIVA TECNOLÓGICA PARA ATENDER EXIGÊNCIAS ESPECÍFICAS DOS ANIMAIS F O CO N O C R E SCIME N TO DE TE CIDOS E N O D E S E N V O LVI M E N TO DE AN IMAIS JOVE N S E X T R ATO D E L E V E D U R A E L E V E D U R A L I S A DA

(COM VERSÕES A PARTIR DE 15% DE NUCLEOTÍDEOS LIVRES)

APLICAÇÕES:

alerisnutrition.com

info@alerisnutrition.com

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+55 11 4581 3144


EQUILIBRAR CUSTOS: DESAFIO DO SETOR DE ALIMENTAÇÃO ANIMAL PARA MANTER RITMO DE CRESCIMENTO A COVID-19 assombra o Brasil e o mundo mas não detém o crescimento do setor de alimentação animal no país. Os números comprovam. O primeiro semestre de 2020 registrou produção de 37,2 milhões de toneladas e crescimento de 5,2% comparado ao mesmo período do ano anterior.

“Sabe-se, por exemplo, que os poucos sinais de alívio e simplificação da carga tributária imposta são quesitos considerados compulsórios para atração de mais investimentos, financiamento da infraestrutura e da sustentação do crescimento econômico”, diz Ariovaldo Zani, CEO do Sindirações.

A expectativa é de que, até o final de 2020, esse montante, quando somado à produção de sal mineral, salte para mais de 81 milhões de toneladas, representando um crescimento de até 4,5% se comparado às estimativas de 2019.

Segundo ele, é imprescindível que se pense numa reformulação dos impostos, cuja carga sufocante e burocracia fiscal contribuem para desviar o foco da atividade produtiva.

Os dados são do Sindicato Nacional de Alimentação Animal (Sindirações), que pontua, ainda, que apesar do segmento ter mantido um bom desempenho ao longo do primeiro semestre, esforçando-se para equilibrar os custos, é de se alertar para o eventual aumento da carga tributária, o encarecimento das formulações nutricionais, o desinvestimento e os impactos no bolso do consumidor final ao longo da pandemia.

E nós, da nutriNews Brasil, que somos a primeira mídia especializada em nutrição animal do país, torcemos para que vocês, do setor da alimentação animal, tenham uma atividade produtiva pujante. Que produzam cada vez mais. Porque nós só existimos para dar visibilidade e difusão ao seu trabalho! Esperamos que vocês desfrutem de mais esta edição e até a próxima!

EDITOR GRUPO DE COMUNICAÇÃO AGRINEWS S.L.

PUBLICIDADE Simone Dias +55 (11) 98585-2436 nutrinewsbrasil@grupoagrinews.com Anna Fernández Oller +34 609 14 50 18 af@agrinews.es Luís Carrasco +34 605 09 05 13 lc@agrinews.es DIREÇÃO TÉCNICA José Ignacio Barragán (aves) David Solà-Oriol (suínos) Fernando Bacha (ruminantes) COORDENAÇÃO TÉCNICA Simone Dias REDAÇÃO Simone Dias Priscila Beck Maria de los Angeles Gutiérrez Osmayra Cabrera Daniela Morales COLABORADORES Carlos De Blas (UPM) Gonzalo Glez. Mateos (UPM) Xavier Mora (Consultor) Alfred Blanch (Consultor) Alba Cerisuelo (CITA-IVIA) Carlos Fernández (UPV)

Equipe nutriNews Brasil

Esse conjunto de fatores preocupa toda a cadeia de alimentação animal e aponta para o desafio de se manter o ritmo de crescimento.

ADMINISTRAÇÃO Anna López Mercè Soler

nutrinewsbrasil@grupoagrinews.com www.nutricionanimal.info

GRATUITA PARA FABRICANTES DE ALIMENTOS, EMPRESAS DE PREMIX Y NUTRICIONISTAS Depósito Legal Nutrinews B-17990-2015 A direção da revista não se responsabiliza pelas opiniões dos autores. Todos os direitos reservados. Imagen: Dreamstime

5 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020


PESQUISA E SETOR PRODUTIVO BUSCAM

MICOTOXINAS

CONTER NO TRIGO E SEUS

pesquisa

DERIVADOS

6 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Micotoxinas no trigo e seus derivados

Embrapa Trigo


Essas substâncias, tóxicas à saúde humana e à dos animais, estão relacionadas principalmente ao fungo Gibberella zeae (Fusarium graminearum), causador da giberela, principal doença do trigo no país.

Como não existe um método capaz de combatê-la, recomenda-se o controle adequado dos grãos nas fases de produção e póscolheita, além de medidas relacionadas a manejo, monitoramento de clima e uso racional de fungicidas.

Paralelamente, a ciência investe em tecnologias para frear a ocorrência de micotoxinas, como o desenvolvimento de variedades resistentes à giberela e o uso de equipamentos de alta precisão para medir os níveis de contaminação.

No Brasil, análises realizadas nos laboratórios da Embrapa Trigo (RS) entre os anos de 2009 e 2017 detectaram a presença dessas substâncias em amostras comerciais de alimentos à base de cereais, como farinha de trigo, biscoitos e macarrão instantâneo, entre outros. Em alguns casos, os níveis de contaminação superaram 90%.

pesquisa

Pesquisadores e representantes do setor produtivo estão unindo esforços para conter a contaminação por micotoxinas em alimentos derivados de trigo no Brasil.

7 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Micotoxinas no trigo e seus derivados


As três micotoxinas mais frequentemente detectadas no país são: Deoxinivalenol (DON) Zearalenona (ZEA) Relacionadas à incidência de fungos do complexo Fusarium graminearum

pesquisa

Ocratoxina A Produzida pelos fungos Penicillium verrucosum e Aspergillus ochraceus durante a armazenagem

Entre essas, a mais preocupante é a deoxinivalenol (DON), devido à frequência das epidemias de giberela nas lavouras de cereais de inverno no sul do Brasil.

Análises com alimentos contaminados mostraram que a DON resiste aos processos industriais utilizados na fabricação de biscoitos, barra de cereais e panificados. Em laboratório, a micotoxina só foi eliminada em temperaturas superiores a 210°C, o que prejudica grande parte dos atributos de qualidade dos alimentos.

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Problema afeta um quarto da produção mundial Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), aproximadamente 25% dos alimentos produzidos no mundo estão contaminados com micotoxinas, gerando perdas anuais de um bilhão de dólares. Os impactos econômicos podem resultar em perdas entre 50% e 100% do valor comercial dos grãos, na redução da eficiência produtiva em animais, além de custos com monitoramento e controle para evitar a mistura de lotes contaminados com grãos sadios.


Na área animal, o pior problema enfrentado produtores, especialmente de suínos e aves, é a contaminação da ração utilizada na alimentação.

As consequências do acúmulo crônico nos órgãos dos animais é objeto de estudo do pesquisador Carlos Mallmann, do Laboratório de Análises de Micotoxinas da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). “Os impactos econômicos são expressivos, com alteração visível no crescimento dos animais”, explica Mallmann, lembrando que as micotoxinas não contaminam a carne produzida, mas podem aparecer nos ovos e no leite.

EM BUSCA DO TRIGO RESISTENTE À GIBERELA Pesquisadores brasileiros têm trabalhado em parceria com os principais centros de pesquisas internacionais para vencer a giberela. Como o controle químico nem sempre apresenta resultados satisfatórios, a melhor solução seria o desenvolvimento de cultivares resistentes à doença. Mas para o pesquisador da empresa Biotrigo Genética, Paulo Kuhnem, esse é um resultado a longo prazo, pelo qual não é possível esperar. Há mais de 30 genes envolvidos na infecção da planta por Fusarium. Alguns atuam na entrada do fungo na espiga, outros na dispersão da doença e os demais na produção da micotoxina.

pesquisa

MICOTOXINAS AFETAM TAMBÉM A SANIDADE ANIMAL

9 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Micotoxinas no trigo e seus derivados


pesquisa

É um trabalho complexo, um verdadeiro quebra-cabeça para a pesquisa resolver”, explica. “Não podemos esperar pela resistência genética. Temos que utilizar os recursos disponíveis hoje, como cultivares moderadamente resistentes, monitoramento do clima para o manejo e aplicação de fungicidas de forma mais eficiente”, defende. O gene mais promissor hoje é o Fhb1, presente na variedade de trigo Sumai 3, originária da China. Ele decodifica uma proteína que inibe o crescimento de fungos e tem sido utilizado em muitos programas de melhoramento genético no mundo. Mas, não deu certo no Brasil em decorrência das condições climáticas da Região Sul. Além de plantas suscetíveis a manchas e ao oídio, o trigo apresentou fatores indesejados na qualidade industrial, como farinha mais escura e menor força de glúten. Kuhnem ressalta que os trigos desenvolvidos no sul do Brasil são considerados, no mundo todo, fontes de resistência a doenças fúngicas, principalmente devido à exposição ao clima adverso. “Nossos materiais estão sendo submetidos à introdução dos genes das fontes de resistência à giberela internacionalmente mais conhecidas, mas o resultado ainda são cultivares agronomicamente muito inferiores aos padrões exigidos atualmente pelos produtores e indústria”, explica.

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OS LIMITES DA MICOTOXINA Para proteger a saúde humana e animal dos efeitos tóxicos das micotoxinas, e defender interesses econômicos, muitos países estabelecem níveis máximos permitidos para esses contaminantes.

A definição dos Limites Máximos Tolerados (LMT) de cada micotoxina em um país é baseada em pesquisas científicas sobre os efeitos dessa toxina para a saúde humana e animal, estabelecendo parâmetros considerados seguros para a ingestão dos alimentos.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) exige a análise laboratorial de grãos e produtos à base de trigo, como farinha, farelo, alimentos infantis, pães, massas e biscoitos.

A resolução de 2011 estabeleceu a redução gradativa nos limites de micotoxinas até o ano de 2016, mas a normativa somente entrou em vigor somente em janeiro de 2019. Assim, foram determinados os novos limites de DON nos grãos de trigo para processamento (3.000 ppb), na farinha integral (1000 ppb) e na farinha branca (750 ppb).


pesquisa

MANEJO E CONTROLE QUÍMICO As estratégias de controle da giberela devem ser empregadas de maneira integrada, incluindo cultivares mais resistentes, rotação de culturas, época e escalonamento da semeadura, além do controle químico pela aplicação de fungicidas.

Em anos de epidemia, o controle de giberela com fungicidas pode assegurar o retorno financeiro no trigo. Foi o que concluiu o grupo de pesquisadores da rede de “Ensaios cooperativos para controle de giberela e brusone do trigo” após análise de dados publicados na comunidade científica brasileira entre 2000 e 2014 (revista Plant Disease, 2017).

11 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Micotoxinas no trigo e seus derivados


É NECESSÁRIO UM CONJUNTO DE MEDIDAS

Em geral, duas aplicações de fungicidas tiveram 60% de retorno financeiro na lavoura. Na média, o controle da giberela com aplicações logo no começo do florescimento chegou a 55% de eficiência, representando um acréscimo

pesquisa

no rendimento de grãos de 450 kg/ha. Atualmente, existem 48 produtos químicos registrados para controle da giberela, relatados nas Indicações Técnicas da Comissão Brasileira de Pesquisa. A alternativa mais viável, na avaliação dos pesquisadores, ainda é a aplicação preventiva de fungicidas à base de triazóis, isolados ou em misturas, especialmente diante da previsão de chuvas intensas no período.

12 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Micotoxinas no trigo e seus derivados

O pesquisador da Embrapa Trigo Flávio Santana lembra que a eficiência no controle da giberela não depende exclusivamente da molécula utilizada: “Resolver o problema das doenças de espiga vai além de uma formulação ou ativo. Trata-se de um conjunto de medidas que precisam ser definidas e implementadas para que possamos maximizar os níveis de controle alcançados no campo”, destaca.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, as pesquisas indicam, em linhas gerais, que o primeiro controle da giberela deve ser realizado com fungicida quando a lavoura estiver entre 25% a 50% das espigas em florescimento, e uma segunda aplicação com 75%, o que normalmente fica em, aproximadamente, 5 a 7 dias após a primeira aplicação.

Em anos epidêmicos (chuvosos) pode ser necessário encurtar o período entre os tratamentos ou realizar uma terceira aplicação de fungicida. Em anos mais secos, considerados de baixa epidemia, um único controle tem sido suficiente.


ESTRATÉGIAS NA PÓS-COLHEITA

Esse beneficiamento vai ajudar na redução de grãos contaminados por micotoxinas, que são mais leves que os grãos sadios. Quando a infecção atinge grande quantidade, é necessário utilizar a mesa de gravidade (ou mesa densimétrica), que faz a separação por peso da massa de grãos, com capacidade de segregá-los.

Outras técnicas para reduzir os níveis de micotoxinas são equipamentos como peeling e selecionadora óptica.

O peeling realiza um “lixamento ou polimento” do grão, removendo as micotoxinas e as impurezas que estão no pericarpo, parte externa do grão.

SAIBA MAIS Em 2018, a Embrapa e a Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) lançaram a cartilha “Micotoxinas no Trigo”, publicação com orientações sobre legislação e boas práticas agrícolas.

pesquisa

Quando não é possível controlar a doença na lavoura, os grãos que chegam às unidades de armazenamento contaminados com giberela devem passar pela pré-limpeza, processo no qual são retiradas impurezas com a ajuda de peneiras e ventilação.

Em 2019, a Câmara Setorial do Trigo do Rio Grande do Sul emitiu nota técnica sobre boas práticas voltadas à redução de micotoxinas no trigo nas fases de manejo no campo e pós-colheita.

13

13 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Micotoxinas no trigo e seus derivados


pesquisa

Trabalhos realizados pelas instituições de pesquisa mostram que métodos físicos como a limpeza e a mesa de gravidade podem reduzir os níveis de micotoxina DON em até 57% na farinha de trigo. No peeling, com 30 segundos de polimento, é possível reduzir os níveis de DON em 31%. Durante processos industriais, os níveis de micotoxinas, principalmente DON, também são reduzidos. Na moagem é possível diminuir, em média, 30% da contaminação, enquanto na panificação os níveis baixam em 55%.

Os cientistas ressaltam que os resultados das diferentes estratégias não são cumulativos.

Micotoxinas no trigo e seus derivados

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14 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Micotoxinas no trigo e seus derivados

O NIR pode identificar os níveis de giberela nos grãos em segundos. O equipamento está sendo calibrado com resultados obtidos em métodos de referência para realizar análises de qualidade tecnológica e de contaminantes, visando segregar o trigo. A pesquisadora da Embrapa, Casiane Tibola, alerta que, após a colheita, devese realizar a secagem dos grãos o mais rápido possível, fazer a limpeza e seleção, descartando aqueles de menor peso, que provavelmente estão contaminados, bem como fazer o controle dos insetos que danificam os grãos e facilitam a proliferação dos fungos no armazenamento. Com o controle adequado nas diferentes

etapas na produção e na póscolheita, a contaminação por micotoxinas pode ser reduzida a um limite tolerado pelo organismo tanto de humanos quanto de animais, o que torna o consumo de derivados do trigo seguro e saudável.

