ENS - Carta Mensal 569 - Janeiro/Fevereiro2026

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CARTA

EQUIPES DE NOSSA SENHORA MENSAL

ANO NOVO

A paz é o apelo do Papa para o ano que se inicia

Pág. 16

Índice

EDITORIAL

Ano novo, caminho de fé e esperança 1

SUPER-REGIÃO BRASIL

Aprofundar a fé, viver o amor 2

Recomeçar com fé e esperança 3

IV Encontro Nacional: um tempo de graça que já se anuncia 4

Primeira Reunião de Equipe “Um Encontro Transformador com Cristo” 5

Projeto Vocacional 6

CORREIO DA ERI

O Conselheiro Espiritual das ENS no ensinamento dos Papas .............................................. 8

E se o casamento fosse uma aventura espiritual capaz de transformar uma vida? 11

FORMAÇÃO

“Por que o casal tem dificuldades de realizar os PCEs? Dificuldade de entregar-se a Deus?” 13

IGREJA CATÓLICA

Papa Leão XIV: Dia Mundial Da Paz 16

Sinal de reconciliação e incentivo no caminho da santidade matrimonial 18

As cinzas sobre a nossa cabeça 19

Apresentação do Senhor: Jesus, a nossa luz! 20

O Batismo de Jesus 21

CONSELHEIRO NA CARTA

Minha história nas ENS 22 Meus avós eram equipistas 23

TESTEMUNHO

“Eis aqui os servos do Senhor” 24

Quando os amigos oram o céu responde 25

Um bem muito precioso 26

Oração Conjugal foi tomando forma 27

Vivência nas ENS: caminho de conversão 28

PARTILHA E PCE

O Dever de Sentar-se: quando o “desconhecido” nos revelou um novo jeito de amar 29

Uma regra para que a vida floresça 30

O Retiro: um tempo privilegiado para a vida conjugal e espiritual 31

EQUIPISTAS E A CM

Carta Mensal 558 (pág. 20) A Eucaristia na vida do casal 32

Carta Mensal 367 (pág. 1) Boas lembranças 33

ACESSE CARTA MENSAL ÁUDIO:

N O T Í C I A S publicado somente na CM DIGITAL acesse pelo site ens.org.br CM 569

no 569 edição janeiro/fevereiro 2026

Carta Mensal é uma publicação periódica das Equipes de Nossa Senhora, com Registro na “Lei de Imprensa” N° 219.336 livro B de 09/10/2002. Responsabilidade: Super-Região Brasil – CR Super-Região Brasil Rose e Rubens; Equipe Editorial: Responsáveis: CR Carta Mensal Mirna e Sildson; Conselheiro Espiritual: SCE Carta Mensal: Pe. Antonio C. Torres; Jornalista Responsável: Vanderlei Testa (Mtb.17622), para distribuição interna aos seus membros. Edição e Produção: Nova Bandeira Produções Editoriais – Rua Tefé, 192 - Perdizes, São Paulo/SP - Fone 11 97574-9718 – e-mail: novabandeira@novabandeira.com – Responsável: Ivahy Barcellos; Diagramação, Preparação e Tratamento de imagem: Douglas D. Rejowski; Imagens: (Freeimagens/Pxhere/Unsplash/CanStockPhoto/Canva). Tiragem desta edição: 26.770 exemplares. Cartas, colaborações, notícias, testemunhos, ilustrações/imagens devem ser enviados para ENS – Carta Mensal, Av. Paulista, 352, 3° Conj. 36, CEP: 01310-905, São Paulo/SP ou através de e-mail: cartamensal@ens.org.br a/c Mirna e Sildson.

IMPORTANTE: consultar instruções antes de enviar o material – pedimos que acessem as instruções na aba/acesso Carta Mensal do site das Equipes de Nossa Senhora (www.ens.org.br).

Ano novo, caminho de fé e esperança

Iniciamos este novo ano com o coração cheio de gratidão e esperança. As Equipes de Nossa Senhora nos convidam a viver com intensidade a espiritualidade conjugal, fortalecendo os laços de amor e fé que sustentam nossa caminhada. O início de ano é sempre tempo de recomeçar, de renovar compromissos e de mergulhar mais profundamente nos Pontos Concretos de Esforço, que são instrumentos preciosos para que cada casal viva sua vocação com alegria e fidelidade.

Nossa capa remete à proposta do Papa Leão XIV para o ano de 2026. O Papa, em sua mensagem para o ano de 2026, nos convida a viver uma fé madura e comprometida, que se traduz em gestos concretos de amor e serviço. Ele destaca que a Igreja deve ser cada vez mais um espaço de acolhida, onde cada família se torne testemunha viva da fraternidade cristã. Sua proposta é que os casais e comunidades aprofundem a espiritualidade conjugal, tornando-se sinais luminosos da presença de Cristo no mundo.

Além disso, o Papa Leão nos chama a olhar para os desafios sociais de nosso tempo, especialmente a questão da moradia digna. Inspirados pelo lema da Campanha da Fraternidade, ele nos recorda que Cristo escolheu habitar entre nós e que, como Igreja, devemos promover iniciativas que garantam a cada pessoa um lar onde possa viver com dignidade, paz e esperança. Assim, 2026 se torna um ano

de compromisso renovado com a fé e com a justiça social, fortalecendo nossa missão como casais e como comunidade cristã.

O calendário litúrgico da Igreja nos inspira com datas significativas que iluminam nossa jornada. A Solenidade da Epifania do Senhor recorda que Cristo se manifesta a todos os povos e que nossa vida conjugal é também lugar de revelação de Deus. A Festa da Apresentação do Senhor nos lembra que Jesus é a nossa luz e que devemos acolhê-lo em cada gesto cotidiano. Já a Quarta-feira de Cinzas marca o início da Quaresma, tempo de oração, jejum e caridade, que nos prepara para a alegria da Páscoa. Estes momentos litúrgicos nos convidam a viver com mais profundidade a fé, colocando Cristo no centro da vida familiar e comunitária.

Neste ano, também somos chamados a refletir sobre a Campanha da Fraternidade 2026 , que traz como tema “Fraternidade e Moradia” e lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). É um convite para que cada lar seja sinal da presença de Cristo, espaço de acolhida e testemunho de fraternidade.

Fiquem com Deus, fiquem bem.

Mirna e Sildson CR Carta Mensal

Aprofundar a fé, viver o amor

Queridos equipistas, paz e bem!

Iniciamos este novo ano com o coração cheio de gratidão pela vivência de um ano jubilar do Movimento, que foi de muitas comemorações e bênçãos no Brasil, e continuemos a ser fiéis guardiões e bons semeadores, zelando pelo Movimento, por seu Carisma e Mística. O ano que se abre diante de nós é um convite para aprofundarmos nossa fé em uma vivência madura, consciente e comprometida. Uma fé que se fortalece na oração, que se enraíza na Palavra e que se traduz em atitudes concretas de amor e serviço. Assim, cada casal é chamado a testemunhar, em sua vida cotidiana, a beleza da espiritualidade conjugal, que nos une e nos impulsiona a sermos sinais vivos da presença de Cristo no mundo. É tempo de acolher, de renovar nossas forças e de nos encorajar mutuamente para vivermos intensamente o nosso caminho equipista, mergulhando na espiritualidade conjugal que dá sentido à nossa vocação dentro das Equipes de Nossa Senhora. Neste caminho, não podemos esquecer que o Movimento das Equipes de Nossa Senhora nos oferece Encontros, Formações, Retiros e Momentos de Partilha que enriquecem nossa caminhada e nos ajudam na vida equipista com profundidade. É preciso abrir-se a tudo o que o Movimento propõe, para que nossa vivência se torne plena, fecunda e transformadora.

É assim que crescemos como Movimento e como Igreja, tornando-nos testemunhas vivas da fraternidade que Cristo nos ensina.

Neste ano, somos também convidados a refletir sobre a Campanha da Fraternidade 2026, que traz como tema “Fraternidade e Moradia” e como lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). Este chamado nos recorda que o próprio Cristo assumiu nossa condição humana e escolheu habitar no meio de nós.

Ao entrarmos no tempo da Quaresma, somos convidados a viver com profundidade o propósito que ela nos pede: oração, jejum e caridade, e que este período seja um verdadeiro exercício de fé madura, ajudando-nos a purificar o coração e a renovar nossa entrega ao Senhor vividos à luz da nossa mística.

Que 2026 seja marcado pela coragem de viver a espiritualidade conjugal em sua plenitude. Que cada gesto, cada palavra e cada escolha dentro do nosso lar revelem o amor que recebemos de Deus e que somos chamados a oferecer um ao outro. Quando o casal se deixa conduzir por este amor, descobre que sua união é sinal vivo da presença de Cristo no mundo.

Sob a intercessão de nossa Mãe Maria, patrona de todas as equipes, caminhemos unidos com esperança renovada, sustentados pelo amor que vem de Deus e fortalecidos na fé que ilumina nossa vida conjugal e em comunidade.

Rose e Rubens CR SRB

Recomeçar com fé e esperança

Olá, queridos casais das Equipes de Nossa Senhora e irmãos Conselheiros e Acompanhantes.

Espero que todos estejam bem e revigorados pela luz de Cristo. Sigo sempre em oração por cada um de vocês. Estamos no início de mais um ano, e meu coração me diz que este será um tempo de muita alegria e paz. Nós, que caminhamos com fé em Cristo Jesus, teremos força para vencer todos os obstáculos. Especialmente nós deste Movimento abençoado, em que temos ferramentas valiosas para fortalecer o sacramento do matrimônio.

Neste recomeço, convido cada casal a dedicar um esforço ainda maior à vivência dos Pontos Concretos de Esforço (PCE). Início de ano é tempo de recomeçar o que estava parado e aprimorar o que já vinha sendo feito. Proponho que vocês aprofundem esses pontos com seriedade e amor.

O primeiro convite é para a Escuta da Palavra e a Meditação. Peguem a Bíblia, escutem o Senhor e rezem. Não fiquem na leitura superficial; façam uma Meditação profunda e coloquem a Palavra de Deus em prática. Observem se estão vivendo com mais amor junto aos seus. A Meditação precisa nos transformar; ela está levando vocês a uma conversão profunda? Meus queridos, o Dever de Sentar-se é fundamental. Muitas vezes, na correria, deixamos o diálogo para depois. Mas pergunto: vocês estão realizando esse momento todo mês com dedicação? Este ponto é valiosíssimo. Tenho acompanhado casais fora do Movimento que enfrentam separações por problemas que começam com pequenas coisas, e é

justamente no Dever de Sentar-se que os nós se desatam. Por isso, levem a sério e realizem este momento com profundidade. Estou rezando para que cada conversa seja um passo em direção à santidade. Sobre a Oração Conjugal, ela deve acontecer todos os dias. Tenho testemunhos de casais em que o marido viaja a trabalho, mas eles combinam um horário e rezam juntos, até mesmo online. Se eles conseguem, vocês também podem! Rezem juntos, sintam a presença de Deus e não se esqueçam da Regra de Vida. Tudo isso ajuda o casal a ser mais feliz e faz o amor crescer cada vez mais. Peço também que se esforcem para serem “equipes de verdade”. Não se esqueçam do Retiro, momento de aprofundar a caminhada, fazendo um deserto para avaliar a espiritualidade sempre como casal. Aos irmãos Conselheiros e Acompanhantes, nossa missão é ajudar esses casais, orientando-os com paciência na caminhada e na vivência dos PCEs. Que toda essa jornada seja feita com alegria, amor e muita paz. Rezem por mim, Deus seja louvado.

