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Relatório de Atividades e Gestão 2017 Fundação Instituto Arquitecto José Marques da Silva (FIMS)


EM CONSTRUÇÃO

Índice: Introdução

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I CICA

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1. Os acervos: acolher, tratar e disponibilizar

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1.1 Tratamento técnico e gestão de plataformas digitais

9

1.2 Apoio a investigadores

12

1.3 FIMS enquanto espaço de formação/partilha de conhecimentos

12

II Comunicação 1. Dinamização cultural e artística: estudar, debater e divulgar

15 17

1.1 Os novos acervos

17

1.1.1 Alfredo Matos Ferreira

19

1.1.2. Octávio Lixa Filgueiras

25

1.1.3. José Porto

29

1.1.4 Alfredo Leal Machado

31

1.2 Outras iniciativas

32

1.2.1 A FIMS promove

32

1.2.2 A FIMS acolhe

37

1.2.3 A FIMS colabora

39

1.2.4 A FIMS apoia

42

2. Atividade editorial:

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2.1 Projetos promovidos pela FIMS

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2.1.1 Edições impressas

44

2.1.2 Edições digitais

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2.2 Distribuição comercial e ações promocionais

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2.3 Apoios a projetos editoriais externos

46

3. Gestão de plataformas de comunicação e divulgação

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III Património

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1. Prática de restauro e intervenção pública

51

2. Património imóvel: gestão corrente

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2.1.Casas-Sede da Fundação

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2.2. Outros imóveis

53

V Contas

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Conclusão

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Introdução O ano de 2017 assinalou a concretização de um expressivo e diferenciado conjunto de iniciativas, que destacaram uma ampliação substancial do corpo documental salvaguardado na instituição, decorrente de novas incorporações, bem como a relevância, riqueza de sentidos e interesse público da globalidade dos acervos acolhidos, com particular destaque para as ações desenvolvidas a partir dos acervos de José Marques da Silva, de Alfredo Matos Ferreira, de Octávio Lixa Filgueiras de José Porto e de Fernando Távora. O alargamento do espetro documental, com um núcleo de arquitetos cada vez mais significativo, foi acompanhado de uma vontade de consolidar o caminho programático que tem vindo a ser delineado e que se traduz em procedimentos e ações, a saber: recolha, tratamento, disponibilização, estudo, debate e divulgação. A FIMS pretende, assim, implementar uma visão estratégica integradora que, num contexto de crescimento e expansão, assume a matriz fundadora de preservação de uma memória documental, em particular do século XX, produzida por arquitetos maioritariamente formados no Porto e com atelier profissional estabelecido nesta cidade. A ponte a estabelecer entre a memória de projeto ou do pensamento dos arquitetos representados na Fundação e a obra construída, sustentada na promoção do seu estudo e debate, foi assim uma das principais linhas de ação, em paralelo com a vontade de acompanhar, propor e incentivar espaços de conhecimento, reflexão e pensamento sobre diferentes domínios da Arquitetura, em termos nacionais e internacionais. Pretendeu-se ainda desenvolver iniciativas sustentadas na componente de tratamento técnico documental, moldadas pela diferente natureza de cada acervo e dos suportes que o constituem, pela conjugação de vontades conducentes à criação de condições de acesso à informação cada vez mais amplas.

A gestão e intervenção patrimonial, desde logo sobre o património sob sua gestão, continua a ser outro dos domínios fundamentais tanto para a sustentabilidade do projeto institucional, quanto para a promoção de boas práticas, traduzidas na aplicação de uma metodologia que, sem perda de uma visão patrimonialista de respeito pelo edificado, considere a sua adaptação, pertinência e fundamento face aos contextos e dinâmicas atuais. Ressalve-se por fim que 2017 manteve a tendência de ampliação de públicos e de alargamento a novos territórios geográficos, desde logo convocados enquanto lugares de expressão projetual dos arquitetos representados na FIMS. Por último, é de salientar que a operacionalização dos diferentes campos de atuação da FIMS tem vindo a ser assegurada por um quadro de pessoal reduzido, que se carateriza pela polivalência e transversalidade de funções: 4 elementos na sede do Porto; 2 elementos para cuidar do património rural em Barcelos. Mas a Fundação beneficiou e promoveu o estabelecimento de formas de colaboração complementares, que passaram pelo contributo, a título gracioso, das muitas personalidades envolvidas na concretização de diversas ações, pelo estabelecimento de parcerias estratégicas, ou, em situações muito pontuais, para desempenho de serviços técnicos qualificados, por contratações externas pontuais (trabalhos gráficos, de conservação e restauro). Ainda que a atividade da FIMS assente no cruzamento e sincronização das diferentes áreas de ação, o presente relatório reflete essas linhas estruturais: Centro de Documentação e Investigação em Cultura Arquitetónica (CICA), Comunicação, Património e a apresentação das Contas.


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I. CICA No cumprimento da sua missão, o Centro de Documentação e Investigação em Cultura Arquitetónica (CICA) da Fundação Marques da Silva - uma unidade orgânico-funcional criada para promover e garantir a preservação, a valorização e a divulgação dos acervos recebidos pela instituição, organizados numa perspetiva sistémica - tem vindo a assegurar o tratamento contínuo dos sistemas de informação que tem à sua guarda. Para além dos acervos fundadores - os dos arquitetos José Marques da Silva, Maria José e David Moreira da Silva -, conta com os acervos dos arquitetos Fernando Távora, José Carlos Loureiro, Alcino Soutinho, João Queiroz, Manuel Teles, Alfredo Matos Ferreira, José Porto, Octávio Lixa Filgueiras, Alfredo Duarte Leal Machado. De natureza distinta, mas complementar, registam-se os acervos, doados pelo historiador António Cardoso, de particular importância para documentar o processo de investigação desenvolvido sobre a obra de José Marques da Silva, bem como a documentação digital cedida pela família do engenheiro Alberto Álvares Ribeiro. Exclusivamente de carácter bibliográfico, são as doações do arqueólogo e arquivista Manuel Real e da arquiteta Margarida Coelho; o arquiteto Alexandre Alves Costa ofereceu, em momentos distintos, livros e peças desenhadas que fazem agora parte do acervo da instituição. Em fase de incorporação estão o acervo do arquiteto Fernando Lanhas e, ainda numa fase muito inicial, o do arquiteto António Menéres. Cabe ao CICA proceder à análise, tratamento e organização destes sistemas de informação segundo as premissas do modelo científico adotado e garantindo a conservação, integridade e acondicionamento adequado das várias espécies documentais que os compõem; cabe-lhe ainda elaborar instrumentos de pesquisa que possibilitem o acesso à informação, organizando, gerindo e comunicando conteúdos, tanto aos investigadores que presencialmente os procuram, quanto ao público em geral.


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1. Os acervos: acolher, tratar e disponibilizar Ao longo do ano de 2017 foram rececionados os acervos profissionais de Octávio Lixa Filgueiras, José Porto, Fernando Lanhas (ainda em fase de incorporação), documentação pontual do arquivo de António Menéres e um importante núcleo bibliográfico para associar ao acervo de Fernando Távora, no qual se salienta a presença de um importante núcleo Pessoano e um fundo pertencente a Raúl Leal, com dados inéditos sobre o autor e de relevo para o estudo da Geração de Orfeu. Este conjunto de obras literárias, recentemente incorporado, inclui manuscritos com dados/obras inéditas dos dois autores mencionados, mas também de Mário de Sá Carneiro, Alfredo Guizado, Luís Montalvor, entre outros. No total, registaram-se 2.852 unidades de descrição arquivísticas e 4.927 entradas bibliográficas associadas aos acervos, a que acrescem 31 títulos para a biblioteca da FIMS. O ano de 2017 ficou ainda marcado pelo reforço na aposta da divulgação de conteúdos em plataformas digitais, através da manutenção e ampliação de conteúdos disponíveis nas plataformas Aleph e AtoM (esta em open access).

1.1 Tratamento técnico e gestão de plataformas digitais O fundo arquivístico, bibliográfico e museológico custodiado pela FIMS, estruturado segundo uma abordagem sistémica, por sua vez sustentada em bases de dados específicas, integra um extenso e diversificado conjunto de documentação e de objetos, em múltiplos suportes e de diferentes proveniências. Forma, sobretudo, um corpo informacional de particular relevância para o conhecimento da arquitetura/urbanismo nacionais, e em particular portuenses, desde finais do século XIX até à atualidade, que de forma gradual e sustentada tem vindo a posicionar a FIMS como uma instituição de referência no panorama nacional e internacional, enquanto entidade vocacionada para a salvaguarda e divulgação de acervos de arquitetos. A preocupação em seguir uma linha orientadora de procedimentos, fomentando uma linguagem uniforme, baseada em normas nacionais e internacionais de descrição, tem sido transversalmente traduzida no tratamento padronizado e cientificamente validado de todos os acervos salvaguardados na instituição. Em 2017, como referido anteriormente e decorrente das novas incorporações, verificou-se um considerável aumento da documentação de arquitetura e do núcleo bibliográfico, como se torna patente no quadro seguinte:


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SISTEMA DE INFORMAÇÃO

ARQUIVO (unidades de descrição)

ÁREAS TEMÁTICAS

1445 unidades de descrição (peças desenhadas, peças escritas)

Arquitetura, urbanismo, museologia e património

63 unidades de descrição (que se desmultiplicam por peças desenhadas, fotografias e registos escritos de diversa natureza)

Arquitetura e Urbanismo (projeto, formação, colaboração com os Engenheiros Reunidos)

25 peças desenhadas e 3 pastas com peças escritas* + (3 caixas com documentação diversa, Raul Leal; F. Pessoa, etc.)

Literatura, Arquitetura, Filosofia, Antropologia, História da Arte * projeto para a Sala dos Capelos, desenvolvido em colaboração com José António Bandeirinha)

1.178 unidades de descrição (peças desenhadas, peças escritas)

Arquitetura, Astronomia, Museologia, Arqueologia ou Geologia.

Alfredo Leal Machado

15 peças desenhadas e 7 fotografias

Arquitetura (formação e projeto)

António Menéres

114 peças desenhadas; 6 fotografias; 1 cassete de vídeo VHS.

