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EDITORIAL DIRETORES Sônia Inakake Almir C. Almeida

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Os recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) quadruplicaram nos últimos quatro anos, atingindo pelo menos R$ 94 bilhões neste ano, anunciou Paulo Malheiro, coordenador do Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Educação (Siofi), durante encontro promovido pelo Movimento Todos Pela Educação, em 16 de maio, em São Paulo. Na ocasião, o Movimento lançou o Anuário Brasileiro da Educação Básica 2012, o qual revela ampliação dos investimentos no setor no País em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). O índice passou de 3,2% em 2000 para 4,2% em 2009 na educação básica. Mas a média anual gasta em 2008 com o estudante ficou em US$ 2.416 contra US$ 8.961 dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Paulo Malheiro observou, no entanto, que não falta verba à educação, mas sim gestão eficiente do dinheiro público. “Temos hoje recursos, mas continuamos assistindo a elevados índices de repetência e evasão.” O que estaria acontecendo?, questionou Malheiro. Uma das pistas pode ser encontrada em outro evento da área realizado entre os dias 16 e 19 de maio, também em São Paulo. Diferentes fóruns de discussão abrigados sob a 19ª Educar sinalizaram que ainda falta articulação entre os segmentos que atuam com a educação. É o caso do ensino profissional de nível médio, tema de nossa reportagem de Gestão. Enquanto o Governo Federal se prepara para investir R$ 24 bilhões na área e criar 8 milhões de vagas até 2014, incluindo a rede privada, os especialistas reunidos em São Paulo perguntaram onde estariam os programas necessários para assegurar formação docente qualificada e especializada, currículo apropriado e infraestrutura de laboratórios a essa expansão? Será preciso correr contra o relógio e articular escolas, empresas, sindicatos, instituições de pesquisa e governos para evitar que se repitam problemas comuns ao ensino regular, como baixo desempenho, formação precária, evasão e desinteresse por parte do aluno. Outro problema que mereceu um congresso internacional na Educar - as dificuldades de relacionamento entre escolas, professores e pais de alunos -, abordado em nossa reportagem Especial, também decorre da maneira isolada de cada um trabalhar. Faltam diálogo e propósitos comuns entre as instituições e as famílias, alertaram os conferencistas. Ao menos um assunto, entretanto, parece ter já despertado uma ação conjunta: o da urgência de se intervir sobre os maus hábitos alimentares dos brasileiros, responsáveis hoje por elevados índices de obesidade entre crianças, jovens e adolescentes. Os ministérios da Saúde e Educação estão empreendendo parcerias com instituições em prol da alimentação saudável no ambiente escolar. O Fique de Olho desta edição traz empresas que poderão contribuir com as mantenedoras privadas para o alcance desse objetivo. A edição se completa com um Perfil da Escola que revela experiência positiva de gestão participativa e mobilização da comunidade em São Paulo (na EMEF Desembargador Amorim Lima); e com dicas sobre Reciclagem, Esportes (parcerias) e Auditórios e Anfiteatros. Finalmente, destacamos que o Grupo Direcional, através das revistas Direcional Escolas e Direcional Educador, promoverá no próximo dia 23 de agosto um workshop com gestores escolares, com a ideia de auxiliá-los a encontrar soluções para seus desafios diários. Em breve mais informações. Acesse nosso site www. direcionalescolas.com.br. Lá você encontra matérias, novidades, cursos, artigos de colaboradores, eventos do Grupo Direcional e um portfólio de fornecedores de produtos e serviços escolares. Uma boa leitura a todos, Rosali Figueiredo Editora CONTATE-NOS VIA TWITTER E FACEBOOK OU DEIXE SEUS COMENTÁRIOS NO ENDEREÇO DE EMAIL ESPACODOLEITOR@GRUPODIRECIONAL.COM.BR

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Caro leitor,

EDITORA Rosali Figueiredo

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SUMÁRIO

08 ESPECIAL FAMÍLIA, SOCIEDADE E ESCOLA As relações entre escolas, professores e pais de alunos estiveram novamente no foco de um grande evento da área da educação, em São Paulo. E os conferencistas voltaram a bater na mesma tecla: é preciso diálogo e entendimento, de forma a que cada instância tenha claros os seus papéis e responsabilidades.

10 GESTÃO

16 PERFIL DA ESCOLA

ENSINO TÉCNICO DE NÍVEL MÉDIO

EMEF DESEMBARGADOR AMORIM LIMA

Pouco mais de um ano após anunciar o Pronatec, programa nacional que pretende expandir a rede de ensino técnico de nível médio, o Governo Federal finalmente lançou o chamado FIES Técnico. Especialistas reunidos em São Paulo discutiram como conferir qualidade a essa expansão.

Unidade cinquentenária da rede municipal de São Paulo, a Amorim Lima introduziu há oito anos projeto pedagógico inspirado na Escola da Ponte, em que a principal característica é eliminar a fragmentação das séries e salas de aula. A proposta vem dando certo com forte trabalho de gestão participativa.

CONFIRA AINDA

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DICAS: 14 PARCERIAS:ESPORTES

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15 RECICLAGEM

18 AUDITÓRIOS E ANFITEATROS

FIQUE DE OLHO: 22 ALIMENTAÇÃO ESCOLAR


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WWW.DIRECIONALESCOLAS.COM.BR NO SITE DA DIRECIONAL ESCOLAS, VOCÊ ENCONTRA GRANDE ACERVO DE INFORMAÇÕES E SERVIÇOS QUE O AUXILIAM NA GESTÃO ADMINISTRATIVA, PEDAGÓGICA E DA SUA EQUIPE DE COLABORADORES. ACESSE E CONFIRA.

ENSINO TÉCNICO DE NÍVEL MÉDIO PORTARIA REGULAMENTA ACESSO AO FINANCIAMENTO ESTUDANTIL A Portaria 270/2012, que “regulamenta a adesão das mantenedoras de entidades privadas de educação profissional e tecnológica” ao chamado FIES Técnico, foi baixada pelo Ministério da Educação no dia 29 de março. Acesse a íntegra do texto no site da Direcional Escolas e saiba ainda como se habilitar junto à Secretaria de Educação de São Paulo para ingressar no programa, consultando reportagem publicada no endereço eletrônico http://www.direcionalescolas.com.br/edicao-77-abr/12/ ensino-profissionalizante- escolas-a-espera-do-fies-tecnico. COLUNISTAS

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Leia os dois novos artigos da psicopedagoga Jane Patrícia Haddad: “Educação: repensar posturas e paradigmas para ousar”; e “Educação: Liquidez ou Insensatez?”. A seção traz um novo colaborador, Amilton Saraiva, que aborda “As vantagens da terceirização

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de serviços nas escolas”. E prosseguindo com o acompanhamento das experiências em Tecnologia Educacional, o professor Rodrigo Abrantes Silva trata de novos aplicativos que ajudam a dinamizar as atividades em sala de aula, entre eles o SchoolTube. Acesse os links de cada colaborador a partir da homepage.

