Edição 70 abril Revista 100% Caipira

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Produção de pitaia no Brasil www.revista100porcentocaipira.com.br Brasil, abril de 2019 - Ano 7 - Nº 70 DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

A exótica Fruta Dragão uma promissora e rentável cultura que vem crescendo a cada dia REVISTA 100% CAIPIRA |


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Oposição a transgênicos se relaciona com baixo conhecimento

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Análise de mercado: Valor da Produção Agropecuária é estimado em R$ 572,9 bilhões

Pesquisa: Criado plástico biodegradável para estufas

Transgênicos:

Gestão:

Boas Práticas Agrícolas: Aumento da eficiência produtiva com melhor custo-benefício

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Artigo:

Produção de pitaia no Brasil


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Saúde animal:

Estudo aponta cenários para área livre de aftosa sem vacinação

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Gestão:

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Feiras e eventos: Fenicafé tem expectativas superadas em 2019

Angus do Brasil apresenta projetos no Secretariado Mundial

Café:

Gestão eficiente faz cafeicultura avançar

Receitas Caipiras: Pudim de pitaia REVISTA 100% CAIPIRA |

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GOVERNO

Brasil, abril de 2019 Ano 7 - Nº 70 Distribuição Gratuita

EXPEDIENTE Revista 100% CAIPIRA®

Fonte: CONAB

www.revista100porcentocaipira.com.br

Conab divulga lista de produtos que terão descontos nas dívidas de agricultores familiares A lista completa dos 14 produtos beneficiados foi publicada no Diário Oficial em 11/03 Já está disponível a relação de produtos que receberão descontos no âmbito do Programa de Garantia de Preços para a Agricultura Familiar (PGPAF). O percentual calculado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revela novamente como destaque o feijão caupi, que recebeu os maiores bônus de 69,59% no Tocantins, de 52,69% no Piauí e de 36,91% no Pará. A lista completa dos 14 produtos beneficiados foi publicada no Diário Oficial em 11/03. O objetivo do programa é conceder aos agricultores familiares um desconto no pagamento ou na amortização de parcelas do financiamento no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf ). De acordo com a lista atual, o 6 | REVISTA 100% CAIPIRA

segundo maior desconto foi para a amêndoa de babaçu, que teve uma bonificação de 50,66%. Os outros produtos atendidos são: açaí, alho, arroz, babaçu, borracha natural, cacau, castanha-de-caju, leite, manga, maracujá, mel e mandioca. Os bônus têm validade entre 10 de março a 9 de abril. O benefício é concedido sempre que o valor de mercado dos produtos contemplados fica abaixo do preço de garantia. Os custos de produção elaborados pela própria Companhia são o principal parâmetro para este cálculo. Já o objetivo do Pronaf é financiar a implantação, ampliação ou modernização das estruturas de produção, beneficiamento e indústrias no meio rural e em áreas comunitárias rurais.

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PESQUISA

Criado plástico biodegradável para estufas

Material pode ser usado também como embalagem de alimentos Uma equipe de pesquisadores do Centro de Pesquisa e Unidade de Estudos Avançados de Querétaro (Cinvestav), no México, desenvolveu um novo tipo de plástico que pode ser usado em estufas, mas com a vantagem de ser biodegradável. Segundo a última Pesquisa Nacional Agropecuária, no México existem pouco mais de 17 mil unidades de produção de agricultura protegida. Juan Francisco Pérez Robles, pesquisador da Unidade Cinvestav mencionou que o biofilme é destinado a resolver um problema sério detectado por produtores agrícolas que usam estufas como principal ferramenta agrícola. Em geral, essas estruturas agrícolas usam

filmes de poliuretano tanto para o leito quanto para o teto da estrutura. No entanto, quando a vida útil desses plásticos termina pode se tornar problema de lixo para os produtores, a maioria dos quais decidem pela incineração de resíduos, gerando poluição ambiental. De acordo com o investigador, o custo do processo é competitivo, porque a matéria-prima é abundante e pode-se realizar mais experimentação adicional para empregar cacto mucilagem como um substituto para o amido de milho, de modo que a produção destes biofilmes pode ser diversificada. “No momento, nosso material é perfeito para a cobertura de estufas, porque de acordo com os

testes que fizemos, os filmes permitem entre 84 e 85 por cento da passagem de luz, que é semelhante ao polietileno comumente aplicado por produtores agrícolas que permite, em média, 89 por cento da luz”, explicou Pérez Robles. Por enquanto, os biofilmes de amido de milho obtidos pelo Cinvestav têm-se centrado na utilização como um material para estufas, porque eles procuram resolver um problema de contaminação específica. Mas, de acordo com o pesquisador, o material poderia também ser utilizado como embalagens de alimentos, uma vez que não é apenas biodegradável, mas também inofensivo para a saúde Fonte: Agrolink humana. REVISTA 100% CAIPIRA |

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ARTIGO

Produção de p

A exótica Fruta Dragão uma pro vem crescend 8 | REVISTA 100% CAIPIRA


pitaia no Brasil

omissora e rentรกvel cultura que do a cada dia Por: Eduardo Reis

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Originária das cactáceas a Pitaia é um fruto América Tropical, de cor vermelha, branca ou amarela, são três variedades. Pitaia significa “fruta escamosa”, em algumas línguas é chamada de “fruta Dragão”. Embora a implantação do pomar seja um tanto quanto onerosa o retorno ao produtor é muito atrativo com excelentes preços nos mercados. Segundo o site Pitaya Brasil: as características de cada uma são: A Hylocereus undatus (conhecida como pitaia vermelha), é uma espécie de pitaia pertencente ao gênero Hylocereus e a família Cactácea, é disseminada na América Latina e cultivada nos quatro continentes, e pode ser encontrada desde Israel até a China. Nativa de florestas úmidas mantém hábito escandente ou trepador, pode ser encontrada subindo em árvores ou rochas, no seu habitat natural, utilizando raízes aéreas para se fixar. As pitayas são conhecidas na cultura Asteca a um longo tempo, este nome significa fruto de escamas, é

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utilizado tanto para a planta como para o fruto de Hylocereus undatus (Haw.) Britton & Rose. É conhecida pelo mundo afora por diversos nomes, como dragon fruit, pitahaya, no Brasil o nome vulgar da cultura sofreu modificações, com escrita diferente, Pitaia, mas mantendo a sonoridade. Noutros locais sua flor é conhecida como rainha-da-noite. A Pitaya da Costa Rica ou Hylocereus costaricensis ( FACWeber ) Britton & Rose 1909 , é uma espécie botânica de cactos. É nativa da América Central e do noroeste da América do Sul. A espécie é cultivada comercialmente pelo seu fruto, e também é uma boa planta ornamental com belas flores. É conhecido sob o nome erroneamente Hylocereus polyrhizus, que é ambígua e não deve ser utilizada. Cultivo: É fácil de crescer, de rápido crescimento como epífitas ou xerófita . Você precisa de um composto com muito húmus e umidade suficiente no verão. Não deve ser inferior a 10°C no inverno. Ela

pode crescer em sombra parcial ou a pleno sol. Luz extra no início da primavera irá estimular a produção de botões florais. Ele floresce no verão ou no outono. Hylocereus megalanthus é um cacto espécies no gênero Hylocereus que é nativo para o norte da América do Sul, onde é conhecido, juntamente com o seu fruto, com o nome de Pitahaya. A espécie é cultivada comercialmente para sua fruta amarela, mas é também uma impressionante trepadeira ornamental com talvez as maiores flores de todos os cactos. A fruta amarela tem espinhos, ao contrário dos frutos vermelhos Dragão (H. undatus, H. polyrhizus, H. costaricensis), e é comumente conhecido como “Fruta amarela do dragão”, “pitahaya amarela” ou “pitaya amarela”. Uma facilmente cultivada, em rápido crescimento das plantas. Precisa de um composto que contém uma abundância de húmus e umidade suficiente no verão. Não


deve ser mantido abaixo de 8°C (46,5°F) no inverno. Podem ser cultivadas em semi-sombra, mas melhor em pleno sol. Luz extra no início da primavera irá estimular a brotação. Flores em junho a outubro. As propriedades medicinais da Pitaya são velhas conhecidas dos povos nativos do Velho Mundo, e hoje sabe-se que são ricas em fibras (em Taiwan diabéticos a usam como substituo para o arroz) e minerais (sendo as amarelas mais abundantes em zinco e as vermelhas em ferro), possuem quantidade significativa de antioxidantes e previnem radicais livres. Há estudos que considerem que o consumo de pitaya pode aumentar a excreção de metais pesados, diminuir colesterol e regular a pressão sanguínea. Comê-las regularmente alivia doenças crônicas do sistema respiratório. Alguns especialistas defendem o uso da pitaia para o combate ao colesterol devido grande quantidade de ômega 3, reduz a hipertensão arterial, auxilia no controle de diabetes, protege as células e até combate alguns tipos de câncer. Para o plantio da pitaia é muito importante que no preparo do solo não se deva remover a camada fértil, é muito comum e aconselhável duas arações profundas seguidas de gradagem e análise e correção do solo caso indique a análise. Embora se desenvolva bem em temperaturas médias entre 18° e 25°C, para induzir a floração exigem-se altas temperaturas, após a abertura da flor a maturação completa-se entre 30 e 40 dias. Segundo pesquisadores da EMBRAPA: O método mais utilizado de propagação da pitaya é através de estacas (cladódios). Normalmente utiliza-se cladódios de aproximadamente 25 cm, colocados em sacos de polipropileno preto (15 cm de diâmetro x 20 cm de altura) completos com substrato que apresente boa drenagem e umidade durante o período de enraizamento e desenvolvimento da muda. O substrato comumente utilizado para a

