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Março/2018 - Edição Especial

São Sebastião 382 anos Uma cidade com muita história pra contar

Convento

Um patrimônio no coração do Bairro Pág. 18

Petróleo

O maior terminal da América Latina está aqui Pág. 04

Jeannis Platon

Um grego de alma caiçara Pág. 10

Entrevista

Felipe Augusto: os desafios da cidade Pág. 14

E mais

www.radarlitoral.com.br

Caiçaras que fazem a história


EDITORIAL

Radar Litoral - Especial 382 anos | 3

Parabéns São Sebastião, 382 anos de muita história

Foto capa: Marcos Bonello Eskerdinha

P

elo segundo ano consecutivo, o Radar Litoral – O seu portal de notícias no Litoral Paulista traz no mês de março uma edição histórica em homenagem ao aniversário da mais antiga cidade da região. Uma revista com conteúdo histórico, cultural, entrevistas e as belezas naturais da querida São Sebastião, que completa 382 anos de emancipação político-administrativa.

Direção geral

Júlio Buzi Gustave Gama Mtb 17221 Mtb 31421

Diagramação e Arte

Felipe Mattos Graffic Comunicação

Fotografia

Colaboradores

André Santos Arnaldo Klajn Celso Moraes Luciano Vieira Marcos Bonello Eskerdinha Venino Moreira Andressa Rodrigues Sílvia Amparo Arquivo Histórico Edivaldo Nascimento

Nas próximas páginas, você leitor fará uma viagem pela história do município e, principalmente, de sua gente. Caiçaras que mantêm raízes e defendem as tradições. O Radar Litoral, que em 2018 completa 5 anos, se tornou referência em informação regional graças a você leitor/internauta. É no www.radarlitoral.com.br que diariamente levamos a notícia na hora em que acontece, além das principais opções de lazer e entretenimento, as peças teatrais, as exposições artísticas e as agendas de shows. Por tudo isso, já são mais de 300 mil acessos/mês, ou seja, 3,6 milhões de acessos/ ano. Com a coordenação dos jornalistas Gustave Gama e Júlio Buzi, o Radar Litoral segue sua missão de bem informar. A integração com as redes sociais dá agilidade à propagação da informação. Em janeiro foram 10 mil exemplares da Revista Especial Verão, distribuídos nos quatro municípios do Litoral Norte e também ao longo da Rodovia dos Tamoios e no Aeroporto de Guarulhos, fomentando assim o turismo regional. Agora são mais 5 mil exemplares na edição histórica do aniversário da cidade. Seguimos em frente, com coragem e compromisso com você. Boa leitura e parabéns São Sebastião!

Petróleo Jornalismo redacao@radarlitoral.com.br

Distribuição Gratuita - São Sebastião/SP Tiragem: 5 mil exemplares Esta é uma publicação de Imagem Assessoria de Comunicação e Eventos Ltda-ME. Portal de Notícias RADAR LITORAL *Todos os direitos reservados

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Whitbread

Praias

Mergulho

4 18 33 38 42

Publcidade arte@radarlitoral.com.br Contato (12) 99141-6025 / 98148-2225

Convento

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Tebar, o maior terminal de petróleo da América Latina Tiago Fortunato: o pescador multitarefa Jeannis Platon, um grego de alma caiçara Após 1 ano de governo, Felipe Augusto fala de conquistas e ações futuras Convento: no coração do Bairro Conheça a história dos nomes de ruas e praças Jandira, a mulher que pescou um tubarão “O dia que o santo pecou” Há 20 anos São Sebastião recebia a Whitbread Caiçara: a história que não acabou A história preservada nas capelas caiçaras

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Especial São Sebastião 382 anos

Marcos Bonello/PMSS

Referência Nacional <<

Tebar, o maior terminal de petróleo da América Latina Transpetro

Júlio Buzi O maior terminal petrolífero da América Latina está localizado na área central de São Sebastião, onde ocupa 1/3 de sua extensão. O Tebar - Terminal Marítimo Almirante Barroso – é de fundamental importância para a geração de emprego e renda inclusive para os municípios vizinhos. De importância estratégica para o país, a maior unidade operacional da Transpetro em movimentação de produtos, o Terminal de São Sebastião recebe petróleo nacional e importado por navio-petroleiro. Abastece as quatro refinarias do estado de São Paulo: Paulínia (Replan), Vale do Paraíba (Revap), Capuava (Recap) e Presidente Bernardes (RPBC). O petróleo é transferido às refinarias por oleodutos, como o São Sebastião-Guararema (Osvat) que atende as refinarias de Paulínia (Replan) e Vale do Paraíba (Revap); e o Oleoduto Santos-São Sebastião (Osbat), as refinarias Presidente Bernardes (RPBC) e Capuava (Recap). Os derivados entram e saem do terminal pelo Oleoduto Guararema-Paulínia (Osplan) e por meio de navios, com destino a outros portos do território nacional ou para exportação. O Tebar possui 37 tanques de armazenamento, sendo 20 para petróleo e 17 para derivados, álcool e biodiesel. A sua capacidade de armazenamento é de pouco mais de 2 milhões de m³, com uma movimentação de carga maior do que a do Porto de Santos em tonelagem.

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Histórico As obras para construção do Tebar tiveram início em 1961, após a assinatura do decreto pelo então presidente Jânio Quadros, que autorizava a construção da unidade. A inauguração oficial foi em abril de 1969. A primeira atracação no píer ocorreu em 1968, com a operação do navio norueguês BJorg-

fjell que trouxe petróleo cru do Iraque. Ao longo destes quase 50 anos, o Tebar teve uma importância fundamental para o desenvolvimento da cidade e a geração de empregos, além de incrementar a receita dos municípios da região – São Sebastião, Ilhabela e Caraguatatuba – com o repasse de royalties.


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Marcos Bonello/PMSS

“O Tebar é importantíssimo para a composição da receita municipal”, afirma ex-prefeito Luizinho Faria O ex-prefeito de São Sebastião e especialista em royalties, Luiz Alberto de Faria, o Luizinho, afirmou que o Tebar, além da questão específica do petróleo, tem importância fundamental no aspecto financeiro nas três esferas de governo – federal, estadual e municipal. “O Terminal Aquaviário de São Sebastião é importantíssimo para a composição da receita municipal, relevante para o estado, pois abastece as quatro refinarias e gera ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e fundamental para o país na estratégia da distribuição de petróleo”, afirmou Luizinho. O ex-prefeito destacou que há um importante

conjunto de tributos para a receita do município. A Transpetro (Terminal) é a principal pagadora de IPTU, com recursos anuais na ordem de R$ 57 milhões. Gera também ISS (Imposto Sobre Serviços) nas atividades dentro do Terminal, ainda que atualmente haja uma redução desses investimentos. A transferência governamental de ICMS, oriundo do Governo do Estado, que é relativa à movimentação de produtos para abastecer as quatro refinarias, gera recursos anuais na ordem de R$ 72 milhões, mas que já foram maiores. Com relação aos royalties, em 2017, São Sebastião recebeu cerca de R$ 87 milhões e a projeção é de que neste ano os valores cheguem a aproximada-

mente R$ 120 milhões. Luizinho afirmou que São Sebastião passou a ser beneficiado após ser sancionada a Lei 7.990, em 1989, que determinou o pagamento de royalties para os municípios que possuíssem terminais. “Porém, o incremento veio com a Lei 9.478, de 1998, que criou a ANP (Agência Nacional de Petróleo) e aumentou a participação de 5% para 10% dos municípios com terminais de embarque e desembarque”. Dessa forma, é possível afirmar que os recursos provenientes da instalação do Tebar são superiores a R$ 200 milhões ao ano, cerca de 30% do orçamento municipal.

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O Caiçara e o mar <<

Tiago Fortunato

o pescador multitarefa Ele vive a paixão pela pesca e o engajamento com questões sociais e culturais Andressa Rodrigues Aos 73 anos de idade, ele esbanja simpatia, bom humor e saúde, além de muitas histórias para contar. Tiago Fortunato, pescador de família tradicional do bairro São Francisco, hoje está aposentado, mas não quer saber de sossego. Pai de três filhos, avô de cinco netos e casado há 46 anos, Fortunato divide seu tempo entre a família, compromissos sociais, esporte e, claro, o mar. “Isso aqui para mim é vida. Enquanto eu tiver fôlego e força para puxar uma rede, empurrar um barco, eu continuo”, afirma o pescador. O ofício, ele e seus 16 irmãos aprenderam com o pai,

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que se mudou do bairro da Enseada para o São Francisco em 1934, quando construiu o rancho na praia da Figueira. “Eu e meus irmãos praticamente nascemos e fomos criados na beira da praia”, completa. Fortunato dedicou-se integralmente à pesca até os 26 anos de idade. Ele decidiu-se mudar para o Vale do Paraíba e, logo depois, para a Baixada Santista, onde se formou em Química e trabalhou na refinaria da Petrobras, em Cubatão, até se aposentar. “Foram 23 anos fora daqui. Mas sempre vinha a São Sebastião nas minhas férias e feriados. Dei graças a Deus quando a aposentadoria veio para eu voltar.

Então eu disse à minha família: esqueçam que sou químico, que tive outras funções, pois agora volto a ser pescador”, lembra. Mas não é todo dia que Fortunato vai para o mar. Falta-lhe tempo. Isso, porque ele tem uma rotina bem agitada: pratica vôlei; preside o Centro de Convivência da Terceira Idade (CCTI - Pontal da Cruz); envolve-se em eventos sociais, dentro e fora do município, ligados à terceira idade; e é coordenador-presidente da Congada de São Benedito. “Minha vida não é ociosa”, brinca o pescador que ainda é vencedor de concursos de beleza e reúne os títulos de “Mister Terceira Idade de São Sebastião” e “Rei do Mercosul” (por duas vezes).


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Fotos: Andressa Rodrigues/Radar Litoral

Tradições A arte da pesca vem de gerações, segundo conta Fortunato. “A função era passada de pai para filho, até porque não tínhamos outras opções. Agora tudo é diferente. A região tem boas escolas e faculdades, então os filhos e netos seguem outros rumos”, ressalta. Mesmo assim, sempre que possível, a família está junta nas pescarias, mantendo a tradição. Com o passar do tempo, a pesca também mudou. “Antes, a gente falava que o mar estava alagado de peixe. Hoje, a gente vê um setor muito explorado, com barcos munidos de tecnologia capaz de ir onde os cardumes estão, abatendo-os rapidamente. A situação está mais difícil”, considera. Apesar disso, ele tem esperanças. “Gostaria de ver os jovens com condições para continuar o ofício, para não morrer essa nossa cultura caiçara”. Fortunato também colabora numa outra herança regional: a Congada de São Benedito do Bairro de São Francisco. Ele preside o grupo que, atualmente, conta com 30 integrantes. “A gente se reúne e ensaia para as apresentações, que ocorrem dentro e fora da cidade. Temos de crianças a idosos participando. E nos preocupamos em passar isso para os mais novos. Trata-se de uma manifestação cultural muito importante para a preservação da nossa identidade”, considera.

