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POR TODA PARTE 9 Ensino Fundamental – Anos Finais

Componente curricular: Arte

SOLANGE DOS SANTOS UTUARI FERRARI Educadora, escritora e artista visual. Mestre em Artes Visuais pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp). Licenciada em Educação Artística pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). Especializada em Antropologia pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Especializada em Arte-Educação pela Universidade de São Paulo (USP). Autora de diversos livros, propostas curriculares e materiais educativos, é ilustradora, pesquisadora e assessora em projetos de Educação, Arte e Cultura. CARLOS ELIAS KATER Educador, musicólogo e compositor. Doutor pela Universidade de Paris IV – Sorbonne. Professor Titular pela Escola de Música da Universidade Federal de Minas Gerais (EM-UFMG). Coordenou o Centro de Pesquisa em Música Contemporânea da UFMG; foi vice-presidente da Associação Brasileira de Educação Musical (Abem) e membro do Conselho Editorial. É professor colaborador do Programa de Pós-Graduação em Música da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) e consultor da Fundação Koellreutter da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Autor de diversos livros e artigos, pesquisa e realiza trabalhos de ensino de música em escolas. BRUNO FISCHER DIMARCH Educador, escritor, bailarino e artista multimídia. Mestre em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Licenciado em Educação Artística pela Faculdade Mozarteum de São Paulo (FAMOSP). Autor de livros e propostas curriculares, pesquisa e desenvolve trabalhos sobre a dança em escolas. PASCOAL FERNANDO FERRARI Educador, escritor, ator e diretor teatral. Mestre em Ensino pela Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul). Especializado em Sociologia pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Licenciado em Pedagogia pela Universidade Camilo Castelo Branco (UNICASTELO). Licenciado em Psicologia pela Universidade Braz Cubas (UBC). Autor de diversos livros, propostas curriculares, é pesquisador de linguagem teatral em escolas.

MANUAL DO PROFESSOR

2a edição São Paulo, 2018

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Copyright © Solange dos Santos Utuari Ferrari, Carlos Elias Kater, Bruno Fischer Dimarch, Pascoal Fernando Ferrari, 2018 Diretor editorial Diretora editorial adjunta Gerente editorial Editor Editores assistentes Assessoria Gerente de produção editorial Coordenador de produção editorial Gerente de arte Coordenadora de arte Projeto gráfico Projeto de capa Foto de capa Supervisor de arte Editor de arte Diagramação Tratamento de imagens Coordenadora de ilustrações e cartografia Ilustrações Coordenadora de preparação e revisão Supervisora de preparação e revisão Revisão

Supervisora de iconografia e licenciamento de textos Iconografia Licenciamento de textos Supervisora de arquivos de segurança Diretor de operações e produção gráfica

Antonio Luiz da Silva Rios Silvana Rossi Júlio Roberto Henrique Lopes da Silva Paulo Roberto Ribeiro Carlos Silveira Mendes Rosa, Lilian Ribeiro de Oliveira Daniela Alves, Maria da Graça R. B. Câmara, Rita Demarchi, Roze Pedroso, Tarcila Ferrari Mariana Milani Marcelo Henrique Ferreira Fontes Ricardo Borges Daniela Máximo Bruno Attili Juliana Carvalho Zeren Yasa Vinicius Fernandes Leandro Brito Select Editoração Ana Isabela Pithan Maraschin, Eziquiel Racheti Marcia Berne Jorge Zaiba, Luis Moura, Thiago Soares Lilian Semenichin Viviam Moreira Adriana Périco, Camila Cipoloni, Carina de Luca, Célia Camargo, Felipe Bio, Fernanda Marcelino, Fernanda Rodrigues, Fernando Cardoso, Heloisa Beraldo, Iracema Fantaguci, Paulo Andrade, Pedro Fandi, Rita Lopes, Sônia Cervantes, Veridiana Maenaka Elaine Bueno Érika Nascimento Bárbara Clara, Erica Brambila Silvia Regina E. Almeida Reginaldo Soares Damasceno

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Por toda parte : 9o ano : ensino fundamental : anos finais / Solange dos Santos Utuari Ferrari...[et al.]. — 2. ed. — São Paulo : FTD, 2018. Outros autores: Carlos Elias Kater, Bruno Fischer Dimarch, Pascoal Fernando Ferrari. "Componente curricular: Arte." ISBN 978-85-96-01935-4 (aluno) ISBN 978-85-96-01936-1 (professor) 1. Arte (Ensino fundamental) I. Ferrari, Solange dos Santos Utuari. II. Kater, Carlos Elias. III. Dimarch, Bruno Fischer. IV. Ferrari, Pascoal Fernando. 18-20697

CDD-372.5 Índices para catálogo sistemático:

1. Arte : Ensino fundamental 372.5 Maria Alice Ferreira - Bibliotecária - CRB-8/7964

Reprodução proibida: Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Todos os direitos reservados à

EDITORA FTD. Rua Rui Barbosa, 156 – Bela Vista – São Paulo – SP CEP 01326-010 – Tel. 0800 772 2300 Caixa Postal 65149 – CEP da Caixa Postal 01390-970 www.ftd.com.br central.relacionamento@ftd.com.br

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Em respeito ao meio ambiente, as folhas deste livro foram produzidas com fibras obtidas de árvores de florestas plantadas, com origem certificada.

Impresso no Parque Gráfico da Editora FTD CNPJ 61.186.490/0016-33 Avenida Antonio Bardella, 300 Guarulhos-SP – CEP 07220-020 Tel. (11) 3545-8600 e Fax (11) 2412-5375

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apresentação A arte está sempre conectada a seu tempo, a seu contexto e à poética – aos modos de construção e expressão de seus autores. Em toda a sua existência, a arte se reinventou e se mesclou, criando diferentes linguagens e novas formas de expressão e de investigação do mundo. Partimos da premissa de que o aluno, como cidadão, tem direito ao conhecimento estético e artístico produzido e acumulado pelo ser humano no percurso histórico e no contexto contemporâneo. Neste Manual do Professor, procuramos expor aos educadores as proposições pedagógicas e os fundamentos para a caminhada de ensinar e aprender Arte. Este material constitui, juntamente com o livro do aluno, um instrumento organizado para o ensino das linguagens artísticas, em possibilidades interessantes de investigação ao trilhar por campos conceituais da arte e da cultura. Para facilitar sua consulta, este Manual foi organizado em duas partes. A primeira parte, de orientações gerais, apresenta os princípios que embasam a proposta didático-metodológica da coleção e comentários sobre a estrutura dos livros, além de sugestões de conteúdos complementares para sua formação profissional. Na segunda parte, há a reprodução das páginas do livro do aluno acrescentada de orientações específicas e conteúdos suplementares. Propomos o estudo da Arte e da Cultura adequado às premissas e exigências curriculares que se fazem presentes na educação brasileira, na atualidade. Deste modo, como uma bússola, em meio às inúmeras escolhas entre acervos artísticos, culturais e recortes de conteúdo para propor aprendizagem de Arte, esta coleção indica possíveis caminhos, enquanto o professor, sendo propositor, criador e mediador do processo de ensino e aprendizagem, decidirá, com base em suas experiências e realidades, quais serão seguidos em sua viagem estésica e pedagógica. Essa orientação também aponta para vários caminhos quando sugere diferentes publicações, virtuais e físicas, para consulta e pesquisa, a fim de ampliar os conhecimentos sobre Arte e Cultura. Tendo em foco o respeito pela autonomia e pela autoria do trabalho pedagógico do educador no processo de ensino e aprendizagem de Arte, convidamos você a trilhar percursos poéticos, estéticos, artísticos e educativos, os quais desejamos que sejam significativos. Assim, fazemos o convite: venha conosco caminhar pelo universo da Arte e da Cultura!

Os autores

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sumário

Conheça seu Manual do Professor ....................................................... V Escolhas e caminhos: autoria e protagonismo .................................... VI O desafio de ensinar Arte hoje ............................................................ VI Experiências na arte e na vida ............................................................. VI A experiência estésica e estética ......................................................... VII O professor como criador e propositor ................................................ VII Nutrição estética e curadorias educativas ............................................ VIII O professor mediador ...................................................................... VIII Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o currículo de Arte ........... IX Temas e exigências educativas............................................................. X História e culturas afro-brasileiras e indígenas na escola ........................... X Educação, sexualidade e diversidade .................................................... XI Educação inclusiva de pessoas com deficiência ....................................... XI Quem nos inspira no caminho ............................................................ XI Abordagem Triangular do ensino de Arte ............................................. XI Conexões interdisciplinares e transdisciplinares ..................................... XII Os territórios de arte e cultura ........................................................... XII Estudos contemporâneos do ensino de Arte..................................... XIII Cultura visual .................................................................................. XIII Interculturalidade e multiculturalismo ................................................ XIII Arte participativa, arte socialmente engajada, arte propositora ............. XIV Abertura para o novo e o instigante: tempos Cronos e Kairós ............. XIV Proposições pedagógicas e as diversas linguagens da arte ................ XV Artes visuais .................................................................................... XV Teatro ............................................................................................ XVI Dança ........................................................................................... XVII Música ......................................................................................... XVIII Artes integradas (linguagens híbridas) ................................................. XX Avaliação ........................................................................................... XX Diário de arte do professor e do aluno ............................................... XXI Portfólio ........................................................................................ XXI Avaliações processuais ...................................................................... XXI Exposições e apresentações da produção dos alunos ............................ XXI Material do Professor – Digital e Material digital audiovisual .......... XXII Plano de desenvolvimento ............................................................... XXII Sequências didáticas ....................................................................... XXII Proposta de acompanhamento da aprendizagem ................................ XXII Material digital audiovisual .............................................................. XXII Quadros de competências................................................................ XXII Unidades temáticas, objetos de conhecimento e habilidades ......... XXIV Quadro de conteúdos do 6O ano .....................................................XXVI Quadro de conteúdos do 7O ano ....................................................XXVII Quadro de conteúdos do 8O ano ...................................................XXVIII Quadro de conteúdos do 9O ano ..................................................... XXIX Quadro de conteúdos dos CDs de áudio ..........................................XXX Referências ....................................................................................XXXII

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CONHEÇA SEU MANUAL DO PROFESSOR

Este Manual do Professor apresenta orientações pedagógicas para apoiá-lo na aplicação e na mediação dos conteúdos em sala de aula. Essas orientações estão divididas em: parte geral, comum a todos os volumes, e parte específica, referente a cada ano. A parte geral apresenta os princípios que embasam a proposta didático-metodológica da coleção como um convite para trilharmos juntos os percursos no ensino de Arte. A parte específica apresenta a reprodução das páginas do livro do aluno acompanhada das conexões referentes aos fundamentos expostos na parte geral, com propostas e comentários de situações de aprendizagem, além de sugestões práticas para a sala de aula, esperando, assim, auxiliar no desenvolvimento do processo de ensino e de aprendizagem e propor o melhor aproveitamento possível da coleção. Desse modo, sugerimos que as consultas a estas sugestões sejam constantes, em um movimento integrado às propostas do livro do aluno. A seguir, conheça as seções da parte específica do seu Manual do Professor. As páginas são ilustrativas, a fim de representar toda a coleção.

Possibilidades e estratégias de abordagem das linguagens da arte presentes na Unidade.

PATRIMÔNIO PATRIMÔNIO CULTURAL CULTURAL DIVERSIDADE DIVERSIDADE

JOÃO CALDAS FILHO JOÃO CALDAS FILHO

ARTE ARTEEESAÚDE SAÚDE

CC

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Indicação dos principais conceitos abordados nas respectivas páginas.

PERCURSOS POÉTICOS, ESTÉTICOS E ARTÍSTICOS D3-ARTE-EF2-V6-U2-058-099.indd D3-ARTE-EF2-V6-U2-058-099.indd 5858

Converse com os alunos sobre as imagens que abrem a Unidade. Durante a apreciação da forma orgânica, chame a atenção dos alunos para as imagens e palavras e para a

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS

Propostas e sugestões de ampliação das atividades e dos conteúdos apresentados no livro do aluno, com orientações importantes para a mediação em sala de aula.

relação estabelecida entre elas e as várias linguagens da arte. A palavra “conexões” propõe caminhos para aproximar arte e outras disciplinas do currículo escolar por meio da interdisciplinaridade e do trabalho com temas transversais. Esta abertura pode ser um

COLEÇÃO PARTICULAR. REPROCOLEÇÃO PARTICULAR. REPRODUÇÃO AUTORIZADA POR JOÃO DUÇÃO AUTORIZADA POR JOÃO CANDIDO PORTINARI CANDIDO PORTINARI

CIRCO CIRCO

Arte Arteeevocê vocêem: em: •• Capítulo Capítulo11––OOcirco circo •• Capítulo Capítulo22––Brasil Brasilplural plural

ANDRÉ SEITI ANDRÉ SEITI

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guia, mostrando como cada unidade visitará linguagens e conhecimentos. Faça sempre a leitura das imagens, explorando o imaginário do aluno. Esse início de conversa é relevante para perceber e diagnosticar o que os alunos conhecem sobre o universo artístico.

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Converse sobre essas imagens, formule hipóteses com os alunos sobre o que cada uma delas pode representar em nosso percurso pela arte. Por meio de perguntas, estimule os alunos a refletir: Já viu alguma destas imagens antes?. Por que estas ima-

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gens estão aqui?. O que você percebe ao observá-las?. Vamos descobrir o que elas representam e quem as produziu?. As imagens da abertura podem ajudar na problematização e potencialização de temas trabalhados nos capítulos do livro.

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CONCEITOS EM FOCO

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BNCC UNIDADE TEMÁTICA • Artes integradas HABILIDADES • (EF69AR32) • (EF69AR35)

PARA AMPLIAR CONCEITOS Durante a montagem de um espetáculo é preciso visualizar sempre a cena e pensá-la para o público. Nesse sentido, a apresentação tem de fazer parte de um contexto, envolvendo todos os participantes em cena, para que o público visualize a imagem de uma obra única, como uma composição em pintura, ou seja, a cena acontece diante dos olhos dos espectadores em um espaço cênico, um cenário (físico ou imaginário). É nesse espaço cênico que os atores exploram o enredo de uma história. No circo encontramos várias linguagens integradas. Temos música, que é a trilha sonora do espetáculo, coreografias e encenações. Tudo isso dentro de uma única apresentação. Aprender as artes circenses, em suas múltiplas expressões de linguagens, é desafiador, exigindo estudos de vários conhecimentos e muitos ensaios e treinamentos.

O O circo circo Trajetórias Trajetórias para para aa arte arte •• Artes Artesque quese seintegram integram •• Tema Tema11––Circo: Circo:um umlugar lugarmuito muitoespecial especial •• Arte Arteem emProjetos Projetos––Artes Artesintegradas integradas •• Tema Tema22––OOcirco circoestá estáde demudança mudança •• Arte Arteem emProjetos Projetos––Artes Artesintegradas integradas

CONEXÕES Cirque du Soleil. Vídeos que permitem aprofundar o tema “o circo e a tecnologia”. Disponível em: <http://livro. pro/9ovg3c>. Acesso em: 10 set. 2018. OVO. Veja mais informações sobre esse espetáculo. Disponível em: <http://livro. pro/4xw93o>. Acesso em: 10 set. 2018. Cena Cenado doespetáculo espetáculoOVO, OVO,do doCirque Cirquedu duSoleil, Soleil,com com coreografia coreografiavertical verticalde deDeborah DeborahColker. Colker.Foto Fotode de2012. 2012.

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hipóteses; no entanto, o professor pode ampliar o olhar chamando a atenção para o cenário, o figurino, a iluminação da cena e os movimentos dançados. Uma “pausa para olhar” pode ser criada para esse momento de nutrição estética; para isso sugerimos as reflexões a seguir: D3-ARTE-EF2-V6-U2-058-099.indd D3-ARTE-EF2-V6-U2-058-099.indd 6060

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• O que vemos aqui é um cir-

co visualmente diferente do que imaginavam? Então, vamos comentar essas cenas? Vamos começar pela descrição da imagem. • O que está acontecendo nessas imagens? Onde elas se passam? Quem são esses seres? O que eles estão fazendo?

• Na cena, podemos perce-

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ber alguma situação que lembra um esporte? • Esse espetáculo de arte circense tem o título OVO; que história será que é contada nele? Proponha aos alunos que, em pequenos grupos, conversem sobre a imagem, depois abra para colocações no

grande grupo. Os alunos podem fazer registros de suas conversas e impressões sobre esse momento de fruição em seu Diário de arte. Mais pesquisas podem ser realizadas para descobrir o enredo desse espetáculo, que tem sido apresentado em várias partes do mundo desde 2009.

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SITUAÇÕES DE APRENDIZAGEM Em cada capítulo, encontraremos a seção Venha!, que apresenta duas linguagens posteriormente exploradas ao longo dos Temas. Essa seção tem como propósito a integração entre linguagens. A sequência didática apresenta situações de aprendizagem, momentos de fruição, nutrição estética, leitura e interpretação de textos, trabalhando a competência leitora e a contextualização das propostas nos Temas e na seção Mundo conectado. A seção Mais de perto retoma e aprofunda conhecimentos apresentados anteriormente e, na seção Palavra do artista, esses conhecimentos são ampliados por depoimentos de artistas, que falam sobre os seus processos de criação. A seção Arte em Projetos é dedicada à ação criadora, momento em que os alunos são convidados a experimentar a criação nas diversas linguagens da arte. Durante todo o percurso da sequência didática, há paradas para a expressão dos alunos, por meio de perguntas e momentos de reflexão, atividades de pesquisas individuais e em grupo, sugestões de conversas no pequeno e no grande grupo e possibilidades de registros e produções artísticas no Diário de arte. Oriente os alunos a sempre completarem seus diários com desenhos, anotações, colagens e outros registros, procurando dar um caráter pessoal para esse material.

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UULLOO PPÍÍTT CCAA

• Espaço cênico • Artes circenses • Circo contemporâneo

Combine com os alunos que pesquisem previamente, na semana da aula, sobre o espetáculo OVO, do Cirque du Soleil, com coreografia vertical de Deborah Colker. A partir da pesquisa realizada, abra espaço para que os alunos conversem sobre suas descobertas. Proponha um momento de mediação cultural com os alunos para que eles se sintam familiarizados com o tema gerador, o circo. Esse será o primeiro contato visual deles com inúmeras imagens que enriquecerão o repertório artístico sobre os vários contextos das artes circenses. Ao longo desse percurso, veremos um pouco mais sobre as artes circenses e suas modalidades, suas linguagens artísticas e o espaço cênico. Começaremos pelo circo nos dias de hoje. O universo do circo contemporâneo está em constante renovação, principalmente com o uso das tecnologias atuais. Um exemplo dessa renovação é o Cirque du Soleil. Suas apresentações interessantes, com elementos de tecnologia, misturam a representação de uma história com as apresentações tradicionais de equilíbrio, força e técnica. Aproveite esses momentos de nutrição estética e peça aos alunos que descrevam os elementos cênicos dessa cena que se assemelham ao teatro e à dança. Dê espaço para que os alunos expressem

COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE ARTE Nesta Unidade, serão mobilizadas as competências: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9.

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PAUL CHIASSON/AP/GLOW IMAGES PAUL CHIASSON/AP/GLOW IMAGES

Indicação de unidades temáticas e habilidades contempladas pelos conteúdos das respectivas páginas.

ROMEO GACAD /AFP ROMEO GACAD /AFP

RISCOS RISCOSEE RABISCOS RABISCOS

TRAÇO TRAÇOEE ETNIA ETNIA

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS

BNCC

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MANGUEBEAT MANGUEBEAT

MUSEUS CASTRO MAYA, RIO DE JANEIRO, RJ/REPROMUSEUS CASTRO MAYA, RIO DE JANEIRO, RJ/REPRODUÇÃO AUTORIZADA POR JOÃO CANDIDO PORTINARI. DUÇÃO AUTORIZADA POR JOÃO CANDIDO PORTINARI.

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ARTE ARTEEETECNOLOGIA TECNOLOGIA

Misturas Misturasculturais culturaisque que alimentam alimentamaaarte arteeeaahistória. história. Patrimônio Patrimôniomaterial materialeeimaterial imaterial de deuma umanação. nação.Somos Somosmuitos muitos eevivemos vivemosjuntos juntosààarte arteeeàà cultura culturado donosso nossopaís. país.

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CONCEITOS EM FOCO

ARTES ARTES CIRCENSES CIRCENSES

ROMEO GACAD /AFP ROMEO GACAD /AFP

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ARTE ARTEDA DA PALHAÇARIA PALHAÇARIA

ESTÚDIO GUSTAVO ESTÚDIO GUSTAVO ROSA. 2006 ROSA. 2006

COLEÇÃO PARTICULAR COLEÇÃO PARTICULAR

POVOS POVOS ARTEIROS ARTEIROS

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PERCURSOS POÉTICOS, ESTÉTICOS E ARTÍSTICOS

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MAURÍCIO QUADROS MAURÍCIO QUADROS

Momento de apresentação dos conteúdos da Unidade, com base na apreciação antecipada das imagens que compõem a abertura e que aparecerão nos capítulos.

CONTEXTUALIZAÇÃO A forma orgânica desta abertura de Unidade propõe um convite para refletir e pesquisar com base nas palavras: riscos e rabiscos, traço e etnia, manguebeat, arte e tecnologia, arte e saúde, patrimônio cultural, diversidade, circo, arte da palhaçaria e artes circenses. Essas palavras/ conceitos são pistas para o nosso percurso de estudos no universo da arte. Outros conceitos aparecem para ampliar e fazer relações entre saberes em arte e outras áreas do conhecimento. Temos como foco nesta Unidade a investigação e a experimentação em várias linguagens artísticas, como o teatro, a dança, as artes visuais, a música e as artes integradas, que aparecem com especial destaque. Na arte, cada artista ou grupo de artistas tem sua poética e intenção, fazendo, em razão disso, suas escolhas de materialidades e processos de criação. No Brasil, temos território fértil para misturas entre culturas e expressões artísticas; por isso demos o título de Povos arteiros a esta Unidade: para falar sobre a arte que forma a história e o acervo do nosso patrimônio artístico, material e imaterial. Apresentamos conceitos como “cultura”, “diversidade” e “miscigenação” para propor reflexões sobre o fato de sermos diferentes uns dos outros, com características diversas e resultado da mistura de povos e culturas. Vivemos juntos, valorizando e criando arte e cultura, com “cores unidas e alegria” e não há “nada de errado em nossa etnia” como diz a letra da canção Etnia de Chico Science e Lúcio Maia.

CARLOS EZEQUIEL VANNONI / FOTOARENA CARLOS EZEQUIEL VANNONI / FOTOARENA

CONTEXTUALIZAÇÃO

+ IDEIAS A nutrição estética acontece no momento de apreciação e contato dos alunos com a arte. Mesmo uma fotografia é passível de ser observada para leitura e interpretação. Embora a imagem fixa seja, como

registro de cena, um ótimo recurso, ela oferece limites na apreciação. Assim, sugerimos, se possível, possibilitar a apreciação de imagens em movimento (vídeos), que podem ser pesquisadas na internet. Veja sugestões em Conexões. 10/2/18 10/2/18 12:01 12:01PM PM

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ESCOLHAS E CAMINHOS: AUTORIA E PROTAGONISMO

Paulo Freire descreveu, em várias palestras e publicações, relatos de conversas com educandos, diálogos esses que o tocaram profundamente. Esse educador, amante do ato de ensinar, também era apreciador do ouvir e do aprender. Em um desses relatos, ele nos conta que uma aluna, que era artesã na arte de modelar o barro, se emociona ao perceber o quanto é autora do seu próprio fazer. “Criar o jarro com o trabalho transformador sobre o barro não era apenas a forma de sobreviver, mas também de fazer cultura, de fazer arte” (FREIRE, 1993, p. 27). Refletimos agora sobre como pensamos o “preparar”, o “fazer” e o “ser” na docência. Trazemos aqui Paulo Freire, que nos convida a refletir sobre o ato de aprender e ensinar. No entanto, ele também nos oferece a oportunidade para a tomada de consciência do papel do professor, como um educador consciente de seu empoderamento, bem como da sua competência e sensibilidade, autor e protagonista do seu próprio trabalho e que, com segurança, pode dizer: “Faço cultura”. Dois dos objetivos deste material são lançar algumas possíveis conexões entre manifestações das diferentes linguagens da arte e estimular o professor a criar outras conexões, como autor e protagonista no seu trabalho, que, no ato de investigar e ensinar, aprende, reaprende e descobre. Na proposta que apresentamos aqui são contempladas as quatro principais linguagens da arte na escola: música, dança, teatro e artes visuais, além das manifestações híbridas, formadas por duas ou mais linguagens, como é o caso das artes audiovisuais (cinema, vídeo, videoarte, webart...) e das manifestações em performances, artes circenses, instalações, intervenções urbanas e outras, que são citadas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) como Artes integradas. Entretanto, não se trata de almejar um professor “polivalente”, que tenha de saber e fazer “tudo”. Ao contrário, pensamos que o professor é um criador que, com base em sua formação e experiência, faz suas escolhas e combinados pedagógicos com os alunos, com seus pares na escola e com a comunidade. Dessa forma, pode fazer adequações com foco em sua prática nas linguagens que melhor conhece e pode buscar conexões com as outras, já que é positivo ampliar saberes e possibilidades pedagógicas, garantindo aos alunos o direito à aprendizagem e à expressão em diferentes linguagens. A criação artística se mostra ao longo da história como infinita, do mesmo modo que encontrar caminhos para o ensino de Arte não pode ser limitante. Cada educador, diante de sua história, experiência, afetos, cria e desenvolve percursos no ensino de Arte. PARA PESQUISAR, LER E APROFUNDAR O CONHECIMENTO

• FREIRE, Paulo. Professora, sim; tia, não: cartas a quem ousa ensinar. 10. ed. São Paulo: Olho D’Água, 1993.

O DESAFIO DE ENSINAR ARTE HOJE

À medida que ensinamos também aprendemos a interpretar o mundo por meio da arte. A melhor forma de abrir caminhos para aprender talvez seja permitir-se desaprender concepções cristalizadas e aventurar-se a trilhar novos percursos ou explorá-los, como um navegante em mares virtuais, em meio a infinitas conexões.

A cultura é dinâmica, não para! Na construção de interpretações, educadores e aprendizes descobrem possibilidades de expressão e podem experimentá-las. Como professores, consideramos importante a reflexão sobre as questões a seguir, bem como sua compreensão. • O que é arte? • Qual é o sentido do ensino de Arte na escola? • Como os alunos dos anos finais do Ensino Fundamental se relacionam com as culturas e com suas manifestações? Como eles criam suas interpretações e expressões poéticas, estésicas e artísticas junto a manifestações artísticas de diferentes tempos e espaços? Há muita discussão sobre o que é a arte, sobre o sentido de sua existência, o que acarreta um sem-número de definições. Entretanto, nesse momento, não pretendemos defini-la, mas sim discutir alguns de seus aspectos mais difundidos, que a constituem como atividade humana de criações relevantes realizadas com base em linguagens e modos de expressão específicos. A partir do que se percebe, se sente e se pensa, os artistas, profissionais e produtores de arte criam, com intencionalidade — que pode ser chamada de “artística” — de despertar nos apreciadores/espectadores o interesse pela obra de arte e de chamar a atenção sobre algo que consideram relevante. Por isso a apreciação, a fruição da obra, é tão importante quanto a criação, pois a arte pede uma relação profunda com o seu público para ser desvelada. Todos nós podemos viver a relação estésica da arte enquanto fruidores e também podemos viver a dimensão poética, ou seja, a da criação; podemos nos expressar por diferentes linguagens. Portanto, a presença da arte na escola tratada como área específica de rico conhecimento é uma das mais importantes vias de democratização do acesso à arte e à cultura. Ao pensar sobre o ensino de Arte, devemos considerar que a interpretação de mundo dos alunos da Educação Básica de hoje é bem diferente da nossa de quando éramos crianças e adolescentes. Quais eram nossos sonhos e desejos? O que gostávamos de aprender? Como aprendíamos? Mesmo considerando as diferenças entre tempos e contextos, essa volta ao passado nos deixa mais sensíveis para compreender nossos alunos, especialmente seus desejos e direitos. Ao ensinar Arte nos anos finais do Ensino Fundamental, é preciso compreender o universo dos alunos, valorizar a curiosidade e o desejo de saber e de se expressar. É necessário estimular o processo de criação, produção e expressão artística deles e propor encontros significativos com a arte, de modo a ficar sempre um “gostinho de quero mais”. É importante haver desafio, pois, desse modo, estimulam-se os alunos a investigarem muitas linguagens, construindo novos discursos que representem sua visão e percepção de mundo por meio da arte. Assim, consideramos importante haver a preocupação do educador de ser um provocador, de criar processos de ensino emancipadores e significativos para os alunos.

EXPERIÊNCIAS NA ARTE E NA VIDA

Somos seres sensíveis e poéticos, por isso produzimos e fruímos arte. Para compreender como podemos ensinar Arte, vamos conversar sobre como a percebemos? Diante de uma música, uma poesia, um grafite no muro, uma manchete de jornal, cenas de um filme, a nuvem que anuncia chuva, o olhar terno de alguém... Ao dançarmos embalados por uma música de que gostamos, ou ao tomarmos nas mãos uma fruta que pede para ser degustada

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com os olhos, com o olfato, com o tato e o paladar... Ao percebermos cores e formas ao andar pela calçada... O que faz a diferença é a abertura para sentir. Na aventura de estar e ser no mundo, o sentir, perceber, decodificar e refletir sobre o que nos cerca e sobre o que se passa conosco e com o outro nos abre para uma vida mais rica de possibilidades.

trução criativa de vários percursos poéticos e estéticos indicados pelo artista e pelo público. Outros artistas contemporâneos a Clark também fizeram esse convite, como Lygia Pape (1927-2004), Hélio Oiticica (1937-1980), Augusto Boal (1931-2009), entre outros.

Como professores de Arte, trabalhamos em um campo que envolve percepção, sensibilidade e conhecimento sobre um mundo culturalmente vivido e construído. Arte nos ensina a viver, com intensidade, múltiplas formas de manifestação de diferentes sensações e sentimentos, juntamente com a cognição. Envolve o pensar, o sentir, o expressar-se sobre as coisas. Trata-se de uma área própria de conhecimento, uma via que contribui para a existência humana em sua plenitude. Ensinar Arte é descobrir o prazer de abrir caminhos para perceber e aprender a interpretar e se colocar no mundo, de maneira sensível, aguçada, crítica e criativa.

Cartografar seu próprio fazer pedagógico, como um professor propositor, é elevar-se à condição de criador dos próprios percursos de aprendizagem junto aos alunos, de tecer a coautoria do seu pensar/fazer pedagógico com escolha de caminhos que possam abrigar e expressar também os desejos de seus alunos.

A EXPERIÊNCIA ESTÉSICA E ESTÉTICA

Usamos a sensibilidade, vivenciamos experiências marcantes nas situações mais variadas e junto a diversos objetos, pessoas, lugares e acontecimentos ao longo de nossa vida. E a arte se mostra como um campo muito fértil para as experiências profundas, significativas, que marcam nossa existência: as chamadas experiências estéticas. Experiências que podem influenciar a visão de mundo e as escolhas das pessoas. Quem não se lembra de uma cena de filme, de uma pintura ou de um desenho visto na infância que tenha marcado sua história de vida? Uma música, um perfume ou uma imagem podem fazer viajar a tempos passados e nos comover. Esse é o poder da experiência estética: nos encontros com a beleza ou com a estranheza, e até mesmo com a inquietação e a dor, trata-se de algo que nos mobiliza fortemente e que nos marca nas emoções e na memória para sempre. No senso comum, por vezes ouvimos a associação da palavra “estética” com um padrão de beleza “agradável” — em uma distorção e simplificação de seu significado original. Aprofundando o conceito em nossa área, a Estética é um ramo de estudos que engloba a Filosofia da Arte. A fim de se compreender o termo “experiência estética”, é importante enfatizar que essa experiência só é possível em estado de estesia, intencional ou ocasional, em que se envolvem a cognição, a emoção e a memória. Segundo a definição de Duarte Jr. (2001), a palavra “estesia”, derivada do grego aesthesis, remete à capacidade humana de sentir-se em um todo integrado. Portanto, anestesia é o seu oposto, o embrutecimento dos sentidos, o não sentir.

O PROFESSOR COMO CRIADOR E PROPOSITOR

Lygia Clark (1920-1988) apresentou a ideia de “artista propositor”1 ao dizer que a obra de arte como pura contemplação está morta. Sua preocupação era apresentar um convite ao processo de criação, que não seria mais apenas de responsabilidade do artista — o público precisava participar da produção da obra de arte. Ao negar a separação entre obra e público, a arte passou a ser vista não mais como algo dado, pronto à contemplação em único percurso, criado apenas pelo artista, mas como um convite à cons-

Como se constitui um professor propositor?

(MARTINS; GUERRA; PICOSQUE, 2010, p. 195)

A ideia de artista propositor se aproxima da proposta de professor propositor, como apontam as educadoras Mirian Celeste Martins, Maria Guerra e Gisa Picosque (2010) no texto citado. Desse modo, ser professor propositor implica abrir espaço para a voz do outro, escolher caminhos nos quais os alunos possam estar presentes de forma ativa, como protagonistas de seu processo de construção de saberes e ampliação de repertórios culturais. Um professor propositor é pesquisador, porque tem sede de saberes, é sensível, anseia pela diversidade de belezas do mundo. Ser propositor é pensar e permitir que o outro pense. Não é ter ânsia de explicar e de concluir, é mais saber perguntar, provocar pensamentos e conexões. Dúvidas e formulação de hipóteses fazem parte desse processo. O estado de dúvida é vento para pensamentos moventes. Ser professor propositor inclui ouvir, querer saber o que o outro pensa, sente, intui. Acreditamos em um professor que atua em diversos papéis: criador, investigador, pesquisador, proponente, apreciador, estudioso, debatedor, que se posiciona e trabalha em equipe, junto de seus alunos e de seus pares. De acordo com Jorge Larrosa (2007, p. 21), todos os dias muitas coisas nos acontecem, mas nem todas nos tocam verdadeiramente. Quando algo nos toca, nos afeta em profundidade, pode ser alimento para experiências significativas. O educador contemporâneo, o professor propositor, pode se constituir pela formação/ação/reflexão, por sua experiência vivida na escola e fora dela, como docente, pesquisador, aprendiz, apreciador, amante e desbravador da arte e da diversidade de fenômenos e manifestações. Nesse sentido, “experiência”, segundo o pesquisador, é aquela condição especial que “nos passa, o que nos acontece, o que nos toca”. Entender arte como conhecimento e linguagem que dialoga com outros saberes e sistemas de linguagem, materialidades, sentimentos, ambientes, tempos, culturas, lugares, povos, pessoas, poéticas, entre outros, é um fator importante na concepção contemporânea de ensino e aprendizagem de arte. O conceito de proposição pedagógica para o ensino de Arte, do qual estamos tratando aqui, está ligado ao desafio de buscar uma poética pessoal, um modo pessoal de aprender e ensinar Arte, o que representa de modo singular o ser professor propositor em sua realidade. Trata-se de educadores que, mesmo tendo como referência um material didático, refletem e realizam

1 “Nós somos os propositores: nós somos o molde, cabe a você soprar dentro dele o sentido da nossa existência. Nós somos os propositores: nossa proposição é o diálogo. Sós, não existimos; estamos à sua mercê. Nós somos os propositores: enterramos a obra de arte como tal e chamamos você para que o pensamento viva através de sua ação. Nós somos os propositores: não lhe propomos nem o passado nem o futuro, mas o agora” (Lygia Clark apud MILLIET, 1992, p. 143).

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ações que resultam em escolhas autônomas e pensadas para compartilhar com os seus grupos de aprendizes de Arte. Profissionais que são autores dos seus projetos e processos pedagógicos, uma vez que criam situações de aprendizagem, mapeiam desejos e necessidades; realizam mediações culturais; criam curadorias educativas (seleção de imagens, músicas e cenas de espetáculos, por exemplo) de modo a valorizar e expandir o repertório dos alunos; preparam espaços de criação para o fazer artístico; ampliam saberes por meio de pesquisas e contextualizações; proporcionam momentos de nutrição estética na apreciação da arte e buscam embasamento teórico nos fundamentos da arte e da educação; discutem com os pares, entre outras ações educativas e de busca de formação constante.

NUTRIÇÃO ESTÉTICA E CURADORIAS EDUCATIVAS

Educadores propositores criam situações interessantes para momentos de nutrição estética, por exemplo: lançar para os alunos oportunidades de escuta sensível na apreciação de músicas, sons; projeção de imagens fixas ou em movimento, como vídeos, filmes; e outras produções artísticas virtuais e presenciais. Em momentos de nutrição estética pelo mundo das imagens, sons e gestos, o educador pode mostrar as obras aqui apresentadas e também ampliar o trabalho a partir da pesquisa de mais imagens e obras para criar curadorias educativas que contemplem as suas intenções, seus objetivos. Tradicionalmente, o termo curador tem ligação com “curar”, “cuidar”, e está atrelado aos profissionais que propõem e gerenciam exposições de arte, bem como propostas dos museus e espaços culturais. No contexto de criação de situações de aprendizagem em Arte, o termo nos remete à função de escolher imagens em artes visuais e outras linguagens que podem ampliar saberes sobre determinado tema ou conceito. Nesse sentido, convidamos os educadores para o interessante e criativo trabalho de serem professores curadores, ao enriquecer as proposições pedagógicas aqui sugeridas com a descoberta e seleção de mais imagens e exemplos de outras obras artísticas para serem apresentados a seus alunos, ampliando as possibilidades de ações mediadoras. Nos espaços museológicos, o curador é aquele que cria a concepção da exposição e gerencia a organização, buscando a qualidade estética, histórica e conceitual do que será exposto, e a apresentação adequada das obras e objetos que “conversarão” entre si e com o público. Dessa forma, estabelece um discurso por meio das relações entre as obras, objetos, espaços e público. Hoje, o curador também pode acompanhar o trabalho do setor educativo, contribuindo em projetos colaborativos. Há casos de espaços contemporâneos inovadores em que instituições convidam dois curadores, um geral e outro específico, para pensar a ação educativa junto ao público. Expandimos a concepção de Vergara (1996 apud MARTINS, 2006) para afirmar que, no universo do ensino de Arte, o curador educativo é uma dimensão do ofício do educador que escolhe um conjunto de obras, objetos ou imagens a fim de criar conversas para e com os seus alunos, tendo uma intenção pedagógica, a intenção de nutrir esteticamente, de estimular o estabelecimento de relações, de chamar a atenção para determinados elementos e conceitos. A curadoria educativa que proporciona diversos momentos de nutrição estética não se restringe a artes visuais, pode abarcar produções muito variadas, como vídeos de espetáculos de dan-

ça, teatro, áudios de músicas, filmes, animações e imagens das mais variadas, mostrando a produção de artistas de diferentes linguagens e contextos culturais (grupos étnicos, comunidades indígenas, africanas e afrodescendentes ou, ainda, manifestações populares, patrimônios culturais materiais e imateriais, entre outras possibilidades). Para esta coleção de livros de Arte, fizemos uma seleção cuidadosa de imagens, poemas, músicas e cenas de espetáculos de dança, teatro e linguagens integradas, registros de manifestações e patrimônios culturais, um “acervo” que pode ser ampliado diante do projeto da escola ou do contexto cultural local. Essas são algumas pistas para professores construírem projetos em proposições pedagógicas e mediação cultural. No entanto, cada educador tem sua própria história, seu repertório cultural, seu espaço, intenções e caminhos a trilhar em suas descobertas enquanto professor propositor. PARA PESQUISAR, LER E APROFUNDAR O CONHECIMENTO

• MARTINS, Mirian Celeste (Coord.). Curadoria educativa: inventando conversas. Reflexão e Ação – Revista do Departamento de Educação/UNISC, Universidade de Santa Cruz do Sul, v. 14, n. 1, p. 9-27, jan./jun. 2006. Disponível em: <http://livro.pro/ hhpo2g>. Acesso em: 31 ago. 2018.

O PROFESSOR MEDIADOR

Um dos campos de ação potentes para o arte-educador é a mediação cultural, que propõe estudos e diálogos entre os universos da arte, do mediador e do fruidor. A consciência sobre o potencial da mediação cultural incentiva o educador a se preocupar em como apresentar as produções artísticas para crianças e jovens, a investigar como a arte afeta as pessoas, e estimula o educador a ser um mediador entre a arte e o público (no caso, seus alunos). As imagens, as obras musicais, as artes cênicas, audiovisuais, as criações das linguagens integradas, que são apresentadas neste livro, são oportunidades para criar momentos de mediação cultural na apreciação artística. As obras fazem parte das aulas de Arte e mostram aos alunos como diferentes artistas, em épocas distintas, fazem escolhas sobre linguagens, elementos estruturais, materialidades e temas como parte do processo de criação de cada um. No ensino de Arte na contemporaneidade, temos visto o papel essencial do professor mediador. Mesmo dentro da sala de aula, é possível viver situações de aprendizagem significativas no encontro com a arte, mas é preciso pensar e preparar esses encontros, ir além do comum e proporcionar experiências provocativas para os alunos. O professor mediador sabe a importância da escuta sensível e pode provocar conversas com os alunos para falar sobre o que estão aprendendo sobre a apreciação de uma imagem, por exemplo. É um modo de preparar os alunos para o que vão apreciar, conhecer, perceber. Essas conversas vão muito além de meras “explicações” sobre as obras, criam aproximações, transformam-se em diálogos, dão voz aos alunos para que criem e manifestem suas impressões e hipóteses. PARA PESQUISAR, LER E APROFUNDAR O CONHECIMENTO

• BARBOSA, Ana Mae; COUTINHO, Rejane G. (Org.). Arte/educação como mediação cultural e social. São Paulo: Editora da Unesp, 2009.

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BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR (BNCC) E O CURRÍCULO DE ARTE

Em relação às linguagens artísticas, às dimensões do conhecimento e aos direitos de aprendizagem, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) apresenta diretrizes norteadoras nas quais esta coleção se fundamenta. A construção de conhecimento em Arte precisa ser, tanto para o educando quanto para o educador, uma aventura repleta de experimentações, com ênfase na curiosidade, na pesquisa e nas descobertas. Sabemos que o Brasil é um grande país e diverso em sua cultura e arte. Então, qual é o sentido de termos uma Base Nacional Comum Curricular (BNCC) em Arte? Mesmo em nossa diversidade, é importante que possamos construir uma identidade enquanto nação justa e democrática, na qual direitos, princípios educacionais, competências e habilidades sejam garantidos a todos os educandos dentro de um ensino de qualidade. A Base Nacional Comum Curricular é um documento normativo que orienta a base curricular de todas as escolas das redes de ensino (públicas e privadas) em todos os níveis de escolarização do país, e suas diretrizes devem ser contempladas nas propostas pedagógicas, livros e materiais didáticos. Trazemos aqui um estudo a partir de questões que são tratadas no nível dos anos finais do Ensino Fundamental. O documento estabelece direitos de aprendizagem e desenvolvimento, competências e habilidades específicas, integração entre saberes escolares e temas transversais para os componentes curriculares. O objetivo é que os alunos possam desenvolver competências específicas de cada área e em seus respectivos componentes curriculares, além de garantir que os alunos possam aprender e desenvolver habilidades em cada etapa da Educação Básica, respeitando o tempo e a cultura de cada idade e região geográfica. São propostos estudos por campos conceituais que ajudem os alunos a se desenvolverem culturalmente e de modo autônomo e protagonista. A BNCC aponta bases para a construção do currículo em Arte. É proposto um trabalho que proporcione oportunidade de desenvolvimento integral ao aluno com base em seis dimensões do conhecimento. A dimensão da criação está ligada ao fazer artístico, propondo investigação e análise sobre como “os sujeitos criam, produzem e constroem” (BRASIL, 2017, p. 192). Nesse campo de estudo, cabe investigar o processo criador tanto do artista quanto dos alunos. Podemos, assim, explorar as poéticas de materialidades, ideias e escolhas estéticas, sensações, sentimentos, desejos e modos de ler e interpretar o mundo. Podemos, ainda, explorar os acontecimentos históricos no contexto em que as produções artísticas foram e são criadas, em um percurso que não precisa ser linear, uma cronologia da História da Arte, mas também por conjunturas e conexões. Nesse percurso de investigação, podemos afirmar, então, que arte se cria por atitudes, escolhas, intenções, estudos e ações, procurando desmistificar ideias preconcebidas de “dom artístico” ou “inspiração mágica”.

Na parte específica deste Manual, assim como no livro do aluno, apontamos vários momentos em que o fazer artístico com foco na ação criadora e o desenvolvimento de poéticas estão presentes. No livro do aluno, são proposições feitas nas seções Arte em Projetos e Mundo conectado, e ao longo dos temas em vários exercícios. Também há boxes sinalizando propostas de ação criadora, como o Diário de arte e Mais ação. Trazemos indicações sobre a ação criadora, poéticas e conceitos na parte específica do Manual do Professor, sempre trazendo fundamentos do ensino de Arte em várias linguagens. A dimensão da crítica pode ser trazida em vários momentos com propostas de mediação cultural e exercícios de análise. O potencial para a crítica é inerente ao ser humano, tendo em vista que construímos conhecimentos a partir de formulações de hipóteses e compreensões de mundo. Essa dimensão do conhecimento sustenta que os processos de ensino e aprendizagem só se consolidam mediante o desenvolvimento do pensamento crítico. Elucida que “ação e pensamento propositivo” são potências na análise dos “aspectos estéticos, políticos, históricos, filosóficos, sociais, econômicos e culturais” (BRASIL, 2017, p. 192). Conhecer, compreender e saber criticar produções artísticas desenvolve o protagonismo e a independência intelectual e cultural. A dimensão da estesia está ligada à percepção do ser enquanto sujeito que tem experiências sensíveis. Essas experiências podem acontecer tanto no cotidiano como no encontro com a arte e, uma vez vividas, nos convidam a pensar como nos relacionamos com o espaço, o tempo, o som, as imagens, as palavras e o próprio corpo. Essas relações acontecem em diferentes situações e podem estar relacionadas a materiais, ideias e poéticas. São formas de conhecer e perceber de modo sensível “a si mesmo, o outro e o mundo” (BRASIL, 2017, p.192). Como já colocamos, ao falar da experiência estésica e estética, a dimensão estésica está ligada ao desenvolvimento de consciência do ser e estar no mundo. É o viver experiências em que o corpo na sua totalidade se emociona, percebe, intui, sente e pensa de modo estésico. Na parte específica deste Manual, chamamos a sua atenção em vários momentos em que há potencial para se trabalhar com a dimensão estésica. Esses momentos podem estar presentes ao apreciar imagens e textos na seção Venha!, um convite inicial para pensar sobre arte e seus processos e conceitos, que são ampliados na seção Mais de perto. A dimensão da expressão diz respeito à investigação e compreensão de como os sujeitos se manifestam em suas “criações subjetivas por meio de procedimentos artísticos, tanto em âmbito individual quanto coletivo” (BRASIL, 2017, p. 192). Essa dimensão coloca o desafio de propor situações de aprendizagem em que os alunos possam se sentir seguros em suas experiências artísticas, tendo como potencialidade o conhecimento e o uso de “elementos constitutivos de cada linguagem, dos seus vocabulários específicos e das suas materialidades” (BRASIL, 2017, p. 192). Também colabora para criar espaços de manifestação de opiniões e ideias, ampliando o direito à expressão e à prática democrática na escola. Na parte específica deste Manual, apontamos momentos com combinados, sensibilização e sugestões de situações de aprendizagem para você propor aos alunos e oferecer mais espaço para expressão. No livro do aluno, são propostas diversas atividades em que se convida o aluno a conversar com os colegas e professores sobre o tema abordado.

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A dimensão da fruição está ligada ao deleite, ao prazer ou até mesmo ao estranhamento que as produções artísticas podem nos provocar, além das aberturas para nos “sensibilizar durante a participação em práticas artísticas e culturais” (BRASIL, 2017, p. 193). Essa é uma dimensão importante no ensino e aprendizagem de Arte, uma vez que abre possibilidades para a formação de interesse e de um sentimento de pertencimento entre os alunos, de modo sensível, com relação às manifestações culturais regionais e globais. Possibilita que vivam enquanto seres de cultura e arte, identificando-se como produtores e/ou apreciadores de arte. Assim como falamos na dimensão da estesia, o ato de fruir pode acontecer em diferentes momentos sinalizados no livro do aluno, nas seções Venha! e Mais de perto. No Manual do Professor, trazemos várias sugestões de perguntas que podem ser provocadoras e mediadoras em momentos de fruição artística. A audição das faixas do CD é outro ponto relevante a ser potencializado pelo educador em momentos de fruição pela nutrição estética. A dimensão da reflexão está ligada ao potencial do ser que aprende a pensar de modo artístico, poético e estético, e desenvolve, nesse processo, “argumentos e ponderações sobre as fruições, as experiências e os processos criativos, artísticos e culturais” (BRASIL, 2017, p. 193). Dimensão fundamental para aprender a aprender e, nesse movimento, perceber, analisar, interpretar e se posicionar diante das produções e “manifestações artísticas e culturais, seja como criador, seja como leitor” (BRASIL, 2017, p. 193). No livro do aluno há varias sinalizações para trabalhar com essa dimensão, em especial nos boxes Diário de arte e + Perto de você, que propõem ao aluno que desenvolva contextualizações entre a arte que acontece no mundo e a arte que acontece na sua região, ou seja, próximo a ele. É importante ainda dizer que essas dimensões do conhecimento não têm ordem de importância, mas todas contribuem para a formação global dos alunos no âmbito da educação pela arte. São, portanto, um ponto bastante relevante a ser estudado e analisado pelos professores de Arte. Essas dimensões do conhecimento são propostas para estudo no âmbito das artes visuais, do teatro, da dança, da música e das linguagens integradas em suas muitas faces entre o criar, ler, produzir, construir, exteriorizar, refletir e as muitas formas de ter experiências com arte fora e dentro da escola.

TEMAS E EXIGÊNCIAS EDUCATIVAS

Se a arte está na vida, faz parte dela e é nutrida por ela, nós que almejamos ser professores propositores somos também pesquisadores. Assim, devemos lançar um olhar cuidadoso, respeitoso e atento para o presente. O presente nos lembra que a contemporaneidade faz de nossos alunos pessoas mais conectadas às demandas de seu tempo. É necessário um fazer pedagógico que se ligue à política, à cultura, à ciência e à filosofia. Trata-se de uma sociedade que passa por profundas transformações, um período de ebulição com muitas demandas sobre as bases democráticas, igualitárias e de justiça social. O que assistimos a partir da década de 1980, mundialmente, é a uma pedagogia atravessada por “novas emergências”, novas exigências e novas fórmulas educativas que apontam para a formação de novos sujeitos sociais. É necessário que orientações político-culturais

e metodológicas contemplem fenômenos como o feminismo, a diversidade cultural, religiosa e sexual, as diferentes classes sociais, as questões étnico-raciais, as pessoas com deficiência e as pessoas privadas de liberdade, entre tantas urgências dos nossos tempos. Desse modo, apresentamos nesta obra temas relacionados à educação e à cultura inclusivas em um sentido amplo, com o desejo de contribuir para o debate e para a elaboração de projetos que tenham consonância com as questões educacionais do nosso tempo. Sabemos que para falar de uma educação e cultura amplamente inclusivas é preciso nos posicionarmos em relação ao conceito sobre o qual estamos amparados. Para isso, propomos uma reflexão tendo como base as palavras exclusão/inclusão e integração/marginalização. O prefixo “ex-”, presente na palavra exclusão, pode significar “fora”, “separado”, “afastado”. Esses significados contradizem os princípios da educação democrática. Por sua vez, a palavra inclusão pode expressar “trazer para dentro”, “permitir que faça parte de um todo maior”, significados mais condizentes com a proposta de criar uma sociedade mais justa. A palavra inclusão, no contexto educacional, refere-se a preocupações com pessoas que possam sofrer exclusão por origem étnica, crenças religiosas, ideias políticas, gênero, cultura, origem social ou em função de limitações cognitivas, de mobilidade ou de habilidade, temporárias ou permanentes. A palavra integração está associada ao ato de “trazer para perto”, “reunir”, “tornar inteiro”. As ações educativas, os projetos e as políticas educacionais devem garantir a integração diante das necessidades educacionais e dos contextos de cada situação, eliminando, assim, qualquer possibilidade de marginalização, ou seja, não permitindo que a pessoa fique “à margem” de seus direitos.

HISTÓRIA E CULTURAS AFRO-BRASILEIRAS E INDÍGENAS NA ESCOLA

Como forma de garantir uma educação democrática, justa e igual para todos, assim como garantir o acesso à escola e a permanência nela, temas como culturas afro-brasileiras e indígenas e formação étnica e cultural tornaram-se objeto de debate no campo das políticas educacionais no Brasil. A Lei no 10.639/03 e a Lei no 11.645/08 – que alteraram a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB, Lei no 9.394/96), tornando obrigatório o ensino de história e culturas afro-brasileiras e indígenas – foram criadas com o propósito de formar cidadãos conscientes da diversidade cultural e étnica da sociedade brasileira. Elas determinam que os conteúdos de história e culturas afro-brasileiras e indígenas sejam trabalhados no contexto de todo o currículo escolar, em especial no âmbito das disciplinas de Arte (por meio de diferentes linguagens e situações de aprendizagem), Literatura e História do Brasil, como parte do processo de reconhecimento, respeito e apoio na conquista e garantia de direitos para essas populações, bem como na valorização de suas diversas expressões artísticas e socioculturais. Percebe-se, assim, como o tema da educação e diversidade cultural torna-se cada vez mais presente no campo educacional e desafia políticos, gestores escolares e professores a organizar o conhecimento por meio de um currículo que contemple a história e as culturas africanas e indígenas, a fim de lançar um movimento de superação de uma história calcada na violência, exclusão e na hegemônica influência da matriz cultural europeia, que ainda predomina em nossas instituições escolares, culturais, organizacionais e econômicas. Hoje o

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termo descolonização sintetiza uma luta que ganha corpo ano após ano, inclusive nos currículos e práticas educativas. Para que os direitos previstos nas leis tenham ressonância na escola, cabe uma ação pedagógica apoiada numa renovação teórico-metodológica que é de responsabilidade de todos os atores envolvidos no processo educacional. Nesta coleção, procuramos atender a essa legislação por acreditar em uma educação democrática e alicerçada em nossa rica diversidade cultural. PARA PESQUISAR, LER E APROFUNDAR O CONHECIMENTO

• GOMES, N. L. (Org.). Práticas pedagógicas de trabalho com relações étnico-raciais na escola na perspectiva da Lei 10.639/2003. Brasília, DF: MEC: Unesco, 2012. Disponível em: <http://livro.pro/ haatcc>. Acesso em: 23 ago. 2018.

EDUCAÇÃO, SEXUALIDADE E DIVERSIDADE

A escola é vista como um espaço voltado para o conhecimento. Por esse motivo, atribuímos a ela o papel principal de construção e divulgação do saber. Entretanto, não se trata de um lugar idealizado, à parte da sociedade, pois nela também podem ser produzidos e reproduzidos preconceitos tão difundidos no cotidiano, nos meios de comunicação de massa e nos ambientes virtuais, dando espaço para a discriminação que tem se concretizado por meio do bullying. Por essa razão, apresentar a pais, professores, gestores e educandos temas polêmicos como os ligados à diversidade sexual e de gênero, por exemplo, pode não ser uma tarefa simples, porém consideramos que abordar tais temas seja importante à realidade contemporânea e necessário para que a escola também seja um lugar de construção da cultura do respeito e da paz. Dada sua urgência social e sua complexidade, esses temas devem ser tratados de maneira cuidadosa e interdisciplinar. Para isso, é necessário conhecê-los de forma mais aprofundada e buscar metodologias de abordagem com a comunidade escolar e, especialmente, com os alunos, respeitando o tempo e o direito de ser criança e adolescente, assim como a ludicidade e a maturidade desses alunos. Acreditamos que a abordagem dos temas sexualidade e diversidade de gênero deve ser realizada sob a perspectiva dos direitos humanos. Somente por meio do respeito aos direitos humanos poderemos humanizar as relações entre os indivíduos, o que significa ir muito além da tolerância e do simples diálogo entre os diferentes segmentos sociais: significa a construção de um sujeito capaz de comunicação e de integração independentemente da diversidade e utilizando-a para a construção de reflexões e conceitos aprofundados, não de preconceitos. Assim como a educação é um direito de todos os indivíduos, é direito de todas as pessoas expressarem livremente seu afeto, sua sexualidade e sua identidade de gênero e serem respeitadas por isso.

EDUCAÇÃO INCLUSIVA DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

Como vimos, a questão da educação inclusiva é ampla e, assim, abarca as preocupações de como incluir e garantir o direito à educação de alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento (TGD) e altas habilidades ou superdotação nas redes regulares de ensino. A prática da exclusão ocorreu durante séculos, pois considerava-se que as pessoas com deficiência eram inválidas, incapazes de estudar e trabalhar. Também não havia estudos

detalhados mostrando os aspectos e necessidades singulares dos alunos em diferentes situações, já que todos eram considerados “incapazes” e, consequentemente, marginalizados. A inclusão depende de condições que proporcionem aos alunos o seu desenvolvimento pessoal, social, educacional e profissional. A inclusão pressupõe que as pessoas com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento (TGD) e altas habilidades ou superdotação assumam seus papéis na sociedade e que princípios sejam considerados nesse processo, como a valorização de cada pessoa, a convivência dentro da perspectiva da diversidade humana, a aceitação da diversidade em todas as suas nuances. A inclusão educacional de crianças e jovens com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento (TGD) e altas habilidades ou superdotação vai além de apenas colocá-los em salas de aula. É preciso criar estrutura, condições pedagógicas e acessibilidade ao sistema escolar que favoreçam o desenvolvimento dos educandos e o trabalho dos educadores diante de cada situação e singularidade.

QUEM NOS INSPIRA NO CAMINHO

Sabemos que, muitas vezes, nos identificamos com novas ideias e palavras de autores e estudiosos da educação. E a partir delas precisamos expandir e encontrar caminhos para seguir e marcar nossas próprias histórias e as dos alunos com ações propositoras, por meio de vivências artísticas e educativas significativas. Ao longo desse percurso, podemos nos perguntar: • Como trazer essas teorias para minha prática docente? • Que relações esses fundamentos e proposições pedagógicos têm com a minha história de educador e a realidade dos educandos? Relacionar teoria e prática e encontrar fundamentos para alicerçar nossa prática docente são grandes desafios. Para superá-los, é importante conhecer a história e as trajetórias pedagógicas de outros educadores que podem nos inspirar nessa caminhada. Assim, apresentamos, a seguir, algumas pesquisas e proposições pedagógicas para contextualizar e aprofundar os estudos sobre o ensino de Arte. É importante dizer que documentos como os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e a BNCC, entre outros, são frutos de percursos históricos da educação brasileira como um todo e, particularmente em nosso estudo, refletem os caminhos trilhados no ensino de Arte. Nesse sentido, vale conhecer alguns dos principais estudos e práticas metodológicas que vêm sendo investigados e discutidos por pesquisadores e vivenciados por educadores no Brasil a partir da década de 1980, bem como a relação que essas propostas estabelecem com as proposições pedagógicas trazidas nesta coleção.

ABORDAGEM TRIANGULAR DO ENSINO DE ARTE

Na direção do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP), no fim da década de 1980, a professora Ana Mae Barbosa desenvolveu, com base em suas pesquisas e ações educativas, a chamada Abordagem Triangular do Ensino de Arte (BARBOSA, 2009). Ainda hoje, essa proposta sobre o ensino da Arte é a base da maioria dos programas de educação de Arte no Brasil, seja em escolas, seja em museus. A proposta consiste em uma proposição pedagógica que aborda três eixos para a construção de saberes artísticos. Esses eixos não apresentam uma ordem preestabelecida. É o educador, diante de seu projeto, que propõe os momentos de apreciar/ler, fazer e

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contextualizar. Ao apreciar a arte, o enfoque dá peso, segundo a própria Ana Mae Barbosa2, à leitura conforme a concepção de Paulo Freire (1982), no sentido de que, antes de ler a palavra e os signos de uma imagem ou de perceber sons, gestos ou movimentos em obras de arte, a criança lê o mundo. Para esses momentos, o professor precisa preparar diálogos provocadores, criando ambientes de mediação cultural. Em diálogo com essa proposta, todos os volumes desta coleção trazem várias imagens e faixas de músicas no CD que são oportunidades para apreciar a arte. A leitura de obras artísticas proporciona momentos para situações de aprendizagem de nutrição estética, alimento para o olhar, ouvir, sentir no corpo e outras percepções da arte enquanto produto do sensível e do intelectual, da intuição e da racionalidade humana. São possibilidades de leituras de obras que se fundem às leituras de mundo dos alunos para estabelecer relações entre arte e vida, construções de interpretações de um mundo culturalmente vivido, aspectos já trazidos neste Manual quando falamos sobre as dimensões do conhecimento estesia e fruição. O fazer artístico apresenta oportunidades para instituir espaços de produção criativa nas linguagens artísticas. A obra de um artista alimenta e nutre o repertório cultural dos alunos, porém o foco no fazer artístico deve estar sempre na poética e no contexto de criação do educando. Dessa forma, “releituras”, enquanto “cópias”, que por vezes são produzidas nas escolas como práticas em que os alunos não expressam a sua poética pessoal, não são consideradas como um fazer artístico adequado e enriquecedor. São bem-vindas as iniciativas experimentais, a pesquisa e a criação de projetos de arte em que os alunos sejam protagonistas de suas produções. Também são favoráveis as pesquisas de materialidades, de procedimentos, de ferramentas e de elementos de linguagem que constroem a arte. É preciso dar espaço para expressão e criação dos alunos, como recomenda a BNCC. Ao contextualizar a produção artística, o ensino de Arte deve ir além da apresentação de fatos históricos. Deve ampliar o âmbito informativo e levar o aluno a perceber a história da obra de arte como produção social, que abarca dimensões do conhecimento histórico-culturais, além de proporcionar relações entre as produções artísticas e a leitura de mundo. Contextualizar é também permitir a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade, é conhecer a história e possibilitar que o passado se conecte com o presente e liberte o pensamento para o futuro. A Abordagem Triangular visa, segundo Ana Mae Barbosa (2009), desenvolver nos alunos a competência em conhecer, fruir e analisar criticamente a obra de arte. Essa abordagem tem como base procedimentos de descrição e análise para interpretação, avaliação, investigação de significados e discussão de assuntos de estética da obra, ampliando o repertório cultural dos alunos e explorando seu potencial de criação artística. Ana Mae Barbosa mostra que a arte está, antes de tudo, presente na vida dos alunos, e ter contato com ela na escola pode desenvolver conceitos de cidadania e de identidade cultural. Pensar de modo contextualizado se propõe como potência para desenvolver a crítica e a reflexão. PARA PESQUISAR, LER E APROFUNDAR O CONHECIMENTO

• BARBOSA, Ana Mae. A imagem do ensino da arte: anos oitenta e novos tempos. São Paulo: Perspectiva, 1991.

CONEXÕES INTERDISCIPLINARES E TRANSDISCIPLINARES

A interdisciplinaridade parte do princípio da interlocução entre diferentes disciplinas dentro do currículo da escola. É um exercício de interação e criação para estudar ou resolver problemas apresentados em percursos de aprendizado – um exercício de ampliação, jamais de redução. Não se trata de uma área estar a serviço da outra, mas sim de descobrir a potência do encontro entre elas e, dessa forma, promover diálogos. Também não se trata de muitas áreas terem o mesmo tema gerador, de forçar relações artificiais, mas sim de estimular as parcerias em processos colaborativos. Parcerias entre educadores de diferentes áreas de conhecimento que, juntos, possam construir uma teia de relações de interação, em que o grande ganho é a diversidade e a ampliação de repertório. A singularidade, a formação e o modo de ver o conhecimento que cada um traz ao grupo potencializam saberes e criam outras possibilidades inventivas. A proposta é sempre a busca por parcerias em trabalhos colaborativos e interdisciplinares. A proposição transdisciplinar sugere ir além das especializações, em voos mais livres, rompendo as tradicionais fronteiras rígidas entre as categorias do conhecimento e fazendo conexões entre os estudos específicos e a vida. Mais que uma proposta, a transdisciplinaridade é uma postura pedagógica, em que os professores podem trazer para as aulas saberes com potencial de integração a conhecimentos de outra ordem.

OS TERRITÓRIOS DE ARTE E CULTURA

A proposição dos territórios de arte e cultura engloba ideias disseminadas desde 2003 pelas educadoras Mirian Celeste Martins, Maria Guerra e Gisa Picosque (2010, p. 36) e está presente em propostas curriculares de Arte em redes públicas e privadas do Brasil. Os territórios de arte e cultura são marcados pela ideia de currículo-mapa, em que o professor traça percursos, escolhe caminhos e é autor do próprio trabalho. Um professor propositor que cria trajetos percorrendo campos conceituais como: processo de criação; linguagens artísticas; forma e conteúdo; mediação cultural; materialidade; patrimônio cultural; saberes estéticos e culturais; conexões transdisciplinares e interdisciplinares, entre outros. São campos conceituais que nos ajudam a pensar o ensino de Arte de modo ampliado e inter-relacionado. A proposição de pensar o ensino de Arte por campos conceituais amplia visões e percepções sobre como conhecer a arte por diversas vias. É possível que um campo conceitual se interlace com outro; porém, olhar mais de perto um conhecimento ajuda a dar mais objetivo aos percursos didáticos e pode facilitar o processo de ensino e aprendizagem de Arte. É importante que o professor tenha como foco objetos de conhecimento para provocar, mediar e propor processos de ensino e aprendizagem em que os alunos possam desenvolver suas competências e habilidades. Os campos conceituais presentes nos territórios de arte e cultura podem nos ajudar a pensar proposições pedagógicas para investigar os objetos de conhecimento que são expressos na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para o desenvolvimento de competências e habilidades em Arte no Ensino Fundamental – Anos Finais (6o a 9o anos) em várias linguagens (unidades temáticas): • Artes visuais: contextos e práticas; elementos da linguagem; matrizes estéticas e culturais; materialidades; processos de criação; sistemas da linguagem.

2 Apud PROJETO Memórias da ECA/USP: 50 anos. Disponível em: <http://livro.pro/hih7j8>. Transcrição disponível em: <http://livro.pro/zauyge>. Acessos em: 19 set. 2018.

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• Dança: contextos e práticas; elementos da linguagem; processos de criação. • Música: contextos e práticas; elementos da linguagem; materialidades; notação e registro musical; processos de criação. • Teatro: contextos e práticas; elementos da linguagem; processos de criação. • Artes integradas: processos de criação; matrizes estéticas e culturais; patrimônio cultural; arte e tecnologia. Nesta coleção, a proposta foi trazer os campos conceituais, dimensões e objetos de conhecimento presentes na BNCC já citados, os territórios de arte e cultura e a contribuição da Abordagem Triangular do Ensino de Arte em seu desenvolvimento metodológico e conceitual, convidando o professor a ser um inventor de novas proposições, uma vez que a proposta dessas tendências de ensino e aprendizagem de Arte não é fechada. O educador pode sempre propor mais vias de investigação do ensino de Arte e encontrar novos territórios, campos conceituais, objetivos e proposições. Relembramos, aqui, as palavras de Paulo Freire, ao dizer que o educador “permanentemente se faz na prática e na reflexão sobre a prática”. Tudo o que já encontramos em nossos caminhos e já estudamos e tudo o que hoje estamos encontrando de novidade vai nos construindo enquanto educadores, porque estamos em permanente formação/reflexão nesse espaço/universo conhecido como sala de aula.

Não se trata de explicar a arte ou apresentar certezas, mas de abrir espaços para conversar, trocar ideias e experiências buscando múltiplas fontes de estudos e pesquisas que nutram o pensamento. Pela via dos territórios da arte e cultura, podemos vislumbrar situações de aprendizagem que exploram diversos conceitos que visam potencializar a experiência com a arte. Trabalhar com a proposição de territórios da arte e cultura implica percorrer vias do pensamento rizomático que ampliam as possibilidades de criar projetos em ensino de Arte segundo visões e percepções de como conhecer a arte por vias diversas. Como os territórios de arte e cultura se configuram como uma rede infinita, portanto não se fecham nos campos conceituais e dimensões de aprendizagem apresentados até aqui, fica o convite para que mais professores propositores os ampliem, tenham ideias e multipliquem-nas, estabeleçam conexões entre saberes e criem diferentes espaços de troca, de modo a constituir novos territórios de arte e cultura.

ESTUDOS CONTEMPORÂNEOS DO ENSINO DE ARTE

Uma abordagem teórica e prática na leitura e estudo da imagem é a cultura visual. Esse campo de estudo da arte-educação é interdisciplinar e não se restringe às obras de arte, ao contrário, busca referenciais para o ensino de Arte na arquitetura, publicidade, design, moda, história da arte, mediação cultural, psicologia, antropologia, produções artísticas contemporâneas e outras possibilidades de estudo do universo das imagens. A cultura visual não se organiza somente com base em nomes de peças, fatos e sujeitos, mas considerando a relação estabelecida com seus significados culturais. É um campo plural que vem sendo elaborado há décadas a partir de teóricos de diferentes áreas, como William J. T. Mitchell (1942-), nos EUA, e Stuart Hall (1932-2014), importante sociólogo jamaicano-inglês da vertente dos Estudos Culturais. Na prática, não é incomum ver educadores e pesquisadores que, de formas diferentes, lançam propostas que podem ser atreladas a essa concepção, ainda que não fosse nomeada. Há vários estudiosos sobre esse tema no Brasil e no exterior; entretanto, um dos primeiros autores a publicar no Brasil textos com a nomenclatura cultura visual foi Fernando Hernández, em 2000. Esse autor defende uma abordagem para o ensino de Arte que considere “a arte e a cultura como mediadores de significados”, na qual o “significado pode ser interpretado e construído” e as imagens podem “informar àqueles que as veem sobre eles mesmos e sobre temas relevantes no mundo” (HERNÁNDEZ, 2000, p. 54).

A proposição dos territórios de arte e cultura, desenvolvida por Mirian Celeste Martins, Maria Guerra e Gisa Picosque (2010), apresenta a ideia de que educadores e educandos, ao realizar percursos educativos no ensino e no estudo de Arte, fazem conexões, relacionam-nas e ampliam saberes, transitando por territórios, campos e conceitos fundamentais. Esses trajetos não têm limite nem formas fechadas e estão à disposição de quem quer se embrenhar nos conhecimentos teóricos e práticos, no intuito de criar pensamentos e atitudes pedagógicas moventes. O pensamento rizomático recebeu a influência de concepções teóricas dos filósofos Deleuze e Guattari (1995). Rizoma é um termo utilizado em Biologia para nomear estruturas vegetais com aspecto de raiz que não apresentam bulbo central e que crescem na direção em que buscam nutrientes. Os rizomas desenvolvem raízes e caules em seus nós, que se abrem em múltiplas bifurcações e ganham o aspecto de rede (como exemplo: o gengibre), armazenam energia e, em alguns casos, crescem em situações adversas. Essa imagem inspirou os filósofos citados a refletir sobre a ideia de que o pensamento também poderia se desenvolver dessa forma, ao fazer e criar outras ideias que vão além da inicial e da ordem preestabelecida – um pensamento em constante estado de invenção. Nessa perspectiva, o pensamento rizomático, proposto por Deleuze e Guattari, é uma metáfora sobre pensamentos moventes, construídos em redes, em linhas de fuga, cuja essência não é a unidade ou a sequencialidade, mas a multiplicidade e a complexidade, a expansão de ideias que se proliferam por campos conceituais. Como uma estrutura de pensamento que busca crescer por caminhos nutridos pela inteligência, por encontros, pela afetividade e pelos desejos do ser humano, pensar de forma rizomática é fazer conexões entre pensamentos e saberes, conviver com as incertezas, aventurar-se e espalhar-se por territórios na busca por nutrientes, construindo e ampliando saberes e conhecimentos.

PARA PESQUISAR, LER E APROFUNDAR O CONHECIMENTO

• MARTINS, Mirian C. (Coord.); PICOSQUE, Gisa; GUERRA, Maria T. T. Teoria e prática do ensino de arte: a língua do mundo: poetizar, fruir e conhecer arte. São Paulo: FTD, 2010.

CULTURA VISUAL

INTERCULTURALIDADE E MULTICULTURALISMO

Sem conhecimento de arte e história não é possível a consciência de identidade nacional. A escola seria o lugar em que se poderia exercer o princípio democrático do acesso à informação e formação estética de todas as classes sociais, propiciando-se na multiculturalidade brasileira uma aproximação de códigos culturais de diferentes grupos (BARBOSA, 2009, p. 34).

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Em consonância com as demandas contemporâneas debatidas anteriormente e em busca de uma escola acessível em sentido amplo, nos últimos anos observamos no país o aumento da produção teórica que valoriza o ensino com foco na interculturalidade e no multiculturalismo, o qual propõe um diálogo dinâmico, buscando a compreensão das produções artístico-culturais de grupos diferentes e das redes que se formam nessas produções. A abordagem com base na interculturalidade valoriza a identidade dos diversos povos, das sociedades e das práticas culturais, concentrando-se no cotidiano, nos diálogos, nos encontros e nas construções conjuntas das diversas culturas e tradições, valorizando o surgimento do novo e das novas identidades culturais, inclusive discussões sobre o feminismo. Também se preocupa em pensar como a educação trabalha as relações socioculturais construídas pelas novas mídias e tecnologias. Propõe romper barreiras entre conceitos e entre popular e erudito, incluindo saberes artesanais e arte contemporânea, por exemplo. Apresenta, ainda, a ideia de que não há uma “arte oficial” para ensinar Arte. Estimula, também, a valorização do sentimento de pertencimento e de identidade cultural para as diversas classes e grupos, além de valorizar patrimônios culturais materiais e imateriais locais e mundiais. Nesta coleção, valorizamos as várias linguagens das produções artísticas e manifestações culturais de diferentes localidades do nosso país, propondo a ampliação do repertório cultural e incentivando o educando a conhecer mais sobre o seu entorno e também sobre o rico patrimônio artístico e cultural brasileiro.

ARTE PARTICIPATIVA, ARTE SOCIALMENTE ENGAJADA, ARTE PROPOSITORA

Solicitar ao público que participe da obra tem sido uma prática bastante presente na arte contemporânea. Artistas têm chamado o público para ser coautor da obra de arte, seja na sua criação ou por meio da interação com ela no espaço expositor. A inspiração vem dos trabalhos radicais do artista alemão Joseph Beuys (1921-1986), que, depois de ser demitido e deixar a docência de Escultura na Academia de Arte de Düsseldorf, fundou a “Universidade Livre”, uma experiência comunitária auto-organizada fora do padrão convencional de ensino. Seus trabalhos são inusitados e fruto de fortes experiências de vida, reflexões filosóficas, liberdade de experimentação e interação com o outro e com a natureza. Uma das propostas mais conhecidas é a que foi chamada de 7 000 carvalhos, uma “escultura social”, em que artista e público fizeram um mutirão e plantaram 7 mil árvores na cidade de Kassel, para a exposição Documenta 7 (1982). Desde essas primeiras experiências que surgiram a partir da segunda metade do século XX, muitas produções artísticas propositoras foram inventadas. São propostas conceituais, sensoriais, interativas, proporcionando espaços para discursos poéticos que podem ser lidos pelos olhos e pelo corpo. No Brasil, participantes do movimento neoconcreto, artistas como Lygia Pape (1927-2004), Lygia Clark (1920-1988) e Hélio Oiticica (1937-1980), entre outros, se pronunciavam como artistas propositores, lançando trabalhos exploratórios entre arte, experiência e aprendizado. Essas ideias de arte propositora/participativa também aconteceram em várias linguagens; no teatro, por exemplo, o dramaturgo, teórico e educador Augusto Boal

escreveu sobre sua prática no teatro e costumava dizer que: “Somos todos ‘espect-atores’”. Nesse sentido, a ação propositora na arte apresenta a ideia de que: • o público não é apreciador passivo, apenas, mas ativo e participante; • é preciso abrir espaço para diálogos entre artistas, obras e apreciadores, entre arte e vida. Como as relações criativas entre arte e pedagogia podem contribuir para um despertar crítico e engajado dos participantes das propostas? Essa seria uma questão fundamental para projetos de artistas e coletivos que se enquadram no que tem ganhado cada vez mais força nos últimos anos com diferentes nomes: educational turn, virada educativa, giro educacional (PODESVA, 2007; ROGOFF, 2010), arte participatória (BISHOP, 2012), pedagogia no campo expandido e transpedagogia (HELGUERA, 2011) e arte propositora (MARTINS; GUERRA; PICOSQUE, 2010). São estudos que analisam obras de artistas de várias partes do mundo, como os de Tania Brughera (Cuba, 1968), Paulo Nazareth (Brasil, 1977), Gonzalo Pedraza (Chile, 1981), Pawel Althamer (Polônia, 1967), Francis Alÿs (Bélgica, 1969, radicado no México), Paul Chan (Hong Kong, 1973, radicado nos EUA), Yoko Ono (Tóquio, 1933, radicada nos EUA) e Coletivo Mapa Xilográfico (Brasil, São Paulo), entre outros. Esses são alguns propositores cujas ações e projetos artísticos e curatoriais trazem também a preocupação com a dimensão didática e pedagógica no processo de aprender sobre arte e vida para além dos muros da escola. A valorização dos processos, a abertura para o acaso e práticas colaborativas são algumas de suas características. Para nós, professores, entrar em contato com a produção desses criadores contemporâneos traz uma chance de olhar sob outro prisma para a arte e a educação e enriquecer a nossa própria prática. Muitas dessas produções são ótimas para trazer aos alunos o conceito de arte híbrida – artes integradas no termo da BNCC. PARA PESQUISAR, LER E APROFUNDAR O CONHECIMENTO

• COLETIVO MAPA XILOGRÁFICO. Disponível em: <http://livro.pro/9shizu>. Acesso em: 29 ago. 2018. • PAULO NAZARETH − ARTE CONTEMPORÂNEA/LTDA. Disponível em: <http://livro.pro/geati5>. Acesso em: 29 ago. 2018. • ROSENTHAL, Dália. Joseph Beuys: o elemento material como agente social. Disponível em: <http://livro. pro/3zqur9>. Acesso em: 29 ago. 2018.

ABERTURA PARA O NOVO E O INSTIGANTE: TEMPOS CRONOS E KAIRÓS

Quando olhamos para a história, que é composta pelo tempo em suas possíveis contagens, relatos de experiências vividas e produções, podemos refletir sobre o conceito de tempo. Na educação contemporânea, o ensino de História, de modo geral,

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tem mudado no sentido de mostrar aos alunos que eles também são sujeitos da história, que o estudo dessa área de conhecimento se faz com análise crítica a respeito dos acontecimentos, sujeitos e contextos. Na disciplina de Arte não cabe mais a preocupação apenas com a cronologia histórica, ou seja, um ensino de arte apenas linear. Atualmente se busca trabalhar com um ensino de Arte mais contextualizado, trazendo o percurso histórico que resultou na formação do acervo artístico e cultural da humanidade, mas sempre estabelecendo relações com o tempo presente e seus desdobramentos na relação entre Arte, história e outros campos do saber.

Ao conhecer as concepções sobre o tempo, a história e a arte e ao usar como metáfora a mitologia grega, podemos apresentar os acontecimentos históricos e artísticos de duas formas: cronológica, de Cronos, ou dos momentos significativos, seguindo a lógica de Kairós.

Trazemos aqui como metáfora aspectos da mitologia grega para conversar com você sobre o tempo e o ensino da história da arte proposto nesta coleção. Na Grécia antiga, acreditava-se que Cronos (Khrónos ou Chronos), o senhor do tempo, teria surgido no princípio de tudo e encontrado Ananke, deusa do destino. Segundo a mitologia, os dois deuses uniram-se e passaram a reger tudo o que conhecemos. Segundo essa crença, somos regidos tanto pelo tempo quanto pelo destino.

Howard Gardner (1994) escreveu que as inteligências são múltiplas e expressam competências e habilidades a serem exploradas em várias linguagens. São aptidões intelectuais autônomas que devem ser desenvolvidas desde a infância. Nesta coleção, procuramos apresentar a diversidade das linguagens artísticas, que podem se manifestar nas formas visual, musical, cênica, corporal e nas artes integradas, em que todas essas linguagens podem existir unidas em uma simbiose de linguagens, tornando-se linguagens híbridas. Por quais meios as crianças e adolescentes têm contato com as linguagens artísticas? Será por meio de uma ilustração de livro ou revista, uma música que toca na rádio ou na televisão, uma cena de dança na rua, um grafite no muro, uma página na internet ou imagens de filmes ou desenhos animados? Com quais linguagens artísticas os alunos já tiveram contato? Como apresentar esse universo aos alunos? Que conceitos e ideias são importantes para explorar em um projeto de arte? Essas são algumas questões a serem analisadas na proposta de um currículo de Arte.

Escolher o que estudar e como estudar no emaranhado fio da história pode ser tão desafiador como sair de um grande labirinto. Aqui trazemos mais uma metáfora baseada na mitologia grega, a história do fio de Ariadne, personagem que ajuda o herói Teseu a sair do labirinto do Minotauro ao lhe dar um novelo de lã, que ele desenrola à medida que caminha, marcando assim seu percurso e conseguindo retornar ao ponto de partida. A linha do tempo pode nos ajudar, tal qual o novelo de fios de lã dado por Ariadne, a encontrar pontos históricos nas origens, nos desdobramentos em várias culturas até a arte produzida na atualidade, e deste modo estudar épocas, estilos, artistas e obras; é como desemaranhar os fios da memória e da história.

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS E AS DIVERSAS LINGUAGENS DA ARTE

ARTES VISUAIS

Mas existem outras maneiras de olhar para o tempo histórico e tudo o que foi produzido e experienciado nesses percursos. Entre os mitos criados na Grécia antiga sobre o tempo, temos ainda o mito do deus Kairós, filho de Cronos. Dizem que era belo, atlético, rápido e que só possuía cabelos na parte da frente da cabeça. Por isso, costuma-se dizer, até hoje, que devemos “agarrar as oportunidades pelo topete”. É o deus do momento certo, da ocasião propícia. Sabe aqueles momentos de prazer que passamos com amigos, familiares, em uma festa, viagem ou realização de algo importante? Aquele tempo tão marcante e significativo que nem vimos passar? Esse é o tempo do deus Kairós (tempo significativo). Os artistas, ao longo da história da arte, apresentaram suas impressões, não do passado nem do futuro, mas do exato momento em que viviam. Olhar para a história da arte é viajar para outros tempos e tentar compreender como os artistas viveram seu tempo Kairós (significativo) e como sua obra ficou marcada no tempo Cronos (tempo contado e datado).

No que se refere a artes visuais, os alunos podem desenvolver competências e habilidades na interpretação e criação de imagens ao serem apresentados a diversas possibilidades de articulações e combinações entre os elementos da linguagem visual, às materialidades, aos diversos processos de criação, além dos discursos e contextos em que as imagens são criadas.

Nesta coleção trazemos momentos em que valorizamos o tempo Cronos, apresentando linhas do tempo temáticas na relação com os assuntos estudados em cada unidade. O tempo Kairós é apresentado a todo momento nos temas e outras seções, com a proposta de trazer um estudo de arte contextualizado, valorizando o passado no estudo da história da arte e apontando relações com o universo cotidiano do aluno e com o contexto contemporâneo.

Para Fayga Ostrower (2007), poucos elementos de linguagem visual em múltiplas combinações abrem infinitas possibilidades para criar imagens e, assim, expressar ideias, emoções, sensações. O estudo da gramática visual deve ir além de estabelecer técnicas e códigos ou de se perder em explicações verbais. Para Santaella (2012, p. 13), “[...] a alfabetização visual significa aprender a ler imagens, desenvolver a observação de seus aspectos e traços constitutivos, detectar o que se produz no interior da

A proposta desta coleção é desenvolver processos de alfabetização visual ampliados e contextualizados quanto à cultura visual. Sugerimos situações de aprendizagem para apresentar aos alunos conceitos e noções, mostrando que as imagens são constituídas a partir de elementos específicos da linguagem visual, como ponto, linha, forma, cor, luminosidade e espaço. Mostrando, também, como esses elementos articulados podem criar texturas, tonalidades, variações de luz e sombra, valores cromáticos, movimentos, e como o espaço e as formas podem se apresentar em relações de bidimensionalidade e tridimensionalidade, entre outras possibilidades.

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própria imagem, sem fugir para outros pensamentos que nada têm a ver com ela”. Além de compreender as imagens e seus contextos, os alunos podem aprender, por exemplo, por meio da compreensão de como esses elementos são combinados, que muitas linhas podem ser usadas para a construção de texturas e de luminosidade em seus desenhos. O desenho é uma linguagem tradicionalmente ensinada nas escolas. Entretanto, há muito a ensinar sobre essa linguagem, uma vez que os desenhos em arte podem ser tanto estudos, esboços em processos criativos para a construção de outras linguagens como a própria obra finalizada. Os elementos que compõem um traçado ou um grafismo podem variar em direção, espessura e forma. Desenhar é algo que pode ser prazeroso e desafiador e, para alguns, angustiante a princípio. Se pensarmos que a escrita é uma forma de desenho, podemos entender que o traço, a forma de desenhar, as soluções, o “estilo” são autorais, intrinsecamente ligados a quem faz o desenho. O universo de criação de imagens tem muitas possibilidades além do desenho, como compreender de que modo os artistas criam cores e matizes, saber como colocam cor ao lado de cor ou de que forma misturam cores e criam nuances. Com base nessas descobertas, os alunos também podem olhar e ler suas próprias produções e as de seus colegas e desenvolver o senso crítico em relação à produção de imagens em pinturas, desenhos, colagens, gravuras, técnicas mistas, fotografias e outras linguagens visuais. Nas esculturas, a arte dos volumes, conceitos de espaço e de forma tridimensional são trabalhados, assim como linguagens contemporâneas presentes em intervenções, objetos, instalações, land art (arte com recursos da natureza, nela fazendo intervenções) e outras tantas formas de expressão artística. Trabalha-se também a percepção de que vivemos em um mundo de múltiplas possibilidades de criação de imagens, fixas ou em movimento, traçadas com lápis de cor ou criadas por computador. As formas de manifestação do pensamento estético resultam em muitas linguagens artísticas. É importante que alunos de diferentes níveis de ensino explorem a potencialidade de expressão das artes visuais em suas diferentes produções, como a pintura, a escultura, o desenho, a gravura, a instalação, a performance, a fotografia, o cinema, a arte digital e tecnológica, entre outras. A visualidade está em tudo ao nosso redor e o ensino nas artes visuais precisa estabelecer relações com o mundo e a cultura visual e promover condições para que ocorram encontros e experiências estéticas e estésicas. Assim como citamos, a história das imagens e as produções artísticas atuais podem ser trazidas para os alunos nos pautando na compreensão dos tempos: Cronos e Kairós. PARA PESQUISAR, LER E APROFUNDAR O CONHECIMENTO

• OSTROWER, Fayga. Criatividade e processo de criação. 21. ed. Petrópolis: Vozes, 2007. • OTT, Robert Wiliam. Ensinando crítica nos museus. In: BARBOSA, Ana Mae. Arte-educação: leitura de subsolo. São Paulo: Cortez, 1997. • SANTAELLA, Lúcia. Como eu ensino: leitura de imagens. São Paulo: Melhoramentos, 2012.

TEATRO

O termo artes cênicas refere-se a linguagens que têm como princípio o uso de um espaço cênico, como o palco de um teatro ou até mesmo uma rua ou praça pública. É um lugar destinado à expressão do corpo como materialidade e ao uso de espaços como ambientes de relação espaço-corpo. O espaço cênico, nesse sentido, pode ser compreendido como qualquer local onde acontece uma representação, dança ou manifestação de expressão corporal. Estudar artes cênicas é investigar a prática da representação, do movimento, da percepção do espaço e do corpo em toda a sua expressividade. Existem muitos gêneros nas artes cênicas, tanto na linguagem do teatro como na linguagem da dança, como as peças teatrais que usam bonecos e máscaras, os espetáculos em que os atores realizam diálogos ou monólogos, as apresentações em que os bailarinos fazem movimentos e expressões corporais, entre outras possibilidades, como a arte do circo. Também podemos pensar em tipos de espetáculo, como comédias, musicais, tragédias, teatro gestual ou dramático, danças típicas, coreografias de dança e outras modalidades. Nas linguagens cênicas, os conceitos propõem a aprendizagem sobre movimento, corpo, gesto, comunicabilidade, recursos cênicos, jogos teatrais, improvisação com foco em processo de criação e compreensão das linguagens artísticas do teatro, da dança e outras. Conhecer os meandros dessas linguagens é um grande desafio, pois o aprendiz das artes cênicas precisa se descobrir, desvendar seus limites e possibilidades do corpo como materialidade expressiva. Ensinar linguagens cênicas é recuperar a autonomia do sujeito criador e a autoconsciência de expressão. Conhecendo o próprio corpo, como ele se expressa e também como outros corpos se expressam, aprende-se a respeito das artes cênicas, e esse aprendizado pode ser levado para o contexto da escola. A linguagem artística teatral concretiza-se mediante a composição de diversos elementos, embora, mesmo abrindo mão de alguns deles, o espetáculo teatral ainda possa se realizar. Por sua natureza, o teatro agrega outras linguagens, como a dança, a música, as artes visuais, a arquitetura, o circo, entre outras. Sua composição complexa e repleta de nuances estéticas e ideológicas, assim como seus diversificados elementos de linguagem, contribui para a existência dessa multiplicidade de elementos. Há vários criadores na linguagem teatral: quem cria a cenografia, a iluminação, o figurino, a maquiagem, a sonoplastia, a dramaturgia, a direção, a atuação (ação teatral), entre muitas possibilidades dessa linguagem de múltiplas expressões. Conhecer os elementos mencionados é fundamental para compreender as muitas formas do fazer teatral. Também é importante, no ensino de teatro na escola, conhecer alguns princípios sobre jogos teatrais. Um bom início para a criação no teatro é investigarmos três perguntas básicas para o fazer teatral: “Onde?”, “O quê?” e “Quem?”. São perguntas que fazemos durante o processo de criação de uma cena ou de um jogo teatral. Essa abordagem tem como base as ideias de Viola Spolin (1906-1994), autora e diretora de teatro estadunidense que criou uma proposta para tornar possível o trabalho da linguagem teatral em

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qualquer escola. O jogo e a improvisação teatral são a forma e o caminho de sua metodologia. Esses três conceitos (onde, o que e quem) compõem o sistema dos jogos teatrais proposto por Spolin (2012) e podem contribuir muito para o ensino do teatro nas escolas. É possível trabalhá-los em conjunto ou separadamente, dependendo dos objetivos ou das expectativas de aprendizagem estabelecidas. Essa escolha de trabalho em linguagem teatral com a busca pelas respostas para as questões (“Onde a cena se passa?”; “O que vou fazer em cena?”; “Quem é o personagem que vou representar?”) é fundamental para desenvolver um trabalho teatral ou outras formas de expressão corporal, como a dança. Já citamos aqui neste Manual o diretor, dramaturgo e teórico carioca Augusto Boal (1931-2009), que criou um método de concepção e encenação teatral que reúne exercícios (monólogos corporais) e jogos (diálogos corporais) com a utilização de diversas técnicas, ao qual ele chamou de Teatro do Oprimido, conhecido pela sigla TO. O método foi pensado para um fazer teatral de atores e não atores, tendo como principais objetivos buscar a (des)mecanização física e intelectual dos atores ou não atores, dar acesso ao universo teatral às camadas sociais menos favorecidas e transformar a realidade por meio do diálogo e da representação teatral. O Teatro do Oprimido é uma invenção brasileira difundida no mundo inteiro. A ideia de Boal surgiu na década de 1970, quando ele era diretor da companhia Teatro de Arena, na cidade de São Paulo. Podemos considerar Boal e seu método uma referência do teatro e da dramaturgia brasileira. Artista propositor, Boal apresenta a ideia de “espect-ator”, termo proposto para nos referirmos à ideia de que todos os seres humanos são espectadores, porque observam, e podem ser ao mesmo tempo atores na medida em que agem. PARA PESQUISAR, LER E APROFUNDAR O CONHECIMENTO

• BOAL, Augusto. Jogos para atores e não atores. 10. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007.

DANÇA

Para Roger Garaudy (1980-), a dança é a expressão que potencializamos por meio de movimentos do corpo. Esses movimentos são organizados em sequências coreográficas, movimentos significativos. Dançar é uma experiência, um modo de existir. Uma das formas de ampliar saberes culturais dos alunos é apresentar espetáculos de dança para nutrir esteticamente o repertório cultural deles. Hoje, há muitas possibilidades de conhecer sobre dança, como fazer pesquisas na internet ou assistir a espetáculos gravados, mas o caminho mais frutífero é sempre assistir aos espetáculos presencialmente. Desde tempos remotos, a dança foi se consolidando de maneira particular nas diferentes culturas e etnias ao redor do mundo. Dessa forma, cada civilização desenvolveu sua lógica, sua mística e sua estética para criar na arte dos movimentos. É fundamental apresentar aos alunos diferentes manifestações de dança e debater com eles as transformações estéticas e

filosóficas da dança ao longo dos tempos. Para isso, é importante apontar a história da dança e as diversas funções dessa manifestação cultural, como rito, diversão, expressão individual ou manifestação coletiva de uma comunidade étnica. Há muitas manifestações de danças antigas ainda presentes em várias culturas. Como exemplo, as danças étnicas brasileiras e suas manifestações indígenas e afrodescendentes podem ser trabalhadas dentro do tema transversal pluralidade cultural. No geral, entende-se por dança étnica a que é produzida por uma comunidade étnica e cultural. A forma e os motivos são passados de geração a geração, com mínimos acréscimos e modificações. Nesse caso, incluem-se as danças ritualísticas, dramáticas e populares de vários grupos culturais, consideradas patrimônio histórico e cultural da humanidade. No Brasil, existem ricos acervos de manifestações de dança disponíveis para sua pesquisa e para apresentação aos alunos. Na dança moderna e contemporânea, surgem concepções dessa arte em que se rompem as barreiras do movimento expressivo tradicional, abrindo espaço para outras formas artísticas na dança que possibilitam um trabalho na escola mais adequado à expressividade corporal das crianças. A bailarina alemã Pina Bausch (1940-2009) inovou a dança ao fazer uma união de linguagens, criando a dança/teatro. Em suas coreografias marcantes, explorava tanto o corpo dos bailarinos como suas emoções, criando movimentos e expressões diferentes dos vistos na arte clássica do balé. Bausch costumava dizer que até nas pontas dos dedos podemos perceber movimentos belos e expressivos. Acreditava que cada bailarino precisava conhecer o próprio corpo para potencializá-lo ao máximo na arte da dança. Valorizava a investigação e a criação de repertórios de movimentos. Ela também acreditava que, para dançar, o bailarino deveria fazer aflorar suas emoções e sensibilidade e fazer os movimentos que o corpo convocasse. Rudolf Laban (1879-1958), bailarino e coreógrafo austro-húngaro, analisou de forma sistemática os elementos constitutivos do movimento humano (linguagem corporal). Além disso, enfatizou a importância da dança na escola, onde deveriam ser realizadas atividades que reforçassem as faculdades naturais de expressão da criança e que preservassem a espontaneidade do movimento. No livro do aluno, propomos, em vários momentos, que as crianças se movam, experimentem e comecem a tomar consciência dos elementos constitutivos dos movimentos estudados por Laban. Além disso, você pode criar outras situações de aprendizagem para ensinar aos alunos que a arte da dança consiste em proporcionar o autoconhecimento do corpo e a percepção do que ele pode fazer. Laban realizou vários estudos com base em movimentos cotidianos. Você pode explorar os movimentos realizados pelos alunos no dia a dia e estimulá-los a criar sequências coreográficas. Convidá-los a formar uma roda em um espaço amplo e depois conversar sobre como eles se movem no dia a dia pode servir de estímulo para iniciar essa atividade. Propor que pesquisem exercícios em que expressem, de forma livre e dinâmica, esses

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movimentos e façam combinações deles para criar sequências coreográficas, o que cria ricas oportunidades de desenvolver a dança na escola, explorando a linguagem corporal, a arte como área de conhecimento e a expressão poética. Como vimos até aqui, a dança se manifesta em nossos corpos de maneira natural, basta estarmos atentos à nossa proposta ao utilizar cada linguagem. A dança não implica apenas rebuscadas coreografias; uma simples brincadeira de roda ou um único movimento pode se transformar em uma aula de dança, até mesmo para aqueles mais tímidos. PARA PESQUISAR, LER E APROFUNDAR O CONHECIMENTO

• GARAUDY, Roger. Dançar a vida. 6. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,1980. • KOUDELA, Ingrid D. Jogos teatrais. São Paulo: Perspectiva, 2011. • LABAN, Rudolf. Domínio do movimento. São Paulo: Summus, 1978. • SPOLIN, Viola. Improvisação para o teatro. São Paulo: Perspectiva, 2012.

