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D.Lucas Barbosa


Motos

na estrada

- Sinalização

de segurança e a

técnica que distingue motociclista de motoqueiro

Autor D.Lucas Barbosa Projeto Gráfico e Editoração Eletrônica Edson Santos de Souza Editora Kiron

Criação e Editoração Eletrônica da Capa Ítalo Roberto Gonçalves da Silva Editora Kiron

Impressão e Acabamento Editora Kiron (61) 3563.5048 - www.editorakiron.com.br

B238 Barbosa, Dalvimar Lucas Netto; Motos na estrada - Sinalização de segurança e a técnica que distingue motociclista de motoqueiro / Dalvimar Lucas Netto Barbosa. – Brasília: Editora Kiron, 2012. 112 p. : il ; 21 cm ISBN 978-85-8113-060-6 1.Educação para o trânsito. 2. Segurança no trânsito. 3. Código de Trânsito Brasileiro (CTB). 4.Motociclismo. I. Título. CDU 351 (81) (1-8)


A gr a de cim e n t o

Agradeço primeiramente a Deus, por me proporcionar uma vida com muita saúde e oportunidades de adquirir conhecimentos para ensinar motociclistas a utilizarem sua motocicleta com técnica e segurança; À minha esposa Lídia da Mata, por também gostar de motocicletas e ter colaborado neste trabalho; In memoriam, a meus pais Dalvimar Cruzeiro Barbosa e Maria Magdalena Netto Barbosa, pela formação de vida que me deram; E a todos os amigos que colaboraram com informações técnicas para que este trabalho fosse concluído e, principalmente, aos motociclistas que assistiram minhas palestras e que muito me ensinaram neste inusitado mundo da motocicleta.


P r e fá cio A maioria das pessoas sonha em um dia poder escrever um livro durante sua vida, mas por circunstâncias adversas, não o podem. Somente uma minoria acaba realizando tal feito, que, no entanto, pode acabar em frustração, ou tornar-se um verdadeiro sucesso. Eu presencie a idéia e o amadurecimento desta obra, que certamente eletrizará os leitores. Como amigo do autor, sinto-me honrado em ser convidado a escrever o prefácio deste livro, pois sou motociclista, estradeiro e apaixonado por motocicletas.  Esse livro está longe de ser uma autobiografia, nele D.Lucas conta da sua paixão pelas motos e relata algumas passagens como motociclista e ainda policial rodoviário.  Essa obra não é só destinada à classe de motociclistas, mas ao público em geral, enriquecendo a todos, pois as experiências e técnicas relatadas aqui são todas verdadeiras, digo isto com muita propriedade, por que algumas delas eu vivenciei. Perfeccionista naquilo que faz, D.Lucas busca sempre ser o primeiro. Aplicado, extremamente  disciplinado como profissional, procura também passar a este livro a sua abnegação.  O leitor certamente se extasiará com esta leitura, porque ela vem recheada de aventuras, daquelas que só podemos presenciar em filmes e que fizeram parte do cotidiano de um motociclista estradeiro, que gosta de cruzar fronteiras e desbravar estradas, para conhecer novos lugares e fazer novos amigos.

Sergio Henrique Magalhães É motociclista e diretor do site www.encontrodemotos.com.br, um portal de informação e divulgação do motociclismo no Brasil.


Con t e ú do Abertura....................................................................................................... 9 O Código de Trânsito Brasileiro - CTB................................................. 15 A Motocicleta no Brasil........................................................................... 19 Motociclista ou Motoqueiro?.................................................................. 21 Segurança no trânsito e o acidente evitável / inevitável...................... 25 Estratégias de condução PIPDE............................................................. 30 Corredor de trânsito................................................................................ 32 Lei 11.705/2008 Lei seca ao volante....................................................... 35 Dirigir na defensiva “O bom uso dos retrovisores” Evite o ponto cego.................................................................................... 38 O bom e protetor capacete ..................................................................... 40 Curvas!....................................................................................................... 47 Técnica para levantar motos em caso de queda................................... 55 Viajando com garupa............................................................................... 58 Viajar de moto!......................................................................................... 61 Dicas importantes para sua segurança e da motocicleta:.................... 63 Para uma pilotagem segura em viagens ................................................ 64 Dicas de segurança para as viagens em grupo ..................................... 66 Como reduzir o estresse na hora de arrumar as malas e pegar a estrada ....................................................... 67 Deslocamento em grupo ........................................................................ 69 A Sinalização de segurança..................................................................... 72 Sinalização de segurança durante deslocamentos................................ 73 Algumas dicas de segurança................................................................... 91 Conselhos úteis (Vale lembrar)............................................................... 92 30 Perguntas frequentes sobre moto e motociclistas........................... 94 7