Gostaria de ver os jovens com condições para continuar o ofício, para não morrer essa nossa cultura caiçara”.

Planos para o futuro Fortunato garante que ainda há muito para se viver. Ele afirma que enquanto tiver força e disposição, seguirá com a paixão pela pesca e com as atividades sociais que realiza diariamente. Mas ele tem um desejo em especial. “Espero que meus netos se tornem pessoas prestativas

para o município e para a família. Que sejam melhores do que sou e fui”. Já para a cidade, o pescador estima “que ela seja ainda mais bonita, alegre e acolhedora, com governantes dedicados a cuidar do bem-estar dos moradores e do município como um todo”.

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Especial São Sebastião 382 anos

Viagem ao passado <<

O charme do Centro Histórico de São Sebastião Venino Moreira

A cidade mais antiga do Litoral Norte, além de suas conhecidas belezas naturais, possui um Centro Histórico que remete os visitantes a uma viagem no tempo. É uma riqueza histórica em cada esquina. São Sebastião tem sete quarteirões e oito edifícios tombados pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico). São casarios coloniais e igrejas do início do século XVII. Entre os destaques que valem a pena ser visitados estão a Igreja Matriz, a Capela de São Gonçalo, que abriga o Museu de Arte Sacra, a atual sede da Secretaria de Turismo, na Rua da Praia, a Casa de Câmara e Cadeia e a Casa Esperança, esta última tombada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e a única mantida por particulares, no caso, a tradicional família Fernandes. Por isso tudo, conhecer o Centro Histórico chega a ser quase que obrigatório para quem visita São Sebastião, onde o passado e o presente se misturam e ajudam a nos remeter para o futuro. Marcos Bonello/PMSS

Marcos Bonello/PMSS

Luciano Vieira/PMSS

Arnaldo Klajn/PMSS

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Um grego de alma caiçara <<

Jeannis Platon, do empreendedorismo na década de 60 às expedições submarinas Nascido na Ilha de Creta, na Grécia, ele chegou ainda menino ao Brasil com a família no fim da década de 50 e descobriu São Sebastião como mascate na Festa do Padroeiro. Foi amor à primeira vista. Gustave Gama Prestes a completar 70 anos, Jeannis Michail Platon fala com emoção de seu amor pelo Litoral Norte, região que considera a mais bela de todo o Brasil, especialmente, de sua paixão por São Sebastião, o lugar que descobriu em plena juventude ao participar como mascate da Festa do Padroeiro. A família de imigrantes gregos chegou ao Brasil no início da década de 60, na cidade de São Paulo. “Meu pai era militar na Grécia e trabalhava na guarda real, mas em 1955 tiraram o rei e assim ele decidiu vir para o Brasil. Em 59, meu pai trabalhou com terra-

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planagem na construção de Brasília e no ano seguinte ele trouxe a família para cá”, conta. Em 1960, na capital paulista, especificamente nos bairros do Brás e Bom Retiro, a mãe de Jeannis Platon montou uma confecção que logo cresceu. A família então mudou para Mogi das Cruzes, onde a confecção virou uma fábrica de roupas. “Aos 18 anos, eu dirigia o caminhão para participar de feiras pelo Estado de São Paulo e em 1967 descobri a feira da Festa de São Sebastião. Vendemos todas as roupas que trouxemos e junto com alguns amigos ficamos por 10 dias na cidade para aproveitar as

belezas, mergulhei, conheci Ilhabela, e percebi que este seria o meu lugar”, relembra. Foi nesta época que Jeannis Platon decidiu que moraria em São Sebastião, lugar que pulsava com a construção do Tebar - Terminal Almirante Barroso, da Transpetro (na época, Petrobras). “Achei um pontinho no Centro da cidade e ali montei a ‘Casa do Povo’. Depois vieram outras lojas, como Galeria Lima, Casa Barateira e Móveis Tropical. Até então só tinha a Casa Esperança, do seu Izidro”. Com o crescimento da “Casa do Povo”, Jeannis Platon seguiu empreendendo e construiu um prédio moderno para época, onde instalou a “Sportmar”.


Especial São Sebastião 382 anos

Fotos: Arquivo Jeannis Platon

O amor pelo mergulho

Histórias que viraram livros São tantas histórias que, claro, não poderiam se perder no tempo. Assim, após processo de pesquisa, Jeannis Platon resolveu escrever um livro sobre suas expedições, garantindo a preservação deste patrimônio imaterial, com relatos e causos de quem viveu aquela época. Já são quatro publicações: “Descubra São Sebastião”, “Príncipe de Astúrias”, “Tesouro da Trindade” e “Ilhabela e seus Enigmas”, este último com mais de 25 mil exemplares vendidos.

Jeannis é a segunda geração de mergulhadores de sua família. Seu pai e seus tios eram profissionais do mergulho na Grécia. E para desvendar não só as belezas, mas também os mistérios dos naufrágios ocorridos no Litoral Norte, principalmente, ao redor do Arquipélago de Ilhabela, ele adquiriu por meio de leilão um antigo navio “caça-minas” da Marinha do Brasil. Foi batizado de “Hypocampo”, que quer dizer cavalo-marinho em grego. A embarcação participou de diversas expedições, a principal delas, a do “Príncipe de Astúrias”, o chamado “Titanic” brasileiro, que afundou há mais de 100 anos na Ponta da Pirabura, em Ilhabela. Mais de 3 mil mergulhadores participaram de cursos com Jeannis Platon. Dos mergulhos em naufrágios, ele retirou peças históricas que hoje fazem parte de um grande acervo. Boa parte dele está no Museu Náutico de Ilhabela. Outras foram destinadas ao Museu da Marinha, no Rio de Janeiro. “Até 1987 não havia muita burocracia para as expedições de naufrágio. O que a Marinha considerava interessante ia para seu museu e outras peças eu fui guardando para que fosse assim criado um museu em nossa região. Na Grécia, existem muitos museus da área náutica”. E o amor pelo mergulho segue em família. Seu filho, Michail Platon, mantém empresa no ramo. Radar Litoral

São Sebastião 382 anos Antes de encerrar a entrevista perguntei qual a diferença da São Sebastião de 1960 para a cidade dos dias atuais. “Eram tempos que se dormia de janela aberta. Uma vez saí a noite e esqueci a porta da loja totalmente aberta e ninguém mexeu em nada. Era uma cidade pacata até a década de 80. Mas muita coisa mudou no país. Meu coração chora ao ver o Brasil na situação que está hoje. Espero que estes jovens prefeitos que assumiram as cidades da nossa região façam boas administrações. Fico feliz em saber que Alcatrazes novamente será aberta para o turismo. Conheço o Brasil por terra e pelo mar e, com certeza, o lugar mais bonito deste país está entre a costa de Boraceia, na Costa Sul de São Sebastião e Ilha Grande (RJ)”. Os livros de Jeannis Platon podem ser encontrados em livrarias da região como Satélite, na Rua da Praia, em São Sebastião, e Ponto das Letras, em Ilhabela.

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Especial São Sebastião 382 anos

O avião que pousou no mar da Praia da Baleia Arquivo Jeannis Platon

O ano era 1957 e o que só se falava entre os caiçaras de São Sebastião era como aquele piloto havia conseguido pousar um avião de passageiros no mar sem que ninguém tivesse se ferido. Foi assim, numa manhã de 4 de novembro, que o barulho dos motores em pane da aeronave Douglas DC-4, prefixo PP-AXS, da Real Transportes Aéreos, chamou a atenção dos moradores da pacata cidade. Com problemas durante o voo, o piloto buscava a melhor forma de realizar aquele pouso forçado em uma área livre. Não deu certo. Seguindo no sentido norte-sul, na tentativa de chegar ao aeroporto da Baixada Santista, o avião foi perdendo altitude. Ao notar que não conseguiria, o piloto fez uma manobra corajosa e conseguiu pousar entre a areia e o mar da praia da Baleia, na Costa Sul sebastianense. Deu tudo certo e os 34 passageiros e oito tripulantes nada sofreram. E sabe o que aconteceu com o avião? Ficou lá, no mar da praia da

Avião DC-4 da Aerovias com 34 passageiros e oito tripulantes fez pouso forçado na praia da Baleia, Costa Sul do município”.

Baleia até que fosse totalmente encoberto pela areia. Caiçaras da cidade falam sobre o que viram naquele 4 de novembro de 1957. No livro “Descubra São Sebastião”, de Jeannis Michail Platon, o fotógrafo Edivaldo Nascimento, que na época tinha 7 anos, contou o que viu ainda criança. “Brincava no campo de futebol do Clube Recreativo Sebastianense, nas proximidades da atual sede da prefeitura. Correndo de lá pra cá, de repente avistei no céu o avião fazendo voltas. A cada volta que dava ia baixando. Tanto que ele baixou que veio numa altura de mais ou menos 30 metros, tentando fazer um pouso forçado

naquela área aberta, que vai até a praia. Consegui ver que uma das hélices estava parada. Ele subiu de novo e desapareceu em direção ao sul. Tempos depois fiquei sabendo do ocorrido, que ele tinha pousado na Praia da Baleia”. A professora VeniceTargat Moreira tinha apenas 9 anos e lembra que seu pai, Venino Fernandes Moreira, que foi vereador na década de 60 na cidade, seguiu de caminhão com filhos e amigos para ver o avião que havia pousado na praia. “Lembro que chamou a gente para ir ver um avião que tinha pousado na praia da Costa Sul”. Realmente, uma história que ficou marcada na memória de muitos caiçaras.

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Especial São Sebastião 382 anos Arnaldo Klajn/PMSS

Entrevista << Prefeito projeta construção de novo hospital com Parceria Público-Privada (PPP). A proposta é que o atual Hospital de Clínicas seja transformado em unidade de atendimento à criança e à mulher.

Radar Litoral - Prefeito Felipe Augusto, pra começar, nesta entrevista de 382 anos de São Sebastião, quais são os principais desafios da cidade?

