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Setembro / 2019 - Edição Especial

Economia

Uma cidade que respira turismo Pág. 4

Entrevista

Gracinha afirma que prioridade é saneamento Pág. 10

Memória Uma viagem pela história do arquipélago Pág. 33


Ilhabela, um lugar onde o turismo faz parte do dia a dia de sua população

Foto capa: Ronald Kraag

B Direção geral

Júlio Buzi Gustave Gama Mtb 17221 Mtb 31421

Projeto Gráfico e Editoração

Felipe Mattos Graffic Comunicação

Colaboradores

Andressa Rodrigues Ronald Kraag

oa parte do comércio e dos serviços oferecidos em Ilhabela está ligada direta ou indiretamente ao turismo. E seu desenvolvimento é fundamental para a manutenção e geração de novos empregos. Para isso, o principal desafio da cidade é literalmente “sanear a questão saneamento”. Com um dos maiores orçamentos per capita do país, o município destina verba para o setor para enfim resolver os problemas de captação e tratamento de esgoto, garantindo assim balneabilidade de praias e saúde da população. Afinal, quem visita Ilhabela, sempre quer voltar. Seja pela belezas naturais inigualáveis ou mesmo pela hospitalidade de seu povo. O portal Radar Litoral é uma referência em informação regional. Nosso compromisso é levar a você a notícia na hora que acontece. Com jornalismo dinâmico e atuante,

conquistamos credibilidade e a cada dia novos seguidores também nas redes sociais. Liderança comprovada em números. Só no portal www.radarlitoral.com.br são mais de 500 mil acessos/mês, ou seja, mais de 6 milhões de internautas conectados. Nossa página no Facebook ultrapassou 100 mil seguidores e nosso Insta não para de crescer. Em janeiro deste ano, novamente publicamos a Revista Verão, com 10 mil exemplares distribuídos nas cidades do Litoral Norte, comércio da Rodovia dos Tamoios e Aeroporto de Guarulhos, pois acreditamos no potencial turístico da nossa região. A edição impressa de aniversário é uma homenagem à cidade que tem no seu povo o grande patrimônio e que está sempre de portas abertas para bem receber seus visitantes. Boa leitura e Parabéns Ilhabela, 214 anos de história!

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Uma cidade que respira turismo Empresa desenvolve moderno sistema de despoluição da água Entrevista com a Prefeita de Ilhabela Gracinha Ferreira Pioneira da natação em Ilhabela Fênix renova 100% da frota e aumenta número de ônibus Caiçara movido a samba e vela Ilhabela, a capital nacional da vela Festival une música, dança, meditação e vivências Ilhabela e seus diversos nomes ao longo de 214 anos

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Turismo <<

Ilhabela Economia <<

Uma cidade que respira turismo As belezas naturais aliadas aos eventos de qualidade fazem de Ilhabela um dos destinos mais desejados pelos turistas.

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Ronald Kraag

Para quem visita o arquipélago que é conhecido como a Capital Internacional da Vela, atrativos não faltam

Gustave Gama Além disso, a cidade dispõe de ampla infraestrutura, com mais de 7 mil leitos de hotéis e pousadas, que geram emprego e renda para muitos moradores. Bares, restaurantes, quiosques e operadoras de passeios com-

pletam o trade turístico. São 214 anos de emancipação político-administrativa, com muita história e cultura preservada, mas com o turismo como o principal gerador da economia local. Para quem visita o arquipélago que é conhecido como a Capital Internacional da Vela, atrativos não faltam. No ecoturismo, 365

cachoeiras, uma para cada dia do ano. A prefeitura estimula este potencial com as ações da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo, o que inclui a participação em feiras do setor. O turismo de casamento, por exemplo, cresceu e a cidade hoje é um dos destinos mais procurados. Da realização de eventos, entre os destaques estão o Festival do Camarão e o Ilhabela In Jazz, sem contar a Semana Internacional de Vela, no mês de julho. Realizada desde 1973, a competição náutica reúne velejadores de diferentes países, entre eles Argentina, Uruguai e Chile. Só durante o período da disputa náutica, a cidade recebe 50 mil turistas e oferece atrações culturais, de lazer e de entretenimento com shows musicais, cinema e festival de dança, tudo gratuito. A cidade busca ainda o aumento das escalas de navio. Na última temporada (2018-2019) foram mais de 60 paradas. Ronald Kraag

São 214 anos de emancipação político-administrativa, com muita história e cultura preservada” Divulgação

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Perfil <<

40 anos de dedicação ao funcionalismo público Anchieta é o trabalhador mais antigo da Câmara Municipal de Ilhabela Andressa Rodrigues

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inguém o conhece pelo seu verdadeiro nome. Alguns o chamam de Marcos Anchieta, outros por Marcos da Câmara, Anchieta da Câmara ou simplesmente Anchieta. Ele até brinca ao dizer que só sua esposa diz o nome completo quando está brava. O alegre e simpático caiçara afirma que já está acostumado com tantos apelidos. Nascido literalmente no meio do Canal de São Sebastião, José Marcos da Silva é o funcionário que há mais tempo trabalha na Câmara Municipal de Ilhabela. Entrou no Legislativo quando tinha apenas 15 anos de idade, passou por diversas funções e desde 1989 é diretor financeiro da Casa. Por quatro décadas se dedica ao serviço público municipal. “Completei 40 anos ininterruptos de Câmara no dia primeiro de junho deste ano”, conta Anchieta com orgulho. O reconhecimento de seu trabalho já lhe rendeu vários convites para ser secretário municipal de Finanças. Mas ele não aceitou. “Recusei todos, pois quero me aposentar no Legislativo”, afirma o diretor. Por falar em aposentadoria, Anchieta já poderia ter parado de trabalhar. Só que ele pretende continuar, pelo menos, até dezembro de 2020. “Assumi um compromisso de ficar até o final do mandato do atual presidente, o vereador Marquinhos Guti. Além disso, não tenho pressa de me aposentar”, completa.