O CRESCIMENTO DA EDUCAÇÃO PRIVADA DIRIGENTE APONTA AUMENTO DE INVESTIMENTOS NO PAÍS O número de alunos matriculados na rede particular de ensino em todo País aumentou 24% desde 2007. E a tendência é que o brasileiro invista 13,5% a mais em educação em 2012. A análise é de Antônio Eugênio Cunha, diretor da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep) e presidente do Sindicato das Escolas Particulares do Espírito Santo. Entre 2010 e 2011, houve acréscimo de 358 mil matrículas na rede privada, totalizando 7.560.382 alunos. Já a rede pública registrou leve declínio, o total de matrículas baixou de 43.989.507 para 43.053.942 (de 2010 para 2011). Confira, no site, reportagem completa sobre o assunto.


ESPECIAL: FAMÍLIA, SOCIEDADE E ESCOLA

CONTRA O JOGO DO “EMPURRA”, NOVAS POSTURAS E CUMPLICIDADE

Em quatro dias de conferências e debates, a 19ª Educar Educador, realizada entre os dias 16 e 19 de maio no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo, reuniu 112 atividades pedagógicas, comandadas por 230 palestrantes nacionais e internacionais. Mas seu principal eixo temático colocou novamente em questão como as escolas podem estabelecer uma parceria mais efetiva com as famílias. Por Luiza Oliva Fotos Andreia Naomi (Divulgação: Futuro Eventos)

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om o tema geral “Família, Sociedade e Escola: Onde pretendemos chegar?”, os participantes da 19ª Educar Educador atacaram uma questão central hoje para os educadores: como envolver as famílias no cotidiano escolar e a necessária formação dos professores, coordenadores e outros profissionais da escola para atender a essa demanda? Os portugueses Ariana Cosme e Rui Trindade conduziram o talk show “Caminhando juntos na Educação e na Vida. Oras Falas Tu, Oras Fala Eu!”. Para Rui Trindade, psicólogo na área de Desenvolvimento da Psicologia e da Educação da Criança, mestre e doutor em Ciências da Educação, o professor não deve olhar com preconceito para as novas famílias. “Elas têm potencialidades e podem ser parceiras da escola. Se a criança não tem pai, dialogue com a mãe. Passe a ter um olhar mais aberto e abra o jogo com os pais. É necessário

definir expectativas. Mas o hábito é só chamar a família à escola quando algo vai mal com o aluno. Por que não inverter? Ou seja, partir do que as crianças são capazes, e não do déficit, das dificuldades.” Segundo Trindade, que atua em Portugal como consultor de escolas públicas, as famílias tradicionais podem até ser mais complicadas do que uma família monoparental. “É preciso olhar para as famílias de forma plural e perceber que nem todas funcionam

da mesma maneira. Não creio que família e escola vão viver sempre em harmonia, mas devemos ter regras claras e o que um espera do outro. A tensão faz parte dos relacionamentos. A grande questão é viver em conjunto, apesar da tensão”, distingue. Dirceu Ruaro, mestre e doutor em Educação, assessor pedagógico da Faculdade Mater Dei, em Pato Branco (Paraná), e secretário municipal de Educação, Cultura, Esportes e Lazer de Vitorino (no mesmo Estado), concorda que falta clareza na definição dos papéis de família e escola na educação das crianças. “De fato, estamos vivendo momentos cruciais nos quais as famílias, por incompetência, desconhecimento, má vontade e até por pensar que o governo é que deve ensinar boas maneiras, princípios e valores aos filhos, empurram essa parte da educação para a escola. Por outro lado, a escola tem aceitado esta situação. O que realmente cabe à escola? E à família? Não prego o divórcio entre


as duas instituições, mas a parceria real, verdadeira, envolvente. Aquela parceria de objetivos comuns, de metas traçadas a partir dos contextos locais, do conhecimento das famílias e das escolas”, defende Ruaro. O especialista participou da mesa de debates “Desenvolvimento da Competência Profissional do Professor - Desafio a ser assumido pelos sistemas e dirigentes de ensino”, ao lado de Emilia Cipriano, Luiz Schettini e Lilian Neves, em encontro mediado por Celso Antunes. ESCOLA DE PAIS O palestrante Marcos Meier, psicólogo e mestre em Educação, esteve presente ao evento e pondera que, por conta de lares em que a autoridade não é exercida com sabedoria e onde o afeto nem sempre está presente, as crianças chegam à escola indisciplinadas, agressivas, sem responsabilidades nos estudos. “Enfim, uma postura geral que não espera nada da vida. Tudo isso faz com que o clima em sala de aula seja muito ruim

para a aprendizagem e para o trabalho do professor. Se a escola não agir suprindo as carências das crianças, ensinar conteúdos do currículo escolar se torna quase impossível. Esse é um lado da moeda. O outro é que muitas famílias simplesmente não sabem educar e precisam aprender com especialistas em educação, ou seja, com os professores. A escola pode proporcionar essa formação com palestras úteis aos pais”, acredita. Crianças com uma formação deficitária recebida pela família dificultam o trabalho da escola. “Os pais, cada vez com menos tempo e com menos autoridade sobre os filhos, têm, muitas vezes, se omitido do seu papel de educadores e cobrado da escola a ampliação desse papel. E ela não tem conseguido responder a essa necessidade por alguns motivos, por exemplo, porque trabalha mais com o coletivo do que com