Arquitetura (projeto)

Octávio Lixa Filgueiras

José Porto

BIBLIOTECA (número de títulos) 1.680

8

Fernando Távora

3.044

Fernando Lanhas

195

A biblioteca da FIMS tem vindo a ser continuamente ampliada seja através da incorporação de trabalhos académicos (em formato impresso e/ou digital), desenvolvidos sobre a documentação FIMS e das edições lançadas pela instituição, seja pelas ofertas decorrentes de apoios e permutas, seja ainda por aquisição de títulos relacionados com as principais áreas temáticas. Em 2017 foram registados 31 novos títulos. Foi ainda desenvolvido um esforço no sentido de as bases de dados poderem refletir uma atualização constante e assim responderem com eficácia a solicitações, internas e externas. Destaca-se em 2017, para além do início do tratamento da nova documentação, a continuidade do processo de recenseamento da documentação relativa à prática da arquitetura e vida académica do arquiteto Alfredo Matos Ferreira, tendo sido reconstituída a obra de arquitetura com base no estudo documental e com o apoio de duas edições, entretanto lançadas pela Fundação - "Memória" e "Construir um paraíso perdido". Foi também concluído o recenseamento de 23 unidades

recentemente entregues pelo Professor António Cardoso, em complemento da doação formalizada em 2006. O Sistema de Informação Marques da Silva/ Moreira da Silva tem sido, desde 2015, alvo de disponibilização online. Em 2017 destaca-se a apresentação à comunidade nacional e internacional, através da plataforma online AtoM, de toda a obra de arquitetura de José Marques da Silva, balizada cronologicamente entre 1893 e 1943. No que se refere a ações de conservação e restauro, é de registar a conclusão do processo iniciado em 2015 com a Oficina de Conservação e Restauro de Documentos Gráficos da U.P. para conservação e restauro das peças desenhadas por José Marques da Silva entre 1890 e 1896, durante o período de formação em Paris, num total de 78 unidades, bem como o desenho do alçado do Coliseu do Porto, assinado pelo Arquiteto Cassiano Branco e datado de 4 de setembro de 1939, oferecido pelo Professor Alexandre Alves Costa à FIMS em 2016. Foram ainda higienizados, internamente, 80 livros (num total de 9.133 folhas) pertencentes à biblioteca de João Queiroz.


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A política de gestão quotidiana do CICA tem-se igualmente pautado pelo objetivo bem definido de ir ao encontro do utilizador, abrindo-se a todas as potenciais comunidades de investigadores, proporcionando uma utilização facilitada, permanente, intensiva e extensiva dos acervos. Um trabalho de mediação entre Utilizador e Informação, que a equipa técnica tem tentado cumprir através de procedimentos sincronizados que tanto permitem agilizar o acesso, a recuperação e a reutilização da informação, quanto estabelecer canais de divulgação e partilha da informação, no quadro da prossecução da missão traçada para a instituição.

cada núcleo bibliográfico o que permite a consulta individualizada de cada sistema de informação.

O ano de 2017 providenciou, também, um crescimento assinalável da informação disponibilizada à comunidade através das plataformas digitais, criadas a partir de parcerias com diversas unidades orgânicas da Universidade do Porto. Manteve-se assim a utilização do AtoM para a documentação arquivística, o Aleph para a documentação bibliográfica e o Index Rerum (temporariamente suspenso e em fase de transição para uma nova plataforma) para as espécies museológicas, em função das especificidades decorrentes das normas de descrição internacionais para cada uma destas áreas.

Para a gestão do acervo museológico, a FIMS utilizou inicialmente a plataforma Index Rerum, onde se encontram criadas 919 fichas de inventário. Esta plataforma está temporariamente suspensa, para reavaliação e análise de soluções informáticas alternativas. No entanto, estando integrada desde 2015 no projeto do "Museu Digital da UP" a FIMS tem vindo a participar em diversas reuniões de trabalho e a colaborar na definição de requisitos para a adoção e implementação de uma nova plataforma digital, comum a todas as estruturas museológicas da Universidade. Paralelamente a este trabalho conjunto, a Fundação Marques da Silva continua a proceder à atualização das bases internas de inventário museológico, como é o caso da coleção de pintura cujo catálogo digital foi lançado em 2017.

No que respeita à manutenção do arquivo digital da FIMS, resultante das sucessivas etapas de digitalização dos acervos, em 2017, foi praticamente finalizada a migração de informação contida em suportes obsoletos para sistemas mais atuais, ainda que provisórios. A plataforma AtoM conta atualmente com 8.047 descrições arquivísticas, das quais 6.225 com imagem digital associada. Durante o ano de 2017, foram registadas 15.737 visitas ao Arquivo Digital; 3.624 pesquisas; visualizadas 146.148 páginas; e o número de downloads cifrou-se em 721. A plataforma digital Aleph, destinada a armazenar e disponibilizar os registos bibliográficos referentes aos diversos sistemas de informação, conta atualmente com 6.245 registos, tendo sido disponibilizadas, em 2017, doações das seguintes personalidades: do Arquiteto João Queiroz (80 registos); do Professor António Cardoso (26 registos); do Dr. Manuel Real (23 registos); da Arquiteta Margarida Coelho (14 registos). Deu-se ainda continuidade à inserção de registos da biblioteca Fernando Távora (mais 435 registos) e do Arquiteto Alcino Soutinho (mais 400 registos), num total global de 1.004 registos. Foram criadas as ligações para

No âmbito do projeto Quimera, que teve como objetivo a criação de um sistema integrado de gestão das bibliotecas da U. Porto e suas unidades orgânicas, foi iniciada a revisão integral do catálogo bibliográfico da FIMS no sentido de promover a sua convergência para o catálogo único da U. Porto. Nesse sentido, este ano procedeu-se ao ajustamento da linguagem de 200 registos do catálogo da biblioteca Marques da Silva/Moreira da Silva.


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1.2. Apoio a investigadores Em 2017, foram recebidos 82 novos investigadores para consulta presencial, o que representa um aumento de 17 % relativamente a 2016. Para além do número especificado, é prestado também apoio via webmail e/ou telefone. Muitos utilizadores elegem a consulta virtual e autónoma das plataformas disponíveis (AtoM, Aleph e página eletrónica da FIMS) como acesso preferencial. As consultas foram, maioritariamente, dirigidas aos Sistemas de Informação Fernando Távora, Marques da Silva/Moreira da Silva e Alcino Soutinho. Foram realizadas no âmbito do desenvolvimento de trabalhos académicos, nomeadamente mestrados e doutoramentos, mas também de projetos de investigação de natureza diversa, incluindo editoriais e expositivos. São de registar, igualmente, outros utilizadores que pretenderam obter informação para o desenvolvimento de projetos de índole pessoal ou profissional. No âmbito das investigações em curso e das edições programadas para 2017 efetuaram-se 1.451 digitalizações de documentos (1.354 na FIMS e 97 recorrendo a contratação externa), que passaram a constar do arquivo digital da Instituição, tendo sido associadas aos respetivos acervos.

1.3. A FIMS enquanto espaço de formação/partilha de conhecimento Em 22 de fevereiro foram apresentados os acervos da FIMS à equipa do Arquivo do Centro Hospitalar São João. Esta apresentação incidiu nos procedimentos de classificação, descrição e indexação da informação tendo em vista a sua comunicabilidade. Foram analisados alguns processos de obras e/ou processos de projetos (alargando o arco temporal para cobrir todo o século XX), no sentido de compreender vários fatores que são determinantes para a representação da informação: a conceção do projeto, a sua dinâmica evolutiva, os sucessivos contextos de produção e, sobretudo, as condicionantes exógenas que norteiam a prática da Arquitetura na época. Foi apresentada uma demonstração das plataformas digitais que são utilizadas neste momento pela FIMS: o AtoM para o Arquivo e o Aleph para a Biblioteca. Entre maio e junho foi acolhido um estagiário da "Escola Profissional de Economia Social - Academia José Moreira da Silva" que desenvolveu tarefas de limpeza e tratamento sumário de parte da documentação pertencente ao acervo do Arquiteto Fernando Lanhas. A FIMS, no âmbito do protocolo de colaboração e cooperação celebrado com a Universidade do Porto, cedeu temporariamente recursos humanos para o projeto "Arquivos - preservar a memória e potenciar o uso da informação na gestão".


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II. Comunicação A concretização de um programa de ações, amplo e diversificado, de alcance cultural e pedagógico, sustentado numa visão estratégica que tanto destaca o valor específico e identitário do percurso e obra de cada um dos arquitetos representados na Instituição, quanto o valor acrescentado por uma leitura integradora e complementar do conjunto dos acervos nela salvaguardados em contraponto a um olhar e às dinâmicas do tempo presente, continua a ser a marca distintiva do plano de dinamização cultural e artística proposto pela Fundação. Plano esse que, passando pela realização ou participação em conferências, exposições, encontros, projetos editoriais e multimédia, visitas orientadas, a atualização contínua dos suportes informativos e comunicacionais, e uma presença assídua nas redes sociais, confluiu no objetivo comum de firmar a relevância do projeto institucional. Revelar o manancial informativo dos acervos da FIMS, para além de inscrever o nome dos arquitetos que a eles se encontra associado na historiografia da Arquitetura Portuguesa, potencia igualmente o trabalho desenvolvido no âmbito do seu Centro de Documentação e o sentido de oportunidade para a proposição de determinadas temáticas, que, por sua vez, estimulam a criação de redes colaborativas que ampliam o alcance público das ações programadas. É necessário também realçar a procura de um suporte e fundamento científico para as várias iniciativas propostas e/ou desenvolvidas no âmbito da instituição e que tem vindo a ser invariavelmente validado pela qualificação dos interlocutores convidados a colaborar na sua organização e concretização, seja a um nível nacional ou internacional, maioritariamente associados a reconhecidas Escolas de Arquitetura. Uma constatação que é tanto mais relevante quanto essa colaboração tem vindo a ser prestada sem qualquer contrapartida de carácter financeiro. É também de sublinhar a franca cooperação das instituições com as quais a FIMS tem vindo a desenvolver projetos em parceria. Uma disponibilidade e adesão que decorre da partilha de interesses e do reconhecimento da relevância do projeto institucional que a Fundação representa e tenta levar a cabo. No seu conjunto, estas iniciativas/acontecimentos, realizados a partir ou nos próprios espaços-sede da instituição, explorando sobretudo as potencialidades oferecidas pela Casa-Atelier José Marques da Silva, em espaços externos ou percorrendo a cidade e outros territórios mais improváveis, como é o caso de Urros ou Coimbra, pretenderam sempre imprimir uma dinâmica própria ao estudo e investigação dos vários conjuntos documentais, promover a produção de conhecimento, de espaços de reflexão e debate sobre temáticas relacionadas direta ou indiretamente com a cultura Arquitetónica e Artística, sem esquecer a dinamização de canais adequados à sua divulgação, para fidelização e sensibilização de um público cada vez mais vasto e participativo.