Recordações da infância Filho de pais mineiros, Marcos Anchieta guarda boas lembranças de quando era criança. Primeiro, ele gosta de contar como veio ao mundo. “Nasci dentro da balsa, a caminho de São Sebastião. Eram três horas da madrugada, minha mãe estava indo ao hospital, mas não deu tempo”, narra o diretor financeiro. Ele ressalta que, naquela época, quem era da ilha nascia de parteira ou na maternidade de São Sebastião. O apelido Anchieta surgiu por volta dos seus seis anos de idade, devido a uma apresentação escolar. “Eu estava no primeiro ano do primário, na escola Gabriel (Gabriel Ribeiro dos Santos), quando fizemos uma homenagem ao padre Anchieta. A professora Irene, com muito carinho, me escolheu para ser o padre. O desfile passou, mas o nome não. A partir de então virei Anchieta”, lembra. Seus pais vieram de Minas Gerais para Ilhabela, na década de 1950, para trabalhar na ex-

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Nascido literalmente no meio do Canal de São Sebastião, José Marcos da Silva é o funcionário que há mais tempo trabalha na Câmara Municipal de Ilhabela. Entrou no Legislativo quando tinha apenas 15 anos de idade, passou por diversas funções e desde 1989 é diretor financeiro da Casa

tração da cana-de-açúcar, na Fazenda Engenho D’Água. Além de Anchieta, tiveram mais cinco filhas. “Sou o penúltimo dos irmãos”, explica. E por vir de uma família humilde, ele começou a trabalhar muito cedo, antes mesmo da Câmara Municipal. “Fazia bicos desde os 11 anos de idade. Fui garçom, jardineiro, entreguei jornal... me virei”, recorda o diretor. O ingresso na Câmara veio de uma maneira inesperada e desafiadora. “O professor Cornélio (Antonio Cornélio de Moraes Filho) disse um dia, na escola, que precisava de alguém para trabalhar na Câmara Municipal, para ganhar um salário mínimo. Quase todo mundo levantou a mão. Mas quando ele explicou que era para fazer café, limpar chão e trabalhar às vezes à noite, a maioria desistiu, mas eu não. Eu precisava ajudar minha família. Só que o professor não acreditou em mim, a princípio, pois eu era um aluno indisciplinado. Lembro que ele me desafiou, dizendo ‘então quero ver você amanhã às 8 da manhã’. Fui e estou até hoje”, descreve.


Fotos: Andressa Rodrigues

Marcas da trajetória Anchieta entrou na Câmara em 1979, época que não havia concurso público. Seu primeiro cargo foi de servente contínuo. Depois trabalhou como office boy, escriturário, auxiliar contábil e técnico contábil. Em 1988, por exigência da Constituição Federal, ele precisou prestar concurso. Passou e seguiu na área contábil. No ano seguinte, a convite da vereadora Nilce Signorini (presidente da Casa na época), tornou-se diretor financeiro - função que exerce até agora. Ao longo desses 40 anos Anchieta coleciona alguns fatos marcantes. Um deles é quando teve que trabalhar sozinho durante seis meses. “Foi por volta de 1980 e a Casa tinha apenas três funcionários eu e mais duas mulheres. Ambas ficaram grávidas no mesmo período e saíram de licença no mesmo tempo. Eu tinha 18 anos de idade e precisei assumir as funções de servente, escriturário, contador e ainda fazia as atas das sessões”, recorda. O diretor também destaca a legislatura de 1988, ano que foi criada a Lei Orgânica do município. “A população participou ativamente na elaboração da lei. A cidade estava num período de transformação, de crescimento. E eram tempos difíceis, pois o

orçamento municipal era muito pequeno”, conta. Anchieta hoje está com 55 anos de idade, casado, pai de dois filhos e avô “de um netinho lindo chamado Luca”. Ele conclui que a marca mais importante de toda essa jornada foi na sua vida pessoal. “A Câmara me formou. Quando eu entrei era um moleque marrento, briguento. Aprendi muito. E tive a oportunidade de trabalhar com a Dona Vera (Vera Cabral) por 32 anos, que

foi como uma irmã e me acolheu nos momentos difíceis. A Câmara me proporcionou tudo”, afirma. E se alguém lhe perguntar o que é preciso para ser um funcionário público, o diretor dirá sem hesitar: “trabalhar com seriedade, atender muito bem as pessoas, não ficar preso apenas às suas funções, aproveitar as oportunidades e, o mais importante, ser honesto e correto sempre. A população é que nos paga!”.

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Meio Ambiente <<

Empresa desenvolve moderno sistema de despoluição da água e com baixo custo Recentemente, a empresa realizou um projeto pioneiro no Brasil na rodovia dos Tamoios

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om mais de 30 anos de experiência no mercado, a Vecchi Ambiental é especializada no tratamento de qualquer tipo de água poluída, sendo esgoto sanitário, efluentes industriais, entre outros. Isto é, para fins de potabilização, reuso ou mesmo o descarte. Uma das principais soluções é a “GOTA”, que veio para substituir as fossas, que são causadoras de mal cheiro e não chegam a eficiência que a lei pede. Por sua vez, a eficiência da “GOTA” pode chegar a 99%. Trata-se de um sistema de tratamento de esgoto completo e de baixo custo, viável até mesmo para residências. É toda fabricada em plástico reciclável e extremamente compacta (1m de altura). A empresa dispõe de sistemas compactos, eficientes, automáticos e de baixo custo. Trabalha com tecnologias de ponta no mercado como MBR de placa plana, por exemplo. Recentemente, a empresa realizou um projeto pioneiro no Brasil na rodovia dos Tamoios, onde foram feitas estações de tratamento das águas de perfuração de túneis, contaminadas com explosivos, chegando ao nível de potabilização após tratamento. A Vecchi Ambiental está em São Paulo, Ilhabela e Caraguatatuba e atende toda a região do Litoral Norte.