Após 1 ano de governo, Felipe Augusto fala de conquistas e ações futuras “Estamos trabalhando muito para resgatar a autoestima do povo sebastianense” O Radar Litoral – o seu portal de notícias no Litoral Paulista entrevistou o prefeito de São Sebastião, Felipe Augusto (PSDB), que completa um ano e três meses à frente da administração municipal. Ele fez um balanço das principais conquistas e também projetou ações futuras, entre elas, obras nos bairros, a alteração na malha viária central com o entroncamento à Nova Tamoios/Contor-

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nos e investimentos em setores como saúde e educação. Felipe Augusto ainda falou de turismo, incluindo medidas para combater a sazonalidade e de questões como segurança pública e saneamento. Confira agora a entrevista na íntegra (veja também em vídeo no portal www.radarlitoral. com.br ou ainda no Canal do Radar Litoral no Youtubewww.youtube.com/radarlitoral)

Felipe Augusto – Os desafios são enormes e governar é eleger prioridades. Hoje a cidade tem uma estrutura predial comprometida, que precisa ser reorganizada e nós já iniciamos este trabalho, com reformas, construções de novos prédios. A parte de zeladoria, com cuidado especial. No ano passado todinho nós cuidamos da reorganização das galerias, drenagens, limpamos córregos, para que tivéssemos menos problemas na ocorrência de chuvas. Claro que estamos falando de uma cidade que precisa de manutenção constante. Tivemos que trabalhar para recuperar o tempo perdido e organizar a cidade. Do ponto de vista administrativo e financeiro, a prefeitura também passou por um reajuste grande. O encolhimento no custeio da máquina, para que sobrasse dinheiro e pudéssemos começar a avançar com estas questões. Um dos fatores que mais complica é a extensão, com bairros isolados, isso custa mais caro para administração pública. Temos mais de cinco regionais e elas têm que dar conta do recado. O trabalho tem sido feito e o enfrentamento das dificuldades é constante e a cidade sem dúvida nenhuma já melhorou, claro que ainda precisa de muito mais, e nós estamos trabalhando neste sentido.


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Radar Litoral – Em janeiro, o senhor lançou pacote de obras com quatro creches, ginásio de esportes e a construção de uma escola, orçadas em R$ 25 milhões. Qual a previsão de entrega destas obras? Felipe Augusto – Nós já iniciamos no ano passado diversas licitações. Somados aos outros pacotes que lançamos, envolvendo aí a Ponte de Barra do Una, mais a ponte Barra do Sahy-Baleia, já supera a casa dos R$ 30 milhões. Estamos dando ordem de serviço agora, tendo em vista que estas licitações ocorreram entre o fim do ano passado e início deste ano, e esperamos esse tempo por conta da temporada de verão. Ponte de Barra do Una, Ponte Barra do Sahy-Baleia e as creches já estão com ordem de serviço no mês de março.

Radar Litoral - E quais são as obras ainda previstas para este ano de 2018? Felipe Augusto – São seis creches licitadas, mais o ginásio da Topolândia ao lado da escola, a reforma do Centro Comunitário, o ginásio ao lado do antigo Gringão, com capacidade para 5 mil espectadores, estrutura de atletismo do campo, a recuperação das estruturas esportivas já prevendo os Jogos Regionais em julho de 2018. E claro, as novas estruturas do Centro Comunitário do Jaraguá, que vão atender os cursos do Fundo Social, e obras novas de pavimentações, novas galerias, a drenagem do Rio Perequê na divisa Caraguá-São Sebastião; a nova biblioteca na região central, que abrigará o maior acervo do Litoral Norte; ações bairro a bairro com reformas em unidades escolares e de saúde. Investimento no ensino fundamental muito forte com esta reestruturação já em 2018.

Radar Litoral – Qual sua avaliação da temporada de verão? E quais as ações para combater a sazonalidade, de maneira que a cidade tenha movimento ao longo do ano? Felipe Augusto – A temporada 2017-2018 já foi muito organizada e estruturada. Dividimos os eventos, dividimos atividades, demos tranquilidade e segurança na questão saúde e policiamento. Isso mostrou o que é organização. Isso vai se repetir

ao longo do ano com eventos e calendário forte. Vivemos numa cidade turística, que depende do turismo como fator propulsor da economia local. Hoje a Prefeitura tem receitas importantes, da Petrobras, do IPTU, outros impostos, mas uma das mais importantes é proveniente do turismo. Em 2017 investimos muito na divulgação não só no Brasil como fora do país, em diversas feiras e eventos. Agora oficialmente participará das feiras em conjunto com a Embratur, num seleto time por todos os cantos do mundo. Teremos um calendário cultural rico ao longo do ano. Shows e eventos foram fomentados em 2017 e continuarão sendo realizados com artistas locais. Temos agora de março a julho, festival gastronômico, diversos shows, as questões das tradições caiçaras, combatendo a crise e recessão com bons eventos, atraindo público e movimentando comércio, restaurantes, hotéis e pousadas ao longo dos 100km da cidade.

Radar Litoral – A obra do Contorno Sul, do Governo do Estado traz impacto para cidade e região. Como está o projeto de adequação do sistema viário? Felipe Augusto – Esta obra é a mais importante não só para o nosso município, como seguramente para o Estado e para o país. Um corredor de exportação e importação que irá também atender o cotidiano dos moradores. Facilitará o trânsito entre São Sebastião e Caraguatatuba. Uma obra importante, o projeto do entroncamento entre a rodovia e o viário municipal chegou a nossas mãos no fim de dezembro de 2017, e aí a prefeitura ‘startou’ os procedimentos para a desapropriação de diversas áreas para fazer este encaixe. Fotos: André Santos/PMSS

Radar Litoral – Qual a situação financeira da prefeitura e, especialmente, a arrecadação dos royalties? Felipe Augusto – Nós equilibramos a situação financeira do município apertando o cinto, austeridade. Economizamos em diversos contratos, em média reduzimos cerca de 30% em todos os contratos. No contrato do lixo, por exemplo, chegou a 32% de redução e em alguns itens 50%. Tiramos estes recursos que estavam alocados em contratos terceirizados e transferimos para o setor de investimentos. A cidade precisa crescer e o poder público tem esta responsabilidade de fazer a roda da economia girar. Na questão dos royalties, São Sebastião recebe cerca de R$ 6 milhões/mês e temos expectativa de aumento na ordem de 20% e também recursos do “ship to ship”, o STS, a operação de transbordo que passa acontecer agora, dependendo de alguns pareceres ambientais. Isso pode incrementar o orçamento, e claro, estamos buscando outras alternativas de recebíveis da indústria do petróleo. É o maior terminal da América Latina, que abastece as maiores refinarias do país. É o incremento de receita com enxugamento do custeio da máquina, é assim que sobra dinheiro pra gente realizar as obras tão necessárias.

Na questão dos royalties, São Sebastião recebe cerca de R$ 6 milhões/ mês e temos expectativa de aumento na ordem de 20% e também recursos do “ship to ship”, o STS, a operação de transbordo” Felipe Augusto, prefeito de São Sebastião

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Vamos levar a Guarda Mor Lobo Viana requalificada e ampliada em diversos trechos até o entroncamento no bairro da Topolândia, que dará acesso ao Topovaradouro, facilitando o escoamento para a região sul. Do ponto de vista da prefeitura, projetos prontos, aguardando o fim do processo de desapropriação. É importante dizer que nós tomamos a decisão de judicializar todas as desapropriações. Não serão feitos acordos administrativos como prevê a legislação vigente. Vamos encaminhar à justiça para que valide as avaliações imobiliárias. Demora um pouco mais, mas permite a prefeitura a evitar futuros questionamentos judiciais. Aguardamos apenas esta devolutiva. Ainda este semestre a primeira ordem de serviço para a ampliação da Guarda-Mor Lobo Viana. A cidade irá expandir seu centro comercial para a Vila Industrial. Temos um Plano de Desenvolvimento do Município, lastreado no Plano Diretor, visando o crescimento ordenado. Obra importante, vai gerar empregos na região central, e a previsão é que no segundo semestre de 2019 já esteja tudo pronto e entregue à população.

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Radar Litoral

Um dos principais desafios de todo governante é a questão da saúde. O que tem previsto para este setor e como está a questão da obra do Hospital da Costa Sul? Felipe Augusto – Em relação ao Hospital da Costa Sul, passou por perícia judicial, ainda existem questionamento em relação à aplicabilidade dos recursos, pra saber o que aconteceu ali. Isso tudo está no judiciário e estamos aguardando as últimas

liberações. Em paralelo, iniciamos um projeto de adequação sanitária e médica, com o corpo clínico do Hospital central. Assim que tiver as liberações retomaremos a obra. Já em relação à saúde como um todo, investimos muito em máquinas e equipamentos. Quando assumimos a prefeitura, a UPA havia sido embargada por decisão do MP, lastreada em apontamentos do Corpo de Bombeiros e Vigilância Sanitária. Todas as adequações foram realizadas. Aproveitamos para comprar novos equipamentos, tendo em vista que os que estavam na UPA foram para o hospital. Sala de observação pediátrica agora tem, sala de pressão zero, sala de quarentena. No hospital, reformamos as três salas de centro cirúrgico, o pósoperatório e a estrutura destinada aos médicos. Equipamentos de primeira linha. Reformamos também o refeitório, adequado com as questões sanitárias. Iniciamos a reforma dos apartamentos e a reestruturação da maternidade. Reestruturação da parte elétrica já em andamento, assim como reforma do telhado e parte hidráulica. Em paralelo, iniciamos a discussão de uma PPP (Parceria Público-Privada) de saúde para uma empresa construir um novo hospital na cidade, tendo em vista que o atual é formado por puxadinhos, um prédio antigo que abrigava ginásio escolar em 1940 e temos custo altíssimo de manutenção. Melhor partir para um prédio novo, sendo que o atual passaria a ser uma unidade específica para criança e mulher. Importante dizer que o Governo do Estado está concluindo o Hospital Regional, na margem da Rodovia Nova Tamoios. Então estamos prevendo a construção do novo hospital na saída do contorno sul, numa modelagem de PPP com dinheiro privado. No Jaraguá, prédio novo de unidade de atendimento em parceria com Governo do Estado. Reforma de todas as unidades de saúde da cidade.

Radar Litoral – Falando em saúde, uma das questões é o saneamento básico, muito cobrada especialmente na Costa Sul. Sabemos que o contrato da Sabesp passa por uma fase de renovação. O que a administração municipal pode fazer para melhorar o saneamento? Felipe Augusto – Esta é uma discussão extremamente tensa entre prefeitura e Sabesp.


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A presidência da Sabesp alega que o fato da cidade ter mais de 100km em sistemas dispersos ou isolados, o custo sobe muito na hora de calcular o investimento no município. A Sabesp fez uma conta de investimento de mais de 20 anos, passo a passo, que a prefeitura não concordou. Não posso prever o início de Maresias pra daqui a cinco, seis, sete anos, sendo que temos hoje a balneabilidade das praias e a questão de saúde pública afetadas. Essa discussão com a Sabesp não tem sido positiva. Estive recentemente com o governador Geraldo Alckmin conversando para a retomada do sistema Baleia Verde, Barra do Una e sistema Paúba-Maresias que começaram e não terminaram. E tem ainda a questão da Sabesp entrar nas ZEIS. Discutimos a possibilidade da concessão do serviço para o setor privado, tendo em vista a dificuldade apontada pela Sabesp.