MÚSICA

A proposição pedagógica para música presente nesta coleção convida professores e educandos a trilhar um percurso sensível e lúdico pela experiência criativa. Temos compromisso com o conhecimento da música e da linguagem musical. Propomos apresentar ideias para percursos que favoreçam a aprendizagem significativa da linguagem musical no ato de ouvir, cantar, tocar, construir, criar, pesquisar, analisar etc. Pesquisas desenvolvidas nos últimos tempos têm nos instigado a considerar a música, a educação musical e o ensino da música de maneira inventiva e reflexiva, integrando o saber musical e os discursos possíveis sobre a música. Desde as contribuições dos métodos ou das pedagogias musicais chamados “ativos” – Carl Orff (1895-1982), Edgar Willems (1890-1978), Zoltán Kodály (1882-1967), Émile Jaques-Dalcroze (1865-1950) e Maurice Martenot (1898-1980) –, surgidos no período entre as duas grandes guerras e apoiados nas contribuições de Maria Montessori (1870-1952) e Célestin Freinet (1896-1966), vem sendo perseguido um equilíbrio entre a música praticada ou vivenciada, por um lado, e a música ensinada ou abordada teoricamente, por outro. Essas proposições consideram a arte não como um conteúdo rígido, mas sim um modo de ser, de estar e de pensar o mundo. Buscamos integrar, na proposta musical que oferecemos nesta coleção, as diversas contribuições desses estudiosos. Convidamos você a conhecer um pouco dessas diversas pesquisas e trajetórias. De Carl Orff, guardamos a dança e o movimento, os instrumentais variados, as percussões e a percussão corporal, o contato com o repertório musical tradicional de diferentes culturas e o papel relevante do jogo, da improvisação e da criação. Do músico e pedagogo austro-suíço Émile Jaques-Dalcroze, valorizamos a ligação do movimento corporal com o movimento musical, fundados no ritmo e na improvisação. Essa proposta ficou conhecida como rythmique (rítmica). Com base nessas proposições, podemos propor brincadeiras musicais, jogos de mãos, percussões corporais e outras propostas que podem abrir caminhos para pensar a possibilidade de criar

no fazer musical, posteriormente levando à exploração de leituras e escritas musicais. A voz também é trabalhada como meio de expressão e comunicação. São propostas formas criativas de exploração da voz para que as crianças experimentem processos de improvisação, composição e interpretação. O educador e músico húngaro Zoltán Kodály nos provoca em suas pesquisas, defendendo o acesso irrestrito à música pela prática do canto (tradicional, em particular, mas não exclusivamente), sem obrigatoriedade da aprendizagem de um instrumento musical. Ele desenvolveu propostas que se baseiam na utilização de gestos para representar sonoridades e potencializou canções populares e folclóricas em material cultural educativo para o ensino de música para crianças. De Edgar Willems consideramos alguns princípios fundamentais, como a possibilidade de acesso que toda criança tem a esse importante elemento cultural que é a música – sem qualquer tipo de referência a talento ou dote especial –, com iniciação ativa por meio de canções, jogos de escuta, ritmo e movimentos corporais. De Maurice Martenot, trazemos a importância da improvisação e da criação, praticadas num ambiente de confiança e alegria, criando condições para a escuta sensível da criança, mas também valorizando a observação e a percepção, e oportunizando experiências auditivas particulares. Educadores musicais mais recentes aportam também subsídios para o trabalho apresentado aqui. Nos anos 1970, o educador musical inglês Keith Swanwick (1931-) formulou sua proposta de desenvolvimento musical espiral, tendo por base a teoria de Piaget (1896-1980), intitulada CLASP, que no Brasil foi traduzida para a sigla TECLA. No processo concebido por ele, três atividades são priorizadas na música: o compor, o ouvir e o tocar, atividades a serem mescladas em aula pelo estudo da história da música e pela aquisição de habilidades musicais. Para Swanwick, é fundamental que os conteúdos sejam trabalhados de maneira integrada, sem ênfase excessiva num ou noutro aspecto, em razão de suas respectivas importâncias. Veja o que ele diz em uma entrevista dada a uma revista brasileira em 2010: Que aspectos devem ser considerados no ensino de música nas escolas? [SWANWICK] O fundamental é que os conteúdos sejam trabalhados de maneira integrada. Nos anos 1970, resumi essa ideia na expressão inglesa clasp. Além de ser uma sigla, um dos sentidos dessa palavra em português é “agregar”. Proponho que há três atividades principais na música, que são compor (a letra C, de composition), ouvir música (A, de audition) e tocar (P, de performance). Essas três atividades, que formam o CAP, devem ser entremeadas pelo estudo da história da música (L, de literature studies) e pela aquisição de habilidades (S, de skill acquisition). (No Brasil, esse processo ficou conhecido como TECLA: T de técnica, E de execução, C de composição, L de literatura e A de apreciação.) GONZAGA, Ana. Keith Swanwick fala sobre o ensino de música nas escolas. Nova Escola, 1o jan. 2010. Disponível em: <https://novaes cola.org.br/conteudo/1017/keith-swanwick-fala-sobre-o-ensino -de-musica-nas-escolas>. Acesso em: 31 ago. 2018.

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Por sua vez, o inglês John Paynter (1931-2010) e o canadense Murray Schafer (1933-), por exemplo, adotam a escuta e sobretudo a criação como eixos centrais da educação musical, utilizando-se dos mais variados recursos e tipos de materiais sonoros que possam ajudar os educadores a explorar o potencial criativo dos educandos. Murray Schafer apresenta uma proposta educativa ampla, na qual enfoca a percepção da paisagem sonora, que consiste em perceber conscientemente a relação som/ silêncio e a existência de sonoridades próprias de diferentes ambientes. Nessa concepção, a paisagem sonora é tudo o que está em nosso campo auditivo, dos sons característicos que estão à nossa volta – das grandes cidades, locais de trabalho ou equipamentos tecnológicos – às sonoridades humanas e aquelas típicas da natureza. Pode-se acordar o sentido da audição para desenvolver uma escuta inteligente, pensante e consciente e, assim, aprender a ouvir melhor diferentes tipos de música e sons que nos cercam. Ouvindo com maior atenção e curiosidade, as crianças são capazes de apreender o mundo pela escuta e discernir as características de seus sons, tendo por referência não apenas os parâmetros sonoros usuais (como intensidade, altura, duração e timbre), mas também noções importantes como tipos de textura, de perfil, de planos sonoros e outros, de grande utilidade para a criação musical e para o entendimento amplo dos processos musicais, contemporâneos ou não. Ao lado desses estudiosos e pesquisadores da educação musical, já consagrados historicamente, representam também importantes fontes de referência os trabalhos produzidos na França na década de 1980. Entre eles, Le geste musical (O gesto musical), de Claire Renard (1982), baseado na noção de movimento sonoro, e La musique est un jeu d’enfant (A música é um jogo de crianças), de François Delalande (1984), bem como L’enfant du sonore au musical (A criança do sonoro ao musical), de Delalande, Élisabeth Dumaurier e Bernadette Céleste (1982). Essas obras propõem a integração do fazer e do escutar, da percepção e da criação, bem como o recurso a partituras gráficas na aprendizagem musical.

ao professor que procure oportunizar a escuta, o contato e o conhecimento de manifestações musicais de diferentes épocas, gêneros, estilos, tendências e culturas. Para isso, oferecemos uma gama de representações musicais: de “sonoridades paleolíticas” a produções sonoras e musicais contemporâneas; de músicas da tradição brasileira a experimentações sonoras internacionais; de instrumentos usuais ao uso de objetos sonoros e à construção de novos meios expressivos. Ao mesmo tempo, lembramos a importância de não restringir esses momentos à audição ou à fala sobre música, mas que sejam oferecidos espaço, recursos e motivação suficientes para que cada aluno, além de se expressar criativamente pelos sons e pela música, entre em contato consigo e com o outro, com suas sensações, sentimentos e entendimentos, estando, assim, em medida de exprimi-los com clareza, compartilhando-os no coletivo. Sugerimos, também, estimular a curiosidade dos alunos a fim de que sejam motivados a pesquisar sobre as músicas apresentadas – seus autores, estilos, formas de expressão, organização, projeto compositivo, representação estética e cultural −, instigando-os a perceberem e a conhecerem o mundo pela audição em movimento. Nesse sentido, devem ser aproveitadas todas as oportunidades possíveis para a escuta atenta e a expressão criativa, visando conhecer mais profundamente a maneira como as músicas estão concebidas, organizadas e apresentadas. A abordagem de ensino musical proposta aqui procura oferecer atividades prazerosas que tratem de conteúdos relevantes para o conhecimento e a formação musicais, como os conceitos de tempo e espaço, noções de ritmo e melodia, bem como a prática de interpretação, improvisação, criação e agenciamento de materiais. Importante frisar que, sempre que possível, os diversos conteúdos musicais sejam disponibilizados em classe de maneira lúdica e integrada. Assim, propomos, ao longo dos temas, seções e proposições do fazer artístico, trabalhar várias situações de aprendizagem que transitam entre: •

escutar, acolher e conhecer;

Trata-se, hoje, de oferecer aos alunos meios adequados e condições favoráveis que propiciem o contato com o universo musical existente – patrimônio já constituído, em suas múltiplas formas de manifestação –, e, ao mesmo tempo, o desenvolvimento de sua própria musicalidade com base em suas necessidades presentes.

apreciar, avaliar e comentar;

experimentar, descobrir e se apropriar;

expressar, cantar e tocar;

interpretar, improvisar e criar;

Para um professor propositor, esses saberes podem se desenvolver em mais estudos, pois aqui estamos propondo que o professor vivencie a música e seu ensino por encontros significativos. Os autores aqui citados nos apontam caminhos, nos contam sobre suas experiências e podem nos estimular, a partir daquilo que cada um de nós já realiza, a conhecer mais, mediante a experimentação desses saberes, bem como a vivência e a apropriação de novos outros.

compreender, comunicar e compartilhar.

Consideramos que é possível criar e interpretar música com qualidade, mesmo em nível mais inicial e elementar. Nesse sentido, é essencial a participação do professor, visando transformar em momento “extraordinário” a realização de atividades musicais aparentemente as mais simples e singelas, de modo que os alunos construam vivências profundas e significativas. Sugerimos

PARA PESQUISAR, LER E APROFUNDAR O CONHECIMENTO

• ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO MUSICAL (ABEM). Disponível em: <http://livro.pro/z2zwsq>. Acesso em: 23 ago. 2018. • FONTERRADA, Maria T. de O. De tramas e fios: um ensaio sobre a música e educação. 2. ed. São Paulo: Unesp, 2005. • SCHAFER, R. Murray. Caixa de música. In: ______. O ouvido pensante. Tradução de Maria Lúcia Pascoal, Magda R. Gomes da Silva e Marisa Trench de Oliveira Fonterrada. 2. ed. atualizada. São Paulo: Unesp, 2011.

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ARTES INTEGRADAS (LINGUAGENS HÍBRIDAS)

As tecnologias trouxeram muitas possibilidades para conhecer e criar arte. Entretanto, segundo Lucia Gouvêa Pimentel (apud BARBOSA, 2002), sem um trabalho consistente por parte dos educadores, só o uso dessas tecnologias não vai garantir o aprendizado e o desenvolvimento artístico dos alunos. O ser humano sempre foi fascinado por imagem e movimento desde as pinturas em cavernas, onde há representações de animais que parecem ter sido registradas quando estes estavam em pleno movimento. Das imagens fixas às imagens em movimento, das linguagens artísticas construídas há muito tempo às mais recentes, das diversas manifestações em música, teatro e dança, das linguagens híbridas (como a videoinstalação e a videoarte, que exploram tanto o universo das imagens como o som e as palavras) às performances, dos muitos gêneros no cinema à arte feita com o advento da informática, são tantas as linguagens possíveis que precisamos, como educadores, estudar e conhecer como nascem e se transformam essas manifestações artísticas. É imprescindível trazer aos alunos um ensino de Arte em consonância com seu tempo, já que os alunos são pessoas contemporâneas a essa multiplicidade de linguagens. Das máquinas fotográficas mecânicas às supercâmeras digitais, muito foi criado e experimentado. Além disso, o uso da fotografia tem alcançado uma proporção inigualável no desenvolvimento da cultura visual. A fotografia está presente na contemporaneidade e tem muitos usos e funções além do uso artístico. Já o cinema nasceu do fascínio de capturar, movimentar e projetar as imagens. Sendo narradores de histórias, os seres humanos associaram imagens a contos, o que vem de muito tempo, desde as primeiras projeções de sombras chinesas na Antiguidade, passando pelas engenhocas dos primórdios das investigações que deram origem às imagens em movimento do século XIX, até as câmeras digitais da atualidade. É possível propor às crianças que apreciem e experimentem criar as próprias imagens usando recursos de produção de imagem acessíveis, como as câmeras digitais, fáceis de manusear e disponíveis até em celulares. As tecnologias e novas linguagens, como a videoarte e a instalação feitas com recursos de computador, podem estar entre as propostas no ensino de Arte, mas é preciso ter objetivos claros e criar situações de aprendizagem que estimulem a compreensão e a produção nas linguagens da arte contemporânea. Assim, podem ser consideradas artes integradas aquelas que são híbridas, podendo ser verbais, visuais, sonoras, corporais, tecnológicas, audiovisuais e, ainda, tudo isso junto. PARA PESQUISAR, LER E APROFUNDAR O CONHECIMENTO

• BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: MEC, 2017. Disponível em: <http://livro.pro/uo7bsh>. Acesso em: 23 ago. 2018. • COVALESKI, Rogério L. Artes e comunicação: a construção de imagens e imaginários híbridos. Galáxia, São Paulo, n. 24, p. 89-101, dez. 2012. Disponível em: <http://livro.pro/fbokyo>. Acesso em: 23 ago. 2018.

AVALIAÇÃO

O professor, como educador, assumiu uma nova postura diante da sala de aula e do conhecimento. Pensamos que seja coerente com uma postura democrática a integração de seu papel de mediador do conhecimento e propositor de situações de aprendizagem. Nesses processos de apropriação e produção do conhecimento, professores e alunos têm grande responsabilidade. Diante dessas mudanças, a avaliação também assume uma função diferenciada e tem como foco tanto a formação do aluno quanto a reflexão sobre a prática do próprio professor. Observar, anotar e registrar são ações que você precisa realizar para compor a gama de materiais a ser analisada durante e no final de cada percurso de aprendizagem. O foco é a avaliação formativa, em que professor e alunos precisam estabelecer diálogos sobre as conquistas de saberes ao longo do trajeto: o que deu certo, que situações de conflitos ocorreram. O conflito pode ser semente da criação. Desse modo, conversar com a turma sobre as ansiedades e dificuldades que surgirem no decorrer do percurso é importante, inclusive para compreender os pensamentos criativos. Ao contrário do que se pensa, a avaliação não é apenas responsabilidade do educador. Um bom percurso de aprendizagem não deve se esgotar em seu término, mas deixar aquele “gosto de quero mais”, criar conexões com outras etapas que virão. Assim, criar situações de diálogo franco em que a autoavaliação seja estimulada, tais como rodas de conversa para debater com os alunos sobre o que eles aprenderam, o que gostariam de conhecer mais, ou sobre onde poderiam pesquisar para continuar a aventura de conhecer o universo da arte, é imprescindível. Nesta coleção, sugerimos uma diversidade de propostas e de experimentações. Diante delas, nosso desejo é que os alunos tenham acesso a diferentes situações de aprendizado, que estimulem a autonomia, a compreensão e a produção significativa nas aulas de Arte. As propostas lançadas pelo professor podem gerar experiências estéticas e poéticas significativas, tendo como ponto de partida a problematização e a conexão entre conceitos, promovendo a solução de problemas e o estímulo ao intelecto e à criatividade. A ideia é permitir que os alunos se aventurem na experimentação e na descoberta de processos criativos, com a experimentação de materialidades e de linguagens. O foco da avaliação deve ser tanto o processo de aprendizagem como o produto – em consonância com propostas contemporâneas em arte que valorizam os processos. Ao olhar para a experiência, é importante retomar conceitos e debates mobilizados pelos conteúdos temáticos das unidades e dos temas. É o momento oportuno para que os alunos falem a respeito do que aprenderam, do que acharam do processo, das dificuldades que encontraram e das possibilidades futuras. A proposta é realizar uma avaliação reflexiva tanto do trabalho individual quanto do coletivo, e trabalhá-la de modo construtivo. Debater as angústias e dificuldades que surgirem no decorrer do percurso com os alunos é importante para a compreensão dos pensamentos criativos. Nesse sentido, propomos nesta coleção a avaliação diagnóstica em vários momentos para valorizar e procurar saber o que os alunos já trazem de conhecimentos sobre o universo artístico. Também defendemos a avaliação do processo

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e a avaliação de resultados e compreensões desenvolvidos pelos alunos, mas sempre com foco no conhecimento prévio e conhecimento adquirido, nas experiências significativas vivenciadas.

DIÁRIO DE ARTE DO PROFESSOR E DO ALUNO

A ideia de um diário de arte tanto para o professor como para o aluno é proposta como forma de registro e criação de materiais que possam ser instrumento para reflexão de processos e estudos vividos. O diário de arte para o professor é como um diário de bordo que será útil para o registro dos percursos de seu trabalho docente. O exercício de ter o diário é olhar para suas anotações e se descobrir, se constituir professor propositor. Em seu diário de arte, você pode registrar a conquista de saberes, os sonhos, os lugares já visitados, os teóricos estudados e outros recursos a explorar, algo útil e prazeroso de fazer, integrando diários, mapas, curadorias educativas, de modo a ajudá-lo a descobrir os percursos da arte com seus alunos. Na história da arte, sabe-se de artistas que criaram diários de bordo ou diários de artistas, com nomes e formatos diversificados. Há muitos jeitos de fazer diários. Uma proposta para pensar e criar esse material de registro pessoal é pesquisar sobre diários de artistas e de pessoas que fizeram a diferença na construção e no compartilhamento de saberes. Experimente ser você também um professor propositor e, ao mesmo tempo, artista criador em seu diário de arte. Você poderá descobrir uma maneira poética e pessoal de fazer o seu diário, em diferentes formatos. A proposta, já que estamos no campo da arte, é criar um diário personalizado e artístico, com materiais e formatos a escolher. Abra espaço para a criação de poesias, desenhos, colagens e pinturas e para a anotação de impressões em várias linguagens. Incentive os alunos a exercerem a autoavaliação também ao falarem sobre como percebem as produções dos colegas. Pensar sobre seus próprios percursos é um jeito de “aprender a aprender”, de se apropriar dos processos.

PORTFÓLIO

Você encontrará ao longo dos textos desta coleção diversas propostas para os momentos de análise, reflexão, fruição, pesquisa e criação artística. O portfólio é uma possibilidade de registro dessas experiências de produção. Pensamos no portfólio como um espaço para registro de trabalhos, frases reflexivas, citações, fotos de processos de criação e momentos de encontro com a arte. Criar um portfólio é contar a história de um percurso coletivo ou individual. Pode ser produzido de forma escrita, desenhada, impressa ou em mídia eletrônica (recursos de computação gráfica ou gravação de sons, imagens, textos etc.), entre várias possibilidades – um espaço para criar, ousando nas materialidades e no formato. O portfólio é, então, um recurso de avaliação da aprendizagem, uma percepção de que ensinar e aprender arte é estar no fluxo da vida, da cultura.

AVALIAÇÕES PROCESSUAIS

Sugerimos também as avaliações processuais. Para isso, o professor precisa estar atento aos movimentos e percursos dos alunos. O professor é a figura essencial que os encoraja,

os estimula a buscar a sua própria poética, a buscar os meios necessários à sua expressão, a não se preocupar em mostrar “trabalhos perfeitos”, tampouco em se comparar com os colegas. Avaliar constitui um exercício de análise do outro, mas também de autoanálise. Da mesma forma, é olhar tanto para a aprendizagem como para os trajetos. Portanto, ao avaliar, não analise apenas o fim e os resultados dos percursos vividos, mas reflita sobre o que foi planejado e sobre o seu desenvolvimento. O professor, como educador, assumiu uma nova postura diante da sala de aula e do conhecimento. A apropriação e a produção do conhecimento são de responsabilidade do professor e do aluno. Diante dessas mudanças, a avaliação também assume uma função diferenciada e tem como foco a formação. A avaliação formativa busca o diálogo sobre as conquistas de saberes ao longo do percurso. O que deu certo? Quais situações de conflitos ocorreram? Que aprendizagem ocorreu? Assim, debata sempre com os alunos sobre o que eles aprenderam e o que eles gostariam de saber mais. Em alguns momentos do acompanhamento do livro do aluno neste Manual do Professor, você encontrará lembretes dessas conversas sobre avaliação processual, que você pode adaptar e ampliar conforme os conteúdos abordados em cada situação de aprendizagem.

EXPOSIÇÕES E APRESENTAÇÕES DA PRODUÇÃO DOS ALUNOS

Expor os trabalhos dos alunos pode ser uma experiência muito enriquecedora. Pode, inclusive, fechar um ciclo de aprendizagem e ser integrada como mais um meio de avaliação, se o professor considerar desejável. Exposições de artes visuais, apresentações de música, peças de teatro e de dança, saraus com as várias linguagens são algumas das possibilidades. Entretanto, apresentar os trabalhos dos alunos requer cuidados para valorizá-los em sua diversidade, para estimular a participação dos alunos no planejamento dessa proposta e também para não gerar ansiedade desnecessária, uma vez que expor a própria criação costuma mobilizar e catalisar emoções, até mesmo para artistas bastante experientes. Algumas perguntas podem ajudar a manter o foco: Quais são os objetivos da exposição ou apresentação? Como valorizar a produção de todos os alunos que queiram participar? De que forma organizar isso na escola? Como deve ser esse trabalho de curadoria? Seria interessante envolver também a comunidade escolar e de fora da escola nesses eventos? Nosso intento é que este material seja alimento para que, com seus conhecimentos e intenções, você possa criar seu próprio percurso pedagógico, seu próprio voo. É importante sempre ter em mente que a proposta geral do livro é a de incentivo para que o professor seja autor do próprio trabalho, oferecendo nutrientes para a trajetória de aprender e vivenciar a arte de forma singular em cada realidade. Esperamos que você seja coautor ao ressignificar e maximizar em sala de aula a potência das propostas, com base nas possibilidades infinitas de criação de situações de aprendizagem sustentadas pela teoria dos territórios da arte e cultura, da Abordagem Triangular, da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), inspirado pela própria arte e pelas suas escolhas pedagógicas construídas com base em suas caminhadas, desejos e escolhas.

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MATERIAL DO PROFESSOR – DIGITAL E MATERIAL DIGITAL AUDIOVISUAL

Além dos quatro volumes impressos deste Manual do Professor, a coleção apresenta quatro volumes de Material do Professor – Digital e Material digital audiovisual. São recursos que ajudam a enriquecer seu trabalho e a potencializar as relações de ensino e aprendizagem em sala de aula. Os materiais estão organizados em bimestres e cada um deles possui a composição a seguir.

PLANO DE DESENVOLVIMENTO

O documento apresenta os temas que serão trabalhados ao longo do bimestre, relacionando-os aos objetos de conhecimento, às habilidades e às competências presentes na BNCC. Também são sugeridas estratégias didático-pedagógicas que auxiliam na gestão da sala de aula e fontes de pesquisa complementares que podem ser consultadas pelo professor ou apresentadas para os alunos. Cada plano de desenvolvimento apresenta um Projeto integrador, cujo objetivo é tornar a aprendizagem dos alunos mais concreta, articulando diferentes componentes curriculares a situações de aprendizagem relacionadas ao cotidiano da turma. Por meio dos projetos, é possível explorar temas transversais, estimular o desenvolvimento das competências socioemocionais e trabalhar com habilidades próprias de diferentes componentes curriculares.

SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS

São um conjunto de atividades estruturadas aula a aula que relacionam objetos de conhecimento, habilidades e competências presentes na BNCC, de modo a ajudar o aluno a alcançar um objetivo de aprendizagem definido. Nas sequências didáticas, foram propostas atividades que podem ser aplicadas complementarmente ao livro impresso. Também estão presentes sugestões de avaliações que ajudam o professor a aferir se os alunos alcançaram os objetivos de aprendizagem propostos.

PROPOSTA DE ACOMPANHAMENTO DA APRENDIZAGEM

Trata-se de um conjunto de dez atividades (e seus respectivos gabaritos) destinadas ao aluno, acompanhadas de fichas que podem ser preenchidas pelo professor. Esse material tem o objetivo de ajudar a verificar a aprendizagem dos alunos, especialmente se houve domínio das habilidades previstas para o período, e a mapear as principais dificuldades apresentadas pela turma, auxiliando o trabalho de planejamento do professor e autoavaliação da própria prática pedagógica.

MATERIAL DIGITAL AUDIOVISUAL

São vídeos, videoaulas e áudios produzidos para os alunos. Nesses materiais, tivemos a preocupação de trazer à tona grupos e personagens pouco privilegiados nos materiais didáticos e dialogar com questões do presente.

QUADROS DE COMPETÊNCIAS COMPETÊNCIAS GERAIS DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR 1. Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. 2. Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas. 3. Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural. 4. Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo. 5. Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva. 6. Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade. 7. Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta. 8. Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas. 9. Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza. 10. Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.

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COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE LINGUAGENS PARA O ENSINO FUNDAMENTAL 1. Compreender as linguagens como construção humana, histórica, social e cultural, de natureza dinâmica, reconhecendo-as e valorizando-as como forma de significação da realidade e expressão da subjetividade e identidades sociais e culturais. 2. Conhecer e explorar diversas práticas de linguagem (artísticas, corporais e linguísticas) em diferentes campos da atividade humana para continuar aprendendo, ampliar suas possibilidades de participação na vida social e colaborar para a construção de uma sociedade mais justa, democrática e inclusiva, como meio de construção de identidades de seus usuários e da comunidade a que pertencem. 3. Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital –, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao diálogo, à resolução de conflitos e à cooperação. 4. Utilizar diferentes linguagens para defender pontos de vista que respeitem o outro e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, atuando criticamente frente a questões do mundo contemporâneo. 5. Desenvolver o senso estético para reconhecer, fruir e respeitar as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, inclusive aquelas pertencentes ao patrimônio cultural da humanidade, bem como participar de práticas diversificadas, individuais e coletivas, da produção artístico-cultural, com respeito à diversidade de saberes, identidades e culturas. 6. Compreender e utilizar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares), para se comunicar por meio das diferentes linguagens e mídias, produzir conhecimentos, resolver problemas e desenvolver projetos autorais e coletivos.

COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE ARTE PARA O ENSINO FUNDAMENTAL 1. Explorar, conhecer, fruir e analisar criticamente práticas e produções artísticas e culturais do seu entorno social, dos povos indígenas, das comunidades tradicionais brasileiras e de diversas sociedades, em distintos tempos e espaços, para reconhecer a arte como um fenômeno cultural, histórico, social e sensível a diferentes contextos e dialogar com as diversidades. 2. Compreender as relações entre as linguagens da Arte e suas práticas integradas, inclusive aquelas possibilitadas pelo uso das novas tecnologias de informação e comunicação, pelo cinema e pelo audiovisual, nas condições particulares de produção, na prática de cada linguagem e nas suas articulações. 3. Pesquisar e conhecer distintas matrizes estéticas e culturais – especialmente aquelas manifestas na arte e nas culturas que constituem a identidade brasileira –, sua tradição e manifestações contemporâneas, reelaborando-as nas criações em Arte. 4. Experienciar a ludicidade, a percepção, a expressividade e a imaginação, ressignificando espaços da escola e de fora dela no âmbito da Arte. 5. Mobilizar recursos tecnológicos como formas de registro, pesquisa e criação artística. 6. Estabelecer relações entre arte, mídia, mercado e consumo, compreendendo, de forma crítica e problematizadora, modos de produção e de circulação da arte na sociedade. 7. Problematizar questões políticas, sociais, econômicas, científicas, tecnológicas e culturais, por meio de exercícios, produções, intervenções e apresentações artísticas. 8. Desenvolver a autonomia, a crítica, a autoria e o trabalho coletivo e colaborativo nas artes. 9. Analisar e valorizar o patrimônio artístico nacional e internacional, material e imaterial, com suas histórias e diferentes visões de mundo.

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UNIDADES TEMÁTICAS, OBJETOS DE CONHECIMENTO E HABILIDADES Arte no Ensino Fundamental – Anos Finais Unidades temáticas

Objetos de conhecimento

Contextos e práticas

(EF69AR01) Pesquisar, apreciar e analisar formas distintas das artes visuais tradicionais e contemporâneas, em obras de artistas brasileiros e estrangeiros de diferentes épocas e em diferentes matrizes estéticas e culturais, de modo a ampliar a experiência com diferentes contextos e práticas artístico-visuais e cultivar a percepção, o imaginário, a capacidade de simbolizar e o repertório imagético. (EF69AR02) Pesquisar e analisar diferentes estilos visuais, contextualizando-os no tempo e no espaço. (EF69AR03) Analisar situações nas quais as linguagens das artes visuais se integram às linguagens audiovisuais (cinema, animações, vídeos etc.), gráficas (capas de livros, ilustrações de textos diversos etc.), cenográficas, coreográficas, musicais etc.

Elementos da linguagem

(EF69AR04) Analisar os elementos constitutivos das artes visuais (ponto, linha, forma, direção, cor, tom, escala, dimensão, espaço, movimento etc.) na apreciação de diferentes produções artísticas.

Materialidades

(EF69AR05) Experimentar e analisar diferentes formas de expressão artística (desenho, pintura, colagem, quadrinhos, dobradura, escultura, modelagem, instalação, vídeo, fotografia, performance etc.).

Processos de criação

(EF69AR06) Desenvolver processos de criação em artes visuais, com base em temas ou interesses artísticos, de modo individual, coletivo e colaborativo, fazendo uso de materiais, instrumentos e recursos convencionais, alternativos e digitais. (EF69AR07) Dialogar com princípios conceituais, proposições temáticas, repertórios imagéticos e processos de criação nas suas produções visuais.

Sistemas da linguagem

(EF69AR08) Diferenciar as categorias de artista, artesão, produtor cultural, curador, designer, entre outras, estabelecendo relações entre os profissionais do sistema das artes visuais.

Contextos e práticas

(EF69AR09) Pesquisar e analisar diferentes formas de expressão, representação e encenação da dança, reconhecendo e apreciando composições de dança de artistas e grupos brasileiros e estrangeiros de diferentes épocas.

Elementos da linguagem

(EF69AR10) Explorar elementos constitutivos do movimento cotidiano e do movimento dançado, abordando, criticamente, o desenvolvimento das formas da dança em sua história tradicional e contemporânea. (EF69AR11) Experimentar e analisar os fatores de movimento (tempo, peso, fluência e espaço) como elementos que, combinados, geram as ações corporais e o movimento dançado.

Processos de criação

(EF69AR12) Investigar e experimentar procedimentos de improvisação e criação do movimento como fonte para a construção de vocabulários e repertórios próprios. (EF69AR13) Investigar brincadeiras, jogos, danças coletivas e outras práticas de dança de diferentes matrizes estéticas e culturais como referência para a criação e a composição de danças autorais, individualmente e em grupo. (EF69AR14) Analisar e experimentar diferentes elementos (figurino, iluminação, cenário, trilha sonora etc.) e espaços (convencionais e não convencionais) para composição cênica e apresentação coreográfica. (EF69AR15) Discutir as experiências pessoais e coletivas em dança vivenciadas na escola e em outros contextos, problematizando estereótipos e preconceitos.

Contextos e práticas

(EF69AR16) Analisar criticamente, por meio da apreciação musical, usos e funções da música em seus contextos de produção e circulação, relacionando as práticas musicais às diferentes dimensões da vida social, cultural, política, histórica, econômica, estética e ética. (EF69AR17) Explorar e analisar, criticamente, diferentes meios e equipamentos culturais de circulação da música e do conhecimento musical. (EF69AR18) Reconhecer e apreciar o papel de músicos e grupos de música brasileiros e estrangeiros que contribuíram para o desenvolvimento de formas e gêneros musicais. (EF69AR19) Identificar e analisar diferentes estilos musicais, contextualizando-os no tempo e no espaço, de modo a aprimorar a capacidade de apreciação da estética musical.

Artes visuais

Dança

Música

Habilidades

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Unidades temáticas

Objetos de conhecimento

Habilidades

Elementos da linguagem

(EF69AR20) Explorar e analisar elementos constitutivos da música (altura, intensidade, timbre, melodia, ritmo etc.), por meio de recursos tecnológicos (games e plataformas digitais), jogos, canções e práticas diversas de composição/criação, execução e apreciação musicais.

Materialidades

(EF69AR21) Explorar e analisar fontes e materiais sonoros em práticas de composição/ criação, execução e apreciação musical, reconhecendo timbres e características de instrumentos musicais diversos.

Notação e registro musical

(EF69AR22) Explorar e identificar diferentes formas de registro musical (notação musical tradicional, partituras criativas e procedimentos da música contemporânea), bem como procedimentos e técnicas de registro em áudio e audiovisual.

Processos de criação

(EF69AR23) Explorar e criar improvisações, composições, arranjos, jingles, trilhas sonoras, entre outros, utilizando vozes, sons corporais e/ou instrumentos acústicos ou eletrônicos, convencionais ou não convencionais, expressando ideias musicais de maneira individual, coletiva e colaborativa.

Contextos e práticas

(EF69AR24) Reconhecer e apreciar artistas e grupos de teatro brasileiros e estrangeiros de diferentes épocas, investigando os modos de criação, produção, divulgação, circulação e organização da atuação profissional em teatro. (EF69AR25) Identificar e analisar diferentes estilos cênicos, contextualizando-os no tempo e no espaço de modo a aprimorar a capacidade de apreciação da estética teatral.

Elementos da linguagem

(EF69AR26) Explorar diferentes elementos envolvidos na composição dos acontecimentos cênicos (figurinos, adereços, cenário, iluminação e sonoplastia) e reconhecer seus vocabulários.

Processos de criação

(EF69AR27) Pesquisar e criar formas de dramaturgias e espaços cênicos para o acontecimento teatral, em diálogo com o teatro contemporâneo. (EF69AR28) Investigar e experimentar diferentes funções teatrais e discutir os limites e desafios do trabalho artístico coletivo e colaborativo. (EF69AR29) Experimentar a gestualidade e as construções corporais e vocais de maneira imaginativa na improvisação teatral e no jogo cênico. (EF69AR30) Compor improvisações e acontecimentos cênicos com base em textos dramáticos ou outros estímulos (música, imagens, objetos etc.), caracterizando personagens (com figurinos e adereços), cenário, iluminação e sonoplastia e considerando a relação com o espectador.

Contextos e práticas

(EF69AR31) Relacionar as práticas artísticas às diferentes dimensões da vida social, cultural, política, histórica, econômica, estética e ética.

Processos de criação

(EF69AR32) Analisar e explorar, em projetos temáticos, as relações processuais entre diversas linguagens artísticas.

Matrizes estéticas e culturais

(EF69AR33) Analisar aspectos históricos, sociais e políticos da produção artística, problematizando as narrativas eurocêntricas e as diversas categorizações da arte (arte, artesanato, folclore, design etc.).

Patrimônio cultural

(EF69AR34) Analisar e valorizar o patrimônio cultural, material e imaterial, de culturas diversas, em especial a brasileira, incluindo suas matrizes indígenas, africanas e europeias, de diferentes épocas, e favorecendo a construção de vocabulário e repertório relativos às diferentes linguagens artísticas.

Arte e tecnologia

(EF69AR35) Identificar e manipular diferentes tecnologias e recursos digitais para acessar, apreciar, produzir, registrar e compartilhar práticas e repertórios artísticos, de modo reflexivo, ético e responsável.

Música

Teatro

Artes integradas

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QUADRO DE CONTEÚDOS DO 6º ANO

Unidade 1

• Pinturas em grandes dimensões • Instalação e materialidades • Mensagens na arte • A cidade como suporte para a arte • Sons da natureza • Composição, regência e interpretação • Espaços do teatro e da dança • A rua como espaço para a arte • O corpo no espaço cênico • Movimento e expressão • Improvisação teatral

• Contextos e práticas • Elementos da linguagem • Materialidades • Processos de criação • Sistemas da linguagem • Notação e registro musical • Matrizes estéticas e culturais • Patrimônio cultural • Arte e tecnologia

(EF69AR01), (EF69AR02), (EF69AR03), (EF69AR04), (EF69AR05), (EF69AR06), (EF69AR07), (EF69AR08), (EF69AR09), (EF69AR10), (EF69AR11), (EF69AR12), (EF69AR13), (EF69AR14), (EF69AR15), (EF69AR16), (EF69AR17), (EF69AR18), (EF69AR19), (EF69AR20), (EF69AR21), (EF69AR22), (EF69AR23), (EF69AR24), (EF69AR25), (EF69AR26), (EF69AR27), (EF69AR28), (EF69AR29), (EF69AR30), (EF69AR31), (EF69AR32), (EF69AR33)

Unidade 2

Habilidades

• Artes integradas no circo • Arte e história: o circo no Brasil • Os circos contemporâneos • Artes circenses e as linguagens da arte • Técnicas e materialidades no desenho • Miscigenação e mistura cultural expressas na arte • Diversidade étnica e influências musicais • Arte, cultura e meio ambiente

• Contextos e práticas • Elementos da linguagem • Processos de criação • Patrimônio cultural • Arte e tecnologia • Materialidades • Sistemas da linguagem

(EF69AR01), (EF69AR02), (EF69AR03), (EF69AR04), (EF69AR05), (EF69AR06), (EF69AR07), (EF69AR08), (EF69AR09), (EF69AR10), (EF69AR11), (EF69AR13), (EF69AR14), (EF69AR16), (EF69AR17), (EF69AR18), (EF69AR19), (EF69AR24), (EF69AR25), (EF69AR26), (EF69AR27), (EF69AR28), (EF69AR29), (EF69AR31), (EF69AR32), (EF69AR33), (EF69AR34), (EF69AR35)

Unidade 3

Objetos de conhecimento

• A arte dos povos indígenas • O indígena sob o olhar estrangeiro na arte • Encontro de culturas: o indígena e o europeu • A arte da azulejaria • Arte e intervenção urbana • O teatro das missões • Os autos e o teatro brasileiro

• Contextos e práticas • Elementos da linguagem • Materialidades • Processos de criação • Matrizes estéticas e culturais • Patrimônio cultural

(EF69AR01), (EF69AR02), (EF69AR03), (EF69AR04), (EF69AR05), (EF69AR06), (EF69AR07), (EF69AR08), (EF69AR09), (EF69AR12), (EF69AR13), (EF69AR14), (EF69AR15), (EF69AR16), (EF69AR18), (EF69AR19), (EF69AR22), (EF69AR24), (EF69AR25), (EF69AR26), (EF69AR27), (EF69AR28), (EF69AR29), (EF69AR30), (EF69AR31), (EF69AR33), (EF69AR34)

Unidade 4

Conteúdos

• Arte afrodescendente no Brasil • Ancestralidade na arte • Sincretismo cultural • A dança na arte afrodescendente • Cores, ritmos e passos do maracatu • Danças brasileiras na arte naïf • Manguebeat e o maracatu contemporâneo • Os códigos da música • A ciência e a arte do luthier

• Contextos e práticas • Elementos da linguagem • Materialidades • Processos de criação • Notação e registro musical • Matrizes estéticas e culturais • Patrimônio cultural • Arte e tecnologia

(EF69AR01), (EF69AR02), (EF69AR03), (EF69AR04), (EF69AR05), (EF69AR06), (EF69AR07), (EF69AR09), (EF69AR10), (EF69AR11), (EF69AR12), (EF69AR13), (EF69AR14), (EF69AR15), (EF69AR16), (EF69AR17), (EF69AR18), (EF69AR19), (EF69AR20), (EF69AR21), (EF69AR22), (EF69AR23), (EF69AR27), (EF69AR28), (EF69AR29), (EF69AR30), (EF69AR31), (EF69AR32), (EF69AR33), (EF69AR34)

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QUADRO DE CONTEÚDOS DO 7º ANO

Unidade 1

• Mensagens em cartuns • Discursos e leituras da arte • Parâmetros sonoros • Corpo: instrumento musical • A arte rupestre e o grafite • Street art: a arte de rua • A arte da fotomontagem • O clássico e o contemporâneo na música • Elementos da linguagem e a criação musical

• Contextos e práticas • Elementos da linguagem • Materialidades • Processos de criação • Notação e registro musical • Arte e tecnologia

(EF69AR01), (EF69AR02), (EF69AR03), (EF69AR04), (EF69AR05), (EF69AR06), (EF69AR07), (EF69AR16), (EF69AR18), (EF69AR20), (EF69AR21), (EF69AR22), (EF69AR23), (EF69AR31), (EF69AR32), (EF69AR35)

Unidade 2

Habilidades

• A arte ontem, agora e sempre • A escultura através do tempo • Teatro: espaço e forma • A brincadeira representada na arte • Brincadeira e arte na rua • Corpo e espaço na arte • Arte participativa

• Contextos e práticas • Elementos da linguagem • Materialidades • Processos de criação • Patrimônio cultural • Arte e tecnologia

(EF69AR01), (EF69AR02), (EF69AR03), (EF69AR04), (EF69AR05), (EF69AR06), (EF69AR07), (EF69AR24), (EF69AR25), (EF69AR26), (EF69AR27), (EF69AR29), (EF69AR30), (EF69AR31), (EF69AR32), (EF69AR34), (EF69AR35)

Unidade 3

Objetos de conhecimento

• União de música e dança • Registro e preservação da cultura • A ciranda na música e na dança • A ciranda contemporânea • A matemática no ritmo e no passo • A arte da xilogravura • Música e imagem: a arte do cordel • Embolada: a arte do improviso

• Contextos e práticas • Elementos da linguagem • Materialidades • Processos de criação • Notação e registro musical • Sistemas da linguagem

(EF69AR01), (EF69AR02), (EF69AR05), (EF69AR06), (EF69AR08), (EF69AR09), (EF69AR10), (EF69AR11), (EF69AR13), (EF69AR14), (EF69AR16), (EF69AR18), (EF69AR19), (EF69AR20), (EF69AR21), (EF69AR22), (EF69AR23)

Unidade 4

Conteúdos

• Os cantos de vários povos • O sagrado no canto • Música e tecnologia • Cânone • As muitas formas da ópera • Elementos da ópera • Parcerias entre música, literatura e teatro • Filmes e trilhas em sincronia

• Contextos e práticas • Elementos da linguagem • Materialidades • Notação e registro musical • Processos de criação • Matrizes estéticas e culturais • Patrimônio cultural • Arte e tecnologia

(EF69AR09), (EF69AR10), (EF69AR14), (EF69AR16), (EF69AR18), (EF69AR20), (EF69AR21), (EF69AR22), (EF69AR23), (EF69AR24), (EF69AR25), (EF69AR26), (EF69AR30), (EF69AR31), (EF69AR32), (EF69AR33), (EF69AR34), (EF69AR35)

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QUADRO DE CONTEÚDOS DO 8º ANO

Unidade 1

• Luz e sombra nas artes visuais • Luzes e tecnologias na arte propositora • Arte cinética: a arte do movimento • Esculturas sonoras • Materiais alternativos e novos instrumentos • Classificação dos instrumentos musicais

• Contextos e práticas • Elementos da linguagem • Materialidades • Processos de criação • Matrizes estéticas e culturais • Patrimônio cultural • Arte e tecnologia • Notação e registro musical

(EF69AR01), (EF69AR02), (EF69AR03), (EF69AR04), (EF69AR05), (EF69AR06), (EF69AR07), (EF69AR16), (EF69AR17), (EF69AR18), (EF69AR20), (EF69AR21), (EF69AR22), (EF69AR23), (EF69AR31), (EF69AR32), (EF69AR33), (EF69AR34), (EF69AR35)

Unidade 2

Habilidades

• Criação e registro de imagens • A arte da fotografia • A fotografia como instrumento de denúncia • Integração entre a fotografia e o desenho • Elementos constitutivos do desenho • Elementos históricos da fotografia • O processo fotográfico • Imagens em movimento • Surgimento e história do cinema

• Contextos e práticas • Elementos da linguagem • Materialidades • Processos de criação • Sistemas da linguagem • Matrizes estéticas e culturais • Patrimônio cultural • Arte e tecnologia

(EF69AR01), (EF69AR02), (EF69AR03), (EF69AR04), (EF69AR05), (EF69AR06), (EF69AR07), (EF69AR08), (EF69AR31), (EF69AR32), (EF69AR33), (EF69AR34), (EF69AR35)

Unidade 3

Objetos de conhecimento

• O som do tambor • O ritmo da batucada • Tecnologias aplicadas à música • Música eletrônica • A invenção do rádio e a comunicação de massa • A dublagem no cinema • Filmes de animação

• Contextos e práticas • Elementos da linguagem • Materialidades • Processos de criação • Sistemas da linguagem • Notação e registro musical • Matrizes estéticas e culturais • Patrimônio cultural • Arte e tecnologia

(EF69AR01), (EF69AR02), (EF69AR03), (EF69AR04), (EF69AR05), (EF69AR06), (EF69AR07), (EF69AR08), (EF69AR16), (EF69AR17), (EF69AR18), (EF69AR19), (EF69AR20), (EF69AR21), (EF69AR22), (EF69AR23), (EF69AR31), (EF69AR32), (EF69AR33), (EF69AR34), (EF69AR35)

Unidade 4

Conteúdos

• Artes integradas • Arte e arquitetura • Arte e tecnologias • Videodança • Filme de animação • Land art • A cidade como suporte • Eventos artísticos • Festivais de arte

• Contextos e práticas • Elementos da linguagem • Materialidades • Processos de criação • Sistemas da linguagem • Matrizes estéticas e culturais • Patrimônio cultural • Arte e tecnologia

(EF69AR01), (EF69AR02), (EF69AR03), (EF69AR04), (EF69AR05), (EF69AR06), (EF69AR07), (EF69AR08), (EF69AR09), (EF69AR10), (EF69AR11), (EF69AR12), (EF69AR13), (EF69AR14), (EF69AR15), (EF69AR24), (EF69AR25), (EF69AR26), (EF69AR27), (EF69AR28), (EF69AR29), (EF69AR30), (EF69AR31), (EF69AR32), (EF69AR33), (EF69AR34), (EF69AR35)

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QUADRO DE CONTEÚDOS DO 9º ANO

Unidade 1

• Palavras nas artes visuais • Dramaturgia • Diálogos e monólogos • Comunicação verbal e não verbal • Adaptações e releituras • Cenografia • Arte concreta • Poesia concreta • Artes integradas • Arte e mídia • Instalação • Música contemporânea

• Contextos e práticas • Elementos da linguagem • Processos de criação • Notação e registro musical • Matrizes estéticas e culturais • Patrimônio cultural • Arte e tecnologia

(EF69AR01), (EF69AR02), (EF69AR03), (EF69AR04), (EF69AR06), (EF69AR07), (EF69AR16), (EF69AR17), (EF69AR18), (EF69AR19), (EF69AR20), (EF69AR21), (EF69AR22), (EF69AR23), (EF69AR24), (EF69AR25), (EF69AR26), (EF69AR27), (EF69AR28), (EF69AR29), (EF69AR30), (EF69AR31), (EF69AR32), (EF69AR33), (EF69AR34), (EF69AR35)

Unidade 2

Habilidades

• Performance • Intervenção • Happening • Vanguardas • Artes integradas • O corpo que dança • Coreografia • Culturas urbanas

• Contextos e práticas • Elementos da linguagem • Materialidades • Processos de criação • Matrizes estéticas e culturais • Patrimônio cultural • Arte e tecnologia

(EF69AR01), (EF69AR06), (EF69AR07), (EF69AR09), (EF69AR11), (EF69AR12), (EF69AR13), (EF69AR14), (EF69AR15), (EF69AR24), (EF69AR25), (EF69AR26), (EF69AR27), (EF69AR28), (EF69AR29), (EF69AR30), (EF69AR31), (EF69AR32), (EF69AR33), (EF69AR34), (EF69AR35)

Unidade 3

Objetos de conhecimento

• Desenho • Gravura • Cultura tradicional popular • Arte naïf • Arte e religião • Arte e ciência • Estudo das cores • Composição • Hip-Hop

• Contextos e práticas • Elementos da linguagem • Materialidades • Processos de criação • Matrizes estéticas e culturais • Patrimônio cultural

(EF69AR01), (EF69AR02), (EF69AR03), (EF69AR04), (EF69AR05), (EF69AR06), (EF69AR07), (EF69AR16), (EF69AR17), (EF69AR18), (EF69AR19), (EF69AR20), (EF69AR21), (EF69AR22), (EF69AR23), (EF69AR31), (EF69AR32), (EF69AR33), (EF69AR34)

Unidade 4

Conteúdos

• Arquitetura • Modernismo • Cultura tradicional popular • Coreografia • Encenação • Concerto • Artes integradas • Festivais artísticos

• Contextos e práticas • Elementos da linguagem • Materialidades • Processos de criação • Sistemas da linguagem • Matrizes estéticas e culturais • Patrimônio cultural • Arte e tecnologia

(EF69AR01), (EF69AR02), (EF69AR03), (EF69AR04), (EF69AR05), (EF69AR06), (EF69AR07), (EF69AR08), (EF69AR09), (EF69AR10), (EF69AR11), (EF69AR12), (EF69AR13), (EF69AR14), (EF69AR15), (EF69AR16), (EF69AR23), (EF69AR24), (EF69AR25), (EF69AR26), (EF69AR27), (EF69AR28), (EF69AR29), (EF69AR30), (EF69AR31), (EF69AR32), (EF69AR33), (EF69AR34), (EF69AR35)

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QUADRO DE CONTEÚDOS DOS CDS DE ÁUDIO 6o ano

7o ano

8o ano

9o ano

1. Panphonia: Sons da rua de uma cidade Compositor: Janete El Haouli Intérprete: Janete El Haouli (03:01:00)

1. Parâmetro sonoro – Altura Compositor: domínio público Intérprete: Fil Pinheiro (00:06:00)

1. Prelúdio no 1, de “O cravo bem temperado”, v. I, de J. S. Bach (piano) Compositor: Johann Sebastian Bach Intérprete: Fernando Tomimura (02:16:00)

1. Ácronon Compositor: Hans-Joachim Koellreutter Intérprete: Sérgio Villafranca, Wagner Ortiz (06:52:00)

2. Sinfonia para os sapos Compositor: Janete El Haouli Intérprete: Janete El Haouli (03:11:00)

2. Parâmetro sonoro – Duração Compositor: domínio público Intérprete: Ricardo Takahashi (00:12:00)

2. Prelúdio no 1, de “O cravo bem temperado”, v. I, de J. S. Bach (cravo) Compositor: Johann Sebastian Bach Intérprete: Fernando Tomimura (02:29:00)

2. Cenas de carnaval de Viena, opus 26, intermezzo, para piano solo Compositor: Robert Schumann Intérprete: Fernando Tomimura (02:29:00)

3. Duorganum II, no 4 Compositor: José Augusto Mannis Intérprete: José Augusto Mannis (03:48:00)

3. Parâmetro sonoro – Intensidade Compositor: domínio público Intérprete: Felipe Pipeta (00:08:00)

3. 32 Variações (Tema e 12 variações iniciais) Compositor: Ludwig van Beethoven Intérprete: Fernando Tomimura (04:15:00)

3. Gymnopédie no 1 Compositor: Erik Satie Intérprete: Fernando Tomimura (03:10:00)

4. Da serpente ao canário (Micropeça no 6) Compositor: Carlos Kater Intérprete: Carlos Kater (00:38:00)

4. Parâmetro sonoro – Timbre Intérpretes: Fil Pinheiro, Angelo Ursini (00:07:00)

4. Missa abreviada em Ré / Glória Compositor: Manoel Dias de Oliveira Intérpretes: Coral de Câmara de São Paulo, Orquestra Engenho Barroco e regência de Naomi Munakata (02:03:00)

4. O trenzinho do Caipira Compositor: Heitor Villa-Lobos Intérpretes: Fernando Tomimura, Alberto Kanji (03:42:00)

5. Um mistério em cada canto (Micropeça no 7) Compositor: Carlos Kater Intérprete: Carlos Kater (02:23:00)

5. Barbapapa’s Groove Compositor: Fernando Barba Intérprete: Barbatuques (03:17:00)

5. Pescador Compositor: Xisto Bahia Intérprete: Ivan Vilela (04:30:00)

5. Bagatela no 4 Compositor: Guerra-Peixe Intérprete: Ana Claudia de Assis (00:27:00)

6. Rio São Francisco e o gotejar da nascente Compositor: Cildo Meireles Intérprete: Cildo Meireles (01:00:00)

6. 3 Palmas, variação I Compositor: Carlos Kater Intérpretes: Carlos Kater, Cris Boch, Tomaz Silva (00:43:00)

6. Desbloqueio de games Compositor: Chelpa Ferro Intérprete: Chelpa Ferro (02:56:00)

6. Seresta Compositor: Edino Krieger Intérpretes: Fernando Tomimura, Alberto Kanji (08:01:00)

7. Águas residuárias e Parque das Águas Emendadas Compositor: Cildo Meireles Intérprete: Cildo Meireles (00:59:00)

7. Música dos tubos Compositor: Carlos Kater Intérpretes: Nelton Essi, Magno Camilo, Leky Onias, Adriana Mello, Carlos Kater (02:34:00)

7. Pequena serenata noturna Compositor: Wolfgang Amadeus Mozart Intérpretes: Ciro Visconti e Orquestra de Guitarras (04:09:00)

7. Libres en el sonido, presos en el sonido Compositor: Graciela Paraskevaides Intérprete: Ensemble Aventure (10:13:00)

8. Minno amor Compositor: Anônimo Intérpretes: Patrícia Nacle, Anna Carolina Moura, Sabah Teixeira (01:00:00)

8. Peixinhos do mar Compositor: domínio público Arranjo de: Carlos Kater Intérpretes: Nelton Essi, Magno Camilo, Leky Onias, Adriana Mello, Simone Essi (01:37:00)

8. O Tzitziras o Mitziras Compositor: Demetrio Stratos Intérprete: Demetrio Stratos (01:15:00)

8. Caminhos e percursos Compositor: criação coletiva da Orquestra Errante a partir de roteiro de Carlos Kater Direção de: Rogério Costa Intérpretes: Grupo de Improvisação Orquestra Errante (05:57:00)

9. Pars mea Dominus Compositor: Palestrina Intérpretes: Patrícia Nacle, Anna Carolina Moura, Regiane Martinez (01:05:00)

9. Partitura gráfica – Versão 1, coral Compositor: Carlos Kater Intérpretes: Grupo Cauim, regente Paulo Moura (01:34:00)

9. Baependi (Dobrado fantasia) Compositor: Nelson Salomé de Oliveira Intérpretes: Marcelo Ramos e Companhia dos Inconfidentes (03:55:00)

9. Miniaturas, 2o movimento Compositor: Rogério Vasconcelos Intérpretes: Marcos Silva, Joana Monteiro, Rommel Fernandes e Elise Pittenger (03:11:00)

10. Instrumentos de cordas Intérpretes: Ricardo Takahashi, Daniel Pires, Joel de Souza, Marcio Arantes, Fil Pinheiro, Beatrice Galev (03:01:00)

10. Partitura gráfica – Versão 2 (coral) Compositor: Carlos Kater Intérpretes: Grupo Cauim, regente Paulo Moura (02:02:00)

10. Chikende Compositor: domínio público Intérprete: MarimBrasil (02:56:00)

10. Exercício no 1, atividade lúdico-musical Compositor: Fabio Freire Intérprete: Fabio Freire (02:54:00)

11. Instrumentos de teclado Intérpretes: Lucas Weier Vargas, Beatrice Galev (01:04:00)

11. Partitura gráfica – Versão 3 (quarteto de cordas) Compositor: Carlos Kater Intérpretes: Marcos Scheffel, Ricardo Takahashi, Daniel Pires, Joel de Souza (01:11:00)

11. Calango em pedra quente Compositor: Marco Antônio Guimarães Intérprete: Uakti (03:59:00)

11. Pot-pourri: cantos das cinco regiões do Brasil Arranjo de: Marcos Scheffel Intérpretes: Marcos Scheffel, Ricardo Takahashi, Daniel Pires e Joel de Souza (03:20:00)

12. Instrumentos de sopro de madeira Intérpretes: Angelo Ursini, Thiago Branco, Beatrice Galev (02:27:00)

12. Epitáfio de Seikilos Compositor: Anônimo Intérpretes: Patrícia Nacle, Camilo Carrara, Fil Pinheiro (01:12:00)

12. Ser Tao Compositor: Fernando Sardo Intérprete: Fernando Sardo (05:25:00)

12. Corta-jaca Compositor: Chiquinha Gonzaga Intérpretes: Patrícia Nacle, Camilo Carrara, Ari Colares, Fil Pinheiro (05:53:00)

13. Instrumentos de sopro de metal Intérpretes: Felippe Pipeta, Gil Duarte, Léo Gervásio, Leanderson Ferreira, Beatrice Galev (02:20:00)

13. Orema Rojerure Araguy’je Ve’i Ma Compositor: Música tradicional guarani Intérprete: Música tradicional guarani (02:56:00)

13. Tambores de mina (Cangoma) Compositor: domínio público Intérpretes: Meninos do Morumbi (04:56:00)

13. Coração que sente Compositor: Ernesto Nazareth Intérprete: Fernando Tomimura (03:45:00)

14. Instrumentos de percussão Intérpretes: Fil Pinheiro, Lucas Vargas, Beatrice Galev (01:54:00)

14. Tamota moriorê Arranjo de: Magda Pucci Intérprete: Mawaca (03:49:00)

14. Música breve para tambores ou baldes Compositor: Carlos Kater Intérpretes: Fil Pinheiro e Douglas Alonso (00:32:00)

14. Palpite infeliz Compositor: Noel Rosa Intérpretes: Grupo Cauim, regente Paulo Moura (02:22:00)

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6o ano

7o ano

8o ano

9o ano

15. Flautas Intérprete: Angelo Ursini (06:03:00)

15. Allunde alluya Arranjo de: Magda Pucci Intérprete: Mawaca (02:15:00)

15. Estrelas duplas Compositor: Silvio Ferraz Intérprete: Silvio Ferraz (08:07:00)

15. Brinco Compositor: Arrigo Barnabé Intérpretes: Tuca Fernandes e o “Quinteto d’Elas” (01:45:00)

16. Nota (música medieval) Compositor: Anônimo Intérpretes: César Villavicencio e Ricardo Kanji (03:40:00)

16. Canône Frère Jacques Compositor: domínio público Intérpretes: Coral Juvenil e Paulo Moura (01:18:00)

16. Mosaic para piano, pianola e processamento digital Compositor: João Pedro Oliveira Intérprete: Ana Cláudia Assis (12:08:00)

16. As quatro estações de Hermeto Pascoal: Outono Compositor: Miguel Briamonte Intérprete: Banda Sinfônica do Estado de São Paulo (02:18:00)

17. Figuras rítmicas Intérprete: Angelo Ursini (00:37:00)

17. Summer is incumen in Compositor: Anônimo Intérpretes: Anna Carolina Moura, Regiane Martinez, Sabah Teixeira (01:11:00)

17. Sensação sonora de uma conferência musical Compositor: Carlos Kater Intérpretes: Reinaldo Renzo e Cassiano Ricardo (02:53:00)

17. Uma canção inacabada Compositor: Fabio Miranda e Adalberto Rabelo Filho Intérprete: Fabio Miranda (01:51:00)

18. Escala de Dó maior (piano) Intérprete: Fil Pinheiro (00:47:03)

18. Chá Compositor: Anônimo Intérpretes: Anna Carolina Moura, Regiane Martinez (01:02:00)

18. Relembrando Ligeti – Música para metrônomos Compositor: Carlos Kater Intérprete: Fil Pinheiro (01:08:00)

18. Baião de gude Compositor: Paulo Bellinatti Intérprete: Quaternaglia (04:40:00)

19. Escala de Dó menor (clarinete) Intérprete: Angelo Ursini (00:48:00)

19. Paz Compositor: Carlos Kater Intérpretes: Anna Carolina Moura, Regiane Martinez (01:28:00)

20. Escala de Dó maior “mixolídio” (violão) Intérprete: Fil Pinheiro (00:47:00)

20. Olga (II Ato – Reunião dos revolucionários e cenas de rua) Compositor: Jorge Antunes Intérpretes: Orquestra Sinfônica Municipal e Coral Lírico do Theatro Municipal de São Paulo Regência: José Maria Florêncio (06:38:00)

21. Escala de Tons Inteiros (piano) Intérprete: Fil Pinheiro (00:42:00)

21. O que é uma opereta? Compositor: Tim Rescala Intérpretes: Maurício Tizumba, Regina Souza, Marina Machado, Tim Rescala (03:40:00)

22. Escala Pentatônica (shamisen) Intérprete: Vinicius Sadao Tamanaha (00:31:00)

22. The Entertainer Compositor: Scott Joplin Intérprete: Fernando Tomimura (02:20:00)

23. Maracatu ritmo característico Intérprete: Ari Colares (01:27:00)

23. Sonoridades paleolíticas Compositor: Carlos Kater Intérprete: Fil Pinheiro (01:35:00)

24. Música para pratos, copos e panelas Compositor: Carlos Kater Intérpretes: Cris Bosh, Tomaz Silva, Ari Colares (00:59:00)

24. Cirandeiro Compositor: domínio público Intérpretes: Grupo Vocal Juvenil, regente Paulo Moura (02:02:00)

25. Chico Rei Compositor: Carlos Kater Intérpretes: Nelton Essi, Magno Camilo, Leky Onias, Adriana Mello, Simone Essi (02:57:00)

25. Base rítmica de percussão para a dança da ciranda Intérprete: Ari Colares (02:02:00)

19. As sílabas Compositor: Luiz Tatit Intérprete: Luiz Tatit (03:37:00)

26. Maracatu de Chico Rei: Dança dos 3 Macotas e Dança do Chico Rei e da Rainha N’ginga Compositor: Francisco Mignone Intérprete: Norton Morozowicz (05:43:00) Tempo total: 53:50:03

Tempo total: 47:49:00

Música de diversas tradições (brasileira, africana, indígena etc.) CD 6 ano: Faixas 15, 25 CD 7o ano: Faixas 13, 15, 24 CD 8o ano: Faixas 10, 11, 12, 13 CD 9o ano: Faixas 11, 16 o

Música popular brasileira CD 9 ano: Faixas 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19 o

Tempo total: 69:52:00

Tempo total: 76:24:00

Música, teoria e informação CD 6 ano: Faixas 10, 11, 12, 13, 14, 17, 18, 19, 20, 21, 22 CD 7o ano: Faixas 1, 2, 3, 4 o

Peças lúdico-musicais CD 6 ano: Faixas 4, 5, 23, 24 CD 7o ano: Faixas 6, 7, 8, 9, 10, 11, 15, 16, 18, 19, 25 CD 8o ano: Faixa 14 CD 9o ano: Faixa 10 o

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REFERÊNCIAS

AMARAL, Ana Maria. O ator e seus duplos: máscaras, bonecos, objetos. São Paulo: Edusp: Senac, 2002. ANDRADE, Mário de. Danças dramáticas do Brasil: folclore. 2. ed. Belo Horizonte: Itatiaia, 2002. BAÊ, Tutti. Canto: uma consciência melódica: treinamento dos intervalos através dos vocalizes. São Paulo: Irmãos Vitale, 2003. BARBOSA, Ana Mae. Arte/educação contemporânea: consonâncias internacionais. São Paulo: Cortez, 2005. BARBOSA, Ana Mae. Interterritorialidade: mídias, contextos e educação. São Paulo: Senac, 2008. BARBOSA, Ana Mae; COUTINHO, Rejane G. (Org.). Arte/educação como mediação cultural e social. São Paulo: Editora da Unesp, 2009. BERNARDET, Jean-Claude. O que é cinema. São Paulo: Brasiliense, 2000. BERTAZZO, Ivaldo. Gesto orientado: reeducação do movimento. São Paulo: Sesc, 2014. BERTHOLD, Margot. História mundial do teatro. São Paulo: Perspectiva, 2000. BISHOP, Claire. Artificial Hells: Participatory Art and the Politics of Spectatorship. New York: Verso Book, 2012. BOAL, Augusto. Teatro do oprimido: e outras poéticas políticas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2014. BRASIL. Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Diário Oficial da União (DOU), Brasília, DF, 23 dez. 1996. BRASIL. Lei no 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Diário Oficial da União (DOU), Brasília, DF, 7 jul. 2015. BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: MEC, 2017. Disponível em: <http://livro.pro/ uo7bsh>. Acesso em: 23 ago. 2018. BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Arte. Brasília, DF: MEC, 1997. BRASIL. Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Brasília, DF: MEC, 2004. CÉLESTE, Bernadette; DUMAURIER, Élisabeth; DELALANDE, François. L’enfant du sonore au musical. Paris: INA & Buchet/ Chastel, 1982. COSTA, Edilson. Voz e arte lírica: técnica vocal ao alcance de todos. São Paulo: Lovise, 2001. DELALANDE, François. La musique est un jeu d’enfant. Paris: INA & Buchet/Chastel, 1984. DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. São Paulo: Editora 34, 1995. DEMPSEY, Amy. Estilos, escolas e movimentos. São Paulo: Cosac Naify, 2003. DEWEY, John. Arte como experiência. São Paulo: Martins Fontes, 2010. (Coleção Todas as Artes). DUARTE JR., João-Francisco. O sentido dos sentidos: a educação (do) sensível. Curitiba: Criar, 2001. FREIRE, Paulo. Ação cultural para a liberdade. São Paulo: Paz e Terra, 2007.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. São Paulo: Cortez: Autores Associados, 1982. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática pedagógica. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997. FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 2011. FREIRE, Paulo. Professora, sim; tia, não: cartas a quem ousa ensinar. 10. ed. São Paulo: Olho D’Água, 1993. GARAUDY, Roger. Dançar a vida. 6. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,1980. GARDNER, Howard. Estruturas da mente: a teoria das inteligências múltiplas. Porto Alegre: Artmed, 1994. HELGUERA, Pablo. Education for Socially Engaged Art. New York: Jorge Pinto Books, 2011. HENTSCHEKE, Liane et al. A orquestra tim-tim por tim-tim. São Paulo: Moderna, 2005. HERNÁNDEZ, Fernando. Cultura visual, mudança educativa e projeto de trabalho. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000. LARROSA, Jorge. Linguagem e educação depois de Babel. Belo Horizonte: Autêntica, 2007. MARTINS, Mirian Celeste (Coord.). Curadoria educativa: inventando conversas. Reflexão e Ação – Revista do Departamento de Educação da Unisc, Universidade de Santa Cruz do Sul, v. 14, n. 1, p. 9-27, jan./jun. 2006. MARTINS, Mirian Celeste (Coord.); GUERRA, Maria T. T.; PICOSQUE, Gisa. Teoria e prática do ensino de arte: a língua do mundo. São Paulo: FTD, 2010. MARTINS, Mirian Celeste; PICOSQUE, Gisa. Travessias para fluxos desejantes do professor-propositor. In: OLIVEIRA, Marilda O. de (Org.). Arte, educação e cultura. Santa Maria: Ed. UFSM, 2007. p. 349-356. MERLEAU-PONTY, M. A dúvida de Cézanne. In: ______. O olho e o espírito. São Paulo: Cosac Naify, 2004. MILLIET, Maria Alice. Lygia Clark: obra e trajeto. São Paulo: Edusp, 1992. OLIVEIRA, Valdemar de. Frevo, capoeira e passo. Recife: Companhia Editora de Pernambuco, 1971. OSTROWER, Fayga. Criatividade e processo de criação. 21. ed. Petrópolis: Vozes, 2007. PODESVA, Kristina Lee. A pedagogical turn: brief notes on education as art. Fillip, Vancouver, n. 6, 2007. Disponível em: <http:// fillip.ca/content/a-pedagogical-turn>. Acesso em: 22 set. 2018. PIMENTEL, Lucia Gouvêa. Tecnologias contemporâneas e o ensino de arte. In: BARBOSA, A. M. (Org.). Inquietações e mudanças no ensino da arte. São Paulo: Cortez, 2002. RENARD, Claire. Le geste musical. Paris: Éditions Hachette: Van del Velde, 1982. ROGOFF, Irit; O’NEILL, Paul; WILSON, Mick (Org.). Curating and educational turn. Londres: Open Editions; Amsterdã: De Appel, 2010. SANTAELLA, Lúcia. Como eu ensino: leitura de imagens. São Paulo: Melhoramentos, 2012. SPOLIN, Viola. Improvisação para o teatro. São Paulo: Perspectiva, 2012. VIADEL, Ricardo Marín; ROLDÁN, Joaquín. Arte para aprender. Granada, España: Editorial de la Universidad de Granada, 2017.

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POR TODA PARTE 9 Ensino Fundamental – Anos Finais

Componente curricular: Arte

SOLANGE DOS SANTOS UTUARI FERRARI Educadora, escritora e artista visual. Mestre em Artes Visuais pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp). Licenciada em Educação Artística pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). Especializada em Antropologia pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Especializada em Arte-Educação pela Universidade de São Paulo (USP). Autora de diversos livros, propostas curriculares e materiais educativos, é ilustradora, pesquisadora e assessora em projetos de Educação, Arte e Cultura. CARLOS ELIAS KATER Educador, musicólogo e compositor. Doutor pela Universidade de Paris IV – Sorbonne. Professor Titular pela Escola de Música da Universidade Federal de Minas Gerais (EM-UFMG). Coordenou o Centro de Pesquisa em Música Contemporânea da UFMG; foi vice-presidente da Associação Brasileira de Educação Musical (Abem) e membro do Conselho Editorial. É professor colaborador do Programa de Pós-Graduação em Música da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) e consultor da Fundação Koellreutter da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Autor de diversos livros e artigos, pesquisa e realiza trabalhos de ensino de música em escolas. BRUNO FISCHER DIMARCH Educador, escritor, bailarino e artista multimídia. Mestre em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Licenciado em Educação Artística pela Faculdade Mozarteum de São Paulo (FAMOSP). Autor de livros e propostas curriculares, pesquisa e desenvolve trabalhos sobre a dança em escolas. PASCOAL FERNANDO FERRARI Educador, escritor, ator e diretor teatral. Mestre em Ensino pela Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul). Especializado em Sociologia pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Licenciado em Pedagogia pela Universidade Camilo Castelo Branco (UNICASTELO). Licenciado em Psicologia pela Universidade Braz Cubas (UBC). Autor de diversos livros, propostas curriculares, é pesquisador de linguagem teatral em escolas.

2a edição São Paulo, 2018

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Copyright © Solange dos Santos Utuari Ferrari, Carlos Elias Kater, Bruno Fischer Dimarch, Pascoal Fernando Ferrari, 2018 Diretor editorial Diretora editorial adjunta Gerente editorial Editor Editores assistentes Assessoria Gerente de produção editorial Coordenador de produção editorial Gerente de arte Coordenadora de arte Projeto gráfico Projeto de capa Foto de capa Supervisor de arte Editor de arte Diagramação Tratamento de imagens Coordenadora de ilustrações e cartografia Ilustrações Coordenadora de preparação e revisão Supervisora de preparação e revisão Revisão

Supervisora de iconografia e licenciamento de textos Iconografia Licenciamento de textos Supervisora de arquivos de segurança Diretor de operações e produção gráfica

Antonio Luiz da Silva Rios Silvana Rossi Júlio Roberto Henrique Lopes da Silva Paulo Roberto Ribeiro Carlos Silveira Mendes Rosa, Lilian Ribeiro de Oliveira Daniela Alves, Daniela Souza Martins Grillo, Maria da Graça R. B. Câmara, Sandra Facchini, Tarcila Ferrari Mariana Milani Marcelo Henrique Ferreira Fontes Ricardo Borges Daniela Máximo Juliana Carvalho Juliana Carvalho Zeren Yasa Vinicius Fernandes Leandro Brito Estúdio Anexo Ana Isabela Pithan Maraschin, Eziquiel Racheti Marcia Berne Jorge Zaiba, Luis Moura, Thiago Soares Lilian Semenichin Viviam Moreira Adriana Périco, Camila Cipoloni, Carina de Luca, Célia Camargo, Felipe Bio, Fernanda Marcelino, Fernanda Rodrigues, Fernando Cardoso, Heloisa Beraldo, Iracema Fantaguci, Paulo Andrade, Pedro Fandi, Rita Lopes, Sônia Cervantes, Veridiana Maenaka Elaine Bueno Érika Nascimento Bárbara Clara, Erica Brambila Silvia Regina E. Almeida Reginaldo Soares Damasceno

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Por toda parte : 9o ano : ensino fundamental : anos finais / Solange dos Santos Utuari Ferrari...[et al.]. — 2. ed. — São Paulo : FTD, 2018. Outros autores: Carlos Elias Kater, Bruno Fischer Dimarch, Pascoal Fernando Ferrari. "Componente curricular: Arte." ISBN 978-85-96-01935-4 (aluno) ISBN 978-85-96-01936-1 (professor) 1. Arte (Ensino fundamental) I. Ferrari, Solange dos Santos Utuari. II. Kater, Carlos Elias. III. Dimarch, Bruno Fischer. IV. Ferrari, Pascoal Fernando. 18-20697

CDD-372.5 Índices para catálogo sistemático:

1. Arte : Ensino fundamental 372.5 Maria Alice Ferreira - Bibliotecária - CRB-8/7964

Reprodução proibida: Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Todos os direitos reservados à

EDITORA FTD. Rua Rui Barbosa, 156 – Bela Vista – São Paulo – SP CEP 01326-010 – Tel. 0800 772 2300 Caixa Postal 65149 – CEP da Caixa Postal 01390-970 www.ftd.com.br central.relacionamento@ftd.com.br

Em respeito ao meio ambiente, as folhas deste livro foram produzidas com fibras obtidas de árvores de florestas plantadas, com origem certificada.

Impresso no Parque Gráfico da Editora FTD CNPJ 61.186.490/0016-33 Avenida Antonio Bardella, 300 Guarulhos-SP – CEP 07220-020 Tel. (11) 3545-8600 e Fax (11) 2412-5375

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apresentação Podemos encontrar arte nos mais diferentes lugares e contextos. Um olhar atento, um ouvido esperto e logo percebemos uma imagem, uma música, um gesto ou um movimento, às vezes tudo junto ao mesmo tempo. Somos contemporâneos ao tempo das tecnologias, da cultura visual, dos sistemas de gravação de áudios e vídeos. Podemos compartilhar tudo isso com alguém, mesmo que bem distante. A arte alimenta-se de tudo que o ser humano inventa porque ela também foi inventada por pessoas há muito tempo e agora mesmo, neste último minuto. Você já parou para pensar que alguém, em algum lugar, acabou de fazer um desenho, uma pintura, uma escultura, uma fotografia, escreveu um texto teatral, um arranjo musical? Ou que há pessoas apresentando uma peça teatral ou mostrando uma coreografia, com os corpos a movimentar-se em uma dança? Quem sabe alguém por aí está fazendo uma performance, criando uma instalação, escrevendo ou lendo um livro de literatura ou de poemas, ou criando filmes, vídeos, videogames, cenários, figurinos ou imagens para ilustrar um livro? É possível que alguém também esteja organizando uma festa, e roupas de carnaval ou maracatu podem, neste exato momento, estar sendo bordadas pelas mãos de quem faz arte do povo para o povo! A arte é assim mesmo! Está em todos os lugares e é criada e apreciada por toda a gente. Estudá-la é procurar mais maneiras de encontrá-la. As produções artísticas brasileiras e as que foram ou são feitas mundo afora nos mostram um caminho para conhecer mais o ser humano e sua maneira poética e estética de viver. Somos seres culturais. Por isso inventamos linguagens, e muitas delas são artísticas. Nosso estudo quer ajudar a desvendar essas linguagens para compreender e fazer arte. Convidamos você a estudar Arte. Venha!

THOMAS FESSEL

Os autores

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• Capítulo 1 – Forma e palavra • Capítulo 2 – Arte multimídia

MÚSICA E EXPERIMENTAÇÃO

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Unidade

Nesta apresentação, você encontra pistas do que será proposto para trilhar percursos de estudos. Reflita sobre o que você já conhece e o que o instiga a novas aventuras e descobertas.

te

at r

o A criação e a liberdade poética. A arte que se dirige ao longe e a arte que aponta para ela mesma. A palavra na arte, palavra-poema, palavra-imagem, palavra em cena, palavra-som. As mídias da arte e a arte multimídia. O corpo, o gesto, a performance e a representação e sua relação com a tecnologia. Os tempos da arte podem se misturar, somar e existir juntos. A música de hoje pode ter o som do passado e buscar o futuro. As linguagens da arte não param de se transformar em seu perpétuo movimento na cultura.

PR RI AÇ BE A DA IR O/ SÉ PI TA , SÃ NG O A PA RM UL /LA O /A TIN LF ST OC

ARTE MULTIMÍDIA

MUSEUM FINE ARTS, HOUSTON

Palavra, arte e multimídia

GERALDO DE BARROS/ACERVO INSTITUTO MOREIRA SALLES

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MUSEU NACIONAL DE ARTE CONTEMPORÂNEA EM GYEONGGI, COREIA DO SUL / GINA SMITH/SHUTTERSTOCK.COM

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RICHARD T. NOWITZ/CORBIS TTY IMAGES DOCUMENTARY/GE

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Dança

A dança contemporânea no corpo de bailarinos chineses coreografados por Hou Bo, em 2007.

Trajetórias para a arte • Que língua a dança fala? • Tema 1 – Saltos, passos, quedas, volteios • Arte em Projetos – Dança • Tema 2 – Dança de pensamentos • Arte em Projetos – Dança

A cada abertura de capítulo, trazemos uma imagem para você fruir e refletir, além de informações sobre os conhecimentos presentes no universo da arte, o qual convidamos você a descobrir e aprender.

JACK.Q/SHUTTERSTOCK.COM

Capítulo

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venha homenagear!

tema 1

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Desenho M.C. ESCHER’S “DRAWING HANDS” © 2018 THE M.C. ESCHER COMPANY-THE NETHERLANDS. ALL RIGHTS RESERVED. WWW.MCESCHER.COM

JUERGEN RICHTER/EASYPIX BRASIL

Qual é a imagem do Brasil festivo retratada na pintura? Quais são as cores e formas nela empregadas? Quais são os sons e as músicas de nossas festas? Quem são os artistas que fazem da alegria o tema de seus trabalhos? Transformando as festas, as cores e o povo brasileiro em cenário.

Drawing hands (Mãos desenhando), de M. C. Escher, 1948. Litografia, 28,2 cm × 33,2 cm.

Simone sentada, de Mary Cassatt. Desenho a giz pastel.

AMPLIANDO

Litografia vem de lithos, que em grego significa pedra, e graphein, que é escrever ou desenhar. Assim, litogravura é o desenho na pedra. A pedra litográfica (em geral em calcário) é o suporte (matriz) em que o artista desenha com lápis oleoso (ou pastas gordurosas). Sobre esse suporte o artista trabalha com materiais com base no princípio da repulsão entre água e óleo. Ao final do processo, a imagem é gravada em papel por meio de uma prensa litográfica (especialmente construída para este processo).

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Venha! e Temas

Logo de início fazemos convites: Venha olhar, cantar, encenar, dançar, imaginar, tramar, pintar... conhecer e fazer arte! Também escolhemos alguns temas e exemplos para que você conheça ideias e histórias do mundo da arte.

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Mundo conectado, Mais de perto E PALAVRA DO ARTISTA

MAIS DE PERTO

Crítica e grafite

Que marcas um conflito pode deixar em nossa cultura? Poderiam emergir novas linguagens influenciadas pelos traumas de uma guerra? Na Segunda Guerra Mundial, algumas das imagens mais marcantes apontam para as bombas atômicas que foram lançadas sobre duas cidades japonesas, Hiroshima e Nagasaki, devastadas em um episódio de terror. Após a guerra, emerge o butô, e a expressão do corpo ganha contornos densos. O coreógrafo japonês Tatsumi Hijikata (1928-1986) foi o fundador do butô e mostrou ao mundo uma forma única de dança, carregada de teatralidade, com escuridão, decadência e elementos grotescos. O japonês Kazuo Ohno (1906-2010), o principal dançarino de butô, escreveu, dançou e difundiu o butô por todo o planeta. No Brasil, Takao Kusuno e Felícia Ogawa foram os primeiros a desenvolver essa dança, conseguindo promover a entrada de Kazuo Ohno na cena brasileira. Outros nomes que ajudam a promover o butô no Brasil são José Maria Carvalho, Emilie Sugai, Maura Baiocchi, Denilton Gomes, Janice Vieira, Antunes Filho e a companhia Lume.

O grafite, enquanto arte pública, pode atingir um grande número de pessoas. Ademais, o “público” do grafite que está nas paredes das cidades é formado por pessoas muito diferentes. Uma parede grafitada em frente a uma estação de trem será vista por pessoas que utilizam o transporte com objetivos distintos (podem estar a caminho de casa, da escola, do trabalho, de um local de lazer etc.). Atentos a essa característica da relação entre arte e público, os artistas utilizam os muros para expressar críticas à sociedade. Cranio traz em seus grafites denúncias e discute comportamentos e situações por meio de seus personagens, em geral indígenas de pele azul.

WWW.CRANIOARTES.COM

Cranio, usando sprays, durante processo de criação de Torcida (2014), grafite sobre a Copa do Mundo no Brasil.

Turista consumidor, de Cranio (2012). Grafite em papel, 100 cm × 80 cm.

CLAIRE JEAN

PALAVRA DO ARTISTA

Vinicius Santi, aluno de José Maria Carvalho, é parte da nova geração de dançarinos de butô. Na fotografia acima, uma gruta no vale do Pati, na Chapada Diamantina (BA), torna-se o local da dança desse artista, em 2012.

Fabio Oliveira, o Cranio (1982-) Seus personagens, pelo menos em maioria, têm uma crítica social. Qual a importância da arte na divulgação de opiniões e também como forma de expressão? Acredito ser importantíssimo colocar uma crítica atrás de um trabalho artístico, caso contrário seria apenas mais um desenho bonitinho nas paredes de galerias e nos muros nas cidades. E também acredito ser importante mostrar um contexto histórico, algo onde as pessoas podem se agarrar, se lembrar, [...] isso é, as pessoas têm que saber o que está acontecendo em nossa sociedade e abrir os olhos para os problemas.

LENISE PINHEIRO

A arte está relacionada com outras disciplinas e com a vida cotidiana. Você pode descobrir como isso acontece lendo a seção Mundo conectado. A seção Mais de perto retoma o convite feito inicialmente na seção Venha!, a fim de aprofundar seus conhecimentos sobre os temas e as linguagens estudados. E, para aproximar você ainda mais da arte, apresentamos citações, trechos de entrevista ou depoimentos na seção Palavra do artista.

tema 1 conectado mundo

A guerra pensada no corpo

WWW.CRANIOARTES.COM. FOTO: GUILHERME ZAUITH

Carnaval em Madureira (1924), de Tarsila do Amaral. Óleo sobre tela, 76 cm × 63,5 cm.

O desenho é uma linguagem muito antiga e usada para expressar várias ideias, e muitas obras de arte podem ser criadas especificamente nessa linguagem. Na arte rupestre o ato de desenhar podia estar ligado ao “poder mágico”, acreditava-se que a imagem capturada trazia bons presságios para atividades cotidianas como a caça e a busca por sobrevivência. O artista holandês Maurits Cornelis Escher (18981972) usou o desenho como processo para criar uma gravura (litografia), mas Escher também costumava usar a linguagem do desenho como produto final em várias de suas produções. A artista estadunidense Mary Cassatt (1844-1926) retratava o cotidiano familiar e feminino de sua época. A prática do desenho é reconhecida como produto final nesse momento da história da arte, já que durante muito tempo o desenho foi usado como uma linguagem que servia de base para outras, como a pintura, a escultura, a gravura...

COLEÇÃO PARTICULAR. /DAVID DAVID GALLERY/GETTY IMAGES

Desenho rupestre feito com carvão. Imagem de bisões de cerca de 15000 a.C. encontrada em caverna na província de Astúrias, na Espanha. ACERVO FUNDAÇÃO JOSÉ E PAULINA NEMIROVSKY, SÃO PAULO. ©TARSILA DO AMARAL EMPREENDIMENTOS LTDA.

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Observe as imagens a seguir.

Observe a imagem a seguir.

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A atriz Emilie Sugai em cena da peça Foi Carmen Miranda (2005), com o grupo Macunaíma. Texto, concepção e direção de Antunes Filho, que misturou butô e samba na concepção cênica do espetáculo.

NAVILLE, Natt. Cranio: seus personagens vibrantes e a crítica social. Mistura Urbana. Disponível em: <http://misturaurbana.com/2014/04/entrevista-cranio-seus -personagens-vibrantes-e-a-critica-social/>. Acesso em: 8 nov. 2018.

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Arte em projetos e PROCESSO DE CRIAÇÃO

Gosto de revelar a essência, a expressão da alma, o interior do ser. […] Tento obter silêncio total no teatro. […] Em meio ao silêncio, mostramos da melhor maneira possível a nossa profundidade. MARCEL Marceau Remembered. Produção: PBS Newshour, 1999. Vídeo (2min10s). Tradução dos autores. Disponível em: <http://livro.pro/yw2wf7>. Acesso em: 9 nov. 2018.

O mímico Marceau. O extraordinário Marcel Marceau (pronuncia-se “marçô”) era mais conhecido na França pelo apelido de “le mime Marceau” (o mímico Marceau). Conheça um pouco da arte de um dos maiores mestres em sua linguagem artística. Disponível em: <http:// livro.pro/jhpi5v>. Acesso em: 7 nov. 2018.

LEO AVERSA

Processo de criação

Planejar e construir Observe a imagem ao lado. O planejamento é um ponto inicial importante na criação de cenários. O cenógrafo Gringo Cardia (1957-) criou o cenário do primeiro ato do espetáculo Tatyana, da Cia. de Dança Deborah Colker. Com materiais comuns, como pedaços de vários tipos de papel, alfinetes, retalhos de tecido e placas de isopor, podemos criar maquetes. O cenógrafo, se quiser, usa também bonecos na maquete para indicar a dimensão dos elementos de cena. Vamos planejar para criar um cenário de teatro ou dança? Imagine que uma companhia de teatro ou de dança vai montar um espetáculo e contrata você para ser o cenógrafo. Como são construídos os cenários? O que é preciso e por onde começar? O que você percebe ao observar a imagem ao lado? Que materiais foram usados? Está em tamanho real ou é uma maquete?

Veja no material audiovisual o vídeo Acústica.

Em Arte em Projetos, apresentamos sugestões para estudar e criar em várias linguagens da arte. Em Processo de criação, o fazer artístico é relacionado a conceitos, materialidades, processos e procedimentos de criação.

Cena do primeiro ato do espetáculo Tatyana, da Cia. Deborah Colker, de 2011, com cenário de Gringo Cardia.

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MAIS AÇÃO

Boi Garantido, representado principalmente pela cor vermelha, é uma das agremiações que competem todo ano no Festival Folclórico de Parintins (AM). O Boi Caprichoso é representado pela cor azul.

Vamos pesquisar em sua cidade se há artistas naïfs? Que tal conversar com um deles? Podemos também criar pinturas com base em temas que tratem das festas populares do Brasil. Pesquise sobre as festas em sua região, bem como outras manifestações de arte e do folclore local.

MISTURANDO TUDO

Oficina 1 – Criando têmperas Existem têmperas transparentes nas quais são usados clara de ovos e pigmentos transparentes, como as anilinas comestíveis. Para tintas mais opacas, podemos usar gema de ovos e, como pigmentos, pó de pintor ou temperos. Para criar sua tinta, use a fórmula básica: em um copo ou outro recipiente, coloque uma gema sem pele, duas cores de pigmento em pó (pó de pintor ou temperos) e duas colheres de sopa de água. Misture bem. Sua tinta está pronta! Faça o mesmo com outros pigmentos para conseguir várias cores. Como suporte, você pode usar madeiras ou restos de papelão, como embalagens de alimentos ou de calçados. Agora, pesquise sobre as cores e formas que podem representar melhor as festas populares de sua região e crie pinturas. Com as pinturas finalizadas, organizem uma exposição. Que tal essa exposição fazer parte de algum evento em sua cidade? Combine com os colegas e com o professor!

ANDERSON HENRIQUE FERREIRA

Agora que você já mapeou a vida cultural de sua região e já se destacou na sua escola, que tal envolver também amigos e familiares? Seja um dinamizador cultural, proponha um roteiro artístico para fazer com um grupo, crie eventos envolvendo estudantes e artistas locais. Assim, você poderá potencializar a cultura que está perto de você!

Dos primeiros televisores e rádios criados até os de nossos dias, os processos de transmissão de som e imagem mudaram muito. As linguagens que nasceram dessas pesquisas também. Contudo, algo ainda não mudou: a arte e a ciência andam juntas na criação de linguagens e novas formas de comunicação e expressão. O rádio, a televisão e as histórias das experiências científicas que formaram a criação desses objetos são materiais e temas nas produções dos artistas brasileiros Cildo Meireles, como já vimos, e do artista sul-coreano Nam June Paik. Observando as videoartes (videoesculturas) de Nam June Paik, percebemos que, do ponto de vista da tecnologia atual, alguns desses objetos são obsoletos.

AMPLIANDO

Seu Diário de arte é testemunha de todo o seu percurso artístico na escola. Ele se tornará uma rica memória de seu modo de pensar, seus interesses, suas invenções, dúvidas e descobertas. Preserve-o para que, no futuro, você consiga relembrar, reviver e reconhecer as preciosidades de sua vida.

MISTURANDO TUDO Nesta Unidade, conversamos sobre vários artistas e propostas que põem em debate o processo criação. Escreva o que você pensa a respeito dos pontos a seguir. 1. O ato criador é uma forma de revelar o que pensamos ou desejamos? Ele pode acontecer na interação entre o ser humano e o mundo cultural vivido?

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2. A cultura à qual pertencemos deflagra nossa forma de criar? 3. Entre pensar, ter uma ideia para um projeto artístico e desenvolvê-lo há muitas etapas de criação? Como você descreve seu processo de criação?

Pesquise sobre as obras de Nam June Paik e Cildo Meireles. Por que será que esses artistas escolheram criar arte com esses objetos? Que ideias vêm à sua mente ao observar a videoinstalação do artista sul-coreano Nam June Paik? Registre suas ideias em seu Diário de arte.

4. A arte pode estar ligada a várias áreas do conhecimento. Cite uma obra em que isso acontece e por que acontece. 5. A arte é um meio importante para expressar ideias e provocar mudanças na sociedade? 6. Como você vê sua participação na vida artística e na cultura da sua comunidade? Respostas pessoais.

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2. O que as transformações na música moderna e contemporânea trouxeram de interessante para a atualidade?

4. Como você vê a nossa relação com as tecnologias no cotidiano e na arte? 5. As invenções do rádio e da televisão mudaram a maneira de as pessoas se comunicarem? E hoje, com a internet e os celulares? 6. A arte também se transformou em função dessas invenções? Qual é a sua relação com as máquinas do seu tempo? 7. E os computadores, tablets e celulares? São inventos que nos libertam ou nos escravizam?

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O boxe Ampliando, em estilo de glossário, ajuda você a saber mais sobre algumas palavras e expressões e a compreender melhor o universo da arte e seus termos. No + Perto de você, há propostas de passeios culturais e dicas de como ou onde encontrar mais arte. Você também poderá fazer registros sobre seu processo de criação, reflexões, análises e descobertas no mundo da arte a partir das dicas deixadas no Diário de arte.

Alunos da Escola Estadual Paulo Kobayashi, em São Paulo (SP), finalizam com guache um painel lambe-lambe para a Mostra de Arte e Cultura Kobayana de 2016.

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A videoarte é uma linguagem artística que influenciou a criação de outras linguagens, como a videoinstalação, a videoescultura, a arte via satélite, a web arte e a arte com princípios robóticos, entre outras. Trata-se de uma linguagem contemporânea que nasceu a partir do acesso ao vídeo e a sistemas de televisão. Os artistas perceberam nessa tecnologia um grande potencial como linguagem.

1. O que mais chamou a sua atenção em relação às evoluções tecnológicas nas mídias (fitas K7, vídeos, CDs etc.)? E na evolução da linguagem musical?

3. O que você achou mais interessante no uso da tecnologia nas performances e obras estudadas? Como foi seu processo de criação de videocriatura?

Ampliando, + Perto de você e Diário de arte

+ PERTO DE VOCÊ

Supervia Eletrônica (1995), instalação de Nam June Paik.

Contemporary Classical Music Ensemble So Percussion Perform News, performance do grupo So Percussion At Abrons Art Center, de percussão com música clássica e contemporânea, em Nova York, EUA, em 2015.

Processo de criação

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Uma apresentação com todos os alunos poderia encerrar o festival. Pode ser uma apresentação com múltiplas linguagens ou uma performance, uma coreografia, uma encenação, enfim, uma ação de que todos possam participar. Além dos registros, pode-se preparar uma lembrança do festival de formatura, algo que todos levarão como recordação desse momento especial.

Que tal registrar suas experiências no Diário de arte? Procure relacionar seus estudos com sua vida, com o que está assistindo na televisão, acessando pela internet, lendo em revistas, observando no entorno. Você pode também registrar os caminhos para os quais sua imaginação se dirige, seu mundo interno de arte, sempre relacionando-o aos seus estudos em Arte.

FAIXA 10

Dança do Pau de Fitas, que integra a Festa dos Açores, em Palhoça (SC), em 2009.

Pesquisar, criar e compartilhar são algumas das várias propostas que fazemos a você na seção Mais ação. Uma linguagem pode ter relação com outras e até estarem juntas em uma produção artística. A seção Misturando tudo traz questões para você pensar sobre isso e para perceber o que você aprendeu ao estudar cada capítulo.

RICHARD T. NOWITZ/CORBIS DOCUMENTARY/GETTY IMAGES

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ORMUZD ALVES/ARGOSFOTO

WASHINGTON FIDÉLIS/FOLHAPRESS

Mais ação e Misturando tudo

Observe a imagem a seguir.

5. Ao chegar na nota mais grave possível, todos permanecem nela, respirando e retornando sempre à mesma nota. Em observação e troca de olhares, todos combinam o encerramento da música, juntos, de maneira súbita ou em decrescendo (cantando cada um a sua nota, cada vez mais baixinho) até se silenciarem. Essa última fase pode durar cerca de 10 a 20 segundos.

FAIXA 11

A tradição da cor

A cultura tradicional brasileira é repleta de cores vivas. Das Congadas às festas de Bumba meu boi, as roupas e os acessórios trazem um rico colorido. Observe as imagens a seguir, que mostram as cores na Dança do Pau de Fitas, realizada no Rio Grande do Sul, e na Festa do Boi Garantido, no Festival Folclórico de Parintins.

JACK VARTOOGIAN/ARCHIVE PHOTOS/GETTY IMAGES

VEJA ARTE

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CRISTIANO PRIM

SLAVKO SEREDA/SHUTTERSTOCK.COM

O Grupo CENA 11 desenvolve uma técnica particular e instaura projetos de pesquisa e formação, sempre com o propósito de confluir teoria e prática no entendimento da dança. Fotografia de 2015.

Aula de dança de roda brasileira, no Instituto Brincante, na capital de São Paulo. As danças circulares tradicionais, sagradas ou não, nos colocam um pouco mais em contato com os elementos socioculturais de outros grupos, como os indígenas. Fotografia de 2010.

Martha Graham, dançarina estadunidense que revolucionou a dança moderna. Fotografia de 1940.

Dança de Cogul, pintura rupestre do período Paleolítico (c. 10000 a.C.). Cogul, Cova dels Moros, Espanha. Fotografia de 2008.

THE BRIDGEMAN ART LIBRARY/EASYPIX BRASIL

WORLD HISTORY ARCHIVE / ALAMY / FOTOARENA

Isadora Duncan, uma das pioneiras da dança moderna. Fotografia de 1920.

MUSEU D'ARQUEOLOGIA DE CATALUNYA, BARCELONA, SPAIN

Olhar para o passado e perceber como a arte se transforma pode provocar reflexões sobre como a vida e a sociedade também mudam com o passar dos séculos. As linhas do tempo permitem fazer relações, entre passado e presente, com base no que foi estudado a cada unidade.

Elenco do Royal Ballet (Reino Unido) interpretando a versão coreográfica de Marius Petipa e Lev Ivanov para o balé de repertório O lago dos cisnes, de 1895. Fotografia de 2012.

