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ASSOCIAR +

INFORMAÇÃO JUVENIL

FEDERAÇÃO DAS ASSOCIAÇÕES JUVENIS DO DISTRITO DO PORTO

ENTREVISTA COM

TIAGO REGO

PRESIDENTE DA DIREÇÃO DA FNAJ FEDERAÇÃO NACIONAL DAS ASSOCIAÇÕES JUVENIS

CAPACITA.TE 2018

BOOTCAMP ESPECIAL

HOMENAGEM A JÚLIO OLIVEIRA

COM O APOIO DE:


FAJDP

FEDERAÇÃO DAS ASSOCIAÇÕES JUVENIS DO DISTRITO DO PORTO

vAI A FAJDP.PT, espreita o glossário e descobre um espaço de partilha de projetos, atividades e boas práticas! Clube de Desporto C+S de Lavra Grupo Recreativo de Regufe Historioscópio - Teatro de Marionetas Já T'Explico Juventude Unida de Mosteiró MEDESTU Núcleo de Jornalismo Académico do Porto Pint of Science Porto Refugees Welcome Portugal


ÍNDICE

03 04 06

EDITORIAL

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MONITOR DE POLÍTICAS AUTÁRQUICAS

08 10

ENTREVISTA

REPORTAGEM BOOTCAMP

CASA DAS ASSOCIAÇÕES

EDITORIAL

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joaquim Lima Presidente da FAJDP

DEBATE A TUA CIDADE CAPACITA.TE

TIAGO REGO

ASSOCIAÇÕES JUVENIS DO DISTRITO DO PORTO

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ARTIGO DE OPINIÃO

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ASSUNTOS DE INTERESSE

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ESPECIAL

NUNO SEMEDO

HOMENAGEM A JÚLIO OLIVEIRA

FICHA TÉCNICA Coordenação - Frederica Ferreira Direção de Conteúdos - Frederica Ferreira Colaboradores de Texto - Susana Costa, Joaquim Lima, Cláudia Ferreira, Nuno Semedo, Tiago Gouveia, Rita Macedo e Joana Moreira. Investigação - Susana Costa e Léa David Design e Paginação - Neuza Moreira

REVISTA ASSOCIAR+ POR:

info@fajdp.pt casadasassociações@fajdp.pt

A evolução da qualidade dos projetos das nossas Associações Juvenis ao longo da última década é fruto da ambição e capacidade dos seus jovens, fazendo com que consequentemente olhemos, nos dias de hoje, para o associativismo juvenil de forma bastante diferente. Se por um lado pensamos que a criação de um projeto comunitário, que todos os dias possa prestar um contributo diferenciador para sua comunidade, precisa de convergir para a profissionalização das suas equipas, por outro lado é legítimo pensar-se que o verdadeiro espírito que preside à criação de um projeto associativo, é a sua base de voluntariado e de não obtenção de rendimento por parte dos seus dirigentes, sócios e voluntários. Então torna-se legítimo entrar num debate ético por aquilo que pensamos. Será que o associativismo juvenil deverá ser totalmente puro e ter uma base completa de voluntariado? Deverá o associativismo promover a incubação de projetos que se crescerem terão uma configuração completamente empresarial? As estruturas de representantes do movimento associativo terão que adequar-se à exigência da sociedade e terem diretores Semi-Profissionais? Uma Associação Juvenil que pelo seu impacto social cresce e atinge o estatuto de IPSS, deverá continuar a ser de matriz Juvenil? Todas estas meras reflexões merecem ser consideradas, pois agora é o momento, isto porque não podemos continuar com a retórica assente num paradigma romântico, de há 10 anos atrás, em que as Associações Juvenis eram quase na sua totalidade polos de Solidariedade, Cultura e Desporto. Nos dias de hoje, as Associações e suas estruturas representantes são bastante diferentes e mais diversificadas. Contudo, esta reflexão não é fácil, pois existem questões que nos aproximam de considerar que por conceito uma organização de jovens não deverá ser profissionalizada, deverá ser até experimental, e ao mesmo tempo capaz de tentar tendo a possibilidade de errar. Mas como em tudo, quando vamos verificar a praticabilidade da coisa, ficamos com a noção de que se queremos eventos organizados com qualidade, respostas sociais adequadas e uma representação das associações institucional forte e pensada, temos que ter pessoas que se dediquem a tempo inteiro. Posto isto, o desafio da Federação das Associações Juvenis do Distrito do Porto é que pensem sobre este tema, tendo em conta a necessidade de adequar as nossas estruturas, para que possamos manter a pureza do conceito de associativismo voluntário, desinteressado e altruísta e ao mesmo tempo criar condições para garantir a qualidade, profissionalismo, a possibilidade de sermos polos de inovação estando preparados para os desafios futuros! Pois a Juventude não espera! Saudações Juvenis!


