Relatório de Atividades e Gestão - 2020

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RELATÓRIO DE ATIVIDADES E GESTÃO ANO DE 2020

FUNDAÇÃO INSTITUTO ARQUITECTO JOSÉ MARQUES DA SILVA


RELATÓRIO DE ATIVIDADES E GESTÃO Ano 2020 FUNDAÇÃO INSTITUTO ARQUITECTO JOSÉ MARQUES DA SILVA (FIMS) FOTOGRAFIA DA CAPA INÊS D’ OREY (CASA-ATELIER)


ÍNDICE

Introdução

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I. Centro de Documentação da Fundação Marques da Silva 11 1. Os acervos: acolher, tratar, conservar, digitalizar e disponibilizar 14 1.1. Tratamento técnico e gestão de plataformas digitais 21 1.2. Apoio a investigadores 24 1.3. Investigar e formar 25 1.3.1 Projetos de investigação em curso 26 1.3.2 A formação em espaço de trabalho 28 II. Comunicação 1. Dinamização cultural e artística: estudar, debater e divulgar 1.1. As iniciativas da Fundação 1.1.1. As exposições na Fundação Marques da Silva 1.1.2. Dos bastidores para a esfera pública 1.1.3 Conferências Arquiteto José Marques da Silva 1.1.4 Outras iniciativas ou ações de divulgação 1.2. A Fundação em rede: acolhimento, colaboração, apoio 1.3. Apoios à divulgação 2. Atividade editorial 2.1. Projetos promovidos pela Fundação 2.1.1. Edições impressas 2.1.2. Edições em formato duplo: impressas e digitais 2.1.3. Edições em preparação 2.2. Distribuição comercial e ações promocionais 2.2.1 Edições Fundação Marques da Silva 2.2.2 Livros em consignação: 2.3. Apoios a projetos editoriais externos 3. Gestão de plataformas de comunicação e divulgação

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III. Património Edificado/Imóveis 1. Casas-Sede da Fundação Marques da Silva 2. Outros imóveis: Porto e Barcelos

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IV. Contas

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V. Perspetivas futuras e eventos subsequentes

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Conclusão 86



Relatório de atividades e gestão - 2020

INTRODUÇÃO

Quando o Plano de Atividades para 2020 foi definido, ninguém poderia prever ou antecipar o que viria a marcar de forma indelével este ano. Um acontecimento inesperado, de contornos imprevisíveis face à sua evolução, e sentido à escala mundial com interferência direta no quotidiano de todos, condicionando os ritmos de vida, da micro à macro escala, do indivíduo ao coletivo, da esfera do privado à esfera pública. A indefinição que acompanhou a gradual propagação do coronavírus SARS-CoV-2 até à efetiva declaração de uma pandemia, com aplicação de medidas de mitigação mais ou menos severas, mas com sucessivos ajustamentos e sempre indefinidas quanto ao seu impacto e duração, criou um estado de permanente alerta, inquietude e incerteza. E se a indefinição se impôs no imediato, muito mais impeditiva se tornou da proposição ou reformulação fiável de planos com alcance a médio e longo prazo. Perante a restrição à circulação, o afastamento social, a adoção de regras duras de convívio interpessoal ou até períodos da sua interdição, uma parte substancial das metas propostas para este ano de 2020, desde logo, cumprimento do calendário previsto, ficou suspensa. No entanto, este não poderia significar um cenário de imobilidade e a Fundação Marques da Silva fez o que lhe cumpria: reinventar-se em tempos de pandemia, continuando a cumprir a sua missão. Ainda que por caminhos mais tortuosos, mais cintados no tempo, acabou por conseguir pôr em marcha os principais projetos a que se tinha proposto, abrindo as portas do Palacete Lopes Martins e da Casa-Atelier José Marques da Silva com duas exposições impactantes, com um horário que permitia o acolhimento de visitantes em termos regulares, de segunda a sábado.

Ampliar a visibilidade pública da instituição, numa demonstração de capacidade expositiva própria, para dar a conhecer ao público em geral a riqueza do património documental, arquitetónico, bibliográfico e artístico que distingue esta Fundação era o objetivo do segundo de três eixos de ação do programa lançado em 2019 e a exposição “Mais que Arquitetura” um dos instrumentos para o atingir.

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Veio na sequência da requalificação e reorganização funcional dos espaços onde se encontra localizada a instituição (Porto: Casa-Atelier José Marques da Silva, Palacete Lopes Martins, Pavilhão e Jardins), com vista a ampliar a sua capacidade de preservação e tratamento documental. Seguir-se-á a outra linha de ação, voltada para o desencadear de incentivos à investigação e a promoção de redes de estudo e cooperação de alcance internacional. Em síntese: Tratar, Estudar, Mostrar para conhecer, respeitar, valorizar. A forma articulada como estes três vetores interagem tem estado sempre presente no plano estratégico da instituição definine o sucesso do seu modus operandi. A sua operacionalização vai exigindo ou conformando contextos e circunstâncias que potenciam um ou outro destes domínios de ação. Para 2020, estava em curso a abertura à comunidade dos espaços. Como já se referiu, o objetivo foi alcançado e mesmo sob uma pandemia, o público respondeu a esse repto, tal como a imprensa que também noticiou em larga escala as duas exposições, “Mais que Arquitetura” e “Siza: Inédito e Desconhecido”.


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Estas duas experiências permitiram à Instituição testar a sua capacidade de resposta a um novo desafio, medir condicionalismos próprios dos espaços onde decorreram, desenvolver um plano de acolhimento público em moldes regulares, capacitar recursos humanos e ampliar a visibilidade pública. Em paralelo com esta prova de dinamismo e de vontade de crescimento futuro, preparou território para a construção de um edifício de raiz nos jardins da Fundação, a partir de um estudo de Álvaro Siza, cuja maquete se expôs na Casa-Atelier, destinado a um Centro de Documentação que acolherá conjuntamente os arquivos de arquitetura da Fundação Marques da Silva e da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto. Desta forma, assinalou-se também, simbolicamente, a passagem dos 150 anos do nascimento da sua figura tutelar, José Marques da Silva.

Num ano atípico, como foi o de 2020, com o mundo digital a contrapor-se ao mundo real, era inevitável reformular as atividades em função desta nova realidade. Era preciso reagir a tempo e ao tempo. Os períodos de confinamento transformaram-se em oportunidades de tratamento: primeiro, de um ponto de vista intelectual, depois, para dar lugar à implementação de projetos de higienização e digitalização que um quotidiano corrente dificilmente viabilizaria num tempo tão curto. Os números que este relatório assinala dão conta da sua dimensão, com mais de 20.000 documentos do acervo de Raúl Hestnes Ferreira tratados e a produção de mais 8.000 novas imagens digitais de documentos transversais a 12 acervos de arquitetura em arquivo. Ações essenciais de prevenção da documentação física e que potenciam a sua consulta e divulgação pública.

Contudo, não foram apenas estes projetos em larga escala que foram implementados. O trabalho de atualização do Arquivo Digital foi continuado e conta agora com mais sete sistemas de informação disponíveis para consulta pública. Foi também continuado o trabalho de descrição e inventariação arquivística de acervos recentemente incorporados e de nova documentação que também 2020 voltou a registar. Carlos Carvalho Dias, após uma primeira doação dos registos relativos à sua participação no Inquérito à Arquitetura Popular, doou agora o seu arquivo e biblioteca

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profissionais, validando assim a sua confiança no trabalho que esta instituição tem vindo a desenvolver, e Abílio Mourão ampliou igualmente o acervo de José Porto, com a doação de novos desenhos da autoria deste arquitecto.

Algumas ações do plano de atividade proposto para 2020 passaram para as plataformas virtuais, outras, como a Conferência Arquiteto Marques da Silva, ficaram suspensas. Decidiu-se não se desvirtuar a natureza de uma iniciativa que tem na celebração do encontro, no seu acontecer em espaço de academia - que também é herança de Marques da Silva - a sua marca identitária. A conferência que deveria ter acontecido em novembro, “Resiliência”, a proferir por Inês Lobo acontecerá em 2021. Em contrapartida, novos conteúdos foram preparados com o propósito de circularem no mundo virtual, desde registos fotográficos e videográficos, ao lançamento de dois podcast em parceria com a Casa Comum da Reitoria da Universidade do Porto: “Escritos Escolhidos” e “Passa-a-Palavra: falemos de arquitetura”.

Em 2020, também a produção editorial demonstrou a sua vitalidade com a publicação de novos títulos de grande significado no contexto da Fundação, como é o caso do arranque da coleção As raízes e os Frutos, projeto editorial com investigação, organização e notas de Manuel Mendes, a publicação do 7.º volume da coleção Conferências Arquiteto Marques da Silva, ou o lançamento de três Mapas de Arquitetura em colaboração com a OASRN, entidade com a qual foi ainda realizada a 16.ª edição do Prémio Fernando Távora.

O distanciamento físico não invalidou, assim, nem o atendimento a investigadores, nem a prossecução do trabalho em rede, mantendo-se a cooperação com várias instituições que partilham interesses e áreas de atuação com a Fundação Marques da Silva, como a já citada OASRN, a FAUP, ou o Departamento de Arquitetura da Universidade de Coimbra, entre outras que o presente relatório irá reportar. O inusitado estimulou a imaginação e desafiou a capacidade de ajustamento a novos contextos. Flexibilizaram-se modos e agendas, manteve-se o rigor, a exigência e a confiança no futuro.



Carlos Carvalho Dias, Solar do Sr. Pinto, Bóbeda (Chaves), 1955.


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I. CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO DA FUNDAÇÃO MARQUES DA SILVA

Com 25 acervos de arquitetura e múltiplos fundos bibliográficos e museológicos à sua guarda, cumpre à Fundação Marques da Silva, enquanto Centro de Documentação, garantir e promover a preservação e disponibilização deste abrangente e diversificado corpo documental para estudo e divulgação sob as mais variadas formas e em múltiplas direções. Repositório de memória e motor de fixação e criação de conhecimento, em particular no domínio da Arquitetura e Urbanismo em Portugal (séculos XX-XXI), o Centro de Documentação ocupa um lugar central na definição de um projeto fundacional que visa tanto valorizar o seu património documental e a obra dos vários arquitetos nele representados, quanto impor-se como instituição de referência no tratamento de acervos e documentação de arquitetura.

Depois de um acentuado crescimento do volume documental, decorrente da incorporação de 6 novas doações em 2019, e da reorganização dos espaços internos para o reacondicionamento da documentação existente e recebida, o ano de 2020 centrou-se na estabilização e controle dos suportes físicos e da informação a associada a estes núcleos documentais. Ainda assim, foi ampliada a doação do arquiteto Carlos Carvalho Dias, o que significou a incorporação de peças de mobiliário, um número expressivo de peças escritas e peças desenhadas, e ainda de livros que traduzem sobretudo os seus interesses e atuação em três domínios: arquitetura, urbanismo e território; foi também ampliada a doação do arquiteto José Porto, com a incorporação de mais de uma dezena de esquissos poe Abílio Mourão; e ampliada a doação do acervo do arquiteto Octávio Lixa Filgueiras com a doação de 380 livros por Carlos Filgueiras. Ressalve-se o facto de estas novas incorporações refletirem a confiança e o reconhecimento dos seus doadores no trabalho desenvolvido pela instituição, uma vez que que renovaram e assim reforçaram os gestos iniciais de entrega de um património que não só tem um valor afetivo, como um valor documental para registo de uma memória coletiva comum.

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A eclosão imprevista de uma pandemia, forçando a períodos de encerramento de instalações e ao prorrogar da implementação e abertura de projetos expositivos foi encarada como um desafio e permitiu, por sua vez, numa primeira fase, canalizar os recursos humanos para tarefas a desenvolver sobre bases de dados e atualização de plataformas digitais; numa segunda fase, a materialização de outras abordagens, designadamente concretizar um programa extenso de limpeza e reacondicionamento do acervo de Raúl Hestnes Ferreira, com cerca de 20000 desenhos já tratados no final do ano, e que se estenderá por 2021, bem como a digitalização, com recurso a meios internos e externos, de 8.121 registos documentais transversais aos acervos de 12 arquitetos: Alfredo Matos Ferreira, Bartolomeu Costa Cabral, Fernando Lanhas, Fernando Távora, José Carlos Loureiro, José Marques da Silva, José Porto, Manuel Marques de Aguiar, Maria José e David Moreira da Silva, Octávio Lixa Filgueiras, Raúl Hestnes Ferreira e Rui Goes Ferreira.

Refira-se que a documentação gerida pelo Centro de Documentação da Fundação Marques da Silva contabiliza 432,36 ml de peças escritas e fotografia, 47.465 peças desenhadas acondicionadas em 224 gavetas, 381 maquetas, 73.802 imagens digitais, das quais 6.393 estão disponíveis online no seu Arquivo Digital, mais cerca de 300 m/l ocupados pelas bibliotecas associadas aos acervos e Biblioteca Corrente da instituição, com aproximadamente 6.000 títulos já consultáveis online através da plataforma Aleph.

A equipa técnica responsável pela análise, tratamento e organização desta documentação, segundo as premissas do modelo científico adotado, a teoria sistémica, e de acordo com normas nacionais e internacionais de descrição arquivística, bibliográfica e museológica, garante a conservação, integridade e acondicionamento adequado das várias espécies documentais que a compõem e elabora instrumentos de pesquisa que possibilitam o acesso aos conteúdos, seja por parte de investigadores, seja na resposta a projetos desenvolvidos interna ou externamente com recurso a estes conteúdos. O crescimento do volume documental e bibliográfico, e de solicitações internas e externas implicou ainda o reforço dos recursos humanos que se dividiram pelas


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várias tarefas técnicas, com particular ênfase no tratamento e organização intelectual do acervo documental de Rui Goes Ferreira e Bartolomeu Costa Cabral, no acompanhamento dos projetos ligados à digitalização e conservação e restauro, dando ainda apoio nos projetos expositivos em curso na sede da Fundação, designadamente acolhimento e acompanhamento de visitantes.