o individual, e também porque precisa que os valores morais sejam trabalhados pela família. Nesse aspecto, o papel da escola é complementar”, avalia Renato Casagrande, mestre em Administração, especialista em Recursos Humanos e Gestão Educacional e formação em Liderança e Coaching. Casagrande abordou “O Desenvolvimento do Gestor em 8 Papéis fundamentais da Gestão Educacional”, em uma palestra inserida no Congresso de Management, da Educar. Casagrande concorda com a proposta de Marcos Meier: “As escolas precisam cumprir mais um papel, que é o de promover encontros que contribuam para ampliar o nível de conhecimento dos pais quanto ao seu papel de educadores.” Mas Casagrande reforça um ponto: é preciso ser criativo, motivando os pais para a participação. “Deve-se estabelecer estratégias e desenvolver ações e projetos que despertem nas famílias a motivação necessária.” Os especialistas concordam que é preciso ir além das reuniões para falar de notas e aprendizagem. Dirceu Ruaro defende ações concretas e conjuntas, como uma escola de estudos para pais. Marcos Meier acredita na alternativa de convocar os pais por temas para reuniões interativas. Por exemplo, pais de crianças violentas discutindo pontos importantes, entre eles, como agir, como punir, o que pode piorar o comportamento da criança, o que um pai fez e que pode servir de exemplo, o que outro fez e que ninguém deve repetir etc. “Um coordenador ou psicopedagogo dirige a reunião e conduz os trabalhos. É preciso que as famílias saiam daquele encontro com uma forte impressão de que aprenderam coisas úteis. A escola deve agir sem o tom de ‘bronca’, mas de ajuda com dicas e orientações simples e práticas”, orienta Meier. FORMAÇÃO DEFICITÁRIA Ao lado das carências dos pais, professores e gestores convivem, por sua vez, também com falhas em suas formações. Na opinião de Dirceu Ruaro, as novas exigências educacionais pedem educadores atentos às novas realidades da sociedade, do conhecimento, do aluno, dos meios de comunicação e informação: “Há uma nítida mudança no desempenho dos papéis docentes, novos modos de pensar, agir e interagir. Com isso, surgem novas práticas profissionais, novas competências. E, por outro lado, é preciso ter em mente que os

gestores, via de regra, não dialogam com os docentes das redes para entender seu cotidiano, suas necessidades, suas limitações e, em consequência, organizam Programas de Formação Continuada que não respondem aos anseios dos docentes. Os programas, salvo raras e honrosas exceções, são organizados para os docentes e quase nunca com os docentes.” Marcos Meier acredita que os professores saem das universidades com uma formação metodológica muito carente. “O professor é um especialista em conteúdos acadêmicos e precisa aprender sozinho a interagir com seus alunos nas questões disciplinares, emocionais, sociais. Se a escola não investir na formação continuada de seus professores, a qualidade da educação oferecida não vai mudar.” Quanto aos gestores, a situação não é diferente. “É preciso reconhecer de uma vez por todas que Pedagogia não é Administração e que cursar Educação Física, Geografia ou qualquer outra licenciatura não prepara o professor para a gestão de uma escola. São funções diferentes”, avalia. Na opinião de Renato Casagrande, a formação dos gestores é quase inexistente. Ele opina que são poucos os gestores educacionais, hoje, com uma base adequada para exercer sua função. “Geralmente, os diretores que atuam nas escolas brasileiras são professores que saem da sala de aula e assumem quase que imediatamente a responsabilidade pela gestão, sem o conhecimento de teorias e métodos de gestão, o que faz com que a maioria das instituições apresente um grau elevado de ineficiência nas suas operações. É comum observarmos uma quantidade grande de retrabalho nas escolas e isso se deve à falta de método na gestão”, finaliza.

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ESPECIAL: FAMÍLIA, SOCIEDADE E ESCOLA

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GESTÃO: ENSINO TÉCNICO DE NÍVEL MÉDIO

EM DISCUSSÃO, DESA FIOS PARA ESCOLAS, GOVERNO E EMPRESAS

O ensino profissionalizante de nível médio ganhou força na agenda nacional com o lançamento do Pronatec, em 2011. Desde então, algumas medidas foram adotadas, entre elas, a regulamentação recente do chamado Fies Técnico. Especialistas reunidos em São Paulo no mês de maio destacaram, porém, a necessidade de se garantir a essa expansão um currículo minimamente adequado, além da formação docente.

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o momento em que o Governo Federal acaba de regulamentar a concessão do FIES técnico, modalidade de financiamento ao estudante do ensino profissionalizante de nível médio, as perspectivas e os desafios à expansão do segmento no País foram tema de um amplo fórum de discussões em São Paulo, entre os dias 16 e 19 de maio passado. Instituições de ensino, professores e coordenadores formaram grande parte do público que acompanhou o 1º Profitec (Congresso Internacional de Educação Profissional e Tecnológica), realizado no âmbito da 19ª Educar, no Centro de Exposições Imigrantes, na Capital Paulista. A Portaria 270/2012, que “regulamenta a adesão das mantenedoras de entidades privadas de educação profissional e tecnológica”, foi baixada pelo Ministério

Por Rosali Figueiredo Fotos Rita Barreto da Educação no dia 29 de março. Cabe agora às instituições providenciar sua habilitação junto ao Sistema Nacional de Informações da Educação Profissional e Tecnológica (Sistec), mas para isso terão antes que cumprir com alguns pré-requisitos junto aos Estados (no caso de São Paulo, confira as normas do Conselho Estadual da Educação na reportagem publicada no endereço eletrônico http://www.direcionalescolas.com. br/edicao-77-abr/12/ensino-profissionalizante-escolas-a-espera-do-fies-tecnico). O Fies Técnico representa o mais recente de um conjunto de instrumentos que o Governo Federal vem lançando desde 2011 para dar vazão ao Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). A ideia é solucionar, com ação política única, duas grandes lacunas estruturais brasileiras: a base educacional deficiente de 53 milhões de

jovens brasileiros (que estão em situação de baixa escolaridade, ou são analfabetos funcionais ou semialfabetizados) e a falta de mão de obra técnica especializada no País. A análise do contexto foi feita pelo professor de Química e Meio Ambiente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), Claudio Ricardo G. da Silva. Graduado em Química Industrial, mestre em Saneamento Ambiental, doutorando em Geografia, Claudio participou de uma mesa que discutiu “Bem-Estar, Produtividade, Criatividade e Domínio Tecnológico: Resultados esperados da educação tecnológica e profissional do Brasil”. Segundo o professor, a educação tecnológica surge, neste momento, como “grande fator de garantia da sustentabilidade e do desenvolvimento econômico”. Ele lembrou que a meta do Plano Nacional de Educação (PNE) para a área, nos próximos


GESTÃO: ENSINO TÉCNICO DE NÍVEL MÉDIO

FORMAÇÃO DOCENTE Segundo o coordenador do Centro Paula Souza, a rede do ensino técnico de nível médio no Brasil é bastante tímida se comparada com outros países. Na Argentina, destacou, a proporção de matrículas no técnico equivale a 25% do Ensino Médio; em São Paulo, esse patamar cai a 17%. “E o Produto Interno Bruto (PIB) daquele país equivale a 60% do paulista”, enfatizou Almério, contabilizando que o Estado de São Paulo precisará chegar a pelo menos 500 mil matriculados (sobre os 350 mil

atuais) se quiser atingir o patamar argentino. Em todo Brasil, para se chegar ao índice de 25% a 30% dos estudantes frequentando o ensino técnico, o número de matrículas teria que saltar de pouco mais de um milhão para três milhões, contabilizou Almério. Seu colega de debate, Claudio Ricardo G. da Silva, lembrou, no entanto, que para o Brasil atingir esse nível, deve adotar uma “política de investimentos que tenha longevidade e continuidade, assim como acontece na Coréia do Sul”. E que, nesse momento, investir 10% do PIB em Educação representa o mínimo necessário para “resgatar o passivo e promover o desenvolvimento”.