A be r t u r a Motocicleta, algo de que gosto. Lembro que, com 18 anos de idade, época em que motocicleta era cara e de difícil aquisição para qualquer mortal, passei em frente a uma concessionária da Yamaha, em Governador Valadares – Minas Gerais. A loja ficava na rua Marechal Floriano em frente à rodoviária, e apaixonei-me pela primeira vez por uma moto, o que seria amor eterno. A que estava em destaque na loja era uma TT 125 vermelha, e este modelo foi a percursora das trails, no País. Na época, moto grande era CB 400cc, e quem tinha uma 125 ficava bem na foto. Cheguei em casa eufórico e levei meu irmão Oscar, mais velho e já andador de motocicleta, para ver a maravilha na loja: pneus de trilha, para todo o tipo de terreno, antecessora da Yamaha DT 180, famosa pela sua versatilidade e também pelo forte cheiro de dois tempos que deixava no cabelo das namoradas. Lá estava ela, linda, esperando o felizardo para possuir aquela maravilha. O vendedor, atencioso: - “Uma entrada, e dividimos o restante em parcelas iguais.” Na época não me era fácil conseguir um financiamento, e seria necessário meu pai assumir a dívida. O salário do meu emprego no Jornal Diário do Rio Doce daria para pagar a prestação, ainda mais com a ajuda do meu irmão. Mas o trauma veio com a resposta de meu pai que, além de financiar, tinha de dar a entrada do financiamento! -Filho meu só compra moto quando puder pagar por ela. Não quero filho morto em acidente. Aquela água fria pôs fim ao nosso sonho, e só vim a andar na TT 125 muitos e muitos anos depois, quando ela já era peça de museu. A compra de minha primeira moto só foi realizada quando já tinha mais de 20 anos e morava em Teófilo Otoni, também em Minas Gerais, trabalhando de prestador de serviço para a Caixa Econômica Federal. Foi uma oportunidade ímpar. 9


Minha prima Nivia e seu marido Marquinhos, de Belo Horizonte, compraram uma ML 125 da Honda, moto que disputava com a própria Honda quem era a melhor: a ML ou a Turuna. Eu, como gostava mais da ML, fiquei satisfeito quando soube que meus primos a venderiam. Haviam levado um tombo indo para o aeroporto e se desgostaram, deixando-a encostada na garagem do prédio por mais de um ano, pneus murchos e sem limpeza. Quando fui a Belo Horizonte ver a moto, novamente me apaixonei: eu, finalmente, agora poderia ter a minha moto. E eu pagaria por ela! era minha! Negócio feito, a moto era, praticamente, zero. Ano 1988, vermelha. Até nome tinha, tamanha era a paixão: “Graziele”, homenagem a uma namorada da época, Experiência, nenhuma! mas assim mesmo fomos a Porto Seguro e a Mucuri, na Bahia, e a Guriri, no Espírito Santo, iniciando assim e aprendendo “na marra”, por falta total de conhecimentos e de revistas especializadas, o deslocamento com motos na rodovia. Até hoje sinto saudades da Graziela! por isto digo “nós”, quando falo dela, nas muitas histórias que poderiam ser contatas. Mas deixemos isto para outra publicação. O que pretendo dizer com esta abertura é mostrar a diferença de época e como era difícil adquirir uma motocicleta. Hoje, até mesmo jovens de 16 anos, já podem adquirir uma, apesar de ainda não poderem pilotar. Em um encontro de motoclubes, na cidade de Luziânia, em Goiás, conheci um jovem motociclista, garoto ainda, que com o salário de boy, pagava as prestações de sua moto 150cc. Claro que ele corria todos os riscos de ser apanhado pela polícia de trânsito. Mas, em cidade do interior é assim: eles arriscam, sem habilitação, pois nem idade têm para isto. Eu gosto de moto, sou apaixonado por motos. Gosto de ser motociclista, motoqueiro, qualquer nome que queiram dar. Em Brasília, o Sindimoto utiliza uma frase que admiro e que transmite toda uma verdade sobre as motos: “Moto não mata gente. Gente é que mata gente” A motocicleta é mágica, mas temos de conhecer seus limites porque se não os conhecermos a convivência será traumática e cheia de acidentes e cicatrizes. 10