MUSEE MUNICIPAL ANTOINE VIVENEL, COMPIEGNE, FRANCE / BRIDGEMAN IMAGES/KEYSTONE BRASIL

ARTE PELO TEMPO

CORBIS/GETTY IMAGES

Os seres humanos e a dança

Na Antiguidade, o movimento corporal fazia parte do cotidiano de civilizações ocidentais como a grega, na qual a dança era ritualística e tinha características sagradas. Na imagem, movimentos de braços e pernas retratados em ânfora grega (566 a.C.).

Danças camponesas das Festas de Maio, litogravura do livro A Idade Média e o Renascimento (1847), de Paul Lacroix, mostra uma dança tradicional praticada no final da Idade Média (século XV).

PRÉ-HISTÓRIA

IDADE ANTIGA

IDADE MÉDIA

(c. 2 milhões a.C. -c. 4000 a.C.)

(c. 4000 a.C.-476 d.C.)

(476 d.C.-1453 d.C.)

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Montagem fotográfica de performance de mímica de Marcel Marceau na França, em 1958.

O teatro, como as mais diversas formas de comunicação, envolve um processo de troca de informações ou mensagens entre um emissor e um receptor. Dizemos que existe uma troca entre o ator e o público. Há diferentes formas de comunicação na arte. No caso da palavra, podemos escrevê-la, como nos textos teatrais, ou dizê-la, como nas encenações de peças teatrais e produções audiovisuais. Essas formas de comunicação são definidas como comunicação verbal. Também podemos comunicar ideias e sentimentos por meio das artes visuais, como em pinturas e esculturas. Gestos, movimentos e expressões também são instrumentos da comunicação, tanto no teatro e no cinema como na dança. Essas formas de comunicação são consideradas comunicação não verbal. Nas linguagens teatrais, em propostas audiovisuais para cinema, televisão e internet ou em intervenções performáticas, os artistas utilizam dois códigos de comunicação, o verbal e o não verbal. No teatro, quando se opta por não usar a palavra, um dos estilos de comunicação utilizados é conhecido como mímica, em que a gestualidade corporal e as expressões faciais ampliam a ação, constroem objetos e situações utilizando matéria invisível. A mímica está presente desde as primeiras formas teatrais da Grécia antiga e desenvolveu-se de maneiras diversas.

Núcleo de Dança Pélagos , projeto realizado na capital paulista que tem o objetivo de oferecer aos jovens da zona sul maior desenvolvimento corporal e aproximação com a arte e a cultura. Fotografia de 2012.

ANNA OMELCHENKO/SHUTTERSTOCK.COM

RICHARD FRIEMAN/PHOTORESEARCHERS/LATINSTOCK

Observe com atenção as imagens registradas a seguir.

Marcel Marceau, nome artístico de Marcel Mangel (1923-2007), é considerado um dos maiores mímicos do mundo e foi reconhecido com títulos e prêmios. Com o silêncio expressivo de seus personagens e todo o seu intenso trabalho corporal, encantou plateias de todas as idades e nacionalidades. Por trás dessa intensidade envolvente, pungente, havia uma história sofrida. De família judaica, Marcel Mangel nasceu em Estrasburgo, cidade francesa ocupada pela Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Os pais de Marcel, entre milhares de pessoas, foram deportados para o campo de concentração de Auschwitz. O pai morreu; a mãe sobreviveu. Marcel Marceau na Embaixada da França em Berlim, em 2005. Aos 17 anos, Marcel já participava da Resistência Francesa com seu irmão mais velho, opondo-se à ocupação. Em 1999, ele declarou a um programa da PBS (rede de televisão pública) dos EUA:

NANA VIEIRA

TEATRO

ALBUM / PICTURE-ALLIANCE/ALBUM /FOTOARENA

arte em projetos

A linguagem verbal e a não verbal na dramaturgia

Guerreiros Masai em dança tradicional de uma cerimônia no Quênia, África. Fotografia de 2008.

IDADE MODERNA

IDADE CONTEMPORÂNEA

(1453 d.C.-1789 d.C.)

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UNIDADE 1 ⬤ PALAVRA, ARTE E MULTIMÍDIA

WWW.CRANIOARTES.COM

sumário

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Capítulo 1 – Forma e palavra ................. 10 Venha ler! ............................................. 12 Venha fotografar! ................................ 13 Tema 1 – Imagem e palavra .............. 15 Mundo conectado – Palavra integrada à imagem ............................... 16 Mais de perto – A forma e o conteúdo da poesia ................................ 18 Arte em Projetos – Artes visuais – PalavrArte............................................... 20 Tema 2 – Imagens concretas ............. 22 Mundo conectado – Arte em espaço público ....................................... 23 Mais de perto – Na captura de imagens ............................................ 25 Arte em Projetos – Artes visuais – Fotografia artística.................................. 26 Misturando tudo ................................. 27 Capítulo 2 – Arte multimídia.................. 28 Venha inventar! .................................... 30 Venha sintonizar! ................................. 31 Tema 1 – Inventos e transformações.................................... 33 Mundo conectado – A “linguagem” eletromagnética ..................................... 36 Mais de perto – Arte multimídia .......... 37 Arte em Projetos – Artes integradas – Criando VideoCriaturas .......................... 38 Tema 2 – Todos os tempos ao mesmo tempo ..................................... 40 Mundo conectado – De ouvir e de ver .................................................... 43 Mais de perto – Babel, sons e imagens ................................................. 46 Arte em Projetos – Música – Babel musical................................................... 48 Misturando tudo ................................. 51 Arte pelo tempo – Evolução das mídias e o fazer artístico .......................... 52

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UNIDADE 2 ⬤ A LINGUAGEM

Capítulo 1 – Performance ....................... 56 Venha intervir! .................................... 58 Venha misturar! ................................... 59 Tema 1 – Performance: conceito e ação artística .................... 61 Mundo conectado – Experiência estética 65 Mais de perto – Intervenções e performances .......................................... 66 Arte em Projetos – Artes visuais – Arte no corpo ......................................... 68 Tema 2 – Happening: cena e interação .............................................. 70 Mundo conectado – Arte e ecologia ..... 71 Mais de perto – Irrequieto e híbrido ...... 72 Arte em Projetos – Artes integradas – Vestindo arte do meu jeito ....................... 74 Misturando tudo ................................. 75 Capítulo 2 – Dança .................................. 76 Venha dançar! ....................................... 78 Venha coreografar!............................... 79 Tema 1 – Saltos, passos, quedas, volteios ................................................. 82 Mundo conectado – A minha língua..... 84 Mais de perto – O movimento .............. 86 Arte em Projetos – Dança – Territórios da dança ................................. 91 Tema 2 – Dança de pensamentos ........ 94 Mundo conectado – A guerra pensada no corpo ................................... 95 Mais de perto – Funk Brasil................... 96 Arte em Projetos – Dança – Experiência coreográfica........................... 98 Misturando tudo ............................... 101 Arte pelo tempo – Os seres humanos e a dança ............................... 102

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UNIDADE 3 ⬤ TRAÇOS, CORES

ACERVO OTÁVIO DONASCI

Capítulo 1 – Nossos traços ................... 106 Venha planejar e desenhar!............... 108 Venha criar e ilustrar! ......................... 109 Tema 1 – Desenho ............................. 111 Mundo conectado – Arte e religião .... 114 Mais de perto – Desenho como processo para a pintura.......................... 115 Arte em Projetos – Artes visuais – O desenho e suas materialidades ............ 117 Tema 2 – Ilustração no tempo e do tempo ......................................... 121 Mundo conectado – Ilustração e Ciências .................................................123 Mais de perto – Ilustres ilustrações .......125 Arte em Projetos – Artes visuais – Materialidades e elementos da linguagem visual ................................... 127 Misturando tudo ............................... 131 Capítulo 2 – Sons e cores do Brasil...... 132 Venha criar! ......................................... 134 Venha grafitar!.................................... 135 Tema 1 – Povo e cor ........................... 137 Mundo conectado – Essa mistura dá samba! ............................................ 138 Mais de perto – Vejo, sinto e estilizo.... 141 Arte em Projetos – Artes visuais e artes integradas – Tintas e cores ....... 142 Tema 2 – Hip-hop .............................. 146 Mundo conectado – Floresta Amazônica ............................... 147 Mais de perto – Crítica e grafite .......... 148 Arte em Projetos –Artes integradas – Movimento da cultura hip-hop ............... 149 Misturando tudo ............................... 151 Arte pelo tempo – O desenho, seus suportes e desdobramentos ................... 152

OSTILL/SHUTTERSTOCK.COM

E SONS 104

UNIDADE 4 ⬤ AÇÃO CULTURAL 154

Capítulo 1 – Arte em processo............. 156 Venha escrever, ler e encenar! .......... 158 Venha criar, projetar e convidar!....... 159 Tema 1 – A criação no teatro ............. 162 Mais de perto – O autor e os atores .... 165 Arte em Projetos – Teatro – A linguagem verbal e a não verbal na dramaturgia .........................................166 Tema 2 – Nossos traços...................... 169 Mundo conectado – A ciência na arte ................................................. 171 Mais de perto – Arte colaborativa ....... 172 Arte em Projetos – Artes visuais e Artes integradas – Projeto artístico na escola .............................................. 173 Misturando tudo ............................... 175 Capítulo 2 – Arte em ação.................... 176 Venha dinamizar! ............................... 178 Venha acontecer! ................................ 179 Tema 1 – Festivais e mostras de arte . 181 Mundo conectado – O evento cultural que mudou o Brasil: Semana de Arte Moderna .................................. 182 Mais de perto – Agito na comunidade .......................................... 183 Arte em Projetos – Artes integradas – Mapa cultural ........................................ 184 Tema 2 – Identidade cultural ............. 185 Mundo conectado – Rito de passagem ............................................. 186 Mais de perto – Eu aconteço .............. 187 Arte em Projetos – Artes integradas – Festival artístico de formatura ................. 188 Misturando tudo ............................... 189 Arte pelo tempo – História do teatro .. 190 REFERÊNCIAS .................................... 192

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ARTE MULTIMÍDIA

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VIDEOARTE

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A criação e a liberdade poética. A arte que se dirige ao longe e a arte que aponta para ela mesma. A palavra na arte, palavra-poema, palavra-imagem, palavra em cena, palavra-som. As mídias da arte e a arte multimídia. O corpo, o gesto, a performance e a representação e sua relação com a tecnologia. Os tempos da arte podem se misturar, somar e existir juntos. A música de hoje pode ter o som do passado e buscar o futuro. As linguagens da arte não param de se transformar em seu perpétuo movimento na cultura.

A RT ES VISUA IS

CA SI MÚ

ACERVO OTÁVIO DONASCI

PERCURSOS POÉTICOS, ESTÉTICOS E ARTÍSTICOS Sugerimos que os alunos criem um Diário de arte, material que servirá para fazerem registros durante todo o percurso de estudos. Eles podem personalizar seus diários e anotar suas descobertas, dúvidas e planos para criar arte. Os registros podem ser em forma de poemas, textos reflexivos, desenhos, colagens e outras formas de expressar o pensamento crítico e criativo. Para começar a usar os Diários de arte, proponha um debate, o registro e a pesquisa sobre os seguintes termos: arte multimídia, videoarte, videocriatura, ver e ouvir, Arte concreta, fotoformas, arte e geometria, arte e palavra, música e experimentação. Esse material pode ser ampliado ao longo dos estudos e retomado para avaliar como e quanto os alunos aprenderam.

Palavra, arte e multimídia

ORBIS RICHARD T. NOWITZ/C ETTY IMAGES DOCUMENTARY/G

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Nesta Unidade 1, intitulada Palavra, arte e multimídia, trabalharemos com as linguagens artísticas e suas relações com a literatura e com as tecnologias; abordaremos também o caráter experimental na criação de linguagens, como na fotografia e na música. Da história da arte brasileira, abordaremos o movimento concretista na poesia e nas artes visuais. Da história da música, traremos um estudo sobre a arte moderna e contemporânea e suas transformações nos séculos XX e XXI. Na abertura de cada Unidade, você encontrará uma forma orgânica com imagens e palavras que estabelecem pontos de ligação com produções artísticas e conceitos a serem estudados. Elas constituem propostas de caminhos para você pensar seu planejamento. Sugerimos que você oriente os alunos a fruir as imagens e a ler as palavras e os nomes das diferentes linguagens a serem estudadas.

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MUSEU NACIONAL DE ARTE CONTEMPORÂNEA EM GYEONGGI, COREIA DO SUL / GINA SMITH/SHUTTERSTOCK.COM

CONTEXTUALIZAÇÃO

VIDEOCRIATURA

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VER E OUVIR

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Aproveite para fazer uma avaliação diagnóstica sobre o que os alunos já sabem a respeito dos temas e conceitos apresentados e quais suas expectativas. Propomos que você crie pautas para olhar, ouvir, conversar com os alunos, isto é, questões que podem ajudar a iniciar D2-ARTE-EF2-V9-U1-C1-008-027.indd 8

e a conduzir as trocas. Inicie com uma conversa sobre as imagens e os termos registrados, buscando significados e hipóteses que cada um pode representar. Sugerimos as seguintes perguntas: • Por que essas imagens estão aqui? O que você percebe? Lembra? Sente?

• Já viu alguma dessas ima-

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gens antes? Vamos descobrir o que representam e quem as produziu? • Que significados essas palavras têm para você? Que tal ampliar e buscar seus significados em dicionários? As conexões nesta abertura são apenas algumas das

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MUSEUM FINE ARTS, HOUSTON

ALEX FLEMMING

COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE ARTE Nesta Unidade, trabalharemos as seguintes competências específicas de Arte: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9.

IDEIAS E POÉTICAS

GERALDO DE BARROS/ACERVO INSTITUTO MOREIRA SALLES

PR RI AÇ BE A D IR A O/ S PI É, TA SÃ NG O A PA RM UL /L O / AT AL IN F ST OC K

ARTE CONCRETA

ARTE E GEOMETRIA

ARTE E PALAVRA

“POEMÓBILES”, DE AUGUSTO DE CAMPOS E JULIO PLAZA, EDIÇÃO DOS AUTOR ES, SÃO PAULO, SP, 1974 / CLEO VELLEDA/FOL HAPRESS

FOTOFORMAS

RONA

LDO M

IRAND

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Arte e você em:

MÚSICA E EXPERIMENTAÇÃO

muitas linhas que interligam linguagens e produções artísticas. Inúmeras outras linhas ligam, cruzam, entrelaçam e fazem dos territórios da arte um grande tecido cultural.

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• Capítulo 1 – Forma e palavra • Capítulo 2 – Arte multimídia

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NO DIGITAL • Veja o plano de desenvolvimento para a Unidade 1. • Desenvolva o projeto integrador sobre o sarau e suas possibilidades no âmbito escolar. • Explore as sequências didáticas propostas para o primeiro bimestre. • Acesse a proposta de acompanhamento da aprendizagem.

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SITUAÇÕES DE APRENDIZAGEM As unidades são compostas de dois capítulos divididos por temas e seções, que, por sua vez, oferecem duas sequências didáticas que dão ênfase a duas propostas de apreciação: contextualização e fazer artístico. Essas duas propostas configuram situações de aprendizagem que propõem momentos para a nutrição estética (apreciação de imagens, músicas e textos) nas seções Venha! e Mais de perto. Os textos nas seções Temas, Mundo conectado e Exercícios permitem momentos de reflexão, contextualização e ampliação pela pesquisa. A ação criadora (fazer artístico) está proposta na seção Arte em Projetos. Lembramos nossa intenção de dar espaço para que o professor seja sempre autor do seu trabalho. Neste sentido, é importante que você se prepare, organize-se metodologicamente na gerência dos projetos e dos percursos de aprendizagem da arte. O planejamento prévio será fundamental para o bom desempenho nas aulas. Outra estratégia é fazer combinados com os alunos sobre como ocorrerão as aulas e o que será preciso organizar em relação aos materiais e procedimentos artísticos. Ao longo deste Manual, trazemos várias ideias para o desenvolvimento das aulas, aprofundamentos e sugestões metodológicas e de registro e avaliação.

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CONCEITOS EM FOCO

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• Arte concreta • Poemóbiles • Arte e palavra

BNCC UNIDADES TEMÁTICAS • Artes visuais • Artes integradas HABILIDADES • (EF69AR01) • (EF69AR02) • (EF69AR03) • (EF69AR05) • (EF69AR07) • (EF69AR32)

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Forma e palavra Trajetórias para a arte • Visual e verbal • Tema 1 – Imagem e palavra • Arte em Projetos – Artes visuais • Tema 2 – Imagens concretas • Arte em Projetos – Artes visuais

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Sugerimos que você apresente a imagem que reproduz o Poemóbiles (1974), uma obra do poeta Augusto de Campos (1931-) e Julio Plaza (1938-2003). Ela apresenta um mundo em que a forma como o texto foi construído causa estranhamento, levando o leitor a interagir com ele para entender os vazios que o compõem. A proposta é de desautomatização da leitura textual, ou seja, o leitor precisa deixar de lado a maneira habitual de ler. Aproveite para estimular os alunos a perceber essa forma diferente de escrever um livro. Sobre as formas e as palavras, sugerimos a seguinte pauta: • Vocês já ouviram falar sobre algum livro como o Poemóbiles? Vocês acham que a leitura desse livro é feita da forma usual? • Esse livro é para ler ou para ser visto? • Que formas e palavras você consegue reconhecer? Esclareça para os alunos que o livro Poemóbiles é uma espécie de caixa branca com partes articuladas. Ao abrir as partes do livro, é possível perceber o jogo entre palavras e formas tridimensionais móveis. Converse com os alunos sobre criar um livro de modo lúdico e não convencional.

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Você pode propor aos alunos que se reúnam em pequenos grupos para conversar e apreciar a imagem dos Poemóbiles. Sugira que registrem em seus Diários de arte suas análises a respeito das formas, palavras e hipóteses interpretativas. D2-ARTE-EF2-V9-U1-C1-008-027.indd 10

PARA AMPLIAR CONCEITOS Sugerimos que, ao propor momentos de fruição artística a partir de imagens com reproduções de obras, como o Poemóbiles, o professor crie roteiros e pautas (para olhar) de perguntas que devem pro-

mover e instigar conversações que enriqueçam o estudo dos temas com opiniões e impressões dos alunos. Robert W. Ott estruturou um sistema de leitura de imagens (Image Watching) que propõe explorar seis momentos. Um deles, introdutório, ele chamou

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“POEMÓBILES”, DE AUGUSTO DE CAMPOS E JULIO PLAZA, EDIÇÃO DOS AUTORES, SÃO PAULO, SP, 1974 / CLEO VELLEDA/FOLHAPRESS

+IDEIAS O Poemóbiles insere-se no movimento de poesia concreta, que propõe uma criação gráfica e espacial unindo o visual (imagem) e o verbal (palavra), ou seja, artes visuais e literatura. Proponha aos alunos que pesquisem mais sobre as produções dos artistas visuais e poetas concretistas. Cada aluno pode ficar responsável por pesquisar e trazer uma poesia concreta para ser exposta em um varal na sala de aula. Os alunos também podem se arriscar a criar poemas tridimensionais: • Oriente-os a escrever seus poemas em folhas de papel. • Proponha que dobrem ou recortem as folhas criando formas tridimensionais. • Oriente-os a usar riscadores (giz ou canetas) coloridos para ressaltar o texto. Se achar conveniente, sugira aos alunos que formem duplas para criar os poemas. Oriente-os quanto ao uso da linguagem visual e da escrita poética como forma de arte. Dessa maneira, podem compreender como os elementos visuais são combinados para a construção de uma nova imagem, com linhas, traços, cores, articulada com palavras. A pesquisa sobre os poemas concretos pode ampliar o repertório dos alunos para essa produção. Imagem da exposição do projeto Poemóbiles, livro de Augusto de Campos e ilustrações de Julio Plaza, 1974.

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Thought Watching (pensar uma imagem ou provocar sensibilização). As etapas seguintes trabalham as categorias descrever, analisar, interpretar e fundamentar para desenvolver a crítica e o pensamento estésico e estético.

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CONEXÕES • OTT, Robert W. Ensinando crítica nos museus. In: BARBOSA, Ana Mae. Arte/educação: leitura de subsolo. São Paulo: Cortez, 1997.

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REGISTROS E AVALIAÇÃO As pesquisas e os registros nos Diários de arte são excelentes oportunidades para momentos de reflexão e elaboração de textos críticos que expressem o que os alunos já sabem e o que estão aprendendo no processo de conhecimento prévio e adquirido. Proponha que tragam sempre seus Diários de arte e os consulte para perceber seu processo de aprendizagem.

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CONCEITOS EM FOCO • Arte concreta • Arte e palavra • Fotografia

venha LER! Observe a imagem a seguir.

BNCC UNIDADES TEMÁTICAS • Artes visuais • Artes integradas HABILIDADES • (EF69AR01) • (EF69AR02) • (EF69AR03) • (EF69AR05) • (EF69AR31) • (EF69AR32)

Convide os alunos a conhecer melhor a obra Poemóbiles. Como pauta “para olhar”, sugerimos: • Observem a imagem na seção Venha ler! (página 12). O que chama a atenção? Você é convidado a ler as palavras ou a percorrer as formas com o olhar? • Você já viu essa obra antes (páginas 10 e 11), mas agora a observamos de um outro ângulo. Compare as duas imagens. O que podemos notar? • Neste tipo de produção poética, a leitura não se dá apenas na leitura de texto, mas também da imagem. Observe novamente o detalhe da obra Poemóbiles na seção Venha ler!. Que ideias vêm a sua cabeça? Como são as formas? Consegue reconhecer as palavras? Proponha então um momento de fruição a partir da imagem da seção Venha fotografar! (página 13), uma fotografia de Geraldo de Barros, de 1949. Esclareça para os alunos que essa fotografia faz parte das pesquisas que ele realizou sobre as fotoformas. Comente que Geraldo de Barros realizou várias inovações no contexto da fotografia artística brasileira. Converse com os alunos sobre os textos de apoio que

“POEMÓBILES”, DE AUGUSTO DE CAMPOS E JULIO PLAZA, EDIÇÃO DOS AUTORES, SÃO PAULO, SP, 1974

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS

Obra Abre, de Poemóbiles, de Augusto de Campos e Julio Plaza, 1974. Peças escultóricas.

Eu leio palavras ou vejo uma forma? As letras formam palavras. As palavras formam imagens. Imagem verbal e visual de maneira integrada. Formas diferentes de se expressar. Há artistas que inventam na palavra novos sentidos e mensagens.

CLIQUE ARTE

Julio Plaza. O livro como forma de arte. Disponível em: <http://livro.pro/wj47ok>. Acesso em: 9 out. 2018.

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acompanham as imagens. Eles têm o objetivo de provocar reflexões, não devem ser vistos como uma relação de perguntas, mas como um disparador de conversas. Sobre a fotografia de Geraldo de Barros, oriente os alunos para analisar os seguintes D2-ARTE-EF2-V9-U1-C1-008-027.indd 12

aspectos: • Como são as formas, linhas, tonalidades e os efeitos de luminosidade, as texturas, os contrastes e outros aspectos visuais? • É possível reconhecer os elementos fotografados? O que lhe chama mais a atenção?

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venha fotografar!

GERALDO DE BARROS/ACERVO INSTITUTO MOREIRA SALLES

Observe a imagem a seguir.

Sem título, fotografia de Geraldo de Barros, 1949.

Que forma tem a sombra de uma forma? O que a sombra forma é uma forma? Quando eu fotografo, que imagem se forma? O que a sombra na fotografia contorna? Ah, é preciso olhar bem agora para ver a poesia que a sombra forma. 13

PARA AMPLIAR CONCEITOS A Arte concreta é uma ramificação dos movimentos abstracionistas que aconteceram em vários países no século XX. No Brasil, exposições de arte abstrata deram início a esse movimento em 1952. Artistas que de-

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fendiam essa proposta estética criaram grupos para debaterem ideias e realizar mostras. Geraldo de Barros fez parte do Grupo Ruptura, formado por artistas abstracionistas que não estavam interessados em representar coisas do mundo natural, mas criar imagens com conceitos mate-

máticos em composições que exploravam a gramática visual. O grupo Noigandres foi idealizado pelos irmãos Augusto e Haroldo de Campos e por Décio Pignatari, poetas e escritores que desenvolveram e divulgaram a produção da escrita experimental na literatura. 11/6/18 11:19 AM

+IDEIAS Converse com os alunos sobre a arte do poeta. Ideias, sensações, revelações... O que os alunos têm a dizer sobre a linguagem poética? Eles querem se expressar por imagens ou palavras? Ou tudo junto criado ao mesmo tempo? Proponha debates a partir da seguinte ideia: • As palavras ditas são efêmeras, vão-se com o vento. As palavras escritas na obra do artista vão durar mais tempo. Contudo, só terão sentido quando alguém olhá-las, lê-las. O que os alunos pensam sobre isso? Para outro debate, sugerimos a seguinte pauta: De que forma a fotografia pode ser usada como linguagem artística? Esclareça que, para criar uma fotografia artística, é preciso existir intenção poética e artística, estudar ângulos, focos, temas e fazer escolhas quanto ao uso e à articulação de elementos de linguagem. Os alunos podem, na semana da aula, fazer experiências buscando detalhes para registrar e descobrir fotoformas, mesmo no ambiente da escola. REGISTROS E AVALIAÇÃO Faça anotações em seu Diário de arte (diário de bordo do professor) sobre o andamento do trabalho: etapas do planejamento, gestão dos projetos, conquistas ou necessidades dos alunos, suas descobertas e os desdobramentos disso, entre outras situações. CONEXÕES • Augusto de Campos. Biografia do poeta. Disponível em: <http://livro.pro/cx79kp>. Acesso em: 8 nov. 2018. • Julio Plaza. Biografia do artista. Disponível em: <http:// livro.pro/xc2fng>. Acesso em: 8 nov. 2018. • Geraldo de Barros. Site do artista. Disponível em: <http:// livro.pro/6mfxxh>. Acesso em: 8 nov. 2018.

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CONCEITOS EM FOCO

BNCC UNIDADES TEMÁTICAS • Artes visuais • Artes integradas HABILIDADES • (EF69AR01) • (EF69AR02) • (EF69AR03) • (EF69AR05) • (EF69AR07) • (EF69AR31) • (EF69AR32)

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Inicie a aula propondo aos alunos que observem a imagem na página 14, uma reprodução do trabalho do artista Wellington Martins, que cria imagens utilizando palavras. Ele se inspira nos poetas concretistas, mas faz uma arte com base em sua poética pessoal misturando técnicas de arte caligráfica com o desenho de retrato em estilo realista. Os contornos, volumes e expressões dos rostos são criados com um trabalho composto de formatos, cores, proporções e efeitos de luz e sombra. Os alunos podem retomar as anotações feitas no Diário de arte no momento da primeira leitura e conversar sobre o que acrescentariam depois de observar a obra de Wellington Martins. Sobre as questões da página 14, as respostas são pessoais, e devem considerar as experiências que os alunos podem ter sobre a criação de poemas e imagens e sobre o processo de criação de fotografias. No entanto, o professor pode ampliar da seguinte forma: 1. Oriente os alunos a fazer experiências criando formas abstratas geométricas, como

Visual e verbal Estamos acostumados a pensar a palavra escrita como suporte de ideias que nos permite a comunicação com outras pessoas. Mas você já observou que as palavras são compostas por linhas e cores diversas? Reparou como uma mesma letra pode se apresentar de maneiras diferentes? Observe: a a a a a a a a a a a a a a a a a As palavras são imagens e podem apresentar formas variadas, como você acabou de ver no exemplo. Muitos artistas trabalham com letras e palavras, explorando suas formas e seus sentidos, ao mesmo tempo. Observe as imagens das seções Venha ler! e Venha fotografar! Há artistas que afinam seu olhar para descobrir e registrar formas interessantes que deixamos escapar no cotidiano. Eles encontram linhas na arquitetura, nos ornamentos, nas sombras, nos fios dos postes e onde mais sua percepção captar. Fotografando, transformam luz e sombra em poesia.

O artista e professor Wellington Martins cria retratos utilizando palavras e os divulga em seu perfil em uma rede social. Ao lado, o retrato com palavras de Harry Potter.

WELLINGTON MARTINS

• Visual e verbal: imagem e palavra • Figurativo e abstrato • Poesia concreta

1. Como você vê o uso de palavras para compor trabalhos visuais? Volte a observar a imagem e o texto da seção Venha ler!, página 12. O que você pensa sobre essa obra? 2. Olhe ao seu redor! Você consegue afinar seu olhar e encontrar linhas e formas que podem compor uma imagem em fotografia? Que tal fazer experiências com essa proposta artística? Respostas pessoais.

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no Poemóbiles, ou imagens figurativas, como na obra de Wellington Martins. Essa produção pode ser registrada em suportes maiores, como folhas de papel. 2. Proponha aos alunos que criem janelas de papel para olhar e encontrar focos de inD2-ARTE-EF2-V9-U1-C1-008-027.indd 14

teresses. Oriente-os a pegar uma folha de papel e a recortar no centro dela uma forma – pode ser geométrica, como um quadrado, ou orgânica e irregular. Olhando pela janela de papel, os alunos podem apurar o olhar e fazer escolhas em relação ao foco de atenção.

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tema tema11

+IDEIAS Proponha aos alunos que observem a imagem da página 15 e procurem ler as palavras no poema intensificando a forma como são escritas. Sugerimos a seguinte pauta: • Que palavras vemos? • Que formas se destacam? • Há relações entre imagem e forma? • Palavras e formas apontam ideias? Quais? Analise com os alunos se a forma como o poema foi construído causa algum estranhamento. Proponha que observem a imagem com um olhar desautomatizado em relação à leitura textual. Sugerimos a seguinte pauta: • Vocês acham que a leitura desse texto pode ser feita de forma habitual? • Essa imagem é para ser lida ou vista? • Tudo o que contém palavras serve para ser lido de modo literal ou podemos também ver o mundo das letras e palavras de forma diferente? Podemos utilizar diversos elementos para a criação de um desenho, inclusive letras e palavras? Vamos fazer mais experiências? O desafio é usar a forma em combinação com as palavras, como no poema de Paulo Leminski (1944-1989).

Imagem e palavra

PAULO LEMINSKI

Leia o poema a seguir e observe a imagem que se forma com a disposição dos versos.

Lua na água, poema de Paulo Leminski, 1982. In: LEMINSKI, Paulo. Toda poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

Trata-se de um poema visual do poeta curitibano Paulo Leminski (1944-1989). Esse artista gostava de jogar com as palavras, criando uma poesia visual inspirada no Haikai. AMPLIANDO Haikai é um gênero de poesia que se faz em pequenos versos com métrica oriental. A palavra é de origem japonesa e carrega os significados: Hai (brincadeira) e Kai (harmonia).

REGISTROS E AVALIAÇÃO Proponha aos alunos que criem pequenos “poemas-imagem” com textos críticos sobre os assuntos que quiserem discutir. Um mural com esses “poemas-imagens” pode ser organizado na sala de aula.

1. Observe o poema visual apresentado. O que você consegue ler? Que formas são percebidas? As palavras e as formas apontam quais ideias? Resposta pessoal.

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PARA AMPLIAR CONCEITOS Haikai é um gênero de poesia da tradição japonesa. Os termos Hai (brincadeira) e Kai (harmonia) propõem um jogo entre palavras e combinações poéticas que desafia quem cria a dizer o máximo de poesia em poucas palavras. Trata-

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-se de um exercício de síntese de pensamento com o máximo de emotividade e teor poético. Essa forma de arte é bem popular no mundo todo. O poeta curitibano Paulo Leminski dedicou-se à poesia em forma de haikai. Para ele, o poeta não é só quem faz poesia, mas também quem

sabe apreciá-la. Ler um poema é como ouvir o canto dos pássaros, é bonito e cada um sente como quer, mesmo não sendo lógica a mensagem. Converse com os alunos sobre essas questões, o que será que eles pensam? Concordam com Paulo Leminski ou têm outras ideias? 11/19/18 7:23 PM

CONEXÕES • Arnaldo Antunes. Site do artista. Disponível em: <http:// livro.pro/7s74g8>. Acesso em: 8 nov. 2018. • Ocupação Paulo Leminski. Site da exposição. Disponível em: <http://livro.pro/obz29m>. Acesso em: 8 nov. 2018.

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CONCEITOS EM FOCO

mundo conectado

• Visual e verbal: imagem e palavra • Poesia concreta • Consumo e sustentabilidade

Palavra integrada à imagem

BNCC

Leia (e, depois, veja como se fosse uma tela de pintura) o poema do artista paulista Décio Pignatari (1927-2012), um autor importante na história da Arte concreta brasileira.

UNIDADES TEMÁTICAS • Artes visuais • Artes integradas

AMPLIANDO O Concretismo (ou Arte concreta) foi um movimento artístico que buscou abandonar qualquer aspecto de representação da natureza, negando as correntes artísticas subjetivistas e líricas. Os elementos de linguagem são articulados para expressar a forma.

HABILIDADES • (EF69AR01) • (EF69AR02) • (EF69AR05) • (EF69AR07) • (EF69AR31) • (EF69AR32)

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS

Terra, poema de Décio Pignatari, 1956. In: PIGNATARI, Décio. Poesia pois é poesia 1950-2000. Cotia: Ateliê; Campinas: Editora da Unicamp, 2004.

DÉCIO PIGNATARI

Proponha uma observação em grupo do poema Terra, de Décio Pignatari, criado em 1956. Comente com os alunos que o movimento de Arte concreta mudou o modo de fazer imagens e poemas. A criação de imagens abstratas (sem relação com a realidade figurativa) e a composição de palavras de forma pura caracterizam o movimento. É a arte da palavra que abraça a arte da imagem. Destaque a importância do paulista Décio Pignatari (19272012), um artista importante na história da Arte concreta brasileira. Na sequência, sugerimos a leitura da imagem da instalação de Alex Flemming com os alunos. Note que há nomes nos objetos. São computadores portáteis pintados em várias cores. Flemming criou um cemitério de computadores e batizou essa exposição de Lápides (2012). Sugerimos a seguinte pauta: • Qual é a sua relação com os objetos tecnológicos? O que poderia acontecer se, de uma hora para outra, não tivéssemos ao nosso lado tantas peças tecnológicas e suas linguagens? • Objetos de consulta ficam obsoletos, a arte não. Essa afirmação é verdadeira?

D i á r i o d e a rt e Julio Plaza (1938-2003), Augusto de Campos (1931-), Haroldo de Campos (1929-2003) e Décio Pignatari (1927-2012) são nomes importantes na história da poesia concreta. Faça pesquisas sobre esses e outros autores para ampliar seus saberes sobre esse período da arte brasileira. Anote suas descobertas no Diário de arte.

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PARA AMPLIAR CONCEITOS Pergunte aos alunos se conhecem alguma produção artística de intermídia. Em caso positivo, peça que citem exemplos. Apesar de passar uma ideia de inovação D2-ARTE-EF2-V9-U1-C1-008-027.indd 16

artística e tecnológica, o uso dessa práxis é mais antigo do que se pensa. No início do século XX, artistas já misturavam linguagens e faziam experimentos com imagens em desenhos, fotografias e no cinema. Isso aconteceu

nos movimentos futurista, dadaísta, surrealista e na escola da Bauhaus. Mas foi a partir da segunda metade do século XX, com o surgimento e a expansão de novas mídias eletrônicas, que a arte integrou-se à tecnologia.

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+IDEIAS Antes, para falarmos a distância com determinada pessoa precisávamos saber onde ela estava e qual era o número de telefone daquele local (casa, escola, clube etc.); hoje, com o celular, a comunicação pode ser realizada em qualquer lugar em que o aparelho consiga captar o sinal de conexão com a rede. Cada vez mais, o aparelho celular se transforma em um computador portátil, com recursos tão variados que a função básica de telefone muitas vezes fica em segundo plano. O que os alunos pensam sobre essas questões? Um debate pode ser feito relacionando o estudo dos temas transversais – consumo, preservação do meio ambiente, descarte de produtos tecnológicos, obsolescência programada – com os estudos de mídias. Aproveite e traga para o debate os 17 objetivos para transformar nosso mundo, listados pela Nações Unidas no Brasil (veja indicação em Conexões).

Instalação de ideias e poéticas

ALEX FLEMMING

Observe a imagem a seguir.

A arte, entre seus vários papéis na sociedade, é também expressividade e comunicação. Podemos dizer o que sentimos e pensamos por meio da arte. Compartilhamos sentimentos e ideias. Ao criar arte, podemos escolher por quais caminhos nos expressar, por meio das imagens, dos gestos, dos sons, das palavras... Podemos criar mundos imaginários muito diferentes do real, ou representar ideias mais próximas ao nosso cotidiano. De qualquer modo, tudo passa por nossa imaginação e interpretação. Em 2012, o artista paulistano Alex Flemming (1954-) fez um pedido a várias pessoas que conhecia. Solicitou a doação de computadores portáteis antigos e sem uso. Várias pessoas colaboraram com o artista, que conseguiu juntar computadores em número suficiente para montar uma instalação na Pinacoteca do Estado de São Paulo, como vimos na imagem acima. A criação artística pode se dar por meio de mais de uma linguagem, misturando modos de se expressar. Hoje há criações artísticas intermídia, em que linguagens artísticas se integram em uma mesma obra: som, imagem, palavra, gesto, movimento (música, artes visuais, literatura, teatro e dança). Cada uma dessas linguagens possui códigos característicos, que são sua maneira de ser e de se comunicar com o público. Alex Flemming usou imagens e palavras de forma poética para nos convidar a pensar sobre nossa relação com as tecnologias e a maneira como nos comunicamos, ressignificando, em sua obra, o computador, objeto tão significativo em nosso tempo.

Registro fotográfico da instalação Lápides, de Alex Flemming, 2012. Pinacoteca do Estado de São Paulo.

REGISTROS E AVALIAÇÃO Proponha aos alunos que façam anotações em seus Diários de arte sobre o que descobriram sobre Arte concreta e intermídia.

AMPLIANDO Intermídia é um termo usado desde o início do século XX para fazer referência a artistas e produções que trabalham com duas ou mais linguagens. Atualmente, o termo é usado para falar de produções que, além de várias linguagens, utilizam vários recursos, suportes e meios de comunicação, inclusive os tecnológicos.

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CONEXÕES • 17 OBJETIVOS para transformar nosso mundo. Nações Unidas no Brasil. Disponível em: <http://livro.pro/v5g4g7>. Acesso em: 8 nov. 2018. • Alex Flemming. Site oficial do artista. Disponível em: <http://livro.pro/9a5oy6>. Acesso em: 8 nov. 2018. • Décio Pignatari. Biografia do escritor. Disponível em: <http://livro.pro/p7kijj>. Acesso em: 8 nov. 2018. • GONÇALVES, Fernando do Nascimento. Tecnologia e cultura: usos artísticos da tecnologia como prática de comunicação e laboratório de experimentação social. Revista Famecos, Porto Alegre, n. 38, abr. 2009. Disponível em: <http://livro.pro/o2h4cz>. Acesso em: 8 nov. 2018.

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CONCEITOS EM FOCO • • • •

Arte concreta Poemóbiles Arte e palavra Poesia concreta

BNCC UNIDADES TEMÁTICAS • Artes visuais • Artes integradas HABILIDADES • (EF69AR01) • (EF69AR02) • (EF69AR03) • (EF69AR05) • (EF69AR32)

MAIS DE PERTO

A forma e o conteúdo da poesia Vamos conhecer mais sobre a obra Poemóbiles? Nos Poemóbiles, de Augusto de Campos e Julio Plaza, as palavras são lançadas no espaço, ocupando a tridimensionalidade. Volte à obra de abertura do capítulo e da seção Venha ler!. Observe as imagens: “POEMÓBILES”, DE AUGUSTO DE CAMPOS E JULIO PLAZA, EDIÇÃO DOS AUTORES, SÃO PAULO, SP, 1974 / CLEO VELLEDA/FOLHAPRESS

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Palavra, cor, forma, volume, ângulos, linhas em uma página que se abre. Nessa proposta, o objeto artístico, sua poética e seus sentidos se dão na conjugação, isto é, no modo como esses elementos se reúnem. A partir das imagens nesta seção, proponha mais momentos de nutrição estética. Sugerimos a seguinte pauta: • O que expressam as palavras do poema? O que é possível ler? Que formas são percebidas? • Como a poesia se relaciona com o espaço tridimensional? • Qual sua interpretação dos Poemóbiles? Como sugestão, pergunte aos alunos como eles se relacionam com as palavras, se entendem que as palavras podem se transformar em arte.

PARA AMPLIAR CONCEITOS A leitura de imagens é sempre aberta porque cada aluno pode ter uma percepção de formas e significados. Isso não significa que os artistas não tenham intenções ou fundamentos para suas criações, mas sempre há espaços para criar significados e sentidos. Comente com os alunos que podemos ter ideias e interpretações sobre o que apre-

Detalhes da imagem da exposição do projeto Poemóbiles, livro de Augusto de Campos e ilustrações de Julio Plaza, 1974.

O movimento de Arte concreta no Brasil, principalmente em São Paulo, também se desenvolveu com a chegada de novas mídias, como a gravação audiovisual (naquele período, ainda o videocassete). Se hoje isso pode não parecer novidade, para a época foi um modo de usar materiais que mudaram a forma de criar arte. 18

ciamos, no entanto, a investigação do contexto cultural no qual o objeto foi criado e o quanto significam para um período histórico, sua cultura e sua sociedade, pode ampliar conhecimentos sobre a obra. Aquele que tem contato com a arte a recria em sua mente. D2-ARTE-EF2-V9-U1-C1-008-027.indd 18

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As ideias do Concretismo influenciaram a poesia, a música, as artes visuais e, posteriormente, os artistas do design e da moda. O uso de figuras geométricas, cores vibrantes, letras e palavras simples e diretas marcou esse estilo de arte. Na literatura, tivemos a poesia concreta dentro do movimento concretista. É representada por poemas que exploram tanto a poética da palavra quanto a da imagem. A preocupação era aproximar a palavra da imagem, em íntima relação entre o verbal e o visual.

REGISTROS E AVALIAÇÃO Proponha mais pesquisas e registros no Diário de arte sobre as produções na poesia concreta (poesia-imagem) e a trajetória artística de Augusto de Campos.

CLIQUE ARTE

Augusto de Campos. Site oficial do poeta. Disponível em: <http:// livro.pro/35qojf>. Acesso em: 2 nov. 2018.

CONEXÕES • Concretismo. História do movimento. Disponível em: <http://livro.pro/9qt49i>. Acesso em: 8 nov. 2018. • COUTO, Maria de Fátima Morethy. A arte de vanguarda no Brasil e seus manifestos. Revista IEB, 2016. Disponível em: <http://livro.pro/854gpm>. Acesso em: 9 nov. 2018. • Grupo Ruptura. Histórico do grupo. Disponível em: <http:// livro.pro/225sam>. Acesso em: 8 nov. 2018.

PALAVRA DO ARTISTA

Augusto de Campos (1931-)

ZULEIKA DE SOUZA/CB/D.A PRESS

Sem dúvida, [as inovações tecnológ icas] parecem-me relevantes e inspiradoras, sem contar na infinitude de informações que hoje se pode recolher da internet. Mas sempre digo que só a expertise em informática não garante alta qualidade poética. Um compositor pode exprimir-se com imenso valor não utilizando linguagem tecnológica de ponta, embora necessite cada vez mais da tecnologia para materializar seu pensar e fazer poético. Não tenho nenhum problema em reconhecer boa poesia ao largo das inovações tecnológicas. O que não vale a pena é ornamentar poemas não tecnológicos com plumas tecnológ icas. Mas lembro o conselho que Ezra Pound deu aos jovens: “curiosidade, curiosidade…”. Aí, vale. MASSUDA, Mayra Berto; PIRES, Antônio Donizeti. Entrevista com Augusto de Campos. Texto Poético, p. 14, 2011. Disponível em: <http://revistatextopoetico.com.br/index.php/rtp/article/viewFile/71/68>. Acesso em: 12 out. 2018.

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+IDEIAS A criação da poesia concreta no Brasil influenciou gerações de artistas. A palavra usada de forma poética gera ressignificações não apenas de palavras, mas de ideias. Sugerimos que você selecione em

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uma curadoria educativa poesias concretas para ampliar saberes e proporcionar mais momentos de nutrição estética. Após a leitura da entrevista com Augusto de Campos, pergunte aos alunos o que o poeta quis dizer com “só a expertise

em informática não garante alta qualidade poética”. A tecnologia banalizou a arte ou agregou possibilidades poéticas? Como identificar e diferenciar a arte da tecnologia? Peça aos alunos que registrem suas observações no Diário de arte. 11/19/18 6:37 PM

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CONCEITOS EM FOCO • • • •

Arte concreta Poesia-imagem Poesia concreta Poemas tridimensionais

BNCC UNIDADES TEMÁTICAS • Artes visuais • Artes integradas HABILIDADES • (EF69AR01) • (EF69AR02) • (EF69AR03) • (EF69AR05) • (EF69AR06) • (EF69AR07) • (EF69AR32)

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS A proposta desta seção é trazer algumas ideias para o fazer artístico, que, por sua vez, podem desencadear vários processos de criação. Comente com os alunos que eles podem criar com liberdade e poética pessoal. Um dos aspectos interessantes a serem trabalhados é a intenção artística e poética na criação das obras. Oriente-os para que procurem criar os poemas em relação às formas sem uma preocupação lógica. Não há necessidade de se ter uma preocupação com uma relação direta ou lógica na escrita das palavras, pois não se trata de um discurso linear, direto ou explicativo, mas um discurso poético. A comunicação em arte tem uma relação mais subjetiva que objetiva.

PARA AMPLIAR CONCEITOS A publicidade também foi fonte de inspiração para os concretistas, uma vez que muitos deles trabalhavam em editoras de revistas, jornais e agências de publicidade. Hoje em dia, com a facilidade do acesso à tecnologia trazida pela informática e com os ti-

arte em projetos

ARTES VISUAIS

PalavrArte Vamos criar usando imagens abstratas e explorando os elementos de linguagem visual? Acompanhe os procedimentos indicados a seguir. • Escolha palavras que sejam interessantes para criar formas. • Rimas de palavras em versos não são obrigatórias. • O espaço de uma folha de papel em branco pode ser um ótimo suporte para a poesia concreta. Explore bem essa superfície. • Cada palavra tem um som ao ser pronunciada. Aproveite a sonoridade das palavras para criar suas composições. Há poemas que repetem uma palavra várias vezes. Brinque com essa ideia. • Uma palavra ou um conjunto delas pode sugerir uma forma, que precisa ser figurativa. O uso de formas geométricas era bem explorado na arte concreta. • Podemos também separar as sílabas e fazer desenhos colocando cada pedaço da palavra em uma parte da folha. • Um ótimo resultado pode ser obtido de modo sintético, com poucas palavras, desde que elas sejam significativas para a criação. • Muitas vezes, uma mesma palavra pode ter vários sentidos, dependendo do contexto em que é colocada. Assim, trabalhe com as possibilidades de múltiplos sentidos.

Processo de criação

Criando no coletivo Oficina 1 – Poesia concreta Como Augusto de Campos e Julio Plaza, faça também uma parceria artística para criar um poema concreto. Convide um colega da turma para trabalhar com você. Como essa forma de fazer poesia exige a valorização da visualidade, explore imagens e formas. Cada um pode contribuir com uma parte: na visualidade da poesia, na escolha das formas utilizadas, na escolha das palavras usadas, na temática que a poesia abordará, entre outras características. Pense no que você pode oferecer de melhor para essa criação em parceria.

Oficina 2 – Poemas tridimensionais Que tal transformar a poesia criada na Oficina 1 em um poema tridimensional? Vamos usar caixas para isso. 20

pos de mídia mais recentes, como internet, tablets e celulares, os artistas que trabalham a união das linguagens têm ainda mais caminhos e oportunidades para desenvolver suas obras. D2-ARTE-EF2-V9-U1-C1-008-027.indd 20

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REGISTROS E AVALIAÇÃO Observe a produção dos alunos no fazer artístico. Sugerimos a pauta: • Como se comportam na criação coletiva e colaborativa? • Resolvem problemas no momento da criação? • Desenvolvem poéticas e pensamentos artísticos de modo pessoal e autônomo? • Como comentam sobre a criação dos colegas? São solidários no uso e compartilhamento de materialidades? • Expressam saberes e conceitos estudados na sua prática artística? A partir de suas observações, converse com os alunos e faça intervenções nos momentos que julgar importantes.

Primeiro, vamos colorir todos os lados da caixa. Para facilitar a aderência da tinta, você pode passar duas camadas de base. Misture meio copo de cola branca a um copo de tinta látex branca. Cubra toda a superfície com essa base.

Pinte as caixas com várias cores de tinta guache. Com o seu suporte preparado, é hora de criar os poemas concretos.

CONEXÕES • Augusto de Campos. Comentários sobre a obra do poeta. Disponível em: <http://livro. pro/jkso8a>. Acesso em: 8 nov. 2018. • Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP). Site oficial do museu. Disponível em: <http://livro.pro/oc5ipu>. Acesso em: 8 nov. 2018. ILUSTRAÇÕES: THIAGO SOARES

Você pode escrever com canetinha colorida ou usar letras recortadas de revistas. Nesse caso, escolha as letras por cor, tipo e tamanho e comece a criar.

Outra dica é colar materiais de tamanhos diferentes, como caixas menores ou folhas de papelão dobradas, para conseguir efeitos de alto-relevo na sua caixa. Faça isso antes de passar a base e colorir. Com esse material montado, crie os poemas sobre essa superfície tridimensional. 21

+IDEIAS As palavras que compõem o poema concreto podem estar distribuídas de maneira a explorar as formas dos suportes, das letras, das próprias palavras... Não há regras na criação. Proponha aos alunos que façam várias expe-

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rimentações usando formas geométricas e palavras. Para ampliar saberes e possibilidades de criação, proponha aos alunos que revejam os poemas visuais estudados neste capítulo. Sugira também uma pesquisa sobre o assunto para aumentar o repertório

de possibilidades de criação. Outra dica é trabalhar com dobras, assim como na obra Poemóbiles. Na proposta de poemas tridimensionais, os alunos podem usar caixas de papel, como indicamos, mas também escolher objetos, pintá-los de 11/14/18 10:33 AM

uma única cor e escrever poemas sobre eles. Você poderá fazer uma grande exposição dos trabalhos de poesia concreta em suportes tridimensionais na escola. Incentive os alunos a criar uma poesia concreta inspirados nos artistas concretistas.

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CONCEITOS EM FOCO tema 2

• Arte abstrata • Arte concreta e neoconcreta • Elementos de linguagem na

Imagens concretas

Vamos conhecer algumas obras de Arte concreta? Observe o trabalho intitulado Ideia visível, do artista ítalo-brasileiro Waldemar Cordeiro (1925-1973). Por meio de linhas, Cordeiro criou movimento.

composição

BNCC UNIDADE TEMÁTICA • Artes visuais HABILIDADES • (EF69AR01) • (EF69AR03) • (EF69AR02) • (EF69AR05)

No tema 2 – Imagens concretas (página 22) temos a imagem da obra Ideia visível (1956), de Waldemar Cordeiro. Chame a atenção dos alunos para como as linhas se movimentam na composição, como se relacionam com o fundo e como são as formas que surgem desse jogo visual. Sugerimos a pauta: • Quais são os elementos da linguagem visual (linhas, formas e cores)? • Observe a imagem. Para onde caminha seu olhar? Sobre a obra Ideia visível, comente que as linhas são colocadas em diagonal e, quando se encontram, não é no mesmo ponto. Isso traz instabilidade à composição, gerando, assim, a sensação de movimentação. Converse com os alunos sobre como um único elemento, como a linha, pode criar efeitos tão interessantes. Sobre Franz Weissmann, autor de Cubo aberto (1987), comente que suas obras valorizam as formas geométricas e são moduladas com o “vazio ativo”, o espaço vazado. Estabelecendo uma conexão com a Matemática, proponha aos alunos que observem as formas e a relação com os espaços vazios como parte da composição. Converse com os alunos sobre esculturas no espaço público. Sugerimos a seguinte pauta para pesquisa:

MUSEUM FINE ARTS, HOUSTON

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS

AMPLIANDO Os artistas do movimento de Arte concreta brasileira estudavam, conversavam e escreviam sobre teorias como a gestalt, que foi apresentada ao grupo por Waldemar Cordeiro. A palavra alemã gestalt (forma) é o nome de uma teoria que estuda a percepção das imagens. Os concretistas desejavam saber como suas criações, feitas com linhas, pontos, formas, cores e espaços, eram percebidas pelo público.

Ideia visível (1956), de Waldemar Cordeiro. Tinta e massa sobre madeira, 100 cm × 100 cm.

Esse artista concretista foi um dos pioneiros no uso de tecnologias para criar imagens. Expressou-se por meio do desenho e da pintura. Na arte concreta, a imagem é construída com elementos puramente plásticos. Os artistas usam linhas, planos, cores e outros elementos visuais, sem a preocupação de criar imagens figurativas, que retratem a realidade de modo facilmente reconhecível. 1. Quando você olha para a obra Ideia visível, de Waldemar Cordeiro, tem a impressão de que seus olhos se movimentam? Para onde caminha seu olhar?

2. Agora que você já observou a imagem, identificou o segredo para conseguir a sensação de movimento? Respostas pessoais. 22

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há esculturas em locais públicos, como prédios, praças ou parques? • Como são as formas dessas esculturas, figurativas ou abstratas? Se abstratas, as formas são geométricas ou orgânicas?

PARA AMPLIAR CONCEITOS Waldemar Cordeiro (19251973) foi um dos idealizadores do movimento de Arte concreta brasileira e do Grupo Ruptura, preocupando-se em criar, com os elementos visuais, composições plásticas e esculturas abstratas, geométricas.

Franz Joseph Weissmann participou de exposições com os artistas da Arte concreta. Essas experiências levaram-no a criar obras com formas geométricas, mas ele seguiu caminhos próprios criando formas tridimensionais (esculturas) a partir de materiais bidimensionais (chapas de metais). Em

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tema tema11 mundo

conectado

Arte em espaço público

PRAÇA DA SÉ, SÃO PAULO /ALF RIBEIRO/PITANGA RM/LATINSTOCK

O austríaco Franz Joseph Weissmann (1911-2005), que veio ainda jovem para o Brasil, foi um escultor ligado ao movimento do Concretismo. Observe a imagem a seguir.

Cubo aberto (1987), de Franz Joseph Weissmann. Aço pintado. Praça da Sé, São Paulo.

Na arte concreta, principalmente nas linguagens do desenho, da gravura, da pintura e da escultura, os artistas estavam interessados em explorar todas as possibilidades visuais. A arte geométrica e racional era o foco. Assim, observamos imagens criadas em formas abstratas com linhas, planos e cores. Podemos ver obras concretistas em espaços públicos. Franz Weissmann criou esculturas em praças, parques e em outros locais de fácil acesso.

CLIQUE ARTE

Franz Weissmann. No site oficial você conhecerá mais sobre o artista austríaco e suas obras concretistas. Disponível em: <http:// livro.pro/gwfox5>. Acesso em: 12 out. 2018.

D i á r i o d e a rt e Pesquise e registre em seu Diário de arte as obras que existem em espaços públicos de sua cidade ou região.

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1955, Weissmann integrou o Grupo Frente, tornando-se um dos participantes do movimento neoconcreto no Brasil. No movimento neoconcreto (1950-1960), os artistas buscaram ampliar a ideia de arte como experiência estética, entendendo a arte como

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uma linguagem em fluxo com a vida e com a cultura. Eles viam a arte como a criação de um espaço para discursos poéticos que pudessem ser lidos pelos olhos e pelo corpo; desejavam que o público tivesse uma atitude mais ativa diante das obras.

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+IDEIAS Desafie os alunos a criar superfícies bidimensionais. Usando apenas linhas e uma régua para traçá-las, proponha que criem composições que provoquem instabilidade ao olhar. Os desenhos podem ser feitos sobre folhas de papel usando diferentes riscadores para conseguir efeitos de luminosidade, figura e fundo e movimento. Depois, desafie-os a criar formas tridimensionais. Proponha que façam exercícios explorando o recorte, a dobra e o equilíbrio, construindo formas tridimensionais com folhas de papel. Esclareça que as composições não precisam ser figurativas. Oriente que usem e articulem os elementos de linguagem que foram estudados nas obras apresentadas até aqui e que analisem as composições da arte abstrata a partir das obras de Waldemar Cordeiro e Franz Weissmann. Dê-lhes independência para expressar suas poéticas visuais, mas oriente-os quanto ao uso e à organização dos materiais. Depois, garanta que possam observar todas as produções e conversar sobre seus processos de criação. REGISTROS E AVALIAÇÃO Em roda de conversa, proponha uma autoavaliação. Sugerimos as perguntas: • O que vocês sabem agora sobre Arte concreta, na poesia e nas artes visuais? • Como reconhecem a arte abstrata? Como analisam linhas, formas, cores, espaços e volumes nas obras apresentadas? CONEXÕES • Arte pública. Disponível em: <http://enciclopedia.itau cultural.org.br/termo356/arte -publica>. Acesso em: 9 nov. 2018. • Franz Weissmann. Site oficial do artista. Disponível em: <http://livro.pro/gwfox5>. Acesso em: 9 nov. 2018.

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CONCEITOS EM FOCO • • • •

Arte concreta Fotoformas Fotografia artística Abstração na arte brasileira

BNCC

Palavras em imagens A capa do projeto Caixa preta, de Augusto de Campos e Julio Plaza, traz símbolos gráficos, como a estrela, substituindo algumas letras. Decifre o código e leia o poema, que já foi musicado por Caetano Veloso no seu disco Uns, de 1983.

UNIDADE TEMÁTICA • Artes visuais HABILIDADES • (EF69AR01) • (EF69AR03) • (EF69AR02) • (EF69AR05)

Proponha aos alunos que observem a capa da obra Caixa preta, criada por Augusto de Campos e Julio Plaza em 1975. O projeto é um misto de escultura e livro. Na poesia concreta, a presença de elementos que estruturam uma poesia, como estrofes e rimas, é dispensada. As palavras são trabalhadas como elementos visuais e, assim, podem ser dispostas geometricamente, criando imagens. Chame a atenção dos alunos para como o poema na capa de Caixa preta traz símbolos gráficos (estrelas, pontos e espaços em cor negra entre as palavras) substituindo algumas letras. Proponha, então, aos alunos que observem a fotografia de Geraldo de Barros e retomem suas anotações feitas no início deste capítulo. O que mudou ao olhar agora para a imagem? O que os alunos descobriram ao longo do estudo? Proponha que analisem a imagem atentamente e percebam mais uma vez os elementos de linguagem: linhas, formas, cores, efeitos de luz e sombras, texturas etc. Depois proponha que se expressem sobre: Criar imagens em fotografia pode dizer algo sobre a leitura que o autor faz do mundo? É possível dar ênfase poética a uma imagem que outros nem tinham pensado em fotografar?

“CAIXA PRETA”, DE AUGUSTO DE CAMPOS E JULIO PLAZA, EDIÇÃO DOS AUTORES, SÃO PAULO, SP, 1975

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS

Caixa preta (capa externa), de Augusto de Campos e Julio Plaza, 1975.

+ PERTO DE VOCÊ

Quais palavras podem ser lidas no seu trajeto para a escola? Há propagandas, faixas, placas de comunicação, letreiros? Como são as cores e formas das letras? Como elas estão dispostas no espaço?

A arte como forma de comunicação é uma espécie de troca entre o artista e o público. Trocamos sentimentos, pensamentos, saberes.

1. De que precisamos para nos expressar? De imagens? De palavras? Podemos integrar imagens e palavras para criar poesia? 2. Você conhece outros poemas concretos? Que tal pesquisar sobre o Concretismo no Brasil? Respostas pessoais.

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PARA AMPLIAR CONCEITOS A poesia concreta é considerada uma arte de vanguarda. O termo “vanguarda” vem da palavra francesa avant-garde, que significa “estar na linha de frente de uma luta (exército)”. Nas D2-ARTE-EF2-V9-U1-C1-008-027.indd 24

artes, esse termo foi usado para denominar os movimentos estéticos e artísticos que estavam liderando mudanças culturais inovadoras. A poesia concreta faz parte de um movimento denominado Concretismo (ou Arte concreta). No Brasil, teve

início na década de 1950. Os artistas concretistas romperam com a arte mais tradicional brasileira, ainda muito ligada à criação de imagens figurativas, que representam ou descrevem as coisas como as vemos na natureza e no cotidiano.

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Não há fórmulas interpretativas rígidas ao ler um poema, principalmente dessa natureza, apenas hipóteses interpretativas. Conserve sobre essas questões com os alunos. Na atualidade há programas de computador e aplicativos que podem ajudar os alunos a criar poemas em imagens. As “nuvens de palavras”, por exemplo, são um recurso gráfico gerado por programas específicos, alguns disponíveis gratuitamente na internet. Explore a criação de “poemas-imagens” tanto por meio da escrita e do desenho quanto por meios eletrônicos e informatizados. Comente que o movimento de Arte concreta mudou o modo de fazer imagens e poemas.

MAIS DE PERTO

Na captura de imagens

GERALDO DE BARROS/ACERVO INSTITUTO MOREIRA SALLES

Observe a imagem a seguir.

Sem título (1949), fotografia de Geraldo de Barros.

REGISTROS E AVALIAÇÃO Proponha aos alunos que observem e escolham, pelo olhar atento a tudo, poesias nas cenas mais singelas. Eles podem registrá-las ou escrever sobre essas escolhas.

Membro do Grupo Ruptura, o fotógrafo Geraldo de Barros (1923-1998) gostava de olhar para imagens cotidianas aparentemente comuns. Em seu trabalho, uma cena banal se transformava em poesia visual, devido ao enquadramento escolhido nas suas fotografias e ao uso de linhas, cores, formas, contrastes, texturas e outros elementos visuais. Esse artista também criou uma série de trabalhos com o título Fotoformas, em que explorou as formas geométricas, orgânicas, os efeitos de transparências e luminosidades, entre outros recursos. Nas suas imagens, usou tanto a figuração como a abstração em fotografias, pinturas e gravuras. Fez pesquisas sobre fotografia, sobreposição de imagens, combinação de formas, efeitos de luz e transparências.

CONEXÕES • O pulsar. Poema de Augusto de Campos musicado por Caetano Veloso. Disponível em: <http://livro.pro/sudtqv>. Acesso em: 9 nov. 2018. • Waldemar Cordeiro. Depoimento sobre o artista gravado por Arlindo Machado e Giorgio Moscati. Disponível em: <http://livro.pro/rofcic>. Acesso em: 9 nov. 2018.

PALAVRA DO ARTISTA Geraldo de Barros (1923-1998) discorre sobre a abstração em sua fotografia: Sou, de qualquer maneira, obrigado a fotografar alguma coisa, transformando-a, em seguida, à minha vontade, segundo os meios, os equilíbrios, os ritmos, para dela fazer uma composição plástica, em que o assunto é inteiramente esquecido, absorvido. Trecho de entrevista ao jornal Letras e Artes em matéria publicada em 10 de agosto de1952. Disponível em: <http://www.geraldodebarros.com/main/wp-content/uploads/2013/03/1986_ARTE_EM_SP_N34.pdf>. Acesso em: 12 out. 2018.

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+IDEIAS Um desafio pode ser feito aos alunos para que tentem decifrar o código do poema O pulsar que está na capa de Caixa preta. Você também pode trazer, para um momento de escuta sensível e atenta, a música composta por Caeta-

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no Veloso no seu disco Uns, de 1983. O poema apresenta um céu estrelado e mostra a trajetória da estrela “pulsar” do seu nascimento até sua morte, do seu brilho mais intenso ao mergulho no buraco negro, apagando-se no infinito negro

dos mistérios do espaço. Cada um pode ter uma interpretação do poema, pois a trajetória da estrela pode ser uma metáfora do sentimento de alguém por algo ou por outra pessoa, emoção que nasce, vive, brilha, se apaga ou não, vivendo na imaginação ou nos sentimentos. 11/6/18 11:19 AM

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CONCEITOS EM FOCO • Fotografia artística • Fotoformas • Elementos de linguagem visual

arte em projetos

ARTES VISUAIS

BNCC

Fotografia artística

UNIDADE TEMÁTICA • Artes visuais

Observe a imagem a seguir. São linhas, esferas transparentes e tonalidades, ou apenas fios da rede elétrica, um poste e balões de ar? Um tema simples do cotidiano pode se tornar uma ideia genial para uma fotografia?

HABILIDADES • (EF69AR01) • (EF69AR05) • (EF69AR02) • (EF69AR06) • (EF69AR04) • (EF69AR07)

Aprecie com os alunos a fotografia de Geraldo de Barros, que, como já vimos, inovou na composição de imagens com base no registro de cenas cotidianas. Chame a atenção para a maneira como o fotógrafo escolheu a cena. Proponha que observem: • sobreposição de elementos; • transparências e efeitos de tonalidades; • linhas e formas. Questione os alunos se escolheriam uma cena como essa para fotografar; se consideram o olhar do fotógrafo sensível a ponto de captar uma imagem cotidiana e a transformar em um discurso visual poético. O artista Geraldo de Barros dizia que abstrair significava, na fotografia, criar formas abstratas, inventar signos, se expressar em um mundo em que a realidade já não figuraria mais.

PARA AMPLIAR CONCEITOS Os artistas em muitos momentos da história da arte criaram e publicaram manifestos a partir de suas ideias sobre arte, cultura e sociedade. Pode ser instigante promover diálogos que estabeleçam relações entre as ideias e os argumentos dos artistas presentes nos manifestos. Que tal propor aos alunos que estudem esses materiais e depois construam um manifesto sobre como veem as produções artísticas contemporâneas?

GERALDO DE BARROS/ACERVO INSTITUTO MOREIRA SALLES

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS

Sem título (1948), fotografia de Geraldo de Barros.

Geraldo de Barros percebia possibilidades de criar imagens em fotografias com base na sua leitura de mundo. Fios de eletricidade e balões de ar resultaram em interessantes arranjos visuais. Muitas vezes, as formas já estão lá, mas é preciso um olhar atento, como o do fotógrafo, para saber capturar uma cena que vira imagem artística, uma obra na linguagem visual da fotografia. Que tal sair por aí, com o olhar atento a tudo, procurando poesia nas cenas mais singelas que você encontrar? Inspire-se em Geraldo de Barros e faça as suas fotografias artísticas. Acompanhe os procedimentos na seção Processo de criação. 26

Os manifestos são facilmente encontrados na internet e em livros. Veja indicação na seção Conexões sobre onde encontrar o manifesto criado pelo Grupo Ruptura, assinado pelos artistas Geraldo de Barros e Waldemar Cordeiro, entre outros. D2-ARTE-EF2-V9-U1-C1-008-027.indd 26

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REGISTROS E AVALIAÇÃO A seção Misturando tudo é um momento para conversar com os alunos sobre o que ficou do estudo neste capítulo. Proponha uma roda de conversa, observe como os alunos se apropriam de saberes e constroem hipóteses e conceitos sobre o universo da arte.

Processo de criação

Oficina – Foto criativa Um detalhe, um enquadramento, uma luz que se projeta, a iluminação do dia, da noite, são elementos que podem compor uma foto criativa. Procure por formas geométricas, pela composição do olhar fotográfico. Crie suas imagens. Você pode usar uma máquina convencional digital ou câmeras presentes em celulares. Passe as imagens para um arquivo e compartilhe-as com os colegas. Que tal expor as fotografias da turma na sala, na escola ou em um espaço virtual? Converse com o professor e os colegas a respeito.

CONEXÕES • Geraldo de Barros e a fotografia. Documentário. Disponível em: <http://livro. pro/258bqt>. Acesso em: 9 nov. 2018. • Geraldo de Barros: sobras em obra. Documentário. Direção: Michel Favre, Fabiana de Barros e Cláudio Kahns. São Paulo: Tradam Productions e Tatu Filmes, 1999. 1 DVD (77 min). • Dossiê Arte Concreta. O manifesto do Grupo Ruptura. Por Geraldo de Barros, Waldemar Cordeiro, Luís Sacilotto, Anatol Wladyslaw, Féjer, Lothar Charoux e Leopoldo Haar, 1952 (fac-símile). Disponível em: <http://livro.pro/zjpjn7>. Acesso em: 9 nov. 2018. • Grupo Ruptura. Texto no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP). Disponível em: <http://livro.pro/8vinvt>. Acesso em: 9 nov. 2018.

MAIS AÇÃO Que tal criar uma home page para mostrar, curtir e compartilhar as fotografias artísticas criadas por você e seus colegas?

D i á r i o d e a rt e Reveja seu Diário de arte, seus registros e ideias. O diário permite que você viaje no tempo, relembre suas ações, dúvidas e aprendizagens. Aproveite para elaborar um fechamento para este percurso!

MISTURANDO TUDO 1. Objetos de consumo ficam obsoletos; a arte, não. Pense na obra de Alex Flemming e veja se você concorda com essa afirmação. 2. Será que a arte pode ser um meio para falar sobre o consumo, a sociedade e o meio ambiente? 3. Que ideias você tem sobre a importância de objetos artísticos em espaço público? 4. As obras de arte públicas são permanentes ou podem ser mudadas de lugar? 5. Toda obra de arte que está em espaço público pode ser considerada patrimônio cultural? 6. Depois de ter conhecido mais sobre a poesia concreta, qual é a sua opinião sobre essa forma de fazer poesia e arte? 7. Que tipo de comunicação você mais usa para se expressar: a comunicação verbal ou a não verbal? 8. Pense sobre a necessidade de se comunicar não verbalmente, como acontece com pessoas que têm dificuldade de fala e audição.

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+IDEIAS Na seção Arte em Projetos, o foco é a ação criadora e o fazer artístico e poético. Os alunos podem, a partir do repertório construído nos es-

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tudos dos temas, conceitos e artistas neste capítulo, se aventurar a criar suas próprias fotografias, buscando captar imagens, que, mesmo que cotidianas, tenham força poética.

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CONCEITOS EM FOCO

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• Arte e tecnologia

BNCC UNIDADE TEMÁTICA • Artes integradas HABILIDADES • (EF69AR31) • (EF69AR32) • (EF69AR35)

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Arte multimídia

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS

Trajetórias para a arte

Neste capítulo, o foco é a relação entre arte e tecnologia. Pergunte aos alunos o que eles sabem sobre o assunto e como usam as novas tecnologias em seu cotidiano. Estimule-os a observar as imagens, descrevendo-as e relacionando-as ao conteúdo que será estudado. Pergunte como imaginam que o trabalho Família de VideoCriaturas foi elaborado.

• Tema 1 – Inventos e transformações • Arte em Projetos – Artes integradas • Tema 2 – Todos os tempos ao mesmo tempo • Arte em Projetos – Música

ACERVO OTÁVIO DONASCI

PARA AMPLIAR CONCEITOS Otávio Donasci é paulistano e estudou várias linguagens artísticas. Em seus trabalhos, mistura imagens, sons, gestos e movimentos, configurando o que conhecemos por artista multimídia. Na obra Família de VideoCriaturas, Donasci conjuga imagens de aparelhos de televisão a gestos e movimentos dos atores, ao vivo, articulando duas linguagens artísticas: o teatro e o audiovisual. Nessa mistura, acaba criando outras linguagens, como a performance, a videoperformance e o videoteatro. Videoperformance é a performance que mistura a linguagem do vídeo com a corporal. Videoteatro é o espetáculo que reúne vídeo e teatro (dramatização de cenas).

• Arte de inventos

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+IDEIAS Peça, antecipadamente, uma pesquisa inicial sobre os processos de criação do artista Otávio Donasci (1952-). REGISTROS E AVALIAÇÃO A imagem que abre cada capítulo é sempre uma oportunidade para trabalhar o eixo da fruição. Observe, durante sua mediação cultural, como os alunos se expressam: quem é mais falante, o porta-voz da turma e quem é mais calado ou está disperso, trazendo questões fora da pauta proposta. Há alunos que inovam a pauta provocando novas leituras e interpretações? Estar atento às reações dos alunos pode ajudar a dar voz a todos, incentivando-os a se expressar. CONEXÕES • Otávio Donasci. Disponível em: <http://livro.pro/p9vepf>. Acesso em: 13 nov. 2018.

Família de VideoCriaturas, videoperformance com atores e monitores de televisão em vários formatos (polegadas), de Otávio Donasci, década de 1980.

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CONCEITOS EM FOCO • Arte e tecnologia • Instalação artística

venha inventar!

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Observe a imagem a seguir.

UNIDADE TEMÁTICA • Artes integradas HABILIDADES • (EF69AR31) • (EF69AR32) • (EF69AR35)

As “videocriaturas” de Otávio Donasci são personagens híbridas, metade gente, metade máquina. Nesses seres, a interação ator-máquina é de total imersão. É uma simbiose entre corpo e tecnologia. Atualmente, temos muitos recursos de imagens e sons disponíveis, e artistas de diversas linguagens usam tecnologias para criar suas obras. Entretanto, na época em que Donasci apresentou ao público suas videocriaturas, a televisão em cores estava entrando na vida das pessoas e o uso de computadores e da internet ainda era algo muito distante. Ajude os alunos a observar a composição dessa obra: máscaras eletrônicas acopladas ao corpo de performers vestidos de preto, o que põe em destaque as máscaras. Após a leitura do texto de apoio, trabalhe com eles a seguinte pauta para olhar: • Como você acha que essa proposta artística foi criada? • Que materialidades foram usadas? • Em que linguagem podemos classificá-la? • Será que apresenta linguagens misturadas? Esclareça que, para criar essas videocriaturas, o artista propôs a integração de várias linguagens: videoarte, performance e teatro, configurando uma produção de “artes integradas”.

ACERVO OTÁVIO DONASCI

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS

VideoCriaturas 1 e 2, videoperformance com atores e monitores de televisão em vários formatos (polegadas), de Otávio Donasci, década de 1980.

Pessoas? Máquinas? Atores ou televisores? Têm corpo de gente e tem gente na tela? De quem são esses rostos? Estão pintados? Serão palhaços? Alienígenas? Personagens de ação? Ou apenas televisores sintonizados? Teatro, imagem, palavra, corpo, telecomunicação. Tudo misturado no caldeirão da arte, poética e tecnologias. Estética do novo, da emoção! Venha conhecer este universo de artes que se integram. 30

Comente ainda que, inicialmente, as videocriaturas eram chamadas de videoteatro. Depois, Otávio Donasci resolveu mudar o nome, pois percebeu que havia muitas linguagens envolvidas em suas criações. D2-ARTE-EF2-V9-U1-C2-028-053.indd 30

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PARA AMPLIAR CONCEITOS A obra Babel, de Cildo Meireles, já foi apresentada em vários locais do mundo. Ela começou a ser criada na década de 1990 e foi exposta pela primeira vez em 2001, no Kiasma Museum de Helsinque, na Finlândia. Para elaborá-la, o artista recolheu dezenas de rádios, dos mais antigos que conseguiu aos recém-fabricados, e os dispôs em forma de uma torre circular, sintonizados em diferentes estações. Esse artista tem como elemento estético em sua obra o colecionismo e costuma abordar temas relevantes para a sociedade de seu tempo, como a diversidade de meios de comunicação e culturas.

venha sintonizar!

SOPHIE MUTTERER/ CORTESIA GALERIA LUISA STRINA

Observe esta imagem.

REGISTROS E AVALIAÇÃO As seções Venha inventar! e Venha sintonizar! introduzem temas e conceitos que serão abordados nas próximas páginas. Oriente os alunos a realizarem registros sobre o que imaginam a respeito das obras apresentadas, suas dúvidas e o que os deixa curiosos em relação a elas. Esses registros serão retomados na seção Mais de perto. Aproveite também para fazer uma avaliação diagnóstica sobre o que eles sabem a respeito de arte e tecnologia.

Babel, instalação de Cildo Meireles, criada em 2001. Remontagem da instalação na Fondazione Hangar Bicocca, em Milão, Itália, em 2014.

O que é isso? Será uma torre? Feita de quê? Um monte de coisas... Madeira, ferro, plástico... Você reconhece os objetos aí colocados? Imagine que você está nesse lugar... O que se pode escutar? Será que todos estão na mesma estação? É uma escultura? Uma instalação? Tantas línguas e linguagens da arte, som e imagem. Será que a torre nos traz uma mensagem? Venha conhecer este mundo Babel, saber desta instalação sonora e luminosa. 31

+IDEIAS Convide os alunos a observar a instalação de Cildo Meireles e tentar identificar os elementos que a compõem. Peça que estabeleçam uma relação entre a obra e seu nome:

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Por que ela se chama Babel? Permita que eles se expressem livremente. Mais adiante será abordada a narrativa da Torre de Babel e os alunos poderão conferir suas hipóteses.

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CONEXÕES • Otávio Donasci. Biografia do artista. Disponível em: <http://livro.pro/kgnds3>. Acesso em: 13 nov. 2018. • Vídeo da instalação Babel, de Cildo Meireles. Disponível em: <http://livro.pro/hgjr58>. Acesso em: 13 nov. 2018.

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CONCEITOS EM FOCO

Arte de inventos

• Arte e tecnologia • Instalação artística • Inventos e transformações

Observe a imagem a seguir.

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Instalação é uma linguagem artística contemporânea que utiliza diversos meios e suportes – por vezes tecnológicos – e que permanece disponível ao público durante certo espaço de tempo e depois é desmontada, dela restando o registro em fotografia, vídeo, catálogos. Constituem-se em obras tridimensionais, criadas com diversos materiais e objetos e adaptadas ao local onde são instaladas (daí o nome). É criada na relação com o espaço. O artista entende o lugar e cria a partir dele. Também permite um conjunto de linguagens.

UNIDADE TEMÁTICA • Artes integradas HABILIDADES • (EF69AR31) • (EF69AR32) • (EF69AR35)

POLLY YASSIN/BILDMUSEET

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Pergunte aos alunos se eles já viram alguma instalação de arte e como foi essa experiência. Peça que tentem explicar o que entendem por instalação. Caso eles ainda não conheçam essa linguagem, sugerimos a você que selecione e exiba vídeos, para aproximá-los do assunto. Em relação às questões propostas na página, as respostas esperadas giram em torno do repertório inicial dos alunos. No entanto, você pode aprofundá-las, destacando os seguintes pontos: 1. As videocriaturas foram criadas com base em experiências nos campos do teatro, da videoarte e da performance. O artista Otávio Donasci e seus trabalhos marcaram a história da arte brasileira, no uso de tecnologias. Proponha aos alunos que registrem suas percepções sobre essa produção em seus Diários de arte. 2. Uma visita ao site do artista Cildo Meireles pode trazer mais informações sobre a obra apresentada. Mais adiante, na seção Mais de perto, ela será retomada. 3. Proponha um debate sobre como a turma se comporta com relação ao consumo de aparelhos tecnológicos e o descarte desses materiais. Que preocupações eles têm com

AMPLIANDO

Instalação Sikka Magnum (2013), de Daniel Canogar. Escultura e videoinstalação com 360 DVDs usados, 210 cm × 210 cm × 25 cm.

Nessa videoinstalação, Daniel Canogar utilizou 360 DVDs usados. Como a superfície desse material reflete a luz, as imagens são projetadas sobre os DVDs e formam um mosaico, criando um ambiente múltiplo, facetado e todo iluminado por pontos de luzes que se movimentam. Os sons gravados retirados dos filmes também foram utilizados, espalhando-se pela sala de exposição, em uma linguagem artística audiovisual. Canogar convida-nos a refletir sobre como as invenções do nosso tempo adquirem um valor momentâneo e depois são descartadas, substituídas por outras que, provavelmente, também serão superadas e, um dia, esquecidas. 1. Volte à seção Venha inventar!, na página 30. Você já ouviu falar de “videoesculturas”. E sobre o artista Otávio Donasci, você já conhecia algum de seus trabalhos? Com base na imagem e no texto, relate o que você pensa sobre esse tipo de trabalho. 2. Observe e analise novamente a obra Babel, uma instalação sonora e luminosa de Cildo Meireles, na seção Venha sintonizar!, página 31. Ele usa vários rádios de diferentes modelos, criados ao longo da história desse meio de comunicação, e sintoniza cada um em uma estação. O que você achou da ideia? 3. O que você pensa sobre o consumo de materiais tecnológicos e seu descarte? Respostas pessoais.

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o meio ambiente? Aproveite para abordar o tema transversal “Trabalho e Consumo” e os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Veja mais em Conexões. D2-ARTE-EF2-V9-U1-C2-028-053.indd 32

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Inventos e transformações

Observe a imagem e leia o trecho de letra de música a seguir.

LEZH/GETTY IMAGES

Disquete de 8 polegadas (anos 1970-1980), de 5,25 polegadas (anos 1980) e de 3,5 polegadas (anos 1980-1990). Com a evolução tecnológica, os menores (mais modernos) tinham mais capacidade de memória (armazenar conteúdo) que os maiores. Depois foram substituídos pelos CDs (graváveis e regraváveis) e, atualmente, pelos pen drives e pelos cartões de memória.

Antes de existir computador existia tevê antes de existir tevê existia luz elétrica antes de existir luz elétrica existia bicicleta antes de existir bicicleta existia enciclopédia antes de existir enciclopédia existia alfabeto antes de existir alfabeto existia a voz antes de existir a voz existia o silêncio Trecho de letra da música: O silêncio. ANTUNES, Arnaldo; BROWN, Carlinhos. O silêncio. Intérprete: Arnaldo Antunes. In: ANTUNES, Arnaldo; BROWN, Carlinhos. O silêncio. Rio de Janeiro: BMG, 1997.

AMPLIANDO Disco de vinil (ou LP – do inglês Long-play) é um tipo de mídia criada na década de 1940 com a finalidade principal de reproduzir músicas e outros tipos de mensagem em áudio. Feito de matéria plástica, traz as informações sonoras gravadas mecanicamente em sulcos. Para reproduzir essas informações, utiliza-se uma vitrola – toca-discos ou pick-up –, que possui uma agulha que vibra ao percorrer os sulcos do disco. Essas vibrações são transformadas em sinais elétricos que são enviados a um amplificador, gerando ondas sonoras. Foi amplamente consumido até os anos 1990, como LP (do inglês Long-play), com cerca de 5 a 7 músicas em cada lado (lado A e lado B ou lado 1 e lado 2), ou como compacto (simples, com uma música de cada lado, ou duplo, com duas músicas de cada lado), época que trouxe outras tecnologias de gravação e reprodução de músicas e sons, como os CDs e atuais MP3.

Vivemos em meio a muitas invenções. De algumas delas nasceram novas, ou seja, uma pode ter influenciado o surgimento de outra, como dito na letra da canção O silêncio, de Arnaldo Antunes (1960). Você já ouviu falar em disquete, disco de vinil, fita cassete ou de videocassete? Ouviu música em um rádio a pilha? Conheceu televisão com tubo e válvulas? Você usa CDs, DVDs ou sistemas em MP3 para gravar e ouvir músicas? Observe ao seu redor e identifique a linguagem mais próxima de você neste momento: visual, sonora, escrita, verbal, não verbal, corporal, digital etc. Podemos olhar para o que já foi criado e tentar compreender o que é linguagem de modo geral e, especialmente, o que são linguagens artísticas. D i á r i o d e a rt e Registre em seu Diário de arte as diferentes mídias e aparelhos eletrônicos que fizeram parte da vida de seus familiares.

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Questione se os alunos já viram um disco de vinil e peça que o descrevam. Incentive aqueles que não conhecem esse tipo de disco a pesquisar sobre eles e como funcionam os aparelhos feitos para reproduzi-los. Proponha a apreciação do trecho de letra da música O

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silêncio, de Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown. Sugerimos a pauta: • O que você pensa a respeito da letra dessa música? • As diferentes invenções apresentadas aparecem em ordem cronológica crescente ou decrescente?

11/14/18 10:34 AM • Como os poetas articulam

as palavras e seus significados? • Que outras tecnologias é possível citar? Ao fim da análise, você pode pedir à turma que acrescente versos ao trecho de letra.

PARA AMPLIAR CONCEITOS A linguagem binária é considerada a “gramática” dos números nas ciências da computação. Explique para os alunos que os dados são armazenados no computador em uma sequência de códigos (combinações dos números 0 e 1). Esse processo de codificação pode ser considerado a base da linguagem de programação para a “digitalização”. +IDEIAS Uma instalação pode ser realizada em diversos lugares, inclusive no universo escolar como recurso didático. Há vários coletivos de artistas brasileiros que trabalham com instalações de simples execução. Com a turma, escolha uma para adaptar à realidade de vocês. REGISTROS E AVALIAÇÃO Oriente os alunos no mapeamento das diferentes mídias e aparelhos eletrônicos que fizeram parte da vida de seus familiares. Você pode selecionar imagens daqueles mais antigos e menos conhecidos para mostrar a eles. Peça que registrem tudo em seus Diários de arte. CONEXÕES • Vídeo da instalação Sikka Magnum (2013), de Daniel Canogar. Disponível em: <http:// livro.pro/bz9mva>. Acesso em: 13 nov. 2018. • O silêncio. Letra da canção, de Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown. Disponível em: <http://livro.pro/u3jzqo>. Acesso em: 13 nov. 2018. • CONHEÇA os novos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Disponível em: <http://livro.pro/ jbgz4m>. Acesso em: 13 nov. 2018.

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CONCEITOS EM FOCO

Arte e tecnologia

• Arte e tecnologia • Videoarte

As artes visuais, a dança, o teatro, a música e outras linguagens da arte nascem de contextos culturais, alimentam a cultura e são alimentadas por ela. É como em um jogo de videogame que nunca termina, a cada momento inventam-se novas maneiras de jogar, novas regras ou possibilidades, passamos por fases e surgem outras que nos desafiam. Assim é a criação das linguagens. Observe a imagem a seguir.

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Na década de 1960, o artista sul-coreano Nam June Paik (1932-2006) começou a explorar as possibilidades estéticas do então novo meio de comunicação de massa que surgia, a televisão. A linguagem do vídeo inspirou gerações de artistas e ainda continua a exercer grande influência sobre as pessoas. Pergunte aos alunos: • Como vocês poderiam desenvolver projetos usando a videoarte? • Que recursos e discursos podem ser explorados?

STEFANO TINTI/SHUTTERSTOCK.COM

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS

Criado na década de 1970, o videogame possibilitava jogar jogos disponíveis em um cartucho, usando joystick e um monitor.

Os equipamentos mudam e oferecem cada vez mais possibilidades de diversão e de fazer arte. São tantos equipamentos eletrônicos, auditivos, audiovisuais, comunicativos, interativos. Compreender esse mundo de criações que envolve a arte e as tecnologias é ir além do uso das máquinas, é observar como diferentes artistas as utilizam para humanizar as relações entre as pessoas. O artista sul-coreano Nam June Paik (1932-2006) é um dos exemplos de artistas que, além do uso de máquinas em suas produções, souberam provocar reflexão sobre nossas relações com os meios de comunicação de massa, sobre as relações com cérebros eletrônicos, que fazem quase tudo, mas não são humanos. 1. Você já brincou com um videogame como o da imagem?

2. Pergunte aos seus familiares se eles conheceram esse equipamento e como era a experiência de jogar com esse tipo de recurso? Respostas pessoais.

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Peça a eles que pesquisem mais sobre a obra do brasileiro Cildo Meireles e do sul-coreano Nam June Paik e a relação desses artistas com os meios tecnológicos.

Observe a imagem a seguir. RICHARD T. NOWITZ/CORBIS DOCUMENTARY/GETTY IMAGES

PARA AMPLIAR CONCEITOS Nam June Paik foi um dos primeiros a lançar novas linguagens, criando a videoarte, que explora tanto imagens gravadas quanto a instalação e a performance. Um exemplo é a obra Arte Cibernata (1967), em que a violoncelista Charlotte Moorman (1933-1991) realiza uma performance na qual ela utiliza aparelhos de televisão. Dessa forma, as linguagens das artes visuais e da música, adotadas em uma mesma obra, são caminhos para a construção das linguagens híbridas que articulam arte e tecnologia.

Supervia Eletrônica (1995), instalação de Nam June Paik.

Dos primeiros televisores e rádios criados até os de nossos dias, os processos de transmissão de som e imagem mudaram muito. As linguagens que nasceram dessas pesquisas também. Contudo, algo ainda não mudou: a arte e a ciência andam juntas na criação de linguagens e novas formas de comunicação e expressão. O rádio, a televisão e as histórias das experiências científicas que formaram a criação desses objetos são materiais e temas nas produções dos artistas brasileiros Cildo Meireles, como já vimos, e do artista sul-coreano Nam June Paik. Observando as videoartes (videoesculturas) de Nam June Paik, percebemos que, do ponto de vista da tecnologia atual, alguns desses objetos são obsoletos.

AMPLIANDO A videoarte é uma linguagem artística que influenciou a criação de outras linguagens, como a videoinstalação, a videoescultura, a arte via satélite, a web arte e a arte com princípios robóticos, entre outras. Trata-se de uma linguagem contemporânea que nasceu a partir do acesso ao vídeo e a sistemas de televisão. Os artistas perceberam nessa tecnologia um grande potencial como linguagem.

REGISTROS E AVALIAÇÃO Proponha aos alunos um resgate das palavras que apareceram no início deste capítulo. Peça a eles que escolham uma para escrever um pequeno texto reflexivo sobre o que aprenderam até este momento. O registro pode ser feito em seus Diários de arte. CONEXÕES • NASCIMENTO, Ana. Nam June Paik e a videoarte. Disponível em: <http://livro.pro/ n292xm>. Acesso em: 13 nov. 2018.

D i á r i o d e a rt e Pesquise sobre as obras de Nam June Paik e Cildo Meireles. Por que será que esses artistas escolheram criar arte com esses objetos? Que ideias vêm à sua mente ao observar a videoinstalação do artista sul-coreano Nam June Paik? Registre suas ideias em seu Diário de arte.

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CONCEITOS EM FOCO

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PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Rádio e televisão, som e imagem transmitidos por ondas eletromagnéticas. Quais outras invenções de comunicação usam ondas eletromagnéticas? Você pode propor ao professor de Ciências que aprofunde o assunto com os alunos. Convide a turma a observar mais videocriaturas de Otávio Donasci. Esse artista tem trabalhado para humanizar nossas relações com as tecnologias, por meio da arte digital. Sugerimos a pauta: • Observe a primeira videocriatura da foto. O que vocês notam? (Ajude-os a perceber que o ator tem outra tela de vídeo na mão, como se fosse um fantoche). • O que vocês acharam dessa ideia de fazer arte usando monitores? • Por que o trabalho de Donasci é considerado arte multimídia? Verifique se algum aluno já viu outros exemplos de arte digital, como videoarte, videohappening ou performances digitais. Peça a eles que pesquisem as diversas manifestações desse tipo de arte.

mundo conectado

A “linguagem” eletromagnética Sistemas de transferência de dados, imagens e sons, hoje, são bem comuns. Cientistas de várias épocas trabalharam muito para que isso acontecesse. A começar pelos estudos sobre eletricidade e ondas eletromagnéticas. O rádio e a televisão nasceram dessas pesquisas científicas. Para criar o rádio, pesquisou-se como as ondas sonoras se propagam em meio aos materiais existentes e descobriram que, sem meios materiais (inclusive o ar), não haveria som. Nas pesquisas sobre a propagação do som via rádio, por exemplo, cientistas estudaram como converter as ondas sonoras em ondas eletromagnéticas (radiofrequência) e, depois, reconverter em ondas sonoras novamente. Assim, criaram vários equipamentos com a função de transmitir e retransmitir essas ondas. O rádio deixou a linguagem da música mais próxima das pessoas e transformou a maneira de apreciar essa linguagem. Observe a imagem ao lado. A televisão nasceu também de processos científicos que começaram a ser criados ainda no final do século XIX. Esses experimentos eram capazes de decompor uma imagem em pontos luminosos, enviá-la via processos elétricos e depois reconstruí-la. CLIQUE ARTE

Nam June Paik. Para conhecer mais sobre as videoinstalações desse artista, visite a página da Associação Cultural Videobrasil. Disponível em: <http://livro.pro/t3rwoy>. Acesso em: 9 out. 2018.

Videoinstalação de Nam June Paik, no Museu Nacional de Arte Moderna e Contemporânea em Gyeonggi, Coreia do Sul.

MUSEU NACIONAL DE ARTE CONTEMPORÂNEA EM GYEONGGI, COREIA DO SUL / GINA SMITH/SHUTTERSTOCK.COM

• Arte e tecnologia • Videoarte

Pesquise sobre os primeiros programas veiculados no rádio e na TV. 1. Como será que essa história do “audiovisual” começou?

2. O que a ciência tem a ver com a arte? Respostas pessoais.

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PARA AMPLIAR CONCEITOS Videomáscaras, videoteatro ou videocriaturas? O trabalho do cenógrafo, performer, artista multimídia e criador do Projeto Videoteatro, Otávio Donasci, é um marco na história da arte brasileira e é citado D2-ARTE-EF2-V9-U1-C2-028-053.indd 36

também na história da arte mundial. Ele foi um dos primeiros brasileiros a buscar alternativas de expressão multimídia. Em sua trajetória, fez muitas experiências. Usou imagens de personagens em um monitor contracenando com atores ao vivo. Trabalhou com

“videomanequins” – esculturas que traziam na parte do rosto monitores de televisores com vídeos. Foram muitos testes, até chegar na primeira videocriatura, em 1983, criando uma linguagem híbrida entre cinema, vídeo, teatro e performance.

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+IDEIAS Organize uma roda de conversa sobre os processos de criação na arte, explicando que, antes de criar suas obras, os artistas realizam vários estudos. Otávio Donasci disse, em entrevistas, que as videocriaturas surgiram primeiro na sua imaginação. Depois, ele fez desenhos, criou ensaios fotográficos, vídeos e passou também pela linguagem do teatro. Por fim, chegou às performances com monitores, transformando a máquina em seres animados e vivos.

MAIS DE PERTO

Arte multimídia

ACERVO OTÁVIO DONASCI

Observe a imagem a seguir.

REGISTROS E AVALIAÇÃO Como parte do processo avaliativo, proponha um debate sobre as questões: • Podemos transmitir mensagens ou expressar nossa maneira de sentir o mundo por meio da arte? • Que recursos e materialidades expressivas o mundo contemporâneo nos apresenta?

Família de VideoCriaturas, videoperformance de Otávio Donasci, década de 1980.

O artista Otávio Donasci é paulistano e estudou várias linguagens artísticas. Podemos dizer que ele é um artista multimídia, porque, em sua obra, utiliza imagens de aparelhos de televisão com gestos e movimentos do corpo dos atores ao vivo, misturando duas linguagens, o teatro e a arte audiovisual. Suas VideoCriaturas são resultado de pesquisas envolvendo como usar equipamentos eletrônicos e o corpo humano na criação artística. Nas criações de Donasci, os atores usam tecidos ou macacões pretos para fundir melhor a imagem do vídeo com o corpo. Na época em que essas VideoCriaturas foram criadas, ainda se usavam fitas de videocassete (VHS). As imagens eram gravadas em vídeos que eram transmitidos por aparelhos ligados aos televisores. Hoje, o artista explora as novas tecnologias com televisores de plasma, computadores, gravações em vídeos digitais, que não precisam mais de tantos fios e aparatos eletrônicos.

CONEXÕES • Nam June Paik. Para conhecer mais sobre as videoinstalações do artista, visite a página da Associação Cultural Videobrasil. Disponível em: <http://livro.pro/t3rwoy>. Acesso em: 13 nov. 2018. • Vídeo Otávio Donasci: a origem da videocriatura. Disponível em: <http://livro. pro/yx8cmz>. Acesso em: 13 nov. 2018.

PALAVRA DO ARTISTA

Otávio Donasci (1952-) Eu era apaixonado pelo teatro e pela imagem em movimento. Resolvi cruzar os dois. Fazer um Frankenstein. CAFIERO, Carlota. A VideoCriatura é nossa! In: Canal contemporâneo, 26 out. 2011. Disponível em: <http://www.canalcontemporaneo.art.br/arteemcirculacao/archives/004381.html>. Acesso em: 10 out. 2018.

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CONCEITOS EM FOCO

arte em projetos

• Arte e tecnologia • Videoarte

ARTES INTEGRADAS

BNCC

Criando VideoCriaturas

UNIDADES TEMÁTICAS • Artes visuais • Artes integradas

Na mistura de linguagens, Otávio Donasci cria outras linguagens, como a performance, a videoperformance, o videoteatro, ou seja, a videoarte. Ele estudou artes plásticas, teatro e trabalhou como cenógrafo e diretor de criação. O artista comenta que é apaixonado por linguagens artísticas. Por isso, pesquisou e criou tantas obras usando variadas linguagens. Desde a década de 1980, inventa maneiras de explorar as tecnologias que estão à disposição. Se pensarmos como as linguagens artísticas mudaram desde a primeira VideoCriatura criada, como os televisores e computadores também mudaram, poderemos concluir que a arte de Donasci é testemunha de uma era de transformações na maneira de produzir e se expressar por meio das linguagens artísticas. Todo o seu interesse em criar em linguagem multimídia nasceu de linguagens bem antigas, como o desenho. E sabemos que o desenho nas paredes das cavernas foi uma das primeiras manifestações de linguagem artística.