A selecionadora óptica realiza a retirada do grão fora de padrão do lote por meio de jato de ar, após a leitura óptica. Esses dois equipamentos, eventualmente, são utilizados por moinhos.

Uma forma inovadora de detecção que está sendo utilizada pela pesquisa é o NIRs (tecnologia de espectroscopia no infravermelho próximo), um equipamento de alta precisão que efetua análises de alimentos por meio de radiação eletromagnética.


VARIAÇÃO NA

ESTIMATIVA

ENERGÉTICA DA

FARINHA DA SOJA PARTE III formulação

Lewis Aguirre1, Lourdes Cámara1, J.I.Barragán2 y G.G. Mateos1 1Departamento de Produção Agrária, Universidade Politécnica de Madrid (UPM) 2 Consultor Avícola

A farinha de soja (FS) é a principal fonte de proteína nas dietas de animais monogástricos no mundo. Não obstante, a FS também oferece valor energético considerável nas dietas padrão de frangos (Mateos et.al., 2019), que pode chegar a representar até 18% do total da energia necessária do animal.

15 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Variação da estimativa energética da farinha de soja


O conteúdo energético da FS depende, principalmente:

Do conteúdo e qualidade de sua fração proteica (Thakur and Hurburgh, 2007; Serrano et al., 2012). Do conteúdo de sacarose (Berrocoso et al., 2014; Ravindran et al., 2014) Do conteúdo de oligossacarídeos (Coon et al., 1990)

Diferentes instituições dedicadas à

Do conteúdo de fibra

pesquisa da composição nutricional

(Dilger et al., 2004; Ravindran et al., 2014)

das matérias primas (Tabela 1) reportaram valores de energia metabolizável aparente corrigida por

formulação

nitrogênio (EMAn) na FS (47% PB) entre 2.180 a 2.360 kcal/kg (Tabela 2).

Tabela 1: Atuais modelos para estimativa de EMAn da farinha de soja na avicultura

Modelo padrão A todas as farinhas de soja se dá um mesmo conteúdo de EMAn. Uso de valores médios reportados pelas tabelas de composição nutricional de matérias primas

Modelo WPSA, 1989

Modelo CVB, 2018 (equação geral)

Modelo CVB, 2018 (específica para FS)

Estima-se o conteúdo de EMAn da farinha de soja por uma equação de predição baseada em proteína bruta, extrato etéreo (sem hidrolise) e extrato livre de nitrogênio.

Uso de uma equação de predição considerando o coeficiente de digestibilidade da proteína bruta, extrato etéreo (HCI) e açúcares. Não é específica para farinhas de soja.

Uso de uma equação de predição considerando o conteúdo de proteína bruta, cinzas e extrato etéreo (sem hidrólise), além da fibra bruta.

16 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Variação da estimativa energética da farinha de soja


Instituição

Año

País

PB

Cinzas

EE2

EEh3

FB

Açúcares

Amido

(kcal/kg)

WPSA

1989

Europa

47,6

6,2

1,3

2,2

3,1

9,0

6,2

2.260

NRC4

2012

USA

46,7

6,1

1,5

2,8

3,8

15,1

1,8

2.390

INRA5

2018

França

47,0

6,2

1,6

2,7

5,3

8,6

5,7

2.290

CVB

2018

Países Baixos

47,3

6,5

1,6

2,7

3,8

10,0

1,1

2.180

Evonik6

2016

Alemanha

47,6

6,6

1,3

2,2

4,2

9,0

0,8

2.347

Rostagno et al.

2017

Brasil

47,7

5,9

1,8

3,1

4,5

-

3,0

2.352

Fedna7

2017

Espanha

47,0

6,3

1,7

2,9

4,6

6,7

0,0

2.275

Os valores apresentados na tabela correspondem a valores médios do país e estão acima de 88% de MS Extrato etéreo sem prévia hidrólise ácida 3 Extrato etéreo com prévia hidrólise ácida (EEh). Para tabelas que não apresentam este valor, utilizou-se uma taxa de 0,59 entre EE e EEh, estimada de acordo com o CVB (2018). 4 Valores médios de farinhas de soja dos EUA, Brasil e Argentina. 5 Valores médios de farinhas de soja do Brasil e ARG. 6 Valores médios de farinhas de soja do Brasil e USA. 7 Valores para o conteúdo de açúcar dado pela Fedna, correspondem apenas ao conteúdo de sacarose. Portanto, não é comparável com outras instituições. 1 2

Entretanto, essas instituições adotam o valor nutricional das FS como um valor constante, sendo que o mesmo pode variar por inúmeros fatores como: A origem do grão da soja (Lagos y Stein, 2017; Cámara et al., 2019) Condições ambientais e egronômicas da área de plantio do grão (Karr-Lilienthal et al., 2004) Época de crescimento e colheita, armazenamento e processamento térmico do grão da soja (Mateos et al., 2019; García-Rebollar et al., 2016)

17 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Variação da estimativa energética da farinha de soja

formulação

Tabela 2. Composição química (%) e conteúdo energético (EMAn) da farinha de soja (47% PB), de acordo com diferentes instituições dedicadas à nutrição animal.


Segundo detalha em sua publicação García-Rebollar et al. de 2016, esta metodologia se baseia principalmente no fornecimento de energia de:

formulação

Proteína bruta (PB) Extrato etéreo (EE) Extrato livre de N (ELN) Foram desenvolvidas equações de predição que nos permitem estimar o valor energético das FS, porém, é muito importante levar em consideração que

… mesmo sem considerar: A quantidade ou tipo de açúcares

entre instituições há uma variabilidade

A presença de fatores

na composição das FS.

antinutricionais (FAN)

Consequentemente, o resultado dessas equações vai ser influenciado pelos valores que a instituição está utilizando. Entre as equações de predição para estimar o valor de EMAn na avicultura se encontra a publicada pelas Tabelas Européias de Valores Energéticos para Aves (WPSA, 1989).

18 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Variação da estimativa energética da farinha de soja

A digestibilidade da PB e aminoácidos (AA) das FS


Comparação entre os valores de EMAn reportados por diferentes instituições Neste artigo apresentamos uma comparação entre os valores de EMAn reportados por diferentes instituições (Tabela 3), onde foram utilizadas 3 equações de predição da EMAn em avicultura para a FS (principalmente galos). A EMAn que se observou na Tabela 3, foi estimada com base nas equações de predição recomendadas pela WPSA (1989) e outras do CVB (2018).

Instituição

Ano

País

WPSA2

CVB3

CVB4

WPSA

1989

Europa

2.260

2.266

2.211

NRC4

2012

USA

2.266

2.315

2.186

INRA5

2018

França

2.253

2.255

2.138

CVB

2018

Países Baixos

2.277

2.180

2.195

Evonik6

2016

Alemanha

2.267

2.130

2.160

Rostagno et al.

2017

Brasil

2.289

-

2.198

Fedna7

2017

Espanha

2.269

-

2.185

formulação

Tabela 3. Energia metabolizável por nitrogênio (EMAn) para farinha de soja, conforme diferntes equações de predição (Kcal/kg 88% MS).

Foram utilizados valores médios para a composição química das FS, publicados por diferentes tabelas de composição nutricional para calcular a EMAn das FS, principalmente em galos. 2 Equação da farinha de soja em galos, calculada de acordo com as tabelas européias (WPSA, 1989). Baseada no conteúdo de PB, extrato etéreo (sem hidróliise) e extrato livre de nitrogênio. 3 Equação geral para o cálculo de EMAn para frangos, CVB (2018). Considera o coeficiente de digestibilidade da PB, fibra neutro detergente e o conteúdo dos açúcares. 4 Equação para o cálculo de EMAn em farinha de soja, CVB (2018). Considerar o conteúdo de PB, cinzas e extrato etéreo (sem hidrólise) e a fibra bruta. 1

19 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Variação da estimativa energética da farinha de soja


Cada equação utilizada será explicada a seguir:

1

Equação para estimar EMAn da WPSA (1989)

EMA n (kcal/kg MS) = 15,69 × PB (g MS /kg) + 19,41 × EE (g MS /kg) + 6.236 × ELN (g MS /kg)

formulação

ELN = extrato livre de nitrogênio EE = extrato etéreo sem hidrólise prévia com HCI Estimou-se uma graduação entre EE e EE com hidrólise a partir dos dados publicados pelo CVB (2018), sendo 0,59

2

Equação para estimar EMAn geral para frangos de corte do CVB (2018)

EMA n (kcal/kg MS) = (18,03 × CDPB + 38,83 × CDEETh + 17,32 × CD (almidón + azúcar)/1000

CDPB = coeficiente digestibilidade da PB CDEETh = coeficiente de digestibilidade do EE após hidrólise ácida CD (amido + açúcar) = digestibilidade do amido + açúcar Todos os parâmetros foram expressos em g/kg.

O coeficiente de digestibilidade utilizado para a PB nesta equação de predição de EMAn foi 0,85, sugerido pelo CVB (2018). Para o EE, o amido e o açúcar, o coeficiente de digestibilidade foi de 0,71 e 0,60, respectivamente.

20 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Variação da estimativa energética da farinha de soja


3

Equação para estimar EMAn recomendada especificadamente para a HS (principalmente em galos) do CVB (2018)

EMA n (kcal/kg MS) = [7.690-7,69 × cenizas (g MS/kg) + 6.464 × PB (g MS /kg) + 29,43 × EE (g MS /kg) - 16,09 × FB (g MS/kg)]/1.000

Desvantagens das equações de predição utilizadas

formulação

Para o cálculo da EMAn estimouse os níveis entre EE e EE com hidrólise a partir dos dados publicados pelo CVB (2018), sendo 0,59.

As equações de predição são ferramentas muito úteis para avaliar o conteúdo de EMAn na avicultura. Porém, estas equações são gerais e não consideram fatores que podem afetar o valor nutricional e a qualidade das HS, causando possíveis sobre, ou subavaliações do conteúdo energético nas FS (Serrano et al., 2012; Mateos et al., 2019).

21 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Variação da estimativa energética da farinha de soja


Interferência na avaliação Um possível problema na hora de calcular o valor energético a partir destas equações é que o método utilizado para analisar os componentes principais pode interferir na avaliação.

formulação

Por exemplo, o conteúdo de EE pode variar conforme o tipo de processamento, com um valor mais alto de EE para as FS quando utilizada a hidrólise ácida prévia.

Equações não atualizadas Outra observação a ser destacada é que a equação da WPSA, que é amplamente utilizada para estimar a EMAn na avicultura, é uma equação com mais de 32 anos de existência, o que a pode fazer não ser tão precisa como exigido atualmente (Mateos et al., 2019). Esta equação utiliza o extrato livre de nitrogênio (ELN) como variável principal na estimativa do conteúdo energético. Esta variável não tem significado tão claro, já que é obtida da diferença entre 1.000 e o conteúdo proximal das análises. Ravindran et al. (2014) e Lagos e Stein (2017) observaram uma maior digestibilidade de PB e maior conteúdo de sacarose para as FS dos EUA, em comparação às FS do Brasil (BRA), Argentina (ARG) e Índia.

Consequentemente, a energia proveniente da fração lipídica das FS pode ser diferente entre amostras, inclusive, quando a FS tem conteúdo proteico e de EE iguais.

Se utilizássemos a equação dada pela WPSA (1989) as FS dos EUA seriam penalizadas, já que não se teria em consideração o potencial de maior digestibilidade da fração proteica e maior conteúdo de açúcar nas FS (Mateos et al., 2019). Outro possível aporte energético que não é avaliado por esta equação é o conteúdo de oligossacarídeos (principalmente estaquiose), que mesmo que seja considerado como um fator antinutricional e não possa ser digerido por animais monogástricos, pode chegar a realizar um aporte extra de energia, principalmente em animais adultos, produto das fermentações (Coon et al., 1990).

García-Rebollar et al. (2016) reportou maior conteúdo de oligossacarídeos para as FS dos EUA, em comparação às do Brasil e Argentina.

22 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Variação da estimativa energética da farinha de soja


Devido às variações no conteúdo energético das FS reportadas em diferentes estudos (García-Rebollar et al., 2016; Mateos et al., 2019), é preciso continuar trabalhando para desenvolver um modelo de equação de estimativa energética nas FS e, assim, obter uma avaliação mais clara, ou menos variável do conteúdo de EMAn das FS.

formulação

Atualmente, busca-se desenvolver um modelo onde se considere os aportes de EMAn (kcal/kg) por cada uma das frações nutricionais da HS. Por exemplo, a fração de proteína, gordura, fibra (FB, FND e fibra solúvel), açúcares e oligossacarídeos. Também é importante mencionar que, conforme o tipo de análise para determinar o conteúdo de EE é possível haver diferenças nos resultados da fração gorda (NRC, 2012). Portanto, para desenvolver este modelo, sugerese utilizar apenas uma analítica. Sendo a análise de EE com hidrólise ácida prévia (HCI).

23 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Variação da estimativa energética da farinha de soja


Modelo a desenvolver (Universidade Politécnica de Madrid - UPM) Aporte de EMAn (kcal/kg) por parte de PB = Energia bruta da PB (kcal/kg) x coeficiente de digestibilidade (%) x eficácia da energia digestível a energia metabolizável (%) x o conteúdo de PB (%) Aporte de EMAn (kcal/kg) por parte de EE (HCl) = energia bruta do EE (kcal/kg) x digestibilidade EE (%) x o conteúdo do EE (%)

formulação

Aporte de EMAn (kcal/kg) por parte de la sacarosa = energia bruta da sacarose (kcal/kg) x digestibilidade sacarose (%) x conteúdo de sacarose (%) Aporte de EMAn (kcal/kg) por parte de los oligosacáridos = energía bruta dos oligossacarídeos (kcal/kg) x digestibilidade dos oligossacarídeos (%) x o conteúdo dos oligossacarídeos (%) Aporte de EMAn (kcal/kg) por parte da FND = energia bruta da FND (kcal/kg) x digestibilidade FND (%) x el conteúdo da FND (%) Aporte de EMAn (kcal/kg) por parte da fibra solúvel (FS) = energia bruta da FS (kcal/kg) x digestibilidade FS (%) x conteúdo da FS (%) EMAn total = ∑ PB + EE + sacarose + oligossacarídeos, FND + fração da fibra solúvel A bibliografia se encontra disponível mediante solicitação

24 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Variação da estimativa energética da farinha de soja

Variação da estimativa energética da farinha de soja

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FEED FRAUD E FEED DEFENSE -

ALÉM DO CONCEITO DE FOOD SAFETY

COVID-19

Dione Carina Francisco Med. Vet., Mestre em Agronegócios, Especialista em Controle de Qualidade, Auditora Líder HACCP

E

stamos há vários meses experimentando coletivamente situações que nos tiram da zona de conforto e nos obrigam a

nos adaptarmos a uma nova realidade frente à pandemia que a COVID-19 nos trouxe, e essa disrupção terá efeitos não apenas na maneira como agimos, mas também impactará a cadeia de fornecimento da indústria de alimentação animal em graus variados.