Abertura

Em uma de minhas palestras para profissionais que utilizam motocicletas, um deles me contou que já contou 38 acidentes e achava isso normal. Disse a ele que não era normal, e que aquela capacitação pela qual ele estava passando provaria que ele não precisava ter tantas marcas pelo corpo. O acidente é evitável, mas para isto temos de ter as técnicas. Todos temos históricos de acidentes e, se pensarmos bem sobre o assunto, chegaremos à conclusão de que poderiam ser evitados. Aqueles 38 acidentes foram desnecessários. A sensação de liberdade é que norteia os motociclistas. A liberdade de poder estar em qualquer lugar a qualquer hora, de estar em sintonia com a natureza e poder ser dono de seu destino, é o que faz gostarmos de motocicleta. A parte ruim são os acidentes, mas eles podem ser evitados se houver respeito pela moto, medo do acidente e sabedoria para usar a máquina que tantos sonhos embalaram a adolescência, que, um dia, foram realizados. Hoje, com a facilidade de crédito e de financiamento a longo prazo, e com a quantidade de opções e marcas que o mercado de motos oferece, fica fácil a realização deste sonho: ser motociclista. Também há os que trabalham com motos e a utilizam para ganhar a vida. Mas, muitas vezes, para ganhar a vida muitos perdem a vida que queriam ganhar. Uma morte de motociclista é previsível e, portanto, evitável. E, se é evitável, por que não fazer cursos, participar de palestras de segurança, ler revistas especializadas, respeitar e ser respeitado no trânsito, já que o trânsito é feito pelas pessoas? E, como nas outras atividades humanas, quatro princípios são importantes para o relacionamento e convivência social no trânsito sem problemas: O primeiro deles é a dignidade da pessoa humana; O segundo princípio é a igualdade de direito; O outro é o da participação; Finalmente, o princípio da co-responsabilidade pela vida social. Tudo ocorre em menos de um minuto. Esperar, ter paciência, reduzir a velocidade na chuva, saber ultrapassar outro veículo, tudo isto pode fazer a diferença. Portanto, temos de nos especializar, nos capacitar para sermos um motociclista consciente no trânsito, que está cada vez mais conturbado. A história da motocicleta no Brasil, junto com a história de cada um, misturando desejos, sonhos, e a realização deles, tudo isto se so11


mando à necessidade de trabalho, vida social, diversão e cooperação, fará com que o Brasil se destaque não como recordista em acidentes, mas como um mercado consumidor exigente com a segurança e equipamentos de proteção individual com qualidade. Assim, as fábricas devem produzir motocicletas que ofereçam segurança e qualidade, como bem merece o consumidor brasileiro, ávido por possuir motocicletas com alta tecnologia e preço compatível para sua aquisição. A segurança sempre em primeiro lugar e, para isto, a responsabilidade sempre será prioridade no trânsito, porque como diria meu pai: “Motocicleta foi feita para cair”: Segurança, portanto, é tudo. Hoje, muitos anos depois, posso dizer que já andei em quase todas as marcas e cilindradas possíveis no Brasil. Trabalho com motocicleta e ela sempre esteve em todos os momentos de minha vida, e é com muito prazer que preparo este trabalho, voltado para a segurança do motociclista. Sou mais um entre muitos que se preocupam com a segurança deste ser estranho que usa roupas diferentes e que prefere deixar o conforto do carro para andar em duas rodas, esta pessoa que gosta de liberdade e natureza, esta pessoa que quer liberdade e estrada, viajando por este país continental, onde as opções não faltam. A realização deste trabalho tem como base a constante busca da segurança do motociclista no trânsito, pois a inquietação provocada pelos problemas sociais, decorrentes dos acidentes, produz em todos nós a preocupação e a responsabilidade de repassar conhecimentos para promover uma humanização e maior conscientização de todos os usuários deste veículo que tanto nos encanta. E, já que faço parte deste mundo motociclístico, ao contribuir com a minha parte, procurando levar aos motociclistas, amadores ou profissionais, o conhecimento que venho adquirindo em pesquisas, para que pilotem com responsabilidade e não se envolvam em acidentes. O trânsito é feito por pessoas, e como seres humanos devemos proteger e ser protegidos. Mudar comportamentos para uma vida coletiva com qualidade e respeito exige uma tomada de consciência das questões em jogo no convívio social e na convivência no trânsito. É a escolha dos princípios e dos valores que irá levar a um trânsito mais humano, harmonioso, mais seguro, justo e perfeito. 12