Pe. Toninho SCE SRB

IV Encontro Nacional: um tempo de graça que já se anuncia

que cada casal ou equipista pudesse encontrar a forma mais adequada de participação. Esse período foi marcado por um grande Movimento de adesão, sinal do desejo sincero de muitos em viver este momento de comunhão, partilha e espiritualidade. No dia 2 de dezembro, as inscrições que se encontravam em lista de espera foram cuidadosamente reorganizadas, sempre respeitando os critérios definidos e a distribuição das vagas entre as Províncias, num esforço constante de justiça, transparência e equilíbrio.

O IV Encontro Nacional das Equipes de Nossa Senhora, que acontecerá de 11 a 14 de maio de 2027, em Fortaleza, já começou a ser vivido no coração do Movimento. Muito antes do encontro presencial, iniciamos um caminho feito de escuta, cuidado, organização e serviço, que se expressou de forma concreta na etapa das inscrições. Com antecedência, todo o processo foi pensado, preparado e testado com atenção, envolvendo equipes de trabalho que, com dedicação e responsabilidade, buscaram oferecer um sistema simples, seguro e acessível. Cada decisão foi tomada com o desejo de acolher bem os equipistas e respeitar a diversidade das realidades presentes em nosso Movimento. As inscrições estiveram abertas de 17 a 30 de novembro, permitindo a escolha entre vagas com hospedagem e sem hospedagem, de modo

O sistema de inscrições será reaberto de 5 a 9 de janeiro de 2026, exclusivamente para o preenchimento das vagas remanescentes, naturalmente sujeitas à disponibilidade. Será mais uma oportunidade para que novos equipistas possam se unir a esse grande encontro do Movimento.

Assim, passo a passo, vamos construindo o IV Encontro Nacional. Que todo esse percurso, desde as inscrições até o encontro presencial, seja vivido como um verdadeiro tempo de graça, fortalecendo nossos laços, renovando nossa missão e nos ajudando a caminhar juntos, sempre sob o olhar amoroso de Nossa Senhora.

Erica e Wilson CR Comunicação SRB

Primeira Reunião de Equipe “Um Encontro Transformador com Cristo”

Aconteceu em 25 de fevereiro de 1939. Um pouco antes, no final de 1938, quatro jovens casais cristãos, Madeleine e Gérard, Genette e Michel, Marie-Françoise e Frédéric e Rozen e Pierre, desejosos de viverem o seu amor à luz da sua fé, pedem ao também jovem Padre Henri Caffarel que os oriente nessa busca. “Procuraremos juntos”, respondeu-lhes. A primeira reunião, segundo o próprio Pe. Caffarel, já foi de muita alegria e cheia de ambições, alegria que eles tinham de se amar e de amar a Cristo, e continuou: “Eu próprio fiquei admirado de me sentir tão à vontade. E então compreendi por quê: havia dez ou quinze anos que eu vivia com Cristo uma relação de amor e, diante desses casais a me falar de seu amor, descobri que se repetiam na vida do casal as mesmas leis que eu tinha descoberto na minha relação com Cristo...

E foi isso que imediatamente me conquistou e me entusiasmou. Íamos, portanto, poder ajudar-nos uns aos outros” (Discurso de Chantilly). A Reunião de Equipe deve ser, para nós, como foi para aqueles casais e o padre, uma grande bênção, uma alegria, uma verdadeira descoberta do amor de Cristo. Deveríamos ir para as nossas reuniões felizes, como se estivéssemos indo para algo muito especial, um encontro com o próprio Cristo.

E assim, pouco a pouco, após algumas reuniões, aqueles jovens casais descobrem que o matrimônio

é a imagem viva do amor que une Cristo à sua Igreja. Certamente, ainda não sabiam que aquelas Reuniões de Equipe já eram uma Obra do Espírito Santo, destinada a todos nós.

Já próximo de deixar o Movimento, no editorial “Reprendre Souffle”(*), Pe. Caffarel interroga-se, como se fosse um “testamento”, sobre qual, dentre tantos assuntos importantes que lista, deveria escrever. Resolve então falar do significado cristão de uma reunião de equipe. Cita Cristo: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mt 18,20). E prossegue: “Há no meio desses casais reunidos, na sala de um apartamento, a presença intensa do Ressuscitado, vivo, atento a todos, amando cada um tal como é, com o seu mal e o seu bem, com pressa de ajudá-lo a tornar-se como Ele quer que seja”. E conclui: “Uma reunião de equipe que não seja, inicialmente, um esforço para encontrar Jesus Cristo é algo bem diferente de uma reunião de Equipe de Nossa Senhora”. Vivamos então, com muito amor e alegria, na presença do Cristo, nas nossas Reuniões de Equipes. (*) Recuperar o fôlego

Graciete e Lindomar CRP Centro-Oeste

Projeto Vocacional

O Projeto Vocacional é uma expressão concreta de amor e cuidado do Movimento das Equipes de Nossa Senhora para com a Igreja. Por meio dele, o Movimento realiza doações aos seminários, colaborando na formação de futuros sacerdotes, chamados a servir o povo de Deus, e esperamos que, no futuro, caminhem como Conselheiros Espirituais junto às equipes. As doações acontecem anualmente, no período de março a novembro. A partir de 2025, o Projeto Vocacional passou a contemplar duas Províncias a cada mês, ampliando o alcance e fortalecendo a partilha e a solidariedade. Cada Província é contemplada duas vezes ao longo do ano e destina as doações aos seminários localizados em suas Regiões, apoiando de forma

concreta a formação vocacional. Em 2025, o Projeto Vocacional beneficiou 50 seminários em todo o Brasil, reforçando o apoio do Movimento à caminhada vocacional e à missão evangelizadora da Igreja. Por meio dessas contribuições, reafirmamos nossa confiança na ação de Deus, que continua a chamar e a formar novos pastores para o Seu povo. Assim, o Projeto Vocacional se torna um verdadeiro gesto de comunhão, esperança e cuidado com o futuro da Igreja.

Erica e Laor CR Tesouraria

O Conselheiro Espiritual das ENS no ensinamento dos Papas

Nesta nova edição da Carta do ERI, gostaria de dar continuidade à reflexão iniciada na Carta de setembro de 2025 sobre a presença, o papel e a importância do conselheiro ou acompanhante espiritual na vida das equipes. Neste semestre, participei de algumas sessões de formação para os Conselheiros e Acompanhantes na Super-Região Francófona da África e na Região do Canadá. Nessas sessões, foi comum e até razoável ouvir perguntas como estas: Qual é o meu papel na reunião de equipe? Em que momentos devo intervir e como fazê-lo? Essas perguntas e tantas outras, em si mesmas, revelam o desejo profundo dos Conselheiros de oferecer o melhor de si mesmos e de fazê-lo bem. Para nos ajudar nessa missão com as equipes, gostaria de reproduzir aqui brevemente algumas palavras dirigidas pelos Papas Paulo VI, João Paulo II, Bento XVI e Francisco aos Conselheiros e Acompanhantes Espirituais em suas mensagens às Equipes de Nossa Senhora. A leitura desses discursos em sua totalidade seria uma grande oportunidade de formação não apenas para os conselheiros, mas para todos os equipistas.

Papa Paulo VI

Em sua mensagem de 4 de maio de 1970, a mais de dois mil casais reunidos na Basílica de São Pedro em Roma, o Papa dirigiu-se de maneira pessoal aos Conselheiros com estas palavras:

Diletos filhos, Conselheiros das Equipes de Nossa Senhora: vós sabeis, por uma longa e rica experiência, que o vosso celibato consagrado vos torna particularmente disponíveis, para serdes, junto dos lares, no seu caminho para a santidade, as testemunhas ativas do amor do Senhor na Igreja. Com o decorrer dos dias, vós ajudais a “caminhar na luz” (cfr. 1 Jo 1, 7): a pensar justamente, quer dizer, a apreciar o seu comportamento na verdade; a querer justamente, quer dizer, a orientar, como homens responsáveis, a própria vontade para o bem; a agir justamente, quer dizer, a colocar progressivamente a sua vida, por meio dos acasos da existência, em uníssono com este ideal do matrimônio cristão que eles seguem generosamente. Quem o pode ignorar?

É pouco a pouco que o ser humano chega a hierarquizar e integrar as suas tendências múltiplas, até as ordenar harmoniosamente nesta virtude de pureza conjugal, onde o casal encontra o seu pleno desenvolvimento humano e cristão. Esta obra de libertação, porque existe uma, é o fruto da verdadeira liberdade dos filhos de Deus, cuja consciência pede, por sua vez, que seja respeitada, educada e formada, num clima de confiança e não de angústia, onde as leis morais, longe de terem a frieza desumana de uma objetividade abstrata, existem para guiar o casal no seu caminho. Quando, de fato, os esposos se esforçam, paciente e humildemente, sem se deixarem desencorajar pelos

contratempos, por viver verdadeiramente as exigências profundas de um amor santificado, que as regras morais lhes fazem recordar, então estas leis deixarão de ser rejeitadas como obstáculos, mas serão reconhecidas como um valioso auxílio (n. 14).

Nestas palavras do Papa Paulo VI encontram-se diretrizes muito precisas que orientam a missão sacerdotal do Conselheiro nas Equipes de Nossa Senhora. O Santo Padre define a tarefa dos conselheiros com duas palavras. A primeira: “testemunho”. Diz o Papa: “O vosso celibato consagrado vos torna particularmente disponíveis, para serdes, junto dos lares, no seu caminho para a santidade, as testemunhas ativas do amor do Senhor na Igreja”. Em outras palavras, junto aos casais, o conselheiro vive e dá testemunho de maneira muito particular de sua relação esponsal com a Igreja, à imagem de Cristo, esposo da Igreja. A segunda, “ajuda”. O Papa confirma aos Conselheiros que “com o decorrer dos dias, vós ajudais a…” Que maravilhosa afirmação do serviço do conselheiro.

