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Edição IX - Especial - Março/2019

Maestro Lourival

100 anos de amor à música Pág. 32

Economia

Turismo de casamento Pág. 12

Entrevista Felipe Augusto faz balanço de 2 anos Pág. 08

Píer da Figueira

O point do turismo náutico Pág. 04


Foto capa: André Santos/PMSS

São Sebastião, a mais antiga cidade da região: 383 anos de história

A Direção geral

Júlio Buzi Gustave Gama Mtb 17221 Mtb 31421

Projeto Gráfico e Editoração

Felipe Mattos Graffic Comunicação

Colaboradores

Andressa Rodrigues André Santos/PMSS Beto Silva/CMSS Celso Moraes/PMSS Luciano Vieira/PMSSw Marcos Bonello/PMSS

cidade mais antiga do Litoral Norte faz aniversário neste 16 de março e o Radar Litoral – O seu portal de notícias no Litoral Paulista, que em 2019 completará 6 anos, publica pelo terceiro ano consecutivo uma edição histórica, recheada de belezas naturais, cultura popular, entrevistas e o saber do povo caiçara. Histórias como de Dona Doquinha, esportista nata, e que do alto dos seus 90 anos esbanja vontade de menina para conquistar medalhas na natação. E o que dizer do Maestro Lourival de Albuquerque, que por tanto tempo esteve à frente da Banda Municipal de São Sebastião e que acaba de comemorar 100 anos de vida. Descubra essas e outras histórias nas páginas da Revista Radar Litoral Especial São Sebastião 383 anos. O portal Radar Litoral é uma referência em informação regional. Nosso compromisso

Jornalismo redacao@radarlitoral.com.br

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Publicidade arte@radarlitoral.com.br Contato (12) 99141-6025 / 98148-2225 Distribuição gratuita em São Sebastião Tiragem: 5 mil exemplares Esta é uma publicação de Imagem Assessoria de Comunicação e Eventos Ltda-ME. Portal de Notícias RADAR LITORAL *Todos os direitos reservados www.radarlitoral.com.br /radarlitoral

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é levar a você a notícia na hora que acontece. Com jornalismo dinâmico e atuante, conquistamos credibilidade e a cada dia novos seguidores também nas redes sociais. Liderança comprovada em números. Só no portal www.radarlitoral.com.br são mais de 400 mil acessos/mês, ou seja, 4,8 milhões/ano. Em janeiro deste ano, novamente publicamos a Revista Verão, com 10 mil exemplares distribuídos nas cidades do Litoral Norte, comércio da Rodovia dos Tamoios e Aeroporto de Guarulhos. Acreditamos no potencial turístico e no desenvolvimento sustentável da nossa região. A edição impressa de aniversário é uma homenagem à cidade que tem no seu povo o grande patrimônio e que está sempre de portas abertas para bem receber seus visitantes. Boa leitura e Parabéns São Sebastião!

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Turismo náutico no Píer da Figueira Felipe Augusto faz balanço de dois anos São Sebastião na rota do turismo de casamento João Cappa - A arte de fotografar casamento São Sebastião - Inserido entre a Serra do Mar e o oceano Atlântico A longevidade inspiradora de Dona Doquinha Museu do Bairro - Preservação das tradições caiçaras Maestro Lourival - 100 anos de amor à música Família Restaurante, um dos mais frequentados da cidade Maresias, a casa do bicampeão mundial de surf Casa Esperança - A beleza histórica de São Sebatião

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O turismo náutico

do Píer da Figueira Atualmente, o local recebe uma média de 1,5 mil a 2 mil turistas por fim de semana. A maioria vem do Cone Leste Paulista

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Andressa Rodrigues As águas calmas ficam agitadas pela movimentação dos barcos. As garças que circulam tranquilamente pela pequena faixa de areia presenciam o vai e vem animado de pessoas. E o trânsito de veículos ao redor se intensifica, com paradas de ônibus e vans de turismo para diversos embarques e desembarques. Esse é o típico cenário dos finais de semana na praia da Figueira, em São Sebastião. Situada no bairro São Francisco, bem ao lado da rodovia, a praia abriga uma charmosa praça com decks e bancos, além de sua atração principal: o píer que até merece destaque com uma grande placa de identificação viária. De sexta a domingo, especialmente de manhã, dezenas de embarcações trabalham num ritmo coordenado para atender as centenas de passageiros que procuram o local para passeios náuticos. Seja para conhecer as praias da região ou para levar a alto mar os apaixonados pela pesca esportiva.


Fotos: Andressa Rodrigues

No fim da década de 90, o negócio começou a se expandir Aliás, o desenvolvimento da pesca esportiva local e o surgimento do píer da Figueira tem uma história em comum. Os pescadores que trabalhavam com arrasto de camarão alugavam, esporadicamente, suas embarcações para grupos de empresas de São José dos Campos que vinham à cidade nos finais de semana pescar. “Atendíamos na praia da Cigarras e tivemos que sair de lá, porque o número de barcos cresceu de uns três, cinco para dez, doze, e o lugar não comportava mais”, conta Misael Domingos dos Santos, presidente da Associação Sebastianense de Pesca Esportiva Embarcada. “Nós, profissionais das pescas amadora e profissional, nos reunimos e construímos o píer. Começamos com um trapichinho de 10 metros de comprimento. Hoje tem 60 metros”, diz o presidente. Radar Litoral - O seu portal de notícias no Litoral Norte

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Tivemos que convidar outros pescadores para entrarem no ramo, especialmente os jovens. Iniciamos, então, uma atividade econômico-social ao inserir jovens que não queriam ir para a pesca” A expansão do píer ocorreu justamente devido à expansão dos negócios. A procura pelo turismo náutico deixou de ser apenas por grupos da cidade de São José. “Fizemos propagandas na televisão, parcerias com hotéis fazenda, tudo para atingir nosso objetivo, que era atrair o público de todo Cone Leste Paulista”, explica Santos. O tipo de passeio também se diversificou. Isso porque quem vinha para cá apenas para pescar encontrava uma nova opção de turismo para voltar com a família. Assim, a busca pelas saídas para conhecer as praias passou a aumentar. “Tivemos que convidar outros pescadores para entrarem no ramo, especialmente os jovens. Iniciamos, então, uma atividade econômico-social ao inserir jovens que não queriam ir para a pesca”, ressalta o presidente.

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A história se repete O píer tem capacidade de receber até quatro embarcações, em dia de maré baixa, e até seis em maré alta. Sábado de manhã costuma ser o período de maior movimento. E com o setor em plena expansão, mais uma vez os donos de embarcações precisaram se readequar. “Não tínhamos mais condições de atender somente na Figueira, então dividimos o atendimento em dois locais. Os trabalhadores mais novos no ramo passaram a operar no píer em frente ao convento do bairro São Francisco”, conta o presidente. Segundo ele, juntando os dois píeres, existem hoje cerca de 60 barcos trabalhando no turismo náutico. “Todas as embarcações possuem a documentação exigida pela Marinha do Brasil. Nossa ideia é trabalhar sempre na legalidade. Tudo para oferecer o melhor serviço aos nossos clientes”, finaliza Santos.