HABILIDADES • (EF69AR01) • (EF69AR03) • (EF69AR05) • (EF69AR06) • (EF69AR07) • (EF69AR08) • (EF69AR31) • (EF69AR32) • (EF69AR35)

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS

Performance é uma forma de expressar ideias, mensagens ou sensações, entre outras propostas, por meio do corpo, de seus gestos e movimentos, ao vivo e publicamente. O corpo é o suporte para a criação artística, entre outros materiais. Videoperformance é a performance que mistura a linguagem do vídeo com a linguagem corporal. Videoteatro é o espetáculo que mistura a linguagem do vídeo com a linguagem do teatro.

Plasmacriatura (VideoCriatura com TV de plasma, 2002), obra de Otávio Donasci. Nessa adoção de novas tecnologias, o performer consegue ver por meio de uma microcâmera e dois monitores internos o que ocorre à sua volta.

ACERVO OTÁVIO DONASCI

Performance Cachito, com VideoCritatura xipófaga, obra de Otávio Donasci. Pinacoteca do Estado de São Paulo, 1986.

ACERVO OTÁVIO DONASCI

A proposta é a criação de videocriaturas. Se possível, peça auxílio ao professor de informática para a gravação dos vídeos. Essas imagens podem ser criadas com os aparelhos que os alunos possuem. Peça a eles que observem as imagens da página 39 como exemplo. Elas foram feitas por alunos de Ensino Fundamental, especialmente para este livro. Alerte os alunos que, na montagem das videocriaturas, todo cuidado é pouco, pois estão sendo utilizados equipamentos eletrônicos que custam caro. Se não for possível ter todos os equipamentos necessários, cinco são suficientes para uma turma de vinte alunos (os grupos podem se revezar na experiência).

AMPLIANDO

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Processo de criação

Oficina – Vamos criar videocriaturas? Na década de 1980, quando Otávio Donasci começou a criar suas obras tecnológicas, a tecnologia que ele tinha à disposição eram televisores, aparelhos de videocassete e fitas de vídeo. Hoje, ele inovou no uso de materiais. Podemos elaborar nossos seres tecnológicos usando tablets e celulares. FOTOS: XICA LIMA

PARA AMPLIAR CONCEITOS A videoarte é uma linguagem artística que influenciou a criação de outras, como a videoinstalação, a videoescultura, a arte via satélite, a webarte, a arte com elementos robóticos, entre outras. Trata-se de uma linguagem contemporânea que nasceu com o acesso ao vídeo, em meados dos anos de 1960. +IDEIAS Peça aos alunos que pesquisem sobre videoarte e videoescultura, aprofundando seus conhecimentos. REGISTROS E AVALIAÇÃO Proponha, sempre que possível, rodas de conversa em que os alunos possam compartilhar seus processos de criação. A avaliação processual é muito importante nesse tipo de produção. Analise também, com eles, os resultados das produções, observando como os problemas foram resolvidos.

Use uma tira de tecido ou elástico largo para fazer uma faixa que será amarrada na cabeça, o tamanho dependerá do aparelho que você tiver disponível para realizar esse projeto artístico. É importante deixar um recorte na faixa para que o vídeo do celular ou tablet possa aparecer. Prenda a faixa ao seu corpo, no rosto, na cabeça, no braço, enfim, onde você quer que a sua videocriatura mostre o rosto, uma vez que os vídeos serão a expressão facial eletrônica dela. Depois de posicionar o vídeo, cubra o restante do corpo com tecido. Agora é só ligar o vídeo e deixar a sua videocriatura aparecer. Lembre-se de combinar com os amigos quem vai fazer o registro das performances. Você pode se expressar sozinho, em dupla ou em grupo. Crie e invente usando seus aparelhos tecnológicos.

Exemplos de videocriatura feitos em casa, com tablet e celular.

CONEXÕES • Videoarte. Disponível em: <http://livro.pro/zuov43>. Acesso em: 13 nov. 2018.

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CONCEITOS EM FOCO tema 2

• Experimentação musical • História da música

Todos os tempos ao mesmo tempo

Observe a imagem a seguir.

BNCC

FAIXA 1

OUÇA ARTE

UNIDADE TEMÁTICA • Música

Acronon. Interpretação sobre a esfera e releitura da obra original. Disponível em: <http://livro.pro/rxzbg8>. Acesso em: 11 out. 2018.

HABILIDADES • (EF69AR16) • (EF69AR18) • (EF69AR19)

Até meados do século XIX, no período do Romantismo, a produção musical estava centrada na subjetividade. Já na virada do século XX, ela se volta para as novas realidades e necessidades do mundo. Apresente aos alunos o vídeo História da música: século XX (indicado em Conexões). Ele mostra as grandes transformações na linguagem musical, lideradas pelo compositor francês Claude Debussy (1862-1918). Pesquise na internet e mostre também o Concerto em mi bemol para orquestra de câmara, do compositor russo Igor Stravinsky (1882-1971).

PARA AMPLIAR CONCEITOS Koellreutter (1915-2005) é um dos nomes marcantes da história da música brasileira da segunda metade do século XX. Flautista, regente, compositor e também educador, formou um grande número de músicos, seja nos cursos que ministrou pelo Brasil, seja nas instituições que criou ou nas quais trabalhou. Entre suas mais notáveis iniciativas está a criação do movimento Música Viva, do qual participaram tanto jovens musicistas quanto músicos já consagrados, tendo como integrantes de seu grupo de compositores Claudio Santoro, César

RONALDO MIRANDA

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS

Sérgio Villafranca e Hans-Joachim Koellreutter segurando a partitura de Acronon.

Note que há duas pessoas de gerações diferentes. As marcas do tempo estão presentes no corpo dessas pessoas (na cor do cabelo, por exemplo). Um objeto esférico transparente com linhas, pontos e formas geométricas desenhados em sua superfície ocupa o centro da imagem e envolve o rosto das pessoas retratadas. Essa fotografia oferece elementos para investigarmos as ideias do compositor alemão Hans-Joachim Koellreutter (1915-2005), que está no lado direito na imagem. Em suas mãos e nas do pianista, intérprete e compositor Sérgio Villafranca, está a partitura de Acronon (1978-1979), que remete a cronos (palavra grega que indica tempo). Com o prefixo a , a palavra ganha o sentido de suspensão do tempo medido, um tempo que está além, que transcende a medição nos parâmetros humanos (ano, mês, semana, dia, hora, minuto etc.). A forma circular e transparente da partitura reafirma essa ideia de um tempo que flui, que não está fixado em uma marca específica. Os símbolos na esfera estão livres das fórmulas de compasso, claves, pentagramas e demais elementos rítmicos e melódicos da partitura convencional. 1. O que você vê na fotografia? Como são as pessoas retratadas?

2. O que está sendo segurado? Qual é a forma do objeto? Há imagens desenhadas nesse objeto? Respostas pessoais.

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Guerra-Peixe, Eunice Katunda e Edino Krieger. Eles foram os responsáveis, ao lado de Koellreutter, pela instauração da segunda fase da modernidade musical brasileira, que ocorreu durante os anos 1940. D2-ARTE-EF2-V9-U1-C2-028-053.indd 40

+IDEIAS Trabalhe com a fruição das músicas Acronon, de Hans-Joachim Koellreutter, presente no CD do 9o ano (faixa 1), e Cenas de carnaval de Viena, Opus 26, de Robert Schumann (faixa 2). Destaque que Schumann (1810-1856)

foi um dos mais expressivos representantes do movimento romântico. Os compositores desse movimento buscaram uma liberdade formal e expressiva em suas obras, com o intuito de transmitir não só sentimentos e emoções, mas também ideias.

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Koellreutter via a música, assim como as diferentes linguagens artísticas, como algo ligado ao mundo, sem uma separação entre vida e arte. A partitura de Acronon tinha a forma esférica (lembrando o planeta Terra) e era transparente. Podemos situar no século XX o principal período no qual grandes mudanças começaram a ocorrer, cada vez mais rapidamente. Para entendê-las, vamos investigar o que estava ocorrendo no período anterior, o Romantismo. Ao ouvirmos a obra de compositores e pianistas como o francês Frédéric Chopin (1810-1849) e o alemão Robert Schumann (1810-1856), por exemplo, percebemos a importância que há, para o Romantismo de modo geral, na subjetividade, isto é, naquilo que habita o interior do indivíduo.

FAIXA 2

MUSEU DA HISTÓRIA DA MÚSICA, NÁPOLES/BRIDGEMAN IMAGES/FOTOARENA

PALÁCIO DE VERSALHES, FRANÇA/FOTO: FINE ART IMAGES/HERITAGE IMAGES/GLOW IMAGES

Frédéric Chopin (1810-1849), um dos mais conhecidos representantes da música do Romantismo.

Robert Schumann (1810-1856).

Reside justamente nessa característica do Romantismo um dos principais pontos de ruptura em relação à criação musical do século XX, que se volta para as novas realidades do mundo (como o processo de industrialização), para o exterior do indivíduo. Emerge um novo entendimento do tempo e do espaço na vida e na música. O mundo do século XX, novo e dinâmico, impulsionou o surgimento de representações musicais mais adequadas às novas percepções da realidade. Podemos ter um breve panorama desse contexto por meio dos trabalhos de alguns dos principais compositores da música moderna. 41

REGISTROS E AVALIAÇÃO Cada momento de estudo deve ser avaliado por meio de sondagens e registros dos alunos no Diário de arte.

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CONEXÕES • História da música: século XX. Canal no Youtube do Programa Harmonia. Disponível em: <http://livro.pro/zakq45>. Acesso em: 13 nov. 2018.

COMENTÁRIO SOBRE AS FAIXAS 1 E 2 DO CD Faixa 1: Acronon, de Hans-Joachim Koellreutter (19152005) é uma expressão derivada do grego cronos, que significa “tempo”. O prefixo “a-” significa, por sua vez, a transcendência desse tempo medido, a sua superação. Essa peça tem uma partitura original: uma esfera de acrílico transparente, com cerca de 60 cm de diâmetro, onde estão desenhados diagramas que possibilitam a interpretação improvisada do intérprete. Apresentamos a versão II, para piano, duas flautas, tambura e kalimba. Essa gravação é uma recriação de Sérgio Villafranca (piano), com Wagner Ortiz nas flautas. Faixa 2: Cenas de Carnaval de Viena, Opus 26, intermezzo, para piano solo, de Robert Schumann. Robert Schumann (1810-1856) foi um dos mais expressivos representantes do movimento romântico na música ocidental. Os compositores desse período buscaram maior liberdade formal e expressiva em suas obras com o intuito de transmitir não só sentimentos e emoções, mas também ideias. Outros integrantes desse movimento, que se estendeu de cerca de 1815 ao início do século XX, foram Ludwig von Beethoven (que transita entre o Classicismo e o Romantismo), Frédéric Chopin, Gioachinno Rossini, Franz Schubert, Franz Liszt, Richard Wagner, Giuseppe Verdi, Richard Strauss, Brahms, entre muitos outros. O título original dessa música é Faschingsschwank aus Wien, interpretada aqui por Fernando Tomimura.

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CONCEITO EM FOCO

Música moderna do século XX – novas percepções da realidade

• Música moderna

BNCC

O século XX foi o século das rupturas e das invenções, ampliando as diversas possibilidades da linguagem musical como nunca havia ocorrido até então. As transFAIXAS 3, 4, 5 e 6 formações, contudo, não anulam formas já consolidadas de fazer música. A invenção do sistema atonal-dodecafônico de Schoenberg, por exemplo, não eliminou a produção musical tonal, arraigada na música popular, das expressões tradicionais ao universo pop. Um dos aspectos mais interessantes do final do século XIX e da nossa contemporaneidade é que todos os tempos da música acontecem simultaneamente, todas as músicas cabem na Música.

UNIDADES TEMÁTICAS • Música • Artes visuais • Artes integradas HABILIDADES • (EF69AR01) • (EF69AR03) • (EF69AR16) • (EF69AR18) • (EF69AR19) • (EF69AR22) • (EF69AR31)

EVERETT COLLECTION INC./KEYSTONE BRASIL

Arnold Schoenberg (1874-1951) operou a revolução no espaço musical, propondo um sistema de composição conhecido como atonal-dodecafônico. Nele, em vez da tonalidade (Dó maior, por exemplo), há uma série de notas organizadas de maneira predeterminada que, em variação na forma de apresentação, norteará o processo criador. Foto de 1941.

Heitor Villa-Lobos (1887-1959) é o compositor brasileiro que se dedica à musicalidade de nosso país e constrói uma música na qual se evidenciam as características sonoras do Brasil em diferentes representações regionais. Faz parte de um grupo de compositores nacionalistas que traz a música tradicional e popular para o meio erudito, incluindo no domínio orquestral elementos que não lhe eram próprios, até aquele momento, como o reco-reco, o agogô e o pau de chuva. Entre as suas obras destacamos o Noneto e as grandes séries dos Choros e das Bachianas brasileiras. Foto de 1955.

Igor Stravinsky (1882-1971) revolucionou o tempo musical, trazendo a força de ritmos primitivos, e ao mesmo tempo inovadores, em obras de concepção moderna e inusitada. Foto de 1920-1930.

FINE ART IMAGES/KEYSTONE BRASIL

PARA AMPLIAR CONCEITOS Mostre aos alunos o infográfico A evolução do armazenamento de músicas (link sugerido em Conexões), que contém uma linha do tempo das invenções de aparelhos, desde 1870 até os dias de hoje. Estimule um debate sobre esse assunto.

THE BRIDGEMAN/FOTOARENA

Apresente para os alunos as composições Gymnopédie no 1, de Erik Satie, presente no CD do 9o ano (faixa 3); O trenzinho do caipira, de Heitor Villa-Lobos (faixa 4 do CD); Bagatela no 4, de César Guerra-Peixe (faixa 5 do CD); e Seresta, de Edino Krieger (faixa 6 do CD).

THE BRIDGEMAN/KEYSTONE BRASIL

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS

Erik Satie (1866-1925) traz a ideia original de uma música mobiliária. Nela, a música é proposta com a função de criar novos ambientes e ser ouvida em espaços sociais cotidianos. Assim, ela deixa de ser elemento central, diferentemente da função principal que a música ocupa quando assistimos a um show ou concerto, por exemplo. Foto de 1918.

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D2-ARTE-EF2-V9-U1-C2-028-053.indd 42 COMENTÁRIOS SOBRE AS FAIXAS 3 A 6 DO CD Faixa 3: Gymnopédie no 1, para piano solo, de Erik Satie. Essa obra integra um ciclo composto de três peças, publicadas em 1888, composições para piano que compartilham um tema similar, reforçado pelo andamento lento de exe-

cução. Satie é considerado o precursor do minimalismo, do teatro do absurdo e da música repetitiva. Entre suas diferentes proposições, encontra-se o conceito de “música mobiliário”, segundo o qual a música, em vez de ser escutada de um palco em uma sala de concertos, poderia ocorrer em

qualquer lugar de um espaço social ao mesmo tempo que as pessoas estivessem conversando, por exemplo. Essa proposta acabou por tornar-se realidade quando, em um elevador ou em um consultório, podemos ouvir ao fundo uma “música ambiente”.

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mundo conectado

De ouvir e de ver

ERIKA IRIS SIMMONS

Observe as imagens a seguir.

Retrato do músico John Lennon feito com fitas K7, obra de Erika Iris Simmons.

As fitas cassete (K7) usadas no passado recente para ouvir e gravar músicas, hoje podem ser materiais para criar imagens de músicos, como na obra da artista estadunidense Erika Iris Simmons (1983). Entre as décadas de 1950 e 1990, essas fitas magnéticas eram muito populares. Músicas de John Lennon (1940-1980) e Jimi Hendrix (19421970) foram ouvidas por milhares de pessoas por meio dessa tecnologia. A partir dos anos 1990, com o surgimento dos CDs, as fitas K7 foram superadas. Até então, elas eram muito importantes para a pesquisa de gravação e reprodução de sons, porque mudaram a maneira de ter acesso à linguagem da música, transformando o hábito de criar álbuns personalizados, escolhendo músicas preferidas, em uma mania. Hoje, podemos criar playlists (listas de músicas) usando programas de computadores e armazenando no celular e em pen drives, no formato MP3. Observe mais uma vez as obras com fitas K7 criadas por Erika Iris Simmons.

Retrato do músico Jimi Hendrix feito com fitas K7, obra de Erika Iris Simmons.

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Faixa 4: O trenzinho do caipira, versão para violoncelo e piano. Heitor Villa-Lobos (1887-1959) é um dos mais reconhecidos compositores brasileiros de música de concerto ou erudita. Se a sua série de Choros corresponde às suas produções mais experimentais e instigantes (fase

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moderna), a série das Bachianas demonstra a busca de uma expressão mais acessível e integradora (fase nacionalista). O trenzinho do caipira é uma peça de forte poder descritivo, na qual se pode ouvir a representação sonora de uma locomotiva em deslocamento. Isso motivou o poeta

Ferreira Gullar (1930-2016) a dedicar-lhe posteriormente uma letra iniciada por “Lá vai o trem com o menino, lá vai a vida a rodar…”. Interpretação: Alberto Kanji (violoncelo) e Fernando Tomimura (piano). Faixa 5: Bagatela no 4 (vivace), para piano solo, de Guerra-Peixe. Essa breve ba11/19/18 6:39 PM

gatela de César Guerra-Peixe (1914-1993) ilustra a música atonal-dodecafônica praticada em nosso país por ele (de 1944 a 1949) e também por Claudio Santoro, Eunice Katunda e Edino Krieger, representantes do grupo Música Viva. Esse grupo e movimento musical foram criados em 1939, no Rio de Janeiro e em São Paulo, pelo músico alemão radicado no Brasil Hans-Joachim Koellreutter (1915-2005). Essa pequena peça de apenas 39 segundos revela a grande música que Guerra-Peixe criou ao longo dos diversos momentos de sua produção musical. Faixa 6: Seresta, para violoncelo e piano. Essa seresta foi composta em 1976 por Edino Krieger (1928-) e representa uma homenagem a Heitor Villa-Lobos (1887-1959). Edino estudou com H.-J. Koellreutter (1915-2005) e fez parte do movimento Música Viva. Seu trabalho criativo é amplo, múltiplo e plural. Nessa homenagem a Villa-Lobos, o compositor utiliza uma linguagem de caráter romântico e põe em primeiro plano o violoncelo, que era justamente o principal instrumento de Villa-Lobos. Interpretação: Fernando Tomimura (piano) e Alberto Kanji (violoncelo).

CONEXÕES • DAQUINO, Fernando. A evolução do armazenamento de músicas. Tecmundo, 1o out. 2012. Disponível em: <http:// livro.pro/qp8a3a>. Acesso em: 13 nov. 2018. • KERR, Dorotéa. A Música no Século XX. Instituto de Artes Unesp. Disponível em: <http:// livro.pro/qc29ap>. Acesso em: 13 nov. 2018. • OLIVEIRA, Clarindo Gonçalves; História Resumida da Música: Música Moderna. Música sacra e adoração. Disponível em: <http://livro.pro/ipo5un>. Acesso em: 13 nov. 2018. • Erika Iris Simmons. Site oficial da artista. Disponível em: <http://livro.pro/yn9jx3>. Acesso em: 13 nov. 2018.

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CONCEITO EM FOCO Agora, observe a imagem deste aparelho. Você sabe o que ele faz?

• Arte e tecnologia

BNCC UNIDADE TEMÁTICA • Música

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS

Gravar sons sempre foi um desafio e uma paixão humana. As pesquisas e descobertas tecnológicas sobre a gravação de sons e, posteriormente, sua transmissão começaram no século XIX. Em 1877, o estadunidense Thomas Alva Edison (1847-1931) desenvolveu um aparelho curioso, o fonógrafo, que era capaz de gravar sons usando uma agulha que riscava um cilindro revestido com cera. Esse sistema era ligado a um mecanismo que reconhecia a gravação e amplificava o som. Inspirado em instrumentos musicais de sopro, esse inventor acoplou uma espécie de corneta, que ajudava a ampliar o som, assim todos podiam ouvir pela primeira vez sons gravados. Depois, outros inventores aperfeiçoaram esse invento, criando discos que deram origem aos “vinis”, que foram muito populares até os anos 1980, ao lado das fitas K7. O diferencial das fitas K7 era a autonomia de criar nossas próprias seleções de músicas.

Aparelho estilo 3 em 1 (rádio e gravador, toca-discos e toca-fitas) ou 4 em 1, no início dos CDs (rádio e gravador, toca-discos, toca-fitas e toca-CDs).

TTERSTOCK.COM

PARA AMPLIAR CONCEITOS O disco de vinil foi criado na década de 1940. Feito de matéria plástica, ele necessita de um aparelho com agulha especial para fazer vibrar os sons e reproduzir a música no toca-discos. Os discos de vinil foram amplamente consumidos até os anos 1990, no formato de LP (long-plays, com cerca de 5 a 7 músicas em cada lado) e compacto (simples, com uma música de cada lado; ou duplo, com duas músicas de cada lado). Posteriormente surgiram outras tecnologias de gravação sonora, como o CD e o MP3. Ainda hoje, porém, há pessoas que apreciam o vinil.

Fonógrafo, inventado por Thomas Alva Edison em 1877.

HOIKA MIKHAIL/SHU

Sugira aos alunos que realizem entrevistas com familiares e descubram como as pessoas se relacionavam antigamente com os discos de vinil e as fitas K7. A turma pode obter mais informações sobre magnetismo com o professor de Ciências.

DE AGOSTINI EDITORE/KEYSTONE BRASIL

HABILIDADES • (EF69AR17) • (EF69AR21)

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+IDEIAS Com a criação do gravador de fitas, abriram-se novos caminhos para a manipulação sonora. Dessa forma, foi possível sobrepor sonoridades provenientes de instrumentos ou de outras fontes, como a natureza ou o espaço urbano. Antes disso, na maioria das vezes, os compositores usavam apenas instrumentos convencionais na produção de suas obras.

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REGISTROS E AVALIAÇÃO Observe como os alunos se manifestam em momentos de conversação na mediação cultural: existem jovens bem falantes, outros mais calados e aqueles que realizam interpretações ou perguntas inusitadas. Independentemente do perfil de cada um, garanta a todos a chance de se expressar.

Tudo começou quando os cientistas fizeram experiências gravando sons sobre um fio de arame. Esse material, por ser metal, possui propriedades magnéticas, o que possibilitou a experiência, mas não era muito prático, porque o fio sempre enrolava, o que dificultava ouvir o som de modo contínuo e límpido. Em 1928, um engenheiro alemão de nome Fritz Pfleumer (1881-1945) fez experiências trocando o fio de arame por uma fita de papel com aço em pó. Depois, mais experiências foram feitas até chegar a uma fita plastificada que trazia em sua composição elementos químicos magnéticos. Assim, foi possível criar um material que poderia gravar e reproduzir sons e imagens. Nascia tanto a fita para gravação de sons como os videocassetes. No início, os aparelhos que gravavam e reproduziam os sons e as imagens eram muito caros e apenas poucas pessoas tinham acesso a eles, mas, com a revolução tecnológica, na segunda metade do século XX, esses materiais ficaram mais baratos e acessíveis a mais pessoas. Hoje, temos sistemas digitais de alta resolução de som e imagem, mas isso não seria possível sem essas pesquisas iniciais. Mesmo os sistemas de gravação eletromagnética não estão totalmente descartados. Que tal aproveitar toda a tecnologia disponível atualmente e criar a sua lista de músicas preferidas em homenagem aos caçadores de sons e imagens do passado? Criar linguagens sonoras também é uma forma de arte.

Um dos modelos de videocassete mais recentes e uma fita de vídeo. Embora essa tecnologia esteja totalmente superada, algumas pessoas ainda mantêm o seu aparelho e a sua coleção de fitas, mesmo que tenham cópias em DVD, blu-ray ou no computador.

CONEXÕES • Thomas Edison anuncia sua primeira grande invenção: o fonógrafo. Disponível em: <http://livro.pro/izda8y>. Acesso em: 13 nov. 2018.

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CONCEITOS EM FOCO

BNCC UNIDADES TEMÁTICAS • Artes visuais • Artes integradas HABILIDADES • (EF69AR01) • (EF69AR02) • (EF69AR05) • (EF69AR31) • (EF69AR32) • (EF69AR33)

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Peça aos alunos que estabeleçam relações entre a instalação Babel, de Cildo Meireles, e a pintura de Pieter Bruegel. Sobre a instalação, proponha estas questões aos jovens: “Com as inovações tecnológicas na área de comunicação, de que modo as pessoas estão conversando: mais a distância ou frente a frente?”; “Tem diminuído ou aumentado a interação entre amigos e familiares?”; “Por que o artista usou rádios nessa instalação?”. Explique aos alunos que Meireles usou esses aparelhos com sintonias distintas para representar a incomunicabilidade em meio a tantos recursos de comunicação. Eis uma contradição típica da cultura contemporânea.

MAIS DE PERTO

Babel, sons e imagens Você já ouviu a história sobre a Torre de Babel? Essa história é muito antiga. Nasceu na região da Mesopotâmia, onde hoje está o Iraque e outros países do Oriente Médio. A narrativa diz que, em uma cidade, as pessoas resolveram construir uma torre muito alta para conseguir chegar até os céus e falar com Marduk, um deus poderoso que podia ver e ouvir tudo. Ao construir a torre, as pessoas acreditavam que poderiam atravessar o Babel (palavra em hebraico que significa portal de Deus) para falar com Marduk. Assim, esse deus soprou um vento muito forte e derrubou a torre. Depois, fez com que cada pessoa começasse a falar em uma língua diferente e ordenou que todos se espalhassem pelo mundo e ensinassem esses diferentes idiomas às futuras gerações. Marduk concluiu que, ao falar tantas línguas diferentes, as pessoas não poderiam mais se unir para construir a torre novamente, pela dificuldade de comunicação. Encontramos a representação dessa narrativa em várias obras de arte, como a pintura Torre de Babel, de Pieter Bruegel, o Velho (1525-1569), vista acima, e a instalação Babel (2001), de Cildo Meireles.

MUSEU DE HISTÓRIA DA ARTE, VIENA /GLOW IMAGES

• Arte e tecnologia • Instalação artística

Torre de Babel (c. 1563), de Pieter Bruegel, o Velho. Óleo sobre painel de madeira, 114 cm × 155 cm.

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+IDEIAS Converse com os alunos sobre a fala de Cildo Meireles em Palavra do artista e destaque que sua instalação integra as linguagens das artes visuais e da música.

Observe a instalação Babel, de Cildo Meireles. SOPHIE MUTTERER/ CORTESIA GALERIA LUISA STRINA.

O artista elaborou um empilhamento que coloca os rádios mais antigos na base da torre e vai gradativamente seguindo uma linha do tempo das tecnologias desses aparelhos, até chegar aos mais recentes em relação à data de criação da instalação, que aconteceu em 2001 e foi reproduzida até 2006. Dizem que as tecnologias de comunicação, como a internet, aproximaram novamente as pessoas. Se isso é verdade, por que ainda há tantos conflitos no mundo? Talvez essas questões sejam algumas das preocupações do artista Cildo Meireles, que gosta de criar usando diferentes materialidades.

REGISTROS E AVALIAÇÃO No Diário de arte, os alunos podem fazer autoavaliações que registrem como os conteúdos trabalhados foram devidamente apropriados por eles. CONEXÕES • BARRETO, Tomás. Babel. Arte e Multimédia. Disponível em: <http://livro.pro/doxg5x>. Acesso em: 13 nov. 2018. • Cildo Meireles. Canal no Youtube da Follow Arterial. Disponível em: <http://livro. pro/x466qo>. Acesso em: 13 nov. 2018.

Babel, instalação de Cildo Meireles, 2001-2006, na Pinacoteca do Estado de São Paulo. Estrutura metálica, cerca de 900 rádios, 5 m (altura) × 3 m (diâmetro).

PALAVRA DO ARTISTA

Cildo Meireles (1948-) Eu trabalho basicamente como eu sempre trabalhei, ou seja, na verdade você fica caçando relâmpagos. [...] É o primeiro momento de qualquer fato que te desperte a atenção, te emocione, te intrigue, que é indefinido, que não tem contornos, quer dizer, volta e meia você está se deparando com essa situação. MONACHESI, Juliana. Artista carioca defende que a arte deve seduzir. Folha de S.Paulo, 22 dez. 2002. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/ folha/ilustrada/ult90u29608.shtml>. Acesso em: 10 out. 2018.

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CONCEITOS EM FOCO

arte em projetos

MÚSICA

BNCC

HABILIDADES • (EF69AR16) • (EF69AR17) • (EF69AR18) • (EF69AR19) • (EF69AR20) • (EF69AR21)

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Explique que um poema sinfônico é uma obra de caráter musical que tem como base um texto literário. Apresente vídeos desse gênero aos alunos. Propicie a fruição de músicas contemporâneas da América Latina, como Libres en el sonido, presos en el sonido, de Graciela Paraskevaídis (faixa 7 do CD do 9o ano). Apresente também Miniaturas, 2o movimento, de Rogério Vasconcelos (faixa 9 do CD do 9o ano).

PARA AMPLIAR CONCEITOS Destaque o trabalho do músico estadunidense John Cage (1912-1992). Em 1960, durante uma performance no programa Eu tenho um segredo, em uma emissora de seu país, ele provocou risos no público ao descrever os elementos que utilizaria em sua apresentação musical: liquidificador, rádio, banheira, regador, pato de borracha, torradeira, chaleira e balde. Cage pertenceu ao Grupo Fluxus, movimento artístico iniciado na década de 1960 nos EUA. Para os integrantes desse grupo, não havia limites para a criação artística.

Babel musical A partir da segunda metade do século XX, o processo inventivo na composição musical intensifica-se rapidamente. Desde os anos 1940, vemos surgir manifestações de “reinvenção” da música, quando vários compositores passaram a priorizar formas de expressão originais na concepção, na interpretação, na apresentação e na escrita de suas músicas, intenções que impactaram tanto a função do compositor quanto a do intérprete e a do próprio público. Esse movimento ocorreu tanto nos Estados Unidos como em diversos países da Europa, com compositores como John Cage (1912-1992), Karlheinz Stockhausen (1928-2007), Luciano Berio (1925-2003), Mauricio Kagel (1931-2008) e Pierre Boulez (1925-), entre muitos outros. No Brasil, os primeiros compositores que aderiram a essa tendência foram do grupo Música Nova, constituído em 1963 por Gilberto Mendes (1922-2016), Rogério Duprat (1932-2006) e Willy Corrêa de Oliveira (1938-), entre outros.

HERVE GLOAGUEN/GETTY IMAGES

UNIDADE TEMÁTICA • Música

John Cage, em performance com música e dança na França, em 1966.

FABIANA BELTRAMIN/FOLHAPRESS

• Experimentação musical • História da música

Rogério Duprat, membro do grupo Música Nova e um dos idealizadores do Tropicalismo (década de 1960) no Brasil. Foto de 2002.

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+IDEIAS Proponha aos alunos que pesquisem sobre os artistas citados e descrevam a importância deles para a história recente da música. D2-ARTE-EF2-V9-U1-C2-028-053.indd 48

COMENTÁRIO SOBRE AS FAIXAS 7 E 9 DO CD Faixa 7: Libres en el sonido, presos en el sonido. Graciela Paraskevaídis (1940-) é uma compositora latino-americana nascida em Buenos Aires e residente no Uruguai. Comente com os alunos que suas obras são marcadas pela

experimentação sonora e pesquisa de timbres, de estruturas e formas de organização, e que ela escreveu música com recursos eletroacústicos, mas a maioria de suas obras é composta para instrumentos em diferentes formações, como flautas, piano, conjuntos de câmara, quarteto de cordas,

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Atualmente, é possível ouvir (e ver) múltiplas tendências que representam interfaces inusitadas da música com a pesquisa geral, a filosofia, a arquitetura, a matemática, FAIXAS 7e9 o teatro, a representação audiovisual (nas suas diversas plataformas – cinema, TV, internet, celular), religiosidade, sonoridades, tecnologia, cultura, raízes, ecologia, outras artes e suportes etc. Na música, o final do século XX e o início do século XXI representam o tempo de diversidade, pluralidade e surgimento de outras possibilidades de sentir, pensar, interpretar e compor música. As fronteiras entre o erudito e o popular, o novo e o antigo, o profissional e o amador cedem espaço para novas experimentações e maneiras de escutar a música no mundo de hoje. Se as linguagens foram separadas após a queda da torre de Babel, agora elas parecem estar se reaproximando e desenvolvendo formas de diálogo mais atuais.

JACK GAROFALO/PARIS GETTY IMAGES

HIROYUKI ITO/HULTON ARCHIVE/GETTY IMAGES

Montagem para a apresentação da instalação sonora Poema sinfônico para 100 metrônomos, do compositor Gyorgy Ligeti, em Londres, Inglaterra, em 2012.

Pierre Boulez, no concerto Domaine Musical, em Paris, França, em 1962.

Cena de Alarm Will Sound Performing “1969”, em Nova York, EUA, em 2011.

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coral, grupo de percussão, entre outros. Libres en el sonido, presos en el sonido foi composta em 1997 para um quinteto de instrumentos, formado por flauta, clarinete (vários tipos), violino, violoncelo e piano. Como o título indica, essa é uma peça em que há um jogo

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entre momentos de repetições intensas de som ou pequenos fragmentos musicais (estar preso no som) e momentos de melodias mais lentas, suaves e delicadas (estar livre no som). Faixa 9: Miniaturas, 2o movimento, para grupo de câmara. Essa peça de Rogério Vasconcelos (1950-) foi com-

posta em 2014 para um grupo de câmara (poucos instrumentos), constituído por flauta (em sol e piccolo), clarinete, violino, violoncelo e piano; no segundo movimento, os instrumentos que o realizam são apenas flauta, violino e violoncelo. Possuindo cinco movimentos, com duração to11/19/18 6:39 PM

tal de 15 minutos, Miniaturas ilustra uma música experimental contemporânea, na qual a pesquisa em composição e novas tecnologias, a exploração de sonoridades, planos sonoros e texturas, a interpretação interativa e o recurso a meios eletroacústicos ocupam lugar especial. Essa obra representa uma das tendências possíveis, segundo as quais a música de hoje também se manifesta. Escrita por encomenda do Festival de Música Contemporânea de Inhotim (MG), Miniaturas busca dialogar com Pierrot Lunaire, obra composta em 1912 por Schoenberg, que inaugura novos procedimentos na criação musical do século XX.

REGISTROS E AVALIAÇÃO Avalie como os alunos se apropriam de novos termos e conceitos. Essa avaliação pode ser feita por meio de debates, produção de textos ou desenhos feitos no Diário de arte. CONEXÕES • Pierre Boulez. Disponível em: <http://livro.pro/zmvevr>. Acesso em: 13 nov. 2018. • Rogério Duprat. Disponível em: <http://livro.pro/ ihm8uz>. Acesso em: 13 nov. 2018. • Poema sinfónico para 100 metrónomos de Gyögy Ligeti. Disponível em: <http:// livro.pro/hj225v>. Acesso em: 12 nov. 2018. • Site da orquestra Alarm Will Sound. Disponível em: <http://livro.pro/w28j5x>. Acesso em: 13 nov. 2018. • John Cage. Site oficial do artista. Disponível em: <http:// livro.pro/4tfoj9>. Acesso em: 13 nov. 2018.

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CONCEITO EM FOCO • Experimentação musical

BNCC UNIDADE TEMÁTICA • Música HABILIDADES • (EF69AR16) • (EF69AR17) • (EF69AR18) • (EF69AR19) • (EF69AR23)

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Antes de realizar o experimento musical da Oficina, como forma de preparação, grave o som dos alunos conversando ou cantarolando. Depois pergunte: como é a sensação de ouvir a própria voz gravada? Grave em seguida o experimento para que a turma possa avaliar o desempenho coletivo e refletir sobre o que poderia ser melhorado. Com a interpretação do roteiro apresentado, a escuta da gravação e a avaliação dos resultados, podem surgir novas ideias de criação musical. Converse com os alunos sobre as questões propostas na seção Misturando tudo. Outras perguntas que podem ser formuladas: “Como vocês lidam com equipamentos eletrônicos, como celulares, tablets, games e televisão?”; “O que vocês mais usam: celular ou telefone fixo?”; “Será que um dia o telefone fixo vai se tornar obsoleto também?”; “Alguém da turma já escreveu uma carta e a enviou pelo correio? E um telegrama?”.

PARA AMPLIAR CONCEITOS Proponha aos alunos a criação de uma “musicoteca” na escola. O local será como uma biblioteca, mas, em vez de livros, disponibilizará instrumentos e outros objetos sonoros, como discos de vinil, CDs, DVDs, partituras, aparelhos de som etc.

Processo de criação

Percursos e identidade na diversidade Nesta proposta musical, vamos trabalhar somente com as nossas vozes. Para isso, você, os colegas e o professor vão elaborar expressões vocais livres. É a oportunidade de mostrar seu lado compositor e improvisador e criar as suas próprias melodias. Esse “percurso” pode ser interpretado por no mínimo duas pessoas. Todas podem se espalhar pelo local escolhido, em pé, de modo que possam ver uns aos outros. Vamos lá?

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Oficina – Experimento musical Este experimento musical está dividido em cinco fases:

1. Todos iniciam ao mesmo tempo com o som mais agudo que puderem emitir, sem, no entanto, se esforçar demais vocalmente (atenção: para isso é necessário antes aquecer a voz; o professor dará as dicas). Apesar de respirar vez ou outra de maneira independente, cada um deve procurar se manter na mesma nota que iniciou. Nessa fase não há quase nenhuma variação no arranjo das vozes. 2. Após alguns instantes (entre 10 e 20 segundos, por exemplo), cada um começa a realizar um “glissando”, da nota aguda que estava entoando, encaminhando-se para outra nota na região média de sua voz. “Glissando” significa, aqui, “escorregando” da nota mais aguda para uma nota média, sem saltos ou pulos, isto é, descendo de maneira contínua. Esses movimentos são independentes, cada um, de maneira livre, fazendo em seu próprio tempo. Ao chegar nessa nota média, permanecem nela alguns segundos e depois se calam.

3. Durante a pausa de todos, olham-se e respiram juntos por um instante (cerca de uns 5 segundos). Olhando-se novamente, começam todos juntos a interpretar uma melodia livre, improvisada, criada no instante, cada qual à sua maneira. Cada um respira conforme a sua necessidade, retomando, em seguida, sempre de maneira autônoma. Durante essa fase, é interessante modificar a intensidade (mesclar momentos mais fortes e mais fracos), realizar pequenos intervalos de silêncio no meio da melodia criada, aproximar sua nota daquela de um colega, experimentando assim várias possibilidades de interação vocal no conjunto das vozes (jogos vocais). Essa é a fase mais longa e pode durar o tempo que se desejar. Cada pessoa silencia ao terminar a interpretação de sua expressão melódica.

4. Quando todos estiverem já em silêncio, cada participante, a seu tempo, inicia cantando uma nota no registro médio, em glissando descendente, até atingir a nota mais grave que possa. 50

Organize uma campanha, com a participação da comunidade, para a doação de materiais que vão compor o acervo. Esse espaço também servirá como laboratório de música, no qual os alunos poderão ouvir e fazer novos sons. D2-ARTE-EF2-V9-U1-C2-028-053.indd 50

+IDEIAS Apresente a música Caminhos e percursos (faixa 8 do CD do 9o ano), interpretada pela Orquestra Errante. O grupo foi criado por Rogério Costa em 2009 e é constituído por flautas, instrumentos andinos, clarinete, saxofones, trombone, contrabaixo, piano e voz.

Apresente também a música Exercício no 1, de Fábio Freire (faixa 10 do CD do 9o ano). A composição é um rock, criado em um curso de formação desenvolvido por Freire. Todos os sons instrumentais vieram de um programa de computador.

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baixo, piano, voz e instrumentos inventados. Faixa 10: Exercício no 1, atividade lúdico-musical, de Fábio Freire. Esse exercício ilustra atividades de educação musical baseada em recursos tecnológicos. Foi realizado em um dos cursos de formação efetuados por Fábio Freire com jovens de 12 a 16 anos, tendo por tema o rock. Podem ser utilizados com essa finalidade recursos já presentes em computadores portáteis ou tablets, recorrendo-se a programas de edição musical adquiridos ou gratuitos. Nesse exemplo, foi usado o Garageband, e todos os sons instrumentais fazem parte de seu banco de timbres.

5. Ao chegar na nota mais grave possível, todos permanecem nela, respirando e retornando sempre à mesma nota. Em observação e troca de olhares, todos combinam o encerramento da música, juntos, de maneira súbita ou em decrescendo (cantando cada um a sua nota, cada vez mais baixinho) até se silenciarem. Essa última fase pode durar cerca de 10 a 20 segundos. D i á r i o d e a rt e Que tal registrar suas experiências no Diário de arte? Procure relacionar seus estudos com sua vida, com o que está assistindo na televisão, acessando pela internet, lendo em revistas, observando no entorno. Você pode também registrar os caminhos para os quais sua imaginação se dirige, seu mundo interno de arte, sempre relacionando-o aos seus estudos em Arte.

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FAIXA 10

CONEXÕES • So Percussion. Disponível em: <http://livro.pro/iae5uj>. Acesso em: 13 nov. 2018. • WINN, Steven. So Percussion. Alliance Artist Management. Disponível em: <http:// livro.pro/9re8d9>. Acesso em: 13 nov. 2018.

Contemporary Classical Music Ensemble So Percussion Perform News, performance do grupo So Percussion At Abrons Art Center, de percussão com música clássica e contemporânea, em Nova York, EUA, em 2015.

MISTURANDO TUDO 1. O que mais chamou a sua atenção em relação às evoluções tecnológicas nas mídias (fitas K7, vídeos, CDs etc.)? E na evolução da linguagem musical? 2. O que as transformações na música moderna e contemporânea trouxeram de interessante para a atualidade? 3. O que você achou mais interessante no uso da tecnologia nas performances e obras estudadas? Como foi seu processo de criação de videocriatura? 4. Como você vê a nossa relação com as tecnologias no cotidiano e na arte? 5. As invenções do rádio e da televisão mudaram a maneira de as pessoas se comunicarem? E hoje, com a internet e os celulares? 6. A arte também se transformou em função dessas invenções? Qual é a sua relação com as máquinas do seu tempo? 7. E os computadores, tablets e celulares? São inventos que nos libertam ou nos escravizam?

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COMENTÁRIO SOBRE AS FAIXAS 8 E 10 DO CD Faixa 8: Caminhos e percursos, com a Orquestra Errante, direção de Rogério Costa. A Orquestra Errante é um grupo musical criado por Rogério Costa em 2009 que reúne intérpretes de diferentes instrumentos e meios expressivos,

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tendo por proposta explorar possibilidades originais do fazer criativo em conjunto. Representa uma das tendências da música atual. Em linhas gerais, estas são as fases do roteiro, interpretado de forma livre e fluente pelo grupo: todos juntos (tutti); silêncio; todos juntos; silêncio; solo de flauta;

todos juntos; solo de clarinete; todos juntos; duo de voz e flauta, com entrada do piano a seguir; todos juntos; duo de contrabaixo e trombone; todos juntos; final com quarteto de sopros; flauta. O grupo musical é constituído por flautas, instrumentos andinos, clarinete, saxofones, trombone, contra11/6/18 11:19 AM

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CONCEITO EM FOCO • Evolução das mídias

arte pelo tempo

Evolução das mídias e o fazer artístico

HABILIDADES • (EF69AR17) • (EF69AR19) • (EF69AR21) • (EF69AR31)

O fonógrafo, inventado por Thomas Alva Edison em 1877, era capaz de gravar sons usando uma agulha que riscava um cilindro revestido com cera.

Disquete de 8 polegadas (anos 1970-1980), de 5,25 polegadas (anos 1980) e de 3,5 polegadas (anos 1980-1990). Com a evolução tecnológica, os menores (mais modernos) tinham mais capacidade de memória (armazenar conteúdo) que os maiores. Depois foram substituídos pelos CDs (graváveis e regraváveis) e, atualmente, pelos pen drives e cartões de memória.

PARA AMPLIAR CONCEITOS Esclareça aos alunos que a música Moderna é aquela produzida na primeira metade do século XX, compreendendo tendências de caráter experimental, com novas técnicas, expressões e sonoridades. A música tonal (que tinha uma tonalidade específica) vai se transformando tanto em atonal (sem nenhum tom) quanto em politonal (com muitos tons). A obra Prélude à l’après midi d’un faune, de Debussy, é considerada um ponto de partida para a música Moderna. No Brasil, considera-se Villa-Lobos o principal representante do modernismo musical. Explique que a música contemporânea envolve as tendências estéticas adotadas por volta da segunda metade do século XX até os dias de hoje.

HERVE GLOAGUEN/GETTY IMAGES

Trabalhe com os alunos realizando contextualizações e conexões entre diferentes tempos históricos. É importante mostrar as diferenças entre as épocas estudadas e a realidade de hoje.

HOIKA MIKHAIL/SHUTTERSTOCK.COM

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS

Em 1910, é realizada a primeira transmissão pública da voz humana ao vivo pelo rádio. Com as constantes evoluções, a linguagem da música ficou mais próxima das pessoas. Lançados na década de 1970, os aparelhos “três em um”, como o da imagem, permitiam ouvir o conteúdo transmitido pelas rádios, bem como as músicas gravadas em discos de vinil e em fitas cassete.

John Cage, um dos “reinventores” da música que passou a priorizar formas de expressão originais na concepção, interpretação e escrita de suas músicas. Fotografia de 1966.

STEFANO TINTI/SHUTTERSTOCK.COM

DE AGOSTINI EDITORE/KEYSTONE BRASIL

UNIDADES TEMÁTICAS • Artes integradas • Música

LEZH/GETTY IMAGES

BNCC

Criado na década de 1970, o videogame possibilitava jogar jogos disponíveis em um cartucho, usando joystick e um monitor.

PRÉ-HISTÓRIA

IDADE ANTIGA

(c. 2 milhões a.C.-4000 a.C.)

(c. 4000 a.C.-476 d.C.)

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+IDEIAS Os jovens podem criar novas linhas do tempo, com outras referências sobre a evolução das mídias e o fazer artístico. Nessa linha, eles devem marcar suas datas de nascimento (inclusive a de seus familiares), para que todos se sintam inseridos na história.

O videocassete foi um aparelho que permitiu a gravação e a reprodução, em fita, de sons e imagens (1971).

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ACERVO OT DONASC ÁVIO I

A videoarte é uma linguagem que teve início na década de 1960, desenvolvendo-se e permanecendo até nossos dias. Quanto mais melhor foi uma videoarte composta de 1003 monitores de televisão, para os Jogos Olímpicos de Seul, Coreia do Sul. Criação de Nam June Paik, 1988.

JACK VARTOOGIAN/ARCHIVE PHOTOS/GETTY IMAGES

VideoCriaturas 1 e 2, videoperformance com atores e monitores de televisão em vários formatos (polegadas), de Otávio Donasci, década de 1980. Hoje é possível fazer experimentos com videocriaturas usando tablets e smartphones.

Apresentação de So Percussion, grupo de percussão estadunidense conhecido por usar instrumentos exóticos. Nova York, EUA, 2015.

IDADE MÉDIA (476 d.C.-1453 d.C.)

Babel, de Cildo Meireles. Nessa obra, o artista utilizou muitos aparelhos de rádio empilhados. Na base, empilhou os mais antigos e, seguindo a evolução cronológica da tecnologia, finalizou a instalação colocando os aparelhos mais modernos no topo. Fotografia de 2014.

IDADE MODERNA

IDADE CONTEMPORÂNEA

(1453 d.C.-1789 d.C.)

(1789 d.C. à atualidade)

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A linguagem do corpo

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Unidade. Ao final de capítulo, há uma seção – Misturando tudo – em que essas palavras e seus significados podem ser retomados e trabalhados para refletir sobre os conhecimentos prévios e os adquiridos pelos alunos ao final dos estudos.

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Corpo é linguagem. Artistas em suas criações inventam performances, happenings, artes híbridas, parangolés. Na rua ou no palco, o corpo expressa e expressa-se. Às vezes tem pressa no passinho, às vezes caminha lentamente. São as artes do corpo, em cena e movimento. Te

COREOGRAFIA

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CORPO COMO SUPORTE

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GESTO E FORMA

PERCURSOS POÉTICOS, ESTÉTICOS E ARTÍSTICOS Enfatize o fato de que cada imagem conta uma história, carrega um significado a ser descoberto no decorrer desta Unidade. Proponha a leitura das imagens, chame a atenção dos alunos sobre a relevância do corpo em todas elas, leve os alunos a observarem as diversas possibilidades do corpo na arte: dançar individual, dançar junto, criar movimentos e gestos, a expressão corporal e de ideias, esculturas vivas etc. Propomos como exercício inicial a criação de um glossário com os termos que aparecem na abertura, relacionados às imagens. Os alunos podem pesquisar sobre esses termos e consultá-los sempre que for interessante para os estudos e as discussões. Outras palavras podem ser descobertas no percurso dos estudos dos capítulos que compõem esta

ID

KATOOSHA/SHUTTERSTOCK.COM

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Apresente as imagens e palavras que abrem a Unidade; elas formam uma proposta para criar roteiros e focos de estudos. Nesta Unidade, as linguagens da dança, da performance, do happening, da intervenção artística aparecem com maior ênfase, embora outras também permeiem as propostas de estudos. O levantamento de hipóteses sobre as imagens e as palavras apresentadas na abertura de Unidade podem ampliar repertórios e ajudar você a realizar uma avaliação diagnóstica sobre os conhecimentos prévios dos alunos. Crie pautas para momentos de conversação e reflexão com os alunos, como: • Já viram alguma dessas imagens antes? • Vamos descobrir o que elas representam e quem as produziu? • Qual é o significado das palavras desta abertura?

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ART ES VISUAIS

CONTEXTUALIZAÇÃO

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EXPRESSÃO CORPORAL

NO DIGITAL • Veja o plano de desenvolvimento para a Unidade 2. • Desenvolva o projeto integrador sobre a importância dos nossos gestos e movimentos corporais, com base na criação e experimentação artística. • Explore as sequências didáticas propostas para o segundo bimestre. • Acesse a proposta de acompanhamento da aprendizagem.

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ANDREW H. WALKER / GETTY IMAGES

LHAPRESS RGAMO/FO

MARITMO.ADRIANA CALCANHOTTO. GRAVADORA: SONY MUSIC.1997

MARLENE BE

HAPPENING

PERFORMANCE

JAIME ACIOLI

INTERVENÇÃO

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PARANGOLÉ

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ARTE E MOVIMENTO

Arte e você em: • Capítulo 1 – Performance FLAVIO FLORIDO

DANÇA E EXPRESSÃO

• Capítulo 2 – Dança

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SITUAÇÕES DE APRENDIZAGEM Para cada seção do livro, são propostas situações de aprendizagem, que são oportunidades para exercícios de fruição e estesia, como nos momentos de nutrição estética, em que o foco está no eixo “ler”. Apresentamos

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nesta Unidade imagens que mostram obras e produções artísticas que registram ações com o corpo; as imagens são trabalhadas ao longo dos capítulos, em especial nas seções do Venha! e Mais de perto. A construção de reflexões e análises críticas com foco no eixo “contextualização”, por

meio de estudos das linguagens artísticas (em abordagens históricas, relações com a vida cotidiana do aluno e investigação de intenções poéticas e artísticas de produtores de Arte), apresenta maior ênfase no estudo dos temas, resolução dos exercícios e ampliação pelas propostas de pesquisa e 11/19/18 7:20 PM

dicas para acessar a arte (em livros, sites de artistas etc.). A ação criadora está proposta nas indicações de registros no Diário de arte e na seção Arte em Projetos. A proposta nessa seção tem como ênfase o eixo “fazer” na pesquisa e experimentação de várias materialidades, procedimentos artísticos e processos de criação e desenvolvimento de poéticas pessoais e autonomia dos alunos. Buscamos oferecer caminhos metodológicos organizados, mas com abertura para a autonomia e a autoria do professor diante de sua formação e intenção pedagógica. Como a proposta não é enfatizar a polivalência, o professor pode criar percursos com base no uso do livro, com foco em sua formação; no entanto, procurando garantir aos alunos o estudo e acesso a todas as linguagens pela mediação cultural. Recomendamos o planejamento prévio das ações educativas a serem desenvolvidas sobre os combinados pedagógicos com os alunos e as providências de ordem técnica e didática a serem tomadas a cada sequência didática. Também chamamos a atenção para os registros feitos tanto pelos alunos como pelo professor nos Diários de arte. Lembramos que as conexões que aparecem nesta abertura são apenas algumas das muitas linhas que interligam linguagens e produções artísticas. Inúmeras outras linhas cruzam, entrelaçam e fazem dos territórios da arte um grande tecido cultural.

COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE ARTE Nesta Unidade, serão mobilizadas as competências: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9.

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CONCEITOS EM FOCO • • • • • • •

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Materialidades O corpo como suporte na arte Performance Expressão corporal Gestualidade Parangolé Movimento neoconcreto

BNCC UNIDADES TEMÁTICAS • Artes visuais • Artes integradas HABILIDADES • (EF69AR01) • • (EF69AR02) • • (EF69AR03) • • (EF69AR04) • • (EF69AR05)

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Performance

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Trajetórias para a arte • Combinando linguagens artísticas • Tema 1 – Performance: conceito e ação artística

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS

• Arte em Projetos – Artes integradas

A imagem de abertura do capítulo pode se constituir em nutrição estética e proposta de reflexão sobre os conteúdos que serão apresentados na sequência. Combine com os alunos e peça que observem seus corpos. Como ele está neste momento? Como é a sua postura, seu jeito de andar, de se portar em situações diferenciadas? Estimule-os a olharem para seu próprio corpo como se estivessem fora dele. Dessa forma, eles perceberão o corpo como algo vivo, que pode transmitir sentimentos, indicar ações e transformar-se em parte de uma produção artística. Siga conservando sobre as materialidades que podem ser usadas para fazer arte; sugerimos a pauta: • Com quais materialidades se pode fazer obras de arte? • E o corpo? Serve também para fazer parte de uma obra? • Como o corpo se transformar em arte? Nos parangolés propostos por Oiticica, vemos o corpo fazendo parte da obra de arte. Converse com os alunos sobre como é possível ser parte da obra, sobre a existência de obras em que, a convite do ar-

• Arte em Projetos – Artes integradas

CORTESIA DO PROJETO OITICIA, RIO DE JANEIRO / SERGIO ZALIS

• Tema 2 – Happening: cena e interação

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tista, o espectador torna-se parte fundamental da proposta. Neste capítulo, vamos pesquisar e observar o corpo como linguagem, como arte do movimento. Parangolé, happening, performance, intervenção, corpo, suporte, dança, coreografia, moviD2-ARTE-EF2-V9-U2-C1-054-075.indd 56

mento, forma são temas para os alunos mergulharem em estudos, sempre buscando novas descobertas. Aproveite o momento inicial para estimulá-los com perguntas; sugerimos a pauta: • Vocês sabem o que é parangolé? Já ouviram falar em

performance ou happening? • O que é coreografia? Em uma apresentação de dança, vocês conseguem perceber a coreografia? Vocês já viram ou participaram de alguma? O corpo só faz parte da obra quando dança?

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PARA AMPLIAR CONCEITOS A ideia de proposição na arte surge no Brasil com o movimento Neoconcreto, entre as décadas de 1950 e 1960. A arte passa a ser a criação de um espaço para discursos poéticos que possam ser lidos pelos olhos e vivenciados pelo corpo. Os artistas desejavam que o público tivesse uma atitude mais ativa diante das obras. São obras que propõem percursos poéticos, convidando as pessoas a vivenciá-las, para além da apreciação. O público não é visto como mero espectador. O artista carioca Hélio Oiticica (1937-1980) e a artista mineira Lygia Clark (19201988) foram personalidades importantes para a divulgação da ideia da arte propositora no lugar da arte contemplativa. Eles defendiam que o público tivesse uma atitude ativa em relação à arte, ou seja, que fizesse parte do processo de criação ou interação com a obra. Os artistas que apresentam esse tipo de proposta em suas exposições ou espetáculos são conhecidos como artistas propositores. CONEXÕES • SALOMÃO, Waly. Hélio Oiticica: qual é o parangolé? E outros escritos. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

Parangolé P4, Capa 1 (1964), de Hélio Oiticica. Plástico e tecido, 150 cm × 110 cm × 20 cm. Os parangolés são objetos propositores por meio dos quais o público participa da obra.

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+IDEIAS A fruição pela imagem que abre este capítulo pode motivar os alunos a realizarem experimentações artísticas. Que tal colocar uma música para os alunos dançarem inspirados na imagem? Forme um círculo, os alunos estarão imóveis, e, então, um deles começará,

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ao sinal da música, a dançar à frente ou no meio da roda. Ao final da dança, ele voltará ao seu lugar e tocará a mão ou o braço de um colega, transferindo a dança para este. Depois que todos dançarem, todos vão ao centro e repetem os movimentos juntos. Observe as movimentações feitas, as

alturas e os tipos de movimentos. Relembre-os a todo momento sobre as imagens que os inspiraram. Depois, converse com eles sobre os movimentos e as imagens. Tecidos ou papéis coloridos podem estar à disposição dos alunos se quiserem usar essas materialidades para se expressarem. 11/19/18 7:20 PM

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CONCEITOS EM FOCO • • • • • •

Materialidades O corpo como suporte na arte Performance Expressão corporal Gestualidade Parangolé

venha intervir! Observe a imagem a seguir. THOMAS FESSEL

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PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Converse com os alunos sobre as obras públicas, como as performances que podem acontecer nas ruas. Mostre a imagem da página 58, a performance Cegos, realizada pelo grupo Desvio Coletivo, na cidade de Aracaju, Sergipe, no ano de 2014. Comente que performances são ações artísticas e poéticas criadas com a integração de várias linguagens, mas que têm por princípio a expressão do corpo na arte. A proposta dos artistas do Desvio Coletivo pode também ser considerada uma intervenção artística, mudando a forma das pessoas observarem, sentirem a cidade e refletirem sobre questões do cotidiano, como o consumo. O que os alunos sabem sobre performance e intervenções artísticas? Oriente os alunos a fazer registros sobre suas primeiras impressões, dúvidas e hipóteses de interpretações sobre a performance Cegos, realizada pelo grupo Desvio Coletivo, no Diário de arte. Volte a conversar sobre a obra de Hélio Oiticica (19371980), Parangolé. Comente que essa produção é fruto das experiências que o artista fez

Performance Cegos, do grupo Desvio Coletivo, realizada em Aracaju (SE), em 2014.

Quem são esses que de argila se colorem, vendados seres portando sacolas? Não é algo que as pessoas na rua ignorem. O que podemos pensar nós nas escolas ao ver os performers que se movem nessa forma de arte provocadora? Os performers querem nos dizer alguma coisa? Seria uma intervenção urbana? Um convite a pensar: quem acha que vê tudo talvez se engane? Venha saber dessa arte que pode acontecer em qualquer parte! 58

relacionando arte e vida. Hélio Oiticica convidou membros da comunidade da Escola de Samba Estação Primeira da Mangueira para vestir os parangolés, criados no fim da década de 1960, e dançar. Considerado por Hélio Oiticica a “totalidade-obra”, é a D2-ARTE-EF2-V9-U2-C1-054-075.indd 58

síntese de toda a experiência que realiza com a cor e o espaço. Nessas obras, elaboradas com camadas de panos coloridos, que se põem em ação na dança, fundamental para a verdadeira realização da produção: só pelo movimento é que suas estruturas se reve-

lam. Essa produção mistura processos de criação das artes visuais com a dança, criando uma performance. Uma arte propositora, participativa, politicamente engajada, em que não importa mais o objeto artístico criado puramente, pois o que está em jogo

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+IDEIAS Os alunos podem se reunir em pequenos grupos para conversar; sugerimos a pauta para olhar: • Um grupo de cegos executivos andando pelas ruas das cidades, como percebem os elementos da cidade ao redor? Para que lugar vão essas pessoas? • O que carregam em suas mãos e para onde levam? • Os performers querem nos dizer alguma coisa? O quê? Esclareça que esses artistas se vestem como esculturas vivas. Um tipo de ação artística em que atores se vestem como se fossem estátuas. Na performance que estão apreciando, os atores estão cobertos de argila e andam pelas ruas da cidade de Aracaju com olhos vendados, cegos com trajes sociais, casacos, ternos e tailleurs... Uma crítica ao modo de vida nas grandes cidades e ao excesso de trabalho? Aproveite este momento para abordar o tema transversal “trabalho e consumo” e os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

venha misturar!

COSRTESIA DO PROJETO OITICICA, RIO DE JANEIRO. /ANDREAS VALENTIN

Observe a imagem abaixo.

Parangolé, P4, Capa 1 (1964), com Nildo Mangueira, de Hélio Oiticica. Plástico e tecido, 150 cm × 110 cm × 20 cm. Os Parangolés são objetos propositores por meio dos quais o público participa da obra.

Que roupa é essa? Uma escultura de vestir? Um jogo com movimento e cor? De quem? Nos tecidos as cores movimentam-se, vão para lá, para cá, no ritmo que o corpo mandar. Talvez tenha samba ou outro tipo de música animada para fazer qualquer um brincar. Com certeza tem poema e um convite a fazer a você... Venha dançar! Venha misturar cores! Venha ver o Parangolé! 59

é também a participação das pessoas. O espectador é deslocado para o processo artístico e poético junto com o artista.

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CONEXÕES • COHEN, Renato. Performance como linguagem. São Paulo: Perspectiva, 2009. • FAVARETO, Celso. A invenção de Hélio Oiticica. São Paulo: Edusp, 1992. 11/19/18 7:20 PM

PARA AMPLIAR CONCEITOS Intervenção urbana é o termo utilizado para designar os movimentos artísticos relacionados às intervenções visuais realizadas em espaços públicos. No início, um movimento underground que foi ganhando forma com o decorrer dos tempos e se estruturando. Mais do que marcos espaciais, a intervenção urbana estabelece marcas de corte. Particulariza lugares e, por decupagem, recria paisagens. Existem intervenções urbanas de vários portes, indo desde pequenas inserções através de adesivos (stickers) até grandes instalações artísticas ou ações performáticas.

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CONCEITOS EM FOCO

Combinando linguagens artísticas

Materialidade O corpo nas artes visuais Processo de criação Artes que se integram Performance Expressão corporal Gestualidade Movimento Fluxus

Observe as imagens a seguir.

© DENNIS OPPENHEIM/COURTESY DENNIS OPPENHEIM ESTATE

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BNCC UNIDADES TEMÁTICAS • Artes integradas • Artes visuais HABILIDADES • (EF69AR03) • (EF69AR32) • (EF69AR05) • (EF69AR33) • (EF69AR31)

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Leia e discuta o texto do livro com os alunos. Comente que a performance é um tipo de arte que mistura várias linguagens, como já falamos antes. Esclareça que o Fluxus foi um movimento artístico iniciado na década de 1960, caracterizado pela concepção de arte como um acontecimento coletivo. Essa arte podia ser feita com materialidades diversas e em locais públicos ou privados, com o objetivo de questionar o mercado e o papel das galerias, dos museus e das casas de espetáculos que apresentavam as produções artísticas de modo tradicional. Para os integrantes do Fluxus, não havia limites para a criação do artista. Comente com os alunos que, no Brasil, alguns artistas, como Flávio de Carvalho, se engajaram em movimentos artísticos modernistas e de vanguarda. Esse artista fez muitas pesquisas sobre o figurino, dedicou-se a estudar trajes de várias épocas e civilizações e, pensando nos homens dos trópicos, criou a função de cada peça do traje, ponderando sobre a anatomia masculina e o conforto e praticidade do traje. Leve os alunos a pensarem sobre isso ao observarem novamente o registro desta performance na página 61. Questione os alunos sobre:

Desenho por decalque em duas etapas (1971), de Dennis Oppenheim.

Artistas criando em dupla, transferindo as suas artes. O filho desenha nas costas do pai, que desenha na parede. Depois, há a troca, a transferência de ações e sensações para a parede. O nome dessa performance é Desenho por decalque em duas etapas (1971), criada pelo artista estadunidense Denis Oppenheim (1938-2011). Dessa ação foram feitos um vídeo e várias fotografias. Como toda performance, é uma arte efêmera, que acontece em dado momento. Na década de 1960, surgiu uma nova forma de criação na arte, a performance art ou performance – termos do inglês que se traduzem por arte de desempenho, atuação, mas na arte têm significado ampliado. A performance é uma linguagem que pode combinar diferentes formas de arte, como teatro, música, artes visuais, poesia, vídeo, dança, entre outras possibilidades. É uma proposta considerada de vanguarda, germinada pelo grupo Fluxus naquela década. Os artistas desse grupo resolveram criar em várias linguagens para unir interesses artísticos. Para compreender melhor como funcionava o Fluxus, imagine a sua turma encontrando-se para fazer arte. O pessoal do Fluxus valorizava a criação coletiva; estava sempre conversando e inventando novas linguagens.

AMPLIANDO A palavra fluxus é do latim e significa escoamento, transbordamento, o que caracterizava bem o grupo formado por artistas de vários lugares do mundo, como Alemanha, Japão e Estados Unidos. O termo vanguarda vem da palavra francesa avant-garde e significa, literalmente, estar na linha de frente de combate. Nas artes, esse termo é usado para denominar os movimentos estéticos e artísticos que lideram mudanças culturais.

1. Após apreciar as imagens e ler o texto desta página, o que você pensa sobre a performance? Já havia estudado antes sobre essa linguagem artística? Vamos conversar sobre arte contemporânea? Relate suas experiências nesse tipo de estudo.

2. Volte às seções Venha intervir! e Venha misturar! (páginas 58 e 59). Você já estudou a linguagem artística performance? Respostas pessoais.

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desta roupa? Será que ela é confortável? Agradável? • Será que a sociedade estranharia a mudança das vestimentas? Há uma convenção cultural sobre isso? • Como os alunos percebem as relações entre arte e sociedade?

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Performance: conceito e ação artística

Observe a imagem ao lado. ACERVO UH/FOLHAPRESS A linguagem da performance tem por fundamento a ação artística, que pode comunicar, instigar, provocar reflexões, criticar, poetizar. As ações ocorrem em lugares específicos, como museu ou teatro, e também em locais públicos. No Brasil, o cenário artístico das décadas de 1950 e 1960 mostra, por meio da arte contemporânea, que cada vez mais as obras de arte se articularam em diferentes linguagens artísticas, como teatro, dança, artes visuais, música, escultura, literatura, entre outras. Os recursos audiovisuais também fizeram parte da mistura. Essa proposição estética chegou a Flávio de Carvalho veste o New Look em sua performance pelas ruas do centro de São Paulo desafiar as classificações tradicionais da arte. (SP), em 1956. O artista modernista, arquiteto, escritor e músico Flávio de Carvalho (1899-1973) foi um dos pioneiros das performances no Brasil, a partir dos anos 1950. Esse fluminense de Barra Mansa escrevia a coluna “A moda e o novo homem”, no jornal Diário de São Paulo, e dedicava-se ao estudo de trajes de várias épocas, inclusive a coleção de roupas femininas do francês Christian Dior chamada New Look. De olho no homem dos trópicos, criou em 1956 cada peça de seu traje pensando em sua função, ponderando sobre a anatomia masculina, o conforto e a praticidade. Chamou-o de Experiência no 3 e também de New Look, nome que se firmou. O traje compunha-se de uma blusa folgada de mangas curtas coberta por um tecido de nylon branco transparente, saiote branco pregueado, sandálias de couro cru, meias de bailarina ou arrastão e uma touca de cabeça também transparente. Flávio de Carvalho passeou com o New Look pelas ruas de São Paulo, chamando a multidão que o via para acompanhá-lo. O traje e a performance de certa forma provocaram uma reflexão sobre as convenções sociais vigentes na época. D i á r i o d e a rt e Veja na fotografia como eram os trajes de trabalho e passeio característicos da década de 1950. Como as pessoas teriam reagido à provocação de Flávio de Carvalho? Se ocorresse hoje, ela ainda mexeria com as pessoas e geraria reflexões sobre o que vestimos? Por quê? Registre ideias e reflexões em seu Diário de arte.

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+IDEIAS Que tal os alunos pesquisarem mais sobre figurinos e roupas? Atualmente, no mercado da moda, há uma variedade de estilistas para o mercado masculino, que criam roupas que muitas vezes não chegam ao público final. Elas

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vão sofrendo adaptações de acordo com a região, clima, cultura etc. Existem ainda estilistas locais que criam peças de roupas para sua região, sem se importar com a moda globalizada, mas pensando na utilidade das peças para o seu meio.

Muitos elementos do mundo da moda podem ser propostos aqui para pesquisas. Estimule uma pesquisa através de recorte de imagens e reprodução de modelos de roupas que gostariam de usar. Os resultados podem ser expostos na sala de aula. 11/19/18 7:20 PM

PARA AMPLIAR CONCEITOS A performance é uma linguagem híbrida. As propostas para criar performances podem ser as mais variadas diante da intenção artística e poética do artista ou grupo de artistas que pode ter diferentes finalidades, como: entreter, fazer alguma ação crítica, poética, estética, ou abordar questões sobre identidade, diversidade, história, cultura, sociedade, entre outras. Geralmente, os artistas querem provocar reações e reflexões no público, para retirá-los do senso comum e levá-los a pensar sobre a vida e as coisas de modo mais profundo e estésico. Na arte da performance, temos os elementos: artista, proposta e ação; público, lugar e tempo. Pode ser considerada uma arte efêmera. Por isso, é comum que sejam feitos registros com fotografias e filmagens. Como se trata de uma arte múltipla em seus processos e linguagens, classificá-la, categorizá-la ou minimizar sua explicação não é pertinente; o melhor é analisar cada produção artística e seu contexto. REGISTROS E AVALIAÇÃO Os registros dessa aula são pontuais para perceber o entendimento da performance e de como ela pode modificar a forma de se entender e fazer arte. Comente com os alunos que as anotações deles no Diário de arte são fundamentais para seu aprendizado. A expectativa é que os alunos se expressem, formulem hipóteses e registrem a aquisição de conhecimento nutrido pelos exemplos de produções artísticas e textos. CONEXÕES • FLUXUS Enciclopédia Itaú Cultural. Disponível em: <http://livro.pro/9vx6qa>. Acesso em: 12 nov. 2018.

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CONCEITOS EM FOCO

Arte conceitual Observe as imagens a seguir. JAIME ACIOLI

• Apropriação, ressignificação e intervenções em imagens • Arte conceitual • Arte contemporânea • Renascimento

BNCC UNIDADE TEMÁTICA • Artes visuais HABILIDADES • (EF69AR01) • (EF69AR05) • (EF69AR02) • (EF69AR07) • (EF69AR03) • (EF69AR08) • (EF69AR04)

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Peça aos alunos que pesquisem sobre pintura Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, de 1503-1506. Essas descobertas são importantes para serem relacionadas com as intervenções de Nelson Leirner na reprodução da famosa pintura renascentista. Convide os alunos a observarem a imagem da obra de Nelson Leirner, Quadro a quadro – Cem Monas, e a pensarem sobre: • Que outras interferências poderiam ser feitas sobre esta imagem da Mona Lisa? • Vocês já ouviram falar sobre processos de criação com apropriação, ressignificação e intervenções em imagens? Permita que eles exponham suas hipóteses. Anote na lousa as respostas para estabelecer uma relação entre as mudanças sugeridas e o entendimento de conceito. Após a leitura dos textos e discussões, discorra sobre arte conceitual. Uma arte que parte da ideia como argumento central da obra.

+IDEIAS Lembramos que as imagens da obra Quadro a quadro – Cem Monas, de Nelson Leirner, estão no capítulo como forma de nutrição estética. Mostram como o artista pode se apropriar de uma imagem criada por

Algumas das criações para a exposição Quadro a quadro: cem Monas (2012), de Nelson Leirner. Técnica mista, 30 cm × 40 cm × 10 cm (cada quadro).

Você sabe o que é arte conceitual? A palavra “conceitual” vem do termo conceito, que é a compreensão (mental ou verbal) que se tem de palavras, noções e ideias. A arte conceitual criada pelos artistas desde o início do século XX mostra maneiras de pensar sobre a vida, as pessoas, a natureza e tudo o que há por aqui, uma vez que a criação artística é infinita. Desse modo, a arte conceitual pode ser também compreendida como a arte da mente, das ideias, sem a obrigatoriedade de ter apenas uma interpretação, pois são muitas as maneiras de pensar e criar. Nelson Leirner (1932-) é um artista conceitual. Ele cria com os materiais mais inusitados do cotidiano, monta instalações e apropria-se de imagens de outros artistas, fazendo nelas interferências com colagens e adesivos. 1. Olhando as imagens da série Quadro a quadro: cem Monas, de Nelson Leirner, que ideias lhe vêm à mente? 2. O que você compreende por arte conceitual? Converse com seus colegas e seu professor e escreva hipóteses a respeito das propostas de arte conceitual apresentadas aqui e de outras que você venha a pesquisar e analisar. 3. Você já tentou modificar imagens para lhes dar um novo significado? Que tal fazer experiências como essa do artista Nelson Leirner? Respostas pessoais.

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outro e realizar sua criação, ressignificando e fazendo intervenções. Não se trata de fazer releituras, tendo a imagem matriz como base para cópias; a ideia é de apropriação e intervenção sobre uma imagem matriz. D2-ARTE-EF2-V9-U2-C1-054-075.indd 62

Se possível, apresente releituras que Picasso fez de Velásquez, Andy Warhol de Da Vinci, Fernando Botero de Velásquez e de Da Vinci, entre outras, para que os alunos percebam as diferenças.

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A obra de Leonardo

AMPLIANDO O Renascimento, movimento artístico que ocorreu do século XIV ao XVI, é considerado um período de grandes descobertas em muitas áreas do conhecimento. A arte ganhou inovações técnicas, mas buscava a grandeza das produções artísticas da Antiguidade clássica, principalmente a arte da Grécia e de Roma.

FOTOS: MUSEU DO LOUVRE, PARIS

O artista Leonardo da Vinci (1452-1519), nascido em Vinci, República de Florença (na atual Itália), dizia que podemos pintar uma tela com um conhecimento máximo de técnicas, porém de nada adiantará se essa imagem não provocar algum pensamento em quem a aprecia. O que será que esse artista do Renascimento diria sobre a interferência que o artista paulista Nelson Leirner (1932-) fez sobre a sua obra Mona Lisa (1503-1506)? Nunca saberemos a resposta, mas Leonardo, que sempre foi um artista à frente do seu tempo, provavelmente estaria criando arte conceitual se estivesse vivo.

(1914-1918). O pintor, escultor e poeta francês Marcel Duchamp (1887-1968), como outros artistas atuantes nessa época, começou a utilizar objetos “prontos”, retirados do cotidiano, para lhes dar novos significados e sentidos, determinando-lhes um caráter estético e poético, transformando-os em arte conceitual, os denominados ready-mades. Esclareça para os alunos que o termo ready-made é uma expressão inglesa que significa objeto pronto. Marcel Duchamp em vez de criar um novo objeto, como uma escultura ou uma tela pintada, se apropriava de objetos do cotidiano, produzidos pela indústria em série, modificando-os, ressignificando sentidos e atribuindo funções estéticas a esses objetos.

REGISTROS E AVALIAÇÃO As criações dos alunos podem ser de grande valia para o entendimento da ideia de arte conceitual. Proponha que criem experiências como escolher um objeto do cotidiano (bolsa, óculos, caneta...). Oriente-os a atribuir um sentido estético poético, criando um ready-made; isso pode ser feito colocando o objeto sobre uma mesa e atribuindo-lhe um nome (título), como: óculos, podem na ideia de apropriação, ressignificação e criação poética, ter o título: “uma janela para ver”. Os alunos podem registrar suas ideias e o que pensam sobre esse tipo de produção no Diário de arte.

Mona Lisa (1503-1506), de Leonardo da Vinci, também chamada de La Gioconda (a sorridente), por causa do nítido sorriso nos lábios e nos olhos. Óleo sobre madeira de álamo, 77 cm × 53 cm.

1. O que você sabe da arte do Renascimento? Já estudou sobre essa época e as ideias que surgiram na ciência, na sociedade e na arte? Peça orientação aos professores de Arte e História e pesquise mais a esse respeito. Em sua pesquisa: • O que mudou na mentalidade das pessoas na época do Renascimento? Por que esse período da história tem esse nome? • Que artistas se destacaram? • Que ideias de Leonardo da Vinci foram inovadoras na época? 2. Esse artista também foi um grande inventor. Pesquise e cite uma de suas invenções utilizada até os dias de hoje.

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PARA AMPLIAR CONCEITOS A arte conceitual pode ser compreendida como arte da ideia. Seu princípio básico é que as ideias ou conceitos constituem a poética da obra. É uma manifestação artística que prima por uma arte mental, fortemente ligada ao discur-

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so do artista e à interpretação de quem a aprecia. Trata-se de uma arte de intensidade intelectual, divergindo da narrativa ou da forma como o mundo estava acostumado a ver arte antes do início do século XX. Converse com os alunos sobre o fato de que toda revolução sempre apresenta muitos

personagens. Nas transformações provocadas pela arte dadaísta não foi diferente. Artistas questionavam os moldes de arte que tinham influência da concepção de belo clássico e de técnicas tradicionais. Buscavam um novo sentido para arte em meio às turbulências da Primeira Guerra Mundial 11/19/18 7:20 PM

CONEXÕES • AGUIAR, Carol. Arte conceitual e multimeios. In: PECCININI, Daisy (Coord.). Arte do século XX/XXI. São Paulo, MAC, s.d. Disponível em: <http://livro.pro/h2sx8a>. Acesso em: 13 nov. 2018.

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CONCEITOS EM FOCO O corpo como suporte na arte Performance e happening Expressão corporal Gestualidade

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PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Para sensibilizar, que tal colocar uma música diferente para os alunos ouvirem? Oriente-os a imaginar que estão à frente de uma orquestra e se movimentam criando uma performance. Eles podem pensar em uma história para contar com movimentos dançados e gestos, mas de uma forma diferenciada, de preferência, que eles não tenham experimentado antes. Como nutrição estética, apresente vídeos com performances, como a obra Einstein na praia (1976), do músico e compositor Philip Glass e dos dançarinos e coreógrafos Lucinda Childs e Robert Wilson, que foi um marco das performances em forma de espetáculo. Converse com os alunos sobre as diversas formas de arte presentes na performance. As linguagens se apresentam de forma integrada, por exemplo, a música foi composta por Philip Glass, a visualidade do espetáculo foi criada por outro artista, os atores se expressam em gestos e movimentos, há músicos em cena, cada linguagem tem sua importância e expressividade, são partes que formam o todo.

Performance e happening Às vezes, como linguagens conceituais, a performance e o happening podem ser bem parecidos. Contudo, existem algumas diferenças. A performance geralmente segue um roteiro criado pelo artista, o que possibilita várias apresentações em diferentes lugares. Não é obrigatória a presença de público para a sua realização, uma vez que, dependendo da concepção, pode-se fazer uma performance para registrá-la em vídeo ou fotografia e, posteriormente, apresentá-la ao público. O happening, por sua vez, para se concretizar, precisa da participação do público, além de carregar elementos teatrais. Essa linguagem faz necessariamente uma intervenção e chama o espectador a participar, a experimentar o fazer artístico, a construir uma experiência artística e estética em diferentes linguagens artísticas.

CLIQUE ARTE

Einstein na praia (Einstein on the Beach). Matéria portuguesa sobre o espetáculo que expandiu o campo da performance nos Estados Unidos da América (a praia é uma referência a esse país). Disponível em: <http:// livro.pro/rwv8ca>. Acesso em: 29 out. 2018.

LAWRENCE K. HO/LOS ANGELES TIMES/GETTY IMAGES

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Ensaio de Einstein na praia (1976), do músico e compositor Philip Glass e dos dançarinos e coreógrafos Lucinda Childs e Robert Wilson, um marco das performances em forma de espetáculo.

Na performance aparece a ideia da interdisciplinaridade, da integração entre linguagens artísticas como caminho para uma arte. Podemos ter nela várias linguagens juntas que são articuladas pelo artista ou grupo, criando uma proposta estética e poética. Pesquise sobre as linguagens artísticas presentes na performance e como elas atuam.

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+IDEIAS Pesquise e traga mais exemplos com imagens ou vídeos que apresentem cenas de performance e happening. Sobre as questões que estão na página 65, convide os alunos a observarem a imagem de Marina Abramovic, no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), D2-ARTE-EF2-V9-U2-C1-054-075.indd 64

em 2010, na performance A artista está presente. Nessa proposta de arte, houve uma troca direta entre artista e público participante, um momento único para artista e espectadores. As expectativas em relação as respostas são de que os alunos se expressem de modo pessoal e singular; no entanto, o professor

pode potencializar a conversa com as sugestões a seguir: 1. e 2. Proponha aos alunos que imaginem a cena. Uma experiência pode ser feita em sala de aula entre os alunos; peça a eles que formem duplas e se olhem por alguns instantes. Conversas podem surgir com base nessa experiência

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mundo conectado

Observe a imagem ao lado com atenção. A experiência estética ocorre quando temos contato com algo que nos toca o sentimento e causa alguma reflexão. Pode ser uma obra de arte, mas também o sabor de uma comida, um perfume ou uma paisagem. Marina Abramovic (1946-) é uma artista da Sérvia que se dedica a performances – um tipo de intermídia – e suas múltiplas possibilidades. A imagem ao lado mostra um detalhe da performance A artista está presente (2010), que trabalha as relações Cena da performance A artista está presente, de Marina Abramovic, no Museu de Arte Moderna entre o performer e o público, explorando de Nova York (MoMA), em 2010. os limites do corpo e da mente humana, em momentos que podem revirar os sentimentos e as percepções da vida. As duas pessoas – a artista e alguém do público – compartilham minutos AMPLIANDO de silêncio e contemplação, apenas se olhando.

1. Você consegue imaginar-se nessa situação de olhar para a artista durante um minuto? 2. Como você se comportaria? Como se sentiria nessa situação?

3. Será que, ao olharmos para a arte, ela também olha para nós?

4. Em sua opinião, qual é o sentido desse tipo de arte? Respostas pessoais. D i á r i o d e a rt e

ANDREW H. WALKER / GETTY IMAGES

Experiência estética

Intermídia é um termo usado desde o início dos movimentos de arte do começo do século XX em referência a artistas e produções que usam duas ou mais linguagens. Atualmente, o termo é usado para falar de produções que, além de várias linguagens, utilizam recursos diversificados, suportes e meios de comunicação, inclusive tecnológicos.

PARA AMPLIAR CONCEITOS Proponha um debate com a turma a respeito do que é arte e do que é criar arte, tendo como base as ideias de Alfredo Bosi. No seu livro Reflexões sobre a arte (São Paulo: Ática, 1989), Alfredo Bosi (1936-) diz que criar arte é transformar materiais dados pela natureza ou cultura por meio da poiesis, palavra de origem grega que significa fazer de determinado modo alguma coisa, de um jeito particular, um modo singular de criar. REGISTROS E AVALIAÇÃO Converse com os alunos sobre suas experiências com a arte. Valorize seus relatos e histórias. Suas respostas e relações com a arte são importantes para seu crescimento pessoal. CONEXÕES • CARLSON, Marvin. Uma introdução crítica. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2009. • COHEN, Renato. Performance como linguagem: criação de um tempo-espaço de experimentação. São Paulo: Perspectiva, 1989. • GLUSBERG, Jorge. A arte da performance. 2. ed. São Paulo: Perspectiva, 2017.

Relate uma experiência estética que você tenha vivenciado, ao entrar em contato com obras de arte, e escreva o que sentiu. Ela pode ter acontecido em diversas situações: ao ouvir uma música ou uma história, ao apreciar uma imagem, ao assistir a um filme, a um espetáculo de teatro, de dança, a uma performance ou a outras linguagens da arte. Essa experiência fez você se lembrar de algo ou pensar em alguma coisa?

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e em comparação à proposta da artista Marina Abramovic. 3. Nessa proposta, artista e públicos estão envolvidos na ação poética. 4. Esclareça aos alunos que performance e happening

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são duas linguagens bem próximas. No entanto, a performance não precisa ter necessariamente a participação do público (embora também possa) e geralmente é mais programada em relação aos acontecimen-

tos. Já o happening propõe, e é pertinente a participação do público; trata-se de um convite ao público de viver a experiência poética e estética junto com o artista. No happening há também elementos teatrais. 11/19/18 7:20 PM

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CONCEITOS EM FOCO O corpo como suporte na arte Materialidade Performance Expressão corporal Gestualidade

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MAIS DE PERTO

Intervenções e performances Intervir no espaço urbano, trazendo o novo de forma inesperada, faz que os ocupantes desse espaço construam novos olhares e novas leituras do ambiente visto habitualmente. Agora, retome a performance Cegos, do grupo Desvio Coletivo. Nela, executivos andam pelas ruas das cidades de olhos vendados, simulando pessoas cegas com trajes sociais luxuosos, porém cobertas totalmente de argila.

Reveja com os alunos a performance Cegos: intervenção urbana, do grupo Desvio Coletivo, disponível em: <http:// livro.pro/u4kpwz>. Pergunte sobre suas impressões sobre a performance. Deixem que expressem ideias, colocando todas as leituras possíveis sobre a apresentação. Esclareça que, nessa obra, a pessoa cega é trazida como uma metáfora em relação às pessoas que não percebem questões sociais e nada têm a ver com o modo como a pessoa deficiente percebe o mundo. Trata-se de uma crítica social feita por uma linguagem artística, e não uma visão estereotipada sobre a pessoa com deficiência visual. Proponha aos alunos que expressem suas opiniões em relação a essa ação na linguagem da performance e façam uma comparação com a pintura A parábola dos cegos (1568), de Pieter Bruegel, o Velho. Questione-os sobre como veem a relação entre essas duas obras.

+IDEIAS Convide os alunos a conversarem sobre o depoimento dos artistas do grupo Desvio Coletivo na seção Palavra do artista. Esclareça que o grupo Desvio Coletivo é coordenado por Marcos Bulhões, Marcelo Denny e Priscila Toscano, do

EDUARDO BERNARDINO

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS

A performance Cegos, do grupo Desvio Coletivo, fotografada na Avenida Paulista, em São Paulo (SP), em 2012.

Reflita com a turma sobre a participação ou não do público em uma intervenção artística. A performance Cegos foi inspirada na pintura A parábola dos cegos (1568), de Pieter Bruegel, o Velho (c. 1525[30]-1569), que retrata a cegueira física originária de doenças e síndromes, com base em uma parábola sobre a percepção do mundo e o que impede a noção A parábola dos cegos (1568), de Pieter Bruegel, o de totalidade. A performance Cegos aborda Velho. Óleo sobre tela, 86 cm × 154 cm. a cegueira das diferenças entre classes sociais. O artista renascentista fez uma crítica ao criar a pintura com base na parábola do cego, ele expressa o fato de as pessoas não conseguirem perceber os problemas de todos. Fala sobre como cada um só percebe o mundo conforme o que está próximo, ao alcance do toque e do seu olhar, no caso.

MUSEU DE CAPODIMONTE,NÁPOLES

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1. Você já esteve em uma situação em que considerou que as pessoas não estavam sendo sensatas?

2. Será que respeitamos a opinião de todos? Percebemos as pessoas ao nosso redor? Precisamos de um tempo para olhar as pessoas e realmente vê-las? Respostas pessoais.

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Laboratório de Práticas Performativas da Universidade de São Paulo (USP), criando vários projetos de experimentos em uma fronteira artística entre o teatro, a performance, a dança e as artes visuais e tecnológicas, em espaços públicos. No caso do projeto Cegos, já se apresentaram em vários locais. D2-ARTE-EF2-V9-U2-C1-054-075.indd 66

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PARA AMPLIAR CONCEITOS Cegos é uma intervenção urbana, uma performance, que tem como proposta provocar reflexões sobre as condições de trabalho corporativo. Assim, os artistas usam roupas sociais como uma metáfora do aprisionamento dos sistemas de produção e trabalho que não permitem espaços para lazer ou viver de modo cultural, estésico e afetivo a vida. Antes da apresentação, os participantes frequentam oficinas, se preparam e, então, saem às ruas para fazer suas interversões em ações poéticas performáticas. Nada é por acaso; tudo é pensado e planejado. Essa performance já circulou por várias capitais do Brasil e cidades no mundo, como Paris, Amsterdã, Barcelona e Nova York.

PALAVRA DO ARTISTA

Desvio Coletivo (2011-)

Marcelo Denny – […] o rico da intervenção humana nesse sentido é o lugar híbrido de cruzamento entre pessoas, escolas e entidades [...]. Priscila Toscano – […] No caso da performance Cegos, a sua capacidade envolve mais ou menos 30 ou 40 pessoas, da cidade ou não, que desejem fazer parte da experiência conosco. […] Marcos Bulhões – […] chamo isso de uma deriva performativa, meditativa, é um estado de consciência de si mesmo e de estar aqui, agora, conectado com a consciência do corpo, que gera uma nova percepção da cidade [...].

EDUARDO BERNARDINO

Os artistas do grupo Desvio Coletivo, coordenados por Marcos Bulhões, Marcelo Denny e Priscila Toscano, do Laboratório de Práticas Performativas da Universidade de São Paulo (USP), criam vários projetos de experimentos em uma fronteira artística entre o teatro, a performance, a dança e as artes visuais e tecnológicas, em espaços públicos. Já apresentaram a performance Cegos em vários locais.

Grupo Desvio Coletivo realiza a performance Cegos, no centro de São Paulo (SP), em 2012.

VIEIRA, Yvette. Os cegos visionários. Revista YVI, 27 maio 2014. Disponível em: <http://www.revistayvi.com//pt/entrevistas/os-cegos-visionarios.html>. Acesso em: 30 out. 2018.

1. Qual é o papel social das pessoas que ocupam o mesmo espaço? O que essas pessoas veem? Como enxergam o mundo que as rodeia? 2. Será que estamos ficando cegos por causa do consumo? Estamos atentos às pessoas ao nosso redor? Precisamos de um tempo para olhar para as pessoas e realmente enxergá-las? Respostas pessoais.

CLIQUE ARTE

Desvio Coletivo. Site oficial do grupo, com biografia, informações sobre as propostas e registro de algumas performances, vídeos e fotos. Disponível em: <http://livro.pro/g6ftq6>. Acesso em: 30 out. 2018.

CONEXÕES • Desvio Coletivo. Disponível em: <http://livro.pro/ g6ftq6>. Acesso em: 12 nov. 2018.

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REGISTROS E AVALIAÇÃO Retome com os alunos as palavras-chaves descritas no início dos estudos nesta Unidade. Pergunte aos alunos sobre quais eles conseguem responder melhor agora. Oriente-os a fazer mais anotações nos Diários de arte. Essas propostas de exercícios de reflexões de registros são importantes para que os alunos percebam os diversos campos que a arte pode abarcar e como eles podem se apropriar de vocabulários e repertórios artísticos e culturais.

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O corpo como suporte na arte Materialidade O corpo nas artes visuais Performance Expressão corporal Gestualidade Pintura corporal

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arte em projetos

ARTES INTEGRADAS

Arte no corpo No início deste capítulo, vimos o artista Dennis Oppenheim em uma performance com o filho Erik. Eles usaram o corpo como suporte para desenhar e, assim, fizeram também uma body art (arte corporal). Há ações permanentes e temporárias na linguagem artística da body art. Fazer marcas ou gravações no corpo é um hábito muito antigo, adotado por motivos diversos e nas mais variadas culturas. Tatuagens, piercings, maquiagens fazem parte dele. Muitos povos antigos apropriaram-se dessa forma de expressão. O povo maori, que habita as ilhas da Nova Zelândia, é identificado pelo uso de tatuagens no rosto, conhecidas como moko, fruto de uma tradição milenar. Homem do povo maori, da Nova Zelândia, com o rosto tatuado, costume de sua cultura.

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Peça aos alunos que pesquisem sobre body art, que usa a pele humana como suporte para a obra. Feita a pesquisa, lembre-os de registrá-la no Diário de arte, bem como compartilhá-la com os colegas. Os alunos podem investigar várias culturas em que a pintura corporal é presente. Eles também podem criar oficinas de maquiagens produzindo as tintas a partir de componentes naturais. Para a atividade da página 69, conceda aos participantes de cada grupo um tempo para que planejem sua estátua viva. Estimule-os a decidir coletivamente quais serão os modeladores e quais serão as estátuas. Para compor as estátuas, os alunos podem reutilizar roupas que não usem mais, e pinturas com tintas. Lembre-os de usarem sobre a pele somente produtos que não causem reações alérgicas. Para compor o gesto e expressão corporal na construção de uma estátua viva, proponha aos alunos que utilizem diversas alturas (planos alto, médio e baixo – deitado, por exemplo), que procurem man-

EDSON SATO/PULSAR IMAGENS

Alguns povos indígenas brasileiros também guardam essa tradição de ações corporais. Veja a imagem à esquerda. Jovem Yanomami com adereços e pintura corporal típicos de sua cultura, na Aldeia Novo Demini, entre Roraima e o Amazonas, em 2012.

À direita, uma forma contemporânea de body art de caráter efêmero (temporário), feita com pintura e apliques.

ANDREY PRONIN/CORBIS/ GETTY IMAGES

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BRIDGEMAN LIBRARY/EASYPIX BRASIL

CONCEITOS EM FOCO

Exemplo de body art efêmera em participante de competição de pintura corporal em festival em São Petersburgo (Rússia), em 2014.

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ter o equilíbrio do colega que está sendo modelado para que esse não caia e se machuque e evitar que ele não fique em posições desconfortáveis, para não ocasionar lesões, torções ou machucados. Os grupos se apresentarão um de cada vez, até que to-

dos tenham participado. Faça quantas rodadas o tempo permitir. Aproveite para propor comentários sobre as propostas, as linguagens artísticas e as temáticas trabalhadas, discutindo-as e contextualizando-as sempre que achar adequado.

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Processo de criação

A proposta é experimentar trabalhar o corpo como suporte de arte. Vamos criar estátuas vivas? Que tal fazermos a “modelagem” de formas corporais expressivas e estáticas? Todos são artistas e suportes para a arte corporal! Organize grupos com cinco participantes. Dois serão os artistas modeladores e os outros três vão compor a estátua. Os artistas deverão “modelar” o corpo dos alunos-suporte, pensando em posições dos pés à cabeça. Os três que farão a estátua deverão seguir as orientações e a modelagem do corpo atentamente. Combinem a temática. O que querem dizer com a estátua viva? Pensem no nome da obra e onde ficaria exposta. Indiquem a posição em que ficarão os braços, as pernas, como será a expressão facial da estátua. Você poderá usar objetos e acessórios em geral, desde que verifique a segurança de todos. Após a montagem... Estátua! Paralisem a cena. Quem modelou a estátua deverá apresentá-la e contar o que planejou. Você pode também criar estátuas vivas mais elaboradas. Artista trabalhando nas ruas Escolha um colega para formar uma dupla de criação. Juntos, como estátua viva. imaginem e pesquisem como poderiam compor uma estátua viva. Estabeleçam um conceito para a estátua. Que crítica ou reflexão ela poderia provocar? Identifiquem os materiais necessários e experimentem criá-la. Será melhor se os dois membros da dupla puderem vivenciar a experiência da estátua viva. Se a dupla não conseguir se paramentar ao mesmo tempo, cada um pode ser preparado pelo outro.

KATOOSHA/SHUTTERSTOCK.COM

Estátua viva

Fotoação A performance é uma linguagem efêmera. Ela acontece em tempo e lugar determinados, por isso o registro dessa linguagem artística é fundamental. Os registros de ações poéticas e artísticas só começaram a ser feitos graças ao invento de máquinas que capturam imagens, podendo ser fixadas sobre suportes (fotografias) ou projetadas em imagens em movimento (vídeos), permitindo que elas sejam guardadas e possam ser vistas em outras ocasiões. Nesse sentido, a fotografia é uma importante forma de registro da ação do artista, tornando-se uma fotoação. As performances podem acontecer enquanto alguém da turma produz as imagens em fotoação. Não se trata apenas de registrar e sim de capturar movimentos, atitudes, gestos e expressividades de quem realiza a performance. Fazer uma fotoação é também se expressar de modo poético e artístico.