Mas, imediatamente, podemos nos perguntar: como posso ajudá-los no dia a dia? Paulo VI não deixa à nossa imaginação em que consiste essa ajuda, mas a define apontando para dimensões fundamentais da vida cristã pessoal e do casal. Observem que ele apresenta essa ajuda com quatro verbos: caminhar, pensar, querer e agir justamente. Dessa forma, indica que os Conselheiros devem ajudar a estimular todas as faculdades espirituais da pessoa humana, como

sua inteligência, vontade e liberdade para decidir mudar e crescer em santidade, felicidade e na busca da vontade de Deus, que é o significado bíblico do “justamente” que acompanha cada verbo. Assim, segundo o Papa Paulo VI, o conselheiro deve ajudar os casais a:

1. “caminhar na luz”;

2. pensar justamente, quer dizer, a apreciar o seu comportamento na verdade;

3. querer justamente, quer dizer, a orientar, como homens responsáveis, a própria vontade para o bem;

4. agir justamente, quer dizer, a colocar progressivamente a sua vida, por meio dos acasos da existência, em uníssono com este ideal do matrimônio cristão que eles seguem generosamente.

Continuemos lendo, porque o Papa Paulo VI não se contenta em definir a ajuda do conselheiro aos casais, mas, com coração de Pastor, indica também a pedagogia evangélica a seguir, que requer muito cuidado com as condições antropológicas e o crescimento espiritual cristão de cada pessoa e de cada casal. Identifiquemos cada ponto dessa pedagogia que, como Conselheiros e Acompanhantes Espirituais, devemos lembrar dia a dia em nossa relação pessoal com os casais e na reunião com as equipes. Fazendo uso da pedagogia das ENS, resumo cada ponto do ensinamento do Papa com as palavras em itálico acima de cada parágrafo:

A gradualidade:

1. “É pouco a pouco que o ser humano chega a hierarquizar e integrar as suas tendências múltiplas, até as ordenar harmoniosamente nessa virtude de pureza conjugal, onde o casal encontra o seu pleno desenvolvimento humano e cristão.”

O respeito e a responsabilidade com cada pessoa:

2. “Esta obra de libertação, porque existe uma, é o fruto da verdadeira liberdade dos filhos de Deus, cuja consciência pede, por sua vez, que seja respeitada, educada e formada, num clima de confiança e não de angústia, onde as leis morais, longe de terem a frieza desumana de uma objetividade abstrata, existem para guiar o casal no seu caminho.”

O esforço:

3. “Quando, de facto, os esposos se esforçam, paciente e humildemente, sem se deixarem desencorajar pelos contratempos, por viver verdadeiramente as exigências profundas de um amor santificado, que as regras morais lhes fazem recordar, então estas leis deixarão de ser rejeitadas como obstáculos, mas serão reconhecidas como um valioso auxílio.”

De certa forma, o que diz o Santo Padre nos ajuda a lembrar a pedagogia das ENS no documento A Segunda Inspiração, que propõe três diretrizes ou linhas-mestras para colocar em prática nos Pontos Concretos de Esforço:

1. A gradualidade : esse caminhar pouco a pouco de cada cônjuge e

do casal é a experiência cotidiana de todo equipista que, reconhecendo sua situação presente, a partir dela quer progredir em sua espiritualidade conjugal;

2. A personalização : é necessário prestar atenção e cuidado ao ritmo próprio estabelecido por cada casal e cada um dos cônjuges, para animá-los também pessoalmente e em casal a avançar em sua caminhada.

3. O esforço: reconhecer e animar o esforço de cada cônjuge e casal que buscam traduzir os Pontos Concretos de Esforço em ações concretas que pouco a pouco vão mudando a vida do casal e edificando sua vida espiritual.

Na próxima Carta do ERI, continuaremos lendo as mensagens dos Papas às ENS com o olhar voltado para suas orientações particularmente dirigidas aos Conselheiros e Acompanhantes Espirituais das equipes.

A todos os Conselheiros e Acompanhantes Espirituais, nosso profundo agradecimento neste Natal. Que o Menino de Belém lhes traga sua paz e sua alegria. E que neste Novo Ano de 2026, Deus os abençoe abundantemente em seu ministério na Igreja, particularmente nas Equipes de Nossa Senhora. Edmonton, dez/2025.

Padre Augusto Garcia
SCE ERI

E se

o casamento fosse uma

aventura espiritual capaz de transformar uma vida?

Somos Edith e Jérôme Ekoue Kovi, originários do Togo, um país situado na África Ocidental. Moramos na capital, Lomé. Casamo-nos em 2002 e entramos nas equipes em 2004. Temos três filhos, todos meninos.

Na ERI (Equipe Responsável Internacional), somos responsáveis pela ligação com a Zona Euráfrica, que compreende quatro Super-Regiões: Itália, Espanha, Portugal e África Francófona.

Foi essa intuição audaciosa que, em 1939, incendiou o coração do Padre Henri Caffarel e deu origem às Equipes de Nossa Senhora.

Uma convicção simples e luminosa o animava: o casal é chamado à santidade, não à margem da vida cotidiana, mas no próprio coração do lar, onde se trocam olhares, decisões, gestos de ternura e, às vezes, provações.

O Padre Caffarel afirmava com força: “O casamento não é apenas uma união humana: é uma vocação, um caminho de santidade”. Essa visão tem suas raízes na Palavra de Deus: “Portanto, o que Deus uniu, o homem não separa” (Mc 10,9). “Maridos, amai vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja” (Ef 5,25).

Ainda hoje, essa fonte fresca continua a irrigar milhares de lares pelo mundo. 1. Um carisma fundador que ilumina o caminho dos casais

O carisma das Equipes de Nossa Senhora repousa sobre três pilares indissociáveis: 1. Espiritualidade Conjugal

O casamento não é apenas um sacramento recebido no dia das núpcias: é

um caminho espiritual que se desdobra a cada dia. O Padre Caffarel escrevia: “Deus tem um projeto grandioso para cada um de seus lares: que vocês sejam testemunhas de Seu amor no coração do mundo”. A própria Bíblia revela esse mistério: “Assim, já não são dois, mas uma só carne” (Mt 19,6); “O amor é paciente tudo desculpa, tudo crê, tudo espera” (1Cor 13,4.7).

2. Comunhão Fraterna

Viver em equipe é caminhar juntos no mesmo caminho de crescimento e apoio mútuo. O Padre Caffarel lembrava frequentemente: “Um casal sozinho é um casal em perigo. Um casal apoiado é um casal que avança”. As Sagradas Escrituras confirmam que: “Melhor é serem dois do que um se um cair, o outro o levanta” (Ecl 4,9-10). Um casal testemunha: “Hoje, descobrimos que nosso lar pode se tornar uma pequena Igreja doméstica. Nossas refeições se tornaram momentos de diálogo e oração. Não apenas de consumo”.

3. Missão Eclesial

O casamento cristão não se fecha em si mesmo. Segundo o Padre Henri Caffarel, “os casais têm uma missão na Igreja. Eles são um sinal, uma luz, um anúncio silencioso de Deus.” Nosso Senhor Jesus afirmou em Mateus 5,14: “Vós sois a luz do mundo”, convidando-nos assim a revelar a glória de Deus pela nossa maneira de viver. Sim, esse carisma, por mais luminoso que seja, deve poder ser vivido concretamente no dia a dia. Por isso, as Equipes de Nossa Senhora propõem uma pedagogia simples e profunda que acompanha os casais passo a passo.

2. Os Pontos Concretos de Esforço: um caminho simples e exigente para crescer

Para encarnar esse carisma no cotidiano, as Equipes de Nossa Senhora propõem uma pedagogia realista e profunda: os seis Pontos Concretos de Esforço. O Padre

Caffarel dizia: “Não se constrói nada sólido sem disciplina espiritual”.

1. A Escuta da Palavra de Deus: Ler, meditar, deixar a Palavra iluminar cada um de nossos dias;

2. A Oração Pessoal: Ter um coração a coração diário com Deus; “Quando orares, entra no teu quarto e teu Pai te recompensará” (Mt 6,6);

3. A Oração Conjugal: Orar juntos é um momento que une, acalma e orienta; “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mt 18,20);

4. O Dever de Sentar-se: Um encontro mensal de diálogo profundo, sob o olhar de Deus. O Padre Henri Caffarel insistia no “diálogo conjugal” como “primeiro meio de amar”;

5. A Regra de Vida: Fixar um objetivo concreto no tempo para avançar. “Examinemos nossos caminhos e voltemos ao Senhor” (Lm 3,40);

6. O Retiro Anual: Uma pausa espiritual para se renovar, como nos diz tão bem o Senhor em Marcos 6,31: “Vinde vós, sozinhos, a um lugar deserto e descansai um pouco”.

Quando essas práticas se tornam um caminho regular, elas transformam não apenas a vida do casal, mas também seu olhar sobre o mundo. É aí que o carisma das ENS revela toda a sua atualidade.

3. Um carisma mais atual do que nunca

Num mundo onde os laços se fragilizam, onde o individualismo avança e onde o amor muitas vezes se encontra ferido, as Equipes de Nossa Senhora propõem esse caminho profético: fazer de cada lar um lugar de luz, de paz e de missão. O Padre Caffarel já confiava nos anos 1950: “O casal cristão é chamado a ser uma luz na noite do mundo”. Em toda parte, casais acompanham noivos, testemunham, abrem suas casas, partilham sua esperança. O carisma fundador não é uma herança congelada: ele permanece uma bússola, “Buscai primeiro o Reino de Deus” (Mt 6,33). Ele convida cada casal a buscar juntos o Cristo e a deixar irradiar a alegria do Evangelho.

O Padre Caffarel lembrava com grande doçura: “A felicidade conjugal não se encontra por acaso: ela se constrói, dia após dia, com Deus”.

A mensagem das Equipes de Nossa Senhora permanece de uma simplicidade surpreendente: Deus acredita no amor dos casais e os chama a crescer juntos, dia após dia. Ao acolher esse caminho, ao se apoiar na Palavra, na oração e na vida fraterna, cada lar pode se tornar um lugar onde Deus se deixa ver, amar e encontrar. Que cada casal ouse, portanto, essa aventura de confiança: deixar o Cristo fazer de seu amor um sinal vivo, humilde e luminoso para o mundo!

Edith e Jérôme Ekoue Kovi CL Zona Euráfrica

“Por que o casal tem dificuldades de realizar os PCEs? Dificuldade de entregar-se a Deus?”