04 REPORTAGEM

BOOTCAMP

A 3ª edição do Capacita.te contou, pelo segundo ano consecutivo, com a realização de um bootcamp residencial de três dias. Em 2017 fomos recebidos pela Pousada da Juventude de Baião e este ano rumámos a sul, mais propriamente a Cascais, a Capital Europeia da Juventude.

Queres saber tudo o que se passou? Nós contamos-te! Cerca de 20 jovens portuenses, ansiosos por descobrir mais e partilhar experiências associativas, partiram bem cedo do Porto em pleno dia de Implantação da República. Após quase 5 horas de viagem – com alguns percalços pelo meio –, finalmente chegámos e fomos recebidos por um maravilhoso tempo, que prometia perdurar o resto do fim-de-semana, e por um grupo animado de participantes de Cascais. As atividades começaram após o (merecido!) almoço, à beira da piscina na Loja Cascais Jovem, onde decorreu a sessão de abertura e apresentação do programa, que contou com algumas palavras da Chefe de Gabinete da Juventude da CM do Porto, que esteve connosco durante todo o fim-de-semana. O resto da tarde foi dedicado ao grupo: utilizámos dinâmicas de grupo e exercícios de educação

não-formal para nos conhecermos e construirmos a equipa de trabalho para o restante período do bootcamp. Terminámos o dia com a partilha de expectativas, medos e contribuições de cada participante. O segundo dia iniciou com uma atividade radical: arborismo no Parque da Pedra Amarela! Apesar de alguns medos, conseguimos todos e todas fazer o percurso inteiro e, o mais importante, sem cair! Após a atividade ainda tivemos tempo para dar alguns mergulhos na piscina do hostel antes do almoço. Da parte de tarde, os mergulhos foram um pouco diferentes: entrámos em força na temática do associativismo juvenil, iniciando com a perspetiva histórica, seguida de um quizz associativo digital.


REPORTAGEM

Esta atividade foi dividida em duas partes: a primeira, apenas com uma série de perguntas de escolha múltipla que avaliava o grau de conhecimento dos participantes de temáticas ligadas ao associativismo juvenil e às políticas de juventude; a segunda, mais ao estilo do debate, permitiu aos jovens participantes exporem as suas opiniões e dúvidas sobre o movimento associativo em Portugal. Depois de uma “conversa calorosa”, os participantes tiveram oportunidade de colocar em prática os conhecimentos recém-adquiridos através da construção de um pitch sobre um projeto associativo, que deveriam criar em pequenos grupos. No final, as “novas ideias associativas” foram apresentadas

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a um painel de especialistas, composto pela equipa da FAJDP, que avaliou a viabilidade das ideias e expôs dúvidas e questões. Depois do jantar, tivemos a oportunidade de passear um pouco e estreitarmos laços entre nós. No domingo de manhã, fomos conhecer a vila de Cascais e fizemos uma walking tour orientada por duas jovens voluntárias, e que terminou no Parque Marechal Carmona, onde teve lugar o almoço em jeito de pic-nic e as dinâmicas de avaliação final. No final tivemos a agradável surpresa de ter connosco a Drª Catarina Araújo, Vereadora da Juventude e do Desporto da CM Porto, que fez questão de vir entregar os certificados de participação e cumprimentar todos os participantes. Sem dúvida de que os principais ingredientes para o sucesso desta atividade foram o empenho e a entrega dos seus participantes: um grupo de jovens bastante heterogéneo e motivado que, com certeza, dará seguimento aos projetos, ideias e ambições demonstradas ao longo deste fim-de-semana de muito trabalho e partilha. Estamos já ansiosos pela próxima edição do Capacita.te e, claro, pelo próximo bootcamp que desta vez se realizará na cidade de …

~ sugestões?