Radar Litoral – E na educação prefeito, quais as ações previstas? Felipe Augusto – Primeiro a reestruturação de todas as escolas. Professor precisa ter ambiente salubre, ideal para ensinar nossos pequenos, que têm de ter referência positiva. Estamos finalizando os novos parquinhos em todas as escolas, substituindo todos os velhos, alguns que colocavam inclusive em risco. No ano passado substituímos 100% o mobiliário, carteiras, mesas e cadeiras. Fora isso, investimos na capacitação dos professores, realizamos a semana pedagógica,

Professor precisa ter ambiente salubre, ideal para ensinar nossos pequenos, que têm de ter referência positiva. Estamos finalizando os novos parquinhos em todas as escolas, substituindo todos os velhos”

ainda estão previstos uma série de treinamentos, visando melhorar o Ideb de São Sebastião, tendo em vista que a cidade ocupa a última posição no ranking regional. Investimento focados na criança, ensino fundamental.

Radar Litoral – Na segurança pública tem previsão para entrar em vigor a Gratificação por Atividade Delegada aos policiais, o que aumentaria o efetivo nas ruas? E quais outras ações previstas? Felipe Augusto – O convênio da Atividade Delegada foi assinado, primeiro que foi aprovado pela

Câmara Municipal em 2017. Rapidamente remetemos a documentação à Secretaria de Segurança Pública do Estado. Burocracia é um dos maiores males que sofre o poder público brasileiro. Nós recebemos recentemente a alteração do convênio proposta pela Secretaria de Segurança e espero que rapidamente já devolva pra gente assinar a atividade delegada, o que certamente irá reforçar o policiamento. Importante salientar que hoje o COI, que tem mais de 100 câmeras já instaladas. O comando operando em parceria GCM e Polícia Militar. Todos os índices de criminalidade sofreram queda. Recentemente adquirimos três viaturas para a GCM, novos equipamentos como colete a prova de balas, agora uniformes e logo novo armamento, sem contar a capacitação.

Radar Litoral – Qual a mensagem para a população nestes 382 anos de São Sebastião? Felipe Augusto – Quero deixar aqui uma mensagem de otimismo, de esperança e de fé. Cumprimentar a todos os sebastianenses, que fazem parte da nossa cidade. Estamos trabalhando muito para a retomada do brilho do olhar do sebastianense, da autoestima, transformando nossa cidade num lugar melhor pra se viver e se morar, estarmos unidos no amor de Deus e de nossas famílias. Tenham a certeza de nosso empenho, nossa seriedade e respeito ao dinheiro público para fazer São Sebastião melhorar.

Veja em vídeo esta entrevista no nosso Canal Radar Litoral

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Andressa Rodrigues/Radar Litoral

No coração do Bairro <<

Patrimônio de São Sebastião

Convento e Igreja de Nossa Senhora do Amparo celebram 350 anos em 2018

No sistema colonial de urbanização dos portugueses, ter uma igreja era praticamente a garantia da formação de uma vila”

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Andressa Rodrigues Conhecido pela tradição pesqueira e os artesãos ceramistas, o Bairro de São Francisco abriga não somente as charmosas construções e o clima tipicamente caiçara. O Bairro (como é carinhosamente chamado pelos moradores) acolhe também um dos prédios mais antigos do município: o Convento e a Igreja de Nossa Senhora do Amparo. Instalada em uma localização privilegiada, bem de frente para o mar, a construção é do século XVII e foi erguida pelos franciscanos. “Tudo começou em 1658 a pedido do povo, que queria a vinda de um Convento. O Frei Pantaleão estava de passagem pela região e os moradores aproveitaram para oficializar o pedido. Em 1664 teve o lançamento da pedra fundamental da obra e em 1668, a inauguração do convento e da Igreja”,

conta o Frei João Pereira da Silva, que há dois anos reside no local com outros dois freis, Marcelo Paulo Romani e Virgílio Pereira de Souza. Na época, o bairro se chamava Itararé. De acordo com o livro “Páginas de história franciscana no Brasil” (Frei Basílio Rower, 1941), o Frei Pantaleão inspecionou algumas áreas e escolheu as terras do casal Antônio Coelho e Luzia Alves de Abreu - um terreno de cem braças de terra. No local existia uma capelinha dedicada a Nossa Senhora dos Desamparados, mas na hora da escritura os doadores pediram que o título fosse Nossa Senhora do Amparo. “No sistema colonial de urbanização dos portugueses, ter uma igreja era praticamente a garantia da formação de uma vila. Os sesmeiros, que tinham os engenhos de açúcar, eram quem doavam as terras para a igreja, sempre para um santo. De posse do terreno, a igreja passa também a ter o


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direito das áreas ao seu redor e começa a fazer uma espécie de loteamento, onde famílias vão morar”, explica a arquiteta e pedagoga Fernanda Palumbo. O túmulo do casal Antônio e Luzia de Abreu encontra-se na igreja, assim como do Irmão leigo Frei Bento, que se destacou como exímio carpinteiro e pedreiro durante as construções, mas que faleceu antes mesmo do término da obra. Segundo os registros históricos, ele teria se afogado na praia de Castelhanos, em Ilhabela. As obras duraram quatro anos e em 8 de setembro de 1668 celebrou-se a primeira missa dedicada a Nossa Senhora do Amparo. Já em 8 de janeiro de 1965, a paróquia foi criada. “Hoje, ela conta com outras três comunidades. Aqui no Convento é a Igreja Matriz. No Morro do Abrigo temos a comunidade de Nossa Senhora e São José; na Cigarras, a Imaculada Conceição; e no Pontal da Cruz, a Santa Cruz”, destaca o Frei João.

Solidez nos detalhes arquitetônicos De acordo com Fernanda Palumbo, a construção é feita de pedra, barro, cal de conchas e areia. “As conchas eram moídas, trituradas e queimadas, e a areia vinha da barra dos rios. A estrutura é muito sólida, monumental, pois só assim o governo português aceitava o surgimento de uma vila ao seu redor. E o prédio tinha mesmo que ser uma fortaleza, porque servia de esconderijo para os moradores quando havia algum perigo de invasão”, relata Fernanda. Ainda segundo a arquiteta, os principais destaques externos são: a fachada da igreja, com três arcos que formam uma varanda (chamada de galileia); a torre, com cobertura azulejada; e o cruzeiro, na praia, que tinha a função de sinalizar a existência de uma vila portuguesa católica para quem chegava de barco ao local. “Primeiro construiu-se a igreja e o convento, que fica à esquerda. Mais ou menos cem anos depois os moradores ergueram a capela da Ordem Terceira, à direita, que acabou em desuso e hoje é incorporada à igreja. Os freis também fizeram um cemitério, ao lado, que sofreu invasões”, completa Fernanda. Já na parte interna, a arquiteta chama a atenção para o claustro, que é uma espécie de jardim avarandado, onde encontram-se as portas das salas do convento. Hoje é possível visitar o local, mas antigamente era fechado ao público, especialmente às mulheres. Nas paredes do claustro há alguns jazigos, entre eles, a do coronel Julião de Moura Negrão, que liderou o movimento de emancipação de Ilhabela.

Andressa Rodrigues/Radar Litoral

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No coração do Bairro << Andressa Rodrigues/Radar Litoral

Arte Sacra Hoje restam poucas imagens históricas guardadas no Convento e na Igreja. Ao longo do tempo, algumas foram levadas a outras comunidades e houve também roubos de peças do acervo. Em 1994, por exemplo, quatro bustos relicários foram levados por ladrões. As imagens mais antigas que ainda estão em exposição são as de Santo Antônio, São Francisco, São Benedito e Bom Jesus da Cana Verde. Elas datam do século XVII e XVIII, confeccionadas principalmente de barro pelos próprios freis. “Isso é muito precioso para a história da arte e da religião, não apenas da cidade como do Brasil. Retrata a tradição dos conventos franciscanos e beneditinos da época. Em poucas cidades sobraram peças como essas. Mas, infelizmente, é uma arte muito valorizada no mercado negro”, afirma Fernanda. Ela também ressalta a importância da devoção a São Benedito. “Todos os Conventos franciscanos tinham uma irmandade de São Benedito, que era formada de escravos e exescravos. Aqui também teve. E dessa irmandade é que surge a Congada, que são as manifestações históricas muito

“Todos os conventos franciscanos tinham uma irmandade de São Benedito, que era formada de escravos e ex-escravos. Aqui também teve. E dessa irmandade surge a Congada, que são manifestações históricas muito importante para o Brasil”.

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importantes para o Brasil, pois trazem falas da tradição oral herdada da colonização”, explica. A arquiteta também reforça a preocupação: “Para mim, o Bairro não existe sem essa construção. A praia aqui é linda, claro, mas sem essa obra seria menos interessante culturalmente. Poucas construções desse porte sobraram no Brasil”. Em nota, a Prefeitura de São Sebastião informou que está dando todo o apoio para a restauração da fachada do convento e que já disponibilizou seu cor-

po técnico especializado para auxiliar nos projetos de prospecção e restauração. Salientou ainda que, pelo fato de o imóvel ser um patrimônio particular, a prefeitura não pode investir dinheiro público no local. Também reforça que existe uma iniciativa na esfera federal para captação de recursos por meio da Lei Rouanet; e que para esta ação, a prefeitura também já deixou à disposição seus profissionais, a fim de que possam auxiliar da melhor maneira possível a aprovação do projeto com o Ministério da Cultura.


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Necessidade de

preservação

A última e única grande reforma aconteceu entre 1932 e 1937 por frades alemães. Como o imóvel é tombado, existem normas e exigências a serem cumpridas”.

Durante muito tempo, o convento foi o ponto de partida e de chegada de toda obra franciscana de evangelização do Litoral Norte. Mas a partir da segunda metade do século XIX, o Brasil teve uma progressiva redução do seu quadro de frades. O Marquês de Pombal decretou o fechamento de todos os noviciados e proibiu a admissão de novos candidatos à vida religiosa franciscana. “A Ordem entra em decadência e isso resulta na diminuição de freis morando e cuidando daqui. O país também enfrentava problemas econômicos. Acabava-se o mercado de escravos. O convento chegou a ter entre 20 e 30 escravos, que ajudavam nas tarefas de sustento. Houve, ainda, invasões em terras da igreja. Aqui ficou praticamente abandonado”, conta Fernanda. De 1885 até a restauração, em 1932, o convento e a igreja ficaram sob a guarda de síndicos e zeladores, sem atendimento aos fiéis, passando por grande deterioração. “A última e única grande reforma aconteceu entre 1932 e 1937 por frades alemães. Como o

imóvel é tombado, existem normas e exigências a serem cumpridas. Nós só realizamos reparos emergenciais, pequenos consertos, como a troca de telhas, por exemplo”, esclarece o Frei João. O tombamento pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat) se deu em 1972. De acordo com o frei, já existe um projeto de restauração devidamente aprovado, mas não há verbas para realizá-lo. “A obra só vai acontecer através da parceria entre poder público e iniciativa privada. Mas na situação em que o Brasil está hoje, entendemos que é difícil. Para se fazer tudo o que o projeto pede, a obra deve ficar em R$ 16 milhões”, revela o frei. Ele ainda ressalta: “Muita gente pergunta sobre o estado do prédio. Realmente está bem desgastado, num bairro grande e importante como o São Francisco e é um patrimônio da cidade, um marco. Então, esperamos que alguém olhe com carinho, entenda essa importância e nos ajude a deixar esse espaço bonito como merece”.