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PARA AMPLIAR CONCEITOS A arte da pintura corporal sempre esteve presente na história da humanidade. No teatro, a maquiagem é um dos recursos utilizados, entre outros motivos, para transformar a expressão dos atores. Como exemplo, podemos

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citar a utilizada no kabuki, um tipo de teatro tradicional japonês. Nele, a maquiagem usada pelos atores é fundamental para a caracterização dos personagens. O figurino é outro aspecto marcante desse teatro, que apresenta roupas bordadas e pintadas com detalhes que expressam a cultura

japonesa. Ao dançar e cantar, os atores fazem expressões faciais e movimentos com o corpo que tornam essa arte muito expressiva e dramática. No início, os personagens eram interpretados apenas por homens; posteriormente, as mulheres também passaram a representar. 11/19/18 7:52 PM

+IDEIAS Comente com os alunos que a estátua viva tem uma característica especial: é ao mesmo tempo body art, performance e happening . Geralmente essa manifestação é uma linguagem que acontece na rua e é feita por artistas que têm a proposta de criar e realizar arte pública. Um jardim de estátuas vivas pode ser proposto no intervalo da aula, no pátio da escola, criando, assim, uma intervenção artística. Proponha aos alunos que, no dia marcado, apresentem suas estátuas vivas. Combine que, a partir de um sinal sonoro, eles podem ocupar outra posição, mas ainda permanecendo como estátuas vivas. Registros fotográficos e vídeos dessa intervenção podem ser criados para esta atividade. Proponha aos alunos o jogo da estátua, desta vez, um pouco diferente. Cada aluno estará dançando conforme a música. Ao sinal (escolhido pelo professor), todos param. Ao segundo sinal, os alunos escolhidos pelo professor podem começar a se mexer, em movimentos lentos. Quando todos estiverem dançando, comece novamente, até que todos os alunos passem pela experiência. REGISTROS E AVALIAÇÃO As anotações e fotografias das estátuas vivas são ótimas ferramentas de avaliação e registro. Procure mostrar momentos de confecção da estátua, sua modelagem e depois sua forma final. Um portfólio sobre esse projeto pode ser criado. CONEXÕES • FESTIVAL de Estátuas Vivas de Tomar. Disponível em: <http:// www.estatuasvivas.com/pt/ festival/>. Acesso em: 14 nov. 2018.

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CONCEITOS EM FOCO

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tema 2

Happening : cena e interação

Vamos retomar as imagens dos parangolés de Hélio Oiticica, já apresentados em diversos locais, palcos, ruas, shows e escolas de samba. Ao pensar nos parangolés, entendemos que a obra não se completa sem que outras pessoas a usem. Nesse sentido, ela pode ser considerada parte de um happening, cujo fundamento é o espetáculo do artista em interação com o público. O happening é basicamente um improviso. Algumas vezes, tem apenas uma sugestão de roteiro. O artista do happening não pode prever como o participante vai agir ou reagir às provocações e aos convites que essa forma de arte propõe. Por outro lado, a body art é uma modalidade artística que está associada às performances e aos happenings. Nessa arte, o corpo torna-se o suporte de intervenções artísticas.

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PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Proponha a leitura das imagens de parangolés apresentadas até aqui. Comente e chame a atenção dos alunos para as diferentes materialidades, movimentos, cores, texturas e para as pessoas que estão interagindo com eles. Em seguida, peça a eles que relacionem as similaridades das imagens. Leve-os a perceber que a obra acontece de vários modos com movimentos variados, formas e cores diversas e que tudo acontece em função de quem está em contato com os parangolés. Eles só existem em sua totalidade poética quando alguém o veste e dança. Apresente aos alunos o jornalista, cantor, compositor, artista plástico e poeta dramático Marcos D’Ávila, artisticamente conhecido como Peri Pane. Ele ganhou reconhecimento internacional com sua performance Homem Refluxo. Peça aos alunos que pesquisem sobre o artista e suas obras e apresentem as descobertas para o grupo. Converse ainda com os alunos sobre o uso das materialidades, sobre a produção e as possibilidades de criar ações sustentáveis e desafiadoras frente à sociedade atual.

VEJA ARTE

Traçando arte: Hélio Oiticica. Programa de 7 minutos da TV Rá-Tim-Bum (2009) em que duas divertidas traças moradoras de um museu ensinam a história de artistas brasileiros, com direção de Mário Sérgio Cardoso. Disponível em: <http://livro.pro/73cpbz>. Acesso em: 29 out. 2018.

Caetano Veloso usa o Parangolé P4, Capa 1 (1964), de Hélio Oiticica.

LEIA ARTE

Museu é o mundo. Livro de Hélio Oiticica (Rio de Janeiro: Azougue, 2011), com retrospectiva que abarca todas as fases e categorias de obras desenvolvidas pelo artista.

PICTURE ALLIANCE/ GETTY IMAGES

O corpo como suporte na arte Materialidade Happening Expressão corporal Gestualidade Parangolés

GERALDO VIOLA

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Parangolés (1965-1979), de Hélio Oiticica, no Museu de Arte Moderna de Frankfurt, na Alemanha. Foto de 2013.

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+IDEIAS Combine com os alunos e peça a eles que recolham e cataloguem o lixo produzido durante um dia de aula. Inspirados na obra de Peri Pane, crie um grande painel com bolsos transparentes, no qual os alunos possam colocar os resíduos separados. Quais D2-ARTE-EF2-V9-U2-C1-054-075.indd 70

serão os resultados obtidos pela turma? Quais serão as reflexões causadas pela coleta desses materiais? Podem surgir dessa atividade temas para reflexão, como o consumismo. O resultado da proposta pode ser apresentado em forma de texto, de criação coletiva. Ele pode ter as características do gênero

manifesto e ser um documento propositor de ação coletiva e conscientização dos alunos. Por essa performance, Peri Pane foi convidado para participar do TEDx Talks. TED (Tecnologia, Entretenimento e Design), uma organização sem fins lucrativos dedicada à difusão de ideias por meio

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tema tema11 mundo

conectado

As performances, por serem uma arte conceitual, fazem-nos pensar e refletir. O músico e performer Peri Pane (1975-) criou o traje Parangolixo luxo. Ele reuniu todo o lixo que produziu em uma semana e, literalmente vestindo a sua arte, criou a performance Homem-refluxo (2011). Veja a imagem ao lado. Na arte contemporânea, muitos artistas usam materialidades e ações sustentáveis em seus trabalhos. No entanto, é importante esclarecer sobre o sentido das palavras "reciclagem" e "reutilização". Reciclar implica existir um reprocessamento de materiais para gerar novos materiais. Quando citamos o processo de reutilização de algum material, não estamos falando em reprocessamento (transformação de matéria), mas em usar um material ou parte dele na construção de algo novo, aplicando o material em novo uso, ressignificando ou atribuindo novas funções, que na arte são poéticas e estéticas. Dessa forma, a proposta no reúso de materiais é combater o desperdício de recursos naturais, processos industriais e acúmulo de resíduos no meio ambiente. Os processos e as intenções são bem diferentes em relação à reciclagem e à reutilização. Hoje também aparece um novo termo: upcycling, termo em inglês, sem uma tradução específica; é conhecido como o processo de criar novos objetos usando materialidades reaproveitadas, podendo ou não atribuir significados diferentes ao uso original do material escolhido. Esse procedimento é utilizado na moda, no design, na arquitetura e na arte (nesse contexto, sempre é atribuída a intenção artística e poética).

MARLENE BERGAMO/FOLHAPRESS

Arte e ecologia

Peri Pane veste o seu Parangolixo luxo, na performance Homem-refluxo (2011).

D i á r i o d e a rt e Registre em seu Diário de arte ideias sobre a relação entre arte e ecologia e quais ações artísticas poderiam ser feitas para provocar reflexões e críticas sobre esse tema.

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de conferências curtas, palestras ou apresentações com 18 minutos ou menos. Atualmente, o TED abrange quase todos os temas, em mais de 100 línguas. Assista à palestra de Marcos D’Ávila como Peri Pane, disponível em: <http:// livro.pro/ihzg5q>. Acesso em: 14 nov. 2018.

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PARA AMPLIAR CONCEITOS Converse com o professor de Ciências da escola sobre a proposta de um trabalho interdisciplinar sobre reciclagem, reúso e transformação de materiais. Com base nessa conversa, podem ser criadas oficinas de papel reciclado, separação e coleta seletiva do lixo, venda de materiais recicláveis que podem gerar uma receita para a escola. O professor de Geografia pode propor estudos sobre o impacto ambiental e social na escola. Converse com o professor de Matemática sobre as possíveis contagens e sistemas para transformar o lixo em receita, podendo ser usada para outros projetos da escola, além da possibilidade de propor estimativas de resultados sobre o projeto. Converse com o professor de Língua Portuguesa para a formalização do manifesto e a possibilidade de publicação e apresentação dele na escola. REGISTROS E AVALIAÇÃO A fotografia e o vídeo são ótimas ferramentas de registros e avaliações dessas propostas, uma vez que performances, happenings e intervenções são efêmeras. Esses registros são fundamentais para uma observação futura e para a apresentação dos resultados aos próprios alunos. CONEXÕES • HAPPENING. Enciclopédia Itaú Cultural. Disponível em: <http://livro.pro/t7nigz>. Acesso em: 14 nov. 2018. • HOMEM Refluxo. Disponível em: <http://livro.pro/h2rpau>. Acesso em: 14 nov. 2018.

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CONCEITOS EM FOCO • • • • • • • •

Expressão corporal Gestualidade Happening Materialidade O corpo como suporte na arte O corpo nas artes visuais Parangolés Performance

MAIS DE PERTO

Irrequieto e híbrido Observe a imagem a seguir.

BNCC UNIDADES TEMÁTICAS • Artes visuais • Arte integradas • Teatro HABILIDADES • (EF69AR04) • • (EF69AR05) • • (EF69AR06) • • (EF69AR07) • • (EF69AR24) •

(EF69AR25) (EF69AR31) (EF69AR32) (EF69AR33) (EF69AR34)

Combine com os alunos que pesquisem sobre o artista Hélio Oiticica e suas obras propositoras. A descoberta de outras obras do artista amplia ainda mais o repertório dos alunos. Antes de abordar o tema, converse com o grupo sobre o poder transformador da arte. Proponha questões como estas: • A arte transforma as pessoas? Como? A arte também se transforma? Como a tecnologia pode contribuir para essa transformação? • Vocês se sentem transformados pela arte? Quais são as transformações que a arte fez em vocês? Sugira aos alunos que façam listas das possíveis transformações que aconteceram por meio da arte. Lembre-os de que eles podem se expressar sobre qualquer linguagem artística. Proponha aos alunos que tragam várias materialidades e fitas adesivas e criem parangolés em um happening. Depois, os objetos podem ser expostos na escola e todos os alunos (mesmo de outras turmas) podem ser convidados a visitarem a exposição.

MARITMO.ADRIANA CALCANHOTTO. GRAVADORA: SONY MUSIC.1997

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS

Capa do CD Maritmo (1997), de Adriana Calcanhoto.

Adriana Calcanhotto vestiu um parangolé em homenagem a Hélio Oiticica para compor a capa de seu CD Maritmo (escrito assim mesmo, porque é um jogo com as palavras “mar”, “ritmo” e “marítimo”), no qual também gravou a música Parangolé Pamplona. A arte transforma as pessoas. Ela própria se transforma; não para; é um fenômeno irrequieto e híbrido. Dessa forma, podemos dizer que a arte ampliou o próprio horizonte, deixando mais flexível o conceito do que é ou não arte.

AMPLIANDO Arte híbrida ou fenômeno híbrido é a forma de arte que combina diferentes linguagens artísticas e diferentes suportes. É uma linguagem artística presente na arte contemporânea, que surgiu na segunda metade do século XX.

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+IDEIAS Os alunos podem fazer pesquisas sobre as transformações realizadas pela arte em sua localidade. O que será que a arte transformou nos últimos tempos? Fotografias que mostram o antes e depois de muros, praças, escolas, construções arquitetônicas podem apresentar resultados interessantes.

Parangolés

COSRTESIA DO PROJETO OITICICA, RIO DE JANEIRO. /ANDREAS VALENTIN

CORTESIA DO PROJETO OITICIA, RIO DE JANEIRO / SERGIO ZALIS

Entrelaçar a dança, as artes visuais e a música e seus poderes de transformação também foi uma das características da obra Parangolés, do carioca Hélio Oiticica (1937-1980), que teve produção intensa. Quadros, esculturas e instalações têm presença farta no conjunto da sua obra. Parangolés são estandartes ou capas coloridos, de tecido e/ou plástico, em que podem ser aplicadas imagens ou palavras – uma espécie de escultura para vestir. Para Oiticica, a obra só é considerada concluída ao ser usada por alguém. Como exige a participação do público, o parangolé está ligado ao happening. As cores assumem total importância na obra, pois, com a movimentação, alcançam um efeito tridimensional e rítmico.

Obra Parangolé P4, Capa 1 (1964), de Hélio Oiticica. Plástico e tecido.

Nildo da Mangueira veste o Parangolé P4, Capa 1 (1964), de Hélio Oiticica. Plástico e tecido, 150 cm × 110 cm × 20 cm.

REGISTROS E AVALIAÇÃO A exposição dos trabalhos e das ideias debatidas durante a aula pode ser muito interessante. Crie uma exposição de forma intervencionista na escola: procure espaços, suportes diferenciados e surpreenda a todos na proposição.

PALAVRA DO ARTISTA

Hélio Oiticica (1937-1980) [...] a sucessão de obras é para fazer inteligível o que sou, eu passo a me conhecer através do que faço, na realidade eu não sei o que eu sou, porque se é invenção eu não posso saber. Se eu já soubesse o que seria essas coisas, elas já não seriam mais invenção. Depoimento de Hélio Oiticica. In: CARDOSO, Ivan; LUCCHETTI, R. Ivampirismo: o cinema em pânico. Rio de Janeiro: Brasil-América (Ebal)/Fundação do Cinema Brasileiro, 1990. p. 77.

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PARA AMPLIAR CONCEITOS Retome com os alunos o conceito de artista propositor e arte propositora, ou seja, a arte que estabelece relações com quem a cria e também com quem a aprecia. O artista não é o único criador da obra a partir do momento em que é feito um convite ao público para que participe. Essa arte propõe percursos poéticos, convidando as pessoas a experimentarem a obra de arte para além da apreciação como mero espectador, e, portanto, a participarem ativamente da criação. Os parangolés de Hélio Oiticica são exemplos de obra propositora.

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CONEXÕES • HÉLIO Oiticica. Guia das Artes. Disponível em: <http:// livro.pro/txtq5w>. Acesso em: 14 nov. 2018. • BENJAMIM: encontros. Disponível em: <http://livro.pro/ 4to5p3>. Acesso em: 14 nov. 2018. • ADRIANA Calcanhoto. Disponível em: <http://livro.pro/ bb3he8>. Acesso em: 14 nov. 2018.

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CONCEITOS EM FOCO • • • • • • •

O corpo como suporte na arte Materialidade O corpo nas artes visuais Performance Expressão corporal Gestualidade Artes visuais

arte em projetos

ARTES INTEGRADAS

Vestindo arte do meu jeito

BNCC

Como vimos neste capítulo, diversos artistas performáticos criaram seus trajes, como Peri Pane (Parangolixo luxo), Flávio de Carvalho (New Look) e Hélio Oiticica (Parangolés). Inspirados por eles, vamos criar os nossos?

UNIDADES TEMÁTICAS • Arte integradas • Teatro

Processo de criação

HABILIDADES • (EF69AR24) • (EF69AR25) • (EF69AR26) • (EF69AR29) • (EF69AR31) • (EF69AR32) • (EF69AR33)

Oficina – Intervenção artística e performance A ideia é fazer uma intervenção artística em uma camiseta branca e sair por aí “desfilando”. Materialidades • Camiseta branca • Tintas para tecido (de várias cores)

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS

• Pincéis pequenos

Peça aos alunos que tragam diversas materialidades para a realização das propostas artísticas. Explore com os alunos a criação do parangolé. Eles podem desenhar modelos de como esses parangolés serão feitos. Os parangolés podem ser feitos de muitas formas. Peça aos alunos um quadrado de tecido de liso de 20 ! 20 cm, nas cores de preferência, para desenharem e colocarem seus desejos de mudança e transformações por um mundo melhor. Em seguida, com uma pistola de cola quente, agulha e linha ou, ainda, máquina de costura (esses itens só podem ser utilizados por você, professor), una os quadrados formando um grande parangolé mosaico. Proponha um dia para a apresentação do objeto na escola. Ela pode ocorrer durante o intervalo, em um momento em que todos os colegas da turma possam ver o trabalho final, vesti-lo e sentir-se participante dele. A proposta da seção é estimular os alunos a criar seu próprio traje para uma performance.

• Materiais variados, como retalhos de tecido, botões, brilhos, entre outros que queira usar na camiseta

• Cola de tecido

Faça intervenções na camiseta, como colagens, pinturas, frases, remendos ou rasgos. Use a imaginação e a criatividade; expresse sua identidade na camiseta; deixe sua marca; transforme e faça do seu jeito. Você também pode ampliar as performances com máscaras. Cada uma pode ser de um jeito bem diferente. Depois, todos vestem sua criação e saem pela escola. Para dar maior dramaticidade, vocês podem cobrir o corpo com um tecido, apenas enrolado, deixando aparente só a máscara. Outra ideia é criar um grupo de arte com os colegas. Escolham para ele um nome e a ideologia (as ideias temáticas). Que temas você quer abordar com essas performances? Ecologia, consumo, violência... Também em grupo, criem um roteiro para fazer a performance. Por exemplo, planejem que materiais usar, onde será a performance, como organizar, quais os temas e outros detalhes. Criem as suas performances! As possibilidades são infinitas! 74

A ideia é que os procedimentos sejam feitos em grupos, mas, dependendo do tamanho da turma, pode-se fazer um trabalho coletivo para a elaboração do roteiro da performance. Lembre-os da etapa de planejamento; ela é essencial para decidirem o que vão faD2-ARTE-EF2-V9-U2-C1-054-075.indd 74

zer. É no planejamento que eles vão trocar ideias, discutir o que fazer e o que não fazer, ouvir atentamente a opinião do outro, mesmo que não concordem com ela. Mesmo que apenas alguns façam a performance, todos devem participar e trabalhar juntos na montagem e na apresenta-

ção. Oriente os alunos a evitar gastos elevados na confecção dos trajes e das máscaras de teatro, procurando customizar e reaproveitar materiais. Estimule os alunos a pensarem em cada etapa de sua intervenção, para que não acorram entraves. Avise a escola do trabalho a ser realiza-

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ACERVO UH/FOLHAPRESS

+IDEIAS Oriente os alunos a observarem as imagens de Flávio de Carvalho e do Desvio Coletivo. Que conversas podem ser surgir com base nelas? Quais são as transformações ocorridas na sociedade desde que essas performances aconteceram? Aproveite para abordar e estabelecer relação com o que foi criado e apresentado pelos alunos: o parangolé coletivo. Será que eles também criaram uma performance? Ela pode ser considerada um marco na escola?

Performance New Look, de Flávio de Carvalho, pelas ruas do centro de São Paulo (SP), em 1956.

EDUARDO BERNARDINO

Recorte de um dos performers do grupo Desvio Coletivo no projeto Cegos, em 2012.

REGISTROS E AVALIAÇÃO Na seção Misturando tudo a proposta é fazer uma avaliação para saber se os alunos conseguiram desenvolver habilidades e se adquiriram conhecimentos com base nos estudos e experiências sugeridas neste capítulo.

+ PERTO DE VOCÊ

A arte contemporânea, ao questionar valores artísticos e sociais, amplia os limites das linguagens artísticas, abrindo-se para novas experiências estéticas e culturais. Faça uma pesquisa na internet para conhecer mais performances e happenings. Pesquise também se há grupos com essa proposta em seu bairro ou em sua cidade. Use seu Diário de arte para registrar suas experiências na criação de performances!

CONEXÕES • Hélio Oiticica. Disponível em: <http://livro.pro/vakzmf>. Acesso em: 14 nov. 2018.

D i á r i o d e a rt e Que ideias, ensaios e projetos foram registrados no Diário de arte? Lembre-se de que todos os seus pensamentos podem ser expressados nele, nas mais diferentes formas.

MISTURANDO TUDO 1. A arte conceitual é misturada? 2. Qual é a diferença básica entre uma performance e um happening? 3. A arte deve nos fazer pensar? Ou ser simplesmente apreciada? 4. Qual é a sua opinião sobre a participação do público em uma apresentação artística? 5. O que você acha da mistura de diferentes linguagens artísticas? Qual é a relação entre o corpo e a arte?

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do e compartilhe a ideia com outros colegas da escola. Não deixe de registrar a proposta combinada com os alunos por meio de fotografias, vídeos, relatos. Esse material pode ser apresentado depois para os próprios alunos opinarem sobre seus tra-

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balhos. Estimule-os a realizar uma reflexão e autoavaliação sobre sua participação efetiva nos processos de criação. Valorize esse momento. Proponha a eles que anotem no Diário de arte o que foi discutido e decidido. Faça o mesmo.

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CONCEITOS EM FOCO

CA

• Linguagem da dança • Movimento • Dança como pensamento do

corpo • Cultura popular • Rudolf Laban e seu legado • Coreografia

BNCC UNIDADE TEMÁTICA • Dança

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PÍT

ULO

Dança Trajetórias para a arte • Que língua a dança fala? • Tema 1 – Saltos, passos, quedas, volteios • Arte em Projetos – Dança

HABILIDADE • (EF69AR09)

• Tema 2 – Dança de pensamentos • Arte em Projetos – Dança

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Neste capítulo, vamos abordar mais a fundo a linguagem da dança. Mesmo que sua formação específica não seja em dança, você pode e deve aventurar-se por esse campo. Todos nós nos movimentamos e nos relacionamos com o nosso próprio corpo de alguma maneira, o que já nos abre um grande leque de opções. Vale dizer, uma vez mais, que a ideia do livro não é que o professor se torne polivalente, mas que visite áreas pelas quais possa vivenciar experiências para além da sua formação, como um apreciador de arte e cultura. Lançar-se a novos projetos, explorando linguagens artísticas, pode ser um novo aprendizado tanto para o docente quanto para os alunos. Acreditamos que você é capaz de criar novos percursos e trajetórias, por isso sugerimos aqui algumas ideias que podem ser potencializadas em um trabalho autoral. Basta aceitar o nosso convite para embarcar nessa viagem com foco na arte e cultura brasileiras. Faça perguntas aos alunos sobre qual relação eles têm com essa linguagem. Muitas vezes, o que achamos que está distante do mundo dos alunos é justamente o mais próximo, como a dança, uma vez que a tratamos aqui como expressão e linguagem do corpo presente em muitos contextos.

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D2-ARTE-EF2-V9-U2-C2-076-103.indd 76 PARA AMPLIAR CONCEITOS Na linguagem da dança, durante longo período de tempo, o virtuosismo dos bailarinos foi um dos critérios mais valorizados. Na dança contemporânea, a valorização da técnica está aliada à expressão poética e à diversi-

dade cultural. Uma vez que o conhecimento, tanto o estudado quanto o adquirido na vivência do cotidiano, é muito importante para criar nas linguagens artísticas, conhecer o próprio corpo é essencial para criar e se expressar por meio dos movimentos na dança.

Dança é movimento expressivo. Ela ocorre quando pelo menos uma pessoa que se movimenta procura se expressar. Não necessariamente precisa haver música para que a dança seja estabelecida. O dançarino pode guiar-se pelas batidas de seu coração, pelos sons externos do mundo ao redor ou

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+IDEIAS Explore com os alunos a imagem que abre o capítulo: Que movimentos vemos? O que está acontecendo? Onde se passa essa dança? Você dança? Se sim, por quê? Se não, por quê? Como usa seu corpo para se expressar? Que linguagem esse corpo expressa? Como você se movimenta?

JACK.Q/SHUTTERSTOCK.COM

A dança contemporânea no corpo de bailarinos chineses coreografados por Hou Bo, em 2007.

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por uma música que “toca” em sua mente. Também não é obrigatório haver técnica. Quem dança pode se expressar pelos movimentos que já possui em seu repertório pessoal cotidiano, buscando fluência e harmonia. A técnica, independentemente de qual seja, tem o objetivo de ajudar a expres-

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sar as ideias da criação, ela não pode ser uma amarra nem impor barreiras. Uma das maiores habilidades do artista está em estabelecer uma expressão de maneira tão autêntica que faça a técnica utilizada parecer algo espontâneo, mesmo sendo fruto de um árduo trabalho desenvolvido.

REGISTROS E AVALIAÇÃO O Diário de arte cumpre um papel significativo no ensino de Arte. Quando ele se torna parte do processo, ganha potência tanto como registro quanto no ensaio de projetos, planejamentos e devires criativos. Proponha aos alunos um olhar mais demorado à imagem de abertura. O livro, enquanto suporte, permite o compartilhamento de imagens que nos possibilitam ter contato com a dança, suas manifestações, seus artistas e conceitos. Ainda que a imagem seja estática, ela nos indica e sugere os movimentos que estavam em desenvolvimento. A partir desse contato, pergunte aos alunos o que eles imaginam que será estudado neste capítulo e peça para registrarem em seus Diários de arte. Durante o processo e em sua culminância, os alunos poderão comparar seu pensamento inicial ao que se desenvolveu no percurso de aprendizagem da linguagem da Dança. CONEXÕES • Conheça mais sobre a tradição chinesa de dança. Disponível em: <http://livro.pro/ edpup3>. Acesso em: 13 nov. 2018.

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CONCEITOS EM FOCO • Linguagem da dança • Movimento • Direções de orientação espa-

venha dançar!

cial • Nível espacial • Culturas juvenis • Coreografia

Observe a imagem a seguir. CASSIANO GRANDI

BNCC UNIDADE TEMÁTICA • Dança HABILIDADES • (EF69AR09) • (EF69AR10)

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS O texto mediador de Venha dançar!, na página 78, traz conceitos que serão desenvolvidos durante o capítulo. Quando perguntamos acerca das direções, estamos instigando os alunos a pensar no que Rudolf Laban chamou “direções de orientação espacial”, as direções irradiadas a partir do centro do corpo na ação de se movimentar. Laban propôs 27 direções avançando em relação às 8 direções que predominavam no estudo do balé, mas já se pensam em mais direções atualmente. Trazemos também as três funções mecânicas do movimento, esticar, dobrar e torcer, que seriam a base mecânica de todos os movimentos da dança. Provocamos os alunos a pensar acerca dos níveis espaciais dos movimentos, especialmente no que se refere ao corpo diante de outro objeto (pois é possível pensar os níveis na relação entre as partes do próprio corpo). Abordamos as principais ações de esforço, recolher e espalhar. Elas se referem à relação dentro-fora do corpo. Por fim, ao abordar o “tamanho” dos gestos procuramos chamar atenção à cinesfera, seu espaço de movimento. Em Venha coreografar!, na página 79, trazemos uma cena do documentário A ba-

Cena do espetáculo Oroboro, do bailarino e coreógrafo Alex Soares, em 2013.

O que se move? Move-se em relação a quê? Onde e quando se move? Em quais direções? Estica? Dobra? Torce? Embaixo? No meio? No alto? Muito embaixo? Lá no alto? Vagarosamente? Rapidamente? De modo leve? Pesado? Expandido? Contraído? Gestos pequenos? Enormes? O que move você? 78

talha do passinho. Ao trazer um referencial da cultura juvenil, procuramos aproximar o conhecimento de dança aqui trabalhado ao universo dos alunos. A cultura funk vem ocupando crescente espaço na cultura juvenil, trazendo muitos elementos que D2-ARTE-EF2-V9-U2-C2-076-103.indd 78

são característicos de outras manifestações culturais dos jovens (como a cultura punk) que tornam delicada sua abordagem no universo escolar, especialmente seus aspectos transgressores e ofensivos. Não procuramos exaltar o funk, mas contextualizá-lo e

ressaltar que nele, como em outras culturas juvenis, há um corpo social e culturalmente constituído que dança. O texto mediador aponta para os elementos que conectam os jovens a uma cultura por meio da dança: os passos, ritmos e criações. Não são

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é marcado pela pulsação. O pulso está na base da música, mesmo quando não está explícito. É sobre ele que os ritmos se desenvolvem. O ritmo, inclusive, é um elemento que conecta a dança à música. Ritmo no som e no corpo, na música e no movimento dançado.

venha COREOGRAFAR! Observe a imagem a seguir. JOÃO XAVI/OSMOSE FILMES

+IDEIAS Observe com os alunos a imagem do espetáculo Oroboro, do dançarino e coreógrafo Alex Soares. Em seguida, leia o texto de apoio com eles e incentive-os a observar novamente a imagem, agora prestando atenção nas questões propostas pelo texto. Há diferença na leitura dos alunos? É possível perceber se o repertório deles está aumentando? Você pode comentar com os alunos que o espetáculo fala do ciclo da vida. O nome “oroboro” refere-se a um símbolo representado por uma serpente que devora a própria cauda, revelando uma imagem cíclica, sem começo ou fim.

Cena do documentário A batalha do passinho, de Emílio Domingos, vencedor do prêmio de Melhor Filme Longa-Metragem da Mostra Novos Rumos do Festival do Rio, no Rio de Janeiro (RJ), em 2012.

REGISTROS E AVALIAÇÃO Proponha aos alunos que façam registros em seus Diários de arte sobre as hipóteses e descobertas em pesquisas sobre os contextos estudados nas seções Venha dançar! e Venha coreografar!. Proponha que, mais à frente, na seção Mais de perto, eles retomem essas anotações.

Um passo, mais um passinho. Movimentos dançados, gestos na coreografia. Ritmo! Pulso bem marcado. Na espontaneidade do povo, sempre surge algo de novo. Cultura jovem, turma reunida para ver mais um passo na vida. Venha conhecer o universo da dança, aprender a dançar e a coreografar. 79

quaisquer movimentos que caracterizam um grupo e sim aqueles que são partilhados por seus membros. Se estabelece um jogo entre o que cada um tem de singular e as características específicas de uma determinada cultura juvenil.

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PARA AMPLIAR CONCEITOS Trazer uma cultura juvenil em destaque para o tema coreografia é uma forma de mostrar que esse processo não é exclusivo de profissionais da dança, abrangendo também

formas populares de cultura. Promova a fruição da imagem e a leitura do texto. Os alunos estabelecem relação entre eles? E em sua própria vivência? Converse com eles sobre os elementos musicais que aparecem no texto. O ritmo 11/19/18 8:42 PM

CONEXÕES Oroboro. • Espetáculo Disponível em: <http://livro. pro/23buja/>. Acesso em: 13 nov. 2018. • Alex Soares. Disponível em: <http://livro.pro/z3ostm>. Acesso em: 13 nov. 2018. • Sobre o filme A batalha do passinho. Disponível em: <http://livro.pro/o297pd>. Acesso em: 13 nov. 2018.

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CONCEITOS EM FOCO • Linguagem da dança • Movimento • Cultura popular

BNCC

Que língua a dança fala? Quando você pensa em dança, que imagens vêm à mente? Quais danças você conhece? O que elas têm em comum? O que têm de diferente? Observe as imagens a seguir.

UNIDADE TEMÁTICA • Dança

CRAIG LOVELL / EAGLE VISIONS PHOTOGRAPHY / ALAMY /FOTOARENA

HABILIDADES • (EF69AR09) • (EF69AR10) • (EF69AR13) • (EF69AR14) • (EF69AR15)

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS

Apresentação do Balé Folclórico da Bahia, de talento reconhecido mundialmente, na Califórnia, Estados Unidos, em 2011.

PANYA7/SHUTTERSTOCK.COM

Pergunte aos alunos se alguém entre eles já assistiu a algum espetáculo de dança e que tipo de dança era. Pergunte também se eles costumam dançar, de que ritmos gostam mais, se alguém já formou par numa dança em alguma festa (casamento, baile de debutante, festa junina, “baladas” etc.). Que sensações a dança desperta? Promova uma situação de fruição das imagens selecionadas nesta curadoria educativa. A curadoria educativa é o processo de selecionar referenciais para o estudo da Arte. Além das seleções propostas no livro, você pode ampliá-las ou criar novas seleções. Nesta curadoria, procuramos apresentar imagens de danças sagradas, populares e teatrais. Há cores e o registro do movimento, diferentes espaços e territórios. Duas imagens trazem danças brasileiras. A primeira une dança teatral à popular com uma cena do Balé Folclórico da Bahia se apresentando nos Estados Unidos. É possível identificar os músicos ao fundo e a sombra do público abaixo e à frente do palco. O rico colorido ressalta a alegria da cultura popular brasileira. A outra imagem traz os indígenas da aldeia Yawalapiti realizando a sagrada dança do Kuarup, em homenagem aos mortos. A pintura corporal e o uso de adornos fazem parte

Dança em homenagem aos finados em Bangcoc, Tailândia. Apresentação dessa tradição cultural tailandesa em 2014.

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do ritual e é interessante notar a incorporação dos chinelos à sua indumentária, deflagrando o jogo entre a preservação de suas tradições e a assimilação de elementos de fora dela. Também em homenagem aos finados, há uma dança realizada em outra parte do mundo, a Tailândia. Cores, alegria, moD2-ARTE-EF2-V9-U2-C2-076-103.indd 80

vimento, belas indumentárias, flores e uma dança alegórica celebram de forma respeitosa os antepassados. Por fim, temos o tango, dança argentina praticada em todo o país e fora dele. Muitos artistas se apresentam nas ruas da Argentina, atraindo principalmente a atenção dos turistas.

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ROGÉRIO REIS/PULSAR IMAGENS

MARCELO ROBERTO CABA/SHUTTERSTOCK.COM

+IDEIAS Proponha aos alunos que façam uma relação das danças que conhecem. Esse procedimento pode ser realizado oralmente e anotado na lousa. Ao observar o panorama, procure instigá-los a pensar sobre o que poderia ser o elemento comum em todas as manifestações de dança. A ideia de uma língua da dança está relacionada com a ideia de idioma, conforme será abordado a seguir. Permita que as diversas observações dos alunos sejam acolhidas, sem indicar quais são os elementos fundamentais da dança. O levantamento de hipóteses é parte importante deste estudo. Predomina o conceito de dança como a linguagem do movimento com intenção artística, mas isto não significa que não existam outras formas de pensá-la. Ademais, hipóteses lançadas pelos alunos podem ser muito interessantes.

Indígenas da Aldeia Yawalapiti dançam o Kuarup (ritual em homenagem aos mortos) em Gaúcha do Norte (MT), em 2012. A dança é um elemento marcante das culturas indígenas.

REGISTROS E AVALIAÇÃO A conversa sobre as imagens da curadoria educativa nesta introdução e na sessão Venha! pode configurar um interessante diagnóstico acerca do conhecimento dos alunos sobre a linguagem da dança. Além dos registros no Diário de arte, é interessante ter um registro pessoal do professor ou um objeto para registro coletivo, no qual toda classe pode participar, configurando uma memória coletiva. Os registros da produção dos alunos poderão auxiliar no acompanhamento de seu desenvolvimento durante o processo de estudo da linguagem da Dança.

Casal dança tango nas ruas da Argentina. Apresentação contemporânea.

Começamos este tema observando imagens de dança muito diferentes. Temos também outras imagens no início deste capítulo. Você já reparou que existem formas diferentes de dançar? Afinal, que linguagem é essa, representada por imagens tão diversas? O que há em comum nessas imagens (e nas danças que você conhece) para afirmarmos que todas elas podem ser chamadas de dança? O que é esse algo que une sob o mesmo nome o balé clássico e a dança do passinho do funk brasileiro?

Deve haver algo em comum em tudo o que pode ser classificado como dança. Esse algo parece ser “a língua que a dança fala”, seja que dança for. Observe mais uma vez as imagens das seções Venha dançar! e Venha coreografar! e leia os textos que as acompanham. Observe atentamente também, na página 80, as imagens desta introdução e suas legendas.

1. Para você, qual seria a língua da dança?

Resposta pessoal.

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PARA AMPLIAR CONCEITOS O Kuarup (também grafado Quarup) é um ritual celebrado pelos povos indígenas do Xingu. É uma cerimônia alegre que homenageia os mortos, e os participantes do Kuarup se preparam com belos adornos e pinturas para a festividade. As

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homenagens exaltam pessoas que tiveram destaque em vida, como caciques, pajés, guerreiros e caçadores. Com várias horas de duração, a cerimônia atravessa a noite e se estende ao dia seguinte. Duas danças se destacam, a dança do fogo, que ocorre no período noturno, e a dança da vida, no diurno.

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CONEXÕES • Balé Folclórico da Bahia. Disponível em: <http://livro. pro/tznjm6>. Acesso em: 13 nov. 2018. • Danças indígenas do Brasil. Disponível em: <http://livro. pro/k86bzw>. Acesso em: 13 nov. 2018.

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CONCEITOS EM FOCO • • • •

Linguagem da dança Movimento Cultura popular Coreografia

tema 1

Saltos, passos, quedas, volteios WALTER CARVALHO

BNCC UNIDADE TEMÁTICA • Dança HABILIDADES • (EF69AR09) • (EF69AR12) • (EF69AR13) • (EF69AR14) • (EF69AR15)

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Comente com os alunos que, além dos estilos de dança ensinados nas escolas de dança, há também as danças folclóricas, tanto no Brasil como em outros países. No Brasil, há danças como a catira, a quadrilha, o frevo, o forró, o baião, o maracatu, o carimbó, o samba de roda, o fandango, o jongo etc. Pergunte a eles se conhecem alguma dessas danças folclóricas ou outras que não foram citadas. Proponha uma situação de nutrição estética com os alunos, preparando uma curadoria educativa com diferentes manifestações dançantes da cultura popular tradicional brasileira. Solicite a formação de grupos para a realização de pesquisa sobre a origem das danças mostradas. Cada grupo escolherá uma dança e depois partilhará suas descobertas com a classe.

Marina Abib, Antonio Nóbrega e Maria Eugênia Almeida no espetáculo Naturalmente: teoria e jogo de uma dança brasileira, 2009.

A tarefa de investigar qual é o elo que une os elementos da cultura dentro da dança não é a das mais simples. Por essa razão, vamos pedir ajuda a algumas pessoas que se debruçaram bastante sobre essa questão. Para iniciar com um tempero brasileiro, vamos conhecer as ideias de um artista que nasceu no Recife, Pernambuco, e tem conquistado plateias em todo o mundo. Antonio Nóbrega (1952-), músico, dançarino e coreógrafo, com olhar poético e cuidadoso sobre a cultura popular tradicional brasileira, lança algumas pistas para investigar a dança como linguagem. Nóbrega acredita que existem conjuntos de movimentos que constituem o vocabulário da dança, como saltos, quedas, passos, volteios, gestos.

VEJA ARTE

Brincante: o filme. Documentário sobre a obra de Antonio Nóbrega. Direção de Walter Carvalho. São Paulo: 2014 (92 min).

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PARA AMPLIAR CONCEITOS Mário de Andrade fez uma das mais importantes pesquisas sobre a dança na cultura popular tradicional brasileira e a publicou em Danças Dramáticas do D2-ARTE-EF2-V9-U2-C2-076-103.indd 82

Brasil. Ele descreve, com muita poesia, as diferenças e os pontos de semelhança entre diferentes manifestações culturais. Um elemento que o autor destaca é a raiz religiosa delas, ainda que em sua forma não estejam presen-

tes conteúdos místicos, como no caso dos autos ou dos cortejos. As danças geralmente ocorrem em meio a encenações, cantos e brincadeiras, sendo por isso chamadas “dramáticas” por Mário de Andrade.

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+IDEIAS Proponha uma pesquisa sobre as localidades em que há danças folclóricas. Elas ocorrem nas mesmas regiões? Nos mesmos estados? Peça aos alunos para registrarem os resultados de suas pesquisas em seus Diários de arte.

Pensemos no forró e no samba. Há um vocabulário – conjunto de movimentos – característico de cada um desses estilos de dança. Alguém que já teve contato com eles saberá reconhecê-los, mesmo que os dançarinos não estejam vestidos a caráter e não seja possível ouvir a música que embala a dança.

REGISTROS E AVALIAÇÃO Converse sempre com os alunos sobre como eles percebem seu processo de aprendizagem. O ato da escuta é tão importante como o ato da fala na ação do professor propositor.

ANDRE LUIZ MOREIRA/SHUTTERSTOCK.COM

CONEXÕES • ANDRADE, Mário de. Danças Dramáticas do Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia, 2002. • CAVALCANTI, Maria Laura Viveiros de Castro. Cultura popular e sensibilidade romântica: as danças dramáticas de Mário de Andrade. Revista Brasileira de Ciências Sociais. v. 19, n. 54. Disponível em: <http://livro.pro/7vj2na>. Acesso em: 13 nov. 2018.

O dançarino e coreógrafo Carlinhos de Jesus (1953-) trouxe a dança e as tradições brasileiras para o festival Rock in Rio em 2015.

Às vezes, há algo que parece aproximar certas danças, que as torna semelhantes em certos pontos. De fato, há movimentos partilhados entre diferentes danças, como alguns giros que aparecem, guardadas as particularidades, no forró, no rock e no samba-rock. Para Nóbrega, há certo temperamento comum no modo como o vocabulário se desenvolve na dança. Uma dança traz em si muitas danças, que apontam para o passado, para heranças coletivas e ancestrais de cada cultura, para as linguagens – da dança – que a antecederam. As danças brasileiras, por exemplo, constituem-se de uma combinação de danças e fragmentos de danças que, colados, deram origem a novos “dialetos”. Tudo isso está ligado à formação do povo brasileiro e à miscigenação. Certos elementos, como os palmeados e sapateados, estão presentes nas linguagens da dança de diferentes povos, cada qual com características particulares. É um jogo que se estabelece entre o que é semelhante e o que é diferente. 83

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CONCEITO EM FOCO • Linguagem da dança

BNCC UNIDADE TEMÁTICA • Dança

mundo conectado

A minha língua Leia o trecho a seguir.

HABILIDADE • (EF69AR09)

Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa. [...]

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Antes da leitura do texto da seção, lance esta questão para os alunos: “O que é uma língua?”. Deixe-os à vontade para expressar o que sabem. Instigue-os a pesquisar os diversos significados dessa palavra. Após a leitura, proponha uma discussão sobre a última questão apresentada: “Teria a dança também a sua língua e as suas falas?”.

PARA AMPLIAR CONCEITOS No universo cultural, estabelecemos códigos, maneiras pelas quais podemos realizar algo em colaboração ou compartilhamento com outras pessoas. Você está lendo este livro em língua portuguesa. Ele foi escrito neste código, e você, por também conhecê-lo, pode ler o que está escrito aqui. O mesmo não aconteceria se este material estivesse escrito em uma língua desconhecida por você. Os códigos, seus modos de operar, os sentidos que eles geram e suas funções criam algo que chamamos “linguagem”. Para ler uma história em quadrinhos você precisa conhecer a linguagem, identificando as falas das personagens nos balões, as onomatopeias, o sentido da leitura (de cima para baixo, da esquerda para a direita) etc. Se, ao invés de uma obra ocidental, você tiver contato com um mangá (as histórias em quadrinhos japonesas) você perceberá diferenças de linguagem (como o sentido de leitura da direita para esquerda e o início da história na parte da encader-

PESSOA, Fernando. Livro do desassossego. São Paulo: Brasiliense, 1986. p. 358. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/vo000008.pdf>. Acesso em: 29 out. 2018.

O que é língua? Se pensarmos em relação ao nosso corpo, a língua é um órgão muscular. Está na faringe e na boca, ajuda-nos a mastigar e deglutir os alimentos, atua no paladar e permite-nos produzir sons. Culturalmente, o que é uma língua? Costumamos usar o termo “língua” para nos referirmos ao idioma falado por um povo, uma etnia ou um grupo: a língua inglesa, a língua alemã, a língua tupi etc. Um povo muitas vezes é representado por sua língua. A língua guarani, por exemplo, refere-se à língua utilizada pelo grupo Guarani. A movimentação dos povos permitiu que as línguas se “movessem” de um local para o outro. Quando a Inglaterra colonizou parte da América do Norte, por exemplo, levou a língua inglesa para o outro lado do Oceano Atlântico. Portanto, mesmo não sendo ingleses, isto é, sem ser pessoas que nasceram na Inglaterra, os estadunidenses têm como idioma a língua inglesa. Com o avanço das possibilidades de comunicação, superando barreiras espaciais, cresceu também a importância de conhecer os idiomas e saber comunicar-se em outras línguas além da materna. O ensino de línguas estrangeiras nas escolas brasileiras não é um fenômeno recente. Tempos atrás, idiomas como o latim e o francês já fizeram parte das disciplinas da educação pública. Outro fator que amplia a demanda do ensino de idiomas estrangeiros é a imigração. A página da Secretaria de Educação da cidade de Nova York, por exemplo, traz opções de dez idiomas diferentes para facilitar o acesso dos imigrantes e descendentes de estrangeiros ao site. 84

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nação que, para os ocidentais, seria o final). As linguagens, portanto, nos permitem estabelecer relações, como a troca, a leitura, o compartilhamento, a criação. O corpo, como lugar da cultura, se constitui de uma multiplicidade de linguagens. Dentre elas, a dança, uma lin-

guagem artística do corpo em movimento. Em muitas danças de salão, quando aquele que conduz a dança leva as mãos do(a) parceiro(a) para o alto, é um sinal para a realização de um giro. Isso não é algo que está na programação genética do corpo, é um código por ele

aprendido. Duplas de dança de salão realizam certas ações a partir de gestos combinados. Há na dança, portanto, uma relação de comunicação, de relações e significados. O corpo está constantemente se comunicando, seja por gestos, posturas, falas ou por meio de expressões artísticas.

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Observe a imagem a seguir. Veja no material audiovisual o vídeo Cenas que contam histórias.

+IDEIAS Explore saberes sobre Arte, Semiologia, língua falada, Língua Portuguesa e Ciências. Proponha uma investigação sobre a língua no corpo humano (a forma de comunicação e o órgão do corpo humano). Podem ser explorados também o uso estético da língua, seu lado expressivo e, em conexão direta com Língua Portuguesa e Geografia, das diversas “línguas portuguesas” e suas diferenças regionais e internacionais nos diferentes países lusófonos.

FLAVIO FLORIDO

REGISTROS E AVALIAÇÃO Incentive os alunos a explorar diferentes formas de registro. Desenhos, colagens, pinturas podem ser formas interessantes de criar registros poéticos em seus Diários de arte. Afinal, a língua portuguesa não é a única forma de comunicação da qual os alunos se valem, especialmente com a grande profusão de imagens que caracterizam o mundo digital contemporâneo. Ademais, trazer o elemento poético para o registro possibilita qualidades de pensamento mais sensíveis e abertas.

Zuzu Leiva, do grupo Mawaca, usa a língua como um forte elemento expressivo na dança de Kali (deusa do hinduísmo representada sempre com a língua para fora), em 2004.

Uma língua pode apresentar variações entre seus falantes. Essas variações demonstram as diferenças entre as falas em distintas regiões de um país, por exemplo. As regras gramaticais da língua portuguesa estão previamente definidas. Contudo, o modo como ela é falada pode diferir conforme o estado, a região, o país. Compare a fala nortista com a sulista, o modo como se fala em Cuiabá (MT) e em Curitiba (PR), por exemplo, ou o falar na capital e no interior de um mesmo estado. Geralmente, há várias diferenças, que não envolvem critérios de certo ou errado, beleza ou feiura, são apenas diferenças. Enriquecedoras e inspiradoras diferenças. Teria a dança também a sua língua e as suas falas?

CONEXÕES • As marcas do português brasileiro. Vídeo. Disponível em: <http://livro.pro/45mbi5>. Acesso em: 13 nov. 2018. • Língua: vidas em português, do diretor Victor Lopes (Brasil/Portugal, documentário, 2003).

1. Quais são os idiomas mais falados em sua região?

2. Você conhece pessoas, famílias ou grupos que mantenham o idioma de suas raízes? 3. O modo de falar o nosso idioma, a língua portuguesa, é igual nas diferentes regiões do Brasil? Quais diferenças pode haver? Respostas pessoais.

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NO AUDIOVISUAL No vídeo Cenas que contam histórias, a artista Zuzu Leiva, integrante do Mawaca, fala sobre os elementos que compõem uma peça de teatro.

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CONCEITOS EM FOCO • Linguagem da dança • Movimento • Funções mecânicas do movi-

mento • Rudolf Laban e seu legado

BNCC UNIDADE TEMÁTICA • Dança

MAIS DE PERTO

O movimento Agora que ampliamos bastante o nosso olhar sobre a dança, vamos retomar a pergunta: qual é a língua da dança? Observe a arte no movimento retratado a seguir.

HABILIDADES • (EF69AR09) • (EF69AR10)

O legado de Rudolf Laban é ainda aquele que parece ter mais influência sobre o ensino de Dança na escola. Sua concepção sobre o que é a dança, suas características e o modo como desenvolvê-la abrem diversas possibilidades para o estudo do movimento e suas possibilidades estésicas e poéticas. O coreógrafo, dançarino, teatrólogo e musicólogo procurou investigar o contexto no qual os movimentos aconteciam, qual era o corpo que se mexia, com qual intenção, que emoções e motivações o colocavam em ação. A partir de Laban, podemos dizer que um elemento essencial que está presente em todas as danças é o movimento. Não apenas o movimento em sua forma geral, mas com intenção estética. Dizemos estética porque nem sempre é artística, como nas danças do Kuarup e outras formas de dança sagrada. Acerca das perguntas na página 87, indicamos consultar as Proposições pedagógicas da página 78, na qual delineamos alguns dos pontos abordados. A pergunta acerca de quais partes do corpo participam da ação foi pensada como uma forma de instigar os alunos a olhar o corpo em seus detalhes, pois todo o corpo participa da dança, o que podemos ter são partes do corpo em destaque ou em maior evidência do que outras.

CLAIRE JEAN

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS

Ensaio fotográfico de Claire Jean com um bailarino, em Lençóis Maranhenses (MA), em 2014.

O universo da dança também foi impactado fortemente durante o Modernismo (fins do século XIX e início do XX). Entre aqueles que proporcionaram maior mudança no modo como se pensava a dança, o coreógrafo e dançarino Rudolf Laban (1879-1958) lançou ideias que se enraizaram fortemente na maneira de pensar a dança. Com base nas suas teorias, podemos arriscar uma resposta para a pergunta que lançamos neste capítulo: a língua da dança é o movimento. Agora que temos a chave, vamos abrir algumas portas. O movimento pode ter várias qualidades. Podemos nos movimentar também para nos expressar. Usamos gestos abertos, grandes, agitados, quando queremos chamar a atenção. Tendemos a encolher nossos movimentos quando estamos tristes. 1. O que todas as danças têm em comum? Resposta pessoal.

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PARA AMPLIAR CONCEITOS A dança moderna se desenvolveu no final do século XIX e início do século XX em meio a grandes transformações. Na arte, essa passagem é marcada por mudanças de pensamento e ideias revolucionáD2-ARTE-EF2-V9-U2-C2-076-103.indd 86

rias. Dançarinos e coreógrafos, insatisfeitos com as regras e formas preestabelecidas das danças acadêmicas, como o balé clássico, experimentaram novas maneiras de se expressar corporalmente. Em busca de uma dança com movimentos mais livres,

que expressasse os aspectos interiores do dançarino, artistas desenvolveram diferentes técnicas e propostas, fundamentados em variadas pesquisas e experimentações – uma grande inovação para a época. Os dançarinos modernos buscavam uma dança mais

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MUSEUM OF THE BANCO DE LA REPUBLICA, BOGOTA/FIRSTSHOT / ALAMY / FOTOARENA

Observe os movimentos retratados na pintura reproduzida ao lado. Com base na observação dos movimentos das pessoas (primeiramente dos trabalhadores das indústrias), Laban iniciou um estudo aprofundado das possibilidades que o corpo tem de se mover. Ele identificou duas categorias principais de movimento: a ação física, referente aos movimentos que fazemos de forma mecânica, e a ação corporal, que traz um envolvimento de toda a pessoa, ou seja, tanto a ação física quanto a racional e a emocional. Muitas foram as categorias e descrições criadas por Laban. Seu trabalho ampliou sobremaneira o modo de olhar o movimento e, consequentemente, a maneira como fazemos arte com o corpo. Suas ideias funcionam como uma luneta, permitindo-nos investigar os movimentos e propor outros novos. Ele, assim como muitos dos seus contemporâneos na arte moderna, procurou expandir a linguagem da dança para que todos pudessem dançar – Casal dançando (1987), de Fernando Botero. Óleo sobre tela, 195 cm × 130 cm. uma proposta de dança que inclui todos que querem dançar, e não apenas seleciona aqueles que atendem a determinadas exigências. Laban ofereceu-nos uma chave que podemos somar a outras, como a proposta de Antonio Nóbrega sobre os vocabulários da dança e os temperamentos comuns. Assim, podemos colocar ideias em diálogo, observar semelhanças e diferenças, harmonias e ruídos, estabelecendo entendimentos singulares, isto é, próprios de cada um, sobre o que é a dança e o dançar.

Retomemos as perguntas da seção Venha dançar!, na página 78. Observe as diferentes imagens neste capítulo. Tente identificar como ocorrem os movimentos de esticar, dobrar e torcer.

1. Quais partes do corpo participam da ação?

2. Em quais direções os movimentos acontecem?

3. Os corpos estão ocupando o espaço de que forma?

Respostas pessoais.

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livre, mas nem sempre rompiam completamente com os elementos clássicos do balé. Na dança moderna, os movimentos geralmente partem do centro do corpo, e os dançarinos almejam sensações e estados emocionais interiores, característica que se traduz

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também em figurinos, muitas vezes, ousados e exóticos. Podemos destacar o trabalho de Mary Wigman, dançarina e coreógrafa alemã pioneira da dança expressionista. No Japão, o Expressionismo impulsionaria a emergência do Butô.

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+IDEIAS Rudolf Laban também pesquisou sobre os movimentos corporais cotidianos para a criação coreográfica em dança. Para ele, o corpo se expressa mesmo nos movimentos mais corriqueiros. Perceber esses movimentos e aprender a conhecer o próprio corpo, matéria-prima para a dança, é importante para o dançarino que investiga as potencialidades expressivas do movimento. Se, mesmo dormindo, costumamos movimentar nosso corpo sem perceber, ao acordar essa movimentação se amplia consideravelmente. Em geral, nos espreguiçamos antes de levantar, esticando articulações, músculos... Viramos de um lado para o outro, pensando em tudo o que teremos para fazer no dia. Mesmo quem tem algum tipo de imobilidade física, temporária ou permanente, precisa praticar alguma forma de movimentação, com a ajuda de outras pessoas se necessário. Esses simples movimentos cotidianos podem ser estudados por você e usados em criações artísticas na dança. REGISTROS E AVALIAÇÃO Os registros podem ser realizados por meio de tecnologias digitais de informação e comunicação. Alinhar o Diário de arte com suportes digitais pode ser uma proposta instigante para os alunos. É importante orientá-los quanto ao armazenamento das informações, imagens, vídeos e áudios, para que seja possível localizá-las com facilidade. O compartilhamento é outro ponto a ser abordado. Oriente-os a cuidar de seus registros, evitando a difusão de informações pessoais na internet. CONEXÕES • Rudolf von Laban. Disponível em: <http://livro.pro/ xx96tn>. Acesso em: 13 nov. 2018.

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CONCEITOS EM FOCO Linguagem da dança Movimento Direções de orientação espacial Funções mecânicas do movimento • Culturas juvenis • Rudolf Laban e seu legado • • • •

Fatores de movimento Observe a imagem a seguir. MIRKO MACARI/SHUTTERSTOCK.COM

BNCC UNIDADE TEMÁTICA • Dança HABILIDADES • (EF69AR09) • (EF69AR10) • (EF69AR11)

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Laban analisou de forma sistemática o movimento humano com o propósito de entender as leis que o rege. Para ele, teoria e prática são indissociáveis, bem como corpo e mente são uma unidade inseparável. O teórico identificou propriedades básicas inerentes ao movimento, o que permitiu a elaboração de proposições que possibilitaram estabelecer princípios básicos de entendimento e de aplicação do movimento. De acordo com Mota (2012, p. 63), foi estabelecido que: 1. O movimento é universal; 2. O movimento está em todas as coisas vivas; movimento é igual à vida; 3. A qualidade da vida está diretamente relacionada à sofisticação do movimento; 4. A intenção, a variedade e a complexidade são características do movimento que fornecem as informações sobre a qualidade geral da vida; 5. O corpo humano é uma unidade de aspecto tríplice, isto é, uma trindade composta por corpo, mente e espírito; que são interdependentes e relacionados ao movimento; 6. O movimento é sempre usado para duas finalidades distintas, tais como:

Jovens exploram o movimento do corpo na dança em escola de Torino, Itália. Foto de 2017.

Rudolf Laban estabeleceu alguns parâmetros de ações que podem ser realizadas pelo esforço do corpo e os dividiu em quatro categorias, as quais nomeou fatores de movimento. Apresentamos a seguir as características fundamentais de cada fator e um pouco da sua extensão. Leia o quadro a seguir.

Fatores do movimento segundo Laban: características fundamentais Fluência

Relaciona-se com o controle do movimento. Um movimento pode ser livre, fluente, abandonado ou controlado, restrito, cortado.

Espaço

Relaciona-se com o foco. Podemos nos mover no espaço com um foco direto ou de modo flexível, com muitos focos.

Peso

Relaciona-se à força. O peso que imprimimos em cada ação estende-se do leve ao firme.

Tempo

Relaciona-se à velocidade e à duração. Um gesto pode ser súbito, como um susto, ou sustentado, como uma espreguiçada. RENGEL, Lenira. Dicionário Laban. Guararema, SP: Anadarco, 2014.

LEIA ARTE

Pequena viagem pelo mundo da dança, de Lenira Rengel e Rosana van Langendonck. São Paulo: Moderna, 2006. Viagem pela história da dança desde a época dos homens das cavernas até os dias de hoje.

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a) o alcance (ou realização) de valores tangíveis, em todos os tipos de trabalho; b) para abordar os valores intangíveis, como por exemplo, na prece e na adoração; 7. O ser humano move-se para satisfazer um desejo, uma necessidade, que tanto pode ser: a) uma necessi-

dade básica – p. ex.: ir de um lugar a outro (locomoção); b) uma necessidade maior – p. ex.: extravasar energia e aliviar tensões; ou c) uma necessidade sutil – p. ex.: a necessidade de expressar a própria singularidade; 8. O movimento pode ser também motivado por neces-

sidades sociais, ou seja, o desejo de integrar-se com outros indivíduos, de maneira a desenvolver um senso de comunidade e comunhão; 9. O movimento tanto é consciente quanto inconsciente.

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FOTOS:

OSTILL

/SHUTT

ERSTOC

K.COM

Observe a imagem.

Jovem recria as poses e os passos de dança que marcaram a carreira de Michael Jackson.

A fluência mostra como estão integrados os movimentos, como eles progridem. Se lembrarmos de Michael Jackson nos palcos, observaremos uma série de movimentos controlados. Foi ele quem popularizou os movimentos que melhor representam uma fluência controlada, a chamada “dança do robô”. Para entender melhor os demais fatores de movimento, observemos como eles se integram para formar as ações básicas de esforço. Para pressionar, usamos peso firme, pois com leveza não seria possível fazer pressão. A ação de pressionar é contínua; portanto, o tempo é sustentado. Em resumo, quando pressionamos, a qualidade de espaço é direta, o peso é firme, e o tempo, sustentado. Combinando esses três fatores de movimento, teremos oito ações básicas: torcer, pressionar, chicotear, socar, flutuar, deslizar, pontuar e sacudir. É a língua da dança, pensada e falada pelo corpo!

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PARA AMPLIAR CONCEITOS Para conhecer melhor as ideias de Rudolf von Laban, assista ao vídeo, indicado em Conexões, realizado pela Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE). Dirigido por Leo Halsman e Maria Mommensohn, no início da década de 1990, é um dos raros vídeos (talvez o único em português) sobre o trabalho desse gênio da dança e do movimento. O vídeo enfatiza a importância da obra de Rudolf von Laban para o universo educacional e é feito com base em depoimentos e imagens de arquivo que valorizam o contexto histórico. REGISTROS E AVALIAÇÃO Solicite aos alunos que registrem os saberes e ideias que emergiram a partir dos textos e conversas acerca dos fatores do movimento e de Marcos Abranches. Os processos de criação propostos nas páginas seguintes possibilitarão aos alunos experienciar os assuntos estudados. CONEXÕES • MOTA, Julio. Rudolf Laban, a coreologia e os estudos coreológicos. 2012. Repertório, Salvador, no 18, p. 58-70. Salvador: UFBA, 2012. Disponível em: <http://livro.pro/o2xk5o>. Acesso em: 13 nov. 2018. • Laban. Documentário produzido pela Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE) da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. Disponível em: <http://livro. pro/xgfvgq>. Acesso em: 13 nov. 2018. • Dancing Machine. The Jackson Five. Disponível em: <http://livro.pro/cdtc24>. Acesso em: 13 nov. 2018.

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CONCEITOS EM FOCO PALAVRA DO ARTISTA

• Linguagem da dança • Movimento • Direções de orientação espa-

Marcos Abranches (1977-)

cial • Funções mecânicas do movimento • Nível espacial • Rudolf Laban e seu legado • Coreografia

BNCC UNIDADE TEMÁTICA • Dança

GAL OPPIDO

HABILIDADES • (EF69AR09) • (EF69AR10) • (EF69AR11) • (EF69AR12) • (EF69AR13) • (EF69AR15) Marcos Abranches em foto de Gal Oppido, em 2011.

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Na seção Palavra do artista destacamos o dançarino e coreógrafo Marcos Abranches. A escolha foi fundamentada na quebra de paradigma propagada pelo pensamento contemporâneo na dança. Até a ruptura iniciada pelas vanguardas modernistas, havia exigências acerca dos modelos de corpo para a dança, especialmente a teatral. Na atualidade ainda encontramos quem insista na aceitação apenas de certos modelos de corpo na dança, mas convive com aqueles que exploram novos caminhos e não se limitam em suas ações e pensamentos. Na seção Arte em Projetos, apresentamos uma sequência de temas para a exploração do movimento na dança contemporânea. Os dois primeiros experimentos referem-se a uma exploração mais livre do corpo, que visa dar os primeiros impulsos para o despertar da consciência corporal. Por meio da Oficina 1, os alunos começam a colocar os corpos em movimento, preparando-se para as propostas seguintes, mas já trabalhando o fator de movimento espaço.

O dançarino e coreógrafo Marcos Abranches mescla movimentos precisos a movimentos oscilantes na sua dança. Na sua carreira, apresentou espetáculos em conjunto, em dupla e solo. Marcos Abranches teve paralisia cerebral em decorrência de circunstâncias do parto, o que lhe ocasiona problemas motores até hoje. Conseguiu andar apenas aos 8 anos de idade, mas atualmente, mais de 30 anos depois, é um artista reconhecido. Fundou a Companhia Vidança, realizou diversas apresentações (inclusive fora do país) e nos mostra que a dança contemporânea abriu espaço para todos os corpos dançarem. Segundo o dançarino e coreógrafo Marcos Abranches: O mundo é livre para todos, a dança contemporânea abre a porta para todos se sentirem livres para dançar. Sua história tem início na fruição de espetáculos de dança, em especial do Balé da Cidade de São Paulo. Em um espetáculo chamado Senhor dos anjos, Abranches conheceu Sandro Borelli, criador do espetáculo. Os dois trocaram contatos e Abranches fez um teste para participar da coreografia, obtendo êxito e entrando para a companhia de dança de Borelli. Abranches fez a seguinte afirmação acerca das diferenças que há entre os corpos que dançam: Deus me fez dançarino para que o mundo reflita sobre a ausência do igual. Marcos Abranches concedeu entrevista especialmente aos autores em 30 de março de 2015.

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As mudanças de foco podem ser marcadas com algum estímulo sonoro, um sino ou sinal, a interrupção da música, uma voz de comando. Na última etapa, é mais significativo dar espaço à exploração do que cobrar o rigor na mudança de foco ao adentrar e sair dos territórios. D2-ARTE-EF2-V9-U2-C2-076-103.indd 90

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REGISTROS E AVALIAÇÃO O registro das vivências e dos processos criativos, tanto no Diário de arte quanto utilizando fotografia e filmagem, é importante para o acompanhamento e avaliação dos alunos na experiência dos corpos em movimento.

arte em projetos

DANÇA

Territórios da dança Que tal explorar as ideias de Laban na prática, movimentando-se? Propomos, primeiro, a organização do espaço. Para isso, podemos aproveitar demarcações já existentes ou criar novas. Nas quadras de esporte, as linhas no chão criam uma série de divisões do espaço. No entanto, essas marcações podem ser feitas, em outro ambiente, com fita adesiva ou outra forma de divisão do espaço. É interessante dispor de músicas para a realização dessa proposta. Uma vez que os territórios estão demarcados, vamos aos experimentos?

CONEXÕES • Performance de Marcos Abranches. Disponível em: <http://livro.pro/k4zoz3>. Acesso em: 13 nov. 2018. • RENGEL, Lenira Peral et al. Elementos do movimento na Dança. Salvador: UFBA, 2017. Disponível em: <http:// livro.pro/3dih27>. Acesso em: 13 nov. 2018.

Processo de criação

Explorando territórios Oficina 1 – O foco Comece explorando o espaço. Todos podem caminhar livremente. A partir de um comando do professor, procure um foco e caminhe na direção dele. No local escolhido, procure outro foco. Após um comando diferente, caminhe sem manter um foco, mudando constantemente a direção da sua caminhada. ANA CAROLINA FERNANDES/FOLHAPRES Para finalizar, mude de foco cada vez que mudar de território. Você pode começar com o foco direto e, ao adentrar outro território, mudar para o foco flexível, alternando novamente para o foco direto, e assim sucessivamente.

A quadra de esportes é uma opção de espaço com divisões e subdivisões (territórios) para iniciar o trabalho com o corpo.

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PARA AMPLIAR CONCEITOS Marcos Abranches não é um dançarino que superou limitações, por causa da paralisia cerebral, mas uma pessoa que dança com seu corpo. Todos temos corpos diferentes, em maior ou menor grau, e são os movimentos de nos-

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sos corpos que nos permitem dançar. Ale Bono Vox, dançarina cadeirante, dançou com Abranches explorando os movimentos e as expressões de seu corpo, cuja tetraplegia estabelece características singulares. É uma forma de pensar a dança que assume a potência criativa de todos os corpos. O

mesmo vale para nossos alunos. Todos podem dançar. Por meio de experiências estésicas e artísticas, o desenvolvimento de sua poética de movimento transcorrerá naturalmente. Assista com os alunos a uma performance de Marcos Abranches; vídeo disponível em Conexões. 11/19/18 7:20 PM

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CONCEITOS EM FOCO Linguagem da dança Movimento Direções de orientação espacial Funções mecânicas do movimento • Nível espacial • • • •

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Oficina 2 – Territórios Nesse experimento, os territórios são divididos inicialmente em territórios do grande e territórios do pequeno. Cada aluno iniciará em um dos territórios. No território do grande, procure explorar seus maiores movimentos. No território do pequeno, explore seus menores movimentos. A partir de um comando do professor, você poderá mudar de um território do grande para um do pequeno ou o contrário. Na segunda parte desta proposta, os territórios serão divididos em territórios do leve e territórios do pesado. A dinâmica é a mesma da anterior, ou seja, depois de um comando, passa-se do território dos movimentos pesados para o território dos movimentos leves e vice-versa. No território do leve, você poderá explorar movimentos grandes e pequenos, mas com peso leve. No território do pesado, poderá explorar movimentos grandes e pequenos, mas com peso pesado.

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS

PARA AMPLIAR CONCEITOS Na Oficina 2 , temos duas bases: a primeira, além da exploração dos diversos movimentos do corpo, aponta para a exploração da cinesfera, conceito labaniano sobre a extensão de nossa esfera de movimentos (o “grande” e o “pequeno” apontam para a amplitude da cinesfera); na segunda, somamos as conquistas da primeira com a exploração do fator de movimento peso. Naturalmente, os alunos podem se relacionar uns com os outros na exploração dos movimentos. Com base na Oficina 3 , começamos a utilizar o termo dança, pois espera-se que a exploração dos movimentos já comece a esboçar a poética pessoal de cada um, ou seja, que permita a descoberta e/ ou desenvolvimento do pensamento singular do corpo de

DENISPRODUCTION.COM/SHUTTERSTOCK.COM

Começamos a enfocar as partes do corpo e o fator de movimento tempo. É interessante notar que o tempo sustentado não é necessariamente como uma câmera lenta nem o tempo súbito como uma câmera acelerada. Aqui também tem início a exploração dos níveis espaciais do corpo em relação ao próprio centro.

Explorando o espaço com movimentos grandes e pequenos.

Oficina 3 – Movimentos Agora exploraremos três tipos distintos de território: o de cima, o do meio e o de baixo. No território de baixo, serão explorados os movimentos dos membros inferiores. As demais partes do corpo poderão participar da dança, mas o foco estará na parte de baixo do corpo. O mesmo é válido para o meio e para a parte de cima do corpo. Com base em um comando do professor, você poderá mudar de um território para o outro. Na sequência, será introduzido o elemento tempo, e os movimentos serão explorados em três dinâmicas: sustentados, em tempo livre ou súbitos. 92

cada aluno. O uso de equipamento sonoro, um CD ou MP3 player, é um estímulo interessante, mas não essencial, pois a dança pode ocorrer vinculada ou não à música. Ao utilizar trilhas sonoras nas propostas, é interessante variar o repertório, trazendo novas possibilidades de paisagens sonoras, D2-ARTE-EF2-V9-U2-C2-076-103.indd 92

com músicas incidentais e sonoridades de diversas regiões do Brasil e do mundo. É interessante selecionar experimentos sem música ou utilizar a interrupção da música como comando para uma mudança de dinâmica ou território. A qualquer momento pode ser usado o recurso do congela-

mento, para que os alunos sustentem a movimentação e possam observar o próprio corpo e o dos colegas. Como estamos trabalhando com o pensamento contemporâneo, as propostas a seguir são sistemas abertos e podem ser modificadas, adaptadas, repetidas e reinventadas, pois são

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Com os três territórios do experimento anterior, dessa vez o experimento refere-se ao espaço onde ocorrem os movimentos. No plano baixo, todo o corpo explorará os movimentos em um nível inferior, ou seja, que compreende o espaço mais próximo do solo. O mesmo é válido para os demais territórios, plano médio e plano alto. Depois de um comando do professor, muda-se de um território para outro. Na segunda parte, você poderá mudar de território livremente. O professor indicará quais ações corporais serão enfocadas: torcer, pressionar, chicotear, socar, flutuar, deslizar, pontuar ou sacudir. Esteja atento, pois não é preciso haver uma sequência de comandos. Nesse momento, teremos como foco as ações básicas de esforço e o nível onde elas acontecem (baixo, médio ou alto). Lembre-se de que todo o corpo participa dos movimentos. A ação de socar não é exclusivamente com as mãos, ela apenas indica que temos um movimento súbito, direto e firme. O mesmo é válido para as demais ações. Como será chicotear com os ombros? Sacudir com as costas? Flutuar com o nariz?

GUY BELL/REX/SHUTTERSTOCK

Oficina 4 – Planos

Explorando e ocupando o espaço em planos alto, médio e baixo.

REGISTROS E AVALIAÇÃO Com base nos registros, proponha uma situação de avaliação. Ela pode abranger todo o percurso desde o início do capítulo e enfatizar os processos de criação. Instigue os alunos a refletir acerca do desenvolvimento de seu pensamento sobre dança durante o processo, suas descobertas, as mudanças e aquilo que lhes chamou a atenção ao experimentar os estudos por meio do corpo. EDSON RUIZ/FOLHAPRESS

Oficina 5 – Propositores Para finalizar essa sequência de experimentos, sugerimos que você e os colegas sejam os propositores. Combinem com o professor quais territórios existirão e quais as indicações de movimento para cada um deles. A clareza é extremamente importante. Se a proposta for muito confusa, talvez não seja possível explorá-la. Depois de tanto movimento, que tal uma roda de conversa? Conversar com os colegas, contando e ouvindo como foram as experiências de cada um, ajuda a refletir sobre o que foi experimentado e a ter novas ideias para as próximas proposições. Ressaltamos que o corpo amplia suas habilidades e inteligência sobre a dança a partir da própria dança. Em outras palavras, a ação de dançar e explorar os movimentos é a base para desenvolvermos nossas habilidades. E essas ações se complementam com a apreciação, a Explorando e ocupando o espaço no plano baixo. pesquisa e as conversas sobre dança.

+IDEIAS Na Oficina 5 , possibilite aos alunos que inventem as propostas a explorar. Se houver muita dificuldade na elaboração de novas proposições, sugira a repetição de algum experimento, com ou sem modificações. Ou proponha uma ação livre, na qual possam explorar movimentos que acharem mais interessantes ou que não conseguiram explorar como gostariam. A roda de conversa ao final colabora para o processamento e a acomodação (os lugares mentais) da experiência. Pode ser uma conversa breve e sem pareceres definitivos, uma vez que o foco está na experiência de dançar com base nas propostas de Rudolf Laban.

CONEXÕES • Dança, a poética do corpo. Matéria publicada pelo Instituto Arte na Escola. Disponível em: <http://livro.pro/7t4m6d>. Acesso em: 13 nov. 2018.

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matéria para moldagem pelo professor-inventor-propositor. Os níveis, nessa proposta, aparecem como o espaço da ação. O plano (ou nível) baixo compreende aproximadamente o espaço que vai do chão à altura do umbigo; dessa altura até os ombros, temos o nível médio; e o nível alto, dos om-

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bros para cima. É interessante não informar a demarcação aproximada dos níveis, permitindo que os alunos encontrem a sua relação com o que o corpo deles traz como alto, médio e baixo. A imagem da Oficina 4 é um exemplo interessante dos três níveis e pode-se retomá-la após o experimento.

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CONCEITOS EM FOCO

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PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Proponha uma situação de fruição para os alunos conhecerem uma forma de dançar e expressar-se que difere bastante, especialmente em relação ao tempo do movimento e à tensão, das danças populares e teatrais mais conhecidas. O butô ou butoh desenvolveu uma forma singular, em conexão com elementos do expressionismo alemão, de pensar a arte do corpo em diálogo com um dos eventos mais assustadores da história humana, a devastação causada pela bomba atômica no Japão. É interessante assistir com os alunos a uma apresentação de Kazuo Ohno, um dos pioneiros do butô e a um curto vídeo do fundador do butô, o coreógrafo Tatsumi Hijikata (links indicados em Conexões).

PARA AMPLIAR CONCEITOS É interessante pensar em como o butô encontrou acolhimento no país. A expressão de sentimentos e questões densas no contexto da dança nem sempre encontraram espaço no Brasil, pois há uma predominância do espírito alegre e festivo nessa linguagem. O butô abre espaço para trazer a sombra, o outro lado da alegria festiva, não apenas como tema, mas por meio de um corpo que pensa e se move nessa poética.

Dança de pensamentos

Continuando nosso estudo sobre “a língua que a dança fala”, propomos uma questão muitas vezes evitada: o que é dança? Reflita um pouco e tente encontrar uma forma de descrever o que é dança. Geralmente, quando não conseguimos definir algo, passamos a dar exemplos, como dança é samba, funk, balé, axé, sapateado, zumba etc. Porém, esses são os estilos de dança. E dança, o que é? Alguns poderão dizer que a dança é um conjunto de passos. Vários passos formam uma dança. Seria uma boa definição, caso as barreiras do passo não tivessem sido rompidas pelas danças moderna e contemporânea. A jornalista e professora Helena Katz uniu Arte, Filosofia e Ciências como forma de propor um novo olhar sobre a dança. Em 1994, defendeu uma interessante ideia: a dança é o pensamento do corpo! É preciso treinar o corpo, explorar suas possibilidades, repetir e também inventar, evoluindo o pensamento corporal. Michael Jackson, ícone da cultura pop, destacou-se por sua inteligência corporal na dança (além de seu trabalho como músico e compositor). De acordo com Helena Katz: [...] a mais complexa possibilidade de movimento em um corpo, aquela a que se pode identificar com o nome de pensamento do corpo, essa é a dança. KATZ, Helena. Um, dois, três. A dança é o pensamento do corpo. Belo Horizonte: FLD, 2005. p. 39.

WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO

corpo • Coreografia

tema 2

Helena Katz, atuante no jornalismo cultural e na área acadêmica, é uma das maiores especialistas em dança no Brasil. Foto de 2001.

Ou seja, a dança é a forma mais complexa de pensamento do corpo. O butô, dança japonesa que emergiu após a Segunda Guerra Mundial (19391945), contém uma preocupação filosófica que se transforma em dança. Essa palavra, composta pelos ideogramas japoneses bu (dança) e tô (bater o pé, andar pesadamente), traz ideias que ganham expressão em uma forma artística que não abarca passos convencionais de dança. Observando a imagem do japonês Kazuo Ohno (1906-2010), podemos concluir que a dança é a expressão do corpo. Ou seja, a dança seria uma forma de exprimir ideias e sentimentos. A dança de Kazuo Ohno exigia um refinado pensamento do corpo para exprimir suas ideias e sentimentos. Fotografia de 1988, na Asia Society, em Nova York (EUA).

LINDA VARTOOGIAN/GETTY IMAGES

• Linguagem da dança • Movimento • Dança como pensamento do

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+IDEIAS Comente com os alunos que a pesquisa de Helena Katz no universo das Ciências permitiu que ela tivesse contato com uma tese que lhe pareceu especialmente reveladora: o pensamento não é algo que ocorre somente no cérebro: D2-ARTE-EF2-V9-U2-C2-076-103.indd 94

a mente está em todo o corpo. Se a mente está em todo o corpo, qual seria a diferença da dança para as demais formas de pensamento? O que seria esse pensamento do corpo? Seria nosso corpo fazendo aquilo que a cabeça manda? A tese de Helena Katz é comple-

xa e envolve Filosofia, Semiótica, ciências cognitivas e Biologia. A pergunta é uma forma de instigar os alunos a pensar acerca da singularidade da dança enquanto um pensamento do corpo que abrange tanto questões ligadas à Educação Física quanto à Arte.

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tema tema11 mundo

REGISTROS E AVALIAÇÃO Você pode solicitar aos alunos que façam uma reflexão em seus Diários de arte quanto a suas ideias sobre o tema proposto, salientando que nele há espaço para hipóteses e dúvidas também.

conectado

A guerra pensada no corpo Que marcas um conflito pode deixar em nossa cultura? Poderiam emergir novas linguagens influenciadas pelos traumas de uma guerra? Na Segunda Guerra Mundial, algumas das imagens mais marcantes apontam para as bombas atômicas que foram lançadas sobre duas cidades japonesas, Hiroshima e Nagasaki, devastadas em um episódio de terror. Após a guerra, emerge o butô, e a expressão do corpo ganha contornos densos. O coreógrafo japonês Tatsumi Hijikata (1928-1986) foi o fundador do butô e mostrou ao mundo uma forma única de dança, carregada de teatralidade, com escuridão, decadência e elementos grotescos. O japonês Kazuo Ohno (1906-2010), o principal dançarino de butô, escreveu, dançou e difundiu o butô por todo o planeta. No Brasil, Takao Kusuno e Felícia Ogawa foram os primeiros a desenvolver essa dança, conseguindo promover a entrada de Kazuo Ohno na cena brasileira. Outros nomes que ajudam a promover o butô no Brasil são José Maria Carvalho, Emilie Sugai, Maura Baiocchi, Denilton Gomes, Janice Vieira, Antunes Filho e a companhia Lume.

CLAIRE JEAN

CONEXÕES • Helena Katz. Disponível em: <http://livro.pro/72mpyy>. Acesso em: 13 nov. 2018. • Instituto Butô de Nova York (site em inglês). Disponível em: <http://livro.pro/ va23oh>. Acesso em: 13 nov. 2018. • ANTUNES retoma Foi Carmen. Disponível em: <http:// livro.pro/ay9djg>. Acesso em: 13 nov. 2018. • KAZUO Ohno: mother. Disponível em: <http://livro.pro/ ndf26g>. Acesso em: 13 nov. 2018. • TATSUMI Hijikata. Disponível em: <https://www.youtube. com/watch?v=3xYsO7OpQkQ& feature=youtu.be>. Acesso em: 13 nov. 2018.

Vinicius Santi, aluno de José Maria Carvalho, é parte da nova geração de dançarinos de butô. Na fotografia acima, uma gruta no vale do Pati, na Chapada Diamantina (BA), torna-se o local da dança desse artista, em 2012.

LENISE PINHEIRO

A atriz Emilie Sugai em cena da peça Foi Carmen Miranda (2005), com o grupo Macunaíma. Texto, concepção e direção de Antunes Filho, que misturou butô e samba na concepção cênica do espetáculo.

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Você já notou a diferença de habilidade das gerações mais novas em relação às anteriores na manipulação de dispositivos tecnológicos? As crianças e jovens têm mais facilidade no uso da tecnologia de toque (touch screen) do

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que adultos e idosos. Os corpos dos mais velhos aprenderam (e acostumaram-se com) outros usos especializados para os seus corpos. Contudo, há danças possíveis para todas as idades e para todos os corpos.

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CONCEITOS EM FOCO • • • •

Linguagem da dança Movimento Cultura popular Culturas juvenis

BNCC

MAIS DE PERTO

Funk Brasil Observe a imagem a seguir.

© VINCENT ROSENBLATT / AGENCIA

UNIDADE TEMÁTICA • Dança HABILIDADES • (EF69AR09) • (EF69AR10)

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS O funk, desde seus primórdios no Brasil, cria versões, estilos e brincadeiras. Nesse ritmo os MCs Jack e Chocolate criaram o funk Morto muito louco. Ao mesclar a brincadeira com um repertório de movimentos que se tornaram característicos do funk, foi criada uma coreografia. A fonte de inspiração para a criação coreográfica foi o filme Um morto muito louco II, de 1993. Nele, o ator Terry Kiser interpreta um falecido milionário que, após ser enfeitiçado, se levanta e caminha ao som de uma música (link disponível em Conexões). As coreografias tornaram-se cada vez mais populares no cenário funk. Os chamados “passinhos” conquistam espaço na internet e nos bailes. A dança, que foi introduzida com maior força pelas mulheres do funk, as funkeiras, conquista também o público masculino.

PARA AMPLIAR CONCEITOS O funk estadunidense é uma música ritmada e dançante que emergiu em meio à cena musical negra do país. A sua força contagiante rapidamente se espalhou para outros países, chegando também às terras brasileiras.

Bonde dos Muleks 100 Limits ensaiando coreografia, em 2006. Fotografia do projeto de Vincent Rosenblatt, Rio Baile Funk.

O funk brasileiro é um fenômeno cultural que nasceu nas comunidades dos morros do Rio de Janeiro (por isso, inicialmente, foi chamado de funk carioca) e, ao longo dos anos, foi conquistando cada vez mais espaço em todo o país e nos mais diferentes contextos. Se compararmos o funk brasileiro com a sonoridade e a dança do funk surgido nos Estados Unidos na década de 1960, mal reconheceremos alguma ligação entre eles. O som original do funk estadunidense foi gradativamente cedendo espaço às batidas produzidas aqui. Ao som de um ritmo marcado, os MCs (abreviatura do inglês master of cerimonies – mestre de cerimônias) desfilavam suas próprias letras e sons. Sem alternativas de lazer e cultura, os moradores das favelas e comunidades carentes cariocas criaram localmente formas próprias de diversão, como as festas e os bailes nos espaços possíveis. Rapidamente o funk entrou para o repertório de música dos bailes dos jovens nos morros. A dança e a música fizeram tamanho sucesso que passaram a ser organizados eventos cujo tema era essa linguagem, de onde surgiram os primeiros bailes funk. 96

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+IDEIAS Pergunte aos alunos que tipo de música eles gostam de ouvir e qual é a opinião deles sobre o funk brasileiro e o funk estadunidense. Lembre-os de ouvir e respeitar a opinião dos colegas. Abordar o funk na escola é algo que precisa de cuidados especiais, uma vez que há apologias criadas por alguns grupos e MCs que não são pertinentes ao contexto escolar. Os temas de violência, por exemplo, podem ser problematizados e contextualizados, sendo importante fortalecer a cultura de paz. Se o tema da violência ganhou espaço no funk, isso se deve à exposição ao ambiente violento no qual os bailes funk tiveram início. A música proporcionou a expressão da situação em que viviam.

A figura dos DJs (abreviatura de disc jockeys) foi fundamental para a transformação da linguagem desse estilo. Eles faziam a seleção das músicas e as tocavam nos aparelhos de som dos bailes. Alguns DJs começaram a compor letras de música em língua portuguesa e a cantá-las sobre as músicas de funk estrangeiro, isto é, enquanto a música era tocada no baile, o DJ cantava a mesma melodia da música, mas com a letra que havia escrito. Apesar de ficarem duas letras sobrepostas – a original em língua inglesa e a nova composição cantada ao vivo em português –, foi possível inserir na música um elemento que refletia a energia particular daquele contexto. Novos recursos permitiram que apenas a voz dos DJs fosse ouvida. Nos bailes funk passaram-se a ouvir e a dançar, então, a voz, os anseios e os passos específicos dos jovens das comunidades. Os compositores assumiram a identidade de MCs, e cresceu a importância dos bailes para a vida cultural e o lazer nos morros. O funk carioca, inicialmente, adquiriu um aspecto violento e masculino. Havia muitas brigas e agressividade nos bailes, mas, mesmo assim, eles acabaram se tornando famosos fora da realidade de origem. Em uma fase posterior, as mulheres passaram a conquistar espaço e a dança ressurgiu com nova força. Esse processo de transformação culminou nos "batidões" e no funk brasileiro atual. Ainda há algumas versões agressivas e preconceituosas, mas ficaram mais restritas. As versões mais aceitáveis (sob o olhar da cultura dominante) popularizam-se em hits (músicas de grande sucesso) mais “comportados”, segmentados conforme a idade e o público a que se destinam, existindo até versões gospel (de caráter de louvação religiosa). © VINCENT ROSENBLATT / AGÊNCIA OLHARES

REGISTROS E AVALIAÇÃO Peça aos alunos que registrem em seus Diários de arte os assuntos abordados, acrescentando também suas reflexões e críticas.

DJ Marcelo Negão no morro Santa Marta, Rio de Janeiro (RJ), em 2009.

CONEXÕES • COMO surgiu o funk? Disponível em: <http://livro.pro/ cdu2xw>. Acesso em: 13 nov. 2018. • UM MORTO muito louco. Ouça a letra da versão criada pelos MCs Jack e Chocolate, acompanhando cenas do filme original. Disponível em: <http://livro.pro/hcovxo>. Acesso em: 13 nov. 2018.

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CONCEITOS EM FOCO

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PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Antes de realizar a proposta de criação coreográfica, tente relaxar os alunos, tirar a tensão para realizar os próximos experimentos. Para realizar os procedimentos sugeridos, escolha um espaço reservado na escola. Isso deixará os alunos mais à vontade. Criar e montar determinada coreografia geralmente requer muitos ensaios e repetições, o que pode exigir uma estrutura de tempo, espaço e outros recursos indisponíveis na escola. Optamos por propostas simples de experiências coletivas que oferecem uma base para a criação coreográfica e podem ser criadas em um espaço comum. Essa exploração é bastante significativa, pois permite a experimentação sequencial de ações que serão utilizadas para a elaboração de células coreográficas.

DANÇA

Experiência coreográfica Que tal experimentar uma criação coreográfica? Existem várias possibilidades de dançar e coreografar. Poderíamos ensaiar passos ou sequências precisas de movimentos, mas vamos propor algo diferente. Dando continuidade à ideia de explorar os movimentos do corpo, você poderá incrementar o seu vocabulário de dança pessoal e, assim, ter mais elementos para viver uma experiência coreográfica.

Processo de criação

Cumprimento Comece caminhando pelo espaço escolhido para a prática da dança. Explore o local e experimente andar em diferentes direções. Procure não deixar grandes vazios. Depois, o professor indicará uma parte do corpo (mãos, nuca, tornozelo, barriga etc.) com a qual você cumprimentará os colegas que encontrar durante a caminhada, dirigindo-se sempre àquele que estiver mais próximo. Assim que terminarem de se cumprimentar, vá em direção ao colega mais próximo. Em seguida, o professor acrescentará mais uma parte do corpo nas indicações (joelho e costas, nariz e punho etc.) e os cumprimentos serão de uma parte com a outra.

Veja no material audiovisual o vídeo Coreografando.

GGOLDNETZ/SHUTTERSTOCK.COM

BNCC

arte em projetos

Ensaio do espetáculo Multiplicidade, formas de silêncio e vazio, do Staatsballett, em Berlim, Alemanha, em 2015.

Circuito Agora vamos ativar um grande circuito. Assim como nas cidades, em que a água é distribuída por tubulações e a eletricidade por meio dos fios, vamos criar um circuito de movimentos do corpo entre os colegas. Retome a caminhada no espaço, da mesma forma como iniciou a primeira proposta. Ao comando do professor, procure tocar com alguma parte do corpo o colega mais próximo. Desse modo, todos os alunos estarão conectados um ao outro em um circuito.

THEATREPIX/ALAMY/FOTOARENA

Linguagem da dança Movimento Cultura popular Direções de orientação espacial • Funções mecânicas do movimento • Nível espacial • Coreografia • • • •

Cena de apresentação de Sacha Waltz e convidados, em Londres, em 2012.

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NO AUDIOVISUAL No vídeo Coreografando, Bárbara Dasb e Rebeca Oliveira conversam sobre a construção de coreografias.

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PARA AMPLIAR CONCEITOS A proposta cumprimento retoma o trabalho com as partes do corpo e sugere a integração dos alunos por meio de uma ação divertida. Procure indicar partes do corpo inusitadas, como dedo mindinho, calcanhares, bochecha, dorso das mãos, topo da cabeça, unhas etc. Pode ser com ou sem trilha sonora. Se a turma estiver inibida, o uso de músicas divertidas e descontraídas pode colaborar para a entrega de todos à proposta.

Agora, o circuito não poderá mais ser desfeito, ou seja, todos devem estar em contato com algum colega a todo momento. Isso não significa que seja preciso permanecer com o mesmo colega. Você pode trocar de colega, mantendo-se sempre conectado ao circuito. Enquanto se movimenta, procure explorar as três funções mecânicas do corpo: esticar, dobrar e torcer. Fique atento, pois tendemos a esticar e dobrar mais do que torcer. Você poderá explorar também os planos alto, médio e baixo e as diferentes partes do corpo. Lembre-se de que o mais importante é manter-se conectado!

Ocupação

CESAR DINIZ/ PULSAR IMAGENS

A proposta agora é semelhante à anterior, isto é, explorar os movimentos de esticar, dobrar e torcer, dos planos e das partes do corpo. Agora, em vez de termos um circuito de contatos, teremos um circuito de espaços. Procure explorar as áreas deixadas vagas pelos colegas. Podem ser lugares desocupados ou até mesmo espaços entre as partes do corpo de alguém, como entre os braços. A proposta agora é evitar o contato, mas manter todos ligados por meio da ocupação dos espaços vazios com movimentos.

+IDEIAS Nesse jogo de contatos coletivos, evidenciamos a relação que se estabelece entre os corpos na dança. Procure incentivar a exploração dos diversos aspectos trabalhados na parte Territórios da dança da seção Arte em Projetos anterior. Você pode acrescentar “efeitos” temporais à experiência, sugerindo movimentos em câmera lenta, normal e acelerada. A proposta seguinte traz as mesmas características desta, contrastando no contato que será evitado.

Apresentação do Grupo Maracatu Palmeira Imperial, em Paraty (RJ), em 2012.

Isso, depois isso, depois aquilo

ATTILA KISBENEDEK / AFP

Agora é hora de ativar o pensamento do corpo para ações complementares. São movimentos encadeados, ou seja, que se complementam. Por exemplo: agachar, sentar, deitar e encolher; levantar, alargar e crescer; andar, acelerar e correr; construir, erguer, tremer e desmoronar; laçar, firmar e puxar. As possibilidades são muitas, e não há limites para a exploração das ações complementares, que podem ser restritas (dobrar os dedos, o pulso e o cotovelo) ou envolver todo o corpo (deslizar, saltar e aterrissar). A exploração é individual, mas todos estarão dançando no mesmo espaço e, assim, poderão surgir vários diálogos de movimentos durante a prática.

REGISTROS E AVALIAÇÃO O registro das vivências e processos criativos, tanto no Diário de arte quanto utilizando fotografia e filmagem, são importantes para o acompanhamento e a avaliação dos alunos na experiência dos corpos em movimento.

Apresentação da Cia. Yvette Bozsik, em Budapeste (Hungria), em 2012.

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CONEXÕES • A atriz Cate Blanchett encena uma coreografia dublada pela bailarina Katherine Crockett, da Companhia de Dança Martha Graham, em uma cena do filme O curioso caso de Benjamin Button. Vídeo. Disponível em: <http:// livro.pro/u8e6o4>. Acesso em: 13 nov. 2018.

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CONCEITOS EM FOCO

BNCC UNIDADE TEMÁTICA • Dança HABILIDADES • (EF69AR09) • (EF69AR10) • (EF69AR11) • (EF69AR12) • (EF69AR13) • (EF69AR14) • (EF69AR15)

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS O uso das letras dos nomes facilita a exploração das direções de orientação espacial. Encena-se aqui o percurso proposto para dar início à experimentação coreográfica. É importante incentivar o uso do repertório corporal explorado ao longo deste capítulo como matéria-prima para o processo de criação, evitando a criação de sequências coreográficas estereotipadas (ainda que alguns movimentos e elementos coreográficos mais familiares aos alunos sejam incorporados). Uma forma de evitar desconfortos após as apresentações é não aplaudi-las individualmente, estimulando os alunos para que o façam apenas depois da apresentação da turma toda. A dança contemporânea pode ser novidade para alguns e lhes causar estranhamento. O acolhimento do estranhamento e sua contextualização auxiliam na aceitação de novas propostas. Afinal, as propostas de Laban oferecem recursos que podem ser aproveitados em toda forma de pensamento do corpo, sem delimitar uma linguagem específica da dança.

Dance o nome

ANTONIO ROBSON DA SILVA

De quantas formas você poderia desenhar no espaço as letras do seu nome? Experimente escrever com diversas partes do corpo e acrescente um elemento importante da dança, as direções. Laban propôs 27 direções de orientação espacial iniciadas com base no centro do corpo. Na dança contemporânea, o número é ainda maior. Como escrever a primeira letra do seu nome com o cotovelo enfocando a diagonal baixa, à esquerda, para trás? Ou a segunda com a orelha em direção ao alto? Ou a terceira com o tornozelo para a lateral direita? Laban marcou cada uma das direções com um símbolo diferente. A ilustração ao lado consta do Dicionário Laban, de Lenira Rengel (Guararema, SP: Anadarco, 2014), e foi feita especialmente para ele.

Experimento coreográfico O professor orientará a formação de grupos para dar início a um experimento coreográfico. Uma coreografia é composta de uma sequência de movimentos (podendo conter ou não improvisos). Cada parte da coreografia chamamos de célula coreográfica. Em grupo, criem um encadeamento de células coreográficas, isto é, uma sequência de movimentos na qual várias partes seguidas uma da outra formam o todo.

NANA VIEIRA

Linguagem da dança Movimento Rudolf Laban e seu legado Direções de orientação espacial • Nível espacial • • • •

Núcleo de Dança Pélagos, grupo de dança na capital paulista que tem o objetivo de oferecer aos jovens da zona sul maior desenvolvimento corporal e aproximação com a arte e a cultura.

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PARA AMPLIAR CONCEITOS Imagine que parados ou em movimento somos cercados por uma esfera, e que, ao nos movimentarmos, essa esfera se move conosco. Laban chamou essa esfera imaginária que delimita o espaço no qual D2-ARTE-EF2-V9-U2-C2-076-103.indd 100

acontecem os nossos movimentos de cinesfera. Ao explorarmos o espaço de nossa cinesfera, por meio de experiências estésicas e artísticas, tomamos consciência de nosso espaço no mundo, despertando-nos para a consciência corporal e

novas possibilidades de movimento. Incentive os alunos a ampliar e reduzir o raio de sua cinesfera durante os experimentos propostos. Ao longo do processo de criação, pensar a cinesfera pode enriquecer sua experimentação coreográfica.

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gêneros, estilos e artistas. Batendo na palma de uma das mãos com dois dedos, peça que marquem o pulso, como se fosse um metrônomo. Proponha então aos alunos ficarem em pé. Repita a proposta anterior. Ao identificarem o pulso com a palma de dois dedos, peça que dobrem levemente os joelhos e marquem o pulso também com o corpo, balançando verticalmente. Quando estiverem com o corpo conectado à proposta, peça para marcarem o tempo com os pés. Pode ser um passo básico: uma pisada com o pé direito levemente para dentro e uma pisada com o mesmo pé no ponto inicial e uma pisada com o pé esquerdo levemente para dentro e uma pisada com o mesmo pé no ponto inicial. É uma marcação de 4 tempos e também um passo básico para dançar em diferentes contextos. Após a marcação com os pés (ressalte que é importante manter os joelhos flexíveis e não esticados), peça para manterem o pulso com o movimento do corpo sem o uso da palma. Por meio dessa proposta, os alunos poderão vivenciar a relação entre as linguagens da música e da dança.