Uma das grandes dificuldades a ser enfrentada é a qualificação docente, advertiu Claudio. “Não há no Brasil formação de professor para atuar no Ensino Técnico, precisamos de curso de graduação e de pós e não temos isso. Não se pode falar em qualidade da educação sem falar em qualificação docente”, observou. O professor do IFCE apontou que “a formação politécnica é muito importante” em um mundo que muda com a velocidade atual, formação essa que exige

uma associação entre a Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. Para Cleunice de Matos Rehen, que pesquisou o perfil dos professores de nível técnico no Brasil, a preparação docente deve passar por “cinco competências”: mediação da aprendizagem; domínio das disciplinas; domínio dos processos produtivos do mercado de trabalho; inserção da escola em seu contexto social; e as demais competências, “inerentes a qualquer educador”. Mas, segundo ela, o domínio das disciplinas e dos processos produtivos é fundamental ao professor dos cursos técnicos. Cleunice defendeu que a formação docente inclua estágio, além de um período de acompanhamento após a sua passagem pela escola. “Este professor deveria, durante pelo menos um ano, retornar com frequência ao seu centro de formação”, acrescentou Cleunice. VOZ DISSONANTE Também presente em uma mesa de debates no Profitec, a educadora Guiomar Namo de Mello, doutora em educação e ex-conselheira do MEC, foi uma das poucas vozes contrárias à tendência de expansão do ensino técnico no País. A educadora apontou que a crise educacional brasileira, com seus elevados índices de evasão, especialmente no Ensino Médio, decorre da incapacidade das redes, escolas e professores trabalharem o “desenvolvimento de habilidades nos estudantes, a associação de informações, e o uso das linguagens e do conhecimento para que trilhem um caminho próprio”. Guiomar defendeu que a prioridade recaia, nesse momento, à “formação de uma base sólida, que começa na creche e na Educação Infantil”. Ou seja, no princípio, e não no fim da linha.

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dez anos, é atingir mil unidades da rede federal de ensino técnico em nível médio, em uma proporção de uma escola para cada cinco municípios brasileiros. Mais do que garantir, entretanto, o acesso dos estudantes a uma ampla rede, incluindo instituições privadas, os conferencistas do Profitec apontaram a urgência de um planejamento articulado entre Governo, Estados, instituições e empresas, que dê conta de oferecer cursos adequados às necessidades regionais, de estruturar currículos e suportes tecnológicos capazes de assegurar as competências técnicas dos futuros profissionais, e de formar docentes qualificados e especializados para ocuparem essas salas de aula. Almério Melquíades de Araújo, professor e coordenador de Ensino Médio e Técnico do Centro Paula Souza, em São Paulo, destacou que “a escola não consegue fazer isso sozinha”. Ele sugeriu parcerias entre os estabelecimentos de ensino, os sindicatos e as empresas. Mais do que “reproduzir mini fábricas nas escolas, é preciso abarcar as competências mínimas e isso requer humildade para construir e reconstruir os currículos escolares, no sentido de ir além das habilidades técnicas e contemplar a relação ética entre os colegas e a sociedade”, disse. Graduado em Física e mestre em Educação (Supervisão e Currículo), Almério participou da mesa sobre “Bem-Estar, Produtividade e Criatividade” e defendeu a formação de um futuro profissional técnico “com capacidade de criar”. “A escola precisa dar conta disso”, reiterou.

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GESTÃO: ENSINO TÉCNICO DE NÍVEL MÉDIO

TECNOLOGIA E SERVIÇOS

PARA A ESCOLA DO SÉC XXI

Um dos aspectos que mais chamou atenção na edição deste ano da Feira Educar, realizada no Centro de Exposições Imigrantes, nos dias 16 a 19 de maio, foi a onipresença da Tecnologia Educacional entre os expositores, principalmente junto às plataformas de conteúdo didático e aos suportes de salas de aula e laboratórios. A 19ª Educar reuniu 150 empresas brasileiras e estrangeiras, incluindo aquelas que, de olho na expansão do ensino técnico, apresentaram soluções em laboratórios profissionalizantes e até mesmo cursos já estruturados. Nesse quesito, o destaque ficou para o pavilhão que abrigou empresas alemãs. A Educar recebeu ainda expositores norte-americanos, espanhóis e chine-

ses, além de uma comitiva de empresários e autoridades da China. Entre os brasileiros, um dos cases mais bem-sucedidos foi dado pela Digisonic, lousa digital desenvolvida no Brasil pela Sipvox, de Bebedouro, cidade localizada no interior de São Paulo. Segundo um de seus diretores e desenvolvedores, Breno Lima, a Digisonic é a primeira lousa genuinamente brasileira e foi contemplada com o programa Prime (Primeira Empresa Inovadora), ligado à Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Uma das soluções da empresa esteve ainda entre os finalistas do Prêmio Educadores Inovadores da Microsoft, em 2009. (R.F.)

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LEIA MAIS

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Em www.direcionalescolas.com.br, acesse a íntegra da Portaria 270/2012, que trata da regulamentação do acesso ao FIES Técnico pelas instituições privadas de ensino e empresas. Acesse ainda no endereço eletrônico http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/ DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=125270 o “Estudo sobre o perfil do professor de educação técnica e contribuições para um projeto contemporâneo de formação docente no Brasil, numa perspectiva do trabalho e da educação no início do século XXI”, dissertação de mestrado de Cleunice Matos Rehem, defendida em 2005 junto à Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

ALMÉRIO MELQUÍADES DE ARAÚJO almerio@centropaulasouza.sp.gov.br

CLAUDIO RICARDO G. DA SILVA claudio@ifce.edu.br CLEUNICE MATOS REHEM gabineteseres@mec.gov.br

BRENO LIMA contato@sipvox.com.br

GUIOMAR NAMO DE MELLO guiomar@uol.com.br

SAIBA MAIS


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DICA: PARCERIAS - ESPORTES

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epois de o Ministério da Educação (MEC) instituir a nova Matriz de Referência para o Enem (Exame Nacional de Ensino Médio), em 2009, a tendência da Educação Física é deixar de ser uma disciplina isolada, que visa apenas à prática de esporte, para se inter-relacionar com os outros componentes curriculares e trabalhar a cultura do movimento. “A Educação Física é mais ampla que o esporte e a ginástica. Cabe a ela ensinar conceitos, procedimentos e valores sobre o movimento humano, o qual têm relações com a História, Geografia e Biologia”, aponta Fábio Marchioreto professor de Educação Física do Colégio Giordano Bruno, localizado na zona Oeste de São Paulo. Ensinar como e porque o corpo se movimenta é essencial nessa disciplina e também é tarefa da instituição, segundo Marchioreto. Mas com vistas ao melhor rendimento da Educação Física na escola, o professor recomenda adotar algumas modalidades esportivas, entre elas futebol, natação, dança e vôlei, como atividades extracurriculares, quer sejam para o lazer, quanto para o condicionamento físico ou competição. “O trabalho das escolinhas de esportes terceirizadas é propor modalidades de esporte pré-definidas para alcançar os benefícios que as atividades físicas podem proporcionar”, explica Márcio Aldecoa, professor de Educação Física e diretor de uma empresa do segmento, situada em São Caetano do Sul,