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Você conhece? <<

Nomes de ruas e praças homenageiam pessoas importantes na história da cidade Divulgação

De uma maneira geral, a história de um município está eternizada nos personagens que dão nomes a ruas, praças e prédios públicos. Mas, muitas vezes, isso passa despercebido entre as pessoas. Afinal, quem foram Guarda-Mor Lobo Viana, Sebastião Silvestre Neves e Major João Fernandes, entre outros? A Revista Radar Litoral Especial São Sebastião 382 Anos conseguiu ter acesso a informações sobre algumas destas pessoas homenageadas com nomes de ruas e praças, que tiveram a sua importância na história da cidade.

Confira alguns destes personagens. Altino Arantes

A Avenida Dr. Altino Arantes é a Rua da Praia, onde ocorrem os principais eventos da região central. Altino Arantes Marques nasceu em Batatais, em setembro de 1876 e formou-se em direito. Foi presidente do Estado de São Paulo, o equivalente a governador, entre 1916 e 1920. Antes, elegeu-se deputado federal e foi secretário de estado em vários governos. Após deixar o governo paulista, foi eleito deputado e permaneceu na Câmara Federal de 1921 a 1930. Veio com a maior comitiva à época e pernoitou na cidade. A sua vinda foi um incentivo para o início das obras do Porto, já que foi construído um primeiro píer para a chegada da comitiva. O presidente do Estado participou da inauguração da Canaleta do Ipiranga, chamada posteriormente de Vala do Ipiranga, na rua de mesmo nome.

Altino Arantes Marques, décimo governador do Estado de São Paulo Arquivo Histórico

Guarda-Mor Lobo Viana A Guarda-Mor Lobo Viana é a principal e única avenida de acesso a São Sebastião. José Lobo Viana Junior nasceu em São Sebastião, no dia 16 de março de 1859. Como muitos sebastianenses na época, foi morar em Santos, onde se tornou Guarda-Mor da Alfândega. Guarda-Mor Lobo Viana foi uma pessoa influente na política e teria acompanhado a visita a São Sebastião do então governador Altino Arantes.

Capitão Isidro Feliciano da Silva A Capitão Isidro Feliciano da Silva é a rua ao lado do antigo Fórum e que dá acesso á Rua da Praia no trecho em que é um calçadão. Isidro Feliciano da Silva era comerciante de secos e molhados em São Sebastião no ano de 1910. Filho de Feliciano José da Silva (nascido em Portugal) e Ana Rita de Santana Espinhel, tinha nove irmãos, entre eles, o professor Antônio Argino Feliciano da Silva (nome de uma praça no centro). Casou-se com Malvina Davi do Vale, com quem teve uma filha adotiva, Judite, a Didizinha, funcionária da Prefeitura, que foi secretária da Câmara Municipal em 1952.

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José Lobo Viana Junior, Guarda-Mor da Alfândega


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Arquivo Histórico

Sebastião Silvestre Neves Sebastião Silvestre Neves é a rua onde está situado o Paço Municipal, no centro de São Sebastião. Nascido em 31 de dezembro de 1891, o saudoso farmacêutico, formado pela Universidade do Rio de Janeiro, foi uma importante figura sebastianense. Administrou a Prefeitura de 1919 a 1926, onde foi responsável por grandes melhoramentos, como a luz elétrica, a construção da caixa para o abastecimento de água e a compra do prédio da Prefeitura na época. Foi também Presidente da Associação Comercial e proprietário da Farmácia Neves, um dos estabelecimentos que fizeram o progresso da cidade. Era casado com Josefa Gonçalves de Santana Neves, professora do Grupo Escolar Henrique Botelho, com quem teve os filhos Irene, Rute e Valeriano.

Antônio Argino A Praça Antônio Argino, conhecida também como Praça do Prédio Indaiá, fica ao lado da Igreja Matriz. Antônio Argino Feliciano da Silva nasceu em 1840 em São Sebastião. Foi político local e residiu no Rio de Janeiro. Quando retornou, em 1902, foi nomeado professor do Grupo Escolar Henrique Botelho. O professor Argino morava em uma casa ao lado da Igreja Matriz, onde hoje é o prédio Indaiá. Morava lá também o Padre Dória, que nas horas vagas dava aula de latim.

Sebastião Silvestre Neves Radar Litoral

Major João Fernandes Conhecida como “Praça do Coreto” ou “Praça da Matriz”, leva o nome de Major João Fernandes. João Fernandes de Oliveira nasceu em 23 de junho de 1833 em São Sebastião, filho do Ajudante Manoel Fernandes de Oliveira e Maria das Dores, moradores de Toque-Toque Pequeno. Em 1865 foi delegado suplente e, entre 1877 e 1879, foi presidente da Câmara, quando fez o pedido ao Governo da Província para reforma da Igreja Matriz, Cemitério e Chafariz.

Praça Antônio Argino, no Centro

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Manoel Ladislau de Mattos Manoel Ladislau de Mattos dá nome à Banda Municipal e também à rua, transformada em calçadão, que liga a Rua da Praia à Praça Antônio Argino. Conhecido também por Maneco Theresa, nasceu em São Sebastião em 27 de junho de 1843. Filho de Maria Theresa de Mattos e neto de Joaquim da Costa Mattos e Joaquina Maria, era Oficial de Registro Civil e Regente da única Banda de Música existente em São Sebastião. Aliás, a Banda regida por Manoel tocou na visita a São Sebastião do presidente do Estado, Altino Arantes, em agosto de 1919.

Francisco Loup Francisco Loup dá o nome à principal via da mais badalada praia do litoral paulista, Maresias. O carioca Francisco de Castro Rebello Loup era pai de Maria Aparecida Loup Hartog, a Cida Hartog. Na década de 50, foi delegado de polícia no distrito. Era casado com Nancy de Moura Loup, caiçara de Maresias. Além de Cida, tiveram mais um filho: Francisco Loup Filho, que também foi delegado na cidade.

Vitorino Gonçalves dos Santos Vitorino Gonçalves dos Santos é a rua paralela à Sebastião Silvestre Neves, conhecida como “Rua do Ciretran”. Natural de Ubatuba, foi um homem tradicional em São Sebastião. Casou-se com Sidônia Constantino Gonçalves, da Praia das Cigarras, com quem teve 12 filhos. Cultivavam cana-de-açúcar para aguardente, fumo e frutos em geral, por isso teve uma importante atuação na vida socioeconômica da cidade.

Francisco Loup

Agripino José do Nascimento A rua, localizada na Vila Amélia, é onde estão localizadas a FASS e a Escola Prof. José Machado Rosa. Agripino José do Nascimento, conhecido como Pininho, nasceu em 1911, trabalhou como marinheiro na Alfândega, atual Receita Federal. Foi músico, tocava na Banda Municipal e pescava por lazer. Casado com Zulmira Hermínia do Nascimento, tiveram nove filhos: Arnaldo, Agnaldo, Altamir, João, Álvaro, Maria Aparecida, Fernando, Edivaldo e Sergio. Edivaldo, aliás, um profundo conhecedor da cultura e tradições caiçaras. Fonte: Arquivo Histórico | Reprodução Edivaldo Nascimento

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Manoel Ladislau de Mattos

José Agripino do Nascimento


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O fortalecimento do comércio da cidade Radar Litoral

A Associação Comercial e Empresarial de São Sebastião apresenta em abril sua nova diretoria, com o empresário Olivo Ramirez Balut na presidência. Ele destaca que uma das ações imediatas será a retomada das campanhas em datas comemorativas. Outra medida será oferecer consultorias gratuitas aos associados, com advogado, engenheiro, técnico do trabalho e contador. “Vamos fomentar a interação entre os comerciantes, com descontos para associados. Esta é a ideia do Clube das Empresas que pretendemos criar”, destacou Balut. O atual presidente da Associação Comercial, Daniel Augusto, que assumiu em 2017 após a saída de Eduardo Cimino, ressalta a necessidade de união de esforços entre todos os co-

São ações conjuntas, como por exemplo, horários diferenciados de funcionamento do comércio”.

Daniel Augusto passa a presidência para Olivo Balut

merciantes e empresários. “São ações conjuntas, como por exemplo, horários diferenciados de funcionamento do comércio”, salienta Daniel Augusto. A nova diretoria da Associação Comercial já adianta que pretende fortalecer ações como parcerias com Sebrae, Prefeitura e Investe São Paulo, oferecendo cursos de modernização empresarial, qualificação de funcionários e reciclagem para empresários. Também compõem a nova diretoria: Jorge Mário Tanaka – Guga (vice-presidente), Jorge Couto

(segundo vice-presidente), Robson Romão (secretário), Alexandro Luiz (segundo secretário), Henderson Tavares (diretor financeiro), Artur Balut (segundo diretor financeiro), Adrian Fuhrhausser (diretor de câmaras setoriais), Marco Antonio Craveiro (segundo diretor de câmaras setoriais), EliazarSimioni (diretor de patrimônio), Décio Moreira Galvão (segundo diretor de patrimônio), Heloísa Lacerda (diretora de comunicação) e Flávio dos Santos (segundo diretor de comunicação).

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Mulher de coragem <<

Jandira, a pescadora da Praia da Enseada: “a melhor terapia da minha vida é o mar” Ainda é madrugada, quando ela coloca a rede em sua canoa e segue sozinha mar a dentro. Em 1992, a pescadora capturou um tubarão de 2,40 metros Gustave Gama Há 18 anos entrevistei também para uma revista esta simpática caiçara, sebastianense, moradora da praia da Enseada, na Costa Norte, e que não esconde de ninguém a sua paixão pelo mar. E novamente, a sua coragem e fibra para enfrentar os desafios da vida chamam a atenção. Aos 72 anos, Jandira Peixoto de Oliveira fala da pesca com o mesmo amor de anos atrás. Sentados em sua canoa, uma típica prosa caiçara, com os relatos da pesca de outrora e das dificuldades nos dias de hoje. A sua paixão pelo mar começou ainda criança. “Com 11 anos já pegava a fieira de peixe e arrastava pela praia e, na época, lembro que seu Geraldo Moreira comprava tudo”.

