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A Menina do Sorriso Torto


Copyright © Roberto Rodrigues Júnior Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução total ou parcial, de qualquer forma e por qualquer meio mecânico ou eletrônico, inclusive através de fotocópias e de gravações, sem a expressa permissão do autor. Editora Schoba Rua Melvin Jones, 223 - Vila Roma - Salto - São Paulo - Brasil CEP 13321-441 Fone/Fax: +55 (11) 4029.0326 | 4021.9545 E-mail: atendimento@editoraschoba.com.br www.editoraschoba.com.br

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Angélica Ilacqua CRB-8/7057 Rodrigues Júnior, Roberto A menina do sorriso torto / Roberto Rodrigues Júnior; ilustrado por Débs Castro. São Paulo: Schoba, 2012. 40 p. : il., color. ISBN 978-85-8013-205-2 1. Literatura infanto-juvenil 2. Alegria 3. Bullyng 4. Sorriso 5. Amizade I. Título II. Castro, Débs CDU 028.5 12-0316 CDD 028.5 Índices para catálogo sistemático: 1. Literatura infanto-juvenil


Para Clara e Arthur, com minha bênção e sorriso.


Agradecimentos

A gratidão é um nobre sentimento. E não há vida que floresça sem o brio do “muito obrigado”. Portanto, meus mais sinceros agradecimentos àqueles que ajudaram, de alguma maneira, na edificação desta obra. Obrigado à Andréa, Clara e Arthur, porque plantam tantos sorrisos no meu dia a dia e acompanham empolgados o nascimento de cada história. São para mim fontes de força e coragem. À Stela Caldeira, minha mãe e mãe de muitos, que, além de inspirar esta linda história, nos doa seu sorriso e sua vida todos os dias.


À Débs Castro pelas belíssimas ilustrações, tão bem captadas por sua sensibilidade e talento. À Martha Jalkauskas pelo carinho e paciência com as revisões dos textos. A Wilson Mello pela leitura e sugestões tão oportunas. Às empresas e escolas que continuam acreditando e investindo na cultura e educação: Bem Menos Confecções, Htur Turismo, Contato Boutique, Colégio Atenas e Escolas Monteiro Lobato – Bahia. Um abraço de agradecimento e carinho muito especial a dois grandes cuidadores fisioterapeutas que, na vocação e gratuidade de seus corações, devolveram o Sorriso de Esperança à nossa querida Stela: Hudson Caldeira Rodrigues e Eliane Macedo de Mendonça. Por fim, a todos que ajudaram a cuidar do Sorriso da Esperança: Helton e Mariana, meu pai, Roberto Rodrigues, Sérgio e Fabíola, tia Estela e Mozair, Bethânia e Wirley, tia Aparecida, Luciana Caldeira, tia Zaíra e tantos outros conhecidos e anônimos que todos os dias carregam o mundo com suas orações e bons olhares.


Olá! Meu nome é Stela e muitos me conhecem por causa do meu sorriso. Dizem que é um sorriso bonito e também porque eu gosto muito de sorrir. Tudo isso tem uma razão de ser e eu quero contar para vocês um pouco de minha história.

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Eu gosto de ver o sorriso das pessoas, mas sempre as vejo reclamando. É estranho! Reclamam do trabalho, reclamam da vida, queixam-se umas das outras e até do clima. Ora, eu acho que a vida não deve ser desperdiçada com reclamações desnecessárias, xingamentos e murmúrios. Sabe, nossa vida é a oportunidade que temos para construirmos a felicidade. Isso mesmo! Ser feliz não é não ter problemas, mas, sim, compreendê-los e transformá-los em ensinamentos para o nosso crescimento, o que é para o nosso próprio bem e para o bem dos nossos semelhantes.

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Muitos me perguntam se eu sorrio para tudo. É claro que isso não acontece! Como podemos sorrir para as injustiças? Como podemos sorrir para as crianças que passam fome e frio? Como podemos sorrir para as guerras e os preconceitos? Pensem bem: como podemos sorrir para o egoísmo e para as diferenças sociais? E mais: como podemos ser felizes se não há felicidade ao nosso redor? Nessas horas, quando penso nisso, meu sorriso perde um pouco suas forças...