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1. Dinamização cultural e artística: estudar, debater e divulgar O acolhimento e tratamento dos acervos dos arquitetos Alfredo Matos Ferreira (iniciado ainda em 2016), Octávio Lixa Filgueiras e José Porto, sendo ainda registado no final do ano um contido, mas significativo, conjunto de documentos relativos ao arquiteto Alfredo Leal Machado, constituíram as âncoras para o delineamento de programas de dinamização cultural e artística. A partir ou em torno deles se desenvolveram iniciativas várias. Momentos de divulgação e partilha de conhecimento que pretendem dar a conhecer e chamar a atenção para a obra desenvolvida por estes arquitetos, suscitando um novo interesse e continuadas pesquisas. À imagem do que tem vindo a ser realizado, também neste ano de 2017, a instituição participou na sinalização do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, do Dia Internacional dos Museus, das Jornadas Europeias do Património, do Dia do Livro e da Poesia. Para além de ações pontuais de evocação de efemérides relativas à vida e obra dos arquitetos representados na FIMS, realizou-se a 11ª edição do Ciclo de Conferências Arquiteto José Marques da Silva. Foi ainda assegurada a colaboração solicitada por entidades externas, mas afins aos interesses e áreas de ação da instituição, em função da natureza dos projetos que pretendiam desenvolver. A presença no universo digital foi também reforçada com a partilha de vários e-books, a fixar conteúdos reunidos no âmbito de iniciativas concretizadas na FIMS, e pelo lançamento de novas plataformas que preservam e registam a informação compilada e se constituem em instrumentos de consulta de inegável utilidade e atualidade, como é o caso da exposição virtual sobre o Centenário da Avenida da Cidade ou o Guia de Veloso Salgado no Porto. A intenção de enquadrar e dinamizar a investigação no domínio da cultura arquitetónica, como canal prioritário de promoção e valorização científica e cultural de todos os sistemas de informação atualmente custodiados pela FIMS, ficou igualmente expressa na dinâmica impressa à atividade editorial desenvolvida pela, a partir ou com a instituição.

1.1. Os novos acervos O acolhimento de novos acervos constitui uma circunstância privilegiada para um primeiro momento de apresentação pública da obra desenvolvida, mediada e incentivada pela instituição, com o objetivo de promover o seu conhecimento generalizado, um estudo continuado e a valorização futura, seja da memória documental, seja da obra construída. O ano de 2017 foi assim marcado por um conjunto de iniciativas desenhadas a partir da doação de três importantes acervos: Alfredo Matos Ferreira, cumprindo neste caso concreto os objetivos anunciados ainda em 2016, Octávio Lixa Filgueiras e José Porto. Programas distintos e em consonância com o caráter próprio de cada um dos núcleos de ação, do grau de conhecimento e pesquisa possíveis, tanto quanto do sentido da obra e da figura que documentam.


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1.1.1. Alfredo Matos Ferreira O ano de 2017 correspondeu ao ano de concretização da maior parte das iniciativas propostas pelo programa de sinalização da doação do acervo do Arquiteto Alfredo Matos Ferreira, formalizada em 20 dezembro de 2016, com a inauguração do primeiro de três módulos expositivos previstos - "Terra d’Alva". Sob coordenação do Professor Manuel Mendes, foi assim cumprido o calendário definido, composto de 3 módulos expositivos, duas publicações (3 sessões de lançamento) e 6 visitas guiadas, bem como a participação nas Jornadas Europeias do Património, a seguir discriminadas:

— 14 de janeiro e 4 de fevereiro

Duas Visitas guiadas à exposição "Terra D’ Alva" Casa-Atelier José Marques da Silva Guiadas por Manuel Mendes, as visitas a "Terra d´Alva" permitiram aos seus participantes acompanhar este roteiro desenhado sobre e em diálogo com os espaços da Casa-Atelier para assinalar a doação e apresentar uma primeira mostra do homem e do arquiteto, elegendo os trabalhos realizados para Urros e Barca d´Alva, espaço matricial e determinante na sua forma de ser e de estar. Os grupos excederam largamente o número inicialmente previsto, num total de 78 participantes.


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— 13 de fevereiro

Encerramento da exposição "Terra d’Alva" e lançamento do livro "Memória" Casa-Atelier José Marques da Silva Foi com o lançamento do livro "Memória", uma revisitação do percurso do Arquiteto Alfredo Matos Ferreira que, para além dos textos do autor, integra ainda os testemunhos de Álvaro Siza, Sergio Fernandez, Vítor Oliveira e do seu coordenador editorial, Manuel Mendes, que se assinalou o encerramento do primeiro módulo expositivo. Para a sua apresentação e debate, numa sessão aberta pela Presidente da Instituição, estiveram presentes Manuel Mendes, Ana Vaz Milheiro, André Tavares e Maria José Casanova. O espaço onde decorreu, a antiga sala de jantar da Casa-Atelier José Marques da Silva, foi insuficiente para acolher todos os interessados em assistir.

— 24 de agosto

Apresentação do livro "Memória" em Urros" Salão da Junta de Freguesia de Urros e Peredo dos Castelhanos A apresentação do livro "Memória" em Urros (Moncorvo), no âmbito das Festas de Santo Apolinário, veio dar cumprimento a uma vontade expressa ainda em vida por este arquiteto, que esteve profundamente ligado, familiar e profissionalmente, a Trás-os-Montes. A sessão foi organizada em parceria com a Câmara Municipal de Torre de Moncorvo e a Junta de Freguesia de Urros e Peredo dos Castelhanos. Numa cerimónia que contou com a presença massiva de toda a comunidade local e dos representantes das entidades oficiais, foi também exibido o vídeo "Centeio", produzido por Alfredo Matos Ferreira a partir de gravações realizadas em 1960, em Urros. Na sessão, para além dos Presidentes da Junta e da Câmara Municipal, participaram Isabel Matos Ferreira, em representação da Família, Manuel Mendes, na qualidade de coordenador editorial, e Paula Abrunhosa, em representação da FIMS.


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— 23 de setembro

Visita guiada a "Terra d’Alva": Barca de Alva e Urros Jornadas Europeias do Património Sem estar previsto no programa inicial, este acontecimento acabou por surgir em sequência a estas comemorações, constituindo-se a forma de assinalar a participação da Fundação Marques da Silva nas Jornadas Europeias do Património, que tinham por mote "Património e Natureza". Organizada em estreita colaboração com a família de Alfredo Matos Ferreira, sob orientação da Professora Maria José Casanova e com o apoio dos proprietários da Quinta da Canameira e da Quinta da Barreira, permitiu a visita à Quinta do Joanamigo e da Canameira, uma passagem pela casa da Barreira e pela casa dos Barrais, um passeio pelo Douro e uma visita à Capela de Santo Apolinário. Assim se deram a conhecer os traços distintivos de uma arquitetura encarada como meio de qualificação da vida, do território e do espaço, distanciada da valorização da imagem ou da forma que se reencontra no seu próprio reflexo (Maria José Casanova). Para a visita, que em pouco tempo esgotou a lotação prevista de 25 participantes, foi igualmente preparado um Roteiro, agora disponível para consulta na página web da FIMS.


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— 13 de outubro

Inauguração da exposição "Construir um paraíso perdido" Casa-Atelier José Marques da Silva Com investigação, conceção e coordenação de Manuel Mendes, esta exposição-instalação sobre a casa na Parede para o Dr. Américo Durão, o ‘tio mecenas’ de Alfredo Matos Ferreira, que não chegou a ser construída e que expôs os diferentes momentos de uma experiência de projetação partilhada por Alfredo Matos Ferreira e Álvaro Siza, inaugurou-se a 13 de outubro o segundo módulo expositivo. A Casa-Atelier José Marques da Silva transfigurou-se assim numa alegoria ao território português, numa homenagem a Alfredo Matos Ferreira e Álvaro Siza, mas também aos arquitetos do Porto que travaram uma luta pela cidadania plena da Arquitetura (Manuel Mendes) A inauguração, marcada pelas intervenções da Presidente da FIMS e do coordenador Manuel Mendes, registou uma numerosa assistência sendo de sublinhar a forte presença de alunos do Curso de Arquitetura da FAUP. A exposição manteve-se patente ao público até 18 de janeiro de 2018, acontecimento assinalado pelo lançamento do livro que reúne toda a investigação subjacente à exposição. Também para este módulo foram produzidos um Roteiro e um desdobrável que, em termos futuros, adquirem valor documental como instrumentos de pesquisa. A TVU assegurou a cobertura desta exposição com a realização de duas peças em vídeo. Esta ação fez parte das propostas apresentadas pela Fundação Marques da Silva para o programa ARQ OUT, da OASRN.