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1. OS ACERVOS: ACOLHER, TRATAR, CONSERVAR, DIGITALIZAR E DISPONIBILIZAR

Ainda que todos os acervos sejam alvo de atenção, nem todos se encontram no mesmo estado de tratamento documental no que se refere à descrição arquivística, acondicionamento e organização intelectual, ou mesmo disponibilização para consulta pública, situação resultante da confluência de múltiplas variantes: decorrente dos vários tempos que balizam a sua incorporação; devido à especificidade e/ou complexidade inerente a cada um destes Sistemas de Informação; pela possibilidade de captação de recursos financeiros e/ou humanos particularmente direcionados para o tratamento de registos documentais de um determinado arquiteto; ou até mesmo a existência de projetos de investigação, expositivos ou editorias que, incidindo num acervo específico condicionam o seu tratamento, global ou em parte, prioritário.

Em 2020 tornou-se imperativo assegurar a conclusão do processo de incorporação do arquivo profissional de Carlos Carvalho Dias, um arquiteto e urbanista, com um percurso iniciado nos anos cinquenta e que também passou pela área do património, com uma primeira doação à Fundação Marques da Silva dos registos relativos à sua participação no Inquérito à Arquitectura Popular em Portugal, efetuada em 2018. Em 2020, em nova doação, foram inventariadas e recolhidas mais 2 peças de mobiliário e 52 caixas com peças escritas e peças desenhadas, bem como biblioteca com livros e revistas especializadas. O Sistema de Informação do arquiteto José Porto, como já antecipado, foi igualmente ampliado com a integração de cerca de uma dezena de esquissos, onde sobressaem os desenhos datados da década de 40 do século XX para o Clube Náutico da Beira doados pelo arquiteto Abílio Mourão. O seu doador, conjuntamente com André Eduardo Tavares, apoiou o trabalho de identificação prévia destes desenhos, facilitando e abreviando o tratamento arquivístico dos materiais que já se encontram disponíveis para consulta. No caso do acervo do arquiteto Octávio Lixa Filgueiras, os 380 livros agora doados pelo seu filho, Carlos Filgueiras, foram inventariados, vindo juntar-se a um total de 1377 títulos


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catalogados, dos quais 158 se encontram inseridos no catálogo bibliográfico que a Fundação Marques da Silva disponibiliza para consulta pública na plataforma Aleph. O tratamento documental dos acervos dos arquitetos Bartolomeu Costa Cabral e de Rui Goes Ferreira, compostos por peças desenhadas, escritas, fotografias e maquetas, iniciado em 2019, com recursos humanos especificamente dedicados a este trabalho, foi continuado em 2020. No que se refere

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a Bartolomeu Costa Cabral, foi concluído o recenseamento e acondicionamento da documentação escrita, incluindo fotografias, correspondente a 1.548 unidades de descrição. As peças desenhadas e as peças escritas dos processos de obra foram igualmente organizadas fisicamente. Foi ainda criada a entrada do Arquivo de Bartolomeu Costa Cabral na plataforma digital de arquivos AtoM, bem como a correspondente árvore de classificação, tendo-se dado início ao processo de transferência dos dados relativos a este arquivo para a referida plataforma. A seção documental do arquivo pertencente ao GPA (Gabinete de Planeamento e Arquitetura) já depositado na Fundação - que se cruza e complementa parte da documentação existente no acervo do arquiteto Bartolomeu Costa Cabral, por este arquiteto ter sido durante um período da sua vida profissional colaborador daquele gabinete de arquitetura, constituída por peças desenhas e peças escritas relativas a 95 processos de obra, começou a ser recenseada e descrita. Até ao final do ano 2020 foram descritas 431 unidades de peças escritas e 7 unidades de peças desenhadas. Quanto ao acervo de Rui Goes Ferreira, um arquivo de arquitetura com registos relativos a 184 processos de obra, ficou concluída a operação de organização intelectual. Em sequência, deu-se início à organização física das peças desenhadas por obra e está em curso a inserção gradual de informação na plataforma digital de arquivo AtoM tendo em vista a sua representação e divulgação online. Estes dois acervos foram incluídos no projeto de digitalização iniciado no final de 2020, pelo que contam com cerca de 1500 novas imagens digitais a eles associadas. Para além dos 6 núcleos referidos, foi ainda continuado o tratamento documental dos acervos dos arquitetos Manuel Graça Dias, Manuel Teles, Fernando Lanhas, Manuel Marques de Aguiar, Octávio Lixa Filgueiras e Raúl Hestnes Ferreira, constituídos essencialmente por documentos escritos, peças escritas e peças desenhadas de processos de obra, fotografias e maquetes. Mas também os núcleos bibliográficos de Rui Goes Ferreira (2), Alfredo Matos Ferreira (18) e Fernando Távora (293) foram catalogados. A entrada em regime de teletrabalho, durante os meses de março e maio de 2020, tornou possível intensificar o trabalho desenvolvido sobre as plataformas Aleph e AtoM (esta em open access), ferramentas privilegiadas para gestão e divulgação de conteúdos documentais. Foram assim criadas novas entradas para consulta


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via web de acervos pertencentes a 7 arquitetos: Bartolomeu Costa Cabral e Rui Goes Ferreira, como já referido, mas também Fernando Lanhas, José Porto, Manuel Teles, Octávio Lixa Filgueiras e Raúl Hestnes Ferreira. Este foi também um meio de manter o contacto com o público em geral e os investigadores em particular, não obstante o encerramento temporário das instalações para atendimento presencial. A Fundação Marques da Silva adjudicou ainda, durante o ano de 2020, a limpeza de sujidade superficial e remoção de elementos metálicos de 2,8 ml de documentação escrita e 30 rolos de peças desenhadas pertencentes ao atelier de Francisco Granja, à Oficina de Conservação e Restauro de documentos gráficos da Universidade do Porto, trabalho esse que será executado após conclusão da higienização dos 60 ml de documentação pertencente ao acervo de Raúl Hestnes Ferreira. Contudo, foram já restaurados 20 desenhos de arquitetura relativos ao CODA e ao projeto para um Hotel no Gerês, e uma prova fotográfica referente ao Cineteatro Vale Formoso. Com o adiamento para o mês de outubro das exposições, na sequência do surto pandémico, a instituição reprogramou-se viabilizando a materialização de outros projetos de grande importância no universo de interesses da Fundação.

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Em primeiro lugar, o tratamento, higienização e reacondicionamento do acervo de Raúl Hestnes Ferreira, que resultou, no final de 2020, na limpeza de 20.130 peças desenhadas e no recenseamento cerca de 900 pastas de peças desenhadas. A montagem desta operação em larga escala, e que se estende para 2021, implicou o delinear de uma logística complexa com a preparação de espaços de trabalho e a organização de uma equipa de 5 elementos, sob orientação da Oficina de Conservação e Restauro da Universidade do Porto, liderada por Ana Freitas. Daqui resultaram condições de formação a 3 estagiários da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e à instituição controlar e assegurar a preservação de um acervo, beneficiando em simultâneo, de um apoio e aconselhamento especializado na área da conservação e restauro se estendeu a outras situações.

Em segundo lugar, a Fundação Marques da Silva, agora sem apoios externos, ativou uma nova operação de digitalização em grande escala. Desta vez, não sobre um acervo específico, como foi o caso das digitalizações sobre os acervos de José Marques da Silva, de Fernando Távora e Alcino Soutinho, apoiadas pela Fundação Calouste Gulbenkian, mas transversal a 12 acervos. A digitalização, para além de contribuir para a preservação da documentação física, ao dispensar a sua manipulação como regra, otimiza as possibilidades de consulta e divulgação, sendo uma etapa fundamental no tratamento documental. Assim, com a colaboração da empresa Graf-IT, em 2020 foram digitalizados 7086 documentos, que o seguinte quadro discrimina:


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Nº Refª

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Total

Nome do Sistema de Informação

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Nº de Documentos

Alfredo Matos Ferreira Bartolomeu Costa Cabral Fernando Lanhas Fernando Távora José Carlos Loureiro José Marques da Silva José Porto Manuel Marques de Aguiar Maria José e David Moreira da Silva Octávio Lixa Filgueiras Raúl Hestnes Ferreira Rui Goes Ferreira

Total de peças digitalizadas

44 17 101 57 4 66 30 24 5 24 18 25

860 571 1146 1168 224 66 239 477 282 316 1045 692

415

7.086

É importante ressalvar que um projeto de digitalização com esta dimensão pressupõe a definição de um plano estruturado de ações que envolve múltiplas etapas: estabelecimento de critérios para seleção prévia dos documentos; a separação das peças desenhadas selecionadas; quando necessário e possível - a sua higienização e planificação; recenseamento e organização cronológica das peças desenhadas dentro de cada obra; cotagem das peças desenhadas; a digitalização propriamente dita; a posterior arrumação do documento físico; o controlo de qualidade e tratamento intelectual do objeto digital; e, por fim, a disponibilização online através da inserção dos novos conteúdos nas bases de dados e plataformas digitais.


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Seja em resposta a pedido de investigadores, seja em função de projetos editoriais ou expositivos, a Fundação Marques da Silva continua a assegurar internamente a realização de digitalizações, destacando-se, em 2020, a realização de documentos pertencentes ao acervo de Fernando Távora, num total de 1.025 novas imagens digitais que acrescem às imagens realizadas externamente. A equipa técnica do Centro de Documentação da Fundação, composta por três elementos (Conceição Pratas, Ana Sofia Ramos e José Gouveia) e reforçada por dois dos estagiários que colaboraram na operação de higienização do acervo de Raúl Hestnes Ferreira (Carlota Tavares e Alexandra Guedes) e pela contratação da estagiária que em 2019 realizou o tratamento da biblioteca de Octávio Lixa Filgueiras no contexto de um estágio curricular, agora em regime de estágio profissional (Adriana Martins), para além do trabalho já referenciado e do atendimento permanente a investigadores, continuou ainda a colaborar ativamente nos projetos expositivos levados a cabo na sede da instituição: Mais que Arquitetura e Siza: inédito e Desconhecido. Para além do apoio na preparação dos espaços de exposição; na seleção, cotagem, registo de controlo de saída e entrega de documentos a serem expostos na exposição Mais que Arquitetura; na adaptação às alterações espaciais decorrentes da montagem das exposições e dos projetos de digitalização e higienização em curso; por fim, após a inauguração das exposições, a 17 de outubro, parte dos seus membros asseguraram também a vigilância dos espaços expositivos e o atendimento e orientação de visitantes.


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1.1. TRATAMENTO TÉCNICO E GESTÃO DE PLATAFORMAS DIGITAIS

O Centro de Documentação da Fundação Marques da Silva é composto por 25 acervos de arquitetos e documentação parcial relativa a mais 4 arquitetos, 1 engenheiro e 1 historiador, sendo de sublinhar que 21 destes acervos têm núcleos bibliográficos associados. Falamos dos acervos fundadores dos arquitetos José Marques da Silva, Maria José Marques da Silva e David Moreira da Silva, que a partir de 2011, com a receção do arquivo e biblioteca do arquiteto Fernando Távora, foram sendo sucessivamente acompanhados de novas incorporações: José Carlos Loureiro, Alcino Soutinho, João Queiroz, Manuel Teles, Alfredo Matos Ferreira, José Porto, Octávio Lixa Filgueiras, Fernando Lanhas, Carlos Carvalho Dias, Raúl Hestnes Ferreira, Rui Goes Ferreira, Francisco Granja, Bartolomeu Costa Cabral, GPA (Grupo de Planeamento e Arquitectura), parte correspondente à atividade de Bartolomeu Costa Cabral naquele escritório, Luís Botelho Dias, Manuel Graça Dias e Manuel Marques de Aguiar. Com uma presença parcial, integra documentação produzida pelos arquitetos Álvaro José Cancela Meireles, Alfredo Duarte Leal Machado e António Menéres, neste caso, ainda em curso novas transferências documentais. Em 2020 foi ainda confirmada a doação dos acervos dos arquitetos Alexandre Alves Costa e Sergio Fernandez, bem como do Atelier 15 que ambos formaram. De natureza diferenciada, mas complementar, registam-se os acervos, doados pelo historiador António Cardoso, de particular importância para documentar o processo de investigação desenvolvido sobre a obra de José Marques da Silva, bem como a documentação digital cedida pela família do engenheiro Alberto Álvares Ribeiro. Exclusivamente de carácter bibliográfico, são as doações do arqueólogo e arquivista Manuel Real, do fotógrafo Luís Ferreira Alves e da arquiteta Margarida Coelho que, em 2019, reforçou a primeira doação com a entrada de mais um núcleo bibliográfico. O arquiteto Alexandre Alves Costa tinha já oferecido, em momentos distintos, livros e peças desenhadas que fazem agora parte do acervo da instituição. Em termos bibliográficos, a Fundação tem vindo a reunir uma Biblioteca Corrente, em constante crescimento, seja pela integração dos títulos que têm a sua chancela editorial, seja pela incorporação de ofertas de autores, editores ou de publicações apoiadas pela instituição.

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Tal como nos anos transatos, a política de gestão quotidiana da informação arquivística e biblioteconómica continua a pautar-se pelo objetivo bem definido de ir ao encontro do utilizador, abrindo a possibilidade de alcançar o maior número de potenciais comunidades de investigadores, proporcionando uma utilização facilitada, permanente, intensiva e extensiva dos acervos. Um trabalho de mediação entre Utilizador e Informação pensado a partir da implementação de procedimentos sincronizados, passíveis de agilizar o acesso, a recuperação e a reutilização da informação, estabelecendo em paralelo canais de divulgação e partilha, no quadro da missão traçada para a instituição. Neste contexto, o esforço de atualização das bases de dados e o crescimento contínuo da informação disponibilizada à comunidade através das plataformas digitais, criadas a partir de parcerias com diversas unidades orgânicas da Universidade do Porto tem sido permanente.

Em termos arquivísticos, a instituição continuou a utilizar a plataforma AtoM. Em 2020 contemplou 11.432 descrições arquivísticas, tendo sido registadas 24.447 visitas ao Arquivo Digital, 2.682 pesquisas e visualizadas 115.751 páginas. Como já referido, só durante este ano, 7 novos Sistemas de Informação foram sinalizados e disponibilizados para consulta nesta plataforma: Bartolomeu Costa Cabral, Fernando Lanhas, José Porto, Manuel Teles, Octávio Lixa Filgueiras, Raúl Hestnes Ferreira e Rui Goes Ferreira.