Movimentação De acordo com Santos, o píer da Figueira contava, no início, com três embarcações. Em cerca de dez anos, esse número cresceu para 40. “Foi quando vimos a necessidade de nos mobilizar e criar a associação, em 2010”, lembra. Atualmente, o local recebe uma média de 1,5 mil a 2 mil turistas por fim de semana. A maioria vem do Cone Leste Paulista, além de cidades das regiões de Limeira, Campinas e Ribeirão Preto. A quantidade de visitantes propicia o fomento econômico local. “Temos todo uma estrutura de marinheiros, mecânicos, eletricistas, carpinteiros, carregadores, além das peixarias, da cooperativa de pesca... A movimentação hoje é gigantesca apenas na operação, o que conta com cerca de mil pessoas envolvidas direta e indiretamente”, afirma Santos.

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No aniversá faz balanço de plano de Ele destacou investimentos em educação como a reforma de creches e a construção de quatro novas unidades; avanços na saúde, na qual cita a abertura de novos postos, de um centro de especialidades e o prêmio ao serviço de saúde bucal; e redução de índices de criminalidade com investimentos em segurança pública

O Radar Litoral – O seu portal de notícias no Litoral Paulista (www.radarlitoral.com. br), nesta edição da Revista Especial São Sebastião 383 Anos, entrevistou o prefeito da cidade, Felipe Augusto (PSDB), que fez um balanço sobre os dois primeiros anos de gestão. Ele destacou investimentos em educação como a reforma de creches e a construção de quatro novas unidades; avanços na saúde, na qual cita a abertura de novos postos, de um centro de especialidades e o prêmio ao serviço de saúde bucal; e redução de índices de criminalidade com investimentos em segurança. Felipe Augusto cita que 80% do plano de governo apresentado na eleição de 2016 já foi cumprido e pontua que nos dois próximos anos a prefeitura intensificará as ações em infraestrutura urbana para concluir as metas. Confira a entrevista na íntegra.

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ário da cidade, Felipe Augusto de dois anos e aponta 80% governo cumprido Radar Litoral – A cidade completa 383 anos de emancipação político-administrativa neste 16 de março. Qual o balanço que o senhor faz destes primeiros dois anos de mandato? Felipe Augusto – A cidade em dois anos avançou muito. Os números comprovam este avanço. O Ideb (Índice de Desenvolvimento do Ensino Básico) cresceu bastante, teve um reposicionamento em relação à região toda. Os números da saúde, a aprovação da UPA, acompanhando este avanço nos dois anos. A saúde bucal considerada a melhor do Estado de São Paulo, a melhor do Brasil. Os números do turismo, com incremento de 30% na primeira temporada, e agora 46% de aumento deste turismo. E os números que estamos obtendo com relação à segurança, a atuação mais forte da GCM, o COI (Centro de Operações Integradas) trabalhando de forma intensa, e os investimentos na reurbanização do município. Em dois anos a cidade avançou e avançou muito, ainda tem muito a ser feito e vamos continuar trabalhando. Radar Litoral – Em relação ao seu Plano de Governo apresentado no período eleitoral, quais as metas que já foram atingidas e o que vem pela frente nos próximos dois anos? Felipe Augusto – Entramos num cumprimento de cerca de 80% do nosso Plano de

Governo. Os 20% daquilo que a gente propôs a fazer e que ainda tem que entregar no município dizem basicamente a obras de infraestrutura e urbanização. Obras importantes já começaram, como a Avenida Mãe Bernarda em Juquehy, que já está sendo todinha repavimentada. Em Barra do Una, ponte e pavimentação até o Bora-Bora. Ações importantes como as quatro creches em construção e as demais que foram reformadas. E as pavimentações que começam agora no primeiro semestre deste ano. Primeiro pacote, cerca de R$ 10 milhões, 58 ruas pavimentadas. A licitação do Hospital de Boiçucanga que se tudo der certo em maio já temos o vencedor e a obra começa. Temos obras das novas escolas de Cambury, na Enseada no antigo terreno do paliteiro. Investimentos de grande porte em 2019 e assim entregaremos esse mandato de quatro anos com 100% do nosso plano de governo cumprido. Radar Litoral – Quais os investimentos previstos na área de saúde? O senhor falou do Hospital da Costa Sul, existe uma previsão para a entrega desta obra? Felipe Augusto – Cerca de 10 meses para conclusão. Se iniciarmos a obra em maio, que é o que a gente estima tendo em vista a licitação, concluímos início do ano que vem. Temos unidade de saúde que foram entregues, como Vila Sahy, Jaraguá e recentemente a do Centro de Especialidades.

Beto Silva/CMSS

Entramos num cumprimento de cerca de 80% do nosso Plano de Governo. Os 20% daquilo que a gente propôs a fazer e que ainda tem que entregar no município dizem basicamente a obras de infraestrutura e urbanização” Felipe Augusto Prefeito de São Sebastião

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Na entrevista, o Radar Litoral aborda temas importantes para o município, pontos sobre educação, saúde, esporte e habitação J. Valpereiro/Shortfilms

Esta unidade reúne 17 profissionais médicos em áreas específicas e atende toda a rede de saúde, inclusive com uma nova linha de ônibus passando no local. O posto de saúde faz o encaminhamento para o Centro de Especialidades. Por exemplo, acabamos de fazer aquisição de um equipamento de laser de baixa potência para auxiliar na cicatrização de ferimentos provocados, por exemplo, por diabetes. Estes investimentos em saúde nos levaram a ter uma melhora ímpar. Finalizamos a licitação de um Centro de Saúde da Costa Norte com CAPS e novo posto de saúde na Enseada, para desmontar aquele que está junto com a escola e melhorar as condições de atendimento do PSF. Radar Litoral – Na questão da educação, a demanda por vagas em creche é sempre alta. O que tem previsto de investimento neste setor?

oito anos. Não foi eu que assinei esse TAC, mas estou encerrando com as obras realizadas. Temos quatro creches em construção (Jaraguá, Pontal, Maresias e Barra do Una), com capacidade para 180 crianças cada e berçários, sendo duas delas com ginásio poliesportivos para receber a comunidade e promover atividades. Temos ainda reformas e ampliações que foram feitas, as creches no Jaraguá-Escolinha, aquisição de um prédio no São Francisco-Morro do Abrigo, temos também a reforma e finalização da creche Maria Fernanda, na Topolândia, com climatização. Prédio novo para creche de Barequeçaba, zeramos a fila. Creche de Cambury, prédio novo atendendo toda a comunidade. Em Barra do Una, estamos construindo um prédio e alugamos um outro onde zeramos a fila. Falta apenas Juquehy onde estamos escolhendo o terreno e na Boraceia a ampliação do prédio atual.