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— 25 de novembro

Visita guiada à exposição "Construir um paraíso perdido" Casa-Atelier José Marques da Silva A 25 de novembro efetuou-se a primeira de duas visitas, realizada sob orientação do coordenador do projeto expositivo, Manuel Mendes, sendo que a segunda (igualmente concretizada) ficou prevista para 2018. — 11 de dezembro

Inauguração da exposição "Alfredo Matos Ferreira. Da condição da arquitectura como expressão e sentido do comum" Galeria de Exposições da Faculdade de Arquitetura da UP O terceiro módulo expositivo do programa proposto para assinalar a doação do acervo do Arquiteto Alfredo Matos Ferreira à Fundação Marques da Silva, foi dedicado ao todo da obra do arquiteto, tendo, nesse sentido, por objetivo dar a conhecer um panorama da obra construída, mas associado a núcleos que documentam a sua passagem pela Escola, seja na vertente da sua formação, seja na prática do ensino, e a sua ação projetual no seu conjunto. Daí a opção pela FAUP como local expositivo. A FAUP e o CEAU - grupo ATPH, linha Arquitetura, assumiram-se como entidades parceiras para a concretização deste acontecimento, que voltou a contar com a colaboração da família deste Arquiteto. A TVU voltou a marcar presença nesta exposição que suscitou o interesse dos media, com particular destaque para os artigos redigidos por Sérgio Andrade para o jornal Público e para o Tripeiro. Patente ao público até 2 de fevereiro de 2018, contou ainda com uma visita guiada por Manuel Mendes, já em janeiro deste ano.


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1.1.2. Octávio Lixa Filgueiras A doação do acervo do Arquiteto Octávio Lixa Filgueiras à Fundação Marques da Silva foi assinalada por várias ações que visaram chamar a atenção e debater o seu contributo para a consolidação de um sentido humanista na construção e preservação do património cultural e arquitetónico. A sua inovadora abordagem teórico-prática à questão do mundo rural e ao conceito do habitat, enquanto temas centrais da arquitetura moderna, a sua metodologia de ensino e a sua colaboração em acontecimentos internacionais de forte ressonância em termos nacionais, desde logo na década de 60, foram as âncoras temáticas do programa gizado pelos Professores Gonçalo Canto Moniz e Nelson Mota. Um colóquio, uma exposição e um conjunto de depoimentos gravados sobressaem nesta proposta que agregou a participação de um corpo alargado de investigadores e a colaboração entre uma série diversificada e significativa de instituições. Foram ainda organizados dois momentos de debate e estão disponíveis seis vídeos com gravações de alunos, colegas e colaboradores. Este programa contou com o apoio de várias e reconhecidas Escolas de Arquitetura nacionais: FAUP, FCTC-Departamento de Arquitetura, ESAP-Centro de Estudos Arnaldo Araújo e EAUM. A Secção Regional Norte dos Arquitetos também foi entidade apoiante do projeto. — 21 de março

A "Máquina" Dia Mundial da Poesia A vertente poética de Octávio Lixa Filgueiras, num movimento de antecipação à realização do programa proposto por Gonçalo Canto Moniz e Nelson Mota, foi destacada no Dia Mundial da Poesia. Foi assim divulgado nas redes sociais e na página web o poema "A Máquina", publicado no livro "Requiem às Glórias do Mundo e outros poemas", editado pela Portugália Editora, em 1949, com desenhos de Arco (pseudónimo do Arquiteto Rui Pimentel) — 18 de abril, Dia Internacional dos Monumentos e Sítios

Colóquio, inauguração de exposição e sessão de assinatura do contrato de doação do acervo de Octávio Lixa Filgueiras à FIMS Casa-Atelier José Marques da Silva O Dia Internacional dos Monumentos e Sítios foi a circunstância escolhida para lançar um primeiro momento de apresentação pública da natureza do acervo e suscitar um novo olhar para a obra desenvolvida por Octávio Lixa Filgueiras, destacando ainda a pertinência do enquadramento da documentação doada no universo dos arquitetos já representados nesta Instituição. A tarde teve início com o colóquio "Octávio Lixa Filgueiras: da função social do Arquiteto". A sessão, inaugurada pela Presidente da FIMS, contou com as comunicações dos Professores Gonçalo Canto Moniz e Nelson Mota, Dr. Nuno Costa (em representação do Museu de Ílhavo) e, a encerrar, do Professor Domingos


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Tavares - 4 olhares distintos sobre o percurso de uma vida marcada pela transversalidade de interesses, erudição, espírito analítico e rigor científico. Seguiu-se a sessão de assinatura do contrato de doação, pela Presidente da FIMS e pelo Dr. Carlos Filgueiras, em representação da família, enquadrada pelas intervenções da Arquiteta Margarida Coelho e do Professor Armando Coelho Ferreira da Silva que, em complemento às intervenções realizadas no âmbito do colóquio, reforçaram o sentido da doação e da abertura do acervo para investigação. Após colóquio e assinatura do contrato, seguiu-se a inauguração da exposição "Octávio Lixa Filgueiras: Habitat da Modernidade". Apresentada pelos comissários, Gonçalo Canto Moniz e Nelson Mota, a exposição foi construída a partir do conceito do "habitat", tendo abordado diferentes facetas do percurso de Octávio Lixa Filgueiras. Para além de anunciar a importância do acervo, mostrando parte da documentação doada, foi ainda pretexto para a recolha e gravação de um importante conjunto de depoimentos: Carlos Carvalho Dias, Alexandre Alves Costa, Álvaro Meireles, Margarida Coelho, Manuel Fernandes de Sá, Manuel Mendes e Carlos Guimarães. A cobertura noticiosa da TVU está disponível para consulta pública na página web da FIMS.


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— 6 de maio e 3 de junho

Duas Visitas guiadas à exposição "Octávio Lixa Filgueiras: Habitat da Modernidade" Casa-Atelier José Marques da Silva Nos meses de maio e junho realizaram-se duas visitas guiadas por Gonçalo Canto Moniz à exposição, proporcionando, a mais de meia centena de participantes, uma leitura contextualizada da estrutura da exposição e um outro entendimento do significado da documentação selecionada.

— 26 de maio e 26 de junho

Duas conversas a partir da exposição "Octávio Lixa Filgueiras: Habitat da Modernidade" No âmbito da programação paralela à exposição, foram realizadas duas conversas com um painel alargado de intervenientes e moderado pelos comissários deste projeto, Gonçalo Canto Moniz e Nelson Mota, com o objetivo contribuir para uma reflexão crítica sobre dois temas centrais no percurso de Octávio Lixa Filgueiras e da Arquitetura Portuguesa: a função social do arquiteto e o habitat da modernidade. No primeiro momento, intervieram Ana Tostões, Eduardo Fernandes, Pedro Bandeira e Raquel Paulino; no segundo, Bruno Gil, Jorge Figueira, Edite Rosa, Maria Helena Maia e Pedro Baía. Neste segundo momento foi ainda possível contar com a presença do Arquiteto José Forjaz, cujo depoimento então realizado veio a ser publicamente disponibilizado em formato digital.

— entre julho e setembro

Vídeos com testemunhos de 7 individualidades sobre Octávio Lixa Filgueiras O conjunto de depoimentos de Carlos Carvalho Dias, Alexandre Alves Costa, Álvaro Meireles, Margarida Coelho, Manuel Fernandes de Sá, Manuel Mendes e Carlos Guimarães, gravados e editados pelo Professor Luís Urbano, da FAUP, para projeção na exposição "Octávio Lixa Filgueiras: o habitat da modernidade", foram posteriormente transformados em vídeos individualizados, tendo em vista a sua disponibilização ao público em geral. Lançados entre finais de julho e início de setembro, podem agora ser consultados na página web da FIMS.


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1.1.3. José Porto A doação do acervo do Arquiteto José Porto agregou o núcleo mais relevante de informação em posse do Arquiteto Abílio Mourão, antigo aluno e amigo da família, que se tornaria o fiel depositário da memória de projeto que lhe sobreviveu, e um conjunto de 40 desenhos de Serralharia oferecidos pelo último sobrevivente da Oficina Fontes ao CIRV-GEPPAV. Foi ainda gentilmente cedido à FIMS, pelo Dr. Paulo Torres Bento, um conjunto de informações e dados relativos a José Porto, reunido no contexto da realização da exposição "José Porto (1883-1965): desvendando o arquitecto de Vilar de Mouros", em 2003, em Vilar de Mouros. Para além da estreita colaboração do Arquiteto Abílio Mourão e do Dr. Paulo Bento no tratamento técnico inicial da documentação, esta constitui já o objeto da tese de doutoramento a desenvolver por parte do Arquiteto André Eduardo Tavares, investigador igualmente envolvido na organização do programa de sinalização pública de uma doação com particular significado por se referir a um arquiteto com uma formação e percurso distintos dos restantes arquitetos representados na FIMS. Como a investigação de André Tavares ainda se encontra em curso, a decisão de mostrar a documentação foi adiada para um momento futuramente mais oportuno, incidindo as primeiras ações, designadamente o programa "José Porto, o arquiteto que idealizou grande" em acontecimentos que recuperem o conhecimento do nome e a relevância de algumas das suas obras referenciais. Nesse sentido, registam-se os seguintes acontecimentos:

— 9 de outubro

Sessão de assinatura do contrato de doação Casa-Atelier José Marques da Silva A sessão de assinatura do contrato de doação do acervo de José Porto à FIMS decorreu na Casa-Atelier José Marques da Silva e, para além da presença da Presidente da Fundação, Professora Fátima Marinho, e do Arquiteto Abílio Mourão, contou com as intervenções do Dr. Paulo Torres Bento e do Arquiteto Sérgio Fernandez. Foi a primeira das duas ações planeadas para o programa "José Porto: o arquiteto que idealizou grande", inscrito na programação ARQ OUT, uma iniciativa da OASRN e da OA. A TVU compareceu e realizou um vídeo que se encontra disponível para visualização na página web da FIMS.


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— 9 de outubro

Projeção do filme "Memórias e Confissões", de Manoel de Oliveira Auditório da Casa das Artes A projeção do filme "Visita ou Memórias e Confissões", de Manoel de Oliveira, onde a referência ao arquiteto e à Casa da Vilarinha, por ele projetada para moradia do cineasta Manoel de Oliveira, adquirem uma importância vital, constituiu o segundo momento do programa de sinalização da doação. O filme foi precedido de uma apresentação levada a cabo pelo Arquiteto André Eduardo Tavares e pelo Professor Luís Urbano. Estas duas iniciativas, inseridas na programação ARQ OUT, congregaram o apoio da OASRN, da Casa das Artes (DRCN), da família de Manoel de Oliveira e da Cinemateca.

