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Amy Kathleen Ryan

CENTELHA VOLUME DOIS DE

E M BU SCA DE U M N OVO MU N D O

TRADUÇÃO

Ana Death Duarte

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Título original: Spark Spark © 2012 by Amy Kathleen Ryan Grafia atualizada segundo o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, que entrou em vigor no Brasil em 2009 EDITOR E PUBLISHER

Luiz Fernando Emediato DIRETORA EDITORIAL

Fernanda Emediato PRODUTORA EDITORIAL E GRÁFICA

Priscila Hernandez ASSISTENTE EDITORIAL Carla Anaya Del Matto CAPA

Marcela Badolatto PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO

Megaarte Design PREPARAÇÃO DE TEXTO

Rinaldo Milesi REVISÃO

Patrícia Sotello Juliana Amato Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Ryan, Amy Kathleen Centelha / Amy Kathleen Ryan ; tradução Ana Death Duarte. -- São Paulo : Geração Editorial, 2014. – (Em busca de um novo mundo) Título original: Sky chasers : a sky chasers novel. ISBN 978-85-8130-231-7 1. Ficção juvenil I. Título. II. Série.

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CDD-028.5

Índices para catálogo sistemático: 1. Ficção : Literatura juvenil 028.5 GERAÇÃO EDITORIAL Rua Gomes Freire, 225 – Lapa CEP: 05075-010 – São Paulo – SP Telefax : (+55 11) 3256-4444 E-mail: geracaoeditorial@geracaoeditorial.com.br www.geracaoeditorial.com.br Impresso no Brasil Printed in Brazil

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Pa r a o m eu pa i

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S贸 o erro 茅 que precisa do apoio do governo. A verdade, essa fica de p茅 por si pr贸pria. THOMAS JEFFERSON

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1 OR GU LH O Todos os homens cometem erros, mas um bom homem recua quando sabe que seu curso está errado, e repara o mal. O orgulho é o único pecado. Sófocles

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Fuga

Seth Ardvale não sabia o que o havia acordado, apenas se lembrava vagamente de um som estrondoso que lhe estremeceu os ossos. Sentou-se em seu solitário catre na cela, nas entranhas da Empyrean, e esfregou os olhos. Procurava ouvir vozes. Às vezes, captava indícios do que estava acontecendo pela conversa dos guardas, mas não havia som nenhum. Este isolamento fazia parte de sua punição, além das luzes acesas vinte e quatro horas por dia. Seth já tinha se conformado que poderia passar muito tempo até que saísse da prisão. Se Kieran Alden continuasse como o capitão da Empyrean, havia a possibilidade de Seth nunca sair dali. Ele acreditava merecer a punição não apenas pelo fracassado motim que armara contra Kieran, mas por ser quem era. — Eu sou o filho do meu pai — disse Seth em voz alta. O som de sua própria voz deixou Seth alarmado. Ele odiava o fato de começar a falar sozinho, mas era assim que se sobrevivia ao confinamento solitário. Travava longas conversas internas, e sempre se imaginava falando com a mesma pessoa: Waverly Marshall. Seth cerrava os olhos e a via do outro lado das barras de sua cela, sentada no chão, com as mãos em volta de um tornozelo, apoiando o queixo no joelho. A conversa sempre era retomada de onde eles haviam terminado um mês antes, quando ele pediu que ela o tirasse dali. Waverly olhou para Seth, mas apenas seus intensos olhos castanhos expressaram uma inquietante hesitação; o restante de suas amáveis