Para a realização desse experimento, utilizem a primeira letra do nome dos membros do grupo. Por exemplo, um grupo formado por Rodolfo, Marta, Marcos, Alessandra, Antônio e Helena terá as letras R, M, A e H. Para a criação das sequências de movimentos, você e os colegas poderão utilizar todas as propostas de dança abordadas neste capítulo. Os movimentos podem ser sincronizados, isto é, mais de uma pessoa realiza simultaneamente os mesmos movimentos, ou de forma assincrônica, com movimentos que independem um do outro. Ou, ainda, mesclar movimentos sincronizados e dessincronizados. O grupo poderá criar várias células coreográficas encadeadas ou criar uma única sequência direta. Depois de criadas, repita a sequência coreográfica completa, pois, a cada repetição, ela evolui e poderá até mesmo passar por modificações e se “ajeitar” melhor nos corpos. Depois de ensaiar, apresentem as sequências coreográficas. Para encerrar, estabeleçam uma roda de conversa para trocarem impressões, sensações e ideias que surgiram em todo o processo. + PERTO DE VOCÊ

Como é a presença da dança em sua vida? Que danças são praticadas por sua família? Há dança em lugares que você frequenta? Na sua região, há danças tradicionais populares? Há danças teatrais, como balé, jazz, sapateado, e formas contemporâneas de dança?

D i á r i o d e a rt e Que tal convidar a turma e os professores para criar projetos de arte com base em seu aprendizado nesta Unidade? Crie projetos, faça desenhos sobre as possíveis coreografias e performances e anote tudo no seu Diário de arte. Boa trajetória pelos caminhos da arte!

MISTURANDO TUDO 1. Você imaginava que havia tantas ideias a respeito da dança? O que você descobriu de inusitado? 2. Você experimentou movimentos novos para dançar? 3. Descobriu como as diversas partes do corpo podem participar da dança? 4. Como foi a experiência de coreografar?

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+IDEIAS Pode-se explorar a relação entre música e dança por meio do pulso. Incentive os alunos a identificar o pulso em diferentes músicas. Primeiro mostre a diferença entre o ritmo e a pulsação. Enquanto o ritmo é caracterizado, em geral, por suas variações, o pulso é uma

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marcação constante. Pode-se mostrar o metrônomo (há versões digitais e aplicativos, caso não disponha do aparelho) e comentar que ele é muito utilizado para o estudo musical e também em estúdios durante a gravação de músicas. Você pode mostrar vídeos de artistas utilizando o metrônomo.

O professor Armando Viana mostra, em vídeo, alguns exercícios para tocar bateria utilizando o metrônomo. Selecione trechos do vídeo que considerar mais interessantes (link disponível em Conexões). Depois de se familiarizarem com o pulso, promova a audição de músicas de diferentes 11/19/18 7:21 PM

CONEXÕES • RENGEL, Lenira Peral. Dicionário Laban. São Paulo: Annablume, 2003. • Corponectividade, termo utilizado por estudiosos contemporâneos da dança, que aponta para a concepção de um corpo integrado. Entrevista com Lenira Rengel. Disponível em: <http://livro.pro/i2is64>. Acesso em: 13 nov. 2018. • Metrônomo. Disponível em: <http://livro.pro/hgifvx>. Acesso em: 13 nov. 2018.

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CONCEITOS EM FOCO • Linha do tempo temática

arte pelo tempo

Os seres humanos e a dança

BNCC

HABILIDADES • (EF69AR09) • (EF69AR10)

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS

PARA AMPLIAR CONCEITOS Quando o homem deixa de ser nômade e torna-se sedentário, e de predador passa a ser produtor, surgem então, no período neolítico, a agricultura e a pecuária. Nesse período, os rituais em forma de dança estão associados ao festejo, ao cultivo da terra, ao preparo para o plantio e celebração pela colheita. A Arqueologia, por sua vez, indica “a existência da dança como parte integrante de ce-

Elenco do Royal Ballet (Reino Unido) interpretando a versão coreográfica de Marius Petipa e Lev Ivanov para o balé de repertório O lago dos cisnes, de 1895. Fotografia de 2012.

O Grupo CENA 11 desenvolve uma técnica particular e instaura projetos de pesquisa e formação, sempre com o propósito de confluir teoria e prática no entendimento da dança. Fotografia de 2015.

Dança de Cogul, pintura rupestre do período Paleolítico (c. 10000 a.C.). Cogul, Cova dels Moros, Espanha. Fotografia de 2008.

MUSEE MUNICIPAL ANTOINE VIVENEL, COMPIEGNE, FRANCE / BRIDGEMAN IMAGES/KEYSTONE BRASIL

WORLD HISTORY ARCHIVE / ALAMY / FOTOARENA

Isadora Duncan, uma das pioneiras da dança moderna. Fotografia de 1920.

MUSEU D'ARQUEOLOGIA DE CATALUNYA, BARCELONA, SPAIN

Muitos estudiosos consideram que a dança tenha se originado há cerca de 14.000 anos a.C. entre os homens pré-históricos. As figuras gravadas nas paredes de cavernas pré-históricas, chamadas de arte rupestre, revelam indícios da “dança primitiva”, o que, de acordo com Paul Bourcier (1987, p. 5), seria a representação dos ancestrais de dançarinos. Para o autor, o ecossistema paleolítico naquele período era baseado nos animais e, por isso, “as danças só poderiam referir-se a eles”. Um dos primeiros registros desses ancestrais dançarinos está localizado na Gruta de Gabillou, na França, e data de 10.000 anos a.C. Em uma parede da gruta encontra-se uma silhueta vista de perfil realizando uma espécie de salto. Ainda na França, na gruta de Trois-Frères, outra figura, isolada de outras, parece realizar um movimento semelhante a um giro sobre si mesmo.

CRISTIANO PRIM

SLAVKO SEREDA/SHUTTERSTOCK.COM

UNIDADE TEMÁTICA • Dança

Na Antiguidade, o movimento corporal fazia parte do cotidiano de civilizações ocidentais como a grega, na qual a dança era ritualística e tinha características sagradas. Na imagem, movimentos de braços e pernas retratados em ânfora grega (566 a.C.).

PRÉ-HISTÓRIA

IDADE ANTIGA

(c. 2 milhões a.C. -c. 4000 a.C.)

(c. 4000 a.C.-476 d.C.)

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rimônias religiosas, parecendo correto afirmar que a dança nasceu da religião, se é que não nasceu junto com ela” (Bourcier, 1987, p. 13). Assim, a dança nasce da necessidade de expressão do homem, inicialmente associada aos ritos mágicos e, posteriormente, à natureza e à sobrevivência. D2-ARTE-EF2-V9-U2-C2-076-103.indd 102

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LETICIA MOREIRA/FOLHAPRESS

CORBIS/GETTY IMAGES

NANA VIEIRA

Aula de dança de roda brasileira, no Instituto Brincante, na capital de São Paulo. As danças circulares tradicionais, sagradas ou não, nos colocam um pouco mais em contato com os elementos socioculturais de outros grupos, como os indígenas. Fotografia de 2010.

Danças camponesas das Festas de Maio, litogravura do livro A Idade Média e o Renascimento (1847), de Paul Lacroix, mostra uma dança tradicional praticada no final da Idade Média (século XV).

IDADE MÉDIA (476 d.C.-1453 d.C.)

Núcleo de Dança Pélagos, projeto realizado na capital paulista que tem o objetivo de oferecer aos jovens da zona sul maior desenvolvimento corporal e aproximação com a arte e a cultura. Fotografia de 2012.

ANNA OMELCHENKO/SHUTTERSTOCK.COM

THE BRIDGEMAN ART LIBRARY/EASYPIX BRASIL

Martha Graham, dançarina estadunidense que revolucionou a dança moderna. Fotografia de 1940.

Guerreiros Masai em dança tradicional de uma cerimônia no Quênia, África. Fotografia de 2008.

IDADE MODERNA

IDADE CONTEMPORÂNEA

(1453 d.C.-1789 d.C.)

(1789 d.C. à atualidade)

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+IDEIAS Como os alunos poderiam expressar sua relação com o sagrado por meio da dança? Pode-se propor aos alunos que criem individualmente uma célula coreográfica em que movimentos dançados expressem essa relação. Pode-se formar grupos e criar coreografias a partir das células coreográficas individuais. REGISTROS E AVALIAÇÃO Um momento de parada ao fim de cada capítulo e unidade pode promover a avaliação do processo e do produto, assim como a avaliação em suas múltiplas dimensões, como a diagnóstica e a comparativa (percebendo o que os alunos sabiam antes, no início dos estudos, e o que sabem agora) e ainda percebendo como o professor, em diálogo com os alunos, pode repensar rotas pedagógicas e trazer mais situações de aprendizagem necessárias aos desenvolvimento dos alunos. Sempre oriente os alunos a conversar, analisar e registrar sobre o que descobrem e ampliam saberes acerca das linguagens artísticas. Sobre a percepção dos patrimônios e produções artísticas e culturais locais, proponha aos alunos que criem mapas para procurar as linguagens artísticas em sua cidade e espaços em redes e aplicativos sociais na internet para dinamizar esses saberes, valorizando o local ao descobrir e estudar o global. CONEXÕES • BOURCIER, Paul. História da Dança no Ocidente. São Paulo: Martins Fontes, 1987. • FARO, Antonio José. Pequena História da Dança. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1986. • RENGEL, Lenira; Langendonck, Rosana van. Pequena viagem pelo mundo da dança. São Paulo: Moderna, 2006.

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Traços, cores e sons

WASHINGTON FIDÉLIS/FOLHAPRESS

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HIP-HOP

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TRAÇOS E MATERIALIDADES

Os artistas traçam com poesia. Desenham, colorem, pintam, constroem imagens. Observam o mundo e nos devolvem um novo mundo – nos museus, nos livros, nas ruas – cheio de imagens que afetam nossos olhares e habitam nosso imaginário.

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ARTE E CULTURA

COLEÇÃO PARTICULAR

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ARTE NAÏF

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NO DIGITAL • Veja o plano de desenvolvimento para a Unidade 3. • Desenvolva o projeto integrador sobre arte urbana que encontramos nos locais onde estamos inseridos. • Explore as sequências didáticas propostas para o terceiro bimestre. • Acesse a proposta de acompanhamento da aprendizagem.

SANDRA BORDIN

DESENHO E MODA

ATELIÊ CRIATIVA JUM NAKAO

Converse com a turma sobre as imagens que abrem a Unidade. Faça sempre a leitura delas e dos termos que aparecem (palavras/conceitos), explorando o conhecimento prévio dos alunos. Esse momento é importante para diagnosticar o que eles já sabem sobre o assunto. Pergunte: • Por que você acha que estas imagens estão aqui? • Elas te lembram de algo? O quê? • Já viu alguma delas antes? • E sobre as palavras que aparecem, o que elas significam? As imagens e palavras são problematizadoras e estão presentes em todas as aberturas de Unidade do livro. Propomos, como já indicamos anteriormente, a criação de um glossário investigativo, com base nos termos que aparecem neste momento e outros que irão surgir ao longo do estudo. Peça aos alunos que escrevam em seus Diários de arte o que já sabem sobre essas palavras. Depois, eles podem consultar um dicionário para completar as informações. Na medida em que forem caminhando com o estudo do livro, podem retornar a esses registros, ampliando suas anotações.

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PERCURSOS POÉTICOS, ESTÉTICOS E ARTÍSTICOS

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STU FORSTER/GETTY IMAGES

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Citamos, nestas páginas, diferentes modos de desenhar e pintar. Apresentamos exemplos de arte naïf, festividades populares e cultura hip-hop. Um dos focos desta coleção é sempre apresentar artistas brasileiros e depois ampliar o estudo para a arte universal.

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A RT ES VISUA IS

CONTEXTUALIZAÇÃO

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GALERIA JACQUES ARDIES, SÃO PAULO

COLEÇÃO PARTICULAR.©TARSILA DO AMARAL EMPREENDIMENTOS LTDA.

PINTURA

XICA LIMA

M.C. ESCHER’S “DRAWING HANDS” © 2018 THE M.C. ESCHER COMPANY-THE NETHERLANDS. ALL RIGHTS RESERVED. WWW.MCESCHER.COM

MODERNISMO

ATO DE DESENHAR

WWW.CRANIOARTES.COM

ACERVO ROSANA URBES

DESENHO DESDE SEMPRE

AQUARELA

SITUAÇÕES DE APRENDIZAGEM Nesta Unidade, trabalhamos com diferentes situações de aprendizagem. Por exemplo, a nutrição estética, que articula várias dimensões do conhecimento, em especial a fruição e a estesia. Ela aparece nas aberturas dos capítulos e nas seções Venha e Mais de perto. Nas seções com os Temas e em Mundo conectado, damos ênfase aos momentos de contextualizações, por meio de rodas de conversa (no pequeno e no grande grupo), abordando as dimensões da reflexão e crítica. As propostas de pesquisas, os registros no Diário de arte e a resolução de exercícios possibilitam ampliar repertórios, por meio da reflexão, da crítica e da expressão. Assim como a seção Arte em Projeto, que propõe expressão e criação, com foco no eixo “fazer”. Nesse sentido, propomos o estudo de diversos campos conceituais do universo da arte e cultura, em percursos com momentos de apreciação, reflexão e produção. Realize sempre paradas estratégicas, para avaliações do processo de aprendizagem e da produção dos alunos. COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE ARTE Nesta Unidade, serão mobilizadas as competências: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9.

Arte e você em: • Capítulo 1 – Nossos traços • Capítulo 2 – Sons e cores do Brasil

ARTE URBANA

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CONCEITOS EM FOCO • • • • •

CA

Linguagem convergente Desenho e moda Figurino Traços e materialidades Linhas, formas e cores

BNCC UNIDADE TEMÁTICA • Artes visuais HABILIDADES • (EF69AR01) • (EF69AR04) • (EF69AR02) • (EF69AR05) • (EF69AR03) • (EF69AR08)

ULO

Nossos traços Trajetórias para a arte

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS

• No princípio era o traço • Tema 1 – Desenho • Arte em Projetos – Artes visuais • Tema 2 – Ilustração no tempo e do tempo • Arte em Projetos – Artes visuais

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Neste capítulo, exploramos o desenhar e o pintar, mostrando que riscadores e pincéis são ferramentas para criar e que as tintas são produzidas por meio de muitas combinações químicas. Converse com os alunos sobre como essas materialidades vêm se transformando ao longo do tempo. Propomos também um estudo sobre o desenho como processo e produto, ligado a linguagens convergentes, como a moda, o design e a ilustração. A imagem de abertura retrata a apresentação da cantora e compositora Marisa Monte (1967-) na cerimônia de encerramento das Olimpíadas 2012, em Londres. Ela usa um figurino criado por Jum Nakao (1966-), que retrata o mar e aspectos religiosos de tradição afrodescendente. Chame a atenção dos alunos para a materialidade usada. São sombrinhas estampadas com traços de diversas espessuras e em vários tons de azul. A intenção era causar uma sensação de movimento, como o das ondas do mar. A artista entrou cantando um trecho da ária das Bachianas Brasileiras no 5 , de Heitor Villa-Lobos. Se possível, procure o vídeo na internet para mostrar aos alunos (veja dica em Conexões).

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+IDEIAS Proporcione à turma um momento de escuta sensível e atenta da obra Bachianas Brasileiras no 5 , de Heitor Villa-Lobos, um dos mais importantes nomes da nossa música. D2-ARTE-EF2-V9-U3-C1-104-131.indd 106

PARA AMPLIAR CONCEITOS As linguagens convergentes são aquelas que se nutrem dos aspectos estéticos e poéticos da arte, mas estão a serviço de outras demandas da cultura contemporânea, como o consumo, o utilitarismo, a

comunicação de massa e o urbanismo. As linguagens que convergem para as artes visuais, como o design, a moda, a arquitetura, a publicidade e a ilustração, descendem da criação da forma, da poesia, mas se destinam à funcionalidade.

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REGISTROS E AVALIAÇÃO Aproveite este início de capítulo para levantar os conhecimentos prévios dos alunos e suas expectativas sobre conceitos e temas que serão estudados. Você pode fazer anotações na lousa e solicitar a eles que registrem essa lista em seus Diários de arte – material que pode ser sempre consultado ao longo dos estudos. CONEXÕES • CERIMÔNIA de encerramento das Olimpíadas de Londres, de 2012. Disponível em: <http://livro.pro/fefpug>. Acesso em: 14 nov. 2018. • BACHIANAS brasileiras nO 5. Disponível em: <http://livro. pro/mppp88>. Acesso em: 14 nov. 2018.

Cerimônia de encerramento das Olimpíadas de Londres (2012), em que a artista Marisa Monte canta com figurino de Jum Nakao.

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CONCEITOS EM FOCO

venha planejar e desenhar!

• Linguagem convergente • Desenho como processo e es-

BNCC UNIDADE TEMÁTICA • Artes visuais HABILIDADES • (EF69AR01) • (EF69AR04) • (EF69AR02) • (EF69AR05) • (EF69AR03) • (EF69AR08)

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Proponha um momento de nutrição estética com base no desenho de Michelangelo, presente na seção Venha planejar e desenhar!. Explique aos alunos que esse desenho foi produzido entre 1508 e 1512, com o riscador giz vermelho, sobre folha de papel. É um dos estudos de Michelangelo para a criação da pintura no teto da Capela Sistina, atualmente um setor do acervo do Museu do Vaticano. Esclareça que, durante muito tempo, o desenho era entendido como um estudo que antecedia a criação de pinturas e esculturas. Nesse sentido, era parte do processo e não o produto artístico final. Peça à turma que leia o texto de apoio da página e observe a imagem com atenção. Pergunte: • Você já conhecia a arte de Michelangelo? • O contraste entre as áreas claras e escuras provocam quais efeitos? Chame a atenção para as linhas, os volumes e os efeitos de luz e sombra que o artista conseguiu criar. Destaque também a forma como ele estudava a anatomia humana, buscando representar a estrutura óssea, os músculos e as expressões da personagem retratada. Michelangelo foi um dos mais talentosos artistas nesse âmbito.

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Observe o desenho a seguir. MUSEU METROPOLITANO DE ARTE, NOVA YORK/ BRIDGEMAN /KEYSTONE BRASIL

tudo • Ilustração • Traços e materialidades • Linhas, cores e formas • Luminosidade e volumes no desenho

Sibila – profetisa – estudo em desenho para pintura da Capela Sistina, de Michelangelo. Giz vermelho sobre papel.

Um ponto, uma linha, um traço preenchendo o vazio do espaço. Uma folha à espera de receber arte direto do imaginário. Um esboço, um plano, um projeto a ser desenhado. E então meu desenho torna-se desígnio edificado! Ensaio para compreender que formas tem o pensamento e o que pode se tornar o seu alento. Inspiração, pesquisa, estudo é o que mobilizo para fazer nascer o processo artístico! 108

Na seção Venha criar e ilustrar!, trazemos um esboço (em grafite) e uma arte-final (ilustração colorida) criados por Rosana Urbes. Aproveite o texto poético para provocar o olhar dos alunos e aguçar sua curiosidade para saber mais sobre essa artista. D2-ARTE-EF2-V9-U3-C1-104-131.indd 108

Proporcione espaço para que eles possam se expressar sobre como criam desenhos e pinturas. Sugerimos a pauta: • Você costuma desenhar primeiro e depois pintar os desenhos? • Quais materiais você usa em seus trabalhos? • Uma ilustração de livro já

chamou sua atenção? • Gosta de algum ilustrador ou ilustradora em particular? • Já conhecia o trabalho de Rosana Urbes? • Comparando os desenhos de Michelangelo com os de Rosana Urbes, o que você tem a dizer?

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PARA AMPLIAR CONCEITOS Em um livro ilustrado, o trabalho do escritor se faz pelas palavras, o do ilustrador, pelas imagens. Juntos, mostram o lugar, quem está por lá, o que acontece no texto literário. A ilustração é uma linguagem convergente porque usa muitos elementos da linguagem visual, mas o fim não é apenas estético e artístico. Ela busca potencializar a leitura do texto, acrescentando, muitas vezes, informações extras.

venha CRIAR E ILUSTRAR!

ACERVO ROSANA URBES

ACERVO ROSANA URBES

Observe as imagens a seguir.

Na primeira imagem, o esboço em grafite. Na segunda, a ilustração colorida Meu dia é assim, de Rosana Urbes.

REGISTROS E AVALIAÇÃO Proponha aos alunos que comentem como se relacionam com as ilustrações dos livros com os quais têm contato. Se possível, leve-os à biblioteca da escola para que apreciem mais trabalhos de ilustradores. Depois, oriente-os a fazer registros em forma de desenhos ou textos escritos sobre o que apreciaram e discutiram nestas duas páginas. CONEXÕES • SIBILA, de Michelangelo, no Museu Metropolitano de Arte de Nova York. Disponível em: <http://livro.pro/inrsas>. Acesso em: 15 nov. 2018. • Rosana Urbes. Disponível em: <http://livro.pro/vrneua>. Acesso em: 15 nov. 2018.

Linhas, surgem traços. Cores e formas criam texturas, movimentos, efeitos de profundidade no desenho que aqui faço... Ilustração e desenho no livro ganham espaço. Quem dá formas a esse sonho? Quem cria o personagem? Ao texto o ilustrador propõe uma imagem. Dá visualidade ao personagem! Viagem! Abre a cortina do pensar e, com o autor do livro, também cria, inventa e à obra novo brilho acrescenta! Vamos conhecer o universo de desenhos, traços, linhas e de toda a gente que cria e inventa. 109

+IDEIAS Apresente mais desenhos da premiada artista Rosana Urbes, criadora de desenhos de animação e ilustrações. Se possível, visite o site dela com

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os alunos (veja dica em Conexões). Na apreciação de seus trabalhos, peça à turma que observe a forma como ela usa traços e articula linhas, formas e cores.

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CONCEITOS EM FOCO

No princípio era o traço

• Desenho como linguagem expressiva na infância • Desenho como produto • Traços e materialidades • Linhas, cores e formas

Observe a imagem a seguir.

BNCC UNIDADE TEMÁTICA • Artes visuais HABILIDADES • (EF69AR01) • • (EF69AR02) • • (EF69AR03) • • (EF69AR04) •

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Resgate com os alunos como eles desenhavam quando pequenos e como essa linguagem está presente em seu cotidiano. Converse sobre como os modelos de desenho dados na infância são um problema para a expressividade do traço e da criação pessoal. Os desenhos prontos para colorir, que, por ventura, tenham sido oferecidos aos alunos quando eram mais novos, podem ter deixado rastros de contaminação de traços e formas estereotipadas. Nesse caso, é preciso trabalhar com os alunos para que percebam suas limitações ao desenhar e como podem avançar. Sobre as questões da página 110, a expectativa é que os alunos respondam de modo pessoal. No entanto, o professor pode ampliar: 1. Solicite aos alunos que, se possível, tragam desenhos feitos por eles quando menores. Proponha uma análise de traços, temáticas e do material escolhido. 2. Mostre desenhos de artistas de diferentes épocas e converse sobre a importância dessa linguagem na cultura humana, inclusive relacionando com linguagens convergentes,

XICA LIMA

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Criança brincando de desenhar com carvão.

Um dos primeiros tipos de traçados criados pelas crianças pequenas é conhecido como garatuja. Ao observarmos crianças desenhando, percebemos que elas gostam da sensação e desempenham com felicidade essa atividade, como o menino da imagem acima. Deitado sobre uma imensa folha de papel branco e mergulhado no prazer de fazer traços com um pedaço de carvão, ele brinca e, ao mesmo tempo, faz desenhos. O carvão foi um dos primeiros materiais usados pelos povos antigos, na arte rupestre, para criar traços e desenhos. Vamos conhecer mais sobre essas linguagens e suas materialidades ao longo do capítulo.

AMPLIANDO Garatuja (traço ou rabisco) é o termo usado para identificar a expressão gráfica das crianças que acontece na primeira infância (de 18 meses a cerca de 3 anos de idade). Os traços passam por várias fases de desenvolvimento, assim como as crianças.

1. O que você lembra ao pensar em sua infância? Como eram seus traços e linhas? Que cores você escolhia ao desenhar ou pintar? 2. Quando começamos a desenhar? De onde vem esse hábito de traçar? Como são seus desenhos? Que assuntos você gosta de expressar em seus desenhos? 3. Que diferenças ou semelhanças há entre o estudo em desenho para pintura da Capela Sistina, de Michelangelo, e a ilustração de Rosana Urbes? Respostas pessoais.

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como moda, arquitetura, design e ilustração. 3. Na comparação entre as imagens, esclareça que nos dois casos o desenho é usado como estudo e esboço para a pintura. No desenho de Michelangelo, trata-se de uma produção renascentista, em D2-ARTE-EF2-V9-U3-C1-104-131.indd 110

que a anatomia era uma grande preocupação. Já no esboço e na pintura de ilustração de Rosana Urbes, há a estilização e simplificação de formas da figura humana, por se tratar de uma ilustração para livro infantil.

REGISTROS E AVALIAÇÃO Proponha aos alunos que escolham riscadores e criem desenhos em seus Diários de arte. Depois, peça que conversem em pequenos grupos sobre seus trabalhos. Sugerimos a pauta:

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Desenho M.C. ESCHER’S “DRAWING HANDS” © 2018 THE M.C. ESCHER COMPANY-THE NETHERLANDS. ALL RIGHTS RESERVED. WWW.MCESCHER.COM

JUERGEN RICHTER/EASYPIX BRASIL

Observe as imagens a seguir.

O desenho é uma linguagem muito antiga e usada para expressar várias ideias, e muitas obras de arte podem ser criadas especificamente nessa linguagem. Na arte rupestre o ato de desenhar podia estar ligado ao “poder mágico”, acreditava-se que a imagem capturada trazia bons presságios para atividades cotidianas como a caça e a busca por sobrevivência. O artista holandês Maurits Cornelis Escher (18981972) usou o desenho como processo para criar uma gravura (litografia), mas Escher também costumava usar a linguagem do desenho como produto final em várias de suas produções. A artista estadunidense Mary Cassatt (1844-1926) retratava o cotidiano familiar e feminino de sua época. A prática do desenho é reconhecida como produto final nesse momento da história da arte, já que durante muito tempo o desenho foi usado como uma linguagem que servia de base para outras, como a pintura, a escultura, a gravura...

Drawing hands (Mãos desenhando), de M. C. Escher, 1948. Litografia, 28,2 cm × 33,2 cm. COLEÇÃO PARTICULAR. /DAVID DAVID GALLERY/GETTY IMAGES

Desenho rupestre feito com carvão. Imagem de bisões de cerca de 15000 a.C. encontrada em caverna na província de Astúrias, na Espanha.

Simone sentada, de Mary Cassatt. Desenho a giz pastel.

AMPLIANDO

Litografia vem de lithos, que em grego significa pedra, e graphein, que é escrever ou desenhar. Assim, litogravura é o desenho na pedra. A pedra litográfica (em geral em calcário) é o suporte (matriz) em que o artista desenha com lápis oleoso (ou pastas gordurosas). Sobre esse suporte o artista trabalha com materiais com base no princípio da repulsão entre água e óleo. Ao final do processo, a imagem é gravada em papel por meio de uma prensa litográfica (especialmente construída para este processo).

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• Como vocês usam traçados? • Como escolhem materiali-

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dades (riscadores)? • Gostam mais de desenhar com uma única cor ou preferem fazer desenhos e depois colori-los? • Que temas ou formas gostam de representar?

CONEXÕES • ARTE pré-histórica – pinturas rupestres. Disponível em: <http://livro.pro/o53tep>. Acesso em: 16 nov. 2018. • ARTE rupestre brasileira. Disponível em: <http://livro. pro/mp4a6e>. Acesso em: 16 nov. 2018.

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• M. C. Escher. Disponível em: <http://livro.pro/68do7q>. Acesso em: 16 nov. 2018. • Mary S. Cassatt. Disponível em: <http://livro.pro/ vquwon>. Acesso em: 16 nov. 2018.

PARA AMPLIAR CONCEITOS Sobre a importância da garatuja no desenvolvimento da criança, leia este trecho do texto “A importância da garatuja”, de Michele Silva, publicado na revista Nova Escola. É experimentando traços aparentemente sem nexo – as chamadas garatujas – que as crianças pequenas desenham na tentativa de representar o que interpretam do mundo à sua volta. Nos primeiros anos de escolaridade, é particularmente importante explorar sem amarras esse tipo de produção. Muitas vezes, porém, os rabiscos não recebem a devida atenção dos professores. Há certa ansiedade em direcionar o traço dos pequenos. “Esse cerco, ao contrário do que se imagina, fecha portas para o fazer artístico”, afirma Mirian Celeste Martins, professora do curso de pós-graduação em Educação, Arte e Cultura da Universidade Presbiteriana Mackenzie. “Muitas crianças chegam ao Ensino Fundamental com a expressividade bloqueada justamente por conta do direcionamento que tiveram na infância para atividades como reproduzir ou colorir desenhos prontos”, diz Mirian. Nesse caso, a atenção da criança se volta para a dúvida se o trabalho é reconhecível ou não, em vez de estar no desenho em si. SILVA, Michele. A importância da garatuja. Nova Escola, ed. 228, dez. 2009.

+IDEIAS Os alunos podem investigar os desenhos de arquitetos e designers brasileiros famosos, assim como criar desenhos para essas linguagens convergentes da arte. Essas linguagens usam elementos estéticos e artísticos, porém têm outros fins (função utilitária) além da criação poética e artística.

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CONCEITOS EM FOCO • Desenho como processo na

moda • Traços e materialidades • Linhas, cores e formas • Renascimento

No final do século XIX e início do século XX, o giz pastel era um material bem comum para desenhos. Ele pode ser seco ou oleoso e permite ao desenhista efeitos de veladuras ou grafismos. As imagens a seguir são reproduções de desenhos criados por artistas que usaram o giz pastel. Observe seus traços.

HABILIDADES • (EF69AR01) • (EF69AR04) • (EF69AR02) • (EF69AR05) • (EF69AR03) • (EF69AR08)

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Além de compreender as imagens e seus contextos, os alunos podem aprender a criar a partir da compreensão de como esses elementos são combinados. Por exemplo, há muitas linhas que podem construir texturas e luminosidade nos desenhos. O desenho é uma linguagem tradicionalmente ensinada nas escolas, mas há muito a transmitir sobre essa linguagem, uma vez que os desenhos na arte podem ser tanto esboços em processos criativos, para construir outras linguagens, como podem ser a obra finalizada. Os elementos que compõem um traçado ou um grafismo podem variar em direções, espessuras e formas. Podemos começar pelos desenhos, mas o universo da criação de imagens contém muitas possibilidades, entre elas compreender como os artistas criam cores e matizes, colocam cores ao lado de cores ou misturam cores e criam nuances. Explore as obras de Van Gogh e de Odilon Redon com os alunos. Peça aos alunos que pesquisem sobre os artistas citados no texto da página 112 e sobre os tipos de materialidades usadas por eles para criar diferentes obras de arte.

J. PAUL GETTY MUSEUM, LOS ANGELES, USA

UNIDADE TEMÁTICA • Artes visuais

MUSEU VAN GOGH, AMSTERDÃ/BRIDGEMAN /FINE ART IMAGES/ AGB PHOTO LIBRARY

BNCC

Retrato de Vincent van Gogh, de Henri de Toulouse-Lautrec, 1887. Giz pastel, 54 cm × 45 cm.

Baronesa de Domecy, de Odilon Redon, c. 1900. Pastel e grafite sobre papel vergê marrom, 61 cm × 42,4 cm.

Toulouse-Lautrec (1864-1901), artista francês de influência pós-impressionista, ficou conhecido pelos traços soltos e espontâneos que capturaram cenas da vida noturna da cidade de Paris do final do século XIX. Nessa obra, retratou seu amigo, o pintor holandês Vincent van Gogh (1853-1890). O Pós-impressionismo foi um movimento artístico, sem um padrão ou uniformidade, por meio do qual os artistas privilegiavam o uso de cores vivas e retratavam temas da vida real com uma visão subjetiva do mundo. Gauguin, Toulouse-Lautrec, Van Gogh e Cézanne são os principais representantes desse movimento, que aconteceu posteriormente ao movimento impressionista desencadeando outras correntes estéticas. Odilon Redon (1840-1916), artista do Simbolismo francês, é conhecido por seus retratos que mostram pessoas mergulhadas em seus próprios pensamentos. Redon foi um artista que fez desenhos criando delicadas texturas em cores esfumaçadas. O giz pastel é até hoje usado por muitos artistas, principalmente em desenhos e pinturas para ilustração.

AMPLIANDO Giz pastel (oleoso ou seco) é um material para pintura e desenho encontrado em lojas especializadas em materiais artísticos e vendido em pequenas barras, que podem ser diluídas com óleos ou solventes (no caso do pastel oleoso), ou passadas sobre o papel diretamente, produzindo traços em grafismos (linhas) ou fazendo veladuras (quando espalhamos o pigmento desse material para conseguir efeitos aveludados). Simbolismo foi um movimento que surgiu na França, no final do século XIX, e reagiu contra o materialismo, buscando sugerir a realidade sem retratá-la de forma óbvia e valorizando a expressão, portanto, por meio de metáforas, símbolos ou ideias. O artista recorria à sua memória visual e não ao olhar direto diante do objeto a ser retratado.

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Na página 113, Jum Nakao usa o desenho como parte do processo de criação de seus projetos de moda. Esclareça aos alunos que, muitas vezes, a moda se dedica a lançar ideias, assim como faz a arte. Os desfiles normalmente D2-ARTE-EF2-V9-U3-C1-104-131.indd 112

não apresentam roupas que estarão nas lojas para serem compradas, mas conceitos e tendências. A produção Costura do invisível, de Jum Nakao, foi toda feita com papel rendado (produzido com recortes delicados),

que as modelos rasgaram em meio à passarela. Uma atitude ligada ao discurso do artista. Você pode pesquisar e trazer para a apreciação dos alunos um vídeo do desfile em que essa ação aconteceu, marcando o universo da moda e da arte.

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+IDEIAS Mostre outros trabalhos de Jum Nakao, visitando ou indicando aos alunos seu site oficial. Se possível, assista à Cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos de Londres com os alunos e, depois, em roda de conversa, peça a eles que expressem suas emoções e opiniões sobre as apresentações. Eles podem ainda registrar a cena de que mais gostaram por meio de desenhos, utilizando diferentes suportes e riscadores.

Desenhos para projetos Observe as imagens a seguir.

ATELIÊ CRIATIVA JUM NAKAO

Desenho para projeto de figurino (croqui) Costura do Invisível, de Jum Nakao.

SANDRA BORDIN

Figurino de Jum Nakao. Observe o desenho de estudo de figurino dessa série na imagem.

É possível fazer desenhos com a intenção de projetar peças de design, moda ou trabalhos arquitetônicos e, nesses casos, o desenho é parte de um “projeto”. Entre desenhos artísticos, processuais ou de projeções, criamos poéticas visuais. O estilista e artista paulista Jum Nakao (1966-), por exemplo, cria projetos para moda e arte conceitual. São desenhos que se transformam em roupas e figurinos, como os pertencentes ao seu trabalho Costura do Invisível e os criados para a performance brasileira na cerimônia de apresentação do Brasil, no encerramento das Olimpíadas de Londres, em 2012. O “vestido” usado por Marisa Monte (imagem de abertura do Capítulo) foi idealizado por Jum Nakao.

REGISTROS E AVALIAÇÃO Peça aos alunos que pesquisem dois exemplares de desenho: um em que ele faça parte do processo de criação de outra linguagem; e outro em que ele se configure como linguagem expressiva autônoma. Oriente-os a registrar as descobertas feitas no Diário de arte e preparar uma pequena apresentação para a turma. CONEXÕES • A COSTURA do invisível, de Jum Nakao. Disponível em: <http://livro.pro/ontbas>. Acesso em: 16 nov. 2018.

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CONCEITOS EM FOCO • Arte, cultura e sociedade • Desenho e signos • Renascimento

BNCC

mundo conectado

Arte e religião Observe as imagens a seguir. RICHARD YOSHIDA/SHUTTERSTOCK.COM

UNIDADE TEMÁTICA • Artes visuais • Artes integradas

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Cada religião tem uma forma de lidar com as imagens e você pode conversar com os alunos sobre isso, com base nas escolhas e nos valores religiosos deles. É importante dizer que este estudo tem como foco a arte e a cultura, e não a defesa de uma religião em detrimento de outras, já que o Estado brasileiro é laico. Fale sobre a importância de respeitar as escolhas de cada pessoa. Há religiões que não cultivam o uso da figura humana em seus templos. Desde o rompimento de Martinho Lutero com a Igreja Católica, no século XVI (a chamada Reforma Protestante), os protestantes negaram as imagens dos santos e sua representação, entre diversas outras críticas. A figura de Cristo geralmente é simbolizada apenas pela cruz. Desenhos em vitrais, em formas abstratas de composições simétricas, são bem utilizados em igrejas dessa vertente religiosa. No Islamismo, representar Deus (Alá) ou o profeta Maomé por meio de uma imagem humana seria idolatria. Para o Corão, o livro sagrado do Islã,

MARC DOZIER/CORBIS/GETTY IMAGES

HABILIDADES • (EF69AR01) • (EF69AR02) • (EF69AR03) • (EF69AR04) • (EF69AR05) • (EF69AR31) • (EF69AR33) • (EF69AR34)

Casa dos Espíritos, espaço sagrado para o povo Iatmul, de Papua-Nova Guiné, Oceania. Foto de 2010.

Interior da Mesquita Nasir-ol-Molk, conhecida como Mesquita Rosa, em Shiraz, no Irã, foto de 2012.

Há desenhos que expressam sentimentos religiosos, como os vistos no teto da Casa dos Espíritos, local pertencente ao povo Iatmul, que vive às margens do rio Sepik, em Papua-Nova Guiné. Os membros dessa comunidade decoraram todo o teto desse espaço sagrado com traços que formam padronagens em desenhos e formas figurativas, exemplos de arte milenar da Oceania. Desde a arte rupestre, inventamos e reinventamos a linguagem do desenho. Em cada cultura, desenhos com simbologias religiosas e ritualísticas são criados. Muitas são as religiões que se expressam por meio da arte, alguns desenhos podem ser figurativos, outros abstratos criando arranjos entre linhas, formas e cores. Observe na fotografia da Mesquita acima que, por meio dos vitrais de formas geométricas, a luz do sol preenche com cores diversas todo o espaço sagrado. 1. Quais símbolos religiosos estão presentes nas crenças de seus familiares e amigos? E quais representam valores sagrados para você? 2. Em seu dia a dia você percebe respeito a todas as religiões? Respostas pessoais.

3. As pessoas pertencem a culturas diferentes. É possível reconhecer alguma dessas culturas pelos símbolos e desenhos que criam? Dê exemplos.

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Alá é tão grandioso e belo que nada feito pelos seres humanos poderia retratá-lo. As culturas religiosas ligadas aos ideais islâmicos construíram desenhos geométricos simétricos, encontrados nas mesquistas em vitrais por onde os raios de Sol passam. Representando figuras huD2-ARTE-EF2-V9-U3-C1-104-131.indd 114

manas ou não, muitas religiões trabalham suas figuras com uma iconografia própria. Sobre as questões propostas na página 114, a expectativa é que os alunos se expressem de modo livre e pessoal. Ressalte a importância do respeito às diferenças. A educação, assim como o Estado,

deve ser laica para que a diversidade religiosa e cultural seja respeitada. Na campanha pela Cultura de Paz, promovida pela Unesco, esse é um dos temas. Proponha aos alunos que se expressem sobre o fato de o Brasil ser um Estado laico, que garante em sua Constituição o respeito a todas as religiões.

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PARA AMPLIAR CONCEITOS Iconografia é a forma como as imagens são construídas em seus símbolos, significados e contextos culturais. Em todo o mundo, culturas criaram e ainda estabelecem iconografias próprias com base em costumes culturais e religiosos. Entre os séculos XIV e XVI, a Europa viveu um momento de resgate da antiga cultura greco-romana e seus valores de beleza, poética, harmonia e proporção, conhecido como Renascimento. Apresente aos alunos algumas das tônicas da pintura desse período, como: a perspectiva (a arte de criar ilusões de profundidade); as técnicas de luz e sombra (para criar volumes); e o estudo da anatomia humana, para retratar a figura com base na ideia clássica de beleza.

MAIS DE PERTO

Desenho como processo para a pintura Uma das obras mais famosas e monumentais da história da arte é a pintura da Capela Sistina, no Vaticano. Para pintar nesse enorme espaço, Michelangelo (1475-1564), artista italiano do período do Renascimento, fez desenhos com carvão em folhas grandes de papel. Foi preciso centenas de desenhos para estudar as feições dos rostos dos personagens bíblicos e a anatomia e os movimentos de cada figura. Depois dessa etapa, Michelangelo fazia pequenas linhas cortadas nas folhas de desenho, colocando-as no local em que desejava fazer o esboço da pintura. Para marcar, aplicava pigmentos em pó. Muitos profissionais colaboraram durante todas as etapas dessa pintura. Observe as imagens a seguir, que mostram um estudo em desenho do

CAPELA SISTINA,VATICANO/ADAM EASTLAND ROME / ALAMY / FOTOARENA

MUSEU METROPOLITANO DE ARTE, NOVA YORK/ BRIDGEMAN /KEYSTONE BRASIL

artista e esse mesmo desenho finalizado no teto da capela.

Sibila – profetisa – Líbia, estudo em desenho para pintura da Capela Sistina. À direita, a pintura de Michelangelo finalizada.

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+IDEIAS Crie projetos de pesquisa sobre desenhos de caráter religioso. Há muitas imagens artísticas com esse tipo de proposta. Ressalte que existem culturas que não criam desenhos figurativos, elaborando, por sua vez, padronagens abstratas, como o Islamismo.

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Retome com os alunos as conversas sobre o desenho como parte do processo de criação de pintores. Apresente a eles outros trabalhos de Michelangelo. Você pode fazer uma curadoria educativa, escolhendo obras desse artista e do período do Renascimento, de modo geral, para ampliar o repertório dos alunos.

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REGISTROS E AVALIAÇÃO Proponha aos alunos que desenhem ou escrevam sobre os signos religiosos de determinada cultura, em seus Diários de arte. Eles podem escolher qual cultura querem pesquisar. CONEXÕES • ARTE e signos culturais. (Ative a legenda em português.) Disponível em: <http:// livro.pro/v2apjt>. Acesso em: 16 nov. 2018. • DESENHOS de Michelangelo (site em inglês). Disponível em: <http://livro.pro/7go3f2>. Acesso em: 16 nov. 2018. • MESQUITA Rosa. Disponível em: <http://livro.pro/ 78wysq>. Acesso em: 16 nov. 2018. • RENASCIMENTO. Disponível em: <http://livro.pro/94eyph>. Acesso em: 16 nov. 2018.

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CONCEITOS EM FOCO • • • •

Renascimento Desenho Suporte e ferramentas Materialidades

BNCC UNIDADE TEMÁTICA • Artes visuais

CAPELA SISTINA,VATICANO/ADAM EASTLAND ROME / ALAMY / FOTOARENA

HABILIDADES • (EF69AR01) • (EF69AR02) • (EF69AR03) • (EF69AR04) • (EF69AR05) • (EF69AR06) • (EF69AR07) • (EF69AR08)

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Chame a atenção dos alunos para a Palavra do artista, que traz uma passagem da biografia de Michelangelo, escrita por Giorgio Vasari (15111574) – artista, arquiteto e escritor italiano que produziu vários textos sobre artistas italianos. Segundo esse autor, ao terminar a escultura de título Moisés, Michelangelo teria dito a ela para falar, orgulhoso de seu virtuosismo. Não se sabe se essa história é verdadeira, porém é certo que Michelangelo se destacou entre seus contemporâneos em relação à técnica e aos conhecimentos de anatomia. Pergunte aos alunos que tipo de material e suporte eles costumam utilizar para desenhar e pintar. Fale sobre os elementos da linguagem visual (como ponto, linha, forma, cor, superfície e luminosidade) e que, ao articulá-los, é possível chegar a texturas, volumes, movimentos, entre outros efeitos. Comente também sobre os temas, assuntos e argumentos de cada desenho (imagens narrativas, abstratas, simbólicas...), explorando as relações entre forma e conteúdo. Proponha à turma que estude sobre os riscadores, suas origens e possibilidades.

Capela Sistina pintada por Michelangelo na cidade do Vaticano. O artista levou quatro anos para completar o trabalho, de 1508 a 1512.

PALAVRA DO ARTISTA

Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni (1475-1564) Um dos casos mais famosos da História da Arte foi a reação de Michelangelo ao concluir a escultura do profeta Moisés em 1515. Arrebatado pela beleza e perfeição de sua obra, ele teria batido na estátua e exclamado: — “Parla!” (em língua portuguesa, “Fale!”).

AMPLIANDO Renascimento é um período cultural que aconteceu entre os séculos XIV e XVI, considerado um momento da história de grandes descobertas em muitas áreas do conhecimento. A arte ganhou inovações técnicas e estilo característico, mas buscou a grandeza das produções artísticas clássicas da Antiguidade, principalmente as artes romana e grega.

CLIQUE ARTE

Artes em 3D. Visite as obras da Capela Sistina em Roma em 3D, no site oficial do Vaticano. Disponível em: <http://livro.pro/8e6h44>. Acesso em: 2 nov. 2018.

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+IDEIAS Solicite aos alunos que façam três desenhos: um de observação, outro de memória e um terceiro de imaginação. Chame a atenção para como aprendemos a criar com base nesses três aspectos e que, na verdade, eles são inseparáveis. D2-ARTE-EF2-V9-U3-C1-104-131.indd 116

Oriente a turma da seguinte forma: • Peça que escolham um tema – uma paisagem, por exemplo – e façam um desenho de observação, usando seus sentidos. • Em um segundo momento, diga a eles que procurem lem-

brar-se de uma paisagem que já tenham visitado e que a representem usando apenas a memória. • Por fim, eles devem usar a imaginação para criar sua paisagem, de forma que possam criar e inovar nas cores e formas. Diga a eles que, nessa di-

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arte em projetos

ARTES VISUAIS

Arte de Enam Bosokah. Desenho hiper-realista feito com caneta esferográfica azul.

ACERVO ROSANA URBES

ENAM BOSOKA

H

Os suportes para desenharmos podem ser papéis variados, muros, paredes, madeira, lousa, chão, areia, telas, tecidos e até mesmo nosso próprio corpo. Já as ferramentas podem ser nossos dedos (muito utilizados na infância e também em diversas ações artísticas, como nas do povo Chokwe), lápis, giz de cera, carvão, giz pastel, aquarela e canetas (nanquim, hidrográfica, bico de pena e de outros tipos), entre outras. As canetas mais antigas eram varetas de bambu e foram inventadas pelos chineses em 1000 a.C. Os egípcios também usavam canetas de ponta de bambu por volta de 300 a.C. Foram encontradas canetas em Pompeia, feitas de metal (bronze), que datam de 79 d.C. Os monges da Idade Média usavam canetas bico de pena. Elas foram usadas para desenhar e escrever até o final do Canetas bico de pena. século XIX, quando as canetas-tinteiro foram produzidas. Já o modelo de caneta mais popular que existe até hoje foi lançado em 1950 por Marcel Bich (1914-1994), após o empresário comprar os direitos das patentes da esferográfica criada por Lazlo Biro. Há artistas que criam usando apenas uma caneta esferográfica (veja as imagens abaixo). Seja qual for a maneira de criar desenhos, o importante é tomar a iniciativa e se entregar ao ato de desenhar!

EARLY SPRING/SHUTTERSTOCK.COM

O desenho e suas materialidades

PARA AMPLIAR CONCEITOS Converse com os alunos sobre os tipos de riscadores, que podem ser canetas esferográficas, hidrocor, lápis grafite (vários graus de dureza), lápis de cor, giz de cera, pastel, de lousa, entre outras possibilidades. Também fale sobre os suportes, ou seja, onde riscamos, por exemplo, a parede (como a arte do grafite), o chão (arte urbana, como os desenhos em 3D feito nas ruas), diferentes tipos de papéis e até os suportes tecnológicos, quando desenhamos por meio de programas de computador. REGISTROS E AVALIAÇÃO Será que os alunos conhecem aspectos formais da linguagem visual? Será que sabem tirar o máximo de efeitos dos materiais que usam? Exercícios explorando traços e formas com riscadores variados podem ampliar o repertório cultural e técnico no campo do desenho. CONEXÕES • ENAM BOSOKAH. Behance Disponível em: <http://livro. pro/p2t558>. Acesso em: 16 nov. 2018. • Para inspirar os alunos a criar um desenho usando vários riscadores, mostre a eles, se possível, as ilustrações em Sketches, da artista Rosana Urbes. Disponível em: <http:// livro.pro/mrppgr>. Acesso em: 16 nov. 2018.

Esboços (sketchbook) de Guida, personagem de Rosana Urbes, feitos com caneta esferográfica.

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mensão, tudo pode ser diferente da realidade. Quando todos terminarem o trabalho, promova rodas de conversas sobre as produções. Sugerimos uma paisagem para exemplificar, no entanto, o tema pode variar de acordo com os interesses dos alunos.

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CONCEITOS EM FOCO • • • •

Desenho Pintura Elementos de Artes visuais Materialidades

Processo de criação

Planos em desenho Que tal planejarmos uma pintura construindo estudos por meio do desenho? Como tema você pode criar com base no reino animal. Para o processo de criação, sugerimos que seja realizado o estudo em desenho de um animal. Observe alguns estudos de Leonardo da Vinci (1452-1519), artista contemporâneo de Michelangelo:

BNCC

HABILIDADES • (EF69AR01) • (EF69AR02) • (EF69AR04) • (EF69AR05) • (EF69AR06) • (EF69AR07) • (EF69AR08)

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Encaminhe a proposta de um desenho de observação. O tema “animal” foi sugerido apenas para descrever didaticamente um processo de criação, mas poderiam ser outros elementos da natureza, como flores e vegetação. É possível até mesmo trabalhar com um modelo vivo, de forma que um aluno pose para os demais desenharem. Nesse caso, organize um sistema de rodízio, para que todos possam participar da pose e também das seções de desenho. Para trabalhar a cor, selecione pinturas e mostre como cada artista aplicou a teoria das cores nessas obras. Os jovens também podem fazer análises como essa, pesquisando como as cores se relacionam com a corrente estilística e a poética pessoal de cada pintor.

+IDEIAS Destaque que cada cultura oferece atribuições simbólicas para as cores. Por exemplo: o azul, na arte egípcia antiga, era relacionado à espiritualidade. Nas imagens bizantinas da Idade Média, o vermelho remetia ao sangue de Cristo, enquanto o amarelo representava o reino de Deus. Pesquise e relacione as cores dentro de

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ROYAL COLLECTION TRUST © HER MAJESTY QUEEN ELIZABETH II, 2018, ITÁLIA/GETTY IMAGES

UNIDADE TEMÁTICA • Artes visuais

Estudos de Leonardo da Vinci realizados entre 1480 e 1490.

Estudo Para iniciar o processo de criação, escolha um animal. Dê preferência a um animal que você tenha acesso presencial, para que possa observá-lo de diferentes formas. Escolha um ângulo e uma parte do animal para começar seu estudo. Procure observá-lo sempre na mesma posição e desenhe o que está observando. Identifique os contornos, as linhas, as sombras e os detalhes menores. Você pode fazer diversos desenhos do mesmo ângulo do animal escolhido. Repita o processo mudando o ângulo, a parte do animal em destaque ou mesmo estudando a totalidade de seu corpo. Aproveite a oportunidade para explorar diferentes materiais para fazer seus estudos. 118

contextos culturais variados na história da arte. Promova experiências de criação de tintas. O professor de Ciências pode ser chamado para esclarecer aos alunos sobre os elementos químicos que compõem esses produtos. Caso seja possível na escola, estimule os alunos a pintar D2-ARTE-EF2-V9-U3-C1-104-131.indd 118

ao ar livre, tendo como inspiração os artistas impressionistas, que realizavam estudos sobre cor e criações dessa forma. Posteriormente, organize uma exposição dessas obras. Acompanhe, a seguir, algumas dicas para o trabalho com tintas: • Pessoas alérgicas devem

evitar o contato com produtos que tenham elementos tóxicos em sua composição. • A tinta acrílica é indicada aos aprendizes. Tem secagem rápida e é de fácil manuseio. Diferentemente da tinta a óleo, que necessita da terebintina como solvente, ela é diluída em água.

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lada, ele pode voltar a pintar em cima da passada anterior. Quanto mais fina for a camada inicial, mais fácil será fazer os retoques necessários. • A sobreposição de camadas de tinta ajuda a dar luminosidade e volume aos objetos. Para ressaltar as cores aplicadas, os alunos podem usar cores complementares. Pinceladas de tinta branca dão brilho às partes claras ou iluminadas pelo Sol. • Para preencher espaços e finalizar a pintura, são usados pincéis finos com tinta diluída.

Pintura Após realizar estudos do animal escolhido, inicie o processo de criação da pintura. Selecione o suporte e os materiais para a pintura. Prepare a base da pintura, criando o desenho sobre o suporte. Antes de colorir, experimente as cores em um esboço ou nos estudos realizados. Preparamos um breve estudo sobre a cor para auxiliá-lo nesta parte do processo.

Cor Na natureza, temos inúmeros corantes extraídos de pigmentos naturais (origem vegetal, animal ou mineral), mas aprendemos a criar corantes por meio de processos químicos. Enxergamos as cores pigmentos porque elas refletem ou absorvem a luz, dependendo do material com maior ou menor intensidade do qual fazem parte. Ao estudar a teoria das cores, podemos descobrir muitas possibilidades sobre a cor, como as suas características e classificações.

PARA AMPLIAR CONCEITOS As cores em tinta são feitas por meio de composições químicas entre pigmento (material que atribui cor), aglutinante (elemento que une os ingredientes) e solvente (responsável por misturar e dissolver o produto).

Quadro de classificação das cores Cores primárias

São formadas por pigmentos puros. Com a combinação dessas cores são criadas muitas outras tonalidades. As cores primárias não podem ser obtidas por misturas de outras cores.

Cores secundárias

São aquelas que nascem da mistura de duas cores primárias.

Cores terciárias

São resultado de misturas de cores primárias e secundárias e suas variações de nuances.

Cores análogas

São aquelas próximas na gama de tonalidades. Variam de nível de tonalidade entre uma cor e outra. Exemplo: ao misturarmos o vermelho com um pouco de amarelo, teremos o laranja. Ao variarmos as quantidades de amarelo ou de vermelho, teremos muitas tonalidades de laranja. As cores análogas estão lado a lado no mesmo círculo cromático.

Cores complementares

São os opostos cromáticos, ou seja, se observarmos um círculo cromático, vamos ver cores em posições opostas, como azul e laranja, amarelo e roxo, vermelho e verde.

Cores neutras

São o preto e o branco, que podem deixar as outras cores mais escuras ou claras, criando variados tons monocromáticos.

Cores quentes e frias

Referem-se à sensação que podem nos transmitir, como de calor (estímulo, euforia, aconchego) ou frio (de distanciamento ou calmaria). Há também as cores em meio-tom, quando as cores recebem variações de misturas que amenizam a “temperatura” da cor.

REGISTROS E AVALIAÇÃO Para saber como os alunos se sentem ao vivenciar as experiências artísticas, estimule conversas e trocas de impressões com a turma. Organize mostras de trabalhos, valorizando as criações e poéticas pessoais. CONEXÕES • Os impressionistas. Minissérie. Direção: Tim Dunn. Inglaterra: BBC, 2006. (180 min).

Na arte, os pintores estudam essas classificações, variações e misturas para tirar o melhor proveito das cores e das suas luminosidades. O Brasil, por ser banhado pela luz tropical, sempre inspirou artistas a criar e recriar em inúmeras cores toda a diversidade da sua natureza e da sua sociedade. 119

• Com base em um esbo-

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ço e na definição do suporte que irão usar, os alunos devem preparar o fundo da tela, passando gesso ou uma camada de tinta lisa de cor clara. Essa cobertura facilita a fixação das cores. Após a secagem, eles iniciam o desenho das figuras que serão pintadas.

• Com um lápis macio ou

carvão, divida a tela em duas linhas cruzadas, delimitando os elementos do quadro. • Após definir os desenhos, organize a paleta. Posicione as cores nas extremidades, deixando, no centro, espaço para as misturas. Cada artista organiza as cores da forma que

considera mais apropriada. • Organizada a paleta, os alunos iniciam a pintura do desenho usando cores claras ou cores fortes diluídas em água. Só depois devem deixar a tinta mais espessa. A tinta acrílica permite a aplicação de camadas sucessivas. Caso o aluno erre a cor ou a pince11/17/18 9:52 AM

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CONCEITOS EM FOCO Veja este exemplo de círculo cromático com a classificação de cores. LUÍS MOURA

• Ilustração • História da arte • Materialidades

Primárias

Análogas

Quentes

Secundárias

Complementares

Frias

Intermediárias

Complementares decompostas

Todas

BNCC UNIDADE TEMÁTICA • Artes visuais HABILIDADES • (EF69AR01) • (EF69AR02) • (EF69AR03) • (EF69AR04) • (EF69AR05) • (EF69AR06) • (EF69AR07) • (EF69AR08) Círculo cromático – classificação das cores.

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Explique que a luz, na concepção da Física, é uma onda eletromagnética que não precisa de matéria para viajar no espaço. Como onda, ela apresenta frequências vibratórias e comprimentos diferentes. A luz do sol é branca e carrega todas as cores do arco-íris. Proponha aos jovens que tragam para a aula livros e revistas com ilustrações que apreciem. Esse material pode ser selecionado na biblioteca da escola. Divida a turma em grupos e peça aos alunos que conversem sobre as seguintes questões: • Como são criados esses desenhos, pinturas ou gravuras, em relação a seus elementos de linguagem: ponto, linha, cores, formas etc.? • De que modo a imagem se relaciona com um texto, estabelecendo uma narrativa? • É possível identificar particularidades de estilo e poéticas pessoais no traço do ilustrador ou ilustradora?

Exposição Após concluir a pintura, exponha-a em um espaço reservado para isso, junto aos estudos realizados. Aprecie a pintura e os estudos de seus colegas e converse com eles sobre os processos de criação. É importante mostrar as etapas da criação, os esboços, as repetições, os testes, as inquietações etc. Ao estudar, muitas vezes assumimos riscos, ousamos desenhar a partir de um ângulo inusitado, experimentamos misturas e combinações de cores, repetimos um processo a fim de entender melhor o objeto do desenho (no caso desta proposta, um animal). Ao ter contato com os estudos, o público – seja ele formado pelos próprios alunos da escola ou por pessoas de fora dela – poderá acompanhar os caminhos da criação artística. Muitos acreditam que os artistas criam suas obras em um passe de mágica, todavia, ao se deparar com os esboços poderão perceber que o fazer artístico é um processo do qual fazem parte a pesquisa, a observação, as tentativas e o aprimoramento. O interesse do público em geral acerca dos estudos e processos de criação tem aumentado. D i á r i o d e a rt e Registre em seu Diário de arte as descobertas e desafios de cada etapa do processo até a exposição. Inclua também as reações e comentários do público ao apreciar as pinturas e seus estudos.

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+IDEIAS

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Proponha aos alunos a criação de uma história ilustrada ou a produção de ilustrações para um livro infantojuvenil apreciado por eles. Os desenhos podem ser criados em

folhas avulsas ou no Diário de arte. Antes de iniciar o trabalho, estimule-os a realizar estudos sobre diferentes possibilidades de traços com lápis grafite e estilos de desenhar de ilustradores conhecidos.

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Ilustração no tempo e do tempo

A ilustração é uma vertente da linguagem das artes visuais que está tanto ligada a outras linguagens artísticas quanto a serviço das ciências e de outros saberes, uma linguagem que converge para a arte porque, embora use elementos artísticos, tem outras finalidades além da estética artística. Esse tipo de desenho pode ser utilizado tanto para contar histórias quanto, por exemplo, para mostrar aspectos dos seres vivos que auxiliam os estudos científicos, entre outras possibilidades. A história da ilustração nasceu antes de os livros existirem. Nas culturas dos povos antigos da Mesopotâmia, do Egito, da Grécia e de Roma, já existiam desenhos que contavam histórias sobre as aventuras e os grandes feitos de deuses, governantes e heróis. Algumas dessas imagens também revelavam ensinamentos religiosos e conhecimentos científicos sobre a natureza.

WERNER FORMAN/UNIVERSAL IMAGES GROUP/GETTY IMAGES

Veja a imagem a seguir.

Detalhe de um relevo do Palácio de Assurbanipal, em Nínive, no Iraque, que mostra o rei Assurbanipal e sua rainha comemorando a queda e a morte do rei inimigo. Civilização assíria, século VII a.C.

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PARA AMPLIAR CONCEITOS Explique que, assim como a moda, a arquitetura e o design, a ilustração é uma linguagem convergente e pode se relacionar com textos literários, científicos e publicitários ampliando-os. Artistas e designers exploram de diferentes formas as potencialidades expressivas das ilustrações. Esse recurso é notado desde as culturas antigas. Entre os séculos XVII e XIX, foram realizadas várias expedições artísticas e científicas em viagens a terras distantes da Europa, chamadas de Novo Mundo. Tratava-se das colônias, regiões sob o domínio político de nações europeias. Os artistas que fizeram parte dessas expedições foram chamados de “ilustradores de mundos”. Eles apresentaram imagens da fauna, da flora e de tudo o que os olhos podiam capturar e expressar sobre esses lugares em forma de pinturas, gravuras e desenhos. Entretanto, esse olhar, logicamente, era sempre com base na cultura e nos valores de cada artista, portanto eram olhares estrangeiros. No Brasil, tivemos visitas de vários artistas, em diferentes épocas, que criaram diversas “visões” de mundo, umas mais realistas, outras mais idealizadas. REGISTROS E AVALIAÇÃO Faça anotações em seu Diário de arte sobre a forma como os alunos lidam com processos de leitura de imagens associadas a textos e como percebem o processo de criação dos artistas. CONEXÕES • VIAJANDO com Eckhout. Arte na escola. Disponível em: <http://livro.pro/zcy59e>. Acesso em: 15 nov. 2018.

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CONCEITOS EM FOCO

UNIDADE TEMÁTICA • Artes visuais HABILIDADES • (EF69AR01) • • (EF69AR02) • • (EF69AR03) • • (EF69AR04) •

(EF69AR05) (EF69AR06) (EF69AR07) (EF69AR08)

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Explique que há livros que se tornaram célebres, não apenas por suas histórias, mas também por suas ilustrações. Os clássicos da literatura Alice no País das Maravilhas e Alice através do espelho, escritos por Lewis Carroll, foram reconhecidos pelos desenhos do ilustrador inglês John Tenniel (1820-1914). Cego de um olho, ele tinha uma memória fotográfica prodigiosa e desenhava sem modelos. O escritor e ilustrador Brian Selznick (1966-) também se destacou pelas imagens de seu livro A invenção de Hugo Cabret, que foi adaptado para o cinema. Selznick costuma usar grafite para criar desenhos em vários tons de cinza: do mais claro ao mais escuro, chegando ao negro puro. Proponha aos alunos que observem a aquarela de Margaret Mee, prestando atenção à relação estabelecida entre o seu olhar científico e o artístico diante da natureza brasileira. Essa artista, de origem inglesa, veio ao Brasil em 1952 e viajou ao longo de 30 anos por matas e florestas do país. Assim registrou em traços e cores a exuberância de nossa flora. Destaque aos alunos que, na atualidade, apesar de existirem muitos meios de reprodução de imagens da natureza, o papel do ilustrador ainda é bastante importante.

WALT DISNEY PICTURES/COURTESY EVERETT COLLECTION/ AGB PHOTO LIBRARY

BNCC

WALT DISNEY PICTURES/COURTESY EVERETT COLLECTION/ AGB PHOTO LIBRARY.

ginação • Arte e ciência

No Renascimento alemão, Albrecht Dürer (1471-1528) foi um dos primeiros ilustradores a criar desenhos que mostram detalhes mais realistas, muitos dos quais realizava observando a natureza. Leonardo da Vinci (1452-1519) também é lembrado como ilustrador, principalmente de imagens científicas. O escritor Lewis Carroll (1832-1898) publicou, em 1865, o livro Alice no País das Maravilhas. Um dos ilustradores desse clássico da literatura foi John Tenniel (1820-1914). Ele fez os desenhos mais populares para duas aventuras de Lewis Carroll, Alice no País das Maravilhas e Alice através do espelho e o que ela encontrou por lá. Em 1952, Walt Disney deu movimento e cor à obra de Carroll e, em 2010, o diretor de cinema Tim Burton criou o filme, no qual a escolha do grande elenco, das cores, dos cenários, dos figurinos e da maquiagem mescla diversão, fantasia e estranhamento.

MORPHART CREATION/SHUTTERSTOCK.COM

• Ilustração • Observação, memória e ima-

Diferentes reproduções de uma mesma cena da obra Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll: a “festa de desaniversário” (festa do chá). A primeira imagem é uma ilustração do livro feita por John Tenniel, de 1865. A segunda, parte da animação de Clyde Geronimi, Wilfred Jackson e Hamilton Luske, produzida por Walt Disney, de 1951. E a terceira, a mesma cena, presente no filme de 2010 dirigido por Tim Burton.

D i á r i o d e a rt e Observe novamente as imagens acima, que mostram a cena da história de Alice no País das Maravilhas em diferentes versões visuais. O que há de diferenças entre elas? Como eram os traços e as cores da imagem mais antiga? O que mudou em relação à ilustração feita para a animação da década de 1950? E dessas duas em relação à estética do filme mais atual?

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+IDEIAS Organize um passeio a um jardim ou horto florestal e convide os alunos a produzirem ilustrações botânicas, inspiradas na prática de Margaret Mee. As ilustrações podem ser produzidas com lápis D2-ARTE-EF2-V9-U3-C1-104-131.indd 122

de cor ou tinta aquarela e serão elaboradas com base na observação, na memória e na imaginação dos alunos. Experimente seguir estas etapas na atividade: • Catalogação das plantas, com auxílio de um professor

de Ciências; • Produção das pinturas ou desenhos; • Organização e montagem da exposição das obras; • Mostra dos trabalhos, com a realização de bate-papo sobre a importância da preservação da natureza.

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mundo conectado

Ilustração e Ciências

MARGARET MEE/ ACERVO DO INSTITUTO DE BOTÂNICA DE SÃO PAULO

Como citado anteriormente, as imagens de ilustração foram muito importantes para as ciências. Na época em que a fotografia não existia ou ainda não era muito popular como hoje, pinturas, gravuras e desenhos ilustrativos eram as únicas imagens de que os cientistas dispunham para estudar a natureza, o corpo humano e tantos outros assuntos. A artista botânica Margaret Mee (1909-1988), nascida no Reino Unido, apaixonou-se pelas cores e formas das flores brasileiras. Margaret Mee fez várias viagens de barco na Amazônia. Costumava embrenhar-se pela mata por dias, em busca de orquídeas e bromélias nativas da floresta da região amazônica. Seu olhar atento e minucioso capturou, por meio dos traços delicados da aquarela e do desenho, cada detalhe da natureza. Essa artista usou principalmente a observação para criar. Veja abaixo uma reprodução de uma das obras de Margaret Mee.

PARA AMPLIAR CONCEITOS Entre os séculos XV e XIX, vários artistas fizeram parte das missões científicas, com o objetivo de registrar imagens de animais, plantas e pessoas que viviam em localidades fora da Europa. Esses artistas são considerados os ilustradores do “Novo Mundo”. Muitas das imagens que vemos nos livros de História do Brasil são reproduções das obras criadas por eles ou inspiradas nelas. As linguagens mais utilizadas nesses registros eram a pintura, o desenho e a gravura. REGISTROS E AVALIAÇÃO No Diário de arte, estimule os alunos a registrar ideias sobre projetos que relacionem arte e meio ambiente. Proponha a criação de um mapa que indique as áreas verdes da cidade que precisam ser conservadas. Os jovens podem criar obras visuais que sensibilizem a comunidade sobre a importância da preservação da natureza. CONEXÕES • MARGARET Mee e a flor da lua. Disponível em: <http:// livro.pro/sqh7dv>. Acesso em: 16 nov. 2018. • DESENHOS Alice no país das maravilhas. Disponível em: <http://livro.pro/s4pek8>. Acesso em: 16 nov. 2018.

Streptocalyx Poeppigii (1964), de Margaret Mee. Reprodução aquarelada, 23 cm × 18 cm.

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CONCEITOS EM FOCO • Preservação ambiental • Ilustração • Observação, memória e ima-

ginação • A profissão de ilustrador

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PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Alerte os alunos sobre o fato de algumas das espécies de plantas e flores retratadas por Margaret Mee estarem ameaçadas de extinção, em função dos processos de desmatamento e queimadas das matas brasileiras. Aproveite essa ocasião para abordar como tema transversal o meio ambiente e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (veja em Conexões). Além disso, promova pesquisas sobre o funcionamento de órgãos de defesa ambiental presentes na cidade. Ao tratar da artista Rosana Urbes, aproveite para abordar o tema “mercado de trabalho”. Desmistifique o senso comum de que os artistas não têm condições de viver de sua arte. Explique que a carreira artística apresenta desafios como qualquer outra, mas é possível alcançar sucesso. No campo da ilustração, muitos brasileiros têm se destacado, inclusive no exterior, a exemplo de Rosana.

A arte de Mee, além de bela, apresenta vasto conhecimento sobre a botânica brasileira e é também um grito de alerta, já que muitas das espécies que essa artista registrou com sua arte se encontram em perigo de extinção, uma vez que nossas florestas estão sendo destruídas e, com elas, todo o hábitat natural dessas plantas. Leia, a seguir, um trecho do diário de Margaret Mee, durante uma expedição à floresta Amazônica em busca da “Flor-do-luar” (uma espécie de cacto que só floresce em noite de Lua cheia):

Enquanto desenhava, desejei que chegasse um polinizador, que os especialistas acreditam ser uma mariposa ou talvez um morcego. Nossa vigília durou toda a noite e cheguei à conclusão de que nossa intromissão acabou por importunar o equilíbrio desenvolvido durante dezenas de milhões de anos. Esse distúrbio, no entanto, era muito pequeno em comparação com o que havia visto nos cursos do Amazonas, pois a floresta havia mudado consideravelmente e as plantas adoráveis que eu pintava ao longo do Rio Negro haviam desaparecido. Lembrava-me do entusiasmo de minha primeira viagem à região, entre as enormes árvores das margens. A mudança havia sido desastrosa e a destruição com a queimada da floresta provoca incertezas para o futuro de nosso planeta. A “Flor-do-Luar” fechou-se antes do amanhecer. Pássaros deixavam seus ninhos e sobrevoavam as ilhas. Um tucano apareceu úmido de orvalho sobre a copa de uma árvore. Uma elegante garça pescava. É o amanhecer de um outro dia. MEE, Margaret. Flores da Floresta Amazônica: a arte botânica de Margaret Mee. São Paulo: Escrituras Editora, 2009. 168 p.

Há o risco de as flores das florestas, patrimônios naturais da humanidade, serem vistas no futuro apenas nas pinturas criadas por Margaret Mee. CLIQUE ARTE

Margaret Mee – 100 anos de vida e obra. Conheça mais sobre Margaret Mee e veja outras ilustrações da artista. Disponível em: <http://livro.pro/k5fbvj>. Acesso em: 7 nov. 2018.

+ PERTO DE VOCÊ

Que tal pesquisar se em sua região há plantas correndo perigo de extinção? Quais? Como evitar que isso ocorra? Com a ajuda de seus professores de Arte e Ciências, faça expedições em ambientes naturais, para que possam estudar a paisagem e as plantas e, assim, fazer desenhos, pinturas de observação e gravuras como forma de registro dessas espécies. Uma exposição pode ser realizada com o intuito de chamar a atenção das pessoas para a preservação do meio ambiente por meio da arte e da ciência.

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PARA AMPLIAR CONCEITOS Entre os chamados “ilustradores de mundos”, o artista alemão Johann Moritz Rugendas (1802-1858), por exemplo, enfrentou conflitos entre o registro fiel exigido pelo caráter da missão cientíD2-ARTE-EF2-V9-U3-C1-104-131.indd 124

fica e o desejo pessoal de criar suas próprias interpretações a respeito daquilo que via. Ele fazia esboços de várias partes de uma mata e depois montava em seu ateliê uma nova imagem, como no caso da tela Paisagem na mata virgem do Brasil (1830). Rugendas

misturava, portanto, observação, memória e imaginação em suas obras. Destaque também o trabalho dos artistas holandeses que vieram para o Brasil entre os anos de 1637 e 1644: Frans Post (1612-1680) e Albert Eckhout (1610-1666).

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REGISTROS E AVALIAÇÃO Estimule os alunos a pesquisarem sobre a profissão de ilustradores e ilustradoras na atualidade e ao longo da história da arte. As descobertas e análises devem ser registradas no Diário de arte.

MAIS DE PERTO

Ilustres ilustrações Observe novamente a imagem a seguir.

ACERVO ROSANA URBES

CONEXÕES CONHEÇA os novos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Nações Unidas no Brasil. Disponível em: <http://livro.pro/jbgz4m>. Acesso em: 15 nov. 2018. • PCN. Meio ambiente. Disponível em: <http://livro.pro/ v9dyqe>. Acesso em: 15 nov. 2018. • Rosana Urbes. Disponível em: <http://livro.pro/e954fc>. Acesso em: 15 nov. 2018.

Ilustração colorida Meu dia é assim, de Rosana Urbes.

A artista curitibana Rosana Urbes (1969-) conta que seus cadernos de escola eram repletos de desenhos e que sempre foi uma grande aventura, desde criança, desenhar e experimentar vários tipos de materiais, como canetinhas coloridas, canetas esferográficas, lápis, giz de cera, tintas e outros. Hoje, Rosana ainda usa esses materiais, assim como aproveita as novas tecnologias na criação de imagens para ilustração e animação. A artista gosta bastante de desenhar da forma mais tradicional, vendo as imagens nascerem no papel por meio de traços e pinceladas, e, depois, usando o computador, explora o máximo de possibilidades. Rosana Urbes morou fora do Brasil e por um tempo trabalhou nos estúdios da Disney, desenhando personagens que você possivelmente já deve ter visto em revistas e filmes de animação. Hoje, vivendo em São Paulo, trabalha como ilustradora e produtora de filmes de animação, tendo recebido vários prêmios por seus trabalhos. 125

Embora observassem a natureza, suas criações baseavam-se em concepções trazidas em sua memória e também eram afetadas pela imaginação e idealização de um povo e de um país. Ao comentar sobre o traba-

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lho de Rosana Urbes, explique aos alunos que, quando um ilustrador é contratado para desenhar um personagem conhecido, esse profissional precisa adequar seu estilo a certas características da figura que já estão predeterminadas.

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CONCEITOS EM FOCO

BNCC UNIDADE TEMÁTICA • Artes visuais HABILIDADES • (EF69AR01) • (EF69AR02) • (EF69AR03) • (EF69AR04) • (EF69AR05) • (EF69AR06) • (EF69AR07) • (EF69AR08)

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Rosana Urbes trabalhou como desenhista em muitas animações, como Mulan, Lilo & Stich, Pooh e Peixonauta. Peça aos alunos para assistir a esses desenhos animados e analisá-los, compartilhando suas impressões em uma roda de conversa. Explore com os alunos as imagens apresentadas na página 127. Discuta com eles como os desenhos fazem parte da cultura de diferentes povos. Apresente desenhos de várias culturas e peça a eles que observem como os elementos da linguagem visual são explorados em cada uma delas. Mostre outras imagens de desenhos realizados na areia, como os “sona”, feitos pelo povo Tchokwe de Angola. Peça aos alunos que pesquisem sobre os desenhos e as histórias desse povo.

PALAVRA Da ARTISTA

Rosana Urbes (1969-) Rosana Urbes tem preferência por trabalhar na criação de desenhos para animação em 2D, ou seja, fazer cada desenho com seu movimento. Depois, esses desenhos são registrados por câmeras e passam por vários processos até virarem desenhos animados. A artista recebeu prêmios no festival Anima Mundi 2014, com a animação Guida, uma homenagem delicada às artes e às mulheres.

FERNANDO FERNANDES/AGÊNCIA LUNAPRESS

• Observação, memória e imaginação • Materialidades • Elementos da linguagem visual

Eu era a criança que na escola a professora chamava pra desenhar na lousa. Como eu tenho essa coisa de desenhar desde muito cedo, meu pai acabou me colocando numa escola de desenho profissionalizante. Eu estudei lá Rosana Urbes. por um tempo [...]. Aí, mais tarde, em [19]96, eu fui trabalhar na Disney em Orlando. Eu cheguei para desenhar o filme Mulan, que eu adoro e que foi feito todo à mão. Também desenhei a Nani, que é a irmã da Lilo [de Lilo & Stitch]. No Tarzan eu desenhei a Jane. E eu fiquei muito feliz em desenhá-las, porque eu curto muito trabalhar com personagens femininos. Apud Fernanda Miranda. Toda a beleza de Guida: um papo com Rosana Urbes, diretora da premiada animação “Guida”. Não só o Gato, 14 out. 2014. Disponível em: <http://www.naosoogato.com.br/pessoas/toda-beleza-de-guida/>. Acesso em: 28 jul. 2018.

D i á r i o d e a rt e Você observa as ilustrações ao ler um livro? Você conhece algum ilustrador que admira? Se sim, descreva como ele usa os elementos de linguagem (cores, formas, linhas, efeitos de luz e sombra, volumes, texturas...). O que lhe chama a atenção nas ilustrações nos livros que você lê? Nos livros ilustrados que você conhece há uma integração entre texto e imagens? Descreva suas ideias e análises em seu Diário de arte.

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+IDEIAS Proponha aos alunos que investiguem linhas e formas ao produzirem desenhos com texturas e volumes. Eles podem criar usando diferentes suportes e riscadores, como lápis e canetas coloridas.

arte em projetos

ARTES VISUAIS

Materialidades e elementos da linguagem visual Na cultura de muitos povos, como os Chokwe, que vivem em Angola, no continente africano, o dedo é uma ferramenta muito usada para fazer desenhos, como os feitos na areia para contar histórias, conhecidos como sona ou lusona.

DE AGOSTINI / M. G. MARCHELLI / GETTY IMAGES

Lusona finalizado da cultura tuaregue, Saara, na África. Para desenhar um lusona, primeiro são marcados pontos no chão e depois são traçadas linhas. Existem cálculos matemáticos nesse traçado, como, por exemplo, para as distâncias entre dois pontos vizinhos horizontais ou verticais, que devem ser iguais. E, para contar suas histórias por meio dessa rede de pontos e linhas, os desenhistas usam os pontos para representar personagens ou acontecimentos e as linhas para falar do tempo no fluxo da vida ou na ordem em que as coisas acontecem na história. Nessa tradição, o desenhista que sabe fazer um bom lusona é muito respeitado pela comunidade.

CONEXÕES • ECO ART. Arte na escola. Disponível em: <http://livro. pro/vh7qjc>. Acesso em: 15 nov. 2018. • A ARTE de contar histórias em desenhos. Rede Angola. Disponível em: <http://livro. pro/jn3gpc>. Acesso em: 15 nov. 2018. • URBES, Rosana. Animação. Disponível em: <http:// livro.pro/dsc27a>. Acesso em: 15 nov. 2018.

MICHELE MOLINARI / ALAMY / FOTOARENA

A palavra “desenho” (do latim designare) significa assinalar, indicar, marcar uma superfície. Outra palavra que se relaciona ao desenho é “desígnio”, que significa ter intenção, propósito ou finalidade. Assim, pensando no desenho como linguagem artística, podemos unir essas duas palavras − designare e desígnio – para deixar nossas marcas sobre suportes e superfícies, porque temos propósitos de fazer arte. Desenho é uma linguagem que comunica e expressa mensagens, ideias, pensamentos, emoções. São muitas as funções e, ao longo da história, as pessoas foram inventando materiais, suportes e ferramentas para desenhar. Também desenvolveram maneiras de traçar ou marcar o suporte e, assim, nasceram os elementos dessa linguagem: ponto, linha, forma, cor e superfície (textura). Já a palavra “pintura” (do latim pictura) significa ato de pintar, habilidade também desenvolvida desde os primórdios e para a qual usamos muitas cores.

REGISTROS E AVALIAÇÃO Verifique, por meio de um bate-papo, se os conhecimentos adquiridos ao longo desse estudo têm ampliado saberes e afetado a maneira como os alunos criam imagens.

Beduíno argelino desenha gazelas na areia.

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CONCEITOS EM FOCO

A arte do desenho

• Observação, memória e imaginação • Materialidades • Elementos da linguagem visual • Arte pop • Arte expressionista

Esta fotografia é um registro do artista estadunidense Larry Rivers (1923-2002) desenhando em seu estúdio em Manhattan, EUA, no ano de 1964. Rivers foi músico, saxofonista de jazz e, como pintor, escultor e desenhista, foi um dos representantes do Expressionismo e da Pop art. Por seu traço expressivo e temas da cultura pop estadunidense, esse artista se tornou um dos mais admiráveis do país. No entanto, independentemente da técnica, do material, do suporte e do estilo, o ato de desenhar passou e passará sempre por transformações ao longo do tempo, conservando, no entanto, o prazer e a beleza que essa vertente da arte visual é capaz de despertar!

BNCC UNIDADE TEMÁTICA • Artes visuais HABILIDADES • (EF69AR01) • (EF69AR06) • (EF69AR02) • (EF69AR07) • (EF69AR04) • (EF69AR05) • (EF69AR08)

Apresente aos alunos as produções do músico e artista visual Larry Rivers (19232002). Fale sobre a criação de imagens no Expressionismo e na Pop art. Esclareça aos alunos que os artistas acompanham as transformações artísticas históricas e também são responsáveis por elas. Se julgar interessante, peça aos alunos que pesquisem sobre obras de arte pertencentes aos dois movimentos e realize uma exposição, seguida de debate, para explorar e comentar semelhanças e diferenças entre as produções dos diferentes períodos.

+IDEIAS Estimule a realização de pesquisas sobre as origens e as possibilidades oferecidas pelos riscadores. Também ofereça exemplos de obras criadas ao longo da história da arte com base na memória, na imaginação, em narrações e na observação. Outra possibilidade para observar e estimular o aproveitamento do conteúdo nas aulas é utilizar os próprios desenhos dos alunos feitos em outros momentos, em função de trabalhos escolares ou em

BASIL LANGTON/SCIENCE SOURCE/GETTY IMAGES

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS

AMPLIANDO Expressionismo foi um movimento artístico que se concentrou mais fortemente na Alemanha, no início do século XX, e teve em suas obras a expressão das emoções de forma dramática, por meio de uma paleta cromática agressiva e de temas que retratavam a solidão, a angústia e a miséria humanas. O jazz, gênero musical baseado na improvisação e na livre interpretação, surgiu no final do século XX, nos Estados Unidos, e teve seu berço nos ritmos e nas melodias africanas. Pop art foi um movimento artístico e cultural que aconteceu no início da década de 1960. Os artistas dessa época questionavam o crescimento dos meios de comunicação de massa, como a televisão, que abriu um novo canal de divulgação de produtos para o consumo. A publicidade começava a conduzir o gosto e o desejo das pessoas em adquirir objetos e determinados padrões de vida. Nesse cenário, a Pop art surgiu como um movimento artístico que se apropriou da cultura de massa em tom crítico. Nasceu na Inglaterra e espalhou-se para outros países, mas teve seu auge em 1960 nos EUA, uma vez que a sociedade e a cultura desse país foram fonte de inspiração para diversos artistas que, em suas obras, questionavam o estilo de vida estadunidense.

Larry Rivers desenhando em seu ateliê, em Nova York, em 1964.

Depois de vermos vários estilos, materialidades e suportes para o desenho, que tal sermos os artistas de nossas ideias? Vamos desenhar? 128

produção espontânea dos jovens, para realizar análises dos elementos visuais. Observe como a turma está usando esses elementos básicos, como linhas, pontos e planos. Podemos observar também as articulações que os alunos criam em suas obras com D2-ARTE-EF2-V9-U3-C1-104-131.indd 128

formas, texturas, movimentos, efeitos de tonalidades, profundidade, entre outros aspectos. Peça a eles que tragam seus desenhos, organize a turma em grupos e distribua as criações. As equipes podem conversar sobre os elementos de linguagem presentes na produção de cada um. Depois,

promova uma conversa com a turma toda para que expressem o que perceberam sobre a utilização dos elementos de linguagem em suas próprias produções, relacionando-as com as obras de artistas reproduzidas no livro e outras que forem apresentadas ao longo do percurso.

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REGISTROS E AVALIAÇÃO Como atividade de autoavaliação, proponha aos alunos que anotem no Diário de arte as descobertas feitas sobre seus próprios processos criativos. Essa atividade proporciona o olhar de cada um para si mesmo, para sua poética e sua produção, ao mesmo tempo em que desenvolve o aprendizado de análise de imagens.

Processo de criação

Oficina 1 – Desenhando ideias

DOTTA2

Que tal agora criar um desenho usando vários riscadores? Comece o traçado usando canetas variadas, como a hidrocor, esferográficas de diferentes pontas e outras. Você também pode usar caneta bico de pena para tinta nanquim; o importante é variar os traços e explorar pontas para criar formas e texturas, como os vistos na imagem ao lado. Lembre-se de que um mesmo grafismo pode ser conseguido, por exemplo, usando giz de lousa, giz de Diversidade de traços e texturas feitos com pontas diferentes. cera ou lápis de cor. Invente seus desenhos, crie suas próprias ilustrações. Você pode escolher um tema, inspirando-se em uma história, real ou inventada, em um livro de literatura, um filme, uma série ou desenho de TV ou o que mais vier à sua mente. De acordo com sua inspiração, escolha um tipo de técnica a ser empregado. Seu desenho poderá ser de memória, de narração, de imaginação ou de observação. Veja cada uma dessas técnicas a seguir.

CONEXÕES • HISTÓRIA da Arte – Expressionismo. Disponível em: <http://livro.pro/v9vrzy>. Acesso em: 16 nov. 2018. • Larry Rivers. Disponível em: <http://livro.pro/bxsc6o>. Acesso em: 15 nov. 2018. • O QUE é Pop Art?. Disponível em: <http://livro.pro/ jmt8qx>. Acesso em: 16 nov. 2018.

Técnicas dos desenhos Desenho de memória

Pode ser feito por meio da lembrança de algo ou pela observação, por um tempo, de um objeto ou paisagem, seguida da memorização e do ato de desenhar o objeto ou a paisagem sem estar diante deles.

Desenho de narração (ou fala de personagem)

Pode ser feito ao ouvir um fato ou uma descrição de um objeto ou uma paisagem sem que estejam presentes. O desafio é produzir uma imagem o mais fielmente possível ao que está sendo narrado. Nesse caso, quem desenha usa a imaginação e a memória para representar da melhor maneira (respeitando o estilo e a poética de cada um) o conteúdo que está sendo narrado.

Desenho de imaginação

Como o próprio nome indica, a inspiração para os traços fica a cargo da fantasia, não são usados dados de realidade.

Desenho de observação

Ao contrário do desenho de imaginação, é feito diante do objeto ou da paisagem que serão representados na linguagem do desenho. Elaborado pelos autores.

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CONCEITOS EM FOCO

sual • Processo de criação e poética do aluno

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PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Destaque aos alunos que eles têm liberdade para fazer combinações entre cores e materialidades em suas produções. Proponha uma roda de conversa para que os jovens falem sobre suas escolhas artísticas.

+IDEIAS Conheça a seguir modos de preparo de algumas tintas artesanais: • Tinta a óleo: coloque sobre uma placa de vidro uma colher (de sopa) de óleo de linhaça ou de cozinha. Acrescente duas colheres (de sopa) de pó de pintor (cor desejada) e três gotas de óleo de cravo. Misture tudo usando um copo de vidro ou uma embalagem de plástico rígido com base lisa. Com movimentos circulares, pressione os materiais. Isso funcionará como um difusor na hora de misturar os ingredientes. Faça várias cores e guarde em potes. Depois é só misturar uma cor com outra para conseguir novos tons. Para diluir a tinta, use aguarrás ou outro tipo de solvente para substâncias oleosas. Trabalhe em local arejado e não permita que alunos alérgicos entrem em contato com essas substâncias. O risco de intoxicação diminui com o uso de pigmentos naturais, como ter-

Oficina 2 – Colorindo ideias Uma das principais características da aquarela é a sua transparência. No mercado há inúmeras marcas desse tipo de tinta, mas você pode criar a sua própria. Para isso, você precisará de um litro de goma arábica (espécie de cola vendida em papelarias) e de corantes comestíveis (usados em doces para colori-los) de cores diversas. É possível criar várias cores de aquarela misturando os ingredientes a seguir. • 2 colheres (chá) de goma arábica; • 6 colheres (chá) de água filtrada; • 6 gotas de corante comestível (de qualquer cor). Para obter uma variedade de cores, misture em pequenas porções uma a outra (escolha pares de cores, por exemplo) e vá fazendo experiências para ver os tons a que consegue chegar. Com suas tintas prontas, escolha pincéis de cerdas macias e um papel mais encorpado (como a cartolina, por exemplo). Agora é só criar suas pinturas em aquarela! Para os efeitos de transparência, carregue o pincel com água antes de pegar a tinta e use bastante água também durante a pintura. Deixe secar uma camada antes de fazer outra, assim você consegue mais transparências! A artista Rosana Urbes também utiliza cores aquareladas em suas criações. Veja a obra ao lado.

Reprodução de ilustração em aquarela de Rosana Urbes para o livro João maior do que um cavalo e Maria menor do que um burro, de Antonio Calloni, Pedro Calloni e Ilse Rodrigues (São Paulo: Rocco, 2011).

ACERVO ROSANA URBES

• Materialidades • Elementos da linguagem vi-

Oficina 3 – Criando composições policromáticas Para fazer pinturas policromáticas, você vai precisar de muitas cores. O procedimento para fazer a tinta plástica é bem parecido com o da atividade anterior. Antes, observe a seguir o modelo de círculo cromático, com as classificações básicas das cores. 130

ra, sementes, vegetais ou frutos moídos. • Tinta acrílica: siga o mesmo procedimento da tinta a óleo. Porém, use verniz acrílico (à base de água) como aglutinante e água como solvente. • Guache: use a mesma receita de aquarela, apresentada no livro do aluno. Apenas acrescenD2-ARTE-EF2-V9-U3-C1-104-131.indd 130

te uma substância em pó (talco ou giz de lousa moído) para dar opacidade e consistência à tinta. Aplique cerca de duas a três colheres (de sopa) de pó, dependendo da consistência desejada. Misture bem e guarde em potes fechados se quiser usar o produto em outros momentos. A depender do resultado das cores,

pode ser necessário acrescentar mais pigmento (como anilinas comestíveis). • Tinta plástica: coloque em um copo descartável um terço de cola branca, uma colher (de sopa) de água e misture bem. Como pigmento, use anilinas em quantidades de cinco a dez gotas, dependendo da intensi-

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PARA AMPLIAR CONCEITOS Converse sobre o tema da criatividade e o talento artístico. Explique a eles que o conceito de criatividade é associado, historicamente, a muitos fatores e causas. Pesquise com os alunos como esses conceitos foram se modificando ao longo dos anos. Questione-os: • Como essas noções sobre criatividade e ato criador são vistas nos dias de hoje?

Círculo cromático 1

Primárias 1. Amarelo

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Secundárias 4. Verde

2. Azul

5. Violeta

3. Vermelho

6. Laranja

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4

7. Verde-amarelado 8. Verde-azulado 9. Violeta-azulado

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JORGE ZALBA

Terciárias

10. Violeta-avermelhado (vinho) 11. Laranja-avermelhado 12. Laranja-amarelado 2

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Cores frias Cores quentes

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Círculo cromático com classificação básica das cores.

Você pode usar a mesma base para tinta plástica, mas, dessa vez, precisará de sete cores de anilina (azul, amarela, vermelha, violeta, verde, laranja e preta). Modo de fazer: • Dissolva o pigmento em água (três colheres de sopa); • Coloque a base da tinta em 7 potes − em cada um deles coloque todo o pigmento, já dissolvido, menos o preto, que deve ser usado puro. Você pode usar mais potes para alterar a quantidade de base branca em cada cor e conseguir, assim, mais tonalidades. Pode, também, misturar uma cor com outra quantas vezes quiser e, desse modo, ampliar sua paleta (ou palheta) de cores. A técnica de pintura policromática prevê o uso de variedades de cores, nas suas diversas tonalidades, criando composições multicoloridas. Caso não possa fazer suas próprias tintas, use guache ou tinta látex nas cores desejadas.

MISTURANDO TUDO Neste capítulo, vimos que são muitas as técnicas e as materialidades usadas para criar desenhos e ilustrações. 1. Você desenha ou pinta? Estudar este capítulo trouxe alguma novidade para o que você já produz?

REGISTROS E AVALIAÇÃO Verifique de que modo os alunos se apropriaram dos temas e conceitos apresentados neste capítulo. Explore as questões da seção Misturando tudo e peça a eles que reflitam sobre os percursos de aprendizagem realizados até aqui. CONEXÕES • DE ONDE vêm as boas ideias?. Disponível em: <https:// www.youtube.com/watch? v=ICxBDZDQ7LQ>. Acesso em: 15 nov. 2018. • OSTROWER, Fayga. Criatividade e processo de criação. Petrópolis: Vozes, 2007. • SALLES, Cecília Almeida. Gesto inacabado: processo de criação artística. São Paulo: Annablume, 1998.

2. O que você mais gostou de estudar neste capítulo? Qual artista gostaria de conhecer mais de perto? 3. O mundo das imagens influencia seu dia a dia? Como você percebe as ilustrações nos livros que lê na escola ou em casa? E as imagens que vê na internet, na rua e na televisão? 4. Registre suas descobertas em seu Diário de arte e crie mais desenhos e pinturas.

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dade da cor desejada. Misture e use o material imediatamente, pois essa tinta seca rápido. Se sobrar tinta, guarde em recipientes fechados. • Para a produção de pinturas, pincéis artesanais também podem ser confeccionados, amarrando fios de lã em palitos de madeira.

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CONCEITOS EM FOCO

CA

• Arte naïf • Festas populares

BNCC UNIDADES TEMÁTICAS • Artes visuais • Artes integradas HABILIDADES • (EF69AR01) • (EF69AR02) • (EF69AR03) • (EF69AR08) • (EF69AR34)

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PÍT

ULO

Sons e cores do Brasil Trajetórias para a arte • Colorido brasileiro

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Neste capítulo, exploramos o colorido brasileiro, as imagens da música brasileira e a linguagem das artes visuais. Propicie um momento de nutrição estética e convide os alunos a observar a imagem que abre este capítulo, a obra de título Bumba meu boi, de 2011, criada pela artista maranhense Dileusa Dinis Rodrigues (1939), conhecida como Dila. Sugerimos a pauta para olhar: • O que podemos notar na imagem em um primeiro olhar? • Agora, percorrendo com o olhar mais atento a todos os detalhes da imagem, que elementos da linguagem visual usados pela artista é possível perceber? Linhas, cores, formas? É possível perceber efeitos de luz e sombra, texturas, volumes, relações de proporção, planos? • Você já estudou a arte naïf? • O que retrata esta imagem? Você já viu uma cena parecida com esta em festas populares em sua região, ou em livros, filmes e outros meios? Esclareça aos alunos que a artista Dila cria suas pinturas a partir da memória, fruto da sua vivência cultural maranhense. O estado do Mara-

• Tema 1 – Povo e cor • Arte em Projetos – Artes visuais e artes integradas • Tema 2 – Hip-hop • Arte em Projetos – Artes integradas

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nhão é um dos locais do Brasil em que sempre estiveram presentes os festejos de bumba meu boi e outros festejos. Também é dessa lembrança que nascem outras telas com imagens da natureza do Nordeste brasileiro, como os pés de babaçu, murici e guajiru. D2-ARTE-EF2-V9-U3-C2-132-153.indd 132

A artista declara que gosta de criar coisas que expressem as cores e a vida no Brasil. Ela viveu em São Paulo, onde começou a desenvolver sua arte, mas atualmente vive em São Luís, Maranhão, cidade à qual ela se refere com sendo seu chão.

PARA AMPLIAR CONCEITOS Muitos pintores brasileiros representaram em suas telas cores e temas presentes em manifestações populares, como a obra Bumba meu boi, da artista Dila (Dileusa Dinis Rodrigues). Essa imagem foi

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GALERIA JACQUES ARDIES,SÃO PAULO

Bumba meu boi (2011), de Dila. Óleo sobre tela, 50 cm × 100 cm.