A propósito da obra, construída ou projetada Já no decurso da integração desta documentação, foi realizado um contrato de cedência de imagens digitais com o Arquivo da IGAC, para acesso à memória do projeto da autoria de José Porto para o Coliseu do Porto. Informação de relevante interesse para complemento da agora existente na FIMS e que já contribuiu para a elaboração de um primeiro texto sobre o Coliseu do Porto, da autoria de André Eduardo Tavares e Paula Abrunhosa, lançado em formato digital a 19 de dezembro, por ocasião dos 77 anos da inauguração desta casa de espetáculos portuense. A propósito da polémica que envolveu a possível venda do espaço ocupado pela Confeitaria Cunha, a recente doação permitiu a retificação da informação que erradamente estava a circular, relativa à autoria do edifício onde se integra o Emporium, um projeto desenvolvido por José Porto para José Dias de Oliveira & Filhos, em finais da década de 40 do século XX.


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1.1.4. Alfredo Duarte Leal Machado Alfredo Duarte Leal Machado, em 1921, ingressou no curso preparatório da EBAP, escola onde seria discípulo de José Marques da Silva e onde viria a concluir o Curso de Arquitetura em 1932. Por iniciativa dos seus herdeiros, passou também a estar representado na Fundação Marques da Silva através da doação de um conjunto de fotografias e da cedência de registos digitais relativos a dois trabalhos escolares (ano académico de 1926) e a dois projetos de arquitetura: "Ampliação e reforma do edifício dos Paços do Concelho de Porto de Mós" e "Projeto para a Escola de Regentes Agrícolas de Coimbra". Esta documentação ficou disponível para consulta, no dia do seu nascimento, 7 de dezembro, facto noticiado através dos canais digitais de divulgação da FIMS.


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1.2. Outras iniciativas Dentro e fora de portas, tentou-se promover o diálogo com a cidade e a obra construída, por um lado, e o estabelecimento de ligações a entidades congéneres para a promoção de redes de cooperação, por outro, participando em ações de divulgação, reflexão e debate nas áreas de atividade e interesse da Fundação. Desde a organização e projetos por iniciativa própria, ao estabelecimento de parcerias e à concessão de apoios, traduzíveis em participações, cedência de conteúdos expositivos ou reforço de divulgação, a FIMS continua a consolidar os laços já existentes, mas sobretudo a ampliar a sua representatividade com novos horizontes programáticos e geográficos.

1.2.1. A FIMS promove Seguindo uma linha de intervenção, que parte dos seus acervos ou da investigação que a partir deles se desenvolve, do trabalho desenvolvido internamente ou da atualidade de algumas temáticas ou efemérides, foram ainda propostas e/ou concretizadas as seguintes ações, alinhadas por ordem cronológica da sua realização: — 31 de janeiro

No Centenário da Avenida: inauguração da Exposição Virtual Reitoria da Universidade do Porto, Sala do Fundo Antigo A encerrar o programa de celebração do centenário da Avenida dos Aliados, concretizado ao longo de 2016, foi apresentada e inaugurada a Exposição virtual que conta a história deste importante processo de transformação do centro cívico da cidade do Porto. A nova plataforma, construída sob a orientação científica da Professora Clara Pimenta do Vale e com o apoio da TVU-Universidade do Porto, revisita os últimos 100 anos da Avenida e conta a história da sua construção confrontando registos documentais diversos - planos, projetos, fotografias ou postais - com a cidade do presente. Apresenta, assim, uma leitura alicerçada em níveis diferenciados de referenciação histórica e geográfica, onde se vão sobrepondo as diferentes narrativas e perspetivas de entendimento de um processo histórico em constante devir. Daí que se apresente como um projeto em aberto, a permitir a incorporação de novos dados e atualizações, um espaço que se devolve [também] à cidade para que ela o use, aproprie e transforme (Clara Pimenta do Vale). O programa de sinalização deste processo urbano foi promovido pela FIMS, em parceria com a Câmara Municipal do Porto.


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— 9 e 15 de março

Sessões de lançamento do livro "Arquitectura. A Praça da Autonomia, Pedagogia, Epistemologia, Pensamento Crítico", de José António Bandeirinha e apresentação do projeto de Fernando Távora para a Sala dos Capelos da Universidade de Coimbra Círculo de Artes Plásticas de Coimbra / Casa-Atelier José Marques da Silva (Porto) O livro traduz o teor da conferência proferida na edição de 2014 das Conferências Marques da Silva que então teve como conferencista o Professor José António Bandeirinha e como tema "Arquitectura, a Praça da Autonomia e o Boulevard da Epistemologia"; aí se apresenta a metáfora da cidade como recurso para enquadrar o complexo processo de entendimento da autonomia da Arquitetura na atualidade. Primeiro no Porto e depois em Coimbra, as sessões contaram com a presença da Presidente da FIMS e do autor e integraram como oradores os Professores Jorge Figueira, para apresentação do livro, e Alexandre Alves Costa, para uma breve contextualização do projeto de remodelação e ampliação da Sala dos Capelos da Universidade de Coimbra, desenvolvido pelo Arquiteto Fernando Távora e no qual colaborou José António Bandeirinha, que doou a documentação relativa a este projeto à Fundação Marques da Silva. Para a produção destas sessões, a Fundação Marques da Silva contou com o apoio do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, da Livraria Circo de Ideias e da Universidade do Porto.


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— 18 de maio, Dia Internacional dos Museus

História das Pinturas e Pinturas com História Palacete Lopes Martins A assinalar o Dia Internacional dos Museus, a Fundação Marques da Silva apresentou e lançou o catálogo da coleção de pintura pertencente a esta instituição, "Do retrato à paisagem: catálogo da coleção de Pintura da Fundação Marques da Silva", e o "Roteiro de Veloso Salgado no Porto". O lançamento do catálogo, em formato digital, deu a conhecer, pela primeira vez, a quase totalidade das obras reunidas por José Marques da Silva ao longo da sua vida, sendo de assinalar a primeira menção pública a obras até agora inéditas de alguns dos seus autores. O "Roteiro de Veloso Salgado no Porto", um projeto multimédia inovador - desenvolvido por iniciativa e em parceria com a TVU-Universidade do Porto a partir da exposição "Mais que o sonho da passagem", realizada em 2014 - alinha num mesmo projeto as obras deste pintor pertencentes à Fundação Marques da Silva, à Reitoria da Universidade do Porto e à Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, ao Museu Nacional Soares dos Reis, ao Museu Almeida Moreira, à Casa-Museu Teixeira Lopes, à Biblioteca Pública Municipal do Porto e ao Palácio da Bolsa. A sessão iniciou-se com a intervenção da Presidente da FIMS, seguindo-se a apresentação do Catálogo pelo Professor Artur Vasconcelos, autor da investigação que cientificamente suportou a edição do catálogo, e a intervenção da Dr.ª Joana Miranda, para apresentação da nova plataforma. A concluir, o Professor Vítor Silva apresentou uma breve comunicação sobre o autorretrato na pintura, cujo texto veio a ser editado e publicado em formato e-book, em dezembro. Em paralelo, foram expostas algumas obras de José Marques da Silva e o autorretrato de Veloso Salgado incluído na coleção da FIMS. Foi igualmente montado um dispositivo que permitiu aos presentes navegar pelo catálogo de pintura.


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— 26 de outubro

Conferência Marques da Silva 2017: "La memoria del orden. Algunos Proyectos" Auditório Fernando Távora, Faculdade de Arquitetura da UP A décima primeira edição deste ciclo anual de Conferências realizou-se no dia 26 de outubro, no Auditório Fernando Távora da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, instituição parceira desde a primeira edição, e teve como conferencista convidado, José Ignacio Linazasoro, conceituado arquiteto e professor catedrático da Escuela Técnica Superior de Arquitectura di Madrid, uma das mais destacadas figuras da arquitetura das últimas décadas em Espanha. A sessão abriu com as intervenções do Diretor da FAUP, Professor Carlos Guimarães, e da Presidente da FIMS, Fátima Marinho, seguindo-se a apresentação do conferencista pela Professora Madalena Pinto da Silva. Ao longo da sua comunicação, José Ignacio Linazasoro falou da sua obra, em particular da ampliação do Edifício do Conselho do Departamento e Centro de Congressos em Troyes (2014), remodelação da praça e enquadramento da Catedral de Reims (2008), Centro Cultural Escuelas Pias de Lavapiés (2004) e reabilitação da Igreja de San Lorenzo (Madrid, 2001), bem como dos seus principais referenciais teóricos, Alberti, Heinrich Tessenow, Adolf Loos ou um menos evidente Sigurd Lewerentz. Esta Conferência, que continua a revelar-se um espaço de debate internacional e atual, integrou a programação da ARQ OUT, promovida pela Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitetos para celebrar outubro como Mês da Arquitetura e, para além do apoio da FAUP, contou com o apoio da TVU, que procedeu à gravação e edição em vídeo. O registo videográfico encontra-se disponível ao público através das páginas web da FIMS e da TVU.


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Sinalização de efemérides e outros acontecimentos Outras datas e momentos com ressonância no universo dos acervos sob salvaguarda desta Fundação foram sendo assinalados através dos canais de divulgação online geridos pela FIMS. Entre outros destacam-se as datas de nascimento de David Moreira da Silva, Fernando Távora, Maria José Marques da Silva, José Marques da Silva, Alcino Soutinho, José Carlos Loureiro, Manuel Teles, João Queiroz e Alfredo Leal Machado. No Dia Internacional do Livro (23 de abril) foi publicado um texto, em formato digital, do Arquiteto Manuel Montenegro sobre a Biblioteca de Fernando Távora; no Dia Mundial da Fotografia (19 de agosto), uma fotografia da Sala 35. Outros acontecimentos mereceram igualmente menção, nomeadamente a presença de obras de Fernando Lanhas na 15ª Bienal de Istambul, ou a defesa do estatuto do arquiteto em apoio ao movimento de contestação da aprovação do Projeto de Lei n.º 495/XIII/2ª.