Os ataques relacionados à defesa dos alimentos – feed defense - também estão se tornando cada vez mais comuns à medida que há um aumento do interesse de grupos extremistas que discordam da produção animal para a transformação em alimentos, assim como colaboradores insatisfeitos das próprias empresas ou

As interrupções na cadeia de suprimentos, que já são uma verdade para algumas matérias-primas e insumos, levam a ajustes que os fornecedores serão obrigados a fazer e é nesse momento que

mesmo por parte de terceiros. Cyber ataques também vêm ganhando destaque já que dependemos cada vez mais da tecnologia.

aumenta o risco de fraude.

25 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Feed fraud e feed defense - além do conceito de food safety


Segundo o Food and Drug Administration (FDA), “atos de adulteração intencional podem assumir várias formas: atos que visam causar danos à saúde

Um sinônimo para defesa dos alimentos é terrorismo alimentar, conforme a World Health Organization (WHO), a qual acrescenta como potenciais efeitos impactos sobre a estabilidade política e social dos países.

pública em larga escala, atos de terrorismo com foco no

Conforme o Global Food

abastecimento de alimentos,

Safety Initiative (GFSI) fraude alimentar é uma

atos de funcionários descontentes,

forma de enganar os

consumidores ou concorrentes,

consumidores ao usarem produtos alimentares,

adulteração com motivação econômica (EMA)”.

ingredientes e embalagens para obter ganhos

COVID-19

econômicos. É importante salientar que a Esse conceito aborda tanto a parte de defesa quanto a de

fraude pode ser realizada em qualquer elo da cadeia de suprimentos.

fraude dos alimentos, sendo que a principal diferença entre elas é a motivação. Embora ambas possam causar problemas de saúde tanto nos

Podemos apontar os seguintes benefícios da implantação de um programa de feed fraud e feed defense:

animais quanto em humanos

Atendimento a requisitos de clientes

e ter impactos econômicos,

– clientes que já têm implementado

é importante determinar se a

o programa buscam fornecedores no

motivação foi ideológica ou se

mesmo nível de adequação;

foi para um ganho econômico.

Atendimento a requisitos regulatórios - estar em conformidade com a legislação

A defesa dos alimentos é a proteção de produtos alimentícios contra contaminação ou adulteração, com o objetivo de

vigente para integridade dos produtos; Aspecto econômico – evita perdas financeiras devido a recall e processos;

causar danos à saúde pública ou

Marca – evita prejuízos relacionados

perturbações econômicas (USDA),

à falta de credibilidade da marca com

e pode ocorrer em qualquer ponto

eventos relacionados à fraude;

da cadeia de alimentos.

Proteção - de funcionários, clientes e consumidores.

26 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Feed fraud e feed defense - além do conceito de food safety


Podemos apontar os seguintes benefícios da implantação de um programa de feed fraud e feed

Para que um plano de Feed Defense

defense:

seja efetivo, precisa contemplar as

Extorcionistas: querem lucrar com um

seguintes estratégias:

ataque, mas não querem ser pegos, então

Prevenir: impedir a entrada/ação

concentram-se em evitar a detecção. É

do sabotador, sendo esta a opção

mais provável que o alvo deles sejam marcas

mais importante.

conhecidas com muito a perder caso haja uma publicidade negativa.

Mitigar: minimizar os efeitos econômicos e para a saúde.

Indivíduo Irracional: Alguns indivíduos não têm um motivo racional para suas ações. Suas prioridades e preocupações são distorcidas, de modo que são incapazes de fazer uma avaliação equilibrada do mundo.

Responder: parar o efeito das ações do sabotador. Recuperar: estar preparado para retomar às atividades comerciais.

Oportunistas: podem ocupar uma posição poder escapar dos controles internos. Seu principal ativo é o acesso.

A palavra de ordem para feed defense é

vulnerabilidade

Indivíduos insatisfeitos: acreditam que a

Influenciam na vulnerabilidade de uma

organização tem sido injusta com eles e

empresa como são:

buscam vingança. Pode ser um colaborador, fornecedor, cliente...

COVID-19

influente dentro de uma operação para

tratadas as matérias-primas; a área externa e interna da empresa;

Extremistas: levam suas causas a sério e distorcem e negligenciam o contexto e questões mais amplas. Extremistas podem querer causar danos e provavelmente aproveitam a publicidade após o evento.

as instalações; as pessoas; (pela forma como são contratadas; demitidas); como é a entrada de terceiros; o recebimento de materiais; entre tantos outros pontos, que vão

Cibercriminosos: visam subverter os

além da análise que costumamos fazer

controles e sistemas informatizados de

com o uso de outras ferramentas da

informação e comunicação a fim de

qualidade como o HACCP.

impedi-los de trabalhar de forma eficaz, para roubar ou para corromper os dados que eles mantêm e/ou para interromper negócios na Internet. Sua motivação pode ser criminosa ou mesmo política, mas também pode ser para demonstrar sua experiência e capacidade de vencer qualquer sistema de proteção planejado para detê-los.

Um exemplo de ir além é a prevenção da invasão de sistemas por hackers, ou o tratamento dado a correspondências, que podem trazer algum material que ofereça um perigo às pessoas ou aos produtos.

27 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Feed fraud e feed defense - além do conceito de food safety


Perceba, com base nos fatores de risco No caso de acesso a sistemas das

acima, que uma análise de vulnerabilidade à

empresas, o hacker pode invadir

fraude é composta por elementos relativos

fórmulas e modificá-las, parar o processo

à matéria-prima (ou produto), mas também

produtivo, ter acesso a informações das

aos fornecedores, como localização, ética e

áreas técnicas, de qualidade, acesso a

controle regulatório dos países e empresas,

dados de clientes e fornecedores e agir

e às empresas, como relações comerciais

como se fosse a empresa, provocando

e análises de recepção, monitoramento e

diversos danos de ordem legal,

verificação de matérias-primas e produtos,

econômica, de saúde dos animais

além de possíveis anomalias econômicas e

e pública e também à marca.

questões emergentes, como a COVID-19.

Em outras palavras, existe um risco De acordo com o FDA, o plano de defesa alimentar deve incluir:

FDA

associado às matérias-primas, aos fornecedores e à própria empresa.

COVID-19

Avaliação de vulnerabilidade Estratégias de mitigação Procedimentos de monitoramento Ações corretivas de defesa Verificações

IFS Em casos de fraude, de acordo com o International Featured Standards (IFS), existem vários fatores de risco que devem ser considerados para a constituição ou não da mesma: Histórico de incidentes de fraudes no produto Fatores econômicos

De acordo com o FAMI-QS,

“os adulterantes introduzidos por fraude em

alimentos para animais são frequentemente substâncias não convencionais e, portanto, não previstos pelos sistemas de gestão da segurança dos alimentos para animais e só se tornam conhecidos após terem entrado na cadeia de abastecimento. Embora a grande maioria dos casos de fraude relatados em rações não resulte em uma ameaça à saúde humana, atos de fraude em rações podem criar uma vulnerabilidade quando substâncias adulterantes perigosas forem adicionadas ou o produto for manuseado incorretamente e, portanto, tornam-se perigosos quando consumidos”.

Facilidade para a prática fraudulenta Complexidade da cadeia de suprimentos

A prevenção à fraude de alimentos para

Medidas de controle atualmente

animais tem como aspectos chave a

existentes para a detecção da fraude

transparência e relacionamentos bem estabelecidos com fornecedores.

28 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Feed fraud e feed defense - além do conceito de food safety


Segundo Spink J, and Moyer DC, (2011), são diversos os tipos de fraudes existentes:

Embora o programa de feed fraud seja relativamente novo, a fraude não é um

Adulteração: um componente do produto

assunto desconhecido, muitas vezes ela está

final é fraudulento;

acontecendo mas as empresas ainda não

Falsificação: o produto ou embalagem legítimos são usados de forma

estão preparadas para enfrentá-la, sendo assim, a vulnerabilidade de uma empresa varia conforme a motivação e oportunidade

fraudulenta;

para a ocorrência de fraudes e em como

Over-run: O produto legítimo é produzido em excesso de produção fora de acordos;

são os controles para identificação de fraudes. O mesmo ocorre com o programa de feed defense, mesmo que ainda não seja

Roubo: O produto legítimo é produzido

muito conhecido, os eventos que nele são

em excesso de produção fora de acordos;

tratados já ocorreram em diversas empresas.

Desvio: A venda ou distribuição de produtos legítimos fora dos mercados pretendidos;

Esses dois programas são complementares ao HACCP haja vista que esta ferramenta aborda apenas contaminações não intencionais. COVID-19

Simulação: O produto ilegítimo foi projetado para parecer, mas não copiar exatamente o produto legítimo; Contrafação: O produto ilegítimo foi projetado para parecer, mas não copiar exatamente o produto legítimo; Assim como ocorre no plano de feed defense, é de suma importância fazer uma avaliação de vulnerabilidade ante à fraude, após identificar as vulnerabilidades que são significativas, definir medidas de prevenção e estabelecer medidas de controle. Em ambos os casos a capacitação do pessoal envolvido é fundamental para o sucesso dos planos. O FDA enaltece, no caso de defesa dos alimentos, a importância dos colaboradores, os quais são a primeira linha de defesa das empresas e por isso devem ser capacitados para reconhecer alguma situação incomum, garantindo a proteção de matérias-primas, produto acabado e instalações.

Feed fraud e feed defense - além do conceito de food safety

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29 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Feed fraud e feed defense - além do conceito de food safety


A CASCA DO OVO

ESTRUTURA, FORMAÇÃO & QUAIS FATORES AFETAM SUA QUALIDADE Alejandro Rodriguez Navarro

qualidade do ovo

Departamento de Mineralogia e Petrologia, Universidade de Granada, Espanha.

A qualidade do ovo é de suma importância para os consumidores. Em particular, a qualidade da casca é um fator muito importante para a segurança alimentar do ovo, já que se estiver danificada, ou carente de cutícula, os ovos são mais suscetíveis à contaminação por bactérias.

Por outro lado, a postura dos ovos e, em particular, o processo de formação da casca do ovo, são processos muito caros ao organismo da galinha. Fazem com que a produção dos ovos e a qualidade das cascas dos mesmos deteriorem-se com a idade das galinhas durante o período de postura intensiva. Manter a produção de ovos e, em particular, a qualidade da casca do ovo através de ciclos extendidos de produção (até que as galinhas tenham 100 semanas) é um desafio muito importante da indústria. Desafio que pode ser superado a partir de programas de seleção geneticamente assistida e nutrição adequada da galinha durante o período de postura.

30 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | A casca do ovo: estrutura, formação & quais fatores afetam sua qualidade


A produção sustentável de alimentos é um dos desafios mais importantes da nossa sociedade em um contexto de aumento constante da população mundial. O ovo é um dos alimentos mais completos, importantes e baratos da nossa dieta, rico em proteínas, vitaminas e ácidos gaxos. No entanto, a má qualidade da casca do ovo é um risco importante para a segurança alimentar do mesmo, já que os ovos com casca danificada contaminam-se mais facilmente por bactérias (Salmonella) (Travel et al., 2011).

A casca do ovo é composta por membranas orgânicas, capa mineral e a cutícula que recobre a superfície externa da casca (Figura 1). As membranas da casca do ovo são uma rede de fibras de colágeno (principalmente tipo X), glicoproteínas e proteínas. Há uma membrana interna mais fina, localizada sobre a membrana limitante que rodeia a clara do ovo, além de uma membrana externa mais grossa unida aos sítios mamilares (parte interna da capa mineral). A parte mais grossa da capa mineral é constituída de cristais colunares de calcita (carbonato cálcico).

A casca do ovo é uma capa mineral fina (aproximadamente 350 micras de espessura), que protege o conteúdo do ovo contra impactos mecânicos, desidratação e contaminação por microorganismos (Nys et al., 1999; Hincke et al., 2012). Esta capa é perfurada po inúmeros poros que permitem a troca de gases necessária para a respiração do embrião. Também fornece o cálcio necessário para o desenvolvimento do esqueleto.

ovo é coberta pela cutícula, uma capa orgânica muito fina (de poucas micras de espessura), que tampa os poros, controlando a permeabilidade da casca e evitando a entrada de bactérias através da mesma (Muñoz et. al. 2015). A cutícula contém proteías (lisozima) e lipídeos com potente atividade antimicrobiana. Portanto, a cutícula, estando presente, é uma barreira efetiva contra a penetração de bactérias e é de grande importância para a segurança alimentar do ovo. É por isso que as normativas europeias não permitem a lavagem dos ovos, já que esta prática pode danificar e, inclusive, eliminar por completo esta capa protetora. Figura 1. Ultra estrutura e microestrutura da casca do ovo. Imagens de microscopia eletrônica da superfície externa da casca do ovo com a cutícula (A) e da seção transversal da casca (B). PL, ML e SM: capa paliçada, camada mamilar e membranas, respectivamente. A barra de escala equivale a 100 micras.

31 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | A casca do ovo: estrutura, formação & quais fatores afetam sua qualidade

qualidade do ovo

Finalmente, a superfície exterior da casca do Neste artigo vamos descrever detalhadamente a estrutura da casca, sua formação, quais fatores determinam sua qualidade e como podem ser melhorados.


FORMAÇÃO DA CASCA As galinhas poedeiras têm adaptações fisiológicas específicas para a postura de ovos (Nys e Le Roy, 2018). Quando as galinhas alcançam a maturidade sexual, aproximadamente às 16 semanas de idade, os níveis de estrógeno aumentam e o oviducto começa a crescer muito rapidamente. Duas semanas depois, botam seu primeiro ovo.

qualidade do ovo

A formação e mineralização da casca do ovo é um processo que requer uma grande quantidade de cálcio. As galinhas necessitam mobilizar mais de 2g de cálcio ao dia, o que equivale a 10% de seu cálcio corporal total. Em geral, o cálcio provém, em parte da dieta e, em parte do esqueleto. Para obter um fornecimento adequado de cálcio, estimula-se a formação de vitamina D, que aumenta a absorção de cálcio pelas paredes do intestino e do útero.

Além disso, as galinhas desenvolvem um novo tipo de osso dentro das cavidades da medula de seus ossos longos - osso medular - que é metabolicamente ativo e pode ser reabsorvido mais facilmente para liberar cálcio. O osso medular serve como depósito de cálcio para a calcificação da casca do ovo durante a noite, quando as galinhas não comem e o fornecimento de cálcio intestinal se esgota.

Durante o ciclo diário da postura, há mudanças notáveis na fisiologia das galinhas, que necessitam transportar grandes quantidades de íons de cálcio e carboidrato através do tecido uterino (Nys e Le Roy, 2018). Pela tarde, imediatamente antes de começar a formação da casca do ovo, as galinhas desenvolvem um apetite específico pelo cálcio e, durante a noite, quando se forma a casca do ovo, estimula-se a produção de vitamina D, o que aumenta a absorção de cálcio pelos tecidos do intestino. Além disso, a reabsorção do osso medular permite transferir cálcio, de forma constante, para a formação da casca do ovo quando as reservas de cálcio da dieta tenham sido esgotadas. Por outro lado, durante a formação da casca do ovo, as galinhas poedeiras hiperventilam para obter CO2 respiratório suficiente, a partir do qual formam-se íons de carbonato.