formação das mudas é terra, areia peneirada e esterco bovino na proporção 3:3:1, e os sacos devem ser mantidos sob 50% de luminosidade e diariamente irrigados. A utilização de estavas mais jovens apresenta 35% mais raízes que estacas mais velhas. Algumas informações essenciais obtidas no artigo cultivo da pitaia PET Agronomia UFSJ, Podas - Dentre as diversas práticas agronômicas presentes no cultivo da pitaia, a poda é uma das mais importantes, sendo comumente realizadas as podas de formação, de produção e de limpeza. Poda de formação - Esta poda visa moldar e definir a arquitetura da planta, além de eliminar brotações improdutivas, sendo sua principal função a promoção de um ambiente favorável para o desenvolvimento e adaptação do ramo principal ao sistema de apoio, proporcionando assim uma maior área efetiva de exposição à luz solar. Seis meses após o transplante da muda para o campo, deve-se selecionar o número de cladódios desejados para formar a estrutura da planta, e amarrá-los ao suporte para direcionar o seu crescimento. Ao atingir o suporte do mourão, os cladódios emitidos acima do mesmo devem ser mantidos, já que serão os brotos produtivos. Os cladódios que forem emitidos lateralmente abaixo do suporte do mourão e rentes ao solo, devem ser eliminados, pois estes são poucos produtivos e acabam atrapalhando o crescimento e o desenvolvimento da planta e dos frutos. É importante que todas as ferramentas utilizadas para a eliminação dos cladódios sejam esterilizadas, a fim de minimizar o risco de contaminação da planta a cada corte. Poda de produção - A poda de produção também conhecida como poda de desbaste, consiste na eliminação dos cladódios improdutivos encontrados na planta. Este tipo de poda visa concentrar a produção em menos cladódios, obtendo frutosFonte: de maior tamanho e melhor ABEEólica

qualidade. Deve ser realizada após o primeiro ano de estabelecimento da cultura, uma vez que a estabilização da produção se dá a partir deste ano, devido ao maior vigor e elevada taxa de crescimento da planta. As ferramentas utilizadas durante o processo da poda também, devem ser esterilizadas, a fim de reduzir possíveis infecções da planta. Poda de limpeza - A poda de limpeza é realizada com a finalidade de remoção das partes da planta afetadas por algum tipo de agente patogênico ou inseto, e/ou as partes da planta que não se desenvolveram ou se encontram secas. As partes afetadas da planta devem ser removidas e enterradas à uma profundidade mínima de 30 cm, reduzindo a possibilidade de sobrevivência a disseminação do inóculo do patógeno ou inseto. Nesta poda, salienta-se ainda mais a importância da desinfecção das ferramentas utilizadas a cada corte realizado na planta, pois o risco de contaminação entre as plantas é mais elevado. Adubação - O procedimento de adubação da pitaia corresponde a uma das práticas mais importantes envolvidas no crescimento e desenvolvimento da planta. Uma boa nutrição das plantas garante o excelente funcionamento fisiológico, maior resistência às pragas e doenças, além de proporcionar elevada produtividade de frutos de boa qualidade. A adubação da pitaia ainda é muito pouco estudada, tornando difícil a obtenção de dados envolvendo a nutrição das plantas, seja ela mineral ou orgânica. No entanto, na prática são aplicadas doses de adubos baseadas na experiência dos cultivos. Este procedimento, sem estudos preliminares, representa um risco para o produtor, pois existe a possibilidade de se fornecer quantidades em excesso ou em falta que irão proporcionar um desbalanço nutricional da planta, acarretando em grandes perdas de produtividade e em casos extremos provocando a morte da planta. REVISTA 100% CAIPIRA | 11


Portanto a adubação da pitaia deve ser realizada de acordo com a interpretação correta da análise de solo e pela quantidade demandada de cada nutriente pela planta (dinâmica nutricional), a fim de se obter alta produtividade e boa qualidade de produção. Os principais nutrientes demandados pela cultura da pitaia são nitrogênio (N), fósforo (P), potássio (K) e cálcio (Ca), pois os mesmos constituem os componentes fundamentais na formação do caule e dos frutos, além do micronutriente boro (B) que também é essencial para o pegamento das plantas e no tamanho e massa dos frutos. Sendo assim, de modo geral, para garantir um excelente desenvolvimento e crescimento das plantas, recomenda-se na adubação de plantio durante o preparo das covas, utilizar matéria orgânica (aproximadamente 20L de esterco bovino), 500g de calcário do lomítico, 300g de super fosfato simples e micronutrientes (50g de FTE BR 12 | REVISTA 100% CAIPIRA

12) por cova. Controle de plantas daninhas O controle de plantas daninhas no pomar de pitaia deve ser realizado levando em consideração as especificidades da planta, do clima e do terreno, pois a ocorrência de plantas invasoras pode prejudicar o desenvolvimento das pitaias, afetando a produtividade e dificultando os tratos culturais. O controle pode ser realizado de forma manual e mecânica. O controle manual consiste no arranquio das plantas daninhas localizadas a 40 cm de distância do caule, região esta, onde se encontra a maior concentração de raízes e pêlos radiculares, evitando a competição por nutrientes e água entre a invasora e a planta cultivada. O controle mecânico deve ser realizado nas entre linhas das plantas, sendo indicada a manutenção de cobertura vegetal nas linhas, visando minimizar as perdas de umidade do solo, além de protegê-lo contra erosões e processos de compacta-

ção devido ao uso de maquinários. Este controle deve ser feito com o auxílio de implementos agrícolas como roçadeiras, rolos faca, foices e até mesmo facão, sempre que a cobertura vegetal alcançar um crescimento acentuado. Deve-se evitar o controle químico, que embora possa ser bastante eficiente no controle das plantas daninhas, possa acarretar problemas de fitotoxidade das plantas de interesse, além de danos aos aplicadores e ao meio ambiente. PRAGAS E DOENÇAS Pragas - As principais pragas da cultura da pitaia são as formigas, percevejo de patas laminadas, mosca das frutas, vagalume e abelha arapuá. As formigas saúvas e formigas lava-pés, dos gêneros Atta e Solenopsis respectivamente, causam danos principalmente na época da floração e de produção dos frutos, promovendo o amarelecimento e posterior queda das flores e nas brácteas que envolvem os frutos, expondo a polpa, levando à depre-


ciação do fruto. O percevejo de patas laminadas (Leptoglossus phyllopus) provoca danos nos cladódios e nos frutos, através da sucção da seiva dos cladódios. A apresentação dos sintomas é por manchas e rachaduras nos frutos, inviabilizando o comércio, podendo levar até a morte da parte afetada. A mosca das frutas (Anastrepha spp. e Ceratitis capitata) provoca danos nas flores e principalmente nos frutos. A mosca realiza a oviposição nas flores e nos frutos pequenos, e posteriormente a eclosão dos ovos, as larvas se alimentam dos botões florais e da polpa do fruto, afetando na produção de frutos. O vaga-lume (Photinus scintillans) é um inseto de hábito noturno que provoca danos nas flores e frutos. O vaga-lume raspa os botões florais, causando seu amarelecimento e posterior queda, afetando a produção. Nos frutos, o inseto causa deformações em sua estrutura, modificando negativamente o aspecto visual e inviabilizando assim a sua comercialização. A abelha arapuá ou abelha cachorro (Trigona spinipes) promove muitos danos principalmente nos frutos verdes e maduros, depreciando assim o produto final. As abelhas arapuá raspam a superfície da casca dos frutos, deixando a superfície necrosada e de coloração marrom, e em casos mais extremos, é possível verificar a presença de orifícios nos frutos. Além dos danos causados, a exposição dos tecidos pode ser porta de entrada para patógenos, acarretando problemas ainda maiores na produção. São também relatadas outras pragas que podem causar danos a cultura da pitaia de maneira esporádica, como pulgões, cochonilhas, lesmas e caracóis, que apresentam preferência por tecidos mais jovens, principalmente o ápice de crescimento da planta. Os nematóides representam um grande problema para a cultura, sendo relatados diversos gêneros capazes de provocar danos ao sistema radicular desta

cultura, como Helicotylenchus, Meloidogyne, Dorylaimus, Tylenchus, Aphelenchuse Pratylenchus. Doenças – No Brasil ainda são poucos os problemas relatados com doenças na cultura da pitaia, entretanto são destacados três principais problemas para a cultura, sendo elas a Antracnose, a Bacteriose e a Murcha de Fusárium. A Antracnose é uma doença causada pelo fungo Colletotrichum gloeosporioides, a qual ataca os cladódios e os frutos da planta, apresentando lesões de coloração marrom avermelhada com um halo clorótico ao redor. Estas lesões reduzem a área fotossintética da planta, promovendo uma queda na produção de fotoassimilados e consequentemente, redução da produção. A Bacteriose também conhecida como podridão negra, é causada pela ação da bactéria Xanthomonas campestris, que ataca principalmente os cladódios da planta, provocando o apodrecimento. Os sintomas se iniciam com uma murcha localizada, seguida de um amarelecimento dos cladódios, progredindo para lesões de coloração preta ou marrom escura, em razão da necrose dos tecidos. Murcha de Fusário ou amarelecimento de fusarium é uma doença causada pelo fungo Fusarium oxysporum, que ataca o sistema radicular e os caules da planta. O início da doença se dá pela invasão do patógeno pelo sistema radicular, se desenvolvendo até os vasos condutores da planta, especificamente o Xilema, provocando o escurecimento do mesmo ocasionado pelo impedimento do fluxo da seiva do Xilema. CONTROLE DE PRAGAS E DOENÇAS - O controle de pragas e doenças na cultura da pitaia é feito basicamente por meio das práticas culturais, como adubação adequada e o manejo das podas. Os ramos e os frutos infectados devem ser removidos da área de cultivo, de modo a retirar a fonte de inóculo.