A experiência tem mostrado que muitos casais equipistas conhecem os Pontos Concretos de Esforço, admitem sua importância, mas têm dificuldade em vivê-los com fidelidade. A pergunta que atravessa silenciosamente essa realidade é profunda e honesta:  por que o casal tem dificuldade de realizar os PCEs? Seria dificuldade de se entregar verdadeiramente a Deus? A resposta não é moralista nem acusatória; é espiritual, humana e realista. Antes de tudo, é preciso compreendermos que os Pontos Concretos de Esforço não são práticas exteriores justapostas

à vida do casal. Eles tocam o centro da existência, o modo de amar, de decidir, de rezar, de dialogar e de se deixar conduzir. Justamente por isso, os cônjuges encontram resistências. Não porque os PCEs sejam exigências exageradas, mas porque convidam a uma conversão contínua e interior do coração.

O primeiro PCE, a Escuta da Palavra, revela já uma dificuldade fundamental. Escutar não é simplesmente ler um texto bíblico; é permitir que Deus tenha a iniciativa. Pe. Henri Caffarel expressa isso com grande densidade espiritual: “Escutar não

implica apenas a inteligência. É todo o nosso ser, a alma e o corpo, a inteligência e o coração, a imaginação, a memória e a vontade. Esse ‘todo’ deve estar atento à Palavra de Cristo, abrir-se a ela, dar-lhe lugar, deixar-se tomar por ela, ser invadido, apegar-se a ela, a ela aderir sem reservas” ( Caderno sobre a Oração, 1966 ). Aqui aparece uma das raízes da dificuldade: escutar a Palavra supõe aceitar ser questionado, corrigido, deslocado. Muitos casais se aproximam da Bíblia buscando conforto imediato, mas recuam quando a Palavra ilumina escolhas, atitudes ou modos de relação. Entregar-se a Deus começa por aceitar que Ele fale antes que nós ajamos. A dificuldade de escutar a Palavra revela, muitas vezes, o medo de perdermos o controle. Essa mesma lógica aparece na  Oração Pessoal (Meditação) , segundo PCE. Cada cônjuge é chamado a reservar diariamente um tempo para estar sozinho diante de Deus. Não é um exercício de piedade isolado, mas um espaço de verdade. Pe. Caffarel afirma com clareza: “Na oração encontra-se o segredo de uma vida feliz, fecunda e plena. Devemos alimentar-nos de Deus pela oração antes de nos lançarmos em nossa missão apostólica (Caderno de Oração).

A dificuldade nesse ponto é ainda mais delicada. A Oração Pessoal consiste em aceitar ficar a sós com Deus e consigo mesmo . Em deixar cair máscaras, reconhecer limites, fragilidades e desejos. Muitos casais vivem bem a oração comunitária, mas evitam a Oração Pessoal porque ela

confronta. No entanto, sem esse encontro individual com Deus, o amor conjugal perde profundidade. Quem não aprende a estar diante de Deus, dificilmente aprende a amar o outro com gratuidade.

A  Oração Conjugal , terceiro PCE, toca diretamente o vínculo do casal. Rezar juntos é colocar a relação sob o olhar de Deus. Não se trata de orações longas ou elaboradas, mas de um gesto espiritual decisivo. Padre Caffarel adverte: “No momento da Oração Conjugal, que cesse toda discussão e que a paz seja restabelecida. Que marido e esposa renovem sua fé no pacto que Cristo selou com eles” (Anneau d’Or, 1998). Aqui surge outra resistência frequente: rezar juntos exige reconciliação. Não se pode rezar autenticamente mantendo rancores, disputas não resolvidas ou fechamentos interiores. Muitos casais evitam a Oração Conjugal justamente porque ela obriga a restabelecer a paz, a retomar a aliança, a reconhecer que o vínculo não é apenas humano, mas sacramental.

O  Dever de Sentar-se, quarto PCE, toca o coração da vida conjugal: o diálogo. Em meio à correria, ao cansaço e às exigências do cotidiano, o casal corre o risco de viver lado a lado, mas sem se encontrar de verdade. Padre Caffarel provoca com uma pergunta incisiva: “Mas, desde que estais no trabalho, não estais negligenciando demais o sentar-vos para examinar juntos a tarefa realizada, reencontrar o ideal entrevisto, consultar o Mestre de Obras?” (O Dever de Sentar-se, 1945). A dificuldade

é clara: parar exige esforço. O Dever de Sentar-se exige tempo, escuta verdadeira, capacidade de falar sem acusar e de ouvir sem se defender. Revela que o amor precisa ser cuidado como algo vivo, que cresce ou se desgasta conforme a atenção que recebe.

A  Regra de Vida , quinto PCE, explicita que a conversão precisa de meios concretos. Não basta desejar amar melhor; é preciso decidir como. A Carta das ENS formula isso de modo muito lúcido: “Sem uma Regra de Vida, a fantasia preside muito frequentemente à vida religiosa dos esposos e a torna caótica. Essa Regra de Vida não é outra coisa senão a determinação dos esforços que cada um decide impor a si mesmo para melhor corresponder à vontade de Deus a seu respeito. Não se trata de multiplicar obrigações, mas de precisá-las, a fim de sustentar a vontade e evitar o desvio. A dificuldade nesse ponto não é excesso, mas falta de clareza e perseverança. Muitos casais preferem ideais genéricos a compromissos concretos. A Regra de Vida exige humildade para reconhecer limites e coragem para dar pequenos passos. Não busca perfeição, mas fidelidade. Por fim, o  Retiro Anual  convida o casal a sair do ritmo habitual para reencontrar o essencial. Não é um luxo espiritual, mas uma necessidade. A Carta Mensal das ENS recorda: “De tempos em tempos, a nossa fé enfraquece, e é pela ação da Palavra de Deus que ela desperta, se fortalece e readquire vida. É no Retiro que se torna possível abrirmo-nos, nós mesmos,

ao Sopro da Palavra de Deus” (Carta Mensal das ENS, fevereiro de 1960).

A dificuldade nesse PCE é frequentemente justificada pela falta de tempo, mas, no fundo, trata-se da dificuldade de aceitar parar, de reconhecer que a fé precisa ser alimentada e revista.

Na verdade, os casais não têm dificuldade com os PCEs porque eles sejam impossíveis de viver, mas porque levam, pouco a pouco, a uma entrega a Deus. Cada PCE toca um ponto em que o casal ainda quer manter autonomia, segurança ou controle. Vivê-los é deixar Deus entrar na vida concreta, não como um detalhe, mas como quem conduz o caminho. É justamente aí que os PCEs mostram sua força: não pedem gestos extraordinários, mas uma fidelidade simples, de todos os dias, vivida com confiança.

Deus fala por sua Palavra, e o casal aprende a escutar. Essa escuta continua na Oração Pessoal (Meditação), quando cada um se coloca diante de Deus. Depois, o casal reza junto na Oração Conjugal. Dessa experiência nasce o diálogo vivido no Dever de Sentar-se. A partir daí, o casal se compromete com uma mudança concreta por meio da Regra de Vida. No Retiro Anual, tudo é revisto diante de Deus para seguir o caminho com mais fidelidade.

Pe. Antonio C. Torres SCE Carta Mensal

Papa Leão XIV: Dia Mundial Da Paz

Síntese da Mensagem do Papa

Leão XIV para o Dia Mundial da Paz (1º de janeiro de 2026), com foco na profundidade teológica e nos apelos do Pontífice.

Rumo a uma

Paz

Desarmada e Desarmante

A mensagem do Papa Leão XIV para 2026 surge como um farol de esperança em meio ao que define, ecoando seu predecessor, como uma “terceira guerra mundial em pedaços”. O tema central, “Rumo a uma paz desarmada e desarmante”, propõe que a paz não seja apenas a ausência de conflitos, mas uma força ativa que emana do Cristo Ressuscitado e exige uma mudança definitiva de mentalidade.

O Paradoxo do Medo e do Realismo

O Pontífice critica duramente as narrativas contemporâneas que chamam de “realismo” a ausência de esperança e a cegueira diante da beleza do próximo. Ele observa que a lógica da agressividade se espalha tanto na vida doméstica quanto na pública quando a paz deixa de ser uma realidade cultivada. O Papa alerta para o perigo de se considerar “culpa” o fato de um Estado não estar suficientemente preparado para a guerra, o que alimenta uma desestabilização planetária dramática e imprevisível.

A Irracionalidade das Armas e da Tecnologia

Um dos pontos mais contundentes da mensagem é a análise dos gastos militares mundiais, que em 2024 atingiram a marca de 2,72 trilhões de dólares, representando 2,5% do PIB global. Para o Papa, a dissuasão nuclear encarna a “irracionalidade” de relações baseadas no medo em vez da justiça. Além disso, Leão XIV expressa profunda preocupação com:

• Educação militarizada: A promoção de programas educativos que substituem a cultura da memória por uma noção de segurança meramente armada.

• Inteligência artificial (IA): O “delegar” às máquinas decisões sobre vida e morte, o que gera uma desresponsabilização dos líderes e compromete o humanismo jurídico.

• Interesses econômicos: A influência de grandes concentrações financeiras privadas que empurram os Estados para a corrida armamentista.

O Desarmamento Integral do Espírito

Retomando o legado de São João XXIII na encíclica Pacem in terris , o Papa defende que o verdadeiro desarmamento deve ser integral, atingindo o próprio espírito humano. Isso requer a substituição do “equilíbrio de armamentos” pela “confiança mútua”. Ele convoca as religiões a vigiarem contra a instrumentalização da fé, repudiando como “blasfêmia” o uso de nomes sagrados para justificar o nacionalismo ou a luta armada.

Um Chamado à Ação e ao Jubileu

A mensagem não se limita à denúncia. Ela incentiva o desenvolvimento de sociedades civis conscientes, o diálogo ecumênico e a criatividade pastoral. O Papa apela aos governantes para que fortaleçam as instituições supranacionais e valorizem a diplomacia e a mediação.

Como fruto do Jubileu da Esperança, Leão XIV convida cada indivíduo a iniciar um desarmamento do coração, acreditando na promessa bíblica de transformar “espadas em relhas de arados”. É um convite para que, juntos, caminhemos à luz do Senhor, reconhecendo que a bondade, em sua fragilidade, é a força mais desarmante que existe.