Em termos bibliográficos, permanece a utilização da plataforma digital Aleph, para consulta virtual do Catálogo Digital da Fundação Marques da Silva. Com a inserção de mais 158 títulos relativos à biblioteca associada ao acervo do arquiteto Octávio Lixa Filgueiras, este Catálogo contabiliza, no final de 2020, um total de 6.673 entradas.

A validação externa deste trabalho, em 2020, passou ainda pela assinatura de uma adenda ao protocolo de colaboração que a Fundação Marques da Silva tem com a Associação Círculo Dr. José de Figueiredo – Amigos do MNSR, tendo em vista o alojamento na plataforma AtoM do acervo de Bernardo Ferrão (1913-1982), irmão de Fernando Távora,

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engenheiro de formação e profissão, que dedicou grande parte da sua vida ao colecionismo e ao estudo de mobiliário e cerâmica portuguesas, em particular das artes decorativas luso-orientais em Portugal, doado, em 2017 a essa instituição. Está, assim, a ser desenvolvido o trabalho que permitirá apresenta-lo nesta plataforma digital da Universidade do Porto, em concordância com os parâmetros definidos para o Arquivo Digital da Fundação Marques da Silva, que passará, posteriormente a assegurar a sua gestão após disponibilização total do acervo para consulta pública.

1.2. APOIO A INVESTIGADORES

Uma das principais vertentes da Fundação Marques da Silva, desde a sua criação, a par do acolhimento, preservação e tratamento documental, é a disponibilização do espólio documental da instituição a todos os investigadores que, pelos mais diversos motivos e nos mais variados contextos académicos, seja a título individual ou inseridos em estruturas ou projetos institucionais, necessitam de recorrer à sua consulta. O atendimento a investigadores, a par do desenvolvimento das tarefas de caracter técnico, é uma realidade acautelada em permanência, seja em regime presencial, seja por via web. E os últimos anos, com a ampliação desse espólio e uma crescente visibilidade externa, tem sido registada uma tendência constante de crescimento.

Assim, em 2020, foram recebidos 130 novos investigadores para consulta presencial, sendo que este número apenas contabiliza uma primeira consulta, e a quase totalidade de primeiras consultas implicaram recorrentes regressos ao Centro de Documentação. Ainda assim, isto significa que se verificou um aumento de 31 % relativamente aos valores registados em 2019. Deve ainda ser acrescido, a esta contabilização de entradas em regime presencial, o apoio garantido via webmail e/ou telefone a investigadores que se encontram geograficamente impossibilitados de se deslocarem à sede da Fundação. Na sequência das consultas realizadas, cerca de 50% implicaram a cedência de conteúdos,


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isto é, cedência de ficheiros que reproduzem documentos do Centro de Documentação (entre peças escritas, desenhadas e/ ou fotografias). No entanto, para se medir o alcance da informação disponibilizada e consultada, a leitura dos números referidos deve ser associada aos numerosos utilizadores que, de forma autónoma, elegem a consulta virtual das plataformas disponíveis (AtoM, Aleph e página eletrónica da Fundação Marques da Silva) para recolha de informação e como acesso preferencial aos conteúdos documentais da instituição.

Em termos de incidência temática, as consultas inevitavelmente direcionaram-se para o campo da Arquitetura e Urbanismo, mas incluíram também outros domínios, como a literatura, onde se destaca o início de um novo projeto de investigação a desenvolver em parceria pelos centros de filosofia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e de Lisboa, com o apoio da Fundação Marques da Silva, sobre Raúl Leal a partir da coleção Pessoana de Fernando Távora. Se os sistemas de Informação mais requisitados são o de Fernando Távora e de José Marques da Silva, também os de Alcino Soutinho, José Carlos Loureiro, Bartolomeu Costa Cabral e Raúl Hestnes Ferreira registaram consultas regulares. De forma mais esporádica, também se distribuíram pela documentação de Rui Goes Ferreira, Manuel Marques de Aguia, Alfredo Matos Ferreira, tendo por base projetos expositivos e editoriais, e por Francisco Granja, José Porto, João Queiroz, Carlos Carvalho Dias, Octávio Lixa Filgueiras e Fernando Lanhas, e até uma primeira abordagem ao Sistema de Informação de Manuel Graça Dias.

1.3. INVESTIGAR E FORMAR

A promoção e acolhimento de projetos de investigação centrados na documentação preservada na Fundação Marques da Silva constitui uma linha estratégica de ação para esta instituição. Como tem vindo a ser referido, trata-se de cumprir um duplo desafio: por um lado, dar continuidade à construção de conhecimento sobre os sistemas de informação geridos pela Fundação; por outro, acrescer-lhes significado, fazendo aportar novos enquadramentos

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e um novo posicionamento sobre as temáticas que suscitam e que visões externas se lhes propõem desenhar. Em paralelo, o acolhimento de projetos de estágio e a contratação de investigadores e técnicos para apoiar a equipa em permanência na Fundação tem-se revelado uma estratégia muito positiva. Por um lado, permite acelerar e ampliar o tratamento de um acervo documental em constante crescimento, tornando também mais célere a sua disponibilização ao público, mas também consolidar a imagem externa da instituição enquanto polo formador.

1.3.1 PROJETOS DE INVESTIGAÇÃO EM CURSO

Em termos de investigadores residentes ou com projetos de investigação em continuidade, a instituição continuou a contar com a colaboração de Alexandra Saraiva, ao abrigo de uma Bolsa de Pós-Doutoramento atribuída pela Fundação para Ciência e Tecnologia, com a tese de doutoramento, “A monumentalidade revisitada - Hestnes Ferreira, entre intemporalidade europeia e classicismo norte-americano (19742018)” do ISCTE-IUL. Esta investigadora do grupo Dinâmia’CETIUL, propôs-se apoiar o processo de tratamento do acervo do arquiteto Raúl Hestnes Ferreira e a sua prestação tem sido essencial no processo de inventariação e descrição, seleção de materiais para a exposição Mais que Arquitetura e para a operação de digitalização que a Fundação pôs em marcha no final do ano, mas também no apoio a investigadores, a outras incorporações de acervos e na produção de conteúdos, caso do artigo para o Journal of Architecture and Urbanism, sobre o projeto deste arquiteto para o concurso do edifício municipal de Amesterdão, de 1967, encontrados durante a operação de higienização este ano lançada (“Hestnes Ferreira´s Proposal for Amsterdam City Hall Competition - Analyzed in continuity with Louis Kahn”). Esta investigadora publicou ainda, na Archivoz de setembro, uma entrevista a Carlos Carvalho Dias. Também Mariana de Oliveira Couto, que concluiu o seu doutoramento pela Universidade de Coimbra em 2020 sobre Bartolomeu Costa Cabral, durante o período em que esteve na Fundação Marques da Silva a colaborar no tratamento do acervo deste arquiteto,


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publicou na ProArq (caderno 34), artigo “O Edifício na Praça de Martim Moniz (1973-1984), de Bartolomeu Costa Cabral: uma proposta de continuidade”. Catarina Alves Costa e André Eduardo Tavares têm igualmente vindo a dar continuidade aos seus projetos de doutoramento sobre Fernando Lanhas e José Porto, respetivamente, tendo por base a documentação preservada na Fundação Marques da Silva. O conhecimento abrangente que têm destes acervos e as conexões que conseguem estabelecer com a investigação que têm realizado sobre estes arquitetos tem revertido muitas vezes em benefício da instituição que assim pode usufruir dos seus pareceres. Refira-se que à imagem de praticamente todos os investigadores que, com o apoio da Fundação, têm desenvolvido trabalhos em profundidade sobre diferentes temáticas ou arquitetos nela representados e que, mesmo depois de concluídos os sues projetos, sempre se têm mostrado disponíveis para esclarecer questões técnicas ou apoiar iniciativas de carácter público promovidas pela Fundação. Aliás, desde 2011, a Fundação Marques da Silva, em cumprimento do acordo estabelecido com os herdeiros do Arquiteto Fernando Távora, tem vindo a beneficiar da colaboração permanente do Professor Manuel Mendes, que em muito excede o que decorre do objetivo de, conjuntamente com a Fundação, contribuir para a preservação e divulgação do seu legado. Esta teia de relações, que tem vindo a ser construída desde o início da Fundação, é da maior importância já que com ela se têm mantido presentes os investigadores que asseguram o rigor científico da informação produzida e divulgada por esta instituição. Um posicionamento do qual a Fundação se orgulha e que tudo fará para se manter.

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1.3.2 A FORMAÇÃO EM ESPAÇO DE TRABALHO

Um esforço de atualização, colaboração e reforço direcionado, tendo em conta projetos em curso, dos recursos humanos da Fundação Marques da Silva tem sido uma prática constante da instituição.

Ao longo de 2020, a equipa técnica do Centro de Documentação tem mantido a sua representação nas reuniões mensais do GTAUP, Grupo de Trabalho dos Arquivistas da Universidade do Porto. Estas reuniões, que pretendem ser um valioso órgão de partilha e colaboração entre os arquivistas presentes nas diversas faculdades e departamentos da Universidade do Porto, têm-se centrado sobretudo no processo de implementação da plataforma digital de gestão de arquivos Archeevo. A Fundação, ainda que utilize a plataforma digital de gestão de arquivos AtoM, procura acompanhar este processo de implementação do Archeevo, bem como as problemáticas relacionadas com esse processo, numa demonstração de espírito de colaboração com os outros profissionais e departamentos da Universidade do Porto e numa atitude de abertura face a diferentes soluções para as questões arquivísticas.

Por sua vez, a Fundação continua a ser recorrentemente procurada para aconselhamento externo no que concerne o tratamento de documentação produzido por arquitetos ou relativa a arquitetura, dado o conhecimento técnico e experiência que tem vindo a acumular, estando em curso a formalização de algumas parcerias.

Porém, a formação em ambiente de trabalho tem sido uma via adotada pela Fundação, com particular destaque para a realização de estágios curriculares de alunos que frequentam a Faculdade de Letras da Universidade do Porto, área das Ciências da Informação, mas também com outras formações académicas de base. Em 2020, a Fundação manteve a


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colaboração de Adriana Martins, que após conclusão do estágio curricular realizado em ambiente de trabalho na Fundação Marques da Silva para obtenção da licenciatura em Ciência da Informação, pela FLUP, iniciou um estágio profissional, ao abrigo do Programa implementado pelo IEFP, Medida Estágios Profissionais.

Para o programa de higienização do acervo de Raúl Hestnes Ferreira, como já antecipado, a Fundação Marques da Silva acolheu três alunos da FLUP, com ou em especialização em Conservação Preventiva de Documentos Gráficos e Fotográficos, Carlota Tavares, Alexandra Guedes e António Alfaia. A prestação de serviços de Carlota Tavares e Alexandra Guedes foi posteriormente estendida ao apoio às exposições patentes ao público na Fundação a partir de 17 outubro. Em colaboração com a Unidade de Cultura da Universidade do Porto, acolheu temporariamente Marina Stella de Araújo, formada em Biblioteconomia e Ciência da Informação pela Universidade de São Paulo.

Ainda em 2020 foi acordado, com o Departamento de Ciência da Comunicação e da Informação da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, proceder-se ao acolhimento de dois estagiários de Mestrado em Ciência da Informação da FLUP/FEUP, que terão como foco do seu trabalho o estudo dos sistemas de organização do conhecimento no domínio Arquitetónico e Artístico através da análise do controlo de autoridades e de assuntos.

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II. COMUNICAÇÃO

A Comunicação, juntamente com o Centro de Documentação e a Gestão do Património é um dos três vetores estruturantes da Fundação Marques da Silva. Preservar, estudar e mostrar, para dar a conhecer e valorizar uma herança e memória enraizada na história da arquitetura e urbanismo português, articulando o trabalho desenvolvido sobre e a partir da documentação e núcleos bibliográficos em arquivo, com a sua análise crítica e construtiva, continua a ser uma pedra basilar deste projeto institucional. Isto significa que a articulação e interseção entre estas três vertentes se processa de uma forma constante e intersticial, ajustando-se, como um corpo orgânico, a cada contexto ou circunstância que enfrenta. No plano de atividades proposto para 2020, havia uma clara aposta na abertura e exposição pública de acervos e espaços, uma vontade de dar visibilidade à dinâmica da instituição e ao seu sentido de atualidade. A ocorrência de uma pandemia e a adoção de severas medidas de segurança pública para a sua contenção, com regulamentação restritiva de circulação e a entrada em vigor de um longo período de confinamento veio impor uma reformulação em tempo real da estratégia anteriormente traçada. Alteraram-se calendários, redefiniramse ações de carácter expositivo, apresentaram-se novos projetos e reforçou-se a produção de conteúdos multimédia ou passíveis de divulgação através de canais digitais. O objetivo era manter e ampliar públicos, continuar a alargar o território de ação e a consolidar trabalhos que transportam para um tempo presente uma consciência e conhecimento em expansão sobre a obra dos arquitetos que a Fundação acolhe e documenta. O Plano de Atividades foi suspenso, mas tal não significou cristalização no tempo. Pelo contrário, houve contrarresposta e ajustamento ao desafio de como comunicar e divulgar em tempo de pandemia.

Cabe à Comunicação dar a conhecer o trabalho desenvolvido na instituição, nas suas múltiplas vertentes: tratamento arquivístico, projetos de investigação, produção e divulgação de iniciativas promovidas pela instituição, de conferências a exposições, dar continuidade à linha editorial e assegurar

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o contacto externo com outras entidades, individuais ou coletivas, nacionais ou internacionais. Em suma, providenciar instrumentos e plataformas de divulgação que visem apartilha de conhecimentos, a consolidação da sua imagem pública e o reforço da sua relevância enquanto instituição de referência no acolhimento e tratamento de documentação de arquitetura. Neste caso concreto, centrada no período que vai de finais do século XIX ao momento presente, com uma forte ligação à cidade do Porto e à Escola de Arquitetura, mas sem perda de sentido nacional e internacional.