Pode-se utilizar também o controle químico, no entanto não existem produtos registrados no MAPA (Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento) para a cultura da pitaia, não devendo assim, recomendar a utilização de métodos químicos de controle. COLHEITA - A colheita é um dos processos mais sensíveis e importantes durante a produção da pitaia, sendo a colheita dos frutos realizada manualmente, cortando-se o pedúnculo do fruto com cuidado, com o auxílio de uma tesoura. É recomendado que os trabalhadores utilizem luvas e uniformes apropriados para proteção contra os espinhos durante o manuseio de retirada dos frutos. O desempenho de produção da cultura da pitaia é difícil de ser estimado, pois o mesmo depende de fatores como idade da planta, sistema de cultivo e tamanho da área. Em sistemas utilizando tutores vivos, com pouco manejo das plantas, são obtidos cerca de 30 frutos por planta, apresentando cada um deles um peso médio de 400g, o que resulta em uma produção de cerca de 12kg por planta. Entretanto, se o sistema utilizado apresentar 1.666 (2x3m) plantas por hectare e o manejo for realizado como o recomendado, o desempenho de produção pode alcançar até cerca de 20 toneladas por hectare. O período de produção da pitaia concentra-se entre os meses de dezembro a maio. É importante que a colheita da pitaia seja realizada na época correta, pois caso contrário, ela não completará seu amadurecimento após a separação da planta. O ponto de colheita da pitaia vermelha de polpa branca é determinado quando o fruto atingir a coloração de rosa a vermelho intenso da casca e com textura ainda firme da polpa. Com estas dicas fica mais fácil investir em um cultivar que vem cada vez mais ganhando mercado e o gosto dos consumidores e por isto tem um futuro promissor e rentável para o produtor. REVISTA 100% CAIPIRA |13


FRUTICULTURA

Novo regulador de crescim cenário de produção no

Região representa 60% da produção de man

vai reduzir custos, possibilitan

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mento para manga muda o Vale do São Francisco

nga no Brasil. Nova opção de Paclobutrazol

ndo produzir a fruta o ano todo Após sete anos da solicitação do registro do PACLO BR no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o regulador de crescimento para manga, produzido e envasado na Europa pela ASCENZA, é lançado no país e já tem seu primeiro lote comercializado, todo destinado aos produtores da região do submédio São Francisco, em Pernambuco, aguardando apenas os trâmites aduaneiros para a entrada no país. O gerente executivo da Valexport, Tássio Lustoza, explica que a chegada do produto à base de Paclobutrazol é uma reivindicação antiga, dos próprios produtores de manga, que necessitavam de novos produtos para que a livre concorrência de mercado trouxesse redução nos custos de produção. “A Valexport, a CNA e a Abrafrutas estiveram envolvidas no processo, com o objetivo de agilizar o registro junto ao Mapa, Anvisa, Ibama, entre outros órgãos oficiais. A chegada é comemorada por todos, uma vez que deve reduzir custos de produção em pelo menos R$ 500 por hectare, além de facilitar a poda, a colheita e a florada”, explica. O diretor técnico da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), Jorge Souza, lembra que a manga brasileira precisa reavaliar custos de produção para ser mais competitiva no mercado internacional e a nova opção do Paclo-

butrazol faz parte e é encarada como uma grande conquista, que viabiliza os aspectos necessários para a produção da fruta durante todo o ano. “Nosso trabalho consistiu em mostrar ao poder público a necessidade de agilizar essa aprovação do produto. Conseguimos acelerar o registro principalmente na etapa final”, comemora. Renato Francischelli, diretor comercial da ASCENZA no Brasil, lembra que em 2012 um grupo de produtores conheceram o PACLO BR na Europa e, dessa forma, identificaram a empresa que já produzia com total segurança e qualidade o Paclobutrazol. “O relacionamento evoluiu e celebramos, no dia 14 de março, em Petrolina-PE, a nossa chegada para um público de 100 produtores, composto essencialmente por engenheiros técnicos e agrônomos ligados ao negócio da manga”, diz. Já Manuel Coelho, diretor geral da ASCENZA no Brasil, explica que houveram ensaios com o produto na região de Petrolina e que a ação trouxe resultados promissores. Os dados foram apresentados no evento pelo conselheiro de manga do Vale do São Francisco, o engenheiro-agrônomo Eduardo Ferraz. “O PACLO BR é eficiente no solo, consiste numa rápida absorção das raízes, transportando pelo xilema até os pontos de crescimento vegetativo da planta. A escolha de lançar em Petrolina impacta diretamente um dos principais merca-

dos produtores no país”, analisa. Ainda segundo o diretor, a atuação do PACLO BR inibe a síntese de giberelinas, produzindo uma diminuição do crescimento vegetativo. O benefício manifesta-se numa folhagem mais equilibrada, promovendo diminuição de podas. Ele diz que efeitos na qualidade de frutos (cores, tamanhos, maturação e produção) também são observados. “No cultivo da mangueira, juntamente com boas práticas culturais, pode-se estimular e adiantar a floração”, acrescenta. Segundo a Valexport, o país exporta 86% da manga produzida. Deste total, 67% está no Nordeste. A região do submédio São Francisco é responsável por 80% desse montante. São 35 mil hectares que plantam uma das frutas mais consumidas em praticamente todos os continentes. Cerca de 70% da manga é exportada para países europeus e 30% para os Estados Unidos, América do Sul e Ásia. Dados da Abrafrutas mostram que o país produz um milhão de toneladas de manga por ano. Só nas plantações do Vale do São Francisco trabalham 60 mil pessoas. O faturamento dessas fazendas chega a R$ 900 milhões por ano. A variedade de manga mais comercializada é a tommy, preferida de 85% dos consumidores europeus. A segunda é a palmer, mais procurada entre os asiáticos. Fonte: Newslink REVISTA 100% CAIPIRA | 15


TRANSGÊNICOS

Oposição a transgênicos se relaciona com baixo conhecimento

Fonte: Agrolink

“Essa pesquisa nos mostra a importância da divulgação de informações” Um estudo publicado recentemente pela revista científica Nature Human Behaviour indicou que, quanto mais as pessoas se opõem aos alimentos geneticamente modificados, em especial os transgênicos, menos elas sabem sobre ciência e genética. A pesquisa foi realizada nos Estados Unidos e na Europa pelas Universidades do Colorado, de Washington, de Toronto e da Pensilvânia. De acordo Phil Fernbach, líder do estudo e professor de marketing da Leeds School of Business, da Universidade do Colorado, o estudo indicou que os fortes

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opositores aos transgênicos não conheciam aspectos básicos sobre a ciência, mesmo acreditando que conhecem bastante o assunto. Nesse sentido, ele acredita que esse fato pode estar associado com a falta de pesquisa em assuntos que as pessoas acham que dominam. Além disso, Adriana Brondani, doutora em Bioquímica e Biologia Molecular e diretora-executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), afirma que a população não procura saber como funciona a indústria de alimento. “Por isso, talvez essas

pessoas não associem a ciência ao desenvolvimento de plantas melhoradas geneticamente. Essa pesquisa nos mostra a importância da divulgação de informações sobre alimentos transgênicos, pois o desconhecimento favorece que a propagação de mitos e inverdades sobre eles”, aponta. No Brasil, um estudo semelhante realizado pelo Ibope Conecta, mostrou que 79% dos entrevistados declararem ter interesse por ciência e, apenas 23% dos respondentes acreditava que o conhecimento científico auxiliava na produção de alimentos.


SOJA

Brasil dobra exportações de soja em dois anos As exportações brasileiras de soja somaram 8,24 milhões de toneladas no primeiro bimestre de 2019

Fonte: Datagro

O volume praticamente dobrou em relação às 4,4 milhões de toneladas embarcas em mesmo período há dois anos, destacam dados Secretaria de Comércio Exterior. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) fez uma análise sobre as exportações brasileiras do produto e ressaltou tanto aspectos negativos, quanto positivos para o alto volume das vendas. O principal destino da oleaginosa continua sendo a China. Do total vendido, cerca de 7 milhões foram enviadas apenas para o país asiático”, afirma o analista de mercado da Conab, Leonardo Amazonas. “Mesmo com o comprometimento chinês de comprar mais 10 milhões de toneladas da oleaginosa norte-americana, a procura pelo produto brasileiro continua intensa”, garante.

Amazonas ressalta que, caso ocorra uma nova operação entre os dois países, poderá ser realizada apenas a partir da próxima safra americana (2019/2020). Além disso, o técnico indica que as exportações dos EUA para a China, na safra 2018/2019, permanecem menores que o registrado nas últimas seis safras. “Para se ter uma ideia, em 2017 a China adquiriu cerca de 31 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos, e apenas 8,36 milhões em 2018. Com a trégua entre os dois países em dezembro do ano passado, a aquisição chinesa poderia voltar a crescer, porém, ainda que cheguem a um patamar de 20 milhões de toneladas em 2019, seria um quantitativo abaixo do normal”, reforça o analista. Mercado Interno - A análise considera também a questão da demanda interna, uma vez que o aumento de 11%

na mistura com o biodiesel, prevista a partir de junho deste ano, pode diminuir a quantidade de grão destinada ao óleo de soja. “Além disto, teremos um aumento na expectativa de exportações de carnes, principalmente para Rússia e China. Isto faz com que o consumo do farelo de soja também aumente em 2019”, destaca o analista. “E a estimativa é de que o Brasil consuma aproximadamente 44 milhões de toneladas de grãos internamente”. De acordo com o último levantamento da safra de grãos 2018/2019, divulgada pela Conab neste mês, a produção da soja deve ser de 113,5 milhões de toneladas. A quebra de safra brasileira se deve a problemas climáticos enfrentados nos estados que cultivam a oleaginosa, como Paraná, Goiás, Mato Grosso do Sul e na região do Matopiba, principalmente na Bahia. REVISTA 100% CAIPIRA |17


LOGÍSTICA E TRANSPORTE

Rodovias e agronegócio

O Brasil optou pelo rodoviarismo há quase 100 anos, em detrimento de outros modais, como o ferroviário e o hidroviário