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Contato: (11) 2273-0203 / (11) 98107-1569 - contato@vecchiambiental.com.br Vecchi Ambiental - Caraguá Rua Abra de Dentro, 145, Pegorelli - (12) 99208-4029

Vecchi Ambiental – São Paulo Rua Aparaju, 71 - Moóca - (11) 2273-0203


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Entrevista <<

Temos que unir esforços para beneficiar a nossa população. A união de todos é que fará com que Ilhabela vença todos os seus desafios” Gracinha Ferreira Prefeita de Ilhabela

Após assumir governo, Gracinha afirma que sua prioridade é resolver a questão do saneamento de Ilhabela

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aria das Graças Ferreira dos Santos Souza entrou na política na década de 90. Em 1996 foi eleita vereadora, sendo reeleita em 2000. Posteriormente, ela se formou em gestão pública e retornou à Câmara em 2012, quando foi escolhida pelos vereadores para presidir

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o Legislativo. Gracinha é conhecida principalmente por ser líder comunitária. Esteve à frente da Sociedade Amigos do Itaquanduba e Itaguassu. Ainda na década de 90, ajudou no fortalecimento da Pastoral da Criança na cidade, com ações sociais e

de combate à desnutrição infantil. Em 2016, na chapa de Márcio Tenório, foi eleita vice-prefeita, assumindo em maio deste ano a Prefeitura de Ilhabela. Confira agora a entrevista do Radar Litoral com a prefeita Maria das Graças Ferreira neste especial Ilhabela 214 Anos.


Radar Litoral: Prefeita, a senhora começou como vice, e recentemente assumiu o governo da cidade. Qual será a principal marca de sua administração? Gracinha: O saneamento é a prioridade para melhorar a qualidade de vida em nossa cidade. Precisamos recuperar a falta de investimentos das últimas décadas, que agravou os problemas de coleta e tratamento de esgoto e também do fornecimento de água, principalmente no verão. E já estamos trabalhando intensamente nesse propósito, concluindo projetos e iniciando obras que farão Ilhabela dar um grande salto nessa questão.Investir em saneamento é uma necessidade. Sem isso a cidade se complica no futuro. Radar: A senhora sempre foi líder comunitária, com atuação em pastorais nos bairros. Posteriormente, passou pelo Legislativo, onde chegou à Presidência da Câmara. Agora, à frente do Executivo, quais são os desafios? Gracinha: Temos que unir esforços para beneficiar a nossa população. A união de todos é que fará com que Ilhabela vença todos os seus desafios. Portanto, a união pelo bem coletivo é o caminho. Radar: Até pela experiência que tem no Legislativo, a senhora acredita ter uma maior facilidade no relacionamento com os vereadores? Gracinha: Sim. Estamos com uma ótima relação com os vereadores e com Câmara. Temos o mesmo propósito, trabalharmos juntos pelo interesse da cidade. Sabemos que a união de todas as instituições trará grandes conquistas para nosso município. Várias soluções para problemas da cidade estão sendo apoiadas pela Câmara, como

exemplo temos a aprovação do Programa Carona Legal, que permitirá o esvaziamento do aterro, conforme determinado pelo Ministério Público, e gerará emprego e renda aos caminhoneiros e caçambeiros da cidade, que poderão retirar do arquipélago resíduos de poda e da construção civil. Radar: Regularização fundiária é um dos temas em debate no arquipélago. Outro ponto importante é a questão das ocupações desordenadas. Como conter o crescimento e aliar a regularização dos núcleos já existentes? Gracinha: Esse é um dos principais problemas da cidade, que cresceu muito nas últimas décadas. Ciente da gravidade desse antigo problema, tivemos a coragem de assinar um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com o Ministério Público para ampliar as atividades contra o crescimento desordenado. Tomaremos fortes medidas de combate ao crescimento desordenado, como a instalação de postos de monitoramento na entrada dos núcleos de ocupações irregulares, usaremos câmeras e drones, impediremos a abertura de novas ruas ou prolongamento das existentes, entre outras ações que constam no TAC. É importante destacar que queremos explicar tudo que está escrito no TAC à população. Por isso, já marcamos a primeira reunião sobre o Termo, no Morro dos Mineiros. Vamos fazer reuniões em todos os demais núcleos para explicar tudo que será feito. Combater o crescimento desordenado é uma necessidade para o presente e o futuro de Ilhabela. Lembro que o texto completo do Termo de Ajustamento de Conduta pode ser acessado no site da Prefeitura de Ilhabela.

Tomaremos fortes medidas de combate ao crescimento desordenado, como a instalação de postos de monitoramento na entrada dos núcleos de ocupações irregulares, usaremos câmeras e drones, impediremos a abertura de novas ruas ou prolongamento das existentes, entre outras ações que constam no TAC”. Fotos: Ronald Kraag

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Em 2016, na chapa de Márcio Tenório, foi eleita vice-prefeita, assumindo em maio deste ano a Prefeitura de Ilhabela Radar: Saneamento básico é hoje um dos temas mais abordados em Ilhabela, especialmente, por conta da balneabilidade das praias, o que afeta o turismo. Quais as ações que serão desenvolvidas pela prefeitura? Gracinha: Como disse, temos que recuperar o tempo perdido nas últimas décadas. Já fizemos aproximadamente 4 quilômetros de rede coletora de esgoto no sul, de uma obra total de 24 quilômetros, no trecho que vai da Praia Grande, Curral, Bexiga e Veloso. Ainda na questão do esgoto, já temos em andamento o projeto e licenciamento das Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) do Itaquanduba (região central) e Feiticeira (sul da ilha) e mais seis estações elevatórias no Santa Terezinha 1 e 2, Costa Bela 1 e 2, Reino e Armação. Na questão da água, já concluímos a licitação para o início da construção do reservatório de água do Sistema Pombo, no