Abertura

Dedico este trabalho a você, motociclista brasileiro, que merece motocicleta com qualidade, segurança e, acima de tudo, uma boa qualificação como motociclista. Associar motocicleta a acidente é muito comum. Mas é um equívoco muito grande já que existem duas coisas que fazem as pessoas terem esta ideia e os acidentes acontecerem: a falta de educação e de respeito às leis de trânsito no Brasil. A educação, infelizmente, é uma questão de berço. Dificilmente ouvimos nas escolas, ou mesmo em nossa casa, alguma orientação sobre educação para o trânsito. Simplesmente ouvimos o famoso “não pode!”, e pronto. E não existem explicações sobre o porquê daquela proibição. Quando adultos somos indicados a frequentar uma auto-escola que não educa ninguém. Lá, simplesmente, é cumprido o mínimo do mínimo da legislação, e só é ensinado a se ficar em cima da moto. Lembro que um instrutor me disse: - “Use o freio no meio da curva.” Para quem tem o mínimo de conhecimento sabe que, dependendo da moto que se estiver usando, é tombo na certa. Outra questão são as pessoas que adquirem a moto: homem trabalhador, honesto, e que pode pagar as sessenta prestações e acaba sendo instruído pela auto-escola a montar na moto e se habilitar a pilotá-la (se é que o que ensinam serve para habilitar alguém). Este cidadão consegue um trabalho com a moto, vai para o trânsito, e com certeza se envolverá em acidentes. Isto sem falar no norte do País, onde a maioria nem mesmo se habilita. Será que este motociclista vai se equipar com segurança? Moto não é tão perigosa assim. Perigosa é a pessoa que a conduz. É a mesma coisa que andar de barco sem colete salva vidas, andar de carro sem o cinto de segurança, ou um piloto de avião que não utiliza os procedimentos corretos: estes veículos são igualmente perigosos, ou mais, que as motos. A questão é a ausência do Estado, na formação do cidadão que quer se habilitar para andar de motocicleta. O sistema de formação de condutores de moto não prepara adequadamente o novo motociclista para enfrentar o trânsito urbano ou mesmo para pilotá-la com os devidos conhecimentos e habilidades para sua segurança. Ensinamentos como: ajuste da moto ao condutor, frenagem, redução, momento ideal de troca de marcha, curvas, paradas em subidas 13


e como trafegar na cidade e estrada, sozinho e com carona, muitas vezes nem são abordados. Deveriam preparar o novo habilitando com mais responsabilidade, pois ele será um motociclista que irá se deslocar por entre o conturbado trânsito urbano e em viagens, vai necessitar desenvolver técnicas básicas de pilotagem. Dentre o que deve ser abordado, nos cursos de habilitação, considero principalmente, treinamentos práticos em pista, e isto não acontece. Para os motoboys e profissionais que utilizam motocicleta para trabalhar nas grandes cidades, deveria haver uma instrução específica, com aperfeiçoamento, para reduzir os altos índices de acidentes com estes motociclistas. E, finalmente, nos Moto Grupos e Moto Clubes, seria bom que seus integrantes desenvolvessem melhores técnicas de pilotagem em estradas e saber melhor como andar em grupo e com carona. Para cada público específico, vamos passar temas como: Sinalização de segurança, frenagem, curvas, manobrabilidade, andar sozinho e com carona, em ruas e estradas, como andar em grupo e como levantar uma moto caída. Assim, fazendo a nossa parte, esperamos estar contribuindo para que possamos ter um trânsito mais seguro para todos.