Fonte: MB Comunicação Empresarial/Organizacional

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Por cont a dess a op ç ão desastrada desenvolveu-se uma pujante cadeia de negócios, envolvendo fábricas de automóveis e caminhões, uma rede de fornecedores de insumos e matérias-primas para as montadoras, postos de combustíveis e milhares de ser viços correlatos. Depender quase exclusivamente do transporte rodoviário para fazer circular as riquezas nacionais e girar a economia é uma temeridade - como já o demonstrou a greve dos caminhoneiros de 2018. O País, no ent anto, desc uidou-s e do sistema viár io. As rodovias brasileiras padecem da má-conser vação pelo mau uso (caminhões com excesso de peso) e pela falta de recursos. Os investimentos em rodovias somaram apenas 0,30% do PIB, em 2018. A situação das rodovias brasileiras eleva o custo médio de transportes em 26,7%. Isso destrói qualquer tentativa de operação superavitária. No ano p ass ado, a s o cie dade p agou caro por essa ineficiência e o quadro agravou-se com greve dos caminhoneiros e o tabelamento obrigatório dos f r e t e s . To d o s o s s e g m e n t o s foram negativamente impactados com a elevação dos preços finais de bens e serviços e redução da competitividade no s etor ag rop e c uár io. L e v ant am e nt o d a C NA re velou aumentos, em média, de 40% nos serviços de transporte por caminhões. As rodovias passam de vítimas – 12,4% da malha é pavimentada e 57,0% possuem problemas – para vilãs. A tragédia foi geral e o ano foi marcado pelo desabastecimento e

encarecimento de produtos, quebra de contratos, perda de mercados internacionais e píf io cres cimento e conômico. As condições das rodovias afetam o agronegócio que precisa retirar das áreas produtivas mais de 200 milhões de toneladas de grãos, carnes, leite, ovos, frutas etc. e transferir produtos para as zonas de industrialização e as reg iõ es de consumo. Por iss o, há forte expectativa para que o novo governo desenvolva ações emergenciais para aperfeiçoar a logística e infraestrutura brasileira. Além diss o, 2019 iniciou com o impasse do tabelamento obrigatório de fretes rodoviários. O setor produtivo atua contra o movimento e aguarda julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), protocolada no Suprem o Tr i b u n a l F e d e r a l ( S T F ) . A continuidade da tabela resulta em prejuízos ao setor agropecuário e compromete o desempenho da economia brasileira. Somos contra a tabela de fretes porque ela representa uma inter venção indesejada na liberdade de c o n t r a t a r. A l é m d i s s o , e l i m i na a competitividade entre concorrentes; cria mercado paralelo de frete, distinguindo os caminhoneiros que seguem a lei daqueles que não seguem. É um risco de redução de incent ivos à inovação, um prejuízo ao ag ronegó cio, além de aumentar os custos na cadeia produtiva. Essa situação é presente especialmente na parte ocid e n t e d e S a n t a C a t a r i n a . Ap e sar da grande contribuição que dá ao desenvolvimento econômico estadual em razão

de sua extraordinária produção agrícola, pecuária e industrial, o grande oeste é a região mais desassistida do território barriga-verde. As deficiências de infraestrutura penalizam as empresas e aumentam os custos de produção. Os maiores gargalos ao desenvolvimento regional estão nas rodovias federais e estaduais. As urgências são revitalizar e implantar a terceira faixa na SC 283 (entre Conc órd i a e It api r an g a ) e n a B R 282 (trecho de São Miguel do Oeste ao entroncamento com a BR 470); melhoria da SC 157 (trecho São Lourenço do Oeste a Chapecó) e da BR 163 (trecho de Dionísio Cerqueira a São Miguel do Oeste); federalizar o trecho São Miguel d o O e s t e a It api r an g a e re vitalizar a SC 161 de Campo Erê/Palma S ola a divisa com o Paraná e SC 305, Guaraciaba a São Lourenço do Oeste e os acessos de São José do C edro e Princesa. Outras obras são a revitalização das rodovias SC 3 8 6 ( d e Ip or ã d o O e s t e a Pa l mitos) e a BR 158 (ponte do R i o Ur u g u a i e m I r a í / R S a t é o entroncamento na BR 282 em Maravilha). Os graves problemas com a malha rodoviária realçaram a necessidade de diversificação do modal, com a retomada dos estudos e projetos para implantação do sistema ferroviário que interligue o centro-oeste brasileiro ao oeste de SC e aos portos catarinenses. São essenciais as conexões do oeste barriga-verde (ao norte) com o oeste do Paraná e (ao sul) com os portos gaúchos. José Zeferino Pedrozo - Presidente daFederação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) e doServiço Nacional de Aprendizagem Rural(Senar/SC)

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CERTIFICAÇÃO

Produtores de carne bovina

e exportação para a Europa Performance continua boa em 2019, com mais embarques totais de carne e aumento no número de solicitações para rastreamento de animais em janeiro e fevereiro

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a investem em certificação

a cresce quase 9% em 2018 O Brasil provavelmente irá bater em 2019 um novo recorde na exportação de carne bovina para o mercado internacional, com o apoio do embarque da proteína para o exigente mercado europeu, aonde os frigoríficos chegam a pagar até R$ 4,00 a mais por arroba ao pecuarista. O Brasil teve um ótimo desempenho na comercialização total de carne bovina no ano passado. O país embarcou 1,643 milhão de toneladas, crescimento de 11% sobre 2017, quando negociou 1,478 milhão. Foi o maior volume já comercializado pelo país na história e também recorde entre todos os produtores tradicionais do segmento no planeta. Em receita, o valor alcançado foi de US$ 6,57 bilhões, 7,9% acima do ano anterior. “Os bons resultados são frutos de um trabalho de melhoria em todas as etapas do processo produtivo, que nos permite cumprir as mais exigentes regras internacionais com uma carne de qualidade e competitiva”, afirmou o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Antônio Jorge Camardelli. Hong Kong e China se revezaram como o principal destino. Em volume, Hong Kong foi o principal, com 24% do total, quase 395 mil toneladas. A China se destacou no faturamento, representando US$ 1,49 bilhão (22,63% do total). E o envio de carne bovina para um dos mercados mais exigentes do mundo, a União Europeia, seguiu na mesma trilha, 8,8% de crescimento nas exportações em 2018. Envio de 118,317 mil toneladas sobre as 108,75 mil toneladas verificadas em 2017. Basicamente, com os cinco cortes nobres da carcaça, algo perto de oitenta quilos por animal. E um faturamento alcançado de US$ 728,1 milhões, 2,65% a mais do que em 2017, quando o país teve receita cam-

bial de US$ 709,5 milhões. Os dados são da ABIEC e Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX Brasil). O mercado europeu representa um selo que atesta a qualidade de produção de carne bovina para o mundo inteiro. E paga a mais pela proteína desde que ela seja produzida com normas pré-estabelecidas. É justamente a certificação destas normas e a habilitação de fazendas pecuárias que seguem as regras que representam uma importante janela de oportunidades para os produtores de carne bovina do país no futuro. É o Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Bovinos e Bubalinos (SISBOV), que identifica individualmente os animais de fazendas que desejam fornecer carne para mercados mais exigentes. E que hoje pode ser usado pelos pecuaristas brasileiros para agregar valor ao seu produto e qualificar melhor à carteira de compradores, no mercado interno e externo. O Brasil possui 1.780 fazendas certificadas e aproximadamente 4,3 milhões de animais por ano são rastreados. A exportação brasileira representa 22% da produção, onde 18 % deste total são destinados ao mercado Europeu. O Serviço Brasileiro de Certificações (SBC) é uma das empresas credenciadas a realizar este trabalho e atualmente atende 820 fazendas com identificação, sendo que aproximadamente 540 delas estão habilitadas para a exportação Europa. São dois milhões de animais por ano, o que equivale a um pouco mais de 40% do mercado. “Participamos ativamente desta evolução no ano passado e crescemos 15% em fazendas certificadas, além de outros 23% em animais rastreados. A certificação SISBOV traz lucro para toda a cadeia. Premia o pecuarista, valoriza os negócios dos frigoríficos, obtém prote-

ína de qualidade e ganha a confiança dos consumidores exigentes”, explicou Sérgio Ribas Moreira, Diretor da SBC. E pelos números obtidos nos dois primeiros meses deste ano, o segmento pode avançar ainda mais nas duas frentes em 2019. As vendas totais da proteína atingiram 102,4 mil toneladas em janeiro, evolução de 2,9% sobre o mesmo mês de 2018, quando foram embarcadas 99,4 mil toneladas. Os dados são da Secretaria Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais. Em fevereiro, um recorde. 115,5 mil toneladas embarcadas, 17,37% mais ante as 98,4 mil toneladas de fevereiro do ano passado e avanço de 12,79% sobre as 102,4 mil toneladas embarcadas em janeiro. Um recorde para meses de fevereiro. Resultados que sinalizam o mesmo caminho trilhado pela SBC em relação aos pecuaristas que acessam o mercado europeu. A empresa registrou em janeiro uma evolução de 26% no número de animais rastreados, em relação a janeiro de 2018. “O ano começou realmente acelerado, penso que 2019 será um ano promissor para as exportações de carne bovina”, analisou Sergio Ribas. Segundo os especialistas, o mercado internacional de carne bovina vai continuar atraente para a proteína brasileira, de olho na ‘fome’ de importadores como China, Hon Kong e demais países Asiáticos, nas compras consistentes de países como Chile e a volta da Rússia, e a possibilidade dos Estados Unidos reabrirem suas compras. “Estamos projetando nosso crescimento em 2019 em 15%. Há demanda de novos produtores ingressarem ao SISBOV, os frigoríficos estão fomentando, pois precisam atender aos compradores mais exigentes. E a certificação para Europa ajuda a agregar mais lucro aos produtores”, conclui Sérgio Ribas. Fonte: Grupo Publique REVISTA 100% CAIPIRA |21


GESTÃO

Boas Práticas Agrícolas: Aumento da eficiência produtiva com melhor custobenefício

Ações específicas são realizadas a fim de

otimizar

recursos

e

prover

sustentabilidade do agronegócio 22| REVISTA 100% CAIPIRA

maior


Para Claudia Silveira, da Fazenda Urutau, localizada em Antonio João no Mato Grosso do Sul, adotar o que os especialistas chamam de Boas Práticas Agrícolas ajuda muito na redução de prejuízos e aumenta a rentabilidade do negócio. Com a utilização desse método a eficiência do trabalho é preservada, maximizando os resultados e minimizando as perdas, o que gera um melhor custo-benefício ao produtor rural. A engenheira agrônoma tem mais de 20 anos de experiência na agricultura e conta que no começo da sua vida profissional errou bastante: “Já ocorreu de perder eficiência do produto por aplicar muito cedo, com grande quantidade de orvalho na planta, bem como realizar pulverização com umidade relativa do ar muito baixa (fora do recomendado) e o produto não ser absorvido pela planta e ou praga alvo, acarretando em um controle ineficiente e tendo que repetir a aplicação”, relata. Hoje, os 1800 hectares que ela cultiva produzem bem, pois ela aprendeu a se adequar às necessidades do seu cultivo, conforme o objetivo planejado, considerando as tecnologias oferecidas pelo mercado e levando em consideração o horário, a velocidade do vento e demais condições climáticas, para saber se a aplicação do produto vai ser realmente eficiente. “Dessa forma, não pensamos apenas na rentabilidade da lavoura, mas também na segurança dos trabalhadores, respeitando os cultivos vizinhos e colaborando com a preservação do meio ambiente”, reforça Claudia. Com desenvolvimento de projetos de extensão por todo país, os produtores passaram a perceber que é possível ter uma boa produtividade da lavoura sem comprometer a saúde dos funcionários e sem prejudicar o meio ambiente. O objetivo principal deste trabalho é auxiliar agricultores no gerenciamento adequado do seu cultivo, buscando total eficiência do negócio.