O processo de calcificação da casca é a etapa mais longa do processo de formação do ovo (Nys et al., 1999). A mineralização da casca do ovo ocorre no útero e dura aproxidamente 18 horas, terminando com a deposição da cutícula, aproximadamente 1 hora antes da oviposição (expulsão).

A formação do osso medular começa, aproximadamente, duas semanas antes da postura do primeiro ovo (Whitehead, 2004).

32 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | A casca do ovo: estrutura, formação & quais fatores afetam sua qualidade


A QUALIDADE DA CASCA CASCA

Estes ovos não podem ser comercializados, o que provoca perdas econômicas substanciais para a indústria produtora (Hamilton et. al. 1979). A má qualidade da casca representa ainda um risco importante para a segurança alimentar do ovo, já que os ovos com casca danificada são mais facilmente contaminados por bactérias.

A qualidade da casca depende de muitos fatores, entre os quais idade, genética e nutrição, assim como fatores ambientais (tipo de gaiolas, progamas de iluminação) (Dunn et. al., 2009; Nus, 2017). Em particular, a qualidade da casca dos ovos deteriora-se com a idade da galinha.

Hoje, o aumento do peso com a idade foi reduzido a partir da seleção das galinhas. Mesmo assim, o percentual de peso da casca e a grossura da casca do ovo tendem a diminuir à medida que a galinha envelhece. Ainda assim, há mudanças notáveis, com a idade da galinha, nas características estruturais da casca do ovo (diminuição da densidade mamilar e menor união entre a parte mineral e a membrana; aumento do tamanho dos cristais de calcita; diminuição da quantidade de cutícula), que reduzem as propriedades mecânicas e a qualidade e integridade da casca do ovo (Rodriguez-Navarro et. al., 2002;

qualidade do ovo

A quantidade de ovos com a casca danificada corresponde, aproximadamente, a cerca de 6-8% da produção total.

Robert et al., 2013). Este problema é suscetível de agravar-se agora que a indústria tem como objetivo estender o período de postura em galinhas até 100 semanas, para alcançar uma produção de 500 ovos

Por exemplo, o percentual de ovos danificados pode aumentar a até 20-30% da produção, em galinhas ao final do período de postura (65-70 semanas de idade). Esta é uma das principais razões para limitar o ciclo de produção até as 70 semanas de idade, ou um ano de postura (Travel et. al., 2011; Bain et. al., 2016).

por galinha em apenas um ciclo. É por isso que existe muito estresse na busca de soluções para manter o rendimento das galinhas e a qualidade do ovo

A diminuição gradual da qualidade da casca do ovo (a resistência à ruptura) com a idade da galinha deve-se, em parte, ao fato de a quantidade de mineral depositada manter-se quase constante durante o ciclo de produção (aproximadamente 6g), enquanto o tamanho do ovo aumenta ligeiramente com a idade da galinha (de 60 a 67g).

durante períodos de produção mais longos. (Bain et al., 2016; Nys, 2017).

33 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | A casca do ovo: estrutura, formação & quais fatores afetam sua qualidade


qualidade do ovo

Sabe-se que, tanto a produção de ovos, como a qualidade da casca, é, em grande medida, geneticamente determinada, o que permitiu aumentar estes parâmetros a partir de programas de seleção assistidos geneticamente (Dunn et al., 2009; Bain et al., 2016). No entanto, a postura intensiva de ovos exige muito do organismo, razão pela qual é necessário que se faça uma manutenção ótima das condições de saúde das galinhas para alcançar o potencial genético das mesmas. Uma nutrição adequada da galinha durante todo o período de postura, com níveis ótimos de cálcio e elementos traço (Mn, Zn, Cu) é elemento chave para manter a saúde geral da galinha, para acúmulo suficiente de cálcio no osso medular e formação e manutnção dos tecidos do oviduto em ciclos de postura prolongados, mantendo uma boa qualidade da casca (Nys 2017). Biografia disponível sob consulta.

CONCLUSÕES A qualidade da casca do ovo é um fator muito importante para a segurança alimentar do mesmo. Manter a produção de ovos e, em particular, a qualidade da casca do ovo através de cliclos estendidos de produção (até 100 semanas) é um desafio muito importante da indústriaindústria, que pode ser superado a partir da seleção genética de galinhas. No entanto, a nutrição adequada da galinha durante o período de postura é elemento chave para manter a saúde geral da poedeira e, assim, alcançar seu potencial genético. A casca do ovo: estrutura, formação & quais fatores afetam sua qualidade

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34 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | A casca do ovo: estrutura, formação & quais fatores afetam sua qualidade


ALIMENTAÇÃO DE PRECISÃO NO CONTEXTO DA SUINOCULTURA ATUAL Dra. Ines Andretta Professora e pesquisadora, Faculdade de Agronomia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

alimentação

Dr. Marcos Kipper Médico Veterinário, Consultor técnico em nutrição

A

alimentação por fases é a técnica mais utilizada no período de crescimento e terminação dos suínos.

Esta estratégia baseia-se no fornecimento de uma série de dietas, a fim de prover alimentos que atendam as exigências nutricionais dos animais de acordo com sua evolução no tempo. Em cada fase, todos os animais do grupo são alimentados com a mesma ração. Embora amplamente utilizada, esta técnica desconsidera que os animais do mesmo rebanho apresentam diferentes taxas de crescimento e, portanto, requerem diferentes quantidades de nutrientes entre si e ao longo do tempo.

36 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Alimentação de precisão no contexto da suinocultura atual


Na prática, a adequação da formulação das dietas de acordo com as exigências nutricionais dos animais é uma tarefa complexa, principalmente em função da variabilidade entre os indivíduos. Um melhor ajuste entre o fornecimento e as exigências nutricionais poderia ser atingido com o aumento do número de fases/dietas

Porém, na medida em que são acrescidas

A utilização de nutrientes pelos suínos

fases alimentares, também aumentam

pode ser descrita como um processo

os custos envolvidos na preparação,

dinâmico, resultado da interação

no transporte e no armazenamento

entre o animal (potencial genético,

dos alimentos. O impacto econômico

idade e sexo), as características da

e logístico do aumento no número

dieta (composição de ingredientes,

de fases alimentares pode tornar

digestibilidade, presença de fatores

esta técnica inviável para os sistemas

antinutricionais e disponibilidade

produtivos convencionais.

metabólica dos nutrientes) e os

alimentação

durante o período de crescimento dos suínos.

fatores ambientais (temperatura, pressão sanitária, disponibilidade de espaço e tamanho do grupo).

Exigências nutricionais de animais em crescimento

As exigências nutricionais utilizadas para formular as dietas são estimadas pelos métodos empírico e fatorial.

maneira a atender as exigências dos animais com a máxima exatidão possível depende fundamentalmente da correta estimação das exigências nutricionais dos suínos. É de conhecimento geral que o crescimento dos animais decorre do suprimento adequado de nutrientes.

Método Empírico

O ajuste da oferta de nutrientes nas dietas de

As exigências são estabelecidas para maximizar ou minimizar um ou vários parâmetros de desempenho, avaliando as respostas de grupos de animais diante de diferentes concentrações de um determinado nutriente na dieta. Nestes casos, as recomendações

Aminoácidos, minerais, vitaminas e água devem ser fornecidos em quantidades apropriadas e em formas que sejam palatáveis e metabolicamente disponíveis.

nutricionais propostas são baseadas nas respostas dos animais aos tratamentos, determinando o nível do nutriente que proporciona o melhor resultado produtivo.

37 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Alimentação de precisão no contexto da suinocultura atual


Diversos estudos têm sido desenvolvidos utilizando esta técnica com o objetivo de determinar as exigências nutricionais de suínos em crescimento. Porém, o máximo ganho de peso ou a melhor eficiência alimentar podem não coincidir com a melhor resposta econômica. Além disso, a resposta de uma população em relação à ingestão de nutrientes pode variar em função de diversos fatores, inclusive das condições ambientais em que o estudo foi realizado. Esta variação dificulta a extrapolação dos resultados de pesquisa para unidades de produção que não compartilhem das mesmas características de criação (fatores alimentação

ambientais, potencial genético dos animais, entre outros). Mesmo em condições de produção

Em resumo, esses

semelhantes, as recomendações nutricionais

métodos são utilizados

também podem variar de acordo com os

na produção animal para estimar as

métodos estatísticos utilizados na análise

exigências de uma população com

dos dados experimentais, principalmente

base em um único indivíduo (método

no que se refere à escolha dos modelos

fatorial) ou na resposta de um grupo

para descrever a resposta da população aos

de animais (método empírico).

Método Fatorial

níveis nutricionais testados.

As técnicas de modelagem

As exigências diárias são estimadas

matemática também estão sendo

pela soma das demandas para

amplamente utilizadas para a

mantença e para produção em cada

descrição do crescimento dos

nutriente, levando em conta a eficiência

suínos, simulando o desempenho

com que este nutriente é utilizado para

de um indivíduo de acordo com as

as funções metabólicas.

condições de alojamento ou com

Nesta metodologia, as exigências são estimadas para um único indivíduo em um período específico (ponto no crescimento). A escolha do indivíduo a ser utilizado como

o aporte nutricional fornecido aos animais. Porém, estas simulações são muitas vezes realizadas de forma determinista, considerando apenas um animal médio do rebanho.

referência para a população é um dos principais desafios para o uso desta metodologia.

38 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Alimentação de precisão no contexto da suinocultura atual


Exigências nutricionais no contexto de populações

A variabilidade dentro dos rebanhos resulta de fatores intrínsecos ou extrínsecos que podem influenciar o desempenho dos animais.

Um enfoque diferenciado é necessário para contexto de populações. Nesta abordagem, a

O sexo, a idade e

fatores intrínsecos

estimar as exigências nutricionais de animais no

o potencial genético são exemplos de fatores de variabilidade intrínseca.

definição dos programas alimentares deve iniciar pela avaliação da

Já os fatores extrínsecos são aqueles

variabilidade no grupo a ser alimentado.

relacionados com o ambiente físico e social ao qual o animal é exposto.

do animal médio da população’ são conceitos distintos e que a diferença entre as abordagens é resultado da variabilidade

Como fatores extrínsecos podem ser citados a disponibilidade de alimento e água, a temperatura ambiental e também a exposição

alimentação

‘resposta média da população’ e a ‘resposta

fatores extrínsecos

É importante observar, por exemplo, que a

aos agentes patogênicos.

entre os animais.

Além disso, a intensidade com

Assim, em populações heterogêneas,

que estes fatores interferem

quando a resposta média de uma população

no desempenho varia em cada

a uma determinada estratégia alimentar é

indivíduo e esta característica de

estimada considerando todos os indivíduos

susceptibilidade ou resistência

do grupo, os resultados obtidos irão diferir

pode acentuar a variabilidade

em forma e amplitude daqueles observadas

entre os animais dentro de uma

no indivíduo médio da mesma população.

mesma população.

Lisina digestível, g/día

35 30 25 20 15 10 5

1

8

15

22

29

36

43 Período, días

50

57

64

71

78

85

Figura 1. Exigências de lisina digestível estimadas diariamente e individualmente em um grupo de suínos em crescimento (descrição dos animais disponível em Andretta et al., 2016a)

39 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Alimentação de precisão no contexto da suinocultura atual


Lisina digestível mas diestas, %

Alimentação convencional Exigência média Animal com maior exigência

1.2 1.0 0.8 0.6 0.4 0.2

1

8

15

22

29

36

43 Período, días

50

57

64

71

78

85

1

Figura 2. Comparativo entre os níveis de lisina digestível fornecidos em um programa de alimentação convencional em fases (informações de uma indústria canadense) e as exigências nutricionais médias1 e máximas2 estimadas diariamente e individualmente para um grupo de suínos em crescimento (descrição dos animais disponível em Andretta et al., 2016a)

alimentação

1 Média aritmética das exigências diárias simuladas para cada indivíduo da população em estudo. 2 Animal da população referência que apresentou a exigência mais alta em cada dia avaliado.

Trabalhar com populações heterogêneas

Alimentação de precisão para suínos em crescimento

é um dos maiores desafios da alimentação animal. O fato de cada animal da população possuir características únicas confere uma trajetória de exigências nutricionais diferente para cada indivíduo do grupo. Porém, os sistemas convencionais de alimentação animal desconsideram esta variabilidade (diferenças entre populações e também entre animais de uma mesma população) quando propõe que todos os animais sejam alimentados com a mesma dieta. Neste contexto, uma das premissas fundamentais para a alimentação de precisão é de que estes aspectos de variabilidade sejam considerados na elaboração dos programas alimentares a serem utilizados em lotes de animais.

Os avanços na tecnologia de automação e na engenharia de processos permitiram que os sistemas de criação animal evoluíssem muito em termos de gerenciamento integrado da produção. Atualmente, a indústria de equipamentos para alimentação, monitoramento de animais e controle ambiental oferece muitas opções de produtos para a suinocultura, permitindo que grande parte das atividades de rotina seja automatizada nas granjas. Neste contexto de modernização dos meios de produção, a zootecnia de precisão foi apresentada como uma estratégia de gestão inteligente com diversas vantagens sobre os sistemas convencionais.

40 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Alimentação de precisão no contexto da suinocultura atual


O uso de ferramentas tecnológicas para a gestão mais competitiva. Estas novas tecnologias se adequam às exigências dos mercados consumidores por produtos sustentáveis e com qualidade sanitária garantida por rastreabilidade. A zootecnia de precisão também pode ser utilizada pela indústria como ferramenta facilitadora na tomada de decisão. Além disso, o uso de técnicas de precisão pode beneficiar o produtor, que dispõe de mais controle sobre o rebanho e seus índices produtivos. Em sistemas convencionais, os suínos que

Estudos desenvolvidos pela equipe de pesquisadores do Agriculture and Agri-Food Canada, em parceria com universidades brasileiras como a UFRGS e a UNESP-Jaboticabal, mostraram que a alimentação de precisão pode diminuir em até 27% o consumo de lisina digestível e em até 30% a excreção de nitrogênio para o meio ambiente em relação aos sistemas convencionalmente utilizados na suinocultura.

são criados em grupos geralmente não têm

Uma simulação realizada na condição

seus dados avaliados individualmente, com

brasileira utilizando a metodologia de

exceção daqueles utilizados em programas

análise de ciclo de vida indicou que o

de melhoramento genético. Mas alguns

uso de programas de alimentação de

sistemas de precisão permitem que os

precisão apenas na fase de crescimento

suínos sejam tratados como indivíduos

e terminação pode reduzir em até 6% o

com características distintas, considerando

impacto de mudança climática associado

a variabilidade entre os animais mesmo

a produção de suínos (ciclo completo).

quando alojados em grandes grupos.

A alimentação de precisão tem demonstrado ser uma ferramenta promissora para a suinocultura. Alimentar os suínos individualmente com dietas formuladas em tempo real com base em seus próprios padrões de consumo de ração e de crescimento representa uma importante mudança de paradigma na nutrição animal. Em programas convencionais, as exigências nutricionais são consideradas como uma característica estática da população. Porém, a aplicação das técnicas de alimentação de precisão implica que as exigências nutricionais sejam consideradas como um processo dinâmico que evolui de forma independente para cada animal durante seu crescimento.