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CASA DAS ASSOCIAÇÕES

~

“Angariação de Fundos em ONG’s” Um dos grandes problemas das organizações sem fins lucrativos é como obter financiamento para os seus projetos e para potenciar o crescimento da sua atuação. Foi nesse sentido que o Capacita.Te 2018, iniciativa da CM Porto através da Divisão da Juventude em parceria com a FAJDP, dinamizou a ação de capacitação “Angariação de Fundos em ONG’s”. Esta ação teve como objetivo desmistificar o porquê de angariar fundos: mais do que obter rendimento, uma boa estratégia de fundraising permite publicitar a organização, recrutar novos voluntários e ganhar reconhecimento e apoio da comunidade. Com base em trabalho prático e partilha de modelos, falou-se da necessidade de pensar a sustentabilidade das organizações a longo prazo, definindo modelos de orçamento e, só depois, pensando em angariação de fundos e captação de parceiros. A formação foi um sucesso, muito por causa da dinâmica que se criou com o grupo. Vindos de contextos muito diferentes e com espírito de aprendizagem, saíram todos cheios de motivação para implementar planos orçamentais e definirem modelos de negócio para as suas organizações.

No dia 26 de Outubro o evento “Debate a tua cidade” (4ª edição) teve lugar na Casa das Associações. Este debate foi promovido pela Câmara Municipal do Porto em parceria com a FAJDP e com o apoio da FAP e do IPDJ. O tema deste ano foi: “Contextos de Empregabilidade Jovem no Município do Porto e o Futuro de Trabalho” no contexto da 4ª Revolução Industrial. Esta iniciativa foi dirigida a jovens dirigentes das associações juvenis e das associações de estudantes de ensino superior e do ensino secundário, a grupos de jovens, sobretudo os que participam no Parlamento de Jovens, e também a jovens do Programa Escolhas e do projeto FAP no Bairro. O evento foi dinamizado pelo Carlos Santos, que envolveu de forma tecnológica os jovens presentes. Estes, ao longo do dia, foram tentando responder às tarefas presentes na app “Badge Wallet”, de forma a obterem badges que comprovavam a sua aprendizagem acerca do futuro do trabalho no contexto da 4ª Revolução Industrial. Foi um dia em cheio, que mostrou aos jovens a nova realidade tecnológica adaptada ao trabalho num espaço livre de debate e troca de perspectivas e opiniões!


MONITOR DE POLÍTICAS AUTÁRQUICAS

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ENTREVISTA

TIAGO REGO PRESIDENTE DA DIREÇÃO DA FEDERAÇÃO NACIONAL DAS ASSOCIAÇÕES JUVENIS (FNAJ) Que balanço fazes deste primeiro ano e meio de mandato da direção da FNAJ?

Em resposta a uma proposta de alteração de lei atabalhoada e impensada, que não teve em conta a dinâmica das associações, as especificidades dos territórios e a expectativa dos dirigentes - devido a um processo negocial falhado e a uma auscultação insuficiente -, acredito que ainda estamos a tempo de repensar a alteração da Lei-mãe do Associativismo Jovem em Portugal. Agora, cabe à Assembleia da República convergir numa reforma equilibrada e sensata. Se há vontade para alterar a Lei, que não seja esta uma oportunidade perdida, e aproveitemos a sua revisão para fazer avançar o movimento Associativo Juvenil. Os deputados logo decidirão se querem que os jovens tenham um papel efetivo na construção do seu futuro, integrando os seus contributos na revisão do documento, ou se querem fazer desta uma “Lei Surda”.