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região Metropolitana. A instituição fica responsável apenas pela “disponibilidade e manutenção da estrutura física e, dependendo do tipo de contrato, os materiais são providenciados pela empresa”, ressalta Aldecoa. Quanto às vantagens da terceirização de esporte para a instituição, Marcelo Mancini, coordenador de uma escola de esportes, da Vila Olímpia, zona Oeste de São Paulo, destaca que o formato de negócio “agrega valor à escola, diminui os encargos trabalhistas, dispõe de profissionais habilitados para cada modalidade (com treinamento e supervisão contínua) e também viabiliza o planejamento detalhado das atividades e a substituição imediata de professores”. Para uma parceria de sucesso, Aldecoa aconselha definir antes os objetivos que se pretende alcançar e apresentar o perfil da instituição à empresa. Aldecoa recomenda, ainda, fechar negócio com empresa registrada junto aos órgãos competentes e que disponibilize profissionais certificados pelo CREF (Conselho Regional de Educação Física) e com experiência na área. Fábio Marchioreto acrescenta, por sua vez, que as escolas “elaborem um roteiro com informações de suas necessidades e apresentem o projeto pedagógico para ajustar as ações extracurriculares com as curriculares”. Além disso, a instituição deve “acompanhar regularmente as condições físicas e pedagógicas das atividades e conversar com os pais e alunos para apurar o nível de satisfação”, complementa Marchioreto. (T.D.)

SAIBA MAIS FÁBIO MARCHIORETO secretaria@giordanobruno.com.br

MÁRCIO ALDECOA marcio@lifepqv.com.br

MARCELO MANCINI comercial@bmqsports.com.br

Na Próxima Edição: Parcerias (Robótica)


DICA: RECICLAGEM

de atividade, a ação foi ampliada e vinculada ao Projeto Ecofran, o qual “atua em Santana do Parnaíba e, por meio do lucro da comercialização de sabão em pedra e em pó, cria condições para capacitar famílias carentes da região”. A partir do segundo semestre de 2012, o Franscarmo também será polo de arrecadação de garrafas pet. “A escola vai desenvolver um projeto de reciclagem de garrafas pet para a produção de vassouras”, destaca Eura. O Colégio Humboldt, da zonal Sul da cidade, está estruturando um projeto de reciclagem e segregação dos resíduos gerados na instituição. “Toda a área da escola terá caixas especiais para o descarte de papel, com a divisão entre reciclável e reutilizável, e também estações para a segregação, com placas explicativas. O objetivo é transmitir o conceito da importância de reduzir o consumo e reutilizar o que já existe. Todos os funcionários receberam treinamento para entender e valorizar essa ação”, afirma Mariane Bischof, responsável pela iniciativa. Para o descarte de resíduos eletrônicos, pode-se consultar o Cedir (Centro de Descarte e Reuso de Resíduos de Informática), situado no Centro de Computação da USP (Universidade de São Paulo). “O Cedir não recebe demandas de escolas devido à capacidade do espaço. Mas viabiliza soluções para os colégios encaminharem seu material, seja através de campanhas educativas ou parcerias com empresas recicladoras”, informa a responsável técnica do setor, Neuci Bicov. (T.D.)

SAIBA MAIS ALESSANDRO AZZONI a-azzoni@hotmail.com

MARIANE BISCHOF humboldt@humboldt.com.br

FLÁVIO EURA direcaoadjunta@franscarmo.com.br

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Na Próxima Edição: Primeiros Socorros

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educação ambiental está presente nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) como um tema transversal, que deve integrar o projeto político pedagógico da Educação Básica, de modo a envolver todas as disciplinas, conforme exposto na Resolução 04/2010 da Câmara de Educação Básica, do Conselho Nacional de Educação. Segundo Alessandro Azzoni, vice-presidente do Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de São Paulo (Cades), a educação ambiental deve extrapolar as ações isoladas e aprendizados parciais. “Os gestores precisam se envolver e se arriscar em projetos para disseminar a cultura ambiental além do portão da escola. Uma ação bem planejada pode repercutir em dobro, tanto dentro da instituição como fora dela, pois funcionários e alunos levam o conhecimento para a família, comunidade e bairro”, comenta. Entre os projetos de reciclagem fáceis para se introduzir, Azzoni cita a coleta de óleo. “A escola só precisa fazer convênio com uma cooperativa e disponibilizar um tambor para captar o óleo”, explica. Desde 2008, o Colégio Franciscano Nossa Senhora do Carmo (Franscarmo), da zona Leste de São Paulo, é um polo de arrecadação de óleo de cozinha da Vila Alpina e adjacências. “O colégio firmou uma parceria com a ONG Triângulo e colocou à disposição contêineres para as comunidades interna e externa”, afirma o diretor Flávio Eura. Depois de um ano

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PERFIL DA ESCOLA: EMEF DESEMBARGADOR AMORIM LIMA

CORAGEM E GESTÃO PARTICIPATIVA,

MARCAS DA HISTÓRIA RECENTE DA “ANTIGA”

ESCOLA PAULISTANA Com um projeto pedagógico inovador, inspirado na Escola da Ponte e lastreado em um modelo de gestão participativa, a Emef Desembargador Amorim Lima consegue desenvolver nos alunos uma atitude de protagonismo sobre a própria aprendizagem. Em seu 8º ano, a experiência altera os rumos da antiga escola do Butantã e revela sua missão de semear a perspectiva cidadã junto à sociedade. Por Rosali Figueiredo Fotos Tainá Damaceno