41 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Alimentação de precisão no contexto da suinocultura atual

alimentação

dos sistemas de produção torna a suinocultura


alimentação

Figura 3. Comparativo1 entre os resultados observados nos suínos alimentados em um programa convencional com fases (3P) ou no programa de alimentação de precisão em dois estudos de validação 1Os resultados médios/finais observados em cada tratamento com alimentação de precisão (MPI) foi ajustado em uma relação percentual ao respectivo grupo controle (3P = 100%). Quando as médias dos tratamentos 3P e MPI apresentaram diferença significativa, as variáveis foram assinaladas com os números 1 (P < 0,05 observado no estudo de Andretta et al., 2016a) ou 2 (P < 0,05 observado no estudo de Andretta et al., 2016b) entre parênteses ao final da sua descrição.

A alimentação de precisão é, portanto,

Propostas desta natureza nos convidam a

uma ferramenta importante para

ver as exigências nutricionais “com outros

favorecer a sustentabilidade da

olhos”, considerando as diferenças entre

suinocultura.

os indivíduos das populações e a evolução

A aplicação prática desses programas ainda depende da disponibilidade

dinâmica das suas exigências nutricionais durante o crescimento.

de equipamentos e de mais estudos. Porém, esses sistemas de precisão representam uma mudança importante de paradigma na área.

Alimentação de precisão no contexto da suinocultura atual

BAIXAR O PDF A bibliografia estará disponível mediante solicitação.

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SUPLEMENTAÇÃO FERRAMENTA ESTRATÉGICA

COMO

PARA ATENDIMENTO DE METAS DE GANHO DE PESO DE BOVINOS EM PASTEJO

suplementação

Emerson Alexandrino Prof. Associado IV Universidade Federal do Tocantins

O

Brasil ocupa lugar de destaque na exploração mundial de bovinos de corte, com um efetivo aproximado de 214 milhões de cabeças (ABIEC, 2019), o que corresponde a 60% do rebanho sul-americano e 15% do rebanho mundial (IBGE, 2006), garantindo a posição de maior rebanho comercial, segundo maior produtor e maior exportador de carne bovina do mundo.

Apesar dos números e dos avanços encontrados, os indicadores produtivos brasileiros estão aquém do seu potencial, e portanto, o destaque apresentado da cadeia bovina de corte é, em grande parte, sustentado pela abundância dos recursos naturais disponíveis no vasto território nacional.

43 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Suplementação como ferramenta estratégica


PRODUTIVIDADE

A

produtividade é o resultado do produto entre a taxa de lotação (TL) e o ganho de peso (GP) dos animais, e na média nacional, a baixa TL de 1,2 cabeças/hectare combinada com o baixo GP dos animais em pastejo de 120 kg/cabeça/ano, resulta em baixa produtividade (144 kg/ha/ano = 4,8@/ha/ano, rendimento de carcaça de 50%) (Figura 1), que dificulta a vida do pecuarista, pois a receita gerada anualmente dificilmente supera dos custos de produção. Dessa forma, ao pecuarista só resta incrementar a produtividade, e portanto, melhorar o GP, a TL ou ambos.

Nesse contexto, o GP tem papel fundamental, pois além da produtividade, ele impacta direta e negativamente no ciclo produtivo dos animais, e consequentemente, sem alterar a quantidade de animais na fazenda, ele permite ao longo do tempo maior % de vendas, garantindo maior giro do capital, reduzindo os custos fixos do sistema. No início do processo de intensificação o GP se torna o foco principal, e atualmente as metas apontam que animais em pastejo devem apresentar um GP superior a 0,450 kg/cabeça/dia ao longo do ano.

suplementação

Figura 1 Valores estimados da incorporação do processo de intensificação da produção de bovinos de corte em pastagem com foco em recria e terminação.

44 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Suplementação como ferramenta estratégica


Escolha inadequada da forrageira para o sistema adotado; Falta de planejamento forrageiro; Mau manejo das pastagens; Ausência de correção; Adubação de manutenção; Falta da suplementação estratégica dos pastos.

Destaca-se que a bovinocultura de corte brasileira explora muito pouco o seu potencial em regiões tropicais, e que a produtividade obtida acaba sendo pelo menos 12,5 vezes menor do que poderia ser observado em um modelo mais intensificado, com a adoção de técnicas validadas pelo menos 30 a 40 anos atrás pela pesquisa brasileira (Figura 1).

O baixo potencial explorado pela bovinocultura de corte faz com que qualquer intervenção, mesmo que somente baseada em processos, sem a adoção de insumos, permite a ocorrência de melhorias consideráveis. Por exemplo, garantindo água de qualidade bom suplemento mineral e massa de forragem ao longo do ano para os bovinos em pastejo

O denominado sistema “Fome zero” (será abordado à frente), por exemplo, em pastagens de capim Marandu, com altura variando de 20 (fim de seca) a 45 cm (pico das águas), com o mínimo e máximo para as respectivas estações, permite-se ao bovino um adicional diário ao GP da ordem de 130g/cabeça/dia, correspondendo um aumento de 47,45 kg por animal ao ano em relação à média nacional (144 + 47,45 = 194,45 kg de GP), e na planta forrageira, esse pequeno ajuste no manejo do pastejo garante ainda melhoria no vigor de crescimento da forrageira.

45 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Suplementação como ferramenta estratégica

suplementação

O baixo GP é o resultado combinado de vários fatores, e entre eles destacam-se:


1 Sistema tradicional com super-pastejo (ST-SupP);

Figura 2 Resposta do pasto em função da altura do manejo do pastejo.

2 Sistema tradicional com sub-pastejo (ST-SubP);

SFZ

3 Sistema com taxa de lotação ideal (SI), que respeita os limites da planta forrageira e pode ser subdividido em sistema fome zero (SI-SFZ) e sistema ajuste fino (SI-SAF).

O sistema SFZ determina os limites máximos e mínimos de altura das plantas forrageiras ao longo do ano, respectivamente, para inibir o alongamento das hastes e ou comprometer o vigor da planta, e conforme já mencionado anteriormente no texto promove melhorias significativas quando executado respeitando o trinômio agua + suplemento + pasto (altura máxima e mínima).

SAF

Nos sistemas tradicionais (ST-SupP ou SubP), conforme mencionado, explora-se baixa produtividade, resultado da baixa TL e GP, e por processos distintos, esses sistemas debilitam a planta, reduzem a taxa de acúmulo de forragem e também impõem restrições ao pastejo dos animais, o que respectivamente, impulsionam negativamente a capacidade de suporte das pastagens e o ganho de peso dos animais em pastejo.

suplementação

ST-SupP ou SubP

Evidencia-se a importância do uso correto das pastagens, e nesse contexto, existe pelo menos três diferentes formas de exploração (Figura 2), sendo:

Já o SAF apresenta metas de pastejo especificas para cada forrageira, utilizando o pastejo do animal para incrementar o crescimento da planta forrageira, e são mais apropriados as pastagens com metas de alta produtividade, principalmente em áreas que se utiliza adubação ou de alta fertilidade. Destaca-se que ambos os SI o manejo do pastejo explora a capacidade de suporte das pastagens, onde a taxa de lotação ideal permite o equilíbrio entre ganho por animal e por área (Figura 2).

46 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Suplementação como ferramenta estratégica


Abordando inicialmente a resposta da forrageira ao pastejo, faz-se necessário entender a curva de crescimento do capim tropical (Figura 3), pois via manejo da desfolhação é possível modelar a estrutura do pasto e prolongar o período vegetativo do capim tropical, e com isso, melhorar a eficiência de todos os processos envolvidos na conversão dos recursos naturais em ganho de peso de bovinos por área. A linha contínua da Figura 3 traz a evolução da massa de forragem da pastagem em função da idade ou altura do pasto. No eixo horizontal da Figura 3 destaca-se a altura de manejo, e verifica-se os três sistemas de manejo (ST-SubP, SI e ST-SupP), caracterizado no eixo pela baixa, média ou alta altura do capim, resultado direto do sub, ideal e super-pastejo.

Figura 3 Representação da massa seca de forragem (linha contínua - kg/ha) e da taxa de crescimento diário (linha tracejada – kgMS/ha/dia) em função da idade de rebrota ou da altura do pasto.

Na linha contínua verifica-se que a massa de forragem muda drasticamente em função do manejo, partindo de 2.000 até o teto de 7.500 kgMS/há, e essa massa representa a quantidade de capim estocada na pastagem, e não a produção de forragem, ela determina a quantidade de forragem que será ofertada para animal em pastejo. Já a linha tracejada, representa a taxa de acúmulo de forragem, que determina a intensidade de crescimento diário do capim, ou seja, é a produção diária de capim em um hectare, e é exatamente essa curva que determina o padrão massa de forragem apresentado pela linha contínua.

Verifica-se que dependendo do sistema utilizado, a produção diária de forragem pode alcançar, no exemplo da Figura 3 o teto no sistema ideal, com valor de 121 kgMS/há/dia, ou alcançar somente 35,5% ou 52,9%, se o manejo do pastejo for respectivamente, o super ou sub-pastejo, ao invés do pastejo ideal que explora a capacidade de suporte da pastagem, e apesar da grande variação apresentada, ela ocorre somente em função da tomada de decisão de como a forrageira da pastagem será utilizada.

suplementação

O manejo da pastagem tende a impactar tanto a forrageira da pastagem em termos de taxa de acumulo de forragem e valor nutritivo do pasto, assim como o comportamento ingestivo dos animais em pastejo, e consequente, no GP dos animais.

47 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Suplementação como ferramenta estratégica


suplementação

Os sistemas de uso das pastagens também apresentam grande impacto no GP dos animais, pois forrageiras manejadas em diferentes portes mudam a composição morfológica da parte área da forrageira, como os componentes lamina foliar, hastes e material morto, e essa alteração além de afetar a composição bromatológica da forrageira, interfere ainda mais intensamente no comportamento ingestivo dos animais em pastejo, e consequentemente, no consumo dos animais, e em última análise no GP dos animais (Figura 4). Nesse sentido, sistemas de manejos diferenciados explorando capins tropicais é possível visualizar valores de GP diário por animal variando de 0,300 a 0,600 kg/dia (Figura 3), sendo esse intervalo de variação considerando somente o trinômio massa de forragem + água qualidade + mineral.

Assim, enquanto o sistema ST propõe-se a estimativa da produtividade de bovinos em pastejo sem o devido ajuste de carga animal e é de GP diário em torno de 330g/ dia ao ano, sendo aproximadamente 210 dias das águas com GMD de 0,65kg/dia, e os 155 dias de seca, com perdas de aproximadamente 0,10kg/dia, para os sistemas SFZ e SAF, explorando os mesmos períodos de águas e seca, sugere-se GP diário, respectivamente, de 0,493 e 0,603 kg/cabeça/dia (Figura 4). Os valores apresentados em % na Figura 4, representam a melhoria discutida anteriormente para cada sistema de uso da forrageira em termos de melhoria da capacidade de suporte em relação à média nacional. Ainda na Figura 4 temos o efeito da suplementação e da adubação das pastagens, entretanto para o contexto de GP dos animais, maiores resultados são obtidos principalmente com a suplementação dos pastos para os animais em pastejo, e essa ferramenta é estratégica para viabilizar as metas de GP dos animais em pastejo, e por isso, devem ser utilizadas de forma estratégica, e a adubação tem como foco principal o incremento na capacidade de suporte das pastagens.

Figura 4 Valores estimados da incorporação do processo de intensificação da produção de bovinos de corte em pastagem com foco em recria e terminação

48 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Suplementação como ferramenta estratégica


Voltando ao contexto de viabilidade dos sistemas de produção de bovinos de corte, chega-se à conclusão de que a suplementação dos pastos surge como ferramenta estratégica para viabilizar as metas de GP.

Assim, quanto melhor for a gestão de pastagem, menor a demanda por suplementação para metas de 6 a 7 @ cabeça/ano, mas metas superiores somente serão alcançadas com ambas tecnologias bem trabalhadas simultaneamente.

suplementação

Assim, a forma que as pastagens estão sendo geridas devem estar intimamente ligadas a suplementação para viabilizar a meta de 6 a 7@/cabeça/ano (Figura 5). Então, sistemas ST que têm como características baixa taxa de acúmulo de forragem e de GP demandarão suplementos proteicos e energéticos de maior consumo, enquanto que SI-SAF poderão alcançar o GP demandado somente com suplemento mineral (Figura 5). Entretanto, é importante destacar ainda, que os sistemas SI também são beneficiados com a suplementação, apesar que em menor proporção que os ST, mas certamente para GP acima da meta de 7 @/cabeça/ano, somente pode ser alcançado com a suplemento proteico energético de 3g/kg PV no SAF, podendo alcançar um adicional de 1 a 2,5 @/cabeça/ ano.

A mensagem final é de que nesse processo de melhoria da produtividade da bovinocultura de corte brasileira, o manejo do pastejo torna-se primordial, sendo a suplementação um facilitador para o atendimento das metas produtivas. Deve estar claro que a associação entre gestão de pastagem e demanda de suplemento é de ordem inversa para uma dada meta de GP (Figura 5).

Suplementação como ferramenta estratégica

BAIXAR O PDF Figura 5 Relação entre manejo do pastejo e suplementação para alcançar a meta de GP

49 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Suplementação como ferramenta estratégica


COMO AUMENTAR A EFICIÊNCIA DOS ANIMAIS POR MEIO DO SEU MICROBIOMA RUMINAL? NOVAS PERSPECTIVAS Luciano Cabral1, Thiago S. Andrade1, Laura B. Carvalho1, PARTE II Thainá P. S. Cabral2, Bárbara S. M. Neta1

microbiota ruminal

1 Faculdade de Agronomia e Zootecnia, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Cuiabá, MT 2 Instituto de Biociências, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Cuiabá, MT

C

onforme relatado por Cabral et al.

(2020), o microbioma ruminal, caracterizado pela comunidade de

bactérias, protozoários e fungos, exerce elevado efeito sobre a nutrição, saúde e desempenho dos bovinos. Assim, grandes avanços na ciência e tecnologia aplicadas à nutrição e produção de bovinos são dependentes da melhor compreensão desse complexo ecossistema microbiano (Russell et al., 1992).

Nesse sentido, tem sido possível manipular o microbioma ruminal e sua ação fermentativa com o foco na redução da emissão de metano, controlar a excessiva produção de amônia, incrementar a digestão da fibra, assim como prevenir e controlar distúrbios digestivos e metabólicos que costumam acometer animais em confinamento.