O contexto aparentemente adverso acabou por não ser dissuasor da proposição e materialização dos principais projetos expositivos delineados para 2020, ou para a concretização e desenvolvimento de novos projetos editoriais, alguns de impacto internacional. Ressentiram-se as iniciativas de caracter presencial, como encontros, lançamentos ou conferências, um decréscimo na realização de visitas guiadas, mas em contrapartida surgiram novos conteúdos, produção de vídeos e a edição de duas linhas de podcasts, enquadradas por uma maior presença nos mídia, pela atualização de suportes comunicacionais e por uma presença assídua nas redes sociais.

A Fundação Marques da Silva tem ainda o privilégio de poder continuar a contar com a participação e colaboração de investigadores em muitas das suas iniciativas, eles que são interlocutores qualificados e motores essenciais para a prossecução de grande parte dos projetos de investigação em curso e uma garantia de rigor e qualidade científica da informação veiculada pela instituição ou da relevância dos espaços de reflexão e debate por si propostos. E a cada ano que passa, este núcleo de “colaboradores” tem vindo a ampliar, diversificando vozes e territórios de análise, o mesmo acontecendo com as instituições com as quais se tem vindo a estabelecer parcerias e colaborações. Destaca-se a colaboração com a Faculdade de Arquitectura da U.Porto e o Departamento de Arquitectura da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, na continuidade de uma cooperação institucional contínua, mas, em 2020, também o surgimento de novos projetos a desenvolver com o Instituto de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa,


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com o Politécnico de Milão, o Teatro Nacional de S. João, ou com o Círculo Dr. José de Figueiredo/Amigos do MNSR.

A dinâmica que se reflete neste conjunto de ações e de cumplicidades institucionais, tal como o maior interesse e presença pública da instituição, vem reconhecer o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido. Vem também provar a validade dos objetivos propostos e a manter viva a ambição de crescimento e expansão, sendo a futura construção de um edifício de raiz para depósito e operacionalização do acolhimento e tratamento da documentação uma etapa importante a alcançar.

1. DINAMIZAÇÃO CULTURAL E ARTÍSTICA: ESTUDAR, DEBATER E DIVULGAR

O valioso e heterogéneo acervo documental preservado na Fundação Marques da Silva, complementado por núcleos bibliográficos de particular relevância e algumas coleções de índole museológica forma a matéria a partir do qual se constrói a proposição de ações. Em 2020, foi também esse o objetivo a cumprir com a exposição Mais que Arquitetura, projeto agregador de múltiplas ações e que simultaneamente dava a conhecer documentação e os espaços interiores do Palacete Lopes Martins. Mas esse propósito maior, não exclui nem se sobrepõe ao delinear ou receção de outras iniciativas que possam ser complementares às suas áreas de interesse e de ação, e acrescentar novos olhares sobre as questões que abordam e sobre a própria instituição. E assim foi que, paralelamente, a Fundação Marques da Silva acolheu a exposição Siza: Inédito e desconhecido, na Casa-Atelier. Um projeto de itinerância a passar pela primeira vez em Portugal, com uma leitura inovadora e transversal dos desenhos produzidos por três gerações da família do autor do projeto para o novo centro de documentação da Fundação Marques da Silva, o arquiteto Álvaro Siza.

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Em conjunto, estes dois projetos expositivos que marcaram o ano de 2020, permitiam uma abertura simultânea das duas casas onde se encontra instalada a Fundação Marques da Silva: Palacete Lopes Martins e Casa-Atelier José Marques da Silva, dando a perceber a lógica unificadora que os distingue. Tinham a acompanhá-los uma série de iniciativas que apenas parcialmente foram realizadas devido à pandemia. Mas apesar desta situação, de absoluta imprevisibilidade, conseguiu trazer novos visitantes e suscitar o interesse generalizado dos media.

O novo contexto de trabalho e a consequente reformulação da programação complementar a estas duas exposições, deslocou o foco para a produção e partilha de registos multimédia, seja associados às temáticas das exposições, seja para dar a conhecer os trabalhos em curso sobre a documentação, seja mesmo a produção de projetos áudio para mostrar uma perspetiva diferente sobre os acervos da Fundação, caso do podcast Escritos Escolhidos, seja para criar espaços de reflexão e partilha com a comunidade de arquitetos, caso do podcast Passa-a-Palavra: falemos de arquitetura.

As restrições à circulação e à reunião física das pessoas em espaço público, devido às regulamentações sanitárias impostas pelo Estado para mitigar a pandemia teve, contudo, outras consequências: diminuição do número de visitas guiadas e uma redução ao mínimo de espaços de encontro para partilha e debate presencial. Por esta razão, a 14.ª edição das Conferências Arquiteto Marques da Silva, que há 13 anos se realizam ininterruptamente no auditório Fernando Távora da FAUP, acabaram por ficar suspensas, tendo igualmente ficado adiadas iniciativas em torno das novidades editoriais deste ano. Numa outra opção, o Prémio Fernando Távora, que viu surgir a Fundação como entidade parceira pela primeira vez desde a sua criação, decorreu numa sessão de acesso restrito com transmissão direta online. Ainda assim, alguns encontros puderam realizar-se dando cumprimento à vontade de transformar a sala de jantar do Palacete Lopes Martins num espaço de acolhimento para este tipo de ações.


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As condicionantes referidas não obstaram, porém, a que se mantivesse a prática de sinalizar atos de doação ou da receção da nova documentação, a participação da Fundação em programas de âmbito nacional/internacional, como sejam o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, o Dia Internacional dos Museus ou as Jornadas Europeias do Património, ou tão somente da evocação do Dia do Livro, da Poesia, do Teatro, da Fotografia e da Arquitetura ou outras efemérides, como a já tradicional referência às datas de nascimento dos arquitetos aqui representados através da divulgação de documentos e/ou informação que pudessem lançar um olhar sobre o trajeto pessoal ou obras. Foi ainda assegurada a colaboração solicitada por entidades externas em função da natureza dos projetos que pretendiam desenvolver.

Em 2020, a atividade editorial, que continua a ser encarada como uma plataforma privilegiada de promoção e valorização científica e cultural nos domínios de ação da Fundação Marques da Silva, assinalou o lançamento de 2 novos títulos e, em colaboração com a OASRN, a publicação de três Mapas de Arquitetura (dois revistos e ampliados, e um novo) em versão impressa e em formato ebook, ficando assim acessíveis a todos os interessados na sua consulta.

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1.1. AS INICIATIVAS DA FUNDAÇÃO

O princípio norteador da instituição, no que se refere à informação que veicula e promove, dentro e fora das suas portas, continua a passar pela promoção do diálogo entre a obra documentada e a obra construída, entre os percursos de vida e o impacto da ação desenvolvida pelos arquitetos representados no universo da Fundação na cidade e nos territórios que ajudaram a definir no mundo dos nossos dias, mediado por um olhar crítico, por uma investigação sistemática e rigorosa.

A singularidade e carácter próprios de cada um dos mais de vinte arquitetos com obra, intelectual ou projetual, documentada na instituição, bem como a conformação única dos respetivos acervos associada a tempos diferenciados de incorporação no Centro de Documentação da instituição vai definindo as várias abordagens e a apresentação pública do potencial informativo que congregam. Trata-se, todavia, de um importante manancial de memória que em função de contextos adequados vai adquirindo e acumulando novas leitura e abordagens. Os contextos e a oportunidade vai sendo criada em função de projetos que vão surgindo ou da confluência de circunstâncias que validam um ou outro olhar mais direcionado para um ou outro arquiteto. Ainda assim, a Fundação tenta acrescentar, a cada ano que passa, novas camadas de entendimento ou de partilha coletiva sobre todos os acervos, incentivando, sempre que possível, o estabelecimento de relações com outras entidades que ampliem a sua difusão. Este ano, não foi exceção. Entre os projetos de higienização e de digitalização em grande escala, e os projetos expositivos, notícias ou publicações praticamente nenhum acervo ficou esquecido.


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1.1.1. AS EXPOSIÇÕES NA FUNDAÇÃO MARQUES DA SILVA

As duas exposições que entre outubro e dezembro de 2020 trouxeram, em ano de pandemia, 1076 visitantes, número que não inclui muitos dos convidados e visitantes destes espaços em períodos para além dos horários reservados ao público em geral, conseguiram contribuir, de forma determinante, para uma maior visibilidade da instituição, captando novos públicos e o interesse dos media que amplamente as divulgaram. Na sua especificidade e identidade próprias, confluíram na circunstância de abrirem as duas casas e respetivos jardins da sede da Fundação ao público, pela primeira vez visitável durante um horário alargado de segunda a sábado, entre as 14h e as 18h. Visitantes que ao visitá-las ficaram a conhecer também os espaços que as acolhiam. Essa ponte comum justificou a realização de visitas conjuntas, guiadas pelos respetivos curadores, assim como a apresentação conjunta de um programa paralelo que, em função da pandemia foi sendo ajustado. Um terço das ações programadas, onde se incluíam as 2 visitas guiadas realizadas (7 de novembro e 19 de dezembro), o lançamento do livro A Recepção do Team 10 em Portugal, de Pedro Baía e a projeção de alguns programas televisivos e de 2 curtas metragens, na sala de jantar do Palacete Lopes Martins, foram realizadas. As restantes projeções foram canceladas e substituídas pela partilha pública dos registos videográficos inicialmente associados ao contexto expositivo.

Inicialmente previstas para o mês de março, com uma cerimónia inaugural ambiciosa - que integrava sessões públicas de doação dos acervos dos arquitetos Bartolomeu Costa Cabral e dos Arquitetos Alexandre Alves Costa e Sergio Fernandez, mas também a apresentação do estudo desenvolvido pelo Arquiteto Álvaro Siza para o edifício a construir nos jardins, destinado a novo Centro de Documentação – tiveram de ser adiadas para o dia 17 de outubro, abrindo sem aparato cerimonial, mas sob um forte interesse público, fruto do investimento realizado na

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adjudicação de uma assessoria de imprensa à Bairro dos Livros, e na produção de múltiplos suportes de divulgação, gráficos (de cartazes, a mupis e folhas de sala), e audiovisuais (reportagem fotográfica de Inês d’Orey, teasers e vídeos de entrevistas conduzidas por Paula Moura Pinheiro a 5 arquitetos, produzidos por Nuno Nacarato). A partir de novembro, com a adoção de novas medidas de contingência para combater a propagação do vírus COVID-19, a Fundação Marques da Silva alterou o período de visita aos sábados da tarde para a manhã, suspendeu a programação paralela inicialmente prevista e implementou um conjunto de regras e percursos de circulação, em sintonia com as orientações da Direção Geral de Saúde, de forma a manterem-se abertas ao público.


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- MAIS QUE ARQUITECTURA

Palacete da Fundação Marques da Silva, curadoria de Luís Urbano 17 de outubro de 2020 a 30 de abril de 2021 A exposição Mais que Arquitetura tinha como objetivo constituir-se um primeiro momento de apresentação pública da variedade e multiplicidade de temáticas que a consulta desta documentação pode proporcionar. Com base numa leitura transversal dessa documentação selecionou documentação e objetos, muitos deles inéditos, entre exercícios escolares, projetos de arquitetura e de cidade, desenhos, esquissos, maquetes, fotografias, filmes, textos, publicações, aulas, provas académicas, registos de viagens dentro e fora de Portugal, correspondência, bibliotecas, coleções de arte e literatura, objetos de design, mobiliário e até edifícios associados a um largo número de arquitetos representados no arquivo da instituição. Ao agrupar estes registos em torno de 10 temas/estações mostrou também como em muito ultrapassavam os limites estritos da arquitetura ou o campo do exercício projetual: Na escola (1); Lá fora (2); Em viagem (3); Coleções (4); Na cidade (5); Em casa (6); Ensino (7); Escrita (8); Media (9); Design (10). Simultaneamente, ao estender-se pelos dois pisos do Palacete Lopes Martins, converteu-se num convite para a ‘descoberta’ deste espaço.

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- SIZA - INÉDITO E DESCONHECIDO

Casa-Atelier José Marques da Silva, curadoria de António Choupina e Kristin Feireiss 17 de outubro de 2020 a 16 de janeiro de 2021 A exposição Siza - Inédito e Desconhecido explorou um tema lançado pelo centenário da Bauhaus a partir da (des) conhecida obra de Álvaro Siza: o legado académico, familiar e profissional. Apresentou-se pela primeira vez em Portugal, depois de ter sido exibida em 2019, na Tchoban Foundation, em Berlim, ficando patente ao público na Casa-Atelier José Marques da Silva. Nela se mostraram esquissos de projeto, fantasias arquitetónicas e retratos, não apenas da autoria de Álvaro Siza, mas também da sua família: a esposa Maria Antónia Siza, o filho Álvaro Leite Siza, a filha Joana Siza e o neto Henrique Siza, para além de outras peças escultóricas e da maqueta para o novo centro de documentação da Fundação Marques da Silva, da autoria de Álvaro Siza. Tratouse de uma iniciativa organizada em parceria com a Faculdade de Arquitectura da U. Porto.


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Da programação paralela inicialmente prevista para esta duas exposições foram realizadas as seguintes atividades:

VISITAS GUIADAS 7 de novembro e 19 de dezembro de 2020, com os curadores Luís Urbano e António Choupina.

PROJEÇÕES 24 Outubro 2020: “Magazine de Arquitectura - Fernando Távora” (1993), de Isabel Colaço e Manuel Graça Dias; curta-metragem “Mercado”, de Carlos Machado e Ricardo Santos (2014). 31 Outubro 2020: “Magazine de Arquitectura - Sergio Fernandez” (1993) de Isabel Colaço e Manuel Graça Dias; “Visita Guiada - Idanha-a-Velha” (2015) de Paula Moura Pinheiro

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LANÇAMENTO DE LIVRO 04 Novembro 2020: A Recepção do Team 10 em Portugal, de Pedro Baía, editado pela Circo de Ideias, com apresentação de Ana Tostões e João Rosmaninho, e exibição da curtametragem “29A” (2013)

CONTEÚDOS MULTIMÉDIA A partir de 4 de dezembro, a Fundação Marques da Silva começou a disponibilizar, a um ritmo semanal, alguns dos conteúdos multimédia associados às várias estações de Mais que Arquitectura, um processo que se prolongou por 2021, divulgado pelos vários canais à disposição da instituição e que se encontram alojados na página web como memória futura. Em 2020 foram divulgados 3 dos 12 vídeos a partilhar: - #1, Na Escola (Paula Moura Pinheiro fala com Sergio Fernandez sobre o CODA – Casa do Povo para Rio de Onor); - #2, Lá fora (Paula Moura Pinheiro fala com Ana Vaz Milheiro sobre Raúl Hestnes Ferreira); - #3, Em Viagem (Paula Moura Pinheiro fala com Álvaro Siza sobre a Viagem a Marrocos de 1967).