“Há um grande esforço de iniciativas privadas, em parceria com o meio acadêmico para educar o produtor sobre a importância da utilização correta dos herbicidas”, comenta Jair Maggioni, coordenador da Inciativa 2,4-D, programa que acontece desde 2014 e que já realizou mais de 200 palestras em 13 Estados, contando com a participação de mais de 9 mil agricultores, técnicos e operadores de equipamentos. “Ações como esta têm produzido resultados positivos, reforçando a mensagem da importância dos cuidados na realização de um manejo sustentável que contribua para o aumento na produtividade e rentabilidade da lavoura, além de preservar a saúde das pessoas envolvidas e o meio ambiente”, complementa. O conceito de Boas Práticas Agrícolas vai muito além da utilização dos requisitos agronômicos tecnicamente estabelecidos. É necessário analisar o processo produtivo como um todo, levando em consideração fatores externos que muitas vezes interferem diretamente no planejamento da atividade, mas podem ser amenizados se forem corretamente administrados. “Seguindo as premissas principais seguramente teremos um ganho de qualidade em todo o processo”, comenta o Professor Ulisses Antuniassi, professor da Unesp (Botucatu) e especialista em Tecnologia de Aplicação. “No caso dos defensivos agrícolas, por exemplo, o momento correto para utilizar o produto, que envolve parâmetros meteorológicos e condições climáticas ideais como temperatura, umidade, vento, além do uso correto das técnicas de aplicação, a escolha correta das pontas de pulverização, que tem uma contribuição expressiva no sucesso e na qualidade da aplicação do produto, o volume de calda e definição dos tamanhos das gotas, são ações essenciais para que se tenha um melhor desempenho e segurança na aplicação dos produtos, colaborando assim com a eficiência do processo pro-

dutivo”, comenta. A utilização das Boas Práticas Agrícolas no campo é um trabalho realizado a fim de otimizar recursos e prover maior sustentabilidade para o agronegócio. Quatro pilares que permeiam o processo do cultivo são essenciais para que se obtenha um resultado positivo: a Segurança do Trabalhador, que deve ser considerada em todos os momentos, preparando os funcionários e criando condições ideais de trabalho; a Tecnologia de Aplicação, que auxilia o produtor nos desafios diários, considerando um gerenciamento adequado para se chegar num melhor custo benefício; o Manejo de Plantas Daninhas: que inclui uma observação atenta da lavoura, o uso de múltiplos mecanismos de ação e aplicação no momento oportuno; e o Manejo Integrado de Pragas: que por meio de um sistema de manejo que, com técnicas apropriadas, procura manter a população de pragas em níveis abaixo daqueles capazes de causar dano econômico. Sobre a Iniciativa 2,4-D A Iniciativa 2,4-D é um grupo formado por representantes das empresas Corteva Agriscience™, Divisão Agrícola da DowDuPont, Nufarm e Albaugh, que, com apoio acadêmico, tem como propósito gerar informação técnica sobre o uso correto e seguro de defensivos agrícolas, além de apoiar projetos que abordem esta questão. O foco é educar o produtor sobre a importância da utilização correta de tecnologias que garantam a qualidade da aplicação dos defensivos agrícolas. O grupo defende que o uso adequado das tecnologias de aplicação e a precaução para evitar a deriva são essenciais para garantir a eficácia e a segurança ambiental na utilização de defensivos agrícolas. A Iniciativa 2,4-D se apresenta como fonte de informação e esclarecimento, que, apoiada por estudos acadêmicos, visa desmistificar Fonte: MSL Group o emprego do 2,4-D. REVISTA 100% CAIPIRA | 23


ADUBOS E FERTILIZANTES

Fertilizantes ea mudança climática

Fertilizantes desempenham dois papéis essenciais na luta contra as mudanças climáticas

Fonte: IFA – International Fertilizer Association

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Primeiro, eles evitam o desmatamento, pois permitem o aumento da produtividade em terras aráveis. Eles ajudam a manter a integridade das f lorestas de todo o planeta, que são importantes consumidoras de carbono. No contexto da mudança climática, isso é crucial, já que o desmatamento e a perda de áreas úmidas e campos combinados representam cerca de 10% das emissões globais de gases de efeito estufa (GEE), sem mencionar os danos consideráveis ao ecossistema. A intensificação sustentável da produtividade agrícola em terras aráveis já conseguiu preser var 1 bilhão de hectares de terras entre 1961-2005, e mais pode ser alcançado com a implementação das boas práticas de manejo no uso de fertilizantes. Em segundo lugar, eles (fertilizantes) também aumentam o potencial de sequestro de carbono dos solos agrícolas, contribuindo para a composição de matéria orgânica (MOS). A matéria orgânica do solo facilita significativamente a absorção de nutrientes pelas plantas, e o aumento do crescimento das plantas absor ve mais CO2 da atmosfera. Os solos merecem atenção especial, eles podem armazenar de 50 a 300 toneladas de carbono por hectare, o que equivale de 180 a 1100 toneladas de CO2. C erca de 89% do potencial futuro da agricultura de mitigar emissões de GEE’s está baseado no sequestro de carbono no solo. O sequestro de carbono em solos cultivados pode ser aumentado pela adição de nutrientes orgânicos e minerais apropriados para a produção de biomassa, bem como pela redução do preparo do solo e uso de plantas de cobertura. A fim de maximizar a captação de carbono na matéria orgânica do solo, a indústria de fertilizantes defende o uso integrado de nutrientes vegetais disponíveis

(orgânicos e inorgânicos) para melhorar a produção de culturas e biomassa. Adaptando-se às mudanças climáticas através das B oas Práticas de Gestão de Fer tilizantes. O setor agrícola é um dos mais vulneráveis às mudanças climáticas, e seus efeitos negativos (tais como eventos climáticos extremos, aumento de temperatura, diminuição da disponibilidade de água e outros recursos naturais) já começaram a afetar severamente a subsistência agrícola em muitas regiões. O manejo de nutrientes específicos de um local permite uma fertilização correta das plantas que ajuda a melhorar sua saúde e sua resiliência ao estresse climático. S olos e plantas saudáveis podem resistir melhor ao estresse climático e também contribuir para maior eficiência do uso da água. Além disso, será vital que os agricultores aumentem seus rendimentos em boas temporadas para compensar eventos climáticos potencialmente severos. As práticas de manejo de nutrientes específ icos otimizam a eficácia do produto e minimizam as perdas de nutrientes para o meio ambiente. Os quatro princípios da fertilização são o núcleo dessas boas práticas de manejo. Os quatro princípios da fer tilização são: o uso do fer tilizante correto, aplicação na época cer ta, na quantidade correta e no lugar certo. Esses princípios são utilizados para que o uso de fer tilizantes possa alcançar o objetivo econômico, social e ambiental esperado. Os quatro princípios são aplicados em todo o mundo, em economias desenvolvidas, em desenvolvimento e emergentes. Práticas de conser vação (como rotação de culturas, preparo reduzido do solo, uso de palhada e culturas de cober tura, por exemplo) podem aumentar a resiliência do solo, reduzindo a erosão e a evaporação da água, enquanto

as zonas úmidas contribuem para f iltrar a água da superf ície. C ombinando a prática de conser vação com os quatro princípios da fertilização está começando a mostrar resultados muito bons em conser var a umidade nos solos e reduzir as perdas de nutrientes para o meio ambiente enquanto aumenta a produtividade. Re duzir as emissõ es da aplic aç ão de fer ti lizantes Ao considerar as emissões de GEE do uso de fer tilizantes, o foco deve estar nas emissões relativas das culturas agrícolas cultivadas com o auxílio de fer tilizantes. Z erar a emissão de GEE não é uma meta alcançável, uma vez que estamos lidando com processos biológicos naturais. Também é vital ter em mente que, enquanto os GEEs são emitidos durante a produção e aplicação de fer tilizantes, são obtidas economias muito maiores de GEE como resultado da maior produtividade das culturas através do uso de fer tilizantes. Na Áf rica Subsaariana (região com o menor consumo mundial de fer tilizantes), um aumento de 20% no uso de fertilizantes pode resultar em mais de 2 milhões de hectares de terra poupada e até 13 milhões de toneladas de carbono sequestradas, em comparação com 0,4 milhão de toneladas emitidas (IPNI, 2018). Re duzir as emissõ es da pro duç ão de fer ti lizantes As emissões de GEE relacionadas à produção de fer tilizantes representam aproximadamente 1,0% do total de emissões globais de GEE. Isso pode ser considerado uma quantia insignif icante, considerando que a produção agrícola global seria reduzida em 50% sem o uso de fertilizantes minerais. Mas a indústria também está comprometida em reduzir suas emissões de GEE relacionadas à produção. REVISTA 100% CAIPIRA |25


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ANÁLISE DE MERCADO

Valor da Produção Agropecuária é estimado em R$ 572,9 bilhões

Dados para 2019 têm como referência comportamento em fevereiro. Preço do milho revela alta de 15% O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) de 2019, com base nas informações de safra de fevereiro, está estimado em R$ 572,9 bilhões, 0,9 % abaixo do valor do ano passado. As lavouras representam R$ 378,9 bilhões, e a pecuária, R$ 193,9 bilhões. Enquanto é esperado decréscimo real de 2,5 % nas lavouras, na pecuária espera-se valor 2,4 % maior que o de 2018. O comportamento favorável dessa atividade deve-se aos resultados de carne bovina e frangos que mostram recuperação, explica José Gasques, coordenador geral de Estudos e Análises da Secretaria de Política Agrícolas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Um grupo de oito lavouras tem apresentado muito bom desempenho, 28 | REVISTA 100% CAIPIRA

observa o coordenador. E destaca algodão herbáceo, com aumento do VBP de 4,6 %, amendoim, 8,3%, banana, 7,1%, batata-inglesa, 66,7 %, feijão, 92,5 %, laranja, 4,4 %, milho, 15,0 % e uva, 4,0 %. Esses resultados ocorrem devido a melhores preços, e quantidades maiores esperadas neste ano, afirmou. Os cinco produtos com o maior valor da produção são soja, cana de açúcar, milho, algodão herbáceo e café. Representam 78 % do valor gerado pela lavouras. Na pecuária a liderança de valor é ocupada por carne bovina, frango, leite, vindo em seguida suínos e ovos. Em relação a alta de preços, se destacam batata-inglesa, 79%, feijão, 94,9 %, em parte representando recuperação de anos anteriores. “Nota-se uma

recuperação forte de preços de diversos produtos, e isso contribui favoravelmente para o resultado do VBP”, disse Gasques. O acompanhamento revela menor produção produtos relevantes, que refletem no faturamento da agropecuária e nos itens usados para o cálculo do PIB (Produto Interno Bruto) setorial. As maiores evidências são a redução de produção de arroz, café arábica, cana-de-açúcar, feijão, laranja, soja, trigo, tomate e uva. Na pecuária sofrem redução de VBP suínos, leite e ovos. Os resultados regionais mostram a liderança de valor no Centro Oeste, R $ 163,49 bilhões, Sul, R$ 142, 43 bilhões, Sudeste, R$ 137,9 bilhões , Nordeste, R$ 49,33 bilhões e Norte, R$34,62 bilhões. Fonte: MAPA