50 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Como aumentar a eficiência dos bovinos depende da eficiência do microbioma ruminal II


Com o objetivo de recordar que o ruminante nasce com o rúmen e seu trato digestivo as limitações do uso das técnicas atuais, como aditivos e ajustes dietéticos, com o objetivo de manipular o microbioma ruminal e seus efeitos na ação fermentativa em animais adultos. Fato inerente à alta capacidade da microbiota ruminal de se adaptar e se recuperar de transtornos ou “perturbações”, em decorrência da sua elevada resiliência (Weimer, 2015). Dessa forma, a população microbiana ruminal tende a se adaptar ao uso de aditivos com o tempo de exposição, retornando ao “status” inicial após a retirada do agente modificador adicionado à dieta (Weimer et al., 2010).

totalmente estéril, é no ambiente extrauterino que o animal inicia o processo de colonização do seu trato gastrointestinal (TGI). Dentre os componentes do ambiente externo, a mãe (vaca, cabra ou ovelha) exerce elevada contribuição na transferência de microrganismos para o neonato, principalmente realizada por meio da saliva, a qual é rica em microrganismos que advém do rúmen “maduro” durante o processo de ruminação. Adicionalmente, o neonato também “adquire” microrganismos do rúmen pelo contato com superfícies que abrigam microrganismos, tais como a teta da vaca no momento da mamada, o comedouro e bebedouro, cerca, paredes, forragem, solo ou fezes (Hungate, 1996).

Nesse sentido, Yanez-Ruiz et al. (2015) destacaram que a fase de estabelecimento da microbiota ruminal pode representar uma “janela” para que a mudança no microbioma ruminal seja feita de forma mais efetiva e duradoura. Entenda “janela”, como oportunidade, ou seja, momento ou período em que a estratégia deverá ser usada para surtir efeito. Segundo os autores supracitados, seria mais difícil modificar o microbioma ruminal plenamente estabelecido em animais adultos “fora dessa janela”, devido a provável forte especificidade que se estabelece entre a microbiota e o animal hospedeiro (Kittelmann et al., 2014).

51 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Como aumentar a eficiência dos bovinos depende da eficiência do microbioma ruminal II

microbiota ruminal

Entretanto, Cabral et al. (2020) evidenciaram


Considerando que o estabelecimento da microbiota ruminal é um processo dinâmico e gradativo, cabe salientar que a população microbiana ruminal observada nas primeiras 24-48 horas de vida do animal é relativamente distinta daquela observada a partir das 8-12 semanas de vida (Jami et al., 2013). Dessa forma, microrganismos aeróbios e anaeróbios facultativos (colonizadores iniciais) vão sendo gradativamente substituídos por uma população microbiana anaeróbia estrita (altamente sensíveis ao

Nos estudos de Abecia et al. (2013 e 2014), por exemplo, foi avaliado o uso de um composto inibidor (BCM = bromoclorometano) de bactérias metanogênicas (Archaea), fornecido para as cabras e/ou para seus cabritos. Foi verificado que o BCM fornecido precocemente aos cabritos alterou a composição da população metanogênica e, consequentemente, reduziu a produção de metano dos animais tratados. Este efeito se manteve mesmo após três meses de suspensão do tratamento e houve também influência do BCM quando fornecido para cabras adultas na alteração da população metanogênica no rúmen dos seus filhotes.

oxigênio), que é estimulada pela presença

microbiota ruminal

de alimentos sólidos (Jami et al., 2013).

Contudo, é próximo ao desmame ou após sua ocorrência, que se observa, na maioria dos animais, o estabelecimento da microbiota ruminal semelhante à verificada nos animais adultos, sendo esse momento considerado a chamada “janela” para que as alterações permanentes na comunidade microbioana ruminal sejam realizadas (Yanez-

Ruiz et al. 2015; Jami et al., 2013).

Na Tabela 1 são listados alguns trabalhos realizados com animais ruminantes (bovinos e caprinos) em que os animais na fase de aleitamento e desmame foram submetidos a intervenções, seja por aditivos ou da dieta, para avaliar o efeito sobre o microbioma ruminal.

Em outro estudo, Abecia et al. (2014b), avaliaram a presença ou ausência das cabras (mães), sobre a comunidade microbiana ruminal e características fermentativas de seus cabritos (Filhos). Foi verificado que a presença das mães causou alteração do microbioma ruminal dos filhotes, mas principalmente que, houve alteração da comunidade microbiana dos filhotes ao considerar a dieta pré-desmame, ou seja, efeito do sucedâneo do leite x leite materno no microbioma dos filhotes.

Em um estudo com bezerros leiteiros, Dias et al. (2017) avaliaram o efeito de dietas exclusivamente compostas por leite ou leite mais concentrado sobre a comunidade microbiana ruminal do nascimento aos 63 dias de idade. Foi observado que o uso de concentrado promove aumento na abundância de bactérias fermentadoras de carboidratos não fibrosos, permitindo com isso o estabelecimento de organismos metanogênicos.

52 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Como aumentar a eficiência dos bovinos depende da eficiência do microbioma ruminal II


Como conclusão, foi proposto que a manipulação da microbiota ruminal pré-desmame parece ser passível de intervenções dietéticas, uma vez que a dieta representa o principal fator que determina alterações na comunidade microbiana ruminal. Os resultados desses estudos permitem inferir que intervenções na comunidade microbiana ruminal em fases iniciais da vida do animal (ao redor do desmame) podem resultar em mudanças permanentes na estrutura do seu microbioma, as quais podem ser direcionadas para objetivos específicos.

Entretanto, alguns grupos de pesquisa vêm indicando que animais mais eficientes podem apresentar diferentes comunidades microbianas no rúmen, o que poderia implicar em processos digestivos e fermentativos mais eficientes para o animal (Wallace et al., 2015).

Tal raciocínio tem embasamento teórico, considerando que o rúmen é o principal compartimento digestivo no TGI dos ruminantes, colaborando com cerca de 70% da digestão dos polímeros cerca de 70-80% da energia usada pelo

possível efeito do microbioma ruminal

animal para mantença e produção e

sobre a eficiência alimentar (EA = ganho/

mais de 60% da proteína metabolizável

consumo) dos animais (Wallace et al., 2015).

(Van Soest, 1994)

microbiota ruminal

dietéticos e, a partir disso, forneça Outro ponto estudado recentemente é o

Este índice tem impacto significativo no custo de produção e pode determinar o lucro do produtor, uma vez que a dieta representa o principal componente do custo de produção dos animais. Dessa forma, animais mais eficientes apresentam mesmo desempenho com menor consumo ou maior desempenho com mesmo consumo que animais menos eficientes. Até pouco tempo atrás, as possíveis explicações para a maior eficiência de alguns animais em relação aos seus contemporâneos era relacionada ao menor custo de mantença (menor tamanho ou peso de órgãos metabolicamente ativos) ou maior eficiência de uso da energia (menor turnover proteico e menor desacoplamento mitocondrial) (Davis et al., 2016).

53 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Como aumentar a eficiência dos bovinos depende da eficiência do microbioma ruminal II


Tabela 1. Compilação dos principais estudos realizados com ruminantes jovens em que foram avaliadas estratégias para alteração do microbioma ruminal na fase inicial da vida (pré-desmame e desmame)

Autor

Título

Detalhes do Estudo

Resultados

Objetivou-se o presente trabalho estudar se a intervenção no início da vida de cabritos tem impacto nas emissões de metano e no ecossistema microbiano no rúmen e se os efeitos persistem após o desmame. Dezesseis cabras que deram à luz a 2 cabritos cada foram divididas aleatoriamente em 2 grupos experimentais: 8 foram tratadas com bromoclorometano (BCM) (D+) após o parto e mais de 2 meses, e outras 8 não foram tratadas (D-). Em ambos os grupos 1 cabrito foi tratado com BCM (k+) por 3 meses, e o outro não foi tratado (K-). OBS: As 16 cabras que foram divididas em 2 tratamentos com 8 em cada.

O estudo mostrou que a aplicação de BCM no início da vida dos cabritos modificou a população de arquea que colonizaram o rúmen, o que resultou na diminuição das emissões de CH4 por volta do desmame.

O objetivo deste trabalho foi estudar se a alimentação de um inibidor de metanogênio desde o nascimento de cabritos e suas cabras tem impacto sobre a população de archaea que coloniza o rúmen e em que medida o impacto persiste mais tarde na vida. Dezesseis cabras dando à luz a 2 filhotes foram usadas. Oito fêmeas foram tratadas (D +) com bromoclorometano após o parto e após 2 meses. As outras 8 cabras não foram tratados (D−). Um filhote de cada fêmea/grupo foi tratado com bromoclorometano (k +) por 3 meses, enquanto o outro não foi tratada (k−).

As análises de pirosequenciamento mostraram uma composição modificada da comunidade de archaea colonizando o rúmen dos cabritos, embora tal efeito não persistiu inteiramente 4 meses depois; no entanto, alguns grupos menos abundantes permaneceram diferentes no tratamento e no controle animais. A resposta diferente na composição da comunidade de archaeal observada entre cabras filhotes e adultas sugere que a competição que ocorre no rúmen em desenvolvimento para ocupar diferentes nichos oferece potencial de intervenção.

Abecia et al. (2014b)

Feeding management in early life influences microbial colonization and fermentation in the rumen of newborn goat kids

O objetivo deste trabalho foi estudar a colonização do rúmen pelos três principais grupos microbianos ao longo das primeiras 4 semanas de vida e avaliar como o gerenciamento do tipo de alimentação (natural – NAT ou artificial - ART) exerce efeito. Foram selecionadas 30 cabras gestantes com dois fetos. Ao nascer, um filhote foi imediatamente afastada da fêmea e alimentado com sucedâneo do leite (ART), enquanto o outro filhote permaneceu com a mãe (NAT).

Os resultados confirmaram uma colonização microbiana substancial desde o primeiro dia de vida no rúmen não desenvolvido. O manejo alimentar (natural vs artificial) antes do desmame teve efeito sobre a colonização microbiana (> em NAT) e a fermentação ruminal e, portanto, deve ser considerado no planejamento de estratégias de intervenção nutricional no início da vida.

Dias et al. (2017)

Effect of Pre-weaning Diet on the Ruminal Archaeal, Bacterial, and Fungal Communities of Dairy Calves

No presente estudo foi realizado o sequênciamento de próxima geração para investigar os efeitos da inclusão de concentrado na fase inicial (M: alimentado com leite vs. MC: alimentado com leite e concentrado) nas comunidades de archaeal, bactérias e fungos anaeróbicos no rúmen de 45 bezerros mestiços de leite. ao longo do desenvolvimento pré-desmame (7, 28, 49 e 63 dias).

Este estudo fornece novos insights sobre a colonização de arquéias, bactérias e comunidades de fungos anaeróbicos em bezerros pré-ruminantes que podem ser úteis em projetar estratégias para promover a colonização de comunidadesalvo para melhorar o funcionamento desenvolvimento.

microbiota ruminal

Abecia et al. (2013)

Abecia et al. (2014a)

Nutritional intervention in early life to manipulate rumen microbial colonization and methane output by kid goats postweaning

An Antimethanogenic Nutritional Intervention in Early Life of Ruminants Modifies Ruminal Colonization by Archaea

54 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Como aumentar a eficiência dos bovinos depende da eficiência do microbioma ruminal II


Na Tabela 2, são listados alguns trabalhos em que foi relacionado o microbioma ruminal com variáveis nutricionais ou produtivas em bovinos de leite e corte.

Em outro estudo, Shabat et al. (2016) verificaram que no rúmen de vacas eficientes havia menor abundância (diversidade) de espécies microbianas e menor expressão de genes pela microbiota ruminal.

Jami et al. (2014) observaram forte correlação entre a proporção de Firmicutes/ Bacterioidetes no rúmen de vacas de leite e a produção de leite corrigido para gordura. Estes autores concluíram que há evidências de que a comunidade bacteriana ruminal exerce papel em modular parâmetros fisiológicos e produtivos dos animais.

Wallace et al. (2015) verificaram que a abundância de genes do domínio Archaea no rúmen tinha alta correlação com a emissão de metano em bovinos de corte, tendo observado ainda que animais que eram baixos emissores de metano apresentavam elevada abundância de bactérias da família Succinovibrionaceae e mudanças na produção de acetato e H2.

Ciência da vida melhorando o cuidado com os animais Os probióticos e frações de levedura da Phileo modulam a microbiota e o sistema imunológico auxiliando na otimização da eficiência alimentar, maximizando o desempenho de crescimento e mitigando os efeitos multifatoriais do estresse nos animais. Atuando com a natureza, cuidando dos animais

Os autores destacam como resultados principais do estudo, o aumento expressivo da abundância das bactérias Megasphaera elsdenii, Coprococcus catus e Prevotella albensis, bem como aumento na expressão de genes associados à via do acrilato, a qual é uma via consumidora de H2. Dessa forma, o aumento na abundância de espécies microbianas e suas vias metabólicas no microbioma ruminal resultariam em menor eficiência de uso da energia no rúmen e, consequentemente, pelo animal.

Roehe et al. (2016) verificaram que grupos de progênies de diferentes touros (de raças diferentes) apresentavam diferentes emissões de metano, sendo separados em animais de elevada emissão e de baixa emissão de metano.


Tabela 2. Compilação dos principais estudos realizados com bovinos em que foi avaliado o efeito do microbioma ruminal e a eficiência alimentar dos animais

Autor

microbiota ruminal

Jami et al. (2014)

Título

Potential Role of the Bovine Rumen Microbiome in Modulating Milk Composition and Feed Efficiency

Wallace et al. (2015)

The rumen microbial metagenome associated with high methane production in cattle

Shabat et al. (2016)

Specific microbiomedependent mechanisms underlie the energy harvest efficiency of ruminants

Wallace et al. (2019)

A heritable subset of the core rumen microbiome dictates dairy cow productivity and emissionss

Detalhes do Estudo

Resultados

Foi utilizada uma abordagem de pirosequenciamento, caracterizando a composição da comunidade bacteriana ruminal em 15 vacas leiteiras e seus parâmetros fisiológicos. Analisou-se o grau de divergência entre os diferentes animais e descobriram que alguns parâmetros fisiológicos, como produção e composição do leite, são altamente correlacionados com à abundância de vários membros bacterianos do microbioma ruminal.

Uma descoberta aparente foi uma forte correlação entre a proporção dos filos Firmicutes para Bacteroidetes e a produção de gordura do leite. Esta correlação permaneceu evidente no nível de gênero, onde vários gêneros mostraram correlações com os parâmetros fisiológicos dos animais. Isso sugere que a comunidade bacteriana tem algum papel na formação dos parâmetros fisiológicos do hospedeiro.

Foi aplicado a metagenômica à comunidade microbiana ruminal para identificar diferenças na microbiota e metagenoma que levam a fenótipos bovinos com alta e baixa emissão de metano. Análises da comunidade foi realizado por qPCR de genes 16S e 18S rRNA e por alinhamento de leituras Illumina HiSeq ao banco de dados GREENGENES. Leituras genômicas totais foram alinhadas ao banco de dados de genes KEGG para análise funcional.

A abundância de genes de archaeal na digesta ruminal correlacionou-se fortemente com as diferentes emissões de metano de animais individuais, uma descoberta útil para fins de triagem genética. Emissões mais baixas foram acompanhadas por maior abundância de Succinovibrionaceae e mudanças na produção de acetato e hidrogênio levando a menos metanogênese, como postulado de forma semelhante para macrópodes australianos. Um grande número de sequências de proteínas previstas diferiu entre bovinos com alta e baixa emissão de metano.

A eficiência alimentar foi medida em 146 vacas leiteiras e análises da composição taxonômica, conteúdo gênico, atividade microbiana e composição metabolômica foram realizadas nos microbiomas ruminais dos 78 animais mais extremos.