VISITAS DE ESCOLAS DE ARQUITECTURA As exposições “Mais que Arquitetura” e “Siza-Inédito e Desconhecido”, em particular quando articuladas com a documentação em arquivo na Fundação Marques da Silva, constituíram ainda um estimulante território de estudo para várias escolas de arquitetura que nessa perspetiva as visitaram:


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- 10 de outubro, visita e aula em contexto expositivo dirigida a 16 alunos da Unidade Curricular de Teorias e Tratadística do 4.º ano do MIARQ em Guimarães, sob orientação do Professor André Tavares. Na altura foram analisados alguns exemplares de Tratados de Arquitetura pertencentes ao acervo de José Marques da Silva e de Fernando Távora. - 21 de dezembro, visita à exposições e ao arquivo para consulta do projeto de Fernando Távora para a Quinta da Conceição dirigida a alunos do Curso de Doutoramento de Arquitetura da Universidade de Coimbra, sob orientação do Professor Gonçalo Canto Moniz.

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1.1.2. DOS BASTIDORES PARA A ESFERA PÚBLICA

Os arquivos e todo o trabalho desenvolvido em torno da preservação e tratamento da documentação de arquivo e biblioteca são a estrutura central da Fundação Marques da Silva.

DOAÇÕES Não tendo sido possível programar as habituais sessões públicas de assinatura de protocolos de doação e apresentação de acervos, foram apenas noticiadas e registadas peças doadas ou registos fotográficos de reuniões decorridas nas instalações da Fundação.

FRANCISCO GRANJA Com a documentação a ser recolhida ainda em 2019, num processo apoiado por Clara Pimenta do Vale e César Romão, foi apenas a 30 de junho que foi formalizada a doação com a assinatura do protocolo pela Presidente, Fátima Vieira, e o Vice-Presidente, Luís Urbano, em representação da instituição e, pela família de Francisco Granja, por Maria Júlia Granja e Helena Pato Granja, esposa e filha deste arquiteto. O acervo é constituído por centenas de registos de projeto (peças desenhadas e escritas), fotografias e revistas de arquitetura e urbanismo a documentar o percurso de um arquiteto que foi discípulo de Marques da Silva. Francisco Granja projetou,


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entre outras obras, o Cineteatro Vale Formoso, a Garagem da Peugeot, ou o conjunto de edifícios residenciais para a rua António José da Costa, no Porto. A documentação doada começou, em 2020, a ser alvo de tratamento arquivístico e de ações de conservação e restauro, tendo em vista a sua futura disponibilização. Até ao final do ano, foram restauradas 10 peças desenhadas e 1 painel fotográfico.

CARLOS CARVALHO DIAS E JOSÉ PORTO Sendo ampliações de doações já existentes, foram partilhadas notícias relativas à entrada da nova documentação que, no caso do arquiteto Carlos Carvalho Dias referem-se agora à decisão de doar todo o seu arquivo e biblioteca profissionais à instituição que, até à data, apenas tinha incorporado os registos relativos à sua participação no Inquérito à Arquitectura Popular em Portugal. Ainda a propósito deste gesto, Alexandra Saraiva publicou uma entrevista na revista Archivoz Magazine de setembro, onde este Arquiteto expõe um conjunto de reflexões sobre a preservação da memória no domínio da Arquitetura. Também o acervo de José Porto cresceu. São mais de uma dezena de esquissos, onde se destacam os estudos para o Clube Náutico da Beira, projeto desenvolvido na década de 40 do século XX. Documentos raros, recentemente encontrados e agora entregues à Fundação Marques da Silva pelo Arquiteto Abílio Mourão.

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PROJETO DE HIGIENIZAÇÃO, ACONDICIONAMENTO E DIGITALIZAÇÃO A decisão de se proceder à implementação em larga escala de ações de conservação e restauro para higienização e reacondicionamento de documentação, visando mais de 20.000 documentos pertencentes ao acervo de Raúl Hestnes Ferreira, bem como a decisão de se proceder à digitalização de mais de 7.ooo documentos transversais à documentação de 12 arquitetos representa um forte investimento em ações de prevenção e salvaguarda documental com evidentes contributos para otimizar o seu futuro estudo e divulgação. São ações que se situam num claro cumprimento dos compromissos assumidos com os seus doadores e um sentido de responsabilidade para com a missão que preside a instituição. Mas foi também um momento único pela conjugação num mesmo período temporal de sobreposição de múltiplas fases de abordagem sobre um mesmo universo documental: preservação (arquivo e tratamento); estudo (investigação e montagem de projetos expositivos); divulgação (as exposições per si) e que a Fundação não deixou passar sem proceder à montagem de um vídeo que pedagogicamente ilustra estas fases, dando a conhecer os bastidores do trabalho desenvolvido na Fundação: foi com esse vídeo que se deu as boas vindas a 2021. Mas ao longo destas operações, houve a preocupação de recolher registos (fotográficos e em vídeo) para os documentar e ir partilhando, a par e passo, a sua evolução com o público. No caso da documentação relativa ao acervo de Raúl Hestnes Ferreira, registos que permaneciam inéditos ou se julgavam perdidos foram encontrados e já possibilitaram a publicação de 3 comunicações de Alexandra Saraiva: “Hestnes Ferreira between European timelessness and North American classicism”, na AMPS Proceedings Series 17.1. Education, Design and Practice; “Hestnes Ferreira´s Proposal for Amsterdam City Hall Competition - Analyzed in continuity with Louis Kahn”, publicada no Journal of Architecture and Urbanism; e um estudo sobre os projetos candidatos à Ópera da Bastilha de Raúl Hestnes Ferreira, Alfredo Matos Ferreira e Manuel Graça Dias a apresentar em 2020, no Colóquio Grands Projets: Urban legacies of the late XX century.


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Para o Dia Internacional dos Museus, a 18 de maio, foi lançado o vídeo De Paris para o Porto: o restauro dos desenhos de Marques da Silva do atelier Laloux. Enquanto se aguardava o momento de reabertura das instalações, portanto sob confinamento, este dia foi sinalizado com uma iniciativa digital: um olhar pedagógico para tornar visível o processo de restauro dos desenhos realizados durante

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a formação de José Marques da Silva em Paris, entre 1890 e 1896, enquanto aluno da Escola de Belas Artes e jovem aprendiz de arquiteto no atelier de Victor Laloux. Falamos de 68 desenhos de arquitetura, 10 desenhos de modelo e ornamento, 44 enunciados e 2 memórias descritivas - hoje parte integrante do acervo da Fundação Marques da Silva - que foram alvo de um amplo e meticuloso processo de restauro, em grande parte realizado por Ana Freitas, da Oficina de Conservação e Restauro de Documentos Gráficos da Universidade do Porto.

O ACESSO DIGITAL À CONSULTA DE DOCUMENTOS Só em 2020, 7 novos Sistemas de Informação foram integrados e abertos à consulta pública no Arquivo Digital que a instituição tem alojado na plataforma AtoM. Uma conquista importante que foi sinalizada em dois momentos. O Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, 18 de abril, tornouse pretexto para divulgar a disponibilização dos Sistemas de Informação de Bartolomeu Costa Cabral, Fernando Lanhas, Raúl Hestnes Ferreira e Rui Goes Ferreira. Em junho, foi divulgada a presença em arquivo digital de Octávio Lixa Filgueiras e Manuel Teles. Em setembro, com a entrada de nova documentação, o Sistema de Informação de José Porto.


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ARQUITETURA FALADA Em tempo de confinamento, a Casa Comum da UP lançou o desafio e a Fundação Marques da Silva respondeu com a proposta de realização de duas linhas de podcasts: “Escritos Escolhidos” e “Passa-a-Palavra: falemos de arquitetura”. O primeiro, tomando de empréstimo o título do último livro publicado no âmbito da tradução da obra escrita de Giorgio Grassi, “Escritos Escolhidos”, centra-se na leitura de textos escritos por arquitetos que pertencem ao universo desta Fundação, isto é, com destaque para os escritos de arquitetos cujos acervos foram confiados a esta instituição. Inéditos ou já publicados, são sempre textos que pretendem oferecer um outro olhar sobre quem os escreveu ou sobre a matéria que abordam. “Passa-a-Palavra: falemos de arquitetura”, em contrapartida, estabelece uma ligação ativa e dinâmica com a comunidade de arquitetos. Tendo como ponto de partida, o testemunho do Diretor da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, cada participante foi convidado a revelar o projeto ou obra que tem um lugar de referência na sua visão do mundo da Arquitetura, lançando por sua vez o desafio a um outro arquiteto que será o participante seguinte.

Estes programas foram pensados e conduzidos por Paula Abrunhosa, com produção de Paulo Gusmão. Até ao final de 2020 foram publicados 32 programas no total:

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ESCRITOS ESCOLHIDOS (ABRIL-DEZEMBRO 2020): #1: José Marques da Silva: Carta ao Presidente do Senado da Câmara Municipal do Porto (1915) | Arquivo Digital:documentosrelativos à abertura da Avenida #2: Fernando Távora: O granito da minha infância (1999) #3: Alcino Soutinho: Um país de países (s.d.) #4: Alexandre Alves Costa: Apresentação de Maria de Sousa (1996) #5: Bartolomeu Costa Cabral: Arquitectura: passado, presente, futuro (2015) #6: Álvaro Siza: Vittorio Gregotti (1989) e Gravura de Picasso (2020) #7: Raúl Hestnes Ferreira: À volta de Carlos de Oliveira (s.d.) #8: José Carlos Loureiro: Palácio do Freixo (1981) #9: Sergio Fernandez: Vill´Alcina (2006) #10: Álvaro Siza: Barragán (1994) e António Quadros (1991) #11: Fernando Tavora: Casa da Covilhã, Guimarães (1983) | Arquivo Digital FIMS #12: Sobre Arménio Losa: textos de Álvaro Siza, Alcinho Soutinho, Jorge Gigante e Fernando Távora (1988) #13: José Porto: Ante projeto para o Coliseu do Porto (1938) | ebook Coliseu do Porto #14: Fernando Lanhas: pensamentos a vários tempos (s.d.) #15: Octávio Lixa Filgueiras: “Usina”, in Requiem às Glórias do Mundo (1949) #16: Fernando Távora: Taliesin (1960) #17: Álvaro Siza: Le Corbusier (2020)


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PASSA-A-PALAVRA: FALEMOS DE ARQUITETURA (ABRIL-DEZEMBRO 2020): #1: João Pedro Xavier: Pavilhão Barcelona, Mies van der Rohe - Barcelona #2: Nuno Brandão Costa: Basílica de São Lourenço, Filippo Brunelleschi - Florença #3: Pedro Ramalho: Casas geminadas na Werkund, Adolf Loos - Viena #4: João Pedro Serôdio: Casa Farnsworth, Mies van der Rohe - Illinois #5: Francisco Vieira de Campos: Casa em Porto Manso, Eduardo Souto de Moura - Baião #6: Graça Correia: Lafayette Park, Mies van der Rohe - Detroit #7: Nuno Valentim: Casa Barragan, Luis Barragán - México #8: José Gigante: A “rota Corbusier” - França #9: João Mendes Ribeiro: Neues Museum, David Chipperfiel - Berlim #10: Andreia Garcia: Capela das Irmãs Clarissas Capuchinhas, Luis Barragán - México #11: Carlos Antunes: Arquiteturas sem arquitetos: ninhos #12: Harry Wolf: Pavilhão Barcelona, Mies van der Rohe - Barcelona* #13: Robert McCarter: Unity Temple, Frank Lloyd Wright - Oak Park, Illinois #14: Sandra Barclay: Casa Curutchet - La Plata, Buenos Aires

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EM PREPARAÇÃO O desenho da vida na obra de Manuel Marques de Aguiar é o título da exposição que irá ocupar a Casa-Atelier José Marques da Silva, após a desmontagem da exposição Siza: Inédito e Desconhecido. A ideia e curadoria caberá a David Leite Viana que, ainda em 2020 iniciou o trabalho de análise do acervo tendo em vista a seleção do material a expor. Daqui surgiu a ideia para o Postal de Natal de 2020, um desenho deste arquiteto, feito em Gainesville, em 1996, graficamente trabalhado por Rui Guimarães.

1.1.3 CONFERÊNCIAS ARQUITETO JOSÉ MARQUES DA SILVA

Inês Lobo, com Resiliência, chegou a ser anunciada como a conferencista da 14.ª edição das Conferências Marques da Silva, como sempre, a acontecer no Auditório Fernando Távora da FAUP. A entrada em vigor de um novo estado de emergência levou ao reequacionar da sua realização na data prevista, 18 de novembro. Abdicar do formato presencial e da


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ligação à Faculdade de Arquitectura da U.Porto, condições que acompanham e ajudam a definir o carácter deste Ciclo desde o momento em que foi lançado, não foram opções a considerar. Em 2021, num outro contexto e com outra segurança, as Conferências Marques da Silva trarão de regresso este ciclo, com esta mesma conferencista.

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1.1.4 OUTRAS INICIATIVAS OU AÇÕES DE DIVULGAÇÃO

Sempre que o nome e obra de arquitetos documentados na Fundação Marques da Silva é veiculado ou alvo de iniciativas públicas ou com alcance público a instituição associa-se à sua divulgação.

No caso de Bartolomeu Costa Cabral, foi reforçada a divulgação da exposição “A Ética das coisas” que, depois de ter estado patente ao público no Convento de Tomar, passou em 2020, entre janeiro e março, para o Círculo de Arquitetura, em Oeiras; a atribuição e entrega do Prémio AICA; e a publicação do artigo de Mariana Oliveira Couto, ““O Edifício na Praça de Martim Moniz (1973-1984), de Bartolomeu Costa Cabral: uma proposta de continuidade”, para a ProArq (caderno 34).