Após um ano e meio de um mandato desafiante e de objetivos alcançados, a Direção da FNAJ está orgulhosa pelo cumprimento das medidas a que se propôs no início desta jornada. Perante um período muito exigente para o movimento associativo juvenil, com reformas e projetos agressivos para o setor, a FNAJ tem reagido com ações que reforçam eixos fundamentais: a unidade da rede associativa de mais de um milhar de organizações; a consolidação do associativismo juvenil como escolha preferencial dos jovens que querem ser cidadãos ativos nas suas comunidades; e a construção de uma agenda de políticas públicas para a Juventude no plano local, nacional e internacional. A FNAJ é hoje uma plataforma de referência nas políticas locais de juventude. As “Cimeiras Associativismo e Juventude”, afirmaram as associações juvenis como parceiros preferenciais Que efeitos terão as medidas inscritas na proposta dos municípios, e a campanha “Associativismo Juvenil: de Alteração do Regime Jurídico do Associativismo Jovem no movimento Escola de Cidadania e Voassociativo juvenil de luntariado” promove o mo“(...) são as associações juvenis de base local? vimento como um espaço de criatividade e democracia. A base local que rompem a inércia É inequívoco que a proexpansão além-fronteiras, posta de Lei trará enormes difialcançada com o protocolo e revelam o potencial jovem.” culdades ao setor que já se bate de cooperação com a Rede Nacional de Associações Juvenis da Guiné Bissau e a en- diariamente com desafios como a mobilização de jotrada da FNAJ na Confederação Europeia de Associações vens e equipas de voluntários. Será penalizado, não só Juvenis, é o culminar de um trabalho de valorização da Fe- pela criação de novas categorias que irão confundir o deração como uma estrutura possante no plano internacio- ecossistema associativo e retirar apoios diretos, mas também porque poderá levar ao desmantelamento de nal. O balanço é, assim, francamente positivo. organizações cuja existência é já precária. Discute-se a alteração do Regime Jurídico do Associa- Se uma associação juvenil encerrar a sua atividade petivismo Jovem no Parlamento. Que avaliação a FNAJ las dificuldades ingeridas pela proposta de Lei, então esta já falhou. faz da condução deste processo?


ENTREVISTA Nos últimos anos, a FNAJ integrou o Conselho Económico Social (CES) e o capital social da Movijovem. Que experiência a FNAJ retira da participação nestes instrumentos de Co-Gestão? A participação da FNAJ nestes órgãos resulta de um trabalho de anos de afirmação do associativismo juvenil enquanto espaço de intervenção social e gerador de real impacto. Nesse sentido, a participação da FNAJ no CES e no Conselho Estratégico da Movijovem tem permitido dar voz à juventude, partilhando, “ nestes órgãos, os contributos do tecido associativo para a construção de ” uma efetiva cooperação social e intergeracional. Todavia, se na Movijovem a presença dos jovens está já em paridade com a presença do Estado, no CES as organizações juvenis estão em franca minoria - há ainda muito trabalho a fazer para consolidar a Juventude como uma prioridade plasmada nos documentos que nascem neste Conselho. A ação da FNAJ na Movijovem tem visado a afirmação dos jovens e das suas organizações como principais beneficiários das Pousadas de Juventude e uma cooperação estreita na reinvenção do Cartão Jovem como plataforma difusora de direitos e oportunidades.

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A FNAJ e as associações juvenis de base local são hoje, indubitavelmente, parceiros preferenciais das autarquias na prossecução de políticas locais de juventude como complemento às políticas nacionais. Em 2018, através das “Cimeiras Associativismo e Juventude”, a Federação marcou a agenda das políticas locais de juventude e reforçou o diálogo estruturado de base local. Os momentos de partilha de boas práticas evidenciaram realidades e velocidades distintas na ação das autarquias no setor: a existência de Planos Municipais de Juventude, que conferem consistência e sustentabilidade às políticas, contrastou com a ausência de Conselhos Municipais de Juventude e as políticas avulsas e débeis de muitos municípios. Todavia, com o projeto “Mais Juventude”, ficou patente a consciencialização para a importância dos jovens na sociedade e a vontade dos municípios em serem melhores parceiros. Visando consolidar a ação das autarquias, entendemos criar, em 2019, um Plano Nacional de Politicas Locais de Juventude, um documento orientador, que demonstra que os municípios que almejam ser progressistas e vanguardistas devem apostar nos jovens e nas suas organizações.

Somos, juntos, a maior escola de cidadania de Portugal.

Recentemente a FNAJ propôs no Conselho Consultivo da Juventude o regresso do IPJ, separando-se a juventude do desporto. Como tem sido acolhida esta ideia junto da tutela? Volvidos vários meses de uma desvalorização pública do IPDJ, com vários episódios nada abonatórios para a boa imagem deste organismo, a FNAJ tornou pública a vontade do movimento associativo juvenil em ter de novo uma representação própria, o IPJ. As polémicas desportivas e de gestão do Instituto, que minaram a relação da sociedade com este organismo, são alheias à Juventude, que saiu penalizada neste processo, e legitimam a reivindicação da FNAJ - perante tanta destruição, que se salvaguarde, pelo menos, o setor da Juventude. No Conselho Consultivo do SEJD, a FNAJ propôs, de forma direta, a criação de um organismo que possa ouvir e apoiar os jovens e as suas organizações, livre dos condicionalismos subjacentes à integração da Juventude e Desporto num mesmo instituto. Em 2012, a FNAJ promoveu a elaboração da Declaração de Braga, e em 2017 reforçou o seu posicionamento relativamente às políticas autárquicas de juventude com o lançamento do Manifesto Autárquico. Que avaliação faz a FNAJ da atual realidade das políticas locais de juventude?