Leia a íntegra do texto em:

https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/messages/peace/ documents/20251208-messaggio-pace.html?utm_source=chatgpt.com

Sinal de reconciliação e incentivo no caminho da santidade matrimonial

Anualmente, uma quarta-feira é estabelecida para ser o início da Quaresma que, no nosso rito romano, é o período de 40 dias que antecedem a Páscoa, excetuando-se os domingos. Os católicos são convidados a receber as cinzas na cabeça, expressando a necessidade do voltar-se a Deus; na cabeça, onde também foi derramada a água no rito do batismo. As cinzas são produzidas a partir da queima dos ramos abençoados no Domingo de Ramos do ano anterior. Sendo assim, de modo misterioso, a Semana Santa está ligada ao início da Quaresma no ano seguinte. O rito das cinzas nos remete ao texto do Gênesis: “Lembra-te que és pó e ao pó hás de voltar” (cf. Gn 3,19). Como pequenos e humildes, nos aproximamos de Deus, o Todo-poderoso e Santo! E o número 40 aponta, entre outros eventos bíblicos, os 40 dias do dilúvio, os 40 anos de caminhada do Povo rumo à terra prometida, os 40 dias anunciados por Jonas para que Nínive seja destruída, os dias da tentação de Jesus e os dias entre a ressurreição e a ascensão do Filho de Deus. As cinzas revelam o coração humano transpassado de vergonha pelo pecado e cheio de confiança de que receberá o perdão. Se por um lado não podemos negar nossa condição de filhos de Adão, por outro, somos destinados à ressurreição. No passo a passo da Quaresma, sentimos que o Senhor nos remodela com suas mãos misericordiosas e nos confere a dignidade da filiação divina! Por essa razão, o casal equipista deve aproximar-se das cinzas consciente de que não se trata de um simples rito, mas de um

intenso ato de fé pessoal e conjugal! Ao serem marcados com as cinzas, os cônjuges iniciam um tempo forte de reconciliação sacramental, cultivando o desejo de renovação interior, de voltar-se para si mesmo e refletir sobre as ações, palavras, gestos e até mesmo os pensamentos que incidem na busca da santidade no sacramento do matrimônio. Certos de que todos nós pecamos e estamos privados da graça de Deus (cf. Rm 3,23), o casal, através do auxílio mútuo no exame de consciência, é convidado a buscar o sacramento da reconciliação. Considerando o tempo de oração, jejum e caridade, os cônjuges devem aproveitar esse período para vivenciar mais sensivelmente a santidade matrimonial, investindo no processo de conversão e praticando mais fervorosamente algumas regras pontuais de vida. Podem combinar de receber, juntos, as cinzas, de praticarem juntos o jejum e encontrarem conjugalmente algumas regras de vida para serem observadas durante a Quaresma. É verdade que o caminho quaresmal requer esforço diário. No entanto, vale dizer que é um caminho a ser trilhado com Jesus, como esposos que desejam alcançar a Páscoa! É mais do que um pouco de jejum e uma sequência de orações. É essencialmente uma subida a dois!

Pe. Valter Lopes SCER Norte II Província Norte

As cinzas sobre a nossa cabeça

Iniciamos, com a Quarta-feira de Cinzas, o tempo da Quaresma, período de 40 dias que nos conduz à alegria da Páscoa, onde celebramos a ressurreição de Jesus Cristo. As cinzas traçadas sobre a nossa cabeça são um sinal de humildade e de fé: lembram-nos que somos pó e ao pó voltaremos, mas também que o amor de Deus é mais forte do que o pecado e a morte. Esse gesto simples e profundo é um convite à conversão do coração, a um recomeço na graça e na confiança em Deus. Desde os primeiros séculos, os cristãos se preparam para a Páscoa com jejum e penitência. Inspirada nos 40 dias de Jesus no deserto, a Igreja conserva esse tempo de oração e purificação para que, com Ele, aprendamos a vencer as tentações do egoísmo, da indiferença e da superficialidade.

A liturgia deste dia nos fala, pela voz do profeta Joel: “Rasgai o coração, e não as vestes; voltai para o Senhor, vosso Deus” (Jl 2,13). Deus não nos pede gestos exteriores, mas um coração transformado pelo amor e pela misericórdia. Jesus mesmo nos recorda: “Quando orares, entra no teu quarto e ora a teu Pai em segredo” (Mt 6,6). Assim, a penitência cristã é silenciosa, mas fecunda; escondida, mas transformadora.

Para nós das Equipes de Nossa Senhora, a Quaresma é uma oportunidade preciosa para reviver com mais profundidade os Pontos Concretos de Esforço, que podem se tornar autênticos instrumentos de conversão.

A Escuta da Palavra e a Meditação alimentam a nossa oração e abrem os olhos da fé.

O Dever de Sentar-se favorece o diálogo, a reconciliação e o perdão no casal.

A Oração Conjugal fortalece a unidade e nos aproxima de Deus.

A Regra de Vida convida a pequenas renúncias e propósitos concretos de mudança.

No Retiro o casal escuta a voz de Deus e renova o propósito de conversão iniciado na Quarta-feira de Cinzas.

Assim, os Pontos Concretos deixam de ser práticas habituais e se tornam expressões vivas da penitência cristã, integrando o jejum, a oração e a caridade à realidade do matrimônio e da família. Que este tempo favorável desperte em cada casal o desejo de purificar o amor, aprofundar a Escuta da Palavra e caminhar com Jesus rumo à Páscoa. Que, fortalecidos pela graça, aprendamos a jejuar do egoísmo, a rezar com o coração e a amar com gestos concretos. Em Cristo, a vida venceu a morte, destruiu o pecado e deu-nos vida com a sua vida. Com bênção e amizade fraterna.

Mons. Jânison de Sá Santos

SCER Brasília IV

Província Centro-Oeste

Apresentação do Senhor: Jesus, a nossa luz!

“Meus olhos viram a tua salvação” (Lc 2,30)

No dia 2 de fevereiro, celebraremos a Festa da Apresentação do Menino Jesus no Templo, também chamada Festa das Luzes. Essa festa recorda o dia em que o Menino Jesus, 40 dias após seu nascimento, foi levado ao Templo de Jerusalém por Maria e José e apresentado a Deus, aos sacerdotes e a todo povo. Isto para se cumprir o que estava escrito na lei: “Todo menino primogênito será consagrado ao Senhor” (Lc 2,22).

Como não recordar nesta celebração as muitas famílias que apresentam seus filhos a Deus em nossas comunidades e paróquias! A apresentação toma o sentido de preparação ao batismo, trazendo alegria para a comunidade que acolhe o novo membro da Família de Deus.

É também nessa Festa da Apresentação que recordamos a presença no templo de Simeão e Ana, que reconhecem o Salvador em uma frágil criança. Simeão e Ana reconhecem naquele pequenino o Messias, louvam a Deus e não se cansam de apresentá-lo ao povo.

Gostaria de recordar as palavras de Papa Francisco: “Queridos irmãos e irmãs, imitemos também nós Simeão e Ana, ‘peregrinos de esperança’ que têm olhos límpidos capazes de ver além das aparências, que sabem ‘farejar’ a presença de Deus na pequenez, que conseguem receber com alegria a visita de Deus e reacender a esperança no coração dos irmãos e irmãs”

(Catequese 26/2/2025).

Esse é o caminho a ser percorrido: acolher Jesus – louvar pela Sua presença amorosa e misericordiosa entre nós – anunciá-lo, com alegria. Para isso é tão necessário compreendermos e vivenciarmos, na fé, que Jesus vem a nós e pode ser encontrado em todos os momentos da nossa vida.

Não sejamos insensíveis, fechados em nós mesmos, incapazes de encontrar o Senhor, de abrir a porta do nosso coração para recebê-lo, tomá-lo com cuidado e gritar o seu amor por nós. Ele é a nossa luz! Na Festa da Apresentação, que é também a Festa das Luzes, acendamos a luz da nossa vocação de amar e servir, na Luz de Deus, que veio por meio de Jesus; recordemos nosso primeiro encontro com Jesus e façamos brilhar o que ainda se encontra escuro no testemunho de nossa fé. Que a chama do Espírito nos ajude a trilhar, pessoalmente e como famílias, um caminho de santidade!

Que Nossa Senhora da Luz, das Candeias, da Purificação e da Candelária nos guie e nos ensine a fazer, como ela mesma nos pediu, “tudo o que seu filho nos disser!”.

Pe. Marcus Barbosa Guimarães
SCER Brasília III
Província Centro-Oeste

O Batismo de Jesus

Batismo de Jesus ocupa um lugar central na Revelação cristã, pois manifesta quem Ele é e inaugura publicamente a sua missão salvadora.

Narrado pelos quatro Evangelhos (cf. Mt 3,13-17; Mc 1,9-11; Lc 3,21-22; Jo 1,29-34), esse acontecimento revela o mistério da Santíssima Trindade e antecipa o sentido do batismo cristão, conforme ensina a Sagrada Escritura e o Catecismo da Igreja Católica.

Jesus dirige-se ao rio Jordão para ser batizado por João Batista, que pregava um batismo de conversão para o perdão dos pecados. Embora sem pecado (cf. Hb 4,15), Jesus insiste em ser batizado, dizendo: “Convém cumprirmos toda a justiça” (Mt 3,15). Com isso, Ele se solidariza plenamente com a humanidade pecadora, assumindo sobre si a condição humana para redimi-la. O Catecismo afirma que, ao aceitar o batismo de João, Jesus “manifesta a sua kénosis”, ou seja, o seu abaixamento humilde, prefigurando o batismo da sua morte (CIC, n. 536).

No momento do batismo, os céus se abrem, o Espírito Santo desce sobre Jesus em forma de pomba e a voz do Pai proclama: “Este é o meu Filho amado, em quem pus todo o meu agrado” (Mt 3,17). Trata-se de uma clara manifestação trinitária: o Filho é batizado, o Espírito o unge e o Pai o revela. Segundo o Catecismo, este episódio é uma verdadeira “teofania”, na qual Deus se dá a conhecer como Trindade (CIC, n. 535).

O Batismo de Jesus marca também o início da sua vida pública. Ungido

pelo Espírito Santo, Ele é enviado para anunciar o Reino de Deus, curar os enfermos e libertar os oprimidos. Assim, o Jordão torna-se sinal de um novo êxodo: como Israel passou pelo Mar Vermelho rumo à liberdade, agora a humanidade é convidada a passar pelas águas do batismo para uma vida nova em Cristo.

Para os cristãos, o Batismo de Jesus ilumina o sentido do próprio sacramento do batismo. Pelo batismo, somos libertados do pecado, tornamo-nos filhos adotivos de Deus e membros da Igreja (CIC, n. 1213-1216). Unidos a Cristo, participamos da sua morte e ressurreição e recebemos o Espírito Santo, que nos chama a viver como filhos amados do Pai.

Assim, o batismo de Jesus não é apenas um fato do passado, mas uma fonte permanente de fé e vida. Ele revela o amor de Deus que se aproxima da humanidade e convida cada cristão a renovar o compromisso batismal, vivendo na justiça, na santidade e no seguimento fiel de Cristo. Super-Região Brasil

Minha história nas ENS

Minha vocação sacerdotal e missão com casais originaram-se no testemunho de meus pais, Gentil e Alice (falecidos), naquele ambiente familiar repleto de fé e de compromisso com a Igreja local, pois iam para as casas dos casais para reuniões. Éramos seis filhos e eu acompanhava tudo com o olhar, nas brincadeiras com os filhos dos casais visitados. Eles eram membros do Movimento Familiar Cristão (MFC) nos anos 70 e 80.