MERCADO FLORESTAL

Projeto Florestas do Futuro tem reconhecimento internacional Iniciativa conta com a participação de estudantes de Engenharia Florestal Um dos maiores desafios da educação florestal é ir além do ensino de habilidades técnicas para estudantes e transformá-los em agentes de mudança no mundo em transformação, que precisam urgentemente de mais e melhores florestas gerenciadas. Essa á a base do projeto Florestas do Futuro, que conta com a participação de estudantes do curso de Engenharia Florestal da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP). A iniciativa é do Grupo Florestal Monte Olimpo, que tem como orientador o professor Pedro Brancalion. Pela sua atuação, o projeto Florestas do Futuro foi considerado uma das 10 práticas mais destacadas de inovação florestal do mundo, a partir da competição Task Force on Forest Education, organizada pela

International Unionof Forest Research Organizations - IUFRO-IFSA. Segundo Brancalion, o treinamento da nova geração de silvicultores requer novas abordagens que colocam os estudantes como agentes ativos de educação e ajudam a desenvolver competências humanísticas como liderança, empatia e comunicação. “Nesse contexto, aprender a ensinar pode ser a melhor maneira de aprender e realmente incorporar novas visões de mundo no setor florestal para maximizar suas contribuições para a sociedade”. Com essas premissas em mente, o programa Florestas do Futuro foi criado em 1998 com o objetivo imediato de ensinar educação florestal a crianças de escolas públicas de Piracicaba, sudeste do Brasil, bem como o objetivo de capacitação de alunos de graduação. da silvicultura

da Universidade de São Paulo, como uma espécie de trabalho voluntário que ajuda os alunos a complementar sua formação acadêmica com competências dificilmente aprendidas nas aulas formais. A atividade consiste na visita de um grupo de 20 a 40 crianças de 4 a 10 anos de escolas públicas da região ao campus para participar de diversas atividades educativas que têm como pano de fundo o valor das florestas para o bem-estar humano. Esta visita é totalmente orientada por um grupo de estudantes de graduação, que conceituam e executam as atividades educacionais com base em uma abordagem de “aprendizagem ativa”, e abordam questões como poluição, descarte de resíduos, água, animais, dinâmica florestal, produtos florestais e a importância de plantações de árvores para a sociedade. Fonte: Esalq/USP REVISTA 100% CAIPIRA |29


SAÚDE ANIMAL

SANIDADE ANIMAL: Estudo aponta cenários para área livre de aftosa sem vacinação Uma análise sobre o status de Área Livre de Febre Aftosa Sem Vacinação foi apresentada ao secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, e lideranças do agronegócio paranaense

Fonte: Agência de Notícias do Paraná

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E

xportações - Segundo o estudo, se o Paraná conquistar esse status sanitário só as exportações de carne suína poderão dobrar das atuais 107 mil toneladas para 200 mil toneladas por ano. A análise foi apresentada pelos técnicos Marta Cristina Dinis de Oliveira Freitas (Adapar) e Fábio Peixoto Mezzadri (Deral). Parcela - Este cenário é previsto se o Paraná conquistar apenas 2% do mercado potencial, liderado por China, Japão, México e Coreia do Sul, que pagam mais pelo produto com reconhecida qualidade sanitária, e representam 64% do comércio mundial de carne suína. Com o reconhecimento de Área Livre de Febre Aftosa Sem Vacinação, o Paraná poderia exportar, sem restrições, para esses países que compram cerca de 5 milhões de toneladas de carne suína por ano, o equivalente a seis vezes as exportações atuais. Cadeias produtivas beneficiadas - De acordo com a análise dos técnicos, as cadeias produtivas de carne bovina, de aves e leite também serão beneficiadas com o acesso a mercados que pagam mais por um produto de reconhecida qualidade sanitária. O Paraná poderá ser um importante produtor de carne bovina e autossuficiente na produção de bezerros, com o impulso do programa Pecuária Moderna, desenvolvido em parceria pela Secretaria da Agricultura e Abastecimento, Faep, Emater, Adapar e Iapar. Mecanismos - O programa tem trabalhado mecanismos para aumentar a criação de bezerros em áreas com declives do Estado. Essa iniciativa representa uma grande oportunidade de desenvolvimento para regiões de baixo Índice de Desenvolvimento Econômico do Estado (IDH), além de suprir um possível “deficit de animais”. Potencialidades - O estudo apresentou as potencialidades previstas para as várias cadeias produtivas de carnes, se for concretizado esse projeto. Na bovinocultura de corte,

destaca o potencial para incorporação de até 4 milhões de cabeças de bovinos de corte em áreas que, atualmente, estão subutilizadas, o que compensaria o deficit potencial de 400 mil a 500 mil bezerros por ano, em caso de fechamento de fronteira com outros Estados. Prospecção - Também foi apresentada pelos técnicos uma prospecção mais modesta da evolução do rebanho bovino entre os anos de 2019 a 2025. Mesmo com índices produtivos bastante conservadores, o estudo demonstrou que poderá ser produzido um volume adicional de bezerros machos e fêmeas na ordem de 1,12 milhão de cabeças no período avaliado. Incremento - Considerando um valor médio de R$ 1,2 mil por cabeça, esse volume de animais geraria um incremento de movimentação financeira da ordem de R$ 1,35 bilhão na economia do Estado. Esse montante de animais supriria o possível “deficit” com folga, e ainda sobrariam animais para aumentar a exportação de carnes, concluiu o estudo. Fechamento de fronteiras - Caso o Governo do Paraná decida por iniciar o processo, a última campanha de vacinação será em maio, para animais jovens de zero a 24 meses. Depois disso, não haverá mais vacinação, disse o diretor-presidente da Adapar, Otamir Cesar Martins. Transporte - Finalizada a campanha de vacinação, o Ministério da Agricultura irá fechar fronteiras interestaduais com os estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, impedindo o transporte de bezerros para engorda e animais para abate em território paranaense. O Ministério deverá editar uma Instrução Normativa impedindo o trânsito de cargas vivas para o Paraná, preservando o território estadual. Impacto - O estudo aponta que essa medida trará impacto imediato em apenas cerca de 30 produtores rurais, que representam 50% das movimentações relacionadas a ingressos de bovinos no Paraná. Na

média dos últimos três anos entraram no Estado 100.936 animais bovinos para abate, cria ou engorda, representando 1,08% em relação ao rebanho do Estado, avaliado em 9,36 milhões de cabeças. Auditorias - De acordo com o secretário Norberto Ortigara, o Ministério da Agricultura já fez duas auditorias de avaliação do serviço sanitário paranaense, exercido pela Adapar, para conferir se está apta a empreender o processo de área livre de febre aftosa sem vacinação. Conclusão - Na vistoria entre 15 e 19 de janeiro de 2018, o Ministério concluiu que a Adapar tem um dos melhores serviços sanitários do País e o Estado está apto a avançar de bloco a qual pertence no Programa Nacional de Erradicação da Febre Aftosa (PNEFA). Bloco - O Paraná saltaria do quarto bloco a qual pertence, ao lado dos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, para avançar sozinho no processo de conquista do status. Fundepec - Entre os destaques da avaliação está a constituição do Fundepec (Fundo de Desenvolvimento da Agropecuária do Paraná), criado em 1995, para recolher recursos da iniciativa privada que dão suporte ao setor público para viabilizar ações de defesa sanitária no Estado. O Fundepec, entre várias ações, indeniza o produtor em caso de sacrifício de animais se for necessário. Presenças - Compareceram à reunião o superintendente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento no Paraná, Cleverson Freitas; o presidente da Federação da Agricultura no Estado do Paraná, Ágide Meneguette; o presidente do Sindicato da Indústria da Carne, Péricles Salazar; o diretor da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná, Marcos Brambila; o representante da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Flávio Turra; o presidente da Associação Paranaense de Suinocultores, Jacir Dariva; e técnicos da Seab e Adapar. REVISTA 100% CAIPIRA |31


PESQUISA

O Workshop vai reunir 15 profissionais do Brasil, Inglaterra e Uruguai, no período de 01 a 04 de abril, na Embrapa Trigo (Passo Fundo, RS)

Para entender as preferências alimentares e os danos que as pragas causam dentro das plantas a Embrapa Trigo aprofundou os estudos com o uso do EPG – Electrical Penetration Graphic, equipamento que permite acompanhar o comportamento alimentar de insetos sugadores. Para compartilhar o conhecimento adquirido nos últimos cinco anos, foi estruturado um Workshop sobre uso de EPG em percevejos-pragas em laboratório. O Workshop vai reunir 15 profissionais do Brasil, Inglaterra e Uruguai, no período de 01 a 04 de abril, na Embrapa Trigo (Passo Fundo, RS). O equipamento EPG consiste em sensores, ligados aos insetos e aos alimentos, que captam o processo e registram as informações em computador. Um fio de ouro é fixado ao inseto com cola de prata, transferindo informações em forma de ondas que são interpretadas com a ajuda de um software. Quando o inseto penetra na planta, é gerado um circuito elétrico, onde uma corrente de baixa intensidade circula pelo sistema. A energia passa pela planta hospedeira, pelo inseto e retorna ao monitor em forma de sinais que registram ondas em um gráfico. Assim, é possível interpretar como os insetos estão se alimentando, qual o local na planta, quanto de alimento é extraído, quais os horários e o tipo de dano. Visualmente, o resultado é semelhante a um eletrocardiograma, exame comum em seres humanos, onde 32 | REVISTA 100% CAIPIRA