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criada no estilo da arte naïf. O termo naïf vem do latim nativus, que significa natural, originário. É uma arte espontânea, nascida no seio do povo e expressa poesia e percepção de mundo de modo simples e puro. Os artistas da arte naïf são autodidatas, isto é, apren-

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deram a fazer arte observando e experimentando, sem a influência do aprendizado formal em escolas de arte. Dila traz em sua arte a originalidade dos traços e uso das cores sem perder a espontaneidade e caráter popular da sua obra.

+IDEIAS O Brasil tem um rico acervo de músicas e danças folclóricas. A música folclórica está presente em quase todas as manifestações populares, como serenatas, coretos e cantigas de roda. Nasceu da tradição e do costume de vá11/21/18 11:35 AM

rios povos, com suas crenças, mitos, lendas, literatura, danças e festas. São músicas para refletir, brincar, contar histórias e expressar religiosidade e dançar. Uma pessoa inventa uma canção, alguém ouve, gosta muito e ensina para o filho, que ensina para o neto, e, desse modo, a canção será transmitida para os filhos dos filhos. Assim se dá a permanência das músicas folclóricas de geração em geração, e o mais inusitado é que nunca saberemos quem foi o verdadeiro compositor da canção que todos nós conhecemos. Assim como as canç folclóricas, também temos as danças dramáticas. São manifestações populares em que as pessoas de uma comunidade se reúnem para contar histórias dançando, cantando e dramatizando. Um exemplo desse tipo de festa é o bumba meu boi, ou boi-bumbá, que aparece em várias regiões do nosso país. Proponha aos alunos que se expressem sobre os festejos de boi que acontecem em sua localidade. Proponha também que pesquisem mais músicas e histórias em torno das narrativas envolvidas na festa do bumba meu boi, como as músicas que contam sobre a figura do “boi” que vive, morre e ressuscita e outros personagens, como o Pai Francisco e a Mãe Catirina.

CONEXÕES • Dila (Dileusa Dinis Rodrigues). Disponível em: <www. ardies.com/dila/>. Acesso em: 16 nov. 2018. • Obras da artista naïf Dila. Disponível em: <http://livro. pro/z43r7o>. Acesso em: 16 nov. 2018. • Arte naïf. Disponível em: <http://livro.pro/aj3iaj>. Acesso em: 16 nov. 2018. • ARDIES, Jacques. A arte naïf no Brasil II. São Paulo: Jacques Ardies, 2015.

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CONCEITOS EM FOCO

venha homenagear!

• Arte modernista • Arte urbana • Festas populares

Observe a imagem a seguir.

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Proponha aos alunos que observem a imagem da página 134, criada por Tarsila do Amaral (1886-1973), considerada uma das maiores artistas brasileiras. Tarsila nasceu no interior de São Paulo, em Capivari, e completou seus estudos na Europa. Quando voltou ao Brasil, juntou-se ao movimento modernista brasileiro, ao lado de Mário de Andrade, Anita Malfatti e Di Cavalcanti, entre outros. Sua obra Carnaval em Madureira, criada em 1924, é uma homenagem ao povo brasileiro em sua diversidade de culturas, etnias e cores. Oriente os alunos a visitar o site oficial da artista (link indicado em Conexões). Solicite aos alunos que observem, na página 135, o grafite Vende-se – Amazônia, do artista Cranio, em São Paulo. Fabio Oliveira (1982), grafiteiro paulistano da zona norte da capital, mais conhecido por seu codinome, Cranio, cria personagens indígenas estilizados para levar questões sobre consumismo, comportamento, identidade e meio ambiente aos muros das cidades. As imagens criadas por Cranio são de teor crítico e nos convidam a refletir sobre as riquezas e problemas do Brasil.

PARA AMPLIAR CONCEITOS A arte urbana engloba, principalmente, o que acontece nos espaços públicos da cidade. Está ligada à cultura das

ACERVO FUNDAÇÃO JOSÉ E PAULINA NEMIROVSKY, SÃO PAULO. ©TARSILA DO AMARAL EMPREENDIMENTOS LTDA.

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS

Carnaval em Madureira (1924), de Tarsila do Amaral. Óleo sobre tela, 76 cm × 63,5 cm.

Qual é a imagem do Brasil festivo retratada na pintura? Quais são as cores e formas nela empregadas? Quais são os sons e as músicas de nossas festas? Quem são os artistas que fazem da alegria o tema de seus trabalhos? Transformando as festas, as cores e o povo brasileiro em cenário. 134

artes de rua (street art) e também à cultura hip-hop. Vamos tratar dessa cultura mais à frente. Neste momento, converse com os alunos sobre: • Como são essas manifestações em espaços públicos em sua localidade? • Há imagens em grafite nos muros ou paredões de préD2-ARTE-EF2-V9-U3-C2-132-153.indd 134

dios? As imagens são contestadoras? O que expressam essas imagens em grafite? • O que você acha do uso da cidade como suporte para arte? • Será que essas imagens remetem a outras linguagens da arte? Estimule os alunos a con-

tar sobre suas experiências: próximo a eles há produções de pinturas em grafite, esculturas ou outras linguagens artísticas que acontecem no espaço público? Os alunos costumam pesquisar esse tipo de arte pela internet? Gostam de um artista em especial? O que mais os alunos podem di-

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+IDEIAS A arte do grafite está se popularizando cada vez mais, e vários artistas brasileiros estão conquistando notoriedade internacional, como OSGEMEOS, Eduardo Kobra e Cranio, além de vários outros artistas de peso no cenário nacional. Oriente os alunos a pesquisar sobre esses artistas e apresentar alguns dos trabalhos deles. Peça aos alunos para registrarem suas pesquisas no Diário de arte.

venha GRAFITAR!

WWW.CRANIOARTES.COM

Observe a imagem a seguir.

CONEXÕES • Tarsila do Amaral. Site oficial da artista. Disponível em: <http://livro.pro/spa2ee>. Acesso em: 16 nov. 2018. • Cranio. Site oficial do artista. Disponível em: <http:// livro.pro/g5dpx8>. Acesso em: 16 nov. 2018.

Grafite Vende-se Amazônia, de Cranio, em São Paulo (SP). Tema sobre a situação dos indígenas e da Amazônia.

Como os problemas do Brasil se tornam tema no cenário urbano? Como se expressam as pessoas insatisfeitas e inconformadas com algo que está acontecendo em sua cidade, estado ou país? Quais são as formas de protesto possíveis? É possível protestar com arte? Quais são as formas, as imagens e as cores das artes das ruas? 135

zer sobre a street art? Converse com os alunos sobre a relação entre o público e o privado e o patrimônio cultural. Muitas das pinturas em grafite que vemos têm autorização para ser realizadas. Independentemente da linguagem artística usada, é fundamental tomar o cuidado

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de obter autorização para realizá-la. Os artistas conhecem a legislação de cada local em que criam sua arte nos muros e paredes de cidades mundo afora. Trazer o trecho de lei que trata de pichação como intervenção urbana talvez seja interessante para que os alunos estudem sobre direitos,

deveres e cidadania. Muitos artistas já tiveram suas obras “desfeitas”, mesmo que autorizadas, por causa da falta de entendimento, de conhecimento e até de respeito. Comente com os alunos sobre a pichação e degradação do patrimônio público ou privado. Deixe claro que a arte e 11/17/18 9:52 AM

as manifestações artísticas não devem ser oriundas de atos de vandalismo. O artista deve fazer sua obra respeitando o espaço público e suas regras. O mesmo vale para a escola: as manifestações artísticas dos alunos, uma vez autorizadas, devem ser respeitadas, cabendo a todos os alunos zelar pela sua preservação. É importante sempre esclarecer aos alunos que o uso do patrimônio público ou privado para a prática da estética do grafite sem autorização é crime estabelecido e punido por lei. É importante estimular a arte de rua aliada a noções de responsabilidade e cidadania. Promova uma discussão com os alunos sobre a diferença entre grafitar e pichar.

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Arte modernista Festas populares Cor e cultura brasileira Arte naïf

BNCC UNIDADES TEMÁTICAS • Artes visuais • Artes integradas HABILIDADES • (EF69AR01) • (EF69AR02) • (EF69AR03) • (EF69AR04) • (EF69AR08) • (EF69AR31) • (EF69AR33)

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Os artistas viajantes como Jean-Baptiste Debret, Rugendas e outros podem nos mostrar suas visões sobre o Brasil Colônia. São representações de um olhar estrangeiro, que devemos apreciar chamando sempre a atenção para uma visão crítica por parte dos alunos. Comente com os alunos que muitos artistas desenvolveram seus trabalhos passando por várias “fases”. Isso é natural porque os artistas pesquisam, se envolvem com movimentos coletivos e podem sofrer influências do contexto em que vivem e produzem. Isso aconteceu com a artista Tarsila do Amaral, que, como vemos nas imagens da página 136, se expressou em cores mais vivas (tropicais, a que ela chamava de “caipiras”, como uma maneira de valorizar as coisas simples do povo), representando temas ligados ao cotidiano das pessoas brasileiras, como se observa na pintura O Pescador, da série Pau-Brasil. Na obra Segunda classe, já em outra fase, a artista aborda questões sociais ao retratar uma família que viaja de um lugar a outro à procura de trabalho e melhores condições

Colorido brasileiro O Brasil destaca-se por sua rica cultura popular tradicional. A exuberância de suas cores espalha-se pelas cidades por meio da diversidade de folguedos, danças e festejos. Nas ruas desfilamos, cantamos, tocamos, dançamos e saímos para brincar usando coloridas e enfeitadas fantasias. A rua também é o lugar de dizer o que queremos enquanto povo brasileiro. Durante o Modernismo, as pinturas de Tarsila do Amaral (1886-1973) também trouxeram as tropicais cores brasileiras na série Pau-Brasil. Veja a reprodução da tela O pescador, ao lado. Em outro momento, contudo, Tarsila voltou-se para questões sociais. Os tons escuros também passaram a se fazer presentes e a figura humana ganhou novo tom expressivo, como na obra Segunda classe, ao lado. As críticas sociais e os protestos em cores têm prosseguimento nos muros das cidades sob a forma do grafite. O artista Fabio Oliveira (1982-), conhecido internacionalmente por seu codinome Cranio, cria personagens indígenas estilizados e os grafita nos muros das cidades para levantar questões sobre consumismo, comportamento, identidade, ativismo e meio ambiente. Na imagem da seção Venha grafitar!, a arte de Cranio aplicada na entrada de uma estação de trem é uma paisagem peculiar das grandes cidades.

O pescador (1925), de Tarsila do Amaral. Óleo sobre tela, 66 cm × 75 cm. COLEÇÃO PARTICULAR.©TARSILA DO AMARAL EMPREENDIMENTOS LTDA.

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MUSEU HERMITAGE, SÃO PETERSBURGO. ©TARSILA DO AMARAL EMPREENDIMENTOS LTDA.

CONCEITOS EM FOCO

Segunda classe (1933), de Tarsila do Amaral. Óleo sobre tela, 110 cm × 151 cm.

1. Observe novamente as obras de Tarsila do Amaral. Quais cores são predominantes em cada uma das obras? Como a artista trabalhou com as linhas e as formas? Como as figuras humanas são retratadas? E as paisagens? 2. Você consegue identificar a crítica social presente na obra Segunda classe? A crítica continua pertinente na atualidade? Respostas pessoais.

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de vida. Proponha aos alunos uma apreciação comparada entre essas duas pinturas, trabalhando por meio da mediação cultural a leitura e interpretação das obras com os alunos, examinando elementos visuais, como cores, tons (claro, escuro), expressões nas D2-ARTE-EF2-V9-U3-C2-132-153.indd 136

figuras, maneira de abordar o tema, entre outras comparações e análises. Sugerimos que você crie pautas com perguntas que possam potencializar a conversação sobre as imagens. As respostas às questões da página 136 são pessoais com

base no estudo do texto e na apreciação das imagens. Acolha e amplie as colocações dos alunos trazendo mais informações sobre os artistas. Peça a eles que pesquisem outros artistas brasileiros que retrataram questões sociais na nossa história.

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tema tema11

Povo e cor

Veja a imagem a seguir. O colorido na cultura artesanal do miriti, no Pará.

JOÃO CALDAS/OLHAR IMAGEM

Vibrantes cores ornamentam também as mais diversas formas de artesanato. Na cidade de Abaetetuba, no Pará, por exemplo, o colorido firma-se na tradição do miriti. O nome faz referência a uma palmeira típica da região (também conhecida como buriti), cuja madeira é tradicionalmente utilizada pelos artesãos para a confecção de brinquedos em forma de pássaros, cobras, aranhas, tatus, barcos, entre outros.

COLEÇÃO PARTICULAR

Esse colorido expandiu-se, continuou espalhando-se pelas regiões brasileiras e encontrou as mãos dos pintores de arte naïf. Em sua arte, desprendida de técnicas acadêmicas, os artistas adeptos desse estilo de pintura exploram o poder das cores e trazem temas que vão das festas populares às ricas fauna e flora brasileiras.

Pintura naïf de Clóvis Junior. Acrílico sobre tela.

D i á r i o d e a rt e

Registre com muitas cores, em seu Diário de arte, as tradições populares que você conhece e aquelas que está conhecendo agora.

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PARA AMPLIAR CONCEITOS Os artistas modernistas, em suas discussões, manifestavam o repúdio a modelos preestabelecidos para a criação da arte. Para eles, todos podem ser influenciados por outras culturas e produções de artistas. No entanto, para

criar uma obra própria, é preciso descobrir suas próprias referências culturais e poéticas pessoais. Os artistas modernistas brasileiros defendiam a liberdade para fazer uma arte brasileira, uma arte sincera, cabocla, mulata em cores nacionais, mas com teor crítico, político e polêmico. 11/21/18 11:36 AM

Escritores, pintores, escultores, gravuristas, atores e músicos questionavam as influências de fórmulas clássicas de expressão artística herdadas da estética europeia, trazida para o Brasil pela Missão Artística Francesa, grupo de artistas europeus que chegaram em 1816 para fundar a primeira Academia de Arte no Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, e que estabeleceram um gosto acadêmico neoclássico. Essas influências teriam determinado o modo de criar arte no Brasil durante muito tempo, mas no movimento modernista essas regras começariam a mudar. Proponha, com os professores de Literatura e História, um trabalho interdisciplinar sobre esse tema. No Brasil e no mundo, é comum os artistas criarem manifestos para defender suas ideias. Proponha estudos e produções de textos sobre os manifestos de arte na época do modernismo no Brasil.

+IDEIAS Proponha aos alunos que realizem pesquisas sobre outros artistas que se expressam pela arte naïf. Peça a eles que, se encontrarem exemplares de arte naïf em sua região, registrem para compartilhar em sala de aula. Os alunos podem se organizar nos pequenos grupos e criar uma curadoria com imagens de arte naïf para ser apresentadas na aula. Os alunos podem pesquisar sobre os artesanatos tradicionais brasileiros. Artistas naïf e artesãos da região podem ser convidados para ir à escola e conversar com os alunos sobre seus processos de criação. CONEXÕES • Clóvis Junior. Disponível em: <http://livro.pro/6fdcdp>. Acesso em: 16 nov. 2018.

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CONCEITOS EM FOCO • Cultura brasileira • Música popular brasileira • Festejos e arte

mundo conectado FAIXAS 13 a 15

BNCC

Essa mistura dá samba!

UNIDADES TEMÁTICAS • Artes integradas • Música

No Brasil, quando algo tem chances de se concretizar, popularmente dizemos que “vai dar samba”. O Carnaval é um bom exemplo de sucesso. Ele traz em seu nome a origem europeia, pois era uma celebração ligada ao calendário religioso durante a Idade Média. A Igreja Católica firmou a comemoração nos dias que antecedem a Quaresma, o que perdura até os dias de hoje.

HABILIDADES • (EF69AR16) • (EF69AR17) • (EF69AR18) • (EF69AR19) • (EF69AR31) • (EF69AR33)

Selecionamos para esta seção alguns nomes que costuram a moderna e contemporânea história da música brasileira. A partir deles, pode-se enveredar tanto para a cultura popular tradicional quanto para a música popular moderna, a música pop ou a música contemporânea. Sempre que possível, estimule os alunos à pesquisa e descoberta de outros estilos ou de propostas às quais ainda não tiveram acesso. Valorize nossos artistas, como Chiquinha Gonzaga, que abriu alas e ousou trazer à música brasileira o som e a alegria do povo. Uma das primeiras compositoras a fazer sucesso no Brasil.

PARA AMPLIAR CONCEITOS A história da música no Brasil tem início com os diversos povos indígenas. Os primeiros relatos escritos dessa musicalidade vêm do período colonial, com a observação de rituais indígenas. Segundo essas tradições, na maioria das vezes de cunho religioso, as músicas e os cantos são tocados com instrumentos como flautas, apitos, tambores e chocalhos confec-

CELSO PUPO/FOTOARENA

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS

Desfile da escola de samba Unidos de Vila Isabel com o enredo “Retratos de um Brasil Plural”, no Rio de Janeiro, em 2014. Um carro alegórico gigante leva os componentes sambando. As várias linguagens artísticas se apresentam juntas.

A música é um dos aspectos mais ricos da cultura brasileira. Ela está presente nos diferentes ritmos e gêneros que tiveram origem em nosso país, assim como nos trabalhos realizados em linguagens que romperam as fronteiras nacionais, como a ópera, o rock-and-roll e a música eletrônica. Compositores como Heitor Villa-Lobos (1887-1959), Camargo Guarnieri (1907-1993) e Francisco Mignone (1897-1986) estão inseridos em um cenário global da música erudita, no qual se destacam também pela adição de certo tempero brasileiro da música popular tradicional. Destacamos, a seguir, alguns personagens de nossa música que inovaram no decorrer da história da música brasileira. 138

cionados com ossos e chifres de animais, cocos e pedras, plantas e muitos outros materiais encontrados na natureza. Com a chegada dos portugueses, introduziram-se em nossa cultura novos instrumentos, como a viola, a gaita e outros instrumentos de traD2-ARTE-EF2-V9-U3-C2-132-153.indd 138

dição europeia. Já os povos africanos, quando foram trazidos ao Brasil, carregavam em sua bagagem cultural muitos conhecimentos sobre música e dança que influenciaram a formação de uma música brasileira. A música africana tem

ritmo bem marcado, o que instiga todos a dançar. Herdamos dela instrumentos de percussão, como o berimbau, a cuíca, o agogô, o atabaque, entre outros. A música brasileira é, portanto, um misto de muitas influências culturais de diversos povos e países.

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Chiquinha Gonzaga (1847-1935) REPRODUÇÃO/ESTADÃO CONTEÚDO/AE

Compositora e pianista carioca, entrou para a história como a primeira mulher a destacar-se no choro (gênero popular, urbano e instrumental), sendo também a primeira pianista nesse gênero e a primeira regente de uma orquestra no Brasil. É sua também a primeira marchinha de Carnaval com letra.

Ernesto Nazareth (1863-1934)

AGÊNCIA O GLOBO

Pianista e compositor, destacou-se em diversos gêneros, como a polca, o choro, o samba, a marchinha e os tangos brasileiros (gênero criado com base no tango habanera cubano e relacionado à dança do maxixe). Conseguiu unir a musicalidade popular brasileira às estrangeiras, criando uma música na qual os elementos estrangeiros foram tropicalizados, ou seja, recriados sob a sonoridade brasileira.

Noel Rosa (1910-1937)

BIBLIOTECA NACIONAL

ANDRE STEFANO / FOTOARENA

Um dos mais destacados artistas de nossa música; cantou, tocou violão e bandolim e compôs diversos sambas até seu prematuro falecimento, aos 26 anos de idade. Era hábil na arte de escrever letras, com um olhar especial para os acontecimentos do dia a dia.

Tom Zé (1936-) Cantor, compositor e arranjador baiano, traz em sua bagagem a relação com a música popular e o pensamento musical de vanguarda, estudou com ícones como Walter Smetak e Hans-Joachim Koellreutter, participou do Movimento Tropicalista (final da década de 1960 e início da seguinte) e depois aventurou-se na música experimental.

Arrigo Barnabé (1951-)

ZANONE FRAISSAT/FOLHAPRESS

Músico e ator paranaense, está inserido no contexto conhecido como Vanguarda Paulista. Destacou-se por aliar a música contemporânea ao rock-and-roll, à MPB (Música Popular Brasileira) e à música experimental. Suas composições versam sobre temas urbanos e, muitas vezes, apontam para as histórias em quadrinhos. Compôs trilhas sonoras para filmes nacionais e tem se dedicado, também, à mistura da música erudita à popular. Agora que você conheceu um pouco mais sobre grandes nomes da nossa música, que tal pesquisar sobre eles, ouvir suas músicas? 139

COMENTÁRIO SOBRE AS FAIXAS DE 13 A 15 DO CD Faixa 13: Coração que sente, para piano, de Ernesto Nazareth. O pianista e compositor Ernesto Nazareth (18631934) é um dos grandes nomes da música popular brasileira. Ocupa um papel especial na música de sua época por

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integrar em suas composições contribuições dos âmbitos erudito e popular. Apesar de interpretadas ao piano, suas obras também expressam a musicalidade típica do violão, do cavaquinho e da flauta, instrumental normalmente utilizado no choro. Nota-se, na elaboração melódica dessa

peça, a influência de Frédéric Chopin (1810-1849), um dos mais importantes representantes do período romântico musical europeu. Faixa 14: Palpite infeliz, de Noel Rosa. Sambista, compositor brasileiro e um dos mais importantes artistas populares, Noel Rosa (191011/21/18 11:36 AM

1937), apesar de ter vivido pouco, legou uma grande contribuição à música popular. Com suas músicas originais, ele teve importante papel na legitimação do samba de morro por meio do rádio, principal veículo de comunicação de sua época, fato de significativa importância não só para o samba, mas também para a história da música popular urbana. Palpite infeliz é um samba composto em 1935, interpretado aqui pelo Grupo Cauim, em um arranjo de Paulo C. Moura, sob sua regência. Faixa 15: Brinco, de Arrigo Barnabé. Estimule os alunos a perceber que seu texto breve (Brincar, com cor, Ação, Acordar, Brincar, com coração) se repete de maneira cíclica sob o acompanhamento variado dos instrumentos e, assim, gera um interessante efeito lúdico (a brincadeira a que se refere) no estilo da poesia concreta. Brinco é interpretada, em arranjo de Gil Reyes para voz, por Tuca Fernandes e o Quinteto d’Elas: Betina Stegmann (violino), Adriana Schincariol (viola), Marialbi Trisolio (violoncelo), Ana Valéria Poles (contrabaixo) e Helena Scheffel (piano).

CONEXÕES Gonzaga. • Chiquinha Disponível em: <http://livro. pro/78x94n> e <http://livro. pro/tfmuyt>. Acessos em: 16 nov. 2018. • Ernesto Nazareth. Disponível em: <http://livro.pro/ u8p6xc>. Acesso em: 16 nov. 2018. • Noel Rosa. Disponível em: <http://livro.pro/6bcwf9>. Acesso em: 16 nov. 2018. • Tom Zé . Disponível em: <http://livro.pro/tyzzxz>. Acesso em: 16 nov. 2018. • Arrigo Barnabé . Disponível em: <http://livro.pro/pi2j85>. Acesso em: 16 nov. 2018.

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CONCEITOS EM FOCO

O colorido do Carnaval

• Cultura brasileira • Música popular brasileira • Festejos e arte

O Carnaval trazido ao Brasil pelos portugueses se misturou às culturas indígenas e africanas e se espalhou pelas ruas e pelos salões com sua música, dança e fantasias. Veja as imagens a seguir.

HABILIDADES • (EF69AR01) • (EF69AR02) • (EF69AR03) • (EF69AR16) • (EF69AR17) • (EF69AR18) • (EF69AR31) • (EF69AR33)

FAIXA 12

Cena de Carnaval em San Carlo al Corso (1812), Roma, de Bartolomeo Pinelli (1781-1835). BRIDGEMAN IMAGES/KEYSTONE BRASIL

UNIDADES TEMÁTICAS • Artes visuais • Artes integradas • Música

GABINETTO COMUNALE DELLE STAMPE, ROMA/ DE AGOSTINI / A. DAGLI ORTI/AGB PHOTO LIBRARY

BNCC

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Converse com os alunos sobre a importância do samba e das produções de arte nacional, nossas festas e nossos costumes tradicionais e populares. Um exemplo da nossa produção é a obra da artista Chiquinha Gonzaga. Proponha aos alunos que ouçam a música Corta-jaca, de Chiquinha Gonzaga (faixa 12 do CD do 9O ano).

PARA AMPLIAR CONCEITOS Para fazer um paralelo com o choque entre a cultura que se desenvolve à margem da sociedade e os padrões estabelecidos pela cultura dominante, como a crítica que fez Ruy Barbosa à dança do maxixe, colocando-a como “a mais baixa, a mais chula, a mais grosseira de todas as danças selvagens”, e hoje para o funk, o pagode, a música sertaneja e outros ritmos que vêm surgindo, o escritor Waldenyr Caldas, em seu livro A utopia do gosto, levanta questões interessantes sobre o que é culto, o que é brega, o que é erudito, o que é ruim e o que é de bom gosto em relação à literatura mas que cabe bem para o gosto musical também. Segundo ele, “[...] acreditar no maniqueísmo quanto

Cartão-postal que destaca carro alegórico em Carnaval na Riviera Francesa, França, em 1908.

Da Europa, importamos o modelo moderno do Carnaval, com desfiles e carros alegóricos. Entretanto, antes de esse modelo chegar ao Brasil, o Carnaval agitado ao som do samba não era visto com bons olhos pela elite brasileira. Um caso emblemático refere-se à Chiquinha Gonzaga, um dos grandes nomes de nossa música, e à sua obra Corta-Jaca, ou Gaúcho, de 1914. Convidada a participar de um sarau por Nair de Tefé (1886-1981), esposa do então presidente Hermes da Fonseca (1855-1923), no Palácio Presidencial do Catete, Chiquinha Gonzaga preparou a composição Corta-Jaca, com letra de Tito Martins e Bandeira de Gouvêa, para ser acompanhada ao violão por Tefé. A música trazia o ritmo do maxixe, malvisto por sua dança ser considerada demasiada sensual para os padrões da época. O gosto pelo Carnaval, no entanto, acabou atingindo todas as classes sociais, e hoje o espetáculo carnavalesco da cidade do Rio de Janeiro é o maior do mundo. 140

mais culto, mais próximo do “bom gosto”, quanto menos culto, mais próximo do “mau gosto”, é assumir um elitismo estético muito perigoso. É sobrepor, noutras palavras, a cultura erudita à sensibilidade humana, quando na verdade elas se completam. [...]” (CALDAS, 2009. p. 98). D2-ARTE-EF2-V9-U3-C2-132-153.indd 140

+IDEIAS Há várias histórias sobre a pintura Carnaval em Madureira, de Tarsila do Amaral, que traz a imagem de um ícone parisiense, a Torre Eiffel. Há quem defenda a ideia de que a artista coloca esse ícone da arquitetura francesa como uma forma de manifestar sua

saudade dos anos que viveu naquele país; outros estudos citam que ela teria feito uma homenagem a um amigo francês ou até mesmo ao amigo Santos Dumont (1873-1932) que, no ano de 1901, deu uma volta com o seu dirigível em torno da torre Eiffel, em Paris. Fato é que podemos

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COMENTÁRIO SOBRE A FAIXA 12 DO CD Faixa 12: Corta-jaca, para voz e violão, de Chiquinha Gonzaga. Chiquinha Gonzaga (1847-1935), compositora, pianista e regente brasileira, foi a primeira pianista de choro (ou chorinho, gênero de música popular instrumental brasileiro, nascido no Rio de Janeiro em meados do século XIX, no qual têm especial relevo a improvisação e a virtuosidade instrumental), autora da primeira marcha carnavalesca, intitulada Ó abre alas (1899), e a primeira mulher a reger uma orquestra de música no Brasil. Corta-jaca é um maxixe composto por ela, com letra de Machado Careca, para voz, violão e acompanhamento de pandeiro. Auxilie os alunos a perceberem que a forma adotada é: estrofe 1, refrão, estrofe 2, refrão, (instrumental), refrão, estrofe 3, refrão, estrofe 4, refrão, estrofe 5, refrão, em que o refrão possui sempre música e letra iguais e as estrofes correspondem à mesma música, mas com letras diferentes. Essa gravação foi realizada por Patrícia Nacle (voz, contralto) e Camilo Carrara (violão).

MAIS DE PERTO

ACERVO FUNDAÇÃO JOSÉ E PAULINA NEMIROVSKY, SÃO PAULO. ©TARSILA DO AMARAL EMPREENDIMENTOS LTDA.

Vejo, sinto e estilizo

Detalhes da obra Carnaval em Madureira (1924), de Tarsila do Amaral. Óleo sobre tela, 76 cm × 63,5 cm.

PALAVRA Da ARTISTA

Tarsila do Amaral (1886-1973) Eu invento tudo na minha pintura. E o que eu vi ou senti, [...] eu estilizo. RIBEIRO, Leo Gilson. O que será aquela coisa?. Última entrevista de Tarsila do Amaral. Revista Veja, Edição 181. São Paulo: Editora Abril, 1972. Disponível em: <http://www.elfikurten.com.br/2016/04/ tarsila-do-amaral-ultima-entrevista.html>. Acesso em: 8 nov. 2018.

COLEÇÃO PARTICULAR.©TARSILA DO AMARAL EMPREENDIMENTOS LTDA.

Na obra Carnaval em Madureira, de Tarsila do Amaral (apresentada na seção Venha criar!), essas misturas são bem destacadas. Observe novamente os detalhes que compõem essa tela. Podemos identificar a presença das origens africanas, as bandeiras e os enfeites de cabeça, o ambiente popular e, ao mesmo tempo, uma réplica cenográfica da Torre Eiffel, de Paris (França), uma casinha embandeirada e um dirigível pendurado.

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observar a imagem de uma máquina voadora em torno da torre em forma de dirigível. Também percebemos que as pessoas são retratadas de muitas formas e tamanhos, talvez para representar a diversidade do povo brasileiro que, nos dias de carnaval, se encontra nas avenidas e aproveita a fes-

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ta. Claro que ela retrata uma visão do Rio de Janeiro e a festa do carnaval dentro de uma concepção cultural da época. Também vemos na composição animais, elementos da arquitetura, aspectos topográficos e da paisagem que fazem referência à cidade do Rio de Janeiro.

CONEXÕES • CALDAS, Waldenyr. Utopia do gosto. São Paulo: Brasiliense, 2009. p. 95-98. • História do Carnaval no Brasil. Disponível em: <http:// livro.pro/nwyhxw>. Acesso em: 16 nov. 2018. • Entenda a origem do carnaval no Brasil e no mundo. Disponível em: <http://livro. pro/ptfktz>. Acesso em: 16 nov. 2018.

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CONCEITOS EM FOCO

arte em projetos

• A cor nas pinturas naïf • Festividades populares e co-

lorido • Criação de tintas

ARTES VISUAIS E ARTES INTEGRADAS

Tintas e cores

BNCC

(EF69AR17) (EF69AR18) (EF69AR19) (EF69AR31) (EF69AR32) (EF69AR34)

Dia de festa (2001), de Lourdes de Deus. Óleo sobre tela, 80 cm × 175 cm.

As formas que aparecem nessa obra não procuram fazer um registro preciso da realidade. Na arte naïf, as técnicas de composição visual acadêmica não são importantes; o que se vê é a espontaneidade das formas e das cores. Se observarmos as representações, encontraremos uma leveza doce, que nos remete à infância e às brincadeiras. Alguns artistas podem até se aproximar mais da representação fiel e do uso da perspectiva, mas resguardam as cores e as formas que marcam a arte naïf. É o caso das telas a seguir.

Leia com os alunos o texto que trata da arte naïf. No final, estabeleça uma conversa em que os alunos contem, com suas próprias palavras, o que entenderam dessa manifestação artística. Na pesquisa sobre as linguagens artísticas, os alunos ampliarão seu repertório imagético, textual e musical, auxiliando, assim, a pensar em suas criações artísticas. Para a produção de têmpera, na prática da Oficina 1, peça aos alunos que providenciem antecipadamente os materiais (ovos e pigmentos). Têmpera: há muitas receitas dessa tinta, que variam entre usar a clara ou a gema de ovo como aglutinantes. Se quiser uma tinta mais brilhante e transparente, use a clara; se desejar uma tinta mais opaca, utilize a gema de ovo. Para os pigmentos, você pode escolher usar materiais orgânicos (naturais) ou o pó de pintor. É importante que o pigmento seja em pó para que a tinta tenha maior consistência. Como solvente, use água. Sobre as quantidades dos componen-

AMPLIANDO O termo naïf vem do latim nativus, que significa nascente, natural e espontâneo. Os artistas que trabalham a arte naïf criam com grande espontaneidade, não seguem regras rígidas ou técnicas usuais na construção de imagens e usam materiais diversos, muitas vezes o que tem à mão. É popularmente aclamada como uma arte livre de convenções.

GALERIA JACQUES ARDIES, SÃO PAULO

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS

GALERIA JACQUES ARDIES, SÃO PAULO

HABILIDADES • (EF69AR01) • • (EF69AR02) • • (EF69AR03) • • (EF69AR06) • • (EF69AR07) • • (EF69AR16) •

A cultura tradicional brasileira é repleta de cores vivas e pintores nela se inspiram para criar belas imagens. Esse colorido brasileiro tem presença marcante nas obras de arte naïf. Veja a imagem a seguir. GALERIA JACQUES ARDIES, SÃO PAULO

UNIDADES TEMÁTICAS • Artes visuais • Artes integradas • Música

Festa na vila (2008), de Ana Maria Dias. Óleo sobre tela, 40 cm × 50 cm.

Pau de sebo (2013), de Francisco Severino. Óleo sobre tela, 60 cm × 40 cm.

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tes, pode depender da intenção em se obter tintas mais espessas ou diluídas. No entanto, podemos indicar, para cada gema, acrescentar uma colher (sopa) de pigmento e a mesma medida de água. No caso de usar a clara, coloque duas colheres (sopa) de pigmento em pó e uma de água. D2-ARTE-EF2-V9-U3-C2-132-153.indd 142

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+IDEIAS Na pesquisa sobre arte brasileira na música, coloque para os alunos apreciarem a faixa 11 do CD do 9O ano.

FAIXA 11

A tradição da cor

WASHINGTON FIDÉLIS/FOLHAPRESS

ORMUZD ALVES/ARGOSFOTO

A cultura tradicional brasileira é repleta de cores vivas. Das Congadas às festas de Bumba meu boi, as roupas e os acessórios trazem um rico colorido. Observe as imagens a seguir, que mostram as cores na Dança do Pau de Fitas, realizada no Rio Grande do Sul, e na Festa do Boi Garantido, no Festival Folclórico de Parintins.

Dança do Pau de Fitas, que integra a Festa dos Açores, em Palhoça (SC), em 2009.

MAIS AÇÃO

Boi Garantido, representado principalmente pela cor vermelha, é uma das agremiações que competem todo ano no Festival Folclórico de Parintins (AM). O Boi Caprichoso é representado pela cor azul.

Vamos pesquisar em sua cidade se há artistas naïfs? Que tal conversar com um deles? Podemos também criar pinturas com base em temas que tratem das festas populares do Brasil. Pesquise sobre as festas em sua região, bem como outras manifestações de arte e do folclore local.

Processo de criação

Oficina 1 – Criando têmperas Existem têmperas transparentes nas quais são usados clara de ovos e pigmentos transparentes, como as anilinas comestíveis. Para tintas mais opacas, podemos usar gema de ovos e, como pigmentos, pó de pintor ou temperos. Para criar sua tinta, use a fórmula básica: em um copo ou outro recipiente, coloque uma gema sem pele, duas cores de pigmento em pó (pó de pintor ou temperos) e duas colheres de sopa de água. Misture bem. Sua tinta está pronta! Faça o mesmo com outros pigmentos para conseguir várias cores. Como suporte, você pode usar madeiras ou restos de papelão, como embalagens de alimentos ou de calçados. Agora, pesquise sobre as cores e formas que podem representar melhor as festas populares de sua região e crie pinturas. Com as pinturas finalizadas, organizem uma exposição. Que tal essa exposição fazer parte de algum evento em sua cidade? Combine com os colegas e com o professor!

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PARA AMPLIAR CONCEITOS O termo arte naïf aparece na história da arte pela primeira vez no início do século XX para citar a obra do artista francês Henri Rousseau (18441910). Esse artista criou uma pintura pessoal, trazendo um mundo lírico e simbólico em

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que as cores e regras de composição fugiam do tradicional. Ele também era autodidata e seu trabalho foi admirado por artistas e críticos que valorizavam as rupturas na arte provocadas pelos movimentos de vanguarda artística da primeira metade do século XX.

COMENTÁRIO SOBRE A FAIXA 11 DO CD Faixa 11: Pot-pourri: cantos das cinco regiões do Brasil, para quarteto de cordas. A expressão pot-pourri existe desde o século XVIII e significa uma forma musical em que temas diferentes são apresentados sem repetição um após o outro (ABCDE...). Esse arranjo em forma de pot-pourri contém cantos tradicionais e populares das cinco regiões brasileiras, tendo sido escolhido um tema musical para cada uma delas. Inicia-se por uma introdução e, em seguida, podemos ouvir Mulher rendeira (NE) e, desde aqui, sempre separados por breve pausa, Sambalelê (SE), a introdução de Balaio (RS) e seu tema, Sobrancelha de veludo (CO); ao final, uma surpresa: para representar a região Norte, escolhemos deixar soar ao fundo as cordas e criar uma espécie de contraponto, um diálogo entre o canto real de um uirapuru e um violino. Interpretação: quarteto de cordas com arranjo de Marcos Scheffel. REGISTROS E AVALIAÇÃO Proponha aos alunos que criem pequenos textos críticos com base no que conhecem sobre arte e cultura popular brasileira. Esses podem compor recursos para a avaliação em processo. Um mural com essas ideias pode ser organizado pelos alunos.

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CONEXÕES • Arte naïf. Disponível em: <http://livro.pro/hhska6>. Acesso em: 15 nov. 2018.

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CONCEITOS EM FOCO Oficina 2 – Imagens, temas, cores e ritmos na cultura carnavalesca

FAIXA 11 PAULO LOPES/FUTURA PRESS

• Cultura carnavalesca • Confecção de bonecos em

papel machê

BNCC UNIDADES TEMÁTICAS • Artes visuais • Artes integradas • Música HABILIDADES • (EF69AR02) • (EF69AR03) • (EF69AR05) • (EF69AR06) • (EF69AR07) • (EF69AR08) • (EF69AR16) • (EF69AR31) • (EF69AR32) • (EF69AR34)

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Na criação dos bonecos, oriente os alunos a colocar a farinha de trigo e a cola aos poucos, sentindo a consistência da massa de modo a não grudar muito na mão e ter uma massa firme. Será preciso uma quantidade de massa de papel machê suficiente para que os alunos possam fazer as modelagens.

PARA AMPLIAR CONCEITOS Mamulengo é um tipo de boneco movimentado com as mãos. Talvez o nome mamulengo tenha origem nos termos “mão molenga” ou “mão mole”, em referência aos movimentos que o artista precisa executar para manipular os bonecos e dar expressão aos personagens. Os bonecões de Olinda nasceram da tradição dos bonecos de vara. Na atualidade, as técnicas se modificaram e os mestres bonequeiros criam estruturas em madeira e outros materiais leves para que os foliões assumam por algumas horas a interpretação dos personagens que tomam as ruas em dias de Carnaval.

A escola de samba Vai-Vai homenageou o cantor e compositor Gilberto Gil durante o desfile no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo, 2018. Com enredo “Sambar com fé eu vou” (referência a um dos refrões mais famosos de Gil), a escola trouxe para a avenida a trajetória do cantor e usou trechos de músicas como Domingo no parque e Aquele abraço.

As escolas de samba elegem anualmente um tema, que estará na letra do samba-enredo, nos figurinos, nos cenários e nos elementos alegóricos do desfile. O enredo enfoca personagens e fatos históricos ou temas marcantes da cultura. Assim como nas peças de teatro, nos roteiros dos filmes, séries e novelas e nas letras de música, os temas escolhidos envolvem muito estudo e trabalho para que a escola possa apresentar na avenida fatos, impressões ou sentimentos de forma contagiante e fiel. O Carnaval integra muitas linguagens, esculturas em carros alegóricos, emblemas em porta-estandarte, figurinos coloridos e exuberantes, coreografias ensaiadas e ritmadas ao som da bateria, som de percussão e o canto do samba-enredo. Combine com os colegas e professores e escolham um tema, para criar um enredo com base nele. A proposta é dividir a turma em vários trabalhadores para preparar a festa, o Carnaval, e, assim como os carnavalescos mais famosos, criar desenhos, projetos de esculturas e carros alegóricos, imaginar figurinos e escrever a letra e compor os ritmos para o samba-enredo. O Carnaval acontece, geralmente, em fevereiro, mas sua preparação começa muito tempo antes, quem sabe esses projetos possam ganhar formas e cores reais no próximo ano na época do Carnaval, em um evento na escola ou em sua cidade. 144

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REGISTROS E AVALIAÇÃO Em roda de conversação, proponha uma avalição: • Como você percebe a sua produção nos projetos de arte com base nos estudos realizados até agora? • Os conhecimentos adquiridos ajudam a ampliar seu repertorio técnico no uso de materialidades, escolha e articulação de elementos de linguagem e processo de criação de modo poético e autônomo? • O que você gostaria de saber mais sobre os temas, conceitos e produções artísticas apresentados aqui?

Em regiões como o Nordeste brasileiro, o Carnaval acontece também na rua com bonecos gigantes, representando personagens inspirados na história e cultura do Brasil ou nascidos do imaginário popular. É possível criar desenhos (projetos) para um

MAURICIO SIMONETTI/PULSAR IMAGENS

Oficina 3 – Criando bonecões com papel machê

boneco gigante, que pode ser concretizado, depois, com papel machê. Os bonecões ou as figuras que vemos em carros alegóricos podem ser feitos com diferentes técnicas e materialidades, mas há uma tradição no artesanato e na cultura popular do Carnaval, que é a técnica do papel machê. Vamos aprender essa técnica?

Bonecos de mamulengo no Carnaval do Pelourinho, em Salvador (BA), 2006.

Combine com os colegas e organizem-se para conseguir as seguin-

CONEXÕES • Museu do Mamulengo, em Olinda (PE). Disponível em: <http://livro.pro/6usruj>. Acesso em: 16 nov. 2018. • Mestres bonequeiros antigos. Documentário. Disponível em: <http://livro.pro/ mok86c>. Acesso em: 16 nov. 2018. • Mestre Saúba. Mestre bonequeiro. Disponível em: <http://livro.pro/nhkiqw>. Acesso em: 16 nov. 2018.

tes materialidades:

• papéis para reciclagem, como jornais velhos e outros que sejam fáceis de desmanchar em água; • baldes com água fria; • um tubo grande de cola branca; • um quilo de farinha de trigo. Para a montagem: • pique o papel em pedaços bem pequenos; • deixe os papéis que foram picados de molho em baldes com água fria, de um dia para o outro; • retire os papéis dos baldes e esprema-os até sair toda a água; • espalhe os papéis sobre uma mesa e depois arrume em montes, abra um espaço no meio e vá colocando aos poucos a farinha de trigo e a cola branca. A dica é colocar a farinha e a cola aos poucos para sentir a consistência da massa. Depois, coloque a sua massa pronta dentro de sacos plásticos para conservar a consistência e não secar antes de você concluir o trabalho; • modele a forma que desejar, se for fazer partes vazadas você pode usar moldes (potes de plástico, bexigas e outros). Depois de finalizar sua escultura, você pode colorir usando guache em várias cores de acordo com sua intenção artística e poética. 145

+IDEIAS Oriente os alunos sobre o uso de garrafas para fazer os bonecões. Solicite que tragam uma garrafa PET transparente, uma folha de papel-cartão branca, cola branca, um cabo de vassoura, retalhos de tecido. Oriente os alunos a desenhar os olhos, o nariz e a boca

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de seu boneco em papel-cartão, usando canetas hidrográficas ou lápis de cor, depois recortar essas formas e colar na garrafa PET com cola branca. Diga aos alunos que façam essas peças em um tamanho adequado para colocar na garrafa que servirá de rosto para o boneco.

Para fazer os cabelos, eles podem usar fios de lã ou outro tipo de linha. Oriente-os a fazer mechas de cabelo e colar na base da garrafa PET usando pedaços de fita adesiva. Depois, devem encaixar o cabo de vassoura na boca da garrafa, passando cola branca antes. Na sequência, a propos11/21/18 3:53 PM

ta é criar as roupas para os bonecos com retalhos de tecidos. Para fazer o cabelo, além de fios de lã como sugerido, você pode propor aos alunos que usem fitas de plástico, papéis recortados e outros materiais. Proponha aos alunos que pesquisem sobre os bonecões do carnaval de Olinda no estado de Pernambuco e que, com base nessas pesquisas, também construam personagens para caracterizar os bonecos que criaram de base.

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CONCEITO EM FOCO

UNIDADE TEMÁTICA • Artes integradas HABILIDADE • (EF69AR31)

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS O hip-hop tem características que o aproximam das culturas populares tradicionais: o espaço principal é o público – ruas, praças, pontes e passagens subterrâneas; há forte participação comunitária; os eventos são realizados de forma coletiva; funciona como uma forma de entretenimento; permite a expressão de ideias e sentimentos; apresenta características estéticas marcantes; abre espaço para que todos possam participar e, ao mesmo tempo, valoriza o virtuosismo e destaca trabalhos com maior qualidade (assim classificados com base no gosto dos participantes do movimento). Proponha um debate entre os alunos para saber sobre seus conhecimentos prévios em relação à cultura hip-hop. Sobre as questões da página 147, proponha aos alunos que observem novamente o grafite Vende-se Amazônia (página 135) e conversem sobre esse patrimônio nacional constantemente ameaçado. 1. Esclareça para os alunos que a Amazônia tem cerca de 7 milhões de quilômetros quadrados, sendo que cerca de 5.500.000 km² são formados por florestas. Esse território é dividido entre nove países: Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa. 2. Há uma grande diversidade de povos vivendo na Floresta Amazônica entre grupos indí-

Hip-hop

O movimento hip - hop também tem sua origem na cultura popular das grandes cidades. Nos Estados Unidos, na década de 1960, ele emergiu como uma reação à violência e ao descaso com as classes menos favorecidas. As culturas afro e latina de Nova York mesclaram-se e criaram uma cultura das ruas, como observado O início do hip-hop no Bronx, bairro de Nova York, Estados na imagem ao lado. Unidos, na década de 1970. A difusão do grafite por todo o mundo deu-se por meio do hip-hop, ainda que tenha existido uma vertente na cultura punk e em outras, independente de qualquer movimento. No movimento hip-hop, o grafite corresponde à sua linguagem visual, enquanto na dança há o break dance (ou breaking) e outras linguagens de danças de rua, e na música há o rap (linguagem de música que traz a fala ritmada e rimada como principal característica), os MCs (mestres de cerimônia − apresentadores, animadores, rimadores e cantores), o beat box (que consiste em fazer o som das batidas, instrumentos musicais e efeitos sonoros utilizando apenas a voz) e os DJs (ou disc jockey − operadores de disco e produtores musicais que se utilizam da tecnologia em suas performances ao vivo). No Brasil, o movimento se fortalece principalmente nos bairros periféricos, onde a população se encontra em situação de vulnerabilidade social. Há um forte aspecto crítico expressado nas músicas e nas imagens, como as questões indígenas abordadas por Cranio na obra apresentada no Venha grafitar!. Observe a imagem a seguir, do universo do hip-hop. MICHAEL OCHS ARCHIVES/GETTY IMAGES

BNCC

tema 2

JOE CONZO ARCHIVES (C) 2015

• Cultura e movimento hip-hop

Dançarinos de break, conhecidos como b-boys, à frente de uma parede com grafites no Brooklyn, bairro de Nova York, Estados Unidos, em 1984.

AMPLIANDO A cultura punk está relacionada a um movimento que surgiu na década de 1970 e refletiu uma reação à sociedade vigente, reunindo elementos culturais comuns a seus adeptos, como estilo musical, costumes, comportamentos e outros.

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genas, seringueiros, agricultores, além dos grupos vivendo próximos a centros urbanos. 3. A biodiversidade é um termo usado para designar o conjunto de espécies de seres vivos de um local ou uma região. Sua preservação garante a manutenção do ecossistema, ou seja, a manutenção da vida D2-ARTE-EF2-V9-U3-C2-132-153.indd 146

e dos recursos naturais locais. 4. Entre as riquezas naturais presentes no território ocupado pela Floresta Amazônica estão as plantas que podem se transformar em remédios, alimentos e outros benefícios para a qualidade de vida das pessoas; também há grande quantidade de madeira e mi-

nério. Sem citar a fauna e o ecossistema, que ainda não foram estudados e compreendidos por completo. É possível extrair riquezas da floresta de modo sustentável, para tanto é necessária a conscientização da população e dos poderes públicos, além de investimento no setor.

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PARA AMPLIAR CONCEITOS A cultura hip-hop tem origem em áreas urbanas de países da América Latina na década de 1970. Manifestações dessa cultura podem ser vistas em grandes centros urbanos em todo o mundo, com adaptações às culturas locais. Fazem parte da cultura hip-hop o rap (rhythm and poetry – ritmo e poesia), o DJ (disc-jóquei), o MC (master of cerimonies – mestre de cerimônias), as danças de movimentos improvisados, como o breakdance, a street dance (dança de rua) e as linguagens do grafite.

mundo conectado

Geoglifos encontrados em área desmatada de Rio Branco (AC), em 2012. PHILIPPE ECHAROUX/GETTY IMAGES

A Floresta Amazônica é um dos patrimônios naturais mais ricos do planeta. Nela, há uma variedade imensa de plantas e animais. Suas matas guardam histórias (dos habitantes nativos) e mistérios. Cranio destaca em sua obra a questão amazônica, centrada especialmente no desmatamento. A exploração ilegal de suas terras para extração de madeira e de minérios, a pastagem de gado e o cultivo da soja têm causado sérios danos à floresta. Uma vez que seu solo tem baixa fertilidade, novas áreas são desmatadas para dar continuidade às atividades agrícola e pecuária. O desmatamento, aliado ao tráfico de plantas e animais, causa prejuízo também para a flora e a fauna locais, colocando a rica biodiversidade da floresta em risco. Outro sério impacto são os conflitos, muitas vezes violentos, com os povos indígenas em decorrência das invasões das terras. É recorrente a destruição de seus territórios, obrigando os indígenas a se mudarem e se restabelecerem em outros locais. Observe as imagens ao lado.

RICARDO AZOURY/PULSAR IMAGENS

Floresta Amazônica

+IDEIAS Esclareça para os alunos que os geoglifos são vestígios arqueológicos deixados no solo por diversas culturas em várias partes do mundo. Temos notícias dessas marcas na terra em formas geométricas como linhas, quadrados, círculos, octógonos, hexágonos e também os desenhos figurativos zoomorfos e antropomorfos.

Imagem da série The Crying Amazonia, que aborda o desmatamento da Floresta Amazônica e os crimes contra a população indígena. O artista de arte urbana e fotógrafo Philippe Echaroux projeta imagens na paisagem e depois as fotografa.

Vamos pesquisar! 1. Qual é a extensão da Floresta Amazônica? Ela está toda em território brasileiro?

2. Quais povos vivem na Floresta Amazônica?

3. O que é biodiversidade? Por que ela deve ser preservada?

4. Quais são as riquezas naturais presentes no território ocupado pela Floresta Amazônica? 5. Pesquise outros artistas que abordaram criticamente a Floresta Amazônica em suas obras. Respostas pessoais.

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5. Há vários artistas que já criaram obras de arte para expressar a beleza e os mistérios das florestas brasileiras, bem como chamar a atenção para sua crescente destruição; entre eles, os alunos podem pesquisar: Siron Franco, Givante Gomes, Antonio Militão dos Santos, entre outros.

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CONEXÕES • Amazônia: questões e responsabilidades. Disponível em: <http://livro.pro/6adxnf>. Acesso em: 16 nov. 2018. Amazônica. • Floresta Disponível em: <https:// www.infoescola.com/biomas/ floresta-amazonica/>. Acesso em: 16 nov. 2018. • Street art na Amazônia. Disponível em: <http://livro. pro/xatrfb>. Acesso em: 16 nov. 2018. • Geoglifos. Disponível em: <http://livro.pro/eyznqb>. Acesso em: 16 nov. 2018. • Florestas do Brasil em resumo. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/ estruturas/sfb/_arquivos/livro_ de_bolso___sfb_mma_2010_ web_95.pdf>. Acesso em: 16 nov. 2018.

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CONCEITOS EM FOCO

BNCC UNIDADES TEMÁTICAS • Artes visuais • Artes integradas HABILIDADES • (EF69AR01) • (EF69AR02) • (EF69AR03) • (EF69AR05) • (EF69AR08) • (EF69AR31)

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Relembre o que foi estudado em outros capítulos sobre grafite e arte rupestre. Apresente a ideia de que a arte pode ser feita de modo individual ou coletivo. Fale da parede como suporte em tempos antigos e na arte contemporânea urbana. Retome as anotações que os alunos fizeram em seus Diários de arte durante o estudo da seção Venha grafitar!, na página 135.

PARA AMPLIAR CONCEITOS Apresente mais de perto o artista Fabio de Oliveira Parnaíba, mais conhecido como Cranio. Este grafiteiro tem se destacado como um dos nomes da nossa arte de rua. Seu estilo de traços e cores é inconfundível. Chame a atenção dos alunos para as produções desse artista, volte a falar sobre poéticas pessoais e contestação na arte. Personagens indígenas são constantes em suas criações. Esses personagens aparecem em situações que, ao primeiro olhar, podem parecer engraçadas, mas, um olhar mais atento percebe que se trata de sérias críticas a

MAIS DE PERTO

Crítica e grafite O grafite, enquanto arte pública, pode atingir um grande número de pessoas. Ademais, o “público” do grafite que está nas paredes das cidades é formado por pessoas muito diferentes. Uma parede grafitada em frente a uma estação de trem será vista por pessoas que utilizam o transporte com objetivos distintos (podem estar a caminho de casa, da escola, do trabalho, de um local de lazer etc.). Atentos a essa característica da relação entre arte e público, os artistas utilizam os muros para expressar críticas à sociedade. Cranio traz em seus grafites denúncias e discute comportamentos e situações por meio de seus personagens, em geral indígenas de pele azul.

WWW.CRANIOARTES.COM

Crítica e grafite Cultura e movimento hip-hop Grafite Arte rupestre

WWW.CRANIOARTES.COM. FOTO: GUILHERME ZAUITH

• • • •

Cranio usando sprays durante processo de criação de Torcida (2014), grafite sobre a Copa do Mundo no Brasil.

Turista consumidor, de Cranio (2012). Grafite em papel, 100 cm × 80 cm.

PALAVRA DO ARTISTA

Fabio Oliveira, o Cranio (1982-) Seus personagens, pelo menos em maioria, têm uma crítica social. Qual a importância da arte na divulgação de opiniões e também como forma de expressão? Acredito ser importantíssimo colocar uma crítica atrás de um trabalho artístico, caso contrário seria apenas mais um desenho bonitinho nas paredes de galerias e nos muros nas cidades. E também acredito ser importante mostrar um contexto histórico, algo onde as pessoas podem se agarrar, se lembrar, [...] isso é, as pessoas têm que saber o que está acontecendo em nossa sociedade e abrir os olhos para os problemas. NAVILLE, Natt. Cranio: seus personagens vibrantes e a crítica social. Mistura Urbana. Disponível em: <http://misturaurbana.com/2014/04/entrevista-cranio-seus -personagens-vibrantes-e-a-critica-social/>. Acesso em: 8 nov. 2018.

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condições sociais atuais, como consumismo, sustentabilidade e outras questões urgentes sobre as quais a sociedade precisa refletir. Proponha aos alunos que criem desenhos em seus Diários de arte que também tratem de questões importantes para serem debatidas hoje pela sociedade. D2-ARTE-EF2-V9-U3-C2-132-153.indd 148

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REGISTROS E AVALIAÇÃO No momento do fazer artístico é importante que os alunos se sintam seguros sobre quais linguagens preferem para se expressar. Nesta seção Arte em Projetos, os alunos terão oportunidade de escolher entre as linguagens artísticas da dança, da música e das artes visuais, dentro da estética da cultura hip-hop, na prática das oficinas propostas. Oriente os alunos sobre as possibilidades e solicite a eles que criem planejamentos de suas produções em seus Diários de arte ou em um portfólio.

arte em projetos

ARTES INTEGRADAS

Movimento da cultura hip-hop

Arte rupestre é aquela feita nas superfícies rochosas pelos povos de um período conhecido como Pré-História.

BUTEO/SHUTTERSTOCK.COM

AMPLIANDO

CONEXÕES • Cranio. Conheça mais sobre o artista e sua série de grafites de crítica social em seu site oficial. Disponível em: <http://livro.pro/g5dpx8>. Acesso em: 16 nov. 2018. • Hip-hop. Disponível em: <http://livro.pro/qtrafw>. Acesso em: 16 nov. 2018. • BlindWalls #7 – Cranio. Disponível em: <http://livro. pro/5xbnj7>. Acesso em: 16 nov. 2018. • O’Neill Cranio collection with Jordy Smith (making of). Disponível em: <http:// livro.pro/ovamkv>. Acesso em: 16 nov. 2018.

O uso dos muros como forma de expressão popular remonta à Grécia antiga, sendo grande a diversidade de obras encontradas nas escavações de Pompeia. Todavia, foi apenas no final da década de 1970 que o grafite, tal como o conhecemos atualmente, começou a se desenvolver. Artistas de rua em Nova York e na Filadélfia, nos Estados Unidos, pintavam seus nomes em muros e estações de metrô. Os nomes, apelidos e pseudônimos deram origem a um dos elementos marcantes da linguagem do grafite (as tags), ou seja, uma marca. As letras assumem grande importância e se desenvolvem em diferentes estilos.

Caverna das Mãos, com mais de 829 mãos pintadas há mais de 9 mil anos, na Argentina. JOKER / WALTER G. ALLGÖWER/ULLSTEIN BILD / GETTY IMAGES

Como vimos anteriormente, o grafite, tal como existe atualmente, está ligado ao movimento hip-hop. Todavia, ele também se insere dentro de uma tradição maior de pinturas murais que estão presentes em toda a história da humanidade. Se pensarmos em um dos procedimentos utilizados na arte rupestre, de formar silhuetas coloridas em volta das mãos, temos já nas primeiras marcas de nossa cultura os precursores da técnica do estêncil. Observe a imagem ao lado.

Grafiteiro fazendo sua tag, em Colônia, na Alemanha, em 2012.

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CONCEITOS EM FOCO

UNIDADES TEMÁTICAS • Artes visuais • Artes integradas • Dança HABILIDADES • (EF69AR01) • (EF69AR03) • (EF69AR05) • (EF69AR06) • (EF69AR07) • (EF69AR09) • (EF69AR32)

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS O estêncil é uma técnica que pode ser utilizada em trabalhos de diferentes dimensões. Pode-se trabalhar desde pequenos formatos, utilizando cartolina, papel-cartão ou mesmo sulfite, até a pintura mural. Muitas escolas criam projetos de grafite para que os alunos se apropriem dos muros do edifício como espaço artístico. Um recurso interessante para a criação das máscaras é o uso do projetor. Uma imagem selecionada pode ser projetada sobre a superfície da máscara para marcar o desenho, no caso de ele ser um desenho que segue um modelo. Diversas imagens podem ser encontradas na internet para esse fim. A conclusão do capítulo é o desfecho dessa série de conhecimentos que se entrelaçam dentro do livro. As idas e vindas na visualização e apreciação de imagens, músicas e sonoridades são importantes, pois sempre retomam o que já foi aprendido pelo aluno. Aqui tudo é importante e se mistura novamente, sem estabelecer relações de certo ou errado. Toda pesquisa é importante e todo conhecimento é válido.

Oficina 1 – O estêncil O estêncil é uma técnica amplamente usada na linguagem do grafite e consiste na aplicação de tinta sobre uma superfície vazada. Como no processo de gravura, a aplicação do estêncil passa também por várias etapas. Primeiramente, desenha-se a imagem escolhida. Depois, recorta-se o espaço que será preenchido com tinta. Em seguida, fixa-se a máscara no local determinado e, por fim, aplica-se a tinta. Observe as imagens a seguir, que mostram algumas das etapas de aplicação do estêncil. Que tal fazermos um estêncil? Vamos experimentar primeiramente com uma folha de papel. Crie sobre ela um desenho, uma marca (tag), um símbolo, uma letra ou um número. Esse desenho será a máscara do estêncil. É importante ressaltar que ele será recortado do papel e, portanto, formas fechadas indicam que todo o espaço interno será preenchido por uma única cor. Por exemplo, se for desenhado o número “8” como uma figura fechada, ao recortar as linhas teremos dois círculos, um sobre o outro, totalmente Artista aplicando repetidamente a mesma preenchidos. Para que as linhas do “8” ficassem máscara de estêncil em um tecido. demarcadas, seria preciso deixar um espaço de ligação entre as partes externa e interna do número. Depois de desenhar, recorte o espaço que será preenchido. Para tanto, será preciso perfurar a região antes de recortá-la. Em seguida, a máscara criada deverá ser posicionada sobre a superfície que receberá a arte. Pode ser uma folha de papel de mesmo tipo ou de tipo diferente. Para não sair da posição, você poderá fixar a máscara usando fita adesiva ou pesos que não permitam que ela seja movimentada. O passo final é a aplicação da cor, que poderá ser feita com lápis, caneta, giz ou tinta. Você poderá repetir a experiência criando máscaras mais complexas e de diferentes materiais. Para o preenchimento, o material mais usado é a tinta, podendo ser aplicada de diversas formas, no entanto o spray é o mais utilizado na linguagem do grafite. ROBERTHARDING/ROBERTHARDING/LATINSTOCK

BNCC

Processo de criação

CARLOS GARCIA RAWLINS/REUTERS/FOTOARENA

• Cultura e movimento hip-hop • Estêncil

Artista retirando a máscara da parede, após aplicação do estêncil.

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A cultura hip-hop é uma manifestação cultural que teve sua origem na década de 1970, em locais urbanos de países como Jamaica, Estados Unidos e alguns países da América Latina, entre estes o Brasil. De forte influência das camadas afrodescendentes desses países, a cultura hip-hop (do inglês hip – quadril; e hop – pulo) tem como proposta criar principalmente música e dança, em ritmos de batidas bem marcadas, com pausas e rimas que se repetem, divulgando um pensamento contestador e crítico sobre a realidade, os sonhos e as esperanças por um mundo melhor. Há muitas manifestações dentro dessa cultura que podem ser vistas nos grandes centros urbanos, em todo Street dance, dança de rua nascida a partir da cultura hip-hop, mistura movimentos o mundo, uma vez que essa estética artística e social coordenados e harmoniosos com estilo e se espalhou e se adaptou a cada lugar e cultura local. liberdade de criação. Foto de 2011. Também podemos perceber um estilo de se vestir e falar dos adeptos dessa tendência cultural. Atualmente, há muitas outras manifestações artísticas nascendo com base nessa estética, uma vez que a cultura está sempre fluindo. Pesquise sobre a cultura hip-hop e crie nas linguagens da dança e da música. Como são os passos de dança, o ritmo e as mensagens expressas em músicas e no ritmo de rap? Que tal criar um sarau com o tema da cultura do hip-hop?

VALUE STOCK IMAGES/GLOW IMAGES

Oficina 2 – Dança e música no movimento hip-hop

D i á r i o d e a rt e

Que tal continuar registrando suas experiências artísticas no seu Diário de arte? Traga-o sempre com você e registre as cores e as formas do Brasil com base em seu universo particular e nas pesquisas que fizer.

MISTURANDO TUDO Neste capítulo, vimos exemplos de arte naïf e do grafite brasileiro. O que há em comum entre eles? 1. Que elementos essas linguagens utilizam para dar vida a imagens do Brasil? 2. Quais temas estão mais presentes em cada uma dessas linguagens? 3. Quais foram os desafios no fazer artístico? O que mais chamou a sua atenção? 4. Você já pensou em aproximar essas linguagens de seu processo de criação? Como isso poderia ser feito? 151

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PARA AMPLIAR CONCEITOS O material mais utilizado para o estêncil é o acetato, material das placas de raios X. Uma mesma máscara pode ser utilizada diversas vezes e também podem ser criadas sobreposições de máscaras. As superfícies também poderiam variar, uma vez que a técnica pode ser usada nos mais diversos suportes. +IDEIAS Por mais que as imagens do livro sejam de grande auxílio, procure ampliá-las, de modo que os alunos possam perceber o tamanho real da obra de arte. Selecione os vídeos indicados e assista a eles com os alunos. Uma boa projeção da imagem pode revelar mais detalhes da obra. Procure obras de arte em sua cidade – esculturas, quadros, murais, painéis – que façam parte do cotidiano do aluno e que “falem” de perto com ele, ao representar o lugar em que vive. Elabore uma expedição cultural para visitar essas obras. REGISTROS E AVALIAÇÃO Incentive os alunos a registrar suas reflexões e produções artísticas em seu Diário de arte. Nesse espaço, eles também podem fazer colagens e anotações do que encontrar pelo caminho da arte. CONEXÕES • Oficina de estêncil. Disponível em: <http://livro.pro/ g8hfvx>. Acesso em: 16 nov. 2018.

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arte pelo tempo

CONCEITO EM FOCO

O desenho, seus suportes e desdobramentos

• Linha do tempo temática

PARA AMPLIAR CONCEITOS As propostas de ensino de Arte atuais ocorrem livres da obrigatoriedade de abordá-la somente da perspectiva da História da Arte, mas essa disciplina está nos conteúdos de nossas aulas. Consideramos que finalizar cada unidade com uma linha do tempo temática pode ajudar os alunos e professores a ter referências para se situarem no período histórico de obras tratadas na unidade. Também pode desencadear mais pesquisas e encontros significativos com a arte, as culturas e suas histórias. Nesse sentido, a linha do tempo pode ser útil para localizar os alunos na relação tempo × espaço dos acontecimentos. É importante fazer essa contextualização, mostrando as diferenças entre a época estudada e hoje. Nesta seção,

Desenho rupestre feito com carvão. Imagem de bisões de cerca de 15000 a.C. encontrada em caverna na província de Astúrias, na Espanha.

BRIDGEMAN IMAGES/EASYPIX BRASIL

Como sugestão de atividade, você pode propor aos alunos a construção de uma linha do tempo sobre a arte e o que estão aprendendo de novo. Aqui apresentamos uma linha do tempo sobre o desenho, algumas de suas características e como influenciaram outras linguagens. Essa linha do tempo pode servir de base para a linha do tempo a ser construída pelos alunos; novas imagens e artistas poderão ser incluídos.

JUERGEN RICHTER/EASYPIX BRASIL

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS

Há desenhos que expressam sentimentos religiosos. Nesta imagem, vemos o teto da Casa dos Espíritos, local pertencente ao povo tribal Iatmul, que vive às margens do rio Sepik, em Papua-Nova Guiné. As pessoas dessa comunidade decoraram todo o teto desse espaço sagrado com traços que formam padronagens em desenhos tribais e formas figurativas, exemplos de arte milenar da Oceania.

Vaso de porcelana chinesa pintado com o azul chinês, c. 1426-1435

ROYAL COLLECTION TRUST © HER MAJESTY QUEEN ELIZABETH II, 2018/SCIENCE SOURCE/GETTY IMAGES

HABILIDADE • (EF69AR02)

O desenho é uma linguagem usada para expressar ideias, e muitas obras de arte podem ser criadas especificamente nessa linguagem, como é o caso de Mãos desenhando, de M.C. Escher, 1948. Pastel.

MARC DOZIER/CORBIS/GETTY IMAGES

UNIDADES TEMÁTICAS • Artes visuais • Artes integradas

M.C. ESCHER’S “DRAWING HANDS” © 2018 THE M.C. ESCHER COMPANY-THE NETHERLANDS. ALL RIGHTS RESERVED. WWW.MCESCHER.COM

BNCC

No Renascimento, Leonardo da Vinci produziu muitos desenhos que foram largamente utilizados em estudos científicos, pela riqueza de detalhes desenhados de modo realista. Nesta imagem, um de seus estudos de anatomia, 1510.

PRÉ-HISTÓRIA

IDADE ANTIGA

(c. 2 milhões a.C.-4000 a.C.)

(c. 4000 a.C.-476 d.C.)

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o tema é a história do registro em desenhos: o desenho como processo, como símbolo e representação do imaginário, como projeto (em linguagens convergentes como moda, ilustração e arquitetura) e como produto final da arte (linguagem artística). D2-ARTE-EF2-V9-U3-C2-132-153.indd 152

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SANDRA BORDIN

ATELIÊ CRIATIVA JUM NAKAO

COLEÇÃO PARTICULAR

+IDEIAS Sempre indicamos que podem ser feitos outros recortes e escolhas na história da arte. É importante colocar na linha do tempo o período de nascimento dos alunos, para que se sintam inseridos na história enquanto sujeitos.

WALT DISNEY PICTURES/COURTESY EVERETT COLLECTION/AGB PHOTO LIBRARY.

Desenho a bico de pena e tinta atribuído a Aleijadinho. Projeto para a fachada da Igreja de São Francisco, em São João del Rei, século XVIII.

CARLOS GARCIA RAWLINS/REUTERS/FOTOARENA

Para serem desenvolvidas peças de design, moda ou trabalhos arquitetônicos, o desenho é parte desses projetos. À esquerda, projeto/desenho para figurino e, à direita, figurino feito de papel, ambos de Jum Nakao, 2004.

O estêncil é uma técnica amplamente usada na linguagem do grafite, que também utiliza o desenho como uma das etapas do processo. Nesta imagem, vemos o artista retirando a máscara (que contém o desenho recortado) da parede, após a aplicação do estêncil.

O grafite, linguagem artística difundida por meio do hip-hop a partir do final da década de 1970, usa como suporte os muros e tem no desenho parte de seu processo. Nesta imagem, registro fotográfico do artista Cranio produzindo Torcida (2014), grafite sobre a Copa do Mundo no Brasil, que contém críticas sociopolíticas.

IDADE MÉDIA (476 d.C.-1453 d.C.)

J. BORGES

WWW.CRANIOARTES.COM. FOTO: GUILHERME ZAUITH.

Em 1951, Walt Disney deu movimento e cor à obra de Lewis Carroll, por meio da animação Alice no País das Maravilhas. Para esse filme, foi necessária a produção de muitas ilustrações, que posteriormente foram animadas.

O desenho é parte do processo da criação de gravuras, independentemente do suporte utilizado (madeira, metal, linóleo, entre outros). Nesta imagem, xilogravura A sereia e os pássaros, de J. Borges.

IDADE MODERNA

IDADE CONTEMPORÂNEA

(1453 d.C.-1789 d.C.)

(1789 d.C. à atualidade)

REGISTROS E AVALIAÇÃO Avalie como os alunos se apropriam de novos termos e conceitos. Essa avaliação pode ser feita por meio de debates, produção de textos escritos ou desenhos feitos nos Diários de arte ou na construção de portfólios coletivos. Você pode também criar fichas de acompanhamento das aprendizagens: esse recurso pode ampliar o olhar sobre como os alunos se envolvem com as propostas, como aprendem, de que modo compartilham ideias e processos de criação, como criam hipóteses e se eles se expressam de maneira autônoma e poética, entre outros aspectos a ser observados pelo educador. CONEXÕES • ARRUDA, Luísa; FERREIRA, Fernando António Baptista. Desenho: história e ensino. Lisboa: Scribe, 2016.

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4 ADE

AÇÃO CULTURAL

XICA LIMA

U

ID

MÚSICO E POETA

Músi ca

a

O processo de criação é o caminho para a expressão que inventa ideias, planos e ações. Razão e sensibilidade no ato criador. Poeta, ator, atriz, bailarina, bailarino, artista visual, músico e dramaturgo – muitos artistas criam em diferentes linguagens. Nas ações com o corpo, os olhos e a voz, você também pode poetizar e criar sua arte, ser protagonista do seu viver cultural. U AI AS S D A GR ARTES INTE

tea tro

Da COREOGRAFIA

V ES ART

ARTE COLABORATIVA

PLANEJAMENTO E CRIAÇÃO

PACIFIC PRESS / ALAMY / FOTOARENA

HENNING KAISER/ALAMY/FOTOARENA

IS

Vivemos imersos em um mundo povoado de criações humanas. Tudo começou quando nossos ancestrais passaram a se voltar para aquilo que estava além de suas necessidades básicas, quando o ser humano passou a imprimir sua marca no mundo, quando seus esforços se dirigiram para a modificação e o domínio da natureza. Pinturas, esculturas, danças, músicas e encenações deram poder aos nossos ancestrais. Os seres humanos criaram um mundo novo para eles, o mundo da cultura. Da geosfera emerge a biosfera, e delas emerge a noosfera, a dimensão criada pelo pensamento humano – conceito derivado da palavra grega nous (mente). O conceito de noosfera seria desenvolvido nos estudos da semiótica da cultura. Outro conceito que se popularizou foi o do meme, proposto em 1976 por Richard Dawkins (1941-), no livro O gene egoísta (Companhia das Letras, 2017): uma unidade replicadora, como os genes, que “pulam” de uma mente humana a outra. Os dois conceitos apontam para o mesmo cenário: existe algo que a mente, o espírito humano, criou e no qual sua vida se estrutura para além de sua existência física e biológica, a cultura. Afinal, a cultura, seus memes (ou signos) sobrevivem mesmo quando o corpo perece. Os elementos da cultura sobrevivem ao tempo de vida de um corpo (pensemos, por exemplo, na máscara mortuária de Tutancâmon, que existe há mais de 3 mil anos), mas precisam de um corpo, uma mente, que lhes “dê vida”. É nessa esfera de criações humanas que a arte se desenvolve. Estamos imersos na cultura, mas não precisamos viver passivamente nessa

N

VICTOR GABRIEL

CONTEXTUALIZAÇÃO

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imersão. Podemos ser protagonistas que interferem, inovam e recriam a cultura. Nesta Unidade, apontamos caminhos para a ação dos alunos na cultura por meio das linguagens artísticas. D2-ARTE-EF2-V9-U4-C1-154-175.indd 154

NO DIGITAL • Veja o plano de desenvolvimento para a Unidade 4. • Desenvolva o projeto integrador sobre a construção de um mapa virtual da cidade ou do bairro dos alunos e suas possibilidades no âmbito escolar. • Explore as sequências didáticas propostas para o quarto bimestre. • Acesse a proposta de acompanhamento da aprendizagem.

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VICTOR GABRIEL

DANÇA E CENÁRIO

CORPO E EXPRESSÃO

LEO AVERSA

LIBERDADE POÉTICA

COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE ARTE Nesta Unidade, serão mobilizadas as competências: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9.

ACERVO DO CIA. BARBIXAS DE HUMOR

AGHUEDA AMARAL

LU LI

PE

NN A

ESPETÁCULO TEATRAL

LINGUAGEM DA MÍMICA GRUPO DE HUMOR

Arte e você em: RICHARD FRIEMAN/ PHOTORESEARCHERS/ LATINSTOCK

• Capítulo 1 – Arte em em processo processo

ação • Capítulo 2 – Arte É paraem acontecer!

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PERCURSOS POÉTICOS, ESTÉTICOS, ARTÍSTICOS

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É vasto o campo de possibilidades de atuação artística na cultura. Nas imagens e nos conceitos que surgem na abertura da Unidade, vislumbram-se percursos que serão suge-

ridos para o desenvolvimento da proposta. Destacam-se a presença do corpo e suas possibilidades de ação artística. Enfatizaremos também o papel do planejamento e a relação arte-público. Converse com os alunos sobre as imagens, os referenciais e os conceitos

que pesquisem sobre os termos e as produções artísticas que aqui aparecem. Sugerimos a criação de um glossário para investigar os sentidos dos termos: espetáculo teatral, liberdade poética, dança e cenário, linguagem da mímica, planejamento e criação, festival de ópera, grupo de humor, músico e poeta, coreografia e corpo e expressão. Esses registros podem ser consultados ao longo do estudo e ampliados por mais pesquisas de palavras que pertencem ao universo da arte.

abrangidos na abertura. Incentive-os a registrar a conversa em seu Diário de arte. Essa primeira situação de aprendizagem permite diagnosticar o conhecimento dos alunos acerca do estudo que será realizado, colaborando para o processo avaliativo. Proponha aos alunos 11/19/18 4:47 PM

SITUAÇÕES DE APRENDIZAGEM Nesta Unidade, abrimos diversas oportunidades de nutrição estética (apreciação de imagens, músicas e textos), tendo como foco o eixo “ler”, especialmente nas seções Venha! e Mais de perto. Além dos referenciais presentes, entendemos que o professor, na condição de propositor, pode aumentar as oportunidades de fruição e ampliação de repertório dos alunos. No diálogo com a fruição, a reflexão e a crítica, abrem-se caminhos para a estesia, a criação e a expressão, especialmente na seção Arte em Projetos. Reforçamos os papeis da pesquisa, da experimentação e do planejamento no fazer artístico. Há seções, como Temas e Mundo conectado, que também trazem atividades que tanto impulsionam pesquisas quanto reflexões e críticas, propostas no eixo da contextualização no estudo das linguagens artísticas (em abordagens históricas, relações com o cotidiano do aluno e investigação de intenções poéticas e artísticas).

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CONCEITO EM FOCO

CA

• Instalação artística

BNCC UNIDADES TEMÁTICAS • Artes visuais • Artes integradas HABILIDADES • (EF69AR01) • (EF69AR03)

ULO

Arte em processo

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS O capítulo começa com uma obra que apresenta uma parceria entre artista e público. Instigue os alunos, com perguntas mediadoras, a olhar atentamente para a imagem. Você pode estabelecer uma conversa com eles por meio da leitura da imagem, levando-os a refletir sobre a linguagem visual da arte e os elementos que a compõem. Sugerimos a criação de uma “pauta para olhar”. Lembramos que a “pauta” – sempre em conformidade com a linguagem trabalhada no momento da aula – não é uma enquete com perguntas e respostas exatas, mas sim uma série de indagações que provoquem a troca de ideias, ativando a participação do aluno no diálogo, por intermédio da mediação cultural. O professor mediador preocupa-se com a construção de saberes junto com os alunos. Nesse sentido, as questões sugeridas aqui ou elaboradas por você se propõem motivadoras para a conversa sobre arte. Sugerimos algumas. • O que vocês veem nessa imagem? O que está acontecendo? • Qual o aspecto das cores? Que efeitos cromáticos vemos? Como você se imagina em uma proposta como esta? • Nesse tipo de proposição artística, quem é o artista? • Qual é o título da obra? Quais detalhes da obra estão descritos na legenda? Quem é a artista? Onde aconteceu essa proposta artística?

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PÍT

Trajetórias para a arte • Surge uma ideia! • Tema 1 – A criação no teatro • Arte em Projetos – Teatro • Tema 2 – Nossos traços • Arte em Projetos – Artes visuais e Artes integradas

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Proponha aos alunos que pesquisem sobre o artista polonês Pawel Althamer, que imaginou essa proposta e a executou em parceria com o público. Esclareça que ele usou tinta fosforescente e iluminação com luz negra para obter este efeito cromático brilhante. D2-ARTE-EF2-V9-U4-C1-154-175.indd 156

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artista. A prática da arte participativa tem sido cada vez mais difundida. Esses artistas são propositores de percursos poéticos e estéticos. Na proposta feita ao público por Pawel Althamer (pronuncia-se “pável alt-ramér”), que ele chamou de Congresso dos Desenhistas – realizado em várias cidades do mundo –, ele estabeleceu um lugar específico com várias materialidades (tintas fosforescentes, no evento registrado na foto) e o público pôde criar livremente.

+IDEIAS Althamer cria várias performances e ambientes em que o público participa da ação poética do artista, pintando com ele. O resultado acontece a partir dessa interação. Instigue os alunos a pensar em realizar essa proposta na escola. Os alunos já participaram de propostas de arte colaborativa? Como eles participariam? O que gostariam de desenhar? REGISTROS E AVALIAÇÃO Um clima de curiosidade e de expectativa pode ser gerado nesse momento de apresentação do capítulo. Promova o hábito dos alunos de usar o Diário de arte durante as conversas, pesquisas e fruições. Incentive-os a anotar hipóteses e pensamentos a respeito dos assuntos e obras estudadas.

Congresso dos Desenhistas em Turim (Itália), em 2015, criado pelo artista polonês Pawel Althamer. É aberto a todos, que estão convidados a desenhar livremente nas paredes, usando tinta, carvão, colagem ou empregando outras técnicas e materiais.

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PARA AMPLIAR CONCEITOS Como afirma o teórico e educador estadunidense John Dewey (1859-1952), em seu livro Arte como experiência (Martins, 2010), para aprender é preciso ativar a percepção e a observação e vivenciar

experiências significativas. A proposta contemporânea de arte participativa nasceu próximo dessa concepção, na qual o público não é mais aquele que apenas observa a obra de modo passivo e distante, mas também pode viver experiências artísticas junto com o 11/19/18 4:47 PM

CONEXÕES • BAITELLO JR., Norval. O animal que parou os relógios: ensaios sobre comunicação, cultura e mídia. São Paulo: Annablume, 2009. • MACHADO, Irene. Semiótica da cultura e semiosfera. São Paulo: Annablume, 2007. • DAWKINS, Richard. O gene egoísta. São Paulo: Companhia das Letras, 2017. • SANTAELLA, Lucia. Corpo e comunicação: sintoma da cultura. São Paulo: Paulus, 2004.

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CONCEITOS EM FOCO Espetáculo teatral Dramaturgia Encenação Planejamento de projetos artísticos • Instalações e intervenções artísticas • Arte e espaço • • • •

venha ESCREVER, LER E ENCENAR!

BNCC UNIDADES TEMÁTICAS • Teatro • Artes visuais HABILIDADES • (EF69AR01) • (EF69AR07) • (EF69AR04) • (EF69AR26) • (EF69AR05)

Pergunte aos alunos se já assistiram a uma peça de teatro. Como era ela? Onde foi encenada? Tinha cenário? Os atores usavam figurino? Solicite que apreciem a imagem de A incrível viagem e a descrevam. Pergunte o que poderia estar ocorrendo naquela cena e quais seriam aquelas personagens. Leia com eles o fragmento da peça de Doc Comparato. Qual é a estrutura do texto? Como são indicadas as personagens? E suas ações? É interessante mostrar as características do texto teatral, como a identificação das personagens e as rubricas. Pergunte aos alunos quem está interpretando qual personagem na fotografia e peça que justifiquem a resposta. Assim, chama-se a atenção para o figurino, a maquiagem e o gesto. Promova a fruição também das imagens do projeto de arte experimental proposto por Pawel Althamer. Nessa versão, houve grande participação de crianças, que exerceram seu poder de liberdade ao expressar-se. Proponha aos alunos que leiam o texto mediador e debatam sobre a realização de processos de criação em arte. Eles se sentem livres para criar

XICA LIMA

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Cena de montagem da peça A incrível viagem, escrita em 1983.

Leia a seguir um trecho de A incrível viagem, de Doc Comparato. DONA NUVEM

Água não tem cor.

BRISA

Tem. O mar é verde, lembra? (pausa) O mundo é colorido demais e quando bater na terra, arranjo uma cor para mim. (pausa) Fica descansada; antes de virar gota d`água, dou uma sopradinha na senhora.

DONA NUVEM

E amanhã? Quem vai me soprar?

BRISA

Amanhã a senhora arranja um pé de vento, uma lufada, um tufão, um vento bravo ou uma brisa qualquer. Amanhã sempre se dá um jeito. Amanhã terei uma cor.

DONA NUVEM

Está enganada. Ultraenganada. A felicidade não é dada pela cor que se tem.

BRISA

A senhora não é feliz no seu branco?

DONA NUVEM

Reclamo um pouco, como todo mundo sabe. Prefiro me ver rosinha quando chego perto do sol. Mas gosto de ser nuvem, e aí encontro minha felicidade. E depois ninguém é feliz todo o tempo. COMPARATO, Doc. A incrível viagem, ato I, cena I [trecho]. 1983.

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como querem quando lhes pedem que façam trabalhos em Arte? Mesmo que a proposta do artista Althamer possa parecer simples, sua realização exigiu muito planejamento e análise dos locais em que ocorreria. Como os alunos entendem o planejamento e o trabaD2-ARTE-EF2-V9-U4-C1-154-175.indd 158

lho para que nasça uma obra como essa? O planejamento é parte do fazer artístico? No texto na página 159, escrevemos palavras que nos remetem ao processo de ter ideias, sonhar, planejar, realizar e convidar. Como os alunos percebem essas noções dentro do processo de criação deles?

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+IDEIAS A linguagem teatral remete às brincadeiras de faz de conta – um jogo teatral em que se representa algo fictício quando a imaginação é ativada. Proporcione situações para que eles possam dar novos significados ao mundo por meio do imaginário dramático. Proponha que comecem a criar uma história e depois escrevam a peça, ou até mesmo criem desdobramentos para a peça teatral de Doc Comparato. Lembre os alunos, quando forem escrever a peça, da importância da indicação das ações das personagens. Sugira também que pesquisem na internet sobre os sentidos da palavra criatividade e revelem o que pensam a esse respeito.

venha CRIAR, PROJETAR E CONVIDAR! HENNING KAISER/ALAMY/FOTOARENA

REGISTROS E AVALIAÇÃO Peça aos alunos que façam registros no Diário de arte em forma de texto e imagem. É importante que o professor também anote o desenrolar das aulas nas diferentes turmas, pois, como já deve haver abertura para pensamentos e hipóteses singulares, cada contexto poderá configurar um novo cenário. Os registros cumprem importante papel no processo avaliativo e, uma vez que essa seção inaugura os conceitos que serão desenvolvidos durante o capítulo, eles serão aqui um parâmetro para o início do processo.

O artista polonês Pawel Althamer pinta nas paredes brancas de uma sala, na qual crianças pintariam a seguir, no projeto de arte Reino das Crianças, em Aachen (Alemanha), em 2014.

Ideias criam a arte, ações realizam sonhos. Muito planejamento pode acontecer antes de a obra nascer. O que criar? Que materiais usar? Onde instalar a ideia? Que sensações provocar? Arte em processo em que quem visita também é criador. Evento programado. Trabalho compartilhado. Venha conhecer esse território fértil de ideias para criar, projetar e convidar! 159

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PARA AMPLIAR CONCEITOS A dramaturgia é a arte de criar um texto para ser encenado nos vários gêneros textuais que ela engloba, como tragédia, comédia, farsa, musical e texto histórico. Na contemporaneidade, o texto dramático pode ter inúmeras proposições

de montagens não convencionais. Ele é criado considerando as falas das personagens e suas ações, podendo ter indicação de elementos cenográficos, figurino, efeitos de luz e som, entre outros elementos teatrais. O autor pode dar pistas no texto sobre a construção e a interpretação das personagens. 11/19/18 4:47 PM

CONEXÕES • Doc Comparato. Acesse amostras de textos teatrais desse dramaturgo e roteirista carioca. Disponíveis em: <http:// livro.pro/xq6vv9>. • Pawel Althamer. Exposição de esculturas desse artista polonês no Centro UIlens de Arte Contemporânea, em Pequim (China), em 2014. Texto em inglês. Disponível em: <http://livro.pro/c4qfhh>. Acessos em: 17 nov. 2018.

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CONCEITOS EM FOCO Dramaturgia Processo criador Liberdade poética Escultura Instalações e intervenções artísticas • • • • •

BNCC UNIDADES TEMÁTICAS • Teatro • Artes visuais

Uma ideia na cabeça, a vontade de criar e se expresREF sar, fazer nascer algo, um trabalho artístico e poético. Uma das características marcantes dos seres humanos é a criação. Trata-se de uma habilidade desenvolvida há muito tempo, que faz enorme diferença entre nós e as outras espécies do planeta. E como se dá a criação na arte? Será inspiração, genialidade ou a vontade incontrolável de dizer algo utilizando uma linguagem? Embora a criação artística não tenha limites, para criar em cada linguagem os artistas usam procedimentos característicos de cada linguagem artística. Observe novamente a cena da página 158, ao lado. Será que a Dona Nuvem vai encontrar quem possa soprá-la? Repare bem! O texto foi escrito de um jeito especial. Tem diálogos e momentos de pausa, em que se suspende a ação ou a fala. Será que o autor quer nos ajudar a criar na linguagem Cena de montagem de A incrível do teatro? A arte de elaborar textos para teatro é chamada viagem, em que a Dona Nuvem e dramaturgia. Leia o trecho da peça e pense: É melhor ter ou a Brisa dialogam. ser? Eis a questão! O teatro pode começar assim, com uma peça escrita, ou apenas um roteiro. E a cena desenrola-se. Começamos a imaginar cenários, figurinos, falas, expressões corporais e tudo que a nossa mente planejar e criar. A arte tem muitas linguagens, que podem estar uma dentro da outra, como a palavra na boca da atriz que, ao encenar, diz: “Ninguém é feliz todo o tempo”. O que você entende por essas palavras jogadas ao vento? XICA LIMA

HABILIDADES • (EF69AR01) • (EF69AR24) • (EF69AR03) • (EF69AR25) • (EF69AR05) • (EF69AR26)

Surge uma ideia!

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Mais uma vez chamamos a atenção para os textos teatrais. A dramaturgia encontra-se na confluência de Língua Portuguesa e Arte, uma vez que muitos textos são estudados nas duas disciplinas, mas com enfoques diferentes. O modo de fazer teatro muda de acordo com as diferentes maneiras de pensar a linguagem. O texto dramático, portanto, não é um manual de montagem de um espetáculo, mas uma obra a ser recriada para a ação cênica, de modo que um mesmo texto pode resultar em encenações muito diferentes. Quanto às atividades propostas, peça aos alunos que voltem às seções Venha! (páginas 158 e 159). As respostas a elas dependem da interpretação das imagens e dos textos. No entanto, você pode dar mais informações e assuntos para o debate. 1. As personagens conversam sobre a aparência, os medos e as expectativas delas e filosofam a respeito do conceito de felicidade. A personagem Brisa, triste por não ser visível (incolor), decide deixar-se levar numa viagem de cores e sensações. O texto apresenta um universo imaginário, que

O texto mostra a conversa entre Brisa e Dona Nuvem, personagens da peça escrita A incrível viagem, do dramaturgo brasileiro Doc Comparato (1949-).

1. O que diz uma personagem para a outra? Que história está sendo contada?

2. Como o texto foi escrito para a gente saber quem fala? Quando e como é dito cada trecho do texto? 3. Quem é a personagem mais preocupada?

4. Você já assistiu a uma cena teatral?

5. Como é chamada a arte de criar textos para teatro?

6. Volte à seção Venha criar, projetar e convidar! (página 159). Nela, vemos o artista polonês Paweł Althamer pintando em uma parede. Seu gesto convida as pessoas na exposição para pintar com ele. Que resultado terá esse trabalho? Respostas pessoais.

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adentra a ciência do funcionamento o corpo humano. 2. O texto foi escrito de um modo que se percebem as características das personagens e a ambientação. Veja esse e outros textos de Comparato em Conexões. 3. A personagem mais preocupada é Dona Nuvem. D2-ARTE-EF2-V9-U4-C1-154-175.indd 160

4. Aproveite esse momento e dê espaço aos alunos para que contem suas experiências. 5. Dramaturgia. 6. Deixe que os alunos percebam a relação entre o ato do artista e o resultado de seu convite em outras imagens de arte participativa apresentadas no capítulo.

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PARA AMPLIAR CONCEITOS Charles Sanders Peirce (1839-1914), em sua lógica triádica, investigou três tipos de raciocínio: o dedutivo, o indutivo e o abdutivo. A abdução, para Peirce, ocorre no âmbito das hipóteses, possibilidades e invenções. É uma forma racional que não se dirige à verdade do mesmo modo que o faria um cientista. Por ser um modo mais intuitivo, está ligado à criatividade e à inovação.

A arte de pensar e planejar ERIC VANDEVILLE/GAMMA-RAPHO /GETTY IMAGES

AMPLIANDO O termo em inglês “brainstorm” significa, em tradução livre, tempestade de ideias ou chuva de ideias. É usado em referência ao momento em que as ideias começam a brotar. Quando a criação é coletiva, todos lançam ideias, fazendo figuradamente uma tempestade de ideias.

JOHN KELLERMAN / ALAMY /FOTOARENA

Observe a imagem ao lado. O Monumento a um poeta morto, também chamado Janela no mar, é uma escultura de grandes dimensões do artista italiano Tano Festa (1938-1988). Criado em 1989 com base em um esboço deixado pelo artista, foi restaurado em 2007. É uma homenagem ao pensamento poético na arte. Festa era um artista da Pop Art que misturava elementos clássicos renascentistas à cultura visual da época. Entre suas produções, a maioria é de pinturas de janelas e nuvens. Um desejo de abrir O Monumento a um poeta morto, do italiano Tano Festa, janelas para o pensamento criativo e instalado em 2007, entre Messina e Palermo, na ilha da Sicília (Itália). poético acontecer. Agora observe esta imagem ao lado. Uma das obras mais famosas do escultor francês Auguste Rodin (1840-1917), O Pensador expressa o esforço corpóreo de um homem que se põe a pensar. Uma relação entre mente e corpo? Será que Rodin nos diz que a criação nasce do esforço do pensamento? Criar é dom, inspiração, intuição ou decisão de buscar? No teatro, na dança, na música, nas artes visuais e nas artes integradas (performances, intervenções e videoarte e outras), há momentos especiais em que as ideias surgem. Pode acontecer uma tempestade de ideias, mas é preciso ter havido projetos e planos, para que as ideias comecem a tomar forma.

O Pensador, de Auguste Rodin (1840-1917), está no Museu Rodin, em Paris (França), e foi a primeira escultura fundida em bronze (1902).

1. Quando um artista cria, de onde surge a ideia? Que desafios ele tem à sua frente?

2. Que processo pode acontecer entre ter uma ideia e criar uma obra artística?

3. Escolha uma obra que você considere interessante do ponto de vista da criação. Pesquise e descreva o processo de criação empregado pelo artista ou grupo de artistas. Respostas pessoais.

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+IDEIAS Fale dos projetos de arte criados para um lugar específico, como a escultura no hotel-museu Atelier sul Mare (Ateliê no Mar), em Castel di Tusa, entre as cidades de Messina e Palermo, na Sicília (Itália). A escultura de Tano Festa é uma janela gigantesca aberta para o mar. Foi instalada aí para que quem a visitar tenha a sensação de olhar por uma janela e sinta a intenção poética do artista. Janelas sempre foram um elemento presente na obra de Festa, que chegou a usar janelas de verdade para compor suas esculturas. Os alunos podem pesquisar e também criar suas vistas através de janelas, que podem ser feitas com pedaços de papelão, para que se use material sustentável. REGISTROS E AVALIAÇÃO Peça aos alunos que registrem os assuntos conversados em seu Diário de arte e incentive-os a registrar também suas ideias e pensamentos, mesmo que não tenham sido debatidos em aula.

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CONEXÕES • Monumento a um poeta morto (Janela no mar). Vídeo curto enfoca em vista aérea essa escultura de Tano Festa à beira-mar. Disponível em: <http://livro.pro/qiwa3h>. Acesso: 13 nov. 2018.

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CONCEITOS EM FOCO Dramaturgia Processo criador no teatro Liberdade poética Criar, planejar e realizar Adaptação de texto e montagem teatral • • • • •

BNCC UNIDADE TEMÁTICA • Teatro OBJETO DE CONHECIMENTO • Contextos e práticas • Elementos da linguagem • Processos de criação HABILIDADES • (EF69AR24) • (EF69AR25) • (EF69AR26)

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Em atividade interdisciplinar dos professores de Língua Portuguesa e de Arte, os alunos organizam-se em grupos para elaborar a montagem de uma peça teatral. Os grupos devem planejar todos os detalhes da montagem: que texto de base escolher, quem vai adaptá-lo ou escrever um texto original, quantos e quais papéis serão interpretados, quem serão os atores, como serão o cenário, a iluminação, a sonoplastia, os figurinos etc. Combinem coletivamente o local para o ensaio e o local da apresentação. Peça aos grupos que deem atenção especial ao modo como o texto será escrito. Haverá diálogos encenados? Será um monólogo? Ou as duas coisas? Haverá momentos de pausa, riso, silêncio total? Qual será a fala de cada trecho do texto? Como adequar as falas à linguagem do teatro? A improvisação durante a apresentação será permitida ou não? Oriente-os a registrar no Diário de arte o projeto da montagem da peça teatral do grupo.

tema 1

A criação no teatro AGHUEDA AMARAL

Observe a imagem ao lado. Palhaços, músicos, cenários, atores com roupas engraçadas. O personagem em forma de palhaço faz rir até de coisas trágicas. Talvez porque ele queira que todo mundo ria! Cena do espetáculo teatral O bobo do rei (2009), da Cia. Vagalum Tum Tum, de São Paulo (SP), livre adaptação da peça Rei Lear, escrita em 1605-1606 por William Shakespeare. Essa trupe é formada por atores dedicados à pesquisa e à criação de arte com base na linguagem do palhaço.