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ma escola feita para alunos, e cujo enredo diário seja tecido pelos próprios estudantes, pode parecer algo retórico, redundante. Mas grande parte das escolas tem funcionado muito mais como uma estrutura feita para o professor atuar que para o aluno aprender, avalia a educadora Fátima Pacheco, que por cerca de 30 anos coparticipou da implantação do projeto integrador da Escola da Ponte, de Portugal. O modelo tradicional da escola vem sendo questionado especialmente nas últimas duas décadas, desde que propostas como essa começaram a ganhar notoriedade. Todo esse preâmbulo vem à mente em uma visita à Escola Municipal de Ensino Fundamental Desembargador Amorim Lima, da Prefeitura de São Paulo, localizada há mais de 50 anos na Vila Indiana, região do Butantã, zona Oeste de São Paulo. Ali, quem recebe a reportagem são os alunos Laís Yukari Kameshiro e Lúcio Ayala, do 8º ano. Eles se prontificaram a apresentar a escola e por ela transitaram com bastante espontaneidade, revelando sensação de pertencimento. Mas a Amorim Lima é, sobretudo, um espaço de ocupação disciplinada e organizada em torno de um novo Projeto Político Pedagógico (aprovado pelo Conselho de Escola em 2005), e regida por uma Carta de Princípios de Convivência (construída ao longo de 2005 em assembleias dos estudantes e

também aprovada pelo Conselho de Escola, em 2006). A escola deixa claras e bem delimitadas as funções e responsabilidades de todos os seus participantes. Educadores, colaboradores, estudantes e pais, todos têm direitos, mas também deveres. Os dos estudantes são o de trabalhar com roteiros de pesquisa, enquanto eixos que amarram as experiências de aprendizagem. A partir de temas como Comunicação e Memória, Digestão, Rituais da Vida e Energia, entre inúmeros outros, os professores fazem a mediação dos conteúdos ligados às disciplinas tradicionais, como Português, Ciências, Geografia, Matemática e História. “Nossa escola tem um projeto bem diferente, não temos aulas com carteiras em fileiras, mas em grupos de cinco pessoas”, descreve Laís. “E toda semana nos reunimos em 20 pessoas, para a tutoria com um professor”, complementa. Existem aulas expositivas em Inglês, Ciências, Matemática e Português, e outras que são dadas em espaços próprios, como a de Artes, observa a aluna. Há também optativas, como a Capoeira, obrigatória aos estudantes do Fundamental I, mas facultativa a partir do 6º ano. A EMEF Desembargador Amorim Lima oferece os dois ciclos do Fundamental e boa parte de suas atividades acontece, predominantemente, em grandes salões que abrigam as turmas de cada etapa (Fundamental I e II), sem distinções por séries, exceto na alfabetização (1º e 2º ano) ou em disciplinas específicas como Inglês ou Informática (até o 5º ano). Cer-

ca de três a quatro professores são presença constante no ambiente, orientando as atividades desenvolvidas pelos estudantes. A ideia é que o grupo de alunos se ajude antes de solicitar a mediação do professor. O projeto, inspirado na Escola da Ponte, começou a ser implantado em 2004, sob autorização da Secretaria Municipal da Educação. “Não temos provas”, comenta Laís. A avaliação é feita pelos professores conforme os alunos cumpram os roteiros de atividades, e também por meio de fichas de acompanhamento da tutoria. Ao final de cada roteiro, os estudantes precisam apresentar um portfólio do que aprenderam, explica a estudante. “O maior aprendizado é que a gente não estuda só para a prova, a gente estuda o ano todo”, observa a garota, bem adaptada ao modelo da Amorim Lima, aonde chegou no começo do Fundamental. Já seu colega Lúcio Ayala, que veio há pouco tempo de uma escola particular, conta que “no começo não gostei muito, não havia aula de Ciências e eu gostava muito, mas depois aprendi a trabalhar com roteiro e me adaptei”. O DESAFIO DO TRABALHO COLETIVO Para a diretora Ana Elisa Siqueira, que está na escola há 16 anos e promoveu as mudanças, o processo “é mais lento que a gente queria, porque tem que entender o tempo de cada um e a necessidade de construir dentro de si a perspectiva do trabalho com o coletivo”. Isso envolve


PERFIL DA ESCOLA: EMEF DESEMBARGADOR AMORIM LIMA

SAIBA MAIS ANA ELISA SIQUEIRA www.amorimlima.org.br amorimlima@yahoo.com.br FÁTIMA PACHECO fatinhapacheco56@gmail.com

A ESCOLA Localização: Vila Indiana (bairro do Butantã, zona Oeste de São Paulo) Ciclos escolares: Ensino Fundamental I e II No de alunos: 800 Equipe: 80 professores (inclui orientador da sala de informática e da sala de leitura) Equipe gestora: Diretor, duas assistentes de direção e duas coordenadoras pedagógicas Equipe de apoio: 4 inspetores de alunos, além dos funcionários da secretaria. A cozinha, limpeza e vigilância são terceirizadas. O grande destaque no apoio fica por conta das mães voluntárias, especialmente em seu trabalho de catalogação das obras da biblioteca. LEIA MAIS

EM WWW.DIRECIONALESCOLAS. COM.BR, ACOMPANHE A ANÁLISE DA EDUCADORA FÁTIMA PACHECO SOBRE “AS ESCOLAS E O DNA DA FRAGMENTAÇÃO”, EM REPORTAGEM COMPLEMENTAR DA DIRECIONAL ESCOLAS.

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não apenas os educadores e funcionários de apoio, como os próprios alunos e a comunidade, que tem tido forte atuação voluntária em várias frentes do projeto. Nos últimos oito anos, Ana Elisa contou ainda com a parceria de empresas e organizações da sociedade civil, que ofereceram, por exemplo, suporte a sua equipe na capacitação para o trabalho em grupo. Ana Elisa destaca também o trabalho voluntário do pesquisador e linguista Geraldo Tadeu Souza, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que desenvolveu os roteiros de estudos, seguindo as diretrizes dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). Outra dificuldade para conduzir o processo reside, segundo Ana Elisa, no fato de a escola estar vinculada a uma estrutura burocrática estatal, pois o gestor não tem autonomia para montar sua equipe. “O projeto só é possível por causa de todo o trabalho com a comunidade, da construção da necessidade de mudar”, observa a diretora. O modelo de gestão participativa da escola permite prover muitas das lacunas deixadas pela rede pública. Há comissões de mediação, como a de pais e de educadores, além da “Comissão Reflexiva” (mista). Mas há também a participação de pais, educadores e alunos em comissões de festas, alimentação, de ações da comunidade, da biblioteca, do jornal mensal, do site, da jardinagem e comunicação, além do Conselho Financeiro.