Foi ainda partilhado o artigo de Patrícia Pedrosa “Elas andaram aí”, mas com “estranhos destinos”. Como se (re) escreve na história portuguesa a arquitectura no feminino?, publicado a 16 de julho por focar, entre as várias protagonistas, Maria José Marques da Silva.

1.2. A FUNDAÇÃO EM REDE: ACOLHIMENTO, COLABORAÇÃO, APOIO

A Fundação Marques da Silva tem previsto no seu Plano Estratégico o estabelecimento de ligações a entidades congéneres e a promoção de redes de cooperação enquanto prática a ser implementada sempre que possível para conjugação de esforços e de recursos no domínio da intervenção cultural, artística e arquitetónica. Iniciativas que permitam valorizar e reconhecer a importância dos arquivos de arquitetura e da sua relação com a construção dos vários territórios, assim como potenciar a participação de um número mais vasto de interlocutores e de públicos.


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O ano de 2020 foi atípico e dificultou inevitavelmente a materialização de muitos contactos e projetos que se anunciavam de forma promissora em 2019. As contingências de uma pandemia estenderam-se a todos, tendo cada um de encontrar a melhor estratégia para se reorganizar. Ainda assim, em 2020, podemos assinalar 4 projetos de cooperação institucional, para além das colaborações em termos de tratamento documental, já referidas, ou parcerias editoriais.

- WHAT EDUCATION? Arquitetura, Ensino e Investigação Colóquio/webinar 22 e 23 de maio de 2020 Apresentação: Jorge Figueira, Gonçalo Canto Moniz, Luís Urbano Oradores: Bruno Gil, Carolina Coelho, Eduardo Fernandes, Gonçalo Canto Moniz, Leonor Matos Silva, Pedro Pinto, Raquel Paulino

O colóquio What Education? Arquitetura, Ensino e Investigação, realizado em formato digital, reuniu os investigadores do projeto (EU)ROPA - Rise of Portuguese Architecture e os investigadores convidados da linha “What Education”, com o objetivo de debater publicamente os primeiros resultados da investigação anunciada em julho do ano passado na Casa-Atelier Marques da Silva. Teve como propósito identificar, para cada caso de estudo, os temas mais relevantes e os momentos-chave da formação

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do/a arquiteto/a, bem como registar os desafios trazidos a este contexto pela investigação, de acordo com os desenvolvimentos da linha “What Research”. Esta iniciativa foi organizada por Jorge Figueira, Gonçalo Canto Moniz, Bruno Gil, Carolina Coelho, do Centro de Estudos Sociais (CES-UC), em parceria com a Fundação Marques da Silva. - Prémio Fernando Távora Lançamento e realização da 16.ª edição A 26 de outubro, na sede da OASRN, numa cerimónia em formato reduzido transmitida em streaming, decorreu a 16.ª edição do Prémio, que contou com a Fundação Marques da Silva como entidade parceira. O Júri, constituído pela jornalista Paula Moura Pinheiro, pela arquitecta Paula Silva, pelos arquitectos José Bernardo Távora (indicado pela Fundação) e Eduardo Queiroga (em representação da OASRN) e, também, pela Dra. Maria da Graça de Tavares e Távora Pereira Coutinho (designada pela família do Arquiteto Fernando Távora) elegeu como vencedora a candidatura de Pedro Abranches Vasconcelos e Carlos Machado e Moura com o projeto de viagem “Estrelas do mar: Fortificações Costeiras de Portugal Continental”. - Primeiro encontro do projeto de investigação do acervo Raúl Leal/webinar 26 de novembro O importante conjunto de documentos pertencentes ou relativos à obra de Raul Leal, integrado na coleção Pessoana de Fernando Távora, transformou-se em território de investigação ao servir de matéria para um projeto coordenado por Celeste Natário (Instituto de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto) e Paulo Borges (Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa). A 26 de novembro decorreu uma primeira ação, para uma apresentação sumária do espólio feita por Rui Lopo, Hugo Calhim Cristovão e Joana Von Mayer Trindade.

- Footnote 14: the Angel of History Casa São Roque, curadoria de Barbara Piwowarska 25 de outubro de 2020 a 6 de maio de 2021 Esta extensa exposição coletiva passa por uma revisitação “histórica” do antigo palacete Ramos Pinto, construído em 1759 e posteriormente remodelado em 1900–1910 pelo arquiteto


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Marques da Silva. O epónimo “anjo da história” assume-se ainda como mote para a criação de uma surpreendente teia de relações em torno de Walter Benjamin e da interrogação sobre o que significa “estar/sentir-se em casa”. Para a seleção do material exposto foi também consultado o arquivo da Fundação Marques da Silva, tendo sido cedidas reproduções de algumas fotografias relativas a ambientes interiores e ao projeto de Marques da Silva.

1.3. APOIOS À DIVULGAÇÃO

O estabelecimento de uma rede de ligações e interações com outras instituições, com as quais se tem procurado estabelecer parcerias e colaborações que complementam e ampliam o horizonte de intervenção da Fundação Marques da Silva, tem sido uma aposta consciente e sempre presente. A construção deste trabalho passa também por apoiar as instituições que nos procuram, como forma de reforçar os canais de divulgação de ações por si promovidas. Em função dos contextos da sua realização e das temáticas que abordam, a Fundação Marques da Silva procura responder e, dessa forma, contribuir para reforçar laços que, formal ou informalmente têm vindo a ser estabelecidos com essas instituições. No conjunto destas relações institucionais cumpre destacar as colaborações com a Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto e a Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitectos, mas também o Círculo Dr. José de Figueiredo/Amigos do MNSR ou, em 2020, da Irmandade de S. Torcato.

Este foi, porém, um ano atípico, com muitas iniciativas a serem suspensas ou a serem transpostas para plataformas digitais, ou ainda a permanecerem abertas ao público de forma intermitente. Os apoios à divulgação que a Fundação Marques da Silva assegurou, passaram pelas seguintes ações:

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- Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto Programa de homenagem ao Professor Francisco Barata Fernandes (encontro, exposição e visitas guiadas); Ciclo Matéria: conferências brancas (conferência Oliver Thill); The Measure of Mies (exposição na Casa das Artes); Estudo sobre o Futuro das Cidades.

- Círculo Dr. José de Figueiredo/Amigos do MNSR Curso de Gastronomia; Doação, tratamento e disponibilização do acervo do Eng.º Bernardo Ferrão.

- Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte No caso da OASRN, seja com a Direção cessante, seja com a Direção que em julho entrou em funções, a Fundação Marques da Silva continuou a manter uma colaboração próxima, a passar pela publicação de 3 novos Mapas de Arquitetura em parceria coma Fundação Marques da Silva e para assegurar a continuidade do Prémio Fernando Távora que, em 2020, já decorreu com a Fundação enquanto instituição parceira. Para além destes projetos conjuntos, foi dada resposta ao pedido de apoio à divulgação dos encontros para discussão do Plano Diretor para a cidade do Porto.

- Irmandade de S. Torcato Cerimónia oficial da elevação do Santuário de S. Torcato a Basílica Menor, um projeto com uma intervenção determinante de José Marques da Silva e continuada pela sua filha e genro, Maria José e David Moreira da Silva.

Independentemente de um pedido expresso de apoio à investigação, a Fundação Marques da Silva opta por divulgar informações sobre ações que, não sendo de sua iniciativa, possam ter relevância no seu universo de interesses, caso de: - Atribuição do Prémio AICA a Bartolomeu Costa Cabral; Exposição A Ética das Coisas, dedicada a Bartolomeu Costa Cabral, em Oeiras; Exposição Lanhaslândia, dedicada a Fernando Lanhas, na Galeria Quadrado Azul (Porto); Exposição Footnote 13: Angel of History, na Casa de São Roque; Seleção do filme A Encomenda, de Manuel Graça Dias, para participar no Short Film Showcase da Toronto Society of Architects,


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Canadá, um evento especial da TSA Playlist; Mapa das Iconic House, com a seleção da Casa de Serralves; revista Monocle (n. 133), com referência às casas modernistas de Fernando Távora e Fernando Lanhas; Atribuição do Prémio Nacional de Arquitectura de Espanha a Álvaro Siza; Homenagem a Eduardo Lourenço (evocação e texto de Alexandre Alves Costa proferido para a OA); Exposição Vistas de Exposição, no Pavilhão de Exposições da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.

2. ATIVIDADE EDITORIAL

À data da criação da Fundação Marques da Silva, existiam 5 catálogos de exposições, 1 monografia e a tese basilar para o estudo de José Marques da Silva, da autoria de António Cardoso, para além de um conjunto de 6 litografias. Após quase uma década de atividade, a Fundação Marques da Silva acrescentou a este legado mais 22 publicações impressas e o lançamento de 20 títulos em formato digital de acesso livre. Acrescendo ainda a produção de uma linha de merchandising onde se incluem 2 cadernos de notas e um puzzle. São números que exprimem a importância dada à vertente editorial, enquanto meio estratégico de divulgação e promoção da investigação. A vertente editorial é, assim, considerada um instrumento de afirmação da vitalidade e abertura à comunidade por parte da instituição que, de forma autónoma ou em parceria, tem vindo a consolidar diferentes linhas onde se traduz uma dinâmica de investigação e produção teórica cada vez mais sólida, com a partilha de trabalhos que contribuem para a construção e democratização do conhecimento que tem vindo e continua a ser alcançado nos campos disciplinares de ação prioritária no universo da instituição: Arquitetura, Urbanismo e Património.

O ano de 2020, com dois novos livros publicados e a publicação de mais três Mapas de Arquitetura, em parceria com a Seção Regional Norte da Ordem dos Arquitectos, com cinco projetos em preparação e 2 edições de alcance

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internacional a ganharem forma, e a produção de um novo desdobrável de apresentação da Fundação Marques da Silva foi particularmente profícuo. Assinalou-se, não só a continuidade da coleção Conferências Arquiteto José Marques da Silva, com a publicação da conferência de José Ignacio Linazasoro, o sétimo volume publicado, como se deu início ao projeto que virá seguramente a aportar uma leitura inovadora da figura de Fernando Távora, a coleção As raízes e os Frutos, com investigação, organização e notas de Manuel Mendes. Dois projetos com a chancela da Fundação Marques da Silva, agora em parceria com a U.Porto Edições e o apoio da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto.

A possibilidade de se experimentar colocar em prática um esboço de loja/livraria física, num espaço improvisado para entrada e aquisição de ingressos para as exposições patentes ao público na sede da instituição, representou mais uma etapa num caminho a consolidar em 2021. Esta nova montra ao público permitiu ampliar substancialmente o número de vendas, em 356% face ao verificado em 2019, como também aumentar os títulos de outras editoras em regime de consignação aí representados.

Por sua vez, os títulos editados pela Fundação, a título exclusivo ou em parceria com outras entidades, onde se destaca a parceria com as Edições Afrontamento, continuam a estar representados na Loja Virtual da Fundação, alojada na página web da instituição, e numa rede de consignações em pontos estratégicos para a sua circulação, nacional e internacional, no mercado livreiro. O contexto pandémico não viabilizou a programação das habituais sessões de lançamento das novidades editoriais de 2020, mas a instituição não deixou de marcar presença nas Feiras do Livro do Porto e de Lisboa.

O apoio ou resposta a iniciativas editoriais promovidas por outras entidades continuou também a ser assegurado ao longo de 2020.


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2.1. PROJETOS PROMOVIDOS PELA FUNDAÇÃO 2.1.1. EDIÇÕES IMPRESSAS Em 2020 foram lançados 2 livros: - “‘O meu caso’ . Arquitectura, imperativo ético do ser, 19371947”, volume 1, tomo I.I do projeto editorial As raízes e os Frutos. palavra desenho obra (1937-2001). Com investigação, organização e notas de Manuel Mendes, este é o primeiro passo para a materialização de um livro ideado por Fernando Távora. Aqui se apresenta a movimentação do seu viver, o seu “estar no mundo sem fronteiras que se interroga, que se problematiza, que se realiza pelo conhecimento de tempos diversos, pelo conhecimento de lugares diversos”, a partir de um laborioso trabalho de pesquisa, mapeamento, descodificação, ordenação e cruzamento de um vasto corpo de documentos e notas produzidos por Fernando Távora ao longo do tempo e nas mais distintas circunstâncias.

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- Do Projeto Clássico à Memória da Ordem: Percurso de um Arquiteto, de José Ignácio Linazasoro

Este livro, que corresponde à passagem a texto escrito da edição 2017 das Conferências Arquiteto Marques da Silva, é o primeiro ensaio publicado em língua portuguesa de José Ignacio Linazasoro, um arquiteto que escreve. É autor de uma vasta obra, construída e publicada internacionalmente. Em Do projeto clássico à memória da ordem, o autor regressa às suas primeiras obras e considerações teóricas para dar a ver o seu percurso de arquiteto. Para Linazasoro, a arquitetura só poderá ser verdadeiramente contemporânea se não renunciar a ser arquitetura no sentido mais estrito do termo, mas o trabalho do arquiteto deve ter sempre subjacente uma forma de pensar, um fundamento que lhe permite crescer e desenvolver-se como uma árvore bem enraizada. A tradução esteve a cargo de Paula Abrunhosa.


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Em 2020, no contexto da abertura ao público das exposições Mais que Arquitetura e Siza: Inédito e Desconhecido, foi ainda produzido um desdobrável de apresentação da Fundação onde, pela primeira vez se incluem dois projetos que a Fundação deseja futuramente concretizar: a construção de um novo edifício concebido de raiz para acolher o Centro de Documentação, segundo estudo projetual do Arquiteto Álvaro Siza, e a junção dos Arquivos documentais da Fundação e da Faculdade de Arquitetura da UP nesse mesmo edifício, o que proporcionará à Universidade do Porto gerir o mais importante fundo documental de Arquitetura não estatal do país.