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Bexiga, e estamos concluindo a licitação para início da construção do reservatório de água do Green Park, na região central. Somente esses dois reservatórios somam mais de 3 milhões de litros de água. O Instituto Mackenzie foi contratado para fazer a revisão do Plano Municipal de Saneamento, que deverá ser apresentado em setembro em nova audiência pública. Radar: Quais são os desafios na área da saúde? Gracinha: Já estão sendo enfrentados. Vamos cumprir o Plano de Governo, iniciar a ampliação do hospital Mário Covas (que começará pelo Pronto Socorro), implantar o CEO (Centro de Especialidades Odontológicas), que iniciará com serviços de canal e prótese a construção das UBS´s do Armação, Morro dos Mineiros e Green Park, uma academia d Saúde na Costa Sul, implantação de uma ambulância inter-

mediária do SAMU, com enfermeiro na equipe, entre outros. Radar: E as propostas de seu governo para a Educação? Gracinha: Construir, ampliar e reformar creches e escolas para atender demanda e valorizar todos os profissionais da Educação e todos os demais servidores públicos. Radar: Qual a mensagem para a população de Ilhabela nestes 214 anos de emancipação político-administrativa da cidade. Gracinha: A mensagem é de muito trabalho, dedicação, honestidade, respeito ao dinheiro público e atendimento às prioridades da cidade. Também é muito importante dizer que espero união de todos para juntos conduzirmos o município ao futuro cada vez melhor.


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Esporte <<

Pioneira da natação em Ilhabela Professora Beth Padilla é exemplo de superação e incentivo ao esporte

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Andressa Rodrigues Motivada pelo pai militar, que praticava vôlei e hipismo, ela começou a vida esportiva não tinha nem dez anos de idade. A natação surgiu por conta da irmã Helena, que devido a um problema de saúde precisava fazer exercícios dentro d’água. Ambas gostaram tanto das piscinas que até hoje vão juntas a vários campeonatos. As irmãs Padilla são muito respeitadas no mundo da natação. E a professora Maria Elizabeth Padilla Nassif, mais conhecida como Beth

Padilla, é uma figura marcante para a história da modalidade em Ilhabela. Ela deu aulas de Educação Física na rede estadual por 25 anos. Criou a primeira escola de natação da cidade. Formou muitos atletas. E incentivou a terceira idade a montar uma equipe Master de natação. “Sou ligada no 220”, brinca a professora que, aos 71 anos, esbanja saúde, bom humor e disposição. Quem a vê hoje nem imagina que ela enfrentou duras dificuldades, como a perda de um filho e a do marido. Mas ela garante que a prática esportiva diária e a dedicação para as competições a fizeram superar todos os obstáculos.


Fotos: Arquivo pessoal

As irmãs Padilla são muito respeitadas no mundo da natação. E a professora Maria Elizabeth Padilla Nassif, mais conhecida como Beth Padilla, é uma figura marcante para a história da modalidade em Ilhabela

Da brincadeira a profissão A irmã Helena, sete anos mais velha que ela, foi diagnóstica com basite (processo inflamatório no pulmão) quando ainda era muito criança. Nesse período, o pai era comandante no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, estado onde elas nasceram. Na busca por um clima mais propício para o tratamento de saúde, a família se mudou para o Recife. Foi quando Helena começou a fazer aulas de natação. “Eu a acompanha-

va para brincar na piscina. Até que um dia o técnico dela me perguntou se eu não queria aprender a nadar. Aceitei na hora. Em um ano eu já estava competindo e ganhando”, conta. As irmãs começaram a carreira de nadadoras no Clube Português do Recife, onde passaram toda a adolescência. Pelo clube, Beth foi campeã pernambucana, nordestina e ficou em terceiro lugar no campeonato brasileiro. “Sempre nadei peito e a Helena, os quatro

estilos. Mas o forte dela é borboleta”, explica a professora. Beth representou Pernambuco até 1971, quando parou de treinar para se casar e mudar para a cidade de Santos (SP). Lá ela teve os filhos Jean Pierre e Jean Carlo. Também em Santos terminou a faculdade de Educação Física. “E foi onde comecei a dar aulas de natação, logo após me formar, no Vasco da Gama”, recorda.

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Vida na ilha A professora foi morar em Ilhabela com os filhos em 1979, após separar-se do marido. Dois anos depois entrou para a rede estadual de ensino e passou a dar aulas de Educação Física na cidade. “Levava meus alunos para terem natação na praia”, lembra com carinho. Também com carinho conta que, em pouco tempo na ilha, casou-se de novo. “Foi amor à primeira vista”, garante. Mas a felicidade da família enfrentou uma dura provação em julho de 1984. “Meu filho mais velho morreu de câncer no fígado aos 12 anos. Só que no mês seguinte nasceu o Duda (Luiz Eduardo Padilla Santos), meu caçula. Então tivemos que tocar o barco”, diz. Nesse meio tempo, ela continuava afastada das competições. Até que em 1990, por incentivo da irmã, decidiu voltar. Mas Beth conta que tinha dificuldade em treinar. “Não tínhamos piscinas em Ilhabela naquela época. Então criei, em 1996, a primeira escola de natação da cidade, dentro do hotel Petit Village (Perequê)”, recorda. Já em 1998 incentivou os proprietários do Colégio São João a construírem uma piscina. Passou, então, a dividir seu tempo entre as aulas no Estado e no São João, onde ficou por quase 20 anos. “Só tive uma quebra durante esse tempo para me dedicar a Kat Schurmann, da família dos velejadores. Eles moraram na ilha até ela falecer. Ensinei a Kat mais que nadar. Ela tornou-se autônoma e até dispensou as babás”, conta. Em 2004, outro baque. O marido faleceu eletrocutado durante um serviço de corte de árvore. “Tive uns três meses de depressão, tomando remédios, mas a família e o esporte me ajudaram a seguir em frente”, afirma. Beth tocou a vida dedicando-se intensamente às aulas, treinos e competições. Ela e a irmã são atletas da categoria Master e participam de provas durante o ano inteiro. A família também abriu uma escola de natação dentro de casa, na região central.