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Saibam, porém, de uma coisa: com o Sorriso da Esperança podemos modificar o mundo. Com o Sorriso da Esperança podemos conseguir um cobertor para uma criança que ainda não tem o seu. Com o Sorriso da Esperança podemos fazer uma oração pelo fim das guerras e pelas pessoas agressivas. Podemos também tocar o Coração de um adulto ganancioso. Podemos ainda contagiar de alegria e serenidade o ambiente onde estamos. O sorriso é a nossa alma refletida em nosso semblante. Quem não sorri é alguém que está distante de sua alma e de sua paz interior.

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Certa vez eu perdi uma pessoa muito amada, que virou estrelinha e foi morar com Jesus. Embora meu sorriso desaparecesse do Coração por um bom tempo, em minha face ele precisou voltar primeiro. Nem sempre o que se passa no seu Coração precisa ser revelado ao próximo. Se no seu Coração se passa a dor ou a inquietação, seu semblante pode passar a paz que vem da dor e a quietude que vem da superação que está sendo edificada, que está sendo silenciosamente construída.

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Ninguém quer perder as pessoas amadas. Minha mãe me disse que não devemos questionar os mistérios e a vontade de Deus, mas, mesmo assim, eu perguntei a Ele: “Por que o Senhor levou alguém que eu tanto amo? Estou triste e brava com o Senhor.”. Ele ficou muito tempo sem me responder, até que um dia eu cresci e compreendi o que minha mãe queria dizer: nem sempre a vontade ou a permissão de Deus é para ser compreendida, mas para ser aceita. Tem mais uma coisinha: o nosso sofrimento não é a vontade de Deus. Muitos acontecimentos servem para que haja crescimento em nosso Coração!

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Tem horas em que a inocência de ser criança parece ser melhor e também mais fácil do que os motivos e a inteligência de ser adulto. Aceitar a vida em todas as suas dimensões é o maior desafio do ser humano, porque existem coisas que não podemos modificar. Se não posso mudar o lugar e a família em que eu nasci, o que devo fazer senão sorrir, aceitar e agradecer? Se não posso mudar o tom de minha pele e a cor dos meus olhos, o que posso fazer? Aceitar, sorrir e bendizer.

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Em muitos momentos temos também o desejo de que algumas pessoas fossem diferentes do que são. Isto é uma tremenda besteira e faz o sorriso se distanciar, porque não temos como mudar ninguém. Já que não posso modificar as pessoas, devo ao menos respeitá-las e mudar a minha maneira de olhar para elas. Certamente, isso irá me ajudar a sorrir novamente. No entanto, muitas outras coisas eu posso modificar e, para isso, é sempre importante não perder o Sorriso da Esperança, o Sorriso que Acredita.

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Quero também contar outro segredo para vocês: as pessoas falam muito do meu sorriso, mas eu também choro de vez em quando. Choro de emoção, choro de felicidade, choro de saudade, choro porque estou triste e choro até mesmo porque assisti a um filme bonito. Já aprendi que as lágrimas ajudam a alma a ficar mais leve! Um dia eu chorei porque eu soltei meu balão e ele voou para bem longe, para o alto, na imensidão do céu azul. Eu tinha três anos! Meu pai não quis me dar outro, mas eu compreendi: algumas coisas acontecem e nem sempre vamos ter tudo aquilo que queremos! O balão se foi, mas logo, logo, voltou o meu sorriso. Ah, e eu já chorei também porque senti medo...

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Eu tenho uma linda família. Tenho amigos e muitos colegas. Um dia, na sala de aula, a professora perguntou se alguém poderia emprestar a sua casa para uma festinha de fim de ano. Nem toda pessoa gosta de fazer festa em casa quando se trata de muita gente! Todos apontavam para mim e diziam: “– Professora, peça para a Stela, a menina do sorriso bonito, porque ela gosta muito de uma festinha!”. Eu gosto mesmo. Conversei com os meus pais e todos foram lá para casa. A festa foi muito legal. Nós brincamos, cantamos, inventamos comidas imaginárias e muitas outras coisas... Divertimonos a valer! Depois do almoço, todos, felizes, foram embora da festa.

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À noite, antes de dormir, agradeci a Deus pela alegria que todos deixaram em minha casa porque a vida é bem assim: quando você se abre para ela, ela também se abre para você; quando você sorri para ela, ela também sorri para você; quando você vê beleza no mundo, o mundo todo também vê beleza em você. É tudo como em um espelho mágico! Nós vemos no mundo aquilo que trazemos dentro de nós e eu, aaaaahhhhh, eu..., eu trago é a beleza mesmo dentro do meu Coração...

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A Menina do Sorriso Torto