Felipe Augusto – Assumimos com déficit enorme e um TAC (Termo de Ajuste de Conduta) proposto pelo MP (Ministério Público) há

Radar Litoral – O senhor tocou na questão do esporte, com a construção de ginásios de esporte. A população cobra uma solu-

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ção para o ginásio Gringão no Varadouro. Como está a situação? Tem outros complexos previstos? Felipe Augusto – Vamos lá, ginásio do Jaraguá, ginásio do Pontal da Cruz, reformas do CAE Canto do Mar, CAE Enseada, CAE Porto Grande, CAE Vila Amélia, todos já reformados e agora com constante revitalização. O ginásio da Topolândia será o maior do município. O Gringão finalizando a licitação, uma obra de R$ 4 milhões. Recuperamos o CAE Barequeçaba, a quadra do Paúba, o ginásio de Maresias em licitação. Na Costa Sul, CAE Barra do Una recuperado. Em Boiçucanga e Cambury os processos de desapropriação de áreas em andamento para construção de dois novos ginásios. Em Juquehy, reforma da quadra do Branca de Neve e do Nair em reforma. Radar Litoral - O saneamento básico é hoje uma das principais reivindicações da população, especialmente, dos moradores da Costa Sul. Sabemos que São


Estamos passando por um momento em que a cidade renasceu. Novos eventos, a Cultura a todo vapor, uma Saúde de qualidade, investimentos em Infraestrutura, Educação recebendo recursos como nunca teve. A cidade se transformou.

Sebastião não tem contrato vigente com a Sabesp. Como está a situação? Felipe Augusto - Assunto que depois de muitos e muitos anos resolvemos. Estamos assinando o convênio que permite a assinatura do contrato de gestão. Após o convênio, faremos as audiências públicas para que a população conheça e aprove o cronograma de investimentos. Quando assumimos o governo, essas discussões estavam imaturas. Amadurecemos a conversa com a Sabesp. Casos como o saneamento de Maresias, em que tinha uma previsão de 30 anos para realização das obras, reduzimos para quatro anos. Cerca de R$ 120 milhões de investimentos em quatro anos, com nova malha de rede de água e esgoto coletado e tratado. Radar Litoral - Como estão as ações de Regularização Fundiária no Município e, consequentemente, a infraestrutura nessas áreas? Felipe Augusto - São Sebastião tem uma característica diferente dos outros municípios. São duas leis de regularização fundiárias, ambas aprovadas no início do nosso governo. A primeira, referente a Maresias tinha uma ação demarcatória que tramitava na justiça há 72 anos. Conseguimos com o então governador

Geraldo Alckmin encerrá-la. Fizemos o registro das áreas dessa demarcatória, que envolve os bairros de Paúba, Santiago, Toque-Toque Pequeno, Toque-Toque Grande e uma parte de Boiçucanga. A gente conseguiu fazer a regularização e emitir os primeiros títulos e matrículas. Resolvemos essa questão. No restante do município, a regularização avança e já regularizamos o Chico Soldado e casinhas populares ao lado do Projeto Garoçá. Diversos núcleos serão regularizados ao longo do ano Radar Litoral - A obra da Nova Tamoios Contornos foi paralisada pelo Governo do Estado há um ano. Como está a situação atualmente? E o projeto de interligação da rodovia com a cidade? Felipe Augusto - Essa obra paralisada só causou prejuízos ao município. Primeiro, porque tínhamos no plano de expansão, a duplicação de trechos da Avenida Guarda-Mor Lobo Viana e fazendo o emboque com o contorno. Como não recebemos o projeto definitivo, a obra do município ficou prejudicada. Conseguimos com o governador João Dória a retomada dessa obra para melhorar a logística de transporte do município e desafogar o fluxo do porto e do turismo. A retomada dessa obra depende de um novo processo licitatório por parte do Governo do Estado. Radar Litoral - Como a Prefeitura acompanha as questões relativas ao Porto de São Sebastião. E qual o andamento dos projetos de Home Port e marinas públicas? Felipe Augusto - A Prefeitura de São Sebastião faz parte do Conselho de Autoridade Portuária. Tudo que for para defender o trabalhador portuário e os investimentos e o crescimento econômico da região vamos estar juntos. Vejo o governador João Dória com boa disposição para modernizar o Porto de São Sebastião. Tem todas as características para crescer e desenvolver, com a cidade atrelada a isso. Com relação ao Home Port, que é o porto de passageiros, nós já fizemos a primeira das três licitações, que é a PMI – Proposta de Manifes-

tação de Interesse. A empresa vencedora já está fazendo os projetos. Com esse material, faremos a avaliação, as audiências públicas, levaremos aos órgãos de controle como Ministério Público e órgãos ambientais, depois seguem para audiência pública e licenciamento. Na sequência, duas licitações, gestão e operação do Home Port e a construção. Para a construção, temos uma linha de crédito de R$ 200 milhões aprovada no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que pode ser reduzida ou expandida, conforme o projeto. O modelo do edital é definido pelo BNDES. No casa das marinas, são três – Rua da Praia, Pontal da Cruz e São Francisco. Já foram licitadas na PMI e seguem a mesma tramitação do Home Port. As marinas públicas têm uma linha de crédito de R$ 100 milhões do BNDES. Radar Litoral - Qual a mensagem que o senhor deixa para a população nas comemorações dos 383 anos de Emancipação Político-Administrativa de São Sebastião? Felipe Augusto - Uma mensagem de otimismo, de alegria e de fé no futuro. Estamos trabalhando muito. Fui eleito prefeito para organizar a cidade e dar uma condição de vida melhor à população. Estamos passando por um momento em que a cidade renasceu. Novos eventos, a Cultura a todo vapor, uma Saúde de qualidade, investimentos em Infraestrutura, Educação recebendo recursos como nunca teve. A cidade se transformou. E quanto mais fé tivermos e olharmos para o futuro, deixando as confusões, as discussões e o pensamento negativo de lado, o conjunto da cidade avança em favor do desenvolvimento econômico e da qualidade de vida. Estamos aqui para trabalhar, trabalhar e trabalhar hoje e sempre para nossa cidade.

* Veja o vídeo desta entrevista no canal do Radar Litoral no Youtube (www.youtube.com/radarlitoral)

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São Sebastião na rota do

turismo de casamento

Segmento movimenta diversos setores da economia O município de São Sebastião está na rota de um novo segmento de turismo, o de casamento. Casais que escolhem o visual paradisíaco das praias da cidade para celebrar o amor. Um segmento que tem movimentado diversos setores da economia. São hotéis, restaurantes, buffets, floriculturas, espaços para festas e suas equipes, salões de beleza, lojas, entre outros. De acordo com a secretária de Turismo de São Sebastião, Adriana Balbo, a cidade realiza uma média de 450 casamentos/ ano. “É um segmento que

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gera emprego e renda para o munícipe, na baixa temporada. Cada casamento traz cerca de 100 convidados que também usufruem dos atrativos turísticos da cidade”, Os mais conhecidos são os chamados casamentos ‘pé na areia’, realizados nas praias sebastianenses especialmente nos finais de tarde, quando o pôr do sol dá o tom para eternizar o momento. Praias como Barra do Una, Juquehy, Boiçucanga, Maresias, Toque-Toque Pequeno, Barequeçaba e Arrastão, estão entre os destaques. Destacou a secretária.