Segundo Ana Elisa, “o desafio do projeto está muito pautado nessa condição de cidadania. E o papel da escola na sociedade é construir essa perspectiva de solidariedade, da mediação de conflitos, os quais são encarados como função mesma do projeto.” Ana Elisa conta com o papel atuante do Conselho de Escola e da Associação de Pais e Mestres (APM), além de assembleias mensais de pais. Os resultados, segundo ela, ainda não se refletiram em um grande diferencial sobre as notas dos alunos junto às avaliações que compõem o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). “Estamos na média, em algumas provas acima, em outras abaixo. Mas o importante é que as crianças conseguem contextualizar o que veem, e estão mais felizes. Os resultados das provas [do Ideb] informam questões muito importantes, e fazem com que a gente olhe para as demandas que não estamos conseguindo resolver.” A diretora revela que essas demandas situam-se principalmente sobre “uma estruturação maior do pedagógico na rotina das crianças”, em maior capacitação para o trabalho em equipe. “Gostaria muito de poder contar com outras oportunidades de formação para os educadores”, comenta Ana Elisa, dizendo que a jornada integral, em um projeto como esse, também “faria enorme diferença”. Mas são necessidades que o pulso do trabalho coletivo que marca a história recente da Amorim Lima poderá, certamente, transformar em vontade e soluções.

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DICA: AUDITÓRIOS E ANFITEATROS (INSTALAÇÕES E ACESSÓRIOS)

ESPAÇO MULTIMÍDIA

FORTALECE A VISIBILIDADE

DA ESCOLA E

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ntre os ambientes que compõem a edificação escolar, os auditórios e anfiteatros devem ser locais privilegiados: ao serem destinados a eventos solenes (peças de teatro, palestras, congressos) e a atividades pedagógicas, esses espaços acabam recebendo tanto a comunidade interna como a externa. “O auditório é a parte mais visível da instituição, e quando bem planejado pode ser um novo elemento provedor de receita para a escola”, destaca Dulcinéia Rinaldi, diretora de uma empresa especializada em instalação de anfiteatros e auditórios. Antes de projetar um auditório ou anfiteatro escolar, Andréas Bossert, responsável pelo teatro do Colégio Humboldt, recomenda estabelecer a finalidade de seu uso, ou seja, se ele servirá apenas internamente ou também abrigará eventos externos. “A finalidade irá definir as instalações, as quais devem possibilitar a flexibilidade de atividades no espaço”, afirma. A instalação mínima adequada aos auditórios e anfiteatros, segundo Dulcinéia, contempla palco, assentos confortáveis e dispostos de forma a prevalecer a visão do espectador, além de equipamentos de áudio e vídeo, como computador, aparelhos de CD e DVD e retroprojetor. “Eles são determinantes tanto para trabalhos pedagógicos como artísticos”, ressalta. “Os equipamentos de iluminação e mecânica e a vestimenta cênica também são importantes, mas podem variar de acordo com o grau de sofis-

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ticação desejada”, avalia. No Colégio Humboldt, zona Sul de São Paulo, o teatro foi projetado para 432 espectadores. O palco de 92 metros quadrados de largura e seis de altura possui piso flutuante e urdimento, com 22 quarteladas, ou seja, “ele pode ser aberto para produções que necessitem da utilização do porão”, detalha Andréas. A escola também se preocupou em implantar um sistema de iluminação, som e projeção profissional, bem como sala técnica e de tradução simultânea, camarim, sala de ensaio, chapelaria e ar-condicionado. Já o teatro da Escola Internacional de Alphaville, em Barueri, dispõe de uma tomada para notebook em cada poltrona, tela retrátil e assentos no formato stadium. Mas independente da sofisticação, conforme salienta Ricardo Chioccarello, gestor da Escola, “o espaço precisa ter estrutura para receber cadeirantes e portadores de necessidades especiais”. Nesse caso, as rampas são uma das opções oferecidas para facilitar o acesso. Outro colégio que possui boa estrutura é o Marista Arquidiocesano de São Paulo, localizado na zona Sul: seus dois anfiteatros dispõem de lounge com banheiros e elevadores. O diretor da instituição, Ascânio Sedrez, recomenda aos gestores escolares bastante atenção na hora de contratar empresas que farão a remodelação desses espaços. Segundo ele, é importante conhecer trabalhos anteriores da companhia, certificando-se de sua capacitação técnica. (T.D.)

SAIBA MAIS ANDRÉAS BOSSERT humboldt@humboldt.com.br

DULCINÉIA RINALDI cineplast@cineplast.com.br

ASCÂNIO SEDREZ arqui@marista.org.br

RICARDO CHIOCCARELLO escola@escolainternacional.com.br

Na Próxima Edição: Paisagismo e Decoração


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FIQUE DE OLHO: ALIMENTAÇÃO ESCOLAR

CANTINAS, EQUIPAMENTOS, NUTRICIONISTAS & FORNECEDORES: SERVIÇOS EM PROL DA SAÚDE DOS ESTUDANTES Por Tainá Damaceno

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epois da divulgação das últimas pesquisas realizadas pelo Ministério da Saúde e IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), sobre o preocupante estado de saúde das crianças e adolescentes no País, o Governo Federal e as escolas começaram a empreender ações para mudar os hábitos alimentares das chamadas gerações Y e Z. Os dados são alarmantes: cerca de 530 mil crianças e 140 mil adolescentes têm obesidade mórbida. 34,8% das crianças com idade entre cinco e nove anos estão acima do peso. E 21,7% dos jovens de 10 a 19 anos também apresentam excesso de peso. Enquanto os Ministérios da Saúde e Educação promovem o Programa Saúde na Escola e mobilizam instituições públicas em prol da reeducação alimentar dos alunos, a Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep) celebrou acordo com a pasta da Saúde para orientar os colégios a oferecer apenas alimentos saudáveis e retornar os índices de obesidade a patamares bem menores, semelhantes aos de 1988 (8% entre os meninos e 5% entre as meninas, por exemplo). Isso envolve a oferta de insumos salubres nas cantinas e lanchonetes, como: salgados assados e integrais, lanches naturais, iogurtes, sucos, frutas, refeições balanceadas com verduras e legumes, salgadinhos de soja e sem glúten. As empresas de serviços em alimentação escolar entrevistadas neste Fique de Olho certamente terão muito com o

que contribuir para o alcance dos objetivos estabelecidos pelo Ministério. Confira.