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feições permaneceram inexpressivas. Seth a conhecia o suficiente para saber que ela não confiava nele. — Tire-me daqui — ele havia dito a ela, suplicante, com uma das mãos nas frias barras de ferro que os separavam. Waverly olhou para ele por um bom tempo antes de dizer, por fim, em meio a um longo suspiro: — Eu não posso fazer isso. Ela se levantou e saiu andando. Poderia culpá-la por isso? Ele armara um motim contra o namorado dela, Kieran Alden, e este o jogara na prisão e o deixara sem comida. Alguns ainda diziam que Seth tentara matá-lo. Tudo isso começou a fazer sentido para Seth, mostrava o quanto esteve fora de si. O momento tinha sido absurdo. Sem nenhum motivo a New Horizon havia atacado a Empyrean, tomado todas as garotas e causado um vazamento nos reatores que culminou com a morte do pai de Seth. Mas isso não era desculpa para o que Seth havia feito. Todas as crianças na Empyrean tinham perdido os pais ou estavam separadas deles; todas tinham responsabilidades aterrorizantes no comando de uma nave sem um único adulto em condições de liderança a bordo. Entre elas, Seth Ardvale se destacou por ser o único a agir como um sociopata. — Talvez seja isso que eu sou — ele sussurrou, e cobriu a boca com a mão. Waverly tinha razão de sair andando. No entanto, Seth ainda imaginava um milhão de coisas diferentes que poderia ter dito a Waverly para que ela ficasse. “Você está certa. Não deveria se arriscar”, ou “Entendo que você não possa trair Kieran” ou, simplesmente, “Não vá!”. Ele imaginava como estaria a expressão de Waverly quando se virasse de novo em sua direção, como poderia fazê-la sorrir ou até mesmo rir. Como ela colocaria os cabelos atrás da orelha logo antes de desviar o olhar novamente, um leve gesto reticente que abria um buraco em seu coração todas as vezes que ela o repetia.

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Mas ele não dissera nada naquele dia. Constrangido, Seth deixara Waverly ir embora. Se algum dia saísse dali, mostraria a ela que poderia ser uma boa pessoa. Não importava que nunca poderia tê-la. Ele simplesmente não podia suportar sequer que Waverly pensasse coisas ruins dele. E talvez ele também pudesse ajudá-la, pois o que quer que tenha acontecido com ela na New Horizon a havia deixado em pedaços, curvara suas costas e afundara-lhe os olhos. Se pudesse vê-la de novo, ele não pediria nada a ela. Só queria ajudá-la... ser um amigo. Seth curvou-se parecendo uma bola compacta. Sentia-se pesado e letárgico. O som que o acordou deve ter sido uma mudança nos motores, mais um aumento na aceleração da nave numa vã tentativa de alcançar a New Horizon, onde todos os pais estavam mantidos cativos. Isso nunca daria certo. Seth sabia disso, mas nunca lhe seria permitido palpitar no processo nas decisões novamente. Sempre seria um pária. — Dormir, dormir, eu posso dormir — ele sussurrou. O que ajudava, às vezes. — Sou apenas um corpo, não uma mente. Sou um corpo que precisa dormir. Então ele ouviu o chiado do intercomunicador da nave, e a voz de Kieran Alden: — Evacuem para o abrigo central! A luz do alarme no corredor começou a girar, azul e vermelha. Seth jogou suas roupas de cama de lado, correu até as barras de sua cela e gritou em direção ao corredor: — Ei, o que está acontecendo? Ninguém lhe respondeu. — Vocês não podem me deixar aqui! — Seth foi para a direita, na tentativa de olhar o corredor entre as celas, e tropeçou em um prato de pão e missô que fora deixado ali para ele. Viu apenas fileiras de barras de ferro frio e sombras. — Vocês têm de me deixar sair daqui!