A atual legislatura entra no último ano de mandato. Que análise faz a FNAJ dos últimos 3 anos de políticas públicas de juventude? Destaco três aspetos: a cogestão concretizada na Movijovem; a elaboração do Plano Nacional de Políticas de Juventude e o Orçamento Participativo Jovem, que representam um bom começo para uma perspetiva do que deve ser a governação para o setor, apesar ainda inconsistentes; e a proposta de alteração de Lei do Associativismo Jovem, a marca mais negativa, tendo colocado em causa a relação do Estado com o setor da Juventude. Qual a mensagem que pretendes deixar às associações Juvenis e aos Jovens? A FNAJ é um organismo de espírito livre, representativo da vontade do movimento juvenil, cujo pilar são as associações juvenis de base local que rompem a inércia e revelam o potencial jovem. São elas a forma mais espontânea que a sociedade tem para se expressar, é nelas que vivemos nós, jovens sonhadores, capazes de gerar pequenas mudanças que, estou certo, um dia tornarão o nosso mundo mais perfeito. Encerram várias gerações num só momento, num só movimento, num só coletivo. Juntos continuaremos a promover as associações como espaços de integração, capacitação e apoio à iniciativa dos jovens, pugnando pelo desenvolvimento do Associativismo Juvenil enquanto elemento central de uma Política Pública de Juventude. Somos, juntos, a maior escola de cidadania de Portugal.


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ASSOCIAÇÕES JUVENIS DO DISTRITO DO PORTO

ASS. JUV. ESCOLA DE FUTEBOL HERNÂNI GONÇALVES

A Escola Hernani Gonçalves é uma associação que utiliza o futebol como ferramenta de desenvolvimento dos jovens. Trabalha no Centro Cultural e Desportivo da Câmara Municipal do Porto e no Colégio de Gaia e conta com uma equipa de 25 profissionais com formação superior em educação física e desporto ou com o curso de treinador de futebol, garantindo assim a qualidade no acompanhamento. Oferecem 5 programas: o ABC - para crianças dos 3 aos 5 anos, onde se desenvolvem as aptidões motoras básicas; o Escola Futebol - para jovens entre os 6 e os 16 anos que gostem de jogar; o de competição, destinado a jovens entre os 11 e os 19 anos com melhores aptidões; o de futebol feminino, para raparigas entre os 6 e os 19 anos, que conta também com uma equipa sénior; e o programa para pais, para que rentabilizem o tempo de espera, melhorando ainda a sua condição física e saúde. Existem ainda encontros inter-escolas, o torneio Internacional Hernani Cup, seminários e campos de férias. Acreditam que o futebol promove o bem-estar e a integração, e que são capazes de imprimir uma mudança positiva.

SdDUP

Sabias que... a SdDUP conquistou cinco vezes o ~ título de campeã nacional, ~ nas sete edições realizadas?

A SdDUP começa em 2010 com um grupo de alunos da FDUP e da FEP, que decide criar um espaço para promover o espírito crítico, a compreensão mútua e o amor às palavras e às ideias. Ponto de partida para o Movimento Nacional de Debate Competitivo Universitário, a SdDUP debate no modelo British Parlamentary (BP) - há 4 equipas (Primeiro e Segundo Governo, e Primeira e Segunda Oposição). A moção é anunciada 15 minutos antes e os discursos são de 7 minutos. A mesa de adjudicação anota os argumentos e toma uma decisão. Organiza 2 debates semanais, e durante o semestre marca presença em todas as instituições de ensino. Frequentemente proporciona cursos de Public Speaking e de Debate no modelo BP. Organiza uma simulação da Assembleia Geral das Nações Unidas; a competição “Open do Porto”, que acolhe oradores de todo o país; e o “Campeonato Interno”, para encontrar o Campeão da UP. A SdDUP trouxe também à cidade o Internacional Debate Camp, o maior evento de cariz internacional no país. Em 2013, ganhou o campeonato mundial em Berlim, e tem marcado presença em vários torneios internacionais.