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Dona Jandira casou em 1961 com Benedito Aniceto, o Ximango, com quem teve seis filhos: Amarildo, Waldomira, Juliana, Isabela, Maristela e Aurélio. São 13 netos e três bisnetos. Os filhos herdaram o amor pelo mar. Amarildo tem um estaleiro e Aurélio trabalha com barcos de pesca e turismo. Ela conta que, após o fim do casamento, as suas pescarias tornaram-se constantes, sempre sozinha no mar. Em sua canoa de quatro metros, a rede é colocada ainda durante a noite e assim Jandira segue para o mar ainda na madrugada. “De noite você é o dono do mar. Sempre pesquei sozinha. Lembro que eu chegava à meia-noite do baile da Terceira Idade, trocava de roupa e já pegava a canoa pra pescar. À noite você só conversa com

o boto, que assobia lindamente perto da canoa”, conta a pescadora. “Não tenho dúvida, a melhor terapia da minha vida é o mar”, completa. Seja com rede de espera ou na linhada, Jandira segue remando, da praia da Enseada ao Pontão das Cigarras. Não foram poucas vezes que, com um pequeno motor de 4hp, seguiu até a ponta da Ilha para a pesca do Peixe-Porco, Porquinho como é conhecido. Jandira conta que a pesca está cada vez mais difícil. “Hoje já não dá mais pra viver da pesca, tem muita poluição no mar. Na última ressaca, uma lama preta matou todo o marisco aqui na Enseada”. Mesmo assim, ela segue pescando seus Paratis, Medelos (espécie de Bagre), Corvinas e Tainhas.


Especial São Sebastião 382 anos Arquivo pessoal

O dia que o tubarão foi pra canoa: o retrato de uma mulher guerreira “Estes dias fui num encontro de escritores e vi um relato de uma mulher que, após o marido deixar de dirigir, pegou o volante para cruzar o Brasil de caminhão. É isso aí, mulher tem que ser de fibra, guerreira”, disse a pescadora Jandira Peixoto. E ela é assim. Em 1992, ainda era madrugada, quando percebeu algo estranho em sua rede. “Tomei um susto, achei que era um defunto preso na rede, aquela mancha preta aparecendo na água. Foi quando deparei com a boca do cação. Agradeci a Deus por aquela pescaria”, relembra. Imagine que a canoa tinha apenas quatro metros e o tubarão capturado 2,40 metros. Seria praticamente impossível colocá-lo na embarcação. “Amarrei o pedação da rede na popa (traseira) da canoa e vim remando até chegar num lugar raso que eu pudesse descer. Quando cheguei na praia, os pescadores ajudaram a carregar. Foi muita emoção”. Ela salienta que seu primo, o ex-vereador Dalton Silva, que trabalhava numa peixaria, comprou o pescado. “Foi um bom dinheiro na época”. Sua façanha foi alvo de reportagem no então jornal diário Imprensa Livre. Nesta época, Jandira fez curso e recebeu as certificações de pescadora profissional. Anos mais tarde, em 2004, não é que Jandira capturou outro ‘peixão’. Desta vez, um Marlin Preto. “Tenho certeza que veio comer parati aqui na Enseada, porque este é um peixe de águas profundas”.

Tomei um susto, achei que era um defunto preso na rede, aquela mancha preta aparecendo na água. Foi quando me deparei com a boca do cação. Agradeci a Deus por aquela pescaria”...

Ah, não poderia deixar de relatar. Jandira também é atleta da Terceira Idade. Já competiu como corredora por São Sebastião, na natação de Ilhabela e atualmente participa dos jogos de mesa, como buraco e dominó, representando sua cidade nos Jogos Regionais do Idoso (Jori). Por 12 anos representou o Centro de Convivência da Terceira Idade (CCTI –“Polvo”) como corredora e fala com orgulho de sempre ter conseguido bons resultados. “Só fiquei em primeiro ou segundo lugar”, contou. Hoje, Jandira se divide entre a paixão pelo mar e o amor por mais um neto que acaba de chegar, ficando alguns dias da semana em São José dos Campos para ajudar a filha. “Aquela cidade sem mar, levo minhas linhas e lá continuo fazendo as redes”. E pra você que quer um peixe fresquinho ou pretende comprar uma rede artesanal, a pescadora Jandira mora numa casa bem em frente à Praia da Enseada.

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Lenda sebastianense vira enredo de filme. Produção retratou crime atribuído ao padroeiro da cidade em meados de 1700.

“O dia que o santo pecou” São Sebastião já cumpriu prisão domiciliar. Pelo menos é o que conta o filme “O dia em que o santo pecou”, produzido em 1975 pela companhia Cinacinee baseado na lenda caiçara do mesmo nome. O longa-metragem foi escrito pelo autor de novelas Benedito Ruy Barbosa e dirigido por Claudio Cunha. Estrelado por Maurício do Valle, Selma Egrei, Canarinho e Dionísio Azevedo, o elenco também contou com a participação de moradores da cidade. “Fizemos figuração. A equipe de filmagem buscava as pessoas nas ruas. Abordava quem passava e perguntava quem tinha o interesse de participar. Muita gente aceitou, até mesmo os turistas”, conta o fotógrafo Edivaldo Nascimento, que aparece em algumas cenas. Ele lembra, ainda, que as gravações ocorreram entre junho e julho daquele ano, duraram 45 dias, e foi um grande acontecimento. “Foi a primeira vez que São Sebastião recebeu uma equipe de cinema, então movimentou a cidade”, completa. As imagens foram captadas, em sua maioria, no Centro Histórico. Também serviram de cenário as praias de São Francisco, Pitangueiras, Guaecá e Toque-Toque, além da Fazenda Santana e Ilhabela. “Como a lenda é de meados de 1700, encheram várias ruas de areia da praia, para parecer que era daquela época. Já tinha vias calçadas, então precisaram cobrir de areia”, relata Nascimento. A história do filme trata do temido João Baleia, homem de temperamento forte e com fama de barbarizar a cidade quando alguém o confrontava. Baleia perde totalmente o controle quando descobre que sua esposa, apelidada de

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feiticeira, fora violentada por três bandoleiros. Ele assassina os três indivíduos e acaba cegando um jovem policial. A mãe do rapaz pede, então, que São Sebastião detenha Baleia. No dia seguinte, ele é encontrado morto na porta da Igreja Matriz. “A gravação desta cena foi intrigante e até assustou toda a equipe. Era uma noite calma, agradável. De repente, quando o ator que fazia o João Baleia passa a xingar o santo, começou uma ventania, que eram só folha e poeira voando.


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Eu presenciei. Dizem que foi São Sebastião mostrando sua força”, conta o fotógrafo. No filme, uma testemunha jura ter visto o santo cometer o crime, então o delegado abre um inquérito e o caso vai parar no tribunal. O juiz sentencia cinco anos de prisão para a imagem do santo. Os moradores protestam e São Sebastião consegue que sua pena seja cumprida na igreja; e que em dias de procissão, a imagem saia pelas ruas da cidade, desde que escoltada por policiais. Para atestar a veracidade da trama, o longa termina com os seguintes dizeres: “Os fatos que inspiraram este filme são reais. Se cometemos excessos, o santo que nos perdoe”. No ano seguinte às gravações ocorre a estreia do longa-metragem. Os moradores puderam assistir ao filme de graça, no antigo cinema localizado no Centro. “A cidade ficou em polvorosa. Formou-se uma fila que dobrou o quarteirão. Todo mundo queria ver e veio gente de tudo quanto é lugar. Precisaram fazer duas sessões”, conta Nascimento. Nos anos 2000, o filho de Benedito Ruy Barbosa, Marcelo Barbosa, esteve em São Sebastião com um projeto para refilmar a história. Em parceria com o diretor Caco Milano, a ideia era explorar o potencial da cidade para o cinema, além de, mais uma vez, contar com a participação de moradores no elenco. Até agora, a proposta não saiu do papel.

A lenda A história “contada de pai para filho”, segundo Edivaldo Nascimento, é que existiu um homem chamado Benedito Lopes que era arruaceiro, agressivo e que costumava insultar São Sebastião quando passava pela igreja matriz. Uns dizem que ele era de Ilhabela; outros, da cidade mesmo. O padre e os moradores, na época, teriam o aconselhado a parar com as provocações, pois, um dia, o santo podia revidar. Numa manhã, Lopes é encontrado morto bem na porta da igreja. Rapidamente atribuíram o feito ao padroeiro.

“Soube por um advogado que o caso aconteceu em 1700. Foi aberto um processo judicial contra o santo, mas todas as páginas sumiramda cidade. Durante muitos anos, a imagem de São Sebastião só saía da igreja para participar das procissões com um alvará de soltura”, completa o fotógrafo. Apesar da grande aceitação ao filme, Nascimento conta que alguns moradores antigos não gostaram da ideia de retratar a lenda. Diziam que “não era bom reviver a história e condenar o santo de novo”. Fotos acervo Edivaldo Nascimento

O fotógrafo Edivaldo Nascimento na Igreja Matriz e em cena do filme

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Regata Volta ao Mundo <<

Há 20 anos São Sebastião recebia a Whitbread Radar Litoral

Gustave Gama Em fevereiro de 1998, São Sebastião recebeu pela primeira e única vez a maior regata de veleiros oceânicos do planeta. Era a Whitbread (hoje Volvo Ocean Race), a Regata Volta ao Mundo. Na época realizada a cada quatro anos, a competição durava oito meses, sendo 120 dias no mar. Foram nove pontos de parada, entre eles, a nossa São Sebastião, no Litoral Norte Paulista. E aquela edição da Whitbread teve um dos mais longos trajetos da história. Foi durante a passagem da regata na cidade que nasceu o que hoje é símbolo turístico da cidade, a obra “O Peixe”, de Leslie Amaral, que na época doou o quadro para um leilão cuja arrecadação beneficiou entidade assistencial da cidade.

Foi durante a passagem da regata na cidade que nasceu o que hoje é símbolo turístico da cidade. A obra “O peixe”, de Leslie Amaral, que na época doou o quadro para um leilão cuja a arrecadação beneficiou entidade assistencial da cidade

O “Peixinho”, carinhosamente apelidado pelos moradores, hoje representa simbolicamente o município nas feiras de turismo pelo mundo. A cidade estava em festa e, principalmente, sendo falada em todo o mundo. Centenas de jornalistas ‘descobriram’ São Sebastião em suas coberturas para veículos de imprensa nacionais e internacionais.

Os velejadores saíram de Auckland, na Nova Zelândia, rumo a São Sebastião na segunda mais longa perna da regata, com mais de 12 mil quilômetros. Em sua sétima edição, a Whitbread saiu naquele ano da Inglaterra para cruzar os quatro cantos do mundo. A primeira edição foi realizada em 1973. Um dos destaques da edição realizada há 20 anos foi o barco EF Education, que era tripulado apenas por mulheres.