PMSS

Fotos: João Cappa

A cidade realiza uma média de 450 casamentos por ano. Os mais conhecidos são os chamados casamentos “pé na areia”, especialmente nos finais de tarde.

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Segundo pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Eventos Sociais (Abrafesta), o mercado de festas e cerimônias cresceu nos últimos anos, atingido R$ 16,8 bilhões

A prefeitura tem investido na divulgação do município como destino turístico e o segmento dos casamentos é um dos pontos abordados. A cidade participa de feiras especializadas do setor. Em 2017, dentro da Expo Negócios Litoral, foi realizado o evento “Vem Casar na Praia”, reunindo os profissionais da região e também assessoras de casamento da capital paulista, que vieram conhecer fornecedores especializados. Houve crescimento no número de casamentos realizados na cidade. “A gestão do prefeito Felipe Augusto trabalha para o fortalecimento do segmento, pois as cerimônias são realizadas nos meses de março a novembro, durante a baixa temporada e gera emprego e renda para a cidade”, salienta a diretora de Turismo, Eunice Bourroul. Segundo pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Eventos Sociais (Abrafesta), o mercado de festas e cerimônias cresceu nos últimos anos, atingido R$ 16,8 bilhões. O mesmo estudo mostrou que os gastos com festas e cerimônias de casamento apresentam um crescimento anual médio de 10,4%.

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A arte de fotografar casamento que ganhou o mundo

Gustave Gama Os casamentos no Litoral Norte estão em franco crescimento e é aqui na região, especificamente, em São Sebastião, que mora um dos fotógrafos de destaque deste segmento no país. João Cabral, 37 anos, ou João Cappa - nome que ganhou após ter criado junto com um sócio em 2015 o Studio Cappa – hoje deixa as fronteiras do Litoral Norte para coberturas especiais em diversas regiões do Brasil e até mesmo fora dele. O mais recente trabalho internacional foi realizado na África do Sul, em Luanda. “Foi sensacional, um trabalho realizado após a indicação de um amigo fotógrafo, Rafael Fontana”. Este ano já tem casamentos agendados em Punta Cana, na República Dominicana, e na Holanda. João Cappa também já fotografou no Uruguai.

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Ele hoje é um dos principais fotógrafos de casamento do Brasil e deixa as fronteiras do Litoral Norte para registrar e eternizar os momentos especiais dos casais em vários países. “São Sebastião tem um mercado forte de casamento e o casal não precisa trazer nada de fora, tem tudo aqui” A história dele com a fotografia começou no ano 2000, quando trabalhava no laboratório da loja Foto Yamaguchi, do fotógrafo EikiYamaguchi, e que por muitos anos funcionou na Avenida Guarda Mor, no Centro de São Sebastião. “Lá sempre chegava a Revista Fhox, que trazia o encarte Weeding Best. Achei interessante e comecei a montar um pequeno fichário com aquelas imagens. Essa foi minha primeira base”, relembra Cappa. Ele e o amigo André Santos – hoje fotógrafo da equipe de Comunicação da Prefeitura de São Sebastião – começaram então a registrar casamentos na cidade. João Cappa partiu para a participação em feiras, palestras e workshops, buscou especialização. “Uma das minhas referências é a fotógrafa Rafaela Azevedo, de Campinas. Hoje tenho muitos amigos deste segmento”, citou o fotógrafo sebastianense.

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Fotos: João Cappa

João Cappa diz que as fotos protocolares se mantêm e que um dos diferenciais nas coberturas fotográficas está na forma de trabalhar a luz. “Não diferencio um casamento do outro, tudo deve ser feito com profissionalismo. O casamento vai do atendimento até o produto final e quando se tem a empatia e a afinidade com o casal, as fotos ficam ainda mais bonitas”. Entre 2016 e 2018, João Cappa registrou uma média de 30 casamentos por ano, muitos deles em São Sebastião e Ilhabela. “São Sebastião tem um mercado forte de casamento, assim como Ilhabela, e o casal não precisa trazer nada de fora, tem tudo aqui”. As imagens registradas por João Cappa nas cerimônias de casamento impressionam, sejam elas no campo, na praia, a noite ou ao pôr do sol, e podem ser vistas em seu perfil no Instagram @joaocappa ou ainda no site www.joaocappa.com.br Entre os conceitos do produto final utilizado está a editoração em formato de livro. João Cappa é natural de São Sebastião, casado com Fernanda Moreira – que se especializou em “Newborn” (fotografia de recém-nascidos) – e pai de Alice, 6 anos, e Davi, 4.

Contato: www.joaocappa.com.br Instagram: @joaocappa Cel: (12) 98199-5093 e-mail: oi@joaocappa.com.br

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o ã i t s a b e SãoS Inserido entre a Serra do Mar e o Oceano Atlântico

Em cada esquina, uma verdadeira riqueza histórica. São Sebastião encanta, não somente por suas belezas naturais e por estar inserido entre a Serra do Mar e o Oceano Atlântico, mas também pelo seu Centro Histórico, que remete os visitantes a uma verdadeira viagem no tempo. Em cada esquina, uma verdadeira riqueza histórica. São casarios coloniais e igrejas do início do século XVII, em sete quarteirões e oito edifícios tombados pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico).

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Fotos: Marcos Bonello/PMSS

Antes da colonização portuguesa, a região era ocupada por índios Tupinambás ao norte e Tupiniquins ao sul

Entre as principais construções estão a Igreja Matriz, a Capela de São Gonçalo que abriga o Museu de Arte Sacra, a Casa de Câmara e Cadeia e a Casa Esperança, esta última tombada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e a única mantida por particulares, no caso, a tradicional família Fernandes. Mas não é só o patrimônio material, São Sebastião possui uma ampla cultura imaterial, em manifestações como a Congada de São Benedito e as Folias de Reis.

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SãoSebastião A história

São Sebastião é a cidade mais antiga do Litoral Norte. Antes da colonização portuguesa, a região era ocupada por índios Tupinambás ao norte e Tupiniquins ao sul. A serra de Boiçucanga era uma divisa natural das terras das tribos. O nome do município é uma homenagem da expedição de Américo Vespúcio, que passou ao largo da Ilha de São Sebastião – hoje município de Ilhabela – em 20 de janeiro de 1502, ao santo do dia. A ocupação portuguesa ocorreu após a divisão do território em Capitanias Hereditárias. Diogo de Unhate, Diogo Dias, João de Abreu, Gonçalo Pedroso e Francisco de Escobar Ortiz iniciaram a povoação, desenvolvendo o local com agricultura e pesca. Nesta época, a região contava com dezenas de engenhos de cana de açúcar, responsáveis por um maior desenvolvimento econômico e a caracterização como núcleo habitacional e político. Isto possibilitou a emancipação político-administrativa de São Sebastião em 16 de março de 1636.