Fui convidado para ser SCE de uma equipe do Setor B – Manaus (1997 e 1999), logo depois de minha ordenação, deixando para estudar em Roma, depois Seminário Teológico como professor e formador e ainda fiz doutorado em Quito no Equador. Ao retornar em 2016 para Belém, logo após um sermão na missa sobre relacionamento conjugal e familiar, recebi um convite que depois se multiplicou, ficando assim com as equipes 3, 7 e 10 do Setor B – Belém. Foi desafiador, mas conduzido pelo Espírito Santo e por Nossa Senhora não abri mão de participar da Reunião Preparatória e das Noites de Oração. Em 2021, já em Manaus-AM, fui convidado para Conselheiro Espiritual do Colegiado do Setor C e de duas equipes: 8C e 10C. Aprendi que a interação entre a vocação sacerdotal e matrimonial é profundamente importante para a vida da Igreja, ambas nascem do amor de Cristo e se complementam na missão de construir o Reino de Deus. O matrimônio revela o

amor de Cristo pela Igreja através da aliança entre os esposos (Ef 5,25) e no sacerdócio se revela esse mesmo amor por meio do serviço pastoral e sacramental. Os jovens precisam ver e admirar casais e famílias, modelos de comunhão, doação, serviço, Sal e Luz. Concluindo, posso dizer que sempre recebi das ENS acolhida, amizade, apoio, ajuda, suporte, orações, afeto, carinho, calor humano, fraternidade e solidariedade quando precisei. Além de tantos pratos saborosos!!! O que não pode faltar quando Jesus e sua Mãe Maria estão presentes (Jo 2,1-11). Minha história nas ENS me ensinou que não existe vocação isolada; que toda vocação é um dom para o outro; que a santidade é comunitária, que o Reino de Deus é construído no cotidiano por mãos diversas, por pessoas frágeis, mas conscientes da necessidade de estar juntos para crescer em santidade. Casais e sacerdotes se enriquecem mutuamente e sou imensamente grato e reconheço a graça que Deus me concedeu em participar deste Movimento, debaixo do Manto protetor e materno de Nossa (foto do padre – pasta de imagens 1) Senhora.

SCE Setor C Manaus Província Norte

Pe. Carlos Josué Nascimento

Meus avós eram equipistas

Sou o Padre Felipe, sacerdote da Arquidiocese de Brasília, SCE do Setor A da Região Brasília II, das equipes 9A e 5D. Tenho 5 anos de sacerdócio e 5 anos como Conselheiro das equipes. Falar das ENS é sempre recordar minha história. Meus avós, já falecidos, João Bosco e Ana Maria, eram equipistas. Por isso, desde criança tive contato com o Movimento, nas reuniões informais, quando as famílias estavam presentes. Tenho a certeza de que este Movimento é uma ação do Espírito Santo.

Meus avós buscavam transmitir à família o que ensina o Movimento: se amavam, se compreendiam, se respeitavam e queriam que os filhos vivessem da mesma forma, além de incentivar os netos a receberem os sacramentos da iniciação à vida cristã. Hoje, entendo o que as ENS fizeram pela minha família e, sobretudo por mim, de forma particular. Um amor a Deus que foi ensinado e aprofundado ao longo da minha história; uma inquietação que me fazia querer conhecer sempre mais a Deus e aprofundar em tão grande mistério. Desse desejo de conhecer mais a Deus, veio ao meu coração chamado de me entregar inteiramente a minha vida por amor a Ele.

Agora, como SCE, percebo que a bondade de Deus perpetuando ao longo de nossa história, como Conselheiros Espirituais, e posso dizer, com certeza, que os PCEs contribuem para a edificação, não somente do casal, mas de toda a família. A espiritualidade do Movimento permite que cada

um olhe para si mesmo e perceba a necessidade de modificar os maus costumes para o bem dos filhos e do cônjuge.

Ser SCE é reconhecer que a misericórdia do Senhor é eterna (Sl 117). As equipes me ajudam a viver o sacerdócio com doação e fidelidade. Cada cônjuge e cada filho de equipista que se aproxima encontra no sacerdote alguém que escuta, acolhe e orienta. É assim que vejo Deus agir na minha missão.

“A vocação acende uma luz que nos faz reconhecer o sentido da nossa existência”, afirmava Dom Rafael Llano, bispo da Diocese Nova Friburgo-RJ. Tenho vivido exatamente dessa forma, descobrindo a cada dia a beleza da minha vocação. Peço a Deus que me guie e que me faça ser iluminado por esta luz, percebendo em cada cônjuge a maravilha de ser amado por Deus.

Padre Caffarel, fundador do Movimento, “mostrou que sacerdotes e casais são chamados a viver a vocação para o amor”. De fato, os sacerdotes e cônjuges têm uma vocação em comum: caminhar neste mundo rumo à santidade. Por essa razão, coloco-me à disposição do Movimento com muita alegria e com o coração cheio de gratidão a Deus.

Pe. Felipe SCE do Setor A Brasília II Província Centro-Oeste

“Eis

aqui os servos do Senhor”

Quando recebemos o convite para assumir a missão de Casal Responsável Região MS II, sentimos os corações baterem mais forte, foi um misto de sentimentos e questionamentos, mas o amor a Deus e ao Movimento nos impulsionou a dizer Sim, “eis aqui os servos do Senhor”. Finalizamos o ano com dupla missão, Responsáveis do Setor e iniciando a responsabilidade na Região. No Colégio Provincial, juntamente com o nosso colegiado, demos início aos preparativos da primeira responsabilidade, o EACRE. Foi um encontro abençoado, todos participaram de coração aberto, nosso colegiado se dedicou em cada detalhe. Alguns dias antes do EACRE, tivemos a perda de nossa querida Marta do Dirson, e dias depois do João da Simone, equipistas fundadores e de missão. A comunidade equipista da RMS II se uniu em oração e solidariedade diante de tamanha tristeza e dor. Iniciamos o ano com os corações partidos, fragilizados pela partida de nossa querida Marta e do nosso João, que esbanjava alegria. Ficamos todos arrasados, com os corações dilacerados, a tristeza tomou conta dos corações diante das perdas irreparáveis. Sem chão, buscamos na oração e na Eucaristia o sustento neste início de missão, em um momento tão difícil

para nossa região. Mas Deus não nos abandona, Ele cuida, Ele está cuidando do Dirson, da Simone e de cada um de nós. Com muita oração e buscando sempre a Eucaristia seguimos em frente, uma missão por vez. Mesmo diante de tanta dor, sentimos o amor e a misericórdia de Deus. Nos unimos mais do que nunca em oração e súplicas, para que Deus confortasse a nossa Região MS II. O tempo foi passando e devagar a dor se transformando em saudade. Seguimos na missão com o nosso colegiado e Cristo caminhando conosco, nos unimos para organizar formações e Retiros, fortalecendo assim nossas equipes. Aconteceram as formações Ser Igreja, Ser Cristão, Mutirão, EEM, EEN e Interequipes, momentos de oração e partilha que fizeram toda a diferença na vida de cada casal equipista que se permitiu vivenciar o que o Movimento tem a oferecer. Tivemos também a graça da criação de um novo Setor, Ponta Porã. Somos muito gratos a Deus pela missão que nos confiou. Mesmo diante de tantos desafios, Ele tem sido generoso e tem derramado bênçãos em nossa região. Para nós tem sido um crescimento na fé e na espiritualidade conjugal, a cada formação, encontro e Retiro, nos fortalecemos para seguir em frente na missão a nós confiada. Ele tem nos sustentado e conduzido a cada dia.

Renata e Rodrigo CRR MS II
Província Centro-Oeste

Quando os amigos oram o céu responde

A missão é um tempo de transformação e conversão, um presente do Espírito Santo que nos molda. Recebemos muitas graças, mas uma marcou profundamente nossa caminhada: a gratidão a Deus e a Nossa Senhora pelos familiares e amigos.

Em outubro de 2024, Nívio adoeceu com uma gripe forte, que o levou ao médico duas vezes. Apesar dos remédios, os sintomas persistiam. Estávamos muito animados, preparando a apresentação do Encontro do Colégio Provincial Centro-Oeste. A correria era maior que a gripe, e acreditávamos na cura através das orações e dos medicamentos.

No dia 20/10/2024 (domingo), devido a dores intensas no peito e costas, cansaço e febre, levei Nívio às pressas ao hospital. O diagnóstico foi um choque: pneumonia bilateral causada por bactérias e derrame pleural nos dois pulmões. Imediatamente, avisamos o CRP sobre a internação. Fomos acolhidos pelas poderosas orações da equipe da Província, da equipe de base e dos amigos da SRB. Nívio não melhorava após quatro tipos de antibióticos. A médica da UTI informou que iniciariam o quinto antibiótico e, diante do quadro grave, ele seria entubado. Na manhã de quinta-feira, 24/10, fomos chamados para rezar com nossos filhos, pois a medicina havia feito o que podia. Naquela mesma manhã de quinta-feira ele recebeu a Unção dos Enfermos. Sentíamos uma energia e confiança,

pois fomos amparados por orações vindas de todos os lados. O Encontro Provincial ocorreu em clima de intercessão pelo meu esposo. Aprendemos que “quando os amigos oram o céu responde” ainda mais rápido.

Para nossa imensa alegria, após 21 dias de hospital, Nívio voltou para casa sem intubação e sem sequelas graves.

Para completar os desígnios de Deus, após o Encontro do Colégio da SRB, fomos novamente chamados para apresentar o Encontro Provincial, em Goiânia. Desta vez, estávamos fortalecidos na fé, maduros e confiantes. Pois para Deus, tudo é possível. Agradecemos a todos os amigos intercessores. Como diz Provérbios 17, 17: “O amigo ama em todos os momentos; é um irmão na adversidade”. Somos gratos a Deus por nos apresentar o amor verdadeiro através da amizade em meio às dificuldades.

Província Centro-Oeste

Adriana e Nívio Sofiatti CRR Goiás Sudoeste

Um bem muito precioso

Sou Carina do Nelson e vou compartilhar uma grande provação que passamos, mas que mudou por completo nossas vidas.