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1.2.2. A FIMS acolhe — 27 de abril

"Teixeira Lopes e Pinto do Couto: escultores portugueses e suas obras no Brasil", Conferência de José Francisco Alves Palacete Lopes Martins José Francisco Alves, Professor de Escultura do Atelier Livre de Porto Alegre (Brasil), Doutor em História da Arte e membro do ICOM, AICA e ICOMOS, apresentou no Palacete Lopes Martins, uma conferência que se traduziu numa viagem entre Porto e Rio Grande do Sul, com passagem pelo Rio de Janeiro, com um roteiro definido a partir da obra desenvolvida no Brasil pelos escultores portugueses António Teixeira Lopes (1866-1942) e Rodolfo Pinto do Couto (18881945). A conferência decorreu no Palacete Lopes Martins, uma casa de brasileiro, sob o olhar de Caim, escultura oferecida por Teixeira Lopes a José Marques da Silva como prenda de casamento.

— 13 de dezembro

Sessão de lançamento do livro "Transformações na Arquitectura Portuense. O caso António da Silva" Casa-Atelier José Marques da Silva A Casa-Atelier José Marques da Silva foi o local escolhido por Domingos Tavares, autor do livro, "Transformações na Arquitectura Portuense. O caso António da Silva", para o seu lançamento. Tratou-se de uma coedição da Dafne Editora e do CEAU (Centro de Estudos de Arquitetura e Urbanismo da FAUP), com apresentação a cargo do Professor Engenheiro Raimundo Mendes da Silva, professor da Universidade de Coimbra e especialista em reabilitação de edifícios e salvaguarda de património cultural. A sessão proporcionou a Raimundo Mendes da Silva e a Domingos Tavares, engenheiro e arquiteto, uma animada conversa sobre o processo de transformação do Porto na transição para o século XX. O livro faz agora parte da lista de títulos disponíveis na livraria online da FIMS.


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— janeiro a dezembro

Visitas guiadas à sede da FIMS Casa-Atelier José Marques da Silva, Palacete Lopes Martins, Pavilhão e Jardins A crescente visibilidade e o interesse pela Fundação traduzem-se também por um largo número de solicitações para realização de visitas guiadas aos espaços da sede da instituição, a qual sempre procurou responder positivamente aos pedidos que lhe foram sendo dirigidos. Entre janeiro e dezembro, foram recebidos 229 visitantes, exclusivamente no âmbito de visitas realizadas com o objetivo de conhecer as diferentes valências dos espaços que constituem a sede da Fundação, um conjunto edificado de raro valor patrimonial, histórico e cultural, e o seu projeto institucional.


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1.2.3. A FIMS colabora

— 24 de novembro

"Viagem aos desenhos de viagem | Guimarães - Távora revisitado" Sala de exposições da Sociedade Martins Sarmento, Guimarães Organizada pela Sociedade Martins Sarmento, sob coordenação do Arquiteto José Bernardo Távora, constitui uma revisitação da exposição "Viagem ao desenho de Viagem" de Fernando Távora, realizada em 1988, que agora se apresentou sob um novo olhar, ampliada e associada às fotografias de Luís Ferreira Alves de obras de Fernando Távora em Guimarães. Foram dados a ver 88 desenhos de viagem de Fernando Távora, provenientes do conjunto de desenhos presentemente preservado na Fundação Marques da Silva, que documentam viagens realizadas entre 1960 e 1997, com registos, alguns inéditos, relativos a passagens pelos Estados Unidos, México, Japão, Tailândia, Líbano, Egipto, Grécia, França, Itália, Reino Unido, Espanha, Brasil, Índia, Turquia e Perú. A Fundação Marques da Silva colaborou ativamente no processo de montagem da exposição e organizou uma visita guiada, que se realizou em janeiro de 2018, sob orientação dos Arquitetos José Bernardo Távora e Miguel Frazão. A exposição inicialmente com encerramento previsto para 31 de janeiro, manteve-se patente ao público até ao final do mês de março, contabilizando mais de dois mil visitantes.


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— 14 de dezembro

45 anos da inauguração do edifício-sede da Assembleia de Guimarães Sede da Assembleia de Guimarães Passados 45 anos sobre a inauguração do edifício-sede da Assembleia de Guimarães, projetado pelo Arquiteto Fernando Távora, numa cerimónia então presidida por Azeredo Perdigão, na qualidade de presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, foi apresentado um programa que constou de uma exposição alusiva ao projeto, maioritariamente referente a reproduções de documentos preservados na Fundação Marques da Silva, o visionamento de um pequeno filme sobre os dias da inauguração e uma conversa sobre o edifício com os arquitetos Alexandre Alves Costa, Maria Manuel Oliveira e Benedita Pinto, moderada pelo arquiteto Eduardo Fernandes. A iniciativa partiu da parceria estabelecida entre a Assembleia de Guimarães, a Associação Muralhas e a Escola de Arquitetura da Universidade do Minho e contou com a colaboração da Fundação Marques da Silva.

— 14 de dezembro

Visita guiada por José Carlos Loureiro ao edifício Parnaso A pedido da Haute École d’Ingénierie et d´Architecture de Fribourg, a Fundação Marques da Silva organizou uma visita guiada pelo Arquiteto José Carlos Loureiro ao edifício Parnaso, especificamente dirigida a um grupo de alunos de Arquitetura desta Escola. Em discurso direto e com o sentido de humor que o caracteriza, José Carlos Loureiro falou das circunstâncias e contextos que ditaram as opções de projeto de um então jovem arquiteto. A visita aos diferentes espaços interiores apenas foi possível com a generosa colaboração dos seus atuais proprietários.


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— 2 de junho

"Barney / Távora. Correspondencias", Conferência de Andrés Erazo Casa cor-de-rosa, Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto O Professor e Investigador Andrés Felipe Erazo Barco, da Universidad de San Buenaventura Cali, Colômbia, apresentou uma síntese da investigação que está de momento a desenvolver e que tem como base o confronto entre a figura e obra de Benjamín Barney e de Fernando Távora. A sua pesquisa sobre Fernando Távora decorre com o apoio da Fundação Marques da Silva. A comunicação foi seguida de um debate com a participação dos Arquitetos Sérgio Fernandez e Carlos Machado.

— 10 de novembro

Percurso cultural para recordar L´Arche, com a Igreja da Senhora da Conceição e Santuário Eucarístico da Penha em destaque Igreja Nossa Srª de Fátima / Casa-Atelier José Marques da Silva O percurso, conduzido pela arquiteta Domingas Vasconcelos e inserido no ciclo municipal de Percursos Culturais, propôs um trajeto delineado a partir dos movimentos de renovação da Arte Sacra surgidos no início do século XX, entre os quais o grupo de artistas L´Arche. Começou na Igreja da Senhora da Conceição - projetada a partir de 1937 pelo arquiteto e monge beneditino dom Paul Bellot (1876-1944) e inaugurada em 1947, terminando na Casa-Atelier José Marques da Silva, também situada na Praça do Marquês de Pombal, para uma referência ao Santuário Eucarístico da Penha (Guimarães), projetado pelo arquiteto José Marques da Silva (1869-1947) a partir de 1930 e inaugurado em 1948. A Fundação Marques da Silva não só recebeu o grupo como contribuiu cedendo documentação sobre a obra de José Marques da Silva.


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1.2.4. A FIMS Apoia Ao longo do ano de 2017, a Fundação Marques da Silva continuou a ser abordada no sentido de conceder apoio à divulgação de iniciativas, em diversas tipologias e temáticas, por parte de entidades (reforçando laços que, formal ou informalmente, têm vindo a ser estabelecidos), que consideraram este apoio importante, potenciador de angariação de público ou mesmo qualificador da própria ação. Incluem-se neste domínio o noticiar de um conjunto de ações que a Fundação apoiou no âmbito dos protocolos firmados: com a Faculdade de Arquitetura da U. Porto; o Círculo Dr. José de Figueiredo/Amigos do Museu Nacional Soares dos Reis; o projeto ‘Coleção de Desenhos. Escola de Arquitectura do Porto’; o DOCOMOMO; ou a OASRN. Pelo seu carácter extraordinário, citam-se ainda:

"Ludic Architecture - IV Encontro Internacional sobre Dispositivos e Espaços Educacionais em Arquitetura". Decorreu a 12 e 13 de maio na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto e reuniu mais de uma dezena de conferencistas, tendo sido publicado o respetivo livro de atas.

"Aulas de Autor", ciclo que, na sua segunda edição, teve como tema Le Corbusier e o desenho. Foram 5 sessões, 5 conferencistas, 5 lugares distintos. Decorreram a 23 de janeiro, 24 de fevereiro, 24 de março, 21 de abril e 10 de junho. Inserido no âmbito do projeto "Coleção de Desenhos. Escola de Arquitectura do Porto", conta com a participação da FIMS.

Fórum do Porto - Património, Cidade, Arquitectura. Encontro/ Debate, 20-21 de novembro, Museu Nacional Soares dos Reis.

— 24 de março a 23 de junho

"Do it" Pavilhão de Exposições da Faculdade de Belas-Artes da UP Projeto expositivo comissariado por Hans Ulrich Obrist, que se realiza em diferentes lugares do mundo e que se apresentou pela primeira vez em Portugal. A Fundação Marques da Silva cedeu, para esta edição do projeto, uma peça de mobiliário pertencente ao acervo fundador. Conhecer para preservar: Casas de Brasileiro - Lançamento do livro de José Carlos Loureiro, Paula Torres Peixoto e Patrícia Mota Santos. Decorreu a 16 de março, na FBAUP, e o livro, publicado pelas Edições Afrontamento, foi apresentado pela Professora Anni Günther.

"Conferência de Raymond Neutra, "Is there a future for Richard Neutra’s biorealism?", 17 de novembro, Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Ciclo de conversas a partir de "Building Views": 20 de novembro, Showroom da Jofebar, em Matosinhos, com Carlos Machado e Moura, Eduardo Souto de Moura e Jorge Figueira. "Conferência de Éric Lapierre", 7 de dezembro, na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto.