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Fotos: Divulgação


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Andressa Rodrigues

A longevidade inspiradora

de Dona Doquinha Simpatia, bom humor, vitalidade e uma memória invejável. Essas são algumas das características marcantes da caiçara Benedicta Christina do Valle Pombo, mais conhecida como Dona Doquinha.

Andressa Rodrigues Simpatia, bom humor, vitalidade e uma memória invejável. Essas são algumas das características marcantes da caiçara Benedicta Christina do Valle Pombo, mais conhecida como Dona Doquinha. Aos 90 anos de idade, a professora aposentada é muito querida até hoje por todos que foram seus alunos, em São Sebastião.

Mas, de uns tempos para cá, ela é famosa por outra habilidade. “Ah, a natação...”, suspira com um largo sorriso ao ser questionada sobre o esporte que pratica atualmente. Dona Doquinha representa a cidade em diversas competições voltadas à terceira idade e, desde que começou, coleciona inúmeras medalhas de ouro e prata.

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Andressa Rodrigues

Além da natação, ela ainda faz musculação, alongamento, bordado, vai a bailes, viaja e não perde um bingo promovido pelo grupo de idosos que frequenta, no Porto Grande - bairro onde mora há mais de 40 anos. Dedica, também, seu tempo para os filhos Aerton e Arlete, para as netas Beatriz e Luiza, e para a família de Ilhabela. Dona Doquinha nasceu na ilha, no bairro do Curral, junto com os nove irmãos. Mas, na época, não havia escolas que ofereciam todas as séries. “Tive que vir morar em São Sebastião para terminar o Primário. Estudei no Grupo Escolar Henrique Botelho, quando ainda era na Rua da Praia”, conta. Em seguida, se mudou para Santos, onde fez o Ginásio e o Magistério. “Naquele tempo, o curso se chamava ‘Normal’. Me formei, então, na Escola Normal José Bonifácio”, lembra com detalhes.

Memórias da profissão A formação no Magistério foi em 1949. Logo no início de 1950, ela já estava em sala de aula. “Iniciei no sul da ilha, no Borrifos. Também lecionei no Perequê e no

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Veloso, na mesma escola em que eu fiz meus primeiros anos do Primário”, diz. Já em 1953, decidiu vir para São Sebastião, dar aulas no bairro São Francisco. “Eu e mais duas professoras trabalhávamos no prédio cedido pelo Abrigo Batuíra”, conta. Em seguida, passou por outra instituição em que também estudou. “Em 1956, fui para o Henrique Botelho. Fiquei lá bastante tempo. Participei da mudança da Rua da Praia para a Rua Caraguatatuba. Só saí da escola quando o diretor precisou remanejar alguns professores e alunos, pois já não comportava mais a quantidade”, lembra Dona Doquinha. Nessa ocasião, ela escolheu lecionar no antigo CENE, no Porto Grande, pois já havia se casado e estava terminando de construir sua casa no mesmo bairro. A aposentadoria saiu em 1981. Mas quem disse que ela parou? “Continuei como professora substituta por mais seis anos. Ia sentir muita falta da escola se eu parasse. No total, foram 37 anos de profissão bem vividos e muito felizes. Acredito que, desde criança, eu sabia que queria ser professora. Me dediquei intensamente a isso”, afirma.

Em 1956, fui para o Henrique Botelho. Fiquei lá bastante tempo. Participei da mudança da Rua da Praia para a Rua Caraguatatuba


Terceira idade ativa Alguns anos depois que realmente se aposentou, Dona Doquinha foi convidada a ingressar no grupo de idosos da cidade. “No início, nos reuníamos no Centro. Depois a sede veio para o Porto Grande”, explica. Desde que entrou no Centro de Convivência da Terceira Idade (CCTI Polvo), a professora participa de diversas atividades. “Faço bordado, vou aos bailes, fazemos viagens e vou aos bingos - não perco um, adoro, e ainda vendo os bilhetes”, completa. Ela também já praticou vôlei e fez parte do grupo de coreografia, mas uma lesão no joelho a direcionou para uma antiga paixão. Segundo Dona Doquinha, no primeiro ano em que foram realizados os Jogos Regionais do Idoso (JORI), a delegação da cidade decidiu incluí-la na equipe da natação. “Aprendi a nadar com o meu pai, quando eu era criança. Mas sem técnica nenhuma. Eu e meus irmãos aprendíamos a nos virar, pois sempre estávamos em contato com o mar”, conta. Começava, então, sua vida de atleta. A professora passou a fazer as aulas de natação oferecidas pela prefeitura. Além

dos JORI, ela também participa dos Jogos Estudais do Idoso (JEI) e dos Jogos dos Idosos de São Sebastião (JISS). Em sua casa, ela tem uma caixa e uma gaveta lotadas de medalhas. Poucas são apenas de participação. “A maioria é de ouro e algumas são de prata. Já perdi a conta de quantas são”, brinca. De 2009 a 2018 a Doquinha teve como técnica a professora Raquel Buzi, da secretaria de esportes de São Sebastião. Atualmente, Dona Doquinha faz aulas de natação três vezes por semana, além de musculação e alongamento. Diz que “acha” que sua saúde está em dia, pois “a cardiologista está sempre vigiando”. De acordo com ela, o segredo de toda essa vitalidade é porque não gosta de ociosidade. “Não sou de ficar na cadeirinha de balanço vendo a vida passar”, afirma. Também mantém a mente ativa fazendo pequenas costuras em casa e lendo livros regularmente. Ela atribui, ainda, sua longevidade a um fator genético. “É coisa de família. Tenho uma irmã que faleceu aos 101 anos de idade completamente lúcida. Então acho que vou longe”, conclui. Arquivo Pessoal

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Memória Caiçara <<

Museu do

Bairro Preservação das tradições caiçaras

São Sebastião passou a contar com um novo espaço cultural desde setembro de 2018 No coração do Bairro de São Francisco, onde vive a maior comunidade pesqueira da cidade, está localizado o “Museu do Bairro”. Fica bem em frente ao Espaço Batuíra, na Rua Martins do Val. Sua primeira exposição foi “Memória, Tradição e História: Congada e Cerâmica”. Justamente, os maiores patrimônios culturais do Bairro de São Francisco. A mostra busca enaltecer todos os que contribuíram e ainda contribuem para a sua identidade cultural, além de valorizar e salvaguardar a cultura material e imaterial do Bairro, e por isso, é composta por três partes.