ASSOCIAÇÕES JUVENIS DO DISTRITO DO PORTO

UNIÃO DESPORTIVA ESTRELAS DE RIO MAU

A União Desportiva Santa Isabel 2005, nasceu em 2005 em Rio Mau (Penafiel), por intermédio de um grupo de jovens do sexo feminino, que partilhava o gosto por jogar futebol, e participava já em vários torneios, obtendo excelentes resultados. Como a modalidade fundadora da associação foi o Futebol Feminino, associou-se à Federação de Futebol Amador do Concelho de Penafiel, dando assim início ao Campeonato Feminino, que foi um enorme sucesso. Passados alguns anos, abandonaram-se as competições de futebol e iniciou-se a modalidade de futsal. Ao longo dos anos os escalões foram aumentando, e a associação conta agora com cerca de 75 atletas, nas modalidades de futsal petizes, traquinas, juvenis, juniores feminino, seniores feminino e veteranos. A associação organiza também outros eventos, como o Grande Prémio de Atletismo e o Kids Trail. Em 2017, a sua denominação foi alterada com o objectivo de melhor divulgar a freguesia e a associação, passando-se a chamar-se União Desportiva Estrelas de Rio Mau. Os seus valores continuam os mesmos: União – Convívio – Alegria – Competição - Desafio.

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GRUPO DE JOVENS “NOVA ESPERANÇA”

O Grupo de Jovens “Nova Esperança” é uma associação juvenil fundada em 1996 por um grupo de amigos que acreditou que podia fazer a diferença. Conta com uma sede, o Auditório do Grupo de Jovens Nova Esperança (Sobreira), e realiza atividades para todas as idades, com o objectivo de tornar uma população maioritariamente envelhecida numa população pró-ativa. Para abranger e agradar o maior número de pessoas, a associação aventurou-se em diversas áreas: criou torneios de bilhar e de ténis de mesa, organizou festivais e concursos de moda, desenvolveu um clube de canoagem de águas bravas e fundou o “Fim-de-semana Radical” e os ciclos de cinema “Abre a Mente”. Atualmente, algumas dessas atividades já não estão em funcionamento, mas outras surgiram, como o Grupo de Teatro, que começou em 2008 com 5 pessoas, e que agora conta com cerca de 20, de todas as idades. O GJNE conta com mais de 20 anos de trabalho, esforço, e prazer sentidos por todos os que por lá passaram. Promete inovação e muita alegria para dar e vender, quem sabe, por mais 20 anos!

Sabias que... O GJNE tem 3 subgrupos integrados no PT - Paredes com Teatro?


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OPINIÃO

Os encontros associativos e a vantagem competitiva Por Nuno Semedo

Presidente da Direção da Federação das Associações Juvenis do Distrito de Coimbra

Ao longo dos anos, todos testemunhámos a evolução do movimento associativo no que respeita à melhoria das práticas, metodologias de educação não-formal e de participação cívica dos jovens e das suas estruturas. Em distritos, como o de Coimbra, que reúnem associações criadas nos centros urbanos de elevada densidade populacional e de associações criadas em aldeias do interior onde o trabalho é necessariamente diferente, verificam-se assinaláveis diferenças nas metodologias e práticas que permitem o sucesso individual de cada estrutura. Estas estratégias permitem que as associações mobilizem os seus jovens, envolvam as suas comunidades e muitas das vezes fixem os jovens em zonas do interior do nosso país. De forma a garantir que, ao longo das gerações, estas diferentes estratégias não se percam, as federações distritais e nacionais promovem, cada vez mais, encontros de partilha, discussão e formação. Estes encontros, mais participados a cada ano quepassa, estão a promover uma partilha ímpar no movimento associativo nacional, pois permitem que as boas práticas e a transferência de conhecimento não se percam e/ou não fiquem “presas” nas estruturas que as usaram com sucesso. Importa referir que, para muitas destas associações, estes momentos são os únicos em que podem dar o seu testemunho, mostrar o que alcançaram, apontar o que perderam, assinalar as dificuldades associadas às suas especificidades. A partilha de experiências entre associações tão heterogéneas potencia de forma quase “mágica” uma