"Relações e Cumplicidades entre Fotógrafo e Arquitecto: Fotografias em obras de Eduardo Souto de Moura de Luís Ferreira Alves". Mesa redonda, 7 de novembro. Decorreu no Auditório Fernando Távora, da FAUP e foi organizada pela Scopio. — 27 de novembro de 2017 a 3 de março de 2018

Mar Novo Pavilhão de exposições da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto Para esta exposição, com curadoria de Lúcia Almeida Matos, a Fundação Marques da Silva cedeu uma publicação da memória descritiva do projeto, com dedicatória de João Andresen, pertencente ao acervo de David Moreira da Silva.


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2. Atividade editorial A linha editorial da Fundação Marques da Silva, nas suas várias coleções e formatos, constitui um canal privilegiado de afirmação da instituição. Passa pela divulgação de investigação realizada na instituição ou produzida no contexto de ações por si promovidas, mas também pela divulgação de textos e obras que refletem leituras e perspetivas inovadoras no campo da arquitetura e da arte. Sem abdicar de um reconhecido rigor editorial e identidade gráfica de qualidade, tem tentado encontrar formas de promover a sua máxima difusão, adotando uma estratégia que garanta a continuidade da coleção "Conferências Arquiteto Marques da Silva" e o recurso ao suporte digital como forma de agilizar a divulgação de textos breves. A parceria estabelecida com as Edições Afrontamento continua a afirmar-se como determinante para a produção de novas edições. O apoio ou resposta a iniciativas editoriais promovidas por outras entidades continua também a ser mantido. No que se refere a ações de comunicação e/ou divulgação, para além das plataformas virtuais, é ainda de destacar o apoio da Reitoria da Universidade do Porto, integrando os títulos da FIMS em acontecimentos de grande visibilidade pública, como é o caso da Mostra da UP e da Feira do Livro do Porto. Por sua vez, os momentos de lançamento converteram-se ou enquadraram-se em iniciativas de divulgação com uma vertente pedagógica e científica e auferiram, regra geral, de grande impacto público. Também as promoções procuraram ter uma base de sustentação justificada em conteúdos ou momentos de significado no contexto dos acervos ou apoios da FIMS.


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2.1. Projetos promovidos pela FIMS

2.1.1. Edições impressas Em 2017, como referido, foram lançados 2 livros: — "Memória. Alfredo Matos Ferreira", a 13 de fevereiro. Edição em parceria com Edições Afrontamento e a Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto. Coordenação editorial de Manuel Mendes.

Em preparação, encontram-se os seguintes livros: — "O Ensino Moderno da Arquitectura: A formação do arquitecto nas Escolas de Belas-Artes em Portugal (19301970)", de Gonçalo Canto Moniz, em parceria com Edições Afrontamento. O projeto que já tem o apoio garantido das Escolas de Arquitetura de Porto, Lisboa e Coimbra deverá estar concluído durante o ano de 2018. — Giorgio Grassi. Opera omnia sic. Este projeto inédito de tradução para português da obra de Giorgio Grassi, coordenado e traduzido por José Miguel Rodrigues, tem prevista para 2018 a publicação de um novo volume, estando em curso o trabalho de tradução e revisão de textos.

— "Arquitectura. A Praça da Autonomia, Pedagogia, Epistemologia, Pensamento Crítico", a 9 de março, em Coimbra, e a 15 de março, no Porto. Livro de José António Bandeirinha, inserido na coleção "Conferências Arquiteto José Marques da Silva".

— Conferências Marques da Silva. Foi recolhido o texto de Marta Llorente Diaz, conferencista convidada da edição de 2016. Deverá ser publicado em 2018.


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2.1.2. Edições digitais Em 2017 foram publicados 6 títulos que podem ser consultados na página web da FIMS: — "A propósito do Dia Mundial do Livro 2017", de Manuel Montenegro. A propósito do Dia Mundial do Livro, um olhar de Manuel Montenegro sobre a biblioteca de Fernando Távora conservada na Fundação Marques da Silva - um texto que nos fala de bibliotecas de arquitetos e dos sentidos que vão acrescendo aos livros pelas intersecções que estabelecem, pela forma como foram sendo construídas. — "Do retrato à paisagem", catálogo da coleção de pintura da Fundação Marques da Silva. O catálogo, da autoria de Artur Vasconcelos e com texto introdutório de Raquel Henriques da Silva, deu a conhecer, pela primeira vez, a totalidade das obras reunidas por José Marques da Silva ao longo da sua vida. Nele constam obras até agora inéditas de alguns dos seus autores. — "Octávio Lixa Filgueiras (1922-1996) - Mestre Fil", de José Forjaz. Testemunho proferido pelo Arquiteto José Forjaz, durante a segunda sessão de conversas programadas no âmbito da exposição "Octávio Lixa Filgueiras: o Habitat da Modernidade". — "Estação de S. Bento", de Nuno Jennings Tasso de Sousa. Um olhar a partir do presente sobre a Estação de S. Bento, o projeto que haveria de lançar a carreira de um então jovem arquiteto portuense. Uma revisitação crítica de Nuno Jennings Tasso de Sousa, em forma de texto, que se partilhou no dia em que passaram exatamente 148 anos sobre o nascimento de José Marques da Silva (18.10.1869). — "Notas sobre o retrato e a autorrepresentação do pintor", de Vítor Silva. Uma reflexão do autor sobre a autorrepresentação, um olhar que através do questionamento do designado autorretrato - um retrato para todos os efeitos - procura compreender o significado que pode ter para quem o produz e os modos pelo qual atua e opera sobre quem o observa. O texto traduz a comunicação proferida na sessão de apresentação do catálogo digital da Coleção de Pintura da Fundação Marques da Silva, em 18 de maio de 2017. — "O Coliseu do Porto: contributos para um melhor entendimento dos projetos de José Porto e Cassiano Branco", de André Eduardo Tavares e Paula Abrunhosa. Conjunto de notas que permitem enquadrar os projetos de José Porto e Cassiano Branco para esta emblemática casa de espetáculos.

A propósito do

Dia Mundial do Livro 2017 Manuel Montenegro


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2.2. Distribuição comercial e ações promocionais O universo de livros e outras publicações comercializados pela FIMS é constituído por: EDIÇÕES IMPRESSAS: LIVROS

— 7 títulos chancela IMS (esgotados 2 títulos: Estação de S. Bento e O aluno, o Professor, o Arquiteto) — 5 títulos livros da coleção "Conferências Marques da Silva" (esgotado 1 título: O Liceu Alexandre Herculano, no Porto) — 3 títulos da coleção "Monografias de Marques da Silva" (1 em parceria com Ed. Afrontamento) — 3 títulos da coleção "Fernando Távora: ‘minha casa’" (em parceria com FAUP e Reitoria UP) — 1 título da coleção "Giorgio Grassi - opera omnia sic" (em parceria com Ed. Afrontamento) — 4 títulos da coleção genérica de livros sobre arquitetura (3 em parceria com Ed. Afrontamento)

ne onde estão, para além das publicações distribuídas em regime de consignação externa, disponíveis os livros editados em parceria com Edições Afrontamento e os livros em consignação interna sobre ou da autoria de José Carlos Loureiro, o livro da autoria de Ana Cotter sobre uma obra de Fernando Távora e o livro que Domingos Tavares apresentou na Casa-Atelier José Marques da Silva. O catálogo da exposição Modernidade Permanente e Diário de Bordo, os dois títulos editados pela Casa da Arquitetura, já atingiram o número máximo de vendas pelo que não constam da lista de edições disponíveis. Sempre que possível, a FIMS participa em ações promocionais e/ou de divulgação editorial, bem como incentiva a criação de laços de cooperação com outras entidades, de forma a promover canais de comunicação e difusão das publicações FIMS. Em 2017, à imagem do que tem vindo a suceder, esteve presente na Mostra UP, entre 20 a 23 de abril, no Pavilhão Rosa Mota, e, juntamente com as edições UP, na Feira do Livro, no pavilhão das Edições UP, que esteve patente ao público nos jardins do Palácio de Cristal, de 1 a 17 de setembro.

EDIÇÕES IMPRESSAS: OUTRAS PUBLICAÇÕES E MERCHANDISING

— 6 litografias chancela IMS (esgotada a litografia Estação de S. Bento) — 2 cadernos de notas — 1 puzzle LIVROS EM CONSIGNAÇÃO:

— 4 títulos (2 de J. Carlos Loureiro; 1 de Ana Cotter; 1 de Domingos Tavares) APOIOS:

— 2 títulos da editora Quidnovi (coleção Arquitectos Portugueses) — 2 títulos editados pela Casa de Arquitetura (no âmbito do projeto Modernidade Permanente, esgotados) De forma a poder garantir a divulgação das suas edições, a Fundação Marques da Silva manteve uma rede de 25 pontos de distribuição para venda, em regime de consignação, dos livros e merchandising por si editados, com a exceção dos livros resultantes da parceria estabelecida com Edições Afrontamento, que são distribuídos no mercado nacional por esta editora, e das edições em consignação ou existentes em função de apoios. Para contornar as restrições logísticas da venda de publicações na sede da Fundação, tem-se reforçado a dinamização da loja onli-

2.3. Apoios a projetos editoriais externos A documentação contida nos acervos à salvaguarda da Fundação Marques da Silva é frequentemente requisitada para cedência de imagens digitais para publicações de caráter científico ou de divulgação, académicas ou para finalidade comercial, de caráter nacional e internacional. Foram cedidos elementos para publicação no catálogo da exposição "Arquitectura sobre Tela", promovida pelo Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso e pela Câmara Municipal de Chaves, com curadoria de António Choupina; para o primeiro volume da obra "Património Cultural de Gaia. Património Humano - Personalidades" editado pela Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia e coordenado pelo Professor Doutor Gonçalo Vasconcelos e Sousa; para a Sebenta d’ Obra #9, dedicada à reabilitação do Pavilhão dos Desportos, com coordenação editorial de Bárbara Rangel, lançado pela FEUP/DEC. Foram ainda cedidas imagens para projetos a desenvolver por parte da Câmara Municipal do Porto/Divisão Municipal de Museus e Património Municipal e para a Direção Regional de Cultura do Norte.