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Fiz uns trinta campeões mundiais, brasileiro, gente famosa. Tem, por exemplo, a Andrea Moller, que hoje é campeã mundial de ondas gigantes; a Bruna Kajiya, do kitesurf; o Guilherme Brandão, também do kitesurf; e o Vando, do mountain bike”.

Em 2017, a Prefeitura inaugurou uma piscina semiolímpica no PEII (Polo de Educação Integrada de Ilhabela) do Itaquanduba com o nome ‘Professora Beth Padilla’. E em 2018, Beth realizou um campeonato que incentivou a terceira idade. “Sempre quis mostrar para o pessoal o que é a categoria Master. Fizemos, então, o ‘Mais Mais de Natação’. Agora deslanchou! Junto com o projeto do idoso da Prefeitura, temos uma equipe Master em Ilhabela, com treinador e tudo”, diz com orgulho. E também com orgulho gosta de contar os atletas que aprenderam a nadar com ela. “Fiz uns trinta campeões mundiais, brasileiro, gente famosa. Tem, por exemplo, a Andrea Moller, que hoje é campeã mundial de ondas gigantes; a Bruna Kajiya, do kitesurf; o Guilherme Brandão, também do kitesurf; e o Vando, do mountain bike”, completa.


Parabéns Ilhabela por seus 214 anos!

ÓRIO ÓRIO sÓRIO sclínicas clínicas 2019 | ILHABELA 214 ANOS | Tribuna do Povo

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Transporte público <<

Fênix renova 100% da frota e aumenta número de ônibus No mês do aniversário de 214 anos de emancipação político-administrativa de Ilhabela, a cidade receberá 25 novos ônibus que substituirão os 23 veículos da frota atual, que compõe o sistema de transporte público coletivo.

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Assim como já ocorre desde 2016, os novos veículos 0km contarão com internet wi-fi, sistema de ar-condicionado, 100% de acessibilidade para pessoas com deficiência motora, bilhetagem eletrônica, reconhecimento facial, câmeras de monitoramento e sistema de GPS. Atualmente, a Expresso Fênix, concessionária do serviço de transporte público na cidade conta com a frota mais nova da região, com média de uso

de apenas três anos e meio. De acordo com o contrato firmado entre a Prefeitura de Ilhabela e a concessionária de transporte público, os ônibus podem ter idade média de uso de até cinco anos, mas para atender a demanda do município e prestar um serviço ainda com mais qualidade, o Grupo Fênix entendeu necessário o investimento na renovação de toda a frota, além do aumento no número de veículos à disposição dos usuários .


Ao todo, serão 25 ônibus 0km equipados com o que há de mais moderno no mercado, inclusive com um avançado sistema de emissão zero de poluentes, reforçando o compromisso da cidade com a sustentabilidade e a preservação do meio ambiente”.

A medida também foi uma reivindicação da Câmara de vereadores e da prefeita de Ilhabela, Maria das Graças Ferreira — a Gracinha. Por isso estão sendo investidos cerca de R$ 12 milhões na compra desses novos veículos. Ao todo, serão 25 ônibus 0km equipados com o que há de mais moderno no mercado, inclusive com um avançado sistema de emissão zero de poluentes, reforçando o compromisso da cidade com a sustentabilidade e a preservação do meio ambiente. A nova frota de ônibus proporcionará mais segurança, além de conforto e comodidade a todos os usuários do serviço. “Com este grande investimento da nova frota, reafirmamos o compromisso do Grupo Fênix com a cidade e os usuários do transporte público de Ilhabela”, destaca o diretor da empresa, Victor Hugo Chedid. Além de um novo layout, aprovado pela Prefeitura, os veículos também serão equipados com sistema de suspensão a ar.

Estão sendo investidos cerca de R$ 12 milhões na nova frota para atender a população com o que há mais moderno no quesito mobilidade urbana

Wi-fi, Ar-condicionado, 100% de acessibilidade Bilhetagem eletrônica, Reconhecimento facial, Câmeras de monitoramento Sistema de GPS.

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Do mar ao carnaval <<

Caiçara movido a

samba e vela Mário Sérgio de Jesus dedica a vida ao mar e aos carnavais

Com o passar do tempo se transformou nas duas grandes paixões do caiçara Mário Sérgio de Jesus. Andressa Rodrigues De garoto briguento a velejador sério e dedicado. Das brincadeiras nas rodas de samba à presidência da escola Unidos de Padre Anchieta. Tudo começou quando ele ainda era criança, mas com o passar do tempo se transformou nas duas grandes paixões do caiçara Mário Sérgio de Jesus. Nascido e criado em Ilhabela, na Vila, Mário Sérgio aprendeu a velejar por volta dos 12 anos de idade. Nunca mais parou. Coleciona inúmeros títulos em competições nacionais

e internacionais. Já o samba era um passatempo de infância. Gostava de batucar e foi convidado a participar da escola Padre Anchieta. A dedicação foi tanta que há mais de 20 anos é o presidente da agremiação. “No meu sangue tem samba e vela”, brinca. Mas a história não parou nele. Familiares e amigos foram incentivados a entrar para o esporte e a se dedicar aos carnavais. “Somos conhecidos como a família Jesus na vela. Levei meus irmãos, sobrinhos e meu filho. Todos velejam. E na Padre Anchieta não foi diferente. Conquistei muita gente para a escola”, afirma. O desafio é conciliar a vida profissional com os treinos no mar e os preparativos dos desfiles. Mário Sérgio trabalha há quase 40 anos na Prefeitura de Ilhabela, no setor de Recursos Humanos. “Passo minhas férias inteiras no barracão da escola. E já treinei muito, em dias de horário de verão, depois do expediente até quase 10 da noite”, conta. Fotos: Arquivo Pessoal

Somos conhecidos como a família Jesus na vela. Levei meus irmãos, sobrinhos e meu filho. Todos velejam. E na Padre Anchieta não foi diferente. Conquistei muita gente para a escola”