necessidade de todos os participantes repensarem os objetivos das suas associações, as formas de intervenção na comunidade, as estratégias de motivação e fixação dos jovens, incluindo, na maioria das vezes, ideias de outras congéneres. Estes momentos forçam os jovens a sair da sua zona de conforto e tornam-nos mais despertos a aspetos que, isolados nas suas estruturas, não sentiriam necessidade de verificar ou corrigir. Em momentos de feedback, no final dos encontro de associações juvenis, verifica-se que os jovens, reiteradamente, concluem que voltam para as suas associações mais motivados e convictos de que as suas experiencias e o seu trabalho foram cruciais para todas as outras estruturas e que vão conseguir implementar ou reajustar muitos aspetos das suas associações. ganhando vantagem competitiva. A vantagem competitiva que descrevem permite-lhes, considerando testemunhos de anos consecutivos, ser mais eficazes e mais eficientes nas atividades que desenvolvem nas suas comunidades. Sentem igualmente que os seus grupos saem mais motivados, mais blindados, mais clarificados e mais focados destes encontros. Reforçam que viajam para casa com vontade de fazer mais e melhor para também conseguirem voltar aos encontros distritais e nacionais com mais e novos conteúdos. Da parte das federações, considera-se que as associações participantes se aproximam cada vez mais das políticas de juventude e da importância da participação cívica de todas as estruturas na evolução das mesmas.


ASSUNTOS DE INTERESSE

MOBILIDADE NA EUROPA E NO MUNDO

O Corpo Europeu de Solidariedade é a nova iniciativa da UE dirigida aos jovens, dando-lhes a oportunidade de fazer voluntariado ou de trabalhar em projetos, no próprio país ou no estrangeiro, em benefício de pessoas e comunidades na Europa. Os projectos, apoiados pelo CES, podem durar entre 2 e 12 meses, e dirigem-se a jovens entre os 18 e os 30 anos. Após a inscrição, os jovens podem ser convidados a integrar projetos ligados, por exemplo, à prevenção das catástrofes naturais ou à assistência em centros de requerentes de asilo. Ideal para quem gosta de desafios e tem vontade de ajudar!

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EMPREGO E FORMAÇÃO

A partir de agora, para além dos outros canais de agendamento de atendimento (telefone, e-mail ou presencial), cidadãos e entidades empregadoras podem agendar online o atendimento presencial nos serviços de emprego, de acordo com o assunto pretendido, em dia e hora à sua escolha. Ao fazer um agendamento através do SIGA, será de imediato informado do dia, hora e local para comparência no serviço de emprego e receberá um e-mail ou SMS com o comprovativo da marcação e um código que terá de utilizar no dia do atendimento. Sabe mais em www.iefp.pt ou em www.iefponline.pt

~ Sabias que esta já é a décima edição da Revista Associar ++?

SAÚDE JUVENIL

Criado em 2016, o Programa Nacional para a Promoção da Atividade Física é um dos programas prioritários articulados com o Plano Nacional de Saúde. Objetivos: aumentar a valorização das diversas formas de atividade física; promover o exercício físico nos serviços de saúde; incentivar a atividade física nos transportes, no trabalho, na escola, entre outros; e promover o reconhecimento de boas práticas nesta área. As metas para 2020 incluem aumentar a percentagem de adultos com menos de 7,5h/dia em atividade sedentária, e de adolescentes que praticam atividade física 3 ou mais vezes por semana.

ASSOCIATIVISMO JUVENIL

A XX Element Project tem como objetivo promover o enriquecimento cultural da população, desenvolvendo atividades de carácter cívico e social, focando a temática da igualdade de género. A associação tem-se dedicado à organização de ciclos de cinema no feminino, onde o debate e a reflexão está aberto. O próximo grande projeto, para 2018, será o PORTO FEMME, o primeiro Festival Internacional de Cinema no feminino em Portugal - um lugar de disseminação de universos com foco na mulher, dando visibilidade às mulheres do e no mundo cinematográfico. As inscrições encontram-se abertas!


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ESPECIAL

HOMENAGEM

JÚLIO OLIVEIRA

Uma das primeiras coisas que podemos afirmar ao lançarmo-nos no desafio de elaborar uma nota biográfica sobre o Júlio Oliveira é que, certamente, muita coisa ficará por dizer. Muitas aventuras e aprendizagens ficarão por descrever. Muitas emoções por evidenciar. Mas, ainda assim, essa nota biográfica não poderia ficar por fazer. Ainda que seja uma tentativa incompleta sobre uma vivência tão mais recheada. E generosa.