2.1.2. EDIÇÕES EM FORMATO DUPLO: IMPRESSAS E DIGITAIS

Em agosto de 2020 foram publicados 3 Mapas de Arquitetura, em parceria com a OASRN: - Referimo-nos à segunda edição, revista e ampliada, do Mapa de Arquitetura José Marques da Silva (pt/eng e es/fr), e à segunda edição revista do Mapa de Arquitetura Fernando Távora (pt/eng e es/fr). Mas, ainda no âmbito desta linha editorial, a Fundação Marques da Silva colaborou com a OASRN e a arquiteta Helena Ricca na produção do novo Mapa de Arquitetura Agostinho Ricca (pt/eng e es/fr). Com texto introdutório de João Luís Marques, este novo Mapa percorre 49 obras representativas de um valioso e diversificado legado, idealizado ao longo de 70 anos de atividade profissional. Esta coleção, lançada pela OASRN conta ainda um mais 3 Mapas: Álvaro Siza; Eduardo Souto de Moura; e Cassiano Barbosa e Arménio Losa.

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2.1.3. EDIÇÕES EM PREPARAÇÃO

Ao longo do ano de 2020 e com lançamento previsto para 2021, encontram-se em fase de produção mais cinco projetos editoriais: - Vida de Arquitecto, de Giorgio Grassi, com tradução e notas de José Miguel Rodrigues, o terceiro título a publicar no âmbito do projeto Giorgio Grassi Opera omnia sic, uma parceria Fundação Marques da Silva e Edições Afrontamento; - Projeto e circunstância. A coerência na obra de Rogério de Azevedo, de Ana Alves Costa, mais uma edição a desenvolver em parceria com as Edições Afrontamento; - “Antecedentes”, o primeiro fascículo da coleção A Escolha do Porto, contributos para a actualização de uma ideia de Escola, de Eduardo Fernandes. Este livro será editado em parceria pela Fundação Marques da Silva e as Edições Afrontamento, com o Lab2PT- Laboratório de Paisagens, Património e Território da Universidade do Minho e do Centro de Documentação da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto; - A Coleção Fernando Távora e o Modernismo Português, coord. por Ricardo Vasconcelos, a desenvolver pela Fundação Marques da Silva em parceria com a U.Porto Edições. - S. Torcato, a construção de um Santuário: Leitura do projeto a partir do espólio de Marques da Silva, de João Luís Marques. Uma edição em formato digital, a lançar com a chancela da Fundação Marques da Silva.

PARCERIAS INTERNACIONAIS: - Da Organização do Espaço, tradução para italiano, por Carlotta Torricelli, para a editora Nottetempo; - Da Organização do Espaço, tradução para inglês, projeto a desenvolver pelo Politécnico de Milão, Polo Territoriale di Mantova, com a editora Franco Angeli.


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2.2. DISTRIBUIÇÃO COMERCIAL E AÇÕES PROMOCIONAIS

A Fundação Marques da Silva continuou, ao longo de 2020, a garantir a divulgação das suas edições, em primeiro lugar através de uma rede que conta com 26 pontos de distribuição – mais 1 do que em 2020 - para venda em regime de consignação, dos livros e produtos de merchandising por si editados, com a exceção dos livros resultantes da parceria estabelecida com Edições Afrontamento, que são distribuídos no mercado nacional pela distribuidora “Companhia das Artes”, e das edições em consignação ou existentes em função de apoios. Apesar de ter ampliado os pontos de distribuição, as vendas ressentiram-se com os períodos de encerramento das livrarias, pelo que houve um decréscimo de aproximadamente 50% no total de livros vendidos em 2019 em regime de consignação externa.

Com a abertura das instalações ao público em geral no passado dia 17 de outubro de 2020, e como já referido, foi também inaugurada uma loja física para venda das publicações editadas pela Fundação ou a si consignadas. A loja online contém 30 títulos. Estão ainda disponíveis para aquisição, 2 agendas, 1 puzzle e 5 litografias. No seu todo, e em contraciclo ao cenário observado para as consignações externas, verificou-se um aumento de 356% face ao número de livros vendidos no ano anterior. Confirmou-se assim a predominância das vendas em regime de venda direta e em articulação com os projetos expositivos, mesmo sem ter sido possível, em 2020, programar sessões de lançamento das nossas edições.

Sempre que possível, a FIMS participa em ações promocionais e/ou de divulgação editorial, bem como incentiva a criação de laços de cooperação com outras entidades, de forma a promover canais de comunicação e difusão das publicações FIMS. Em 2020, continuou a marcar presença na Feira do Livro do Porto, patente ao público nos jardins do Palácio de Cristal, de 28 de agosto a 13 de setembro, integrada no stand da Universidade do Porto. No ano de 2020, foi renovada a parceria com a Editorial Blau para participação na Feira do Livro de Lisboa, que decorreu de 28 de maio a 14 de junho.

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2.2.1 EDIÇÕES FUNDAÇÃO MARQUES DA SILVA*

O universo de livros e outras publicações comercializados pela Fundação Marques da Silva é constituído por:

EDIÇÕES IMPRESSAS: LIVROS (29) 7 títulos chancela IMS (esgotados 2 títulos: Estação de S. Bento e O aluno, o Professor, o Arquiteto) 7 títulos livros da coleção Conferências Arquiteto José Marques da Silva (esgotado 1 título: O Liceu Alexandre Herculano, no Porto) 4 títulos da coleção Monografias de Marques da Silva (2 em parceria com Ed. Afrontamento) 3 títulos da coleção Fernando Távora: ‘minha casa’ (em parceria com FAUP e Reitoria UP) 2 títulos da coleção Giorgio Grassi – opera omnia sic (em parceria com Ed. Afrontamento) 5 títulos da coleção genérica de livros sobre arquitetura (3 em parceria com Ed. Afrontamento) 1 título da coleção As raízes e os Frutos.

MERCHANDISING 6 litografias chancela IMS (esgotada a litografia Estação de S. Bento) 2 cadernos de notas (reedição do caderno de notas CasaAtelier e para reedição o caderno Estação S. Bento, entretanto também já esgotado) 1 puzzle Estação S. Bento

* Não estão incluídas, neste campo, as edições de distribuição gratuita (caso dos Mapas de Arquitetura) ou as edições em formato ebook, na sua totalidade disponibilizadas em livre acesso.


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2.2.2 LIVROS EM CONSIGNAÇÃO (21): 2 de J. Carlos Loureiro; 1 de Ana Cotter; 6 da editora “Dafne”; 7 da “livraria A+A”, 1 das “Edições Afrontamento”, 1 da editora “a.mag”, 1 de Álvaro Leite Siza, 1 da “AMDJAC - A Mochila do João, Associação Cultural”, 1 da “Tchoban Foundation”, 1 da editora “Circo de Ideias”.

2.3. APOIOS A PROJETOS EDITORIAIS EXTERNOS

A documentação contida nos acervos à salvaguarda da Fundação Marques da Silva é frequentemente requisitada para cedência de imagens digitais para publicações de caráter científico ou de divulgação, académicas ou para finalidade comercial, de caráter nacional e internacional. Desse conjunto, destacam-se os apoios às seguintes publicações:

- A Recepção do Team 10 em Portugal, de Pedro Baía, publicado pela Circo de Ideias. A Fundação apoiou esta edição, tendo acolhido igualmente o seu lançamento em 4 de novembro, no Palacete Lopes Martins, numa sessão que contou, para além da presença do autor, com Ana Tostões e João Rosmaninho. - Cadernos do Centenário, coleção desenvolvida pelo TNSJ no âmbito das celebrações do centenário do edifício projetado pelo arquiteto José Marques da Silva. A Fundação apoiou a publicação de artigos da autoria de Ana Tostões, Clara Pimenta do Vale e Luís Soares Carneiro. - “Fernando Távora, Eduardo Souto de Moura Und Ihr Umgang Mit Denkmalen”, 5.º livro da série Wiener Schriften zur Kunstgeschichte und Denkmalpflege, de Katharina Francesca Lutz. - “Fernando Távora’s Japan through books: a fascination with tradition in search of innovation”, conferência e publicação de artigo na III Book Series 6th International Multidisciplinary

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Congress PHI 2020: Tradition and Innovation, de João Miguel Duarte e Maria João Soares. - “The Italian lesson in project practice: Alcino Soutinho and the Gulbenkian journey of 1960-1961” conferência e publicação de artigo na III Book Series do 6th International Multidisciplinary Congress PHI 2020: Tradition and Innovation, de Raffaella Maddaluno. - “Fernando Távora and the United States: travel as a teaching practice”, para a AMPS Proceedings Series 17.1. Education, Design and Practice, de Raffaella Maddaluno; - Exposição e catálogo de Footnote 14: Angel of History, a decorrer na Casa São Roque com curadoria de Barbara Piwowarska. - A Fundação apoiou ou cedeu imagens para artigos ou trabalhos científicos de vários autores, desenvolvidos em 2020, tais como Alexandra Saraiva, André Santos, José Miguel Rodrigues, José Pedro Lima, Luísa Cidraes, Mariana Couto e Ren Ito.

3. GESTÃO DE PLATAFORMAS DE COMUNICAÇÃO E DIVULGAÇÃO

Num ano em que a Fundação Marques da Silva canalizou grande parte dos seus esforços para a criação de condições e proposição de ações que dessem a conhecer ao maior número de pessoas edifícios onde se encontra sediada e a riqueza dos acervos da instituição, tornou-se inevitável redefinir a estratégia comunicacional da instituição reforçando os vários canais de contacto com o público em geral. O objetivo foi lançar um convite alargado a todos para visitarem, presencial ou virtualmente, a instituição, usufruindo da experiência única de um olhar direto e pessoal sobre o que os seus espaços, das casas aos jardins, têm para mostrar nas suas múltiplas valências e dimensões. As linhas orientadoras mantiveram-se, contudo, constantes: difundir, promover, partilhar conhecimento e a atividade da instituição através de notícias que transportem um sentido de rigor e atualidade. Desta forma, ao longo de todo o ano foram sendo divulgadas, através da página eletrónica e das


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redes sociais, bem como a partir do correio eletrónico, todas as ações promovidas e realizadas pela Fundação Marques da Silva, ou com o seu apoio. Por inerência, matérias inevitavelmente centradas no universo da Arquitetura e Urbanismo, em sentido lato, e na obra e percurso de arquitetos documentados no Centro de Documentação da Fundação. Assinale-se, em 2020, a contratação da empresa Bairro dos Livros, para assessoria de comunicação no que se refere à abertura conjunta das exposições Mais que Arquitetura, no Palacete Lopes Martins, e Siza: Inédito e Desconhecido, na Casa-Atelier, a 17 de outubro deste ano. A contratação de Paula Moura Pinheiro e de Bruno Nacarato para a produção de conteúdos multimédia, e a produção de uma reportagem fotográfica por Inês d’Orey. Um investimento que se traduziu por um notório aumento da visibilidade pública da instituição, com as exposições a serem noticiadas nos media pelos principais órgãos de difusão nacional, da imprensa (jornais impressos e plataformas digitais), à rádio e televisão. Esforço acompanhada pela adoção de um horário de visita em permanência, de segunda a sábado, para visita às referidas exposições que se traduziu, num ano de pandemia e de fortes restrições à circulação pública, no total acumulado de 1076 visitantes, entre 17 de outubro e 22 de dezembro.

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A incidência de visitantes, que o seguinte quadro exibe, veio também provar a importância do alargamento do horário de visita aos sábados. Com recurso à designer Diana Vila Pouca, foi ainda remodelada a imagem gráfica da Newsletter, que assim foi retomada durante o mês de novembro. Apesar de apenas formalmente terem sido emitidas 2 Newsletter, os nossos contactos eletrónicos foram recebendo regularmente, através de quase três dezenas de emails, as notícias mais relevantes a cada momento.

Logo com o primeiro confinamento a ser decretado, a Fundação Marques da Silva aceitou o convite da Casa Comum para produzir duas linhas de podcast: Escritos Escolhidos (17 programas) e Passa-a-Palavra: falemos de arquitetura (16 programas), que permitiram estender o nome da Fundação a outras plataformas de divulgação, do site da Casa Comum ao Spotify.

Quanto ao Site da Fundação Marques da Silva, encarado como um repositório informativo de toda das principais atividades que esta instituição tem vindo a promover desde 2009, data da sua criação, tem continuado a manter-se atualizado em permanência, em português e em inglês. No final de 2020, registava 253.886 visitas acumuladas, número que traduz um aumento de 1,70 % face aos números registados em 2019. Nele foram divulgadas todas as iniciativas reportadas neste Relatório, ampliada a Galeria de obras de Marques da Silva e de Maria José e David Moreira da Silva, com uma entrada relativa ao Santuário de S. Torcato, da autoria de João Luís Marques, e criado um novo campo destinado a recolher e divulgar informação sobre projetos da autoria ou com intervenção de Fernando Távora que tenham sido patrimonialmente classificados. Manteve-se ainda a tradição de sinalizar principais efemérides, nacionais e internacionais, e os aniversários dos ‘nossos’ arquitetos, num total de 87 novos destaques, dos quais se resumem os principais: - Sinalização de aniversário de arquitetos representados na Instituição Manuel Marques de Aguiar (publicação de desenho sobre a área urbana de acesso à Sé, no Porto, a noticiar também a doação); David Moreira da Silva (Plano de Urbanização de Luanda), Bartolomeu Costa Cabral (Casa de Taipa); Alfredo Matos Ferreira (descrição do acervo); Manuel Teles (Coda e principais obras);


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João Queiroz (Capela de S. João da Madeira), Octávio Lixa Filgueiras (3 poemas de “Usina”); Fernando Távora (Desenho de Beirute, da Viagem de 1960); Maria José Marques da Silva (desenho académico para a EBAP), Fernando Lanhas (Casa para habitação própria na Avenida Antunes Guimarães, Porto), José Porto (Casa das Marinhas, Vilar de Mouros), José Marques da Silva (aniversário coincidente com a inauguração das exposições na sede da Fundação), Alcino Soutinho (fotografia da viagem a Itália, San Gemignano), Raúl Hestnes Ferreira (desenhos académicos para a EBAP); José Carlos Loureiro (fotografia da sua casa e centro cívico da Maia: um modo de projetar) e Alfredo Leal Machado (o Pavilhão de Arquitetura, em articulação com a exposição da FBAUP).