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Fotos: PMSS

A primeira parte é o corredor central onde está apresentando o Bairro, o Museu enquanto construção histórica, o Convento Franciscano de Nossa Senhora do Amparo, e as famílias tradicionais onde os homens se ocupavam da pesca e as mulheres da fabricação de peças artesanais de barro. Já a segunda parte traz oito potes de barro confeccionados por Dona Adélia Barsotti, e outras cerâmicas tradicionais, além de um exemplar da cerâmica encontrado no Sítio Arqueológico São Francisco. Por último, a terceira parte apresenta a Congada e seu vestuário, indumentária e instrumentos musicais.

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O Museu do Bairro de São Francisco fica na Rua Martins do Val, nº 81, bairro São Francisco, em frente ao Centro Cultural Batuíra. Com entrada gratuita, o espaço está aberto ao público de segunda a sábado, das 9h às 18h

PMSS

A caiçara Dioneia da Ressureição, filha de Dona Adélia Barsotti, agradeceu pela iniciativa de homenagear sua mãe. “Estou muito emocionada, e em nome de minha família agradeço de coração a homenagem que fizeram para minha mãe. A exposição ficou linda, parabenizo a prefeitura”, disse Dioneia. “Inauguramos esse espaço que há muito tempo estava abandonado e agora todos poderão contemplar um pouco da história do bairro São Francisco e de São Sebastião”, disse o prefeito da cidade, Felipe Augusto. O Museu do Bairro de São Francisco fica na Rua Martins do Val, nº 81, bairro São Francisco, em frente ao Centro Cultural Batuíra. Com entrada gratuita, o espaço está aberto ao público de segunda a sábado, das 9h às 18h, acolhendo sempre exposições que tenham como protagonistas, o Bairro de São Francisco e seus moradores.

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Maestro Lourival 100 anos de amor Gustave Gama

Nascido em 1 de março de 1919, Lourival Pereira de Albuquerque, o Maestro Lourival, pernambucano de Recife, mas sebastianense de coração, acaba de completar 100 anos. No mês que a cidade completa 383 anos, ele é o homenageado da Revista Radar Litoral. Maestro Lourival nos recebeu em sua casa, no bairro do Jaraguá, na Costa Norte de São Sebastião, onde contou suas histórias de amor à música. “Comecei a tocar instrumentos aos 10 anos, uma Trompa, e depois vários instrumentos de sopro”, relembra. Aos 18 anos entrou para o Exército e, claro, logo já estava na banda da corporação. “Dei baixa durante a Segunda Guerra e integrei a Guarda Territorial como músico”, conta o maestro. Do Recife, Lourival de Albuquerque seguiu para Manaus (AM), depois para a cidade do Rio de Janeiro (RJ) e Belo Horizonte (MG), sempre integrando bandas e orquestras importantes.

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à música

Marcos Bonelo/PMSS


A música é tudo, a música é vida, me sinto jovem quando estou com um instrumento”

“Em 1949 fui para Minas Gerais, e depois para o Espírito Santo, trabalhando como professor de música e também como maestro de bandas”. Foi no Espírito Santo que ele conheceu a esposa Mirtes Domingues de Albuquerque, 76 anos. “Era um desfile de 7 de setembro e lá estava ele a tocar”, relembra Dona Mirtes. No final da década de 60, o casal e a filha Regina, na época com 7 anos, seguiram para São Paulo, onde durante uma apresentação musical, o então prefeito de Ubatuba, Basílio Cavalheiro, ficou encantado com a performance do maestro e o convidou para constituir e reger a banda da cidade. Maestro Lourival veio para Ubatuba e, pouco depois, já estava em terras sebastianenses. Em 1984, ele assumiu a regência da Banda Municipal de São Sebastião, batizada em 1999 como Banda Municipal “Maestro Ladislau de Matos”. Foram 14 anos à frente da Banda Municipal. “A música é tudo, a música é vida, me sinto jovem quando estou com um instrumento na mão”, diz emocionado Maestro Lourival de Albuquerque em meio a centenas de partituras e discos de vinil.

Ele guarda com carinho várias fotos dos períodos de regente nas diversas bandas que passou. Em São Sebastião foi por muitos anos sapateiro - e dos bons - consertando sapatos e sandálias em sua sapataria na região central da cidade. Mas o que o centenário maestro gosta mesmo é de tocar e, por isso, segue firme, todos os domingos, nas apresentações da banda sebastianense. Arquivo Pessoal

Por 15 anos, ele esteve à frente da Banda Municipal de São Sebastião “Maestro Manoel Ladislau de Matos”, na qual ensinou diversos músicos da cidade

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A história da Banda

Municipal Criada em 26 de outubro de 1979 pela lei nº 279/79, a banda existe de fato desde 1920, organizada na época pelo então maestro Manoel Ladislau de Mattos. Em 1950, o maestro Benedito Múrcio assumiu a regência.Já em 1979 foi oficializada por decreto, passando então a ter existência de direito, porém alcançando a denominação de Banda de Música da Prefeitura da cidade somente em 1999. Sua reestreia oficial ocorreu em 16 de março de 1980, sob a regência do Maestro Cides Rischter, que atuou até 1984, quando assumiu em seu lugar o maestro Lourival Pereira de Albuquerque. Em agosto de 1998, após a aposentadoria do maestro Lourival, assumiu a regência Almir Clemente. Em 9 de fevereiro de 1999, por meio do projeto de lei da Câmara Municipal nº 1319/99, recebeu o nome de seu primeiro regente, passando a denominar-se Banda Municipal Maestro Manoel Ladislau de Matos. E neste ano, o prefeito Felipe Augusto sancionou a Lei Municipal nº 2426/17, de autoria do então vereador Tiago Perão, que instituiu o Dia da Banda Municipal Maestro Manoel Ladislau de Mattos, que é comemorado no terceiro domingo do mês de março de cada ano.

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Fotos: Arquivo Pessoal


Família Restaurante, um dos mais frequentados da cidade, faz 10 anos “Abadejo a Leobaldo”, um prato com a marca do

Chef Toquinho

Um dos mais frequentados restaurantes de São Sebastião está localizado na Rua da Praia, no Centro da Cidade. O Família Restaurante completou 10 anos e já tem na sua história pratos consagrados por seus frequentadores. O sabor caiçara é a sua marca e a cozinha tem o comando do Chef Toquinho. Jairo Vitor, o Toquinho, é natural de São José do Barreiro (SP), cidade do Vale do Paraíba, e está no litoral desde 1987. Trabalhou em restaurantes de São José dos Campos, mas foi no litoral que encontrou sua verdadeira paixão, a culinária caiçara. “Amo o que faço, sou um apaixonado pela gastronomia”. Foi ele que criou o “Abadejo a Leobaldo”, que

leva o nome numa homenagem a Leobaldo Moreira, pai de Hélio Moreira, o Helinho, proprietário do Família Restaurante. Um prato que tem o Abadejo como protagonista e que leva banana, batata corada e molho branco. Virou sucesso. Ele só ainda não supera o “Abadejo a Bradesco”, aquele coberto por molho, berinjelas e queijo. O Família Restaurante justifica o nome, pois os mais de 45 funcionários são realmente uma família e buscam sempre fazer com que o cliente se sinta em casa. Helinho tem ao seu lado o apoio da esposa, do irmão, filhas e genros na condução do restaurante que acaba de completar 10 anos. Uma década de amor à gastronomia e à culinária caiçara.