Os portos de parada da Whitbread em 1998 foram: Cidade do Cabo, África do Sul; Fremantle e Sidnei, Austrália; Auckland, Nova Zelândia; São Sebastião, Brasil; Fort Lauderdale e Baltimore, Estados Unidos; La Rochelle, França; Southampton, Inglaterra. O atual prefeito Felipe Augusto manifestou interesse junto aos organizadores para que a cidade receba novamente a competição.

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Especial São Sebastião 382 anos

Perfil <<

Caiçara: a história que não acabou Silvia Amparo “Nasci nesta pequena aldeia. Aqui eu sempre vivi. Junto com meus irmãos, cuidando das plantações que existiam por aqui. Eu nunca fui à escola. Vontade eu tinha de estudar. As lições da vida que eu tive, foram as lindas ondas do mar”. Esse é o trecho que abre a poesia “Sonho de Pescador”, de autoria da caiçara e poetisa Lavínia de Matos, participante do Concurso de Poesia Nhô Bento em julho de 1999, escrita em memória de Manoel Francisco Ferro, seu Mané Rita. Quando celebramos em 15 de março o “Dia do

A identidade do município está nas suas culturas e tradições. Sem essa história não existe cultura”.

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Caiçara”, nada mais apropriado do que reviver um pouco dessa rica história e cultura que luta para sobreviver no trabalho de resgate das tradições realizado por pessoas dedicadas e filhas da terra como Lavínia de Matos, nascida em Boiçucanga, “uma terra que tinha de tudo”, como faz questão de lembrar. “Minha família toda é daqui e onde hoje eu tenho meus parentes ainda pescadores. Na época, tínhamos a cultura da banana, lavoura, plantações de mandioca, milho, café. Todos viviam muito bem naquela época”. Lavínia fala de uma época rica, com dificuldades, mas que deixa saudade. De uma época

em que não havia telefone em Boiçucanga. “A gente tinha de entrar em contato com a Sociedade Amigos de Juquehy que dava assistência e a Delegacia de Polícia que, às vezes, mandava os telegramas de onde a gente solicitava os serviços. Uma época em que a diversão eram os bailes no Futebol Clube de Boiçucanga, a festa de Carnaval e as tradições. “Minha mãe contava que a ciranda, o carangueijo, a panela de arroz eram as danças de antigamente. “Consegui resgatar parte dessas letras, músicas e estamos tentando passar para as pessoas conhecerem”.

“As rezas são cantadas em latim” Era uma época das fortes tradições religiosas que são mantidas até hoje com a ajuda de Lavínia e da comunidade como a Festa de São Pedro, a missa na praia, a procissão dos barcos, a Festa da Imaculada Conceição, dia 8 de dezembro, “Ainda rezamos em latim. Na novena, as rezas são todas cantadas e também conseguimos resgatar a Folia de Reis da Costa Sul, que tinha se perdido, e que foi muito importante para o início da praia de Boiçucanga, na construção da capela, do cemitério e da Igreja do Sagrado Coração de Jesus”, explica Lavínia.

Nessa luta para preservar a cultura caiçara, um dos feitos foi inserir o cruzeiro do Morro da Cruz como patrimônio histórico do município. No local foi rezada a primeira missa no dia 1º de maio de 1945 pelo Padre Antonio, da cidade de Roseira. Era uma época em que as doenças eram curadas com chás e ervas medicinais. As dificuldades eram enormes para conseguir ajuda. Ela conta que, por volta de 1940, seu tio Hilarião Crisólogo de Mattos, enviava cobras para o Butantã, em São Paulo, que se transformavam no soro antiofídico.


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Pesca e artesanato A participação de Lavínia para a preservação da cultura caiçara tem sido fundamental. Entre 1970 e 1988, a comunidade realizava a Corrida Sonrisal que começava à meia-noite e somente homens e mulheres com mais de 50 anos participavam do evento. Ela só foi interrompida com o progresso, a estrada que chegou com o trânsito intenso. Mas hoje ela ainda atua para manter a canoagem. “É uma das coisas que não podemos perder e temos de incentivar os jovens porque é a nossa cultura”. A corrida de canoa na praia de Boiçucanga sempre foi incentivada por Lavínia, que atualmente treina algumas mulheres para participarem da prova que acontece sempre no Sábado de Aleluia, em Toque Toque Pequeno, na Costa Sul. O trabalho para valorizar o artesanato é imprescindível. “Se a gente não correr atrás, e bem mais rápido, vamos acabar perdendo todo esse resto da cultura caiçara que temos. E, a única coisa que temos além da pesca, é o artesanato”. Ela sempre participou de várias atividades para manter a cultura caiçara como a Feira de Artesanato “Nossas Raízes”, o “Revelando São Paulo”, apoiando os artesãos locais, saindo de casa em casa buscando participação da comunidade. “Quando tem uma feira, conversamos com antecedência com os artesãos para que preparem material. Estamos com muita falta de matéria-prima como a taboa. A luta por esse material original como também caxeta e outros próprios para confecção dos artesanatos é outra dificuldade”. “Precisamos de mais apoio para divulgação de feiras e aumentar a participação do artesão para ele conseguir sobreviver. Caso contrário, fica muito difícil, pois muitos deixaram o artesanato e foram trabalhar como ambulantes, caseiros, jardineiros”, diz Lavínia, que tem atuado para mostrar essa rica diversidade cultural. Ela, participou, por exemplo, da publicação “Mitos e Lendas de São Sebastião” e prossegue na luta constante pela preservação das tradições do povo caiçara. Prova disso, foi o resgate da Folia de Reis da Costa Sul que deverá ser apresentada em cidades do Vale do Paraíba e Caraguatatuba mostrando a resistência de uma vida toda dedicada à simplicidade de um povo que vivia do mar, da terra e da natureza. Uma riqueza como a cultura das canoas de voga que serviam a população como Lavínia mostra em seu poema “História do Canoeiro”, em que fala da utilização de madeiras como embiruçu, cedro, canela e jatobá, como também o ingá e o guapuruvu tombado na serra que eram aproveitados sem prejuízo ao meio ambiente. “ Com as leis da natureza, é preciso respeitar. O caiçara não vive de sonhos, tam-

Fotos: Arquivo pessoal

bém precisa pescar”, diz em um dos trechos do poema que resume a alma do caiçara principalmente quando diz o seguinte:“Para ser um canoeiro, o dom só Deus é quem dá. Não foi em nenhuma escola, que aprenderam a moldar; dos canoeiros restantes, a arte é preservar, a história desta cultura que não deve se acabar”. Afinal, como afirma Lavínia, “a identidade do município está nas suas culturas e tradições. Sem essa história não existe cultura”.

Precisamos de mais apoio para divulgação de feiras e aumentar a participação do artesão para ele conseguir sobreviver”.

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Patrimônio histórico <<

Fotos Arquivo Histórico

A história preservada nas capelas caiçaras De arquitetura absolutamente singela, as diversas capelas caiçaras existentes em São Sebastião encantam pela beleza e simplicidade. São muito utilizadas para casamentos e festividades religiosas diversas, além disso fazem parte da história e devoção de muitas famílias caiçaras tradicionais. Marcos Bonello/PMSS

Capela da Enseada Localizada entre a praia e a estrada, na Costa Norte do Município, sendo uma das capelas “de bairro”. Apesar dos anexos e reformas pode-se reconhecer nesta capela o modelo utilizado nas demais construções religiosas da região do séc. XX – caracterizadas por uma fachada – tipo frontão triangular que acompanha as duas águas do telhado, pináculos no fechamento deste frontão e sineiro central.

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Praia da Barra do Sahy Construída no início do século XX (1920), em devoção à Nossa Senhora Imaculada Conceição. Implantada em local privilegiado, na margem esquerda do Rio Sahy, ao lado da ponte que faz ligação entre a vila e o local da capela há uma casa (já reformada) onde eram feitas as rezas até a construção da capela. O pátio frontal é utilizado para festas religiosas. Praia das Cigarras Construção do século XX (1960), em devoção a Nossa Senhora Imaculada Conceição, é considerado um exemplo da religiosidade caiçara. Praia de Barequeçaba Construção do século XX (1960), em devoção à Nossa Senhora Aparecida, fica em uma praça, à beira da Rodovia Rio-Santos. Praia de Guaecá Construção do século XX em devoção à Mãe Rainha. Assim como em Barequeçaba, também fica à beira da rodovia.

Praia de Toque-Toque Pequeno Construída no século XX (1920), em devoção a Nossa Senhora Imaculada Conceição. Construção em pau–a–pique por esforço da população local. Encontra-se em um largo ocupado em sua maioria por estacionamento, sendo a capela separada da praia pela rua. Praia de Paúba Construção do século XX (1940), em devoção à Nossa Senhora Imaculada Conceição. Construída em alvenaria tijolos, apresenta fachada e interior com influências coloniais. A capela tem sua fachada voltada para uma pequena praça, formando uma espécie de adro.


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Praia de Maresias Construída no século XX (1950), em devoção a São Benedito e Sant’Anna. A capela tem sua fachada no alinhamento da estrada BR -101 em frente à Praça de Maresias, interrompendo a relação da capela com a praia para onde ela se volta. Construção original de tijolos de barro, sua fachada e implantação representam a tradição das capelas de bairro no Brasil, com resquícios da tradição colonial. Podese reconhecer nesta capela o modelo utilizado nas construções religiosas da Costa Sul, apenas como elemento diferenciador a torre lateral. Construção em alvenaria de tijolos de barro que marca o modo de vida e o processo de ocupação caiçara. Praia de Boiçucanga Construção do século XX (1958), em devoção à Nossa Senhora Imaculada Conceição. A técnica construtiva representa a tradição das capelas de bairro no Brasil. A capela encontra-se na beira da estrada BR 101, sem recuo lateral; possui um pequeno jardim frontal. Seu aspecto geral é prejudicado pela proximidade com a estrada. Não foi construída em área central da vila, lugar ocupado pela Capela da Conceição.

Praia de Barra do Una Construída no início do século XX (1960), em devoção à Nossa Senhora do Carmo e Senhor Bom Jesus. Apresenta características das pequenas povoações do litoral. A cidade ainda possui outras capelas, como as situadas nos cemitérios do Centro e de Maresias, Construídas pelas comunidades caiçaras, marcam o período do início do século, dominado pelo isolamento e economia e subsistência na região. Praia de Toque-Toque Grande Construção do século XX (1920), em devoção à Sant’Anna. Construção em alvenaria de tijolos de barro, marco da ocupação caiçara neste bairro, possui aspecto semelhante às demais capelas da Costa Sul. A capela se encontra isolada de outras construções, não possuindo anexos. Voltada para o mar possui espaço frontal que dá para uma praça

Praia de Juquehy Construída no início do século XX (1920), em devoção à Nossa Senhora dos Navegantes. Apresenta características das pequenas povoações do litoral. Implantada nos fundos do cemitério do bairro, da entrada à fachada da capela há uma alameda de pinheiros.