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O Código de Trânsito Br a sil e iro - CTB Em 23 de setembro de 1997 é promulgada pelo Congresso Nacional a Lei nº 9.503, que instituiu o Código de Trânsito Brasileiro, sancionada pela Presidência da República, entrando em vigor em 22 de janeiro de 1998, estabelecendo, logo em seu artigo primeiro, aquela que seria a maior de suas diretrizes, qual seja, a de que o “trânsito seguro é um direito de todos e um dever dos órgãos e entidades do Sistema Nacional de Trânsito”. De acordo com o Inciso II, do Artigo V, da Const ituição da República Federativa do Brasil, “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa em virtude da lei”. Portanto, havendo lei, todas as pessoas, indistintamente, devem respeitá-la e cumpri-la. O Trânsito é regido pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), instituído pela Lei nº. 9.503, de 23 de setembro de 1997, e por legislação complementar (resoluções, portarias, decretos, etc). O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte lei: Capítulo I Disposições Preliminares Artigo I - O trânsito de qualquer natureza nas vias terrestres do território nacional, abertas à circulação, rege-se por este código.

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Capítulo III Artigo 54 Os condutores de motocicletas, motonetas e ciclomotores só poderão circular nas vias: I – utilizando capacete de segurança, com viseira ou óculos protetores; II – segurando o guidom com as duas mãos; III – usando vestuário de proteção, de acordo com a especificação do Contram. Artigo 55 Os passageiros de motocicletas, motonetas e ciclomotores só poderão ser transportados: I – utilizando capacete de segurança II – em carro lateral acoplado aos veículos ou em assento suplementar atrás do condutor; III – usando vestuário de proteção, de acordo com as especificações do Contram. Artigo 56 (vetado) Artigo 57 – Os ciclomotores devem ser conduzidos pela direita da pista de rolamento, preferencialmente no centro da faixa mais à direita ou no bordo direito da pista sempre que não houver acostamento ou faixa a eles destinada, proibida a sua circulação nas vias de trânsito rápido e sobre as calçadas das vias urbanas. Art. 244. Conduzir motocicleta, motoneta e ciclomotor: I - sem usar capacete de segurança com viseira ou óculos de proteção e vestuário de acordo com as normas e especificações aprovadas pelo CONTRAN; II - transportando passageiro sem o capacete de segurança, na forma estabelecida no inciso anterior, ou fora do assento suplementar colocado atrás do condutor ou em carro lateral; III - fazendo malabarismo ou equilibrando-se apenas em uma roda; IV - com os faróis apagados; V - transportando criança menor de sete anos ou que não tenha, nas circunstâncias, condições de cuidar de sua própria segurança: 16


O Código de Trânsito Brasileiro - CTB

Infração – gravíssima; Penalidade - multa e suspensão do direito de dirigir. Medida administrativa - Recolhimento do documento de habilitação; VI - rebocando outro veículo; VII - sem segurar o guidom com ambas as mãos, salvo eventualmente para indicação de manobras; VIII – transportando carga incompatível com suas especificações o ou em desacordo com o previsto no § 2 do art. 139-A IX – efetuando transporte remunerado de mercadorias em desacordo com o previsto no art. 139-A desta Lei ou com as normas que regem a atividade profissional dos mototaxistas. Infração – grave; Penalidade – multa. Medida administrativa – apreensão do veículo para regularização. § 1º Para ciclos aplica-se o disposto nos incisos III, VII e VIII, além de: a) conduzir passageiro fora da garupa ou do assento especial a ele destinado; b) transitar em vias de trânsito rápido ou rodovias, salvo onde houver acostamento ou faixas de rolamento próprias; c) transportar crianças que não tenham, nas circunstâncias, condições de cuidar de sua própria segurança. § 2º Aplica-se aos ciclomotores o disposto na alínea b do parágrafo anterior: Infração – média. o § 3 A restrição imposta pelo inciso VI do caput deste artigo não se aplica às motocicletas e motonetas que tracionem semi-reboques especialmente projetados para esse fim e devidamente homologados pelo órgão competente. Penalidade – multa. Agente da autoridade de trânsito: Pessoa, civil ou policial militar, credenciada pela autoridade de trânsito para o exercício das atividades de fiscalização, operação, policiamento ostensivo de trânsito ou patrulhamento. Autoridade de trânsito: dirigente máximo de órgão ou entidade executiva integrante do Sistema Nacional de Trânsito ou pessoa por ele expressamente credenciada. 17


Motocicleta: Veículo automotor de duas rodas, com ou sem side-car, dirigido por condutor na posição montada. Motoneta: Veículo automotor de duas rodas, dirigido por condutor em posição sentada.