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Andressa Rodrigues

Mário Sérgio aprendeu a velejar por volta dos 12 anos de idade

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Arquivo pessoal

Amor ao primeiro contato O caiçara da Vila lembra que, quando garoto, “jogava futebol e brigava toda tarde”. Foi aconselhado a aprender caratê, mas não achou uma boa ideia. “Eu ia brigar ainda mais”, diz. Até que a chegada de uma escolinha de vela, no final da década de 1960, mudaria completamente sua vida. “O doutor Mário de Souza Oliveira e o capitão Carlos Herman, delegado da Capitania dos Portos de São Sebastião na época, montaram uma escolinha. Ensinavam marinharia, formavam alunos para trabalhar em navio, moço de convés e trouxeram um barquinho da classe Pinguim”, recorda. Ele começou a fazer as aulas de vela e se apaixonou. Em pouco tempo já estava competindo e mudando de comportamento.

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“Os ensinamentos do esporte me deixaram mais calmo. A vela te forma. Você aprende a tomar decisões e a ficar mais centrado”, afirma. De lá para cá, Mário Sérgio já passou por diversas categorias. “HobieCat 14, HobieCat 16, HPE 25, veleiro de oceano, C30...”, enumera algumas. Assim como são muitas as classes que já velejou, também são muitas as conquistas que obteve até hoje. “Pelo HobieCat 16, eu e meu irmão Tinah (Paulo Henrique de Jesus) ganhamos um Brasileiro e vários campeonatos por aí. E com outras equipes teve: uns quatro brasileiros pela C30; alguns títulos no Circuito Rio; uns Rolex...”, lista alguns. A competição mais marcante para ele foi quando ganhou o primeiro Rolex (Semana

Internacional de Vela de Ilhabela) com uma tripulação totalmente caiçara. “Foi recente, acho que em 2009. De 11 tripulantes da ilha, seis eram da minha família. Uma pessoa até nos disse: ‘Com tanto Jesus a bordo, assim fica difícil perder’. E no mesmo ano, logo em seguida, ganhamos a Santos - Rio e o Circuito Rio”, conta orgulhoso. Mário Sérgio também tem orgulho de lembrar que ajudou a idealizar a primeira escolinha municipal de vela, em Ilhabela. “Em 1997 fui transferido do RH para a Secretaria de Turismo; e lá, junto com o secretário Naufal (Carlos Alberto Naufal), fizemos a escolinha. Reformamos uns barquinhos antigos da classe Optmist, adquirimos umas velas melhores, uns equipamentos, e ensinamos uma garotada”, afirma.


Fotos: Arquivo pessoal

Coração sambista Na mesma época em que começava a se dedicar ao esporte, Mário Sérgio gostava de frequentar as rodas de samba na Vila. Em dezembro de 1970 foi fundada a escola Unidos de Padre Anchieta e ele foi convidado a participar. “Eu era batuqueiro, mas acabava ajudando em tudo, de carro alegórico à fantasia”, lembra. Algum tempo depois, o então presidente Mestre Brejal decidiu deixar o cargo e uma eleição foi convocada. “Eu não era candidato, mas na hora da apuração meu nome apareceu. Fizemos, então, um novo pleito e ganhei. Estou à frente da escola há mais de 20 anos”, ressalta. Os desfiles oficiais em Ilhabela começaram em 2001. De lá para cá, a Padre Anchieta conquistou oito títulos. “Somos a escola mais antiga da cidade. No carnaval desse ano entramos com 396 componentes na avenida. E assim como na vela, minha família toda também está envolvida”, afirma. Mário Sérgio garante que consegue conciliar sua dedicação à vela com a escola de samba. Hoje, aos 62 anos de idade, treina com menos regularidade. E a direção da Padre Anchieta, ele toca no seu tempo livre. “Já temos o enredo pronto para o carnaval de 2020. Será ‘Sonho sonhado e Mangueira: Verde e Rosa, a minha paixão’. Quem quiser desfilar é só procurar nosso barracão”, anuncia. Suas duas paixões já se encontraram na avenida. “Quando Ilhabela fez 200 anos de emancipação político-administrativa, todas as escolas tinham que contar uma época da cidade. A Anchieta falou da ‘cana-de-açúcar à capital da vela’. Levamos vários velejadores para o desfile, vários campeões de pan-americanos. Foi emocionante”, completa.

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ILHABELA, A CAPITAL NACIONAL DA VELA Um esporte que movimenta o turismo Conhecida nacional e internacionalmente como Capital da Vela, Ilhabela teve a chancela oficializada por meio da lei federal que confere a cidade o título de “Capital Nacional da Vela”

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O vento que sopra no Canal de São Sebastião e que faz de Ilhabela um dos melhores lugares do mundo para se velejar, significa muito não só para o esporte, mas também para o turismo. Além do mês de julho – quando ocorre a Semana Internacional de Vela – a cidade recebe visitantes todos os finais de semana em busca da prática esportiva. Veleiros – oceânicos ou de monotipos, windsurfe, kitesurfe, entre outros esportes que dependem do vento, já fazem parte do cotidiano do ilhabelense. Na Ponta das Canas, por exemplo, uma estrutura destinada ao kitesurfe atrai cada vez mais esportistas.

Conhecida nacional e internacionalmente como Capital da Vela, Ilhabela teve a chancela oficializada por meio da lei que confere a cidade o título de “Capital Nacional da Vela”. A Lei Federal 12.457 foi sancionada dia 26 de julho de 2011. Recebido como uma homenagem, o selo representa o reconhecimento do Brasil pelo significativo impulso que Ilhabela tem dado, continuamente, ao desenvolvimento dessa modalidade esportiva. Além de receber grandes eventos e competições náuticas, a prefeitura também incentiva o esporte, oferecendo para crianças e jovens a oportunidade de aprender a velejar.