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Em seu pânico e impotência, Seth forçou a porta da cela, que se abriu com facilidade. Ele ficou ali, com o olhar fixo e embasbacado, e depois deu um passo furtivo para o lado de fora, olhando para o corredor. Não havia ninguém ali. Devagar, foi descendo pela passagem, ainda furtivo, e passou pela cela de Max Brent, que também estava aberta e vazia. Seguiu até a porta que dava para o corredor externo e ficou escutando. Depois, abriu uma fresta da porta. No final do corredor, um pé calçando uma bota se destacou dentro da sala de manutenção. Seth aproximou-se com cautela, de olho na bota, esperando o mais leve movimento que o faria sair correndo; mas a bota não se mexeu. Empurrou de leve a porta e a abriu: Harvey Markem, seu carcereiro, estava estendido no chão. Seth inclinou-se por cima dele, colocou o ouvido perto de seus lábios, que não se moviam, e esperou até que uma bufada de ar escapou por entre os lábios de Harvey. Uma massa de sangue coagulado estava visível debaixo dos cabelos vermelhos e crespos dele. Seth pegou o walkie-talkie do cinto do garoto e apertou o botão de chamada. — Alô? Do outro lado, ouviu apenas estática. — Preciso de assistência médica aqui embaixo — disse e ficou ouvindo, mas não recebeu nenhuma resposta. Ele olhou para os muitos canais e muitas frequências, tentando adivinhar qual entraria em contato com o Comando Central, mas não tinha tempo de analisar tudo aquilo, não se quisesse escapar dali, então jogou o walkie-talkie no chão. Seth continuou pelo corredor, dizendo a si mesmo que Harvey ficaria bem. Quando chegou à escadaria, virou-se mais uma vez e olhou para a bota, que não havia se movido, nem ao menos um centímetro. E se Harvey estivesse com hemorragia cerebral? E se ele morresse? Soltando um suspiro, Seth voltou para a sala de manutenção, arrastou Harvey para fora, colocou o garoto sentado, e, em seguida, jogou-o sobre

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ORGULHO

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seus ombros, como faria um bombeiro. Quando se levantou, a pressão do peso de Harvey parecia ter levado todo o sangue de Seth para o rosto, e ele começou a suar imediatamente. Com passos incertos por causa do esforço de carregar Harvey, Seth começou a descer o corredor mais uma vez. Harvey já era grande, e com a inércia adicional da velocidade aumentada da Empyrean, parecia feito de concreto. As pernas de Seth tremiam, e por um instante ele considerou pegar o elevador para subir, mas seria avistado pela câmera de segurança de imediato, e se as portas se abrissem e se deparasse com um grupo de pessoas, ele não teria para onde correr. Então, Seth avançou com grande esforço escadaria acima, o suor escorrendo por sua face e se acumulando no espaço côncavo da base de suas costelas. — Meu Deus, Harvey — ele grunhiu. — O que você come? As escadas não acabavam nunca e desapareciam em um ponto sombrio lá em cima. Seth tinha de levar Harvey até o abrigo central, que ficava tantos lances de escada acima que ele nem tinha energia para contá-los. Era lá que todo mundo estaria em caso de emergência, e lá seria o único lugar onde Harvey poderia receber alguma ajuda. Duas vezes, Seth caiu de joelhos. Mas, se deixasse Harvey na escadaria, o garoto poderia morrer ali; então continuou subindo, e cada passo era doloroso. Quando ouviu vozes, Seth sabia que estava perto. Os últimos degraus foram uma tortura, mas jogava seu peso para a frente e se forçava a subir, os joelhos estalando e a coluna curvada. Ele fez uma pausa na tentativa de ouvir alguma coisa, e o que ouviu foram duas garotas conversando no corredor, do lado de fora do abrigo central. — Eles voltaram? — disse uma vozinha estridente do outro lado da porta. — Eles estão voltando para nos pegar de novo? — Se voltarem, entrar em pânico não vai ajudar. — A voz soava como a daquela garota com sardas no rosto, a garotinha esquentadinha, Sarah Hodges.