Um prato que tem o Abadejo como protagonista e que leva banana, batata corada e molho branco. Virou sucesso”...

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Maresias, a casa do bicampeão mundial de surf 4593_HOC_anuncio_radarlitoral_93x120_FECHADO.pdf 1 22/02/2019 14:05:06

Júlio Buzi Uma cidade ter um atleta campeão mundial em sua modalidade já é difícil, imagina então se ele conquista o bicampeonato mundial. Foi o que aconteceu com o surfista Gabriel Medina, por isso mesmo, orgulho de São Sebastião e exemplo para jovens de várias modalidades esportivas, que sonham em se tornar destaques. E a recepção ao bicampeão mundial foi a mais calorosa possível, em Maresias, onde começou a sua história. Às vésperas do Natal, uma multidão se aglomerou ao longo da Avenida Francisco Loup e na Praça Internacional do Surf para receber o filho ilustre de São Sebastião.

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É muito gratificante ser recebido de forma calorosa. É o lugar que eu moro e que tudo começou e onde tenho meus amigos e minha família” André Santos/PMSS

São Sebastião recepciona com orgulho seu filho ilustre. Gabriel Medina quer o tri e vaga nas Olimpíadas Depois de desfilar no carro do Corpo de Bombeiros, Medina subiu ao palco e, com seu jeito simples, agradeceu o apoio e a torcida de todos. “É muito gratificante ser recebido de forma calorosa. É o lugar que eu moro e que tudo começou e onde tenho meus amigos e minha família”. O primeiro título de Medina, em 2014, teve um significado histórico, afinal, foi a primeira conquista mundial de um surfista brasileiro. Mas não teve festa, pois a Costa Sul foi atingida por uma tromba d’água e a sua família ainda ajudou as vítimas da enchente. Para 2019, a meta do surfista de Maresias é buscar o tricampeonato mundial e uma vaga na equipe brasileira de surf na Olimpíada de Tóquio, que será a estreia da modalidade.

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A ideia do IGM surgiu antes mesmo da conquista do inédito título mundial, como retribuição do que o surf lhe deu na vida Marcos Bonelo/PMSS

Campeão fora das águas Mas o surfista sebastianense é um campeão fora das águas e, com certeza, ganha nota 10 com o Instituto Gabriel Medina (IGM), criado de um sonho juntamente com seus familiares, que tem como foco a preparação de novos valores da modalidade, usando o exemplo do ídolo. A ideia do IGM surgiu antes mesmo da conquista do inédito título mundial, como retribuição do que o surf lhe deu na vida. As atividades foram iniciadas no dia 1º de fevereiro

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de 2017, na sede construída com recursos próprios, na Praia de Maresias. Apesar do pouco tempo de atividade, o Instituto já se tornou referência no Brasil e até no exterior como centro de preparação de alto rendimento para jovens talentos do surf. Os participantes são selecionados no Circuito Medina de Surf e a instituição oferece, de forma gratuita, a mesma estrutura que hoje Gabriel Medina conta na parte técnica, física e médica,

além de garantir aos atletas aulas de idiomas, já visando as trajetórias futuras. São atendidos atletas dos 10 aos 17 anos, que também recebem alimentação, equipamentos para a prática do surf, como pranchas e roupas de borracha, custeio de viagens para competição, além de outros benefícios como treinamentos de natação e de apneia, apoio psicológico e tratamentos fisioterápico e odontológico.


Crônicas

Por Daniela Carvalho

Não é perfeita,

mas é o meu lar Eu fui convidada a escrever essa crônica para falar da cidade onde eu nasci. Um convite irrecusável, tanto que cá estou. Mas, apesar de ter vivido grande parte da minha vida em São Sebastião, não foi tão fácil encontrar inspiração para essa crônica. Tudo vinha à minha memória, mas parecia tão simples que eu ficava imaginando se outras pessoas se interessariam em ler. Lembrei da minha infância na Rua Maria Francisca, no Pontal da Cruz, quando passava mais tempo brincando com os meus amigos do que em casa. Os meus passeios à Rua da Praia, onde adorava caminhar nas pedras atrás de siri ou brincar nos canhões. Foi em um dos banquinho desta praça que dei o meu primeiro beijo, escondido dos meus pais. E o que dizer das noites de Carnaval? Ah! Se essa rua falasse quantas histórias teria para contar. Apesar de tantas lembranças boas, quando cheguei na adolescência eu queria muito ir embora da cidade. As ruas me pareciam estreitas demais, as pracinhas perderam o ar divertido e as praias que um dia tinham despertado a minha imaginação e foram palco de várias aventuras já não me atraiam mais. Muita areia, água salgada, calor...ufa! Eu fui uma adolescente caiçara que sonhava em ser jornalista na capital. Eu queria a selva de pedra, confusão mesmo, buzinas no trânsito, eu queria viver onde ninguém me conhecesse. Aqui todos sabiam quem eu era, antes mesmo de eu me apresentar. - Ela é filha do Cleto e da Abigail. Sim, claro que sou, eu pensava.- Mas, além disso, quem eu sou? Naquela época, isso era tudo que eu queria descobrir. Nesse tempo, eu já tinha trocado os dias de sol nas praias por um bom livro e uma panela de brigadeiro. Engordei, claro. Sempre que vejo a minha foto na carteira de trabalho, lembro desta época. Eu ainda brigo com a minha mãe por ter deixado eu colocar essa foto em um documento que duraria a vida toda. Será que foi a maneira dela se vingar de todas as minhas chatices e esquisitices da adolescência? Pode ser. Eu fui estudar em São Paulo e as coisas aconteceram como eu tinha previsto. Lá eu arrumei o meu primeiro emprego de jornalista, casei e tive os meus dois filhos. Quando eu pensava que nunca mais moraria em São Sebastião, a minha vida deu um nó tão grande que, para começar a desfazê-lo, eu precisei voltar e encontrar o início da minha história. Voltei para cá por falta de opção, eu confesso. Ainda hoje eu não sou fã de praia e fujo dos dias de muito sol. Não pratico esportes ao ar livre e me incomoda não ter um cinema decente nesta cidade. Mas, apesar de não ser perfeita aos meus olhos, São Sebastião é onde está o meu coração.