A menor riqueza do conteúdo de genes e táxons do microbioma estava intimamente ligada a uma maior eficiência alimentar. Genes e espécies de microbiomas previram com precisão o fenótipo de eficiência alimentar dos animais. O enriquecimento específico de micróbios e vias metabólicas em cada um desses grupos de microbioma resultou em melhor energia e canalização de carbono para o animal, enquanto reduzia as emissões de metano para a atmosfera.

Um estudo de 1000 vacas em quatro países europeus foi realizado para entender até que ponto o microbioma dos ruminantes podem ser controlados pelo animal hospedeiro e para identificar as características do eixo do microbioma hospedeiro no rúmen que determinam a produtividade e as emissões de metano.

Um microbioma ruminal central, filogeneticamente ligado e com um estrutura hierárquica preservada, foi identificada. Um subconjunto de 39 membros dos hubs formados por núcleo que ligam a estrutura do microbioma à genética e fenótipo do hospedeiro. Esses fenótipos podem ser previstos a partir do microbioma central usando algoritmos de aprendizado de máquina. Os micróbios centrais hereditários, portanto, apresentam alvos primários para a manipulação do rúmen em direção a uma agricultura sustentável e ecologicamente correta.

56 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Como aumentar a eficiência dos bovinos depende da eficiência do microbioma ruminal II


Os autores verificaram que animais de elevada emissão de metano (animais ineficientes) apresentavam elevada proporção de Archaea/ Bacteria ruminal, bem como detectaram por meio de análise metagenômica e metatranscriptômica do microbioma ruminal, que alguns genes (20 a 40 genes) explicavam microbiota ruminal

cerca de 81% da variação da emissão de metano e da eficiência alimentar dos animais.

Dessa forma, os autores citam que há uma herdabilidade do microbioma ruminal que poderia ser usada para selecionar animais mais eficientes, assim como aponta Wallace et al. (2019).

As informações aqui apresentadas dão suporte à ideia de que alguns fenótipos (produção e eficiência) dos animais podem ser correlacionados e explicados por diferentes grupos microbianos e vias metabólicas mantidas no rúmen, reduzindo a emissão de metano e,

Portanto, os trabalhos citados

consequentemente, aumentando a

permitem inferir que seja possível,

eficiência produtiva dos animais.

via seleção de grupos microbianos mais eficientes no rúmen, aumentar a eficiência alimentar dos animais, bem como que parte da melhor eficiência dos animais seja explicada por microrganismos e vias metabólicas mais eficientes no ambiente ruminal. Como aumentar a eficiência dos bovinos depende da eficiência do microbioma ruminal II

BAIXAR O PDF

Seguindo esse raciocínio, pode ser inferido que o entendimento do microbioma ruminal associado às alterações da dieta dos animais antes e durante o confinamento podem ser usadas para aumentar a eficiência dos animais e prevenir a ocorrência de distúrbios digestivos, tais como a acidose ruminal, tema do nosso artigo na próxima edição da nutriNews Brasil.

A bibliografia estará disponível mediante solicitação.

57 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Como aumentar a eficiência dos bovinos depende da eficiência do microbioma ruminal II


TABELA DE ADITIVOS

ANTI-MICOTOXINAS 2020 EDIÇÃO BRASIL


nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Micotoxinas no trigo e seus derivados

59

EMPRESA

Toxy-Nil®

Toxy-Nil Plus®

Toxy-Nil Unike

Unike Plus®

PRODUTO

capacidade de adsorção (bentonita 1m588 e sepiolita); aLevedura inativada e extratos de levedura (Saccharomyces cerevisae).

aArgilas modificadas com alta

capacidade de adsorção (bentonita 1m588 e sepiolita); aLevedura inativada e extratos de levedura (Saccharomyces cerevisae); aAntioxidantes celulares.

aArgilas modificadas com alta

capacidade de adsorção (bentonita 1m588 e sepiolita); aLevedura inativada e extratos de levedura (Saccharomyces cerevisae); aAntioxidantes celulares; aCompostos herbais.

aArgilas modificadas com alta

levedura (Saccharomyces cerevisae); aAntioxidantes celulares; aCompostos herbais.

aLevedura inativada e extratos de

capacidade de adsorção (bentonita 1m588 e sepiolita);

aArgilas modificadas com alta

COMPOSIÇÃO

ANTI-MICOTOXINAS 2020

Tabela de produtos

1-3 kg/t

0,5-2,5 kg/t

0,5-2,5 kg/t

0,5-2,5 kg/t

DOSE

Eficácia sobre amplo espectro de micotoxinas, polares e não polares, comprovada através de testes in vitro e in vivo.

EFICÁCIA ESPECÍFICA SOBRE O TIPO DE MICOTOXINA

5) PROTEÇÃO DE ORGÃOS: Prevenindo danos e suportanto o funcionamento normal de órgãos sensíveis as micotoxina.

4) DEFESA ANTIOXIDANTE: Prevenindo os danos celulares através do manejo eficaz do estresse oxidativo causado pelas micotoxinas.

3) REVITALIZAÇÃO DO SISTEMA IMUNE: Protegendo a resposta imune normal que é suprimida pelas micotoxinas.

2) BIO-INATIVAÇÃO: Alterando as estruturas químicas das micotoxinas para metabólitos menos tóxicos e/ou mais facilmente excretados.

1) ADSORÇÃO: Sequestrando micotoxinas para que sejam excretadas sem serem absorvidas.

Inativadores de micotoxinas que protegem os animais dos efeitos deletérios das micotoxinas através de até cinco diferentes mecanismos de ação:

INFORMAÇÃO RELEVANTE

Argentina, Brasil, Chile, Colombia, Equador, Costa Rica, Panamá e México

Bolívia, Chile, Colombia, Equador, México e Perú

Brasil, Colombia, Chile, México e Perú

Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Colombia, Equador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Perú, Costa Rica, República Dominicana e El Salvador

PAÍSES NA AMÉRICA LATINA ONDE O PRODUTO ESTÁ DISPONÍVEL

2020


EMPRESA

60

nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Micotoxinas no trigo e seus derivados

MegaFix®

StarFix®

BetaFix®

aAluminossilicatos (HSCAS)

ZeniFix®

Inclusão padrão: 0,75 kg/t Inclusão sob desafio: 2 Kg/t

aComplexo de enzimas aNucleotídeos livres aβ-Glucanas purificadas aAluminossilicatos (HSCAS)

de alta pureza aFarinha de algas micronizadas

de alta pureza

Inclusão padrão: 0,75 kg/t Inclusão sob desafio: 2 Kg/t

Inclusão padrão: 1 kg/t Inclusão sob desafio: 2 Kg/t

Inclusão padrão: 1 kg/t Inclusão sob desafio: 2 Kg/t

DOSE

aNucleotídeos livres aβ-Glucanas purificadas aAluminossilicatos (HSCAS)

de alta pureza aFarinha de algas micronizada

aβ-Glucanas purificadas aAluminossilicatos (HSCAS)

de alta pureza

COMPOSIÇÃO

PRODUTO

ANTI-MICOTOXINAS 2020

Tabela de produtos

ANTI-MICOTOXINAS 2020

Tabela de produtos

Afla, Zea, Fumo, DOM, OTA, T-2

Afla, Zea, Fumo, DOM, OTA, T-2

Afla, Zea, Fumo, DOM, OTA

Afla e OTA

EFICÁCIA ESPECÍFICA SOBRE O TIPO DE MICOTOXINA

MegaFix® é quarta geração de adsorventes de micotoxinas desenvolvida pela ICC Brazil. Desenvolvido para ser utilizado em condições de desafios agudos causados por micotoxinas, em especial a zearalenona e o DON, o MegaFix® é formulado com probióticos capazes de produzir enzimas que desnaturam as micotoxinas. Em sua composição há aluminossilicatos quimicamente ativados, altíssima concentração de β-glucanas de alta resistência e alga micronizada. O efeito sinérgico destes componentes faz do MegaFix® a solução tecnológica e natural mais avançada no combate e gerenciamento das principais micotoxinas. MegaFix® é especialmente indicado para dietas de matrizes suínas e leitões.

StarFix® é a terceira geração de adsorventes de micotoxinas desenvolvida pela ICC Brazil. O StarFix® foi especialmente desenvolvido para a manutenção da saúde hepática, por isso é formulado com altíssima concentração de β-glucanas de alta resistência, combinadas com nucleotídeos livres e aluminossilicatos microlaminados que garantem a eficiência contra as micotoxinas zearalenona, aflatoxina e fumonisina. Os nucleotídeos livres agem como suporte à regeneração hepática. StarFix® pode ser aplicado em todas as espécies animais, mas é especialmente indicado nas dietas para suínos, camarões e tilápias.

BetaFix® é a segunda geração de adsorventes de micotoxinas desenvolvida pela ICC Brazil. O BetaFix® é um enteroadsorvente de alta eficiência contra micotoxinas polares e não polares como a aflatoxina, fumonisina e o T-2. O BetaFix® possuí em sua composição β-glucanas de alta resistência, aluminossilicatos microlaminados e alga micronizada. Esses componentes são criteriosamente selecionados para ter um efeito sinérgico, garantir a melhor capacidade de adsorção de micotoxinas e, ao mesmo tempo, manter a segurança das propriedades nutricionais das rações. O BetaFix® pode ser aplicado em todas as espécies animais, mas é especialmente indicado nas dietas para aves, cães, gatos e ruminantes.

ZeniFix® é a primeira geração de adsorventes de micotoxinas desenvolvida pela ICC Brazil, constituído por aluminossilicatos (HSCAS), especialmente selecionados pela sua alta eficiência em adsorver micotoxinas polares, como as aflatoxinas e T-2. A capacidade de troca de cátions do ZeniFix® é rigorosamente monitorada para garantir a eficiência de adsorção sem capturar vitaminas e minerais. É uma solução indicada para a dieta de todas as espécies animais em diferentes idades e estágios fisiológicos.

INFORMAÇÃO RELEVANTE

Brasil, México, Guatemala, Honduras, República Dominicana, Costa Rica, Panamá e Bolívia

PAÍSES NA AMÉRICA LATINA ONDE O PRODUTO ESTÁ DISPONÍVEL

2020 2020


nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Micotoxinas no trigo e seus derivados

61

Distribuidor

EMPRESA

Detoxa Plus

MT.X+

PRODUTO

aLisado de Saccharomyces cerevisiae aZeolita

aMontmorilonita interespaçada; aMontmorilonita; aDiatomita, aParede celular de levedura; aExtratos de algas

COMPOSIÇÃO

ANTI-MICOTOXINAS 2020

Tabela de produtos

0,5 a 1 kg

Multiespécie. Incorporar de 0.5-1.5 kg/ton de alimento de acordo com a contaminação.

DOSE

aA ferramenta mais completa e segura de proteção frente às micotoxinas.

aAditivo adsorvente indicado para inativação de Micotoxinas.

aAflatoxinas aFumonisinas aTricotecenos aOcratoxinas aZearalenona

INFORMAÇÃO RELEVANTE

aAflotoxinas, Fumonisinas,T-2, Zearalenona, DON, Ocratoxinas, Endotoxinas.

EFICÁCIA ESPECÍFICA SOBRE O TIPO DE MICOTOXINA

LATAM

Argentina, Brasil, Chile, Colombia, Costa Rica, Equador, Honduras, México (Algadeite +), Panamá e Perú

PAÍSES NA AMÉRICA LATINA ONDE O PRODUTO ESTÁ DISPONÍVEL

2020


CONHECENDO AS MICOTOXINAS

M.V. Esp. Bruno Vecchi Galenda Coordenador Técnico/Científico – Aves Departamento Técnico Corporativo da Vetanco

micotoxinas

DVM. MSc. Fabio L. Gazoni Serviços Técnicos Avícolas Internacionais Departamento Técnico Corporativo da Vetanco

A

Mais de 70% da produção mundial

de segunda safra em processo de finalização.

qualquer alteração na qualidade

produção brasileira de milho em 2019/2020 deve bater o recorde de 102,5 milhões de toneladas. A

primeira safra tem a colheita finalizada e a Para o fechamento da safra restam as lavouras cultivadas na região do Sealba, além dos cultivos em Pernambuco e Roraima, que representam 1,7% da produção nacional de milho (1).

62 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Conhecendo as micotoxinas

de cereais está destinada à alimentação animal (2): portanto, destas matérias-primas para a elaboração de rações provocará significativos impactos na produtividade animal.


A contaminação dos grãos com diferentes espécies de fungos não é uma novidade, no entanto, algumas mudanças recentes no clima e nas tecnologias para o cultivo, combinados com a grande capacidade

As micotoxinas são compostas de diversas

de adaptação destes fungos,

estruturas químicas, em geral de baixo peso

aumentaram sua prevalência.

molecular, produzidas por muitas espécies

Está claro que a contaminação dos

Penicillium e Fusarium.

de fungos, sendo os principais: Aspergillus,

problema em si, se não que sob certas

Esses fungos e seus

condições ambientais (temperatura,

metabólitos tóxicos afetam a

disponibilidade de oxigênio e umidade)

micotoxinas

grãos com os fungos não é apenas um

qualidade das matérias-primas

produzirão metabólicos tóxicos

e deste modo causam perdas

(micotoxinas).

econômicas milionárias; para mencionar apenas uma estatística, podemos citar a estimativa dos EUA de 900 milhões de dólares (3).

Aflatoxina B1

Fumonisina B1

Tricotecenos (T2)

Ocratoxina A

Zearalenona

Figura 1. Estruturas moleculares das micotoxinas de maior prevalência

63 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Conhecendo as micotoxinas


A contaminação por micotoxinas pode ocorrer em vários estágios da produção de grãos, tais como: colheita, transporte, processamento e armazenamento. Tanto a contaminação fúngica como a subsequente produção de micotoxinas estão intimamente relacionadas com fatores tais como: umidade, temperatura, nível de oxigênio e qualidade dos grãos (4) (Tabela 1).

micotoxinas

Tabela 1. Os fungos produtores de micotoxinas e as condições climáticas para o seu desenvolvimento

Micotoxinas

Fungos

Condições Ambientais

Aflatoxinas

Aspergillus flavus/ A.parasiticus

Seco e Quente

DON/Zearalenona

Fusarium graminearum/ F.culmorum

Úmido e Frio

Fumonisinas

Fusarium verticilloides/ F.proliferatum

Seco e Temperado

Ocratoxina A

Penicillum verrucosum

Quente e úmido

A umidade dos grãos no período de colheita, o processamento e o armazenamento desses grãos, fazem com que as micotoxinas produzam toxinas, durante o período póscolheita (por exemplo, Aflatoxinas), essa, na atualidade, apresenta uma menor incidência. Por outro lado, as micotoxinas, como as produzidas pela Fusarium spp. são formadas nos grãos ainda no campo, de modo que a existência dessas toxinas já está presente, independente da qualidade de armazenamento. Por esse motivo, as micotoxinas do Gênero Fusarium adquiriram cada vez maior importância nos programas de control.

64 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Conhecendo as micotoxinas

Os métodos de controle variam de acordo com a micotoxina prevalecente em cada caso, é de vital importância conhecer a prevalência de micotoxinas em diferentes áreas e a sua sazonalidade.