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— E se o casco explodiu? — afligia-se a garotinha. — Se o casco tivesse explodido, não estaríamos aqui — disse Sarah. Devagar, Seth abaixou Harvey no chão e curvou-se para a frente com as mãos nos joelhos, até recuperar o fôlego. Quando teve certeza de que conseguiria correr, raspou com os nós dos dedos na porta e caiu fora dali, descendo os lances de escada correndo antes de ouvir Sarah Hodges chamando por alguém na escadaria. — Ei! Quem está aí? Ah, meu Deus, Harvey! Seth passara por mais cinco lances de escada quando ouviu sons de passos atrás dele. Ele tinha de descer apenas mais quatro lances e estaria livre. — Por favor, por favor, por favor. Seth repetia essas palavras em sua mente, afastando a dor que sentia nos braços e nas pernas e ignorando sua exaustão, de modo que pudesse sair correndo. Quando por fim alcançou a porta, Seth segurou a maçaneta com força. Com o máximo de silêncio possível, girou a maçaneta e abriu a porta, passou de fininho pela abertura e se lançou corredor abaixo em direção à entrada mais próxima. De imediato, seus sentidos foram completamente tomados pelo ar fresco e o cheiro de terra da floresta tropical. “Meu Deus, como senti falta disso!” O ar umedecia sua pele ressecada pela prisão enquanto ele corria entre as plantações de coco, passando pelos limoeiros, onde virou e entrou em meio aos arbustos das espécies australianas. Seth lançou-se em um bosque de eucaliptos e aninhou-se ali, com o coração golpeando seu peito, as mãos envolvendo os tornozelos, e ficou à escuta. Nem uma passada. Nem um sussurro. Ele tinha escapado! Até que pudesse descobrir o que havia acontecido de errado com a Empyrean, ficaria esperando ali. Agora que estava em segurança, percebia a estranheza do que havia acontecido. Alguém deixou que escapasse, mas quem? Provavelmente, o responsável pelas explosões também o havia deixado fugir; os dois eventos

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não poderiam ser coincidência. Quem quer que fosse, provavelmente havia causado as explosões para disfarçar sua libertação. A mente de Seth voltou-se para Waverly. Ela nunca teria machucado Harvey nem colocado a nave em perigo, mas poderia ter achado uma maneira de deixar que Seth e Max saíssem da prisão. Então poderia ter sido Max quem atingiu Harvey na cabeça e causado as explosões. Será que Max faria algo assim tão odioso? Quando dividiram uma cela, Seth ouvira Max falar empolgado sobre todas as coisas que faria com Kieran Alden quando saísse da prisão. Como ficaria de emboscada esperando por ele, e o socaria repetidas vezes ou usaria uma faca, depois iria atrás de seu amiguinho de pescoço fino, Arthur Dietrich, e daquele traidor, Sarek Hassan. Quanto mais Seth ouvia as fantasias doentias de vingança, mais se perguntava por que escolhera o garoto como seu braço direito. Sim, Seth concluiu, Max era capaz de colocar a nave e a missão em perigo para servir a seu propósito egoísta. Alguém precisava encontrar aquele filho da mãe antes que ele causasse mais danos. Porém, não era esse o único motivo pelo qual ele queria encontrar Max. O que quer que Max tenha feito, e fossem o que fossem aqueles sons que ouvira, Kieran certamente colocaria a culpa em Seth pela coisa toda e provavelmente usaria isso como uma desculpa para mantê-lo na prisão para sempre. Se aqueles sons estrondosos eram de bombas, e Seth fosse considerado culpado por isso, todo mundo acreditaria que ele era um traidor. E o que Waverly pensaria dele então? Só havia uma escolha para Seth: tinha de encontrar Max e entregá-lo. Tinha de provar a Kieran, a Waverly e a todo o resto do pessoal que ele não era o responsável por isso. E, de alguma forma, tinha de fazer isso sem ser pego.

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Primeiro capítulo "Centelha"  

Após uma fuga desesperada da nave inimiga, Waverly e as outras meninas sequestradas conseguiram voltar para a Empyrean. Mas o clima por ali...

Primeiro capítulo "Centelha"  

Após uma fuga desesperada da nave inimiga, Waverly e as outras meninas sequestradas conseguiram voltar para a Empyrean. Mas o clima por ali...