Fotos: Ronald Kraag

Os melhores pontos mudam de acordo com o regime dos ventos, mas normalmente são as praias do Perequê, Siriúba, Armação e Ponta das Canas. Com o vento sul, toda a região do canal torna-se propícia. O calendário das regatas estende-se pelo ano inteiro, reafirmando a sua importância no mundo dos esportes e eventos náuticos nacionais e internacionais. Todos os anos, em julho, ocorre a tradicional ‘Semana Internacional de Vela de Ilhabela’, promovendo um espetáculo nas águas do canal e reunindo veleiros de oceano e monotipos de várias partes do mundo.

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(12) 3896–5394

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Vocação náutica <<

Semana Internacional de Vela Durante o período da disputa náutica, a cidade recebe 50 mil turistas e oferece atrações culturais, de lazer e de entretenimento com diversos shows musicais gratuitos Em julho, Ilhabela se transforma no palco da maior disputa náutica da América Latina: a “Semana Internacional de Vela de Ilhabela”. Realizado desde 1973, o evento atualmente reúne velejadores de diferentes países, entre eles Argentina, Uruguai, Chile, Itália e Alemanha. São 400 barcos com 1.500 velejadores disputando regatas pelo canal de São Sebastião. As competições e atrações da cidade movimentam a rede hoteleira, restaurantes e comércios em geral, e o turismo gerado é responsável por impulsionar a economia local. Durante o período da disputa náutica, a cidade recebe 50 mil turistas e oferece atrações culturais, de lazer e de entretenimento com shows musicais, cinema e festival de dança, tudo gratuito.

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Variedades <<

Festival une música, dança, meditação e vivências para uma experiência transformadora “Celebração Do Ser” tem como destaque apresentação da DJ Lara Luzuah (Festival Ilumina) e lançamento de CD do quarteto de música devocional Semente Cristal Celebrar a chegada da primavera e o Ser ilimitadamente expansivo que somos é a proposta do Celebração Do Ser, festival que alia entretenimento e vivências para uma experiência transformadora de reconexão com a nossa essência. O evento acontece no final de semana de 20 a 22 de setembro no Templo Do Ser, espaço de retiros, bem-estar e hospedagem em Ilhabela. Na programação, apresentação da DJ Lara Luzuah (Festival Ilumina), que vai mostrar um set que proporciona memoráveis experiências de sinergia, transformação, alegria, celebração à vida, lançamento do CD do quarteto de música devocional Semente Cristal, cujas mensagens honram o Planeta Terra (Mãe Gaia) e a energia cósmica, e Cerimônia do Cacau, ritual baseado nas tradições milenares maia e asteca, seguida de Ecstatic Dance, que convida o participante a dançar livremente e mergulhar em suas emoções. Para Cecília Peres, idealizadora da iniciativa, o encontro permitirá celebrar a consciência da cura, esperança, renovação, harmonia e equilíbrio: “A chegada da primavera é o momento de agradecer e celebrar a vida, concentrar nossa energia no amor pela mãe-terra. O equinócio representa o equilíbrio, é o início de tudo. Sementes devem ser plantadas para que a vida possa florescer”. O evento terá ainda práticas de Dança Fe-

Divulgação

A chegada da primavera é o momento de agradecer e celebrar a vida, concentrar nossa energia no amor pela mãe-terra. O equinócio representa o equilíbrio, é o início de tudo”.

minina e de Dança Circular, Hatha Yoga eKundalini Yoga, além de uma exposição de esculturas feitas com sucata de Álvaro Bahamondes, que retratam animais marinhos em extinção, e de Filtro dos Sonhos do Ateliê Banguê. O restaurante Mana Bistroestará aberto durante o evento, oferecendo um cardápio vegetariano que utiliza matérias primas sazonais, naturais e orgânicas.

Templo Do Ser Av. Engenho Velho, 185, Feiticeira, Ilhabela (SP) Informações: (12) 99736 3846 info@templodoser.org Facebook: templodoser.org Instagram: templodoser.ilhabela www.templodoser.org

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Vida caiçara

Seu Hélio e a liderança no Bonete Andressa Rodrigues Aos 70 anos de idade, hoje ele está aposentado, curte a tranquilidade com a esposa e dedica-se à família, às missas de domingo e às festividades da igreja de Santa Verônica. Mora de frente para o mar, no mesmo terreno em que nasceu e viveu com seus pais. Garante que, a pedido dos filhos, não se envolve mais com tanto afinco nas questões do bairro. Mas o caiçara Hélio de Souza será sempre a figura que representa a liderança

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comunitária da praia do Bonete, no sul de Ilhabela. Seu Hélio - como é conhecido - foi coordenador de serviços e inspetor de quarteirão da comunidade e também das praias Anchovas e Indaiauba. Zelou, durante muitos anos, pela qualidade de vida dos moradores e a preservação local. “Minha mãe me dizia: filho, faça o bem sem olhar a quem. Tomei isso como direção”, justifica. Se precisassem de uma lancha para socorrer alguém e levar ao hospital, Seu Hélio tinha autorização municipal para organizar tudo e ajudar. Se precisassem fazer compras em

São Sebastião, ele estava à disposição. “Também pescava tainha e distribuía para o pessoal”, complementa. Assim, com tanta dedicação, ganhou respeito, carinho e reconhecimento. Apesar de dizer que não está mais na liderança do bairro, o caiçara ainda é bem requisitado. “Até hoje vem gente aqui me procurar. Atendo sem problema algum. Também fui convidado para participar de uma reunião sobre a pesca, para orientar os profissionais mais novos. Mas estou aposentado e prometi à família que ia sossegar”, afirma.