Percevejo marrom Foto: Antonio Panizzi

Workshop compartilha uso de tecnologia para avaliar a alimentação de percevejos

sensores registram a intensidade dos batimentos cardíacos em forma de ondas. Nos principais centros de pesquisa no mundo, onde existem trabalhos com pragas em laboratório, o EPG é utilizado, principalmente, para monitoramento da atividade alimentar de afídeos (popularmente conhecidos como pulgões). Segundo o pesquisador da Embrapa Trigo, Antônio Panizzi o desafio dos pesquisadores por aqui foi utilizar a tecnologia em percevejos, já que a maior movimentação durante o processo alimentar dificultava a aderência dos materiais eletrônicos ao corpo do inseto: “tivemos que testar inúmeras formas de fazer a chamada ‘aramização’ dos percevejos para conectá-los ao equipamento de EPG. O resultado foi alcançado lixando a superfície do inseto com lixa odontológica para conectar o fio de ouro, que além de flexível permite a transmissão da corrente, e a cola de prata, que mantém o filamento preso ao inseto”. Percevejos - Várias espécies de percevejos ocorrem nas culturas do trigo, soja e milho sendo considerados insetos-pragas de elevada importância econômica. Na Embrapa Trigo, cinco espécies de percevejos-pragas já tiveram seu comportamento alimentar determinados pela técnica do EPG. Através do EPG foi possível registrar os locais específicos de alimentação nas diferentes estruturas das plantas. De acordo com o

pós- doutorando Tiago Lucini, esse tipo de resultado poderá ajudar nas estratégias de controle das pragas, pois através de técnicas de biotecnologia, poderão se expressar genes que controlam a produção de toxinas nos locais da planta onde ocorre a alimentação dos percevejos. Na Embrapa Trigo, os estudos servem de apoio ao melhoramento de plantas, selecionando linhagens mais resistentes às pragas. Além disso, o EPG tem sido aplicado no estudo do comportamento de novas moléculas inseticidas na avaliação da eficácia no controle das pragas e no estudo dos mecanismos de transmissão de viroses. Workshop - O Workshop sobre uso de EPG em percevejos em laboratório vai contar com 32 horas de teoria e prática, envolvendo a manipulação de equipamentos e reagentes. Com a orientação de instrutores especializados, os participantes deverão aplicar os conhecimentos em procedimentos específicos sobre o monitoramento do processo alimentar de percevejos, incluindo o preparo dos percevejos para uso no EPG, metodologia de aramização (conexão com o fio-de-ouro ao inseto e ao equipamento), manipulação do aparelho com familiarização aos ajustes dos vários controles, e preparo de material para estudos histológicos. As vagas disponíveis nesse primeiro Workshop foram preenchidas e as inscrições estão encerradas. Fonte: Embrapa Trigo


GESTÃO

Angus do Brasil apresenta projetos no Secretariado Mundial

O gerente de fomento da Angus, Mateus Pivato, apresentou durante reunião do Secretariado Mundial de Angus (WAS2019), em Punta Del Este, no Uruguai, os projetos e dados de expansão da raça no Brasil A palestra fez parte do painel de debates das nações associadas ao colegiado, que reúne mais de 20 países. A comitiva brasileira acompanha a agenda do evento desde a semana passada, quando esteve em visita a diversas propriedades entre elas a fazenda Frigorífico Modelo, em Tacuarembó, e em evento da Cabanha Bayucuá, em Salto. “É importante estar em momentos como esse e trazer um pouco da amplitude que sem tem para a Angus no Brasil. A realidade do que temos é muito diferente da maioria dos criatórios de outros países que aqui estão. A possibilidade de uso da Angus no cruzamento industrial dá ao Brasil uma projeção de expansão extraordinária”, disse Pivato. A delegação brasileira reúne diretores e técnicos da Associação Brasileira de Angus, integrantes do Programa Carne Angus e representante do Senar. Após as visitas de campo, a conferência iniciou nesta segunda-feira

(25/03) com apresentações de inúmeros especialistas. Entre eles o catedrático da Universidade do Estado do Colorado (EUA), Keith Belk, que detalhou as mudanças na produção de carne nos Estados Unidos ao longo dos últimos anos. Segundo ele, o mercado consolida a tendência de produção sustentável e segurança alimentar, um movimento regido pelo consumidor. E pontuou a importância de valorização de processos certificados e garantia de procedência. Segundo ele, o mercado de cortes certificados Angus cresceu para 18,5% nos EUA, o que fortalece os sistemas de controle adotados. Estratégia que também vem marcando o posicionamento do Uruguai no mercado de cortes premium mundial. Atualmente, o país vizinho exporta carne para cerca de 130 países. “Em um país pequeno como o Uruguai, temos que nos diferenciar pela qualidade com produtos de alto valor e muito sofistica-

dos”, ressaltou o engenheiro agrônomo Fábio Montossi, diretor do Instituto de Investigação Agropecuária do Uruguai (Inia). “Estar conectado com a sociedade é elemento chave para estabelecer vínculo entre o consumidor e o produtor”, concluiu. No mesmo sentido, a ex-gerente do Instituto Nacional de Carnes do Uruguai (Inac), Silvana Bonsignore, reforçou os diferenciais adotados pelo rebanho Angus uruguaio, que está embasado nos recursos naturais que permitem uma criação de gado a pasto. “O Uruguai trabalha com produtos com história. Trabalhamos para vender confiança no lugar de vender carne”. E foi além ao garantir que a pecuária local “valoriza os vínculos ancestrais entre o homem e terra” e esse conceito está atrelado à marca da carne Angus uruguaia. “A diferença entre produto e marca é intangível”, garantiu ela. Fonte: Jardine Comunicação REVISTA 100% CAIPIRA |33


Os verdadeiros guardiões das culturas sertanejas

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CAFÉ

Gestão eficiente avan Evento vai debater tendências e apresentar novas ferramentas e práticas de gestão na cafeicultura Fonte: Serifa Comunicação

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faz cafeicultura nçar O produtor rural Dario Botrel, da Fazenda Matão, localizada em Botucatu, interior de São Paulo, tem acesso às informações mais importantes de sua propriedade, como as movimentações financeiras, controle pluviométrico, relatórios detalhados de custos e de todas as operações da fazenda sempre que precisa. Tudo isto foi possível após Botrel profissionalizar a gestão da fazenda implementando uma plataforma que gerencia, potencializa e proporciona resultados inovadores da sua produção. Dario explica que além do programa, também conta com um administrador e uma gama de profissionais capacitados para acompanhar tudo de perto. O produtor também investe em treinamento constante para os colaboradores. O resultado de todos estes investimentos é uma gestão mais profissional e com resultados eficientes. Seguindo a mesma tendência, a Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas (Cocapec), que atua com produtores na região da Alta Mogiana, com 2.650 cooperados e 320 colaboradores, aposta em uma gestão mais próxima possível do cooperado, formando-os para pilotar o processo de administração e para ocupar cargos administrativos, integrando os interesses do cooperado e as técnicas de gestão. De acordo com o superintendente da cooperativa, Ricardo Lima de Andrade, em um mundo em constante mudança no mercado, o avanço só será possível se houver investimento em educação continuada e em técnicas de gestão, isso inclui em como tratar melhor a contabilidade, a área fiscal, o comercial, os controles internos, entre outros. Nesse sentido, Ricardo

enfatiza que a cooperativa avançou em assistência técnica, melhorou o numerário de técnicos para difundir, planejar e acompanhar esse avanço, tudo para que novas tecnologias chegassem ao produtor. Além disso, investiu em imagem de satélite, capaz de dimensionar e quantificar o parque cafeeiro. “Faz parte da gestão da cafeicultura avanços na forma tecnológica de produzir, de armazenar a baixo custo e nas melhores técnicas, com desenvolvimento de troca de insumos por café, que são mecanismos modernos de financiamento e autofinanciamento. Recentemente, fizemos planejamento estratégico para criar plano de trabalho para acessar novas ferramentas, aumentar produtividade e melhorar a qualidade do café”, explica. Encontro de gestão para cafeicultores De olho nesta realidade de inovação do segmento produtivo, novos conceitos de gestão e sobre o futuro do mercado mundial do café, o Grupo Conecta realiza, nos dias 2 e 3 de abril, o Encoffee – Encontro de Gestão de Cafeicultores, que vai reunir grandes produtores de todo o Brasil, no Center Convention de Uberlândia, em Minas Gerais. A expectativa é receber cerca de 300 participantes. Nesses dias, os cafeicultores poderão trocar informações sobre a cadeia produtiva do café, avaliar novos conceitos e ferramentas de gestão, analisar novas práticas e soluções que podem impactar positivamente na atividade, além de conhecer muitas pessoas que vivem a mesma realidade e compartilham dos mesmos interesses. Os painéis,

focados na excelência da gestão do ‘Agronegócio Café’, contemplam os temas: “Mercado internacional”, “Verticalização - o caminho para aceleração do crescimento”, “Sucessão familiar - o pilar de garantia da perpetuidade”, “Tecnologias digitais - a disrupção no campo” e “Finanças e gestão de risco no café”. “O Brasil é o principal player do mercado internacional do café se mantendo em 1º lugar como maior produtor global da commodity e 2° lugar no consumo de café, atrás apenas dos EUA. A projeção atual é de aumento de 30% no consumo mundial nos próximos anos. “Para nos mantermos na posição de líder desse ranking, todo o setor produtivo deve estar alinhado e preparado para promover uma evolução sustentável, elevando a produtividade por área, sem impactar na qualidade dos grãos especiais, conseguindo meios de se tornar cada vez mais competitivo. Por isso, é fundamental que os produtores de café reservem tempo e direcionem esforços no sentido de falar do seu próprio negócio e de buscar conhecimento para que sejam cada vez mais produtivos, rentáveis e acompanhem as transformações e novidades que não param de chegar. Este é o grande objetivo do Encoffee”, destaca Danilo Bonfim, Diretor do Grupo Conecta. Para o produtor rural Dario Botrel, que já confirmou presença no evento, o Encoffee apresenta uma programação com palestras de alto nível. “É muito válido esse tipo de evento. Vamos obter conhecimento sobre os desafios que os produtores devem enfrentar tanto na estratégia quanto na gestão da propriedade”, conclui. REVISTA 100% CAIPIRA |37


CULTURA CAIPIRA

GUARULHOS GANHA PROJETO DE LEI PARA CRIAR A CASA DOS VIOLEIROS Com o intuito de homenagear e prestigiar a tradição da cultura popular o vereador suplente Adalmir Abreu ao assumir o cargo, elaborou um projeto de lei para a criação da Casa dos Violeiros de Guarulhos, que será um centro de encontro cultural principalmente sertanejo, com o propósito de unir músicos e amantes da música de viola raiz, formar novos músicos e estabelecer intercâmbio com outros municípios. Acontecerão encontros semanais e atividades regulares de cultura. A pedra fundamental foi lançada no primeiro encontro que já aconteceu na Associação dos moradores unidos do Jardim Tranquildade e Região com a presença de várias duplas sertanejas de Guarulhos. Abençoando e abrilhantando este maravilhoso projeto, Padre Cleber Leandro da Paróquia Nossa Senhora de Fátima do Jardim Tranquilidade esteve presente, dentre várias autoridades e amigos da causa. Tudo organizado com esmero pelo então Subsecretário da cultura de Guarulhos, Adalmir Abreu - idealizador do projeto.