O ano era 2013, quando saímos de nossa cidade natal, Oriximiná-PA, para morar em Juruti-PA, por conta de um novo trabalho. Já morando em Juruti, onde participamos do Movimento das ENS, vivíamos a euforia do novo, do diferente. As expectativas, os planos, os sonhos eram grandes. Até vivenciarmos nossa maior crise conjugal. Como todo casal, tínhamos nossas divergências e sempre conseguimos resolver. Mas essa crise foi diferente. Veio tão violenta, que nos levou à separação. Foi um período turbulento e doloroso. Com a separação, saímos do Movimento. E para completar, estávamos sem emprego. Enfim... chegou um momento em que perguntei para Deus por que ele tinha me levado para aquele lugar para me tirar tudo o que mais amava. Fui seguindo a vida sem rumo. Estava muito ferida e magoada.

Até que, em um desses dias difíceis, recebi a visita do SCE que acompanhava a equipe da qual tínhamos participado, Pe. Adenilton. Ele, com muita atenção, ouviu minhas dores, me aconselhou e por vários momentos insistiu na reconciliação e no perdão. Eu, muito dura e cheia de defesas, falei que não seria possível. Nelson havia me ferido profundamente e infelizmente as coisas não seriam mais como antes. Sabiamente ele me respondeu: E não é mais para ser. Como era antes você já viu que não deu certo. Tem que ser diferente e me comprometo a fazer essa caminhada junto com vocês.

Essa atitude de empatia e misericórdia do querido conselheiro fez toda a diferença em nossa vida.

Daí por diante, deixamos as falsas expectativas, com a certeza de que Deus estaria conosco em todos os momentos. Entendemos que o amor não é um simples sentimento, mas uma decisão diária. É perseverança, é deixar-se moldar por Deus com passos firmes e decididos.

E quanto à pergunta que fiz a Deus no auge da nossa crise, hoje ele me responde com a realidade que temos e somos. Recebi de volta tudo que perdi, com uma grande diferença: recebi tudo muito melhor, restaurado e transformado.

Nelson se tornou um homem temente a Deus e com um testemunho de conversão grandioso. Se tornou o esposo além do que pedi a Deus. Como pai é gigante, cuidadoso e dedicado.

Ao Senhor, somos gratos por ter nos chamado do jeito que somos e, com sua infinita bondade, ter nos lapidado, nos tornando, um para o outro, um bem muito precioso.

Somos gratos pela generosidade daquele sacerdote cheio do Espírito Santo, que nos mostrou o verdadeiro amor e nos levou novamente para as ENS, onde junto com nossos irmãos equipistas caminhamos em busca da santidade.

Carina e Nelson

ENS de Fátima Juriti/PA Província Norte

Oração

Conjugal foi tomando forma

Somos casados há 34 anos e temos 11 anos no Movimento das ENS. Nossa vida de oração antes de entrarmos nas Equipes de Nossa Senhora era muito diferente. A Izabela foi educada em colégio católico (Salesiano de Dom Bosco) e sempre teve uma vida regular de oração. Sua devoção a Nossa Senhora Auxiliadora (minha esposa foi a responsável pela minha devoção Mariana) e a Dom Bosco sempre foi muito presente em sua vida. Minha família era católica “de prateleira” (como dizia o saudoso Papa Francisco), daquelas que mandavam os filhos para a missa, mas não os acompanhava. Eu pulei a etapa da crisma e fui muito jovem para a universidade. Quando despertei novamente para a Igreja, já estava às vésperas do casamento.

A Oração Conjugal foi “tomando forma” depois que entramos para o Movimento ENS, pois passamos a compreender que, além da Oração Pessoal, tínhamos que implementar a Oração Conjugal e a oração na família. Tínhamos rotinas diferentes de trabalho e, por conta disso, horários diferentes de oração. Daí que descobrimos que a Oração Conjugal era o caminho para estarmos mais juntos como casal e mais pertos de Deus como família. Rezar o Magnificat antes de sair de casa para o trabalho, antes das refeições e antes de dormir, participação em missas, além da dominical, adoração ao Santíssimo Sacramento, o santo terço, novenas, vimos que tudo isso nos fortalecia e nos aproximava como casal, e foi nas Equipes de Nossa Senhora que aprendemos e compreendemos isso.

Crismei adulto já no meu segundo ano de ENS. Foi um despertar vocacional, pois a partir desse momento meu coração se abriu à docilidade do Espírito Santo. Fizemos o Encontro de Casais com Cristo – ECC e no ano seguinte entramos na Pastoral Familiar de nossa paróquia. Cinco anos mais tarde veio o convite para eu ser diácono permanente da arquidiocese de Belém, missão que desempenho com muito amor e dedicação, mas que antes tem que passar pela aprovação da esposa. Gostaria de ressaltar a importância da oração em nossa vida de casal. As missões que coordenamos, os passos importantes que demos dentro da Igreja e em família sempre são tomados em oração e sob a luz do discernimento do Espírito Santo. Agradecemos a Deus pela intercessão a Nossa Senhora, pelo nosso direcionamento a esse maravilhoso Movimento de espiritualidade conjugal que temos a graça de fazer parte. Obrigado, Jesus, obrigado, Padre Caffarel, obrigado às Equipes de Nossa Senhora.

Isabela e João José ENS Rainha dos Apóstolos Região Norte II Província Norte

Vivência nas ENS: caminho de conversão

Nossa caminhada nas Equipes de Nossa Senhora começou há 19 anos, dentro de um matrimônio de 24 anos. Apesar do longo tempo de participação, percebemos que, por muitos anos, vivíamos apenas a vida de equipe, sem permitir que o Movimento realmente transformasse nossa vida conjugal e espiritual. Somente mais recentemente compreendemos a profundidade da vocação matrimonial à qual Deus nos chamou.

Inspirados pelo ensinamento do Padre Henri Caffarel – “o sacramento do matrimônio faz de vocês ministros da graça um para o outro” – passamos a reconhecer o matrimônio como lugar privilegiado de encontro com Deus. Aprendemos que somos responsáveis pela santificação um do outro e chamados também a colaborar na santificação dos irmãos de equipe. A vida de equipe nos mostrou que a busca pela santidade não é um caminho isolado do casal, mas uma experiência partilhada, que cresce na convivência fraterna e pelo testemunho da vivência dos instrumentos propostos pelo Movimento.

Ao longo dos anos, assumimos algumas missões, como casal responsável de setor e, atualmente, como coordenadores das Formações Permanentes da Província Centro-Oeste. Acolhemos cada missão com temor, mas confiantes na graça de Deus, conscientes de que não somos escolhidos por sermos capazes; é Deus

quem nos capacita pelo seu Espírito. Esta compreensão nos impulsiona a servir, ajudando outros casais a descobrirem as riquezas da pedagogia das ENS como verdadeiro caminho de conversão pessoal e comunitária, de crescimento na fé, no amor a Deus e ao próximo.

Viver essas missões tem nos tirado da zona de conforto e fortalecido nosso compromisso não só um com o outro, mas também com o Movimento. Ao longo desse processo, temos tido a oportunidade de testemunhar com humildade as obras de Deus em nossa vida, reconhecendo que Ele sustenta cada passo da nossa caminhada.

Por fim, reafirmamos o valor da proposta original do Padre Caffarel: caminhar juntos. A experiência de comunhão, tanto na equipe de base quanto nas demais instâncias do Movimento, tem sido essencial para o nosso crescimento espiritual. Aprendemos que o matrimônio é um caminho de santidade vivido a dois, iluminado pela graça divina e sustentado pelo apoio fraterno das Equipes de Nossa Senhora e da vida no Movimento.

Dani e Cristiano ENS da Defesa Setor A Região Brasília I Província Centro-Oeste

O Dever de Sentar-se: quando o “desconhecido” nos revelou um novo jeito de amar

Quando chegamos às Equipes de Nossa Senhora, tínhamos recém-celebrado 25 anos de casados. Três filhos, vida estável e o sincero desejo de servir à Igreja nos acompanhavam. Ao conhecer o Movimento e sua espiritualidade conjugal, percebemos que Deus nos oferecia um novo caminho. Assim, ingressamos na Equipe Nossa Senhora Rosa Mística, do Setor B, sem imaginar que os Pontos Concretos de Esforço renovariam tão profundamente nossa vida a dois.

Entre esses PCEs, o Dever de Sentar-se ganhou um lugar especial. Sua origem nos tocou: o Pe. Henri Caffarel o concebeu em 1945, inspirado em Lucas 14, quando Jesus convida a “sentar-se para calcular a despesa” antes de construir uma torre. Ele viu que o casal precisa parar, rever o caminho e consultar o Mestre de Obras. No editorial que apresentou o tema, chamou-o de “um dever desconhecido” – expressão que descrevia o que vivíamos. Achávamos que tantos anos juntos tornavam simples conversar. Descobrimos que não. O DDS revelou silêncios guardados, pequenas mágoas e sentimentos nunca ditos. Sentar-nos diante de Deus ajudou a tratar feridas e abrir o coração com humildade. Também entendemos que ele não é uma DR, mas um diálogo sagrado, no qual Cristo impede as acusações e nos conduz à escuta amorosa.

Com o tempo, esse dever tornou-se alegria. Passamos a celebrar

conquistas, reconhecer qualidades e agradecer mais. Descobrimos que o amor cresce pela perseverança e pela decisão diária de permanecer unidos. Pequenos aprendizados da caminhada

Percebemos que não há fórmulas, apenas descobertas no caminho. Uma delas foi marcar o DDS como algo importante; se não o fizéssemos, a rotina nos tomava. Outra foi chegar com o coração preparado e começarmos pela oração, que aproximava nossos sentimentos e abria espaço para conversas verdadeiras.

Também aprendemos a criar um clima de verdade, evitando interrupções e usando mais o “eu sinto” que o “você sempre”. Pequenos gestos mudaram nosso diálogo. E descobrimos a força da escuta amorosa: houve DDS em que apenas ouvir já era cura. Notamos mais as alegrias do cotidiano, e isso nos encorajou mutuamente.

Hoje seguimos aprendizes, mas profundamente gratos. O Dever de Sentar-se nos trouxe um caminho de reconciliação e esperança, ajudando-nos a construir nossa casa sobre a rocha do amor de Cristo.

Carla e Claudio ENS da Rosa Mística Região Brasília I Província Centro-Oeste

Uma regra para que a vida floresça

Ser equipista é ganhar do Movimento vários instrumentos que ajudam a viver integralmente o sacramento do matrimônio e buscar, através dele, a santidade. Os Pontos Concretos de Esforço são parte desse presente, que nos é ofertado como maneira prática de viver o Evangelho, especialmente a Regra de Vida, essencial para a conversão.

Completamente apaixonados pelo método e pedagogia das equipes e impressionados com o quão inspirado Padre Caffarel foi, testemunhamos que esse é o PCE que nos faz amar mais, tanto nós mesmos quanto os outros e, principalmente, Deus. Nos leva a corrigir nossas imperfeições e fragilidades e, assim, progredir espiritualmente.