Aqui estão as minhas primeiras memórias e a minha família. Essa cidade me recebeu de braços abertos e permitiu que eu me reencontrasse quando eu estava cercada pelo medo e insegurança. Aqui eu consigo dar uma vida digna aos meus filhos. Eu abri mão de alguns sonhos quando decidi voltar, mas vivo em paz com as minhas escolhas e na maior parte do tempo eu estou feliz. Sinto gratidão pela minha cidade, por ter esperado eu amadurecer e passar a olhá-la como realmente é, sem o romantismo da infância ou a ilusão da adolescência. Antes eu via apenas ruas estreitas, hoje sinto aconchego. Antes eu me incomodava em ser reconhecida por ser filha dos meus pais, hoje isso me dá um tremendo orgulho. Eu e a cidade ainda temos alguns pontos de divergências, mas isso faz com que a gente não entre na rotina, estamos sempre avaliando os pontos fortes e fracos e crescendo com isso. Também serve para apimentar a nossa relação. O importante é que,quando estou longe, eu sinto muitas saudades dela. Não importa quantos lugares neste mundo eu já tenha conhecido, eu sempre quero voltar. São Sebastião não é perfeita para mim, mas é o meu lar.

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Casa Esperança

Foto: PMSS

Beleza histórica de São Sebastião Imóvel do período colonial abriga comércio tradicional e galeria de arte Andressa Rodrigues Por ser o município mais antigo do Litoral Norte de São Paulo, São Sebastião reúne preciosidades arquitetônicas em seu Centro Histórico. Num passeio a pé por alguns quarteirões é possível encontrar edificações dos séculos 17 e 18, como a Igreja Matriz, a Casa de Câmara e Cadeia, a Capela de São Gonçalo (com o Museu de Arte Sacra) e a Casa Esperança, considerada a construção mais nobre da cidade. Casa Esperança é o nome de um dos comércios mais antigos e tradicionais de toda

a região, localizado na Avenida Doutor Altino Arantes (Rua da Praia). O prédio e a loja pertencem há mais de 70 anos à família Fernandes, que se uniu à família Vasques após o casamento dos atuais proprietários, Reinaldo Davi Fernandes e Nilza Vasques Fernandes. Ao lado do filho Reinaldinho, o casal mantém o negócio que vive há gerações. Os três também cuidam para que o imóvel resista majestosamente ao tempo e siga fazendo parte da memória sebastianense. “Enquanto a gente for vivo, o prédio vai

estar sempre assim, porque amamos esse lugar. Eu jurei ao meu sogro que ia mantê-lo até o fim da vida e ele sabia que em nossas mãos ia continuar tudo bonitinho”, conta carinhosamente Dona Nilza. Ela, aliás, trabalha na loja desde antes mesmo de se casar, há 52 anos. Sempre solícita e simpática, a comerciante é quem costuma dar entrevistas sobre a história do local, junto com o filho. “Meu marido é fujão, então sirvo de intermediária”, brinca sobre a timidez dele.

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P- arabenisa-o Sao Sebast O PARTE DA HISTÓRIA MORADA FM , FAZEND HÁ 31 ANOS DA NOSSA CIDADE

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Detalhes peculiares O prédio da Casa Esperança foi erguido em pedra e cal, com argamassa de conchas, areia e óleo de baleia. Possui uma fachada simétrica e ornamentação em pedra, características típicas da arquitetura civil e urbana do século XVII que seguia uma padronização portuguesa. Em 1955, o imóvel foi tombado pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e pelo CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo). “O IPHAN estima que a construção se deu em 1788. E pela pompa do prédio - seu acabamento, os afrescos no piso superior, a nobreza das madeiras - acredita-se que era de um senhor próspero da região”, explica Reinaldinho Vasques. Dona Nilza complementa que, nesse tipo de sobrado, os donos geralmente moravam no andar de cima, enquanto que no térreo ficavam as mercadorias, os alimentos e os escravos. Já a família Vasques Fernandes nunca morou no imóvel. Sempre o fez de

comércio no piso térreo. No início, segundo Dona Nilza, “vendia-se de tudo, de prego a comida”. Ela e o filho lembram que não existiam outros estabelecimentos na cidade e que vinham clientes até de Ilhabela. “Uma parte da loja oferecia bebida, fumo de rolo... coisas de armazém; numa outra tinha um mix de papelaria; e também havia a parte destinada a tecidos, aviamentos, cama - mesa - banho, calçados... ou seja: encontrava-se realmente de tudo por aqui”, diz Reinaldinho. O ramo de tecidos e aviamentos se consolidou com o desenvolvimento da cidade, através do surgimento de novos comércios. “Quando chegou o primeiro mercado, deixamos de vender comida. Depois foram os itens de papelaria... e assim por diante”, conta Dona Nilza. Ela se recorda que as lojas de roupa demoraram a vir, e que a maioria das mulheres costuravam, então foi natural manter esse nicho. “Além do fato de meu marido gostar de trabalhar com tecidos. Nosso filho também. E eu, nem se fala, sempre costurei”, completa.

Arquivo Histórico Municipal

O IPHAN estima que a construção se deu em 1788. E pela pompa do prédio - seu acabamento, os afrescos no piso superior, a nobreza das madeiras - acredita-se que era de um senhor próspero da região”

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Fotos: Andressa Rodrigues

História e arte A família Vasques Fernandes afirma fazer o que é possível para manter as características originais do sobrado colonial, respeitando as legislações exigidas de um patrimônio histórico tombado. E Dona Nilza se encarrega de manter viva as lembranças do local, assim como do crescimento de São Sebastião, através de suas narrativas alegres e ricas de detalhes, que estão sempre à disposição para quem gosta de um bom bate-papo. Com uma ótima memória aos 72 anos de idade, a comerciante se recorda com carinho quando o sogro, Isidro Fernandes, decidiu deixar o andar superior do prédio aos cuidados de Reinaldinho, que é artista plástico. Reinaldinho transformou o espaço numa galeria de artes assim que se formou na faculdade. “Inauguramos em março de 1991 e meu avô pôde prestigiar esse momento”, conta o artista. O nome do local, Adriana Vasques Fernandes, é uma homenagem à irmã de Reinaldinho que faleceu um ano antes. A galeria já recebeu inúmeras exposi-

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ções e atualmente abriga quadros do próprio dono, além de fotos antigas da cidade, da família e itens históricos, como livros-caixa da loja do início da década de 1950. Outro detalhe importante são os afrescos no teto, que contam sobre a chegada da família real portuguesa ao Brasil. “As pessoas podem visitar o espaço às quartas e quintas, das 15h às 18h. Fora os horários fixos, também agendamos com escolas e faculdades visitas monitoradas. A entrada é franca”, diz Reinaldinho. Dona Nilza tem orgulho de poder expor às pessoas um pouco da história de São Sebastião e ainda apresentar os trabalhos do filho. “A gente tem prazer de mostrar o que é bonito e quem quiser conhecer é só vir. A arte de Reinaldinho deixa o lugar ainda mais encantador e tem tudo a ver com a casa. Eu subo ali, sento num banquinho, fico olhando e penso: quantas damas já não arrastaram seus vestidos nesses degraus na época colonial? Fico emocionada de fazer parte disso tudo”, finaliza.


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