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FLORICULTURA

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FEIRAS E EVENTOS

Fenicafé tem ex p e c t a t i va s s u p e ra d a s e m 2019

Qualidade técnica das palestras é o diferencial da maior feira da cafeicultura irrigada do país

Os números falam por si. O sucesso de mais uma edição da Fenicafé – Feira Nacional de Irrigação em Cafeicultura é comemorado pela Associação dos Cafeicultores de Araguari (ACA), entidade que promove todos os anos o evento no Triangulo Mineiro. Já tradicional na cafeicultura irrigada, a Fenicafé é um local para quem busca informações e ferramentas com o objetivo de aprimorar a produção no campo. É referência para o produtor que busca qualidade na produção. A feira agrega também mais dois outros eventos: o 24º Simpósio Brasileiro de Pesquisa em Ca42 | REVISTA 100% CAIPIRA

feicultura Irrigada e a 21ª Feira de Irrigação em Café do Brasil, que tem por objetivo a discussão e a divulgação de técnicas e pesquisas relacionadas à cafeicultura irrigada. Segundo a superintendente da Fenicafé Maria Cecília de Araújo, meses de preparação resultaram no sucesso total da Fenicafé 2019. “Mesmo com as dificuldades enfrentas pelo mercado cafeeiro, o produtor está interessado em saber das novidades que aliam menor custo na produção e maior produtividade”, explica. Maria Cecília destaca o conteúdo das palestras realizadas durante toda

a Fenicafé. “Nossa equipe está sempre empenhada em desenvolver o progresso da cafeicultura. Para isso, trabalha durante todo o ano para apresentar um evento cada vez mais atrativo tanto para as empresas que expõem seus produtos, como para os produtores que veem a Araguari em busca de informação”, detalha. A superintendente da Fenicafé adianta que a edição comemorativa dos 25 anos da feira, que será comemorada em 2020, já está sendo preparada, mesmo antes de terminar esta edição. “A procura por estantes já começou. Muitas empresas já querem garantir lugar na 25ª Fenicafé”.


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ARTIGO

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AGRONEGÓCIO

Programa Mineiro de Incentivo ao Algodão fortalece a atividade dos agricultores familiares no Norte do estado

Com o uso de tecnologias modernas os produtores aumentaram a produtividade e comercializam a produção beneficiada diretamente com a indústria têxtil 46 | REVISTA 100% CAIPIRA


O produtor José Alves de souza, mais conhecido pelo apelido de Zé Brasil, conhece a cultura do algodão desde os sete anos, quando acompanhava o pai no plantio de sequeiro e os tratos culturais da lavoura, em Catuti, município do Norte de Minas. Houve um tempo, quando chovia bem, que a colheita rendia até 230 arrobas por hectare. Com as intempéries climáticas e a irregularidade das chuvas que caracteriza o semiárido mineiro, a produção da família foi caindo, chegando a praticamente zero. “Houve ano em que aumentei a roça e colhi bem menos, num alto e baixo de produtividade, que dependia da vontade de Deus em mandar chuva”, relembra Zé Brasil. O uso de tecnologias, como a irrigação por gotejamento, tem garantido aos produtores a boa produtividade antiga do algodão cultivado em sequeiro, sem a dependência exclusiva das condições climáticas. O trabalho de irrigação de salvamento das lavouras é uma ação do Governo do Estado, dentro do Programa Mineiro de Incentivo à Cultura do Algodão (Proalminas) e desenvolvido em parceria com a Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa). O projeto de retomada do cultivo do algodão no Norte mineiro envolve 126 agricultores familiares de 12 municípios com ligação tradicional com a cultura. “Como a região tem um período curto e concentrado de chuvas, o objetivo da irrigação de salvamento é garantir a oferta de água nos períodos críticos de seca, evitando o estresse da planta que compromete a sua produtividade”, explica o Superintendente de Desenvolvimento Agropecuário da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Carlos Eduardo Bovo. Técnicos da Emater-MG na região vêm recebendo treinamentos para certificação da produção pelo programa Certifica Minas. O trabalho vem sendo desenvolvido há três anos na região com o apoio das prefeituras que custeiam a escavação dos tanques, onde são realizados a captação e o armazenamento das águas de chuva. O Proalminas financia a aquisição dos kits de irrigação por gotejamento e a manta para a cobertura do solo. Algumas propriedades ainda contam com energia solar para o funciona-

mento do conjunto de irrigação. Num total de nove hectares de algodão, o produtor Zé Brasil manteve oito hectares no sistema de sequeiro e investiu no sistema de irrigação em um hectare. O seu tanque tem capacidade para armazenar um milhão de litros da “água que vem de cima”, utilizada na irrigação de salvamento, apenas nos períodos críticos, e não em todo o ciclo. Sua produtividade média subiu de 15 para 150 arrobas por hectare e ele já tem planos para o futuro. “Diminuir a roça e aumentar a produção – exatamente o contrário do que vivi nos tempos de dificuldade. Com a área livre ainda posso investir numa criação de gado e diversificar a renda da propriedade”. É também a expectativa do Presidente da Cooperativa dos Produtores Rurais de Catuti, Adelino Lopes Martins, conhecido como Dila. “Com a organização do plantio, as adubações corretas em todas as fases e a irrigação por gotejamento, a expectativa é atingir produtividade média de 350 arrobas por hectare, aquecer o grupo e ter mais produtores investindo na cultura na próxima safra”. As lavouras irrigadas são áreas pequenas, mas a atividade tem grande impacto socioeconômico como fonte geradora de renda e emprego, numa região onde são poucas as culturas que resistem aos períodos de seca. O algodão é uma cultura tradicional na região pela sua resistência, mas foi abandonada pelos produtores anos atrás em função do ataque do bicudo. A fase agora é de retomada e fortalecimento, com o uso de tecnologias modernas, como o manejo de irrigação e o controle biológico para o combate às pragas do algodão, que também pode ser usado no controle de pragas de outras culturas, como o milho. Segundo o prefeito de Catuti, José Barbosa Filho, o bom resultado da experiência tem atraído o interesse de países africanos e sul-americanos. “A agricultura familiar gera emprego e renda, mantém o homem no campo e fortalece a economia de toda a região”, avalia.

dutores, um outro obstáculo para o fortalecimento da atividade foi vencido. O algodão dos pequenos produtores é comercializado diretamente na indústria têxtil. “Uma coisa impossível de se pensar 30 anos atrás, quando o produtor vendia para o atravessador ou mesmo para um usineiro que beneficiava a produção”, afirma o técnico agropecuário da cooperativa, José Tibúrcio de Carvalho Filho. Atualmente, o algodão é beneficiado numa miniusina instalada no município de Mato Verde, que também participa do projeto de retomada do algodão no Norte de Minas. A capacidade de processamento é de 1,5 mil toneladas por ano e recebe o algodão de todos os produtores da região, independente do volume. De cada fardo de 200 quilos prensado e beneficiado, é retirada uma amostra para a aferição da qualidade. “Essa amostra é enviada para o laboratório Minas Cotton da Amipa, em Uberlândia, onde é feito o Laudo de HVI (High Volume Instrument), que identifica as características intrínsecas da fibra do algodão. O resultado desse laudo é exigido para a comercialização com as indústrias têxteis”, explica o engenheiro agrônomo da Amipa, José Lusimar Eugênio. O preço negociado segue a cotação do mercado e, por meio do Proalminas, o produtor tem um acréscimo de 7,85% no valor. As indústrias têxteis que participam do programa têm assegurada uma isenção de 41,66% do crédito presumido de ICMS ao adquirirem o algodão certificado dos produtores mineiros. Com o benefício fiscal, a indústria destina 1,5% dos recursos ao Fundo de Desenvolvimento da Cotonicultura (Algominas), cujos investimentos permitem renascer a esperança do produtor Zé Brasil, do Dila e de todos os agricultores familiares no Norte de Minas, que já presenciaram o auge, a decadência e agora apostam na retomada Beneficiamento e Comercialização da cultura do algodão como fonte geradora de renda e emprego na Com o apoio do Proalminas, da região situada nos limites da Serra Fonte: SEAPA MG Amipa e a organização dos pro- Geral. REVISTA 100% CAIPIRA47 |


RECEITAS CAIPIRAS

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PUDIM PITAIA

DE

INGREDIENTES

1 pitaia 1/2 xícara (chá) de água 1 sachê de gelatina incolor sem sabor 1 vidro de leite de coco 2 colheres (sopa) de açúcar PREPARO Em uma tigela, coloque a água e a gelatina para hidratar. Em uma panela, coloque o leite de coco e o açúcar para ferver em fogo médio. Tire a polpa da pitaia e amasse-a com um garfo. Coloque a polpa na panela. Coloque a gelatina e misture. Deixa na geladeira por algumas horas antes de servir.

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Onde seu cavalo ĂŠ mais feliz

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