Agora, leia este trecho da letra de Folia no quarto.

Folia no quarto. Ouça essa música composta por Fernando Anitelli e Nô Stopa no site oficial do grupo O Teatro Mágico. Disponível em: <http://livro.pro/tm6atn>. Acesso em: 6 nov. 2018.

Todo ser seria Todo rio riria Toda flor folia Abajur pra escuridão Toda brincadeira começa com alegria Mas o sino do almoço troca o riso por feijão Quero mais careta no retrato Quero mais folia no meu quarto

AMPLIANDO

ANITELLI, Fernando; STOPA, Nô. Folia no quarto. In: O TEATRO MÁGICO. Sociedade do espetáculo, 2011.

A palavra na cena Para a criação de uma peça teatral, há muitos detalhes para planejar. Fazer teatro requer pensar em muitas coisas! E o detalhe que fundamenta tudo é o texto dramático, a história a ser contada e suas ideias e mensagens. Observando os atores atuando, vê-se que existem montagens com diálogos ou monólogos. Essas expressões cênicas resultam de um texto que foi lido, estudado, muitas vezes adaptado, para dar vida e fala às personagens. A Cia. Vagalum Tum Tum costuma fazer pesquisas e criar adaptações de textos do inglês William Shakespeare (1564-1616). Esse escritor, poeta e um dos principais dramaturgos do mundo foi autor de peças que se tornaram clássicos, como Romeu e Julieta, Hamlet, Rei Lear, Macbeth, Sonho de uma noite de verão, entre outras que caíram no gosto popular e são representadas até hoje.

OUÇA ARTE

Em uma montagem teatral, o diálogo são as conversas entre dois ou mais personagens que desenvolvem os temas. O monólogo é o texto de teatro interpretado por um ator sozinho na cena, falando consigo mesmo ou com um ou mais de uma personagem imaginária, às vezes dirigindo-se ao público. Dramaturgo é o autor de textos representados no teatro, no cinema, na televisão, em vídeo. A linguagem artística do dramaturgo e a produção de determinada época ou autor chama-se dramaturgia.

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PARA AMPLIAR CONCEITOS Converse com os alunos sobre o teatro de Shakespeare, que tem uma vasta produção de tragédias e comédias. Suas peças também inspiram a criação de filmes, novelas, séries, minisséries e animações.

Vários compositores também buscaram inspiração nas obras de Shakespeare para criar músicas e óperas, como Verdi, Tchaikóvsky e Berlioz e, para trilha de filme, Nino Rota. Leia um trecho do ato III, cena I da peça Hamlet, de Shakespeare, aquele em que o prín-

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+IDEIAS Ao longo da história, os textos do dramaturgo inglês William Shakespeare (15641616) têm acumulado incontáveis adaptações tanto no teatro como no cinema, além de outras linguagens artísticas. Peça aos alunos que observem novamente as imagens de Hamlet presentes neste livro. Quais são as diferenças e as semelhanças entre elas? Que linguagens são utilizadas? Peça que registrem suas observações no Diário de arte, a fim de facilitar o encaminhamento para as adaptações e releituras e o trabalho de liberdade poética da peça teatral. Pesquise com os alunos informações sobre o espetáculo O bobo do rei, da Cia. Vagalum Tum Tum. Pode-se abordar o tema da releitura no contexto do teatro, uma vez que a peça atualiza Rei Lear, de William Shakespeare. Pode-se também assistir a releituras de obra de Shakespeare adaptadas para o cinema.

Adaptações: liberdade poética

LULI PENNA

Observe a imagem ao lado. “Ser ou não ser, eis a questão” é uma fala muito conhecida da peça Hamlet, de William Shakespeare, que a escreveu entre 1599 e 1601. Criar adaptações está longe de ser novidade na história da humanidade. Desde sempre tivemos de nos adaptar a viver em locais diferentes, transformar coisas e intervir na vida e na Cartum de Luli Penna sobre cena da peça Hamlet, natureza. Assim, adaptar algo à nossa de William Shakespeare. realidade ou adaptarmo-nos a alguma coisa faz parte da cultura humana. Os textos dramáticos são criados em muitas épocas. Neste exato momento, alguém provavelmente está escrevendo um texto que atores poderão usar para criar na arte do teatro. Trata-se de mais um caso de parceria de linguagens: língua da palavra (textos literários) e língua do corpo (teatro). A literatura também pode inspirar artistas de diferentes linguagens a criar ilustrações, pinturas, esculturas e até personagens de animação e video game. Observe as fotografias a seguir. São representações do personagem Hamlet, da peça de mesmo nome, na escultura e no teatro, por meio da fotografia.

REGISTROS E AVALIAÇÃO Proponha momentos para a leitura dos Diários de arte. Peça aos alunos que retomem seus registros, identificando o percurso de aprendizagem que está sendo trilhado.

O ator estadunidense Edwin Booth (1833-1893) como Hamlet, em cerca de 1870.

CORBIS/GETTY IMAGES

BRIDGEMAN IMAGES/KEYSTONE BRASIL

Escultura de bronze de Hamlet, em memorial em Stratford-Upon-Avon (Inglaterra), cidade onde nasceu William Shakespeare.

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cipe expõe suas dúvidas e angústias, abrindo a sua fala com a mais célebre frase da peça.

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HAMLET – Ser ou não ser... Eis a questão. Que é mais nobre para a alma: suportar os dardos e arremessos do fado sempre adverso, ou

armar-se contra um mar de desventuras e dar-lhes fim tentando resistir-lhes? Morrer... dormir... mais nada... Imaginar que um sono põe remate aos sofrimentos do coração e aos golpes infinitos que constituem a natural herança da carne

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é solução para almejar-se. Morrer..., dormir... dormir... Talvez sonhar... SHAKESPEARE, William. A trágica história de Hamlet, príncipe de Dinamarca. Tradução de Nélson Jahr Garcia. 2000. Disponível em: <http://livro.pro/zjbrk9>. Acesso em: 17 nov. 2018.

CONEXÕES • Histórias de Shakespeare, de Charles e Mary Lamb, contém adaptações em forma de conto das peças Hamlet, Sonho de uma noite de verão e Macbeth. Nas três histórias, seres fantásticos interferem na vida dos humanos. São Paulo: Ática, 2003 (Coleção Quero ler, v. 2). • Vídeo com destaques do espetáculo O bobo do rei, da Cia. Vagalum Tum Tum. Disponível em: <http: //livro.pro/qtmsme>. Acesso em: 13 nov. 2018.

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CONCEITOS EM FOCO Dramaturgia Processo criador no teatro Liberdade poética Criar, planejar e realizar Adaptação de texto e montagem teatral • Leitura dramática • • • • •

BNCC UNIDADE TEMÁTICA • Teatro HABILIDADES • (EF69AR24) • (EF69AR25)

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Após a leitura dos trechos de Hamlet, de Shakespeare, e de A incrível viagem, de Doc Comparato, converse com os alunos sobre os pontos em comum e diferentes na linguagem teatral. Também de Doc Comparato, o livro Nadistas e Tudistas foi adaptado e roteirizado para o teatro por Renata Mizrahi. Pergunte aos alunos: em sua opinião, por que o texto de um livro não pode ser usado fielmente numa peça de teatro? As linguagens são as mesmas?

E então, você já ouviu a frase “Ser ou não ser, eis a questão”? Ao ouvi-la, muita gente a associa ao momento representado no cartum e na escultura na página anterior, no qual Hamlet segura um crânio humano. Na verdade, a frase e esse momento impressionante estão em partes diferentes da peça: a frase se encontra no Ato III, Cena I; a contemplação do crânio está no Ato V, Cena I. O texto de Shakespeare conta a história de Hamlet, príncipe da Dinamarca que enfrenta dramas depois da morte do pai. A história é repleta de dúvidas, indagações sobre a brevidade da vida, a maldade no mundo e a traição das pessoas. Assim como outras peças de Shakespeare, cuja temática central é atemporal, essa peça ganha anualmente montagens em todo o mundo. A cada vez que um espetáculo teatral é criado com base em um texto da dramaturgia, as adaptações são possíveis. A Cia. Vagalum Tum Tum, por exemplo, recriou para o público infantojuvenil uma encenação de Hamlet, que se transformou no espetáculo O príncipe da Dinamarca, com adaptação e direção do paulistano Ângelo Brandini (1959-), também integrante dos Doutores da Alegria. Veja a imagem ao lado.

LEIA ARTE

Histórias de Shakespeare, de Charles e Mary Lamb, obra que contém adaptações em forma de conto das peças Hamlet, Sonho de uma noite de verão e Macbeth. Nas três histórias, seres fantásticos interferem na vida dos humanos. São Paulo: Ática, 2003, Coleção Quero ler, v. 2.

JOAO CALDAS

A banda de caveiras da montagem O príncipe da Dinamarca, da Cia. Vagalum Tum Tum, em 2009, em adaptação para o público infantojuvenil da tragédia Hamlet, de William Shakespeare.

A linguagem divertida dos palhaços, o trabalho da trupe da Cia. Vagalum Tum Tum, a adaptação do texto, os figurinos, a iluminação, os cenários contribuíram para transformar essa grande tragédia – que fala de morte, vingança e fantasma – em uma tragicomédia que faz o público rir o tempo todo das peripécias das personagens. 164

PARA AMPLIAR CONCEITOS Praticamente todos os povos têm alguma modalidade de teatro em sua cultura. Um dos povos que mais utilizaram essa tradição séculos atrás foram os gregos, inspirando toda a história do teatro, prinD2-ARTE-EF2-V9-U4-C1-154-175.indd 164

cipalmente no Ocidente. Entre os grandes dramaturgos antigos, encontramos Ésquilo (c. 525 a.C.-c. 456 a.C.), autor de peças como Prometeu acorrentado, As suplicantes, Os persas e outras. É reconhecido na história da dramaturgia como pai da tragédia grega.

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MAIS DE PERTO

Observe a imagem ao lado. Além de dramaturgo, o carioca Doc Comparato (1952-) é escritor de vários livros e roteirista de cinema e televisão. Outros textos dele já foram adaptados para o teatro. Em Nadistas & Tudistas, um dos temas principais é a sustentabilidade, discutida por meio da história dos conflitos entre dois povos com ideologias diferentes, mas dispostos a reavaliar suas diferenças por causa do amor entre dois personagens, em uma referência ao tema da peça Romeu e Julieta, de Shakespeare. O escritor de textos para teatro, cinema ou televisão, no momento em que escreve, imagina e idealiza como será a estrutura e muitos outros elementos das linguagens cênicas ou audiovisuais (cinema e televisão). Ele pensa na iluminação, no estilo do cenário, no figurino, na trilha sonora do espetáculo, entre outras coisas. Contudo, sabe que seu texto poderá ter interferências e adaptações de outros que produzirão o espetáculo.

ACERVO DO GRUPO NADISTAS E TUDISTAS

O autor e os atores

Doc Comparato lê seu livro Nadistas & Tudistas para os atores da peça de mesmo nome, adaptada por Renata Mizrahi e dirigida por Daniel Herz em 2013.

AMPLIANDO Roteirista é o profissional que escreve as histórias e as sequências de cenas para produções audiovisuais, voltadas para o cinema, a televisão e a internet, entre outras mídias.

PALAVRA DO ARTISTA

Doc Comparato (1952-) Tenho três facetas profissionais: uma delas é a do escritor, do autor. Eu gosto de escrever e demorei muito para descobrir isso. Outra é a do professor, do estudioso. E tem o lado do homem de televisão, que trabalha a grade de programação, de tendências. [...] O grande momento do roteirista é quando ele está diante da folha em branco, escrevendo, trabalhando. Aí é que você sente que é um roteirista e não quando o produto está no set ou escancarado na tela. Seu momento é lá atrás. GENNARI, Alexandre; MORENO, Felipe. Doc Comparato: roteiros, – entrevista, teledramaturgia. [2004]. Disponível em: <http:// livro.pro/v7qy76>. Acesso em: 9 nov. 2018.

CLIQUE ARTE

Doc Comparato. Conheça mais de perto esse importante dramaturgo e roteirista brasileiro visitando seu site oficial. Disponível em: <http://livro.pro/ tvdwg3>. Acesso em: 6 nov. 2018.

REGISTROS E AVALIAÇÃO O Diário de arte pode ser um excelente espaço para os alunos vivenciarem experiências dramatúrgicas. Incentive-os a registrar fragmentos de peças teatrais e a ensaiar suas próprias criações.

LEIA ARTE

Da criação ao roteiro é o livro mais famoso de Doc Comparato. Trata de diversos roteiros para cinema, teatro e TV. Em 2018, ganhou edição atualizada e ampliada. São Paulo: Summus Editorial, 2018.

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+IDEIAS Proponha aos alunos que escolham textos de dramaturgos e criem adaptações para fazer sessões de leitura dramática e encenações. Apresente esta questão a eles: “Apesar de o roteirista poder trabalhar com televisão, cinema, internet e outras mídias, vocês acham que um roteiro para o cinema ou para a televisão tem a mesma linha para a internet e outras mídias?”. Doc Comparato ganhou vários prêmios em sua carreira de escritor e roteirista. Suas peças e seus roteiros para televisão e cinema são apresentados no Japão, na Itália e por todo o Brasil. Se possível, pesquise também textos de autores brasileiros que possam ser adaptados para o teatro, como atividade para que os alunos conheçam melhor as nuances da linguagem teatral. Depois, esses textos podem servir para a montagem de cenas, a fim de desenvolver essa linguagem. Os alunos podem combinar de criar figurinos e maquiagem para este momento de produção teatral por meio de jogos.

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CONEXÕES • Hamlet e o mundo como palco. O professor Leandro Karnal, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), discorre sobre essa obra de Shakespeare no programa Café Filosófico. Disponível em: <http://livro.pro/js4kmz>. • DOC Comparato. Entrevista para o programa Encontro marcado. Disponível em: <http://livro.pro/uthbvk>. Todos os acessos em: 18 nov. 2018.

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CONCEITOS EM FOCO • • • • •

Processo criador no teatro Cenografia Liberdade poética Criar, planejar e realizar Comunicação não verbal

arte em projetos

TEATRO

A linguagem verbal e a não verbal na dramaturgia

BNCC

Observe com atenção as imagens registradas a seguir.

UNIDADE TEMÁTICA • Teatro RICHARD FRIEMAN/PHOTORESEARCHERS/LATINSTOCK

HABILIDADES • (EF69AR24) • (EF69AR27) • (EF69AR25) • (EF69AR29) • (EF69AR26)

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Um dos mais famosos mímicos e renovador dessa arte no século XX foi o francês Marcel Marceau (1923-2007). Promova situações de nutrição estética com vídeos do artista existentes na internet (veja uma dica em Conexões). Pode-se ainda realizar uma pesquisa sobre sua vida e obra. Proponha também jogos teatrais em que os alunos trabalhem de improviso, por exemplo, com a ideia de um objeto invisível. Um aluno escolhe seu objeto invisível e o representa por meio de gestos e expressões faciais; os colegas terão de descobrir qual é ele. Em seguida, os outros fazem sua apresentação.

PARA AMPLIAR CONCEITOS Como temos visto, o planejamento é fundamental para a realização de qualquer trabalho. A fim de construir um cenário, tudo e todos os que estão no espetáculo devem ser levados em conta. Pergunte aos alunos: existem materiais específicos para compor um cenário? Vocês acham que em todos os tipos de apresentação é imprescindível ter um cenário montado? Uma das propostas é mostrar aos alunos que é possível criar maquetes para planejar cenários sem muito custo. O mais importante é a criatividade.

Montagem fotográfica de performance de mímica de Marcel Marceau na França, em 1958.

O teatro, como as mais diversas formas de comunicação, envolve um processo de troca de informações ou mensagens entre um emissor e um receptor. Dizemos que existe uma troca entre o ator e o público. Há diferentes formas de comunicação na arte. No caso da palavra, podemos escrevê-la, como nos textos teatrais, ou dizê-la, como nas encenações de peças teatrais e produções audiovisuais. Essas formas de comunicação são definidas como comunicação verbal. Também podemos comunicar ideias e sentimentos por meio das artes visuais, como em pinturas e esculturas. Gestos, movimentos e expressões também são instrumentos da comunicação, tanto no teatro e no cinema como na dança. Essas formas de comunicação são consideradas comunicação não verbal. Nas linguagens teatrais, em propostas audiovisuais para cinema, televisão e internet ou em intervenções performáticas, os artistas utilizam dois códigos de comunicação, o verbal e o não verbal. No teatro, quando se opta por não usar a palavra, um dos estilos de comunicação utilizados é conhecido como mímica, em que a gestualidade corporal e as expressões faciais ampliam a ação, constroem objetos e situações utilizando matéria invisível. A mímica está presente desde as primeiras formas teatrais da Grécia antiga e desenvolveu-se de maneiras diversas.

VEJA ARTE

O mímico Marceau. O extraordinário Marcel Marceau (pronuncia-se “marçô”) era mais conhecido na França pelo apelido de “le mime Marceau” (o mímico Marceau). Conheça um pouco da arte de um dos maiores mestres em sua linguagem artística. Disponível em: <http:// livro.pro/jhpi5v>. Acesso em: 7 nov. 2018.

Veja no material audiovisual o vídeo Acústica.

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NO AUDIOVISUAL O vídeo explora a acústica e o som dos instrumentos musicais, da Antiguidade até a atualidade, mostrando que a propagação de seu som depende da forma, do material e da emissão de um instrumento.

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CONCEITOS EM FOCO Marcel Marceau, nome artístico de Marcel Mangel (1923-2007), é considerado um dos maiores mímicos do mundo e foi reconhecido com títulos e prêmios. Com o silêncio expressivo de seus personagens e todo o seu intenso trabalho corporal, encantou plateias de todas as idades e nacionalidades. Por trás dessa intensidade envolvente, pungente, havia uma história sofrida. De família judaica, Marcel Mangel nasceu em Estrasburgo, cidade francesa ocupada pela Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Os pais de Marcel, entre milhares de pessoas, foram deportados para o campo de concentração de Auschwitz. O pai morreu; a mãe sobreviveu. Marcel Marceau na Embaixada da França em Berlim, em 2005. Aos 17 anos, Marcel já participava da Resistência Francesa com seu irmão mais velho, opondo-se à ocupação. Em 1999, ele declarou a um programa da PBS (rede de televisão pública) dos EUA:

• Linguagem verbal e não verbal • Liberdade poética • Planejamento de projetos

ALBUM / PICTURE-ALLIANCE/ALBUM /FOTOARENA

artísticos • Instalações e intervenções artísticas • Arte e espaço

BNCC UNIDADES TEMÁTICAS • Teatro • Artes visuais

Gosto de revelar a essência, a expressão da alma, o interior do ser. […] Tento obter silêncio total no teatro. […] Em meio ao silêncio, mostramos da melhor maneira possível a nossa profundidade.

Processo de criação

LEO AVERSA

MARCEL Marceau Remembered. Produção: PBS Newshour, 1999. Vídeo (2min10s). Tradução dos autores. Disponível em: <http://livro.pro/yw2wf7>. Acesso em: 9 nov. 2018.

Planejar e construir Observe a imagem ao lado. O planejamento é um ponto inicial importante na criação de cenários. O cenógrafo Gringo Cardia (1957-) criou o cenário do primeiro ato do espetáculo Tatyana, da Cia. de Dança Deborah Colker. Com materiais comuns, como pedaços de vários tipos de papel, alfinetes, retalhos de tecido e placas de isopor, podemos criar maquetes. O cenógrafo, se quiser, usa também bonecos na maquete para indicar a dimensão dos elementos de cena. Vamos planejar para criar um cenário de teatro ou dança? Imagine que uma companhia de teatro ou de dança vai montar um espetáculo e contrata você para ser o cenógrafo. Como são construídos os cenários? O que é preciso e por onde começar? O que você percebe ao observar a imagem ao lado? Que materiais foram usados? Está em tamanho real ou é uma maquete?

Cena do primeiro ato do espetáculo Tatyana, da Cia. Deborah Colker, de 2011, com cenário de Gringo Cardia.

HABILIDADES • (EF69AR01) • (EF69AR02) • (EF69AR24) • (EF69AR27)

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Pergunte aos alunos se já assistiram a uma apresentação em que se usava a linguagem não verbal. Como foi essa experiência? Já brincaram de mímica com a família ou com os amigos? Fazem a mímica de improviso ou pensam antes no que devem fazer? Para a improvisação proposta, os gestos e as expressões são importantes. Converse sobre as duas formas básicas de comunicação, a verbal e a não verbal, e incentive os alunos a usar essa última. Comente sobre os gestos e as expressões que usamos no dia a dia e sobre a enorme importância da comunicação não verbal. Ressalte que nossas expressões e gestos comunicam muito.

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REGISTROS E AVALIAÇÃO Saliente a importância de registrar as etapas de criação dos alunos. Eles podem usar seu Diário de arte para fazer esboços, lembretes e notas. CONEXÕES • Gringo Cardia. O artista expõe sua obra variada, de cenários a capas de disco. Disponível em: <http://livro.pro/ adtdng>. • Marcel Marceau. Breve biografia do famoso mímico. Disponível em: <http://livro. pro/p5dkpk>. • O artesão de máscaras (The Mask Maker). Número curto de Marcel Marceau. Disponível em: <http://livro.pro/ jp86b4>. • Tatyana. Assista a alguns momentos desse espetáculo de dança. Disponível em: <http:// livro.pro/v5jj8q>. Acessos em: 17 nov. 2018. +IDEIAS Existem adaptações também na linguagem da dança. Deborah Colker se lançou ao desafio de trazer para os palcos o romance Evguêni Oniéguin, de Aleksânder Púchkin (1799-1837), um dos pioneiros da literatura russa. Em Tatyana, além do cenário arrojado, o próprio Púchkin emerge como personagem ao som de grandes nomes da música russa. Proponha aos alunos que pesquisem mais sobre o romance em versos de 1832 e a adaptação criada por Deborah Colker.

Para criar o seu projeto de cenário, acompanhe estas dicas: • Como ponto de partida, escolha um texto de teatro (texto dramático) ou faça a adaptação de um texto da literatura. • Crie com base no enredo do espetáculo. Que histórias a peça de teatro (ou a coreografia, na dança) contará? • Pense na mobilidade e na expressão dos atores ou bailarinos no espaço desse cenário. Quem são as personagens que ocuparão o espaço cenográfico? • Para registrar sua ideia, você pode criar desenhos e fazer uma maquete do cenário que você inventou. A seguir, você tem a opção de ajudar a organizar na escola uma exposição de ideias (desenhos e maquetes).

O texto escondido na linguagem do gesto Vários artistas de palco adotam a linguagem da mímica para se expressar, como o francês Marcel Marceau. Com uma técnica desenvolvida durante anos, ele criou o personagem Bip, uma mistura de palhaço e comediante, vestido com uma camiseta listrada e um esplêndido chapéu de ópera amassado com uma flor espetada.

VEJA ARTE

Assista a alguns momentos do espetáculo de dança Tatyana em <http://livro.pro/v5jj8q>. Acesso em: 13 nov. 2018.

A performance e a improvisação Uma performance de mímica pode tanto ser improvisada quanto se basear em um texto estudado pelo ator, mas representado apenas por meio de gestos. O figurino, a maquiagem e os adereços também são importantes para expressar melhor a personagem. Vamos criar na linguagem da mímica? Que gestos conseguem transmitir ideias e expressões? Em um local livre, faça uma grande roda, deixando um espaço entre os participantes. A proposta é que um aluno vá ao centro da roda e demonstre um sentimento apenas pela mímica. Os colegas tentarão adivinhar qual é o sentimento. Quando acertarem, será a vez de outro participante, e assim sucessivamente, até que todos participem. Outras coisas podem ser encenadas, como esportes, profissões...

A linguagem do corpo Agora, que tal realizar uma encenação com base em um texto para teatro ou da literatura, como um poema? Escolha um trecho e estude-o. Você e seus colegas, com o auxílio do professor, podem fazer seções de leitura dramática, que consistem em ler um texto com entonação expressiva, ou seja, criar uma identidade para a voz e gestos expressivos para dar vida ao personagem. Também vale levar figurinos e adereços que ajudem a caracterizar a personagem. 168

PARA AMPLIAR CONCEITOS A mímica abrange desde a imitação de gestos e características de pessoas ou personagens até a representação de ações com objetos inexistentes (como erguer um caixote pesado que não existe). Para D2-ARTE-EF2-V9-U4-C1-154-175.indd 168

a proposta em que a comunicação deverá ser feita apenas por meio da linguagem do corpo, oriente os alunos sobre a importância de observar os gestos. Comente que às vezes pequenos movimentos, como levantar as sobrancelhas, podem dizer mais que palavras.

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tema 2

Nossos traços

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Veja! São crianças pintando em paredes forradas de papel. Seu material são tintas fosforescentes, e o local foi preparado com lâmpadas especiais, de radiação eletromagnética, chamadas de luz negra, para que as pinturas brilhem no escuro.

Crianças pintam nas paredes com tintas fosforescentes durante o Congresso dos Desenhistas de 2015, em Turim (Itália).

Trata-se de uma proposta de arte participativa criada pelo artista polonês Pawel Althamer (1967-) – o nome dele é pronunciado “pável alt-ramér”. Ele a chamou de Congresso dos Desenhistas, cuja proposta é que os participantes se expressem por meio de linhas, formas e cores, criando imagens livremente. O artista já levou essa proposta a vários espaços culturais, galerias e museus do mundo, inclusive Berlim, Hamburgo, Roma, Milão e Turim. Nessa proposta, a obra do artista se torna realidade com a parceria do público (crianças e adultos), também com o objetivo de promover locais de conversação artística – diálogos que são criados não com palavras, mas com imagens, em linguagem não verbal. Podemos nos comunicar e nos expressar pelas palavras, por gestos e movimentos do corpo – como já visto – e também por imagens. Nessa instalação artística, a liberdade era a ideia máxima: o artista deixou à disposição do público materiais e sugestões de técnicas para que fossem usados. É importante dizer que, a fim de o evento ser realizado nesses espaços culturais, Althamer elaborou projetos com textos, maquetes e planos de trabalho. 169

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CONCEITOS EM FOCO • Criar, planejar e realizar • Instalação em lugar específico

BNCC UNIDADE TEMÁTICA • Artes visuais

Ao propor a instalação de uma obra em determinado lugar, podemos trazer ao nosso estudo a proposta de site-specific art (arte feita para um lugar específico). Nesse tipo de proposta artística, o ambiente natural ou o espaço arquitetônico sempre é estudado antes de se apresentarem os projetos e a obra final. Percebemos na imagem da página anterior como as pessoas agem ludicamente, mas, antes que isso tudo acontecesse, houve muito planejamento. LHB PHOTO /ALAMY /FOTOARENA

HABILIDADES • (EF69AR01) • (EF69AR05) • (EF69AR04) • (EF69AR07)

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Esclareça para os alunos que os artistas contemporâneos ocupam e transformam espaços com instalações artísticas baseadas no que se dispõe de espaço arquitetônico ou ambiente natural – a chamada site-specific art. É necessário fazer vários estudos para que elas se realizem, tanto materiais (o que será usado para compor a obra) quanto matemáticos (metragem e capacidade de ocupação do lugar pelo material e pelo público), nos quais desenhos, maquetes e projetos artísticos são muito empregados. Esses estudos somados à poética da arte consolidam resultados muito interessantes, antigamente mais relacionados com o campo da pintura e atualmente abrangendo várias linguagens artísticas.

+IDEIAS Sugira pesquisas sobre artistas que criam instalações e ações poéticas em que o público é convidado, como nas propostas de Lygia Clark e Lygia Pape. Muitas vezes os artistas precisam do auxílio de profissionais de outras áreas para realizar suas obras. Eduardo Srur, por exemplo, precisou da consultoria e dos serviços de diferentes profissionais para instalar suas obras provocativas na cidade de São Paulo. Proponha aos alunos que pesquisem como foi o processo

A proposta do desenho livre em paredes foi adotada pelo Museu Novo, em Manhattan, Nova York (Estados Unidos). Foto de 2014.

AMPLIANDO Nas instalações artísticas, uma forma de produção de arte contemporânea, o artista executa sua proposta de criar um ambiente para que o público o visite e viva experiências sensoriais – em alguns casos, os visitantes podem interagir com a obra. A site-specific art é a montagem temporária ou permanente de uma obra em um lugar específico. Trata-se de outra das linguagens contemporâneas da arte, cujo foco é criar propostas artísticas de acordo com o ambiente e com um espaço determinado. Há todo um planejamento para que esse tipo de arte aconteça, de modo que os artistas criam com base no cálculo das dimensões do lugar, na quantidade de material a ser usado e no trânsito das pessoas, entre outros aspectos.

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de instalação dessas obras em diferentes locais e contextos. D2-ARTE-EF2-V9-U4-C1-154-175.indd 170

REGISTROS E AVALIAÇÃO Proponha aos alunos que registrem em seu Diário de arte os conceitos estudados. Podem criar verbetes ou ideias sobre instalação em lugares específicos e intervenção artística.

CONEXÕES • Saiba mais sobre o conceito de site-specific art ou site specific, como se diz no Brasil. Disponível em: <http://livro. pro/yvgqup>. • Eduardo Srur. Obras e intervenções desse artista em seu site oficial. Disponível em: <http://livro.pro/gz8kj3>. Acessos em: 13 nov. 2018.

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tema tema11 mundo

conectado

Criação e cálculo

CRO MAGNON /ALAMY / FOTOARENA

Arte e matemática andam juntas na arquitetura. Para criar um projeto cuja construção seja possível, é preciso calcular bem, planejar bem os espaços. Para que as pessoas possam usufruí-los com segurança, existem muitas normas de construção de espaços e intervenções arquitetônicas nas cidades. Mas tudo pode nascer de traços livres e poéticos, como os de Oscar Niemeyer (1907-2012), um dos mais importantes arquitetos brasileiros. Na época em que Brasília estava sendo construída, Niemeyer e o engenheiro calculista e poeta Joaquim Cardozo (1897-1978) concretizaram as formas curvas que hoje compõem a paisagem da capital do Brasil. Niemeyer fez os esboços do projeto, mostrando as curvas ao amigo pernambucano, cuja tarefa era fazer os cálculos matemáticos para que a estrutura em concreto suportasse formas suaves. Cardozo e Niemeyer entraram em estado de “vigília criativa”, que ocorre Congresso Nacional Brasileiro, em Brasília (DF), desenhado quando nos concentramos na busca da na década de 1950 por Oscar Niemeyer. forma do que queremos criar. Ambos procuravam aquilo que consideravam a beleza traduzida em formas curvas, representada nas imagens desenhadas nos croquis do arquiteto como nos cálculos do engenheiro. Esse trabalho colaborativo entre artista e engenheiro é um exemplo dos processos de criação na parceria entre arte e matemática. Muitos dias de cálculos e reflexão foram necessários até que Cardozo encontrasse as equações que resolviam a apresentação das tangências adequadas, permitindo que as suaves linhas curvas criadas na mente do arquiteto pudessem se materializar nas construções que hoje compõem o Patrimônio Artístico e Cultural tombado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como obra urbanística.

PARA AMPLIAR CONCEITOS Proponha aos alunos que pesquisem as relações entre arte e matemática na arquitetura e na arte. Converse sobre o arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012). Considerado uma das figuras mais importantes da arquitetura moderna em todo o mundo, ele inovou com as linhas sinuosas que usava em suas obras arquitetônicas. As formas em curva nascidas de seu traço criativo transformaram pesadas estruturas de concreto em projetos de linhas leves. Converse com os alunos sobre a importância do desenho tanto como obra final quanto no planejamento de obras de expressividade visual.

D i á r i o d e a rt e Observe os prédios ao seu redor. Você consegue traçar mentalmente as linhas que convergem deles para um ou mais pontos imaginários? Faça desenhos procurando representar essa visão. Pesquise mais sobre o efeito de tridimensionalidade, até mesmo em histórias em quadrinhos e video games. Anote suas análises e descobertas em seu Diário de arte.

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CONCEITOS EM FOCO Criar, planejar e realizar Instalação em lugar específico Arte e tecnologia Intervenções artísticas

BNCC UNIDADES TEMÁTICAS • Artes visuais • Artes integradas HABILIDADE • (EF69AR01)

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Hoje existem muitas mídias e processos comunicativos no mundo, sempre em evolução, mas a arte parece encontrar espaço como meio comunicativo potente e instigador do pensamento ao nos levar a ver a vida pelos sentidos. Muitas propostas artísticas nos conquistam por causa do estranhamento ou encantamento diante delas, seja por meio da poesia, seja quando deparamos com questões políticas, culturais e sociais expressas em alguma das linguagens artísticas. Artistas contemporâneos, como o polonês Pawel Althamer (1967-), criam propostas artísticas para que o público as vivencie das mais diversas maneiras. O citado projeto de Pawel Althamer, das viagens a bordo do ônibus Sonhador, levava uma galeria de arte aonde o povo estava. A viagem no Sonhador foi um convite para uma experiência coletiva diferente e trazia a ideia do “não lugar” – ou seja, não existia um lugar específico para encontrar a arte e experimentar a aprendizagem nessas linguagens expressivas.

PARA AMPLIAR CONCEITOS Pawel Althamer nasceu em 1967 em Varsóvia, capital da Polônia, onde mora até hoje, em meio a viagens pelo mundo para levar sua arte. Estudou na Academia de Belas

MAIS DE PERTO

Arte colaborativa A participação e colaboração são pontos fortes na obra de Pawel Althamer, que nasceu em Varsóvia (capital da Polônia), onde mora e trabalha. Sua ação artística começou pela linguagem da escultura e se difundiu para a arte performática e a criação de instalações. Ele defende a ideia de que a arte transforma as pessoas, já que possui um caráter comunicativo e comunitário. Ao lado de vários artistas emergentes da arte contemporânea mundial, Althamer participou de coletivos artísticos e fez exposições individuais, sendo reconhecido por suas performances também no Brasil, para onde já trouxe sua arte. Em um de seus projetos de arte com participação do público, ele criou a ação As viagens a bordo do Sonhador. Trata-se de um espaço de arte móvel – um ônibus adaptado para mediar e provocar processos artísticos. Quem participa pode assistir a filmes, apreciar obras do artista (na galeria móvel), conversar, relaxar, vivenciar oficinas de arte ou simplesmente observar a realidade. A ideia do artista é proporcionar um espaço que se move, assim como o pensamento – a manifestação artística acontecendo no tempo e no espaço, porém um “não lugar”, expressão que ocorre fora da experiência cotidiana. Assim como no Congresso dos Desenhistas, a proposta de Althamer é convidar o público a uma aventura no criar e no olhar o mundo conjuntamente. Essa proposta dá prosseguimento à ideia de arte propositora, coletiva, colaborativa, pela qual o artista procura envolver o público na produção e apreciação da arte. PALAVRA DO ARTISTA Sobre sua proposta do Congresso dos Desenhistas, o artista Pawel Althamer diz: […] na verdade, o motivo fundamental de qualquer exposição é que o coletivo tem força. É um conhecimento profundo e tradicional, de modo que podemos criar mais força coletivamente. Naturalmente, a arte é apenas uma maneira de aproveitar essa força; existem muitas técnicas. A configuração mais simples é a integração de mente, alma e corpo. Logo você reconhece todas as outras inter-relações. Eu acho que todo mundo vivencia isso.

DPA PICTURE ALLIANCE / ALAMY/FOTOARENA

• • • •

Trecho de entrevista de Pawel Althamer a Nell McClister, na Bomb Magazine. Disponível em: <http://livro.pro/zouhea>. Acesso em: 16 nov. 2018.

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Artes de sua cidade natal de 1988 a 1991 e, ainda estudante, passou a expor trabalhos em eventos significativos de arte na Europa. Ao lado de artistas emergentes da arte contemporânea polonesa, Althamer criou um coletivo artístico que fez história na década de 1990. A partir do início dos D2-ARTE-EF2-V9-U4-C1-154-175.indd 172

anos 2000, esse artista recebeu importantes premiações e consolidou sua carreira além das fronteiras de seu país, tornando-se conhecido mundialmente. Em sua opinião, a arte transforma, pois possui caráter comunicativo e comunitário. Em 2009, Althamer realizou performances em Brasília.

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CONCEITOS EM FOCO

arte em projetos

• Criar, planejar e realizar • Instalações artísticas • Perspectiva

ARTES VISUAIS E ARTES INTEGRADAS

Projeto artístico na escola

BNCC

Como fez o artista Pawel Althamer, vamos criar uma obra em um ambiente com espaço determinado. É necessário fazer um bom planejamento para que esse tipo de arte se realize. Assim, consulte seu professor e converse com os colegas sobre o local da escola em que pode ser instalada uma proposta artística. Sugerimos as dicas.

UNIDADE TEMÁTICA • Artes visuais HABILIDADES • (EF69AR01) • (EF69AR05) • (EF69AR02) • (EF69AR06) • (EF69AR04) • (EF69AR07)

Processo de criação

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS

Crie um projeto de arte descrevendo as ações que serão realizadas. • Escreva sobre a proposta e o objetivo do projeto. • Faça desenhos exemplificando sua proposta de criação artística. • Crie uma maquete da instalação.

PACIFIC PRESS / ALAMY / FOTOARENA

• Escolha e estude um espaço na escola em que essa proposta possa ser realizada. Não se esqueça de cuidar para que o uso desse local seja autorizado.

Outra fotografia do evento Congresso dos Desenhistas, realizado em Turim em 2015.

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Depois de estudados os conceitos e referenciais artísticos sobre a arte participativa, proponha várias situações de aprendizagem na escola que, como as propostas de artistas como Pawel Althamer, levem à instalação da arte em lugares específicos na escola com liberdade. É importante orientar os alunos para o fato de que, mesmo primando pela liberdade, esses eventos e intervenções artísticas com ações poéticas sejam planejados. Assim acontece no universo da arte, em museus e galerias. Propomos situações de aprendizagem para experimentar as propostas das oficinas, que podem durar mais de uma aula e ser realizadas mais de uma vez.

REGISTROS E AVALIAÇÃO Durante as aulas, peça aos alunos que mantenham seu Diário de arte sempre à mão para poderem registrar ideias sobre assuntos, artistas e conceitos abordados.

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PARA AMPLIAR CONCEITOS Nas ações poéticas com desenhos, proponha aos alunos que explorem os elementos constitutivos das artes visuais – ponto, linha, forma, cor, espaço, luminosidade – e como eles se articulam para criar tonalidades, direção, proporções, texturas, movimentos, escala, dimensão etc. Os desenhos podem ser figurativos ou abstratos. O importante é que os alunos se lancem em aventuras poéticas com traçados por meio tanto de materiais mais convencionais quanto material fosforescente.

Oficina 1 – Congresso de desenhistas Aqui a proposta é usar materialidades do desenho, como diversos tipos de riscadores: canetas, lápis pretos, lápis de cor, giz de cera, giz de lousa, carvão e outros que possam ser usados para o desenho. Pesquise sobre propostas parecidas para estimular mais ideias. Deixe o material disponível para quem quiser se arriscar a desenhar. Forre todo o lugar com papéis – ou outro tipo de suporte – presos à parede com fita adesiva. Para incentivar o público (alunos, professores e outros funcionários da escola), comece a desenhar, em uma ação motivadora, como fez o próprio Althamer. O tema é livre, mas os participantes podem sugerir uma temática ou um estilo de desenho, como quadrinho, moda, esboços de arquitetura, projetos, mangá e outros. Fotografe todo o processo, já que essas ações serão temporárias.

Oficina 2 – Pintura fosforescente Nesta proposta há duas ideias: • Escolher um local que possa ser escurecido, como uma sala de aula em que não haja problema em cobrir as janelas e as paredes com papel, para que os participantes criem imagens com tintas fosforescentes. • Usar como tinta um protetor solar sobre uma superfície branca, ou seja, o papel será o suporte da arte. A princípio, pode parecer que a “tinta” (protetor solar) não está marcando o papel, mas com uma iluminação correta o efeito será bem diferente. A luz negra deve iluminar a sala onde essas ações são realizadas, tanto com a tinta fosforescente quanto com a proposta de usar o protetor solar como tinta. Os desenhos e as pinturas aparecerão brilhantes porque a luz negra emite radiação ultravioleta – um tipo de energia luminosa não visível que é perceptível quando esse tipo de luz se reflete sobre superfícies claras ou fosforescentes. O protetor solar bloqueia o reflexo, e a área onde ele foi passado fica mais escura, revelando o desenho. Esse processo é facilmente observável na obra proposta por Pawel Althamer. 174

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Pessoas participando livremente de obra proposta por Pawel Althamer, pintando nas paredes com tinta, carvão, colagem ou empregando outras técnicas e materiais. Foto de 2015.

MISTURANDO TUDO 1. Qual é a forma de comunicação mais usada para se expressar, a verbal ou a não verbal? Lembre-se da necessidade da comunicação verbal para as pessoas que têm alguma dificuldade de fala e/ou de audição. 2. Você já leu algum texto ou roteiro para teatro, cinema ou televisão? Se já leu, o que achou? Conte aos colegas. 3. Peça ao professor e aos colegas sugestões de leitura ou procure na biblioteca de sua escola ou de seu bairro, ou pesquise na internet, um texto de seu interesse. 4. Como você percebe a relação entre arte e matemática? 5. Como é possível um projeto de arte ser realizado mesmo depois da morte do artista?

+IDEIAS Pesquise com os alunos artistas propositores que deixaram projetos inacabados que se realizaram depois da sua morte. Podemos citar os parangolés de Hélio Oiticica, O divisor, de Lygia Pape, a obra Caminhando, de Lygia Clark, entre outros. Sugira a eles a criação de traços que possam ser traduzidos em movimentos dançados. Oriente-os a explorar tanto os elementos visuais como sua inter-relação na criação de desenhos coreográficos, experimentando fatores de movimento como o tempo, peso, fluência e espaço. REGISTROS E AVALIAÇÃO Ao final dos estudos deste capítulo, proponha uma situação de avaliação na qual os alunos possam ser coautores de seus conceitos. Peça-lhes que, com base no Diário de arte e em outros registros, avaliem o percurso de sua aprendizagem. Proponha perguntas mediadoras sobre suas declarações e justificativas, fazendo desse também um momento de crítica e reflexão. CONEXÕES • M. C. Escher. Site oficial do artista mantido pela fundação holandesa que leva seu nome. Disponível em: <http:// livro.pro/jm2cn3>. Acesso em: 14 nov. 2018.

6. Para criar arte, será preciso estudar e planejar? Como você descreveria os processos de criação dos artistas apresentados neste capítulo?

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CONCEITOS EM FOCO

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• Grafite com estêncil • Protagonismo juvenil • Projeto Identidade

BNCC UNIDADES TEMÁTICAS • Artes visuais • Artes integradas HABILIDADES • (EF69AR01) • (EF69AR02) • (EF69AR03) • (EF69AR04) • (EF69AR05) • (EF69AR07) • (EF69AR08) • (EF69AR31) • (EF69AR32) • (EF69AR33)

ULO

Arte em ação Trajetórias para a arte • Escolhas e ações • Tema 1 – Festivais e mostras de arte • Arte em Projetos – Artes integradas • Tema 2 – Identidade cultural

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS

• Arte em Projetos – Artes integradas

ANDERSON HENRIQUE FERREIRA

Neste capítulo enfatizamos a arte que acontece nas escolas. O professor de Arte é alguém capaz de mobilizar a energia criativa dos alunos, abrir-lhes caminhos para se expressarem com qualidade e de diferentes formas e inspirar-lhes a ser autores da própria vida. São as proposições dos professores de Arte que engendram oportunidades para experiências sensíveis, que refinam o contato dos alunos com a realidade que os cerca. Proponha aos alunos que observem a imagem de abertura do capítulo. É uma oportunidade de fazer uma leitura de imagem com eles. Analise o trabalho realizado por outros estudantes, assim como eles, de uma escola pública de São Paulo. Perceba a qualidade estética e poética, o uso e a articulação de elementos visuais e materialidades na produção apresentada, assim como fazemos com as obras de arte. Sugerimos a pauta para olhar: • Qual é a imagem que temos de nós mesmos? Como gostaríamos de nos apresentar e ser representados? São perguntas que pode-

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ríamos fazer a nossos alunos. Como eles fariam sua própria representação por meio da arte? Os alunos do professor Anderson H. Ferreira encararam esse desafio utilizando a técnica do estêncil e produzindo autorretratos em planos fechados e com uma única cor para toda a imagem. D2-ARTE-EF2-V9-U4-C2-176-191.indd 176

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Esclareça aos alunos que essa pode ter sido uma das primeiras manifestações do grafite em estêncil da história. Proponha a eles que pesquisem sobre os temas e assuntos que gostariam de usar em suas pinturas em estêncil e oriente-os nas etapas a seguir: • Para os moldes, usem folhas de acetato (é possível reaproveitar chapas de radiografia ou material similar). • Sugira a eles que criem os desenhos usando canetas para marcação em acetato. • Com os desenhos prontos, é hora de recortar as regiões que desejam deixar vazado. Oriente-os para que usem tesouras nessa etapa. • Instrua-os a colocar os moldes, já com os desenhos recortados, presos a um suporte (parede, placas de madeira ou papelão) com fitas adesivas. • Com os moldes posicionados, use tinta spray para pintar. Esclareça aos alunos que não podemos usar qualquer local para criar pinturas sem a prévia autorização dos gestores (no caso de locais públicos) ou proprietários de um prédio (no caso dos privados). É preciso sempre solicitar permissão. Caso não seja possível usar a parede da escola, podem-se explorar outros suportes.

Identidade e pertencimento, painel criado com spray sobre estêncil (molde vazado) pelos alunos da Escola Estadual Paulo Kobayashi, em São Paulo (SP), no projeto Identidade Coletiva Cultural, em 2016.

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+IDEIAS Aproveite para trabalhar com os alunos temas como o protagonismo juvenil e a identidade cultural. Comente com eles sobre a técnica em estêncil usada para construir este painel em grafite. Você pode propor uma oficina de estêncil para os alunos participarem.

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Inicie contextualizando as pinturas em estêncil contemporâneas e as que foram feitas em outras épocas, como as pinturas na Caverna das Mãos, na Patagônia (já citada anteriormente neste livro). As imagens da Arte Rupestre (arte sobre rocha) foram criadas por meio do sopro de

pigmentos sobre superfícies rochosas, que eram embebidas em materiais como gordura animal e resinas de árvores, o que ajudava a fixar os pigmentos. A mão servia como uma espécie de molde que, ao impedir a fixação do pigmento nas partes por ela coberta, dava forma ao desenho. 11/19/18 4:47 PM

PARA AMPLIAR CONCEITOS A conclusão do Ensino Fundamental se aproxima e, com ela, abrem-se as portas para a continuidade dos estudos no Ensino Médio e para a vivência de uma nova fase da juventude. Identidade e pertencimento, conceitos que dão título ao painel criado na Escola Estadual Paulo Kobayashi, são elementos que caracterizam os anseios e esforços dos alunos nessa etapa da vida. Uma vez que a juventude busca atuar, interferir e propor na e para a sociedade, apontaremos caminhos para agir culturalmente, fazendo uso das habilidades estéticas e artísticas desenvolvidas durante seu percurso de aprendizagem escolar.

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CONCEITOS EM FOCO • • • • •

Grafite em estêncil Protagonismo juvenil Projeto Identidade Ação cultural Dinamizador cultural

venha DINAMIZAR!

BNCC UNIDADES TEMÁTICAS • Artes visuais • Artes integradas HABILIDADES • (EF69AR01) • (EF69AR02) • (EF69AR03) • (EF69AR04) • (EF69AR05) • (EF69AR07) • (EF69AR08) • (EF69AR31) • (EF69AR32) • (EF69AR33)

Proponha uma situação de fruição estética junto aos alunos. Peça que comparem as imagens. Há contrastes e similaridades interessantes. Um adulto e um jovem, um voltado para o público, e o outro voltado para seu processo de criação. Nas paredes, a marca poética dos sprays. Na primeira imagem, temos o dinamizador cultural Sérgio Vaz, que agita a vida cultural paulistana. Como se trata de alguém que dá voz à arte, a fotografia traz um elemento interessante: os microfones (um para o poeta e outro que parece, de fato, “dar voz” ao grafite). Na outra imagem, a parede da escola se torna o suporte para o acontecimento artístico. Nela são criadas marcas, o suporte em branco transformado em arte – imagens coloridas na escola onde tantas experiências foram vividas. A cultura se movimenta, dentro e fora da escola, na ação de jovens e adultos. Vida, arte e cultura acontecendo!

XICA LIMA

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS

Sérgio Vaz, dinamizador cultural, em ação poética no Sarau da Lua.

Quem espalha poesia no ar? Dá voz a quem queira falar? Venha fazer diferença, marcar presença, dar voz ao poeta, ao músico, ao ator, à dançarina, ao artista visual, multimídia... A quem queira criar e mostrar sua arte por toda parte! Ser protagonista da sua própria arte. Combinar com os amigos um encontro. Ponto de cultura e de arte. 178

+IDEIAS Ao ler o texto mediador que acompanha as imagens, proponha aos alunos que reflitam sobre seu percurso durante todo o Ensino Fundamental. • Quais ações artísticas e culturais foram realizadas? D2-ARTE-EF2-V9-U4-C2-176-191.indd 178

• Quais ainda poderiam ser

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experimentadas? Ao final dessa grande trajetória, eles conseguem vislumbrar qual será sua identidade cultural? Essas provocações iniciais serão desenvolvidas ao longo deste capítulo.

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PARA AMPLIAR CONCEITOS Dinamizar e acontecer. Dois verbos que denotam a tônica deste capítulo. Ao dinamizar, o aluno vivencia o papel de produtor, mobilizador, aquele que assume o desafio de verificar se as condições para que a arte aconteça estão contempladas (ainda que essas não sejam as condições ideais ou as desejáveis). No outro polo, temos aquele que movimenta a arte, que a expõe, que a leva aos palcos, que se coloca diante do público. O convite aos alunos é parte das aulas de Arte, mas é também um convite para atuar na sociedade, para ser ele também parte ativa (e não apenas passiva) da vida cultural.

ANDERSON HENRIQUE FERREIRA

venha ACONTECER!

Jovem realiza trabalho no painel Identidade e pertencimento, formado por grafites feitos com estêncil criados pelos alunos da Escola Estadual Paulo Kobayashi, em São Paulo (SP), no projeto Identidade Coletiva Cultural, em 2016.

Mal posso esperar a hora de realizar. Foram tantas ações e processos de criação. Minha identidade vou expressar com arte. Na escola e na comunidade farei uma ação. Vamos organizar uma celebração. Eu convido meus amigos para ver a minha arte acontecer! 179

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REGISTROS E AVALIAÇÃO Peça a eles que registrem em seus Diários de arte momentos marcantes que ocorreram nas aulas de Arte durante o Ensino Fundamental. Incentive-os a pensar nos diferentes anos e rememorar até mesmo os acontecimentos dos anos iniciais. Este é um momento não apenas de avaliação do 9o ano, mas de um grande percurso que culmina no final de uma etapa e anuncia a seguinte. CONEXÕES O 22o ConFAEB (Congresso Nacional da Federação de Arte-Educadores do Brasil), intitulado Corpos em Trânsito, foi uma ação marcante sobre o ensino de arte nas escolas. Parte do evento foi realizada em uma escola pública. Leia a matéria sobre esse evento: • DEBATE no chão da escola: congresso de arte educação é realizado pela primeira vez no interior de uma escola pública. Disponível em: <http://livro. pro/p5aktt>. Acesso em: 17 nov. 2018.

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CONCEITOS EM FOCO

Escolhas e ações

• Dinamizador cultural • Eventos na escola e na

comunidade • Festival de arte • Grupos de arte na escola

Como ocorrem as ações culturais na sua região? Em quais espaços elas podem ser realizadas? Existem equipamentos culturais como teatros, museus e cinemas? Quando pensamos em cultura, essas perguntas são importantes, pois nos permitem pesquisar e identificar os lugares onde a arte e a cultura podem ser apreciadas e praticadas. Mas a movimentação cultural é proposta e organizada por quem? Por trás das mostras, festivais, saraus e encontros, há alguém responsável por mobilizar, produzir e divulgar os eventos?

BNCC UNIDADE TEMÁTICA • Artes integradas

De um modo geral, estamos todos imersos na cultura, sendo ela a esfera criada e vivida pelos seres humanos. Neste capítulo, contudo, sublinhamos a cultura artística. Ainda que hoje possamos acessar a arte diretamente dos aparelhos celulares, são os locais onde ela acontece que a tornam mais viva, onde podemos ter contato direto com obras e artistas, profissionais e amadores (ambos importantes para a vitalidade da cultura). Aproveite as questões colocadas no texto para propor uma conversa com os alunos sobre os locais, artistas e dinamizadores da cultura. Converse sobre a integração das linguagens artísticas em festivais de arte. Peça a eles que reflitam: • Quais são os espaços da cultura?

+IDEIAS A cultura acontece nos mais diversos espaços. Pode ser em meio à exuberante paisagem natural brasileira (como a Ópera da Serra da Capivara) ou no interior de uma escola. Dar oportunidade para os alunos serem protagonistas de sua arte pode ser muito significativo para a vida deles. Foi no espaço escolar que o grupo de humor Os Barbixas surgiu,

A dinamizadora cultural Thabata Vecchio agita a comunidade com o coletivo Sarau na Galeria, na Escola Estadual Professor Geraldo Justiniano, em Suzano (SP).

XICA LIMA

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS

AMAURY RODRIGUES

HABILIDADES • (EF69AR31) • (EF69AR32) • (EF69AR33) • (EF69AR34)

Jovem se prepara para apresentação teatral na escola com a ajuda da professora.

Existem pessoas que se dedicam a movimentar a arte e a cultura em suas regiões; são os dinamizadores culturais. Observe as imagens acima. A arte-educadora Thabata Vecchio está à frente do coletivo Sarau na Galeria, que realiza ações culturais em comunidades, escolas e praças de Suzano (SP), dando oportunidade para que a arte apareça. Os dinamizadores culturais fazem parte do conjunto de pessoas que possibilitam a difusão das criações de artistas e estudantes de Arte. Afinal, a arte ganha vida quando está em contato com o público. Que tal você também dinamizar e aparecer?

Observe novamente as imagens e os textos das seções Venha! (páginas 178 e 179).

• O que faz um dinamizador cultural? • O que é um sarau? • Você já mostrou ou apreciou a arte que acontece na sua escola? • Há ações artísticas em sua comunidade? • Você já usou a arte para se expressar? • De que forma a arte está presente em sua identidade?

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pois lhes foi permitido experimentar suas potencialidades e apresentá-las ao público. No entanto, esse espaço no âmbito escolar é significativo não apenas para aqueles que seguirão o caminho artístico de modo profissional, pois permite a todos o desenvolvimento D2-ARTE-EF2-V9-U4-C2-176-191.indd 180

de suas habilidades expressivas. Converse com os alunos sobre o que gostariam de mostrar em suas escolas e verifique como poderiam fazê-lo. Comente que o sítio arqueológico localizado no Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, é patrimônio

histórico e artístico nacional. Aproveite para trabalhar sobre os conceitos e as noções de bem patrimonial e sentimento de inclusão. Proponha aos alunos que investiguem o que sua comunidade oferece como eventos artísticos e culturais e se existem bens patrimoniais.

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tema tema11

PARA AMPLIAR CONCEITOS Abordamos a cultura como um fluxo vital, como o fluxo sanguíneo que anima nossos corpos. A “saúde” da cultura depende da movimentação desse fluxo. Se não há movimento, a cultura se estagna e empobrece. É preciso dinamizar a cultura, dar espaço, acesso e impulsionar os acontecimentos artísticos. Nesse sentido, trazemos o conceito de “dinamizador cultural” referindo-nos aos agentes que oportunizam esses fluxos. São pessoas que produzem e divulgam eventos, conectam artistas e grupos, colaboram para que eles tenham voz e vinculam o público à vida cultural.

Festivais e mostras de arte

ACERVO DA CIA. BARBIXAS DE HUMOR

A cultura não está apenas na arte e na literatura. São as ações e a relação com o público que dão vida a ela. Cada região tem sua dinâmica de vida cultural. Os locais e as ações nas cidades variam bastante. Festivais, mostras e outros eventos ocorrem em centros comunitários, casas de cultura, clubes, edifícios públicos, praças, ruas, galerias, museus, teatros e lugares até inusitados, como o do festival Ópera da Serra da Capivara, criado em 2017 e realizado em meio a uma área de preservação ambiental onde se concentram as mais antigas pinturas rupestres das Américas. No festival, misturam-se cultura tradicional, ancestralidade indígena e cultura contemporânea. A preservação da memória também inspira as pessoas a organizar encontros e eventos culturais. Violeiros de todo o país participam de encontros em que são ouvidas canções novas e tradicionais. Sua escola pode também ser um local que movimenta a vida cultural de sua região. Festivais e mostras estudantis têm grande potência artística e permitem aos pais e comunidade conhecer os trabalhos desenvolvidos nas escolas. O grupo de humor paulista Os Barbixas passou a existir em apresentações no Colégio Jardim São Paulo, em São Paulo (SP), onde membros do grupo estudavam.

O trio de humoristas Elidio Sanna, Daniel Nascimento e Anderson Bizzocchi forma Os Barbixas, que nasceu no Colégio Jardim São Paulo e está em cartaz desde 2004.

D i á r i o d e a rt e A vida cultural de uma cidade, um estado ou mesmo do país nem sempre é notada. Que tal criar um guia cultural em seu Diário de arte? Converse com as pessoas de sua escola e de seu bairro sobre os locais e os eventos culturais do local. Você pode também fazer uma pesquisa na internet sobre a vida cultural de sua cidade.

REGISTROS E AVALIAÇÃO Além dos registros realizados nos Diários de arte pelos alunos, crie também formas de registro para o seu acompanhamento. Pode-se realizar avaliações com diferentes intervalos de tempo, procurando sustentar seu caráter processual, evitando avaliar os alunos apenas ao final dos percursos de aprendizagem. CONEXÕES • Ópera da Serra da Capivara. Disponível em: <http:// livro.pro/8aesgc>. Acesso em: 17 nov. 2018. • Fundação Museu do Homem Americano (Fumdham). Disponível em: <http:// livro.pro/hs6014>. Acesso em: 17 nov. 2018.

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CONCEITOS EM FOCO

comunidade • Festival de arte

BNCC UNIDADE TEMÁTICA • Artes integradas HABILIDADES • (EF69AR31) • (EF69AR34) • (EF69AR32) • (EF69AR35) • (EF69AR33)

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS O desejo de independência cultural movimentou a Semana de Arte Moderna. Independência e a vontade de potencializar a arte produzida em determinado contexto também agitam as comunidades. Se o Modernismo se voltou para a busca de propostas artísticas nacionais, os dinamizadores culturais têm fomentado a arte local, criada nas comunidades e em constante diálogo com ela. É o caso do projeto Quebrada HQ do Coletivo Sem Nome que agitou a linguagem das histórias em quadrinhos no bairro Capão Redondo, na zona sul de São Paulo (SP) e culminou na publicação Servo dos Servos. Destacamos também as ações e os projetos do poeta Sérgio Vaz, que anima e cria fluxos culturais fora dos circuitos centrais de arte e cultura. Leia com os alunos a seção Palavra do artista. Sobre as questões da página 182, a expectativa é que os alunos pesquisem sobre a Semana e também, com base no texto, expressem o que descobriram e compreenderam. No entanto, é possível sempre ampliar as discussões: 1. Esclareça aos alunos que esse evento aconteceu entre os dias 11 e 18 de fevereiro de 1922.

mundo conectado

O evento cultural que mudou o Brasil: Semana de Arte Moderna O ano de 1922 é celebrado pelos artistas brasileiros como um marco em nossa história. No período das festividades do centenário da Independência do país, um grupo se reuniu e organizou um evento chamado Semana de Arte Moderna. Havia uma intenção poética naquela data, pois o Brasil teria com aquele evento uma “segunda independência”. A proposta era ousada. A ideia de independência indicava que se celebraria o novo, em oposição à arte predominante no país. Havia um espírito de juventude naquele grupo de artistas. Tudo foi organizado para que aquela semana no Theatro Municipal de São Paulo entrasse para a história. E foi o que aconteceu. A ousadia dos artistas não lhes rendeu apenas aclamação do público. Como traziam novidades e rompiam com as normas predominantes daquele período, houve vaias e críticas negativas às manifestações artísticas da Semana de Arte Capa do catálogo da Semana, Moderna. Mas o jovem grupo modernista, dentre os quais assinada pelo pintor carioca Di Cavalcanti. muitos ainda eram desconhecidos do grande público, contou com o apoio de uma personalidade já consagrada, o escritor Graça Aranha (1868-1931). Destacamos alguns artistas que participaram do evento: os pintores Anita Malfatti (18991964) e Di Cavalcanti (1897-1976), o escultor Victor Brecheret (1894-1955), os poetas e literatos Manuel Bandeira (1886-1968), Mário de Andrade (1893-1945) e Oswald de Andrade (1890-1954) e os músicos Guiomar Novaes (1895-1979) e Ernani Braga (1888-1948), que interpretaram composições do brasileiro Heitor Villa-Lobos (1887-1959) e do francês Claude Debussy (1862-1918).

DI CAVALCANTI.INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO, RIO DE JANEIRO

• Semana de Arte Moderna • Dinamizador cultural • Eventos na escola e

• Quantos dias durou a Semana de Arte Moderna de 1922? • Como foi dividida a programação do evento? • O que foi o Modernismo brasileiro? • Já existia Modernismo no país antes de 1922? • Quais outros artistas que não participaram do evento foram importantes para o desenvolvimento do Modernismo no Brasil?

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2. A programação contou com artistas expressivos em várias linguagens da arte realizando diversas ações poéticas e artísticas, como: recitando poesias, realizando apresentações musicais e de dança, participando da exposição de artes visuais, debatendo sobre a arte e cultura, entre outras atividades. D2-ARTE-EF2-V9-U4-C2-176-191.indd 182

3. Comente com os alunos que o movimento modernista brasileiro desencadeou discussões e produções artísticas e culturais que primaram pelo desenvolvimento de arte genuinamente brasileira, com apelo nacionalista e independente da estética eurocêntrica.

4. Antes de a Semana de Arte Moderna acontecer em 1922 em São Paulo, por todo o país já havia artistas discutindo e criando com uma concepção modernista. Também já tinham acontecido exposições modernistas no Brasil, como a exposição de 1913 de Lasar Segall. O artista veio pela primeira vez

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+IDEIAS Pergunte aos alunos se, em seu círculo de amigos, há quem goste de produzir arte em alguma linguagem artística. Sugira aos alunos a organização de um espaço virtual para discutir sobre a produção de amigos artistas. Na história da arte, há vários exemplos de grupos de artistas que também eram amigos e criavam juntos em várias linguagens.

MAIS DE PERTO

Agito na comunidade A atuação dos dinamizadores culturais faz grande diferença em comunidades em que a arte e a cultura ainda não encontraram espaço e expressão. Bairros que não dispõem de locais específicos, como teatros, museus e casas de cultura, são desafiados a encontrar caminhos para viabilizar uma vida cultural no próprio local. Em 2001, o poeta mineiro Sérgio Vaz (1964-) decidiu abrir espaço para a arte na periferia da zona sul da cidade de São Paulo e criou o Sarau da Cooperifa. Em seu salão, recebe outros poetas, escritores, artistas visuais, músicos, atores e todos aqueles que tiverem interesse de se apresentar e participar do encontro semanal. Seu foco é a população local. O sarau tanto cria uma agenda cultural no bairro quanto incentiva o desenvolvimento artístico dos moradores. Também proporciona o intercâmbio entre artistas e apreciadores de outras regiões que participam do evento. Sérgio Vaz mostra que a arte e a cultura estão presentes e latentes em toda parte; é preciso apenas incentivá-las, dar condições para que elas aconteçam. Na Cooperifa nasceram, entre outros, os eventos Poesia no Ar, Cinema na Laje, Chuva de Livros, Prêmio Cooperifa, Sarau nas Escolas, Canja Poética e Mostras Culturais.

PARA AMPLIAR CONCEITOS Os artistas paulistas Mário de Andrade (1893-1945), Oswald de Andrade (18901954), Tarsila do Amaral (1886-1973), Anita Malfatti (1889-1964) e Menotti del Picchia (1892-1988) formaram o Grupo dos Cinco, que se encontrava para conversar sobre os caminhos estéticos, políticos e sociais do Brasil no início do século XX. Tarsila do Amaral não participou da Semana de 22, mas é considerada uma das referências do movimento modernista, por sua atuação entre os artistas desse período e pelo estilo de suas obras.

PALAVRA DO ARTISTA

Sérgio Vaz (1964-) Quando você começa a assumir a periferia você se assume como patriota também, como alguém que respeita seu país, porque, para nós, a periferia é um país. Agora eu vou fazer poesia para o meu vizinho. As pessoas começaram a entender que nós precisamos formar leitores e público. A Cooperifa tem o Cinema na Laje, Cine Becos, Cine Quebrada, tem teatros para fazer na periferia. A gente fortaleceu a antropofagia periférica: pegamos toda essa cultura que vem do centro, mastigamos e entregamos de forma periférica. Damos nosso charme, nossa visão sobre as coisas. Queremos mostrar a poesia negra como ela é, a literatura periférica como ela é. Nosso teatro se comunica de outra forma, que não é nem melhor nem pior, é a nossa forma. A literatura periférica é melhor do que a universal? Não, ela apenas nos representa.

REGISTROS E AVALIAÇÃO Oriente os alunos a estabelecer relações entre o passado e o presente e a fazer os registros. • Quais conexões eles podem estabelecer entre as ações dos artistas da Semana de 22 e as ações dos dinamizadores culturais?

Entrevista de Sérgio Vaz. In: FERNANDES, Sarah. Sérgio Vaz, criador da Cooperifa: A periferia é um país. Disponível em: <https://www.redebrasilatual.com.br/revistas/121/aperiferia-e-um-pais-2631.html>. Acesso em: 5 nov. 2018.

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ao Brasil e expôs nas cidades de São Paulo e Campinas. Outro exemplo ocorreu em 1917, quando Anita Malfatti realizou em São Paulo sua exposição de arte moderna, bastante comentada pela opinião pública e pelos jornalistas da época, que fizeram duras críticas à sua proposta de arte.

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5. Comente com os alunos que, embora Tarsila do Amaral tenha sido fundamental para a arte modernista, ela não esteve presente no evento que aconteceu no Theatro Municipal de São Paulo, em 1922, porque estava na Europa realizando estudos de arte.

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CONEXÕES • Cooperifa. Disponível em: <http://livro.pro/4znzs2>. Acesso em: 17 nov. 2018. • Quebrada HQ. No Capão Redondo, a arte sai dos grafites para as páginas dos quadrinhos. Disponível em: <http:// livro.pro/9kyccq>. Acesso em: 17 nov. 2018.

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CONCEITOS EM FOCO • • • •

Cartografia de arte e cultura Identidade cultural Evento de arte e cultura Dinamizador cultural

BNCC UNIDADE TEMÁTICA • Artes integradas

arte em projetos

ARTES INTEGRADAS

Mapa cultural Que tal criar um mapa indicando os locais e as pessoas que movimentam a vida cultural de sua região?

HABILIDADES • (EF69AR31) • (EF69AR32) • (EF69AR35)

Que tal movimentar a cultura em sua escola? Na Oficina Guias de navegação será possível, por meio do exercício cartográfico, identificar a vida cultural de sua região. Os alunos poderão realizar pesquisas por meio da internet, por meio de entrevistas e realizando visitas in loco (acompanhadas por um adulto responsável). Além da identificação, a criação do mapa é também uma experiência estética que pode tomar diferentes formas. Após a consolidação dos mapas haverá material para divulgação da vida cultural local para a comunidade escolar. Os dados coletados podem compor um guia esquemático de pontos culturais e eventos da região e ser disponibilizados em cartazes a ser afixados em locais de circulação da escola. Se houver possibilidade, os alunos disponibilizarão o guia no site ou blogue da escola. Caso essa proposta seja colocada em prática pelos alunos, oriente-os a atualizar periodicamente o guia com informações de novos eventos. A escola tem grande potência dinamizadora, sendo muitas vezes uma das principais referências de seu bairro ou região. Conectar-se e impulsionar o fluxo da vida cultural pode tanto beneficiá-la quanto à comunidade a que pertence.

MATUITI MAYEZO/FOLHAPRESS

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS

A instalação A Viagem de Letris pela Cidade Gris, de Sylvia Amélia, esparrama um grande mapa de São Paulo feito de palavras recolhidas em diálogos com moradores da cidade sobre a cidade. Centro Cultural São Paulo, 2005.

Processo de criação

Oficina – Guias de navegação Você já estudou cartografia nas aulas de Geografia? A arte da cartografia é uma prática muito antiga de criação de mapas, cartas de navegação e outras formas de guiar as pessoas de um lugar a outro. Como os cartógrafos, vamos criar mapas para navegar por sua cidade ou seu bairro e descobrir lugares em que a arte e a cultura acontecem? Você pode aproveitar as informações coletadas para fazer um guia cultural, como sugerimos na página 181, e acrescentar outras, se considerar importante. Veja algumas dicas para criar esse mapa. • Elabore o mapa desenhando, pintando, colando, dobrando, recortando. • Outra possibilidade é utilizar um mapa impresso e desenhar e fazer anotações nele, para que quem o vir saiba o que são os pontos marcados. Utilize riscadores coloridos para indicá-los. 184

PARA AMPLIAR CONCEITOS No final do Ensino Fundamental, os jovens se veem cada vez mais inseridos no universo cultural e se deparam com a questão da identidade. Afinal, o que é ter uma identidade? Pertencer a um D2-ARTE-EF2-V9-U4-C2-176-191.indd 184

grupo? Ter gostos definidos? Fazer parte de uma determinada comunidade? A questão é complexa e sua dinâmica ganhou novos contornos nas últimas décadas. A sociologia tem dedicado especial atenção a essa questão e podemos destacar alguns

teóricos que investigaram o fenômeno, como Stuart Hall, Anthony Giddens e Zygmunt Bauman. Este difundiu uma imagem convidativa para pensarmos nosso tempo, a liquidez. Sociedade, amor e identidade teriam adotado uma dinâmica líquida, muito

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tema 2

Identidade cultural

Depois de uma longa jornada, o Ensino Fundamental chega perto da conclusão e o Ensino Médio se aproxima. Durante nove anos você experimentou diferentes formas de fazer arte, pensar na arte e apreciar arte. Materiais lhe foram apresentados; procedimentos e ações poéticas foram propostos; seu repertório cultural se ampliou no contato com obras e artistas; sua criatividade tomou impulso, e portas foram abertas para que você pudesse olhar, ouvir e sentir o mundo de maneiras variadas. ANDRE LUIZ MOREIRA/SHUTTERSTOCK.COM A arte aconteceu e acontece na escola, mas também fora dela, e tudo isso passa por você. A confluência das artes em você é única. Mesmo seus melhores amigos, que partilham trajetórias de vida e gostos muito parecidos, trazem a arte para a própria vida de forma única, singular. A dinâmica entre aquilo que é único e aquilo que é partilhado constitui nossa identidade. Quando nos identificamos com determinado grupo, acabamos nos relacionando com certos repertórios musicais e cinemaJovens na Comic Con Experience (CCXP), o maior congresso tográficos, escolhemos imagens, de histórias em quadrinhos, séries, ficção científica e filtramos assuntos, seguimos o games do Brasil, 2015. Muitos se fantasiam para ficar iguais ao seu personagem de ficção preferido. estilo, o comportamento e os hábitos desse grupo. Quem assume a identidade de personagens do universo dos super-heróis das histórias em quadrinhos, da ficção científica ou dos video games, usando fantasias para imitá-los, prontamente se identifica também com um grupo de pessoas que partilham essa afinidade. Todavia, mesmo com algo em comum, cada um desses fãs tem preferências, gostos e modos próprios de participar da arte e da cultura em geral. Essa identidade pessoal fica explícita, por exemplo, em seus objetos e em suas roupas. A arte na escola tem um papel importante na formação da identidade cultural, pois, além de dar acesso a múltiplos repertórios, desenvolve a expressividade pessoal e coletiva. Por meio das experiências artísticas, desenvolvemos habilidades e adquirimos uma identidade característica na expressão com o corpo, gestos, com a voz, por meio de imagens e sons. Assim se constrói uma relação com o mundo que ultrapassa padrões estéticos, os quais são capazes de limitar as possibilidades de escolha e a vivência de experiências significativas. 185

próxima da lógica do universo digital. Se até a primeira metade da década de 1990 a juventude tendia a se afirmar por meio de identidades fixas (punks, darks, grunges, nerds, esqueitistas, surfistas etc.), a tendência agora é assumir identidades temporá-

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rias e maleáveis. A mudança de paradigma se reflete nas novas dinâmicas culturais juvenis. Esse fenômeno não significa uma melhora ou piora com relação ao paradigma anterior, mas aponta quais são os novos desafios a serem enfrentados.

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+IDEIAS Pesquise mais com os alunos sobre Sylvia Amélia e sua obra, artista muito ligada a aspectos conceituais e à pesquisa acadêmica. Depois peça aos alunos para investigar como a obra A Viagem de Letris pela Cidade Gris se insere no contexto de sua produção. Indique o blogue da artista para a realização da oficina proposta na seção Arte em Projetos (blogue indicado em Conexões). REGISTROS E AVALIAÇÃO É fundamental registrar os processos de criação e de dinamização cultural desenvolvidos pelos alunos. Pode-se utilizar recursos digitais como fotografias e filmagens. Os materiais de registro criados poderão integrar a proposta de Arte em Projetos que encerra este capítulo. CONEXÕES • BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2001. • _________________. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2004. • _________________. Identidade: entrevista a Benedetto Vecchi. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2005. • Comic Con Experience (CCXP). Disponível em: <http:// livro.pro/fwfgcf>. Acesso em: 17 nov. 2018. • GIDDENS, Anthony. Modernidade e Identidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002. • HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A, 2005. • Sylvia Amélia. Disponível em: <http://livro.pro/48nzpb> e <http://livro.pro/ive5xt>. Acessos em: 17 nov. 2018.

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CONCEITOS EM FOCO • Arte e vida cultural • Identidade cultural • Evento de arte e cultura

na escola • Dinamizador cultural

BNCC UNIDADE TEMÁTICA • Artes integradas HABILIDADES • (EF69AR31) • (EF69AR34)

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Nestas páginas, preparamos os alunos para um momento especial, a celebração da conclusão de uma etapa de seu processo formativo. Salientamos o poder da força simbólica dos ritos de passagem na cultura humana. Questões estéticas são muito solicitadas para suas realizações. Posturas, gestos, vestimentas, música e ações simbólicas (e metafóricas) dão forma aos ritos. Na Índia existem diferentes ritos de casamento que diferem de região para região do país. Enquanto em alguns locais as mulheres das famílias participam ativamente da cerimônia, em outras nem a sogra nem a mãe da noiva podem estar presentes para não dar má sorte. As variações vão desde detalhes das roupas ao modo de se locomover durante a celebração. Na seção Mais de perto, destacamos alunos “acontecendo” e professores promovendo os acontecimentos artísticos na escola. Na imagem, os irmãos Robson e Rudson levam a dança desenvolvida na escola para o 16o Festival de Dança de Teresina, em 2012. Nas aulas dos professores, dançarinos e coreógrafos Roberto Freitas e Weyla Carvalho, alunos da escola pública

mundo conectado IVASHSTUDIO/SHUTTERSTOCK.COM

Rito de passagem

O que significa a passagem do Ensino Fundamental para o Ensino Médio? As culturas criaram diversos marcos na vida humana. Você já percebeu de quantas maneiras o tempo é marcado? Milênios, séculos, décadas, anos, meses, semanas, dias, horas, minutos, segundos... Assinalamos inícios e fins. Na passagem de dezembro para janeiro, celebramos o ano-novo, no qual desejamos a todos um ano melhor, deixamos pedidos, fazemos promessas. Mas quem definiu a duração do ano? Por que Em algumas religiões da Índia, os noivos caminham ele acaba em dezembro e recomeça em janeiro? com parte de sua roupa de casamento atada, simbolizando a união matrimonial. No Hinduísmo, Antes de o papa Gregório XIII (1502-1585) essa cerimônia se chama saptapadi (sete passos, ter instituído o calendário solar, em 1582, a dados ao redor de um fogo consagrado). maioria das culturas se guiava pelo ciclo lunar. Outras – como a islâmica – ainda se guiam por ele. Outras ainda adotam um calendário lunissolar, como a dos judeus, cujo ano-novo ocorre em torno do mês de setembro do calendário gregoriano. Marcar o tempo é humano, mas esse registro varia de cultura para cultura. Mesmo o nosso calendário não é inteiramente solar, e sim lunissolar, se levarmos em conta festividades cristãs como a Páscoa, determinadas pelo ciclo lunar. Outros eventos são celebrados com base no passar do tempo. O debute e a festa de debutante, por exemplo, marcaram e ainda marcam a vida de meninas que completam 15 anos de idade. O sentido original da festa era apresentar a jovem à sociedade, comemorando sua nova fase. Por marcar uma mudança de uma fase para outra, a festa de debutante é considerada um rito de passagem. Existem muitos outros: batismo, primeira comunhão, aniversário, casamento (veja a imagem acima), ordenação religiosa, promoção militar, funeral etc. Alguns são religiosos, como a primeira comunhão, o bar mitzvá, a iniciação xamânica. Os ritos de passagem têm um papel importante nas culturas. Servem de inspiração para celebrar a vida e nos fazem experimentar as qualidades de cada uma das fases. 1. Quais calendários você conhece? Quais outros existem?

2. Como o tempo é calculado em cada calendário?

3. De quais ritos de passagem você já participou? A quais você assistiu?

Pesquise também sobre ritos de passagem das culturas indígenas e africanas tradicionais.

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puderam vivenciar com profundidade a linguagem da dança e apresentar suas criações com a companhia Cordão Grupo de Dança. Na seção Palavra do artista, destacamos a figura do professor de Arte, que cria arte e fomenta a criação artística na escola. D2-ARTE-EF2-V9-U4-C2-176-191.indd 186

PARA AMPLIAR CONCEITOS Como marcamos o tempo? A cultura humana não apenas conta o tempo para calcular sua passagem, mas também o ritualiza. O conceito de “rito” aponta para procedimentos que são repetidos, o que

abrange desde hábitos e costumes até cerimônias. Talvez o exemplo mais emblemático seja a ritualização da passagem de ano. Queima de fogos, roupas brancas ou claras, promessas, ofertas, comidas e bebidas especiais são alguns dos elementos presentes na

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MAIS DE PERTO

A escola é o ponto de partida para o acontecimento artístico. Durante o Ensino Fundamental, muitas portas se abriram para a vivência e o conhecimento da música, do teatro, da dança, do cinema, das artes visuais e de outras linguagens artísticas. Seus professores de Arte apontaram caminhos, deram incentivo, apresentaram propostas e desafios. E você fez a arte acontecer muitas e muitas vezes. Cada professor tem o seu jeito de conduzir as aulas, de aproximar os alunos do mundo da arte. Mas os protagonistas são os alunos. São eles que criam, vivenciam, pesquisam, A dança possibilitou aos irmãos registram e expõem suas criações. Ao fazer arte, pode-se Robson e Rudson aprimorar suas descobrir novas formas de estar e acontecer. qualidades expressivas. Na foto, a Observe a imagem ao lado. coreografia Tribal, do Cordão Grupo de Dança, formado por alunos Dois irmãos, cada qual com seu corpo, descobrindo e ex-alunos da Escola Municipal suas possibilidades poéticas. Na escola, Robson descobriu Prof. João Porfírio de Lima Cordão, que todas as pessoas podem dançar e mostrou que seu em Teresina (PI), sob a direção do professor Roberto Freitas. corpo é diferente e potente. No Cordão Grupo de Dança, dançou coreografias para muitas escolas. Incentivados pelo professor Anderson Ferreira, seus alunos também foram protagonistas na Escola Estadual Paulo Kobayashi, na Zona Leste de São Paulo (SP). Lá as criações dos alunos são compartilhadas em exposições, mostras e festivais e a escola atua positivamente na formação da identidade cultural dos alunos. Que tal você também acontecer na sua escola?

VICTOR GABRIEL

Eu aconteço

REGISTROS E AVALIAÇÃO Proponha um momento de avaliação do ano letivo por meio do Diário de arte. Converse com os alunos sobre os momentos mais marcantes e o desenvolvimento poético no decorrer do percurso.

PALAVRA DO ARTISTA

Anderson H. Ferreira (1982-)

ANDERSON HENRIQUE FERREIRA

A mostra intitulada Mostra de Arte e Cultura Kobayana permitiu uma reflexão sobre como a arte pode colaborar para a formação de um aluno crítico e autônomo, incentivando as produções artísticas e desenvolvendo uma sensação de pertencimento através da exibição dos trabalhos criados em diversas propostas trabalhadas em sala de aula. A mostra foi aberta à comunidade […]. Entrevista exclusiva para os autores, em 23 de outubro de 2018.

Professor Anderson na abertura da Mostra de Arte e Cultura Kobayana, em 2016.

+IDEIAS As formas de contar o tempo guardam interessantes histórias. Proponha o estudo interdisciplinar dos calendários junto aos professores de História e Ciências, podendo abranger desde o calendário maia ao calendário cósmico de Carl Sagan. Instigue os alunos a pesquisar como culturas que utilizam calendários diferentes se organizam simultaneamente (como judeus e muçulmanos, que, apesar de possuírem calendários próprios, vivem em países que utilizam o calendário gregoriano como oficial).

CONEXÕES • ALENCAR, Lucas. Oito tipos de calendários usados pelo mundo. Revista Galileu, edição de janeiro de 2016. Porto Alegre: Editora Globo, 2016. Disponível em: <http:// livro.pro/set8if>. Acesso em: 17 nov. 2018. • Cordão Grupo de Dança une inclusão com dança contemporânea. Reportagem publicada em maio de 2018 no portal GShow. Disponível em: <http://livro.pro/ mi5o73>. Acesso em: 17 nov. 2018.

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celebração do réveillon. A Antropologia identificou ritos em diferentes culturas e com diferentes funções. Os momentos marcantes da vida tendem a ser celebrados de acordo com algum rito. Algumas solenidades, como a colação de grau, não apenas

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celebram como formalizam a conclusão da graduação de nível superior, sendo obrigatória para a expedição do diploma, diferentemente da formatura, cuja realização e participação são eletivas.

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CONCEITOS EM FOCO

na escola • Dinamizador cultural

BNCC UNIDADE TEMÁTICA • Artes integradas HABILIDADES • (EF69AR31) • (EF69AR32) • (EF69AR34) • (EF69AR35)

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS É chegado o momento de os alunos “acontecerem”. Para que o evento possa ser organizado e transcorrer bem, é interessante estabelecer equipes e suas responsabilidades. A realização de reuniões com as equipes ou representantes das equipes periodicamente colabora no acompanhamento, orientação e auxílio das ações. O festival artístico de formatura poderá ser realizado em um ou mais dias. É interessante combinar com os membros da escola a exclusividade dessa ação na data programada para o evento, como um dia especial no calendário escolar. Assim, toda a escola e comunidade poderão participar do evento.

arte em projetos

ARTES INTEGRADAS

Festival artístico de formatura

VICTOR GABRIEL

• Arte e vida cultural • Identidade cultural • Evento de arte e cultura

Que tal criar um rito de passagem artístico em sua escola para celebrar a conclusão do Ensino Fundamental? Alunos do Cordão Grupo de Dança apresentam a coreografia Por causa de você no Festival de Dança de Teresina.

Processo de criação Este é o momento de organizar um evento muito especial em sua escola para celebrar todo o percurso de aprendizagem artística até o 9o ano. Reúna-se com seu professor e seus colegas para conversar sobre a vontade e a possibilidade de criar um festival artístico de formatura na escola. Procurem diversificar as exposições e apresentações. Façam uma relação das diferentes propostas musicais, teatrais e de dança que vocês pretendem realizar e também das obras que poderão participar. A viabilidade pode ser um critério de seleção para participar da exposição, já que as propostas precisarão estar de acordo com a quantidade de trabalhos e deverão se adequar aos locais reservados para ela. Acertadas as propostas artísticas entre os alunos e o professor, preparem uma lista contendo as apresentações e as exposições, bem como os horários e o local em que serão realizadas. Verifiquem se poderão ocorrer apresentações simultaneamente em mais de um local da escola, se uma não interferirá na outra – o som alto de uma apresentação musical poderá atrapalhar a compreensão das falas de uma apresentação teatral, por exemplo – e se há recursos financeiros e técnicos para ambas, como equipamento de som. Depois de fechada a programação, preparem a divulgação do evento. Para convidar o público, façam cartazes e/ou panfletos informando sobre a data e os horários. O convite e a programação também poderão ser divulgados em mídias digitais. Pensem em formar equipes com diferentes funções: divulgação, registro do evento, recepção, organização e montagem, apoio às apresentações, coordenação do evento, comunicação etc. Os integrantes das equipes poderão também se apresentar. Combine os horários em que cada membro da equipe auxiliará no festival para que tudo transcorra bem. 188

PARA AMPLIAR CONCEITOS Na seção Arte em Projetos, trazemos uma proposta que tanto solicita aos alunos que coloquem em ação suas habilidades e conhecimentos quanto fomenta uma ação na escola na qual a celebração da D2-ARTE-EF2-V9-U4-C2-176-191.indd 188

conclusão do curso e a experiência da relação arte-público são oportunizadas. A organização de um festival artístico de formatura pode ser uma ação que passe a integrar o calendário de sua escola. Com isso, cria-se uma expectativa positiva en-

tre os alunos: os preparativos podem ser pensados no decorrer do ano letivo, o evento pode ser parte da vida cultural da comunidade e o caráter simbólico do final do Ensino Fundamental pode ser experienciado.

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+IDEIAS Ainda que a proposta seja a realização de um festival artístico de formatura, isso não significa que esta seja uma ação exclusiva da disciplina de Arte. É interessante envolver todos na escola que queiram participar. Pode-se abrir espaço para leituras de poesia, para modalidades artísticas da Educação Física etc. O importante é não perder o caráter artístico do evento.

ANDERSON HENRIQUE FERREIRA

Uma apresentação com todos os alunos poderia encerrar o festival. Pode ser uma apresentação com múltiplas linguagens ou uma performance, uma coreografia, uma encenação, enfim, uma ação de que todos possam participar. Além dos registros, pode-se preparar uma lembrança do festival de formatura, algo que todos levarão como recordação desse momento especial. + PERTO DE VOCÊ

Agora que você já mapeou a vida cultural de sua região e já se destacou na sua escola, que tal envolver também amigos e familiares? Seja um dinamizador cultural, proponha um roteiro artístico para fazer com um grupo, crie eventos envolvendo estudantes e artistas locais. Assim, você poderá potencializar a cultura que está perto de você!

REGISTROS E AVALIAÇÃO Incentive o registro de todas as etapas de organização, montagem, divulgação e realização do evento. Sugerimos, inclusive, a criação de uma equipe de registro formada por alunos para se concentrar exclusivamente nessa ação durante o festival. Após a realização do festival, pode-se promover a fruição dos registros, também em clima de celebração, e propor uma avaliação de todo o processo.

Alunos da Escola Estadual Paulo Kobayashi, em São Paulo (SP), finalizam com guache um painel lambe-lambe para a Mostra de Arte e Cultura Kobayana de 2016.

D i á r i o d e a rt e Seu Diário de arte é testemunha de todo o seu percurso artístico na escola. Ele se tornará uma rica memória de seu modo de pensar, seus interesses, suas invenções, dúvidas e descobertas. Preserve-o para que, no futuro, você consiga relembrar, reviver e reconhecer as preciosidades de sua vida.

CONEXÕES Muriele. • MASSUCATO, Seis dicas para organizar eventos com a comunidade escolar. Revista Gestão Escolar, São Paulo, maio de 2017. Disponível em: <http://livro. pro/xmzsbg>. Acesso em: 17 nov. 2018.

MISTURANDO TUDO Nesta Unidade, conversamos sobre vários artistas e propostas que põem em debate o processo criação. Escreva o que você pensa a respeito dos pontos a seguir. 1. O ato criador é uma forma de revelar o que pensamos ou desejamos? Ele pode acontecer na interação entre o ser humano e o mundo cultural vivido? 2. A cultura à qual pertencemos deflagra nossa forma de criar? 3. Entre pensar, ter uma ideia para um projeto artístico e desenvolvê-lo há muitas etapas de criação? Como você descreve seu processo de criação? 4. A arte pode estar ligada a várias áreas do conhecimento. Cite uma obra em que isso acontece e por que acontece. 5. A arte é um meio importante para expressar ideias e provocar mudanças na sociedade? 6. Como você vê sua participação na vida artística e na cultura da sua comunidade? Respostas pessoais.

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CONCEITO EM FOCO • O teatro ao longo do tempo

arte pelo tempo

HISTÓRIA DO TEATRO

BNCC

PROPOSIÇÕES PEDAGÓGICAS Apresente aos alunos as imagens das páginas 190 e 191 e comente que todas elas estão relacionadas à história do teatro. Leia os textos com os alunos e pergunte se eles já tiveram contato com algo parecido. No Brasil, por exemplo, o teatro itinerante tem um papel relevante em nossa cultura e se conecta, de alguma forma, à representação do ator grego Tépsis. Uma vez que a linha destaca apenas alguns pontos de uma história grande e complexa, pergunte aos alunos quais outros referenciais eles conhecem que não estão contemplados nestas páginas.

PARA AMPLIAR CONCEITOS O teatro, tal como as demais linguagens artísticas, tem sua origem ligada à religiosidade. Em seu desenvolvimento, o teatro voltou-se aos mais diversos aspectos da vida humana, trazendo elementos da imaginação, críticas sociais, dramas psicológicos, denúncias, sátiras, proposições sensoriais. Suas diferentes fases se somam e, atualmente, podemos assistir de encenações de tragédias gregas clássicas a montagens contemporâneas em locais inusitados. O mundo também está mais conectado. Antes, as manifestações teatrais no Brasil eram quase ex-

THEPALMER/GETTY IMAGES

JOHN W BANAGAN/GETTY IMAGES SCHERL/SÜDDEUTSCHE ZEITUNG PHOTO/KEYSTONE BRASIL

Espetáculos grandiosos de teatro musicado existem na China desde meados do século VI a.C. A ópera chinesa atual nasceu dessas tradições.

Gravura de 1870 da peça teatral Romeu e Julieta, de William Shakespeare, publicada pela primeira vez em 1597 e reencenada até a atualidade.

WORLD HISTORY ARCHIVE / ALAMY / FOTOARENA

HABILIDADES • (EF69AR24) • (EF69AR25) • (EF69AR26) • (EF69AR31) • (EF69AR32) • (EF69AR35)

Gravura publicada em 1915 retrata o grego Tépsis (séc. VI a.C.), considerado o primeiro ator do mundo ocidental e inventor do teatro itinerante, com sua carroça puxada por bois.

CLASSIC VISION/AGE FOTOSTOCK/ AGB PHOTO LIBRARY

UNIDADES TEMÁTICAS • Artes integradas • Teatro

A freira saxônica Roswitha von Gandersheim (c. 935-c. 973) escreveu várias peças teatrais e reelaborou a dramaturgia clássica, abordando temas edificantes dentro da cultura cristã.

O minueto (1754-1755), pintura a óleo sobre tela de Giovanni Domenico Tiepolo (1727-1804), retratou o estilo de dança e música difundido pela Commedia dell’Arte, estilo de teatro popular do século XVI ao XVIII.

PRÉ-HISTÓRIA

IDADE ANTIGA

(c. 2 milhões a.C.-4000 a.C.)

(c. 4000 a.C.-476 d.C.)

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clusivamente ocidentais, mas a chegada de imigrantes e a redução de distâncias proporcionada pela era digital abriram as portas para que outras culturas desenvolvessem suas formas teatrais em nosso país. É o caso do Nô e do Kabuki, do teatro japonês, e do Kathakali indiano. D2-ARTE-EF2-V9-U4-C2-176-191.indd 190

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ALF RIBEIRO/FOLHAPRESS

PHOTO12/GETTY IMAGES

VICTOR HUGO 'S HERNANI / LEBRECHT AUTHORS / BRIDGEMAN IMAGES/KEYSTONE BRASIL

O dramaturgo alemão Bertold Brecht (1898-1956), que aparece na foto com a banda de Karl Valentin, propôs um teatro narrativo que leva o espectador à reflexão crítica. A peça transcorre no palco, na plateia, no corredor, na rua...

O francês Victor Hugo (1802-1885), famoso autor do romance Os miseráveis (1862), participou antes da renovação do teatro francês, com peças como Hernani, anunciada nesse cartaz em montagem de 1830.

CLAUDIA CALABI

Exemplo de companhia teatral ligada à pesquisa, o Teatro de Arena surgiu em 1953 em São Paulo e estreou com a peça Esta noite é nossa, de Stafford Dickens, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP).

IDADE MÉDIA (476 d.C.-1453 d.C.)

O espetáculo O paraíso perdido, do grupo Teatro da Vertigem, foi montado em 1991, com concepção e direção de Antônio Araújo. Apresentado em uma igreja, rompeu com a estrutura de palco tradicional e, com atuações simultâneas em diferentes pontos, exigiu do público uma atitude mais ativa.

IDADE MODERNA

IDADE CONTEMPORÂNEA

(1453 d.C.-1789 d.C.)

(1789 d.C. à atualidade)

+IDEIAS Proponha aos alunos a criação de uma linha do tempo do teatro brasileiro que abranja também as manifestações populares. Podem ser incluídos eventos como os festivais de teatro de Porto Alegre (RS), Blumenau e Florianópolis (SC), Curitiba e Londrina (PR), Campinas, Pindamonhangaba, Presidente Prudente, Santos e São José do Rio Preto (SP), Angra dos Reis, Niterói e Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte, Teófilo Otoni, Uberlândia (MG), Salvador (BA), Brasília (DF), Alta Floresta (MT), Teresina (PI), Fortaleza e Guaramiranga (CE), Recife (PE), Natal (RN), João Pessoa (PB) e Porto Velho (RN). CONEXÕES • BERTHOLD, Margot. História mundial do teatro. São Paulo: Perspectiva, 2004. • Observatório dos Festivais. Acesse a página e confira a programação dos festivais realizados em todo o país. Disponível em: <http://livro.pro/ cupgm6>. Acesso em: 17 nov. 2018.

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referências Sites de artistas, companhias e museus

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Sites com artigos, entrevistas, textos, filmes e documentários

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Livros

ANTUNES, Arnaldo. 2 ou + corpos no mesmo espaço. São Paulo: Perspectiva, 1997 (Coleção Signos, v. 23). BARROS, Manoel de. Uma didática da invenção, III. In: _______. O livro das ignorãças. Rio de Janeiro: Alfaguara Brasil, 2016. BOSI, Alfredo. Reflexões sobre a arte. São Paulo: Ática, 2000. BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: arte. Brasília: MEC/SEF, 1997. CAMPOS, Augusto de. Despoesia. São Paulo: Perspectiva, 2016. COMPARATO, Doc. Da criação ao roteiro. São Paulo: Summus Editorial, 2018. DEWEY, John. Arte como experiência. São Paulo: Martins, 2010 (Coleção Todas as Artes). KATZ, Helena Tania. Um, dois, três – a dança é o pensamento do corpo. Belo Horizonte: FLD, 2005. p. 39. LEMINSKI, Paulo. Toda poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2013. SHAKESPEARE, William. Hamlet. Tradução de Lawrence Flores Pereira. São Paulo: Penguin Companhia, 2015. VÁRIOS AUTORES. Pois é, poesia. São Paulo: Global, 2005. Créditos do CD 9o ano Produção e mixagem: Fil Pinheiro Intérpretes: Abel Rocha, Alberto Kanji, Ana Cláudia de Assis, Ari Colares, Banda Sinfônica do Estado de São Paulo, Camilo Carrara, Daniel Pires, Elise Pittenger, Ensemble Aventure, Fabio Freire, Fabio Miranda, Fernando Tomimura, Fil Pinheiro, Grupo Cauim, Grupo de Improvisação Orquestra Errante (coordenador: Rogério Costa), Joana Monteiro, Joel de Souza, Luiz Tatit, Marcos Scheffel, Marcos Silva, Patrícia Nacle, Paulo Moura, Quaternaglia, Quinteto d’Elas, Ricardo Takahashi, Rommel Fernandes, Sérgio Villafranca, Tuca Fernandes, Wagner Ortiz.

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