O Júlio é, atualmente, médico de profissão no Sistema Nacional de Saúde, desempenhando funções no IPO do Porto e no Hospital de S. João. A sua pertença associativa começou bem cedo, em Lavra, Matosinhos – de onde é oriundo – através de duas associações: o Clube C+S de Lavra, onde praticou Atletismo e na ATSVL – Associação de Trabalho Social e Voluntário de Lavra. Assumiu funções de Direção em ambas. Esteve também na Direção do CREFA – Centro Regional de Formação de Animadores – onde deu o seu contributo para o Plano de Formação nesta área e para o desenvolvimento do Estatuto do Animador. Em 2004, assumiu as funções de Presidente da Direção da FAJDP – Federação das Associações Juvenis do Distrito do Porto – onde desenvolveu vários projetos e contributos no âmbito das políticas juvenis. Podemos, nesse aspeto,

destacar as diversas campanhas itinerantes de promoção da igualdade e luta contra o racismo e xenofobia, o lançamento do 1º EMAX (Encontro e Mostra Associativa Juvenil Norte de Portugal / Galiza) no CACE Cultural do Porto e a construção e inauguração da Casa das Associações, atual sede da FAJDP presente no Centro Histórico do Porto e que funciona como um ninho empresarial para o sector associativo e que alberga atualmente cerca de 15 projetos associativos no seu Ninho das Associações. De destacar que, ao mesmo tempo que assumia este papel de Dirigente Associativo, prosseguia com os seus estudos no curso superior de Medicina. Quem o conhece bem e com ele privou nesta altura, recorda-se certamente de um Júlio que com facilidade nos dizia: “Ainda não comi nada hoje!” ou “Estou aqui e só dormi 2 horas!”. Mas não eram queixumes. Apenas constatações de quem arranjava sempre mais uns minutos para rever um texto sobre Políticas de Juventude ou avaliar alguma solicitação associativa. Dedicação pura. Em 2010, assumiu a Presidencia da Direção da FNAJ – Federação Nacional de Associações Juvenis – onde liderou vários projetos e iniciativas em diversos âmbitos, com destaque para a promoção do associativismo juvenil e a defesa das políticas juvenis com enfoque na educação não-formal. Assumiu a reflexão e a execução do documento político Declaração


ESPECIAL

de Braga, que explana o planeamento, implementação e avaliação das políticas autárquicas da juventude em Portugal, uma iniciativa que contribuiria depois para a elaboração dos Planos Municipais de Juventude. A iniciativa pública de maior destaque durante a sua presidência foram os ENAJs (Encontro Nacional de Associações Juvenis, com realização anual), sendo estes momentos de partilha e de debate, juntando Associações Juvenis de todo o país e decisores políticos, contando em média com cerca de 1000 participantes. De destacar ain-

15

da todo o trabalho desenvolvido e que levou à integração da FNAJ no Conselho Económico e Social, assim como na cogestão da Movijovem – organismo público que gere as Pousadas de Juventude em Portugal. O Associativismo Juvenil é feito de pessoas. Atores e atrizes disponíveis, dedicados, empenhados. De norte a sul, do litoral ao interior, independentemente de idades, credos, religiões, filiações partidárias, etnias ou nacionalidades. O critério único é o de querer participar. E o de não deixar ninguém para trás. O Júlio Oliveira foi uma dessas pessoas. Disponível, dedicado e empenhado, contribuiu de forma inequívoca para o engrandecimento do movimento associativo em Portugal, destacando a FNAJ como uma estrutura fundamental e incontornável na prossecução de Políticas Juvenis e lançando a pedra da Casa das Associações, atual sede da FAJDP, no centro histórico do Porto. Não fez tudo sozinho. Nenhum Líder o faz. Teve sempre quem o acompanhasse – fosse em lutas, batalhas, festas ou festejos. Mas sem dúvida que dele partiram inúmeras iniciativas, alicerçadas num espírito empreendedor, generoso e disponível.

Obrigado, Júlio.


FAJDP - Rua Mouzinho da Silveira, 234/6/8, 4050-017 Porto Tel: 22 208 55 00 / 22 508 81 22 E-mail: info@fajdp.pt / casadasassociacoes@gmail.com Internet: www.fajdp.pt

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