Durante 2019, Vetanco S.A. realizou mais de 4.000 determinações de micotoxinas em matérias-primas de 8 países da América Latina. Do total analisado, foi obtida uma positividade de 76%. As prevalências para cada micotoxina podem ser vistas no gráfico 1.

Gráfico 1. Percentagem de prevalências gerais em 2019

100 90 80 70

micotoxinas

60 50 40 30 20 10 0 Fumonisina B1 Aflatoxina B1

Mecanismos de Ação A ingestão de micotoxinas por parte dos animais pode causar quadros agudos ou crônicos. As lesões podem variar desde úlceras graves e mortalidade até uma ligeira diminuição dos parâmetros de produção.

DON

T2/HT2

Ocratoxina

Zearalenona

A saúde do TGI é a chave para alcançar um desenvolvimento adequado da microflora intestinal, a fim de obter os resultados produtivos desejados (5). Atualmente existem cerca de 300 tipos diferentes de micotoxinas conhecidas, mas estima-se que possam existir mais

No entanto, as consequências mais

de 20.000 tipos diferentes. Na produção

comuns da ingestão de micotoxinas é a

animal, algumas das micotoxinas mais

imunossupressão e os desafios no trato

relevantes são:

gastrointestinal (TGI). Embora cada tipo de micotoxina tenha impactos diferentes nos animais, existem relatórios sobre a forma como as micotoxinas interagem com o epitélio intestinal.

Aflatoxinas Fumonisinas Ocratoxinas Tricotecenos (DON/T2/HT2/DAS) Zearalenonas

65 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Conhecendo as micotoxinas


A seguir são mencionadas algumas das alterações que podem ser observadas as causas das diferentes micotoxinas (Tabela 2).

micotoxinas

Tabela 2. Alterações.

Lesões orais

T2/DON/DAS

Disfunção cardíaca

FUM

Nefrotoxicidade

AFLA/FUM /OTA

Imunossupressão

AFLA/FUM/DON/OTA

Hemorragias Perda de Peso

AFLA AFLA/FUM/DON/DAS/T2

Diminuição da postura, Alteração do tamanho dos ovos

AFLA/T2

Síndrome de má absorção, Enterite Necrótica, necrose

AFLA/FUM/OTA/DON/DAS/T2

Morte Súbita

FUM AFLA

Disfunção Hepatoxicidade

2: Toxina T2 - DON: Deoxynivalenol - AFLA: Aflatoxina B1 - FUM: Fumonisina B1 - OTA: Ocratoxina A - DAS: Diacetoxiscirpenol

As lesões macroscópicas que as micotoxinas

O efeito aditivo ocorre quando o resultado da

podem causar nos animais são muito variadas

exposição a duas micotoxinas é maior do que

e incaracterísticas. Além disso, deve ser

a exposição a elas individualmente.

considerado que raramente a contaminação de micotoxinas são homogêneas e as contaminações mistas são mais comuns. Dessa forma, as contaminações com mais de uma micotoxina pode gerar efeitos sinérgicos ou aditivos nos animais.

66 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Conhecendo as micotoxinas

Tanto DON como Fumonisinas diminuem o número de células caliciformes e a altura das vilosidades intestinais. Mas quando estão juntas, a diminuição em ambos os parâmetros é maior.


Um efeito sinérgico ocorre quando diferentes micotoxinas atuam em diferentes fases do

Figura 1: Efeito sinérgico (linha completa) e Efeito aditivo (linha pontilhada)

mesmo mecanismo de ação. Por exemplo: Toxina T2 aumenta a peroxidação

AFLA FUM

DON

lipídica, causando um aumento na concentração de espécies reativas de oxigênio (ROS).

DAS

OTA

Enquanto a Aflatoxina B1, inibe os mecanismos naturais de eliminação de

T2

ROS.

Métodos de Controle micotoxinas, há uma grande variedade de métodos de controle. Esses variam desde boas práticas agrícolas, de armazenamento, à produtos enzimáticos com um elevado valor tecnológico (Tabela 3).

micotoxinas

Como existe uma grande variedade de Historicamente, os ácidos inibidores de crescimento de fungos e adsorventes minerais têm sido a principal estratégia para o controle das micotoxinas; no entanto, as melhorias tecnológicas permitem obter novas perspectivas de controle na produção animal.

Tabela 3. Métodos de controle de micotoxinas MÉTODO DE CONTROLE

ÁREA DE AÇÃO

OBJETIVO

Boas Práticas Agrícolas

Genótipo e Rotação de cultura, Controle de Pragas e Fungos, Estágio, Umidade na Colheita e Regulagem da Automotriz

Diminuir a contaminação fúngica

Armazenamento de Grãos

Umidade, Limpeza e Segregação, Inibidores de crescimento fúngico

Diminuir a contaminação fúngica e a produção de micotoxinas

Adsorventes

Trato Gastrointestinal

Evitar a absorção de micotoxinas com maior polaridade

Enzimáticos

Trato Gastrointestinal

Transformar as micotoxinas em metabólitos atóxicos prévio à sua absorção, independentemente de sua polaridade

Protetores

Órgãos

Diminuir o dano das micotoxinas dos diferentes órgãos brancos

67 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Conhecendo as micotoxinas


Os inibidores fúngicos impedem o

Dentro deste aspecto, os mecanismos

crescimento vegetativo de fungos e

de inativação enzimática resultam numa

consequentemente a formação de micotoxinas

plataforma eficaz para a detoxificação de

durante o armazenamento de grãos, enquanto

micotoxinas que são pouco controladas pelos

que os adsorventes funcionam eficazmente

mecanismos tradicionais na produção animal.

na remoção de micotoxinas no trato digestivo dos animais, uma vez que a adsorção é feita principalmente por polaridade (carga iônica das moléculas). Estudos nas áreas da microbiologia e da enzimologia levaram à descoberta de Nos últimos anos, o uso de enzimas para a inativação de micotoxinas tornou-se uma ferramenta segura

micotoxinas

e efetiva, com efeitos sobre uma

enzimas segregadas por microrganismos capazes de metabolizar micotoxinas. Esse mecanismo é chamado de desintoxicação, biotransformação ou inativação enzimática.

ampla gama de micotoxinas que na

Uma vez que as enzimas são muito

sua maioria não são adequadamente

específicas (catalisam reações químicas

controladas por métodos

num determinado ponto de uma molécula)

tradicionais.

e dependem de um ambiente característico (temperatura, pH, tempo, etc.), é de importância vital utilizar enzimas adaptadas às espécies animais

As enzimas são moléculas amplamente conhecidas por seu efeito fundamental no metabolismo dos seres vivos, com atividades que vão desde a contração muscular até a troca de gás nos pulmões. As enzimas são substâncias orgânicas de natureza normalmente proteica com atividade intracelular e extracelular. Elas têm funções catalíticas em reações químicas, permitindo que essas sejam produzidas na forma e velocidade

a serem utilizadas, uma vez que o pH e o tempo de permanência da ração em ruminantes não são os mesmos que em monogástricos. Portanto, não só as enzimas, mas a composição total dos produtos à base de enzimas é importante para o efeito biológico do produto sobre os animais e para o controle de micotoxinas.

requeridas. Essa capacidade catalítica das enzimas também as torna adequadas para aplicações industriais, tais como a produção em grande escala de antibióticos e a melhoria da digestibilidade dos nutrientes em dietas monogástricas

Conhecendo as micotoxinas

BAIXAR O PDF

(exemplo, fitases).

Referências bibliográficas mediante solicitação.

68 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Conhecendo as micotoxinas


publireportagem

LANÇAMENTO DA LINHA BIOSOLUTIONS AMPLIA O PORTFÓLIO DE LEVEDURAS E DERIVADOS DA YESSINERGY

Pequenas partículas que promovem grandes resultados em campo. É assim que a linha BioSolutions atua: do micro, para transformar o macro. A proibição e limitação do uso de antibióticos como promotores de desempenho na produção mundial tem impulsionado pesquisas incluindo aditivos microbianos para a nutrição animal.

Sendo registrada como produto seguro “Generally Recognized as Safe” (GRAS) para uso na nutrição animal, a levedura Saccharomyces cerevisiae e suas diversas cepas são alvo de pesquisa e desenvolvimento de setores ligados à nutrição animal no mundo (Paula, s. 2015). Nas últimas décadas, um grande número de produtos à base de levedura tem sido introduzido neste mercado, tais produtos incluem leveduras

Neste sentido, os probióticos

vivas, inativas, parede celular e conteúdo

e prebióticos têm sido amplamente

celular. Resultados de pesquisas em

estudados, sendo uma das alternativas

nutrição animal apontam que as leveduras e

mais utilizadas na substituição aos

derivados proporcionam benefícios diretos

antibióticos, contribuindo com benefícios

e indiretos no desempenho zootécnico e

adicionais para o sistema de produção animal.

saúde intestinal dos animais (Lima, 2010).

70 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Lançamento da linha BioSolutions amplia o portfólio de leveduras e derivados da YesSinergy


Atenta aos anseios do mercado e mantendo o seu compromisso em oferecer as melhores soluções biotecnológicas aplicadas à nutrição e saúde animal, a Yes apresenta em seu portfólio de soluções a linha BioSolutions, composta por leveduras e derivados O uso de leveduras na nutrição animal tem sua funcionalidade não somente como uma alternativa de fonte proteica, mas também em virtude do grande potencial aditivo de seus componentes, que atuam como

que se destacam pela padronização e monitoramento envolvido em todo o seu processo produtivo. Este controle se inicia com a auditoria de 100% de seus fornecedores de matéria-prima.

melhoradores naturais do desempenho animal, sem reduzir a produtividade. A padronização do processo abrange desde análises de qualidade do creme de levedura,

importantes para a utilização da levedura na nutrição animal são os consideráveis preços de grãos de cereais e suplementos proteicos vegetais, despertando um grande interesse pelo a proveitamento de alimentos conhecidos como “não convencionais” na indústria animal do Brasil e de outros países produtores de grãos. Para sua utilização adequada e máximo aproveitamento de seus atributos, devem ser consideradas questões de:

incluindo testes para detectar a presença de antibióticos, até a finalização do produto acabado. São aplicados métodos de gestão multidisciplinar, através do uso de diversos programas, técnicas e ferramentas buscando sempre a qualidade total dos processos e produtos da empresa. Essa padronização e a previsibilidade do produto acabado geraram certificados importantes para a empresa, como os ANTIBIOTIC FREE, GMP+ e FAMIQs, fundamentais para a comercialização dos produtos nos mercados mais exigentes a nível mundial.

Qualidade do produto Controle do processo produtivo Emprego da forma ativa, inativa e/ou frações Composição da ração Interação com outros componentes Manipulação e armazenamento do produto

71 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Lançamento da linha BioSolutions amplia o portfólio de leveduras e derivados da YesSinergy

publireportagem

De acordo com Butolo (1997), um dos fatores mais


BIOWALL BIOYEAST Levedura inativada, seca, de alta qualidade, produzida a partir da fermentação da cana-de-açúcar. Composta por células intactas da levedura Saccharomyces cerevisiae. Fonte de proteína de alto valor biológico apresenta boas características de palatabilidade e digestibilidade.

publireportagem

Palatável e digestível, a Yes- BIOYEAST também é fonte de vitaminas do complexo B. Constitui-se em um ingrediente funcional indicado para a nutrição de todas as espécies animais.

BIOHYDRO Levedura hidrolisada produzida por meio do rompimento da parede celular por enzimas exógenas, sob rígidas condições de temperatura, pressão e tempo, proporcionando um produto final altamente homogêneo. Este processo aumenta a disponibilidade de betaglucanos e mananoligossacarídeos, além do conteúdo intracelular (nucleotídeos, polipeptídeos, ácido glutâmico, inositol e vitaminas do complexo B). Atua positivamente junto ao desempenho produtivo e reprodutivo animal, com boas características de digestibilidade e palatabilidade, a BIOHYDRO é indicada para todas as espécies.

Parede celular da levedura Saccharmomyces cerevisiae, constituindo-se em uma fonte natural de manonoligossacarídeos e 1,3 e 1,6 β-glucanos. Sua composição possibilita exercer ação prebiótica no ambiente gastrointestinal, auxilia a aglutinação de bactérias patogênicas, além de auxiliar na adsorção de micotoxinas e ter efeito imunomodulador a nível intestinal. Seu uso é indicado para todas as espécies animais.

BIOFLAVOUR O extrato de levedura é um produto que contém apenas componentes intracelulares da levedura Saccharomyces cerevisiae, obtidos após a extração da parede celular através de processos enzimáticos. O BIOFLAVOUR apresenta elevada digestibilidade, além de ser altamente palatável, devido a presença de glutamato em sua composição. O produto é fonte de nucleotídeos e inositol, um promotor natural de crescimento, além de proteínas.

LIFEYEAST Constitui-se em um aditivo probiótico, composto por uma cepa específica e selecionada de Saccharomyces cerevisiae para alimentação animal. Melhora significativamente a digestão e o aproveitamento dos nutrientes, com potencial efeito modulador da microbiota intestinal. Tem seu principal uso atualmente na alimentação de ruminantes, (vacas leiteiras de alta produção e bovinos confinados), aves e suínos.

72 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Lançamento da linha BioSolutions amplia o portfólio de leveduras e derivados da YesSinergy


publireportagem

A Linha BioSolutions da Yes é formada por soluções naturais e sustentáveis, produzidas sob rigoroso controle de qualidade a fim de contribuir com os melhores resultados na produção animal. Ao mesmo tempo, nossos profissionais e parceiros seguem empenhados em trazer o melhor da ciência e tecnologia em nutrição animal para ampliar e aperfeiçoar a qualidade de nossas soluções. Saiba mais sobre nossa nova linha em: http://www.yes.ind.br

73 nutriNews Brasil 3er Trimestre 2020 | Lançamento da linha BioSolutions amplia o portfólio de leveduras e derivados da YesSinergy


Sobre a Yes A Yes, empresa de biotecnologia em nutrição animal, que desenvolve e produz aditivos nutricionais como: adsorventes de micotoxinas, prebióticos (MOS, FOS, GOS), imunomoduladores (Betaglucanos purificados), contém a maior linha de minerais publireportagem

orgânicos disponível no mercado, blends e derivados de leveduras com o objetivo de melhorar o desempenho e saúde completa dos animais. Todos os produtos estão de acordo com as mais rigorosas leis dos mercados mundiais, como Estados Unidos e Europa. Fundada em 2008, a Yes tem escritório-matriz em Campinas/SP, quatro plantas de produção, uma em Lucélia/SP, uma em Novo Horizonte/SP, uma em Borá/SP e uma em Conceição da Barra/ ES, um Centro de Logística e Distribuição em Lucélia/SP e outro em Londrina/PR. Atua em todo o Brasil, além de exportar para mais de 35 países, estando presente na América Latina, Europa, África e Ásia. Desde 2016 a empresa faz parte do portfólio de investidas do fundo de investimentos Aqua Capital.

Lançamento da linha BioSolutions amplia o portfólio de leveduras e derivados da YesSinergy

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