- Outras efemérides, como: O centenário do TNSJ (peça desenhada da autoria de José Marques da Silva, um estudo para decoração interior); Dia da Poesia (Poesia de Fernando Távora); Dia Mundial do Teatro (peça desenhada para o Teatro Circo, de José Marques da Silva), Páscoa (A Crucifixão, pintura do acervo de Marques da Silva); Dia Internacional dos Monumentos e Sítios (4 novos acervos disponibilizados no arquivo digital da Fundação); Dia do Livro (“da função social do arquitecto”, livro da biblioteca de Octávio Lixa Filgueiras); Dia da Dança (desenho de José Porto); Dia Internacional dos Museus (vídeo sobre o restauro dos desenhos realizados em Paris por Marques da Silva); Dia da Fotografia (fotografia de Manuel Marques de Aguiar no Castelo de Blois).

Para além da página web, todas as iniciativas promovidas pela Fundação e por entidades parceiras foram objeto de divulgação na página de facebook, que conta com 6.267 seguidores, e twitter, com 368 seguidores, tendo as iniciativas de maior relevância sido igualmente divulgadas através de correio eletrónico. Tal como anunciado em 2019, a Fundação Marques da Silva ativou a conta no Instagram para disponibilizar, regularmente, notícias e imagens documentais, sempre que possível, em articulação com o plano de atividades previsto. No final de 2020, a página de Instagram da Fundação Marques da Silva já contabilizava 1.142 seguidores.

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José Marques da Silva, Teatro de S. João, Estudo para decoração do interior da sala de espetáculos [1915-16] Este teatro celebrou em 2020 o seu centenário


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III. PATRIMÓNIO EDIFICADO/IMÓVEIS SOB GESTÃO DA FUNDAÇÃO MARQUES DA SILVA

Localizados no Porto e em Barcelos, os imóveis sob gestão da Fundação Marques da Silva constituem a principal base de sustentação financeira da instituição, a isto acrescendo o facto de per si conterem um importante valor patrimonial, material e imaterial, associado. O conjunto formado pela Casa-Atelier José Marques da Silva e pelo Palacete Lopes Martins, sede da Instituição, transporta a memória das várias gerações que o habitaram, com destaque para a figura central de José Marques da Silva, autor do projeto da Casa-Atelier e também autor de um projeto de remodelação do Palacete que ainda hoje é percetível no espaço. Estas duas casas e respetivos jardins acolhem a base operacional da instituição, sendo nelas que se processa o desenvolvimento de parte substancial das suas atividades e o acolhimento físico de todos aqueles que a procuram ou visitam. Perante esta confluência de significados, práticos e simbólicos, a sua manutenção, reabilitação e capacitação permanente é considerada prioritária.

Os restantes imóveis, edifícios projetados desde o primeiro momento para serem edifícios de rendimento por José Marques da Silva, caso do edifício situado na rua das Carmelitas e do edifício da rua Alexandre Braga, ou, em Barcelos, do edifício localizado no gaveto formado pelas ruas António Barroso e Barjona de Freitas, aos quais acrescem outros imóveis situados no Porto (rua Ferreira Borges, Comércio do Porto e Visconde de Setúbal) pertencentes à família, por ocasião da doação à Universidade do Porto, constituem a principal fonte de rendimento para a gestão corrente da Instituição. Por isso, garantir a sua manutenção, valorização e preservação arquitetónicas, modernização e rentabilização é basilar na consecução deste projeto institucional. O plano de intervenções nestes imóveis, que se pretende pragmático e exemplar de boas práticas, é anualmente decidido em função do Plano Estratégico e do Plano de Atividades.

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Um olhar atento à dinâmica de transformação do espaço urbano, bem como a obras de arquitetura da autoria de arquitetos representados nesta Fundação tem sido outra das linhas de ação apontadas pela instituição, seja através da elaboração de pareceres e proposição de processos de classificação patrimonial ou na promoção de espaços de diálogo que potenciem uma outra consciência e atuação sobre o património arquitetónico. Durante o ano de 2020 foi ainda iniciada a construção de uma galeria virtual, no site da instituição, dedicada a obras classificadas projetadas ou intervencionadas por Fernando Távora.

1. CASAS-SEDE DA FUNDAÇÃO MARQUES DA SILVA

A sede da Fundação Marques da Silva, formada pela CasaAtelier José Marques da Silva e pelo Palacete que tem vindo a ser identificado como Palacete Lopes Martins, em reconhecimento da família que o compra em 1886 a Narciso José da Silva e à qual pertencia Júlia Lopes Martins, com quem José Marques da Silva acabaria por contrair matrimónio, estão implantados no lote delimitado pela Rua de Latino Coelho, a sul, a Rua de Gil Vicente, a este, a Praça do Marquês de Pombal, a oeste, e construções existentes, nomeadamente a sucursal da Caixa Geral dos Depósitos, a norte.

Durante o ano de 2019, a Fundação Marques da Silva desenvolveu um conjunto de ações tendo em vista a reorganização interna. O plano passou, em traços largos, pela requalificação do Pavilhão do jardim e reconversão do Palacete em espaço expositivo e complemento das áreas de depósito para documentação. Pretendia-se assim aumentar capacidade de resposta ao crescente número de acervos doados e à vontade expressa de organizar projetos expositivos de longa permanência e abertos ao público em termos regulares. Em 2020, foi este último eixo de ação a ser concretizado com a implementação de medidas que visavam permitir a montagem da exposição Mais que Arquitetura,


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garantir a segurança dos materiais e peças expostas e conter o impacto de uma circulação regular de pessoas, dada a sua abertura diária ao público em geral em períodos diferenciados do ano, isto é, sob grandes variações dos valores de humidade, temperatura e exposição solar. Foram assim criados corredores de circulação interna e pública, diferenciados espaços e assumidos procedimentos de controle e vigilância, com distribuição de equipamento portáteis e a realização de intervenções cirúrgicas no espaço sempre que necessário. A evidente escassez de espaço de armazenamento documental e bibliográfico, face ao número exponencial doações (em curso, em negociação ou previstas), e a frágil resposta da CasaAtelier e do Palacete, espaços originalmente pensados para vivência doméstica, enquanto depósito tem vindo a reforçar a necessidade de construção de um centro de documentação de raiz, a implantar na área de jardim dos dois imóveis. Assim, foi adjudicado e aprovado em junho de 2020 pela Câmara Municipal do Porto o Pedido de Informação Prévia, de autoria de Álvaro Siza, para construção do novo Centro de Documentação nesses terrenos da sede da Fundação. Este novo Centro de Documentação, será constituído por dois pavilhões de dois pisos, designados por A e B. O pavilhão A, com uma área bruta de 684 m2, destina-se a área de acesso público e incluirá uma sala polivalente, biblioteca, sala de consulta e gabinetes para investigadores. O pavilhão B, com uma área bruta de 1.706 m2, destina-se a área técnica e incluirá áreas de arquivo, receção, limpeza e tratamento de acervos.

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2. OUTROS IMÓVEIS: PORTO E BARCELOS

A passagem do tempo transporta consigo um inevitável desgaste no património construído, somando-se muitas vezes circunstâncias aleatórias que vão provocando danos. Impondo-se uma resposta aos vários problemas detetados ao longo de 2020, seja em função de uma satisfação das necessidades dos inquilinos, seja para reparação e valorização dos imóveis. Nesta medida, foram efetuadas diversas intervenções, a seguir discriminadas: - Intervenções nos prédios da Rua das Carmelitas e da Rua de Ferreira Borges, no Porto, assim como, no prédio da Rua de Barjona de Freitas, em Barcelos, na sequência da reclamação de vários inquilinos. -Reabilitação do prédio da Rua de Alexandre Braga, 94, no Porto, designadamente reparação de danos sofridos em virtude do incêndio ocorrido no prédio contíguo em março de 2019.


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José Marques da Silva, Prédio de Rendimento para a rua Alexandre Braga, Estudo para alçado, [1928]


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IV. CONTAS

O ano de 2020 foi indelevelmente marcado pela pandemia da doença COVID-19.As medidas decretadas pelo Governo para combate à pandemia, nomeadamente o encerramento dos estabelecimentos comerciais e dos equipamentos culturais, em prolongados períodos do ano, tiveram diversas consequências ao nível da receita e da despesa. Ao nível da receita, traduziram-se numa menor quantidade de vendas de bens e serviços, tanto ao nível dos livros e produtos de merchandising como dos ingressos nas exposições e realização de visitas guiadas. Ao nível da despesa, na sequência do encerramento das exposições e das instalações, entendeu o Conselho Diretivo proceder ao reforço dos meios de divulgação digitais, e à realização de trabalhos de higienização, conservação, restauro e digitalização dos acervos, que permitiu e irá permitir no futuro a sua disponibilização por meios digitais. Por todos estes motivos, entendeu o Conselho Diretivo proceder à elaboração de um Orçamento retificativo, aprovado em reunião do Conselho Diretivo de 7 de setembro de 2020, que recebeu parecer favorável do Conselho Geral em reunião de 15 de outubro de 2020 e foi aprovado pela Universidade do Porto em 12 de novembro de 2020. As contas que acompanham este relatório permitem evidenciar o esforço no cumprimento desse orçamento retificativo. Apesar da pandemia, da dificuldade acrescida na sua cobrança, na existência de alguns acordos pontuais de redução e carência de rendas, verificou-se um aumento das receitas com rendas de 4,13 % para 288.621 €, resultado de uma gestão atenta e diligente do património imobiliário sob gestão.Os gastos com pessoal mantiveram-se ao nível do ano de 2018, uma vez que em 2019 haviam tido um decréscimo decorrente da ativação de licença de parto e apoio à maternidade por parte de uma das suas colaboradoras. Foi principalmente nos fornecimentos e serviços externos que se notou um maior aumento da despesa, que já vinha do ano de 2019, devido à contratação de dois prestadores de serviços para aumento da capacidade de tratamento técnico dos acervos incorporados no decorrer do exercício. No ano de 2020, com a abertura das exposições, foi necessário contratar mais dois prestadores de serviços para monitorização das exposições e um para auxílio na


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curadoria da exposição “Mais que Arquitectura”. Conforme já referido anteriormente foram também reforçados os meios de divulgação digitais, ao nível da contratação de assessoria de imprensa, trabalho jornalístico, realização de vídeos e trabalhos fotográficos. Devido ao encerramento das instalações e de forma a potenciar o trabalho dos colaboradores em regime de teletrabalho, foi também realizada uma grande campanha de higienização, conservação, restauro e digitalização de documentação, para permitir a sua disponibilização por meios digitais. Assim, os custos com fornecimentos e serviços externos sofreram um aumento de 80,18 % face ao ano de 2019, totalizando 191.342,44 €. O fundo de investimento subscrito em 2019 na Caixa Geral dos Depósitos, apesar da pandemia, conseguiu uma valorização de 4,89 % (20.086 €), valor inscrito na rúbrica Aumentos/reduções de justo valor.

O resultado líquido do exercício aumentou para (-140.768 €), embora inferior ao inscrito no orçamento retificativo de (-169.117 €), apresentando-se um resultado operacional (EBITDA) negativo de (-27.338 €).

V. PERSPETIVAS FUTURAS E EVENTOS SUBSEQUENTES

O Conselho Diretivo considera que, apesar das incertezas relacionadas com a pandemia da doença COVID-19, o princípio da continuidade é o mais apropriado na preparação das demonstrações financeiras reportadas a 31 de dezembro de 2020. Não obstante um arrendatário habitacional e outro não habitacional terem solicitado uma suspensão temporária do pagamento de rendas, a robustez financeira da Fundação permite-lhe assegurar o suporte de todas as atividades previstas para o exercício de 2021. A 27 de fevereiro de 2021 ocorreu um incêndio no imóvel sito na Rua de Visconde Setúbal, 76, no Porto. O Conselho Diretivo entende, no entanto, que o seguro deverá cobrir adequadamente os danos registados.

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CONCLUSÃO

A leitura do rasto que um ano tão atípico e imponderável como o de 2020 deixa apenas poderá ser devidamente feita quando o estado pandémico for ultrapassado, trazendo consigo um regresso à fruição do espaço público e coletivo sem restrições como as que ainda hoje se vivem. Retoma-se, na conclusão deste Relatório, a frase de remate à sua introdução: O inusitado estimulou a imaginação e desafiou a capacidade de ajustamento a novos contextos. Flexibilizaram-se modos e agendas, manteve-se o rigor, a exigência e a confiança no futuro. Entre a fidelidade às constantes que conformam o projeto institucional que a define e a reinvenção de estratégias transversais aos vários domínios, passando pelo trabalho técnico, a montagem de exposições e os canais de comunicação que tem ao seu dispor, a Fundação Marques da Silva manteve-se conectada interna e externamente ao longo de todo o ano de 2020. O crescimento de nova documentação foi contido em 2020, mas novas e já anunciadas incorporações se aguardam. Apostou-se, em contrapartida, no aprofundar do trabalho sobre o corpo documental existente. Enquanto se desenha e reúnem condições para uma ansiada ampliação do espaço físico, alargou-se e consolidou-se a presença da instituição no espaço digital. Neste ano, onde o atendimento aos investigadores não foi negligenciado, abriram-se as portas para deixar entrar novos visitantes e mostrar o muito que os arquivos e bibliotecas aqui preservam. Colaborou e recebeu a colaboração de outras entidades e muitos dos investigadores que continuam a contribuir para a informação que veicula. Como um organismo vivo, a Fundação adaptou-se, consciente do caminho a percorrer e da missão a cumprir. Tem objetivos ambiciosos pela frente. Pretende, nos anos que se seguem, assegurar a dinâmica agora imposta e avançar para a internacionalização através da implementação de projetos de investigação sólidos, mas a consistência do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido reforça a confiança na capacidade de abarcar e continuar a lutar por novos desafios. Por todo o exposto, é convicção do Conselho Diretivo da Fundação Marques da Silva que o Relatório de Atividades e Gestão e os demais documentos da prestação de contas,


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elaborados de acordo com o SNC-AP e as normas e os princípios contabilísticos geralmente aceites, reproduzem de uma forma verdadeira e apropriada o resultado das operações da Fundação, pelo que se propõe que sejam aprovados. Propõe-se que o resultado líquido negativo apurado no exercício de 2020, no montante de (-140.768,05 €), seja transferido, na sua totalidade, para a conta de resultados transitados.

Porto, 24 de março de 2021

O Conselho Diretivo

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