DA CONDUÇÃO DE MOTO-FRETE Art. 139-A. As motocicletas e motonetas destinadas ao transporte remunerado de mercadorias – moto-frete – somente poderão circular nas vias com autorização emitida pelo órgão ou entidade executiva de trânsito dos Estados e do Distrito Federal, exigindo-se, para tanto: I – registro como veículo da categoria de aluguel; II – instalação de protetor de motor mata-cachorro, fixado no chassi do veículo, destinado a proteger o motor e a perna do condutor em caso de tombamento, nos termos de regulamentação do Conselho Nacional de Trânsito – Contran; III – instalação de aparador de linha antena corta-pipas, nos termos de regulamentação do Contran; IV – inspeção semestral para verificação dos equipamentos obrigatórios e de segurança. o § 1 A instalação ou incorporação de dispositivos para transporte de cargas deve estar de acordo com a regulamentação do Contran. o 2 É proibido o transporte de combustíveis, produtos inflamáveis ou tóxicos e de galões nos veículos de que trata este artigo, com exceção do gás de cozinha e de galões contendo água mineral, desde que com o auxílio de side-car, nos termos de regulamentação do Contran. Art. 139-B. O disposto neste Capítulo não exclui a competência municipal ou estadual de aplicar as exigências previstas em seus regulamentos para as atividades de moto-frete no âmbito de suas circunscrições.

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A Mo t ocicl e ta no Br a sil A história da motocicleta no Brasil começa no início do século passado com a importação de muitas motos européias e algumas de fabricação americana, juntamente com veículos similares como sidecars e triciclos com motores. No final da década de 10 já existiam cerca de 19 marcas rodando no País, entre elas as americanas Indian e Harley-Davidson, a belga FN de 4 cilindros, a inglesa Henderson e a alemã NSU. A grande diversidade de modelos de motos provocou o aparecimento de diversos clubes e de competições, como o raid do Rio de Janeiro a São Paulo, numa época em que não existia nem a antiga estrada Rio-São Paulo-Rio No final da década de 30 começaram a chegar ao Brasil as máquinas japonesas, a primeira da marca Asahi. Durante a guerra as importações de motos foram suspensas, mas retornaram com força após o final do conflito. Chegaram NSU, BMW, Zündapp (alemãs), Triumph, Norton, Vincent, Royal-Enfield, Matchless (inglesas), Indian e Harley-Davidson (americanas), Guzzi (italiana), Jawa (tcheca), entre outras. A primeira motocicleta fabricada no Brasil foi a Monark (ainda com motor inglês BSA de 125cm3), em 1951. Depois a fábrica lançou três modelos maiores com propulsores CZ e Jawa, da Tchecoslováquia, e um ciclomotor (Monareta) equipado com motor NSU alemão. Nesta mesma década apareceram em São Paulo as motonetas Lambreta, Saci e Moskito, e no Rio de Janeiro começaram a fabricar a Iso, que vinha com um motor italiano de 150cm, a Vespa e o Gulliver, um ciclomotor. O crescimento da indústria automobilística no Brasil, juntamente com a facilidade de compra dos carros, a partir da década de 60, praticamente paralisou a indústria de motocicletas. Somente na década de 70 o motociclismo ressurgiu com força, verificando-se a importação de motos japonesas (Honda,Yamaha, Susuki) e italianas. Surgiram também as brasileiras FBM e a AVL. No final dos anos 70, início dos 80, surgiram várias montadoras, como a Honda, Yamaha, Piaggio, Brumana, Motovi 19


(nome usado pela Harley-Davidson na fábrica do Brasil), Alpina, etc. Nos anos 80 observou-se outra retração no mercado de motocicletas, quando várias montadoras fecharam as portas. Foi quando apareceu a maior motocicleta do mundo, a Amazonas, que tinha motor Volkswagen de 1600cm3. Atualmente, a Honda e a Yamaha dominam o mercado brasileiro, mas outras marcas despontam e ocupam o espaço que não para de crescer.

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Motos na Estrada  

A realização deste trabalho tem como base a constante busca da segurança do motociclista no trânsito, pois a inquietação provocada pelos pro...

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