CANTINAS DO TIO JULIO Orientar os gestores escolares e fornecer alimentos saudáveis às crianças, jovens e adolescentes compõe a expertise das Cantinas do Tio Julio, empresa que atua há 28 anos na administração, instalação e reestruturação de cantinas, lanchonetes, refeitórios e restaurantes escolares para a rede particular de ensino do Brasil. Presente em 153 unidades e atendendo a 184 mil alunos por dia, afora professores, funcionários etc., a empresa atualmente é a maior do setor no País. As Cantinas do Tio Julio oferecem desde a elaboração do cardápio e produção de alimentos, à supervisão da operação das unidades. Os serviços são realizados por uma equipe de nutricionistas e preveem a adequação da cantina escolar perante as normas da Vigilância Sanitária, do município em que está localizada, e ao Manual de Boas Práticas para Manipulação de Alimentos, do Conselho Regional de Nutricionistas (CRN). Ou seja, o trabalho diário das suas equipes é norteado pelo cuidado com a limpeza, o treinamento dos funcionários, e com a compra, preparação, conservação e venda dos alimentos. Outra preocupação das Cantinas do Tio Julio é conciliar a necessidade do alimento saudável com a satisfação dos alunos, dando especial

atenção à apresentação e ao sabor do mesmo. Como resultado, as Cantinas oferecem salgados assados integrais, iogurtes, sucos e biscoitos à base de soja (esses três itens são uma alternativa às pessoas que têm intolerância à lactose). Entre os demais diferenciais das Cantinas do Tio Julio, o sócio-gerente Julio Cesar Salles destaca seu modelo de parceria com microempresários locais (o que garante a presença constante de um dos sócios no ambiente escolar); o cartão de consumo pré-pago para facilitar a vida dos estudantes; e a renda extra que proporciona aos mantenedores.

Fale com as Cantinas do Tio Julio: (11) 5084-3134 / (21) 2228-0615 www.cantinasdotiojulio.com.br cantinasdotiojulio@ig.com.br

RENUTRIR

No que diz respeito à sedimentação de um hábito alimentar saudável permanente, a nutricionista infantil Melissa Lippe, diretora da Renutrir, aponta que a educação nutricional em âmbito escolar acaba funcionando como referência importante tanto para orientar as crianças como os próprios pais. “A escola desempenha um papel chave na formação alimentar infantil, mas a orientação aos pais é primordial para a solidificação do trabalho nutricional desenvolvido na instituição”, observa.


FIQUE DE OLHO: ALIMENTAÇÃO ESCOLAR

Fale com a Renutrir: (11) 2372-7128 / 7128-2648 www.renutrir.com.br melissa@renutrir.com.br

TOURTE ALIMENTOS Para a implantação de uma educação alimentar consistente em longo prazo, Júlio César Pontes, responsável técnico da Tourte Alimentos, recomenda

aos gestores escolares reduzir de forma gradual os produtos mais calóricos, como frituras e massas com alto teor, além dos refrigerantes. Além disso, para ter a certeza que está oferecendo produtos de qualidade, “é imprescindível exigir dos fornecedores laudos técnicos, entre eles o de análise microbiológica do alimento”, acrescenta. A Tourte Alimentos é uma empresa especializada em panificação industrial e, preocupada com a saúde dos estudantes, já adotou uma prática de redução de sódio nas massas, por meio de um termo de compromisso firmado junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Seguindo nessa linha da alimentação saudável, Júlio César destaca que a empresa irá lançar, em breve, coxinhas para assar produzidas com 80% de inhame. “O resultado final será um produto com 60% a menos de calorias, uma massa cremosa, altamente nutritiva e de sabor inigualável”, explica. A Tourte Alimentos produz salgados e pães congelados, como croissant, esfirra (esfiha), pastel de forno, torta e pães folhados. Com uma trajetória de mais de 12 anos, a empresa exibe, em sua carteira de clientes, instituições tradicionais de São Paulo, como o Colégio Marista Arquidiocesano, a Universidade de São Paulo, o Colégio Ábaco e o Colégio Adventista.

Fale com a Tourte Alimentos: (11) 3976-4732 / 4063-6760 www.tourte.com.br nutricaoescolar@tourte.com.br

CARTILHA SOBRE BOAS PRÁTICAS PARA SERVIÇOS DE ALIMENTAÇÃO A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) disponibiliza em seu site uma cartilha bastante didática sobre os cuidados a serem adotados nos serviços de alimentação. Editado em 16 capítulos e disponibilizado em arquivo PDF, o documento apresenta as Doenças Transmitidas por Alimentos (conhecidas como DTA), explica os tipos mais frequentes de contaminação (por micróbios ou parasitas), orienta para a organização adequada das cozinhas (de forma a evitar a proliferação dos agentes causadores das doenças), bem como quanto a sua posição física em relação a banheiros e vestiários, dá dicas de limpeza, e ensina a limpar as caixas d´água, a condicionar o lixo, a manipular, preparar e transportar os alimentos, entre muitos outros. Um dos destaques são os procedimentos de higienização das hortaliças, frutas e legumes, extraídos do “Guia Alimentar para a População Brasileira /Promovendo a alimentação saudável”, editado em 2005 pelo Ministério da Saúde. Entre os cuidados a serem tomados pelos responsáveis das cantinas escolares que oferecem esses itens, notadamente frutas, as quais vêm ganhando espaço no cardápio das instituições, é colocá-las de molho por 10 minutos em água clorada, “utilizando produto adequado para este fim (ler o rótulo da embalagem), na diluição de 200 ppm (1 colher de sopa para 1 litro)”. Outro item que merece atenção na cartilha é o chamado POP (Procedimento Operacional Padronizado), documento que precisa ser produzido por cada estabelecimento, dando o passo a passo para a execução das tarefas e estabelecendo os materiais necessários, cuidados, frequência e os responsáveis pelas operações. A consulta ao material da Anvisa pode ser feita no endereço eletrônico http://www. anvisa.gov.br/divulga/public/alimentos/cartilha_gicra_final.pdf. (R.F.)

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Proporcionar às crianças acesso às boas práticas da nutrição, propondo uma mudança para hábitos alimentares saudáveis que se estendam indiretamente aos seus familiares, é um dos pontos fortes da Renutrir, que atua no ramo de alimentação escolar desde 2010. A empresa oferece pacote completo de educação alimentar, que inclui: elaboração de cardápios saudáveis; treinamento e capacitação de merendeiras e cozinheiras; adequação da cozinha segundo as recomendações da Vigilância Sanitária; avaliação nutricional do aluno; palestras e plantões de atendimento aos pais; e educação nutricional lúdica, entre outros. “Esse último é um trabalho diferenciado, que visa trabalhar os conceitos da boa nutrição por meio de jogos, brincadeiras e oficinas culinárias adaptadas para qualquer faixa etária, entre eles os bebês de colo”, complementa a nutricionista.

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ACESSÓRIOS, ALAMBRADOS, ALIMENTAÇÃO, ANIMAÇÃO, ASSESSORIA CONTÁBIL, BRINDES

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EDUCAÇÃO NUTRICIONAL, ELÉTRICA, INFORMÁTICA, LABORATÓRIO

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Mテ天EIS

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LOUSAS, MÁQUINAS MULTIFUNCIONAIS, MÓVEIS, PINTURA, PINTURAS ESPECIAIS, PISOS

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PLAYGROUNDS

greeland play

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PLAYGROUNDS

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PLAYGROUNDS, QUADRAS, RADIOCOMUNICAÇÃO, TERCEIRIZAÇÃO

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TOLDOS

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