Fotos: Andressa Rodrigues

De pescador a líder Seu Hélio começou a trabalhar cedo na pesca. Adquiriu experiência e encarou desafios. “Consegui a carta costeira e fui, como dizem, do Oiapoque ao Chuí. No início pegava camarão rosa, mas depois cheguei a comandar barcos grandes, com quase 20 tripulantes, e pegávamos umas cem toneladas de sardinha, anchova, entre outros. Enfrentei mar bravo, vento forte... tempos difíceis”, recorda. Foram cerca de 15 anos de pesca. Nesse meio tempo já se envolvia com as questões da comunidade e buscava soluções. “Até que um dia a Prefeitura disse que precisava de uma pessoa de responsabilidade, de quem os moradores gostassem para tomar conta daqui, de Indaiauba e Anchovas”, lembra. O cargo era de inspetor de quarteirão, função nomeada pela polícia civil com o objetivo de “manter a lei e a ordem em locais povoados”, segundo explica a legislação. De inspetor, Seu Hélio passou a coordenador de serviços no início dos anos 2000. A Prefeitura de Ilhabela o designou para orientar e vistoriar os trabalhos de limpeza e manutenção do Bonete, função que desempenhou até 2018. Já com relação às conquistas para a comunidade, o líder coleciona várias. “Mandamos fazer, na trilha, as três pontes para passar pelas cachoeiras; arranjamos concurso público para o pessoal da limpeza; trouxemos posto de saúde, em 2004; e fizemos a ampliação da escola. Até fui no Palácio do Governo assinar projetos para o bairro”, ressalta.

Seu Hélio zelou durante muitos anos, pela qualidade de vida dos moradores e a preservação local.

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Radar Litoral

Seu Hélio coordena toda a Festa de Santa Verônica, e se empenha em manter a festividade que existe há mais de cem anos na localidade. Para chegar à praia do Bonete é preciso pegar um barco ou encarar uma trilha de cerca de 12 quilômetros. O local não tem acesso a veículos. Já a energia é gerada por um transformador e placas solares. “Conseguimos manter o ar de vila de pescadores, apesar da vida aqui ter mudado muito”, diz seu Hélio. Segundo ele, o bairro cresceu. Muitas pessoas de fora adquiriram casas e o turismo movimenta a praia durante a temporada de verão. “Na época que eu era presidente da Sociedade Amigos de Bairro, a Prefeitura perguntou se nós abríamos

o Bonete para os turistas. Pensei: se vier gente, vai ajudar as pessoas daqui a terem emprego, né? Então concordamos”, lembra. Um de seus filhos, o Helinho, trabalha diretamente com turismo. Ele é proprietário da Pousada Margarida. Já seus outros cinco filhos moram em São Sebastião. “É uma festa quando vem meus bisnetos para cá! Eles gostam de ir no Canto da Barra, onde tem o rio Nema. Já na outra ponta fica o Canto Bravo, favorito dos surfistas”, explica. Além do verão, a praia também fica movimentada no início de julho,

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quando acontece a tradicional Festa de Santa Verônica, padroeira do bairro. Seu Hélio é quem coordena todo o evento. Ele se empenha em manter a festividade que existe há mais de

cem anos. “Esse ano recebemos umas mil e 500 pessoas, foram cerca de 20 minutos de queima de fogos e duas bandas tocaram. A festa cresce a cada ano”, completa orgulhoso.

NOSSA ETERNA GRATIDÃO POR VOCÊ, OH TERRA AMADA. PARABÉNS

ILHABELA PELOS SEUS 214 ANOS. MANOEL MARCOS E D. TEREZINHA


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Ilhabela e seus diversos nomes

ao longo de 214 anos

Ronald Kraag

Apesar de completar 214 anos no dia 3 de setembro, o nome de Ilhabela foi oficializado em 1º de janeiro de 1945. Vila Bela da Princesa e Formosa estão entre os nomes anteriores Julio Buzi Mas a história começa em 16 de março de 1636, quando foi criada a Vila de São Sebastião, que incluiu também o território da Ilha de São Sebastião. No início do século XIX, a Ilha de São Sebastião possuía cerca de três mil habitantes e seu principal povoado chamava-se Capela

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de Nossa Senhora D’Ajuda e Bom Sucesso. Nessa época foi iniciado um movimento por emancipação da Ilha de São Sebastião, liderado pelo capitão Julião de Moura Negrão, pelo Alferes José Garcia Veiga e pelo senhor de engenho Carlos Gomes Pereira. Então, em 3 de setembro de 1805, o capitão-general (cargo equivalente, nos dias de hoje, ao de governador) António José da Franca e Horta baixou a portaria elevando a antiga Capela de Nossa Senhora D’Ajuda e Bom Sucesso à condição de Vila. Por indicação do próprio Franca e Horta, a nova vila passou a se chamar Vila Bela da Princesa, em homenagem à Princesa da Beira, a Infanta Dona Maria Teresa Francisca, filha mais velha de D. João VI e D. Carlota Joaquina, irmã de D. Pedro I. Vila Bela da Princesa foi oficialmente instalada em 23 de janeiro de 1806. Em 21 de maio de 1934, o governo paulista realizou, em meio à grave crise econômica

pela qual atravessava o país, uma reestruturação na divisão territorial do Estado, quando extinguiu 18 pequenos municípios, entre eles o de Vila Bela da Princesa, que já se chamava Vila Bela, que voltou a integrar o território da Vila de São Sebastião. A extinção do município foi revogada em 5 de dezembro de 1934. Por imposição do governo ditatorial de Getúlio Vargas, o nome de Vila Bela mudou, a partir de 1º de janeiro de 1939, para Formosa. Inconformados, os moradores iniciaram um movimento popular contra o novo nome até que, em 30 de novembro de 1944, o governo estadual baixou o decreto nº 14.334, mudando o nome do município, a partir de 1º de janeiro de 1945, para Ilhabela. A partir de então, a cidade continuou a crescer e hoje é conhecida internacionalmente como a “Capital da Vela”, além de ser um dos principais destinos turísticos do país.


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Parabéns Ilhabela, pelos 214 anos! Quem ganha o presente somos nós.


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Ilhabela 214 Anos - Radar Litoral  

Ilhabela completa 214 anos no dia 3 de setembro e o nosso presente já está pronto. Uma edição especial com reportagens, entrevistas e muito...

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