Praia de Boiçucanga Construção do século XX (1950), em devoção ao Sagrado Coração de Jesus. A técnica construtiva representa a tradição das capelas de bairro no Brasil. Situada no centro da antiga vila de pescadores, possui adro frontal formado pela Praça da Mentira, local de reunião da comunidade caiçara. Sua lateral está voltada para a rua que dá acesso à barra do rio, local onde os caiçaras chegam com o pescado. Praia de Cambury Construída no início do século XX (1970), em devoção a São Roque. A capela de pequenas dimensões encontra-se num pátio rodeada por casas de caiçaras, no final de uma ruela estreita que começa na antiga estrada Rio-Santos. O conjunto de casas, sem alinhamento ou muros é típico das antigas vilas caiçaras e a construção da capela é uma amostra significativa da religiosidade desses moradores.

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Especial São Sebastião 382 anos

Das badaladas às pitorescas, as mais belas praias de São Sebastião Difícil é não ter uma praia que combine com você e sua família

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São Sebastião tem em suas praias o seu principal atrativo turístico. Basta chegar o Verão para vê-las lotadas. E o mais legal de tudo isso, é que tem praia para todos os gostos. Difícil é não ter uma que combine com você ou sua família. Ao viajar pela Rio-Santos, o contato direto com a natureza se faz presente. Afinal, a estrada está justamente no meio entre o mar e a mata atlântica. E olha que são mais de 100km de costa, desde o

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Canto do Mar, na Divisa com Caraguatatuba, até Boraceia, no extremo sul, no limite de Bertioga. A cidade mais antiga do Litoral Norte, do alto de seus 382 anos, oferece praias calmas, com ondas, de areia dura, de areia fofa, de areia branca ou preta, mas todas com o mesmo conceito, a hospitalidade do povo sebastianense. É escolher uma delas e aproveitar o que nossa cidade tem de melhor. Da Costa Norte a Costa Sul, o roteiro é você quem faz.


Especial São Sebastião 382 anos

Luciano Vieira/PMSS

Costa Norte e Região Central

Venino Moreira

Arrastão, Pontal da Cruz, Praia Deserta e Porto Grande A praia do Arrastão pode ser vista ao passar pela SP-55 já próxima à região central da cidade. De água tranquila e areia branca, conta com a infraestrutura de quiosques. Assim como o Arrastão, as praias do Pontal da Cruz, Deserta e Porto Grande, que vêm logo adiante, são ideais para a prática de esportes náuticos, como o stand up paddle, vela, caiaque, entre outros. Praia Preta, Praia Grande e Pitangueiras Passando o Centro da cidade rumo à Costa Sul, encontramos a pequena Praia Preta, ideal para brincar com a criançada por suas águas límpidas e calmas. Vizinha à Praia Preta está a Praia Grande, com a infraestrutura do Balneário dos Trabalhadores, que recebe ônibus de turistas de um dia. Enseada, Cigarras e São Francisco A nossa viagem começa pela praia da Enseada, frequentada por caiçaras que pescam e praticam a captura de crustáceos. É indicada também para banho de sol e mar e muito utilizada por praticantes de kitesurf. Está próxima à divisa com Caraguatatuba. Em seguida, a praia das Cigarras, com águas calmas e areia grossa, com ótima estrutura de

barracas e carrinhos de ambulantes. Continuando, chegamos ao Bairro de São Francisco. Sua orla é decorada por barcos de pescas coloridos, proporcionando uma vista bucólica e aconchegante. É um dos bairros mais tradicionais de São Sebastião e abriga o Convento Nossa Senhora do Amparo. No “Bairro”, como carinhosamente é chamado, pode-se comprar peixe diretamente da Cooperativa de Pesca.

São mais de 100km de costa, desde o Canto do Mar, na Divisa com Caraguatatuba, até Boraceia, extremo sul, no limite com Bertioga

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Especial São Sebastião 382 anos Celso Moraes/PMSS

O mar é calmo e raso, ótimo para crianças e idosos. É uma praia acessível, com atendimento às pessoas com necessidades especiais. Conta com pista de skate, quadra poliesportiva, pista de bicicross, quiosques, churrasqueiras, banheiros e amplo estacionamento. Já a Praia das Pitangueiras oferece uma pequena faixa de areia grossa, rodeada pela mata atlântica. Barequeçaba e Guaecá Barequeçaba possui infraestrutura como padaria, mercado, farmácia, restaurantes e pousadas. A praia é de areia dura e mar raso. Também muito procurada por praticantes de esportes, como o beach tennis, além de corrida e caminhada. Guaecá é uma praia enorme, com mais de 2km, com areia clara, ideal para caminhadas e corrida. Geralmente o mar é calmo, mas em dias de vento sul, torna-se ponto de encontro para os surfistas da cidade, com forte ondulação. Toque-Toque Grande, Calhetas e Toque-Toque Pequeno Toque-Toque Grande é uma simpática vila de pescadores, que ainda preserva a pesca artesanal e convive com belas casas de veraneio. A Ilha de Toque-Toque perto da praia é ótima para mergulho e pesca esportiva, bem como as costeiras. Na rodovia, logo no acesso, a Cachoeira de Toque-Toque dá as boas vindas a todos. Calhetas é uma pequena península, com acesso apenas para pedestres. Em seguida, a beleza de Toque-Toque Pequeno, com bares e restaurantes próximos à praia. Santiago e Paúba Santiago possui parcéis bem próximos que fazem a alegria dos mergulhadores. A ducha natural no canto esquerdo é um convite. Já Paúba é uma praia pequena, que mantém o ar tranquilo de uma vila de pescadores. Ótima opção para quem procura sossego. Maresias É a capital do surf, a terra do campeão mundial Gabriel Medina. Possui uma das melhores infraestruturas turísticas da cidade. Referência também nas baladas noturnas, frequentada por gente do mundo todo. A praia é longa e de areias finas.

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Luciano Vieira/PMSS

Celso Moraes/PMSS


Especial São Sebastião 382 anos Venino Moreira

Boiçucanga e Cambury Boiçucanga é uma praia de tombo e mar verde esmeralda. Tem o pôr do sol mais bonito do Litoral Norte. Abriga uma vila de pescadores no canto esquerdo da praia, próximo ao rio, onde pode ser encontrada uma grande variedade de peixes, além de passeios de barco para as ilhas da região. O rio Cambury e a bela península dividem as praias de Cambury e Camburizinho. A praia de Cambury é mais agitada em função de suas ondas, procuradas por muitos surfistas e esportistas. Já Camburizinho é rodeada de condomínios de alto padrão. Águas límpidas e areia branca dão o tom das duas praias. Baleia e Barra do Sahy Baleia tem o ambiente muito familiar. A praia de areia dura e águas calmas é ótima pedida para a prática de esportes. Quase não há comércio e agito noturno. A Barra do Sahy é uma pequena baía de areia branca e fofa, que mantém a harmonia entre a paisagem e as residências locais. O lugar ainda tem jeito de aldeia com rancho de pescadores e uma linda capela junto ao rio. A partir da Praia da Barra do Sahy é muito fácil chegar de barco nas paradisíacas “As Ilhas”.

Praia Preta da Costa Sul e Juquehy A Praia Preta da Costa Sul é de pequena extensão e possui areias escuras e água transparente. Juquehy tem agitação na medida dentro e fora da praia. No canto direito ficam os surfistas, no meio o clima mais festivo com bares e restaurantes, e a esquerda, próximo ao rio, reina a tranquilidade. Boa estrutura gastronômica e comercial com shopping e diversas lojas. Barra do Una, Engenho, Jureia e Boraceia Com boa estrutura náutica, Barra do Una é o melhor ponto de partida para passeios de barco na Costa Sul da cidade. O Rio é parte essencial desta praia e navegar de stand up paddle ou canoa rio acima é um passeio incrível. Engenho tem acesso por ruas praticamente no meio da mata. A animação fica por conta dos surfistas frequentadores, que buscam um local fora do roteiro convencional. A Jureia é um paraíso ecológico onde a mata atlântica é muito preservada. Uma praia pequena e de tombo. Fechando nossa viagem por São Sebastião, chegamos a Boraceia, onde está localizada a Tribo Indígena Ribeirão Silveira, que vale uma visita. É a praia que faz divisa com a cidade de Bertioga. Plana e extensa, de mar calmo e águas cristalinas.

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Especial São Sebastião 382 anos

As belezas de São Sebastião vão muito além do que nossos olhos podem enxergar Andreoli/Universo Marinho

Num primeiro momento, as imagens que temos de São Sebastião são as belas paisagens da exuberante Mata Atlântica, as incontáveis e variadas praias, umas de fácil acesso e outras nem tanto. Formada por uma geografia generosa, há as lajes, ilhotes, ilhas e arquipélagos que compõem o cenário junto ao mar e o horizonte. Os praticantes de mergulho enxergam e vão além, submergem no entorno dessas ilhas e costões rochosos e desfrutam além de tudo isso, a maior porção de nosso planeta, os mares e oceanos. O mergulho autônomo (com cilindro) permite uma relação direta do visitante com o meio natural, e em particular, com o meio subaquático. Isso propicia, além de momentos de introspecção que estimulam profundamente os sentidos, a interação com uma inimaginável diversidade biológica e cênica, composta por organismos, formas e cores, em concentrações

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que jamais serão vistas na realidade emersa. Ao mesmo tempo, se desenvolve uma atividade física saudável sob a superfície da água, intercalada com a sociabilização a bordo das embarcações durante o trajeto. A abundante biodiversidade marinha da região contribui como maior atrativo. Dessa forma, diversos cardumes de peixes de várias famílias, tamanhos, formas e cores, associados aos recifes de corais e organismos que habitam os costões rochosos, recheiam o fundo do mar com uma paisagem de diversidade surreal de cores. Os melhores locais para apreciar a natureza submersa em São Sebastião, são o Ilhote Itaçucê, que é um mergulho de praia a partir de Barequeçaba, Ilha de Toque-Toque, Ponta do Boqueirão, Ilha dos Gatos e Ilha Montão de Trigo. A partir do segundo semestre de 2018, São Se-

bastião contará ainda com o melhor ponto de mergulho do Sudeste, o Arquipélago dos Alcatrazes, que deve ser um incremento considerável para o turismo na cidade. O menu é farto, e as possibilidades infinitas, que tal vir conhecer os outros 3/4 do planeta a partir de São Sebastião? Fernando Scubatuba


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São Sebastião 382 anos - Especial Radar Litoral  

São Sebastião completa 382 anos no dia 16/3 e o nosso presente já está pronto. Uma edição especial com reportagens, entrevistas e muito mais...

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São Sebastião completa 382 anos no dia 16/3 e o nosso presente já está pronto. Uma edição especial com reportagens, entrevistas e muito mais...

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