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3. Gestão de plataformas de comunicação e divulgação A definição, execução e monitorização da estratégia comunicacional da Fundação Marques da Silva tem cumprido um papel fundamental de sensibilização e divulgação junto de um largo espetro de públicos das atividades por si desenvolvidas ou apoiadas. Neste domínio, procurando transmitir uma imagem coerente com as grandes linhas orientadoras, tem sido assegurado: — a publicação regular de uma Newsletter em formato digital, num total de 8 números editados durante o ano de 2017; — a publicação de 14 registos videográficos relativos a iniciativas desenvolvidas pela Fundação; — a permanente atualização, em português e em inglês, da página web da FIMS que, em fevereiro de 2018, registava 240.767 visitas, número que traduz um aumento de 2% face aos números registados em 2016; em 2017 foi possível ampliar a galeria de obras de José Marques da Silva com um texto dedicado ao edifício da rua Barjona de Freitas, em Barcelos, da autoria do Professor Eduardo Fernandes; — que todas as iniciativas promovidas pela FIMS e por entidades parceiras sejam objeto de divulgação igualmente na página de facebook, que conta com 5.041 seguidores, e no twitter, que conta com 220 seguidores, tendo as iniciativas de maior relevância sido divulgadas através de correio eletrónico.


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Para além dos canais referidos, recorda-se a participação na construção de duas novas plataformas: — "No Centenário da Avenida" - Exposição Virtual: projeto da FIMS/TVU-Universidade do Porto, com conceção e orientação científica de Clara Pimenta do Vale, lançada a 31 de janeiro. — "Roteiro de Veloso Salgado no Porto": projeto da TVU-Universidade do Porto, desenvolvido em parceria com a FIMS, construído a partir da exposição e roteiro de visitas guiadas promovido pela FIMS por ocasião dos 150 anos do nascimento do pintor Veloso Salgado "Mais que o sonho da passagem", e a envolver um conjunto alargado de instituições: FBAUP, MNSR, Reitoria da UP, BPMP, Casa Museu Almeida Moreira, Casa Museu Teixeira Lopes, Palácio da Bolsa.


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III. Património A Fundação Marques da Silva considera a intervenção no campo da preservação do património arquitetónico e urbanístico construído como uma área de enorme importância para o reconhecimento do papel que a Fundação começa a desempenhar e a ver publicamente reconhecido. Esta intervenção desenrola-se contemplando a articulação e a complementaridade de diversas formas de atuação: exercendo uma prática de restauro que se pretende exemplar no património imóvel sob gestão direta da Fundação; elaborando e propondo processos de classificação patrimonial; intervindo junto das entidades proprietárias dos imóveis, tentando provocar e influenciar o seu restauro, seguindo as boas práticas; emitindo pareceres com base numa pesquisa ancorada e impulsionada pela informação contida na documentação que tem à sua salvaguarda. Em 2017, ano em que recebeu uma menção honrosa, no âmbito do Prémio João de Almada, pela reabilitação da Casa-Atelier José Marques da Silva, projeto do Atelier 15, foram iniciados contactos com a Câmara Municipal do Porto, para o desenvolvimento de um programa de sensibilização dos moradores do Bairro de Ramalde e do Grémio dos Merceeiros tendo em vista a sua preservação e requalificação; estão a ser acompanhados com especial atenção os projetos de recuperação do Liceu Alexandre Herculano e do edifício de A Nacional, de José Marques da Silva, e do Palácio do Comércio, de Maria José Marques da Silva e David Moreira da Silva; tem vindo a ser garantida a manutenção e requalificação do património imóvel sob sua direta gestão.

1. Prática de restauro e intervenção pública Consciente da necessidade de exercer uma prática de intervenção perspetivada no contexto programático e estratégico da instituição, de respeito pelo legado material e imaterial a salvaguardar, e assegurando a aplicação de uma metodologia assente em parâmetros de qualidade e rigor inquestionáveis, onde se torna fundamental o estabelecimento e valorização do diálogo com as fontes documentais que registam a génese das obras a intervir, a Fundação tem vindo, desde 2009, a intervir sobre o património edificado que tem sob gestão. No ano de 2017 destacou-se a conclusão da empreitada de Reabilitação das Caixilharias Exteriores dos prédios da Rua de Ferreira Borges, no Porto. Este projeto, da autoria do Arq.to Nuno Valentim, irá contribuir para a preservação e adequação a níveis de conforto atuais das frações que compõem os prédios da Rua de Ferreira Borges, sob gestão da Fundação Marques da Silva.


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Fotografia: Pedro Alves


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2. Património Imóvel: gestão corrente Com imóveis localizados nas áreas urbanas do Porto e de Barcelos e constituindo estes a principal fonte de rendimento do projeto institucional, a Fundação Marques da Silva tem como responsabilidade assegurar a articulação da vertente da preservação patrimonial com a vertente da rentabilização decorrente da sua exploração/utilização. Neste sentido, prosseguiu a estratégia de otimização de rentabilidade que, tendo por base uma diligente e cuidadosa manutenção, bem como um forte investimento na recuperação/remodelação de imóveis para arrendamento, permitiu manter a quase total alocação dos imóveis sob sua gestão.

2.1. Casas-Sede da Fundação Foram realizados alguns trabalhos de manutenção, nomeadamente na Casa-Atelier. Prosseguiram os trabalhos de arranjo e manutenção dos jardins, que voltaram a estar integrados no Roteiro de Camélias do Porto.

2.2. Outros imóveis Em resposta aos problemas detetados, resultantes do desgaste normal do património construído, e à necessidade de tornar os imóveis comercialmente mais atrativos, incrementando a sua viabilidade económica, foram efetuadas diversas intervenções, a seguir discriminadas: — Intervenções nos prédios da Rua das Carmelitas e da Rua de Ferreira Borges, no Porto, e no prédio da Rua de Barjona de Freitas, em Barcelos, na sequência da reclamação de vários inquilinos. — Foi recuperada, pelo respetivo inquilino, a fração sita à Rua das Carmelitas, n.º 100, 4º DT.


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IV. Contas As contas que acompanham este relatório, o Balanço e a Demonstração de Resultados permitem evidenciar o esforço de cumprimento do orçamento previsto para o ano de 2017, apesar da conjuntura económica adversa nomeadamente ao nível da rentabilidade das aplicações financeiras. As vendas e serviços prestados tiveram um forte aumento de 3.690 € em 2016 para 7.894 € (114 %), devido à crescente atividade da Fundação e à diversificação das fontes de receita. Apesar da forte redução verificada nas taxas de juro passivas no mercado bancário, as receitas financeiras subiram para 27.490 €, face a 11.986 € no ano de 2016, devido a uma operação de venda de obrigações realizada em dezembro e que se traduziu em um resultado financeiro mensal de 23.571 €. Os gastos com pessoal ficaram 10.578 € abaixo do orçamentado devido à cedência de interesse público de um funcionário à Reitoria da Universidade do Porto, a partir de 1 de novembro. O resultado líquido do exercício aumentou para (-63.350 €), mantendo-se um resultado operacional (EBITDA) francamente positivo de 47.155 €, o que traduz a sustentabilidade da FIMS e a capacidade de pagar os fortes investimentos que têm sido feitos nos últimos anos.


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Conclusão Da leitura do presente Relatório e do amplo leque de ações realizadas, que nele se registam, constata-se que a Fundação Marques da Silva, de uma forma gradual e sustentada, continua a assegurar a consolidação e a coesão do seu projeto institucional. Em consonância com o Plano Estratégico e a Missão que nele está expressa, a FIMS tem procurado, por sua iniciativa e/ou através de ações cooperativas, valorizar o património documental, bibliográfico e patrimonial sob sua gestão, e ampliar o seu campo de ação e reconhecimento externo. Um resultado que se expressa em parâmetros como o acolhimento de novos acervos ou na rede cada vez mais abrangente de colaborações com outras entidades. Novos acervos que se traduzem em novos territórios de ação, na diversidade das iniciativas desenvolvidas, em desafios para procurar meios de difusão de inegável interesse e atualidade no contexto atual. Atividades que, como se comprova da leitura dos qualificados interlocutores chamados a participar na concretização das múltiplas iniciativas desenvolvidas, congregam o interesse e o envolvimento da comunidade académica e dos investigadores. Mas também se constata o alcance de novos públicos, convocados por novas temáticas e fronteiras geográficas, mas igualmente atentos à disponibilização e partilha de informação que em particular o mundo digital viabiliza. A preservação da memória e dos acervos de arquitetos continua a manter-se a pedra basilar deste projeto, encarada sob uma perspetiva e sentido de atualidade para a disciplina, para o exercício da profissão, para um olhar consciente e crítico sobre o território e o património construído. O balanço destas ações torna-se ainda mais relevante se se considerar que foi alcançado num contexto de contenção económica e financeira, com um número reduzido de recursos humanos e condicionantes do espaço físico que o futuro terá de equacionar, mas valida a maturidade da Instituição que, por imposição legal de enquadramento na Lei-Quadro das Fundações, ficou ainda mais estreitamente ligada à entidade instituidora, a Universidade do Porto. Por todo o exposto, é convicção do Conselho Diretivo da FIMS que o Relatório de Atividades e Gestão e os demais documentos da prestação de contas, elaborados de acordo com o SNC e as normas e os princípios contabilísticos geralmente aceites, reproduzem de uma forma verdadeira e apropriada o resultado das operações da Fundação, pelo que se propõe que sejam aprovados. Propõe-se que o resultado líquido negativo apurado no exercício de 2017, no montante de (-63.350,03 €), seja transferido, na sua totalidade, para a conta de resultados transitados. Porto, abril de 2018 O Conselho Diretivo


Relatório de Atividades e Gestão 2017 Fundação Instituto Arquitecto José Marques da Silva (FIMS)

Relatório de Atividades e Gestão 2017  

Relatório das atividades desenvolvidas ao longo do ano 2017.

Relatório de Atividades e Gestão 2017  

Relatório das atividades desenvolvidas ao longo do ano 2017.

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