Nos estatutos encontramos que: “A Regra de Vida nada mais é do que a determinação dos esforços que cada um resolve impor-se para melhor responder à vontade de Deus sobre si”. Cumprir essa vontade é a resposta pessoal ao desígnio divino. Várias passagens bíblicas confirmam a necessidade contínua de transformação e renovação, para nos amoldar e submeter à agradável e perfeita vontade do Senhor.

Claro que é um caminho árduo e gradual, exige renúncias, coragem e a luta constante entre o espírito e a carne; mas nos traz propósito, fé e a certeza de que os planos d’Ele são sempre melhores que os nossos, mesmo quando não entendemos, sendo um processo de

autodescoberta diária, abertura de coração e entrega, com humildade, rigor e perseverança.

Algumas pistas ajudam a definir e praticar a Regra de Vida. Primeiro, deve ser pessoal, mas pode-se fazer uma comum a ambos os cônjuges.

Ser simples, direta, concisa, concreta, dinâmica e escrita. Ser exigente para nos tirar de nosso comodismo; entretanto ser flexível, adaptável e focada no essencial. Almejar modificações importantes, mas realistas; podendo ser pontuais em determinado momento ou se prolongar por tanto tempo quanto for preciso para tais mudanças. É indispensável que revisemos regularmente essa regra, avaliando os progressos e traçando novos objetivos. Para nós a definição de uma regra pessoal vem após um momento orante e meditativo. Já a regra de casal é sempre fruto de um bom Dever de Sentar-se.

Para concluir, lembramos que a Regra de Vida não é um fim, mas um meio que permite que, pelos nossos esforços, o amor cresça e produza frutos abundantes, especialmente na nossa santificação, através do serviço e do testemunho.

Andréa e Fernando CRR Goiás-Sul Província Centro-Oeste

O Retiro: um tempo privilegiado para a vida conjugal e espiritual

Participar dos Retiros das ENS tem sido, para nós, ao longo desses 26 anos de caminhada no Movimento, uma experiência transformadora e essencial. Apenas em dois anos, durante o período crítico da pandemia da Covid-19, não pudemos participar – e a ausência dessa vivência nos mostrou ainda mais o quanto esses momentos são indispensáveis.

O Retiro é um tempo privilegiado de escuta e oração. Ele possibilita um encontro mais profundo entre nós e Deus. Antes de entrarmos nas ENS, nunca havíamos experimentado a graça de participar de um Retiro. Participar do Retiro nas ENS foi mais do que especial, pois não era algo que apenas um faria, mas sim algo que os dois fariam juntos. É algo voltado para justamente trabalhar a nossa espiritualidade conjugal.

O sentimento ao sair do Retiro é sempre um sentimento de gratidão, de renovação, e sempre querendo mais (com a pergunta: “Por que não fazer outro Retiro ainda esse ano?”). É um tempo em que o casal se coloca diante de Deus: primeiramente sozinho, e depois a dois. Colocando-se a dois em oração, o foco é no casal, na família, na equipe, na comunidade. É algo que se inicia no nosso íntimo e vai crescendo e iluminando outras áreas da nossa vida. É um momento em que se vive intensamente todos os PCEs com leveza, em um tempo reservado e oportuno para isso. Escuta da Palavra de Deus: parar e escutar a Palavra de Deus nas celebrações e nos desertos. Meditação: fazer a Meditação dessa Palavra. Oração Conjugal: juntos, colocar-se em oração, muitas

vezes diante do Santíssimo, ou nos terços, ou nas eucaristias, vivenciando profundamente este PCE. Dever de Sentar-se: é um fruto maravilhoso que se vivencia, muitas vezes orientado e oportunizado, em um tempo que é só do casal, ali dentro do Retiro, onde se colocam diante de Deus para buscar a santificação (que é a nossa meta). Regra de Vida e Novas Metas: é possível rever a Regra de Vida e até traçar novas metas, não só como Regra de Vida, mas como caminho a ser traçado: pessoalmente, em casal, em família, profissionalmente. E o Retiro Anual: neste momento cumpre-se o sexto PCE, que é o próprio Retiro anual.

Por isso, testemunhamos com alegria: o Retiro é, para nós, uma graça insubstituível. Ele alimenta nossa fé, renova nosso amor e nos dá novo fôlego para seguir adiante. Que todos os casais equipistas possam experimentar essa bênção. E que, como nos ensina o Pe. Caffarel, saibamos fazer do nosso matrimônio um caminho de santidade, sustentado pela oração, pelo diálogo e por momentos profundos como o Retiro.

É um momento realmente precioso. A palavra que resume é privilégio: “Privilégio de estar a dois na presença de Deus, partilhando com os irmãos do nosso Movimento”.

Rejane e Hudson CRR Norte I Manaus-AM Província Norte

Carta Mensal 558 (pág. 20) A Eucaristia na vida do casal

O casal Helena e Cal, em seu artigo na referida edição, tocou e transformou profundamente nossos corações como o seu testemunho sobre a Eucaristia.

Por dezesseis anos nas Equipes de Nossa Senhora, sempre encontrávamos dificuldades na prática do Dever de Sentar-se. De ambas as partes, silenciar para ouvir era muito difícil, sempre as defesas vinham antes das falas. Íamos à missa aos domingos, mesmo assim nossos corações continuavam um mar agitado.

Temos um Cristo que “acalmava a tempestade furiosa, [...] ressuscitava os mortos, perdoava os pecados”, subiu aos Céus, mas conforme afirmam Helena e Cal, “nós vivemos hoje na época de Cristo”, que, como prometeu, está conosco todos os dias.

Confiantes nessa promessa, há alguns meses, em meio a desafios, estamos indo à missa, em casal, diariamente. Uma decisão que exigiu desapego e esforço, mas hoje é um feliz hábito. Conscientizar de que todo o mistério revelado na Santa Eucaristia está também infundido na mística dos Pontos Concretos de Esforço. E assim passamos a vivenciá-los com amor e no amor de Cristo. A presença Dele em nós, todos os dias, hidrata nossa fé, alimenta nossa esperança e assim caminhamos rumo à santidade conjugal.

Beth e Júnior ENS da Imaculada Conceição

Setor Castanhal A Província Norte

Carta Mensal 367 (pág. 1) Boas lembranças

A edição da Carta acima citada registrou a primeira visita da SRB à Província Norte, nos dias 24, 25 e 26 de agosto de 2001. Nesta edição, o casal responsável pela Carta Mensal (Cecília e José Carlos) comenta no editorial a respeito de uma equipe de Manaus: “Não podemos deixar de fazer uma menção especial à Equipe N. S. do Silêncio, formada por 5 casais, sendo a sua maioria, deficientes auditivos. Ficamos maravilhados pois os casais ‘cantavam’ com as mãos”.

Pe. Flávio Cavalca, SCE da SRB na época, registra na Carta a sua experiência vivida durante sua visita a Maués e Itacoatiara: “Tanta alegria só é possível para quem descobriu os tesouros ocultos nos campos do Reino e a mística de uma proposta de vida no amor”. Era tempo de expansão do Movimento, com as ENS saindo de Manaus para o interior.

A Equipe da SRB foi recebida com o tema: Acolhida, Hospitalidade, Amizade, quando o Provincial falou: “O acolhimento mútuo, a hospitalidade e a amizade no amor; eis o grande caminho para que mentalidades diferentes não quebrem a união existente dentro de uma comunidade”.

O ponto alto da visita foi a celebração presidida pelo saudoso Pe. Cânio Grimaldi, SCE da Província Norte, e vários outros SCE, onde se fez presente o Pe. Luiz Kirchner, mais antigo SCE do Movimento à época.

A Carta Mensal fez publicar um artigo do saudoso casal Lourdes e Dias da

Equipe 8/Manaus, em que escreveu: “O encontro da Super-Região Brasil ocorreu em Manaus. O sonho foi realizado”. Ficou registrada a presença da Dona Nancy Moncau, iniciadora do Movimento das ENS no Brasil, quando nos transmitiu o amor e o carinho que sentia pelos equipistas. A sua humildade nos incentivava para prosseguir na missão.

Essa Carta Mensal é histórica para a Província Norte, porque o sonho virou realidade. E através das leituras das Cartas Mensais, aqui expresso para todos nós o convite de mantermos a unidade e a pertença do Movimento.

Graça e Encarnação ENS de Fátima Manaus-AM Província Norte

24 junho 2025

24 junho 2025

7 outubro 2025

17 novembro 2025

29 dezembro 2025

29 novembro 2025

BODAS DE PRATA

BODAS DE OURO

Socorro e Paulo

ENS de Guadalupe

Campina Grande/PB

Província Nordeste I

Graça e Paulo

ENS do Rosário

Campina Grande/PB

Província Nordeste I

Izabel e Luciano

ENS da Conceição

Campina Grande/PB

Província Nordeste I

Raquel e João

ENS do Rosário

Campina Grande/PB

Província Nordeste I

Adriana e Sávio

ENS Rainha da Paz

Região Ceará/CE

Província Nordeste I

Roselita e Sidney ENS Imaculada

Conceição

Santarém/PA

Província Norte

15 dezembro 2025

Aparecida e Joca

ENS de Lourdes

Campina Grande/PB

Província Nordeste I

A Campanha da Fraternidade 2026, sob o tema “Fraternidade e Moradia” e o lema

“Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14)

Convida a Igreja e a sociedade a uma profunda reflexão sobre a dignidade humana a partir do mistério da Encarnação. Ao contemplarmos o nascimento de Jesus, somos recordados de que o Salvador do mundo não habitou em palácios, mas nasceu em uma estrebaria, vivenciando a condição de um sem-teto em extrema vulnerabilidade. Esse dado teológico revela que a falta de uma moradia digna não é apenas um problema socioeconômico, mas uma ferida aberta na fraternidade e um sério desafio ao Evangelho. A Campanha interpela-nos a renovar o olhar pastoral, reconhecendo o rosto de Cristo nas famílias que vivem em ocupações, nas periferias e em situação de rua. Mais do que uma análise estatística, a proposta é um exercício espiritual que exige uma conversão do coração e da prática, convocando uma Igreja que “arma sua tenda” no meio do povo e entende a moradia como um direito humano fundamental. Somos chamados a superar a indiferença e a agir com solidariedade, integrando a fé ao compromisso social para que ninguém se sinta sem casa ou sem proteção. Que esta reflexão nos transforme em sinais de acolhida e cuidado, construindo uma sociedade onde a moradia seja o alicerce de uma vida digna para todos os irmãos e irmãs.

Fica ai a reflexão: Como a imagem de Jesus na manjedoura altera nossa percepção sobre as pessoas que vivem em situação de rua hoje?

Conseguimos enxergar o sagrado naqueles que não possuem um teto para morar?

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